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A Era Mauá e a industrialização no Brasil

Matriz do Enem – Ciências Humanas


Competência de área 4 - Entender as transformações técnicas e tecnológicas e seu impacto nos
processos de produção, no desenvolvimento do conhecimento e na vida social.
Habilidade 19 - Reconhecer as transformações técnicas e tecnológicas que determinam as
várias formas de uso e apropriação dos espaços rural e urbano.

Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Maua_00.png>. Acesso em: 12 dez. 2013.

Quando a figura de um sujeito histórico chega a dar nome a uma época é porque essa figura
representou muito para o seu contexto. Isso aconteceu com o Barão de Mauá. Seu
empreendedorismo deu nome a Era Mauá no século 19 no Brasil, especificamente no Segundo
Reinado, durante o governo de Dom Pedro II.

O nome do Barão de Mauá era Irineu Evangelista de Sousa. Visionário e pragmático destacou-
se no Período Imperial como empresário, industrial, banqueiro, político e diplomata. Sua biografia
caracteriza seu esforço pelo trabalho, uma vez que, já aos 11 anos, realizava o trabalho de
balconista em uma loja de aviamentos e tecidos. Sua competência e habilidades no ramo
comercial o tornaram aos 23 anos sócio de uma loja de produtos importados, o que lhe despertou
interesse em conhecer a Inglaterra para onde partiu.

A viagem e os conhecimentos adquiridos nas terras britânicas estimularam Irineu Evangelista a


motivar o Brasil a entrar na era da industrialização e da busca da autossuficiência no campo
produtivo e comercial. Junto à sua motivação estava a Lei Alves Branco de 1844 que elevava a
tarifa sobre produtos importados. Era preciso buscar formas de produção em terras brasileiras,
essa era a firme crença do futuro Barão de Mauá. Assim o fez.

Com sua ousadia e empreendedorismo, alavancou investimentos em bancos para a construção


de estaleiros, resultando na indústria naval imperial que cresceu em Niterói. Além de barcos, suas
indústrias desenvolveram máquinas a vapor, armas, canos para a rede hidráulica, máquinas para
marcenaria e pequenos guinchos. Logo, tornou-se referência de gestor moderno e focado na
industrialização e diversificação de negócios.

Deslumbrado com modelos conhecidos na Inglaterra, aportou investimentos junto a sócios


ingleses e estabeleceu serviços de iluminação pública a gás, ferrovias de longa distância e
rodovia unindo o Rio de Janeiro a Minas Gerais. Com sua visão capitalista liberal fundou bancos
e pregava a modernização do país com o fim da escravidão. Essa postura o fez ser perseguido,
enfrentar sabotagens em seus projetos e críticas de apoiadores do governo que o temiam e
invejavam sua capacidade de empreender.

Graças ao Barão de Mauá, o Segundo Reinado avançou com um surto industrial e não manteve
sua economia, somente, agroexportadora. Houve, neste período, uma modernização que
mostrava claramente a necessidade de melhorar o modelo econômico que se fundamentava na
plantation (latifúndio, monocultura e escravidão). O Brasil precisava, segundo o Barão de Mauá,
ir além da cafeicultura e dinamizar outras atividades para fortalecer o mercado interno.

O surto de industrialização defendido pelo Barão de Mauá mudou o cenário econômico para os
centros urbanos em detrimento do ruralismo até então predominante. Partidário da rapidez nas
comunicações investiu na introdução do telégrafo submarino entre o Brasil e a Europa. Sua
cosmovisão futurista, porém, incomodou setores conservadores que se esforçavam para
enfraquecer seus negócios e denegrir sua postura política.

O ano de 1875 demarcou a crise da Era Mauá, após a falência e a venda de suas propriedades
para quitar seu grande volume de dívidas. Após essa data, com a queda do seu prestígio e poder
econômico, o governo de Dom Pedro II restringia ajuda econômica para uma nova alavancagem
financeira. No final do século 19, o Barão operou negócios não mais como dono, mas como
intermediário nas exportações de café.

Segundo estudiosos, a elaboração de uma nova tarifa alfandegária chamada de "Tarifa Silva
Ferraz" (1865) reduziu as taxas sobre importação e afetaram em cheio os negócios limitando o
protecionismo que fortaleceu os negócios de Mauá. Muitos líderes do governo imperial
festejaram, pois, não simpatizavam com as ideias e práticas de Mauá, por ser liberal, abolicionista
e contra conflitos, como a Guerra do Paraguai que, na sua visão, eram desnecessários. A Era do
Barão de Mauá e suas iniciativas declinaram, mas mostraram que o Brasil poderia abrir espaços
para a indústria em sua economia.

Questões

Assista ao filme disponível no link abaixo e responda às questões propostas.


http://www.youtube.com/watch?v=AW3lfN7z_x0

1. EXPLIQUE a relação da Era Mauá com a viagem de Irineu Evangelista de Sousa para a
Inglaterra.

2. A chamada “Era Mauá”, que marcou o Segundo Império Brasileiro, foi marcada por inúmeras
iniciativas modernizantes como a construção de ferrovias e de companhias de comércio, a
instalação do telégrafo e a disseminação de bancos na capital imperial e em grandes cidades da
época.

Esse surto de desenvolvimento interno resultou:

(A) da aprovação das Tarifas Alves Branco, cujas diretrizes substituíram o livre-cambismo até
então existente no país.
(B) da crise cafeeira, que obrigou o empresariado a buscar novas fontes de lucro em atividades
até então desconhecidas no país.
(C) da disponibilidade de capitais advindos da extinção do tráfico negreiro, os quais atraíram
alguns proprietários e comerciantes brasileiros no sentido de expandir seus negócios.
(D) do esforço britânico em desenvolver a industrialização tradicional no Brasil de forma a torná-lo
subsidiário de seus produtos e equipamentos menos avançados.
(E) do vital apoio do governo imperial às iniciativas modernizadoras de Mauá por meio de uma
rígida política protecionista em relação ao café.

3. Irineu Evangelista de Sousa, Barão e Visconde de Mauá é apontado como um dos principais
responsáveis pela modernização vivenciada no Segundo Reinado. No trecho a seguir, ele
menciona alguns de seus planos a D. Pedro II.
"... esta estrada de ferro, que se abre hoje ao trânsito público, é apenas o primeiro passo de um
pensamento grandioso. Esta estrada, Senhor (D. Pedro II), não deve parar e, se puder contar
com a proteção de Vossa Majestade, seguramente não parará senão quando tiver assentado a
mais espaçosa de suas estações na margem esquerda do rio das Velhas."
Barão de Mauá, quando da inauguração da estrada de ferro Rio-Petrópolis, em 1854.

A) Após ler os textos, apresente três realizações de Mauá que explicitem o papel modernizador a
ele atribuído.

B) Discuta as relações entre as iniciativas de Mauá e o Governo Imperial.