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N.

16 FEV 2019 a experiência de compartilhar


a guarda dos filhos

Nomes geográficos contam


histórias sobre os lugares

ODS 9: industrialização e
inovação sustentáveis

longevidade viver bem e


cada vez mais
12
nomes
geográficos

4
indústria,
inovação e
infraestrutura

18
caminhos
para uma
melhor idade

6
dividindo 26 caça-palavras
responsabilidades
27 #ibge
u
EXPEDIDENTE

Presidente
m grupo formado por mais de 28 milhões de pessoas, o que Roberto Olinto Ramos
representa 13% da população brasileira, pode dobrar de tamanho Diretor-Executivo
Fernando José de Araújo Abrantes
nas próximas décadas. É o que mostram as estatísticas do
Diretoria de Pesquisas
IBGE em relação ao aumento do total de idosos no país, ou Cláudio Crespo
seja, daquelas pessoas que têm 60 anos ou mais de idade. O Diretoria de Geociências
João Bosco de Azevedo
crescimento dessa parcela da população e sua maior longevidade
Diretoria de Informática
traz novas nuances para o retrato do Brasil, como mostra a José Sant`Anna Bevilaqua
reportagem de capa da Retratos nº 16. Centro de Documentação e
Disseminação de Informações
Participar de atividades sociais organizadas, como as serestas David Wu Tai
protagonizadas pelos personagens destacados na matéria, além de Escola Nacional de Ciências Estatísticas
Maysa Sacramento de Magalhães
ser uma forma de sociabilidade, é uma oportunidade de revelar
UNIDADE RESPONSÁVEL
talentos. Porém, para que todos os idosos tenham qualidade de Coordenação de Comunicação Social
vida, além de iniciativas criadas pela própria sociedade, é preciso Diana Paula de Souza
políticas públicas capazes de garantir seus direitos. Editor
Marcelo Benedicto
Por outro lado, a reportagem sobre a guarda compartilhada tem Editora assistente
como foco a responsabilidade sobre aqueles que estão na base Marília Loschi
Editora de arte
de nossa pirâmide etária: as crianças e os adolescentes. No caso, Simone Mello
filhos e filhas (menores de idade) de pais que se separaram. Editora de fotografia
O texto mostra como é a experiência dos pais que fizeram Licia Rubinstein

essa opção, cujo número de registros quase triplicou entre Projeto gráfico
Simone Mello
2014 e 2017. Porém, apesar do aumento de casos de guarda Reportagem
editorial

compartilhada no país, ainda são as mães que majoritariamente Camille Perissé, Eduardo Peret, Helena
Tallmann, José Zasso, Marcelo Benedicto,
ficam com a guarda dos filhos após uma separação.
Marília Loschi, Mônica Marli e Rita
Martins
Já a seção G da revista fala de um assunto curioso: os nomes
Editoração eletrônica
geográficos. Presentes em todos os mapas, além de identificarem Licia Rubinstein e Simone Mello
as feições geográficas, podem ajudar na compreensão de diversos Foto da capa
aspectos sobre um determinado lugar. Isso porque pesquisadores, ao Licia Rubinstein
Fotografia
registrá-los, buscam os motivos de sua escolha, escrita e pronúncia. Gabriela Vázquez, Helena Tallmann,
Licia Rubinstein e Rita Martins
Por fim, a edição de fevereiro dá continuidade à série de entrevistas
Ilustração
sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O destaque é Licia Rubinstein
para o ODS 9, que trata da construção de infraestruturas resilientes Tratamento de imagens
e da promoção da indústria e da inovação pensadas no contexto da Licia Rubinstein

sustentabilidade econômica, institucional, ambiental e social. Logística de distribuição


Helena Pontes
Boa leitura! Colaboradores
Bondinho Pão de Açúcar, Irene Gomes,
Equipe da redação J.C. Rodrigues, Luiz Bello, Mônica Marli e
Museu da República
Revisão de textos
Irene Gomes e Marília Loschi
Retratos a Revista do IBGE é uma publicação mensal do Instituto para distribuição interna e externa. A publicação não é comercializada.
Todos os direitos são reservados. Caso queira reproduzir as matérias e as imagens desta edição, entre em contato através do nosso e-mail. Impressão
A publicação das informações individuais na Retratos foi autorizada pelos entrevistados. Críticas e sugestões: revistaretratos@ibge.gov.br Veloprint Gráfica e Editora Ltda
Tiragem
30.000 exemplares
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ISSN
Avenida Franklin Roosevelt, 166 sala 900 A - Centro - Rio de Janeiro - RJ 20021-120 2595-0800

fev 2019 retratos a revista do ibge 3


indústria, inovação
e infraestrutura
texto O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 9 está relacionado
Eduardo Peret
arte e design com a construção de infraestrutura, baseada em indústria e
  Licia Rubinstein
inovação, formando um tripé em que cada pilar depende dos
demais. Ele lida com temas específicos que, observados de forma
isolada, poderiam passar a impressão de que se está reproduzindo
um paradigma já ultrapassado – o paradigma da industrialização
pura, da infraestrutura por si mesma – e não é o caso.
A industrialização e a busca da inovação devem ser pensadas no
contexto da sustentabilidade econômica, institucional, ambiental
e social, conforme explica o economista Flávio Peixoto.

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Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 9:
Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e
sustentável e fomentar a inovação.

Revista Retratos  O que se plataforma e com dados regio- apenas a estradas ou a outras
destaca no ODS 9? nais disponibilizados. vias. No Canadá, por exemplo,
Flávio Peixoto  Em primei- há estradas que sempre ficam
ro lugar, a conexão com os Retratos  Pode nos dar alguns fechadas no inverno por causa
outros objetivos, em especial exemplos? da neve. Aqui no Brasil, pensa-

Acervo pessoal
os sociais e ambientais. É Flávio  A meta 9.2 tem um mos em termos de Amazônia e
importante pensarmos nesse indicador de emprego na indús- Centro-Oeste, áreas que são ala-
Objetivo de forma sempre tria, na proporção do emprego gadas parte do ano. E também
contextualizada com os de- total, que já está publicado. Na temos áreas rurais cujo acesso
Flávio Peixoto
mais, para entendermos que a meta 9.5, referente a inovação, o é feito exclusivamente por rio, é economista formado
ideia é industrializar e inovar indicador de dispêndios de Pes- portanto não há “estrada”, mas pela UFF, com
de forma sustentável, e não em quisa e Desenvolvimento como há o acesso. mestrado e doutorado
em Economia da
detrimento do ambiente e da proporção do PIB também já A meta 9.3 fala em “indústrias
Tecnologia e Inovação
sociedade. está divulgado. A plataforma de pequena escala” e também pela UFRJ. No IBGE,
também já tem números sobre temos um problema com esse ele é o coordenador do
Retratos  Quais são as fontes os pesquisadores em tempo conceito, porque a definição va- ODS 9.

das informações para os indi- integral, que nós obtivemos ria com a estrutura de cada país.
cadores? mesclando os dados da base do Temos a definição mais comum,
Flávio  Além do próprio IBGE, CNPq e Capes com os dados do que é por faixa de pessoas
temos parcerias com a Anatel, IBGE, através da Pesquisa de ocupadas, mas não definimos o
a Empresa de Pesquisa Ener- Inovação, da qual eu sou geren- que é “pequena escala”. Porém,
gética (EPE), o CNPq, a Capes te. Está tudo na plataforma. se pensarmos em receita, isso
e os Ministérios de Ciência e muda. Pode haver uma empresa
Tecnologia, Transportes, Minas Retratos  E quais indicadores com poucas pessoas ocupadas e
e Energia e Relações Exteriores. ainda não estão prontos? uma receita muito alta.
Também estamos negociando Flávio  Algumas metas apre-
com o Banco Central e a Recei- sentam problemas metodológi- Retratos  E há outros desafios
ta Federal para termos acesso a cos. Por exemplo, o indicador relativos a esse ODS?
alguns dados. que se refere à proporção da Flávio  Alguns indicadores

i
população rural que vive num são completamente levantados
Retratos  Quais indicadores raio de 2 km de estradas acessí- por outras instituições, ou em
nós já temos? veis durante o ano inteiro. Esse alguns casos nós dependemos
Flávio  O ODS 9 é um dos indicador não tem dados nem de uma base de dados externa.
objetivos mais completos em metodologia internacional pro- Nesses casos, precisamos man-
termos de disponibilidade de posta. Ainda precisamos definir ter constante negociação com
indicadores, muitos dos quais já o conceito de “estrada aberta essas instâncias, para que os
estão, inclusive, publicados na o ano todo”, ver se ele se refere prazos sejam cumpridos.

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6
b
r etratos a revista do ibge fev 2019
texto  Helena Tallmann, José Zasso e Rita Martins
fotos  Gabriela Vázquez, Helena Tallmann e Rita Martins
design  Licia Rubinstein

dividindo
responsabilidades
s ob os olhares cuidadosos do pai, o psicólogo Tiago Ferreira, a pequena Lara Kali, de sete
anos, se apressa em amarrar os cadarços dos patins para aproveitar o feriado ensolarado
em um parque de Salvador. “O que eu mais gosto de fazer com meu pai é passear”, conta.
Tiago compartilha a guarda da filha com a ex-companheira desde 2013. “Pelo meu
processo de formação em Psicologia, eu tive acesso a algumas discussões que me fizeram
me posicionar politicamente nesse lugar enquanto homem e me responsabilizar mais
diretamente pela guarda. Nós fizemos um acordo e, desde então, ela fica 15 dias comigo e
15 dias com a mãe”, explica ele.
Rita Martins

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Gabriela Vázquez

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“Quando decidimos nos separar, tínhamos como
certo que continuaríamos sendo a família do Franz,
mesmo não tendo mais uma vida conjunta, por isso
nem cogitamos outro tipo de guarda” Fábio Visentin

Situação semelhante acon- respeito. “É benéfico para todos, Bahia (29,4%) e Amazonas
tece com os pais do pequeno quando a gente cria essa relação (28,7%). Entre as capitais, os
Franz, de três anos. O advogado amistosa entre as famílias, maiores percentuais foram
Fábio Visentin e a estudante mesmo estando separados. Eu registrados em Vitória-ES
Gabriela Vázquez, que mo- aconselho todos os pais separa- (61,2%), Curitiba-PR (54,6%) e
ram em Juiz de Fora, MG, não dos a testar essa rotina, porque Salvador-BA (54,4%).
tiveram dúvidas sobre a escolha muitos deixam de criar um Este número pode ser ainda
do regime de guarda comparti- vínculo com o filho por achar maior, já que as informações
lhada desde o início da sepa- que é uma responsabilidade da utilizadas na pesquisa levam
ração, há cerca de um ano. De mãe”, analisa. em consideração apenas os
domingo a quarta-feira, Franz A realidade de ambas as casos registrados em cartórios,
fica com o pai e, de quarta a do- famílias reflete um dado esta- tabelionatos e varas de família.
mingo, com a mãe. Os horários, tístico sobre o Brasil: o regi- “É importante explicar que as
porém, são flexibilizados de me de guarda compartilhada Estatísticas do Registro Civil
acordo com a necessidade. vem aumentando desde 2014, são uma pesquisa de registros
“Quando decidimos nos se- quando foi sancionada a Lei nº administrativos. Não coleta-
parar, tínhamos como certo que 13.058, que prevê a aplicação mos a situação conjugal, mas
continuaríamos sendo a família dessa modalidade de guarda o estado civil das pessoas. As
do Franz, mesmo não tendo como prioritária nos casos em uniões estáveis não modificam
mais uma vida conjunta, por que ambos os genitores estejam o estado civil do indivíduo e,
isso nem cogitamos outro tipo aptos a exercer o poder familiar. portanto, não são coletadas na
de guarda”, frisa Fábio. A nova No país, o número de registros pesquisa”, explica a gerente da
rotina ensinou o pai do pequeno de guarda compartilhada quase pesquisa, Klívia Brayner, acres-
Franz a valorizar o tempo em triplicou entre 2014 e 2017, centando que a investigação
que estão juntos. Segundo ele, passando de 7,5% dos casos de conseguiu, ainda assim, captar
ficar alguns dias com o filho não divórcio de casais com filhos o crescimento dessa modalida-
é obrigação, mas um momento menores para 20,9%, de acordo de de guarda como consequên-
de prazer. “Quero participar de com as Estatísticas do Registro cia da lei. Fotos
Na página 6, Tiago
tudo”, diz ele. A mãe destaca a Civil, do IBGE. Os estados com O juiz de Direito e presi- Ferreira e a filha Lara
vantagem de a criança não so- os maiores índices de compar- dente do Instituto Brasileiro Kali.
frer pela distância e, desde cedo, tilhamento da guarda, em 2017, de Direito de Família na Bahia Na página 8, Fábio
conviver em um ambiente de foram Espírito Santo (32,7%), (IBDFAM-BA), Alberto Gomes, Visentin e o filho Franz.

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Proporção de divórcios concedidos em primeira
instância, com guarda compartilhada, a casais
com filhos menores de idade

Espírito Santo 32,96%


Amazonas
Bahia
Paraná
explica que a lei impõe que a
Distrito Federal Divórcios regra da guarda seja comparti-
Pará Em 46,1% dos lhada, com exceção de quando
Rondônia divórcios concedidos um dos pais não quer. Ainda
em 2017, o casal assim, nesta hipótese, o juiz
Santa Catarina
tinha somente filhos pode mandar fazer o compar-
Mato Grosso do Sul menores de idade tilhamento se ele vir que tem
Mato Grosso condições para manter essa
Minas Gerais relação entre eles sem prejuízo
Brasil para a criança. Ele acredita
21,27% que o aumento no número de
Paraíba compartilhamento da guarda
São Paulo se deve, entre outros fatores,
Maranhão ao maior esclarecimento sobre
o tema: “Esse aumento passou
Tocantins
não só pelo esclarecimento
Rio Grande do Sul dos operadores do Direito,
Rio de Janeiro mas também pelo avanço na
2014 2017 compreensão e na educação das
Ceará
pessoas, que passaram a ver que
Piauí
tudo o que elas estavam fazen-
Acre do tinha consequência para os
Alagoas filhos”, avalia.
Goiás Para outro magistrado, o de-
sembargador Luiz Felipe Brasil,
Rio Grande do Norte
da 8a Câmara Cível do Tribunal
Pernambuco de Justiça do Rio Grande do
Sergipe Sul, especializada em Direito
Amapá de Família, o principal desafio
é a mudança de mentalidade
Roraima 10,50% dos genitores: “Eles precisam
assumir uma maior divisão de
Fonte: Estatísticas do Registro Civil 2017

10 retratos a revista do ibge fev 2019


“A relação entre pai e
filho ou filha precisa
ser regada, e só
Helena Tallmann

pode ser regada se


estiverem próximos”
Alberto Gomes

tarefas e responsabilidades, mas que raras vezes o ex-marido se convivência não é dos pais, é Foto
isso é um processo social de mé- responsabilizou pela filha. “Ele um direito da criança. Do pai A guarda compartilhada
dio para longo prazo”, pondera. nunca foi a uma reunião da é uma obrigação, da criança é possibilita que pais e
filhos fiquem próximos
Tanto é que, mesmo com a regra, escola, nem levou ao médico. um direito”, ressalta, ao explicar e compartilhem
na maioria dos casos de divórcio Uma vez pedi para ele fazer o que, embora o pai resista a uma vivências, como é o
de casais com filhos menores de CPF e a identidade dela, ele dis- convivência com o filho, ele caso de Fábio Visentin
e Gabriela Vázquez,
idade, no Brasil, a guarda ainda se que ia, mas quando chegava acaba cedendo com a insistên-
pais de Franz.
fica com a mãe. Dos 158.161 o dia, cadê?”. cia e as penalidades impostas
divórcios ocorridos entre casais Hoje a filha de Marli tem 16 pela Justiça.
com filhos menores no país, em anos e fala poucas vezes com “Eu também já pensei assim:
2017, 109.745 (69,4%) casos ti- o pai. “Ela nunca passou o Dia ninguém pode obrigar a amar.
veram a guarda atribuída apenas dos Pais com ele, pois ele não ia Mas ‘água mole em pedra dura
à mãe. Em apenas 7.521 casos buscá-la. No aniversário dela, tanto bate até que fura’, princi-
(4,8%), a guarda dos filhos ficou eu tenho que ligar para pedir palmente com criança. A pessoa
com o pai. para ele desejar feliz aniversário tem que ter um desvio de com-
pra filha”, conta, revelando a portamento ou um desvio men-
Apesar da lei tristeza diante da situação. tal muito grande para não ceder
Apesar da lei, ainda há casos Segundo o juiz Alberto aos encantos de uma criança”,
como o da auxiliar de serviços Gomes, nos casos em que as defende Gomes, acrescentando
gerais Marli Cruz, que compar- guardas compartilhadas são que “a relação entre pai e filho
tilha a guarda da filha com o desvirtuadas, cabe denunciar ou filha precisa ser regada, e só
ex-marido “só no papel”. Divor- a situação por meio de um pode ser regada se estiverem
ciada desde 2005, Marli conta processo judicial. “O direito da próximos”.

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g
nomes
eográficos
Os lugares têm nomes que contam
texto  Marcelo Benedicto e Marília Loschi
fotos  Licia Rubinstein
design  Simone Mello
colaboração  Mônica Marli

histórias. A escrita, a pronúncia e o


sentido de cada um deles mostram que
não são frutos de uma escolha aleatória.
Tanto as feições naturais como as
construídas pela humanidade ganham
significado após serem nomeadas. Praia de Copacabana

Forte Duque
de Caxias Praia do Leme

g
12 retratos a revista do ibge fev 2019
Pedra da Gávea
Morro Dois Irmãos

Estação Bondinho Pão de Açúcar

Morro da Urca

Praia Vermelha

Praça General Tibúrcio

Pista Cláudio Coutinho ou Caminho do Bem-te-Vi

fev 2019 retratos a revista do ibge 13


Vídeorreportagem
a
Um passeio turístico
no Rio de Janeiro
não pode deixar de
s ruas de calçamento irregular,
feito com pedras pé-de-moleque,
e o casario colonial do centro
histórico de Paraty, município ao
sul do estado do Rio de Janeiro,
foram palco de uma polêmica
encerrada há pouco mais de dez
só ocorreu depois da aprovação
de uma lei pela Câmara de Vere-
adores, em 2007.
A disputa mostra que não
é por acaso que uma palavra é
escrita e pronunciada de uma
ou outra maneira. Cada letra
lugar, seja ele uma cidade, rua,
rio, relevo ou construções, por
exemplo. Vistos como patri-
mônios culturais, os nomes das
diversas feições geográficas de
um território funcionam como
verdadeiros “fósseis linguísticos”
anos: o nome da cidade deveria ou fonema traz a marca da com várias camadas de história.
fora uma visita ao
Bondinho do Pão ser escrito com “y” ou com “i”? tradição e das decisões políticas “O nome geográfico trans-
de Açúcar. Porém, Tudo começou após mudan- que determinam os nomes das forma o espaço em lugar, que é
por que um dos ças nas regras ortográficas da lín- coisas. Nesse sentido, os nomes o espaço vivido, marcado por
principais cartões-
postais da cidade
gua portuguesa no Brasil terem dos elementos representados emoções e que tem uma histó-
maravilhosa é determinado a substituição do y em um mapa podem funcionar ria. Quem nomeia está ligando
chamado de Pão de por i em palavras como Paraty, como fontes de informação aquele lugar à sua história. Ao
Açúcar? Essa é uma
questão relacionada
que então passou a figurar nos sobre o país. recuperar o nome de uma cons-
às definições dos mapas como Parati. Revoltados É o que mostram as pesqui- trução, ou mesmo nomeá-la,
nomes geográficos, com a alteração, os paratienses sas sobre os Nomes Geográfi- estamos dando um significado
tema do vídeo
se mobilizaram para que o “y” cos, ao buscarem a origem e as a ela, reconhecendo e atribuin-
disponível em http://
agenciadenoticias. retomasse seu devido lugar na diversas formas que um nome do um valor. Por isso, nunca
ibge.gov.br grafia do nome da cidade, o que pode ter para designar um se pode descartar um nome”,

14 retratos a revista do ibge fev 2019


Foto
O município de Paraty (RJ)
já teve a grafia de seu
“O nome geográfico transforma o
nome escrita com “i”no espaço em lugar, que é o espaço
lugar do “y”, mudança que
desagradava a população. vivido, marcado por emoções e que
tem uma história. Quem nomeia está
ligando aquele lugar à sua história.”
Ana Cristina Resende

explica Ana Cristina Resende, mais próximo à pronúncia que Qual é o nome disso?
pesquisadora da Coordenação eles usavam para significar algo Se em situações em que a
de Cartografia do IBGE. no território. É como se fosse simples troca de uma letra na
Cada nome geográfico é Paratii, que significa água que grafia de um nome geográfico
formado pela junção de um corre. Aí o linguista achou por gera controvérsia, o que dizer
nome genérico com um espe- bem utilizar o ‘y’ para represen- dos casos nos quais um nome
cífico. Um exemplo é o “rio tar essa pronúncia, o ‘i’ longo, inteiro é substituído por outro?
São Francisco”, formado pelo o ‘i’ dobrado”, esclarece Marcia Nas cidades, muitas vezes, o
genérico “rio” e o específico de Almeida Mathias, técnica poder político costuma atri-
“São Francisco”. O trabalho do aposentada da Coordenação de buir o nome de personalidades
IBGE é cuidar da padronização Cartografia do IBGE. ilustres a ruas, praças e outros
dos nomes que estão em suas Situação similar à viven- espaços públicos como forma Conhecendo
bases cartográficas. Para isso, ciada em Paraty aconteceu em de homenageá-las, nem que o território
o instituto segue orientações Pirassununga, São Paulo, após para isso seja preciso renomear Em uma pesquisa
no Banco de Nomes
definidas pelo grupo de espe- o governo determinar que os um local. Foi o que aconteceu
Geográficos, Graciosa
cialistas em nome geográficos nomes indígenas grafados com com a antiga avenida Suburba- Rainha Moreira,
da Organização das Nações dois “s” deveriam passar a ser na, eixo viário de cerca de 11 analista de sistemas
Unidas (ONU). Quando neces- escritos com “ç”, em respeito km de extensão na cidade do da Coordenação de
Cartografia do IBGE,
sário, técnicos vão a campo en- a uma norma ortográfica da Rio de Janeiro, que passou a se fez uma busca pelo
trevistar pessoas para esclarecer década de 1940. chamar avenida Dom Hélder termo macaúba (um
dúvidas relativas a um nome – “Seguindo a legislação, Câmara, arcebispo católico que tipo de palmeira). O
resultado mostrou
quanto à grafia, por exemplo. o IBGE fez a alteração nos faleceu em 1999. que o termo nomeava
mapas. E começaram a vir “Até hoje é conhecida como aldeia indígena,
Arqueologia dos nomes as reclamações, não só das avenida Suburbana, por muitos povoado, barragem,
entre outros locais.
No caso de Paraty, uma das áreas administrativas como motivos”, conta Ana Cristina.
No mapa, observou
argumentações em favor do uso da população. Isso porque Os evangélicos, inclusive, cria- que esses pontos
do “y” teve por base a origem in- eles não se reconheciam, pois ram um nome para um pedaço estavam distribuídos
dígena da palavra. “Foi percebido Pirassununga com ‘ç’ não dela, pois não queriam estar por Tocantins, Bahia,
Goiás, Minas Gerais,
que existem várias tonalidades tinha o mesmo valor cultural”, com um de seus maiores tem- São Paulo e Maranhão,
para a pronúncia do ‘i’ para o comenta Marcia. A população plos numa avenida com nome justamente os estados
indígena. E cada uma delas tem não aceitou e o nome voltou a de um religioso católico. Então, que possuíam muitas
macaúbas.
um significado diferente. O ‘y’ é ser com dois “s”. colocaram o nome de largo dos

fev 2019 retratos a revista do ibge 15


Vista do bairro da
Urca, localizado no
município do Rio
de Janeiro (RJ)

Evangélicos no local em que às relações políticas internacio-


fica a igreja deles”. nais. Assim, grafar ilhas Malvi-
No caso do Aeroporto Inter- nas ou ilhas Falklands em um
nacional Antônio Carlos Jobim, mapa da América do Sul, por
antigo Galeão, no Rio de Janeiro, exemplo, pode ser visto como
a troca de nome para home- um sinal de posicionamento
nagear o compositor brasileiro favorável do Brasil à Argentina
gerou um problema de logística. ou à Inglaterra no que diz res-
“A questão é que ele é registrado peito à disputa dos dois países
como GIG-Galeão no mundo pela propriedade dessas faixas
inteiro. Então, seria difícil mudar de terra.
o nome no mundo todo. Por isso, De acordo com Ana Cris-
ficou Galeão Rio – Aeroporto tina, uma opção é usar as duas
Internacional Antônio Carlos denominações nos mapas. Mas
Jobim”, esclarece Ana Cristina. isto não resolve a polêmica. “O
Já na Bahia a mudança do dilema de se colocarem os dois
nome de uma localidade parece nomes é definir qual virá primei-
não ter gerado muita polêmica. ro. Uma solução parcial é usar
Em 1997, o distrito de Mimoso uma barra entre eles para dar
do Oeste, subordinado à cidade ideia de simetria, mas qual virá
de Barreiras, foi elevado à cate- antes? Ordem alfabética não re-
goria de município e passou a se solve alguns casos, porque pode
chamar Luís Eduardo Magalhães. haver mudanças na tradução”.
“Quem nomeia tem poder. An-
tônio Carlos Magalhães [à época, Limites imaginários
o ex-governador baiano era pre- Ao pensar nas motivações para
sidente do Senado] nomeou um se nomear uma determinada
município com o nome do filho feição geográfica, é preciso con-
dele que havia falecido e isso foi siderar a relação da pessoa que
aceito pela população”, recorda a nomeia com a feição geográfica.
pesquisadora. Muitas vezes a identificação se
dá pela forma que ela tem, ex-
Relações internacionais plica Ana Cristina ao se referir a
Quando se trata da grafia alguns pontos da Urca, bairro da
de nomes estrangeiros nos zona sul do Rio de Janeiro:
mapas produzidos no Brasil, os “A ilha da Tartaruga, por
profissionais responsáveis pela exemplo, tem esse nome em
padronização dos nomes geo- função do seu formato. O
gráficos precisam estar atentos mesmo ocorre com o Pão de

16 retratos a revista do ibge fev 2019


Açúcar, que tem o formato do completar 66 anos de residên-
pão-de-açúcar [que era feito] cia na Urca. “A praia Vermelha
nos engenhos. Já a praça Gene- pertence à Urca, segundo a
ral Tibúrcio tem um nome que prefeitura. Para mim, aquilo é
homenageia alguém significa- uma praia independente. Talvez
tivo para a população local ou a Urca seja do lado esquerdo
para quem nomeia”. da av. Pasteur para cá, que é a
Outra questão, segundo ela, parte mais residencial”, diz o
é que, para as pessoas, os limites morador.
de um local geralmente são
muito difusos. Daí existirem di- Todos os nomes
ferenças entre os limites oficiais Cada base cartográfica produzi-
(traçados pelo poder público) e da pelo IBGE possui uma lista
os reconhecidos pela população. de nomes geográficos georre-
A pesquisadora percebe essa ferenciados. Segundo Beatriz
contradição entre os moradores Pinto, gerente da área de Nomes
da Urca, que, em geral, acham Geográficos, os últimos mapas
que a Urca é um bairro e a praia lançados foram o do estado
Vermelha é outro. “Quem mora do Rio de Janeiro, na escala
lá dentro, no coração da Urca, 1:25.000; do Espírito Santo e
vai dizer que praia Vermelha é Goiás, na escala 1:100.000; e
da guarita para fora. No entanto, os mapas do Brasil nas escalas
oficialmente todo o bairro se 1:1.000.000 e 1:250.000. coletando nomes
chama Urca”, esclarece. O instituto também publicou o Um mapa tem diversas categorias de informação
Para Marli Souza Aguiar da Glossário de Termos Genéricos (como hidrografia, relevo, sistema viário e obras
Rocha, que mora na Urca há relativos aos nomes listados nos públicas) e cada uma delas tem um nome asso-
mais de 40 anos, a praia Verme- mapas na escala 1:1.000.000. ciado. Apesar de muitos desses nomes serem
lha é um bairro diferente do seu: Todos esses produtos estão dis- oficiais, as pessoas podem conhecê-los por outras
“Muitas pessoas dizem assim poníveis na área de downloads denominações. Por outro lado, quando um mapa
para mim: [a Urca] parece cidade do portal do IBGE na internet. vai ser atualizado ou um novo vai ser lançado,
do interior. Isso eu já ouvi mais Ainda de acordo com a ge- podem surgir dúvidas quanto à grafia ou mesmo
a existência de um nome. Em situações como
de uma vez. É quase que um rente, as diversas informações
essas, o IBGE entra em campo para esclarecer
anexo de casa. A praia Vermelha sobre os nomes geográficos
essas dúvidas junto à população.
não é assim. É mais distante, tem estão sendo reunidas em um
Segundo Vania Nagem, engenheira cartógrafa da
mais trânsito, tem o Círculo Mi- banco de dados. A expectativa é Coordenação de Cartografia do IBGE, o trabalho
litar, o Pão de Açúcar. [A Urca] é que esse banco possua cada vez é chamado de reambulação: uma metodologia
um lugar pequeno, gostoso”. mais nomes para que, no futuro, específica para a coleta de nomes geográficos,
A opinião é compartilhada ele possa ser disponibilizado que segue orientações do grupo de especialistas
por Hélio Ribeiro, que acaba de para o usuário externo. da ONU sobre o assunto.

fev 2019 retratos a revista do ibge 17


e
18 retratos a revista do ibge fev 2019
texto  Camille Perissé e Mônica Marli
fotos  Licia Rubisntein
design  Simone Mello

caminhos para uma


melhor idade fev 2019 retratos a revista do ibge 19
d e acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), idoso
é todo indivíduo com 60 anos
ou mais. O Brasil tem mais de
28 milhões de pessoas nessa
faixa etária, número que repre-
senta 13% da população do país.
E esse percentual tende a dobrar
nas próximas décadas, segundo
Idoso, bem como o Estatuto do
Idoso, sancionados em 1994
e em 2003, respectivamente.
Ambos os documentos devem
servir de balizamento para
políticas públicas e iniciativas
que promovam uma verdadeira
melhor idade.
se tornou frequentadora assídua
dos encontros musicais. “Já
cheguei a frequentar todos os
dias e, atualmente, deixo de vir
uma ou duas vezes por semana,
no máximo”, fala, e completa:
“A gente vai ficando com idade,
o marido morre e a maior parte
das pessoas começa a sentir
a Projeção da População, divul- “Música é terapia” solidão. Eu não sinto! Venho
gada em 2018 pelo IBGE. Foi durante um passeio com o para cá, converso, me distraio,
Para que os idosos de hoje e marido, em 1991, que Beatriz faço amizade...”.
do futuro tenham qualidade de Spinoza, de 73 anos – ou “quase Uma das amigas seresteiras
vida, é preciso garantir direitos 74”, como ela faz questão de é Dulce Silva, de 77 anos, que
em questões como saúde, traba- ressaltar – descobriu a seresta encontrou nessa atividade não
lho, assistência social, educação, do palácio do Catete, no Rio só o seu momento de distração,
cultura, esporte, habitação e de Janeiro. “Ouvimos uma voz como também um talento até
meios de transportes. No Brasil, lindíssima e decidimos entrar então escondido. “Eu sempre fui
esses direitos são regulamenta- para ver o que era”, relembra. A de sair, quer me dar um castigo
dos pela Política Nacional do paixão foi instantânea e Beatriz é falar para eu ficar em casa. E a

20 retratos a revista do ibge fev 2019


seresta é muito prazerosa. Vim “A seresta representa muito para esses idosos.
para cá através de um amigo, Traz entretenimento, arte, sociabilidade, emoção e memórias”
comecei a cantar de introme- Maria Helena Versian
tida e acabei achando que era
cantora”, diz. cipa da seresta há tanto tempo tes. Apesar de também serem
A Pesquisa Nacional de Saú- que, quando é perguntado como frequentadas por pessoas mais
de (PNS), realizada pelo IBGE ficou conhecendo os encontros, jovens e até crianças, a maior
em 2013, mostrou que a cada responde sem pestanejar: “Eu parte do público tem entre 60 e
quatro pessoas com 60 anos ou nasci aqui”. Para Miguel, a seres- 90 anos.
mais, pelo menos uma relatava ta é um hobby, que reúne amigos “A seresta representa muito
participar de atividades sociais e músicos de “primeira catego- para esses idosos. Traz entre- Fotos
organizadas, como a seresta ria”. “Música é terapia”, conclui. tenimento, arte, sociabilidade, O público da seresta
do palácio do Catete. Entre Assim como Beatriz, Dulce emoção e memórias. Há muitos do palácio do
Catete é formado,
as mulheres, o percentual era e Miguel, muitos outros ido- depoimentos sobre a desco- principalmente, por
maior, chegando a quase 30%. sos encontraram no palácio berta de sentidos para a vida, idosos, na faixa etária
Mas a participação dos homens do Catete um espaço de lazer. a paixão de viver. Terapia, ale- dos 60 aos 90 anos.
também foi significativa, ficando De acordo com Maria Helena gria, encontros, amizades são Na seresta, Beatriz (à
direita) e Dulce, além
bem pouco abaixo dos 20%. Versian, historiadora do Museu palavras-chave, repetidas nos
de curtirem uma boa
Miguel Zogahib, de 87 anos, da República, cada seresta conta, depoimentos”, comenta Maria música, também fazem
é um dos exemplos. Ele parti- em média, com 50 participan- Helena, que está realizando novos amigos.

fev 2019 retratos a revista do ibge 21


uma pesquisa de iniciação cien- etárias – acaba trabalhando Segundo a demógrafa do
tífica para resgatar e organizar aspectos como a empatia, o IBGE, Izabel Marri, a partir de
a memória oral da seresta do respeito ao tempo do outro e 2047 a população deverá parar
palácio do Catete. a educação do mais novo pelo de crescer, contribuindo para
Mestra e doutoranda em mais velho. “Estamos fortale- o processo de envelhecimen-
Ciências da Saúde, a gerontó- cendo vínculos e preservando to populacional – quando os
O pioneiro loga Isabela Machado ressalta a qualquer tipo de vulnerabilida- grupos mais velhos ficam em
da seresta importância de equipamentos de que possa ocorrer com esses uma proporção maior compa-
Seu Vivi, um mineiro e locais em que o idoso possa idosos”, destaca. rados aos grupos mais jovens
simples que deixou buscar esse tipo de convivên- da população. A relação entre
sua terra natal para
cia. Ela acredita que iniciati- As decisões diante a porcentagem de idosos e de
tentar a sorte no Rio
com seu cavaquinho, vas como a seresta ajudam a do envelhecimento jovens é chamada de “índice
foi o pioneiro da impedir o isolamento social do populacional de envelhecimento”, que deve
seresta no palácio do idoso, além de trabalhar tanto a A população idosa tende a aumentar de 43,19%, em 2018,
Catete. Ele tinha o
hábito de passear pelo
parte cognitiva, quanto a física. crescer no Brasil nas próximas para 173,47%, em 2060.
jardim do palácio e, “Só de ele [o idoso] sair do décadas, como aponta a Pro- Esse processo pode ser obser-
um dia, resolveu pedir seu domicílio e buscar outros jeção da População, do IBGE, vado graficamente pelas mudan-
autorização para tocar
e cantar no local. Aos
ambientes que deem prazer, já atualizada em 2018. Segundo a ças no formato da pirâmide etá-
poucos, a atividade foi estamos falando de qualidade pesquisa, em 2043, um quarto ria ao longo dos anos, que segue
ganhando adeptos e, de vida”, afirma. da população deverá ter mais de a tendência mundial de estreita-
hoje em dia, a cantoria
Isabela lembra, ainda, que 60 anos, enquanto a proporção mento da base (menos crianças e
recebe centenas de
pessoas, de terça a a convivência intergeracional de jovens até 14 anos será de jovens) e alargamento do corpo
domingo. – ou seja, de diferentes faixas apenas 16,3%. (adultos) e topo (idosos).

homem mulher 1940 1980


90+

75-79

55-59

35-39

15-19

0-4
Fonte: Censo 1940 Fonte: Censo 1980

22 retratos a revista do ibge fev 2019


A demógrafa comenta que “Se conseguirmos antever esses desafios,
as principais causas para essa podemos aproveitar melhor essa característica
tendência de envelhecimento
seriam o menor número de
da população atual que envelhece” Izabel Marri
nascimentos a cada ano, ou
seja, a queda da taxa de fecun- a mais longo prazo. “Se conse- A consultora em demografia
didade, além do aumento da guirmos antever esses desafios, e políticas de saúde, Cristina
expectativa de vida do brasilei- podemos aproveitar melhor essa Guimarães Rodrigues, considera
ro. Segundo as Tábuas Comple- característica da população atual necessário ter políticas públicas
tas de Mortalidade, do IBGE, que envelhece”, diz. “É funda- voltadas para tratamentos de saú-
quem nasceu no Brasil em mental que a gente tenha esses de, alimentação mais saudável e
2017 pode chegar, em média, a números, para saber quem somos, exercícios físicos, além de outras
76 anos de vida. Na projeção, que idade temos, como a gente se políticas, como construções e
quem nascer em 2060 poderá distribui no território brasileiro”. transportes mais acessíveis, que
chegar a 81 anos. Desde 1940, Na gestão pública, as altera- teriam impacto na saúde. “Há o
a expectativa já aumentou 30,5 ções demográficas interferem aumento de doenças crônicas”,
anos. diretamente em seu planeja- cita, “que são doenças mais caras
As estatísticas levantadas pelo mento. As políticas de diversas e requerem tratamentos um
IBGE nesse assunto são tema de áreas como saúde, trabalho, pouco mais custosos”.
interesse de pesquisadores e gesto- seguridade social e previdência Também de acordo com a
res públicos. Izabel explica que as social podem contribuir nos PNS, 17,3% dos idosos apre-
estimativas populacionais são tão cuidados específicos com a sentavam limitações funcionais
importantes quanto a projeção população que envelhece. para realizar as Atividades

2018 2060 Pirâmides


Etárias
As pirâmides etárias
90+ são gráficos que
auxiliam a visualizar
a distribuição
75-79 populacional por sexo
(homens à esquerda e
mulheres à direita) e
faixas etárias – na base
55-59
temos os mais jovens e
no topo os mais velhos.
É possível observar aos
35-39 longos dos anos que,
com o envelhecimento
populacional e queda
da fecundidade, o
15-19 formato vai deixando de
ser piramidal, o que é
característico de países
0-4 desenvolvidos.
Fonte: Projeções da população: Brasil e Unidades da Federação: revisão 2018

fev 2019 retratos a revista do ibge 23


“A velhice ficou velha,
mas não morreu”
Ana Amélia Camarano

Foto da capa Instrumentais de Vida Diária com 50 e poucos anos, estava acredita que a possibilidade de
A praça Edmundo (AIVD), que são tarefas como linda e maravilhosa, usava sal- redução ou flexibilização da
Bittencourt – que
fazer compras, administrar as to. Eu entrei uma pessoa, hoje jornada de trabalho para essas
fica em Copacabana,
na cidade do Rio de finanças, tomar remédios, uti- eu estou outra. Só que o meu pessoas também é uma solução.
Janeiro – é o ponto de lizar meios de transporte, usar trabalho é light agora, por isso As discussões sobre inicia-
encontro do vigilante o telefone e realizar trabalhos eu continuo lá”, comenta. tivas e políticas públicas para
Antônio Sobrinho e
seus amigos, para
domésticos. E essa proporção A professora titular de demo- idosos também devem levar em
jogar dama, buraco e aumenta para 39,2% entre os de grafia da Universidade Federal de consideração que essa população
tranca. “A rapaziada 75 anos ou mais. Minas Gerais (UFMG), Simone não é homogênea. Ana Amélia
da terceira idade
sempre vem brincar.
A seresteira Dulce demorou Wajnman, lembra que no Brasil Camarano, pesquisadora do Ins-
Isso aqui tira todos a perceber as novas necessida- os trabalhadores idosos vêm de tituto de Pesquisas Econômicas
os estresses”, afirma des que chegam com a idade: uma época em que estudar era Aplicadas (Ipea), diz que o desa-
Antônio.
“Eu nunca tinha pensado privilégio de uma elite e, portan- fio para o futuro seria considerar
Copacabana, segundo que ia ficar velha”, conta. Ela to, têm baixos níveis de escolari- as especificidades dentro da
o Censo 2010, é o
começou a se dar conta pelos dade. “O que a gente vê hoje no ampla faixa etária em que se in-
bairro com o maior
número de idosos, são comentários das outras pessoas mercado brasileiro é que quem clui o idoso. “Na verdade, ‘60 ou
mais de 43 mil. e pela percepção do seu próprio tem mais chance de continuar mais’ é muito heterogêneo. Você
corpo: “Muda um pouco, a trabalhando nas idades mais vai olhar no Estatuto do Idoso
gente fica mais debilitada, mas elevadas são aquelas pessoas que e tem políticas para 65, como
Censo 2010 eu procuro sempre me cuidar, têm mais escolaridade, que exer- transporte gratuito e prioridade
Confira na página ao fazer os exames”, diz. cem ocupações que não depen- no Imposto de Renda. Agora
lado mais informações dem de força física”, diz. tem a prioridade da prioridade”.
Uma boa saúde também é
sobre os idosos.
pré-requisito para que as pes- Uma das iniciativas no mer- Camarano cita a faixa de idosos
soas possam trabalhar até mais cado de trabalho pelo mundo, a partir de 80 anos, que podem
velhas. Sua amiga de seresta, relatadas por Simone, é a aloca- merecer um outro estatuto, dos
Beatriz, trabalha há 19 anos em ção das pessoas idosas em áreas “superidosos”, diz: “A velhice
uma empresa de seguros e diz de atendimento ao público, ou ficou velha, mas não morreu.
que existe lugar no mercado em outras funções que exigem Você tem as fragilidades que são
para os idosos, mas depende um profissional de perfil mais típicas da idade, mas cada vez
da saúde. “Quando eu comecei, experiente e responsável. Ela mais tarde”.

24 retratos a revista do ibge fev 2019


Idosos população idosa
no Censo 20,6 milhões
2010

e
lheres H o m ns
Mu
11,4 9,15
milhões milhões

BRANCOS
11,5 milhões
80 anoS ou mais
PRETOS OU PARDOS
2,9 milhões
9 milhões
100 anoS OU MAIS
INDÍGENAS
24 mil
66 mil

copac
EM
ab
VIVIAM

viviam com
an a

seus cônjuges
43 mil
11,5 milhões

fev 2019 retratos a revista do ibge 25


Caça-palavras

árvores e municípios do Brasil


Os nomes geográficos muitas vezes são inspirados No caça-palavras abaixo, você vai encontrar alguns
em elementos que conferem identidade àquele dos muitos municípios cujos nomes provêm de
lugar, como um acidente geográfico ou a fauna e a árvores brasileiras. Para conhecer outros tantos, a
flora locais. No caso do Brasil, sua rica diversidade página IBGE Cidades reúne dados sobre todos os
de árvores deu origem a vários nomes geográficos 5.570 municípios brasileiros.
de municípios. Confira em https://cidades.ibge.gov.br/

ANGICO Ô V À A U M Á D Ê J X W M Ô R N J À Â C Ú T
AROEIRAS Q J F J Õ A Á B Ç Á G S X Ô S A A X C H F Q
D Ê P I Ú S Ê A Ò F Õ Ô P Á É Ü T Õ S U C Ò
BARAÚNA Ã H I Ü A S T R W Ô R Q I J I H O Ô E C A S
CABREÚVA Q À T D X A G A F C À R S V R F B Ú R Á M Õ
Z À A T Y R Q Ú Ó F Ê Ô L Ò Ú F Á O I H B P
CAMBUCI
T F N Ô Ê A P N Ú Ê U Z E H Â N D O N Ó U S
CANELA C D G L Z N Í A G A M E L E I R A O G R C A
CEDRO
É V U W Ü D Ê Q Ô Ò Õ S U I C K S G U Ô I É
C P E A Y U Ô X E V I T A Ú B A F U E É T L
GAMELEIRA A Á I F R B U Ú S J Â V D T I Õ G Q I Ú P Ã
ITAÚBA B J R N U A Ô Ã E E O N I A R O E I R A S P
R Ã A Â Â Ò Ò J B Q À Ã Í É Ç L T K A D S Ú
JATOBÁ
E Í S S Ü S E F Õ U R M Á Õ U Õ L A S C H J
JEQUITIBÁ Ú J U Ú H N I R J I Â É F Ê T V Ü R Z V Ü U
JUAZEIRO
V H F F Ú I A Á D T F Ü M Ç L Ü P Q V Ç C A
A Ú C E D R O D Y I Ç Z Ç C A N E L A Ú Ò Z
LARANJEIRAS Í T Ç U D E H Ü Ç B L Ó N D I Ü M Í O Ó Ô E
 ASSARANDUBA R
M É E Ç V Ê D É Ó Á L B P I O Í A J Ã F W I
H X X U Ê G V Ó Ô À N V C N Õ Í Ü G Ó S G R
PITANGUEIRAS
Ã Ã Ú L A R A N J E I R A S U Ò O É C Ò Ç O
SERINGUEIRAS N P H É X À H L Ò Y Ú B S A N G I C O Ã Õ P

ANGICO - AROEIRAS - BARAÚNA - CABREÚVA - CAMBUCI - CANELA - CEDRO


GAMELEIRA - ITAÚBA
concepção  Helga Szpiz- eJATOBÁ
Marília -Loschi
JEQUITIBÁ - JUAZEIRO - LARANJEIRAS
P
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MASSARANDUBA - PITANGUEIRAS - SERINGUEIRAS
design  Licia Rubinstein R
I
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Q F H C X A A S Ô X S G Á Ç B Á A Õ J F J Q
T Ú C Â À J N R Ô M W X J Ê D Á M U A À V Ô

SOLUÇÃO
26 retratos a revista do ibge fev 2019
#ibge
agenciadenoticias.ibge.gov.br  @ibgecomunica  /ibgeoficial  
referência: dezembro 2018

@ibgeoficial  /ibgeoficial

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Dia Internacional das Montanhas


Hoje (11/12), é o Dia Internacional das Montanhas! Você
sabe quais são os picos mais altos do Brasil? O IBGE mediu
as altitudes dos pontos culminantes do país. Confira!
Saiba como é feito esse cálculo: http://bit.ly/2zSDNws

ANIVERSÁRIO DE RIO BANCO


Hoje é aniversário de Rio Branco! Sim, o Acre existe e sua capital
está fazendo 136 anos! Para provar isso, marque seu amigo
acreano nos comentários!
Foi em uma volta do rio Acre, onde havia uma frondosa árvore
gameleira, que, em 28 de dezembro de 1882, o cearense Neutel
Maia fundou o seringal Volta da Empreza. Em um período de
expansão do extrativismo da borracha, quando o Acre ainda era
considerado território boliviano, o seringal ganhou importância como
centro comercial e, logo, se transformou em um povoado. O nome
Rio Branco é uma homenagem ao diplomata que anexou o Acre
132
2.304
ao Brasil.Em 2018, Rio Branco tinha uma população de 401.155
habitantes, segundo a estimativa do #IBGE. comentários
Veja mais: bit.ly/AniversarioRB

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Pobreza aumenta e atinge 54,8


milhões de pessoas em 2017
O país tinha 54,8 milhões de pessoas que
viviam com menos de R$ 406 por mês em
2017, dois milhões a mais que em 2016.
Veja mais: bit.ly/Sintese18

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