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Richard Appignanesi

Oscar Zarate
«Um homem que foi o favorito
indiscutível de suo mae montem
oo longo do vido o sentimento
de um conquistador, aquela
confiança no sucesso que
muitas veies condiciona o
sucesso real."
Sigmund Freud

Na década d e 1 8 9 0 , V i e n a
e r a f a m o s a p e l o Danúbio
flzul, p e l o h u m o r cáustico,
pela sensualidade, pelas
v a l s a s e p e l o s cafés,..
Mas t i n h a u m l a d o m a i s
sombrio: a pobreza,
o antissemitismo, a
prostituição, a s doenças,
a hipocrisia sexual...

Foi n e s s e e f e r v e s c e n t e
c a l d o c u l t u r a l que Freud
começou a d e s e n v o l v e r s u a
revolucionária t e o r i a d a
psicanálise, u m e s t u d o d a
m e n t e e do c o m p o r t a m e n t o
h u m a n o e também u m a
i m p o r t a n t e técnica
terapêutica.

Com s u a combinação d e
ilustrações i n t e l i g e n t e s e
t e x t o i n c i s i v o , e s t e livro
é u m a introdução lúdica
e i n f o r m a t i v a a o pai d a
psicanálise, q u e a i n d a é,
não o b s t a n t e , u m a f i g u r a d e
g r a n d e controvérsia.
Uma história ilustrada do pai da psicanálise
T e x t c o p y r i g h t © by Richard A p p i g n a n e s i

lllustrations c o p y r i g h t © by O s c a r Zarate

T o d o s o s direitos r e s e r v a d o s .

T r a d u ç ã o p a r a a língua p o r t u g u e s a :
c o p y r i g h t © 2 0 1 2 , T e x t o Editores L t d a .

Título original: Introducing Freud

Diretor editorial: Pascoal S o t o

Editor: P e d r o A l m e i d a

Editor assistente: André Fonseca

Preparação: Marília C h a v e s

Revisão: A n a Carolina Nitto

Capa e diagramação: O s m a n e Garcia Filho

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Appignanesi, Richard/Zarate, Oscar
Entendendo Freud / Richard Appignanesi/Oscar Zarate;
tradução Carlos Szlak - São Paulo: Leya, 2012.

Título original: Introducing Freud: A Graphic Guide to the


father of psychoanalysis

ISBN 978-85-8178-001-6

1. Desenvolvimento pessoal 2. Biografia 3. Guia ilustrado.

2012
T o d o s o s direitos d e s t a e d i ç ã o reservados à
TEXTO EDITORES LTDA.
[ U m a e d i t o r a d o G r u p o Leya]
Rua D e s e m b a r g a d o r Paulo Passaláqua, 86
0 1 2 4 8 - 0 1 0 - S ã o Paulo - SP - Brasil
www.leya.com.br
Twitter: @Editoral_eya
RICHARD APPIGNANESI
E OSCAR ZARATE

fftfUB
UMA HISTÓRIA ILUSTRADA
DO PAI DA PSICANÁLISE

Entendendo é u m a p r e m i a d a c o l e ç ã o d e livros i l u s t r a d o s s o b r e o s p e n s a d o r e s e
os t e m a s mais importantes d a história. A b o r d a teorias f u n d a m e n t a i s d e diversos
c a m p o s d e e s t u d o , tais c o m o filosofia, psicologia, ciências, política, religião, e s -
t u d o s c u l t u r a i s e l i n g u í s t i c a . C a d a livro é e s c r i t o p o r u m r e c o n h e c i d o e s p e c i a l i s t a
d o assunto e ilustrado por u m artista gráfico. De f o r m a agradável, a c o l e ç ã o ofe-
rece informações úteis e objetivas para leitores q u e tanto b u s c a m u m primeiro
contato, c o m o desejam adquirir u m c o n h e c i m e n t o conciso sobre o assunto.
6 d e m a i o d e 1856: S i g m u n d Freud nasce e m Freiburg, na Morávia, q u e
fica atualmente na República T c h e c a , m a s que, na é p o c a , fazia parte d o
Império Austro-Húngaro. Seus antepassados eram judeus.

SEU Pfíl, JfíCOB FREUP (1815-1896), FOI UM


COMERCIfíNTE PB LR RRZORVELMENTE BEM-
SUCEPIPO. JfíCOB TINHfí HO fíNOS, POIS FILHOS
CRESCIPOS E Jâ ERfí fíVô QUfíNPO CfíSOU PELfí
SEGUNPfí VEZ COM fíMfíUE NfíTHfíNSON (1835-
1930X S/G/ FOI O PRIMEIRO -EO FfíVORITO - POS
OITO FILHOS PE fíMfíUE.
HJM HOMEM QUE FOI O FRVORITO
INDISCUTÍVEL PE SUFI MfíE MRNTéM
FIO LONGO PR VIPR O SENTIMENTO
PE UM CONQUISTRPOR, RQUELR
CONFIRNÇR NO SUCESSO QUE MUITRS
VEZES INPUZ O SUCESSO RERL."
1860: a família d e Freud se m u d a definitivamente para Viena, a antiga
c a p i t a l d o i m p é r i o H a b s b u r g o . O s heróis d a i n f â n c i a e s c o l h i d o s p o r
Freud, o antimonarquista Oliver C r o m w e l l e o general cartaginês
A n í b a l , revelam sua profunda antipatia c o m relação
à Viena imperial.

r
POR QUE RNÍBRL,
FILHO?. PORQUE ELE ERR UM
LÍDER 6EM/TR QUE
L COMBRTEU OS ROMRNOS!

E R ãUSTRIR ERR
CRTÓLICR RPOSTÓLICR
ROMRNR E RNTISSEMITR.
6
N a d é c a d a d e 1 8 9 0 , V i e n a era f a m o s a pelo D a n ú b i o A z u l , pela v i v a c i d a d e ,
pela s e n s u a l i d a d e , pelas valsas e pelos cafés... m a s possuía u m lado s o m b r i o !

POBREZA
O I m p é r i o A u s t r o - H ú n g a r o e n f r e n t a v a sérias d i f i c u l d a d e s e c o n ó m i c a s .
O s d e s e m p r e g a d o s se a p i n h a v a m n o s c o r t i ç o s e p e n s õ e s .

8
RACISMO PROSTITUIÇÃO, DOENÇAS,
K a r l L u e g e r , prefeito d e Viena, HIPOCRISIA SEXUAL
tornou o antissemitismo uma
RS PROSTITUTRS SRO
política d a m o d a .
PRGRS PELO PPRZEP
NEGRPO fíS RESPEITÁVEIS

ESSE JOVEM PINTOR,


FRMINTO E MISERÁVEL EM
VIENR, ENTRE 1902 E 1912,
ERR RPOLF HITLER.
O lado mais luminoso:
O d e s e n v o l v i m e n t o social era a e s p e r a n ç a radiante d a s o c i a l - d e m o c r a c i a :
a m a r c a a u s t r í a c a d o m a r x i s m o parlamentar.

O QUE VICTOR fíPLER, LÍPER


PO€ SOCIfílS-PEMOCRfíTfíS,
PIZF

10
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1873: Freud iniciados e s t u d o s d e m e d i c i n a n a U n i v e r s i d a d e d e Viena
e s e f o r m a e m 1 8 8 1 ; três a n o s a m a i s d o q u e o n o r m a l . O s interesses
e s p e c í f i c o s d e Freud s ã o histologia e neurofisiologia: o s e s t u d o s científicos
d o s t e c i d o s o r g â n i c o s e d o s i s t e m a n e r v o s o . Ele queria ser u m c i e n t i s t a e
não u m m é d i c o .

UM POS PROFESSORES PE O PRINCIPAL MECANICISTA,


FREUP, ERNST BRliCKE (1819- HERMANN HELMHOLTZ (1821-
1892), O GRRNPE FISIOLOGISTA 1894).
ALEMRO, FOI UM POS
CRI APORES PO MECANICISMO.

O m e c a n i c i s m o p r o p ô s q u e a v i d a deveria ser i n v e s t i g a d a e e n t e n d i d a
por m e i o d o s m é t o d o s e x p e r i m e n t a i s d a q u í m i c a e d a física.

11
1 8 7 6 - 1 8 8 1 : Freud realiza i m p o r t a n t e t r a b a l h o pioneiro s o b r e células n e r v o s a s .

O s i s t e m a n e r v o s o d e a n i m a i s inferiores e s u p e r i o r e s é c o n s t i t u í d o d a m e s m a
m a t é r i a b á s i c a . Isso significa q u e a m e n t e h u m a n a e a d a s rãs d i f e r e m
a p e n a s e m g r a u d e c o m p l e x i d a d e ? A r e s p o s t a d o m e c a n i c i s m o é, s i m !

1 8 8 2 : F r e u d e s t a v a feliz r e a l i z a n d o t r a b a l h o s c i e n t í f i c o s n o l a b o r a t ó r i o d a
u n i v e r s i d a d e d e B r ú c k e . N o e n t a n t o , B r u c k e lhe d e u u m c o n s e l h o p a t e r n a l :

12
Há algo m a i s : p l a n o s d e c a s a m e n t o . Freud c o n h e c e e se a p a i x o n a p o r
M a r t h a B e r n a y s (1861-1951).

clínica m é d i c a , n o Hospital Geral d e Viena, a n t e s d e c o m e ç a r as atividades


e m seu c o n s u l t ó r i o particular.
Primeiro, a t u o u c o m o assistente d e H e r m a n n N o t h n a g e l (1841-1905),
professor d e clínica m é d i c a .
1 8 8 3 : F r e u d p a s s a c i n c o m e s e s t r a b a l h a n d o n a clínica p s i q u i á t r i c a
d e T h e o d o r M e y n e r t (1833-1892), o m a i o r a n a t o m i s t a cerebral e
neuropatologista da época.

M e y n e r t influenciou Freud p a r a se t o r n a r u m especialista e m n e u r o p a t o l o g i a


( d o e n ç a s d o s i s t e m a nervoso).

14
1 8 8 4 - 1 8 8 7 : Freud e s t u d o u O a m i g o íntimo d e Freud, o
o s efeitos d a c o c a í n a , t a l e n t o s o fisiologista E r n s t v o n
c o m e ç a n d o e m si m e s m o . M a r x o w (1846-1891), sofria d e
Ele até a p r e s c r e v e u p a r a u m tumor doloroso na mão.
Martha!

Em 1885, Freud auxiliou s e u s c o l e g a s , C a r l K o l l e r e L e o p o l d


K o e n i g s t e i n , e m uma operação bem-sucedida no olho de Jacob
Freud. A c o c a í n a foi a p l i c a d a c o m o a n e s t é s i c o local.
Carl Koller reivindica p a r a si a d e s c o b e r t a d o s p o d e r e s a n e s t é s i c o s d a c o c a í n a .

Por q u ê ? Por v o l t a d e 1 8 8 6 , i n ú m e r o s c a s o s d e d e p e n d ê n c i a c o m r e l a ç ã o
à cocaína foram relatados.

16
r\ - (30 a •

1885-1886: DEZENOVE SEMANAS COM CHARCOT


Freud r e c e b e u u m a p e q u e n a b o l s a para e s t u d a r e m Paris c o m J e a n
M a r t i n C h a r c o t (1825-1893), o n e u r o l o g i s t a m u n d i a l m e n t e f a m o s o e
diretor d o asilo d e Salpêtrière.

Mas o que é exatamente a histeria?


1. A palavra g r e g a h y s t e r a significa útero.
2. A c r e d i t a v a - s e q u e s o m e n t e as m u l h e r e s s o f r i a m d e s i n t o m a s
histéricos: paralisia, c o n v u l s õ e s , s o n a m b u l i s m o , a l u c i n a ç õ e s ,
p e r d a d a fala, d a s s e n s a ç õ e s o u d a m e m ó r i a .
3. A n t i g a m e n t e , as histéricas e r a m p e r s e g u i d a s c o m o b r u x a s .

17
O s e s p e c i a l i s t a s t i n h a m d u a s v i s õ e s r a d i c a l m e n t e distintas:
1 . O u a histeria é u m a " i r r i t a ç ã o " d o s ó r g ã o s s e x u a i s f e m i n i n o s , t r a t a d a
m e d i a n t e p r e s s ã o e a p l i c a ç ã o d e gelo s o b r e o s o v á r i o s e a t a q u e s
c i r ú r g i c o s s o b r e o clitóris.
2. O u a histeria é imaginária, u m m e r o f i n g i m e n t o d a s m u l h e r e s .

C h a r c o t rejeita o d i a g n ó s t i c o tradicional

18
A histeria d e s c o n c e r t a v a o s m é d i c o s , p o i s , a p a r e n t e m e n t e , o s s i n t o m a s
n ã o e r a m c a u s a d o s p o r q u a l q u e r p r o b l e m a f í s i c o . Por e x e m p l o . . .

M a s a a u t ê n t i c a paralisia c a u s a d a , p o r e x e m p l o , p o r u m d e r r a m e não é
t ã o p r e c i s a c o m o e s s a . Ela " l a n ç a u m a s o m b r a " s o b r e a f a c e , o u s o b r e
a perna, etc.

19
C h a r c o t d e m o n s t r o u u m a s e m e l h a n ç a s u r p r e e n d e n t e entre a histeria e o
h i p n o t i s m o . A s u g e s t ã o h i p n ó t i c a p o d e ser utilizada p a r a induzir s i n t o m a s
h i s t é r i c o s , c o m o a paralisia.

A histeria p o d e se d e s e n v o l v e r s o m e n t e o n d e há u m a d e g e n e r a ç ã o
hereditária do cérebro.
20
C h a r c o t era u m b o m m e c a n i c i s t a : as e x p l i c a ç õ e s t i n h a m d e ser
estritamente físicas.

C h a r c o t i m p e d i u Freud d e f o r m u l a r p e r g u n t a s d e caráter p s i c o l ó g i c o . S i m
a visão d e C h a r c o t d e q u e a histeria n ã o e s t a v a ligada a o s ó r g ã o s s e x u a i s
f e m i n i n o s foi u m a v a n ç o . M a s isso i m p o s s i b i l i t o u q u e Freud p e r g u n t a s s e
se a l g u m a s d e s o r d e n s m e n t a i s p o d e r i a m ter u m a o r i g e m s e x u a l .

21
3<V-
A b r i l d e 1 8 8 6 : Freud inicia a carreira m é d i c a e m s e u c o n s u l t ó r i o c o m o
n e u r o p a t o l o g i s t a e trata s e u s p r i m e i r o s p a c i e n t e s c o m histeria.

O EXAME NRO MOSTRA EVIPÊNCIAS PE PANOS ESTRUTURAIS...

22
3c
15 d e o u t u b r o d e 1 8 8 6 : Freud lê s e u ensaio s o b r e histeria m a s c u l i n a
d i a n t e d a S o c i e d a d e M é d i c a d e Viena.

Freud a i n d a era u m m e c a n i c i s t a c o n v i c t o . Afasias, s e u primeiro livro


científico, a b o r d o u a q u e s t ã o d o s d a n o s cerebrais q u e a f e t a m a
c a p a c i d a d e d e l i n g u a g e m ; o s e g u i n t e foi Paralisia cerebral infantil
(1891-1893).

23
FREUP CONSIPEROU INÚTIL R
ELETROTERRPIR. NO ENTRNTO,
fíS VEZES, FUNCIONRVR
GRRÇRS RO POPER PR
SUGESTfíO.

U m a n o v a t e o r i a d e h i p n o t i s m o , d e s e n v o l v i d a e m N a n c y , na França,
d e s a f i o u as ideias d e C h a r c o t .

O HIPNOTISMO TRMBéM
NRO É UM SINRL PE
FUNCIONR EM PESSORS
LES&O CEREBRRL
NORMRIS.
0

POPE CURRR
R HISTERIR
iPERMRNENTEMENTEFÂ

24
O u t r a p e s s o a e m V i e n a fez e x p e r i ê n c i a s c o m o h i p n o t i s m o : J o s e f
B r e u e r (1842-1925), v e l h o a m i g o d e Freud e m é d i c o r e s p e i t a d o . E m
1 8 8 2 , Breuer relatou a Freud u m c a s o interessante d e histeria.

25
O CASO DE ANNA O.
U m a m u l h e r inteligente d e 21 a n o s . U m a e d u c a ç ã o rígida a d e i x o u
s e x u a l m e n t e imatura. E m julho d e 1 8 8 0 , o pai d e A n n a a d o e c e u g r a v e m e n t e .

SEUS SINTOMAS ERAM UMA TOSSE NERVOSA SEVERA,


TIQUE NERVOSO, DISTÚRBIOS VISUAIS E...

PARALISIA PO BRAÇO DIREITO


E DO PESCOÇO E UM
PROBLEMA ESTRANHO^
DE PALR.

26
27
EU TENTEI REPETIR RS PRLRVRRS E, PEPOIS PISSO, ELR
PELR. RSSIM, CONSEGUI QUE ELR SRIU PO TRRNSE,
ME CONTRSSE R RESPEITO PE SENTINPO-SE MELHOR.
SURS RLUCINRÇÕES.

o s e a w U l u s sp,
I isparent pvc barrei

\ ****** mtim
í mÈÊUtÊ^tÊt steel ts pr,
f inateè*tHRb*> pain,
\ lation ducts

* J MRS, SE ELR NRO CONSEGUIR PESCREVER


SURS RLUCINRÇÕES, PRSSRVR O RESTO PR NOITE
EM EXTREMR
RNGÚSTIR.

RNNR CHRMOU ESSES ESSR ""CURR PELR FRLR" RJUPR?


EXERCÍCIOS...

MINHR CURR PELR FRLR.

4
LIMPEZR PE CHRMINé.

W SIM. MRS ELR CONTINUOU^


PESENVOLVENPO NOVOS SINTOMRS:

28
UM PE6SE6 FOI R HIPROFOBIR. PURRNTE SEIS 6EMRNR6, FINNR

29
E QURNPO ELR SR/U PO
TRRNSE...

BREUER COMEÇOU R RPLICRR SURS


Cada u m dos sintomas PESCOBERTRS , ^ C Q N € m ^
desapareceu quando
" LEMBRAR. COMO CO-
r e t r o c e d i d o à primeira MEÇOU R TER TIQUE
manifestação. NERVOSO?
2.
Os sintomas foram
eliminados na recordação
d o s eventos desagradáveis
esquecidos.
3.
U m sintoma emergia
c o m m a i s f o r ç a a o ser
comentado.

ESTRVR PERTURBRPR E QUER/R CHORRR... MRS TIVE MEPO PE QUE


MINHRS LfiGRIMRS O RLRRMRSSEM..

30
PRSSEI R NOITE TOPR RCOPPRPR. PB REPENTE, VI UMR
COBPR NEGPR. TENTEI MEXEP MEU BPRÇO, MRS N&O
CONSEGUI! QUIS GPITRP, MRS TUPO O QUE CONSEGUI
LEMBPRP FOPRM RS PRLRVPRS PE UMR PPECE EM INGLÊS.

31
ESSR TéCNICfí - O MÉTOPO CflTãRTICO PE BREUER -
PERMITIU-LHE EUMINRR OS SINTOMRS PE RNNR NOS MESES
SEGUINTES.

CERTR NOITE, BREUER FOI CHRMRPO R CRBECEIRR PE fíNNfí.

32
O n o m e v e r d a d e i r o d e A n n a era B e r t h a P a p p e n h e i m (1859-1936).
Ela se r e c u p e r o u e s e t o r n o u u m a i m p o r t a n t e a s s i s t e n t e social e
feminista.

33
Freud teve d e convencer o muito relutante Breuer a escrever u m
livro c o m ele: Estudos sobre a histeria (1895).

A l g u m a s ideias e t e r m o s básicos
Freud e Breuer concluíram que: "Os histéricos sofrem
principalmente de reminiscências".

Isso s i g n i f i c a q u e :
1. Os histéricos sofrem de memórias dolorosas e desagradáveis d e
n a t u r e z a t r a u m á t i c a ( t r a u m a , p a l a v r a g r e g a p a r a ferida).
2. A s m e m ó r i a s t r a u m á t i c a s s ã o p a t o g ê n i c a s , isto é, c a p a z e s
d e p r o d u z i r d o e n ç a s . E s s a foi u m a ideia a n t i m e c a n i c i s t a
revolucionária, no conceito d e que u m agente psíquico
(estritamente m e n t a l ) influencia diretamente os processos
físicos d o corpo.
3. E m g e r a l , as m e m ó r i a s t r a u m á t i c a s n ã o s e d e s g a s t a m ,
p e r m a n e c e n d o u m a força ativa e i n c o n s c i e n t e , q u e motiva o
c o m p o r t a m e n t o . (O q u e T i ã o p o d e ser l e m b r a d o n ã o p o d e ser
deixado para trás.
4. O banimento das memórias dolorosas e emocionalmente
carregadas d a consciência requer u m m e c a n i s m o ativo d e
r e p r e s s ã o , q u e f u n c i o n e e m u m nível i n c o n s c i e n t e d a v i d a
mental.
5. U m a v e z q u e n e g a t i v a s , as m e m ó r i a s i n c o n s c i e n t e s n ã o p o d e m
ser e x p r e s s a s n o r m a l m e n t e ; s u a e n e r g i a o u s e u a f e t o e m o c i o n a l
é o b s t r u í d o , isto é, e s t r a n g u l a d o .
6. O afeto estrangulado é convertido e m sintomas físicos d e
histeria p e l o e s t í m u l o i n c o n s c i e n t e .
V 7. Os sintomas estimulados pelo inconsciente desaparecerão
J> s e o c o r r e r a a b - r e a ç ã o . A a b - r e a ç ã o é o p r o c e s s o d e liberar
* u m a e m o ç ã o reprimida a respeito de um evento previamente
esquecido. O desafio da terapia é conseguir que o paciente
£ libere a e x p e r i ê n c i a t r a u m á t i c a o r i g i n a l , q u e c a u s o u o s i n t o m a .
JV 8. A t e r a p i a s e r á difícil p o r q u e t o d o s o s s i n t o m a s s ã o
Ç s u p e r d e t e r m i n a d o s , causados por diversos eventos
^ psicológicos e característicos desses.

34
>f>'
1896: o m é t o d o c a t á r t i c o d e Breuer QUALQUER IDEIA
p a r e c e f u n c i o n a r . M a s Freud n ã o f i c a DESAGRADÁVEL é
satisfeito. S e a histeria é u m a d e f e s a REPRIMIDA?
c o n t r a u m a ideia d e s a g r a d á v e l , e se
os sintomas são símbolos para o que
fica inconsciente...
36
LENTAMENTE, FREUP ALGUNS PACIENTES NfíO POPEM SEP
ABANPONAO H/PNOT/ZRPOS; OUTROS SRO CURA-
HIPNOTISMO. POS RPENRS TEMPORARIAMENTE.

R EXPEPIÊNCIR
^EMBARAÇOSA"
PE BPEUEP
RCONTECE COM
FPEUP.

1892-96: A T É C N I C A D A PRESSÃO
Pela primeira vez, Freud utiliza u m divã. Ele p r e s s i o n a s u a m ã o s o b r e a
t e s t a d o p a c i e n t e e faz p e r g u n t a s .

CONSIGO QUE O PACIENTE


SE CONCENTRE SEM A
HIPNOSE.

37
RO CONTINURR R E RS MEMó RI RS COMEÇRM R
PRESS&O, FREUP EXTRRI EMERGIR...
PIVERSRS PRLRVRRS.
EU TINHR PEZ RNOS. CERTR
NOITE, MINHR IRMfí, QUE
TINHR POZE, FICOU
PO/PR VRRRIPR.
O ZELRPOR R
RMRRROU. E
ELR FOI LEVRPR
' R ClPR PE
,EM UMR
[CRRROÇR...
O SIGNIFICADO FICOU MAIS PROFUNPO...

*MINHA IRMfi E BU PIVIPÍAMOS UM SEGREPO. PORMÍAMOS NO


MBSMO QUARTO... B, CBRTA NO/TB, UM HOMEM NOS ATACOU
SEXUALMENTE."

A TEORIA DA SEDUÇÃO
Freud, d e p o i s d e r e p e t i d a s e x p e r i ê n c i a s c o m p a c i e n t e s , p r o p ô s a teoria
da sedução.
1. A s m e m ó r i a s r e p r i m i d a s q u a s e s e m p r e revelaram s e d u ç ã o o u
a s s é d i o sexual p o r u m pai o u a d u l t o .
2. Esse e v e n t o t r a u m á t i c o na infância f u n c i o n a d e m o d o r e t a r d a d o . A
m e m ó r i a r e p r i m i d a t o r n a - s e u m a ideia p a t o g ê n i c a , q u e p o d e causar
s i n t o m a s histéricos a p ó s a p u b e r d a d e .

39
AP^-1896: FREUD CRIA O TERMO PSICANÁLISE.

40
A TÉCNICA DA A S S O C I A Ç Ã O LIVRE
O s p a c i e n t e s d e v e m se sentir livres, s e m c e n s u r a o u insistência...

UM IMPORTANTE AVANÇO HUMANO


1. C h a r c o t d e u u m primeiro p a s s o p a r a u m t r a t a m e n t o mais h u m a n o
da neurose.
2. N o e n t a n t o , a h i p n o s e e m e s m o a t é c n i c a d a p r e s s ã o a i n d a e r a m
arbitrárias e autoritárias.
3. A t é c n i c a d a a s s o c i a ç ã o livre para trazer d e v o l t a e v e n t o s
t r a u m á t i c o s era c o m p l e t a m e n t e n o v a e revolucionária.
A pista p a r a o s s i n t o m a s n e u r ó t i c o s e s t á e s c o n d i d a n o i n c o n s c i e n t e
d o p a c i e n t e . Ele n ã o s a b e o q u e e s t á r e p r i m i d o n o i n c o n s c i e n t e .
No e n t a n t o , s o m e n t e o p a c i e n t e p o d e c o n d u z i r o t e r a p e u t a à s u a
d e s c o b e r t a e alívio.
T a n t o o p a c i e n t e q u a n t o o m é d i c o d e v e m procurar.
4. C o n t u d o f a p a c i e n t e resistirá e será m e n o s c a p a z d e c o o p e r a r
q u a n d o e m e r g e o material d e s a g r a d á v e l . Então, a e x p e r i ê n c i a
clínica d o m é d i c o t o r n a - s e i m p o r t a n t e .
õ . ^ i A paciência que segue a perambulação cega d o neurótico deve
ser j u s t i f i c a d a , p o i s a resistência é s ó u m a t e n t a t i v a d e adiar a
e m e r g ê n c i a d o material r e p r i m i d o . I n d e p e n d e n t e m e n t e d o s r o d e i o s ,
t o d a s as rotas d e v e m ser c o n e c t a d a s c o m isso.

41
A ú n i c a p e s s o a d i s p o s t a a e s c u t a r Freud era W i l h e l m F l i e s s ( 1 8 5 8 -
1928), e s p e c i a l i s t a o t o r r i n o berlinense. Entre 1 8 9 3 e 1 9 0 2 , eles se
encontraram c o m frequência e trocaram muitas cartas.

42
CONTINUO TENDO E AS MINHAS MAS A PIOR
ESSAS TERRÍVEIS IDEIAS DEMORAM A COISA é MINHA
ENXAQUECAS. CHEGAR, APÓS TOPESANGST
MUITA ANGÚSTIA CfíNGúSTIfí
E DÚVIDA. MóRBIPfí).

44
POR FORR, FREUP PRRECIR ESTRR NO CONTROLE COMPLETO.
SUR ÚNICR RMBIçfiO ERR R CIÊNCIA.

NO ENTF1NTO, ELE SEMPRE TINHR TEMPO PRPR SEUS FILHOS.


ROS QURRENTR RNOS, FREUP TINHR SEIS FILHOS, UMR
MULHER, OS PRIS E RS IRMfíS PRRR SUSTENTRR...

SEUS PIVERTIMENTOS ERRM POUCOS: JOGRR CRRTRS NO


SfiBRPO R NOITE, CRMINHRR PELO CRMPO, PROCURRR
COGUMELOS E COLECIONRR RNTIGUIPRPES.

RLéM PRS PRESSÕES PO TRRBRLHO, PRS POENÇRS, PR


FRMÍLIR E PO PINHEIRO PURRNTE R PéCRPR PE 1890...

46
2 3 d e o u t u b r o d e 1 8 9 6 : o pai d e Freud m o r r e .
No período d e crise e d e autoanálise, Freud c o m e ç a a escrever
A interpretação dos sonhos.
U m d o s p r ó p r i o s s o n h o s d e Freud d e A interpretação dos
sonhos (1900):

Freud e s t á e m u m a e s t a ç ã o d e t r e m , a c o m p a n h a d o p o r u m
cavalheiro idoso.
" L e m b r o - m e d e u m p l a n o p a r a ficar d i s f a r ç a d o . M a s a p a r e n t e m e n t e
isso j á a c o n t e c e u ! "
O i d o s o p a r e c e c e g o ; talvez d e u m o l h o . F r e u d p a s s a p a r a ele u m
urinol d e v i d r o . " E n t ã o , s o u s e u e n f e r m e i r o ! " . E, n e s s e m o m e n t o , a
a t i t u d e e o p ê n i s d o i d o s o a p a r e c e m d e f o r m a clara. Então, F r e u d
a c o r d a s e n t i n d o v o n t a d e d e urinar.

48
C o m o Freud interpreta seu s o n h o ?
L e m b r o - m e d e u m e v e n t o e m b a r a ç o s o n o q u a r t o d o s m e u s pais
quando e u tinha sete o u oito anos...

Q u e g o l p e terrível p a r a m i n h a a m b i ç ã o !
De f a t o , urinar i n v o l u n t a r i a m e n t e e o t r a ç o d e p e r s o n a l i d a d e d a
ambição estão relacionados e m alguns casos de neurose.
N a infância, e s s a o f e n s a c o n t r a m i n h a a m b i ç ã o f o r n e c e u material
p a r a u m s o n h o n a v i d a a d u l t a . C o m o s e eu q u i s e s s e dizer: " V i u , dei
para alguma coisa!"
O v e l h o c e g o é m e u pai. A c e g u e i r a refere-se à cirurgia d e o l h o d e l e
e à m i n h a d e s c o b e r t a d a c o c a í n a . Esse é u m d e s e j o c u m p r i d o . O u t r o
é o hostil d e c o l o c a r m e u pai e m u m a p o s i ç ã o indefesa, c o m o fiquei
n a infância, p a r a e n v e r g o n h á - l o . O d i s f a r c e s e refere às m i n h a s
d e s c o b e r t a s s o b r e a histeria, d a s q u a i s sinto o r g u l h o .
49
O u t r a l e m b r a n ç a infantil: e m 1 8 6 0 , e m u m a v i a g e m d e t r e m d e L e i p z i g ,
vi m i n h a m ã e nua.

50
A l g u n s ; aan
n o s d e p o i s , tive u m s o n h o angustiante...
M i n h a m ã e , c o m u m a e x p r e s s ã o e s t r a n h a m e n t e pacífica,
a d o r m e c i d a , era c a r r e g a d a p a r a o q u a r t o p o r a l g u m a s p e s s o a s c o m
cabeças de pássaros e deitada sobre a cama.
A c o r d e i g r i t a n d o e corri e m b u s c a d o s m e u s pais.

INTERPRETAÇÃO DE FREUD
Eu t i n h a visto e s s e s d e u s e s c o m c a b e ç a s d e p á s s a r o s e m u m a
e s c u l t u r a funerária e g í p c i a na Bíblia d e P h i l i p p s o n . E u m m e n i n o
c h a m a d o Phillip m e revelou a gíria p a r a s e x o : Võgeln\ a e x p r e s s ã o
p o p u l a r a l e m ã p a r a s e x o t a m b é m significa p á s s a r o s .
A a p a r ê n c i a pacífica d e m i n h a m ã e eu a t r i b u o às l e m b r a n ç a s d e
m e u a v ô e m s e u leito d e m o r t e . M i n h a a n g ú s t i a c o m relação à m o r t e
d i s f a r ç a u m d e s e j o d i r e c i o n a d o c o n t r a m e u pai.
Esse s o n h o c o n t é m u m d e s e j o t í p i c o infantil: u m d e s e j o d e m o r t e
c o m relação a o pai e u m d e s e j o s e x u a l c o m relação à m ã e .

51
Essa ideia p a r e c e r e p u g n a n t e ? C o n s i d e r e o s m i t o s e as l e n d a s
d a s c u l t u r a s antigas.

S a t u r n o d e v o r o u seu filho por


c a u s a d o m e d o d e q u e ele
p u d e s s e d e s t r o n á - l o c o m o rei
dos deuses.
Z e u s c a s t r o u seu pai, E pense: por que existe u m
S a t u r n o , e t o m o u seu lugar. Quinto Mandamento?

52
U M NEURÓTICO O B S E S S I V O

53
54
E SEU PESEJO RERLMENTE REMETE fí INFâNCIR!

FREUP SE LEMBROU PO RNTIGO MITO GREGO PE ÉPIPO.


\ 55
A HISTÓRIA D E ÉDIPO
O REI LRIO PE TEBRS E R RRINHR JOCR6TR SRO RPVERTIPOS
ROR UM PROFETR...

56
MRS OUTRO PROFETR ÉPIPO ENCONTRR UM
REPETE R MESMR ESTRRNHO NO CRMINHO - O
RPVERTeNCIR... REI LRIO -EO MRTR EM UMR
BRIGR.

éPIPO CHEGR R TEBRS. R CIPRPE ESTR RMERÇRPR POR UM


MONSTRO, R ESFINGE, QUE PEVORR QURLQUER PESSOR QUE
NRO CONSEGUE RESPONPER RO SEU ENIGMR.

Q u e animal t e m q u a t r o p é s
O h o m e m , que engatinha sobre
pela m a n h ã , d o i s a o m e i o - d i a quatro pés na infância, que
e três à noite? caminha ereto sobre dois pés
na maturidade e que se apoia
sobre u m a bengala na velhice.

R ESFINGE FOI VENCIPR E SE JOGOU NO MRR.

57
ÉPIPO É UNGIPO PBI PB TBBRS B SB CRSR COM JOCRSTR.

i]

\5

O PBI ÉPIPO PBINR BM PRZ, RTÉ UMR PPRGR IPPOMPBP, B UM


PPOFBTR VOUR R SBP CON6ULTRPO.

58
éPIPO CBGR R 61 PRÓPRIO QURNPO PBSCOBRB SBU CRI MB
INCONSCIENTE". JOCRSTR COMETE SUICÍPIO.

n \ TPTN 3i2T L /k»-2a» BILU I I LLIil IHHHHHHi


CEGRR-SE SIMBOLIZR O HORROR QUE RCOMPRNHR R
REVELRÇfíO PE IPEIRS OU OS PESEJOS REPRIMIPOS.

POR QUE R HI6TÓRIR PE éPIPO é T&O FRSCINRNTE?

ESSR FRNTRSIR PE INCESTO - RPRIXONRR-SE PELR MfíE,


SENTIR CIÚMES PO PRI - ê O QUE FREUP PEPOIS CHRMOU PE
COMPLEXO PE ÉPIPO.

59
A IMPORTÂNCIA DA ANÁLISE DOS SONHOS

O livro A interpretação dos sonhos d e Freud a p r e s e n t a d u a s


d e s c o b e r t a s revolucionárias:

1. A solução d o significado d o s sonhos - que geralmente " t o d o s


eles r e p r e s e n t a m a s a t i s f a ç ã o d o s d e s e j o s " .
2. O f u n c i o n a m e n t o d o s s o n h o s f o r n e c e e v i d ê n c i a s i s t e m á t i c a d o
inconsciente.
Primeiro, v a m o s ver c o m o f u n c i o n a m o s s o n h o s .
O s s o n h o s o c o r r e m d u r a n t e o s o n o , isto é, q u a n d o a parte c o n s c i e n t e
da personalidade está mais relaxada e desprevenida.
Sonhar é perfeitamente normal.
E m geral, as s a t i s f a ç õ e s d o s d e s e j o s s ã o s e x u a i s (mas n e m s e m p r e ) .
E m b o r a o s s o n h o s e x p r e s s e m d e s e j o s , isso n ã o significa q u e v o c ê
s o n h a r á c o m a l g o q u e v o c ê deseja!
M u i t a s v e z e s , o d e s e j o está t ã o b e m e s c o n d i d o , d i s f a r ç a d o o u
d i s t o r c i d o q u e v o c ê n ã o c o n s e g u e p e r c e b e r q u e u m d e s e j o sexual
apareceu no seu sonho.

60
CONS/PEPEMOS UM EXEMPLO SIMPLES.
62
EM SEGUIPR, FREUP
,,
RH, RLGO QUE ESCUTEI EM MINHR
UTILIZOU R TéCNICR INFfiNCIR... ESTRVR PRESTES R
PR RSSOCIRÇfíO PENTERR MEU CRBELO COM O PENTE
LIVRE... PE OUTRR PESSOR...

O CONTEÚPO LRTENTE PO SONHO ESTR SUBITRMENTE CLRRO. O


ESTRRNHO EM SEU SONHO E O PENTE...

63
A s s i m , m e s m o nesse exemplo simples, v e m o s que:
1 . O s s o n h o s s ã o s o m e n t e u m a e x p r e s s ã o parcial o u c e n s u r a d a d e
um desejo.
2 . O c o n t e ú d o l a t e n t e d o s o n h o (que p o s s u i o d e s e j o s e x u a l
inconsciente) só t e m permissão para aparecer se disfarçado c o m o
conteúdo manifesto.

O conteúdo manifesto aparece c o m o uma mensagem codificada;


peças de um quebra-cabeça misturadas ou censuradas.

O s o n h o m a n i f e s t o é f o r ç a d o a e x p r e s s a r a ideia l a t e n t e u s a n d o
s í m b o l o s : t o d o s os tipos de objetos que, e m geral, não t ê m n e n h u m
significado sexual.

64
Essas i m a g e n s d i s f a r ç a d a s d e ideias l a t e n t e s t o r n a r a m - s e
geralmente conhecidas c o m o s í m b o l o s f r e u d i a n o s .

Qualquer objeto q u e sugere penetração, tais c o m o espadas,


revólveres, g u a r d a - c h u v a s , cobras, e t c , p o d e simbolizar o pênis.
Objetos sugerindo recipientes, tais c o m o caixas, bolsas, cavernas,
e t c , p o d e m representar a vagina.
No entanto, Freud adverte que a interpretação nunca é tão simples.

65
Freud afirmou que os sonhos funcionam c o m o um modelo e m
miniatura d a neurose.
Mas, se sonhar é normal, por q u e o sonho deve dar u m a pista d o
c o m p o r t a m e n t o neurótico?
R e t r o c e d a m o s alguns d o s passos que primeiro deram a Freud a
e v i d ê n c i a d a s ideias i n c o n s c i e n t e s .
Vimos c o m o o conteúdo manifesto de um sonho expressa
i n d i r e t a m e n t e o d e s e j o s e x u a l latente p o r m e i o d e s í m b o l o s .
E s s a " s u b s t i t u i ç ã o " d o d e s e j o p o r u m o b j e t o m a n i f e s t o foi
d e n o m i n a d a por Freud c o m o d e s l o c a m e n t o .
O d e s l o c a m e n t o t a m b é m a c o n t e c e na neurose.
A e n e r g i a e m o c i o n a l d a ideia p a t o g ê n i c a ( g e r a ç ã o d e d o e n ç a ) é
d e s l o c a d a p a r a s i n t o m a s . E isso o c o r r e i n c o n s c i e n t e m e n t e .

66
Isso n o s leva à s e g u n d a d e s c o b e r t a d e F r e u d , q u e r e v o l u c i o n o u n o s s a
visão d a mente humana.

O INCONSCIENTE

- Matttlílitilar n«*rve
t Cavrtrnou* xlntw
- Baxilar \>\CXM
Trigewiiutl
"tetitglfcia
JJaxtlar
~artery
Inífrior
-jH<tro»ial

Transver«e «inu*

Tentoríuin «^rebellí
(cut)
Occipital «inuse*

Inferior «agíttal *iim«


Coiinuftt* «ínuurn

Freud n ã o e s t a v a i n t e r e s s a d o s o m e n t e na m e n t e d o e n t i a , c o m o se
supõe frequentemente.
O q u e ele n o s d e u foi u m a t e o r i a geral d a m e n t e .
As neuroses não são simples anormalidades doentias, mas outro
tipo de funcionamento mental.
No entanto, as neuroses permitem vislumbres das profundidades
ocultas da mente, que não estão normalmente abertas à inspeção.

67
Freud divide a mente e m duas partes:
1 . 1 . O p r é - c o n s c i e n t e , q u e c o n t é m t o d a s as ideias e m e m ó r i a s
capazes de se tornarem conscientes.
2. 2 . O i n c o n s c i e n t e , c o n s t i t u í d o d e d e s e j o s , i m p u l s o s o u
v o n t a d e s de natureza geralmente sexual, mas ocasionalmente
d e n a t u r e z a d e s t r u t i v a . Esses d e s e j o s i n c o n s c i e n t e s r e t i r a m
s u a energia d o s instintos físicos básicos. Freud t a m b é m d e u
outro n o m e a esse impulso primário de satisfação d o desejo...

O PRINCÍPIO DO PRAZER

O P r i n c í p i o d o Prazer p o d e f a c i l m e n t e entrar e m c o n f l i t o c o m a s
atividades conscientes da mente, que estão preocupadas em
evitar o p e r i g o , a d a p t a n d o - s e à r e a l i d a d e e a o c o m p o r t a m e n t o
civilizado.
A pré-consciência funciona de u m m o d o "pensante" mais
controlado, disciplinado. Leva e m conta as d e m a n d a s d a
realidade e tolera o adiamento d a satisfação.

A pré-consciência é d o m i n a d a pelo processo secundário ou aquilo


q u e Freud t a m b é m c h a m o u de...

O PRINCÍPIO DA REALIDADE

C e r t a v e z , F r e u d a f i r m o u q u e a f o r m a m a i s civilizada d o P r i n c í p i o
d a R e a l i d a d e é... a C i ê n c i a .

68
O que acontece q u a n d o a mente é d o m i n a d a pelo processo
p r i m á r i o d e s a t i s f a ç ã o d o d e s e j o o u Princípio d o Prazer?
Consideremos um exemplo não sexual: um h o m e m faminto e sem
c o m i d a perdido e m u m a floresta.

S e a ideia p r i m á r i a d e c o m i d a No entanto, se o processo


se a p o d e r a r d e l e , ele n ã o s e r á s e c u n d á r i o , o u Princípio d a
capaz de pensar e m m o d o s de R e a l i d a d e , s e a p o d e r a r d e l e , ele
obter comida. p o d e r á se e s q u e c e r d a c o m i d a o
t e m p o suficiente para pensar e m
c o m o obtê-la.

A s ideias p r i m á r i a s d e s a t i s f a ç ã o d o d e s e j o , q u e d o m i n a m o
inconsciente, são impulsivas, desorganizadas e não o b e d e c e m
nenhuma lógica.
Dessa maneira, de acordo c o m Freud, t o d o pensamento humano
é, p o r u m l a d o , u m c o n f l i t o e, p o r o u t r o , u m c o m p r o m i s s o e n t r e o s
sistemas pré-consciente e inconsciente.

69
FREUP SE ESQUECE NO ENTfíNTO, POR MUITOS
PE LEMBRRR... PIRS, FREUP CONTINUOU
ESQUECENPO...

E MINHR RMIZRPE COM


FLIESS ESTà TERMINRNPO.
RSSIM, ESSE PENSAMENTO^
RSSOCIRTIVO POLOROSO O livro d e F r e u d tiCJL*
^SE MRNIFESTR POR MEIO A psicopatologia da vida Mrj
PO ESQUECIMENTO. cotidiana (1901) d e s c r e v e
outros exemplos típicos de
esquecimento.
P a r a p r a x i a é o t e r m o oficial
para o f a m o s o "ato falho
freudiano". Refere-se a
lapsos verbais e de escrita,
falhas de memória, que
o c o r r e m na vida n o r m a l .
Os erros são simbólicos
de atitudes e desejos
inconscientes.
N ã o h á e r r o s na m e n t e !

70
E m 1 9 0 5 , F r e u d p u b l i c o u Três ensaios sobre a teoria da sexualidade.

O s i m p l e s prazer d o s e x o n ã o é t ã o s i m p l e s .
Qual é a v i s ã o c o n v e n c i o n a l d o s e x o ?

PO/S RPULTOS PB
SEXOS OPOSTOS
ENVOLVIPOS NUM
INTBPCUPSO GENITAL?
ESSR NRO é R
HISTóPIfí TOPfí.

71
E o q u e dizer d e . . .
1. P e s s o a s q u e s ó s e s e n t e m atraídas p o r p e s s o a s d o p r ó p r i o
s e x o o u por seus p r ó p r i o s órgãos genitais?
2. P e s s o a s q u e s ã o c o n h e c i d a s c o m o p e r v e r t i d a s , q u e d e s p r e z a m
o uso normal do sexo?
Esses fatos são conhecidos, mas não admitidos c o m o n o r m a i s .

II i

NORMRLFNfíO SEJRMOS
HIPÓCRITRS.
FREQUENTEMENTE, R
RTIVIPRPE SEXURL INCLUI
O USO PR BOCR E PO
ANUS.

RLÉM PISSO, O RNSEIO PRS CRRí-


CIRS PRELIMINRRES MUITRS VEZES
~^ PRECEPE R RELRÇfíO SEXURL
NORMRL. TOCRNPO, SENTINPO,^
OLHRNPO, MOS-
TRRNPO, ETC.
Freud subverteu a visão convencional do sexo e da perversão:
1. O s o b j e t i v o s d o prazer e d a p r o c r i a ç ã o n ã o c o i n c i d e m
completamente.
2. " S e x u a l " e " g e n i t a l " s ã o d o i s c o n c e i t o s m u i t o d i f e r e n t e s .
3. O prazer s e x u a l p o d e ser o b t i d o d e q u a l q u e r p a r t e o u z o n a d o
corpo.
4. A s e x u a l i d a d e inclui a n s e i o s n ã o r e l a c i o n a d o s à a t i v i d a d e
g e n i t a l . O s u s o s n o r m a i s d a b o c a , d o t o q u e , e t c . nas
preliminares são os instintos c o m p o n e n t e s d a sexualidade.
N o e n t a n t o , s e e s s e s i n s t i n t o s n ã o s ã o " p e r v e r s o s " e m si, o q u e , d e
fato, define a perversão?

73
MfíS O QUE PIZER POS NEURÓTICOS?

Essa r e s i s t ê n c i a n e u r ó t i c a a o s a n s e i o s p e r v e r s o s d e s e j a d o s é o q u e
levou F r e u d d e v o l t a à s e x u a l i d a d e i n f a n t i l .

VOLTANDO A INFÂNCIA
T o d o s nascem c o m u m desejo sexual básico, ou energia pulsional,
d e n o m i n a d o l i b i d o (do latim d e s e j o ) .
O desejo sexual possui traços tanto mentais c o m o físicos.
Entre e s s e s t r a ç o s , i n c l u e m - s e :
1. U m a f o n t e o r g â n i c a i n t e r n a d e e x c i t a ç ã o .
2. U m a q u a n t i d a d e o u p r e s s ã o d e e x c i t a ç ã o .
3. U m o b j e t i v o : a l c a n ç a r u m a s e n s a ç ã o d e prazer, r e m o v e n d o a
pressão.
4. U m o b j e t o : a c o i s a o u a p e s s o a r e q u e r i d a n a r e a l i d a d e p a r a
satisfazer o o b j e t i v o .

75
A HISTÓRIA SEXUAL DO INDIVÍDUO COMEÇA
NO NASCIMENTO

O q u e s i g n i f i c a q u e o b e b é o b t é m prazer s e x u a l a partir d o e s t í m u l o
de qualquer parte d o seu corpo.
Adquirir o b j e t i v o s e o b j e t o s e s p e c í f i c o s requer experiência: u m
processo complexo de aprendizagem, que pode tomar um mau
caminho.
Os órgãos específicos d a satisfação sexual estão baseados nas
zonas erógenas.

76
AS FASES DO DESENVOLVIMENTO PSICOSSEXUAL
PRIMEIRA ZONA: A FASE ORAL

77
E s s a f a s e oral t a m b é m p o d e ser e n t e n d i d a n u m s e n t i d o h i s t ó r i c o
m a i s a m p l o . Ela v o l t a a a p a r e c e r n a f a n t a s i a d o a d u l t o , n a m i t o l o g i a
e na história d a cultura.
P o r e x e m p l o , a p e r d a d o o b j e t o d e a m o r oral n o s r e c o r d a d e u m a

M a s t a m b é m há u m desejo cultural antigo d e r e c u p e r a r o P a r a í s o .


E s s a p i n t u r a d e B r u e g e l (1567) n o s m o s t r a a U t o p i a , o paraíso
t e r r e s t r e d o prazer oral p e r f e i t o .

78
Z O N A : A FASE A N A L

fí FUNÇfíO EXCREMENT/CIF1 ESTá INTIMAMENTE FISSOCIflPfí


COM IPEIfíS SOCIRIS PE ORPEM, UMPEZR - E RVERSfiO!

79
Essas ideias anais de dádiva, habilidade, criação, censura e o r d e m
restritiva v o l t a m a n o s l e m b r a r d e o u t r o g r a n d e m i t o c u l t u r a l .
PROMETEU: O CRIADOR DA CIVILIZAÇÃO HUMANA.

P r o m e t e u , o Titã:
1 . C r i o u o s p r i m e i r o s s e r e s h u m a n o s a partir d o b a r r o ( u m a
s u b s t â n c i a p a r e c i d a c o m a s fezes).
2. D e u a o s s e r e s h u m a n o s o p r i m e i r o g r a n d e p r e s e n t e , o f o g o , e
lhes e n s i n o u a s p r i m e i r a s h a b i l i d a d e s .
3. Foi p u n i d o p e l o s d e u s e s , q u e o a c o r r e n t a r a m n u m a r o c h a e
m a n d a r a m u m a águia dilacerar suas vísceras.

80
TERCEIRA ZONA: A FASE FÁLICA
ROS TRÊS OU QURTPO RNOS, RS CPIRNÇRS PESCOBPEM R
CO/SR PELR QURL POPEM SEP CPIRTIVRS. R MRSTUPBRÇfíO, R
ESVMULRÇRO PR ZONR GENITRL, CHEGR NRTUPRLMENTE, MRS...

Observação:

O conceito fálico não é Meninos e meninas de três ou


exclusivamente masculino. quatro anos acreditam que
Nessa fase, aplica-se a a m b o s p o d e m d a r u m filho à m ã e o u
os sexos. gerar u m analmente.

A curiosidade, a angústia e a confusão a respeito das d i f e r e n ç a s


da anatomia sexual c o m e ç a m nessa época.
E, a o s c i n c o o u s e i s a n o s , a c r i a n ç a e n t r a n a f a s e d o C O M P L E X O
DE É D I P O , c o m o o c a s o a s e g u i r d e m o n s t r a .

81
O CASO DO PEQUENO HANS (1909)
HRNS, PB CINCO FINOS, TINHR UMR FOBIR PB CRVRLOS.
R MR6TURBRÇ&0 ERR TIPICRMENTE PE6E6TIMULRPR.

83
84
E o q u e dizer d a s m e n i n a s ? A f a s e e d i p i a n a d e l a s é igual à d o s m e n i n o s ?

85
Inicialmente, tanto meninos quanto meninas a s s u m e m que p o s s u e m
algum tipo d e poder fálico, e a mãe é o seu objeto de amor
incestuoso.
M a s desejar a m a m ã e suscita m e d o s do papai!
I s s o , n o c a s o d e H a n s , leva o s m e n i n o s à a n g ú s t i a d e c a s t r a ç ã o .

M a s o q u e a m e n i n a d e s c o b r e ? Q u e ela j á é c a s t r a d a . . .

A d e s c o b e r t a d a m e n i n a d e q u e n e m ela n e m s u a m ã e p o s s u e m
u m p ê n i s é real. N ã o é c o m o a f a n t a s i a d o m e n i n o s o b r e o m e d o d e
ser c a s t r a d o . A m e n i n a p o d e sentir h o s t i l i d a d e e a c u s a r a m ã e p o r
trazê-la ao m u n d o nessa forma.

86
Q u a n d o a m e n i n a d e s c o b r e q u e ela t e m a m e s m a f o r m a d a s u a
mãe, sua repressão relacionada aos desejos de incesto não precisa
depender d o m e d o de castração (como acontece c o m os meninos),

O enigma edipiano confronta os dois sexos no caminho da


sexualidade adulta.
O caminho para u m a sexualidade feminina madura e saudável
significa:
1. A c e i t a r a ideia d e u n i ã o c o m u m h o m e m .
2. Deixar o pai p a r a t r á s a p ó s a e m a n c i p a ç ã o a d o l e s c e n t e .
3. C h e g a r a u m a c o r d o c o m a m ã e .

A questão d o desenvolvimento sexual não é simples.


Freud s e m p r e t e v e c o n s c i ê n c i a d a n a t u r e z a b i l a t e r a l d o s d o i s
sexos; e m outras palavras, a BISSEXUALIDADE.
1. Para F r e u d , n o s s e r e s h u m a n o s , a m a s c u l i n i d a d e o u a
feminilidade p u r a não existe n u m sentido psicológico ou
biológico.
2. T o d a s as p e s s o a s a p r e s e n t a m t r a ç o s d e c a r á t e r m a s c u l i n o s e
femininos.

89
NENHUMA FÊMEA REAL é PURAMENTE FEMININA...

Freud tinha consciência d e q u e os hábitos sociais c o m p e l e m as


mulheres a papeis passivos, que, supõe-se, são realmente femininos.

90
Freud continuou desenvolvendo sua teoria d a sexualidade feminina.
Eis c o m o ele c o n c l u i u u m a p a l e s t r a a r e s p e i t o d a f e m i n i l i d a d e e m
1933: "O q u e tenho dito acerca d a feminilidade nem sempre parece
amistoso. É incompleto. Se v o c ê quiser saber m a i s , olhe para sua
própria experiência de vida.
OU BSPBPB RTé R C/ÊNC/R
POPBP PRP INFOPMRçõBS
MRIS PPOFUNPRS.

Na p s i c o l o g i a , h á m u i t o t e m p o , a s m u l h e r e s r e p e n s a r a m e
d e s e n v o l v e r a m as t e o r i a s d e F r e u d : L o u A n d r e a s - S a l o m é , A n n a
Freud, Marie Bonaparte, Helene Deutsch, Karen Horney, Melanie
Klein, Clara T h o m p s o n , Juliet M i t c h e l l e m u i t a s o u t r a s .

91
4. PERÍODO DE LATÊNCIA
Desde o s seis anos, a p r o x i m a d a m e n t e , até a puberdade, o impulso
sexual aparentemente desaparece.
E s c o n d e - s e . A a m n é s i a infantil t o m a lugar, d e m o d o t ã o c o m p l e t o q u e
as p e s s o a s p o d e m , posteriormente, negar suas primeiras experiências
sexuais.
O p e r í o d o infantil d a s e x u a l i d a d e t e r m i n a c o m a r e p r e s s ã o d o C o m p l e x o
de Édipo.
A s i d e i a s e o s i m p u l s o s a s s o c i a d o s c o m as f a s e s o r a l , anal e f á l i c a
s ã o e m p u r r a d o s p a r a o i n c o n s c i e n t e (isto é, s ã o r e p r i m i d o s ) e n e g a m
e x p r e s s ã o . M a s o s i m p u l s o s a i n d a e s t ã o ali; n u m a f o r m a l a t e n t e ,
c o n f o r m e a estrutura adquirida pela libido. As memórias sexualmente
o r g a n i z a d a s d a s t r ê s f a s e s i n f l u e n c i a r ã o as a s s o c i a ç õ e s f u t u r a s .

A sexualidade volta na adolescência, incluindo o p r o b l e m a d a


c a p a c i d a d e física p a r a o s e x o !
92
Seria u m q u a d r o s o m b r i o d o d e s e n v o l v i m e n t o h u m a n o . . .
N o s animais, o instinto sexual é p r é - a d a p t a d o à realidade. É
biologicamente fixo. _

" S o m e n t e nos seres h u m a n o s a vida sexual ocorre e m duas o n d a s :


na infância e na puberdade. Algo que é desconhecido, exceto
n o s s e r e s h u m a n o s , e, é c l a r o , t e m u m a i n f l u ê n c i a i m p o r t a n t e n a
hominização."

94
O CONHECIMENTO E SAÚDE?

S o m o s normais (psicologicamente saudáveis) q u a n d o nossa busca


por conhecimento n ã o t e m i n i b i ç õ e s .

U I S ie}i(í;ooo jo BSUUUMIO

4>JOO i«nuls

3A.iau (tnwoiikxlXi]
8Ajaii Xaossaojy

Os neuróticos são ignorantes de quê? Algo os i m p e d e de conhecer


o q u e e s t á c a u s a n d o s e u s o f r i m e n t o . O u , c o m o F r e u d diria, eles
são vítimas d e i n i b i ç õ e s i n c o n s c i e n t e s . A inibição significa
simplesmente u m a r e s t r i ç ã o c o m relação a conhecer a origem d o
p r o b l e m a d e t e r m i n a n t e d o p a d r ã o rígido d e c o m p o r t a m e n t o d o
neurótico.

95
F r e u d v o l t a à i n f â n c i a p a r a rastrear a o r i g e m d o s p r o b l e m a s
neuróticos. Algo pode tomar um mau caminho no processo de
a p r e n d i z a g e m ; no m o d o pelo qual a e s t r u t u r a d o instinto sexual
humano é adquirida.

Eis o q u e a c o n t e c e :
1. F i x a ç ã o (o d e s e n v o l v i m e n t o i n t e r r o m p i d o ) d a l i b i d o p o d e
o c o r r e r e m u m a f a s e e s p e c í f i c a d a i n f â n c i a (oral, a n a l , e d i p i a n a ) .
2. R e g r e s s ã o (um retorno) a e s s e nível f i x a d o p r e l i m i n a r p o d e
ocorrer, produzindo diversas formas de neuroses adultas.
O s neuróticos estão literalmente e m u m dilema, e m u m aperto.
A f i x a ç ã o anal, por exemplo, surge em t o d o s os tipos de
c o m p o r t a m e n t o inibido.

O pão-duro Obsessão Tarefas


com ordem incompletas

O pão-duro, conscientemente, preocupa-se c o m a guarda do seu


d i n h e i r o . N o e n t a n t o , i n c o n s c i e n t e m e n t e , ele e s t á s e r e t e n d o a o
v a l o r s i m b ó l i c o a s s o c i a d o à s f e z e s d a f a s e anal infantil.
A s ideias o b s e s s i v a s s ã o a q u e l a s q u e p e r s i s t e m a p e s a r d a
incompatibilidade c o m a parte consciente da personalidade.

96
DESENVOLVIMENTO"
INCOMPLETO PO
OBJETIVO SEXURL
POPELEVRPR
PESEJOS FIXRPOS
POP OBJETOS
PRPCIRIS...
RNOPMRIS!

Para o f e t i c h i s t a , u m s a p a t o , u m c a s a c o d e p e l e o u u m a p a r t e d o
c o r p o o c u p a o lugar d a r e l a ç ã o h u m a n a d e f o r m a g e r a l .

97
Outra forma de maturidade incompleta d o objetivo ou objeto sexual
é a i n v e r s ã o (a o r i e n t a ç ã o d a l i b i d o a u m o b j e t o s e m e l h a n t e a si
mesmo), conhecida geralmente c o m o homossexualidade.

Frequentemente, o desenvolvimento sexual p o d e se


d e s e n c a m i n h a r . Isso l e v o u F r e u d a u m a n o v a ideia r e v o l u c i o n á r i a .

A s e x u a l i d a d e n o r m a l é s o m e n t e u m m o d o d e t e r m i n a r . Ela é a d q u i r i d a
a partir d e d i v e r s o s c o m p o n e n t e s , q u e p o d e m s e dividir e s e fixar.

98
A teoria da sexualidade freudiana o tornou mundialmente famoso.,
pelos motivos errados!

99
A hostilidade é compreensível. Freud impôs o terceiro golpe
revolucionário ao orgulho humano.

100
A TERCEIRA REVOLUÇÃO DE FREUD:
A PSICOLOGIA DO INCONSCIENTE
Os filósofos sempre equipararam a mente c o m a consciência. Contudo,
Freud a f i r m o u o u t r a c o i s a . S ó u m a p e q u e n a p a r t e d o q u e é m e n t a l é
c o n s c i e n t e . O r e s t o é i n c o n s c i e n t e , c o n s t i t u í d o d e ideias i n a d m i s s í v e i s e
involuntárias q u e c o n d i c i o n a m o c o m p o r t a m e n t o .

101
O HOMEM DOS RATOS (1907-1909)
Observações sobre um caso de neurose obsessiva
UM JOVEM NOTÁVEL PE 29 RNOS ME PROCUROU...

102
NO ÚLTIMO VERfíO, UM OFICIAL ME FALOU A RESPEITO PE UMA
TORTURA CHINESA... UM POTE é PREENCHIPO COM RATOS E
AMARRAPO PE CABEÇA PARA BAIXO SOBRE AS NÕPEGAS PA
VÍTIMA. OS RATOS, ENTRO, SAEM PO POTE E PENETRAM NO ÂNUS...

A IPEIA ME HORRORIZOU E ME FASCINOU!

103
O paciente tinha perdido seus óculos alguns dias antes de escutar a
h i s t ó r i a d a t o r t u r a . Ele e s c r e v e r a p a r a V i e n a p e d i n d o n o v o s ó c u l o s e
q u e u m oficial d e u m p o v o a d o p r ó x i m o o p e g a s s e . M a s , e n t ã o , ele
escutou a "história d o s ratos"...

P a r a evitar e s s e p e r i g o , o H o m e m d o s R a t o s t i n h a d e c u m p r i r u m
conjunto de instruções estranhas e autoimpostas, tão complicadas
q u e ficaram impossíveis de cumprir.
E m e s m o Freud se envolveu na elaboração de m a p a s e tabelas d e
horários! ^

104
1ENTE, FREUP RETROCEPEU ESSA BUSCA NEURÓTICA
FINALMENTE, A
UMA CENA PA INFÂNCIA PE CURIOSIPAPE SEXUAL.

A excitação sexual ficou ligada c o m a punição e a hostilidade c o m


relação ao seu pai.
105
E s s a f i x a ç ã o infantil é e x p o s t a p o r u m d o s rituais d o H o m e m d o s
R a t o s , d e s e n v o l v i d o e n q u a n t o ele e s t u d a v a p a r a u m a p r o v a . Ele f i c a v a
a c o r d a d o t o d a s a s n o i t e s , i n d o deitar e n t r e m e i a - n o i t e e u m a d a m a n h ã .

R HOPR EM QUE MEU PRI RO VOLTRP PRPR O VESTÍBULO.


POPEPIR RPRPECEP! R RPRGRVR TOPR6 RS LUZES...

TIPRVR R POUPR... E OLHRVR PRPR O MEU PÊN/S NO ESPELHO.

106
POR NRTUREZR, SOU RTEU... MRS DESENVOLVI UMR CRENÇR NR
VIPR RPÓS R MORTE QURNPO MEU PRI MORREU/

Ele a d o t o u u m a n o v a c r e n ç a p a r a p r o t e g e r u m a d o p a s s a d o ; o u seja,
s e u pai c o n t i n u a r i a i n t e r f e r i n d o m e s m o d e p o i s d e m o r r e r .

O PESENVOL VIMENTO QURNPO TIVE MINHRS


SEXURL INICIRL PO HOMEM PRIMEIRRS EREÇÕES, FUI ME
POS RRTOS ESTRVR QUEIXRR R RESPEITO PELRS COM
RSSOCIRPO COM Pú-^ \MINHR MRE. POREM, POR QUE SE
VIPRS EXTRBMRS. PRR RO TRRBRLHO? ELES
CONHECIRM TOPOS OS MEUS
PENSRMENTOS MESMO!

Suas queixas a respeito de anseios genitais sugerem u m a fixação na


f a s e a n a l . A f a s e , d e f a t o , q u e é f i s c a l i z a d a p e l o s pais! A m a i o r i a d o s
casos de neurose obsessiva p o d e remontar a fixações anais, que, muitas
v e z e s , e s t ã o r e l a c i o n a d a s c o m a n s e i o s s á d i c o s . Eis p o r q u e a h i s t ó r i a
d o s ratos o deixa o b c e c a d o .

108
Lentamente, Freud c o m e ç o u a reconstituir o significado oculto das
ideais i n c o n s c i e n t e s d o H o m e m d o s R a t o s . Por e x e m p l o . . .

109


A s i n t e n ç õ e s d o H o m e m d o s R a t o s s ã o i n v e r t i d a s . A p u n i ç ã o q u e ele
t e m e d o s o u t r o s é, n a r e a l i d a d e , o q u e ele t e m e p a r a si m e s m o .
O c o m p o r t a m e n t o normal atua na realidade e no presente. No entanto,
a s a ç õ e s d o H o m e m d o s R a t o s n ã o f a z e m s e n t i d o n o p r e s e n t e real, a q u i
e agora, pois sua angústia sexual refere-se ao passado.
Suas ações fazem sentido somente enquanto necessidade de repetir
algo d o p a s s a d o . O neurótico repete, e m vez d e lembrar.

R RNfiLISE PO HOMEM POS RRTOS PUROU ONZE MESES. SUR


NEUROSE FOI COMPLETRMENTE ELUCIPRPR - RTé SUR MORTE
NR PRIME/RR GUERRR MUNPIRL.

110
O MOVIMENTO PSICANALÍTICO
F r e u d atraiu p s i c a n a l i s t a s d i s c í p u l o s e p i o n e i r o s e n t r e 1 9 0 2 e 1 9 0 8 . O s
primeiros psicanalistas constituíram a S o c i e d a d e Psicanalítica
de Viena.
C o n v i d a d o para u m a palestra nos Estados Unidos por Stanley
H a l l , reitor d a U n i v e r s i d a d e Clark, F r e u d , j u n t a m e n t e c o m J u n g
e Ferenczi, e m b a r c o u e m agosto de 1909. A bordo do G e o r g e
W a s h i n g t o n , F r e u d viu o c a m a r e i r o d o s e u c a m a r o t e l e n d o . . .

FREUP N&O GOSTOU POS ESTRPOS UNIPOS.

112
Em 1910, Freud obteve reconhecimento internacional. No entanto,
n a q u e l e m o m e n t o , ele e n f r e n t a v a c o n f l i t o s i n t e r n o s n o p r ó p r i o
m o v i m e n t o psicanalítico. A s controvérsias levaram a rupturas entre
Freud e s e u s p r i m e i r o s s e g u i d o r e s : A d l e r , S t e k e l , J u n g , R a n k , e t c .

RFIRMR-SE, fíS VEZES, QUE ESSES ROMPIMENTOS EPRM


CRUSRPOS PELR PERSONRLIPRPE TIRfiNICR E POGMfiT/CR PE
FPEUP. NO ENTRNTO, COMO O PPÓPPIO FPEUP REVELOU R
ERNEST JONES, SEU BIÓGRRFO...

113
Consideremos resumidamente o rompimento mais famoso de
t o d o s : entre Freud e Jung.

Burghõlzli, e m Zurique.
Ele f o i o p r i m e i r o a t e s t a r o s m é t o d o s p s i c a n a l í t i c o s d e F r e u d e m
d o e n ç a s psicóticas mais graves d o que neuroses.
J u n g foi o primeiro a adotar o f a m o s o termo c o m p l e x o e t a m b é m
criou testes d e associação d e palavras para uso e m diagnósticos.

114
Era i m p o r t a n t e p a r a F r e u d q u e J u n g f o s s e u m p s i q u i a t r a e s t a b e l e c i d o ,
n e m v i e n e n s e , n e m j u d e u . F r e u d d i s s e a o s e u c o l e g a , Karl A b r a h a m . . .

M a s m e s m o n o início d a a m i z a d e , J u n g r e c o n h e c e u s e u s s e n t i m e n t o s
confusos c o m relação a Freud.

" A i n d a q u e isso r e a l m e n t e n ã o m e i n c o m o d e , a i n d a s i n t o q u e é
r e p u g n a n t e e ridículo, p o r c a u s a d e s u a inegável i n s i n u a ç ã o e r ó t i c a .
Essa s e n s a ç ã o a b o m i n á v e l v e m d o f a t o d e q u e , q u a n d o m e n i n o , fui
vítima de u m ataque sexual por u m h o m e m q u e cultuava."
De u m a c a r t a d e J u n g p a r a F r e u d , 2 8 d e o u t u b r o d e 1 9 0 7 .

W 7
115
A r e s p o s t a d e F r e u d foi q u e u m a p a i x ã o religiosa p o d e r i a a c a b a r
mal... Em rebelião.

" F a r e i o q u e estiver a o m e u a l c a n c e p a r a lhe m o s t r a r q u e s o u


i n a d e q u a d o p a r a ser u m o b j e t o d e c u l t o . "
F r e u d p a r a J u n g , 15 d e n o v e m b r o d e 1 9 0 7 .

E s s a q u e s t ã o d e ser c o m o pai e filho c a u s a r i a p r o b l e m a s .


E m s e t e m b r o d e 1912, J u n g viajou sozinho para N o v a York para
u m a p a l e s t r a n a U n i v e r s i d a d e F o r d h a m . Ele a c r e d i t a v a q u e e s t a v a
d e f e n d e n d o F r e u d . M a s s u a s críticas a r e s p e i t o d a s ideias b á s i c a s
d e Freud se intensificaram muito.
OBTER PRRZER NRO
f O COMPLEXO PE
a IPaNTICO EM
l ÉPIPO N&O TEM
RELRÇRO R
\ IMPORTÂNCIA SEXURLIPRPE.
\PRIMfiRIR.

J^O CONCEITO PE
[ SEXURLIPRPE
V- INFRNTIL a
\. INCORRETO.

J u n g a t a c o u a raiz d a d e s c o b e r t a d e F r e u d : as o r i g e n s s e x u a i s
e infantis d o s t r a n s t o r n o s n e u r ó t i c o s . F r e u d c o n s i d e r o u a
independência de J u n g c o m o u m a resistência ao inconsciente e u m
desejo de destruir o pai.
116
Em n o v e m b r o d e 1912, no encontro seguinte d e Freud e J u n g , em
u m a r e u n i ã o n o Park H o t e l , e m M u n i q u e , o c l i m a e s t a v a t e n s o . M a s
a p ó s u m a c o n v e r s a d e d u a s horas...

R PBQUENR VITÓRIR PB FREUP NRO SOLUCIONOU R TENSRO...


RO/6, NO RLMOÇO...
O q u e F r e u d q u i s d i z e r ? Ele j á t i n h a d e s m a i a d o a n t e s ? S i m ,
anteriormente, em 1909, após convencer o abstêmio Jung a celebrar
a v i a g e m d e l e s p a r a o s E s t a d o s U n i d o s c o m u m c o p o d e v i n h o . E,
a n o s a n t e s ( c o m o ele r e v e l o u a Ernest J o n e s ) , ele t e v e s i n t o m a s
s i m i l a r e s n o m e s m o q u a r t o d o Park H o t e l .

118
A s r e l a ç õ e s e n t r e F r e u d e J u n g p i o r a r a m . E m s u a c a r t a d e 18 d e
dezembro d e 1912, J u n g culpou Freud por causar as divisões d o
movimento.

N a p r i m a v e r a d e 1 9 1 3 , F r e u d c o n c l u i u u m n o v o livro, Totem e tabu,


q u e , ele c o m p r e e n d e u , p r e c i p i t a r i a o r o m p i m e n t o c o m J u n g .
J u n g q u e r i a reduzir a i m p o r t â n c i a d a s f a n t a s i a s d e i n c e s t o . N o
s e u livro, F r e u d a m p l i a a i m p o r t â n c i a d o C o m p l e x o d e É d i p o ,
remontando-o ao c o m e ç o da sociedade humana.

119
TOTEMISMO E INCESTO
O t o t e m é o e s p í r i t o o u a n t e p a s s a d o d e u m c l ã t r i b a l , e m geral
s i m b o l i z a d o p o r u m a n i m a l q u e n ã o se p o d e ferir o u m a t a r .
O t o t e m i s m o está ligado c o m a e x o g a m i a : u m sistema d e parentesco
q u e proíbe relações sexuais entre os m e m b r o s d o m e s m o clã-totem.
A s s i m , o incesto era proscrito.

120
A s o c i e d a d e s ó p o d e s e e s t a b e l e c e r s e a s r e l a ç õ e s e n t r e as
d i f e r e n t e s famílias s ã o instituídas m e d i a n t e leis s e x u a i s .

VOCÊ TEM PE
OFEPECê-LR EM
CRSRMENTO
PRRR OUTPR
FRMÍUR.

121
Mas, u m a vez por ano, o animal-antepassado totêmico é morto e
c o m i d o . O ritual d e luto é s u c e d i d o p o r u m r e g o z i j o s e l v a g e m .
O q u e s i g n i f i c a e s s e a s s a s s i n a t o ritual a n u a l d o a n t e p a s s a d o t o t ê m i c o ?

O t o t e m i s m o p o d e implicar outro mito mais profundo.


O MITO PRIMAL.

Darwin sugere que,


inicialmente, macacos
semelhantes ao
h o m e m viviam em
pequenos bandos,
incluindo u m patriarca
poderoso e suas
fêmeas.

Freud sugere que a


rivalidade pelas fêmeas
fez c o m q u e os jovens
machos matassem e
c o m e s s e m o pai.

A c u l p a r e s u l t a n t e d e s s e c r i m e e d i p i a n o original é r e s p o n s á v e l p e l a s leis
t o t ê m i c a s tribais contra o assassinato e o incesto.
A repressão no inconsciente contra esse crime edipiano primitivo está
n o início d e t o d a c u l t u r a , religião e arte h u m a n a .

122
FREUP TINHR CERTEZR PE QUE SUR TEORIR PR SEXURLIPRPE
ESTRVR CORRETR. MRS ISSO NfíO SIGNIFICRVR QUE ELE NfíO
TINHR PÚVIPRS.
SE TUPO POPE SER EXPLICRPO SEXURLMENTE...

SE OS INSTINTOS SfíO TOPOS SEXURIS...

123
SÓ UM INSTINTO NfíO SEXUAL POPE PEPPIMIP UM SEXURL.

Freud percebeu que precisava de algo melhor para explicar a fonte


d o conflito e da repressão.
Não era apenas u m p r o b l e m a teórico, m a s t a m b é m prático, para
permitir o tratamento d o s seus pacientes c o m sucesso.

124
PROBLEMAS DA TERAPIA
O sucesso da terapia depende da superação das forças que atuam
c o n t r a ela. Q u ã o f u n d o v ã o e s s a s f o r ç a s ? E q u a i s s ã o elas?
Os sintomas expressos por um neurótico p o d e m remontar a desejos
ou impulsos reprimidos, inconscientes.
M a s o q u e o t e r a p e u t a faz a r e s p e i t o d i s s o ? C o m o o p a c i e n t e p o d e
adquirir consciência do inconsciente?

125
E n t ã o , c o m o a análise p o d e t o r n a r c o n s c i e n t e a l g o q u e e s t á i n c o n s c i e n t e ?
F r e u d u s o u a l g o q u e s a b i a d e s d e 1 8 9 5 . Ele t i n h a i d e n t i f i c a d o d o i s
o b s t á c u l o s q u e p o d i a m se interpor entre o paciente e o m é d i c o .
1) O p a c i e n t e c o m e ç a a r e s i s t i r à t e r a p i a . O u 2) C o m o n o t r a t a m e n t o d e
A n n a O. p o r Breuer...

126
EM 19H FREUP FOI CRPRZ PE UTILIZRR R TRfíNSFERÊNCIR
POS SENTIMENTOS SEXURIS...

MRS OS SENTIMENTOS RMOROSOS PO PRCIENTE ESTRO


SUJEITOS R SE TRRNSFORMRR EM HOSTIS...

COMO R TRRNSFERÊNCIR HOSTIL POPE RJUPRR O RNRLISTR R


SUPERRR R RESISTÊNCIR? VOLTEMOS R CONSIPERRR O CRSO
PO HOMEM POS RRTOS...

127
ELE INSULTOU FREUP B SB RECUSOU fí SB PEITRR.

128
O Homem, d o s Ratos reconheceu seu m e d o de que Freud pudesse
puni-lo por causa d o s seus insultos.

A s s i m , m e s m o a t r a n s f e r ê n c i a hostil p o d e ser i m p o r t a n t e . Por q u ê ?


P o r q u e recria u m a n e u r o s e e m m i n i a t u r a n o p r e s e n t e .
F r e u d a f i r m o u : " O n e u r ó t i c o r e p e t e , e m v e z d e s e l e m b r a r " . Ele
repete porque algo inconsciente, reprimido no passado, impõe uma
resistência à lembrança.
N o e n t a n t o , a o repetir, s e n t i n d o h o s t i l i d a d e c o m r e l a ç ã o a Freud
n o p r e s e n t e , isso p o d e a g o r a ser i n t e r p r e t a d o e t r a n s f o r m a d o e m
l e m b r a n ç a real.
S ó d e p o i s q u e o m a t e r i a l i n c o n s c i e n t e é r e v e l a d o (revivido c o m o
u m a s e g u n d a n e u r o s e d u r a n t e a análise), ele p o d e ser s o l u c i o n a d o .
Isso é o q u e F r e u d d e n o m i n o u n e u r o s e d e t r a n s f e r ê n c i a , q u e p o d e
ser c u r a d a .

Contudo, suponhamos que não


ocorra transferência. Esses casos são
mais sérios.

129
D e s d e q u e haja a l g u m a r e l a ç ã o e r ó t i c a ( m e s m o n a fantasia), o
problema é tratável.
Mas e se u m a relação de transferência de amor ou ódio não puder
s e r e s t a b e l e c i d a ? Isso s i g n i f i c a q u e o p a c i e n t e r e n u n c i o u a t o d a
l i g a ç ã o e r ó t i c a c o m p e s s o a s o u c o i s a s . S e o p a c i e n t e n ã o p u d e r ser
a l c a n ç a d o , a d o e n ç a n ã o s e r á tratável p e l o m é t o d o p s i c a n a l í t i c o d a
transferência.
O s casos não tratáveis, ou psicóticos, Freud d e n o m i n o u n a r c i s i s t a s .
O q u e ele q u i s dizer c o m isso?

O MITO DE NARCISO
É outro antigo mito grego a respeito de u m rapaz d e grande beleza, q u e
se e n a m o r o u por sua própria imagem.
F r u s t r a d o p o r q u e n ã o p o d e p o s s u i r a si m e s m o , ele s e d i s s i p o u e s e
t r a n s f o r m o u e m u m a flor, o n a r c i s o .

130
NARCISISMO NORMAL
O narcisismo é u m a etapa normal d a infância. A o construir seu e g o
(o Eu), a c r i a n ç a p r o c u r a p o r s e u e u - e s p e l h o .

E m g e r a l , a l i b i d o n a r c i s i s t a infantil é t r a n s f e r i d a p a r a o b j e t o s , isto é,
para pessoas.

Aã ALGUM AMOR ROR 61 MESMO EM TOPO AMOR APULTO NORMAL.


E o a m o r p o r si m e s m o i d e a l i z a d o ? Isso t a m b é m é n o r m a l ?
S i m . F r e u d d e n o m i n o u isso ideal d o e g o .
O ideal d o e g o é u m s u b s t i t u t o p a r a o n a r c i s i s m o p e r d i d o d a i n f â n c i a ,
q u a n d o eu era o m e u p r ó p r i o ideal.

U m ego forte é u m a proteção contra o adoecimento. No entanto,


d e v e m o s começar a amar, a fim de não adoecer. A c a b a m o s a d o e c e n d o
se, por c a u s a d a frustração, não f o r m o s capazes d e amar.

132
E e s s a r e g r e s s ã o a o n a r c i s i s m o infantil p o d e c a u s a r d o e n ç a s
psicóticas graves.
O c o r r e m delírios p a r a n ó i c o s : a s e n s a ç ã o d e e s t a r s e n d o v i g i a d o e
de escutar vozes, depressão extrema, hipocondria, esquizofrenia,
megalomania, etc. são estados psicóticos narcisistas.

A transferência c o m o uma segunda neurose representada é


i m p o s s í v e l , p o i s o p a c i e n t e n ã o p o d e ser a b o r d a d o p o r m e i o d e
ligações eróticas externas.
133
Porém, um novo problema.
O narcisismo parece negar a existência d o s instintos não sexuais. M e s m o
o s i n s t i n t o s d o e g o p o d e m ser i n c l u í d o s e n t r e o s i n s t i n t o s d a l i b i d o .

134
ENQUANTO ISSO, UM IMENSO CONFLITO SOCIAL IRROMPIA.

1914 - A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL - 1918


FREUP APOIOU A ALIANÇA AUSTRO-ALEMfí, PARA A QUAL SEUS
FILHOS ESTAVAM LUTANPO.

Porém, esse apoio desvaneceu a p ó s os primeiros anos d a guerra.

" N o s s a c i v i l i z a ç ã o foi d e s f i g u r a d a p o r u m a h i p o c r i s i a g i g a n t e s c a .
P o d e r e m o s a l g u m d i a falar d e n o v o q u e s o m o s c i v i l i z a d o s ? "

135
Em 1919-1920, a derrota austro-alemã resultou e m u m a inflação
g a l o p a n t e . F r e u d p e r d e u t o d a s a s s u a s e c o n o m i a s . E ele m a l t i n h a
pacientes para se sustentar.
Apesar d a adversidade, d o d e s â n i m o e d a angústia mórbida, Freud
c o n t i n u o u t r a b a l h a n d o n a ideia d o n a r c i s i s m o .

LUTO E MELANCOLIA (1915)


A m e l a n c o l i a ( c o m o e x p o s t a n a g r a v u r a d e Dúrer, d e 1514) é u m
nome antigo para a depressão psicótica.
QURL é R ORIGEM PR CULPR E PR RUTORCUSRÇfíO EXRGERRPR6?

Lamentar a perda de um ente querido é normal.


Mas, na depressão psicótica, a dor d o paciente oculta sentimentos
inconscientes de ódio.
C o m o e s s e s s e n t i m e n t o s n ã o p o d e m ser a d m i t i d o s , o o b j e t o d e a m o r
p e r d i d o p a s s a a s e identificar c o m o p r ó p r i o e g o d o p a c i e n t e .
O que acontece então?
O ó d i o i n c o n s c i e n t e , e m v e z d e ser d i r e c i o n a d o a o o b j e t o d e a m o r
perdido, é dirigido de forma errada contra o próprio eu d o paciente.
A c u l p a e a a u t o a c u s a ç ã o depressivas se baseiam na regressão
a n o r m a l a o n a r c i s i s m o infantil.

138
NO HOSPITAL, ELR TENTOU O SUIC/PIO E, REPETIPRMENTE, MUTILOU
UM ÚNICO LUGAR NO SEU BPRÇO ESQUERPO (COM LfiMINR PE
BRPBERP, TESOUPR, UNHRSX

r
ê

R TEPRPIR COMEÇOU R
PESVENPRP SUR HISTÓRIR.

f EU EPR MUITO PRÓXIMA


W ^ P R MINHR MRE.

1/<!

á
E TERRIVELMENTE MUTILRPR... Só UMR MARCA
SEU BRRÇO ESQUERPO R IPENTIFICOUI
PE NRSCENÇR EM

140
*PEPOIS
16 iDR MORTE PR MINHR MfíE, EU R PEFENPI PIRNTE
PR FRMÍLIR."

ENTRO, SEM NENHUM MOTIVO RPRRENTE, ELR TROCOU SURS


RNTIGRS RMIZRPES POR NOVRS, MRS PéSSIMRS.

ELR MUPOU RRPICRLMENTE E SE TRANSFORMOU EM SUR MfíE.


ESSR PRRTE RSSUMIPR PE SI MESMR ERR O RLVO PR
HOSTILIPRPE REPRIMIPR.

141
RO RGIR MRL, ELR FOI CRPRZ DE RCUSRR SUR MfíE PE MOPO
INPIRBTO.

NOVR IPENTIPRPE POUPOU-R PB TBP PB EXPPESSRP SEUS


PPÓPPIOS SENTIMENTOS NEGATIVOS.
Essa identificação extrema é denominada i n t r o j e ç ã o .
O objeto d e a m o r perdido é literalmente encarnado ou d e v o r a d o pelo
ego.
O p a c i e n t e r e g r i d e a u m e s t á g i o e s p e c í f i c o d e n a r c i s i s m o infantil. Isso
o c o r r e q u a n d o a f a s e oral c o m e ç a a s e t r a n s f o r m a r g r a d a t i v a m e n t e
na fase anal. Nesse período, m o r d e r e e x c r e t a r são dominantes, e a
criança alterna entre o amor e o ódio. \
f

142
R U M O A O " I N S T I N T O DE M O R T E " (1915-1919)
Freud continuou sua b u s c a por u m a teoria satisfatória d o c o n f l i t o
pulsional.
, Desde 1895, Freud tinha assumido que o c o m p o r t a m e n t o h u m a n o
se baseava e m duas tendências opostas: o p r i n c í p i o d o p r a z e r e o
p r i n c í p i o d a r e a l i d a d e . Esses p r i n c í p i o s d a a t i v i d a d e p s í q u i c a e r a m
estabelecidos no sistema nervoso.

1. O p r i n c í p i o d o prazer é p r i m á r i o n o s e n t i d o d e e s t i m u l a r o
o r g a n i s m o para a gratificação imediata, impulsiva e que satisfaz os
d e s e j o s . Está l i g a d o a o i n c o n s c i e n t e .
2. O princípio da realidade permite que o organismo tolere
a d i a m e n t o s d a g r a t i f i c a ç ã o . Esse p r o c e s s o s e c u n d á r i o e x e r c i t a o
p e n s a m e n t o . Permite certa separação d o s impulsos sexuais e u m
redirecionamento d a energia para o pensamento, o trabalho e a
diversão.
O f a m o s o m e c a n i s m o d a sublimação d e p e n d e d o princípio d a
realidade. A s u b l i m a ç ã o não é - c o m o se supõe popularmente - u m a
repressão d o s impulsos sexuais, mas u m redirecionamento d a energia
libidinal p a r a u m a a d a p t a ç ã o n e c e s s á r i a à r e a l i d a d e .

Nesse m o m e n t o , Freud reconheceu q u e os princípios d o prazer e


d a realidade não são realmente antagónicos, pois os dois visam à
d e s c a r g a d a t e n s ã o . O prazer é o r e s u l t a d o p s í q u i c o d a d e s c a r g a
de u m a quantidade de excitação, estímulo ou tensão que surge no
o r g a n i s m o . O princípio d a realidade é apenas u m processo adiado,
m o d i f i c a d o d e a l c a n ç a r o m e s m o o b j e t i v o : o prazer.

T O D O C O M P O R T A M E N T O ESTÁ A S E R V I Ç O D A R E D U Ç Ã O D A
TENSÃO.

144
MRS ESPERE UM INSTRNTE... B O RtiVlO PR EXCITRÇfíO a
SB O RUMENTO PR TENSfíO RGRRPftVEL...

E O COMPORTRMENTO QUE CONTPRPIZ ISSO? E O


COMPORTRMENTO PE FERIR R SI MESMO, COMO O MRSOQUISMO?

E O QUE PIZER PRS NEUROSES PE GUERRR?

145
PORÉM, R COISR CURIOSR FOI QUE OS SONHOS PO PRCIENTE
RÉPerifíM O TRRUMR RSSUSTRPOR.

R TENSfíO PESRGRRPfíVEL SE MRNTÉM CONSTRNTE POR MEIO PR


REPETIÇfíO.

146
B BIS OUTRO BXEMPLO PB RBPBTIÇfíO QUB FRBUP OBSBRVOU.

FRBUP OBSBRVOU SBU NBTO, PB UM FINO B MBIO, BRINCRR.

147
148
NO ENTANTO, R PERGUNTA QUE FREUP FORMULOU NAQUELE
MOMENTO FOI: COMO R REPETIÇfíO PE UMR EXPERIêNCIR
PESRGRRPRVEL SE ENCRIXR NO PRINCÍPIO PO PRRZER?

Freud c h a m o u e s s a t e n d ê n c i a e n i g m á t i c a d e reviver s i t u a ç õ e s
desagradáveis ou traumáticas de c o m p u l s ã o à repetição.
1. U m a s u r p r e s a d e s a g r a d á v e l s e m p r e p r e c e d e a n e c e s s i d a d e d e
repetir.
2. N o r m a l m e n t e é a a n g ú s t i a q u e n o s p r e p a r a p a r a e s p e r a r o p e r i g o .
3. À s v e z e s , a p s i q u e s o f r e u m c h o q u e o u s u s t o p a r a a q u a l n ã o e s t á
preparada.
Nesses casos, não é a angústia q u e produz u m a neurose
traumática. Na realidade, a angústia é q u e , e m geral, protege-nos
contra o susto ou a neurose d o susto.
4. A s s i m , e s s e é o s e g r e d o d a c o m p u l s ã o à r e p e t i ç ã o . C r i a u m a
angústia retrospectiva na psique.
Em outras palavras, a m e m ó r i a dolorosa é revivida frequentemente,
até u m a d e f e s a s u f i c i e n t e t e r s i d o c o n s t r u í d a a p ó s o e v e n t o .

Isso e s t á d e s c r i t o e m Além do princípio do prazer (1920), d e F r e u d .


M a s ele vai m a i s l o n g e . 5"%*'

149
R COMPULSRO R REPETIÇRO
POPE SBP PIRBÓLICR. POPB
SE VOLTRR CONTPR O
SUJEITO, RTÉ O PONTO PR
RUTOEXTINÇRO!

ESSR EVIPÊNCIR LEVOU FPEUP R PPOPOP OUTRO INSTINTO:


O PE MORTE!

O INSTINTO DE MORTE OU TÂNATOS


(na mitologia grega, é a personificação da morte)

o SRLMRO LUTR CONTRR


R CORRENTE PRRR RETORNRR.

PRRR PESOVRR.

PRRR MORRER.

O organismo se defende contra todas as ameaças d e morte q u e não


s ã o a p r o p r i a d a s p a r a ele.
P a r a d o x a l m e n t e , o i n s t i n t o d e m o r t e p o d e servir p a r a p r o l o n g a r a v i d a .
150
TÔNRTOS é RPRPTRVEL; RO RO SER PIRECIONRPO RO EU,
CONFRONTRR OBSTÁCULOS RESULTR EM
EXTERNOS, RESULTR EM COMPORTRMENTO
RGRESS&0. fíUTOPBSTRUTIVO.

O INSTINTO DE VIDA OU EROS


(deus grego do amor) ^ c c * *
A vida d e c a d a u m se m o v e rumo à morte natural. No entanto, a
s o b r e v i v ê n c i a d a e s p é c i e n ã o d e p e n d e d o i n d i v í d u o . O instinto
d e v i d a s e x u a l , q u e r e g e as c é l u l a s r e p r o d u t i v a s , g a r a n t e a
sobrevivência biológica.
1. O o b j e t i v o d a a t i v i d a d e m e n t a l é r e d u z i r as t e n s õ e s p r o v o c a d a s
pela excitação pulsional ou externa.
2. O sistema nervoso de u m organismo é regulado pelo p r i n c í p i o
d a c o n s t â n c i a , isto é, u m a t e n d ê n c i a c o n s e r v a t i v a p a r a a
estabilidade.
3. A s s i m , u m i n s t i n t o é o i m p u l s o inerente e m t o d a v i d a o r g â n i c a p a r a
r e s t a u r a r o e s t a d o m a i s p r i m i t i v o d a s c o i s a s . M a s q u ã o l o n g e vai
essa tendência conservativa?
4. Visto q u e t o d a matéria viva é constituída de matéria inorgânica,
n ã o v i v a , e n t ã o talvez haja u m i n s t i n t o a l é m d o p r i n c í p i o d o p r a z e r
q u e a l m e j e retornar a o e s t a d o d e inércia o r g â n i c a .
5. A c o m p u l s ã o à repetição é u m princípio regressivo pulsional, q u e
visa voltar a u m a condição totalmente desprovida de t o d a energia:
a morte.

O OBJETIVO DE TODA VIDA É A MORTE.

OS ANOS DE SOFRIMENTO
1 9 2 0 : S o p h i e , a filha q u e r i d a 1923: O neto favorito de
de Freud, morre aos 26 anos. F r e u d (filho d e S o p h i e ) m o r r e
aos 4 anos e 6 meses.

ISSO MfíTOU
1LGO EM MIM PRRt>
SEMPRE!
Naquele mmee s m o m ê s , abril d e 1 9 2 3 , F r e u d foi o p e r a d o d e c â n c e r d o
maxilar e d o palato. A primeira d e 33 cirurgias!

T o d o o maxilar superior e o audição foram afetadas e ficou


palato d o lado direito f o r a m difícil c o m e r . U m a p r ó t e s e (um
removidos. Durante os dezesseis t i p o d e d e n t a d u r a imensa) t e v e
seguintes anos de vida, Freud d e ser p r o j e t a d a p a r a s e p a r a r a
frequentemente sofreu de uma b o c a d a c a v i d a d e nasal.
d o r a n g u s t i a n t e . S u a fala e s u a

A n n aa,, aa f filha
ill de Freud
foi s u a e n f e r m e i r a
morte d o pai.

153
Realmente, Freud não obteve u m a resposta satisfatória para u m a
antiga p e r g u n t a q u e o p r e o c u p a v a há muito t e m p o : qual é a origem
d a repressão? O n d e e n c o n t r a m o s u m instinto não sexual capaz d e
reprimir u m instinto sexual, q u e p o d e causar u m conflito neurótico?

V a m o s voltar u m pouco.

Até aquele m o m e n t o , Freud tinha assumido que a neurose deve


surgir d e conflitos s e m solução entre a (auto)percepção consciente e
o s d e s e j o s i n c o n s c i e n t e s r e p r i m i d o s . N o e n t a n t o , ele n ã o c o n s e g u i a
explicar de que m o d o a repressão ocorria preventivamente.

Ele t a m b é m a s s u m i r a q u e o s i n s t i n t o s a u t o p r e s e r v a t i v o s d o e g o e r a m
limitados à fome, sede e reprodução sexual. Contudo, a f o m e e a sede
não são suficientes para preservar o eu; e a reprodução é típica d e
t o d a s as espécies e não é especificamente individual. Estamos n u m
impasse!

M a s e x e c u t e m o s u m salto de imaginação...

S u p o n h a m o s - para simplificar - que o principal problema d o ego


seja preservar o sentido da sua própria segurança, responsabilidade
e respeitabilidade. Freud percebeu que esse esforço contínuo d o
e g o d e preservar sua integridade era a base d a repressão, b a n i n d o
d a c o n s c i ê n c i a o s c o n t e ú d o s i n c o n s c i e n t e s q u e n ã o p o d i a m ser
a d m i t i d o s . Isso s i g n i f i c a q u e a r e p r e s s ã o era a p e n a s u m d i s p o s i t i v o n a
d e f e s a m a i s geral d o e u .

S e a r e p r e s s ã o p r e s s u p o r a l g o q u e r e p r i m e , e n t ã o d e v e ser o p r ó p r i o
e g o o u u m a s p e c t o dividido d o ego, q u e é responsável pela ação
defensiva da repressão.

Portanto, a repressão tem origem no ego. A repressão é defensiva


d o ego. Defende contra o quê? Contra falhas no desenvolvimento d e
u m e g o m a d u r o . A a n g ú s t i a é o sinal h u m a n o p r ó p r i o d a f r a q u e z a d o
e g o . E, é c l a r o , u m e g o f o r t e o u f r a c o d e p e n d e r á d a história d e t o d a a
personalidade, d e s d e a infância.

Fica c l a r o q u e a p e r s o n a l i d a d e h u m a n a p o s s u i d i v e r s a s
características dinâmicas c o m f u n ç õ e s internas e estruturais
específicas.

154
OID
O id ( p a l a v r a e m latim p a r a isso) é a b a s e p r i m i t i v a , i n c o n s c i e n t e d a
psique d o m i n a d a por impulsos primários.
A psique de u m recém-nascido é basicamente id.
M a s o contato c o m o m u n d o externo modifica parte d o id.

A p e r c e p ç ã o dessa diferença é o q u e c o m e ç a a diferenciar o ego.


O d e s e n v o l v i m e n t o d o ego é m a r c a d o pela estrutura pulsional d a
l i b i d o ( b o c a , â n u s , ó r g ã o s genitais).
Em outras palavras, a autoconsciência e a atividade corporal se
desenvolvem juntas.

156
O EGO
Freud d á ao ego diversas funções importantes.
1. O e g o é o g u i a d a r e a l i d a d e . P o d e s e a d a p t a r o u m u d a r .
2. A s p e r c e p ç õ e s c o n s c i e n t e s p e r t e n c e m a o e g o . Esse é u m
aspecto d o ego voltado para a realidade externa.
3. M a s o e g o t a m b é m a t u a c o m o u m a e n t i d a d e inibitória. Esse é
o u t r o a s p e c t o d o e g o q u e é v o l t a d o p a r a o interior e f u n c i o n a
i n c o n s c i e n t e m e n t e . Por e x e m p l o , a r e p r e s s ã o d o e g o e m
relação a o id é i n c o n s c i e n t e . E s s a é u m a d a s f u n ç õ e s d e d e f e s a
d o ego. Essas f u n ç õ e s são t o d a s inconscientes.

Eis u m e x e m p l o d o m e c a n i s m o d e d e f e s a d o e g o .

UM HOMEM GRRTIFICR PE MOPO SEGURO UM IMPULSO EPIPIRNO,


CRSRNPChSE COM UMR MULHER QUE PRRECE SUR MRE.

157
O SUPEREGO
O superego não é só consciência. É o herdeiro d o C o m p l e x o d e
É d i p o . Eis c o m o ele f u n c i o n a .

R CRIRNÇR SENTE CONTRR SEUS PRIS PROFUNPR HOSTILIPRPE,


QUE NfíO CONSEGUE EXPRESSRR...

RSSIM, R CPIRNÇR PPOJETR SUR RGRESSfíO SOBRE ELES...

O QUE PRRECE REFLETIR PE VOLTR COM RIGOR EXRGERRPO...

158
R CRIRNÇR CRESCE, MRS SEMPRE MRNTéM...

À medida que os impulsos edipianos são reprimidos e desaparecem,


seus lugares são o c u p a d o s pelo superego.
O superego é autoridade parental introjetada. É o resultado de u m
esforço defensivo, que proíbe a expressão dos desejos edipianos.

159
Freud virou de c a b e ç a para baixo a visão de moralidade e
consciência.
N ã o é n o s s a ideia m o r a l estrita q u e i m p e d e o c o m p o r t a m e n t o
a g r e s s i v o . A o c o n t r á r i o , t e m o s u m a ideia m o r a l p o r q u e a b d i c a m o s
da agressão.
O q u e a c o n t e c e c o m a religião? F r e u d d i s c u t i u isso e m O futuro de
uma ilusão (1928).^ o

F r e u d e r a u m i n i m i g o d e t o d a s as religiões. Ele n ã o t i n h a e s p e r a n ç a
n a c o n s c i ê n c i a b a s e a d a n a p a r t e r e p r i m i d a d a p e r s o n a l i d a d e . Ele
t i n h a f é n a r a z ã o e n a análise científica.

160
A P r i m e i r a G u e r r a M u n d i a l p a r e c e u u m a p r o v a terrível d a luta e n t r e
o s i n s t i n t o s d e v i d a e d e m o r t e d e n t r o d a civilização.
Em O mal-estarda civilização (1930), F r e u d p e r g u n t o u q u a l é o
valor d a c i v i l i z a ç ã o .
O s h o m e n s p o d e m p r o c u r a r o prazer i n s t i n t i v a m e n t e . N o e n t a n t o ,
e l e s , n a r e a l i d a d e , d e s p e n d e m m a i s e s f o r ç o p a r a evitar a d o r . A
realidade oferece muito mais oportunidades para vivenciar a dor d o
q u e o prazer. A s s i m , a m a i o r i a d a s p e s s o a s s a c r i f i c a r á o prazer s e a
civilização puder, e m troca, proporcionar menos sofrimento.

Mfí€ R GRfíNPE QUESTfíO é.

; " P

O trabalho q u e torna a civilização possível é suprido por u m a maioria


oprimida d e pessoas q u e partilham muito p o u c o d a sua riqueza.
Nesse sentido, Freud c o n c o r d a v a c o m Marx.

162
F r e u d f o r m u l a v a o u t r a p e r g u n t a p a r a s i : c o m o as p e s s o a s s e
identificam c o m o membros de um grupo ou da sociedade?
A f i x a ç ã o libidinal a u m o b j e t o p o d e o c o r r e r e m e s c a l a m a s s i v a . O s
i n d i v í d u o s c o l o c a m o m e s m o e ú n i c o o b j e t o n o lugar d o s u p e r e g o .
Eles se i d e n t i f i c a m m u t u a m e n t e n o s e u e g o .

163
N o e n t a n t o , s u p o n h a m o s q u e o s u p e r e g o s e j a e n t r e g u e a u m líder
Isso p r o d u z u m t i p o muito perigoso d e m a s s a se apaixonando.
Q u e é o q u e a c o n t e c e u n a A l e m a n h a , na d é c a d a d e 1 9 3 0 .

164
Em B e r l i m , e m m a i o d e 1 9 3 3 , o s n a z i s t a s q u e i m a r a m livros d e F r e u d
e de muitos outros grandes pensadores modernos.

Freud e s t a v a e n g a n a d o . O s n a z i s t a s t a m b é m o t e r i a m e n v e n e n a d o
c o m gás e incinerado e m u m d o s seus c a m p o s de extermínio; c o m o ,
d e f a t o , a c o n t e c e u c o m m i l h õ e s d e o u t r o s j u d e u s , i n c l u i n d o as
próprias irmãs de Freud.
165
M a r ç o d e 1938: o s nazistas o c u p a m a Áustria. Os h o m e n s d a S £
n a z i s t a i n v a d e m a c a s a d e F r e u d e m b u s c a d e o b j e t o s d e valor. O
olhar d e Antigo Testamento d e Freud os afugentou.
PEQUENO GLOSSÁRIO
B a s e a d o n o m u i t o útil
A Criticai Dictionary of Psychoanalysis, d e C h a r l e s Rycroft.

AB-REAÇÃO: processo de liberar a emoção diversos modos; por exemplo, escolhendo


reprimida, revivendo, na imaginação, a parceiros sexuais que parecem com os pais.
experiência original. J y
CULPA: especificamente a culpa neurótica;
AFETO: sentimento ou emoção ligado a isto é, experiências de se sentir culpado,
ideias, grupo de ideias ou objetos. que não podem ser explicadas por
violações reais dos valores conscientes do
AGRESSÃO: nos últimos textos de Freud, paciente. Resultado dos conflitos entre o
um derivado do instinto de morte, em superego e os desejos agressivos e sexuais
contraposição à libido, ao sexo ou ao infantis.
instinto de vida (Eros). As opiniões diferem
Expressões de sensação agressiva retiradas
se a agressão é um impulso pulsional
de si mesmo por meio da condenação moral
básico ou se fornece energia ao ego para
do superego. As defesas para amenizar a
superar obstáculos de modo a satisfazer
angústia também podem reduzir a culpa.
impulsos de autoafirmação.
DEFESA: negativamente, sua função
CATEXIA: acumulação ou quantidade
é proteger o ego que pode ter sido
de energia mental ligada a alguma ideia,
ameaçado pelas angústias do (a) id,
memória ou objeto.
superego ou mundo exterior, (b) má
COMPLEXO DE CASTRAÇÃO: a rivalidade consciência ou ameaças do superego,
edipiana com os pais provoca a angústia (c) perigos reais. Positivamente, os
de castração nos homens. As meninas mecanismos de defesa são usados pelo
e as mulheres não podem sofrer dessa ego para canalizar ou controlar as forças
angústia masculina. Mas elas também que podem levar à neurose. A defesa
podem se sentir castradas; desejam provar atua como um compromisso entre o
que possuem um substituto adequado desejo e a realidade. O ego modifica os
(simbólico) do pênis; ou sentem angústia em anseios do id da satisfação imediata e
relação a qualquer outro órgão, objeto ou permite satisfação disfarçada. O ponto de
atividade que é equivalente ao pênis para qualquer compromisso de defesa é manter
elas. Para Freud, a origem desse complexo os conflitos que ele soluciona fora da
se relaciona à inveja do pênis, muito consciência ciente.
criticada pelas feministas.
DESLOCAMENTO: passagem do afeto de
COMPLEXO: grupo de ideias (e, uma imagem mental para outra, a qual ele
frequentemente, memórias de experiências não pertence realmente, como nos sonhos.
reais ou imaginárias) associado com
EGO, ID, SUPEREGO: conceitos estruturais;
emoções poderosas, que ficou sepultado
lugares (topografia) dentro do aparelho
pelo processo de repressão na parte
psíquico; mas não realmente localizado no
inconsciente da mente e exerce um
cérebro.
efeito dinâmico sobre o comportamento.
A psique (aparelho mental) começa como id
Ocasionalmente, pode emergir de modo
caótico (tudo se apresenta no nascimento),
parcial ou total na mente consciente, embora
fora do que um ego estruturado desenvolve.
seja a tarefa da repressão impedir isso.
A infância avança através das fases da libido
Freud identificou apenas dois complexos: o
(oral, anal, fálica, edipiana), em que as fontes
de Édipo e o de castração.
do id e formas de prazer sexual mudam. Em
COMPLEXO DE ÉDIPO: emerge durante paralelo a essas fases, o ego desenvolve
a fase de desenvolvimento do ego, entre funções permitindo que o indivíduo controle
os três e cinco anos de idade, e pode, os impulsos, atue independentemente das
posteriormente, ser responsável por grande figuras parentais e domine o ambiente. Parte
parte da culpa inconsciente. As pessoas do ego desenvolve as atividades autocríticas
fixadas em nível edipiano mostram-no de do superego, que dependem da introjeção

169
das figuras parentais. A severidade do os movimentos da energia psíquica dessa
superego deriva, em parte, da violência forma: impulsos pulsionais viajam do id ao
dos próprios sentimentos inconscientes longo dos canais para o ego, onde são (a)
do sujeito na tenra infância. As energias do descarregados em ação, (b) inibidos, (c)
superego também podem derivar do id: direcionados para mecanismos de defesa
a tendência de autoataque do superego ou (d) sublimados.
fornece uma saída para os impulsos
agressivos do sujeito. O superego contém INCONSCIENTE: existem processos
tanto o passado infantil como o nível mentais dos quais o sujeito está alheio?
superior das funções autorreflexivas do ego. Os processos mentais inconscientes são,
por definição, autocontraditórios? Essas
FIXAÇÃO: a incapacidade de progredir são perguntas/críticas fundamentais da
adequadamente através dos estágios do psicanálise. Freud responde assumindo
desenvolvimento libidinal pode causar a dois tipos de processos inconscientes:
fixação: ligação aos objetos apropriados aqueles que podem se tornar conscientes
a aqueles estágios da tenra infância. As com facilidade; e aqueles sujeitos à
pessoas com fixação sofrem desperdícios repressão. Algumas coisas podem ser
frustrantes de energia por causa do seu recordadas facilmente; outras, como
investimento exagerado nos objetos do as fantasias, desejos e memórias
passado. dolorosas existem, mas só podem se
tornar conscientes após a eliminação das
HISTERIA: doença antigamente resistências específicas. Sobre a evidência
considerada (a) física, na origem, ou desta última, Freud baseia sua hipótese de
(b) como na qual a evidência física da um inconsciente dinâmico.
doença estava ausente. Desde Charcot,
e, em especial, a psicanálise, vista como INIBIÇÃO: Um processo é inibido se
forma neurótica de comportamento, em desativado pela operação de algum outro
que os sintomas físicos (por exemplo, processo. Assim, o medo pode inibir o
convulsões, paralisias, distúrbios de desejo sexual, etc. Em geral, as entidades
visão e audição, etc.) derivam do mau inibidoras são o ego ou o superego; o
funcionamento psicológico. A histeria foi processo inibidor é, em geral, um impulso
diagnosticada como puramente feminina pulsional. A inibição pode ser considerada
ou doença uterina. Freud rejeitou isso, um sintoma.
mas manteve a ideia de que era de alguma
INSTINTO: impulso biológico inato para a
forma conectada com a sexualidade. As
ação; possui (a) uma fonte biológica e (b)
duas formas reconhecidas de histeria são:
uma fonte de energia; (c) seu objetivo é
(a) histeria de conversão, uma forma de
a satisfação, que (d) procura em objetos.
psiconeurose, em que os sintomas surgem A incapacidade de encontrar satisfação
como doenças físicas, do mesmo modo ou objetos causa frustração e aumenta a
que o caso de Anna O., e (b) histeria de tensão pulsional vivenciada como dor. Essa
angústia, atualmente conhecida por fobia, dor (de acordo com o Princípio do Prazer)
como no caso do Pequeno Hans. deve procurar alívio e leva à ativação dos
O sintoma de fobia é angústia neurótica mecanismos de defesa para reduzir a
extrema vivenciada em certas situações tensão. A angústia é a maneira de o ego
(por exemplo, claustrofobia, angústia em reagir à tensão pulsional que estimula suas
espaços fechados) ou quando diante de defesas. Freud sustentou que um instinto
certos animais (por exemplo, aranhas, pode passar por quatro mudanças: (a)
cobras ou cavalos, como no caso de Hans). repressão, (b) sublimação, (c) volta contra
Uma pessoa com caráter fóbico tem o o eu (usando o eu como objeto pulsional),
hábito de lidar com situações que tendem (d) reversão (em seu oposto; por exemplo,
a causar angústia ou conflito (a) ao evitá-las substituindo um papel ativo por um
rigidamente ou (b) ao buscar e obter prazer passivo).
em atividades que são perigosas e, em
geral, geram angústia nos outros. INSTINTO DE MORTE OU TÂNATOS:
diferente do desejo agressivo de matar
IMPULSO: na neurologia, refere-se à os outros; em vez disso, é o impulso \
onda de carga elétrica que atravessa a autodestrutivo inato do indivíduo. Freud
fibra nervosa. Freud também descreveu distinguiu dois tipos de instintos. O sexual

170
(Eros), que eternamente tenta e obtém obscenos, premeditados, repetitivos; e os
a renovação da vida. Outro que busca comportamentos também são repetitivos,
conduzir o que está vivo para a morte. Não estereotipados, vinculados. A neurose
respaldado por nenhum princípio biológico obsessiva centraliza-se na regressão à fase
conhecido. anal-sádica e na ambivalência em relação
aos pais introjetados.
INTROJEÇÂO: processo em que a relação
com um objeto (fora dali) é substituída por PSICOSE: utilizada tanto pela psiquiatria
uma com um objeto mental imaginado como pela psicanálise para descrever
(dentro daqui). O superego é formado doenças mentais que podem levar à perda
pela introjeção das figuras parentais/de total da realidade e do controle sobre
autoridade. A introjeção é tanto uma defesa o comportamento; em contraposição à
(contra a angústia causada pela separação), neurose, em que a sanidade do paciente
como um desenvolvimento normal (ajuda o nunca é posta em dúvida. A psiquiatria faz
sujeito a se tornar autónomo). uma distinção entre a psicose orgânica
(devido à doença orgânica demonstrável) e
LIBIDO: desejo sexual; impulso vital a psicose funcional (sem origem orgânica
ou energia. Forma abstrata de energia aparente). As três psicoses funcionais
mental fluindo em processos psíquicos, reconhecidas por ambos os ramos
estruturas e objetos. A fonte sugerida da são: esquizofrenia, psicose maníaco-
libido é o corpo ou o id; existe relacionada depressiva e paranóia. A psicanálise
a zonas erógenas específicas ou estruturas considera a psicose um transtorno
psíquicas sujeitas à libidinização. Freud narcisista inacessível ao tratamento, pois a
primeiro considerou a libido como energia transferência não pode ser formada.
ligada a instintos sexuais específicos.
Depois, a libido narcisista foi considerada PSIQUE: originalmente, a alma;
como investida no ego; isto é, a libido psicologicamente, a mente, aparelho
originalmente ligada a objetos parentais, mental. Em geral, em contraposição à
por causa da frustração, tornou-se ligada soma, isto é, o corpo ou fatos físicos
ao ego. A autoestima e a autoconsciência gerais.
crescem, enquanto a ligação com os pais PSIQUIATRIA: ramo da medicina que
diminui. O ego, assim, torna-se seu próprio trata das doenças mentais. À diferença
objeto. da psicanálise (a teoria e o tratamento
terapêutico das neuroses), a psiquiatria
NEUROSE: originalmente, a doença dos
(a) trata de doenças de origem física
nervos; depois, descrição das doenças
conhecida; por exemplo, senilidade,
resultantes de transtornos funcionais
deficiência mental e t c ; (b) emprega
do sistema nervoso desacompanhadas
técnicas diferentes, como eletrochoque,
de mudanças estruturais. Como Freud
terapia e remédios; e (c) tende a considerar
descobriu, a neurose é um transtorno
a doença mental como resultante
da personalidade e não uma doença do
de fatores físicos, conhecidos ou
sistema nervoso; um fenómeno conflitante
desconhecidos.
envolvendo a frustração de algum impulso
A psicologia é definida como a ciência
pulsional fundamental.
da mente ou, atualmente, a ciência do
Há diversos tipos de neurose: devido
comportamento, e possui diversos ramos
a causas passadas; hábitos sexuais
de especialização: experimental, social,
presentes; choque; sintomas enquanto
animal, industrial, etc. A psicanálise
traços de caráter; psicossomática.
pode ser considerada como um ramo da
Exemplo: neurose obsessiva. As obsessões
psicologia.
são ideias ou grupos de ideias que,
de modo persistente, intrometem-se REGRESSÃO: como resultado da
involuntariamente na consciência do fixação, a reversão a canais expressivos
paciente, apesar do reconhecimento de desenvolvimento libidinal e de ego
de sua anormalidade. Os principais pertencentes aos estágios infantis.
sintomas são pensamentos obsessivos e Também um processo defensivo que
os comportamentos rituais compulsivos. procura evitar a ansiedade mediante
Esses pensamentos diferem dos normais, um retorno a padrões anteriores de
pois o paciente vivencia-os como bizarros, comportamento: não é uma defesa viável,

171
já que a regressão força o indivíduo talvez ser entendida negativamente; por
a vivenciar novamente a ansiedade exemplo, um paciente, que antes do seu
apropriada ao estágio regredido. colapso neurótico, possuía uma mente
A associação livre pode ser considerada curiosa (ávida) e que se voltou à comilança
uma forma terapêutica controlada de (regressão oral); ou um paciente que tinha
regressão, útil na solução da neurose. curiosidade intelectual e que se voltou ao
voyeurismo. Esses exemplos sugerem que
REPRESSÃO: mecanismo de defesa os instintos disponíveis para a sublimação
pelo qual o impulso ou ideia inaceitável sejam os instintos componentes pré-
é tornado inconsciente. O processo genitais. A sublimação depende do
mental resultante dos conflitos entre inconsciente.
os Princípios do Prazer e da Realidade.
Impulsos, memórias e emoções dolorosas TRABALHO ONÍRICO: (a) a função dos
originários desses conflitos, e a impulsão sonhos é preservar o sono representando
para o inconsciente ainda permanece ativa, os desejos como satisfeitos; caso contrário,
influenciando indiretamente a experiência e o sonhador acordaria, (b) O conteúdo
o comportamento, e produzindo sintomas manifesto dos sonhos começa de diversas
neuróticos e também determinando sonhos experiências sensoriais recebidas durante o
(normais). O desenvolvimento do ego sono, mais as preocupações do dia anterior
depende da repressão. e a vida passada recente, (c) Os desejos
latentes reprimidos do inconsciente se
RESISTÊNCIA: oposição à interpretação ligam a esse conteúdo. Para se esquivar
analítica durante o processo psicanalítico da censura e impedir o adormecido de
de trazer à consciência os padrões acordar, esses desejos latentes modificam
inconscientes. ou disfarçam seu conteúdo. Essa
SEXUALIDADE: Freud subverteu as ideias modificação acontecendo no inconsciente
tradicionais a respeito do sexo afirmando é o trabalho onírico.
que (a) o comportamento sexual adulto TRANSFERÊNCIA: deslocamento para
possui origens infantis (oral, erotismo anal o analista dos sentimentos e das ideias
e instintos componentes), que contribuem que resultam das figuras ou dos objetos
para o desenvolvimento do instinto sexual introjetados na vida passada do paciente.
adulto e da personalidade como um todo; O distanciamento do analista (recusa de
que (b) os impulsos sexuais infantil e adulto fingir que concorda ou corresponder às
influenciam o comportamento não sexual expectativas do paciente) cria uma neurose
enquanto filtrados através da simbolização nova ou segunda neurose, que é possível
e sublimação. interpretar como o comportamento do
SIMBOLIZAÇÃO: "somente o que é paciente como se o analista fosse o pai,
reprimido é simbolizado; somente o que é a mãe, o irmão, etc. Essa é a neurose
reprimido precisa ser simbolizado", Ernest de transferência fundamental, em que
Jones (1916); e o desenvolvimento do ego o conflito é superado e os padrões
depende da sublimação. inconscientes tornam-se conscientes para
o paciente.
SINTOMA: efeito de um compromisso
entre o desejo reprimido e a entidade
repressora (ego, superego). Na neurose,
a formação do sintoma compartilha as
características do trabalho onírico normal.

SUBLIMAÇÃO: o desenvolvimento
psíquico pelo qual as energias pulsionais
são descarregadas em formas não
pulsionais de comportamento.
Deslocamento dessa energia para aquelas
de menor interesse pulsional; emoção
sem sexualização ou sem agressificação;
liberação da atividade a partir de
demandas de tensão pulsional. Pode

172
OUTRAS LEITURAS

LIVROS DE FREUD LIVROS SOBRE FREUD

A melhor introdução a Freud é o próprio A biografia de Ernest Jones, A vida e a obra


Freud. Mas duas advertências: não comece de Sigmund Freud, ainda é a obra clássica.
com Esboço de psicanálise: não é uma Possui suas tendenciosidades, mas tem a
obra elementar como sugere o título. vantagem de ser escrita por um autor que
Segundo, os textos de Freud são resumos conheceu Freud e esteve pessoalmente
do seu trabalho como se encontravam envolvido na criação da psicanálise. É uma
até a data da publicação. Ele continuou leitura emocionante e apresenta todos os
revisando sua obra e nunca realmente principais fundadores da psicanálise.
apresentou um sistema completo, final. As ideias de Freud, de Richard Wollheim,
Aqui estão alguns livros básicos, que é uma introdução clássica, que enfatiza a
podem ajudar os iniciantes a começar a importância da teoria freudiana da mente,
leiturajde Freud por si mesmos. mas talvez seja um pouco difícil para o
Os estudos de caso de Freud a respeito iniciante.
de Dora, do' pequeno Hans, da histeria, Psicologia e teoria Freudiana, de Paul
etc. são recomendados porque combinam Kline, invalida a pretensão de Freud da
boa narrativa com técnica analítica. Essas psicanálise como ciência de um ponto de
obras estão disponíveis em séries baratas vista experimental.
da Freud Pelican Library e da Penguin
Books, ou o leitor pode consultar a
coleção em 24 volumes da coleção Obras
completas (Companhia das Letras). A LEITURAS ADICIONAIS
compreensão dos estudos de caso deve
Outro clássico da década de 1960, Eros
preparar o {eitor para tentar A interpretação
e Civilização, da editora LTC, de Herbert
dos sonhos e A psicopatologia da vida
Marcuse, combina marxismo liberal e
cotidiana (edição portuguesa). Ou, o
teoria freudiana, investigando a política, a
leitor pode preferir A General Introduction
sociedade e a cultura.
to Psychoanalysis {Novas conferências
As críticas feministas a Freud foram
introdutórias à psicanálise) (28 conferências
muitas vezes hostis, em particular nos
para leigos, 1915-1917) e New Introductory
Estados Unidos. A obra Psicanálise da
Lectures on Psychoanalysis (1932-36)
sexualidade feminina, editora Campus,
(Novas lições introdutórias à psicanálise),
de Juliet Mitchell, deve ser consultada
ambas da Penguin Books.
para uma avaliação das leituras feministas
incorretas de Freud pelas ex-gurus da
política sexual, como Friedan, Millett
e outras. A interpretação de Mitchell
é equilibrada, positiva e radicalmente
feminista. Um livro importante, mas de
leitura difícil.

173
OS AUTORES

RICHARD APPIGNANESI nasceu em OSCAR ZARATE nasceu em Buenos Aires,


Montreal, no Canadá, em 1940, e chegou em 1942, e foi diretor de arte de diversas
ao Reino Unido em 1967, para concluir agências de publicidade argentinas
seu doutorado em História da Arte, na até 1970. Ele se fixou em Londres, em
Universidade de Sussex. Ele foi membro 1971, tornando-se ilustrador freelance.
fundador da Writers & Readers Publishing Ele ilustrou os guias introdutórios Mind
Cooperative e é o primeiro editor da série & Brain (1998), Melanie Klein (1997),
Introducing, para a qual também escreveu Quantum Theory (1996), Stephen Hawking
os guias Post-modernism (1995) e Lenin (1995), Machiavelli (1995), Máfia (1994)
(1994). Appignanesi é autor da trilogia de e Lenin (1994), desta série. Ele também
ficção, Itália Perversa: Stalin's Orphans, The criou muitos romances em quadrinhos
Mosque e Destroying America. Atualmente, aclamados, incluindo A Small Killing, que
é pesquisador assistente no King's College, recebeu o prémio Will Eisner de melhor
em Londres. romance em quadrinhos de 1994.

174
ÍNDICE REMISSIVO

Ab-reação, 3 Fliess, Wilhelm, 42-4


A interpretaç< ão dos sonhos, 47, 60 Freud
A psicopatologia da vida cotidiana, 70 Casamento, 13
Abuso infanti I ver teoria da sedução Doença, 152-3
Afasias, 23 Emigração, 167
Agressão, 15 1 160 Estudos de neuropatologia, 14
Além do princípio do prazer, 149 Infância, 4-7
Alucinações, 27-8 Morte, 168
Angústia de castração, 86 Morte do pai, 47
Associação livre, 41 Neurose, 46
Áustria, problemas económicos, 8 Rompimento com os seguidores, 113
Autodestrutividade, 151 Freudiano
Ato falho, 70
Bebés e sexualidade, 75-7 Símbolos, 65
Bernays, Martha, 13
Bissexualidade, 89 Guerra ver Primeira Guerra Mundial
Breuer, Josef l25-36, 44
Brúcke, Erns l 11-12 Hidrofobia, 229
Hipnotismo, 20, 24, 30-3
Charcot, Jea n Martin, 17, 33 Freud abandona, 37
Civilização possibilita, 162 Histeria, 17-23
Civilização possível, 161 Termos, 34
Cocaína, efeitos da, 15-16 Hitler, Adolf, 9
Compulsão à repetição, 149-50 Homem dos Ratos, 102-10, 128-9
Conflito pulsional, 134, 144 Homossexualidade, 98, 119
Conteúdo latente dos sonhos, 6 1 , 63-5
Conteúdo manifesto dos sonhos, 6 1 , 64 Id, 156
Crianças ver bebés e sexualidade Ideal do ego, 132
Identidade de grupo, 163
Dependêncie t, cocaína, 16 Incesto, 119-22
Depressão V( 3r melancolia Inibição, 95
Doença mental, 133 Instinto de vida, 151-2
Doença ver cioença mental Instintos não sexuais, 124, 134, 154
Introjeção, 142
Édipo, 56-8 Inveja do pênis, 87
Complexo , 5 9 , 81-8, 9 2 , 1 5 7 , 1 5 8 - 9
Ego, 131, 157 Jung, Carl, 114
Eletroterapia, 22 Critica Freud, 115-16, 119
Estudos médicos (Freud), 11-22
Exogamia, 1 20 Livros destruídos, 165

Fase anal, seíxualidade, 79 Mãe, 5, 140-3


Fase fálica, s exualidade, 81-6 Marx, Karl, 10, 162
Fase oral, se xualidade, 77-8 Masoquismo, 145
Feminilidade, 91 Mecanicismo, 11
Fetichismo, i 37 Melancolia, 137-8

175
Exemplo, 139-43 Da sexualidade, 92, 134
Mente inconsciente, 67-8, 101 Resistência na terapia, 127
Tornando-se consciente, 125-6
Mente pré-consciente, 68 Satisfação do desejo, 69
Mente ver mente inconsciente Sexual
Método catártico, 32, 33, 35 Base da doença, 36
Mito primai, 122 Desejos e sonhos, 60, 65-6
Morte Perversão, 73-5
Angústia mórbida, 44 Sensações, transferência, 127
Instinto de, 144 Sexualidade
Movimento psicanalítico, 111 Conflitos neuróticos, 123
Fase anal, 79
Narcisismo, 130-4 Fase fálica, 81 -6
Nariz, teoria de Fliess, 43 Fase oral, 77-8
Nazistas, 165-6 Feminina, 90-1
Neuropatologia, especialização de Freud Infância, 75-7
em, 14 Instintos não sexuais, 124
Neurose de guerra, 145-6 O que é normal?, 72-3
Neurose de transferência, 127-9, 130, 133 Período de latência, 92
Neurose ver neurose de transferência; ver Ver também bissexual idade
também em Freud Sexualidade feminina, 90-1
Neuróticos, 75, 95-7 Sexualidade infantil, 75, 77
Símbolos ver Símbolos freudianos
O futuro de uma ilusão, 160 Sistema nervoso, 12
Obsessão, 53-5, 96 Social-democracia, 10
Exemplo, 102-10, 128-9 Sociedade Psicanalítica de Viena, 111
Sonhos
Pai, 4 Análise, 60-6
Obsessão, 105-10 Freud, 48-51
Pappenheim, Bertha, 33 Sublimação, 144
Paralisia cerebral infantil, 23 Superego, 158-9
Parapraxia ver ato falho freudiano
Perversão ver em sexual Tânatos ver instinto de morte
Primeira Guerra Mundial, 135-6 Técnica da pressão, 37
Princípio da realidade, 68, 144 Teoria da sedução, 39
Princípio do prazer, 68-9, 144 Terapia
Psicanálise, 40 Problemas da, 125-6
Exemplo ver melancolia; Homem dos Ver também psicanálise
Ratos Totem e tabu, 119
Totemismo, 120-2
Racismo, 9 Transferência hostil, 127-9
Regressão, 96 Três ensaios sobre a teoria da sexualidade,
Narcisismo, 133 71
Religião, 160
Repressão, 124-5, 154 Urinar involuntariamente, 49
Das memórias, 34-5, 38-9, 41

176
Conheça o s o u t r o

7
O Enten
Um]
OS AUTORES

RICHARD APPIGNANESI

Ju
nasceu e m Montreal,
no Canada, e m 1 9 4 0 , e
c h e g o u n o R e i n o Unido
e m 1 9 6 7 , para c o n c l u i r
s e u d o u t o r a d o e m História
da A r t e , n a Universidade d e
Sussex. Foi o p r i m e i r o e d i t o r

Tcc
da coleção Introducing, para
a q u a l também e s c r e v e u o s
g u i a s Post-modernism e Lenin
fltualmente, é pesquisador

Quâi
a s s i s t e n t e n o King's College,
e m Londres.

OSCAR ZARATE nasceu e m


Buenos Rires, e m 1 9 4 2 , e f o i
d i r e t o r d e a r t e d e diversas
agências d e p u b l i c i d a d e
Em breve a r g e n t i n a s , até 1 9 7 0 . Em
1 9 7 1 , passou a morar e m
Londres, t o r n a n d o - s e i l u s t r a d o r
Slavoj Zizel freelance. Dessa coleção,
i l u s t r o u o s guias Me/an/e Klein,
k Psicologii Stephen Hawking e Lenin,
e n t r e o u t r o s . Em 1 9 9 4 ,
seu romance e m quadrinhos
A Small Killing recebeu o
p r e m i o W i l l Eisner.
Freud revolucionou aquilo que pensamos o respeito do
ser h u m a n o . S e u s t e r m o s psicanalíticos c o m o i d , e g o ,
l i b i d o , n e u r o s e e c o m p l e x o d e Édipo t o r n a r a m - s e p a r t e
do n o s s o vocabulário c o t i d i o n o . M a ss a b e m o s o q u e
eles r e a l m e n t e significam?

Entendendo Freud esclarece todos os elementos da


d e s c o b e r t a da psicanálise. I r r e v e r e n t e e e s p i r i t u o s o ,
o livro narra a vida e as ideias de Freud, desde sua
educação n a V i e n a d o século x i x , s u a c a r r e i r a médica
i n i c i a l , até a evolução g r a d u a l d e s u a s t e o r i a s s o b r e
o inconsciente, sonhos e sexualidade.

"As ilustrações d e Z a r a t e s a o incríveis e o s t e x t o s


de A p p i g n a n e s i s a o p e s q u i s a d o s c o m e s m e r o e
apresentados c o m clareza."
Washington Post

LeYa