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Custos .

empresariais:
~ . /\..
uma v1sao s1stem1ca
do processo de gestão
em uma empresa
O selo DIALÓGICA da Editora lnterSaberes faz referência às
publicações que privilegiam uma linguagem na qual o autor
dialoga com o leitor por meio de recursos textuais e visuais,
o que torna o conteúdo muito mais dinâmico. São livros que criam
um ambiente de interação com o leitor - seu universo cultural,
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social e de elaboração de conhecin1entos -, possibilitando um f
real processo de interlocução para que a comunicação se efetive. •
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Ernani João Silva Custos


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Guilherme Teodoro empresar1a1s:
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uma visão sistêmica do
processo de gestão em
uma empresa .
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~Ó~ intersaberes
A''· Vicente Macha do, 317 . 14" a11dar
Cent ro. CEP 80420-010 . Cu rit iba . PR. Brasil
Fone: (41) 2103-7306
www.editoraintersaberes.com.br
cd itora@ed i torai11te rsaberes.con1.b r

Conselho ed itoria l Dr. Ivo José Both (presidente)


Dr~ Elena Godoy
Dr. Nelson Luís Dias
Dr. Neri dos Santos
Dr. Ulf Gregor Baranow
Editor-c hefe Lindsay Azan1buja
Editor-assistente Ariadne Nunes Wenger
Capa Alexandre Correa
Projeto g ráfico Raphael Bernadell i


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1' edição, 2016.
Foi feito o depósito legal. •

Dados In ternacionais de Catalogação na Pu blicação (CIP)


(Cãn1ara Brasileira do Li\1ro, SP, Brasil)

Sil, 1a, Ernani João


Custos c n1prcsariais: uma visão sistê rr1ica do pro·
cesso de gestão de lt.n1a e Ln presa [li\•ro eletrônico)/Er11a ni
João Si lva, Guilherme Teodoro Garbrecht. Curitiba:
lntcrSaberes, 2016. (Série Gestão Financeira) informa m os q ttt> é de inteira
2 Mb; PDF. respor\sabilidade dos autores a
en1is.são de cor1ccilos.
Bibliografia.
Nenhu ma parte desta pu blica-
ISBN 978-85 -5972-195-9
ção poderá ser reprodttz ida por
1. Conlabil idade de custos 2. Co11ta b ilidadc gerencia l qt1alquer 1neio ou forn)a sem a
3. Custos baseados em atividades 4. Custos - Contro le prévia a i1to rização da Editora
J. Garbrecht, Gllilherme Teodoro. li. Título. 111. Série. lnterSaberes.
A viola(ão e.t os di reitos autorais
'1 6-06333 CDD-658.1552 é crizne estabelecido ' ª Lei
n . 9.610/1998 e p unid o pelo
iodice ~ra cJtá.logo sistemático: art. 184 do Código Penal.
1. Custoi:; : Cestão: Empresas: Admin istr<tçdo financeira (~8. 1552
2. Céstãv de custvs: Emp rc~s : Adn1in istraçào fin<inccira 658.1552

Dedicatória • 7
Agradecimentos . 9
Prefácio • 13 •
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Apresentação • 17
Como aproveitar ao máximo este livro . 21 ••

I
Noções básicas do processo de gestão de custos • 27
1.1 A essência da gestão estratégica dos custos • 30
1.2 A ciência econômica na gestão estratégica • 32
1 .3 A contabilidade na gestão estratégica • 40

Sacrifícios empresariais • 57
2.1 Os sacrifícios empresariais: gastos e perdas • 60
2.2 A identidade dos custos en1presariais • 69
J
Formas usuais de identificar o custo por produto • 83
3.1 O custo de um produto vendido • 86
3.2 Como precificar um produto estocado • 92
3-3 Custeio por absorção e suas variações: do parcial ao RKW • 98

Além das fronteiras da absorção . 115

4.1 Custeio Variável • 118


4.2 Custo/volume/lucro • 120

4-3 Custeio Baseado em Atividade (ABC) • 130

5
Do planejamento ao controle dos custos • 141
5.1 A lógica do processo de gestão • 144
5.2 Unidade de Esforço de Produção • 152 •
t
5-3 Custo-1neta • i55
5.4 Custo-padrão • 159 ••

Precificar e avaliar • 173


6.1 Con10 precificar para vender: a ótica do volume e do 1nark11p • 175
6.2 Alavancagen1 operacional • 183
6.3 Teoria das Restrições e seus gargalos • 186
6.4 O controle da gestão de custos: uma visão integrada • i88

Para concluir... • 2 05
Referências • 207
Respostas . 211

Sobre os autores • 225



Dedico este livro à Margarete, minha t

adorável esposa, e aos nieus queridos ••


filhos Arthur e Marina, por todo carinho e

compreensão que derarn nesta jornada.

Ernani João Silva

Dedico este livro a todos que de alguma

forma contribuíram. para que esta jornada

se realizasse, em especial ao meu pai Rudi

(in memoriam) e à minha mãe Dona Neli.

Guilherme Teodoro Garbrecht


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Gostaria de agradecer ao professor Guilherrne, ·meu parceiro nesta

obra, por seu profissionalismo, conipetência e arnizade; ao professor

Edelclayton, pelo convite para a realização deste trabalho; aos meus

alunos, pelas dúvidas que trouxeram. para a sala de aula, as quais



deram irtais vida a estas páginas; e, finalmente, a todos que sabe1n t

da importância que tivera1n neste projeto: meu 1nuito obrigado. ••


Ernani João Silva

Agradeço ao professor Ernaní pela a1nízade e pelo convite para a

realização desta obra, tarefa esta árdua, 1nas que, e1n virtude de

sua conipetência, dedicação e busca pela excelência, tornou-se

u1na empreitada gratificante; a todas as pessoas com quem já tive

o privilégio de cornpartilhar aprendizagens e conhecimentos, tão

importantes na busca do crescirnento acadêrnico e profissional.

Guilhern1e Teodoro Garbrecht


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Tent cuidado com os custos pequenos!

Uma pequena fenda afunda grandes barcos

Benjamin Franklin

(1706-1790)
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Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá.

A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de

experiência e de competência.

Henry Ford

o cenário contemporâneo, cada vez mais as organi-


zações são desafiadas a apresentar vantagens competitivas em
relação a setts concorrentes. Isso ocorre em razão das muta- •
t

ções que o contexto social vem sofrendo, a pretexto da globa-


••

lização. Esse novo cenário traz consigo a qt1eda das barreiras
geográficas e culturais, o crescimento do i1úmero de empresas
no mercado, sem o planejamento adequado para atuação em
panoramas adversos; o dese11volvimento tecnológico, que se
altera diariamente; a velocidade na produção e transmissão
das informações; o foco permanente na convergência e homo-
geneidade socioeco11ômica e todas as demais mudanças que
atttalmente podemos observar no âinbito corporativo.
Levando em conta essas ponderações, podemos depreender
que, na paisagem corporativa atual, é muito comum a perda
de controle sobre o desenvolvimento sustentável das orga-
nizações, motivo que, junto com a falta de planejamento, faz
com que o ciclo de vida das empresas se torne cada vez mais
abreviado. Nesses termos, para que uma entidade possa ser
considerada sustentável, é necessário que seja cu lturalmente
aceita, socialmente justa, ecologicamente correta e economi-
camente viável. Portanto, é importante que esse conjunto de
atitudes sistêmicas e interligadas possa ser institucionalizado
na empresa, a fim de que ela sobreviva e adapte-se diante de
todas essas mudanças no ambiente social em que está inserida.
Ainda nessa linha de raciocínio, até pouco tempo atrás, as
empresas não se preoct1pavam muito com o controle de seus
custos e despesas, pois contavam com a comodidade de repas-
sar ao consumidor, por meio da venda de seus produtos, a sua
ineficiência nos processos produtivos, visto que podiam alterar
o preço de venda com tranquilidade, cientes de que os clien-
tes contint1ariam consu n1indo tais produtos. Na atualidade,
devido a todas essas transformações, qt1em estabelece o preço
de venda não é mais a empresa, mas o mercado. Assim, para
que a empresa seja lucrativa, se1n aumento da receita advinda
do incremento n.o valor do preço de venda, é necessário maior
controle dos custos e das despesas.

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Nesse sentido, a gestão estratégica de custos é um instrumento ~

de controle gerencial u1uito relevante para as organizações. Tal ••


ferramenta parte do pressuposto de que a gestão dos custos e


das despesas deve ser realizada de forma sistêmica e integrada
aos diversos departamentos da entidade, co1n foco em toda a ·
equipe que está inserida no processo produtivo direta ou indi- .
retamente, e preocupada com a abordagem "cliente-fornecedor"
e não co1n o pressuposto tradicional "chefe-cliente", descons-
truindo, assim, u1na cadeia de comando hierárquica e autori- .
tária para a construção de uma gestão funcional, com base nos
processos e participativa. .•
.
• O O o O ' O O + • O ' O O ' ' O O ' O O + O O O ' O O ' + O O ' O > O O O + O O • O O O ' O O O O O o O O O o o O ' ' O O O O O ' O O ' O O ' + O T ' O O O O O O O O O + O O ' O O

Desse modo, a gestão estratégica de custos busca alin har os


objetivos definidos no planejamento estratégico da entidade
com as ações administrativas e operacionais, subsidiando o
processo decisório para a maxi1nização do resultado econô-
mico e do valor da empresa. Vale ressaltar que a expressão
valor da empresa não caracteriza apenas a capacidade de gerar
lucros (resultado econômico) da e1npresa, mas também por
elementos intangíveis e não financeiros que afeta1n de forma
ímpar o desempenho organizacional de maneira sistemática.
Logo, esta obra destina-se a desenvolver e explicar o pro-
cesso de implantação, avaliação e manutenção de uma gestão
estratégica de custos nas organizações. Para tanto, partimos
das noções básicas de gestão de custos ali11hada com o plane-
jamento estratégico da entidade, passando pelas classificações
de custos e despesas, pelas diversas metodologias para acu-
m11lação e custeio de produtos e serviços, até a precificação e a
avaliação da viabilidade econômica e fina11ceira das atividades
desenvolvidas por essas empresas no mercado em que atuam,
fornecendo, assim, uma visão sistêmica e detalhada de todo o
processo de gestão estratégica de custos corporativa.
'
A guisa de conclusão, deixo a você o desafio de pensar a gestão

de custos fora dos padrões e preconceitos que inúmeras vezes t
~
te1nos antes de iniciar qualquer leitura mais detalhada. Leia
••

este livro como se não tivesse nenhuma experiência primeira,
visto que poderia ser um obstáculo ao e11tendime11to e desen-
volvimento de um sistema mais robusto de gestão, porquanto
exige muitas vezes uma desconstrução de ideias já cristalizadas
em nossa mente e que podem impedir nossas ações de sucesso.
Lembrem-se: para continuar crescendo, aprendendo e se desen-
volvendo, é necessário, todo dia, questionarmos as estruturas
existentes e tentarmos melhorá-las de alguma maneira.
Boa leitura e bons negócios!
Flaviano Costa
Doutor em Controladoria e Contabilidade (FEA/USP)
l)rofessor da Graduação e Pós-Graduaçã.o e1n Contabilidade da UFPR
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arco Aurélio viveu entre os anos 121 e 180 d.C. Ele
foi um dos cl1amados cinco bons imperadores romanos. Por st1as

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ações diante dos conflitos de sett tempo, gravou seu nome na ~
história como um administrador habilidoso, bem-sucedido e ••

culto. A ele foi atribuída a seguinte frase: "A experiência é um


troféu composto por todas as armas que nos feriram".
Os muitos anos que nós, os autores deste livro, acumula-
mos desde o dia que recebemos nosso primeiro salário como
membros da popttlação economicamente ativa até o dia em
que estas palavras foram grafadas nesta página nos trouxe-
ram, segu ndo o contexto aureliano, muitas "feridas". Portanto,
igualme11te, nos deram experiência. Um troféu que foi polido
por i11cessáveis discussões em que refletimos os "porquês" do
dista11ciamento que comumente víamos no processo de Gestão
de Custos, sempre que comparávamos as práticas do mercado
e a teoria acadêmica, como também o tratamento ímpar que
geralmente observávamos quanto ao uso dos paradigmas eco-
nômicos e contábeis em mt1itos livros-textos. Algumas vezes,
a impressão gue tínhamos ao comparar esses cenários tão
distintos é que estávamos vendo realidades paralelas de um
mesmo assunto. Como isso era possível, se todos tinham a
inesma preocupação? Para nós, era óbvio gue faltava alguma
coisa que ligasse esses mundos tão distintos entre si.
Desse contexto, nascet1 a base estrutural para a co11stru-
ção desta obra, ou seja, reunir, em t1m único livro, de forma
complementar, duas áreas científicas que igualmente se ocu-
pam dos dilemas dos recursos escassos de uma empresa. Mais
especificamente, este livro surgiu de uma vontade de tratar o
processo de gestão de custos das empresas com uma aborda-
gem simbiótica entre as teorias contábeis e econômicas. E11tão,
1neu caro leitor, não espere encontrar nas próximas páginas
ttm livro de Contabilidade de Custo ou, ainda, uma obra sobre
Microeconomia. A jornada que você vai iniciar é uma apresen-
tação que deseja provocar a reflexão sobre o gue você pensava
saber, apresentar a utilidade de ferramentas poderosas para
o controle dos dispê11dios e, por fim, demo11strar que existem •
t
outras formas de ver t1m mesmo proble1na. Ou seja, este 1ivro
foi elaborado para compartilhar com você ttm pouco de nossa
••

experiência acadêmica e profissional. Dar-lhe algo que quería-


mos ter recebido quando éran1os estudantes.
Na leitura desta obra, você será apresentado às bases teóricas
que lhe permitirão entender que o mundo não é organizado em
caixas perfeitamente arrumadas por títulos bonitos, os quais
raramente comungam entre si os seus dados impecavelmente
organizados. Portanto, pretendemos que sua visão seja traba-
lhada para enxergar que uma teoria econômica pode siin ser
utilizada dentro de tlm ferramental contábil para favorecer o
processo da gestão estratégica dos custos. Por que isso é impor-
tante? Corno disse o cientista francês Louis Pasteur (1822-1895),
"o acaso só favorece as mentes preparadas". E você sofrerá a
influência do acaso em muitos momentos em sua vida profis-
sional, algumas vezes deverá tomar decisões defensivas para
proteger sua empresa, em outras precisará decidir se pode
assumir uma posição agressiva nas vendas de um produto. Se
não souber como interpretar os custos de sua empresa nesses
momentos, o acaso pode não lhe favorecer como gostaria.
Vamos agora falar sobre como foi feita a abordage1n dos
temas e como estão distribttídos ao longo do livro. Você vai
encontrar, entre outros itens, os segtiintes elementos nas
págirtas que seguem: noções básicas sobre a teoria da firma,
segt1ndo o paradigma da escola neoclássica; a estrutura fun-
damental dos principais relatórios da contabilidade financeira;
alguns dos artefatos contábeis gerenciais mais 11tilizados no
mercado; e, também, elementos primários/essenciais ao pro-
,
cesso de controle. E isso mesmo que você entendeu! Tudo isso
e um po11co mais, em apertas seis capítulos. Lembre-se de que
este livro não é urna obra defi11itiva sobre o tema, mas u1n
primeiro contato que você terá sobre gestão de custos, o qual
se dará de forma sistémica. Agora, se você acha que é pouco, •
t
ficamos felizes e1n lhe dizer que não é. Para ter uma ideia, no
final de cada capítt1lo, você verá que o que foi apresentado
••

em cada tópico já é suficiente para atender a questões que se


fazem presentes em vários concursos públicos do país. Isso é
bem legal, não acha?
Antes de encerrar esta apresentação, vamos mostrar o que
será visto em cada um dos seis capítulos. No primeiro capí-
tulo, há a apresentação das noções básicas sobre o processo
de gestão de custos. Nesse sentido, vamos discutir elementos
econômicos e contábeis necessários à compreensão do livro e,
também, para a vida profissional. O segundo capítulo traz as
diferentes formas de classificar um gasto, bem como a dife-
rença entre gasto e perda, item realmente i1nprescindível ao
processo de gestão, afinal, como alguém pode gerenciar algo
cuja essê11cia desconhece? Já no terceiro capítulo, o tema é o
processo de precificação dos produtos quanto ao custo incor-
rido para sua obtenção e, também, segundo o fluxo de entrada
e baixas nos estoques da empresa . Além do processo de preci-
ficação, também abordaremos nesse capítulo o método de men-
suração denominado Custeio por Absorção, um procedimento
amplamente usado na contabilidade financeira.
No quarto capítulo, temos a apresentação dos custeias mais
gerenciais, o variável e o baseado em atividades (ABC), além
disso, também são abordados os instrumentos informacionais
oriundos do conceito Custo/Volume/Lucro (C/V/L). O quinto
capítulo apresenta os temas focados na importância da pre-
sença do custo nas fases de planejame11to (custo-meta), de exe-
cução (c1..1sto-padrão) e de controle (custeio kaizen). Ele também
nos leva a uma reflexão econômica sobre a importância da
presença do custo no curto prazo em um processo de gestão
estratégico. Por fim, no sexto capítulo, no último n1omento
teórico, temos a apresentação da importância do custo para o
processo de precificar/identificar o valor mínimo do produto •
t
final da empresa na etapa de comercialização, e, também, como
essa venda efetivada, dado o comportamento do C1..1sto, ala-
••

vanca o lucro final da empresa. Finalizando o sexto capítulo


e também o livro, temos uma reflexão sobre a importância da
teoria da restrição no processo de controle.
Quanto à possibilidade de esta obra se tornar a única res-
posta para todas as suas dúvidas sobre gestão de custos, já que
nela constam nossas experiências profissionais e acadêmicas,
reflita sobre o que disse Albert Camus (1913-1960): "Não se
pode criar experiência. E' preciso passar por ela".

Boa leitura!

Este livro traz alguns recursos que visam


enriquecer o seu aprendizado, facilitar
a compreensão dos conteúdos e tornar

a leitura mais dinamica. São ferramentas


projetadas de acordo com a natureza dos
temas que vamos examinar. Veja
a seguir como esses recursos se encontram

d istribuídos no decorrer desta obra.

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• • • 11 Ili: Conteúdos do capítulo

Logo na abertura do capítulo,

você fica conhecendo os


conteúdos que nele serão
c.tntt~doc~wlo.
abordados.
IW!t1od11(~ ~ f"St.\io oe <l'StO'l-

Vls.Jo «OllOMltt do IWO.

Mfo1~~' wntabtrll.

fl11lt1tÕl'IOS (CWltàbelS,
Após o estudo deste capítulo,
você será capaz de:
2, ff'll•ndHo ~sode form.içaodolwoda•mpt~
J, <IP•tStnlJil Ottorm~ SIMétic.ti os prlf'ICll)~IS relitOliOs Você também é informado a res-
peito das competências que irá

desenvolver e dos conhecimen-


tos que irá adquirir com o estudo
do capítulo.
Perguntas & respostas

Nesta seção, o autor Perguntas & respostas


O custo.meta pode ser utilizado de ma neira efetiva em um
responde a dúvidas
p1oje10 que ttt6 sendo reformulado? JJi ni\OeKISt e u m.a estru·
tura de cu.s-tos montada e funcionando?
frequentes relacionadas
Re.llmente. existe uma estn1tur.l j.'I nlo1uada para u1n pro·
dt1 toq~1~ l;"Slát:m pnxluç5ó, ma.s isso n/i()~iSnifka()\tt: pti."<:i$a
aos conteúdos do capítulo.
s..-r perene. O custo-meta mostra o custo mâximo que ess.1 linha
de 1)rl)duçl\c) de,·e ter 1lO •"&li<> e k>nso prti20$ para tllt~n.ck:r à •
margem dt' luao destj.1da jX'laemptC'Sa diant\'d<1s mudanças
1nercadológi<as observadas. Ou seja. trata-se de um procedi·
m(•J1toql•\: .si:r.i re'1lizado p;.ir;i o longo p..,io;o <·, ;i.ssim, <> f;itodc
ter uma est.n1tura montada n~o irnpede sua aplicação.

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de produto. feita pelo próprio autor, com o
b) Ponto de Equllibtlo (P(J
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R$ 7tJ.OfX>-t- U$ 31).(ll»°' R$ 100.000/nWs
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Comentârlo: O v.l)or & 50.000 un~ades ê o ''ªJ~'r do PE. EsSll'
conceitos examinados.
VQlumc;: d<' produto indirn q uJI () rontQ (i$it;o dõ'I tr;in1'~.iio n.i
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Estudo de caso
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Você dispõe. ao final do capítulo, de f'or o:icio do i11proh,11'1damt"f'llQ d~ mt'l\'d(I, ~ J'O""i\'l"l \Trifi·
e.ar que sua fótrnuJaderiva da equaçAo do ponto de l'QUllibrlo
uma síntese que traz os principais (.assim. M'\l preço "-'rl'\'i:cnt<t igl1o1lml•nt{! o "•"'r
n1lnln10
q uê',,t!n1prlS.1 preeb1_. pr.ilieiu J<ki.-dl-lc• 1tlll\nJ11 \jUllntkS.ciL'
conceitos nele abordados. orçada de v"'1'1da.
Nose,sundon1on11"ntodo capilulo, velo à p.11u 1a o p10C\......,.
de:.la\'itMQg~tn op:r.1ç;onal, qui:~ n14.xltrl~1 pc.• r u n\ in,llc:'o:itlílf
~bre a 9"flSlbdiJ11J.e do lucro t>tn rel;içâo 3!1 nltctílÇÕ('ot Mli1t•
das n.1 qua:ntid.Wc de ' 'C'nd<1. Vi n~ q 1•'! C~'ó!C lndtc:uJc>r n:1d:1
m.:till é do 'Jt* :1 r>1:.tâo etllrc a v.-ti.i(ik) pcl'(ll!u tu.al llo.> l""ro '-'
<i varl-'Çiio pe~ntual da quilnt)IJ"'1t' Ne1111c lll.'lltkt•\ qu.-.nl\>
m.1it)r<> v01)or p~tc n~ intlko.ldut, m.1ior ,, !lt-n"lbUl.JJdl!'
do resultado d<i empresa d l.ant<í' d.i!I 08Cll.it0C'f. da 1,jU<llltkl.aii.I~
d.- ~;i (qu.lndO ('m unidadt: N:&lllv.1 t'nl IV''".,, pl'<'j\1110,
q u.ltldo poslt1\·a em $.<í'l'.tt luuú}. ~ .trl.llis.anlllla M> <und"'
~de rest~ d• produç.;lQ d" um• t'mpr1..--.i. "'-'Sundo 11
TOC. Ndst t.i~uo 1J11Jnwtltu, dis<ullnk>!l 'tuit IM'I um ~
degestjodos cu!loisf?mp~ri.lb pt00ll.lmo8. JJ"r• IX.lfn,..h>tfio
a.z,. a:n;iJi'Col-lo dco bm;s !lbliémiit-4 p;i_r;a •-m pc.., ~ 11M'M
Questões pa ra revisão
Questões para revisão
L (Prodl"ll't&E' • Ana.list.i de Gt>st~ Adminis<raliva • f l11n.1tc,
2Ól1) Con1pk:te .:ili f f'. .séS., ~u 1r:
_ _ _ __ wn::.;i$1<~m n(>$.'ICTiÍ~io fin:inttin.>
Com estas atividades, você

da en1-Jd ,1de ~ra oblençlo de u m prod uto ou serviço
1
quillqUl.'f'. A $U;'I dtstin .,ç.U, pode QU nno ~Olr lig;:u;li.l à
tem a possibilidade de rever os !•
atlvldo\k-ti 1n do nesó..-lo.
principais conce itos analisados. •
" Osdii;p(-odi<XS. n:-l<itlvw01 ben.s.w servi~ u1ilizi1<.k>s
no produ~3o de OUll'O!O bens ou serViÇú:ô. purtonto,.
associiidos. à .1lividil&Him do nq;ócio, slo o:hiun.1clo.'16 Ao fina l do livro, o autor
""-----~
.. . ._ Quando os dJsp{lndioss.lo .:k>s1in.1dos à obt\>nçâode d isponibiliza as respostas às
n.'â::it.'111, n..i (I a:;s1•cii1<kl." à pniduç.)11 de u m p nid utC) uu
questões, a fim de que você
Soi'rvl\'(). slo chall\lldos de _ _ _ _ __
~1arque ,,.. (>ptâQq••~· o:omplc.:1:1 correta mente il$ fr;'li:;t'$

o) gastos. despes.1s e o:ustos._
b) ~stos, custos e despesas.
possa verificar como está sua 1t
e> e ustus, $-1SIOS e despesas.
aprendizagem.
d) des~sils.. cust05 (' ~stos.

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.
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Questões para reflexão
Questões pa ra re flexão
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1. No custeio varil1\'el, ten1osa d istinç.iiodos g<1stoscm elemcn-
los v.1rlá\'Clse fixos. De :'lcordo con1 esse 001lO?llo, a oontabl·
ljd<Klo:·. gl•n.•nci;il c;on:;idcr.1~ itl'ltsdc dcspl-S.\S vari<Ívt•is no
t
Nesta seção, a proposta é levá-lo a gasto variável. apropri.1nclo-os nos produtos transacionados,
Vo<'ê {OOCvrd a oorn ~:1 :'!ll)(.1('ii<)? F. pvSSÍ\'el ~l;:i('ionar .li$
1
refletir cri ticamente sobre alguns despesas variáveis com os produtos,. de modo a auxiliar o
processo de se~ào?
assuntos e trocar ideias e experiências
2. Serâque lodo aumento d,1quantidade uma \ 'el. !iobrepuj.:ido
com seus pares. o pooto de equilíbrio sisnl 6ca ne«ssarian1ente t1u1nen10
de locro p.:ira os d iicrc.'f'ltcs paradig mas sobre.' o processo
dê ses•ão de rusto?
• Saiba mais
0 ;irtigo indi<::;l(I(> a seguir OO~n.pi1r,1 ()$ diftrtntt$ métO<IOS <li:
custeio.
BEUREN, L .i\l,; SOUSA. rvt A. 8. de. Ul'.li l'Studo sotne a ulili.i~M>
de ~!ifC'm.l,,~ dC' CU$tcic> l"tn ('mpr1.'$il~ br;i~il.-ir.:ill. l n: ÇONGRESO l:)EJ.
INSTI1'U10 INTERNACIO.~A L 0€ C'OSTOS. 7. 200~ Pl1nta ~I

1:$1<". An11b •.. Oi~h~I em: <c~c:o.unne.c..iu.ar/conlõ'lbi lid.:1J/1.V:110.;/


Vlllcof"l;l'l>so/Jtl)Ao('>. Afesso él'l\: 30 mak> 2016.
Pil.nt se apn)fundarnoCUs1cio &seado em Atividades{ABC),
lei.ti o ...esuil'\IC:irtig1):

~fAUSS. Ç. V.; COsn, R. ~f. O ~lótodo d<' Çu~tcio ABC como


1
instru1~J\10J~~s1~ ln:Sltv1PôSIO OE E.XCEflNOA E>.f G~ÃO !•
ETECNOLOGIA, 2006.Di..~i \·el ~: 4lupc//rof~io.;i1."(j_b.br/..'llC"&'I/
<atllgoi;<lW$t_ArC(g0%20A~e11.pdí>. Acesso em 30 in.110 2016.

Saiba mais

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1t
aprofundar sua aprendizagem.

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• •• •• • 1 • 1 •

~~~~~~~~~~~~~~~~~~!

1
Conteúdos do capítulo:
.
<
i
• Introdução à gestão de custos. •
i
• Visão econômica do lucro. •
• Informações contábeis.

• Relatórios contábeis.
1
l
Após o estudo deste capítulo, você será capaz de:
i
1. explicar a finalidade da gestão estratégica dos custos t
empresariais; 1
2. entender o processo de formação do lucro da empresa;

3. apresentar de forma sintética os principais relatórios


contábeis;

4. diferenciar a relevância da informação contábil gerencial


e financeira.
entar definir uma empresa é um assunto delicado, pois
existem inúmeras maneiras de fazê-lo. Alguns podem

t
considerar que os aspectos sociais são os mais importantes,
outros, os aspectos políticos, os impactos ambientais, enfim, ••

sempre teremos diferentes 1naneiras de analisar as empresas


e todas essas maneiras estão corretas, de acordo com seus
próprios paradigmas.
Todavia, existe t1ma percepção recorrente sobre o que é uma
empresa, a qt1al remete à famosa frase "uma empresa existe
unicamente para gerar lucros". Para entender a complicação
dessa afirmação, va1nos fazer uma analogia comparando a
empresa ao corpo humano. O ser humano i1ão vive some11te
para comer, na verdade ele come para viver. Da mesma forma,
t1ma empresa não existe apenas para gerar lucro, ela gera lucro
para poder sobreviver. Vamos analisar esse argumento: t1ma
pessoa precisa de energia para pensar, para se movimentar,
para contribt1ir com a sociedade e para aproveitar os benefí-
,
cios qu e a sociedade lhe oferece. E por isso que ela precisa se
alimentar. A empresa, da mesma forma, precisa de lucro para
seus projetos sociais, para suas inovações, para competir no
mercado, para garantir st1a continuidade no curto, médio e
longo prazos e, logicamente, para remunerar seus financiado -
res, os donos e os terceiros (bancos, fornecedores etc.).
Por fim, podemos considerar que a empresa, em sua essência,
surge e é guiada pelas inspirações de um grupo de pessoas,
constituído por donos, gestores e colaboradores. Essas pessoas
são representadas pela empresa, assim como também a repre-
sentam, pelo sentido da missão, da visão e dos valores que se
fazem presentes nessa forma jurídica. Em síntese, podemos
dizer que uma empresa surge para fazer a diferença no meio
onde está inserida, portanto, seu objetivo é muito maior do
que apenas gerar lucros. Ela é uma estrutura que precisa ter
lucro para alcançar os fins que almeja na sociedade em que
está inserida. Para isso, ela precisa ter um plano para alcançar
essa meta, ou seja, precisa ter um processo eficaz de gestão
estratégica, dentre outros, a do custo empresarial. •
t

••

1.1 A essên cia da gestão estratégica dos
custos
Por uma questão de hábito, a expressão gestão de custo é uti-
lizada como forma representativa do procedime11to de pla-
nejamento e controle dos gastos de uma empresa. Contudo,
chegou a hora de aprender que a forma mais adequada para tal
contexto é gestão estratégica de custo. Para compreender melhor
essa nomenclatura, é preciso entender a essência de cada uma
das palavras que compõem a citada expressão.
A palavra gestão vem do latim e, basicamente, significa ter a
responsabilidade sobre algo. Já estratégia, do grego, tem sua
origem na comunicação militar, representando uma posição
de p lanejamento para atingir um objetivo, ou seja, vencer um
obstáculo ou conquistar determinada posição. Assim, gestão
estratégica é assumir uma posição de responsabilidade quanto à
elaboração, à execução e ao controle de um plano para alcançar
uma meta, que envolve o custo empresarial.
O termo custo, por sua vez, tem raízes tanto no latim quanto
no grego, mas o que realmente importa é qt1e seu uso, en1
ambos os casos, significa t1ma ação de sacrifício em trocas rea-
lizadas. A lógica é a seguinte: uma troca implica uma ação de
entregar alguma coisa para adquirir outra. Na indústria, isso
significa dizer que custo é todo sacrifício qt1e incorre para pro-
duzir produtos mediante um processo de transformação dos
fatores produtivos. Afinal de contas, em uma produção, está
ocorre11do a troca de recursos, como matéria-prima e e1nbala-
gem, por produtos processados. No comércio, o custo significa
todo o sacrifício qt1e a empresa tem para adquirir um produto
para revender, com.o os gastos com compra, transporte e as
demais operações que sejam necessárias até que o prodtito
esteja realmente apto para ser revendido. •
t

Resumindo, de forma lúdica, podemos dizer qu.e a gestão


••

estratégica de custo é uma batalha executada por aqueles que
assumem a responsabilidade de elaborar e/ou executar um
pla110 para mitigar os dispêndios de um processo produtivo.
O inimigo a ser vencido geralmente é o desperdício e/ou as
perdas que são observadas no uso dos recursos produtivos,
seja na forma do capital investido, seja na forma do tempo con-
sumido. E tudo isso para qt1ê? Para que a empresa, por meio
de controle de gastos efetivo, aumente o seu lucro de forma
sustentável no curto, no médio e no longo prazos. Mas o que
significa ter lucro? Para responder a essa pergunta, é preciso
recorrer ao auxílio da economia, uma vez que, para discutir o
lucro, é necessário antes entender o que são fa tores de produção.
Perguntas & respostas
Podemos considerar que os custos empresariais são tudo
aquilo que saiu do caixa em dado período durante a produção
ou revenda de um produto?
Infelizmente, não é assim tão simples. Durante a leitura
deste livro, você poderá perceber que ne1n sempre os valores
que saem do caixa da empresa são ct1stos (dentro do conceito
teórico) e, além disso, muitas vezes, os custos podem não gerar
um impacto imediato no caixa. Ou seja, usar unicam.e nte o
critério de saída do dinheiro para identificar o que é ttm custo
pode resultar em confusão, pelo risco que existe de considerar
valores que não são custos e negligenciar os que realmente são.

1.2 A ciência econômica na gestão


I •

estrateg1ca
Ter lt1cro não é simplesmente cobrar caro e comprar barato. •
t
Entender o processo de geração de lucro significa compreender
o comportamento de in{1meras variáveis econômicas relacio- ••

nadas ao comportamento da geração da receita e dos dispên-


dios para gerá-la. Na eco11omia, é possível encontrar muitas
formas diferentes que são igualme11te possíveis de ser empre-
gadas para analisar essas relações i10 cerne de t1ma empresa.
Entre elas, vamos focar, para atender ao objetivo deste livro,
11a percepção de curto prazo que a escola neoclássica utiliza
para explicar o comportamento das firmas (a teoria da firma).
Segundo a ortodoxia, o lucro de uma entidade pode ser
representado mediante o uso de duas curvas bem simples,
as quais são: curvas de receita e de custo total. Em relação à
primeira curva, a da receita, esta é uma representação gráfica
do resultado total das vendas, i1a qual os pontos ordenados
são co11stituídos pelas receitas auferidas e suas respectivas
quantidades de produtos. Ou seja, a curva da receita apresenta
quanto determinada quantidade de prodtito comercializado
gerou de valor monetário para a empresa. Esse valor monetário,
por sua vez, é obtido pela seguinte conta:
... . .. . .. . . .. . . . . .. . . . . . .. . . . .. . . .. . . .. . . . ... . .. . . . .. . . . . . . .. . . . . .. . .. . . . . .. .. ....
.: Receita =Quantidade de venda x Preço de venda .:
. .

Qt1ando certo preço é praticado pela empresa, ele gera t1ma


qt1antidade de ve11da no mercado. A qua11tidade de venda mul-
tiplicada pelo preço é o valor da receita, que representa o total
em unidades monetárias que a empresa recebe por entregar
aquele volume de prodtito ao mercado. Ou seja, a receita de
uma empresa depende tanto do valor pelo qual cada produto
é vendido como de quanto o mercado deseja comprar desse
produto em relação ao preço praticado, como podemos obser-
var no Gráfico 1.1.

Gráfico 1.1 - Curva da receita

Curva da Receita= f (Q}



t
Valor da
venda (R$} Ponto C ••

l--------~---O!!!!!~~·Ponto D

Quant. da venda
(unidades)

FoNTE: Elaborado com base e m l'indyck; Rubinfeld, 2013, p. 276-277.

Com relação ao seu peculiar for1na to côncavo, temos que a


curva da receita indica que o mercado vai reduzi11do seu inte-
resse de comprar o produto à medida qt1e ocorre o incremento
dos volumes comercializados. Isso porque a utilidade desses
produtos para o mercado diminui a cada incremento. Assi1n,
para que as vendas continuem aumentando, os fornecedores
precisam reduzir o preço, ajustando-o ao nível da atual utili-
dade que o mercado lhe atribui. Quando essa redução do preço
acarreta grandes aumentos na quantidade de venda, temos
como consequência um aumento na receita (pontos A e B).
Todavia, quando essa variação na quantidade não é expres-
siva, podemos ter t1m cenário no qual ou a receita estabiliza
(Ponto C) ou mesmo diminui (Ponto D). E, além da preocu-
pação sobre a resposta do mercado, a empresa, para tomar
uma decisão sobre a redução de preço de dado prodttto, ainda
precisa entender o comportamento do custo de sua produção,
isto é, como a curva do custo total se comporta diante das
oscilações da quantidade.
No que se refere à curva do custo total, temos que ela repre-
senta graficamente o sacrifício de uma empresa, em termos
monetários, para gerar as unidad.es do prodt1to a ser vendido.
Esse sacrifício, por sua vez, ocorre em duas linhas distintas
de consumo de recursos produtivos, os de natureza variável e •
t
os de natt1reza fixa. Ou seja, a curva do custo total é composta
pela soma de duas outras curvas de custo. A primeira é deno-
••

minada Custo Variável, que é aquela que se altera conforme a


qttantidade produzida, em que quanto maior é a quantidade
de produto vendido, maior é o consumo de fatores produti-
vos e, por isso, maiores são esses valores no custo total da
e1npresa; por exemplo: custo de embalage1n, matéria-prima etc.
Já na segunda natureza dos custos, a fixa, não há alterações em
decorrência de variações na quantidade de produção, desde
que seja respeitada a capacidade instalada da fábrica, como
demonstra o Gráfico 1.2.
Gráfico 1.2 - Curva do Custo Total, Variável e Fixo

Curva do Custo Total


Valor do custo (Custo Fixo+ Custo Variável)
(R$}
Curva do
Custo Variável

1
--
Ponto C
Curva do Custo Fixo

Ponto B
Quantidade produzida
e vendida (unidades)

FoNTe: Elaborado com base e m Pindyck; Rubinfeld, 2013, p. 276-277.

No Gráfico 1.2, temos que a Curva do Custo Fixo apresenta


um comportamento constante em relação ao volume de quan-
tidades transacionadas. Isso significa que as alterações monetá-
rias en1 seu valor não são, enquanto for respeitada a capacidade
instalada da empresa, decorrentes de variações na quantidade
movimentada. Por esse motivo, caso a empresa não produza
nada ainda assiin, ela precisa arcar com o custo dessa estrutura •
t

fixa de fatores produtivos (Ponto A). Como exemplo desse tipo


••

de custo, temos o custo do aluguel do barracão da produção e o
custo do salário do gerente da fábrica, entre outros. Já a Curva
Variável i1ão tem valor monetário algum quando a empresa não
movimenta nada de produto, como podemos observar no Ponto
B. Todavia, à medida que a qua11tidade de produto aumenta,
sett valor também sobe e pode, inclusive, igualar ou mesmo
superar o valor do Custo Fixo (Ponto C). A Curva de Custo Total,
logicamente, é siinplesmente o reflexo da soma das duas outras
curvas, e, assim, tem seu início no Ponto A, junto com a Curva
de Custo Fixo, e cresce com o aumento da quantidade transacio-
nada na 1nesma inclinação que a Curva Variável. Desse modo,
podemos representá-la com a segttinte equação:
.. . . . ... . . . . . . . . . . .. . ... . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . .. . . . . .. . .. . . .. . ... . . . .. . ... . . . . . . ... . . . . ..
Custo total = CFT + CVT

Custo total = CFT + (Qp . CVu)

Em que:

CFT: Custo fixo total do período

CVT: Custo variável total

Qp: Quantidade produzida

CVu: Custo Variável unitário.


.. .. . .. . . . . .. . .. . . .. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . .. . . .. . . . .. . . .. . . . . . . . .. . . ... . . . . . . .. . . . . ..
Caso você tenha ficado um pouco assustado com essa lógica
do custo total, não se preocupe, nos capítulos 2, 4 e 6 voltare-
mos a abordar os conceitos de custo fixo e variável de forma
bem mais densa. Aqui, o que nos interessa é apenas apresentar
alguns elementos básicos para que você possa entender que,
quando posiciona1nos as ct1rvas de receita e de custo em t1m
mesmo cenário, podemos observar em quais volumes de venda
teremos a intersecção das curvas da '1 receita" e do "ct1sto total"
e, também, maior distanciam.ento entre elas. Por que isso é

importante? Observe bem o Gráfico 1.3 para entender. t

••

Gráfico 1.3 - Curvas da receita, do custo e do lucro

R$
(RT, CT, L)

,.,...,..---
__ /
Custo Total = f (Q)

Receita Total = f (Q)

/ : 1
Ponto A 1
Ponto B
1
Quant. de produto
1Região C

Região A Região D Curva Lucro= f (Q)

FoNTE: Ela borad o co m base em Pindyck; Rubinfeld. 2013, p. 276-277.


No Gráfico 1.3, temos que, quando a quantidade movi-
mentada é muito baixa, o res ultado de uma en1presa é o pre-
juízo, pois o valor do Custo Total supera o valor da Receita
(Região "A:'). O Custo Fixo é um valor elevado para aquela
quantidade de mercadoria transacionada. Contudo, à medida
que a qttantidade de venda aumenta, as dttas curvas se aproxi-
mam, reduzindo o prejuízo gradativamente até que zere; nesse
ponto temos o que é conhecido como ponto de equilíbrio (Ponto
A). Depois do ponto de equilíbrio, temos que quanto maior é
a quantidade de venda, maior é a distância entre as curvas e,
porta11to, maior o lucro (Região B). Isso até certo ponto! Olhe
com atenção e você vai perceber que, à medida que a quan-
tidade ultrapassa certo volume, as distâncias entre as curvas
diminuem e, assim, o lucro cai a cada increme11to de produto
(Região C), podendo, conforme o caso, até gerar novamente
prejuízos (Região D). Assim, existe um ponto entre as regiões A
e B que representa o n1aior valor que a empresa pode alcançar
de lucro, Olt seja, a quantidade de venda em que o lucro pode
ser máximo (Ponto B).
Portanto, a melhor estratégia de custo, visando aumentar •
t
o lucro, é preparar a fábrica para operar naquela qttantidade
em que haja a maior distância entre valor da receita e do custo
••

total, pois somente assin1 é que será alcançada maior eficiência


no lucro. A gestão estratégica de custo, conforme demonstra
essa teoria, precisa ser feita mediante uma visão sistêmica
da empresa. Ou seja, as decisões a serem tomadas precisam
con siderar tanto os elementos endógenos (dentro dos portões
da empresa: a fábrica) como os exógenos (fora dos portões da
empresa: o mercado). Dito de outra forma, uma empresa não
poderá ter um processo de gestão de cu stos eficiente sem que
antes compreenda como seus custos se relacionam com os
lucros da entidade. Nesse sentido, apresentamos, para treinar,
um exercício resolvido.
Exercício resolvido
A empresa "Só n.ó s te1n" Ltda. precisa analisar qual é a quan-
tidade de venda que lhe permite ter lucro. Para isso, contratou
uma pesquisa estatística que gerou os seguintes dados sobre
-
sua operaçao:
a) Custo Variável por prodiito (CVU)1: R$ 2,00/i1nidade
produzida
1
b) Custo Fixo por período (CFT): R$ 2.180,00 !
••
'•
c) Intensão de compra dos clientes (Quant.; Preço/unida- À

de): [80; R$ 25]; [90; R$ 24]; [100; R$ 23}; [110; R$ 22};


i•
ilf

[115; R$ 21}; [120; R$ 20}; [125; R$ 17]. •"•
~

Resolvendo: 1
i

Talvez, o item "c" tenha deixado algumas dúvidas. Ele traz i
~
a informação de qiial é a intenção de compras dos clientes, ou •
1
seja, a quantidade de produto que cada preço de venda pode t

gerar no mercado. Por exemplo, no primeiro conjunto de dados, 1


j
temos que 80 unidades de produto podem ser vendidas pela •
empresa caso ela aceite praticar o preço de R$ 25,00 para cada ,f
l.

unidade de produto. Van1os aos cálculos! í
I
Primeiro, vamos calcular a Receita Total da empresa •f
(Tabela A) e o valor do Custo Variável Total para as quantida- 1
des de venda projetadas pela pesqtlisa (Tabela B). 1
!

Com os dados obtidos na Tabela B, vamos calcular o valor l


}
i
do Ci1sto Total da empresa para cada uma das quantidades i
i
que foram projetadas (Tabela C).
1
Por fim, na Tabela D, vamos confrontar os dados da Receita
Total (obtidos na Tabela A) com os dados do Custo Total (obti-
dos na Tabela C).
A) Receita Total: B) Custo Variável Total (CVT):

Preço Quant. Receita Quant.


CVU (RS) CVT (R$)
(R$) (un.) (R$) (un.)

+ • - + . -
25 80 2.000 80 2 160
24 90 2.160 90 2 180
23 100 2.300 100 2 200
22 110 2.420 110 2 220
21 115 2.415 115
1
2 230
!
20 120 2.400 120 2 240 •.•

À
17 125 2.1 25 125 2 250
i•
ilf

C) Custo Total: D) lucro Total: •"•
~

Custo fixo CVT Custo Total Receita Custo Total Lucro 1
i
(R$) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$) •

- - - i
+ + + ~

1
2.180 160 2.340 2.000 2.340 - 340
t

2.180 180 2.360 2.160 2.360 - 200

2.180 200 2.380 2.300 2.380 -80 1


j
2.180 220 2.400 2.420 2.400 20 •
2.180 230 2.410 2.415 2.410 5 ,f
l.

2.180 240 2.420 2.400 2.420 - 20 í
I
2.180 250 2.430 2.125 2.430 -305 •f
Com base nos dados tabulados, ternos que apenas na quarta 1
e quinta linhas da Tabela D podemos observar a presença de 1
!

lucro nas transações da empresa, respectivamente, R$ 20,00 l


}
i
e R$ 5,00. Ou seja, a região de lucro dessa empresa ocorre na i
i
região que movimenta os volumes entre 110 e 115 unidades.
' medida que os preços
1
Vamos entender esse resultado. A
abaixaram, as vendas aumentaram e o prejuízo diminuiu
até se tornar lucro. Todavia, depois que foi alcançado o valor
máxi1no do lucro, o aumento das vendas reduziu o valor do
lticro e, nova1nente, levou a empresa para urna nova situação
de prejuízo.
Esse exemplo numérico auxilia a compreender mell1or a
lógica do Gráfico 1.3. Então, lembre-se: os custos e1npresa-
riais precisam ser gerenciados de forma sistêmica, sempre
olhando como a estrutura operacional é aderente às neces-
sidades impostas pelo mercado. No entanto, antes de fechar
esse assunto, há dois destaques qt1e merecem ser ressaltados.
Primeiramente, esses gráficos voltarão a ser comentados em
outros capítulos do livro, pois eles ainda guardam 1nuita
informação importante para a gestão estratégica de custos.
Além disso, é preciso entender que tudo o que foi dito sobre
o processo de gestão depende de informações úteis sobre o
patrimônio da empresa e o consumo de seus recursos. Essas
informações são fornecidas pela contabilidade, por isso, ela é
o próximo tópico deste capítulo.

1.3 A contabilidade na gestão estratégica


A contabilidade é a principal fonte de informação sobre os
custos de uma empresa, a tal po11to que é conhecida como a
linguage1n dos negócios. Assim, por mais que não seja de seu inte-

resse, é importante entender que, para se tornar um bom gestor t

da área estratégica dos Cl.1stos, é fundamental compreendê-la, ••


uma vez que a contabilidade e a gestão de custos são uma


dupla dinâmica poderosa e inseparável.
Uma empresa pode ser vista como um conjunto de recur-
sos (bens tangíveis e intangíveis) que são disponibilizados
para ser utilizados por uma sociedade organizada (diretores,
gerentes, st1pervisores, encarregados etc.) para atingir deter-
minado objetivo. Para conseguir esses recursos, a empresa
precisa de financiamento, que somente é possível por meio de
dt1as fontes básicas: capital de terceiros (bancos, fornecedores
etc.) e capital próprio (os do11os da empresa, isto é, os cotistas/
acionistas). Portanto, temos dois grupos. De um lado, aqueles
que vão fornecer os recursos (terceiros e donos) e, de outro,
aqueles que vão u tilizar os recursos (os gestores e colaborado-
res). O primeiro grupo quer saber se vale a pena investir nessa
empresa, para isso, busca avaliar as decisões que a empresa
to1nou no uso de rec1.1rsos que já deteve; ou seja, esses agen-
tes estão preocupados com o resultado histórico da empresa.
O segundo grupo, por sua vez, quer garantir que a empresa
sobreviva ao mercado para ter urna história para poder contar
no futuro; dito de outra forma, esses agentes buscam tomar
decisões sobre como utilizar os recursos recebidos na melhor
forma possível à contint1idade da empresa.

Com base no que apresentamos, concluímos que os dois grupos


de agentes citados são partes interessadas sobre a situação da
e1npresa. Isto é, eles são, na linguagem contábil, os stakeholders.
Aqueles que estão dentro da empresa (os gestores) são os stake-
holders internos e os que estão fora da empresa (por exemplo, os
bancos), os stakeholders externos. Dado esse fato, a contabilidade,
para poder atender aos interesses informacionais ímpares desses
dois grupos, dividiu-se em duas linhas distintas: contabilidade

t
gerencial (para os usuários internos) e contabilidade financeira ~
(para os usuários externos). A diferença entre elas é percebida ••

na liberdade no tratamento dos dados utilizados.

Na contabilidade financeira, existe uma maior padroniza-


ção nos procedimentos utilizados, uma vez que os leitores
de seus relatórios não estão inseridos 11a roti11a da empresa.
Em verdade, esses agentes, muitas vezes, operam com diferen-
tes segmentos, assim, precisam receber documentos padro-
nizados de forma u niversal para que possam comparar uma
empresa com outra. Logicamente, precisam sentir confiança
nos dados que lhes são apresentados, o que impõe a necessi-
dade de auditorias contábeis externas. Essas auditorias, por
sua vez, somente se tornam viáveis graças à já citada padro-
nização dos relatórios, que é d itada tanto por leis como por
tima elevada rigidez no uso dos princípios fundamentais da
contabilidade.
Com relação à contabilidade gerencial, por se destiI1ar aos
tomadores de decisões estratégicas da empresa, seu processo
de construção é mais flexível (de acordo com cada empresa).
Tudo depende do custo-be11efício que o relatório gerado terá
para o usuário interno. Por exemplo, na contabilidade fi11an-
ceira o registro de valores do estoque se dá pelo valor de
entrada (isto é, mediante o documento fiscal de transferência
de propriedade), já na gerencial esse valor pode ser mais subje-
tivo, por exemplo, por meio de um processo de projeção do
valor de reposição do estoque. Tudo depende da importância
da informação para o gestor no seu processo de decisão.
Todavia, seja para fins internos, seja para fins externos, para
que um procedimento de contabilização possa ser chamado de
contabilidade, ele precisa ser guiado pelos fundamentos contá-
beis geralmente aceitos (de forma mais rígida pela financeira

e mais flexível na gerencial), que, resumidamente, são: t

• Postulados: diretrizes que são o pilar da constrt1ção con- ••


tábil, os quais são: entidade (a empresa e os donos são


pessoas distintas entre si) e continuidade (a empresa deve
continuar a existir, no mínimo, por um tempo suficiente
para honrar seus compromissos e realizar seus direitos).
• Princípios: preceitos que estabelecem a forma como as
contabilizações precisam ocorrer de modo que a infor-
1nação gerada possa refletir com 1naior segurança a rea-
lidade das operações e do patrimônio da empresa. Como
exemplo, podemos citar que, segundo o princípio da
oportunidade, a inforn1ação contábil precisa ser íntegra
(deve conter todos os detalhes importantes) e tempestiva
(deve chegar ao usuário em tempo para ser utilizada 110
processo decisório).
• Convenções: ele1nentos estabelecidos pela prática contá-
bil que estabelecem limites ao processo de contabilização,
para que a essência dos princípios não seja violada. Por
exemplo, pela converição da materialidade, tem-se, resu-
midamente, que o esforço da contabilização não deve
superar o benefício da ittlormação gerada.
• Características qualitativas: sinteticamente, podemos
identificar esses itens como os preceitos mínimos que o
procedimento contábil deve seguir para assegurar que
haja t1ma adequada serventia dos dados apurados. Por
exemplo, umas das características qualitativas é a com-
preensão (o texto precisa ser objetivo e claro).
Depois de tudo o que já foi dito, acreditamos que, neste
momento, já é possível entender por que a contabilidade é
chamada de linguagen1 dos negócios. Então, agora, vamos apre-
sentar três relatórios da contabilidade que se destacam dada
a relevância que detêm como instru.1nentos in for1nacionais ao
processo da gestão de custos. São eles: Balanço Patrimonial
(BP), Demonstração do Resultado (DR) e Demo11stração do

Fluxo de Caixa (DFC). t

Balanço Patrimonial (BP) ••


O Balanço Patrimonial é o relatório contábil que apresenta infor-


mações sobre a situação patrimonial da empresa. Ele informa
a situação da entidade com relação ao volume monetário qt1e
se faz presente na estrutura, quanto aos seus bens/direitos
(Ativo), deveres/obrigações (Passivo) e Condição Patrimonial
Líquida (PL). Todavia, é importante que fique claro que todos
esses dados se referem a determinado momento temporal (uma
data em caráter pontual); ou seja, o BP deve ser visto como uma
represe11tação sintética e estática da sitt1ação de uma empresa
ao término de determinado dia, um corte temporal transver-
sal. Podemos dizer que ele é uma fotografia do patrimônio
(um inve11tário) realizado naqt1ela data. No Qt1adro 1.1, está
apresentada a estrutura básica de um Balanço Patrimonial, de
acordo com as determinações da Lei n . 6.404, de 15 de dezem-
bro de 1976 (Brasil, 1976).

Q1.1adro 1.1 - Estrutura básica do Balanço Patrimonial

ATIVO PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO


At ivo Circulante (AC) Passivo Circulante (PC)
Caixa e Equiva lentes de Caixa Fornecedores
Caixa Empréstimos
Bancos Financiamentos
Aplicações Financeiras Arrendamento Mercantil
Clientes Obrigações Trabalhistas
Estoques Obrigações Tributárias
Despesas do Exercício Seguinte Provisões
At ivo Não Circulante (ANC) Passivo Não Circulante (PNC)
Realizável a Longo Prazo Empréstimos
Estoque a Longo Prazo Patrimônio Líqui do (PL)
Investimentos Capital Social
Participações em Outras Empresas Reserva de Capita l
Imobilizado (-)Ações em Tesouraria
Máquinas, Equipamentos, Prédios Reserva de Lucros
Intangível Ajustes de Ava liação Patrimonial
Marcas, Patentes (- )Prejuízos Acumu lados

Com relação à nah1reza das informações que o Balanço


Patrimonial presta, ternos que uma das principais utilidades •
t
é per1nitir apurar as relações existentes entre os investimen-
tos feitos no Ativo e os financiamentos contraídos para tanto, ••

registrados no Passivo (capital de terceiros) e no Patrimônio


Líquido (capital próprio). Para essa análise, são calctilados
Írldices de liquidez, que podem ser de liquidez imediata, cor-
rente, seca e geral. O índice de liquidez corrente (ou indicador
de liquidez corrente) é u1n dos instrumentos mais utilizados
para ttma análise fi11anceira. Ele apresenta a relação entre o
AC e PC. Por esse motivo, vamos nos ater à liquidez corrente
para demonstrar as informações que podem ser extraídas em
ttm Balanço Patrimonial. A fórmula da liquidez corrente é
. . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...
••

=-------- Ativo Circulante .•••


LC .
Passivo Circulante ·
.' . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . .. .'

Esse índice demonstra a saúde financeira ou econômica da


empresa, sua capacidade de pagar as obrigações de curto prazo.
,
Indices maiores que 1,0 indicam que a empresa tem recur-
sos no Ativo Circulante maiores que os recursos financeiros
presentes no Passivo Circulante. Ou seja, ela possui recursos
para cobrir todas as obrigações de curto prazo registradas no
Passivo Circulante e ainda apresenta excedentes. Por exem-
plo, se a empresa apresentar um í11dice de liquidez corrente
de 1,2, significa que tem capacidade para pagar todas as stias
obrigações de curto prazo e ainda lhe sobra R$ 0,20 para cada
R$ 1,00 de dívida.
Podemos também aptirar com o BP, de forma 1nacro, o
Capital Circulante Líquido (CCL), que é a diferença entre o
Ativo Circulante e o Passivo Circulante. Representa a folga
financeira, quanto maior o CCL, maior é o valor excedente que
a empresa possui no seu ativo circulante para fazer frente às

t
obrigações de curto prazo. Da mesma forma, quanto menor
é o valor do CCL, menor é o valor excedente que a empresa ••

possui no seu ativo circulartte para honrar suas obrigações de


curto prazo se forem iguais, sua situação de capital circulante
líquido é neutra, pois no curto prazo o Ativo Circulante e o
Passivo Circulante apresentam o mesmo montante de recursos,
o que significa que não existem valores excedentes. Ou seja, o
BP permite apurar a necessidade de capital de giro da empresa
e/ou a qualidade da dívida da empresa.
Agora, vamos analisar esses dois conceitos de maneira grá-
fica: o CCL e a Liquidez Corrente. Nesse sentido, vamos ana-
lisar o balanço composto de três estrutt1ras, aprese11tadas no
Quadro 1.2.
Quadro 1.2 - Uma análise sistémica do Balanço
Patrimonial

Neste exemplo, o volume do Ativo


circulante (AC) (Caixa, Direito a Receber,
Estoques, dentre outras contas de curto
prazo) apresenta o mesmo va lor que o
Passivo Circulante (PC) (Fornecedores,
Folha de Pagam entos, dentre outras
obrigações de curto prazo). Portanto, o
mesmo ocorre entre o Ativo Não Circulante
(ANC) e o Passivo Não Circulante (PNC) +
Património Líquido (PL). A empresa
apresenta um equilíbrio no curto prazo entre
o financiamento e o investimento, assim, sua
operação apresenta uma situação estável,
a qual se reflete em um índice de liquidez
corrent e igual a 1 (para cada RS 1,00 de PC ela
tem RS 1,00 de AC).
Agora, temos que o volume do Ativo
Circulante é maior do que o va lor do
Passivo Circulante. Portanto, o Ativo Não
Circulante é menor que o Passivo Não
Circulante+ Patrimônio Líquido. O que
isso significa? A empresa apresenta um
desequilíbrio favorável no curto prazo entre
a linha de financiamento e o investimento.
Ou seja, temos que parte do financiamento
de longo prazo (PNC+PL) está sendo usado
no AC, assim, a operação dessa empresa

apresenta um ín dice de liquidez corrent e t
maior que 1 (para cada RS 1,00 de PC ela
tem mais de RS 1,00 de AC para honrar seus ••

compromissos, ela está tranquila no curto
prazo).
Por fim, temos que o volume do Ativo
Circulante é menor do que o va lor do
Passivo Circulante. Port anto, o Ativo
Não Circulante é maior que o Passivo
Não Circulante+ Patrimônio Líquido.
A empresa apresenta um desequilíbrio
desfavorável entre a linha de financiamento
de curto prazo e o investimento de curto
prazo. Ou seja, temos aqui que parte do
financiamento de curto prazo sendo usado
no ANC, assim, a operação dessa empresa
apresenta um índice de liquidez corrente
menor que 1 (para cada RS 1,00 de PC ela
tem menos de RS1,00 de AC para honrar seus
compromissos, por certo ela terá dificu Idade
para honrar seus compromissos financeiros).

FoNT.: Elaborado com base em Assaf Neto, 2015, p. 188.


Talvez você esteja pensando: "O que isso tem a ver com
a gestão de custo?". A resposta a esta pergunta é: "Tudo!".
Durante um processo de planejamento sistêmico dos custos
da indústria, os gestores são obrigados a definir os volumes de
estoque que devem ser mantidos pela empresa (n1atéria-prima,
embalagem, produto final etc.). Assim, se o volume total dos
estoques for superestimado, o custo para mantê-los será igual-
mente elevado (um verdadeiro desperdício de dinheiro; algo
que, por sinal, é preciso eliminar); ou, pior ainda, esses valo-
res excedentes podem desequilibrar a estrutura patrimonial
de tal forma (em sentido desfavorável) que a própria conti-
nuidade da empresa pode ser comprometida nesse processo.
Agora que ficou clara a importância do BP, vamos analisar a
De1nonstração de Resultados.

Demonstração de Resultados (DR)

A Demonstração de Resultados é um relatório contábil que traz


informações sintéticas e dinâmicas sobre o resultado econô-
mico de um período. Ela informa se a empresa teve lucro ou
prejt1ízo em dado intervalo de tempo. Isso significa qt1e não

t
é uma fotografia (como no caso do BP); na verdade, a DR está,
nessa analogia, mais para um filme, uma vez que os 11úmeros ••

presentes na DR são valores acumulados sobre a operação da


empresa durante dado período (Quadro 1.3), cujo objetivo é
contar a 11istória do comportamento da empresa quanto à for-
mação de sua receita e dos dispêndios disponibilizados para
gerá-la. As operações registradas na DR seguem o Regime
de Competência, que é o registro dos efeitos financeiros das
transações e eventos nos períodos que ocorreram, indepen-
dentemente de terem sido recebidos ou pagos.
Quadro 1.3 - Demonstrativo de Resultado

+ Receit a Operacional Bruta

- Cancelamentos/Abatimentos/ Impostos (Venda)

- Receit a Operaciona l Líquida

- Custos do Produto/Mercadoria/ Serviço Vendido

- Resultado Bruto

- Despesas Administrativas e Comerciais/ Venda

- Resultado antes d as Desp./Receitas Finance iras

. .. Receita (+) ou Despesa(- ) Financeira

- Resultado antes dos Tribut os sobre o Lucro

- Tributação sobre o Lucro

- Resultado d o Exercício (lucro/ Prejuízo)

Como demonstra o Quadro 1.3, as receitas brtitas estão na


primeira linha do relatório. Elas tratam dos valores que foram
obtidos pelas vendas dos bens prodt1zidos, porém o valor que
interessa é aqtiele denominado Receíta Operacíonal Líquida, pois
é desse valor que o gestor vai se apropriar para honrar seus
compromissos e, se for possível, obter lu cro no final.
O Custo do Produto Vendido (CPV) é o termo u.tilizado na
quarta linha p ara indicar que a empresa é do setor indus- •
t
trial, pois, se fosse comercial, o termo seria Custo da Mercadoria
••

Vendida e, n o caso de prestadora de serviço, teríamos Custo do
Serviço Prestado. O valor do CPV representa quanto custou o
consumo dos recursos utilizados para gerar os produtos que
foram vendidos. Assim, é preciso ficar aten to ao nível de valor,
pois é ele que determina o Resultado Bruto da operação, o qual
most ra quão eficiente a gestão de custos da fábrica tem sido
para qt1e o capital possa cobrir as despesas que a em presa
tem para manter toda a estrutura administrativa, comercial e
financeira e, além disso, gerar lucro. Logicamente, a fábrica não
p ode levar todo o fardo de u m prejuízo, caso ocorra; a busca
pelo lt1cro tem de ser uma preocupação de toda a empresa.
Pelo viés prático, (ou seja, além dos limites contábeis), a gestão
estratégica do custo deve se estender para uma visão sistêmica
sobre toda a empresa, de for1na que, caso determinado gestor
não tenha autoridade sobre certas despesas da empresa, ele
pelo me11os tenha te11ha apoio institucional para argumentar
junto àqueles que a detêm.

Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC)

A Demonstração dos Fluxos de Caixa é um relatório contábil


que evidencia as movimentações ocorridas no grupo Caixa
e Equivalentes de Caixa, em determinado período de tempo.
As informações sobre o Flt1xo de Caixa de t1ma entidade são
úteis para proporcionar aos usuários das demonstrações uma
base para avaliar a capacidade da entidade de gerar caixa, a
época de sua geração e o grau de certeza de sua realização.
Os usuários das demonstrações contábeis de uma entidade
estão interessados em saber como a e11tidade gera caixa, pois
precisam pagar suas obrigações e proporcionar t1m retorno
para seus investidores, como demonstra o Quadro 1.4.

Qtiadro 1.4 - Demonstração dos Fluxos de Caixa



t
Demonstração dos Fluxos de Caixa

Fl uxos d e Caixa d as Atividades Operací onais ••



(+)Recebimentos de Clientes
(- )Pagam entos de Fornecedores
(- ) Pagamentos para Empregados
(= )Caixa Líquido Gerado pelas Atividades Operacionais (a)

Flux.o s d e Caixa d as At ividades de Investiment o s


(-)Aquisição de Participação em Empresas
(- )Com pra de Ativo Imobilizado
(+)Venda de Ativo Imobilizado
(- )Caixa Líquido Gerado pelas Atividades de Investimento (b)

Fl uxos de Ca ixa d as Atividad es de Fi nan ciam ent o


(+)Recebimento pela Emissão de Ações
(+) Recebimento por Empréstimo de Longo Prazo
(- )Pagamento de Empréstimos de Longo Prazo
(= )Caixa Líquido Gerado pelas Atividades de Financiamento (e)

Au mento/Redução Liq uido de Caixa o u Eq uivalent es d e Caixa (a+b +c)


Caixa e Equivalentes de Caixa no Início do Período
Caixa e Equivalentes de Caixa no Final do Período
O BP e a DR são elaborados segundo o preceito do Regime de
Competência (lembrando: as operações são registradas quando
elas ocorrem), já a DFC é elaborada pelo Regime de Caixa, ou
seja, demonstra efetivamente a capacidade da empresa de gerar
recursos de curto prazo (caixa, valores en1 bancos e em aplica-
ções financeiras). A DFC complementa as demais demonstra-
ções, como a DR, pois esta última objetiva demonstrar o lucro
gerado pela empresa em deter1ninado período, inas não neces-
sariamente quando esse lucro gerará caixa, pois a empresa
pode efetuar vendas a prazo ou ainda realizar gastos com
pos tergação dos pagamentos (a prazo). A DFC mostra quanto
desse lucro é caixa e equivalentes de caixa, divididos em três
fluxos diferentes: a) fluxo de caixa operacional; b) fluxo de caixa
de financiamento; c) fluxo de caixa de investimento.
A DFC fornece evidências aos usuários quanto à natureza
das entradas e saídas do caixa da empresa, se provêm da ativi-
dade da empresa, se ocorreram nas operações de investimentos,
como bens do imobilizado, ou ainda se os rect1rsos provêm
das operações de financiamentos, como empréstimos com ter-
ceiros ou ainda recursos dos sócios/acionistas da companl1ia. •
t
Por tanto, a DFC apresenta as origens dos recursos (entradas)
e a sua aplicação em determinado período de tempo (saídas).
••

Existem ainda muitos outros relatórios contábeis i11teressan-


tes (por exemplo, Demons tração das Mutações do Patrimônio
Líquido - DMPL, Demonstração do Valor Adicionado - DVA,
Demonstração do Resultado Abrangente etc.), mas os três aqui
apresentados já p ermitem ter uma boa visão da importância
dos relatórios contábeis para a gestão estratégica dos custos.
No próximo capítulo, vamos abordar as formas como podemos
classificar os cu s tos durante nossas análises.
Estudo de caso
A empresa Enrolados Ltda. está preocupada com sua situação
financeira e precisa de auxílio para determinar seus índices
de liquidez corrente e capital circulante líquido.
Vamos ajudá-la? Para isso, precisamos do Balanço PatriJnonial
da empresa para, então, efetuar os cálculos e a interpretação
dos resultados.

Balanço Patrimonial em 31/12/X1 - Empresa Enrolados Ltda.


Ativo (R$) Passivo+ Patrimônio líqui do (R$)

Ativo Circulante Passivo Circulante


Caixa 1.000 Fornecedores 2.000

Banco Conta 3.000 Empréstimos 8.000


Movimento

Estoques 6.000 Contas a Pagar 4.000

Ativo Não Circulante Passivo Não Circulante

Realizável A Longo Prazo 500 Empréstimos 4.000

Investimentos 1.500 Patrimônio Líquido

Imobilizado 10.000 Capital 4.000

Intangível 1.000 Reservas 1.000


Tota l (R$) 23.000 Total (R$) 23.000

t
,
Para calcular o Indice de Liquidez Corrente, vamos precisar
••

do Ativo Circulante e Passivo Circulante, e aplicar a fórmula:


.•.
. "d ez Corrente = - AC 10.000,00 ..•
L 1qu1 - = 0,71
PC 14.000,00 ..••
..••
AC = 1.000+3.000+6.000 ..••
..••
PC = 2.000+8.000+4.000 •
.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . .•.

Para ajudar na interpretação dos dados, vamos calcular


o Capital Circulante Líquido, que demonstra em valores
absolt1tos:
.. ... . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . .. . . . .
Capital Circulante Líquido (CCL) =AC - PC =
10.000,00- 14.000,00 = (4.000,00)

Vamos interpretar os dados?


Como vi1nos anteriormente, o índice de liquidez corrente
menor que 1 indica desequilíbrio financeiro, ou seja, como o
índice foi de 0,71, a empresa apresenta desequilíbrio desfavo-
rável entre os recursos de terceiros (obrigações) que estão no
Passivo Circulante e os recursos que estão no Ativo Circulante.
Um índice de liquidez menor que 1 indica que a empresa não
tem recursos suficientes no Ativo Circulante para pagar os
compromissos que estão no Passivo Circulante.
E, se quisermos analisar em reais, qual é o montante do
desequilíbrio desfavorável?
Para isso, recorremos ao apoio do Capital Circulante Líquido,
que indica o valor i1egativo de R$ 4.000,00, ou seja, a empresa
te1n R$14.000,00 de obrigações no Passivo Circulante e so1nente
R$ 10.000,00 no Ativo Circulante para fazer frente às obriga-
ções. Se fosse necessário pagar todas as obrigações na data •
t
do balanço, não teria recursos suficientes, comprovando que
a empresa tem razão em estar preocupada com st1a sitt1ação
••

financeira, pois requer cuidados.

Síntese
A gestão estratégica de custos em uma empresa exige tlm envol-
vimento multidisciplinar, dentre outras áreas, da economia e
da contabilidade. A ciência econô1nica auxilia o processo de
gestão de custos fornecendo teorias que buscam explicar o
comportamento da firma e do mercado. Entre essas teorias,
temos a da escola neoclássica, que fornece um instrumental
analítico poderoso ao co11siderar as relações existentes entre
as curvas da receita, do custo e do lucro.
Quanto à contabilidade, temos, nessa área do conhecime11to, a
principal fonte de informação íntegra e tempestiva sobre uma
empresa. Forjada ao longo dos séculos, segundo as necessida-
des dos tomadores de decisão, essa linguagem dos negócios
cumpre sua n1issão, basicamente, por meio de dt1as linhas
distintas de divulgação: a da contabilidade gerencial e da finan-
ceira. A primeira elaborada de forma customizada às neces-
sidades dos usuários internos (gestores). A segunda, rígida
na padronização de seus relatórios, para assim atender seus
diferentes tipos de usuários externos (fornecedores, bancos,
governo etc.).

Questões para revisão


,
1. (A11visa - Analista Administrativo Area 2 - Cetro, 2013) A
empresa Parolin S/A apresentou, em suas Demonstrações
Financeiras encerradas em 31/12/2012, os valores abaixo.

t
Caixa e Bancos
••
20.000

Estoques 30.000
Ativo Circulante 50.000
Imobilizado 15.000
Intangível 5.000
Ativo não Circulante 20.000

Ativo Total 70.000


Passivo Circulante 40.000
Passivo não Circulante 25.000
Patrimônio 5.000
Passivo Total 70.000
Com base nesses dados, é correto afirmar que o departa-
me11to financeiro da empresa, ao calcular a liquidez corrente,
encontrará o segtlinte índice:
a) 0,50.
b) 0,71.
c) 0,80.
d) 0,60.
e) 1,25.

2. (CFC - Bacharel em Ciências Contábeis - 2014) Uma socie-


dade empresária apresentou os seguintes dados do Balanço
Patrimonial, em 31.12.2013:

ATIVO (RS) 196.000 PASSIVO (R$) 196.000


Ati vo Circulante 96.800 Passivo Circulante 67.000
Ativo Não Circulante 99.200 Passivo Não Circulante 82.000
Realizável a Longo Prazo 35.000 Patrimônio Líquido 47.000
Investimentos 4.300
Imobilizado 59.1 00
Intangível 800

Considerando os dados do Balanço Patrimonial acima, o


valor do Capital Circulante Líquido - CCL da empresa, em
31.12.2013: •
t
a) corresponde a R$ 17.200,00 decorre11te da diferença
entre o Ativo Não Circulante e o Passivo Não
••

Circulante.
b) correspo11de a R$ 29.800,00 decorrente da diferença
entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante.
c) correspo11de a R$ 47.000,00, pois CCL corresponde aos
Recursos Próprios do Patri1nônio Líq11ido.
d) corresponde a R$ 96.800,00, pois CCL é disponível no
Ativo Circulante.

3. (BNDES - Profissional Básico de Economia - Cesgranrio,


2011) O valor monetário do custo total de produção (CT) de
uma empresa, em determinado período, é dado pela expres-
são CT = 10 + q + O,lq2, onde q é a quantidade produzida no
período, e os parâmetros numéricos estão expressos nas
unid.ades adeqt1adas.
Se q = 10, o valor do custo total e do médio será de qt1anto?

4. Qual a importância da curva da receita na gestão estratégica


de custos de uma empresa?

5. Assinale as afirmativas a seguir com verdadeiro (V) ou


falso (F):
( ) O lucro máximo de uma operação sempre ocorrerá no
ponto onde o custo médio total da empresa é mínimo.
( ) Após vencido o ponto de eqt1ilíbrio, segt1ndo a teoria
econômica, sempre a empresa vai auferir lucro à
medida que aumenta suas vendas.
( ) O custo variável trata-se do valor monetário do
consumo do fator prodt1ção que é tido como sendo de
natureza fixa.
( ) A inclinação da curva do custo total é determinada
pelo ct1sto fixo.
Marque a alternativa que expressa a sequência correta:
a) V, F, F, V. •
t
b) V, F, F, F.
••

c) F, F, F, F.
d) F, V, F, V.
e) V, V, F, V.

Questões para reflexão


l. Na st1a visão, o gestor de custos deve interagir com outros
setores ot1 traball1ar isoladamente na busca pela melhoria
e redução nos custos da empresa?
2. Você, como gestor de uma empresa, utilizaria quais das
duas contabilidades apresentadas para obter dados a fim
de auxiliar na gestão estratégica de custos?
Saiba mais
Os relatórios contábeis, como vimos, são regidos por postula-
dos, princípios, convenções, características qualitativas e leis.
Para compreendê-los melhor, é necessário consultar as leis
que os norteiam:
Lei n. 6.404/1976 - conhecida como Lei das Sociedades Anônimas:

BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da


União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/16404compilada.htm>.
Acesso em: 30 maio 2016.

Resolução do Conselho Federal de Contabilidade n. 750/1993,


atualizada pela Resolução 1.282/2010 - dispõe sobre os Princípios de
Contabilidade:

CFC - Conselho Federal de Contabilidade. Resolução n. 750, de 29 de


dezen1bro de 1993. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1993.
Disponível em: <http://www.portaldecontabilidade.com.br/legislacao/
resolucaocfc774.htm>. Acesso em: 30 maio 2016.

_ _. Resolução n. 1.282, de 28 de maio de 2010. Diário Oficial da União,


Brasília, DF, 2 jun. 2010. Disponível em: <http://portaldeauditoria.

com.br/resolucoescfc/resolucao-cfc-1282_2010.asp>. Acesso em: 30 t

maio 2016. ••

NBC TG Estrut ura Conceituai, aprovado pela Resolução CFC


1.374/2011, que dispõe sobre a Estrutura Conceitua] para Elaboração
e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro:

CFC - Conselho Federal de Contabilidade. Resolução n. 1.374, de


8 de deze1nbro de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 16 dez.
2011. Disponível em: <http://www.normaslegais.co1n.br/legislacao/
resolucao-cfc-1374-2011.htm>. Acesso em: 30 maio 2016.

NBC TG 26 (R2), que dispõe sobre a apresentação das demonstrações


contábeis:

CFC - Conselho Federal de Contabilidade. Norma Brasileira de


Contabilidade CFC n. 26(R2) de 21 de novembro de 2014. Diário Oficial
da União, Brasília, DF, 112 dez. 2014. Disponível em: <https://wwvv.
legisweb.com.br/legislacao/?id 277895>. Acesso em: 30 maio 2016.
• •
••••••••••
•1 •• •• •• • 1: •
• • 1• •• •
1 •
• •• •• • 1 • 1 •

~~~~~~~~~~~~~~~~~~!

1
Conteúdos do capítulo:
.
<
i
• Tipos de dispêndios. •
i
• Custo fixo e variável. •
• Custo direto e indireto.
• Outras formas de ver os custos.
1
l
Após o estudo deste capítulo, você será capaz de:
i
1. identificar de maneira crítica a natureza de diferentes t
dispêndios; 1
2. entender os impactos dos recursos nas operações da
empresa;
3. encontrar a classificação mais adequada dos custos ao
processo decisório.
alvez um dos maiores problemas da sociedade moderna
-..-- seja o atrito no ato da comunicação. Podeinos perceber isso

t
quando, por exemplo, dizemos uma coisa e o ouvinte entende
outra. Se até mesmo fatos cotidianos, como o fim de um filme, ••

um registro que pode ser visto e revisto iní1meras vezes, pode


gerar interpretações diferentes e, por consequência, calorosos
debates sobre quem está certo, imagine o que algumas palavras
mal-entendidas pode1n gerar em un1 processo de gestão estraté-
gica de custos. No mínimo, a falência do planejamento elaborado.
Você pode estar se perguntando: "é possível resolver ou
pelo menos minimizar os efeitos desse problen1a?". A resposta
é: sim! E a maneira para fazer isso, por incrível que pareça, é
simples. Basta padronizar o uso dos termos-chave entre aque-
les que estão envolvidos na batalha contra o desperdício, o
que, logicamente, exige estabelecer um padrão que seja sólido,
confiável e amplamente aceito. Nesse sentido, o que a prática
mostra é que o mercado, novamente, recorre à linguagem dos
negócios. Portanto, 11as linhas que seguem, desvendare1nos o
significado contábil de palavras que, cedo ou tarde, serão usa-
das em uma comunicação estratégica, como gastos, pagamentos,
investimentos, custos, despesas e perdas.

2 .1 Os sacrifícios empresariais: gastos


e perdas
Antes de iniciar, é necessário entender qt1e os recursos prodt1-
tivos não são necessariamente elementos estáticos dentro de
uma empresa. Eles circulam pela firma e, nesses fluxos, sofrem
alterações, seja na utilidade que prestam à empresa, seja 11a
estrutura física no pós-produção. No caso da alteração da natu-
reza física, podemos citar a transformação da matéria-prima
em produto final, como ocorre no caso do tecido que vira u1na
camisa ou do pacote de farinha que se transforma em pães
quentes. Já no sentido da alteração da utilidade do bem, pode-
mos usar como exemplo o efeito qu.e um simples posiciona-
mento tem sobre o produto. Pense bem: em uma loja, quando

uma camisa está guardada nos fu11dos do estabelecimento, ela t

é apenas um estoque da empresa, já em uma vitrine a mes1na ••


camisa deixa de ser apenas um elemento patrimonial e torna-se


uma parte relevante de uma ação de marketing. Por esse motivo,
não devemos engessar a percepção dos custos rotula11do bens/
serviços de tal for1na que escapem essas alterações durante o
processo estratégico. É nesse sentido que o uso da classifica-
ção que segue agrega valor informacional, pois ela considera
essas mudanças em bens/serviços. Dito isso, vamos analisar
o primeiro momento de sacrifício de uma empresa: o gasto.
2.1.1 Gasto
O termo gasto representa a aquisição de um produto qualquer
(bem ou serviço) mediante o sacrifício da troca. Dizemos sacri-
fício porque, em uma troca, é preciso entregar algo que tem
(ou que terá) para adquirir o que precisa . Portanto, por essa
lógica, toda a ação de gasto deveria ser respaldada por uma
análise criteriosa sobre qual é o valor daquilo que é adquirido
em relação ao valor do que está sendo fornecido em troca.
Pode até parecer lógico, mas, infelizmente, no mercado não é
raro encontrar gastos que ocorrem por questões de impulso
ou análises equivocadas sobre as utilidades relativas dentre
os ativos trocados.

Perguntas & respostas


É correto afirmar que um gasto é um pagamento feito?

Não é correto. Um pagamento significa desembolso (a saída


do dinheiro do caixa), nesse sentido todo gasto implica (ou
implicará) desembolso, porém nem todo desembolso é um

t
gasto (exemplo: perdas).
••

Qttanto à temporalidade do pagamento do gasto realizado,


ele pode ocorrer em três momentos em relação à entrega do
produto: antes, durante ou depois. No primeiro, podemos usar
como exemplo aqueles pedidos feitos sob encomenda, nos quais
o for11ecedor primeiro recebe o pagamento e, somente depois,
produz e entrega a mercadoria solicitada. Já no segundo caso,
temos as negociações denominadas spot (imediatas), nas quais
o gasto (aquisição), o pagamento (desembolso) e a entrega do
produto (transferência da propriedade) são todos simultâneos.
Por fim, 11a terceira possibilidade, tem-se a famosa venda a
prazo, que é aquele gasto que tem como característica a entrega
do produto antes da realização do desembolso. Esta última forma
de gasto tem como característica o reconhecimento do sacrifí-
cio em momento h1turo mediante a promessa firmada entre as
partes quanto aos termos de um contrato formal ou informal.
Para compreender melhor, imagine que sua empresa, uma
panificadora, lhe pediu para ir até o moinho da cidade para
comprar 100 quilogramas de farinha. O simples ato de comprar
essa matéria-prima já é um gasto, não importa se o pagamento
será antecipado, no ato da entrega ot1, ainda, na condição a
prazo. Portanto, aquela história de que não foi gasto nada em
uma compra porque ela foi a prazo ou, ainda, de que a compra
foi barata porque estava em promoção não tem respaldo 110
processo de gestão estratégica de custo. Primeiro, porqt1e qual-
quer aquisição mediante uma troca é um gasto, não importa a
temporalidade do desembolso; segt1ndo, algo somente é tido
como barato se o benefício de sua aquisição superar o sacrifí-
cio que ela impôs mediante a troca feita, assim, dizer que uma
queda de preço tornou algo barato, na gestão est ratégica, por •
t
si só não faz sentido.
••

2 .1.2 Investimento
Agora, vamos de1nonstrar como os gastos podem ser classifica-
dos. E o primeiro item é o investimento. Ele é um gasto que está
"estocado" no Ativo da empresa, e lá ficará até que ocorra a sua
baixa ou a1nortização no futuro. Dado tal fato, o investimento
é classificado como um gasto ativado. Portanto, os estoques de
matéria-prima, as máquinas da fábrica e tudo o mais que se faz
presente na conta patrin1onia l conhecida corno Ativo é tratado
corno investimento, já o que dela se faz ausente, pela linguagem
contábil, não possui tal atributo. É por esse motivo que gastos
com treinamentos não são considerados investimentos, eles
não aparecem no ativo da empresa e, portanto, não são bens ou
diretos que a entidade possui. O co11hecimento adquirido por
um funcionário mediante um treinamento, por exemplo, agora
pertence a ele, o que a empresa tem são os efeitos positivos
desse novo saber na sua produtividade, a qual se converterá
em custos inenores 110 prodt1to final.
Talvez, depois de tudo o que foi dito, você tenha pensado:
"Quer dizer que nem sempre o gasto reduz o pat rimônio
da empresa?". Se você chegot1 a essa conclusão, parabéns.
Os exemplos usados para explicar o gasto e o investimento
não acarretaram em alterações no valor do patrimônio líquido
da empresa. Ot1 seja, uma empresa, considerando apenas as
operações citadas, não fica mais rica e, tampouco, mais pobre
simplesmente comprando e estocando produtos, uma vez que
essas operações nada inais são do que fatos administrativos
permutativos.

Perguntas & respostas


Podemos afirmar, olhando apenas o aspecto patrimonial, que •
t
as permutas não acarretarão problemas para a empresa no
••

médio e longo prazo?

Não podemos, porque, em uma análise exclusivamente


patrimon ial, não estamos oll1ando o iJnpacto financeiro dos
estoques no médio e longo prazos, tampouco as implicações
que alterações na estrutura patrimonial podem gerar. Por
exe1nplo, tirar R$10.000 do caixa e transformá-los em estoque
de matéria-prima não traz i1npacto na estrutura patrimonial
(o valor ainda está no Ativo), todavia, esse dinheiro parado em
estoque pode fazer falta na hora que vencer compromissos qt1e
antecedem a transformação do estoque em dinheiro.
Vamos entender o contexto considerando o caso dos 100 qui-
logramas de farinha. A empresa em questão te1n tim acréscimo
no estoque no valor de "$x" pela entrada física do produto.
Se essa compra fosse feita à vista, teríamos uma redução de
igt1al valor financeiro no caixa, dada a troca entre dir1heiro
e produto. Agora, se essa compra fosse a prazo, no passivo é
que teríamos o mesmo valor financeiro do estoque, pois ele
representaria a obrigação futura assumida pela empresa para
com o fornecedor. Assim, tanto em um caso como no outro o
co11fronto do incremento financeiro do estoque com as contas
Caixa na compra à vista ou Fornecedor na co1npra a prazo
anula qt1alquer efeito positivo/negativo da aquisição no valor
do PL da entidade.

2.1.3 Custo
Acreditamos que você está ct1rioso para saber o que é um custo.
Afinal de contas é o elemento-chave no enunciado deste livro.
De acordo com as definições de Martins (2010), o custo també1n
é um gasto, todavia ele somente é reconhecido como tal no
momento em que há o efetivo consumo dos fatores produtivos •
t
no processo de produção. Ott seja, aquela compra, que era ini-
••

cialmente apenas um gasto, e depois de ativada se tornou um
investimento, agora, por ser utilizada na produção, torna-se um
,
et1sto. E importante enten.der que os custos não são so1nente os
bens tangíveis presentes na produção (como a matéria-prima
e as embalagens). Tudo o que é utilizado na fabricação do pro-
d.uto é, igualmente, classificado como tlm custo. Desse modo,
a mão de obra da fábrica, a depreciação das máquinas de pro-
dução, a energia elétrica co11sumida na fábrica, entre tanto
outros itens, também são denominados custos.
Todos os gastos ocorridos na produção - portanto, todos os
custos - devem ser incorporados ao valor monetário do pro-
duto gerado. Ou seja, o et1sto da mão de obra, da matéria-prima,
da energia elétrica e tudo o mais que foi usado na fábrica com-
põem o valor de custo do produto acabado. Isso acarreta que o
produto final que é ativado - isto é, estocado - tem em seu valor
monetário a cristalização de todo o sacrifício que até então foi
incorrido pela empresa para sua geração. Ou seja, novamente,
todos os gastos tornam-se investimentos e, assim, temos que
o custo da produção não compromete o valor do PL, nessas
condições apresentadas. Va1nos voltar ao exemplo da farinl1a:
os 100 quilogramas que estavam ativados (investimento/esto-
que) no momento em que são usados na produção (e somente
nesse mo1nento) tornam-se custo de matéria-prima. Qua11do
esse custo de farinha for somado aos de1nais custos presentes
no processo de panificação (padeiro, batedeiras, forno, entre
outros itens utilizados), torna-se possível estabelecer o valor de
custo dessa produção. Ou seja, um valor que representa todo
o sacrifício da empresa para gerar os pães que serão estocados
até que seja1n vendidos. Assim, temos que a precificação do
estoque de produto final representa todos os gastos que foram
realizados para gerar esses produtos, nesse caso os pães. E até
que haja a baixa desses pães do estoque - mediante venda ou •
t
perda-, todo esse custo não resultará em qualquer alteração no
valor monetário do PL, dado o fato de ser ele um investimento ••

da empresa (um gasto ativado).

2.1.4 Despesa
Chegou a hora de defi11ir o que são despesas, conforme a ótica
contábil. A despesa também é um gasto, m.as é tun sacrifício
que a empresa tem com o objetivo de gerar receita, e não pro-
duto. A lógica é a seguinte, se despesa é um gasto que busca
a obtenção de receita, o resultado desse sacrifício, diferente
do que ocorre no custo, não é um novo produto e, assim, não
existe um produto gerado por esse dispêndio que permita que
a en1presa se aproprie de seu valor. Como consequência, as
despesas são gastos que impactam no resultado econômico das
operações da entidade, uma vez que não podem ser ativadas.
Por exemplo, todos os gastos que a empresa tem com questões
admit1istrativas, financeiras e comerciais não são facilmente
identificados co1n os produtos finais da entidade, por serem
sacrifícios que não participam do processo produtivo. Eles ape-
nas existem, direta ou indiretamente, para gerar receita. Desse
modo, seus valores apurados são despesas as quais, em vez de
serem apropriadas aos produtos e ativadas, são contabilizadas
considerando os momentos temporais a que dizem respeito
(por exemplo, períodos mensais, trimestrais, anuais etc.).
Talvez, com base nas linhas precedentes, você tenha che-
gado a uma conclusão como: "o produto que foi vendido é
custo e o restante é despesa". Mas, será qt1e esse pensamento
está correto? Para responder a essa pergunta, vamos analisar
as duas simulações a seguir:
• Simulação 1: Da compra da matéria-prima à venda do
prodt1to final
Primeiro, a matéria-prima comprada é apenas gasto;

ativada, torna-se investimento (estoque); na produção, t

torna-se custo, sendo incorporada ao produto final; o ••


produto final ativado torna-se investimento (estoque);


e o produto final ao ser vendido (sacrifício da venda)
torna-se despesa.
• Simulação 2: Da compra à venda de uma máqt1ina de
produção.
Primeiro a máquina industrial é apenas um gasto no
momento da co1npra; ativada ', torna-se um investimento;
quando em operação, cada valor depreciado se torna
custo, sendo essa quantia monetária incorporada ao valor
do produto final; e, por fi1n, quando a máquina é vendida,
baixada do ativo, torna-se despesa.
Portanto, toda vez que um produto é vendido, ele também
é uma despesa. Ele é um sacrifício para a obtenção de receita,
já que é necessário entregá-lo ao comprador, desencadeando
uma baixa no patrimônio na conta estoque. E, partindo da pre-
missa de que todos os gastos para sua produção nele estavam
incorporados, temos que aquilo que um dia foi denominado
custo se torna, nesse momento, despesa. Todavia, é preciso
ressaltar que, se olhar com atenção uma De1nonstração do
Resultado (DR), será fácil perceber que, logo abaixo das contas
de receita, uma linha com a expressão Custo do produto vendido
se fará presente no relatório.
Você pode estar se perguntando: "Como u1n custo pode
estar na DR?" O resultado de ttma empresa, segundo a teoria,
é o confronto entre receita e despesa e, quar1do muito, alé1n
dessas, também de perdas e ganhos. Custo é uma expressão
cabível somente no momento da produção, então essa dúvida
faz sentido.
Para elucidar essa questão, vamos nos basear no que afirma
Martins (2010, p. 26): "aquilo que se habituou chamar de custo

do produto vendido estaria mais bem representado se sua expres- t

são fosse, por exemplo, despesa do produto vendido ou algo simi-


••

lar". Afinal, como já explicado, trata-se de um sacrifício para
obtenção de receita. Resumindo, temos que, por uma questão
de costume, a palavra custo, mesmo fora de seu contexto teórico,
foi empregada na DR e seu t1so já está tão consolidado nesse
relatório co11tábil que qualquer tipo de alteração seria inviável.
Então, o melhor a fazer é aceitar sua restrição se1nântica aos
olhos da teoria e lembrar de seu real significado informacio-
nal, isto é, que o CPV, 11a verdade, é uma despesa que outrora
foi um custo.
2 .1.5 Perda
Para finalizar as palavras-chave, vamos abordar um tipo de
sacrifício que não pode ser classificado, segundo a contabili-
dade, como gasto. Chegou a hora de falar de perdas. A perda
não é considerada gasto porque um gasto é um sacrifício inten-
cional realizado para obtenção de um produto ou serviço. A
perda, por sua vez, é um evento de natureza anormal, invo-
luntária e imprevisível que uma empresa sofre em relação
aos seus recttrsos prodtttivos/investimentos, que a prejudica
de alguma forma; por exemplo, incêndios, furtos, greves etc.
(Martins, 2010).
Essa informação é muito importante, pois sabe-se que a
perda não é gasto, que custo é um gasto para gerar produto, e
que despesa é t1m gasto para obter receita. Assim, a qt1al con-
clusão é possível chegar? Perda, pelos preceitos vistos, não pode
ser enquadrada como custo tampouco deve ser confundida
,
com despesa. E apenas uma ocorrência anormal ao processo.
Seguindo essa linha, é possível afirmar qt1e expressões comuns
no dia a dia, como "nesta fábrica é normal que haja uma perda

t
no processo de 3o/o'' ou, ainda, "o defeito que ocorreu este mês
i1a máquina beta aumentou o custo em R$ 30 mil", são formas ••

inadequadas de comunicação. Se as citadas perdas de produção


da primeira sentença são de fato condições normais da opera-
ção, então elas não são perdas, elas são custos, e é assim que
precisam ser tratadas na gestão estratégica. Da mesma forma,
aqueles sacrifícios fiilanceiros da segt1nda sentença que foram
gerados por defeitos imprevistos na linha de produção, igual-
mente, não devem ser tratados como custos, pois são perdas.
Assim, retomando o que dissemos no início deste capítulo, as
palavras, na gestão estratégia de custo, precisam ser muito bem
entendidas, para que não haja atrito na comunicação.
2.2 A identidade dos custos empresariais
Agora que já foram definidos alguns termos-chave sobre os
dispêndios de uma empresa - gastos, pagamentos, investimen-
tos, custos, despesas e perdas - , podemos nos concentrar for-
temente no verbete custo. Nesse sentido, vamos analisar dt1as
formas principais nas quais um custo pode ser isolado para
atender aos interesses informacionais: (i) custo fixo e variável
e (ii) custo direto e indireto. No entanto, antes de começar, é
preciso aprofundar os conhecimentos sobre custo.
Anteriormente, dissemos que o custo é o gasto 110 momento
da transformação dos recursos produtivos em bens finais. Sua
mensuração, por sua vez, é obtida mediante a contabilização
do valor mo11etário de cada um dos recursos utilizados - por
exe1nplo, mão de obra, matéria-prima, energia etc. Assim, um
custo industrial representa o valor de todo o sacrifício incor-
rido pela empresa até aquele momento para disponibilizar o
referido fator produtivo à produção. Seguindo essa lógica, é
possível concluir que o custo de um recurso produtivo é um
valor obtido pela contabilização dos gastos líquidos incorridos

t
até aquele momento, considerando a aquisição, a transferência ~

e a preparação desse fator para a produção. Por exemplo, como ••


uma matéria-prima precisa ser comprada, transportada, asse-


gurada, estocada e, logica1nente, transferida até a produção,
tudo isso e muito mais reflete aquele valor que é identificado
como o custo da matéria-prima, o qual será, por sua vez, trans-
ferido ao produto final.
Agora que você já conhece esse processo, na próxima vez
que comprar um sanduíche em uma lanchonete, lembre-se de
que o pão, o hambúrguer e a salada não são os únicos fatores
a serem considerados para a precificação. Um cliente que não
tenha todas essas informações pode pensar que a lanchonete
está cobrando um valor muito alto pelo sa11duíche, mas a
compra de 1natérias-primas é ape11as parte do custo. Ainda é
necessário somar a esse número os gastos da ida ao mercado,
da energia consumida para fritar o hambúrguer, da mão de
obra utilizada para montar o sanduíche, da depreciação das
ináquinas e ferramentas utilizadas. Se pensar bem, talvez o
preço do sanduíche não esteja assim tão distante de seu custo
de fabricação.

2.2.1 Custo fixo e variável


Retornando à classificação dos custos, temos que a primeira
possibilidade é a dos custos fixos e variáveis em relação à quan-
tidade. Nesse sentido, Pindyck e Rubinfeld (2013) apresen-
tam que t1m custo variável, como o próprio nome diz, varia
à inedida que ocorrem alterações nos voltimes de produção.
Nesse tipo de custo, os recursos produtivos considerados são
aqueles que apresentam correlação entre suas quantidades
consu1nidas i1a produção e as quantidades fabricadas de pro-
duto. Assim, quando há um aumento na quantidade produ-
zida, tem-se um aumento no uso desse recurso produtivo e, •
t
por conseguinte, um attmento no volume do gasto financeiro
••

com esse item. Podemos ilustrar essa situação com o exemplo
das matérias-primas. Nesse sentido, imagine uma confecção
que para produzir uma camisa precise de 2 m 2 de um tecido, o
qual custa R$ 10/m2, portanto, se produzir apenas uma camisa,
consome apenas 2 metros de tecido e, por isso, seu custo total
com tecido será de R$ 20,00 nessa produção (= 1 camisa x 2 m 2
de tecido x R$ 10 por m 2 de tecido). Agora, se produzir duas
camisas, seu consumo de tecido será de 4 m 2 e seu custo de
produção será contabilizado em R$ 40,00 (= 2 camisas x 2 m2
x R$ 10/m2). Percebeu a relação entre as quantidades? Quanto
mais camisas são produzidas, mais se gasta com tecido e, da
mes1na forma, quanto menos camisas são produ.zidas, menos
se gasta com tecido. Essa é a ideia do custo variável.
Já os custos fixos são aqueles gastos que não se alteram em
virtude de modificações na quantidade produzida, desde qt1e,
logicamente, certas condições sejam respeitadas, como a capa-
cidade instalada da fábrica. Um tipo de gasto que representa
be1n esse tipo de custo são os contratos de aluguéis. Trata-se
de t1ma transação comercial em que a empresa contrata o
direito de usar a propriedade de outrem - por exemplo, espaço
físico ou máquina - , mediante o paga1nento predeterminado
para um período. Desse modo, não importa, nesses casos, se
a empresa vai ficar vazia o mês todo ou se vai trabalhar 24
l1oras todos os dias, o que interessa é que, ao final do período,
ela terá que honrar o co11trato firmado com o proprietário desse
bem, i1ão importando se sua produção nesse período foi zero
ou um milhão de unidades do produto.
Antes de en cerrar o estudo sobre custo fixo e variável, é
,
necessário fazer um alerta. E mttito comum encontrar no mer-
cado quem se confunda ao analisar os dados de un1a empresa.
Por vezes, muitos consideram que o custo que apresentot1 valo-
res diferentes entre os meses é um custo variável, já outro que
se mantém consta11te é definido como de natureza fixa. Uma •
t
análise feita apenas segundo esse critério é inadequada, pois,
dentre outros motivos, um custo fixo pode ser repetitivo ou não
••

,
re petitivo. E preciso lembrar de que o termo fixo significa ape-
nas que o custo não varia em ft1nção da qt1antidade produzida,
todavia isso não qt1er dizer que ele não possa variar por outros
,
motivos. E por isso que, quando um custo fixo aprese11ta um
comporta1nento constante ao longo de determinado período,
é denominado custo fixo repetitivo, t1ma vez que esse compor-
tame11to não é padrão para todos os custos fixos (por exemplo,
o valor de un1 aluguel mensal fixado anualmente). Da mesma
forma, somente porque o valor de determinado custo não é o
mesmo em todos os períodos, não quer dizer que seja, neces-
sariamente, u1n custo variável, ele pode ser um custo fixo "não
repetitivo" (por exemplo, no valor de um aluguel reajustado
todo mês segundo a inflação, sua variação é constante, porém
sem vínculo com a quantidade produzida).

2 .2 .2 Custo direto e indireto


Para entender a segunda classificação, a do custo direto e indi-
reto, é necessário lembrar de que a contabilidade é guiada
por princípios, dentre os quais se tem o da "confrontação das
despesas com as receitas". Segundo esse princípio, a receita
de um produto precisa ser confrontada com todas as despe-
sas que foram incorridas para gerá-la. Dentre esses gastos,
encontram-se todos aqueles incorridos na produção do pro-
duto vendido, o que, por sinal, é bem fácil de ser realizado
qua11do a empresa tem somente um produto em sua unidade
de produção. Afinal, nesse cenário, tudo o que foi gasto na
produção é apropriado àquele item sem grandes dificuldades.
No entanto, se a empresa tem mais de um produto, há um
problema a ser resolvido.
Quando uma empresa tem mais de um produto na sua uni-

dade de produção, alguns de seus gastos serão facilmente iden- t

tificados qttanto aos produtos a que pertencem., estes são os ••


custos diretos (por exemplo, matéria-prima, embalagem, mão


de obra direta etc.). Todavia, outros custos dessa empresa serão
mais gerais, pois são elementos qt1e participam na produção
de mais de um produto, e são denominados custos indiretos (por
exemplo, aluguel da fábrica, gerente da produção etc.).
Pense no seguinte contexto: un1a confecção produz camisas
e calças. O tecido branco é somente para as camisas e o azul
somente para as calças; quem costura camisas não costura cal-
ças e quem costt1ra calças 11ão costura camisas. Por fim, para
conduzir a produção de calças e camisas, há um só gerente
de produção. Você sabe dizer o que é cttsto direto e indireto
nesse caso? O tecido e que1n costura são custos diretos, uma
vez que são rapidamente identificados com os produtos finais
que geram (camisas e calças), ou seja, são elementos facilmente
apropriados aos produtos finais. O custo do gerente é indireto,
ele participa de ambas as linhas e, por esse motivo, não permite
determinar qua11to do seu custo vai para cada produto fabri-
cado, pelo menos não sem uso de algum critério de alocação
dos gastos (por exemplo, rateios).

Exercício resolvido
Uma empresa fabricante de um componente para com.p uta-
dores produziu 10.000 unidades desse produto. A empresa
precisa definir o custo por produto, segundo a natureza do seu •
gasto na produção (Variáveis e Fixos), com base nos seguilttes
1
i

dados. i
~

1
Item Valor(R$) Item Valor(R$) t

Matéria-prima (ou primários)
Materiais secundários
30.000
4.000
Seguros da fábrica
Mão de obra de supervisão
1.000
3.000
1
j
Aluguel da fábrica Mão de obra direta

,f
2.000 12.000

Embalagem 2.000 Energia elétrica das máquinas 4.000 l.



í
Depreciação da fábrica 2.000 Manutenção das máquinas 3.000
I
•f
Qt1al é o valor do custo unitário do prodttto?
1
Resolvendo: 1
!
l
Custos Variáveis Valor(R$) Custos Fixos Valor (R$) }
i
Matéria-prima 30.000 Aluguel da fábrica 2.000 i
i
Embalagem 2.000 Depreciação da fábrica 2.000
1
Materiais secundários 4.000 Mão de obra de supervisão 3.000
Mão de obra direta' 12.000 Manutenção da fábrica 3.000
Energia elétrica das máquinas 4.000 Seguros da fábrica 1.000

Total 52.000 Total 11.000

Custo Variável por Produto: R$ 52.000,00/10.000 unidades=


R$ 5,20.
Custo Fixo por Produto: R$ 11.000,00 / 10.000 unidades =
R$ 1,10.
Custo Unitário: R$ 6,30 por urtidade.
Comentário: a maior parte do custo da empresa vem do
custo variável (R$ 52.000,00) e o custo fixo, dada a produção
de 10.000 tlnidades, foi diluído para R$ 1,10. Ou seja, se a pro-
dução for menor, a participação do custo fixo será maior. Por
exemplo, se a produção fosse de apenas 1.000 unidades, o custo 1
!
fixo seria de R$ 11,00 por unidad.e, t1ltrapassando o valor do ••
'•
À
custo variável, g11e ainda se manteria em R$ 5,20. Viu como i•
ilf
é importante saber classificar adequadamente o custo numa •
•"•
~
análise da gestão? Acreditamos que sim. •

2.2.3 Outras formas de ver os custos ~
f
'·'

Antes de encerrar este capítulo, precisamos esclarecer dois


pontos importantes. Primeiro, existem muitas ot1tras formas
de classificar os ct1stos de uma empresa, além das duas que
foram apresentadas, por exemplo, ainda há os custos do tipo
primário e secundário; primário e de transformação; contro- •
t
lável e não controlável; meta e padrão etc. Todos esses tipos
••

buscam fornecer informações específicas a determinados pro-
cessos decisórios, assim, a importância que apresentam para
esses fins é inquestionável. Todavia, para os objetivos deste
capítulo, o que foi dito já é mais do que suficiente para ter uma
boa base para o Capítt1lo 3.
Em segundo lugar, é necessário saber o qt1e a contabilidade
de custo contabiliza e como ela o faz. Bem, com relação ao pri-
meiro item temos que contabilidade de custo de uma ind{1stria,
logicamente, se destina "apenas aos bens ou serviços t1tilizados
na produção de outros bens e serviços" (Martins, 2010, p. 27,
grifo nosso). Ou seja, custo é aquilo que ocorre na produção.
E, para tanto, ela faz uso de sistemas de custeias, os quais, por
essência, nada mais são do que formas "de apropriação dos
custos" (Martins, 2010, p. 198), dentre os qu ais quatro se desta-
cam: (i) Ct1steio por absorção; (ii) Custeio variável; (iii) Custeio
RKW e (iv) Custeio Baseado em Atividade/ABC. Contudo, é
possível perceber na sequência que nem sempre esses ct1steios
se ocupam apenas com os custos dos produtos, muitas vezes
as despesas também são consideradas nesses instrumentos ou,
ainda, alguns custos são desconsiderados no procedimento,
como veremos no Capítulo 3.

Estudo de caso
Imagine, agora, que você é um consultor contratado pela
empresa Enrolados Ltda., fabricante de um único produto, o
produto Enroladirlho.
A empresa precisa de apoio na apuração dos seus custos
do produto, bem como na correta separação entre os custos
diretos, indiretos e despesas. Para iniciar o trabalho, a empresa
E11rolados Ltda. forneceu a listagem das informações extraídas
da contabilidade da indústria. Os valores estão misturados

t
e será necessário segregar as informações para sua correta
classificação. ••

Dados fornecidos pela empresa para o mês de janeiro:

Descrição Valor (R$) Descrição Valor (R$)


Materiaisdiretos 50.000 Manutenção da fábrica 20.800
Mão de obra indireta 41.500 Materiais de consumo da 4.100
fábrica
Salários do dep. de vendas 22.500 Mão de obra direta 25.050
Despesas com 7.000 Aluguel da fábrica 3.200
propaganda
Salários de supervisão da 5.150 Salários do dep. 18.950
fábrica administrativo
Energia elétri ca da fábrica 9.000 Energia dos escritórios 4.000
Materiais de escritórios 2.850 Seguro da fábrica 900
Depreciação da fábrica 21.300 Depreciação do 1.950
administrativo
O primeiro trabalho consiste em separar as informações em
(A) custos diretos; (B) custos indiretos e (C) despesas.
A - Custos diretos

Lembrando: são todos os custos diretamente aplicáveis aos


produtos e que variam de acordo com o volume de produção
da indi'.tstria.

Item Custo (R$)


Materiais diretos 50.000
Mão de obra diret a 25.050
Total dos Custos Variáveis 75.050

B - Custos indiretos

Lembrando: os custos indiretos são os que necessitam de


algt1m critério, arbitrado ou estimado, para apropriar seu valor
aos produtos.

Item Custo (R$)


Manutenção da fábri ca 20.800

Mão de obra indireta 41.500

Materiais de consumo da fábrica 4.100


Aluguel da fábrica 3.200 •
t
Salários de supervisão da fábrica
••
5.150

Energia elétrica da fábrica 9.000
Seguro da fábrica 900
Depreciação das máquinas da fábrica 21.300
Total dos Custos Fixos 105.950

Após a separação dos custos, é preciso separar as despesas


e concluir a atividade:
C - Despesas

Lembrando: são os valores gastos para a obtenção das recei-


tas, os quais, como são, em geral, difíceis de vincular com
os produtos vendidos, são reconhecidos como sacrifícios do
período, não sendo incorporados ao produto.
Item Custo (R$)

Salários do departamento de vendas 22.500


Despesas com propaganda 7.000
Salários do departamento administrativo 18.950
Materiais de consumo do escritório 2.850
Energia consumida nos escritórios 4.000
Depreciação do Dep. Administrativo 1.950
Total das despesas 57.250

Após a separação, é possível analisar os custos para o pro-


duto Enroladinho, quanto a sua natt1reza, e ta1nbérn os sacrifí-
cios que ocorreram dentro do período, isto é, as despesas. Isso
será trabalhado em uma próxima etapa.

Síntese
Neste capítulo, você tomou ciência de que existe uma conside-
rável diferença entre gasto e perda. O primeiro é um sacrifí-
cio voluntário realizado para obter um produto (bem/serviço),
já a perda representa o sacrifício involuntário e inesperado.
Os dispê11dios ide11tificados como gasto podem se apresentar

t
de diferentes formas: investimento, custo e despesa.
••

Despesa

Gasto Investi mento Direto/Indireto

Dispêndio Custo Fixo/Viável

Outras
Perda
classificações
A despesa é o gasto incorrido para geração de receita, podendo
ser financeiro, comercial e administrativo. O investilnento é
o gasto ativado, isto é, aquele gasto que é reconhecido pela
empresa no ativo - por exemplo, matéria-prima no estoque. Por
fim, o custo é aquele gasto que ocorre na produção - por exem-
plo, matéria-prima utilizada na linha de produção. O ct1sto
também pode apresentar subclassificações conforme a neces-
sidade iI1formacional dos gestores, como direto, indireto, fixo
e variável, primário, secundário etc.

Questões para revisão


1. (Prodemge - A11alista de Gestão Administrativa - Fumarc,
2011) Complete as frases a segt1ir:
1. consistem no sacrifício financeiro
da entidade para obtenção de um prodt1to ou serviço
qualquer. A sua destinação pode ou não estar ligada à
atividade-fim do i1egócio.
11. Os dispêndios, relativos a bens ou serviços utilizados
na produção de ot1tros bens ot1 serviços, portanto,

t
associados à atividade-fim do negócio, são chamados
de _ _ _ _ _ _ _~ ••

111. Quando os dispêndios são destinados à obtenção de


receitas, não associados à produção de um produto ou
serviço, são chamados d e - - - - - - - -·
Marque a opção que completa corretamente as frases:
a) gastos, despesas e custos.
b) gastos, custos e despesas.
c) custos, gastos e despesas.
d) despesas, custos e gastos.
2. (BDMG - Analista de Desenvolvimento - Fumarc, 2011)
Numere a segunda coluna de acordo com a primeira.

I. Gastos ( ) Gastos relativos a bens ou serviços


utilizados na produção de outros
bens ou serviços.
,
u. Investimentos ( ) E o consumo involuntário ou
anormal de um bem ou serviço.
Ili. Custos ( ) Sacrifícios com que arca a entidade,
visando a obtenção de bens ot1
serviços, mediante a entrega ot1
promessa de entrega de parte
de set1 ativo, sendo esses ativos
representados normahnente por
dinheiro.
,
Iv. Despesas ( ) E o pagamento do bem ou serviço
adquirido.
V. Desembolso ( ) Gastos co11sumidos, direta ou
indiretamente, na obtenção de
receitas.

v1. Perda ( ) Gastos ativados (classificados t

no ativo) em função da utilizada


••

futura de ben

Assinale a sequ ência correta:


a) III, V, I, VI, IV e II.
b) III, VI, I, V, IV e II.
c) I, VI, V, II, III e IV.
d) II, V, IIl, I, IV e VI.
e) IV, V, I, VI, III e II.
3. (BNDES - Profissional Básico de Engenharia - Cesgranrio,
2013) Uma empresa estuda a localização para i11sta lação de
uma nova planta para produção de um novo componente.
A produção anual será de 5.000 unidades. Abaixo, apresen-
tam-se dados de 5 cidades previamente selecionadas.

Cidade Custos fixos anuais (R$) Custos variáveis (R$/un.)


Cidade 1 1.000.000 900
Cidade 2 1.1 00.000 850
Cidade 3 1.200.000 800
Cidade 4 1.300.000 750
Cidade 5 1.400.000 700

Considerando que a localização será baseada em uma aná-


lise dos ctistos fixos e variáveis anuais, calcule o ct1sto por
unidade de cada cidade e apresente aquela que possui o
menor custo para a escala de produção pretendida.

4. (AFR-SP/Sefaz-SP - Auditor Fiscal - Vunesp, 2002) Julgue as


afirmações a seguir.
1. Na stia aquisição, a matéria-pri1na é um gasto que
imediatamente se transforma em investimento; no •
t
momento de sua utilização, transforma-se e1n custo
integrante do ben1 fabricado; quando o produto é
••

vendido, transforma-se em despesa.


II. Muitos gastos são automaticamente transformados
em despesas; outros passam, prüneiro, pela fase
de custos; outros, ainda, passam pelas fases de
i11vestimento, custo, investime11to novamente e, por
fim, despesas.
III. Cada componente que foi custo no processo de
produção torna-se, na baixa, despesa; no Resultado,
existen:i receitas e despesas - às vezes ganhos e
perdas, mas não custos.
Pode-se afirmar que:
a) Apenas as afir1nações I e II são verdadeiras.
b) Apenas a afirmação 1 é verdadeira.
c) Apenas a afirmação II é verdadeira.
d) Apenas a afirmação III é verdadeira.
e) Todas as afirmações são verdadeiras.

5. (SEF-MG - Auditor Fiscal da Receita Estadual - Esaf, 2005)


A en1presa Atualíssima é totalmente automatizada, usando
tecnologia de computação de últiina geração e1n seu pro-
cesso produtivo, necessitando por essa razão manter um
Departamento de Manutenção de Microcompt1tação, que
apresenta siste1natica1nente t1ma ociosidade de t1tilização
de aproximadamente 25o/o por mês, mas justificada como
imprescindível, pela Diretoria de Produção, segundo os
relatórios apresentados em reunião de diretoria.
Nessa mesma retmião o diretor administrativo informa que
a manutenção e conserto dos microcomputadores de seu
departame11to vêm sendo realizados, até então, por tuna
empresa terceirizada, o que implica um desembolso médio

anual de $ 800.000,00. Tendo em vista a política de con- t

tenção de gastos aprovada, solicita que esse serviço seja ••


realizado pelo Departamento de Produção utilizando a


ociosidade de tempo relatada, tendo em vista que é plena-
me11te viável a medição de todos os gastos que vierem a ser
efett1ados. Alé1n disso, poder-se-ia aproveitar pelo menos
parte da ociosidade do Departamento de Manutenção de
Microcompt1tação.
Nesse caso, como os gastos efetuados co1n a manutenção
solicitada pela diretoria administrativa deveriam ser trata-
dos? Explique sua resposta.
Questões para reflexão
1. Quando nos referimos a investimentos na empresa, associa-
mos logo com as máquinas, os prédios, uma planta indus-
trial, ou seja, todos os itens de ativo fixo. E você, com base
na teoria vista, acredita que o estoque de matéria-prima
também é um investimento ou uma despesa?

2. Analisando o caráter sistémico que uma empresa deve ter, o


que você acha que é relevante na gestão estratégica de custos:
analisar o custo industrial, as mercadorias em estoque ou
as despesas admi1ústrativas?

Saiba mais
Para ajudar no entendimento da classificação dos custos, é
interessante ler o Capítulo 2 do livro Contabilidade de custos1
de Eliseu Martins.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010.


t

••

••••••••••

•1 •• •• •• • 1• •• 1• •• :
1 •
• •• •• • 1 • • 1 •

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~!

1
Conteúdos do capítulo:
.
• Procedimentos para definir o custo de um produto <
i

i
vendido.

• Precificação dos produtos movimentados no estoque.



• Custeio por absorção segundo o seu uso financeiro.

• Custeio por absorção e suas possíveis variações (pleno e 1

modificado). l
i
Após o estudo deste capítulo, você será capaz de: t
1. compreender a lógica de mensuração dos custos de um
1
produto;

2. identificar o peso do fluxo do estoque na composição


patrimonial;

3. distinguir as aplicações do método por absorção do custo


para fins fiscais e gerenciais.
sucesso de uma gestão estratégica de custos depende for-
temente da forma como ocorrem a id.entificação, a mensuração

t
e a apropriação dos custos da empresa. Dito de outra forma,
st1a eficácia depende tanto de como entendemos e aplicamos ••

os custos da produção nos produtos que a empresa transaciona,


como também dos procedimentos de custeio de que dispomos
para tanto. Todavia, escolher aquele (ou aqueles) que mais bem
se adapte1n às nossas necessidades nen1 se1npre é u1na tarefa
fácil, uma vez que, como citamos no Capítulo 2, temos, quase
sempre, várias opções possíveis. Por exemplo, dentre as for-
mas de custeio, podemos citar: custeio por absorção, custeio
variável, custeio pleno e o custeio baseado em atividades/ABC.
Neste capítulo, vamos trabalhar com dois tópicos do cenário
de mensuração. Primeiro vere1nos as formas mais comuns para
precificar o ct1sto de um produto: apropriação dos custos de
produção (diretos e indiretos) e o valor dos itens em estoque.
Depois, trabalharemos com os sistemas de custeio, e o primeiro
a ser tratado será por absorção, dada sua expressiva relevân-
cia no mundo empresarial. O ct1steio variável e o ABC serão
analisados no Capítulo 4.

3.1 O custo de um produto vendido


Seja por custeio por absorção, variável ou por atividade (ABC),
a questão-chave é que os pri11cípios fundamentais da conta-
bilidade impõe1n que o confronto entre a receita e o custo do
produto considere tanto gastos indiretos como diretos. Assim,
agora vamos abordar como esses dispêndios de produção são
identificados no produto final que será vendido; ou seja, vamos
falar sobre o Custo do Produto Vendido (CPV).
Antes de prossegttir, é preciso esclarecer qt1e CPV é um
termo que somente deve ser u sado para a e1npresa do setor
industrial, uma vez que as mercadorias transacionadas por
outros setores têm suas próprias denominações. No comér-
cio, que apenas adquire e revende produtos, o termo é CMV
(Custo da Mercadoria Vendida); já nas prestadoras de serviços,

t
aquelas que produzem um produto intangível e, portanto, sem
possibilidade de estocagem, o termo correto é o CSP (Custo do ••

Serviço Prestado). Entendido isso, voltemos ao CPV.


O CPV representa o valor que foi precificado para um bem
tendo como referência os sacrifícios que foram incorridos para
gerá-lo. Ou seja, neste momento, asst1me-se qt1e seu valor para
a empresa equivale ao total gasto para produzi-lo, sendo esse o
critério para defini-lo como um bem e ativá-lo como patrimô-
11io. No entanto, não se engane ao p e11sar que a empresa está
se aproveitando dos clientes por vender um bem mais caro
do que é o seu valor. O numerário utilizado para precificar o
prodt1to no estoque não é o valor real desse ativo; o valor de
tim bem depende da utilidade que ele tem para aquele que o
adquire. Assim, a empresa busca produzir produtos que para
ela representem um sacrifício menor do que a utilidade que
os clientes encontraram para seu uso. Assin1, o cliente paga
o preço que considera justo para sua satisfação e a empresa
obtém lucro por ter agregado uma utilidade maior aos insumos
que utilizou em relação ao sacrifício que teve para adquiri-los.
Veja só, o preço de uma pizza não é definido pelo custo da fari-
nha, do tomate e demais ingredientes, mas pelo sabor que a
pizzaria consegue conferir ao produ to.
Agora que já se sabe de tudo isso, somente resta calcular o
CPV que, como foi dito, apenas representa o total do sacrifício
incorrido, segundo os critérios de rateio utilizados, para produ-
zir o bem comercializado. Para tanto, é preciso considerar três
etapas de cálculo: (i) Custo de Produção; (ii) Custo da Produção
Acabada; (iii) Custo do Produto Vendido.

3.1.1 Custo de Produção (CP)


A primeira etapa para precificar um produto com relação ao seu
custo e11volve encontrar o gasto no período de sua produção.
Para tanto, é necessário somar os valores de todos os insumos

utilizados em tal período, os quais, por sua vez, podem ser t

identificados em três con tas principais: materiais diretos, mão ••


de obra direta e custos indiretos.

CP = MD + MOO + CIF
.. . ... . . .. .. . . . .. .. .. . . . .. .... . . . .. .... . . . .. .........
Sendo
MD: materiais diretos*
MOD: mão de obra direta
CIF: custos indiretos de fabricação
* MD = E!+ Coinpra - EF

Os materiais diretos representam as matérias-primas, emba-


lagens e demais itens que são facilmente identificados com os
produtos e, assim, podem. ser apropriados diretamente a eles.
A mão de obra direta é o valor gasto com os colaboradores cujo
esforço produtivo é faci hnente associado ao produ to, isto é,
trata-se de um trabalho que não participa de outros produtos.
Por fim, os custos i11diretos de fabricação são todos os demais
sacrifícios ct1jo valor não pode ser apropriado diretamente
ao produto, isto é, exige um critério arbitrado para alocação.
Resumindo, temos que o custo de produção é tudo aquilo que
foi gasto pela produção no período contabilizado.

3 .1.2 Custo da Produção Acabada (CPA)


O Custo da Produção Acabada é o valor total que saiu da pro-
dução e foi para o estoque da empresa. Ele é obtido conside-
rando quanto a empresa já tinha de gasto no período anterior
i1a forma de estoque inicial de produto em processo (EIPP)
in.ais o que foi adicionado no período, isto é, o CP que foi cal-
culado anteriormente menos o que sobrou na produção no
final do período (EFPP):
.•
CPA = EIPP + CP - EFP
.••
.•
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ..

t
Sendo
EIPP: estoque inicial de produto em processo
••

CP: custo de produção


EFPP: estoque final de produto em processo
Exemplificando: imagine que é o início do mês de janeiro,
e você foi até a prodt1ção para ver o que estava sendo pro-
cessado naquele mo1nento. Então, constatou que há R$ 2.000
de produtos que sobram do mês anterior e estão iniciando o
processo de janeiro (EIPP). Os dias passam e você descobre
que foram adicionados na produção, durante janeiro, cerca
de R$ 10.000 (CP). Terminado o mês, volta à produção para
verificar o que tinha ainda e1n processo. Se tivesse R$ 12.000
( R$ 2.000 + R$ 10.000), nada teria saído da produção, agora, se
tivesse zero, então tudo teria ficado pronto. Acontece que, ao
contar os produtos em processo no fim do mês, você percebe
que há somente R$ 8.000. Então, o que isso significa? Significa
que R$ 5.000 ficaram prontos durante o mês e foram transfe-
ridos para o estoque (CPA).

3.1.3 Custo do Produto Vendido (CPV)


O Custo do Produto Vendido é a última parte do cálculo. Basta
realizar a equação a seguir, na qual são somados o valor do
estoque inicial de produto acabado (EIPA) e o custo da produ-
ção acabada, e esse valor deve ser comparado com o estoque
final de produção acabada (EFPA).
.. ..... . . .. ...... . .. ..... . . ....... . .... .... ..........
.. ..
..; CPV = EIPA + CPA - EFPA ..;
........................ .................. .........
Sendo
EIPA: estoqt1e inicial de produto acabado
CPA: custo da produção acabada
EFPA: estoque fi11al de produto acabado

t
Resumindo, o CPV é o valor que demonstra qual o valor que
saiu do estoque de produtos acabados, isto é, prontos para a ••

venda. Como a lógica é a mesma do CPA, podemos encerrar a


tt
explicação, mas, antes de mudar de tema, que tal olhar o con- i
1

ceito de forma sistêmica em um exercício resolvido? I


ti
l
Exercício resol1.1ido 1
Vamos considerar que uma empresa, d.urante o período de
20X11, segundo o balanço patrimonial e o relatório anual de
operações de aquisição, realizou várias compras e movimen-
tações e1n seu estoque, dentre estas vendeu 1nercadorias pro-
duzidas. Assim, qual foi o valor do CPV?
Dados da operação:
Balanço Patrimonial Operação no período 20X1
Ano 20XO 20Xl (RS) (RS)
(R$) (R$) Compra materiais 107.000

Caixa ... ... + MD 100.000


Cliente ... ... + MI 7.000

Estoque 85.000 74.000 Folha Fábrica 140.000

+PA 25.000 20.000 + MOD 80.000

+PP 30.000 32.000 +MOI 60.000


+MD 20.000 10.000 Gasto Indireto 1
12.000
Fábrica (GIF) !
+MI 10.000 12.000
•.•
+ Eletricidade 2.000 •
À

+ Aluguel 10.000 i•
ilf

Primeiro passo, precisamos encontrar os valores de MD, •"•
~

MODeOF. 1
i

a) Materiais Diretos (MD) = Estoque Inicial de MD + i
~
Compra MD - Estoque Final de MD •
1

MD = EI de MO+ Compra MD - EF de MD t

MD = 20.000 + 100.000 - 10.000 1


j
MD = R$ 110.000

,f
b) Materiais Indiretos (MI) = EI de MI + Compra MI - EF l.

í
de MI I
•f
MI = 10.000 + 7.000 - 12.000
1
MI=R$5.000 1
!

c) CIF = MO!+ MI + GIF l


}
i
CIF= 60.000 + 5.000 + 12.000 i
i
CIF = R$ 77.000 1
Comentário: MD e MI são obtidos com o mesmo cálculo
que o CPA e CPV.
Segundo passo, precisamos encontrar os valores de CP, CPA
e CPV.
d) CP=MD +MOD +CIF
CP = 110.000 + 80.000 + 77.000
CP = R$ 267.000
e) CPA = EIPP +CP - EFPP
CPA = 30.000 + 267.000 - 32.000
CPA = R$ 265.000
f) CPV = EIPA + CPA - EFPA
CPV = 25.000 + 265.000 - 20.000
CPV = R$ 270.000
Comentário: R$ 270.000 representam o valor da mercadoria 1
!
vendida no mês da contabilização. No início, a empresa tinha ••
apenas R$ 25.000 no estoque de produto pronto para venda e
recebeu da produção 1nais R$ 265.000, assim poderia vender
até R$ 290.000. Todavia, vendetl apenas R$ 270.000, pois sobrou

no estoque R$ 20.000.
1
i
Como den1onstram os cálculos, determinar o CPV não é •

uma tarefa herctilana, apenas exige organização e dados sobre


os estoques.

Perguntas & respostas •


t
A energia elétrica é um insumo produtivo direto ou indireto?
, ••

E preciso entender que a energia elétrica pode ser identifi-


cada como despesa ou custo. Quando utilizada pela administra-
ção, ela é considerada uma despesa. Agora, se for utilizada pela
produção, torna-se um insumo produtivo e, assim, um custo.
Como custo, a energia pode ser tanto um fator direto como
indireto, dependendo de como ela é utilizada e/ou como con.-
segtlimos 1nensurá-la.
a) Fator indireto: a energia será considerada fator indireto
quando seu uso não é restrito apenas a um produto. Por
exemplo, a iluminação de uma fábrica é de uso conjtinto,
assim, sua alocação aos produtos deve ser por rateio, den-
tre outros, podemos citar o critério dos metros quadrados
ocupados por cada área de produção.
b) Fator direto: a energia será classificada como fator direto
se1npre que sua mensuração permitir identificar seu con-
sumo com o produto produzido. Por exemplo, o custo
de energia nos equipamentos tido como fatores produ-
tivos diretos, sempre que permitirem a mensuração do
consumo de energia, será considerado como fator direto.

3.2 Como precificar um produto estocado


A precificação dos estoques não apresenta apenas t1111. método
possível, mas, sim, quatro, se forem consideradas apenas as
formas básicas, que são: (i) preço médio ponderado; (ii) preço
médio fixo; (iü) PEPS / FIFO (primeiro que entra, primeiro que
sai ou first in, first out, em inglês) e (iv) UEPS / LIFO (t'.1ltimo que
e11tra, primeiro que sai ou last in, first out, em inglês). Apesar
das diferentes formas que enxergam os valores movimentados,
esses métodos buscam o mesmo objetivo, que é atribuir um
valor médio aos ite11s pertencentes a um estoque que foi cons-
tituído tanto com temporalidades diferentes como, também, •
t
com valores distintos, o que abordaremos segundo a visão de
Martins (2010) e Megliorini (2011b). ••

No entanto, antes de abordar cada u1na das 1netodologias, é


importante conhecer os procedimentos de registro contábil das
matérias-primas e mercadorias no estoque da empresa e os res-
pectivos impactos fiscais de suas compras. Qt1ando a e1npresa
efetua uma compra (pode ser de matéria-prima ou de uma
mercadoria já pronta, nesse caso para revender), ela incorre
em gastos com o item, mas, em algt1mas compras, é necessá-
rio desembolsar também com itens adicionais, como fretes,
seguros, despesas de desembaraço no porto (se for impor-
tado), honorários e serviços para auxiliar na compra e impostos
não recuperáveis, como é o caso do Imposto de Importação.
Todos esses valores compõem os gastos da matéria-prima ou
mercadoria, sendo incorporados no estoque. O gasto final é o
somatório desses itens.
No que se refere a impostos, nas compras efetuadas de itens
para o estoque (matérias-primas e mercadorias para revender),
os impostos são rectiperáveis, o que significa que, quando
adquirimos um item e pagamos t1m imposto na operação Qá
está embutido no valor da compra), podemos aproveitar esse
valor, chamado de imposto recuperável. Os impostos recuperá-
veis diminuem o mo11tante do estoqt1e.
Imagine a compra de mercadorias por R$ 10.000,00 para
compor o estoqt1e, com ICMS de 18% na operação, que dá o
valor de R$ l.800,00. A entrada no estoqt1e será de R$ 8.200,00
(R$ 10.000,00 - R$ 1.800,00). Esse valor de R$ 1.800,00, que a
empresa gastou na compra, pois estava embutido no preço, é
considerado um imposto recu.p erável e diminuído do valor
da compra. Esse valor é registrado em uma conta do Ativo
da empresa = Imposto a Recuperar. Quando a empresa efe-
tuar uma venda, vai calcular o imposto a pagar na operação.
No fu1al do período, é feito um encontro de contas, ou seja, a

empresa vai apurar todos os valores que deveria pagar/reco- t

lher aos cofres públicos e diminuir do 1nontante do imposto


••

a recuperar, ou seja, só será desembolsada a diferença, que
é quanto a empresa agregou de valor no produto da compra
para a sua venda. Esse procedimento deve ser realizado por
algumas empresas, de acordo com o regime de tributação do
Imposto de Re11da em que se enquadra.

3.2.1 Preço médio ponderado móvel


O valor dos itens do estoque é ponderado pelo movimento
de entrada e saída dos materiais. Nesse sentido, a ordem de
entrada e saída interfere no valor da precificação. Para enten-
der o conceito, vamos utilizar um exemplo, demonstrando por
meio de tima Ficha de Controle do Estoque a movimentação
dos itens, suas entradas e saídas. Para as empresas que inantêm
um controle manual de estoque, a Ficha é o Formulário a ser
preencl1ido com a movünentação, ite1n a item. Para as empre-
sas que controlam seu estoque de inodo eletrônico, a ficha é
obtida quando vistializamos o razão dos produtos.

Tabela 3.1 - Preço médio ponderado móvel

FICHA OE CONTROLE DE ESTOQUE


Produto/Material:
Código:
Localização:
Entradas Saídas Saldo
Data Documento Unit. Total Unit. Total Unit. Total
Quant. Quant. Quant.
(R$) (R$) {R$) (R$) IRS) (R$)
1 NF001 100 10,00 1.000 100 10,00 1.000
2 NF002 200 11,95 2.390 300 11,30 3.390
3 Requisição 220 11,30 2.486 80 11,30 904
4 NF003 100 13,10 1.310 180 12,30 2.214
5 Requisição 100 12.30 1.230 80 12.30 984

FoNTE: Ela borado conl base e11l Mart i11s, 2010, p. 118.

Houve duas e11tradas antes da saída do dia 3. A primeira


entrada foi de 100 unidades a um custo de R$ 10,00/unidade, já
a segunda foi de 200 unidades a um custo de R$ 11,95. Os valo- •
t
res das entradas geraram um estoque com 300 unidades a um
custo total de R$ 3.390,00 (R$ 1.000,00 + R$ 2.390,00), assim, a
••

média de cada unidade do estoque é R$ 11,30 (R$ 3.390,00 /


300). Dessa forma, o valor da saída do dia 3 foi calculado em
cima desse preço u11itário de R$ ll,30. A consequência foi uma
baixa no estoque de R$ 2.486,00 (220 x R$ 11,30) e t1m saldo de
R$ 904,00 (R$ 3.390,00 - R$ 2.486,00).

3.2.2 Preço médio ponderado fixo


Esse método é mais simples, pois o valor médio dos itens é
calculado somente no final do período considerado. Ou seja,
nesse critério, o preço médio do material é um valor único no
período considerado; como demonstra a Tabela 3.2.
Tabela 3.2 - Preço médio ponderado fixo

Entradas Saídas Saldo


Data Documento Unit. Total Unit. Total Unit. Total
Quant. Quant. Quant.
(R$) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$)
1 NF 001 100 10,00 1.000 100 10,00 1.000
2 NF002 200 11,95 2.390 300 11,30 3.390
4 NF003 100 13,10 1.310 400 11,75 4.700
3 Requisição 220 11,75 2.585 180 11,75 2.115
5 Requisição 100 11.75 1.175 80 11,75 940

Fomn: Elaborado com base em Martins, 2010, p. 118 e 119.

Na Tabela 3.2, constam os mesmos valores de entrada da


Tabela 3.1, todavia o valor da saída é diferente. Para encontrar
o valor de saída nesse procedimento, primeiro precisamos
somar todos os valores das entradas do mês:
Total monetário das entradas:
R$ 1.000,00 + R$ 2.390,00 + R$ 1.310,00 = R$ 4.700,00
Total físico das entradas:
100 unid. + 200 unid. + 100 unid. = 400 unidades
Tendo agora esses dois dados ctimulativos, podemos .fi11al-
mente calcular o preço médio do período (R$ 4.700,00 / 400
t1nid. = R$11,75/t1nid.). Conhecido o valor da média do período, •
t
todas as saídas são calculadas com base nela. Este é o único dos
••

quatro métodos em que todas as saídas apresentam o mesmo
valor unitário.

3.2.3 PEPS / FIFO

PEPS (Primeiro qt1e Entra Primeiro que Sai) ou FIFO (First-In /


First- Out) é tima forma de cálculo qt1e considera o ct1sto n1ais
antigo. Dessa forma, a saída expurga os valores antigos e o
que sobra no estoqt1e são os preços mais recentes.
Perceba no exemplo que segt1e que a tabela apresenta a saí.da
do estoque de 220 unidades de produto (100 + 120) e foi precifi-
cada considerando a entrada do dia 1 e do dia 2 (as duas mais
antigas). Primeiro, foram baixadas as compras mais antigas
(100 unidades a R$ 10,00) e, como não foi suficiente para aten-
der a saída total (220 u nidades), foram baixadas 120 unidades
a R$ 11,95 da segunda entrada.

Tabela 3.3 - Primeiro que Entra, Primeiro que Sai (PEPS)

FICHA DE CONTROLE DE ESTOQUE


Produto/Material:
Código:
Localização:
Entradas Sa ídas Sal do
Data Docu mento Unlt. Tot al Un lt . Tot al Unit. Tot al
Quant. Quant . Quant .
(R$) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$)

1 NF001 100 10,00 1.000 100 10,00 1.000


2 NF 002 200 11,95 2.390 100 10,00(a) 1.000
200 11,95{b) 2.390
300 3.390
3 Requisição 100 10,00(a) 1.000 o - -
.!lQ 11 ,9~íbl 1.434 B.Q 11,95 25.Q
220 11,06 2.434 80 956

4 NF003 100 13,10 1.310 80 11,95{b) 956


100 13.lO(c) Ll1Q
180 2. 266,
5 Requisição 80 11,95{b) 956 o o -
20 13,lOícl 262 80 13,10 1.048
100 12,18 1.218 80 1.048

t
FONTE: Ela borado com base em Martins, 2010, p. 119 e 120.

••

O resultado da precificação PEPS foi urn preço médio por


unidade de produto no valor de R$ 11,06, no dia 3: (R$ 1.000,00 +
R$ 1.434,00) / (100 + 120 unidades).

3.2.4 UEPS / LIFO


,
UEPS (Ultimo que Entra, Primeiro que Sai) ou LIFO (Last-in /
First-out) é tlm método no qt1al o valor de ct1sto mais recente é
base do cálculo. Assim, o estoque é contabilizado pelos preços
mais antigos e as saídas, pelos valores mais recentes.
Tabela 3.4 - Último que Entra, Primeiro que Sai (UEPS)

FICHA DE CONTROLE DE ESTOQUE


Produto/Material:
Código:
Localização:
Entradas Saídas Saldo
Dat a Documento Unit. Total Unit. Total Unit. Total
Quant . Quant . Qua nt.
(R$) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$)
1 NFOOI 100 10,00 1.000 100 10,00 1.000
2 NF002 200 11,95 2.390 100 10,00(b) 1.000
~ 11,95(al ~ .~2Q
300 3.390
3 Requisição 200 ll ,95(a) 2.390 o - -
20 10,00{bl 200 80 10,00 800
220 11,77 2.590 80 800
4 NF003 100 13,10 1.310 80 10,00(b) 800
1QQ 13,l O(c) U1!1
180 2.110
5 Requisição 100 13,l O{cl 1.310 80 10,00 800
-
º
80 800

FomF.: Elaborado coin base em Martins, 2010, p. 120.

Agora, a Tabela 3.4 apresenta que a saída de 220 unidades


de produto do estoque no dia 3 foi precificada considerando

t
a entrada do dia 2 e do dia 1 (as d11as mais recentes). Primeiro,
tentou-se atender à saída apenas co1n o dia 2 (R$ 2.390,00 e ••

200 unidades). Como faltaram 20 unidades, elas foram supri-


das com parte do volume do dia 1 (20 x R$ 10,00 = R$ 200,00).
O resultado foi um preço médio por unidade de R$ 11,77:
(R$ 2.390,00 + R$ 200,00) / (200 + 20 unidades).

Em relação aos métodos de precificação do estoque, é impor-


ta11te frisar que o método UEPS não é aceito pela legislação
brasileira para fins contábeis, sendo some11te utilizado para
fins gerenciais.
Até aqui, vimos o conteúdo sobre precificação do estoque,
tod.avia não é tudo o que existe sobre o assunto. Ainda temos
os métodos do custo específico, do varejo, dentre outros.
No entanto, para os fins que se propõem estas linhas, o exposto
mais do que cumpre o objetivo de expor a você algumas das
principais formas de precificação dos gastos ativados. Assim,
vamos nos concentrar agora nas formas de custeias. Neste
capítulo, trataremos do custeio por absorção e, no próximo,
do custeio variável e ABC.

3.3 Custeio p or absorção e su as variações:


do parcial ao RKW
Para entender a relevância do cttsteio por absorção, antes de
tudo, é preciso ser dito que ele é um dos mais antigos e, pro-
vavelmente, um dos mais utilizados do sistema contábil. Isso
porque ele deriva da aplicação de um dos princípios funda-
mentais da contabilidade, o da "confrontação das despesas com
as receitas". Isso significa dizer que atende de forma adequada
ao contexto da apropriação de todos os custos incorridos em
determinado período para a elaboração dos produtos finais da
empresa, os quais serão vendidos auferindo receita.
A lógica que se faz presente no custeio por absorção é a

t
seguinte: primeiro, os gastos da empresa são separados
em custos e despesas, conforme os critérios explicados no ••

Capítulo 2. Depois, os gastos que foram classificados como


custos são identificados corno diretos ou indiretos. Os custos
diretos são apropriados aos produ tos de forma, logicamente,
direta, isto é, sem que haja a necessidade de uma ação inter-
mediária. Já os gastos indiretos são reunidos em centros de
ct1stos e, mediante critérios de rateio, são alocados aos produtos
fabricados. Ou seja, nos custos i11diretos a alocação aos produ-
tos ocorre de forma indireta, segundo os critérios arbitrados/
estimados pelos agentes envolvidos. Perceba a importâ11cia
desse contexto para a gestão estratégica de custos, pois, caso
seja eliminado um produto, seu custo total de produção não
será elimi11ado da empresa. Apenas serão expurgados os gas-
tos diretos, já os indiretos simplesmente serão transferidos a
outros produtos. Dito de outra forma, quando um produto é
eliminado, a parcela de custo indireto que anteriormente ele
tinha passa para as outras linhas de produção que ainda estão
em operação.
Voltando ao procedimento do Custeio por Absorção, temos
agora que os produtos finais que foram ativados representam,
enquanto prese11tes no estoque, todos os sacrifícios que foram
necessários para produzi-los (ct1stos diretos+ custos indiretos).
Quando, por fim, vendidos, eles se convertem em uma parte
das despesas qt1e se fazem presentes no demonstrativo de
resultado. Assim, temos aqui uma aproximação da jornada do
Custo do Produto Vendido, segundo os ditames do custeio por
absorção, a qt1al segue ilustrada na Figura 3.1.

Figura 3.1 - Diagrama básico do custeio por absorção


parcial


t

••

Rateio

Ogasto "Despesa"
O custo da produção no estoque com é contabilizado
o produto até a realização da venda em RELAÇÃO AO
("INVESTIMENTO") PERIODO/TEMPO

+Receita
- Custo do produto
= Resultado bruto
- Despesas operacionais
= Resultado operacional

FONrE: Ela borado oom base em !Vla rtins; Rocha, 2015, p. 102-117.
Em geral, quando buscar informações sobre o custeio por
absorção, será essa forma da Figura 3.1 a estrutura básica qu.e
será apresentada em livros-textos ou em artigos científicos.
No entanto, antes de continuar, você percebeu que no título
da Figura 3.1 foi usada a expressão Parcial? Não foi um erro
gráfico. O que acontece é que, segundo Martins e Rocha (2015),
o método de mensuração que o contador da empresa costuma
chamar somertte de absorção é, na verdade, apenas uma das
variações possíveis desse tipo de custeio. Mais especificamente,
este é o Custeio por Absorção Parcial. Existem outras formas
possíveis para esse tipo de custeio, como: custeio por absorção
inodificado e custeio por absorção pleno.

Perguntas & respostas


O custeio d e absorção pode ser utilizado como uma ferra-
menta gerencial ou se u uso está restrito à Contabilidade
Financeira?
O custeio de absorção pode ser utilizado como ferramenta
gerencial, desde que seus limites irtformacionais sejam co11he- •
t
cidos, de modo que não sejam extraídas informações que não
••

existam ou que sejam equivocadas.

3.3.1 Custeio por absorção modificado


O custeio por absorção modificado pode ser interpretado
como uma etapa intermediária entre o custeio variável e o
custeio parcial. Seu procedimento, como demonstra a Figura
3.2, é o seguinte: (i) separamos os gastos em custos e despesas;
(ii) classificamos os ct1stos em variáveis e fixos; (iv) apropria-
1nos os ct1stos variáveis aos produtos e dividimos os custos
fixos em operacionais e estruturais; (v) os custos operacionais
são alocados aos produtos por critérios de rateio e os custos
estrutt1rais são reconhecidos como gastos do período junto
com as despesas.
Para isso, é preciso compreender a diferença entre custo
estrutt1ral e custo operacional. Um custo fixo estrutural é
aquele cuja existência se dá pela necessidade da manutenção
da estrutura da atividade produtiva, por exemplo, a limpeza da
fábrica, a inanutenção das instalações e, inclt1sive, o custo do
direito de uso do espaço (o alt1guel). Já o custo fixo operacional
trata-se dos gastos incorridos para a realização das operações
propriamente ditas, como demonstra a Figura 3.2.

Figura 3.2 - Diagrama básico do custeio por absorção


modificado

Custos variáveis Custos fixos Despesas

Fixos
estruturais

Apropriação •
t

••

Produto ___, Alocação Período

Conforme demonstra a Figura 3.2, os custos fixos operacio-


nais são aqueles gastos fixos necessários para operar a estru.-
tura produtiva, como o custo com a mão de obra indireta
(encarregados, supervisores etc.). A mão de obra direta (MOD)
é considerada pela contabilidade um custo variável, uma vez
que seu uso se altera qt1ando se produz um bem/serviço. Já a
folha de salário dos colaboradores que representam a MOD,
esta é u1n custo fixo, no curto prazo, pois ela não se altera
com a produção. Assim, se a empresa trabalha normalme11te,
essa folha se converte em MOD - portanto, em custo variá-
vel - e, assim, ela é totalmente apropriada ao custo do produto.
Todavia, se ocorrer apenas um uso parcial da folha, temos que
como MOD será considerada apenas essa parte utilizada; já
a parte não utilizada deverá ser reconhecida como custo fixo
(ou indireto), devendo assim ser rateado. E nos casos extremos
de paradas, como uma greve, o custo dessa folha deverá ser
lançado como perda.

3.3.2 Custeio por absorção pleno


Para encerrar a pauta das diferentes formas do custeio por
absorção é preciso analisar sua forma plena, a qual tam-
bém é conhecida como integral ou RKW (Reichskuratoriun-1 für
Wirtschaftlichkeit). No custeio por absorção pleno, são incor-
porados aos produtos todos os custos de produção e todas as
despesas da empresa, como demonstra a Figura 3.3.

Figura 3.3 - Diagrama básico do custeio por absorção


plena

t
Custos indiretos Custos diretos Despesas
••

Rateio Produto Rateio

No custeio pleno, portanto, as despesas também são aloca-


das aos produtos finais. E não fosse a inerente subjetividade
dos rateies, este por certo seria uma das melhores formas para
precificar um produto antes de sua ativação. Afinal de contas,
todos os gastos incorridos estariam reconhecidos no valor do
produto fabricado. Todavia, co1no já discutimos, não é isso que
ocorre, apesar do argumento dos defensores desse método de
que o problema não está no rateio em si, mas nas liinitações
daqueles que estabelecem os critérios para a alocação.

3.3.3 Ct1steio por absorção parcial: complemento


Antes de iniciar as noções básicas do custeio variável, vamos
retomar o custeio por absorção parcial, aquele qtte é conhecido
também apenas por custeio por absorção. A respeito dele, a pa11ta
agora é sobre sua obrigatoriedade legal. Após algumas reu-
niões estratégicas com os contadores da empresa, será possível
perceber que há no mercado certo coro de que somente o cus-
teio por absorção é qt1e atende os ditames tanto da legislação
tributária como dos princípios fundamentais da contabilidade.
Sobre esse assunto, o estudo de Borgert, Silva e Schultz (2008),
dentre outras contribuições, apresenta duas passagens bem
interessantes sobre o tema.
a) Quanto à aderência aos princípios e à lei:

nenhum dos princípios menciona u1n método de custeio, tam-


pouco a Lei n . 6.404 possui alguma menção quanto aos méto- •
t
dos a serem utilizados. De certa forma, a legislação societá-
ria orienta para a separação entre custos e despesas. Assim, ••

pode-se dizer que, ao menos em parte, a legislação tributária


coincide com os princípios contábeis. (Borgert; Silva; Schultz,
2008, p. 9)

b) Quanto ao caráter da obrigatoriedade:

as afirmações da obrigatoriedade da u tilização do Custeio


por Absorção se devem ao costwne e à tradição da utiliza-
ção deste 1nétodo desde aquela época [década de 1970]. Desta
forma, concluiu-se que os diversos métodos de custeio basea-
dos em alocação dos gastos (custos e/ou despesas) aos produtos
e serviços - por Absorção, ABC e UEP - são n1étodos de cus-
teio que possibilitam a absorção de custos e que todos poden1
ser passíveis de utilização pela contabilidade financeira para
fins de valoração dos estoques de produtos e, consequente, do
resultado do exercício [...] desde que sejam adaptáveis às leis e
normas vigentes. (Borgert; Silva; Schultz, 2008, p. 15)

Assim, temos que o ct1steio por absorção parcial não deve ser
visto como um instrumento compulsório, segundo demons-
tram os citados autores, o qtte é extremamente relevante, pois
permite aventt1rar, se necessário, em outros instrumentos de
inensuração na gestão estratégica dos ct1stos empresariais.
Todavia, como visto, o custeio por absorção tem como princi-
pal aliado o fato de ratear os custos indiretos ao produto, de
tal forma que exige poucas adaptações para se ajustar à lei, o
que os demais custeios negligenciam.
Como já foi explicado, os custos indiretos são apropriados
aos produtos com base em critérios de rateios ou bases para
rateio. Um rateio consiste em um método para apropriar os
custos indiretos para os produtos produzidos, em determinado
período. Os rateios podem ser realizados titilizando diversos •
t
critérios, mas é preciso utilizar u1n critério que seja o menos
••

possível subjetivo e arbitrário. Para decidir que critérios adotar,
vamos pegar corno exemplo a energia elétrica const1mida em
uma indústria. O total da energia consumida pode ser rateada
para os produtos com base na quantidade produzida ou no
tempo que cada produto de1nora na produção. A utilização
do tempo de prodt1ção produziria tlm rateio mais próximo do
consumo real, pois não necessariamente o produto que teve a
maior produ ção consumit1 maior quantidade de energia.
Exercício reso/z1ido
Vamos supor que u1na empresa produza dois produtos,
Produto A e Produto B, que tiveram as seguintes horas tra-
balhadas no período: Produto A = 400 horas; Produto B = 550
horas. Sabendo que seu custo total de energia elétrica é de
R$ 14.250,00, como faremos o seu rateio entre os dois produtos?
Dividimos o total do custo de energia elétrica pelo total
1
de horas, depois multiplicamos pelas horas de cada produto. !
••
R$14.250,00 / 950 horas= R$ 15,00 por hora. '•
À

Produto A = 400 horas x R$ 15,00 = R$ 6.000,00.


i•
ilf

Produto B = 550 horas x R$ 15,00 = R$ 8.250,00; •"•
~

Como critérios de rateies, podemos utilizar: (i) quantidade 1
i
produzida; (ii) horas de 1não de obra direta; (iii) horas-1náquina; •
i
(iv) área utilizada pelos departamentos; (v) número de funcio- ~

1
nários; (vi) quantidade de reqt1isições de material etc. O princi- t

pal cttidado é que o custo indireto, por exe1nplo a mão de obra
indireta, tenha relação com o critério selecionado, de modo a
1
j

não produzir alocações de ct1stos com valores distorcidos da ,f
l.
realidade. •
í
I
Os custos indiretos podem ser apropriados aos produtos •f
diretamente ou podem ser acumulados em departamentos/ 1
centros de custos e posteriormente apropriados aos produ- 1
!
tos. Departamento é uma unidade administrativa, uma divi- l
}
são, seção, centro de custos, e divide-se em Departamentos i
i
Produtivos e Departamentos de Serviços (também chamados i

auxiliares). Os departamentos produtivos estão diretamente 1


relacionados com o produto e envolvidos com a fabricação,
como o setor de costura, em uma fábrica de camisas. Os depar-
ta1nentos de serviços não possuem uma atuação direta sobre os
produtos, servindo de apoio e auxílio nas atividades dos depar-
tamentos produtivos, como o setor de compras, na mesma
fábrica de camisas.
Os departamentos de serviços devem ter seus custos apro-
priados aos departamentos produtivos, utilizando critérios de
rateios, como demonstramos r1a Figura 3.4.
1
Figura 3.4 - Bases para rateio dos custos !
••
rateio transferência

Produtos X, Y e Z

1
i

Produtos R, Se W

FoNTn: Elaborado com base em Stark, 2007, p. 75.

Com estas últimas palavras, fechamos este capítulo e nos


preparamos para o custeio variável e ABC.

Estudo de caso
Após o trabalho de classificação dos custos na empresa
Enrolados Ltda., que era fabricante de um ún.ico produto, o pro-
duto Enroladinho, a empresa cresceu e precisa novamente de
consultoria. Agora, ela produz dois produtos: (i) Enroladinho
Master, que chamaremos de EM; e (ii) Enroladinho Master
Mega, que chamaremos de EMM. A tarefa agora é apropriar
os custos de produção aos produtos fabricados em determi-
nado p eríodo, definindo o custo unitário d.e produção e1n reais.
O critério a ser adotado é o do custeio por absorção, que neces-
sita da separação entre os custos e as despesas, a segregação
dos custos em diretos ou indiretos e o rateio dos custos indi-
retos aos produtos, mediante a utilização de critérios para
alocar os custos.
Vamos à relação de gastos e valores que a empresa forneceu:

Item Valor (R$) Item Valor (R$)

Materiais diretos - EM 20.000 Materiais diretos - EMM 25.000


Mão de obra direta - EM 12.000 Mão de obra direta - EMM 15.000
Mão de obra indireta 4.080 Aluguel da fábrica 3.016
Depreciação das máquinas 5.000 Iluminação da fábrica 6.970
Salário administrativo 6.000 Salários vendas 4.000

Para iniciar, é preciso separar os itens:


A - Custos Diretos

Item Produto EM (R$) Produto EMM (R$)

Materiais diretos 20.000 25.000


Mão de obra direta 12.000 15.000

Total 32.000 40.000


B - Custos Indiretos t

Item Valor (R$) ••


Mão de obra indireta 4.080


Aluguel da fábrica 3.016
Depreciação das máquinas 5.000
Iluminação 6.970
Tota l 19.066

C- Despesas

Item Valor (R$)

Salário administrativo 6.000


Salário vendas 4.000
Total 10.000
Agora, é necessário trabalhar nos custos indiretos, que pre-
cisam ser alocados nos produtos. Para isso, após os estudos, foi
determinado em conjttnto com a equipe técnica da empresa os
critérios de rateio mais adequados, os quais são:
Mão de obra indireta = rateadas segu11do o volume de horas
da mão de obra direta.
Aluguel da fábrica = segundo a área utilizada por produto.
Depreciação das máquinas = segu11do a quantidade
produzida.
Energia elétrica = conforme a qt1antidade produzida
,
E importante lembrar que o processo de rateio é um critério
que se estabelece de acordo com as conveniências de cada uni-
dade fabril, assim, 11ada impede que a energia elétrica tenha
seu consumo definido por unidades produzidas, pelo valor
da receita etc., o que importa é que faça sentido como fonte
de informação.

Custo indireto Critério de rateio Prod. EM Prod. EMM Total

Mão de obra Horas mão de obra 500 h 700 h 1.200 h


direta

2 2 2 t
Aluguel Área utilizada I 300m 280m 580m

Deprecíação e
produto
Quantidade 10.000 itens 11.000 itens 21.000 itens
••

Iluminação produzida

Realizando os rateios:
a) Mão de obra indireta = R$ 4.080,00/1.200 horas= R$ 3,40
. ' .
un1tar10
• Produto EM = 500 x R$ 3,40 = R$ 1.700,00
• Produto EMM = 700 x R$ 3,40 = R$ 2.380,00
b) Aluguel da fábrica = R$ 3.016,00 / 580 m 2 = R$ 5,20 unitário
• Produto EM = 300 x R$ 5,20 = R$ 1.560,00
• Produto EMM = 280 x R$ 5,20 = R$ 1.456,00
c) Depreciação + Energia = R$ 11.970,00 / 21.000 quant. =
R$ 0,57 unitário
• Produto EM = 10.000 x R$ 0,57 = R$ 5.700,00
• Produto EMM = 11.000 x R$ 0,57 = R$ 6.270,00
Organizando os custos:

Item Prod. EM (R$) Prod. EMM (R$)

Mão de obra indireta 1.700 2.380

Aluguel da fábrica 1.560 1.456

Depreciação + Energia 5.700 6.270

Total 8.960 10.106

Demonstrando os custos diretos + indiretos unitário:

Custos Custos Total Custo un.


Produto Quant .
diretos (R$) indiretos (R$) (R$) (R$)

Produto EM 32.000 8.960 40.960 10.000 4,096

Produto EMM 40.000 10.1 06 50.106 11.000 4,555



Total 72.000 19.066 91.066 t

• Custo un. (R$) EM = 40.960 / 10.000 = 4,096 ••


• Custo un. (R$) EMM = 50.106 / 11.000 = 4,555


No exemplo apresentado, foram selecionados critérios de
rateio para alocar os custos indiretos. Se fossem selecionados
outros critérios, ou ainda utilizado t1m rateio geral, como quan-
tidad.e produzida, os números encontrados seriam outros, por-
tanto, é preciso cuidado na seleção do critério. Todo critério de
rateio tem caráter de subjetividade, mas a tentativa é de tornar
menos s ubjetivo possível. Uma alteração 11os custos indiretos
mostraria outro custo para o produto e poderia nos levar a
precificações equivocadas e análises distorcidas da realidade.
Síntese
Neste capítulo, vimos os principais procedime11tos utilizados
para definir o custo de um produto vendido. Para tanto, foram
abordados os elementos que compõem o custo da produção de
tlm período, bem como os que constituem o custo dos produ-
tos em processo. E, durante esse desenvolvimento, tornou-se
evide11te a relevância do valor dos estoques para a identificação
do custo do produto vendido. Na precificação dos produtos
movimentados no estoque, vimos que existem diferentes ins-
trumentos para valorar nosso gasto ativado, dentre estes: PEPS,
UEPS, Preço Médio. Todavia, nem todos são aceitos para fins
fiscais, fato que não os desqualifica para o ttso gerencial, tudo
depende de que informação se faz necessária para a tomada
de decisão.
O custeio por absorção trouxe uma abordagem com base
no trabalho de Martins e Rocha (2015). De acordo com esse
ponto d.e vista, vimos que o custeio por absorção pode ser
apresentado segundo três formas básicas: parcial, modificado
e pleno (RKW). Além disso, estudamos que a forma parcial •
t
é a que mais bem atende aos ditames legais da contabilidade
financeira, todavia como ocorre com as demais formas, esta ••

também é alvo de críticas dada a presença do critério de rateio.

Questões para revisão


1. (Transpetro - Administrador Júnior - Cesgranrio, 2011) Uma
empresa perdeu todas as informações relativas aos saldos
iniciais de seus estoques do ano de Xl. A empresa resolveu
então efetuar uma avaliação de seus estoques de produtos
ao final do ano e chegou ao valor de R$ 5.000,00. Verificou,
também, ter realizado compras durante este mesmo ar10 no
valor de R$ 12.000,00.
Sabendo-se que o custo das mercadorias vendidas no perí-
odo foi de R$ 15.000,00, qual era, ein reais, o valor dos esto-
ques da empresa no início do ano (estoque inicial)?

2. (Auditor Fiscal da Receita Estadual - Sefaz - RJ - FCC, 2014)


A empresa Industrial produz um único produto e para pro-
duzir integralmente 1.000 unidades deste produto incorreu
nos seguintes gastos durante o mês de junho de 2013:
Custos fixos: R$ 21.000,00/mês
Custos variáveis:
• Matéria-prima: R$ 9,00/unidade
• Mão de obra direta: R$ 4,00/unidade
Despesas fixas: R$ 5.000,00/mês
Despesas variáveis: R$ 2,00/unidade
Comissões sobre venda: 10% do preço de venda
Informações adicionais:
• Preço de venda: R$ 100,00/unidade
• Impostos sobre a venda: 10°/o da receita de vendas
• Quantidade vendida: 700 unidades

Sabendo qtie a empresa lndtistrial utiliza o custeio por t

absorção, o custo unitário da produção do período foi ••


a) R$ 51,00.
b) R$13,00.
c) R$15,00
d) R$ 34,00.
e) R$ 41,00.

3. (Auditor Fiscal do Tesouro Estadual - Sefaz - PE - FCC, 2014)


A empresa Comércio de Bebidas Gasosas S.A. mensura seus
estoques pelo critério da Média Ponderada Móvel e faz o
controle pelo Sistema de Inventário Permanente. Durante
o ano d e 2011 realizou, em ordem cronológica, as seguintes
transações:
o Data Operação

02/03/2011 Compra de SOO unidades ao preço unitário de RS S0,00


06/04/2011 Venda de 200 unidades ao preço unitário de RS 70,00
08/04/2011 Pagamento de frete correspondente à venda do dia 06/04,
no va lor tota l de RS 300,00
21/07/2011 Compra de 100 unidades ao preço unitário de RS 49,00
22/07/2011 Pagamento de frete correspondente à compra do dia 21/07,
no valor tota l de RS 300,00
21/08/2011 Compra de 100 unidades ao preço unitário de RS 48,00
20/09/2011 Compra de SOO unidades ao preço unitário de R$ 46,00
25/09/2011 Venda de 600 unidades ao preço unitário de RS 72,00

Sabendo gu.e a empresa Comercial de Bebidas Gasosas S.A.


não apresentava estoque inicial, elabore a Ficha de Controle
de Estoque pelo Método da Média Ponderada Móvel e indi-
que qt1al é o valor do Custo das Mercadorias Vendidas apti-
rado em 2011.

4. (Innova - Administrador Júnior - Cesgranrio, 2012) Uma


determinada ind{1stria apresentou os seguintes gastos de
um dos produtos de sua linha de produção, incorridos num
período produtivo.

t
Item Custo (R$)

Compra de matéria-prima S80.000 ••


Folha de Pagamento
Operários 120.000
Supervisores de produção 30.000
Escritório/Administração 35.000
Encargos sociais incidentes sobre a folha(%) 60
Manutenção/Depreciação/Outros gastos fabris 40.000
Transporte dos produtos vendidos 50.000
Estoques Inicial Final
Matéria-prima 2S.OOO 4S.OOO
Produtos em elaboração 30.000 10.000

Desconsiderando-se qualquer tipo de imposto sobre a maté-


ria-prima e considerando-se exclusivamente as informações
contábeis e a boa técnica do custeio por absorção, o valor
dos produtos acabados no período produtivo informado,
e1n reais, é de
a) 840.000,00
b) 860.000,00
c) 910.000,00
d) 916.000,00
e) 966.000,00

5. (Serpro - Analista de Gestão Empresarial - Qt1adrix, 2014)


Os Métodos de Custeio são as diferentes formas pelas quais
uma empresa agrega os seus custos de produção ao preço
de venda. Qual, das seguintes alternativas, mel11or define
o sistema de cttsteio em que se verificam todos os custos
envolvidos i1a produção de bens ou serviços, sejam eles
fixos ou variáveis?
a) Custeio variável
b) Custeio sólido
c) Custeio econômico
d) Custeio de custo

e) Custeio por absorção t

••

Questões para reflexão


1. Com base na teoria vista, é possível afirmar que na
Demonstração do Resultado do Exercício, a conta Custo
dos Produtos Vendidos necessaria1nente apresenta todos
os gastos da produção naquele período?

2. Agora, vamos analisar um pouco mais os aspectos tributá-


,
rios das compras realizadas pela empresa. E importante para
a empresa saber quanto de imposto está vindo na aqt1isição?
o Saiba mais
Para saber mais sobre os métodos de custeio, fica a sugestão
de um estudo bem didático sobre o assunto:
PINZAN, A. F. Métodos de custeio e seus propósitos de uso: análise
por meio de estudo de casos múltiplos. Dissertação (Mestrado em
Controladoria e Contabilidade) - Universidade de São Paulo, São
Pau lo, 2013.


t

••

••••••••••

•1 •• •• •• • 1• •• 1• •• :
1 •
• •• •• • 1 • • 1 •

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~!

1
Conteúdos do capítulo:

• Apresentação do custeio variável. .


<
i

• Desenvolvimento da lógica do custo/volume/lucro: i
margem de contribuição e Ponto de Equilíbrio. •
• Informações derivadas do C/V/L: margem de segurança e
grau de comprometimento da receita.
1
• Introdução aos procedimentos do Custeio Baseado em l
Atividade. i
Após o estudo deste capítulo, você será capaz de:
t
1
1. compreender as possibilidades gerenciais das formas de
custeio;

2. diferenciar a importância dos instrumentais do custo/


volume/lucro;

3. compreender as aplicações e limitações do procedimento


ABC.
orno vimos nos capítulos anteriores, a contabilidade se
dividi11 em duas Ji11has informacionais para atender os dife-

t
rentes usuários de seus relatórios: contabilidade financeira
e gerencial. A contabilidade financeira, no mercado, muitas ••

vezes é vista como a única forma contábil q11e existe e, por


isso, o conjunto de artefatos que utiliza, ig11almente, é mitifi-
cado como a única possibilidade para o controle dos custos.
Todavia, você, ao chegar até aqui, já adquiriu conhecimento
suficiente para não mais compartilhar dessa visão distorcida.
Assim, vamos agora abordar possibilidades que vão além das
fronteiras do custeio por absorção. Nesse sentido, o presente
capítulo trará dois novos custeias para você, o Custeio Variável
e o Custeio Baseado em Atividade (ABC) e, além deles, as pos-
sibilidades gerenciais no uso da análise do Custo/Volume/
Lucro (CN/L).
O Custeio Variável utiliza o critério da classificação dos gas-
tos em fixos e variáveis que foi comentado nos Capítulos 1 e 2.
Dado esse fato, seu uso permite analisar o lucro de uma
empresa segu11d.o o comportamento do custo diante das
mt1danças no volt1me de produtos transacionados, sendo esta
a base lógica do C/V/L. Já o Custeio Baseado em Atividade trata
de uma resposta às críticas ao custeio por absorção quanto
aos critérios subjetivos do processo de rateio. Ou seja, o ABC
também busca a apropriação dos custos indiretos, todavia o
faz mediante u1n procedimento mais objetivo, isto é, segundo
as atividades consumidas. Dessa forma, estes são os temas que
agora serão abordados.

4.1 Custeio Variável


O Custeio Variável é a próxima possibilidade de mensura-
ção dos custos. Nele, há uma abordagem contábil distinta da
preocupação do rateio d.e gastos indiretos. Nesse novo pro-
cedimento, os dispêndios passam a ser abordados como ele-
mentos fixos ou variáveis em relação ao volume movimentado

de produtos. Nesse caso, co1u.o visto 110 Capítulo 1, os gastos t

fixos (recorrentes ou não recorrentes) seriam aqueles dispên- ••


dios que não sofrem alterações em seus valores à medida que


varia o volu1ne dos produtos. Por sua vez, os dispêndios variáveis
seriam aqueles gastos que sofrem variações no valor agregado
conforme alterações na quantidade dos produtos que ocorrem.
No entanto, esse método de mensuração na contabilidade
financeira não é permitido, dado que ele não se ocupa da
apropriação dos custos fixos no produto final (Figura 4.1). Isso,
porém, não significa dizer qt1e esse custeio não possa ser uti-
lizado para fins gerenciais. Nesse sentido, não são raras as
empresas que utilizam mais de uma forma de custeio em seu
processo de contabilização: um para atender à necessidade dos
usuários internos (gerencial) e outro para suprir as exigências
legais da contabilidade financeira.

Figura 4.1 - Diagrama básico do custeio variável pela


ótica gere11cial

Produto Período

Fo:-.rt:: Elaborado com base em Martins; Rocha, 2015, p. 65-84.

De acordo com a Figura 4.1, a liberdade gerencial permite a


apropriação de determit1adas despesas no prodt1to dada a natu-
reza variável de determinados itens nesse tipo de dispêndio.
Como exemplifica Martms (2010), é muito mais fácil apropriar
a comissão de venda (despesa variável) do que o dispêndio
do gerente de produção (custo fixo/indireto). Assim, seu uso
gerencial permite rever os relatórios contábeis ampliando-os
com fontes de informações sobre os impactos dos dispêndios •
t
nos resultados do período, como a DR readaptada para tal fim,
como podemos ver na Figura 4.2. ••

Figura 4.2 - Diagrama básico da DR do custeio variável

+Receita
Custo Variável em
- Custo vari ável ......1--------_, relação à quantidade
=Margem de contribuição bruta
Despesa Variável em
- Despesa variável ....•1--------i
relação à receita
= Margem de contribuição líquida
- Custo fixo l Gasto fixo em relação
- Despesa fix~1----------i ao período
~-------~

=Resultado operacional

FONTE: Elaborado com base e m Souza; Cleme nte, 2011, p. 119; Martins; Rocha, 2015, p. 65-66.
Como demonstra a Figura 4.2, mediante essa reestrutura-
ção do DR, tem-se uma nova condição de compreensão sobre
quanto nos sobra da receita auferida na medida em que os
gastos são abatidos conforme a natureza que apresentam.
Por exemplo, caso o valor da 1nargem de contribt1ição bruta
• • I • I
esteia em um patamar muito prox1mo, ou ate mesmo menor,
da despesa, tem-se aí o elemento que deve ser o foco de nossa
estratégia. Na 1nesma forma, se o valor do "custo fixo" exau-
rir toda a margem de contribuição líquida, nos será possível
visualizar em qual ponto do processo ocorreu o problema,
pois temos detalhado o comportamento da receita, do custo
variável, da despesa variável, dos custos fixos e despesas fixas.

4.2 Custo/volume/lucro
Com relação ao valor informacional qu.e o custeio variável
fornece, podemos citar a forma instrumental do ct1sto/volume/
lucro (C/V/L). Ou seja, procedimento analítico que permite
consid.erar o impacto que o custo tem no lucro da empresa
conforme volume movimentado, por meio de diferentes cál-

culos gere11ciais, como: (i) margem de contribuição, (ii) ponto t

de equilíbrio, (iii) margem de segurança e (iv) grau de com- ••


prometimento da receita. Vamos ver cada um desses cálculos


citados, com relação à sua fórmula e função.

4.2.1 Margem de contribuição


Trata-se de uma análise que avalia a distância em valores
monetários existe11te entre os dispêndios variáveis e o preço
de venda.

MC = Pv - GV
A

MC = Pv - r( CV + DV")
...... . .... .. .. ..... .. . ... . . .. . ..... .. . ... . ... . . ...
Sendo
MC: Margem de Contribuição (- Pv - GV )
Pv: Preço de ve11da por unidade
GV: Gasto variável por unidade (- CV + DV )
CV: Custo variável por unidade
DV: Despesa variável por unidade
Por meio dessa equação é possível perceber que a Margem
de Contribuição nada mais é do que o valor monetário (por
unidade de produto) que resta após o abatimento do custo
variável e da despesa variável. Assim, representa quanto cada
unidade do produto vendido contribui para liquidar o custo
fixo (em um primeiro momento) e para gerar lucro (em um
segundo mo1nento).

Perguntas & respostas


Em relação à Margem de Contribuição de um produto, pode-
mos afirmar que se trata efetivamente do lucro do produto?

Não necessariamente, a Margem de Contribuição, como •


t
diz o próprio nome, contribui, num primeiro momento, para
••

cobrir o custo fixo da empresa, e, uma vez vencido isso, seu
valor passa a representar lucro.

4.2.2 Ponto de equilíbrio


A quantidade de produto cuja receita se iguala ao valor do
custo total é denominada ponto de equilíbrio. Isto é, tem-se
nesse ponto a condição na qual a operação não apresenta nem
lu.cro tampouco prejuízo, como den1onstra a for1na genérica
que segue:
.. . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... .. . . . . .. . . . ..
PE = GF
MC
PE = CF + DF
Pv-Gv
.. . ... .. .. . ..... .. . .. .. . .... . .. . . .. . .. . . . ..... ....
' '

Sendo
PE: Ponto de equilíbrio
Pv: Preço de venda
GF: Gasto fixo (= CF + DF)
GV: Gasto variável (- CV + DV)
MC: Margem de Contribuição
CF: Custo fixo
DF: Despesa fixa
..
O ponto de equilíbrio, como demonstra a equação, representa .

.
..
contribuição em relação a uma unidade de produto, temos, por-
tanto, que PE é a quantidade de produtos que devemos vender

dentro desse período considerado para equilibrar o valor da . t
.
receita e do gasto. Nesse sentido, as quantidades transacionadas . ••

acima desse ponto, teoricamente, representam contribuições de


lucro operacio11al. .
. .... .... . ................................ ......... .... .... . ......... . ........ .... . ... . .....
O PE, que é demonstrado na parte inferior do Gráfico 4.1,
representa o tratamento dado pela Contabilidade Gerencial ao
contexto C/V/L. Nele, não se percebe um limite para o cresci-
mento do lucro, o que dá a enten.der que o lucro cresce conti-
nuamente após o ponto de equilíbrio. Todavia, se partirmos
da premissa de que essa visão contábil é ape11as uma parte
dentro da percepção econômica da Teoria da Firma (gráfico
da parte superior do Gráfico 4.1), podemos afirmar que o lucro
tem, sim, um limite para seu crescimento. Ou seja, nesse sen-
tido, devemos ter cuidado com seu uso para qt1e não tenhamos
a ilusão de que, uma vez vencida a quantidade de equilíbrio, o
lucro da empresa crescerá de forma perene conforme aumente
o volume transacional.
A lógica é a seguinte, dado o comportamento da curva da
receita e o custo variável, o lucro da empresa te11derá a cair
após alcançado determinado volume de venda. Quanto à ques-
tão da receita, a queda se dá pela redução da utilidade que a
produção terá no mercado dada a excessiva qua11tidade posta
à disposição dos consumidores. Já o aumento do custo sttr-
girá, dentre outros motivos, pela queda da eficiência do fator
variável dada a limitação do fator fixo - ou seja, a capacidade
máxima instalada estará próxima de ser atingida.

Gráfico 4.1 - Diagrama básico do ponto de equilíbrio


R$
Custo Total= f (Q)
Área do Ponto
de Equilíbri o
------., Receita Total
= f (Q) Teoria da
Firma (Escola
Lucro Máximo Neoclássica) •
t

••

Quant.

L------ .J Lucro = R- C

R$
Ponto de Lucr~
Equilíbrio

Ponto de Equilíbrio Prejuízo


(Custo/Volume/Lucro)

RT
- - CT
Quant.

FoN1·.: Elaborado com base em Pindyck; Rubinfeld, 2013, p. 276-277; Martins, 2010, p. 254-285.
Por fim, quanto à forma de apresentação, o PE pode fornecer
informações relevantes ao processo estratégico, com relação
aos aspectos da quantidade de equilíbrio contábil, econômico
e financeiro, desde que haja as devidas adaptações 11a fórmula
básica. A primeira forma, a contábil, é aquela na qual o valor
do custo variável e fixo é obtido de forma exclusiva em bases
co11tábeis (por exemplo, considerando os custos de amortiza-
ção). Na forma econômica, precisa-se agregar nos dispêndios
o valor do custo de oportunidade. E, por fim, para a informa-
ção financeira, deve-se expurgar do cálculo valores que não
ünpactam 110 caixa da en1presa (con10 amortização, deprecia-
ção, custo de oportunidade etc.).
a) Ponto de Equilíbrio Contábil:
.. . . . . . . . . . . . .. . .. . . . . . . . .. . . . . . . . . . . .. . .. ... . . . ..
pE = _..;;;.G.;...F"""C..;;.o.;. .nt""'á=b..;.;il_
Pv - Gv Contábil

Gasto Contábil é o que se encontra presente nos paradigmas


-:e
• •::I
contábeis. Nesse se11tido, tem-se que são os gastos reconheci-
dos pelo regime de competência (ver Capítulo 1) e que consi-

dera a redução do valor de um bem mediante um processo de t

depreciação, amortização ou exaustão1• ••


b) Ponto de Equilíbrio Econômico:

PE = __G_F_E_c_o_n_ô_m_ic_o__
Pv - Gv Econômico
.. . ... . . ... . ... . ..... .. . .......... ..... .... . ... . . ...

Gasto Econômico é o que considera além dos gastos con-


tábeis também o custo de oportunidade e o prêmio de risco
envolvido na operação. Já o Custo de Oportunidade é o ganl10
que se exige para compensar um investimento que deixou de
ser feito para realizar essa operação e Prêmio de Risco é o valor
qt1e o empreendimento deve apresentar para justificar o risco

- envolvido na operação.
c) Ponto de Equilíbrio Financeiro:
.••
PE = __G_F_F_in_a_n_c_e_i_ro__ .••
Pv - Gv Financeiro ..••
..
... . . . . . . . . .. . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . ...

Gasto Financeiro é o que considera os gastos contábeis e


expurga os valores qu e não impactam no caixa da empresa,
como o custo de oportunidade, depreciação, amortização ou
exaustão.
O sucesso de uma gestão de custos empresariais depende da
organização sistêmica da empresa. Ou seja, como o comporta-
mento das vendas é incorporado na organização da empresa.
E' fácil alcançar essa percepção quando entendemos que o custo
total depende de como o custo fixo compromete o compor-
tamento do custo variável. Afinal de contas, como visto nos
capítulos anteriores, a eficiência dos fatores variáveis depende
fortemente da estrutura que está estabelecida pelos fatores
fixos da empresa. E, entre outras ferramentas, destacamos duas
que se fazem presentes em Souza e Clemente (2011): o grau de
comprometimento da receita e a margem de segurança -dois

indicadores poderosos sobre essa relação. t

••

4.2.3 Grau de Comprometimento da Receita (GCR)


O Grau de Comprometimento da Receita (GCR) apresenta qual
é a posição do ponto de eqt1ilíbrio em relação à capacidade
máxima de produção da entidade ot1, ainda, pode ser utilizado
considerando a quantidade de venda atual. Assim, quanto
maior for seu valor, maior é o risco da entidade em suas ope-
rações. Quanto maior for a parcela das vendas que precisa ser
usada para apenas atingir o Ponto de Equilíbrio, temos que,
logicamente, maior é o nosso risco em caso de retração econô-
mica. Veja a fórmula:
... . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . .. . . . ....
. .
:. GCR = REI RCM :.
.
.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ...
.

Sendo
GCR: Grau de comprometimento da receita
RE: Receita de equilíbrio
RCM: Receita da capacidade máxima
Pela fórmula, fica claro que o GCR é uma razão que informa
qua11tos reais (R$) da receita de equilíbrio estão presentes em
cada um real (R$ 1,00) de receita da capacidade máxima. Por
exemplo, se a GCR for igual ao valor 1, nesse caso toda a capa-
cidade da empresa é apenas para honrar gastos, nada sobra de
lucro. Todavia, se o GCR é um valor de 10 centavos (0,1), então
ternos que 10% da RCM é para o PE e os 90% é para geração
de lucro. ConvenJ1amos, essa informação para um processo
de gestão de ct1stos é incrivelmente importante, pois permite
entender qual tipo de estrutura industrial precisa ser cons-
truído para at1mentar a riqueza da e1npresa.

4.2.4 Margem de Segurança (MS) •


t

Qua11to ao segundo indicador qt1e o custeio variável permite ••


alca11çar, ternos a Margem d.e Segurança (MS). Esta é urna


análise de risco operacional que se obtém pela razão entre a
diferença da quantidade transacional (vendas) e o PE, a qual
forma a MS Absoluta (MSA), e a quantidade transacionada no
período. Veja a fórmula.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ........ .
MS0/o = MSA . 100
Qt

ou
MSº/o = (Qt - PE). 100
Qt
.. ..... . . . ...... .. .... . . . . . . . . . . . . . ..... . ....... . ...
Sendo
MSA: Margem Seg. absoluta
MS%: Margem Seg. percentual
Qt: Quant. Transacional
PE: Ponto de Equilíbrio
Como demonstra a equação, o valor obtido para MSº/o é
a demonstração de quanto cada 100 unidades de ve11da (Qt)
apresenta de saldo em relação ao ponto de equilíbrio (Qt - PE).
Nesse sentido, quanto maior seu valor, melhor para a empresa,
pois, caso ocorra uma queda d.as ve11das, se esta i1ão for maior
que MSo/o, não haverá um cenário de prejuízo. Reflita: se a
empresa tem uma MSo/o de 25%, isso significa que para 100 uni-
dades de venda (Qt) temos 25 unidades de segtlrança, assim,
uma queda de 10°/o em relação ao volume Qt consome ape-
nas 10 unidades de venda e, assim, reduz apenas a MS% para
15 unidades, ou seja, sem arrastar a einpresa para tlma zona
de prejuízo. Portanto, novamente, temos aqui um indicador
extremamente importante para o processo de gestão estraté-
gica de custos. •
t
Portanto, quando uma estrutura industrial é montada acima
do necessário, o custo fixo é maior e, dessa forma, um custo
••

total maior que resulta em indicadores ruii1s para GCR e MS%.


A solução é elaborar uma estrutura o mais eficiente possível
para o curto, médio e longo prazos. Ou seja, o gestor de custos
precisa garantir que o curto e médio prazos sejam bons o bas-
tante e permitam que a empresa possa existir até qtle o futuro,
o longo prazo, chegue.
A11tes de encerrar o custeio variável, vamos ver sua con-
tribuição sistêmica com relação ao MC, PE, GCR e MS%, por
meio de um exercício resolvido.
Exercício resolvido
,
A e1npresa Bolacha SónóisElega l Ltda. apresentou os seguintes
dados para sua operação mensal:
PV: R$ 3,50/un. (Preço de venda)
CF: R$ 70.000,00/mês (Custo fixo)
DF: R$ 30.000,00/mês (Despesa fixa)
CVu: R$ 0,90/un. (Custo variável/un.). 1
!
DVu: R$ 0,60/un. (Desp. variável/un.). ••
'•
À
CMP: 200.000 unidades (Capac. Máx. Produção) i•
ilf
Qt: 60.000 unidades (Quant. Transacional) •
•"•
~

Com base nesses valores determine a MC, PE, CGR e MS%. •


a) Margem de Contribuição (MC)
1
i

i
Cvu + Dvu = GVu ~

1
R$ 0,90 + R$ 0,60 = R$ 1,50/un. t

PV - Gvu=MC 1
j
R$ 3,50 - R$ 1,50 = R$ 2,00/un. •
Comentário: até que o PE seja alcançado, tem-se que esse
,f
l.

í
MC apresenta que cada unidade de produto que a empresa I
•f
vende contribui com R$ 2,00 para que os gastos fixos (custos +
despesas) sejam honrados. Após o PE ser alcançado, esse valor 1
por ttnidade da MC se converte em lucro por unidade vendida 1
!

de produto.
l
}
i
b) Ponto de Equilíbrio (PE) i
i
CF +DF = GF 1
R$ 70.000 + R$ 30.000= R$ 100.000/mês
GF /MC = PE
R$ 100.000 / R$ 2,00 = 50.000 un.
Comentário: O valor de 50.000 unidades é o valor do PE. Esse
volu me de produto indica qual o ponto físico da transação na
qual lucro e receita se encontram; nesse caso:
+ R$ 775.000 de receita (50.000 un. x R$ 3,50de preço unitário)
- R$ 100.000 de gasto variável (50.000 un. x R$ 1,50de gasto unitário)
- R$ 10.000 de gasto fixo
=RS 0,00 (zero)~ nem lucro, nem prejuízo~ equilíbrio!

c) Grau de comprometimento da receita (GCR)


RE/RCM=GCR
(PV X PE) / (PV X CMP) = GCR 1
!
Vamos considerar que o preço de venda é constante em PE •.•

e CMP: À
i•
ilf
(P\I X PE) / (P\I X CMP) = GCR •
•"•
~
50.000 / 200.000 = 0,25 •
Sendo: GCR = 0,25 ~ 25/100 ~ CGR = 25°/o. 1
i

Comentário: Conforme demonstra o CGR, a empresa con- i
~

some um quarto de sua capacidade de produção apenas para 1
t

alcançar o PE, assim ela ainda dispõe de três quartos dessa
capacidade da fábrica para gerar produto para alcançar lucro. 1
j
Ou seja, ela ainda tem bastante espaço para crescer. •
,f
d) Margem de segurança percentual (MS0/o) l.

í
MSA = Qt-PE I
•f
MSA = 60.000 - 50.000 = 10.000 u.n .
1
MSo/o = MSA / Qt 1
!

MSº/o = 10.000 / 60.000 ~ 0,1667 ~ 16,67% l


}
i
Comentário: a empresa tem uma MSA de 10.000 unidades, i
i
assim ela pode ter uma q11eda de 16,67% em relação ao volume 1
att1al de venda (60.000 unidades) sem que isso resulte em t11na
situação de prejuízo.
4.3 Cu steio Baseado em Atividade (ABC)
O Ct1steio Baseado em Atividade (ABC: Activity-Based Costing)
é um método pelo qual os custos indiretos são apropriados aos
objetos de custeio por meio das atividades consumidas du rante
o processo de produção. Esse tipo de custeio surgiu como uma
resposta à subjetividade presente nos critérios utilizados para
o rateio no custeio por absorção. Sinteticamente, temos que
sua base lógica é construída na premissa de que as atividades
executadas em uma indústria são as verdadeiras geradoras dos
custos e, assim, são os elementos que devem ser considerados
em processo de mensuração e distribuição de dispêndios. Em
outras palavras, o ABC busca reduzir as distorções provocadas
pelos rateios dos custos indiretos, mediante uma estrutura mais
densa de apropriação dos custos indiretos.
Apesar da lógica apresentada ser bastante interessante,
o ABC apresenta dois problemas práticos para sua implantação:
(i) 11ível de co1nplexidade e (ii) valor de implan tação. No p ri-
meiro problema, tem-se que a implantação do ABC pode exigir
uma estrutura informacional tão complexa que os relatórios •
t
operacio11ais se torn.am fontes i11segu ras ou mesmo incom-
preensíveis. Referente ao valor de implantação, o ABC pode ••

gerar uma cadeia de eventos em um nível de complexidade tão


elevada que, conforme o caso, seu valor de i1nplan tação pode
inviabilizar o custo-benefício da ferramenta.
Quanto à sua forma de implantação, temos que esse sistema
de custeio pode ser aplicado tanto nos custos diretos quanto
nos indiretos. Todavia, se forem comparados os custos diretos
alocados pelo ABC em relação aos outros métodos de custeio
(co1no absorção), não serão encontradas diferenças significati-
vas entre eles. Contt1do, se olharmos os valores apropriados
em relação aos custos indiretos, encontraremos diferenças
expressivas entre o valor do ABC e os das demais técnicas.
O ABC apresenta-se mais robusto na forma de distribuição dos
custos indiretos, dado que utiliza direcionadores de primeiro
e segundo estágios para executar tal tarefa.
Para aplicar o ABC, antes de tudo, é preciso realizar a iden-
tificação das atividades relevantes na produção, o qtte significa
mapear a industrialização de acordo com as atividades que
são executadas para produzir tlm bem ot1 serviço. Por exem-
plo, uma bolsa de couro é o resultado de diversas atividades,
entre outras, tem-se atividade do corte do couro e a atividade
da costura das peças. Cada atividade apurada como releva11te
é considerada, assim, todos os equipamentos e conhecimentos
que ela necessita também passam a ser analisados. E essas
atividades, conforme a necessidade informacional, podem
ainda sofrer um detalhamento quanto a tarefas e operações
que abrangem.

Perguntas & respostas


Por que o Custeio ABC, se comparado ao custeio por absorção,
não apresenta grandes diferenças no processo de apropria-
ção dos custos diretos, e apresenta-se tão distinto na alocação •
t
~
dos custos indiretos?
••

Isso ocorre porque os custos diretos são facilmente ide11ti-


ficados com os produtos a que dizem respeito. Assim, tanto
no Absorção quanto no ABC, os critérios para alocar esses
custos diretos, apesar de metodologias diferentes, chegam a
resultados similares, em virtude da característica simples do
dispêndio. Já a contabilização do Ctisto Indireto apresenta-se
diferente entre os dois métodos. No Custeio por Absorção,
como vimos no capítulo anterior, o sistema de rateio pode
assun1ir diferentes formas, de acordo co1n cada critério adotado
pela empresa. Já no Custeio ABC, encontramos um cenário
mais objetivo, em que a apuração do processo de alocação
se dá segundo as atividades que são consumidas, ou seja, a
subjetividade é bem menor que a do primeiro caso.
Uma atividade, para o ABC, é a representação de um con-
jt1nto de tarefas que são realizadas para que um objetivo seja
alcançado. No exemplo da bolsa de couro, a atividade costurar
as peças de couro pode ser a representação das tarefas, receber
peça, preparar máquina de costura etc. Uma tarefa, por sua vez,
confor1ne a relação do ctisto-benefício da informação, ainda
pode ser desmembrada em operações, como tarefa preparar
máquina/ operação colocar linha na máquina/ costurar peça
teste etc. Oti seja, uma operação para ABC é a menor unidade
de uma atividade, em que um conjunto de operações forma
uma tarefa e um conjunto de tarefas forma uma atividade.
Conhecidas e detalhadas as atividades, o segundo passo
que devemos realizar é atribuir a elas os custos dos recursos
produtivos (tangíveis e intangíveis) que são inere11tes para
sua realização. Algo que, diferente do qt1e parece, não é tão
simples, pois exige tanto o detalhamento causal da atividade
como, também, o envolv i1nento de uma equipe mttltidisci-
plinar para a criação dos direcionadores de primeiro estágio
(aqueles que direcionam o custo incorrido para a atividade)
confiáveis. Afinal de contas, a força do método repousa no •
t
~
11ível de confiança da empresa para co1n esses direcionadores
de custos. Quanto maior o nível de confiança, maior a força
••

do modelo ao processo de gestão; uma vez que a empresa crê


no valor co1nputado para cada atividade que realiza em stia
linha de produção.
Por fim, durante a produção de um bem ou serviço, conhe-
cendo as atividades executadas e os ct1stos que elas apresentam,
chega a fase de transferir esse custo ao produto gerado. Para
isso, é necessário estabelecer critérios para essa transferência;
nesse caso, definir os direcionadores de segundo estágio. Esses
direcionadores são os elementos funcionais que permitem
identificar e quantificar as atividades consumidas para realizar
um produto. Desse modo, no ABC o critério de transferência
dos custos indiretos aos produtos se faz mediante o uso de
u m procedimento intermediário qu e consiste na apropriação
desses custos às atividades da produção e destas ao produto
segundo o uso dessas atividades.

Estudo de caso
A empresa CháDoBom Ltda. é prodtttora de dois tipos de cl1ás:
cidreira e hortelã. Em determinado período as seguintes infor-
mações sobre a produção, receita e custos foram leva11tadas:

Produto Produção no Período - Quant. (ex) Preço de Venda (R$/un.)

Chá Cidreira 6.000 5,00


Chá Hortelã 10.000 6,00

Obs.: Todos os itens produzidos foram vendidos no período.


Os custos diretos estão a segt1ir relacionados:

Produto Materiais Diretos (R$/u n.) Mão de Obra Di reta (R$/ un.)

Chá Cidreira 1,50 1,00


·-
Chá Hortelã 1,80 1,10


Os custos indiretos da empresa estão relacionados a seguir, t
.
em reais:
••

Item Valores (R$)

Depreciação 1.500
Aluguel 3.000
Mão de obra 8.500
Materiais diversos 2.000
Manutenção 5.000
Tot al 20.000

A indí1stria CháDoBom Ltda. possui algt1ns departamentos,


que são (i) Armazenagem; (ii) Produção e (iii) Faturamento/
Expedição. Cada departamento tem atividades principais, que
estão d.escritas a seguir, já co1n a respectiva alocação do custo
indireto.
Obs.: Para a alocação dos custos indiretos às atividades prin-
cipais dos departamentos, existe a necessidade da utilização
de direcionadores de primeiro estágio. Quanto mais os dire-
cionadores forem confiáveis e diretamente relacionados às
atividades, melhor será o processo de atribuição dos custos
indiretos. Não vamos apresentar essa etapa, para focar nos
direcionadores de segt1ndo estágio.

Departamento Atividade Valor (R$)

Armazenagem Inspecionar a matéria-prima 4.020

Produção Programar a produção 2.000

Processamento dos chás 12.000

Faturamento/Expedição Despachar produtos 1.980

Total 20.000

A seguir, está relacionada a lista de direcionadores, qt1e


serão utilizados para alocar os custos indiretos das atividades
para cada produto.

Chá Chá
Direcionadores Total
Cidreira Hortelã

N. de lotes de matéria-prima inspecionados e 55 95 150


armazenados •
t
N. de horas para programar a produção 30 20 50

N. de horas-máquina de processamento dos chás 500 700 1.200 ••


Quantidade de produtos despachados 38 52 90

Os custos indiretos das atividades devem ser alocados aos


produtos, de acordo com o direcionador selecionado. Vamos
fazer o primeiro como exemplo, passo a passo:
Custo unitário do direcionador =Custo da atividade/ n. total
do direcionador
N{1mero de lotes de matéria-prima inspecionada e armaze-
nada = R$ 4.020,00 / 150 = R$ 26,80
Custo da atividade atribuída ao produto chá cidreira =
R$ 26,80 x 55 lotes = R$ 1.474,00
Custo da atividade atribuída ao produto chá hortelã =
R$ 26,80 x 95 lotes = R$ 2.546,00
Para o cálculo dos demais, segue a mesma lógica. Mas vamos
aos 11úmeros já a locados:

Atividade Cidreira (R$) Hortelã (R$) Total (R$)

Inspecionar a matéria-prima 1.474 2.546 4.020

Programar a produção 1.200 800 2.000

Processamento dos chás 5.000 7.000 12.000

Despachar produtos 836 1.144 1.980

Total 8.510 11.490 20.000

A seguir, é feita a apuração do resultado de cada produto.


Para isso, multiplica-se o preço de ve11da pelas u1údades
vendidas. Também faren1os o mesmo para o custo direto, mul-
tiplicando o somatório da matéria-prima e mão de obra direta
unitária pelo total de urudades vendidas.

Quadro-resumo - Custeio ABC


Cidreira (R$) Hortelã (R$) Total (R$)

Receitas 30.000 60.000 90.000

Custos diretos (15.000) (29.000) (44.000)

Custos indiretos (8.510) (11.490) (20.000)

Lucro bruto 6.490 19.510 26.000



Margem(%) 21,63 32,52 28,89 t

Analisando os resultados obtidos, percebemos que o pro-


••

duto chá hortelã é o que gera maior retorno para a empresa,


mostra11do uma margem de 32,52o/o [Marge1n calculada no
Quadro-Resumo= (R$ 19.510,00 / R$ 60.000,00 ) x 100].

Síntese
Neste capítulo, vimos que o custeio variável é uma ferramenta
poderosa para a gestão de custo, pois permite visualizar a
relação causal entre o valor do custo total e o volume das
transações realizadas, tudo isso, simplesmente, por separar
dispêndios em fixos e variáveis. Quando utilizar o custeio
variável na contabilidade de custo, apenas será considerado
como gasto variável os dispêndios identificados como custos,
todavia, quando usado no âmbito gerencial, também podere-
mos considerar, se útil forem, as despesas variáveis.
O custo/volume/lucro é uma ferramenta gerencial que
emerge da i11erente característica informacional do custeio
variável, permitindo-nos extrair informações valiosas sobre os
gastos incorridos e suas relações com a receita, como: margem
de contribuição (para reduzir o prejuízo, para incrementar
o lucro), po11to de eqt1ilíbrio, grau de comprometimento da
receita e margem de segurança.
Por fim, foi trabalhado neste capítulo o Custeio Baseado em
Atividade (ABC). Vi1nos qt1e sua funcionalidade repousa no
fato de que o rateio dos custos indiretos ocorre de forma mais
objetiva, dado o uso de direcionadores de primeiro e segundo
níveis, respectivamente, utilizados para apropriar os ctistos às
atividades e das atividades para os produtos. Todavia, apesar
de st1a elevada co11tribuição informacional, por vezes, o custo
de sua aplicação não permite que seja implantado.

Questões para revisão •


t

1. (Sefaz - RJ - At1ditor Fiscal da Receita Estadual - FCC, 2014) ••


A empresa Indt1strial produz um único produto e para pro-


dttzir integralmente 1.000 unidades desse produto incorreu
nos seguintes gastos durante o mês de junho de 2013:
Custos fixos: R$ 21.000,00/mês
Custos variáveis:
• Matéria-prima: R$ 9,00/unidade
• Mão de obra direta: R$ 4,00/unidade
Despesas fixas: R$ 5.000,00/mês
Despesas variáveis: R$ 2,00/unidade
Comissões sobre venda: 10°/o do preço de venda
Informações adicio11ais:
• Preço de venda: R$ 100,00/unidade
• Impostos sobre a ve11da: 10°/o da receita de ve11das
• Quantidade vendida: 700 unidades
Caso a empresa Industrial adotasse o ct1steio variável, apre-
sente o custo unitário da produção do período.
(Dica: Essa questão titiliza a ótica contábil financeira/fiscal)

2. (Sefaz - RJ - Auditor Fiscal da Receita Estadual - FGV, 2011)


Determinada indústria possui três departamentos: X, Y e
Z. Os gastos em cada um desses departamentos totalizam$
2.000, $ 4.000 e $ 6.000, respectivamente. Sabe-se que, no Dep.
X, são consumidos 70% das horas de trabalho em função do
produto A e 30°/o em função do produto B. O Dep. Y, res-
ponsável pela cotação de preços de matéria-pri1na, consome
30% de seu tempo em função do produto A e 70o/o em função
do produto B, conforme consta tado por meio do número de
cotações feitas por produto. O Dep. Z presta serviços aos
Departamentos X e Y, e, com base nos serviços prestados a
eles, constatou-se que o Dep. X recebeu 150 atendimentos, •
t
enquanto o Dep. Y recebeu 100 atendimentos.
••

Assinale a alternativa que apresente os custos a serem alo-
cados aos produtos A e B, respectivamente, empregando o
critério ABC (para rateio de custos indiretos) e considerando
apenas as informações acima.
a) $ 6.000 e $ 6.000
b) $ 5.840 e $ 6.160
c) $ 5.600 e $ 6.400
d) $ 6.400 e $ 5.600
e) $ 6.160 e$ 5.840
(Segue uma dica = o departamento Z prestou serviços para
X e Y, então, deve ser o primeiro com seus custos alocados.)
3. (Eletrobras - Administrador - Cesgranrio, 2010) Se o preço
de venda médio por t1nidade for igual a R$ 3,50, o C1.1sto
variável por unidade for igual a R$ 1,50, e os custos opera-
cionais fixos tiverem o valor de R$ 20.000,00, conclui-se que
o ponto de equilíbrio, e1n unidades, é de
a) 10.000
b) 38.000
c) 39.000
d) 42.000
e) 45.000

4. (Sefaz - RJ - Auditor Fiscal da Receita Estadual - FCC, 2014)


A empresa Fábrica dos Sonhos produ z quatro produtos, A,
B, C e D, cujas informações referentes a cada um deles estão
apresentadas a seguir:

Produtos A (R$) B (R$) C (R$) D (R$)

Preço de venda (por unidade) 100 90 120 130


Custos variáveis {por unidade) 25 10 40 50
Custos fixos (por unidade) 10 4 16 20
Despesas variáveis (por unidade) 10 9 13 14

Despesas fixas (por unidade) 3 10 11 2 t

Os custos e despesas fixos são comt1ns aos quatro tipos


••

de produtos, sendo os custos fixos alocados com base nos


custos variáveis de cada produto e as despesas fixas aloca-
das em fttn.ção da área utilizada para estocar cada produto.
A empresa tem recursos orçamentários para investir em pro-
paganda de apenas dois produtos. Supondo que o objetivo
seja a maximização do lucro da empresa Fábrica dos Sonhos,
os produtos que deverão ter sua venda incentivada são:
a) A e C.
b) e e D.
c) B e D.
d) A e B.
e) B e C.
(Para resolver essa questão deixamos uma dica para você =
lembre-se de que, para maximizar o lucro, é importante ter
t1ma boa n1argem de co11tribuição.)

5. (Sefaz - RJ - Auditor Fiscal da Receita Estadual - FGV, 2011)


• Gasto Fixo Total: $ 1.000
• Custo Variável Unitário: $ 5
• Preço de Venda Unitário: $ 10
• Gasto com Depreciação: $ 200
• Custo de Oportunidade: $ 200
Com base nas informações, estabeleça os valores do Ponto
de Equilíbrio Contábil, Financeiro e Econômico.

Questões para reflexão


1. No custeio variável, temos a distinção dos gastos em elemen-
tos variáveis e fixos. De acordo com esse con.ceito, a contabi-
lidade gerencial considera os itens de despesas variáveis no •
t
gasto variável, apropriando-os nos produtos transacionados.
,
Você concorda co1n essa alocação? E possível relacionar as ••

despesas variáveis com os produtos, de modo a auxiliar o


processo de gestão?

2. Será que todo aumento da quantidade uma vez sobrepujado


o ponto de equilíbrio significa necessaria1nente aun1e11to
de lucro para os diferentes paradigmas sobre o processo
de gestão de custo?
Saiba mais
O artigo indicado a seguir compara os diferentes métodos de
custeio.
BEUREN, I. M.; SOUSA, M. A. B. de. Um estudo sobre a utilização
de sistemas de custeio em empresas brasileiras. In: CONGRESO DEL
INSTITUTO INTERNACIONAL DE COSTOS, 7., 2003, Punta Del
Este. Anais... Disponível en1: <eco.unne.edu.ar/contabilidad/costos/
Vlllcongreso/110.doc>. Acesso en1: 30 maio 2016.

Para se aprofundar no Custeio Baseado em Atividades (ABC),


leia o seguinte artigo:
MAUSS, C. V.; COSTI, R. M. O Método de Custeio ABC como
ins trumento de gestão. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
E TECNOLOGIA, 2006. Disponível em: <http://correio.aedb.br/seget/
artigos06/784_Artigo%20Abc_Segetl.pdf>. Acesso em 30 maio 2016.


t

••

•••••••••
•1 •• •• •• • 1• •• 1• •• ••
1 •
• •• •• • 1 • • 1 ••

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~!

1
Conteúdos do capítulo:
.
<
i
• Noções básicas sobre processo de gestão de custos. •
i
• Apresentação do sistema de mensuração por Unidade de •
Esforço de Produção.
• Os custos segundo a ótica do planejamento: custo-meta.
1
• Os custos no processo de controle: custo-padrão e kaizen.
l
• Uma análise econômica do processo de controle do custo. i
t
Após o estudo deste capítulo, você será capaz de:
1
1. compreender as etapas do processo de gestão de custos;
2. desenvolver uma visão crítica sobre o processo de
mensuração dos custos;
3. identificar a ferramenta mais adequada à cada etapa da
gestão do custo.
e

iferente do senso comum, controlar, para a linguagem


dos negócios, não é apenas apontar algo. Por exemplo, simples-

t
mente ler a fatura do cartão de crédito não significa ter controle
dos gastos. Em verdade, o controle é uma atividade mais densa, ••

a qual se realiza mediante três procedimentos básicos: 1nensu-


ração, avaliação e execução. No primeiro procedimento, o da
mensuração, tem-se as tarefas que buscam identificar, apurar
e processar informações que seja1n úteis à co1npreensão dos
eventos controlados.
No procedimento da avaliação ocorre a comparação dos
resultados apurados nas atividades de mensuração com o que
era esperado. Ou seja, não é possível dizer que algo é contro-
lado sem que tenha antes um padrão definido como referência.
Volta11do ao controle do cartão de crédito, significa verificar
se os gastos do mês estão aderentes com o plano da família.
No terceiro procedimento, o da execução, tem-se que depende
e do resultado que é obtido para o objeto de controle ao térmi110
da fase de avaliação, o qual, generica1nente, pode ser definido
corno e1n conformidade ou e1n desconformidade com o padrão que
foi estabelecido.
Pois bem, este é o contexto prese11te neste capítulo. Na fase
da mensuração, vamos apresentar urna nova forma para apu-
rar os sacrifícios incorridos por urna empresa, a Unidade de
Esforço de Prodt1ção. Com relação aos valores a sere1n usados
para comparar o realizado com o executado, teremos novas
formas de classificação dos custos, sendo estas o custo-meta
e o custo-padrão. E, para começar o tema, vamos relembrar
algtins elementos importantes sobre um processo de gestão e
também veremos o processo de avaliação dos custos de uma
empresa segundo o paradigma econômico neoclássico.

A lógica do processo de gestão


Na gestão estratégica dos custos empresariais, a história não é
diferente daquela apresentada sobre o cartão de crédito de uma
,
família. E preciso ter o constante controle dos custos da empresa,

t
assim, os três procedimentos citados também devem fazer parte
da rotina. Quanto ao processo de mensuração, já falamos bas- ••

tante sobre ele nos capítulos anteriores, qtiando abordamos os


tipos de gastos, as classificações dos custos, as formas de cus-
teios e as possibilidades de precificação dos estoques. Chegou a
hora de aprender a estabelecer os elementos tidos como padrão
para a gestão de custos. No entanto, isso exige que algumas
premissas básicas estejam bem claras para você.
Primeiramente, é preciso ter claros os elementos estruturais
qtie são necessários para o processo de gestão e controle de
uma empresa. E, para tanto, vamos utilizar a visão diagramá-
tica de Oliveira (2009) sobre esse tema, a qual se faz presente
na Figura 5.1.
Figura 5.1 - Diagrama do processo de gestão
r---------------------------------,
Processo de gestão
Feedback

L. -
r ---
- - -- -
---.,
...

Banco de
Banco de Banco de Banco de dados sobre
dados sobre dados sobre dados sobre transações
variáveis padrões e simulação de realizadas
ambientais orçamentos transações e análise de
variação

Sistema de informação
L-- -- - -- -- - --- - --- - -- -- - -- -- -- - -- -j
Fo~Ts: Oliveira e Pereira, 2001, citado por Oliveira, 2009, p. 108.

Como demonstra a Figura 5.1, o primeiro elemento estru-


tural do processo de gestão e controle é o planejamento estra-
tégico, o qual representa a fase qualitativa da gestão, conside-
rando aspectos ambientais amplos sobre o futuro da empresa.

t
Em seguida, temos a fase do plano operacional, que é realizada
em duas etapas: a do pré-planejamento e a do planejamento ••

propriamente dito. Nesse momento da estrutura, temos as


etapas de simulação dos resultados e a construção do sistema
orçamentário, o qual, por sua vez, será a diretriz d.a execução
e o padrão para a fase do controle.
Por fim, como já havíamos explicado, tem-se o Jeedback da
gestão, o qual resultará, se necessário, em medidas corretivas
e preventivas, para os casos identificados como em descon-
formidade com planejamento. Toda\ria, convém ressaltar que
uma desconformidade não é, necessariamente, algo negativo.
Pode ocorrer que no momento da exectição seja observado
que os resultados que estão sendo obtidos são mais favorá-
veis do que havia sido previsto no padrão - por exemplo, no
caso da família, o gasto efetivo no cartão pode ser menor do
que 11avia sido planejado. Portanto, com base nesse contexto
tem-se que na fase da execução a ação que deve ser realizada,
basicamente, é de manutenção ou de intervenção conforme os
resultados obtidos. No primeiro caso, o da manutenção, temos
um cenário no qual a execução está em conformidade com o
padrão estabelecido ou seu resultado é até mais favorável do
que foi previsto (cenário de desconfor1nidade positiva). Já no
segundo caso, o da intervenção, há a necessidade de implantar
medidas corretivas e preventivas, por serem as desconformi-
dades de natureza desfavoráveis aos objetivos da empresa.
Para saber quais são os eventos que tornam ott não um custo
favorável, vamos olhar o problema pelas lentes da escola eco-
nômica neoclássica, mais precisamente pela ótica da teoria da
firma - trabalhada no Capítulo l.
A lógica presente nas linhas que seguem, talvez seja, entre os
empresários, um dos paradigmas econômicos mais comenta-
dos por eles no dia a dia de suas atividades, porque essa teoria
explica quando a produção é eficiente, quando o custo médio
é mínimo e quando o lucro é máximo. No entanto, antes de •
t
~
começar, vamos esclarecer alguns pontos. O intuito aqui não é
que você se torne, pelo menos neste momento, um economista,
••

mas que entenda como pode usar os temas aqui tratados no


processo de gestão. Por esse motivo, não será desenvolvida
uma exposição rígida da teoria da firma, em vez disso tere-
mos uma apresentação leve sobre sua lógica - por exemplo,
não vamos falar de funções derivadas como Receita Marginal
(RMg) e Custo Marginal (CMg). Nosso foco será apresentar
alguns elementos qt1e despertem em você a curiosidade de
buscar mais dados sobre essa teoria marginalista e1n livros
de microeconomia, quando futuramente você desejar se apri-
morar na arte da gestão dos custos empresariais.
Então, vamos à teoria, que, na verdade, l'lão é bem uma
teoria, 1nas um conjunto de três teorias que se completam:
(i) da produção, (ii) do custo e (iii) da receita. Na primeira, a da
produção, a empresa é analisada segundo sua capacidade de
produção mediante o incremento do fator variável produtivo.
Em um primeiro momento, como é demonstrado no Gráfico 5.1,
quanto mais fator variável é adicionado, mais produto se obtém
com ele - por exemplo, quanto mais farinha utilizamos, mais
pão obtemos.

Gráfico 5.1 - Teoria da produção

PT =q Região inviável

~
Rendimento decrescente positivo

Rendimento crescente Máxima Máxima


eficiência efi ciência - PT= q
do fator do fator
variável fixo

X1 (fator variável)

t

FoNTe: Ela borado co m base em Pindyck; Ru binfeld, 2013, p. 191-204. ••


Na fase que antecede a máxima eficiência do fator fixo, há


un1a região denominada viável, na qual se produz cada vez
mais com os inst1mos produtivos. Todavia, depois de atingida
certa quantidade na Produção Total (PT) a capacidade do fator
fixo em receber o fator variável se esgota, e, se insistir no incre-
mento desse fator, o que rest1lta é queda de produção - por
exemplo, o forno que assa o pão, se for sobrecarregado, vai
queimar parte da produção e/ou vai deixar crua outra parte.
Nesse momento, os economistas dizem que a empresa está em
uma região inviável, pois mais insumos geram menos produto.
A região viável, isto é, aquela em que se deve trabalhar, vai
até a máxima eficiência do fator fixo. Ela tem duas regiões
principais em relação ao rendimento da produção: a crescente
e a decrescente positiva. No rendimento crescente da produção,
tem-se que, para cada unidade adicionada de fator variável, a
variação obtida na quantidade produzida supera a variação
anterior da produção, e com isso a produção total cresce for-
temente. Já na região decrescente positiva, a variação na pro-
dução ainda é positiva, todavia, seu valor a cada nova adição
do fator variável é menor do que foi no momento a11tecessor;
ou seja, a produção total continua cresce11do, mas cada vez
,
inenos. E nessa última fase da região viável que a empresa
identifica qual é a quantidade de fator variável que apresenta a
máxima eficiência produtiva, isto é, a que produz maior qua11-
tidade média de produto por unidade de fator variável. O ct1sto
médio de um produto é obtido pela divisão do custo total da
produção pela quantidade total produzida, assim, conhecer a
quantidade de insumo que apresenta a maior produtividade
é uma informação importante para reduzir o custo de produ-
ção de u1na empresa. Vejamos o co1nportan1ento da Teoria do •
t
Custo no Gráfico 5.2.
••

Gráfico 5.2 - Teoria do Custo

R$

Custo Variável

Custo fixo

Fo~,.,.., Elaborado com base em Pindyck; Rubinfeld, 2013, p. 219-260.


Conforme o Gráfico 5.2, à medida que aumenta a quantidade
prodt1zida (q), aumenta o custo total da empresa. O custo total
da empresa tem esse comportamento, dado o fato de ser ela
uma curva que é gerada pela soma do custo fixo (aquele que
provém do fator fixo) com o custo variável (que depende do
fator variável). Portanto, uma curva do custo total nada mais é
qtte uma representação do comportamento dos insumos produ-
tivos con1 relação ao valor do sacrifício para adquiri-los (como
foi discutido nos capíttllos até o momento) e a eficiência que
temos no uso destes na produção. Por exemplo, caso a empresa
insista em trabalhar e1n uma região i11viável da produção, vai
gerar uma situação igual à do retângulo do Gráfico 5.2. Isto é,
o custo total será cada vez mais alto para produzir cada vez
menos quantidade de produto final (q). Vamos exemplificar
com um exercício resolvido.

Exercício resozz,ido 1
j
Uma panificadora apresentou o segt1inte cenário na produção •
de seus pães, quando analisou o comportamento do custo em ,f
l.

í
relação à capacidade da produção. I
•f
Quant. de
Farinha
Quant. de Pães
Para assar Para venda
Custo com farinha

Por produção Por pão


1
kg Quant. Quant. a x RS 2,50 d /e
1
!

(a) (b) (e) (d) (e)


l
}
i
1 24 19 R$ 2,50 R$ 0,132 i
i
2 48 44 R$ 5,00 RS 0,114
3 72 72 RS 7,50 RS 0,104
1
4 96 88 RS 10,00 R$ 0,114
5 120 80 R$ 12,50 R$ 0,156

Primeiro momento: redução do custo médio

Segundos dados levantados, quando a panificadora usa 1 qui-


lograma de farinha (fator variável que custa R$ 2,5/kg), ela
consegue produzir 24 pães crus para assar, os quais após
assados no forno modelo "Vulcão quente" (fator fixo) re11dem
apenas 19 pães prontos (e1n condições perfeitas para venda).
Essa quebra de 5 pães ocorre por causa da queima dos pães,
uma vez que o forno é utilizado muito abaixo de sua capaci-
dade. Ao aumentar a quantidade de farinha, a quantidade para
assar aumenta proporcionalmente, todavia o rendimento de
pães prontos melhora a cada iI1cremento até o limite de 24 pães
por quilograma de farinha: 19 pães/lkg de farinha (19/lkg); 1
!
22 pães/lkg (44/2kg); 24 pães/lkg (72/3kg). Ou seja, entre 1 e ••
'•
3 quilos a produção média de pães prontos somente cresce, À
i•
o que logicamente representa, nesse cenário, uma queda do ilf

preço médio do pão (de R$ 0,132/pã.o até R$ 0,104). •"•
~

Segundo momento: aumento do custo médio 1
i

Após a adição dos 3 quilogramas de farinha, cada novo incre-
i
mento de farinha resulta em aumento maior na quebra da pro- ~

1
dução, gerando, assim, queda na produção média: 24 pães/kg t

(72/3kg); 22 pães/kg (88/4kg); 19 pães/kg (95/Skg). O motivo, 1
j
segundo os dados apurados pela panificadora, é o excesso de •
pão cru nesse tipo de forno, pois isso gera quebra por queima ,f
l.

dos pães próximos às paredes e pães mal assados no meio í
I
do for110. Portanto, 4 e 5 quilogramas de farinha geram valo- •f
res maiores de custo médio, respectivamente, R$ 0,114/pão e 1
R$ 0,156/pão. 1
!
Considerações l
}
i
Assim, com base nos dados apurados, conclui-se 3 quilogra- i
i
mas é o ponto com melhor aproveitamento do fator variável
1
(nesse caso, a farinha), dada a limitação do fator fixo (o forno
"Vulcão quente"). Todavia, é necessário perceber qt1e 4 quilo-
gramas não é uma região inviável da panificadora pela ótica
da produção, pois nessa quantidade ela ainda tem aumento
na prodt1ção total (72 pães passaram para 88). Já os 5 qt1ilo-
grarnas, estes sim marcam o início da região inviável, pois
produzem menos que os 4 quilogramas usados anteriormente
(4 kg = 88 pães, 5 kg = 80 pães). Ou seja, nessa região há um
custo maior de farinha para produzir menos pães. E, por fim,
convém ressaltar que, se considerar que o custo variável é
o valor médio por produto, o custo variável apresenta ciI1co
valores diferentes, sendo esse o motivo do formato peculiar
da curva de custo total que, dentre outros momentos, vimos
no Gráfico 1.2, lá no Capítulo 1 1.
Portanto, uma análise de custo somente faz sentido se rela- 1
!
cionada à região viável, na qtial, por sinal, é possível obter a ••
'•
À
quantidade de menor custo médio da produção. Isso é impor-
i•
tante porque este é o ponto em que cada unidade produzida ilf

apresenta o menor custo produtivo e, assim, a melhor eficiência •"•
~

monetária no uso dos fatores produtivos. Para encontrar esse 1
i
valor, é quando RMg (receita marginal) é igual ao CMg (custo •

marginal), mas, con10 o objetivo não é tratar de funções deri-


vadas, considere que esse ponto é aquele no qual a quantidade
produzida apresenta a melhor combinação entre eficiência da
produção e ct1sto de aquisição dos fatores prodt1tivos.


Antes de iI1iciarmos este tópico, é importante ressaltar que a t

terceira teoria, a da Receita, você conhece, pois ela foi um dos ••


primeiros assuntos do Capítulo 1, basta rever a discussão da


curva da receita e a reflexão sobre o lucro ser a diferença entre
a curva da receita e do custo. Para iniciar o estudo sobre a
gestão de custos, primeiro você compreendeu como era gerado
o lucro, foi se aprofundando cada vez mais nos custos. Agora,
retornamos ao ponto de partida ao ver o impacto do custo no
lticro. O processo de gestão de custos é um procedimento que
exige uma visão sistêmica, tempestiva, corretiva e proativa.
Algo qt1e som ente é possível de obter quando há uma base
multidisciplinar forte sobre as diferentes formas de uso dos
recursos produtivos e os objetivos que prestam a uma empresa.
Quanto à questão de a variação ser favorável ou desfavo-
rável, dentre outras causas, depende tan1bém se os padrões
tttilizados foram elaborados com base em uma tecnológica
defasada ou não em relação à atual condição da produção. Por
exemplo, ao utilizar u1na nova tecnologia, por certo, a fábrica
vai apresentar melhores resttltados do que era previsto pelo
padrão utilizado. Na mesma proporção, se o padrão antecipar
os resultados de uma tecnologia que ainda não foi implar1tada
ou qtte é mal utilizada, as variações serão desfavoráveis.
No entanto, como é possível estabelecer os valores que
servirão como base para comparar o que foi executado com
qtte a empresa almejava alcançar? Para isso, é preciso definir
o custo-meta e o custo-padrão. Para a fase do planejamento
estratégico e pré-operacional, temos o custo-meta (ou alvo), já
para a fase do planejamento operacional até a execução temos
o custo-padrão. Também convém ressaltar que, quanto ao pro-
cesso de mensuração, além das formas já vistas de custeio,
ainda ternos como opção a Unidade de Esforço de Produção
(UEP). Nesse sentido, vamos começar explicando o que é
uma UEP e depois vamos analisar o que são o custo-alvo e •
t
o custo-padrão.
••

Unidade de Esforço de Produção


A Unidade de Esforço de Produção (UEP) foi inicialmente
concebida por um engenheiro francês na década de 1940,
mediante a alcunha de "GP" (as iniciais do nome do enge-
nheiro). Posteriormente, o método foi aperfeiçoado no Brasil
por outro engenheiro, agora um italiano que conheceu e tra-
balhou com o idealizador do GP. A UEP não é simplesmente
uma nova escala de mensuração, trata-se de um sistema de
custeio que surge como uma alternativa de resposta para a
conhecida arbitrariedade do rateio por absorção. Para ta11to,
esse método reestrutura a forma de analisar uma empresa,
pois ele a d ivide em módulos operacionais, que nada mais são
do que unidades que exercem o esforço operacional necessário
à produção. E, nesse sentido, tem-se que o foco da UEP está
no custo de transformação, que é o esforço qu.e a empresa faz
para transformar os insu1nos em produto final.
De acordo com Wernke e Mendes (2010), para produzir um
bem, exige-se basicamente dois tipos de gastos. O primeiro é
aquele que é constituído pelas matérias-primas (os recursos que
sofreram a transformação) e todos os recursos que são adiciona-
dos ao produto fi11al sem sofrer qualquer tipo de transformação
(por exemplo, embalagem). Já o segundo gasto é facilmente
identificado como aquele que é o real esforço da empresa para
tra11sformar a matéria-prima em produto final. Nesse sentido,
a mão de obra, seja ela direta, seja indireta, seria tratada como
um esforço de produção. Ou seja, é o esforço de produção todo
o gasto que se tem na fábrica ao se expurgar a matéria-prima,
embalagens e quaisquer rectlrsos que sejam consumidos sem
alterações. Portanto, o processo de precificação e controle do
valor unitário de um produto fabricado por uma empresa seria
obtido mediante a soma desses dois grupos de gastos: os que •
t
são transformados e incorporados ao produto sem modificação
mais o esforço para realizar essa transformação.
••

A UEP está neste tópico sobre co11trole do custo, porque a


eficácia do processo de gestão depende fortemente de como
as necessidades informacionais dos gestores são atendidas e,
nesse sentido, a UEP se destaca. A metodologia apresentada
permite diferenciar o que é apenas um gasto sobre o qual a
indústria exerce um esforço e um gasto do esforço propria-
mente dito. Feita essa d istinção, torna-se fácil uma análise
sobre causalidade dos gastos da estrutura e, logicamente, as
decisões serão bem mais efetivas quanto às escolhas de novas
tecnologias, n1áqt1inas, instalações etc. Afinal, como afirma
Martins (2010), não adianta ter relatórios com apenas o valor
do gasto, é necessário ter as comparações entre o valor gasto
e o padrão definido, considerando tanto o custo por unidade
como o volu1ne dos produtos que se produz. Nesse sentido, a
UEP é uma boa ferramenta de comparação e, assim, de con-
trole, pois fornece uma unidade homogênea de mensuração,
o esforço de produção.
Com relação às etapas básicas para implantação do método
UEP, vamos utilizar a divisão lógica e didática apresentada
por Souza e Diehl (2009, p. 183), citados por Wemke e Mendes
(2010, p. 5):
• Divisão da fábrica em postos operativos;
• Determinar os índices de custos horários por posto ope-
rativo (ou o custo/hora por posto operativo);
• Escolha do produto-base (custo-base ou UEP);
• Cálculo dos potenciais produtivos (UEP/hora) de cada
posto operativo;
• Determinação dos equivalentes dos produtos em UEP
(valor em UEP do produto);
• Mensuração da produção total em UEP;

• Cálculo dos custos de transformação. t

Portanto, o que a UEP fornece é um 1neio de identificar a ••


relação de esforço que determinado prodt1to exige em relação


a outro produto tido como base e, a partir disso, avaliar o custo
de sua transformação. Vamos entender esse contexto com um
exemplo, com a análise baseada em Martins (2010).

Exercício rcsozz,ido
Dados comparativos básicos:
• Te1nos uma empresa que produz três produtos (A, B, C).
• A é o produto base, portanto o esforço para produzir uma
unidade dele represe11ta para a empresa uma unidade
de esforços de produção (A = 1 UEP).
• B exige o dobro do esforço de A, portanto, precisa de 2
UEP (B = 2 UEP).
• C exige qt1atro vezes mais esforço que A, portanto, pre-
cisa de 4 UEP (C = 4 UEP).
Dados comparativos de produção:

JANEIRO FEVEREIRO
Quant. UEP Quant. UEP
1
5.000 A 5.000 1.000A 1.000 !
2.000 B 4.000 1.000 B 2.000 ••
3.ooo e 12.000 s.ooo e 32.000
10.000 21.000 10.000 35.000

Com base nos dados apurados, temos que a variação da pro-



dução em quantidade foi nula em unidade (10 mil em fev. - 10
1
i

m il jan.), ou seja, foi de Oº/o. Todavia, no esforço de produção i
~

1
foi bem maior do que isso, pois variou de 21 mil UEP para
t

35 mil, representando, assim, um acréscimo de 14 mil UEP
entre jan. e fev., portanto uma variação de 66,7o/o. Isso significa 1
j
que a empresa precisa de mais esforço para produzir 10 mil •
quantidades de A, B e C em fevereiro do que precisou para
,f
l.

í
produzir 10 mil quantidades de A, B e C em ja11eiro. E, assim, I
•f
logicamente, precisou de um custo bem maior. Essa análise
permite ver exatamente o porquê do aumento do custo total 1
em uma situação que aparentemente foi igual na quantidade 1
!

total produzida. Agora, vamos nos concentrar em custo-meta


l
}
i
e custo-padrão. i
i
l

5.3 Custo-meta
Como vimos no iI1ício do capítulo, o processo de gestão precisa
considerar todas as fases de u1n projeto desde o mo1nento do
planejamento até o período de execução e acompanhamento.
Nesse contexto, o custo-meta é o instrumental utilizado na
primeira dessas fases. No enta11to, primeiro vamos deixar claro
que target costing, custo-alvo e custo-meta são a mesma coisa,
mas com nomes diferentes.
Voltando ao custo-meta, nada mais é do que um modelo de
gestão de custos que é realizado no início de 11m 11ovo projeto
ou na refor1nulação de 11m projeto já em andamento, no qual se
busca definir o gasto que o empreendimento pode comportar
para atingir a margem de lucro que a empresa deseja.

Perguntas & respostas


O custo-meta pode ser utilizado de maneira efetiva em um
projeto que está sendo reformulado? Já não existe uma estru-
tura de custos montada e funcionando?

Realmente, existe uma estrutura já montada para un1 pro-


duto que está em produção, mas isso não significa que precisa
ser perene. O custo-meta mostra o custo máximo que essa linha
de produção deve ter no médio e longo prazos para atender à
margem de lucro desejada pela empresa diante das mudanças

mercadológicas observadas. Ou seja, trata-se de um procedi- t

mento que será realizado para o longo prazo e, assi1n, o fato de ••


ter uma estrutura montada não impede s11a aplicação.

Q uem define o preço de um produto é o mercado e a empresa


precisa se adaptar a ele. Ou seja, um produto que apresenta
determinada utilidade para o mercado terá determinada
demanda co11forme o preço ofertado. Desse modo, a empresa
precisa iniciar seu projeto identificando o preço e os atributos/
qualidades que um produto precisa ter para ser aceito pelo
mercado. Feito isso, são analisados os riscos envolvidos nesse
projeto e os custos d.e oportunidades que serão incorridos (por
exemplo, tirar o capital aplicado 110 banco em uma aplicação
financeira, para realizar o investimento), para assi1n definir o
retorno desejado para o projeto. E, assim, podemos resumir o
custo-meta na seguinte equação:
.. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . ... . . . . .....
Custo- meta [por unidade] =
Preço de venda - Lucro desejado para o projeto

Isso significa dizer que qt1ando o mercado está disposto


a pagar valores mais elevados, projetos com custos mais
altos podem ser aprovados por estar dentro da região meta.
Da mesma forma, qua11do o mercado está menos propício a pre-
ços mais elevados, projetos com maior custo são descartados.
Resumindo, o custo-meta permite verificar se a empresa tem ou
não competência para atender o mercado 11a qualidade que ele
exige e, ainda assim, consegujr auferir lt1cro. O custo-meta não
considera a possibilidade de reduzir a qualidade do produto
para atender o preço do mercado, mas é a empresa que precisa
ser ajustad.a estrategicamente para ser 1nais eficiente. Isto é, ela
é que precisa se preparar para produzir com o menor custo

t
possível a qualidade que o mercado exige, para pode ve11der
seu produto com lucro. ••

tt
1
Exercício reso/7.Jido !
l
}
Determinada empresa está planejando colocar um novo pro- i
i
duto no mercado. Ela está na fase do planejamento dos gastos i

necessários para produzir 10.000 unidades do produto. Após


1
pesqu isas ju11to ao mercado consumidor, a faixa ideal do preço
unitário ficot1 definida como sendo o valor de R$ 14,50. Com
base nesse preço e nas informações elaboradas pelo gestor
de custos em relação à estrutura de gastos necessária para a
produção, a Demonstração do Resultado Plan.e jada apresentou
os seguintes valores:
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (R$)

Receita de Venda 145.000

Gastos (116.000)
Matéria-prima 50.000
Mão de obra direta 35.000
Custos indiretos 20.000
Despesas 11.000

Lucro 29.000
1
!
Os investidores da empresa exigem o retorno de 30% ••
para que o projeto possa ser aceito. Va1nos, então, calcular o
custo-meta unitário e compará-lo com a estrutura de custos
projetada.

Custo-meta por 11nidade =Preço de venda - Lucro desejado 1
i

no projeto
i
~
Custo-meta por unidade= R$ 14,50- R$ 4,35 (30°/o) = R$ 10,15. •
1

Custo projetado por unidade = R$ 116.000,00 / 10.000 uni-


t

dades = R$11,60 1
j
Os gastos projetados apresentam-se superiores ao custo-meta •
em R$ 1,45 por unidade (R$ 11,60 - R$ 10,15). Nesse caso a
,f
l.

í
empresa precisaria rever sua estrutura de gastos para aceitar I
•f
o projeto. Se for possível reduzir os custos e despesas, de modo
que a qualidade do produto não fosse comprometida e o custo 1
projetado se enquadrasse dentro da expectativa do retorno de 1
!

30°/o, o projeto poderia ser aceito.


l
}
i
O custo-meta é utilizado na fase do planejamento, mas o qtte i
i
fazer se a empresa já tiver iniciado o projeto? Como agir com 1
o produto que já é produzido? A resposta para essas questões
atende pelo nome de custo-padrão (ou standard costing).
5.4 Custo-padrão
Antes de aprofundar as explicações sobre o custo-padrão, pre-
cisamos esclarecer alguns pontos. Primeiro, o custo-padrão
não é uma nova forma de cu steio, assim, ele não substitui
as formas tradicionais de contabilização dos gastos, seja no
aspecto gerencial, seja no financeiro. Segundo, ele não eli-
n1ina a necessidade da apuração do custo real, em verdade,
para que o c11sto-padrão possa ser útil como ferramenta de
controle, o custo real precisa ser mensurado adequadamente,
pois somente assiln o desempenho da empresa poderá ser
avaliado e controlado.
O custo-padrão, basicamente, é um valor definido com base
em dados teóricos e/ou práticos que obtemos durante a fase
de execução de um projeto. No aspecto exclusivan1ente teórico,
temos que, à medida que a operação transcorre, a compreen-
são sobre ela aume11ta, desse modo, a qualidade dos dados
d.e que agora o gestor dispõe, em um novo 11ível de detalhe,
permite estabelecer novos patamares sobre o que é possível
obter de custo caso a fábrica opere em uma condição utópica, •
t
isto é, se1n fa111as. Essa forma do custo-padrão é chamada de
custo-padrão ideal, e deve ser vista como uma meta de longo ••

prazo, dentro do mesmo tratamento dado para a visão da


empresa. Algo que é impossível no c11rto prazo, 111as que deve
ser alcançado no longo prazo.
No aspecto prático/teórico, a abordagem é outra. Primeiro,
dada a experiência acumulada na produção, com o tempo é pos-
sível identificar quais são as limitações do processo produtivo.
No segundo momento, em virtude da visão teórica mais densa
sobre o tema, fica mais fácil estabelecer as medidas que devem
ser implantadas para sanar as limitações que fora1n constatadas.
Todavia, nem sempre as correções dessas limitações ocorrem do
dia para a noite; elas exigem um período de maturação para ser
implantadas e efetivadas segundo os objetivos a que se prestam.
Para esse cenário, a forma mais racional para defi11ir o
custo-padrão é aquela que gera tnn valor que, considerando
as limitações correntes da produção, representa um objetivo
difícil, porém não impossível de ser alcançado. Ou seja, que
represente um tipo de desafio que com esforço pode ser ven-
cido. Logicamente, à medida que as correções às limitações
vão se efetivando, novos valores devem ser definidos para o
custo-padrão, cada vez mais aproximando a empresa da con-
dição utópica, isto é, para o valor do custo-padrão ideal. Esta
é, portanto, a lógica da forma que se denomina custo-padrão
corrente, que representa um controle do custo de acordo com
um horizonte de curto prazo. Desse modo, sempre tenha
o cuidado de não aplicar o valor do custo-padrão ideal em
um contexto de curto prazo, pois se isso ocorrer você estará
desmotivando sua equipe ao expô-la a uma condição que é
impossível de ser alcançada naquele dado momento vivido
pela empresa . E ainda existe o custo-padrão estimado, que é
um procedi1nento realizado com base no histórico dos custos
da empresa ajustado de acordo com as variações tecnológicas
contemporâneas. •
t
Quanto à análise do custo-padrão, ela precisa ser feita con-
siderando o impacto que as variações físicas e monetárias tive-
••

ram no objetivo da empresa. Isso significa dizer que as varia-


ções dos custos devem ser vistas tanto segundo as divergências
que ocorrem nas quantidades e/ou nos valores dos insumos
como, também, no resultado que essas divergências combi-
nadas apresentam com relação ao valor padrão, favorável ou
desfavorável. Nesse sentido, vamos analisar as fórmulas para
calcularmos as variações:
a) Variações da quantidade:
.. . . . .. . . . . . .. . . . . . .. . . .. . .. . . .. . . . . ... . . ... .. . . .. . . .. . .. . . .. . . . .. .. . . ... . . . . .. . . . . . .. ...
.. ..
..: (Quantidade Real - Quantidade Padrão) x Preço Padrão ..:
Demonstra a diferença entre a quantidade unitária ou
total (por exemplo, de 1natéria-prima) consun1ida e1n
determinado período com a estabelecida como padrão
para o mesmo período. Essa diferença é multiplicada pelo
preço padrão estipt1lado para o período. Se o resultado
da fórmula for positivo, significa que, em relação à quan-
tidade, o real foi maior que o padrão, ou seja, a empresa
apresentou uma variação desfavorável. Se o resultado
for negativo, significa que o real foi menor que o padrão.
b) Variações dos preços:
. .. . . . .. .. .. . . . .. . . .. . . . . . .. .. . . . . . . . .. . . . . . . . ... . . . . . . ... . . . . . . . .. . . . . . . . .. . . . . . . . .. . . . . . .
(Preço Real - Preço Padrão) x Quantidade Padrão

Demonstra a diferença entre o preço efetivamente rea-


lizado no período e o preço estabelecido como padrão
no mesmo período. Novamente essa diferença é 1nulti-
plicada pela quantidade estipulada no padrão e desco-
brimos a variação nos preços. Se a variação for positiva,
te1nos uma variação desfavorável (preço real foi maior
que o padrão). Se a variação for negativa, temos uma •
t
variação favorável (preço real foi menor que o padrão).
Ainda sobre a variação nos preços, ela pode aparecer ••

também como variação da taxa qt1ando esta1nos nos


referindo à mão de obra.
c) Variação mista:
... . .. .. . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . .. . . .. . . .. . . . . . . . .. . ... . . .. . .. . . . .. . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . .. . . .....
.:.. . . .(Quant. Real - Quant. Padrão) x (Preço Real - Preço Padrão) :
.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. ..

Corresponde ao cálculo do efeito da variação da quanti-


dade sobre a variação dos preços, por isso é denominada
variação mista. Se a variação for positiva, temos o efeito
desfavorável para a empresa. Se a variação for 11egativa,
o impacto é favorável para a e1npresa.
Agora, vamos analisar um exercício resolvido, que utiliza-
remos como exemplo para este tópico.

Exercício resolz1ilio
Vamos considerar que o custo-padrão de um produto foi esta-
belecido como R$ 1.100,00/peça por utilizar 22 kg de urna maté-
ria-prima precificada em R$ 50,00/kg. Ao término do período
1
foi apurado que a matéria-prima teve um custo de aquisição !
••
de R$ 40,00/kg (por ter sido co1nprada outra marca), porém
seu consumo teve que ser maior para garantir a mesma qua-
lidade, 25 kg/peça. Será que o resultado do custo foi favorável
ou desfavorável? •
Variação da quantidade = (Quantidade Real - Quantidade
1
i

Padrão) x Preço Padrão i


~

1
Variação da qt1antidade = (25 - 22) x 50,00 = 3 x 50,00 = t

R$ 150,00
1
j
E que tal oll1armos essa variação graficamente? •
,f
Gráfico A - Variação da Quantidade l.

í
I
Preço •f
Padrão= R$ 50,00 1 - - - - - - - - - - 1
Real = R$ 40,00
1
!
Desfavorável l
}
i
i
i
Padrão = Real = Quant. 1
22 kg 25 kg

FoNT•: Elaborado com base em Ma rtins, 2010, p. 32.5.

Como utilizamos uma maior quantidade de matéria-prima,


o efeito foi desfavorável. A área marcada no gráfico corres-
ponde ao gasto maior que a empresa apresentou em função
do maior consumo de matéria-prima.
Variação do Preço:::: (Preço Real - Preço Padrão ) x Quantidade
Padrão.

Variação do Preço = (R$ 40,00 - R$ 50,00) x 22 = -10,00 x 22 =


- R$ 220,00
Vamos analisar novamente no gráfico:

Gráfico B - Variação do preço

Preço
Favorável
Padrão= RS 50,00
- RS 220;00 •
Real = RS 40,00 ilf

•"•
~

ii
Padrão= Real= •
Quant.
22 kg 25 kg
i
~

1
PoNTE: Elaborado com base cm Martins, 2010, p. 325. t

Como o preço que pagamos pela matéria-prima foi menor no


1
j

,f
real do que no padrão, o efeito foi favorável. A área marcada no
gráfico corresponde ao gasto que deixamos de fazer em função l.

í
de obtermos um preço menor pelo quilo da matéria-prima. I
•f
Variação Mista:::: (Quant. Real - Quant. Padrão) x (Preço Real -
1
Preço Padrão).
1
!
Variação Mista = (25 - 22) x (R$ 40,00 - R$ 50,00) - l
}
3 X - R$ 10,00 = - R$ 30,00 i
i
Vamos analisar novamente no gráfico: i
1
Gráfico C - Variação mista (quantidade e preço)

Preço
Favorável
Padrão= R$ 50,00 1 - - - - - - - - - -
- RS 30,00
Real= R$ 40,00

Padrão= Real= Quant. 1


22 kg 25 kg !
•.•

FONTE: Elaborado com base em Martins, 2010, p. 327. À
i•
ilf
A variação mista foi favorável em R$ 30,00. A área marcada •
•"•
~

no gráfico representa a variação mista, que ocorre pelo efeito •


da variação da qt1antidade sobre a variação no preço.
1
i

Se formos analisar a variação total aprese11tada, temos que: i


~

1
Variações Valor (R$) t

Variação na quantidade
Variação no preço
150
(220)
1
j

,f
Variação mista (30)

Variação total (100) l.



í
I
A variação foi favorável, pois, mesmo tendo um gasto maior •f
em3 quilogramas por peça (25 quilogramas), o menor custo da 1
matéria-prima por quilograma (R$ 40) reduziu o custo espe- 1
!
rado e1n cerca de 9o/o (R$ 100,00 / R$ 1.100,00). O uso adequado l
}
do custo-padrão pode ser urna ferrarne11ta muito útil ao pro- i
i
cesso de gestão de custo. i
1
Antes de encerrar o custo-padrão, precisamos fazer um
esclarecimento. O custo-padrão e o custeio kaizen são instru-
mentos distintos e comple1nentares no processo de gestão de
custos. O primeiro, como foi visto, é uma gestão feita em cima
de questões práticas observadas i1a linha de produção atuante.
Já o custeio kaizen é mais do qt1e isso. Em primeiro lugar, ele
não é realmente um custeio, ele é uma filosofia de mudanças
para garantir a melhoria contínua (kai: mu.dança; zen: melho-
ria). Assim, sua inserção no processo de gestão de custos per-
mite, por exemplo, romper os limites, antes imaginados para
os custos meta e padrão, ao fornecer novos paradigmas para
os ambientes de curto, médio e longo prazos da linha de pro-
dução. Por meio dessa filosofia, pode-se fazer a equipe alcançar
a cor1sciência de que não basta produzir apenas 11a qualidade
que o mercado quer a um ct1sto qtte satisfaça aos investidores,
que é possível para a empresa produzir além da qualidade
mínima desejada e a um custo cada vez menor, dado o cons-
tante melhoramento da eficiência de todo o sistema produtivo.

Estudo de caso
Imagine que você está prestando assessoria na gestão de custos
para urna empresa industrial, que produz um único produto
(vamos chamar de produto Z) que necessita da matéria-prima
alfa e de mão de obra direta. Esses são os fatores produtivos
considerados para a fabricação do produto.

t
A empresa implantou a metodologia do custo-padrão, deter-
minando a quantidade e preço-padrão, com base em estudos ••

técnicos. O custo-padrão adotado é o corrente, ou seja, leva em


conta as limitações da produção.
As informações em relação ao custo-padrão estão relacio-
nadas a seguir:

Preço / taxa padrão Custo total


Descrição Quantidade padrão
(R$) (R$)

Matéria-prima alfa 2 kg 20/kg 40


Mão de obra direta 3h 10/h 30
Custo total 70

Após o primeiro período, a empresa quer confrontar com


o custo real e verificar o que aconteceu, se o custo-padrão foi
alcançado e se existe 11ecessidade de medidas corretivas.
Para isso, apresentou as informações a seguir sobre os gastos
realizados no período. Adicionalmente, foi informado que a
empresa produziu 5.000 unidades do Produto z.
Seu traballlo é comparar os valores reais com o padrão.
Gastos reais:

Descrição Quantidade real Gasto real (R$)

Matéria pri ma alfa 15.000 kg 360.000


Mão de obra direta 14.000 h 154.000

Vamos transformar os valores e as quantidades totais em


u nitários, então, podemos fazer a con1paração:
• Quantidade / Horas totais
• Matéria-prima= 15.000 kg / 5.000 unidades produzidas
= 3 kg por unidade
• Mão de obra= 14.000 horas/ 5.000 unidades produzidas
= 2,8 horas por unidade
Valores gastos:
• Matéria-prima = R$ 360.000,00/15.000 kg = R$ 24,00 por kg
• Mão de obra = R$ 154.000,00 / 14.000 horas = R$ 11,00 •
t
por hora
••

Obs.: é preciso saber o custo por kg e por hora, por isso não
podemos dividir pelas unidades produ zidas.
Antes de avançar, precisamos fazer um alerta. Para permitir
a comparação, as bases precisam estar iguais, ou seja, compa-
rar kg com kg, hora com hora. Se tivéssemos as medições em
inintttos, teríamos que tra11sformá-las para horas.
Agora vamos comparar o padrão com o real:

Custo total
Descrição Quantidade padrão Preço / Taxa padrão
(R$)
Matéria-prima alfa 2 kg 20/kg 40,00
Mão de obra direta 3h 10/ h 30,00

Custo total 70,00

(co11ti11un)
(co11c/usão)

Custo total
Descrição Quantidade real Preço I Taxa real
(R$)

Matéria-prima alfa 3 kg 24/kg 72,00


Mão de obra direta 2,8 h 11/h 30,80
Custo total 102,80

Em uma primeira análise, já podemos perceber que o custo


real foi muito superior ao custo-padrão, ocasion ando aumento
dos custos. No entanto, vamos refinar a investigação, para ver
qual item que mais pesou nesse at1mento. Para isso, vamos
desmembrar as an álises:
a) Matéria-prima alfa
1. Variação da quantidade= (quant. real - quant. padrão)·
preço padrão =
(3 - 2) x 20,00 = R$ 20,00 (desfavorável)
11. Variação do preço = (preço real - preço padrão) x qttant.
padrão =
(24,00 - 20,00) x 2 = R$ 8,00 (desfavorável)
111. Variação mista = (quant. real - quant. padrão) x (preço
real - preço padrão) = •
t

(3 - 2) x (24,00 - 20,00) = R$ 4,00 (desfavorável)


••

Análise
O total do aumento real da matéria-prima foi de R$ 32,00
(R$ 72,00 - R$ 40,00). O que mais contribuiu para o aumento
foi o maior consumo de qt1ilogramas na fabricação do produto,
contribuindo co1n R$ 20,00 no aumento. O aumento do preço
contribuiu com R$ 8,00 e a variação mista (variação das duas
combinadas) foi de R$ 4,00. Todas foram desfavoráveis, pois o
custo real foi superior ao padrão.
b) Mão de obra
r. Variação das horas = (hora real - hora padrão) x taxa
padrão =
(2,8 - 3) x 10,00 = - R$ 2,00 (favorável)
11. Variação da taxa = (taxa real - taxa padrão) x hora
padrão=
(11,00 - 10,00) x 3 = R$ 3,00 (desfavorável)
111. Variação mista= (hora real - hora padrão) x (taxa real -
taxa padrão) =
(2,8 - 3) x (11,00 - 10,00) = - R$ 0,20 (favorável)
Análise
O total do aumento real da mão de obra foi de R$ 0,80
(R$ 30,80 - R$ 30,00). O que mais contribt1iu para o aumento
foi o preço dos salários (taxas) i1a fabricação do produto, con-
tribuindo com R$ 3,00 no aumento. A variação das horas e a
variação mista foram favoráveis (- R$ 2,00 e - R$ 0,20), ou seja,
gastamos menos no real do que estava no padrão, mas ainda
insuficiente para compensar o aumento no preço da mão de obra.

t

Síntese ••

De forma geral, o que foi visto se resume em preceitos do pro-


cesso de co11trole, procedimento de mensuração por Unidade
de Esforço de Produção (UEP) e, por fim, tipos de custos refe-
renciais para avaliação do desempenl10 da empresa.
Quando foi discutido o processo de controle foi apresen-
tado que deveria ser realizado segundo três etapas básicas,
as quais são: mensuração, avaliação e a execução. O processo
de mensuração, então, seria a fase das tarefas para identifica-
ção, apuração e processamento das informações necessárias
à gestão. Quanto à avaliação, seria o momento do confronto
dos resultados efetivamente realizados em relação aos valo-
res que eram esperados, segundo o pla11ejamento da empresa.
E, por fim, na execução, estaria o momento em que ações seriam
tomadas para 1nanter a atual condição de custo da empresa
ou, se necessário, alterá-la. Nesse sentido, foi abordada a teoria
econômica neoclássica da firma sobre o rendimento produtivo
e seu impacto 11a curva de custo, n1ornento no qual foi discu-
tido o significado das regiões viáveis e inviáveis qtte se fazem
presentes em uma empresa.
Com relação ao processo de mensuração pela Unidade de
Esforço de Produ.ção (UEP), o segu11do item abordado no capí-
tttlo, vimos que esta é uma nova proposta sobre como pode-
mos observar os gastos de uma empresa, no qu al dois grupos
se destacam: (i) o grupo das matérias-primas e dos 1nateriais
que não sofrem transformação e (ii) o grupo dos gastos neces-
sários para realizar a transformação. Nesse sentido, a UEP é
o valor que representa o efetivo esforço para transformar os
insumos em produtos. A vantagem da UEP é que ela permite
avaliar o esforço produtivo aplicado em cada um dos produtos
fabricados pela e1n.presa e, assim, avaliar quais são aqueles que
exigem mais gastos de transformação e, consequentemente,
maiores custos. •
t

Por fim, na parte final deste capítulo, fora1n abordadas as


••

possibilidades que a gestão dos custos tem para gerar valo-
res de base para o controle dos gastos operacionais, que são:
custo-meta (aplicado na fase do planejan1ento) e custo-padrão
(aplicado na fase de execução). Dentro do tema custo-padrão
também foram discutidos o custo ideal, corrente, estimado e
a filosofia kaizen (1nt1dança para garantir a 1nelhoria contínua).

Questões p ara revisão


1. (Exame de Suficiência - Bacharel - CFC, 2001) Uma empresa
previu qu.e gastaria 15 quilos de matéria-prima, a um custo
de R$ 45.000,00 o quilo, para produzir uma tmidade de deter-
minado produto. Ao final do período, constatou que, embora
tivesse economizado 20°/o no preço do material, havia um
gasto de 20% a mais de material que o previsto. A variação
do custo-padrão da empresa é:
a) Desfavorável em R$ 45.000,00
b) Desfavorável em R$ 27.000,00
c) Favorável em R$ 27.000,00
d) Favorável em R$ 45.000,00

2. (Petrobras - Engenheiro de Produção Júnior - Cesgranrio,


2011) Quanto aos métodos de custeio voltados à gestão estra-
tégica de custos, afirma-se que o
a) método kaizen objetiva a redução de custos em todas
as fases do processo produtivo.
b) inétodo kaizen tem o propósito de redução de custos
ao desenvolver um novo bem.
c) método ABC tem ligação com a redução de custos ao
desenvolver um novo produto.
d) custo-meta analisa os custos de acordo com as
atividades da empresa e com os produtos gerados.
e) custo-meta objetiva a redução de custos e1n todas as

t
fases de produção da mercadoria.

3. (Exame de Suficiência - Bacharel - CFC, 2001) O conceito de


••

custo-padrão:
a) não é baseado em princípios científicos, t1ma vez
que ele se utiliza de experiências simuladas, que são
realizadas dentro de co11dições normais de fabricação,
registradas e controladas por medições de natureza
operacional e relacionadas à estatística.
b) é um custo planejado para determinado período,
analisado cada fator de prodtição em condições
normais de fabricação.
c) é baseado na indexação do custo 11istórico,
atualizando o mesmo apenas para indexar o preço de
venda do produto.
d) não observa cada fator de produção, a fim de verificar
os desvios resultantes de sua comparação co1n o custo
histórico.

4. (Transpetro - Contador Júnior - Cesgranrio, 2012) A indús-


tria TE que adota o custo-padrão ao final de um período
produtivo apresentou as seguintes anotações referentes a
tlm dos produtos de sua linha:

Elementos Custo-padrão (R$) Custo real (R$)


Matéria-prima consumida 5 kg X 12,00 = 60,00 6 kg X 10,00 = 60,00
por unidade

Mão de obra utilizada por 3 h X 6,00 = 18,00 4 h X 5,00 = 20,00


unidade

Considerando exclusiva1nente as inforn1ações recebidas e a


boa técnica do custeio-padrão e suas respectivas variações,
calcule o valor da variação da quantidade de matéria-prima.

5. Determinada empresa realizou um planejamento e estipulou



t
uma meta de produção de 60.000 unidades/ano. Caso a produ-
ção meta seja alcançada, a receita obtida pela empresa será de ••

R$ 1.800.000,00. Analisando sua margem de retorno, a empresa


espera o retorno de 20o/o sobre a meta das vendas. Coin base
nas informações apresentadas, calcule qttanto será o valor do
et1sto-meta, calculado por unidade fabricada e quanto será o
valor do custo-meta considerando a produção total.

Questão para reflexão


1. No contexto visto sobre o processo de gestão, quais são os
colaboradores que deverão participar do planejame11to estra-
tégico dos custos?
Saiba mais

O artigo a seguir analisa aspectos do custo-padrão. Leia-o para


saber mais sobre as variações:
GUERREIRO, R.; CATELLI, A. Análise de variações de custo-padrão:
existe afinal variação mista? Caderno de Estudos, São Paulo, n. 22, set./
dez. 1999. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cest/n22/n22a03.
pdf>. Acesso em: 30 maio 2016.


t

••

•••••••••
•1 •• •• • • 1:
•• 1• ••
• •1 • ! 1 •• • 1

~~~~~~~~~~~~~~~~~~!

1
.
<
Conteúdos do capítulo: i

i
• Métodos de precificação dos produtos: C/V/L e Markup. •
• Apresentação da alavancagem operacional.

• Noções básicas da Teoria das Restrições.


1
• Ciclo do controle da gestão de custos. l
i
Após o estudo deste capítulo, você será capaz de:
t
1. compreender a importância da gestão de custos na 1
precificação dos produtos;

2. identificar as limitações sob a ótica da Teoria das


Restrições;

3. entender as etapas do ciclo do controle.


~,, hegamos ao {1ltimo capítulo deste livro. Foi uma jor-
nada der\Sa pelo mundo da gestão de custos, mas valeu a pena.

t
Vamos, agora, falar sobre a gestão de custos segundo o processo
de precificação do produto final, o significado da alavancagem ••

operacional, a aplicação da Teoria das Restrições e o uso dos


medidores de desempenho em um processo de controle dos
custos empresariais.

6.1 Como precificar para vender: a ótica do


volume e do markup
Vamos começar pela precificação dos prodt1tos finais. Como
foi dito desde o primeiro capítulo, um processo de gestão de
custos exige uma visão sistêmica para ser efetivo em seu obje-
tivo de reduzir desperdícios, favorecendo a geração do lucro
de uma empresa. Nesse sentido, chegamos ao ponto em qt1e é
necessário avaliar como os custos incorridos impactam o preço
de venda do produto fi11al. Isso pode ser interpretado de duas
formas distintas dentro do processo de gestão. Na primeira
forma, podemos considerar que a empresa tem certo nível de
poder de inercado para impor seu preço de venda aos clientes,
nesse caso, as ferramentas que serão vistas servem para definir
o que será praticado. Na segunda concepção, o mercado é que
define qual é o preço de venda e, por isso, é utilizado o 1nesmo
instrumental para analisar se a empresa é ou não capaz de
atender tal imposição. Seja qual for a visão da empresa sobre
o preço, o que in1porta realmente é que o processo de precifi-
cação é um fenômeno que se faz com base nos gastos da enti-
dade - custos para os mais ortodoxos e despesas para os mais
modernos. 1 Essa precificação pode ser feita de várias formas,
todavia, dentre os instrt1mentais existentes, dois se destacam
na prática comercial: o método do preço mínimo pelo C/V/L
e o método do 1narkup (detalhado ou geral).

6.1.1 Custo/Volume/Lucro (C/V/L)

No método de precificação por meio do Custo/Volt1me/Lucro •


t
(C/V/L), o valor de venda qt1e se obtém pelo uso do método é
••

o limite mínimo que deve ser respeitado para que a empresa
não incorra em prejuízo (contábil ou econômico), dados osgas-
tos que deter1ninada quantidade orçada para a venda impõe
à empresa. Sua fórmula deriva diretamente da forma clássica
do Ponto de Equilíbrio, como demonstra o Quadro 6.1 .
....
...."'
~

~ Quadro 6.1- Fórmula de precificação C/V/L

Fórmula do Ponto de Equilíbrio (PE) PE = GF/MC


Detalhando a Margem de Contribuição (MC) PE = GF / (PV - GVu)
Convertendo a MC de divisor para multiplicador (PV - GVu) · PE = GF
Transformando o PE em Divisor GF, gerando GFmédio PV - GVu = GF / PE
"' Convertendo PV como variável dependente PV = GF / PE + GVu
"
Fórmula da precific.ação pelo C/V/L PV = GF/QPE + GV
Como demonstra o Quadro 6.1, o preço de venda 110 C/V/L
é co11stituído pelo Gasto Fixo Médio por produto (GF / Q PE) e
pelo gasto variável unitário (o GVu, pela ótica geral, considera
tanto o custo como a despesa variável)2 • Portanto, o preço de
venda obtido nesse método representa o menor valor em que
uma transação pode ser realizada considerando uma tutidade
de produto para que, segundo a quantidade orçada e os dis-
pêndios apurados, não haja nem lucro nem prejuízo. Ou seja,
a gestão de custo é o coração para definir o preço de venda
'
•§>
8
,,•
ç
ou para verificar quanto a empresa é aderente à realidade do *•i
mercado. Quanto mais eficiente for a gestão de custos, 1nenor .
~
.••
~

é o preço de equilíbrio em relação ao preço de mercado. ',


Antes de encerrar este método, convém ressaltar que é pos- f'
~
•'
e; ;
sível acrescentar, no caso de uma análise econômica, uma mar- >
·-
"'
k

">o
~

gem de lucro desejada no gasto, a título de custo de oportuni- ..f
dade da empresa. Nesse sentido, o preço de venda de equilíbrio
-".,.,
'<;

u
..•,

!
" •
seria o menor valor permitido para compensar os sacrifícios
k
.!>
~
•i
,.., ~

,!
o
dos gastos e das oportunidades perdidas pela escolha desse •w•~
-
'"
5..
1
projeto. Quando uma empresa opta por vender "x" quantidade u"

de ttm tipo de produto, significa que ela deixou de fornecer --""


o
>
J
i•
,t
,•
esses recursos para algum outro tipo de investimento e, por """
isso, ela exige que o prodtito escolhido lhe dê no mínimo tal ~
o..
" ••
~

"> "t
õ
valor. Vamos supor que ela deixou de ganhar um aluguel de ~
~"o.. ~
R$ 1.000 por ceder espaço para fábrica, então esses R$ 1.000 .,
." 1
t

representam seu custo de oportunidade e, assim, deve ser -""


"'o
E
~

·- i•
adicionado no GF; ou ainda, segundo seus cálculos, para cada "'""
-"" ~

I
R$ 1 vendido ela tem um risco de R$ 0,20/produto, esse valor o
"<:r"
igualmente pode ser incorporado ao GVti. Esse 1nétodo traz "
k

"
o..
grandes vantagens! "'
6.1.2 Markup
Quanto à segunda forma de cálculo do preço, o markup (MK),
trata-se de um método que utiliza um mt1ltiplicador para
aumentar o valor de t1m número que serve de base de valor
(geralmente, o custo ir1dustrial), transfor1nando-o em preço
de venda; portanto, basicamente, sua fórmula é:
. . ... . . ... . ... . ..... .. ......... .. ..... . ... .... . . .... ... . .... . ... . ..... .. .. ....... .. ..... . ..
Valor de base x MK = Preço
.. . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . .

Existem dt1as formas para aplicar o markup, detalhando em


preço de venda sem impostos e com impostos (MK-1 e MK-2,
respectivan1ente) e realizando a análise de forma ampla, isto é,
alcançando o preço com impostos diretamente (MK-Geral ou
apenas MK). No primeiro caso, temos que o preço de venda
com impostos é obtido do preço de venda sem impostos, o qual,
por sua vez, surge a partir do custo empresarial. No segundo
caso, usamos apenas um multiplicador para transformar o
custo em preço de venda. Vamos ver um exemplo em forma
de exercício, para explicar melhor esses dois casos:

t
a) Encontrando o MK-1
••

A lógica do MK-1 é que o ct1sto empresarial é a base de valor
para se determinar o preço de venda sem impostos.

Primeira etapa: a participação das despesas e do lucro no preço


sem imposto

Determinaremos a participação das despesas e lucro sobre o


preço de venda sem impostos. Para tanto devemos realizar um
planejamento orçamentário definindo as despesas adn1inis-
trativas, comerciais e financeiras, bem como o valor desejado
de retorno para a operação (= custo de oportunidade + prêmio
de risco).
Exemplo:

14,4% (Comerciais)
+ 7,6% (Administrativas)
+ 1,8% (Financeiras)
+ 7,5% (Lucro desejado)
- 31,3% (Despesa + lt1cro)

Nesse caso, as despesas e os lucros são tratados como itens a


sere1n absorvidos pelo produto de ven.da. Ou seja, são valores
que representam a participação percentual desses itens em
relação ao preço de venda sem impostos.

Segunda etapa: a participação do custo industrial no preço sem


imposto

Nesta etapa, vamos obter a participação percentual do custo


empresarial sobre o preço de venda sem impostos. Para tanto,
vamos partir do valor calculado na primeira etapa .
Exemplo:

100,0% (Preço de venda sem impostos)


31,3% (Despesa+ lucro)

t
- 68,7'Yo (Custo empresarial)
••

A lógica é a segl.1inte, se o preço de venda é 100% e as des-
pesas e o lucro são 31,3%, então a diferença somente pode ser
o custo empresarial (aquele que, por sinal, pode ser obtido via
custeio por absorção).

Terceira etapa: estabelecer o valor do MK-1

Para fi11alizarmos o MK-1 precisamos apenas e11contrar a pro-


porção entre o preço de venda sem impostos e o custo indus-
trial. Ou seja, o markup-1 é um multiplicador do custo e1npre-
sarial para se cl1egar ao preço de venda sem impostos.
Exemplo:
100,0% (Preço de venda sem impostos)
68,7º/o (Custo empresarial)

- 1,4556 (Marku -l) : . MK1 = Preço de vendas sen1 i~postos


P Custo empresarial

O MK-1 é uma razão entre o preço e o custo, que foi cons-


truído em cima de premissas estruturais considerando a parti-
cipação relativa do custo em relação ao sisten1a produtivo como
t11n todo. Assi1n, se definimos o valor do custo empresarial
como sendo uma variável independente, teremos a condição,
por meio do MK-1, de encontrar o valor do preço de venda:
.
••
MK-1 x Custo apurado = Preço de venda
.
•.

Dito de outra forma, se puder considerar que a participa-


ção relativa das despesas e do lucro se mostra relativamente
constante em relação ao custo, o preço de venda sem impostos
poderá ser obtido ao multiplicarmos o MK-1 ao valor corrente
do custo.
Exemplo:

t
Custo de R$ 50,00/peça x MK-1 de 1,4556 = R$ 72,78 preço
sem imposto ••

Para compreender a vantagem desse preço sem imposto,


imagine uma empresa que atende diferentes estados, onde
a carga tributária diverge de território para território. Então,
saber o preço de venda líqt1ido dos impostos significa saber
qual é o valor do bem que realmente pertence à empresa.

b) Encontrando o MK-2

Partindo do preço absoluto que será obtido no MK-1, vamos


considerar que ele é a base de valor para o uso do MK-2.
Obs.: por uma questão didática, vamos continuar com nume-
ração das etapas, por isso, o primeiro item do MK-2 é a quarta
etapa.
Quarta etapa: a participação dos tributos no preço com impostos

A primeira coisa que precisamos fazer é identificar o valor da


participação dos impostos de venda sobre o preço final para
ca lcular o MK-2.
Exemplo:

18,00% (ICMS)
+ 1,65% (PIS)
+ 7,60% (Cofins)
- 27,25% (hnposto venda)

Trata-se de um orçamento da carga tributária qtte irá compor


o valor final de venda de um produto. O procedimento é muito
parecido com a etapa 1 do MK-1, a única difere11ça é que neste
as taxas são menos subjetivas.

Quinta etapa: a participação do preço sem impostos no preço


com impostos

Agora, vamos calcular o valor % do preço de venda sem os


impostos em relação ao preço com impostos, simplesmente
subtraindo os valores.

t
Exemplo:

100,00°/o (Preço com impostos)


••

27,25o/o (Imposto venda)


- 72,75% (Preço sem impostos)

Assim, a lógica é a mesma do MK-1, isto é, se o preço de


ve11da é 100% e os impostos são 27,25o/o, então a d iferença
so.m ente pode ser a participação do preço sem impostos no
valor final (ver etapa 3).

Sexta etapa: estabelecer o valor do MK-2

Somente falta obter o valor do markup-2, o mult iplicador para


obter o preço de venda com impostos a partir do preço líquido
de impostos. E, como fizemos no MK-1, basta encontrar a razão
entre as variáveis (ver etapas 1 e 3).
Exemplo:

100,00% (Preço com impostos)


. 72,75% (Preço sem impostos)
- 1,3746 (Markup-2)

Agora, com o MK-2, temos como converter o valor do preço


sem impostos obtido pelo MK-1 em preço de venda com
impostos:
....... .... . ............ . ..... . ....................... .............. ...........................
:. MK-2 x Preço sem impostos= Preço de venda com impostos :.
.. .... . .. . . .... ... . . . ...... ....... . . ...... . . . .. . . .. . . . . . .. . . . . .. .. . . . . . . . . . .... . .. . . .. . . . ....

Exemplo:
Custo de R$ 50,00/peça x MK-1 de 1,4556 = R$ 72,78 preço
sem imposto.
Preço sem imposto de R$ 72,78 x MK-2 de 1,3746 = R$ 100,04
preço com imposto.

c) Encontrando o MK-Geral

Para obter o rnarkup geral, o qual nada mais é do que um único


multiplicador que converte o custo empresarial em preço de

t
venda com iinpostos, basta mu ltiplicar os valores de MK-1 e
MK-2 ••

Exemplo:

1,4556 (Markup-1)
x 1,3746 (Markup-2)
- 2,0009 (Markup-Geral = MKc)

Resultado: Custo($) x MKG= Preço de venda

No caso de nosso exemplo:


R$ 50,00/peça x MI<c de 2,0009 = R$ 100,045 preço com
imposto.
Como foi visto, o custo participa ativamente do processo de
precificação do prodt1to final, seja no C/V[L, seja no método MK.
Assim, a gestão dos custos participa do próprio processo de
geração do lucro e, a partir dessa constatação, iniciaremos o
próximo assunto, a alavancagem operacional.

6.2 Alavancagem operacional


Para entender o que é uma alavancagem operacional, primeiro
é preciso relembrar o que é o lucro operacional, segundo o cus-
teio variável. Nesse sistema de mensuração, os dispêndios são
separados em elementos fixos e variáveis. Isto é, aqueles que
sofrem alteração com a quantidade transacionada (os variáveis)
e os que não sofrem alterações (os fixos). O lucro operacional,
então, seria aqtlele valor que resultaria do confronto entre a
receita total auferida e o dispêndio total (gasto fixo + gasto
variável), o que, por sua vez, leva novamente à curva neoclás-
sica do lucro que foi trabalhada i1os Capítt1los 1e5 (Gráfico 6.1):

Gráfico 6.1 - Receita, Custo e Lucro segundo a visão


neoclássica

Lógica: Lucro= Receita - Custo



t
R$
(RT, CT, L) Custo Total= f (Q) ••

Receita Total= f (Q)

Lucro máximo

Quant.

Lucro= R- C

FoNTE: Elaborado com base c m Pindyck; Rubínfeld, 2013, p. 276-277.

Portanto, o comportamento do lucro é dependente tanto da


curva da receita qu.anto da curva do ct1sto, sendo maior ou
menor conforme o distanciamento entre elas. Nesse sentido,
se for isolada e ampliada apenas a curva do lt1cro, que é vista
no Gráfico 6.1, é possível entender melhor o que significa uma
alavancagem operacional (Gráfico 6.2):

Gráfico 6.2 - Curva do lucro

R$

L3
L2
Ll
Quant.
Q1Q2 Q3
Lucro = R-C

Fo><rn: Elaborado com base em Pindyck; Rub infeld , 2013, p. 277.

Conforme demonstra a Gráfico 6.2, à medida que a quanti-


dade de produto transacionado aumenta, temos uma variação
do lucro. Vamos considerar a análise a partir do ponto de equi-
líbrio (quando o prejuízo já foi sanado). Quando a quantidade
varia do PE a Ql nosso lucro aumertta de zero a Ll; perceba que •
t
o lucro aumenta mais que a variação da quantidade. Isso tam- ~

bém ocorre quando Ql varia para Q2, todavia a diferença no ••


lucro, apesar de maior, não é tão grande quanto foi no momento


anterior. Por fim, qt1ando Q2 aume11ta para Q3, temos agora
que a variação da quantidade supera o incremento do lucro
de L2 para L3. Esses três momentos já bastam para entender
a alavancagem operacional.
Em síntese, temos que, à medida que a quantidade aumenta,
o lucro também aumenta, todavia inicialme11te em proporções
1naiores qt1e depois caem gradativamente. Portanto, fica evi-
dente que temos a necessidade de analisar quanto o incremento
da quantidade de venda impulsiona o lucro da empresa e, além
disso, quanto é esse grau de alavancage1n. Para tanto usa1nos
um cálculo que considera as variações da quantidade e do
lucro em escala percentual, para evitar as possíveis distorções
que surgirem em decorrência do u so de escalas diferentes na
mensuração. Dito de outra forma, quando tratamos ambos os
elementos em base métrica de cem unjdades, é possível ter
u1na melhor compreensão sobre o i1npacto de uma variável
em relação à outra, nesse caso, como a variação percentual da
quantidade pode alavancar percentualmente o lucro.
.•.
. AO = àLº/o I llQºlo
.... . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . .. . . . . . . . . .. . . . ...... .
Sendo
AO: Alavancagem operacional
.6.L%: Variação % do lucro ~ (L2 - Ll) x 100
Ll
.6.Qt: Variação 0/o da Quant. ~ (Q2 - Ql) x 100
Ql
Portanto, a alavancage1n operacional nos apresenta qual
é o impacto percentual que a variação de 1°/o na quantidade
de venda pode gerar de variação percentual no lucro da

empresa. Embutido nesse valor está o con1portamento de toda t

uma estrutura de custo que foi planejada para gerar valores


••

estrategicamente favoráveis à empresa. No entanto, é preciso
haver ct1idado nesse ponto, porque muitas vezes, ao buscar
esse cenário favorável na gestão de ct1stos, nos distanciamos
dele, porque muitas vezes 11ão enxergamos as restrições qt1e
nos cercan1 qua11d.o estamos em tuna operação sistêmica. Esse
é o nosso próximo tema, a Teoria das Restrições.

Perguntas & respostas


Vimos que a alavancagem operacional mensura o impacto
percentual que a variação da quantidade provoca no lucro
da empresa. Mas, e se o aumento da quantidade vendida
vier associado com o aumento nos custos indiretos? Qual é o
impacto?

Se o aumento da quantidade vendida vier acompanhado


de aumento dos custos indiretos, por exemplo, a necessidade
de um espaço maior para a produção acarreta aumento no
valor de aluguel, o que pode levar, inclusive, a prejuízos para a
empresa. Utilizar as ferramentas de gestão de custos possibilita
conhecer os impactos e as perspectivas de retorno.

6.3 Teoria das Restrições e seus gargalos


A Teoria das Restrições, ou TOC (Theory of Constraints), informa
que a restrição em um processo é um fenômeno que impede,
seja parcial, seja totalmertte, que a empresa alcance seus obje-
tivos. Ela pode se apresentar sob diferentes formas, como:
(i) internas ao sistema produtivo (aquela qtie restringe a pro-
dução, isto é, os gargalos de produção) e (ii) exterrtas ao sistema
prod.utivo (aquelas que restringem a venda, como demanda
e/ou política de preço). Ou seja, as restrições podem ser tanto •
t
um fenômeno de natureza física (máquinas, instalações etc.)
como também de natureza institucional/política (procedimen-
••

tos, culttira etc.).


Pela ótica interna do sistema produtivo, a restrição da ope-
ração é denomü1ad.a gargalo e significa que tod.o o sistema será
tão eficiente quanto à eficiência do gargalo presente na opera-
,
ção. E mais ou menos assim, uma corrente de aço será tão forte
para puxar u1n caminhão atolado quanto a força que te1n seu
elo mais fraco, afinal, enquanto esse elo não estourar, a cor-
rente cumprirá seu papel. Ou seja, não importa quantos elos
são poderosos na corrente, a tarefa de desatolar o caminhão
depende da eficiência do elo fraco diante da tarefa requisitada.
A mesma coisa ocorre na empresa, todo processo flui tão bem
qtianto a sua parte mais fraca consegue atender à tarefa que
lhe foi definida. A parte da fábrica que é mais fraca, em relação
às fases que lhe são precedentes, ac1.1mula estoques que não
conseguem processar, assim, as operações que vêm em seguida
terão seu ritmo ditado pelo que esse gargalo consegue forne-
cer. Desse modo, como aplicar mell1orias na eficiência a11tes
do gargalo, sem atos inúteis ao processo? Com planeja1nento
e ação sistêmica. Veja os passos para melhorar um processo
com gargalo:
• Passo 1: Identificar a restrição.
• Passo 2: Explorar a restrição (tornar-se familiar a ela).
• Passo 3: Subordinar o fluxo operacional à restrição
(enquanto não resolvê-la).
• Passo 4: Reduzir/sanar a restrição identificada.
• Passo 5: Retornar ao passo 1, pois a cada restrição resol-
vida outra se torna visível.
Todo esse cenário de restrições foi levantado pelo físico
Eliyahu M. Goldratt na década de 1980. Todavia, podemos
completar suas ideias com o exemplo japonês, no período
pós-gt1erra, que Micl1ael Best apresenta pela alcunha de Nova •
t
Co1npetição. De acordo com esse modelo, temos que ttm dos
possíveis elementos de gargalos das indústrias é o gasto de
••

overhead.
Mas o qt1e é um overhead? Trata-se de tlm desperdício, é o
excesso de bens ou serviços que são consumidos sem agregar
valor ao produto final. Por exemplo, excessos de estoque con-
somem recursos ht1manos e de máquil1as em atividades de
movimentação e controle que não agregam valor ao cliente,
assim, se não existisse esse excesso de estoque, não existiria
esses custos. Além disso, a Nova Competição a firma que o pla-
nejamento para realmente ser efetivo em um processo indus-
trial precisa considerar tanto o tempo produtivo (o operacional,
por exemplo, horas-1náquina) como o improdutivo (aquele que
ocorre antes e depois da produção). Devemos considerar o
desempenho de todo o processo, não apenas quando se liga a
máquina. Mas como podemos medir e controlar esse dese1n-
penho? Este é o assunto final deste capítulo.

6.4 O controle da gestão de cu.s tos: uma


visão integrada
Avaliar um desempenho é atribuir um conceito/emitir u1n juízo
de valor e, assim, podemos ter diversas dimensões na avaliação
de dese111penho, co1no: tempo, amplitt1de, qualidade, natt1reza
(econômica, financeira, operacional) etc. A forma de aplicar
essa avaliação na gestão de custo exige a utilização daqueles
medidores vistos 110 Capítulo 5: custo-meta, custo estimado e
custo-padrão, os quais, por sua vez, são utilizados dentro do
conceito (i) qua11tificação, (ii) base/padrão, (iii) parecer, (iv) pro-
pósito, os quais já foram debatidos. Assi1n, o que resta agora é
incrementar esse conhecimento já adq1.1irido dando-lhe uma
nova roupagem, 11esse caso, abordando essa pauta com o ciclo
de controle apresentado por Crepaldi (2011, p. 33).


Figura 6.1 - Ciclo do controle t

••

Determinação
de objetivos
Planejamento
Comparação estratégico
resultados x objetivos ,

Comparação !
••
Determinação
resultados x metas das atividades

1
Comparação
orçado x realizado \ I
--+----1--+. , Determinação dos
recursos necessários

Execução ·••----1 Aprovação

FoNrn: Crepa ldi, 2011, p. 33.


Conforme demonstra a Figura 6.1, o controle, dentre ot1tros
ta1nbé1n o dos ct1stos, deve co11siderar a causa e os efeitos dos
elementos envolvidos, para tanto exige que haja um processo
de planejamento estratégico que oriente o gestor 11a determi-
nação das atividades necessárias para alcançar os objetivos
da empresa, ou seja, sem objetivo não há planejamento, sem
planejamento não há projeto. Conh.ecidas as atividades, por
meio do planejamento, torna-se possível determinar os recur-
sos qt1e são necessários para sua realização ao mesmo tempo
em que são levantados os dispêndios monetários para aquisi-
ção. Quando aprovados as atividades e os gastos que lhe são
inerentes, tem-se as etapas de execução e, logicamente, de con-
trole. Um controle que somente é possível pela possibilidade
da comparação entre o que foi realizado e o que foi orçado com
relação às atividades, recursos de capital, qualidade, metas e
objetivos. Assim se inicia o ciclo, buscando constantemente a
melhoria do desempenho da empresa. Algo que son1ente se
realizará mediante a conscientização de todos os membros que
dela participam, quanto aos temas relevantes e passíveis de
serem controlados. Ou seja, a empresa so1nente será o locus do •
t
sucesso se existir uma gestão estratégica dos custos empresa-
riais efetiva. Nesse sentido, segue um exercício resolvido que ••

busca abordar vários instrumentos vistos neste livro dentro


da ótica do controle.

Exercício resolz1ido
Va1nos trabalhar em um exemplo que abra11gerá as etapas do
ciclo de controle.
A empresa Confecções Brasil Ltda., tradicional empresa do
ramo de vestuário do Brasil, planeja confeccionar dois novos
modelos de camisas, um modelo masculino e um modelo femi-
nino, para tanto elabora seu planejamento estratégico e os
principais pontos estão relacionados na sequência:
a) Produção - Quantidade

Item Produção (un.)


Camisa mascu lina 1.000
Camisa feminina 500

b) Quantidade unitária de fatores produtivos diretos para


.
as camisas

Item Masculina Feminina 1


!
Tecido 1,5 m 1,4 m
•.•

Botão 12 un. 10 un. À

Fios de tecido 2 carretéis 1,5 carretéis


i•
ilf

•"•
~
Obs.: para cada camisa é utilizado um tipo diferente de •
.
msumo. 1
i

c) Os custos diretos totais em reais projetados são de: i
~

1
Item Camisa masculina (R$) Camisa feminina (R$)
t

Tecido 42.450 30.100
Botão 1.320 400
1
j
Fios de tecido 5.000 1.620 •
Totais 48.770 32.120 ,f
l.

Quant. (un.) 1.000 500 í
I
Custo direto unitário 48,77 64,24 •f

d) O custo-padrão corrente foi assim determinado pela


1
empresa:
1
!
l
}
Camisas masctilinas: i
i
i
Preço padrão Total do
Custo-padrão Quantidade padrão
(lun.) custo-padrão (R$) 1
Tecido 1,5 m 28,30 42,45
Botão 12 un. 0,11 1,32
Fios de tecido 2 carretéis 2,50 5,00
Tota l 48,77
Camisas Femininas:

Preço padrão Total do


Custo-padrão Quantidade padrão
(R$/ un.) custo-padrão (R$)

Tecido 1,4m 43,00 60,20


Botão 10 un. 0,08 0,80
Fios de tecido 1,5 carretéis 2,16 3,24
Total 6 4,24

e) Ct1stos indiretos e despesas planejadas: 1


!
Gastos Classificação Valor(R$)
•.•

À
Aluguel da fábrica Custos indiretos 3.000 i•
ilf
Energia elétrica da confecção Custos indiretos 4.000 •
•"•
~
Depreciação das máquinas Custos indiretos 1.000 •
Manutenção das máquinas Custos indiretos 2.000 1
i
Salários administrativos Despesas 5.000 •

Energia elétrica do escritório Despesas 500


i
~

1
Aluguel do escritório Despesas 1.000
t

Depreciação administrativa Despesas 500
Comissões de Venda Despesas 2.800 1
j
Total 19.800 •
,f
l.
f) Com base no preço de venda de mercado (por meio •
í
I
de pesquisas e preços de prodt1tos concorrentes) e no •f
retorn.o esperado pelos investidores (sócios ou acionis-
1
tas), podemos montar o custo-meta Unitário e o Total.
1
!
A margem de lucro pretendida é de 20°/o para as camisas. l
}
i
Preço de Quant. i
Margem Custo-meta Custo-meta
Itens Mercado
(o/o)
produção
total (R$)
i
(R$/un.)
(R$) (R$)
1
Masculina 100 20 80 1.000 80.000
Feminina 120 20 96 soo 48.000

g) E' possível verificar também o preço de venda mínimo


que podemos vender os produtos utilizando a metodo-
logia do Custo/Volume/Lucro, que é dada pela fórmula:
.•.. . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . .. . .. . . .. . ... . . . . . .... .
.•
..
.
.

Os gastos variáveis já estão por camisas, agora, pre-


cisamos determinar o gasto fixo total por produto.
Os gastos fixos considerados são os cu stos indiretos e
as despesas, que totalizam o mo11tante de R$ 19.800,00.
1
Nesse caso, precisamos ratear os custos por produ- !
tos u tilizando um critério de alocação. Após análise •.•

À
por parte da empresa, ela determinou a Unidade de i•
ilf
Esforço de Produção de cada um dos produtos. A UEP •
•"•
~
ficou assim: •
Part.
1
i
Item UEP Produção Total-UEP •
(º/o)
i
Camisas masculinas 1,2 1.000 1.200 70,6 ~

1
Camisas femininas 1,0 soo soo 29,4 t

Total 1.700 100
1
j
Rateio: •
,f
Camisas mascul inas= R$ 19.800,00 x 70,6o/o = R$ 13.978,80 l.

í
Camisas femininas = R$ 19.800,00 x 29,4% = R$ 5.821,20 I
•f
Aplicando a fórmula:
1
Camisas masculinas : 1
!
PV = GF + GV = 13.978,80 +4877=1398+48 77=62 75 1 1 1 1
l
QPE 1.000 }
i
i
Camisas fem ininas: i
PV = GF + GV = 5·82l, 20 +6424 = 1164+64 24 =75 88 1
QPE 500 I ' I '

h) Comparação entre o Preço de Mercado e a Precificação


por Custo:

Preço de Mercado Preço Mínimo C/ V/ L PMe - PMi


Camisas
(PMe) (R$) (PMi) (R$) (R$)

Masculina 100,00 62,7S 37,2S


Feminina 120,00 7S,88 44,12
Na quantidade desejada, o preço a partir do custo apre-
senta-se inferior ao preço de mercado, porta11to, a estru-
tura da operação é competitiva.
i) A operação foi implantada e, após o primeiro período
de produção, onde foram confeccionadas 1.000 camisas
masculinas e 500 ca1nisas femininas, os custos apresen-
taram-se nos seguintes valores:

Custo direto realizado


Item Masculina (R$) Feminina (R$)
Tecido 39.600 30.000

ilf
Botão 1.440 500 •
Fios de tecido 6.500 2.200 •"•
~

Tota is
Quant. (un.)
47.540
1.000
32.700
soo
ii

Custo direto unitário 47,54 65,40 i
~

1

Custo indireto reali zado t


Item Valor (R$) 1


j
Aluguel da fábrica 3.000

Energia elétrica da confecção 5.000
,f
l.
Depreciação das máquinas 1.000 •
í
Manutenção das máquinas 3.000 I
•f
Total 12.000
1
Despesas realizadas 1
!
Item Valor (R$) l
}
Salários administrativos 6.000 i
i
Energia elétrica do escritório 700 i
Aluguel do escritório 1.000 1
Depreciação administrativa 500
Comissões de venda 2.800
Tota l 11.000

j) Com base no consumo de insu1nos diretos no período,


é possível comparar o que tínhamos previsto com
custo-padrão corrente e o custo efetivamente realizado,
o custo real. Seguem as tabelas para a comparação das
camisas masculinas:

Quantidade Preço Total do


Custo-padrão
padrão (un.) padrão (R$) custo-padrão (R$)
Tecido 1,5 28,30 42,45
Botão 12 O,11 1,32
Fios de tecido 2 2,50 5,00
Tota l 48,77
1
!
Custo real
Quantidade Preço real Total do custo •.•
real (un.) (R$) real (R$) •
À

Tecido 1,8 22,00 39,60 i•


ilf

Botão 12 0,12 1,44
•"•
~

Fios de tecido 2,5 2,60 6,50 •


Total 47,54 1
i

i
Em uma primeira análise, percebe-se que o custo real ~

1
foi de R$ 47,54 e, comparando com o padrão, de R$ 48,77, t

tivemos um resultado favorável de R$ 1,23 por unidade.
Analisando cada um dos insumos, percebe-se que hot1ve
1
j

,f
um custo menor do tecido, o qual passamos a analisar
l.
pelas variações da quantidade, do preço e mista: •
í
I
• Variação da Qt1antidade: (Quantidade Real - Quant. •f
Padrão) x Preço Padrão
1
Variação da Quantidade: (1,8 - 1,5) x 28,30 = R$ 8,49 1
!
DESFAVORÁVEL l
}
i
• Variação do Preço: (Preço Real - Preço Padrão) x i
i
Quantidade Padrão
1
Variação do Preço: (22,00 - 28,30) x 1,5 = (R$ 9,45)
FAVORÁVEL
• Variação Mista: (Quant. Real-Quant. Padrão) x (Preço
Real - Preço Padrão)
Variação Mista: (1,8 - 1,5) x (22,00 - 28,30) = (R$ 1,89)
FAVORÁVEL
• A variação do tecido foi de:
R$ 8,49 Variação da quantidade
(R$ 9,45) Variação do preço
(R$ 1,89) Variação mista
- R$ 2,85 Variação total
Obs.: se fizermos a diferença pelo total, chegaremos ao
mesmo valor = Real - Padrão = 39,60 - 42,45 = (2,85)
Analisando os motivos da variação, a empresa detectou 1
!
que a diferença foi motivada pela troca de fornecedor, que •.•

À
possibilitou a compra por um valor inferior ao que tínha- i•
ilf
n1os planejado (planejado = 28,30 e realizado = 22,00). No •
•"•
~
entanto, a troca do fornecedor de tecido ocasionou um •
maior consumo de metros por camisa, em função da qua- 1
i

lidade no tecido (planejado = 1,5 m e realizado = 1,8 m).
i
Mesmo necessitando de mais tecido para produzir uma ~

1
camisa, a diminuição em seu preço produziu um ganho t

para a empresa. 1
j
k) Fecharemos a análise demonstra11do o resultado do •
período qtte a empresa obteve com as operações de venda ,f
l.

de 1.000 camisas masculinas e 500 camisas femininas. í
I
Mas, antes de apurarmos o resultado, precisamos distri-
•f
buir os custos indiretos para os dois produtos. Podemos 1
usar o mesmo critério do planejamento, ou seja, pelas 1
!

Unidades de Esforço de Produção (UEP): l


}
i
Item UEP Produção (un.) Total- UEP Part. (ºrol i
i
Camisa masculina 1,2 1.000 1.200 70,6 1
Camisa feminina 1,0 soo 500 29,4

Total 1.700 100


Distribuição segundo os percentuais das UEP:

Custo indireto

Masculina - Feminina -
Item Valor(R$)
70,6o/o 29,4%

Aluguel da fábrica 3.000 2.118 882


Energia elétrica da confecção 5.000 3.530 1.470
Depreciação das máquinas 1.000 706 294

Manutenção das máquinas 3.000 2.118 882


Total 12.000 8.472 3.528
1
!
•.•

Para a elaboração da Demonstração do Rest1ltado do À
i•
Exercício, não levaremos em conta os aspectos fiscais: ilf

•"•
~

Contas
Camisa Camisa
Total (R$) •
Receita de vendas
masculina (R$)

100.000
feminina (R$)

60.000 160.000
1
i

(- )Custos diretos (47.540) (32.700) (80.240) i
~

(- )Custos indiretos (8.472) (3.528) (12.000) 1

Lucro bruto 43.988 23.772 67.760


t

(-) Despesas -11.000 1


j
Lucro do período 56.760 •
Margem de lucro(%) 35,48% ,f
l.

í
Vamos esclarecer algumas metodologias adotadas: I
•f
• Receita - corresponde ao preço de venda (R$ 100,00 para
1
as ca1nisas masculinas e R$120,00 para as camisas femi-
ninas) multiplicado pelo produto vendido. No caso con-
1
!
l
}
sideramos que toda a produção do período foi vendida. i
i
• Custos indiretos - foi utilizado o critério das UEPs para i
alocar os ct1stos indiretos aos respectivos produtos. 1
Outros critérios poderiam ter sido adotados, como o
espaço físico (metros quadrados), utilizados pelos pro-
dutos, a quantidade prodt1zida, as horas de mão de obra
direta, dentre outros. O importante é não estabelecer
um critério que seja de tal forma subjetivo que possa
distorcer os resultados.
• Despesas - não foi atribuído aos produtos, sendo nesse
caso somente considerado no total.
• Margem de lucro - foi obtido com a fórmula (lucro/
receita) x lOO°!o. Demonstra que a cada R$ 100,00 de recei-
tas, obtemos um lucro de R$35,48.
Fechamento

O lucro da nossa empresa Confecções Brasil Ltda. foi de


1
R$ 56.760,00 representando uma margem de retorno de 35,48%. !
Na fase de planejamento, ao calcular o custo-meta, a empresa •.•

À
(na figura dos sócios ou acionistas) determinou que o retorno i•
ilf
pretendido deveria ser de 20%. •
•"•
~

O projeto foi aceito, pois os cálculos indicavam que o retor110 •


de 20% seria atendido, com base nas projeções de valores reali- 1
i

zados, ocasionando uma segurança para a empresa, no sentido
de que os números indicavam o sucesso do empreendimento.
O retorno final foi superior ao retorno pretendido, demons-
trando que, além do projeto ter sido acertado, apresentou lucro
superior ao planejado.

Estudo de caso
••

A Teoria das Restrições objetiva maximizar o ganho da empresa,


planejando e controlando suas etapas de produção.
Vamos agora analisar as operações de uma empresa, a
empresa QueroLucro Ltda., que tem três diferentes tipos de
produtos, os produtos A, B e C, que passam por urna mesma
etapa de prodt1ção. Objetivando calcular a t1tilização dos equi-
pamentos e a maximização dos lucros, a empresa quer verificar
as restrições (gargalos) no seu processo produtivo e buscar as
melhores alternativas para sua atividade.
Para iniciar os cálculos, precisamos obter as principais infor-
mações sobre a operação da empresa, em determinado período.
Dados dos Produtos:

Preço Custo
Horas-Máquina Volume de
Produto Unitário Unitário
(hm/un.) Demanda (un./m.)
(R$) (R$)

A 30 9 1 400

B 18 10 2 soo
e 25 12 3 200

Nota: As abreviaturas: /1111são horas·n1áquina e uu./111. t111idades po r 1nês.

Os três produtos utilizam os tnesmos equipamentos, ou seja,


quando estamos produzindo um dos produtos, não estamos
produzindo os outros. A tabela demonstra que o produto C é o
que precisa de mais tempo para sua produção, 3 horas-n1áquina
p ara cada unidade.
Sabendo que a capacidade de produção da empresa é de
1.60011oras-máquina por mês, ou seja, é o máximo de prodt1ção
que a empresa possui, precisamos determi11ar qual produto
deve ser priorizado na linha de montagem. Nesse caso, anali-
sando a tabela, você consegue saber? Vamos utilizar a Teoria
das Restrições, e seus três primeiros passos para determinar
qual produto deve ser priorizado:

t
Primeiro passo: identificar a restrição.
••

Produto Horas consumidas

A 1 hm x 400 un. = 400 hm

B 2hmx500un.= 1.000hm

( 3 hm X 200 un. = 600 hm

Total 2.000 hm

Você percebeu a restrição? A capa.cidade da ind{1stria é de


1.600 horas, mas, os produtos precisam de 2.000 horas. Não
vamos conseguir produzir todas as unidades.
Segundo passo: explorar a restrição (tornar-se familiar a ela).
,
E necessário verificar qual produto que deve ser priorizado.
Uma dica: o produto que deve ser produzido é o que deixa o
maior retorno para o ganl10 da empresa, em relação à restrição.
Vamos calcular a contribuição individual de cada um dos
produtos:

Item A (R$/un.) 8 (R$/un.) C (R$/ un.)

Preço 30 18 25
Custos 9 10 12
Ganho 21 8 13
Tempo na Restrição (hm/un.) 1 2 3
Ganho (R$/hm) 21 4 4,33

Portanto, o ganho por hora-máquina:


Produto A = R$ 21,00 / 1 hora = R$ 21,00
Produto B = R$ 8,00 / 2 horas = R$ 4,00
Produto C = R$ 13,00 / 3 horas = R$ 4,33
A ordem de produção será pritneiro A, depois C e, se sobrar
horas, produzimos o B.
Terceiro passo: subordinar o fluxo operacional à restrição
(enquanto não resolvê-la).

Carga Total Capacidade


Volume
Produto Tempo (hm) (volume x da empresa Folga (h)
(un.)
tempo) (hm) (h) •
t
A 400 1 400 1.600 1.200
e 200 3 600 1.200 600 ••

B 300 2 600 600 o

A produção do Produto B foi de somente 300 unidades, pois


só havia ainda disponíveis 600 horas. Como chegamos às 300
u11idades do produto B? 600 horas disponíveis divididas por
2 horas que o produto precisa para ficar pronto!
Dessa forma conseguimos maximizar a produção, priori-
zando os produtos que deixam uma melhor contribuição para
o resultado da empresa.
Síntese
Neste capítulo, analisamos os métodos de precificação, o grat1
de alavai1cagem, a teoria das restrições e a aplicação dos méto-
dos de gestão de custos. No primeiro tema, o da precificação,
estudamos dois processos distintos para definir o preço de um
produto a partir dos seus custos incorridos: o procedimento do
1narkup e do C/V/L. No primeiro, vimos que é possível deter-
minar o preço de venda de um prodt1to mediante o t1so de
um multiplicador gerado pela partição percentual dos custos,
despesas e lucro de uma empresa. Nesse sentido, estudamos o
rnarkup geral e os parciais MK-1 e MK-2. Já no segundo método
de precificação, o do C/V/L, vimos que o preço de venda pode
ser obtido co11siderando os gastos variáveis e a distribuição
dos gastos fixos segundo as quantidades esperadas de venda.
Por meio do aprofundamento desse método, é possível verifi-
car que sua fórmula deriva da equação do ponto de equilíbrio
e, assim, seu preço rep resenta igualmente o valor mínimo
que a empresa precisa praticar dada determinada quantidade
orçada de venda.

t
No segundo m.omento do capítulo, veio à pauta o processo
de alavancagem operacional, que é medido por um indicador ••

sobre a sensibilidade do lucro em relação às alterações sofri-


das na quantidade de venda. Vimos que esse indicador nada
mais é do que a razão entre a variação percentual do lucro e
a variação percentual da quantidade. Nesse sentido, quanto
n1aior o valor presente nesse indicador, maior a sensibilidade
do resultado da empresa diante das oscilações da quantidade
de venda (quando em unidade negativa em gerar prejuízo,
quando positiva em gerar lucro). Após, analisamos as condi-
ções de restrições da produção de uma empresa, segundo a
TOC. Nesse terceiro momento, discutimos que em um processo
de gestão dos custos empresariais precisamos, para torná-lo efi-
caz, analisá-lo de forma sistêmica, para assim poder identificar
e sanar os pontos de gargalos/restrições que quebram o fluxo
das operações da entidade.
Por fim, no último momento de conteúdo, foram aprese11ta-
das as etapas de um ciclo de controle - planejamento, análise,
execução, comparação, análise, execução e, novamente, plane-
jamento. E a partir dessa estrutura lógica lhe foi apresentado
um desenvolvimento deste em um cenário no qual foi reunida
grande parte do ferramental que foi abordado por este livro
em seus seis capítulos.

Questões para revisão


1. (Petrobras- Contador Júnior - Cesgranrio, 2014) Os gerentes
de uma ind{1stria, independenteme11te de qualquer outra
variável, querem ter uma ideia sobre o preço de venda que
poderá ser praticado no lançamento de um novo produto
que lhes permita recuperar os seguintes elementos, apura-
dos em termos percentuais, estimados para o novo produto,
adotando a metodologia do markup:

Percentuais e stimados •
t
Despesas operacionais (administrativas e de vendas): 15°/o
••

sobre a receita bruta
Comissões sobre vendas: 5% sobre o preço de venda bruto
Tributos incidentes sobre o preço de venda bruto: 25°/o
Margem de lucro desejada sobre a receita bruta: 10%
Custo do produto (custeio por absorção): R$ 19,80

Considerando exclusivamente as informações acima, a for-


mação de preços de venda com base em custos e o método
de cálculo do markup, o preço unitário de venda para o
produto, em reais, é
a) 21,78
b) 30,69
c) 33,00
d) 36,00
e) 44,00

2. (Petrobras - Técnico de Comercialização Logística Júnior -


Cesgranrio, 2014) No que se refere ao etanol, considere as
informações aprese11tadas abaixo.

Custo variável ttnitário (litro): $ 0,80/litro


Custos fixos: $ 300.000,00
Venda esperada em unidades (litros): 500.000 litros

Uma distrib11idora de combustíveis instituiu que o preço


do etanol em seus postos será determinado com base no
rnarkup de 20°/o sobre as vendas. Assim, o preço de rnarkup
para o litro do etanol seria
a) 1,75
b) 1,68
c) 1,60
d) 1,40
e) 1,20

t
3. Se determinado produto precisa passar por quatro departa-
mentos de produção dentro da empresa para ser um produto ••

acabado, todos em seq11ência, e a capacidade produtiva de


cada departamento for:

Departamento 1 Departamento 2 Departamento 3 Departamento 4


= 200 unidades = 250 unidades = 180 unidades = 220 unidades
por hora por hora por hora por hora

Qual é a capacidade máxima de produção por h ora da


empresa?
4. (EPE - Analista de Gestão Corporativa em Contabilidade -
Cesgranrio, 2012) A teoria das restrições, també1n conhecida
como TOC (Theory of Constraints), tem como ideia básica:
a) elevar a produção da empresa ao nível de capacidade
instalada, usando o custo-padrão como forma de
controle de custos e determinação das variações.
b) encontrar as restrições que limitam os ganhos da
empresa e gere11ciar eficazme11te a utilização dessas
restrições, garanti11do a maximização do lucro.
c) eliminar os gargalos visando a expandir a produção
até o ponto em que alcance o máximo de volume per
capita, independente do custo que possa gerar.
d) transferir as restrições do sistema para a etapa
seguinte, de forma a diluir pela cadeia produtiva as
limitações observadas em t1m determi11ado processo.

5. Determinada e1npresa apresentou as seguintes variações


no ano de 2012 e 2013:

Itens Ano2012 Ano 2013


Lucro do Exercício (R$) 700.000 980.000

t
Quant. Vendida (un.) 5.000 5.600

••

Calcule a Alavancagem Operacional da empresa.

Questões para reflexão


1. O que acontece se a empresa esquecer-se de considerar
algum custo durante o desenvolvimento da fórmula do
1narkup para detern1inação do preço de venda do produto?

2. Você já parot1 para pensar que en1 u1na fábrica os setores e


departamentos são clientes e fornecedores dos outros seto-
res ou departame11tos? O que aco11tece se os departame11tos
trabalharem de forma autônoma ou mesmo isoladamente?
Saiba mais
Para o aprofundamento na Teoria das Restrições, segt1e a
sugestão da leitura do livro A m.eta:
GOLDRATT, E. M.; COX, J. A meta: um processo de melhoria contínua.
São Paulo: Nobel, 2003.


t

••

ostaríamos de lembrá-los que este livro, como qualquer
outro, nada mais é do qtte um novo começo para o saber,

t
uma forma de provocar sua curiosidade. Um meio de ajudá-lo
a enxergar de modo diferente o mundo dos custos. Nesse sen- ••

tido, acreditamos qtte ele atingiu seu objetivo. Aqui, os custos


empresariais foram apresentados a você em seus elementos
essenciais, por meio de difere11tes óticas como economia, con-
troladoria, contabilidade gerencial e financeira.
A teoria foi debatida com exemplos didáticos abstratos e
práticos, sempre buscando uma aproximação com os elementos
cotidianos de nossa sociedade. Além disso, também buscamos
sempre fornecer a você ttma lista de exercícios com questões
presentes em concursos públicos. Ou seja, procuramos cons-
trt1ir cada tópico desta obra de forma sistêmica, fazendo com
que cada assunto se mostrasse como um complemento do ante-
rior e um pré-requisito para o próximo. Para tanto, dedicamos
nestas páginas algumas de nossas experiências no mundo
empresarial e também nossas experiências em sala de aula,
como professores universitários e de cursos para concurso
público.
Antes de encerrar, gostaríamos de deixar algt1mas dicas.
Primeiro, releia este livro, você se surpreenderá como sua com-
preensão mudará a cada nova leitura. Segundo, leia algumas
obras clássicas sobre o tema, como as sugeridas nas seções
Para saber mais desta obra.


t

••

ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços: um enfoque
econômico-financeiro. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2015.
BEST, M. H. The New Competition: lnstitutions of Industrial
Restructuring. Cambridge: Harvard University Press, 1990.

BORGERT, A.; SILVA, M. Z. da; SCHULTZ, C. A. É o custeio t

por absorção o único método aceito pela contabilidade? ••



ln: CONGRESSO BRASILEIRO DE CUSTOS, 15., 2008, Curitiba.
Anais digitais ... Curitiba: ABC/UFPR, 2008.
BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em:
<http://wvv,.Y.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/16404compilada.htm>.
Acesso em: 30 maio 2016.
COGAN, S. Contabilidade gerencial: uma abordagem da teoria das
restrições. São Paulo: Saraiva, 2007.
CREPALDI, S. A. Contabilidade gerencial: teoria e prática. 5. ed.
São Paulo: Atlas, 2011.
FREZATTI, F. et al. Controle gerencial: uma abordagem da
contabilidade gerencial no contexto econômico, comportamental e
sociológico. São Paulo: Atlas, 2010.
GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São
Paulo: Pearson, 2010.
GOLDRATI, E. M.; COX, J. A meta: u1TI processo de melhoria
contínua. São Paulo: Nobel, 2003.
HORNGREN, C. T.; DATAR, S. M.; FOSTER, G. Contabilidade de
custos. 11. ed. São Paulo: Pearson, 2010.

KOLIVER, O. Contabilidade de custos. Curitiba: Juruá, 2010.


KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à economia. Rio de Janeiro:
Campus, 2007.
MARTINS, E. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas,
2010.
MARTINS, E.; ROCHA, W. Métodos de custeio comparados: custos
e margens analisados sob diferentes perspectivas. 2. ed. São Paulo:
Atlas, 2015.
MEGLIORINI, E. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2011a.
_ _ . Custos: análise e gestão. 2. ed. São Paulo: Pearson, 201lb.

NASCIMENTO, A . M.; REGINATO, L. (Org.). Controladoria: um


enfoque na eficácia organizacional. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2009. •
t
_____. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
••

OLIVEIRA, A. B. S. Controladoria: fundamentos do controle
e1npresarial. São Paulo: Atlas, 2009.
OLIVEIRA, A. B. S; PEREIRA, C. Modelo de dados para um sistema
de contabilidade para a gestão econômica. León: Acodi, 2001.

OLIVEIRA, L. M. de; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. dos S.


Controladoria estratégica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

PINDYCK, R. S.; RUBINFELD, D. L. Microeconomia. 8. ed. São


Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013.
PINZAN, A. F. Métodos de custeio e seus propósitos de uso: análise
por 1neio de estudo de casos múltiplos. Dissertação (Mestrado em
Controladoria e Contabilidade) - Universidade de São Paulo, São
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SOUZA, A.; CLEMENTE, A . Gestão de custos: aplicações
operacionais e estratégicas. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
STARK, J. A. Contabilidade de custos. São Paulo: Pearson, 2007.
VASCONCELLOS, M. A.; GARCIA, M. E. Fundamentos de
economia. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005.

WERNKE, R.; LEMBECK, M. Aplicação do método UEP em


indústria de esmaltados. ln: CONGRESSO BRASILEIRO DE
CUSTOS, 8., 2001, São Leopoldo.
WERNKE, R.; MENDES, E. Z. Método UEP aplicado em pequena
fábrica de molduras. Revista Contabilidade e Controladoria-RC&C,
Curitiba, v. 2, n. 3, p. 39-57, 2010.


t

••

1
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1
Capítulo 1
Questões para revisão
1. e
,
Indice de Liquidez=Ativo Circulante/ Passivo Circulante •
t
50.000 / 40.000 = 1,25.
••
=

O índice de 1,25 indica que, para cada R$ 1,00 qt1e a
empresa te1n no Passivo Circulante, ela tem R$ 1,25 no
Ativo Circulante para pagar as obrigações no Passivo.
Um índice alto nem sempre é sinônimo de saúde financeira,
pois pode estar elevado e1n função de gran.des volumes de
ativos no Estoque da empresa, que podem estar obsoletos
ou de difícil comercialização. Como exemplo, temos uma
einpresa que tem uma grande quantidade de celulares em
seu estoque e, à medida que se aproxima a data do lança-
mento de novos modelos, o estoque da empresa torna-se
obsoleto, com diminuição em sua procura.
2. b
Capital Circulante Líquido: Ativo Circulante - Passivo
Circulante = 96.800,00 - 67.000,00 = 29.800,00
Esse indicador demonstra que, após deduzidas as dívidas
do Passivo Circula11te, a e1npresa ainda teria o valor de
R$ 29.800,00 de folga financeira no seu Ativo Circulante.
3. Esse problema não é diferente do nosso exercício resolvido,
a única distinção e o formato da equação do Custo Total,
algo que não prejudica em nada sua resolução.
Primeiro vamos calcular o CT, substituindo na fórmula o
valor o "q" por "10" (a quantidade infor1nada)
CT = $ 10 + q + 0,1 q2
CT = $ 10 + $10 + 0,1 . $102
CT = $ 20 + 0,1 . $ 100
CT = $ 20 + $ 10 = $ 30 (resposta do valor do custo total)
Depois é só calcular a média aritmética simples, isto é, mais
matemática básica do que economia: Custo médio = CT /
q = $ 30/10 = $ 3 por unidade produzida (respostado valor
médio do custo)
4. A curva da receita nos apresenta qual é a qua11tidade que •
t
a empresa poderá alcançar a um dado preço de venda.
Assim, ela fornece ao gestor de custos duas informações ••

muito relevantes. A primeira nos orienta quanto ao limite


que o ctisto de um prodtito pode ter e a segunda permite
refletir sobre qual deve ser a estrutura da empresa para
poder suprir o interesse do cliente sem comprometer o
lt1cro da empresa, dado o comportamento da curva de
receita e do custo.
5. c
(F) O lucro máxi1no ocorre qua11do se ten1 a maior
distância entre a curva da receita e do custo total, algo
que nem sempre ocorre no ponto de custo médio mínimo.
(F) Como foi visto i1os gráficos, após o ponto de lucro
máxüno, o aumento da quantidade de venda pode até gerar
novamente prejuízo.
(F) Não, o custo variável é o reflexo monetário do fator
produtivo variável.
(F) A curva do custo fixo é horizontal, assim, a incli-
nação da curva total depende do comportamento da curva
variável.

Questões para reflexão


1. O gestor de custos necessita de uma visão sistêmica da
empresa e interagir com todas as st1as áreas. Embora seja
o responsável por elaborar e controlar um plano para o
alcance das metas de custos, a execução passa prü1cipal-
mente pelos setores produtivos e de serviços, portanto, a
interação é essencial para que tenha sucesso na gestão
estratégica.
2. E1nbora a contabilidade gerencial possa prover o gestor
com informações construídas e customizadas de acordo
com a necessidade da empresa, por ser mais flexível, a utili-

zação da contabilidade financeira (alicerçada ein normas e t

leis) também é importante, pois ela fornece uma visão do ••


que aconteceu e mostra os resultados que foram obtidos


com as decisões tomadas pela gestão de custos. A contabi-
lidade gerencial tem uma importância maior nas informa-
ções ex-ante, ou seja, no planejamento das ações e metas
da empresa.

Capítulo 2
Questões para revisão
1. b
2. b
3. Cidade 5
• Cidade 1 = (Custos variáveis x quantidade produzida)
+custo fixo = (R$ 900,00 x 5.000 unidades)+ R$1.000.000,00
= R$ 5.500.000,00
• Cidade 2 = (Custos variáveis x quantidade produzida)
+custo fixo = (R$ 850,00 x 5.000 unidades) + R$ 1.100.000,00
= R$ 5.350.000,00
• Cidade 3 = (Custos variáveis x quantidade produzida)
+ custo fixo = (R$ 800 x 5.000 unidades) + R$ 1.200.000,00
= R$ 5.200.000,00
• Cidade 4 = (Custos variáveis x quantidade produzida)
+ custo fixo = (R$ 750 x 5.000 unidades) + R$ 1.300.000
= R$ 5.050.000,00
• Cidade 5 = (Custos variáveis x quantidade produzida)
+ custo fixo = (R$ 700 x 5.000 unidades) + R$ 1.400.000
= R$ 4.900.000,00
4. e
5. A manutenção é realizada em computadores da área admi-
nistrativa; portanto, Despesa.

Questão para reflexão t

1. A matéria-prima, ao ser adquirida, representa um gasto ••


para a entidade. Qt1ando permanece no estoque, é um


investimento realizado pela empresa, para que ft1tura-
mente gere lucros com a venda desse item ou do produto
que foi prodt1zido a partir dessa matéria-prima.
2. Todos os itens apresentados (custo industrial, mercadorias
em estoque e despesas administrativas) são relevantes na
gestão estratégica de custos, exatamente pela necessidade
da visão sistêmica da empresa como um todo. As merca-
dorias em estoque representam os gastos para adquirir
ativos para revenda ou que vão compor o prodt1to. Se esses
gastos forem excessivos e não tiverem u1n rápido giro,
a empresa pode apresentar problemas financeiros com falta
de recursos no caixa para realizar pagamentos. Se os custos
industriais e as despesas administrativas forem excessiva-
mente altos, comprometerá a margem de retorno preten-
dido pela empresa, ao redu zir o lt1cro.

Capítulo 3
Questões para revisão
1. Para responder, vamos rever a fórmula do Custo do Produto
Vendido:
CPV = EIPA + CPA - EFPA
A variável que não temos é o Estoque Inicial, mas conse-
gt1imos mesmo assim utilizar a fórm.ula:
15.000,00 = EIPA + 12.000,00 - 5.000,00
EIPA = 12.000,00 - 5.000,00 - 15.000,00
Estoque Inicial de R$ 8.000,00
2. d
O Custeio por Absorção utiliza os custos diretos e indiretos
de produção. São utilizados apenas os gastos relacionados
à área indt1strial (custos). Os custos indiretos precisam •
t
sofrer rateios, com t1so de critérios de rateio para a apro-
priação aos produtos.
••

Cu stos Diretos (R$)

Matéria-Prima 9
Mão de Obra Direta 4

Custo Direto Unitário 13


Cu stos Fixos 21.000
Unidades Produzidas (un .) 1.000
Cu sto Total Unitário

Custo Direto (MP e MO) 13


Custo Indireto 21
Total 34
3.

o Entradas Saídas Saldo

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~-
o o:o - o:o-
o:o -

Compra soo S0,00 2S.000 soo S0,00 2S.000


Venda 200 S0,00 10.000 300 S0,00 15.000

Compra 100 49,00 4.900 400 49,75 19.900


Frete 300,00 400 50,50 20.200
Compra 100 48,00 4.800 soo S0,00 2S.OOO
Compra soo 46,00 23.000 1.000 48,00 48.000
Venda 600 48,00 28.800 400 48,00 19.200
Final 38.800 400 48,00 19.200

Obs.: o frete sobre a venda não deve ser considerado con10


custo do estoque, somente o frete sobre a compra, no dia
22/07.
A questão pede o total do Custo da Mercadoria Vendida,
ou seja, o valor baixado do estoque = R$ 38.800,00
4. b
Para responder à qt1estão, precisamos utilizar as fórmulas
do Custo de Produção e Custo da Produção Acabada. •
t

12 - MD = EI + Compra - EF ••

MD = 25.000,00 + 580.000,00 - 45.000,00 = 560.000,00

2 2 - CP = MD + MOO + CIF
CP = 560.000,00 + 120.000,00 + 72.000,00 (120.000,00 X 60%
de encargos) + 30.000,00 + 18.000,00 (30.000,00 x 60% de
encargos) + 40.000,00 = 840.0001 00

Obs.: Mão de Obra Direta: Operários 120.000,00 + Encargos


72.000,00
Custos Indiretos de Fabricação= Supervisores de produção
30.000,00 + Encargos 18.000,00 +Manutenção/Depreciação/
Outros Gastos 40.000,00
3° - CPA = EIPP +CP - EFPP
CPA = 30.000,00 + 840.000,00 - 10.000,00 = 860.000,00

Obs.: os itens de Escritório/Administração e Transporte dos


produtos vendidos representam as despesas na questão.
Como não foi solicitado, não os utilizamos.
5. e

Qt1estão para reflexão


1. Não, a conta Custo dos Produtos Vendidos na Demonstração
do Resultado do Exercício não apresenta todos os gastos
da produção do período. Ela apresenta todos os gastos da
produção dos itens vendidos no período. Se t1ma parte da
produção permaneceu em estoque, não vendido, os gastos
para produzi-los permanecem na conta de Estoques no
Ativo da empresa.
,
2. E inuito importante saber a carga tributária dos prodt1tos
que está adquirindo e se a empresa poderá aproveitar o
in1posto pago na entrada (dependerá do regime de tribu-
tação da empresa). Ao comparar dois fornecedores, que
oferecem a matéria-prima ou mercadoria, pelo mesmo •
t
preço, a empresa precisa verificar não só a qualidade do
produto e o prazo de entrega, dentre Ot1tros itens, mas ••

também aquele que possibilita um maior "imposto a recu-


perar", que representará um custo menor para a empresa.

Capítulo 4
Questões para revisão
1. Para a resolt1ção da questão, somam-se os custos variáveis:
Custo Variável Unitário= Matéria-Prima+ Mão de obra
direta
R$ 9,00 + R$ 4,00 = R$ 13,00
2. b
Para responder, é importartte organizar as informações:
a) Departamento Z = presta serviços para os Departamentos
X e Y, com respectivamente 150 ate11dimentos para X e
100 atendiinentos para Y. O total é de 250 atendimentos.
O total dos gastos é de R$ 6.000,00.
b) O Departamento X traball1a 70% das horas de trabalho
para o produto A e 30% para o produto B. O total dos
gastos é de R$ 2.000.00.
c) O Departamento Y trabalha 30% do seu tempo para o
produto A e 70% para o produto B. O total dos gastos é
de R$ 4.000,00.
Rateio do Departamento Z
Total em R$ / Número de ate11dimentos x Quantidade
para o Produto
R$ 6.000,00 / 250 = R$ 24,00 por atendimento
• Departamento X = 150 atendimentos x R$ 24,00 =
3.600,00
• Departamento Y = 100 atendimentos x R$ 24,00 =

2.400,00 t

Rateio do Departamento X para os Produtos ••


Produto A = R$ 2.000,00 + 3.600,00 (rateio de Z) =


R$ 5.600,00 x 70°/o = R$ 3.920,00
Produto A = R$ 2.000,00 + 3.600,00 (rateio de Z) =
R$ 5.600,00 X 30% = R$ 1.680,00
Rateio do Departamento Y para os Produtos
Produto A = R$ 4.000,00 + 2.400,00 (rateio de Z) =
R$ 6.400,00 x 30o/o = R$ 1.920,00
Produto A = R$ 4.000,00 + 2.400,00 (rateio de Z) =
R$ 6.400,00 x 70°/o = R$ 4.480,00
Total do custo do Produto A = R$ 3.920,00 + R$ 1.920,00 =
R$ 5.840,00
Total do custo do Produto B = R$ 1.680,00 + R$ 4.480,00 =
R$ 6.160,00
3. a
Organizando as informações:
Fórmula do Ponto de Equilíbrio = PE
Ponto de Equilíbrio = 20.000,00 / 3,50 - 1,50 = 20.000,00 /
2,00 = 10.000 u11idades
4. e
Para a resolução da questão, é necessário calcular a margem
de contribuição t1nitária de cada produto.
Margem de Contribuição Unitária = Preço de Venda -
(Custos Variáveis + Despesas Variáveis)
Produto A = Marge1n de contribuição= R$ 100,00 - (R$ 25,00
+ R$ 10,00) = R$ 65,00
Produto B = Margem de contribuição = R$ 90,00 - (R$ 10,00
+ R$ 9,00) = R$ 71,00
Produto C = Margem de contribuição = R$ 120,00 - (R$ 40,00
+ R$ 13,00) = R$ 67,00
Produto D = Margem de contribuição = R$ 130,00 - (R$ 50,00
+ R$ 14,00) = R$ 66,00
Os dois melhores produtos são o B e o C, pois deixam
uma margem de contribuição 1naior para o pagamento •
t
dos custos fixos.
5. Respostas:
••

P onto d e Equ1ºl'b . C onta'bºl


1 rio i = PEC = p GFGContábil
C 'bºl
v - v onta 1
Ponto de Equilíbrio Co11tábil = R$ l.OOO,OO / R$10,00 - R$ 5,00
Ponto de Equilíbrio Contábil = 200 unidades
Obs.: quando a questão indica o total do Gasto Fixo Total,
o valor da depreciação já está sendo considerado nesse
montante.
n t d E ·ub · F. · PEF R$ 1.000,00 - R$ 200,00
ron o e qu1 r10 mancerro = = R$ lO,OO _ R$
5100
Ponto de Equilíbrio Financeiro = 160 unidades
p d E ·rb · E A PEE - GF Econômico

onto e qu1 1 rio conom1co= - Pv - GvEconômico
Ponto d e Equili'b rio
. E A •

co11om1co =
PEE R$ 1.000,00 + R$ 200,00
= R$ lO,OO _ R$
5100
Ponto de Equilíbrio Econômico = 240 unidades

Questões para reflexão


1. A gestão estratégica de custos exige uma visão sistêmica da
empresa, assim, não deve ficar restrita apenas aos gastos da
empresa no processo produtivo, mas sim considerar toda
a cadeia de valor envolvida nesse processo. Corroboram
essa opinião Souza e Clemente (2011, p. 14), quando apre-
sentam que no passado a gestão de cttstos tinha como foco
apenas o processo produtivo e que, no contexto contempo-
râneo, ela precisa estar alinhada à estratégia da empresa,
de forma sistêmica.
2. A resposta foi desenvolvida no texto.

Capítulo 5
Questões para revisão
1. c
Para responder à questão, precisamos determi11ar o
custo-padrão e o custo real. •
t
Custo-padrão:
15 kg de matéria-prima x R$ 45.000,00/kg = R$ 675.000,00
••

Custo Real:
15 kg de matéria-prima + 20°/o de gasto a mais= 18 kg
R$ 45.000,00 - 20% de redução no preço = R$ 9.000,00
Custo Real = 18 kg de matéria-prima x R$ 36.000,00/kg =
R$ 648.000,00
A empresa apresentou uma economia de R$ 27.000,00, ou
seja, favorável.
2. a
Sabe11do o que é kaizen, podemos inferir que seja contínuo e
envolve todas as fases. Custo-meta é a meta a ser alcançada
no desenvolvimento de um novo produto ou realocação de
mercado. Perceba que a definição de ABC está na letra "d"
e a do custo-meta está na "c". A correta é a alternativa "a".
3. b
4. Para a resolução da questão, precisamos analisar somente
a matéria-prima consumida. A variação solicitada é a da
quantidade, portanto:
Variação da Quantidade = (Quantidade Real - Quantidade
Padrão) x Preço Padrão
Variação da Quantidade = (6 - 5) x R$12,00 = 1 x R$ 12,00 =
R$12,00.
Analisando a variação, percebemos que ela foi desfavo-
rável, pois consumimos 1 kg a mais do que tínhamos
padro11izado.
Embora o Custo Final tenha sido igual no padrão e no real,
ou seja, R$ 60,00, percebe-se que ocorreu um aumento na
quantidade. O custo-padrão é uma ferramenta gerencial
que possibilita que o Gestor de Custos identifique o que
aconteceu com o custo, tanto em relação à qtiantidade
quanto ao preço.
5. Primeira parte: valor do custo-meta por unidade fabricada: •
t
O custo-meta é calculado com a fórmula:
Custo-meta= Preço de Venda - Lucro (retorno) ••

Preço de Venda = R$ 1.800.000,00 / 60.000 u11idades =


R$ 30,00
Custo-meta = R$ 30,00 - R$ 6,00 = R$ 24,00/unidade
fabricada
Obs.: os R$ 6,00 correspo11dem ao lucro desejado de 20o/o
sobre o preço de venda.
Segunda parte: valor do custo-meta considera11do a
prodtição total.
R$ 24,00 x 60.000 unidade = R$ 1.440.000,00.
Obs.: esse é o custo máximo admitido para esse produto,
para manter a margem desejada.
Questão para reflexão
1. Todos da empresa devem participar do planejamento estra-
tégico de custos, mediante representantes de cada nível
ftincional. Todo o fluxo de i11formação precisa ser trans-
parente e dinâmico, para que haja uma disseminação do
conhecimento de onde se está, para onde se deve caminhar
e do que deve ser feito.

Capítulo 6
Questões para revisão
1. e
Para resolver essa questão, vamos calcular o rnarkup:
Despesas operacionais (administrativas e de vendas) 15%

Comissões sobre vendas 5%

Tributos incidentes sobre o preço de venda bruto 25%

Margem de lucro desejada sobre a receita bruta 10%

Total 55%

Preço de venda 100%

(- )Despesas e lucros 55%



(=)Custo 45% t

Markup = 100°/o / 45°/o = 2,2222


••

Preço de venda = Custo do produto x Markup =


R$ 19,80 X 2,2222 = R$ 44,00
2. a
Para responder à questão, precisamos encontrar o custo
unitário do produto:
Custo unitário = (CV + CF) / Quantidade
Custo unitário = (R$ 0,80 x 500.000 + R$ 300.000,00) / 500.000
Custo u11itário = (R$ 400.000,00 + R$ 300.000,00) / 500.000
Custo unitário = R$ 700.000,00 / 500.000 = R$ 1,40
Markup = lOO°lo - 20% = 80
Markup = 100 / 80 = 1,25
Preço de Venda= Custo x markup = R$ 1,40 x 1,25 = R$ 1,75
3. Resposta:
A capacidade de produção será igual à capacidade do
gargalo da produção, ot1 seja, 180 unidades por hora, que
é o máximo que o Departamento 3 consegue produzir. Se o
Departamento 1 tiver sua capacidade máxima instalada
e prodt1zir 200 unidades por hora, não será o suficiente
para manter o Departamento 2 com sua capacidade total,
ou seja, só receberá 200 unidades para processar, ficando
co1n a capacidade de 50 unidades ociosas. Por sua vez, o
Departamento 2 liberará para o departamento 3 o total
de 200 unidades por hora, mas só tem capacidade para
processar 180 horas, surgindo nesse ponto o gargalo e
acttmulando estoques.
4. b
5. Vamos aplicar a fórmula da Alavancagem Operacional:
6L0/o: Variação o/o do lucro -* (L2 - Ll) / Ll x 100 =
(980.000,00 - 700.000,00) / 700.000,00 X 100 = 280.000,00 /
700.000,00 X 100 = 0,4 X 100 = 40%
6Qt: Variação % da Quant. ~ (Q2 - Ql) / Ql x 100
(5.600 - 5.000) / 5.000 X 100 = 600 / 5.000 X 100 = 0,12 X 100 •
t
= 12%
AO = 6L% / 6Q% = 40°/o / 12% = 3,33 ••

A alavancagem operacional de 3,33 indica que a variação


de 1% na quantidade provoca uma variação percentual de
3,33 na variação percentual no lucro.

Questão para reflexão


1. No desenvolvimento da fórmula do rnarkup é necessário
que todos os custos sejam detalhados, sob pena de o preço
de venda encontrado não ser suficiente para gerar o lucro
pretendido pela empresa ou ainda resultar em prejuízo
para a empresa.
2. Os departamentos e setores de uma empresa devem ser
parte de um processo integrado, que, quando não funciona
como uma única estrutura, gera gargalos, subaproveita-
mentos e excessos de estruturas e pessoas, gerando desper-
dícios, os overheads.


t

••

Ernani João Silva

Atua no mercado como consultor empresarial de questões



de gestão ecor1ômica e financeira e, como professor, ministra t
,
disciplinas em cursos de graduação e pós-graduação. E mes- ••

tre científico pelo programa de Contabilidade Gerencial e


Finanças da Universidade Federal do Paraná (UFPR); pós-gra-
duado lato sensu (MBA) em Auditoria Integral e gradtiado em
Ciências Econômicas, pela mesma instituição; técnico em
Processamento de dados pela Organização Paranaense de
Ensino Técnico (Opet) e técnico em Química pelo Instituto
Politécnico Estadual do Paraná (IPE-PR). Tem mais de 20 anos
de experiê11cia profissional, de11tre outras funções, como
gerente industrial, controller, consultor empresarial, instrutor
financeiro, professor universitário (em cursos presenciais e a
distância) e professor de curso preparatório para concursos
públicos. Dentre outras cadeiras acadêmicas já ministradas,
destacam-se: Finanças, Matemática Financeira, Análise de
Crédito e Risco, Administração Financeira e Orçamentária
(AFO), Contabilidade Gerencial, Controladoria, Análise de
Métodos e Tempos (Engenharia de Métodos), Sistema de Gestão
Informacional, Economia e Mercado, Economia lr1ternacional
e Microeconomia e Estatística.

Guilherme Teodoro Garbrecht

Atua no mercado como contador e, como professor, ministra


,
disciplinas em cursos de graduação e pós-graduação. E mestre
científico pelo programa de Contabilidade Gerencial e Finanças
da Universidade Federal do Paraná (UFPR); pós-graduado
lato sensu em Controladoria pela Ur1iversidade Federal do Rio
Grande do Sul (UFRGS); graduado em Ciências Contábeis pela
Fundação Educacional Machado de Assis - RS e técnico em
Contabilidade. Tem mais de 20 anos de experiência profissional
em funções relacionadas à contabilidade, como controlado-
ria, contabilidade financeira, societária, custos, implantação
de sistemas e processos de abertura de capital de empresas,
professor universitário (em cursos presenciais e a distância)

t
e professor de curso preparatório para concursos públicos.
Dent re outras cadeiras acadêmicas já ministradas, desta- ••

cam-se: Contabilidade Internacional, Contabilidade Comercial,


Contabilidade Societária,Teoria da Contabilidade, Técnicas
Avançadas de Análise de Custos, Análise de Demonstrações
Contábeis, Engenharia Econômica, Contabilidade Rural, e
Mercado Financeiro e Internacional.