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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA


INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE
SANTA CATARINA – IFSC
CAMPUS JARAGUÁ DO SUL – RAU

APOSTILA DE CIRCUITOS ELÉTRICOS – CEL

CURSO TÉCNICO EM ELETROTÉCNICA


MÓDULO II
PROF. ALDO ZANELLA JUNIOR

________________________________
ALUNO
SUMÁRIO

1. CONCEITOS DE CORRENTE ALTERNADA ............................................. 2


1.1 Tensão ou corrente eficaz .................................................................. 3
1.2 Período e frequência ........................................................................... 3
1.3 Ângulo e defasagem ........................................................................... 4
1.4 Exercícios ............................................................................................ 5
2. NOTAÇÃO FASORIAL ............................................................................... 6
2.1 O plano complexo ............................................................................... 6
2.2 Representação retangular de um fasor ............................................. 7
2.3 Representação polar de um fasor...................................................... 8
2.4 Conversão entre as formas polar e retangular ................................. 9
2.5 Exercícios: ......................................................................................... 10
3. Impedância complexa.............................................................................. 12
3.1 O componente resistivo de circuito ................................................ 12
3.2 O componente indutivo de circuito ................................................. 13
3.3 O componente capacitivo de circuito.............................................. 15
3.4 Exercícios .......................................................................................... 17
4. Potência complexa .................................................................................. 18
4.1 Significado físico da potência .......................................................... 18
4.2 Potência num elemento resistivo de circuito ................................. 19
4.3 Potência num elemento reativo de circuito .................................... 20
4.4 Exercícios .......................................................................................... 21
5. Circuitos RL ............................................................................................. 22
5.1 Circuito RL série................................................................................ 22
5.2 Circuito RL paralelo .......................................................................... 24
5.3 Potência num circuito RL ................................................................. 26
5.4 Exercícios .......................................................................................... 27
6. Circuitos RC ............................................................................................. 28
6.1 Circuito RC série ............................................................................... 28
6.2 Circuito RC paralelo .......................................................................... 30
6.3 Potência num circuito RC ................................................................. 31
6.4 Exercícios .......................................................................................... 32
7. Circuitos RLC ........................................................................................... 33
7.1 Circuito RLC série ............................................................................. 33
7.2 Ressonância ...................................................................................... 35
7.3 Influência da freqüência na reatância ............................................. 36
7.4 Frequência de ressonância .............................................................. 37
7.5 Exercícios .......................................................................................... 38
8. Correção do fator de potência ................................................................ 39
8.1 Fator de potência .............................................................................. 39
8.2 Triângulo de potências ..................................................................... 40
8.3 Correção de fator de potência pelo método analítico .................... 42
8.4 Correção de fator de potência pela tabela de correção ................. 45
8.5 Exercícios .......................................................................................... 47
2

1. CONCEITOS DE CORRENTE ALTERNADA

A energia elétrica que é gerada nas usinas hidrelétricas, termelétricas e


outras é chamada de corrente ou tensão alternada, pois o valor instantâneo da
corrente ou da tensão muda constantemente e a cada intervalo regular de
tempo, inverte de sentido ou sinal. Em outras palavras, a corrente muda de
sentido de forma cíclica, sendo ora positiva, ora negativa. O sinal elétrico que
representa a forma de onda da tensão ou corrente alternada dos nossos
sistemas elétricos de potência é mostrado na Figura 1.

10

0
0 2 4 6 8 10
-5

-10
Figura 1: Forma de onda de um sinal de tensão ou corrente alternada

Essa forma de onda é chamada de sinal senoidal, pois a função


matemática que a descreve é o seno ou cosseno e é uma onda periódica.
Assim, podemos definir uma expressão matemática que descreve o
comportamento da tensão ou da corrente senoidal, como segue:

Nas expressões, v(t) e i(t) representam o valor instantâneo da tensão e


da corrente, respectivamente. Os parâmetros VP e IP representam os valores
máximos ou de pico, f representa a freqüência e t o tempo decorrido a partir de
zero. A letra grega φ (fi) representa o ângulo de atraso em relação à origem do
plano cartesiano. Esse conceito será discutido mais na próxima aula. É
importante perceber a relação que esses parâmetros tem com as grandezas
elétricas e com os conceitos que serão desenvolvidos ao longo deste semestre.
A Figura 2 traz os parâmetros necessários ao entendimento de todos os
conceitos relativos à corrente alternada.

Figura 2: Parâmetros da corrente alternada


3

Exercícios de fixação: calcule o valor da tensão ou corrente instantâneo para


os instantes de tempo indicados:
a) , para t = 0 s, t = 0,5 s e t = 1,2 s;
b) , para t = 0 s, t = 6,8 ms e t = 20
ms;
c) , para t = 0 s, t = 2,8 ms e t = 6,2
ms.

1.1 Tensão ou corrente eficaz

O valor de pico apresentado na Figura 2 representa o máximo valor que


a onda atinge em todo seu ciclo. Normalmente, o sinal atinge o valor de pico
negativo com o mesmo valor do positivo. Esse valor de pico tem importância
apenas para dimensionamento da isolação dos componentes elétricos, porém
pouco diz em relação à potência.
Assim, define-se a tensão eficaz ou corrente eficaz de um sinal
alternado, também chamado de tensão ou corrente RMS (valor quadrático
médio, em inglês).
A tensão ou corrente eficaz dissipa numa resistência R qualquer a mesma
quantidade de energia que uma tensão ou corrente contínua dissiparia nessa
mesma resistência R.

A relação entre a tensão de pico e a tensão eficaz (ou corrente) para


uma forma de onda senoidal é dada por:

ou

Sempre que se deseja caracterizar uma rede elétrica em corrente


alternada, o valor de referência é a tensão ou corrente eficaz.

Assim, uma rede de 220 V possui 220 V eficazes e um circuito com 15 A de


corrente, significa que a corrente eficaz é de 15 A.

Exercícios de fixação: calcule o valor da tensão ou corrente eficaz ou de pico,


conforme indicado:
a) VP para 240 VRMS;
b) VRMS para VP = 70 V;
c) VP para 24 VRMS.

1.2 Período e frequência

Na Figura 2 está demonstrado graficamente o período, representado


pela letra T.

O período representa o tempo que o sinal leva para completar um ciclo, em


termos do círculo trigonométrico, completar 360º. Sua unidade é o segundo [s].

Outro conceito importante e que influencia diretamente nos parâmetros


de circuito em corrente alternada é a frequência.
4

A freqüência de um sinal é o número de ciclos que a onda completa em uma


unidade de tempo, geralmente 1 segundo. Sua unidade é o hertz [Hz] ou ciclos
por segundo [s-1].

O período do sinal relaciona-se com a frequência pela relação:

ou

A frequência dos sistemas elétricos no Brasil é padronizada em 60 Hz,


mas muitos países, como o Paraguai, por exemplo, utiliza 50 Hz.

Exercícios de fixação: calcule o valor da freqüência ou período, conforme


indicado:
a) f para T = 25 ms;
b) T para f = 60 Hz;
c) f para T = 12 ms.

1.3 Ângulo e defasagem

O ângulo apresentado na equação algébrica de um sinal senoidal


representa a posição inicial do seno, ou seja, quando o primeiro ciclo se inicia.
Na Figura 1, o ângulo φ é nulo, logo a onda possui valor nulo em t = 0 s e
torna-se positivo na primeira metade do ciclo. Para valores de φ positivos até
180º, a onda começa logo depois da origem, sendo portanto negativa em t = 0
s, como pode ser visto pelo ângulo φa na Figura 3. Para valores de φ entre 0º e
-180º, a onda começa antes da origem e possui valor positivo em t = 0 s, como
mostra a Figura 3, pelo ângulo φb.

Figura 3: Sinal atrasado no tempo e adiantado no tempo

Pode-se notar que, apesar de estar em tempos diferentes, a freqüência


dos sinais é a mesma, o que é uma característica dos sistemas elétricos de
potência. Os ângulos que aparecem nos gráficos da Figura 3, na verdade estão
representados como tempo de atraso em relação à origem. Para converter em
graus ou radianos, é necessário fazer uma conversão por regra de três,
lembrando que um período equivale a 360º ou 2π radianos. Um exemplo: um
atraso de fase para uma onda de 60 Hz é de 5,6 ms. Considerando que o
período é de aproximadamente 16,7 ms, o valor em graus será de:
5

O valor em radianos seria:

1.4 Exercícios

1 – Explique a característica principal da corrente alternada, que a diferencia da


corrente contínua:

2 – Qual é o conceito que define o valor de pico de uma tensão ou corrente


alternada?

3 – O que representa, fisicamente, o valor eficaz de uma tensão ou corrente?

4 – O que representa o período de uma onda senoidal?

5 – Defina freqüência de um sinal senoidal:

6 – Considerando , calcule:
a) O valor da freqüência;
b) O valor da tensão eficaz;
c) O valor instantâneo da tensão em 5 ms;
d) O valor instantâneo da tensão em 12 ms.

7 – Considerando , calcule:
a) O valor da corrente instantânea em 3 ms;
b) O valor da corrente instantânea em 15 ms;
c) O valor do período;
d) O valor da corrente de pico.

8 – Considere uma onda de tensão , calcule:


a) O valor da tensão de pico;
b) O valor da tensão rms;
c) O valor do período;
d) O valor da freqüência;
e) O valor do ângulo inicial em radianos e em graus.

9 – Considere uma onda senoidal de 60 Hz. Converta os atrasos de fase para


graus:
a) 12 ms;
b) 6,5 ms.

10 – Considerando a freqüência de onda em 50 Hz, converta os atrasos de


fase para radianos:
a) 18 ms;
b) 2,5 ms.
6

2. NOTAÇÃO FASORIAL

A análise de sistemas elétricos de potência fica bastante complicada


quando se pretende analisar todos os sinais no tempo, considerando os vários
parâmetros de onda. Assim, utiliza-se uma ferramenta muito útil para visualizar
grandezas elétricas em corrente alternada, chamada notação fasorial, baseada
na representação por fasores.

Um fasor é um segmento de reta orientado que gira em torno da origem do


plano complexo. É caracterizado pelo módulo e pela fase.

2.1 O plano complexo

Matematicamente, um número complexo define as raízes de índice par


de números negativos, porém para a área de Eletrotécnica, existe um conceito
mais profundo e que é aplicado em diversas subáreas, como sistemas de
potência, comunicação e sinais analógicos. Neste caso, o número complexo é
conhecido simplesmente como fasor.
Para representar um fasor, utilizamos o plano complexo, que nada mais
é do que um plano cartesiano bidimensional em que o eixo horizontal
representa a parte real do número e o eixo vertical a parte imaginária. A Figura
4 mostra o plano complexo com um fasor representado.

Figura 4: Plano complexo e fasor com indicação das partes real e imaginária

Exercícios de fixação: represente os números complexos descritos no plano


complexo.
a) ;
b) ;
c) ;
d) ;
e) .
7

A representação de um fasor sempre se refere a um instante específico


do tempo, já que o fasor é um vetor que gira ao redor da origem do plano
complexo. Geralmente o instante de tempo é t = 0, mas na prática não faz
diferença, desde que se mantenha todos os fasores no mesmo instante de
tempo.

2.2 Representação retangular de um fasor

Um fasor pode ser representado pela decomposição de suas partes real


e imaginária. Para diferenciar as duas partes, utiliza-se a notação:

Neste caso, j representa o operador imaginário, ou seja, . A letra


a representa a parte real do número e b a parte imaginária. No exemplo da
Figura 4, teríamos .
A representação na forma retangular de um fasor facilita as operações
de soma e de subtração dos números, pois basta que se opere os fatores de
mesma natureza, ou seja, parte real com parte real e parte imaginária com
parte imaginária. Veja o exemplo: sejam e . A soma
será dada por:

Graficamente, a soma ou subtração de números complexos é feita pelo


método dos paralelogramos ou método gráfico direto, conforme exemplo da
Figura 5.

Figura 5: Método gráfico de soma e subtração de fasores


8

Exercícios de fixação: considere os números complexos dados e realize as


operações solicitadas:
, ,
a) ;
b) ;
c) ;
d) ;
e) .

2.3 Representação polar de um fasor

Outra forma de representar um fasor é através da representação polar:

Onde |x| representa o módulo do fasor, indica um ângulo e θx é a fase


ou argumento do número. No plano complexo:

Figura 6: Módulo e fase de um fasor

A representação polar é muito útil para multiplicar e dividir fasores.


Na multiplicação de fasores, multiplica-se os módulos e soma-se os
argumentos. Na divisão, divide-se os módulos e subtrai-se os argumentos.

Vamos a um exemplo: dados e ,


calcule e :

Exercícios de fixação: considerando os fasores dados, efetue as operações:


, , e
.
a) ;
b) ;
c) ;
d) .
9

2.4 Conversão entre as formas polar e retangular

Constantemente é necessário executar operações de soma, subtração,


multiplicação e divisão entre números complexos e, devido à facilidade de
efetuar as operações com a representação adequada, torna-se extremamente
importante converter de uma forma a outra.
Todo o processo de conversão é baseado no triângulo retângulo, como é
mostrado pela Figura 7.

Figura 7: Relação trigonométrica entre as formas polar e retangular

Considerando o triângulo formado pelos catetos a V1 e bV1 e pela


hipotenusa |V1|, considerando o ângulo θV1, formado entre aV1 e θV1, chega-se
às seguintes relações:

 Conversão da forma polar para retangular:

 Conversão da forma retangular para polar:

Neste caso, tg-1 é a função inversa da tangente, ou seja, arco-tangente,


que fornece o valor do ângulo que resulta em um dado valor de tangente.

Exercícios de fixação: converta os fasores de uma forma a outra, conforme a


necessidade:
a) ;
b) ;
c) ;
d) .
10

2.5 Exercícios:

1 – Explique o que é um fasor e qual a ligação deste com as grandezas


elétricas em corrente alternada:

2 – Identifique as partes real e imaginária de cada fasor indicado no plano


complexo abaixo:

3 – Represente cada um dos fasores 4 – Represente cada um dos fasores


descritos abaixo no plano complexo: descritos abaixo no plano complexo:

5 – Considerando os fasores abaixo, efetue as operações:


, ,
a) V1 + V2;
b) V3 - V1;
c) V2 + V3;
d) V1 - V3;
e) V3 - V2.
11

6 – Considerando os fasores abaixo, efetue as operações:


, , e
.
a) ;
b) ;
c) ;
d) .

7 – Efetue as operações abaixo:


a) ;
Dados: ,

b) ;
Dados: ,

c) ;
Dados: ,

d) ;
Dados: ,

8 – Represente os fasores das letras a) e c) nos planos complexos abaixo,


incluindo os resultados encontrados da soma e da subtração:
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3. Impedância complexa

Quando foi vista a operação de divisão entre fasores, verificou-se que é


possível dividir uma tensão por uma corrente e que o resultado é dado em Ω, já
que segue a Lei de Ohm. Esse resultado ajuda a introduzir um novo conceito
para nós, que é o da impedância complexa ou simplesmente impedância.

Pela Lei de Ohm, impedância complexa é a razão entre a tensão aplicada e a


corrente que circula, considerando o módulo da razão entre tensão e corrente
e a defasagem angular entre as duas, ou seja, a diferença.

Na prática, sempre que se aplica a Lei de Ohm está sendo calculada a


impedância, porém, devido às características dos circuitos resistivos, a
defasagem angular era desprezada por ser nula, como veremos adiante. De
uma maneira geral, a impedância Z será dada por:

Além do fato de considerar a defasagem angular, nenhum novo conceito


é introduzido, porém, o fato de se considerar essa defasagem leva a um novo
plano de análise de circuitos.

3.1 O componente resistivo de circuito

O resistor, já estudado anteriormente, é considerado o componente


resistivo de circuito, pois possui características resistivas. Em outras palavras,
possui impedância dada por:

Traduzindo de forma prática, o resistor possui um módulo, que é igual ao


valor da resistência, e defasagem angular nula. Neste caso, dizemos que a
corrente está em fase com a tensão, conforme mostrado no gráfico da Figura 8.

Figura 8: Tensão e corrente em fase

Como pode ser observado, a tensão e a corrente atingem seus picos de


máximo e mínimo exatamente ao mesmo tempo, ou seja, estão em fase. Se
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representarmos a tensão e a corrente aplicados a uma resistência no plano


complexo, teríamos:

Figura 9: Fasores de tensão e corrente aplicados a uma resistência

Os resistores não defasam a corrente em relação à tensão, devido à sua


impossibilidade de armazenar energia. Um resistor apenas dissipa a energia
em forma de calor por efeito Joule.

Na prática os resistores não são completamente resistivos, devido


principalmente à sua forma construtiva que introduz indutâncias e
capacitâncias parasitas.

Exercícios de fixação: calcule o que se pede em cada caso, utilizando a Lei


de Ohm para uma impedância complexa:
a) O valor da corrente de uma resistência de 12 Ω quando aplicada uma
tensão de ;
b) A tensão que surge numa resistência de 86 Ω quando circula uma
corrente de ;
c) O valor da impedância de uma resistência quando aplicada uma tensão
de 220 com uma corrente de .

3.2 O componente indutivo de circuito

Um indutor é caracterizado como um condutor enrolado ao redor de um


núcleo ferromagnético, ou seja, uma bobina. É capaz de armazenar energia na
forma de um campo magnético, devolvendo-a à rede como se fosse uma fonte
de corrente. Abaixo são representados os símbolos padronizados do indutor.

Figura 10: Símbolo de indutor com núcleo de ar (a), de ferro (b) e de ferrite (c)

A principal característica de um indutor é a indutância, que define a


quantidade de energia que o indutor é capaz de armazenar na forma de um
campo magnético. Sua unidade é o henry [H].
Quando um indutor é alimentado com uma corrente elétrica, responsável
por gerar o campo magnético através da Lei de Indução de Faraday, surge
uma inércia magnética própria do material do núcleo. Assim, quanto maior for a
freqüência aplicada ao indutor, maior será sua resistência em armazenar a
energia em seu núcleo. Esse fenômeno será melhor estudado na disciplina de
14

Eletromagnetismo, mas cabe dizer que a impedância de uma indutância é


influenciada diretamente pela freqüência da corrente aplicada. A essa
impedância damos o nome de reatância indutiva.

A reatância indutiva XL exprime a relação entre a tensão aplicada sobre uma


indutância e a corrente que surge através dela. Sua unidade é o Ω.

Matematicamente, a impedância de uma indutância é dada por:

O módulo de XL é dependente da freqüência e é dado por:

Note que a reatância indutiva é diretamente proporcional à freqüência,


ou seja, quanto maior a freqüência, maior será a impedância do indutor. Em
corrente contínua, o indutor possui impedância nula, em outras palavras, é um
curto-circuito.

A fase de XL é sempre igual a 90º, o que implica que a corrente de um indutor


está sempre 90º atrasada em relação à tensão. Dizemos que a corrente e a
tensão estão em quadratura de fase.

A Figura 11 mostra os sinais de tensão e corrente em quadratura de


fase, estando a corrente atrasada 90º em relação à tensão.

Figura 11: Corrente atrasada 90º em relação à tensão (quadratura de fase)

Se representarmos os fasores de tensão e corrente aplicados a um


indutor, teremos:

Figura 12: Tensão e corrente aplicados a uma indutância


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O fato da corrente de uma indutância estar 90º atrasada em relação à


tensão explica o fato do indutor atuar como um atenuador de corrente, pela alta
impedância frente a variações bruscas de corrente.
Assim como os resistores, os indutores reais também não são
completamente indutivos, pois o fio de que são fabricados possuem resistência
e podem surgir capacitâncias parasitas em seu núcleo.

Exercícios de fixação: calcule o que se pede em cada caso, utilizando a Lei


de Ohm para uma impedância complexa. Considere a freqüência sempre igual
a 60 Hz:
a) O valor da corrente de uma indutância de 150 mH quando aplicada uma
tensão de 127 ;
b) A tensão que surge numa indutância de 0,34 H quando circula uma
corrente de ;
c) O valor da indutância de um indutor que, quando aplicada uma tensão
de 220 , surge uma corrente de .

3.3 O componente capacitivo de circuito

Um capacitor armazena energia através de um campo elétrico, pela


aplicação de uma diferença de potencial em suas placas condutoras. Seu
funcionamento é análogo ao do indutor, porém a natureza dos fenômenos é
diferente.
A principal característica do capacitor é a capacitância, que representa a
quantidade de energia que o capacitor é capaz de acumular. Sua unidade é o
farad [F]. Assim como no caso do indutor, o valor da capacitância também
depende da freqüência. Isso ocorre devido à inércia envolvida com a
transferência de cargas entre as placas do capacitor. A diferença é que o
capacitor é um atenuador de tensão, pois é a diferença de potencial que
transfere as cargas elétricas de uma placa à outra.
A característica do capacitor que relaciona a impedância com a
freqüência é a reatância capacitiva XC. A impedância de uma capacitância é
dada pela relação:

O módulo de XC é dado por:

Pela expressão acima, percebe-se que a reatância capacitiva é


inversamente proporcional à freqüência, quanto maior a freqüência, menor a
impedância. Em corrente contínua o capacitor possui impedância teoricamente
infinita, o que pode ser interpretado como um circuito aberto.
A fase da reatância capacitiva é sempre igual a -90º, o que define uma
corrente 90º adiantada da tensão ou vice-versa.
16

Para o capacitor, a tensão e a corrente também estão em quadratura de fase,


porém é a tensão que está atrasada em relação à corrente.

Essa característica, demonstrada pela Figura 13, explica porque o


capacitor é um atenuador de tensão, sendo muito utilizado em fontes CC como
estabilizador de tensão ou em circuitos de potência como supressores de surto.

Figura 13: Tensão e corrente numa capacitância

A Figura 14 mostra os fasores relacionados à tensão e corrente num


capacitor, mostrando claramente a tensão atrasada em relação à corrente.

Figura 14: Fasores de tensão e corrente num capacitor

Assim como no caso dos resistores e indutores, um capacitor não é


formado apenas por uma capacitância, pois sempre há características indutivas
e resistivas que são inerentes à sua construção física.
Na prática, a maioria dos circuitos são combinações de resistências,
indutâncias e capacitâncias, formando os chamados circuitos RL, RC e RLC,
que serão tema de estudo nas próximas aulas. Antes, vamos verificar como a
potência elétrica se comporta nos casos puramente resistivos, indutivos e
capacitivos.

Exercícios de fixação: calcule o que se pede em cada caso, utilizando a Lei


de Ohm para uma impedância complexa. Considere a freqüência sempre igual
a 60 Hz:
a) O valor da corrente de uma capacitância de 150 μF quando aplicada
uma tensão de 45 ;
b) A tensão que surge numa capacitância de 330 nF quando circula uma
corrente de ;
c) O valor da capacitância de um capacitor que, quando aplicada uma
tensão de 220 , surge uma corrente de .
17

3.4 Exercícios

1 – Represente as impedâncias no plano complexo:


a) ;
b) ;
c) .

2 – Para cada um dos componentes de circuito descritos abaixo, calcule a


corrente sabendo que a tensão aplicada é de e a freqüência é de
60 Hz:
a) Indutância de 500 mH;
b) Resistência de 35 Ω;
c) Capacitância de 470 μF.

3 – Para cada um dos componentes de circuito descritos abaixo, calcule a


tensão aplicada sabendo que a corrente que circula é de e a
freqüência é de 50 Hz:
a) Capacitância de 680 nF;
b) Indutância de 1,25 H;
c) Resistência de 12,8 Ω.

4 – Para cada um dos casos descritos abaixo, considerando uma freqüência de


60 Hz, calcule a tensão ou corrente conforme o caso e represente no plano
complexo sem se preocupar com a escala de forma exata:
a) Tensão de 127 aplicada
a uma resistência de 35 Ω;
b) Corrente de
circulando numa capacitância de
100 nF;
c) Tensão de aplicada
a uma indutância de 890 μH;
d) Tensão de aplicada
a uma capacitância de 1200 μF;
e) Corrente de
circulando numa resistência de 680
Ω;
f) Corrente de
circulando numa indutância de 0,55
H.
18

4. Potência complexa

Anteriormente, quando foi estudada a multiplicação entre fasores,


verificou-se que a multiplicação entre uma tensão fasorial e uma corrente
fasorial resultava numa potência também fasorial. Resta agora compreender
qual é o significado físico da potência complexa. Para isso, vamos revisar os
conceitos de potência e energia e estudar como a potência se comporta em
cada um dos elementos lineares de circuito em corrente alternada.

4.1 Significado físico da potência

A potência elétrica é definida como o produto entre a tensão aplicada


num componente de circuito qualquer e a corrente que surgir dessa tensão.
Matematicamente:

A unidade que utilizamos para potência comumente é o watt (W), porém,


para estudarmos a potência complexa, teremos de expandir esse conceito de
unidade de potência também. A partir de agora, quando V e I tornam-se
fasores, temos de considerar que a potência, produto direto da tensão e
corrente, é chamada de potência aparente, símbolo S, e é resultado do produto
dos módulos dos fasores. Sua unidade é o volt-ampére (VA).

Fisicamente, a potência aparente é a mesma potência que a definida


antes, porém esta leva em consideração a relação de defasagem angular entre
tensão e corrente. Lembrando que a potência é a taxa de transferência de
energia, neste caso, energia elétrica, podemos relacionar a potência aparente
como uma grandeza que considera não só o valor da taxa de transferência de
energia, como também o sentido do fluxo de energia.

A potência aparente relaciona a quantidade de energia que é transferida ou


convertida num circuito e também em que sentido que essa energia flui, se da
fonte para a carga ou da carga para a fonte.

Exercícios de fixação: dadas as tensões e correntes abaixo, calcule a


potência aparente em VA ou kVA:
a) e ;
b) e ;
c) e .
19

4.2 Potência num elemento resistivo de circuito

Quando aplicamos uma tensão sobre uma resistência, sabemos que


surge uma corrente dada pela Lei de Ohm e cujo ângulo é igual ao da tensão.
Matematicamente:

Pela expressão acima, pode-se perceber que o ângulo da potência de


uma resistência é igual a zero, o que implica que a energia sempre flui da fonte
para a carga. Isso pode ser melhor entendido pela multiplicação ponto a ponto
dos gráficos de tensão e corrente senoidais numa resistência.

Figura 15: Potência num elemento resistivo de circuito

Percebe-se que a potência sempre possui valor positivo, o que na


prática significa que toda a potência que circula da fonte para a carga é
aproveitada nesta. Em outras palavras a resistência utiliza toda a energia que
absorve. Sabemos que isso é verdade porque uma resistência não tem a
capacidade de armazenar energia, convertendo em calor toda a energia
elétrica que absorve da fonte.

Assim, dizemos que a potência em uma resistência é uma potência ativa, pois
toda a energia absorvida da fonte é convertida em outra forma de energia. Em
outros dispositivos, isso pode ser verdade desde que a energia elétrica seja
aproveitada como outra forma de energia, por exemplo, luminosa, magnética,
mecânica, etc.

A potência ativa, cujo símbolo é o P que já conhecemos, é medida em W


e pode ser dada por:

Exercícios de fixação: dadas as tensões e correntes abaixo, calcule a


potência ativa em W ou kW:
a) e ;
b) e ;
c) e .
20

4.3 Potência num elemento reativo de circuito

Quando é aplicada uma tensão sobre uma indutância ou uma


capacitância, a energia que provém da fonte é armazenada através de um
campo magnético no caso da indutância ou de um campo elétrico no caso da
capacitância. Essa energia fica armazenada no componente e deve ser
devolvida à rede quando da inversão de polaridade da tensão alternada.
Na prática, toda a energia armazenada numa indutância ou numa
capacitância é devolvida à rede, logo existe um fluxo de energia nos dois
sentidos.

Quando o componente estiver sendo carregado, a energia flui da fonte para a


carga. Em seguida, quando houver mudança no sentido da corrente em
relação à tensão, ocorre a desenergização do componente e a energia flui da
carga para a fonte.

Essa troca de energia entre a fonte e um elemento reativo, indutância e


capacitância, demonstra que não há uma troca de energia efetiva, pois toda a
energia armazenada é devolvida. Pode-se dizer que não há realização de
trabalho, que consiste em transformar a energia da fonte, no caso elétrica, em
outra forma de energia útil, como mecânica ou sonora.

Chamamos a potência armazenada nos elementos reativos, indutância e


capacitância, de potência reativa, de símbolo Q e unidade volt-ampére-reativo
(VAr). A potência reativa serve apenas para alimentar o campo magnético ou
elétrico. A energia reativa não produz trabalho.

Essa característica fica evidente quando representamos a potência em


um elemento resistivo. Matematicamente, a potência em uma indutância é
dada por:

Essa defasagem de 90º que surge na expressão da potência reativa fica


mais fácil de demonstrar pelo gráfico da potência na indutância.

Figura 16: Potência de uma indutância


21

Como pode ser observado, há uma parte positiva de potência, que


representa os intervalos de tempo em que a energia flui da fonte para a carga.
Por outro lado, existe uma parte negativa de potência, com a mesma área que
a parte positiva e que representa os momentos em que a energia flui de volta
da carga para a fonte. Logo, não há transferência real de energia da fonte para
a carga, já que toda a potência entregue à carga é devolvida.
Para o caso da capacitância, o formato do sinal de potência é o mesmo,
mudando apenas o sinal representativo do ângulo na expressão algébrica.

Veremos que, na prática, a maioria dos circuitos são composições entre


resistências, indutâncias e capacitâncias, apresentando um comportamento
intermediário entre o comportamento desses elementos.

Exercícios de fixação: dadas as tensões e correntes abaixo, calcule a


potência reativa em VAr ou kVAr:
a) e ;
b) e ;
c) e .

4.4 Exercícios

1 – Defina a potência aparente em circuitos com elementos resistivos e


reativos:

2 – Defina a potência ativa em circuitos com elementos resistivos e reativos:

3 – Defina a potência reativa em circuitos com elementos resistivos e reativos:

4 – Considere as tensões e corrente dadas abaixo e calcule a potência


aparente:
a) e ;
b) e ;
c) e .

5 – Considere um circuito resistivo em que o valor da impedância é de


. Para cada um dos casos, calcule a potência ativa:
a) Aplicada uma tensão de ;
b) Corrente que circula de 12,5 ;
c) Tensão aplicada de .

6 – Considere as tensões e corrente dadas abaixo e calcule a potência reativa:


a) e ;
b) e ;
c) e .
22

5. Circuitos RL

Os circuitos e dispositivos práticos raramente são constituídos apenas


de indutores ou de resistores. Alguns casos, como em fornos resistivos ou
equipamentos de aquecimento, pode-se simplificar o circuito para malhas
puramente resistivas, mas o componente indutivo ou capacitivo sempre estará
presente.
Uma combinação muito comum é o de uma resistência com uma
indutância, como no caso da maioria das bobinas, sejam de contatores, de
eletroválvulas ou de aquecedores indutivos. Nestes casos, geralmente a
indutância representa a maior parte da impedância e a resistência é
acrescentada como uma imperfeição, ou seja, a resistência ôhmica do fio da
bobina. Esses circuitos são chamados RL.

Circuitos RL são aqueles cujas representações são compostas apenas de


resistências e indutâncias.

Assim como qualquer circuito elétrico, as resistências e indutâncias


podem se associar de qualquer maneira, mas nos concentraremos nas formas
comuns de uma resistência e uma indutância em série e em paralelo.

5.1 Circuito RL série

A Figura abaixo traz o circuito RL série com a representação das


tensões e correntes de referência. Deve-se sempre lembrar que numa
associação série é aplicada uma tensão vinda da fonte e a corrente que circula
é a mesma na resistência e na indutância.

Figura 17: Associação série de resistência e indutância

Pelas características de impedância resistiva e indutiva, a corrente do


circuito estará em fase com a tensão sobre a resistência e em quadratura de
fase, atrasada, da tensão sobre a indutância. Para calcular a corrente do
circuito é necessário calcular a impedância equivalente do circuito:

Sendo: e , onde ;

Convertendo para o formato polar:


23

Ou seja:

A corrente do circuito será dada pela Lei de Ohm:

A tensão sobre a resistência pode ser calculada por:

A tensão sobre a indutância pode ser calculada por:

A Figura 18 mostra o diagrama fasorial genérico de um circuito RL série.

Figura 18: Diagrama fasorial de um circuito RL série.

Note que no diagrama fasorial de qualquer circuito RL série, a tensão


sobre a resistência sempre estará em fase com a corrente e a tensão sobre a
bobina estará 90º adiantada. A tensão da fonte será a soma das tensões V R e
VL. Para que essa característica fique bem clara, os fasores de tensão devem
ser representados na mesma escala.
O ângulo entre o fasor de tensão VF e da corrente I é o próprio ângulo da
impedância equivalente θZ.

O ângulo da impedância equivalente θZ registra a defasagem angular entre a


tensão e a corrente, definindo o quão indutivo ou resistivo o circuito é. Se for
mais próximo a zero, o circuito é mais resistivo, se for próximo a 90º, o circuito
é mais indutivo.
24

Resumindo a montagem do diagrama fasorial:


 Calcula a reatância indutiva XL;
 Calcula a impedância equivalente ZEQ:
 Calcula a corrente do circuito I:
 Calcula a tensão sobre a resistência VR:
 Calcula a tensão sobre a indutância VL:
 Representa a corrente I no diagrama;
 Representa a tensão VR em fase com a corrente;
 Representa a tensão VL adiantada 90º da corrente;
 Fecha um retângulo com VR e VL e representa a tensão VF.

Exercícios de fixação: monte o diagrama fasorial dos circuitos série abaixo:


a) b)

5.2 Circuito RL paralelo

Um circuito RL paralelo possui o comportamento parecido com o do RL


série, a grande diferença que tanto a resistência quanto a indutância recebem a
tensão da fonte diretamente. Isso implica que é a corrente que atravessa cada
elemento que define qual absorve mais energia da fonte.
No caso do circuito série, no qual a corrente é a mesma e a tensão é
diferente, o elemento de maior impedância absorve mais energia. No circuito
paralelo, é o elemento de menor impedância, pois a corrente será maior nesse
componente. A Figura 19 mostra o circuito RL paralelo e seus parâmetros de
circuito.

Figura 19: Circuito RL paralelo

No caso do RL paralelo não é necessário calcular a impedância


equivalente para calcular todas as correntes, pois a tensão da fonte é aplicada
diretamente. Assim, a impedância equivalente será:
25

As correntes serão calculadas diretamente pela Lei de Ohm:

A corrente da fonte pode ser calculada pela impedância equivalente,


como segue, ou somando-se as correntes IR e IL:

O diagrama fasorial é montado com as indicações das correntes e da


tensão da fonte, como mostra a Figura 20.

Figura 20: Diagrama fasorial de um circuito RL paralelo

Como no caso do circuito série, a tensão da fonte (que é a mesma do


resistor) está em fase com a corrente sobre o resistor, enquanto que a corrente
IL está atrasada 90º. A corrente I é a soma de IR e IL.
Resumindo a montagem do diagrama fasorial:
 Calcula a reatância indutiva XL;
 Calcula a impedância equivalente ZEQ:
 Calcula a corrente do circuito I:
 Calcula a corrente sobre a resistência IR:
 Calcula a corrente sobre a indutância IL:
 Representa a tensão da fonte VF no diagrama;
 Representa a corrente IR em fase com a tensão;
 Representa a corrente IL atrasada 90º da tensão;
 Fecha um retângulo com IR e IL e representa a corrente I.

Exercícios de fixação: monte o diagrama fasorial dos circuitos paralelos


abaixo:
a) b)
26

5.3 Potência num circuito RL

Da mesma forma que foi feita a análise de potência nos circuitos


puramente resistivos, indutivos e capacitivos, é possível analisar a potência em
circuitos compostos, tanto em série, como em paralelo.
Considerando-se a linearidade dos circuitos elétricos estudados, espera-
se que mesmo quando associados, as resistências comportem-se conforme foi
estudado na aula 4, valendo o mesmo para as indutâncias.
Assim, a resistência do circuito RL absorverá potência da carga e
converterá em calor, enquanto que a indutância armazenará a energia da fonte
em seu campo magnético e devolverá durante a desenergização.
Para explicar as relações de potência num circuito RL, utilizaremos um
exemplo numérico que ajudará a elucidar as características de potência.
Um circuito série RL é constituído de uma resistência de 1,0 Ω e uma
indutância de 5/377 H (13,26 mH) e é alimentado por uma fonte de 10 V RMS em
60 Hz. Calculando-se a reatância, chega-se a XL = 5,0 Ω.
Os cálculos da impedância equivalente, da corrente e das tensões
fornecem:

A potência na resistência é ativa e será dada por:

A potência na indutância é reativa e será dada por:

A potência aparente do circuito é calculada vista da fonte, ou seja:

A idéia das potências ativa, reativa e aparente é que essas potências


tem natureza diferente umas das outras, sendo que a potência aparente é uma
composição das potências ativa e reativa. Mas para que o entendimento seja
completo, teremos de estudar o fator de potência mais adiante.
27

Exercícios de fixação: Calcule as potências ativa, reativa e aparente dos


circuitos descritos abaixo:
a) Circuito RL série com R = 120 Ω e L = 0,75 H, alimentado por uma fonte
de 100 30º VRMS em 60 Hz;
b) Circuito RL paralelo com R = 150 Ω e L = 200 mH, alimentado por uma
fonte de 56 (-45º) VRMS em 60 Hz.

5.4 Exercícios
1 – Monte o diagrama fasorial dos circuitos abaixo:
a) b) c)

d) e) f)

2 – Calcule as potências ativa, reativa e aparente dos circuitos acima:

3 – Calcule o percentual de potência ativa em relação à potência aparente,


conforme a equação abaixo:
28

6. Circuitos RC

Os circuitos RC são menos comuns que os RL, porém a inclusão de


capacitores em circuitos de corrente alternada ocorre em casos específicos e
deve ser analisada. Utilizam-se capacitores em partida de motores
monofásicos, como filtros de oscilação e para correção de fator de potência
principalmente.

Circuitos RC são aqueles cujas representações são compostas apenas de


resistências e capacitâncias.

Assim como no caso RL, as resistências e capacitâncias podem se


associar de qualquer maneira, mas novamente nos concentraremos nas formas
comuns de uma resistência e uma capacitância em série e em paralelo.

6.1 Circuito RC série

A Figura abaixo traz o circuito RC série com a representação das


tensões e correntes de referência. Deve-se sempre lembrar que numa
associação série é aplicada uma tensão vinda da fonte e a corrente que circula
é a mesma na resistência e na capacitância.

Figura 21: Associação série de resistência e capacitância

Pelas características de impedância resistiva e capacitiva, a corrente do


circuito estará em fase com a tensão sobre a resistência e em quadratura de
fase, adiantada, da tensão sobre a capacitância. Para calcular a corrente do
circuito é necessário calcular a impedância equivalente do circuito:

Sendo: e , onde ;

Convertendo para o formato polar:

Ou seja:
29

A corrente do circuito será dada pela Lei de Ohm:

A tensão sobre a resistência pode ser calculada por:

A tensão sobre a capacitância pode ser calculada por:

A Figura 22 mostra o diagrama fasorial genérico de um circuito RC série.

Figura 22: Diagrama fasorial de um circuito RC série.

Note que no diagrama fasorial de qualquer circuito RC série, a tensão


sobre a resistência sempre estará em fase com a corrente e a tensão sobre o
capacitor estará 90º atrasada. A tensão da fonte será a soma das tensões V R e
VC. Para que essa característica fique bem clara, os fasores de tensão devem
ser representados na mesma escala.
O ângulo entre o fasor de tensão VF e da corrente I é o próprio ângulo da
impedância equivalente θZ, que será sempre negativo para circuitos RC.

O ângulo da impedância equivalente θZ registra a defasagem angular entre a


tensão e a corrente, definindo o quão capacitivo ou resistivo o circuito é. Se for
mais próximo a zero, o circuito é mais resistivo, se for próximo a -90º, o circuito
é mais capacitivo.

Resumindo a montagem do diagrama fasorial:


 Calcula a reatância capacitiva XC;
 Calcula a impedância equivalente ZEQ:
 Calcula a corrente do circuito I:
 Calcula a tensão sobre a resistência VR:
30

 Calcula a tensão sobre a capacitância VC:


 Representa a corrente I no diagrama;
 Representa a tensão VR em fase com a corrente;
 Representa a tensão VC atrasada 90º da corrente;
 Fecha um retângulo com VR e VC e representa a tensão VF.

Exercícios de fixação: monte o diagrama fasorial dos circuitos série abaixo:


a) b)

6.2 Circuito RC paralelo

Um circuito RC paralelo segue a mesma linha do RL paralelo, com a


diferença que a corrente do capacitor estará adiantada em relação à tensão da
fonte.
Novamente no caso do circuito paralelo é o elemento de menor
impedância que absorve mais energia, pois a corrente será maior nesse
componente. A Figura 23 mostra o circuito RC paralelo e seus parâmetros de
circuito.

Figura 23: Circuito RC paralelo

A impedância equivalente do circuito RC paralelo será:

As correntes serão calculadas diretamente pela Lei de Ohm:

A corrente da fonte pode ser calculada pela impedância equivalente,


como segue, ou somando-se as correntes IR e IC:
31

O diagrama fasorial é montado com as indicações das correntes e da


tensão da fonte, como mostra a Figura 24.

Figura 24: Diagrama fasorial de um circuito RC paralelo

Como no caso do circuito série, a tensão da fonte (que é a mesma do


resistor) está em fase com a corrente sobre o resistor, enquanto que a corrente
IC está adiantada 90º. A corrente I é a soma de IR e IC.
Resumindo a montagem do diagrama fasorial:
 Calcula a reatância capacitiva XC;
 Calcula a impedância equivalente ZEQ:
 Calcula a corrente do circuito I:
 Calcula a corrente sobre a resistência IR:
 Calcula a corrente sobre a capacitância IC:
 Representa a tensão da fonte VF no diagrama;
 Representa a corrente IR em fase com a tensão;
 Representa a corrente IC adiantada 90º da tensão;
 Fecha um retângulo com IR e IC e representa a corrente I.

Exercícios de fixação: monte o diagrama fasorial dos circuitos paralelos


abaixo:
a) b)

6.3 Potência num circuito RC

Seguindo a mesma linha de raciocínio dos circuitos RL, um circuito RC


tem comportamento intermediário entre um circuito puramente resistivo e
puramente capacitivo. Assim, há uma parte de energia ativa dissipada na
resistência e outra parte que é armazenada no capacitor e devolvida à fonte na
forma de energia reativa.
32

Vamos a um exemplo. Um circuito paralelo RC é constituído de uma


resistência de 10 Ω e uma capacitância de 0,5/377 F (1,326 mF) e é alimentado
por uma fonte de 10 VRMS em 60 Hz. Calculando-se a reatância, chega-se a XC
= 2,0 Ω.
Os cálculos da impedância equivalente e das correntes fornecem:

A potência na resistência é ativa e será dada por:

A potência na capacitância é reativa e será dada por:

A potência aparente do circuito é calculada vista da fonte, ou seja:

Exercícios de fixação: Calcule as potências ativa, reativa e aparente dos


circuitos descritos abaixo:
a) Circuito RC série com R = 120 Ω e C = 470 µF, alimentado por uma
fonte de 100 30º VRMS em 60 Hz;
b) Circuito RC paralelo com R = 150 Ω e L = 50 µF, alimentado por uma
fonte de 56 (-45º) VRMS em 60 Hz.

6.4 Exercícios
1 – Monte o diagrama fasorial dos circuitos abaixo:
a) b) c)

d) e) f)

2 – Calcule as potências ativa, reativa e aparente dos circuitos acima:


33

7. Circuitos RLC

Os circuitos RLC são compostos, como o nome sugere, por resistências,


indutâncias e capacitâncias. Como em qualquer circuito, esses componentes
podem se agrupar de diversas formas, mas nos concentraremos em apenas
uma forma de circuito, o RLC série, a fim de analisar seu comportamento
perante as variações dos valores de R, L e C.

Circuitos RLC são aqueles cujas representações são compostas de


resistências, indutâncias e capacitâncias.

7.1 Circuito RLC série

A Figura abaixo traz o circuito RLC série com a representação das


tensões e corrente de referência.

Figura 25: Associação série de resistência, indutância e capacitância

Esse circuito possui uma particularidade, que fica evidente quando do


levantamento da resistência equivalente, conforme segue. A impedância
equivalente, em notação retangular, é dada por:

Como:

, sendo
, sendo

A impedância equivalente torna-se:

Neste caso, a particularidade fica evidente, pois a parte imaginária da


impedância é dada pela diferença entre as reatâncias indutiva e capacitiva.
Isso se deve ao fato dessas reatâncias terem a mesma natureza de
armazenamento de energia, porém a indutância atrasa a corrente enquanto
que a capacitância adianta. Essa diferença advém do próprio ângulo de fase de
cada uma delas, mas discutiremos mais adiante. Se convertermos a
impedância para o formato polar:
34

Ou seja:

Um circuito RLC pode ter comportamento próximo a qualquer uma das


suas componentes. O ângulo θZ mostra diretamente o tipo de circuito, conforme
já havíamos visto.

Se XL for maior que XC, a diferença entre as duas será positiva e portanto θZ
será positivo, logo o circuito é indutivo. Se XC for maior, θZ será negativo e o
circuito terá comportamento capacitivo. Caso XL e XC tenham valores
próximos, o circuito terá um comportamento próximo ao de um circuito
resistivo e estará em uma condição chamada ressonância, que estudaremos
adiante.

A corrente do circuito será dada pela Lei de Ohm:

As tensões podem ser calculadas por:

A Figura 26 mostra os diagramas fasoriais de circuitos RLC série com


características indutivas e capacitivas.

Figura 26: Diagrama fasorial de um circuito RLC série com características


indutivas (a) e com características capacitivas (b).

O diagrama da Figura 26(a) representa o caso em que XL > XC, ou seja,


com características indutivas. O valor da tensão VL será maior que o da tensão
VC, fazendo com que a tensão total da fonte fique adiantada em relação à
corrente do circuito I, comportamento típico de circuitos indutivos. Já na Figura
26(b), o valor da tensão VC é maior que VL, fazendo com que a tensão VF fique
35

atrasada em relação à corrente, característica de circuito capacitivo. Nesse


caso, XC é maior que XL.
Resumindo a montagem do diagrama fasorial:
 Calcule a reatância indutiva XL;
 Calcule a reatância capacitiva XC;
 Calcule a impedância equivalente ZEQ;
 Calcule a corrente do circuito I;
 Calcule a tensão sobre a resistência VR;
 Calcule a tensão sobre a indutância VL;
 Calcule a tensão sobre a capacitância VC;
 Calcule a diferença de tensão entre VL e VC. O ângulo será o mesmo da
maior tensão em módulo;
 Represente a corrente I no diagrama;
 Represente a tensão VR em fase com a corrente;
 Represente a tensão VL adiantada 90º da corrente;
 Represente a tensão VC atrasada 90º da corrente;
 Represente a tensão VL - VC adiantada ou atrasada 90º da corrente,
conforme cálculo;
 Feche um retângulo com VR e VL - VC e represente a tensão VF.

Exercícios de fixação: monte o diagrama fasorial dos circuitos série abaixo:


a) b)

7.2 Ressonância

Considere o seguinte circuito RLC série abaixo.

Figura 26: Associação RLC série de exemplo

Calculando-se os valores conforme sequência, chega-se a:


36

O que se pode perceber é que, mesmo tendo a fonte um valor eficaz de


120 V, a tensão nos elementos reativos do circuito alcançou valores absurdos
na faixa de kV. Isso acontece devido o fenômeno conhecido como ressonância,
em que elementos reativos trocam energia entre si, acumulando uma
quantidade grande num ciclo fechado e gerando essas altas tensões.

Ressonância ocorre entre elementos reativos de fase oposta (indutância e


capacitância) quando há troca de energia entre elas e suas impedâncias
possuem valores muito próximos. O risco da ressonância é o aumento
exponencial da energia acumulada no sistema ressonante formado.

O fenômeno da ressonância não é um fenômeno exclusivamente


elétrico, pois todo material possui uma freqüência de vibração natural. Isso
pode ser percebido quando friccionamos a borda de uma taça de cristal e ele
“canta”. Simplesmente a taça entrou em ressonância e vibra em sua freqüência
natural. Motores e outros sistemas mecânicos também podem entrar em
ressonância, o que faz com que o sistema oscile e seja danificado.
Nos sistemas elétricos, é incomum que um determinado dispositivo ou
equipamento entre naturalmente em ressonância, pelo fato de que sempre uma
das características é predominante, seja indutiva ou capacitiva. Porém, em
sistemas com freqüência variável, como nos alimentados com inversores de
freqüência, pode-se atingir a freqüência de ressonância do sistema.

Exercícios de fixação: calcule as tensões sobre os componentes dos circuitos


abaixo para as freqüências dadas:
a) f = 100 Hz; b) f = 43 Hz;

7.3 Influência da freqüência na reatância

Já estudamos que as indutâncias e capacitâncias têm a capacidade de


armazenar energia e a reatância é a grandeza que representa essa
característica. Assim, temos que a reatância de uma indutância é dada por:

Vemos que a reatância indutiva é diretamente proporcional à freqüência


aplicada. Logo, se a freqüência for muito baixa, a indutância terá pequena
capacidade de armazenar energia e sua reatância é próxima a zero. Dizemos
que em corrente contínua um indutor é um curto-circuito, pois não se opõe à
passagem de corrente. Se aumentarmos a freqüência, a reatância do indutor
torna-se maior, o que significa que haverá maior resistência à passagem de
corrente.
A reatância capacitiva é dada por:
37

A reatância capacitiva, por sua vez, é inversamente proporcional à


freqüência aplicada. Então, quando a freqüência for próxima a zero, a
impedância do capacitor será muito alta. Dizemos que um capacitor é um
circuito aberto em corrente contínua, pois sua impedância é teoricamente
infinita. Quando a freqüência aumenta, a reatância capacitiva diminui e a
capacitância é menos resistente à passagem de corrente.
Vamos a um exemplo prática. Um circuito RLC série é formado por uma
resistência de 2,3 Ω, uma indutância de 100 mH e uma capacitância de 22 µF e
alimentado por uma fonte variável, inicialmente regulada para 60 Hz.
Calculando-se as reatâncias em 60 Hz, temos que:

A princípio não se tem grandes problemas em termos de ressonância,


pois as reatâncias são bem diferentes. Porém, se aumentarmos a freqüência,
temos que haverá um aumento da reatância indutiva e uma diminuição da
capacitiva. Logo, em alguma freqüência acima de 60 Hz haverá uma
proximidade entre as reatâncias e o sistema entrará em ressonância.
O mesmo acontece com circuitos indutivos, porém a ressonância
ocorrerá para freqüências menores que 60 Hz.

Exercícios de fixação: calcule as reatâncias indutiva ou capacitiva para


freqüências de 12, 60 e 100 Hz, em cada caso:
a) L = 100 mH;
b) C = 220 µF;
c) C = 15 µF;
d) L = 0,6 H.

7.4 Frequência de ressonância

Como vimos, a ressonância acontece quando os valores das reatâncias


indutiva e capacitiva de um circuito tornam-se próximas. A ressonância perfeita
acontece quando esses valores são iguais, assim, para encontrar a freqüência
em que ocorrerá a ressonância, basta igualar as equações das reatâncias.

Assim, tendo-se os valores das indutâncias e capacitâncias do circuito,


pode-se prever qual será a freqüência de ressonância e evitá-la.
38

Exercícios de fixação: calcule a freqüência de ressonância para cada circuito


abaixo:
a) b)

c) d)

7.5 Exercícios

1 – Monte o diagrama fasorial dos circuitos RLC abaixo:


a) b)

c) d)

2 – Calcule as reatâncias indutiva ou capacitiva para cada um dos casos,


conforme as freqüências dadas:
a) Indutância de 120 mH em 20 Hz e 150 Hz;
b) Capacitância de 33 µF em 15 Hz e 60 Hz;
c) Indutância de 100 mH em 30 Hz e 250 Hz;
d) Capacitância de 150 µF em 50 Hz e 400 Hz.

3 – Defina ressonância e explique como a ressonância pode prejudicar uma


instalação elétrica industrial:

4 – Para cada um dos circuitos do exercício 1, calcule as freqüências de


ressonância:
39

8. Correção do fator de potência

Os motores elétricos são responsáveis pela maior parte do consumo de


energia elétrica num país industrializado como o Brasil. Assim, a grande
maioria da potência consumida envolve energia reativa, proveniente dos
campos magnéticos gerado pelos estatores das máquinas.
Na prática, essa grande quantidade de energia reativa circulando pelas
redes de distribuição e transmissão causa problemas diretos. Além de gerar
aquecimento excessivo nos condutores e elementos de circuito, exigindo o
sobredimensionamento dos componentes e causando perdas adicionais.
Assim, pelo Decreto No 479, de 20 de março de 1992, e pela Resolução 414 da
ANEEL, de 09 de setembro de 2010, as unidades consumidoras devem limitar
a quantidade de energia reativa que absorvem da rede.
O problema dessa limitação é que os motores e outros equipamentos
não funcionam sem energia reativa. Para entender como é feito o atendimento
à legislação, vamos entender o que é o fator de potência.

8.1 Fator de potência

Quando estudamos circuitos RL e RC, verificamos que cada


componente é responsável por uma parte da potência. Assim, as resistências
são responsáveis pela parte ativa da potência e as reatâncias, sejam indutivas
ou capacitivas, pela parte reativa. Mas, é possível estabelecer uma relação
direta entre a potência total do circuito e as potências ativa e reativa que a
compõe. Vamos a um exemplo.
Um circuito RL é composto por uma resistência de 12 Ω e uma
indutância de 120 mH a alimentado por uma fonte de 100 V RMS em 60 Hz.
Calculando a impedância do circuito, chega-se a:

A corrente do circuito será dada por:

A potência aparente do circuito pode ser calculada com a tensão da


fonte e a corrente do circuito, como segue.

Como já foi dito anteriormente, o ângulo θZ representa a defasagem


angular entre a tensão e a corrente do circuito. Assim, em qualquer circuito em
corrente alternada, θZ fornece diretamente o quanto o circuito é indutivo ou
capacitivo, ou seja, qual é a porcentagem de ativo e reativo que esse circuito
absorve.
40

Definimos então o fator de potência, que relaciona a quantidade de


energia ativa absorvida pela carga em relação à potência aparente.

Fator de potência é definido como a relação entre as potências ativa e


aparente de um sistema elétrico. Na prática, o fator de potência fornece o
percentual de energia ativa que é aproveitada pelo circuito.

Matematicamente, o fator de potência é dado por:

É uma grandeza adimensional e tem uma relação direta com o ângulo


θZ. Na prática o fator de potência de potência é conhecido como cosφ (coseno-
fi) e sua relação com θZ é:

Assim, para calcular a potência ativa de um circuito basta conhecer a


potência aparente e o ângulo de defasagem entre tensão e corrente θZ.

Exercícios de fixação: para cada um dos casos abaixo, calcule o fator de


potência:
a) Circuito RL série, com R = 12 Ω, L = 100 mH, VF = 220 V em 60 Hz;
b) Circuito RC paralelo, com R = 150 Ω, C = 330 µF, VF = 127 V em 60 Hz;
c) Circuito RLC série, com R = 3,4 Ω, L = 50 mH, C = 120 µF, VF = 48 V em
60 Hz.

8.2 Triângulo de potências

As potências ativa, reativa e aparente podem ser relacionadas através


de um triângulo retângulo, da mesma forma que as impedâncias de um circuito
e as tensões ou correntes. A Figura abaixo mostra um triângulo de potências
de um circuito RL.

Figura 27: Triângulo de potências de um circuito RL

O triângulo representa que a potência ativa é a parte real da potência,


enquanto que a potência reativa tem característica imaginária, com ângulo de
90º. A soma das duas é a potência total ou aparente. As equações que definem
as relações de P, Q e S no triângulo de potências são aquelas do triângulo
retângulo.
41

Se o circuito for capacitivo, o que muda é que o ângulo da potência


reativa é -90º, como mostra a Figura 28.

Figura 28: Triângulo de potências de um circuito RC

Em circuitos RLC, acontece a troca de energia reativa entre a indutância


e a capacitância, assim, para composição da potência total, faz-se a diferença
entre as potências reativas indutiva e capacitiva. A Figura 29 mostra como é
montado o triângulo de potências.

Figura 29: Triângulo de potências normal (a) e compensado (b) de um circuito RLC

Originalmente, o valor da potência aparente é decorrente da composição


da potência ativa da resistência com a potência reativa da indutância. Quando
é adicionada a capacitância, há a diminuição da potência reativa total, devido à
natureza de oposição de fase das reatâncias. É facilmente observável que a
potência reativa diminuiu, consequentemente o valor da potência aparente
também diminuiu.

A inclusão de capacitâncias em circuitos indutivos serve para diminuir a


quantidade de reativo que o sistema RLC formado absorve. Por conseguinte, a
potência aparente também diminuiu, logo, há menor consumo de potência total
e de reativo.

Na prática, a potência ativa não é absorvida por um resistor, mas


representa a potência absorvida pelo dispositivo que é efetivamente utilizada
como outra forma de energia. Num motor elétrico, por exemplo, a potência
ativa representa a parcela de potência que é convertida em potência mecânica
e entregue como torque no eixo da máquina. A característica que representa a
potência ativa de um motor elétrico é a força eletromotriz ou f.e.m. A força
eletromotriz é representada como se fosse o rotor da máquina e sua unidade é
o volt.
No dimensionamento de capacitâncias para correção de fator de
potência, normalmente a potência ativa é conhecida, bastando calcular o banco
capacitivo para elevar o valor do fator de potência.
42

Exercícios de fixação: para cada um dos casos abaixo, monte o triângulo de


potências:
a) Circuito RL série, com R = 20 Ω, L = 250 mH, VF = 50 V em 60 Hz;
b) Circuito RC paralelo, com R = 30 Ω, C = 120 µF, VF = 220 V em 60 Hz;
c) Circuito RLC série, com R = 1,5 Ω, L = 20 mH, C = 50 µF, VF = 100 V em
60 Hz.

8.3 Correção de fator de potência pelo método analítico

Um motor elétrico é definido pela sua potência mecânica, velocidade de


rotação e tensão de alimentação, principalmente. O fator de potência do motor,
porém, é uma característica importante devido à necessidade de se garantir
que o fator de potência total da instalação ser superior a 0,92 indutivo no ponto
de entrega, segundo a legislação atual.
Vale lembrar que a medição é realizada no período diurno. Durante o
período noturno, das 23:30h às 05:30h, a legislação exige que o fator de
potência seja superior a 0,92 capacitivo, no intuito de evitar que as empresas
mantenham seus sistemas de correção de fator de potência fiquem ligados
durante a noite sem as cargas.

Toda empresa que é atendida em tensão primária de distribuição e mais


alguns casos, devem garantir o fator de potência mínimo de 0,92 indutivo
durante o período diurno.

Quando se faz a correção do fator de potência, o objetivo é determinar a


potência reativa do banco de capacitores a fim de elevar a um nível superior a
0,92 o fator de potência de uma determinada carga ou grupo de cargas.
Geralmente a correção é realizada nos quadros de distribuição, a fim de
diminuir os custos. Em instalações menores a correção pode ser feita no
quadro geral de distribuição.
A sequência de cálculo do banco capacitivo começa com o levantamento
de dados: qual é a potência do motor e o fator de potência que esse motor
possui. A partir daí, calcula-se a potência aparente e a reativa do motor.
Apenas deve-se lembrar que a potência do motor fornecida é a mecânica e
dada em cv (cavalo-vapor) ou HP (horse-power). Assim, deve-se fazer a
conversão para kW e calcular a potência elétrica, dada pelo rendimento do
motor.

ou

Definido o valor desejado de fator de potência do conjunto motor +


capacitor, calcula-se as potências aparente e reativa desejadas.
43

Note que o valor da potência ativa não muda, pois é a potência elétrica
do motor, aquela que determina o torque no eixo. Assim, para calcular o valor
do banco de capacitores, basta calcular a diferença entre a potência reativa
que o motor originalmente apresenta e a que deseja-se para o motor.

O valor do banco capacitivo é dado em kVAr. Além da potência reativa, é


necessário indicar se o banco é trifásico ou monofásico e a tensão nominal,
que é a mesma da instalação. Vamos fazer dois exemplos.
Um motor trifásico de 15 cv, IV pólos alimentado em 380 V, 60 Hz,
possui rendimento em carga máxima de 88,5% e fator de potência de 0,83.
Vamos dimensionar um banco capacitivo para aumentar o fator de potência
para 0,93. Primeiramente, calculamos as potências ativa, aparente e reativa
para o motor sem a correção.

Agora são calculadas as potências corrigidas.

A diferença entre as potências reativas original e corrigida é o valor do


banco de capacitores.

Consultando o catálogo de bancos de capacitores para correção de fator


de potência, pode-se selecionar um banco trifásico de 3x1,67 kVAr em 380 V.
Outro exemplo é para corrigir um grupo de cargas simultaneamente,
conforme Tabela abaixo.

Carga Potência nominal Rendimento Fator de potência


Motor trifásico 10 cv 87,6% 0,88
Motor trifásico 15 hp 89,5% 0,80
Motor trifásico 25 cv 91,0% 0,83
Forno resistivo 10 kW 65,0% 1,00

Todas as cargas são alimentadas em 380 V e deseja-se aumentar o


fator de potência total para 0,94. As cargas devem se calculadas em separado
e suas potências reativas somadas. Note que o forno resistivo possui fator de
potência unitário, logo não absorve reativo da rede.
44

Somando-se as potências reativas e ativas totais, inclusive a do forno.

A potência corrigida é calculada como se fosse uma única carga de


71,89 kW com o fator de potência desejado.

O valor do banco capacitivo é a diferença entre o reativo existente e o


projetado.

Pelo catálogo de capacitores, o valor nominal poderá ser de 3x2,50 kVAr


em 380 V. A presença do forno resistivo melhora o fator de potência do
sistema, pois seu próprio fator de potência é maior do que o desejado.
45

Exercícios de fixação: dimensione o banco capacitivo para cada um dos


motores abaixo:
a) Motor trifásico de 12,5 cv, com rendimento de 88,0 % e cosφ = 0,88;
b) Motor trifásico de 25 cv, com rendimento de 91,0 % e cosφ = 0,83;
c) Motor trifásico de 50 cv, com rendimento de 92,0 % e cosφ = 0,84.

8.4 Correção de fator de potência pela tabela de correção

O método analítico permite que se calcule qualquer conjunto de cargas


de forma confiável, porém trabalhosa. Em casos mais simples ou quando se
deseja ter apenas um valor aproximado do banco de capacitores para correção
do fator de potência, pode-se utilizar a Tabela de correção, mostrada na
próxima página. Para utilizá-la, basta encontrar o fator de correção do fator de
potência original para o fator de potência corrigido e multiplicá-lo pela potência
ativa da máquina a ser corrigida. Como exemplo, vamos determinar o banco
capacitivo para elevar para 0,94 o fator de potência de um motor trifásico de 50
cv com 91,0% de rendimento e fator de potência original de 0,83.
Primeiramente calculamos a potência elétrica ativa.

Olhando na Tabela, considerando o aumento de cosφ de 0,83 para 0,94,


vemos que o fator de correção é 0,309, conforme Figura 30.

Figura 30: Exemplo de fator de correção pela Tabela

Multiplicando o fator de correção pela potência encontrada, chega-se a:

Consultando-se a Tabela de bancos capacitivos da página 47, obtém-se


o valor de 3x5,00 kVAr em 380 V.
46

Tabela de correção de fator de potência


Cosφ Cosφ desejado
original 0,80 0,81 0,82 0,83 0,84 0,85 0,86 0,87 0,88 0,89 0,90 0,91 0,92 0,93 0,94 0,95 0,96 0,97 0,98 0,99 1,00
0,55 0,769 0,795 0,821 0,847 0,873 0,899 0,926 0,952 0,979 1,007 1,035 1,063 1,090 1,124 1,156 1,190 1,228 1,268 1,316 1,377 1,519
0,56 0,730 0,756 0,782 0,808 0,834 0,860 0,887 0,913 0,940 0,968 0,996 1,024 1,051 1,085 1,117 1,151 1,189 1,229 1,277 1,338 1,480
0,57 0,692 0,718 0,744 0,770 0,796 0,822 0,849 0,875 0,902 0,930 0,958 0,986 1,013 1,047 1,079 1,113 1,151 1,191 1,239 1,300 1,442
0,58 0,655 0,681 0,707 0,733 0,759 0,785 0,812 0,838 0,865 0,893 0,921 0,949 0,976 1,010 1,042 1,076 1,114 1,154 1,202 1,263 1,405
0,59 0,618 0,644 0,670 0,696 0,722 0,748 0,775 0,801 0,828 0,856 0,884 0,912 0,943 0,973 1,005 1,039 1,077 1,117 1,165 1,226 1,368
0,60 0,584 0,610 0,636 0,662 0,688 0,714 0,741 0,767 0,794 0,822 0,850 0,878 0,905 0,939 0,971 1,005 1,043 1,083 1,131 1,192 1,334
0,61 0,549 0,575 0,601 0,627 0,653 0,679 0,706 0,732 0,759 0,787 0,815 0,843 0,870 0,904 0,936 0,970 1,008 1,048 1,096 1,157 1,299
0,62 0,515 0,541 0,567 0,593 0,619 0,645 0,672 0,698 0,725 0,753 0,781 0,809 0,836 0,870 0,902 0,936 0,974 1,014 1,062 1,123 1,265
0,63 0,483 0,509 0,535 0,561 0,587 0,613 0,640 0,666 0,693 0,721 0,749 0,777 0,804 0,838 0,870 0,904 0,942 0,982 1,000 1,091 1,233
0,64 0,450 0,476 0,502 0,528 0,554 0,580 0,607 0,633 0,660 0,688 0,716 0,744 0,771 0,805 0,837 0,871 0,909 0,949 0,997 1,066 1,200
0,65 0,419 0,445 0,471 0,497 0,523 0,549 0,576 0,602 0,629 0,657 0,685 0,713 0,740 0,774 0,806 0,840 0,878 0,918 0,966 1,027 1,169
0,66 0,388 0,414 0,440 0,466 0,492 0,518 0,545 0,571 0,598 0,626 0,654 0,692 0,709 0,742 0,755 0,809 0,847 0,887 0,935 0,996 1,138
0,67 0,358 0,384 0,410 0,436 0,462 0,488 0,515 0,541 0,568 0,596 0,624 0,652 0,679 0,713 0,745 0,779 0,817 0,857 0,906 0,966 1,108
0,68 0,329 0,355 0,381 0,407 0,433 0,459 0,486 0,512 0,539 0,567 0,595 0,623 0,650 0,684 0,716 0,750 0,788 0,828 0,876 0,937 1,079
0,69 0,299 0,325 0,351 0,377 0,403 0,429 0,456 0,482 0,509 0,537 0,565 0,593 0,620 0,654 0,686 0,720 0,758 0,798 0,840 0,907 1,049
0,70 0,270 0,296 0,322 0,348 0,374 0,400 0,427 0,453 0,480 0,508 0,536 0,564 0,591 0,625 0,657 0,691 0,729 0,769 0,811 0,878 1,020
0,71 0,242 0,268 0,294 0,320 0,346 0,372 0,399 0,425 0,452 0,480 0,508 0,536 0,563 0,597 0,629 0,663 0,701 0,741 0,783 0,850 0,992
0,72 0,213 0,239 0,265 0,291 0,317 0,343 0,370 0,396 0,423 0,451 0,479 0,507 0,534 0,568 0,600 0,624 0,672 0,712 0,754 0,821 0,963
0,73 0,186 0,212 0,238 0,264 0,290 0,316 0,343 0,369 0,396 0,424 0,452 0,480 0,507 0,541 0,573 0,607 0,645 0,685 0,727 0,794 0,936
0,74 0,159 0,185 0,211 0,237 0,263 0,289 0,316 0,342 0,369 0,397 0,425 0,453 0,480 0,514 0,546 0,580 0,618 0,658 0,700 0,767 0,909
0,75 0,132 0,158 0,184 0,210 0,236 0,262 0,289 0,315 0,342 0,370 0,398 0,426 0,453 0,487 0,519 0,553 0,591 0,631 0,673 0,740 0,882
0,76 0,106 0,131 0,157 0,183 0,209 0,235 0,262 0,288 0,315 0,343 0,371 0,399 0,426 0,460 0,492 0,526 0,564 0,604 0,652 0,713 0,855
0,77 0,079 0,106 0,131 0,157 0,183 0,209 0,236 0,262 0,289 0,317 0,345 0,373 0,400 0,434 0,466 0,500 0,538 0,578 0,620 0,686 0,829
0,78 0,053 0,079 0,104 0,131 0,157 0,183 0,210 0,236 0,263 0,291 0,319 0,347 0,374 0,408 0,440 0,474 0,512 0,562 0,594 0,661 0,803
0,79 0,026 0,062 0,078 0,104 0,130 0,153 0,183 0,209 0,236 0,264 0,292 0,320 0,347 0,381 0,403 0,447 0,485 0,525 0,567 0,634 0,776
0,80 0,026 0,062 0,078 0,104 0,130 0,157 0,183 0,210 0,238 0,266 0,294 0,321 0,355 0,387 0,421 0,459 0,499 0,541 0,608 0,750
0,81 0,026 0,062 0,078 0,104 0,131 0,157 0,184 0,212 0,240 0,268 0,295 0,329 0,361 0,395 0,433 0,473 0,515 0,582 0,724
0,82 0,026 0,062 0,078 0,105 0,131 0,158 0,186 0,214 0,242 0,269 0,303 0,335 0,369 0,407 0,447 0,496 0,556 0,696
0,83 0,026 0,062 0,079 0,105 0,132 0,160 0,188 0,216 0,243 0,277 0,309 0,343 0,381 0,421 0,463 0,536 0,672
0,84 0,026 0,053 0,079 0,106 0,140 0,162 0,190 0,217 0,251 0,283 0,317 0,355 0,395 0,437 0,504 0,645
0,85 0,027 0,053 0,080 0,108 0,136 0,164 0,194 0,225 0,257 0,291 0,329 0,369 0,417 0,476 0,620
0,86 0,026 0,053 0,081 0,109 0,137 0,167 0,198 0,230 0,265 0,301 0,343 0,390 0,451 0,593
0,87 0,027 0,055 0,082 0,111 0,141 0,172 0,204 0,238 0,275 0,317 0,364 0,425 0,567
0,88 0,028 0,056 0,084 0,114 0,145 0,177 0,211 0,248 0,290 0,337 0,398 0,540
0,89 0,028 0,056 0,086 0,117 0,149 0,183 0,220 0,262 0,309 0,370 0,512
0,90 0,028 0,058 0,089 0,121 0,155 0,192 0,234 0,281 0,342 0,484
0,91 0,030 0,061 0,093 0,127 0,164 0,206 0,253 0,314 0,456
0,92 0,031 0,063 0,097 0,134 0,176 0,223 0,284 0,426
47

Tabela de bancos capacitivos em 380 V (220 V para monofásicos)


Módulos Monofásicos Módulos Trifásicos
0,83 kVAr 3x0,83 kVAr 3x5+3x0,83 kVAr
1,67 kVAr 3x1,67 kVAr 3x5+3x1,67 kVAr
2,50 kVAr 3x2,50 kVAr 3x5+3x2,50 kVAr
3,33 kVAr 3x3,33 kVAr 3x5+3x3,33 kVAr
3x5,00 kVAr 6x5,00 kVAr

Exercícios de fixação: utilizando a Tabela de correção, dimensione o banco


capacitivo para cada um dos motores abaixo:
a) Motor trifásico de 12,5 cv, com rendimento de 88,0 % e cosφ = 0,88;
b) Motor trifásico de 25 cv, com rendimento de 91,0 % e cosφ = 0,83;
c) Motor trifásico de 50 cv, com rendimento de 92,0 % e cosφ = 0,84.

8.5 Exercícios

1 – Para cada um dos casos abaixo, calcule as potências ativa, reativa e


aparente e monte o triângulo de potências:
a) Circuito RL série com R = 4,1 Ω e L = 30 mH, fonte de 220 V 60 Hz;
b) Circuito RC paralelo com R = 40 Ω e C = 120 µF, fonte de 120 V 60 Hz;
c) Circuito RLC série com R = 15 Ω, L = 120 mH, C = 220 µF, fonte de 127
V 60 Hz.

2 – Para cada um dos casos, calcule as potências ativa, reativa e aparente e


monte o triângulo de potências:
a) Motor trifásico de 10 cv, com η = 90,5% e cosφ = 0,82;
b) Motor trifásico de 75 cv, com η = 92,3% e cosφ = 0,78;
c) Motor trifásico de 100 cv, com η = 91,8% e cosφ = 0,80.

3 – Para cada um dos casos, dimensione o banco de capacitores necessário


para elevar o fator de potência a 0,93:
a) Motor trifásico de 50 cv, com η = 89,2% e cosφ = 0,75;
b) Motor trifásico de 20 cv, com η = 87,6% e cosφ = 0,87;
c) Motor trifásico de 150 cv, com η = 94,1% e cosφ = 0,77;
d) Motores trifásicos, sendo um com 15 cv, η = 88,6% e cosφ = 0,84, e
outro de 25 hp, η = 90,3% e cosφ = 0,81.

4 – Para cada um dos casos, dimensione o banco de capacitores necessário


para elevar o fator de potência a 0,94 e monte os triângulos de potência original
e o corrigido:
a) Motor trifásico de 30 hp, com η = 91,2% e cosφ = 0,82;
b) Motor trifásico de 75 cv, com η = 92,9% e cosφ = 0,76;
c) Motor trifásico de 150 cv, com η = 93,4% e cosφ = 0,78.

5 – Dimensione um banco de capacitores para o conjunto de cargas a seguir:


Carga Potência nominal Rendimento Fator de potência
Motor trifásico 30 cv 88,3% 0,86
Motor trifásico 75 hp 91,0% 0,76
Motor trifásico 100 hp 92,8% 0,81