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a de proteger esse direito? O que seu cliente pretende?

Qual é o

foro competente? Quais as provas documentais essenciais para o caso?

Com os dados da primeira etapa, o profissional e/ou o aluno poderão

preencher o esquema exposto em seguida, da segunda etapa, que os orientará

na elaboração da petição inicial, indicando os pontos essenciais do caso.

(2) Na segunda etapa devemos indicar o assunto envolvido, a pretensão

do cliente e a solução adequada ao caso.

O assunto envolvido: neste momento você indicará o que subtraiu da

leitura, por exemplo: um casal, cujo matrimônio ocorreu em __/__/__, que

tem 2 (dois) filhos menores impúberes, possuindo bens, casados pelo regime

da comunhão universal, não estando morando mais sob o mesmo teto há 30

(trinta) dias, em virtude da falta de afeto dos últimos anos, situação que a

mãe vem omitindo da família. Os filhos estão com o pai, e a mãe não aceita

a separação. Esta mora em São José do Rio Preto – SP e os demais em

Taubaté – SP.

A pretensão: neste momento você deve indicar exatamente qual é a intenção

de seu cliente: o marido procurou seus serviços porque pretende se divorciar

e ter a guarda dos filhos.

A solução: a ação adequada, neste caso, para obter o divórcio e a fixação

de guarda é a ação de divórcio judicial litigiosa com pedido de guarda dos

filhos, indicação de partilha de bens e regulamentação de visitas. Se for

possível, durante essa etapa, anote artigos de lei e/ou comentários doutrinários

ou jurisprudenciais sobre o problema. O pedido será de declaração do

divórcio do casal e homologação dos termos de partilha, de guarda e visitas,

descritos na petição. Quanto maior o número de detalhes da solução, mais

requisitos da petição inicial se estarão antecipando. Portanto, aqui, eu também

indicaria o foro competente como algo essencial e oportuno; a juntada de

documentos essenciais, como as certidões de casamento e nascimento dos

filhos, os títulos de propriedade dos bens; a necessidade de intimação do

Ministério Público etc.

A escolha da ação não pode prescindir da observação de que precisamos


ter uma noção dos processos e ritos possíveis, conforme se identifica abaixo:

• processo de conhecimento (rito comum);

• processo de execução (execuções típicas);

• procedimentos especiais do CPC (jurisdição voluntária e involuntária);

• procedimentos especiais de leis extravagantes (Juizado Especial, ação

de despejo etc.).

De maneira mais completa, inclusive com os nomes jurídicos das ações,

você pode encontrar esse rol no sumário de seu Código de Processo Civil.

A escolha da ação adequada se faz por exclusão. Você deve começar

verificando os procedimentos mais especiais e, por exclusão, migrar para os

menos especiais, até chegar, caso não ocorra enquadramento anterior, ao rito

comum ordinário.

Mas, como identificar o rito e a ação? Entenda que preciso de um processo

de conhecimento quando estou diante de uma lide, um conflito de interesses e

que preciso do Poder Judiciário para definir quem tem razão nesse conflito e

que direitos derivam dele. Neste caso preciso de um processo de

conhecimento. Por outro lado, se tenho um crédito que não foi pago na data

prevista representado por um documento, como um contrato ou uma nota

promissória, por exemplo, posso avaliar que não preciso do Poder Judiciário

para conhecer meu direito, mas apenas para determinar que meu direito

previsto naquele documento seja cumprido. Neste segundo caso, preciso de um

processo de execução. Por fim, diante de algumas situações peculiares, pode

ser que efetivamente nem o processo de conhecimento nem o de execução

resolvam o problema, e para isso existem os procedimentos especiais, como a

consignação em pagamento, as ações possessórias, a ação monitória etc.

Por exemplo, se nos depararmos com um caso de acidente de trânsito

envolvendo veículos, precisamos, por exclusão, verificar se se enquadra no

Juizado Especial ou no procedimento ordinário do CPC vindo do rito especial

até onde encontrarmos parâmetros de identificação da ação a ser proposta.

Caso exista um documento escrito que não é um título executivo, mas revela a

existência de uma dívida, e o cliente pretenda receber seu crédito, sabemos


que não podemos ingressar com um processo de execução, pois existe uma

situação fora do comum que é resolvida pela ação monitória, de procedimento

especial.

Então, até agora, temos duas etapas perfeitamente definidas:

�• PRIMEIRA ETAPA = execução de uma primeira leitura simples, depois

uma leitura crítica e, por fim, uma leitura com fixação de pontos

essenciais.

• SEGUNDA ETAPA = definição do assunto, da pretensão e da solução.

(3) A terceira etapa é o preenchimento dos dados basilares que formarão a

petição inicial, indicando seus elementos e requisitos essenciais por meio de

um esquema facilitador. Este demonstra os elementos formadores da petição

inicial, com seus aspectos individualizados, que servirão de guia na

elaboração efetiva da peça. Antes de redigir a petição propriamente dita, o

aluno e/ou o profissional precisam preencher esse esquema, e depois a

elaboração será essencialmente facilitada.

O roteiro a seguir demonstra os pontos que devem ser considerados pelo

profissional ou aluno nesta terceira etapa. A tabela abaixo considera os itens

da regra geral de formação a petição inicial, com base nos requisitos do art.

319 do Novo CPC. No processo comum, de conhecimento, haverá possíveis

variações ao considerarmos as “tutelas de urgência”. No mesmo sentido, como

veremos à frente desta obra, a estrutura mudará nas petições iniciais do

processo de execução e/ou dos procedimentos especiais. Sobre cada um deles

faremos um estudo especial nos subitens deste capítulo.

PREÂMBULO

• Endereçamento (competência) (arts. 42/115 do Novo CPC)

• Autor (legitimidade ativa)

• Ação

• Réu (legitimidade passiva)

FATOS E FUNDAMENTOS JURÍDICOS

• Fatos

• Fundamentos jurídicos
PEDIDOS

• Pedido específico da demanda (arts. 322/329 do Novo CPC)

• Pedido de procedência e de condenação em verbas de sucumbência

• Manifestação sobre audiência de conciliação (art. 334 do Novo CPC)

• Outros requerimentos

• Protesto por provas

• Valor da causa (arts. 258/261 Novo CPC)

• Fechamento

Vamos fazer agora, com base em tudo o que já foi visto, recorrendo às três

etapas de facilitação da construção de nossa petição