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ORÇAMENTO DE OBRAS

Wandemberg Tavares Junior


A teoria da Seleção Natural
elaborada por Charles Darwin
no século XIX, que trata da
inter-relação entre os seres
vivos e o meio-ambiente, é
válida também para a
atividade empresarial
vivenciada atualmente, para
explicar a inter-relação entre
as Empresas e o Mercado.
Dentro deste pensamento, CERQUEIRA (1994)
aponta que em um ambiente competitivo as
empresas para sobreviverem buscam adequar
seus produtos e serviços às exigências dos
mercados e, ainda, se antecipar à concorrência.
O cumprimento desses requisitos pode ser
assegurado através de dois parâmetros:
• Qualidade
• Preço
CONCEITOS DE QUALIDADE:
A palavra qualidade tem múltiplos significados. O
uso da palavra é dominado por dois desses
significados:
a. A qualidade consiste nas características do
produto que vão ao encontro das necessidades
dos clientes e dessa forma proporcionam a
satisfação em relação ao produto.
b. A qualidade é a ausência de falhas. (JURAN e
GRYNA, 1991).
CONCEITOS DE QUALIDADE:
A qualidade, portanto, é definida a partir das
necessidades do cliente e de seu interesse em
produtos ou serviços livres de deficiências
(MAXIMIANO, 1995).
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
Então Qualidade é:
PREÇO:
A competitividade existente hoje no mercado da
construção civil, está muita acirrada. Pequenas,
médias e grandes empresas disputam este
mercado dia a dia, investindo em tecnologia,
planos de qualidade e outros meios que se
desenvolveram ao longo de todos esses anos,
para continuarem ativas neste ramo de
atividade.
No entanto, um dos itens determinantes para
manter-se neste mercado é o preço competitivo
ao executar obras de edificações.
No passado tínhamos:
Preço = Custo + Lucro
Características: mercado em expansão,
concorrência baixa, consumidores não
conscientes dos seus direitos. O preço era
ditado pela empresa e não havia muita
preocupação com o custo.
Em virtude de alguns fatores tais como:
aumento da concorrência, código de defesa do
consumidor, globalização da economia e outros.
A nova equação para definição dos preços ficou
assim constituída:
Custo = Preço – Lucro
Na qual o preço é ditado pelo mercado e o
sucesso será alcançado pelo domínio e controle
dos custos, não desprezando a qualidade e o
prazo.
Desta maneira para obter-se êxito nessa
concorrência é necessário ter um custo mínimo
nos serviços, para obtenção de um retorno
financeiro que possa manter a empresa em
atividade com consistência.
Contudo, as empresas para garantir sua margem
de lucro, precisam exigir um maior controle dos
seus custos, partindo de um orçamento pré-
determinado, bem detalhado e aprovado na
análise de viabilidade do negócio.
Nessa redução de custos e controle das atividades
da empresa torna-se necessária a atenção no
processo de orçamentação da empresa.
O orçamento da obra é uma peça fundamental e
indispensável para a determinação e uma
provável redução do custo das obras, pois é com
base nele que é desenvolvido o planejamento, o
acompanhamento e o controle das edificações,
que são fatores de grande importância para o
sucesso de qualquer empreendimento (GOLDMAN,
1997).
As iniciativas para implantação de um sistema de
orçamento racional, no entanto são na sua
grande maioria, de empresas de porte médio ou
grande. Já as empresas de pequeno porte, com
raras exceções, ainda não aderiram a um
sistema de orçamentação de qualidade devido a
fatores tais como: pequeno capital de giro,
dificuldades na obtenção de crédito, alta
sensibilidade do mercado às crises e a questões
culturais relacionadas com a grande inércia às
alterações de processos.
A Construção Civil ressente-se da falta de um
método analítico que determine com exatidão o
preço a propor nas obras de empreitada. O
empirismo dominante no setor é incompatível
com a precisão que a atividade do engenheiro
exige. É imprescindível definir com rigor limites
mínimos a respeitar: determinar, antes do início
dos serviços, todas as despesas a atender,
impostos e encargos financeiros (PARGA, 1995).
Neste processo de elaboração do orçamento um
elemento que se posiciona de forma relevante e
tem uma fundamental importância é a
composição do BDI (Benefícios e Despesas
Indiretas), que influi bastante no produto final
por sua carga de formação baseada em lucro,
tributos, despesas administrativas, financeiras,
etc.
O ORÇAMENTO NA INDÚSTRIA DA
CONSTRUÇÃO
A determinação do custo total de um
empreendimento mostra ao proprietário
inúmeras informações necessárias para avaliar
sua capacidade financeira e determinar a
viabilidade financeira deste empreendimento.
Arquitetura
Estrutura Elétrica
Telefônica
Parte Instalações Hidráulica / Incêndio
Gráfica
Sanitária
Projeto de
Especiais
uma Obra
Sistemas Mecânicos (Elevadores, Ar Condicionado)
Produção (Impermeabilização, Fachadas, etc.)
Outras (Geotecnia, Paisagismo, etc.)

Memória Descritiva
Parte Memória de Cálculo
Escrita
Caderno de Encargos
Orçamento
Conceituação de Orçamento
Segundo LIMMER (1997), um orçamento pode
ser definido como sendo a determinação dos
gastos necessários para a realização de um
empreendimento, segundo um plano de execução
pré-definido. Estes gastos referem-se as etapas
que se iniciam no levantamento inicial dos
materiais a serem empregados e culminando na
determinação do BDI e das Leis Sociais que
incidem sobre o salário dos trabalhadores.
De acordo com LIMMER (1997) os orçamentos
devem ser executados tendo em vista uma série
de objetivos bem definidos, entre eles destacam-
se:
•Organização de um plano de compras por parte
dos executores, onde pode ficar definido o exato
momento em que se deve comprar determinado
material e principalmente a quantidade deste
material;
•Definição do custo de execução de cada serviço
e por consequência da obra;
•Instrumento de conferência durante a execução da
obra, tendo como principal objetivo melhoramento
dos coeficientes de consumo de materiais para
então ocorrer um melhoramento técnico do setor
responsável;
•Previsão de desembolso por parte do empregador
para a execução do serviço, podendo assim
preparar melhor seus gastos, através do
agendamento dos financiamentos (caso seja
necessário), acarretando uma economia no
pagamento das taxas de juros, planejamento das
contas a pagar, etc.
• Parte fundamental no planejamento e controle,
além de grande utilidade na determinação da
viabilidade econômico-financeira do
empreendimento;
•Parte integrante da documentação contratual do
empreendimento, sendo guia na determinação
das parcelas a serem faturadas durante a
execução da obra.
VISÃO SISTÊMICA DO ORÇAMENTO:

PROJETO PLANEJA ORÇAMEN OBRA


MENTO TO

CONTROLE
TIPIFICAÇÃO DO ORÇAMENTO:
Os orçamentos podem ser classificados em três
tipos:
• Sumário
• Pela NBR 12.721
• Detalhado
Orçamento Sumário:
O orçamento do tipo sumário, baseia-se em
dados não tão precisos, em virtude de sua
análise ser de forma simplista. O valor da obra é
determinado através de um levantamento da
área a ser construída e de uma pesquisa do
custo por unidade de área de construção.
Desta forma tem-se:
Vobra = Aconst x Pm2/const
Onde:
Vobra – valor da obra (R$)
Aconst – área construída da obra (m2)
Pm2/const – preço do m2 de área construída
(R$/m2)
A metodologia do orçamento sumário apresenta
uma simplicidade no processo de execução,
rapidez na obtenção dos resultados, no entanto,
há uma imprecisão dos resultados obtidos, uma
vez que cada obra por mais parecida que seja
nunca seu orçamento será idêntico por inúmeros
fatores desde localização, elementos naturais
existentes, período de execução, tecnologia
aplicada, materiais utilizados enfim vários
fatores que definem uma obra única em relação
às outras.
Vale ressaltar que o orçamento do tipo sumário
não é aceito para fins licitatórios por seu
desprendimento com detalhes específicos de
cada obra e a não distinção de etapas das
mesmas, fatos estes que são de suma
importância para o acompanhamento e medições
orçamentárias dos empreendimentos.
Orçamento pela NBR 12.721
A NBR 12.721 (Avaliação de custos unitários e
preparo de orçamentos de construção para
incorporação de edifício em condomínio),
anteriormente chamada de NB 140, define os
critérios para orçamentos de obras em
condomínio. Emprega o CUB para determinar o
custo da obra, através de ponderações, de acordo
com as características do prédio. Utiliza-se para
construção em condomínio, residencial ou
comercial, vertical ou horizontal.
Em termos de precisão, não é significativamente
melhor que o orçamento sumário, embora seja
bem mais trabalhoso e detalhado. Contudo sua
finalidade é diversa: pretende-se o registro em
cartório, garantindo a condôminos e construtores
que a obra contratada será executada,
discutindo-se, à parte, eventuais alterações que
possam ocorrer durante a obra.
Orçamento Detalhado:
Dos citados orçamentos é o que apresenta maior
precisão, pois leva em consideração todas as
especificidades de cada obra, embora seja o mais
trabalhoso em relação à sua execução. É o único
tipo de orçamento aceito para fins licitatórios.
De acordo com TAVARES JÚNIOR (2001), o
orçamento detalhado está dividido em sete etapas:
• Análise do Projeto da Obra
• Elaboração do check-list dos serviços
• Obtenção das Quantidades Métricas
• Composição dos Preços Unitários
• Determinação do Custo Direto
• Definição do BDI
• Cálculo do Preço de Venda
Cada etapa será descrita a seguir.
a) Análise do Projeto da Obra
De posse do projeto completo da obra deve ser
feita uma análise minuciosa das diversas
disciplinas que compõem o projeto tais como:
arquitetura, estrutura, instalações (elétrica,
hidráulica/incêndio, sanitária, telefônica, lógica,
gás, etc.), sistemas mecânicos (ar condicionado,
elevadores, etc.), produção (impermeabilização,
revestimento de fachada, layout canteiro de obra,
etc.) e caderno de encargos.
Realizada esta análise deve-se observar a
interação entre as disciplinas e anotar possíveis
divergências para discutir com o proprietário da
obra. Feito isto, o orçamentista terá uma visão
futura da obra concluída, podendo a partir de
então iniciar a elaboração do check-list.
b) Elaboração do Check-List dos serviços
Após a análise do projeto é feita uma relação
itemizada dos serviços componentes deste
projeto, para servir como orientação na obtenção
das quantidades métricas. A seguir pode ser visto
um exemplo de check-list.
Serviços:
1.0 SERVIÇOS PRELIMINARES
1.1- Limpeza de Terreno
1.2- Instalações Provisórias
1.3- Locação da Obra
1.4- Demolições
1.5- Retirada de Entulho
1.6- Taxas, Encargos, etc.
2.0 MOVIMENTO DE TERRA
2.1- Escavação
2.2- Reaterro
2.3- Aterro
2.4- Botafora
2.5- Escoramento de valas
2.6- Rebaixamento do lençol freático
3.0 FUNDAÇÕES
3.1- Alvenaria de Pedra
3.2- Baldrame
3.3- Cinta de Impermeabilização
3.4- Bloco de Apoio (concreto simples)
3.5- Concreto Armado
3.6- Estacas
3.7- Tubulões
c) Obtenção das Quantidades Métricas
Esta operação consiste no levantamento das
quantidades métricas (comprimentos, áreas,
volumes, quantidades, etc.) de todos os
elementos que compõem a obra, como por
exemplo o cálculo do comprimento de cinta de
impermeabilização, a área do telhamento, o
volume de concreto armado , etc.
Este serviço pode ser realizado pelo modo
tradicional, fazendo este levantamento
diretamente no projeto gráfico (design) com o
auxílio de uma máquina de calcular e um
escalímetro ou pelo processo mais moderno com
a utilização de software tipo CAD (desenho
assistido por computador). Qualquer processo
que se escolha terá como premissa básica a
realização de um levantamento o mais minucioso
possível.
0,30

1,50

1,50 0,35

0,15
0,05

1,50
CÁLCULO DO QUANTITATIVO DA SAPATA
Volume de Concreto Simples:

V = 1,50 x 1,50 x 0,05 = 0,1125 m³

Volume de Concreto Armado:

V = (1,50x1,50x0,15) + 0,35/3 ((1,50)² + (0,30)²

+ √ (1,50)² x (0,30)² ) =
d) Composição dos Preços Unitários
Atualmente a composição do preço unitário
poderá variar para cada empresa e para cada
obra a ser executada, pois cada uma tem uma
forma diferente de compor o consumo dos
insumos a serem empregados e assim poder
definir seu custo direto.
Seguindo a forma de obtenção destes dados às
maneiras individuais, a composição do preço
unitário relaciona os insumos (materiais, mão de
obra, encargos sociais) que serão necessários
para execução de um determinado serviço com
suas respectivas quantidades métricas e seus
preços correspondentes.
Vale ressaltar que os preços dos materiais podem
ser coletados no mercado, levando-se em
consideração as quantidades métricas, os
fornecedores, a forma de pagamento, fatores
estes que interferem muito no preço final do
produto e pode proporcionar uma redução ou não
no custo final da obra.
A produtividade da mão-de-obra e o consumo de
material podem ser obtidos de diversas maneiras,
sendo os mais tradicionais: obtenção através de
boletins técnicos e manuais encontrados no
mercado; por apropriações realizadas pela
própria empresa em planos anteriores de coleta
de produtividade.
A seguir pode-se observar um modelo de planilha
para composição do preço unitário de um
determinado serviço conforme descrito na Tabela
1. Vale ressaltar que, nela não foi considerado o
valor do BDI uma vez que este será determinado
com mais detalhamento posteriormente.
Tabela 1 – Modelo de Ficha de Composição de Preços
Serviço: Preparo de argamassa de cim+areia (1:7) UNID: m3
COMPONENTES QUANT UNID PREÇO CUSTOS CUSTO
UNIT. MAT M.O. TOTAL

Cimento 280 kg 0,12 33,60

Areia Fina 1,30 m3 7,00 9,10 42,70

Servente 10,0 h 0,87 8,70

Encargos Sociais 125 % 10,87 19,57

Custo Unitário
- - - - R$ 62,27
e) Determinação do Custo Direto
Os custos em uma obra são divididos em dois
grupos básicos:
• Custos Diretos
• Custos Indiretos
Custos Diretos:
São os gastos efetivados com insumos como
mão-de-obra, leis sociais, materiais e
equipamentos incorporados ao produto. De posse
das quantidades métricas dos serviços e seus
preços unitários respectivos, nesta etapa será
realizado o produto destes valores para obtenção
do custo de cada serviço, para em seguida
realizar o somatório destes custos, obtendo
assim os custos parciais e o custo total da obra.
Custos Indiretos:
É o somatório de todos os gastos como
elementos necessários à correta materialização
do projeto. São gastos de difícil quantificação e
por esse motivo, diluem-se estes montantes em
certos grupos de serviços, através da
determinação de um percentual no qual estariam
inclusos estes serviços.
Para a determinação dos Custos Diretos utiliza-se
uma planilha orçamentária, conforme Tabela 2 a
seguir.
Quanto aos Custos Indiretos são levados em
consideração dentro da formatação do BDI
(Benefícios e Despesas Indiretas).
Tabela 2 – Modelo de Planilha Orçamentária (Preço de Custo)
Obra: Execução de movimento de terra Local: Fort - Ce
ITEM DESCRIÇÃO QUAN UN CUSTO CUSTO CUSTO
UNITARIO PARCIAL TOTAL

1.0 SERVIÇOS PRELIMINARES


1.1 Limpeza do Terreno 120,0 M2 1,00 120,00
1.2 Locação da Obra 30,00 M2 2,00 60,00
1.3 Instalações Provisórias 10,00 M2 36,00 360,00 540,00

2.0 MOVIMENTO DE TERRA


2.1 Escavação 42,00 M3 10,00 420,00
2.2 Reaterro 23,00 M3 12,00 276,00
2.3 Aterro 46,00 M3 22,00 1012,00
2.4 Botafora 19,00 M3 10,00 190,00 1898,00

CUSTO DIRETO (CD) - - - R$ 2438,00


f) Definição do BDI
O conceito de BDI é bastante antigo, ele foi
introduzido quando as atividades empresariais
ligadas às construções de obras de engenharia
eram exercidas por um reduzido grupo de
empresas e sobremaneira mais simples que na
atualidade, não apenas quanto à execução em
si, mas também no que tange ao
gerenciamento e exigências legais
(MARTINS,1996).
Sabe-se que o cálculo do índice BDI não é tarefa
fácil e depende de vários fatores, bem como é
preciso um aprimoramento no nível de
planejamento executivo da obra, com mais
clareza e exatidão dos processos para que se
possa determinar os custos diretos e indiretos
com segurança e o BDI assim ser aplicado de
forma que se chegue a um valor real do
empreendimento.
Segundo DIAS (2003), o BDI varia de acordo
com a obra, o projeto, sua localização e
exigências do edital, bem como segundo o valor
do contrato. De certa forma no contexto atual
falta transparência nos cálculos e valores
adotados, e desconhecimento da formulação do
BDI ao adotarem valores fixos e aleatórios.
LIMMER (1997) comenta que o lucro e as despesas
indiretas da empresa e do projeto são
considerados como uma taxa percentual incidente
sobre os custos diretos de produção, daí o BDI.
Para a formatação de um BDI mais coerente e
seguro para o construtor deve-se levar em conta
vários fatores, como já foi dito anteriormente, no
entanto é de suma importância ressalta-los de
uma forma sucinta, como:
• Lucro pretendido
• Impostos
• Custos Indiretos
• Custos financeiros
Lucro pretendido ou bonificação
É o lucro esperado pela diretoria para execução
da obra. A taxa pretendida poderá ser
influenciada por alguns fatores como por
exemplo: grandeza da obra, localização desta
obra, situação financeira da empresa, taxa
praticada pelo mercado, etc.
Impostos
Os impostos que atualmente incidem sobre o
faturamento das empresas no ramo da
construção civil são: ISS, PIS, COFINS, IRPJ,
CSLL.
Despesas indiretas
As despesas indiretas podem ser obtidas a partir
da elaboração de mapas mensais de custos da
administração central de empresa. O percentual
de despesas resultará da divisão do valor dessa
estimativa anual pelo custo de produção
correspondente ao volume anual de obras
realizadas naquele ano.
Despesas financeiras
São as provenientes de empréstimos bancários
ou simplesmente recursos próprios da
construtora necessários ao suprimento da obra,
devido a medições iniciais inferiores aos valores
investidos.
Todas estas taxas podem ser determinadas e
relacionadas em uma planilha para posterior
utilização na fórmula do BDI. A Tabela 3 que será
descrita a seguir, apresenta um modelo de
planilha analítica das taxas componentes do BDI.
Tabela 3 – Planilha Analítica das Taxas do BDI

Planilha Analítica das Taxas que compõem o BDI

a) Bonificação Percentual
Lucro líquido pretendido para a obra 8,00%
LL=8,00%
b) Impostos
ISS 2,00%
PIS 0,70%
COFINS 3,00%
CSLL 0,80%
IRPJ 1,20%

%Imp=7,70
c) Custos Indiretos
Custos com a Administração Central 2,00%
%CI=2,00%
d) Custos Financeiros
Empréstimos Bancários 1,00%
%CF=1,00%
Determinadas as taxas componentes do BDI, a
etapa seguinte consiste em aplicar estas taxas na
fórmula para definição do BDI.
Modelos de definição do BDI:
- Sumário
- Racional
Modelo Sumário
De acordo com MOTA e TAVARES JUNIOR (2003),
é uma maneira de definição do BDI, ainda,
praticada por algumas empresas que consiste
simplesmente em uma soma algébrica das taxas
dos fatores que compõem o BDI como indicado a
seguir:
BDI = %Lucro + %Imp + %CI + %CF
Modelo Racional

% Im p x (CD  LL  DI  DF) %CI x (CD  LL) %CF x (CD  LL)


CD  LL   
1 - %Imp 1 - %CI 1 - %CF
BDI  [Eq. 03]
CD

% CI x (CD  LL)
Onde : DI  [Eq. 04]
1 - %CI
%CF x (CD  LL)
DF  [Eq. 05]
1 - %CF

CD  Custo Direto
g) Cálculo do Preço de Venda
Definidos o BDI e o custo direto, passa-se então a
elaboração do preço de venda, o qual pode ser
obtido de duas maneiras:
• Agregando-se o BDI ao preço unitário de cada
item da planilha orçamentária e logicamente ao
preço total da obra, não explicitando assim uma
taxa de BDI separadamente (Tabela 4).
• Determinam-se os custos unitários, parciais e
total da obra e no final incorpora-se o BDI ao
custo total da obra. Desta maneira há uma
explicitação da taxa do BDI (Tabela 5).
Tabela 4 – Modelo de Planilha Orçamentária (Preço de Venda)
Obra: Execução de movimento de terra Local: Fort - Ce
ITEM DESCRIÇÃO QUAN UN CUSTO CUSTO CUSTO
UNITARIO PARCIAL TOTAL

1.0 SERVIÇOS PRELIMINARES


1.1 Limpeza do Terreno 120,0 M2 1,30 156,00
1.2 Locação da Obra 30,00 M2 2,60 78,00
1.3 Instalações Provisórias 10,00 M2 46,80 468,00 702,00

2.0 MOVIMENTO DE TERRA


2.1 Escavação 42,00 M3 13,00 546,00
2.2 Reaterro 23,00 M3 15,60 358,80
2.3 Aterro 46,00 M3 28,60 1315,60
2.4 Botafora 19,00 M3 13,00 247,00 2467,40

PREÇO DE VENDA (PV) - - - R$ 3169,40


Tabela 5 – Modelo de Planilha Orçamentária (Preço de Venda)
Obra: Execução de movimento de terra Local: Fort - Ce
ITEM DESCRIÇÃO QUAN UN CUSTO CUSTO CUSTO
UNITARIO PARCIAL TOTAL

1.0 SERVIÇOS PRELIMINARES


1.1 Limpeza do Terreno 120,0 M2 1,00 120,00
1.2 Locação da Obra 30,00 M2 2,00 60,00
1.3 Instalações Provisórias 10,00 M2 36,00 360,00 540,00

2.0 MOVIMENTO DE TERRA


2.1 Escavação 42,00 M3 10,00 420,00
2.2 Reaterro 23,00 M3 12,00 276,00
2.3 Aterro 46,00 M3 22,00 1012,00
2.4 Botafora 19,00 M3 10,00 190,00 1898,00

PREÇO DE CUSTO (PC) - - - R$ 2438,00

PREÇO DE VENDA (PV) - - - R$ 3169,40


Documentos normalmente requisitados para
apresentação de propostas de preços:
• Carta Proposta
• Planilha Orçamentária
• Cronograma Físico-Financeiro
• Tabela de Preços Unitários
Modelo de Carta Proposta:
Fortaleza, 14 de março de 2014

Ao
Condomínio Sol Nascente
Nesta

Ref.: Carta Convite No 06/14


Prezados Senhores
Vimos através desta apresentar proposta de preços para execução
dos serviços que trata a carta convite em referência.
O nosso preço para construção dos serviços é de R$ 3.169,40
(Três mil cento e sessenta e nove reais e quarenta centavos).
O prazo para execução dos serviços é de 30 (trinta) dias corridos.
O prazo de validade da proposta é de 5 (cinco) dias.
Anexamos a planilha orçamentária.
Sem mais para o momento
Atenciosamente
____________________
Nome do Profissional
Eng. Civil CREA Nº______
Modelo de Cronograma Físico-Financeiro:
OBRA: LOCAL: REF:

ITEM DESCRIÇÃO TEMPO TOTAL

30 60 90 120

1.0 TUBULAÇÃO 50% 50% 38000,00


2.0 FIAÇÃO 50% 50% 56000,00
3.0 LUMINÁRIAS 70% 30% 73000,00
4.0 INTER./TOMADA 60% 40% 29000,00
5.0 QUADROS 60% 40% 69000,00
TOTAL 19000,0 47000,0 137900,0 61100,0 265000,00