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Entrevista com profissional da área da psicologia.

Observação: Para facilitar a leitura desta entrevista denominarei o entrevistador de A e o


entrevistado de B. É importante ressaltar que não utilizaremos quaisquer tipos de identificação
dos entrevistados, afim de não criar qualquer tipo de desconforto para os mesmos.
Acreditamos ainda que o anonimato permitirá uma maior liberdade e sinceridade quanto aos
fatos aqui narrados.

A: Inicialmente, para dar início a esta entrevista, gostaria de agradecer quanto a sua
presença para a realização desta pesquisa e fico feliz pela possibilidade deste diálogo. Como
ponta pé inicial, queria logo de cara perguntar o que é depressão.

B: Fico feliz de estar ajudando neste trabalho e também pelo espaço para poder falar. Bom, a
gente escuta todos os dias em nosso cotidiano, seja de forma direta (com pessoas de nosso
convívio) ou indireta (jornais, revistas, etc.), sobre a palavra depressão. É uma doença que
infelizmente tem crescido em nossa sociedade. Nunca em todos a história se foi registrado a
existência de tantos casos desta doença.

Bom, o jeito mais fácil de explicar o que é essa doença é dizer que é uma doença de caráter
psicológico. Sua origem está ligada à vários desdobramentos da experiência humana. Podemos
ver a depressão como uma inconstância de certos hormônios presentes no sistema nervoso,
que provoca certas respostas fisiológicas. Podemos ver a depressão como uma doença social,
que afeta certos grupos ou indivíduos que se localizam em certas camadas sociais ou com
certas interações com o ambiente urbano, mas acima de tudo é uma doença psicológica, que
pode ser causada por vários fatores, como traumas, morte de parentes próximos, stress, etc.

A; você tocou em um ponto que não havia me preparado para perguntar, mas me sinto
inspirado a dizer. Você falou que a quantidade de diagnósticos de casos de depressão tem
aumentado nestes últimos anos. Qual história desta doença durante o percurso da
humanidade?

B; Os métodos científicos dentro da psicologia tem se tornado cada vez mais precisos
para diagnosticar o paciente. Vejamos por exemplo que antes apenas a análise do
discurso era instrumento de avaliação suficiente para determinação de um distúrbio
psicológico, mas hoje por exemplo sem usa noções de estatística para determinar a
incidência de certos distúrbios dentro de um grupo, então falar com uma imensa
precisão sobre a depressão através do tempo é extremamente difícil, a própria
definição da palavra se alterou em relação ao passado.
Freud, um psicanalista alemão do qual eu me interesso muito, usava a palavra
melancolia para definir o termo, o que foi apenas um método utilizado por ele, então
qualquer tentativa seria superficial.
Mas para não te deixar neste poço de dúvida posso dizer que desde os primórdios dos
registros humanos a documentos que atestam comportamentos que nos denotam
caráter da depressão.

A; por que você acha que o número de diagnósticos de depressão vem


aumentando netas últimas décadas?
B; Bom, para responder essa pergunta vou me utilizar de um sociólogo que eu me
interesso bastante, que é o Zygmunt Bauman.
Para este teórico, nós vivemos hoje em uma sociedade líquida, onde as coisas não
são feitas para durar, sejam elas produtos consumíveis ou relações humanas.
Acredito fortemente que esta nova manifestação social que vivemos fez gerar uma
sensação de desamparo, que propícia o desenvolvimento desta doença.

A: Apesar das técnicas farmacêuticas terem se desenvolvido, existe a


possibilidade de outros tratamentos?

B; eu sou muito a favor da ideia de práticas corporais como uma solução possível para
o combate desta doença. E quando digo práticas não me refiro apenas a prática de
esportes, mas também da realização de meditação, convívio social, etc.
Do ponto de vista fisiológico, a prática destas atividades estimula o corpo a produzir
diversos hormônios eficientes no combate da doença, mas não somente isto. As
práticas corporais auxiliam também em um melhor bem estar social, que ajuda
bastante no tratamento.