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Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília

PSICOLOGIA E RELIGIÃO: O IMPACTO DA


GRADUAÇÃO NA RELIGIOSIDADE DOS
ACADÊMICOS.

Luciana A. De Oliveira
Maycon A. Barboza
Vilma Correa Campos

Brasília – DF

Novembro – 2018

Centro Universitário Instituto de Educação Superior de Brasília


PSICOLOGIA E RELIGIÃO: O IMPACTO DA
GRADUAÇÃO NA RELIGIOSIDADE DOS
ACADÊMICOS.

Luciana A. De Oliveira
Maycon A. Barboza
Vilma Correa Campos

Projeto de pesquisa apresentado ao curso de


graduação em psicologia como requisito parcial para a
obtenção da aprovação na disciplina Estágio Básico II.

Orientadora: Prof.ª. Cristina Aparecida Brolhani

Brasília – DF

Novembro – 2018

___________________________________________________________________
RESUMO
____________________________________________________________________
Ao iniciar a graduação os acadêmicos se deparam com informações sobre a
laicidade da ciência psicológica logo nos primeiros semestres. Um dos principais
nomes da psicologia Freud, diz que a religião é basicamente, uma forma de defesa
inconsciente, coletivamente vivida como uma gigantesca neurose obsessional”
(Costa, 1988, p. 87). De acordo com Costa (1988), o pensamento freudiano discorria
sob a ideia de que o sentimento religioso tinha origem na impotência ou desamparo
que as pessoas sentiam desde o seu nascimento até a sua morte e isso se estendia
a toda humanidade. Freud supôs que a religião era uma defesa ao medo traumático
da morte.
Assim sendo, é comum perceber um impacto entre a ciência psicológica
e a religiosidade vivida pelos acadêmicos, mas de que forma se dá esse impacto?
Diminuindo a prática religiosa, abandono da prática religiosa?
Espera-se que os resultados do presente trabalho colaborem para ampliar o
entendimento dos acadêmicos sobre o assunto e traga informações importantes sobre o
tema abordado.

Palavras-chave: Religião. Psicologia. Laicidade


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JUSTIFICATIVA
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A experiência religiosa é uma das mais ricas experiências vivenciadas pelo ser
humano e há quem afirme que é a mais importante, por essa razão surgiu o
interesse em investigar possíveis impactos que a graduação de psicologia pode
causar na experiência religiosa dos acadêmicos, uma vez que, a Psicologia é uma
ciência laica e não adota pressupostos religiosos e considera as especificidades
culturais.
Como ponto de partida das hipóteses de investigação dessa pesquisa, tem-se
como principal preocupação responder a seguinte questão: A graduação de
psicologia tem algum impacto na religiosidade dos acadêmicos? Se sim, quais são
esses impactos e quais as consequências? Espera-se que os resultados
encontrados vão ao encontro desse objetivo, e que ampliem a literatura sobre o
tema.
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REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
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Religião
O termo “religião” do latim “religio” e “ligare, que significa ligar de novo, no que
compreende a busca de Deus por parte das pessoas. É um conjunto de sistemas
culturais, crenças ou visão de mundo que estabelecem os símbolos que relacionam o
ser humano com a espiritualidade e seus valores morais. A religião é composta por
determinadas crenças e ritos, compreendida como meios que levam ao
transcendente (Silva e Siqueira, 2009).
De acordo com Oliveira & Junges (2012), religião inclui também o conceito
institucional e doutrinário através de alguma forma de vivência religiosa. Essa é a
forma institucionalizada, é o espaço de socialização de uma determinada prática
religiosa pelos seus membros. Para Duarte & Wanderley (2011), muitas pessoas
assumem os preceitos de uma religião e colocam as crenças em primeiro lugar, mas
há aqueles que vivem uma relação superficial com a religião, que muitas vezes é
herdada pela família não havendo nenhuma possibilidade de escolha. De acordo
com Simão (2010), religião está voltada para o aspecto institucional de doutrinário,
para o autor a religião está organizada em forma de atividades institucionalizadas,
onde há um templo e um sistema a ser seguido.
É importante falarmos que a religião pode ser benéfica ou maléfica para a
saúde, pois muitos usam de práticas religiosas para tratamento ou até mesmo como
substituto de medicamentos. Sobre isso, Oliveira & Junges (2012), apontam que a
religião pode ser vista como um processo adaptativo e integrador de uma pessoa
que busca um significado para sua vida, funcionando de maneira neurótica através
de mecanismos de defesa. Por isso para os autores a religião pode favorecer ou ser
prejudicial.
Em uma pesquisa feita pelos autores com profissionais de psicologia da rede
privada e pública, foi registrado que a prática religiosa é considerada positiva quando
potencializa o sujeito e lhe oferece um espação coletivo que favoreça e ajude na sua
organização, no que diz respeito a sentir-se pertencente a algum lugar, ao grupo,
estar integrado com outras pessoas, podendo partilhar experiências. É considerada
negativa quando explora, manipula e atrapalha o sujeito em seu processo de
autonomia e cultivo da própria espiritualidade, quando a prática religiosa estar mais
centrada em dogmas e nos cumprimentos das normas da instituição, gerando culpa
ao sujeito (Oliveira & Junges, 2012, p. 472).
Assim, podemos dizer que a religião pode favorecer o bem-estar e a saúde
mental de um indivíduo ajudando a se inserir em um grupo ou pode prejudica-lo
quando os dogmas culpabilizam e regulam o sujeito.
Dentre as várias definições de religião é possível dividi-la em dois grupos:
definições substantivas que descrevem o que ela é, sua essência, suas crenças e
práticas, experiência do outro ou do sagrado; definições funcionais que se referem
ao que a religião faz, o seu papel, a sua função social (Rodrigues, 2007; Dix, 2006;
Roberts, 1995; Berger, 1990; Dobbelaere e Lauwers, 1973; Yinger, 1957). Cada
definição é marcada pelo contexto temporal, social, acadêmico e ideológico dos
autores, mas ainda assim concorrem para a compreensão da religião.
Entre as definições de religião, as mais simples são a de Tylor (1920: 424),
que define religião como a crença em seres espirituais e a de Berger (1990), que
define religião como o estabelecimento de um cosmos sagrado. De acordo com
Frazer, religião é a propiciação ou conciliação de poderes superiores ao homem os
quais são cridos por dirigirem e controlarem o curso da natureza e da vida humana
(Frazer, 1974: 65).
Os símbolos são outro elemento por vezes referido, para Geertz, religião é
“um sistema de símbolos que estabelece sentimentos e motivações poderosos,
penetrantes e duradouros, pela formulação de concepções de uma ordem geral de
existência e pelo seu revestimento com uma tal aura de factualidade que tornam os
sentimentos e as motivações unicamente realísticos.” (Geertz, 1966: 4).
De acordo com Glock e Stark religião são “sistemas institucionalizados de
crenças, símbolos, valores e práticas que fornecem a grupos de homens soluções
para as suas questões de sentido último.” (Glock e Stark, 1969: 17). Para Yinger, a
religião consiste “num sistema de crenças e de práticas pelas quais um grupo de
pessoas encara (…) os problemas últimos da vida humana.” (Yinger, 1957: 9).
Segundo Fromm, a religião passa por ser “qualquer sistema de pensamento e ação
partilhado por um grupo que dá ao indivíduo um referencial de orientação e um
objeto de devoção.” (Fromm, 1972: 22).
Para Durkheim, a religião “é um sistema unificado de crenças e de práticas
relativo a coisas sagradas (…) que unem os seus aderentes numa comunidade moral
única denominada igreja.” (Durkheim, 2001: 46). Segundo Hervieu-Léger, a religião
consiste num “dispositivo ideológico, prático e simbólico pelo qual é constituído,
mantido, desenvolvido e controlado o sentido individual e coletivo que pertence a
uma linhagem crente particular” (Hervieu-Léger, 2005: 31; Hervieu-Léger, 2000: 82).
Em todas as definições de religião estão presentes a ligação da humanidade
com a divindade. Seria essa a primeira característica da religião: a ligação do homem
com algo superior ou transcendente, o seu objeto. A cultura também tem grande
influência na definição de religião. O Brasil por exemplo, é altamente marcado pela
cultura judaico-cristã, prevalecendo a crença no Deus único e criador de todas as
coisas.
Para encerrar as definições de alguns autores que se tornaram clássicas por
trazerem a religião com um sentido depreciativo e alienante. De acordo com
Feuerbach (1854), a religião é nada menos que a adoração da natureza humana,
segundo Freud (2008), a religião é a neurose obsessiva universal e por fim Marx
(1976) diz que ela é o ópio do povo.

Psicologia e Laicidade
Sabemos que a psicologia é uma ciência laica que não adota pressupostos
religiosos e considera as especificidades culturais. A psicologia laica não nega as
diversas religiões e a sua importância para a vida das pessoas professantes, a
psicologia entende que essas crenças são de cunho pessoal, íntimo e não devem se
misturar aos preceitos da ciência psicológica.
A laicidade opõe-se aos discursos fundamentalistas ligados às violações de
direito. Assim, as leis devem ser orientadas pelos Direitos Humanos Universais e
pela Constituição Federal e não por dogmas e ideologias religiosas. Isso não
significa que o Estado negue à Igreja o direito de contribuir para o bem da sociedade,
isso acabaria com a democracia, caindo no sectarismo e no totalitarismo ideológico.
Laicidade é a não adoção de uma religião em particular pelo Estado e isso não
significa desconsiderar as várias religiões ou negar a expressão da religiosidade
popular pessoal ou coletivamente, mas inclui todas como representações da
diversidade religiosa ou espiritual do seu povo.
O Código de Ética veda ao profissional de psicologia no artigo de número 2,
item b “Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de
orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas
funções profissionais”. Sendo assim, um profissional de psicologia não pode
influenciar seu paciente, menosprezando sua religiosidade ou pautar sua conduta
profissional por suas experiências e opções religiosas pessoais.
A Psicologia é uma ciência laica. A religiosidade e a espiritualidade podem ser
objeto de estudo da Psicologia, e isso não significa adotar pressuposto religioso em
seus modos de significar o mundo, a condição humana e as relações sociais.
Ao iniciar a graduação, os acadêmicos se deparam com todas essas
informações logo nos primeiros semestres e um dos principais nomes da psicologia
Freud, diz que a religião é basicamente, uma forma de defesa inconsciente,
coletivamente vivida como uma gigantesca neurose obsessional” (Costa, 1988, p.
87). De acordo com Costa (1988), o pensamento freudiano discorria sob a ideia de
que o sentimento religioso tinha origem na impotência ou desamparo que as pessoas
sentiam desde o seu nascimento até a sua morte e isso se estendia a toda
humanidade. Freud supôs que a religião era uma defesa ao medo traumático da
morte.
Assim sendo, é comum perceber um impacto entre a ciência psicológica e a
religiosidade vivida pelos acadêmicos, mas de que forma se dá esse impacto? Afinal
um profissional de psicologia pode externar sua crença religiosa com tranquilidade?
Isso é ético ou pode afetar na condução da terapia? É um tema para ser discutido.
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OBJETIVOS
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Objetivo geral:
Investigar o impacto da graduação de psicologia nas vivências religiosas dos
acadêmicos.

Objetivos Específicos:
Investigar possíveis mudanças nas práticas religiosas, abandono, perda da fé
ou possível interação entre psicologia e religião.
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MÉTODO
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Participantes:
Participaram da pesquisa 60 acadêmicos do IESB Oeste matriculados na
graduação de psicologia do primeiro ao décimo semestre.

Materiais e instrumentos:
Para a atividade de coleta de dados com intuito de avaliar os possíveis
impactos da graduação de psicologia na religiosidade dos acadêmicos, foi utilizado
um questionário com perguntas fechadas e abertas.

Procedimento de coleta de dados:


A pesquisa foi realizada pela internet mediante disponibilidade dos
pesquisados, através de uma plataforma virtual (Google Formulários), com o objetivo
de facilitar a coleta de dados. O link com o questionário foi enviado via email, em
grupos e individualmente pelo celular via aplicativo de mensagem instantânea
(WhatsApp).
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CUIDADOS ÉTICOS
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A fim de destacar a possibilidade de inconvenientes trazidos pela situação de
pesquisa. Foram pensadas duas situações e ações de prevenção: A primeira diz
respeito à instituição ou pessoa investigada. É provável que haja dificuldade de
alcançar os participantes, para tal nota-se a importância de uma amostra significativa
a fim de evitar possíveis danos a pesquisa, por exemplo, ao invés de escolher
apenas um turno, serão escolhidos dois turnos para a realização da pesquisa.
A segunda situação pensada foi o tempo de duração de resposta aos
instrumentos utilizados sabendo que a pesquisa precisa, por questão de validade,
cumprir com seus prazos. Assim, uma possibilidade será a utilização de instrumentos
de coleta que facilitem este processo e o cumprimento de um cronograma de ações
previamente estabelecido.
Vale destacar também que os participantes serão consultados e a pesquisa
lhes será esclarecida. Seu envolvimento será livre e espontâneo bem como não lhe
acarretará nenhum dano.
A pesquisa deverá ser interrompida quando houver alguma das situações
citadas abaixo:
1- Quando o pesquisador “perder-se” em seu objetivo de pesquisa e objeto de
investigação;
2- Quando o ambiente de pesquisa for comprometido a ponto de que não seja
mais possível investigar as hipóteses estabelecidas;
3- Se o participante sofrer algum dano físico ou psicológico.
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RESPONSABILIDADES DO PESQUISADOR E DA INSTITUIÇÃO
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Será de inteira responsabilidade da instituição permitir o livre acesso do
pesquisador ao seu objeto de investigação, possibilitando um ambiente seguro e
tranquilo para que haja a coleta de dados. Será de responsabilidade do pesquisador
zelar pelo sigilo e preservação das capacidades do participante e da instituição para
que os mesmos não sofram nenhum dano durante o processo investigativo.
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ORÇAMENTO FINANCEIRO
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Valor Total
Unidades de Valor Unitário
Especificação Quantidade (R$)
Medida (R$)

Computador Notebook 01 R$ 1600,00 R$ 1.600,00

Total R$ 1.600,00

Obs: Todas as despesas com a pesquisa serão de inteira responsabilidade do (a)


pesquisador (a).
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RESULTADOS E ANÁLISE
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Participaram da pesquisa 64 acadêmicos de psicologia, do primeiro ao décimo
semestre. A idade dos participantes varia entre 18 e 60 anos, sendo que a maioria
estão entre 18 e 30 anos de idade.

Em relação ao sexo, temos 50 acadêmicos do sexo feminino o que equivale a


78,1% do total e 14 do sexo masculino que equivale a 21,9% do total.
Na pesquisa nacional coordenada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP,
1988), o total de psicólogas atingia 86,6% dos profissionais com condições legais
para o exercício profissional. Em um levantamento local setorizado (para a área
educacional), realizado em 1988 (Yamamoto et al., 1990), o total de psicólogas era
de 81%. Esses dados permitem - e de forma inquestionável - concluir, como o fazem
Ferretti (1976), Lewin (1980), Rosemberg (1983, 1984) e Rosas et al. (1988), que a
Psicologia é, de fato, uma profissão feminina.
Atualmente não há diferenças perceptíveis quanto ao gênero na preferência
pela área, visto que a atividade clínica exerce maior atração para os dois sexos, com
uma pequena diferença em favor dos homens nas áreas Acadêmica e do Trabalho.
Baseado nisso e nos resultados, podemos concluir que a psicologia é uma profissão
majoritariamente feminina.

60,9% (39) dos acadêmicos possuem religião atualmente.

A crença e a formação religiosa permanecem até hoje na alma da filosofia


moral da sociedade. A religião ensina a virtude e catalisa a ação moral e
desempenha um papel essencial na sociedade que lhe garante uma consideração
especial.
Um levantamento feito pelo Fórum Pew para Religião e Vida pública com base
em estudos demográficos de 230 países e territórios estima que 1,1 bilhão de
pessoas (16,3% da população mundial) não possuem qualquer filiação religiosa.
O Brasil ainda é a maior nação católica do mundo, mas, na última década, a
Igreja teve uma redução da ordem de 1,7 milhão de fiéis, um encolhimento de 12,2%.
Os dados são da nova etapa de divulgação do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE).
87,5% (56) dos acadêmicos acreditam em Deus.

Muitas pessoas creem em Deus mesmo não professando alguma religião.


Essas pessoas são chamadas de Deístas, acreditam em Deus e que ele existe, mas
não seguem nenhuma religião, seja o catolicismo, protestantismo, mormonismo,
testemunhas de Jeová, ou qualquer outra religião. Eles acreditam em Deus e isso é
suficiente. Acreditam que Deus é um ser superior que criou o universo e tudo mais,
mas preferem não seguir normas pré-estabelecidas de uma doutrina religiosa.
65,6% (42) dos acadêmicos acham que outras religiões e crenças diferentes da
sua, ajudam em sua espiritualidade.

Nunca houve tanta diversidade de correntes religiosas como agora. No Brasil,


um país que recebeu múltiplas influências culturais, sincretismos e crenças originais
enriquecem a experiência da humanidade. O pluralismo religioso é uma
característica marcante do País.
Dialogar, conhecer, estudar ou pesquisar o universo religioso são atividades
fascinantes, interessantes e servem, sobretudo, para acabar com os
fundamentalismos. Diante dos resultados podemos inferir que os acadêmicos de
psicologia em sua maioria, estão abertos para conhecer e dialogar com práticas
religiosas diferentes da que professam, visto que 42 responderam que outras
religiões e crenças diferentes da sua, ajudam em sua espiritualidade.
75% (48) dos acadêmicos responderam que tinham religião quando iniciaram o
curso.
Diante dos resultados podemos concluir que 09 acadêmicos deixaram de ter religião
ao longo do curso de Psicologia, pois no item “Você tem religião”, 39 acadêmicos
responderam que sim.
87,3% (55) dos acadêmicos consideram o curso de psicologia laico.
A Psicologia afirmou historicamente compromisso com a ética democrática e
com os direitos humanos, e o sistema conselhos de Psicologia tem produzido marcos
de referência para a defesa da laicidade e recusa de fundamentalismos, sendo
atualmente um ator estratégico na defesa da democracia brasileira.
O Código de Ética veda ao profissional de psicologia no artigo de número 2,
item b “Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de
orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas
funções profissionais”. Sendo assim, um profissional de psicologia não pode
influenciar seu paciente, menosprezando sua religiosidade ou pautar sua conduta
profissional por suas experiências e opções religiosas pessoais.
Diante dos resultados podemos inferir que o curso de Psicologia do IESB
Oeste é um curso laico, que não adota pressupostos religiosos respeitando a
diversidade cultural. Inclusive no 7º semestre com a matéria de Práticas Culturais, os
acadêmicos têm a oportunidade de conhecer outras religiões através de um trabalho
de campo. Isso é muito positivo e espera-se que curso forme profissionais psicólogos
que respeitem a laicidade da ciência psicológica e que sigam o código de ética.

51,6% (33) responderam que o curso de Psicologia teve algum tipo de


influência em sua vivência religiosa.

Um número significativo dos acadêmicos (33), responderam que o curso de


psicologia teve alguma influência em sua vivência religiosa, podemos inferir que
talvez muitos possuam apenas as experiências religiosas como explicação dos
fenômenos humanos e ao se depararem com as explicações da ciência psicológica
acabam ressignificando muitas coisas. Isso faz com que haja uma desconstrução na
vivência religiosa. 54% dos acadêmicos responderam que houve algum tipo de
desconstrução em sua vivência religiosa.

54% (34)
responderam que
através do curso
houve algum tipo de
desconstrução em
sua vivência
religiosa
24,3% (09) abandonaram a crença
18,9% (07) diminuíram a prática religiosa
5,4% (02) mudaram de religião
5,4% (02) manifestaram interesse em conhecer outras religiões
10,8% (04) mudaram de opinião sobre outras religiões
35,1% (13) outro tipo de desconstrução

Dentre os que responderam que através do curso de psicologia houve algum


tipo de desconstrução em sua vivência religiosa, 09 abandonaram a crença.
Podemos inferir que esses acadêmicos ressignificaram suas crenças ao ponto de
não mais conseguirem seguir a religião, o mesmo podemos dizer para aqueles que
diminuíram a prática religiosa, trabalhamos com a hipótese de que houve
ressignificação de sentido, mas estes possuem uma crença mais enraizada o que
não permitiu que os mesmos abandoassem a religião e sim apenas diminuíssem a
prática religiosa. Ainda é possível perceber o impacto da graduação na vivência
religiosa dos acadêmicos pelo fato de 13 responderem que houve algum tipo de
desconstrução através do curso que não foi mencionada, ou seja, esses acadêmicos
não abandonaram a crença, não diminuíram a pratica religiosa, não mudaram de
religião, não manifestaram interesse em conhecer outras religiões, não mudaram de
opinião sobre outras religiões, mas algo aconteceu no decorrer do curso trazendo
algum tipo de desconstrução e ressignificação no que diz respeito a religiosidade.
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CONCLUSÃO
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Conclui-se através dos resultados, que o curso de Psicologia do Instituto de
Educação Superior De Brasília (IESB), influenciou de maneira significativa a
religiosidade dos acadêmicos. Através dos resultados da pesquisa, foi possível inferir
que o curso de psicologia, apesar de ter impactado de alguma forma na religiosidade
dos alunos, é considerado pela maioria, um curso laico. O presente artigo cumpriu
seu objetivo, que foi o de avaliar se houve algum impacto durante a graduação, na
religiosidade dos acadêmicos, claro que algumas lacunas não foram preenchidas e
necessitam de uma pesquisa minuciosa para avaliar por exemplo, de que maneira
outras religiões contribuem com a religiosidade dos acadêmicos e que outros tipos
de desconstrução ocorreram sob influência do curso. Seria importante outras
pesquisas na área para dar continuidade ao tema, que abordasse mais
profundamente de que maneira o curso de psicologia contribuiu para transformar de
alguma maneira, a vivencia dos acadêmicos com suas respectivas crenças, visto que
quase metade dos participantes declararam algum tipo de desconstrução referente a
sua fé ao longo da graduação.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
____________________________________________________________________

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Na Internet
Código de Ética Profissional do Psicólogo de 12/05/2005, página consultada em 02
de setembro de 2018. Disponível em:
http://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo_etica1.pdf
____________________________________________________________________
ANEXOS
____________________________________________________________________
1. TCLE
2. Questionário: Questionário: “Psicologia e Religião: O impacto da
graduação na religiosidade dos acadêmicos.”
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Prezado acadêmico,
Você está sendo convidado (a) como voluntário a participar de uma pesquisa, que
fará parte de uma atividade prática da disciplina Estágio Básico II.
Através do Curso de Graduação em Psicologia do Instituto Superior de Brasília (IESB
– Campus Oeste), estamos realizando uma pesquisa com o tema “PSICOLOGIA E
RELIGIÃO: O IMPACTO DA GRADUAÇÃO NA RELIGIOSIDADE DOS ACADÊMICOS”. A
pesquisa tem como objetivo investigar o impacto da graduação de psicologia nas vivências
religiosas dos acadêmicos e possíveis mudanças nas práticas religiosas, abandono, perda
da fé ou possível interação entre psicologia e religião.
A pesquisa terá a duração de 10 a 15 minutos, onde os participantes responderão um
questionário de 19 perguntas relacionadas ao tema. A identidade dos participantes da
entrevista será mantida em total sigilo, em qualquer circunstância. A participação na
pesquisa é voluntária.
Não haverá nenhum benefício direto aos participantes desta pesquisa, entretanto,
esperamos que este estudo traga informações importantes sobre o tema abordado, onde o
pesquisador se compromete a divulgar os resultados obtidos. Não haverá nenhum tipo de
despesas para os participantes desta pesquisa, bem como não serão pagos por sua
participação.
Caso tenha alguma dúvida, o (a) senhor (a) poderá nos contatar:
Maycon A. Barboza – (61) 99122 9512
Tendo em vista os itens acima apresentados, eu, de forma livre e esclarecida,
manifesto meu consentimento e autorizo a divulgação dos dados obtidos neste estudo.
Nome do (a) participante: ____________________________________________________
Assinatura do (a) responsável: ________________________________________________

Desde já, agradecemos antecipadamente sua atenção e colaboração.


Cordialmente,
Maycon A. Barboza.

Responsável:
____________________________________________________________
Professora: Dra. Cristina Aparecida Brolhani (CRP: 01/9989)
Questionário: “Psicologia e Religião: O impacto da graduação na religiosidade
dos acadêmicos.”
***
Nome:
Idade:
Sexo:
Semestre:

1. Você tem religião?


Sim ( ) Não ( )
Qual?
2. Se sim, quanto tempo você segue essa religião?
Até 1 ano ( )
Até 2 anos ( )
Até 5 anos ( )
Mais de 10 anos ( )
3. Se não, já teve alguma? Qual?
4. Acredita em Deus?
Sim ( ) Não ( )
5. Qual é a religião dos seus pais?
6. Você considera que a religião te faz uma pessoa melhor?
Sim ( ) Não ( )
7. A falta de religiosidade te faz uma pessoa melhor.
Sim ( ) Não ( )
8. Em caso afirmativo, no que a religião te faz melhor?
9. Você acredita que a religião te trará algum tipo de benefício após a morte?
Sim ( ) Não ( )
10. Em caso afirmativo, você acredita que esse benefício possa se estender aos
seguidores de outras religiões e aos ateus?
Sim ( ) Não ( )

11. Você acha que outras religiões e crenças ajudam a sua espiritualidade?
Sim ( ) Não ( )
12. Se respondeu “sim”, indicar quais já praticou ou procurou.
( ) Budismo
( ) Búzios, tarô, cartas
( ) Candomblé
( ) Espiritismo
( ) Islamismo
( ) Evangélicas
( ) Horóscopo
( ) Judaísmo
( ) Mórmon
( ) Pentecostalismo
( ) Religião indígena, animismo (reverência as coisas da terra)
( ) Simpatias
( ) Católica
( ) Umbanda
( ) Outros, qual __________________________________________
13. Você acredita que existe pecado?
( ) Não, por que

( ) pecado e inferno são formas das Religiões controlar as pessoas


( ) acredito que toda pessoa erra e que Deus vai perdoar quem se
arrepende
( ) não tenho clareza sobe o que é pecado
( ) outro____________________________________________

( ) Sim, por que

( ) existem atos que são contra as leis de Deus


( ) pecado é fazer mal aos outros
( ) aprendi que existe pecado e devemos ser perdoados para não ser
condenado
( ) outro____________________________________________

14. Quando iniciou o curso de Psicologia você tinha religião?


Sim ( ) Não ( )
15. Você considera que o curso de Psicologia é um curso laico e que não adota
pressupostos religiosos?
Sim ( ) Não ( )
16. Na sua opinião é possível uma interação entre Psicologia e Religião?
Sim ( ) Não ( )
Por que?
17. Até o momento, o curso de Psicologia teve alguma influência na sua
vivência religiosa?
Sim ( ) Não ( )
18. Como você define a sua fé e prática religiosa hoje?
( ) sólida ( ) frágil ( ) mais forte do que nunca ( ) abalada
19. Houve algum tipo de desconstrução na sua vivência religiosa através do
curso?
Sim ( ) Não ( )
Se sim, como foi?
( ) abandono da crença
( ) Mudança de religião
( ) Diminuição da prática religiosa
( ) Interesse em conhecer outras religiões
( ) Mudança de opinião sobre outras religiões
( ) Outro