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PONTIFÍCIO CONSELHO DE CULTURA
PONTIFÍCIO CONSELHO PARA O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

JESUS CRISTO
PORTADOR DE ÁGUA DA VIDA
Uma reflexão cristã
sobre a "Nova Era"

Organizador
Cb PM WILLIAM

Editora Saint-Exupéry
Assu/RN
2019
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Título do original em espanhol: Jesuscristo portador de agua de la vida
Libreria Editrice Vaticana, 2003

Direitos em língua portuguesa reservados à


Editora Saint-Exupéry
Embaixada Cultural de Pernambuco no Estado do Rio Grande do Norte
Av. João Celso Filho, 1469. Assu/RN
2019

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“Por alguma fresta misteriosa a fumaça de Satanás entrou no
templo de Deus. Há dúvida, há incerteza, há problemática, há
inquietação, há insatisfação, há confronto”. Não se confia
mais na Igreja. Confia-se no primeiro profeta profano que vem
nos falar em algum jornal, para correr atrás dele e lhe
perguntar se tem a fórmula para a vida verdadeira. Entrou,
repito, a dúvida em nossa consciência. E entrou por janelas
que deviam estar abertas à luz: a ciência!”.

Papa Paulo VI

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Nota do idealizador

Tendo em vista o grande avanço de ideologias nefastas no seio da Santa


Igreja, e o pior de tudo, o silêncio e a conivência de algumas autoridades
eclesiásticas, urge nos precavermos e buscar o verdadeiro ensinamento hoje
esquecido e até ocultado por esses celerados que se apresentam como
emissários do Senhor Jesus.

O documento que vem a lume por meio da Editora Saint-Exupéry é uma


forma de levar o conhecimento restrito pelo portal Vatican.va, por meio de
uma tradução do espanhol para o português. Tal texto não está disponível em
língua portuguesa on line, mas apenas em formato de livro e restrito à cobiça
de editoras ditas cristãs.

O nosso interesse é levar um documento tão importante àqueles que por


alguma dificuldade financeira não podem ter acesso. É triste e lamentável o
site não disponibilizar a tradução.

Sem mais delongas desejamos uma abençoada leitura.

Atenciosamente,

Equipe Editorial OSC/RCF

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ÍNDICE

Apresentação
Prefácio

1. Que tipo de reflexão?

1.1. Porque agora?


1.2. Na era das comunicações
1.3. Contexto cultural
1.4. A Nova Era e a fé católica
1.5. Um desafio positivo

2. A espiritualidade da Nova Era: visão geral

2.1. O que há de novo na Nova Era?


2.2. O que a Nova Era pretende oferecer ?
2.2.1. Encantamento: deve haver um anjo
2.2.2. Harmonia e compreensão: boas vibrações
2.2.3. Saúde: uma vida de ouro
2.2.4. Totalidade: uma jornada mágica ao mistério
2.3. Princípios Fundamentais do Pensamento da Nova Era
2.3.1. Uma resposta global em tempos de crise
2.3.2. A principal matriz do pensamento da Nova Era
2.3.3. Temas centrais da Nova Era
2.3.4. O que a Nova Era diz sobre ...
2.3.4.1. ... a pessoa humana?
2.3.4.2. ... Deus?
2.3.4.3. ...o mundo?
2.4. «Habitantes do mito ou da história? »: A Nova Era e a cultura
2.5. Por que a Nova Era cresceu tão rapidamente e se espalhou tão
eficazmente?

3. A Nova Era e a Espiritualidade Cristã

3.1. A nova era como espiritualidade


3.2. Narcisismo espiritual?
3.3. O Cristo cósmico
3.4. Cristão místico e nova era
3.5. O "deus interior" e a "theosis"

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4. Nova era e fé cristã face a face

5. Jesus Cristo oferece a água da vida

6. Indicações Importantes

6.1. Uma necessidade: acompanhamento e treinamento sólido

6.2. Iniciativas práticas

7. Apêndice

7.1. Algumas breves formulações de ideias da Nova Era


7.2. Selecione o glossário
7.3. Lugares-chave da Nova Era

8. Recursos

8.1. Documentos do Magistério da Igreja Católica


8.2 Estudos cristãos
8.3Bibliografia geral

9. Bibliografia Geral

9.1. Alguns livros da Nova Era


9.2. Trabalhos históricos, descritivos e analíticos

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APRESENTAÇÃO

1. Da New Age (Nova Era) já se falou muito e continuar-se-á a falar. Quanto a mim, pedi
a um especialista, Jean Vernette, que fizesse uma análise dos Movimentos da New Age
para a terceira edição do meu Grande Dizionario delle Religioni (Grande Dicionário das
Religiões), que os descreve com os seguintes termos: "Os Movimentos da New Age,
como um grande rio fluente, com múltiplos afluentes, representam uma forma típica de
sensibilidade religiosa contemporânea, como uma nova religiosidade que reveste muitos
caracteres da Gnose eterna" (Piemme, 2000, pp. 1497-1498). Além disso, à New Age
foram dedicados recentemente dois números especiais da Revista trimestral de cultura
religiosa, intitulada Religioni e sette nel mondo [Religiões e seitas no mundo] (1996, nn.
1-2). No meu editorial, apresentei este fenómeno recorrendo às seguintes expressões: "O
fenómeno da New Age, juntamente com muitos outros Movimentos religiosos, constitui
um dos desafios mais urgentes para a fé cristã. Trata-se de um desafio religioso e, ao
mesmo tempo, cultural: a New Age propõe teorias e doutrinas sobre Deus, o homem e o
mundo, que são incompatíveis com a fé cristã. Além disso, a New Age é o sintoma de uma
cultura em profunda crise e, ao mesmo tempo, uma resposta errónea a esta situação de
crise cultural: às suas inquietações e interrogações, às suas aspirações e esperanças"
(Religioni e sette nel mondo, 6 [1996], pág. 7).

Hoje, juntamente com Sua Ex.cia Rev.ma D. Michael Louis Fitzgerald, Presidente
do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, tenho a honra de apresentar um
Documento sobre este fenómeno, elaborado pelo Rev.do Pe. Peter Fleetwood, ex-Oficial
do Pontifício Conselho para a Cultura, e pela Dra. Teresa Osório Gonçalves, do Pontifício
Conselho para o Diálogo Inter-Religioso. Portanto, trata-se do fruto de uma autêntica e
longa colaboração interdicasterial, precisamente com vista a ajudar a responder "com
docilidade e respeito", como já recomendava o Apóstolo Pedro (1 Pd 3, 15), a este desafio
religioso e, ao mesmo tempo, cultural.

2. Hoje a cultura ocidental, actualmente seguida de muitas outras culturas, está a ser
atravessada por um sentido da presença de Deus, quase instintivo àquilo que muitas vezes
se chama visão mais "científica" da realidade. Tudo deve ser explicado segundo os termos
das nossas experiências quotidianas. Qualquer coisa que faça pensar nos milagres, torna-
se imediatamente um motivo de suspeita.

Assim, todos os gestos e os objetos simbólicos, conhecidos como sacramentais,


outrora parte da práxis religiosa quotidiana de todo o católico, hoje são, no panorama
religioso, muito menos evidentes do que antes.

3. Os motivos desta transformação são numerosos e diversos, mas todos fazem parte
daquela passagem cultural geral das formas tradicionais de religião a expressões mais
pessoais e individuais, daquilo que agora se define como "espiritualidade". Ao que parece,
na origem desta transformação existem três motivos diferentes. O primeiro consiste na
sensação de que as religiões tradicionais ou institucionais não podem dar aquilo que
outrora se afirmava que podiam oferecer.

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Na sua visão do mundo, algumas pessoas não conseguem nem sequer encontrar
espaço para acreditar num Deus transcendente pessoal, e a experiência pessoal de muitos
indivíduos levou-os a perguntar se este Deus tem o poder de realizar transformações neste
mundo, ou até mesmo se Ele existe. As experiências negativas que investiram o mundo
inteiro fizeram com que algumas pessoas se tornassem muito cínicas no que diz respeito
à religião: penso em acontecimentos terríveis, como no Holocausto e nas consequências
da bomba atómica, lançada sobre Hiroxima e Nagasáqui, no final da segunda guerra
mundial. Dei-me conta disto pessoalmente, durante a minha recente viagem a Nagasáqui,
quando tive o privilégio de rezar, mas senti-me totalmente incapaz de encontrar palavras,
diante do monumento à memória daquelas pessoas cujas vidas foram aniquiladas ou
comprometidas para sempre, naquele mês de Agosto de 1945. Hoje, a ameaça de uma
guerra no Médio Oriente traz-me à mente as recordações do meu pai, socorrista durante
a segunda guerra mundial. Aquilo que ele me contava sobre os horrores da guerra faz-me
compreender mais facilmente as dúvidas das pessoas acerca da existência de Deus e da
religião. A confusão de muitos indivíduos diante do sofrimento dos inocentes, explorada
também por determinados Movimentos, explica em parte a fuga de alguns crentes para as
fileiras dos mesmos.

4. Há outro motivo para explicar uma certa inquietude e uma determinada rejeição da
Igreja tradicional. Não devemos esquecer que na antiga Europa as religiões pagãs pré-
cristãs eram muito fortes e, com frequência, havia conflitos indecorosos, ligados à
mudança política, mas inevitavelmente tachados de opressão cristã das antigas religiões.
Um dos mais significativos desenvolvimentos naquele que se poderia definir como o
campo "espiritual" no século passado, em maior ou menor medida, foi o retorno às formas
pré-cristãs de religião. As religiões pagãs desempenharam um papel notável na defesa de
algumas das mais violentas ideologias racistas da Europa, revigorando desta maneira a
convicção segundo a qual certas nações têm um papel histórico de alcance mundial, a
ponto de terem o direito de submeter outros povos, e isto comportou quase
inevitavelmente um ódio pela religião cristã, considerada como recém-chegada ao cenário
religioso.

A complexa série de fenómenos, conhecidos com o termo de religiões "neopagãs",


revela a necessidade, sentida por algumas pessoas, de inventar novos modos de "contra-
atacar" o cristianismo e voltar a uma forma mais autêntica de religião, mais intimamente
ligada à natureza e à terra. Por isso, deve reconhecer-se que não há lugar para o
cristianismo na religião neopagã. Quer se queira, quer não, verifica-se uma luta para
conquistar as mentes e os corações das pessoas na relação entre o cristianismo, as antigas
religiões pré-cristãs e as suas "primas" de desenvolvimento mais recente.

5. O terceiro motivo, na origem de uma decepção bastante difundida no que se refere à


religião institucional, deriva de uma crescente obsessão na cultura ocidental, pelas
religiões orientais e os caminhos da sabedoria. Quando se tornou mais fácil viajar fora do
seu próprio território, os europeus aventureiros começaram a explorar lugares que antes
conheciam somente através das páginas de antigos textos. O fascínio do exótico colocou-
os numa relação mais estreita com as religiões e as práticas esotéricas de várias culturas
orientais, do Antigo Egito à Índia e ao Tibete. A convicção crescente de que existe uma
certa verdade de base, um núcleo de verdade no coração de toda a experiência religiosa,
levou à ideia de que se podem e se devem acolher os elementos característicos das
diversas religiões para chegar a uma forma universal de religião. Uma vez mais, neste
empreendimento há pouco espaço para as religiões institucionalizadas, em particular o
hebraísmo e o cristianismo.

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Vale a pena recordá-lo, na próxima vez que tiverdes a ocasião de observar um
anúncio publicitário relativo ao budismo tibetano ou a qualquer tipo de encontro com um
xamanista, coisas estas que podereis observar em qualquer capital europeia. O que me
preocupa é o facto de que muitas pessoas, comprometidas em tais géneros de
espiritualidade oriental ou "indígena", não estão completamente conscientes do que se
oculta por detrás do convite inicial para participar nestes encontros. Além disso, é digno
de nota o facto de que, desde há muito tempo, existe muito interesse pelas religiões
esotéricas nalguns círculos maçónicos que visam uma religião universal.

O Iluminismo promovia a ideia segundo a qual era inaceitável que existissem tantos
conflitos e se fizessem tantas guerras em nome da religião. Não posso senão estar de
acordo com isto. Porém, seria desonesto deixar de reconhecer uma difundida atitude anti-
religiosa que se desenvolveu a partir da originária preocupação de garantir o bem-estar à
humanidade. Também neste caso, considera-se com frequência como um conflito
religioso aquele que, na realidade, não é senão um embate de natureza política, económica
ou social.

6. O espírito desta nova religião universal é explicado mais claramente, de maneira muito
popular, no "musical" Hair (1960) quando, ao público do mundo inteiro, se disse que
"esta é a aurora da Era do Aquário", uma Era fundamentada sobre a harmonia, a
compreensão e o amor. Em termos astrológicos, a Era dos Peixes foi identificada com o
período em que o cristianismo teria predominado, mas esta Era, ao que parece, deveria
terminar depressa, para dar lugar à Era do Aquário, quando o cristianismo perderia a sua
influência, abrindo caminho para uma religião universal mais humana. Uma boa parte da
moral tradicional deixaria de ter lugar na nova Era do Aquário. O modo de pensar das
pessoas seria transformado completamente e já não existiriam as antigas divisões entre
homens e mulheres. Os seres humanos deveriam ser sistematicamente chamados a
assumir uma forma de vida andrógina, em que ambos os hemisférios do cérebro são
oportunamente utilizados de forma harmónica, e não divididos, como agora.

7. Quando vemos e ouvimos a expressão New Age, é importante recordar que,


originariamente, ela se referia à Nova Era do Aquário. O Documento que hoje vos é
apresentado constitui uma resposta à necessidade sentida pelos Bispos e pelos fiéis em
diversas regiões do mundo. Foram eles que pediram muitas vezes ajuda para responder
melhor a este fenómeno, hoje omnipresente. O próprio título deste Documento esclarece,
desde o começo, que o Aquário nunca poderá dar aquilo que Jesus Cristo pode oferecer.
O encontro entre Jesus Cristo e a samaritana, no poço de Sicar, narrado pelo Evangelho
de João, é o texto-chave que orientou a reflexão durante a preparação do relatório
provisório sobre a New Age, que agora vos é apresentado. Como se pode ver, o
Documento não está de modo algum destinado a ser uma declaração definitiva sobre este
tema. Trata-se de uma reflexão pastoral, destinada a ajudar os Bispos, catequistas e
quantos estão comprometidos nos vários programas de formação da Igreja, com vista a
identificar as origens da New Age, para ver de que forma ela consegue influenciar a vida
dos cristãos, e para elaborar meios e métodos capazes de enfrentar os numerosos e
diversos desafios que a New Age está a lançar à comunidade cristã, nas regiões do mundo
onde se encontra presente. Pode tratar-se também de um desafio para os que se sentem
cristãos, tentados por aquilo que a New Age afirma a propósito de Jesus Cristo, para
reconhecer as inúmeras diferenças entre o Cristo cósmico e o Cristo histórico. Em última
análise, este Documento é um ulterior fruto da atenção da Igreja pelo mundo. Ele nasce
do dever que a Igreja tem de permanecer fiel à Boa Nova da vida, da morte e da
ressurreição de Jesus Cristo, que oferece verdadeiramente a água da vida a todos aqueles
que se aproximam dele com a mente e o coração abertos.

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8. A natureza e o alcance do Documento serão melhor entendidos, se eu vos explicar de
que maneira ele foi escrito. Existe uma Comissão interdicasterial de estudo que se ocupa
de seitas e de novos movimentos religiosos. Fazem parte desta Comissão os Secretários
dos Pontifícios Conselhos para a Cultura, para o Diálogo Inter-Religioso e para a
Promoção da Unidade dos Cristãos, bem como da Congregação para a Evangelização dos
Povos. Para preparar este Documento, os Oficiais dos quatro mencionados Dicastérios do
Vaticano, encarregados da redacção do texto, foram coadjuvados por um Oficial da
Congregação para a Doutrina da Fé.

Assim, é claro que a Santa Sé viu neste trabalho um importante projecto a realizar
correta a cuidadosamente. Foi necessário um longo período de tempo, antes que o
Documento fosse divulgado. Todavia, faço votos a fim de que ele suscite reflexões entre
os Bispos e nas comunidades católicas e cristãs de todos os tipos. Se ele for substituído
por um texto melhor e de índole mais definitiva, significará que alcançou a sua
finalidade, estimulando quantos estão comprometidos na pastoral e as pessoas que
trabalham com eles, a refletir sobre este tema de maneira teológica.

9. O Documento quer encorajar os seus leitores a fazerem o melhor que puderem para
entender corretamente o fenómeno da New Age. E isto exige uma atitude aberta...
Contudo, gostaria de dizer que poderiam verificar-se queixas da parte de cristãos que, ao
lerem este Documento, observarem que algumas formas atuais de espiritualidade, em que
estão comprometidos, são objeto de crítica por parte do Documento. Já é problemático o
próprio facto de recorrer ao uso do termo New Age para definir este fenómeno. Por isso,
alguns preferem utilizar o termo New Age mas, falando sinceramente, na minha opinião
trata-se apenas de um afastamento do problema, do ocultamento do mesmo com o
nevoeiro terminológico. O facto de que o termo inclui muitas coisas indica também que
nem todos aqueles que adquirem produtos da New Age ou afirmam que obtêm algum
lucro de uma terapia da New Age abraçaram efetivamente a New Age. Por conseguinte, é
necessário um certo discernimento, tanto no que se refere aos produtos com a etiqueta da
New Age, como no que diz respeito àqueles que, em maior ou menor medida, poderiam
ser considerados "clientes" da New Age. Clientes, devotos e discípulos não são a mesma
coisa. Honestidade e integridade exigem que sejamos muito prudentes e que não
generalizemos, julgando com muita facilidade.

10. Como conclusão, gostaria de dizer simplesmente que a New Age se apresenta como
uma falsa utopia para responder à profunda sede de felicidade do coração humano, à
mercê da dramaticidade da existência e insatisfeito com a profunda imperfeição da
felicidade moderna. A New Age apresenta-se como uma resposta enganadora à esperança
mais antiga do homem, a esperança de uma Nova Era de paz, de harmonia e de
reconciliação consigo mesmo, com os outros e com a natureza. Esta esperança religiosa,
tão antiga como a própria humanidade, constitui um apelo que brota do coração dos
homens, especialmente em tempos de crise. O breve Documento agora apresentado
ajudará a compreender melhor este fenómeno, a discernir entre as propostas existentes e
a suscitar na comunidade cristã um renovado compromisso a anunciar Jesus Cristo,
Portador da Água Viva. Estou impaciente por seguir o debate que, sem dúvida, o nosso
Documento suscitará, enquanto agradeço sinceramente a todo o grupo de especialistas,
de modo particular ao Pe. Peter Fleetwood e à Dra. Teresa Osório Gonçalves, que
trabalharam com energia e afã para o poderem redigir.

3 de Fevereiro de 2003

CARDEAL PAUL POUPARD

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PREFÁCIO

Este estudo trata do fenômeno complexo da Nova Era, que influencia inúmeros
aspectos da cultura contemporânea.
O estudo é um relatório provisório. É fruto da reflexão comum do Grupo de
Trabalho sobre Novos Movimentos Religiosos, composto por membros de diferentes
Dicastérios da Santa Sé: os Conselhos Pontifícios da Cultura e o Diálogo Inter-religioso,
que são os principais redatores deste projeto; a Congregação para a Evangelização dos
Povos e o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
Essas reflexões são dirigidas principalmente aos responsáveis pelo trabalho
pastoral, para que possam explicar como o movimento da Nova Era difere da fé cristã. O
estudo convida os leitores a levar em conta a sede espiritual de muitas pessoas do nosso
tempo, que a espiritualidade da Nova Era procura cumprir. É preciso reconhecer que a
atratividade da religiosidade da Nova Era para alguns cristãos pode se dever em parte à
falta de atenção séria por parte das comunidades cristãs em relação a questões que, na
realidade, são elementos integrais da síntese católica. Tais são, por exemplo, a
importância da dimensão espiritual do homem, integrada em toda a sua existência, a busca
pelo sentido da vida, a conexão entre os seres humanos e o resto da criação, o desejo de
transformação pessoal. e social, e a rejeição de uma visão racionalista e materialista da
humanidade.
Esta publicação enfatiza a importância de se entender a Nova Era como uma
corrente cultural, bem como a necessidade de os católicos entenderem a doutrina e a
espiritualidade católicas autênticas, a fim de avaliar adequadamente as questões da Nova
Era. Os dois primeiros capítulos apresentam a Nova Era como uma tendência cultural
multifacetada e propõem uma análise dos fundamentos básicos das ideias transmitidas
nesse contexto. A partir do terceiro capítulo são apresentadas algumas indicações para o
estudo da Nova Era, comparando-a com a mensagem cristã. Da mesma forma, algumas
sugestões de natureza pastoral também são oferecidas.
Aqueles que desejam aprofundar o estudo da Nova Era encontrarão referências
úteis nos apêndices. Espera-se que este trabalho forneça um estímulo para estudos
posteriores, adaptados a diferentes contextos culturais. Seu objetivo é incentivar o
discernimento daqueles que buscam sólidos pontos de referência para uma vida plena.
Estamos convencidos de que, na busca de muitos de nossos contemporâneos, você pode
descobrir uma autêntica sede de Deus. Como disse o Papa João Paulo II a um grupo de
bispos nos Estados Unidos: "Os pastores devem se perguntar sinceramente se prestaram
atenção suficiente à sede do coração humano em busca da" água viva "que somente
Cristo, nosso Redentor, pode dar (cf. Jo 3, 7-13) ». Como ele, queremos nos apoiar "na
perene novidade da mensagem evangélica e em sua capacidade de transformar e renovar
quem a aceita" (AAS 864, 330).

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QUE TIPO DE REFLEXÃO?

As seguintes reflexões destinam-se a orientar os responsáveis pela pregação do


Evangelho e ensino na Igreja, em todos os níveis. Este documento não pretende fornecer
um conjunto exaustivo de respostas às muitas questões levantadas pela Nova Era ou
outras indicações contemporâneas da perene busca humana por felicidade, significado e
salvação. É um convite para entender a Nova Era e entrar em um diálogo com aqueles
que são influenciados por suas idéias. O documento ajuda os agentes pastorais a entender
a espiritualidade da Nova Era e a responder a ela, ilustrando os pontos em que tal
espiritualidade contrasta com a fé católica e refuta as posições defendidas pelos
pensadores da Nova Era em oposição à fé Cristã. Na realidade, o que é exigido dos
cristãos é, em primeiro lugar, estar firmemente fundamentado em sua fé. Sobre esta base
sólida, eles podem construir uma vida que responde positivamente ao convite da primeira
carta de São Pedro: "Se alguém pede explicações de sua esperança, esteja disposto a
defendê-la, mas com modéstia e respeito, com uma boa consciência" (1 Pd 3, 15s).

1.1. Porque agora?

O início do terceiro milênio não só vem dois mil anos após o nascimento de Cristo,
mas também em um momento em que os astrólogos acreditam que a Era de Peixes -
conhecida por eles como a era cristã - está chegando ao fim. Estas reflexões referem-se à
Nova Era, que recebe o nome da iminente Era Aquariana de Aquário. A Nova Era é uma
das muitas tentativas de dar sentido a esse momento histórico com o qual a cultura
(especialmente a cultura ocidental) é bombardeada. É difícil ver claramente o que é
compatível e incompatível com a mensagem cristã. É por isso que parece que este é o
momento oportuno para oferecer uma avaliação cristã do pensamento da Nova Era e do
movimento da Nova Era como um todo.

Tem sido dito, e com razão, que hoje em dia muitas pessoas vacilam entre certeza
e incerteza, especialmente em relação à sua identidade. 1 Alguns dizem que a religião
cristã é patriarcal e autoritária, que as instituições políticas são incapazes de melhorar o
mundo e que a medicina tradicional (alopática) é simplesmente incapaz de efetivamente
curar as pessoas. O fato de que os elementos que antes eram centrais da sociedade são
atualmente percebidos como indignos de confiança ou sem verdadeira autoridade, criou
um clima no qual as pessoas dirigem seu olhar para dentro, em direção a si mesmas, em
busca de significado e força. Há também uma busca por instituições alternativas que
devem responder às suas necessidades mais profundas. A vida caótica e desestruturada
das comunidades alternativas dos anos setenta deu lugar a uma busca por disciplina e
estruturas, que são claramente os elementos-chave dos movimentos «místicos»
imensamente populares. A Nova Era é atraente, especialmente porque muito do que
oferece satisfaz a fome que as instituições oficiais costumam deixar insatisfeita.

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Embora grande parte da Nova Era seja uma reação à cultura contemporânea, em
muitos aspectos ela é revelada como uma filha dessa mesma cultura. O Renascimento e
a Reforma moldaram o indivíduo ocidental moderno, que não se sente sobrecarregado
por cargas externas, tais como autoridade e tradição meramente extrínsecas. Há muitos
que sentem cada vez menos a necessidade de "pertencer" a instituições (apesar de que, a
solidão ainda é em grande parte um flagelo da vida moderna), e não estão inclinados a
dar opiniões "oficiais" mais valor do que o seu. Com esse culto à humanidade, a religião
é interiorizada, de modo que o terreno é preparado para uma celebração da santidade do
eu.

É por isso que a Nova Era compartilha muitos dos valores defendidos pela cultura
corporativa e o "evangelho da prosperidade" (discutido mais adiante: seção 2.4), bem
como a cultura do consumidor, cuja influência pode ser vista claramente no crescente
número de pessoas que afirmam que é possível reconciliar o cristianismo e a Nova Era,
aceitando o que parece melhor para ambos. 2 Vale lembrar que os desvios dentro do
cristianismo também superaram o teísmo tradicional, aceitando um retorno unilateral ao
Ego, o que favoreceria essa fusão de diferentes abordagens. O que é importante ressaltar
é que, em certas práticas da Nova Era, Deus é reduzido a um prolongamento do progresso
do indivíduo.

A Nova Era atrai pessoas imbuídas dos valores da cultura moderna. Liberdade,
autenticidade, auto-suficiência e outras coisas são consideradas sagradas. Atrai aqueles
que têm problemas com estruturas patriarcais. «Não requer mais fé ou mais crença do que
a necessária para ir ao cinema», 3 e, no entanto, pretende satisfazer o apetite espiritual do
homem. Mas, e aqui está a questão central, o que exatamente significa espiritualidade no
ambiente da Nova Era? A resposta é a chave para desvendar algumas das diferenças entre
a tradição cristã e muito do que pode ser chamado de Nova Era. Algumas versões da Nova
Era dominam as forças da natureza e procuram se comunicar com outros mundos para
descobrir o destino dos indivíduos, para ajudá-los a sintonizar com a frequência
apropriada e aproveitar ao máximo a si mesmos e suas circunstâncias. Na maioria dos
casos, é completamente fatalista. O cristianismo, por outro lado, é um convite para
direcionar o olhar para o exterior, além do "novo advento" do Deus que nos chama a viver
o diálogo do amor. 4

1.2. Na era das comunicações

A revolução tecnológica das comunicações nos últimos anos causou uma situação
completamente nova. A facilidade e velocidade com que podemos nos comunicar hoje é
uma das razões pelas quais a Nova Era atraiu a atenção de pessoas de todas as idades e
origens. Muitos cristãos, no entanto, não têm certeza do que realmente é. A Internet, em
particular, adquiriu enorme influência, especialmente entre os jovens, que a consideram
um meio agradável e fascinante de obter informações. Mas em muitos aspectos da religião
é um veículo superficial de desinformação: nem tudo que é apresentado com o rótulo de
"cristão" ou "católico" é legítimo, nem reflete a doutrina da Igreja Católica. Ao mesmo
tempo, há uma notável expansão das fontes da Nova Era que vão das coisas sérias ao
ridículo. As pessoas precisam, além disso, ter direito a informações confiáveis sobre as
diferenças entre o cristianismo e a Nova Era.

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1.3. Contexto cultural

Quando muitas das tradições da Nova Era são examinadas, logo fica claro que, na
realidade, há pouco que é novo na Nova Era. O nome parece ter se espalhado pelos
Rosacruzes e pela Maçonaria, em tempos de revoluções francesas e americanas. No
entanto, a realidade que denota é uma variante contemporânea do esoterismo ocidental,
que remonta aos grupos gnósticos que surgiram nos primórdios do cristianismo e que se
consolidaram na época da Reforma na Europa. Esse gnosticismo foi desenvolvido junto
com as novas visões científicas do mundo e adquiriu uma justificativa racional ao longo
dos séculos XVIII e XIX. Implicava uma rejeição progressiva do Deus pessoal e estava
centrada em outras entidades que no cristianismo tradicional figuravam como
intermediárias entre Deus e a humanidade, com adaptações cada vez mais originais delas,
e até mesmo acrescentando outras.

Uma corrente poderosa da cultura ocidental moderna que contribuiu para difundir
as idéias da Nova Era é a aceitação geral da teoria evolutiva de Darwin. Isso, juntamente
com um foco nos poderes ocultos ou forças espirituais da natureza, tem sido a espinha
dorsal do que hoje é conhecido como teoria da Nova Era. Na verdade, se a Nova Era
alcançou um grau notável de aceitação, foi porque a visão de mundo em que se baseia já
era amplamente aceita. O terreno foi bem preparado pelo crescimento e propagação do
relativismo, juntamente com uma antipatia ou indiferença à fé cristã. Houve também um
debate animado sobre se, e em que medida, a Nova Era pode ser descrita como um
fenômeno pós-moderno. A própria existência do pensamento e da prática da Nova Era,
bem como sua vitalidade, atestam o desejo insaciável do espírito humano pela
transcendência e pelo significado religioso, algo que não é apenas um fenômeno cultural
contemporâneo, mas que já é manifestado no mundo antigo, tanto cristão quanto pagão.

1.4. A Nova Era e a fé católica

Mesmo se for admitido que a religiosidade da Nova Era responde de certo modo ao
anseio espiritual legítimo da natureza humana, é preciso reconhecer que tais tentativas se
opõem à revelação cristã. Na cultura ocidental, em particular, o apelo das abordagens
"alternativas" à espiritualidade é muito forte. Por outro lado, entre os próprios católicos,
mesmo em lares de idosos, seminários e centros de formação de religiosos, novas formas
de afirmação psicológica do indivíduo tornaram-se populares. Ao mesmo tempo, há uma
crescente nostalgia e curiosidade pela sabedoria e rituais do passado, o que explica em
parte o notável aumento na popularidade do esoterismo e do gnosticismo.

Muitos são especialmente atraídos pelo que é conhecido - corretamente ou não -


como "espiritualidade" celta, ou as religiões dos povos antigos. Livros e cursos sobre
espiritualidade ou sobre religiões antigas ou orientais são um negócio florescente e são
frequentemente chamados de " Nova Era " por razões comerciais. Mas os elos com essas
religiões nem sempre são claros. Na verdade, eles geralmente recusam.

Um adequado discernimento cristão do pensamento e prática da Nova Era não pode


deixar de reconhecer que, como o gnosticismo do segundo e terceiro séculos, representa
uma espécie de compêndio de posições que a Igreja identificou como heterodoxas. João
Paulo II advertiu sobre o "renascimento de antigas idéias gnósticas na forma da chamada
Nova Era". Não devemos nos enganar pensando que esse movimento pode levar a uma
renovação da religião.

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É apenas uma nova maneira de praticar a gnose, ou seja, aquela postura do espírito
que, em nome de um profundo conhecimento de Deus, acaba distorcendo a Sua Palavra,
substituindo-a por palavras que são apenas humanas. A gnose nunca desapareceu do reino
do cristianismo, mas sempre coexistiu com ela, às vezes sob a forma de correntes
filosóficas, mais freqüentemente com modalidades religiosas ou para-religiosas, com uma
divergência decidida, mas às vezes não declarada, com o que é essencialmente cristã ». 6
Um exemplo disso pode ser visto no eneagrama, um instrumento para análise
característica de acordo com nove tipos, que, quando usado como um meio de
desenvolvimento pessoal, introduz ambiguidade na doutrina e na experiência da fé cristã.

1.5. Um desafio positivo

A atratividade da religiosidade da Nova Era não deve ser subestimada. Quando falta
um profundo conhecimento do conteúdo da fé cristã, alguns, erroneamente pensando que
a religião cristã não é capaz de inspirar uma profunda espiritualidade, a procuram em
outros lugares. Para dizer a verdade, alguns dizem que a Nova Era está se tornando
desatualizada e eles já estão falando sobre a "próxima" era. 7 Eles falam de uma crise que
começou a se manifestar nos Estados Unidos no início dos anos 90, mas admitem que,
especialmente fora do mundo anglófono, essa "crise" pode vir mais tarde. No entanto,
livrarias e estações de rádio, assim como a multiplicidade de grupos de auto-ajuda em
muitas cidades e capitais ocidentais, parecem negar tal crise. Parece que, pelo menos por
enquanto, a Nova Era ainda está muito viva como parte da atual paisagem cultural.

O sucesso da Nova Era representa um desafio para a Igreja. Muitos pensam que a
religião cristã não os oferece - ou talvez nunca os forneceu - algo que eles realmente
precisam. A busca que muitas vezes leva uma pessoa à Nova Era é um desejo genuíno:
de uma espiritualidade mais profunda, de algo que toca o coração, de um modo de
encontrar significado para um mundo confuso e muitas vezes alienante.

Há algo de positivo nas críticas que a Nova Era aborda ao "materialismo da vida
cotidiana, da filosofia e até da medicina e da psiquiatria"; ao reducionismo, que se recusa
a levar em conta experiências religiosas e sobrenaturais; à cultura industrial do
individualismo desenfreado, que inculca o egoísmo e desconsidera os outros, o futuro e o
meio ambiente ". 8

Os problemas colocados pela Nova Era surgem mais do que se propõe como
respostas alternativas a questões vitais. Se não queremos que a Igreja seja acusada de
permanecer surda aos desejos dos homens, seus membros devem fazer duas coisas:
agarrar-se mais firmemente aos fundamentos de sua fé e ouvir o clamor, muitas vezes
silencioso, dos corações dos homens. , o que os leva a afastar-se da Igreja quando não
encontram respostas satisfatórias nela. Em tudo isto há também um chamado para se
aproximar de Jesus Cristo e estar disposto a segui-lo, já que Ele é o verdadeiro caminho
para a felicidade, a verdade sobre Deus e a plenitude da vida para aqueles que estão
dispostos a responder ao seu amor.

20
2

A ESPIRITUALIDADE DA NOVA ERA


VISÃO GERAL

Em muitas sociedades ocidentais, e cada vez mais em outras partes do mundo, os


cristãos muitas vezes entram em contato com vários aspectos do fenômeno conhecido
como Nova Era. Muitos deles sentem a necessidade de compreender como podem abordar
da melhor maneira possível algo tão sedutor e, ao mesmo tempo, complexo, elusivo e às
vezes perturbador. Essas reflexões tentam ajudar os cristãos a fazer duas coisas:

- identificar os elementos do desenvolvimento da tradição da Nova Era;


- apontar os elementos incompatíveis com a revelação cristã.

Esta é uma resposta pastoral a um desafio atual. Não se pretende fornecer uma lista
exaustiva dos fenómenos da Nova Era, uma vez que isso exigiria um tratado volumoso,
para além do facto de essa informação estar disponível noutro local. É essencial tentar
entender a Nova Era corretamente para avaliá-la imparcialmente e evitar criar uma
caricatura dela. Seria tolo, além de falso, dizer que tudo relacionado a esse movimento é
bom, ou que tudo que se refere a ele é ruim. No entanto, dada a visão subjacente da
religiosidade da Nova Era, em termos gerais, é difícil conciliá-la com a doutrina e a
espiritualidade cristãs.

A Nova Era não é um movimento no sentido em que o termo "Novo Movimento


Religioso" é normalmente usado, nem é normalmente entendido pelos termos "culto" ou
"seita". É muito mais difuso e informal, pois atravessa as diferentes culturas, em
fenómenos tão variados como música, cinema, seminários, workshops, retiros, terapias e
em muitos outros eventos e atividades, embora alguns grupos religiosos ou para-
religiosos. Eles conscientemente incorporaram alguns elementos da Nova Era, e alguns
até sugeriram que essa corrente tem sido uma fonte de inspiração para várias seitas
religiosas e para-religiosas. 9 No entanto, a Nova Era não é um movimento individual
uniforme, mas sim uma ampla rede de seguidores cuja característica consiste em pensar
globalmente e agir localmente. Aqueles que fazem parte da rede não necessariamente se
conhecem e raramente se encontram, se é que se conhecem. Para evitar a confusão que
pode surgir quando se usa o termo "movimento", alguns se referem à Nova Era como um
"ambiente" (meio) 10 ou um "culto da audiência" (culto da audiência). 11 No entanto,
também foi apontado que "é uma corrente de pensamento muito coerente", 12 um desafio
deliberado à cultura moderna. É uma estrutura sincrética que incorpora muitos elementos
diversos e que permite compartilhar interesses ou links em diferentes graus e com níveis
muito variados de comprometimento.

21
Muitas tendências, práticas e atitudes mais ou menos ligadas à Nova Era são, na
verdade, parte de uma reação mais ampla e facilmente identificável à cultura dominante,
de modo que o termo "movimento" não está completamente fora de lugar. Pode ser
aplicado à Nova Era no mesmo sentido que se aplica a outros movimentos sociais de
amplo alcance, como o movimento pelos direitos civis ou o movimento pela paz. Como
estes, inclui um impressionante grupo de pessoas ligadas aos objetivos fundamentais do
movimento, mas extremamente diferentes na forma como estão ligadas a ele e na maneira
de entender algumas questões específicas.

A expressão "religião da Nova Era " é mais controversa, por isso deve ser evitada,
embora a Nova Era seja freqüentemente uma resposta às questões e necessidades
religiosas, que exerce sua atração sobre as pessoas que tentam descobrir ou redescobrir
uma religião. dimensão religiosa em sua vida. Evitar o termo "religião da Nova Era " não
significa, de forma alguma, questionar a natureza genuína da busca dessas pessoas por
sentido e sentido de vida. Respeite o fato de que muitos dos que estão dentro do
movimento da Nova Era distinguem cuidadosamente entre "religião" e "espiritualidade".
Muitos rejeitaram a religião organizada, porque na opinião deles não foi capaz de
responder às suas necessidades e, portanto, foram a outros lugares para encontrar
"espiritualidade". Além disso, no coração da Nova Era está a crença de que a era das
religiões particulares passou, então referir-se a ela como uma religião seria contradizer
sua própria autocompreensão. No entanto, a Nova Era pode ser colocada no contexto mais
amplo da religiosidade esotérica, cujo apelo continua a crescer. 13

Há um problema implícito no presente texto. Tentando entender e avaliar algo que


é essencialmente uma exaltação da riqueza da experiência humana, será inevitavelmente
objetado a ele que ele nunca será capaz de fazer justiça a um movimento cultural cuja
essência é precisamente romper com o que são considerados os limites restritivos do
discurso racional. Na realidade, ele visa convidar os cristãos a levar a sério a Nova Era e,
como tal, pede a todos que a lerem que iniciem um diálogo crítico com aqueles que se
aproximam do mesmo mundo sob perspectivas muito diferentes.

A eficácia pastoral da Igreja no terceiro milênio depende em grande parte da


preparação de comunicadores eficazes da mensagem do Evangelho. O que se segue é uma
resposta às dificuldades expressas por muitos daqueles que estão em contato com esse
fenômeno complexo e elusivo conhecido como a Nova Era. É uma tentativa de entender
o que é Nova Era e identificar as questões para as quais pretende oferecer respostas e
soluções. Já existem excelentes livros e outros materiais que analisam o fenômeno como
um todo ou que explicam aspectos particulares em grande detalhe. Vamos nos referir a
alguns deles no apêndice. Contudo, nem sempre realizam o discernimento necessário à
luz da fé cristã. O propósito deste texto é ajudar os católicos a encontrar uma chave para
entender os princípios básicos por trás do pensamento da Nova Era, para que eles possam
valorizar os elementos cristãos da Nova Era que encontram. Vale lembrar que muitas
pessoas rejeitam o termo " Nova Era " e sugerem a expressão "espiritualidade alternativa"
como mais correta e menos restritiva. Também é verdade que muitos dos fenômenos
mencionados neste documento provavelmente não possuem nenhum rótulo em particular,
mas pressupõe-se, por uma questão de brevidade, que os leitores identifiquem o fenômeno
ou conjunto de fenômenos que podem ser razoavelmente ligados ao conhecido
movimento cultural geral. geralmente como New Age.

22
2.1. O que há de novo na Nova Era?

Para muitos, o termo " Nova Era " refere-se a um momento decisivo da história.
Segundo os astrólogos, vivemos na Era de Peixes, que foi dominada pelo cristianismo e
será substituída pela nova era de Aquário no início do terceiro milênio. 14 A Era Aquariana
adquire enorme importância no movimento da Nova Era, em grande parte devido à
influência da teosofia, do espiritismo e da antroposofia, bem como de seus antecedentes
esotéricos. Aqueles que enfatizam a iminente mudança do mundo freqüentemente
expressam o desejo por essa mudança, não tanto no mundo em si como em nossa cultura,
em nossa maneira de nos relacionar com o mundo. Isso é especialmente evidente naqueles
que enfatizam a ideia de um paradigma da nova vida. É uma abordagem atraente, uma
vez que, em algumas de suas manifestações, os homens não são espectadores passivos,
mas desempenham um papel ativo na transformação da cultura e na criação de uma nova
consciência espiritual.

Em outras manifestações, maior poder é atribuído à inevitável progressão dos ciclos


naturais. Em qualquer caso, a Era de Aquário é uma visão, não uma teoria. Mas a Nova
Era é uma tradição ampla, que incorpora muitas idéias sem conexão explícita com a
mudança da Era de Peixes para a Era de Aquário.

Entre eles, há visões moderadas, mas muito generalizadas, de um futuro em que


haverá uma espiritualidade planetária juntamente com religiões individuais, instituições
políticas planetárias que complementarão as entidades econômicas globais locais, mais
participativas e democráticas, uma importância maior das comunicações e educação, uma
abordagem mista para a saúde que combinará a medicina profissional e a autocura, uma
compreensão do eu mais andrógeno e formas de integrar ciência, misticismo, tecnologia
e ecologia. Mais uma vez, isso mostra o profundo desejo de uma existência satisfatória e
saudável para a raça humana e para o planeta. Entre as tradições que se reúnem na Nova
Era podem ser contadas: as antigas práticas ocultistas do Egito, a Cabala, o gnosticismo
cristão primitivo, o sufismo, as tradições dos druidas, o cristianismo celta, a alquimia
medieval, o hermetismo renascentista, o budismo zen, yoga, etc. 15

É com isso que o "novo" da Nova Era consiste. É um "sincretismo de elementos


esotéricos e seculares". 16 Está ligado à percepção, amplamente difundida, de que o tempo
está maduro para uma mudança fundamental dos indivíduos, da sociedade e do mundo.
Existem várias expressões da necessidade de mudança:

- da física mecanicista de Newton à física quântica;


- da exaltação da razão da modernidade a uma apreciação de sentimento, emoção e
experiência (frequentemente descrita como uma mudança do pensamento racional
do "cérebro esquerdo" para o pensamento intuitivo do "cérebro direito");
- de um domínio da masculinidade e do patriarcado para uma celebração da
feminilidade nos indivíduos e na sociedade.

Neste contexto, o termo "mudança de paradigma" (mudança de paradigma) é


frequentemente usado. Às vezes, é claramente pressuposto que tal mudança não é apenas
desejável, mas inevitável. A rejeição da modernidade, subjacente a esse desejo de
mudança, não é nova.

23
Pelo contrário, pode ser descrito como "um avivamento moderno ou" reavivamento
"de religiões pagãs com uma mistura de influências das religiões orientais e da psicologia
moderna, filosofia, ciência e contracultura, desenvolvidas nos anos 50 e 60. A Nova Era
nada mais é do que uma testemunha de uma revolução cultural, uma reação complexa às
idéias e valores dominantes na cultura ocidental, apesar de sua crítica idealista ser,
paradoxalmente, típica da cultura que critica.

É necessário dizer uma palavra sobre a ideia de mudança de paradigma. Foi


popularizado por Thomas Kuhn, um historiador da ciência americano, que concebeu o
paradigma como "toda a constelação de crenças, valores, técnicas, etc., compartilhada
pelos membros de uma dada comunidade". 18

Quando há uma mudança de um paradigma para outro, é uma transformação em


blocos de perspectiva, em vez de um desenvolvimento gradual: na realidade, é uma
revolução. Kuhn enfatizou que os paradigmas rivais são imensuráveis e não podem
coexistir. Portanto, afirmar que uma mudança de paradigma no campo da religião e da
espiritualidade é simplesmente um novo modo de formular crenças tradicionais é um erro.
O que realmente acontece é uma mudança radical na visão de mundo, que coloca em
questão não apenas o conteúdo, mas também a interpretação fundamental da visão
anterior. Talvez o exemplo mais claro de tudo isso, no que diz respeito à relação entre a
Nova Era e o Cristianismo, seja a reelaboração da vida e o significado de Jesus Cristo. É
impossível conciliar essas duas visões. 19

É claro que a ciência e a tecnologia foram incapazes de cumprir suas promessas do


passado, então os homens se voltaram para o reino espiritual em busca de significado e
liberação. Como sabemos agora, a Nova Era surgiu da busca de algo mais humano e mais
belo diante da experiência opressiva e alienante da vida na sociedade ocidental. Seus
primeiros expoentes, dispostos a estender o olhar nessa busca, fizeram uma abordagem
muito eclética. Poderia ser um dos sinais do "retorno à religião", mas certamente não é
um retorno às doutrinas e credos cristãos ortodoxos.

Os primeiros símbolos deste "movimento" que foram introduzidos na cultura


ocidental foram o conhecido festival de Woodstock no Estado de Nova York em 1969, e
o musical Hair, que apresentou os principais temas da Nova Era em sua música
emblemática. «Aquário». 20 Mas essa foi apenas a ponta de um iceberg cujas verdadeiras
dimensões só foram percebidas em um período relativamente recente.

O idealismo das décadas de 1960 e 1970 ainda sobrevive em alguns setores. Mas
agora não são adolescentes que estão envolvidos principalmente. As ligações com a
ideologia política da esquerda desapareceram e as drogas psicodélicas não têm mais a
importância de então. Tantas coisas aconteceram desde então que tudo isso não é mais
revolucionário. As tendências "espirituais" e "místicas" que costumavam ser limitadas à
contracultura estão agora profundamente enraizadas na cultura dominante e afetam
aspectos tão diferentes da vida quanto a medicina, a ciência, a arte e a religião. A cultura
ocidental está agora imbuída de uma consciência política e ecológica mais disseminada e
todo esse deslocamento cultural teve um enorme impacto no estilo de vida das pessoas.
Alguns sugeriram que o "movimento" da Nova Era é precisamente essa grande mudança
em direção ao que é considerado "um tipo de vida notavelmente melhor". 21

24
2.2. O que a Nova Era pretende oferecer?

2.2.1. Encantamento: deve haver um anjo

Um dos elementos mais comuns da espiritualidade da Nova Era é o fascínio por


manifestações extraordinárias e, em particular, por seres paranormais. As pessoas
reconhecidas como médiuns asseguram que sua personalidade é possuída por outra
entidade durante o transe, um fenômeno da Nova Era conhecido como " canalização "
(canalização), no qual o médium pode perder o controle de seu corpo e suas faculdades.
Algumas pessoas que testemunharam esses eventos não hesitariam em admitir que as
manifestações são realmente espirituais, mas elas não vêm de Deus, apesar da linguagem
de amor e luz que é quase sempre usada ... É provavelmente mais correto referir-se a ela
como para uma forma contemporânea de espiritismo, ao invés de uma espiritualidade no
sentido estrito. Outros amigos e conselheiros do mundo espiritual são os anjos (que se
tornaram o centro de um novo negócio de livros e imagens).

Quando a Nova Era fala de anjos, ela é feita de maneira não sistemática, porque as
distinções nessa área nem sempre são consideradas úteis, especialmente se forem muito
precisas, já que "existem muitos níveis de guias, entidades, energias e seres em cada
oitava do universo ... Eles estão lá para você escolher e escolher de acordo com seus
próprios mecanismos de atração-repulsão ». 22 Esses seres espirituais às vezes são
invocados de maneira "não religiosa" como uma ajuda ao relaxamento, com o objetivo
de melhorar a tomada de decisões e o controle da vida pessoal e profissional. Outra
experiência da Nova Era, que eles afirmam ter alguns que se definem como "místicos",
consiste em fundir-se com alguns espíritos que ensinam através de pessoas específicas.
Alguns espíritos da natureza são descritos como energias poderosas que existem no
mundo natural e também nos "níveis internos": isto é, aqueles acessados através do uso
de rituais, drogas e outras técnicas para alcançar estados alterados de consciência. É claro
que, pelo menos em teoria, a Nova Era muitas vezes não reconhece nenhuma autoridade
espiritual além da experiência interior pessoal.

2.2.2. Harmonia e compreensão: boas vibrações

Fenômenos tão diversos quanto o Jardim de Findhorn e o Feng Shui 23 representam


uma diversidade de estilos que ilustram a importância de estar em sintonia com a natureza
e o cosmos. Na Nova Era, não há distinção entre o bem e o mal. As ações humanas são o
resultado da iluminação ou ignorância. Portanto, não podemos condenar ninguém e
ninguém precisa de perdão.

Acreditar na existência do mal só pode criar negatividade e medo. A resposta à


negatividade é amor. Mas não o tipo que deve ser traduzido em ações; é mais uma questão
de atitudes da mente. O amor é energia, uma vibração de alta frequência; O segredo da
felicidade e da saúde é entrar em sintonia com a grande corrente do ser, encontrar o
próprio lugar nela. Os professores e terapias da Nova Era afirmam oferecer a chave para
encontrar correspondências entre todos os elementos do universo, para que se possa
modular o tom de sua vida e estar em absoluta harmonia com os outros e com tudo o que
os cerca, se bem, o fundo teórico varia de um para o outro. 24

25
2.2.3. Saúde: uma vida de ouro

A medicina formal (alopática) tende agora a limitar-se a curar doenças isoladas e


concretas, e não alcança uma visão geral da saúde da pessoa: isso freqüentemente causa
uma insatisfação compreensível. A popularidade das terapias alternativas aumentou
enormemente porque elas afirmam abranger a pessoa como um todo e se dedicar à cura
em vez de à cura. Como é sabido, a cura holística se concentra no importante papel que
a mente desempenha na cura física.

Diz-se que a conexão entre os aspectos espiritual e físico da pessoa é encontrada no


sistema imunológico ou no sistema de chakras hindus. Do ponto de vista da Nova Era, a
doença e o sofrimento vêm de uma ação contra a natureza. Quando você está em sintonia
com a natureza, você pode esperar uma vida mais saudável e até mesmo uma prosperidade
material.

De acordo com alguns curandeiros da Nova Era, nós realmente não precisaríamos
morrer. O desenvolvimento de nosso potencial humano nos colocará em contato com
nossa divindade interior e com as partes de nós que são alienadas ou suprimidas. Isto é
revelado especialmente nos Estados Alterados da Consciência (ASCs), induzidos por
drogas ou por várias técnicas de expansão da mente, particularmente no contexto da
"psicologia transpessoal". O xamã é geralmente considerado o especialista em estados
alterados de consciência, como alguém que é capaz de mediar entre os reinos
transpessoais de deuses e espíritos e o mundo dos humanos.

Existe uma variedade notável de abordagens que promovem a saúde holística,


derivada de antigas tradições culturais, outras relacionadas com as teorias psicológicas
desenvolvidas em Esalen durante os anos 1960-1970. Publicidade relacionada à Nova Era
abrange um amplo espectro de práticas, como acupuntura, biofeedback, quiropraxia,
cinesiologia, homeopatia, iridologia, massagem e vários tipos de carroçaria (como
ergonomia, Feldenkrais, reflexologia, Rolfing, massagem de polaridade, toque
terapêutico, etc.), meditação e visualização, terapias nutricionais, cura psíquica, vários
tipos de fitoterapia, cura de cristais (terapia de cristal), metais (terapia de metal), música
(musicoterapia) ou cores (cromoterapia), terapias de reencarnação e, finalmente,
programas de doze passos e grupos de auto-ajuda. 25 Dizem que a fonte de cura está dentro
de nós mesmos, que podemos alcançar quando estamos em contato com nossa energia
interior ou energia cósmica.

Assim que a saúde inclui uma extensão da vida, a Nova Era oferece uma fórmula
oriental em termos ocidentais. Originalmente, a reencarnação era parte do pensamento
cíclico hindu, baseado no atman ou núcleo divino da personalidade (mais tarde, o conceito
de jiva), que se movia de corpo a corpo em um ciclo de sofrimento (samsara), determinado
pela lei do karma, ligada ao comportamento em vidas passadas. A esperança está na
possibilidade de nascer em um estado melhor ou, definitivamente, na libertação da
necessidade de renascer.

Ao contrário da maioria das tradições budistas, o que vagueia de corpo a corpo não
é uma alma, mas um contínuo de consciência. Em ambas as tradições, a vida presente está
presa em um processo cósmico infinito, potencialmente infinito, que inclui até mesmo os
deuses. No Ocidente, depois de Lessing, a reencarnação foi entendida de uma maneira
muito mais otimista, como um processo de aprendizado e realização individual
progressiva.

26
Espiritualismo, teosofia, antroposofia e a Nova Era vêem a reencarnação como uma
participação na evolução cósmica. Essa abordagem pós-cristã à escatologia é considerada
como a resposta a questões não resolvidas pela teodicéia e dispensa o conceito de inferno.
Quando a alma se separa do corpo, os indivíduos podem olhar para trás, para toda a sua
vida, até aquele momento, e quando a alma se junta a seu novo corpo, eles obtêm uma
visão antecipada da próxima fase da vida. Pode-se acessar suas vidas anteriores através
de sonhos e técnicas de meditação. 26

2.2.4. Totalidade: uma jornada mágica ao mistério

Uma das preocupações centrais do movimento da Nova Era é a busca pela


"totalidade". Convida-nos a superar todas as formas de "dualismo", já que essas divisões
são um produto doentio de um passado menos esclarecido. As divisões que de acordo
com os promotores da Nova Era devem ser superadas incluem a diferença real entre o
Criador e a criação, a distinção real entre homem e natureza ou entre espírito e matéria,
todos erroneamente considerados como formas do dualismo.

Supõe-se que essas tendências dualistas são, em última análise, baseadas nas raízes
judaico-cristãs da civilização ocidental, quando na realidade seria mais apropriado ligá-
las ao gnosticismo, e em particular ao maniqueísmo. A revolução científica e o espírito
do racionalismo moderno são considerados especialmente culpados da tendência à
fragmentação que considera as unidades orgânicas como mecanismos redutíveis aos seus
menores componentes, que podem ser explicados a seguir em termos destes últimos, bem
como a tendência a reduzir o espírito à matéria, de modo que a realidade espiritual -
incluindo a alma - se torne um mero "epifenômeno" contingente de processos
essencialmente materiais. Em todas essas áreas, as alternativas da Nova Era são chamadas
de "holísticas".

O holismo permeia o movimento da Nova Era, do seu interesse pela saúde holística
à busca da consciência unitiva e da sensibilidade ecológica à ideia de um "quadro" global.

2.3. Princípios Fundamentais do Pensamento da Nova Era

2.3.1. Uma resposta global em tempos de crise

"Tanto a tradição cristã quanto a fé secular no progresso ilimitado da ciência


tiveram que enfrentar uma séria ruptura manifestada pela primeira vez nas revoltas
estudantis de 1968." 27

A sabedoria das gerações antigas subitamente tornou-se sem sentido e sem respeito,
enquanto a onipotência da ciência desapareceu, de modo que a Igreja agora "tem que
enfrentar uma séria crise na transmissão de sua fé às gerações mais jovens". » 28 A ampla
perda de confiança nesses antigos pilares de consciência e coesão social foi acompanhada
por um retorno inesperado da religiosidade cósmica, rituais e crenças que muitos
pensavam ter sido suplantados pelo cristianismo. Só que essa perene corrente esotérica
subterrânea nunca foi realmente extinta. Por outro lado, a ascensão da popularidade da
religião asiática, sob a influência do movimento teosófico no final do século XIX, que
"reflete a consciência crescente de uma espiritualidade global que incorpora todas as
tradições religiosas existentes", era nova no contexto ocidental. 29

27
A eterna questão filosófica da unidade e multiplicidade tem sua forma moderna e
contemporânea na tentação não apenas de superar uma divisão indevida, mas também de
diferenças e distinções reais. Sua expressão mais comum é o holismo, um ingrediente
essencial da Nova Era e um dos principais sinais dos tempos do último quartel do século
XX.

Grandes energias foram investidas no esforço de superar a divisão em


compartimentos estanques característicos da ideologia mecanicista, mas isso causou a
submissão a uma rede global que adquire uma autoridade quase transcendental. Suas
implicações mais óbvias são o processo de transformação consciente e o desenvolvimento
da ecologia. 30

A nova visão, o objetivo da transformação consciente, tem sido lenta de formular e


sua implementação é dificultada por formas mais antigas de pensamento, que são
consideradas entrincheiradas no status quo. Por outro lado, a generalização da ecologia
como uma fascinação pela natureza e ressacralização da terra, Mãe Terra ou Gaia, foi
enormemente bem-sucedida, graças ao zelo missionário característico dos "verdes". A
raça humana como um todo é o agente executivo da Terra e a harmonia e o entendimento
requeridos por um governo responsável são progressivamente entendidos como um
governo global com uma estrutura ética global. Considera-se que o calor da Mãe Terra,
cuja divindade penetra toda a criação, preenche a lacuna entre a criação e o transcendente
Pai-Deus do judaísmo e do cristianismo, eliminando a possibilidade de ser julgado pelo
segundo.

Nesta visão de um universo fechado, que contém "Deus" e outros seres espirituais
junto conosco, um panteísmo implícito é descoberto. Este é um ponto fundamental que
permeia todo o pensamento e ação da Nova Era e que condiciona antecipadamente
qualquer outra avaliação positiva deste ou daquele aspecto de sua espiritualidade. Como
cristãos, acreditamos, pelo contrário, que "o homem é essencialmente uma criatura e,
como tal, permanece para sempre, de modo que uma absorção do eu humano ao divino
eu nunca será possível". 31

2.3.2. A principal matriz do pensamento da Nova Era

A matriz essencial do pensamento da Nova Era deve ser buscada na tradição


esotérico-teosófica que gozou de grande aceitação nos círculos intelectuais europeus dos
séculos XVIII e XIX. Em particular, era válido na Maçonaria, Espiritualismo, Ocultismo
e Teosofia, que compartilhavam uma espécie de cultura esotérica. Nesta cosmovisão, o
universo visível e o invisível estão ligados por uma série de correspondências, analogias
e influências entre o microcosmo e o macrocosmo, entre os metais e os planetas, entre os
planetas e as várias partes do corpo humano, entre o cosmos visível e os âmbitos invisíveis
da realidade. A natureza é um ser vivo, atravessado por uma rede de simpatias e antipatias,
animada por uma luz e um fogo secreto que os seres humanos tentam controlar. As
pessoas podem se conectar com os mundos superiores ou inferiores através de sua
imaginação (órgão da alma ou espírito), seja recorrendo a mediadores (anjos, espíritos,
demônios) ou rituais. As pessoas podem ser iniciadas nos mistérios do cosmos, de Deus
ou do eu, através de uma jornada espiritual de transformação.

28
O objetivo final é a gnose, a forma superior de conhecimento, equivalente à
salvação. Implica uma busca da tradição mais antiga e mais alta da filosofia (o que é
chamado de philosophia perennis) e da religião (teologia primordial), doutrina secreta
(esotérica) que é a chave de todas as tradições "exotéricas".» Acessível para todos. Os
ensinamentos esotéricos são transmitidos do professor para o discípulo em um programa
gradual de iniciação.

Alguns vêem o esoterismo do século XIX como algo totalmente secularizado. A


alquimia, a magia, a astrologia e outros elementos do esoterismo tradicional foram
totalmente integrados a aspectos da cultura moderna, incluindo a busca de leis causais, o
evolucionismo, a psicologia e o estudo das religiões. Ela alcançou sua forma mais clara
nas idéias de Helena Blavatsky, uma médium russa que, junto com Henry Olcott, fundou
a Sociedade Teosófica em Nova York em 1875. Esta sociedade pretendia fundir
elementos das tradições orientais e ocidentais em uma forma de espiritismo evolucionista.
Tinha três objetivos principais:

1. «Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de


raça, credo ou cor».
2. "Promover o estudo comparativo de religião, filosofia e ciência."
3. "Investigue as leis desconhecidas da natureza e os poderes latentes do homem".

«O significado desses objetivos ... deve ser claro. O primeiro objetivo rejeita
implicitamente o "fanatismo irracional" e o "sectarismo" do cristianismo tradicional como
concebido pelos espiritualistas e teosofistas ... O que não é imediatamente evidente nestes
objetivos é que para os teosofistas "ciência" significava ciências ocultas e filosofia,
occulta philosophia. Ou que, para eles, as leis da natureza eram de natureza oculta ou
psíquica e esperavam que a religião comparada revelasse uma "tradição primordial"
modelada, em última instância, a partir de uma hermética philosophia perennis. 32

Um componente proeminente dos escritos de Madame Blavatsky foi a emancipação


das mulheres, o que implicou um ataque ao Deus "masculino" do judaísmo, cristianismo
e islamismo. Ele convidou para retornar à deusa mãe do hinduísmo e à prática das virtudes
femininas. Essas idéias continuaram sob a orientação de Annie Besant, que estava na
vanguarda do movimento feminista. Atualmente, a Wicca (ver o glossário na seção 7) e
a "espiritualidade das mulheres" continuam essa luta contra o cristianismo "patriarcal".

Em seu livro The Aquarian Conspiracy, " A Conspiração Aquariana “, Marilyn


Ferguson dedicou um capítulo aos precursores da Era de Aquário, aqueles que teceram
uma visão transformadora baseada na expansão da consciência e na experiência da
autotranscendência. Dois dos mencionados são o psicólogo americano William James e
o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. James definiu a religião como experiência, não como
dogma e ensinou que os seres humanos podem mudar suas atitudes mentais para se
tornarem arquitetos de seu próprio destino.

Jung destacou o caráter transcendente da consciência e introduziu a ideia do


inconsciente coletivo, uma espécie de repositório de símbolos e memórias compartilhados
com pessoas de diferentes épocas e diferentes culturas. De acordo com Wouter
Hanegraaff, ambos os personagens contribuíram para a "sacralização da psicologia", que
se tornou um elemento fundamental do pensamento e da prática da Nova Era.

29
De fato, Jung "não apenas psicologizou o esoterismo, mas também a psicologia
santificada, preenchendo-a com o conteúdo da especulação esotérica. O resultado foi um
corpus de teorias que nos permite falar sobre Deus quando, na realidade, queremos dizer
nossa própria psique, e falar sobre nossa própria psique quando, na verdade, nos referimos
ao divino. Se a psique é "mente" e Deus também é "mente", falar de uma coisa significa
falar da outra. " 33 A acusação de ter o cristianismo "psicologizado" responde que "a
psicologia é o mito moderno e só podemos entender a fé nesses termos". 34

Certamente, a psicologia de Jung lança luz sobre muitos aspectos da fé cristã,


especialmente sobre a necessidade de encarar a realidade do mal. Mas suas convicções
religiosas são tão diferentes ao longo dos vários estágios de sua vida, que a imagem de
Deus que sai é extremamente confusa.

Um elemento central de seu pensamento é a adoração do sol, onde Deus é a energia


vital (libido) do interior da pessoa. 35 Como ele próprio disse, "esta comparação não é um
mero jogo de palavras". 36 Esse é "o deus interior" ao qual Jung se refere, a divindade
essencial que ele acreditava existir em todo ser humano. O caminho para o universo
interior passa pelo inconsciente e a correspondência do mundo interior com o exterior
reside no inconsciente coletivo.

A tendência a trocar psicologia e espiritualidade foi assumida pelo Movimento


Potencial Humano quando se desenvolveu no final dos anos 1960 no Instituto Esalen, na
Califórnia. A psicologia transpessoal, fortemente influenciada pelas religiões orientais e
por Jung, oferece um caminho contemplativo onde a ciência encontra o misticismo.

A ênfase colocada na corporalidade, a busca de métodos para expandir a


consciência e o cultivo dos mitos do inconsciente coletivo estimularam a busca do "Deus
interior" dentro de si mesmo. Para realizar o potencial de alguém, era preciso ir além do
ego individual para se tornar o deus que se está nas profundezas de si mesmo. Isso poderia
ser feito escolhendo a terapia apropriada: meditação, experiências parapsicológicas, o uso
de drogas alucinógenas. Todos esses foram os caminhos para alcançar "experiências de
pico", experiências "místicas" de fusão com Deus e com o cosmos.

O símbolo de Aquário, tomado da mitologia astrológica, tornou-se a expressão do


desejo por um mundo radicalmente novo. Os dois centros que constituíam o centro
propulsor inicial da Nova Era (e que continuam sendo até certo ponto) foram a
Comunidade-Jardim de Findhorn, no nordeste da Escócia, e o Centro para o
Desenvolvimento do Potencial Humano de Esalen, em Grande Sul, Califórnia, nos
Estados Unidos. No entanto, o que mais alimenta a disseminação da Nova Era é o
desenvolvimento de uma consciência global progressiva e a crescente percepção de uma
crise ecológica iminente.

2.3.3. Temas centrais da Nova Era

A Nova Era não é uma religião adequada, mas está interessada no que é chamado
de "divino". A essência da Nova Era é a livre associação de várias atividades, idéias e
pessoas às quais essa denominação poderia ser aplicada.

Não há, de fato, uma única articulação de doutrinas semelhante à das grandes
religiões.

30
Apesar disso, e apesar da enorme variedade que existe na Nova Era, há certos
pontos em comum:

- o cosmos é visto como um todo orgânico;


- é animada por uma energia, que também é identificada com a divina alma ou
espírito;
- Acredita-se na mediação de várias entidades espirituais: os seres humanos são
capazes de ascender a esferas superiores invisíveis e controlar suas próprias vidas
além da morte;
- a existência de um "conhecimento perene" que é anterior e superior a todas as
religiões e culturas é defendida;
- As pessoas seguem professores iluminados ...

2.3.4. O que a Nova Era diz sobre ...

2.3.4.1. ... a pessoa humana?

A Nova Era implica uma crença fundamental na perfectibilidade da pessoa humana


através de uma ampla variedade de técnicas e terapias (em oposição à idéia cristã de
cooperação com a graça divina). Há uma coincidência fundamental com a ideia de
Nietzsche de que o cristianismo impediu a plena manifestação da humanidade genuína.
Neste contexto, a perfeição significa alcançar a auto-realização de acordo com uma ordem
de valores que nós mesmos criamos e que alcançamos por nossa própria força: daí
podemos falar de um eu auto-criador. Dessa perspectiva, há mais diferença entre os
humanos como são agora e como serão quando perceberem seu potencial, do que o que
existe atualmente entre humanos e antropóides.

É útil distinguir entre esoterismo, ou busca de conhecimento e magia, ou ocultismo:


o último é um meio de obter poder. Alguns grupos são esotéricos e ocultos. No centro do
oculto há uma vontade de poder baseada no sonho de se tornar divino. As técnicas de
expansão da mente destinam-se a revelar às pessoas seu poder divino. Usando esse poder,
eles preparam o caminho para a Era da Iluminação. Essa exaltação da humanidade, cuja
forma extrema é o satanismo, subverte a relação correta entre o Criador e a criatura.
Satanás se torna o símbolo de uma rebelião contra as convenções e regras, um símbolo
que muitas vezes assume formas agressivas, egoístas e violentas. Alguns grupos
evangélicos expressaram preocupação com a presença subliminar do que consideram um
simbolismo satânico em algumas variedades de música rock, que exercem profunda
influência sobre os jovens. Em todo caso, está longe da mensagem de paz e harmonia
encontrada no Novo Testamento e é freqüentemente uma das consequências da exaltação
da humanidade quando implica a negação de um Deus transcendente.

Mas não é apenas algo que afeta os jovens. Os temas básicos da cultura esotérica
também estão presentes nos campos da política, educação e legislação. 37 Isso se aplica
especialmente à ecologia. Sua forte ênfase no biocentrismo nega a visão antropológica
da Bíblia, segundo a qual o homem é o centro do mundo por ser qualitativamente superior
a outras formas de vida natural. O ambientalismo hoje desempenha um papel proeminente
na legislação e na educação, embora subestime o ser humano. A mesma matriz cultural
esotérica pode ser encontrada na teoria ideológica subjacente à política de controle da
natalidade e aos experimentos de engenharia genética, que parecem expressar o sonho
humano de recriar a si mesmo. Espera-se alcançar este sonho decifrando o código
genético, alterando as regras naturais da sexualidade e desafiando os limites da morte.

31
No que poderia ser chamado de uma história típica da Nova Era, as pessoas nascem
com uma centelha divina, em um sentido reminiscente do antigo gnosticismo. Essa faísca
os liga à unidade do todo, então eles são essencialmente divinos, embora participem da
divindade cósmica de acordo com diferentes níveis de consciência.

Somos co-criadores e criamos nossa própria realidade. Muitos autores da Nova Era
afirmam que somos nós que escolhemos as circunstâncias de nossas vidas (incluindo
nossa própria doença e nossa própria saúde). Nesta visão, cada indivíduo é considerado a
fonte criativa do universo. Mas precisamos fazer uma jornada para entender
completamente onde nos encaixamos na unidade do cosmos. A viagem é psicoterapia e o
reconhecimento da consciência universal, a salvação.

Não há pecado; existe apenas conhecimento imperfeito. A identidade de cada ser


humano é diluída no ser universal e no processo de sucessivas encarnações. Os homens
estão sujeitos à influência determinante das estrelas, mas podem abrir-se à divindade que
vive dentro deles, numa busca contínua (por meio das técnicas apropriadas) de uma
harmonia crescente entre o eu e a energia cósmica divina. Nenhuma Revelação ou
Salvação é necessária para alcançar pessoas de fora de si, mas simplesmente experimentar
a salvação oculta no próprio interior (auto-salvação), dominando as técnicas psicofísicas
que levam à iluminação definitiva.

Alguns estágios do caminho para a auto-redenção são preparatórios (meditação,


harmonia corporal, liberação de energias de autocura). Eles são o ponto de partida para
processos de espiritualização, perfeição e iluminação que ajudam as pessoas a adquirir
maior autocontrole e uma concentração psíquica na "transformação" do eu individual na
"consciência cósmica".

O destino da pessoa humana é uma série de sucessivas encarnações da alma em


diferentes corpos. Isto é entendido não como o ciclo do samsara, no sentido de
purificação como castigo, mas como uma ascensão gradual ao desenvolvimento perfeito
do potencial de alguém.

A psicologia é usada para explicar a expansão da mente como uma experiência


"mística". Yoga, Zen, meditação transcendental e exercícios tântricos levam a uma
experiência de auto-realização ou iluminação. Acredita-se que as "experiências de pico"
(re-viver o nascimento, viajar para os portões da morte, biofeedback, dança e até mesmo
drogas, qualquer coisa que possa causar um estado alterado de consciência) levam à
unidade e a iluminação. Como existe apenas uma Mente, algumas pessoas podem ser
canais, canais para seres superiores.

Cada parte deste ser universal está em contato com todas as outras partes. A
abordagem clássica da Nova Era é a psicologia transpessoal, cujos conceitos básicos são
a Mente Universal, o Eu Superior, o inconsciente coletivo e pessoal e o ego individual. O
Eu Superior é a nossa verdadeira identidade, uma ponte entre Deus como a Mente e a
humanidade divinas. O desenvolvimento espiritual consiste no contato com o Eu
Superior, que supera todas as formas de dualismo entre o sujeito e o objeto, a vida e a
morte, a psique e o soma, o eu e os aspectos fragmentários desse mesmo eu. Nossa
personalidade limitada é como uma sombra ou um sonho criado pelo eu real. O Eu
Superior contém as memórias das (re) encarnações anteriores.

32
2.3.4.2. ... Deus?

A Nova Era mostra uma notável preferência pelas religiões orientais ou pré-cristãs,
que são consideradas não contaminadas pelas distorções judaico-cristãs. Daí o grande
respeito que os antigos ritos agrícolas e os cultos da fertilidade merecem. «Gaia», Mãe
Terra, é apresentada como alternativa a Deus Pai, cuja imagem está ligada a uma
concepção patriarcal de dominação masculina sobre as mulheres.

Deus é falado, mas não é um Deus pessoal. O Deus que a Nova Era fala não é
pessoal nem transcendente. Nem é o Criador que sustenta o universo, mas uma "energia
impessoal", imanente ao mundo, com a qual forma uma "unidade cósmica": "Tudo é um".

Esta unidade é monista, panteísta ou, mais precisamente, panteísta. Deus é o


"princípio vital", "o espírito ou a alma do mundo", a soma total da consciência que existe
no mundo. Em certo sentido, tudo é Deus. Sua presença é muito clara nos aspectos
espirituais da realidade, de modo que cada mente espiritual é, em certo sentido, Deus.

A "energia divina", quando é recebida conscientemente pelos seres humanos, é


frequentemente descrita como "energia de Cristo". Fala-se também de Cristo, mas isso
não alude a Jesus de Nazaré.

"Cristo" é um título aplicado a alguém que atingiu um estado de consciência em


que o indivíduo se percebe como divino e pode, portanto, fingir ser "Mestre universal".
Jesus de Nazaré não era o Cristo, mas simplesmente uma das muitas figuras históricas em
que a natureza "Cristo" foi revelada, como Buda e outros. Cada realização histórica do
Cristo mostra claramente que todos os seres humanos são celestes e divinos e os leva para
essa realização.

O nível mais íntimo e pessoal ("psíquico") em que os seres humanos "ouvem" essa
"energia cósmica divina" também é chamado de "Espírito Santo".

2.3.4.3. ... o mundo?

A transição do modelo mecanicista da física clássica para a física "holística" da


física atômica e subatômica moderna, baseada na concepção da matéria como ondas ou
quanta de energia em vez de partículas, é central para o pensamento da Nova Era. O
universo é um oceano de energia que constitui um todo ou uma rede de elos. A energia
que anima o organismo único do universo é o "espírito". Não há alteridade entre Deus e
o mundo. O mundo em si é divino e está sujeito a um processo evolutivo que leva da
matéria inerte a uma "consciência superior e perfeita". O mundo é incriado, eterno e auto-
suficiente. O futuro do mundo é baseado em um dinamismo interno, necessariamente
positivo, que leva à unidade reconciliada (divina) de tudo o que existe. Deus e mundo,
alma e corpo, inteligência e sentimento, céu e terra são uma vibração única e imensa de
energia.

O livro de James Lovelock sobre a hipótese de Gaia afirma que "toda a extensão da
matéria viva da terra, das baleias aos vírus e dos carvalhos às algas, poderia ser
considerada como uma única entidade viva, capaz de manipular a atmosfera da terra para
adaptá-lo às suas necessidades gerais e dotado de faculdades e poderes que superam em
muito os das suas partes constituintes ». 38 Para alguns, a hipótese de Gaia é "uma estranha
síntese do individualismo e do coletivismo.

33
Parece que a Nova Era, tendo arrancado pessoas da política fragmentária, estava
disposta a lançá-las no grande caldeirão da mente global ". O cérebro global precisa de
instituições com as quais governar, em outras palavras, um governo mundial. "Para
enfrentar os problemas de hoje, a Nova Era sonha com uma aristocracia espiritual no
estilo da República de Platão, liderada por sociedades secretas ...". 39 Pode ser um modo
exagerado de colocar a questão, mas há amplas evidências de que o elitismo gnóstico e o
governo global coincidem em muitas questões da política internacional.

Tudo no universo está interrelacionado. Com efeito, cada parte é em si uma imagem
do todo. Tudo está em tudo e em tudo. Na "grande corrente do ser", todos os seres estão
intimamente ligados e formam uma única família com diferentes graus de evolução. Toda
pessoa humana é um holograma, uma imagem de toda a criação, na qual cada coisa vibra
com sua própria frequência. Cada ser humano é um neurônio do sistema nervoso central
e todas as entidades individuais estão em uma relação de complementaridade entre si. Na
verdade, existe uma complementaridade ou androginia interna em toda a criação. 40

Um dos temas recorrentes nos escritos e no pensamento da Nova Era é o "novo


paradigma" que a ciência contemporânea revelou. «A ciência nos permitiu uma visão da
totalidade e dos sistemas, nos deu estímulo e transformação. Estamos aprendendo a
entender tendências, a reconhecer os sinais iniciais de um paradigma mais promissor.
Criamos cenários alternativos do futuro. Nós comunicamos as falhas de sistemas antigos
e forçamos novos contextos para resolver problemas em todas as áreas ". 41

Até agora, a "mudança de paradigma" é uma mudança radical de perspectiva, mas


nada mais. A questão é se o pensamento real e a mudança serão fornecidos e se a eficácia
de uma transformação interior no mundo exterior pode ser demonstrada. É necessário
perguntar, mesmo sem expressar um julgamento negativo, em que medida um processo
mental pode ser considerado científico, que inclui afirmações como: "A guerra é
inconcebível em uma sociedade de pessoas autônomas que descobriram a
interconectividade de toda a humanidade, que não teme idéias estranhas ou culturas
estrangeiras, que sabem que todas as revoluções começam no interior e que não se pode
impor o próprio tipo de iluminação a ninguém ». 42

Não é lógico deduzir que, uma vez que algo é inconcebível, isso não pode acontecer.
Este é o tipo de raciocínio tipicamente gnóstico, no sentido de que confere muito peso ao
conhecimento e à consciência. E isso não significa negar o papel fundamental e crucial
do desenvolvimento da consciência nas descobertas científicas e no processo criativo,
mas simplesmente advertir contra a possibilidade de impor na realidade externa o que até
agora está apenas na mente.

2.4. «Habitantes do mito ou da história? »: 43 A Nova Era e a cultura

"Na realidade, a atratividade da Nova Era tem a ver com o interesse em si, seu valor,
suas capacidades e problemas, que a cultura atual promove. Enquanto a religiosidade
tradicional, com sua organização hierárquica se adapta bem à comunidade, a
espiritualidade não-tradicional se adapta bem ao indivíduo. A Nova Era é "do" eu na
medida em que fomenta a celebração do que é ser e se tornar; e é "para" o self na medida
em que, ao se diferenciar do estabelecido, está em uma situação capaz de enfrentar os
problemas gerados pelas formas de vida convencionais ". 44

34
A rejeição da tradição na sua forma patriarcal e hierárquica, tanto social como
eclesial, implica a busca de uma forma alternativa de sociedade, claramente inspirada no
conceito moderno de self. Muitos escritos da Nova Era defendem que você não pode fazer
nada (diretamente) para mudar o mundo e, ao invés disso, você tem que fazer tudo para
mudar a si mesmo. Mudar a consciência individual é entendido como o caminho (indireto)
para mudar o mundo. O instrumento mais importante para a mudança social é o exemplo
individual.

O reconhecimento universal de tais exemplos pessoais levará gradualmente à


transformação da mente coletiva, uma transformação que será a conquista mais
importante do nosso tempo. Isto é claramente parte do paradigma holístico e constitui
uma nova formulação do problema filosófico clássico da unidade e pluralidade. Também
está relacionado com a abordagem junguiana da correspondência e a rejeição da
causalidade. Indivíduos são representações fragmentárias do holograma planetário;
olhando para dentro, não apenas o universo é conhecido, mas também é possível
modificá-lo. Somente quanto mais você olha para dentro, menor fica o estágio político. É
difícil saber se essa abordagem pode se encaixar na retórica da participação democrática
em uma nova ordem planetária, ou se, ao contrário, é uma maneira inconsciente e sutil de
privar as pessoas do poder, deixando-as à mercê da manipulação.

A preocupação atual com os problemas planetários (questões ecológicas, o


esgotamento dos recursos naturais, a superpopulação, a diferença econômica entre o norte
e o sul, o enorme arsenal nuclear, a instabilidade política) favorecem ou impedem o
compromisso com outras questões. questões políticas e sociais igualmente prementes? O
velho ditado "caridade bem compreendida começa consigo mesmo" pode fornecer um
equilíbrio saudável na maneira como você aborda essas questões. Alguns observadores
da Nova Era detectam um autoritarismo sinistro por trás da aparente indiferença em
relação à política. O próprio David Spangler aponta que uma das sombras da Nova Era é
"uma sutil capitulação diante da impotência e irresponsabilidade, esperando que a Nova
Era chegue ao invés de ser criadores ativos de realização na própria vida". 45

Certamente seria um exagero dizer que o quietismo é geral nas atitudes da Nova
Era. Em suma, uma das principais críticas do movimento da Nova Era é que a busca
individualista pela própria realização pode agir contra uma sólida cultura religiosa. A este
respeito, vale a pena destacar três pontos:

- Alguém se pergunta se a Nova Era tem coerência intelectual para fornecer uma
imagem completa do mundo a partir de uma visão de mundo que visa integrar a natureza
e a realidade espiritual. A Nova Era vê o universo ocidental dividido por causa das
categorias de monoteísmo, transcendência, alteridade e separação. Descubra um dualismo
fundamental em divisões como as que existem entre real e ideal, relativo e absoluto, finito
e infinito, humano e divino, sagrado e profano, passado e presente, que se referem à
"consciência infeliz" de Hegel e são responsáveis por uma situação considerada trágica.

A resposta da Nova Era é a unidade através da fusão: busca conciliar alma e corpo,
feminino e masculino, espírito e matéria, humano e divino, terra e cosmos, transcendente
e imanente, religião e ciência, as diferenças entre religiões, o Yin e Yang. Não há
alteridade, então. O que permanece, em termos humanos, é a transpersonalidade. O
mundo da Nova Era não é problemático: não há mais nada a ser alcançado. Mas a questão
metafísica da unidade e da pluralidade permanece sem resposta, talvez sem sequer
considerá-la; os efeitos da desunião e divisão são lamentados, mas a resposta é uma
descrição de como as coisas apareceriam em outra perspectiva.
35
A Nova Era importa fragmentariamente as práticas religiosas orientais e as
reinterpreta para adaptá-las aos ocidentais. Isso implica uma rejeição da linguagem do
pecado e da salvação, substituída pela linguagem moralmente neutra de dependência e
recuperação. Referências a influências extra-européias são algumas vezes uma mera
"pseudo-orientação" da cultura ocidental. Além disso, dificilmente é um diálogo
autêntico. Em um ambiente em que as influências greco-romana e judaico-cristã são
suspeitas, os orientais são usados precisamente porque são uma alternativa à cultura
ocidental. A ciência e a medicina tradicionais são consideradas inferiores às abordagens
holísticas, e o mesmo acontece com estruturas patriarcais e particulares na política e na
religião. Todas estas coisas serão obstáculos para a vinda da Era de Aquário. Mais uma
vez, está claro que, na realidade, optar por alternativas da Nova Era implica uma ruptura
total com a tradição de origem. Você tem que se perguntar se realmente é uma atitude
madura e liberada como você geralmente pensa.

- Tradições religiosas autênticas promovem a disciplina com o objetivo final de


adquirir sabedoria, equanimidade e compaixão. A Nova Era reflete o desejo profundo e
inextinguível que existe na sociedade por uma cultura religiosa integral, uma visão mais
geral e esclarecedora do que os políticos geralmente oferecem.

Mas não está claro se os benefícios de uma visão baseada na expansão permanente
do eu são para indivíduos ou para sociedades. Os cursos de treinamento da Nova Era (que
costumavam ser chamados de "Erhard Training Courses", Erhard Seminar Trainings
[EST], etc.) combinam valores contraculturais com a necessidade de ter sucesso,
satisfação interna com sucesso externo. O curso de retiro "Spirit of Business" da Findhorn
transforma a experiência de trabalho para aumentar a produtividade.

Alguns adeptos da Nova Era aderem a ela não apenas para serem mais autênticos e
espontâneos, mas também para se enriquecerem (através da magia etc.). «Os cursos de
treinamento da New Age também têm ressonâncias de idéias que são mais humanistas do
que as que se estendem no mundo dos negócios, o que torna o empresário voltado para
os negócios mais atraente.

As idéias têm a ver com o local de trabalho, como "um ambiente de aprendizagem",
que "humaniza o trabalho", "humaniza o chefe", onde "as pessoas vêm primeiro" ou "o
potencial é liberado". Como apresentado pelos formadores da Nova Era, é provável que
eles atraiam empresários que já participaram de outros cursos de formação humanista
(secular) e que querem dar um passo além: interessados em seu crescimento pessoal,
felicidade e seu entusiasmo e, ao mesmo tempo, em sua produtividade econômica ». 46
Assim, fica claro que as pessoas envolvidas realmente buscam sabedoria e equanimidade
para seu próprio benefício, mas até que ponto as atividades nas quais participam lhes
permitem trabalhar pelo bem comum?

Além da questão da motivação, todos esses fenômenos devem ser julgados pelos
seus frutos, e a pergunta que deve ser feita é se eles promovem o self ou promovem a
solidariedade, não apenas com baleias, árvores ou pessoas de mentalidade semelhante,
mas com toda a criação: incluindo toda a humanidade. As piores conseqüências de
qualquer filosofia de egoísmo, seja adotada por instituições ou por amplos setores sociais,
são o que o cardeal Joseph Ratzinger define como um conjunto de "estratégias para
reduzir o número de pessoas que se sentam para comer à mesa". a humanidade ". 47 Esse
é um critério-chave pelo qual o impacto de qualquer filosofia ou teoria deve ser avaliado.
O Cristianismo sempre procura medir os esforços humanos para sua abertura ao Criador
e outras criaturas, um respeito firmemente baseado no amor.
36
2.5. Por que a Nova Era cresceu tão rapidamente e se espalhou tão
eficazmente?

Não importa quantas objeções e críticas cite, a Nova Era é uma tentativa de trazer
calor para um mundo que muitos experimentam como indelicado e implacável. Como
reação à modernidade, quase sempre opera no nível dos sentimentos, instintos e emoções.
A ansiedade sobre um futuro apocalíptico da instabilidade econômica, da incerteza
política e da mudança climática desempenha um papel importante na busca de uma
relação alternativa e decididamente otimista com o cosmos. Há uma busca por satisfação
e felicidade, freqüentemente em um nível explicitamente espiritual. Mas é significativo
que a Nova Era tenha obtido enorme sucesso em uma época que pode ser caracterizada
pela quase universal exaltação da diversidade. A cultura ocidental deu um passo além da
tolerância - no sentido de aceitar com relutância ou aguentar a idiossincrasia de pessoas
ou grupos minoritários - para a erosão consciente do respeito pela normalidade.

A normalidade é apresentada como um conceito com conotações moralistas,


necessariamente ligadas a padrões absolutos. Para um número crescente de pessoas,
crenças ou normas absolutas indicam apenas a incapacidade de tolerar as idéias e
convicções dos outros. Nesse ambiente, estilos de vida alternativos tornaram-se moda:
ser diferente não é apenas aceitável, mas positivamente bom. 48

É essencial ter em mente que as pessoas se relacionam com a Nova Era de maneiras
muito diferentes e em graus variados. Na maioria dos casos, não é realmente uma
"pertença" a um grupo ou movimento. Tampouco há uma consciência muito clara dos
princípios nos quais a Nova Era se baseia. Aparentemente, a maioria das pessoas é atraída
por terapias ou práticas específicas, sem o conhecimento das questões subjacentes que
elas envolvem; outros são consumidores ocasionais de produtos rotulados como " Nova
Era ".

Aqueles que usam aromaterapia ou ouvem músicas da Nova Era, por exemplo,
costumam se interessar pelo efeito que exercem sobre sua saúde ou bem-estar. Apenas
uma minoria mergulha nessas questões e tenta entender seu significado teórico (ou
"místico"). O que se encaixa perfeitamente nos esquemas das sociedades de consumo em
que o lazer e o entretenimento desempenham um papel fundamental.

O "movimento" adaptou-se perfeitamente às leis do mercado e o fato de que a Nova


Era se espalhou tanto se deve em parte ao fato de que é uma proposta econômica muito
atraente. A Nova Era, pelo menos em algumas culturas, é apresentada como um rótulo
para um produto criado, aplicando os princípios do marketing a um fenômeno religioso.
49
Sempre haverá uma maneira de aproveitar as necessidades espirituais das pessoas.
Como muitos outros elementos da economia contemporânea, a Nova Era é um fenômeno
global que permanece junto e se alimenta graças às informações dos meios de
comunicação de massa. Pode-se argumentar se foi a mídia que criou esse fenômeno ou
não; O que está claro é que a literatura popular e as comunicações de massa garantem
uma rápida difusão, em escala universal, das noções comuns defendidas pelos "crentes"
e simpatizantes. No entanto, não é possível saber se essa rápida difusão de ideias se deve
ao acaso ou a um projeto deliberado, pois são comunidades muito inflexíveis. Como no
caso das "cibercomunidades" criadas pela Internet, essa é uma área em que as relações
entre as pessoas podem ser muito impessoais ou interpessoais apenas em um sentido
muito seletivo.

37
A Nova Era se tornou extremamente popular como um conjunto vago de crenças,
terapias e práticas, muitas vezes escolhidas e combinadas de acordo com o gosto da
pessoa, independentemente das incompatibilidades ou inconsistências que ela implica.
Para o resto, é o que se pode esperar de uma cosmovisão conscientemente baseada no
pensamento intuitivo do "lado direito do cérebro". Precisamente por isso, é tão importante
descobrir e reconhecer as características fundamentais das idéias da Nova Era.

O que ela oferece é frequentemente descrito simplesmente como algo "espiritual",


e não como pertencente a uma religião particular. No entanto, os elos com algumas
religiões orientais específicas são muito mais restritos do que alguns "consumidores"
imaginam. Naturalmente, isso é importante para os grupos de "oração" nos quais se decide
integrar, mas também é um problema real na administração de um número crescente de
empresas, cujos funcionários são obrigados a fazer meditação e adotar técnicas de
expansão mental como parte da vida profissional. 50

Valeria a pena acrescentar algumas palavras sobre a promoção organizada da Nova


Era como uma ideologia, mas é uma questão extremamente complexa. Em face da Nova
Era, alguns grupos reagiram com acusações generalizadas de "conspiração". Eles são
freqüentemente informados de que estamos testemunhando uma mudança cultural
espontânea cuja trajetória é largamente determinada por influências além do controle
humano. No entanto, é suficiente salientar que a Nova Era compartilha com um número
de grupos internacionalmente influentes o objetivo de substituir ou transcender religiões
específicas para dar lugar a uma religião universal que une a humanidade. Intimamente
relacionado a isso, há um esforço conjunto por parte de muitas instituições para inventar
uma Ética Global, um esquema ético que refletiria a natureza global da cultura, economia
e política contemporâneas. Ainda mais, a politização das questões ecológicas influencia
todo o assunto da hipótese de Gaia ou o culto da mãe terra.

38
3
A NOVA ERA
E A ESPIRITUALIDADE CRISTÃ

3.1. A nova era como espiritualidade

Os promotores da Nova Era definem-na como uma "nova espiritualidade". Parece


irônico chamá-lo de "novo" quando tantas idéias são tiradas de antigas religiões e
culturas. O que é realmente novo na Nova Era é a busca consciente de uma alternativa à
cultura ocidental e suas raízes religiosas judaico-cristãs. «Espiritualidade», neste sentido,
indica a experiência interior de harmonia e unidade com a totalidade da realidade, que
cura os sentimentos de imperfeição e finitude de toda pessoa humana.

As pessoas descobrem sua profunda conexão com a força universal sagrada ou


energia que constitui o núcleo de toda a vida. Quando tiverem feito essa descoberta,
poderão embarcar no caminho da perfeição que lhes permitirá ordenar suas vidas e sua
relação com o mundo, e ocupar sua própria posição no processo universal de vir a ser e
na Nova Gênese de um mundo em constante evolução. O resultado é uma mística cósmica
51
baseada na consciência de um universo repleto de energias dinâmicas. Assim, energia
cósmica, vibração, luz, deus, amor - até o Ser supremo - referem-se à mesma e única
realidade, a fonte primária presente em todos os seres.

Essa espiritualidade consiste em dois elementos diferentes: um metafísico, outro


psicológico. O componente metafísico vem das raízes esotéricas e teosóficas da Nova Era
e é basicamente uma nova forma de gnose. O acesso ao divino é produzido através do
conhecimento dos mistérios ocultos, na busca individual de "a coisa real que está por trás
do que é apenas aparente, a origem além do tempo, o transcendente além do meramente
fugaz, a tradição primordial por trás da tradição meramente efêmera, a outra por trás do
eu, a divindade cósmica por trás do indivíduo encarnado ". A espiritualidade esotérica "é
uma investigação do Ser além da separação dos seres, uma espécie de nostalgia da
unidade perdida". 52

«A matriz gnóstica da espiritualidade esotérica pode ser vista aqui. Isso é palpável
quando os filhos de Aquário procuram a Unidade Transcendente das religiões. Eles
tendem a escolher entre as religiões históricas apenas o núcleo esotérico, do qual afirmam
ser guardiões. De certa forma, eles negam a história e não aceitam que a espiritualidade
possa estar enraizada no tempo ou em qualquer instituição. Jesus de Nazaré não é Deus,
mas uma das muitas manifestações do Cristo cósmico e universal ». 53

39
O componente psicológico desse tipo de espiritualidade vem do encontro entre a
cultura esotérica e a psicologia (ver 2.3.2). A Nova Era torna-se assim uma experiência
de transformação psico-espiritual pessoal, que é vista como algo análogo à experiência
religiosa, após uma crise pessoal ou uma longa busca espiritual. Para outros, vem do uso
da meditação ou de algum tipo de terapia, ou experiências paranormais que alteram os
estados de consciência e fornecem insights sobre a unidade da realidade. 54

3.2. Narcisismo espiritual?

Vários autores vêem a espiritualidade da Nova Era como uma espécie de narcisismo
espiritual ou pseudo-misticismo. É interessante notar que essa crítica foi formulada até
mesmo por David Spangler, um importante expoente da Nova Era, que em seus trabalhos
posteriores se distanciou dos aspectos mais esotéricos dessa corrente de pensamento.

Spangler escreveu que, nas formas mais populares da Nova Era, "indivíduos e
grupos vivem suas próprias fantasias de aventura e poder, geralmente de um modo oculto
ou milenarista ... A principal característica desse nível é a adesão a um mundo privado de
satisfação do ego e a conseqüente distância (embora nem sempre evidente) do mundo.
Neste nível, a Nova Era foi povoada por seres estranhos e exóticos, professores, adeptos
e extraterrestres. É um lugar de poderes psíquicos e mistérios ocultos, de conspirações e
ensinamentos ocultos ". 55

Em um trabalho posterior, David Spangler lista o que ele considera elementos


negativos ou "sombras" da Nova Era: "alienação do passado em nome do futuro; adesão
à novidade por novidade ...; indiscriminação e falta de discernimento em nome da
totalidade e da comunhão, das quais a incapacidade de compreender ou respeitar o papel
dos limites ...; confusão de fenômenos psíquicos com sabedoria, de "canalização" (ver
Glossário) com a espiritualidade, da perspectiva da Nova Era com a verdade última ». 56

Mas, no final, Spangler está convencido de que o narcisismo egoísta e irracional


está limitado a apenas alguns membros. Os aspectos positivos que ele enfatiza são a
função da Nova Era como uma imagem de mudança e como uma encarnação do sagrado,
um movimento no qual a maioria das pessoas são "grandes buscadoras da verdade",
trabalhando para o benefício da vida e da vida. crescimento interior

David Toolan, um jesuíta americano que passou vários anos no ambiente da Nova
Era, analisa o aspecto comercial de muitos produtos e terapias que levam o rótulo da
Nova Era. Observe que os seguidores da Nova Era descobriram a vida interior e são
fascinados pela perspectiva de serem responsáveis pelo mundo, mas também facilmente
superados por uma tendência ao individualismo e focalizam tudo como um objeto de
consumo.

Nesse sentido, embora não seja cristã, a espiritualidade da Nova Era também não é
budista, porque não implica a negação de si mesma. O sonho de uma união mística parece
conduzir, na prática, a uma união meramente virtual que, no final, deixa as pessoas ainda
mais sozinhas e insatisfeitas.

40
3.3. O Cristo cósmico

Nos primórdios do cristianismo, os crentes em Jesus Cristo foram forçados a


confrontar as religiões gnósticas. Eles não os ignoraram, mas aceitaram o desafio de
maneira positiva e aplicaram ao próprio Cristo os termos usados para as divindades
cósmicas. O exemplo mais claro é o famoso hino a Cristo na carta de São Paulo aos
cristãos de Colossos:

"Ele [Cristo] é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura;


porque através dele todas as coisas foram criadas:
celeste e terrestre, visível e invisível,
Tronos, Dominações, Principados, Poderes;
tudo foi criado por ele e para ele.
Ele é anterior a tudo e tudo permanece nele.
Ele também é chefe do corpo: da Igreja.
Ele é o começo, o primogênito dos mortos
e este é o primeiro em tudo.
Porque nele Deus queria que toda a plenitude residisse.
E ele queria reconciliar todos os seres com ele:
os do céu e os da terra,
fazendo a paz através do sangue da sua cruz.”

(Col 1, 15-20).

Aqueles primeiros cristãos não esperavam a chegada de nenhuma nova era cósmica.
O que eles celebraram com este hino foi que a plenitude de todas as coisas tinha começado
em Cristo. "Na realidade, o tempo foi cumprido pelo próprio fato de que Deus, com a
encarnação, entrou na história do homem.

A eternidade entrou no tempo: que "cumprimento" é maior que isso? Que outra
"conformidade" seria possível? » A crença gnóstica nas forças cósmicas e numa espécie
de destino sombrio elimina a possibilidade de um relacionamento com o Deus pessoal
revelado em Cristo. Para os cristãos, o verdadeiro Cristo cósmico é aquele que está
ativamente presente nos vários membros de seu corpo, que é a Igreja. Eles não direcionam
seu olhar para forças cósmicas impessoais, mas para o amor afetuoso de um Deus pessoal.
Para eles, o biocentrismo cósmico tem que ser transferido para um conjunto de relações
sociais (na Igreja).

E eles não se encerram em um esquema cíclico de eventos cósmicos, mas enfocam


o Jesus histórico, especialmente em sua crucificação e em sua ressurreição. Na Carta aos
Colossenses e no Novo Testamento encontramos uma doutrina de Deus diferente daquela
que está implícita no pensamento da Nova Era: a concepção cristã de Deus é a de uma
Trindade de Pessoas que criou a raça humana que deseja compartilhar a comunhão da
vida trinitária com as pessoas criadas. Entendido corretamente, isso significa que a
espiritualidade autêntica não consiste tanto em nossa busca por Deus, mas em que Deus
nos busca.

Nos círculos da Nova Era, outra visão completamente diferente do significado


cósmico de Cristo tornou-se popular. "O Cristo Cósmico é o modelo divino que se conecta
na pessoa de Jesus Cristo (mas não está limitado de forma alguma a tal pessoa). O modelo
divino da conectividade se tornou carne e acampou entre nós (Jo 1, 14)

41
O Cristo Cósmico é o guia de um novo êxodo da servidão e das idéias pessimistas
de um universo mecanicista, newtoniano, cheio de competitividade, vencedores e
perdedores, dualismos, antropocentrismo e o tédio que surge quando nosso maravilhoso
universo é descrito como uma máquina privada de mistério e misticismo.

O Cristo Cósmico é local e histórico, indubitavelmente íntimo da história humana.


O Cristo Cósmico poderia morar na casa ao lado ou até mesmo no interior mais profundo
e autêntico do eu ". 58 Embora possivelmente nem todos os que estão relacionados com a
Nova Era concordem com essa afirmação, ela atinge a unha na cabeça e mostra com
absoluta clareza onde estão as diferenças entre essas duas visões de Cristo. Para a Nova
Era, o Cristo Cósmico aparece como um modelo que pode ser repetido em muitas
pessoas, lugares ou tempos. É o portador de uma enorme mudança de paradigma. É, em
resumo, um potencial dentro de nós.

Segundo a doutrina cristã, Jesus Cristo não é um modelo simples. É uma pessoa
divina cuja figura humana-divina revela o mistério do amor do Pai para com cada pessoa
ao longo da história (Jo 3:16). Viva em nós porque ele compartilha sua vida conosco, mas
não nos é imposto nem é automático. Todos os seres humanos são convidados a
compartilhar suas vidas, a viver "em Cristo".

3.4. Cristão místico e nova era

Para os cristãos, a vida espiritual consiste em um relacionamento com Deus que se


torna cada vez mais profundo com a ajuda da graça, num processo que também ilumina
o relacionamento com nossos irmãos. Espiritualidade, para a Nova Era, significa
experimentar estados de consciência dominados por um senso de harmonia e fusão com
o Todo. Assim, "místico" não se refere a um encontro com o Deus transcendente na
plenitude do amor, mas com a experiência gerada girando em si mesma, uma sensação
emocionante de estar em comunhão com o universo, vamos individualidade afundar no
grande oceano do Ser. 59

Essa distinção fundamental é evidente em todos os níveis de comparação entre o


misticismo cristão e a mística da Nova Era. O método de purificação da Nova Era baseia-
se na consciência do desconforto ou da alienação, que deve ser superada pela imersão no
Todo. Para se tornar, a pessoa precisa fazer uso de técnicas que levem à experiência da
iluminação. Isso transforma a consciência da pessoa e a abre para entrar em contato com
a divindade, que é entendida como a essência mais profunda da realidade.

As técnicas e métodos oferecidos neste sistema religioso imanentista, que não tem
o conceito de Deus como pessoa, procedem "de baixo". Embora impliquem uma descida
às profundezas do próprio coração ou alma, eles constituem um empreendimento
essencialmente humano por parte da pessoa que procura se erguer para a divindade
através de seus esforços. Muitas vezes, é um "aumento" no nível de consciência para o
que é entendido como uma percepção libertadora do "deus interior". Nem todos têm
acesso a tais técnicas, cujos benefícios se restringem a uma "aristocracia" espiritual
privilegiada.

42
Pelo contrário, o elemento essencial da fé cristã é que Deus desce a suas criaturas,
particularmente ao mais humilde, ao mais fraco e ao menos gracioso, de acordo com os
critérios do "mundo". Existem algumas técnicas espirituais que devem ser aprendidas,
mas Deus é capaz de evitá-las e até mesmo passar sem elas.

Para um cristão, "seu modo de se aproximar de Deus não é baseado em uma técnica,
no sentido estrito da palavra. Isso iria contra o espírito de infância exigido pelo
Evangelho. O autêntico místico cristão não tem nada a ver com técnica: é sempre um dom
de Deus, cujo beneficiário se sente indigno ». 60

Para os cristãos, a conversão consiste em voltar-se para o Pai, através do Filho, dócil
ao poder do Espírito Santo. Quanto mais avançamos no relacionamento com Deus, que é
sempre e em todos os casos, presente Free - mais aguda é a necessidade de se tornar
pecado, miopia espiritual e auto-indulgência, todas as coisas que impedem confiante
abandono sim em Deus e uma abertura para os outros.

Todas as técnicas de meditação precisam ser purificadas da presunção e da


ostentação. A oração cristã não é um exercício de auto-contemplação, quieta e auto-
esvaziadora, mas um diálogo de amor, que "implica uma atitude de conversão, um êxodo
do eu do homem para o Você de Deus". 61 Isso conduz a uma submissão cada vez mais
completa à vontade de Deus, através da qual somos convidados a uma solidariedade
profunda e autêntica com nossos irmãos e irmãs. 62

3.5. O "deus interior" e a "theosis"

Este é um ponto de contraste entre a Nova Era e o Cristianismo. A literatura da


Nova Era é abundante na convicção de que não existe um ser divino "lá fora" ou que seja
de algum modo diferente do resto da realidade. Desde Jung, houve toda uma corrente que
professava a crença no "deus interior".

Da perspectiva da Nova Era, nosso problema consiste na incapacidade de


reconhecer nossa própria divindade, uma incapacidade que pode ser superada com a ajuda
de um guia e usando uma série de técnicas para liberar nosso potencial oculto (divino). A
ideia fundamental é que "Deus" está no fundo do nosso interior. Somos deuses e
descobrimos o poder ilimitado que existe dentro de nós, tirando-nos das camadas de
inautenticidade.

Quanto mais esse potencial é reconhecido, mais ele é realizado. Nesse sentido, a
Nova Era tem sua própria idéia de theosis: transformar-nos em deuses ou, mais
exatamente, reconhecer e aceitar que somos divinos. Alguns dizem que estamos vivendo
em "um tempo em que nossa compreensão de Deus precisa ser internalizada: de um Deus
onipotente e externo a um Deus, uma força dinâmica e criativa que está no centro de todo
ser: Deus como Espírito. 64

No prefácio ao livro V de Adversus Haereses, Irineu se refere a "Jesus Cristo, que,


por meio de seu amor transcendente, tornou-se o que somos, para ser capaz de nos levar
a ser o que ele é". Aqui a theosis, o modo cristão de entender a divinização, não se realiza
apenas em virtude de nossos esforços, mas com a ajuda da graça de Deus, que age em e
através de nós. Naturalmente, isso implica uma consciência inicial de nossa imperfeição,
mesmo de nossa condição pecaminosa, o oposto da exaltação do eu.

43
Além disso, ela se desdobra como uma introdução à vida da Trindade, um caso
perfeito de distinção no próprio âmago da unidade: sinergia e não-fusão. Tudo isso
acontece como resultado de um encontro pessoal, da oferta de um novo tipo de vida. A
vida em Cristo não é algo tão pessoal e privado que é restrito ao reino da consciência.
Nem é um novo nível de consciência. Implica uma transformação do nosso corpo e da
nossa alma através da participação na vida sacramental da Igreja.

44
4

NOVA ERA E FÉ CRISTÃ FRENTE PARA FRENTE

É difícil separar os elementos individuais da religiosidade da Nova Era, por mais


inocentes que possam parecer, da estrutura geral que permeia todo o mundo conceitual
do movimento da Nova Era. A natureza gnóstica desse movimento exige que ele seja
julgado em sua totalidade. Do ponto de vista da fé cristã, não é possível isolar alguns
elementos da religiosidade da Nova Era como aceitáveis pelos cristãos e rejeitar outros.
Como o movimento da Nova Era insiste tanto na comunicação com a natureza, no
conhecimento cósmico de um bem universal - negando assim os conteúdos revelados da
fé cristã - não pode ser considerado algo positivo ou inócuo.

Em um ambiente cultural marcado pelo relativismo religioso, é necessário alertar


contra tentativas de colocar a religiosidade da Nova Era no mesmo nível da fé cristã,
fazendo a diferença entre fé e crença parecer relativa e criando uma maior confusão entre
os despreparados. Neste sentido, é útil para a exortação de São Paulo: "alertar alguns para
que não ensinem doutrinas estranhas, nem se envolvam em fábulas e genealogias sem
fim, que são mais propensas a promover disputas do que a levar a cabo o plano de Deus,
fundado na fé » (1 Tm 1, 3-4). Algumas práticas enganam a marca New Era, simplesmente
como uma estratégia de mercado para se vender melhor, sem estar realmente associada à
sua visão de mundo. Que só cria mais confusão. Portanto, é necessário identificar com
precisão os elementos que pertencem ao movimento da Nova Era, que não podem ser
aceitos por aqueles que são fiéis a Cristo e à sua Igreja.

As perguntas a seguir podem ser a maneira mais simples de avaliar alguns dos
elementos centrais do pensamento e da prática da Nova Era a partir de uma perspectiva
cristã. O termo Nova Era refere-se às idéias que circulam sobre Deus, o homem e o
mundo, as pessoas com quem os cristãos podem falar sobre questões religiosas, o material
publicitário para grupos de meditação, terapias e assim por diante, as declarações
explícitas. sobre religião, etc. Algumas dessas perguntas aplicadas a pessoas e idéias que
não carregam explicitamente o rótulo da Nova Era revelariam outros elos, implícitos ou
inconscientes, com todo o ambiente da Nova Era.

• Deus é um ser com quem mantemos um relacionamento, algo que pode


ser usado ou uma força a ser dominada?

O conceito de Deus próprio da Nova Era é um pouco vago, enquanto o conceito


cristão é muito claro. O Deus da Nova Era é uma energia impessoal, na verdade uma
extensão ou componente particular do cosmos; Deus neste sentido é a força da vida ou
alma do mundo. A divindade é encontrada em todo ser, em uma gradação que vai "do
cristal inferior do mundo mineral até e além do próprio Deus Galáctico, do qual não
podemos dizer absolutamente nada, exceto que ele não é um homem, mas uma Grande
Consciência". » 65
45
Em alguns escritos "clássicos" da Nova Era, é claro que os seres humanos devem
considerar-se como deuses, que se desenvolvem em algumas pessoas mais plenamente
do que em outras. Não precisamos mais procurar Deus além do mundo, mas nas
profundezas de mim mesmo. 66 Mesmo quando "Deus" é algo fora de mim, está aí para
ser manipulado.

Isso é muito diferente da concepção cristã de Deus, Criador do céu e da terra e


fonte de toda a vida pessoal. Deus é em si mesmo pessoal, Pai, Filho e Espírito Santo, e
criou o universo para compartilhar a comunhão de sua vida com o povo criado. "Deus,
que" habita uma luz inacessível ", quer comunicar sua própria vida divina aos homens
livremente criados por ele, para torná-los, em seu único filho, filhos adotivos. Ao se
revelar, Deus quer fazer com que os homens sejam capazes de responder a ele, de
conhecê-lo e de amá-lo além do que seria capaz por sua própria força ". 67 Deus não se
identifica com o princípio vital entendido como o "Espírito" ou "energia básica" do
cosmos, mas é esse amor, absolutamente diferente do mundo, que está, todavia, presente
em tudo e leva os seres humanos à salvação.

• Existe apenas um Jesus Cristo ou há milhares de Cristos?

Na literatura da Nova Era, Cristo é freqüentemente apresentado como um sábio,


um iniciado ou um avatar entre muitos, enquanto na tradição cristã ele é o Filho de Deus.
Aqui estão alguns pontos comuns das abordagens da Nova Era:

- O Jesus histórico, pessoal e individual é diferente do Cristo universal, eterno e


impessoal;
- Jesus não é considerado o único Cristo;
- A morte de Jesus na cruz, negada ou reinterpretada para excluir a idéia de que ele
poderia ter sofrido como Cristo;

Documentos extrabíblicos (como os evangelhos neo-gnósticos) são considerados


fontes autênticas para o conhecimento de aspectos da vida de Cristo que não são
encontrados no cânon das Escrituras. Outras revelações sobre Cristo, fornecidas por
entidades, guias espirituais e veneráveis mestres ou até mesmo pelas Crônicas Akasha,
são fundamentais para a cristologia da Nova Era;

- Um tipo de exegese esotérica é aplicada aos textos bíblicos para purificar o


cristianismo da religião formal que impede o acesso à sua essência esotérica. 68

Na tradição cristã Jesus Cristo é o Jesus de Nazaré de que falam os Evangelhos, o


Filho de Maria e Unigênito de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, plena
revelação da Verdade divina, único Salvador do mundo: "por nossa causa foi crucificado
Os tempos de Pôncio Pilatos; ele sofreu e foi sepultado, e ressuscitou no terceiro dia,
segundo as Escrituras, e subiu ao céu, e está assentado à destra do Pai . " 69

46
• O ser humano: existe um único ser universal ou existem muitos
indivíduos?

"O objetivo das técnicas da Nova Era é reproduzir os estados místicos à vontade,
como se fossem uma questão de material de laboratório. Renascimento, biofeedback,
isolamento sensorial, mantras, jejum, privação de sono e meditação transcendental são
tentativas de controlar esses estados e experimentá-los continuamente ". 70 Todas essas
práticas criam uma atmosfera de fraqueza psíquica (e vulnerabilidade). Quando o objetivo
do exercício é se reinventar, a questão sobre quem sou "eu" realmente surge.

O "Deus interior" e a união holística com todo o cosmo sublinham essa questão.
Personalidades individuais isoladas seriam patológicas para a Nova Era (de acordo com
sua psicologia transpessoal particular). Mas "o perigo real é o paradigma holístico. A
Nova Era é um pensamento baseado numa unidade totalitária e precisamente por isso é
um perigo ... ». 71 Com um tom mais suave: "Somos autênticos quando" nos encarregamos
"de nós mesmos, quando nossa escolha e nossas reações fluem espontaneamente de
nossas necessidades mais profundas, quando nosso comportamento e nossos sentimentos
manifestos refletem nossa realização pessoal». O Movimento pelo Potencial Humano é o
exemplo mais claro da convicção de que os seres humanos são divinos ou contêm uma
centelha divina dentro de si mesmos.

A abordagem cristã vem dos ensinamentos das Escrituras sobre a natureza


humana. Homens e mulheres foram criados à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:27)
e Deus os trata com grande consideração, para surpresa do salmista (cf. Sl 8). A pessoa
humana é um mistério plenamente revelado somente em Jesus Cristo (cf. GS 22), e de
fato ele se torna autenticamente e adequadamente humano em seu relacionamento com
Cristo através do dom do Espírito. 73 Isso está longe da caricatura do antropocentrismo
atribuído ao cristianismo e rejeitado por muitos autores e seguidores da Nova Era.

• Salvamos a nós mesmos ou a salvação é um dom gratuito de Deus?

A chave está em descobrir o que ou quem nós acreditamos que nos salva. Salvamo-
nos por nossas próprias ações, como é frequentemente o caso nas explicações da Nova
Era, ou o amor de Deus nos salva? As palavras-chave são auto- realização, auto-
realização e auto-redenção. A Nova Era é essencialmente pelagiana em sua compreensão
da natureza humana. 74

Para os cristãos, a salvação depende da participação na paixão, morte e


ressurreição de Cristo, e um relacionamento pessoal direto com Deus, ao invés de
qualquer outra técnica. A condição humana, afetada pelo pecado original e pelo pecado
pessoal, só pode ser retificada pela ação de Deus: o pecado é uma ofensa contra Deus,
e somente Deus pode nos reconciliar consigo mesmo. No plano salvífico divino, os seres
humanos foram salvos por Jesus Cristo, que, como Deus e homem, é o único mediador
da redenção. No cristianismo, a salvação não é uma experiência do eu, uma imersão
meditativa e intuitiva dentro de si, mas muito mais: o perdão do pecado, o ser
ressuscitado da profunda ambivalência do nosso ser, o apaziguamento da natureza
através do dom de comunhão com um Deus amoroso. O caminho para a salvação não é
simplesmente uma transformação da consciência auto-evocada, mas a libertação do
pecado e suas conseqüências, o que leva a lutar contra o pecado que existe em nós
mesmos e na sociedade que nos cerca. Isso necessariamente nos leva a uma solidariedade
amorosa com nossos irmãos necessitados.

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• Inventamos a verdade ou a abraçamos?

A verdade para a Nova Era tem a ver com boas vibrações, correspondências
cósmicas, harmonia e êxtase, experiências prazerosas em geral. Trata-se de encontrar sua
própria verdade em termos de bem-estar. Obviamente, a avaliação da religião e questões
éticas está relacionada às próprias sensações e experiências.

Na doutrina cristã, Jesus Cristo é apresentado como "o caminho, a verdade e a


vida" (Jo 14, 6). Seus seguidores são convidados a abrir suas vidas inteiras para ele e
seus valores, em outras palavras, para um conjunto objetivo de demandas que são parte
de uma realidade objetiva que é finalmente alcançável por todos.

• Oração e meditação: conversamos com nós mesmos ou com Deus?

A tendência a confundir psicologia e espiritualidade aconselha a enfatizar que


muitas das técnicas de meditação agora em uso não são oração. Eles são muitas vezes
uma boa preparação para a oração e nada mais, mesmo quando levam a um estado de
placidez mental ou bem-estar corporal. As experiências que são obtidas são realmente
intensas, mas permanecer nesse plano é permanecer sozinho, sem estar ainda na presença
do Outro. Alcançar o silêncio pode nos confrontar com o vazio, em vez do silêncio
contemplativo do amado. Também é verdade que as técnicas para aprofundar a alma são,
em suma, um apelo à nossa própria capacidade de alcançar o divino, ou mesmo de se
tornar divino. Se você negligencia que é Deus quem vai em busca do coração humano,
eles não são a oração cristã. Mesmo quando considerado como um elo com a Energia
Universal, "este" relacionamento "fácil" com Deus, onde a função de Deus é concebida
como a satisfação de todas as nossas necessidades, revela o egoísmo que está no coração
do mundo Nova Era ». 75

As práticas da Nova Era não são realmente oração, porque geralmente tratada
introspecção ou fusão com a energia cósmica, em contraste com a dupla orientação da
oração cristã, que envolve a introspecção, mas é acima de tudo um encontro com Deus.
misticismo cristão, ao invés de um mero esforço humano, é essencialmente um diálogo
que "implica uma atitude de conversão, um êxodo do homem para o Tu de Deus”. 76 "O
cristão, mesmo quando ele está sozinho e reza em segredo, está convencido de que ele
sempre ora em união com Cristo, no Espírito Santo, juntamente com todos os santos para
o bem da Igreja”. 77

• Somos tentados a negar o pecado ou aceitamos que exista tal coisa?

Na Nova Era, não existe um conceito verdadeiro de pecado, mas sim de


conhecimento imperfeito. O que é necessário é a iluminação, que pode ser alcançada
através de técnicas psicofísicas particulares. Aqueles que participam de atividades da
Nova Era não serão informados sobre o que acreditar, o que fazer ou o que não fazer,
mas: "Existem mil maneiras de explorar a realidade interior. Vá para onde sua inteligência
e sua intuição o guiarem. Confia em você ". 78 A autoridade moveu-se de Deus para o ego.
Para a Nova Era, O problema mais sério é a alienação da totalidade do cosmo, em vez de
falha pessoal ou pecado. O remédio é estar cada vez mais imerso na totalidade do ser. Em
alguns escritos e práticas da Nova Era, é claro que uma única vida não é suficiente, então
deve haver reencarnações que permitam que as pessoas realizem todo o seu potencial.

48
Na perspectiva cristã, "a realidade do pecado, e mais particularmente do pecado
das origens, é apenas esclarecida à luz da revelação divina. Sem o conhecimento que nos
dá Deus não pode reconhecer o pecado de forma clara e são tentados a explicar isso
apenas como um defeito de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro, a
conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada, etc. Somente no
conhecimento do desígnio de Deus sobre o homem é entendido que o pecado é um abuso
da liberdade que Deus dá às pessoas criadas para que elas possam amar e amar umas
às outras mutuamente. 79 "O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência
correta; é carecer amor verdadeiro por Deus e pelo próximo por causa de um apego
perverso a certos bens. Dói a natureza do homem e mina a solidariedade humana ... ». 80
'O pecado é uma ofensa a Deus ... é contra o amor que Deus tem por nós e nossos
corações longe Dele ... O pecado é, portanto, "o amor de si mesmo ao desprezo de
Deus'“. 81

• Somos encorajados a rejeitar ou aceitar o sofrimento e a morte?


Alguns autores da Nova Era vêem o sofrimento como algo imposto sobre si mesmo,
como o carma ruim (ver Glossário) ou, pelo menos, como uma falha em controlar nossos
próprios recursos. Outros se concentram em métodos para alcançar sucesso e riqueza (por
exemplo, Deepak Chopra, José Silva et al.). Na Nova Era, a reencarnação é
freqüentemente vista como um elemento necessário para o crescimento espiritual, um
estágio de evolução espiritual progressiva que começou antes de nascermos e continuará
depois que morrermos. Em nossa vida atual, a experiência da morte de outras pessoas
causa uma crise saudável.

Ambos unidade cósmica e reencarnação são irreconciliáveis com a crença cristã


de que a pessoa humana é um ser único, vivendo uma única vida que é totalmente
responsável: esse entendimento, a pessoa põe em causa tanto a responsabilidade pessoal,
liberdade Os cristãos sabem que "na cruz de Cristo não só a redenção foi cumprida
através do sofrimento, mas o próprio sofrimento humano foi redimido. Cristo, sem
qualquer falta de sua própria, cobra de si mesmo "o total mal do pecado". A experiência
deste mal determinou a extensão incomparável do sofrimento de Cristo tornou-se o preço
da redenção ... O Redentor sofreu no lugar do homem e do homem. Todo homem tem sua
parte na redenção. Cada um também é chamado a participar desse sofrimento através
do qual a redenção ocorreu. Ele é chamado a participar desse sofrimento através do qual
todo sofrimento humano também foi redimido. Ao efetuar a redenção através do
sofrimento, Cristo elevou o sofrimento humano juntos no nível da redenção. Por
conseguinte, todo homem, em seu sofrimento, também pode tornar-se participante do
sofrimento redentor de Cristo »Ele também pode se tornar um participante do sofrimento
redentor de Cristo »Ele também pode se tornar um participante do sofrimento redentor
de Cristo ». 82

49
• Devemos evitar o compromisso social ou devemos procurá-lo
positivamente?

Muito do que está no New Age é um auto desavergonhada - promoção, mas algumas
figuras de destaque do movimento argumentam que isso é injusto para julgar o todo o
movimento por uma minoria de pessoas egoístas, irracionais e narcisistas, ou se
deslumbrar com algumas de suas práticas mais extravagantes , que são um obstáculo para
ver na Nova Era uma autêntica busca espiritual e espiritualidade. 83 A fusão de indivíduos
no eu cósmico, a relativização ou a abolição da diferença e da oposição em uma harmonia
cósmica é inaceitável para o cristianismo.

Onde há amor verdadeiro, deve haver um "outro", uma pessoa diferente. Um


verdadeiro cristão busca unidade na capacidade e liberdade do outro para dizer "sim"
ou "não" ao dom do amor. No cristianismo, a união é vista como comunhão e unidade
como comunidade.

• Nosso futuro, é nas estrelas ou devemos ajudar a construí-lo?

A Nova Era que agora está nascendo será povoada por seres perfeitos e andróginos,
que estão em total domínio das leis cósmicas da natureza. Nesse cenário, o cristianismo
precisa ser eliminado e abrir caminho para uma religião global e uma nova ordem
mundial.

Os cristãos estão em constante vigilância, preparados para os últimos dias, quando


Cristo retornar. A Nova Era dos Cristãos começou há dois mil anos com Cristo, que não
é outro senão "Jesus de Nazaré"; ele é a Palavra de Deus feita homem para a salvação
de todos ». Seu Espírito Santo está presente e ativo nos corações dos indivíduos, na
"sociedade e na história, nos povos, culturas e religiões". De fato, "o Espírito do Pai,
derramado abundantemente pelo Filho, é aquele que anima tudo" . 84 Nós já vivemos nos
últimos tempos.

Por um lado, está claro que muitas práticas da Nova Era não apresentam problemas
doutrinários para aqueles que as realizam; mas, ao mesmo tempo, é inegável que essas
práticas, mesmo que apenas indiretamente, comuniquem uma mentalidade que pode
influenciar o pensamento e inspirar uma visão particular da realidade. Certamente, a Nova
Era cria sua própria atmosfera e pode ser difícil distinguir entre coisas inofensivas e
coisas realmente objetáveis. No entanto, é importante perceber que a doutrina sobre Cristo
se espalhou nos círculos da Nova Era. inspira-se nas doutrinas teosóficas de Helena
Blavatsky, na antroposofia de Rudolf Steiner e na «Escola Arcana» de Alice Bailey. Seus
seguidores contemporâneos não apenas promovem as idéias desses pensadores hoje, mas
também trabalham com os adeptos da Nova Era para desenvolver uma compreensão
completamente nova da realidade, uma doutrina conhecida como "a verdade da Nova Era
". 85

50
5

JESUS CRISTO OFERECE A ÁGUA DA VIDA

O único fundamento da Igreja é Jesus Cristo, o Senhor. Ele está no coração de toda
ação cristã e de toda mensagem cristã. É por isso que a Igreja constantemente retorna para
encontrar seu Senhor. Os Evangelhos nos dizem muitos encontros de Jesus, desde os
pastores de Belém para os dois ladrões crucificados com ele, desde os médicos que o
ouviram no templo aos discípulos caminhando para Emaús arrependido. Mas um episódio
que indica com especial clareza o que Ele nos oferece é a história de seu encontro com a
samaritana no poço de Jacó, no quarto capítulo do Evangelho de São João. Este encontro
foi descrito como "um paradigma do nosso compromisso com a verdade". 86

A experiência de encontrar um estranho que nos oferece a água da vida é a chave


para entendermos como podemos e devemos dialogar com aqueles que não conhecem
Jesus.

Um dos elementos mais atraentes da história de Juan ( Jn4) é o atraso da mulher em


entender o que Jesus quer dizer com a "água da vida" ou a água "viva" (v. 11). Mesmo
assim, ela se sente fascinada - não apenas pelo estranho, mas também por sua mensagem
- e isso a faz ouvi-lo. Depois do impacto inicial, percebendo o que Jesus sabe sobre ela
("você está certo em dizer que não tem marido, pois você teve cinco homens, e ele não é
seu marido também.) Em que você disse a verdade", 7-18), abre completamente a sua
palavra: "Senhor, vejo que você é um profeta" (v. 19).

O diálogo sobre a adoração de Deus começa: “Você adora o que você não conhece,
nós adoramos o que sabemos; porque a salvação vem dos judeus "(v. 22). Jesus tocou seu
coração e preparou-a para ouvir o que ela tinha a dizer sobre si mesmo como Messias:
"Sou eu, Quem fala contigo "(v. 26). Ele providenciou que ela abrisse seu coração para a
verdadeira adoração no Espírito e para a manifestação de Jesus como o Ungido de Deus.

A mulher "deixou o jarro, foi até a aldeia e contou aos vizinhos" sobre o homem
(versículo 28). O extraordinário efeito sobre a mulher desse encontro com o estranho
provocou sua curiosidade, de modo que eles também "vieram a ele" (v. 30). Eles logo
aceitaram a verdade de sua identidade: "Nós não acreditamos mais por causa do que você
nos disse, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do
mundo" (v. 42). Eles vão de ouvir sobre Jesus para conhecê-lo pessoalmente, entendendo
então o significado universal de sua identidade. E tudo isso porque eles estiveram
envolvidos com a mente e com o coração.

51
O fato de a história acontecer ao lado de um poço é significativo. Jesus oferece à
mulher "uma fonte que jorra dando a vida eterna" (v. 14). A delicadeza com que Jesus
trata as mulheres é um modelo de eficácia pastoral: ajudar os outros a se abrir sem sofrer
no doloroso processo de auto-reconhecimento ("ele me contou tudo o que fiz", v. 39).
Esta abordagem poderia produzir frutos abundantes com aqueles que são atraídos para o
"portador de água" (Aquarius) e continuar a buscar sinceramente a verdade. Devemos
convidá-los a ouvir Jesus, que não só oferece água para saciar a nossa sede, mas também
as profundezas espirituais ocultas da "água viva".

É importante reconhecer a sinceridade das pessoas que buscam a verdade; não é


sobre falsidade ou auto-engano. Também é importante ser paciente, como todo bom
educador sabe. Uma pessoa possuída pela verdade é subitamente preenchida com um
sentido completamente novo de liberdade, especialmente em face dos erros e medos do
passado. "Aquele que se esforça para se conhecer, como a mulher no poço, incutirá nos
outros o desejo de conhecer a verdade que também pode libertá-los." 87

O convite a seguir a Cristo, portador da água da vida, terá um peso muito maior se
quem o fizer tiver sido profundamente afetado por seu próprio encontro com Jesus,
porque não é alguém que apenas ouviu falar dele. , mas de alguém que está certo "que ele
é realmente o Salvador do mundo" (v. 42). É sobre deixar as pessoas reagirem à sua
maneira, no seu próprio ritmo, e deixar Deus fazer o resto.

52
6

INDICAÇÕES IMPORTANTES

6.1. Uma necessidade: acompanhamento e treinamento sólido

Cristo ou Aquário? A New Era quase sempre tem a ver com "alternativa": uma
visão alternativa da realidade ou uma forma alternativa para melhorar esta situação em si
(mágica). 88 Alternativas não oferecem duas possibilidades, mas apenas a possibilidade
de escolher uma coisa sobre outra. Em termos religiosos, a Nova Era oferece uma
alternativa à herança judaico-cristã. A Era de Aquário é concebida como a que substituirá
a Era de Peixes, predominantemente cristã. Os pensadores da Nova Era estão plenamente
conscientes disso. Alguns deles estão convencidos de que a mudança que está chegando
é inevitável, enquanto outros também estão ativamente engajados em sua chegada.
Aqueles que se perguntam se é possível acreditar ao mesmo tempo em Cristo e em
Aquário devem saber que estão diante de uma alternativa exclusiva, "aut-aut, ou isto ou
aquilo". "Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque ele odiará um e amará o
outro; senão ele se entregará a um e menosprezará o outro “(Lc 16,13).

É suficiente para os cristãos pensarem na diferença entre os Reis Magos do Oriente


e o Rei Herodes para perceber os tremendos efeitos que a opção a favor ou contra Cristo
implica. Nunca devemos esquecer que muitos dos movimentos que alimentaram a Nova
Era são explicitamente anti-cristãos. Sua posição sobre o cristianismo não é neutra, mas
neutralizadora: apesar do que muitas vezes se diz sobre a abertura a todos os pontos de
vista religiosos, o cristianismo tradicional não é sinceramente considerado uma
alternativa aceitável.

De fato, muitas vezes fica claro que "não há espaço tolerável para o cristianismo
autêntico", mesmo com argumentos que justifiquem o comportamento anticristão. 89 Essa
oposição, inicialmente limitada aos ambientes rarefeitos daqueles que ultrapassam uma
conexão superficial com a Nova Era, começou recentemente a penetrar em todos os níveis
da cultura "alternativa", que exerce um poderoso fascínio, especialmente em sociedades
ocidentais sofisticadas.

Fusão ou confusão? As tradições da Nova Era apagam deliberada e


deliberadamente as diferenças reais: entre Criador e criação, entre humanidade e natureza,
entre religião e psicologia, entre realidade subjetiva e objetiva. Idealmente, a intenção é
sempre superar o escândalo da divisão, mas, para a teoria da Nova Era, trata-se da fusão
sistemática de elementos que normalmente foram claramente diferenciados na cultura
ocidental. Talvez seja mais justo chamá-lo de " com fusão". Diga que a Nova Era
alimenta-se de confusão não é um mero jogo de palavras.

53
A tradição cristã sempre valorizou o papel da razão para justificar a fé e
compreender Deus, o mundo e a pessoa humana. 90 a nova era atinge quando ela se
sintoniza em um estado mental que rejeita a razão fria, calculista e desumana. E embora
nos lembre da necessidade de um equilíbrio entre todas as nossas faculdades, isso não
justifica a marginalização de uma faculdade que é essencial para uma vida totalmente
humana. A racionalidade tem a vantagem da universalidade: está disponível a todos,
gratuitamente, ao contrário do caráter misterioso e fascinante da religião "mística",
esotérica ou gnóstica. Tudo o que alimenta a confusão ou o sigilo conceitual deve ser
examinado com grande cuidado, porque, em vez de revelar a natureza última da realidade,
ela a oculta. Corresponde à perda de confiança nas certezas sólidas do passado típicas da
pós-modernidade, o que muitas vezes leva a refugiar-se no irracionalismo. O grande
desafio é mostrar como uma colaboração saudável entre fé e razão melhora a vida humana
e promove o respeito pela criação.

Crie sua própria realidade. A convicção generalizada na Nova Era de que todos
criam sua própria realidade é atraente, mas ilusória. Ela cristaliza na teoria de Jung,
segundo a qual o ser humano é um meio de acesso do mundo exterior a um mundo interior
de dimensões infinitas, onde cada pessoa é um Abraxas. Quem dá nascimento ao seu
próprio mundo ou o devora. A estrela que brilha neste infinito mundo interior é o deus e
o objetivo do homem. A mais dolorosa e problemática da aceitação da idéia de que as
pessoas criam a sua própria realidade consequência é a questão do sofrimento e da morte:
as pessoas com deficiências graves ou doenças incuráveis se sentem enganados e
degradada quando é sugerido que eles são o aqueles que causaram a infelicidade de cair
sobre si mesmos, ou cuja incapacidade de mudar as coisas indica uma fraqueza em sua
maneira de enfrentar a vida. Tudo isso está longe de ser uma questão puramente
acadêmica: tem profundas implicações para a abordagem pastoral da Igreja às difíceis
questões existenciais que o mundo inteiro coloca.

Nossas limitações são parte da vida, inerentes à condição de uma criatura. Morte e
sofrimento são um desafio e uma oportunidade, porque a tentação de se refugiar em uma
reelaboração ocidentalizada da reencarnação é uma prova clara do medo da morte e do
desejo de viver para sempre. Aproveitamos ao máximo essas oportunidades para lembrar
o que Deus nos promete na ressurreição de Jesus Cristo? Quão real é a fé na ressurreição
da carne que os cristãos proclamam todos os domingos no credo? É aí que a ideia de
aproveitarmos ao máximo essas oportunidades para lembrar o que Deus nos promete na
ressurreição de Jesus Cristo? Quão real é a fé na ressurreição da carne que os cristãos
proclamam todos os domingos no credo? É aí que a ideia de aproveitarmos ao máximo
essas oportunidades para lembrar o que Deus nos promete na ressurreição de Jesus Cristo?
Quão real é a fé na ressurreição da carne que os cristãos proclamam todos os domingos
no credo? É aí que a ideia de New Age que, em certo sentido, somos também deuses. Toda
a questão depende, é claro, da definição da própria realidade. É necessário fortalecer
adequadamente uma abordagem sólida da epistemologia e da psicologia em todos os
níveis da educação, formação e pregação católicas. É importante focar constantemente
nas formas mais eficazes de falar sobre transcendência. A dificuldade fundamental de
todo pensamento da Nova Era é que essa transcendência é estritamente uma
autotranscendência que deve ser alcançada em um universo fechado em si mesmo.

54
Recursos pastorais

O Capítulo 8 oferece indicações sobre os principais documentos da Igreja Católica,


nos quais você pode encontrar uma apreciação das idéias da Nova Era. Primeiro de tudo,
há o discurso do Papa João Paulo II mencionado no prefácio. O Papa reconhece nesta
tendência cultural alguns aspectos positivos, como a "busca de um novo sentido de vida,
uma nova sensibilidade ecológica e o desejo de superar uma religiosidade fria e
racionalista". Mas também chama a atenção dos fiéis para certos elementos ambíguos que
são incompatíveis com a fé cristã: esses movimentos "prestam pouca atenção à
Revelação", "tendem a relativizar a doutrina religiosa em favor de uma visão de mundo
difusa", "freqüentemente propõem uma conceito panteísta de Deus »,« substituir a
responsabilidade pessoal para com Deus por nossas ações com um senso de dever para
com o cosmos, subvertendo assim o verdadeiro conceito de pecado e a necessidade de
redenção através de Cristo ». 91

6.2. Iniciativas práticas

Em primeiro lugar, vale a pena lembrar mais uma vez que, dentro do vasto
movimento da Nova Era, nem todas as pessoas ou todas as coisas estão ligadas da mesma
maneira às teorias do movimento. Da mesma forma, o próprio rótulo de "Nova Era" é
muitas vezes mal aplicado ou estendido a fenômenos que podem ser classificados de
maneira diferente. O termo Nova Era foi até abusado para demonizar certas pessoas e
práticas. É essencial examinar se os fenômenos ligados a esse movimento, ainda que
tangencialmente, refletem uma visão cristã de Deus, da pessoa humana e do mundo, ou
estão em conflito com ela. O mero uso do termo " Nova Era " em si não significa nada.
O que conta é a relação da pessoa, do grupo, da prática ou do produto, com os princípios
do cristianismo.

• A Igreja Católica tem suas próprias redes muito eficazes que ainda poderiam ser
melhor usadas. Por exemplo, o grande número de centros pastorais, culturais e espirituais.
Além de servir as necessidades da Igreja, estas poderiam ser usadas para abordar
criativamente a confusão em relação à religiosidade da Nova Era, por exemplo, com
fóruns de discussão e estudo. Infelizmente, é preciso admitir que, em muitos casos, alguns
centros de espiritualidade especificamente católica estão ativamente engajados em
difundir a religiosidade da Nova Era dentro da Igreja. É necessário corrigir esta situação,
não só para impedir a propagação da confusão e do erro, mas também para se tornarem
promotores eficazes da verdadeira espiritualidade cristã. Os centros culturais católicos em
particular não são apenas instituições doutrinárias, mas espaços de diálogo sincero. 92
Algumas instituições especializadas lidam com todas essas questões de uma maneira
excelente. São recursos valiosos que devem ser generosamente compartilhados com áreas
mais desfavorecidas.

• Não são poucos os grupos da Nova Era que aproveitam qualquer oportunidade
para expor sua filosofia e atividades. Reuniões com esses tipos de grupos devem ser
abordadas com cuidado, sempre incluindo pessoas capazes de explicar a fé católica e a
espiritualidade, bem como refletir criticamente sobre o pensamento e as práticas da Nova
Era. É extremamente importante verificar as credenciais das pessoas, grupos e
instituições que pretendem oferecer orientação e informação sobre a Nova Era. Em alguns
casos, o que começou como uma investigação imparcial acaba se tornando uma promoção
ativa ou uma defesa de "religiões alternativas".
55
Algumas instituições internacionais estão ativamente realizando campanhas para
promover o respeito pela "diversidade religiosa" e reivindicam a natureza religiosa para
algumas organizações mais do que duvidosas. Isso é consistente com a visão da Nova
Era, de mudar para um tempo em que a limitação de religiões particulares dá lugar à
universalidade de uma nova religião ou espiritualidade. Pelo contrário, o diálogo sincero
deve sempre respeitar a diversidade desde o início e nunca tentar obscurecer as distinções
fundindo todas as tradições religiosas em uma.

• Alguns grupos locais da Nova Era descrevem suas reuniões como "grupos de
oração". Aqueles que são convidados para esses grupos devem procurar os sinais de uma
espiritualidade autenticamente cristã e verificar se não há cerimônias de iniciação de
qualquer tipo. Tais grupos tiram vantagem da falta de preparação teológica ou espiritual
das pessoas para gradualmente atraí-los para o que pode de fato ser uma forma falsa de
adoração. Devemos educar os cristãos sobre o verdadeiro objeto e conteúdo da oração
dirigida ao Pai, através de Jesus Cristo, no Espírito Santo - para julgar corretamente a
intenção de um "grupo de oração". A oração cristã e o Deus de Jesus Cristo são facilmente
reconhecíveis. 93 Muitas pessoas estão convencidas de que não há perigo em "emprestar"
elementos da sabedoria oriental. No entanto, o caso da Meditação Transcendental (MT)
deve convidar os cristãos a serem mais cautelosos sobre a possibilidade de se afiliarem
sem o conhecimento de outra religião (neste caso, o hinduísmo), embora os promotores
do MT insistam em sua neutralidade religiosa. O aprendizado da meditação em si não
representa nenhum problema, mas o objeto ou conteúdo do exercício determina
claramente se um relacionamento é estabelecido com o Deus revelado por Jesus Cristo,
ou com alguma outra revelação, ou simplesmente com as profundezas ocultas do eu. .

• Devemos também dar o devido reconhecimento aos grupos cristãos que


promovem o cuidado da terra como criação de Deus. O respeito pela criação também
deve ser abordado de forma criativa nas escolas católicas. No entanto, muito do que é
proposto pelos elementos mais radicais do movimento ecológico é difícil de conciliar com
a fé católica. Cuidar do meio ambiente, em geral, é um sinal oportuno de uma
preocupação renovada pelo que Deus nos deu, talvez até mesmo um sinal do necessário
cuidado cristão da criação. A "ecologia profunda", no entanto, é frequentemente baseada
em princípios panteístas e, às vezes, gnósticos. 94

• O início do Terceiro Milênio oferece um autêntico kairos para a evangelização.


Mentes e corações estão abertos como nunca para receber informações sérias sobre a
visão cristã do tempo e a história da salvação. A prioridade não deveria ser tanto destacar
as deficiências de outras abordagens, mas antes retornar constantemente às fontes de
nossa própria fé, a fim de oferecer uma apresentação adequada e sólida da mensagem
cristã. Podemos nos orgulhar do que nos foi confiado e é por isso que devemos resistir às
pressões da cultura dominante e não enterrar esses dons (Mt 25, 24-30).

Um dos instrumentos mais úteis disponíveis para nós é o Catecismo da Igreja


Católica. Temos também uma imensa herança de caminhos de santidade na vida dos
cristãos do passado e do presente. Onde o simbolismo cristão rico, suas tradições
artísticas, estéticas e musicais são desconhecidas ou ignoradas, os cristãos têm que fazer
uma enorme quantidade de trabalho em benefício próprio e, finalmente, de todos aqueles
que buscam uma experiência ou uma maior consciência da presença de Deus. O diálogo
entre cristãos e pessoas seduzidas pela Nova Era, terá maiores garantias de sucesso se
levar em conta a atração do mundo das emoções e da linguagem simbólica.

56
Se a nossa tarefa é conhecer, amar e servir a Jesus Cristo, é de suma importância
começar com um bom conhecimento da Sagrada Escritura. Mas, sobretudo, saímos ao
encontro do Senhor Jesus em oração e nos sacramentos, que são justamente os momentos
de santificação de nossa vida ordinária, e o caminho mais seguro para encontrar o sentido
de toda a mensagem cristã.

• Talvez a medida mais simples, mais óbvia e urgente a ser tomada, e talvez também
a mais eficaz, seja aproveitar ao máximo as riquezas da herança espiritual cristã. As
grandes ordens religiosas são repositórios de ricas tradições de meditação e
espiritualidade, que poderiam ser mais acessíveis através de cursos ou períodos de
permanência em suas casas, oferecidos a pessoas com espírito autêntico de busca. Isso já
está acontecendo, mas precisamos ir além. Ajudar as pessoas em sua busca espiritual
oferecendo técnicas e experiências já aprovadas de oração autêntica poderia abrir um
diálogo que revelaria as riquezas da tradição cristã e talvez esclarecesse no mesmo
processo muitas das questões levantadas pela Nova Era.

Com uma imagem sugestiva e direta, um dos expoentes do movimento da Nova Era
comparou as religiões tradicionais com as catedrais e a Nova Era com uma feira mundial.
O Movimento Nova Era é um convite aos cristãos para levar a mensagem das catedrais à
feira que hoje ocupa o mundo todo. Esta imagem representa um desafio positivo para os
cristãos, porque a qualquer momento é bom levar a mensagem das catedrais às pessoas
da feira. Os cristãos, de fato, não devem esperar por um convite para levar a Boa Nova
de Jesus Cristo para aqueles que estão procurando respostas para suas perguntas, um
alimento espiritual que os satisfaz, a água viva.

Seguindo a imagem proposta, os cristãos devem deixar a catedral, alimentada pela


palavra e pelos sacramentos, para levar o Evangelho a todas as áreas da vida cotidiana. «
Ite, Missa est, vai, a missa acabou». Na carta apostólica Novo Millennio Ineunte, o Santo
Padre destaca o grande interesse pela espiritualidade que é descoberto no mundo de hoje,
e como outras religiões estão respondendo a essa demanda de maneira atraente. Ele então
desafia os cristãos: "Nós que temos a graça de crer em Cristo, revelador do Pai e Salvador
do mundo, devemos ensinar em que grau de interiorização o relacionamento com ele pode
nos levar" (n. 33). Para aqueles que fazem suas compras na feira mundial de propostas
religiosas, o apelo do cristianismo se manifestará, em primeiro lugar, através do
testemunho dos membros da Igreja, sua confiança, sua calma, sua paciência e seu
otimismo, e seu amor concreto por seu vizinho. Tudo isso, fruto de uma fé nutrida em
autêntica oração pessoal.

57
58
7

APÊNDICE

7.1. Algumas breves formulações de ideias da Nova Era

Formulação da Nova Era de acordo com William Bloom, 1992, citado em Heelas, p.
225s.:

• Toda a vida, toda a existência, é a manifestação do Espírito, do Incognoscível, a


suprema Consciência conhecida por diferentes nomes em tantas culturas diferentes.
• O propósito e a dinâmica de toda a existência é trazer Amor, Sabedoria,
Iluminação ... à sua plena manifestação.
•Todas as religiões são uma expressão dessa mesma realidade interna.
•Toda a vida, como a percebemos com os cinco sentidos humanos ou com
instrumentos científicos, é apenas o véu externo de uma realidade invisível, interna e
causal.
• Da mesma forma, os seres humanos são criaturas duplas com: (I) uma
personalidade exterior temporária e (II) um ser interior multidimensional (alma ou eu
superior).
• A personalidade exterior é limitada e tende ao amor.
• O propósito da encarnação do ser interior é atrair as vibrações da personalidade
exterior para uma ressonância do amor.
• Todas as almas encarnadas são livres para escolher seu próprio caminho espiritual.
• Nossos professores espirituais são aqueles que, liberaram sua alma da necessidade
de encarnar, expressam amor incondicional, sabedoria e iluminação. Alguns desses
grandes seres são bem conhecidos e inspiraram as religiões do mundo. Outros são
desconhecidos e operam invisivelmente.
• Toda a vida, em suas diferentes formas e estados, é energia inter-relacionada e
inclui nossas ações, sentimentos e pensamentos. Por isso, colaboramos com o Espírito e
com estas energias na criação da nossa realidade.
• Embora sustentados pela dinâmica do amor cósmico, somos solidariamente
responsáveis pelo estado de nosso próprio eu, nosso ambiente e toda a vida.
• Durante este período de tempo, a evolução do planeta e da humanidade chegou a
um ponto em que estamos experimentando uma profunda mudança espiritual em nossa
consciência individual e coletiva. É por isso que estamos falando de uma nova era. Essa
nova consciência é o resultado de uma encarnação cada vez mais bem-sucedida do que
alguns chamam de energias do amor cósmico. Essa nova consciência se manifesta em
uma compreensão instintiva da sacralidade de toda a existência e, em particular, de sua
inter-relação.
• Essa nova consciência e essa nova compreensão da interdependência de toda a
vida são o sinal de que uma nova cultura planetária está atualmente gestando.
59
Heelas cita (p.226) a "formulação complementar" de Jeremy Tarcher:

1. O mundo, incluindo a raça humana, é a expressão de uma natureza divina superior


e mais completa.
2. Escondido dentro de cada ser humano, existe um Eu divino superior, que é a
manifestação dessa natureza divina superior e mais completa.
3. Essa natureza superior pode ser despertada e se tornar o centro da vida diária do
indivíduo.
4. Este despertar é a razão de ser de cada vida individual.

David Spangler, citado em Actualité des religions n. 8 de setembro de 1999, p. 43,


sobre as principais características da visão da Nova Era, que é:

• holística (globalizante, porque existe apenas uma realidade de energia)


• ecológico (Terra, Gaia, é nossa mãe, cada um de nós é um neurônio do sistema
nervoso central da Terra)
• andrógino (o arco-íris e o Yin Yang são símbolos NE, que têm a ver com a
complementaridade dos contrários, especialmente o masculino e o feminino)
• místico (que encontra o sagrado em todas as coisas, no mais comum)
• planetário (as pessoas devem estar, ao mesmo tempo, enraizadas em sua própria
cultura e abertas à cultura universal, buscando amor, compaixão, paz e o estabelecimento
de um governo mundial).

7.2. Glossário

Androginia: não é o hermafroditismo, isto é, a presença de características físicas dos dois


sexos em uma pessoa, mas uma consciência da presença de elementos masculinos e
femininos em cada pessoa. É descrito como um estado equilibrado de harmonia interna
do animus e da anima. Na Nova Era, é um estado resultante de uma nova consciência
neste duplo modo de ser e característica existente de todo homem e toda mulher. Quanto
mais se espalhar, mais ajudará a transformar o comportamento interpessoal.

Antroposofia: doutrina teosófica popularizada originalmente pelo croata Rudolf Steiner


(1861-1925), que deixou a Sociedade Teosófica depois de ter sido o líder de seu ramo
alemão de 1902 a 1913. É uma doutrina esotérica que visa iniciar pessoas no mundo.
"Conhecimento objetivo" na esfera divino-espiritual. Steiner estava convencido de que
isso o ajudara a explorar as leis da evolução do cosmos e da humanidade. Cada ser físico
tem um ser espiritual correspondente, e a vida terrena é influenciada por energias astrais
e essências espirituais. Dizem que a Crônica Akáshica é uma "memória cósmica"
acessível aos iniciados. 95

Canalização (v. Canalização)

Xamanismo: práticas e crenças ligadas à comunicação com os espíritos da natureza e


com os espíritos dos mortos através da posse ritual do xamã (pelos espíritos), a quem ele
serve como médium. O apelo dessas práticas nos círculos da Nova Era se deve à ênfase
dada à harmonia com as forças da natureza e à cura. A isto se soma uma imagem
"romântica" das religiões indígenas e sua proximidade com a terra e a natureza.

60
Canalização (canalização): os médiuns psíquicos sustentam que eles atuam como canais
de informação de outros seres, normalmente entidades desencarnadas que vivem em outro
plano. Coloca em relação a seres tão diversos quanto mestres exaltados, anjos, deuses,
entidades coletivas, espíritos da natureza e o Eu Superior.

Consciência planetária: essa visão de mundo foi desenvolvida na década de 1980 para
promover um sentimento de lealdade à comunidade humana, e não a nações, tribos ou
outros grupos tradicionais. Pode ser considerado o herdeiro dos movimentos do início do
século XX que promoveu um governo mundial. A consciência da unidade da humanidade
se encaixa perfeitamente com a hipótese de Gaia.

Cristais: eles são considerados para vibrar com frequências específicas. Por isso, eles são
úteis para a autotransformação. Eles são usados em várias terapias, bem como em
meditação, visualização, "viagem astral" ou como amuleto da sorte. Visto de fora, eles
não têm poder intrínseco, mas são simplesmente belos.

Cristo: na Nova Era, a figura histórica de Jesus não é mais que uma encarnação de uma
ideia, uma energia ou um conjunto de vibrações. Para Alice Bailey, é preciso um grande
dia de súplica, no qual todos os crentes conseguem criar uma concentração de energia
espiritual de tal forma que uma nova encarnação ocorrerá e revelará aos homens como
ser salvos ... Para muitos, Jesus não é mais do que um mestre espiritual que, como Buda,
Moisés e Muhammad, ou outros, foi penetrado pelo Cristo cósmico. O Cristo cósmico é
também conhecido como a energia de Cristo presente em cada ser e no ser total. Os
indivíduos precisam ser gradualmente iniciados na consciência das características cristãs
que possuem. Cristo representa - para a Nova Era - o mais elevado estado de perfeição
do eu. 96

Eneagrama: (do grego ennea = nove + gramma = signo) o nome designa um diagrama
que consiste em um círculo com nove pontos em sua circunferência, unidos por um
triângulo e um hexágono circunscritos. Originalmente era usado para adivinhação, mas
recentemente foi popularizado como um símbolo de um sistema de tipologia de
personalidade que consiste em nove tipos básicos de caracteres. Tornou-se popular após
a publicação de The Enneagram, de Helen Palmer, 97, mas a autora reconhece sua dívida
para com o médico e pensador esotérico russo GI Gurdjieff, o psicólogo chileno Claudio
Naranjo e o autor Óscar Icazo, fundador de Arica. A origem do eneagrama permanece
envolta em mistério, embora alguns argumentem que vem do misticismo sufi.

Era de Aquário: cada idade astrológica, cerca de 2146 anos, é chamada de um dos signos
do zodíaco, mas os "grandes dias" seguem uma ordem inversa, de modo que a atual Era
de Peixes está prestes a terminar e estabelecerá a Era de Aquário. Cada idade tem suas
próprias energias cósmicas. A energia de Peixes tornou uma era de guerras e conflitos.
Mas Aquário está destinado a ser uma era de harmonia, justiça, paz, unidade, etc. Nesse
sentido, a Nova Era aceita o caráter inevitável da história. Alguns vêem na época de Áries
a época da religião judaica, em Peixes a era do cristianismo e em Aquário a era de uma
religião universal.

Esoterismo (do grego esotéros = o que está dentro): geralmente se refere a um conjunto
de conhecimentos antigos e ocultos acessíveis apenas a grupos de iniciados, que se
descrevem como guardiões das verdades ocultas da maioria da humanidade. O processo
de iniciação leva da consciência da realidade superficial, meramente externa, à verdade
interior e, através desse processo, desperta a consciência em um nível mais profundo.

61
As pessoas são convidadas a empreender essa "jornada interior" para descobrir a
"centelha divina" dentro delas. Nesse contexto, a salvação coincide com a descoberta do
eu.

Espiritismo: embora sempre tenha havido tentativas de estabelecer contato com os


espíritos dos mortos, considera-se que o espiritualismo do século XIX é uma das correntes
que fluem para a Nova Era. Desenvolveu-se no ambiente das idéias de Swedenborg e
Mesmer, e tornou-se uma nova religião. Madame Blavatsky era médium, de modo que o
espiritualismo exercia grande influência sobre a Sociedade Teosófica, embora nesse caso
o sotaque tenha caído em contato com entidades do passado remoto e não com pessoas
que haviam morrido recentemente. Allan Kardec influenciou a propagação do
espiritualismo nas religiões afro-brasileiras. Em alguns novos movimentos religiosos no
Japão também existem elementos espiritualistas.

Evolução: na Nova Era vai muito além da evolução dos seres em direção a formas de
vida superiores. O modelo físico é projetado para o reino espiritual, de modo que uma
força imanente do interior dos seres humanos os impele para formas superiores de vida
espiritual. Diz-se que os seres humanos não têm controle sobre essa força, mas suas ações
boas ou más podem acelerar ou retardar o processo. Acredita-se que toda a criação,
incluindo a humanidade, está se movendo inexoravelmente para uma fusão com o divino.
A reencarnação naturalmente ocupa um lugar importante nesta visão de uma evolução
espiritual progressiva que, diz-se, começa antes do nascimento e continua após a morte.98

Expansão da consciência: se o cosmos é concebido como uma cadeia contínua de ser,


todos os níveis de existência - minerais, plantas, animais, seres humanos, seres cósmicos
e divinos - são interdependentes. Diz-se que os seres humanos se tornam conscientes de
sua posição nessa visão holística da realidade global, expandindo sua consciência além
de seus limites normais. A Nova Era oferece uma enorme variedade de técnicas para
ajudar as pessoas a alcançar um nível mais elevado de percepção da realidade, uma
maneira de superar a separação entre sujeitos e entre objetos no processo cognitivo,
concluindo em uma fusão total de o que a consciência normal e inferior vê como
realidades separadas ou diferentes.

Feng-shui: forma de geomancia, neste caso, um método chinês oculto de decifrar a


presença oculta de correntes positivas e negativas em edifícios e outros lugares, com base
no conhecimento das forças da Terra e da atmosfera. "Assim como no corpo humano ou
no cosmos, influências são percorridas em todos os lugares, cujo equilíbrio correto é uma
fonte de saúde e vida". 99

Gnose: em um sentido amplo, uma forma de conhecimento não intelectual, mas


visionário ou místico, que se acredita ser revelado e capaz de unir o ser humano com o
mistério divino. Nos primeiros séculos do cristianismo, os Padres da Igreja lutaram contra
o gnosticismo, em oposição à fé. Alguns vêem um renascimento das idéias gnósticas em
grande parte do pensamento da Nova Era, alguns de cujos autores, de fato, citam o
gnosticismo primitivo. No entanto, a acentuação do monismo e até mesmo o panteísmo
ou panteísmo típico da Nova Era leva alguns a usar o termo neo-gnosticismo para
distinguir a gnose da Nova Era do antigo gnosticismo.

Grande Fraternidade Branca: Madame Blavatsky afirmou manter contatos com os


mahatmas ou mestres, seres exaltados que, juntos, constituem a Grande Fraternidade
Branca. Segundo ela, foram eles que dirigiram a evolução da raça humana e orientaram
o trabalho da Sociedade Teosófica.
62
Hermetismo : práticas e especulações filosóficas e religiosas ligadas aos escritos do
Corpus Hermeticum e aos textos alexandrinos atribuídos ao mítico Hermes Trismegistos.
Quando se conheceram pela primeira vez durante a Renascença, pensaram que eles
revelavam doutrinas pré-cristãs, no entanto estudos posteriores mostraram que eles datam
do primeiro século da era cristã. O hermetismo alexandrino é uma fonte fundamental do
esoterismo moderno, com o qual eles têm muito em comum: o ecletismo, a refutação do
dualismo ontológico, a afirmação do caráter positivo e simbólico do universo, a idéia da
queda e posterior restauração da humanidade. A especulação hermética reforçou a crença
em uma antiga tradição fundamentalista, a chamada philosophia perennis, falsamente
considerada comum a todas as tradições religiosas. As formas elevadas e rituais de magia
se desenvolveram a partir do hermetismo renascentista.

Holismo: conceito chave do «novo paradigma», que visa oferecer uma estrutura teórica
que integre toda a visão de mundo do homem moderno. Em contraste com a experiência
de uma crescente fragmentação na ciência e na vida cotidiana, o "holismo", o "totalismo",
é acentuado como um conceito metodológico e ontológico central. A humanidade é
integrada ao universo como parte de um único organismo vivo, uma rede harmoniosa de
relações dinâmicas. Vários cientistas que preenchem a lacuna entre ciência e religião
rejeitam a distinção clássica entre sujeito e objeto, que é frequentemente atribuída a
Descartes e Newton. A humanidade faz parte da estrutura universal (o ecossistema, a
família), da natureza e do mundo e deve buscar harmonia com todos os elementos dessa
autoridade quase transcendente. Quando se entende o próprio lugar na natureza, também
se entende que "totalidade" e "santidade" são uma e a mesma coisa. A articulação mais
clara desse conceito é encontrada na hipótese "Gaia". 101

Iniciação : na etnologia religiosa é a jornada cognitiva e / ou experimental, através da


qual uma pessoa é admitida, individualmente ou como membro de um grupo, através de
rituais particulares, para fazer parte de uma comunidade religiosa, uma sociedade secreta
(por exemplo, Maçonaria) ou uma associação misteriosa (mágica, esotérica-oculta,
gnóstica, teosófica etc.).

Karma: (do radical sânscrito Kri = ação, trabalho) noção fundamental no hinduísmo,
jainismo e budismo, cujo significado nem sempre foi o mesmo. No antigo período védico,
referia-se à ação ritual, especialmente ao sacrifício, pela qual uma pessoa obtinha acesso
à felicidade ou felicidade na vida após a morte. Quando o jainismo e o budismo
apareceram (aproximadamente seis séculos antes de Cristo), o carma perdeu seu
significado salvífico: o caminho para a libertação era o conhecimento do Atman ou do
"eu". Na doutrina do samsara, foi entendido como o ciclo incessante do nascimento e
morte humanos (hinduísmo) ou renascimento (budismo). 102 Nos ambientes da Nova Era,
a "lei do karma" é frequentemente concebida como o equivalente moral da evolução
cósmica. O karma não tem mais a ver com o mal ou o sofrimento - ilusões que devem ser
experimentadas como parte de um "jogo cósmico" -, mas é a lei universal de causa e
efeito, e faz parte da tendência de um universo inter-relacionadas com o equilíbrio moral.
103

Misticismo: a mística da Nova Era consiste em voltar-se para o interior do eu em vez de


uma comunhão com Deus, que é o "totalmente outro". É uma fusão com o universo, a
aniquilação definitiva do indivíduo na unidade do todo. A experiência do Self é tomada
como uma experiência da divindade, por isso é preciso olhar para dentro para descobrir a
sabedoria, a criatividade e a força autênticas.

63
Monismo: doutrina metafísica segundo a qual as diferenças entre as coisas são ilusórias.
Existe apenas um único ser universal, do qual cada coisa e cada pessoa é apenas uma
parte. Na medida em que o monismo da Nova Era inclui a ideia de que a realidade é
fundamentalmente espiritual, é uma forma contemporânea de panteísmo (que às vezes
rejeita explicitamente o materialismo, especialmente o marxismo). Sua pretensão de
resolver todo o dualismo não deixa espaço para um Deus transcendente, de modo que
tudo é Deus. Para o cristianismo, outro problema surge quando a questão da origem do
mal é levantada. CG Jung viu o mal como o "lado negro" de Deus, que, no teísmo clássico,
é todo bondade.

Movimento do Potencial Humano: desde a sua criação (Esalen, Califórnia, na década


de 1960), tornou-se uma rede de grupos que promovem a liberação da capacidade humana
inata de criatividade através da realização do self. Mais e mais empresas estão usando
várias técnicas de transformação pessoal em programas de treinamento de liderança, em
última análise, por razões econômicas puras. Embora as Tecnologias Transpessoais, o
Movimento para uma Consciência Espiritual Interna, o Desenvolvimento Organizacional
e a Transformação Organizacional, sejam apresentados como não-religiosos, na realidade
os funcionários das empresas podem se ver sujeitos a uma estranha "espiritualidade" em
uma situação que Isso levanta conflitos com a sua liberdade pessoal. Existem vínculos
óbvios entre a espiritualidade oriental e a psicoterapia, enquanto a psicologia junguiana e
o Movimento do Potencial Humano exerceram sua influência sobre o xamanismo e
formas "reconstruídas" de paganismo, como o druidismo e a wicca. Num sentido amplo,
o "crescimento pessoal" pode ser entendido como a forma assumida pela "salvação
religiosa" no movimento da Nova Era: afirma-se que a libertação do sofrimento e fraqueza
humanos será alcançada pelo desenvolvimento do nosso potencial humano, que Isso
resulta em estarmos cada vez mais em contato com nossa divindade interna. 104

Música New Age: é uma indústria florescente. Este tipo de música é frequentemente
promovido como um meio para alcançar a harmonia consigo mesmo e com o mundo. Em
parte, geralmente é música "celta" ou druídica. Alguns compositores da Nova Era
argumentam que sua música tem como objetivo construir pontes entre o consciente e o
inconsciente, o que é especialmente verdadeiro quando, além das melodias, há uma
repetição meditativa e rítmica de refrões-chave. Como muitos outros fenómenos da Nova
Era, algumas dessas músicas são propostas como uma introdução a esse movimento, mas
a maioria tem simplesmente um propósito comercial ou artístico.

Neopaganismo: termo frequentemente rejeitado por aqueles a quem se aplica. Refere-se


a uma corrente que segue um caminho paralelo ao da Nova Era e com o qual ela tende a
se relacionar. Na onda de reação contra as religiões tradicionais, especialmente a herança
judaico-cristã do Ocidente, muitos voltaram seu olhar para as antigas religiões pagãs,
indígenas e tradicionais. Considera-se que o que precedeu o cristianismo estava mais de
acordo com o espírito da terra e da nação, ou que era uma forma pura de religião natural,
em contato com as forças da natureza, muitas vezes matriarcal, mágica ou xamânica.
Como se costuma dizer, a humanidade será mais saudável se retornar ao ciclo natural dos
feriados (agrícolas) e à afirmação geral da vida. Algumas religiões "neopagãs" são
reconstruções recentes, cuja verdadeira relação com as formas originais pode ser
discutível, particularmente nos casos em que são dominadas por componentes ideológicos
modernos, como ecologia, feminismo ou, em raros casos, por mitos de pureza racial. 105

64
Ocultismo: o conhecimento oculto (oculto) e as forças da mente e da natureza estão na
base de crenças e práticas ligadas a uma suposta "filosofia perene" oculta, derivada, por
um lado, da magia grega e da alquimia. velho e misticismo judaico do outro. Eles são
mantidos escondidos por meio de um código secreto imposto aos iniciados nos grupos e
sociedades que conservam o conhecimento e as técnicas que eles implicam. No século
XIX, o espiritismo e a Sociedade Teosófica introduziram novas formas de ocultismo que,
por sua vez, influenciaram várias tendências da Nova Era.

Panteísmo: (em grego pan = todos e osós = Deus) a crença de que tudo é Deus ou, às
vezes, que tudo está em Deus e Deus está em tudo (panteísmo). Cada elemento do
universo é divino e a divindade está presente igualmente em tudo. Nesta visão, não há
espaço para Deus como um ser diferente no sentido do teísmo clássico.

Parapsicologia: trata de coisas como percepção extra-sensorial, telepatia mental,


telecinese, cura psíquica e comunicação com espíritos através de médiuns ou
canalizações. Apesar das duras críticas dos cientistas, a parapsicologia tem crescido e se
encaixa perfeitamente na mentalidade popular de certos setores da Nova Era, segundo a
qual os seres humanos têm habilidades psíquicas extraordinárias, embora muitas vezes
em um estágio subdesenvolvido.

Novo Pensamento: movimento religioso do século XIX fundado nos Estados Unidos da
América. Tinha sua origem no idealismo, do qual era uma forma popularizada. Foi dito
que Deus era completamente bom e mau, uma mera ilusão; a realidade básica era a mente.
Uma vez que é a mente que causa os eventos da vida, o indivíduo deve assumir a
responsabilidade final por cada aspecto de sua situação.

Pensamento Positivo: convicção de que as pessoas podem mudar a realidade física ou


circunstâncias externas alterando sua atitude mental, pensando de forma positiva e
construtiva. Às vezes, é uma maneira de perceber conscientemente as crenças
inconscientes que determinam nossa situação de vida. Os adeptos do Pensamento Positivo
são prometidos saúde, integridade e até mesmo imortalidade.

Psicologia profunda: a escola de psicologia fundada por CG Jung, antigo discípulo de


Freud. Jung reconheceu que a religião e as questões espirituais eram importantes para a
integridade e a saúde. A interpretação dos sonhos e a análise dos arquétipos foram
elementos-chave de seu método. Arquétipos são formas que pertencem à estrutura
herdada da psique humana. Eles aparecem em temas ou imagens recorrentes de sonhos,
fantasias, mitos e contos de fadas.

Renascimento: (v. Renascimento)

Reencarnação: no contexto da Nova Era, a reencarnação está ligada ao conceito de


evolução ascendente para se tornar um ser divino. Ao contrário das religiões da Índia, ou
delas derivadas, a Nova Era concebe a reencarnação como o progresso da alma individual
em direção a um estado mais perfeito. O que é reencarnado é essencialmente algo
imaterial ou espiritual; mais exatamente, é a consciência, a centelha de energia que na
pessoa compartilha a energia cósmica ou "crística". A morte é apenas a passagem da alma
de um corpo para outro.

Reborn: no início dos anos 1970, Leonard Orr descreveu o renascimento como um
processo pelo qual uma pessoa pode identificar e isolar áreas de sua consciência não
resolvida que são a fonte de seus problemas atuais.
65
Rosacruzes: grupos ocidentais ocultistas relacionados à alquimia, astrologia, teosofia e
interpretações cabalísticas da Sagrada Escritura. A Fraternidade Rosacruz contribuiu
para o renascimento da astrologia no século XX, enquanto a Ordem Antiga e Mística da
Rosae Crucis (AMORC) vinculou o sucesso com uma suposta capacidade de materializar
as imagens mentais de saúde, riqueza e felicidade.

Teosofia: termo antigo, que originalmente se referia a um tipo de misticismo. Tem sido
relacionado com os gnósticos e os neoplatônicos gregos, com Mestre Eckhart, Nicolau de
Cusa e Jacob Boehme. A Sociedade Teosófica, fundada por Helena Petrovna Blavatsky
e outros em 1875, atribuiu grande importância ao termo. O místico teosófico tende ao
monismo, enfatizando a unidade essencial dos componentes espirituais e materiais do
universo. Ele também procura as forças ocultas responsáveis pela interação entre matéria
e espírito, de modo que a mente humana e a mente divina eventualmente se encontrem.
É aqui que a teosofia oferece redenção ou iluminação mística.

Transcendentalismo: movimento de escritores e pensadores do século XIX da Nova


Inglaterra, que compartilhavam um conjunto idealista de crenças na unidade essencial da
criação, a bondade inata da pessoa humana e a superioridade da intuição sobre a lógica e
a experiência. para descobrir as verdades mais profundas. A figura principal é Ralph
Waldo Emerson, que se afastou do cristianismo ortodoxo, e através dos unitaristas ele
passou para um novo misticismo natural que integrou conceitos do hinduísmo com outros
de caráter popular americano, como o individualismo, a responsabilidade pessoal e a
necessidade de triunfo.

Wicca: termo inglês antigo para as bruxas, aplicado ao ressurgimento de elementos neo-
pagãos da magia ritual. Cunhado em 1939 por Gerhard Gardner na Inglaterra: foi baseado
em alguns textos acadêmicos, segundo os quais a feitiçaria medieval européia era uma
antiga religião natural perseguida pelos cristãos. Com o nome "the Craft", espalhou-se
rapidamente nos Estados Unidos durante os anos 1960, onde estava ligado à
"espiritualidade das mulheres".

7.3. Lugares-chave da Nova Era

Esalen: comunidade fundada em Big Sur, Califórnia, em 1962, por Michael Murphy e
Richard Price, cujo objetivo principal era alcançar a auto-realização do ser através da
nudez, visões e "medicina suave". Tornou-se um dos centros mais importantes do
Movimento do Potencial Humano e disseminou suas idéias sobre medicina holística no
mundo da educação, política e economia. Realize esta tarefa através de cursos sobre
religião comparada, mitologia, misticismo, meditação, psicoterapia, expansão da
consciência, etc. Juntamente com Findhorn, ele é considerado o ponto-chave do
crescimento da consciência aquariana. O Instituto Soviético-Americano de Esalen
cooperou com as autoridades soviéticas no Projeto de Promoção da Saúde.

Findhorn: esta comunidade agrícola holística iniciada por Peter e Eileen Caddy
conseguiu o crescimento de plantas enormes por métodos não convencionais. A fundação
da comunidade de Findhorn na Escócia, em 1965, foi um marco importante no movimento
que ostenta o rótulo da Nova Era. De fato "considerou-se que Findhorn incorporou as
suas ideias principais da transformação".

66
A busca por uma consciência universal, o ideal de harmonia com a natureza, a visão de
um mundo transformado e a prática da canalização, elementos fundamentais do
movimento new age, estiveram presentes em Findhorn desde sua fundação. O sucesso
dessa comunidade levou-a a se tornar modelo e inspiração para outros grupos, como o
London Alternatives, Esalen em Big Sur, Califórnia, e o Open Center e o Omega Institute
em Nova York. 106

Monte Verità: comunidade utópica perto de Ascona, Suíça. Desde o final do século XIX
foi um ponto de encontro de expoentes europeus e americanos da contracultura em áreas
como política, psicologia e ecologia. As conferências de Eranos são realizadas lá todos
os anos desde 1933, reunindo grandes luminares da Nova Era. Seus anuários explicitam
claramente a intenção de criar uma religião mundial integrada. 107 É fascinante ver a lista
daqueles que se encontraram em Monte Verità ao longo dos anos.

67
68
8

RECURSOS

8.1. Documentos do Magistério da Igreja Católica

João Paulo II, Discurso aos bispos norte-americanos do Kansas, Missouri e


Nebraska em sua visita "ad limina", em 28 de maio de 1993.

Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre
alguns aspectos da meditação cristã (Orationis Formas), Cidade do Vaticano (Libreria
Editrice Vaticana) 1989.

Comissão Teológica Internacional, Algumas questões atuais da escatologia, 1992,


n. 9-10 (em reencarnação).

Comissão Teológica Internacional, Algumas questões sobre a teologia da


Redenção, 1995, I29 e II35-36.

Comitê de Cultura da Conferência Episcopal da Argentina, enfrentando uma nova


era. Desafio à pastoral no horizonte da Nova Evangelização, 1993.

Comissão Teológica Irlandesa, Uma Nova Era do Espírito? Uma resposta católica
ao fenômeno da Nova Era, Dublin, 1994.

Godfried Danneels, Au-delà de la mort: réincarnation et resurrection, Carta


Pastoral, Páscoa 1991.

Godfried Danneels, Le Cristo ou le Verseau? Carta Pastoral, Natal 1990.

Carlo Maccari, «A« mística cósmica »da Nova Era », em Religioni e Sette nel
Mondo 1996/2.

Carlo Maccari, A Nova Era di fronte alla fede cristiano, Turim (LDC) 1994.

Edward Anthony McCarthy, O Movimento da Nova Era, Instrução Pastoral, 1992.

Paul Poupard, Felicità e fede christian, Casale Monferrato (Ed. Piemme) 1992.

Joseph Ratzinger, Situação atual de fé e teologia, Guadalajara, maio de 1996, no


L'Osservatore Romano (edição em espanhol) em 1 de novembro de 1996.

69
Norberto Rivera Carrera, Instrução Pastoral sobre a Nova Era, 7 de janeiro de
1996.

Christoph von Schönborn, Risurrezione e reincarnazione, Casale Monferrato


(Piemme) 1990.

J. Francis Stafford, O movimento «New Age», em L'Osservatore Romano (edição


italiana), 30 de outubro de 1992.

Grupo de Trabalho sobre Novos Movimentos Religiosos, Cidade do Vaticano (ed.),


Seitas e Novos Movimentos Religiosos. Antologia de documentos da Igreja Católica,
Santafé de Bogotá (CELAM) 1996.

8.2 Estudos cristãos

Michel Anglarès, Nouvel Age e Foi Chrétienne, Paris (Centurion) 1992. Trad. esp.
Nova Era e fé cristã, Madri 1994.
Raúl Berzosa Martínez, Nova Era e Cristianismo. Entre o diálogo e a ruptura,
Madri (BAC) 1995.
André Fortin, Les Galeries du Nouvel Idade: um chrétien s'y promène, Ottawa
(Novalis) 1993.
Grupo de Trabalho Ecumênico "Neue Religiöse Bewegungen in der Schweiz",
Nova Era - aus christlicher Sicht, Freiburg (Paulusverlag) 1987.
Claude Labrecque, Une religion america. Pistes de discernement chrétien sur les
courantes populaires du "Nouvel Age", Montréal (Médiaspaul) 1994.
O Comitê Metodista de Fé e Ordem, o Relatório do Movimento da Nova Era para
a Conferência de 1994.
Aidan Nichols, "The New Age Movement", em The Month, março de 1992, p. 84-
89.
Alessandro Olivieri Pennesi, O Cristo da Nova Era. Indagine critica, Cidade do
Vaticano (Libreria Editrice Vaticana) 1999.
Mitch Pacwas.j., Católicos e a Nova Era. Como as pessoas boas estão sendo
atraídas para a psicologia junguiana, o eneagrama e a nova era de Aquário, Ann Arbor
MI (Servant) 1992.
John Saliba, Respostas Cristãs ao Movimento da Nova Era. Uma avaliação crítica,
Londres (Chapman) 1999.
Josef Südbrack SJ, Neue Religiosität - Herausforderung für die Christen, Mainz
(Matthias-Grünewald-Verlag) 1987 Trad. esp.: A nova religiosidade, Madri 1990.
«Theologie für Laien», Secretariado, Faszination Esoterik, Zürich (Theologie für
Laien) 1996.
David Toolan, enfrentando o oeste das margens da Califórnia. A jornada de um
jesuíta para a Consciência da Nova Era, Nova York (Crossroad) 1987.
Juan Carlos Urrea Viera, «Nova Era». Visão Histórica e Doutrinária e Principais
Desafios, Santafé de Bogotá (CELAM) 1996.
Jean Vernette, "L'aventura espirituale dei figli dell'Acquario", em Religioni e Sette
nel Mondo 19962.
Jean Vernette, Jésus dans la nouvelle religiosité, Paris (Desclée) 1987.
Jean Vernette, Le Nova Era, Paris (PUF) 1992.

70
9

BIBLIOGRAFIA GERAL

9.1. Alguns livros da Nova Era

William Bloom, a nova era. Uma antologia de escritos essenciais, Londres (Rider)
1991.

Fritjof Capra, O Tao da Física: Uma Exploração dos Paralelos entre a Física
Moderna e o Misticismo Oriental, Berkeley (Shambhala) 1975.

Fritjof Capra, O Ponto de Virada: Ciência, Sociedade e a Cultura em Ascensão,


Toronto (Bantam) 1983.

Benjamin Creme, O Reaparecimento de Cristo e os Mestres da Sabedoria, Londres


(Tara Press) 1979.

Marilyn Ferguson, A Conspiração Aquariana. Transformação Pessoal e Social em


Nosso Tempo, Los Angeles (Tarcher) 1980. Trad. esp. A conspiração de Aquário.
Transformações pessoais e sociais no final do século, Barcelona (Kairós) 1985.

Chris Griscom, Ecstasy é uma nova frequência: Teachings of the Light Institute,
Nova York (Simon & Schuster) 1987.

Thomas Kuhn, A estrutura das revoluções científicas, México (FCE).

David Spangler, A Visão da Nova Era, Forres (Findhorn Publications) 1980.

David Spangler, Revelação: O Nascimento de uma Nova Era, São Francisco


(Rainbow Bridge) 1976.

David Spangler, Rumo a uma visão planetária, Forres (Findhorn Publications)


1977.

David Spangler, A Nova Era, Issaquah (The Morningtown Press) 1988.

David Spangler, O Renascimento do Sagrado, Londres (Gateway Books) 1988.


Trad. esp. Emergência O renascimento do sagrado, Barcelona 1991.

71
9.2. Trabalhos históricos, descritivos e analíticos

Christoph Bochinger, «Nova Era» e moderna Religião: Religionswissenschaftliche


Untersuchungen, Gütersloh (Kaiser) 1994.

Bernard Franck, Lexique du Nouvel-Idade, Limoges (Droguet-Ardant) 1993. Trad.


Esp.: Dicionário da Nova Era, Estella (Verbo Divino) 1994.

Hans Gasper, Joachim Müllerand Friederike Valentin, Lexikon der Sekten,


Sondergruppen und Weltanschauungen. Fakten, Hintergründe, Klärungen, edição
atualizada, Freiburg-Basel-Viena (Herder) 2000. Ver, entre outros, os artigos "Nova Era"
por Christoph Schorsch, Karl R. Essmanny Medard Kehl, e "Reinkarnation" por Reinhard
Hummel.

Manuel Guerra Gomez, Dicionário Enciclopédico das Seitas, sv « New Era »,


Madri 1998, 617-632.

Manabu Hagay Robert J. Kisala (ed.), "A Nova Era no Japão", em japonês Journal
of Religious Studies, Fall 1995, vol. 22, n. 3 e 4.

Wouter Hanegraaff, Religião da Nova Era e Cultura Ocidental. Esoterismo no


espelho da natureza, Leiden-New York-Köln (Brill) 1996. Contém abundante
bibliografia.

Paul Heelas, o movimento da nova era. A Celebração do Eu e a Sacralização da


Modernidade, Oxford (Blackwell) 1996.

Massimo Introvigne, Nova Era e Próxima Era, Casale Monferrato (Piemme) 2000.

Michel Lacroix, L'Ideologia della New Age, Milão (Il Saggiatore) 1998.

J. Gordon Melton, Enciclopédia Nova Era, Detroit (Gale Research Inc) 1990.

Elliot Miller, Um Curso Intensivo na Nova Era, Eastbourne (Monarch) 1989.

Georges Minois, História de Paris , Paris (Fayard) 1998.

Arild Romarheim, O Cristo Aquariano. Jesus Cristo como retratado por novos
movimentos religiosos, Hong Kong (Good Tiding) 1992.

Hans-Jürgen Ruppert e Durchbruch zur Innenwelt. Spirituelle Impulse de New Age


und Esoterik em Kritischer Beleuchtung, Stuttgart (Quell Verlag) 1988.

Edwin Schur, a armadilha da consciência. Auto-Absorção em vez de Mudança


Social, Nova York (McGraw Hill) 1977.

Rodney Starky William Sims Bainbridge, O futuro da religião. Secularisation,


Revival and Cult Formation, Berkeley (Universidade da Califórnia Press) 1985.

Steven Sutcliffey Marion Bowman (eds), além da nova era. Explorando


Espiritualidade Alternativa, Edimburgo (Edinburgh University Press), 2000.

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Charles Taylor, fontes do eu. A criação da identidade moderna, Cambridge
(Cambridge University Press) 1989.

Charles Taylor, A Ética da Autenticidade, Londres (Harvard University Press)


1991.

Edênio Valles.vd, «Psicologia e energias da mente: teorias alternativas», em A


Igreja Católica dante pluralismo religios do Brasil (III). Estudos da CNBB n. 71, São
Paulo (Paulus) 1994.

Comissão Mundial sobre Cultura e Desenvolvimento, Nossa Diversidade Criativa.


Relatório da Comissão Mundial sobre Cultura e Desenvolvimento, Paris (UNESCO)
1995.

M. York, "O Movimento Nova Era na Grã-Bretanha", sobre Syzygy. Jornal de


Alternative Religion and Culture, 1: 2-3 (1992) Stanford CA.

73
74
Anotações
(1) Paul Heelas, o movimento da Nova Era. A Celebração do Ser e a Sacralização da
Modernidade. Oxford (Blackwell) 1966, p. 137
(2) Cf. P. Heelas, op. cit., p. 164s.
(3) Cf. P. Heelas, op. cit., p. 173
(4) Cf. João Paulo II, Carta Encíclica Dominum et vivificantem (18 de maio de 1986), p.
53.
(5) Cf. Gilbert Markuso.p., "Celtic Schmeltic" (1), em Espiritualidade, vol. 4, novembro-
dezembro de 1998, n 21, pp. 379-383; e (2) em Espiritualidade, vol. 5, janeiro-fevereiro
de 1999, n. 22, pp. 57-61.
(6) Juan Pablo II, cruzando o limiar da esperança, Barcelona (Plaza & Janés) 1994, pp.
103-104.
(7) Cf. especialmente Massimo Introvigne, New Age e Next Age, Casale Monferrato
(Piemme) 2000.
(8) M. Introvigne, op. cit., p. 267
(9) Cf. Michel Lacroix, L'Ideologia della New Age, Milão (il Saggiatore) 1998, p. 86. A
palavra "seita" é usada aqui não em um sentido pejorativo, mas sim para denotar um
fenômeno sociológico.
(10) Cf. Wouter J. Hanegraaff, Religião da Nova Era e Cultura Ocidental. Esoterismo no
espelho do pensamento secular, Leiden-New York-Köln (Brill) 1996, p. 377 e passim.
(11) Cf. Rodney Stark e William Sims Brainbridge, O futuro da religião. Secularisation,
Revival and Cult Formation, Berkeley (Universidade da Califórnia Press) 1985.
(12) Cf. M. Lacroix, op. cit., p. 8
(13) O curso suíço «Theologie für Laien», intitulado Faszination Esoterik, levanta-o com
clareza. Cf. "Kursmappe 1 - New Age und Esoterik", texto acompanhado de slides, p. 9
(14) O termo já aparece no título da revista New Age, publicado pela aceitado antigo Rito
Escocês maçônica na jurisdição do sul dos Estados Unidos da América, que remonta a
1900. Cf. M. York, "O Movimento Nova Era na Grã-Bretanha », em Syzygy. Jornal de
Alternative Religion and Culture, 1: 2-3 (1992), Stanford CA, p. 156, nota 6. A datação
exata e a natureza da mudança para a Nova Era são interpretadas de diferentes maneiras,
de acordo com os diferentes autores. As estimativas para essa data variam entre 1967 e
2376.
(15) No final de 1977, Marilyn Fergusonenvió um questionário a 210 "envolvidos em
pessoas a transformação social", que também chama de "Aquarian conspiradores". É
interessante o que segue: "Quando os entrevistados para dar o nome de indivíduos cujas
idéias eles tinham influenciado, seja através do contato pessoal, seja através de seus
escritos, a mais citada, foi solicitado por ordem de frequência, eles eram Pierre Teilhard
Jung, Abraham Maslow, Carl Rogers, Aldous Huxley, Roberto Assagioli e K. Também
aparecem frequentemente mencionado: Paul Tillich, Hermann Hesse, Alfred North
Whitehead, Martin Buber, Ruth Benedict, Margaret Mead, Gregory Bateson, Tarthang
Tulku, Alan Watts, Sri Aurobindo, Swami Muktananda, DT Suzuki, Thomas Merton,
Willis Harman, Kenneth Boulding Elise Boulding, Erich Fromm, Marshall McLuhan,
Buckminster Fuller, Frederic Spiegelberg, Alfred Korzybski, Heinz von Foerster, John
Lilly, Werner Erhard, Oscar Ichazo, Maharishi Mahesh Yogi, Quiliom Joseph Pearce,
Karl Pribram, Gardner Murphy, e Albert Einstein 'A conspiração aquariana.
Transformação Pessoal e Social em Nosso Tempo, Los Angeles, (Tarcher) 1980, p. 50
(nota 1) e p. 434 (Traduzido pela Conspiração de Aquário: Transformações Pessoais e
Sociais no Fim do Século, Barcelona [Kairós] 1985).
(16) WJ Hanegraaff, op. cit., p. 520

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(17) Comissão Teológica Irlandesa, Uma Nova Era do Espírito? Uma resposta Católica
ao Fenômeno da Nova Era, Dublin 1994, capítulo 3.
(18) Cf. A estrutura das revoluções científicas, México, FCE, 1995.
(19) Cf. Alessandro Olivieri Pennesi, O Cristo da Nova Era. Indagine critica, Cidade do
Vaticano (Libreria Editrice Vaticana) 1999, passim, mas especialmente pp. 11-34. Veja
também a seção 4 abaixo.
(20) Vale a pena lembrar a letra desta canção, que foi gravada imediatamente na mente
de toda uma geração, tanto na América do Norte e Europa Ocidental:
"Quando a Lua está na sétima casa, e /Júpiter alinhado com Marte, então um /A paz guiará
os planetas e o amor guiará as estrelas. /Este é o alvorecer da Era de Aquário... /Harmonia
e compreensão, simpatia e confiança em abundância; /Não há mais falsidades ou escárnio
- amor vivo, sonhos de visões, revelação cristalina mística e a verdadeira liberação da
mente. /Aquário...”
(21) Paul Heelas, op. cit., p. 1 e s. A publicação agosto 1978 do Berkeley Christian
Coalition coloca desta forma: "exatamente 10 anos" "badalação - droga - espiritualidade
baseada dos hippies e o misticismo dos iogues ocidentais estavam restritos à contracultura
atrás. Hoje, ambos encontraram seu caminho na corrente fundamental de nossa
mentalidade cultural. A ciência, as profissões da saúde, as artes, para não mencionar a
psicologia e a religião, estão todas empenhadas em uma reconstrução fundamental de suas
premissas básicas”. Citado em Marilyn Ferguson, The Aquarian Conspiracy.
Transformação Pessoal e Social em Nosso Tempo, Los Angeles (Tarchner) 1980, p. 370
e segs.
(22) Cf. Chris Griscom, Ecstasy é uma nova freqüência: Teachings of the Light Institute,
Nova York, (Simon & Schuster) 1987, p. 82
(23) Ver o glossário de termos, § 7.2 Glossário selecionado.
(24) Cf. WJ Hanegraaff, op. cit. capítulo 15 ("O espelho do pensamento secular"). O
sistema de correspondências é claramente herdado do esoterismo tradicional, mas tem um
novo significado para aqueles que seguem (conscientemente ou não) Swedenborg.
Enquanto para a doutrina tradicional esotérica cada elemento natural possuía em seu
interior a vida divina, para Swedenborg a natureza é um reflexo morto do mundo
espiritual vivo. Essa idéia está profundamente enraizada no coração da visão pós-moderna
de um mundo desencantado e nas várias tentativas de "reencantá-lo". Blavatsky rejeitou
as correspondências e Jung relativizou fortemente a causalidade em favor da cosmovisão
esotérica das correspondências.
(25) WJ Hanegraaff, op. cit., pp. 54-55.
(26) Cf. Reinhard Hummel, "Reinkarnation" em Hans Gaspar, Joachim Müller,
Friederike Valentin (eds.), Lexikon der Sekten, Sondergruppen und Weltanschauungen.
Fakten, Hintergründe, Klärungen, Freiburg-Basel-Wien (Herder) 2000, pp. 886-893.
(27) Michael Fuss, «Nova Era e Europa. Um desafio para a teologia », em Mission Studies
Vol. VIII-2, 16, 1991, p. 192
(28) Ibid., Loc. cit.
(29) Ibid., P. 193
(30) Ibid., P. 199
(31) Congregação para a Doutrina da Fé, Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre alguns
aspectos da meditação cristã (Orationis Forms), 1989, 14. Cf. Gaudium et spes, 19; Fides
et Ratio, 22.
(32) WJ Hanegraaff, op. cit., p. 448s. Os objetivos são citados de acordo com a versão
definitiva (1896); Versões anteriores enfatizavam a irracionalidade do "fanatismo" e a
urgência de promover a educação não-sectária. Hanegraaff cita a descrição de J. Gordon
Melton da religião da Nova Era como enraizada na tradição "oculta-metafísica" (ibid., P
455).
(33) WJ Hanegraaff, op. cit., p. 513
76
(34) Thomas M. King SJ, "Jung e Espiritualidade Católica", na América, 3 de abril de
1999, p. 14. O autor observa que os devotos do New Era "passagens cotação que lidam
com o I Ching, astrologia e Zen, enquanto os católicos citar passagens que lidam com
místicos cristãos, a liturgia e o valor psicológico do sacramento da reconciliação »(p.12).
Também inclui uma lista de personalidades espirituais e instituições claramente
inspiradas e guiadas pela psicologia de Jung.
(35) Cf. WJ Hanegraaff, op. cit., p. 501s
(36) CJ Jung, Wandlungen e Symbole der Libido, citado em Hanegraaff, op. cit., p. 503
(37) Sobre este ponto, cf. Michael Schooyans, L'Évangile face au désordre mondial, com
prefácio do Cardeal Joseph Ratzinger, Paris (Fayard) 1997.
(38) Citado em A verdadeira e a falsa nova era. Notas Ecumênicas Introdutórias, da
Comunidade Maranatha, Manchester (Maranatha) 1933, 8.10; a numeração original das
páginas não é especificada.
(39) Michel Lacroix, L'Ideologia della Nova Era, Milão (il Saggiatore) 1998, p. 84ss.
(40) Cf. a seção sobre as idéias de David Spangleren Actualité des religions n. 8 de
setembro de 1999, p. 43
(41) M. Ferguson, op.cit., P. 407
(42) Ibid., P. 411
(43) "Ser americano ... é justamente imaginar um destino em vez de herdá-lo. Sempre
fomos habitantes do mito e não da história »: Leslie Fiedler, citado em M. Ferguson, op.
cit., p. 142
(44) Cf. P. Heelas, op. cit., p. 173s.
(45) David Spangler, A Nova Era, Issaquah (Morningtown Press) 1988, p. 14
(46) P. Heelas, op. cit., p. 168
(47) Ver o prefácio para o livro de Michel Schooyans, L'Évangile rosto au mondial
désordre, escrito pelo cardeal Joseph Ratzinger, Paris (Fayard) 1997. A citação é
traduzida do italiano, Il nuovo disordine mondiale, Cinisello Balsamo (San Paolo) 2000,
p. 6
(48) Cf. Nossa Diversidade Criativa. Relatório da Comissão Mundial sobre Cultura e
Desenvolvimento, Paris (UNESCO) 1995, que ilustra a importância atribuída à
celebração e promoção da diversidade.
(49) Cf. Christoph Bochinger, " New Age" e a religião moderna:
Religionswissenschaftliche Untersuchungen, Güttersloh (Kaiser) 1994, especialmente o
capítulo 3.
(50) As limitações dessas técnicas, que, no entanto, não são sentenças, são discutidas
abaixo, § 3.4. Cristã mística e nova era mística.
(51) Cf. Carlo Maccari, "A 'mística cósmica' da Nova Era", em Religioni e Sette nel
Mondo, 19962.
(52) Jean Vernette, "L'avventura spirituale dei figli dell'Acquario", in Religioni e Sette
nel Mondo, 19962, p. 42s.
(53) J. Vernette, loc. cit.
(54) Cf. J. Gordon Melton, New Age Encyclopedia, Detroit (Gale Research) 1990, p.
XIII-XIV.
(55) David Spangler, O Renascimento do Sagrado, Londres (Gateway Books) 1984, p.
78s.
(56) David Spangler, The New Age, Issaquah (Morningtown Press) 1988, p. 13s
(57) João Paulo II, Carta Apostólica Tertio Millenio Adveniente (10 de novembro de
1994), 9.
(58) Matthew Fox, A vinda do Cristo Cósmico. A Cura da Mãe Terra e o Nascimento de
um Renascimento Global, San Francisco (Harper & Row) 1988, p. 135
(59) Cf. o documento publicado pelo Comitê de Cultura da Conferência Episcopal da
Argentina contra uma nova era. Desafio à pastoral no horizonte da Nova Evangelização,
1993.
77
(60) Congregação para a Doutrina da Fé, Orationis Formas, 23.
(61) Ibid. 3. Veja as seções sobre meditação e oração contemplativa no Catecismo da Fé
Cristã, 2705-2719.
(62) Cf. Orationis Formas, 13.
(63) Cf. Brendan Pelphrey: "Eu disse: vocês são deuses. Cristão Ortodoxo Theosis e
Deificação nos Novos Movimentos Religiosos »na Espiritualidade Oriente e Ocidente, a
Páscoa 2000 (N. 13).
(64) Adrian Smith, Deus e a Era de Aquário. A nova era do Reino, Grande Wakering (Mc
Crimmons) 1990, p. 49
(65) Cf. Benjamin Creme, O Reaparecimento de Cristo e os Mestres da Sabedoria,
Londres (Tara Press) 1979, p. 116
(66) Cf. Jean Vernette, Le New Age, Paris, (PUF) 1992 (Coleção Encyclopédique Que
sais-je?), P. 14
(67) Catecismo da Igreja Católica, 52.
(68) Cf. Alessandro Olivieri Pennesi, O Cristo da Nova Era. Indagine Critica, Cidade do
Vaticano (Libreria Editrice Vaticana) 1999, especialmente as páginas 13-34. A lista de
pontos comuns está na p. 33
(69) Credo Niceno-Constantinopla.
(70) Michel Lacroix, L'Ideologia della New Age, Milão (Il Saggiatore) 1998, p. 74
(71) Ibid. p. 68
(72) Edwin Schur, a armadilha da consciência. Auto Absorção em vez de Mudança
Social, Nova York (McGraw Hill) 1977, p. 68
(73) Cf. Catecismo da Igreja Católica, 355-383.
(74) Cf. Paul Heelas, Movimento da Nova Era. A Celebração do Eu e a Sacralização da
Modernidade, Oxford (Blackwell) 1996, p. 161
(75) Uma Resposta Católica ao Fenômeno da Nova Era, Comissão Teológica Irlandesa
de 1994, capítulo 3.
(76) Congregação para a Doutrina da Fé, Orationis Formas, 3.
(77) Ibid., 7.
(78) William Bloom, a nova era. Anthology of Essential Writings, Londres (Rider) 1991,
p. XVI.
(79) Catecismo da Igreja Católica, 387.
(80) Ibid., 1849.
(81) Ibid., 1850.
(82) João Paulo II, Carta Apostólica Salvifici doloris sobre o sofrimento humano (11 de
fevereiro de 1984), 19.
(83) Cf. David Spangler, The New Age, op. cit., p. 28
(84) Cf. João Pablo II, Carta Encíclica Redemptoris Missio (7 Dezembro 1990) 6, 28, e a
Declaração da Congregação para a Doutrina da Fé Dominus Jesus (06 de agosto de 2000),
12.
(85) Cf. R. Rhodes, O Movimento Falsificado do Movimento da Nova Era, Grand Rapids
(Baker) 1990, p. 129
(86) Helen Bergino.p., "Viver a Verdade de um", em The Sulco, janeiro de 2000, p. 12
(87) Ibid., P. 15
(88) Cf. Paul Heelas, op. cit., p. 138
(89) Elliot Miller, um curso intensivo na Nova Era. Eastbourne (monarca) 1989, p. 122.
Para uma documentação da postura veemente anti-cristã do espiritismo, cf. R. Laurence
Moore, "Espiritismo", em Edwin S. Gaustad (ed.), A Ascensão do Adventismo: Religião
e Sociedade na América do Meio do Século Dezenove, Nova York 1974, p. 79-103, e
também R. Laurence Moore, Em Busca de Corvos Brancos: Espiritualismo,
Parapsicologia e Cultura Americana, Nova Iorque (Oxford University Press) 1977.
(90) Cf. João Paulo II, Carta Encíclica Fides et ratio (14 de setembro de 1998), 36-48.

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(91) Cf. João Paulo II, Discurso aos bispos norte-americanos de Iowa, Kansas, Missouri
e Nebraska em sua visita "ad limina", em 28 de maio de 1993.
(92) Cf. João Pablo II, pós-sinodal Ecclesia in Africa, 103. O Conselho Pontifício da
Cultura publicou um guia contendo uma lista de centros em todo o mundo: Centros
Culturais Católicos (3ª edição, Cidade Vaticano, 2001).
(93) Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Formas Orationis e § 3 acima.
(94) Este é um campo em que a falta de informação pode induzir em erro os responsáveis
pela educação por causa de grupos cujo verdadeiro programa é contrário à mensagem do
Evangelho. Este é particularmente o caso em escolas e faculdades, onde os jovens, cheios
de curiosidade e forçados a ouvir, constituem uma presa fácil e um alvo ideal para o
comércio ideológico. Cf. o pedido de atenção em Massimo Introvigne, New Age e Next
Age, Casale Monferrato (Piemme) 2000, p. 277s.
(95) Cf. J. Badewien, Anthroposophy, em H. Waldenfels (ed.) Nuovo Dizionio delle
Religioni, Cinisello Balsamo (san Paolo) 1993, p. 41
(96) Cf. Raúl Berzosa Martínez, Nova Era e Cristianismo, Madri (BAC) 1995, p. 214
(97) Helen Palmer, O Eneagrama, Nova Iorque (Harper-Row) 1989.
(98) Cf. o documento do Comitê de Cultura da Conferência Episcopal da Argentina, op.
cit.
(99) 2 J. Gernet, em J.-P. Vernant et ai., Divination et Rationalité, Paris (Seuil) 1974, p.
55
(100) Cf. Susan Greenwood, "Gênero e Poder nas Práticas Mágicas, em Steven Sutcliffey
Marion Bowman (eds.), Além da Nova Era." Exploring Alternative Spirituality,
Edimburgo (Edinburgh University Press) 2000, p. 139
(101) Cf. M. Fuss, op. cit., pp. 198-199.
(102) Cf. C. Maccari, "Nova Era" di fronte alla fé cristiana, Leumann Torino (LDC) 1994,
p.168.
(103) Cf. WJ Hanegraaff, op. cit., pp. 283-290.
(104) Para um estudo breve, mas esclarecedora do Movimento Potencial Humano, ver
Elizabeth Puttik, "Desenvolvimento Pessoal: a espiritualização e secularização do
Movimento Potencial Humano" em Steven Sutcliffey Marion Bowman, (eds.) Além New
Age. Explorando Espiritualidade Alternativa, Edimburgo (Edinburgh University Press)
2000, pp. 201-219.
(105) Sobre este último ponto, muito delicada, consulte o artigo "Neonazismus" Eckhard
Türken Gasper Hans Joachim Müller, Friederike Valentin (eds.), Lexikon der Sekten,
Sondergruppen und Weltanschauungen. Fakten, Hintergründe, Klärungen, Freiburg-
Basel-Wien (Herder) 2000, p. 726
(106) Cf. John Saliba, Respostas Cristãs ao Movimento da Nova Era. Uma avaliação
crítica, Londres (Geoffrey Chapman) 1999, p. 1
(107) Cf. M. Fuss, op. cit., pp. 195-196.

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Para honra e glória do Senhor Jesus, o único mediador entre Deus e o homem e única
certeza de nossa salvação.

Assu/RN, 1º de março de 2019 do ano da Graça do Senhor

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