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NATUREZA E CULTURA

Marcelo José Caetano

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Caetano, Marcelo José

Natureza e cultura / Marcelo José Caetano; Belo Horizonte, 2019. 12 p.


Apostila (Curso de Ciências Contábeis/ Curso de Administração) – PUC Minas
Ead, 2019.
1. Natureza. 2. Cultura. 3. homo sapiens. I., , II. Título. /
Marcelo José Caetano

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NATUREZA E CULTURA
Orientação de Estudo

Habilidades a serem desenvolvidas (objetivos da Unidade)

1. Definir natureza e cultura, distinguindo-as entre si a partir dos conceitos e características


apresentados no roteiro de aula e nos textos indicados do acervo da biblioteca da PUC Minas
(Biblioteca Pe. Alberto Antoniazzi).
2. Reconhecer, a partir das diferenças existentes entre o mundo humano e o mundo animal, o
caráter dos seres humanos enquanto animais simbólicos.
3. Perceber a importância da cultura como o que conforma os homens e mulheres, oferecendo-
lhes uma identidade, valores e princípios que os guiam em suas ações e interações uns com
os outros e com o mundo.

Temáticas da Unidade e Referências Bibliográficas

As discussões propostas nessa unidade de ensino referem-se às distinções e também às


convergências existentes entre NATUREZA e CULTURA. Inicialmente são apresentados
conceitos e características dos termos que nomeiam a unidade e posteriormente são abordados
objetos que possibilitam a reflexão sobre eles, sugerindo-se um debate em que os limites que
separam o homem e os outros animais sejam questionados, problematizados e redefinidos.
Os temas e objetos abordados nessa unidade dizem respeito à natureza e à cultura. Inicialmente,
abordam-se conceitos e características a eles referentes. Posteriormente, consideram-se
temáticas que permitam a reflexão e o debate sobre o que é o homem, isto é, a passagem à
cultura, as identidades culturais e os lugares do homem na cultura.

REFERÊNCIAS:
GOMES, Mércio Pereira. Cultura e seus significados. In: Antropologia: ciência do homem,
filosofia da cultura. São Paulo: Contexto, 2008. p. 33 – 51 (livro eletrônico – disponível na
Biblioteca Pe. Alberto Antoniazzi)
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 14. ed. São Paulo: Ática, 2010.

Metodologia do Processo de Ensino e Aprendizagem

1. Leitura da unidade de ensino “Natureza e Cultura”, disponível no ambiente EAD de


ensino/aprendizagem;
2. Leitura do capítulo “Cultura e seus significados” e “Cultura e civilização” do livro Antropologia:
ciência do homem, filosofia da cultura, de Mércio Pereira Gomes:
2.1. GOMES, Mércio Pereira. Antropologia: ciência do homem, filosofia da cultura. São Paulo:
Contexto, 2008. p. 33-51.
3. Leitura de textos e materiais didáticos complementares – livro, boletins, videoaula, filmes e
documentários indicados durante o semestre letivo.

Critérios de Avaliação

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Os critérios de avaliação adotados à análise e apuração de notas nas atividades dissertativas
serão os seguintes:
1. Completude (foi possível compreender a resposta como texto autônomo, sem necessidade
do enunciado?),
2. Precisão na resposta (o solicitado no enunciado foi atendido com objetividade na resposta?),
3. Resposta completa (todas as indagações trazidas pelo comando foram aludidas e
respondidas?),
4. Estrutura dissertativa (o texto demonstra introdução, desenvolvimento e conclusão com
clareza?),
5. Aspectos gramaticais (ortografia, acentuação, regência, concordâncias e sintaxe).
Processo de avaliação

Para conhecer o processo de avaliação, verifique o calendário da disciplina.

1. NATUREZA
1.1. A Natureza é, segundo Chauí (2000), a substância (matéria e forma) dos seres. É o
conjunto de qualidades e atributos que definem algo ou alguma coisa, é o seu caráter ou
índole inata, espontânea.
1.2. Natureza é a ordem e a conexão universal e necessária entre as coisas, expressas em leis
naturais. O que é natural opõe-se ao artificial, artefato, artifício, técnico e tecnológico.
1.3. Natureza é o que é natural, ou seja, é tudo quanto se produz e se desenvolve sem
quaisquer interferências humanas.
1.4. A Natureza não é apenas a realidade externa, dada e observada, percebida diretamente
por nós, mas é um objeto de conhecimento construído pelas operações científicas, um campo
objetivo produzido pela atividade do conhecimento, com o auxílio de instrumentos
tecnológicos.

2. CICLO FUNCIONAL ORGÂNICO: REAÇÕES INSTINTIVAS

Ambiente externo

Sistema
Estímulo Resposta
receptor

Todo organismo, até o mais rudimentar, se adapta, num sentido amplo, ao seu meio e se vê
inteiramente coordenado com seu ambiente. De acordo com sua estrutura anatômica, possui um

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sistema receptor e um sistema destinado a responder aos estímulos de seu meio. O sistema
receptor, pelo qual uma espécie biológica recebe os estímulos externos e o sistema pelo qual
reage a ele estão, em todos os casos, intimamente interligados, pois são elos de uma mesma
cadeia, descrita por Uexkull como o círculo funcional do animal.

3. O QUE É O HOMEM
3.1. O homem, segundo CORETH (1976), não está atado rigidamente à natureza e, em razão
disso, precisa configurar sua vida de um modo autônomo e responsável. Dessa forma,
pergunta-se sobre o que é e o que é o mundo em que está inserido.
3.2. O homem quer e precisa saber - e isto é parte do que ele é e significa – sua origem, qual
o sentido de seu estar e ser no mundo e para onde vai, qual é o fim de sua existência:
3.2.1. De onde viemos?
3.2.2. O que estamos fazendo aqui?
3.2.3. Para onde vamos?

4. CICLO FUNCIONAL HUMANO (SIMBÓLICO)

Ambiente externo

Sistema Sistema Resposta


Estímulo receptor Simbólico humana

O círculo funcional do homem não foi apenas quantitativamente aumentado; sofreu também uma
mudança qualitativa. O homem, por assim dizer, descobriu um novo método de adaptar-se ao
meio. Entre o sistema receptor e o sistema de reação, que são encontrados em todas as espécies
animais, encontramos no homem um terceiro elo, que podemos descrever como o sistema
simbólico. Essa nova aquisição transforma toda a vida humana. Em confronto com os outros
animais, o homem não vive apenas numa realidade mais vasta; vive, por assim dizer, numa nova
dimensão da realidade.

5. AS DIFERENÇAS EXISTENTES ENTRE O HOMEM E OS OUTROS ANIMAIS:

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5.1. As diferenças existentes entre o homem e os outros animais não são apenas de grau, pois,
enquanto os outros animais permanecem limitados rigidamente às exigências de seu corpo
biológico, o homem é capaz de transforma-la.
5.2. O mundo resultante da ação humana não é um mundo que podemos chamar de natural,
pois se encontra transformado pelo homem.

6. O HOMEM: UM ANIMAL SIMBÓLICO:


6.1. O homem, conforme Cassirer (1977), não lida com as coisas mesmas. Pode-se dizer que
ele se envolveu de tal maneira em formas linguísticas, imagens artísticas, símbolos míticos ou
ritos religiosos que não vê ou conhece coisa alguma senão pela intermediação desse meio
artificial. Os seres humanos vivem no meio de emoções, esperanças e temores, ilusões e
desilusões, sonhos e fantasias. Como afirma Epiteto, perturba e alarma o homem não são as
coisas, mas suas opiniões e fantasias a respeito delas.

7. CULTURA
7.1. Dois são os significados iniciais da noção de Cultura:
7.1.1. A noção de CULTURA, derivada do verbo latino colere (cultivar, criar, tomar conta e
cuidar), significava o cuidado do homem com a Natureza (agricultura), o cuidado com os
deuses (culto), o cuidado com a alma e o corpo das crianças, com sua educação e
formação (puericultura). Nessa acepção, CULTURA é o cultivo ou a educação do espírito
das crianças para se tornarem membros da sociedade pelo aperfeiçoamento e
refinamento das suas qualidades naturais (caráter, índole, temperamento);
7.1.2. Desde o século XVIII, CULTURA passa a significar os resultados daquela formação ou
educação dos seres humanos, resultados expressos em obras, feitos, ações e instituições:
as artes, as ciências, a Filosofia, os ofícios, a religião e o Estado. Torna-se sinônimo de
civilização.

7.2. Cultura é aquele todo complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costume
e quaisquer outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem na condição de membro
da sociedade (TYLOR, Edward Burnett, grifos nossos).
7.3. Cultura é o complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das instituições e de
outros valores espirituais e materiais transmitidos coletivamente e característicos
de uma sociedade (AURÉLIO).

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7.4. Cultura “é todo um conjunto de práticas e expectativas sobree a totalidade da vida: nossos
sentidos e distribuição de energia, nossa percepção de nós mesmos e nosso mundo. É um
sistema vivido de significados e valores constitutivo e constituidor que, ao serem
experimentados como práticas, parecem confirmar-se reciprocamente”. WILLIAMS,
Raymond. Marxismo e literatura. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 113).

8. SOBRE A CULTURA:
8.1. Cada cultura trilha seus próprios caminhos, pois é influenciada pelos diferentes eventos
históricos que enfrenta.
8.2. Os seres humanos são o resultado do meio cultural em que foram socializados. São
herdeiros de um longo processo acumulativo que reflete o conhecimento e a experiência
adquiridos pelas gerações que o antecederam. O uso adequado e criativo desse patrimônio
cultural permite as inovações e as invenções.
8.3. Os homens, ao contrário dos outros animais, podem questionar seus próprios hábitos e
modificá-los.
8.4. O processo de aquisição da cultura fez com que os homens dependessem muito mais do
aprendizado do que de atitudes geneticamente determinadas.
8.5. O estudo da cultura nos permite estudar os códigos simbólicos partilhados pelos membros
de uma determinada cultura.

9. DISTINÇÕES ENTRE A NATUREZA E A CULTURA:


9.1. PROGRAMAÇÃO FECHADA (ciclo funcional orgânico) e PROGRAMAÇÃO ABERTA
(ciclo funcional simbólico):
9.1.1. Que diferença (s) existe (m) entre as reações orgânicas, isto é, as reações do corpo
biológico e as respostas humanas? Qual é o novo método de o homem adaptar--se ao
meio?
9.1.2. Por que o homem não pode ver a realidade, por assim possibilidade de interrogar. Só o
homem se encontra imerso na possibilidade e necessidade de perguntar. É o distintivo
peculiar de sua forma de ser. Que es el hombre? - Esquema de uma antropologia filosófica.
Barcelona: Herder, 1976).
9.2. O homem [...] descobriu um novo método de adaptar-se ao meio. Entre o sistema receptor
e o sistema de reação, que encontra em todas as espécies animais, encontramos no homem
um terceiro elo, que podemos descrever como o sistema simbólico. Esta nova aquisição

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transforma toda a vida humana. Em confronto com os outros animais, o homem não vive
apenas em uma realidade mais vasta: vive, por assim CASSIRER, 1977, p. 50).

10. IDEIAS SOBRE A ORIGEM DA CULTURA - Como e quando se deu a passagem da natureza
à cultura? Como o homem adquiriu este processo extra-somático que o diferenciou de todos
os outros seres vivos e o fez um animal simbólico?
10.1. Segundo diversos autores, entre eles Richard Leackey e Roger Dewin, o início do
desenvolvimento do cérebro humano é uma consequência da vida arborícola de seus remotos
antepassados. O faro perdeu muito de sua importância e desenvolveu-se uma visão
estereoscópica que, combinada com a capacidade de utilização das mãos, abriu para os
primatas, principalmente os superiores, um mundo tridimensional, inexistente para qualquer
outro mamífero.
10.2. David Pilbeam refere-se ao bipedismo como uma característica exclusiva dos primatas
entre todos os mamíferos e considera que o bipedismo foi, provavelmente, o resultado de
todo um conjunto de pressões seletivas: ‘para o animal parecer maior e mais intimidante, para
transportar objetos, para utilizar armas e para aumentar a visibilidade’.
10.3. Kenneth P. Oakley destaca a importância da habilidade manual, possibilitada pela posição
ereta, ao proporcionar maiores estímulos ao cérebro, como o consequente desenvolvimento
da inteligência humana. A cultura seria, então, o resultado de um cérebro mais volumoso e
complexo.
10.4. Claude Lévi-Strauss, o mais destacado antropólogo francês, considera que a ultura
surgiu no momento em que o homem convencionou a primeira regra, a proibição do incesto,
padrão de comportamento comum a todas as sociedades humanas.
10.5. Leslie White, antropólogo norte-americano contemporâneo, considera que a passagem
do estado animal para o humano ocorreu quando o cérebro do homem foi capaz de gerar
símbolos.
10.6. Clifford Geertz, antropólogo norte-americano mostra em seu artigo ‘A transição para a
Humanidade’ como a paleontologia humana demonstrou que o corpo humano se formou aos
poucos. Para ele, a cultura se desenvolveu simultaneamente com o próprio equipamento
biológico e é, por isto mesmo, compreendida como uma das características fundamentais da
espécie humana, ao lado do bipedismo e de um adequado volume cerebral. O fato de que o
cérebro do Australopiteco media 1/3 do nosso leva Geertz a concluir que ‘logicamente a maior
parte do crescimento cortical humano foi posterior e não anterior ao início da cultura’.

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11. CULTURA E SEUS SIGNIFICADOS1
11.1. Cultura é um conceito de muitos significados e múltiplos usos e aplicações. Contudo, o
que nos importa é saber seu valor explicativo sobre o que é o homem em coletividades, suas
características operacionais referentes aos aspectos que definem os seres humanos em
sociedade, ou seja, a economia, a política e a religião.
11.2. CONCEITO DE CULTURA:
11.2.1.A cultura, conforme GOMES (2008: p. 36), “é o modo próprio de ser do homem em
coletividade, que se realiza em parte consciente, em parte inconscientemente,
constituindo um sistema mais ou menos coerente de pensar, agir, fazer, relacionar-se,
posicionar-se perante o Absoluto, e, enfim, reproduzir-se”.
11.3. MODO PRÓPRIO DE SER
11.3.1.o homem permanece animal, mas a cultura lhe dá características de comportamento que
vão além do comportamento animal.
11.4. SISTEMA MAIS OU MENOS COERENTE DE PENSAR:
11.4.1.Pensar é, conforme a Antropologia, articular uma compreensão de mundo através da
linguagem, ou seja, é um ato de consciência, individual, que se forma através das palavras,
conceitos e sentidos de uma língua. Entretanto, é também um ato coletivo, na medida em
que os termos desse pensar, as categorias do pensamento são dados pela cultura da qual
o indivíduo faz parte.
11.5. Modo de agir, relacionar-se e os valores que os justificam:
11.5.1.Além de ordenar o pensar, a cultura é um sistema que regula o agir, o modo de relacionar-
se e os valores que os justificam.
11.5.2.Os atos são variações individuais aceitáveis dentro do conjunto de atos de uma
coletividade e variações aceitas que produzem mudanças no sistema cultural ou por são
por ele rejeitadas. Assim, a cultura condiciona o comportamento e o pensar, mas dá
liberdade para pensar e comportar-se diferentemente.
11.5.3.O indivíduo é uma realidade em si, empírica, mas é também um ser para outrem, depende
de outros; o coletivo é algo que só existe para outrem, p ara os indivíduos. Podemos
considerar que as duas entidades só existem verdadeiramente em função uma da outra.
11.6. Posicionar-se diante do absoluto:

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Resumo do capítulo Cultura e seus Significados, de Antropologia: ciêncGOMES, Mércio Pereira. Cultura e seus
significados. In: Antropologia: ciência do homem, filosofia da cultura. São Paulo, SP: Contexto, 2008. p. 33 – 50.

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11.6.1.a cultura traz em si o reconhecimento de um limite de compreensibilidade de si mesma,
admitindo e elaborando a existência de algo acima do que pode ser conhecido, ou seja, o
Absoluto.
11.6.2.O Absoluto se opõe ao relativo, ou seja, o que é passível de compreensibilidade e se
apresenta culturalmente como o Deus, os deuses, os entes espirituais da floresta, o
indecifrável, enfim, o misterioso.
11.6.3.Durkheim chamou o Absoluto de “sagrado” em oposição ao que é relativo, corriqueiro,
isto é, ao que é “profano”.
11.7. REPRODUÇÃO DA CULTURAS:
11.7.1.A cultura se reproduz, é claro, através da reprodução física dos seres humanos que a
compartilham e está assentada em uma coletividade que, por meios físicos e culturais, tem
por obrigação biológica se reproduzir.
11.7.2.A cultura se reproduz pela transmissão de significados culturais não somente de geração
a geração, mas no espaço de uma mesma geração, no cotidiano. Sua transmissão se dá
por meio da linguagem e do comportamento ensinado, emulado e aprendido pelos
membros da coletividade.
11.7.3.A cultura tem meios e instituições de autopreservação e conservação que lhe permitem
funcionar com estabilidade, dando confiança aos indivíduos que a vivenciam, ou seja, os
modos de educação, formais e informais, que denominamos “enculturação”.
11.8. CULTURA E SOCIEDADE
11.8.1.Sociedade é um todo de indivíduos agrupados em categorias sociais; tais categorias se
constituem por diferenciação, mesmo que não resulte em desigualdade.
11.8.2.A cultura, por sua vez, seria o modo de ser dessa sociedade e tem por função fundamental
dar coesão, integridade, ao que é necessariamente dividido.
11.8.3.Numa sociedade igualitária a divisão se dá entre famílias, grupos de idade, etc., que foram
interesses próprios; a cultura ultrapassa essas diferenças e faz todos se sentirem um só.
11.8.4.Numa sociedade de classes, a divisão se estabelece com mais força e com uma carga
maior de interesses distintos pelo desequilíbrio econômico entre as classes sociais.
Contudo, mesmo que cada classe tenha seu próprio modo de ser, há uma cultura maior
que agrega as classes sociais e lhes confere uma identidade comum. A cultura produz
unidade àquilo que é desigual.
11.9. ETHOS DE UMA SOCIEDADE:

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11.9.1.Ethos significa costume, comportamento. Equivale, no latim, à palavra mores. Ética e moral
são dois termos derivados de ethos e mores e tem grande importância para a filosofia e, é
claro, para a cultura.
11.9.2.A palavra ethos, quando relacionada a povo, coletividade ou mundo, refere-se
subjetividade ou interioridade de sua cultura, a qual tem repercussão como valores e
normas no seu comportamento e no seu modo de ver o mundo.

12. DIMENSÕES DO GÊNERO HOMO2:


12.1. Homo vivens – o homem é humano enquanto é vivo. Contudo, o fenômeno da vida não é
algo certo ou óbvio, pois o seu significado, sua verdadeira natureza e origem são coisas muito
complexas, obscuras e misteriosas.
12.2. Homo sapiens – o homem é ser de conhecimento. No ato de conhecer ele se destaca dos
outros seres vivos e os supera imensamente.
12.3. Homo volens – homem de vontade, homem de caráter, homem decidido e homem livre
são expressões comuns na nossa linguagem para designar um tipo ideal de homem.
Entretanto, decisão, caráter e liberdade não são qualidades que se acham somente em
poucos homens excepcionais, mas pertencem ao homem como tal.
12.4. Homo socialis – a sociabilidade é a propensão do homem para viver junto com os outros
e comunicar-se com eles, torná-los participantes das próprias experiências e dos próprios
desejos, conviver com eles as mesmas emoções e os mesmos bens.
O homem é um ser social, sozinho não vem a este mundo, não pode crescer ou educar-se;
sozinho não podem nem mesmo realizar suas necessidades reais mais elementares, suas
aspirações mais elevadas. Tudo o que ele pode obter ou ser somente é possível na companhia
de outros.
12.5. Homo faber – o trabalho é atividade tão importante para o estudo do homem quanto o são
o conhecimento, a liberdade e a linguagem. Hoje compreendeu-se o homem é
essencialmente artifex, ou seja, criador de formas, fazedor de obras.
Os estudiosos concordam que o fogo foi a descoberta que mais contribui para elevar o homem
ao estágio de homo faber. Com a descoberta do fogo, o homem passou do trabalho manual
ao trabalho artesanal.
Homo religiosus – os homens, desde a sua primeira aparição da cena da história, cultivaram
uma religião. A religião é uma manifestação tipicamente humana. Ela não está presente em

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As considerações sobre as dimensões do gênero homo foram extraídas da obra O homem, quem ele é?, de Battista Mondin.
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outros seres vivos, abarca a humanidade inteira e assume proporções notabilíssimas,
marcando profundamente as todas as culturas.

13. VIDEOAULAS3
13.1. Natureza e Cultura.
13.2. O homem, um animal simbólico.
13.3. O que é cultura?
13.4. A guerra do fogo.

14. INDICAÇÃO DE FILMES:


14.1. A GUERRA DO FOGO (La Guerre du feu). 12.1.1. Dirigido por Jean-Jacques Annaud, A
guerra do fogo é uma produção franco-canadense de 1981. O elenco é constituído por
Everett McGill, Rae Dawn Chong, Ron Perlman, Nameer El Kadi. O fogo é o mote da história.
Grupos de hominídeos entram em conflito entre si para conquistá-lo. O filme especula sobre
a origem da linguagem simbólica, as raízes da espécie humana e o florescer da razão e das
tecnologias.
14.2. O que é CULTURA? – Canal “Antropológica”, disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=IwNgujjHZoQ. Mariane Pisane faz, a partir do livro
“Cultura, um conceito antropológico”, de Roque de Barros Laraia, considerações sobre
cultura e temas polêmicos a ela relacionados.
14.3. Dancem macacos, dancem. Vídeo criado por Ernest Cline (www.ernestcline.com) - Uma
abordagem divertida trazendo a realidade do pensamento humano - Versão narrada em
português (Brasil). Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=ZY2z12ORYJI.
14.4. Por que os seres humanos lideram o mundo? – Palestra do antropólogo Yuval Noah Harari
apresentada no canal TEDx referente a seu best-seller “Sapiens”. Disponível em
https://www.youtube.com/watch?v=D5vkAItWkgA&list=PL5XGsse02TVNebQU1XrWUHU134pVqf8iS.

REFERÊNCIAS
▪ ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à
filosofia. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Moderna, 1993. p. 134.
▪ CASSIRER, Ernst. Antropologia filosófica. São Paulo: Mestre Jou, 1976.
▪ CHAUÍ, Marilena. Introdução à História da Filosofia. São Paulo: Cia das Letras, 2000.
▪ CHAUÍ, Marilena. Filosofia. São Paulo: Ática, 2008. (Série Novo Ensino Médio).
▪ CORETH, E. Que es el hombre? Esquema de uma antropologia filosófica. Barcelona: Herder,
1976.

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As videoaulas estão disponíveis na página da disciplina na plataforma CANVAS-Ead.
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▪ GOMES, Mércio Pereira. Cultura e seus significados. In: Antropologia: ciência do homem,
filosofia da cultura. São Paulo: Contexto, 2008. p. 33 – 51 (livro eletrônico – disponível na
Biblioteca Pe. Alberto Antoniazzi)
▪ LARAIA, Roque de Barros. Cultura um conceito antropológico. 11. ed. Rio de Janeiro: Jorge
Zahar, 1996. p. 54-59.
▪ MONDIN, B. O homem: quem ele é? 4. ed. São Paulo: Paulinas, 1982. p. 8. v. 3.
▪ RABUSKE, Edivino. Antropologia filosófica. Petrópolis: Vozes, 1987, p. 136-143.

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