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Material de Apoio – Leitura Necessária e Obrigatória

Teologia de Umbanda Sagrada – EAD – Curso Virtual


Ministrado por Alexandre Cumino

Texto 297

Os Pontos Riscados na Umbanda


Texto extraído do Livro “Umbanda Sagrada”, Rubens Saraceni, Ed. Madras.

Os pontos riscados são um mistério e um dos fundamentos divinos da religião umbandista, pois desde as
primeiras manifestações espirituais os guias de lei de Umbanda já riscavam seus pontos de "firmeza" de
trabalhos, de identificação da sua "linha", de "descargas" etc.
Isso é de conhecimento amplo, e muitos escritores umbandistas da primeira metade do século XX
registraram em seus livros muitos pontos riscados dos "seus" guias ou de outros, coletados por eles em seus
estudos sobre esse mistério da Umbanda.
Os pontos riscados sempre despertaram a curiosidade dos médiuns umbandistas e não foram poucos os
que se dedicaram ao estudo deles, procurando entender o segredo de suas funcionalidades, assim como os
significados dos signos e símbolos "cabalísticos" inscritos neles pelos guias espirituais.
Muitos livros com pontos riscados foram publicados, e eu tenho alguns impressos de cerca de 50 anos
atrás, cujos autores visitavam os centros e copiavam os pontos que os guias riscavam, pois era comum o hábito
de se riscar pontos para firmeza, descarga ou virada de magias negativas.
Mas se os guias deixavam que fossem copiados e publicados, no entanto eram reticentes quanto aos
significados dos signos e símbolos que inscreviam.
O máximo que revelavam era sobre a "falange" à qual pertenciam ou qual eram as linhas de orixás ali
firmadas.
Esse silêncio dos guias levou muitos umbandistas a buscar informações em autores estrangeiros e em
antigos livros de magia importados da Europa, pois o assunto era instigante e muitos dos signos e símbolos
riscados nos pontos eram iguais aos dos "selos", pantáculos e alfabetos mágicos coletados por iniciados e
pesquisadores europeus que se dedicavam ao estudo da magia, da teurgia, da escrita mágica e da simbologia.
Mas como faltavam os reais fundamentos dos alfabetos mágicos, dos signos e dos símbolos, porque
desconheciam o mistério das divindades que os regem, os umbandistas continuaram sem saber muita coisa
sobre os pontos riscados pelos seus guias espirituais, que pouco revelavam sobre este mistério.
Eu mesmo me dediquei por vários anos ao assunto e pouco descobri nos livros à disposição. Quando eu
inquiria algum guia sobre o mistério dos pontos riscados, só obtinha explicações parciais ou evasivas, e ouvia a
recomendação de continuar minha busca porque um dia eu encontraria em mim mesmo a resposta sobre este
mistério.
Depois de procurá-la por anos e anos, acabei desistindo e aquietando minha curiosidade. E quando recebi
mensagens de alguns espíritos, que posteriormente resultaram na primeira edição deste livro, escrevi em sua
apresentação que os médiuns de Umbanda deviam confiar nos seus guias, pois eles dominavam a ciência dos
pontos riscados durante os trabalhos espirituais.
Em 1990, na sua apresentação, escrevi isto: “Para aqueles que se dedicam ao ritual (de Umbanda) de
uma maneira iniciática, podemos argumentar com aquilo que os mestres da luz nos transmitiram em outras
obras (de outros autores inspirados), e que nos inspiram profunda sabedoria, ou seja, que a Umbanda traz em
si energia divina viva e atuante, à qual nos sintonizamos a partir de nossas vibrações mentais, racionais e
emocionais. Energias estas que se amoldam segundo nosso entendimento do mundo.”
Hoje, 11 anos depois, estou mais convencido ainda sobre o acerto dessa minha afirmação. Médiuns sem
conhecimentos ocultistas, mas movidos pela fé e pelo amor, têm realizado um trabalho magnífico dentro da
Umbanda, pois esta mesma fé e amor são as chaves-mestras que ativam os mistérios dos nossos amados Orixás
durante seus trabalhos espirituais.
Estes médiuns (a maioria dentro da Umbanda) entendem pouco de ocultismo e esoterismo, e, no entanto,
curam pessoas, abrem seus “caminhos”, cortam demandas, harmonizam lares etc., movidos unicamente pela
fé e amor que vibram e que os colocam em sintonia vibratória com a energia divina viva e atuante (os orixás)
que a Umbanda traz em si.
Esses médiuns, movidos pela fé e amor, são a prova viva de que, em religião, os sentimentos valem mais
que os conhecimentos ocultistas, iniciáticos ou esotéricos. Já que, se não vibrarmos fé e amor, não ativamos os
sagrados orixás (as energias vivas divinas e atuantes que a Umbanda traz em si).
Mas também escrevi isto:
“Àqueles que se interessam pelos aspectos iniciáticos, podemos dizer que tudo o que disserem ou
fizerem, desde que esteja de acordo com a lei, e vier a ser fonte elucidativa dos mistérios contidos na
Umbanda, encontrará correspondência energética no astral, pois o princípio (o mistério) se amoldará ao
conhecimento que transmitem.”
Mais uma vez o tempo me confirmou, pois nestes 11 anos posteriores encontrei médiuns dotados de
conhecimentos ocultistas, que os adquiriram em fontes não umbandistas, mas que os adaptaram aos seus
trabalhos espirituais e têm sido luzes na vida das pessoas que atendem. Também escrevi isto:
“Se dizemos isto é porque os mestres nos ensinam que o „verbo‟ não está contido numa só língua ou
grafia iniciática (alfabeto ou escrita mágica), mas que, quando verdadeira é a língua ou grafia, através dela o
„verbo‟ (Deus) se manifesta.
Logo, se um irmão de fé num grau não iniciático, mas instruído pelo seu mentor, riscar um ponto análogo
às forças do seu regente (orixá), ativará forças análogas àquelas ativadas pelo mais profundo dos conhecedores
da lei de pemba, ainda que não tenha conhecimento desta, pois não se deu ao trabalho de conhecê-la ou de
buscar níveis conscienciais (conhecimentos) mais sutis (elevados).
Isto é assim porque todo médium de Umbanda, não importando seu grau, é o aparelho incorporado pelos
guias, mentores e orixás. E esta incorporação se processa tanto no médium que está se iniciando no ritual
quanto no médium já iniciado nos seus mistérios mais profundos.”
O tempo mais uma vez confirmou quando, finalmente, encontrei as respostas sobre as escritas mágicas, e
fui autorizado a ensiná-la de forma aberta nos meus cursos de magia. Vi pessoas que não são médiuns riscarem
pontos cabalísticos, e após ativa-los com as evocações que lhes ensinei realizarem ações magníficas, tais como:
anular magias negras, curar pessoas, harmonizar famílias etc., sempre movidos pela fé, amor, confiança e
determinação (as chaves da magia e de tudo o mais a que nos propomos realizar em nossa vida).
De fato, o “verbo”, que é Deus, não está contido numa só língua (um alfabeto mágico) ou numa só grafia
(escrita mágica), pois todas as línguas e grafias já compiladas no campo da magia são partes de um código
divino, no qual as línguas (mantras) e as grafias (os signos mágicos), até agora abertos para o plano material,
são tão poucos e tão limitados que não devemos nos envaidecer ou nos assoberbar com o que recebemos.
A abertura do mistério das ondas vibratórias geradas e irradiadas pelos sagrados orixás nos revelou algo
inimaginável até então em toda a história da magia: todos os alfabetos (línguas) e todas as grafias (símbolos e
signos) são inscrições dessas ondas vivas divinas e atuantes, cujos “pedacinhos” formam letras ou signos com
poderes mágicos.
Após abertura do mistério das escritas mágicas no ano de 1995, tudo o que eu sempre havia procurado
me foi revelado e comecei a entender os alfabetos, os símbolos e os signos da magia riscada simbólica usada
pelos guias de Umbanda. E isso só confirmou o que eu havia escrito na primeira apresentação deste livro, agora
revisado e ampliado, pois junto com esta revelação vieram muitas outras sobre os sagrados orixás e os
fundamentos divinos da nossa religião.
De fato, se um médium, incorporado ou instruído pelo seu guia, mentor ou orixá, risca um ponto
“cabalístico”, este terá um poder de realizar toda uma ação magística, pois ele conhece profundamente este
mistério da Umbanda.
O médium pode não conhecê-lo, mas seu guia de lei conhece e usa sempre que é preciso, pois ele (o
guia) é um espírito “iniciado” nos mistérios dos orixás e uns se apresentam como de Ogum, outros se
apresentam como de Oxóssi etc.
Com estas minhas explicações de agora, espero que as pessoas, que então me criticaram, entendam que
eu havia escrito uma verdade. Elas é que não se deram ao trabalho de refletir sobre ela, porque, com certeza,
não inventamos as grafias mágicas usadas, já que nas suas primeiras manifestações os guias de lei já riscavam
seus pontos de descarga ou de firmeza dos terreiros de Umbanda onde incorporavam.
Se riscavam, riscam e sempre riscarão flechas, espadas, luas, cruzes, sóis, triângulos etc. em seus
pontos, hoje sabemos que todos esses signos e símbolos mágicos são parte de uma escrita mágica tão vasta,
que o livro A Escrita Mágica dos Orixás é só uma página do imenso Código da Magia Riscada, a ser publicado
futuramente por nós.
Saibam que tudo o que já sabemos e que um dia ainda haveremos de aprender faz parte do “Código
Divino da Magia Riscada”, que é onde os guias de lei da Umbanda estudam.
Este livro vivo e divino é formado pelas ondas vibratórias dos sagrados orixás. E quando um espírito-guia
se assenta sob a irradiação de um deles só então recebe a outorga divina de inscrever com a pemba seus
signos, seus símbolos e suas ondas vibratórias em seus pontos riscados.
Se um espírito não se assentar na irradiação de um ou vários orixás, ele não tem a permissão de riscar
pontos de firmeza, de descarga ou de anulação de magias negativas, pois não ativará nada e só estará
“mistificando”, porque não assumiu o grau de “guia de lei de Umbanda”.
E o mesmo acontece com as pessoas que não se iniciaram, pois podem aprender tudo sobre a escrita
mágica dos orixás, mas não receberam a outorga para ativá-los.
Os pontos riscados da Umbanda são um mistério da magia divina, e só quem for iniciado e se consagrar
como instrumento mágico da Lei Maior e da Justiça Divina poderá trabalhar com ela sem estar incorporado, só
sendo instruído pelo seu mentor espiritual ou “guia de lei da Umbanda”.

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