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A Cruz de Cristo

PERGUNTA
Nome: Marcos
Enviada
26/12/2003
em:
Local: RS,

Prof. Fedeli:

Recentemente, estando eu acalorada discussão doutrinária com um protestante, meu oponente


criticou a representação do crucifixo católico. Surpreeendeu-me essa declaração porque, em última análise,
sua argumentação não seguiu a linha incoerente do já surrado repúdio destes hereges pelas imagens
sacras. Pelo contrário, ele afirmou que a representação física de Nosso Senhor na Cruz católica estaria
minimizando um aspecto fundamental da obra de Cristo, que é a vitória sobre o mundo operada pela
ressureição. Para ele, a Cruz não deveria conter o Divino Corpo, já que Cristo, na verdade, lá já não está
devido à glória da ressureição, e acusou-nos de "cultuar a face derrotada de Deus", devido à nossa
simbologia.

Mesmo sabendo que a nossa Cruz procura rememorar o sacrifício e a paixão de Nosso Senhor
(destacando portanto a obra salvadora de sua piedosa estada entre nós), confesso que fiquei um tanto
inseguro em rebater as teses do meu debatedor.

É por isso que solicito a sua ajuda.

A Paixão significa mais do que a ressureição? Estarámos nós sobrevalorizando a primeira em


detrimento da segunda, justamente por usar o crucifixo tradicional da Igreja?

Desde já o meu agradecimento, MARCOS

VIVA A TRADIÇÃO! VIVA A IGREJA DE CRISTO!

RESPOSTA

Prezado Marcos,
salve Maria, "Mãe de meu Senhor" (S. Lucas, I, 43)

A cruz de Cristo é a consumação do sacrifício propiciatório pelo pecado dos homens. Ora, o pecado
de Adão tinha acarretado a morte para os homens. Se Cristo pagou o pecado de Adão, a prova dessa
redenção da dívida original, seria a ressurreição, que comprovaria que o pecado de Adão havia sido
realmente pago. A Ressurreição é conseqüência, dado que se Cristo era Deus, Ele necessariamente tinha
que ressuscitar. Ressuscitou realmente, sem o que, como diz São Paulo, seria vã a nosa Fé.

Tanto que na cruz nos diz Nosso Senhor que o sacrifício estava consumado: "Havendo Jesus
tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e rendeu o espírito." (São João, XIX,
30)

Pois o sacrifício propiciatório, prometido por Deus no Antigo Testamento, nas palavras dadas aos
patriarcas, foi consumado na cruz, com a morte da vítima inocente - Cristo. Para que o sacrifício fosse
completo, não haveria necessidade da ressurreição. Mas a Ressurreição - repito - era a prova de que o
pecado de Adão fora realmente pago, que o homem fora redimido.

Há um erro muito grave em deslocar a importância da redenção para a ressurreição, que é o


considerar que Cristo não restituiu nada a Deus Pai, pois - segundo os defensores desse erro - Deus não
podia ter diminuída nem aumentada sua glória, e portanto não cabia reparação pelo pecado. De fato, a
glória intrínseca de Deus não pode ser nem aumentada, nem diminuída. Mas a glória extrínseca de Deus,
essa sim, pode ser aumentada ou diminuída. O erro funesto, que ignora que Deus pode ter aumentada e
diminuída a glória extrínseca, triunfou sob o nome de "mistério pascal".
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É evidente que os protestantes também realçam a ressurreição em detrimento da redenção, pois
para eles Cristo pagou todos os pecados, mesmo os futuros, e nada precisamos fazer de penitência, e a
vida é uma festa. Daí fugirem de todo sacrifício e da lembrança de toda e qualquer obrigação. Contra eles
disse Nosso Senhor:
"Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim." (S. Mateus, X, 38).
E ainda: "Se não fizerdes penitência, perecereis todos" (Luc. XIII,5).

Você tem razão ao desvincular esse erro da iconoclastia protestante, que é um outro erro deles,
tendo porém outro fundamento.

Escreva-nos sempre que tiver dúvidas, e busque sempre rezar e praticar os mandamentos, para
que tenha forças para combater os inimigos de Deus,

Esperando ter solucionado sua dúvida, despedimo-nos,

In corde Iesu et Mariae


Marcos Libório