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Desencontros do coração.

'' Um coração dividido entre o amor, e o medo de não ser aceito


pela sociedade. Uma historia de romance, divida entre o
sentimento e o perigo da vida. ''
Era 02 de Outubro de 2012, todos já se preparavam pra dormir, me lembro
perfeitamente, como se fosse hoje. Ouço um barulho, e imediatamente falo
a minha amiga: ''Acho que bateu no portão, mas já esta tarde, que
estranho, vou lá olhar.'' Minha mãe sobe correndo, como se temesse algo, e
me diz: ''fala que ele não está aqui.'' Eu confesso que não entendi o porque
de tanto desespero, e nem mesmo me lembrei de quem ela estava falando,
e simplesmente perguntei: ''quem é?'' Quando olhei pra baixo, lá estava
uma cena assustadora pra todos os outros, mas que marcou minha vida de
uma forma, que nada antes havia marcado. Eu parecia aqueles bichos
silvestres, acuados, divida entre o medo e a estranha sensação de estar
gostando de ver aquilo, como se aquela cena, se aquele olhar pudesse
mudar toda a minha vida. O menino que lá embaixo estava, aliás o homem
que eu via lá embaixo, falava em um tom que amedrontava todos os outros,
mas eu só conseguia ouvir de sua boca, palavras de um ser humano que
não queria estar ali, um ser humano obrigado a maltratar os outros, pela
simples vontade de ser mais do que um pobre menino, um homem com
sonhos queimados, e um coração machucado pelas armadilhas da vida. Me
lembro perfeitamente das palavras que ele havia usado, era alguma coisa
mais ou menos assim: ''Fulano, está ai? Fala pra ele que eu vou dar uma
surra nele, eu vou apagar ele.'' Logo após ele entrou em seu belo carro, com
outros 3 meninos dentro e foi embora em grande estilo. Ao meu redor
todos sentiam medo, minha mãe pedia ao nosso amigo pelo qual eles
procuravam, pra que explicasse o porque de tudo isso acontecendo, e ele
dizia que estava devendo aqueles meninos, e que eles acabaram o
seguindo. Minha amiga que comigo morava, tentava fazer sua pequena filha
dormir, mas o desespero, o medo a invadia e da boca dela só saia, suplicas a
Deus, pedindo pra que a protegesse daqueles caras, e que não deixasse eles
tocarem nela. Enquanto isso, todos admiravam minha expressão,
sinceramente, eu estava feliz, e cheguei a dizer a minha amiga: ''é ele, eu
tenho certeza!'' Todos foram se deitar, e como de costume eu fui orar, me
ajoelhei pedindo a Deus proteção pra todos os meus amigos e familiares,
quando de repente eu me vejo dizendo: ''Ô meu Deus, protege aquele
menino, tira ele das ruas pelo menos por essa noite, não deixa ele fazer
uma loucura, salva ele Senhor, o ajuda, ele precisa mais do Senhor do que
eu, eu te suplico meu pai, protege-o!'' Confesso, que pra mim era estranho
pedir proteção pra alguém que prometeu destruir um grande amigo meu, o
melhor que eu podia fazer era dormir, afinal amanhã eu acordaria sem essa
besteira de pensar nesse menino que eu nunca nem havia visto antes,
fechei os olhos e finalmente adormeci.

O dia amanheceu lindo, todos já estavam acordados, tomando café da


manhã como se na noite anterior nada tivesse acontecido, belos sorrisos, e
até o meu amigo que havia sido ameaçado estava bem, estava se
divertindo. Eu me sentei, e perguntei a ele quem eram aqueles caras que
haviam o ameaçado, e ele tranquilamente me respondeu dizendo que eram
''drogados'' e que já havia ligado pro que conversou comigo, e estava tudo
bem. Eu sorri e ele me perguntou o porque de tanto interesse, eu não
consegui conter minha curiosidade e acabei perguntando qual era o nome
do cara que havia feito as ameaças, ele não quis me dizer o nome, mas
acabou soltando o apelido. Confesso, que era um apelido bem exótico, dava
pra ver que dali não vinha boa coisa! Mãe é mãe, e ela já havia percebido
um interesse fora do comum vindo de mim pra ele, e como ela havia
sentindo medo daquele rapaz, ela rapidamente falou: ''Nem começa a
fantasiar coisas porque eu não iria aceitar.''

E aí foi a vez, do meu orgulho a responder dizendo: ''Tá doida mãe? Eu


nunca me interessaria por alguém que faz o que ele faz. Eu em?!''

Ela apenas respirou, como se estivesse aliviada. Pra todos os outros o dia foi
apenas mais um, mas eu ouvia a voz daquele menino a todo momento, eu
conseguia fechar os olhos e ver o rosto dele, durante toda a tarde,
trabalhando e pedindo a Deus em silencio, pra cuidar dele. O dia foi longo
pra mim, em silencio como eu nunca havia estado, e finalmente a noite
chegou. Era quarta feira, e era ritual, todas as quartas eu ir na igreja,
finalmente havia chegado a hora de pedir conselhos ao meu Pastor sobre o
que havia acontecido, finalmente era hora de ir a casa do Senhor, agradecer
a ele por tudo ter ficado bem. Voltamos da igreja, e enquanto eu
conversava com minha mãe na cozinha, minha amiga estava com a sua filha
e seu namorado na sala, quando de repente eu ouço uma busina de moto, e
minha mãe pede que eu veja quem é, mas com cuidado pois sabia que
aqueles meninos poderiam voltar, mas como todos sabem, que filho que
não deixa de dar razão para o que sua mãe diz né? (Risos) Eu abri o portão
sem olhar quem era, porque pensei que era o nosso amigo que morava lá
em casa, mas quando eu abri dei de cara com uma pessoa, identica aquela
que havia me colocado medo no dia anterior, eu fiquei sem ar, eu queria rir,
mas o medo ainda assim prevalecia, foi quando eu olhei pro garupeiro e
percebi que era de fato o meu amigo, ele percebeu que eu estava
confundindo os meninos e disse: ''Calma, esse é irmão daquele que veio
aqui ontem, mas esse é do bem, só veio trazer o home theater.'' O menino
sorriu pra mim, e tranquilamente desejou a todos uma ótima noite. Meu
amigo novamente saiu com ele, e quando voltou disse que estava liberando
a moto pra aquele menino já que ele não era como o irmão, e dias atrás
havia sido roubado, e não teria como ir para o trabalho amanhã. O menino
sorriu pra mim, buzinou e eu fiquei como uma perfeita idiota, comparando
ele ao outro menino, que se parecia tanto realmente pelo fato de serem
irmãos. ''Qual é o nome dele?'' Perguntei. ''É Euler.'' Respondeu. Confesso
que nem havia interesse em saber o nome daquele rapaz, eu havia me
encantado mesmo era com o outro, e só perguntei o nome pra ver se eu
conseguia tirar base do apelido e do nome do outro, pelo do irmão dele.
Mas o apelido não tinha nada haver, então deduzi que o apelido era
realmente de guerra, e o melhor que eu fazia era não insistir nessa historia,
porque afinal, problema você não precisa procurar, porque já acha!
Era manhã de quinta feira, dia 04 de Outubro de 2012, minha amiga havia
saido pra trabalhar, minha mãe estava arrumando a casa, estava no
segundo andar, eu estava olhando a neném da minha amiga, e de repente
ouço minha mãe me gritando e dizendo: ''Abre logo o portão, porque vai
chegar um carro aí que não pode ficar parado na rua, eles precisarão entrar
logo.'' Sem fazer perguntas, eu abri o portão, mas percebi que o carro não
entraria, apenas havia parado pra que meu amigo pegasse um documento
que havia esquecido. O motorista do carro abriu o vidro lentamente, e
quando eu percebi era aquele menino, aquele do apelido estranho, aquele
da ameaça, aquele que estava mudando os meus dias, que estava
confundindo minha cabeça. Ele sorriu, eu fechei a cara, afinal eu não queria
que aquela historia rendesse, entrei rapidamente atrás do meu amigo e ele
me pediu que levasse um copo de água para o menino, eu respirei com
raiva e fiz o que ele havia me pedido. O menino tomou a água, me
agradeceu, sorriu de novo e entrou no carro. Eu entrei meio boba com
tudo, e meu amigo me pediu pra fechar o portão porque ele já ia sair, eu
fechei e de repente ouvi a buzina do carro, abri o portão novamente
pensando que ele havia esquecido algo, e me deparo com o belo sorriso do
menino dizendo: '' Aqui, ele vai me passar seu numero, tá?'' Eu balançei a
cabeça pro meu amigo, dizendo que não era pra fazer aquilo, eu sabia o
transtorno que aquilo causaria na minha vida. Mas o menino, respondeu ao
meu gesto dizendo: ''Claro que pode.'' Acelerou o carro e saiu. Minha
reação na frente do garoto, era de raiva, eu respirava como se estivesse
brava, mas quando fechei o portão, só o que eu fiz foi sorrir e dizer ''Seja o
que DEUS quiser.'' Subi, e falei pra minha mãe o que tinha acontecido, ela
me pediu que tomasse cuidado, mais uma vez, e eu pensei ''que bobeira
ficar fantaseando isso, é claro que esse menino nunca vai dar ideia pra
mim.'' Mais uma vez eu tenho que confessar que eu não fiz nada direito,
que eu arrumei a casa como se não estivesse arrumando nada, e que tudo
que eu pensava naquele dia, era em uma forma de me aproximar, daquele
garoto. Meu amigo, varias vezes ligou pra minha mãe dizendo que o tal
menino, havia dito que ia me fazer feliz, que ia me dar tudo de melhor, que
bastava eu aceitar, e ela também. Minha mãe estava morrendo de medo do
que poderia acontecer, e é claro que não aceitava aquela situação de forma
alguma! O que chegava a me deixar com raiva, é claro. Anoiteceu, meu
amigo chegou, minha amiga também, e junto com eles a mãe da minha
amiga, que por sinal era mãe da minha amiga, e avó da minha afilhada que
conosco morava. Ela jantou com a gente, eu estava tremendo até na hora
do jantar, por me lembrar a todo momento das palavras que o belo garoto
usava. De repente, o telefone toca e é ele quem estava ligando para o meu
amigo, eles conversam e ele pede pra falar comigo, rápidamente ele me
perguntou se poderia passar na minha casa pra gente conversar, disse que
seria rápido. Em questão de minutos, ele passa com uma turma na minha
casa, inclusive em um carro muito bonito, minha amiga ficou louca com
aquela cena, tantos homens em um carro tão bonito, era realmente
admiravel, mas tudo o que vinha em minha mente, era a vontade de
conhecer aquele garoto. Eles sairam com meu amigo, depois o deixaram lá
em casa de novo, e eu é claro pensei ''lógico, que ele não irá voltar, óbvio.''
A mãe da minha amiga, estava indo embora e eu resolvi sentar na rua, pra
pensar, quando de repente eu vi um carro se aproximando, e era o menino
com mais dois meninos dentro do carro. Chamei meu amigo, e ele
perguntou ao meu amigo se ele não queria buscar a moto dele, então a
gente iria conversando os três e quando voltasse eu voltava com ele, e meu
amigo na moto. Meu amigo chamou a minha mãe, e então saimos. Tudo
correu muito bem, e o que eu pensava sobre ele só se confirmou, ele era
um garoto muito doce, o jeito dele tocar era diferente dos outros caras da
idade dele, assim que chegamos no portão da minha casa, os meninos que
estavam com ele se reuniram com o meu amigo e minha mãe e nós dois
continuamos dentro do carro, conversando. Quando de repente, ele me
perguntou se eu queria mesmo ficar com ele, e enfim nos beijamos! Eu não
esperava que ele me contasse, mas como ele era um menino com atitudes
de um grande homem ele mesmo resolveu me fazer uma pergunta, não
muito normal: '' O que você é do F ? '' Eu respondi éramos amigos e outra
pergunta ele me fez: ''Ele te falou que eu sou ladrão né?'' Ele tentou dizer
em um clima leve, mas os olhos dele brilharam quando ele disse mesmo em
tom de brincadeira, que era um ladrão. Eu respondi que não sabia de nada,
e ele retrucou dizendo: ''Nem sou não linda, é que eu pego algumas coisas
emprestadas, e as vezes esqueço de devolver.'' Ali, se confirmou o porque
de toda preocupação da minha mãe. Uma mãe não sonha, em um
envolvimento desses na vida da sua filha, ainda mais tendo uma filha como
eu, que não curtia essas historias de paixão, de amor, e que em apenas uma
troca de palavras, já se mostrava apaixonada. Mesmo depois de ter ouvido
isso, eu sorri pra ele, incrivelmente eu não sentia medo daquele rapaz, nem
um pingo de medo, eu me sentia segura, como se ele fosse cuidar de mim,
mas ao mesmo tempo eu tinha vontade de segurar a mão dele, e dizer que
eu estava com ele, que eu iria ajudar ele, mesmo sabendo que era cedo
demais pra eu dizer isso. Ele disse que precisava ir embora, e me perguntou
se eu gostava de tenis da Nike? Eu simplesmente pensei: ''Que mulher não
gosta de tenis da Nike? Aliás, que pessoa não curte?'' (risos.) Respondi que
gostava, e ele disse que no outro dia voltaria. Me deu um beijo, e foi
embora! Assim que eu entrei, minha mãe me olhou com uma cara de
medo, e eu disse pra todos que na sala estavam: 'fiquem tranquilos, ele é
um doce de pessoa, é um amor de menino. E eu sinto que ele precisa
mesmo é de ajuda! '' Todos sorriram, mesmo sem vontade e fomos dormir.
Adivinhem com quem eu sonhei? Acho que quem está lendo isso, ja deve
estar imaginando né? Exatamente, sonhei com ele.

No dia seguinte, eu só conseguia me lembrar das palavras que ele usava,


me lembrei do cheiro dele, que por sinal é um cheiro tão bom, que eu não
senti até hoje igual. Ah! Existe um detalhe, que eu não havia contado pra
vocês anteriormente, ele tinha me mostrado uma tatuagem com o nome de
uma ex, que ele tinha feito, e me disse que iria tirar. Incrivelmente, eu não
senti raiva daquela tatuagem, parece que tudo que eu via nele, por mais
que fosse pra me deixar com ciumes ou coisa parecida, não funcionava, era
tudo perfeito pra mim. Incrivel né? Eu nunca havia achado ninguém que se
encaixava na minha vida, e de repente o mundo coloca alguém tao errado
na minha vida, que me completa como se fosse a pessoa mais certa do
mundo. Bem que dizem, um quebra cabeça não se monta com peças iguais!
Mais uma vez minha bela baixa estima, vinha me dizer: ''ei, ele não vai
voltar aqui nunca mais.'' E não é que do nada, eu ouço um barulho de
portão abrindo e é ele quem está lá? Em um dos seus belos carros, o
estacionando na minha garagem, com uma garrafa de coca cola na mão,
dizendo ao meu amigo que precisaria deixar o carro ali, minha mãe insistia
pra que ele entrasse, mas o garoto tão ruim que as pessoas viam, tinha até
mesmo vergonha de entrar na casa dos outros. Eu estava com minha
afilhada no colo, e ele perguntou a minha mãe: ''é sua também?'' e ela
respondeu que não, que era da minha amiga. Ele segurou na moto do meu
amigo, e disse: ''atá.'' Subiu na moto, deixou seu carro lá em casa e saiu.
Confesso que nunca havia visto alguém tão lindo em cima de uma simples
moto! Ele saiu, e eu como a mais boba das apaixonadas viajei no carro dele
durante minutos, como se eu entrasse no carro e imaginasse ele lá. O carro
era lindo sim, mas não mais do que quando ele estava lá dentro!

É aí que eu confirmei, que quando a gente se apaixona nada é capaz de


interferir nessa paixão, aquele menino era o pior dos caras pra sociedade, e
antes mesmo de ter rolado algo entre mim e ele, milhares de pessoas
haviam me avisado do perigo que eu estava correndo. Eles o dominavam
como ''o perigo.'' E eu, não enxergava perigo algum, nem uma gota de
perigo sequer!

Sabado, 06 de Outubro de 2012. O dia amanheceu lindo, e pra ficar mais


lindo ainda, lá embaixo estava ele, pedindo ajuda ao meu amigo, eu sei que
é errado, espero também que ninguém siga a grande ceguisse do meu
coração, eu não poderia negar ajuda, graças a Deus a minha mãe já havia
percebido, que fazer mal a ele, seria fazer mal a mim, e negar ajuda a ele,
seria como prejudicar a minha vida. Muitos ainda pensavam que era
bobeira da minha cabeça, talvez eu estivesse insistindo naquilo porque eu
já havia percebido que era proibido, que guerras viriam em cima de mim
por causa daquilo, mas eu sabia que era verdadeiro, e que aquilo tinha um
poder tão grande em cima de mim, a ponto de me mudar de uma forma,
que ninguém jamais havia mudado antes. O que começaria a acontecer em
minha casa, seria algo muito perigoso, algo que nenhuma outra pessoa
aceitaria, logo nós que nunca fizemos parte dessa vida do crime, agora
estávamos ajudando aos integrantes dessa forma de viver, estávamos os
escondendo, estávamos nos apaixonando cada dia mais pelas verdadeiras
pessoas que eram! O menino que havia me feito gostar dele, levou seu
irmão e mais um amigo, pediu pra que eles ficassem lá, eles não poderiam
circular pela cidade normalmente mais. ''OK, fiquem.'' Só o que eu ouvi
minha mãe dizendo foi isso! E aí fui criando um novo ciclo de amizades,
aquela menina de muito tempo atrás havia ficado lá no passado também,
eu tinha aprendido a ver as coisas de uma outra forma, eu passei a conviver
com o perigo dentro de casa, passei a ver, o mundo de outra maneira. E por
incrivel que pareça, quanto mais assustador aquele menino se mostrava ser
ao mundo, mais eu o via como um cara doce, e que precisava de apoio, que
precisava de amor, que precisava de ajuda.

Minha casa tinha se tornado mais deles, do que minha agora. E o que eles
propunham, ja se era aceito. E até o sofá da direita, agora era do menino
que eu havia me apaixonado, que apartir de agora, eu passo a chamar de
Principe.

O que era um principe pra mim? Bom, para todas as outras meninas, um
principe era um cara loiro dos olhos azuis, um cara de familia rica, que se
aproximava delas em cima de um cavalo branco, de especie fina. Mas pra
mim não, principe era um apelido que eu não havia citado nunca em meus
relacionamentos, mas agora eu sentia vontade de o dizer. Principe pra mim
era, o cara que me fazia sorrir apesar de não ter me dado nada, era o cara
que invadia meus sonhos me fazendo querer ser alguém melhor, principe
era o cara que por mais que tivesse tantos defeitos fosse perfeito pra mim e
apesar de não me tocar a todo momento, me fizesse acreditar em um
sentimento que eu nunca senti antes na minha vida!

Eu fazia de tudo pra estar no mesmo comodo da casa com ele, pra dividir o
mesmo espaço com ele, mesmo que nem nos tocassemos. Eu me
apaixonava pelos sorrisos que eu via sair dele, ele me conquistava quando
chegava de manhã e dava um simples bom dia, acompanhado de uma
daquelas brincadeiras que ele tinha com os amigos. Passamos cenas
surpreendentes, cenas que eu nunca havia sonhado ver, que
amedrontavam as outras pessoas, mas que a mim, causavam medo apenas
por ele. Porque eu temia pelo que podia acontecer a ele, não a mim e aos
que me rodiavam! Eu sempre soube, que o crime trazia luxo, e belos
perfumes mas que depois ele te cobrava de uma forma bem pior. Um
simples detalhe, não contado a vocês até agora, mas que tem uma imensa
importancia nessa historia, é que meu pai é um Policial Civil, e se nem
mesmo um pai comum aceitaria essa situação, um namoro fora da lei,
imagina um que trabalhasse em favor da lei. Se eu descrevesse aqui, o que
aquele garoto vivia em seu dia a dia vocês entenderiam o porque da minha
preocupação em relação a isso. Mas o fato é que eu não tenho a
autorização dele pra citar esses momentos aqui, até mesmo porque isso só
traria problemas a ele.

A situação dele foi ficando cada dia pior, os perigos que ele corria, cada vez
estavam maiores. E eu sabia, que chegaria uma hora que meu pai
descobriria tudo, e que até mesmo a lei por mais que nem soubesse da
minha existencia, se encarregaria de o afastar de mim. Ao meu entender,
ele era quem mais prejudicava aos outros e acabava se prejudicando
também, tanto é que deixou seu amigo permanecer em minha casa, aos
nossos cuidados, e ele se afastou um pouco, reduzindo suas idas em minha
casa a 1 vez por semana ao invez de permanecer lá. Eu não entendi o
porque dele continuar naquela vida, ele já tinha tanta coisa, mas eu
entendia, afinal eu sempre andei com pessoas como ele, nunca havia me
apaixonado por um deles, mas convivia, e por conviver, sabia que quanto
mais eles tinham, mais eles queriam conquistar. Sim, porque por mais que
fosse da forma errada, cada bem material que eles obtinham, pra eles eram
considerado uma conquista! Com o afastamento dele, eu fui me apegando
a um dos melhores amigos dele, que praticamente morava em minha casa,
e era nele que eu encontrava forças pra acreditar que um dia o meu
Principe poderia mudar o jeito de viver, pra acreditar que um dia tudo seria
como antes, ou de uma forma mais tranquila, como eu sonhei pra mim,
como eu sonhei pra ele. Enfim, os dias foram passando, até que chegou um
dia em que o tal amigo foi embora, depois de ter tomado a decisão de ir
embora do estado, pra tentar uma vida melhor, pra tentar sair do crime, pra
realizar o sonho que eu tinha para o principe, mas que o próprio não insistia
em o viver. O meu amigo, o meu companheiro foi embora e as noticias só
eram me dadas pelo celular, ou internet porque nos falávamos todos os
dias!

Um belo dia, ao anoitecer eu ouvi um barulho de moto na rua, e quando


percebi eram eles, o amigo dele que tinha se tornado uma especie de anjo
na minha vida, e ele, o meu principe. Foi sim uma situação engraçada, eles
estavam em uma motinha daquelas que causavam risadas por onde
passavam, uma Shineray, que aliás não fazia o estilo deles. Ele desceu da
moto, me pediu licença e falou que tinha ido buscar as roupas do amigo, e
que eles precisavam se afastar por algum tempo. Foi o dia em que eu mais
me encantei por ele, tão lindo, tão meigo, ou eu estava muito apaixonada
ou ele era mesmo um cara surpreendente, eles foram embora e aí sim
começaram os motivos para minha preocupação!

Dias se passaram, e eu sem noticias. Noites em claro, orando pela vida não
do principe, mas dos dois. Dele e do amigo. Eles eram pessoas importantes
demais na minha vida, eram não, continuam sendo, são cada dia mais! Um
belo dia, ao anoitecer estava lanchando com minha mãe e minha amiga,
quando eu tive a imprensão de ouvir a voz do principe, e sentir uma fincada
de leve no coração. Não entendi o porque daquilo, mas ao me deitar, vi uma
postagem do meu amigo em comum com ele, e ele havia postado: ''PJL''
seguido de um emoticon triste. Foi como se tudo se encaixasse ali, e eu em
menos de um minuto comentei a postagem dizendo: ''Não é quem eu estou
pensando não né?'' E ele respondeu ao meu comentário dizendo: ''Sim, é
ele amiga, mas eu não vou deixar ele lá não.'' Pronto, acabou meu mundo.
Tudo que eu temia de verdade, aconteceu. O meu principe agora estava
atrás das grades e eu nada poderia fazer, estava nas mãos de Deus, e eu só
podia orar, e ter fé que as grades logos iriam se abrir.

Noites ajoelhadas orando, tardes escrevendo cartas, manhãs com olhos


inxados. Eu não queria você lá, não aguentava pensar na hipotese de te ver
atrás das grades, sozinho, com frio, querendo estar livre, e não podendo
realizar esse desejo. O que muitas garotas sonhavam, que era namorar um
bandido, um detento, nunca fez parte dos meus planos, e eu estava
passando pro aquele sonho, que elas nem imaginavam ser na verdade um
pesadelo!

Minhas cartas não seriam entregues, minha única esperança pra te ajudar,
morava agora em São Paulo, conversava comigo pela internet, e no dia que
havia ido embora, havia me feito chorar por muito, pelo simples fato de ter
me deixado sozinha nessa. Eu vivi situações tão perigosas ao lado de vocês,
sempre defendi, procurei cuidar, e agora eu não tinha nem um nem outro.
Um atrás das grades, e o outro atrás do computador, longe de mim,
tentando ser um novo alguém, com seu facebook inativo, o ativando apenas
pra dizer que estava bem, e nunca mais citando o seu nome. Eu acreditava
tanto na amizade de vocês, que vocês estariam juntos pra sempre, no certo
e no errado, mas ele seguiu a vida dele enquanto você estava enjaulado, ele
tentou mudar o seu futuro, e você continuou preso ao seu passado.

Com o passar dos dias, eu fui me afastando dele, mas não do carinho que
eu tinha por ele. Ele sabia que eu estava aqui, que assim que ele ativasse
seu facebook, apareceria minha plaquinha dizendo: ''ei, como você está? se
cuida, e eu to aqui pra tudo.'' Agora, você não. Eu te escrevia, mas tudo
ficava ali guardado, meu mundo se transformou numa imensidão de cartas,
onde as palavras me entendiam mais do que qualquer pessoa, que não
aceitavam que eu permanecesse a sua espera, achando que um dia você
mudaria todo o seu jeito, e se transformaria num ser humano melhor, pra
você mesmo, pra mim, pra sua mãe, pra humanidade. Por mais que elas
dissessem que era bobagem, que eu estava errada, eu ainda assim
acreditava em você, acreditava na sua vitória. Eu sabia que o seu celular
não estava com você, que você não recebia mensagens, nem tão pouco as
lia, mas eu as enviava. Cartas, mensagens, ligações, e nada era capaz de
chegar até você. Lágrimas que tomavam conta das minhas noites,
preocupações a todo momento!
Um belo dia eu entro em meu facebook e vejo nosso amigo online, é
quando ele também me ve, e diz: ''A liberdade cantou, DEUS É MAIS!'' Eu
acho que nunca passei por um momento tão feliz como aquele, meu
passarinho novamente poderia bater asas e voar. Perguntei ao nosso amigo
se ele voltaria, e ele diz que após tomar dois tiros ele não queria mais isso
pra sua vida, que a recuperação de um tiro é sempre muito dolorosa, e que
ele iria ficar por lá, pra mudar. Eu fiquei feliz por ele, por ver que o que eu
sonhava pra você, ele estava realizando!

Minha mente insistia em me lembrar que depois de passar veneno em


cadeia, é logico que você mudaria seu numero de celular. Mas, eu insistia
em mandar mensagens pra você, até que em uma delas ouve resposta.
Você simplesmente me dizia: ''Quem é?'' E eu respondi que era eu, você
logo me perguntou se eu havia ficado com o seu amigo no tempo em que
você estava preso, e eu disse que não. E ainda te prometi, que nunca ficaria
com um amigo seu. Você me chamou pra sair mais uma vez, e a gente ficou
de combinar, mas dava pra ver no que você escrevia que você como sempre
estava cheio de problemas, e que sua vida não estava nada fácil. Com o
tempo mais amigos seus foram se aproximando de mim, você sumiu pra
mim, sumiu pra eles também, e a cada dia mais eu gostava de você.
Ameaças foram surgindo a mim, eu já não conseguia esconder o que sentia
por você, e todos aqueles que tinham que cobrar algo de você, já queriam
jogar a culpa pra cima de mim, achando que você sentiria alguma coisa caso
me machucassem. Achando!

Todos os seus amigos me apoiavam, todos me cantavam também, mas


todos entendiam que eu estava solteira, mas não estava disponivel. Até que
eu conheci um dos que mais andavam com você, que ao longo do tempo se
tornou um irmão que eu não tive. Eu e ele conversávamos sobre tudo, mas
o assunto mais presente entre nós, era você. Tantas mensagens eu te
mandava, e você respondia a maioria, mas algumas vezes precisava sumir, e
aí eu nem sabia onde você andava, ou como estava. Seu amigo, é que fazia
o papel de irmão muito bem, e me tranquilizava, colocando na minha
cabeça que estava tudo bem, até mesmo quando não estava. Ele cuidou de
mim, esteve do meu lado em todos os momentos. Não me abandonou um
dia sequer!

Um belo dia, eu estava me arrumando pra sair quando recebi a noticia de


que você havia passado pelo meu bairro, e haviam enxido seu carro de
balas. Como você estava? Quem me diria? O seu amigo ja não tinha
noticias, nenhum deles tinham! Porque você sumia pra quem mais gostava
de você na vida? Eu tinha tantas perguntas em mente, e não tinha
nenhuma resposta, porque você não dava, porque você não tinha como
responder. O que era um sonho, havia se transformado em um pesadelo.

Houve um dia em que meu celular não parava de tocar, e eu resolvi atender
mesmo sendo privado. Foi aí que uma outra pessoa do seu convivio
começou a dizer sentir um carinho sobrenatural por mim, ele inverteu toda
historia, disse que você era quem trabalhava pra ele, e que o seu fim estava
muito perto. Já não bastava duvidas sobre o seu futuro, agora eu teria que
conviver também com ameaças. Ele foi tentando me fazer gostar dele, mas
eu gostava tanto de você que já não havia lugar pra gostar de um outro
alguém, muitos diziam que havia virado doença,e se tivesse se tornado
realmente uma doença, então não havia cura! Chegou um dia em que as
ameaças dele estavam tão grandes, ao ponto dele me pedir algo em troca
do seu bem, da sua liberdade, da sua vida, ele me pediu pra morar com ele,
pra casar com ele, e em troca ele não realizaria o plano dele de te achar
sentado em um dia qualquer de costas, e puxar o gatilho. Viver a base de
ameaças, grande vida eu teria ao lado dele, não aceitei, não aguentaria
estar com alguém que não fosse você, embora eu soubesse que se ele me
desse uma prova de que estava falando realmente a verdade, eu me
entregaria facil pra te provar. É como diria Isabella Swan: ''Nunca pensei
muito na forma em que iria morrer, mas morrer no lugar de alguém que
amo, me parece uma boa forma de partir.''

Os dias foram se passando, e graças a Deus você me chamou no chat, você


me disse que estava passando por uma fase dificil, disse que estava bem
apesar de não estar tranquilo, me perguntou como eu estava, e eu contei
tudo que estava acontecendo, e que até o meu pai tinha se afastado de
mim, por saber que eu gostava de um ''bandido.'' E foi aí que você me disse
que estava lutando pra ter uma vida melhor, que era muito dificil sair do
crime, mas que você estava tentando, que assim que eu me mudasse, você
voltaria a frequentar minha casa, porque só havia sumido porque o bairro
em que eu morava era perigoso pra você, que você ia vencer o crime e a
gente iria mostrar pro meu pai, que você venceu, que ficou tudo bem.
Foram as palavras mais lindas e doces da minha vida, mas eu sabia que você
sumiria de novo. Eu não escolhi aquela vida pra mim, mas Deus escolheu
essa historia pra minha vida!

Nunca mais te vi, nunca mais conversei com você, sei que se lembra de
mim, que em algum lugar do mundo ainda existe um lugar só nosso, um
lugar que lembre a nossa historia, sei que em alguma parte do seu coração,
existe um pouco de mim, assim como eu tenho grandes partes de você. A
tempos não sei dos caminhos onde você anda, mas sempre piso em sua
rua, sentindo a sua presença. Nunca mais voltei ao lugar do nosso primeiro
encontro, como combinamos, eu me mudei. Hoje pensei em você quando
acordei mas me lembrei que a nossa historia, é marcada por pensamentos e
talvez seja por isso que todas as vezes que o sol se põe, eu me lembro de
você. Porque eu sei que apesar de existir outras pessoas, apesar de existir
outras historias, apesar de não saber ao certo se isso é amor, a nossa
historia não existirá em nenhum outro lugar, pelo simples fato de ninguém
ser você, e de nenhuma outra ser como eu. Você continua sendo o unico
principe que eu já conheci, e eu continuo sendo o seu anjo da guarda, eu
continuo te escrevendo todas as manhãs e orando por você todas as noites,
continuo amiga dos seus amigos, pedindo informações da sua vida, mesmo
que as vezes nem eles mesmos saibam noticias suas. Os caminhos estão
distantes, o perigo te afasta de mim, mas não do nosso sentimento. E eu sei
que um dia a gente se encontra, numa rua ou em um shopping, com
dinheiro ou andando a pé, jovem ou velho, a gente se encontra, porque
quem nasceu pra andar junto, mesmo que não se unam aos olhos das
pessoas, o destino da um jeito de aproximar !
Sinopse:
'' Dois corações movidos por um só sentimento,
estradas diferentes a serem seguidas, entre o
sentimento e os valores éticos da vida existia um
grande caminho a se percorrer. O perigo afastava ela
dele, era como se eles tivessem sido feitos um para o
outro, mas eles devessem viver longe. Um pensava
no outro, zelava pelo bem estar do outro, mas não
poderiam ficar juntos. Se não era amor, eles não
sabiam o que era. Sobrenatural e estranho, aquele
sentimento permanecia intacto, mesmo com a
distancia que existia ente uma vida e a outra.
Diferente dos contos de fada, o final não existiu, eles
ainda constroem essa historia, cada um pro seu lado,
com um segredo que ninguém nunca poderá
descobrir, com um sentimento que ninguém
conseguirá destruir. Apesar de tudo eles são felizes, e
a cada anoitecer pensam em como poderia ser se a
vida tivesse traçado caminhos mais fáceis, se
contentam em poder se lembrar dos momentos
juntos vividos, e hoje seguem suas vidas, trilham
caminhos diferentes, não se encontram mais, mas
apesar de tudo preservam aquela historia, como
nenhum outro casal, jamais preservou! ''