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tica na filosofia islamica

Páginas: 4 (945 palavras) Publicado: 28 de agosto de 2014

RESUMO: Conceito de ética na filosofia islâmica

O mundo islâmico, social, legal religioso e moral gravita em torno do alcorão, que
determina a prática religiosa, a vida social, o direito, apolítica, a economia e a ética.

A moral islâmica formou-se nos primórdios do Islam tendo como fonte o alcorão, o hadith e
Sunnah (conduta normativa). A moral islâmica foi construída recorrendo-se
aoscompanheiros do profeta Muhammad, a mais fiel fonte para o conhecimento de sua
vontade, posto que viveram ao seu lado e testemunharam suas declarações e ações. Neste
âmbito os costumes sociais religiosos,legais e morais foram estabelecidos como autoridade
porque remontam a prática inicial do Islam, conduzida sob os olhos do próprio profeta.
Estas práticas foram registadas no que hoje constitui o hadithe é chamado de Sunnah.

O hadith documenta o que os companheiros de Muhammad transmitiram sobre o que é


correto e justo em questões religiosas, legais e sociais de acordo com os ensinamentos
doprofeta.

Representa um manual da moral islâmica, na observância dos deveres religiosos e o correto


entendimento da doutrina religiosa. Constitui a estrutura da lei islâmica (sharia) e
consequentemente dodireito islâmico (fiqh).

A Sunnah descreve o modo estabelecido da ação e digno de ser imitado, o paradigma da


pratica social e individual.

Nos primórdios do Islam para desenvolver e teorizar umamoral derivada do alcorão e dos
hadiths estava apenas restrito aos exegetas do alcorão, dos tradicionalistas e dos fuqahas.

A partir do seculo XVIII surgem três distintas direções na busca da éticafundamentalmente


islâmica com base no alcorão e hadith, constituindo deste modo três disciplinas: tafsir, fiqh,
teologia escolástica (kalam), nestas três direções desenvolveram-se ‘ uma
visãoessencialmente islâmica do universo do homem’.

As teorias éticas filosóficas, marcadas por um alto grau de complexidade distanciam-se das
teorias fundadas no alcorão e no hadith. Desde sempre os muçulmanos...

PRINCÍPIOS ÉTICOS NAS RELIGIÕES - Um tema para o Ensino Religioso.

As tradições religiosas são um pertencimento humano. Ou seja, elas fazem parte do contexto
social e cultural de um povo. Uma das razões pelas quais vários indivíduos buscam algum tipo
de religião é para "colocar ordem na vida". Por causa das intempéries do cotidiano, às pessoas
buscam na fé religiosa, sentido para vida, espiritualidade, esperança para viver e também
orientações para uma conduta correta.

A ética é um ramo da filosofia, e as religiões possuem em seu repertório doutrinário princípios


éticos. Com isso podemos concluir que: religião e filosofia andam juntas. Geralmente quando
uma pessoa procura uma religião, e adere a ela, consequentemente aceitará os princípios éticos e
morais dessa religião.

O objectivo deste texto é ser mais uma fonte de apoio para auxiliar o trabalho dos professores do
Ensino Religioso. O ethos é um dos eixos temáticos dos Parâmetros Curriculares Nacionais do
Ensino Religioso (PCNER).

"É a forma interior da moral humana em que se realiza o próprio sentido do ser. É formado na
percepção interior dos valores, de que nasce o dever como expressão da consciência e como
resposta do próprio "eu" pessoal. O valor moral tem ligação com um processo dinâmico da
intimidade do ser humano e, para atingi-lo, não basta deter-se à superfície das acções humanas"
(PCNER, 2009, p. 55-56).

São analisados, de forma resumida, os princípios éticos do hinduísmo, budismo, judaísmo,


islã e cristianismo.

O Islã é um modo de vida abrangente e a moralidade é um dos fundamentos do Islã. A


moralidade é uma das fontes fundamentais da força de uma nação, assim como a imoralidade é
uma das principais causas do declínio de uma nação. O Islã estabeleceu alguns direitos básicos
universais para a humanidade como um todo, que devem ser observados em todas as
circunstâncias. Para manter esses direitos o Islã proveu não apenas as salvaguardas legais, mas
também um sistema moral muito eficiente. Assim, o que leva ao bem-estar do indivíduo ou da
sociedade e não se opõe a nenhuma das máximas da religião é moralmente bom no Islã e o que é
prejudicial é moralmente ruim.

Dada sua importância em uma sociedade saudável, o Islã apoia a moralidade e questões que
levam a ela e fica no caminho da corrupção e questões que levam a ela. O princípio orientador
para o comportamento de um muçulmano é "Atos virtuosos". Esse termo cobre todos os actos,
não apenas os actos de adoração. O Guardião e Juiz de todos os actos é o próprio Deus.

As características mais fundamentais de um muçulmano são a piedade e a humildade. Um


muçulmano deve ser humilde com Deus e com as outras pessoas:

"E não vires o rosto às gentes, nem andes insolentemente pala terra, porque Deus não estima
arrogante e jactancioso algum. E modera o teu andar e baixa a tua voz, porque o mais
desagradável dos sons é o zurro dos asnos." (Alcorão 31:18-19)

Os muçulmanos devem ter controle sobre suas paixões e desejos.

Um muçulmano não deve ser vaidoso ou apegado aos prazeres efêmeros desse mundo. Enquanto
a maioria das pessoas permite que o mundo material encha seus corações, os muçulmanos devem
manter Deus em seus corações e o mundo material em suas mãos. Ao invés de serem apegados
ao carro, ao emprego, ao diploma e à conta bancária, todas essas coisas se tornam ferramentas
para nos fazer pessoas melhores.

"Dia em que de nada valerão bens ou filhos, Salvo para quem comparecer ante Deus com um
coração sincero." (Alcorão: 26:88-89)

Princípios da moralidade no Islã

Deus resume retidão no versículo 177 da surata Al Baqarah:


"A virtude não consiste só em que orientais vossos rostos até ao levante ou ao poente. A
verdadeira virtude é a de quem crê em Deus, no Dia do Juízo Final, nos anjos, no Livro e nos
profetas; de quem distribuiu seus bens em caridade por amor a Deus, entre parentes, órfãos,
necessitados, viajantes, mendigos e em resgate de cativos (escravos). Aqueles que observam a
oração, pagam o zakat, cumprem os compromissos contraídos, são pacientes na miséria e na
adversidade, ou durante os combates, esses são os verazes, e esses são os tementes (a Deus)."

Esse versículo nos ensina que a retidão e a piedade são baseadas antes de tudo em uma fé
verdadeira e sincera. A chave para a virtude e boa conduta é uma relação forte com Deus, Que
tudo vê, em todos os momentos e em todos os lugares. Ele conhece os segredos dos corações e
as intenções por trás de todas as ações. Portanto, um muçulmano deve ter moral em todas as
circunstâncias; Deus está ciente de cada um, quando ninguém mais está. Se enganarmos a todos,
não podemos enganá-Lo. Podemos fugir de qualquer um, mas não Dele. O amor e consciência
contínua de Deus e o Dia do Juízo capacitam o homem a ter moral na conduta e sinceridade nas
intenções, com devoção e dedicação:

"De fato, o mais honrado entre vós aos olhos de Deus é o mais temente..." (Alcorão 49:13)

Então vem os atos de caridade com os outros, especialmente dando coisas que amamos. Isso,
como os atos de adoração, orações e zakat (caridade obrigatória), é parte integral da adoração.
Uma pessoa virtuosa deve ser confiável e digna de confiança.

Finalmente, sua fé deve ser firme e não diminuir diante de adversidades. A moralidade deve ser
forte para vencer a corrupção:

"E Deus ama aqueles que são firmes e perseverantes."

A paciência é com frequência mais difícil e bela quando vai contra nossos próprios desejos ou
raiva:

" Emulai-vos em obter a indulgência do vosso Senhor e um Paraíso, cuja amplitude é igual à dos
céus e da terra, preparado para os tementes." (Alcorão 3:133)

Esses três actos estão entre as coisas mais difíceis para a maioria das pessoas, mas também são a
chave para o perdão e o paraíso. Não são os melhores, aqueles capazes de exercitar a caridade
quando eles próprios passam por necessidades, de se controlar quando estão zangados e perdoar
quando foram injustiçados?

Esse é o padrão pelo qual as ações são julgados boas ou más. Ao fazer do agrado a Deus o
objetivo de todo muçulmano, o Islã estabeleceu o padrão de moralidade mais alto possível.

A moralidade no Islã aborda cada aspecto da vida de um muçulmano, desde as saudações até as
relações internacionais. É universal em seu escopo e em sua aplicabilidade. A moralidade reina
nos desejos egoístas, na vaidade e nos maus hábitos. Os muçulmanos não devem apenas ser
virtuosos, mas também devem encorajar a virtude. Não devem apenas abster-se do mal e do
vício, mas também proibi-lo. Em outras palavras, não devem apenas ser moralmente saudáveis,
mas também devem contribuir para a saúde moral da sociedade como um todo.

"Sois a melhor nação que surgiu na humanidade, porque recomendais o bem, proibis o ilícito e
credes em Deus. Se os adeptos do Livro cressem, melhor seria para eles. Entre eles há fiéis;
porém, a sua maioria é depravada." (Alcorão 3:110)

O Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, resumiu a conduta de um
muçulmano quando disse:

"Meu Sustentador me deu nove comandos: permanecer consciente de Deus, em público ou em


privado; falar de maneira justa, esteja zangado ou satisfeito; demonstrar moderação estando
pobre ou rico, reunificar a amizade com aqueles que se afastaram de mim; dar ao que me rejeita;
que meu silêncio deva ser ocupado com pensamentos; que meu olhar deva ser uma admoestação
e que eu ordene o que é certo."

PRINCÍPIOS ÉTICOS NAS RELIGIÕES - Islã.

"O Islã é uma religião prática. Oferece a seus seguidores um corpo de instruções sobre como
viver suas vidas, e estabeleceu um sistema, chamado xariá, para orientar a tomada de decisões
morais e legais. Enraizadas no Corão, essas instruções morais também acolhem a opinião de
líderes religiosos" (WILKINSON, 2011, p. 134).

Todos princípio éticos islâmicos estão contidos na Xariá. É através dela que à vida do fiel
muçulmano, como da sociedade são regidos. O Corão é o principal fundamento da Xariá e da
ética muçulmana. No entanto, também existe a Suna que são os relatos da vida do Profeta
Maomé. Quando uma passagem do Corão não é bem compreendida, a Suna (Hadith) do Profeta
serve como auxilio interpretativo. Quanto mais o crente muçulmano conhece o Corão, mais
aprenderá os princípios éticos do Islã.

6. Considerações finais.

Ao analisar resumidamente os princípios éticos dessas cinco religiões podemos concluir que:

1. Cada religião tem uma forma diferente de entender o que é ética;

2. Por terem surgido em contextos sociais e culturais distintos, as religiões podem ter princípios
de conduta que entrem em conflito com os de outra religião. Por exemplo, o Corão permite que o
homem, se tiver condições econômicas, tenha até quatro mulheres (Alcorão 4.3) . É o que
chama-se de poligamia. Na ética cristã à poligamia não é permitida;

3. Os princípios éticos não são eternos, eles podem sofrer algum tipo de mudança com o passar
do tempo;

4. As religiões procuram, cada uma ao seu modo, serem um canal de mediação entre o homem e
o transcendente.

Fontes:

COOGAN. Michael. Religiões. São Paulo, Publifolha, 2007.

HELLERN, Vitor; NOTAKER, Henry; GAARDER, Jostein. O livros das Religiões. São Paulo.
Companhia das letras, 2000.

FONAPER. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Religioso. São Paulo, Mundo Mirim,
2009.

WILKINSON, Philip. Religiões: guia ilustrado Zahar. Rio de Janeiro, Zahar, 2011.
A moral e o Direito mudam quando

muda historicamente o conteúdo de sua

função social (isto é, quando se opera

uma mudança radical no sistema politico-social).

Por isto estas formas de comportamento

humano têm caráter histórico.

Assim como varia a moral de uma

época para outra, ou de uma sociedade

para outra, varia também o Direito. O

ético transforma-se assim numa espécie

de legislador do comportamento moral

dos indivíduos ou da comunidade. Um

típico exemplo desta variação é a

revogação do artigo 5

o(

e seus parágrafos

do Código de Ética do Profissional da Psicologia, que em dezembro/90, por razões de mudanças


no ordenamento jurídico e social geral, ou de entendimento e interpretação subjetiva destas
mudanças, desinstalou-se um juízo moral, alterando consequentemente um código de ética, que
escrito traduz uma forma de conduta.
Antes de ser um ato de arrogância, o Código de Ética Profissional dos Psicólogos, é ato de
humildade. Um ato de humildade ante a ciência e a pequenez humana. Os psicólogos aos 18 anos
de idade profissional regulamentada se viram ante a questão que seu próprio obje¬ to de estudo
instiga, e construíram um conjunto de Leis (código) de ética (maneira reta de agir) da profissão.
Se lermos atentamente a este código constataremos que não se trata de um manual a ser seguido
mas um referencial a ser observado cada vez que não abrimos mão de nosso bem-estar e que
portanto ficamos sujeitos a não ser éticos. A humildade está em constatar que o ser humano
enquanto sujeito de pulsão, enquanto sujeito inconsciente, é assujeitado.

Se a assência coincidisse com anaparência, não haveria necessidade de ciência. Se o humano não
estivesse sujeitonao erro não haveria sequer necessidade de discutir o que é ÉTICA, seríamos.
Não haveria o "torto" e portanto não haveria o Direito, e muito menos necessidade de Leis
Jurídicas.

O advento de um código de Ética para referencial é prova disso. Talvez as pessoas não percebam
a singularidade do Código de Ética dos Psicólogos porque no próprio tratamento psicológico
terapêutico se conduz por uma ética e para uma ética. Os próprios seguidores de Jacques Lacan
concluíram o tratamento com uma frase que nos serve bem aqui e talvez ilustre o que eu estou
dizendo aqui, ou seja, "não há clínica sem ética".

O assunto clínico é muito abrangente e talvez transcenda nosso objectivo aqui neste artigo, mas
ilustra que o ético é parte integrante do trabalho do psicólogo e mais que isso, é parte integrante
do homem, mesmo porque, é como dizia Sartre, com seu poder de síntese de sempre: "Ainda
estamos na pré-história daquilo que chamamos humanidade".

Bibliografia

1 - ABBAGNANO. Nicola - Dizi¬

onario de Filosofia, tradução de Alfredo

Bosi, Ed. Mestre Jou, SP, 2^ ed.

1982;
2 - PSICÓLOGO, Código de Ética Profissional do, -publ. VI Plenário do Conselho Federal de
Psicologia, Brasília, 1989;

3 - VAZQUEZ, Adolfo Sanchez, ÉTICA, tradução de João Dell' Anna, 6 a edição, ed. Civilização
Brasileira, 1983;

4 - DEL VECCHIO, Giorgio - Lições de Filosofia do Direito, vol. II, tradução de Antônio José
Brandão, 3 a ed. portuguesa e 10a italiana,Coimbra, 1959;

5 - FREUD, Sigmund - El Molestar

en la Cultura, in Obras Completas,

Ensayos XCII al CCII, tomo III,

terceira edición, traduccion del Ale¬

man por Levis Leopez Ballesteros,

Ed. Biblioteca Nueva, Madrid, Espana,

1973;

6-MONTESQUIEU-DeL'Esprit

des Lois, I vol., ed. Brasil Editora

S/A. SP, I960:

Freud, D. Mal estar na civilização. Freud. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.
Todas as citações são desse volume. Elas aparecem aspadas, mas sem a referência ou
numeração de página.

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Print version ISSN 1414-9893

Psicol. cienc. prof. vol.11 no.1-4 Brasília 1991

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98931991000100006