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27/11/2018

Tópico 3
Princípios do Direito Ambiental

Qual a importância dos princípios?

Princípios Relação com a


• Força normativa; estrutura do Estado de
Direito
• Decorrem do texto legal?;
• Grau de abstração;
• Conteúdo axiológico; Garantias individuais e
▫ Conflito e ponderação de valores; coletivas

Estrutura dos Princípios:


1. Estruturantes; Próprios de um
determinado Ramo
2. Gerais; Jurídico
3. Específicos;

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Art. 225. Todos têm direito ao meio


Princípio da Sadia Qualidade deambiente
Vida. ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia
Estocolmo 72/ Rio 92 (Princípio 1) qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade
O ser humano tem direito fundamental a ...”adequadas o deverde
condições devida,
defendê-
lo e preservá-lo
em um meio ambiente de qualidade”/ “tem direito a umaparavida
as presentes e futuras
saudável”.
gerações
Direito à vida X Dignidade humana X Sadia qualidade de vida.

Decisão TEDH (1994):


“atentados graves contra o meio ambiente podem afetar o bem-estar de
uma pessoa e privá-la do gozo de seu domicílio, prejudicando sua vida
privada e de sua família.”

Princípio o acesso equitativo aos recursos naturais


Uso do bem

Necessidade humanas X Acessos aos bens ambientais:

Não uso do bem


Estocolmo 72 (princípio 5)
Os recursos naturais não renováveis do Globo devem ser explorados de tal modo que
não haja riscos de serem exauridos e que as vantagens extraídas de sua utilização
sejam partilhadas a toda a comunidade.
Dia de Sobrecarga da Terra em 2018:
Fatores de dificuldade:
• antropocentrismo x ecocentrismo 01 de agosto.
• aspectos (interesses) econômicos

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Como estabelecer um critério de acesso equitativo?

Vetores de acesso ao meio ambiente (Paulo Affonso Leme Machado):

1 – Consumo;
2 – Poluição;
3 – Fruição/contemplação

Todos estes vetores devem ser exercidos levando-se em


consideração, dentre outros, a noção de bem de uso comum
do povo e sua relação com a presente e as futuras gerações.

Princípio da Ubiquidade (onipresença)

O meio ambiente encontra limitação especial e temporal?

Um evento que causa dano à floresta amazônica fica circunscrito apenas ao


país/região onde ocorre? E os efeitos, cessam em relação ao futuro?

“A conservação do meio ambiente não se prende a situações geográficas ou


referências históricas, extrapolando os limites impostos pelo homem. A
natureza desconhece fronteiras políticas. Os bens ambientais são
transnacionais(…)” (STJ, 1ª Turma, Resp 588.022/SC, DJ 05/04/2004)

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Definição da extensão e a
importância da delimitação da
(alguns) Efeitos da ubiquidade: reparação.
• Análise do dano ambiental;
• Função social da propriedade X obediência aos postulados de Direito
Ambiental;
• Exigência de EIA:
Art. 186 CF/88 Art. 186. A função social é
cumprida quando a propriedade rural atende,
Art. 225, § 1º, IV CF/88: IV - exigir, simultaneamente, segundo critérios e graus de
na forma da lei, para instalação de exigência estabelecidos em lei, aos seguintes
obra ou atividade potencialmente requisitos:
causadora de significativa II - utilização adequada dos recursos naturais
degradação do meio ambiente, disponíveis e preservação do meio ambiente;
estudo prévio de impacto
ambiental, a que se dará
publicidade; )

Princípio da cooperação dos povos (reflexo da ubiquidade)

Como garantir um meio ambiente equilibrado diante da ubiquidade do bem


ambiental?

Art. 4º, IX, da CF/88 – Princípios das relações internacionais


IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade;

“Frutos” da Eco 92:


• Agenda 21;
• Convenção sobre diversidade biológica;
• Convenção Quadro da ONU sobre mudanças climáticas;

Dificuldade: desenvolvimento (com soberania) X proteção ambiental

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Princípio do Desenvolvimento Sustentável

O direito do desenvolvimento como um Direito Humano:


“O direito do desenvolvimento é um inalienável direito humano, em virtude do
qual toda pessoa humana…tem reconhecido o direito de participar do
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de
desenvolvimento econômico, social, cultural e político …”
uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder
(Declaração ONU sobre Desenvolvimento)
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e
futuras gerações.

Desenvolvimento + poluição X sadia qualidade de vida

Escassez X ubiquidade dos bens ambientais

Há um conceito?
É “o desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual,
sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazem as suas
próprias necessidades”. (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento)

1) Discussão política e econômica;

A defesa do meio ambiente como princípio da ordem econômica :


VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado
conforme o impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de
elaboração e prestação;
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos
casos previstos em lei.

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Consumo x desenvolvimento (parâmetros básicos para o desenvolvimento


sustentável:

a) Evitar bens supérfluos;


b) Evitar bens agressivos ao meio ambiente;
c) Estimular o uso de tecnologias limpas;

Reflexos sobre a interpretação das leis:

“O princípio do desenvolvimento sustentável e da prevenção, previstos no art.


225, da Constituição da República, devem orientar a interpretação das leis,
tanto no direito ambiental …direito penal…,ensejando conditas cautelosas, que
evitem ao máximo possível, o risco de dano, ainda que potencial, ao meio
ambiente. (STJ. AgRg no Resp. 1.4.18.795/SC, DJ 07/08/2014)

Art. 3o A licitação destina-se a garantir a


observância
2) O estímulos que podem ser dados pelo Estado do princípio constitucional da
isonomia, a seleção da proposta mais vantajosa
a) Tributação para a administração e a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável
b) Licitação e meio ambiente:
Instrução Normativa MPOG 01/2010  sustentabilidade das compras e
obras públicas
Dec. 7.746/2012 compras públicas sustentáveis.

Proposta de estudo de caso: medidas adotadas na UFOP e no


Município de Ouro Preto.

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3) Soberania X desenvolvimento sustentável: como conciliar?

4) A importância das medidas mitigadoras e compensatórias;

Princípio da Participação
Democracia participativa e meio ambiente
▫ De quem é a titularidade dos bens ambientais?
▫ Sociedade Civil organizada e as políticas públicas;
▫Estímulo e fortalecimento da consciência ambiental;

Duplo efeito:
Negativo (omissivo)
Comportamento individual de não praticar atos ofensivos ao meio ambiente;
Positivo (comissivo)
 Comportamento coletivo/social que objetivam a proteção ambiental;

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Eco 92 – Princípio 10:


‘‘A melhor maneira de tratar questões ambientais é assegurar a participação,
no nível apropriado, de todos os cidadão interessados.”

Como?
1. Garantia de acesso às informações sobre questões ambientais (órgãos
públicos);
2. Participação em processo de tomadas de decisões;
1. Audiências públicas;
2. Conselhos Municipais e Estaduais de Meio Ambiente;
3. Ação popular e ação civil pública (defesas do meio ambiente);

Princípios da Informação e Educação Ambiental


Resolução
Como CONAMA
participar 01/86
sem compreender?
Artigo 11 - Respeitado o sigilo industrial, assim solicitando e demonstrando pelo
Como compreender sem conhecer?
interessado o RIMA será acessível ao público. Suas cópias permanecerão à
Como conhecer sem informação?
disposição dos interessados, nos centros de documentação ou bibliotecas da
E de que vale a informação sem uma política pública de educação ambiental?
SEMA e do estadual de controle ambiental correspondente, inclusive o período de
análise técnica.
(...)
§ 2º - Ao determinar a execução do estudo de impacto ambiental e apresentação do
RIMA, o estadual competente ou o IBAMA ou, quando couber o Município,
determinará o prazo para recebimento dos comentários a serem feitos pelos órgãos
públicos e demais interessados e, sempre que julgar necessário, promoverá a
realização de audiência pública para informação sobre o projeto e seus impactos
ambientais e discussão do RIMA.

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Lei 6938/81, Política Nacional do Meio Ambiente

Art. 9º - São Instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente


X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado
anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA;

Outros mecanismos de garantia (?) da informação

Relatório de Impacto Ambiental  tornar acessível ao público as informações;

Selo Ruído Resolução CONAMA 20/1994

Avisos inseridos em conteúdos publicitários

A obrigatoriedade de publicação do pedido de licenciamento ambiental

Art.10 PNMA (Lei 6938/81)


§ 1o Os pedidos de licenciamento, sua renovação e a respectiva concessão serão
publicados no jornal oficial, bem como em periódico regional ou local de grande
circulação, ou em meio eletrônico de comunicação mantido pelo órgão ambiental
competente.

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Educação ambiental
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo
Declaração deeEstocolmo/72:
essencial à sadia qualidade
(princípio 19)de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações.
“É essencial que seja ministrada educação sobre questões ambientais tanto às
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
gerações jovens como aos adultos, levando-se em conta os menos favorecidos,
(...)
com a finalidade de desenvolver as bases necessárias para esclarecer a opinião
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização
pública e dar aos indivíduos, empresas e coletividade o sentido de sua
pública para a preservação do meio ambiente;
responsabilidade no que concerne à proteção e à melhora do meio ambiente em
toda a sua dimensão humana”

Art. 225, §1º CF/88

Definir políticas públicas que incorporem a


dimensão ambiental, promover a educação
O que diz a lei 9795/99 ? (Lei de Educação Ambiental)
ambiental
promover em todosambiental
a educação os níveis de ensino e
maneira o engajamento
integrada aosda sociedade na
programas
Art. 2o A educação ambiental é um componente essencial
promover
conservação,
e permanente
açõesrecuperação
de educação
da educação
e melhoria
ambientaldo meio
educacionais que desenvolvem
nacional, devendo estar presente, de forma articulada,
integradasde
colaborar
em
aostodos os
programas
maneira
níveis
ambiente
ativade
e modalidades
conservação,
e permanente
do
processo educativo, em caráter formal e não-formal.
narecuperação
disseminação e melhoria do meioeambiente
de informações práticas
promover
educativas programas
sobre destinados
meio ambiente e à
Ação articuladas (art. 3º): incorporar a dimensão ambiental em sua à
capacitação dos trabalhadores, visando
melhoriaprogramação;
e ao controle efetivo sobre o
• Poder Público; ambiente de trabalho, bem como sobre
• Instituições de Ensino; as repercussões do processo produtivo no
• Órgãos do SISNAMA meio ambiente
• Meios de comunicação de massa; manter atenção permanente à formação de
valores, atitudes e habilidades que
• Empresas e entidades de classe;
propiciem a atuação individual e coletiva
• Sociedade; voltada para a prevenção, a identificação e
a solução de problemas ambientais.

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Princípio da precaução

Antecede o princípio da prevenção.


Precaução cautela antecipada.

O elemento central do princípio não tem relação com dano ambiental, mas
ao risco e incerteza da sua ocorrência.

Rio 92 – Princípio 15
“De modo a proteger o meio ambiente(...). Quando houver ameaça de dano
sério ou irreversível, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser
utilizada como razão para postergar medidas eficazes e economicamente
viáveis para prevenir a degradação ambiental”.

Características do Princípio da Precaução

1) Incerteza de dano ambiental:


“O princípio da precaução, consiste em sermos não somente responsáveis
sobre o que já sabemos, ou sobre o que deveríamos saber, mas também [e
aqui está a essência do princípio da precaução] sobre o que deveríamos
duvidar” (Jean Marques Lavieille)

2) Adjetivação do risco ou ameaça


Seriedade do dano importância / gravidade;
Irreversibilidade impossibilidade de restituição ao estado anterior.

Algum dano ambiental é


reversível em sua totalidade?

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3) Obrigatoriedade
Art. 225. caput. do controle de risco
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
(...) Riscos aceitáveis x Riscos inaceitáveis
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e
substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio
ambiente
4) Implementação das medidas de prevenção
A precaução é a atuação no presente. EIA/RIMA

5) Atuações economicamente viáveis


Influência dos interesses econômicos e decisões políticas (Art. 170 da CF/88)

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre


iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça
social, observados os seguintes princípios:
I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o
impacto ambiental dos produtos e serviços e de seus processos de elaboração e
prestação;
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis
brasileiras e que tenham sua sede e administração no País.

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Dupla fonte de incertezas:


• Quanto ao perigo ou risco de dano
• Quanto ao conhecimento científico: dúvida sobre a potencialidade de
ocorrência do dano.
▫Ex. OGM
Importante na discussão
envolvendo a responsabilidade
Reflexos sobre o “poluidor”: civil

DANO. MEIO AMBIENTE. PROVA. INVERSÃO (…) Dessa forma, a aplicação


do princípio da precaução pressupõe a inversão do ônus probatório: compete a
quem se imputa a pecha de ser, supostamente, o promotor do dano ambiental a
comprovação de que não o causou ou de que não é potencialmente lesiva a
substância lançada ao meio ambiente. (…) ( STJ, 2ª Turma, Resp 1.060.753/SP,
Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 01/12/2009).

Princípio
Art. da prevenção
2º. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação,
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar,
É melhor
no agir antecipadamente
País, condições do que sócioeconômico,
ao desenvolvimento remediar. Aindaaosmais quando da
interesses “o
remediar” nacional
segurança não garantee à uma efetiva
proteção dareparação
dignidadedodabem/interesse
vida humana,protegido.
atendidos os
seguintes princípios:
IMas,
- ação governamental
como prevenir semna manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o
conhecer?
meio ambiente como um patrimônio
Os cinco pressupostos para a aplicação público a ser necessariamente
do Princípio da Prevenção: assegurado e
protegido, tendo em
1 – Identificação vista o uso das
e inventário coletivo;
espécies;
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;
2 – Identificação e inventário do ecossistema;
III - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;
3 – Planejamento ambiental e econômico integrados;
IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;
4 – Ordenamento territorial;
V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras;
5 –- Estudo
VI de ao
incentivos Impacto
estudoAmbiental;
e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional
e a proteção dos recursos ambientais; (A prevenção, portanto, não é um
Dever jurídico de estático)
comportamento evitar a consumação do dano ao meio ambiente Relação
com os danos ambientais que potencialmente poderão ocorrer.

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Prevenção x Precaução
Prevenção Precaução

Certeza e potencialidade Incerteza científica

Corrigir e afastar os danos “previsíveis” Dano incerto, mas possível

Limitação ao início da atividade (no Responsabilidade do “poluidor”


caso de certeza ou potencialidade – demonstrar que a atividade não
medidas mitigatórias) apresenta qualquer risco.

Princípio da função socioambiental da propriedade privada


A propriedade (o seu uso, gozo e fruição) é um direito absoluto?
Das bases liberais ao limites estabelecidos pelo Estado Social (solidariedade)

Art. 5º CF/88
XXII - é garantido o direito de propriedade;
XXIII - a propriedade atenderá a sua função social;

Art. 1228 CC/2002:


§ 1o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas
finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de
conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais,
o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a
poluição do ar e das águas.

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Consequências:

Função ecológica:
1ª necessidades humanas coletivas (incluindo, entre elas, o meio ambiente
equilibrado);

2ª uso econômico dos recursos naturais;

Efeitos comportamento negativo/positivo em relação às ações e omissões


lesivas/potencialmente lesivas ao meio ambiente/bem ambiental.

Princípio da natureza pública da proteção ambiental

A relação da proteção do meio ambiente com os Princípios Constitucionais


da Administração Pública

Indisponibilidade do interesse público e a proteção do meio ambiente.

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Princípio do Poluidor/Usuário-Pagador (PPP - PUP)


O princípio estabelece que:
 O poluidor deve suportar os custos da implantação das medidas;
 Os custos devem refletir na composição do preço dos bens e
serviços;

Para a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento


Econômico - 1972) o objetivo é:

 Alocar recursos das medidas de prevenção e controla da poluição;


 Estimular o uso racional dos recursos ambientais;
 Evitar distorção do comercial internacional e investimentos;

Princípio do Poluidor/Usuário-Pagador (PPP - PUP)

Rio 92 (Princípio 16)

“As autoridades nacionais devem esforçar-se para promover a


internalização dos custos de proteção do meio ambiente e o uso dos
instrumentos econômicos, levando-se em conta o conceito de que o poluidor
deve, em princípio, assumir o custo da poluição, tendo em vista o interesse
público, sem desvirtuar o comercio e os investimentos nacionais”.

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...“internalização dos custos de proteção do meio ambiente”...

Externalidades reflexos sociais e econômicos (+ ou -) de uma determinada


atuação dos agentes econômicos.

Falha do mercado dificuldade/impossibilidade de inclusão no preço em


função da não apuração das consequências da atividade.

Preço (valor justo) cômputo de todos os ganhos sociais e perdas sociais

...“o poluidor deve, em princípio, assumir o custo da poluição”...

 A vocação redistributiva (distribuição de todos os direitos e


responsabilidades na sociedade) e a deficiência do sistema de preços.

 Internalização dos cursos x privatização dos lucros e socialização das


perdas.
 Todos os custos ambientais devem ser incluídos no preço do produto.

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...“sem desvirtuar o comercio e os investimentos nacionais”...

Combate ao dumping ecológico


 ação ou expediente de pôr à venda produtos a um preço inferior ao do
mercado, especialmente no mercado internacional.

Poluidor Pagador na CF/88

Art. 225 Exploração econômica

§2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio
ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão
público competente, na forma da lei.

§3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente


sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados.

Art. 170, VI
Princípio da ordem econômica e a proteção do meio ambiente

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Na PNMA - Lei 6838/81

Art. 4º A política nacional do meio ambiente visará

VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar


e/ou indenizar os danos causados, e ao usuário, de contribuição pela
utilização de recursos ambientais com fins econômicos.

PPP preocupação com a


PUP preocupação com a quantidade
qualidade dos recursos
dos recursos ambientais
ambientais

Lei 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos)

Art. 33. São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa,


mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do
serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, os fabricantes,
importadores, distribuidores e comerciantes de:
Sistema Unificado de Atenção à
Sanidade Agropecuária
agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja
embalagem, após o uso, constitua resíduo perigoso, observadas as regras de
gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei ou regulamento, em normas
estabelecidas pelos órgãos do SISNAMA, do SNVS e do SUASA, ou em normas
técnicas;

Pilhas, baterias, pneus, óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens; lâmpadas


fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; produtos
eletroeletrônicos e seus componentes.

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Art. 33.
§ 6o Os fabricantes e os importadores darão destinação ambientalmente
adequada aos produtos e às embalagens reunidas ou devolvidas, sendo o
rejeito encaminhado para a disposição final ambientalmente adequada,
na forma estabelecida pelo órgão competente do Sisnama e, se houver,
pelo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.

CFURH: Compensação Financeira pela


Reflexos da aplicação do Princípio Utilização dos Recursos Hídricos.

CFEM: Compensação Financeira pela


a) Sobrecarga do preço do produto Exploração Mineral.
Desestimular a produção/busca por tecnologias limpas;

b) Publicização dos produtos que causam externalidade ambientais


negativas
 Educação ambiental + educação do consumidor + produtos “verdes”
 O problema do marketing ambiental:

c) Transferência dos custos sociais para os agentes poluidores


 Prevenção, precaução e correção (responsabilidades administrativa, civil
e penal)

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CEFEM - Lei n.º 13.540/2017

Contribuintes:
Responsável pela exploração de recursos minerais, para fins de
aproveitamento econômico.
 A exploração de recursos minerais, consiste na retirada de substâncias
minerais da jazida, mina, salina ou outro depósito mineral, para fins de
aproveitamento econômico.

Base de cálculo:
Receita bruta nas operações de venda, deduzindo-se apenas os tributos que
incidem sobre a comercialização

a) cortados pelas infraestruturas


utilizadas para o transporte
ferroviário ou dutoviário de
CEFEM - Lei n.º 13.540/2017 substâncias minerais;

Alíquotas (algumas): b) afetados pelas operações


portuárias e de embarque e
desembarque de substâncias
Minério de ferro: de 2% a 3,5%. minerais;
Bauxita: 3%.
c) onde se localizem as pilhas de
Rochas ornamentais, água mineral e termal: 1%. estéril, as barragens de rejeitos
e as instalações de
beneficiamento de substâncias
Distribuição da receita: minerais, bem como as demais
Estados produtores e DF: 15%; instalações previstas no plano
Municípios produtores e DF: 60%; de aproveitamento econômico.
Municípios e DF afetados pela atividade e quando não produtores: 15%.

E os outros 10%? DNPM 7%/ FNDCT 1%/ Centro de Tecnologia Mineral 1% e IBAMA 0,2%

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Reflexos da aplicação do Princípio (cont.)

d) Política de equidade no comercio internacional


 Cooperação dos povos e controle das práticas comerciais

e) Ações de uso racional dos bens ambientais

f) Prevenção através de repressão severa

g) Compartilhamento dos custos também com os consumidores


 O caso das sacolinhas plásticas dos supermercados.

h) Tributação e poluidor pagador


IPVA (carros antigos – emissão de poluentes)

Apropriação, pelo poluidor, dos direitos de outrem (bem


EM RESUMO: ambiental como bem de uso comum do povo)

Todos que utilizam os bens ambientais em proveito próprio (e, por


consequência, em detrimento da sociedade) devem arcar com o déficit
causado sobre a coletividade.

Quando o prejuízo puder ser suportado E trouxer benefício para a sociedade,


deve ser internalizado por aquele que explora a atividade.

Poluidor
Quando a pagador não é não
internalização direito
for à poluir,(custos
possível mas um limitador
muitos compara
elevados basea
em uma
sociedade) o forte carga
produto política,
não pode que deveou
ser fabricado interferir na tomada a de
consumidor.
decisão:
economia X recursos públicos X meio ambiente

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