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BLOCO 3: Jesus diante das necessidades básicas

UNIDADE 8: Jesus diante das necessidades básicas

OBJETIVOS

Como todo ser humano, Jesus precisava de alimento, roupa e mora-


dia. O que ele vestia? Como se alimentava? Onde morava? Essas per-
guntas simples não podem ser facilmente respondidas, pois não te-
mos um diário da vida de Jesus. Mesmo assim, vamos procurar, nesta
unidade, saber como Jesus e seus discípulos supriam as necessidades
básicas.

Na Unidade 5 vimos que Jesus exercia a profissão de carpinteiro. Após o


batismo por João Batista, Jesus saiu pela Galiléia anunciando a mensagem do
reino de Deus, curando doentes e expulsando demônios. Assim, ele não podia
mais se dedicar ao ofício que aprendeu com o pai. O sustento diário e as neces-
sidades básicas viriam de outras fontes. Veremos agora qual era a situação de
Jesus diante das necessidades básicas.

Vestimenta

Você aprendeu, na unidade anterior, que a túnica e a capa (manto) eram os


elementos básicos do vestuário. Os evangelhos indicam que Jesus trajava ambas.
Em alguns relatos, as pessoas procuram tocar as vestes de Jesus para obterem
uma cura (Mc 5.27; 6.56). Nesse caso, a palavra “vestes” significa capa, manto.

No relato da crucificação, temos a capa e a túnica: “Os soldados, pois, quan-


do crucificaram Jesus, tomaram-lhe as vestes e fizeram quatro partes, para cada
soldado uma parte; e pegaram também a túnica. A túnica, porém, era sem costu-
ra, toda tecida de alto a baixo. Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos,
mas lancemos sortes sobre ela para ver a quem caberá” (Jo 19.23s). Novamente a
palavra “vestes” é o mesmo que capa ou manto.

Sobre a qualidade da vestimenta de Jesus não temos informações. O fato de


os soldados repartirem entre si as suas vestes não significa que eram roupas finas.
Qualquer tipo de roupa era considerado um bem precioso. A julgar pelo que Jesus
diz em Mt 11.8 (os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais), sua
vestimenta era simples, como a da maioria da população.

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Moradia e alimentação

Em Mt 4.13, lemos que Jesus deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum.


Possivelmente sua família continuou a morar em Nazaré (Mc 6.1-6). Também
Mc 2.1 indica que Jesus residia em Cafarnaum: “Dias depois, entrou Jesus de
novo em Cafarnaum, e logo correu que ele estava em casa”.

De quem era essa casa e como ela era? É possível que a casa fosse de algum
dos discípulos, talvez de Simão e André (Mc 1.29). Mas, novamente, não temos
informações seguras a respeito. Certamente Jesus e seus discípulos não perma-
neciam ali o tempo todo. A casa em Cafarnaum servia como um ponto de refe-
rência e de apoio. De Cafarnaum eles saíam para anunciar o reino de Deus em
povoados da Galiléia.

Como itinerantes, Jesus e os discípulos não tinham garantidas a alimenta-


ção e a moradia. Eles dependiam da hospitalidade de outras pessoas. Sem a
hospitalidade, a atividade de Jesus seria impensável. Abra sua Bíblia e leia os
seguintes textos que retratam ações de hospitalidade:

Mc 1.29-31. Nessa cena, depois de ser curada, a sogra de Pedro passou


a servir Jesus. Esse servir pode ser entendido como servir à mesa e
também como seguimento. Em todo caso, fica claro que Jesus recebia
hospitalidade de pessoas agradecidas por curas, ensinamentos ou ati-
tudes de Jesus.

Mc 2.15-17. O texto retrata Jesus na casa de Levi, junto com seus discí-
pulos e cobradores de impostos (publicanos). O motivo do convite pode
estar na gratidão de Levi por ter sido chamado por Jesus (Mc 2.14).

Mc 14.3-9. Jesus está em Betânia, na casa de Simão, o leproso. O texto


deixa a impressão de que Jesus era conhecido de Simão e que Simão
era um apoiador da sua missão. Como Betânia ficava bem próxima a
Jerusalém, é possível que Jesus pernoitasse em Betânia durante o perío-
do em que estava em Jerusalém.

Mc 14.12-26. A última ceia foi realizada em uma casa cedida por uma
pessoa de Jerusalém. Era muito comum que os habitantes de Jerusalém
acolhessem peregrinos nos períodos das festas judaicas.

Lc 7.36-50. Embora o texto retrate uma polêmica entre Jesus e o fariseu,


percebe-se que havia interesse por parte do fariseu em conhecer me-
lhor Jesus. E certamente foi esse interesse que levou o fariseu a convi-
dar Jesus para uma refeição.

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Lc 10.38-42. Esse texto também retrata Jesus hospedado na casa de pes-


soas conhecidas: Marta e Maria.

Lc 14.1-6. Novamente Jesus é convidado por um líder fariseu para co-


mer pão, ou seja, para uma refeição.

Lc 19.1-10. Jesus se hospeda na casa do cobrador de impostos Zaqueu.

A partir desses e de outros textos, podemos dizer que Jesus recebia o apoio
de uma rede de hospitalidade que poderia envolver:

a) Seguidores. Pessoas que peregrinavam com Jesus e o hospedavam quan-


do retornavam às suas casas. Cafarnaum parece ter servido de base ao
grupo, mas poderia haver seguidores em outros povoados que igual-
mente o acolhiam.

b) Simpatizantes. Havia pessoas que não seguiam diretamente a Jesus, mas


eram seus simpatizantes. Quando Jesus visitava uma aldeia onde tinha
pessoas conhecidas, essas pessoas certamente o acolhiam, proviam sus-
tento e ajudavam a divulgar sua mensagem.

c) Pessoas interessadas. Também havia pessoas interessadas, como o


fariseu, que queriam conhecer a Jesus. Essas pessoas poderiam estar
interessadas na mensagem, mas não estavam ainda convencidas e con-
vidavam Jesus para conhecê-lo melhor.

d) Pessoas desconhecidas. Por último, Jesus e seu grupo contavam tam-


bém com a hospitalidade de pessoas desconhecidas, conforme pode-
mos ler em Mt 10.11 e deduzir de Lc 9.52.

Saiba mais
A hospitalidade é o ato de acolher uma ou mais pessoas por um
determinado tempo. Ela pode se revelar em um convite para
uma refeição ou pernoite. No antigo Israel, a hospitalidade
incluía, além do provimento das necessidades básicas de
sustento, também a proteção do hóspede.
A hospitalidade era algo muito valorizado. Assim como Abraão
hospedou pessoas estranhas (Gn 18.1-8), também o povo de Israel
deveria mostrar hospitalidade.

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Quando faltava hospitalidade

Mesmo que a hospitalidade fosse desejável e amplamente praticada, nem


tudo acontecia de forma pacífica e positiva. Vejamos alguns casos que mostram
que Jesus e seu grupo nem sempre eram acolhidos:

Mc 5.17. Após a cura de um endemoninhado, os gerasenos pediram que


Jesus se retirasse da região. Não há como saber a razão desse pedido.

Lc 9.51-56. Novamente Jesus e seu grupo não são recebidos. O motivo


pode estar na tensão que havia entre samaritanos e judeus. Em todo
caso, assim como no texto do endemoninhado geraseno, percebemos
que Jesus e seu grupo, às vezes, precisavam mudar os planos. Quando
não eram recebidos em um lugar, precisavam seguir para outro.

Lc 9.58. Jesus diz que as mais simples aves e animais possuem abrigo,
mas ele não tem onde reclinar a cabeça.

Além de influenciar nas peregrinações, os problemas com a hospitalidade


possivelmente influenciaram a mensagem de Jesus. Se não há hospitalidade, ela
precisa ser motivada. Há vários ditos de Jesus que vão nesse sentido. Mas Jesus
não fala apenas em causa própria. Ele pensa na hospitalidade em geral, princi-
palmente em relação aos mais necessitados. Mt 25.31-46 e Lc 14.12-14 são exem-
plos de ditos de Jesus com estímulo à hospitalidade.

Possibilidades de alimentação além da hospitalidade

Além da hospitalidade, os evangelhos apresentam outras possibilidades


de conseguir alimentação:

Mc 2.23-26 conta que os seguidores de Jesus colhiam espigas nos cam-


pos para saciar a fome. A colheita de espigas tinha amparo em Dt 23.25.
Também a história de Rt 2.1ss vai nessa direção. O fato de que tinham
que colher espigas indica que nem sempre levavam suprimentos nas
viagens ou que não experimentavam hospitalidade.

O texto de Mc 11.12-14 menciona a fome de Jesus, o que indica a inse-


gurança em relação ao sustento diário. Jesus procurou frutos em uma
figueira. A figueira poderia produzir frutos quase o ano todo. Mas nem
sempre era possível encontrar frutos e certamente não havia figueiras
plantadas em todos os caminhos.

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De acordo com Jo 12.6 e Jo 13.29, Jesus e os discípulos tinham um caixa


comum. Judas era o responsável por esse caixa. Possivelmente eles rece-
biam doações e presentes (Lc 8.3) de simpatizantes. Jo 4.8 indica que os
discípulos eram encarregados de comprar mantimentos.

Jesus disse certa vez: “Não só de pão viverá o homem,


mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4).
Essas palavras não dizem que o pão é dispensável,
mas que a vida não deve girar apenas em torno
das necessidades materiais.
Em que sentido podemos “viver da palavra de Deus”?
Graças à hospitalidade, Jesus conseguia suprir suas necessidades
e levar adiante sua missão.
Como podemos exercer hospitalidade hoje?
E para quem?

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