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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

REPÚBLICA DE ANGOLA

PROJECTO DA LEI DO CINEMA,


AUDIOVISULA E MULTIMÉDIA

ORGANISMO PROPONENTE:
MINISTÉRIO DA CULTURA

LUANDA, MARÇO DE
2010

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

NOTA EXPLICATIVA DO PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL


E MULTIMÉDIA

Na Generalidade

Assiste-se, nos últimos anos, a um aumento considerável da


produção cinematográfica nacional e ao desenvolvimento dos processos
electrónicos, particularmente do audiovisual e multimédia, e
consequentemente a necessidade de garantir a segurança jurídica das
obras audiovisuais e multimédia, através da defesa dos direitos dos autores
das obras, bem como dos direitos dos artistas, intérpretes ou executantes
das mesmas.

Desde que Angola se tornou independente não foi publicada uma lei
sobre o Cinema e Audiovisual, salvo o Decreto Executivo 55/91,
regulamentando a exibição de videogramas.

Todavia, as mudanças políticas ocorridas na Sociedade Angolana, a


evolução dos condicionalismos próprios das relações internacionais
nomeadamente UA, SADC, CPLP e União Europeia/ACP, a inovação
tecnológica justificam que se crie um diploma regulador dos princípios
básicos e regras gerais aplicáveis ao sector.

A adesão de Angola à CPLP, SADC, a outras organizações


internacionais, exigem da área do Cinema e do Audiovisual maior liberdade
no estabelecimento de parcerias antevendo maior circulação de filmes e de
obras audiovisuais entre os estados membros e exigem o cumprimento das
normas da UE/ACP, como forma de possibilitar a obtenção de fundos
europeus para a actividade do Cinema, Audiovisual e Multimédia.

Pretende-se com o presente instrumento, entre outros, incentivar a


produção, distribuição e exibição das obras, audiovisuais e multimédia,
promover o desenvolvimento empresarial do sector do audiovisual, bem
como assegurar a representação e divulgação da produção cinematográfica
e videofonográfica a nível nacional e internacional, assim como promover a
formação profissional no domínio.

A Lei n.º 27/03, de 10 de Outubro, Lei do Depósito legal estabelece a


obrigatoriedade do depósito legal entre outros, de fonogramas, discos
compactos digitais, videogramas, vídeos educacionais, obra
cinematográficas, reproduções fotográficas ou videográficas produzidos em
exemplares múltiplos ou destinados à veiculação massiva, dispositivos
distribuídos por agências fotográficas e material audiovisual de natureza
publicitária, e consagra no seu artigo 8.ºa Biblioteca Nacional de Angola
como depositária legal. Nesta perspectiva, a fim de se compatibilizar o
presente instrumento ao disposto na lei acima referida, a Cinemateca
Nacional poderá exercer ou fazer o depósito das referidas obras, não a

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título de depositária legal mas como sub-depositária, atendendo ao


disposto no artigo 9.º da lei do depósito legal.

Na especialidade

O presente Projecto de Lei divide-se em 6 Capítulos:


Capítulo I – Das disposições gerais, com cinco artigos,
estabelece o objecto e objectivos da lei do cinema audiovisual e
multimédia, definições, nacionalidades das obras e o depósito legal das
obras cinematográficas e audiovisuais.

Capítulo II – Artes Cinematográficas e Videofonográficas;


com três secções e quinze artigos, refere-se à produção, protecção de
pessoas, bens e meio ambiente, bem como da distribuição, exibição e
difusão das obras audiovisuais e multimédia.

Capítulo III – Do Ensino e Formação Profissional, com um artigo,


refere-se ao ensino e formação profissional.

Capítulo IV - Registo, com um artigo, refere-se ao registo das


obras, empresas audiovisuais e multimédia e das entidades públicas e
privadas de formação profissional do sector audiovisual e multimédia.

Capitulo V – infracções, com dois artigos, refere-se às


infracções e a competência para aplicação das sanções.

Capitulo VI - Disposições Finais e Transitórias, refere-se à


regulamentação e as dúvidas e omissões.

PROJECTO DE LEI DO, CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

LEI N.º_____/10

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

DE DE

Considerando a importância do cinema como meio de educação,


valorização e preservação da identidade cultural dos povos;

Considerando a necessidade de fomentar a preservação das imagens


nacionais e a necessidade da divulgação da cultura nacional através do
cinema, audiovisual e multimédia;

Considerando a importância e o papel do audiovisual e do multimédia


na interacção própria dos processos de globalização;

Considerando a influência que o audiovisual e multimédia exercem no


processo de desenvolvimento económico;

Considerando a complexidade de situações e autores que intervêm


nos processos ligados ao cinema, audiovisual e multimédia;

Nos termos da alínea b) do artigo 88.º da Lei Constitucional, a


Assembleia Nacional aprova o seguinte:

LEI DAS ACITVIDADES AUDIOVISUAIS E MULTIMÉDIA

CAPITULO I
DISPOSIÇÕES GERAIS

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

ARTIGO 1º
Objecto

1. A presente lei estabelece as bases da política de promoção, produção,


distribuição, comercialização e exibição de obras audiovisuais e
multimédia, bem como para o seu resgate e preservação, fomento e
para o desenvolvimento da indústria audiovisual e multimédia.

2. A política do Cinema Audiovisual e Multimédia integra a promoção da


actividade e interdisciplinaridade institucionais entre o sector do
cinema, audiovisual e multimédia para a edificação da sociedade de
informação com os sectores da comunicação social, educação e
telecomunicações.

ARTIGO 2º
Objectivos

1. O Estado reconhece a importância artística, cultural, económica e social


das actividades audiovisuais e multimédia, enquanto instrumento de
cultura e entretenimento, para a fixação e afirmação da entidade
nacional e a valorização da imagem do país.

2. No âmbito da presente Lei, o Estado prossegue os seguintes objectivos:

a) Incentivar a produção, a distribuição, a exibição, a difusão e a edição


de obras, audiovisuais e multimédia;

b) Desenvolver os mercados de distribuição e exibição


cinematográfica nacional, promovendo e apoiando junto das
demais entidades do Estado, da Sociedade Civil e do público em
geral, a divulgação do audiovisual e multimédia;

c) Promover o desenvolvimento empresarial do sector do


audiovisual, quer incentivando a criação de empresas do sector
audiovisual e multimédia, quer criando incentivos, nomeadamente
fiscais e financeiros, que beneficiem as entidades do sector e as
que apoiarem o sector;

d) Promover a conservação do património cinematográfico e


audiovisual nacional ou existente em Angola;

e) Garantir a segurança jurídica das obras audiovisuais e multimédia,


através da defesa dos direitos dos autores das obras, bem como
os direitos dos artistas, intérpretes ou executantes das mesmas,
nomeadamente criando um sistema de registo apropriado;

f) Fomentar a co-produção e co-participação internacional,


nomeadamente com os Países da CPLP, SADC e PALOP, através da

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celebração de acordos bilaterais de cooperação e convenções


internacionais;

g) Assegurar a representação, como assim a divulgação e promoção,


da produção cinematográfica e vídeofonográfica, tanto a nível
nacional como a nível internacional;

h) Fomentar o ensino, a formação profissional, pesquisa e estudo, no


âmbito das actividades audiovisuais e multimédia;

i) Coordenar e incentivar as relações institucionais e intersectoriais


entre os organismos e órgãos do sector cinematográfico,
vídeofonográfico e multimédia entre si e com os sectores da
educação, comunicação social e telecomunicações e tecnologia;

j) Garantir a igualdade de acesso dos cidadãos a todas as formas de


expressão audiovisual e multimédia.

ARTIGO 3º
Definições

Para efeitos do presente diploma, entende-se nomeadamente por:

a) Actividade audiovisual: o conjunto de processos e actos


relacionados com a criação, a realização, a produção, a
distribuição, a exibição e a difusão de obras cinematográficas e
vídeofonográficas bem como a sua preservação;

b) Obra audiovisual: produto da fixação ou transmissão de imagens,


com ou sem som, com a finalidade de criar imagens em
movimento, independentemente da sua matriz de captação ou do
suporte utilizado para a sua fixação, veiculação ou reprodução;

c) Obra cinematográfica: obra audiovisual cuja matriz original de


captação é uma película com emulsão fotossensível ou matriz de
captação digital, cuja exibição e distribuição seja prioritariamente
o mercado de salas de cinema;

d) Obra vídeofonográfica: obra audiovisual cuja matriz original de


captação é um meio magnético com capacidade de
armazenamento de informações que se traduzem em imagens em
movimento, com ou sem som;

e) Obra multimédia: a criação de obras, dados ou outros materiais ou


elementos independentes, como textos, sons, imagens, números
ou factos, dispostos de modo sistemático ou metódico e
susceptíveis de acesso individual por meios electrónicos;

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f) Obra cinematográfica ou vídeofonográfica publicitária: aquela


cuja matriz original de captação é uma película com emulsão
fotossensível ou matriz de captação digital, com o objectivo de
publicidade e propaganda, exposição ou oferta de produtos,
serviços, empresas, instituições públicas ou privadas, partidos
políticos, associações, administração pública, assim como de bens
materiais e imateriais de qualquer natureza;

g) Obra cinematográfica ou vídeofonográfica de curta-


metragem: a de duração de tempo igual ou inferior a 15 minutos;

h) Obra cinematográfica ou vídeofonográfica de média-


metragem: a de duração superior a 15 minutos ou inferior a
setenta 70 minutos;

i) Obra cinematográfica ou vídeofonográfica de longa-


metragem: a de duração igual ou superior a 70 minutos;

j) Filme: o suporte material, em emulsão foto sensível ou matriz de


captação digital conforme cópia standard, de uma obra
cinematográfica destinada a projecção pública ou privada, ao qual
se refere o conjunto de direitos que permitem a sua exploração
comercial;

k) Filme comercial: o filme que se destina à exploração com fins


lucrativos, independentemente do seu formato e metragem;

l) Videograma: é o registo resultante da fixação em suporte material


estável, por processo electrónico ou digital, de imagens,
acompanhadas ou não de sons, destinadas à exibição pública ou
privada e difusão por operadores de televisão, incluindo a cópia de
obras cinematográficas;

m)Claquete de identificação: imagem fixa ou em movimento inserida


no início da obra cinematográfica ou vídeofonográfica contendo as
informações necessárias à sua identificação, de acordo com o
estabelecido em regulamento;

n) Produtor: a pessoa singular ou colectiva que reúne os meios


financeiros e os meios técnicos necessários à produção de uma
obra cinematográfica, videofonografica ou multimédia e os aplica
nesse fim;

o) Produtor cinematográfico, vídeofonográfico ou multimédia: a


pessoa singular ou colectiva com sede ou estabelecimento estável
no território nacional que tem como actividade principal a
produção cinematográfica, vídeofonográfica ou multimédia;

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p) Produtor cinematográfico, vídeofonográfico ou multimédia


angolano: a pessoa singular ou colectiva constituída sob as leis
angolanas com sede ou estabelecimento estável no território
nacional que tem como actividade principal a produção
cinematográfica, vídeofonográfica ou multimédia, cuja maioria do
capital total e votante seja de titularidade directa ou
indirectamente, de angolanos natos ou naturalizados há mais de 5
anos, os quais devem exercer de fato e de direito o poder
decisório da empresa;

q) Produtor cinematográfico, vídeofonográfico ou multimédia


estrangeiro: a pessoa singular ou colectiva estrangeira com
estabelecimento sucursal ou agência com carácter permanente
em território nacional que tem por actividade principal a produção
cinematográfica, audiovisual e multimédia;

ARTIGO 4º
NACIONALIDADE DAS OBRAS

1. Para os efeitos previstos na presente lei, compete ao Ministério da


cultura através do IACAM classificar as obras audiovisuais e multimédia,
como nacionais.

2. A atribuição e certificação a que se refere o número anterior têm como


princípios:

a) Ser produzida por produtor angolano;

b) Ser produzida em regime de co-produção ou co-participação de


entidade estrangeira desde que a participação de nacionais
angolanos no desempenho das tarefas fundamentais das
equipas técnicas e artísticas não seja inferior a 30%;

c) Serem financiadas em pelo menos 51% por entidades


angolanas;

d) Serem realizadas por profissional angolano ou estrangeiro


residente no País, se baseiem em argumento de autor angolano
ou adaptado por técnico nacional, seja falado em português ou
em qualquer língua nacional;

e) Ser realizada por realizador angolano ou estrangeiro residente


no País e utilizar para sua produção artistas e técnicos
angolanos ou residentes em Angola;

f) Sejam rodadas em pelo menos 51% em território nacional


desde que a participação de nacionais angolanos no
desempenho das tarefas fundamentais das equipas técnicas e
artísticas não seja inferior a 20%;

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g) Ser produzida, em regime de co-produção ou co-participação,


por empresa produtora angolana em associação com empresas
de outros países com os quais Angola não mantenha acordo de
co-produção, e haja sido assegurada uma titularidade mínima
dos direitos patrimoniais da obra e utilize para sua produção
artistas e técnico angolanos ou residentes em Angola;

h) Ser rodada no exterior, produzida por empresa produtora


angolana realizada por angolano ou estrangeiro residente em
Angola e que utilize para sua produção, no mínimo, 1/3 (um
terço) de artistas ou técnicos angolanos ou residentes em
Angola.

3. Considera-se obra audiovisual e multimédia estrangeira, toda a obra


audiovisual e multimédia que não obedece ao previsto no número
anterior.

4. O IACAM, poderá, mediante estritos critérios de interesse cultural


nacional e de modo excepcional, atribuir a qualificação de obra nacional
a obras que especialmente o justifiquem.

ARTIGO 5º
Depósito Legal Das Obras Cinematográficas E Audiovisuais

O depósito legal das obras cinematográficas, audiovisuais e multimédia,


previsto na Lei n.º27/03, de 10 de Outubro é exercido nos termos dos
artigos 8.º e 9.º da referida lei.

CAPITULO II
ARTES CINEMATOGRÁFICAS E VIDEOFONOGRAFICAS
Secção I
PRODUÇÃO
ARTIGO 6º
Incentivos

1. O Estado, através de atribuição de apoios financeiros, da criação de


mecanismos de incentivo ao investimentos e de acesso ao crédito, de
medidas fiscais, e da instituição do mecenato e pelo estabelecimento de
acordos de cooperação, bem como da adopção de outras disposições
fomenta a produção, a realização de co-produções, a promoção e a
difusão nacional e internacional de obras cinematográficas e
audiovisuais.

2. O Estado cria condições de fomento e desenvolvimento empresarial do


sector do audiovisual e multimédia.

3. O Estado institui prémios visando o reconhecimento público das obras e


dos profissionais do sector do audiovisual e multimédia.

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4. Nos termos do n.º1 do presente artigo constituem, dentre outras, fontes


de financiamento e desenvolvimento das artes audiovisuais e
multimédia a percepção das seguintes receitam:

a) Dotações do Orçamento do Estado;

b) Contribuições cobradas sobre o valor recebido pelas assinaturas dos


canais de televisão, assim como sobre as receitas das
transmissões televisivas condicionadas, pela prestação de serviços
de natureza televisiva, designadamente, transmissão de dados,
comércio electrónico, Internet e quaisquer serviços interactivos,
prestados pelos operadores das respectivas plataformas.

c) Taxa de exibição em salas de cinema;

d) Taxa sobre o preço de bilhetes;

e) Taxa de distribuição, nas suas formas de aluguer, comodato, venda e


exibição pública, de videofonogramas ou obras em suporte digital;

f) Taxa de exibição de filmes publicitários na televisão;

g) Taxa sobre a publicidade comercial exibida nas salas de cinema e


difundida pela televisão, abrangendo os anúncios publicitários, os
patrocínios, as televendas, o teletexto, a colocação de produtos
em palco e ainda a publicidade incluída nos guias electrónicos de
programação, qualquer que seja a plataforma de emissão, que
constitui encargo do anunciante.

ARTIGO 7º
Financiamento À Produção

As regras de financiamento à produção de obras objecto da presente lei,


são estabelecidas em diploma próprio, tendo em atenção os seguintes
princípios:

a) Atender, prioritariamente, ao desenvolvimento sustentado da


actividade dos produtores cinematográficos e videofonográficos;

b) Garantir o apoio continuado à produção e realização nacionais


consagradas, de reconhecido interesse público;

c) Assegurar o apoio a obras de reconhecido valor cultural e artístico, a


primeiras obras e a obras de carácter experimental;

d) Incentivar a produção de obras que contribuam para o aumento do


interesse do público;

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e) Atribuir os apoios de acordo com critérios técnicos objectivos, como


garantia de transparência no procedimento de atribuição;

f) Garantir a igualdade de oportunidades dos interessados.

ARTIGO 8º
Autorização de Rodagem

1. A rodagem ou gravação de obras audiovisuais ou multimédia em


território angolano, dependem de visto de rodagem a atribuir pela
entidade competente.

2. O visto de rodagem previsto no número anterior deve ser acompanhado,


entre outros elementos a definir por diploma regulamentar da presente
lei, de um comprovativo de intermediação seguradora.

3. O estabelecido no presente artigo é aplicável, com as adaptações


necessárias às obras de cariz publicitárias.

ARTIGO 9º
Efeitos do Visto de Rodagem

A apresentação do visto de rodagem implica o dever de colaboração de


todas as entidades públicas que devem conceder as autorizações
necessárias e tomar as medidas que forem adequadas a compatibilizar as
operações de rodagem com os interesses públicos que lhes couber
defender.

ARTIGO 10º
Produção Internacional Em Território Nacional

Nos termos das disposições legais aplicáveis, o Estado promoverá, a


produção de obras audiovisuais internacionais em território nacional,
nomeadamente através de facilidades de fronteira, permissão temporária
de trabalho, de desembaraço alfandegário, e circulação de pessoas,
equipamentos e outros bens.

SECÇÃO II
PROTECÇÃO DE PESSOAS E BENS E DO MEIO AMBIENTE

ARTIGO 11º
Responsabilidade Civil do Produtor

1. Compete ao produtor velar para que a rodagem ou gravação se


processe sem causar danos ou colocar em risco as pessoas, património
e o ambiente.

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2. Sempre que as necessidades de produção imponham a rodagem ou


gravação de cenas que impliquem situações de perigo - explosões,
incêndios, ruídos anormais ou quaisquer outras situações causadoras de
riscos ou incómodo – o produtor tem o estrito dever de assegurar que
são tomadas todas as medidas nomeadamente junto das entidades
competentes, no sentido de eliminar ou minimizar aqueles danos, riscos
ou incómodos.

3. O produtor responde pelos danos causados durante a rodagem ou


gravação, assim como nas operações preparatórias ou complementares
da mesma, nos termos da lei.

ARTIGO 12º
Intermediação seguradora

É obrigatória a transferência da responsabilidade civil do produtor, prevista


no nº 2 do artigo 11º, para entidade seguradora.

ARTIGO 13º
Certificado de Aptidão Profissional

As actividades técnicas e artísticas ligadas à produção nacional audiovisual


e multimédia, nomeadamente nas áreas de produção, fotografia,
iluminação, sonoplastia, realização, cenografia e montagem/edição, que
tenham recebido apoio de entidade pública, são exercidas por pessoas
credenciadas com certificado de aptidão profissional emitido pelo
organismo de tutela.

Secção III
DISTRIBUIÇÃO, EXIBIÇÃO E DIFUSÃO

ARTIGO 14º
Distribuição, Exibição E Difusão

1. O Estado adopta medidas de apoio aos produtores para a


distribuição, exibição, difusão e promoção de obras audiovisuais e
multimédia nos mercados nacional e internacional, a regular por
diploma próprio.

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2. O Estado adopta medidas de apoio aos exibidores


cinematográficos que tenham uma programação regular de obras
audiovisuais angolanas.

3. O Estado estabelece com os Governos Provinciais, Administrações


municipais e Autarquias Locais condições tendentes a assegurar o
funcionamento de salas polivalentes, tendo em vista:

a) Impedir o desaparecimento de salas de cinema que desempenhem


um papel importante na exibição cinematográfica da respectiva
zona;

b) Incentivar a criação de salas de cinema;

c) Promover a modernização das salas existentes.

ARTIGO 15º
Licença De Distribuição E Exibição

1. A distribuição e a exibição, incluindo a venda, aluguer e comodato, de


obras cinematográficas e vídeofonográficas, destinadas à exploração
comercial dependem de prévia emissão de licença emitida pelo órgão de
tutela nos termos que este venha a definir.

2. Sem prejuízo do previsto no artigo 30.º da Lei n.º 4/90,Lei dos Direitos
de Autor, estão isentas de pagamento de taxas que venham a ser
estabelecidas, as exibições com carácter excepcional de obras
audiovisuais por entidades que os realizem sem fins lucrativos,
nomeadamente as entidades organizadoras de festivais, mostras e
ciclos de cinema e vídeo.

ARTIGO 16º
Legendagem E Dobragem

1. É obrigatória a legendagem ou dobragem em português ou línguas


nacionais de obras audiovisuais destinadas à exploração comercial
falados originalmente em língua estrangeira.

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

2. Excluem-se do disposto no número anterior os filmes destinados


exclusivamente à projecção em salas de cinema especializadas na
exibição de filmes estrangeiros na língua de origem, mostras e ciclos
de cinema e vídeos.

3. A dobragem ou legendagem em línguas nacionais será facultativa


quando a exibição for feita em localidade onde haja um domínio da
língua portuguesa, ou quando as condições técnicas assim exigirem.

ARTIGO 17º
Exibição de Obras Nacionais

1. A exibição de obras nacionais é assegurada por todos os distribuidores e


exibidores cinematográficos com actividade comercial em território
nacional.

2. O número de obras nacionais a exibir por cada distribuidor e exibidor


cinematográfico é determinado tendo em atenção a respectiva
percentagem em relação ao número de ecrãs no território nacional e o
volume de obras por si distribuídas ou exibidas.

ARTIGO 18º
Cinema, Televisão e Vídeo

1. Os filmes exibidos no circuito comercial só podem ser objecto de difusão


televisiva dois anos após a data da respectiva estreia no País.

2. O prazo referido no número anterior é reduzido a um ano no caso de a


estação difusora ser co-produtora da obra.

3. A distribuição e exibição pública de videogramas que sejam cópia de


obra cinematográfica, só podem ter lugar decorrido um ano após a data
do início da respectiva exploração em sala.

4. Os prazos previstos nos números anteriores podem ser reduzidos até


metade, mediante acordo entre a estação televisiva ou o editor
videofonográfico e os titulares dos direitos sobre a obra.

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

5. O disposto nos números 1 e 2 não obsta a que as obras


cinematográficas não exibidas em sala, sejam directamente exploradas
no mercado televisivo.

6. A aplicação do previsto no número anterior aos filmes que tenham


beneficiado de assistência financeira do Ministério da Cultura através de
entidade pública carece de acordo expresso desta.

ARTIGO 19º
Obras Audiovisuais Publicitárias

1. As legendas, a locução e o diálogo das obras audiovisuais publicitárias,


deverão ser, obrigatoriamente, em língua portuguesa e, ou, em línguas
nacionais, sem prejuízo de se poder utilizar a título excepcional palavras
ou expressões em língua estrangeira, quando necessárias à obtenção do
efeito desejado, na concepção do anúncio.

2. Os filmes e vídeo fonogramas publicitários que não obedeçam ao


disposto no número anterior só pode ser exibidos ou difundidos em
Angola.

3. A exibição ou difusão de filmes e de videogramas publicitários depende


da prova da efectivação do registo público e do depósito legal.

4. A exibição de obra publicitária cinematográfica ou vidoefonográfica está


sujeita ao pagamento de taxa de exibição, nos termos que venham a ser
definidos.

CAPÍTULO III
DO ENSINO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL

ARTIGO 20º
Ensino e Formação Profissional

1. O Estado incentiva à formação profissional o ensino das artes


audiovisuais e multimédia no sistema educativo, nas áreas de projectos
específicos, investigação e desenvolvimento, inovação na produção e
difusão cinematográficas, com o objectivo de estimular, aprofundar e
diversificar a formação contínua dos profissionais do sector.

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

2. Nos termos do n.º 1 do presente artigo, o Governo, através dos


Ministérios de tutela da Cultura, Educação, Ciência e Tecnologia,
Finanças e do Emprego e Segurança Social organiza e executa,
anualmente, um programa de apoio institucional à formação profissional
no domínio do audiovisual e do multimédia, enquanto tal se justificar.

CAPÍTULO IV
REGISTO

ARTIGO 21º
Registo

1. Estão sujeitos a registo, no Ministério da Cultura, através do órgão


competente as obras, empresas audiovisuais e multimédia e as
entidades públicas e privadas que ministrem formação profissional no
sector do audiovisual e multimédia.

2. O registo a que se refere número anterior é feito qualquer que seja a


natureza das obras e empresas independentemente do género, formato,
suporte e duração, produzidas, distribuídas ou exibidas em território
nacional, ou natureza da entidade que ministra a formação e
características desta.

CAPÍTULO V
INFRACÇÕES

ARTIGO 22º
INFRACÇÕES

1. Constituem infracções punível com multa de:

a) UCF 5.000,00 a rodagem ou gravação de obras audiovisuais ou


multimédia em território nacional sem visto de rodagem;

b) UCF 3.000,00 o exercício, não credenciado, das actividades previstas


no artigo 13.º;

c) UCF 5.000,00, a falta de licença de distribuição e exibição prevista no


artigo 16.º do presente;

d) UCF 2.000,00 a inobservância do previsto no n.º 3 e no n.º 4 do artigo


19.º do presente;

e) UCF 2.000,00, a falta de registo nos termos do artigo 21.º;

2. Sem prejuízo do disposto no número anterior, atendendo a gravidade da


infracção a inobservância do disposto no presente diploma, é
sancionado com:

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

a) Suspensão do exercício da actividade;

b) Proibição do exercício de actividade.

3. A aplicação das sanções previstas nos números anteriores não prejudica


a aplicação do previsto na lei dos direitos de autor, no Regulamento de
Espectáculos e Divertimentos Públicos, bem como do previsto na
legislação penal e civil aplicável.

ARTIGO 23º
Competência

1. A aplicação das multas por infracções previstas no presente


diploma compete ao Instituto Angolano do Cinema Audiovisual
Multimédia.

2. Compete ao Ministério da Cultura, através dos órgãos


competentes, a aplicação das sanções previstas no n.º2 do artigo
anterior.

CAPÍTULO VI
DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

ARTIGO 24º
Regulamentação

1. O presente diploma deve ser regulamentado pelos Governo no


prazo de 90 dias após a sua publicação.

2. As taxas previstas no artigo 6º são estabelecidas por Decreto


Executivo Conjunto do Ministro das Finanças do e Ministro da Cultura.

Artigo 25º
Dúvidas e Omissões

As dúvidas e omissões suscitadas na interpretação e aplicação da presente


lei são resolvidas pela Assembleia Nacional.

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PROJECTO DE LEI DO CINEMA, AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA

Visto e aprovada pela Assembleia Nacional, em Luanda, aos

O PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA NACIONAL,

ANTONIO PAILO KASSOMA

Promulgado em

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA,

JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS

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