Você está na página 1de 2

Isaque Freitas

Continuação do resumo sobre a História da Eletricidade.

A teoria de que um fluxo de eletricidade poderia, de alguma forma, criar um campo de força
invisível, foi originalmente proposta por Michael Faraday. Porém, foi James Clerk Maxwell (1831 –
1879) que provou que Faraday estava correto, e não através da experimentação, mas da
matemática. Isso era totalmente diferente do jeito típico do século XIX de entender como o mundo
funciona, que era necessariamente vê-lo como um mecanismo físico.
Ao longo da idade moderna, diversos cientistas empenhados no campo da eletricidade,
conceberam vários tipos de experimentos. Mas Maxwell era diferente, ele estava interessado nos
números, e sua nova teoria não só revelou o campo de força invisível da eletricidade, mas também
como ele poderia ser manipulado.
Maxwell era um grande matemático, e via a eletricidade e magnetismo de uma nova forma.
Ele expressou tudo isso em equações matemáticas concisas. E o mais importante é que nas equações
de Maxwell há o entendimento da eletricidade e do magnetismo como algo interligado e que podia
ocorrer em ondas.
Os cálculos de Maxwell mostraram como esses campos poderiam ser perturbados, assim
como tocar a superfície da água com o dedo. Mudar a direção da corrente elétrica criaria uma
ondulação ou onda através destes campos elétricos e magnéticos. E mudar constantemente a
direção do fluxo da corrente, para frente e para trás, como uma CA, produziria uma série de ondas
que transportavam energia. A matemática de Maxwell dizia que alterar as correntes elétricas emitiria
grandes ondas de energia às suas cercanias. Ondas que se propagariam ao infinito ao menos que algo
as absorvesse.
Os trabalhos de Maxwell eram bastante complexos e poucos o entendiam, mas eles
inspiraram um jovem físico alemão chamado Heinrich Hertz (1857 – 1894). Hertz dedicou-se a
projetar uma experiência para provar que as ondas de Maxwell realmente existiam.
A máquina construída por Hertz produzia calor, que gera uma corrente alternada que corre
por duas hastes de metal com uma faísca que salta pelo espaço entre duas esferas metálicas. Então,
se Maxwell estivesse correto, esta corrente alternada deveria gerar uma onda eletromagnética
invisível que se espalharia pelo ambiente. Se colocarmos um fio no caminho dessa onda, então nele
deve haver um campo eletromagnético oscilante, que deve induzir uma corrente elétrica no fio.
Assim, Hertz montou um anel de fio, o seu receptor, que colocaria em posições diferentes pela sala
para verificar se poderia detectar a presença da onda. E ele fez isso deixando um espaço bem
pequeno no fio, através do qual uma faísca saltaria se uma corrente percorresse o anel. Devido a
corrente ser muito fraca, essa faísca é muito tênue. Com isso, Hertz passou a maior parte de 1887
numa sala escura olhando fixamente por uma lente, para ver se podia detectar a presença dessa
faísca tênue.
Hertz não era o único a tentar descobrir esse campo de força invisível de Maxwell. O
professor Oliver Lodge (1851 – 1940), um dia, no início de 1888, ao montar uma experiência sobre
proteção contra raios, ele notou algo incomum.
Lodge notou que quando ele montava seu equipamento e enviava uma CA em torno dos fios,
ele podia ver manchas brilhantes entre os fios, e com um pouco de artimanha, ele viu que as seções
brilhantes formavam um padrão. O brilho azul e faíscas elétricas ocorriam em seções distintas
uniformemente espaçadas ao longo dos fios. Ele percebeu que eram os picos e depressões de uma
onda, uma onda eletromagnética invisível. Lodge, por acidente, provara que Maxwell estava certo.
Lodge decidiu anunciar sua descoberta à comunidade científica num evento anual. Porém,
primeiro, ele decidiu tirar férias. O momento não poderia ser pior, pois nesse mesmo tempo, Hertz
também testava as teorias de Maxwell.
Hertz finalmente encontrou o que procurava: uma faísca minúscula. Com isso, foi anunciada
a descoberta de Hertz em vez da de Lodge.

Com a morte de Hertz, Lodge resolveu mostrar, em memória de Hertz, um novo dispositivo:
um aparelho que emitia uma CA que gerava um campo eletromagnético que atravessa o ar e era
recebido por um outro aparelho receptor. Isso era uma inovação que permitiria o avanço da
comunicação. Duas pessoas trariam melhorias para o telégrafo sem fio:
Guglielmo Marconi (1874 – 1937), que criou seu próprio telégrafo sem fio e foi até Londres
comercializa- lo. E Jagadish Chandra Bose (1858 – 1937) que também criou seu próprio telégrafo sem
fio. A diferença entre eles era que Marconi estava interessado somente no dinheiro, enquanto Bose,
no avanço científico.
Então, Marconi, através de jogadas comerciais e publicações, acabou patenteando todos os
telégrafos sem fio da Inglaterra e abrindo sua própria empresa.

No início do século XX, a equipe de Ernest Rutherford (1871 – 1937) estudava a estrutura
interna do átomo e produzia uma imagem para descrever sua aparência. Em 1913 sua imagem era
um núcleo de carga positiva no meio cercado por elétrons orbitantes de carga negativa em padrões
chamados de camadas. Cada uma dessas camadas correspondia a um elétron com uma determinada
energia. Com um impulso de energia, um elétron poderia saltar de uma camada interna para uma
externa. E a energia tinha que ser adequada, caso contrário, o elétron não faria a transição. E esse
impulso era geralmente temporário, pois o elétron retornava à sua camada original. Ao fazer isso, ele
tinha que liberara seu excesso de energia desprendendo um fóton, e a energia de cada fóton
dependia de seu comprimento de onda, ou como a percebemos, a sua cor.

Desde então, os avanços na área de comunicações, circuitos elétricos e eletrônicos foram


aumentando cada vez mais.
A eletricidade mudou nosso mundo. Há apenas algumas centenas de anos, ela era vista como
uma maravilha misteriosa e mágica. Em seguida, ela saiu dos laboratórios, com uma série de
experiências estranhas e maravilhosas, acabando por ser dominada e utilizada. Ela revolucionou as
comunicações, primeiro através de cabos, e depois, como ondas, através dos campos de longo
alcance da eletricidade. Ela abastece e ilumina o mundo contemporâneo. Hoje, mal conseguimos
imaginar a vida sem eletricidade. Ela define a nossa era e estaríamos completamente perdidos sem
ela. Mesmo assim, ela ainda nos oferece mais. Mais uma vez, estamos diante do início de uma nova
era de descoberta, de uma nova revolução.