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Limitações da contabilidade nacional:

Principais objetivos da contabilidade nacional:

 Descrever quantificadamente a atividade económica


 Constituir uma base informativa para a política económica
 Medir, através dos seus agregados, o bem-estar da população

Existem limitações à contabilidade nacional: insuficiências no processo de


contabilização da atividade económica e nas potencialidades do sistema para
medir o bem-estar da população.

Algumas das insuficiências da contabilidade nacional:

 A não importância do caráter da produção, mas apenas do valor monetário


desta.
 A não contabilização dos bens produzidos na economia não oficial
 A não contabilização das externalidades.
 A não avaliação do bem-estar da população
 A incapacidade de refletir as condições sociais da população (condições de
trabalho/satisfação pessoal no desempenho das tarefas profissionais).
 A incapacidade de medir o desenvolvimento económico.
Atividade
económica
global

Unidades Unidades não


registadas registadas

Economia não oficial/não


Economia Oficial
resgistada/paralela

Economia Economia
Subterrânea Informal

Atividades
Legais

Atividades
Ilícitas
Economia paralela: conjunto de atividades que escapam à contabilidade nacional
por se encontrarem fora do sistema estatístico e fiscal. Estima-se que esta parcela
da economia varie entre 10 a 30% do PIB medido (não lhe pertencem).

Economia Subterrânea Economia Informal


Atividades com interesse económico onde há fuga Os bens produzidos são
deliberada à contabilização oficial. Os bens legais. Não tem o objetivo
produzidos podem ou não ser legais. de fugir deliberadamente
 Evitam o pagamento de impostos e CSS ao fisco. A sua reduzida
 Fogem ao cumprimento de normas legais de dimensão faz com que
trabalho (segurança, saúde, condições de prefiram poupar custos
trabalho) em formalidades.
 Fogem ao cumprimento de procedimentos Incluem-se aqui:
estatísticos legais (de que tipo?)  Produção para
 Não declaram a totalidade do produto autoconsumo/donas
realizado ou pagam salários muito baixos a de casa
trabalhadores emigrantes.  Atividades que têm
Atividades Atividades Ilegais como principal
Legais  Produções de bens e serviços objetivo dar
 Realizam com venda, posse ou rendimento às
fraude e produção ilegal pessoas envolvidas
evasão (contrafação) (costurar para
fiscal  Produções legais realizadas fora/trabalho
por pessoas não autorizadas doméstico)

Estimativas do valor da economia paralela:

Realizam-se porque:

 É necessário ter uma medida mais aproximada do produto realizado do país.


 É necessário avaliar as possibilidades de as famílias poderem ultrapassar
dificuldades em períodos de maior instabilidade económica e social por
recurso a estratégias económicas informais.
Economia Economia subterrânea
informal Atividades legais Atividades ilícitas

Universo Unidades não Unidades não Unidades não registadas


registadas registadas/regista
das
subdeclarantes
Lógica de Subsistência, Queda Excedentes obtidos de forma
Produção autoemprego fraudulenta dos delituosa (inclui
custos de produção contrafação e produção
substâncias psicoativas)
Método de Inquéritos Auditorias Fluxos físicos (apreensão de
Coleta específicos fiscais mercadorias)
Estatística
Integração na Estabelecimen Correção dos Estimação por produtos?
contabilidade to de um desvios de
nacional subsetor subavaliação
específico

Externalidades:

São os efeitos a médio e longo prazo causados a terceiros por via da produção de bens
e serviços, isto é, consequências a terceiros resultantes das atividades económicas
ou não económicas para o seu bem-estar. As populações não podem nem impedir
nem pagar pelo seu benefício ou consequência nefasta. Têm uma influência ao
nível de sinergias. Existem externalidades positivas e externalidades negativas.

As contas nacionais portuguesas seguem obrigatoriamente o SEC95 – Sistema de


Contas nacionais e regionais, definido e harmonizado pela EU para os seus países
membros. Este baseia-se noSCN93 (sistema de contas das nações unidas)

As contas nacionais portuguesas fornecem um conjunto de informações sobre o


funcionamento da economia, seja relativamente aos agregados macroeconómicos
(PIB, despesa e rendimento), seja sobre os setores institucionais, tanto para o
conjunto da economia, como por regiões, além de um conjunto alargado de outras
informações estatísticas. A informação é apresentada em quadros e contas sobre
todas as atividades desenvolvidas pelos setores institucionais e sobre a forma como
se obtêm para cada produto os recursos e o seu emprego.

As contas e quadros publicados pelo INE são os seguintes:

A. Agregados macroeconómicos
B. Setores institucionais
C. Ramos de atividade
D. Contas regionais
E. Contas satélite (atividades específicas – turismo, saúde)
F. Comparações internacionais

O QERU (quadro de equilíbrio de recursos e empregos) conjuga as óticas da


produção e despesa para o cálculo do PIB.

A necessidade e a diversidade de relações económicas internacionais

Trocar bens, serviços ou capitais com outros países é uma prática constante e
indispensável à satisfação das necessidades das populações.

Esse ato de troca, o comércio, toma a designação de comércio externo quando efetuado
entre os residentes de um país e os de outros, e as transações resultantes designam-
se por exportações e importações.

Exportações: transações de bens e serviços (incluindo ofertas ou doações) de


residentes para não residentes.

Importações: transações de bens e serviços (incluindo ofertas ou doações) de não


residentes para residentes.

Comércio: atividade de compra e venda que permite pôr à disposição do consumidor


os bens e serviços que ele deseja consumir.

Comércio interno: quando os agentes económicos ambos pertencem ao mesmo país.


(são ambos residentes)

Comércio externo: quando os agentes económicos intervenientes pertencem a


países diferentes (um dos agentes económicos não é residente).

Resto do Mundo: conjunto das unidades económicas não residentes


Comércio

Externo: comércio entre um país e outro.

Internacional: comércio entre países.

Com a intensificação das trocas entre países, regiões e continentes, as economias


vão-se progressivamente internacionalizando, num processo designado por
globalização económica.

Isto decorre do facto dos recursos estarem distribuídos de forma desigual ao longo do
globo, com potencialidades próprias de cada país. Assim, os países com maior
vantagem comparativa na produção do bem especializam-se, maximizando as
vantagens da potencialização dos recursos próprios/endógenos.

Entre os países, as relações são, para além de comerciais, de troca de capitais e


serviços (e.g. remessas de emigrantes, investimento no estrangeiro).

DIT (divisão internacional do trabalho)

Divisão das atividades económicas entre os diferentes países do mundo, de acordo


com a dotação dos seus fatores produtivos. Assim, diz-se que esses países
apresentam vantagens (Absolutas e relativas) em relação ao fabrico desses bens.

Os países mais desenvolvidos ganham mais nas trocas porque exportam bens com
maior grau de transformação e, consequentemente, com maior valor acrescentado.
Por outro lado, os países mais atrasados produzem bens à base de recursos naturais,
de mão de obra menos especializada e menor transformação tecnológica.

A situação atrás descrita tem-se vindo a alterar, pelo esforço de países do sul,
nomeadamente os BRIC, Angola, África do Sul e muitos países asiáticos e
africanos. Com o desenvolvimento de estratégias de comércio que promovem as trocas
entre si, torna-as menos dependentes do norte, e permite uma melhor adaptação às
suas necessidades. Adquiriram, com isto um elevado desenvolvimento tecnológico,
destacando-se os esforços da china na área do hardware e da Índia na área do
software. A quota parte do comércio Sul-Sul no comércio internacional triplicou
desde 1980.
Estratégia de crescimento económico: os bens e serviços, ao serem produzidos de
acordo com as vantagens de cada país, permitirão aos países aumentar as suas
produções, os seus rendimentos e o seu bem-estar. O comércio surge, pois, como uma
estratégia de crescimento económico.

Globalização: a dimensão global do comércio internacional é uma realidade que


intensifica as trocas entre países. O desenvolvimento dos transportes, das
comunicações e o alargamento da informação a nível mundial são fatores que
potenciam o comércio

Conclui-se:

 O comércio internacional tem por base a necessidade de ter acesso a bens e


serviços de que os países não dispõem ou que são produzidos a custos mais
elevados.
 As trocas entre os países são de natureza diversa, abrangendo bens, serviços e
capitais
 Em plena era da globalização não é possível a um país desenvolver-se
isoladamente.

Glossário:

 Setores institucionais: Sociedades Não Financeiras, Sociedades


Financeiras, Administrações Públicas e Particulares
 BRIC – Brasil, Rússia, China e Índia

Unidade de produção (homogénea) – ramo de atividade – setor de atividade