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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

Curso de Pós-Graduação em Ciências Sociais

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

O P O R T O DE SALVA D O R
Modernização em Projeto: 1854/1891

RITA DE CÁSSIA SANTANA DE CARVALHO ROSADO

SALVADOR - BAHIA — BRASIL


MARÇO - 1983
Universidade Federal da Bahia - UFBA
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas

Esta obra foi digitalizada no


Centro de Digitalização (CEDIG) do
Programa de Pós-graduação em História da UFBA

Coordenação Geral: Carlos Eugênio Líbano Soares

Coordenação Técnica: Luis Borges

2010
Contatos: lab@ufba.br / poshisto@ufba.br
M ESTKADC ‫ז‬:‫י‬ C it-N C > 5 \ ‫׳‬ ■ ;o c!!»

U ::I\^K SID A D E FEDEPAL DA BAHIA


CURSO DE PÕS-GRADUAÇÃO EM CIÊIÍCIAS SO C IA IS
DISSERTAÇÃO DE IvffiSTRADG

0 PORTO DE SALVADOR
MODERNIZAÇÃO EM PROJETO:
1854/1891

' .‫ ' ־‬/ o e r L a ça o a p r e s e n t a d a a o


r . - i e g i a d o d o C u r s o d e M e s t r a d o em
C i ê n c i a s S o c i a i s ■ d a ü F B a . , como
r e q u is it o p a r c ia l para a ob ten ção
d o g r a u d e M e s t r e em C i ê n c i a s S o c i a i s .

R ita ¿v. C 3 R S i a Santcii.r. ■i', •0 ‫ י ־‬- . ; < ^ ‫ ל ן‬Rosauv.

U1'iIVERSIL■/. I u;: ,/'.::;a


1■ACULDADL t IL LOr lA
B i L . I0 T CA
No de Tcmí-.o

SALVADOR - KAHIA - Brj\ SIL


Março - 19 5\‫ר‬
AGRADECIMENTOS

"A g r a n d e z a d e uma p r o f i s s ã o
é t a l v e z , a n te s de tu d o ,
u n i r o s homens;
Só h á um l u x o v e r d a d e i r o ,
o das r e l a ç õ e s humanas".

(S a i n t - E x u p e r y )

A a m i z a d e , o c a r i n h o e a c o m p r e e n s ã o de rr>uitas p e s
s o a s tambem f o r a m t e m a s de r e f l e x ã o , no < s í e s e n v o l v i
m ento d e s s a t a r e f a . Por t u d o , e p or m u ito m a i s . . T
n o s s o s s i n c e r o s a gr gdí' c i m p s ao P r o f . Pr . LuT s
H e n r io u e D ias r Cema, m o s t r a n
d o - n o s o q u a n t o ‫;׳‬,:‫׳‬r i a r e l e v a n t e p a r a uma d issertn
ç a o de mestr?*¿¿,‫׳‬ ~

à P r o f a . Dr.‫׳‬.. C o n s u e l o N o v a i s S a m p a i o , o r i e n t a d o r a
d e s t e t r a b o l l i o , que a c o m p a n h o u s e u d e s e n v o l v i m e n t o ,
o f erecen d j-n os c r itic a s e sugestões v a lio sa s .

S ‫ ״‬m0 t‫ ־‬g r a L u b a P r ¿ ; f a . M a r l i G e r a l d a T e i x e i r a , p e l o
a p o i v e a j u d a c o n s t . ? n t e » : , em t o d a s a s f a s e s do t r a
b a lh o .

Ao P r o i . P r . J o h i l d o ò c Atíí.-7 yd t', qu>_ cui


^adc$ .9 p r i m e i r a !‫■¿־‬daçiiD . c 5 r r i g 7 ‘ u e f e z ¿3^
s e r v 3 Ç í 7 C i M ' i. . c ‫ זן‬2 -‫ז־׳‬:* nCT;f ç ? .

à P r o i a . M a r i a J o ^ é de S o u z a A n d r a d e , q u e >; e inTc
r e s s o u p e l o n o s c o t / ^ b a l h o , l e u os c a p í t u l o » ‫ ־‬i n i c i
a is e s u g e r iu algu n s a c r é sc im o s . ~

A P rofa. E u g ê n i ú L u c i a V i a n a Ner;^, com quem d iscu


tim os a l g u n s t ó p i c o s do t r a b a l h o .
Ao P r o f . W a l d i r F r e i t a s O l i v e i r a , a m a n t e da B ahia
o i t o c e n t i s t a , que nos tr o u x e i n f o r m a ç o e s v a lio sls
s im a s.

à P r o f a . L a i s B r a n d a o Rocha B i t t e n c o u r t , responsa
v e l p e l a c o l e t a de d a d o s . Seus c u id a d o s e sua d is
p o n i b i l i d a d e foram e s s e n c i a i s a r e a l i z a ç a o dessa
tarefa. Também q u e r e m o s a g r a d e c e r a P r o f a . T ânia
P e n i d o M o n t e i r o , que n o s c e d e u p a r t e do m aterial
c o le t a d o para suas p e s q u is a s .

Ao P r o f . E v a n d r o U b i r a t a n de S o u z a , p ela criteri£
s a r e v i s ã o de p o r t u g u ê s .

Aos d a t i l o g r a f o s Ana M a ri a S i l v a Santos e José An


to n io F r e ita s Fonseca.

Aos f u n c i o n á r i o s s o l í c i t o s do M e s t r a d o em C i e n c i a s
S o c i a i s , da B i b l i o t e c a do I n s t i t u t o G e o g r á f i c o e
H i s t ó r i c o da B a h i a , do A r q u i v o P u b l i c o do E stado
e da A s s o c i a ç a o C o m e r c i a l da B a h i a .

Aos C o l e g a s do M e s t r e ^ i o , a f c ’ mor^t-ntc experii^er


tam t.nmbem a cticv cír dc*ver C?/r‫״‬pr !•’ ã o .

Num p l a n o maií. ^‫ י‬e s s o a l , g o s t a r i a de e x p r e s s a r meus


a gr a d e c i m e r < t : 1‫־‬v a Raimundo R o s a d o . Com panheiro e ^
m i g o , de um^: p a c i e n c i a sem l i m i t e s , s u p o r t o u a s d i
v e r s a s f a s t í ' ‫ >־‬de quem t r a b a l h a s o b a p r e s s ã o de r e ¿
l i z a r um e i t u d o a c a d ê m i c o . A H eld er, e s tim u lo p_a
ra a v i d a , q u e n o s e n s i n o u a sâ i: p e r s e v e r a n t e s e
felizes.

Ãs• m i n h a s m a m a e s , R ü $ 5 ‫>׳‬t?.J c B e b e t a , p elas preces e


p e l a f e l i c i d a d e dc me '?er c ¿'12$ c e r .

AO A ^ j í s , q u e naa ¿f.«sc0 nd c a eçria p ela?


minh a s c. :‫•י‬. . ‫^ י‬ c-

A A n g e l a Cristií>:,J> S i l v i a M a i / a , P a t r í c i a e RenctCa,
por r e f l e t i r e m esp eran ça e ca r in h o .
I n d i c e

INTRODUÇÃO 4

CAPÍTULO I
A INSERÇÃO DO PORTO NO
SISTEMA CAPITALISTA MUNDIAL 16

CAPITULO I I
MODERNIZAÇÃO EM PROJETO
185 4 /1 8 9 1 35

CAPITULO I I I
OS LIMITES DE AÇÃO DO ESTADO 5^.

CAPITULO 1 \
OS LIMITES DE AC"< DA BURGUESIA 72

CONCLUSÃO 93

FONTES DOCUMEIjIAIS E BlJtíLIGGRAriA 96

ANEXOS iO l
RESUMO

T r a t a - s e de um e s t u d o • c e n t r a d o no p o r t o de
S a l v a d o r , a b r a n g e n d o o p e r í o d o de 1 8 5 4 a 1 8 9 1 . D e s t ¿
c o u ‫ ־‬s e , como o b j e t i v o p r i n c i p a l , o i n t e r e s s e em a n a
l i s a r p o r q u e o e s f o r ç o de m o d e r n i z a ç ã o do p o r t o b a i
ano f o i f r u s t r a d o .
F a c e a o e n v o l v i m e n t o e a o s c h o q u e s de i n t e
r e s s e s no s e i o da b u r g u e s i a c o m e r c i a l b a i a n a no pro
c e s s o de m o d e r n i z a ç a o do p o r t o , e s t e n d e m o s a a n a l i s e
a e s s a f r a ç a o da c l a s s e d o m i n a n t e . Ao mesmo t e m p o ,
p r o c u r a m o s d e t e c t a r a a ç a o do E s t a d o n e s s e processo,
r e l a c io n a n d o p o d er p íáblico e s o c ie d a d e c i v i l e res
s a l t a n d o a depen^iencia econôm ica e t e c n o l ó g i c a do
B r a s i l , em ‫'־׳‬.¡•;;iç^ao 9 c>s c e n t r o s c a p i r á l i s t a s e x t e r n o s .
A p ã r C i T cia p e r s p e c t i v a d e s s a e s t r e i t a r_e
J ^ ç a o , e n t e n d e m o s q u e a s r a z o e s do f r a c a s s o d a s ten
í a t i v a s de m o d e r n i z a r o p o r t o de S a l v a d o r e s t a o e£
s e n c i a l m e n t e l i g a d a s a c o n t r a d i ç a o l o c a l i z a d a no in.
t e r i o r da b u r g u e s i a c o m e r c i a l , a c e n t u a d a p e l o s r e f l e
x o s da e s t r u t u r a de p o d e r v i g e n t e no I m p é r i o B r a s i ‫־‬
ABSTRACT

T h i s t h e s i s d e a l s w i t h a s t u d ) ' c e n t e r e d on
t h e S a l v a d o r p o r t , c o m p r i s i n g the p e r i o d from 1854 to
1891. As o u r m a i n o b j e c t i v e , t h e r e was t h e i n t e r e s t
i n a n a l y s i n g why t h e u t m o s t e f f o r t s i n m o d e r n i z i n g
t h e b a h i a n p o r t was a f r u s t a l e d p r o c e s s .
I n v i e w o f t h e i n v o l v e m e n t and c o n f l i c t o f
i n t e r e s t s among t h e c o m e r c i a l b o u r g e o i s i e f r o m
S a lv a d o r in th e p r o c e s s o f m o d ern iza tio n o f the p o r t ,
we e x t e n d e d t h e a n a l y s i s t o t h i s p a r t i c u l a r d o m i n a n t
cla ss. At t h e same t i m e , we t r i e d t o d e t e c t t h e
i n f l u e n c e o f th e S t a t e in th es p r o c e s s , r e l a t i n g
p u b l i c p o w e r a nd c i v i l s o c i e t y , e m p h a s i z i n g t h e
e c o n o m i c a l an d t e c h n o l o g i c a l d e p e n d e n d e o f B r a z i l ,
in r e l a t i o n to e x t e r n a l c a p i t a l i s t c e n te v s .
From t h e p e r s p e c t i v e o f t h i s c l o s e
r e l a t i o n , we u n d e r s t a n d t h a t t h e m o t i v e s o f t h ‫_׳‬
f a i l u r e i n t h e a t t e m p t o f m o d e r n i z i n g t h e balu. i ‫־‬.x
p o r t are e s s e n t i a l l y l i n k e d to the b o u r g e o i s i f ,
e m p h a s i z e d by t h e r e f l e x e s o f t h e s t r u c t u r e j f
th e power in f o r c e in th e B r a z i l i a n Em pire.
‫ יי‬eu a e : en-.;■: ? ‫ ך‬a t é 3. m o r t e o
n c - T p o r c a • ’ ¿ : do a o t i ^ c e a t é a
v i d a c• a r t i g o p c i c a u s a do r ■■w

•• ^‫ יי‬t i g r «■]ue f 01 a I.’VO ►


.
t a o novo c o r'o o m ais n o , .

Augusto CampOf
(verso, reverso, contra verso)
INTRODUÇÃO

O ano de 1906 a ssin a la o in íc io d as o b ra s de m od ern iza


ç ã o do p o r t o de S alvad or. Tainbém, m a r c a o f i m d e um l o n g o p erío
do d e r e i v i n d i c a ç õ e s v o ltad a s p ara o m elhoram ento de su a s condi
ções físic a s. E sse p eríodo tev e in icio no I m p e r io , m ais p recisa
m e n t e em 1 8 5 4 . A p rin cip io , o tempo t r a n s c o r r i d o e n t r e as duas
d a ta s-‫ ״‬m ais de m eio sé c u lo — despertou nossa cu riosid ad e. A fin a l,
a onda de r e i v i n d i c a ç õ e s , q u e g e r o u uma v e r d a d e i r a torm enta de
tr â m ite s b u r o c r á t i c o s , a t r a v e s s o u o Segundo I m p é r io e av a n ço u p ela
R ep ú b lica.
D esde o s tem pos co lo n ia is, S a lv a d o r v in h a ser.Jo refer¿
da, em d o c u m e n t o s o f i c i a i s e p o r d i ’.‫־׳‬e r s o s v iajan tes, c o ’io "a c i d a
de p o r t o " , " cid ad e armazém", ''crã^.ãt? v o i t d ’d a ‫ ס‬t i ia r " , " çiãããe
form igu eiro" e " im p ortan te p a r to exp ortad or/im p ortad or" . Sem d ’á
vid a, o p o rto b a ia n o deser.ps?r?í 10 u p a p e l d e c i s i v o no d esen volvim en
t o da e c o n o m ia e da s o c i e d a d e lo ca l, con ferind o a S alvad or o ca rá
te r de d e s ta c a d a cid ad e com ercial. Mais ain d a, foi im portante
veícu lo de i n t e g r s ç i o da r e g i ã o no c o n t e x t o das a tiv id cd es
lia e in d u str ia is do s is t e m a ca p ita lista in tern a cio n a l.
A in flu ên c/a assum ida p e io pD/f.¿? d e S a l vador n a eccno
m i a g e r a l d a p r o v í n c i a — e a p r ó p r i a v i ã z . !tí>Cí.;91 da B a l i í a n o s é c u
lo JflX — a p o u t a v a p.ar a a n . g v : a s s i d a d e prôiu?i‫ »׳‬t e d s s a a m od ern iza
ção. 7 S 3 3 3 n e c e > 5 i á a u e niic• £SjCa«/da à l A í c í a ‫ }״‬o s comerCj.aaTtí5, q u e
e x e r c e r a m c o n s i d e r á v e l p r e s s ã o .‫ ^״‬â i v i n d i c a t o r i a , visan d o a trans
f c 1‫־‬mar a f e i ç ã o "natural" do p o r t o , d e modo a a d e q u á - l o às exigen
cias e técn ica s d a m o d e r n a n a v e g a ç ã o i r ‫־‬t e r n a c i o n a l . Contudo, to
das as t e n t a t iv a s nesse sen tic'o fracassaram . As o b r a s p a r a m oder
n ir.a ça o do p o r t o s6 teriam in ício d ep ois de t r a n s c o r r i d a s três dc
c a d a s da p r o c l a m a ç ã o da R e p ú b l i c a ( 1 ) .
Era fla g ra n te o contraste entre a im portante " cid ad e
v o lta d a p a r a o mar" e a s con d ições p r e c a r ia s e o b so leta s do seu
porto. Ao l o n g o d o S e g u n d o I m p e r i o , quatorze p r o je to s v isan d o a
m o d ern iza çã o do p o r to foram encam inhados ao p o d e r c e n t r a l . Todos
p r o c e d ia m da com unidade m e r c a n t i l v in c u la d a ao a l t o com ercio ex
p o rtad or/im p ortad or. T od avia, n en hum d e l e s — mesmo o s q u e logra
ram s e r aprovados — f o i executado.
A m edida que in v e s tig á v a m o s as p r o v á v e i s c a u s a s de tal
demora e á m ed id a que avançávamos na p e s q u i s a , passam os a indagar
que p a p e l t e r i a desem penhado o E sta d o , nessa ten ta tiv a de modern¿
z a ç ã o do p o r t o . C oncom itan tem en te, perguntávam os que p a p e l t e r i a
ex ercid o , nesse processo, a b u rgu esia co m ercia l - sem d ú v id a a
f r a ç ã o da c l a s s e d o m i n a n t e da s o c i e d a d e b a i a n a rtiais d iretam en te
in tere ssa d a em p r o v e r o p o r t o d e a p a r e l h a g e n s m o d e r n a s e efic ien
teE .
C o n ta ta m o s qu e o E s ta d o M onárquico h a v i a m a n i f e s t a d o re
la tiv a in a çã o , no que d iz resp eito â m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o . Quan
to a b u rgu esia co m ercia l, que, supúnham os, d everia em penhar-se a
fundo e , em b l o c o , lu ta r para d o t a r o p o r t p de m e lh o r e s con d ições
físic a s, a p r e s e n t a v a - s e d i v i d i ¿fa re f ¿ ^ u ^ stào. D ecid im os,
ã v ista dessa constatação, cá/j71‫־‬.‫׳‬. i z a r e s t e t r a b a l h o p a r a uma a n á l ¿
se v ertica l d o c o m p o r t a m e n ‫׳‬To <rfa b u r g u e s i a co m ercial, procurando
detectar os seus in tere ssei e as causas d e um p r o v á v e l co n flito
no s e i o d aq u ela f r a ç ã o da c l a s s e , na q u e s tã o esp ecífica da moder
n iza çlo dc p o r t o ã e S a lv a d o r .

E x iste apena¿" um p e q u e n o t r a b a l h o cuj<3 u n i v e r s o d e pes


qulí:;-! e s t á circu n scrito ao pt>xto de S a l v a d o r : AnC ânlo A lv e ? Câma
- a , g a n ^ a _de Todo.^ o s San Lob Ca m r e l a ç a o a o ¿ J^aelh‫ ס‬ram<2‫ רז‬rtj y d o _S»?1‫נ‬
P2Eto_. 2a. ed. R io de J a n e ir o ; L eu zinger, 1911. N e s se e& tudo, Al.
ve;i Carr.ara d i s c o r r e s o b r e a i m p o r t â n c i a do p o r t o p a r a a r e g i ã o e
!reco n stitu i a m a io ria dos p r o je to s cie n‫ > ¿׳־‬d e r n i z a c S o d a á r e a portu
aria . Mas, é ca teg ó rico a o a)*irraar q u e n ã o p r e t e n d e " d iscu tir, e
h isto ria r (sic) todas as t e n t a t iv a s de com etim en tos feito s p_a
m e lh o r a r o p o r t o da B a h ia " .
A nossa p ro p o sta é dar pasr.o a lé n i, procurando d iscií
e a n a lisa r h istc> ricam ente as razcos que frearam os p rojetes
ce m od ern ização. Para a consecução d e sse o b j e t iv o , con sid eram os
ser n ecessá rio a n a lisa r, no que f o r p e r t i n e n t e , a estru tu ra da so
cied ade b aian a do s é c u l o p a s s a d o . A q u i d e p a r a m o s com um sério
ob stácu lo: são poucos os estudos vo ltad o s para e s s a tem á tica . En
tre esses tra b a lh o s, d e s t a c a m - s e o s do c i e n t i s t a s o c i a l T h ales O
lym pio de A zev ed o , dos h is to r ia d o r e s K á t i a M .de Q u e i r ó s M attoso,
J o h ild o Lopes de A th a y d e, M ário A u g u s t o da S i l v a Santos e T ân ia
P enido M o n te ir o ( 2 ) .
T h ales de A zevedo, estudando a s o c ie d a d e b a ia n a de mea
dos do s é c u l o XX, n ela reconhece a sob rev iv ên cia de ca ra cteríst^
ca s h erd a d a s da ép o ca c o l o n i a l , fazendo-a e s tr u tu r a r -s e com o uma
so cied a d e esta m en ta l, em t r a n s i ç ã o p a r a uma s o c i e d a d e d e c l a s s e s .
O bviam ente, o sécu lo XIX m a n t e r i a a q u e l a s ca ra c terístic a s estam en
ta is resu lta n tes dos con d icion am en tos e s p e c í f i c o s que marcaram a
i n s t a l a ç ã o p o r t u g u e s a no B r a s i l . Seu t r a b a l h o , de grande im por
tâ n cia , sugere um m o d e l ’o t e ó r i c o q u e d i r e t a ou in d ir e t a m e n t e tem
orien tad o estu dos de o u tr o s h is t o r ia d o r e s b a ia n o s.
K á tia M attoso, d e d ic a d a ao e s t u d o da s o c ie d a d e b a ia n a a
tjravés das in fo r m a ç õ e s forn ecidas por in v e n tá r io s e testam entos,
rTe3:onher:e a c a r ê n c i a d e t r a b a l h o s t e ó r i c o ! : ‫ ־‬s o b r e o te^^ô apontan
CO a o b r a d e V i l h e n a como d e 9^1 íiR‫ > « ^־‬r i â a c x a p a r a a compre
ensão da e s t r a t i f i c a ç ã o s o c í . a i í^aiana do s é c u l o XVIII. D esse mo
deUo, a A utora r e c o lh e vaí.,v 7 > o s d a d o s , aprofuhdando sua a n á lise
em d i v e r s a s p u b lica çõ es. D antre s e u s tra b a lh o s, B ah ia: A C idade
d o S a lv a d o r e s e u m erc a ço no s é c u l o X IX , d e s t a c a - s e co m o relevan
t c c o r ! t r i l i u i > s . ã u p?.ra e s t a d isse^ -tação, v isto chamar a a t e n ç ã o pa
r a as c a r a c t e r í.s tic .-.s esp ecífica s c^a â o c i e á v a d e d e S a l v a d o r n o sé
cu lo XIX, a q x i a l n ã o 2-'0 d e s e r c o n f u n d i d a o u n iverso so cia l de
toda a P r o v ín c ia .
J o h i l d o Lop«s úc estvidandc retru rp éctiv a m en te
¿‫ ג‬d e m o g r a f i a d a c i - i a d e d o S a l v a d o r n o s é c u l a p a s s a d o , oirècra
c o p a d o em a p r o f u n d a r uma a n á l i s e de problem as esp ecífico s ta is co
rnc n¿jf.5‫־‬l i d a d e , n u p c i a l i d a d e e m ortalid ad e, ta m b é m a p r e s e n t a rele
vantes in form ações sobre a so cied a d e l o c a l no r e f e r i d o p eríod o,
sobretudo no q u e t a n g e ã sua V ida c o t i d i a n a .
M ario A u g u sto S a n to s e s t u d a n d o o. c o m é r c i o p o r t u g u ê s na
B ih ia de 1870/19 30, se deteve na f r a ç ã o de c l a s s e representada pe
- ‘i h ü x g v e ã i . a c o m e r c i a l . M o s t r a a ?‫״‬o m p l e x i d a d e d e s s a ca m a d a so
üp.safc q u a n d o n ã o h a v i a lin h as c/‫ י‬v i s o r i a s q u e d i s t a n c i a s s e : » » ‫׳׳‬
^5 Civ;: o'íjt'^es m e r c a n t i s das in d u stria : 9 e !:.in a n ceira s, sendo o co
rnércio e l e m e n t o c a t a li s a d o r das o u tra s a tiv id a d es econ ôm icas . A
sua a n á l i s e b a seià -se no m odelo t e ó r i c o de e s t r a t i f i c a ç ã o so cia l
p rop osto por T h ales de A zevedo.
A d isserta çã o de M estrado da p r o f e s s o r a T â n ia P enido
M on teiro exam in a e s p e c if i c a m e n t e a p resen ça dos com ercian tes por
tugueses n a s o c i e d a d e em e s t u d o , com o q u e o f e r e c e também v a l i o s a
co n trib u içã o .
Podemos a in d a c i t a r o t r a b a lh o do b r a 2i l i a n i s t Eugene
R i d i n g s (3). B a s e a d o em d a d o s e m p í r i c o s , ele faz a a n a lise das rela
ções entre duas frações da c l a s s e d om inante b a ia n a : a " elite dos
produtores" e a " elite dos n eg ócios" . Em p a r t e , a sua reflexão
v eio ao e n c o n t r o d a s n o s s a s e x p e c t a t i v a s , d e sd e quando o procedi
m ento da a l t a b u rg u esia lo ca l foi vim p o n t o n e v r á l g i c o no p r o c e s s o
de m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o de S a lv a d o r .
Todos esses a u to res preocuparam -se com a e s t r a t i f i c a ç ã o
e as relações so cia is na B ah ia do s é c u l o passado, s e j a no s e n t i d o
de un a a b o r d a g e m g l o b a l d e s s a s o c i e d a d e , d e uma f r a ç ã o d e c l a s s e ,
o u a t é mesmo d o r e l a c i o n a m e n t o e n t r e e l a s , com o f e z R id in gs. De
uma f c r m a o u d e o u t r a , eles n os ajudaram a com preender o c o n t e x t o
g e r a l da s o c ie d a d e b a ia n a , su55• c o s ' p / e x i í / i t / á S e /.¿ ias p ecu li^ rid a
des« Mas, a d esp eito d o p r 0 g ‫׳׳‬cí;5 ji 0 q u e ve m s e n d o r e a l i z a d o neste
canipo d e p e s q u i s a , n ã o con hec ci rao s g r a n d e s e s t u d o s v o l t a d o s para a
a n á lise das r e la ç õ e s existristes no i n t e r i o r d e uma d a d a f r a ç ã o d e
cla sse. Sem p r e t e n d e r m o s p r e e n c h e r e s t a lacu n a, visam os dar uma
co n trib u içã o n e sse 5 en t,ld o , com o o b j e t i v o ue e s tim u la r futuras
p csq u laas. Na v e r d a d e , esta d i & s ‫ =־‬r t c ç ã o p r e C e n d e a n a l i s a r o com
p o r t a i i e n t o d e uma f r a ç ã o d a c l a s s e à o m . . ^ - í n t e — a b u r g u e s i a com.er
c i a i — eaa d e t e r m i n a d a conjuntura, ç y e áponC? p 4r a criS e in stitu
cií> ‫׳‬rjítl d o E s t d í / o bx4SiIsÉ-j r c -

A docum entação im p ressa e m a n u sc r ita na q u a l 5e baseou


a p e s q u i s a p o d e s e r d i v i d i d a em d u a s ca■‫׳‬, o g o r i a s : o f i c i a l e não-o-
ficia l.
Na p r i m e i r a i n s c r e v e m - s e o s d o c u m e n t o s ca ta lo g a d o s no
A rquivo do E s ta d o , no I n s t i t u t e G eográfico e H is t ó r ic o da B a h ia e
*‫ ט י‬í i r ^ u i v o M u n i c i p a l d e S a l v a d o r . C onsultam os a l i a S ‫׳‬i r i e V iaçao
‫־‬ ‘r r a p i c i ^ e ? ; a s F alas e C orresp on dências dos P r e sid e n te s da Pro
VA,/)ui.a; t< tílatõrios do M i n i s t é r i o d a A9¿"? c u l t u r a C om ércio e O
bras lú b lic a s ; o s A n a is da A s s e m b lé ia P r o v i n c i a l da B a h ia e a s A
tas da C â m a r a M u n i c i p a l d e S a l v a d o r .
I n c l u e m ‫ ־‬s e n a segunda■ c a t e g o r i a os R e la tó r io s eA tas da
J u n ta D i r e t o r a da A s s o c i a ç ã o C o m e r c ia l da B ah ia, os jo rn a is D iá
rio de N o t i c i a s , D i a r i o d a B a h i a e o A l m a n a q u e A d m i n i s t r a t i v o Mer
ca n til e I n d u s t r i a l da B a h ia .
Na d o c x a m e n t a ç ã o o r i u n d a d a P r e s i d e n c i a da P r o v i n c i a -
S erie V iação - T r a p i c h e s , e n c o n t r a m - s e mapas i n f o r m a t i v o s sobre o
m ontante e a v a r ie d a d e de m ercad orias armazenadas p e lo s tra p ich es,
a relação dos tra p ich es a l ’f a n d e g a d o s e o p r o c e s s o d e a l f a n d e g a m e n
to. E s s e s dados p erm itiram -n os r e c o n s t i t u i r a e s t r u t u r a do p o r t o
a n t i g o e o n ú m e r o a p r o x i m a d o d e t r a p i c h e i r o s , b em como a v a l i a r a
i m p o r t a n c i a do t r a p i c h e na v i d a s õ c i o - e c o n ô m i c a d e S a l v a d o r . As
F a la s d os P r e s i d e n t e s da P r o v i n c ia referem -se aos p r o je to s, sem
con tu d o d i s p e n s a r - lh e s m uita a te n ç ã o . Também i n f o r m a s o b r e a s mo
d ifica çõ es ou r e p a r o s feito s em e s c a d a s e p o n tes dos ca is e trap i
cáies. Jã os R ela tó rio s do M i n i s t é r i o da A g r i c u l t u r a C o m é r c io e 0
b r a s P v-b licas contêm i t e n s sobre os p ed id os de m o d e r n iza ç ã o de vã
1:i( 0 s p o r t o s d o p a i s . Dã c o n t a d o a n d a m e n t o d o s p r o j e t o s , das al
f w ‫׳‬T <?çéãs p o r que passavam e da r e a ç ã o que provocavam ,
¡üTkente n o seio da b u r g u e s ia c o m e r c ia l.
O utras in form ações r e l a t i v a s ao a s s u n t o , co m o o
t e x t o o r i g i n a l dos p r o j e t o s de m od ern ização, p lan tai#, d elim ita çã o
p r ‫־‬e c i s a d a s á r e a s reiv in d ica d a s, devem c o n s t a r no A iq u iv o N acio
n a l. O corre, to d a v ia , que, p o r c o n t a da p r ó p r ia jstru tura centra
l i z a à a d o E s t a d o M o nã r^‫יו‬i c o b r a 3 i l t ! i r o , as P rovir.cias erci? d i r e t a
raen Ce l i g a d a s ao p od er c e n t r a l . Por i s s o mes¿«o, os governos p r ‫>׳‬
v in cl^ is não tinham autonom ia p a ra d e c i d i r q u e s t õ e s m ais ¿ 1 ‫ מיה‬a¿:,
íig a d a s a assw ntos p olitico¡? ç e c o n ô n ; i c u 5 ‫ ־‬q u ‫ •_׳‬e n v u t Ín teres
â c fo râ das ãré\4s à e s u a a l ç d ó d - Daí .jeiew
minhado¿■? p a r a - sede C orte e lã a p r e s e n t a d c o , na su a jforma ori_
g in a l, ao3 ó rg ã o s com petentes, fica n d o seus autores a a gu aiaar as
d ecisões v in d a s dos d ecan tores do p o d e r . E sse fato ex p lica partp
Úd. t r a m i t a ç ã o d a s p o t i ç õ e s rela tiv a s à qu estão p o rtu á ria de S alva
dor f o r a do t e r r i t ó r i o p ro v in cia l e seu p o ste r io r arq u ivam en to. •
P r o b l e m a s d e c ‫ ?׳‬r á t e r p e s s o a l i m p e d i r a m o e x a m e d e s s a d o c u m e n t a ç ã o
nc A r q u iv o N a c i o n a l , c <>oçj>^ar d i s s o , não a n u la ou com prom ete
as c o n s t a t a ç õ e s c c o n c lu s õ e ã d esóí' crab aliio.
Qu.ÃArcí aoí• A n a l g d a Assgfj-.b/ e l a Prov i n c ia l e à s Atj::■•
câmara M u n i c i p a l , a cre d ita m o s que a c e n t r a l iz a ç ã o p o l í t i c a , jã
m en cion ad a, ex p liq u e as poucas referên cia s a li co n tid a s quanto ao
t e m a em e s t u d o . Longe de p r e j u d i c a r a p e s q u i s a , a ênfase negada
ã q u estão escla rece m ais um a s p e c t o d o s m e c a n i s m o s p o l i t i c o - a d m ^
n istra tiv o s q u e e n v o lv e r a m o p ro b lem a da m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o de
S a lv a d o r.
A mesma c a r ê n c i a de in fo rm a çõ e s s o b r e o a s s u n t o a tin g e a
outra ca teg o ria das fon tes, ta is como o s jo rn a is que circu lavam
na P r o v í n c i a . E ntre e l e s , foram exam inados o D i á r i o de N o tícia s
e o D iá rio da B a h i a , q u e fazem r e f e r ê n c i a s m ínim as, se comparadas
ao volum e de p r o j e t o s . De c e r t a forma e s t e fato nos surpreendeu,
d esd e quando sabemos que s e tratava d e uma q u e s t ã o q u e p r e o c u p a v a
í. c o m u n i d a d e m e r c a n t i l lo ca l.
Os p r i n c i p a i s dados co n tid o s na d o cu m en ta çã o n ã o - o f i c i -
a l encontram -se nos R e la tó r io s e A ta s da J u n t a D i r e t o r a da A sso-
ciação C o m e r c ia l da B a h i a . A l i o b serv a m o s constantes escla recim en
tos sobre os prob lem as v i v i d o s p elo s com .erciantes im p o rta d o res/ex
portadores em c o n s e q ü ê n c i a d a s d e f i c i ê n c i a s p o rtu á ria s, referên
cias aos p r o j e t o s de m od ern ização e a t é p a r te do t e o r de algu n s
ael.EP , F D l-nos P C S K ível, co n fr o n ta r p a r te dos dados sobre
o s ' t r j ^ < f . c h e tr o $ . eoiii a s i^iform ações forn ecid as p ela série A lm ana-
^-Q j m l n i s t r a t i v o M e r c a n t i l e In d u stria l da B a h i a .
Menção e s p e c i a l devem os f a z e r à s é r i e de t r a b a l h o s e pu
b £ i c a ç õ e s da S e c r e t a r i a do P l a n e j a m e n t o , C iê n c ia e T e c n o lo g ia
(Siii-'LAi'iTEC) c da Fundação C e n t r o de P e s q u i s a s e E s t u d o s (CPE) , ó r
gãí)s o f i c i a i s do g o v e r n o e s t a d u a l , s o b r e a I n s e r ç ã o da B a h ia na E
y oE u çã o N3ci6.t^;3l - 1 8 5 0 / 1 8 P O. E la b o r a d o p o r h i s t o r i a d o r e s , s o c iõ
l o g o s e <ccononisLa>s, guasf? ta!?os o s v o lu m e s q u e compõem a l a . eta
;:*-*4 ( 1 8 5 0 - 1 8 8‫ צ‬I - A Ba h í a n o S é c u l o X I X v 1 , A t i v i d a g g .s Produtlv-¿ia
■ ^■v m é r 'c r .o t 2 , fin a d o f.5 1 4 1^?5t i c o v €‫ ־‬A^enrc.v t:cenB7r>■^ coj
r^a_^h>.a no S é c a l o XIX v 5 — i c ' r n e c e £ S " 10 »‫ ־‬B ” n ^ c r t a n t e s s u b s í d i o s
p a r a a a n á l i s e do c o m é r c io e da s o c i e d a d e b a i a n a , c^ssim como p a r a
a e l a b o r a ç ã o d o s q u a d r o s e a n e x o s c o n s t a n t e s ín:‫׳‬s t e t r a b a l h o .

A n a l i s ‫־־‬i1rc3 q u a D .it a t iv a m e n t e 3‫ן‬.‫ י‬d a d o s c o l e t a d o s n a s fon


- e s aci¡r,a r e f e r i d a s , p r o c u r a n d o a v a l i a r o s p r i r . c i P 5 <‫ ׳‬s p r o b le m a s con
c e m e n t e s ao tema em e s t u d o . Compcjramot‫ '־‬Qs i n f o r m a ç õ e s pr¿^stada¿
Píalas d i f e r e n t f í .5 c a t e g o r i a s d e d o c ‫ל‬ú:.nentos. eatabeleC-gírído
10

cia s e d iv erg ên cia s entre as duas ord en s de i n t e r e s s e s a n terio r


m ente l o c a l i z a d a s . A comparação a in d a a p r e s e n t o u - s e como p r o c e d i ^
m ento v a l i o s o , no c o n f r o n t o e n t r e a situ a çã o v iv id a p elo porto
b¿Aano e p e l o s portos de o u tra s p r o v ín c ia s b r a s i l e i r a s , na mesma
época. E lab oram os q u a d r o s d e m o n s t r a t iv o s da d i s t r i b u i ç ã o cron olõ
g ica dos p r o je to s , dos r e s p o n sá v e is p ela sua a p resen ta çã o , in clu
in d o a s a tiv id a d es a que estavam v in c u la d o s , bem com o o d estin o
de cad a r e i v i n d i c a ç ã o . Da mesma f o r m a , organ izam os q uadros refe
rentes â situ a çã o s ô c io -e c o n ô m ic a dos c o m e r c i a n t e s - t r a p i c h e i r o s ,
con testad ores dos p r o je to s de m o d e r n i z a ç ã o .
A p a rtir da docum entação com entada, id en tifica m o s duas
fases d istin ta s no p e r í o d o que s e e s t e n d e de 1854 a 1 9 0 6 . A pri
m eira t e v e in íc io em 1 8 5 4 , quando f o i registrad a a p rim eira re¿
vin d ica çã o de c o m er cia n tes para eq u ip ar o p o rto de i n s t a l a ç õ e s mo
dernas, v isa n d o a f a c i l i t a r os serv iço s de ancoragem e armazena
gem. 0 ano de 1891 a s s i n a l a o térm ino d e s ta fase. N esse ano, a
Companhia D o ca s e M elh oram en tos da B a h ia c o l o c o u , o ficia lm en te,n o
C ais das Am arras, o marco s i m b ó l i c o que d a r i a in íc io às obras. A
segunda fase esten d e-se de 1891 a 1 9 06. As o b r a s q u e deveriam
ter-se in icia d o com a c o l o c a ç ã o d o ¿'■2 r ç c s/;.‫׳‬.‫׳‬i:-’0 1 i c c p a t ã Companhia
D o c a s e M e l h o r a m e n t o s d a Bahj.5 .;Gí |>iifreram a d i a m e n t o s através
de s u c e s s i v o s d ecretos do ^ c v c r a o r e p u b l i c a n o , a t é 1906, quando as
o b r a s d e m o d e r n i z a ç ã o do p o t t o foram e f e t i v a m e n t e in icia d a s. A
p a rtir d a í, os tr a b a lh o s prosseguiram e , no d ia 13 d e m a io de
1913, foram in a u g u ra d o s 360 m erroa de c a i s e três arm azéns, apare
übríjios p a r a r e c e b e r m e r c a d o r i a s . 0 co n flito entre os p a íse s furn
peus, q u e c u l m i n o u na P r i m e i r a Graí.ííg Ç j > c r r a , d i f l c u ] . t o u a in v er
sao de c a p it a i s nos p a ís e s p eriférico s,- c o i f f t r / b u i n o o p/Jra a redu
Ç so d.-^a o b r a s . in a u g u ir a t, ‫־־‬-s,“ o T a i s Come 1m a c r ‫׳‬T:
i - e r r o i T‫ ^־‬, a l é m <50 E d i f f i í O C.9TTS-103 g o d a C¿sp?.tan£.-g> ^ porto.
O u n iv erse cron olõgiú » d e sta d d .sse .c ta ç ã o abra».ga o s q u a
40 anos da p r im e ir a fase (1854/1091) , que c a r a c te r iz a m o s com o
jLl^e r e i v i n r i c a t õ r i a . Ao e s t u d á - l a a n a litica m en te, pretendem os es
clarí?cer a p rob lem ática cen tra l, a b r in d o cam inhos p a r a estudos
am p los.
0 tratam en to m etod ológico d isp en sad o a este estudo fc
‫■ מ‬iVtf‫ ;׳‬n i n a d o p e l o o b jetiv o g e r a l de d e t e c t a r os fatores que,
c1s1u<5s, í i ‫ )־‬. t i c u i l a í ‫־‬ã’m e a d i a r a m p o r ica g c tempo a s obras de :ao der
ilça o Cf{? p a r t o do S a l v a d o r . P a r a a cc - ^ ^ o c u ç H o d e s s e o b jetiv o ,
f ' ’‫ ׳‬c u r a i a c ¿ r e f l e t i r sobre a f u n ç ã o do p o r t e b a i a n o nas a t i v i c i a ^ ! 2‫׳‬u
11

eo coim ircio im p o r ta d o r /e x p o r ta d o r . Também p r e o c u p a m o - n o s em re


coinpor a feiçã o "natural" do p o r t o com s e u s tra p ich es, seus ca is
e suas a lv a ren g a s. A esse com plexo c o n j u n to denominamos d o c a s de
atracação.
V erificam os a in d a que o p o r t o , assim co n fig u ra d o , não
se apresentava co m o uma u n i d a d e d e p r o p r i e d a d e e x c l u s i v a do E sta
do o u d e um g r u p o d e c o m e r c i a n t e s . Ao c o n t r á r i o , co n stitu la -se
numa á r e a m u i t o fragm entada, onde s e superpunham i n t e r e s s e s varia
dos, nem s e m p r e h a r m o n i o s o s . A a n á lise dos in teresses em jogo
m ostrou-nos que os tra p ich es desempenhavam p a p e l de fundam ental
im p o r tâ n c ia no s e t o r com ercial in te r n o e e x te r n o e, por extensão,
revelou -n os o forte p o d e r de p r e s s ã o d a q u e l e s q u e o s exploravam ,
os tra p ich eiro s.

Para r e a l i z a r o estudo aqui p r o p o sto , tornava-se nece£


sá rio e s ta b e le c e r os v ín cu lo s de d e p e n d ê n c ia da econom ia b aian a,
bem com o e x a m i n a r a a ç a o d o E s t a d o e o s reflexos desta 0 çã o no e s
paço s o c i a l l o c a l . Fernando H enriq ue C ard oso e Enzo F a l e t t o , no
jã clá ssico E t e p e n d ê n c i a e P e s e r ^ y o j y i m e n t o d!k Amé r í e a L a tin a , f or
ncceram -nos o in stru m en to tecníCe> q u e Sq c v s à e fio condutor a es
te estudo. Como e n f a t i z a m e s f ‫־‬e s autores, a d in â m ic a da expansão
in d u s t r ia l do sistem a c a p i ‫ ^ (־‬l i s t a m u ndial, cujo c e n t r o hegem ônico
era a In g la terra , não s e b a s e a v a n e c e s s a r ia m e n t e na i n v e r s ã o de
ca p ita is na p e r ife r ia , b - t s e a v a - s e ‘Ldii t o Hci i n v e r s ã o d ireta de ca
p ‫ ו‬t?. 1 c cm ã i e a s p eriférica s, que^nto eva en’. p r é s t i 1t!0 í=í a o 3 p róp rios
governos dos p a íses aependentes. D&ssa. f o r i t i a , o s pajTses líd e res
■asseguravam p a r a s i o ‫ ^־‬b a s t e c i m e n i o d e p ro du f¿ ?^ p r / « 1á r í o 5 ‫ ׳‬e n q u a n
to j u p r i a m , p rin cip a lm en te á r e a da Amei'ica, L a t i a a . a q u e l e s 5S
"tajres q u e a s econorrJss ,'nlb <®5tavam c o n c / í ç 2 e s c/e cíesen
'^ clver, a exem plo dc o ü ra s de X n f r a - e s t r ix t u i^ • t a i s comO fetra
portos, transportes e t c . (4) . 0 E stado o f e r e c ia g a ia n tia s
aos in v estid o res, e estes mantinham sob co n tro le a " co m ercia liza
çao da p e r i f e r i a " , mas n ã o a t u a v a m n o s e n t i d o ã e riadar a compos¿
ç a o dcis s o c i e d a d e s lo c a is. C in teresse em c o n s e r v á - l a s co m o mer
^ados abertos aos seus p ro d u to s m anufaturados e a o mesmo t e m p o ã o
^^96 f ^ C e r e m - s e d e p r o d u t o s p rim ários, levava os p a íses ca p ita les
tao a i f i a ^ t ê r ü o pcc?er "a c l a s s e s o c i .^1 e c o n ô m i c a q u e h e r d a r c . dã
C olôn ia s u a br>se p r o d u t i v a " ( 5 ) .
12

P artin d o-se do p r e s s u p o s t o de que o s in tere sses exter


nos acaplavam -se aos an seios da c l a s s e d om in an te l o c a l — o s capi
ta lista s in tern a cio n a is estavam d is p o s t o s a am p liar su as in v er
sões e o E stado o f e r e c ia - lh e s am plas g a r a n t i a s — p rocu ram os a v a li
ar a t é q u e p o n t o o p r o c e d im e n t o do p o d e r p ú b l i c o , como m ediador
entre a q u eles in teresses e o s da f r a ç ã o de c l a s s e rep resen tad a pe
la b u rg u esia lo c a l, teriam in flu íd o no d e s c o m p a s s o e no fracasso
das r e iv in d ic a ç õ e s v o l t a d a s p ara a m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o de S a l v a
dor.
S itu a r o p a p e l do E s t a d o na v i d a s5 cio -eco n ô m ica bras¿
leira do s é c u l o X IX , não é t a r e f a sim p les. A d ificu ld a d e e s t á nas
am bigüidades e con tra d içõ es ex isten tes entre a id eo lo g ia dom inan
te — o lib e ra lism o — e a realização d e uma p o l í t i c a ad m in istrate^
va c e n t r a l i z a d a e u n itá ria . P ersistiam profundas d isto rçõ es en
tre o lib era lism o im p o r t a d o da Europa e a s i t u a ç ã o c o n c r e t a da so
ciedade b r a s i l e i r a , m antenedora de p r i v i l é g i o s , da g r a n d e p r o p r i e
idade e d a mão d e o b r a e s c r a v a ( 6 ) . In flu en cia d o p recá ria e contra
d itoriam en te p e lo pensam ento l i b e r a l eu ro p eu , o E s ta d o M onárquico
não s e apresentava como um e l e m e n t o e f i c i e n t e e capaz de i n t e r v i r
e d : i r e c i o n a r a v i d a e c o n ô m i c a b r a s ¿ Ie. 4 <‫ ־‬i n c i p i e n t e burocfa
cia, m ontada p a ra o r i e n t a r e é oS x i i t e r e s s e s gera is, na
verdade lim ita v a -se a prot£?gi®. 08 i n t e r e s s e s dos grupos dom inan
tes. Tal a titu d e não e x p íí'o ita v a as normas que c o n d u z ir ia m suas
relações com o s d e m a i s s f ‫י‬.g‫■י‬aent 0 s d a s o c i e d a d e civ il, o que fa v o r e
cia a ex istên cia d e ro m p j r t a m e n t o s d iferen cia d o s, = depender das
situ a çõ es esp ecífica s. Ao mesmo t e m p o , tal c o m p o r t ? . 1T;=‘n t o estim u
l a v a 0 c h o q u e d e i n t i ^ ^ r e s s e s e n t r e ■f /ck ço es d a s o c i > ? d a á e , ou no in
terior de uma d e t e r m i n i . ‫־‬d a f r a ç ã o - ‫י‬- n o n o s s o c ô S o , no S ^ l a da bur
g u t 5 ‫׳‬í i a c o m e r c i a l .

T rad icion alm en te, o fracd£>so d a s ten ta tiv a s de modern^


2açao no N o r d e s t e tem s i d o a tr ib u íd o ã m en talid ad e in d iv id u a lista
^ ao c o n s e r v a d o r is m o d o s seus in teressa d o s. F ssa m en ta lid a d e, de
ric‫׳‬: T a o com e s t a versão, s e r . ‫־‬-d m e d i d a p e l a "sede de b e n e f í c i o " , pe
-*-o esp írito de a v id e z de lu c r c " , ou p e lo ‫יי‬bo o m m e n t a l i t y " — par<A
e x p r e s s ã o d o P r o f e s s o r P a n g (7) . É c e r t o que a p o stu r a da
ooraercíaí foi carácterizacíâm en te in d iv id u a lista e cor.
^ ¿ / a n t o r. q u o s t ã o em a n á l i s e Uõ■ e n t a n t o , esse procec/í
13

mento não p o d e s e r m ed id o so m en te p ela• a v i d e z de l u c r o , mormente


se se c o n s i d e r a que o lu c r o sem pre foi o b jetiv o p r i m e i r o no s i s t e
m3 c a p i t a l i s t a .
A in ten çã o b á sica d esse estudo é m ostrar que o E stado,
carente de "um m e c a n i s m o d e r e g u l a ç ã o e c o n ô m i c a " q u e p erm itisse
" reso lv er a con trad ição so cia l/p riv a d o em s u a d i m e n s ã o e s p a c i a l " ,
deu lu g a r a m an ifesta çõ es concretas de c o n f l i t o de in teresses,
provocou choques e o f r a c i o n a m e n t o da b u r g u e s i a lo c a l, levand o ao
fracasso todos o s p r o j e t o s que r e s u l t a r i a m n a t r a n s f o r m a ç ã o d o 0£
paço p o r t u á r i o (8 ).
Para fa cilita r a ex p osição, estruturam os este tra b a lh o
em q u a t r o ca p ítu lo s. No p r i m e i r o , refletim o s sob re a função que
desem penhou o p o r t o b a ia n o , quer nas a tiv id a d e s de im p ortação/ex
portação, q u e r como p o n t o d e e s c a l a para n a v io s da C a r r e i r a da In
d ia e de o u tr a s rotas co m ercia is, e refletim o s ainda so b r e os e
feito s dessa c o n t in u a m ovim entação na e co n o m ia e s o c i e d a d e lo c a l.
No s e g u n d o c a p í t u l o , recon stru ím os o aspecto físic o da
área p o rtu á ria , do ünhão à J e q u i t a i a , c a p t a n d o a o mesmo ce m p o p r o
hlem as o l v i d o s p elo s com ercian tes lo c a is, p rin cip a lm en te os que
á izla m resp eito à a n c o r a g e m e a Sr!ria 3 en«i 5 ^<w7. Para tartto, s i s t e r ’a
tiziam os o s p rojetos de m oderri 2 âçâc‫ ׳‬r e f e r e n t e s ao p e r í o d o d e 1854
ai 1 8 9 1 ‫ ״‬l i s t a n d o seus autores é* o s in teresses econ ôm icos a o s quais
estavam v in c u la d o s .
No c a p i t u l o seçTuinte, preocupam o-nos em a b o r d a r o p a p e l
desempenhado p e l o E s ta d o M onárquico. Procuramos r e f l e t i r sobre a
apbi ^’•^.icr.cia u u s p o s t u l a d o s lib eu a ia l h e d a va m f o r m a e a prã
tica d e s s e s p o s t u l a d o ‫ ;־‬, a c i m a d e tueí¿? S.nfj l i b e r a l e ântidem ocrãt_i
Cci. No mesmo c a p i t u l o , abordamos a presença </© E s f a d c ‫ ׳‬n o con tr o
le das a t l v i ã a ^ e s p o r t u á j f i âS■'. bem c o m o o tipo, de o r i e n t a ç ã o âctdSí
â w15’^ r ^ b u i c ü 3 0 ) ‫ ס‬c z p í f ã l
0 ú ltim o cap ítu lo trata da a ç ã o da b u r g u e s i a lo ca i
rer!te a m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o . Procuramos a v a lia r s u c i 1\ t a 1 ; e n t e a
> -otru tu ra s ô c i o - e c o n ô m i c a da P r o v í n c i a e ‫־‬.:m e s p e c i a l a de S alva
o b jetivan d o com i s t o deteccar o espaço so cia l ocupado p ela
corriarcial, bem corr..■ a s d i v e r g ê n c i a s e choques em q u e s e
‫־‬n volveu essa f r a ç ã o da c l a s s e dom in an te, no q u e t a n g e à modernf
7âÇã.¿}, d o e s p a ç o p o r t u á r i o d e S a l v a d o r .
14

REFERÊNCIAS

O t e r m o m o d e r n i z a ç a o e m p r e g a d o ao l o n g o d e s s e t r a b a l h o , s e ba
s e i a n a d e f i n i ç ã o s u g e r i d a p o r L. A. C o s t a P i n t o (M oderniza”
ç ã o e D e s e n v o l v i m e n t o , p . _ 1 9 3 ) e na a b o r d a g e m de E d u a r d o H e 7
n a n d e z - A l a r c o n ( U r b a n i z a ç ã o e M o d e r n i z a ç ã o na C o s t a R i c a dü
r a n t e _ _ o s a n o s de 1 8 8 0 " , p . 1 3 9 ) . Para e s t e s a u t o r e s , modeT
n i z a ç a o s e d e f i n e como "um p r o c e s s o q u e c o n s i s t e n a adoção^,
p o r uma s o c i e d a d e em m u d a n ç a , de p a d r õ e s de c o n s u m o , d e com
p o r t a m e n t o , de i n s t i t u i ç õ e s v a l o r e s e i d é i a s c a r a c t e r í t : t i c a s
de s o c i e d a d e s m ais a v a n ç a d a s " .

AZEVEDO, T hales de. C l a s s e s S o c i a i s e G r u p o s de P restíg io .


Im: E n s a i o s de A n t r o p o l o g i a S o c i a l . S alvad cr. UFBa..
If59.
MATTOS0 , K á t i a M. de Q u e i r ' ‫׳‬:. h»hj,r.' ‫־׳‬ d-.: S a l v a d o ■ e
s&u m e r c a d o uo s e c u l o ‫׳‬J k . - “' ? ' c r T c , 11 ~ : ' t e c ; S a l v a d o r ,
S e c r e t a r i a M u n i c i p a l .‫ • ׳‬E d u c a ç ã o e C u l t u r a , 1 9 7 8 .
ATHAFDE, J c h i l d o L o p ‫׳‬/ s . c . La v i l l e de S a l v a d o r , au XIX e
s i è c l e ; a s p e c t s de .r.o g r a p h i q u e s . (D ' a p r ê s l e s r e g i s t r e s
p a . r o i s s i a u x ) , Par^p. , 1 9 7 5 ( T e s e de do u t o r a m e n t e m i m e o g . ) .
S.ANTOS, M a r i o A u g u i ^ o da 5 1 ] ‫מ ז י‬. C o m e r c i o P o r t u g u ê s na B a h i a
"I f> ■‫י‬I/^ . ‫ייי׳‬ ■ ■— ■‫י‬ ‫יי‬ ‫י‬ ■ ‫^יי‬ ‫י‬
^ 3 0 ; c C i i L e n a r i o d e M a n o e l J o a q u i m de C a r v c t l l i o .
v a ü o r , I r m a o Pa 1 .1 0 , 1 9 7 7 .
MOKTEILQ, T a n i a P e n i d o . P o r t u . s ‫ ■־■־ ■׳‬na B a h i ^ n.i s e g u n d a me-
d e do s e c u l o X I X ; i m i g r a ç ã o e <_‫ ר‬r.;■-‫־‬. : r i o . 3 i s ‫ יי‬e r t a ç ao de
nieatrado. S a l ^ > o d o r , U F B a . , 1 9 í : i (rr,^:ncL c . ) .

1 ‫ ״‬- G I N S , F u g e n e V. r',d t o o i - c ‫־‬. i t u . . - i n the


« r a z i l i a n ? . m p i r e : t L c c a s e o f B a n i d ' s Bus s m e j «‫ה^ י׳^^׳■¡ ד‬.‫■ ׳‬
P lan ters. L u s o - B r a z i l : ' e n R e v i e w , L 2 ( l ) : 19 75 .

-RDOSO, F e r n a n d o H e n r i q u e e FALETTO, E n z o . D ependencia e


d e s e n v o l v i m e n t o na A m e r i c a L a t i n s ; e n s a i o d e i n t e r p r e t a ç a o
so cio ló g ica . 5ed. Ri.•’ d e J a n e i T o , Zai-.ar, 1 9 7 9 .
■‫■ י‬ idem ‫ ק‬.
6.
COSTA, E m i l i a V iottid a^ Da M o n n r q u i a a R e p u b l i c a ; momentos
d ecisiv o s. 2ed. Sao P a u l o , C i e n c i a s H u m a n a s , 1 9 7 9 . ! .
■n_ 2 6 .
15

7. E x p r e s s ã o u t i l i z a d a p o r P a n ‫ ״‬em M o d e r n i z a t i o n an s l a v o c r a c y ,
p . 6 8 2 - 8 3 , mas s u p r i m i d a em T e c n o l o g i a e e s c r a v o c r a c i a no Bra_
s i l d u r a n t e o s e c u l o XIX.

8. CIGNOLE, A l b e r t o . Nota s o b r e E sta d o y esp a cio ( c a p i t a l i s t a ) .


I n : UFPa. ( o r g . ) . T e x t o s de D e b a t e 2. J o a o P e s s o a , U FP a/
C e n t r o de C i ê n c i a s Humanas L e t r a s e A r t e s , 1982. p. 101.
CAPÍTULO

A INSERÇÃO DO PORTO
NO SISTEMA CAPITALISTA MUNDIAL

O sig n ifica d o h istó ric o do p o r t o d e S a l v a d o r ‫־‬,>ode s e r a


v a lla d o se nos lem brarm os q u e, ao Icn go do p e r í o d o co lo n ia l, era
fr£C;uen temen t e denom inado " Po rfc j â o ^ t 3íS Í I ' ' , co m o náo ex iíti^
sse o>u‫־‬t r o a n c o r a d o u r o em t o d a ‫ ־‬C âlô n ia (i) . A im p ortân cia desse
porto, contudo, não s e r e s f . . r 1‫'‘׳‬/v^iu â c h a m a d a "gra m e r c a n t i l i s t a " .
O Eiriporio b a i a n o c o n t in u o u a g o z a r de c o n s i d e r á v e l d e s t a q u e por
to^o' o s é c u l o X IX , aten d on io âs e x ig ê n c ia s do ca p ita lism o in d u £
t^ ia l europeu. Som entp d e n t r o d e s t a v i s ã o , p od e reme o f^ iscorrer
SwLit: cis i m p o r t a n t e s funções ex e? rid a s p 0 r um pcrtc r‫ ^ י‬uma colô
nxD e , p o sterio rm en ted e um p a í s dep*^n¿/tínte, bem l o c a l i z a d o geo
g raficam en te e e n c r a v a d o niama r e g i ã o próspera — O PO^TD DE SAL
VAOíT^.

A ‫ן‬ éws d o Aí:Senâ. í d a MariioJtâ


<2^jr i n d i c a q u e a a d m i n i s t r a ç ã o p o r t u g u e s a e r a s e n s í v e l aí; conc/t
‫^י׳׳‬
çôffs v a n t a j o s a s n a t u r a l m e n t e a p r e s e n t a d a s p e l o p o r t o . D entre ou
tros esta leiro s in sta la d o s na C o l ô n i a —‫׳‬ Pernam buco, Pará, Rio
de J a n e ir o — o da B a h ia foi j m ais p rocu rad o e o m a is m ovim enta
o ‫׳‬, ^ ) . A]eu; d e a t e n d e r à s e1 rJ 3 a r c a ç õ e s q u e n e c e s s i t a v a m de 3:epa
^ o s , desm anchos e t c . , estava aparelhado para c o n s t r u ir n avios
iont^o C u r s o . E sta ativid ad e i n s d u s t r i a l prop orcionou bons lu cio s
Coroa i c r t u g u e s a , a t a l p o n t o q u e rrandou c o n s t r u i r em S a l v a d o r ,
00 X V III, C’u i r o s e i i f a l e i r o s , n o S1trÈ> da P r e g u i ç a ( 3 ) . 'J'á
‫ ©ת‬sê c u lo X IX , entre 1812 e 1815, q u a r e n ta eiribarcações, in clu siv e
ca lera s, b rig u es, sumacas e la n c h a s de c o b e r t a , foram fab ricad as
nas in sta la çõ e s lo c a is(4 ). Por v o lt a de 1840, S alvad or contava
com c a t o r z e esta leiro s, o que r e f l e t i a a c o n s t a n t e r a o v i m e n t a ç ã o no
p o r to (5).
N este ca p ítu lo , exam inarem os as p r in c ip a is funções de
se in p ‫ •־‬h a d a s p e l o p o r t o d e S a l v a d o r . Era p r i m e i r o lu g a r e num p ia
no m a is geral, d e s t a c a r e m o s o p a p e l d o p o r t o d e S a l v a d o r como p o n
to de e s c a l a para em barcações p o rtu g u esa s e estra n g eira s; em se
gu id a, exam inarem os a su a im p o r tâ n c ia na c i r c u l a ç ã o com ercial e
no c o n t e x t o g e r a l da econom ia b a ia n a ; e, por ú ltim o , estreitan d o
e aprofundando o c o r t e da a n á l i s e , procurarem os ca p ta r as reper
cussões do m o v i m e n t o p o r t u á r i o n o c o t i d i a n o da s o c i e d a d e lo ca l.

A a b e r t u r a d o s c a n a i s d e Pa n a m á e S u e z , na seg u n d a m eta
da do s é c u l o X IX , lig o u oceanos e d im in u iu d i s t â n c i a s , fa cilita n
da a cam unicação e n t r e o s co n tin en tes. A n t e s p o r é m d e s 3 ••:‫׳‬ aconte
c ñJiuenito, frotas, arm adas, n a v i o s q u e p a r t i a m dp E u r o p a com dest_i
n® ao P a c í f i c o e ao I n d i c o , & b i i a uàveqãx p elo A
tl£àn tico S u l. L o c a l i z a d o nesFa a r e a do A t l â n t i c o , na am pla e e¿
pacçosa b a í a d e T o d o s o s Sa^fcs o p o r to de S alvad or p o s s u ía anco
radouro a c e s s í v e l e c o n t a v a com v e n t o s e correntes oceân icas favo
rar/eis. A ele d e m a n d a v a m Sem m a i o r e s p r o b l e m a s em barcações de
lon go curso e cabotô^em . E s t a v a a i n d a bem rftais p ro x im o ) d a M etro
p u le e dos e n t r e p o s t o s com erciai3 d a < ^ ^ r/ ca O c i d e a t a 3 portuguesa
que os p o rto s do S u l , f a t o r que i r i a ¡?(?âS ib ilitar in ten so comér
cio entre os t r ê s con'f/i’. n e n t e s . A c / d e n t e s d g o.’^dem g : e o ^ r ã f i c a , co
2-0 t r a e o s de a r e ia , rochas, eKíC/ram c a u t e l a e experíêçi
cia p sr te dos marinheicos. cj^uú Çã-Cã Cã se ãlríqícim o. dii
zarpavam (6) . Ma¡¿ e s s a s d i ^ í ¿ : u l d a d e s n ã o f .e c o n s t i t u £ < â m Sm
C'é3;,tãculos i n t r a n s p o n í v e i s , capazes de su perar as vantarens estra
to cica G , co m ercia is e geográficas aprespr:cadas p e l o p o r to de Sal
vauor. P ela sua lo ca liza çã o , p>ela a s s i s t ê n c i ô técn ica que ofere
<■ em seiir• e s t a l e i r o s , o po^rto d e S a l v a d o r foi p o n to de conver
ncid d e n a v i o s a v a r i a d o s ou c a r e n t e s de a b a s t e c i: n e n t o .
De a c o r d o com a s d etern /in a ço v s do P a c t o C o l o n i a l , o po^
to ‫׳‬.!‫ ^׳‬v e i r i a s á r v i r s o m e n t e a naií^ios p o r t u g u e s e s . Porém, cc
V<Srerri0 §• :^3 ;•>‫ ־‬a d j . 5 i n t e , a b rigou e r e p a ro u taO to ernbarcações 0£‫ץ‬
IS

tu gu esac quanto de o u tr a s n a cio n a lid ad es. Mas e s t a s so seriam re


ceb idas 6 ‫ ות‬c a s o s de " in d isp en sá v eis n ecessid ad es" , como "torm enta
ou r u ín a p r ó x im a ao n a u f r á g i o " ( ? ) . D estacou -se como p o n t o d e a
guada p a ra a s em b a r c a ç õ e s que p e r f a z ia m "o m a i s e x t e n s o roteiro
q u e P o r t u g a l m a n t e v e em s u a h i s t ó r i a " •— a C a r r e ir a da I n d i a ( 8 ) .
At n d e u a f r o t a s q u e c o b r i a m o r o t e i r o P o r t u g a l • — S a l v a d o r - ‫׳־‬- P o r
tu g a l, A f r i c a - — S a l v a d o r e também à q u e l a s q u e , não se d estin an d o
d i r e t a I 3 ‫יו‬n t e ao c o m é r c i o com a C o l ô n i a , eram o b r i g a d a s , por ra tõ es
variadas, a a n c o r a r na B a h ia .
0 q u a d r o a s eg u ir s i n t e t i z a as p r i n c i p a i s ra zõ e s que le v a
ram n a v i o s da C a r r e i r a da í n d i a a buscar o p orto b aian o.
O b s e r v a - s e que 253 n a v i o s da C a r r e i r a da í n d i a esca la
ram n o p o r t o de S a lv a d o r durante os sécu lo s XVI, XVII e X V I I I . Des
te to ta l, apenas 152 n a v i o s d e c l a r a r a m o m o t i v o d e s u a e s t a d i a . A
m aior p a r t e , c e r c a de 78%, p r o c u r o u o p o r t e para r ec e b e r socorros
de n a tu r e z a d iv ersa . A p e n a s 22% a t r a c a r a m oor m o tiv o s d eclarad a
m ente lig ad os ao com ércio *—■ r e c e b e r t a b a c o o u a ç ú c a r , carregar
m ercadorias e trazer esp ecia ria s. N oventa e q u a tro por c e n to das
naus r e g is t r a r a m a sua p ro ced ên cia . Em. m a i o r ‫רז‬r o p o r ç ã o • vinham
das ín d ia s (57%) e de P ortu gal . Ê W . e ^ a o r <?í/a?t?i'dade, pr<0ce
diam de Macau (3%), Moçambiqu¿? , A ngola (2%) e B en gala (1%).
A f r e q u ê n c ia de n a v io s da da í n d i a no p o r t o d e S alvad or
d ev eu -se à loo g a d is t â n c ia 4ue s e p a r a o s d o is co n tin en tes e tam
b ‫ ׳‬m ao i n t e r e s s e das t r i ^ - / u l a ç õ e s em p r a t i c a r contrabando, como v e
r em oc a d i a n t e .

A fa ix a d e ter;.po, q u a t r o meSâS o u m a i s , que emba rc- a


ç>u0 g a s t a v a d e Goa obc d e Macau — ‫י‬. ‫׳‬l o v i n h a ! í a r T e g a d a d e mer
f-^dorias e d e s g a s t a d a p o r e s t a r reèlliz^ nííp ■n;.5 .‫־‬e gu<*da Ví ^gem -
P ortu gal, oèrig-ava-c? . r<?‫׳‬C o r r e r a wm gc.cx.tc3 < r s : É r a t é g i c o , úac^
áâ 0 de :r.‫י‬
t ‫ ב‬jíobre a n a u N o s s a G e n h o r a d:•C a r i d a d e retrata bem as p.‫־‬e c ã r j . c 10
‫־‬. d . i ç o e s d e n a v e g a ç ã o a t é o sécu lo XVIII e a im p ortân cr.a do por
de S a l v a d o r , co m o p o n t o e s t r a t é g i c o r;,ira a s em barc;ições de lon
' ^^^^0(9). A n a u N o s s a Se n h -jr a da C a r i d a d e , . q\:‫׳‬j p e r f a z i a o tra
-'j'‫—•־‬ I n d i a e v.vce‫ ־‬v e r s a , estava, co m o m u i t r . s o u t r a s ,
Pí^ecarias con d ições para e n fr e n ta r a lon ga t r a v e s s i a . Numa 03
-a._^ens, p a r t i u d e Goa a 7 dc f e v e r e i r o de 1751 e som ente ‫ל‬
‫‘״‬, o luesri..‫ '־‬a n o c h e g a v a a S alvad or, para recebex‫־‬ ¿^ocor
r-c'dontado p e r c u r so . Em o u t r ‫'־‬s ■■-!‫־‬: v r a s . gastou c‫ ־‬prr>;;±
19

NAVIOS DA CARREIRA DA ÍNDIA PORTUGUESA


QUE ESCALARAM NO PORTO DE SALVADOR
DE 1 5 0 3 a 177 9

N? DE
MOTIVO DA ESCALA
NAVIOS

Reparos 71
R e p a r o s, a lim e n ta ç ã o e aguada 11
Reparos e enferm os a bordo 2
R e p a r o s e f a l t a de m a n t i m e n t o s 2
R e p a r o s , m a n tim e n to s, aguada
e mortos 1
F a l t a de m a n t i m e n t o s 3
F a l t a de m a n t i m e n t o s e de
m a r i n h e i r o s por m orte 1
F a l t a de t r i p u l a n t e e m a t e r i a l
a bordo 1
Enferm os e mortos a bordo 6
Aguada 13
Invernar 3
C l a r o s na t r i p u l a ç ã o 1
C alm arias 4
Apres to 1
S nc c •. j. o s p a r a a s í n d i a s 1
Ser crenado 1
I n c a p a z de n a v e g a r 6
C arregar m ercadorias 2
Carregar açúcar n
C arregar tabaco 17
Com ercio
T r a z i a e s p e c i a r i a s do
_________ -- 1
N30 d e c l a r a r a u í u m o t i v o da e s c a l a 101

TOTAL 253
lONTE: Dados c o l i g i d o s em J o s é Rob .‫־‬- .‫ ־‬1. ‫ר‬
do A m a r a l T^apa. A e a
V li..: d3 in u icL , 1S69 •‫ס‬ ‫•• ׳ ו‬ ■
3 ‫׳׳׳‬.
■20

r-.acamente q u a t r o m e s e s e m e i o , ou s e j a , 137 d i a s , d e Goa a t é a Ba


hi D epois de reparada e r e a b a s te c id a , a nau s e g u i u p a r a o Rei
n o a 15 d e o u t u b r o d e 1 7 5 1 , t e n d o - s e demorado no p o r t o de S alva
dor nada menos que 108 d i a s .
A lém d e to c a r e m na B a h ia p o r r a z o e s de a v a r i a s ou n e c e s
sid ad e de r e a b a s t e c im e n to , n avios da C a r r e i r a e m u it o s outros de
origem e s t r a n g e i r a aqui aportaram , atraíd os p ela p o s s ib ilid a d e de
ráp id o en riq u ecim en to a tr a v é s do c o m é r c i o i l e g a l . Boxer in fo rm a
que as naus da C a r r e ir a "estavam e n t r e o s p i o r e s transgressores"
e que os esforços da C o r o a "para d ar p a r a d e i r o a esse flo rescen te
com ércio de con trab an d o" f o r a m em v ã o . Os g u a r d a s m i l i t a r e s colo
cados a bordo dos n avios i n d o - o r i e n t a i s , com a f i n a l i d a d e de evi
ta r o contrabando, e r a m o s q u e c o m e t i a m com m a i s "segurança e im
punidade e s t e d e lic t o " (10). Eddy S t o l s também f a z referên cia ã
p r á t i c a do c o m é r c io i l í c i t o , t o m a n d o como e x e m p l o a C o m p a n h i a de
O stende(11). C r i a d a em 1 7 2 2 p o r c o m e r c i a n t e s do P a í s e s B a i x o s E£
pan hõis, essa Companhia t i n h a como o b j e t i v o co m ercia liza r com as
ín d ia s O rien ta is. Como o s n a v i o s da C a r r e i r a da í n d i a , os da Com
panhia O stende fizeram constantes v isita s ao p o r t o de S a lv a d o r,
‫״‬. o v i c i o s p e l s p r á t i c a do c o n t r a b a n d o e a t r a í d o s p elo ou:•:.■ .■- r,.!■ '
n ia . Ma â n s i a de ju stifica r a ancoragem, os seus c a p i , ‫ '׳‬,‫ ל׳‬s e des
fazioiH d os p r o v im e n to s arm a zen a d o s, . que s e r v ia m ao ‫ ■;•־‬j o t e c i m e n t o
da t r i p u l a ç ã o e dos p a ssa g e ir o s, jogando-os ao mar, rom a fin a li
dado de p o d e r a l e g a r um m o t i v o v á l i d o de a q u i a t r j r a r e r a ( 1 2 ) . Con
t- t.yai r.-'., d es? ? d ^ pculpa, contr.nbar^lea.., carregando m etais
pi-e c a o s da C ulG iiia p ara a Europa e , a o mesí.'.o t e m p o , c o ‫׳‬. n c a / r l o
o ^ojT.ercio l o c a l p r o d u t o s o r i e n t a i s , como a s ?:azendas e a s .‫׳׳‬,•,■

O poxto ora tambera p r o c a r a c . naus do


"■ ‫ ^ ' ־ י־ ־‬r 1 c • > ‫^ י‬. e, c a s o 1i e s ‫־‬e s a x d e ateiialr-.-^.Ti . o s , ou
‫ מ‬0 5 .‫ר‬.‫ ר‬p a r a s e in:^orm¿'‫״‬t.'m d a s i t u a ç ã o p o l í t i c a eu rop éia, o que
d o ,x a v a de s e r , ta m b ém , uma t á t i c a para m anter o comer
-leg a l. Ca pit ãe: :• d e c i n c o n a v i o s daq uela com panhia, ao p a r t:
da E u r o p a em .1 ' 2 5 / 2 6 , r e c e b e r a m o r d e n s de s e u s d i r r co :c e s p a r a
OSCcll ‫״‬
■■ ^ m em S a l - a d o r , qua.}:ao d e v o l t a d a s In d ias, p orq u e a q u i en
-r^ .iam n o t j c i a s m ais a t ‫יי‬.‫ד‬l i z a d a s sobre a conjuntura in tern a
(13). iiüitCv'- r u : r o . ^ nf.‫־‬/ i . o s , de n a c io n a li d a d e f r a n c e r - . ‫ ׳־‬e in
/ l o t o r ¿ . - , ;;j da C h i n a , d a !r. -Jia o u d a j costas a frica n a s.
.1 b. 1h 1 a , a c ine:un;ao f i n a l i d a d e s .
21

A f u n ç ã o do p o r t o b a i a n o coiuo p o n t o de e s c a l a e entre
posto co m ercia l, se e s te n d e u por todo o s é c u lo XIX . Mesmo a a b e r
tura dos ca n a is d e P an am á e S u e z e o a d v e n t o d a n a v e g a ç ã o a v a p o r ,
que encurtaram as d istâ n cia s e a g iliza ra m as v ia g e n s , não minimi^
za ra ‫ ״‬a sua im p o r t â n c ia . M uitos n a v i o s , v in d os de o u tr o s cont¿
ncnt 5 para o s p o r t o s do P r a t a o u do S u l do B r a s i l , aqui atraca
ram p a r a r e p a r o s e ab astecim en to, confirm ando a im p o r tâ n c ia do
porto de S a lv a d o r na c i r c u l a ç ã o com ercial.
Por o u tro la d o , a s u p e r a ç ã o do e x c l u s i v o colo n ia l p ela
pressão do l i b e r a l i s r ‫ כ‬e c o n ô m ic o e a c o n j u n t u r a p o l í t i c a v iv id a
p ela Europa no i n í c i o do s é c u l o XIX i n f l u í r a m nas d e c is õ e s da Car
ta R égia de 1808, quefranqueou os p o r to s b r a s i l e i r o s aem b arca
ções e a com ercian tes de v á r ia s n acio n a lid a d es. Em d e c o r r ê n c i a , o
porto de S a lv a d o r a m p lio u s u a s funções com erciais e co n tin u o u a o
fcrecer, em s e u s esta leiro s, a ssistê n c ia técn ica e socorros d iv er
s o s aos: n a v i o s e as trip u la çõ es de em barcações que aq u i ancoravam.

P aralelam en te à função de ponto áe e s c a l a , o porto de


S¿! lyp. ' p e ‫ י‬:■ p . ‫־‬,. i m p o r t â r ^ r i ¿ n a c i r c u l a ç ã o com ercial
a n,:,<'. ‫ י‬J.1• cCj.i.-_iCi-onal, í i c t c i o n a l , region al e lo c a l. Desde meados
d^ -■ ‫׳‬r t a l o XVI, f u n c i o n o u como p o r t o im p o rtad o r de m e r c a d o r ia s pro
L■■■. j c j i t e s da M e t r ó p o l e e d a A f r i c a e como e x p o r t a d o r d e produtos
c - o p ic .a is para o R eino; im p ortad or de p r o d u to s co lo n ia is vin d os
de out.xdti c a p i t a n i a s e cerrro r e e x p o r ta d o r de m e r c a d o r ia s p a r a ou
t r ^ i s ro.ufiõefc d a 0 0 ‫ י‬0 ‫רי‬1 ‫ מ‬.. e também., cnmo p o n t e dc co r!v e rg ên cia da
produção ‫ז‬ ■ô n c a v o e do õ e r t ã o .
0 t.ja íic o ‫ ה<־‬e s ‫־‬.ravo<5 também a p r e s e n t a v a - s e como fator
‫ ו‬n e g a v e l x jo‫■ ׳‬ .. o m o v i m e n c ‫־ ״‬.‫ >־•־‬t p o r t o b a i a n c . desde o
. ',' ' ‫״־ ׳י?•־׳‬1 ‫ ר‬d e c c ; :..:■i Para oc : : » l ~ r : l 2 aá_■ ■‫ ־‬. ‫ ־‬, ‫יח■^׳״‬ o
.. • n t o d a mão c o o b r a e s c r t ^ v a , v i ‫״‬::‫ ״‬d « ‫ '׳‬t r i c c i , . a econ om ia co
lo n ia l eia in v iá v el, e, para a b u rg u esia e u r o p e ia , esse com ércio
‫ • זנס‬j u i i t a v a ma: s uma o p o r t u n x d a d e d e l u c r o . :‘ 3 s t a form a, aten
a m-^J.uiplos i n t ^ r e . s s e s , o t r á f i c o d e ‫ ;־׳‬x r i c a n o s foi in crem en
0 porto de S a lv a d o r , como e m p ó r i o ■lO c e n t r o v ; o lít ic c ! ‫ ־‬adm i-
-r. c i v o da C o x õ n i a , e de f á c i l acesrrj às em barcações, tornou
‫'־‬ in ip o rta n te im p ortad or d a q u e la "merradoria'■ ; or de 1578,
Soores atrib u ía ã B ahia "u:‫־‬,a p o p ’‫׳‬.l :■ J e 2 m il e a r o p ‫ ;־‬u s .
‫ י‬ín d io s" e, em o .la Ec‫־‬n i ‫־‬ in
f e : ‫״‬.av a ã C o r o a -que h a v i a em s u a d i o c e s e "uraas 9 0 . 0 0 0 alm as, das
q u ais a m a io ria era de n egros escra v o s" (14).
A g r a n d e p r e d o m i n â n c i a do c o n t i n g e n t e a frica n o na popu
x a ç a o da B r / i i a c o l o n i a l é também r e f e r i d a p o r h i s t o r i a d o r e s con
tem poráneos. Segundo M a u r íc io G o u la r t, no p e r í o d o de 1728 a 1748
aqu.: chegaram 9 9 .8 0 9 a frica n o s da C o s t a da Mina e 33.000 de Ango-
la . Boxer estim ou q u e, n a mesma é p o c a , dez a doze m il escravos
vin d os de A judã e s e i s a sete m i l de A n g o la eram a n u a lm e n te d is
trib u id o s en tre os p ortos do R io de J a n e i r o , Pernambuco e B a h i a ( ¿
No f i n a l do s é c u l o XVIII e in ic io do s é c u l o XIX, a en
trad a g lo b a l p e lo p o rto de S a lv a d o r foi de 75.140 escravos de An
g o la , B e n g u e la e C o sta da M in a (1 6 ). Parte d esse s escravos eram
reen v ia d o s para o Recôncavo e o u tra s p r o v ín c ia s , a exem plo de Mi
nas G e r a is quando do au ge da e x p l o r a ç ã o au rífera .
^ Mesmo d e p o i s dos tratados de 1 8 1 0 , quando s e in icia ra m
as p r e s s õ e s in g lesa s para a b o lir o t r á f ic o de e s c r a v o s , até 1850,
quando s e deu a e x t in ç ã o o ficia l. S a lv a d o r m anteve i n t e n s o conta
to com a A f r i c a . G ó e s C al m o n c a l c u l a q u e , de 1812 a 18 3 0 , entra
ram p e l o p o r t o 136.124 e s c r a v o s (17). No b i i n i o 1847/48, apesar
das .; 0 ‫־‬.‫׳‬ ‫'=׳‬:, . • âa d e s p - h - i u a r a m c e r c a de 50 m i l es
e r a - . ‫׳‬- . L ciian o(id ).

A pauta de e x p o r t a ç ã o da B a h i a , nos sécu lo s XVI e XVII,-


P ■ru P o r t u g a l . e s u a s p o s s e s s õ e s u ltram arin as, ja e r a be m d iv ersi
f.ca d a .^ A rtig o s e g e n e r o s da r e g i ã o , como o a ç ú c a r , o p a u -b ra sil,
•O d l g o ü c i o , o fu.‫־‬r;G, o courr■, a so la , a aguardente e a fa rin h a de
im m diorc p ^ . , lã ‫ ״‬e destin avam . Hm?. 1 2 . COO a iJ. OO O c a i
‘"'i'‫■ ־‘־‬-•--• p rod u zid os ao R ecôncavo e n t r e 1725 e 1726, foram
° Vi.'.te " ‫ י‬I r o l o s d e fu m o de. p r i m e i r a c a t e g o
"■ VX-d os do ^‫י‬ ‫ץשרךר‬ •-
^ " — e x ^ ‫־‬. v . ^ 2 6 ) s e g u x u P o r t u q a l ‫ל‬: o u t r a 4 ucin
‫'"■' ל‬-- c^at CG‫׳־‬.. ~ ‫־‬: er ex p c- . para - do
P-^^'^^tos vinht'TT d o Kv_‫ ״‬rr‫׳‬c » ‫־־‬o c a c S ertão e chega
a o p o . CO d e S a l v a d o r em s u ‫׳‬n a c a s , la n ch a s, e tc ., para segu irem
■ a Europa e A f r i c a .

j transferência da cap ital dc Colônia para o Rio de Ja


)• ^ ) ■‘‫־‬m o t i v a d a p e l a crescen to e x p j 0 '_a ., )7 6 3 , '‫ ״׳ל‬J c j r o em M i n a s
o^ .cou o p orto flu m in en se como (!!:.j.:;;.- p o r t o e x p c r i : : 1d o r
tr rüsi 1 .■ i^' ■'‫׳‬
■'‫־•'־‬ ‫־׳‬V ' ^ s a r d e a I ' a h i a dt!1 \¿ í r d o ¿ « x o cfM‫־‬t r o jo líti
c o ‫ ־‬a d 1r . i ' i s t r a t i v o da C o l ô n i a , o p o r to de S a lv a d o r não decresceu
eir. i m p o r t â n c i a . A e n t r a d a m édia a n u a l , na s e g u n d a m etade do s é c u
lo XVIII, foi d e p e l o m e n o s 90 a 1 0 0 n a v i o s , con sid era n d o -se os
que faziam o p e r c u r so S alv a d o r-P o rtu g a l, S a lv a d o r-A frica 0 S alva
dor e o u tro s p o r to s do B r a s i l ( 2 0 ) .
A econom ia de ex p o r ta ç ã o d i v e r s i f i c a r a - s e e a lista dos
produtos aum entara c o n s id e r a v e lm e n t e . A l é m d o s Que p r e d o m i n a r a m
nos sécu lo s a n terio res, podem -se a c r e s c e n t a r , na p a u ta de e x p o r ta
ção, aguardente de can a, arroz, cacau, couros de c a b e l o , ca fé,ço r
d as de p i a ç a v a , drogas d iv e r sa s, e s t o p a da t e r r a , goma, grude, i
pecacuanha, m adeiras d iv e r s a s , mel de en gen h o, m o ed a c o r r e n t e , so
1;‫ ו‬v e r m e l h a e b r a n c a , tabuados, varas de p a r r e i r a s . 0 açúcar e o
fuiiio c o n t i n u a r a m a s e r o s m a i s r e p r e s e n t a t i v o s , mas o a l g o d ã o já
ocupava boa p o s iç ã o em m e i o a o u t r a s m e r c a d o r i a s . P rioritariam en
te, esses produtos eram e n v ia d o s p a r a P o r t u g a l (L isb oa, Porto e
V iana) e p ara as p o s s e s s õ e s p ortu gu esas na Á fr ic a (M oçambique, An
g o la e G u i n é ) ; em m e n o r e s c a l a , p a r a o R io Grande do S u l e para
o s porc o s do P r a t a (21) .
A B ah ia, por outro la d o , im portava p rod u tos a lim en t!
c-o.-, ui 0 ‫־‬n s l T i G c d o m éstico s, tecid os e m anufaturados v i ‫־‬p■‫־‬:^ ■'.c! ‫^ז‬.‫׳‬
^opa e o s r e d i s t r i b u í a para outras regiões da C o l ô n i a '.-'/.‫ ׳‬a o Rx‫׳‬j
Grande do S u l , segu iam de S alvad or p a r te desses proc'!■.• e escra
vos a frica n o s. Em c o n t r a p a r t i d a , essa região e x p o r ‫ ;־‬j v a p a r a a Ba
h ia carnes sa lg a d a s, sebo, q u eijo s e fa rin h a d e t ‫^>־‬i‫׳‬j 0 . Na ú l t i m a
■Ja d o s ê c u l o X V III, o R io Grande do Sul e'^'porcou 3 0 0 m i l axrc
bas de charqvie por »r.o, p ara a B ahia e , em 1 8 0 0 , o porto ‫׳‬: - S 5 : v o
d o r rc c e b e u m a i s n a v ; 0 3 p r o c e d e n t e s d e s s a r e g : ão do que de ‫־־‬
i-■ a (.'.‫ ו י ־‬.

'•«c 0 ‫ ג זי‬d e 1 8 0 1 , a:. P x p o r t a ç õ c 3 b a : -r ‫־‬-=: r.'-’ : ! g i r a m o


*'‘0 ‫׳‬ ‫־ייי‬1. 1 ‫ ו ־ל‬a:- i , ; . b r ? s e s l - ‫י י ע‬ ‫ ־‬contad ‫^יזז‬.‫י‬ í*‫־‬
o !,-‫;י‬, t o ãc. ^ *on. ‫ ) ר ; י= ־־‬. o número de n a v x u ¿ q u e aqux .:.itr a r a m ,
-807, ,o i de 360, e saírMm 2 5 3 , elevan do-se o v a l o r d a li L^-orta
Ç o c e r c a de c ito c e i.r .a s e cinq u en ta m il lib ra s esterlin a s e o
G‫״‬. , _ o r t a ç ã o q u a s f , q u e a um m i l h ã o d e e s t e r l i n o s ( 2 4 ) .
^ E s s e qj;-idro a m p l i ; ‫־‬u - s e s e n r - i v e l m e n t e com a ^Vijertura d o s
(1808) , istim u lacía p e lo in tere sse dos p a is a s que s e indu^
“ i*.c,vam a Ina , ’^ p r i n c i p a l m e n t e — em a m p l i a r seus
- ■ao;.. o por. ' o.e , v u l v a d o r , co:ro o u t r o s portos do B r a s i l , pas
‘ ‫'■־‬-■íir.raçoG‫ ״‬dt- IJanibi.’--a‫׳‬:', B r e u . e n , A m sterdã, G r ã -P '‫ ־־‬:
24

tanha, Espanha, -B é lg ic a , França, E stados U nidos, A frica , além do


c o m é r c i o com P o r t u g a l e com a s p r o v í n c i a s de S e r g i p e , A la g o a s,P er
nambuco. R io de J a n e i r o , R i o G r a n d e do S u l e com a s dem ais cid a
d c s da B a h i a .
C a lcu la -se que, nos anos de 1817 a 1 8 2 0 , o n ú m c .o de na
V ■3‫ ל‬d e l o n g o c u r s o q u e a n u a l m e n t e entrarais! e z a r p a r a m do porto
foi de m a is d e d o i s m il(2 5 ). 0 com ércio i n t e r p r o v i n c i a l q u e a Ba
h ie m anteve a t r a v é s do p o r t o , em 1 8 4 1 / 4 2 , foi rea liza d o por 55 em
barcações. E s t e nújTierò c r e s c e u p a r a 1 1 1 , em 1 8 4 6 . Essas embarca
çõe; transportavam para o u tra s p ro v ín cia s generos estra n g eiro s, a
lém de o u t r a s de ca b o ta g em que tr a n sp o r ta v a m p r o d u t o s n a cio n a is.
Ko a n o f i n a n c e i r o de 1 8 4 7/48, 4 8 0 ei T ib ar ca çõ e s e n t r a r a m n o porto
de S a l v a d o r , s e n d o q u e 84 v i e r a m do R i o G r a n d e do S u l , trazendo,
além de o u t r a s m ercad orias, 666.480 arrobas de c a rn e d e charq ue (2Q.
Nas e s t i m a t i v a s de S o u th e y , diariam ^ente fr e q u e n ta v a m a b a ía d e To
cos os Santos o ito cen ta s em barcações, en tre n avios co steir o s. Ira¡
chas e b a r c o s ( 2 7 ) .
à m edida que s e in ter> sificavam as r e l a ç õ e s com .erciais,
houve m aior i n t e r e s s e por p arte da com unidade m e r c a n t i l em cons
tru ir ‫ ג‬:,oh‫׳‬-:‫ב‬ ^:r1aa7‫^=־‬:.G C idadej u n t o aop
g r a n ‫־•׳‬,.-■ i : . ‫־‬.-t.a.l‫_׳‬LÇ0t:s, a e x em p lo do t r a p i c h e E a r n a b é , que arm azena
v^.r • ■ r r c a d o r i a s im portadas o u a s e r e m e x p o r t a d a s ( 2 8) . E sses tra
p .j^ e s, que se faziam n e c e s s á r io s â co n tin u id a d e das transações
co m ercia is, encontravam -se, na m a io r ia , abarrotados de produtos
os m ais v a r i a d o s . 0 p''‫׳‬r t r . . a cada d i a , e r a m ais m ovim entado e o s
tra p ich es, ni-'iis p r o c v - r R ‫>~׳^׳‬s.

E n ‫ ״‬. c 1-.:.r>+‫־‬o , -‫ ד‬::e-^unda mei-c.¿‫׳‬.■ ã c s é c u l o p a c 1::-‫־‬d o f i c o u ca


^ — ‫ י ׳ ~ ה‬.^ pc ri oc .■ ‫^י־‬e c o . ‫נ‬:!!!‫־‬
sna. 3 a n á lise a p r o fu n d a d a doo fatox^z ^^ss^nc^idearam a c r i s e
u ltra p a sso os lim ites deste e s ‫׳‬: u d o . T odavia, ct c o i ‫־‬. a a c ã o d e a_l
guns d a d o s t o r n .‫ ־ ״‬s e in d isp en sá v el, uma v e z qu.^ a r e f e r i d a situ a
Çao r.ao d o i x a r i a d e i . ‫׳‬i f . 1 u i r n o e q u i l í b r i o d: 1s a tiv id a d es coraerc¿
OI¿, fon te f u n d a m e n t a l d o m o v i m e n t o p o r t ‫־‬.!'¿rio.
A co n trib u içã o da r e g i ã o N o r J 3 s t e no v a l o r total das ex
portações b r a s ile ir a s caiu d rasticam en te, d 1:r ‫■■• ־‬Lo 0 ; ■‫^׳‬ur.õa mota
do d o s é c u j .:■‫ י‬XIX — d e aj:>rox1 ;Tiada1r.e:.te 60' . 1 / 2 3 ‫׳‬.;.■.‫ ׳‬p a r a en!
^ ^ 0 5 . (2 9 ) 7 1 / 7 3 ‫׳‬ t . r a d i c i o n a i r , l:.7. J.-ahir:, coi•■••■ o r-.
jTio e o a l g c c ã o f d eclin aram no v a l o r d as e x p o r t a ç õ e s . No q u e se
refere ao a ç ú c a r , a P ro v ín cia defrontou-se com d o i s concorrentes:
o a çú ca r de b e t e r r a b a , que c o n q u is to u os tra d icio n a is m ercados im
p ortadores, e a e m e r g ê n c ia de Cuba, que o f e r e c i a aos p a ís e s euro
p e us o p r o d u t o p o r p r e ç o m a i s b a i x o e de m e lh o r q u a l i d a d e . Em
1860, o a çú ca r de b e te r r a b a su p ria 25% do c o n s u m o m u n d i a l , em 1822
a t i n g i u ■50%, c h e g a n d o a 75% em 1 8 0 0 ( 3 0 .
T e n t a r s u p e r a r a d e p e n d ê n c i a e x t e r n a bem como desenvol
v e r lama c u l t u r a d iv ersifica d a , que p u d esse s u b s t i t u i r o açúcar e
a lc a n ç a r o mercado e x t e r n o , seriam a ltern a tiv a s capazes de resol
ver a c r i s e . No e n t a n t o , a c o n d iç ã o de p a í s p eriférico , com b a s e
na m o n o c u l t u r a , b lo q u ea v a as p o s s i b i lid a d e d e uma s o l u ç ã o .
O a ç ú c a r p e r d e u a p r i m a z i a na p a u ta d as exportações bra
Ei l e i r a s para o c a fé , p rod u zid o na r e g i ã o Sudeste. Se e n t r e 1821
e 18 30 o s p rin cip a is produtos exp ortáveis do N o r d e s t e representa
v a i 5 2, 2% ‫ ״‬d a s exportações n a cio n a is, a p a r t i r do d e c ê n i o 1830-
1840 e s s e p e rce n tu a l reg r ed iu para 35%, e n q u a n t o o c a f é do Sudes
te passou para 43,8% (31). 0 au m en to do consumo m u n d ia l e a dim i
n u i ç ã o da t a x a de c â m b io d e c o r r e n t e do aumento d a s e x p o r t a ç õ e s de
c a f é b e n e f i c i a r a T ’: e p o r m i t i r ‫ ״^•׳‬o c r e s c i m e n t o d a p r o d u ç ã o ca feei-
ra. ‫־‬: ■‫־‬ __rj d; ‫׳‬:.‫״׳נ!״‬.- d e 4 m iliiò e s de s a c a s entre 1874-1878,
pa} r : 5 m ilh ões entre 1878-188 2 ( 3 2 ) .
Por o u tro la d o , a in su ficiê n c ia d e mão d e o b r a , na re
C Í ..0 do c a f é , p r o v o c o u o d e s lo c a m e n t o de p a r t e dos e s c r a v o s das
,ad en tes reg iõ es do N o r d e s t e . Tendo s i d o uma d a s m a i s im p ortan
tes p ro v ín cia s p r o d u to r a s de açúcar, a Jbahia s e transform ou na
m a i s e x p r o s s J , •>a r e s e r v a de n a o -d e -o b r a para as p la n t a ç õ e s de c a f é .
Entrr 1 8 5 3 - 1 . 7£. 0 ^ ah ia e x p o r t o u p a r a o S u d e s t e um t o t a l de
?3.208 es c r ^ . v ^ -; ‫ ־ ג‬/ -
Oc- ‫^ ״‬ndiam na va
cie 1:. .■antar r e c u r s c s e resoxvcr ¡,‫י‬ : fiu rm ceiro s. E sta
erõ uma a t i t u d e p a lia tiv a , in cap az d e a p r e s e ‫' ״‬-ar-b-=. como solu çã o
efica z para a abalada econom iv n o r d e s t i n a e ba j,; 1n a . v o lta de
1880, o tr.':fic o i n t e r p r o v i ;ic x a l j á não a t e n ã la aos in tere sses dos
f a 7 ‫ ״‬/.dexros p a u lista s, q u e t r a t a r a m d e in', . * n s i f i c a r a Im igração
estra n ceira . No a n o d e 1890, e n c o n t r a v a : a - s e n o B;‫־‬a s i l 3 5 1 . 34 5 ^
íTáqrantes. São P a u lo , Minas G e r a i s e o D i s t r ‫>־‬í31-‫ז ^־‬:‫י‬-‫'י‬:;1/.‫י‬ concen
t r ‫־׳‬jvam 70''- d e s s a p opulaçao, q 1:í: a 1? e n i z L ‫׳‬u p :: ■tí-;^cia ‫־־‬1.- ‫ נ‬.‫ ־‬e- ob: ^,
p lan taçc de c a f c e co n trib u iu ‫■■ז‬Tra c d , . . ¿ e n v o l v i m e n ‫־‬LC s ci
r .‫ נ‬i u e r c a d o i n t e r n o c. r:st;;'.pr:l^r.üo f u n c " ‫־‬-. uri
I! (34) .
R eflex o s da s i t u a ç ã o d e c a d e n t e da econom.ia b a i a n a , ne_s
te p eríodo, tamb ém s e r e v e l a m na q u a n t i d a d e d e p r o d u t o s exporta
dos e im p o r t a d o s através do p o r t o d e S a l v a d o r . As t a b e l a s a se
g u ir perm item com parar-se a t o n e l a g e m de m e r c a d o r i a s que e n t r a r a m
e saíram dos p o r t o s de S a lv a d o r e R io de J a n e i r o , na seg u n d a m eta
de do s é c u l o XIX.
V erifica -se, nessas ta b ela s, a s u p e r i o r i d a d e do R io de
Jan eiro no que d i z resp eito à n avegação de lo n g o cu rso e de cabo
tagera, no d e c o r r e r de todo o p e r ío d o . De 1 8 7 6 a 1807, a navega
ção de c a b o ta g e m e , p rin cip a lm en te, a de lo n g o c u r s o d a s duas p ro
v ín cia s se ca ra cteriza m p o r um s i g n i f i c a t i v o aumento na e n t r a d a e
sa íd a de m e r c a d o r ia s . Mas, o R i o da' J a n e i r o u ltra p a ssa enormemen
te a B ah ia, su prem acia esta que s e ju stifica p ela e x p a n s ã o da p ro
dução c a f e e i r a .
0 que s e p r e t e n d e m o s t r a r é q u e nem a c r i s e da e c o n o m ia
n ord estin a e b a ia n a nem a m e n o r q u a n t i d a d e d e p r o d u t o s im portados
e exportados p elo p orto d e S a l v a d o r em r e l a ç ã o ao do R io d e J a n e i
ro foram f a t o r e s su ficien tes para an u lar sua im p ortân cia comer
cia i. A praça de S alvad or e sta v a em c o n e x ã o com o m e r c a d o in ter
n a cio n a l, a l é m d:- «^e:‫ ׳‬o c c n t ‫ ד ־‬d e d i s t r i l ) u i ç ã o de m e r c a d o r ia s pa
r a ao la¿ aa i r o v í n c i a e para p o r to s do I m p é r i o —
R io r ‫־׳‬. J a n e i r o , P e r n a i n b u c o , R i o Gr and e, do S u l , S ergipe, P araíb a.
/'.‫ •׳‬. j ' j e l e c e r a m - s e na p r a ç a b a ia n a , ao l a d o de b r a s i l e i r o s e portu
OOdises, co m ercia n tes de v á r ia s n a cio n a lid a d es ‫—־‬ in g leses, a le
:âCiZZ, fran ceses, su íço s, ita lia n o s, esp an hóis, n orte-am erican os —
que doii.ina vam o c o m é r c i o lo ca l. M uitos fizeram arandf^c: f c r t u n a ^ ^ ,
resu lta n tes d..■" a t i v i d a d e s v in cu la d a s à im p o rta çã o /ex p o rta çã o .
P a r t t<‫ ^־‬o n o o r a c co^‫ו‬ê r c i o p ro v in cia l, h avia sid o fundada
r- C o m p a n h i a }:‫׳‬ i 1 7 *8 ‫!״‬ ; ‫ )י‬, q u e esIrz-TiJJa o s e u r a i o d e ‫ ^־‬ç ã o a t ' o
^ c-r Vr.lv,‫ ״‬-¿’ ÍTv>r i i . ; va Jo r i c o ■‫• •ל‬.‫ _״‬L c l a n t c ‫ ״‬n-cunio
d r o s ‫ ׳‬.' f.e A l b u q u e r q v > e , n a t u r a l R io Sul e e sta b e le c id o
em S a l v a p ‫׳‬: r , foi f u n d a d a a C o m p a n h i a S a n t a Cru;¿ (1CI2) , p a r a pro
m ov er a n a v e g a ç ã o co steira de M aceió, ao N o i t e , r;té C a r a v e l a s , ao
Sul d' B ahia- Em 1 8 6 , ‫ ל‬, e:sas com panhias f o / i m in corporadas sob a
c ;‫"ג‬--‫•יי‬:;i ricição d e C o m p a n h i a B a i a n a d e N a v e g a . j a o a V a p o r .
Com a o r g a n i z a ç ã o d e s s a C om panhia, três roteiro s passa
ram a s e r exp lorad os: Linha N c r t e , que t o c a v a .j v Penedo e
MacG-iu; LiTiha S u l , in clu in d o Cama.‫! !!׳‬. Ilhc;;-■., r j : ‫’־‬. a v x c i r a ¿ , Po.•,
-eguro, S. ‫ ^ ( י=׳‬o l ô n i a L e o p o l d i n a ; t-. .‫ ך‬L.'. ‫״‬.ha ‫;לד‬te■‫יי־־‬a, cu■:■ a\
ca1),‫־‬a v a o KecC/iH‫ ״‬aV 0 i n d o a t e C a r a v c '‫ ׳‬a s , r ‫׳‬,‫׳‬.’l i z . ~ ; 1a o v á r i o r itii)• '
TABELA
LVEGAÇÃO de longo c u r s o - BAHIA/RIO DE JANEIRO
153/58, 1 8 6 2 / 6 8 , 1 8 7 7 / 7 9 , 1 8 8 5 / 8 7 , 1888
(6!‫ ת‬t o n e l a d a s )
ENTRADA SA DA T01;.L
cerc Tc i o s
BAH IA R.JANEIRO BAHIA K.JANEIRO BAHIA R.JANEIRO
1853/54 82.479 409.387 109, 009 336.888 191.488 745.275
1854/55 72.113 455.016 114. 026 454.553 185.139 909.569
1855/55 77.696 492.153 87. 819 469.785 165.515 961.938
1856/57 95.193 515.994 103. 077 489.698 198.270 1.005.692
1857/58 103.077 513.103 106. 052 508.588 209,129 1.021.69,1
1862/63 183.185 369.323 208. 747 441.167 390.932 810.490
1863/64 182.784 332.531 189. 408 392.080 372.192 724.611
1864/65 198.717 511.291 195. 463 578.380 394.180 1.0B9.671
1865/66 233.224 458.786 238. 897 561.743 472,121 1.020.529
1866/67 223.026 522.407 262.,939■ 689.020 385.965 1.211.427
1867/68 212.910 535.645 185.,232 596.653 398,142 1.132.30a
1876/77 575.549 1.123.581 548. 011 1.011.165 1.123.5G0 2.134.746
1877/78 502.823 1.128.406 452.,514 993.559 955.337 2.121.965
1878/79 539.186 1.134.607 500.,262 ■ 953.850 1.039,448 2.088.457
1885/86 560.806 2.287.119 452.,498 1.213092 1.013.304 2.500,211
1836/87 769.104 1.900.242 604..502 1.635.708 1.373.606 3.535.950
1888 258.005 729.751 198.,553 456.558 729.751
_L
lONTE : - A I n s e r ç ã o da B a h i a na E v o l u ç a o N a c i o n a l . l a . e t a p a ; 1 8 3 0 -
1 8 8 9 A n e x o E s t a t í s t i c o , ‫י‬.'. 4 p . 2 0 5 - 6 .

TABELA II
lAVEG. ‫ ׳‬DE CABOTAGEM - BAHIA/RIO DE JANEIRO
[8 1 8 7 6 / 7 9 , 1885/88
(em t o n e l a d a s )
ENTRADA SA][DA TOTAL
X’: i J í C10 s
BAHIA R.JANEIRO BAHIA R. JANEIRO BAHIA 1R.JANEIRO
1850/51 67.392 ?‫ו‬ ,"^ 39 RR 1‫־״ ־‬:■_..‫־־‬
103.576 130.731 1a 1.04! 1
1Ô5 1/52 S4.727 92.58'! 77.599 93 RR3 172.3¿ü 186.267
1852/53 116.>:G8 97.844 ‫י‬ 89.227 100.741 207.095 198.585
1853/54 122.0 :‫וי‬ 72.696 126.732 157.677 248.823
1854/55 74.1.00 i 9.76? ‫;י‬ 52.635 145.G49 126.635 275.416
1^55/56 ‫ י ״‬, ‫ י־‬O^ 137.541 o.co oqr
¡ ‫ י׳‬24.754 1^0.092
57.r:A I 0^34.3 ‫ל‬ 53.177 1s5.:>7f= 11 c -•‫לי‬ 280.366
' á / h 3‫׳‬ 1 143.^2; II ‫ ו גזי׳‬a ‫ ס‬1 1 9G.crC ?‫ ים‬654
185b/::,í 146.129 508.030 1rj.3íü '11 4:R4:•: I1 286.440 973.541
o ‫י־׳‬ ■ '
1859/60 105.221 505.034 ,y.2.553 ! 227.774 1.028.195
1860/61 85.750 126,849 42 907 127.892 ‫ ? ז‬8.657 254.741
1861/62 99.968 101,146 63.211 116,081 1b3.1/y 218.227
1862/63 100.26r; 188,384 59.915 270.07P 160.181 458.463
1863/64. 74.918 ‫ י‬55.200 57.019 105 :‫׳‬:.4 181.937 260.472
1864,/r/3 89.952 160.682 50.359 1p;-.064 140." 11 345,740
18G5/66 81.463 155.036 48.967 ‫ י‬35.583 130.430 290,619
1876/77 258.991 365.718 270.555 408.719 529.552 774,437
1877/78 257.100 386,32(■ 290.974 425.439 '.:<4:: 074 811.749
187¿:/79 258.048 451,740 ?80,764 i 425.80P i 535 ?:12 877,609
1885/86 355.433 362,409 JÍJ3.507 748.940 701,585
1B8G,/87 58V.-:0‫״‬ 527,184 708.037 I sJ4’ .OO 1 1,295,217 ‫ו‬ :^59 815
1887/88 2 1 ‫־‬: ;:•li i 7,75-8 191.9!: 1 ‫־־‬ 11 ■;iü.440 7.798
1 !
•OrjTi.;: - SKI^LANTIT /. . 1 n .s e ‫ ־‬ç a o da lia 11 i a n-•’ ; ‫■ג‬o 11r a o n a c i o n a 1 c- t ;í p .1
18 5U / . A n u Xo i: s t a t ‫ • נ‬t i Co , V . 4 . P‫־‬ 20 5 / )‫י‬
27

rários ‫—־‬ C ach oeira, M aragogipe, Nazaré, V alen ça. C a r a v e l a s (35) .


Todas as embarcaçõc gue cobriam e s s a s lin h a s, tocavam
o porto de S a lv a d o r , transportando fumo, algo d ã o , drogas d iv e r s a s ,
lou ça comum d e J a g u a r i ' > e , aguardente, ó leo de b a l e i a , fa rin h a de
rilh o , açúcar, len h a, legu m es, borracha, café, p eles, co q u ilh o s,
p iaçava e c h i f r e s .
Os c e n t r o s com erciais s u b - r e g i o n a i s , como C a c h o e i r a , Na
zaré, S a n t o Amaro, concentravam a produção a g r íc o la do Recôncavo
e do S e r t ã o , que era en viad a para a C a p ita l e dal reexportada pa
ra a Europa e d em a is p r o v í n c i a s do I m p é r io . O rdenava-se d esta
forma o e s c o a m e n t o da p r o d u ç ã o i n t e r i o r a n a , reforçando cada vez
mais a s u a d e p e n d e n c i a em r e l a ç ã o ao p o r t o de S a l v a d o r ( 3 6 ) .
O com ércio in te r n a c io n a l era r e a liza d o por n a v io s per
tencontes âs com panhias de n a vegação estra n g eira s, que possuíam !
em S a l v a d o r agentes e rep resentan tes. Entre e l e s , destacavam -se:
George K iih n e r t, agente dos v a p ores da M e s s a f e r i e s M a r i t i m e s ,
Cohramm S t a d e e C i a . , agentes dos vap ores a l e m ã e s d e Ha m b u rg o e
A ustro-H úngaro; P.P. Geo H. Du. ãer , Frank D e n n i s , agentes dos vapo
r e s da Mala R e a l ; Fr?" 2 Archnoc: - a g e n t e dor v a p o r e s alem ães de
Brem. •‫ ־‬r’ r J '•‫״־‬- ‫״‬. , >’j s vaporcj franceses de M a r s e i l l e ; e
R. agente de vap ores a m e r i c a n o s (37) . Também, com ercian tes
r-o'-.-duos em S a l v a d o r , p r i n c i p a l m e n t e p o r t u g u e s e s ou n a t u r a l i z a d o s
b /:r .s ile ir o s , p ossu íam em barcações que s e r v ia ! ao c o m é r c i o i n t e r n a
rxon al; J o a q u im P e r e i r a Marinho e Joaquim P e r e i r a P e s t a n a , por e
xer.plo, erar p ro p rietá rio s de .:a v icc que rcc::pcrtavam p r c d u t c c cu
r o p e u s p.j‫־‬r a %A rr:ca, de lã tr a ^ e n á o v a r i a d a s m e r c a d o r ia s (38) .
0 Vj, ‫־־‬c• b a i a n o receb ia do e s t r a n g e i r o m a t e r i a l p a r a a
ircdernizaçco ■
‫״'׳‬c. ‫־‬: ‫׳‬j - . ‫■־‬hos, coiil :.rncão d e e s t r a d a s de f e r r o , mãqu_i
s* ‫ ״‬p ‫־‬í r a m on ta çj en ãt. f ã b r 1 ‫ < ^ '׳‬u . c f e r r a g e n s , c a r v ã o 5 ‫־‬c - ‫ י‬-■ir^ . e tc ..
1.auJ_)ò1u j ^ r c c u t o s a l i i ■ ocr^n j r o t i i i l i a d e cr:.g o , ;jaca
Ihau, ci^'eite, p eix e¿ em c o n s e r v c ‫ י‬. m a n t e i g a , >_c1acMnha am ericana
G b isco ito s fofos d e Hamb urg o ‫ ב׳‬d a F r a n ç a , e a i n d a ■.utrcr: produ
LOS, como p e r f - a r i e s , esp elh o s, i n s t r u m e n t o s r.i’i i c a i s , ob jetos de
ouro e p r a t a , lequer-, chapéus, m óveis, etc , os q u ais e r 3m consu
‫זנ‬1‫ נ‬,JOS p r i n c i p a l m c ^ i t e p e l a elit.:' b a ia n a .

EiA t e r n : o s m a t e r i a i s e c u l ^ 1r ‫־‬i J - í•:.‫־‬.«.i v a . . o r s e e u r c i0iz£


I : ¿ ; t a b e l _ ^ . 1 in‫ ־‬.,.t._'S e . ' : i s t i a m ondcí n.' vor:•.■: ■ .,■I? Ii.xo,
28

de p r e f e r ê n c i a im p ortados da I n g l a t e r r a e F r a n ç a . De urna forma


geral, a classe d o m in a n t e da s o c i e d a d e b a i a n a , a p a rtir de 1850,
procurava o m ais p o s s í v e l im ita r h á b ito s e costum es do europeu,
abandonando a o s p o u c o s o s p a d rõ es de com portam ento a d q u ir id o s nos
sécu los de c o l o n i z a ç ã o . C idade i n t e r m e d i a r i a entre os in tere sses
dc‫׳‬s g r u p o s c a p i t a l i s t a s externos e da c o m u n i d a d e p r o d u t o r a e m er
ca n til lo c a l, S alvad or, através do s e u p o r t o , conservou s ig n if ic a
tiv a im p ortan cia reg io n a l. Fosse para p r e s ta r socorros, com ercia
lizar ou c o n t r a b a n d e a r , a im portancia g e o g r á fic a e e s t r a t é g i c a ‫ ׳‬do
porto fe z de S a lv a d o r c i d a d e - c o m e r c i a l e o f e r e c e u o p o r t u n id a d e s lu
crativas a co m ercia n tes estra n g eiro s e b ra sile iro s. T od avia, fa_l
tava-lh e in fra-estru tu ra c a p a z de m anter o m o vim en to p o rtu ario
sem t r a n s t o r n a r a v i d a da c id a d e . C a r e n te de am pio m ercado aba_s
tecedor, de c o n d iç õ e s sa n ita ria s e de a s s i s t ê n c i a m édica p ara o a
tendim ento das n ecessid a d es lo c a is, a cidad e r e s s e n t i a - s e ain d a
m a i s da p r e s e n ç a de in ú m ero s n a v io s no p o r t o , que norm alm ente d^
moravam-se a l i m u itos d ia s e mesmo m e s e s . 0 caso d a Nau N o s s a Se
nhora aa C a r i d a d e , acim a r e f e r i d o , é b astan te ilu stra tiv o . Proce
d e n t e ‫>־׳‬ Goa e n e c e s s i t a d a de r e p a r o s , p erm an eceu no p o r t o 106
ou s r j ‫ ״‬, q u a se q u a t r o m eses. N estes casos, a tri >
p assageiros o b rig a to ria m en te d eslocavam -se para a cida.-c , conge^
tionando a r e g i ã o p eriférica do p o r t o , a o mesmo t e ’‫־‬.■;.■ ■ c-m q u e a c a r
ratavam s é r i o s transtornos p a r a a com unidade lo c a l.
P roblem as graves viv id o s p e la população r'.e S alvad or,
- 0 :0 ‫ ? רח‬e s c a s e e : ’: d e g ê n e r o s a l i m c n t i c : js e J e moeda m e t á l i c a ,
a p ro lifera çã o de m o l é s t i a s co n tagiosas, o a - : m e n t o d a mend ‫י‬.‫!־־‬â n : . ' a ,
c>a \rar i a g e m e d o r o u b o t o r n a v a m - s e a g u d o s com ‫־‬% a f l u ê n c i a d e : !¿a
po,‫ר‬uxc:■ flu tu a n te.
SaDe• c e n u e ‫י‬:3‫ל‬.?‫ י‬d a r r i a i s p r o f u n d a s mart — ‫־׳‬::‫י‬ econom ia
?ax: 0 '^xp;-.‫ ־‬cc- 10‫״‬r a é a ;•-scabt)«¿ c‫־־׳‬. a i i m e n L o t . . u rgan iza
da p a r a ab astectix ‫־׳‬: a d e s lo n g íq u o s, o s u p r i m e n t o d o s ct.r.+‫־‬r o s ur
banos ficava n a d e p e n d ê n c i a d e um m e r c a d o l i m i t a d o e in stá v e l. As
cidades eram a b a s t e r J d a s p e l o s e x c e d e n t e s da p r o d u ç ã o de su b si¿
c ê n c i a d a s p r o p r i e . - 1‫״׳‬d e s ru rais. P. m o n o c u l t u r a d a c a n a , sobretudo
qur.ndo a c o m p a n h a d a d o v a l o r i z a ç ã o dos p reço s no m ercado externo,'
estran gu lava a produção lo c a l de g ê n e r o s , ocasion an d o a escassoz
d- a l: m entos ú e 3 t i n . ' f ^ - - . ‫ >־‬a ‫ר‬j f.‫׳‬j n t r f 1c u r b a n o s .
balvc >r i . Z- j fugia 5 reqxr das c¿^‫־‬r.:;ls cidades brasilej^
da cp 0 -:a. ALrovlacia ã¿ c:.çjr:^n‫׳‬:.9 ‫־׳‬.ns do c^i stema T0-.1rcanti list t c
2D

¿ colon ização p ortu gu esa, tin h a a sua econom ia v o l t a d a p a r a fora.


S itu ação essa su ficie n te para comprom eter o a b a s t e c i m e n t o lo c a l.
No e n t a n t o , o problem a s e a v o l u m a v a n a m e d i d a em q u e a u m e n t a v a a
a f l u ê n c i a de n a v io s ao p o r t o .
Frotas co m ercia is portuguesas e e str a n g e ir a s (em menor
qu a;.tid ad e) aqui chegavam e zapavam c a r r e g a d a s de m antim entos pa
ra a m a n u te n ç ã o d a s trip u la çõ es, o que s i g n i f i c a v a ex p ressiv o des
falq u e nas reservas jã p recá ria s dos gêneros a lim en tício s lo ca is.
] s, é p reciso co n sid era r a i n d a q u e o c o n t i n g e n t e h u ma no vin d o
ner£.:;:s n a v i o s t am bé m s e d e s lo c a v a para a c id a d e , consum indo produ
tos a lim en tício s que deveriam s e r d estin ad os à população lo c a l.
N avios da C a r r e i r a da í n d i a aproejavam p ara S a lv a d o r , a
fim de co m p lem e n ta r a sua t r ip u la ç ã o , o p o r t u n i d a d e em q u e e r a m r e
crutados os m arin h eiros da p r ó p r i a ca p ita n ia . T ratava-se em ge
ral da t r i p u l a ç ã o das sum acas que navegavam p e l o s rio s do in ter¿
cr, tr a n s p o r ta n te m ercad orias e cerea is que g a r a n tia m a s u b s i s t e n
cia d iá ria da c i d a d e . Embora o s m arin h eiros e m p r e g a d o s em suma
cas que t r a n s p o r t a v a m a ç ú c a r e t a b a c o não f o s s e m r e c r u t a d o s - uma
fo r m a d e g a r a n t i r a exportação de p rod u tor a l t . ^ m e n t e co:,: 3 r c i á v e i s
para a M e tr ó p o le - p r o p r i e ‫ _ י'־׳‬oc-frc-•-■ .-reações procu
ra vam e v i t a r a p r o x i m a ç ã o d e fr,: .‫־‬a d o r , em é p o c a d e r e c r u t a m e n t o , o
que n a t u r a l m e n t e agravava .-•‫׳‬. í c a m a i s a q u e s t ã o ligad a ao ab aste
cim ento(39).
C o m p r e e n d e - s e .'” ■e <‫ ץ־‬m o v i m e n t o do p o r t o tenha in flu íd o
u ii . c L c ‫ ״‬utí11c e n a s c'*i.f.i r‫־‬uinad<=»== d e a b a s t e c i m e n t o e n f r e n t a d a s p e l a po
p u lação de S a lv a d o r . Mas, os i n c e r .v e i .'.entes a d v i n d o r da movimen
t a ç ã o d o p o r t o n ã o p a r avam a í . A l é m ü'. .‫*' ־‬/--•-‫ ־י‬a 1 l‫ר‬s u f i c i ê n c i a de
alim en tos, c o n t r i b u i u ¡ . ‫־‬i r a au m .e n ta r a, ! ‫ ״‬c i d c - n a . ‫״־‬: d e Aiioleb c.~- e
faze ‫״ ־‬r e l e e r a m.enr?‫־‬: c ? : - . : ‫־ י‬-<. d a ‫ ^׳‬a r r e i
ra a q u i a p o r t a r a m v.-or m o t i v o b .1. g a d o s a doen t e s e enterm rc ? I:, ' ‫־‬
E sses enferm os, p ortadores de m o lé s t ia s q u a se sempre de c a r á
ter .-r-:dêm ico, eram a t e n d i d o s em S a l v a d o r . A cura e a recupera
çao dos m ales de que e s s e c o n t d n g e n i : e c1 ‫׳‬a p o r t a d o r d e p e n d i a d e me
d icação esp ecífica , a lim .en taç~o adequada e s a d i a . A cidad e não
t 1 r:!1a m e i o s de f u p r i r essas n ecessid a d es. Casas de sa ú d e , como a
S ‫׳‬r . r a C asa de M i s e r i c ó r d i a e o H osp ital M ilita r , n ã o d i s p u n h a m c'e
fx-ico e recursos m a teria is p a r a c : t e n d e r a o g.'-and'^ númcr■;
'¡e e n f e r m o H . P o r i.'i b o , o tratam ento a acomodação d e s s e s o o ‫׳‬: ‫יז‬
- ’? ia m u itas vezes cuti casas pa:!‫^■־‬i c ‫׳‬. -’, c ^ r e s o que c o n t r j c u la
30

p .ra a p ro lifera çã o das en ferm id a d es. A l é m do m a i s , esses hõspa


ò in d esejá v eis oneravam os orçam entos d o m é stic o s. Passado a_l
gum t e m p o , e não ad vin d o a cu ra, lan çavam -se â m en d icân cia nas
ruas de S a l v a d o r . V ilh e n a in fo rm a que o c o n t in g e n t e de m en d igos
q j vagava p e la cidad e era c o n stitu íd o em g r a n d e p a r t e ‫ 'י‬d e maru
jos, que f ic a m doentes no h o s p i t a l , onde en co n tra n d o m u ito pouca
carid ade, saem a c o n v a l e s c e r na r u a , e como l h e s fa lta com que
tratar-se, vão p ed ir p elo s fiéis; e porque o o f í c i o é menos lab o
rio so e ig u a lm en te rendoso ao de m a r in h e i r o , de t a l forma o abra
çam q u e r a r o é o que torn a a largar tendo a sua o r d in á r i a assi_s
tên cia nas tabernas, o n d e morrem a m a i o r p a r t e deles..."(40).
As fileira s de m endigos e x i s t e n t e s na c id a d e , form adas
de e s c r a v o s , negros ou m u la to s, cegos, a leija d o s, velhos e estro
p iad os, colocad os no o l h o da ru a p o r m orte dos s e u s senhores ou
porque não m a is p ro d u zia m , eram a c r e s c i d a s p elos m arujos quando
reduzidos ã con d ição de‫ ׳‬p e d in t e s , o que c o n s t i t u í a g ra v e p roblem a
s o c ia l para a cidad e.
A escassez d e m o ed a m e t á l i c a e r a o u t r o fenôm eno agrava
do p e l o m o v i m e n t o p o r t u á r i o . Isto p o r q u e am a i o r p a r t e dos cap_i
tã es de n a v io s que tr a z ia m produtos d e lux^■ ds.- í n d i a s c da Euro
pa, para v e n d ê -lo s eir S a l v a d o r - ¿ ^‫ייז^;׳‬ ‫־־‬co emm o e d
m etálica. R e c u s a v a m - s e a re-';^‫־‬: . - r , em t r o c a , produtos da terra.
Por su a v e z , os com ercian^ • J cca is, na t e n t a t i v a de o b t e r lu cro s,
comp rav am p o r a l t o s p r e ç o s f.q u ela s m erc a d o r ia s, que s e r ia m consu
m i d a s p o r um g r u p o r e d u z j . c o , já que se t r a t a v a de p r o d u to s de lu
::o c c a r o s . Na I -n t^ tiv a d e evn t a r p r o v á v e i s p r e j u í z o s , auiíitiita
vam o p r e ç o dos precintos b á s i c o s , ¡roriíando ’’o c u s t o ca v id a in a
cessív el a o s m ais pob‫ ״‬e s " (4 1 ).
Mesmo n a s e o c ^ ‫^׳‬a m e t a d e a o n-.-.u.'■• o i^nviu!«‫ ״‬:• por
^ o n t i n u o u g e r a n d ‫^׳‬ ■nrob‘• ‫י־‬ c c r ’^ n i d a d e
'.‫ ׳‬c a l . j \ a t 1 a X‘i a L ' v : s o c a l c u x o ‫ ;־‬a u e , d i a r i a 1‫״‬t:.:'L.e, a p 0 j^‫־‬j i r ‫^׳־¡׳־‬o :'‫י;י‬
G u a n te d e S a l v a d o r , n aq u ele p e r io d o , e r a de 2 .2 0 0 m a r i n h e i r o s (42) .
Es.'C t r . t a l en glob a t a n t o o s m a r in h e ir o s que faziam o c c.u ércio in
te r n o da b a í a , com.o o s m a r u j o s d o s ’■■avios d e l o n c o . ; u l s o *— exce
dente s u f i c i e n t e para agravar o c o tid ia n o da c i d a d e , que não p 0£
scla condxções sa n itá ria s, h o sp ita la res e Ç ico nô m ica s a d e q u a d a s ao
a ‫״‬ndim entc^ d e s s a p opulação.
A freq u ên cia d e e m b a r c a ç õ a s !‫ סי‬p o r t o , d ecocrente d0s
va".tagrrs c ¿.oeccnôm■ c a s e d a a s s i s t ê n c i ‫ י־‬t é c n i c a d o s seus esta lei
j '3, !..‫יו‬ ur.ia c o n s t : ‫ ־‬n t c . In tegrou a r'.'ai r‫;־‬r. 0‫ כ‬c o m é r c i o i n t e r : ! 0 ‫ ״‬if2
-a], nac .^nal c r e q i o n a l . Por o u tr o ]•ido, gerou e aum entou i : ; ‫׳‬. ;,
31

rá v eis p roblem as de ordem e c o n ô m i c o - s o c i a l p ara S alvad or. E ntre


tanto, a a tiv id a d e c o m e r c ia l s e exp an d iu a t r a v é s do p o r t o e confe
r i u a S a l v a d o r c: c a r á t e r de c i d a d e e m in e n t e m e n t e m e r c a n t i l . Mante
n c d o i', até o in ic io do s é c u lo XIX, dos laços m o n op olistas entre o
B rasil e a M etrópole, e in teg ra d o , após a A bertu ra dos P o r t o s , ao
circu ito c a p ita lista in tern a cio n a l, perm aneceu o p o r to de S alva
d o r en! s e u e s t a d o n a t u r a l . Nenhuma m e l h o r i a sig n ific a tiv a foi
rea liza d a , para rem over os bancos de a r e ia , con torn ar os recifes
e as r o c h a s que d i f i c u l t a v a m a ancoravem, o u mesmo a t e n u a r o s p r o
blem as referentes à armazenagem de m e r c a d o r ia s .
Som ente n a s e g u n d a m etade do s é c u l o XIX, os com ercian
tes lo ca is m a n i f e s t a r a m - s e no s e n t i d o de m in im .izar a s d e f i c i e n t e s
con d ições físic a s do p o r t o , como v e r e m o s n o c a p í t u l o seg u in te.
32

REFERfNCIAS

1, LAPA^ J o s é R o b e r t o do A m a r a l . A B ahia e a C a r r e i r a da í n d i a .
Sao P a u l o , N a c i o n a l , 1 9 6 8 . p. 2.

2. ________ . M e m o r i a s o b r e a nau N o s s a S e n h o r a da C aridade


(Bahia 1755-1788). E s t u d o s h i s t õ r i c o n , 2: 3 1 , d e z . 1 9 6 3 .

3. I n f o r m a ç ã o c o l h i d a no p r o s p e c t o da C i d a d e do S a l v a d o r de L u i s
d os S a n t o s V i l h e n a . A B a h i a no s é c u l o X V I I I . v . 1 .

4. SILVA, Ma r i a B e a t r i z N i z z a da_. A p r i m e i r a ¡ g a z e t a da Bahia:


i d a d e d * o u r o do B r a s i l . s ã o P a u l o , C u l t r i x , 1 9 7 T ] ¡7 ‫דנ‬T 7

5. CÂMARA, A n t o n i o A l v e s . A B a h i a de T o d o s o s S a n t o s com r e l a -
ç a o a o s m e l h o r a m e n t o s do s e u p o r t o .2^T l Ri o áe J a n e i r o .
L eu zi ng e r, 1911. p. 4.

6. MATTOSO, K a t i a M. de Q u e i , I. ^ - 3 z j r ‘^ 0 ''. ao S a l v a d o r e
s e u m e r c a d o no s e c u l r Z clo Pctulô ‫״‬Hü J l T E C ; S a l v a d o r ,
S e c r e t a r i a M u n i c i p a l ô'. E d u c a ç ã o e C u l t u r a , 1 9 7 8 • p . 7 5 - 8 .

7. RIBEIRO J r . , J o s é . cc I r n i z a ç a o e m o n o p ó l i o no N o r d e s t e b r a -
s i l e i r o ; a C o m p a n h i a G e r a l de P e r n a m b u c o e P a r a í b a , 1 7 5 9 -
1780. Sao P a u l o , i . l u c i t e c , 1 9 7 5 . p. 1 4 4 .

8. LAPA, J o p o r . u u c r t o dc Arr.ãía'' ! Memoria s o b r e a nau N o s s a Se


nhora d a . . . op . c i t . p . ;‫ ?י‬. *‫י‬

9. I d e m. p. 40-41.

10 . j OXER, C. ? . '■'-.'u' •‫■ ך‬:■ o u r o do 2eu. Sao Paule.


ci o na 1 , 1.^ o * ' 7 ‫׳‬.

11. STOLS, Ed d y . A c o m p a n h i a J ‘.' O s t e n d e e : ‫ ב‬p o r t o s b r .‫י‬ i 1e i 1o ‫ ״‬.


E s t u d o s h i s t ó r i c o s , _5: 8 b , d e z . , 1 9 6 6 .

1 2 . I d e m . p . 85.

13. I d e m. p. 90.

j 4. GOULART, Mauricio. O problema da m a r i d e - o b r a . . . p. 185.


BOXER, C. R. A i dr.; o . . . . o ¡., cit. p. 24.
33

15 GOULART, Maurício. A escravídao a f r i c a n a no B r a s i l . 3ed.


são Taulo. Alfa-Omega, 1975. p. I ò 5 .
EOXER, C. R. A_i d a d e . . . op. cit. p. 175.

16. GOULART, Mauricio. A e s c r a vi d a o . . . op. cit. p. 265 .

] 7. CALMON, F r a n c i s c o M ar q u es d e G o e s . Vida econSn iico -financei


r a da B ah i a . S a l v a d o r , Fundaçao de P e s q u i s a s CPE, 19 7 8T
p. 49-50.

I S. A R A O j O, Ubiratan Castro. A Bahia econôm ica e s o c i a l . Salv_a


d o r , S e c r e t a r i a do P l a n e j a m e n t o , C i ê n c i a e T e c n o l o g i a ,
1978. p . 65 (A i n s e r ç ã o da B a h i a na e v o l u ç ã o n a c i o n a l , 1).

19. BOXER, C . R. A idade... op. cit. p. 17172‫־‬.

20. MATTOSO, K a t i a M. de Q u e i r S s . Bahia: a cidade do S a l v a d o r . . .


o p . c i t . p. 6 8 .

2 1. TAVARES, L u i z H e n r i q u e D i a s . H i s t o r i a da B a h i a . Salvador.
C e n t r o E d i t o r i a l e D i d a t i c o da U F B a . , 1 9 7 4 . p . 139.

2 2. MAXWELL, K e n n e t h . A D e v a s s a da D e v a s s a . Ri o de J a n e i r o ,
Paz e T e r r a , 1978. p. 2 4 1 .

23. MARIANI, C l e m e n t e . A n a l i s e do p r o b l e m a e c o n o m i c o baiano.


P la n e j am ento , J^(l): 56, s e t / o u t . , 1973.

2 4. SOUTHEY, R o b e r t . História do B r a s i l 4 cíj' . Sao v . 3.


p. 435.

25. CALMON, F r a n c i s c o Marquf::-; e Goes. Vi da e c o n ô m i c o - f i n a n c e i


ra... op. c i t . j C-37. . ~

26. F a l i a q u e r e c i t o u o P r e s i d e n t e da P r o v í n c i a da B a h i a na abe_r
t u r a da A s s e m b l é i a L e g i s l a t i v a . B a h i a , 1 8 4 9 . p. 4 1 .

27. GCUTHEY, Rol ‫ •־‬r t op. cit. p. 4 35.

28. A TARDE. T r a p i ‫׳‬. h e do s i c u l o M ” -. -‫ ;־‬t â q u a s e des/igurado. S 1


v a d o r , 27 j u n . 19 8 2 . p . 2 .

29 QUADROS, . ‫ ״‬r . s u c l ‫'־׳‬ S. de. ?o^.-r'^ca^ üo Re jj:i on a 1 i ■ 1!c


B r a s i l ; Bab■:?! L ‫>׳‬ y !” UFBa.

PI NTO, V i r g í l i o N o y a . Ba l a n e ‫ י׳‬d a s t r a n s f o r m a ç o e s e c r , n o m i c a s
no s i c u l o XI X. I n : MOTA, C a r l o s G u i l h e r m e ( o r p ) . B r a s i l
em P e r s p e c t i v a . 8ed. S a o P a u l o ¡ , D i f u s ã o E u r c ; ; é 1 a do
v r o , 19 7 7 . p . 1 3 2 .

31. 1'1'RUCCI; G a d i e l . A Re- ^ b l i c a d a s U s i n a s : um e s t u d o de H i s t o


ria Social e e c o n o m i c a rio Kord • s t c■,10 8 9 - 1 9 3 0 . R i o d e J _.1
n e 1 r o , Paz e Terra, 1 78 . p. ^: S .

3- . CAS r 0 ?‫ ז‬, Ana Cé 1 ‫ב‬a . As emp;e.s>• .‫ ״‬e :1 ‫ ד‬ra n p. e i r a s nc B •‫ ו י‬s1 8 ' ’‫י‬ ‫־‬
3 ‫נ‬. Ri o ‫׳‬.'■ J a n e i r o , Z a h a r , 19 7 9 . p. 3 9 .
34

33 PANG, E u l - S o o . Tecnologia e escravoc r a c ia . . . op. cit. p.


110 .
34. COSTA, E m i l i a V i o t t i da. Da Mon a r q u i a a !‫_י‬e p f 1b 1 i c a . 2ed.
Sao P a u l o , C i e n c i a s Hu ma n as , 1 9 7 9 . p . 1 9 5 .

35. MATTOSO, K a t i a M. de Q u e i r ó s . Bahia: a_c i d a d e do S a l v a d o r . . .


op. c i t . p. 7 2 - 7 4 .

36. I d e m. p. 112.

37. RELATÕRIO da J u n t a da A s s o c i a ç a o C om ercial da B a h i a , 1886.


p. 6 7 . A n e x o n9 1 0 .

38. MONTEIRO, T a n i a P e n i d o . P o r t u g u e s e s na B a h i a na s e g u n d a me
t a d e do s e c u l o XI X; i m i g r a ç a o e c o m e r c i o . D i s s e r c a ç a o d"ê
mestrado. S a l v a d o r , UFBa. , 1 9 8 2 . I I I e IV c a p í t u l o s .

39. LAPA, J o s i R o b e r t o do A m a r a l . A Bahia e a . . . op. cit. p.


187-227.

4G. VILHENA, L u í s d o s Santos. A B a h i a no século XVIII. Bahia,


Itapua, 1964. v 1. p. 1 3 3 .

41. ARAUJO, U b i r a t a n C a s t r o . A Bahi a e c o n o m i ca e s o c i a l . Salva


d o r . S e c r e t a r i a do P l a n e j a m e n t o , C i ê n c i a e T e c n o l o g i a , ~
197S. p. 65 (A Inp.-..ç:ao da Baht:■ na e v o l u ç ã o n a c i o n a l ,

42 *'*.TTOSO, K a t i a M. de Q u e i r ó s . Bahia: a cidade do S a l v a d o r . . .


op. c i t . p. 143.
CAPÍTULO II

MODERI^IZAÇSO EM PROJETO
1654-1891

DESCRIÇÃO DO PORTO

A área p o rtu á ria de S a lv a d o r , na s e g u n d a m eta d e do s é c u


l o XIX, esten d ia -se p o r uma l i n h a con tín u a que i a d a Gamboa a I t a
pagipe ( v e r mapa p . 7 ? ). A b r a n g i a o Unhão, o S ítio da P r e g u i ç a ,
a F r e g u e s i a da C o n c e i ç ã o da P r ‫״‬i a , a P r a ç a do C o m é r c i o , a Fregue
sia do P i l a r , o X ix i, o C oqueiro, a Jeq u it a ia , Ãgua de M e n in o s , o
Cantp.r^?.!^; Boa e V oníe Serrat.
rcd c.via, n a o ;‫־‬c; c o n s t i t u í a , q u anto ã forma de ex p lo ra
Çv.: ‫׳‬ uma g r a n d e u n id ad e. C aracterizava-se sobretudo p ela ex is
Li-.ioia d e v á r i o s ancoradouros que, j u n t a m e n t e com o s tra p ich es e
alvaren gas ou s a v e i r o s , formavam v e r d a d e i r a s docas de atraca
çao. 2 oportuno e s c l a r e c e r que a denom inação - docas de a t r a c a
çao - tdiiu.óm ■Fo‫ >־‬u t i l i z a d a para os t r a p ‫׳!־‬-‫ ב^י׳י‬c c r v i d o o p eia s pon
t e s que o? 2: v •:vam a o m a r . Funcionavam , essas docas, isolad am en
te umas á a s catres, \ áiva se in sta la v a m não p e r t e n c i a so
■ -‫ה ־‬t e ao Estc- Io . A parte eic. e d a d e pr i v ■‫י^ל‬a d e oo::.zz.
'■-‘- ‫ *י'־‬r : '■‫־‬. r t ^ ‫י‬ eni nac.‫■־‬ ou c s t r a n o ^ l r o s .
D e n t r o do á r e a a c i m a c e l i i a l t ‫ ^־־׳י‬, '‫ י‬p ‫> ׳‬- ?slv.;l d istin g u ir
se d o is t.ogm e n tos (1) : o p r i m e i f o , que se e s te n d ia c \ Gam±)0 a ao
lo rte da J e q u i t ; - i a , concentrava a m aior p a r t e v:as a t i v i d a d e s co
r er cj.a is o p o rtu á ria s. ;!i e s t a v a m a A lfándr.ga P r o v i n c i a l , o por
t e .::a GaiTiboa, o das P e d r e ir a s , o cais do I ^ e d r o s o , o do Ramón, das
^jnarr‫׳‬. s , do G a sp a r, de Santa Bárbara, ‫׳‬J o O u r o , do B u l ç ã o , o Novo
e o S ao J o ã o . Os t r a p i c h e s in stalad c5, n estr ‫־‬,.,v■. v- .. r ‫־‬c.:1n c o n s i d e
1‫־‬ã -OS p e l o ; , v isita n tes d a B a h i a o l j o c e n l : .,: c.r, ,--j^Lre o s m a i o r e s do
r.u n d o . E ntre e l e s m e r e c e m d e s t a q u e 03 s e g u i n t e s ; T r a p i c h e Andra
de — T r a p i c h e iviidrade Segundo — T rap ich e Barnabe T rap iche
Barnabé Grande? — T r a p i c h e Corpo S a n to — T3‫־‬a p i c h e Ca::ena —
Tr' ic h e P rim eiro Gomes — Trar. -ic he S e g u n d o Gom.es — T rap iche
T erceiro Gomes — T rap ich e Gaspar — T rap iche J u liã o -‫־‬-■‫־‬ Trap_i
che Moncorvo — T r a p ic h e M oreira — T r a p i c h e M o ta - - ‫־‬ T rap iche
M eira — T r a p ic h e Novo — T rap iche P rim e ir o P j.lar — T rap iche
Segundo P i l a r — T r a p ic h e T erceiro P i l a r — T r a p ic h e Q uerino —
T rap iche R ia c h u e lo — T rap iche União — T rap iche Unhão — Tra
p ich e X ixi — Tr - p i c h é Segundo X i x i . E xistiam tamJ‫כ‬ém1 g r a n d e s ar
mazéns, q u e c o n t a v a m d o n ú m e r o 01 a c 5 0 , e as C asas da P r e n s a (la.
- 2a. - 3a. - 4a. - 5a.) que, d estin ad as ao arm azenam ento de mer
cad orias e a o e n f a r d a m e n t o do a l g o d ã o , exerciam funções sem elhan
tes ãs dos tra p ich es.
0 segundo trecho ia do F o r t e d a J e q u i t a i a a enseada de
Itapagip e, Mais d i s t a n t e do c e n t r o c o m e r c i a l da c i d a d e , não apre
sentava a mesma m o v i m e n t a ç ã o p o r t u á r i a . Ai estavam algu n s trap_i
ches im p ortan tes, co m o o do C a n t a g a l o , o an corad ou ro de I t a p a g ip e ,
com v á r i o s portos, e a p r a i a d e M on te S e r r a t , onde era p o ssív el
fa z e r desem barque de gên ero s a lim en tício s e de p a s s a g e ir o s ..
f-cm dr-i ■‫׳‬:.‫־‬.‫ ־‬d e ‫מגיב ׳‬0 ‫־‬. - l e r ar e s ' r e ¿ ‫׳‬.:.gmento, nosso estudo
conc/-•‫^ ׳‬roí: .‫־‬: e .*o e s p a ç o .geográfico lo ca liza d o e n t r e a Gar!±i0 a e a
.‫־‬a i a . As r a z õ e s que nos levaram a p r i v i l e g i a r este p rim eiro
e r n o da á r e a p o r t u á r i a são fa cilm en te com p reen síveis: ele cir
ji-.ndava o n ú c l e o m ais d in â m ic o da c id a d e do S a lv a d o r ; era o s e to r
m a i s iiioviracr;tado e , ®‫ וח‬d e c o r r ê n c i a , o m ais avid am en te d isp u tad o
p eio s c«->1u e i c i a n t e = : . O ca is ú a s A m a r r a s ,, e^^-f-ampadc n a âa £a
gin a segu-*;vc, “stava in sta ).a d o n e s te segm ento. Sem. d ú v i d a , era
um d o s :;;■‫■ ־‬is m'^viinrí.‫י‬. > i o s ccrcorrid os.
No Ln>^’-:‫ ו‬o d a d i ‫־«־‬e i t a , a o ;'.•■‫•־‬d.,., ob serva-sc g Alfânacg:•-
‫י‬- • ■‫ יד‬r ‫י=יי‬ te ea■‫ ־־‬::s. :'ríH i m o o n o . "‫־‬- c trapi■• focp-rva
d o s ¿■> ■_‫>־‬uarda d e m e r r a d o r i a s p r c c e d e i ! L c ‫<■ ־ ׳‬- r “ ‫■■ ׳ ״‬et, p r õ x i m . a s e d is
tan tes. L-bserva-se, ain d a, grana; quantidade de p eq u en o s b a r c o s ,
sa v eiro s ou a l v s r e n g a s , que r.li ancoravam de f■ .’.‫־‬ma desordenada,
transport:-ndo para Sa I v a d j r o s m ais variadc.- produtos.
Além de a s u a c o n s t a n t e ‫ ־‬m oviment a ç ã o , f i ? c ‫׳‬:!o¿ r c f - 1 - ‫־‬ôn
cia à ia lta de u n id a d e da á r e a p o r t u á r i ‫!^׳‬. P erten cia tanto a par
ticu la res quanto a o E s t a d o - C c n s t i t u i a v.‫■־‬.! t o d o xj r. 0 ‫ ו״נ‬n r s t r a a
p l a n t ¿ : na p ^ ' g i n a a s e g u i r . E l a b o r a d a jio XIX, ela te
37

Alfândega (atual Mercado Popular) e cais das Amarras, antes


dos aterros e obras do porto.
FONTE; TEMPOSTAL - Templo e Postais. Coleção ‫״‬A n t o n i o Marcelino"-

\m
1,___ , ^
a o a / B a o o
□□!S3 □ □ □ □ □ a
‫ך‬ ’E

CIDAD‫־‬:. ;JLTA E MARINHA DA ALFANDEGA


FONTl: REBOUÇAS. Diogenes e Godofredo Filho. S a l v a r* r. r
da rahia de Todos os Santos no século X T >‫־‬.
c< ■ v' ^: .‫ ר‬d e D r e c:h t , 19 7 9 . p . 64.
38

d istin g u ir e s s e .caráter c o m p a r t i m e n t a d o do e s p a ç o p o r t u á r i o . Cha


iríamos a a t e n ç ã o p a r a e s s e aspecto físico, porque c o n s id e r a m o s fun
d a m en ta l p a r a a co m p ree n sã o da d i s p u t a que s e d e s e n v o l v e u no s e i o
da b u r g u e s i a com ercial — tema que a n a l i s a r e m o s no c a p í t u l o IV.
A p a rtir da e s q u e r d a , observam -se os lim ites do C ais
dcAmarras, d o C a i s d o Ramos e d o C a i s P e d r o s o , que se esten d ia
até ã A lfâ n d eg a . Eram p a r a l e l o s a. Rua Nova d o C o m é r c i o , à Praça
S a n t a B a r b a r a e â Rua N o v a d a s P r i n c e s a s . A denom inação de cada
ca is, com o tarabém d o s tra p ich es, estava relacion ad a, na m aioria
das v e z e s , a o nome d o s e u p r o p r i e t á r i o o u à á r e a em q u e ‫־‬s e lo ca l¿
za v a m . A ntonio P ed ro so de A lb u qu erqu e, im!portante c o m e r c i a n t e da
epoca, está vin cu la d o ao C a is P e d r o s o . Da mesma f o r m a . A ugusto
Gomes M o n c o r v o e F r a n c i s c o Lang, t am bé m a l t o s com ercian tes na pra
ça d e S a l v a d o r , exerciam co n tro le sobre os tra p ich es Moncorvo e
Lang, resp ectivam en te. Por o u tr o lad o, os tr a p ic h e s P ila r, X ix i,
C antagalo e R iach u elo, por exem p lo, tiveram , s e u s nomes d erivados
dos b a i r r o s e freg u esia s onde foram i n s t a l a d o s .
Tom ando-se p o r b a s e f. s m ercadorias arm azenadas, podem
se d i s t i n g u i r três ca teg o ria s de t r a p i c h e s (2):
' a a ’'.r-l.-■ : q u e ‫ ־ ־‬. ‫־‬.■i:1a v a m , do p r e f e r ê n c i a , produtos tr_a
d i c j .-‫_׳•׳‬.! r.iF: cc. ^ e i j L i n a d o í ; à e x p o r t a ç ã o , como o c a f é , o tabaco, o a
çúc‘‫ ¿ ’;׳‬o a l g o d ã o . Tal era o caso d o s‫ ׳‬tra p ich es Barnabé, Moncor
vc , X i x i , S eg u n d o Gomes, J u liã o , R ia ch u elo , Andrade e C a sa s da
:-‫׳‬r e n s a (ANEXOS I , II e III);
‫־‬ aq u eles que. c.'nno o N o v o , o Gaspar, ü niao e o Arma-
zém nÇ 3 , i , i ; ‫ר‬haT^ ‫ מיחיו‬a r r n a z e n a q e m b a s t a n t f ^ d■! v e r s i f i c a d a . . co
lo ca v a -se >1•‫־‬:‫־‬::;•-. a s o d a ao a y ú ca r e c a f é (ANEXO IV) ;
- a q u e x O b - 6 ‫ ו;ר‬a.‫־‬ma:10‫רי‬a vam d e p r e f e r e n c i a p r o d u t o s i
'■.'. ,-‫־=׳‬i s , a ext.'. 03 c d o C^<nL?galo e a o
‫'י׳‬. T^oA- i ^. -^ntaçc. ‫־‬: ‫ יייס‬t o . ‫׳‬. ‫־‬.■ c c p a ç o — ^ 1_‫׳י‬-0 0 ‫ה ת‬
âo e u L 3 ' ‫־‬ a Gamboa e a J e q u i t a i c , , t r = 1^ ‫ ׳׳ ״‬t. s e r a m d e c e r t a
fo r m a d e i - c i e n t e s e estavam exp osi.os a uma s é r i e de im p rev isto s.
Ali 3m d o m a i s , havia d ific u ld a d e s i m p o s t a s pe3 0 o r 5 p r i o lito ra l da
c i d a d : ‫;־‬. Como v i m o s n o c : p í t u l o a n terio r, c.- b a i x i o s , os rec ifes
cí rochas exigiam cu id ad os d o s m a r i n h e i ; ; o s , q u a n d o 30 d d r i - ‫׳‬j i a m
ou 2a:.‫־‬p a v a m d o p o r t o . 0 a p c r f e i ç o a m e n t ‫ ^׳‬d o s t r a r i ^ p o r t e s m arít¿
ffios n o s é c u l o XI X, com o a d v e n t o d a n a ‫־‬- o g a r ? 1‫ ״‬.■ - f. p‫(׳‬:‫ ׳‬, ‫־‬,‫־‬o l o c o u em
m aior c v i d ê n c i a a situ a çã o carente f;o p o' 0 ' ;‫ ׳‬:. ‫־‬,jj.‫־‬a 1 0 . N a v r o ‫•״‬ de
Çi‫ ׳‬a n d e c a p a c ‫ ו‬r10•o• ‫־‬-‫״‬v i g i a m . , p a r a a t r c i c c i r o . n . u;.,a p±r• f ‫יין‬,..‫־‬: ¡ ò a d c ‫•^׳‬:c J Ü
39

a 12 m e t r o s . Irap cssib ilit a d o s de s e aproximaren! d o s a n c o r a d o u r o s ,


por f a l t a de p r o fu n d id a d e su ficie n te, p e r m a n e c i a m a urna c e r t a a is
tán cia dos cais. N estes casos, o transporte das m ercadorias dos
n avios p ara os tra p ich es, e v ic e -versa, era rea liza d o p ela s a lva
rengas. Emb ora e s s e s ex p ed ien tes não ch egassem a com prom eter se
riam ente a c o n tin u id a d e das a tiv id a d es de e x p o r t a ç ã o /im p o r t a ç ã o ,
g e r a v a m uma s é r i e de p ro b lem a s que a t i n g i a m o s grandes com ercian
tes, dependentes, para o su cesso dos seus n egócios, das boas con
d içõ e s de f u n c i o n a m e n t o do p o r t o . Os t r a p i c h e s , em g e r a l , n ã o me
reciam c o n f i a n ç a : fosse p ela sua in c a p a c i d a d e de a b r i g a r o volum e
e a varied ade d e p r o d u t o s quf receb iam , fo sse p ela s sabotagens e
roubos que a l i acon teciam com o s gêneros d ep ositad os. Como s e iiio
bastasse tudo i s s o , in cên d ios eram m u it o co m u n s n o t r e c h o á a C i d a
de B a i x a , junto ao p o r t o , resu lta n d o as v e z e s na d e s t r u i ç ã o das
in stalações que aten d iam às a tivid ad es co m ercia is. A lé m d o m a i s ,
eram c o n s t a n t e s as q u eixas dos com ercian tes exportad ores/im cp orta-
dores não p r o p r i e t á r i o s de t r a p i c h e s em r e l a ç ã o â d iferen ça obser
va d a e n t r e as b a la n ça s dos d iv e r so s tra p ich es. Reclamavam por
ter o açúcar de p rim eira ca teg o ria sid o su b stitu íd o por o u tro de
categor.ia JnferJc‫״‬, com! ‫;־ '־׳‬a:,.‫־׳‬. por a d icio n a rem areia aos fardos
dos >■■‫־‬ a i ‫־‬:¿rando■' l h e s o peso, e tc . , etc..
A le g isla ç ã o não era o m is s a , ‫ ׳‬n e s t e aspecto. 0 Código
^u'.irrcial do Im pério (1850) , tr a ta n d o sobre os agentes a u x ilia res
uc c o m é r c i o , preocupou-se em d e t e r m i n a r as o b rig a çõ es dos trapi
cJieiros. Dc a c o r d o com a l e i , os tra p ich eiro s estavam ob rigad os
"a pass.'c-r ii e-. ib o c: noTnpe t.en teü d e c l a r a n d o noiQç. - 3 q u a lid a d e s ,quan
tid ad es, .‫•■ ז״״ייבי‬s e m a r c a s ; /azendo p e s a r , m e d ir ou c c n t a r , no a t o
do r e c e b vr^ent•.‫ '־‬aq'.’t, gê-\eroc‫ ־‬que fo rem s u s c e t í v e i s de serem pe
^•>.:os, m e d i d o - ‫• ׳‬u p o i i t ^ a c ? " (3) . ü¿‫ ־‬t r ‫׳‬T u i r h e i r o s , s c - . t x n d o a
-ír-í ? ‫י‬-0 0 .. — ‫ ר‬, p o r q ‫ ״‬i ‫ר׳‬0 .‫■ ־‬I r ‫״י‬I s c o d e ^cuc t r api ; . •-. ‫־‬ >‫־‬or( ‫?־‬r.,
men0 L‫ *’•■; י‬o c u r a d o í ‫ ־‬, L o licita v a m do G o v t r : ‫ ״־־‬Tmr“ -^‫ ׳‬- L o alfandegam en
to d e s s e s tra p ich es, v isto que com t a l m edida, e s t a r i a m permanen
tem ente so b a fiscalização de f u n c i o n á r i o s da ‫׳‬: I f â n d e g a P rovin -
'^^-¿.1 , q u e c o m p u t a v a m v e g i - . i a r m e n t e a s e n t r a d ‫־־׳‬.¿ e s a l d a s das merca

O u t r a ^-ra a s i t u a ç ã o dos tra p ich es n ã o a l f a n d e g a d o s . Ne


1 '-■ ‫ ׳‬o l e g i s t r o da e n t r a d a e s a í d a d e ’:.!ercadj> ‫־‬.: ‫■ ־‬. a cargo
‫■׳‬-!os p r ó p r i o ¿ : tra p ich eiro s. A f i s c . . l i z a c ; ‫׳־‬... d e / , i t a n d e g a a c c ) t ‫׳‬. : c i a
-;^‫ ׳‬-nas p e r i c á i c ? 1:^..‫׳‬t o e, por i s s o , iuHpir-'íVo.íi ‫״‬.¿*!.‫'׳‬S <.:■: n f I a n 08 ‫־ ״‬: ‫ד‬
40

ir, p o r t a d o r e s / e x p o r t a d o r e s , que p r e f e r í a n d e p o s i t a r seus produtos


n a q u e le s tra p ich es que fossem a lfa n d eg a d o s.
N este sen tid o , a p a rtir de 1854, foram en cam inhadas ao
governo c e n t r a l so licita çõ es para o alfandegarnento de 24 trap¿
c h e s e d e 13 d o s 50 arm azéns e x i s t e n t e s . No p e r í o d o 1 8 5 4/1 8 8 9 ,re
ceb'ram a l f a n d e g a m e n t o os trap ich es K elra, o P e s o d o Fumo, o Novo,
o U nião, o G aspar, o J u llã o , o Go m es , o Andrade, o Andrade Según
do, o X l c o , o Barnabé, o P ila r, o T erceiro P ila r , o C an tagallo, o
jaq u elra, a la . Prensa, o Moncorvo, o Segundo X i x l , o X ix l, o
Lang, a 5a. Prensa, o M oreira, o Corpo S a n t o , o Sal, e os arma
z é n s d o n 9 2 a o nÇ 1 4 ( 4 ) .
No c a p í t u l o seg u in te, terem o s o p o r tu n id a d e de a n a lisa r
o p r o c e s s o de a lfa n d e g a m e n to e sua r e l a ç ã o com a e s t r u t u r a buró
o r á t i c a do E s t a d o M o n á r q u i c o . A qui, in teressa -río s destacar a pre
sença dos tra p ich es co m o e l e m e n t o fu n d a m e n ta l da v i d a p o r t u a r i a e
sua i n f l u e n c i a no c o n t e x t o do c o m e r c io lo ca l.
E ntretanto, nem a s n o r m a s e s t a b e l e c i d a s p elo C ódigo Co
ir i e r c i a l em r e l a ç ã o às o b rig a çõ es d o s t r a p i c h e i r o s , nem a s exigen
das da I n s p e t o r l a d a A lf â n d e g a no p r o c e s s o de a lf a n d e g a m e n t o , co
mo v e r e m o s n o c a p í t u l o III, ner■ a : c■ • ‫־^׳״‬l i v p ‫׳‬-:^^‫־׳‬. ■;ada d e ■:^.i
ferenclação entre os trap ich e.' ã d r ‫״‬iazenag^;:m f o r a m suflc_i
entes para co n to rn a r as d l f L.‫ י‬j u ad es e n f r e n t a d a s p e l o s com ercian
tes lo c a is. E les dependicm , do p o r t o , como e l o de ligação entre a
Bahía e o e x t e r i o r , entre S a lv a d o r e o com ercio r e g i o n a l e In ter
n acion al.
Saboragens na? c a l a n ç a s e n<.n f r . r 0 ^‫׳‬Q Hop p r o d u t o s . in
cên d los, fa lta d e, esr >^^ ço n o s tra p icó - opcassez de a lvaren gas
continuaram p or toda a s e g u n d a me ‫־‬, ‫־‬: d e c o XI^‫ ־‬cc; 0 tem as
da,‫ ״‬g ’a e l x a s 10. - ‫־‬-‫־‬.1: 1‫־‬-‫י‬-‫־ר‬-^ I r i D o r t a d o r e - s e c'^poj.ra d o r e s . Em li;?■!.
l-‫׳‬o r 1 0 ‫ כזוודג='''ה‬, uiiii? rr.p. ^ = wCx’ m a i s v x ‫ ״‬.,.,
-ian ces exp ortadortr ae a l g o d ã ‫׳‬. o d i r i g i d a à A ssociação ^ : o m er c ic : ! ,
lU nciava a s irreg u la rid a d es e " au ieltos com q u e n o s tra p ich es
3e a r b i t r ã o as taras das sacas desse g e n e r o u s a n d o d e um sistem a
de t a r a q u e é i n f e r i o r à verd ad eir:•. . . " D enunciava, ain d a, que
esta óicu açac "levou o s mercd^os eu rop eu s a u tiliza rem -se de um
desconto de 4 a 6% p a r a taras, c o l o c a n d o o a l g o d ã o da B a h ia cr,
'■-''K : ÇG-3S d e s f a v o r á v e i s ao de o u t r a s p r o c e d ê n c i a s " ( i') .
^ p r e ^ a x i o d a d e daS i n s t a l a ç õ e s p ortu árias chegou a In
V erter cc• ta¿ funções d e s u a s dcT'endc:>.r•¡ : , c . corao o c o r r e u com po'!
41

t e s de m u it o s tra p ich es. O ficia lm en te, elas serviam para a g iM


zar o t r a n s p o r t e de m e r c a d o r ia s das alva ren gas para o i n t e r i o r do
tra p ich e. No e n t a n t o , ãs v e z e s eram u t i l i z a d a s p a r a guc^rdar os
gêneros, fa cilita n d o a o co rrên cia de p r e j u í z o s , ta is como d e t e r i o
ração, roubo e in c ê n d io s . Um o f í c i o de c o m e r c ia n te s à D iretoria
da A s s o c i a ç ã o C om ercial r e l a t a que "o i n c ê n d i o , que s e deu na pon
te dos dous tra p ich es consum indo grande q u a n tid a d e de a lg o d ã o " de
veu-se à sua u t i l i z a ç ã o para d e p ó s ito e não meram ente p a r a o er^
barque e d esem b a rq u e d o s gêneros (6).
In cên d io s ocorrid os com f r e q ü ê n c i a n ã o s 5 n a s pontes,
mas tarn]‫ כ‬ém n o i n t e r i o r dos p ró p rio s trap ich es. Isto se d ev ia ã
variedade de p rod u tos que a li eram arm azen ad os e à a ç ã o c r i m i n o s a .
Eir m e a d o s d o s é c u l o XIX, foram a t i n g i d o s p ela s chamas a Q uarta
Prensa, o Q uerin o, o P ila r e o Carena. Esse tip o de o corrên cia
Irvou a c l a s s e m ercan til a org a n iza r uma a s s o c i a ç ã o d e " volu n ta
rios contra in cên d io s" , sob a d ir e ç ã o d a s Companhias A l i a n ç a e In
teresse Público(?).
O utro in co n v en ien te a ser ressa lta d o co n sistia na prãt_i
ca, ’-.‫■־■• '•־י־•־‬u ‫■'^׳‬:.a, de fc arriiazenar, em um s ó trap_i
che, ..‫>י‬ ' c o mo m a n t e i g a , v in agre, açúcar, cafê, p a p el, 80
c'::■ _‫־‬. n t a , fa rin h a e algo d ã o . Produtos corrosivos m istu ravam -se
c;,p c o m e s t í v e i s ; líq u id o s com g r ã o s , fib ra s, etc., - o que nos
dd uma i d é i a da p r e c a r ie d a d e das in sta la çõ es e do p r o c e s - ^ o prim ã
r i o d e arma¿;ejiaiàõn 1,0 •
C r ' t i c a ‫ ״‬tambcm ^ ‫ד‬-^‫ וח‬f e i t a s ao3 viços prestados pe
las a l v a r c ú • ‫״‬:‫־־‬. í Além de p r e c a r i a s , eram i n s u f i c i e n t e s em número
p a r a a t t - : ‫׳‬c^er .õs nc'‫׳‬v ' ‫ ־‬r i d a c ^ e s ■‫ הי‬p o r t o . C h e g a v a ‫ ־‬s e mesmo a o p o n t o
‫ ^־־־‬n ã o s e 'Üar d:^-‫ י‬c ‫'יי־‬qc< a ‫״‬. v i t o s navxwc". ‫ ה‬qviP' r>onco?‫ ^־‬i a p a r a ae
L;.r o r'■‫׳‬ p e r a i i t “. “ s t r - u g e L.• o s , ‫־־‬c:,‫־‬ dc
ttmpc que n ' e l l 5 s c d e m o r a v a m c.s e m b a i ^ ^ ç c ‫ ^ ’׳־‬m C i r a n t e s " ( 8 ) . R ecia
1‫זז‬a ç c , i s d e s s e tip o são comuns n o s rela tó rio s da A s s e ■ la n ã o Comer
ciai.
A in segu ra::ça o r i s c o s a q u e a s ;!’3 r c a d o r i a s estavam su
jp-i'.-as, acrescantava-se a in d a o problem a de r o u b o s . A f a l L a u e _i
lum inação, d ificu lta n d o a v ig ilâ n cia n.‫ ־‬á r e a d o c o m é r c i o , contr_i
t’u i a p a r a aur!‫ ;־‬c n t a r a i r : c i d ~ n c La d e fiirco s. E.=: ‫ ׳‬6 ‫■' ׳כ‬, . r ajD ich eiros
‫ יי‬p r o p r i e t á r i o s dc c a s a s com erciais l o r - . ' ‫׳‬. lvc C:!.-‫־‬. e n t r e as rur.r do
Ouro e d o Ca■^ ‫י‬ c-nviriram um mc: ‫־‬r j r ‫^׳‬ros i d■ ■‫־‬.:‫־‬Lo •‫׳״־‬:. '‫־‬x o - z l n
í so licita n d o p roviciên cin s r-.osso f‫־‬on; ir',(j, r-^jrquc '‫׳‬n ¿10 s 5 on r, <.‫׳‬
42

] - : 6 3 ‫ג)ר‬0 ‫ מ‬s e achan! ein c o n t i n u o so b ressa lto , como tanibém s e u s gene


ros com p letam ente e x p o s t o s à a u d a c ia dos la ra p io s que i n f e s t ã o a
quela região, os q u ais ja por v e z e s teera a r r o m b a d o p o r t a s e causa
do n ã o p e q u e n o p r e j u i z o , arrecadando t u d o q u e p o d em e n c o n t r a r ; a
tendendo aq u i, v isto a im punidade resu ltan te em g r a n d e p a r t e da
profunda e s c u r id ã o que não p e r m ite p o lic ia m e n to algum , taes assal^
tos s e tem dado sem pre m a is f r e q u e n t e s . . . 9 )‫ ) ״‬.
Desde o p e r io d o colon ial ate as p r im e i r a s décadas do s é
c u l o XX, os com ercian tes de S a lv a d o r c o n v i v e r a m com e s s e s p ro b le
mas. E les perceberam que as con d ições física s e m a teria is da ã
rea p o r t u á r i a atro fia v a m suas transações com erciais e preocupavam
se, para ê x i t o da a t i v i d a d e co m ercia l, com a n e c e s s i d a d e de sup£
rar t a i s con d ições adversas.

A P^FORÍ-‫׳‬.;\ DO PORTO EM PROJETO

Em b u s c a d e uma s o l u ç ã o para os problem as de atracação


do s n a v i o s , de t r â n s i t o de m e r c a d o r ia s e de p a s s a g e i r o s , a u to rid a
des e p a r t i c u l a r e s m a.iifestaraí!!, a p a r t i r ca segu n da d éc a d a do s ê
cu lc c, . Lr‫ ״‬i 7 1 3 ,:‫׳־‬r c c s e p ela in u d e r n iz a ç ã o da á r e a portuá
ria. m aioria dos p r o je to s v isa v a a con stru ção de d o c a s , ca is e
ò.‫ ; ״‬, r a n d e s a r m a z é n s , no esp a ço onde se lo ca liza v a o ex p ressiv o co
r i ’- c i o d e S alvad or — G am b oa/Jeq u itaia. 0 outro trecho - Jequ_i
ta ia /lta p a g ip e d e s p e r t o u m aior i n t e r e s s e para construção de
diques ( 1 0 ) ; houve a té mesmo un: . Lo q u e p j - u L t u u i a Li.ar 1i=rorã!á_
l o em pcL'to c.'e c a b o t a g e m .
A ‫ו‬-V ■ra tenvativa de modernizar o porto de Salvador
visava di£ Lln 1: : ú . : de. atj.a‫־‬.cção para embarcações que serviam
10‫־‬,0 ■‫ר‬07‫י‬2 5;‫ ש‬cu^:tfc.ir‫׳׳‬, aa‫־׳‬íu?lo.3 r-eservadcir 5
■ •‫•י‬ lonqo
. Data ae e tox ir'LVo °utão •‫״‬:ovexriadGr d¿. Bahia,
D. de Noronha e Brito, 8'.‫ י־‬Conde dos .’'.‫׳‬cos. Pretendia a a
bertura de um canal entre o b: aço de mar de Itapagi!■‘^‫ ־‬r Jequitaia,
cortando o l u r ^ u r denominado Papagaio. Esse canal permitiria fá
cil ;cesso das embarcações de cabotagem ao ancoradouro d^i Itapag^
P-, ao tempo em cue descongestionaria o porto da cidade, reservan
‫ ׳‬o ás em.barcaçÕes de granac calado. 0 plano do C-■nde dos Arcos
Se c‫׳‬:ncreti zou. Censtí'uix;-Sv: ape 1‫־‬as ur ^a 0 '..l qpc'. dcr íe o
ao norr.3 da fortaleza da Joquitaia, .
‫רי'־‬-‫ ו‬a-se era direç-^C' ao
' ■0,'-‫ז‬,,‫יי‬ C ' ^ i c e ‫׳־‬ ;'■o, aLr¿ivcssando a l;ua Calçada, per baxxo
43

u;.a l a r g a ponte CU)• A p a ra liza ção das obras foi atrib u íd a a d¿


fícil situ a çã o p o lítica por que p a s s a v a a B a h ia , no momento das
lu ta s p ela i n d e p e n d ê n c i a do B r a s i l .
Esse p rojeto perm aneceu en g a v eta d o por c e r c a de trin ta
anos. Em 18 5, o assunto v o lto u a ser d iscu tid o p elo e n t a o Presj^
dente da P r o v ín c ia ,‫ ־‬o g e n e r a l e en gen h eiro m ilit a r F ran cisco José
de S o u z a S o a r e s A n d r e a , que a m p lio u o p la n o p r i m i t i v o e deu anda
mento ã s obras. P elo p ro jeto , a cid ad e se exp an d ia para o lad o
da C a l ç a d a , Boa Viagem e I t a p a g i p e . D eu-se in íc io à abertura do
canal e ao a s se n ta m e n to dos a licerces, t e n d o p a r t e do m a t e r i a l s_i
do e n c o m e n d a d a e p a g a . 0 custo das obras foi calcu lad o em duzer^
tos contos, 0 o p r a z o p a r a s u a c o n c l u s ã o e s t i m a d o em. n o v e o u dez
anos(12). Mas o t é r m i n o d o m a n d a t o d o G e n e r a l A n d r e a (1847) re
su lto u na p a r a l i z a ç ã o das ob ras. Seus su b stitu to s, A ntônio Igná
cio de A zevedo e J o ã o J o s é d e Moura M a g a l h ã e s , consideraram que,
para a B a h i a , não s e r i a n ecessá rio um a n c o r a d o u r o com o q u a l , pe
la s p r e v i s õ e s , a P ro v ín cia se c o m p r o m e t e r i a em d u z e n t o s c o n t o s (13)•
Nos q u a r e n t a anos que se segu izam (1850 a 1891), não foram apre
sentados p rojetos oficiais e q i i i ' . ; ■ a r á v e i s a o .:o C on d e d o s A r c o s e
do Gr■: ,'., ‫יי" ■'״‬ .
C ertam ente poder‫ ״‬s e - i a c o n s id e r a r que a n e g l i g ê n c i a do
F"^: j 0 e r a exclu sivam en te um r e f l e x o da d e s c a p i t a l i z a ç ã o da Pro
v’n o ia , assed iad a, a p a rtir dos anos 70, por grave c r i s e econôm i
cj-fin a n ceira , crise que era cam uflada p e la expansão e ex p o rta çã o
do c a f é no S u d e s t e e p elos e m p r é o LiiViOS c o r i L x d l J ^ s üu
tes t c r m r ‫ ״ ׳‬, e . ‫־‬a i n . p o s s i v e l p.‫׳‬ci1:a o g o v e r n o c e n t r a l assum ir compro
m issos ce m o b ' . .‫' י‬. in frc'■ estru tu ra lo ca liza d a s no N o r d e s t e deca
den-: ‫ ג‬, ■_-:o ‫י‬. a i s o b r ‫״‬,:‫ ־‬d ‫ ^׳‬m a n d a r ia m c a p i t a i s v u lto so s.
E n t r o - ^ a u t o . n e ‫ ״‬t c t C t ‫יי‬d o , as ‫׳‬ nordesti
lias► serao as ú/:?,cas j u s . .‫ ״‬t x ‫־‬. ' r>c''a 0x2 i c u id a d a s en
frentau:’‫ ״‬p e l a reg ia o . No d e c o r r e r do t r a U c . ‫ ׳‬.. o , c b 3 e r v a r e m o s q u e
' E s t a d o s e o m i t i u em r e l a ç ã o ‫ ג‬m o d e r n i z a ç ã o do port■■: •:^.o exata
ir.ente r o r c a r ? : . : c i a d e recu:..■s•.‫ נ‬s f i n a n c e i r o s . estrutura portuã.
ria, :la B a h i a I m p e r i a l , p erm itia aos goverros ex ercer f u r ‫׳‬ç õ e s fis
calizad oras e a r r ^ : c a d a d o r a s , c o l o c a n d o - O F como p a r c x c i p a n t e s at^
VOS d o s l u c r o s das a tiv id a d e s alfan d egárias, e s t a b c ] ‫־‬: c e n d o , como
ve rem os arpian ‫ ר״ל‬, um e l o e n t r t ■ o p o d e r p ú b l. '/ '‫ ׳׳‬c: j d.‫ ־‬b u r g u o
' ia — o s corn^rciante t r a p i c h e i r o s — ‫־‬:‫ו‬.,•., ‫׳‬. i nha i n t e r e s e ‫׳‬:‫;^׳ן!נ‬
; '■psc-v^r a 'e ic:' ‫!״‬:a d icio n a l do por':o.
44

A n e c c - ' S i d a d e , porém, de m od ern izar o p o r t o de S a lv a d o r


tcrnava-se cada vez m ais p rem ente. "Os n a v i o s eram t ã o mal a l o j a
dos, que e r a n e c e s s á r i o bastan te cuidado para não d e it::r a an cora
f'.obre a á n c o r a d o v i z i n h o . Isto o b r i g a v a com f r e q u ê n c i a p r o c u r a r
um a n c o r a d o u r o m a i s d i s t a n t e , isto é, d ista n te do c a i s , o que di
ficu lta v a o desem barque cômodo d o s p a s s a g e i r o s e das mercado
r i a s " (14) .
De 1 8 5 0 em d i a n t e , como v e r e m o s , as in icia tiv a s d e con_s
tru ir d ocas, arm azéns e d iq u e s p a r tir a m de c o m e r c ia n t e s im p orta
d ores/c-xp ortad ores lo c a is, que, ao l a d o d os com ercian tes tr ap _i
ch eiros, co n stitu ía m o grupo m ais ca p ita liza d o da P r o v í n c i a , fun
clonando "como c e n t r o d isp erso r de r e c u r s o s para o u tro s empreend¿
mentos"(15). Com d e t e r m i n a ç ã o , m o v im e n ta r a m -s e no s e n t i d o do b u s
cai;, a l t e r n a t i v a s adequadas para a s o lu ç ã o das b a r r e ir a s que o s ein
baraçavam. E nviaram v á r i o s projetos, p etiçõ es e p la n o s, corn pe
quenos i n t e r v a l o s , ao Governo I m p e r ia l , dem onstrando a im portan
c i a do p o r t o para o com ércio lo ca l. A p o ia ra m -se no D ecreto nÇ
1745 (ANEXO V ) , de 13 d e o u t u b x o de 1 8 6 9 , que a u t o r iz a v a "a con
tratar construção ‫ " ם ת‬diferen+:cp p o r t o s do Im ;pério, de d o ca s e
arma:■‘ - <‫ '־‬. ■ o n s e r v a ç ã o d a a m e r c a d o r i a s de im p ortação
e e \ - , ‫ ־׳‬-_ a ça o . . • "
0 p rojeto do c a n a l da J e q u i t a i a , in ic ia d o p elo Conde
Arcos, despertou, em 1 8 5 4 , o in teresse do n e g o c i a n t e J o ã o Gon
calves F erreira , lev a n d o -o a p l a n e j a r o a l a r g a m e n t o da zona com er
cia i e a construção âe cajeáis ‫ו‬i a Fn cr.r
r e g o u o ‫־^׳‬n g e i ' h e Lxi.‫ ׳‬A nd j .é r r 2 ^‫׳‬v;dov;3]ci d e e s L u d a r a p a r t e do porto
que s e r i a 1 ■';‫'ההי ב‬: ^ a d a e do d e s e n h a r a p l a n t a e p l a n o da ob ra ( 1 6 ) .
' plano iJrou •0 ‫ ן‬p o . l o .;‫ “יר‬d e '‫י‬J o ã o d o s Cocos", e seu id ea
- >-'c:‫^׳‬or f o i tC'^Lr-lc d e ‫ ?־‬i ^ l o ' ^ á r i o . re¿ .‫ ׳‬,õ ‫=׳‬s a o Go
, r‫• ‘־‬s a n o s c j 1 C " “ v, .~‫ ^זי׳‬u ‫ נ‬n t e : ' . n e n h a 1‫■ו‬- I w l jS
tendia ‫«־‬,
Daí por d i a n t e , as p e t iç õ e s sucederam -se. ^8 6 6 ! ‫ויי‬, Wi3^
Son H e t e C i a . ‫׳‬ firm a d eu - nada ao c o m é r c i o , >'0 c i u p erm issão para
con stru ir urna d o c a ( l 7 ) . No a n o d e 1 8 6 9 , T '. 'c o n i o F r a n c i s c o d e La
cerda, P au lo P e r c ir a I-'onteiro, F ran cisco Sampaio V ia n a e Joaquim
'■c C a s t r o G u i m a r ã e s , todos im .p ortan tes com ercian tes, reiv in d ica -
o d ireito de c o n s t r u ir d o c a s e a r n a / . e n ^ r■■.‫ ׳‬r-o.-'co <Je S alva
clor(l3). No a n o s e g u i n t e , os filI103 de G onçalves Fox: e i r a ,
^■0 , 1: ‫ י ׳‬J e s ; r . : r. i r a o F ran cisco V'crrox'-a -‫ ־‬n :x ;u 1 f io r
âiarite r e f e r id o s como i r m a o s F erreira s - p'edirani a p r e f e r ê n c i a pa
ra c o n s t r u i r docas e ca is no p o r t o da c i d a d e , alegand oo f a t o de
ter seu pai elaborado, an teriorm en te, projeto nesse sen tid o . A Se
ç7‫ כ‬dos N egócios d o I m p é r i o d o C o n s e l h o d e E s t a d o p ô s em relevo
que o ‫ 'י‬p r e t e n s o d i r e i t o h ered itá rio apenas b a s e a v a - s e em m e r a e£
perança"(19). Nao o b s t a n t e , a concessão fo i-lh es assegurada p elo
D e c r e to n9 4695 (ANEXO V I ) , d e 15 d e fev ereiro de 1871, que os au
ro tiza v a a con stru ir docas, d e a c o r d o com o c i t a d o D ecreto n9
1746, de 13 d e o u t u b r o de 1869,
D e p o is de f e i t a a concessão, os p rop on en tes apresenta
ram o s e g u i n t e p lan o: ala rg a r, p o r m eio de a t e r r o s gu arn ecidos de
cais, até o F o r te de s ã o M a rcelo , a p a r t e da C i d a d e B a i x a compre
endida e n t r e a A l f â n d e g a e a P r a ç a d o C o m ér ci o .. N esse e s p a ç o con£
tru iriam : cinco docas ou c a n a i s , com 30 a 50m d e la rg u ra e profun
didade, capazes de a te n d e r aos n a v io s de grande calado; ca is para
e m b a rq u e e d e s e m b a r q u e d e p a s s a g e i r o s e m ercadorias; grandes arm a
z é n s pa.ra d e p o s i t o de m e r c a d o r ia s que n e c e s s it a s s e m p e r m a n e c e r nas
docas por m ais tem po. Além d i s t o , prom etiam p r o v i d e n c i a r o ala r
r-^TiP,'Lo, p o r m eio de a t e r r o , desde a P r a ç a do C o m é r c i o .‫■־‬t' ‫ב‬, j J s t ‫־‬.
■:0.0 d a J e q u i t a i a , bera co m o a m a n u t e n ç ã o t a n t o de m eio s ‫־‬
s e r v a ç ã o da p r o f u n d i d a d e n e c e s s á r i a ã f l u t u a ç ã o d o s \1 r j j s , como
de s e r v i ç o s g erais do p o r t o ( 2 0 ) .
O prazo para o i n i c i o das obras foi dilr-cr.do p o r m a is a
nor■ p e l o D ecreto 4937, d e 27 d e a b r i l de 1872, qj^ndo tox cxiada,
err L o n d r e s , uma c o m p a n h i a so b 2. d c n o m i i i a ç ã o d e Be H a Dock^‫ ׳‬Cutiitany
Lim vced. 0 ca p ita l d a C o m p a n h i a e r a d e 9 0 0 . 0 0 ."‫ ׳‬l i b r a s , divi-^i:'.•■
fe" 90 , 0 0 0 ações de 10 lib ra s cada. A d i r e t o r í ‫ !״‬f o i compos•'? des
‫ ^־‬e q a i n t e s j o s : B a r ã o d e Mauã, Ri el : •‫ז‬ ‫ י• ■־״‬. L ^ e r i c k Y o u l •. ,
i.ancir''^ sauncI‫־‬L:x.?, ‫^ • • הרז‬ ■‫־' ;־‬
n h e i r o v^aia^. 1:^•=: ■lenuo à f r e r i t e o e n g t n ! 1 : ‫־‬,‫׳‬r o N e a t • : , foi or
ganizada jma c o m i s s ã o com c o b j e t i v o de e s t u d a r o p l a n o an u crior,
proposto p e l o s Irmãos ‫ •׳'ל‬J r r e i r a s . E sse p lano foi to ta lm en te 1‫־‬e f o r
‫״ז‬- l i a d o , dando lu g a r a um o u t r o , q u e s e d e s d o b r a v a n a construção
urna g r a n d e d o r , ‫־‬. e n t r e Aa ‫ו‬:‫ ;ז‬J e M e n i r c s e o L a r g o de r i l a r , cora
l j 8 . Q0 0 m2 e 2 . OQr, l i n e a r e - 3 de c a i s , a lém de d o i s d iq u es in terio
aparelhad os para . • o ‫■־׳‬ t■‫ ־‬o r e p a r o s d e n a v i o s , serv id o s por
‫ ותט‬a p a r e l l ; o h i á r T l . iJ r Ta¡auém o : ‫ י"׳‬c o n s t r u ç ã o po^j Lcrj^
‫ לגט‬ele d u a s de, c a s , so q ‫׳‬.:‫׳‬-‫^ ׳‬r!a J !=cl‫־‬í p ‫ \׳‬p;::nas p a r a ‫ 'י‬s c r ‫■ ;?'־‬
tía j'ú b lica c• abri.:■‫׳‬: clr• b a r c o s , scivciros o outras e m b a rc a ç õ cr ,: ‫ן‬
(21) .
46

A Companhia r e q u e r e u do G o v e r n o , em m a r ç o d e 1 8 7 3 f a a
p rovação do p l a n o , mas e s t e se lim ito u a dizer em s u c e s s i v o s rela
to rio s: ‫ 'י‬p r o c e d e - s e a estudos e ‫ ׳‬exames para u l t e r i o r reso lu çã o so
bre o a s s u n t o " . Esse parecer r e p e tiu -s e até o ano de 1 8 7 9 , quan
do a C o m p a n h i a f o i d isso lv id a . 0 projeto da B a h i a D o c k s Company
L im ited f o i d efin itiv a m en te e n t e r r a d o no d i a 22 d e j a n e i r o de 1 8 8 7 ,
quando o G o v e r n o ( D e c r e t o n9 9 7 0 1 ) d eclarou caduca a concessão(22).
P o r m a i s d e 15 a n o s (1871/1887), período em q u e s e de
senvolveram as gestões lig a d a s ao p la n o dos Irmãos F erreira s,
m uitos com ercian tes en v ia r a m ao Governo I m p e r ia l p r o j e t o s de t e o r
sem elhante.
M an oel Joaq u im de S o u za e S i l v a foi um d e l e s . Em 1 8 7 5 ,
pediu p r i v i l é g i o para c o n str u ir uma d o c a . E sta co n sta ria de um
qu : b r a ‫־־‬m a r , p a rtin d o d o F o r t e d e S ã o M a r c e l o em d i r e ç ã o ao de São
Paulo (Gam boa). A ex istên cia d e um b a n c o d e a r e i a , ao l a d o do
Forte de são P a u lo, fa cilita ria seu p lan o, p o is f o r m a v a uma b a c i a
com c a p a c i d a d e c a lc u la d a para a b r ig a r q u in h en tos n avios. 0 que
bra-mar s e r i a arb orizad o e t e r ia uma l i n h a f é r r e a que co n d u ziria
as m e r c a d o r i a s dos n avios para a A lfân d ega e para os d ep ó sito s
-ncentes ‫ ב‬cr p r e s a . Na e n c o s t a da m ontanha, s e r i a ’:^■ :‫י־י־י‬:
dos d i q u e s para, rep i.ro s das em b a rca çõ es. As d e s p e s a s '-‫׳‬r ç a
das em o i t ‫׳‬ m il contos. 0 proponente p ed ia , a conce por noven
ta anos e p agam ento o b r i g a t ó r i o de ancoragem p e la s ,-!rbarc a ç õ e s de
toda e s p é c i e ( 2 3 ) .
A i n d a em 1 8 7 5 , outro in teressa d o ,- F a ru m , so iici^
tou c o n c e s s ã o p a r a 5. ‫״י־׳י־׳‬: t r u i r e p lan os in cl:'n ad os. D ois
nop m a i s tard e, a Empresa E d i f i c a d o r a , s o b a .‫־‬i i r e ç ã o d e J o s C • ■
vo S ilv a M oreira, se propôs a a l a r g a r a C id a '3 e B a i x a , uccde a
’' T f â n d e g a a T g r e j a do r.']^.r, c o n s ^ruiiidr■ ‫ט‬-‫ז־יי‬ ' rua(24;.
H.iii *=!egu1 •'.'. J c ‘=!é Ar; • •“ :‫'י׳ י ־‬ A r a ú :‫כ ־ ד '׳‬ •. ?c l t z
ções. i ^r o pu ‫״‬ - ‫ ׳‬-.SC“ ‫ ;■)!’!״‬ei:5 P r o v i n c i a l (1878) reco n stru i- o Merca
fio do Ouro e o d e S a n t a Bái o a r a , com a c o n c e s s ã o d a s m a r i n h a i ad
ja c e n t e . , p r e t e n d e n d o f a z e r m olh e ou d o c a p a ra embarque e d e s e ’‫־‬.^
‫ו‬.
arque. O b r i g a v a - o ^ a p a g a r á Câmara o a l u g u e l d o s r e : * ' . e r i õ j s m e r
cados, até finalJzar o usufruto por cin q u en ta anos. :>1a o s e n d o a
id o, v o l t o ^ ‫ י‬com nove! p e d i d o , em 1 8 8 2 , so licita n d o concessão
P'^ra r e a l i z a r 11‫ ו‬o r a t ‫ ״‬:■‫ ;׳נ‬p o r t o . A l f â n d e g a e A r s e n a l da Mari
nha. Cjn c e g u iu ■;on‫ ׳‬r, . : o v e r n o P r o v ’ J ' c i a l um » ^ o n t r a t o peira co n ■ - Lrjj
Çao d e um c;‫־‬.. fruj't-.G r^o Ca:•.:, f ã o J o a c e m a i s ‫ל״־ויט‬ dc■- .•
í ..rantia, j, o d va o 1 .:‫ ׳‬r o i t o d e u s u f r u t o p o l o p r a z o d e n o v e n t a a
47

nos e o de r e a l i z a r novas c o n s tr u ç o e s n aq uela área, caso a C idade


B aixa fosse b en eficia d a com a t e r r o s s o b r e o mar. As d e m a is obras
c o n s ta r ia m de d o i s q u e b r a - m a r e s ■f o r m a d o s p o r ijma f o r t e m uralha,
desde a p o n ta da A l f â n d e g a até o F o r t e de são M arcelo, d i r i g i n d o ‫־־‬
s e rumo n o r o e s t e na e x t e n s ã o de q u in h en ta s a seiscen ta s braças.
Outra m u r a lh a t e r i a in íc io no F o r t e de são P au lo, passando p elo
B a n c o d a Gamboa em uma p r o f u n d i d a d e d e o i t o a dez braças. A pr^
m e i r a : lu ral h¿ ! s e r v i r i a p a ra a ancoragem de n a v i o s m ercantes e a
segunda, para os de g u e r r a . P lan ejara, ta m b ém , co n stru ir uin c a i s
desde a A lfân d ega até à P r a ia da P r e g u iç a . Segundo s e u s cá lcu lo s
e orçam entos, as d e sp e sa s com e s s a s obras girariam em t o r n o de no
ve m i l contos(25).
Nao t e n d o o b tid o êx ito nos p e d id o s a n terio r es,. José An
tô n io de A raújo in sistiu p ela terceira vez. S o lic ito u , em 1886,
o d ire ito de c o n s t r u ir uma d o c a , com: c o n c e s s õ e s e p riv ilég io s es
p iecia is. P ropunha-se a fa cilita r c serv iço de c a r g a e descarga,
da A l f â n d e g a até ã Praça R iach u elo. Q u eria que a c o n s t r u ç ã o fos_
se CuSteada p e l o s cofres p ú b lico s, mas a Câmara M u n i c i p a l m a n if e _ s
tou-se contra. 0 p eticio n a rio ain d a r e i v in d ic a v a o d ireito de se
‫וו‬t i ‫ו‬. • - a r d a s m arJ:'nas a d j a c e n t e s , que p e r t e n c i a m a o m.un > 7 -1 '■; )
■-.¿se p e d i d o gerou m u itas rec la m a ç õ e s por p a r te de pror :-C0
de t e r r e n o s e m arin h as. . T e r r e n o s d e A l e x a n d r e P e l l ‫׳‬:^‫־‬. vison , por
exem plo, por esta rem lo ca liza d o s no l a d o n o r t e d a ± .' 1:. d e Santo
A ntônio, seriam a tin g id o s, c a so o plano fosse a p r r ‫׳‬/ \ d o . Te m en d o
ser p r e ju d ic a d o , PelJen W ilson reclam ou para s i a p r e fe r ê n c ic i para
co i.stru ir d iq u es e c a n a i s C27) -
A firm a P in t o M oreira & Cia., em l b 9 ’ ‫״‬, p e d i u au
(,;ao r>ara c o n s t r u i r uir.a d o c a n a P r a ç a d o O u r o . tlão o b t e v e é.'i
t o ;28).

í ^caa:■ c ‫־‬- P-C, ae:. •■‫ ■׳נ־־‬-‫ר׳ ?־‬ ¿ Ciilc-y


Cox, q.it. s e oO0- ‫ !!׳■•■־־־‬7‫יייי‬.‫ י‬c o n h e c i d o como p la n o Cox. Esse- •?^ngenhe¿
ro i r g l ê ¿ f e z um p r i m e i r o p ‫־‬: d id o em 1 8 5 5 . D o is a n o s d e p o i s vo_l
tou a i n s i s t i r , com c :.‫׳‬. esmo p r o j e t o , que o b j e t i v a v a c o n s t r u i r dv
■'âs na ã r e a da J e q ’^ i r a i a e Agua de M en in os. 0 p l a n o Cc.x r e a l¿
z a r i a em t r ê s se-j.^'oes. A p r i m e i r a a b r a n g e r i a a c o n s ‫_״‬ru ção de d o is
ura com 193 m etr:-s de com prim ento p or 21 d e l a r g u r a e 07 do
r r o í .:‫י‬n d i d a d c , 3 o 0 ‫ ׳ םגי‬.‫ ״ י‬c c . '•7 m e tr o s de c o m p r im e n to , 18 d e lax‫־‬cu
e 0 7 de p r o f !■'‫׳‬dj. cr. ‫־‬:■:-‫־‬. Também s e r .‫ ¡־‬r.ni co n s t.v ’i i d o s n e s t a etap..‫ ״‬ura
.-:o in c li n < .‫־‬c(‫־‬. ;■ar;‫־‬, r.; • •3 ' ‫־‬ dv:, ,‫־‬- r.ii 1 t o n e l .id a r ; un qui nd¿ ‫•!־‬. _‫' ׳‬
íí1üx;.ul‫־‬ , par ‫ י׳‬Fc‫ ״‬:.c'.ca toneladc: ‫ ;־‬todos os demais niacjuinismos
4r

e ar ‫ !־‬: e l h o s n ecessá rio s p a r ít e s g o t o dos d iq u es; e l é n dc ca is ate


o r. -he g r a n d e , com preendendo d e p o s i t o para ca r v ã o e tra p ich es.
A segunda s e c ç ã o se resu m iria na e d i f i c a ç ã o de b a r r a c õ e s e p rolon
gam ento d os ca is, e c1 t e r c e i r a , na c o n s t r u ç ã o do e d i f í c i o para o
F isco, o ito m olhes p eq u en os e o que f o s s e n ecessá rio para com ple
tar o p la n o . As o b r a s i m p o r t a r i a m em 60 m i l c o n t o s aproxim adam en
te. E sses recursos viria m da I n g l a t e r r a e 85% d e l e s estava "so
r.ente à espera do p r i m e i r o av iso para f a z e r - s e de viagem com des
tin o a esta P r o v I n c i a 3 0 ) ' ‫ )י‬.
N essa p e t iç ã o , Cox d e s t a c a v a ainda os b e n e f i c i o s que o
Estado u su fru iria com a r e a l i z a ç ã o do s e u p r o j e t o . Em sua:;,
vras, "esta p reten sã o . Im p erial Senhor, não o f e n d e d ire ito s d e ou
trem., que p o s sa q u e r e r co n stru ir d o c a s no mesmo p o r t o , desde que
o su p lican te não pede p riv ilég io nem o u t r o s favores do E stado".
Longe d e t r a z e r onus ao■ E s t a d o , tal projeto s e r ‫־־‬l h e - i a p roveitoso,
porque "o s u p l i c a n t e se o b rig a a fazer e n t r a r com p r e f e r ê n c i a na
doca o s n a v io s d o E s t a d o q u e demandaram, c o n c e r t o s ou r e p a r o s e re
ceber por e l l e s os p reços da t a b e l l a q u e o r g a n i s a d a par-:. outros
n avios, com a b e i t i m e n t o d e 2 5 % . . . " ( 3 1 ; .
Contou o p r o j e t o Cox ' , . ‫׳‬.‫_ •'יי‬ C><=‘ -:‫׳‬ parte d-, 1■ c o
r.ercia n tes e agentes d e Comp- j ‫־‬--‫'־׳‬. us d e N a v e g a ç ã o , que enviaram ao
I m p e r a d o r um memorándum: n r <' - j ± a p o n t a v a m a s v a n t a g e n s que as o
bras trariam para a B a h ia . J mesmo d o c u m e n t o f o i subm etido â a
p r e c i a ç ã o do P r e s i d e n t e j ?P r o v i n c i a (C onselheiro Theoaoro Macha
c â m a r a Mv‫ ;־‬ic ^ .p ‫ ״‬l , da C a p i t a n i a do P o r t o , d a D i r ‫׳‬ü L0 j-i oi de
UPras P ú b l i c a s da P / ' o v i n c i a , d a ‫ע‬.‫י‬,r e t o . ; i a !‫־‬. ' i l i t a r , d;‫■־‬ T esou raria
da F a z e n d a e d o Coman.\o d a s A rm ;: 3 (3 k) .
T o d o s pronu-'.. a r a m - s e a 1 ‫ ה‬v‫־‬o r d■■ •~roj-‫־‬. t o C'ox. J ^ a in -
•‫ ■־‬p l a n o f o i c o p ^ ‫ ׳‬ae.T, ~'C c'>c“ l e n t e . O.s p ‫ ־־‬: ? c t r e r tx 3 .1 '^ d o s p o i
‫־‬- S S G b O; 3 ■‫■ל‬ d. dm cic3 V t - ‫ ־‬íCj-0 H S CJUG cto C'>.,‫ ׳‬r ‘3 S 0 ‫ !•י״‬p a . ^ ^

“r o v l n c i a e acentuavam o f a t o at '::ue o p e t i c i o n á r i o "não s o l i c i t a


va .:‫״^<יו■י‬e n ç ã o , g a ra n tia de juros ou o u tr o q u a lq u e r au xil.L o do Go
vernc" - o que d i s t i n g u i a sua p rop ost.: das o u t r a s q ‫ ^׳‬e a haviam
Prt-::edido(33) .
A despeite* de todos os pareceres terem s i d o ia voráveis
^ ‫י־׳‬ ::ão e s c o n d e r e m o e n t u s i a s / n o p e l a p r o p o s t a , o p lan o C ox fox
. ¿r i' .' O . Esse in d eferim en to ,- s-gundo os jo rn ciis de S a l v í i d o j ‫ ־‬,■
" o r ” i n o i i - f ; c d o e n t ‫'׳‬-'x:dcr o q o v o r n o '■u‘.' n a o p o d e fazer concessc.-^;‫׳‬
' :a s c ‫־‬.;' c r ‫ ״‬ar,!‫' '׳‬n Los e pl • ‫■'יוו־‬as c ‫ ׳‬l ‫־׳‬i a i s , a l c n i d!
49

rência, observando a in d a que o S r. en gen h eiro Cox f i z e r a mi pedi^


do v a g o , sem e x p o r as c o n d iç õ e s que s e o b r ig a v a a effectu ar o 1r;e
Ihora: : ; n t o , do q u a l n ã o a p r e s e n t o u ñera p l a n t a s nein o r ç a m e n t o s " ( 3 4 ) .
Cox s e subm eteu as ej:igên cias do G o v e r n o , apresentando p la n ta e
orçame: ‫־‬o d e t a l h a d o s , porém, mesmo a s s i m , o seu p ro jeto não obt£
ve d e f e r i m e n t o .
Em j a n e i r o de 1891, p elo D e c r e to n? 1 2 3 3 , a concessão
foi f e i t a a outro en g en h eiro , F red erico M erei, e a A ugusto Cândj^
do H a r a c h e • M ais tard e, essa c ncessão foi tra n sferid a á Compa
nhia D ocas e M e lh o r a m e n to s da B a h i a , que p a s s o u a d e n o m i n a r - s e Com
panbia I n t e r n a c i o n a l de Docas e M elhoram entos do B r a s i l , e, p oste
riorm ente. C om panhia C o n c e s s i o n á r i a dac Docas do P o r t o da B ah ia.
Naquele a n o d e 1 8 9 1 , as obras foram o f i c i a l m e n t e in au gu rad as p ela
Companhia D o c a s e M elh o ra m en to s da B a h ia . M as , apenas o ficia lm icn
te i n a u g u r a d a s . D urante 15 a n o s , através de s e t e d ecretos, o Go
verno a d io u a execução do p r o j e t o . S o m e n t e no a n o d e 1 9 0 6 as o
bras foram r e a l m e n t e in icia d a s.
Para melhor compreensão do que foi descrito até aqui,
elaboramos o quadro a seguir onde ‫^׳‬.-,oão :.‫י‬..;''h-:Jos ■ p‫'׳‬:■■ ordem c-ro
n‫׳‬:lõgica, os projeros apresen _‫־־‬ cen‫ז‬:.^al entre 1854
( 1891. Nele, estão especã í j d o s os autores das propostas, sua
profissão e os interesses c ‫׳‬
.'oaomácos aos quais se ligavam, além
de mencionar resumidamente■ o teor de cada projeto. Os autores
das referidas propostas ‫■י‬x1a‫נ‬.cam olarar,9nt‘
=■ o local pretendido pa
ra as respectivas obxc.s, com.o j é foi oxpldcado anteriormente. Den
tre elas, a dos Irm.ao.s Ferreiras e c d■‫־‬:■ "ox são as ma.ís express_i
vac. Este quadro sera discutido nns Cc,üi ‫י;_ך‬ sub.'-eq'vOntes, cujo
objetivo é a ar.5..TJcc •r.■':eresses em ‫ ר־׳״^זך‬e dau prováveis t c-.
200 S niie axf icu? tara:.. :: L■1‫■ ׳‬v. •‫יייל‬. a ‫■־׳‬or!c.. ‫■־‬tiza ,‫ר‬.‫ ;׳‬J'os .-1‫>^י׳׳'־י'־‬ re
‫ ¿ו‬modernização do po■ i-o de Sal'‫־‬ador, duranto o Segundo ‘!..•‫■־‬ipeij.0
51

REFERENCIAS

As i n f o r m a ç o e s q u e n o s p e r m i t i u d e s c r e v e r a a r e a portuária,
f o r a m e x t r a í d a s da d o c u m e n t a ç a o p e s q u i s a e b i b l i o g r a f i a con
s u l t a d a , p o d e n d o - s e d e s t a c a r a S é r i e V i a ç a o - P r e s i d e n c i a d'ã
P r o v í n c i a ‫ ־־‬T r a p i c h e s ; a s A t a s da A s s o c i a ç ã o C o m e r c i a l da Ba
h i a ; A B a h i a no s é c u l o X VI I I de L u í s d o s S a n t o s V i l h e n a ; vT
s i t a n t e s d a_ B a h i a o i t o c e n t i s t a s de Mo ema A n g e l e S a l v a d o r cTã
JB 11 i a de T o d o s o s S a n t o s no s e c u l o XIX de D i o g e n e s Re b o u ç ã ‫־‬E
e Godofredo F i l h o .

A d i s t r i b u i ç ã o d o s t r a p i c h e s e!‫ ״‬c a t e g o r i a s , s e g u n d o a a r m a z e
n a g em, f o i p o s s í v e l a p a r t i : d o s d a d o s f o r n e c i d o s p e l a Séri ê^
V i a ç a o . P r e s i d e n c i a da P r o v í n c i a - T r a p i c h e s .

CÕDIGO C o m e r c i a l do I mpe ; . ■. 1 ,'. ‫׳ ־־ ״׳‬. T•■‫־‬ r ' , 1 4 0 , ‫׳‬Nj F r n i i c i s -


Ma r q u e s de G o e s . Vi df , n :■;‫״‬i c o ‫ ־‬f i n a n e e i r ada B a h i a . Sa l
vador. F u n d a ç a o de !‫ י‬.‫ ־־‬.‫ ׳‬, ¿ui s a s ‫ ־‬CPE, 19 7 8 . p. 24 9 . ~

Nos A l m a n a q u e s s o b r e .‫־‬. l i d a Adm!i ‫ ת‬i s t r a t i v a , M e r c a n t i l e In~


d u s t r i a l _ da B a h i a , e ‫־׳‬l i ¿ a d o p o r C a m i l o L e l l i s Ma s s o n na s e g u n
da mel: ade""d0^s é c u l o XIX ( 1 8 5 4 - 1 8 5 9 - 1 8 6 0 - 1 8 6 3 - 1 8 7 3 - 1 8 7 1 ) con's
t a a l i s t a de f n p i c h e s e a r m a z é n s a l r a i i d e g d u o ^ . . !,‫׳‬:‫ תזמיזויז‬n a ~
At pr, da Jui i La D i r e L u t a a a í ^ s o c i r r a o C o i n t r c i a l - L i v r o 1 8 6 0
1 8 6 9 ‫ ־‬p . 6 4/ 6&, ' ’^ 9 / 7 6 / 1 0 8 / 1 3 6 / ! 4 5 / ' ' - ' ; ó e no L i v r o 1 8 6 9 1 8 8 2 ‫־‬
p. 0 9 .

ATAS da J u n t a Di . : - . ’ o r a da As s o c ^ •' ;‫־‬. r . - ’. a l ‫׳‬ia Lr 8 6 9 ‫י‬


/ 1 8 8 2 eu* 2 &/ ‫ ב‬/ ■.U .. . P- 9 .

Kl.-.í'TUKi u de. .•’i n t a D1 r e u . > i . da A s s o c i a i , ' ' - o C om erc x. ': - ^ 1.■- ’ .


1 8 7 1 , p. 5 2 .

MATTOSO, K a t i a M. de Q u e i r o s . Fahia: a cidade... op. cit.


p. 1 9 2 - 3 .

8. REIAIORIO da J u n t a Diretvra da A s s o c i a c - ; o Comercial da B a h i a ,


1872, p. 41-3.

SErI; : Viaçao. Presidencia da P r o v i n c i a - Trapiches. Maço 1! ■.‫י‬


4 938 - 1825/89.

10. A á: c o 1;!p r e e ‫״‬: Cli d a e n t r e a J e q u 1' t ‫ ״‬i a e I t a p a g i p c , s e g u :\.'0


r. r o i e A I v é s Capiara í o i i . o C a ‫> ־‬:c d i s p u t a d a no qi; (■ :
r e ‫ג‬, r a i onf-L r u c ; d f diques.
52

]], SPií’OLA, Celso. P o r t o s do E s t a d o da Bahia. Edição Espacial


4 0 Dia■ lo O f i c i a l . Salvador‫׳‬ Imprensa Oficial, 19 2 3. p.
165.

RELATORIO da Junta Diretora da A s s o c i a ç ã o Ccnercia.l da Eahia,


1905, p. 71.

C. ÍARA, Antonio A Ivés. A B ah i a . . op. cit. p. 30.

12. Idem, ibidem.

13. Idem.

14. MATTOSO, Katia M. de Queiros. Bahía: a citiade... op. cit.


p. 78.

15. SAN T O S , M a r i o A u g u s t o da Silva. O C o m e r c i o P o r t u g u é s na Ba


hia 18 7 0 - 1 9 3 0 . Salvador. Irmao Paulo, 1977. p. 101.

16. A n d r i P rz ev7dowski , em 1 8 A 7 / 4 8 esta \ a e n c a r r e g a d o , p e l o C o v e r


no de e x a m i n a r o t e r r e n o d e s t i n a d o ã c o n s t r u ç ã o da Estrad"a
de F e r r o Sa 1v a d o r - J u a z e i r o . P r o j e t o u , t ambém , po r e ssa epo
ca as o b r a s p a r a r e f o r ç a r a m o n t a n h a d e sd e a Se até Ã g u a d'e
M en ino s .

17. CÁMARA, Antonio Al ves. A Bahía... op. cit. p. 42.

IG. R E L A T Õ R I O do M i n i s t e r i o da A g r i c u l t u r a , Comercio e Obras Pu


b l i c a s , 1870. p. 79. ~

19. Idem. 1872. p. 153 - 5 .

20. CAMARA, Antonio Alves. ,'‫־׳ ׳‬.a h i a . . . op. cit. p. 4 7 8 ‫־‬.


FERREIRÍ, M a n o e l Jes• ‫ ־‬.•j A. P r o v i n c i a da B a h í a . Rio de Ja-
nei r o , Nacional, 1/7‫ כ‬. p. 93-4.

21. Idem referencia nÇ 2'•

2? , BAHIA. l u s p e t o r i a :> e d e r a l de p o r ‘:cc, ‫ר>ו־י‬9 ‫ ״‬c a n n a s . Colpçãn


de lei6, d e o ‫ ־‬e t o s referenut-s ; p o r c o de S a l v a d o r , p. 09.

23. CÁM A R A , A n t o n i o A? ves. A B ‫ י‬a . . . op. ■‫־־‬:t. . 52•

JALMON, >‫*^׳‬-.u^s do GÓe^ - ‫^׳‬a.0 - 1 0 0 ‫י‬0 ,..0 ’‫יי‬...of,


c ’ *■ . p. 91/2

CAMARA, Antonio Alves.A ^h i a . . . op. cit. p. 52.

T d e m p. 53.

26• CÁ MARA, Antonio Alves. A liah 1' •i. .^ op. ci:. . 5 3/4/5.
CALMON, Francisco Karqf.r‫׳‬.. Vida e c o n o T.iico . . . op . cit. p. 10-

7. CÁMARA, A n to n i o Alves. A >3h i n . . . op. cit. p. 53

- . i d e ‫’׳׳‬ p. 53.

^ • COK. ' ^ m u n d Po.iioy. Docas da ‫■׳'׳‬morial B ah í a .


•‫ ״‬o ‫ ־‬, ;’í)])ui.:;r 18Sb- p. ‘'>-18 1j C .
30. Diário de Notícias 1 7 / G2 / ].88 7 . la. p•

3:. COX, Edmund Penley. D ocan. .. op. cit. p. 1


R E L A T O R I O da J u n t a D i r e t o r a da A s s o c i a ç a o Coraercial da Bahia
A n e x o 1 ü . p . 6 7.

32. COX. Edraund Penley. De c ‫ר׳ ״‬. . . op. cit. p. 1‫ ־‬A9.

33. Idn-ji. p. 1-49.

34. Diario de Noticias. 2a. p.


CAPÍTULO III

OS L I M I T E S DE AÇÃO DO ESTADO

Re:-sponcer £ q u e s t ã o lev an tad a no c a p í t u l o p reced en te,


cj'Seja, in d icar os fato re s que em bargaram a m o d e rn iz a ç ã o do por
to de S alv ad o r, no Segundo Im pério, im p lica n ecessariam en te a di_s
cussõo de a lg u n s problem as de ordem p o l í t i c a , lig ad o s ao p a p e l de
sem penhado p e l o E stad o M onárquico, na d in â m ic a da econom ia nacio
nal. V isto que o E sta d o apreí:-entava-se am biguam ente co n stitu íd o
nos s e u s fundam er:os o o lí tic o - id eo ló g ico s, como j ã d iscu tim o s an
t e r . i ' ‫׳‬-,.-'‫־י‬ - ■'a ■.,‫׳‬oj.ep'n.:■■ ■ s c que ta ] ciiiibigüidade s e r e f l e t i s s e nas
su r. r .‫־‬. l a ç ó e s ta n to corr. o s grupos c a p ita lista s ex ternos q u a n t o com.
.‫■־‬j c i e d a d e c iv il. A d iscu ssão desse problem a to rn a-se in d isp en
f á v e l n a m e d i d a em q u e o E stad o rep resen tav a o arcabouço den tro
'.o q u a l a s q u e s t õ e s esp ecíficas da m odernização do p o r t o de S alv a
‫״‬or ir ia m d esen v o lv er-se. Seus avançcc c rccuoc; rc G u lL a ria .•‫ ״‬J i j . £
tam ente d a s . o r r ’i.a;-: d e a ç ã o ‫׳‬.'..o¿ p o d e r e s c’o n s t i t u í d o s , provocando
os a n t a g o n i j c.- p r e s s c ‘?s q u e p e r t u r b a r a m o equacionam ento da
q u e s t ã o p o ‫״‬:•^'■:^ ‫׳‬. i a .
A aiiVoív "rci: a ^ i r ‫ ?״‬a l u d i d a ¿c à c‫־'•■'־■־‬r ? d i ç ã o en
iic ^ quacio te C ^ : - C C l i D e rc i. -. ' n a e s :: .‫נז־‬t a r - ; p o l i ;. x co - aa m _ i
nistra^.jv a do Im pérxo e as f o r m . ‫ י‬.s d e r e a 1 1 . - 1 ^‫־‬, a o Ü^L'sa m e s m a pol_í
tica, caracterizad am en te c e n t : . ‫־‬a l i z a d a e au to ritaria- poder
Ce n t r a l i r r a d : ‫ב‬vam -se to d ^?3 as d e c is õ e s : o u to rg as de p r i v i l é g i o s ,
con c. ':G .s ões , fornecJ,:;;entos; a u to riz a ç ã o de \1edidas de c i r á t e r admi
n : ; , s t r a ‫ '־‬. i v o , cr.tre as quais in clu íam -se as concessões para co n stru
V-o Cie e s t r a d a s de ferro e p o rto s.
E s ¿‫ ד‬a c o n t r a l i z a ç õ o , g u e e s t a v a Jonc'-■ r’utj j.‫־‬. h e ‫'>׳‬:‫־־‬:‫ ד‬, e n e a
lí vi n ha va -S G .‫׳‬.o s c n t i c ;0 d e d e f e n d e r oo i; ¿ ’, ■ ; dos grandr.s p r _2
!‫ ׳‬i ‫ ר‬o s c■«‫״‬ L< •• e c:■ e s c r a v o s que, ¿11' ;‫ ׳‬cnvio u o p i o c c ■ : ‫• ׳‬o ‫׳ ־‬-'
cons - lidação da Independência, se fortaleceram e iTianipular :ira os
ruinos da política nacional. Assim sendc, era o aparelho do Esta
do controlado pelos representantes desses grupos, que, filiados
ao partido conservador ou liberal, alternavain-se no poder e mono
polizavam posições nei Câraara, no Senado, no Conselho de Estado e
nos Ministérios.
Já os comerciantes, de profissão pouco valorizada no Bra
sil Imperial, não galgaram projeção política comparável à dos la
tifundiãrios (1) . A origem estrangeira de muitos deles e a domd^
nância das relações sociais com base na escravidão e na grande
propriedade tolhiam as possibilidades de participarem ativa e efe
tivam.ente do processo político. Entretanto, este quadro não gera
va conflitos graves entre comerciantes e latifundiários. Os la
ços de amizada, os casamentos interfamiliares evitavam que entre
ar. duas frações de classe houvesse um relacionamento conflitante.
Por outro lado, os comerciantes manipulavam o capital de giro e
eram credores de proprietários rurais, o que estabelecia vínculos
de interdependência entre comércio e agricultura, eliminando as
possibilidades de choques antagônicos.
Verificareiros que o .-■^-0 ‫־‬.^..- ‫־־‬ representantes
baianos, na estrutura de pod,-‫ !־‬j o Império, demonstra a importan
cia política da Província Pahia. Também, à descendência de_s
sos representantes, como vexemos, evidencia a predominância dos
grupos agrários, nos qu?J>-os do aparelho de Estado. Dos 23 pr_i
r.circ‫״‬--ini 3 tro¿ .10 xmperio, 9 eram baianos e, dos 219 ministros
de gabinete, 42 pro-,.ediam da Bahia, ii '
‫ ׳‬Senado (18701 ‫־‬y 8 y), a Ba
hia contava com 7 menu'‫־‬.ros para um tot^ CO sen¿ v‫־‬
lores e 20 pro
vincias, superada ape/‫;׳‬s por Minas .3 ‫ן‬, ■wia :0(2;..^*7 ?mui
toi-eDresentadr:. oiir : ‫ ״‬,.t m ^,‫יז=׳ייי?־‬te : Za‫־~׳‬ar:, 4‫ ״‬ac c Vascon
celos, ;■■aDuco úe ,
’.;310‫ךג‬, I'iano‫־‬-.!; Pinto de bua.:a Dantas, . ‫י'י‬
‫­סל‬
, José Antonio Saraiva marcara.'! presença nas instituiçoc^.s poJ.¿
ti •.:c d :‫ ר‬impé r i o (3) .
Mas, apesar do controle e':ercido pela ‫׳‬
:•r:i ■;tocracia ru
ral no espaço político, não so observava na Bahia, como aliás em
t-’do Brasil, uma linha divisória en: ve os Interesses da ''elite a
rictocrática" e os da "elite dos negócios". Eugene Ridings mo 0
-. aae !‫ ג‬teoria da rivalidade entro o;; dois segirentos, na socic
f.ade baian..', nac é ‫_־־ר‬rdadeira. Ao co'itrário, existia entro cJ.rs
i'". L.Ii,n> L.'_; c o o ; , \;ÍL' tc) cor a p:‫־‬o ‫״‬ ü a d e de comércio ( ‫יי‬
5c

pendente da agricultura, em decorrência da naturoza da economia


de exportaçao(4). Os comerciantes da Bahia empenharam-se em mo
dernizar a agricultura, desde a qualidade do produto, ãs taxas de
importaçao e à política monetária. Muitos eram credores de pro
prietários acrícolas (5). Tmtonio Pedroso de Albuquerque, Pereira
Marinho e Aristides Novis, por exem.plo, foram comerciantes que em
prestaram dinheiro a grandes proprietários, nos momentos de crise
dos produtos agrícolas de exportação.
A Associação Comercial da Bahia, poderoso grupo de pres
são, iria aproximar ainda mais os laços de dependência entre pro
dutores e comerciantes. Fundada em 184 0, a ACB foi por excelên
cia um õrgão defensor do grupo exportador/importador da Província.
Contudo, estava pronta a falar pelos produtores. Ridings chega a
afirmar que a ACB, por necessidade, foi levada a agir como defen
f,:ra dos interesses agrícolas, tanto quanto como um grupo de pres
sao a favor dos comerciantes (5). O sucesso do comércio dependia
da prosperidade agrícola, e, por estarem os comerciantes em conta
to per^aanente com o exterior, funcionaram como veículo de tran_s
missQO da tecnologia moderna. Neste sentido, trabalharam paia in
‫״‬roáúzir técnica¿ avançadas que beneficiassem a agricu ‫ י‬.‫׳‬--. ‫״‬
causa desse relacionar.3 ;‫־‬n t o , a ACB manteve contato per.r.‫־׳‬-■■.ite com
os governos nacional e provincial, tentando soluçõr.‫>׳‬ benefi
cias:; em tanto os comerciantes como os produtores. Afsim, exerceu
influência política, através de "uma rede de amizjde e entendimen
tc3 com ^nneles nn pnd p r ‫)ד)'י‬. af‫ף‬r‫י‬ta ‫ ^־׳ ^^י'י‬jii.:cípio de não parti
, a ACL cle^jcu laembros honorários cor;:o Manoel Pinte de
‫^׳‬a Dantas, do Partido Liberal, e João Maurício Wanderley, do
t: do •'’
-C'-nservacTor.
Má«-‫ ׳‬h a V . ' a , p o- r- t-^ n to , ‫ ה ר‬t a g o n i s i n u eiii Tt‫ ־‬a j_u‫ ״‬- c 0 ‫־*־‬c r a c i a a
— "'0 1 iticc..'-.‫״‬n i.c bem ^ L^^a - •• e Oo g r - : ■,‫¿כ‬ corner
ciantG L , Eraiu ‫י‬ leg ítim as as re iv in d ic a ç õ e b dos co
n: , ; c i a n t e : ; p o r m e l h o r i a s nc. po>- 1‫־‬o , consid eran d o -se a p ro jeção de
suas- a t i v i d a d e s a nív:,.. reg io n al e in tern acio n al. Sendo assim ,
q u e r a ; ^ 5e s p o d e r i a : ‫־׳‬, e x p l i c a r a não arregim entação d a b 1 ./‫־‬c a d a b a i a
na, n a A s s e m b lê j .r ■ G eral do Im pério, v isan d o a defesa e a co n cre tl
-ar^^‫ כ‬d e a lg u m d c s p ro je'-co s d e m o d e r n i z a ç ã o do p o rte .?
A a‫;׳‬áli£ 5‫ ׳‬d_ : r ‫!; ז‬instes baianos na política ‫ג‬

lial revelei qu‫^׳‬ decisória prrjiumecia nas mãos da arj.ito


-lacia rural. ¿‫־‬c :‫ •'־‬/•‫ ני‬v ■nj.o . " a r a :‫ י‬o o Da::‫ ׳‬o de Co¡‫־‬e ai n n . uuo: c■
xerccrarn o cargo de printeiro-niinistro na década de 80 , erain fir
1r;es d-,;fensores dos interesses escravocratas, e açucareiros (8) . Siias
raízet aristocráticas e suas ligações com 05 donos de terras o de
escravos comprometiair., de certa forma, a emergência de idéias mo
dernizadoras, vinculando-os "ao passado e aos valores do pass¿
¿o'(S). A vitaliciedade do mandato e a idade avançada dos repre
sentantes no Senado, como enfatiza Beatriz Cerqueira Leite, con
tribuíam para a valorizaçao da tradiçao e para o conservadorismo
dos seus membr os (10).
Todavia, tal afirmativa não deve ser tomada de forma ta
xativa, visto que homens públicos do Imperio, mesmo representando
os anseios agrârio-escravocratas, nem sempre estiveram alheios ás
necessidades de modernizaçao. No trabalho "Tecnologia e escravo
cracia no Brasil do século XIX", o professor Pang destaca o pape.1
d a ‘aristocracia baiana na importação de tecnologia, capital e mao
de-obra livre, colocando-a também como responsável pelo impulso
ás inovações (11).
Além do mais, a modernizaçao do porto de Salvador, im
pilcando alterações e mudanças, não estava apenas na dependência
da a-f‫'־‬.:..ção politic.:•, da bancada baiana na Assembléia Geral do Impé
rio. A apr^ovação de um projeto que beneficiar-se uma r.c-’‫־‬ ‫'־־י׳‬
província estava tairibém condicionada ao apoio de banr.‫־‬J
‫׳‬ de ou
tras províncias. Outra dificuldade ‫׳‬com que se dep.-• • /‫־‬
^m os proje
tos diz respeito á complexidade e lentidão da burocr‫׳‬
.icia do Impé
rio. A resposta "procede-se a estudos e exames, r^ra vJ-+‫^׳־‬rior re
solur :■.o scjbre o assunuo", daaa cíux‫־‬ante set ^ anos (1872/1879 ‫ו‬ ao
pro jero da Bahia Docks Company Limited, evidcc‫י‬cia o desinte o
x-elo qual passavam as petições, chegando a desa.ni^.ar os p ‫^׳‬ticxc. lã
r- 5 ( 1 1 ;; -
Por ouL1^-‫־‬. a rol aboraça ‫״‬ •‫י‬-‫־ *יי־ ^י‬- ‫׳‬c
‘-‫ ־‬cv... ‫״‬ol^n‫־‬L:-.‫ ״‬não impedia que houvP.2 s® entre >.'x‫׳‬
-:s diver
gência d‘‫־‬
.' interesse¿.. As a'^ficiências no errbarque e dose'^carque
de merjadorias atingiam m.aic dxrctamente os comerciantes, e nao

./redutores. É c.laro que, de certa forma, estes tambic.a so vi-:;.n
prejudicados, porÕM era-lhes mai conveniente defende‫־•־‬ projetos
quo escivessem dxretanento vinculados ã agricultura. Construir
estradas de 1 ej.ro que f ‫ י‬li;.‫'־‬ssem o esc 0 c!ment0 da prod^çõo, do
‫'־■נ‬.‫־‬ avo e do Ser; ‫ ׳ ל‬, ux u c-‫־־‬ per exemplo, seria ui.i intju
rts.-r• imediaco uj.s ‫ז‬.-;p.ons ligados 5 rroduçao ^irrrícola.
Cc:::o jã foi visto em pãqiníis anteriores, a representa-
ilvidfide baiana no cenário politico do Império era expressiva.
Contudo, era mais residual que efetiva(13). A situação de crise
da econoiT.ia açucareira agravou a descapitalização da Província e
assim não conferia força real ã sua representação, no âmbito do
Governo Central, ao contrário do que sucedia em. províncias como a
do Rio de Janeiro, que, além de acolher a sede da Monarquia, ga
nhava maior prestígio no quadro econômico nacional, a partir do
momento em que a exploração da lavoura cafeeira passou a ser o e£
teio da economia do país.
Os problemas até aqui discutidos permitem verificar que
o estreito centralismo da monarquia brasileira defendeu e assegu
rou de imediato 08 interesses e as aspirações da "elite produtorá'.
Contudo, não relegou a segundo plano todas as aspirações da "el_i
t e ‘dos negócios", haja vista a complem.entariedade de interesses
entre as duas frações da classe dominante. Por outro lado, o pa
pel desempenhado pela ACB nos fez reconhecer que produtores e co
merciantes não se constituíram em força antagônicas. Ao contrário,
estavam relativamente afinados. Os representantes desse ôrgão
tentaram, ao mesmo tempo, modernizar a vJ‫־'׳‬. f i o campo .las cida
cies, introduzindo técnicas quo '’_!!‫־‬ ?.‫־י־׳‬
.
‫־‬
.‫־‬
. ‫ ״‬agricultura c promo
vc.ido melhoramc:ntos urbanos
Essa realidade de imediato o levantamento de uma
indagação: a maioria dos pecicionârios eram representantes da ACB.
A modernização do porto r ra nece^^^ária e r e i v i n d i c a ^ ‫ ״‬por esses re
presentantes. Fn tãc , per que a não defendeu com vigor _e en Lu
sia -,;ao a modernizaço ‫ ר‬do oorto de ^■^.‫ף׳‬orí-
Em nossa cnJnião, a ACP nao 10!‫׳‬-:.‫;^׳‬-'.‫ י‬ei. ;‫׳‬u s iasticamente
a realização dos nroiei r : de modernizr,■';¿^ Cc osa de qu^3.‫ ■׳ ״‬c ‫^׳‬s
‫י‬ncals. r. ‫ ׳‬v-‫'־‬s: '6;‫י‬ ‫ י‬con.p’‫«'־'״‬:!c. ^^^dros
dosse õrgão diverg'■,^ ^uanto ac ‫■;־‬ssunto: os peticionários, 1
vindicavam a transformação do esp.‫־־‬oo portuário e os con-^e.'‘‫־‬adores,
í]u,_. c;c^endiam a preservação do porto anticro.
Teremos oportunidade de ^^erj iicar que os representantes
de an’.bc•:‫ ־‬os grupos, na maiori‫׳‬,., eram sócios efetivos da ACB e re
1’utados como importantes cvíraerciantes dc Salvador. Também, liá do
‫'•'ז‬.‫ יד‬í.de1‫־‬ar-se que a Associaçao c3tava na dependência das decit‫־־‬c;L'S
d;■: rioclt r cor'st‫׳־‬.tuídos. E o L.ol.vJo v«jltava‫־‬se mui lo 1r-ai3 p•.!!‫■;־‬
fite;, icr ac veivinu ^ rírot.s da "elite d.. _ :l^tores" do a u e as da
te dos negocios ‫'י‬. Por outro lado, a mesT.a dificuldade da ACB de
se decidir por esse ou aquele grupo estendia‫־־‬se ao poder público.
Tanto peticionarios quanto contestadores desenvolviam atividades
que proporcionavam divisas e favoreciam a entrada do capital e£
trangeiro.
Acreditamos que a cisão da burguesia comercial, em tor
no da questão portuaria, inibia a A C B e o Estado. Mas, é preciso
apontar para um fato curioso. O comportamiento da ACB e do Estado
parecia contribuir para suprimir os choques de interesse, entre as
partes conflitantes. Na realidade, aconteceu o oposto. A orai¿
são do õrgão representativo da alta burguesia, bem como a do Esta
do, aumentou a atuaçao de contestadores e peticionarios, contr_i
buindo mesmo para a continuidade das docas da atracação. O Esta
do, teoricamente, não se opôs ã modernizaçao de portos do Império.
Isto ficou claro com a promulgação do Decretc n9 1746, de 13 de
outubro de 1869. Este decreto, que autorizava a construção de do
cas, cais e armazéns nos diversos portos do Império, não se efet_i
vou na prática, pelo menos em cidades do No;'deste,, como Salvador,
Recife e Fortale‫׳‬:•■ - na seg’
.ind‫ ־‬metade do s'uulo passado.
‫'י‬ ‫ ב‬s:LLaa::;o histórica específica da região, como
tr¿‫׳כ א‘־‬r.iiios adiante, o Estado e, no caso, a ACB incorporavam a filo
da "modernização conservadora". Os projetos de moderniza
ráo mais ampios, que, naturalmente, comprometeriam a situação e£
d a , isto é, das dor^s de atracação, eram barrados e esque
cides p ‫־׳‬-']o setor burocrático provincial e imperial. Ent-r‫?־«־^׳‬.r.tc,
as soliciv^.ro•,'^ para pequenr-.j correções nas instalações, que tam
bém enfrentav 1‫תן‬ complicações da máquina burocrática do Estado,
^omo veremos, ore‫ ״״‬s ‫■־‬ti .'fa‫־‬L0riamc.r ■.v; a‫״‬:i.lizada.

atuaçao ‫׳‬o e s t a d o MONÁRQUICO ÑAS


A‫־־‬IVIDADES PORTUARIAS DE SALVADOR

A presenç-T: 0 0 ‫•׳י‬creta do Estado Mo.'árquico, disciplinando


e superintendendo interesses e, em partic.alar, as atividades portu
ci-'.'ias de Salvador, fez-se sentir e;; tríplice sentido : no contro
le perr.’an‫'׳‬nte em torno das r:odi f i raçoc‫ ״‬prr. e ,! cjrs r- tra!?!
cher, polos sous proprietários; no e-. 1 :.!bo■ e‫ ׳‬i.;';fnto de imposto-i so
' as nt ■i.va .-...tlo'■: • 1 ,;;■'‫ ^׳‬i;7i-, is portuá]'ias; t: r‫׳‬G i'iorcsso al.ri'ndj
6 O

Constantemente havia necessidade de construção ou recu


peraçao de pontes e escadas, nos cais e nos trapiches do porto de
Salvador. A realizaçao desses empreendimentos não se limitava a
penas à disponibilidade iinanceira dos proprietários das instala
ções. Dependia, sobretudo, da autorização do Governo Provincial.
0 processo era simples: todo trapicheiro que desejasse executar
modificações nos seus trapiches enviava requerimento ao Presiden
te da Província, esclarecendo suas pretensões. De imediato, o re
querimento era despachado para a Capitania do Porto, que providen
ciava a investigação do trapiche. Nessa oportunidade, a Capita
nia ao Porto elaborava um parecer, que era encaminhado ã Câm.ara
Municipal. Em geral, a Câmara não se opunha às solicitações. Sem
pre as considerava úteis e oportunas, mas exigia que os peticiona
rios se submetessem ãs determinações da Capitania do Porto.
A título de ilustração, vejamos com.o se processava a a::
ticulação entre os peticionários e o Estado. Os trapicheiros Luis
Antônio Pereira Franco e seu irmão Manoel Antônio Pereira Franco,
interessados em construir uma .>onte no seu trapiche, dirigiram-se
ao Presidente da Província através de requerimento datado de 10
de f o ■ . ‫־־‬:;:;o dí- document■.: consideravam que "...tendo
de ■..:‫־‬id por! ce de noventa a cem palmos de com.primento, e de
q-:'..^j’1ta de largura, para serventia do' Trapiche Andrade, perte£
cynce aos suplicantes, e não podendo emprehender essa obra sem a
devida perm.issão, pedem a V.Exa. que se digne de concedel-a proce
didas as diliutiJiv^ias preliminares..." (14) .
ü -residente Província encaminhou, na mesma data, o
requerimen Lo f^pitc. nia dc Porto que, no dia seguinte, deu pare
cer inf 0 J^‫י‬and■‫ י‬auo ‫'־‬ .da cor.c-^rução de se1r:elhante ponte com as
‫'־‬-‫׳‬u;‫^־׳‬nsõts marcad^.c pelos suplicantes, nãc pode resul‫׳‬.:.r prejul^‫״‬
‫יי‬. ‫ ־‬- -‫'־‬,-'-.ac do ¡:■ox U‫־ ׳‬ não Lndo c 1'‫י‬£_
no dc o u g m e n t o d a C i d a d e p a r a c N o r t e , ccr^^tn^ente, que
lhe;- s e j a c o n c e d id o o que require;.;, sendo obrigador a a s s i q n a r ter
roo n ' e s t a C apitJinia, p e l o q v d l s e o b r i g u e m a n-.-molir a d i t a ponte,
l o g o quo o G o v e r n o a:--^ir. j u l g u e convenient.-• d e t e r m i n a r . . . " ( 1 5 ) .
Enviado para a Câmara Municipa.'‫׳‬, foi conccdida a licen
1 , n'j dia 5 de abril do mermo ano, tocavia infc:rmando-se que
Ç‘ os
poticionârios deveriam ali r.>sinar o ■¡:ormc, " r : da exigôn
' ‘■a da Capitania do Porto" . Apc':. ofi c'.¿ 1j :.:*çáo do compro-r.‫ י‬.-^so,
‫'"׳‬-'hum incov‫■•■ • ¿’׳׳'׳‬cc h o vori a c!:•■ "com‫־‬
, .'cr a 1.! ‫■תג־■׳‬,:.! ‫'־־י‬l.ori‫׳‬.:‫׳‬/' ).‫ )>•ו‬.
da cxiqc' ci¿‫־‬ :, : : n l j .
< dc que a pon to , f ut«ra1íi‫׳‬.-:itv.‫ ־‬pudosüo scr d‫׳‬
61

da, sern indenizações, havia outro itera a ser observado. As auto


ridades sugeriara que a construção, ou reformas posteriores, nao
resultassem em "prejuizo ao alinhamento de outras pontes ‫'י‬, evitan
do assim desproporçoes que viessem comprometer a estética da área
portuária(17).
Muitos outros requerimentos de trapicheiros, com. os m.es
mos objetivos, foram enviados ao Governo, entre 186 0 e 189 0. Kou
ve, nessa época, solicitações para se construirera pontes nos tra
piches Terceiro Pilar, Xixi, Gaspar, Andrade, Querino, Pedreiras,
Cais Novo e Dourado (18). 0 trâmite dos requerimentos era o mesiT.o:
Trapicheiro Presidente da Província Capitania do Porto —
câmara Municipal Trapicheiro.
O Estado fiscalizava e controlava as m.odificaçoes pro
postas pelos trapicheiros, procurando atendê-las e agili 2 â-las, o
que é eí,clarecedor de que o poder público atuava, como nos referi^
mos anteriormente, dentro dos parâm.etros da "modernização conser
vadora‫'י‬. Paralelamente aos projetos que transformariam a área
portuária, o Governo Provincia', que, no nosso entender, deveria
ter se movimentado no sentido d ‫ '^׳‬concretizã‫־‬-los, limiitou-se a em
preer. ‫׳‬:‫ ׳״‬jí‫־•■־‬. j .
‫ל‬ que ‫׳‬-;.^otassem, u ¿oorevivencia das docas de
a tr f ‫ ־׳‬,^ .o •
-
Em 1862 , quando da construção de lama escada de madeira
nc Cais Do\‫'־‬:ado, cujas despesas chegaram a um total de 511$000 ,os
cofres provinciais contribuíram com 200$000 para compra de mate
rial (19) . A cons’c.1 liçciG do Cair Rui nao . np■!;! Pri‫ י‬f ‫ל‬
ra e o :•t‫־‬err‫ ;־‬ao:> terrenos formavam o an Ligo cais do Ouro, na
década de ‫׳־‬C‫׳‬, :•■:‫־־‬im inic\atj-vas do Governo Provincial (2;) .

1■ La■‫ ■■־־‬Lambiiu s-. ¿:..‫•’־‬c.. ,"‫־‬echante acivid^u-'. L^ã


rias, ■c:mo é natural- para a co-'1‫־‬ança ac ir:;pu->u0 L: Eram cobrados
c üs trapicheiros 03 seguintes :imipostos: imposto sob;:‫•''■ >•׳ '־‬olume de
n'iercadorias, dé::xmas, iirpostos urbanos e imp‫׳‬-,'¿.o de transmissão.
Jã c:m 182•;, o Presidente da Província, par■‫־‬, facilitar a cobrança
de :unpostos sobre o volum.e de rercadoriao armazenadas pelos trap¿
che; , expediu uni edit¿1 1 , exibindo quo t‫;׳‬dos os trapicheiros envi
flsscm para a Alfândega a rcJa;‫־‬ão seme; ,‫־‬.ral do :■■!'"‫״‬ ‫';־‬rcc‫'־‬."o
entra.: ‫״‬s e saida.'j do.‫ ״‬seus tra¡.'i el: , co‫״‬.o demonstrr! o A!J\
>;0 IV.
62

O exar,;e da documentaçao existente no Arq-aivo do Estado


d, Bahia, relativa as informações prestadas pelos trapiche!ros,em
atendimento ao citado edi‫־‬
Lal, no período 1824/1891, demonstra que
não havia interesse dos trapicheiros em indicar o movimento total
dor trapiches. Possivelmente, essa era uma fórmula de se exiiai
rem de pagar o imposto real devido ao Est.‫־‬
ido.
Com base no valor locativo da propriedade, era cobraeio
o imposto urbano, para o que se considerva o local no qual se in_s
talava o trapiche. Também, no momento em que um trapicheiro alu
gava ou arrendava o seu trapiche e dependências, o que ocorria
frequentemente, estava sujeito a pagar ao Estado uma quantia rela
tiva ao imposto de transmissão. Devido à sobrecarga de impostos
e taxas, os donos de trapiche solicitavam que fossem elastecidos
os ‘■prazos para saldarem! seus débitos. Chegavam mesmo a sugerir e
â pedir ao Presidente da Província parcelamento de até quatro a
nos nos débitos atrasados. Expediente esse u ‫״‬Ilizado com! freqüên
cia por muitos trapicheiros, a exem!plo do que pode ser observado
no documento abaixo.

12‫ ס'י‬K Joledade pd.\j.nistrador do Trapixe


‫־‬-■to a Ti'eguezia do Pillar d'esta Cidade que ten
do a Assemblea Provincial, no Art. 14 do Orçamento vi
gente, concedido aos trapixeiros pagar seus débitos a
trazados na razao de 25% anualmente, vem o Supplicante
p ‫=׳‬dir a V.Exa. Fo digne mandar que no Thesouro Provin
c:al, se faça effectiva, a respeito do siipplic^r.Lc a re
fO'■ ^da desposiçac - . ." (21)

vOuuj.'‫■ ׳‬Ipo ct• ao Estado, ■‫׳‬. . àc


port'of rias vinculava-se ao prec.‫'־‬Sso ‫׳״‬e <_11:‫־‬r,,.Jccrctr:.';rito dos trapi^
ches. nos referimos à confia.\'’a que o trapiche alfandegado
-ns'^irava aos irr-portadores/e?,portadores e prod ^bores. Antes, po
irêia, de e;-'.c].arecer a? va'-.cagens que o Estadc auferia com esses ■tr<2_
piv'!’cs alfandegados, vejamos como se proc-:ssava o a] fanaegamonto,
cx‫ "־‬b.-■; ■ cm informações colhidas nas Atas da Junca Diretora da A_s
‫״‬ociaçâcj Comercial, da Bahia e na Sér.ir• Viação '!‫׳‬r , . : s .
O primeiro passo a sor d ‫־‬ido p^:.‫ר‬,. ./ :.[.iciieiro^ ■; r e
- ■t-.-rossass., !.1 1 faiu: _c;ar si, us t‫;ו‬:;
63

requerimento ao Governo Provincial, por intermédio da Alfândega


Provincial e da Tesouraria da Fazenda, expo'ndo os motivos que os
levavam a fazer a solicitação. ■Em seguida, a Inspetoria da Fazen
da autorizava que fosse vistoriada e observada a situação geral
dos trapiches. Examinavam-se as condições das paredes, do espaço
reservado ãs mercadorias e de segurança das portas e janelas, as
quais deviam ser reforçadas por grades, a fim de evitar roubos,
tão comuns naquela área da Cidade(22). Efetuada a inspeção, e de
posse dos dados necessários, a Inspetoria da Fazenda solicitava
form.almente a opinião da Junta Diretora da Associação Comercial.
Esta sempre se manifestava favoravelmente, recomendando "que se
respondesse ao Sr. Inspetor nada ter a opor sobre tal pretensão".
Tal parecer consta nas solicitações referentes aos trapiches Hon
corvo, Gaspar, Moreira, Julião 5a. Prensa, Novo e Barnabé(23).Cum
prida essa tarefa inicial, a Inspetoria da Fazenda encaminhava o
parecer da Associação Comercial e as informações colhidas na vis
toria do trapiche ã Inspetoria da Alfândega que, por sua vez, se
comunicava com a Secretaria da Presidência da Província, sugerin
do que fosse ou nãc concedido o alfandegamento solicitado. Em se
g’-id‫ ■׳‬a esses prr :edim.entos, e devidamente instruída, .
‫ר־‬
1:j.a da Alfandega encaminhava todos os dados ao Governo
que dava a palavra final, autorizando ou negando o .
‫ ־‬,‫־’^־■י‬.degam.en-
to(24) . Resta esclarecer que o alf andegamento era :o-icedido por
prazo limitado, o que exigia do requerente o cump\i\!ento da mesma
trajetória burocrática, sempre que precisava renc‫^\־‬á-lo.
As vantaqens f-i n,‫״‬nr‫־‬eiras que os trapici'.es alfar.dega ",cc
pr0 ;0 -‫־‬rci 0 navam aos cofres públicos vinculavam-se ao fato de s ‫■־‬
L,'-ap‫■י‬che que se tornasse alfândega estaria soi• ‫׳‬.‫ ־‬vigilâncx.- ’3‫ר‬61 :.‫י‬
‫ה‬eI:te da A ‫׳‬T-âi'.d‫>=׳‬aa Provincl-'J . Repr^:‫•״‬:■■■: r.d- c-‫"־‬ funcionàx ..o
’e wl.‫ *־‬fegi'^trava ‫ •־‬0 ‫זי‬1‫־׳ ־‬aJc,. r ‘‫יי='־‬ri3 ü•- ;» •‫־‬ ‫־יי׳ר‬ ‫•״׳ י־‬v ‫י‬
•‫•־־‬,'•‫־‬r
vaveib Jesli:••^:. 0 ‫ילס״‬.e^rs‫^־‬ros e permitia ao E..tado a cc^_.'3.nça dos
impostos de forma integral- Ao mesmo tempo, srftisfazia aos xpor
tadores que, amparado ‫׳‬: ‫׳‬
por uma intensa vigilância, dificilmente
-:-':ic‫!■־‬.; lesados. O coder público buscava, a£:sim, em m.e3 o uj.f_i
culdades sociais ‫ ״‬econômicos, condições de fiscaliz.‫׳‬,‫ ׳‬e superin
to.;clor as atividades po ‫־ו‬Laãri;;s em Salvador. Presente atravcs da
^i.'.fandega Pro\‫׳‬í.ncia.l , :.•‫י‬ ‫•־־‬.: da Fazenda, Câmara Municipal e
Capita,.;! a do l-or ‫ ■־׳‬.:ctaao re 9 ’
ui;’ü!en1 ■ava crsas atividades de
‫ל‬orma aue a ‫ ^ נ‬:. i d , : 1 1 ‫׳‬:,‫־‬.•‫י‬0 :‫;־‬:‫'׳‬e a
■ ‫יז‬ãoafetada.
64

Poder1a1no3 tentar juHtjJricar que o Estado pouco se tenha envoi


vido com a possibilidade de modernizar o porto baiano devido â ca
réncia do capitais. Inegavelmente tratava-se de obras de grande
porte, em um país dependente e, mais especificamente, em uma re
gião que pas5;ava por momentos difíceis em relação à economáa. Po
rém, como jâ foi estudado por Ferrando Henrique Cardoso, havia
por parte dos países líderes do capitalismo interesse constante
em investir nas áreas periféricas. 0 Brasil Monárquico recorreu
continuadam.ente aos centros capitalistas, para manutenção do se
tor público: pagamento de dívidas, financiamento da produção e
dos serviços básicos. Contudo, o caminho a ser percorrido pelos
capitais disponíveis era atribuição do Poder Central. 03 invest_i
mentos externos se fizeram, presente no Brasil através de: emprés-
timos ao Governo; financiamento e construção de ferrovias; estaba
lecim.ento de com.panhias d‫׳‬
:■ navegação, gás e seguros; estabeleci
mento de bancos, empresas de transportes urbanos e casas exporta
doras; e também r .ra^;.-:s de ap‫ ־‬:clnamento dc portes.
dezessete enipréstimos foram realizados
na J.‫ ■״‬.‫׳‬aterra pelo Governo Imperial, Cerca de 80% desses emprê¿
.r. destinaram-se ã liquidação de dívidas anteriores, e 20% fo
r.v.i empregados em construção de ferrovias (25) . As importações pe
!o Brasil de mercadorias de consum.o provinham majoritariamente
também da Gra-Bretanha. Em lh-/j, po.‫׳‬
. exemplu, as iinpoiLaçoes to
tais do .Oras.\ I pior aram y7. 700 contos de réis, dos quais 42.200
foram de c-'. 'ngles ‫׳‬
-:s í26) . A predominância do capital e dos
produtos 1‫נ‬.^‫ ו‬.:.s- ., :k• oer 1 -)do, p^‫ריי׳־‬de-se ao pioneirismo da Inqla
’-'‘‫ ר״יי י'*'■־‬processo V‫ר־‬.l‫ר׳יו‬ãc Tndustria] o d.‫ ׳‬cuiupri, :•.T‫״‬nto do
BrciC ;.u em relaçao :.o sisteme. “•‫■״•;״‬o‫״‬.‫ ■' ״‬.or0 :‫ י‬.‫ י‬Um c>;■
•‫;״‬prometi
mento qu« se instalou a partir do século XVI..‫׳‬t, a.i.nda no período
colonial, como decorrência da dependência da Me tropo.‫׳‬ esse país,
mas que se ac:r!tuou ao longc/ do processo de r‫׳‬ua independência po
líti .:a. Nestes tenrios, o Brasil, sempre ov.e necessitavo de capi
tal para realizar obras do infra-estrutura ou para expandir a a
g-icultura, recorria aos bancos ingleses. Porõ ‫!־׳‬, ‫■'־‬irtir dos
l'rimoi,T‫־‬o.‫׳‬. nnc." dn década de 7 . 03 naçõ ;s ‫־‬.’‫׳;■־‬x :..‫־‬..lis i‫־‬-‫י‬.‫־‬, ‫־‬,■':‫ יד‬do r
tc'odor a soj 1 0 ‫ י‬tac:' ■s das ãroor. peri •Te•‫!־‬ , passaram a !:‫יי‬-‫־׳־‬rjti ..
‫^'׳‬retamente ‫י^¡־‬ .‫י‬, ¿.!‫־‬o:-.■, pr c'..;.¡.dar.: .^r ‫ן‬: ‫■׳׳‬U'f‫״‬:,.; .
C5

Sabe-i-T-e que no ano de 1873 iiina prof’


anda crise atingi’
a
as econo. .:.as industrializadas, incidindo principalmente sobre a
indüst3‫׳‬ia pesada e o comércio exterior, provocando queda nos pre
ços e saturação dos mercados. Uma das alternativas para atenuar
a depressão econômica foi intensificar os investimentos diretos
nos países periféricos, principalmionte em obras de i.nfra-estrutu
ra. 0 total do capital estrangeiro destinado aos serviços t>ãs_i
cos no Brasil, de 1860 a 1885, correspondeu a 30.509.779 libras
esterlinas. Neste item se incluem as ferrovias, as comipanhias de
gás, telégrafos e telefones, transportes urbanos, as comipanhias
de navegação, as objas públicas e os serviços particulares. Desse
total, 91% aproximadam.ente foram carreados para a construção de
ferrovias { 2 1 ) .
As ferrovias, entendidas como "Caminhos de unta Kova £po
ca", representaram o setor mais concorrido em term.os de investi
mentos, tanto para estrangeiros quanto para nacionais. 0 governo
assegurava, a partir da legislação de 1857, juros de até 7% sobre
o custo estimado da ferrovia. Além do mais, os investimentos ne£
te setor atendiam, aos múltiplos objetivos do capitalism:0 industry
al, T‫־‬.‫■•■־‬:. ■‫׳‬.‫־‬c• q ’‫־‬.:: interior do¿■, países e colônias à eco
nom.‫׳׳‬r ,‫'׳‬:•.iu'-.-.al; bc*1 ateava o custo da produção de alimentos e das
mcv‫״‬- jas“primas exportadas para os centros capitalistas; ampliava
d:, r.scalas d e .produção; permitia a mobilização de maiores exceden
t‫׳׳‬.s par‫ ״־‬o comércio internacional; e criava m.ercados para a cre_s
cente exp 0 r 1‫־‬
_aça0 dc manuf?‫;■־‬urados e, especialmente, de ben.q de !‫מי־‬
pitai (2‫);׳‬. r‫״‬.rca de do7° emoresas estrangeiras pediram autoriza
ção, no pe ‫■ י‬-‫ '־י‬de 1876 a l:-:83, para construir ferrovias em vã
rias províncias FJ nac - Alagoas, Sergipe, Rio Grande do
'1‫ ״‬e Rio de - i r ^ ; (?‫ } ע‬. Na Bahia, ;'■■‫״‬.‫ עי‬e ‫״‬emplo, o v apitai fcj¿
■‫״■־• ־ • ••־‬...cr-*‫־‬.e ¿¿!-.?.‫» י‬..‫ ה‬p ‫ •»■־‬c ‫ י־‬ccrstru-.'^o ■‫י‬-■ Est x dc
ro Ba.'.1 a“ São Fr£inci^-.0 '‫ ;־״‬da Esti.ada de !'^‫'" י־׳־יע‬entra] da Bahia, que
servia ao ixeconcavo; e da Estrada de Ferro Santo Am: •‫־‬o. Essas fer
■atadas para faciJ.itar o esc 0 p..'c ato da
rovias eram pr o‫'־‬ produção,
do interior para os nort:-s.
,u em com 1'.-:;h1 as de
O capital foráneo tanbém invest‫’־‬ gas
(Bahi,.-, Rio de Janeiro, Niterói, Pará c. São Paulo) e em companh^
ñs de bondes, como o Eotan.ical Garden ,';.'ilrca‫ '׳‬c¿ 3:‫׳‬..
‫ ־‬zj li.an St: :‫נ‬
í'<‫־‬iilway Co. Ltd.. Os britfuiicos riC•iopo'1 a.!‫׳‬ o mercado ue ni
' ia c::;‫־‬ucare ’‫־‬ ‫י‬ ^"or ..reram quaset■.‫׳‬
u.ijir!‫;״‬
66

investido durante anos. Cinco companhias i n g l e s ‫ ־‬s , quase todas cr


cr.:;nizadas em 1882, receberam concessccs para construir 32 fSbri
cas, ñas provincias de Sao Paulo, Rio de Janeiro, Espirito Santo,
Rio Grande do Norte, Bahía, Alagoas, Sergipe, Ceará e Pernambu
CO (30).
Outro setor de interesse dos ingleses foram os serviços
portuários. Investiram na construção de docas, cais e armazéns,
nos portos do Hio de Janeiro e Sao Paulo. Manifestaram-se com
projetos para os portos de Salvador, Recife e Fortaleza, mas não
obtiveram êxito.
Num balanço final, verifica-se que grande parte do capi
tal inglês era investido na região cafeeir.-;. 0 Sudeste, como ã
rea economicamente promissora, suporte da econom.ia nacional, atra
iu capital nacional e internacional que propiciou inovações e me
lhoramentos básicos. /J‫כ‬alado por crises sucessivas que atingiram
a cultura da cana-de-açücar, o Nordeste, já decadente, não foi be
neficiado em proporções semelhantes a essa outra área. Por isso
mesmo, o progresso material em todo o país, durante o Segundo Rei
naão, não se realizou uniformemente, vez que quase todas as ini
ciativas econô.iiicas bem sucedJ foram .‫ב^־־י‬-‫׳׳‬.ol‫ ״‬i.:c'0.:‫ י ב‬Sudep-t.‫ ר‬,
em detrimento das ouuras regj ^ ,
Retomando à quest:■••^ J ã modernização de portos, verifica
mos que desde 1851 (antes j‫׳‬
.ormo do Decreto 1746 , de 13/10/1869),
o C .^erno brasileiro dec: ^ira m.elhorar o porto do Rio de Janeiro,
contratando para isto o -ngeniieiie,‫ ׳‬inglês Ch^r-ies K-;ate. Em 1863,
inaug‫ווו‬-‫ה‬v‫ב‬m ■se docas e curras bo.‫׳‬It;i l‫'־‬r? a‫ ־־‬naquele porco, que ser
via á área fluminen&v, responsável o>_■. •:Oí, ¿as expor .‫־‬.ações brasi
leiras de cafê(32). Logo em seguida, os c.‫^־‬c‫■י‬l-ões se •.‫י״״‬ltaram pa
r‫־‬: o porto .'‫ן‬- Cr.‫־‬/‫״‬ter:. ■‫־‬-‫ י‬-abarques do c^.f“ 0 "porto de r.?■‫•י‬
S?.o ^^^ulo ■ ‫״‬,ais do *‫יי‬l .'‫ י‬.‫ל‬:‫ ־‬n-c poct3‫׳‬:.^‫ו י־ ' • ־‬8 ‫ל‬0‫)ר׳י‬,
No í i n a i do século Xj e início 30‫ ׳‬século X:‫׳‬. existiam x;o ^
aois portos bem aparelhados: o do >io de Janeiro e o de S¿.vtos -
ambus construídos com a participação do c.Apital exter’-o.
A cons-j.rução de portos e; a outra alt-rn‫׳‬
‫־‬.tiva de investi
i^.entc, ao lado das estr-das ‫■׳‬e ferro, para o capitalismo interna
-ional em crisc. Como o setor íerroviário, o seto!; portuário ‫ ג‬:■
! ava grande s vantagens na dinamização das rexoçõcs econT ‫־‬i
Cc.r, .•'itiv‫־‬ talistas e as periféricas. Os poeto:-, d■-
‫"■'''^'־‬e; í- riam a * u:‫׳‬.ç10‫ ־‬do "controí: ‫ ־־‬v‫׳׳־‬v :••^ntos de convcr(‫׳‬-
‘'n.v‫־‬i ‫ד‬
.;3 de í‫■־־‬
‫*■■'׳■! י‬rex: utos curreados o o interior c: aos a rc.Lqos que, vine’
G7

ra, abasteciam as cidades e se distribuíam pelo interior(34). De


fato, o aparelhamento de portos viria ao encontro de uma série de
necessidades sentidas pelos setores produtor e exportador. O café
atraiu, em grandes proporções, os investimentos para o Sudeste.
Convém ressaltar, todavia, que o capital estrangeiro, no Brasil,
não se limitou aos investimentos na área cafeeira, encaminhando-
se também para outras regiões do pais, inclusive para o Nor-deste.
Na verdade, não é nossa intenção discutir se o capital
estrangeiro investido no Brasil, na segunda metade do século XIX,
foi muito ou pouco. Também não nos interessa estabelecer compara
ções entre 03 investimentos realizados nas duas regiões. 0 que va
le aqui destacar é o fato de esse capital ter se interessado por
investimentos nos diversos setores da infra-estrutura nordestina
estradas de ferro, bondes, companhias de gás, portos - e ter
se fixado em todos, menos no setor portuário. Havia, no Nordeste,
pelo menos três cidades que reivindicavam melhorias nos respecti
vos portos e contavam com a disponibilidade do capital foráneo:
Salvador, Recife e Fortaleza. Entendemos que o fracasso das ten
tativas do capital estrangeiro, em se tratando da modernização do
porto de Salvador e dos de outras cidadí^s ‫יז‬ordest‫;י‬:ao, está asso
ciado a situações específicas > ,‫״׳‬a v : 1 .!‫נ;״‬£‫י‬, v,omo verem.os adiante.
A título de ilustração, obse.‫׳‬:/■^,r.os o ocorrido com os portos de Re
cife e Fortaleza.
à semelhança do o ‫׳‬
j orrido em Salvador, os estudos para a
instalação de obras no de Recife prolongaram- p g entre 1819
e 1887. Durante «¡áte cccaço de tempo, foram apresentados quinze
projetos, nos quais \‫־‬e constata a pre‫ ״^׳‬:ca òe Charles Neate,Henry
Law, Victor Turnier, engenheiros aue r<-‫־‬picse;.‫׳‬:avam interesses do
capitp.l inglê.c; p, franc^', ■’2") . Chegou ^’ec‫ז‬r‫י‬o a. <^e1 or‫״‬anizaC:= -,■‫״‬.‫פ‬
‫־״‬:oiiKJcninici ‫ יייס‬T,ondrt;i> ■'Ir-v;* ' ’
.‫׳‬ej •70ck Coir.pany.
Mas nenhum trabalho fc■: reali:;^oo até 1910, auando as 0 i.'tas
ofJcialmente iniciadas. Robert Lc':ne sugere que, no caso especi
fico Uu porto de Recife, embora houvesse T-’atualidade de intere^
ses econômicos entre produtores e comerciantes, riãc• existia uma
intimr■ colaboração entre esr•'-: grupos, o que entravou a moderniza
‫־‬
;üo do porto pernambucano. A c r ‫־‬scenta ele ainda qua o pseudoli‫־־‬
rv;?.ismo 30‫ ׳‬Império obstruiu a possibilidade de ui.i,d¿^d3 region.il
61‫־ יד‬.,',.j;no qnG.‫!=־‬t?o (36) .
Frobloiaa o^T‫יז‬plhantc ocorreu qvr¡r‫ ■^^•׳‬ao pro joto do c : ‫י״‬
68

trução do porto de Fortaleza. A tentativa da Ceará Harbor Corpo


ration de modernizar o porto de Fortaleza esbarrou na resistencia
de interesses locais, cristalizados na atitude assumida pelos co
ir.erciantes de preservar o porto antigo. Segundo o Relatório do
Ministro Theodoro Machado, o Mucuripe seria o local adequado para
a realização das obras, mas houve protestos de comerciantes ali
fixados, alegando que a construção do porto projetado iria "deslo
car interesses já enraizados"(37).
Sem dúvida, o capital estrangeiro encontrou obstáculos
de ordem nacional e local, em se tratando da construção ou moder
nização de portos em áreas nordestinas. Poderemos verificar que,
em Salvador, os choques de interesses no interior da burguesia co
mercial dificultaram uma tomada de posição do Estado, quanto as
transformações da área portuária. Ao mesmo tempo, esta situação
iria limitar o poder público, quanto ao direcionamento do capital
externo para a realização dos projetos de modernização. Os lim¿
tes da ação do Estado são^ também, uma conseqüência da conjuntura
sõcio-econômica local, configurada na resi ‫די‬ten ;^ia de interesses
tradicionais e individualistas ‫‘׳‬jr- c : v . . A p incerte‫^׳‬a3 de
urna modernização que represe;‫י‬-‫ י‬.•se a desativação de um grupo sic£
nificativo da burguesia co\‫׳‬:-‫ ־‬.:xal inibia o Estado, devido a seu
comprometimento a nivel económico e financeiro com essa fração da
classe dominante.
69

referencias

1. RIDINGS, Eugene W. Elite Conflict and cooperation in the


Brazilian Empire: the case of Bahia businessman and
planter. Luso-Brazi1ian Review. J^(l): 1975, p. 81.

2. Idem. p . 83.

3. LEITE, Beatriz Westin de Cerqueira. 0 Senado nos anos f¿


0-1889 187 ‫כ‬. Brasilia, Senado Federal,1978,
p • 50 .

4. RIDINGS, Eugene Elite... op. cit. p. 82.

5. Idem. p . 80.

6. Idem. p . 84 .

7. Idem. p . 8 3.

8. PANG, Eul-Soo. Co rone 1 ‫י‬- ‫ ׳׳‬e Oligarquias (1889-1934). Rio


de Janeiro, ;ivili7áv‫׳‬j Brasileira. 1979, p. 66.

9. LEITE , Beatriz 1I. de . op. cit. p. 61.

10. Idem. p . 6 3.

[‫ ו‬. P A XTO
- ¿*.‫י‬ O 9 Eul-Soo.
o seculo XIX
rata de Anais do Museu Paul 1 s:‫־‬a, S:-' Paule, j0;55-132,
1980-81.

12. ►^ELATÕRIO ap r e en ta-Í h c«emb 1 éi a GeicJI ‫ !יז״‬s I =‫י‬uiv‫■־‬ oelo Mjl


rtn s t r o t S- r " 1 ‫ ' ז‬J ‘‫׳‬ d ‫ ־־‬i 5 ;¿3 ‫ ״‬c 1 c 2 ■.!c A ~ ‫ י‬L . ‫י ־‬t u r ‫י־‬
Comercio e Obras Publ 1 v',¿>s. 1873. p 195.

13. QUADROS, Consuelo Novais S. de. Formaçao do Region alismo no


Brasil; Bahia e Sao Paulo no seculo XIX. Salvador, UFBa.,
1977. (Centro de Estudos Baiano-, 77).

14. PRESIDÊNCIA da Provínci‫׳‬,!. Séíie Viaçao. Trapiches. Maço


4938. 1825/1889.

1-^’■ Idem. Maço 4938.

16. Ideui. fíaço 4938.


70

17. Idem. Maço 4938.

18. Idem. Maço 4938. ^

19. FALLA que recitou o Presidente da Provincia da Bahia em


01/03/1862, p. 37 e em 15/12/1863, p. 63.

20. CALMON, Francisco Marquesde Goes. Vida economico-financei


ra... op. cit. p. 95. ~

21. PRESIDENCIA da Provincia. op. cit. Maço 4938 - 1825/1889.

22. Idem. Maço 4938. •

23. ATAS da Junta Diretora da Associaçao Comercial da ' Bahia em


31/05/1865 p. 64, 5/9/1865 p. 68/9, 21/11/1865 p. 76,
8/7/1867 p. 108, 10/7/1868 p. 136, 22/10/1868 p. 145/46 e
em 3/2/1870 p. 9.

24. PRESIDENCIA da Provincia. Serie Viaçao, Maços 4937 - 1860/61


4938 - 1825/1889.
ATA da 4a. sessao ordinaria da Cámara Municipal em 19/2/1880.
ATAS da Junta Diretora da Associaçao Comercial da Bahia em
31/5/1865 p. 64 e em 22/10/1868 p. 145/46.
ALMANAQUE Administrativo, Mercantil e Industrial da Bahia
1857/58/59/63/72/81.

25. SINGFR^ Pa0. ‫ ״‬Br;>.'il .‫׳‬o contexto ¿•o capitalismo interna


'^ 1^‫יי־י‬ In: Hig Loria Geral da Civilizaçao Bra
r■ 1fa1 1 a . Tomo III. O Brasil Republicano. p. 364.

‫י‘ל‬ CASTRO, Ana Celia. Asempresas . . . op. cit. p. 28.

12‫י‬
‫׳ י‬.
. Idem.
Idem. p.
P • 37 e 55.

28.
28. Id
Ide m.
em . pP•. 54.

29. Idcir. X. .

30. GRAHAM , Ri
B rH c ‫ ן ד‬. S 1 ‫׳״‬-‫׳‬-nulü. B l a •
‫י‬i ‫ ו‬i en s e , 19 73. p. 157

P r\L.‫'״‬CI , ‫■׳'־^׳‬iei. A c’as uslr^^. Rio d‫'׳‬ Jaucir.


Paz e Teri.,., 19 78 . /o.

32, FAUL'TO, Boris. Expansao do nafi e política ci'.feeira. In:


Historia Geral da Civ:'lizaçao Brasilei r a . j.‫■׳‬t.c III. O
Brasil Kepublicano. p. 196.

33, DEAN, Warren. A industrializaçao de ,0‫ די‬Paulo (1 8 P-0-19 4 5 ) .


2ed. Sao Paulo, Difel, s/d. p. ‘0.

34 CASTRO, Ana Celia. As empresas. . . op. cit. p- 55/6.

35. CAS T¡;O , Lour iVa 1 de A I¡r,ei d a . Porto te R ‫נ׳‬if e . s ín t c c■er


t ro ‫ מ‬r c t iva de uraa evolução. y ■1 hr::- níar 1 ( 1 ) : 1 1 197 1 7 ‫־‬L.
71

36. LEVINE, Robert. Pernambuco e a Federaçao Brasileira. In:


História Geral da Civilizaçao Brasileira. Tomo III. O Bra
sil Republicano. p. 146. “

37• RELATÓRIO do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios da


Agricultura Comércio e Obras Públicas. 1871, p. 147.
CAPÍTULO IV

OS LIMITES DE AÇÃO DA BURGUESIA

No capitulo II, procuramos identificar os interesses e


conômicos a que o grupo de peticionarios por melhorias no porto de
Salvador estava vinculado. Verificamos que esse grupo se dedica
va a muitas atividades, mas que, de forma geral, participava do
grande comércio internacional. 0 fato de suas transações comerc^
ais U.1 trapassarem os limites nacionais colocava-o em situação pr_i
\/ilegiada, no contexto da sociedade baiana. A questão ^-‫י‬
às docas da Bahia está estreitamente associada à posic^‫׳‬
.- que o
grupo representado pelos altos comerciantes locais ‫־־׳‬:•j’amiu em re
lação ao problema. Antes, porém, de penetrar no prnto central da
análise, julgamos necessário identificar a posição que esses co
merciõntes ocupa.vam na estratificaçac da ?ocieJade local.
No B r a s i l da segunda metade do séc'ilo XIX, a orgai.:
ção da produção ainda estava montada no trabalho escravo e
9 ‫י‬:anã‫ ר־‬propriedade. Desta forma, a lavoura e>;t-t.nsa continuos a
Gtecc?mpenhar pap“ l de ‫■י='■־״׳‬vo n- sociedade, 00‫!יזי‬-‫ ר‬sei‫■־‬:‫ ■'־‬b ‫׳‬
í c‫ר>■י‬o da eco
noii ici. r■-■:‫ '־־‬ur‫־‬incj-0 al üe riqufc;r.‫ב‬-, e acLaaul<10 a0 de cap: ■‫־‬.i is e eie
mento primordial Jrt. troras comerciais (1) . Assim, não se alterou
a posição que o Brasil ocupava no mercado internacional, como for
npcf-dor de matérias-primas e comprador de produtos manufaturado:•-
0 rompimento do pc<_‫־‬to colonial, colocando-o livre da exploração
nietropolitana, verdade significou apenas uma transferência de
dependência. Via-se agora inserido no novo esquema dc\ divisão iri
ttrn¿1cional á o tr¿.balj‫־‬.c d ‫^׳‬v:‫־‬ndo complementar os interesse:' do 0_‫י‬
73

pitalismo industrial, representado sobretudo pela Inglaterra. E£


sa nova linha em expansão manteve o caráter essencialmente agrã
rio do país, estimuleindo o desenvolvimento do latifúndio e do tr^
balho escravo ou semi-servil, o que inibiu a divisão interna do
trabalho e a formação do percado interno. Esta situação intens_i
ficava, na economia nacional, o caráter mercantil prê-capitalista
herdado do período colonial. Os valores e formas de comportamen
to eram ainda típicos de sociedades agrárias aristocráticas: "de¿
valorização do trabalho manual; culto ao lazer; espírito rotinei
ro; pouco apreço pelo progresso tecnológico e científico; rela
ções de dependência; família extensiva; tendência à o s t e n t a ç ã o 2 ) '‫ )י‬.
Não obstante, as transformações pelas quais passava o
capitalismo internacional iriam minar os alicerces da formação so
ciai oriunda do colonialismo. 0 mundo industrializado, a partir
do século XIX, não mais, se limitaria a exportar capitais sob a
forma de empréstimos públicos, ou manufaturados, para as áreas pe
riféricas, a exemplo do Brasil. A isso somou-se o interesse em
investir diretamente em obras de infra-estrutura, estimv.lado ora
pelo avanço tecnológico, ora pelas crises internas do próprio si£
tema capitalista. Como vimos .
‫־‬:•‫•־‬cr‫־‬,‫'•׳‬rr..c-r •
‫נ‬.-‫ ״‬o cr.;;itr-:j.ismo antsr
nacional investiu em estradar f^iro, portos, companhias de gás,
bondes e outros m e lhoramen‫־‬: urbanos, em muitas regiões do país.
Além desses investimentos, :ião pode ser esquecido o afluxo de co
merciantes estrangeiros, como portugueses, ingleses, franceses, a
lemães e outros. Em graude parte, representavam inoerense« do (‫¿י‬
pitai lurâneo, desde quando gere 1‫ב‬ciavõ.‫ יזז‬fiiraas cujas Tiatrizes sc
localizavam em seus poises de orige!n.
Pressionada r.^las novas c::‫־‬i.qê>‫'־‬-c‫*־‬ar sisceruc; r=íDÍtali£
ta, ? econoiuict ¿rasr icii? ^-01.r0 a pouco sc >..c‫^׳‬iii cava Observer
se ■‫־‬u■•-•.•. lir‫״‬. ? g : ■ ií■ va r‫^׳ !׳״‬.o H1c:rcc-òc-■ ‫■־‬.'
com a passagem da manufatura pdr 0 o sistema xabril, com introa_u
çao da máquina a vapor de aperfeiçoamento na técnica de produção
manufatureira e agrícola, com o floresci :r,ento das reloções capita
listas, presentes nas principais atividades"(.
‫ )י‬. Foram inaugura
dar., no Brasil, 70 fábricas, entre 1850 e 1860, as quaiF produ
ziam chapéus, sabão, tecidos de algodão e cerveja, cora a utili :;_1
':’‫;־‬o (’f, motor hidráulico ou a vapor. Além disso, foz am fundad•‫■¿־‬
14 bancos, 3 caixas ‫־‬económicas, 20 companhias de navegação a v^
i‫ר‬or. 23 ccr‫־‬pa‫־־‬.hiar de seauro, empresai Jo ^ ‫־׳‬r.'.'sportes urbanot ‫׳‬.‫ ־‬u
c7.
‫׳‬nstruçao de 8 estradas de ferro(4).
74

Nas unidades de produção, existia a figura do trabalh^


dor assalariado, porém em quantidade reduzida. Stanley Stein ob
serva que, nas 70 fábricas fundadas em 1850/60, o pagamento de sa
lârios aos operários era visto como novidade. "Atitude admiss^
vel numa sociedade onde o escravo era praticamente a única mão-d£
obra disponível'5) ‫ )י‬. Mas, mesmo assim, a presença do trabalho a£
salariado significava que, embora lentamente, a sociedade bras_i
leira atravessava uma fase de transição e mudanças. Essas mudan
ças aconteceram principalmente nos centros urbanos litorâneos mais
expressivos do pais e geraram, progressivamente, nesses centros,
mudanças sociais observáveis. A sociedade brasileira manteve-se
rural e aristocrática, infiltrada, porém, por novas formas de re
!acionamento social, oferecendo maiores possibilidades de mobil_i
dade e ascensão social. Os habitantes do Brasil urbano já se a
fastavam da cultura e sociedade tradicionais e procuravam imitar
os costumes das nações por eles consideradas desenvolvidas e mo
dernas. Maior número de pessoas mudavam-se para as cidades, en
fraquecendo seus antigos elos com a vida rural. E o aumento do
comércio exportador, como informa Richard Graham, forta.lecia os
novos grupos urbanos, onde muitos brasileiros já participavam das
atividades comerciais (6) . Cada ve ‫׳‬: ■r.aií^, .‫־ •=־‬
resi‫^׳‬,r-;nt•‫־‬.‫ד‬: citadino?^
trabalhavam nos novos estabe ‫ר‬ _‫חי‬3 ‫ י‬.• ';a^‫׳‬:ca1 1 0 s , em empresas de
transportes e em companhias ‫ ׳<׳‬seguro que se formavam. 0 cresc_i
mento urbano de alguns mu.:-.o.\pios, como o da Corte, São Paulo,
Salvador, Recife, Belém, ?orto Alegre e Curitiba, entre 1872 e
1890 , refletia as mudanças que 5e vGrifjr!3vam na organização so
ciai brasi. ]«ira ( ‫ מ‬.
A sociedaO.^ baiana se ins‫^׳‬r^. resse quadro, no qual coe-
xistiam estruturas tradicionais c novos e.To.roondin-v^ntos. Na cap_i
t?l du Prov’^ ‫׳‬:'ia, ‫=׳‬ i•'Jmente na !o.rt® D g I x u da cidade,
r3m-t>t= númerc :‫ר‬.-: - ‫ י י‬. - ‫ ת ־‬ne^ t •'¿‫י‬.'rt..cr . alcr^ães
qoe, ao lado de po 2 i‫׳‬.g^aeses e >‫>)־‬:asileiros, o.xerceram p 1 -
‫^־‬jsnçc. '
‫^•־רי׳‬
cante na economia e sociedade locais. Casas comerciais, c.^ipresas
e lirinas, como Richard Lattan e Cia., Meuron e Cia., ílumber e Cia,
Marinho e C i a . , Cox Irmãos e Cia ., Lima Irmãos 3 Cia.,Wilson Bons
e Cia., Empresa Edificadora Pinto Moreira e Cia. estavam ali ins
taladas.
Na medida em que o coniércio se expandia, sentiu-se 0‫ין‬
C'■‫׳״‬jicl' r t. Ja fc’:n11'^ão de estabelec 1 r>!ontos do crédito que facxxi
75

do a ocupar lugar de destaque na sociedade(11).


Em resumo, a segunda metade do século XIX, na Bahia,
correspondeu a um período de transição no campo das relações soc¿
ais e económicas. A manutenção das características da economia
colonial de produção voltada para exportação não impedia a pene
tração de atividades, recursos e técnicas vindas de áreas indu_s
triáis externas, que influíam no aparecimento de relações de cu
nho capitalista, na sociedade local. Evidentemente, não se pode
generalizar tal afirmativa para a realidade de toda a Provincia.
A cidade do Salvador era o centro das decisões administrativas lo
cais e ponto de convergencia do comercio exportador/importador.Co
mo capital da Provincia, foi mais vulnerável ao processo de tran
sição que se instalava nos centros urbanos litorâneos mais expre^
sivos do Império brasileiro.
É preciso ressaltar que as novas atividades que se de
senvolviam no plano económico não implicavam necessariamente trans
formações profundas ao nível da estrutura social. Estudos socio
lógicos têm demonstrado que as transformações ocorrem em ritmos
diferentes, no plano político, económico, social e mental. No
que se refere à sociedade baiana da época ^ ver’.fica-se que o cará
ter elitista e escravista per.-^■ 'i«- ‫־‬.‫״‬.‫ ל‬xp]e‫״‬jc¿s ■vjciais. Porém,
pode-se admitir que a socieífr■^ de Salvador j á sofresse influên
cias da transição que se no campo económico.
A coexistência c . e relações pré-capitalistas e capitali£
tas, num mesmo espaço s r c ’.?l,‫ ־‬nos levou a retomar a situação con
creta vivida por 3 £sa sociedade na época, a fim de reconhecer■
suas característica:- específicas. Aut.'reG outros, ertudando a so
ciedade baiana do século XIX, realiza.L ‫ ״!ד‬Lr‫' ׳‬:=ilh0 L tentando expl¿
car essas especificidai'^c ‫ ־‬destacando‫־‬:‫־‬:^. •=let: os do Th?les
de 2.j-‫־‬.‫־־‬cdo, Zahidé :j 0:‫ י‬c :15‫י; ^י׳י‬u 7 u^•‫׳׳^־‬ Si‫ר‬vc1 C-‫״‬tos(12) .
Observaremos que hã ‫־׳‬.oincidèncio òe opinião entre esses cccc
its no sentido de reconhecer a ‫’י‬c ‫^ו‬uação transitiva‫ יי‬da e.‫ר‬tratif_i
caç~- estamental para a classista, na sociedade baiana da época.
Desse ponto de vista, faremos ?. ide:1tií:icação acral dos componen
tes da estrutura social baian.-i, sugerida pelos autores referidos.
A Bahia da segunda metade do século XIX estava social
rnc.;i:n estruturada em três classes(13): a classe dor.inante, compos
c‫׳‬.‫ ר‬ar V ■‫י‬tocr?ci a aarãria dos sonLores de engenho, c^g fa^enc;‫_'־׳‬i_
fos, de cre rdes coirorciantcs e dos alvoo funcionários civis o ^:1
76

litares; \1ma classe intermediária, que se esboçava em Salvador e


nas maiores cidades do Recôncavo, representada por profissionais
liberais, funcionários públicos e comerciantes médios; e uma cia¿
se inferior, onde estava o contingente de escravos e o "povo",
constituído de oficiais mecânicos ou operários, artesãos, traba
lhadores não qualificados, vendedores ambulantes, rendeiros, m i M
cianos e desocupados(14). Essa estrutura da sociedade baiana i
dentificada por Thales de Azevedo, ainda que o autor não tenha es
tudado a diferenciação social no meio rural, é a que mais se apro
xima da realidade social urbana da Província. Não é objeto do
nosso trabalho aprofundar formulações teóricas sobre classes soc^
ais. 0 que nos interessa é captar o espaço social ocupado pela
burguesia comercial. Foi esta a fração da classe dominante cujos
interesses estiveram mais diretamente voltados para a moderniza
ção do porto de Salvador.
Como f o i d ito an teriorm en te, esses com ercian tes d ed ic£
vam -se a v á r i a s a tiv id a d es, além d a q u e la s e s t r i t a m e n t e co m ercia is.
M onopolizavam o c o m é r c io e x p o r t a d o r / i m p o r t a d o r , mas tamijém eram
p ro p rietá rio s de i n d ú s t r i a s , de tr a p ic h e s , de oompanhi de paque
tes, de n a v io s e de alvaren ga:- ‫־‬,‫י‬ ^ o . . c o r r i . ‫ ’־‬p a r a a hetcroge
n eid ad e, f r a c i o n a m e n t o e c o r > - , ‫׳‬e n t e d i v e r s i d a d e d e i n t e r e s s e s no
in te r io r da p r ó p r ia f r a ç ã r • ‫־׳‬. . c l a s s e . 0 con ju n to das a tiv id a d es
que o s lig a v a ao c o m é r c i o ¿ '.p o r t a d o r e ao s e t o r in d u stria l n ã o po
d ia con tin u ar lim ita d o con d ições o b s o le ta s e u ltrap assad as do
porto dc S a lv a d o r . ^issim a m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o f a z i a . ‫־־‬s e iiecc¿
sá ria e ju stifica v a as 1 e i v i n d i c a ‫ ;׳‬õ e s 103 i n t e r e s s a d a s . E ntretan
to, a rea liza çã o d e s L o e m p r e e n d i m e n 1_c v aJ. '‫־‬: b a r r a . v , ta m b ém , em um
c o n j u n t o d e d i f i c u l d a - ? . ‫־‬rS d e o r d e m
Esses pr'‫י׳‬oiemf.s ac ordem local , qu^ Xcr. ^‫ודי‬ torno
das posr ibxliuado‫״‬. ãe moderiiisr o porto jjciu^no, estáa ■•-io^ ’‫מייי־‬
aos aos choques de interesses no interior da fração de ceasse re
p x “tentada pelos grandes comerciantes. Os interesses diferencia
dos dessa fração de classe, quanto à questão, permitiram-nos di£
tinguir dois grupos com posicivona^ento distinto am do outro; o
grupo dos peticionários e o grupo dos contcistadores. 0 primeiro
eptava constituído por comerciantes que reivindicavara a modern!>a
aa‫׳‬
:) ãraas do porto que almejava’’'
, controlar. Já o grupo
contost^do:-.‫־‬es engloLava os comercian!‫־‬as quo eram também propric■' .
i:rup1ahcs. A m o ‘.‫־‬a ] : r i n c i p a l ‫־‬s o s c o r L u p o fix av a-se 1;a ct'11
77

tin u açao das doeas de atracaçao, d o s t r a p i c h e s e d a s a lv a ren g a s.


Enquanto o s p e t i c i o n a r i o s lu ta v a m p e l a m o d e r n iz a ç ã o do e s p a ç o p or
tu á rio , os outros in sistia m p e l a p erm an ên cia do p o r t o a n tig o .
Peticionarios e contestadores equiparavam-se em prest¿
gio, exercendo em Salvador influencia de igual valor, a nivel so
cio-económico. Participavam dos quadros da Junta Diretora da ACB;
movimentavam capitais; mantinham relacionamento ou representavam
firmas estrangeiras; e estavam vinculados às atividades industri
ais e ao setor financeiro. Além disso, havia entre eles identida
de de interesses, em se tratando de vários setores da economia lo
cal. 0 exame da situação de alguns componentes dos dois grupos
corrobora essa afirmação. Antônio Francisco de Lacerda (peticio
nário) e Antônio Pedroso de Albuquerque (contestador), por exem
plq, eram sócios da indústria "Todos os Santos", em meados do sé
culo XIX. Da mesma forma, Joaquim Pereira Marinho, Joaquim Lopes
de Carvalho e Querino José Gomes (contestadores) faziam parte do
Conselho da Direção do Banco da Bahia, ao lado de Antônio Francis
co de Lacerda(15).
Mas, se a identidade de interesses estabelecia equilí-
brio ‫׳‬:-.‫׳■׳■־‬if' o■^ yrur:‫־׳‬j, cbservamcr- que, em termos numéricos, o
grunr con testadores, composto de aproximadamente cem indiv _1
d‫־‬
. {ANEXO VII) era cinco vezes superior ao de peticionarios —
v.'.ute indivíduos como consta no quadro do Capítulo II. Essa
diferença numérica era aprofundada, como veremos, pela postura
conservadora dos primeiros e pel‫ ״‬nnmport^mpn-t-r) ‫־‬individualista dos
últimos
‫ר‬ro lu g a r, t r a t a r e m o s do gru p o d e p e t i c i o n á r i o s .
0 p o n t o d''- p a í t i d a >:a e . ' t a .-■r^lise f o i o texto d o s p r o j e t o s cons
■‫■ ״‬-.;:es n o C a p i t u i v - 7\. ¿'OC-^-eriormeni.G, v o r o m n s o por> 1‫־‬,‫׳‬ê d a i n s i s
3 ■ ‫ז‬v50r e o e!:! ‫׳‬:‫ן‬: '‫ י‬u c r t o 0 . 1CJ 7 0 .
No teor àc- cada propo3'‫־‬.a, odí ‫ ^ ־‬, ^ .‫נז‬ o grupo peti
cionário estava aberto à introdução de técnicas mod-‫ ^׳^ח־׳י‬para a
tendimento do r.ovimento port.iario. ‫'י‬Diqaes ‫׳‬:cxvidos por aparelho
hidráulico", '‫י‬comun‫ נ‬cação do cais com o co:,‫׳‬jrcio através de viadu
te e ‫יי‬tram-way ‫יי‬, "linha férrea para servar ao porto“, são expre£
se ‫?־‬s constantes em seus pedidos. Tencijnavam, assim, equipar o
porto baiano conforme os p¿:droes europeus ■.1.a e ‫נ‬.jso]
‫׳‬ ‫״‬er os
problemas seculares vividos pelos nogorian'‫־‬.‫׳‬je sediados em ¿alva
flor. jc demonc Lrarain or‫ !׳‬i1!o^.;or
No entc~:'_;.‫■״׳‬, ao lado do interesso q’
78

nizar o porto, percebemos que seus projetos estavam permeados por


forte dose de um individualismo imediatista. Esse individualismo
se expressava na delimitação da área a ser beneficiada. Assim, se
uma proposta objetivava ‫'י‬construir uma doca na Praça do Ouro ‫'י‬, ou
t r a pedia para construir uma doca entre "Agua de Meninos e o Lar
ao do Pilar"; uma pretendia '‫י‬construir uma doca em frente â sua
fundição na Jequitaia", e mais outra "construir uma ponte em fren
te a sua fábrica de produtos químicos e saboaria", também na Je
quitaia. Claro está que•as obras propostas não visavam benef¿
ciar a área portuária como um todo, mas apenas aquele trecho que
favorecia os interesses de cada peticionário isoladamente. Além
do mais, como teremos oportunidade de comprovar, as propostas não
tinham sentido de complementariedade. Elas se atropelavam e, ãs
vezes, eram enviadas ao Governo Imperial simultaneamente, chegan
do ‫״‬a coincidir até mesmo quanto ao espaço pretendido. Os mapas
anexos nos ajudarão a entender como os projetos se superpunham,no
tempo e no espaço. Eles contêm a indicação da área reivindicada
por alguns proponentes e mostram áreas de atrito entre os Ínteres
s. s diferenciados dos comerciantes peticionários e dos comercian
tes proprietários das docas de afracaçao.
A concessão feita av.’ ~^‫ '~יזי‬, rcr’'r-;: 10.‫בן‬-.‫ ־‬Governo Im
perial, no início da década ;0, perdurou até 1887 quando foi
considerada caduca. Essa ^..M^jessão favoreceu‘a formação da Bahia
Docks Company Limited, quf, sobreviveu até o final dos anos 70.
Pelo menos, de 1872 a 1^.7‫׳■׳‬, essa Companhia se propôs a executar
melhoram(;ntns na área compreendida entre A g u a áe Meninos
e o Largo do Pilar, como pode ser obsc-..‫־‬vado no mapa. Mas, se a
Bahia Docks Company Limited, durante c de sote anos (1872
/1879) , se interessou oír. reformar esb-. orce., o ;^.ome.:’cianLe.* !'iroel
Souza e ^■‫ו^־‬v.‫ג־‬. •-.r 1075, ‫י<^וי׳‬o^^va plrn!"-'. benefi
ciar a xegiao do 1-orte da Gaiuboa ao Forte a:.■ são Marcelo
ccmos, ainda, que, em 1877, a Empr-sa Edificadora, de uMlidade
pül'i Lv-, interessava-se por uma área independente das daas propos
tas anteriores: pretendia alarçar a Ci-.:ade Baixe, ceode a Alfânde
ga até í; Igreja do Pilar. A proposta da Empresa Edificadora e a
do comerciante Manoel Joaquim dc Souza e .Silva, como constam no
‫!;;;נ־ית‬., seriam de certa forma absorvidas pelos projetos de José .:.n
tôr.ify dc ‫׳‬.''auio (1878) e Pinto i‫'־‬.oro2 ra o Cia. (1879) . o ma ‫ר‬-,
ii portante c que a ;‫ר‬roposta de José /,‫ ר‬ionio de Araújo, "consti 1‫י‬:-r
''..olhe o•-, ãoca nos torronos visinlios ao :;0 .L0 ád0 do Ouro e :11.‫י‬.‫־‬Lo.
M
D
ÁKZA portuaria de.salvad or
GAÍffiCA/JEQUlTAIA

P r o j . Irmãos F e r r e i r a s ( I T O,7 3 ‫) ׳‬
P r o j . B a h i a Docks Compaiiy l , l f - 7; / 79) —

Pro j .M. Joaquim de S. e S i . . v ' Q 8 7 5 )


Pr oj .E m pr esa E d i f i c a d o r a ,- .’ '7) -<— ( - - - > . . ^ . 1

P r o j . J o s é ‫'־‬.ntonio de A r ‫־‬.j 0 (1 8 7 8 )

P r o j . P i n t o Moreira e M a (1879) *
Px'.’j . J o s é ?!nhonic d.-‫ ־‬Ara. ,‫ ־‬o ( 18'.-’2) 1-.1-...<-->■.‫־‬-•-
CO

P r o j . J o s é Anhonio áe Ara‫”׳‬.: o ( l!" 86) o

P r o j .C o x Irmãos e C i a . (13 ;5; .'6) ‫* •־‬

‫י‬irti ? T U 11Trrr‫־־‬rr-:
81

Barbara", co in cid ia , em g r a n d e p a r t e , com a p r o p o s t a d e P i n t o Mo


reira e C ia ., que s e empenhou, um a n o a n t e s , em c o n s t r u i r ‫'י‬uma d o
c a n a P r a ç a d o O u r o ‫'י‬. Todos o s p r o j e t o s m e n c io n a d o s foram d ir ig _ i
dos ao G overn o I m p e r i a l no p e r í o d o 1872/1879, é p o c a em q u e a Ba
h i a D o c k s Company L i m i t e d s e m o v i m e n t a v a n o s e n t i d o de r e a l i z a r
seu p la n o .
No i n i c i o dos anos 80, contam os com m a i s d o i s p r o j e t o s :
o de J o s é A n tô n io de A raú jo, que i n s i s t i u em m o d i f i c a r a área Ic
ca liza d a entre o A r s e n a l da M arinha a t é o C a i s Dourado e o p lan o
C ox , q u e a l m e j a v a r e f o r m a r o e s p a ç o situ ad o entre o F o r te da Je
q u ita ia e Agua d e M e n in o s, bem v i s í v e i s n o m ap a.
C o n sid e r a m o s que o a b a ix o r e l a t a d o , envolvend o a firm a
Lima I r m ã o s e C ia. e Cox I r m i o s e C ia ., é bastan te i l u s t r a t i v o . E£
sas duas firm as e n t r a r a m em a t r i t o por e s t a r c a d a um>a i n t e r e s s a d a
em c o n s t r u i r o seu porto in d iv id u a l. Por v o l t a de 1 887/1888, L¿
ma I r m ã o s e C i a . r e q u e r e r a m ao D i r e t o r d e O b r a s P ú b l i c a s licen ça
para c o n s t r u i r uma p o n t e "em f r e n t e " â sua fá b rica de sa b ã o , na
J e q u i tú .ia ( 16) . A co n cessã o d e ssa ponte p r e ju d ic a r ia a Cox Ir m ã o s
e C ia. que p o s s u í? uma f u n d i ç ã o n o mesmo l o c a l . D e s d e -1885, e¿
t-a f i r m a , r e p r e se n ta d a p elo en gen h eiro in g lê s Edmundo •'‫ ־'׳‬,
pedia para co n stru ir uma d o c a em f r e n t e , d a s u a fundiçI-=..• alegava
que s e r i a b astan te p reju d icad a, c a s o o p e d i d o d e L.v,-/. / r m ã o s e
Cia. fosse a ten d id o . F icariam p r iv a d o s d e m e i o s d e r,mbarque e d e
se r.iharque d o s ob jetos fab ricad os ou n e c e s s á r i o s ?.‫י‬ fu n cion am en to
da f u n d i ç ã o , por f ^ .lt a dc e s p a ç o g por d i f i c u iã a d e s de a t r a c a ç ã o .
CoíT I r m ã o s e C i a . , p e r c e b e n d o a p o s s i b i l idad■-: d e f i c a r na d e p ‫■־‬n
■í^ência d o s seus v iz in h o s, e x p e d i r a m um o f í c i o :-.o D i r e t o r d e Ubr^.c
P í ' b l 1 c‫'־־‬.r ,. r e c l a m a n d o e p e d i n d o p r o v i d ê n c i a s . A : ';.•*‫־‬mavam q u e a
t e p r e t e n d i d a p c ‫ ־׳־‬T.im‫'־‬- I r r ^ o r c cia. compro^r;: 2t ‫‘=׳‬r•■5^‫ ׳‬-‫^׳ י‬ a t ‫ רזז■ י‬d a d e c
üà ‫ י־‬ii ã ‫ '״׳‬r o P c i o n a r i a ap ?.n as para '!uprir as n:%o‫ ^־‬- s s i d a d e s
da s a b o o r i a . ü s x<_r-..aman-^es d i z i a m q u e a p o n t e seria ‫ 'י‬q u a n d o mu¿
t o um j a e i o e s t r a n h o a o serv:■ c o •‫^׳‬a mesma f á b r i c a " ( 1 7 ) . 0 ‫יי‬m e i o es
t r ‫ ^ך‬h o ‫ 'י‬r e f e r i d o p o r Cox I r m ã o s e C i a . sig n ific a v a que, conrtru¿
da a p o n t e , ela e>>‫־‬. r c e r i a as fu n ç õ e s de c a i s , r e c e b e n d ‫׳‬:• e despa
chando m e r c a d o r ir \3 da s a b o a r ia e de o u t r a s in d ú stria s adjacentes,
conferindo lu cro s aos seus p r o p r ie tá r io s . A in sistê n c ia de C ox
Iriuão.-^ e C i a . e 1!1 b o r r a r 3 cuns c r u c io da p o n t e p l a n e j a d a p or Liii-o
Irmãos e Cic: ■1.1■■.; a outras r‫־‬a:‫־׳‬õ e s . No c^no d o s d esentendí
;•lentos (18^ 7/1883) .-ntro uuas ‫" !־‬jimat;, Cov, I r m ã o s e C i a . h a v . /’‫י״‬
82

r e f o r ç a d o um p e d i d o , ap resen tad o desde 1885, para co n stru ir uma


grande d oca n a q u e la área. C o n s t a v a na p e t i ç ã o q u e d e s e j a v a m 'b o n £
tr u ir nos terrenos da m arin h a que fic a m p r ó x im o s ao d i t o esta b ele
c i m e n t o uma d o c a p a r a c o n c e r t o o u r e p a r o d e n a v i o s , v a p o r e s ou
q u a l q u e r e m b a r c a ç ã o . . . ‫ יי‬e l o g o ad ian te e s c la r e c e que a su a prete¿¿
são não c h e g a r i a a im p e d ir que o u tr o s p e t i c i o n a r i o s co n stru issem
d o c a s n o mesmo p o r t o ( 1 8 ) .
0 r o l de p r o je to s an teriorm en te d e s c r i t o e m ais o con
flito en tre L im a I r m ã o s e Cox I r m ã o s e C i a . e v id e n c ia m que o s pe
ticio n á rio s lim ita v a m -se a e la b o r a r p ed id os iso la d o s. Em outros
term os, cada q u a l q u e r ia ter o seu porto p a r t ic u la r . E sta a titu
de s e d e v i a a in te r e sse s bem p e s s o a i s de e f e t i v a r ou c o n s e g u ir do
m inar á r e a s do p o r t o onde estavam e s t a b e le c id o s . No c a s o espec^
fico d e L im a I r m ã o s e Cox I r m ã o s e C ia . , v e r i f i c a m o s q u e amiDas a s
firm as eram p r o p r i e t á r i a s de fáb ricas na J e q u i t a i a .
08 Irm ãos F erreira s, em 1 8 7 1 , basearam seu p ro jeto no
p e d id o do s e u g en ito r, João G onçalves F erreira , feito h á 17 anos
atrás. C om erciante de d e s ta q u e , G onçalves F erreira p ossu ía mu_i
tos im õveis (casas co m ercia is escritó rio s) n a Rua d a s P r i n c e s a s ,
f a t o que d ev e t e r in flu íd o n a e s c o l h a do t r e c h o a ser reform ado
— d ‫׳‬. - rrpç•■ d o v o m é r c i c ‫ — ־‬que i n c l u í a essa rua(19).
Não ‫ ׳‬.■’‫׳‬.■‫׳‬j c g a x u r e a l i z a r o p la n o , mas s e u s filh o s, no i n í c i o da ãê
c.-x:r á e 70, ob tiveram a c o n c e s s ã o do Governo I m p e r i a l p a ra refor
m i r e s s a mesma á r e a , dem onstrando s e r e l a ain d a do i n t e r e s s e dos
h ird o iro s.
D os tres p ed id o s que o ‫רומ‬+‫מ־‬ A n tô r io de A m ú
jo f e z :‫ ר׳ד‬GCv-eriio Ir‫״‬p c r i a l , • p e l o menos d o i s (lò /ò e 1886) abran
giam o esp 3 çc• se lo c a liza v a m C ais e Mercado do Ouro, o C ais
e M e r c a d o ? a n t a Bá ' ‫;!׳‬,;‫• ־‬ra e ^ ?. ‫ ־‬.‫־‬:^a do C o m e r c i o . A in sisten cia de
^ónio de A r a ú jo lo v o o -n u c =! a d m i t i r q ‫י‬.‫י‬fc a l ‫־‬i presentes
‫ ר‬n» w . ' i u a i ^ '•>..r>2 0 s d o p.•-‫׳‬.;--:' ’ ‘- . . ' ‫י‬ c n ã o son;‫ ״‬: ' t e o ii.•: uiLw de
canto!-••ar p r o b l e m a s d a c o m u n i d a d c o n o c e . x . c ’i . h ü c ‫ ?־‬t r a c a ç ã o d e n a
v ios e desem barque de m erca d o ria s.
C onsta no p r o j e t o •Jox q u e a p r e t e n s ã o dos su p lica n tes
na o i ' . n p e d i r i a q u e o u t r o s in teressad os c o n s :‫־‬r u í s s e m d o c a s n c mesmo
porto. A reform a p leitea d a tin h a como f!:/ 1d a m e n t o r- f a t o d o p o s s u
irep 3 a f i r m a uma f u n d i ç ã o n a á r e a d e i ‫״ ב‬tií t a d a . 2\ nt ‫^׳‬.‫ ־^׳‬d e atender
às n e c e s s i d a d e s do com .õrcio, o m a i s ir.’portoii■!‫־‬. ■ c ca z,‫!׳‬r os
transtornos que o p o r to d esap arelh ad o para a sua fu n d iç a c .
além de g a r a n t i r cs lu cro s que a sua dòca e o s seus armazéns mo
dernos com c e r t e z a lh es ofereceriam .
Ha d e v e r i f i c a r - s e que o grupo de p e t i c i o n á r i o s não se
arregim en tou a p o n to de le v a r ad ian te um d o s p r o j e t o s . Cada petj^
cion ário estava v o lta d o para s i m esmo, lu ta n d o p e lo sucesso do
seu p lan o. Sem d ú v i d a , esse com portam ento é p e r f e i t a m e n t e compre
en siv el numa s o c i e d a d e r e c é m - e g r e s s a da c o n d i ç ã o de c o l ô n i a , for
tem ente ca ra cteriza d a p ela s p rática s p r é - c a p i t a l i s t a s . Embo ra a
c i d a d e do S a l v a d o r fosse por e x c e lê n c ia co m ercia l, os com ercian
tes aqui e s t a b e le c id o s p erceberam a sua d e p e n d ê n c ia econ ôm ica em
relação ao mercado externo e d iv ersifica ra m suas a tiv id a d es e in
v estim en to s, a fim de g a r a n t i r lu cros im ed ia to s e eq u ilíb rio f_i
n a n ceiro nos p eríod os n efastos. Isso co n trib u ía para r e f o r ç a r a
em ergência d e uma b u r g u e s i a h e t e r o g ê n e a , fracionad a e, portanto,
im .p ossib ilitad a de in ic ia tiv a s "de c a r á t e r em preendedor, pragm at £
CO e c a l c u l a d a m e n t e e c o n ô m ic o que c a r a c t e r i z a r i a as a sp ira çõ es
das so cied a d es e u r o p é ia s" (20).
O in d iv id u a lism o em d i s c u s s ã o não e r a sequer m an if
ção da f r a ç ã o rep resen tad a p elo s a lto s com iercipntes • E r a um i n d ¿
vid u alism o resu lta n te d o p r i m a ‫• '״‬ ^ i;j ‫־־‬,: ‫_־‬ . • a r t ’. c a l a r e s 00
bre os de c l a s s e , e de forma r a.npla, sobre os da com unidade.
E s te problem a e r a reconhec;: p ela s p róp rias au torid ad es lo c a is.
Em m e a d o s d o s é c u l o XIX , o r !-‫׳‬r e s i d e n t e s da P r o v í n c i a , Desembarga
dor João J o s é d e M ou ra M‫־‬. a ‫ ^־‬l h ã e s e F r a n c i s c o G onçalves M a r tin s , re
ferin d o-se à in d ñ rtria na B a h ia , afirm aram que e l a se "doccn volvia
a l e n t o s ‫ יי‬de^^-ido a f a l t a d*‫־‬, " c a p i - c a i s " , d e 7 :•00‫יי‬u r a n ç a ‫יי‬ e
de '‫י‬e s p í r i t o de a s s o c . I a ç ã o '‫ י‬, p a r a e l t - s f .- . c 7 0 ‫־‬s e ‫ ״‬c a i x h a d o s ‫ יי‬. F ala
vam a i n d a sobre o "egf^'3mo e a ina^. •T‫־׳‬í r e o ç ? ‫יי‬ ;.^.‫־‬po o ^ u s i‫'־״‬ atro
fici^ic^.ito p a r a o p r o a ! e s c ‫׳‬: <f i > .
I!r.‫־‬i c r a ü -sp o n lv c^ , cupj.ua1 Lr ‫יייל‬g e i r o , ' 10‫דיי‬
rossado em i n v e s t i r n a i n f r a - e s t ':‫גי‬t u r a b r a s i x e i r a , ficava na ae
p er.d ên cia d o s in te r e sse s lo c a is, p ú b lico s e p rivad os. 0 E stado
não s e d e c i d i u , a p o i a n d o o u r e f u t a n d o ao p o s s i b i l i d a d e s de tran£
form ar o e s p a ç o p o rtu á rio , e o gru p o de p e t i c i o n á i . i o s , sem ap oio
dos p o d e r e s co n stitu íd o s, fracion ou -se e assum iu com portam ento i n
d iv id u a lista em t o r n o da q u e s t ã o - De uma f o r m a o u d e o u t r a , a j.
■♦.‫ ב‬tü'.;‫•׳‬: i n d i v i d u a l i s t a que m inava o grupo de p e t i c i o n á r i o s e af:;£
tava s e g u r ¿;;nente a p o s s i b i l i d a d e d e c o e s ã o ou d e c o l a b o r a ç ã o c;_
‫־‬L:‫ ׳‬r■ 03 .'-•eL■?■ ii-'^-mbrc-s, co n stitu iu nm d o r cen trais do
ço ã r e a l i z a ç ã o dos seus p róp rios p lan os.
84

Chamamos a a t e n ç a o p a r a o f a t o de que, enquanto o s pe-


ticio n á rio s disp utavam e n tr e si a p o s s e de •certas áreas, ou e n v i a
vam p e t i ç õ e s iso la d a s ao P o d e r C e n t r a l , p a r a le la m e n te o grupo dos
contestadores se co n so lid a v a , defendendo, em b l o c o a p erm an ên cia
do p o r t o a n tig o . Se m o d e r n iz a r o p o r t o de S alvad or era o desejo
de c a d a p e t i c i o n a r i o , ap resentava-se to d a v ia para os tra p ich eiro s
como a s s u n t o in d esejá vel. A co n cretiza çã o de algum d o s p rojetos
com entados a n t e r io r m e n t e im p lica ria n ecessariam en te a d esa tiv a çã o
dos t r a p i c h e s , das a lv a ren g a s, en fim das docas de a t r a c a ç ã o . Por
isso , o grupo de tra p ich eiro s c o n t e s t o u as p r o p o sta s de m od ern iza
ção e d e f e n d e u a p r e s e r v a ç ã o do p o r t o a n tig o . E scla recer a pos_i
ção c o n t e s t a t õ r i a do grupo s i g n i f i c a não p e rd er de v i s t a que a a
tiv id a d e de tra p ich eiro era tra d icio n a l, n ecessá ria e, sobretudo,
lu cra tiv a . A ex istên cia de t r a p i c h e s no p o r t o de S a lv a d o r remon
ta ao p e r í o d o colon ial e, ao l a d o d a s o u t r a s a tiv id a d es desenvoj.
vid as p e lo grupo, r e p r e s e n t a v a m a i s uma a l t e r n a t i v a de enriquec_i
m ento.
Os t r a p i c h e s a u m e n t a r a m em n ú m e r o , ao lo n g o do sécu lo
XIX, como d e c o r r ê n c i a d a i n t e n s i f i c a ç ã o do c o m é r c io i n t e r n a c i o n a l
e r F : '‫־‬. o n a l . N o r !‫ ־•יד‬i m e n t e e n c o n t r a v a m - s e abarrotados de )‫■־‬ro‫׳‬. vuto^
L iad icion alm en te d estin a d o s â exportação e d e produto?* ‫״‬ u
dos i m p o r t a d o s . D efin itivam en te, a e x p a n s ã o d o c omé ; ‫־‬-‫' \־‬ in tern a -
cion al reforçou a i m p o r t â n c i a do p o r t o d e S a l v a d o r r^mpli ou o p a
p el do t r a p i c h e no p r o c e s s o de e n tr a d a e s a id a de m ercad orias,
transform ando-o em e l e m e n t o i n d i s p e n s á v e l à c o n t i n u i d a d e ud5 tran
saçÕ G s c o m e r c i a i s .
A lv es câmara e s c l a r e c e o quanto e s s e s trap ich es 0 ;‫י י‬, :‫■־׳‬o
-éns eram n e c e s s á r i o s . E m p o r i o c o m e r c i a l d e t e d a a P r o v í i : - ‫ ?׳‬l a , o
D orto de > - i l ‫־‬-'a<^or r e c e b i a todc" r.2 g é n n r c ‫ ״‬.‫יי‬- e x p o r t a ç ã o ^,‫־‬o
\ d? r e g 1 3 : ‫ ־‬i ! Lfcricr?,’^^ o u c o 3 t c . i r a .
c i a m iio ‫יי‬ ‫בי־‬ sorem r e e n v i a d o s , p o r r‫׳‬u r , p a r a ‫ י־ה‬m e r c a d o s
externos. O mes mo a o ^ n t e c J a com o s p r o d u t o s im p ortados, qu;- che
gavam a o p o r t o e eram ‫ ¿ ר‬e x p o r t a d o s p a r a a s cidades e v i l a s do Re
cóncavo, ou p a r a ovrras p ro v in cia s, p o r v i a m a r í t i m a (22! .
T ra p ich c.s de o u t r a s p ro v ín cia s, como p o r e/.;-:mplo o s do
Rio d e J a n e i r o , não tinham im p o r t â n c ia e q u i p a r á v e l a o s ca B a h ia.
A li, os serv iço s p r e o ; ‫־‬.•:;c:; p^;.i,a E s t r a d a d e F e r r o P e d r o II, fa c ili
tavam o t i ñ n s i L o ãc k :f ^n er o o d e i r . i p o r t a ç ã o / o x p o r t a ç ã o p o r v i ¿ tor
restre, send■•' o \ 0 ^.‫ י‬d o t m p i c h c l : . m i c a d a a p o n a 3 a o t e m p o d e cn n » •
da c s a í d a d ;s r . o r c - ^ J o r l í i s ( 2 3 ) .
85

Mas, a lé m da f u n ç ã o de d e p ó s i t o que o s tra p ich es b aia


nos e x e r c ia m , ha o u tr o aspecto a co n sid era r. T rata-se dos lu cros
que não s o m e n t e o s tra p ich es, mas a s d o c a s e a s alvaren gas propor
cionavam a o s seus p ro p rietá rio s, resu lta n tes da s u a u t i l i z a ç ã o .
Com e f e i t o , os tra p ich eiro s r e c e b ia m pagam ento p e l a an
coragem de n a v i o s de lon go curso, de c a b o ta g e m e de em barcações
de p e q u e n o p o r t e ; p ela armazenagem das m e r c a d o r ia s feita s nos tra
p ich es; p elo tran sporte d e s s a s m ercadorias e de p a s s a g e i r o s , rea
lizad o através das a lvaren gas, caso os n a v io s de grande calado
não p u d e s s e m s e aproxim ar dos ancoradouros.
Por o u tr o la d o , a posse sim u ltâ n ea de d ocas e de embar
c a ç õ e s p e l o mesm.o p r o p r i e t á r i o co n stitu ía -se em m a i s um f a t o r de
vantagem p a ra e l e , p o is isen tava-o das d e s p e s a s rela tiv a s ã u til_i
zação das d e p e n d ê n c ia s do c a i s . Ê o que s e observava, por exem
p io, em r e l a ç ã o a Joaq u im P e r e i r a M arinho. T ra p ich eiro , dono de
em barcações que faziam p rin cipalm en te o percurso Salvad or — Por
tugal S alvad or e Salvad or Rio Grande do S u l — R e g i ã o do
Prata — S alvad or, dom inando o c o m é r c io de ch a rq u e p or to d o o
N o r t e do p a í s , liv ra v a -se d a s despe^.ris r e i v h .i v á s ã ‫׳‬:; ‫ ־‬p '. az en a ge m ,
ancoragem, e tc ., e x a t a m e n t e pr: :,er •r, si:,-.ultaneam ente, de
docas e em b a rca çõ es(2 4 ).
Outro fato a se/ í / o ‫ ^׳‬l a r e c i d o d i z resp eito aos in vest¿
m entos que o s t r a p i c h e i r o ? ‫־‬, á i r e c i o n a v a m p a r a a s docas de atrac_a
ção. F o s s e na construçf.c■ ou r c c v .p e r a c ã o de c a i s , pontes, escadas
ou t r a p i c h e s , . qu::-1i u 0 3 por in c ê n d io s , d esliza m en to s de
terras, o u mesmo peJ.■.‫ י‬d e s g a s t e do os tra p ich eiro s carrea
vam r a z o á v e l soma d e c a p i t a l para aquejas L
‫־‬a l a ç ~ e s Na s e g u n d a
metadF do s ê c i i l o XJX. ‫ יו‬0 ' ‫ '־‬. xe mpl o, épc''a ei‫״‬ cs p e t i c i c ’■‫^!‘׳‬.
=?6 1uuv1m‫ ;״־‬. t ‫׳־‬varp p a i a ‫־‬-■-.r‫'־‬I *.‫ י‬o áj Jc ;;;-:rto, 7c.'^1u
os t r a p ic h e s U n i ã o í-j Cr.s pa r ( 2 ‫ ) ל‬.
C abia, entretanto, ao E c ’.ado a u t o r i z a r ou v e t e r os me
I h o r ia i. ou c o n s t r u ç õ e s p rop ostas p elos tra p ich eiro s. Como s e re
feriu no c a p í t u l o a n terio r, caso a au torização Cosr!:e con ced ida,
os trr-p ich eiros assinavam , y ^ n to à C a p i t a n i a do P o r t o , o "termo
dem olição" . F irm ava-se a tra v és d e s s ‫־‬e t e r m o um c o m p r o m i s s o ep_
t ‫׳‬: o r : s t a d o e t r a p i c h e i r o . Os t r a p i c h e s , pontes e escadas s e r i : 1m
clGí‫׳‬-.',Aido ‫ ג‬, se^^ ‫ י‬r o e n i z a ç õ e s , s e o ü o v G r n o p r o m o v e s s e , p o r lat. l o dc
c c í n c e s s õ e ‫ ה‬p n r i i i c ü l ,‫ !־‬r e s o u a uma ccá,p: 1nh 1 , a m o . ' . c r n i z a ç ã o
or t o .
86

Ora, se as m ercadorias im portadas e exportadas, os na


v io s e outras en ibarcações, im p rete riv elm e n te, eram f o r ç a d a s a pro
curar os tra p ich es, os ca is e as alvaren gas; se as m o d ifica çõ es
nessas in sta la çõ es eram a t r i b u i ç ã o dos se u s p r o p r i e t á r i o s , o que
en v o lv ia gastos; e, ain d a se h a v ia a e x p e c t a t iv a de te ste m u n h a r a
derrubada das docas, p erm itid a p e lo acordo firm ado com o E stado,
nada m ais r a z o á v e l do que s e a f ir m a r que o s com ercian tes trap_i
ch eiros estiv essem con trários à m odernização p r o p o s ta p e l o grupo
de p e t i c i o n á r i o s . Receosos de perderem o m on op ólio de arm azena
gem, atracação e transporte das m ercadorias, com batiam o s p la n o s,
projetos e p etiçõ es qu6 r e s u l t a r i a m na d e s c a r a c t e r i z a ç ã o do p o r to
an t i g o .
Na d o c u m e n t a ç ã o p e s q u i s a d a , id en tifica m o s os nomes de
corn ercian tes e firm as im p ortan tes da p r a ç a d e S a l v a d o r q u e se de_s
t a c a v a m co m o a d m i n i s t r a d o r e s , arrend atários ou p r o p r i e t á r i o s de
tra p ich es, n a s e g u n d a m e t a d e d o s é c u l o XIX, como i n d i c a o quadro
que s e segue. O rganizado com b a s e n a s i n f o r m a ç õ e s constantes nas
referid a s fon tes, este quadro r e p r e se n ta uma a m o s t r a g e m d o u n i v e r
m aior r e l a t i v o a todos os trap ich es e tra p ich eiro s, conform e o A
VII.
Observam os, no r e f e r i d o quadro, 24 t r a p i c h e . - '‫ ־‬J l trap¿
ch eiros. A não c o r r e s p o n d ê n c ia e x i s t e n t e en tre os j:•■'.-' números
resu lta do f a t o de que m u itas vezes vários individuar, estavam v in
cu lad os a um s 5 tra p ich e. Irm ãos, filh o s, genros r.aitas vezes se
aü cociavam na e x p lo r a ç ã o d e um mesmo tr^p-i c h e c u d o c a . M anoel Jo
s é d o Conde,- seu filh o M a n u e l ú o s é do C o nd e J u n i o r e s e u o o n r c Ma
nocl José Machado c o n t r o l a v a m o s tra p ich es Ga .' p a r e U n i ã o . Oj
n.~os C‫וו‬n h a s B i t t e n c o u r t s eram p r o p r i e t á r i o s de r r a p ic h e Sc-c:‫וי‬n^:‫ר׳‬
'Áiyr, e F r a ! 1c i = : c c Gomes M o n c j i v o e A u g u s t o >^ure-rvo, do tz3

H avi^ in ^ s -^ v e ln tn te uma t e i a de p a r e n t e s c o e ú;• compa


d rio que e n v o lv i a os p r o p r i' t á r lo s . T ais v ín c u lo s estreita v a m e
fort.aleciam os in tere sses econ ôm icos tra p ich eiro s/tra p ich es. O
teria l con su lta d o , na m a i o r i a das v e z e s , o m i t i u o nome d o propr^
etário, a r r e n d a t - '.r io ou a d r ::in istr a d o r de cad a t r a p i c h e . E ssa o
r.1i s . ‫״‬: ã o , e n tr e tc '.n to , não im p e d iu a comprovação do q u a n to s i g n i f y ,‫־‬a
vo s í : r t r a p i c i - í c i r c 11c. Cr‫׳‬p i 10 5 0 0 ‫זי‬ ‫ ״׳‬XIX, o que era sem s o 11:;:ra
de d u v i d a utpa r‫■־‬tn. viu J o lu cra tiv a . Grand e p.-^rte d e firm as e dc
com ercian tes in cj.aíu os n:; l i c L ? dc trcip ich oircs erairi ‫ 'י‬n o m e s i ' . ; ‫־׳‬
TtAPICHEIfOS 0 ‫ ס‬f O X T O 8‫פ‬ SALVADOR
1 $ 8 9 »4/1‫צ‬

FOl I ÇÃ O Hi.
TRAflCEEItO Aí•‫נ‬c1í/ç0‫ג‬ 87
■ wChtRCIO/OUThJ^. C0;:;.âC:aL

Afoaciaho Cia• Lima Hei I a p;c| ?r ic tk 1 io i ébri*‫־‬ j cc io «íetivo


(IS&I) c• • * b a o

A nc o a i o da Cocba 29 X ixi »Seio «fctivo


Bi t t e o c c u : ;
(U57)
A c t o a i o de S o « z a Horaira • ú e i o da firs■« S a c t o • K o r c i r a
Saaioa Horeir» « C ia.

A t t ^ n i o J c » í da Corpo S an t o c 0 B « r c i a 0 t* 'Je í u c o
Silva traça
(1857/fcO)
^rdrofo de C aia Fedrosc co^rrciant« p r o p r i c t « r í o ‫ ״‬FÍb ri
c « e i « « ã 1 io *■;tear c• T od o # cr. Sícto•'*'
craiicaatc escratos piojí fi et rr io l e r r » ‫־‬

A u ( u a t o Co*e• co««rciaota
no BCorvo
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Ba rr os Filboa a Ci •e rc ad or d« c b a r u t o c . ciearro•
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conerci a n t « •&cir *¿rtlvo
p r o p r i e i í r i o« d a íi x m u
So)«da¿fc • C a i d a«

Ca rd oa o e Iceaoa Juliao a proptlt ‫ ל‬ri* <í• ii


(1 8S A/ÍB57) Ei a : hue 10 btict • charuco•

Bd wa rd Beca Pilar (JÇ) coBprador de algodao a


( 1870) cr.rregadcr p/V*^J« 1»ç«

r r * ac ia co da Cuaba X ixi (2ÇJ■ •éclo «íttivo


Bitieoeouft
(1Í24/59)
fr as tc ia co Jo *< da coaarcianta de fu»o
Silva Cr-ça
(165?/t0)
L ang direto r Saoco CoiacTcial da «Ócio «¿ctivo
) 18 ‫ נ‬4 /‫צ‬5 ( Bahia

fr an ci ac o lawiet Xi CO »«cio ♦íecivo


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(U7S/79)
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(U75/79)
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Joa<)wi« d a C « a b a •ócio «f*tivo


Bit tea co ar t
(1e5«/«0)
J o a q w i e L<‫־‬pt» - • « a b r o ám J u a t a
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F r o p r i * c ã r i o h a i i o h o • Cia.
acior-iii* da C i4. lrat.«port••
U r t c n o ( , V e i c u l o • £ c o d o b í c o •,
B o o d e s dc S « & t o Asiaro e Ca tr a-
d c I e r r o C e n t r a l dt M a a a r é

coaarci anta ■Se io


mciuuxáíã b/bnULã a C ai x a
(1870) r i t i a l do
! a p o r e a d o r de f e r r o , a ia co
Liaa r o a i a a ã r i o de a ç ú c a r
(1870/80)
Jo»i F i a t o Botfritaa• coKerciante propriat» ^ ds■ _ •Ócio •faeivo
da Coata faUricc \ «abão
(1870/1872)
J ú l i o C e t a r d* Koacorvo i « p o r t a d e r de
V a • c o n c c l < ‫ (י‬i a r a t a | ê n ‫ ׳‬ro•
(1875/89)

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(1875/7. !

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I g » e e x p o r t a d o r d* a ç ú c a r e
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pToptietãrl» da imÕveia e e¿
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Ka no el Jo ai do Coade Ca;nr •Selo afetiva
Ju el or ta c 0 D « u n o
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(1J«2)
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K a a o a l da S • « « « X ix i aScio da fir«• H«rali■ e
Ca apo• Ca&poa
(1877'
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Çuerluo c ‫ ■ ״‬Coaea Coaes (19 • • ó c i o da f i r ^ - U s ■ « • e Cía.
!■portante co aercianta, pajr^
t i e i p o u do C o n a e i h o da O ir e
fão do Banco Bahia
Ditec or Caixa EconÕ ai ca

‫ ז‬0 ‫ ז ל‬.‫ ז‬CALKCJ«, P r a ‫ ־׳‬. .c ‫ ׳‬..‫־׳‬ ‫ ־׳י‬C.‫׳‬ y1_/_ e c o r õ j j .c o- fi na pc el ra da B a h i a ; alesactea para hi atoxla -la It'l■«
1»M. ^«1• I're,
M L l T f X ‫־‬CS .a Jur , J ta c o r a • -ntial da B t h i a de ! 8 6 9 -1 91 0.
Si. ‫ ־‬, r .‫־‬. /. j ^ da B a h i a o oluc!:^ I«• at»i..’: 16.^0 .*^S9. A t e n c e a aco&ôaicoa oa Ba bia
<'vic 7 .>. ■ V. a C o ae r ». j. ¿ r f . ^ . / 1 9 7 9 / 8 0 .‫ ״‬.
88

tres", ‫יי‬g r a n d e s ca p ita lista s da ép o ca " , " im p ortan tes com ercian te¿',
" n egocian tes de g r a n d e nomeada e e l e v a d o c o n c e i t o " , como s e ex
prc s o u G ó e s C a lm o n em V i d a e c o n o m i c o - f i n a n c e i r a da B a h i a .
Todos eles l i g a v a m - s e ' ao c o m e r c io , e ujn n ú m e r o m a i s re
d u zid o d e d ic a v a - s e tamb ém ã s a tiv id a d es in d u stria is e fin a n ceira s.
O quadro ê im p ortan te para m ostrar o peso assum ido por e s s e s tra
p ich eiros no e s p a ç o sõcio -eco n ô m ico lo c a l. N esses 37 a n o s (1854/
1891), que ca r a c te r iz a m o s como p e r í o d o r e i v i n d i c a t ó r i o , grande
p a rte dos tra p ich eiro s eram i n d i v í d u o s in flu en tes, desem penhando
p a p e l de g r a n d e i m p o r t â n c i a no co m ér cio l o c a l e n a ACB.
A p r o m u l g a ç ã o d o D e c r e t o nÇ 1 7 4 6 , de 13 d e o u t u b r o de .
1869, reg u la riza n d o a c o n s tr u ç ã o de docas e armazéns nos d iv e r s o s
portos do I m p é r i o , p rod u ziu e f e i t o s co n tra d itó rio s. A celerou e
in ten sific o u , como f o i v isto a ação dos p e t i c i o n á r i o s e, a o mesmo
tem^po, c o n t r ib u iu para a rre g im en ta r a ação dos con testad ores p ela
p reserv a çã o dos ca is, dos tra p ich es e das alvaren gas.
A n tô n io P ed ro so A lbuquerque, Joaquim P e r e i r a M arinho,
A u g u s t o Gomes M o n c o r v o , José P into R o d r ig u es da C o s t a e M anoel Jo
s é de M agalhães foram c o m e r c ia n t e s tra p ich eiro s que in v estira m
contra as p rop ostas de A ntôn io F ran cisco L acerda, P au lo . P e r r e ir a
;'0 ’.>-;.e1 r 0 , F r a i i c i s c o Sam paio V ia n a , Joaquim de C a s t r o
l o g o em s e g u i d a , contra a dos Irmãos F e r r e i r a s ( 2 6 ) .
Ê p erfeitam en te v i s í v e l , no mapa d a á r e a n aária ante
riorm ente a n a lisa d o , que o p lan o in icia l dos p e t i c â o n á r i o s , "cons
tr u ir docas e alargar a p a r t e d a C i d a d e B a i x a c o r . p ’. e e n d i d a entre
a A lfân d eaa e a P r a c a do Comércio",, tn n a ria ch eio na á r e a onde
se l o c a l ‫ י‬z a v a g r a n d e p a i Le d o s ca is e tra p ich es. Da mesn!H f o r n i a ,
a tin g iria m essas in sta la çõ es o s p l a n o s da B a h i a D ocks Coni,;):-!;.,‫־‬
Lim i'.c^ — " c o n s t r u i r uma g r a n d e d o c a e n t r e Ãgv>^ d e M e n i n o s o
Largo do P x l a r ” .
ccncreL. d e quu. um à ‫־‬, s projC^L-? J.
n ev ita Im en tfc c. 3 ‫ !•י‬L i g a “ s t r u t u r a do p o r t o e r e p r e s e n t a r : - a , como
já foi dxto, a d esa tiv a çã o ‫י״‬0 ‫ מ‬c a i s , dos trap ich es e das a lvaren
gas. Itens do D e c r e t o n? 1 7 4 6 , d e 13 d e o u t u b r o d e 1 8 6 9 , e q!>:
s e r e p e t e m no D e e r e t o n9 4 6 9 5 , d e 15 d e f e v e r e i r o de 1?,11, conce
dendo a o s Irmãos F erreira s d u to ri7 :a çã o p ara m odernii‫ ׳‬a r o p o r t o dé
S alvad or, co m p '. ov am e s t a afirm a tiv a .
"O (;.o v er n o c o v . r c - l e com panhia o d i r e i t o de d e s a p r o p r ia
ção, : . ‫ ד‬foj-ma d o D e c r e t o 1 6 6 4 Ov. 27 d e o u t u b r o de
1885 dos cerrenor:, p r é d io s e b en feito ria s p a r t ic u l c ■ - !. e s
que s e acharem nos lu gares n e c e s s á r io s à construção dns
89

docas e m ais o b r a s de su as d e p e n d ê n c ia s " ( 2 7 ) .

"A c o m p a n h i a t e r á d ireito de p e r c e b e r , p elo serv iço do


ca is das d o c a s , do embarque e d ese m b a rq u e d a s bagagens
a s mesmas t a r i f a s atualm ente e s t a b e l e c i d a s p ela Compa
n h i a d a D o c a d a A l f â n d e g a do R i o d e J a n e i r o " ( 2 8 ) .

Se algum d os p la n o s fosse rea liza d o , fa ta lm en te estariam


com prom etidos o s in teresses de to d o s os com ercian tes tra p ich eiro s
que agiam n a q u e la á r e a . Por i s s o mesmo, protestaram em b lo co ,
a ponto de o M in istr o e S ecretá rio de E s t a d o d o s N e g ó c i o s d a Ag ri.
cu ltu ra . C o m ércio e Obras P ú b l i c a s r e l a t a r que ‫ 'י‬a s d o c a s do p o r t o
da P r o v í n c i a d a B a h i a tem^ s i d o a ssu n to para grande con testação
por p a r t e dos tra p ich eiro s d o mesmo p o r t o q u e , na c o n c e s s ã o , en
xergaram o f e n s a a seus in tere sses e recorreram para o C onselho de
E stado"(29).
Em b o ra a d o c u m e n t a ç ã o p e s q u i s a d a n ã o f o r n e ç a dados so
b r e o co m p ortam en to do grup o frente aos dem ais p r o j e t o s , somos le
vados a c r e r que a lu ta não s o f r e u s o lu ç ã o de c o n t i n u i d a d e , nas
décadas subsequentes. A a n á l i í - e do p l a n o Cox p e r m i t e - n o s captar
os a n ta g o n ism o s que se levantaram en tre tra p ich eiro s e p eticio n a
rio s. ^ ppl;.■ p r o p o n e n t e — J eq u ita is e Ãgua de
Men i r —‫־‬ ii ão e r a exatam ente a que c o n c e n t r a v a m a io r número de
tr3 rhes e ca is. Mas a c o n s t r u ç ã o d e uma d o c a em m o l d e s avanç_a
clr/‫׳‬o i r i a incom odar to d o s os tra p ich eiro s, vez que te r ia m de con
correr com um p o r t o projetado e bem e q u i p a d o . N atu ralm en te, os
navios dariaiii p r e f e r e n c i a à q u e la doca que l h e s oferecesse m aior
seguranza e . a p i do - p a ‫־<־‬a e m b a r q u e /d p s e T in b a r q u c d e iuer u a d o r i a s e
p assageiros os t r a v ‫׳‬i c h e i r o s viam -se p r e ju d ic a d o s e, acre
ditam os per í í ;‘^■;:•. b o ic o t a r a m o p la n o Cox, o que p rovavelm ente
‫•'־‬.'T;rorreu par.-. in d e ± e j .1 do.
Vv‫־‬.r‫״‬bc.-‫ ־‬c-.s d e s :‫ ה ג‬.‫־־‬,c.rd. ‫;־‬-"■‘‫־‬. . '‫ « '׳־‬c r o r r i - . > 3 -•itre ‫־׳‬o s
e a f i oTia W i l d b e r g e r e C i a . , na l l t i m a do s é c u l o XIX, com
prova que a ação dos tra p ich eiro s foi fator decisiv.■ ' no fracasso
das ten ta tiv a s ã e m o d e r n iz a ç ílo do p o r t o d e S ^- .l ^a dor . V isan do re
d u zir as despesas cor-, a r ‫־‬- a a z e n a g e m e t r a n s p o r t e , no p o r t o de S a lv a
dox, essa firm a c o m p r o u um v e l ^ i i r o p a r a ::ansportar p iaçavn e m.a
aeira d iretam en te dos rics Pardo e J e q u Ltinhonha para o p o r to de
Le H a v r e .. Logo que o s tra p ich eiro s to.j 1aravT c^ ■!]!«,rj! .-r.o!.to d o fato,
assum iram , añ ico s, p o siçã o de p rote:^ to àr e. c e a s õ e s d e Wildi‫״‬.?! g o r
e Cj.a. . Al e r ‫־’־־‬,v■‫־־‬ ‫־־‬o b r e t u d o , que ] l i e s os L a v a iu r ‫ י‬1 ‫^ב‬.•‫׳‬."o a.s opc.- t u
90

n id ad es de ganho. O btiveram ê x i t o com a s r e c l a m a ç õ e s , e a firm a


foi ob rigad a a vender o v e le ir o (3 0 ).
I\o c o n t r á r i o dos p e t i c i o n á r i o s , o grupo de contestado
res foi conservador e coeso em r e l a ç ã o à m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o . E ¿
se co n serv a d o rism o d eve s e r in terp reta d o à luz da p r ó p r i a situ a çã o
viv id a por eles e exp rim ia, acim a de tu d o , uma e s p e c i f i c a reação
de a u t o d e f e s a . A d e p e n d ê n c ia econôm ica, a d esca p ita liza çã o da
P rovín cia e o p roced im en to dos pod eres co n stitu íd o s, que aguçou o
in d iv id u a lism o dos p e t ic io n á r io s , f u n c i o n a r a m como r e f o r ç o a pos
tura conservadora e coesa dos contestadores. Como o E s t a d o e os
com ercian tes p eticio n á rio s, eles estavam c o n s c i e n t e s de que o por
to a n tig o e m p e r r a v a a e x p a n s ã o do c a p i t a l i s m o e que, por i s s o m e¿
mo; u r g i a m m u d a n ç a s .
Mas, os tra p ich eiro s e s t a v a m também c i e n t e s , através do
"term o de d e m o li ç ã o " , de que o p od er p ú b lic o nada l h e s assegurava,
caso acontecesse a m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o . N aturalm en te, os in te
resses a li esta b elec id o s não se r ia m d e fe n d id o s .
As i n c e r t e z a s , os risco s de p erd er a s r en d a s qu3 obti
n ‫׳‬:am d e s s a s a tiv id a d es, a qu antidad e e o p r e s t í g i o dot-' ^ r-*‫' ־‬ j_
ros, a lia d o s à i m p o r t â n c i a d o t r a p i c h e p a r a a s o b r e v j Víx’c i a das
tran sações co m ercia is, tudo i s t o fo rta leceu o gruy.■ uf. c o n t e s t a d o
res, que a g iu coeso e h o m o g ê n e o em t o r n o d e um o b - i ^ t i v o comum:
conservar as docas de atracaçao. Em o u t r a s p a l ? \‫־־‬- a c , empenharam
se p ela m anutençao dos tra p ich es, aos c a.ie a lv a rem a s exi¿
t e i >c e s .
91

REFERÊNCIAS

1. GUIMARÃES, A l b e rt o Passos. Q u a t r o s é c u l o s de l a t i f u n d i o .
4ed. Rio de J a n e i r o , Paz e Terra, 1977. p. 168.

2. COS T A , E m i l i a Viotti da. Da M o n a r q u i a â R e p u b l i c a ; niomentos


decisivos. 2ed. Sao Pau l o , C i ê n c i a s H u m a n a s , 1979. p.
184.

3. GUIMARÃES, Alberto Passos. Quatro s é c u l o s . . . , op. cit., p.


168.

A. STEIN, S t a n l e y J. O r i g e n s da e v o l u ç ã o da i n d ú s t r i a textil
no B r a s i l 1 8 5 0 - 1 9 5 0 . Rio de Ja n e i r o : C a m p u s , 1979. p.
69/73.

5 . I d e m . p . 73.

6. ‫י“׳‬, •. l P -LjretanliP :: o i n í c i o da M o d e r n i z a ç a o no
LJao P a u i o , B r a s i l i e n s e , 1973. p. 40.

1 dem. p . 40.

8. T A V A R E S , L u i s H e n r i q u e Dias. H i s t o r i a da B a h i a . Salvador,
C e n t r o E d i t o r i a l e D i d á t i c o da UFBa., 1974, p. 203.

Q. OTIVEIRA, W a l d i r Freitas. A i n d u s t r i a l c i d a d e de Vá 1 enr ‫ מ‬r ‫!״‬n


r u r t ‫׳‬. d ‫״‬ iidubLiialvz^içac; na Bctliia do s e c u l o XIX. Trab^
b^lhc -.‫ •־זז‬e 1.aboraçao>

10. STEi::, SrarJp.- 0 r ‫ י‬p e ::-‫י‬ a. . . op. cit. p. 73.

' ‫׳‬. SA"TC? A ( j ^. ■‫־‬o fa Silva. O s ^ ‫ ־־‬: ‫ ־י‬i r ‫^׳‬eu


p a p e l C 0 ..T Lvadoi u.• ‫ י‬KcpuD::ca. Salvaacr. í^7h.
( m i m e o g •).
HONÍLIRO, Tânia Penido. ?ot 1 u g u e s e s n a ... cí?:‫׳‬. III.

12. AZEVEDO, ^aales de- Cliisses s o c i a i ‫^־‬... op. cit. p. 157/8.


A’ETO, Z a h i d é Maeha:j0 . E s t r u t u r a s o c j -.i dos dois Nordestes
1'.a o b r a l i t e r á r i a de J o s c Lins d o Re o . Salvador, Mr ba. .
19 71. p T V.
SANTOS, Mário Augusto da Silva. r.ouiÓrci ^ por* .. . op.
cit. p . 143.

13. Ut i 1 i 2 r.'‫״‬o j o t e rno c l a s s e no s e 1 :1■-‫ ״ ט‬i:! m a i s a m p l o e por


considc'Lcjr > >;0 , o p r e s e n t e er, ; r o i ¿1 !
‫ ׳‬o r a ‫ ־‬s c coii! .'‫׳־‬u: n 0 \ ¡ ■^
d a d e c r o 1‫ד‬o 1 o r,1 a m c n t e m o d e r n a .
92

14. A Z E V E D O , T h a l e s de e L I N S , E. Q. Vieira. H i s t o r i a do Banco


d a Bahia, 1850/1958 . Rio d e J a n e i r o , J o s é 01 y r;¡j)i o , 1969.
p T " i 7.

15. Idem. p . 85/6.

16. P r e s i d e n c i a da P r o v i n c i a . Serie A g r i c ul t u r a . Fabricas. Maço


4603, 1 8 3 9 / 1 8 8 9 . A . P . E.Ba. Seçao Histórica.

17. Idem. Maço 4603.

18. R E L A T Õ R I O da J u n t a D i r e t o r a da A s s o c i a ç a o Comercial da Bahia.


24/02/1887. A n e x o n9 10. p. 67.

19. AZEVEDO, Thales de. H i s t ó r i a . .'. op. cit. p. 167.

20. TEIXEIRA, M a r l i Ger a l d a . NÓs os b a t i s t a s ; uma e s t u d o de hi_s


tória das m e n t a l i d a d e s . T e s e de d o u t o r a m e n t o (em e l a b o r £
ção).

21. F A L L A do P r e s i d e n t e da P r o v í n c i a . B ah i a . 25/03/1848 p. 49
e em 4 / 7 / 1 8 4 9 p. 52.

22. CÂMARA, Antônio Alves. A B ah i a . . . op. cit. p. 43.

23. Idem. p. 43.

24. ■a u ‫ ב'־‬P cim '.'i ü . O s portugueses... Nos c a p í t u l o s IV


c V, r e s p e c t i v a m e n t e , e n c o n t r a - s e i u f o r m a ç o e s s o b r e os
p o r t u g u e s e s na Bahia, o n d e f i g u r a J o a q u i m P e r e i r a M a r i n h o
e o u t r o s p o r t u g u e s e s como p r o p r i e t á r i o s de e m b a r c a ç õ e s .

z . C A L M O N , F r a n c i s c o M a r q u e s de GÓes. Vida e c o n o m i co-f i n a n c e i


ra... op. cit. p. 82.

25. C?MARA. Antonio Alves. A Bahia... op. cit. p. 47.

27. BAHl/'. I.v^‫ ^ ^׳״‬o r i a Federal dos Portos, R ios eC a n a i s . . . op.


cit. p . ■‫ל‬

‫־‬ Idem. p. /-

2‫• ל‬ r E L A T Ô R I Ü ac linistro c S !-‫ !■׳‬e i.J” ‫י־‬o :’os >’p ^ o c x o s da ‫ ״‬gricultjj


ra , Commirc'-o e Obras T u b l i c a . 1872. 153/ 4/5.

30. WILDBERGER, Arnold. N o t í c i a H i s t ó r i c a de Wildr^-^r-ur e Cia.


1829 /1 > ‫־‬,-:. Bahia. ‫ ״‬e n e d i t i n a , 1942.
CONCLUSÃO

Sem ê x i t o , mas p e r s i s t e n t e m e n t e , p a r t e da burgue


sia c o m e r c i a l b a i a n a e m p e n h o u - s e em m o d e r n i z a r o e s p a ç o p o r t u ã r i o ' ^
de S a lv a d o r . Q uatorze p r o je to s foram su b m e tid o s à ap reciação do
poder p u b lic o , m as n en hum d e l e s foi rea liza d o . Todos ficaram no
p ap el.
Para in v estig a r as razões do f r a c a s s o desse esfor
ço de m o d e r n iz a ç ã o , na B ah ia - numa é p o c a q u e t o d o o p a i s s e mo
d ern izava - a n a lisa m o s, em p r i m e i r o lu g a r, a im p ortân cia do p o r
to de S a lv a d o r no c o n t e x t o do s i s t e m a ca p ita lista in tern a cio n a l e
no p l a n o d a e c o n o m i a lo c a l, desde os p rim órd ios d a c o l o r ‫׳‬i z a ç ã o ao
fin a l do S egu n d o Im pério. Porém, a c o n s t a t ‫־‬Hção d e q u e o porto
b a i a n o d e s e m p e n h o u p a p e l p r e e r . ■, ‘‫ ־׳‬n r‫־‬:_ r• •■•.‫׳‬c:r.:ci‫־‬i 1t i l bri.3 i
leira não foi su ficie n te, por v‫ ׳‬eó, para e s c l a r e c e r a q u estão.A o
con trário, a i m p o r t â n c i a dc- . r t o b a ia n o devejria t e r atuado no
sen tid o de im p u ls io n a r as transform ações técn ica s n ecessá ria s ao
m e l h o r desem .penho do comcr^jio. Ma s, isso não a c o n t e c e u .
A ird a em b u s c a d e i n d i c a d o r e s l u a i s s e g u r o ‫ ־־‬, r e c o n s
titu lm o¿ u aspecto físic 3 d a á r e a p o r 11 ;‫ י‬á r i a . V eriflram op 3.‫טך׳‬ a
q u ele espaço era basvante fracionaao, v‫ ׳‬. ‫ ד י י‬: .‫ י׳‬t o d e v á : : i a s docas de
atracação. C a d a uma d e . s s a s d o c a s t r a p r o p r : eO-.de priv:■¿’^ d e co
m eioid n tes L r a p i - c n c ’ r c • - - ^ ‫־־‬,Tl=>dos em £a-‫ ׳‬v a ‫׳‬l c r - rn vcrtigam os,
da, ‫ ויי‬o s our‫־‬ r ‫ ■ ׳‬d o r n i z a ç r i - : c?c -'•*‫־‬t o .
ConcluImLOs q u e e l e s p r o c e d i a m c-^ a l t a b u x g u e c i a lo c a l, 11 ' t e r e s b ^
d a em r e s o l v e r os velh os e g r a v e s p roblem as de a t r a c a ç ã o e armaze
nagem.
Id en tifica m o s, oortanto, no s e i o d ‫׳‬ú b u r g u e s i a , d o i s
gr-.!pos em c 0 x : f l i t c : o p rim exro, q u e chamam os d e p e t i c i o r . ã r i o s , ca
ra cteriza v a -se por uma m a n i f e s t a d i s p o s i ç ã o de m o d a rn iza r o p o r t ; ,
c* ‘ ó c ' t r ; - ‫ ו‬o com o s recursos e técn ica s m a i s m o d e r n a s da é p o c a . (..
grupo dos c o n t e s caa^v, 08 ‫ ־׳י‬, o s t r a p i c h e x r o s , ao c o n t r á r i o , opun:;;?-?-
■or; i T cnte aos a n seio f d o s p e t i c i : - : ‫׳‬.!:^ ■‫סי׳‬
94

P eticio n á rio s e contestadores estavam ligad os ãs


m es m as a t i v i d a d e s econ ôm icas, viven d o d a s m es m a s fontes de r en d a ,
v iv en cia n d o 03 mesmos p r o b l e m a s , mas p r o c u r a n d o r e s o l v ê - l o s por
cam inhos d i f e r e n t e s : os p rim eiros entendendo que a s o lu ç ã o depen
d ia da m o d e r n iz a ç ã o ; os segundos d esejan do a p e r m a n ê n c ia do p o r t o
em s e u e s t a d o " natu ral". Os i n t e r e s s e s co n trá rio s, no in terio r
d aq uela fração de c l a s s e , foram o s grandes resp o n sá v eis p elo fra
c a s s o dos p r o j e t o s . A com plexa s i t u a ç ã o lo ca l ir ia d efin itiv a m en
te in ib ir a a ç ã o do E s ta d o e d i f i c u l t a r a penetração do ca p ita l
estra n g eiro , no que d i z resp eito à m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o .
0 E stado, c a r e n t e de m ecanism os d e r e g u la m e n ta ç ã o
que e v ita s s e m ta is choque, não s e m a n if e s t o u capaz de d e f i n i r - s e ,
evitan d o d e se n te n d e r -se com e s s e o u a q u e l e grupo. A su perp osição
tanto cro n o ló g ica quanto g e o g r á fic a - de p r o j e t o s rev elo u
o in d iv id u a lism o e a fa lta d e c o e s ã o do g r u p o p e t i c i o n á r i o , d if¿
cu itan d o uma d e c i s ã o c o n c r e t a do p o d e r p ú b l i c o . 0 E stado, que re
presentava os in tere sses dos p ro d u to res, estava econôm ica e f in a n
ceiram ente com prom etido com o s com ercian tes p e t ic i o n á r io s . Por ou
tro la d o , e p ela s mesmas r a z õ e s , não q u e r i a se in d isp o r com o g r u
po dos con testad ores.
0 ca p ita l es t r; • : ‫וידז‬ ‫¿־׳‬ d ir-:on xvel e que re
velou in tere sse em m o d e r n i z ‫־‬j \ o p o r t o de S a l v a d o r , foi barrado pe
lo s a trito s da b u r g u e s i a .,\//, 1e r c i a l . Os c a p i t a l i s t a s externos e¿
t a v a m a o mesmo t e m p o l i g a ã r s aos d o is grupos. Ambos e r a m v eicu
lo de p e n e t r a ç ã o desse j^:.pii:al n a c c o n o m i a p r o v i n c i a l .
D e n t r o d ‫׳‬.- t o J a e¡‫ר<־‬a c o m p l e x i d a d e , consideram os que
o grupo dos coiitestc-d ores r e p r e s e n 3 0 .:‫י‬.'‫ ור‬l a d o d e t o d a s as r a z õ e s
an teriorm en te apontadas, o freio i n c o r i t e b t < i .:•o prcv‫ד‬e E s o d e moder
n i z a ç ^ o d o 0 ‫יץ‬0 ‫י‬-(‫־‬. F q s e •■‫• !־‬: p o r e p r e s e : v r í i v a Ui‫>^• ״‬:c‫ ^־‬e s s i v o ‫’ ׳‬-‫>־‬:;Li_n
g t ^ n r H. coesf j. ‫׳‬ s . env. ‫ ׳ " •’־‬L r o u *;,•r‫״‬. . . ' L c n^cpicio
t j a r a e m p r e e n d e r sue■ l u t a : a in d efin içã o dc. E s t a d o em r e i . ‫;■׳־‬r.‫״‬
ao3 p ro jeto s e o in d iv id u a lis m o dcs p e t ic io n á r io s g a r a n t i ¿ : 1^ - l h e s
espaço s u fic ie n t e p a ra d e fe n d e r a perm anência dos cair-, dos trap i
ches e das a lv a ren g a s.
A s u p e r a ç ã o d ;^ 5sa s c o n t r a d i ç õ e s tornou-se p o ssív el.
-jlo i n i c i a r - s e o sécu lo XX, d ev id o à nova j o n f i g u r a ç ã o do cap itr.-
‫י;נ‬.‫ וונצ‬i n t e r n a c i o n a l , ã su b stitu içã o , no B r a s i l , do r e g im e monar
q a i .:‫׳‬J ¡ : c ã o r e p i ‫[; י‬.:.-‫־‬: ano e ã e x p a n s ã o do c a c a u n o S u l d a B a h i o . üs
03 ‫ת‬.‫ ן?זר‬ex;->o^‫־‬t a d o x ‫־‬e 0 d c c a p i t a l , j á er!! f o s c de a c i r r a d a compel::, y a•:.
aum entaram o v o lu m e do c a p i t a l d ir e c io n a d o para as áreas perifêr_i
cas, sobretudo para o s e to r de s e r v iç o s b á sico s. Entre 1860 e
1902, apenas 2% d o s in vestim en tos estra n g eiro s e n c a m i n h a r a m - s e pa
ra o s e to r p o rtu á rio n a c io n a l, contrastando com a p e r c e n t a g e m de
15%, no p e r í o d o 1 9 0 3 /1 9 1 3 .*
As transform ações a n ív el in tern a cio n a l casaram -se
co m o s acon tecim en tos no p l a n o n a c i o n a l . Embo ra a s u b s t i t u i ç ã o do
r e g im e m onárquico p e l o r e p u b l i c a n o não s i g n i f i c a s s e profundas mu
d a n ç a s na c o m p o s iç ã o de forças, traria, tod avia, dados novos capa
zes de su p erar, no p l a n o da q u e s t ã o p o r t u á r i a b a i a n a , os an tig o s
e n t r a v e s que a t é então estiveram presentes. 0 e s t a d o desem penhou
papel s ig n ific a tiv o nas obras de m o d e r n iz a ç ã o do p o r t o , em f u n ç ã o
de i n t e r e s s e s econ ôm icos e de p r io r id a d e s ligad as ã m odernização
das ca p ita is. As o b r a s p o rtu á ria s seriam , en fim fa cilita d a s p ela
in sta la çã o do s i s t e m a fed era lista , n a m e d i d a em q u e s e abriam e¿
paços à p rojeção dos in te r e sse s lo ca is. Por o u tr o la d o , o progra
ma d e i n v e s t i m e n t o s p ú b lico s, nos p rim eiros an os do s é c u l o XX, ad
q u iriu v u lto , v o lta d o p r in c ip a lm e n t e para a r e a l i z a ç ã o de grandes
obras d e ‫ נ‬r f r a - ‫= ׳‬:- : ‫־‬-‫יי‬."‫ ־‬u r a , o f ;■- c i a l m e n t e São P a u lo e R io de Ja
n eiro - ‫_>׳‬ •jicsises c e n t r o s i m p ô s um m o d e l o , que p a s so u a
ser .‫ ״‬o p i a d o p e l a s outras cidad es b r a s ile ir a s , in clu in d o -se S alva
■:íc:.‘.
C onsiderem os, ain d a, que o c a c a u , g rad ativãm en te,
pc4L,scu a c o m a n d a r a p a u t a d a s exp ortações b aian a, reativan d o os
r.3 g õ cio ‫ ״‬e in ie ta n d o novo e s tim u lo à en fraq u ecid a econriTT'!:^ l o c a l .
N estes terries, o perto de S a lv a d o r, exportador d e sse produto, exi
g ia p r o v : dêncJ a s 0 ‫ גי‬: e n t i ‫?־‬o d e c o m p a t i b i l i z á - l o com a n o v a c o n j u n
t -:ra p o l i t i c : - e <=‫ י‬00110 ‫ורי‬.\‫י‬-:=‫ ו‬q a e se c3'i‫ר‬u v a ‫זי‬a .
‫'■''■״‬os c3 .sc ^ m^ncioiK ‫■^־‬ aij^ irar po
r a dc' ‫ גר׳‬s õ e s concretas quanto a ‫^ז‬oae. 1:::‫י‬ úo p o r t o b a i a n o . A a
n á lise da n o v a f a s e que se co n fig u ra — a d a r e a l 1 :>.ação efetiv a
das obras p l a n e j .- d a s — escap a aos lim ites d e: í.e t r a b a l h o . Deve
ser objete de e s t u d o s cu.i ■ i a d o s o s e p r o f u n d o ' ^ . E sta d isserta çã o
ter' a tin g id o o seu o b je tiv o , se se const:‫ ׳‬cu ir em e s t í r . i u i o sufic_i
ente p j . r a aponta:•: cam inho? n e ssa d ireção.

*CASTRO, Ana Empresas... op. c‫י‬i •8 2 .‫י‬.


FONTES DOCUMENTAIS E BIBLIOGRAFIA

1. MANUSCRITOS
1.1. Arquivo do E s t a d o da B a h i a -S e ç a o H i s t ó r i c a - Trapi
ches — P r e s i d e n c i a da P r o v i n c i a — SerieViaçao (o ma_
ÇOS )

Maço n9 4937 — 1860/1851


Maço n? 4937/1 — 1824/1859
Maço n? 4932/2 ^ 1875/1879
Maço n9 4 938 — 1825/1889
Maço nÇ 4938/1 — 1869/1910
Maço nO 4938/2 1880/1889 — ‫־‬

1.2. A r q u i v o do M u n i c í p i o da C i d a d e !' ? : i v a d r ‫״• ־■־‬ Atas da


C a m a r a M u n i c i p a l ( 1 8 ■í ‫׳‬
' IT. ‫ ) ׳‬.

1.3. A s s o c i a ç a o C o m e r e i da B a h i a ( B i b l i o t e c a ) — L i v r o s de
A t a s da A C B (18.'‫׳‬: ‫ ׳‬i860 — 1860 a 1869 — 1869 — 1882),

IMPRESSOS
- R e l a t c r i c s i o iiiiiis t é r i o da A g r i c u l t u r a Comercio e O üí .<íü r_Ú
b l i c d a de 1869 a 1889.

- F a l l a do Presidente da Provlnci■:» o ^~48 a ,'.889. (IGHBa.) e


( A E B a . ).

An ais da As s ié: h 1‫וי‬ !‫ יי‬cial da ^ e 8 7 ‫ ¿ י‬a 889 ‫י‬


( a .) .

- R e l a t o r i o s da J u n t a D i r e t o r . da A s s o c i a ç a o ComerciaL da Ba
h i a de 1 869 a 1910 ( A C B ) .

- A l m a n a q u e A d m i n i s t r a t i v o , M e r c a n t i l e Indufítrlcl da Bahia,
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B i b l i o t e c a Nacional. Rio de J a n e i r o . (1854-— 5 9 63 — 60 — 58 — ‫י‬
— 7 2 — 81) .

‫ ־‬J o r n a i s : C o r r e i o ua B a h i a (1871 a 1878), D i á r i o de Notícias


(18 75 a 1900) e D i á r i o da Ba ‫'י‬i a (186 9 a 1889).

- Coj.ç," o de 1 i :‫ ז‬, d e c r e t o s , con t r a toe c d e m a i s a tos r e f ‫ ׳‬:t‫■;׳‬


I a o ¡jortu d.'i ]ialiia. I n c p c t o ' ! ■ ‫''! ׳‬Je ral de P o r t o s , ¡j.!:;
e Calíais. S a l v a d o r , s/d. M i s c e l á n e a , 7. (I C H B a . ) .
97

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1 8 2 9 - 1 9 42, Bailia, P e n e d i t i n a , 1942,
A N X o
ANEXO I
/ X
///• / / / /
/ ’ ‫׳‬ //7 :v <y<‫׳‬í
V

> .V. ! ■
.,vi. / j ^ y
1/
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C" •> '<‫׳‬. V, c‫־‬c c<-.) e.,/ - • .-<2¿‫^׳‬ . dx^i /'¿o (-'

r / - , - . ‫ ׳‬/ ■' ^‫־‬ ‫ ׳‬J) . ;i z^4-


V. , / ■/ / / <r‫ ז‬/ í «.J ,<‫'>־‬/ , ^.^.^.' c<y '■CTf «^.,¿‫׳ ׳‬ y y..; I ‘ ■

>.y/0 y / ¿ <y- ./.i/


!1 <‫׳‬ i !
c
} r/'i ■c■j <y o ^<r¿- //c > '.-.‫■׳‬o ,<í^■ ■--‫׳‬ f ------------ / - ‫״‬. ‫ ץ‬------------- ‫ ן‬----------- -

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OJ■' re. .‫ י‬i /J
C'V. ' ‫י‬
■x ^ y y o í / r ^ . ‫ \ •;'־‬j - ■ . í‫¿>׳‬ - .c/^ / J / \

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ANEXO II

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‫־־‬... .
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ANEXO III

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/ í ‫^׳‬C—c¿^7 í c-c-y I f i <{ t¿ >'7\.í'V
.‫ ן‬r ,‫׳•< ׳‬
‫׳‬-í‫ ־‬t
lÁ Á ‫■ג‬ < > 3 V !> 1 /1 U ‫יע‬
■p, 7
J f. J*‫^׳‬// ,‫׳‬P
/ ‫'׳‬-)‫י‬ a í . /
‫׳‬/ A / / / / ; ?
A 3 f j t ) '\ ■S"r. J/ ^ / ■

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íi J ^ U / / , 1 5 f /> e o J //,íj
. / ■ > J 3 7 J X V ■

‫ ^׳‬/ o S 'y / 0 / A- h~ /) II 0 ^ V‫ט‬ A- / á

y » - ¿ ^ '‫׳ ג‬- ‫ ן‬, / “


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/ ^ 7 3 , 5 . ; Á ¿) O / ‫׳‬ / • í‫׳‬ y .

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ANEV: IV

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ÍL'. 70 0J / ? r j ./? ‫ ׳׳‬i ' r / / / / - ‫־‬,f / i

Jo ■Cá^^
ANEXO V

>;a-<k04 t‘

D E C R E T O N. 1.746 — de 13 de Outuhro de 1809

Aulori-H o Governo a cont ratar a construcgão, nos dllfercntcs {!ortos do


Imperio, de dócas e annazens u :í t ;í carga, descarga, guarda e coiiscr-
vaçao das niercadorias de i mp ona çã o e exportaçao. '

Hei poi‫■־‬beni Sanccionar e Mandar c1ue se execute a seguinte Resolução


da Assen1))Iea Geral: '
Arl. !.‫ ׳י‬Fica o Governo autorisado para contractar a• construcçao nos
difíercntes portos do Imperio, de (locas e armazcns para carga,_ descarga,
guarda e conservação das mercadorias de importaçao e exportação, sob as
seguintes bases: ■ ‫ן‬
§ l.‫ ״‬, Os cmprezarios deverão sujeitar á approvação do Governo I m p e ­
rial as plantas e os projectos das obras c|ue pretenderem executar.
. S •2." Fixarão o" capital da enipreza, e não !)oderão nugmental-0 ou ^di-
minuil-o sem autorisação do Governo. ,
. I S 3 ■° O prazo da concessão será fixado conforme as difficuldades da
cnipreza, não podendo ser, em caso nenhum, maioi’ de 90 annos.^ Findo o
prazo ficarão pertencentes ao Governo todas as obras e o material fixo e‫׳‬
• r o d a n t e d a e m p r e z a . _ ‫׳‬.
§ 4 .° A e m p r e z a d e v e r á f o r m a r uin f u n d o d e a n i o r l i z a ç a o p o r m e i o d e ■

q u o t a s d e d u z i d a s d e s eus lu c r o s liquidos, e c a l c u l a d o ^ de n ‫ו‬o d o a 1‘e p r o d u -

zir o capital n o f i m d o p r a z o d a c o n c e s s ã o . ^ ' .


A formação desse fundo de aniortização pnncip;ara, o mais tardar, 10
annos depois dc concluidas as obras. '
§ S■" O s ç m p r e z a r j o s p o d e r ã o p e r c e b e r , pel o s servioçs r ‫׳‬r e s t a d o s e m seus,

e s t a b e l e c i m e r u o s , t a x a s r e g u l a d a s p o r uiiia t a ri í ; ! p r o p o s t a p e l o s e r n p r e z a r i o s

e a ! ) p r o v a d a p e l o G o v e r n o I m p e r i a l . _

, Será revista esta tarifa 0^ ‫ ין‬Governo Imperial, de cinco em cinco annos;


mas, a reducção geral de taxag só terá lugar quan<10 os lucros liquidas da
empreza excederem a 12 _ ■
S 6.” Poder á o Governo conceder ás companhias dc dócas a faculdade ú ' . '
emittir titulos de garantia das mercadorias depositadas nos respectivos a : ‫־‬
mazens, conhecidos pelo nome de “ w a r r a n ' s ”. F.ni regulamento especial de­
verá estabelecer as regras para a emis.^ão'de-tes liiul■‫ ׳‬.■ e se:; •iso no Tinpe‫־‬.• .
§ 7:“ O Governo poderá en.: • ^,.1■ ue d ‫ '־׳‬-‫״‬, u .,‫־׳‬.■.‫־‬. ço
‫ ־‬de capatazias e ('‫׳‬, armazenagen’ ,‫ •׳‬a1’r. ' ‫ ״‬- ‫י‬
Kxpedirá, neste caso, regu'j• . ‫ ׳‬.!‫ • י‬, í . .,1s1ruc1;‫ ״‬es para estabeiecer as rela­ \ ■
ções da companhia com os ei.i 1‫־‬j 1 0 .‫׳‬,,‫׳‬s encarregados da perccpção dos direi­
tos das alfandegas. . '
S 8 .° ‫׳‬F m c a d a c o n t r o ,1 ' 5 _ ■. ‫׳‬p u ! a r á o G o v e r n o as c o n ú 1ç õ e s _ q u e ,julgar

n e c e s s a r i a s p a r a a s s e g u r a r ‫־‬. ‫!־‬l ais m i n u c i o s a e e x a c t a fiscalisação e a r r e c a ­

d a ç ã o d o s direitos d o E s * a d j . • • . j j
S 9.° A o ' G o v e r n o f'.a e s e r v a d o o direito de resgatar as p r o p r i e d a d e s d a

c o m p a n h i a , e m q u a l q ‫ ׳‬e! ! r u m o , d e p o i s d o s d e z j j n m e i r o s a n n o s d a s u a

c o n c l u s ã o . ■ , ■ 1 ‫•ז‬.
O p r e : ' d o resgate será fixado de modo que. reduzido a apólices (1,‫ג‬
divida !)ubiica, ])roduz: uma renda .'suivaiem ‫ ^ ר‬°i“ de todo o capital ■•iie-
f tivamente c1i.-.‫ ׳‬egado na empreza.
§ 10. Os en, ‫־‬,'‫־‬ezarios poderão desap. ‫!■׳‬,'r■ •‫י‬. forma do Decreto n 1.664
‫ ־‬de 27 de Outubr o ie )855, as ]jropriedades 0 ' ‫י‬.‫י‬: pertency.'tes a (!‫ ז ג‬- ‫י‬
ticiilarcs, que s, .acharem em terrc::.;‫ ;׳‬nece:.arios ‫ י‬, ^.■■.:irucçãi das *■uas
obras. . .
^ :! O C"‫''־'’׳■־‬- ■'..‫״״‬eccionar a exec! ‫׳‬-, '‫ י‬- ‫ ״‬cusi. '‫»־;) •י‬. o b r a ‫־‬, para
assegurar r. ‫'■׳‬.-.‫־‬ío •cu. !,‫ יי‬.‫ ׳׳‬u•■;■. dos contractos .,uc 1 e s u b e l c r] ‫¿ ״‬,
f 0 .<;‫ « י‬ar• ' . ‫■ ׳ _״‬Ja ■1,! ,•.(‫חר‬:,!.■■•;‫״■״‬. “ -.:'nre/-‫ ״‬rT!^. ‫׳־‬ai a.
1 0 ú a .1 ;.j '■‫ ■ ' ׳ ; ״‬i g c n s e < : !‫ ; ■ ^׳‬. ; i i í o s p o r ic! a o - '‫ ! ־ ■ ״‬1 .‫׳‬,‫ '־‬e n s aUu..:j?: :'.¿;»‫י‬

e e n t r e p o s t o .

§ 13. As e m p r e z a s e s t r a n g e i r a s ji.rño obr i ga das a ler 1e p r e s e n t a n t e s n;1.1


l ocal i dades em <|ue t i verem seus est ai. , ‫■׳;■׳‬inicntos, para t r a t a r e m directa •
m e n t e c o m o G o v e r n o Imperial. As (!‫׳‬. lestõcs (|ue se suscitarem e n t r e o G ,
v e r n o e os em1>rezarios, a re s pe i t o dos seus direilo? .‫ ־‬ol>rigaçocs, p o d e r ã o ser
decidi das no Brasil por arbi tros. 11‫ ויי‬dos (!iiaes j ‫ ־‬.a de 110meaç:^0 d•' f'- ■,e -
no, e oulrf' do oinprezari o. e t e r c e ‫ ׳‬, o ;'■:1 accordo i!!■ hm !a. !•.!:'‫־׳‬s
cni s o r t e a d o. '

Art. 2." F' icam rc\oga1i11^ as ibsMosições 00‫ ו‬c o m ‫־׳‬..rl(1. .


Jüaqtrir.i A n t ã o l''ern;1nde.> L;‫ ׳‬.i0, do Meu Con,-. 1' ‫ייו‬, Mi n i s t r o ‫׳‬. S e c r e ­
t a r i o dc F s t a d o d o s N>‫׳‬g o c i o s ik■ .'Kgricullura, Conimercio e O b r a s Pub. icas,
a s s i m o t e n h a e n t e n d i d o e faça t A e c u ' a r .
P a l a c i o d o R i o d e J a n e i r o , eti! ‫ו‬.‫ ן‬de O ü i ü b r o de 1Í169, 48 “ d a I n . l c p v ¡ -‫׳‬
‫ ״‬encir.- V d > l . n p e r i o . , .
C o m a l ubi ' . ‫״‬a de S u a M a g e s t a d e o l i n i j í r a d o r . — J o a q u i i n A n t o n i o r e r -
li .*-.des L e á o
/JxíEXO VI

‫*«־‬i/í■-•¡.*.' ■óaip¿^: .tt•» 7 ^ J10¿í-


24<~.' •'1-•iliftwB •t r » ‫ זו‬I -i-r ‫ • ו‬r-— ftf--r— ‫רו‬

‫י‬ ■ ■ ■ ■ ' ■ ■ ' ^ ■ ‫׳‬- -■ ■ . . - / <J ^


( ■;
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N‫־‬ '■ ‫׳‬ '■;■ . ‫■ ■ י‬:' : • - ' ■ ' . "• :; ‫ר‬


li ■ ^ ' ■1 " ■ ' ' ■'■ ■ " ' ' ‫" ג ־‬. ; ■ ‫!׳‬
■- ’ .‘ ■ ■ ■ .■ , ■ , ■ ■
-■ • ' ■ ‫׳‬ , > ‫י‬

‘ ^ • ■ D E C S Ê T O N. 4695— de 15 cie Fevereiro de !!>71 '


t ■ ■ . .

; . ^ Concede ;10‫ ־‬iiacharcis Francisco Ignacio Ferreira r Manoel Jesuino Fcr-


i '. ■ reira ou á conipanliia cjiie organisarc.ri, autorisaçao para construírem
, ; , docas c outros nicllíoranientos no jiorto da província da Bahia.

( Alte n dcndo ao que Me requereram os !!achareis, Francisco Ignacio Fcr-


reira e Manoei Jesuino Ferreira (. coniorniando-Me com o J'arecer da See­
- V ção dos Negocios do Imperio v j Consellio de Estado de 28 de Oiuubro
' ■ ■ (lo »nno passado, Hei por bem, na fórma do Decreu. i¡. 1746 de 13 de Ou-
[; , lubr o de )' ■•■;), C ‫ ׳‬.'cedcr-lhcs ou c.jmpaiiliia qiie i n r : rporareni, autorisação
(‫׳‬ i-ara rr■:-.‫־‬. .■■■‫•־‬r;.‫ ־‬no 0- . ‫י׳וז‬ ■'.ovincia da Itahii cas e, outros melhora­
' ‫״ ־־‬.‫י‬,;an'^■‫ ־‬juntas á pef;;. ‫־‬-:‫ ״ ׳‬lici.J do? emprezarios, datada
- ‫ ’־‬. ;..^-‫־‬,‫״‬bi o do ü íindü, sob .is clausulas qne 001‫ וי‬este baixam, .assi-
{,‫ ׳‬nadas pel^ Dr. ] <10;‫ ג‬Alírodu Corrêa dc Oliveira, d‫ ׳‬. Meu Conselho, Mi­
’ nistro c Secretario de Hsiado dos Xe^'ocios do Imperio e interinamente dos
,la Auricullura, Comnicrcio e Obras l ’ulilicab, qrc assim o tenha entendido
í . e faça ex c ci uar . ' Palacio tío Kio de Janeiro, eni 15 tic l'cvcreiro de 871‫> נ‬
f ■' . 50“ Ha Independencia e do Imperio. .
? ' ■ Com a, rubrica de Sua Magestadc o Imperador.
' ‘ João Alfredo Correa de Oliveira
I

T í • • ‫ •»־־׳־‬I •‫ ן‬n p o '¿ o r r.ff»rA A ‫ח‬ ir.K ‫■׳א‬-'-


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VlUl/JUiÜ^ o ‫ ״‬t.1 ^ ‫ ל־‬- - M. IV.‫׳‬./, UV,J1a UvllU

^ O r;‫׳‬nve1... 1‫ ״ ז‬, , . ‫• צ ״ י‬oncede ‫ ״‬c ‫ ■׳‬: : . . : : ‫• ׳ ־‬els Francisco I g n ar i ‫ ״‬F e r r a r a \ .


f c M: ' ‫־‬10^’. ‫ ׳׳‬i.‫ ' ׳‬no on á con11>ai1..... Ou.. o r 1 :‫׳׳‬n!sarem, aii.?.- açao
; . ‘ ‫‘־‬O .:‫ ■־‬Caui L‫״‬: ‫ !■יי‬V.ahia d o . - ' . para
: - ‫^־'׳ ׳‬-■ad. nas d. .. .,^‫;יר ׳‬.-..‫ י ׳‬e ex;■ ‫ ך‬. ^
> . ÇH0, e bem . Saini outras obr 1<‫״‬. 1 •‫״‬,. ‫( יז־‬,.., ^on! ,‫•־‬s pl.uit.n ^.
■ jun t a s a sua '•■;tiçiio inicial, sell, o 1 om 3 .. ‫ '״־‬oü. ~ ^

L
;
- ,
/I. incorporação da con ,:anhia devera veri''icar-se ,‫׳‬
' ^ ^ ‫׳‬.,■•ro do pi a zo de >;
. dot.‫ ב‬annos, cont.-ros . a uata da !iromulgação do b ' c r e t o da concessão,
■ , , sob peiva de cn.^'-car -■ me s ni a c o n c ess ao , salvo caso .‫ י‬. lo.r(;a m a i o r , d e v i d a ­
mente ilrovju'.‫ ״‬p er / n t e o Govverno e por este jr'.‫ ׳‬,•.do, mediante cons ‫ '״‬. ‫״‬
‫•ן‬ (la Seecao rompei ent e do C()nselho de I'jstado^
v‫ ׳‬.-T >.*• _1 • r '‫ן‬ ‫׳‬ ‫ז‬ :‫־‬ ‫ דל י ־‬I - r . ' "‫ ׳‬r . V• . ‫׳‬
‫ • ז‬y;■■®

■'■‫י‬
‫ ‘■״‬í V

-4‫־‬
III

O fundo capital da couipanhia será (118,000:000$ ‫ ג‬c não ponerá ser


a u g me n t a d o ou dhiilraiido .sent autorisaçáo ’ do Govcnio.

IV ‘

O Governo concede á companhia o direito de dcsaproj>riação, na fórma


d o Decreto n. 1664 de 27 de Outubr o de 1855 dos terrenos, predios e bem-
feitorias panicuJares, que se acharern no? loRares necessários á construcgao
‫ו‬ -das'dócas c mais ol>ras de suus dependencias.

’ ;‫'־ ׳‬ ' '■ /


i- As obras c os trabalhos que a coniparihia obri,u‫־‬a-se a executar con-
li:■ ‫ ׳‬sistirão;
1.° No alargan’.eiUo, por meio de aterro.^, R11‫־‬arnccidos do cáes até ao
■forte-de S . 'Marcello, d?. parte da cidade baixa, comiirehentiida entre a Ai-
i ’’ fandepa e a Pra ça do Con^mercio;
f >• e , ■ 2,“■Na formação, nesse espaço, de cinco canaes ou dócas con! 30 a so
iv metr os de largura, pelo meno.í. e a profuníiidadc ncccss.iria para a flucluaçrto
■t m toda a ‫׳‬niaré, e en; quaU;uer tempo, de navios de oíto ■n‫ ו‬ctro.s de calado;
3.° Na construcção de caes e molbes coni todo o material necessário ao
■embarque e desembarque de passageiros e mercadorias; .
Os mur os exteriores do caes seráo convenientemente protegidos contra
!: •a acção das vagas; ‫׳‬ '
í 4.“ Na construcção de telheiros e grandes armazens para deposito das
k '' ' T n e r c a d o r i a s que uvereni de .«e demora r ñas dócas;
5 ° Na coI10(,:'Ç.ão do material fixo e n.’i acquisição do m a t e r i a l move!
:•necessária a,j •¿..rviço das ■dócas ñas condições dos mclliores de Londres;
6." No al argamento, !)or ineio de aterros, amparados por !¡‫ ׳‬aros de cáes,
J a parte da cidade baixa que vai da Pr a ça do Commercio ate á estação d ‫׳‬
Jequitaia;
7.‫ ״‬Na construcção de urna mur al ha da altura de ?™..SO, .armada de /■ ■

r:‫׳‬ •sas, afim de separar o terreno das dóca's e íuas dependencias dos c',■ ■■ ‫ ׳‬-
vizinhos, de modo que só se possa ent rar nelle pelas portas guardadas pe!
«mpregados da Alíandega. Do lado do mar, as entradas das dócas qu . i'-jo
tiverem comport as serão fechadas por mcio de correntes de ferro, te.!:!‫ ׳‬no
meio pontões de registro;
8.° Na construcção, conservação e custeio de un!a barca de e,<‫ ׳‬avações
■ Tiara de.sohslrnn‫ ־‬p iie• <:sr1:ia a íh11‫־‬t1K1c.ñn
V t‘-' -de navio.s de S^^o'^te calado, os canaes r ' f ‫ ״ ־‬.;,.sao as dócas c par:1 o ser-
i i '}'j pCMO.
ir / vi . .

T r e s ínezf s ant es de xiar começo ?,os trabalhos, a c01npanh\ '‫׳‬:-‫ ל‬obcü‘-


‫ י־‬a1>resentar á app^ovac‫ ו'״‬do Governo ‫; ב‬
Si ne nhur ‫ז '•״‬.-.■‫;׳■•■׳ ¡״‬ñn tnr inoicad ‫ ״‬pelo C .,‫״׳‬r n o d t ‫־‬n ' ‫_־ ־‬

?r*-‫» ״‬nc.2?‫ ־‬. c ont


ío. ■•‫ ״‬da c n ^ ' . . . . ' ‫ ׳‬: ■ ( - fc ..jD pi »ciaría tia rresl
‫׳‬ipnci.. . , '•‫;שי‬,‫ך‬, pr oce der execução ■'I.: ,;5 , confor - í‫״‬
nje as 1*!c t‫* ־ ״ ״‬
m: “t H « ♦ -
VTT
Organlsa ia a c o‫־‬-..;:..,‫־‬. hi3 e approvados os seus estatiitos, dará e'Ia ro-
meço ás obras no ,)■azo de seis niezes, contado.s da data da approvação das
plantas, sob peir. ac, sein mais {ormalidade, caducar a concessão.

VIII

■ A companhia flea obrigada a concluir as obras no pra 70 de cincb annos,


' ' ‫־ ‘■־‬ •■•■‫ י‬.. ■=.‫י‬ n\a«1:1e. sob iirna de cad\1rar a con-
■■, _ , ■‘f
ccssãci, salvo casü C c íor1;a niaior, justificado perante o Governo, (!uc jultíarí,
<lc biiajjrotcticnc;!-. ]>or decreto, precedendo audiencia da respectiva Scc-
ç i i ü lio Conselliu 1;e Jistado. ,

• ,‫־‬ • IX ■ ■'

A companJ;ia sera obri^‫ ׳‬ada a conservar sempre em perfeito estado to!las


^ as oljras, edificios e ^pi^arellios por eüa construidos ou lidciuiridos.
■ . ■ •i
‫‘ י‬ i
,, ■ ‘ X ■ ‫■ ־‬ ■ . ;

Quand o a companhia nSo executar cjualqucr obra ou serviço, ou não


' conservar as suas cbras, edificios e apjiarellios nas coridiçòes estabelccidas,
o Governo o ma nd ar á fazer por conta ‘da com1)anl1ia,

^ ' ' ■' ’ XI ' ’ ^ j


■ O Governo fará fiscalisar, corno julgar mais conveniente, a execução das
obras c o cui npri mento de todas as clausulas da presente concessão.

'/ ■ ‫׳‬ V ■ Xll , 1


A companhia será obrigada a dar nos edificios das dócas as accop.inio- . '
' (irfções necessárias para o serviço dos empresários da AHandega, que íorer¡’. *
• encarregados de fiscalisar o movimento das mercadorias.
XIII , I
' ■ . ‫■׳‬ ■)
, Os a r ma zé n s das dócas construidos pela companhia gozarão de todas !
afe ,.vantagens concedidas por iei aos armazeiis alfandegados e entrepostos. '

," ' ' , XIV


An t es de principiar o serviço das dócas, a companhia ‫■־‬.ijeitará á app■••.
vação do Governo unr regulamento para o niesnio serviçoj esitabeíec( ^‫י־•׳‬
. as r egras neccssarias para , a exacta fiscalisação das rendas da Alfard ,
. . XV . • : ■ ■i
' ■’ ■ A companhia terá direito de !lerceber, pelo serviço do cáes d‫ ־‬s !ócas,
do embarque e desembarque e annazenagenr das mercadorias, e ]k . o em-
barque e desembargue das bagagens as mesmas tarifas actualm r.í estabe-
. lecidas pela Compariliia da Dòca da .■Mfandega do Ri o- d c Jar.-i o.

, . XVI ' • ■ ; ;

A companhia terá a facuUh.Je de emittir titulos de gai.-.-tia ou “ w a r r a n t s ” '1


, das mercadorias depositadas nos respectivos armazéns., j
■ Por titulo emittido cobrará uin quarto por cento do \ \ ' o r das merca-
dorias nclle mencionadas. . j
A emissão e us o destes titulos serão feitos de c o n í o T . v . , . ‫ '׳‬oni os ¡
do Gover no. ’ |
.' . ■ ' \V ii . ‘

' ‫־‬ ' ‫׳‬ ' ■ ■I


/va _ - u ã : . J, ■ ‫ "־‬i l g o s <1ntecedentes se considerarão ;'•.‫־■׳־‬-■;.';orias e .‫;׳‬ei |
. ' r evi s t as ‫״‬.,./.,‫ י־‬. ‫ ־׳‬um r n m e depois, dc. cinco t m cinco annos, j)cla aç a .‫׳‬ •
do C omn i e r ci a' Ga : ahia c •ipprovados pelo Governo, não podendo ser .j110(!1- >
ficadas de nrodo a reduzir ■; -enda liquida geral da companhia, sinão quiuido ■ j
a •inesnta renda cx‫׳‬-► er dc f tio capital em])regado nas construcções e
material .'ixo e r- J-.i te da companhia.
XVIII '
Serão . ‫ ־‬ibarcaíias e dcsembaTauas gratuit.T!r¡cnte quaesquer som ‫יו‬. • rfe
dinlieiro tencentcs ao ^'r:'ado, as m.iias do Correio, os agentes o;11ciat.■)
. do Govt‫ ״‬n1), b t m como os colonos e suas l>agagtns,
— . ■. ■■■ >. — — ^— ^
‫ך־**ת*־ד<־'־ח^זדחי״יי^״י‬7‫*’~דזדרררדזז‬7‫׳לז‬ ‫י‬.,
Xl.K
1. ' :‫׳‬
'‫'־‬, •' Te r ão tambem livre uansito, embarque■ e (!cseinharcuic diiraiUo as hiiras
' j ' ;
do serviço e expediente, passaReiroi que pfiderão conduzir volumes nao exce-
l.-, dentes de 125 decimetros cúbicos e pezos não maiores de 30 kilo^ranimas.
••• ‫י‬ ’
• . ' ' .XX

Si O Governo ent ender conveniente effecrnar o res!íate da concessão,


1*^' p o de r á fazel-0 eni quaUjuer tempo depois dos dez 1)>1meiros annos da pro-
t• mulgação do decreto da concessão.

'' . " ' XXI •,


';■íis /
o preço do resKate será reculado de modo que. rcduzi<io a Apolices da^
Divida l’ublica, produza nnia renda equi\alcn1e a 8 °‫ן‬° do capital efícctiva-
me nt e empreirado na emjireza.
No caso, porén), eni que a revisão do contracto stja niotivada por (alta
de observancia de suas clausulas por parte da companhia, o reembolso do
capital des])endido s e r á ' í e i t o por meio .de apolices, segundo os preços cor-
i ‫׳‬:' ' r e n t e s do dia do pafraniento. '
‫ו׳‬ O Governo estabelecerá o modo de \ erificar a importancia ' deste ca))ita!.
^,:\r > . Do preço do resgate será deduzido o fundo de amortização que entáo
houver, de conformidade com a clausula X X H I .
I ?‫ ’ > '׳‬i
. r- ‫׳‬ .. . XXII
n ;
■ 'A presente concessão durará 90 annos, contados d‫ ׳‬. ■a d: .a.
' F i ndo este prazo, pas5?.rão para o ’ , i f ‫׳‬ sem ^■.‫ ׳‬. ‘‫ '’ ׳־־‬..•.,ão ab-'-.- nn -■
- companhia, todas as tran.sacções. o ’ ‫■׳‬ ■'. ‫ ״‬.• •‫־‬. , d.sS'‫' "׳‬i ■-..o '..‫־‬-ios
■■{> os terrenos cedidos a con¡panbia >.‫ ־׳‬j i ' ‫’’־‬.‫״‬
'f. L' ■ ..1 ]1
^ A coir.paribia deverá fo .■ . ii•‫־‬.! funtlo de amortização por 'nieio de quo-
■‫ ; י‬- tas deduzidas de sens lucros l.oaidos e calculados de iiiotlo a reproduzir o
f''‫׳‬V . s e a capital no fim do praso aa concessão.
■ ‘.‫ ) י‬i A formação deste fui’ 10 ,!e amortização começará, o rnais lardar, dez
annos dej)0is de co; luli'i■• ■‫‘׳‬: c.l>ras.
f t "■ XXIV

A companhia ‘crá na cidade da liabi i a su ‫־ ״‬éde 01, um deleg-ado co'TI


, plenos .poderes pai .■ tratar e resolver direc‘a c ■‘ , ■ i 1 '■‫־«¡׳‬j!ente coiii o l e-
sidente‫ ׳‬da Provincia as (!uestotís, ficando enie.’ib . ' ‫ך‬.;•, ^'tantas .\Tf;ii‫־‬em
‫׳‬, entre ella e o G o v ^ n . r ou entre ella c O' parf.vulare‫״‬ decidí ‫׳‬ ‫ג‬s i‫׳‬..
"-!‫י‬ ■ Brazil e de conforr,\' ‫ ״‬t,:'e com a leg-islaçao ‫ י ר י רי־ל‬/ ■' ■ ^

■ ^XV ', ,
As ■■;■■‘■S' ol•‫־‬ oc susc','.a. r'ii o Govcnio e ,v ^' ‫־‬:‫^’־‬.;nliia a respL■•‫׳־‬
i de sens direitos • ..-.;as obrigaç, es ^ não puderem ser r■ «olvidas rio com-
:•1’ muin accordo, serão decididas no Dr■‫!¡; ׳‬, por tres arbitros, dos quaes unt
se^rá de nomeação do Go\‫׳‬erno, outro d‫ ״‬- cmpanhia e o terceiro, qne deci-
dirá definitivamente, e.^^colbido por accordo de ambas as partes, ou sorteado,
offerecetido cada urna dellas o neme de um Conselheiro de Estado.

x:-:v1
Fica entendido qne á com|)^.t1'.’1,1 não .-c• conceden! oulros fa^.ores aléni
do« '.’.'.^■.■eionados na¿ !)resentí'; clausulas.
!’alacio (lo Kio de Janeiro, 15 ile levereiro de ‫ ׳‬S/l. — João A lfredo
Correa de Oliveira.
t l A P l C E E ‫ ׳‬F TI,*r1C‘.RIF.C;
8;.‫ו‬.\‫י־‬.‫י‬:‫נ‬.- - i sswi í j í

ANEXO VXI
Ic
•s;/57 [sdrc
1tj;/6c
lUi
Jo*« /.Qtúnio de /c«yjo LIk«
Luí• A^ctiul(' ?crcira ?raecr •
hsec«l Abttcio fcrc.ir• Vriiaco
U73 Lut• Joasuio dA Hai•
!¿7‫ל‬/7& Joãc Jo«quia do* Satilc« S4
iNcr.Atr Ui ‫׳‬./6C Joto Fauatiao de Andrsd«
SE0t)^‫ נ‬J 1873 Cenésio Afocso dos Saato•
Joaquie Percii» Aroura
Karcoiír.o Kcrito da H»i•
l‘0,‫־‬ Kurcolino Adolfo CaPíieno «aia
IR63 Aoiffiio Joié icrcaadei Lit»
IBS? Caida* e uaeas Soledade
1880/U09 J . S . J . M o r o i fa

CORPO i / . V . O 1S57/60 Fraaciaco Jesé da Silva Craça


CA sr ¿i 1C57 J0»puÍB1‫ ־‬d« Caetro Cuir-tre«•
IéS?/60
Kanocl José do Conde c
Cobingoa *rtcnio Piiei d« Carvalho •
Alt>uquc111ue
Kar.oal do* Santoo Hevea
1e75/7? Kaooel JosP Machaío
leeo Kaooel Joae do Conde Juaior
r » 1 K » 11 c> U59/f0 Matcel Joaquim Soledad»
e0K£S If 73 Cl*1‫ ׳‬nte dc Souia G0i>ea
U75/7S Coaca a Cia.
1680 Ij‫״‬âCio ClíPcri« bitteccourt Tovriul 0
Quarino Joaé Co»ct
SECU KPO Duarca Oliveita e
Acronio Joic »err.ande• Lira
COKES
H 7 3 /7 5 / 7 9 Joaqui» tcreiro de Carvalho
18ÊC Querioo Jo&é Cote•
lEECEIFO
COK£S

JA QU L ir A 1 £ 7 ‫ צ‬/ 79 I Kt-nezei

JCLIÃO 1 ! ‫צ ־‬4 / ‫ ל‬7 Cardoao e lr»‫״‬oa


l££f> Lzequi e1 Kci 11-
lf-,’0 Jo»¿ Lop*« l‫׳‬f rt i r carvelbo
15r5/75 / nfc1o Candido ! i
lee? C0ft«odado1 Kaiioel do» fa»»o» Cf.ràoto
lAVC 1624/59 (ranc i aco L&ng
KACI EL 1624/59

1 6 ‫ ל‬4 / ‫ צ‬7 /60 rraDciaco Exequlel halra


KElRi
l££i Aso*tio)‫>־‬o Dite Liia•
XOÍ^COtfO 1£‫¿ל‬ Pranciico Coati Honcorvo
1657
Haoo«l Juaquíir. Soledada
fedro Ricardo da í;Ivi
■u c o
U75/f9
jGlio Ceaat de VaaconceI loa Eart»

1857
isto

18£8 ’I t- • Lcy :i »

KOT tA 1 C79
* s>oníiia Tru«• da Mott;
‫ ־‬hOSTEltO 1873
U54 p dro Antonio Calvao
HOTO
1857 Victorio Eulílio de Abreu Filbo
18 ‫ ׳‬5 José «arques Koreira
1liíO
673/fO
7'' JoaquíB Lopea de Carvalho
Fraaciaco Pereira de Aguiar
If . Antônio Eulílio dc C5a» Tourlnho
F11K£I>A
B.rnardir,‫״•׳‬ ‫״‬ocílva»
F f thiA
João d< Araiijf‫ ־‬Conçalvet
’* ►^‫ י!׳‬G«1it1arãei
Cu»tÔdi< - ‫»'־‬quia da . ‫־‬
FSEkSA
João Franc'» o Conça.v ^
U54 Aít.üio Uopo t ■ ‫‘ *י‬:t..‫'׳־‬
ÇUISIA
líó■:‫׳‬ h»r.oal Gabrial ^' '‫•י‬
rX CK £A
i £73 hatealiro Eiiavao Ja 0-.•‫ ׳‬Tc. ‫■••י‬
1870/Í0 joaá Lopf • da Silva *.1.
íll!K‫״‬l»0 t ■‘,1. Jacinto Joaé >. . ‫«'־‬ta
FlLÁl.
I.‫״‬ tíw.‫ <׳־‬Bann
‫יי* ו‬:
r. • .'1 • 0 ‫ ה‬A d o J ^ h o C a i a i a n o Hal t
;87‫נ‬ j . > " A k•''»!© da S il v a St rv a

riso DOrcMo 1857


Ql-CfclKO 1667 Dr. A n t o n i o t. - ; I v * D a i r Õ •
•ut Bu lh a c
1675 V i i c c n d a dc P ‫ ׳‬rcita M a r i n h o •
J o ã o R o d r i g u e # C e. ■a no

BlACaVELO 1575/79 J 0 i 6 J 0 5 q u i n ¿0S *■‫׳‬Ao to» ^


U7i C a r d ‫ • ׳ ־׳‬Irmão

fAL U2W60
tVii. 1657
1863/80 Kanoal Jo«• do Conda ‫י‬
Vtllo Doaiopo- Antonio Pirea da Cas;
1C75/.5 K«no^‘ Jo»é Machado

XICO r -54 Joai '1


« AaoriB
1657/59 Joao

n XI 18 .4 Manoel Cabrí.' ^0 Carv.';


1657/60 Ançonio lopo .‫•־‬- *aotca
1872 Joio Joaquia do• '>4.•toa
1673 Hanoel .loaquia £01»•! »da
Maria Antonia da C‫ «' ״‬1‫״‬
‫י' י‬61 )*anoel de Soura Ca P>13é
1886

ÍCC3K50 1624/ ‫צ‬9 Franciico da Cunha »ittaneourt


111: 185•. jsaé Joaquiu Cardoao
1657 Antonio da Cunhe ‫ ׳״‬tt '‫־־‬,--‫־‬art
«859/60 Joaquín da Cuoh« .,.v'‫'־־‬:ou t
1875/79 J‫ ״‬ão Joaquia dul Santo* '.a