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ENQUADRAMENTO LEGAL

NA
PROTEÇÃO DE CRIANÇAS E
JOVENS
Legislação

LEI N.º 147/99, DE 01 DE SETEMBRO


LEI DA PROTEÇÃO DE CRIANÇAS E JOVENS EM PERIGO

A lei tem por objeto a promoção dos direitos e a proteção das crianças e dos jovens
em perigo, por forma a garantir o seu bem-estar e desenvolvimento integral.

DECRETO-LEI Nº 159/2015, DE 10 DE AGOSTO


Cria e regula a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e
Jovens - Texto alterado pelo Decreto-Lei 139/2017, de 10 de novembro.

LEI Nº 103/2009, DE 11 DE SETEMBRO


Regime Jurídico do Apadrinhamento Civil

LEI Nº 141/2015, DE 8 DE SETEMBRO


Aprova o Regime Geral do Processo Tutelar Cível

LEI Nº 105/2009, 14 DE SETEMBRO (ARTº 2º A 11º)


Regulamentação do Código do Trabalho (Participação de crianças em espetáculos de
natureza cultural, artística, publicitária - ator, cantor, dançarino, figurante, músico,
modelo ou manequim)

LEI N.º 31/2015, DE 23 DE ABRIL


Regime de acesso e exercício da atividade de artista tauromáquico e de auxiliar de
espetáculo tauromáquico

LEI N.º 13/2006, DE 17 DE ABRIL


Lei sobre o Transporte Coletivo de Crianças

REGIME JURÍDICO DOS CONSELHOS MUNICIPAIS DE JUVENTUDE


Lei nº 8/2009, de 18 de fevereiro - I Série do DR nº 34

DECRETO-LEI 43/2011, DE 24 DE MARÇO


Regime legal sobre regras de segurança de brinquedos - Revoga o Decreto-Lei nº
237/92, a Portaria n.º 104/96 e o artº 2º do Decreto-Lei n.º139/95.

DECRETO LEI N.º 172/2007, DE 8 DE MAIO


Regime legal para garantir a colocação de isqueiros seguros para as crianças.

PORTARIA 924-B/90, DE 1/10


Requisitos essenciais de segurança dos brinquedos

LEI Nº 46/86, DE 14 DE OUTUBRO


Lei de bases do sistema educativo

DECRETO-LEI Nº7/2003, DE 15 DE JANEIRO


Conselhos Municipais e Carta Educativa

LEI Nº 85/2009, DE 27DE AGOSTO


Regime da Escolaridade Obrigatória para as crianças e jovens que se encontram em
idade escolar e Consagração da Universalidade da Educação Pré -escolar para as
crianças a partir dos 5 anos de idade.

LEI Nº.79/2015, DE 29 DE JULHO


Assegura que a cada criança é atribuído um médico de família.

DECRETO-LEI Nº 26/87
Concede refeições gratuitas aos pais que acompanhem os filhos quando internados em
unidades de saúde.

LEI Nº 106/2009, DE 14/9


Consagra o direito da Criança internada em hospital a acompanhante familiar (Ver Artº
2º)

DECRETO-LEI Nº 259/2000
Regulamenta a Lei 120/99 - fixa as condições de promoção da educação sexual e de
acesso dos jovens a cuidados de saúde no âmbito da sexualidade e do planeamento
familiar.

LEI Nº 60/ 2009


Educação sexual em meio escolar

LEI Nº 71/2009, DE 6/8


Cria o Regime Especial de Proteção de Crianças e Jovens com Doença Oncológica

DESPACHO 20340/2007, DE 21/8/2007 - DR 2ª SÉRIE Nº 172, DE 6/9


Atribuição de linha telefónica a ser utilizada no âmbito das crianças desaparecidas.
Níveis de Intervenção
No âmbito da mais recente Reforma do Direito de Menores que surge a Lei n.º 147/99,
de 1 de Setembro – Lei de Crianças e Jovens em Perigo – vigente desde 2001, na qual
se inscreve a intervenção dos diferentes sectores e serviços nesta matéria.

Obedecendo a uma nova filosofia de intervenção junto deste tipo de população


infantil, a referida Lei consagra um modelo de proteção que defende uma participação
a diferentes níveis:

 no primeiro nível, é atribuída legitimidade às entidades com competência na área da


infância e juventude - ou seja, as que têm ação privilegiada em domínios como os da
saúde, educação, formação profissional, ocupação dos tempos livres, entre outros -
para intervir na promoção dos direitos e na proteção das crianças e dos jovens, em
geral, e das que se encontrem em situação de risco ou perigo;

 no segundo nível, quando não seja possível às entidades acima mencionadas atuar de
forma adequada e suficiente para remover o perigo, toma lugar a atuação das
Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ), nas quais a saúde, participa
também;

 no terceiro nível, é à intervenção judicial, que se pretende residual, que cabe o


protagonismo na proteção de crianças e jovens em perigo.

No entanto, é da exclusiva competência das CPCJ e dos Tribunais a aplicação das


medidas de promoção/proteção a favor dos menores que delas careçam.

Princípios da Intervenção
A intervenção para a promoção dos direitos e proteção da criança e do jovem em
perigo obedece aos seguintes princípios:

INTERESSE SUPERIOR DA CRIANÇA E DO JOVEM - a intervenção deve atender


prioritariamente aos interesses e direitos da criança e do jovem, nomeadamente à
continuidade de relações de afeto de qualidade e significativas, sem prejuízo da
consideração que for devida a outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos
interesses presentes no caso concreto;

PRIVACIDADE - a promoção dos direitos e proteção da criança e do jovem deve ser


efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada;

INTERVENÇÃO PRECOCE - a intervenção deve ser efetuada logo que a situação de perigo
seja conhecida;
INTERVENÇÃO MÍNIMA - a intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas entidades
e instituições cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos direitos e à proteção
da criança e do jovem em perigo;

PROPORCIONALIDADE E ATUALIDADE - a intervenção deve ser a necessária e a adequada à


situação de perigo em que a criança ou o jovem se encontram no momento em que a
decisão é tomada e só pode interferir na sua vida e na da sua família na medida do que
for estritamente necessário a essa finalidade;

RESPONSABILIDADE PARENTAL - a intervenção deve ser efetuada de modo que os pais


assumam os seus deveres para com a criança e o jovem;

PRIMADO DA CONTINUIDADE DAS RELAÇÕES PSICOLÓGICAS PROFUNDAS - a intervenção deve


respeitar o direito da criança à preservação das relações afetivas estruturantes de
grande significado e de referência para o seu saudável e harmónico desenvolvimento,
devendo prevalecer as medidas que garantam a continuidade de uma vinculação
securizante;

PREVALÊNCIA DA FAMÍLIA - na promoção dos direitos e na proteção da criança e do


jovem deve ser dada prevalência às medidas que os integrem em família, quer na sua
família biológica, quer promovendo a sua adoção ou outra forma de integração familiar
estável;

OBRIGATORIEDADE DA INFORMAÇÃO - a criança e o jovem, os pais, o representante legal


ou a pessoa que tenha a sua guarda de facto têm direito a ser informados dos seus
direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma como esta se
processa;

AUDIÇÃO OBRIGATÓRIA E PARTICIPAÇÃO - a criança e o jovem, em separado ou na


companhia dos pais ou de pessoa por si escolhida, bem como os pais, representante
legal ou pessoa que tenha a sua guarda de facto, têm direito a ser ouvidos e a
participar nos atos e na definição da medida de promoção dos direitos e de proteção;

SUBSIDIARIEDADE - a intervenção deve ser efetuada sucessivamente pelas entidades


com competência em matéria da infância e juventude, pelas comissões de proteção de
crianças e jovens e, em última instância, pelos tribunais.
Comissões de Proteção de Crianças e Jovens
O modelo de proteção de crianças e
jovens, em vigor desde janeiro de
2001, apela à participação ativa da
comunidade, numa relação de parceria
com o Estado, concretizada nas
Comissões de Proteção de Crianças e
Jovens (CPCJ), capaz de estimular as
energias locais potenciadoras de
estabelecimento de redes de
desenvolvimento social.
As Comissões de Proteção de
Menores, criadas na sequência do Decreto - Lei n.º 189/91 de 17/5 foram reformuladas
e criadas novas de acordo com a Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo
aprovada pela Lei n.º 147/99, de 1 de setembro. Esta lei teve três alterações (Lei nº
31/2003, de 22 de agosto, Lei 142/2015, de 8 de setembro e Lei 23/2017, de 23 de
maio).

Aqui se definem as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) como


instituições oficiais não judiciárias com autonomia funcional que visam promover os
direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações suscetíveis de
afetar a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento integral.

Considera-se que a criança ou o jovem está em perigo quando, designadamente, se


encontra numa das seguintes situações:

 Está abandonada ou vive entregue a si própria;


 Sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais;
 Não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal;
 Está ao cuidado de terceiros, durante período de tempo em que se observou o
estabelecimento com estes de forte relação de vinculação e em simultâneo com o não
exercício pelos pais das suas funções parentais;
 É obrigada a atividade ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade
e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento;
 Está sujeita, de forma direta ou indireta, a comportamentos que afetem gravemente a
sua segurança ou o seu equilíbrio emocional;
 Assume comportamentos ou se entrega a atividades ou consumos que afetem
gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que
os pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de factos lhes oponham de
modo adequado a remover essa situação.
Competências das CPCJ
A intervenção das comissões de proteção de crianças e jovens tem lugar quando não
seja possível às entidades com competência em matéria de infância e juventude atuar
de forma adequada e suficiente a remover o perigo em que se encontram.
A comissão de proteção funciona em modalidade alargada ou restrita, doravante
designadas, respetivamente, de comissão alargada e de comissão restrita.

 Comissão alargada
- Informar a comunidade sobre os direitos da criança e do jovem e sensibilizá-la para os
apoiar sempre que estes conheçam especiais dificuldades;
- Promover ações e colaborar com as entidades competentes tendo em vista a deteção
dos factos e situações que afetem os direitos e interesses da criança e do jovem;
- Colaborar com as entidades competentes no estudo e elaboração de projetos
inovadores no domínio da prevenção primária dos fatores de risco, bem como na
constituição e funcionamento de uma rede de respostas sociais adequadas.

 Comissão restrita
- Atender e informar as pessoas que se dirigem à comissão de proteção;
- Decidir da abertura e da instrução do processo de promoção e proteção;
- Apreciar liminarmente as situações de que a comissão de proteção tenha
conhecimento,
- Proceder à instrução dos processos;
- Solicitar a participação dos membros da comissão alargada nos processos por si
instruídos, sempre que se mostre necessário;
- Solicitar parecer e colaboração de técnicos ou de outras pessoas e entidades públicas
ou privadas;
- Decidir a aplicação e acompanhar e rever as medidas de promoção e proteção, com
exceção da medida de confiança a pessoa selecionada para a adoção ou instituição
com vista a futura adoção.
- Deve ainda colaborar com outras comissões de proteção, quando estas solicitem a
prática de atos de instrução e acompanhamento de mediadas de promoção e proteção.
- Propor ao tribunal que decida sobre o apadrinhamento civil da criança
- Decidir sobre requerimento apresentado, para autorização da participação de criança
com menos de 16 anos em atividade de natureza cultural, artística ou publicitária.
Medidas de proteção

As Comissões de Proteção podem aplicar as seguintes medidas de promoção e


proteção:
- Apoio junto dos pais;
- Apoio junto de outro familiar;
- Confiança a pessoa idónea;
- Apoio para a autonomia de vida;
- Acolhimento familiar;
- Acolhimento residencial.

As medidas de promoção e proteção são executadas no meio natural de vida (as quatro
primeiras) ou em regime de colocação (as duas primeiras), consoante a sua natureza.
A medida de confiança a pessoa selecionada para a adoção, a família de acolhimento
ou a instituição com vista à adoção não pode ser aplicada pela CPCJ. Quando esta
conclui pela necessidade de encaminhar a criança para a adoção, o processo de
promoção e proteção é remetido para o Tribunal.

Competência territorial

As comissões de proteção são competentes na área do município onde têm sede.


Nos municípios com maior número de habitantes, podem ser criadas, quando se
justifique mais do que uma comissão de proteção com competência numa ou mais
freguesias.
Também podem ser criadas comissões de proteção que abranjam mais do que um
município, desde que com municípios adjacentes com menor número de habitantes.
Constituição das CPCJ

 Modalidade alargada
- Um representante do município;
- Um representante da segurança social;
- Um representante dos serviços do Ministério da Educação;
- Um médico, em representação dos serviços de saúde;
- Um representante das instituições particulares de solidariedade social ou de outras
organizações não governamentais que desenvolvam, na área de competência territorial
da comissão de proteção, atividades de caráter não residencial, em meio natural de
vida, destinadas a crianças e jovens;
- Um representante do organismo público competente em matéria de emprego e
formação profissional;
- Um representante das instituições particulares de solidariedade social ou de outras
organizações não governamentais que desenvolvam, na área de competência territorial
da comissão de proteção, respostas sociais de caráter residencial dirigidas a crianças e
jovens;
- Um representante das associações de pais;
- Um representante das associações ou outras organizações privadas que desenvolvam,
atividades desportivas, culturais ou recreativas destinadas a crianças e jovens;
- Um representante das associações de jovens ou um representante dos serviços de
juventude (no caso de inexistência de associações de jovens);
- Um ou dois representantes das forças de segurança, conforme na área de
competência territorial da comissão de proteção existam apenas a Guarda Nacional
Republicana ou a Polícia de Segurança Pública, ou ambas;
- Quatro pessoas designadas pela assembleia municipal de entre cidadãos eleitores
preferencialmente com especiais conhecimentos ou capacidades para intervir na área
das crianças e jovens em perigo;
- Os técnicos que venham a ser cooptados pela comissão, com formação,
designadamente, em serviço social, psicologia, saúde ou direito, ou cidadãos com
especial interesse pelos problemas da infância e juventude.

 Modalidade restrita

A comissão restrita é composta sempre por um número ímpar, nunca inferior a 5 dos
membros que integram a comissão alargada, sendo membros por inerência o
presidente e os representantes do município, da Segurança Social, da Saúde e um
membro, de entre os representantes das instituições particulares de solidariedade
social / organizações não governamentais.
Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das
Crianças e Jovens
As Comissões de Proteção de Crianças e Jovens
são acompanhadas, apoiadas e avaliadas pela
Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e
Proteção das Crianças e Jovens, criada pelo
Decreto - Lei n º 159/2015, de 10 de agosto,
alterado e republicado pelo Decreto-Lei nº
139/2017, de 10 de novembro, a quem, entre
outras atribuições, é cometida a missão de
contribuir para a planificação da intervenção
do Estado e para a coordenação,
acompanhamento e avaliação da ação dos
organismos públicos e da comunidade na
promoção dos direitos e proteção das crianças e jovens.

O acompanhamento e apoio da Comissão Nacional às CPCJ consiste, nomeadamente


em:
- Proporcionar formação e informação adequados no domínio da promoção dos
direitos da proteção das crianças e jovens em perigo;
- Formular orientações e emitir diretivas genéricas relativamente ao exercício de
competências das comissões de proteção;
- Apreciar e promover as respostas às solicitações que lhe sejam apresentadas pelas
comissões de proteção sobre questões surgidas no exercício das suas competências;
- Promover e dinamizar as respostas e os programas adequados no desempenho das
competências das comissões de proteção;
- Promover e dinamizar a celebração dos protocolos de cooperação.

Modo de funcionamento das CPCJ


O apoio logístico, o apoio financeiro e o apoio administrativo são da responsabilidade
do município.
As instalações e os meios materiais de apoio, necessários ao funcionamento das
comissões de proteção são assegurados pelo município.
O fundo de maneio e o a verba para contratação de seguro para aqueles membros que
são designados por determinadas entidades (normalmente aquelas onde os seus
representantes não têm vínculo laboral), são da responsabilidade do município.
O apoio administrativo também é da responsabilidade do município.

Para o efeito, é possível serem celebrados protocolos de cooperação com os serviços


do Estado representados na Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção
das Crianças e Jovens. Em 31 de julho de 2017, a CNPDPCJ celebrou protocolo com a
Associação Nacional dos Municípios Portugueses, o qual enquadra a comparticipação
que aquela entidade entrega a cada município, para apoio ao funcionamento de cada
CPCJ - ver art.º 14º da LPCJP

As autoridades administrativas e entidades policiais têm o dever de colaborar com as


comissões de proteção no exercício das suas atribuições, incumbindo o dever de
colaboração igualmente às pessoas singulares e coletivas que para tal sejam solicitadas
- ver artº 13º da LPCJP.
Os membros da comissão de proteção representam e obrigam os serviços e as
entidades que os designam.
As funções dos membros da comissão de proteção, no âmbito da competência desta,
têm caráter prioritário relativamente às que exercem nos respetivos serviços e
constituem serviço público obrigatório - artº 25º da LPCJP).

Processo de Promoção e Proteção


Quando uma criança se encontre alegadamente em perigo, a CPCJ abre um processo
de promoção e proteção e solicita o consentimento aos pais para poder intervir. Se a
criança não tiver pais, a CPCJ solicita o consentimento ao representante legal, ou no
caso de não existir, à pessoa que tem a guarda de facto.

O processo de promoção e proteção é de caráter reservado.

Os pais, o representante legal, as pessoas que detenham a guarda de facto e a criança


podem consultar o processo pessoalmente ou através de advogado - artº 88º da LPCJP.

Processo de Apadrinhamento Civil


Quando a criança não tiver família e não puder ser adotada, o apadrinhamento civil
pode ser uma solução. A CPCJ proporá ao tribunal que decrete a constituição deste
vínculo. A CPCJ acompanhará posteriormente. O Apadrinhamento Civil encontra-se
previsto e regulado na Lei 103/2009, de 11 de setembro, o qual foi alterado pelo artº
3º da Lei nº 141/2015, de 8 de setembro.

Processo de Autorização para Participação em Artes e


Espetáculos
A criança com menos de 16 anos que participe em atividade de natureza cultural,
artística ou publicitária, necessita de ter autorização da CPCJ da área da sua residência.
A matéria e o processo encontram-se previstos e regulados na Lei nº 105/2009, de 14
de setembro.

Quem pode requerer?


Qualquer pessoa que tenha conhecimento de situações que ponham em perigo a
segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento da criança e do jovem,
pode comunicá-las às entidades com competência em matéria de infância ou
juventude, às entidades policiais, às comissões de proteção ou às autoridades
judiciárias.

Quando posso requerer?


A comissão restrita funciona em permanência. Pode utilizar os vários meios de
comunicação (correio clássico, correio eletrónico, telefone, fax e em atendimento
pessoal e direto.

Conceito de Risco / Conceito de Perigo


O conceito de risco de ocorrência de maus tratos em crianças é mais amplo e
abrangente do que o das situações de perigo, tipificadas na Lei, podendo ser difícil a
demarcação entre ambas.

As situações de risco implicam um perigo potencial para a concretização dos direitos da


criança (e.g.: as situações de pobreza), embora não atingindo o elevado grau de
probabilidade de ocorrência que o conceito legal de perigo encerra.

A manutenção ou a agudização dos fatores de risco poderão, em determinadas


circunstâncias, conduzir a situações de perigo, na ausência de fatores de proteção ou
compensatórios.

Nem todas as situações de perigo decorrem, necessariamente, de uma situação de


risco prévia, podendo instalar-se perante uma situação de crise aguda (e.g.: morte,
divórcio, separação). É esta diferenciação entre situações de risco e de perigo que
determina os vários níveis de responsabilidade e legitimidade na intervenção, no nosso
Sistema de Promoção e Proteção da Infância e Juventude.
Nas situações de risco, a intervenção circunscreve-se aos esforços para superação do
mesmo, tendo em vista a prevenção primária e secundária das situações de perigo,
através de políticas, estratégias e ações integradas, e numa perspetiva de prevenção
primária e secundária, dirigidas à população em geral ou a grupos específicos de
famílias e crianças em situação de vulnerabilidade. e.g.: campanhas de informação e
prevenção; ações promotoras de bem-estar social; projetos de formação parental;
respostas de apoio à família, à criança e ao jovem, RSI, prestações sociais, habitação
social, alargamento da rede pré-escolar.

Nas situações de perigo a intervenção visa remover o perigo em que a criança se


encontra, nomeadamente, pela aplicação de uma medida de promoção e proteção,
bem como promover a prevenção de recidivas e a reparação e superação das
consequências dessas situações.

Neste sentido, não basta a existência duma situação que afete os direitos fundamentais
da criança; é necessário que ela se encontre desprotegida, face a esse perigo.

Comunicação de uma situação de Perigo


A denúncia de uma alegada situação de maus tratos que possa por em risco a vida, a
integridade física ou psíquica de uma criança ou jovem é um exercício de cidadania e
um dever cívico de qualquer pessoa.

A denúncia pode ser feita junto da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ)
da área de residência da criança ou jovem, bem como através de outras entidades com
competências em matéria de infância e juventude, como sejam:

- Serviço de saúde
- Escola
- Serviços de ação social
- PSP
- GNR
- Ministério Público
- Tribunal
Pode comunicar a alegada situação de maus tratos por escrito a qualquer uma das
instâncias identificadas ou dirigir-se pessoalmente à Comissão de Proteção de Crianças
e Jovens (CPCJ) da área de residência da criança ou jovem.

Pode ainda fazê-lo para os seguintes números de contato:


- 112 – número europeu de emergência
- 116 111 – S.O.S. Criança
- 116 000 - S.O.S. Criança desaparecida
- 144 – Linha nacional de emergência social
- 800 20 66 56 – Linha da criança