Você está na página 1de 272

SÉRIE ELETROELETRÔNICA

ELETRICIDADE
GERAL
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres


Diretora Associada de Educação Profissional
SÉRIE ELETROELETRÔNICA

ELETRICIDADE
GERAL
©2013. SENAI Departamento Nacional

©2013. SENAI Departamento Regional de São Paulo

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico,
mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,
por escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI-São
Paulo, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os
Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional de São Paulo


Gerência de Educação – Núcleo de Educação a Distância

FICHA CATALOGRÁFICA

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.


Eletricidade Geral / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de São Paulo. Brasília: SENAI/DN, 2013.
272 p. il. (Série Eletroeletrônica).

ISBN 978-85-7519-760-8

1. Eletricidade 2. Tensão Elétrica 3. Corrente Elétrica 4. Resistência


Elétrica 5. Potência Elétrica C.C. 6. Lei de Ohm 7. 8. Potência Elétrica C.A. 9.
Lei de Kirchhoff I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de São Paulo II. Título III. Série

CDU: 005.95

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001
Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de figuras, quadros e tabelas
Figura 1 - Quadro de organização curricular do curso de Qualificação
profissional de Eletricista Industrial.........................................................................................................17
Figura 2 - Molécula de água...........................................................................................................................................23
Figura 3 - Átomo de oxigênio........................................................................................................................................24
Figura 4 - Núcleo e nuvem onde estão os elétrons do átomo de hidrogênio.............................................25
Figura 5 - Maneiras de representar os níveis de eletrônicos de energia........................................................26
Figura 6 - Representação esquemática do comportamento do elétron livre..............................................27
Figura 7 - Efeito de atração e efeito de repulsão de corpos eletrizados.........................................................30
Figura 8 - Eletrização por atrito.....................................................................................................................................31
Figura 9 - Interior de uma pilha....................................................................................................................................35
Figura 10 - Interior da pilha e identificação dos seus polos................................................................................35
Figura 11 - Mostrador do voltímetro analógico......................................................................................................39
Figura 12 - Composição do multímetro digital.......................................................................................................40
Figura 13 - Posição dos cabos durante a medição.................................................................................................41
Figura 14 - Efeito da temperatura sobre o par termoelétrico.............................................................................42
Figura 15 - Representação do princípio de funcionamento de uma célula fotovoltaica.........................43
Figura 16 - Cristais piezoelétricos gerando tensão elétrica................................................................................43
Figura 17 - Representação do funcionamento de um gerador.........................................................................44
Figura 18 - Usina hidrelétrica.........................................................................................................................................45
Figura 19 - Representação de elétrons dentro do metal do condutor em um circuito aberto..............50
Figura 20 - Comportamento dos elétrons dentro do condutor sob
ação do campo elétrico (interruptor)...................................................................................................51
Figura 21 - Amperímetro analógico.............................................................................................................................55
Figura 22 - Multímetro na escala de ampere............................................................................................................56
Figura 23 - Exemplo da medição de corrente.........................................................................................................57
Figura 24 - Baixa resistência à passagem da corrente elétrica...........................................................................62
Figura 25 - Alta resistência à passagem da corrente elétrica.............................................................................62
Figura 26 - Ohmímetro digital.......................................................................................................................................65
Figura 27 - Aparelho preparado para medição.......................................................................................................66
Figura 28 - Medição com multímetro.........................................................................................................................67
Figura 29 - Ilustração de uma resistência..................................................................................................................73
Figura 30 - Associação em série de resistências......................................................................................................74
Figura 31 - Associação em paralelo de resistências...............................................................................................74
Figura 32 - Associação mista de resistências............................................................................................................75
Figura 33 - Associação série e resistência equivalente (Req)..............................................................................76
Figura 34 - Circuito paralelo e seu equivalente.......................................................................................................77
Figura 35 - Associação em paralelo com duas resistências.................................................................................80
Figura 36 - Associação mista de resistores................................................................................................................81
Figura 37 - Associação mista (fase 2)...........................................................................................................................81
Figura 38 - Associação mista (fase 3)...........................................................................................................................82
Figura 39 - Resistor fixo....................................................................................................................................................86
Figura 40 - Ilustração de resistores de potência diferentes.................................................................................88
Figura 41 - Resistor fixo (a) e seus símbolos (b).......................................................................................................89
Figura 42 - Resistores de fio............................................................................................................................................92
Figura 43 - Leitura do código de cores para resistores com três ou quatro faixas......................................93
Figura 44 - Leitura do código de cores para resistores com cinco ou seis faixas........................................94
Figura 45 - Triângulo que relaciona as grandezas da 1ª Lei de Ohm............................................................ 103
Figura 46 - Distribuição das correntes em um circuito em paralelo............................................................. 105
Figura 47 - Características do circuito com resistores ligados em paralelo................................................ 106
Figura 48 - Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros.............................................................. 107
Figura 49 - Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros.............................................................. 108
Figura 50 - Circuito em paralelo com nós identificados.................................................................................... 108
Figura 51 - Circuito com todos os valores.............................................................................................................. 109
Figura 52 - Circuito em paralelo com valores calculados.................................................................................. 110
Figura 53 - Circuito com resistores em série.......................................................................................................... 111
Figura 54 - Circuito equivalente ao da figura anterior...................................................................................... 112
Figura 55 - Tensões no circuito em série................................................................................................................. 113
Figura 56 - Circuito misto............................................................................................................................................. 116
Figura 57 - Circuito misto atualizado com o novo valor.................................................................................... 117
Figura 58 - Circuito equivalente final....................................................................................................................... 117
Figura 59 - Circuito parcial........................................................................................................................................... 118
Figura 60 - Circuito com valores de corrente e tensão...................................................................................... 119
Figura 61 - Circuito com três resistores.................................................................................................................. 120
Figura 62 - Circuito misto com os valores calculados........................................................................................ 121
Figura 63 - Quem está realizando mais trabalho?............................................................................................... 126
Figura 64 - Lâmpadas produzem quantidades diferentes de luz.................................................................. 127
Figura 65 - Lâmpadas com a mesma potência e tensões diferentes........................................................... 135
Figura 66 - Bateria elementar e diagrama elétrico.............................................................................................. 136
Figura 67 - Magnetita..................................................................................................................................................... 145
Figura 68 - Ímã artificial................................................................................................................................................. 145
Figura 69 - Polos dos ímãs............................................................................................................................................ 146
Figura 70 - Representação da interação entre os ímãs...................................................................................... 147
Figura 71 - Representação da interação entre os ímãs...................................................................................... 147
Figura 72 - Linhas de indução magnética.............................................................................................................. 148
Figura 73 - Representação esquemática da densidade do fluxo................................................................... 149
Figura 74 - Campo magnético B em condutor sendo percorrido por corrente elétrica....................... 150
Figura 75 - Regra da mão direita................................................................................................................................ 151
Figura 76 - Símbolos de bobinas............................................................................................................................... 151
Figura 77 - Representação da soma dos efeitos magnéticos em uma bobina......................................... 152
Figura 78 - Símbolo de um indutor........................................................................................................................... 152
Figura 79 - Comprovação da Lei de Faraday (circuito com condutor
sem fonte de alimentação).................................................................................................................... 153
Figura 80 - Comprovação da Lei de Faraday (circuito com condutor
sem fonte de alimentação) ................................................................................................................... 155
Figura 81 - Circuitos de corrente contínua............................................................................................................. 160
Figura 82 - Forma de onda do gerador AC e sua representação simbólica................................................ 160
Figura 83 - Sentido da corrente em um circuito com gerador em tensão alternada............................. 161
Figura 84 - Tensão de pico............................................................................................................................................ 164
Figura 85 - Medidas de pico a pico aplicam-se à corrente alternada senoidal......................................... 165
Figura 86 - Potência elétrica na carga com um gerador em tensão contínua........................................... 165
Figura 87 - Potência na carga com gerador em tensão alterada.................................................................... 166
Figura 88 - Ilustração mecânica de um capacitor................................................................................................ 172
Figura 89 - Representações simbólicas de capacitores polarizados e não polarizados........................ 173
Figura 90 - Capacitor em repouso e no estado de carga.................................................................................. 174
Figura 91 - Carga e descarga do capacitor............................................................................................................. 175
Figura 92 - Associação de capacitores em paralelo e a fórmula de Ct......................................................... 179
Figura 93 - Circuito com capacitores em série com objetivo de aumentar
a tensão de trabalho do capacitor individual................................................................................. 182
Figura 94 - Capacitor conectado em CA................................................................................................................. 184
Figura 95 - Indutores para aplicações diversas.................................................................................................... 190
Figura 96 - Os diversos símbolos de indutores..................................................................................................... 191
Figura 97 - Representação das polaridades em indutores.............................................................................. 191
Figura 98 - Geração de indutância............................................................................................................................ 192
Figura 99 - Comportamento da corrente em um circuito CC......................................................................... 193
Figura 100 - Defasagem da tensão e corrente provocado por um indutor................................................ 194
Figura 101 - Associação em série de indutores.................................................................................................... 196
Figura 102 - Triângulo das potências....................................................................................................................... 207
Figura 103 - Triângulo das potências....................................................................................................................... 209
Figura 104 - Potência em circuito indutivo............................................................................................................ 211
Figura 105 - Potência em circuito capacitivo........................................................................................................ 211
Figura 106 - Potência em circuito indutivo e capacitivo................................................................................... 211
Figura 107 - Fios utilizados em eletricidade.......................................................................................................... 217
Figura 108 - Alguns materiais utilizadas em sinalização de segurança....................................................... 219
Figura 109 - Sinalização de isolamento de área................................................................................................... 220
Figura 110 - Sinalização de segurança fixada no poste..................................................................................... 221
Figura 111 - Sinalização de segurança para delimitação de área.................................................................. 221
Figura 112 - Alguns símbolos universalmente conhecidos............................................................................. 222
Figura 113 - Representação dos tipos de riscos. ................................................................................................. 227
Figura 114 - Simbologia das cores em um Mapa de Risco............................................................................... 227
Figura 115 - Exemplo de um Mapa de Risco......................................................................................................... 228
Figura 116 - Alguns símbolos utilizado em rota de fuga.................................................................................. 228
Figura 117 - Ilustração de um ambiente com indicadores de rota de fuga............................................... 229
Figura 118 - Equipamentos recomendados para proteção da cabeça........................................................ 239
Figura 119 - Tipos de óculos indicados para proteção dos olhos.................................................................. 240
Figura 120 - Proteção auditiva.................................................................................................................................... 240
Figura 121 - Equipamentos para proteção respiratória..................................................................................... 240
Figura 122 - Equipamentos de proteção corporal............................................................................................... 241
Figura 123 - Colete de sinalização............................................................................................................................. 242
Figura 124 - Equipamentos para proteção dos membros superiores.......................................................... 244
Figura 125 - Calçados de segurança, que protegem os membros inferiores............................................ 245
Figura 126 - Equipamentos para proteção contra quedas com diferença de nível................................ 246
Figura 127 - Cone e fita de sinalização.................................................................................................................... 247
Figura 128 - Grade metálica, utilizada para interditar ou delimitar áreas................................................... 248
Figura 129 - Lençol isolante contra energia elétrica........................................................................................... 248
Figura 130 - Conjuntos de aterramento temporário.......................................................................................... 249
Figura 131 - Varas de manobra.................................................................................................................................. 249
Figura 132 - Dispositivos de bloqueio de chaves................................................................................................ 250
Figura 133 - Ilustração das diversas etapas do estágio da geração de energia
elétrica até o consumidor.................................................................................................................... 254
Figura 134 - Ilustração de um sistema de distribuição...................................................................................... 256
Figura 135 - Ilustração de um sistema de fornecimento de energia monofásico.................................... 257
Figura 136 - Sistema bifásico a três fios................................................................................................................... 257
Figura 137 - Sistema trifásico a três fios em triângulo ou estrela................................................................... 258
Figura 138 - Sistema trifásico a quatro fios em triângulo ou estrela com neutro.................................... 258
Figura 139 - Sistema de distribuição de tensões em BT da concessionária Eletropaulo....................... 259
Quadro 1 - Material A com carga elétrica positiva.................................................................................................32
Quadro 2 - Representação da polarização, aterramento e desaterramento.................................................33
Quadro 3 - Fatores multiplicadores da unidade de medida ohm.....................................................................63
Quadro 4 - Comportamento da resistência do condutor em função das diversas variações.................68
Quadro 5 - Regras de arredondamento.....................................................................................................................79
Quadro 6 - Símbolos e letras usados em circuitos elétricos............................................................................ 100
Quadro 7 - Experiência 1 – Primeira Lei de Ohm................................................................................................. 101
Quadro 8 - Experiência 2 – Primeira Lei de Ohm................................................................................................. 101
Quadro 9 - Experiência 3 – Primeira Lei de Ohm................................................................................................. 101
Quadro 10 - Fórmula da 1ª Lei de Ohm e suas derivadas................................................................................ 103
Quadro 11 - Solução do exemplo 1 sobre a 1ª Lei de Ohm..............................................................103
Quadro 12 - Solução do exemplo 2, aplicando-se a 1ª Lei de Ohm.............................................................. 104
Quadro 13 - Solução do exemplo 3, aplicando-se a 1ª Lei de Ohm.............................................................. 104
Quadro 14 - Fórmula da potência e suas derivadas............................................................................................ 130
Quadro 15 - Exemplo de uso de fórmula da potência....................................................................................... 131
Quadro 16 - Dedução da fórmula da potência associada à corrente e à resistência.............................. 132
Quadro 17 - Dedução da fórmula da potência associada à tensão e à resistência................................. 132
Quadro 18 - Resumo das fórmulas da 1ª Lei de Ohm, potência e combinações..................................... 132
Quadro 19 - Exemplo do uso de fórmula da 1ª Lei de Ohm............................................................................ 133
Quadro 20 - Exemplo do uso de fórmula da 1ª Lei de Ohm............................................................................ 133
Quadro 21 - Tensão nos terminais da bateria com e sem carga..................................................................... 137
Quadro 22 - Cálculo do exercício de rendimento................................................................................................ 138
Quadro 23 - Fórmula da dissipação de potência na resistência interna do gerador e da carga........ 139
Quadro 24 - Características dos capacitores e sua utilização.......................................................................... 173
Quadro 25 - Associação série de capacitores e suas fórmulas........................................................................ 181
Quadro 26 - Fórmulas de associação de indutores em paralelo.................................................................... 198
Quadro 27 - Alguns símbolos de advertência....................................................................................................... 223
Quadro 28 - Tipos de alicate e utilizações.............................................................................................................. 234
Quadro 29 - Tipos de escada e aplicações.............................................................................................................. 236
Tabela 1 - Prefixos do SI....................................................................................................................................................36
Tabela 2 - Unidade de medida de tensão e seus fatores multiplicadores.....................................................37
Tabela 3 - Tabela de conversão......................................................................................................................................38
Tabela 4 - Conversão com valor a converter.............................................................................................................38
Tabela 5 - Valor convertido.............................................................................................................................................39
Tabela 6 - Símbolos e fatores multiplicadores do ampere..................................................................................53
Tabela 7 - Conversão de Ampere para uAmpere....................................................................................................54
Tabela 8 - Conversão de Ampere para uAmpere com deslocamento da vírgula........................................54
Tabela 9 - Conversão de Ampere para uAmpere convertido.............................................................................55
Tabela 10 - Conversão de resistência de MΩ para uΩ...........................................................................................63
Tabela 11 - Conversão de resistência de mΩ para uΩ, posicionando a vírgula...........................................64
Tabela 12 - Valor convertido da resistência...............................................................................................................64
Tabela 13 - Resistividade de materiais a 20 ºC.........................................................................................................71
Tabela 14 - Coeficiente de temperatura de materiais...........................................................................................72
Tabela 15 - Valores reais de resistência nominal conforme a tolerância........................................................87
Tabela 16 - Características e aplicações dos resistores fixos...............................................................................91
Tabela 17 - Valores do primeiro, do segundo e do terceiro circuitos............................................................ 102
Tabela 18 - Unidade de medida de potência elétrica......................................................................................... 128
Tabela 19 - Gabarito de conversão de valores de potência............................................................................. 129
Tabela 20 - Múltiplos e submúltiplos de hertz...................................................................................................... 162
Tabela 21 - Gabarito de conversão de valores de frequência......................................................................... 162
Tabela 22 - Unidade de medida de capacitância e seus submúltiplos........................................................ 176
Tabela 23 - Gabarito de conversão de valores de capacitância...................................................................... 176
Tabela 24 - Unidade de medida de indutância e seus submúltiplos............................................................ 195
Tabela 25 - Gabarito de conversão de valores de medida de indutância................................................... 195
Tabela 26 - Cores utilizadas em comandos elétricos.......................................................................................... 218
Tabela 27 - Emprego de cores para identificação de tubulações.................................................................. 218
Tabela 28 - Classe de isolação das luvas de borracha........................................................................................ 243
Sumário

1 Introdução.........................................................................................................................................................................17

2 Fundamentos da eletricidade....................................................................................................................................21

2.1 Matéria e sua composição........................................................................................................................22


2.1.1 A molécula e o átomo..............................................................................................................23
2.1.2 Materiais condutores e materiais isolantes......................................................................27
2.2 Fundamentos da eletrostática................................................................................................................30
2.2.1 Eletrização por atrito................................................................................................................31
2.2.2 Eletrização por contato............................................................................................................32
2.2.3 Eletrização por indução...........................................................................................................32
2.3 Tensão elétrica..............................................................................................................................................34
2.3.1 Como criar o desequilíbrio elétrico.............................................................................34
2.3.2 Múltiplos e submúltiplos das unidades do SI..................................................................36
2.3.3 Unidade de medida da tensão elétrica..............................................................................37
2.3.4 Conversão da unidade de medida de tensão..................................................................38
2.3.5 Instrumento de medição de tensão elétrica....................................................................39
2.4 Fontes de energia elétrica.........................................................................................................................41
2.4.1 Geração de energia elétrica por ação térmica.................................................................42
2.4.2 Geração de energia elétrica por ação da luz....................................................................42
2.4.3 Geração de energia por ação mecânica............................................................................43
2.4.4 Geração de energia por ação magnética..........................................................................44
2.4.5 Usinas geradoras de eletricidade.........................................................................................45

3 Corrente Elétrica..............................................................................................................................................................49

3.1 O que é corrente elétrica ..........................................................................................................................50


3.2 Sentido da corrente elétrica.....................................................................................................................51
3.3 Intensidade de corrente............................................................................................................................52
3.4 Unidade de medida de corrente............................................................................................................53
3.5 Instrumento de medição de intensidade da corrente....................................................................55

4 Resistência Elétrica.........................................................................................................................................................61

4.1 Conceito de resistência elétrica..............................................................................................................62


4.1.1 Unidade de medida de resistência elétrica......................................................................63
4.2 Instrumento de medida de resistência................................................................................................65
4.3 Segunda Lei de Ohm.......................................................................................................67
4.3.1 Resistividade elétrica do material........................................................................................70
4.3.2 Influência da temperatura sobre a resistência................................................................71
4.4 Associação de resistências........................................................................................................................73
4.5 Resistência equivalente (ou resistência total)..................................................................................75

5 Resistores...........................................................................................................................................................................85

5.1 Conceito de resistor....................................................................................................................................86


5.2 Características elétricas dos resistores fixos.......................................................................................86
5.3 Simbologia dos resistores.........................................................................................................................89
5.4 Tipos de resistores.......................................................................................................................................90
5.5 Especificação de resistores.......................................................................................................................92
5.6 Código de cores para resistores fixos..................................................................................................93

6 Leis de Ohm e Leis de Kirchhoff.................................................................................................................................99

6.1 Introdução à Primeira Lei de Ohm...................................................................................................... 100


6.1.1 Determinação experimental da Lei de Ohm................................................................. 101
6.1.2 Aplicação da Primeira Lei de Ohm.................................................................................... 102
6.2 Leis de Kirchhoff......................................................................................................................................... 105
6.2.1 Preparando para a comprovação da Primeira Lei de Kirchhoff.............................. 105
6.2.2 Segunda Lei de Kirchhoff...................................................................................................... 111

7 Potência Elétrica em CC............................................................................................................................................. 125

7.1 Trabalho elétrico........................................................................................................................................ 126


7.2 Potência elétrica........................................................................................................................................ 127
7.2.1 Unidade de medida de potência elétrica....................................................................... 128
7.3 Determinação da potência de um consumidor em CC............................................................... 130
7.4 Potência nominal...................................................................................................................................... 134
7.5 Fonte de alimentação de CC................................................................................................................. 136
7.5.1 Influência da resistência interna na tensão de saída do gerador.......................... 137
7.5.2 Rendimento do gerador....................................................................................................... 138
7.5.3 Máxima transferência de potência .................................................................................. 139

8 Magnetismo e Eletromagnetismo......................................................................................................................... 143

8.1 Conceito de magnetismo....................................................................................................................... 144


8.1.1 Ímãs.............................................................................................................................................. 144
8.1.2 Polos magnéticos de um ímã............................................................................................. 146
8.1.3 Interação entre os ímãs......................................................................................................... 147
8.1.4 Campo magnético – linha de forças................................................................................ 148
8.1.5 Densidade de fluxo da indução magnética................................................................... 149
8.2 Eletromagnetismo.................................................................................................................................... 150
8.2.1 Campo magnético em um condutor............................................................................... 150
8.2.2 Campo magnético em uma bobina................................................................................. 151
8.2.3 Lei de Faraday........................................................................................................................... 153
8.2.4 Lei de Lenz................................................................................................................................. 155
9 Corrente Alternada...................................................................................................................................................... 159

9.1 Corrente e tensão alternadas monofásicas..................................................................................... 160


9.2 Frequência de uma corrente (ou tensão) alternada..................................................................... 161
9.2.1 Unidade de medida de frequência................................................................................... 162
9.2.2 Instrumentos de medição de frequência....................................................................... 164
9.3 O valor de pico e o valor de pico a pico da tensão alternada senoidal................................. 164
9.4 Tensão e correntes eficazes................................................................................................................... 165

10 Capacitores.................................................................................................................................................................. 171

10.1 Conceito de capacitor........................................................................................................................... 172


10.2 Características de carga e descarga do capacitor....................................................................... 174
10.3 Capacitância............................................................................................................................................. 175
10.3.1 Unidade de medida da capacitância............................................................................. 176
10.4 Tensão de trabalho................................................................................................................................. 177
10.5 Associação de capacitores.................................................................................................................. 179
10.5.1 Associação em paralelo...................................................................................................... 179
10.5.2 Associação em série............................................................................................................. 180
10.6 Reatância capacitiva.............................................................................................................................. 183
10.6.1 Relação entre tensão CA, corrente CA e reatância capacitiva.............................. 184

11 Indutores...................................................................................................................................................................... 189

11.1 O que é um indutor?............................................................................................................................. 190


11.1.1 Polaridade magnética do indutor................................................................................. 191
11.2 Conceito de indutância........................................................................................................................ 192
11.3 Efeito da indutância em um circuito CC......................................................................................... 193
11.4 Efeito da indutância em um circuito CA......................................................................................... 194
11.4.1 Unidade de medida da indutância................................................................................ 195
11.5 Associação em série de indutores ................................................................................................... 196
11.6 Associação em paralelo de indutores ............................................................................................ 198
11.7 Reatância indutiva.................................................................................................................................. 199

12 Potência Elétrica em CA.................................................................................................................................................................... 203

12.1 Energia e potência CA........................................................................................................................... 204


12.1.1 Potência aparente (S).......................................................................................................... 204
12.1.2 Potência ativa (P).................................................................................................................. 204
12.1.3 Potência reativa..................................................................................................................... 205
12.2 Triangulo das potências....................................................................................................................... 207
12.3 Fator de potência (FP)........................................................................................................................... 209
12.3.1 Correção do fator de potência (FP)................................................................................ 210
12.4 Medidor de potência – wattímetro ................................................................................................. 212
12.5 Medidor de fator de potência – cossifímetro............................................................................... 212
13 Segurança e Normatização.................................................................................................................................... 215

13.1 Conceitos de segurança e normatização....................................................................................... 216


13.2 Cores em eletricidade........................................................................................................................... 217
13.2.1 Cores aplicadas em instalações elétricas .................................................................... 217
13.2.2 Cores aplicadas em comandos elétricos...................................................................... 217
13.2.3 Emprego de cores para identificação de tubulações,
de acordo com a NBR 6493 .............................................................................................. 218
13.3 Sinalização elétrica................................................................................................................................. 219
13.3.1 Sinalização de segurança.................................................................................................. 219
13.3.2 Sinalização para proteção de público e dos empregados..................................... 220
13.3.3 Sinalização para proteção do eletricista...................................................................... 220
13.3.4 Outros locais com sinalizações de segurança............................................................ 221
13.4 Símbolos de advertência..................................................................................................................... 222
13.5 Procedimentos de rotinas no trabalho........................................................................................... 223
13.6 Mapa de risco e rota de fuga.............................................................................................................. 225
13.6.1 Mapa de risco......................................................................................................................... 225
13.6.2 Rota de fuga........................................................................................................................... 228

14 Ferramentas e Dispositivos de Proteção........................................................................................................... 233

14.1 Alicate........................................................................................................................................234
14.2 Escada......................................................................................................................................................... 236
14.3 Equipamento de Proteção Individual – EPI................................................................................... 238
14.4 Equipamento de Proteção Coletiva (EPC)..................................................................................... 247

15 Sistemas de Distribuição........................................................................................................................................ 253

15.1 Visão do sistema energético............................................................................................................... 254


15.1.1 Geração.................................................................................................................................... 255
15.1.2 Elevação da tensão.............................................................................................................. 255
15.1.3 Transmissão............................................................................................................................ 255
15.1.4 Estação rebaixadora........................................................................................................... 255
15.1.5 Distribuição........................................................................................................................... 256
15.2 Formas de distribuição para o consumidor.................................................................................. 256

Referências......................................................................................................................................................................... 265

Minicurrículo dos autores............................................................................................................................................ 257

Índice................................................................................................................................................................................... 259
Introdução

Quando escolhemos uma profissão, assumimos vários compromissos: estudar, com o obje-
tivo de desenvolver todas as habilidades necessárias para atuar na área que nos atrai; ser um
ótimo profissional; exercer a profissão com ética, entusiasmo, disciplina, responsabilidade e
respeito pelos colegas de trabalho; manter-se atualizado, estudando sempre, pois, para cada
nova informação, surgem muitas outras a serem conhecidas.
Sua decisão de participar deste curso é meio caminho andado e já torna você um vencedor!
Dedicar tempo aos estudos da Eletricidade Geral significa dar mais um passo na direção de
sua formação, pois você terá como suporte para tudo o que for estudar depois, nos módulos
específicos, os conceitos aqui adquiridos.
A unidade curricular Eletricidade Geral compõe o primeiro módulo do curso Eletricista In-
dustrial. Na imagem a seguir, veja a posição desta unidade no itinerário formativo e o caminho
a ser percorrido até que você atinja seu objetivo final.

QUADRO DE ORGANIZAÇÃO CURRICULAR

• Eletricista Geral (80 h)

• Instalações Elétricas (80 h)

• Comandos Elétricos (120 h)

• Controladores Lógicos Programáveis (60 h)

• Conversores e Inversores (40 h)

Eletricista Industrial (380 h)

Figura 1 - Quadro de organização curricular do curso de Qualificação profissional de Eletricista Industrial


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
18

Como você pode constatar, o caminho à frente é longo, mas preparamos este
percurso de forma a torná-lo agradável e proveitoso para você.
Assim, nos 15 capítulos deste livro, reunimos todas as informações básicas de
que você necessitará para prosseguir seus estudos. Neles, você vai aprender, por
exemplo, um pouco da história do contato do homem com a eletricidade; o que
é a eletricidade e como ela é gerada; vai conhecer as grandezas fundamentais do
circuito elétrico, como a tensão, a corrente e a potência elétrica.
Vai saber também o que é um circuito elétrico de corrente contínua e de cor-
rente alternada e como as associações de resistores, capacitores e indutores com-
portam-se neles; vai descobrir os segredos do magnetismo e do eletromagnetis-
mo e sua importância, tanto na geração de energia como no funcionamento das
máquinas elétricas; e, por fim, vai aprender a utilizar os principais instrumentos de
medidas elétricas.
Esses conhecimentos fornecerão subsídios para que você possa:
a) interpretar unidades de medidas elétricas;
b) efetuar medições dimensionais e eletroeletrônicas;
c) interpretar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos; e
d) utilizar instrumentos de medidas elétricas.
Além disso, queremos lembrar-lhe de que um bom profissional deve cultivar
uma série de capacidades que o ajudem a estabelecer um bom ambiente de tra-
balho, por exemplo: ser proativo; demonstrar atitudes prevencionistas em relação
à sua saúde e à segurança relativa à área elétrica; cuidar da preservação do meio
ambiente; manter-se tecnicamente atualizado e ser responsável, criativo e orga-
nizado.
E, agora, convidamos você a desvendar todos os segredos do maravilhoso
mundo da Eletricidade! Bons estudos!
1 INTRODUÇÃO
19

Anotações:
Fundamentos da eletricidade

Na contemporaneidade, contamos com os confortos proporcionados pelo uso da energia


elétrica. No entanto, muito tempo se passou antes que o homem conseguisse utilizar a eletri-
cidade para esse fim.
O verdadeiro impulso para o uso da energia elétrica só aconteceu quando os cientistas co-
meçaram a estudar de que é feita a matéria. Isso resultou no conhecimento das propriedades
dos materiais, na identificação de materiais condutores e isolantes e na sua melhor utilização.
Neste capítulo, vamos estudar e entender a composição da matéria, o que acontece dentro
das moléculas e dos átomos e qual é a relação disso com a existência da eletricidade. Vamos
aprender que existem materiais capazes de conduzir a eletricidade e materiais que impedem
seu fluxo, além de entender os fundamentos da eletrostática. Descobriremos o que é a tensão
elétrica e a sua unidade de medida, as fontes geradoras de energia elétrica e como é gerada a
energia elétrica que chega até nossas casas.
Depois de estudar este capítulo, você terá subsídios para compreender:
a) como a matéria é constituída;
b) quais são as características das moléculas;
c) o que é o átomo, quais são suas partículas, camadas de energia e seus aspectos elétricos;
d) quais são os materiais condutores e isolantes;
e) quais os fundamentos da eletrostática e seus efeitos de atração e repulsão;
f ) quais os tipos de eletrização e seus efeitos;
g) o que é a tensão elétrica;
h) como criar um desequilíbrio elétrico;
i) qual é a unidade de medida da tensão e seus múltiplos e submúltiplos;
j) como fazer a conversão da unidade de medida da tensão;
k) qual é o instrumento utilizado para medir tensão;
l) quais os tipos de fonte de energia; e
m) quais as características de alguns tipos de usinas geradoras de eletricidade.
ELETRICIDADE GERAL
22

Estude tudo com atenção, pois o conteúdo deste capítulo é fundamental para
que você possa prosseguir em sua caminhada no fascinante mundo da eletricida-
de, além de ser um conhecimento básico e essencial para profissionais da área da
eletricidade industrial.

2.1 MATÉRIA E SUA COMPOSIÇÃO

Tudo o que existe no universo é constituído de matéria: desde as maiores ga-


láxias, os planetas, as estrelas e os corpos celestes situados nos seus pontos mais
afastados, até a menor partícula de poeira.
Por isso, o estudo da eletricidade ficará mais fácil se antes entendermos de que
a matéria é composta, uma vez que os fenômenos elétricos acontecem dentro
das minúsculas partículas que a compõem.
Neste momento, você pode perguntar: “Afinal, de que a matéria é feita?” Acom-
panhe a explicação.
Buscando conhecer o mundo que o rodeava, o homem foi capaz de criar mui-
tas teorias a respeito de como surgiram o céu e a terra e de que se compõe toda a
matéria que está à nossa volta.
Os gregos foram os primeiros a criar uma teoria que considerava o átomo a
menor partícula de que a matéria é composta.

A palavra átomo é de origem grega e quer dizer indivisível.


Quem a usou, por volta do ano 400 a.C., para explicar que
o átomo constitui toda e qualquer matéria, foi um filósofo
VOCÊ grego chamado Demócrito de Abdera. Por causa disso, ele é
SABIA? considerado o pai do atomismo grego.
Sabendo que essa ideia surgiu há mais ou menos
2.500 anos, é possível imaginar como essa teoria era
revolucionária!

A ideia da composição da matéria em partículas indivisíveis (átomos) perdu-


rou por vários séculos sem que outros cientistas efetivamente se interessassem
pelo tema. Apenas depois do século XIX, vários cientistas se interessaram pelo
assunto e, a partir de 1897, as teorias foram desenvolvidas com a ajuda de testes
experimentais. No item a seguir está descrito o que eles descobriram sobre as
moléculas e átomos
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
23

A partir do século XIX, muitos cientistas fizeram suas


pesquisas a respeito da matéria. Para saber mais sobre suas
ideias, pesquise, em um site de busca na internet, sobre
essas grandes mentes revolucionárias, tais como:
John Dalton à Estudo do modelo do átomo indivisível
SAIBA Joseph John Thomson à Estudo do modelo do átomo
MAIS divisível
Ernest Rutherford à Estudo dos espaços vazios nos
átomos
Niels Bohr à Estudo dos níveis energéticos dos átomos
James Chadwick à Descoberta da partícula do nêutron

2.1.1 A MOLÉCULA E O ÁTOMO

Os cientistas provaram que toda a matéria é composta por átomos constituídos


por um núcleo central de carga positiva – os prótons, e de carga neutra – os nêutrons,
ao redor do qual se movimentam os elétrons, que são as partículas de carga negativa.
Porém, um átomo sozinho não faz a matéria. É aí que entra a molécula.
Nas aulas de química, aprendemos que uma molécula é a menor partícula em
que se pode dividir uma substância que, embora dividida, mantém preservadas
as mesmas características da substância que a originou.
Por exemplo, uma gota de água pode ser dividida continuamente até chegar-
mos à molécula de água, que é a menor partícula que conserva as características
originais da água. Essa molécula é formada por dois átomos de hidrogênio e um
átomo de oxigênio, portanto, sua fórmula química é H2O.
Veja a seguir uma representação de uma molécula de água.

-
Átomo de
oxigênio

+ +
Átomos de
hidrogênio
Figura 2 - Molécula de água
Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
24

Embora os átomos que formam as moléculas sejam compostos por partículas


menores, para todos os efeitos, eles são considerados uma unidade fundamen-
tal que apresenta algumas particularidades. São elas:
a) o átomo não tem carga porque o número de prótons é igual ao número
de elétrons;
b) todos os átomos de um determinado elemento são iguais. Por isso, um el-
emento e seu átomo recebem o mesmo nome. Assim, o elemento oxigênio
é composto de átomos de oxigênio, como ilustrado na figura a seguir:

elétron
NN
NN N
NN
N

nêutron + próton = núcleo

Figura 3 - Átomo de oxigênio


Fonte: SENAI-SP (2014)

c) uma grande força de atração mantém os nêutrons e prótons unidos, for-


mando um corpo denso chamado núcleo. Os prótons têm carga elétrica
positiva e os nêutrons não têm carga elétrica;
d) os elétrons têm carga negativa. Possuem quantidades pequenas e especí-
ficas de energia e localizam-se dentro de um conjunto de níveis de energias
eletrônicas. Isso os impede de serem atraídos para o núcleo, mesmo tendo
uma carga elétrica diferente da dele;
e) um elétron comum a determinada quantidade de energia localiza-se em
torno do núcleo, em uma região chamada de orbital (ou eletrosfera);
f ) orbital, no átomo, é uma região do espaço em que, sob a ação do núcleo, o
elétron com uma determinada energia pode ser encontrado; e
g) os elétrons movem-se com elevada velocidade em torno dos respectivos
núcleos e sem trajetórias definidas.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
25

Portanto, o modelo de átomo aceito atualmente compreende duas regiões:


a) um núcleo minúsculo que contém toda a carga positiva e praticamente
toda a massa do átomo; e
b) uma região fora do núcleo que possui forma de nuvem e é composta,
principalmente, de espaço vazio. É nessa nuvem que estão os elétrons.
De acordo com essa ideia, a representação do átomo seria semelhante à ima-
gem ilustrada a seguir.

Figura 4 - Núcleo e nuvem onde estão os elétrons do átomo de hidrogênio


Fonte: SENAI-SP (2014)

Para se ter uma idéia do tamanho do núcleo em relação ao


VOCÊ restante do átomo, basta imaginar um átomo que pudesse
ser tão grande a ponto de o seu núcleo ser do tamanho de
SABIA? uma bola de tênis. Nesse caso, o átomo teria um diâmetro
de mais ou menos 6,4 quilômetros!

Dentro da nuvem, que você viu representada na figura anterior, os elétrons es-
tão distribuídos em camadas ou níveis energéticos. De acordo com o número de
elétrons presentes em cada camada, ela pode apresentar de 1 a 7 níveis energéti-
cos, denominados por Niels Bohr – como você verá a seguir –de K, L, M, N, O, P e Q.
A camada K é a que está mais próxima do núcleo e a camada Q é a que está mais
distante dele.
ELETRICIDADE GERAL
26

1
VALÊNCIA Assim, dependendo da quantidade de elétrons do átomo, ele pode ter um ou
vários níveis energéticos, cada um com uma quantidade específica de elétrons.
É a última camada de Isso pode ser visto na figura “a” a seguir, na qual a quantidade de elétrons de cada
elétrons do átomo e
destaca-se pela facilidade nível aparece abaixo de cada letra indicadora da camada. A título de curiosidade, na
que esses elétrons têm de
se desprenderem de seu figura “b”, você pode ver outro modo de representar os níveis eletrônicos de energia.
átomo.

Q
P
O
N
K L M N O P Q
2 8 18 32 32 18 4 M
K L

a) Níveis eletrônicos de energia b) Níveis eletrônicos de energia:


propostos por Bohr outro modo de representar

Figura 5 - Maneiras de representar os níveis de eletrônicos de energia


Fonte: SENAI-SP (2014)

A esta altura, você já deve estar se perguntando: “Por que estudar moléculas,
átomos, núcleos, elétrons e orbitais”? Observe que a próxima informação mostra-
rá que aquilo que foi estudado até agora começa a fazer muito sentido.
A distribuição dos elétrons nas diversas camadas obedece a regras definidas. A
regra mais importante para a área eletroeletrônica refere-se ao nível energético
mais distante do núcleo, ou seja, a camada externa (Q). Nessa região podem ser
encontrados, no máximo, oito elétrons.
Os elétrons da camada mais distante do núcleo são chamados de elétrons
livres, pois têm certa facilidade de se desprender de seus átomos. Todas as re-
ações químicas e elétricas – e são essas as que nos interessam – acontecem na
camada externa, chamada de camada de valência1.
Veja, na figura a seguir, uma representação esquemática do que acontece
quando um elétron livre desprende-se da camada de valência.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
27

Figura 6 - Representação esquemática do comportamento do elétron livre


Fonte: SENAI-SP (2014)

Por essa razão, a teoria eletroeletrônica estuda o átomo apenas no aspecto da sua
eletrosfera, ou seja, naquela região periférica, ou orbital, em que estão os elétrons.
Isso nos leva a outro conceito que nos interessa para a teoria eletroeletrônica:
o íon – átomo em desequilíbrio.
O desequilíbrio do átomo é causado sempre que forças externas, sejam elas
magnéticas, térmicas ou químicas, atuam sobre o átomo, fazendo com que o
número de elétrons seja maior ou menor que o número de prótons.
O íon pode ser:
a) negativo, chamado de ânion: é o átomo que recebeu elétrons; e
b) positivo, chamado de cátion: é o átomo que perdeu elétrons.
Vamos relembrar que a transformação de um átomo em íon ocorre devido às
forças externas ao próprio átomo. Uma vez cessada a causa externa que originou
o íon, a tendência natural do átomo é atingir novamente o equilíbrio elétrico.
Para alcançá-lo, ele cede os elétrons que estão em excesso ou recupera os que
foram perdidos. Isso tem relação com a eletricidade e com os tipos de materiais
que conduzem ou isolam a eletricidade, assunto que veremos no item a seguir.

2.1.2 MATERIAIS CONDUTORES E MATERIAIS ISOLANTES

A facilidade ou a dificuldade de os elétrons livres libertarem-se ou deslocarem-


se entre as camadas de energia determina se o material é condutor ou isolante.
Como já estudamos neste capítulo, os elétrons encontrados na camada de va-
lência recebem o nome de elétrons de valência e são eles que, geralmente, parti-
cipam das reações químicas e dos fenômenos elétricos.
ELETRICIDADE GERAL
28

Os átomos que possuem 1, 2 ou 3 elétrons de valência têm a facilidade de


ceder elétrons. Os átomos com 5, 6 ou 7 elétrons de valência têm facilidade de ga-
nhar elétrons. Os átomos com 4 elétrons de valência, geralmente, não ganham
nem perdem elétrons.
O que caracteriza um material, por exemplo, o cobre, como bom condutor
de eletricidade, portanto, é o fato de os elétrons de valência dos átomos estarem
fracamente ligados ao núcleo, podendo ser facilmente deslocados, o que per-
mite a movimentação de cargas elétricas no interior do material. Os condutores
elétricos mais comuns são os metais.
Isso significa que, se uma força capaz de impulsionar os elétrons for aplicada a
uma barra de cobre, fará com que os elétrons de valência de todos os átomos de
cobre se desloquem, originando uma corrente elétrica no material. Esses elétrons
são comumente chamados de elétrons livres ou elétrons de condução.
De forma oposta, os materiais isolantes referem-se aos materiais que apre-
sentam os elétrons de valência rigidamente ligados aos núcleos de seus átomos.
Se, por exemplo, forem aplicadas forças externas, como, por exemplo, a térmi-
ca, ao cloro, pelo fato de seus elétrons estarem fortemente ligados ao núcleo, não
haverá deslocamento de elétrons da camada de valência.

Até o corpo humano é condutor de eletricidade. Isso


VOCÊ acontece porque nosso corpo é composto de múltiplas
substâncias condutoras. Se não fosse assim, ninguém
SABIA? morreria, ao receber uma descarga elétrica de um
relâmpago.

Na verdade, a divisão entre materiais condutores e materiais isolantes não é


totalmente correta, pois até mesmo os materiais isolantes podem conduzir ele-
tricidade. Afinal, todos são compostos de átomos e todos têm elétrons. O certo
é que há materiais que são bons ou os que são maus condutores de eletricidade.
Sob esse ponto de vista, os metais são os melhores condutores e as substân-
cias compostas, como a borracha, a cerâmica, o vidro, as resinas, a madeira e o
plástico, são melhores isolantes, porque são péssimos condutores de eletricidade.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
29

Alguns poucos materiais, por exemplo, o silício e o germânio, fazem parte de


uma terceira categoria de materiais. Eles são os semicondutores, essenciais para o
desenvolvimento e a fabricação de componentes eletrônicos. Assim, sem eles, o
computador não existiria.
No próximo item, iremos abordar os fundamentos da eletricidade estática.

A eletrônica estuda, entre outras teorias, os


semicondutores, um tipo de material que é a base para o
SAIBA funcionamento dos circuitos eletrônicos (tanto de uma
simples calculadora como de um sistema para fazer um
MAIS avião funcionar). Acesse um site de busca, digite a palavra
“semicondutor” e veja como esse material funciona em
relação às suas valências e à passagem de corrente elétrica.

CASOS E RELATOS

Em uma grande empresa, os equipamentos não funcionam com uma ali-


mentação de 220 V, como ocorre em uma residência. Lá, normalmente, os
equipamentos necessitam de muito mais energia.
Em um dia de chuva, um equipamento de uma siderúrgica, cuja alimen-
tação era de 2400 V, estava desligando automaticamente, por proteção, e
acusava defeito no sistema.
O eletricista de plantão foi verificar as condições da máquina para certifi-
car-se de que o equipamento não tinha sido afetado pela chuva e nada de
anormal foi encontrado. Decidiu, então, substituir o sistema de proteção.
Após a troca, o equipamento voltou a funcionar normalmente.
Como procedimento de rotina após a substituição de qualquer circuito, o
eletricista realizou testes no sistema de proteção. Ao efetuar a medição, ve-
rificou que ocorreram mudanças nas características do material isolante. A
presença de pequenas gotas de chuva havia transformado o material iso-
lante em condutor, provocando, assim, o defeito.
ELETRICIDADE GERAL
30

2.2 FUNDAMENTOS DA ELETROSTÁTICA

Na eletrostática, ou eletricidade estática, estudam-se as propriedades e a ação


mútua das cargas elétricas em repouso nos corpos eletrizados.
Nesse contexto, para entender o conceito de corpos eletrizados, vamos lem-
brar que, em condições normais, qualquer porção de matéria é eletricamente
neutra. Isso quer dizer que, para que essa condição seja mudada, é necessário
que alguma força externa atue sobre o material. Se isso não acontecer, o número
total de prótons e elétrons de seus átomos ficará em equilíbrio.
Há, porém, um modo de “quebrar” esse equilíbrio: basta submeter um corpo
eletricamente neutro a um processo de eletrização.
Na eletrização, o corpo pode ganhar ou perder elétrons, conforme descrito a
seguir.
a) Se ele ganha elétrons, torna-se negativamente eletrizado, porque os elé-
trons são partículas de carga negativa.
b) Se ele perde elétrons, torna-se positivamente eletrizado, porque ficou com
quantidade menor de partículas negativas e maior de partículas positivas.
Uma vez eletrizados, os corpos adquirem a capacidade de atrair (efeito de atra-
ção) ou afastar (efeito de repulsão) outros corpos eletrizados. O efeito de atração
acontece quando as cargas elétricas dos corpos eletrizados têm sinais contrários.
O efeito de repulsão acontece quando as cargas elétricas dos corpos eletrizados
têm sinais iguais. Veja:

cargas cargas
opostas se iguais se
atraem repelem

Figura 7 - Efeito de atração e efeito de repulsão de corpos eletrizados


Fonte: SENAI-SP (2014)
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
31

Isso acontece porque tanto os elétrons como os prótons criam, em torno de si,
uma região de influência chamada de campo de força. Quando um elétron e um
próton aproximam-se o suficiente para que seus campos de força possam influir
uns sobre os outros, eles atraem-se mutuamente. No entanto, se dois elétrons
põem em contato seus campos de força, eles se repelem, o que também acontece
quando dois elétrons se aproximam. Alguns dos processos de eletrização mais
comuns são:
a) eletrização por atrito;
b) eletrização por contato; e
c) eletrização por indução.
Entenda como cada um deles ocorre:

2.2.1 ELETRIZAÇÃO POR ATRITO

Quando atritamos dois materiais isolantes neutros, um contato intenso acon-


tece entre partes deles. Esse contato permite a troca de elétrons, de tal forma que
o corpo que cede elétrons fica positivamente eletrizado, enquanto o corpo que
recebe elétrons fica negativamente eletrizado.
Assim, se atritarmos um bastão de vidro com um pedaço de tecido de lã, os
elétrons do bastão serão cedidos para a lã e o bastão ficará carregado positiva-
mente, enquanto a lã ficará carregada negativamente. Veja a figura a seguir.

vidro lã

Figura 8 - Eletrização por atrito


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
32

2.2.2 ELETRIZAÇÃO POR CONTATO

Se colocarmos em contato dois materiais condutores, sendo um deles positiva-


mente ou negativamente eletrizado (material A) e o outro neutro, este ficará com
carga de mesmo sinal que o eletrizado (A). Vejamos as figuras a seguir.

Quadro 1 - Material A com carga elétrica positiva

+ + +
+ +
+ + Material A (positivo) e material B
+ A + B (neutro) isolados e afastados.
+ +
+ +
+ + +

+ + +
+ +
+ Colocando-se os materiais em contato
+ A - B por um breve tempo, os elétrons livres
+ irão de Bpara A.
+ +
+ + +

+ + +
+ + + +
+ + +
Após o processo, A e B ficam com
+ A + + B + a mesma carga positiva.
+ + + + +
+ +
+ + +

2.2.3 ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO

Quando um corpo neutro é colocado próximo de um corpo eletrizado sem


que exista contato, o corpo neutro tem parte das cargas elétricas separadas,
podendo ser eletrizado.
A consequência disso é que as moléculas do corpo neutro tendem a ficar ali-
nhadas, isto é, com seus polos positivos em um lado e os polos negativos em
outro. Isso se chama polarização.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
33

Se, depois de polarizado, o corpo B for aterrado, os elétrons escoarão dele para
a terra. Da mesma forma, quando o corpo B for desaterrado, ele ficará com car-
ga positiva, ou seja, polarizado, porque os prótons estarão todos alinhados. E se
afastarmos o corpo A, os prótons se distribuirão por todo o corpo B, que ficará
eletrizado positivamente.
Veja no quadro a seguir a representação dessa explicação.

Quadro 2 - Representação da polarização, aterramento e desaterramento

B Corpo neutro isolado.

- - -
- - + -
- -
- +
Quando dois corpos se aproximam,
A
A B
- - + -
- - + - o corpo B fica polarizado.
- - + -
- - -

- - -
- - + -
- - -
- +
Aterrando-se o corpo B, seus
A
A B
- - +
- - + - elétrons serão drenados.
- - + -
- - -

- - -
- - +
-
- +
-
A
- +
B Aterramento desfeito.
- - +
- - +
- - -

+
+ +
Afastando-se o corpo A, o corpo B
B fica eletrizado positivamente.
+ +

No item a seguir, descobriremos o que é a tensão elétrica e qual a sua unidade


de medida.
ELETRICIDADE GERAL
34

2.3 TENSÃO ELÉTRICA

Quando comparamos o trabalho realizado por dois corpos eletrizados, auto-


maticamente estamos comparando os seus potenciais elétricos. A diferença en-
tre os trabalhos realizados pelos dois corpos expressa diretamente a diferença de
potencial elétrico entre eles. Essa diferença está presente entre corpos eletrizados
com cargas distintas ou com o mesmo tipo de carga.
O mesmo acontece com o movimento das cargas elétricas dentro dos corpos
eletrizados. Para que sempre haja o movimento dessas cargas, é necessário que
dois corpos tenham sempre quantidades diferentes de elétrons, ou seja, cargas
diferentes.
A diferença de potencial elétrico (abreviada para ddp) entre dois corpos ele-
trizados também é chamada de tensão elétrica, que em outras palavras é a força
capaz de impulsionar os elétrons em um condutor. Essa expressão é muito impor-
tante nos estudos relacionados à eletricidade e à eletrônica.

Normalmente, os profissionais das áreas de eletricidade e


de eletrônica usam exclusivamente a palavra tensão para
indicar a ddp ou tensão elétrica.
VOCÊ A tensão elétrica pode se obtida por meio de um processo
SABIA? eletroquímico com o uso de materiais convenientemente
escolhidos. Eles devem ter a capacidade de fazer a
transferência de elétrons em si, quando colocados em um
ambiente adequado. O tópico a seguir mostra melhor esse
processo.

2.3.1 COMO CRIAR O DESEQUILÍBRIO ELÉTRICO

O desequilíbrio elétrico ocorre quando há dois tipos de metais diferentes


mergulhados em um preparado químico, que reage com eles, retirando elétrons
de um elevando-os para o outro. Esse é o fenômeno que gera o desequilíbrio elé-
trico. O dispositivo, muito conhecido por nós, no qual esse princípio é aplicado é a
bateria (pilha).
Na pilha, um dos metais, a barra de carbono, fica com o potencial elétrico po-
sitivo e o outro, o zinco, fica com o potencial elétrico negativo. Cria-se, então, uma
diferença de potencial elétrico, a chamada tensão elétrica.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
35

eletrodo positivo

pasta de
cloreto de amônia
e cloreto de zinco preparado químico:
mistura de carbono e
dióxido de manganês
zinco

barra de carbono

eletrodo negativo

Figura 9 - Interior de uma pilha


Fonte: SENAI-SP (2014)

Muitos usuários desse tipo de pilha já perceberam que, por isso, ela tem dois
terminais:
a) um terminal chamado de polo positivo, que é marcado com o sinal +; e
b) um terminal chamado de polo negativo, que é marcado com o sinal –.
Os elétrons ficam agrupados em maior número no polo negativo da bateria. O
polo positivo, por sua vez, contém uma quantidade menor de elétrons. Esses polos
nunca se alteram, portanto, a polaridade das pilhas é sempre invariável. Observe:

falta de elétrons excesso de elétrons


polo positivo polo negativo

Figura 10 - Interior da pilha e identificação dos seus polos


Fonte: SENAI-SP (2014)

Dessa forma, como a tensão fornecida pela pilha é uma tensão elétrica entre
dois pontos com polaridade invariável, esse tipo de tensão é chamado de tensão
contínua, ou tensão CC.
ELETRICIDADE GERAL
36

2
POTÊNCIA MATEMÁTICA
Que a tensão fornecida por uma pilha comum não
Potência matemática é um VOCÊ depende de seu tamanho ser pequeno, médio ou grande,
pois ela é sempre uma tensão contínua de 1,5 V. Por isso,
valor representado por SABIA? se um aparelho precisa de uma tensão mais alta para
sucessivas multiplicações de
um mesmo número várias funcionar, é necessário usar mais pilhas.
vezes.
Notação de uma potência:
an, onde a é a base A tensão elétrica é uma grandeza física que precisa ser identificada e quan-
(número a ser multiplicado
sucessivamente) e n é o tizada. No item a seguir é mostrado como isso é feito.
expoente (número de
vezes que a base será
multiplicada).
Exemplo: 34 = 3 · 3 · 3 · 3. 2.3.2 MÚLTIPLOS E SUBMÚLTIPLOS DAS UNIDADES DO SI

Imagine que você pretende comprar um computador. Ao entrar na loja, o ven-


dedor imediatamente lhe oferece um modelo novo, e diz que ele tem um HD de
1500000000000 byte de memória.
É fácil perceber que essa representação é inadequada! Não é usual alguém
expressar um número tão grande dessa maneira, com tantos zeros, não acha? Isso
dificulta muito, além da leitura, operar com esses números.
Agora veja essa outra notação para aquele número: o computador que o ven-
dedor ofereceu tem 1,5 Tb (terabyte) de memória.
Para expressar medidas extremamente grandes ou extremamente pequenas,
o SI adotou alguns prefixos, facilitando sua representação, leitura e cálculos. Veja
alguns exemplos na tabela a seguir.

Tabela 1 - Prefixos do SI

NOME FATOR SÍMBOLO MULTIPLICAR POR

tera 1012 T 1000000000000


giga 109 G 1000000000
mega 106
M 1000000
quilo 103
k 1000
hecto 102 h 100
deca 101
da 10
- 100
- 1
deci 10-1 d 0,1
centi 10-2
c 0,01
mili 10-3
m 0,001
micro 10-6
μ 0,000001
nano 10-9 n 0,000000001
pico 10-12
p 0,000000000001
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
37

Então, voltando ao nosso exemplo, veja como utilizar esses prefixos:

1500000000000
15000000000 , 00 × 102
150000000 , 0000 × 10 4
1500000 , 000000 × 10 6
150 , 0000000000 × 1010 = 150 × 1010
1,500000000000 × 102 = 1, 5 × 1012 = 1,5 tera

Notação é uma representação através de símbolos. A


notação científica é uma forma de representar números
demasiadamente grandes (ou pequenos) de forma
conveniente, a fim de facilitar os cálculos com eles.
Escrever um número em notação científica consiste em
VOCÊ representá-lo em um número entre um e nove multiplicado
SABIA? por uma potência2 de base 10.
Exemplo: 50000000000 em notação científica é = 5 x 1010.
Na engenharia, é comum a utilização de expoentes
múltiplos de três (utilizando o mesmo exemplo, o número
50000000000 seria escrito como: 50 x 109).

2.3.3 UNIDADE DE MEDIDA DA TENSÃO ELÉTRICA

A tensão (ou ddp) entre dois pontos pode ser medida por meio de determi-
nados instrumentos. A unidade de medida de tensão é o volt, representado pelo
símbolo V.
Como qualquer outra, a unidade de medida de tensão (volt) também tem múl-
tiplos e submúltiplos adequados a cada situação. Veja a tabela a seguir.

Tabela 2 - Unidade de medida de tensão e seus fatores multiplicadores

DENOMINAÇÃO SÍMBOLO VALOR EM VOLT (V)

Múltiplos megavolt MV 106 V ou 1.000.000 V


(ou fatores multiplicadores) quilovolt kV 103 V ou 1.000 V
Unidade volt V -
Submúltiplos milivolt mV 10-3 V ou 0,001 V
(ou fatores multiplicadores) microvolt μV 10-6 V ou 0,000.001 V
ELETRICIDADE GERAL
38

3
NANOTECNOLOGIA Para as medições em eletricidade, utilizamos, com mais frequência, a unidade
volt (V) e seus múltiplos: quilovolt (kV) e megavolt (MV).
Manipulação da matéria
em uma escala atômica e
molecular.
Existem mais palavras para indicar fatores multiplicadores
que são usados com as unidades de medida do SI. Alguns
deles já são bastante utilizados e, portanto, conhecidos,
4
VOLTÍMETRO ANALÓGICO SAIBA por exemplo: nano (como na palavra nanotecnologia3);
MAIS mega (como na palavra megabytes); e giga (como em
Aquele que avalia a gigabytes). Se você quiser saber mais sobre eles, visite
grandeza elétrica tensão o site do Inmetro, disponível em <www.inmetro.gov.br/
com base nos efeitos físicos consumidor>.
causados por ela. Podemos
citar como exemplo de
efeitos físicos as forças
eletromagnéticas dos
campos elétricos. No próximo item, entenderemos como fazer essas conversões.

2.3.4 CONVERSÃO DA UNIDADE DE MEDIDA DE TENSÃO

No dia a dia do profissional da área de eletricidade, muitas vezes é necessário,


por exemplo, converter uma unidade de medida em um de seus múltiplos ou
submúltiplos.
Para facilitar essa tarefa, até adquirir prática, você poderá usar a tabela a seguir,
na qual cada unidade de medida possui três casas, que correspondem a cada dí-
gito do valor obtido na medição.

Tabela 3 - Tabela de conversão

Agora, suponha que você queira converter 1100 V em kilovolts (kV).


Inicialmente, escreva na tabela 1100 V.

Tabela 4 - Conversão com valor a converter


2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
39

O passo seguinte é deslocar a vírgula de três casas na direção do kV (para a


esquerda) sem mexer na posição dos números. O resultado é mostrado a seguir.

Tabela 5 - Valor convertido

Portanto, 1100 V = 1,1 kV = 1,1 x 10³ V


Para realizar qualquer outra conversão, aplique esse mesmo processo, ou seja,
é só deslocar a vírgula para o múltiplo ou submúltiplo desejado.
Você já aprendeu como identificar e como quantizar a tensão elétrica. A seguir,
vai aprender qual é o instrumento de medição que você deve utilizar.

2.3.5 INSTRUMENTO DE MEDIÇÃO DE TENSÃO ELÉTRICA

O instrumento que mede a diferença de potencial entre dois pontos é o voltí-


metro. Veja, na figura a seguir, um voltímetro analógico4, no qual o valor (pontei-
ro) varia continuamente dentro de uma faixa preestabelecida.

20 30
10
0
40

DC
VOLTS
CLASS 2.5

Figura 11 - Mostrador do voltímetro analógico


Fonte: SENAI-SP (2014)

Embora o voltímetro seja o instrumento específico para medir a ddp, normal-


mente, o aparelho usado para esse fim é o multímetro digital. Veja na figura a
seguir os componentes de um multímetro.
ELETRICIDADE GERAL
40

5
DISPLAY Display - visor para indicar
a grandeza da medida
Palavra usada para
identificar o visor de um
aparelho digital.
pontas que serão
encostadas no
componente cuja
Seletora - chave de grandeza será medida
seleção das escalas
ass grandezas
das ezas a
re
em me
serem didaas
medidas

cconeectoo
ores
conectores
in
nserrido
inseridoso nos
os
boornes do
bornes d
multím
m metro
etro
multímetro
Ponta
P ta de
d prova - é o elo
e
entre
t o multímetro
ltí t e o
componente a ser medido

Borne - dispositivo mecânico de conexão de cabos elétricos


apropriado para conectar circuitos elétricos externos
Figura 12 - Composição do multímetro digital
Fonte: SENAI-SP (2014)

Para usar o multímetro, devemos obedecer às seguintes etapas, a fim de pre-


parar o aparelho e evitar que aconteça um acidente com o operador ou com o
aparelho:
a) Ajustar o “seletor de funções” na grandeza a ser medida, que, nesse caso, é a
tensão elétrica. O display5 (visor) indicará VDC porque, no nosso exemplo, o
circuito a ser medido será de corrente contínua. Observe que, quando não
se tem ideia do valor a ser medido, inicia-se pela escala de maior valor e, de
acordo com o valor observado, diminui-se a escala até o valor ideal.
b) Inserir as pontas de prova: cabo vermelho no borne VΩ e o cabo preto no COM.
c) E fetuar a medição, observando que o cabo preto deve estar na polaridade
negativa do circuito e o cabo vermelho, na polaridade positiva. Se a posição
dos cabos for invertida, aparecerá um símbolo negativo (-) no display. Veja,
na figura, uma aplicação de medição com multímetro em um circuito que
utiliza uma pilha para ligar uma lâmpada.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
41

Figura 13 - Posição dos cabos durante a medição


Fonte: SENAI-SP (2014)

d)
e) FIQUE Antes de mudar a escala do instrumento de medição,
desconecte-o de qualquer circuito para evitar danos no
ALERTA equipamento.

No item a seguir aprenderemos quais são as fontes geradoras de energia elé-


trica. Além disso, entenderemos como a energia elétrica é gerada.

2.4 FONTES DE ENERGIA ELÉTRICA

Como já dissemos neste capítulo, para haver movimento dos elétrons livres
em um corpo, é necessário aplicar nesse corpo uma tensão elétrica que é forneci-
da por uma fonte geradora de energia elétrica.
Além da pilha (ou da bateria elétrica), sobre a qual já falamos, para gerar ten-
são, existem outras maneiras de criar o desequilíbrio elétrico essencial para obter
a tensão necessária para fazer funcionar algum circuito eletroeletrônico.
Essas outras formas de geração de energia elétrica são as que veremos nos
subitens a seguir.
ELETRICIDADE GERAL
42

2.4.1 GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR AÇÃO TÉRMICA

A energia elétrica também pode ser obtida por meio do par termoelétrico, que
consiste em duas tiras de metais diferentes, unidas por torção em uma das extre-
midades.
Quando essa junção é aquecida, produz-se uma tensão elétrica, como você
pode observar na figura a seguir.

fio de ferro decapado

voltímetro

fio de cobre decapado

Figura 14 - Efeito da temperatura sobre o par termoelétrico


Fonte: SENAI-SP (2014)

O par termoelétrico, também chamado de termopar, é usado na indústria


como sensor de temperatura. É usado, também, em termômetros digitais de uso
médico ou industrial.

2.4.2 GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA POR AÇÃO DA LUZ

Este tipo de energia é gerado por células fotovoltaicas. Elas são feitas da jun-
ção de duas finas camadas de silício (material semicondutor, utilizado na indústria
eletrônica), unidas em forma de sanduíche, nas quais são ligados dois fios metáli-
cos. Quando a luz do sol atinge a parte superior da junção, o feixe de energia da
luz, chamado de fótons, começa a se chocar com os elétrons livres, que se movi-
mentam de uma camada para a outra, fazendo com que circule uma carga elétrica
entre os fios. Observe:
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
43

CÉLULA FOTOVOLTÁICA

luz
terminal negativo (-)

semicondutor
terminal positivo (+)
elétrons se deslocando
com ação da luz
Figura 15 - Representação do princípio de funcionamento de uma célula fotovoltaica
Fonte: SENAI-SP (2014)

As células fotovoltaicas são usadas na geração de eletricidade em:


a) satélites e estações espaciais;
b) recarga de baterias de carros elétricos;
c) iluminação; e
d) calculadoras portáteis.

2.4.3 GERAÇÃO DE ENERGIA POR AÇÃO MECÂNICA

Alguns cristais, como o quartzo, a turmalina, a mica, a calcita e os cristais de


Rochelle, quando submetidos a ações mecânicas, como compressão e torção, de-
senvolvem uma diferença de potencial. Eles são chamados de piezoelétricos.
Se um cristal de um desses materiais for colocado entre duas placas metálicas
e sobre elas for aplicada uma variação de pressão, obteremos uma tensão elétrica
(ou ddp) produzida por essa variação. O valor da diferença de potencial depende-
rá da pressão exercida sobre o conjunto.

pressão

+ placas
cristal
metálicas

Figura 16 - Cristais piezoelétricos gerando tensão elétrica


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
44

Aplicações: acendedores elétricos, alarme antirroubo, entre outros.

Quando aplicamos uma tensão contra a superfície de um


cristal piezoelétrico, obtemos um efeito piezorreverso.
VOCÊ Isso significa que, por exemplo, se os pulsos elétricos
SABIA? forem superiores a 20 mil ciclos, teremos como resultado
o ultrassom, usado em aparelhos médicos que auxiliam no
diagnóstico de diversas doenças.

2.4.4 GERAÇÃO DE ENERGIA POR AÇÃO MAGNÉTICA

A geração de energia por ação magnética é o método mais comum e o mais


amplamente usado. Ele é baseado na descoberta de Michael Faraday, que possi-
bilita produzir uma tensão elétrica toda vez que um condutor – ou muitas voltas
dele, o que constitui uma bobina – corta um campo magnético. Veja:

norte

tensão de CA

sul

Figura 17 - Representação do funcionamento de um gerador


Fonte: SENAI-SP (2014)

Esse é o princípio de funcionamento dos dínamos, que fornecem corrente con-


tínua (CC); dos alternadores, que fornecem a corrente alternada (CA); e dos gera-
dores eletromecânicos, usados nas usinas hidroelétricas
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
45

2.4.5 USINAS GERADORAS DE ELETRICIDADE

As usinas geradoras de eletricidade são conjuntos de obras de engenharia e


que transformam, geralmente em larga escala, diversas formas de energia em
energia elétrica. Partindo desse conceito, podemos dizer que o principal tipo de
usina geradora de eletricidade no Brasil são as usinas hidrelétricas.
A usina hidrelétrica é aquela que usa a energia potencial gravitacional da água,
após represada por uma barragem, convertida em energia cinética, que faz girar
a turbina, transformando a energia mecânica em energia potencial elétrica no
gerador. A energia produzida pelo gerador é levada por meio de linhas de trans-
missão até ao consumidor, como ilustramos na figura a seguir.

represa

energia elétrica

água transformador
gerador

turbina

Figura 18 - Usina hidrelétrica


Fonte: SENAI-SP (2014)

Em 2012, o Brasil contava com 111 usinas hidroelétricas


de grande e médio portes. A maior é a Usina de Itaipu,
VOCÊ no Rio Paraná, com capacidade de geração de 14 mil
SABIA? MWh (megawatts por hora) e a menor é a Hidrelétrica de
Limoeiro, no Rio Pardo, cuja capacidade de geração é de
35 MWh.

Existem diversas usinas geradoras de energia, tais como: térmica, nuclear, eó-
lica, entre outras.

Acesse a internet e, por meio de um site de busca, pesquise


SAIBA sobre usinas térmica, nuclear e eólica. Procure saber,
MAIS também, na planta energética brasileira, quais tipos são
utilizados.
ELETRICIDADE GERAL
46

RECAPITULANDO

Neste capítulo, aprendemos que um


a) matéria é tudo aquilo que nos cerca e ocupa lugar no espaço;
b) molécula é a menor parte em que se pode dividir a matéria sem que
ela perca suas características;
c) átomo é a menor parte em que se pode dividir a molécula;
d) o átomo é composto de prótons (carga positiva), elétrons (carga neg
ativa) e nêutrons (sem carga);
e) carga elétrica é uma propriedade existente em prótons e elétrons que
possibilita a sua interação;
f ) os elétrons livres são os da última camada de energia do átomo e têm
a propriedade de se desprenderem do núcleo do átomo;
g) a facilidade ou a dificuldade de os elétrons livres libertarem-se ou
deslocarem-se de suas órbitas determina se é o material é condutor ou
isolante;
h) eletrização é o processo de retirar ou acrescentar elétrons de um corpo
e ela pode acontecer por atrito, por contato e por indução;
i) a diferença de potencial (ddp) acontece quando dois corpos eletriza
dos têm cargas diferentes ou o mesmo tipo de carga, mas com quanti-
dade de elétrons diferentes;
j) a unidade de medida da tensão (ou ddp) é o volt, que é representado
pelo símbolo V;
k) o instrumento de medição de tensão (ou ddp) é o voltímetro, que
deve ser ligado em paralelo com o circuito a ser medido;
l) as fontes de geração de energia elétrica são por ação: química (ba=
teria), térmica (termopar), luminosa (célula fotovoltaica), mecânica
(cristais piezoelétricos) e magnética (dínamo, alternador e gerador); e
m) as usinas geradoras de eletricidade podem ser: hidrelétrica,
termelétrica, nuclear e eólica.
2 FUNDAMENTOS DA ELETRICIDADE
47

Anotações:
Corrente Elétrica

No capítulo anterior, começamos juntos a descobrir que fica fácil compreender como os
fenômenos elétricos acontecem quando aprendemos do que a matéria é composta e como as
partículas dos átomos se comportam. E tudo gira em torno da facilidade ou da dificuldade que
uma dessas partículas – o elétron – possui para movimentar-se entre as camadas de energia
que ficam em torno do núcleo do átomo.
No capítulo 2, aprendemos também algo muito importante: o conceito de tensão elétrica –
a ddp. Na área de eletricidade, sem ela, nada se faz!
Agora, precisamos prosseguir em nossos estudos, pois há ainda muita coisa a ser aprendida.
Portanto, neste capítulo, estudaremos os princípios básicos de como a corrente elétrica funcio-
na nos circuitos elétricos1.
Após estudar este capítulo, você terá subsídios para:
a) identificar o que é a corrente elétrica e utilizar sua unidade de medida;
b) medir a corrente elétrica, utilizando corretamente um multímetro; e
c) saber o que é corrente contínua.
Observe que tudo o que se estuda em cada capítulo é essencial para a compreensão das
informações que estarão nos capítulos posteriores. Por isso, estude tudo com muita atenção.
Bom trabalho!
ELETRICIDADE GERAL
50

1
CIRCUITO ELÉTRICO 3.1 O QUE É CORRENTE ELÉTRICA
É um caminho fechado que
contém três elementos:
O estudo da eletricidade é feito em dois campos:
fonte de energia, carga e
condutor. a) a eletrostática, que você já estudou no capítulo 2; e
b) a eletrodinâmica, que trata dos fenômenos elétricos resultantes das car-
gas elétricas em movimento e que você estudará neste capítulo.
Para aprendermos como conseguir que as cargas elétricas mantenham-se em
movimento, é necessário criar um desequilíbrio elétrico, ou seja, uma diferença de
potencial elétrico, chamado de tensão elétrica. Uma bateria (ou pilha) executa
perfeitamente essa função.
Observe que, se apenas segurarmos uma bateria nas mãos, não perceberemos
nenhum fenômeno elétrico acontecendo; mas, ele acontecerá se pegarmos um
condutor elétrico que esteja conectado a alguma fonte de tensão.
Tanto na bateria como no condutor, os elétrons livres apresentam movimen-
tos desordenados, isto é, movem-se sempre em todas as direções, como acon-
tece no interior dos metais. Isso ocorre mesmo que a bateria seja inserida em
um circuito cujo interruptor (power) não esteja acionado (circuito aberto). Veja
a figura a seguir.

interruptor
interior do condutor

Figura 19 - Representação de elétrons dentro do metal do condutor em um circuito aberto


Fonte: SENAI-SP (2014)

Se o interruptor for acionado, os condutores ficarão com a mesma diferença


de potencial da bateria. Dentro do condutor, isso vai originar um campo elétrico.
Nesse campo, cada elétron fica sujeito a uma força elétrica. Sob a ação dela, os
elétrons alteram a sua velocidade, adquirindo um movimento ordenado. É esse
movimento ordenado que constitui a corrente elétrica, veja:
3 CORRENTE ELÉTRICA
51

interruptor interior do condutor

Figura 20 - Comportamento dos elétrons dentro do condutor sob ação do campo elétrico (interruptor)
Fonte: SENAI-SP (2014)

Isso significa que corrente elétrica é o movimento ordenado dos elétrons


que acontece apenas quando há uma diferença de potencial (ddp, ou tensão) en-
tre dois pontos.
A condição para que haja a corrente elétrica é que o circuito esteja fechado, ou
seja, o interruptor deve estar acionado. Podemos afirmar, então, que não existe
corrente sem tensão, mas pode haver tensão sem corrente, pois é a tensão que
orienta as cargas elétricas.
Até agora você aprendeu que, quando existe uma diferença de potencial entre
dois pontos, em um caminho elétrico fechado, existe um deslocamento de elé-
trons chamado de corrente elétrica. E como saber em que sentido eles se deslo-
cam? A seguir você vai descobrir como achar o sentido da corrente elétrica.

3.2 SENTIDO DA CORRENTE ELÉTRICA

A eletricidade começou a ser utilizada para iluminar, acionar motores e tam-


bém para outros usos, antes que os cientistas comprovassem experimentalmente
a natureza do fluxo de elétrons. Por isso, naquela época, convencionou-se que a
corrente elétrica era um movimento de cargas elétricas que fluía do polo positivo
para o polo negativo da fonte geradora. Esse sentido de circulação recebeu o
nome de sentido convencional da corrente.
Mais tarde, quando os estudos explicaram cientificamente os fenômenos elé-
tricos, descobriu-se que nos condutores elétricos a tensão faz os elétrons movi-
mentarem-se do polo negativo para o polo positivo. Esse sentido de circulação
dos elétrons recebeu o nome de sentido eletrônico da corrente.
ELETRICIDADE GERAL
52

Escolher o sentido eletrônico ou o convencional não altera de forma alguma os


resultados obtidos nos estudos dos fenômenos elétricos. Neste material, utilizare-
mos o sentido convencional (do + para o –) da corrente elétrica.
Quando esse movimento ordenado acontece em um único sentido, mantendo
sempre a mesma polaridade, a corrente elétrica é chamada de corrente contí-
nua, representada pela sigla CC.

É possível que, em algumas publicações técnicas, a sigla


VOCÊ CC seja substituída pela sigla DC, que é simplesmente a
SABIA? abreviação de direct current, termo que significa corrente
contínua, em inglês.

Além de saber o sentido da corrente, é muito importante saber a quantidade de


elétrons, ou seja: qual a corrente elétrica que está passando em determinado ponto
do circuito, conhecido como intensidade de corrente. Isso é o que veremos a seguir.

3.3 INTENSIDADE DE CORRENTE

Já sabemos que a corrente elétrica é o movimento ordenado de elétrons dentro


de um condutor. Quanto mais elétrons passarem pela seção transversal de um con-
dutor durante o menor período de tempo, maior será a intensidade da corrente.
Intensidade da corrente é, pois, o fluxo de elétrons que passa dentro da seção
transversal de um condutor, durante um determinado período de tempo.
Então, vamos imaginar que podemos contar a quantidade de elétrons que
passam pela seção transversal do condutor e, dessa forma, determinar a intensi-
dade da corrente. E, na verdade, podemos mesmo fazer isso!
Primeiramente, precisamos saber que cada elétron apresenta uma carga elé-
trica elementar. Ela é representada pela letra “e” e equivale a 1,6 x 10-19 Coulombs.
Para conhecer a quantidade de carga elétrica (Q), multiplica-se o número de
elétrons (n) pela carga elétrica (e). Então, temos:
Q = n. e

Sendo que:
a) Q é a quantidade de carga elétrica;
b) n é o número de elétrons; e
c) e é carga elétrica.
3 CORRENTE ELÉTRICA
53

Com esses dados, podemos calcular a intensidade de corrente elétrica (I)


com a ajuda da seguinte fórmula:
Δ. Q
I=
Δ. t
Sendo que:
a) I é a intensidade de corrente;
b) DQ (lê-se delta Q) é a quantidade de carga elétrica (na seção transversal); e
c) Dt (lê-se delta t) é o período de tempo.

VOCÊ O símbolo “I” vem da palavra francesa intensité, que quer


SABIA? dizer intensidade.

A corrente elétrica é uma grandeza que precisa ser identificada e quantizada. A


seguir, você vai saber como ela é identificada e os seus múltiplos e submúltiplos.

3.4 UNIDADE DE MEDIDA DE CORRENTE

Assim como a tensão, a corrente é uma grandeza elétrica e, como toda a gran-
deza, pode ter a sua intensidade medida por meio de instrumentos específicos.
A unidade de medida da intensidade da corrente elétrica é o ampere (que é o
Coulomb por segundo), representado pelo símbolo A.

Como qualquer outra unidade de medida, a da corrente elétrica tem múltiplos


e submúltiplos adequados para cada situação. Veja tabela a seguir.

Tabela 6 - Símbolos e fatores multiplicadores do ampere


ELETRICIDADE GERAL
54

Como profissional da área, você precisará sempre ter em mente que no campo
da eletricidade emprega-se habitualmente a unidade ampere (A) e seus múlti-
plos e submúltiplos.
Faz-se a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de me-
dida. Os passos são os mesmos da conversão de valores do volt, que já vimos no
capítulo anterior. Vamos a um exemplo:
Suponha que você precise converter ampere (A) em miliampere (mA) e a me-
dida que você tem é 1,2 A.
a) C
oloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, neste
caso, é o ampere. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após a
unidade. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três
casas na próxima linha.

Tabela 7 - Conversão de Ampere para uAmpere

b) Mova a posição da vírgula para a direita. O novo valor gerado aparecerá


quando as três casas abaixo da coluna do miliampere estiverem preenchi-
das. Nesse caso, a vírgula deverá estar na linha após mA.

Tabela 8 - Conversão de Ampere para uAmpere com deslocamento da vírgula

c) C
omo cada linha abaixo da coluna mA tem três casas, todas elas deverão ser
preenchidas. Portanto, complete com zero as casas vazias. Observe que não
é necessário completar os espaços à esquerda do dígito 1(A), pois o zero
não tem valor nessa posição.
3 CORRENTE ELÉTRICA
55

Tabela 9 - Conversão de Ampere para uAmpere convertido

Após preencher o quadro, o valor convertido será: 1,2 A = 1.200 mA = 1.200 x 10-3 A
Você já aprendeu com identificar e como quantizar a corrente elétrica. A se-
guir, você vai aprender que instrumento deve utilizar para medir a intensidade
dessa corrente.

3.5 INSTRUMENTO DE MEDIÇÃO DE INTENSIDADE DA CORRENTE

Para medir a intensidade de corrente, usamos o amperímetro. Veja ilustração


a seguir.

20 30
10
0
40

DC
AMPERES
CLASS 2.5

Figura 21 - Amperímetro analógico


Fonte: SENAI-SP (2014)

Além do amperímetro, podemos usar também:


a) miliamperímetro: para correntes da ordem de miliamperes; e
b) microamperímetro: para correntes da ordem de microamperes.
ELETRICIDADE GERAL
56

Assim como no caso do voltímetro, o aparelho normalmente usado para esse


fim é o multímetro digital, embora o amperímetro seja o instrumento específico
para medir a corrente elétrica. Veja na figura a seguir.

VoltAlert
Corrente contínua
selecionada

HOLD MIN MAX RANGE

AUTO-V Hz
OFF
OF
LoZ V
V
mV


Seleção corrente
contínua

Volt
Alert
A A Hz Borne negativo

V
A COM
CO

10 A
FUSED

Borne positivo para corrente

Figura 22 - Multímetro na escala de ampere


Fonte: SENAI-SP (2014)

Antes de efetuar a medição, é necessário preparar o aparelho corretamente.


Para isso, siga estas etapas:
a) g
ire a chave seletora, selecionando corrente contínua, pois é esse tipo
decorrente que será medido. O display deverá indicar DC A;
b) coloque o cabo vermelho no borne A e o cabo preto no COM.
3 CORRENTE ELÉTRICA
57

Para efetuar a medição, proceda da seguinte maneira:


a) desligue o circuito, que deve estar sempre desligado para realizar a medição;
b) interrompa uma parte do condutor;
c) l igue o cabo vermelho no condutor aberto mais próximo do lado positivo
da bateria e o cabo preto na outra ponta, que ficou aberta. Caso haja in-
versão de polaridade, aparecerá um símbolo negativo (-) no display;
d) ligue o circuito e faça a leitura; e
e) desligue o circuito, emende os cabos e isole a emenda.

VoltAlert

HOLD MIN MAX RANGE

AUTO-V Hz
OFF
OF
LoZ V
V
mV

Volt
Alert
A A Hz

V
A COM

10 A
FUSED

Figura 23 - Exemplo da medição de corrente


Fonte: SENAI-SP (2014)

Para medir a corrente é necessário abrir o circuito elétrico,


FIQUE que consiste em uma operação de risco. Assim, por medida
ALERTA de segurança, é necessário desligar o circuito antes de
fazer essa atividade.
ELETRICIDADE GERAL
58

CASOS E RELATOS

A energia elétrica é fundamental para o funcionamento de qualquer em-


presa. Isso é ainda mais crítico em locais que funcionam 24 horas por dia,
como as siderúrgicas. Nesse tipo de empresa, as equipes de eletricistas se
revezam em turnos, a fim de que sempre haja alguém de plantão para aten-
der qualquer emergência no momento em que ela ocorre.
Assim aconteceu que, na siderúrgica Tubarão, em um final de semana, quan-
do uma equipe se apresentava para substituir a turma do turno anterior, um
dos eletricistas percebeu que havia um equipamento parado. Dois eletricis-
tas (um que estava entrando e outro que estava saindo) conversaram para
trocar informações sobre o problema. O eletricista que saía disse que, na me-
dição feita no equipamento, encontrara um fusível queimado, mas que, mes-
mo após a troca, o amperímetro não havia indicado corrente.
Ao tentar localizar o defeito, o eletricista que iniciava o turno perce-
beu que seu colega havia encontrado aquele defeito acidentalmente.
A causa da pane realmente era o fusível queimado, no entanto, como
seu amperímetro também estava com o fusível queimado, mesmo que
a troca tenha sido feita, o equipamento não funcionaria, pois o circuito
mantinha-se aberto.
3 CORRENTE ELÉTRICA
59

RECAPITULANDO

Neste capítulo entendemos o assunto principal de que trata a eletrodinâ-


mica. Além disso, aprendemos que:
a) a corrente elétrica é o movimento ordenado das cargas;
b) os elétrons deslocam-se do maior para o menor potencial;
c) na corrente convencional, as cargas deslocam-se do terminal positivo
para o negativo e, na corrente eletrônica, as cargas deslocam-se do ter-
minal negativo para o positivo;
d) a intensidade da corrente é a quantidade de cargas que passa em um
determinado ponto, por unidade de tempo;
e) a unidade de medida da corrente elétrica é o ampere, simbolizado
pela letra A; e
f ) o equipamento utilizado para medir a corrente elétrica é o amperíme-
tro ou o multímetro.
Resistência Elétrica

Agora que você já aprendeu o que é tensão e o que é corrente elétrica, podemos considerar
que já entramos no maravilhoso mundo da eletricidade.
Com o que você aprenderá neste capítulo, por exemplo, o comportamento das cargas den-
tro dos circuitos, já será possível fazer corretas associações de resistências. Esse conhecimento
é muito importante para a sua atuação na área da elétrica.
Assim, ao concluir este capítulo, você terá subsídios para:
a) conceituar resistência elétrica;
b) conhecer as unidades de medida de resistência elétrica e suas conversões;
c) identificar os instrumentos de medida de resistência elétrica;
d) configurar o multímetro para medir resistência elétrica;
e) medir a resistência elétrica;
f ) conhecer as variáveis que influenciam na resistência do condutor;
g) conhecer, interpretar e aplicar a 2ª lei de Ohm;
h) identificar e calcular associações em série, paralela e mista; e
i) aplicar as regras de arredondamento.
Se você estudou bem os capítulos anteriores, não terá dificuldades em aprender o que verá
neste capítulo. Então, mãos à obra!
ELETRICIDADE GERAL
62

4.1 CONCEITO DE RESISTÊNCIA ELÉTRICA

Resistência elétrica é a oposição que um material apresenta à passagem da


corrente elétrica. Essa resistência tem origem na estrutura atômica do material.
Com o que estudamos até agora, já sabemos que o conceito de resistência
elétrica é mais do que verdadeiro. Lembre-se de que já aprendemos que, em vir-
tude das próprias características da matéria e do comportamento das partículas
dos átomos, é possível afirmar que todos os dispositivos elétricos e eletrônicos
apresentam certa oposição à passagem da corrente elétrica.
Quando uma ddp é aplicada a um condutor e uma corrente elétrica se estabe-
lece, uma quantidade de elétrons livres começa a se deslocar nele. Nesse proces-
so, os elétrons podem colidir entre si e também com os átomos que constituem o
metal de que o condutor é feito. Então, duas coisas podem acontecer:
a) Quando os átomos de um material liberam elétrons livres com facilidade, a
corrente elétrica flui facilmente por meio desse material. Nesse caso, a resistên-
cia elétrica desses materiais é pequena, conforme representado na Figura 24.

Figura 24 - Baixa resistência à passagem da corrente elétrica


Fonte: SENAI-SP (2014)

b) Por outro lado, nos materiais cujos átomos apresentam dificuldade em li-
berar seus elétrons livres, a corrente elétrica não flui com facilidade, porque
a resistência elétrica desses materiais é grande. Veja.

Figura 25 - Alta resistência à passagem da corrente elétrica


Fonte: SENAI-SP (2014)
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
63

Portanto, a resistência elétrica de um material depende da facilidade ou da


dificuldade com que esse material libera cargas para circulação.
O efeito causado pela resistência elétrica tem muitas aplicações práticas em
eletricidade e eletrônica. Ele pode gerar, por exemplo, o aquecimento da água
que sai do chuveiro e o calor do ferro de passar, do ferro de soldar e do secador
de cabelos.
A resistência elétrica é uma grandeza que precisa ser identificada e quantiza-
da. A seguir aprenderemos como fazer isso.

4.1.1 UNIDADE DE MEDIDA DE RESISTÊNCIA ELÉTRICA

A unidade de medida da resistência elétrica é o ohm, representado pela letra


grega ômega: Ω.
Como toda unidade de medida, o ohm apresenta fatores multiplicadores –
múltiplos e submúltiplos. Aqueles que são mais utilizados estão apresentados no
quadro a seguir.

Quadro 3 - Fatores multiplicadores da unidade de medida ohm

Na eletricidade, utilizamos frequentemente a unidade ou os seus múltiplos, e


em eletrônica, a unidade ou os seus submúltiplos. Faz-se a conversão de valores
de forma semelhante às outras unidades de medida. Os passos são os mesmos da
conversão de valores do volt, que já vimos no capítulo 2. Usaremos, também, o
mesmo tipo de tabela.

Tabela 10 - Conversão de resistência de MΩ para uΩ


ELETRICIDADE GERAL
64

Assim, digamos que você precise converter ohm (Ω) em quilohm (kΩ) e a me-
dida que você tem é 120 Ω.
Para fazer a conversão utilizando as tabelas 11 e 12, proceda da seguinte maneira:
a) Coloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, nesse
caso, é o ohm. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após o Ω
(ohm). Observe que cada coluna identificada está subdividida em três casas.

Tabela 11 - Conversão de resistência de mΩ para uΩ, posicionando a vírgula

b) Mova a posição da vírgula para a esquerda (na direção do kΩ). O novo valor
gerado aparecerá quando a primeira casa abaixo da coluna do kΩ (quilohm)
estiver preenchida.

Tabela 12 - Valor convertido da resistência

Após preencher o quadro, o valor convertido será: 120 Ω = 0,12 kΩ = 0,12 x 10³ Ω
Você já aprendeu com identificar e como quantizar a resistência elétrica. A se-
guir, você vai aprender qual instrumento deve utilizar para medir essa resistência.
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
65

4.2 INSTRUMENTO DE MEDIDA DE RESISTÊNCIA

O instrumento de medição da resistência elétrica é o ohmímetro, porém, ge-


ralmente mede-se a resistência elétrica com o multímetro.
Com esses instrumentos, mede-se a resistência que o componente, que está
no circuito, oferece à passagem da corrente elétrica. Veja um ohmímetro digital
de precisão, na figura a seguir.

Figura 26 - Ohmímetro digital


Fonte: SENAI-SP (2014)

FIQUE Nunca se deve usar o ohmímetro em componente ou


equipamento energizado, pois isso poderá provocar um
ALERTA curto-circuito, além de acidentes elétricos graves.

Há ohmímetros indicados especialmente para cada necessidade, dependendo


do tipo de equipamento ou do componente a ser medido. Assim:
a) o microhmímetro é indicado para as leituras entre 0,1 µΩ e 100 Ω;
b) o ohmímetro é indicado para as leituras de valores maiores do que 10 Ω e
menores do que 100 MΩ; e
c) o megohmetro é indicado para as leituras de valores maiores do que 10
kΩ e 1000.000 MΩ.
Um multímetro pode ser usado em lugar do ohmímetro. Veja a representação
de um multímetro usado para medir a resistência, na figura a seguir.
ELETRICIDADE GERAL
66

Figura 27 - Aparelho preparado para medição


Fonte: SENAI-SP (2014)

Antes de fazer qualquer medição, é necessário preparar o aparelho correta-


mente. Para isso, proceda da seguinte maneira:
a) g
ire a chave seletora e selecione a opção resistência (Ω). O display mostrará
a opção MΩ; e
b) coloque o cabo vermelho no borne VΩ e o cabo preto no COM.
Para medir, faça o seguinte:
a) certifique-sede que o circuito esteja desligado. Se não estiver, desligue-o; e
b) meça o componente, com o instrumento conectado em paralelo com ele.
Esse componente deverá estar isolado, ou seja, com uma das pontas desligada.
Isso é necessário para evitar que outros componentes do circuito possam interfe-
rir na leitura. Veja o exemplo a seguir.
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
67

VoltAlert

HOLD MIN MAX RANGE

AUTO-V Hz
OFF
OF
LoZ V
V
mV

Volt
Alert
A A Hz

V
A COM

10 A
FUSED

Figura 28 - Medição com multímetro


Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe que, nesse caso, não há problema de polaridade.

Se um motor elétrico de qualquer instalação estiver


parado/desligado durante um período prolongado, três
FIQUE dias, por exemplo, e estiver sujeito às intempéries, é
preciso fazer um teste para verificar o nível de umidade no
ALERTA interior do motor, entre enrolamento e carcaça, ou seja,
o nível de isolação interna do motor. Com essa leitura, é
possível avaliar se o motor pode ser ativado/ligado ou não.

Até aqui você aprendeu o que é uma resistência e como ela influencia na
passagem da corrente elétrica. Agora imagine os condutores elétricos (fios), que
podem variar em diâmetros, comprimentos e tipos de materiais construtivos di-
ferentes. Como saber qual é a resistência? Essa tarefa fica fácil, conhecendo a Se-
gunda Lei de Ohm, Veja a seguir.

4.3 SEGUNDA LEI DE OHM

George Simon Ohm foi o cientista que estudou a resistência elétrica do ponto
de vista das grandezas que têm influência sobre ela. Por meio desse estudo, ele
concluiu que a resistência elétrica de um condutor depende fundamentalmente
de quatro fatores:
a) o comprimento (L) do condutor;
b) a área de sua seção transversal (S);
ELETRICIDADE GERAL
68

c) o material do qual o condutor é feito; e


d) a temperatura no condutor.
Para que se pudesse analisar a influência de cada um desses fatores sobre a
resistência elétrica, Ohm realizou diversas experiências, variando apenas um dos
fatores e mantendo constantes os três restantes.
A seguir, vamos usar a mesma estratégia para explicar as descobertas de Ohm.

Influência da resistência no condutor

Para estudar esse tipo de influência, o cientista fez alguns experimentos e ob-
teve alguns resultados conforme descritos no quadro a seguir.

Quadro 4 - Comportamento da resistência do condutor


em função das diversas variações

L L L
Mantendo-se constante a temperatura,
material, seção do fio e variando
o comprimento, observou-se que R Cobre
a resistência elétrica aumentava
R1 Cobre
com o aumento de comprimento (L) ou
diminuia com a diminuição do comprimento R2 Cobre

Mantendo-se constante a temperatura, material R Cobre


e comprimento (L) e variando a seção do fio,
observou-se que a resistência diminuia R1 Cobre
com o aumento da seção e
aumentava com o aumento da seção do fio R2 Cobre

Mantendo-se constante a temperatura,


a seção do fio, o comprimento Cobre
R
e variando o tipo de material,
observou-se que a resistência elétrica
R1 Alumínio
variava com o tipo de material.
Essa resistência diferente que cada material
oferece foi chamada de resistividade do material R2 Prata
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
69

Diante dos resultados de seus experimentos, George Simon Ohm (1789-1854)


estabeleceu a sua segunda lei, que diz:
“A resistência elétrica de um condutor é diretamente proporcional ao produ-
to da resistividade específica pelo seu comprimento, e inversamente propor-
cional à sua área de seção transversal.”
Matematicamente, essa lei é representada pela seguinte fórmula:

ρ.L
R= [Ω]
S

Sendo que:
a) R é a resistência elétrica expressa em Ω;
b) L é o comprimento do condutor em metros (m);
c) S é a área de seção transversal do condutor em milímetros quadrados
(mm²); e
d) ρ é a resistividade elétrica do material (W mm²/m).

CASOS E RELATOS

Usar equipamentos antigos e tecnologicamente defasados pode causar vá-


rios tipos de prejuízos:
a produtividade é baixa, o produto não apresenta qualidade competitiva
e gasta-se muito em manutenção e com a conta de fornecimento de ener-
gia, porque esses equipamentos geralmente consomem mais energia para
funcionar.
Assim sendo, a diretoria de uma empresa optou por modernizar seu parque
de máquinas antes que os prejuízos começassem a aparecer.
Alguns dos equipamentos antigos tinham o cabo de alimentação de alu-
mínio, que oferece uma resistência à passagem da corrente 1,6 vezes maior
que o cobre.
Por descuido de um dos instaladores, as sobras desses cabos acabaram
sendo guardadas junto com os cabos de cobre. Um dia, foi necessário tro-
car cinco metros de cabo de um dos novos equipamentos instalados. Sem
saber que os cabos estavam misturados no depósito, um dos eletricistas
pegou, inadvertidamente, o cabo de alumínio e utilizou-o normalmente.
ELETRICIDADE GERAL
70

Após algum tempo de uso, aquele cabo de alumínio danificou a cobertura


isolante por ter resistência maior e, como consequência, aqueceu além do
normal. Por isso, foi novamente substituído.
O erro do eletricista, além do uso do cabo inadequado para aquele tipo de
equipamento, foi não medir a corrente do circuito com o equipamento em
funcionamento, pois o cabo correto estava dimensionado para a corrente
limite do cobre, que é muito maior do que a do alumínio.

Uma das variáveis da Segunda Lei de Ohm é a resistividade elétrica dos mate-
riais. É um parâmetro que indica o quanto um material é mais ou menos resistente
à passagem da corrente elétrica. A seguir, você vai conhecer um pouco mais a
esse respeito.

4.3.1 RESISTIVIDADE ELÉTRICA DO MATERIAL

A resistividade elétrica é a resistência elétrica específica de um condutor, com


um metro de comprimento e um milímetro quadrado de área de seção transver-
sal, quando medida em temperatura ambiente constante de 20 ºC. A medição é
feita em laboratório, em condições controladas e os resultados obtidos são tabe-
lados e disponibilizados para consulta.

A maneira correta de representar temperatura utilizar


escala Celsius é a seguinte:
valor numérico símbolo da unidade grau Celsius
VOCÊ ↓ ↓
SABIA?
25 C o

espaço de até um caractere

O símbolo da resistividade é a letra grega ρ (lê-se rô) e sua unidade de medida


de resistividade é:

Ω mm2
m
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
71

A tabela a seguir apresenta alguns materiais com seus respectivos valores de


resistividade a uma temperatura de 20 ºC.

Tabela 13 - Resistividade de materiais a 20 ºC

MATERIAL RESISTIVIDADE ρ (Ω mm²/m) A 20°C

Alumínio 0,0278 = 27,8 x 10–3


Bronze 0,0670 = 67,0 x 10–3
Cobre 0,0173 = 17,3 x 10–3
Constantan 0,500 = 500 x 10–3
Chumbo 0,210 = 210 x 10–3
Estanho 0,1195 = 119,5 x 10–3

Com a Segunda Lei de Ohm, você aprendeu a calcular a resistência de um con-


dutor para diferentes materiais, comprimentos e seções transversais. Mas isso não
é suficiente, pois a temperatura também influência na resistência desse condutor.
A seguir em “Influência da temperatura sobre a resistência” você vai aprender
mais a seu respeito.

4.3.2 INFLUÊNCIA DA TEMPERATURA SOBRE A RESISTÊNCIA

É possível determinar um novo valor quando o condutor está em uma nova


temperatura se conhecemos a resistividade do seu material em uma determinada
temperatura. Isso é feito matematicamente com a ajuda da seguinte expressão:
ρf = ρo (1 + α . Δθ)
Nela temos:
a) ρf representa a resistividade do material na temperatura final (Ωmm²/m);
b) ρo é a resistividade do material na temperatura inicial (geralmente, 20°C)
(Ωmm²/m);
c) α e o coeficiente de temperatura do material (encontrado em tabelas); e
d) Δθ (lê-se delta teta) é a variação de temperatura, ou seja, a diferença entre
a temperatura final e a temperatura inicial (tf − ti), em °C.
Na tabela a seguir, temos os valores dos coeficientes de temperatura de alguns
materiais. Acompanhe!
ELETRICIDADE GERAL
72

Tabela 14 - Coeficiente de temperatura de materiais

MATERIAL COEFICIENTE DE TEMPERATURA α (°C-1)

Alumínio 0,0032 = 3,2 x 10-3


Cobre 0,0039 = 3,9 x 10-3
Constantan 0,00001 = 10 x 10-6
Ferro 0,005 = 5 x 10-3
Grafite -0,0002 a -0,0008 = -2 x 10-4 a -8 x 10-4

Como exemplo de aplicação da fórmula, para o cálculo da variação da resisti-


vidade elétrica de um metal sob a influência do aumento de temperatura, vamos
determinar a resistividade do cobre na temperatura de 50 ºC, sabendo-se que à
temperatura de 20 ºC sua resistividade é 0,0173 Wmm2/m.
Primeiramente, vamos indicar o valor referente a cada componente da expressão:
ρo = 0,0173 e α(oC-1) = 0,0039 (valores tabelados)
ρf = é o valor que se quer encontrar.

Como ρf = ρo.(1 + α . Δθ), substituindo os valores, temos:


ρf = 0,0173 . [1 + 0,0039 . (50 - 20)]

Efetuando a subtração dentro dos colchetes, temos:


ρf = 0,0173 . (1 + 0,0039 . 30)

Efetuando a multiplicação dentro dos parênteses, o resultado é:


ρf = 0,0173 . (1 + 0,117)

Efetuando a última operação e eliminando os parênteses, alcançamos o resultado:


ρf = 0,0173 . 1,117

Assim, temos que o valor da resistividade elétrica do cobre a 50 oC é:


ρf = 0,0193 Wmm2/m

As resistências aparecem na constituição da maioria dos circuitos e formam


associações de resistências. É sobre elas que falaremos a seguir.
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
73

4.4 ASSOCIAÇÃO DE RESISTÊNCIAS

Por sua presença constante nos circuitos, é muito importante conhecer os ti-
pos e as características das associações de resistências, que são a base de qual-
quer conjunto de componentes, de aparelho ou de máquina que funcione com a
utilização de circuitos eletroeletrônicos.

Que em sua residência a energia elétrica é distribuída por


VOCÊ meio de várias associações de cargas elétricas. Quando
você tem, em um cômodo, duas lâmpadas incandescentes
SABIA? para iluminação, há duas cargas resistivas em uma
associação em paralelo.

Existem vários tipos de resistências, fabricadas em dimensões e materiais


diferentes para as mais diversas aplicações.
Para que possamos explicar este assunto, vamos simbolizar qualquer tipo de
resistência pelo símbolo apresentado na figura a seguir.

terminais
Lucas Auler

Figura 29 - Ilustração de uma resistência


Fonte: SENAI-SP (2014)

Na associação de resistências, é necessário considerar:


a) os terminais, que são os pontos da associação conectados à fonte gera-
dora;
b) os nós, que são os pontos em que ocorre a interligação de três ou mais
resistências;
c) a porção do circuito, que liga dois nós consecutivos e é chamada de ramo
ou braço; e
d) a malha, que é o conjunto de ramos que delimitam um percurso fechado.
Além disso, precisamos saber também que, apesar do número de associações
diferentes que se pode fazer no circuito, todas são classificadas em um dos três
tipos:
a) associação em série;
b) associação em paralelo; e
c) associação mista.
ELETRICIDADE GERAL
74

Na associação em série, as resistências são interligadas de forma que haja


apenas um caminho para a circulação da corrente elétrica entre os terminais. Veja.

R1 R2 R3

caminho único

Figura 30 - Associação em série de resistências


Fonte: SENAI-SP (2014)

Na associação em paralelo, os terminais das resistências estão interligados


de forma que exista mais de um caminho para a circulação da corrente elétrica.
Observe.

três caminhos

l1 l2 l2

R1 R2 R3

Figura 31 - Associação em paralelo de resistências


Fonte: SENAI-SP (2014)

E a associação mista é aquela composta por grupos de resistências em série


e em paralelo. Veja.
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
75

R1

R2

Req

R3

R4
Figura 32 - Associação mista de resistências
Fonte: SENAI-SP (2014)

Você já sabe reconhecer os tipos de associação de resistores (em série, em pa-


ralelo e mista). No entanto, normalmente, para calcular as grandezas tensão, cor-
rente e potência, em determinados pontos do circuito, é necessário lançar mão da
resistência equivalente. A seguir você vai aprender como calculá-la.

4.5 RESISTÊNCIA EQUIVALENTE (OU RESISTÊNCIA TOTAL)

A resistência equivalente é uma resistência que pode substituir todas as resis-


tências ligadas em uma associação – em série, paralela ou mista, essa substituição
não causa qualquer diferença na fonte geradora de energia.

Imagine que você tem uma instalação elétrica com


muitas lâmpadas incandescentes interligadas em varias
SAIBA associações paralelas e queira saber qual a corrente total
que essas lâmpadas estão drenando da fonte geradora.
MAIS Isso pode ser facilmente calculado desde que você
substitua todas essas lâmpadas por uma resistência
equivalente.
ELETRICIDADE GERAL
76

A primeira coisa que precisamos aprender é que, dependendo do tipo de as-


sociação de resistência e das resistências que a compõem, há uma maneira espe-
cífica de calcular a resistência equivalente. Por isso, temos o:
a) cálculo da resistência equivalente de uma associação em série;
b) cálculo da resistência equivalente de uma associação em paralelo; e
c) cálculo da resistência equivalente de uma associação mista.
Veja a seguir como devemos realizar esses cálculos.

Cálculo da resistência equivalente de uma associação em série

Para obtermos a resistência equivalente de uma associação em série, usamos


a seguinte fórmula:
Req = R1 + R2 + R3 + ... + Rn (I)

Por convenção, R1, R2, R3,...Rn são os valores ôhmicos das resistências
associadas.
Exemplo: na figura a seguir há dois resistores associados em série, que devem
ser substituídos pela sua resistência equivalente.

R1
A A

120

Req
R2
B B

270

Figura 33 - Associação série e resistência equivalente (Req)


Fonte: SENAI-SP (2014)

A resistência equivalente para a associação em série é dada por:


Req = R1 + R2 = 120 + 270 = 390 à Req = 390 Ω
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
77

Cálculo da resistência equivalente de uma associação em paralelo

Para calcular a Req na associação em paralelo, inicialmente, é preciso considerar


que há dois ou mais caminhos para a circulação da corrente elétrica.
Depois, precisamos aprender que, no caso de uma associação em paralelo de
resistências, a Req é dada pela seguinte equação:

1 1 1 1 1
= + + + ...
Req R1 R2 R3 Rn

Essa equação também pode ser representada da seguinte maneira:


1
Req =
1 1 1 1
+ + + ...
R1 R2 R3 Rn

Agora, vamos a um exemplo. Na figura a seguir há uma associação em pa-


ralelo de três resistências. Calcule a resistência equivalente (Req) e substitua na
associação.

A A

R1 R2 R3 Req
10 25 20

B B

Figura 34 - Circuito paralelo e seu equivalente


Fonte: SENAI-SP (2014)

Para calcular o Req, utilize a fórmula para associação em paralelo, como segue:

substituindo os valores
1
Req = _______ 1
Req = _______
1+1+1 1+ 1 +1
R1 R2 R3 10 25 20
ELETRICIDADE GERAL
78

O primeiro passo para a solução é encontrar o MMC (mínimo múltiplo co-


mum), ou seja, qual é o menor número possível que seja divisível por 20, 25 e 10
(com resto igual a zero). No nosso exemplo é 100 (porque 100/10 = 10 , 100/25 =
4 e 100/20 = 5, com resto = 0 para todas as divisões)

SAIBA Acesse a internet e, por meio de um programa de pesquisa,


tecle MMC. Você vai encontrar as técnicas para achar o
MAIS mínimo múltiplo comum para solução de frações.

Colocamos os valores obtidos no numerador das frações, que são o denomina-


dor da fórmula, que ficará assim:

1 1 1
Req = → Req = → Req = = 5, 2631578947Ω
10 4 5 10 + 4 + 5 19
+ +
100 100 100 100 100

Observe que o número obtido apresenta dez casas, chamadas de casas deci-
mais, depois da vírgula. Um número tão grande pode complicar a vida de qual-
quer um! Por isso, a matemática nos permite usar a técnica do arredondamento.
O arredondamento é um recurso para abreviar números que possuem mui-
tas casas decimais, desde que isso não comprometa o resultado.
Para explicar como se faz isso, vamos arredondar o valor obtido no cálculo de
Req anteriormente: 5,2631578947. O arredondamento será para três casas deci-
mais. Siga as explicações apresentadas no quadro a seguir.
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
79

Quadro 5 - Regras de arredondamento

O resultado final é: 5,263 Ω


ELETRICIDADE GERAL
80

Nessa explicação, faltou a Regra 4: quando o último algarismo for igual a 5,


conserva-se o número anterior, se ele for par. Essa falta ocorreu porque essa situ-
ação não acontece no número do nosso exemplo.
Sempre que fizermos o cálculo de Req de uma associação em paralelo, deve-
remos nos lembrar de que:
a) a resistência equivalente da associação em paralelo é menor que a re-
sistência de menor valor;
b) se todas as resistências tiverem o mesmo valor, a Req corresponderá ao
valor da resistência, dividido pela quantidade de resistências. Veja:

Onde:
Req = R R = valor da resistência
n n= núm. de resistências

c) p
ara associações em paralelo com apenas duas resistências, pode-se usar
uma equação mais simples, deduzida da equação geral. Assim, tomando-se
a equação geral, com apenas duas resistências, temos:

1 1 1 1 1 R1+ R2 R1 x R2
Req = → = + → = → Req =
1 1 Req R1 R2 Req R1 x R2 R1+ R2
+
R1 R2

Agora, acompanhe o exercício a seguir.


Exemplo: Dada uma associação em paralelo com duas resistências, encontre a
resistência equivalente, usando a fórmula simplificada.

A A

R2 R3 Req
1,2 k 680

B B

Figura 35 - Associação em paralelo com duas resistências


Fonte: SENAI-SP (2014)

Vamos calcular a Req, aplicando a fórmula simplificada para duas resistências


e utilizando os valores dados. Veja:

R1 x R2 1200Ω x 680 Ω
Req = → Req = → Req = 434 Ω
R1+ R2 1200Ω + 680 Ω
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
81

Cálculo da resistência equivalente de uma associação mista

Para determinar a resistência equivalente de uma associação mista, proce-


demos da seguinte maneira:
a) A
partir dos nós, dividimos a associação em pequenas partes, de forma que
possam ser calculadas como associações em série ou em paralelo. Observe.

Nó Nó

R1 560
A R2 180
R3 270
Os resistores R2 e R3
estão associados Bloco "c"
em paralelo R4
1,2 k
B
Nó Nó
Figura 36 - Associação mista de resistores
Fonte: SENAI-SP (2014)
R1 560
A R1 560 R2 180
A
b) Uma vez identificados os nós, analisamos R3 como
270 estão ligadas as resistências
Os resistores R2 e R3 Req1
entre cada dois nós do
Os estão R2 e R3 Nesse caso, as resistências R2 e R3 estão em
circuito.
resistores
associados Bloco "c"
foram
paralelo. Agora, emsubstituídos
vamos identificar um bloco
paralelo Blocoe"c"substituir
R4 os resistores dentro
por seu Req1 1,2R4k
B
desse bloco pela sua resistência equivalente, como 1,2 mostra
k a figura a seguir.
B

R1 560
A

Req1
Os resistores R2 e R3
foram substituídos Bloco "c"
por seu Req1 R4
1,2 k
B

Figura 37 - Associação mista (fase 2)


Fonte: SENAI-SP (2014)

Calculando a resistência equivalente do bloco “c”, temos:

R2 x R3 180 x 270 48600


Req1= = = = 108 → Req1= 108 Ω
R2 + R3 180 + 270 450

c) U
ma vez feita a primeira simplificação, na associação da fase 2, devemos
identificar um outro bloco (serial ou paralelo) para efetuar uma nova sim-
plificação (fase 3).
ELETRICIDADE GERAL
82

R1 560 A
A

Req1 = 108
Bloco "D"
ReqT
R4
1,2 k
B B

Figura 38 - Associação mista (fase 3)


Fonte: SENAI-SP (2014)

d) Uma vez identificado outro bloco para simplificação nesta fase 3, e como
pode ser visto na figura acima, ela é uma associação série, a qual vamos
chamar de bloco “D”. Agora, é preciso calcular o valor da resistência equiva-
lente total (ReqT) por meio da fórmula de associação em série. Isso pode ser
visto a seguir:
Req T = R1 + Req1 + R4 → Req T = 560 + 108 + 1200 → Req T = 1868 W

RECAPITULANDO

Neste capítulo, você aprendeu que:


a) resistência elétrica é a oposição que um material apresenta ao fluxo de
corrente elétrica;
b) a unidade de medida da resistência elétrica é o ohm, que é represeta-
do pela letra grega Ω (ômega);
c) o instrumento de medição da resistência elétrica é o ohmímetro;
d) a resistividade elétrica é a resistência elétrica específica de um condu-
tor com 1 metro de comprimento, 1 mm² de área de seção transversal e
que é medida em temperatura ambiente constante de 20 ºC (Segunda
Lei de Ohm);
e) a fórmula da resistividade é:
ρ.L
R= [Ω]
S
4 RESISTÊNCIA ELÉTRICA
83

f ) são três os tipos de associação de resistências: em série, paralela (ou em


paralelo) e mista;
g) na associação em série, as resistências são interligadas de forma que
haja apenas um caminho para a circulação da corrente elétrica entre os
terminais;
h) na associação paralela, os terminais das resistências estão interligados
de forma que haja mais de um caminho para a circulação da corrente
elétrica;
i) a associação mista é a associação de resistências em série e em parale-
lo;
j) a resistência equivalente em série é dada pela fórmula:
Req = R1 + R2 + ... + Rn
e o valor será maior que o maior valor da resistência
k) a resistência equivalente em paralelo é dada pela fórmula:

1
Req =
1 1 1 1
+ + + ...
R1 R2 R3 Rn

e o valor será menor do que o menor valor da resistência; e


l) quando há duas resistências em paralelo no circuito, podemos usar a
seguinte fórmula:
R1x R2
Req =
R1+ R2

Esses conhecimentos são essenciais para interpretar o funcionamento de


circuitos eletroeletrônicos, um dos fundamentos mais importantes desta
unidade curricular.
Resistores

No capítulo anterior, estudamos a resistência elétrica e a associação de resistências. Nele,


aprendemos que a resistência elétrica é a oposição que um material oferece à passagem da
corrente elétrica. Vimos também que todos os dispositivos elétricos e eletrônicos sempre apre-
sentam certa oposição à passagem da corrente.
Embora a expressão “oposição à passagem da corrente elétrica” possa parecer um problema
dentro do circuito, neste capítulo aprenderemos que essa impressão é errada, já que existe até
um componente que faz exatamente isso dentro dos circuitos eletroeletrônicos: o resistor – um
componente tão importante que está na maioria dos circuitos eletroeletrônicos, dos mais sim-
ples aos mais sofisticados. Ele é fabricado com materiais de alta resistividade com a finalidade
de oferecer maior resistência à passagem da corrente elétrica.
Assim, neste capítulo estudaremos as características elétricas e construtivas dos resistores
fixos. Depois de estudá-los, você saberá:
a) conceituar resistores;
b) dizer quais são as suas características elétricas;
c) Explicar como sua potência se dissipa;
d) identificar sua simbologia;
e) dizer quais são os tipos de resistores mais comuns; e
f ) especificar e identificar o seu código de cores.
ELETRICIDADE GERAL
86

5.1 CONCEITO DE RESISTOR

Resistor é o componente que apresenta resistência à passagem da corrente


elétrica e está presente no circuito elétrico com a função de limitar a corrente
elétrica e, consequentemente, reduzir ou dividir tensões.
O resistor, dependendo de suas características, pode ter denominações dife-
rentes e é muito utilizado na área eletroeletrônica.
Neste capítulo, conheceremos, mais profundamente, os resistores fixos, por-
que eles são os componentes que serão usados nos circuitos elétricos estudados.
O resistor fixo é um componente formado por um corpo cilíndrico de cerâmi-
ca, sobre o qual é depositada uma camada espiralada de material ou filme resisti-
vo (por exemplo, carbono). Esse material determina o tipo e o valor de resistência
nominal do resistor. Ele é dotado de dois terminais colocados nas extremidades
do corpo em contato, como um filme resistivo. Veja a figura a seguir.

Figura 39 - Resistor fixo


Fonte: SENAI-SP (2014)

A seguir, você vai aprender como os resistores se comportam eletricamente e


quais as suas principais características.

5.2 CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS DOS RESISTORES FIXOS

O resistor fixo tem características elétricas que o diferenciam de outros com-


ponentes. Elas são a resistência nominal, o percentual de tolerância e a dissi-
pação nominal de potência.
A resistência nominal é o valor da resistência elétrica especificada pelo fabri-
cante. Esse valor é expresso em ohms (Ω) e em valores padronizados estabeleci-
dos pela norma IEC2-6 3. De acordo com essa norma, pode-se ter, por exemplo,
resistores de 18 Ω, 120 Ω, 47 kΩ, 1 MΩ.
O percentual de tolerância existe em função do processo de fabricação dos
resistores, durante o qual esses componentes estão sujeitos a imprecisões.
5 RESISTORES
87

Assim, o percentual de tolerância indica a variação de valor (decorrente do


processo de fabricação) que o resistor pode apresentar em relação ao valor pa-
dronizado da resistência nominal. A diferença pode fazer o valor nominal variar
para mais ou para menos.
A tabela a seguir traz alguns valores de resistores com o respectivo percentual
de tolerância. Indica, também, os limites dentre os quais situa-se o valor real do
componente.

Tabela 15 - Valores reais de resistência nominal conforme a tolerância

O que essa tabela pode indicar? Ela indica, por exemplo, que um resistor com
valor nominal de 220 Ω ±5 % pode, dentro do circuito, apresentar qualquer valor
real de resistência entre 231 Ω e 209 Ω. Como eletricista, antes de usar um resistor,
você deve avaliar se o percentual de tolerância que ele apresenta é conveniente e
adequado ao trabalho que será executado.
É preciso notar que, apesar de a tabela mostrar um valor de tolerância de até
±10%, devido à modernização do processo industrial, os resistores estão sendo
produzidos por máquinas especiais, que utilizam raio laser para o ajuste final da
resistência nominal. Por isso, dificilmente são encontrados no mercado resistores
para uso geral, com percentual de tolerância maior que ±5%.
A dissipação nominal de potência, ou limite de dissipação, tem relação com
a corrente elétrica que passa pelo componente e com o calor que isso gera.
Quando uma corrente elétrica circula por meio de um resistor e de um condu-
tor qualquer, tanto um como o outro sempre se aquecem. Nesse processo, ocorre
a conversão da energia elétrica em energia térmica. Na maioria das vezes, essa é
transferida para fora do corpo do resistor sob a forma de calor. É necessário, por-
tanto, limitar o aquecimento do resistor para evitar que ele seja danificado.
ELETRICIDADE GERAL
88

A rapidez de conversão de energia, em qualquer campo ligado à ciência, é


conhecida pela denominação de potência. A potência de um dispositivo qual-
quer nos indica o quanto de energia foi convertido, de um tipo de energia para
outro, a cada unidade de tempo de funcionamento.
O resistor, então, pode sofrer danos se a potência dissipada for maior que seu
valor nominal. Em condições normais de trabalho, esse acréscimo de temperatura
é proporcional à potência dissipada.
Sabendo disso, podemos dizer que a dissipação nominal de potência é a
temperatura que o resistor atinge, sem que a sua resistência nominal varie mais
que 1,5% em relação à temperatura ambiente de 70 ºC, conforme descreve a nor-
ma IEC 115-1.
A dissipação nominal de potência é expressa em watt (W), que é a unidade
de medida de potência. Por exemplo, um resistor de uso geral pode apresentar
dissipação nominal de potência de 0,33 W. Isso significa que o valor da resistência
nominal desse resistor não será maior que 1,5% se ele dissipar essa potência na
temperatura ambiente de 70 ºC.
O tamanho físico do componente tem uma influência direta sobre a dissipação
de potência. Quanto maior o componente maior será a sua área de dissipação.
Isso significa que existe uma potência maior disponível para consumo. Veja a se-
guir um exemplo da relação entre os tamanhos de resistores e suas potências.

0,25 W

0,5 W

1W

2W
Figura 40 - Ilustração de resistores de potência diferentes
Fonte: SENAI-SP (2014)

No capítulo sete deste livro estudaremos mais sobre potência elétrica. A seguir,
você aprenderá como os resistores são representados nos diagramas elétricos.
5 RESISTORES
89

5.3 SIMBOLOGIA DOS RESISTORES

Para representar os componentes (resistores) de um circuito, usamos símbolos.


O resistor também é representado por um símbolo, segundo a norma NBR12521,
da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que padroniza símbolos grá-
ficos de componentes passivos, como os resistores, os capacitores e os indutores.
Conheça o símbolo do resistor fixo:

(a) (b)

Figura 41 - Resistor fixo (a) e seus símbolos (b)


Fonte: SENAI-SP (2014)

ABNT é a sigla que identifica a Associação Brasileira de


Normas Técnicas, órgão responsável pela normalização
técnica no Brasil e que fornece a base necessária ao
desenvolvimento tecnológico do país. A ABNT é a
representante oficial no Brasil das entidades internacionais,
que são:”International Organization for Standardization”
(ISO), “International Eletrotechnical Commission” (IEC), bem
como das entidades de normalização regional, tais como:
SAIBA “Comissão Panamericana de Normas Técnicas” (COPANT) e
a Associação do Mercosul de Normalização (AMN).
MAIS
Fonte: <http://www.abnt.org.br/m3.asp?cod_pagina=929>.
NBR é a sigla para Norma Brasileira. Ela aparece na
denominação de todas as normas elaboradas pela ABNT
e é sempre seguida de um número que a identifica, por
exemplo: NBR5410 (Instalações elétricas de baixa tensão).
Para saber mais, você pode consultar o site <http://www.
abnt.org.br>.

Alguns resistores apresentam seu valor nominal


marcado no próprio corpo do componente, do seguinte
VOCÊ modo: 4k7Ω. Essa é outra maneira de escrever o valor
SABIA? corresponde a 4,7 kΩ.
ELETRICIDADE GERAL
90

CASOS E RELATOS

Em um final de semana, o técnico de manutenção de plantão em uma indús-


tria metalúrgica precisou resolver um problema em uma ponte rolante, que
não estava funcionando. Sem esse equipamento, era impossível continuar a
produção, uma vez que por meio dele as chapas de aço eram movimentadas.
A parada da produção já estava causando um enorme prejuízo à empresa.
Trabalhando sob grande pressão, o técnico verificou que o componente
que estava causando o defeito era um dispositivo de controle chamado
contator e constatou que um resistor de 22 kΩ (valor impresso no corpo do
componente) estava queimado. Feliz por ter encontrado o defeito, trocou o
componente por um novo. Fez o teste, mas o defeito continuou. Sem conse-
guir resolver o problema, não houve alternativa senão chamar o seu super-
visor, que estava de folga. Por ser mais experiente, imediatamente percebeu
que seu subordinado havia cometido um erro!
O resistor era de 2,2 kΩ, e não de 22 kΩ, como o técnico pensara. Como o resis-
tor era muito antigo, a marcação da posição da vírgula tinha desaparecido por
causa do uso e do tempo, o que causou o erro de leitura. Por isso, nos resistores
em que a marcação está no corpo do componente, essa aparece como 2k2 Ω!

Em circuitos eletroeletrônicos existem aplicações que requerem maiores ou


menores precisões de valores de resistores. A seguir você irá conhecer os princi-
pais tipos e suas precisões.

5.4 TIPOS DE RESISTORES

Sempre existem diferentes maneiras de classificar coisas, seja pelo formato,


pela cor, pelo tamanho, pela utilização, pelo material com o qual são fabricadas,
entre outras.
Os resistores são classificados em quatro tipos, conforme o material com o qual
são fabricados:
a) resistor de filme de carbono;
b) resistor de filme metálico;
c) resistor de fio; e
d) resistor para montagem em superfície, também conhecido como resistor.
5 RESISTORES
91

Acesse a internet e, por meio de um programa de busca,


SAIBA baixe informações a respeito de: resistor filme de carbono,
MAIS resistor de filme metálico, resistor de fio e resistor SMD
(montagem em superfície), e faça um comparativo entre eles.

A seguir, é apresentada uma tabela na qual estão relacionados os tipos de re-


sistores à sua aplicação e à faixa de valores de fabricação.

Tabela 16 - Características e aplicações dos resistores fixos


ELETRICIDADE GERAL
92

Observe, nas ilustrações a seguir, alguns resistores de fio e seus respectivos


terminais, o fio enrolado e a camada externa de proteção do resistor.

Figura 42 - Resistores de fio


Fonte: SENAI-SP (2014)

Quando nos referimos tecnicamente a um resistor, temos que fazê-lo de acor-


do com a sua especificação. Assim sendo, a seguir, você vai aprender como espe-
cificar um resistor.

5.5 ESPECIFICAÇÃO DE RESISTORES

Sempre que precisarmos descrever, solicitar ou comprar um resistor, é neces-


sário fornecer a sua especificação completa, que deve estar de acordo com a se-
guinte ordem:
a) tipo;
b) resistência nominal;
c) percentual de tolerância; e
d) dissipação nominal de potência.
Veja alguns exemplos de especificação de resistores:
a) resistor de filme de carbono 820 Ω ±5% 0,33 W;
b) resistor de filme metálico 150 Ω ±1% 0,4 W;
c) resistor de fio 4,7 Ω ±5% 10 W; e
d) resistor para montagem em superfície 1 kΩ ±5% 0,25 W.
Os resistores normalmente são dispositivos de dimensões limitadas e apresen-
tam uma vasta variedade de valores, tipos e tolerâncias. Como representar toda
essa variedade de características impressas no componente? A seguir você vai
aprender como é possível.
5 RESISTORES
93

5.6 CÓDIGO DE CORES PARA RESISTORES FIXOS

É importante saber que a maioria dos resistores de filme carbono é identifica-


da por meio de anéis coloridos, conforme o padrão dado por norma internacional
(IEC). Esses anéis fornecem dados técnicos sobre o componente e permitem que
eles sejam identificados no circuito, independentemente de sua posição.
Os resistores podem possuir de três a seis faixas coloridas. A forma de leitura
para os de três e de quatro faixas é muito semelhante. As três primeiras repre-
sentam o valor da resistência, sendo que as duas primeiras indicam o primeiro e
o segundo dígitos do valor, e a terceira faz a função de multiplicador. Vejamos o
exemplo a seguir.

Códigos de Cores
A extremidade com mais faixas deve apontar para esquerda.

Resistor de 3 1K Ω
faixas 20% de tolerância

Resistores padrão 560K Ω


possuem 4 faixas 10% de tolerância

Cor 1a Faixa 2a Faixa Multiplicador Tolerância


Preto 0 0 x 1Ω
Marrom 1 1 x 10 Ω +/- 1%
Vermelho 2 2 x 100 Ω +/- 2%
Laranja 3 3 x 1K Ω
Amarelo 4 4 x 10K Ω
Verde 5 5 x 100K Ω +/- 0,5%
Azul 6 6 x 1M Ω +/- 0,25%
Violeta 7 7 x 10M Ω +/- 0,1%
Cinza 8 8 +/- 0,05%
Branco 9 9
Dourado x 0,1Ω +/- 5%
Prateado x 0,01Ω +/- 10%

Figura 43 - Leitura do código de cores para resistores com três ou quatro faixas
Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
94

Observe que o primeiro resistor é formado pelas cores marrom, preto e ver-
melho. Pela tabela das cores, também indicada na figura, o marrom vale 1, o pre-
to vale 0 e o multiplicador, no caso, em vermelho, x100 (ou x 102). Assim, temos
10 x 102 = 1.000 Ω ou, em notação científica, 1 kΩ. A ausência da quarta faixa indi-
ca que a tolerância é de 20%.
Veja que o segundo resistor é formado pelas cores verde, azul e amarelo. De
acordo com a tabela das cores, o verde vale 5, o azul vale 6 e o multiplicador ama-
relo, x10000 (ou x 104). Assim, temos 56 x 104 = 560.000 Ω ou 560 kΩ, em notação
científica. A presença de uma quarta cor indica a tolerância, no caso, prata, que
vale 10%.
Já a cor do corpo do resistor, mostrado na Figura 43, indica que ele é feito de
filme de carbono.
A leitura dos resistores com cinco ou seis faixas não é muito diferente. Em vez de
haver dois dígitos e um multiplicador, há três dígitos e um multiplicador. Os de 5 ou
6 faixas possuem uma tolerância menor que os resistores de quatro faixas. A figura
a seguir mostra como é feita a leitura de um resistor de cinco e de seis faixas.

Códigos de Cores
A extremidade com mais faixas deve apontar para esquerda

Resistor de 5 237 Ω
faixas 1% de tolerância

4,7 Ω
Resistor 2% de tolerância - Coef. térmico 100 ppm
de 6 faixas

Coeficiência de
Cor 1a Faixa 2a Faixa 3a Faixa Multiplicador Tolerância temperatura
Preto 0 0 0 x 1Ω
Marrom 1 1 1 x 10 Ω +/- 1% 100 ppm / 0 C
Vermelho 2 2 2 x 100 Ω +/- 2% 50 ppm / 0 C
Laranja 3 3 3 x 1K Ω 15 ppm / 0 C
Amarelo 4 4 4 x 10KΩ 25 ppm / 0 C
Verde 5 5 5 x 100K Ω +/- 0,5%
Azul 6 6 6 x 1M Ω +/- 0,25% 10 ppm / 0 C
Violeta 7 7 7 x 10M Ω +/- 0,1% 5 ppm / 0 C
Cinza 8 8 8 +/- 0,05%
Branco 9 9 9 1 ppm / 0 C
Dourado x 0,1Ω +/- 5%
Prateado x 0,01Ω +/- 10%

Figura 44 - Leitura do código de cores para resistores com cinco ou seis faixas
Fonte: SENAI-SP (2014)
5 RESISTORES
95

Repare que o primeiro resistor é formado pelas faixas vermelha, que vale
2, laranja vale 3, violeta vale 7 e preta, que é o multiplicador, x1. Temos então
237 x 1 = 237 Ω. A quinta faixa representa a tolerância, no caso, marrom = 1%.
Agora você percebeu que o segundo resistor é lido da mesma forma? As cores
que representam o valor da resistência são: amarelo, que vale 4, violeta vale 7,
preto vale 0 e o multiplicador prata que vale x 0, 01 (ou x 10-2). Assim, temos: 470
x 0,01 = 4,7 Ω. A quinta faixa representa a tolerância, no caso, vermelho = 2%. A
sexta faixa representa o coeficiente de temperatura, no caso, marrom = 100 ppm/
ºC (100 partes por milhão / graus Celsius).
E o que significa o coeficiente de temperatura? Em todos os resistores, existe
uma variação da resistência em função da temperatura em que são expostos. Por
meio do coeficiente de temperatura, é possível determinar qual será a variação da
resistência para cada ºC.
Se em um determinado circuito é utilizado um resistor de seis faixas, significa
que a relação entre a resistência e a temperatura é um fator importante para o
seu funcionamento. Como instalador, ao se deparar com um circuito em que haja
um resistor de seis faixas, você precisará ter cuidado para não utilizar um resistor
diferente do especificado no esquema elétrico. Além do valor da resistência, a
tolerância e o coeficiente de temperatura devem estar exatamente como foram
determinados.
A cor azulada, no corpo do resistor, na maioria dos casos, indica um resistor de
filme óxido-metálico. Importante saber que não existe um padrão para a cor do cor-
po desse componente. Portanto, é importante saber que alguns fabricantes podem
não adotar a cor azulada, por exemplo, para os resistores de filme óxido-metálico.

Pesquise sobre resistores em sites de busca. Acesse,


preferencialmente, sites de fabricantes que fornecem
SAIBA catálogos de produtos e apresentam as especificações
técnicas. Esse hábito deve ser incorporado ao dia a dia de
MAIS trabalho de todos profissionais da área eletroeletrônica,
pois auxilia a especificar o componente correto para a
necessidade do circuito a ser montado ou reparado.
ELETRICIDADE GERAL
96

RECAPITULANDO

Neste capítulo, vimos que:


a) os resistores são utilizados nos circuitos eletrônicos para limitar a corren-
te elétrica e, consequentemente, reduzir ou dividir tensões;
b) as características elétricas do resistor são: resistência nominal, percen-
tual de tolerância e dissipação nominal de potência;
c) a resistência nominal é o valor da resistência elétrica especificada pelo
fabricante;
d) o percentual de tolerância é o resultado do processo de fabricação, que
deixa os resistores sujeitos a imprecisões no seu valor nominal;
e) a dissipação nominal de potência é a energia térmica produzida no re-
sistor sob a forma de calor; e
f ) os resistores fixos podem ser de filme de carbono, de filme metálico, de
fio e de montagem em superfície (SMR).
5 RESISTORES
97

Anotações:
Leis de Ohm e leis de Kirchhoff

Você já conhece os conceitos de tensão, corrente, resistência, circuito em série, circuito em


paralelo, circuito misto e aprendeu a calcular a resistência equivalente das associações em sé-
rie, paralela e mista. Uau! Quanta coisa!
Neste capítulo, chegou a hora de começar a aplicar todos esses conhecimentos em circuitos
mais complexos. Agora, você conhecerá as leis que regem os cálculos dos valores reais de cada
componente de um circuito.
Para isso, primeiramente, vamos estudar a Lei de Ohm, que trata da forma como a corrente
elétrica é medida. A partir daí, será possível determiná-la matematicamente e medir os valores
das grandezas elétricas em um circuito.
Em seguida, estudaremos as Leis de Kirchhoff, que tratam da medição da tensão e da cor-
rente em circuitos com mais de uma carga, a fim de que você possa calcular e medir tensões e
correntes em circuitos desse tipo.
São muitos conteúdos e, para você dimensionar a importância deles, leia a seguir uma man-
chete publicada em um jornal do nosso país:
“Curto em aparelho provoca incêndio em hospital, dizem bombeiros em MS. O fogo co-
meçou em uma sala no térreo do hospital, em Campo Grande. Segundo os bombeiros, não foi
necessário remover pacientes do prédio.” (Disponível em <http://g1.globo.com/mato-grosso--
-do-sul/noticia/2012/02/curto-em-aparelho-provoca-incendio-em-hospital-dizem-bom-
beiros-em-ms.html>. Acesso em: 01 jun. 2012).
Essa notícia é bem mais comum do que gostaríamos. Quantas vezes você já viu ou ouviu
falar em incêndio causado por causa de uma sobrecarga ou de um curto-circuito? Isso pode
acontecer em uma residência, uma loja, um hospital, uma fábrica ou até mesmo em um equi-
pamento de uma concessionária de fornecimento de energia elétrica.
Um curto-circuito pode acontecer quando um condutor é ligado diretamente entre os po-
los de uma fonte (bateria) ou tomada da rede elétrica e a corrente tende a ser extremamente
elevada. Isso produzirá o Efeito Joule e pode provocar incêndio na instalação. É para prevenir
esse tipo de acidente que fazemos os cálculos que estudaremos neste capítulo.
ELETRICIDADE GERAL
100

Assim, ao final dele, você terá subsídios para:


a) compreender e aplicar a Primeira Lei de Ohm;
b) compreender e aplicar as Leis de Kirchhoff; e
c) comprovar a Primeira e a Segunda Leis de Kirchhoff.
Vamos lá? Bons estudos!

6.1 INTRODUÇÃO À PRIMEIRA LEI DE OHM

Embora, graças ao desenvolvimento tecnológico, os conhecimentos sobre ele-


tricidade tenham se ampliado largamente, a Primeira Lei de Ohm continua sendo
uma lei básica da eletricidade. Por isso, conhecê-la é fundamental para o estudo e
para a compreensão dos circuitos eletroeletrônicos.
Essa lei estabelece a relação entre corrente (I), tensão (V) e resistência (R) em
um circuito. Ela é verificada a partir das medições dessas grandezas elétricas em
circuitos elétricos simples, formados com uma fonte geradora e um resistor.
Para o entendimento da Primeira Lei de Ohm, vamos nos apropriar da repre-
sentação dos componentes de circuitos elétricos de acordo com os símbolos e as
letras padronizadas, conforme a IEC 1082-1 e a NBR 5280, mostrados no quadro
a seguir.

Quadro 6 - Símbolos e letras usados em circuitos elétricos

No símbolo G, observe que o traço menor, na vertical do símbolo da bateria,


sempre será o negativo e o traço maior, o positivo.
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
101

Circuitos elétricos são desenhados com representações simbólicas (como as des-


critas no quadro anterior), tornando o circuito elétrico de fácil interpretação pelos di-
versos especialistas da área. A seguir, você entenderá como foi formulada a Primeira
Lei de Ohm, utilizando circuitos elétricos com essa representação simbólica.

6.1.1 DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DA LEI DE OHM

Vamos verificar a Primeira Lei de Ohm realizando três experiências, conforme


os quadros a seguir.

Quadro 7 - Experiência 1 – Primeira Lei de Ohm

Experiência 1
Montado o circuito ao lado, com uma
fonte de tensão de 9 V e um resistor de
100 Ω, a corrente marcada no ampe-
Lucas Auler

rímetro foi de 90 mA, ou seja, I = 90 mA.

Quadro 8 - Experiência 2 – Primeira Lei de Ohm

Experiência 2
Montado o circuito ao lado, com uma
fonte de tensão de 9 V e um resistor de
200 Ω, a corrente marcada no ampe-
Lucas Auler

rímetro foi de 45 mA, ou seja, I = 45 mA.

Quadro 9 - Experiência 3 – Primeira Lei de Ohm

Experiência 3
Montado o circuito ao lado, com uma
fonte de tensão de 9 V e um resistor de
400 Ω a corrente marcada no amperímet-
Lucas Auler

ro foi de 22,5 mA, ou seja, I = 22,5 mA.


ELETRICIDADE GERAL
102

Colocando esses valores em uma tabela, temos a seguinte situação:

Tabela 17 - Valores do primeiro, do segundo e do terceiro circuitos

Com base nessa tabela, podemos concluir que para uma tensão constante,
quando a resistência aumenta, a corrente diminui e vice versa. Dessa forma, po-
demos afirmar que a corrente elétrica e a resistência são inversamente proporcio-
nais. Esse comportamento pode ser expresso por meio de uma fórmula conheci-
da como a Primeira Lei de Ohm.

V
I=
R

Com base na equação da Primeira Lei de Ohm, podemos reformulá-la por meio
do texto: “A intensidade da corrente elétrica é diretamente proporcional à tensão
aplicada e inversamente proporcional à sua resistência elétrica.”
Agora conhecemos como as grandezas elétricas corrente, tensão e resistência
se relacionam, de acordo com a Primeira Lei de Ohm. A seguir, vamos aprender
como aplicá-las aos circuitos elétricos.

A Primeira e a Segunda Leis de Ohm foram formuladas pelo


SAIBA cientista George Simon Ohm. Por meio da internet, pesquise
MAIS quais os caminhos seguidos por ele para a formulação
dessas leis.

6.1.2 APLICAÇÃO DA PRIMEIRA LEI DE OHM

Utilizamos a Primeira Lei de Ohm para determinar os valores de tensão (V),


corrente (I) ou resistência (R) em um circuito.
E para obtermos o valor da grandeza desconhecida em um circuito, basta co-
nhecermos dois dos valores da equação da Lei de Ohm: V e I, I e R ou V e R. No
quadro a seguir, estão as formas derivadas da 1ª Lei de Ohm, que nada mais são
do que uma manipulação matemática da 1ª Lei de Ohm .
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
103

Quadro 10 - Fórmula da 1ª Lei de Ohm e suas derivadas

V
I = __ V
R = __
V=RxI
R I

Uma dica que torna bem fácil montar as fórmulas derivadas é escrever as uni-
dades fundamentais dentro de um triângulo, como na figura a seguir:

Figura 45 - Triângulo que relaciona as grandezas da 1ª Lei de Ohm


Fonte: SENAI-SP (2014)

Para as equações da Primeira Lei de Ohm, as grandezes


deverão ser expressas nas unidadesfundamentais volt (V),
VOCÊ ampere (A) e ohm (Ω ). Caso os valores sejam expressos
SABIA? em múltiplos e submúltiplos das unidades, eles devem ser
convertidos para as unidades fundamentais antes de serem
usados nas equações.

Vejamos alguns exemplos para entender melhor esse conteúdo.

Exemplo 1
Vamos supor que uma lâmpada utilize uma alimentação de 6 V e a lâmpada
tem 120 Ω de resistência. Qual é o valor da corrente que circula pela lâmpada
quando ligada? O quadro a seguir mostra-nos a solução.

Quadro 11 - Solução do exemplo 1 sobre a 1ª Lei de Ohm


Diagrama do circuito conforme o problema Solução: dado que V = 6 V e R = 120 Ω
para determinar a corrente e só aplicar
a fórmula da 1ª Lei de Ohm:

V 6
I=? H1 - 6 V I= = = 0, 05
G=6V R 120
R = 120
I = 0,05 A (ou I = 50 mA)
A corrente consumida pela lâmpada
é de 50 mA
ELETRICIDADE GERAL
104

Exemplo 2
Vamos supor que em outra lâmpada, agora de 9 V, circula uma corrente de
230 mA. Qual é a resistência da lâmpada? Acompanhe a solução no quadro a
seguir.

Quadro 12 - Solução do exemplo 2, aplicando-se a 1ª Lei de Ohm


Diagrama do circuito conforme o problema Solução: dado que V = 9 V e I = 0,23
A, para calcular a resistência da lâm-
pada basta aplicar uma das derivadas
da fórmula da 1ª Lei de Ohm.
I = 230 mA H1 - 9 V V 9
G=9V R= = = 39,13
R=? I 0,23

R = 39,13 Ω
A resistência da lâmpada é de 39,13 Ω

Exemplo 3
Por fim, vamos supor que um resistor de 22 kΩ foi conectado a uma fonte cuja
tensão de saída é desconhecida. Um miliamperímetro, colocado em série no cir-
cuito, indicou uma corrente de 0,75 mA. Qual é a tensão na saída da fonte? Veja a
solução no quadro a seguir.

Quadro 13 - Solução do exemplo 3, aplicando-se a 1ª Lei de Ohm


Diagrama do circuito conforme o problema Solução: dado que R = 22k Ω e I = 75
mA, para calcular a tensão do gerador é
+ -
A só aplicar uma das derivadas da fórmula
da 1ª Lei de Ohm.
+
G=? I = 0,75 mA R = 22 kΩ
- I = 0,75 mA ou 0,00075 A
V = R x I = 22000 x 0,00075 = 16,5
V = 16,5 V

A tensão do gerador é de 16,5 V

A Primeira Lei de Ohm, expressa por uma equação que relaciona tensão, cor-
rente e resistência, nem sempre atende a todos os tipos de circuitos. Por isso, é
necessário lançar mão de outras técnicas de soluções para determinar todas as
variáveis do circuito. Uma dessas técnicas é utilizar as leis de Kirchhoff.
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
105

6.2 LEIS DE KIRCHHOFF

Os três circuitos que acabamos de analisar foram fáceis, pois todos eles tinham
um único resistor, o que é bastante incomum. Porém, geralmente, os circuitos
eletrônicos constituem-se de vários componentes, todos funcionando simulta-
neamente.
Você já viu um aparelho eletrônico aberto? Se não viu, tente abrir um, se puder,
e observe que há muitos componentes para fazê-lo funcionar. Por isso, ao ligar
um aparelho, a corrente flui por muitos caminhos e a tensão fornecida pela fon-
te de energia distribui-se por seus componentes. Essa distribuição de corrente e
tensão obedece às duas leis fundamentais, que foram formuladas pelo físico de
origem russa Gustav Kirchhoff, em 1847.
A seguir, entenderemos como comprovar a Primeira Lei de Kirchhoff

6.2.1 PREPARANDO PARA A COMPROVAÇÃO DA PRIMEIRA LEI DE


KIRCHHOFF

A Primeira Lei de Kirchhoff, também chamada de Lei das Correntes de Kir-


chhoff (LCK), ou Lei dos Nós, refere-se à forma como a corrente distribui-se nos
circuitos em paralelo.
A figura a seguir mostra um circuito com uma fonte de tensão CC e dois resis-
tores em paralelo. Observe como as correntes entram e saem dos nós.

IT I1 I2
+
G R1 R2
- I1
IT I2

Figura 46 - Distribuição das correntes em um circuito em paralelo


Fonte: SENAI-SP (2014)

A partir da Primeira Lei de Kirchhoff e da Lei de Ohm, podemos determinar a


corrente em cada um dos componentes associados em paralelo. Para compreen-
der essa primeira lei, precisamos conhecer algumas características do circuito em
paralelo.
ELETRICIDADE GERAL
106

Observe o circuito a seguir.

I2

I1
IT +
+
+ R1 R2
5 Vcc V1 V2
- - -
IT 5 Vcc I1 5 Vcc

I2
Figura 47 - Características do circuito com resistores ligados em paralelo
Fonte: SENAI-SP (2014)

O circuito em paralelo, representado nessa figura, apresenta as três caracterís-


ticas fundamentais desse tipo de circuito:
a) fornece mais de um caminho à circulação da corrente elétrica, representa-
dos no circuito por I1e I2;
b) a tensão em todos os componentes associados é a mesma: a bateria é de
5 V e os instrumentos V1 e V2 indicam 5 V; e
c) as cargas são independentes: no circuito há duas cargas distintas: R1 e R2.
Essas características são importantes para a compreensão das leis de Kirchhoff.
Observe que tanto a primeira como a segunda resistências têm um dos terminais
ligado diretamente ao polo positivo e o outro, ao polo negativo da fonte. Dessa
forma, cada resistor conecta-se diretamente à bateria e recebe 5 V nos seus ter-
minais.
Vejamos agora como calcular todas as correntes do circuito.
A fonte de alimentação tem a função de fornecer aos consumidores a corrente
necessária para o seu funcionamento.
Quando um circuito possui apenas uma fonte de alimentação, a corrente for-
necida por ela chama-se corrente total (IT ), que depende diretamente da resis-
tência total dos consumidores e da tensão aplicada.
Matematicamente, a corrente total é obtida com a ajuda da seguinte fórmula:

V
IT =
RT

Essa fórmula não faz você se lembrar de outra, que já conhece? Vamos ver se
essa percepção é correta. Para isso, tentaremos determinar as correntes do circui-
to inicial da figura a seguir, que inclui amperímetros.
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
107

lT lT l2
l1
+ +
+
5 Vcc V1 R1 V2 R2
- 200 Ω 300 Ω
- 5 Vcc - 5 Vcc
+ +
A2 A3
- -
lT lT l1 l2

- A1 +
Figura 48 - Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros
Fonte: SENAI-SP (2014)

Nesse exemplo, a corrente total depende da tensão de alimentação e da resis-


tência total das resistências R1 e R2, que estão em paralelo.
Para tornar um circuito mais fácil de ser compreendido, a tensão do resistor R1
é medida pelo voltímetro V1; a tensão do resistor R2, pelo voltímetro V2; a corren-
te total, pelo amperímetro A1; a corrente do resistor R1, pelo amperímetro A2; e a
corrente do resistor R2, pelo amperímetro A3.
Para conhecermos a corrente total (IT), primeiramente, será necessário calcular
a resistência equivalente total do circuito para depois aplicar a fórmula da1a Lei
de Ohm.
A fórmula para calcular a resistência equivalente de um circuito em paralelo é esta:

1
Req =
1 1 1 1
+ + + ...
R1 R2 R3 Rn

Como você deve se lembrar, quando os dois resistores estiverem em paralelo,


a fórmula poderá ser simplificada para:

R1x R2
Req =
R1+ R2

Vamos utilizar essa fórmula para nosso circuito. Substituindo, na fórmula, o va-
lor de R1 (200 Ω) e de R2 (300 Ω), teremos:

200 x 300 60000


Req = = =120 →Req =120 Ω
200 + 300 500

Agora, para conhecer a IT, vamos utilizar a Primeira Lei de Ohm:

V 5
IT = = = 0,042 →IT = 0,042 A (ouIT = 42 mA)
R T 120
ELETRICIDADE GERAL
108

Vamos verificar, no circuito a seguir, como essa corrente (IT) fica distribuída.

IT 42 mA I1 I1 I2
+ +
5 Vcc + V1 R1 V2 R2
- - 5 Vcc 200 Ω - 5 Vcc 300 kΩ
+ +
A2 A3
- -
IT 42 mA IT I1 I2

- A1 +

Figura 49 - Circuito em paralelo com amperímetros e voltímetros


Fonte: SENAI-SP (2014)

No circuito em que os condutores estão sendo indicados pela seta, a corrente


será de 42 mA, valor que indicará o amperímetro A1.
Antes de seguirmos adiante, vamos recordar que nó é a interligação de dois ou
mais condutores.

Quando você usa uma extensão em sua casa, ela funciona


VOCÊ como um nó. Nela, existem dois condutores que a ligam à
fonte (a tomada na parede) e dela saem vários conectores
SABIA? aos quais são ligados os diversos aparelhos que se quer
usar.

No circuito a seguir, temos dois nós, que estão representados pelas letras A e B.

IT 42 mA IT I2
I1
+ +
+ V1 R1 V2 R2
5 Vcc 200 Ω 300 Ω
- - 5 Vcc - 5 Vcc
+ +
A2 A3
IT 42 mA IT - I1 I2 -

- A1 +
B
Figura 50 - Circuito em paralelo com nós identificados
Fonte: SENAI-SP (2014)
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
109

A partir do nó A (no terminal positivo da fonte), a IT divide-se em duas partes,


chamadas de correntes parciais, aqui denominadas de I1 (para o resistor R1) e I2
(para o resistor R2).
A forma como a corrente IT divide-se a partir do nó depende unicamente dos
resistores. Assim, o resistor de menor resistência permitirá a passagem da maior
parcela da corrente IT.
Portanto, a corrente I1 do resistor R1 (de menor resistência) será maior que a
corrente I2 no resistor R2, ou seja: I1> I2
Por meio da Primeira Lei de Ohm, podemos calcular o valor da corrente que cir-
cula em cada ramal. Para isso, basta conhecer a tensão aplicada e o valor de cada
resistor. Desse modo, para o resistor R1, vamos usar esta fórmula:

V1 5
I1 = = = 0,025 A →I1 = 0,025 A (ouI1 = 25 mA)
RR1 200

E para o resistor R2, temos:

V2 5
I2 = = = 0,017 A →I2 = 0,017 A (ouI2 =17 mA)
RR2 300

No circuito a seguir, temos as correntes distribuídas.

IT 42 mA IT I1 I2
+ +
+ R1 R2
5 Vcc V1 200 Ω -V2 300 Ω
- - 5 Vcc 5 Vcc
+ +
A2 A3 17 mA
-
IT 42 mA IT - I1 I2

- A1 + B
Figura 51 - Circuito com todos os valores
Fonte: SENAI-SP (2014)

Com essas noções sobre o circuito em paralelo, podemos compreender me-


lhor a Primeira Lei de Kirchhoff.
Segundo Markus (2004), definindo arbitrariamente as correntes que chegam
ao nó como positivas e as que saem do nó como negativas, a Primeira Lei de Kir-
chhoff pode ser enunciada como:
“A soma algébrica das corrente em um nó é igual a zero.”
Matematicamente, isso resulta na seguinte equação: + IT - I1 - I2 = 0
ELETRICIDADE GERAL
110

O enunciado dessa lei nos indica que, se conhecermos os valores de corrente


que chegam ou saem dos nós, é possível determinar um valor desconhecido de
corrente.
As correntes do circuito foram calculadas e com esses valores é feita a compro-
vação da Primeira Lei de Kirchhoff, conforme item a seguir.

Comprovação da Primeira Lei de Kirchhoff

Para demonstrar a Primeira Lei de Kirchhoff, vamos observar os valores já calcu-


lados do circuito em paralelo, representado a seguir.

42 mA 17 mA
25 mA
+
5 Vcc 200 Ω 300 Ω
-
+ +
A2 25 mA A3 17 mA
- -
42 mA 17 mA
A1 +
- B
Figura 52 - Circuito em paralelo com valores calculados
Fonte: SENAI-SP (2014)

Vamos considerar, agora, o nó A. Observe os valores de corrente nesse nó.


Nele, o valor da corrente que está entrando no nó (seta saindo do polo positivo
da fonte e direcionado para dentro do nó,) é a mesma da soma das correntes que
saem dele (seta para fora, em direção ao polo negativo da fonte). Veja:

IT=I1+I2 → 42 mA = 25 mA + 17 mA → 42 mA = 42 mA

Assim, temos a comprovação da 1ª Lei de Kirchhoff.


De acordo com os dados fornecidos por qualquer circuito elétrico, às vezes, a
solução pelas correntes (Primeira Lei de Kirchhoff) fica difícil e trabalhosa. Nessa
situação, uma alternativa é aplicar a Segunda Lei de Kirchhoff.
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
111

6.2.2 SEGUNDA LEI DE KIRCHHOFF

A Segunda Lei de Kirchhoff, também conhecida como Lei das Malhas, ou Lei
das Tensões de Kirchhoff (LTK), refere-se à forma como a tensão se distribui nos
circuitos em série.

Preparando e comprovando a Segunda Lei de Kirchhoff

Para compreender essa lei, é necessário conhecer antes algumas característi-


cas do circuito em série.
Ele apresenta três características importantes:
a) fornece apenas um caminho para a circulação da corrente elétrica;
b) a intensidade da corrente é a mesma ao longo de todo o circuito em série; e
c) o funcionamento de qualquer um dos consumidores depende do fun-
cionamento dos consumidores restantes.
Veja o circuito a seguir.

R1
200
A1
I

G
I A2
5V

I
A3
R2
300

Figura 53 - Circuito com resistores em série


Fonte: SENAI-SP (2014)

Este circuito ilustra a primeira característica do circuito em série: como existe


um único caminho para a circulação da corrente, a mesma corrente que sai do
polo positivo da fonte passa pelo resistor R1, chega ao resistor R2 e retorna à fonte
pelo pólo negativo. Isso significa que um medidor de corrente (amperímetro ou
miliamperímetro) pode ser colocado em qualquer parte do circuito. Em qualquer
posição, o valor indicado pelo instrumento será o mesmo.
Como a corrente é a mesma em todo o circuito (segunda característica), ela
pode ser indicada simplesmente pela notação I.
ELETRICIDADE GERAL
112

A forma de ligação das cargas, uma após a outra, (R1 em série com R2), como
mostra o circuito da figura acima, ilustra a terceira característica. Caso um dos
resistores (ou qualquer tipo de carga) seja retirado do circuito ou rompido, o cir-
cuito elétrico fica aberto e a corrente cessa, como acontece nos enfeites de Natal
feitos com lâmpadas!
Pode-se dizer, portanto, que em um circuito em série o funcionamento de cada
componente depende dos restantes.
Em associações em série, é possível aplicar a Primeira Lei de Ohm para achar a
corrente de uma associação desse tipo. Isso pode ser observado a seguir.

A corrente na associação em série

Pode-se determinar a corrente de igual valor ao longo de todo o circuito em


série com o auxílio da 1ª Lei de Ohm. Nesse caso, deve-se usar o valor da tensão
dos terminais da associação. Sua resistência total será calculada a partir da se-
guinte expressão:

V
IT =
RT

Agora, vamos relembrar a fórmula da resistência equivalente em um circuito


em série:
Req = R1 + R2 + R3 + ... +Rn

Com base no circuito da Figura 53, vamos calcular a resistência equivalente


dos dois resistores R1 e R2:

Req = R1 + R2 = 200 + 300 = 500 → Req = 500 W

Observe o circuito a seguir com o Req (que é a associação em série de R1 e R2)


calculado.

A1
I

G
5V RT = Req = 500

Figura 54 - Circuito equivalente ao da figura anterior


Fonte: SENAI-SP (2014)
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
113

Conhecido o valor da tensão (V = 5 V) e da resistência equivalente (Req = 500 Ω),


aplicamos a fórmula e obteremos a corrente do circuito:

V 5
I= = = 0,01→I = 0,01A (ou I =10 mA)
R T 500

A corrente I do circuito das Figura 53 e Figura 54 foi calculada e vale 10 mA.


Para saber qual é a tensão que recai em R1 e R2, basta seguir em frente.

Tensão nos resistores do circuito em série

Em um circuito em série não existem nós. Isso significa que os dois terminais da
carga não estão ligados diretamente à fonte. Por causa disso, a tensão nos compo-
nentes de um circuito em série é diferente da tensão da fonte de alimentação.
O valor de tensão em cada um dos componentes é sempre menor que a ten-
são de alimentação.
A parcela de tensão que fica sobre cada componente do circuito denomina-se
queda de tensão no componente. A queda de tensão é representada pela notação V.
No circuito com o qual estamos trabalhando, a queda de tensão pode ser me-
dida com voltímetro, indicado por V1 e V2.
A seguir, está redesenhado o circuito da Figura 53, inserindo-se dois medido-
res: V1 em cima de R1 e V2 em cima de R2.

R1
+ - 200 Ω
A1
I
+ -
+ V1
G +
5V - I A2
-
- +
V2
I
A3 +
-
R2
300 Ω
Figura 55 - Tensões no circuito em série
Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
114

A queda de tensão em cada componente da associação em série pode ser de-


terminada pela 1ª Lei de Ohm. Para isso, precisamos conhecer tanto o valor da
corrente no circuito como os seus valores de resistência.
Sabemos que a corrente que sai da bateria é a mesma que passa pelo resistor
R1 e pelo resistor R2. Também já calculamos a corrente total do circuito equivalente.
Usamos a Primeira 1ª Lei de Ohm para calcular a tensão. Lembre-se da fórmula
que aplicamos anteriormente:
V = R x I.

Saiba então que, para calcular a tensão em cada componente, precisamos co-
nhecer seu valor de resistência, bem como qual a corrente que está passando nele.
Em um circuito em série, a corrente total é a mesma corrente que passa em
cada resistor, portanto, já temos um valor fixo para colocarmos na fórmula.
Tensão na resistência R1:
VR1 = R1 x I = 200 x 0,01 = 2 → VR1 = 2 V

Tensão na resistência R2:


VR2 = R2 x I = 300 x 0,01 = 3 → VR2 = 3 V

Observando os resultados obtidos entre os valores de resistência e a queda de


tensão, podemos concluir que:
a) o resistor de maior resistência fica com uma parcela maior de tensão; e
b) o resistor de menor resistência fica com a menor parcela de tensão.

Assim, pode-se dizer que, em um circuito em série, a queda de tensão é pro-


porcional ao valor do resistor, ou seja:
maior resistência → maior queda de tensão
menor resistência → menor queda de tensão
Com essas noções sobre o circuito em série, fica mais fácil entender a Segunda
Lei de Kirchhoff. Segundo Markus (2004), adotando um sentido arbitrário de cor-
rente para a análise de uma malha, e considerando as tensões que elevam o po-
tencial do circuito como positiva (geradores) e as tensões que causam queda de
potencial como negativas (receptores passivos), a Lei de Kirchhoff para as tensões
pode ser expressa como:
“A soma algébrica das tensões em uma malha é zero.”
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
115

Matematicamente, pode ser expressa pela equação:


V1 + V2 + ... +Vn – VR1– VR2– ... – VRn = 0.
Aplicando-se ao circuito acima temos:
V – VR1 – VR2 = 0
Podemos comprovar essa lei tomando como referência os valores de tensão
nos resistores do circuito, determinados anteriormente, e somando-se as quedas
de tensões nos dois resistores:
V = VR1 + VR2 → 5V = 2V + 3V
Observe que V é a tensão da fonte.

Você consegue identificar alguma ligação em série dentro


SAIBA de uma residência? Para saber mais sobre isso, pesquise
MAIS sobre o tema e tente encontrar esse tipo de ligação em sua
própria casa.

Acabamos de aprender a resolver os problemas de um circuito elétrico com


uma malha com dois resistores em uma fonte em série e comprovar a Segunda Lei
de Kirchhoff. A seguir é descrita uma possível aplicação dessa lei.

Aplicação da Segunda Lei de Kirchhoff

O circuito em série, que é formado por dois ou mais resistores, divide a tensão
aplicada da sua entrada em duas ou mais partes, por isso, é um divisor de tensão.
O divisor de tensão é usado para diminuir a tensão e polarizar os componen-
tes eletrônicos, tornando a tensão adequada à finalidade do circuito em relação à
polaridade e à amplitude.
Ele também é usado em medições de tensão e de corrente, dividindo a ten-
são em amostras conhecidas em relação à tensão medida. Quando os valores dos
resistores são dimensionados, pode-se dividir a tensão de entrada da forma que
for necessária.
A Segunda Lei de Kirchhoff é a ferramenta adequada para determinar quedas
de tensão desconhecidas em circuitos eletroeletrônicos.
Vamos a um exemplo de aplicação da Segunda Lei de Kirchhoff e as leis de
Ohm, em um circuito misto:
ELETRICIDADE GERAL
116

As Leis de Kirchhoff e as Leis de Ohm permitem determinar as tensões ou as


correntes em cada componente de um circuito misto.
Os valores elétricos de cada componente do circuito podem ser determinados
por meio dos procedimentos a seguir:
a) determinação da resistência equivalente;
b) determinação da corrente total; e
c) determinação das tensões ou das correntes nos elementos do circuito.
Esses procedimentos serão demonstrados a partir do circuito a seguir:

R1
400 Ω

G A
5V
R2 R3
300 Ω 150 Ω

B
Figura 56 - Circuito misto
Fonte: SENAI-SP (2014)

Para determinar a resistência equivalente, ou total (RT) do circuito misto,


considere que ele é dividido em circuitos parciais. A partir destes, reduz-se o cir-
cuito original de modo a simplificá-lo até alcançar o valor de um único resistor.
Considerando-se o circuito apresentado anteriormente, vamos determinar sua
resistência equivalente. Para isso, vamos inicialmente calcular a Req do circuito
paralelo entre os nós A e B. O resultado desse cálculo será chamado de Req1.
Agora, vamos aplicar a fórmula e determinar a resistência equivalente 1 (Req1):

R2 x R3 300 x 150 45000


Req1= = = =100 →Req1=100 Ω
R2 + R3 300 +150 450
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
117

O circuito atualizado ficou desse jeito:

IT
R1
400 Ω
G
IT
5V
Req1
100 Ω

Figura 57 - Circuito misto atualizado com o novo valor


Fonte: SENAI-SP (2014)

Veja que, nesse momento, os nós deixaram de existir, pois um único resistor
equivalente (Req1) foi colocado no lugar de R2 e R3.
O valor da resistência equivalente total (Req) será encontrado com a ajuda
dos valores dos resistores ligados em série, aplicando-se a seguinte fórmula:
Req = R1 + Req1 = 400 + 100 = 500 Ω
Assim, temos que o valor total de Req é 500 Ω.
Esse resultado indica que o circuito possui uma resistência equivalente total de
500 Ω. Portanto, o circuito final é representado desta forma:

IT

IT

G Req
5V 500 Ω

IT

IT

Figura 58 - Circuito equivalente final


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
118

Observe que o circuito ficou com apenas uma resistência, que é a resistência
equivalente total (Req) do circuito.
Assim sendo, podemos determinar a corrente total (IT) do circuito apresen-
tado na Figura 58, aplicando a Primeira Lei de Ohm ao circuito equivalente final.
Lembre-se de que o circuito equivalente final é uma representação simplifica-
da do circuito original.
A corrente total é dada pela fórmula a seguir:

V 5
IT = = = 0,01→IT = 0,01A (ouIT =10 mA)
R eq 500

Após determinar a corrente total (IT) que passa através de R1 e Req1, a tensão
que cai em cima de R1 (V1) e em cima de Req1 (V2) é facilmente calculada. Veja-
mos a seguir.

Determinação das tensões e das correntes individuais

A corrente total aplicada ao circuito parcial permite determinar a queda de


tensão no resistor R1 e na resistência equivalente Req1, que são os resistores R2e
R3 ligados em paralelo no circuito original. Veja a seguir o posicionamento dos
medidores V1 e V2.

+
IT
IT A1
-
+
R1
IT 400 Ω V1
-

G
5V
+
Req1
IT 100 Ω V2
-

IT

Figura 59 - Circuito parcial


Fonte: SENAI-SP (2014)

Retornando pelo sentido inverso das etapas que desenvolvemos até agora,
podemos começar a efetuar os cálculos das correntes e das tensões individuais.
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
119

Veja, na Figura 59, que a corrente no amperímetro A1 é de 10 mA, a mesma


corrente que está passando por R1 e também pela resistência equivalente Req1.
Como você já sabe, para aplicar a 1ª Lei de Ohm, necessitamos de duas gran-
dezas fixas para efetuar cálculos. É isso o que acontece no circuito, pois temos os
valores de R1, de Req1 e da corrente no circuito.
Assim, para calcular a tensão em R1 (V1), usamos os seguintes cálculos:

V1 = R1 + IT = 400 x 0,01 = 4 → V1 = 4V

E para calcular a tensão no Req1 (V2), usamos estes:

V2 = Req1 x IT = 100 x 0,01 = 1 → V2 = 1V

Com os valores obtidos de tensões é possível validar a Segunda Lei de Kirch-


hoff, como segue:
Vfonte = V1 + V2 → 5V = 4V + 1 V

O circuito da figura a seguir, já com os valores da corrente e tensão, ficará assim:

IT +
IT A1 10 mA
-
+
IT R1
400 Ω V1 4 V
-

G
5V
+
IT Req1 V2 1 V
100 Ω
-

IT

Figura 60 - Circuito com valores de corrente e tensão


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
120

Agora, é necessário retornar ao circuito original Figura 56, porque nele existem
três resistores.
Observe bem o circuito a seguir, pois vamos analisá-lo!

IT +
IT
A1 10 mA
-
+
IT R1
400 Ω V1 4 V
-

G
5V
+
I1 R2 I2 R3
300 Ω V2 1 V 150 Ω
-
+ +
I1 I2
A2 A3
IT I2
- -

Figura 61 - Circuito com três resistores


Fonte: SENAI-SP (2014)

Desmembramos o Req1, que volta a ser R2 e R3. Veja o voltímetro V2, que con-
tinua no mesmo local em que estava na figura anterior. Ele mostra que a tensão
em Req1 é a mesma que a presente em R2 e em R3.
Voltamos também a ter novamente os nós A e B. Podemos perceber que, no nó
A, chega a corrente IT, por meio de R1. Vemos também que desse nó estão saindo
duas correntes: I1 e I2.
Como nesses resistores que acabamos de desmembrar há duas grandezas fi-
xas – a tensão V2 e os valores dos resistores, podemos calcular a corrente que
passa em cada resistor.
Para calcular a corrente no resistor R2, aplicamos a seguinte fórmula:

V2 1
I1 = = = 0,0033 I1 = 0,0033 A (ouI1 =3,3 mA)
R 2 300
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
121

Para calcular a corrente no resistor R3, o procedimento é o mesmo:

V2 1
I2 = = = 0,0067 →I2 = 0,0067 A (ouI2 = 6,7 mA)
R 3 150

De acordo com a Primeira Lei de Kirchhoff, a corrente que chega ao nó A é a


IT (corrente total) e a que sai do nó estão divididas em I1 e I2. Matematicamente,
temos o seguinte:
IT = I1 + I2 → 10 mA = 3,3 mA + 6,7 mA

Os valores do circuito misto ficaram os seguintes:

IT +
IT A1 10 mA
-

+
IT R1
400 Ω V1 4 V
-

A
G
5V
+
I1 R2 I2 R3
300 Ω V2 1 V 150 Ω
-
+ +
I1 A2 3,3 mA I2 A3 6,7 mA
IT I2
- -

Figura 62 - Circuito misto com os valores calculados


Fonte: SENAI-SP (2014)

Podemos observar na Figura 62 que todas as correntes e tensões foram calcu-


ladas, aplicando as leis de Ohm e Kirchhoff. Esse procedimento é muito comum na
solução de problemas com circuitos elétricos.
ELETRICIDADE GERAL
122

RECAPITULANDO

Neste capítulo, aprendemos que:


a) em um circuito elétrico, a Primeira Lei de Ohm estabelece uma relação
entre as grandezas elétricas – tensão (V), corrente (I) e resistência (R).
Essa lei diz que “A intensidade da corrente elétrica em um circuito é dire-
tamente proporcional à tensão aplicada e inversamente proporcional à
sua resistência.”;
V
b) a fórmula da Primeira 1ª Lei de Ohm é: I =
R
c) a unidade de medida de tensão é V (volt); a de resistência é Ω (ohm), e
a de corrente é A (ampere);
d) a Primeira Lei de Kirchhoff diz que “A soma das correntes que chegam
a um nó é igual à soma das correntes que dele saem.”;
e) o circuito em paralelo tem três características fundamentais: (1) for-
nece mais de um caminho à circulação da corrente elétrica; (2) a tensão
em todos os componentes associados é a mesma e (3) as cargas são
independentes;
f ) no circuito em paralelo, a corrente será maior no menor valor de resis-
tência;
g) a Segunda Lei de Kirchhoff diz que “A soma das quedas de tensão nos
componentes de uma associação em série é igual à tensão aplicada nos
seus terminais extremos.”;
h) o circuito em série tem três características muito importantes: (1) for-
nece apenas um caminho para a circulação da corrente elétrica; (2) a
intensidade da corrente é a mesma ao longo de todo o circuito e (3) o
funcionamento de qualquer um dos consumidores depende do funcio-
namento dos consumidores restantes; e
i) no circuito em série, a tensão será maior no maior valor da resistência.
6 LEIS DE OHM E LEIS DE KIRCHHOFF
123

Anotações:
Potência Elétrica em CC

Você se lembra de quantas vezes alguém na sua casa ficou bravo por você demorar muito
tempo no banho? Essa pessoa certamente diria: “Sai desse chuveiro! Olha a conta da luz!”.
Além disso, provavelmente, você já ouviu falar que trocar as lâmpadas incandescentes por
lâmpadas eletrônicas, bem mais econômicas, faz uma enorme diferença na conta de forneci-
mento de energia elétrica no fim do mês.
Há ainda os aparelhos eletroeletrônicos com um selo que indica se eles são energeticamen-
te eficientes, ou seja, gasta-se pouca energia para seu funcionamento. Se o refrigerador da sua
casa é novo, com certeza tem um desses selos!
Essas são coisas simples do dia a dia, mas, quando falamos em gastar menos energia elétri-
ca, estamos aplicando um conceito de física, chamado potência.
Esse conceito está diretamente ligado à ideia de força, produção de som, calor e luz e ao
consumo de energia elétrica.
Neste capítulo, vamos estudar a potência elétrica em CC. Com esse conhecimento, você
deverá ser capaz de:
a) conceituar trabalho e seus efeitos;
b) entender o que é potência elétrica e como associá-la a trabalho;
c) identificara unidade de medida de potência elétrica, seus múltiplos e submúltiplos;
d) converter a unidade de medida entre seus múltiplos e submúltiplos;
e) determinar a potência de um consumidor em CC;
f) aplicar as fórmulas corretas nos cálculos de potência;
g) identificar nos dispositivos o que é potência nominal;
h) conhecer o que é uma fonte de alimentação CC e a influência da sua resistência interna
na tensão de saída de um gerador;
i) dizer o que é rendimento do gerador; e
j) saber sobre máxima transferência de potência.
Esses conhecimentos são muito importantes para que você consiga realizar bem suas ativi-
dades profissionais no futuro, como interpretar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos.
ELETRICIDADE GERAL
126

1
LÚMEN (LM) 7.1 TRABALHO ELÉTRICO
Unidade do Sistema Ao passar por uma carga instalada em um circuito, a corrente elétrica produz
Internacional de Medidas
(SI) para o fluxo luminoso efeitos, entre eles, calor, luz e movimento, que são denominados de trabalho.
(ou a quantidade de luz)
produzido por qualquer O trabalho de transformação de energia elétrica em outra forma de energia
objeto que emita luz. Assim,
uma vela decorativa, por é realizado pelo consumidor ou pela carga. Ao transformar a energia elétrica, o
exemplo, emite cerca de 12 consumidor realiza um trabalho elétrico.
lúmens.
Observe a figura a seguir e reflita: quem está realizando mais trabalho?

Figura 63 - Quem está realizando mais trabalho?


Fonte: SENAI-SP (2014)

Assim como o homem mais alto parece estar realizando mais trabalho que o
mais baixo, as cargas elétricas possuem capacidades de produzir trabalhos dife-
rentes. Para isso, os circuitos elétricos são montados, visando ao melhor aprovei-
tamento da energia elétrica, que pode ser convertida em calor, luz e movimento.
O trabalho elétrico pode gerar vários efeitos:
a) c alorífico – quando a energia elétrica converte-se em calor. Ele está pre-
sente, por exemplo, nos chuveiros e nos aquecedores;
b) luminoso – quando a energia elétrica converte-se em luz nas lâmpadas e
uma parcela também transforma-se em calor; e
c) m
ecânico – quando um motor elétrico, como o de um ventilador, converte
energia elétrica em força motriz, ou seja, em movimento.
Esse trabalho é maior ou menor de acordo com a potência elétrica do dispo-
sitivo provocador desse efeito, em determinado tempo. A seguir, vamos entender
mais sobre a potência elétrica.
7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
127

7.2 POTÊNCIA ELÉTRICA

Analisando um tipo de carga, como as lâmpadas, pode-se perceber que nem


todas produzem a mesma quantidade de luz. Umas produzem grandes quanti-
dades e outras, pequenas quantidades. Veja, no exemplo a seguir, uma lâmpada
incandescente que produz 60 W e outra, 100 W.

60 W 100 W
127 V 127 V

Figura 64 - Lâmpadas produzem quantidades diferentes de luz


Fonte: SENAI-SP (2014)

Uma lâmpada incandescente de 60 W produz 715 lúmens1 de


fluxo luminoso e uma lâmpada econômica de 15 W produz
790 lúmens. Através de um cálculo simples concluímos que,
VOCÊ se você trocar a lâmpada incandescente de 60 W por uma
SABIA? lâmpada econômica de 15 W, você estará economizando 45
W de consumo de energia. Isso acontece porque na lâmpada
incandescente de 60 W, aproximadamente 50 W transformam-
se em calor e apenas 10 W, em luz,

Vamos dar outro exemplo: talvez você já tenha entrado em um elevador tão
rápido que sentiu até um “frio na barriga”, quando ele se movimentou. Em outras
ocasiões, porém, você pode ter ficado nervoso por achar que o elevador estava
demorando demais para chegar ao piso em que queria ir.
Os dois elevadores fazem o mesmo trabalho: levam você de um piso a outro
de um edifício. A diferença é que um deles, tendo um motor mais potente, deslo-
ca-se mais rapidamente, portanto, realiza o trabalho em menor tempo.
ELETRICIDADE GERAL
128

A potência permite relacionar o trabalho elétrico realizado e o tempo ne-


cessário para sua realização. Assim, a capacidade de cada consumidor produzir
um trabalho em determinado tempo por meio da energia elétrica é chamada de
potência elétrica, que é representada pela seguinte fórmula:

τ
P=
t

Nessa fórmula:
a) P é a potência;
b) τ (lê-se “tau”) é o trabalho; e
c) t é o tempo necessário para realizar o trabalho.
Para dimensionar corretamente cada componente em um circuito elétrico,
é necessário conhecer a sua potência. Isso é muito importante em instalações
elétricas, por exemplo, quando o profissional tem de considerar, durante a ins-
talação, a potência de cada equipamento elétrico que será utilizado para poder
dimensionar corretamente os condutores que fornecerão a energia. Assim, é im-
prescindível que essa grandeza elétrica tenha uma unidade de medida para que
possa ser identificada e quantificada. A seguir vamos conhecê-la.

7.2.1 UNIDADE DE MEDIDA DE POTÊNCIA ELÉTRICA

A potência elétrica é uma grandeza e, como tal, pode ser medida. Sua unida-
de de medida é o watt, simbolizado pela letra W.
Um watt (1 W) corresponde à potência desenvolvida no tempo de um segundo
em uma carga, alimentada por uma tensão de 1 V, na qual circula uma corrente de 1 A.
Como qualquer outra unidade de medida, a unidade da potência elétrica tem
múltiplos e submúltiplos adequados a cada situação. Veja tabela a seguir.

Tabela 18 - Unidade de medida de potência elétrica


7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
129

Alguns valores são habituais nessa área de trabalho, conheça-os: no campo da


eletricidade, empregam-se habitualmente a unidade watt (W) e seus múltiplos; e
na eletrônica, usam-se normalmente as unidades (W) e seus submúltiplos.
Para fazermos a conversão de valores, seguimos as outras unidades de medi-
da. Os passos são os mesmos que os aplicados na conversão de valores do volt, já
vistos no capítulo 2. Usaremos, também, o mesmo tipo de gabarito:

Tabela 19 - Gabarito de conversão de valores de potência

Digamos, por exemplo, que você precise converter watt ( W) em quilowatt (kW)
e a medida que você tem é 2,5 W.
Para usar o gabarito, proceda como das outras vezes em que fizemos a conver-
são, de acordo com os passos a seguir.
a) C
oloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, neste
caso, é o watt. Lembre-se de que a vírgula deve estar na linha após a uni-
dade. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três casas
na próxima linha.

b) Mude a posição da vírgula para a esquerda até chegar à divisão entre kW e


W (unidade que você quer).

c) C
omo não há nenhum número dessa nova posição da vírgula até o número
2, preencha as casas com zeros.
ELETRICIDADE GERAL
130

d) Não se pode deixar a vírgula solta, isto é, não podemos deixá-la sem um núme-
ro antes dela. Então, você deve completar a casa antes da vírgula com zero.

Após preencher o gabarito, o valor convertido será: 2,5 W = 0,0025 kW.


Para qualquer outra conversão, o procedimento é o mesmo. Não tente fazer
essa manipulação de cabeça até que você esteja muito treinado, pois a probabili-
dade de cometer erros são enormes.
A potência elétrica é a capacidade de produzir trabalho em determinado tem-
po e pode ser produzido em regime de corrente contínua. A seguir conheceremos
mais a seu respeito.

7.3 DETERMINAÇÃO DA POTÊNCIA DE UM CONSUMIDOR EM CC

A potência elétrica (P) de um consumidor depende da tensão aplicada e da


corrente que circula nos seus terminais. Matematicamente, essa relação é repre-
sentada pela seguinte fórmula:
P=VxI
Nessa fórmula:
a) V é a tensão entre os terminais do consumidor expressa em volts (V);
b) I é a corrente circulante no consumidor expressa em ampères (A); e
c) P é a potência dissipada expressa em watt (W).
Manipulando matematicamente a fórmula da potência, podemos obter as fór-
mulas derivadas. O quadro a seguir mostra a fórmula de potência e suas derivadas.

Quadro 14 - Fórmula da potência e suas derivadas

P
V = ___ P
I = ___
P=VxI
I V
7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
131

Acompanhe um exemplo de uso dessa fórmula:


Uma lâmpada de lanterna de12 V solicita uma corrente de 0,5 A das baterias.
Qual é a potência da lâmpada?

Quadro 15 - Exemplo de uso de fórmula da potência


Especificação da lâmpada Solução: dado que V = 12 V e I = 0,5 A, para calcular a
potência basta aplicar a fórmula:

P = V.I = 12 x 0,5 = 6 à P = 6 W

A potência da lâmpada é de 6 W

V=12 V
I=0,5 A

Quando falamos que a potência da lâmpada é de 6 W, estamos dizendo que,


quando instalada em um circuito elétrico com alimentação de 12 V, tem uma cer-
ta capacidade de iluminar (gerar trabalho), abrangendo uma determinada área.
Sabemos que a potência é dada pela fórmula P = V x I, mas, nem sempre, em
um circuito elétrico, essas grandezas estão disponíveis. A seguir, vamos conhecer
outras fórmulas da potência que estão associadas à lei de Ohm, conhecidas como
equação de potência por efeito joule.

Equação de potência por efeito joule

Muitas vezes, é necessário calcular a potência de um componente, mas os va-


lores de tensão e de corrente não são conhecidos. Quando não conhecemos o
valor da tensão (V), não é possível calcular a potência por meio das equações que
você viu até aqui.
Para que isso seja possível, é necessário fazer a combinação das fórmulas da
potência e a 1ª Lei de Ohm. Os dois quadros a seguir mostram essa combinação:
ELETRICIDADE GERAL
132

Quadro 16 - Dedução da fórmula da potência associada à corrente e à resistência

Quadro 17 - Dedução da fórmula da potência associada à tensão e à resistência

Uma boa prática para solução de problemas é concentrar as fórmulas que, de


alguma maneira, estejam relacionadas. O quadro a seguir mostra todas as fórmu-
las associados à 1ª Lei de Ohm, as potência e suas combinações.

Quadro 18 - Resumo das fórmulas da 1ª Lei de Ohm, potência e combinações

Vamos entender melhor como aplicar essas fórmulas, acompanhando os


exemplos a seguir.
7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
133

a) Um aquecedor elétrico tem uma resistência de 8 Ω e solicita uma corrente


de 10 A. Qual é a sua potência?

Quadro 19 - Exemplo do uso de fórmula da 1ª Lei de Ohm


Especificação do aquecedor Solução: dado que R = 8 Ω e I = 10 A, para
calcular a potência, basta aplicar a fórmula:

P = R x I2 = 8 x 102 = 800 à P = 800 W

A potência do aquecedor é de 800 W

b) Um acendedor de automóvel funciona com 12 V, que são fornecidos pela


bateria. Sabendo que a resistência do isqueiro é de 3 Ω, calcule sua potên-
cia dissipada.

Quadro 20 - Exemplo do uso de fórmula da 1ª Lei de Ohm


Especificação do acendedor Solução: dado que R = 3 Ω e V = 12 V, para
calcular a potência, é só aplicar a fórmula:
2 2
V 12 144
P= = = = 48 W
R 3 3

A potência dissipada do acendedor é de


48 W
ELETRICIDADE GERAL
134

Que toda vez que falamos em energia, estamos falando


da potência em uma determinada variação de tempo Δt
(lê-se “delta t”). Portanto, podemos dizer que E = P x Dt
SAIBA Substituindo P por sua igualdade, teremos: E = R x I2 x Dt.
MAIS Por essa fórmula, podemos dizer que a Lei de Joule é: “A
energia elétrica dissipada em uma resistência, num dado
intervalo de tempo Δt, é diretamente proporcional ao
quadrado da intensidade de corrente que a percorre”.

Chegamos à etapa em que, dado um circuito elétrico, temos a condição de cal-


cular a potência de qualquer elemento do circuito. Para isso, basta usar qualquer
uma das fórmulas que vimos anteriormente.
Agora, lembre-se de uma situação em que você tenha ido a uma loja e pedi-
do um dispositivo elétrico. Nessa situação, você poderia ter dito: ”eu quero uma
lâmpada” e, de imediato, o vendedor ter perguntado qual a tensão e a potência
que você estava precisando. Isso porque todo dispositivo eletroeletrônico está as-
sociado a uma potência elétrica, ou seja, a sua potência nominal. A seguir, vamos
conhecer um pouco mais a esse respeito.

7.4 POTÊNCIA NOMINAL

Certos aparelhos, como os chuveiros, as lâmpadas e os motores têm uma carac-


terística particular: seu funcionamento obedece a uma tensão previamente esta-
belecida. Assim, existem chuveiros para 110 V ou 220 V; lâmpadas para 6 V,12 V,110
V, 220 V e outras tensões; motores para 110 V, 220 V, 380 V, 760 V e outras.
A tensão para a qual esses consumidores são fabricados chama-se tensão no-
minal de funcionamento. Por isso, os consumidores que apresentam tais carac-
terísticas devem sempre ser ligados na tensão correta (nominal), normalmente,
especificada em seu corpo.
Observe na figura a seguir que uma lâmpada de 100 W/127 V ilumina a mesma
área que a lâmpada de 100 W/220V .
7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
135

100 W 100 W
127 V 220 V

Figura 65 - Lâmpadas com a mesma potência e tensões diferentes


Fonte: SENAI-SP (2014)

Quando esses aparelhos são ligados corretamente, a quantidade de calor, luz


ou movimento produzida é exatamente aquela para a qual foram projetados. Por
exemplo, uma lâmpada de127 V/100 W ligada corretamente (em 127 V) produz
100 W em luz e calor. A lâmpada, nesse caso, está dissipando a sua potência nomi-
nal. Portanto, potência nominal é a potência para qual um consumidor foi proje-
tado. Enquanto uma lâmpada, um aquecedor ou um motor trabalham dissipando
sua potência nominal, sua condição de funcionamento é ideal.

CASOS E RELATOS

A crise do apagão foi uma crise nacional de fornecimento de energia elé-


trica ocorrida no Brasil entre os anos de 2001 e 2002. Ela afetou o forneci-
mento e a distribuição de energia elétrica e foi causada por falta de chuvas,
que deixaram várias represas de hidroelétricas abaixo do nível ideal para a
geração de eletricidade. Foram, então, estabelecidas metas de redução de
consumo e cada consumidor passou a ser responsável por atingi-las. Isso
obrigou os brasileiros a diminuírem seu consumo de energia elétrica, sob
ameaça de ter seu fornecimento de eletricidade suspenso.
A maneira encontrada foi o desligamento de aparelhos ou a substituição de
aparelhos eletrodomésticos antigos e com alto consumo de energia, como
freezers e refrigeradores com mais de dez anos de uso.
Por serem mais eficientes, os refrigeradores modernos com a mesma capaci-
dade têm fator de potência maior e consumo menor, podendo proporcionar
uma economia de até 30% da energia anteriormente consumida.
ELETRICIDADE GERAL
136

2
FORÇA ELETROMOTRIZ Até aqui aprendemos os principais conceitos e algumas aplicações de potên-
cia elétrica. A seguir aprenderemos sobre fonte de alimentação de corrente con-
Energia que o gerador
fornece ao circuito durante tínua (CC).
certo tempo.

7.5 FONTE DE ALIMENTAÇÃO DE CC

Estudaremos agora as fontes de alimentação CC que são denominadas gera-


dores de tensão. Um exemplo de gerador de tensão é a bateria que faz funcionar,
por exemplo, os telefones celulares.
É importante saber que o gerador ideal é aquele capaz de manter a tensão na
saída sempre constante, independentemente da corrente fornecida ao circuito
que está alimentando. No entanto, em um circuito real isso não acontece e uma
das causas é a resistência interna do gerador.
Para explicar o porquê disso, vamos usar uma bateria como exemplo de ele-
mento gerador. A figura a seguir mostra o interior de uma bateria elementar, cons-
tituída de eletrólito, de placas e de terminais e o seu circuito elétrico equivalente.

polo
negativo (-)
polo
positivo (+)
A
RI = resistência elétrica
interna da bateria
RI

F = força eletromotriz
H2SO4
gerada
E

zinco cobre

Figura 66 - Bateria elementar e diagrama elétrico


Fonte: SENAI-SP (2014)

No próximo item aprenderemos mais sobre essas fontes de alimentação CC.


7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
137

7.5.1 INFLUÊNCIA DA RESISTÊNCIA INTERNA NA TENSÃO DE SAÍDA DO


GERADOR

A bateria que gera internamente uma força eletromotriz2 possui uma resistên-
cia interna e tem capacidade de fornecer corrente.
Quando uma bateria está desligada do circuito, não existe circulação de cor-
rente elétrica em seu interior, portanto, não há queda de tensão na resistência
interna. Ao conectar um voltímetro aos terminais da bateria, ele indicará o valor
da força eletromotriz “E” que foi gerada.
No quadro a seguir, podemos observar que a tensão nos terminais da bateria é
igual à força eletromotriz (E) gerada quando o circuito está aberto (I = 0). Quando
o circuito está fechado existe uma queda de tensão na resistência interna (Ri) e,
como consequência, a tensão nos terminais da bateria é menor que a força ele-
tromotriz (E) gerada . As equações do circuito são obtidas aplicando a Segunda
Lei de Kirchhoff.
Observe, no próximo quadro, uma bateria em duas situações: com carga e sem
carga e o comportamento da tensão de sua saída.

Quadro 21 - Tensão nos terminais da bateria com e sem carga

A A Tensão do gerador
E = V + VRi
+ + + Tensão na resistência interna
Ri VRi Ri VRi = Ri x I
V H V H
Medida no - Tensão na lâmpada
- I - V = E - (Ri x I)
voltímetro
=E E E Resistência interna
B B E-V
Ri =
Circuito aberto: VAB = E Circuito fechado I

Observamos, por meio dessas imagens, duas situações:


a) uma bateria (com elementos E e Ri) em um circuito com um interruptor (em
aberto) alimentando uma lâmpada. Medindo-se entre os terminais da ba-
teria (A e B), obteve-se a sua tensão nominal (V = E), isso porque não circula
corrente no circuito. Em consequência, a queda de tensão na resistência
interna (Ri) da bateria é zero (VRi = 0).
b) o interruptor foi fechado. Com isso, passa a circular uma corrente no cir-
cuito, promovendo uma queda de tensão na resistência interna da bateria
(VRi ≠ 0) e, como consequência, a tensão nos terminais da baterias (A e B) é
menor que a sua tensão nominal (V < E).
ELETRICIDADE GERAL
138

7.5.2 RENDIMENTO DO GERADOR

O rendimento do gerador mede o seu desempenho. Ele corresponde à rela-


ção entre sua tensão de saída e sua tensão interna. Essa relação pode ser matema-
ticamente representada da seguinte forma:

n = VS ou Nessas fórmulas:
E n é o rendimento;
VS é a tenção de saída, nos terminais A e B; e
n = VS x 100 (%) E é a força eletromotriz.
E

Acompanhe um exemplo de aplicação.


Os terminais de um gerador alimentam uma lâmpada, pela qual passa uma
corrente de 1 A (I) e cujos terminais possuem a tensão de 100 V ( Vs). Sabendo dis-
so e que a resistência interna do gerador é de 25 Ω (Ri), qual é o seu rendimento
(η) e a sua força eletromotriz (E)?
O quadro a seguir mostra como calcular o rendimento passo a passo.

Quadro 22 - Cálculo do exercício de rendimento


Circuito elétrico queda de tensão na força eletromotriz
do exercício resitência interna total
VI = RI x I E = VS + VI
A VI = 25 x 1A E = 100V + 25V
VI = 25V E = 125V
Ri
V VI
25 H
100 V I rendimento
E 1A V
n = x 100% = 100 x 100%
E 125
B n = 0,8 x 100% n = 80%

O resultado mostra que esse gerador gera 125 V, mas consegue fornecer 80%
na sua saída. Os 20% restantes são perdas internas. Ou seja, aprendemos que o
rendimento é um parâmetro importante que indica a eficiência do gerador e de-
pende diretamente da sua resistência interna (Ri).
A seguir, vamos aprender em que condições um circuito deve operar para ob-
ter a máxima eficiência, isto é: a máxima transferência de potência.
7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
139

7.5.3 MÁXIMA TRANSFERÊNCIA DE POTÊNCIA

Quando se conecta uma carga a um gerador, deseja-se, em princípio, que toda


a energia fornecida pelo gerador seja transformada em trabalho útil na carga.
Mas, como vimos no exemplo de aplicação anterior, isso não acontece.
Devido à resistência interna existente no gerador, esse aproveitamento não
é possível, pois a corrente que circula pela resistência interna do gerador provoca
uma dissipação de potência em seu interior sob a forma de calor. Essa potência
tem seu valor determinado pela seguinte expressão.

Quadro 23 - Fórmula da dissipação de potência


na resistência interna do gerador e da carga

Circuito elétrico
gerador
A Potência dissipada na resistência interna (Ri) Potência dissipada na carga (RL)
PRi = I2 x Ri PRL = I2 x RL
Ri RL Sendo que: Sendo que:
• PRi é a potência dissipada na resistência interna; • PRL é a potência dissipada na carga;
E I • Ri é a resistência interna do gerador; • RL é a resistência elétrica da carga;
• I é a corrente fornecida pelo gerador. • I é a corrente fornecida pelo gerador.
B

Prova-se que, para se obter a máxima transferência de potência de um gera-


dor, é necessário que a resistência da carga (RL) seja igual à resistência interna do
gerador (Ri) à Ri = RL.

É comum que em materiais didáticos se fale muito sobre


SAIBA lâmpadas incandescentes. A chegada das lâmpadas
eletrônicas, muito mais econômicas, gera a pergunta: “Mas,
MAIS daqui a atrinta anos, o que teremos?”. Penquise na internet,
em jornais e em revistas e tire suas próprias conclusões
sobre o futuro do uso derssas lâmpadas.
ELETRICIDADE GERAL
140

RECAPITULANDO

Neste capítulo, você aprendeu que:


a) o trabalho elétrico, realizado pelo consumidor ou pela carga, é a trans-
formação de energia elétrica em outra forma de energia;
b) potência elétrica é a capacidade que cada consumidor possui para pro-
duzir um trabalho, em determinado tempo, a partir da energia elétrica.
Ela é representada pela seguinte fórmula:
c) a unidade de medida da potência elétrica é o watt, simbolizado pela
letra W;
d) um watt (1 W) corresponde à potência desenvolvida no tempo de um
segundo em uma carga alimentada por uma tensão de1 V, na qual circu-
la uma corrente de 1 A;
e) a potência elétrica (P) de um consumidor depende da tensão aplicada
e da corrente que circula nos seus terminais. Matematicamente, essa re-
lação é representada pela seguinte fórmula:
P=Vxl
f ) relação às Leis de Joule:
“A energia elétrica dissipada em uma resistência, num dado intervalo de
tempo Δt, é diretamente proporcional ao quadrado da intensidade de
corrente que o percorre”. Ou seja, P = R x I2;
“Quando a ddp é constante, a potência elétrica dissipada em uma resis-
tência é inversamente proporcional à sua resistência elétrica”,
V2
ou seja: P =
R
g) tensão nominal é a tensão de fabricação dos equipamentos que devem
ser ligados sempre à tensão correta (nominal), que normalmente é espe-
cificada no seu corpo;
h) limite de dissipação de potência é a máxima dissipação de potência
que a resistência pode realizar sem ser danificada;
i) resistência interna é a soma das resistências elétricas existentes dentro
do gerador; e
7 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CC
141

j) rendimento é a medida do desempenho do gerador. Ele corresponde à


relação entre sua tensão de saída e sua tensão interna. Matematicamente:
VS VS
= ou = x 100(10%)
E E

Esses conhecimentos são essenciais para interpretar o funcionamento de


circuitos eletroeletrônicos.
Magnetismo e Eletromagnetismo

Neste capítulo, vamos aprender que não poderíamos usufruir de nenhum aparelho que nos
ajuda a iluminar, a aquecer, a resfriar e, por que não, a alegrar nossas vidas, sem que grandes
cientistas tivessem dedicado sua energia criativa em estudos, na tentativa de explicar como a
eletricidade tem relação com o magnetismo.
Gilbert, Franklin, Orsted, Henry, Faraday e Maxwell são os nomes dos cientistas que muito con-
tribuíram nessa área da ciência. Você vai descobrir que não existiriam os motores, os geradores,
os transformadores e nem mesmo a produção de energia elétrica em larga escala, sem suas
descobertas sobre a interação da eletricidade com os ímãs.
Portanto, ao final dos estudos deste capítulo, você terá conhecimentos sobre:
a) o magnetismo e as características dos ímãs;
b) os polos magnéticos dos ímãs;
c) a interação que ocorre entre os ímãs;
d) o campo magnético que circunda os ímãs;
e) a densidade de fluxo de indução magnética e sua fórmula;
f ) o eletromagnetismo e como ele se manifesta;
g) o eletromagnetismo que explica os fenômenos magnéticos gerados pela circulação da
corrente elétrica por um condutor; e
h) as leis de Faraday e de Lenz.
Bom trabalho!
ELETRICIDADE GERAL
144

8.1 CONCEITO DE MAGNETISMO

Não é de agora que o magnetismo atrai a curiosidade humana. Desde a an-


tiguidade, chamava a atenção um material denominado magnetita, que tinha
a propriedade de atrair outros materiais. Hoje sabemos que a magnetita é um
composto de óxido de ferro (Fe3O4) que constitui um ímã natural.
O magnetismo é, portanto, uma propriedade de certos materiais que os torna
capazes de exercer uma atração sobre outros materiais, como o ferro, o aço, o
níquel, o cobalto e as ligas especiais.
É necessário diferenciar a força de atração magnética e a força do fenômeno
eletrostático de atração, que estudamos no capítulo 2.
Na força eletrostática, materiais atritados tendem a se atrair devido à movi-
mentação dos elétrons de um material (qualquer) para outro (qualquer). O efeito
eletrostático desaparece assim que as cargas elétricas dos dois materiais atingem
o equilíbrio. Assim, a atração que um pente atritado exerce sobre a água é um
fenômeno elétrico.
A força de atração magnética, ao contrário, é duradoura e própria de um pe-
queno grupo de materiais metálicos, como o ferro e o níquel. É muito importante
notar, porém, que nem todos os metais reagem às forças magnéticas da mesma
forma que os materiais ferrosos. Para que haja atração entre os materiais metáli-
cos é necessário que eles se transformem em ímãs.
A seguir aprenderemos as características dos ímãs e quais são os tipos disponíveis.

8.1.1 ÍMÃS

Um ímã é qualquer material que possui propriedades magnéticas, ou seja,


que tem a capacidade de atrair substâncias magnéticas, como os metais ferrosos
em geral.
Existem dois tipos de ímãs:
s ímãs naturais, que são materiais encontrados na natureza e que apre-
a) O
sentam propriedades magnéticas, por exemplo, a magnetita.
8 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
145

Figura 67 - Magnetita
Fonte: SENAI-SP (2014)

Uma característica desse tipo de ímã é que ele conserva permanentemen-


te a sua propriedade magnética.

b) Os ímãs artificiais são barras de materiais ferrosos, magnetizadas por pro-


cessos artificiais e cujos campos magnéticos podem ser temporários ou
permanentes.
Um exemplo de ímã permanente é aquele usado nos alto-falantes. Ele é
fabricado com uma liga de alumínio, níquel e cobre, que é conhecida como
ALNICO.
Em geral, os ímãs artificiais têm propriedades magnéticas mais intensas
que os ímãs naturais.
Os ímãs artificiais são muito empregados porque podem ser fabricados
nos mais diversos formatos, atendendo às mais variadas necessidades,
como é o caso do ímã de geladeira.

Figura 68 - Ímã artificial


Fonte: SENAI-SP (2014)

Já sabemos que os ímãs podem ser naturais e artificiais e que têm a capacida-
de de atrair materiais ferrosos. Saiba, no entanto, que eles têm outra característi-
ca: a de possuírem dois polos. É o que veremos a seguir.
ELETRICIDADE GERAL
146

8.1.2 POLOS MAGNÉTICOS DE UM ÍMÃ

As forças de atração magnética de um ímã manifestam-se com maior intensi-


dade nas suas extremidades, que são denominadas polos magnéticos. Cada um
deles – um chamado de polo sul e outro, de polo norte – apresenta propriedade
magnética específicas: as linhas magnéticas se dirigem do norte para o sul, confor-
me a figura a seguir.

S N

Figura 69 - Polos dos ímãs


Fonte: SENAI-SP (2014)

Essa figura ilustra um imã com os seus dois polos (norte e sul) e as linhas mag-
néticas e o seus sentidos.

Não devemos confundir os polos geográficos da Terra com os


polos magnéticos do planeta: eles estão próximos, mas não
coincidem nem em sua localização nem em sua denominação.
Pelo contrário: o polo magnético sul da Terra está próximo ao
VOCÊ seu polo norte geográfico e o polo magnético norte, por outro
lado, fica próximo ao polo sul geográfico. Isso significa que
SABIA? o norte magnético da agulha da bússola, ao apontar o polo
norte geográfico, está sendo atraído pelo polo sul magnético
da Terra. Isso é explicado pela propriedade da interação entre
ímãs, que diz que polos magnéticos diferentes se atraem.
Interessante, não é?

Aprendemos que os ímãs sempre apresentam dois polos, um norte e outro o


sul e que existem linhas magnéticas caminhando do norte para o sul. Se aproxi-
marmos dois ímãs, como irão interagir as linhas magnéticas que estão a sua volta?
É o que aprenderemos no próximo item.
8 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
147

8.1.3 INTERAÇÃO ENTRE OS ÍMÃS

Quando os polos magnéticos de dois ímãs estão próximos, suas forças


magnéticas reagem entre si de forma característica. Assim, se dois polos magné-
ticos diferentes forem aproximados (o norte de um com o sul do outro), haverá
uma atração entre os dois ímãs.

N S
Figura 70 - Representação da interação entre os ímãs
Fonte: SENAI-SP (2014)

Se dois polos magnéticos iguais forem aproximados (norte de um próximo ao


norte do outro), haverá uma repulsão.

N N

S S

Figura 71 - Representação da interação entre os ímãs


Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe na figura como as forças magnéticas interagem. Polos diferentes se


atraem e polos iguais se repelem.

A interação entre os ímãs foi aproveitada por cientistas


VOCÊ japoneses no desenvolvimento de trens que usam um
SABIA? sistema de suspensão eletrodinâmica (SED), que é baseado
na força de repulsão dos ímãs.

No próximo item, veremos uma ilustração mais realista da interação entre os


ímãs e que nome é dado à área de atuação do conjunto de linhas de força.
ELETRICIDADE GERAL
148

8.1.4 CAMPO MAGNÉTICO – LINHA DE FORÇAS

O espaço ao redor do ímã em que há a atuação das forças magnéticas é chama-


do de campo magnético. Os efeitos de atração ou repulsão entre dois ímãs ou de
atração de um ímã sobre os materiais ferrosos ocorrem devido à existência desse
campo magnético.
Para facilitar o estudo do campo magnético, admite-se a existência de linhas
de indução magnética ao redor do ímã. São linhas invisíveis, mas que podem ser
percebidas colocando-se um ímã sob uma lâmina de vidro e espalhando limalha
de ferro sobre ela. As limalhas orientam-se conforme as linhas de força magnética.
Trata-se de uma energia que não se vê e que faz com que as limalhas de ferro
se agrupem para formar linhas curvas. Elas demonstram o poder que os ímãs têm
de atrair partículas de ferro mediante essa força invisível.
A Figura 72 mostra como a limalha (pontos escuros) permite visualizar as li-
nhas de força do campo magnético.

limalha de ferro, mostrando campo magnético de um ímã

campo faz uma curva


saindo do polo
norte ao polo sul

N S

campo concentra campo concentra


mais nas pontas mais nas pontas
no centro temos a linha neutra
onde o campo é nulo
Figura 72 - Linhas de indução magnética
Fonte: SENAI-SP (2014)

Identifique, na figura, o comportamento das linhas de forças magnéticas de


um ímã. Elas têm um sentido do polo norte para o sul, são mais densas nos polos
e na região central as linhas de forças são nulas.
Um campo magnético é formado por linhas de força. O conjunto de linhas de
força é conhecido como fluxo magnético. Para sabermos o número de linhas de
força do campo magnético em uma determinada área, basta conhecermos a densi-
dade do fluxo magnético nesse ponto, assunto que estudaremos no próximo item.
8 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
149

8.1.5 DENSIDADE DE FLUXO DA INDUÇÃO MAGNÉTICA

Em um ímã, o fluxo da indução magnética é a quantidade total de linhas de


indução (força) magnética que constituem seu campo magnético. É representado
graficamente pela letra grega φ (lê-se “fi”).
O fluxo das linhas de indução magnética é uma grandeza e, como tal, pode ser
medido. No Sistema Internacional de Medidas (SI), sua unidade de medida é o we-
ber (Wb). No Sistema Centímetro-Grama-Segundo (CGS) de medidas, sua unidade
é o maxwell (Mx).

VOCÊ Por transformar weber em maxwell, usa-se a seguinte


SABIA? relação: 1 Mx = 10-8 Wb.

Vamos agora apresentar um parâmetro muito utilizado no magnetismo que é


a “densidade do fluxo magnético”.
A densidade do fluxo da indução magnética é o número de linhas de indu-
ção magnética que atravessam uma seção transversal do campo magnético de
área unitária, ou seja, um centímetro quadrado.

N
seção
fluxo
transversal
total

m
1 cm 1c
S
Figura 73 - Representação esquemática da densidade do fluxo
Fonte: SENAI-SP (2014)

A densidade do fluxo é representada graficamente pela letra B. Sua unidade


de medida no sistema SI é o tesla (T) e no CGS é o gauss (G). Ela é calculada por
esta fórmula:
ELETRICIDADE GERAL
150

VOCÊ Para trsnsformar gauss em tesla, usa-se a seguinte relação:


SABIA? 1 G = 10-4T.

O fenômeno do magnetismo pode aparecer e desaparecer de acordo com o


movimento de elétrons em um condutor. O ramo da ciência que estuda esse fenô-
meno é o eletromagnetismo. A seguir aprenderemos mais a respeito.

8.2 ELETROMAGNETISMO

Eletromagnetismo é um fenômeno magnético provocado pela circulação


de uma corrente elétrica. O termo eletromagnetismo aplica-se a todo fenômeno
magnético que tenha origem em uma corrente elétrica. Nos próximos subitens
aprenderemos como ele ocorre.

8.2.1 CAMPO MAGNÉTICO EM UM CONDUTOR

Quando colocamos uma bússola próxima a um condutor que está sendo per-
corrido por uma corrente elétrica, seu ponteiro, que inicialmente estava orientado
para o norte geográfico da Terra, muda de direção, mostrando que a corrente elé-
trica cria um campo magnético.

Figura 74 - Campo magnético B em condutor sendo percorrido por corrente elétrica


Fonte: SENAI-SP (2014)

Você pode, então, estar se perguntando: qual é o sentido de deslocamento


das linhas de indução magnética do campo magnético? Para responder a essa
pergunta, vamos utilizar a regra da mão direita, conforme mostra a figura a seguir.
8 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
151

i i
B

(a) (b)

Figura 75 - Regra da mão direita


Fonte: SENAI-SP (2014)

Quando envolvemos o condutor com a mão direita, conforme a figura, o po-


legar indica o sentido da corrente elétrica que está percorrendo o fio. Enquanto
isso, os demais dedos estão dobrados, envolvendo o condutor e indicando o polo
norte magnético gerado pela corrente elétrica.

8.2.2 CAMPO MAGNÉTICO EM UMA BOBINA

Para que possamos obter um efeito prático em termos de trabalho elétrico, um


campo magnético produzido por um condutor é fraco e necessita de altas correntes.
No entanto, para obter campos magnéticos de maior intensidade a partir da
corrente elétrica, basta enrolar o condutor em forma de espiras, constituindo
uma bobina. A figura a seguir mostra uma bobina e seus respectivos símbolos,
conforme determina a NBR 12521.

Bobina, enrolamento Símbolo Símbolo


ou indutor (forma preferida) (outra forma)

Figura 76 - Símbolos de bobinas


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
152

1
GALVANÔMETRO As bobinas possibilitam um aumento dos efeitos magnéticos gerados em cada
uma das espiras. A figura a seguir mostra uma bobina constituída por várias es-
Instrumento de grande
sensibilidade que permite piras, ilustrando o efeito resultante da soma dos efeitos magnéticos individuais.
a medição e percepção de
fluxo de elétrons (corrente
elétrica), por ação de um
campo magnético.

N S

I
I
Figura 77 - Representação da soma dos efeitos magnéticos em uma bobina
Fonte: SENAI-SP (2014)

É importante observar que os polos magnéticos formados pelo campo mag-


nético de uma bobina têm características semelhantes àquelas dos polos de
um ímã natural. Além disso, a intensidade do campo magnético em uma bobina
depende diretamente da intensidade da corrente e do número de espiras.
Quando uma bobina tem um núcleo de material ferroso, seu símbolo, segun-
do a NBR 12521, expressa essa condição, como ilustra a figura a seguir:

Indutor com núcleo Núcleo de ferrite com


magnético um enrolamento

Figura 78 - Símbolo de um indutor


Fonte: SENAI-SP (2014)

A Figura 76 e a Figura 78 mostram as representações simbólicas de alguns ti-


pos de componentes que geram comportamento magnético e que devem ser
utilizados em esquemas elétricos, quando necessário.
Até agora aprendemos a respeito das principais características do magnetismo
e do eletromagnetismo. Grande parte desses conhecimentos devemos ao traba-
lho árduo de um grande cientista que deixou um legado para a ciência chamado
“as leis de Faraday”. A seguir aprenderemos mais a esse respeito.
8 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
153

8.2.3 LEI DE FARADAY

Já sabemos que a circulação de uma corrente elétrica produz um campo mag-


nético. Mas, a variação do campo magnético através de um condutor produz uma
corrente elétrica? Michael Faraday provou que sim.

SAIBA Pesquise na internet sobre as leis de Faraday e descubra


MAIS quais os caminhos que ele percorreu para chegar a essa lei.

A Lei de Faraday diz que “se o fluxo do campo magnético através da superfície
limitada por um circuito varia com o tempo, aparece nesse circuito uma força ele-
tromotriz (fem) induzida” (PALANDI,2013). A figura a seguir mostra a variação do
fluxo magnético pelo deslocamento do ímã.

N S N S N S

0 +A ímã dentro 0
ímã parado ímã parado
corrente 0A do condutor corrente 0A
corrente +A

N S N S

–A ímã fora do 0
ímã parado
condutor corrente 0A
corrente –A

Figura 79 - Comprovação da Lei de Faraday (circuito com condutor sem fonte de alimentação)
Fonte: SENAI-SP (2014)

Nessa figura, temos um ensaio da comprovação das leis de Faraday, por meio
de cinco momentos:
a) O galvanômetro1 mostra corrente zero no circuito. Isso ocorre devido ao
ímã estar em repouso e, como consequência, não haver variação do campo
magnético sobre a espira.
b) O movimento do ímã para a esquerda, por meio da espira, cria uma vari-
ação do campo magnético e, como consequência, induz uma corrente elé-
trica na espira em um sentido, conforme indica o galvanômetro.
c) D
eixando de movimentar o ímã por meio da espira, deixa de existir aí vari-
ação do campo magnético e, como consequência, deixa de induzir corrente
e o galvanômetro volta a marcar corrente zero.
ELETRICIDADE GERAL
154

2
CONTRAELETROMOTRIZ d) O movimento do ímã para a direita, por meio da espira, cria aí uma variação
do campo magnético e, como consequência, induz uma corrente elétrica
Força contrária à força
aplicada. na espira em um sentido contrário ao anterior, conforme indica o galva-
nômetro.
e) Deixando de movimentar o ímã novamente por meio da espira, deixa de
existir aí variação do campo magnético e, como consequência, não ocorre a
indução de corrente na espira e o galvanômetro volta a marcar corrente zero.

CASOS E RELATOS

O poder do campo magnético


Soldar é uma tarefa repetitiva e penosa que envolve riscos à saúde. Por isso,
as grandes montadoras de veículos usam robôs para soldar as carrocerias
dos automóveis.
A soldagem acontece quando ocorre um breve curto-circuito controlado,
em um ponto da carroceria que será soldado. No momento desse curto,
a corrente pode chegar a 200 A para uma chapa de 1,5 mm e, por causa
dessa corrente, forma-se um campo magnético no local em que é feita a
soldagem.
Em uma siderúrgica, o operador principal de um equipamento de solda-
gem teve um problema cardíaco e precisou colocar um marca-passo.
O equipamento por ele operado tinha a função de soldar, sem falhas, cha-
pas de 10 mm de espessura por 2000 mm de comprimento. Por causa da
grande espessura das chapas a serem soldadas, a corrente atingia o valor
de 70.000 A. Com essa corrente, o campo magnético gerado era capaz de
apagar temporariamente os monitores dos computadores usados para o
monitoramento da soldagem que estavam a cinco metros do equipamento.
Diante disso, como medida de segurança, pois havia risco à saúde do fun-
cionário, ele foi afastado da sua função, já que o campo magnético no local
poderia afetar o funcionamento de seu marca-passo.
8 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
155

De acordo com Faraday, a variação do campo magnético em um condutor cau-


sa a indução de uma corrente elétrica. Entretanto, foi outro grande cientista que
definiu qual o sentido dessa corrente por meio da lei de Lenz, que conheceremos
no próximo item.

8.2.4 LEI DE LENZ

Faraday foi o primeiro a produzir uma força eletromotriz induzida e a determi-


nar o seu valor, porém, foi pela Lei de Lenz que se determinou seu sentido.
Por essa lei, estabeleceu-se que o sentido de uma força eletromotriz induzida
é tal que a corrente induzida ocorre sempre de forma a contrariar a variação da
grandeza que a produziu.
Isso quer dizer que o sentido da corrente é o oposto da variação do campo
magnético que lhe deu origem. A figura a seguir ilustra o que diz o enunciado da
Lei de Lenz.

1 2
Δt
G
i
S ímã N
B ΔB
B'

Figura 80 - Comprovação da Lei de Faraday (circuito com condutor sem fonte de alimentação)
Fonte: SENAI-SP (2014)

Se o ímã for movimentado da posição 1 para a posição 2 em um tempo Δt, o


campo magnético que atravessa a espira passa de b para + Δb, pois há um maior
número de linhas de indução por unidade de área para a posição mais próxima,
gerando uma corrente induzida.
Como consequência, a corrente induzida produz um campo b’, oposto à varia-
ção, ou seja, b’ = − Δb.
O sentido da corrente I na espira pode ser encontrado pela regra da mão direita.
Devido à ação de oposição ao fenômeno gerador, a força eletromotriz induzi-
da é, algumas vezes, denominada força contraeletromotriz2.
ELETRICIDADE GERAL
156

Quando um motor de corrente alternada começa a girar, a


tensão é aplicada em sua parte externa, que são as bobinas. A
parte rotativa, ou seja, aquela que realmente gira, não possui
nenhum fio de alimentação.
VOCÊ Para que a parte rotativa gire, o campo vindo das bobinas faz
SABIA? com que sua parte metálica crie um campo contrário e a partir
daí comece a girar.
Esse campo contrário é o que chamamos de força
contraeletromotriz, que é uma força contrária à força aplicada.

Você provavelmente já ouviu falar que pessoas que


usam muito o celular podem comprometer a saúde. Essa
preocupação deve-se ao fato de que o campo magnético
FIQUE gerado pelo aparelho está muito próximo ao cérebro.
A polêmica “o campo magnético pode ou não causar
ALERTA doenças” é muito antiga. Até hoje não houve fortes
evidências que comprovassem essa relação. No entanto,
seguindo os ensinamentos de um ditado popular, que diz
“onde a fumaça há fogo”, é bom ficar alerta.

RECAPITULANDO

Neste capitulo, você estudou que:


a) o magnetismo é uma propriedade de certos materiais que os torna ca-
pazes de exercer uma atração sobre materiais ferrosos;
b) os ímãs são materiais com propriedades magnéticas. Eles podem ser na-
turais ou artificiais e têm dois polos em suas extremidades: o polo norte
e o polo sul, em que se concentram as forças magnéticas do ímã, en-
quanto na região central está a linha neutra, na qual as forças de atração
se anulam;
c) polos diferentes se atraem e polos iguais se repelem;
d) no campo magnético e no espaço ao redor do ímã há a atuação das for-
cas magnéticas;
e) o fluxo da indução magnética e a quantidade total de linhas de um
ímã constituem o campo magnético;
f ) a densidade do fluxo da indução magnética é calculada pela fórmula
b= e sua unidade de medida é o tesla (T);
8 MAGNETISMO E ELETROMAGNETISMO
157

g) eletromagnetismo é o fenômeno magnético provocado pela circu-


lação de uma corrente elétrica em um condutor, que gera um campo
magnético formado por linhas magnéticas;
h) para obter campos magnéticos de maior intensidade a partir da cor-
rente elétrica, basta enrolar o condutor em forma de espiras, constituin-
do uma bobina;
i) a Lei de Faraday estabeleceu que a corrente que circula pela espira é
denominada corrente induzida, já que é produzida por uma força eletro-
motriz (fem) induzida Ve; e
j) a Lei de Lenz estabeleceu que o sentido da corrente elétrica induzida
comporta-se de tal maneira que o campo magnético criado por ela
opõe-se à variação do campo magnético que a produziu.
Corrente Alternada

Nos capítulos iniciais deste livro, estudamos a tensão, a corrente e o circuito elétrico. Nos
capítulos seguintes, vimos sobre a resistência elétrica e os resistores. Portanto, você já estudou
sobre como a tensão faz a corrente circular pelo circuito e também a maneira como as cargas
estão dispostas – em série, em paralelo ou mistas (em série e em paralelo) – e como isso in-
fluencia na quantidade de energia que cada componente do circuito recebe.
Isso tudo foi estudado em circuitos simples, alimentados por corrente contínua. Neste capí-
tulo, estudaremos um assunto de fundamental importância para todos os profissionais da área
eletroeletrônica, particularmente àqueles que se dedicarão à manutenção elétrica: a corrente
e a tensão alternadas monofásicas.
Veremos como a corrente é gerada e como é a forma de onda senoidal por ela manifestada.
Além disso, estudaremos um parâmetro muito importante para dimensionar circuitos para o
funcionamento dos mais variados equipamentos elétricos: a potência elétrica em corrente al-
ternada.
Assim, ao final deste capítulo, você saberá:
a) o que são corrente e tensão alternadas monofásicas;
b) o que é frequência de uma corrente (ou tensão) alternada;
c) identificar a unidade de medida da frequência, seus múltiplos e submúltiplos;
d) fazer as conversões entre a unidade, múltiplos e submúltiplos;
e) identificar o instrumento de medida de frequência;
f ) reconhecer a tensão e a corrente de pico em sinal alternado;
g) o que são tensão e corrente eficazes e como calculá-las; e
h) o que são tensão e corrente média e como calculá-las.
Esse conteúdo é muito importante para que você saiba interpretar o funcionamento de
circuitos elétricos.
ELETRICIDADE GERAL
160

9.1 CORRENTE E TENSÃO ALTERNADAS MONOFÁSICAS

Até agora, todos os circuitos que estudamos tinham como fonte de tensão
uma bateria que gerava corrente contínua, a qual circula, como mostram os cir-
cuitos representados a seguir.

Figura 81 - Circuitos de corrente contínua


Fonte: SENAI-SP (2014)

Nesses dois circuitos, a corrente elétrica que passa entre os pontos “A” e “B” va-
ria de direção conforme a posição da bateria no circuito. Essa é a principal carac-
terística da tensão alternada: muda constantemente de polaridade. Isso provoca
nos circuitos um fluxo de corrente, ora em um sentido, ora em outro.
A tensão alternada é a energia que a concessionária fornece aos consumidores
(indústrias, residências etc.). Ela tem como característica a forma de onda e sua
representação simbólica está indicada na figura a seguir.

Ângulos de
Rotação (o)

Figura 82 - Forma de onda do gerador AC e sua representação simbólica


Fonte: SENAI-SP (2014)

A forma de onda é senoidal e o seu ciclo se repete por 60 vezes por segundo,
que é o padrão de produção energética gerada pelas usinas no Brasil. Em um cir-
cuito elétrico, o gerador de tensão no ciclo positivo vai fazer circular a corrente
em um sentido, quando o ciclo da tensão fica negativo (portanto se inverte). Isso
significa que ele vai fazer a corrente circular em sentido contrário, como podemos
ver na figura seguir.
9 CORRENTE ALTERNADA
161

Figura 83 - Sentido da corrente em um circuito com gerador em tensão alternada


Fonte: SENAI-SP (2014)

O número de vezes que a tensão ou corrente varia por segundo é um parâme-


tro importante para diversas aplicações. Por exemplo: os celulares comunicam-se
com as estações rádios base com variações muito rápidas de sinais, a cada segun-
do. Entretanto, a variação do sinal de energia elétrica que você recebe em sua
casa varia pouco em cada segundo. Essa variação do sinal no tempo é batizada de
frequência, que veremos a seguir.

9.2 FREQUÊNCIA DE UMA CORRENTE (OU TENSÃO) ALTERNADA

Na seção anterior, apareceram algumas palavras novas: ciclo, onda, senóide,


período. Vamos ver o que elas significam?
Um ciclo corresponde a todos os valores produzidos pelo movimento dos con-
dutores da espira, quando eles cortam o campo magnético nos dois sentidos, de
maneira a formar uma senóide. O ciclo também pode ser chamado de onda ou
onda completa.
Meio-ciclo, meia-onda ou alternância são os nomes que se dão à metade
dos valores produzidos.
Matematicamente, dizemos que uma alternância sobre o eixo de referência é
positiva e a outra é negativa.
Se o condutor continuar girando no campo magnético com velocidade uni-
forme, outros ciclos serão produzidos. O número de ciclos produzidos em uma
unidade de tempo é chamado de frequência (f).
O período (T) de uma tensão, ou corrente alternada, é o tempo necessário
para completar um ciclo. Ele é o inverso da frequência e a sua unidade é s (se-
gundos). A fórmula para o cálculo do período é:
1
T=
f
ELETRICIDADE GERAL
162

Sendo que:
a) T é o período em segundos (s); e
b) f é a frequência em hertz (Hz).
A frequência elétrica é uma grandeza física que precisa ser identificada e quan-
tificada. A seguir, você vai saber como ela é identificada e quais são os seus múl-
tiplos e submúltiplos.

9.2.1 UNIDADE DE MEDIDA DE FREQUÊNCIA

A frequência é expressa em uma unidade chamada hertz (Hz), que correspon-


de a ciclos por segundo (c/s). Como toda unidade de medida, o hertz apresenta
fatores multiplicadores (múltiplos e submúltiplos), sendo que os mais utilizados
estão na tabela a seguir.

Tabela 20 - Múltiplos e submúltiplos de hertz

Na eletricidade, utilizamos frequentemente a unidade (Hz) e em eletrônica,


seus múltiplos megahertz e quilohertz e o submúltiplo milihertz.
A conversão de valores é feita de forma semelhante às outras unidades de me-
dida. Os passos são os mesmos da conversão de valores do volt, que já vimos no
capítulo 2. Usaremos, também, o mesmo tipo de tabela:

Tabela 21 - Gabarito de conversão de valores de frequência

Suponha que você precise converter megahertz (MHz) em quilohertz (kHz) e


a medida que você tem é 63,7 MHz. Para usar o quadro, proceda da seguinte
maneira:
9 CORRENTE ALTERNADA
163

a) C
oloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, nesse
caso, é o megahertz. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após
o megahertz. Observe que cada coluna identificada está subdividida em
três casas na próxima linha.

b) Mude a posição da vírgula para a direita. O novo valor gerado aparecerá


quando a primeira casa abaixo da coluna do quilohertz estiver preenchida.

Após preencher a tabela, o valor convertido será: 63,7 MHz = 63700 kHz.

O nome Hertz, dado a unidade de medida de frequência,


é uma homenagem ao físico alemão Heinrich Hertz. Esse
nome sibstituiu a sigla de ciclos por segundo (CPS) apenas na
VOCÊ década de 1970, embora já tivesse sido estabelecido como
SABIA? designbação da unidade pela International Electrotechnical
Commission (IEC) em 1930 e adotado em 1960 durante a
Conférence Générale des poids et mesures (Conferência geral
de pesos e medidas).

Pesquise em um site de busca a biografia de Heinrich


SAIBA Hertz. É sempre inspirador ler sobre a vida dos cientistas,
MAIS pois é graças a eles que nosso dia a dia é cada vez mais
confortável e no ssa qualidade de vida melhora.

No próximo item vamos aprender qual é o instrumento de medição que você


deve utilizar para medir uma frequência.
ELETRICIDADE GERAL
164

1
OSCILOSCÓPIO 9.2.2 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO DE FREQUÊNCIA
Equipamento de medição.
Entre as suas diversas
O frequencímetro, alguns tipos de multímetros digitais e o osciloscópio1 são
funções, permite visualizar instrumentos de medição de frequência. O osciloscópio tambem permite que a
a forma de onda do sinal no
domínio do tempo. forma de onda seja visualizada em uma tela.

SAIBA Pesquise na internet sobre os osciloscópios analógicos e


MAIS digitais e suas funcionalidades.

Os sinais senoidais têm alguns pontos que devem ser destacados, pois são
importantes na hora de fazermos alguns cálculos, em que grandezas com esses
tipos de sinais estão envolvidas. A seguir, vamos conhecer cada um deles.

9.3 O VALOR DE PICO E O VALOR DE PICO A PICO DA TENSÃO ALTERNADA


SENOIDAL

Tensão de pico é o valor máximo que a tensão atinge em cada semiciclo. A


tensão de pico é representada pela notação Vp.

Figura 84 - Tensão de pico


Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe que, nessa figura, aparecem a tensão de pico positivo e a tensão


de pico negativo, sendo que o valor de pico negativo é numericamente igual ao
valor de pico positivo. Assim, a determinação do valor de tensão de pico pode ser
feita em qualquer um dos semiciclos.
Conhecer a tensão de pico é importante para dimensionar os componentes de
qualquer circuito eletroeletrônico. A tensão de pico a pico da CA senoidal é o va-
lor medido entre o pico positivo e o negativo de um ciclo e é representada pela
notação Vpp, considerando-se os dois semiciclos → Vpp = 2 x Vp.
9 CORRENTE ALTERNADA
165

Da mesma forma que as medidas de pico e de pico a pico aplicam-se à tensão


alternada senoidal, aplicam-se também à corrente alternada senoidal. A figura
a seguir mostra um sinal de corrente senoidal, em que é destacada a corrente de
pico (Ip) e pico a pico (Ipp).

Figura 85 - Medidas de pico a pico aplicam-se à corrente alternada senoidal


Fonte: SENAI-SP (2014)

Sendo que:
a) Ip é a corrente de pico; e
b) Ipp é a corrente de pico a pico.
Quando há uma tensão ou corrente alternada do tipo senoidal, representa-
da num gráfico, é possível observar que o valor varia a cada instante. Assim, de
imediato surgirá a dúvida: “Como podemos calcular a potência se a tensão e a
corrente variam a cada instante?” É o que aprenderemos a fazer no próximo item.

9.4 TENSÃO E CORRENTES EFICAZES

Quando uma tensão contínua é aplicada sobre um resistor, a corrente que


circula por ele possui um valor constante. Isso quer dizer que a dissipação de
potência no resistor (que é dada pela fórmula P = V x I) apresenta um desprendi-
mento constante de calor. Isso pode ser observado na figura a seguir.

Figura 86 - Potência elétrica na carga com um gerador em tensão contínua


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
166

Vamos trocar o gerador de tensão contínua por um gerador de tensão alter-


nada. Aqui vem a pergunta: qual a tensão que ele deve ter para dissipar a mesma
potência no resistor?
Chamaremos de “tensão eficaz” (Vef ) a tensão aplicada e a corrente que circu-
la de corrente eficaz (Ief ). Provaremos que, se Vp (máximo pico da tensão alterna-
da aplicada) for dividido por raiz quadrada de 2, obtém-se a tensão eficaz (Vef ),
que é expressa pela fórmula:

Vp
Vef =
2

Sendo que:
a) Vef é o valor da tensão elétrica eficaz;
b) Vp é o valor da tensão elétrica de pico.
Da mesma forma, a corrente eficaz é expressa pela fórmula:

lef = Ip / 2

Sendo que:
a) Ief é o valor da corrente elétrica eficaz;
b) Ip é o valor da corrente elétrica de pico.
Desse modo, para dissipar a mesma potência no resistor, a tensão eficaz deve
ter o mesmo valor da tensão da fonte contínua, ou seja, Vac = 12 Vef . Então, a
máxima tensão da senóide que é a tensão de pico (Vp) é igual a:

Vp
Vef = → Vp = Vef x 2 = 12 x 2 = 16, 97V
2

A figura a seguir mostra o circuito e as suas formas de onda.

A = 16,9 V

Figura 87 - Potência na carga com gerador em tensão alterada


Fonte: SENAI-SP (2014)
9 CORRENTE ALTERNADA
167

Quando usamos como instrumentos de medição o voltímetro e o amperíme-


tro, as leituras que obtemos são, respectivamente, a tensão e a corrente eficazes
que alimentam o circuito de CA.
Existe uma relação constante entre o valor eficaz ou valor Root Mean Square
(RMS) – termo que podemos traduzir para o português como valor quadrático
médio – de uma CA senoidal; então Vef = Vrms e Ief = Irms.
Veja um exemplo de cálculo com a aplicação dessas fórmulas! Para um valor
de pico (Vp) de 180 V, a tensão eficaz será:

Vp 180 180
Vef = = = =127,28 V ou
2 2 1, 41
Vef = 0,707 x Vp = 0,707 x 180 =127,26 V

Assim, para um valor de pico de 180 V, teremos uma tensão eficaz de 127,26 V.

Quando medimos sinais alternados (senoidais) com


VOCÊ um multímetro, este deve ser aferido em 60 Hz, que é
a frequência das redes das concessionárias de energia
SABIA? elétrica no Brasil. Assim, os valores eficazes medidos com
multímetro são válidos apenas para essa frequência.

O cálculo de valores de corrente eficaz é feito quando houver a necessidade


de montar os dispositivos de proteção de máquinas elétricas.
Agora já sabemos como calcular a potência, quando os sinais são do tipo se-
noidais. Entretanto, existe outro ponto a ser destacado em um sinal senoidal que
é o ponto médio. A seguir vamos aprender como calculá-lo.

A corrente alternada é mais perigosa que a corrente


FIQUE contínua, uma vez que provoca contrações musculares
ALERTA tetânicas, que impedem a vítima de afastar-se da fonte de
energia.
ELETRICIDADE GERAL
168

RECAPITULANDO

Neste capítulo, aprendemos que:


a) a corrente alternada é uma corrente elétrica cujo sentido varia com o
tempo;
b) o ciclo é o valor produzido pelo movimento do condutor (no campo
magnético) nos dois sentidos;
c) o ciclo forma a senóide e também tem o nome de onda ou onda com-
pleta;
d) a metade da senóide tem o nome de meio-ciclo, meia-onda ou alter-
nância;
e) a frequência (f ) é o número de ciclos produzidos na unidade de tempo;
f ) o período (T) é o tempo necessário para completar um ciclo. Ele é o
inverso da frequência e a sua unidade é s (segundos);
g) a tensão de pico é o valor máximo que a tensão atinge em cada semici-
clo. A tensão de pico é representada pela notação Vp;
h) a tensão de pico a pico da CA senoidal é o valor medido entre os picos
positivo e negativo de um ciclo. A tensão de pico a pico é representada
pela notação Vpp; e
i) a tensão eficaz de uma CA senoidal é um valor que indica a tensão (ou
corrente) contínua correspondente a essa CA em termos de produção
de trabalho.
Esses conhecimentos são muito importantes para que você saiba interpre-
tar o funcionamento de circuitos elétricos.
9 CORRENTE ALTERNADA
169

Anotações:
Capacitores

10

Até este momento, estudamos dispositivos considerados resistivos, ou seja, aqueles que
oferecem resistência à passagem de corrente elétrica, mantendo o seu valor ôhmico constan-
te, tanto para a corrente contínua (CC) como para corrente alternada (CA).
Neste capítulo, estudaremos um componente reativo chamado capacitor. Um componen-
te reativo é aquele que reage às variações de corrente, gerando um efeito resistivo. A resistên-
cia ôhmica desse efeito varia conforme a velocidade da variação da corrente aplicada.
Os capacitores são componentes empregados nos circuitos eletroeletrônicos. Eles podem
cumprir funções de armazenar cargas elétricas. Além disso, são muito utilizados na correção
do fator de potência.
Estudaremos a constituição, os tipos e as características dos capacitores, bem como a capa-
citância, que é a característica mais importante desse componente.
Assim, ao fim do estudo deste capítulo, você poderá:
a) conceituar capacitor;
b) identificar o seu símbolo, assim como suas características de carga e descarga;
c) conhecer o conceito de capacitância e sua unidade de medida;
d) identificar o equipamento de medida do capacitor;
e) conhecer a tensão de trabalho do capacitor na associação em paralelo;
f) conhecer a tensão de trabalho do capacitor na associação em série;
g) calcular a capacitância da associação em paralelo;
h) calcular a capacitância total na associação em série de capacitores;
i) conhecer o conceito de reatância capacitiva e o seu funcionamento em CA; e
j) conhecer a relação entre a tensão e a corrente CA e a reatância capacitiva.
Esses conhecimentos são importantes para que você compreenda o funcionamento de cir-
cuitos eletroeletrônicos.
Bons estudos!
ELETRICIDADE GERAL
172

10.1 CONCEITO DE CAPACITOR

O capacitor é um componente que tem como finalidade armazenar cargas elé-


tricas. Ele compõe-se basicamente de duas placas condutoras, denominadas de
armaduras, que são feitas por um material condutor que é eletricamente neutro.
Em cada uma das armaduras, o número total de prótons e elétrons é igual.
Isso significa que as placas não têm potencial elétrico e que, entre elas, não há
diferença de potencial.
Essas placas são isoladas eletricamente entre si por um material isolante cha-
mado dielétrico. A cerâmica, o poliéster, o tântalo, a mica, o óleo mineral e as solu-
ções eletrolíticas são exemplos de materiais dielétricos.

Ainda existem capacitores antigos, instalados e


VOCÊ funcionando cujo dielétrico é o óleo ascarel. O uso do
SABIA? ascarel está proibido pela portaria Interministerial nº 19, de
29 der janeiro de 1981, por ser um produto cancerígeno.

Ligados a essas placas condutoras estão os terminais para conexão com outros
componentes.
A figura a seguir mostra a representação esquemática das características cons-
trutivas de um capacitor.

terminal
(condutor)
terminal
(condutor)

armadura
armadura (condutor)
(condutor)
dielétrico
(isolante)
Figura 88 - Ilustração mecânica de um capacitor
Fonte: SENAI-SP (2014)
10 CAPACITORES
173

A utilização dos capacitores está relacionada ao material com o qual o dielétri-


co é fabricado. Veja-os no quadro a seguir.

Quadro 24 - Características dos capacitores e sua utilização

Em circuito de corrente contínua, o capacitor não permite a passagem da cor-


rente, diferentemente dos circuitos de correntes alternadas pelos quais o capaci-
tor permite a passagem da corrente. Como todo componente de circuitos, é re-
presentado por símbolos normalizados.

+ + +

Capacitor não polarizado Capacitor polarizado

Figura 89 - Representações simbólicas de capacitores polarizados e não polarizados


Fonte: SENAI-SP (2014)

As diferenças entre os capacitores não polarizados e os polarizados são resul-


tantes do material usado em seu dielétrico, que determina sua utilização nos cir-
cuitos. Veja a seguir.
a) Capacitores não polarizados são componentes cujo dielétrico pode
ser de cerâmica ou poliéster, que são materiais que permitem a mudança
de polaridade. Por isso, são usados em circuitos de CA, como os de venti-
ladores, de refrigeradores e de aparelhos de ar condicionado que possuem
motores monofásicos com capacitores. Os valores para esses capacitores
são muito baixos, pertencendo à ordem micro, nano e picofarads.
ELETRICIDADE GERAL
174

b) Capacitores polarizados possuem o dielétrico composto por uma fina


camada de óxido de alumínio ou tântalo para aumentar sua capacitância.
São usados em circuitos alimentados por corrente contínua e também em
temporizadores e em filtros de fonte CC.

Na indústria, os capacitores têm diversas aplicações,


SAIBA sendo que uma delas, muito importante, é a correção do
MAIS fator de potência. Faça uma pesquisa e veja como esse
componente ajuda no controle da potência reativa.

A seguir vamos saber um pouco mais a respeito do capacitor, aprendendo


como é seu processo de carga e descarga.

10.2 CARACTERÍSTICAS DE CARGA E DESCARGA DO CAPACITOR

A utilização dos capacitores no circuito deve-se a uma característica muito im-


portante: a capacidade de se carregar e de se descarregar.
As quatro figuras a seguir, mostram o capacitor descarregado (1); no estado se-
guinte ele se carrega (2); na próxima, ele mantém a energia (3); e na fase final ele
se descarrega (4). Os estados variam em função dos estados das chaves CH1 e CH2.

Capacitor descarregado Carga do capacitor


1 C1 2 C1

V
elétrons

V
R R
elétrons

CH1 CH1

CH2 CH2

VG VG
- V = 0 (tensão no capacitor) - Quando CH2 fecha, os elétrons da armadura
- Tensão da bateria é VG vão para o polo (+) da bateria e os elétrons do
- CH1 = CH2 = OFF (abertas) polo (-) da bateria vão para o outro lado da
- Não tem fluxo de elétrons armadura, essa transferência continua até
V = VG, que indica que o capacitor está
carregado e cessa o fluxo de elétrons.

Figura 90 - Capacitor em repouso e no estado de carga


Fonte: SENAI-SP (2014)
10 CAPACITORES
175

Conservação da carga Descarga do capacitor


C1 C1
3 4

elétrons

elétrons
V V
R R

CH1 CH1
elétrons
CH2 CH2

VG VG
- Fazendo CH2 = OFF - Faz CH1 = ON,
O capacitor continua os elétrons se deslocam
carregado ou seja mantém conforme o desenho e o
a energia. capacitor se descarrega até
V = 0 ecessa o fluxo de elétrons.

Figura 91 - Carga e descarga do capacitor


Fonte: SENAI-SP (2014)

Essa característica do capacitor é aproveitada na minuteria,


SAIBA um componente que desliga automaticamente um circuito
MAIS de iluminação depois de certo tempo, correspondente à
descarga do capacitor.

A função do resistor no circuito é fazer com que essa carga ou descarga do


capacitor demore mais ou menos tempo. Seu valor é calculado para que esse
tempo seja adequado para as mais diversas aplicações.
Esse processo de carga é descarga do capacitor está diretamente associado
a uma determinada capacidade de armazenamento de cargas elétricas do com-
ponente, ou seja, quando se constrói um capacitor, existe uma especificação de
quanto de cargas ele deve armazenar. Para isso, é usada uma grandeza chamada
capacitância que será mais detalhada a seguir.

10.3 CAPACITÂNCIA

A capacidade de armazenamento de cargas de um capacitor é chamada de


capacitância e é simbolizada pela letra C. Portanto, a capacitância é a medida da
carga elétrica Q a qual o capacitor pode armazenar por unidade de tensão V. A
representação matemática dessa relação é:
ELETRICIDADE GERAL
176

Q é a quantidade de cargas elétricas em coulomb (C);


Q
C= V é a tensão entre terminais em volts (V); e
V
C é a capacitância em farad (F).

A grandeza física capacitância precisa ser identificada e quantizada, veja a se-


guir como se faz isso.

10.3.1 UNIDADE DE MEDIDA DA CAPACITÂNCIA

A unidade de medida da capacitância é o farad, representado pela letra F. Em


capacitância, não se usa fatores multiplicadores, apenas seus submúltiplos. Veja
na tabela a seguir os que são normalmente utilizados.

Tabela 22 - Unidade de medida de capacitância e seus submúltiplos

Fazemos a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de


medida que você já estudou neste livro. Os passos são os mesmos da conversão
de valores do volt, apresentada no capítulo 2. Usaremos, também, o mesmo tipo
de tabela:

Tabela 23 - Gabarito de conversão de valores de capacitância

Digamos que você precise converter nanofarad (nF) em picofarad (pF) e a me-
dida que você tem é 4,7 nF. Para usar a tabela, proceda da seguinte maneira:
a) C
oloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que neste
caso é o nanofarad. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após o
nanofarad. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três
casas na próxima linha.
10 CAPACITORES
177

b) Posicione a vírgula à direita. O novo valor gerado aparecerá quando a


primeira casa abaixo da coluna do picofarad estiver preenchida.

Após preencher o quadro, o valor convertido será: 4,7 nF = 4700 pF


O instrumento de medição da capacitância é o capacímetro.
Quando inserido em um circuito elétrico e energizado, o capacitor fica subme-
tido, entre os seus terminais, a uma tensão elétrica e, dependendo do valor dessa
tensão, ele perde suas propriedades de isolação e passa a conduzir corrente. Para
que isso não ocorra, existe a tensão de trabalho do capacitor. A seguir aprende-
mos mais a esse respeito.

10.4 TENSÃO DE TRABALHO

Além da capacitância, os capacitores têm outra característica elétrica impor-


tante: a tensão de trabalho, ou seja, a tensão máxima que o capacitor pode
suportar entre as armaduras.

Aplicar no capacitor uma tensão superior à sua tensão


FIQUE máxima de trabalho provoca o rompimento do dielétrico e
ALERTA faz o capacitor entrar em curto. Na maioria dos capacitores,
isso danifica permanentemente o componente.
ELETRICIDADE GERAL
178

CASOS E RELATOS

A Rua Santa Ifigênia, localizada no centro de São Paulo, é um paraíso para


os profissionais (e curiosos) da área eletroeletrônica. Quando se trata de
comprar componentes, ninguém, mesmo quem venha de outra localidade,
escapa de passar por lá a fim de comprar o que procura gastando pouco. Os
balconistas entendem do assunto e podem ajudar na compra. No entanto,
é necessário estar atento às suas informações e às do vendedor, pois elas
podem levar você a comprar um componente errado.
Foi o que quase aconteceu com um eletricista morador da cidade de San-
tos, localizada no litoral do estado de São Paulo, que precisava comprar
materiais elétricos para uso em sua própria casa. Um dos materiais era um
capacitor de 3 µF/400 V para ser utilizado em um ventilador de teto.
Na loja, o balconista disse que o capacitor de 3 µF/300 V de seu estoque
era de ótima qualidade. Informou, ainda, que os eletricistas que o utilizam,
nunca reclamaram. Porém, a tensão fornecida na residência do eletricista
era de 220 V e, portanto, o capacitor não atendia à sua necessidade. O bal-
conista ainda insistia, dizendo que esse fator não era problema, pois a ten-
são de pico do capacitor era de 300 V.
Acontece que em São Paulo a tensão residencial fornecida pela concessio-
nária é de 127 V. Com 127 V de tensão eficaz, a tensão de pico é Vp = Vef x
= 127 x 1,41 = 179,07 V, mas com 220 V de tensão eficaz, a tensão de pico é
Vp = Vef x = 220 x 1,41 =310,20V. Isso queimaria um capacitor de 3 µF/300
V, pois a tensão de pico fornecida em 220 V é maior que a especificação
técnica do componente oferecido pelo vendedor. Nessa hora, a experiência
valeu e o eletricista levou para casa o capacitor 3 µF / 400 V que atendia
com segurança à sua necessidade!

Os capacitores são fabricados em uma variedade de valores, tensões de tra-


balho e tipos. Existem situações em que os valores calculados em projetos não
estão disponíveis comercialmente ou até mesmo em situações de manutenção
de emergência, quando, por exemplo, um capacitor queima e ele não pode ser
substituído de imediato, por não haver disponível no estoque um com as mesmas
características. Nessas situações e em outras aqui não citadas, pode-se lançar mão
das associações de capacitores. A seguir vamos aprender como fazer isso.
10 CAPACITORES
179

10.5 ASSOCIAÇÃO DE CAPACITORES

Os capacitores, assim como os resistores, podem ser conectados entre si,


formando uma associação, que também pode ser paralela, em série ou mista. As
associações em paralelo e em série são as mais encontradas na prática, enquanto
as associações mistas raramente são utilizadas. Inicialmente, vamos estudar as ca-
racterísticas das associações em paralelo e, em seguida, as características em série.

10.5.1 ASSOCIAÇÃO EM PARALELO

O objetivo da associação em paralelo é obter maiores valores de capacitância.


A maior tensão que pode ser aplicada sobre eles é a do capacitor que tem a me-
nor tensão de trabalho.

A capacitância total (Ct) é calculada por:


C1 C2 C3 C4
Ct = C1 + C2 + C3 + .... ...... + Cn

Figura 92 - Associação de capacitores em paralelo e a fórmula de Ct


Fonte: SENAI-SP (2014)

Vejamos os exemplos a seguir de associações de capacitores em paralelo com


valores de capacitâncias diferentes e representados de formas variadas (múltiplos
e submúltiplos).

Exemplo1
Calcular a capacitância total (Ct) e a máxima tensão que pode ser aplicada a
três capacitores ligados em paralelos e em que C1 = 10 uF/15 V, C2 = 4,7 uF/35
V, C3 = 2,2 uF/40 V e C4 = 15 nF/30 V.
Solução:
Para aplicarmos a fórmula Ct = C1+C2+C3+C4, todos os capacitores devem
estar na mesma unidade de medida e, então, devemos converter C4 para uF,
pois a maioria dos capacitores está em uF.
Conversão: 15 nF = 0,015 μF.
Cálculo: Ct = C1+C2+C3+C4 = 10 µF + 4,7 µF + 2,2 µF + 0,015 µF = 16,915 µF
→ Ct = 16,915 uF.
A máxima tensão aplicada é de 15 V, pois C1 é que apresenta a menor tensão
de trabalho.
ELETRICIDADE GERAL
180

Exemplo 2
E qual seria a capacitância total do circuito se os valores fossem os seguintes: C1
= 3,3 μF, C2 = 47 μF, C3 = 1 nF, C4 = 15 pf?
Solução:
Para aplicarmos a fórmula Ct = C1+C2+C3+C4, todos os capacitores devem
estar na mesma unidade de medida. Assim, devemos converter C3 e C4 para
uF, pois a maioria dos capacitores está em uF.
Conversões: C3 → 1nF = 0,001 μF ; C4 → 15 pF = 0,000015 μF
Cálculo: Ct = C1+C2+C3+C4 = 3,3 μ+47 μ+0,001 μ+0,000015 μ = 50,301015 μ
→ Ct = 50,3 μF

Ao associar capacitores polarizados em paralelo, todos os terminais positivos


dos capacitores devem ficar do mesmo lado. Dessa forma, todos os terminais ne-
gativos estarão também ligados corretamente no lado oposto. Observe a posição
dos polos positivos e negativos no circuito, representado no Quadro 25 a seguir.

Quando utilizar capacitores em tensão alternada, observe a


FIQUE tensão de trabalho do capacitor que deve ser maior que
ALERTA a tensão de pico (Vp) da tensão alternada, ou seja, Vcap >
Vef x.

No próximo item, estudaremos as características das associações em série dos


capacitores.

10.5.2 ASSOCIAÇÃO EM SÉRIE

A associação em série de capacitores, esquematizada no quadro a seguir, tem


por objetivo obter capacitâncias menores ou tensões de trabalho maiores.
Esse quadro mostra a associação em série e seus casos particulares, bem como
suas fórmulas de aplicação.
10 CAPACITORES
181

Quadro 25 - Associação série de capacitores e suas fórmulas

Fórmula aplicada em todos os casos

C1 C2 Cn
1 1 + 1 + ... 1 Ct = 1
=
Ct C1 C2 Cn 1 + 1 + ... ... 1
C1 C2 Cn

Fórmula aplicada para associação série de dois capacitores

C1 C2
C1 x C2
Ct =
C1 + C2

Fórmula aplicada para associação série de vários capacitores iguais

“n” é o número de capacitores


C1 C2 Cn
C
Ct = onde “C” é a capacitância
n
C C C
“Ct” é a capacitância total

FIQUE Você observou que o raciocínio para o cálculo do capacitor


ALERTA em série é o mesmo do resistor em paralelo?

A associação de capacitores em série é outra alternativa na obtenção de valo-


res de capacitância diferentes das comercializadas. Vejamos a seguir um exem-
plo de como chegar a outras capacitâncias.

Exemplo 1
Calcule uma associação em série (Ct) de três capacitores com os seguintes va-
lores: C1 = 1 µF, C2 = 2 µF e C3 = 5 µF.
Solução:
Observar se todos os capacitores estão na mesma unidade de medida. Calcu-
lar Ct.

1 1 1 1 10µ
Ct = Ct = = = = = 0,588 µF
1 + 1 + ... ... ... 1 1 + 1 + 1 10 + 5 + 2 17 17
C1 C2 Cn 1µF 2µF 5µF 10µ 10µ

Portanto, a capacitância total da associação série é: Ct = 0,588 µF.


ELETRICIDADE GERAL
182

Exemplo 2
Calcule uma associação em série (Ct) de dois capacitores com os seguintes
valores: C1 = 0,1 μF, C2 = 0,5 μF.
Solução:
Observar se todos os capacitores estão na mesma unidade de medida (no
exemplo, sim em µF). Calcular Ct.

C1x C2 0,1µ x 0,5µ 0,05µ


Ct = = = = 0,083µF
C1+ C2 0,1µ + 0,5µ 0,6 µ

Obs.: Você deve lembrar que 1 uF = 10-6, conforme estudamos no capítulo 2.


Portanto, a capacitância total da associação série é: Ct = 0,083 µF.
Quando você precisar aplicar uma tensão maior do que a tensão de trabalho
do capacitor, a alternativa é fazer uma associação em série.
A tensão aplicada à associação se distribui inversamente proporcional às capa-
citâncias, ou seja, quanto maior a capacitância, menor a tensão e quanto menor a
capacitância, maior a tensão.
Para simplificar o processo de dimensionamento dos componentes do circui-
to, pode-se adotar um procedimento simples que evita a aplicação de tensões
excessivas em uma associação em série de capacitores. Para isso, associam-se em
série capacitores de mesma capacitância e mesma tensão de trabalho, como ve-
mos na Figura 93.

10 nF C1 V1 220 V
250 V
G +
440 V - 10 nF
250 V C2 V2 220 V

Figura 93 - Circuito com capacitores em série com objetivo de aumentar a tensão de trabalho do capacitor individual
Fonte: SENAI-SP (2014)

Dessa forma, a tensão aplicada distribui-se igualmente sobre todos os capa-


citores.
10 CAPACITORES
183

Ao associar capacitores polarizados em série, o terminal


FIQUE positivo de um capacitor é conectado ao terminal negativo
ALERTA do outro. E não se esqueça de que eles devem ser ligados
em CC.

Quando um resistor é inserido em um circuito elétrico alimentado, ele vai


apresentar uma resistência à passagem da corrente elétrica. Algo similar acontece
quando se insere um capacitor em um circuito alimentado com por uma tensão
alternada. Essa resistência é chamada de reatância capacitiva. A seguir, vamos
aprender mais a esse respeito.

10.6 REATÂNCIA CAPACITIVA

Em corrente alternada, os processos de carga e descarga sucessivas de um ca-


pacitor ligado em CA dão origem a uma resistência que se opõe à passagem da
corrente CA no circuito. Essa resistência é denominada de reatância capacitiva. Ela
é representada pela notação Xc e é expressa em ohms (Ω) por meio da expressão:

Sendo que:
Xc é a reatância capacitiva em ohms ( );

1 f é a frequência da corrente alternada em hertz (Hz);


Xc =
2x xfxC
C é a capacitância do capacitor em farads (F); e

é a constante matemática cujo valor é 3,14...

Quando um capacitor está inserido em um circuito alimentado com tensão


alternada, como se comportam as tensões e as correntes no circuito? A seguir
aprenderemos isso.
ELETRICIDADE GERAL
184

10.6.1 RELAÇÃO ENTRE TENSÃO CA, CORRENTE CA E REATÂNCIA


CAPACITIVA

Quando um capacitor é conectado a uma fonte de CA, é estabelecido um cir-


cuito elétrico no qual estão envolvidos três valores: tensão aplicada, reatância
capacitiva e corrente circulante.
Veja no circuito a seguir.

I
VCA

Vc C

Figura 94 - Capacitor conectado em CA


Fonte: SENAI-SP (2014)

Assim como ocorre nos circuitos de CC, esses três valores estão relacionados
entre si, nos circuitos de CA por meio da 1ª Lei de Ohm. Portanto:

Sendo que:
Vc é a tensão do capacitor em V (volts);

Vc = I x Xc I é a corrente eficaz no circuito em A (amperes); e

Xc é a reatãncia capacitiva em (ohms).

Vamos acompanhar um exemplo para fixar melhor esse conceito.

Exemplo
Baseado no circuito acima, em que o capacitor é de 4,7 µF e a rede de CA de
127 V, 60 HZ, pergunta-se qual é a corrente circulante no circuito.
Solução:
Inicialmente, vamos calcular a reatância capacitiva do capacitor.
Em que: C = 4,7 µF, f = 60 Hz, V = 127 Vef
Obs.: A capacitância na fórmula é inserida em farad.

1 1
Xc = = = 564 Ω
2π fC 2 x 3.1415 x 60 x 0, 0000047
10 CAPACITORES
185

Portanto, a reatância capacitiva é de 564 Ω.


Calcular a corrente circulante “I” → usando a 1ª Lei de Ohm, em que:

Vc 127
I= = = 0, 2248
Xc 565

Temos o valor da corrente circulante que é de 224,8 mA

FIQUE É importante lembrar que os valores de V e I são eficazes,


ou seja, são valores que serão indicados por um voltímetro
ALERTA e um miliamperímetro de CA conectados ao circuito.

RECAPITULANDO

Neste capítulo, você estudou que:


a) os dispositivos reativos são aqueles que reagem com as variações de
corrente e cujo valor ôhmico muda conforme a velocidade da variação
da corrente nele aplicada;
b) o capacitor é um componente que tem como finalidade armazenar
cargas elétricas;
c) a capacitância é a capacidade de armazenamento de cargas de um
capacitor e é simbolizada pela letra C;
d) a capacitância é a medida da carga elétrica Q que o capacitor pode
armazenar por unidade de tensão V;
e) a unidade de medida da capacitância é o farad, representado pela le-
tra F, e o instrumento para medi-la é o capacímetro;
f ) a tensão de trabalho de um capacitor é a máxima tensão que pode ser
aplicada a ele sem danificá-lo;
g) na associação em paralelo, que tem como objetivo alcançar maiores
valores de capacitância, os capacitores estão ligados de forma que a car-
ga total seja subdivida entre eles;
h) a capacitância total (Ct) da associação paralela é a soma das capaci-
tâncias individuais;
ELETRICIDADE GERAL
186

i) na associação de capacitores em paralelo, a máxima tensão que pode


ser aplicada é a do capacitor que tem menor tensão de trabalho;
j) a associação em série de capacitores tem por objetivo alcançar capaci-
tâncias menores ou tensões de trabalho maiores;
k) na associação em série, a capacitância total é menor que o valor do
menor capacitor associado;
l) quando se aplica tensão a uma associação em série de capacitores, a
tensão aplicada divide-se entre eles;
m) a distribuição da tensão nos capacitores ocorre de forma inversa-
mente proporcional à capacitância, ou seja, quanto maior a capaci-
tância, menor a tensão e quanto menor a capacitância, maior a tensão; e
n) os processos de carga e descarga sucessivas de um capacitor ligado
em CA dão origem a uma resistência à passagem da corrente CA no
circuito, que é denominada de reatância capacitiva. Ela é representada
pela notação Xc e é expressa em ohms (Ω).
Esses conteúdos ajudarão você a interpretar o funcionamento de circuitos
eletroeletrônicos.
10 CAPACITORES
187

Anotações:
Indutores

11

Neste livro, você já estudou circuitos resistivos, que são aqueles que só têm resistores e os cir-
cuitos capacitivos, que só têm capacitores. Agora, você verá um componente chamado indutor.
Ele é amplamente utilizado em filtros para fontes de alimentação, em circuitos industriais,
passando pela transmissão de sinais de rádio e televisão.
Como você também já estudou o magnetismo, o eletromagnetismo, os circuitos de corrente
contínua e os de corrente alternada, não será difícil entender os fenômenos ligados ao magne-
tismo que acontecem nos indutores e o comportamento deles em CA e em CC.
Assim, depois de estudar o conteúdo deste capítulo, você saberá:
a) o que é um indutor e qual o seu símbolo;
b) que o indutor tem polaridade e como identificá-la;
c) o que é indutância;
d) qual é o efeito da indutância em circuito CC e CA;
e) qual a unidade de medida da indutância e suas conversões;
f ) fazer e calcular associações em série e em paralelo; e
g) o que é reatância indutiva.
Esses conhecimentos são importantes para que você compreenda o funcionamento de cir-
cuitos eletroeletrônicos.
Bons estudos!
ELETRICIDADE GERAL
190

11.1 O QUE É UM INDUTOR?

Quando estudamos o magnetismo e o eletromagnetismo e aprendemos o


que é um circuito magnético, falamos em bobinas, que nada mais são do que
condutores enrolados em torno de um núcleo, que, quando percorridos por uma
corrente, geram um campo magnético.
A bobina também pode ser chamada de indutor. A diferença entre uma e
outra existe, principalmente, porque depende de onde e como o componente é
usado.
Os indutores têm esse nome porque sempre apresentam indutância, que é a
capacidade que esse componente tem de se opor às variações de corrente.
Eles são dispositivos formados por um fio esmaltado enrolado em torno de
um núcleo e podem ter as mais diversas formas, podendo ser parecidos com um
transformador. Veja alguns tipos de indutores nas figuras a seguir.

Figura 95 - Indutores para aplicações diversas


Fonte: SENAI-SP (2014)

VOCÊ Bobinas e indutores pequenos são largamente usados nos


SABIA? transmissores de circuito de alta frequência, como o rádio.

Nos circuitos em que são usados, os indutores têm a função de se opor às


variações da corrente alternada que passa por ele.
Como todo componente eletroeletrônico, o indutor é representado por um
símbolo normalizado, que depende do material usado como núcleo, conforme
mostra a figura a seguir:
11 INDUTORES
191

ar ferro ferrite

Figura 96 - Os diversos símbolos de indutores


Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe nessa figura o conjunto de representações simbólicas de acordo com


o tipo de indutor. Deve-se utilizar a simbologia adequada no esquema elétrico
conforme a sua aplicação.
Quando inserirmos resistores em circuitos elétricos, não precisamos nos
preocupar com o lado do componente no momento da inserção no circuito, ou
seja, ele não tem polaridade. No caso de indutores, devemos ficar atentos ao in-
seri-los porque eles têm polaridade. A seguir aprenderemos mais a esse respeito.

11.1.1 POLARIDADE MAGNÉTICA DO INDUTOR

Dois indutores têm a mesma polaridade quando seus fluxos magnéticos coin-
cidem. Suas polaridades são contrárias quando os seus fluxos magnéticos têm
sentidos diferentes.
No símbolo do indutor, essa polaridade é representada por um ponto em uma
das suas extremidades, como mostra a figura a seguir.

Mesma polaridade Polaridades contrárias

N S N S N S S N

i i i i

Representação Representação

Figura 97 - Representação das polaridades em indutores


Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe os pontos de entrada do enrolamento no carretel. Esse é um fator de-


terminante da polaridade. O ponto é a referência da polaridade do componente e
está, normalmente, impressa no indutor.
ELETRICIDADE GERAL
192

Quando você colocar dois indutores em série, observe


FIQUE a polaridade, pois, caso ela esteja invertida, ao invés de
ALERTA ocorrer a soma de indutância, ocorrerá a subtração, o que
eliminaria o efeito desejado.

VOCÊ Para diminuir a variação brusca da corrente na carga,


SABIA? costuma-se colocar um indutor em série com a carga.

Em um circuito elétrico alimentado, quando inserimos um resistor, ele vai


se opor à passagem da corrente elétrica. Os indutores apresentam essa mesma
característica, mas só na presença de variação da corrente no circuito. A seguir,
aprenderemos que esse fenômeno ocorre devido a uma grandeza elétrica cha-
mada de indutância.

11.2 CONCEITO DE INDUTÂNCIA

A indutância é a capacidade que um indutor (núcleo enrolado com fio) tem


de se opor às variações de corrente. Esse fenômeno é o resultado da corrente in-
duzida (que se opõe à corrente vinda do gerador), gerada pela variação do fluxo
magnético que foi criado pela variação da corrente do gerador no circuito. A figu-
ra a seguir ilustra esse fenômeno.

a corrente
chegou
corrente
até aqui
induzida

corrente da
bobina

o campo
se expande

Figura 98 - Geração de indutância


Fonte: SENAI-SP (2014)
11 INDUTORES
193

SAIBA Para saber mais detalhes sobre esse fenômeno, acesse um


MAIS site de busca na internet e pesquise sobre “indutância”.

Observe que, no instante imediatamente seguinte ao fechamento do inter-


ruptor, a corrente começa a fluir no condutor e, de acordo com as leis de Lenz,
gera um campo magnético em sua volta, que ao cortar espiras adjacentes, gera
uma corrente induzida que vai se opor à corrente do circuito. Esse é o princípio
da indução.
Já aprendemos que, quando temos um indutor inserido em um circuito elétri-
co alimentado por uma fonte CA, esse indutor oferece uma resistência elétrica à
passagem da corrente decorrente da indutância.
Substituindo-se, então, a fonte CA por uma CC, que resistência o indutor ofere-
ce à passagem da corrente? No próximo item você terá a resposta.

11.3 EFEITO DA INDUTÂNCIA EM UM CIRCUITO CC

O efeito da indutância no circuito CC surge apenas quando a fonte CC é ligada


(tempo que a fonte leva para atingir a sua tensão) e quando é desligada (tempo
que a fonte leva para chegar a 0 V). Quando não está nessas condições, o indutor
se comporta como um resistor. A figura a seguir mostra a curva de resposta de um
circuito CC, quando a chave é acionada.

Figura 99 - Comportamento da corrente em um circuito CC


Fonte: SENAI-SP (2014)

Em circuitos CA, com elementos resistivos (resistores), observamos que a tensão


e a corrente estão em fase, ou seja, quando um chegou ao valor de pico, o outro
também o fez. Em circuitos CA com elementos indutivos (indutores), como andam
a tensão e corrente no circuito? A seguir, saberemos responder a essa pergunta.
ELETRICIDADE GERAL
194

11.4 EFEITO DA INDUTÂNCIA EM UM CIRCUITO CA

Nos circuitos CA, como a corrente varia continuamente de intensidade e de


direção, os efeitos de indutância são de grande importância. Como resultado, a
indutância tem um efeito muito maior que a resistência da bobina.
O indutor em um circuito CA, além de opor-se à variação da corrente elétrica
(por meio de um efeito resistivo), provoca um atraso da corrente circulante no
circuito de 90 graus, em relação à tensão. Isso pode ser visto na figura a seguir.

VCA Tensão do gerador

0 270 360

90 180
ICA
ICA Corrente
VCA L

Circuito com indutor


Tensão em relação a corrente
defasagem de 90º
Figura 100 - Defasagem da tensão e corrente provocado por um indutor
Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe, pela posição das curvas, que a corrente está atrasada em relação à
tensão, sendo essa uma das características dos circuitos indutivos.

VOCÊ O sensor indutivo é um dispositivo eletrônico que identifica


a presença de materiais, tais como ferro ou alumínio. Ele é
SABIA? muito utilizado em automação industrial.

SAIBA Para conhecer mais sobre sensores indutivos, entre em um


site de busca, escreva “sensores indutivos” e veja como atua
MAIS a indutância em um sensor.

A grandeza elétrica indutância precisa ser identificada e quantizada, é o que


veremos no próximo item.
11 INDUTORES
195

11.4.1 UNIDADE DE MEDIDA DA INDUTÂNCIA

A unidade de medida da indutância é o henry, representada pela letra H.


Em indutância não se usa os valores multiplicadores. Essa unidade de medida
tem submúltiplos muito usados em eletroeletrônica. Veja na tabela a seguir.

Tabela 24 - Unidade de medida de indutância e seus submúltiplos

Fazemos a conversão de valores de forma semelhante às outras unidades de


medida que você já estudou neste livro. Os passos são os mesmos da conversão de
valores, por exemplo, do volt apresentada no capítulo 2. Usaremos, também, o mes-
mo tipo de tabela com a diferença da grandeza elétrica, que nesse caso é o henry:

Tabela 25 - Gabarito de conversão de valores de medida de indutância

Digamos que você precise converter milihenry (mH) em microhenry (μH) e a


medida que você tem é 3,3 mH. O procedimento de conversão é feito da mesma
forma que fizemos com as outras grandezas.
a) C
oloque o número na tabela na posição da unidade de medida, que, nesse
caso, é o milihenry. Lembre-se de que a vírgula deverá estar na linha após
o milihenry. Observe que cada coluna identificada está subdividida em três
casas na próxima linha.
ELETRICIDADE GERAL
196

b) Mude a posição da vírgula para a direita. O novo valor gerado aparecerá


quando a primeira casa abaixo da coluna do microhenry estiver preenchida.
Após preencher o quadro, o valor convertido será: 3,3 mH = 3300 µH.
O instrumento de medição da indutância é o indutímetro.

SAIBA Acesse a internet e pesquise sobre ”equipamentos


MAIS medidores de frequência”.

Da mesma forma que os resistores e capacitores, os indutores também podem


ser utilizados em associações série. A seguir vamos aprender como fazer.

11.5 ASSOCIAÇÃO EM SÉRIE DE INDUTORES

Os indutores podem ser associados em série, em paralelo e de forma mista,


embora esta não seja muito utilizada. Os conceitos de associações para indutores
são os mesmos apresentados para resistores. A figura a seguir mostra uma asso-
ciação de indutores em série genérica.

L1 L2 Ln

Figura 101 - Associação em série de indutores


Fonte: SENAI-SP (2014)

A indutância total (Lt) é a soma das indutâncias, calculado por:


Lt = L1 + L2 +....+ Ln
Sendo que:
Lt = Indutância total; e
L = Indutância em henry (H)

FIQUE Para a utilização da equação, todos os valores de indutância


ALERTA devem ser convertidos para a mesma unidade.
11 INDUTORES
197

Para você entender melhor como calcular uma associação em série, acompa-
nhe o exemplo a seguir.
Exemplo
Determine a indutância total de três indutores ligados em série, com os seguin-
tes valores: L1 = 10 mH, L2 = 43 mH, L3 = 5 H.
Solução:
Primeiro converta todos os indutores para a mesma unidade → L3 = 5 H =
5000 mH
Cálculo: Lt = L1+L2+L2 = 10 m+ 43 m+ 5000 m = 5053 mH → Lt = 5053 mH
A indutância total “Lt” vale 5053 mH.

CASOS E RELATOS

Em grandes indústrias, os motores de corrente alternada são alimentados


por meio de uma distribuição chamada centro de controle de motores
(CCM). Alguns desses CCMs têm indutores (ou reatores) na entrada da dis-
tribuição, cuja finalidade é amortecer a corrente de partida.
Isso é feito porque, por exemplo, para um motor que consome 150 A para
funcionar, ao ser dada partida, a corrente poderá aumentar oito vezes o
seu valor, ou seja, atingir 1200 A, já que, na partida, a corrente é alta para
que possa tirar a inércia do motor e fazê-lo girar.
Com o reator, a corrente vai até 900 A e, portanto, serão 300 A de amorteci-
mento. Nesse contexto, uma empresa fez um projeto para a instalação de
um novo equipamento cuja alimentação saía de um CCM. O projetista fez
um sistema colocando mais motores, no entanto, para evitar problemas na
partida, instalou também um novo conjunto de indutores (ou reatores).
Ao efetuar o teste inicial após a montagem, ele notou que os motores ti-
nham dificuldade em partir. Após um estudo, os indutores (ou reatores) fo-
ram retirados e os motores partiam sem problemas. Percebeu-se, então, que
o problema era a presença dos indutores extras, que, somados aos existen-
tes, aumentavam a indutância e, consequentemente, diminuíam a corren-
te de partida dos motores.
ELETRICIDADE GERAL
198

Da mesma forma que os resistores e os capacitores, os indutores também po-


dem ser utilizados em associações paralelas, como veremos a seguir.

11.6 ASSOCIAÇÃO EM PARALELO DE INDUTORES

A associação em paralelo de indutores pode ser usada como forma de obter


indutâncias menores ou como forma de dividir uma corrente entre diversos indu-
tores, mantendo o mesmo nível de tensão. O quadro a seguir mostra uma associa-
ção em paralelo genérica e as fórmulas associadas.

Quadro 26 - Fórmulas de associação de indutores em paralelo


APLICADO ONDE
ASSOCIAÇÃO APLICADO PARA
APLICAÇÃO GENÉRICA TODOS OS INDUTORES
PARALELA DOIS INDUTORES
SÃO IGUAIS

L1 L2 Ln
Lt =
1 Lt = L Lt = L1 x L2
1 + 1 + 1 + ... ... 1 n L1 + L2
L1 L2 L3 Ln n = núm. de indutores

Lt é a indutância total em henry (H) L é o valor em indutância em henry (H)

FIQUE Para o uso das fórmulas acima, todos os indutores devem


ALERTA estar na mesma unidade de medida.

Para você entender melhor como calcular uma associação em paralelo, acom-
panhe o exemplo a seguir.

Exemplo:
Calcular a indutância total (equivalente) de uma associação paralela, onde
L1 = L2 = L3 = 60 mH
Solução:
Como são todos iguais, vamos usar a fórmula:

L 60m
Lt = = = 20 mH
n 3

A indutância total é igual a 20 mA.


11 INDUTORES
199

Quando um resistor é inserido em um circuito elétrico alimentado, ele vai


apresentar uma resistência à passagem da corrente elétrica. Algo similar acontece
quando se insere um indutor em um circuito alimentado por uma tensão alterna-
da. Essa resistência é chamada de reatância indutiva. A seguir, vamos aprender
mais a esse respeito.

11.7 REATÂNCIA INDUTIVA

Para entender o conceito de reatância indutiva, vamos estudar o comporta-


mento dos indutores em circuitos de CA. Veremos que o efeito da indutância nes-
sas condições manifesta-se de forma permanente.
Como já vimos, quando se aplica um indutor em um circuito de CC, sua indu-
tância se manifesta apenas nos momentos em que existe uma variação de corren-
te, ou seja, no momento em que se liga e desliga o circuito.
Em CA, como os valores de tensão e corrente estão em constante modifi-
cação, o efeito da indutância manifesta-se permanentemente. Esse fenômeno de
oposição permanente à circulação de uma corrente variável é denominado de
reatância indutiva, representada pela notação XL. Ela é expressa em ohms e re-
presentada matematicamente pela seguinte expressão:

XL = 2 x π x fx L
Sendo que:
a) XL é a reatância indutiva em ohms (Ω);
b) π é uma constante e vale 3,1415... ;
c) f é a frequência da corrente alternada em hertz (Hz); e
d) L é a indutância do indutor em henrys (H).
Acompanhe este exemplo:

Exemplo:
Dado um circuito com uma fonte CA de 220 V e 60 Hz e um indutor com uma
indutância de 60 mH, calcule a reatância indutiva e diga qual a corrente que
passa pelo indutor.
ELETRICIDADE GERAL
200

Solução:
Para calcular a reatância indutiva, aplicamos esta fórmula:

XL é a reatância indutiva em ohms ( );

é uma constante;
XL = 2 x xfxL
f é a frequência da corrente alternada em hertz (Hz); e

L é a indutância do indutor em henrys (H).

XL = 2 x π x f x L = 2 x 3,1415 x 60 x 0,06 = 226,08


A reatância indutiva vale: XL = 226,8 W
Para calcular a corrente que passa no indutor com base na 1ª Lei de Ohm →

IL é a corrente eficaz no indutor em amperes (A);

VL VL é a tensão eficaz sobre o indutor, expressa em volts (V); e


IL =
XL
XL é a reatância indutiva em ohms ( ).

VL = 220 V (dado do problema) e XL = 226,8 W (calculado)

VL 220
IL = = = 0, 97 A, IL = 0, 97 A
XL 226, 8

Corrente no indutor é de: IL = 0,97 A.


11 INDUTORES
201

RECAPITULANDO

Neste capítulo, você estudou que:


a) o indutor é um dispositivo formado por um fio esmaltado, enrolado em
torno de um núcleo e que tem a função de se opor às variações da cor-
rente alternada que passa por ele;
b) dois indutores têm a mesma polaridade, quando seus fluxos magné-
ticos coincidem e suas polaridades são contrárias, quando seus fluxos
magnéticos têm sentidos diferentes;
c) a tensão gerada na bobina por autoindução tem polaridade oposta à
da tensão que é aplicada aos seus terminais, por isso é denominada de
força contraeletromotriz (fcem);
d) a capacidade de se opor às variações da corrente é denominada de in-
dutância (L) e sua unidade de medida é o henry, representada pela letra
H;
e) na associação em série, os indutores são ligados de forma que a cor-
rente seja a mesma em todos eles, obtendo indutâncias maiores e ten-
sões maiores;
f ) na associação em paralelo, a indutância total é menor que o valor do
menor indutor associado;
g) quando se aplica um indutor em um circuito de CC, sua indutância se
manifesta apenas nos momentos em que existe uma variação de corren-
te, quando se liga e desliga o circuito; e
h) em CA, como os valores de tensão e de corrente estão em constante
modificação, o efeito da indutância manifesta-se permanentemente,
na forma de reatância indutiva.
Esses conhecimentos são muito importantes para que você consiga inter-
pretar o funcionamento de circuitos eletroeletrônicos.
Potência Elétrica em CA

12

Além da tensão e da corrente, a potência é também um parâmetro muito importante para


o dimensionamento de diversos equipamentos elétricos. O principal motivo disso é o fato de
a potência elétrica estar relacionada à capacidade que cada componente do circuito tem de
produzir trabalho.
Em tempos em que é grande a preocupação com os danos ao ambiente e com os impac-
tos do efeito estufa causados pela geração de energia elétrica, a eficácia dos equipamentos
elétricos é uma grande arma para diminuir esses problemas. Afinal, quanto menos energia se
gastar para realizar a maior quantidade possível de trabalho, menor será a necessidade de seu
consumo.
Assim, ao finalizar os estudos deste capítulo, você terá subsídios para:
a) aplicar o conceito de potência e seu comportamento em circuitos de corrente alternada;
b) determinar os valores de potência aparente, potência ativa e potência reativa em um
circuito de CA;
c) calcular o fator de potência por meio do triangulo das potências;
d) fazer a correção do fator de potência com auxílio do triângulo das potências;
e) conhecer o medidor de potência; e
f ) saber como medir o fator de potência.
Bom estudo!
ELETRICIDADE GERAL
204

12.1 ENERGIA E POTÊNCIA CA

Embora a energia seja uma só, ela pode ser obtida de formas diferentes. Por
exemplo, se uma resistência for ligada a uma rede elétrica com tensão, a corrente
elétrica resultante irá aquecer a resistência. Isso significa que essa corrente elétrica
absorve energia e a transforma em calor, que também é uma forma de energia.
Assim, a intensidade dessa energia é a potência elétrica.
Como você já estudou anteriormente, a capacidade de um consumidor de pro-
duzir trabalho em um determinado tempo a partir da energia elétrica é chamada
de potência elétrica.
Ao estudar indutores e capacitores, você aprendeu que, quando esses compo-
nentes estão inseridos em circuito elétricos com fontes CA, eles provocam uma
defasagem entre a tensão e a corrente.
Como consequência dessa defasagem, é necessário considerar três tipos de
potência:
a) potência aparente (S);
b) potência ativa (P); e
c) potência reativa (Q).
É muito importante conhecer mais detalhadamente esses tipos de potências
para que o profissional possa executar suas atividades com mais propriedade. A
seguir, vamos aprender um pouco mais de cada uma.

12.1.1 POTÊNCIA APARENTE (S)

Em circuito com fonte CA, o produto “V x I” é chamado de potência aparente (S)


e sua unidade é o volt-ampere ( VA), e não o watt como em circuito com fonte CC.
A fórmula da potência aparente será, portanto, S = V x I, e a sua unidade
será VA, sendo que a tensão (V) e a corrente (I) são em valores eficazes.

12.1.2 POTÊNCIA ATIVA (P)

A potência ativa é a porção da potência aparente que é fornecida ao circuito.


Com a finalidade de produzir trabalho, também é chamada de potência real e é
representada pela notação P. Ela é convertida em calor por efeito joule e pode ser
medida diretamente por um wattímetro. Sua fórmula é “ P = V x I x cosφ” e sua
unidade de medida é o “watt” representado pela letra “W”.
Obs.: φ é a defasagem entre a tensão e corrente, que você verá mais adiante,
neste mesmo capítulo.
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
205

12.1.3 POTÊNCIA REATIVA

A potência reativa é a porção da potência aparente que é fornecida ao circuito.


Sua função é constituir um circuito magnético nas bobinas e um campo elétrico
nos capacitores.
Essa potência aumenta a carga dos geradores, dos condutores e dos transfor-
madores, originando perdas de potência nesses elementos do circuito. A sua uni-
dade de medida é o volt-ampere reativo (VAr), representado pela letra Q, e a sua
fórmula é Q = V x I x senφ.
Agora, observe que temos “V x I” em comum nas três fórmulas. Assim, pode-
mos reescrevê-las como:
a) Potência aparente (S) = V x I;
b) Potência ativa (P) = V x I x cosφ = S x cosφ; e
c) Potência reativa (Q) = V x I x senφ. = S x senφ.
Portanto, a potência ativa (P) e a potência reativa (Q) são uma parcela da po-
tência total, que é a potência aparente (S). Vamos, agora, acompanhar um exem-
plo para fixar esse conteúdo.
Exemplo:
Dado um circuito com uma fonte CA de 100 V, em série, com um indutor, sabe-
-se que a corrente que passa no circuito é de 5 A e a tensão que cai sobre o
indutor é de VL = 100 V. Além disso, a defasagem entre a tensão e corrente é
de φ = 60°. Assim, calcule a potência aparente (S), a potência reativa (Q) e a
potência ativa (P).
Solução:
A partir desse problema, podemos concluir que: V = 100 V (eficaz), I = 5 A (efi-
caz), φ = 60°
a) Cálculo da potência aparente (S) → pela fórmula, temos:
S = V x I = 100 X 5 = 500 → S = 500 VA
A fonte está fornecendo 500 VA de potência aparente total ao circuito.
b) Cálculo da potência reativa (Q) à pela fórmula, temos:
Q = S x senφ = 500 x sen60° = 500 x 0,87 = 433 → Q = 433 VAr
O circuito consome 433 VAr de potência reativa para manter a indutância
do indutor.
c) Cálculo da potência ativa (P) → pela fórmula, temos:
P = S x cosφ = 500 x cos 60° = 500 x 0,5 = 250 → Q = 250 Var
ELETRICIDADE GERAL
206

O circuito fornece 250 W de potência ativa, ou seja, esse é o valor da potên-


cia que realmente está sendo utilizada para realizar o trabalho.
A seguir vamos descrever como essas potências se relacionam.

Quando falamos em seno e cosseno, estamos falando em


VOCÊ trigonometria, que vem do grego trigõnon (“triângulo”)
e metron (“medida”). Essa parte da matemática estuda
SABIA? as relações entre os compimentos de dois lados de um
triângulo retângulo.

CASOS E RELATOS

Miguel tinha acabado de divorciar-se e montou um típico apartamento de


solteiro, com mobília, fogão, geladeira e microondas doados por parentes
ou comprados de segunda mão. A ex-esposa exigira pensão, o que o deixa-
va em má situação com seu orçamento.
Entretanto, de uma coisa Miguel não abria mão: uma faxineira para pôr or-
dem na bagunça ao menos uma vez por semana. E, por incrível que pareça,
essa foi a salvação de Miguel!
Em um dia normal de faxina, a prestativa auxiliar puxou o refrigerador para
fazer uma limpeza caprichada e esqueceu-se de recolocar o plugue na to-
mada.
Como a lâmpada interna do refrigerador estava queimada, Miguel só per-
cebeu o esquecimento cerca de dois ou três dias depois, quando foi colocar
a cerveja no freezer e percebeu que tudo estava descongelado!
Além de perder a linguiça e a picanha que levaria para o churrasco do fim
de semana na casa de Pedro, seu melhor amigo, foi obrigado a ouvir as
brincadeiras dos colegas de trabalho!
Com dó de seu amigo, Pedro deu-lhe um ótimo conselho, pois sugeriu que
Miguel aproveitasse a oportunidade e trocasse aquela “lata-velha” por um
refrigerador novo. Afinal, vergonha maior que não perceber o desligamen-
to da geladeira era ser eletricista e insistir em usar um eletrodoméstico tão
“gastão”!
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
207

A verdade é que o motor velho daquela geladeira velha tinha muita potên-
cia reativa que era usada apenas para fazer o motor girar e não para realizar
o trabalho de produzir frio! Por isso, o sacrifício de comprar um refrigerador
novo em dez prestações foi compensado no mês seguinte, quando a conta
de luz chegou e Miguel constatou que o consumo de energia tinha dimi-
nuído trinta por cento.

12.2 TRIANGULO DAS POTÊNCIAS

O triângulo das potências é a representação geométrica da relação entre as


potências aparentes, ativa e reativa.
A figura a seguir mostra os vetores de potência organizados geometricamente
em um triângulo retângulo. Esse é o triângulo das potências.
potência reativa

S
Q

φ
P
potência ativa
Figura 102 - Triângulo das potências
Fonte: SENAI-SP (2014)

Observe que o triângulo das potências é um triângulo retângulo, que, permite


a utilização do Teorema de Pitágoras para encontrar os valores desconhecidos
de qualquer um de seus lados.

Acesse um site de busca e pesquise sobre triângulo


SAIBA retângulo e suas relações trigonométricas. Você pode
MAIS procurar também sites que tratam do Teorema de
Pitágoras.

Assim, se duas das três potências são conhecidas, a terceira pode ser determi-
nada por meio do Teorema de Pitágoras, seja por cálculo ou graficamente.
ELETRICIDADE GERAL
208

Portanto, temos o seguinte teorema para descobrirmos o valor faltante:


hipotenusa2 = (cateto adjacente)2 + (cateto oposto)2
Isso corresponde a S2 = P2 + Q2, que nada mais é do que a fórmula para cálculo
da potência aparente.
a) O
triângulo retângulo também permite uma relação trigonométrica na
qual o seno de um ângulo é a relação entre o cateto oposto e a hipotenusa:

cateto oposto Q
sen = sen =
hipotenusa S

b) O cosseno do ângulo é a relação entre o cateto adjacente e a hipotenusa:

cateto adjacente P
cos = cos =
hipotenusa S

O cosφ, também conhecido como fator de potência (FP), é a relação entre a


potência ativa e a potência aparente e aponta o quanto estamos usando de rea-
tivo. Quanto maior é essa relação, maior é o aproveitamento da energia elétrica.

A concessionária de energia elétrica especifica o valor


mínimo do fator de potência, que é medido pelo medidor
VOCÊ de energia, em 0,92. Ele deve ser o mais alto possível, ou
SABIA? seja, próximo da unidade cos ϕ = 1. Assim, com a mesma
corrente e tensão, consegue-se maior potência ativa, que é
aquela capaz de produzir trabalho no circuito.

Reutilizar motores antigos afeta o meio ambiente, pois, seu


FIQUE consumo de energia elétrica é maior que o dos motores
ALERTA novos. Por terem baixo fator de potência, os motores antigos
podem consumir cerca de 40% a mais de energia elétrica!

Acompanhe um exemplo!
Determine as potências aparente, ativa e reativa de um motor monofásico, ali-
mentado por uma tensão de 220 V, com uma corrente circulante de 3,41 A e um
fator de potência de 0,8.
Desse problema temos que: fator de potência (fp) = cos φ = 0,8
a) Cálculo da potência aparente (S) → S = V x I = 220 V x 3,41 = 750 →
S = 750 VA
b) Cálculo da potência ativa (P) → P = V X I cos φ = 220 x 3,41 x 0,8 = 600 →
P = 600 W
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
209

c) Cálculo da potência reativa (Q):


S2 = P 2 + Q 2 Q 2 = S2 - P2 Q = √S2 - P2 = √750 2 - 600 2 = 450 VAr Q = 450 VAr

A seguir vamos aprender um pouco mais sobre o fator de potência (cos φ).

12.3 FATOR DE POTÊNCIA (FP)

A potência (FP) e sua expressão são:


P
FP = ou FP = cos ϕ
S

A maioria das instalações industriais e das residenciais possuem circuitos indu-


tivos por causa do uso de equipamentos indutivos, tais como motores e reatores
de lâmpadas.
O fator de potência – também comumente chamado de cosseno fi, porque
FP = cos φ – indica o quanto o circuito é resistivo, indutivo ou capacitivo.
Em circuitos formados por resistores e ou indutores, três situações são possíveis:
a) F
P = 1 – Se a carga é puramente resistiva, não há potência reativa, portanto,
S = P. Nesse caso, a carga aproveita toda a energia fornecida pelo gerador
(efeito joule).
b) FP = 0 – Se a carga é puramente indutiva (ou reativa), não há potência ativa,
portanto, S = Q. Nesse caso, a carga não aproveita qualquer energia forne-
cida pelo gerador, ou seja, não dissipa potência, apenas troca energia com
o gerador.
c) 0
< FP < 1 – Se a carga é indutiva (impedância reativa indutiva) e resis-
tiva, há potência ativa e reativa, portanto, S2 = P2 + Q2. Nesse caso, a carga
aproveita somente uma parte da energia fornecida pelo gerador, ou seja,
somente a parte resistiva da carga dissipa potência por efeito joule.
Acompanhe o exemplo!

Q = VL x I
S=VxI

P = VR x I

Figura 103 - Triângulo das potências


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
210

Uma rede de 220 Vca alimenta um motor, que consome 2000 W. Teve sua cor-
rente medida e o instrumento marcou 10 A. Qual é a potência reativa e o fator de
potência desse motor?
A partir desse problema, podemos considerar que: P = 2000 W, I = 10 A (eficaz),
tensão da rede (V) = 220 Vef
Para calcular a potência aparente, temos:

S = V x I = 220 x 10 = 2200 VA → S = 2200 VA

Para calcular o FP, temos:

P 2000
FP = = = 0,91 FP = cos = 0,91
S 2200
Cálculo do ângulo φ:
Sabemos que cos φ = 0,91 → φ = arc cos 0,91 = cos-1 (0,91) = 24,5º → φ = 24,5º
Cálculo da potência reativa:
Q = V x I x sen φ = S x sen φ = 2200 x sen 24,5º = 2200 x 0,4 = 880 → Q = 880 VAr
As distribuidoras controlam com muito rigor o fator de potência dos consu-
midores industriais. Em casos de desrespeito aos valores mínimos, são aplicadas
pesadas multas. Por isso, é importante conhecer bem esse tema.
A seguir vamos aprender como corrigir esse fator de potência.

12.3.1 CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA (FP)

Como você viu, o FP é a relação entre a potência ativa e potência aparente que
se dá por meio da fórmula:
P
cos ϕ = FP = .
S

Conforme legislação vigente, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)


determina que o valor do FP deve ser de, no mínimo, 0,92. Essa determinação faz
sentido porque a diminuição do fator de potência faz diminuir a potência ativa
(real), aumentando a potência reativa, o que implica um aumento de corrente,
portanto, aumento das perdas.
Na maioria dos casos, a instalação elétrica é formada por cargas indutivas,
como motores elétricos e lâmpadas fluorescentes. O comportamento delas exige
que analisemos o fator de potência e que, para aumentá-lo e assim diminuir as
perdas, sejam instalados capacitores no circuito.
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
211

Quando o circuito é indutivo, a corrente está defasada em relação à tensão.


Logo, a tensão está adiantada, fazendo com que o triângulo das potências
apresente a configuração apresentada à direita, na figura a seguir.

potência reativa
S
V L Q

φ
P (potência ativa)

(a) Circuito indutivo (b) Triângulo das potências para


circuito indutivo
Figura 104 - Potência em circuito indutivo
Fonte: SENAI-SP (2014)

Em um circuito capacitivo, a corrente está adiantada em relação à tensão. O


triângulo das potências correspondente a esse circuito está representado a seguir.

P (potência ativa)
φ
potência reativa

Q
V C S

(a) Circuito capacitivo (b) Triângulo das potências para


circuito capacitivo
Figura 105 - Potência em circuito capacitivo
Fonte: SENAI-SP (2014)

Se unirmos os dois circuitos, faremos com que ocorra a diminuição da defasa-


gem, pois a potência aparente fica mais próxima da potência ativa, diminuindo a
potência reativa.
potência reativa

V L C

φ
P (potência ativa)
(a) Circuito indutivo-capacitivo (b) Triângulo das potências para
circuito indutivo-capacitivo
Figura 106 - Potência em circuito indutivo e capacitivo
Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
212

A presença do capacitor no circuito corrige o fator de potência e faz com que


ocorra a diminuição da potência reativa. Assim, o valor da potência fica mais pró-
ximo do valor da potência ativa, havendo menor consumo de energia para que a
mesma quantidade de trabalho seja realizada.
No próximo item, iremos conhecer o equipamento medidor da potência ativa,
chamado de wattímetro.

12.4 MEDIDOR DE POTÊNCIA – WATTÍMETRO

O wattímetro é o instrumento usado para medir a potência. Ele pode ser uti-
lizado tanto em circuitos de CC como nos de CA, sendo que nesses o wattímetro
mede a potência ativa P dissipada por um dispositivo ou circuito.
A leitura é feita por meio do deslocamento da bobina móvel, que é ligada ao
ponteiro e é proporcional ao produto da tensão pela corrente em fase com ela, ou
seja, é proporcional à potência ativa P.
A seguir conheceremos um equipamento medidor do fator de potência cha-
mado de cossifímetro.

12.5 MEDIDOR DE FATOR DE POTÊNCIA – COSSIFÍMETRO

O cossifímetro é um instrumento que tem como finalidade medir o fator de


potência dos circuitos elétricos.
Como o FP é uma função direta da defasagem entre a tensão e a corrente, o
cossifímetro deve possuir pelo menos uma bobina de corrente e uma bobina de
tensão, de modo que o torque sobre as bobinas seja diretamente proporcional à
intensidade de campo nas bobinas e à defasagem entre as duas grandezas.

Por volta de 1855, o cientista francês Jean Bernard Leon


Foucault observou que para fazer girar um disco de cobre
colocado entre polos de um ímã era necessário haver mais
força que quandi não havia ímã. Isso acontecia porque
surgia uma corrente parasita no cobre que era produzida
VOCÊ pela variação do fluxo do ímã no interior do metal. Essa
SABIA? variação de fluxo magnético induz uma fem no disco, que,
por sua vez, determina o aparecimento de uma corrente
elétrica em sua massa. Essa corrente induzida, chamada de
Corrente de Foucault (ou corrente parasita), gera um novo
campo magnético, que se opões ao campo magnético do
indutor, como nos ensina a Lei de Lenz.
12 POTÊNCIA ELÉTRICA EM CA
213

RECAPITULANDO

Neste capítulo, você aprendeu que:


a) a potência reativa, cuja unidade de medida é o volt-ampere reativo
(var), não realiza trabalho, mas é necessária para o funcionamento dos
motores, dos reatores e dos transformadores;
b) a potência ativa, cuja unidade de medida é o watt ( W), é aquela que
realiza de modo efetivo os trabalhos requeridos, como o esforço de tor-
ção na ponta do eixo de um motor;
c) a potência aparente, cuja unidade de medida é o volt-ampere ( VA), é a
soma vetorial das potências reativa e ativa;
d) em um circuito capacitivo, a tensão do capacitor está atrasada 90° em
relação à corrente;
e) em um circuito indutivo, a tensão do indutor está adiantada 90° em
relação à corrente;
f ) o fator de potência mede o ângulo entre a potência ativa e a potência
aparente, determinando o quão reativo é o circuito;
g) a fórmula do fator de potência, determinada pelo ângulo φ é:

P
FP = ;
S

h) de acordo com a legislação em vigor (Resolução ANEEL n° 456/2000), o


fator de potência padrão foi estabelecido em um valor mínimo de 0,92;
i) o wattímetro é o instrumento de medição de potência ativa, cuja uni-
dade de medida é W; e
j) o cossifímetro mede o fator de potência do circuito, que é representa-
do pelo ângulo entre a potência ativa e a potência aparente.
Esses conhecimentos são muito importantes para interpretar o funciona-
mento de circuitos eletroeletrônicos.
Segurança e Normatização

13

Até aqui você construiu os conhecimentos básicos sobre eletricidade. Dessa forma, já tem
as competências para responder perguntas a respeito de: matéria, fundamentos da eletricida-
de, grandezas elétricas, corrente CC e CA, potência, indutores, entre outros. No entanto, não
basta ter somente conhecimentos técnicos nas nossas atividades profissionais. É necessário
também ter conhecimentos sobre conceitos de segurança no trabalho e normatização.
Nos tópicos a seguir, você vai aprender o que é segurança, normatização, como usar cores
com enfoque em segurança, como e com que sinalizar para dar maior segurança ao profissio-
nal e as pessoas ao redor, como identificar símbolos de advertência, conhecer procedimentos
de rotina de trabalho e, por fim, conhecer mapa de risco e rota de fuga.
Assim, ao final deste capítulo você saberá:
a) o conceito de segurança e normatização;
b) o conceito de cores em eletricidade;
c) quais são as cores aplicadas na área de instalações elétricas;
d) quais são as cores utilizadas em comandos elétricos;
e) quais são as cores em tubulações industriais;
f ) quais são as sinalizações elétricas;
g) como é a sinalização para proteção de público e dos empregados;
h) sobre a existência de sinalização para a proteção do eletricista;
i) qual é a importância dos símbolos de advertência;
j) qual é a importância dos procedimentos de rotinas de trabalho;
k) o que é mapa de risco e para que serve; e
l) o que é rota de fuga e quais são alguns dos símbolos associados a ela.
ELETRICIDADE GERAL
216

13.1 CONCEITOS DE SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO

Inicialmente, realizaremos nossos estudos definindo o que é segurança e o


que é normatização. Veja:
Segurança é um conceito abrangente, aplicado normalmente em ambientes
onde existem riscos. Pode ser entendido como um conjunto de medidas que tem
o objetivo de eliminar ou minimizar riscos de acidentes.
Normatização, em linhas gerais, é uma padronização que está presente na
fabricação de produtos diversos, na transferência de tecnologia e na melhoria da
qualidade de vida, por meio de normas relativas à saúde, à segurança e à preser-
vação do meio ambiente.
Em 1947, foi criado a International Standardization Organization – ISO (Organi-
zação Mundial para a Normatização), com o objetivo principal de buscar uma pa-
dronização no mundo todo e como forma de facilitar o comércio entre os países.

Que a normatização é um conceito quase tão antigo


quanto a história do homem. Os homens das cavernas
padronizavam os sons para obterem a comunicação
oral, associando sons a objetos e ações. A fabricação de
VOCÊ tijolos de formato único e ânforas de dimensões e formas
SABIA? unificadas, no Egito, sob o domínio do faraó Thurmosis
I (XV AC) seguiam uma padronização. No início do
comércio, padronizaram-se os valores de produtos; na
revolução industrial, foi necessária a padronização de
medidas como: metro, litro, quilo, entre outros.

A norma regulamentadora que rege as áreas que envolvem eletricidade no


aspecto segurança é a NR-10 que estabelece os requisitos e condições mínimas,
objetivando a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, de
forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indireta-
mente, interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade.

Para conhecer mais sobre procedimentos de segurança


na área elétrica, consulte a norma NR 10. Ela deve estar
SAIBA disponível no acervo de normas da sua empresa. Se isso
MAIS não ocorrer, acesse um site de busca na internet e digite
“norma NR 10”. Com essa busca você encontrará muito
material publicado sobre esse assunto.

Os próximos tópicos têm o objetivo de abordar conceitos a respeito de: cores


utilizadas em eletroeletrônica, especificamente em eletricidade, sinalização elétri-
ca, símbolos de advertência, procedimentos de rotina de trabalho, mapa de risco
e rota de fuga.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
217

13.2 CORES EM ELETRICIDADE

Em eletricidade, as cores têm uma importância relativa aos aspectos de iden-


tificação, segurança, entre outros. Seu uso tem a finalidade de estabelecer uma
comunicação simples e direta de interpretação rápida com pessoas, no ambiente
de trabalho.
As cores são utilizadas na identificação de equipamentos de segurança, deli-
mitação de áreas, identificação de riscos e, em associação com frases, desenhos e
símbolos, que têm como objetivo a prevenção de acidentes.
O uso das cores, normalmente, está diretamente associado às aplicações. A
seguir são descritas algumas delas.

13.2.1 CORES APLICADAS EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

De acordo com a norma NBR 5410:2004, a identificação dos condutores em


uma instalação elétrica tem como finalidade facilitar a execução de conexões,
emendas e intervenções, em geral, para manutenção. Além disso, a correta iden-
tificação dos condutores aumenta a segurança de quem realiza esses trabalhos. A
figura a seguir ilustra alguns condutores utilizados em eletricidade.

Figura 107 - Fios utilizados em eletricidade


Fonte: SENAI-SP (2014)

13.2.2 CORES APLICADAS EM COMANDOS ELÉTRICOS

O comando elétrico é um conjunto de dispositivos eletroeletrônicos, que,


ligados de forma inteligente, têm a capacidade de controlar “coisas”. Existe um
conjunto de sinalizações padronizadas com cores aplicadas nessa área. Algumas
delas são as que apresentamos na tabela a seguir. Acompanhe.
ELETRICIDADE GERAL
218

Tabela 26 - Cores utilizadas em comandos elétricos


Cor Estado Aplicação

Vermelho Anormal Indica que a máquina está paralizada por atuação de um


dispositivo de segurança
Amarelo Atenção Valor de uma grandeza aproxima-se do seu limite
Verde Pronto para operar Máquina pronta para operar
Incolor Normal Circuíto sob tensão em operação normal
Azul Outros Todas as funções que não se aplicam como descrito acima

Trabalhando em um ambiente de natureza diversificada, o eletricista indus-


trial precisa ter uma visão mais abrangente sobre o significado das cores, prin-
cipalmente, sob o aspecto de segurança. Imagine um eletricista diante de várias
tubulações pintadas com cores diferentes e precisando saber qual delas é a elétri-
ca. Nos itens a seguir, apresentamos algumas aplicações de cores em ambientes
industriais.

13.2.3 EMPREGO DE CORES PARA IDENTIFICAÇÃO DE TUBULAÇÕES, DE


ACORDO COM A NBR 6493

A utilização de cores na identificação de tubulações segue a NBR 6493. Con-


siderando-se isso, veja, na tabela a seguir, o emprego de cores em diversos tipos
de tubulação.

Tabela 27 - Emprego de cores para identificação de tubulações


Cor Nome da cor (geral) Produto que passa na tubulação Cor (nome técnico)
Alaranjado segurança Produtos químicos não gasosos (ex. soda cáustica) Munsell 2.5 YR 6/14

Amarelo segurança Gases não liquefeitos (amônia, ozônio) Munsell 5 Y 8/12

Azul segurança Ar comprimido Munsell 2.5 PB 4/10

Branco Vapor Munsell N 9.5

Cinza claro Vácuo Munsell N 6.5

Cinza escuro Painéis elétricos e eletrodutos Munsell N 3.5

Alumínio
baixa viscosidade (diesel, gasolina, querosene,

Marrom Canalização Materiais fragmentados (minério bruto), petróleo Munsell 2.5 YR 2/4

Preto Combustíveis viscosos (óleo BPF, asfalto) Munsell N1

Verde emblema Água, exceto de combate à incêndio Munsell 2.5 G 3/4

Vermelho segurança Água e outras substâncias de combate à incêndio Munsell 5 R 4/14

Fonte: Disponível em: http://tecem.com.br/site/downloads/tabelas/tabela_31.htm Acesso em: 28/03/2013.


13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
219

VOCÊ Muitos acidentes não puderam ser evitados no passado


devido à inexistência de indicadores ou à incorreta
SABIA? identificação de circuitos energizados.

A seguir veremos as principais sinalizações pertinentes à área elétrica.

13.3 SINALIZAÇÃO ELÉTRICA

Sinalização elétrica é um procedimento padronizado destinado a orientar,


alertar, avisar e advertir, com o objetivo de eliminar riscos. Em eletricidade, a si-
nalização, em específico de segurança, deve fazer parte dos procedimentos de
trabalho.
O eletricista industrial deve preocupar-se com a sua própria segurança e com
a segurança do seu entorno. Por isso, aprenderemos a seguir como assegurar a
sinalização de segurança, a sinalização para a proteção de público e dos empre-
gados, a sinalização para proteção do eletricista e a sinalização de outros locais
de segurança.

13.3.1 SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA

A sinalização de segurança têm a finalidade de chamar à atenção de forma rápida


e inteligível, através de objetos com a finalidade de alertar sobre situações de perigo.
A figura a seguir mostra alguns artefatos utilizados em sinalização de segurança.

Figura 108 - Alguns materiais utilizadas em sinalização de segurança


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
220

Em serviços de eletricidade, adota-se a sinalização adequada de segurança,


destinada à identificação e à advertência, em conformidade com a NR-26 – Sinali-
zação de Segurança, de forma a atender, dentre outras, as situações a seguir:
a) identificação de circuitos elétricos;
b) travamentos e bloqueios de dispositivos e sistemas de manobra e comandos;
c) restrições e impedimentos de acesso;
d) delimitações de áreas; e
e) sinalização de áreas de circulação, de vias públicas, de veículos e de movi-
mentação de cargas.

13.3.2 SINALIZAÇÃO PARA PROTEÇÃO DE PÚBLICO E DOS EMPREGADOS

A sinalização para proteção de público e dos empregados é realizada quando


o serviço a executar oferecer perigo a pessoas ou ao tráfego. Nesse caso, a área de
trabalho deve ser isolada, conforme ilustra a figura a seguir.

Figura 109 - Sinalização de isolamento de área


Fonte: SENAI-SP (2014)

13.3.3 SINALIZAÇÃO PARA PROTEÇÃO DO ELETRICISTA

Essa sinalização de proteção tem o objetivo de informar o eletricista a respeito


de um procedimento de segurança que preserve a sua integridade física, como
no exemplo apresentado na figura a seguir.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
221

Figura 110 - Sinalização de segurança fixada no poste


Fonte: SENAI-SP (2014)

13.3.4 OUTROS LOCAIS COM SINALIZAÇÕES DE SEGURANÇA

Podemos observar, na figura a seguir, uma sinalização de segurança de delimi-


tação de área, que tem o objetivo de delimitar uma área de segurança.

Figura 111 - Sinalização de segurança para delimitação de área


Fonte: SENAI-SP (2014)

É necessário delimitar as distâncias mínimas de segurança


entre os locais de trabalho e partes energizadas, com
sinalização apropriada, levando em consideração estas
informações:
VOCÊ Tensão Distância mínima
SABIA? 13,8 kV → 0,6 m
34,5 kV → 1,0 m
69 kV → 1,1 m
138 kV → 1,8 m
230 kV → 2,0 m
ELETRICIDADE GERAL
222

Existem locais de riscos que devem ser sinalizados de forma simples e direta.
Uma das formas mais utilizadas são os símbolos de advertência. A seguir vamos
aprender mais a esse respeito.

13.4 SÍMBOLOS DE ADVERTÊNCIA

Agora, vamos falar um pouco sobre “símbolo”. Ele representa ou sugere algo.
É um elemento essencial no processo de comunicação. Está incluído no nosso
cotidiano.
Nas últimas décadas, a comunicação, as viagens e o comércio tornaram-se
mais presentes entre os povos, com linguagens e costumes diferentes. O uso do
símbolo se intensificou bastante, por ser uma comunicação mais universal. A pró-
xima figura ilustra alguns símbolos universalmente conhecidos.

Figura 112 - Alguns símbolos universalmente conhecidos


Fonte: SENAI-SP (2014)

Na área da eletroeletrônica, especificamente em eletricidade, os símbolos têm


uma relevante importância no quesito segurança que são designados por “sím-
bolos de advertência”.
Os símbolos de advertência são criados para chamar a atenção, serem
notados e interpretados, fornecendo informações necessárias para uma adequada
tomada de decisão, após serem observados.
Os símbolos de advertência têm a finalidade de facilitar o reconhecimento
do perigo a uma certa distância pela aparência geral (forma e cor), além de per-
mitir uma rápida identificação e tomada de decisão em função dos riscos.
O símbolo de advertência tem como propósito ser um método de comunica-
ção de informação segura ou relacionada à segurança para um público específico.
Outro propósito diz respeito à sua capacidade de promover um comporta-
mento seguro, reduzindo o comportamento de risco.
E, por fim, o símbolo de advertência tem a intenção de reduzir ou prevenir
problemas de saúde, ferimentos e danos a alguma propriedade.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
223

O universo de símbolos de advertência é muito vasto e não faz parte do


escopo deste livro expor todos. A seguir são mostrados alguns símbolos de ad-
vertência utilizados em eletricidade.

Quadro 27 - Alguns símbolos de advertência

PERIGO DE
ATENÇÃO
USO
MORTE
ALTA TENSÃO ATENÇÃO
EQUIPAMENTO
COM PARTIDA
AUTOMÁTICA

OBRIGATÓRIO
Destinado a advertir as pessoas Destinado a alertar quanto Destinado a alertar quanto à
quanto ao perigo de ultrapas- à obrigatoriedade do uso de possibilidade de exposição
sar áreas delimitadas onde determinado equipamento de a ruído excessivo e partes
haja a possibilidade de choque proteção individual volantes, quando de partida
elétrico, devendo ser instalado automática de grupos auxiliares
em caráter permanente. de emergência.

A seguir veremos alguns aspectos sobre os procedimentos de rotinas no tra-


balho

13.5 PROCEDIMENTOS DE ROTINAS NO TRABALHO

O eletricista industrial, pelo fato de conviver com a eletricidade no seu dia a


dia, deve estar ciente de que um erro no trabalho pode levá-lo à morte, seja de
forma direta ou indireta. O resultado final da ação da corrente elétrica no corpo
humano pode ser fatal.
Exatamente pelo fato de a eletricidade estar presente no seu cotidiano, o ex-
cesso de confiança faz com que ele não dê a importância necessária aos riscos
dela provenientes. O contato com partes energizadas faz com que a corrente cir-
cule pelo corpo humano, causando queimaduras, tanto internas como externas,
além de lesões físicas e psicológicas.
ELETRICIDADE GERAL
224

A resistência do corpo humano à passagem da corrente


elétrica é da ordem de 1300 ohms, quando úmido e,
dependendo da corrente que passa pelo corpo, pode ter os
seguintes efeitos:

Corrente Consequências
1 mA apenas perceptível
VOCÊ
10 mA agarra a mão
SABIA?
16 mA máxima tolerável
20 mA parada respiratória
100 mA ataque cardíaco
2A parada cardíaca
3A valor mortal

Diante desse risco, o profissional da área, deve criar e ter sempre procedimen-
tos de rotinas de trabalho. Esses procedimentos têm como objetivo definir con-
dutas básicas, necessárias para a execução de atividades em sistemas e instala-
ções energizadas.
Qualquer procedimento de rotina de trabalho deve estar amparado pelas nor-
mas vigentes e compatíveis com a atividade afim, no caso especifico da área de
eletricidade, a norma NR 10 Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade
– que deve ser de conhecimento do eletricista – contempla os requisitos de se-
gurança a serem adotados.
A norma NR-10, no item 10.5.1, contém um procedimento de trabalho de-
nominado “Segurança em Instalações Elétricas Desenergizadas” com o seguinte
conteúdo:
“Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas
para o trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a sequência:
a) seccionamento;
b) impedimento de reenergização;
c) constatação da ausência de tensão;
d) instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos con-
dutores dos circuitos;
e) proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada;
f ) instalação da sinalização de impedimento de reenergização“.
Outro exemplo pode ser visto no próximo quadro, que aponta quais são os
procedimentos de rotina de trabalho de um eletricista de manutenção de uma
distribuidora.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
225

São eles:
a) solicite à concessionária o desligamento da unidade, se necessário;
b) trave mecanicamente, por meio de cadeado, as chaves seccionadoras;
c) retire os cartuchos das chaves fusíveis;
d) bloqueie o religamento remoto de disjuntores;
e) sinalize o poste com placas de advertência: “ATENÇÃO NÃO OPERE ESTE
EQUIPAMENTO”;
f ) isole o local com cordas, bandeirolas e cones para delimitar a área;
g) teste a linha ou rede com o uso de detector de tensão;
h) instale o conjunto de aterramento temporário na BT e na AT.
Vejamos a seguir algumas informações importantes sobre mapas de risco e
rota de fuga.

13.6 MAPA DE RISCO E ROTA DE FUGA

A presença dos mapas de risco nas empresas tem auxiliado muito na diminui-
ção do número de acidentes, o que mostra a necessidade de serem aprimorados.
A seguir, vamos aprender mais a esse respeito.

13.6.1 MAPA DE RISCO

A prevenção de acidentes de trabalho no Brasil sempre foi uma coisa séria.


Após décadas de inúmeras iniciativas sem sucesso para minimizar o problema, foi
criada, em 1944, a primeira legislação, estabelecendo a formação das Comissões
Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho – CIPAs.

No início da década de 70, com o aumento da


industrialização, o número de acidentes cresceu muito. De
1975 a 1976 esse número chegou a quase 10% dos seus
trabalhadores.
VOCÊ Esse quadro catastrófico persistiu por várias décadas
SABIA? com elevadas perdas humanas e econômicas. Nesse
contexto, surgiu o Mapa de Risco. Essa iniciativa inédita
criou um instrumento que comprometia os dois lados, os
trabalhadores e os empresários com o objetivo de solução
do problema.
ELETRICIDADE GERAL
226

O mapa de risco foi implantado pela portaria no 5, editada em 1992 do Minis-


tério do Trabalho. Ela é obrigatória em empresas com grau de risco e número de
empregados que justifiquem a constituição de uma Comissão Interna de Preven-
ção de Acidentes – CIPAs.
O mapa de risco é elaborado de acordo com a Portaria no 25, pela CIPA , com
a participação dos trabalhadores envolvidos no processo produtivo e com a parti-
cipação do Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT.
O mapeamento ajuda a criar um comportamento mais cauteloso por parte
dos trabalhadores, diante dos perigos identificados e graficamente sinalizados.
Dessa forma, existe uma contribuição para eliminar os riscos de acidentes.
Esse mapeamento das áreas de risco é muito importante e de grande interesse
dos empresários, porque permite identificar pontos vulneráveis na empresa, com
vistas à manutenção e ao aumento da competitividade que fica prejudicada com
a interrupção da produção, na ocorrência de acidentes.
Muito bem, todos ganham, mas o que é o mapa de risco?
O mapa de risco é um modelo participativo entre empregador e empregados
que se tornam aliados na prevenção dos acidentes e na busca de soluções prá-
ticas para eliminar ou controlar os riscos e melhorar o ambiente e as condições
de trabalho e, como consequência, aumentar a produtividade. Com isso, todos
ganham: os trabalhadores com a preservação da vida, da saúde, e da capacidade
profissional; os empregadores com a redução das horas perdidas, danos nos equi-
pamentos e desperdícios de matéria-prima; e o País com a redução dos vultuosos
gastos feito com a Previdência Social.
Mapa de risco é uma representação gráfica de um conjunto de fatores pre-
sentes nos locais de trabalho, marcados em um planta baixa, podendo ser para
toda a empresa ou departamentos, e mais suscetíveis ao prejuízo da saúde dos
trabalhadores.
E para que serve?
O mapa de Risco tem por objetivos:
a) d
espertar maior conscientização entre os trabalhadores e disseminar infor-
mações sobre os riscos, por meio da fácil visualização dos riscos existentes
na empresa;
b) coletar informações importantes para estabelecer um diagnóstico da situ-
ação da saúde e da segurança no trabalho;
c) p
ossibilitar a troca de informações entre os trabalhadores, durante a sua
elaboração, bem como estimular sua participação nas atividades de pre-
venção.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
227

Os graus de riscos são representados por três círculos de dimensões diferen-


tes, conforme pode ser visto na figura a seguir.

Símbolo Proporção Tipos de riscos

4 Grande

2 Médio

1 Pequeno

Figura 113 - Representação dos tipos de riscos.


Fonte: SENAI-SP (2014)

As dimensões dos círculos representam os graus de riscos e as cores impressas


nos círculos representam os tipos de riscos. Na próxima figura há uma representa-
ção das grandezas e dos tipos de riscos. Observe.

Simbologia das cores Risco químico leve Risco físico leve


No mapa de risco, os riscos são
representados e indicados por Risco químico médio Risco físico médio
circulos coloridos com tamanhos
diferentes, como pode ser visto:
Risco ergonômetro Risco químico elevado Risco físico elevado

Risco biológico leve Risco ergonômetro leve Risco mecânico leve


Risco biológico Risco ergonômetro Risco mecânico
médio médio médio
Risco biológico Risco ergonômetro Risco mecânico
elevado elevado elevado

Figura 114 - Simbologia das cores em um Mapa de Risco


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
228

Administração CPD Almoxarifado BWC

Jardim

Refeitório
Linha de montagem

Cozinha
Tornearia Depósito Dispensa
e soldagem

Figura 115 - Exemplo de um Mapa de Risco


Fonte: SENAI-SP (2014)

Procedimentos preventivos contra acidentes, por mais bem elaborados que


sejam, não são garantia de que casualidades ocorram. Por isso, as saídas devem
ser bem sinalizadas por meio das rotas de fuga, que veremos a seguir.

13.6.2 ROTA DE FUGA

A rota de fuga é um mapa distribuído que contém o caminho de saída, em


caso de necessidade urgente de evacuação de um determinado local. Essa repre-
sentação é feita por meio de símbolos apropriados. Essa representação simbólica
são placas de avisos, conforme pode ser visto na figura a seguir. São utilizados em
situações de: incêndio, desabamentos e demais casos fortuitos.

SAÍDA DE EMERGÊNCIA

Figura 116 - Alguns símbolos utilizado em rota de fuga


Fonte: SENAI-SP (2014)

Em caso de fortuito, a falta de indicadores de rotas de evacuação pode causar


pânico, situação, nos momentos em que o fator tranquilidade deve ser preponde-
rante para a prevenção de acidentes mais graves. A próxima figura ilustra um local
com indicadores de rota de fuga.
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
229

Figura 117 - Ilustração de um ambiente com indicadores de rota de fuga


Fonte: SENAI-SP (2014)

CASOS E RELATOS

Era uma madrugada de janeiro de 2012, muitos jovens se divertiam em


uma boate ao sul do país, o fogo repentinamente iniciou e se alastrou rapi-
damente, o pânico se espalhou. Resultado: morreram mais de 200 pessoas.
A falta de indicadores de evacuação do prédio foi um dos grandes causado-
res do número de mortes ser tão elevado.

Para fazer um planejamento bem elaborado de rota de


fuga, é necessário levar em consideração:
VOCÊ a) As diretrizes da NR-23;
SABIA?
b) A NBR 9077 e 13434;
c) O código estadual de prevenção de incêndios.
ELETRICIDADE GERAL
230

d)
A eletricidade representa um risco para todos nós, devido
à baixa corrente elétrica que o corpo humano suporta.
O contato com as partes energizadas de uma instalação
FIQUE elétrica faz passar uma corrente elétrica através do
corpo, resultando no choque elétrico, o que pode causar
ALERTA queimaduras internas e externas. É muito grave o acidente
com eletricidade, pois causa lesões físicas, traumas
psicológicos, pode deixar sequelas e, em situações mais
graves, pode levar à morte.

Percebe-se que os profissionais da área, por terem a eletricidade muito presen-


te no seu dia a dia, acabam tornando-se extremamente confiantes no que fazem.
Essa condição os expõem a riscos elétricos maiores, já que acabam relaxando com
relação à sua própria segurança. Por isso, fique alerta! Siga sempre os procedi-
mentos de trabalho e as normas de segurança pertinentes.

RECAPITULANDO

Neste capitulo, você estudou que:


a) a normatização está presente na fabricação de produtos e na transferên-
cia de tecnologia;
b) a segurança é aplicada, normalmente, em ambientes onde existam ris-
cos;
c) a norma regulamentadora que rege as áreas que envolvem eletricidade
no aspecto segurança é a NR-10;
d) as cores em eletricidade são muito importantes, pois estão relacionadas
à segurança;
e) as cores aplicadas na área de instalações elétricas estão de acordo com
a norma NBR 5410:2004;
f ) as cores utilizadas em comandos elétricos estão associadas a determina-
das situações;
g) na área industrial, existem diversas cores para as diferentes tubulações;
h) a sinalização elétrica abrange: sinalização de segurança, sinalização para
proteção de público e dos empregados e sinalização para proteção do
eletricista;
13 SEGURANÇA E NORMATIZAÇÃO
231

i) os símbolos de advertência são elementos essenciais no processo de co-


municação para aumentar a segurança;
j) o eletricista industrial deve seguir os procedimentos de rotinas de traba-
lho;
k) o mapa de risco é importante para minimizar acidentes; e
l) a rota de fuga é importante em casos de evacuação de locais e em situa-
ções de emergência.
Você venceu mais uma etapa da sua formação profissional de Eletricista
Industrial: já adquiriu os conhecimentos básicos e necessários para seguir
adiante.
Parabéns!
Ferramentas e Dispositivos de Proteção

14

A instalação de sistemas elétricos industriais exige muito cuidado com relação à escolha e
ao uso de ferramentas e equipamentos, incluindo aqueles destinados à proteção individual do
funcionário e à proteção coletiva daqueles que estão trabalhando ou se encontram no entorno
da área onde se realiza o serviço em eletricidade. Isso porque as atividades relacionadas às ins-
talações elétricas industriais envolvem muitos riscos. Assim, todo cuidado com choques elétricos
é pouco!
Por isso, reservamos este capítulo, especialmente, para apresentar as ferramentas e os equi-
pamentos de segurança de que você necessitará para fazer um bom trabalho na área industrial,
aplicando sempre os procedimentos de trabalho.
Apresentaremos aqueles de que usualmente você mais precisará. São eles:
a) alicates;
b) escadas; e
c) equipamentos de proteção individual (EPIs) e coletiva (EPCs), específicos para serviços
em eletricidade.
Ao final deste capítulo, você será capaz de identificar e utilizar:
a) o alicate universal, o de corte diagonal, o de pico redondo, o de bico meia-cana longo
com corte, o desencapador, o bomba d’água ou gasita, o crimpador para conectores
RJ11 e RJ45 e o prensa-terminais;
b) as escadas simples ou singela, prolongável e de abrir;
c) os diversos capacetes de proteção;
d) os diversos óculos de proteção;
e) os diversos protetores auriculares e respiratórios;
f ) os diversos protetores de tronco e corpo;
g) os diversos cinturões de segurança;
h) os principais dispositivos de proteção coletiva (EPC);
i) o conjunto temporário de aterramento;
ELETRICIDADE GERAL
234

j) as varas de manobras; e
k) os dispositivos de bloqueio de chaves.
Bons estudos!

14.1 ALICATE

O alicate é uma das ferramentas mais utilizadas pelo eletricista. Ele é fabricado
com aço forjado e é composto de dois braços e um pino de articulação. As duas
extremidades de cada braço, que ficam acima do pino de articulação, recebem
o nome de cabeça.
A cabeça do alicate tem os mais variados formatos para atender às exigências
das diferentes operações que são realizadas com essa ferramenta. Assim, ela pode
ser em formato de:
a) garras para segurar;
b) lâminas de corte para cortar; ou
c) pontas para dobrar ou retirar peças de determinadas montagens.
Existem vários modelos de alicate, cada um deles adequado a um tipo de tra-
balho. O quadro a seguir reúne os tipos de alicate mais usados em serviços de ele-
tricidade.

Quadro 28 - Tipos de alicate e utilizações


14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
235
ELETRICIDADE GERAL
236

SAIBA Os sites de fabricantes de alicates certamente têm muitas


MAIS informações técnicas a respeito de seus produtos. Visite-os!

A seguir vamos conhecer as escadas mais utilizadas pelo eletricista industrial.

14.2 ESCADA

A escada é o equipamento de uso muito comum pelos eletricistas de sistemas


elétricos. São fabricadas em diversos modelos, que variam de acordo com as ne-
cessidades de uso do profissional.
O quadro a seguir apresenta modelos de escadas e suas utilizações.

Quadro 29 - Tipos de escada e aplicações


14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
237

As escadas descritas no quadro são todas de madeira e, para a segurança do


usuário, não devem apresentar farpas, saliências ou emendas. Além disso, a ma-
deira deve ser de boa qualidade, estar seca, sem nós e sem rachaduras que com-
prometam sua resistência.
As escadas são geralmente envernizadas com verniz translúcido ou tratadas
com óleo de linhaça, para que qualquer desgaste resultante de seu uso esteja
sempre visível.
Para que não fiquem escorregadios, os degraus devem estar sempre limpos,
livres de óleos, graxas e produtos químicos.
ELETRICIDADE GERAL
238

Nunca use escadas de alumínio em serviços que envolvam


FIQUE energia elétrica, pois é um material condutor. Por isso, para
ALERTA serviços com eletricidade, devem ser utilizadas apenas
escadas de madeira ou de fibra de vidro.

Ao usar uma escada, você deve observar uma série de procedimentos de segu-
rança, a fim de evitar que acidentes graves ocorram. Veja quais são eles, a seguir.
a) Verifique se a escada está em boas condições de conservação e nunca utilize
escadas com pés ou degraus quebrados, soltos, emendados, trincados ou ra-
chados. Parafusos e acessórios de fixação não podem faltar nem estar frouxos.
b) Analise se o piso sobre o qual a escada será utilizada não está escorregadio
ou se ele apresenta irregularidades.
c) Tome cuidado ao colocar a escada próxima a redes elétricas energizadas,
pois sempre existe o risco de choque elétrico.
d) Se a escada for simples, deve ser amarrada a uma estrutura firme.
e) Use sempre o cinto porta-ferramentas e um cinto de segurança, a fim de
que as duas mãos estejam livres para auxiliar na subida e na descida da
escada e para que haja sempre três pontos de contato, as duas mãos e um
dos pés.
f ) Nunca suba na escada com outra pessoa.
g) Jamais fique de costas para os degraus da escada, durante a execução do
trabalho.
Para minimizar os riscos de acidentes de trabalho, o eletricista deve estar pro-
tegido por equipamento de proteção. A seguir vamos aprender sobre os equipa-
mentos de proteção individual.

14.3 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL – EPI

O uso de equipamentos de proteção é essencial para prevenir ou minimizar


riscos e deve estar de acordo com as atividades exercidas pelo trabalhador.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) regulamenta a utilização dos EPIs
por meio da norma regulamentadora NR 6.
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
239

Segundo a norma regulamentadora NR 6, em uma


empresa, os profissionais do Serviço Especializado em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho
(SESMT) e da Comissão Interna de Previdência de
VOCÊ Acidentes (CIPA) recomendam ao empregador o EPI
adequado ao risco existente em cada atividade. Nas
SABIA? empresas desobrigadas a constituir o SESMT, cabe ao
empregador selecionar o EPI adequado ao risco, mediante
orientação de profissional tecnicamente habilitado e da
CIPA ou, na falta desta, do funcionário designado a tratar
de segurança no trabalho e dos usuários do equipamento.

Ou seja, é provável que você já saiba que existe uma infinidade de EPIs, para as
mais diversas áreas e aplicações. A seguir, apresentaremos alguns dos mais utiliza-
dos pelo eletricista de sistemas elétricos, classificados de acordo com a proteção
que oferecem. Observe os tipos ilustrados e leia as características e indicações de
uso para saber em que situação serão requisitados.
Capacetes: são utilizados em trabalhos realizados a céu aberto e em ambien-
tes confinados. Protegem contra impactos provenientes de queda ou projeção
de objetos, contra queimaduras, choque elétrico e irradiação solar. O capacete
de proteção do tipo aba frontal com viseira é usado para proteger também a face
do trabalhador, em serviços nos quais haja risco de explosões com projeção de
partículas e ou possibilidade de queimaduras provocadas por formação de arco
elétrico. Veja na figura a seguir alguns tipos de EPIs para proteção da cabeça.

Figura 118 - Equipamentos recomendados para proteção da cabeça


Fonte: SENAI-SP (2014)

Óculos de segurança: são utilizados para proteger os olhos contra impactos


mecânicos e projeção de partículas. Os óculos com lentes escuras ainda prote-
gem contra radiação ultravioleta. Veja, na figura a seguir, alguns tipos de EPIs
para proteção ocular.
ELETRICIDADE GERAL
240

Figura 119 - Tipos de óculos indicados para proteção dos olhos


Fonte: SENAI-SP (2014)

Protetores auriculares: são utilizados para proteger os ouvidos, nos trabalhos


ou ambientes que apresentam excesso de ruído. Veja, na figura a seguir, alguns
tipos de EPIs para proteção auditiva.

Figura 120 - Proteção auditiva


Fonte: SENAI-SP (2014)

Respiradores: são utilizados para proteção respiratória nos trabalhos ou em


ambientes que apresentam riscos às vias respiratórias. O respirador descartável
protege contra poeiras, fumos e névoas; o hemifacial com filtro protege contra
diversos tipos de contaminantes, particulados ou gasosos, dependendo do filtro
utilizado. Veja, na figura a seguir alguns tipos de EPIs para proteção respiratória.

Figura 121 - Equipamentos para proteção respiratória


Fonte: SENAI-SP (2014)
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
241

A seguir vamos conhecer dois tipos de EPIs de vestimenta. São eles:


a) Vestimentas de segurança: são utilizadas para proteção total ou parcial
do corpo contra riscos mecânicos, térmicos, químicos, elétricos, radioativos
ou de umidade, dependendo do tipo de vestimenta. Veja a seguir alguns
tipos de EPIs para proteção do tronco e do corpo inteiro.

Figura 122 - Equipamentos de proteção corporal


Fonte: SENAI-SP (2014)

FIQUE As vestimentas utilizadas nos trabalhos com eletricidade


devem ser retardantes a chamas, devido aos riscos
ALERTA envolvendo arcos elétricos.

b) Vestimentas de sinalização: são usadas nos trabalhos em locais com lumi-


nosidade reduzida ou com trânsito de veículos, como é o caso de rodovias,
estacionamentos, entre outros. A figura a seguir mostra um colete de segu-
rança utilizado nessas situações.
ELETRICIDADE GERAL
242

Figura 123 - Colete de sinalização


Fonte: SENAI-SP (2013)

Em algumas atividades, o uso de proteção dos membros superiores se faz ne-


cessário. A seguir são descritos quatro tipos:
a) A luva de malha é utilizada para proteção das mãos no manuseio de ferra-
mentas e peças em controle de qualidade, serviços industriais leves e trans-
porte manual de cargas leves.
b) As luvas de raspa, vaqueta e mista são usadas no transporte e manuseio
de blocos de concreto, tijolos ou cimento; em operações que desprendam
fagulhas, peças quentes ou agentes escoriantes, cortantes ou perfurantes;
em serviços de funilaria e montagem de estruturas metálicas, entre outros.
c) A luva de borracha nitrílica serve para proteger as mãos no manuseio de
produtos químicos e biológicos e inspeção de peças.
d) A luva isolante de borracha possui diferentes classes e é utilizada por
profissionais da área da eletricidade para trabalhos em redes energizadas.
Veja a tabela a seguir.
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
243

Tabela 28 - Classe de isolação das luvas de borracha

Fonte: ABNT. NBR 10622:1989: luvas isolantes de borracha: especificação. Rio de Janeiro: ABNT, 1989.

A luva de cobertura é utilizada exclusivamente para a proteção da luva iso-


lante de borracha. As mangas de borracha protegem braços e antebraços contra
choques elétricos, durante trabalhos em circuitos elétricos energizados. Existem
também mangas de proteção contra escoriações, as quais podem ser de algodão,
raspa ou lona, entre outros materiais adequados.
O creme protetor de segurança dos membros superiores é usado para pro-
teger a pele contra agentes químicos agressivos, por exemplo, cal, cimento, colas,
graxas, resinas, tintas, vernizes, entre outros.
ELETRICIDADE GERAL
244

A figura a seguir mostra alguns EPIs para proteção dos membros superiores.

Luva de malha Luva de raspa Luva de vaqueta

Luva mista (vaqueta e raspa) Luva de borracha nitrílica Luva isolante de borracha

Luva de cobertura Mangas de borracha Creme protetor

Figura 124 - Equipamentos para proteção dos membros superiores


Fonte: SENAI-SP (2014)

Calçados de segurança são utilizados em trabalhos realizados em diversos


tipos de ambientes, tais como industriais, de construção civil, automobilísticos,
agrícolas, administrativos, de transporte de cargas e outros. Protegem contra im-
pactos provenientes de queda ou projeção de objetos, contra queimaduras, cho-
que elétrico, agentes escoriantes, cortantes, perfurantes, químicos, entre outros,
conforme as características técnicas do equipamento. A figura a seguir mostra
alguns EPIs para proteção dos membros inferiores.
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
245

Tênis de segurança Sapato de segurança

Botina de segurança Bota de segurança

Figura 125 - Calçados de segurança, que protegem os membros inferiores


Fonte: SENAI-SP (2014)

e)
Os calçados de segurança podem ser fonecidos com ou
sem biqueira, dependendo da atividade desenvolvida
FIQUE pelo trabalhador. A biqueira protege os dedos dos pés
ALERTA contra quedas de objetos. Mas cuidado: para trabalhos
com eletricidade, os calçados não devem conter biqueiras
metálicas.

Existem também perneiras de segurança, que protegem as pernas contra


agentes abrasivos, escoriantes, cortantes, perfurantes e térmicos e ainda respin-
gos de água e de produtos químicos.
Operações com riscos de queda estão presentes nas atividades do eletricista. A
seguir, são descritos alguns dispositivos de segurança que, se utilizados adequa-
damente, eliminam os riscos.
a) Cinturões de segurança: são utilizados nos trabalhos em altura. De acordo
com a norma regulamentadora NR 35, é considerado trabalho em altura toda
atividade executada acima de 2 m do nível inferior, em que haja risco de queda.
b) Trava-quedas: são dispositivos usados em conjunto com os cinturões
de segurança. Existem trava-quedas do tipo deslizante e retrátil. O tipo
deslizante é acoplado ao cinturão e a uma linha de ancoragem vertical, que
ELETRICIDADE GERAL
246

pode ser composta de um cabo ou trilho de aço, ou corda de material sin-


tético. Ele pode ser facilmente reposicionado à medida que o trabalhador
se movimenta verticalmente. O tipo retrátil é acoplado ao cinturão e a um
ponto de ancoragem fixo. É composto de cabo de aço ou fita sintética e
possui um dispositivo que trava, automaticamente, o equipamento, ao sof-
rer um impacto, impedindo a queda do trabalhador.
c) Talabartes de segurança: também são utilizados em conjunto com os cin-
turões de segurança, assim como os trava-quedas. São compostos de alças
e ganchos, que são presos ao cinturão de segurança e aos pontos de ancor-
agem. A figura a seguir, mostra alguns EPIs para proteção contra quedas
com diferença de nível.

Cinturão de segurança do tipo paraquedista Trava-quedas deslizante

Trava-quedas retrátil Talabartes de segurança

Figura 126 - Equipamentos para proteção contra quedas com diferença de nível
Fonte: SENAI-SP (2014)
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
247

Conforme prescrição da NR 35, todo trabalho em altura


FIQUE deve ser realizado sob supervisão, cuja forma será definida
ALERTA pela análise de risco de acordo com as peculiaridades da
atividade.

A movimentação do trabalhador em plataformas, andaimes


FIQUE ou outras superfícies altas requer o uso de talabartes com
no mínimo duas alças, para que o cinturão se mantenha
ALERTA preso a um ponto de ancoragem enquanto a outra alça é
reposicionada.

Para minimizar os riscos de acidentes de trabalho, o trabalhador deve estar


protegido por equipamento de proteção. A seguir, vamos aprender sobre os equi-
pamentos de proteção coletiva.

14.4 EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO COLETIVA (EPC)

Equipamento de proteção coletiva é todo dispositivo, sistema ou meio (fixo


ou móvel) de abrangência coletiva destinado a preservar a integridade física e a
saúde das pessoas.
Assim como os EPIs, existe uma infinidade de EPCs, para as mais diversas finali-
dades. Veja a seguir os tipos mais comuns usados nas instalações elétricas.
Cones e fitas de sinalização: são comumente utilizados para identificar e sina-
lizar áreas interditadas ou sujeitas a manutenções, reformas ou adequações, tais
como vias públicas, lojas, shoppings, locais de eventos, entre outros. A figura a se-
guir mostra a sinalização por cone e fita.

Cone de sinalização Fita de sinalização


Figura 127 - Cone e fita de sinalização
Fonte: 123RF (2014)
ELETRICIDADE GERAL
248

Grades metálicas: são usadas na interdição ou delimitação de locais de traba-


lhos, como poços de inspeção, galerias subterrâneas etc. A figura a seguir mostra
uma grade de delimitação de área.

Figura 128 - Grade metálica, utilizada para interditar ou delimitar áreas


Fonte: 123RF (2014)

Mantas, lençóis e tapetes isolantes: são utilizados em trabalhos em Sistemas


Elétricos de Potência (SEPs). As mantas e os lençóis funcionam como barreiras ou
invólucros em linhas elétricas energizadas, e os tapetes formam uma proteção em
manobras de chaves elétricas de média tensão. A figura a seguir mostra um EPC
de isolamento contra energia elétrica.

Figura 129 - Lençol isolante contra energia elétrica


Fonte: 123RF (2014)
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
249

Os EPCs para aterramento temporário são utilizados para segurança. Eles são
de dois tipos:
a) Conjunto de aterramento temporário: é utilizado no aterramento de
chaves seccionadoras em Sistemas Elétricos de Potência (SEPs) sob inter-
venção de manutenção. Esse aterramento visa proteger os trabalhadores
de eventuais erros de manobra, tensões induzidas, descargas de capaci-
tores e atmosféricas ou energização acidental dos circuitos. A figura a seguir
mostra conjuntos de aterramento temporário.

Figura 130 - Conjuntos de aterramento temporário


Fonte: SENAI-SP (2014)

b) Varas de manobras: são usadas nos SEPs, em manobras de chaves elé-


tricas, operação de conjunto de aterramento temporário, operação de de-
tectores de tensão e substituição de fusíveis em redes de distribuição de
energia. A figura a seguir mostra um conjunto de varas de acionamento

Figura 131 - Varas de manobra


Fonte: SENAI-SP (2014)

Os dispositivos de bloqueio de chaves são utilizados para impedir o aciona-


mento de chaves durante as intervenções em instalações elétricas. A figura a se-
guir mostra os EPCs para bloqueio de chaves.
ELETRICIDADE GERAL
250

Cadeado Garra de travamento Cartão de advertência

Figura 132 - Dispositivos de bloqueio de chaves


Fonte: SENAI-SP (2014)

CASOS E RELATOS

Nunca deixe o EPI de lado.


Sr. Valdemar da Silva Teimosia era um profissional com muitos anos de ex-
periência em manutenção elétrica. Devido ao aumento de serviço, a em-
presa em que ele trabalhava há 25 anos decidiu contratar um estagiário para
ajudar nas tarefas diárias.
Logo que chegou ao setor de Manutenção, o estagiário retirou seus adornos,
guardando-os em seu armário, separou os EPIs que recebeu da empresa e
apresentou-se para o trabalho. Ao observar tais atitudes, Sr. Valdemar foi logo
repreendendo o novato, dizendo-lhe que nada disso seria necessário, pois os
acidentes ocorrem somente com aqueles que não têm atenção ao trabalho.
Pacientemente, o estagiário lhe explicou que os acidentes podem ocorrer
em qualquer momento e que o maior beneficiado com a segurança é o pró-
prio trabalhador. Citou também alguns exemplos de acidentes dados na es-
cola, nas aulas de Segurança do Trabalho.
As palavras ditas pelo novato fizeram Sr. Valdemar refletir sobre suas atitu-
des. Não seria nada agradável se ele, após tantos anos de trabalho, sofresse
um acidente que o deixasse incapacitado pelo resto de sua vida. Assim, o
experiente profissional começou a utilizar seus EPIs, que há muito tempo
estavam guardados em seu armário.
14 FERRAMENTAS E DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO
251

Um dia, ao fazer um serviço no setor de Tornearia da empresa, Sr. Valdemar


foi surpreendido por fragmentos de aço que foram projetados na direção
dos seus olhos. Quando retornou ao seu setor, notou que as lentes dos seus
óculos de proteção estavam danificadas, pois haviam sido atingidas por
aqueles fragmentos. Emocionado, ele chamou o estagiário, abraçou o nova-
to e agradeceu pelos conselhos que salvaram sua visão.
A partir desse dia, Sr. Valdemar passou a ajudar nas atividades da CIPA na
empresa, orientando aqueles que, assim como ele, não davam importância
ao uso de EPIs.

RECAPITULANDO

Neste capitulo, você aprendeu sobre:


a) as ferramentas e os equipamentos apropriados para cada tipo de ati-
vidade realizada pelo eletricista e a importância de identificá-los para o
uso correto;
b) o alicate e a escada, que são os componentes mais utilizados pelo ele-
tricista, mas que exigem atenção quanto às regras de segurança; e
c) os principais aspectos referentes à segurança, com ênfase aos EPIs e
EPCs mais usados pelos instaladores de sistemas elétricos prediais.
Esperamos que, após os estudos realizados até aqui, você esteja apto a de-
finir as ferramentas e os equipamentos de segurança necessários para a ins-
talação de sistemas elétricos, quando for planejar seu trabalho.
Parabéns! Você venceu mais uma etapa rumo ao seu objetivo final. Agora
você conhece as principais ferramentas e dispositivos de proteção que de-
vem ser utilizados pelo eletricista. Muito em breve você vai ter a oportuni-
dade de utilizá-los.
Sistemas de Distribuição

15

Nos capítulos anteriores, você adquiriu todo o conhecimento básico sobre eletricidade.
Neste, vai aprender os caminhos que a eletricidade percorre da geração até o consumidor e de
que maneira ela é distribuída para os diversos tipos de consumidores.
Assim, ao final deste capítulo você será capaz de:
a) reconhecer, de forma geral, um sistema energético;
b) entender o que é geração;
c) saber o que é estação elevadora;
d) compreender o que é transmissão;
e) saber o que é estação rebaixadora;
f ) entender o que é distribuição;
g) explicar as formas de distribuição de energia ao consumidor; e
h) reconhecer os perfis dos consumidores.
Esperamos que este capítulo possa ajudá-lo a ter uma visão dos sistemas de distribuições
de energia e de algumas particularidades a eles associados.
ELETRICIDADE GERAL
254

15.1 VISÃO DO SISTEMA ENERGÉTICO

Como as hidrelétricas do nosso país, geralmente, estão longe dos grandes cen-
tros de consumo, é possível imaginar a importância da transmissão e da distribui-
ção da energia elétrica no planejamento energético do país.
Os consumidores de energia elétrica (indústrias, hospitais, residências etc.)
têm seu provimento, normalmente, vindo de concessionária de energia elétrica
também conhecida como distribuidora.
A figura a seguir ilustra de forma simples um modelo de sistema de geração,
transmissão e distribuição de energia elétrica.

GERAÇÃO
Transformador

TRANSMISSÃO
Subestação
Usina Hidroelétrica
Transmissora

Subestação
Distribuídora

CONSUMIDORES
COMERCIAIS
E INDUSTRIAIS
DISTRIBUIÇÃO

CONSUMIDORES RESIDENCIAIS

Figura 133 - Ilustração das diversas etapas do estágio da geração de energia elétrica até o consumidor
Fonte: SENAI-SP (2014)

Em geral, o ciclo completo de geração de energia elétrica até o consumidor é


feito em cinco estágios:
a) geração;
b) elevação da tensão;
c) transmissão;
d) estação rebaixadora; e
e) distribuição.
Vejamos cada um deles.
15 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO
255

15.1.1 GERAÇÃO

A geração é a conversão da energia cinética da água que move as pás do ge-


rador e gera uma tensão que está dentro da faixa de 2 kV a 15 kV.

15.1.2 ELEVAÇÃO DA TENSÃO

A transmissão da energia com a tensão da geração por longas distâncias é invi-


ável devido às perdas nos cabos. Por isso, é necessário elevar a tensão para fazer a
transmissão dessa energia. Isso é feito por meio da “estação elevadora de tensão”,
para uma faixa de tensão entre 138 kV a 765 kV.

15.1.3 TRANSMISSÃO

As usinas geradoras nem sempre situam-se próximas aos centros consumi-


dores. Por isso, é preciso transportar a energia elétrica produzida nas usinas até
os locais de consumo: cidades, indústrias, fazendas e outros. Para realizar esse
transporte é que são construídas as subestações e as linhas de transmissões. Esse
transporte de energia é feito com tensões entre 138 kV a 765 kV .

15.1.4 ESTAÇÃO REBAIXADORA

A função do sistema de transmissão é levar energia próxima aos centros de


distribuição. Entretanto, para que possa ser utilizada pelos consumidores em in-
dústrias, residências etc., é necessário fazer a conversão de alta tensão, na faixa de
138 kV a 765 kV, para média tensão, na faixa de 2 kV a 34 k5, sendo as mais comuns
13 k 8 V e 34 k 5 V.
O local onde se processa essa conversão é chamado de estação rebaixadora,
também conhecida como abaixadora, ou subestação de distribuição. Uma subes-
tação de distribuição tem como características:
a) possuir transformadores para a redução da tensão para a distribuição e
b) possuir, em geral, dispositivo como disjuntores e chaves com a finalidade
de desconectar-se da rede de transmissão ou distribuição.
ELETRICIDADE GERAL
256

15.1.5 DISTRIBUIÇÃO

A rede de distribuição recebe a energia da subestação em um nível de tensão


adequado à distribuição por toda a cidade e em valores contidos na faixa de 2 kV
a 34 k 5 V. Os valores mais comuns de tensão de 13 k 8 V e 34 k 5 V são utilizados
pelos grandes consumidos. Conhecida como rede primária, para os pequenos
consumidores, essa tensão é transformada para a tensão secundária por meio de
transformadores instalados nos postes das cidades. Essa tensão fornece a energia
elétrica diretamente para as residências, para o comércio e outros locais de con-
sumo, em um nível de tensão adequado ao uso.
A figura a seguir ilustra um sistema de distribuição.

Subestação
Distribuídora

CONSUMIDORES
COMERCIAIS
E INDUSTRIAIS
DISTRIBUIÇÃO

CONSUMIDORES RESIDENCIAIS
Figura 134 - Ilustração de um sistema de distribuição
Fonte: SENAI-SP (2014)

A distribuição de energia está muito vinculada à concessionária (distribuidora)


de cada região, não havendo uma padronização de fato.
Algumas variantes de fornecimento de energia, que serão descritas no próxi-
mo item, podem ser encontradas entre as diversas distribuidoras.

15.2 FORMAS DE DISTRIBUIÇÃO PARA O CONSUMIDOR

A distribuição da energia ao consumidor deve ser escolhida considerando-se


a potência a ser consumida e os limites de utilização da fonte disponível pelo dis-
tribuidor da energia elétrica .
O sistema de distribuição de energia elétrica no Brasil é operado por 64 con-
cessionárias. O fornecimento de energia fornecido por elas aos consumidores não
segue um padrão propriamente dito.
15 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO
257

Em geral, as distribuidoras de energia ou concessionárias dividem o forneci-


mento de energia em, basicamente, quatro faixas de consumidores:
a) Faixa 1 – perfil de consumidor:
• em geral, até 12 kW;
• distribuído em sistemas monofásicos a dois fios;
• as tensões fornecidas são 127, 220 V, entre outras.
Obs.: Esses valores podem variar de distribuidora para distribuidora

Monofásico a
2 condutores

Figura 135 - Ilustração de um sistema de fornecimento de energia monofásico


Fonte: SENAI-SP (2014)

b) Faixa 2 – perfil de consumidor:


• em geral até 25 kW;
• distribuição em sistema bifásico a três fios, como vemos na próxima fi-
gura;
• em geral, as tensões encontradas são: 127 e 220 V.
Obs.: Esses valores podem variar de distribuidora para distribuidora.

L1

Bifásico a 3
condutores N

L2

Figura 136 - Sistema bifásico a três fios


Fonte: SENAI-SP (2014)

c) Faixa 3 – perfil de consumidor:


• em geral, até 75 kW;
• distribuição em sistema trifásico, a três ou quatro fios;
• o sistema a três fios pode ser na configuração estrela ou triângulo,
conforme mostra a figura a seguir;
• em geral, as tensões trifásicas, dependendo da concessionária,
podem ser de 220/127 V, 380/220 V, 254/127 V, entre outras.
ELETRICIDADE GERAL
258

L1 L1
Trifásico a 3 Trifásico a 3
condutores condutores

Triangulo
Estrela

L2 L2
L3 L3

Figura 137 - Sistema trifásico a três fios em triângulo ou estrela


Fonte: SENAI-SP (2014)

Na configuração, o sistema a quatro fios pode ser estrela ou triângulo, com


neutro, conforme mostra a figura a seguir.

L1 L1
Trifásico a 4 Trifásico a 4
condutores condutores

Triangulo
Estrela
N

L2 L2
L3 N
L3

Figura 138 - Sistema trifásico a quatro fios em triângulo ou estrela com neutro
Fonte: SENAI-SP (2014)

d) Faixa 4 – perfil de consumidor:


• geral, acima de 75 kW;
• o fornecimento da energia é em média tensão;
• a tensão depende da distribuidora, em geral, 13 k 8 V ou 34 k 5 V.

Os tipos de sistemas de fornecimento de energia elétrica


podem variar de distribuidora para distribuidora. Por
isso, antes de iniciar um projeto elétrico, verifique na sua
FIQUE área quais são os padrões de fornecimento de energia
ALERTA da distribuidora da sua região. Por exemplo, na área de
concessão da Elektro, se a potência ativa for inferior a 12
kW, o fornecimento monofásico é feito a dois fios, uma fase
e um neutro com tensão de 127 V.

Segundo a concessionária Companhia Paulista de Força


e Luz – CPFL, a energia elétrica é fornecida na frequência
VOCÊ nominal de 60 Hz e nas tensões secundárias nominais de
SABIA? 220 V entre fases, e 127 V entre fase e neutro (220 V/127 V),
exceto nas cidades de Lins e Piratininga, onde as tensões
são de 380/220 V.
15 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO
259

O art. 1º do Decreto no 97.280, de 16 de dezembro de 1988,


estabeleceu tensões nominais padronizadas, conforme
segue:
- transmissão e subtransmissão: 750; 500; 230; 138; 69;
34,5; 13,8 kV;
- distribuição primária em redes públicas: 34,5 e 13,8 kV;
SAIBA - distribuição secundária em redes públicas: 380/220 V e
MAIS 220/127 V volts, em redes trifásicas; 440/220 V e 254/127
V volts, em redes monofásicas.
Esse padrão é uma das diretrizes da Aneel e até hoje não
foi plenamente adotado pelas distribuidoras.
Para conhecer mais sobre esse decreto, acesse um site de
busca na internet e digite “Decreto no 97.280, de 16 de
dezembro de 1988”.

A seguir, está representado o padrão de fornecimento de energia do sistema


de distribuição de baixa tensão (BT) da concessionária Eletropaulo.

Fase força (4º fio)

V
Fase

V
Neutro
V
V
Fase

Fase

Fase V

V V

Fase

V
V

Neutro

Figura 139 - Sistema de distribuição de tensões em BT da concessionária Eletropaulo


Fonte: SENAI-SP (2014)
ELETRICIDADE GERAL
260

Com esse padrão de distribuição, a Eletropaulo pode fornecer, de acordo com


o transformador, em:

a) Triângulo (Delta)
• onofásico: 115 V (F-N) e 230 V (F-F) em dois fios;
m
• bifásico: 115 V (F-N), 115 V (F-N) e 230 V (F-F) em três fios;
• trifásico: 230 V, em três fios.

b) Estrela
• onofásico: 127 V (F-N) e 220 V (F-F) em dois fios;
m
• bifásico: 127 V (F-N), 127 V (F-N) e 220 V (F-F) em três fios;
• trifásico: 220 V em quatro fios.

c) Estrela (outro transformador)


• trifásico: 380 V, em quatro fios.

O sistema trifásico é o mais utilizado na transmissão


de energia elétrica. Em geral, existe uma preferência
por sistemas trifásicos em vez de monofásicos para a
transmissão de energia por diversas razões, das quais
destacamos as seguintes:
a) condutores de menor diâmetro podem ser usados para
VOCÊ transmitir a mesma potência à mesma tensão, o que
SABIA? reduz os custos de instalação e manutenção das linhas;
b) linhas mais leves são mais fáceis de instalar, sendo que
as torres de sustentação podem ser mais delgadas e
mais espaçadas;
c) equipamentos e motores trifásicos apresentam melhores
características de partida e de operação que os sistemas
monofásicos.
15 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO
261

CASOS E RELATOS

Joaquim, um eletricista muito experiente, em uma determinada manhã


de terça-feira foi chamado por uma pequena empresa metalúrgica, para a
qual, normalmente, prestava serviços de manutenção. O dono pediu deses-
peradamente que ele fosse até lá, pois estava acontecendo um problema
elétrico e a produção não poderia parar por muito tempo.
Assim que o eletricista chegou ao local, fez a análise da situação e concluiu
que o problema vinha de fora da rede interna, mais precisamente da rede
de distribuição. Ele, então, explicou ao dono da empresa que esse tipo de
manutenção era de responsabilidade da distribuidora de energia e o que
poderia entrar em contato com ela para explicar o problema e solicitar, com
urgência, o reparo.
Esse caso nos mostra que o eletricista tem que conhecer os limites de suas
responsabilidades.
ELETRICIDADE GERAL
262

RECAPITULANDO

Neste capítulo aprendemos:


a) quais são as etapas de um sistema energético;
b) que a tensão de geração está entre 2kV a 15KV;
c) que, para a transmissão, é necessário elevar a tensão nas estações ele-
vadoras para minimizar as perdas nos cabos da transmissão;
d) que as usinas geradoras normalmente estão longe dos consumidores
e por isso são necessárias as linhas de transmissão para o transporte da
energia elétrica;
e) que a energia é transportada em alta tensão e é convertida para
média tensão próxima aos centros de distribuição através das estações
rebaixadoras;
f ) que a distribuição é a etapa na qual a energia é conduzida para os con-
sumidoras através de uma rede de média e baixa tensão;
g) que a energia é distribuída para consumidores em baixa tensão em sis-
temas monofásicos até 12 kW;
h) que a energia é distribuída para consumidores em baixa tensão em sis-
temas bifásicos até 25 kW;
i) que a energia é distribuída para consumidores em baixa tensão em sis-
temas trifásicos até 75 kW;
j) que a energia acima de 75 kW é distribuída para usuários em media
tensão; e
k) que a forma de distribuição e tensão pode variar entre concessionárias.
Parabéns você chegou ao final deste livro! Foi uma longa caminhada, mas
muito importante! Aqui você aprendeu todos os conceitos básicos de ele-
tricidade. A etapa seguinte será colocar a mão na massa, por meio da uni-
dade curricular Instalações Elétricas.
Boa sorte!
15 SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO
263

Anotações:
REFERÊNCIAS

ALBUQUERQUE, R. O. Circuitos em corrente alternada. São Paulo: Érica, 1997. (Coleção Estude e
Use, Série Eletricidade).
ANEEL. Usinas hidrelétricas no Brasil. Disponível em: <http://www.aneel.gov.br/arquivos/gif/
brasil.jpg>. Acesso em: 6 dez. 2011.
ANZENHOFER, K. et al. Eletrotécnica para escolas profissionais. 3. ed. São Paulo: Mestre Jou,1980.
BRIAN, M. Como funciona a eletricidade. Tradução de HowStuffWorks Brasil. Disponível
em:<http://ciencia.hsw.uol.com.br/eletricidade.htm>. Acesso em: 7 fev. 2012.
BRYSON, B. Em casa: uma breve história da vida doméstica. Tradução de Isa Maria Lando. São Paulo:
Companhia das Letras, 2011.
CIPELLI, M.; MARKUS, O. Ensino modular: eletricidade – circuitos em corrente continua. São Paulo:
Érica, 1999.
COLEGIO WEB. Eletrostática. Disponível em: <http://www.colegioweb.com.br/fisica/eletrostaticae-
carga-eletrica.html>. Acesso em: 9 fev. 2011.
FACULDADE DE ODONTOLOGIA DE RIBEIRÃO PRETO. História da eletricidade. Disponível em:
<http://www.forp.usp.br>. Acesso em: 8 fev. 2012.
GOZZI, G. G. M. Circuitos magnéticos. São Paulo: Érica, 1996. (Coleção Estude e Use, Série
Eletricidade)
INTERMEDIATE energy infobook. History of electricity. Disponível em: <http://www.need.org/
needpdf/infobook_activities/IntInfo/Elec3I.pdf>. Acesso em: 6 dez. 2011.
KOLLER, A. As leis de Kirchhoff. Tradução e adaptação do Setor de Divulgação Tecnológica
Siemens S.A. São Paulo: Siemens AG/Edgar Blucher, 1976.
LOURENCO, A. C. de; CRUZ, E. C. A.; CHAVERI JUNIOR, S. Circuitos em corrente continua. 4. ed. São
Paulo: Érica, 1998. (Coleção Estude e Use, Série Eletricidade).
MARKUS, O. Circuitos elétricos: corrente continua e corrente alternada: teoria e exercícios. 8. ed.
São Paulo: Érica, 2008.
MILEAF, H. (Org.). Eletricidade 4. Tradução de Edson Aragão Farqui. São Paulo: Martins Fontes,
1983.
______. Eletricidade 5. Tradução de Edson Aragão Farqui. São Paulo: Martins Fontes, 1983.
MORAES, A. A. de; NOVAES, R. C. R.; CAETANO, J. C. Eletricidade básica. São Paulo: SENAI, 1999.
238p.
______; _______; ______. Análise de circuitos elétricos. São Paulo: SENAI, 2000. 239 p.
MUNDO CIÊNCIA. História da eletricidade. Disponível em: <http://www.mundociencia.com.br/
física/eletricidade/Histosriaeletricidade.htm>. Acesso em: 8 fev. 2012.
MUNDO EDUCACAO. Corrente elétrica. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com.br/
física/corrente-eletrica.htm>. Acesso em: 8 fev. 2012.
______. História da eletricidade. Disponível em: <http://www.mundoeducacao.com.br/fisica/
aHistória- eletricidade.htm>. Acesso em: 26 dez. 2011.
PALANDI. Joecir. Eletromagnetismo. Disponível em http://www.ebah.com.br/content/
ABAAAA0bcAK/eletromagnetismo-ufsm#. Acesso em: 02 de março de 2013
PORTAL SÃO FRANCISCO. História da eletricidade. Disponível em: <http://www.
portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-eletricidade/historia-da-eletricidade-1.php>. Acesso
em:8 fev. 2012.
RAMALHO JUNIOR, F.; FERRARO, N. G.; SOARES, P. A. de T. Os fundamentos de física. 7. ed. São
Paulo: Moderna, 1999.
RUSSEL, J. B. Química Geral. Tradução e revisão técnica de Marcia Guekezian et. al. 2. ed. São Paulo:
Makron Books, 1994. v. 1.
SERVICO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. SP. Iniciação a eletricidade. 4. ed. São Paulo:
SENAI-SP, 2010.
SERVICO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. SP. Análise de circuitos elétricos: teoria. 4.
ed. São Paulo: SENAI-SP, 2011.
SERVICO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL. SP. Eletricidade geral: teoria. 6. ed. São
Paulo: SENAI-SP, 2011.
VAN VALKENBURG, NOOGER; NEVILLE INC. Eletricidade básica. Tradução de Fausto João Mendes
Cavalcanti. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1982. v. 3.
WIKIPEDIA. Energia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Energia>. Acesso em: 6 dez.
2011.
______. Eletricidade. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Eletricidade>. Acesso em: 26
dez. 2011.
______. Poraque. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Poraqu%C3%AA>. Acesso em: 26
dez. 2011.
______. História do eletromagnetismo. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/
Hist%C3%B3ria_do_eletromagnetismo>. Acesso em: 6 fev. 2011.
______. Corrente elétrica. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrente_
el%C3%A9trica>. Acesso em: 8 fev. 2012.
MINICURRÍCULO DOS AUTORES

Edson Kazuo Ino é Técnico em Eletrônica e atuou na USIMINAS como supervisor de inspeção
elétrica. Foi responsável pela modernização e automação de equipamentos eletroeletrônicos, uti-
lizando CLP’s, conversores e inversores. Coautor da apresentação do processo de automação no
seminário ABM (Associação Brasileira de Metais), em 2007. Na área de ensino, foi autor e coautor
no treinamento de inversor de frequência na escola Antônio Souza Noschese – SENAI de Santos.
Atualmente, ministra treinamentos de NR10, comandos elétricos, instalações elétricas, inversores
de frequência e elabora material e kits didáticos para o curso Técnico de Eletroeletrônica a distân-
cia do Programa Nacional de Oferta de Educação Profissional do SENAI – PN-EAD.

Luiz Carlos Gomes é Engenheiro Elétrico, modalidade eletrônico; pós-graduado em mecatrônica,


pela UNINOVE-SP e em automação industrial pela Faculdade SENAI-SP. Atuou na área de desen-
volvimento de produtos eletroeletrônicos de 1983 a 2010, na empresa Monytel S/A e a partir de
2011 trabalha como Instrutor de Formação Profissional na área de Eletroeletrônica no SENAI–SP.
ÍNDICE

C
Circuito elétrico 50
Contraeletromotriz 154

D
Display 40

F
Força eletromotriz 136

G
Galvanômetro 152

L
Lúmen (lm) 126

N
Nanotecnologia 38

P
Potência matemática 36

O
Osciloscópio 164

V
Valência 26
Voltímetro analógico 38
SENAI – DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP

Rolando Vargas Vallejos


Gerente Executivo

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo Adjunto

Diana Neri
Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros

SENAI – DEPARTAMENTO REGIONAL DE SÃO PAULO

Walter Vicioni Gonçalves


Diretor Regional

Ricardo Figueiredo Terra


Diretor Técnico

João Ricardo Santa Rosa


Gerente de Educação

Airton Almeida de Moraes


Supervisão de Educação a Distância

Marta Dias Teixeira


Supervisão de Meios Educacionais

Henrique Tavares de Oliveira Filho


Márcia Sarraf Mercadante
Silvio Geraldo Furlani Audi
Coordenação do Desenvolvimento dos Livros

Edson Kazuo Ino


Luiz Carlos Gomes
Elaboração

Henrique Tavares de Oliveira Filho


Revisão Técnica

Margarida Maria Scavone Ferrari


Regina Célia Roland Novaes
Design Educacional
Alexandre Suga Benites
Ednei Marx
Juliana Rumi Fujishima
Leury Giacometi
Lucas Auler
Zana Costa
Ilustrações

Marcos Antônio Oldigueri


Tratamento de Imagem

Barbara Vieira
Humberto Pires Junior
Margarida Maria Scavone Ferrari
Revisão Ortográfica e Gramatical

I2 Designer
Laura Martins Rodrigues
Diagramação

i-Comunicação
Projeto Gráfico

Observação:
Este livro contém conteúdos extraídos e adaptados de:
SENAI-DN e SENAI-SP. Eletricidade. SENAI-DN: Brasília, 2013 (Série Eletroeletrônica).