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DISFONIAS FUNCIONAIS

Aluna: Ana Letícia Bonfim Martins


Disfonias Funcionais

São desordens no comportamento vocal do indivíduo. Podem ter três causas diferentes:
- disfonias funcionais primárias por uso incorreto da voz
- disfonias funcionais secundárias por inadaptações vocais.
- disfonias funcionais por alterações psicogênicas.

As Disfonias funcionais primárias por uso incorreto da voz , podem ser favorecidas por dois fatores principais:
1) falta de conhecimento vocal: quando o indivíduo não possui noções básicas sobre a voz e suas possibilidades, inconscientemente gera
ajustes incorretos, a fim de obter uma boa produção vocal. Os principais desvios do uso correto da voz são: inspiração insuficiente,
compressão glótica excessiva ou insuficiente, uso excessivo de uma caixa de ressonância, ou ainda, uso insuficiente das caixas de
ressonância como todo.
2) modelo vocal deficiente: o indivíduo tenta fazer ajustes laríngeos, procurando aproximar-se de uma modelo que gostaria de ter, geralmente
de vozes profissionais famosas.
As Disfonias por inadaptações vocais, também são chamadas de disfonias funcionais secundárias.
São muito comuns, podendo ser tanto anatômicas, quanto funcionais, mas podem envolver várias regiões ou estruturas. Podemos ter
inadaptações vocais por: inadaptações respiratórias, inadaptações fônicas, e inadaptações ressonantais.
As disfonias funcionais secundárias são divididas em dois grupos: Inadaptações anatômicas e Inadaptações Funcionais.
As inadaptações anatomicas são divididas em quatro grupos:
- assimetrias laríngeas: são bastante frequentes, tem como consequencia mais comum a fadiga vocal, sobretudo se o indivíduo fizer uso
profissional da voz.
- fusão laríngea posterior incompleta.
- desvios na proporção glótica.
- alterações estruturas mínimas da prega vocal: envolvem simples variações anatômicas, até lesões da cobertura da prega vocal. O impacto
clínico, é a disfonia, relacionada a quantidade do uso da voz e também do grau de alteração.
As inadaptações funcionais: podem ser, incoordenação pneumofonorespiratória, alterações respiratórias, ressonantais ou laríngeas.
Disfonias funcionais por alterações psicogências: influência das emoções na voz.
As principais características vocais dos sujeitos com nódulos vocais são:

• Frequência fundamental baixa e intensidade de voz alta;

• Disfonia persistente ou recorrente e aguda com história de abuso vocal;

• O pitch vocal pode estar diminuído

• Voz pode ser rouca, soprosa, rouco-soprosa ou rouco-áspera.

• Dores na garganta, por causa da tensão na musculatura laríngea,

• Fadiga vocal.
Fenda triangular
A formação dos nódulos é antecedida geralmente por fenda triangular médio-posterior. Neste caso afenda é gerada por hipercinesia da
musculatura intrínseca e extrínseca do trato vocal. A hipercinesia promove a elevação da laringe, favorecendo o aumento da adução da
porção membranosa das pregas vocais. O atrito nesta região é intensificado, predispondo para o surgimento de nódulos nas pregas
vocais. A síndrome de tensão muscular em associação com a configuração glótica feminina
favorecem o surgimento de fenda triangular médio- posterior. Tal fato justifica a prevalência de nódulos vocais em mulheres.

Características:
Posterior: Representa o padrão de laringe feminino e quase não interfere na qualidade da voz. Não há indicação de fonoterapia. Pode evoluir para fenda médio-posterior apenas
se houver contração muscular excessiva.

Tipo: Voz adaptada.

Médio – posterior: Decorrente de contração excessiva (hipercinesia) da musculatura intrínseca da laringe. Geralmente antecede nódulos vocais. A fonoterapia é indicada e devem
ser realizados exercícios de suavização da voz com a utilização de sons de apoio

.Tipo: Voz soprosa, adaptada ou roucosoprosa.

Ântero – posterior: Dentre as fendas triangulares é a menos comum. Nesse caso ocorre pouca contração da laringe (hipocinesia). Na fonoterapia, devem ser realizados exercícios
de coaptação das pregas vocais. Comum em presbifonia e Parkinson.

Tipo: Voz sussurrada extrema; voz soprosa e astênica (fraca).


Disfonia funcional por alteração psicogenita
A disfonia psicogénica caracteriza-se por alterações vocais resultantes de distúrbios psicológicos e está muito associada ao stress crónico, que
é cada vez mais prevalente na nossa sociedade.
a disfonia psicogénica consiste numa “afonia ou disfonia que ocorre como resultado de processos psicológicos alterados em que ocorre uma
perda súbita ou intermitente do controlo volitivo sobre o início e manutenção da fonação na ausência de patologia estrutural ou neurológica
suficiente para explicar a disfonia”. Embora possam ser observados padrões de tensão muscular na apresentação clínica da 6 disfonia
psicogénica, estes são secundários aos processos psicológicos que operam, não sendo tão significativos etiologicamente. A disfonia
psicogénica é um tema que raramente é abordado no contexto da Psiquiatria, mas tendo em conta que o diagnóstico e tratamento passam
pela abordagem dos factores psicossociais envolvidos na etiologia e manutenção da mesma, é importante que os profissionais de saúde
mental estejam informados de modo a trabalharem em conjunto com a ORL e terapia da fala.

Disfonia Orgânico-funcional
São disfonias de base funcional apresentado lesões secundárias, considerado uma etapa posterior as disfonias funcionais.
Aspectos importantes a serem observados:
- tamanho e localização da lesão ao longo da borda livre;
- presença ou não de assimetria laríngea;
- uniformidade da prega vocal;
- impacto da prega vocal contralateral, entre outros.
São consideradas lesões oraganofuncionais: nódulos, pólipos, edemas de Reinke, granuloma, leucoplasia da prega vocal,entre outras lesões.

DISFONIAS ORGÂNICAS
Este tipo de disfonia, independem do uso da voz, e se apresentam com causas variadas, como: malformações laríngeas, traumas, tumores (
malignos ou benignos), infecções, inflamações, entre outros.
Devemos considerar também, disfonias por síndromes, desordens neurológicas, doenças auto imunes, refluxo gastro esofágico (RGE).
Disfonias organofuncionais são alterações vocais que acompanham lesões benignas, decorrentes de comportamento vocal alterado ou inadequado 1,5,6, muitas
vezes ocorrendo ou sendo agravadas pela presença de fatores orgânicos como os distúrbios alérgicos e ou digestivos. Existe uma relação entre as queixas de
distúrbios alérgicos e/ou digestivos e a disfonia, uma vez que esses são co-fatores para o estabelecimento da disfonia e da lesão laríngea. A alta freqüência de
queixas de distúrbios alérgicos nos indivíduos com disfonia organofuncional.