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Rita de Cássia Soares da Silva

Ra 8049271

Primeiro Portfólio
Perspectivas de Desenvolvimento
e Aprendizagem Infantil

Trabalho apresentado ao Centro


Universitário Claretiano para a
disciplina de Educação de Crianças, Jovens e
Adultos e Psicologia do Desenvolvimento,
como requisito parcial para obtenção de
avaliação, ministrado pela professora: Lilian
Paula Degobbi Bergamo.

São Paulo
2018
DESENVOLVIMENTO INFANTIL: PIAGET E VYGOTSKY

Tanto Piaget como Vygotsky, abordam o desenvolvimento e os processos de


aprendizagem com base nos princípios internacionalistas (PALANGA, 1994). Para Vygotsky
“de fato, aprendizado e desenvolvimento estão inter-relacionados desde o primeiro dia de
vida da criança” (VYGOTSKY, 2010, p. 110). Sendo assim, o desenvolvimento e o
aprendizado do homem acontecem quando estamos em contato com o outro. No universo
infantil, a criança aprende quando se relaciona em seu ambiente uma vez que, “todas as
funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: primeiro, no nível social, e,
depois, no nível intelectual; primeiro, entre pessoas e, depois, no interior da criança. ”
(VYGOTSKY, 2007, p. 57-58). Podemos entender, portanto, que o processo de
desenvolvimento e aprendizado ocorre em primeiro lugar, na interação da criança com o
outro, o que para Vygotsky se define como função interpsicológica. Na sequência a função
intrapsicológica ocorre no interior da criança. Para que isso ocorra é necessário que se
estabeleça uma interação entre as pessoas. (VYGOTSKY, 2010).
Já Piaget aborda principalmente a dimensão do desenvolvimento mental das crianças,
procurando explicar o desenvolvimento cognitivo a partir de vários processos como por
exemplo o pensar, o perceber, a comunicação e a linguagem, com foco principalmente na
inteligência. Ele afirmava que a inteligência era algo que mudava de forma gradativa
conforme a criança ia se utilizando dela. Partindo que da forma mais básica de comunicação,
adaptando-se ao ambiente até passar de uma inteligência prática para a inteligência
propriamente dita elaborando hipóteses e resolvendo problemas, sem a necessidade de ter
presente “o concreto”. (GOMES, GHEDIN, 2011). Piaget, apresenta quatro períodos no
desenvolvimento cognitivo, ligados de forma sensível ao desenvolvimento afetivo e de
socialização da criança. São eles: estágio da inteligência sensório-motora até 2 anos; estágio
da inteligência simbólica ou pré-operatória, de 2 até 7-8 anos; estágio da inteligência
operatória concreta, de 7-8 até 11-12 anos; estágio da inteligência operatória formal a partir de
12 anos. (Piaget, 1983; Piaget, 1967 in Ferracioli, 1999). Em cada um desses estágios,
encontraremos o surgimento de novas estruturas que são diferentes das anteriores, possuem
características momentâneas que são modificadas pelo desenvolvimento que vem a seguir,
consequência da necessidade de organização ou como o próprio Piaget (1981) explica: cada
estádio constitui então, pelas estruturas que o definem, uma forma particular de equilíbrio,
efetuando-se uma evolução mental no sentido de uma equilibração sempre mais completa (p.
14).
A seguir apresentaremos a segunda infância e suas principais características, conforme
leitura indicada para o desenvolvimento deste trabalho. Podemos considerar a segunda
infância, como um período que começa quando a criança atinge aproximadamente dois anos e
termina por volta dos seis ou sete anos. No que se diz respeito as habilidades psicomotoras,
aos dois anos aos cinco anos, a criança vai adquirindo sua representação do corporal,
compreende a lateralidade e a noção de tempo e espaço. A noção de esquerda e direita
(lateralidade) assim como a representação dos seus movimentos, já está presente em uma
criança de cinco anos. No que se diz respeito a questão da comunicação oral,
aproximadamente aos 20 meses surge a linguagem social, já associada ao cognitivo da criança
que possibilita que ela expresse seus pensamentos. Esse desenvolvimento é rápido e até os 30
meses, a criança já apresenta a “fala telegráfica”. Com quatro anos o uso essencial da língua
já está desenvolvido e aos cinco anos a criança já é capaz de usar estruturas sintáticas. Entre
sete e oito anos as conexões adverbiais já estão praticamente completas. A fase pré-escolar é
marcada também, pelo uso de símbolos para representar coisas e fatos (mudança do
pensamento sensório-motor para pré-operatório). Já o desenvolvimento da personalidade
ocorre segundo pesquisadores entre dois e seis anos, onde surgem conflitos relacionados a
identidade da criança em formação. A compreensão dos grupos sociais de convivência, se
evidência, assim como ocorrem os jogos de fantasia (pai, herói, monstro, princesa) e se torna
presente a formação da consciência moral do que é certo e errado e do conceito de
intencionalidade.
A Constituição Federal de 1988 apresenta em seu texto um olhar para a Educação
Infantil no país, visto que determina no artigo 208 que “é dever do Estado com a educação à
garantia de: IV – atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade”
(BRASIL, 1988, p. 57). Essa mesma determinação está ratificada textualmente no artigo 54
do Estatuto da Criança e do Adolescente, ECA, Lei nº. 8.069/1990 (BRASIL, 1990). Embora
o texto seja claro, considerando os estudos propostos em uma visão crítica, sabemos que essa
etapa da educação ainda precisa receber maior atenção. O poder público não destina verba e
investimento adequado na seja no material e tecnologias, seja na tão importante formação e
capacitação dos profissionais envolvidos no processo de ensino aprendizagem. Nesta faixa
etária os cuidados com higiene, alimentação por exemplo são imprescindíveis, mas não
devem ser um fim em si mesmo, pois neste caso a educação seria reduzida apenas ao
assistencialismo, o que infelizmente acontece em muitas Instituições. Por fim, assim como
outras etapas da Educação Básica, a educação infantil é um desafio para educadores e
pesquisadores da área.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, L.; SOUZA, T. N. Fundamentos da Educação Infantil. Batatais: Claretiano,


2013. Unidade 3

FERRACIOLI, L. Aspectos da construção do conhecimento e da aprendizagem na obra


de Piaget. Disponível em:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/download/6808/6292, acesso em 12 de
setembro de 2018.

GOMES, S.C.R; GHEDIN, E.: O desenvolvimento cognitivo na visão de Jean Piaget e


suas implicações a educação cinetífica. In
www.nutes.ufrj.br/abrapec/viiienpec/resumos/R1092-2.pdf, acesso em 12 de setembro de
2018
NÓBREGA, E.V.B. Vygotsky e Piaget: uma visão paralela. In: Revista da Pós-Graduação
em Letras - UFPB João Pessoa, Vol. 6., N. 2/1, 2004 – p. 225-231.Disponível em:
http://www.periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/graphos/article/view/9553/5201. Acesso em 12
de setembro de 2018.
PALANGANA, I. C. Desenvolvimento e aprendizagem em Piaget e Vygotsky: a
relevância do social. São Paulo: Plexus, 1994
PIAGET, J. Lógica e Conhecimento Científico. Porto: Livraria Civilização, 1981

VYGOTSKY, Lev. S. Aprendizagem e desenvolvimento na Idade Escolar. In: Linguagem,


desenvolvimento e aprendizagem. Vygotsky, L. Luria, A. Leontiev, A.N. 11ª. Edição. São
Paulo: Ícone, 2010, p. 103-116