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INFERNO
Lugar tenebroso, estado de vida de tormentos sem fim

Odilon Mendonça
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O INFERNO

Lugar tenebroso, estado de vida de tormentos sem fim

Pr Odilon Mendonça, Th. M.


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ÍNDICE

PREFÁCIO .............pg....5

INTRODUÇÃO .............pg. 7

Capítulo um: PREÂMBULO..............pg. 10

1.1 Ideias populares..............................................pg. 10


1.2 O catolicismo e o inferno..................................
1.3 O espiritismo e o inferno..................................
1.4 O universalismo e o inferno.............................
1.5 As Testemunhas e Jeová e o inferno...............
1.6 O adventismo e o inferno.................................
1.7 Especulações e verdades sobre o inferno........

Capítulo dois: ENTENDENDO OS TERMOS............pg. 10

2.1 Termos hebraicos............................................


2.2 Termos gregos.................................................

Capítulo três: A ORIGEM DO INFERNO...............pg. 16

3.1 Quem criou o inferno?


3.2 Por que?

Capítulo quatro: O QUE É O INFERNO?..............pg. 19

4.1 Resposta A: o inferno é um lugar


4.2 Resposta B: o inferno é também um estado de vida

Capítulo cinco: CLASSIFICAÇÃO DOS TORMENTOS


INFERNAIS.....pg. 27

5.1 Tormentos psicológicos...........................pg. 28


5.2 Tormentos físicos.....................................pg. 33
5.3 Tormentos espirituais...............................pg. 35

Capítulo seis: RESUMO GERAL....................pg. 37

CONCLUSÃO.................................................pg. 40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................pg. 41
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PREFÁCIO

Por que escrever um livro sobre o inferno, quando até cristãos


fogem do assunto? Por que um livro sobre sofrimentos e dores indizíveis,
em plena sociedade humanista, quando a felicidade e as realizações da
pessoa humana, nesta vida, são o que interessam?

Talvez até pastores perguntar-me-iam: por que amedrontar as


pessoas com o inferno? Já ouvi isso. Minha resposta é: porque o inferno
existe e não sem propósito; ele é mesmo amedrontador. Meu propósito
não é amedrontar pessoa alguma, mas a Bíblia, que não existe para
enganar ou ocultar a verdade, descreve o inferno de modo incontestável
e em cores melancólicas.

Você acredita mesmo que existe um inferno tal como é descrito na


Bíblia? É bom crer! A mente decaída sempre quis rejeitar esta verdade
brutal. Um inferno eterno e de sofrimentos intensos é demais para a
mentalidade humanista descorada, mas ainda que digam o que
quiserem sobre esse lugar tenebroso, ou que o neguem, isso em nada
muda sua realidade espantosa e amedrontadora.

O fato de o ser humano admitir, por intuição inerente, em todos os


tempos, a existência de um futuro pós-morte feliz ou infeliz, comprovado
pelas crenças religiosas do mundo inteiro, indica a existência de uma lei
natural incrustada no seu íntimo a revelar de modo natural a existência
do céu e do inferno. “Os infernos de todas as religiões se assemelham”,
constata também Kardec, admitindo, assim, mesmo contra sua vontade,
a existência de uma crença universal acerca do assunto.

A ideia de prestação de contas no final da vida e das recompensas


boas ou más são inexoráveis. Deus responsabiliza todos pelo tipo de
vida que viver e pelo uso que fizer do seu livre-arbítrio, dos dons, dos
bens e das oportunidades que tiveram nesta vida terrena, pois somos
seres conscientes (Ec 11.9; 12.14).

Bem no fundo há, em todo ser humano, uma percepção intuitiva de


que a vida não termina aqui, apenas com esse punhadinho de anos que
vivemos biologicamente, ainda que esse sentimento esteja embotado
pela incredulidade adquirida ao longo da vida. A lei da consciência
testifica que, após ‘tudo terminar’, ainda restará alguma coisa. A Palavra
de Deus diz que nos veremos frente a frente com o caminho a ser
seguido rumo à eternidade, conforme a escolha feita aqui na terra. A
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prestação de contas redundará em recompensa justa, boa ou ruim: céu


ou inferno. O senso moral pouco ou mais desenvolvido, o senso do bem
e do mal, de justiça e injustiça e de céu e inferno pertence inerentemente
ao ser humano. É a lei natural.

A Bíblia descreve o inferno, ilustrando-o com a cor vermelha, para


simbolizar o fogo, e nem o diabo terá liberdade e alegria ali. Seu intenso
e interminável tormento é ininterrupto e eterno, isto é, interminável (Ap
20.10).

Muitos acham a punição exageradamente severa e, por isso,


injusta, portanto, indigna do ser amoroso, apresentado na Bíblia, que é
Deus. Essas pessoas, todavia, ignoram a hediondez do pecado, seu
‘tamanho’ e o que significa desprezar o sacrifício pessoal do Filho de
Deus, bem como todo o longo espaço de tempo dado por Deus na
espera da conversão do pecador. A Bíblia não potencializa o inferno,
como não relativiza o pecado.

A salvação consiste na concessão e na participação do convertido


no tipo e na qualidade de vida do próprio Deus; desprezá-la constitui erro
eterno, uma vez que a vida colocada à disposição é a Vida Eterna (Jo
3.16; 5.24). No reino de Deus a responsabilidade, além de pessoal, é
correspondente ao tamanho do privilégio (Lc 12.48; Gl 6.7).

A Pessoa que se sacrificou, Jesus Cristo, é Deus (Jo 1.1) e seu


Sacrifício é vicário e de valor eterno. Todos os recursos colocados à
disposição do pecador para a conversão são divinos e, em
consequência, recusá-los até o fim significa tornar-se réu de pecado
eterno. Por isso a Bíblia assevera, “quem não crer será condenado” (Mc
16.16) e a condenação é eterna para fazer jus ao pecado eterno
cometido. Deus preparou, então, o inferno para castigo eterno dos que
viverem na prática do pecado até à morte.

Se a gravíssima ofensa é intensa e eterna, só o castigo eterno


corresponder-lhe-á à altura. Só o castigo eterno far-lhe-á justiça. O
inferno foi “preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41), ambos
irregeneráveis, inimigos eternos de Deus e de sua criatura. Segui-los na
prática do pecado, que é inimizade contra Deus, é merecer o mesmo
castigo.

Não faria nenhum sentido ser crente em Deus se o universalismo


estivesse certo. Assim como a Vida Eterna no céu é o galardão dado por
Deus a quem deixou o pecado, convertendo-se a Cristo, o inverso, a
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condenação eterna ao inferno, é a recompensa merecida para quem


desprezou tanto amor e oportunidades. Somente se convertendo a
Cristo, o pecador poderá livrar-se das chamas do inferno (Sl 9.17).

“Dinheiro perdido, nada perdido; Saúde perdida, muito perdido; Caráter


perdido, tudo perdido” (autor desconhecido).

Odilon Mendonça,
Goianápolis, 2018, 1ª edição
INTRODUÇÃO
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Este é o décimo livro de minha autoria. Pretendia lançá-lo


juntamente com o outro, intitulado O Céu, impresso em maio de 2017,
para que, juntos, fossem lidos e comparados. Ambos surgiram após
anos de estudo e pesquisa e longas ministrações nas igrejas por onde
tenho passado e foram escritos com pouco comentário, na forma de
apostila, fornecendo as ideias centrais dos textos usados para permitir
aos pastores iniciantes usá-los em suas ministrações ao rebanho tão
carente.

No livro ‘O Céu’ selecionei até os hinos próprios de nosso hinário, a


Harpa Cristã (ver páginas 30 e 43), para facilitar o trabalho de quem
quiser usá-lo para ministrar à igreja nos cultos de ensino. Muitas pessoas
foram tocadas por estas ministrações, porém, quanto mais o tempo
passa, mais o povo se distancia desses ensinos; estão mais alheios e
insensíveis, tanto em relação ao céu quanto ao inferno. Tenho
comprovado muito desinteresse em boa parte das pessoas com as quais
tenho tido contato.

O inferno existe! A Bíblia menciona a palavra inferno quarenta e


nove vezes, sendo vinte e oito vezes no AT e vinte e uma vezes no NT.
Apenas duas vezes no plural, uma no AT (cf. Is 57.9) e outra no NT (cf.
Mt 11.23) e isto não quer dizer que existe mais de um inferno. A citação
de Isaías, possivelmente, se refere a castigos divinos que fariam o povo
da Aliança padecer “sofrimentos infernais”, como se diz em linguagem
popular, por estarem envolvidos em crassa idolatria. O mesmo se diz de
Mt 11.23: “tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até
aos infernos...” Que cidade e que povo ergueu-se até aos céus?
Trata-se de uma expressão hiperbólica (exagerada), ou enfática.
Jesus faz alusão a um provérbio com significado de “estado muito vil, o
mais baixo possível”, resultando em grandes sofrimentos para os
habitantes da cidade de Cafarnaum, como bem entendeu também o
teólogo Champlin.

O inferno é um lugar único de sofrimentos indizíveis, de dor,


angústias, tristezas, solidão, medo, trevas, de sentimento de culpa, de
remorsos profundos e de lembranças desagradáveis e dolorosas (Lc
16.28). A justiça divina e a existência do pecado requerem e justificam a
existência do inferno.

É verdade que muitas pessoas não creem que existe um inferno


como a Bíblia o descreve e parece que até mesmo entre o povo de Deus
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há quem duvide de sua existência, considerando-se a maneira como


alguns vivem e agem. É bom frisar, porém, que “o inferno não é uma
lenda medieval criada pela imaginação humana para satisfazer o desejo
de justiça, como pensam alguns. Não é uma estória para amedrontar
pessoas...” (Mendonça, Revista da EBD, nº 46, ano 2012, lição nº 8, p. 32). O inferno existe. Foi
criado por Deus para castigar e torturar os demônios (Mt 25.41). Isso já
é suficiente para entendermos que é algo diferenciado, proposital e
horrível.

É de interesse do diabo que o povo não acredite na existência do


inferno, embora ele pessoalmente saiba da existência desse lugar
horrendo, que foi preparado para ele (cf. Mt 25.41), e, por esta razão,
“tem grande ira sabendo que lhe resta pouco tempo” (Ap 12.12).

O inferno é um lugar real, um abismo asqueroso, de densas trevas,


que arde eternamente com fogo e enxofre e que oferece um estado de
vida de intenso, infinito e permanente terrorismo psicológico e de
indizíveis e eternas torturas físicas, apropriadas para atormentar o corpo
de sustância espiritual.
Sobre o céu e sobre o inferno as pessoas tecem os comentários
mais absurdos; verdadeiros devaneios de mentes corrompidas e
desinformadas da verdade.

Há muitos anos estudo o tema e resolvi ministrá-lo com mais


frequência à igreja nos últimos anos por ver a necessidade atual do povo
de Deus ser informado de modo mais didático e sistemático sobre ele.
Depois de muitos estudos e ensinando nas igrejas por onde tenho
pastoreado, resolvi escrever este livro. À primeira vista, se não
pensarmos naquela “tão grande salvação”, não seremos levados a
glorificar a Deus ao estudar sobre o inferno, porém deveríamos fazer,
por saber que estamos livres dos seus horrores e alcance maléfico.

Ninguém poderá obter informações corretas sobre as coisas


espirituais se buscar em outras fontes que não seja na Bíblia Sagrada.
Só Deus pode revelar-se a nós de modo seguro e só Ele nos informará
com segurança sobre tudo o que pertence ao mundo sobrenatural, e isso
Ele fez e o faz através da Bíblia.

Segundo Luiz César N. Araújo (2012), “Jesus faz menção ao


inferno, ao juízo, ao castigo eterno, em suas várias formas,
aproximadamente umas setenta vezes. Será que Jesus falaria tanto de
um tema se ele não fosse real?” (op. cit. p. 11).
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Muitos perguntam: o que é o inferno? Onde fica? O inferno não é


aqui? Como será a vida no inferno?

“Não existe passageiros na espaçonave terra. Somos todos tripulação”


(Marshall Mcluhan).

Capítulo um
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PREÂMBULO

“De médico e louco todo mundo tem um pouco”; é assim com a espiritualidade (ditado Popular).

“Preconceito é o conceito que se faz de alguém ou de alguma coisa no escuro” (Odilon).

“Até o tolo quando se cala é tido por sábio” (rei Salomão).

“Muitas vezes o que se cala faz maior impacto do que o que se diz” (Píndaro).

“Espera do teu filho o mesmo que fizeste a teu pai” (Tales de Mileto)

Hinos da Harpa Cristã, sugeridos para serem cantados pela


congregação antes da ministração sobre o inferno (116, 96, 212, 372)

“A neve e a tempestade matam as flores, mas nada podem contra as


sementes” (Khalil Gibran)

Equívocos sobre o que seja o inferno


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1.1 Ideias populares. As pessoas mais simples, isto é, menos


escolarizadas, manifestam suas dúvidas e equívocos quanto a
existência e a realidade do inferno, de modo obviamente menos
elaborado que as pessoas cultas. É comum perguntarem ou mesmo
afirmarem: o inferno é aqui! Os demônios são as pessoas do mal.
Exclamações do tipo: minha casa é um inferno, ou: minha vida virou um
inferno, são comuns entre pessoas que passam por situações difíceis e
desinformadas da Bíblia.
Outras, porém, negam a existência de um lugar tão medonho como
o inferno, ou por não crerem numa vida após a morte, ou por achar que
as informações sobre o inferno são muito fortes para serem verdadeiras.

As pessoas de pensamentos mais elaborados costumam rejeitar a


existência do inferno com argumentos do tipo: o inferno é uma lenda
medieval criada pela ansiedade de justiça numa época em que as
injustiças eram tão comuns. Outros, constatando a falácia católica do
purgatório, imaginam que o mesmo aconteceu com a doutrina do inferno.
Afirmam que a igreja, desejando converter as pessoas ao cristianismo,
inventou o inferno para as amedrontar e assim levá-las à conversão.
Todos esses arrazoados estão errados e são falaciosos.

Uma ideia comum no populacho é a de que Satã está no inferno


atormentando os condenados. Em lugar algum a Bíblia afirma isso. Os
tormentos do inferno são causados pelo próprio inferno que foi criado e
“preparado” para atormentar. É por isso que se chama inferno, lugar de
tormentos, lugar do suplício eterno das almas dos condenados, lugar dos
demônios, mas os demônios só serão lançados lá após o julgamento
(1Co 6.3; Ap 20.10).
É verdade que existem castas de demônios a quem nunca foi
permitido soltura desde que foram lançados no abismo (Jd 6), mas no
geral Satã e os demônios estão soltos, ativos no planeta (cf. Ef 2.2; 6.12;
Mc 5; Mt 4.1-10).

1.2 O catolicismo e o inferno. O Catecismo da Igreja Católica


(2000), sobre o inferno, emite o seguinte conceito:

Morrer em pecado mortal sem ter-se arrependido dele e sem acolher o amor misericordioso de
Deus significa ficar separado do Todo-Poderoso para sempre, por nossa própria opção livre. E
é este estado de auto exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados
que se designa com a palavra ‘inferno’ (op. cit. p. 291).

O inferno é não somente um “estado de auto exclusão”, mas é


também um lugar. Outro erro é o da referência ao pecado mortal. Todo
pecado é mortal porque “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23a) e
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todo pecado é venial porque pode ser perdoado: “o sangue de Jesus


Cristo nos purifica de TODO pecado” (1Jo 1.7, grifos nossos).

Dentre os grandes erros do romanismo acerca do inferno está a


divisão de pecados em mortais e veniais, o que não existe na Bíblia, na
suposição soberba de achar que alguém poderá ir ao Céu com base nos
próprios méritos, livrando-se, assim, do inferno, com esforço próprio, e
na ideia da existência de um suposto purgatório.

Essas ideias podem levar muitas pessoas - e de fato há muitos


católicos pensando assim - a viverem no pecado esperando ter uma
chance de purificar-se deles após a morte, no purgatório, e também com
o sufrágio dos vivos pelos mortos, ensinos esses heréticos, pura ilusão
religiosa.
Suas indulgências levaram milhares de pessoas a fazerem doações
para a igreja durante séculos na espera de poder livrar seus entes
queridos e a si mesmos, no futuro, do purgatório e do inferno. Sua
dogmática acerca do assunto está eivada de elementos do antigo
paganismo e usa versículos bíblicos isolados para os justificar.

1.3 O espiritismo e o inferno. O espiritismo também não crê num


inferno eterno como descrito pela Bíblia e a razão é simples: o
espiritismo nega totalmente a Bíblia como Palavra de Deus completa,
infalível e inerrante. Satanás e seus demônios enganam os seres
humanos desde o Éden (Gn 3) e o faz de maneira proveitosa a ele. Quem
realmente falou com Eva no Jardim do Éden não foi uma cobra, mas um
espírito. O espírito maligno. Satanás, o demonásio.

Esse falso cristianismo (o espiritismo) crê laborar na esfera espacial


entre o Céu real e a terra, e entre os vivos e mortos, mas tudo por
inspiração e comunicação de espíritos de supostas pessoas falecidas,
ou seja, a suposta comunicação entre vivos e mortos.

Para o espiritismo, tanto o céu como o inferno são apenas o “espaço


indefinido que circunda a terra”, portanto, não é um lugar. Também
creem que é constituído do estado de vida dos espíritos evoluídos (céu)
e do estado de vida dos espíritos atrasados (inferno) e cada espírito é
responsável pelo seu próprio estado de vida (céu ou inferno): “O
progresso, entre os Espíritos, é fruto do seu próprio trabalho... São, pois,
os próprios artífices de sua situação, feliz (céu) ou infeliz (inferno)... Todo
Espírito que permanece em atraso não pode disso culpar senão a si
mesmo, do mesmo modo que, aquele que avança, tem todo o mérito...”
(O Céu e o Inferno, 2015, p. 18). Eis a falácia espírita.
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É assim que, para os espíritas, o espírito que, em suas


oportunidades reencarnacionais, avança em conhecimento e bondade,
sendo laborioso, depura-se dos seus maus carmas do passado e pouco
a pouco faz progresso rumo à felicidade (céus), até à perfeição. Por outro
lado, os espíritos preguiçosos e lânguidos permanecem por mais tempo
no seu inferno que se dissipará de modo bem mais lento.
A ideia platônica da maldade da matéria está bem viva na doutrina
espírita. Kardec dizia: “A morte do corpo é a ruptura dos laços que os
mantêm cativos” (op. cit.p.17).
Ora, tudo isso é paganismo, ideias totalmente antibíblicas. O
espiritismo é anticristão. Uma das falácias religiosas de nossos dias diz
respeito ao chamado ‘espiritismo cristão e científico’ porque o espiritismo
é religião filosófica, completamente alheia à Bíblia e ao Cristo da Bíblia.
O deus do espiritismo não é imutável porque está em constante
mutação. O cristo do espiritismo não é o Cristo da Bíblia, pois se trata de
um médium e não do Deus Filho que veio ao mundo e realizou a
expiação necessária dos nossos pecados na cruz do Calvário. A
expiação espírita é feita pela própria pessoa e por cada pecador, aqui na
terra.
Para o espiritismo o inferno é apenas uma ideia surgida do
obscurantismo primitivo inapto e agora é destruído pelo saber
cientificista do consolador, que Kardec afirma ser o próprio espiritismo.
Que louca blasfêmia!

Kardec afirmou que o homem moderno, com seu desenvolvimento


intelectual e moral, rejeita a ideia da existência de um inferno eterno.
Esta fala espírita revela sua leitura obtusa e equivocada do mundo
moderno. Onde estão as melhorias morais e intelectuais do mundo
moderno? Essa crença é completamente contrária à realidade
comparável e histórica da intelectualidade moderna e aos ensinos das
Sagradas Escrituras sobre a moral dos fins dos tempos (cf. 1Tm 4.1ss;
2Tm 3). O avanço do saber paradoxalmente tem contribuído para a
loucura da humanidade em relação à moral.

O cristianismo verdadeiro fundamenta-se na verdadeira


espiritualidade e, portanto, seus pressupostos são unicamente bíblicos.
Trabalha essencialmente com a fé verdadeira e a ciência verdadeira
labora, não com a fé, mas com a razão e a matéria, e isso de modo
técnico. O espírito, ou está presente no corpo físico, ou está livre no Céu,
ou está preso no inferno. Não existe outra opção. Isso é o que ensina a
Bíblia.
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Os princípios bíblicos são verdades absolutas e, embora não


possam ser provados em laboratórios, estão muito além da capacidade
de aferição técnica humana. Muito acima da ciência. Para o espiritismo,
o “inferno permanece como figura simbólica dos maiores sofrimentos...”
(op. cit. p. 42) e do mundo sombrio e obscuro do passado.

A doutrina espírita sobre o inferno é baseada em três pressupostos


básicos, nada bíblicos: 1) A noção geral das religiões do antigo
paganismo que lhe fornece a concepção universal da existência do
inferno, o que é verdade, mas o espiritismo prende-se, não ao fato
científico, a noção de uma ideia universal sobre o tema, mas nos
detalhes doutrinários divergentes entre as religiões. 2) Os devaneios dos
antigos filósofos que discorrem sobre o assunto com seus pontos de
divergências e convergências. 3) A fala doutrinária dos supostos
espíritos, depurados ou não, que são os doutrinadores desse
seguimento religioso. Sabemos com certeza que se trata de espíritos
malignos.

O espiritismo combate a ideia popular que diz que o diabo e os


demônios estão no inferno atormentando os condenados para ali
enviados em cumprimento fiel às ordens de Deus nesse sentido, como
se isso fosse pressuposição cristã; mas isso é engano. Pelo menos o
cristianismo evangélico não ensina esse absurdo que faz de Deus o
mandante e o verdadeiro agente ativo por trás dos suplícios do inferno.
Nada mais grosseiro, inconsistente e leviano.

Para o espiritismo ninguém se perde; não existe inferno eterno,


todos vão purificar-se pelas supostas sucessivas reencarnações e se
tornarem deuses ou espíritos evoluídos e ainda em permanentes
evoluções. O espiritismo nega, então, abertamente, a existência do
inferno como ensinado na Bíblia, a Palavra de Deus. Inferno, na
concepção espírita, é apenas o estado de vida dos espíritos atrasados
onde quer que estejam nos universos possíveis.

1.4 O universalismo e o inferno. Universalismo é a doutrina


segundo a qual, no fim dos tempos, Deus reconciliará todos os seres
humanos a si na chamada reconciliação cósmica, independentemente
da fé, de Cristo, das obras e dos méritos de cada um. Assim, o
universalismo, que é aceito por uma infinidade de religiões mundiais,
nega a existência do inferno bíblico, porque crê na salvação de todas as
pessoas, independentemente do tipo de vida que cada um tenha vivido
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na terra, e porque, segundo esse modo de pensar, o inferno é


incompatível com a natureza de Deus.

Essa ideia é completamente anticristã porque invalida o Sacrifício


de Cristo. Se todos os pecadores serão salvos, independentemente de
serem crentes ou ateus, qual o valor do Sacrifício de Jesus? Para que
serve a Bíblia? Qual a finalidade da existência do inferno?

1.5 O adventismo do 7º dia e o inferno. Este, como o anterior, é


aniquilanista e também nega a existência do inferno como lugar de
castigo eterno. Ensina que o diabo, os demônios e todos os não
adventistas serão destruídos para sempre, isto é, serão aniquilados
totalmente.

Os ateus, os gnósticos, o cristianismo liberal, todos negam a


existência do inferno como a Bíblia ensina claramente. O problema é que
esses grupos rejeitam a Bíblia como a Palavra de Deus, de inspiração
verbal e plenária. Os próximos capítulos desmascararão todos esses
pensamentos errados sobre o que é o inferno.

1.6 As Testemunhas de Jeová e o inferno. O jeovismo, ou


russelismo, como também é conhecida esta seita, confunde o inferno
com a sepultura. Oriundo do adventismo, o russelismo é aniquilanista.
Nega abertamente a existência do inferno como lugar de tormentos
eternos. Para eles, o inferno, como ensinado na Bíblia e pregado pelas
igrejas cristãs evangélicas, é algo irracional e inaceitável. Eles não
creem na salvação pelo sacrifício de Jesus na cruz, mas pela aceitação
e fidelidade da pessoa à sua seita.

O russelismo é oriundo do adventismo e conservou a doutrina


adventista do aniquilamento dos incrédulos. Também não pregam a
salvação espiritual, e nela não creem, mas pregam e creem numa
ressurreição dentre os mortos para viver no paraíso que será a própria
terra restaurada. O russelismo é uma seita anticristã e materialista.

1.7 Especulações e verdades sobe o inferno. Para assuntos


abstratos não faltam especulações e muitas vezes tais especulações
estão baseadas em meias verdades ou em verdades parciais, ou em
inferências verdadeiras, mas não claras. Então, os especuladores vão
além da verdade revelada, ou ficam aquém dela.

Grandes filósofos e poetas da antiguidade falaram sobre o assunto,


quase sempre à base de suposições, como Homero e Virgílio o fizeram
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nos seus grandes escritos. Kardec menciona na obra citada


anteriormente um tal de Fénelon, em seu Telêmaco, obra prosaica,
argumentando sobre o inferno. Esse seu Telêmaco não era um natural
ou habitante de Telêmaco Borba, um telêmaco-borbense, mas um
personagem que vê, ouve e fala. Num longo discurso Telêmaco fala
sobre o inferno:

Ali, (no inferno), Telêmaco percebeu rostos pálidos, horrorosos e consternados. Uma tristeza
negra ronda esses criminosos; eles têm horror de si mesmos, e não podem livrar-se desse
horror, não mais do que a sua própria natureza; não têm necessidade de outro castigo para
suas faltas, além das próprias faltas; veem-nas, sem cessar, em toda a sua enormidade;
apresentam-se a eles como espectros horríveis e os perseguem. Para delas se protegerem,
procuram uma morte mais poderosa do que aquela que os separou dos seus corpos. No
desespero que estão, chamam em seu socorro uma morte que possa exterminar todo
sentimento e todo conhecimento de si mesmos; pedem aos abismos para traga-los, a fim de
se esquivarem aos raios vingadores da verdade que os persegue, mas estão destinados à
vingança que destila sobre eles, gota a gota, e que não secará nunca.
A verdade, que eles temem ver, provoca o seu suplício; veem-na, e não têm olhos senão para
vê-la se erguer contra eles: sua visão os penetra, atormenta, os arranca deles mesmos; ela é
como um raio; sem nada destruir ao redor, penetra-lhes até o fundo de suas entranhas (Apud.
Kardec, op. cit. p. 31).

Entre especulações e lendas existem laivos de verdades bíblicas


nessas palavras que só quem conhece bem a Escritura consegue
perceber. Veja: os condenados “terão horror de si mesmos”. Até a lógica
humana requer isso. As consciências ativas aumentarão os horrores e
então “pedem aos abismos para traga-lo”. Já no período da Grande
Tribulação os ímpios vivos desejarão morrer ao se verem diante de
calamidades assombrosas; eles clamarão “aos montes e aos rochedos:
caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado
sobre o trono, e da ira do Cordeiro” (Ap 6.16).

O autor cita o grande filósofo e teólogo Agostinho que viveu entre


354 e 430 d. C., e escreveu mais de cem livros, além de centenas de
sermões e cartas, mas a citação é também uma mistura de verdades e
especulações. Leia:

Santo Agostinho não concorda que essas penas físicas sejam simples imagens de penas
morais; ele vê, num verdadeiro lago de enxofre, os vermes e as serpentes verdadeiras
encarniçarem-se sobre todas as partes do corpo dos condenados e unindo suas mordeduras
às do fogo. Ele pretende, segundo um versículo de São Marcos, que esse fogo estranho,
embora material igual ao nosso, e agindo sobre os corpos materiais, os conservará como o
sal conserva a carne das vítimas. Mas os condenados vítimas sempre sacrificadas e sempre
vivas, sentirão a dor desse fogo que queima sem destruir; ele penetrará sob sua pele; estarão
dele embebidos e saturados em todos os seus membros, na medula de seus ossos, na pupila
de seus olhos, nas fibras as mais escondidas e as mais sensíveis do seu ser. A cratera de
um vulcão, se pudessem aí mergulhar, seria para eles um lugar de refrigério e de repouso
(op. cit. p. 33).

Existem verdades e especulações ou conjecturas nessa fala de


Agostinho. Há também uma infinidade de pessoas das mais diferentes
17

religiões, também do cristianismo católico e evangélico, que afirmam ter


ido ao céu e ao inferno. Essas pessoas contam as mais diferentes
histórias sobre o que presenciaram e viram. Estêvão viu o céu aberto e
Jesus assentado à destra de Deus, o Pai (At 7.55). Isaías viu o céu
aberto e o Senhor assentado “num alto e sublime trono” (Is 6.1). O
apóstolo João foi ao céu num arrebatamento e viu coisas extraordinárias
(Ap 1.10-12; 4.1,2).

Jesus foi ao inferno (1Pd 3.18-20), Rebeka Brawn afirma ter ido ao
inferno várias vezes na companhia de um anjo onde viu lugares mais
altos, outros mais baixos, quartos, repartições, fogo, gente gemendo e
gritando, coisas horrorosas. A tal “Santa” Tereza, católica, afirmou que
no inferno ninguém podia ficar de pé, nem assentar-se, deitar-se, ou dali
sair. Viu todos os gêneros de angústias. Relatou que viu um tipo de rua
estreita, terreno lodoso e fétido, répteis, muralha... Orfeu e Ulisses
também afirmam ter todos sido transportados em espírito ao inferno.
Tanto crentes como incrédulos afirmam ter ido ao inferno e voltado.

Não é possível crer nem descrer totalmente de todos esses relatos.


Não é possível que todas essas pessoas estejam mentindo, ou sejam
vítimas de algum problema psicológico, ou espíritos enganadores, nem
que todos os relatos são sérios e verdadeiros. É preciso passar todos
pelo crivo das Escrituras, o Manual único confiável.

Nesse primeiro capítulo estamos apenas levantando a questão


para que se possa pensar no assunto. Vejamos agora o que a Bíblia
realmente ensino sobre o inferno.

Capítulo dois

O INFERNO
18

Entendendo os termos

“Aquilo que você mais sabe ensinar, é o que você mais precisa aprender” (Richard Bach).

“Jamais entenderão a verdade os que preconcebidamente a repugnam” (Aníbal).

“Aprendemos quando compartilhamos experiências” (John Dewey).

“A verdade é a fortaleza dos inocentes” (Igor Pfeifer).

Estudando os termos principais


Em qualquer estudo a compreensão dos seus termos principais é
de suma importância. Recorramos, então, a esse método.
19

A Bíblia usa várias palavras para descrever o inferno, tais como:


sheol, gê-hinnom - o vale de tofete - geenna ou lago de fogo, hades,
abyssos ou abismo, tártarus (cf. Jr 7.31; 7.32,19.6,12,13; Ap 20.13,14).

2.1 Os termos hebraicos (sheol, tofete, gê-hinom).


a) Sheol é uma palavra hebraica e Esequias Soares (1996) diz
que ela aparece no AT por “65 vezes significando ‘o lugar invisível dos
mortos’ ou ‘habitação dos mortos’. É o mundo subterrâneo que recebe
os mortos; é a habitação temporária dos mortos” (O inferno, vol. 9, p. 13).

Segundo o dicionário de John D. Davis, a palavra não tem uma


definição muito clara e na Bíblia ARC foi traduzida por inferno numas
passagens (ex. Os 13.14; 2Sm 22.6) e por sepultura em outras (ex. Gn
37.35; Nm 16.30,33; Is 38.10,18; Ec 9.10; Sl 6.5), abrindo caminho para
a decaída imaginação “criativa”, razão que fez as testemunhas de Jeová
confundir os termos e os dois diferentes lugares.

Soares, na obra citada, explica que, “como o sheol e a sepultura são


invisíveis aos olhos humanos, sendo lugares profundos, a palavra é, por
isso, traduzida também por ‘sepultura e sepulcro’, como sinônimo de
morte” (id. ibid.).

Em estudos recentes descobriu-se que o verdadeiro sentido da


palavra é “região dos mortos” (inferno). Sua tradução para o grego
(hades) vem com esse sentido único de inferno. Hades era o nome do
deus do mundo invisível, do além na mitologia grega.

Segundo N. Laurence Olson (1979), a palavra só aparece na Bíblia


no singular, e há apenas duas referências plurais em português. A do AT
(Is 57.9) é a tradução do hebraico sheol, que é um singular, e a do NT
(Mt 11.23), é a tradução da palavra hades que também é um singular,
indicando que não existe infernos (plural), mas apenas e tão somente
um inferno; é o lugar de tormentos e de misérias.

Outros dados importantes descobertos por Olson é que a Bíblia


nunca menciona seres humanos enviando os mortos ao sheol, mas é
sempre Deus quem o faz (Mt 10.38). Caso fosse sepultura, quem
colocaria os cadáveres no sheol seriam os próprios seres humanos e
não Deus. Também nunca é encontrado na Bíblia Deus levando um
cadáver à sepultura porque quem faz isso são os próprios seres
humanos.
20

A localização bíblica do inferno é embaixo da terra (Nm 16.30,33;


Ez 31.17; Am 9.2) e não na superfície. Juntamente com a palavra hades
a Bíblia menciona-o como tendo portas (Is 38.10; Mt 16.18) e chaves (Ap
1.18), o que seria um absurdo se se referisse à sepultura.

Tanto o hebraico quanto o grego dispõem de palavras próprias para


designar sepultura. No hebraico a palavra sepultura é queber, como em
Is 53.9, e não sheol, e no grego é mnemeion. Assim que Jesus morreu
e seu Corpo foi para o queber ou mnemeion (sepultura, Jo 19.41,42), e
sua alma desceu ao sheol ou hades (Sl 16.10), onde tinha serviço a
fazer, como nos informa Pedro (1Pd 3.19,20).
Portanto, não há razão para confundir os termos, como fazem as
testemunhas de Jeová, a não ser por vontade própria e interesses
escusos. Soares informa que em nenhuma vez as palavras sheol e
hades são mencionadas em relação a corpos de mortos.

b) Tofete, ‘lugar da chama, altar’. A palavra aparece várias


vezes nos santos escritos, mais precisamente nove vezes só no AT,
como Tofete ou Hinon (cf. Is 30.33; Jr 7.31,32), sendo cinco vezes como
um vale (cf. 2Rs 23.10; Jr 7.31,32; 19.6) e quatro vezes em Jr 19.11-14.
Refere-se ao vale dos filhos de Hinon, uma planície, palco de muitas
guerras dos romanos, dos persas, dos gregos e mesmo dos judeus e
maometanos, como profetizado por Jeremias (7.32; 19.6). Ele profetizou
que o lugar haveria de chamar-se “Vale da matança”, o que realmente
veio a ocorrer.

Orlando Boyer, em Pequena Enciclopédia Bíblica (1985), afirma que


o rei Josias transformou o lugar na grande lixeira de Jerusalém (2Rs
23.10). Antes esse vale era um lugar “sagrado” onde o povo sacrificava
seus filhos em holocausto ao deus Moloque (cf. 2Cr 33.2,6; Jr 7.30,31;
Lv 20.1-5), razão da proibição divina escrita em Dt 18.9,10.
Esse vale tem relação com o inferno pelos motivos que veremos
depois.

c) Gê-hinom, mencionado treze vezes no texto sagrado do AT (cf.


Ne 11.30; Js 15.8,16; 18.16; 2Rs 23.10; 2Cr 28.3; 33.6; Jr 7.31,32;
19.2,6; 32.35), é outro nome hebraico para tofete, isto é, o vale de Hinom
ou vale do filho de Hinom. Situa-se entre Judá e Benjamim (Js 15.8;
18.16); sempre foi lugar usado para fins ruins. Como dissemos,
criminosas oferendas satanistas proibidas por Deus (Dt 18.9-14; Lv 19.3
foram feitas ali (2Cr 28.3; 33.6; Jr 7.31; 2Rs 23.10).
21

Além das sangrentas guerras que ocorreram ali, Soares informa-nos


que “o rei Josias, porém, fez uma devassa no local, fazendo dele um
lugar de lixo” (op. cit. p. 21), ou seja, Josias transformou aquele vale no lixão
da cidade. Ele “profanou a Tofete, que está no vale dos filhos de Hinon,
para que ninguém fizesse passar seu filho ou sua filha pelo fogo de
Moloque” (2Rs 23.10). O mau cheiro e a podridão infestavam o lugar que
também fervilhava de bichos.

O lugar foi transformado em depósito de lixo e colocaram fogo para


queimá-lo. O fogo ardia diuturnamente sem nunca se apagar,
queimando o lixo e os bichos, de forma que parecia uma grande fornalha
com lixo; havia ali abutres, cães famintos e briguentos, fumaça e fogo.
Por estes e outros motivos tornou-se símbolo de imundícia, de pecado,
de profanação, de aflição e de suplício eterno no inferno, lembra Boyer
(op. cit. p. 347). Nenhum outro lugar servia para ilustrar tão bem o ensino de
Jesus sobre o inferno (Mc 9.43-48).

Jesus usou a cena sinistra do que ocorria ali, no vale de Hinon, para
explicar aos os judeus e a todos nós o que é o inferno. Por isso, se
referindo ao inferno, Ele disse em Mc 9.43-48: “Se a tua mão te
escandalizar, corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado, do que,
tendo duas mãos, ires para o inferno”, e repete várias vezes: “para o
fogo que nunca se apaga; onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca
se apaga”. Nenhum outro lugar serviria para ilustrar tão bem o ensino
sobre o inferno definitivo.

2.2 Os termos gregos (gehenna, hades, abyssos, tártaroo).


a) Geenna (2Cr 28.3; 33.6; Jr 15.8; 18.16; Mt 18.8,9). No NT
geenna é o lago de fogo ou o inferno propriamente dito; o inferno
definitivo e eterno, no sentido de infindável (Ap 19.20; 20.10,13,14). As
palavras diferentes, às vezes, causam confusão porque as pessoas que
só leem superficialmente os textos têm dificuldade de entendê-los.
Soares, comentando sobre a história dessa palavra, diz:

A literatura apocalíptica judaica produzida a partir do II século a. C. mostra que esse vale
significava o lugar do castigo divino, depois do juízo final: o ‘lago de fogo’. Isso pode ser visto,
por exemplo, no Livro de Enoque 90.26; IV Esdras 7.36; Oráculos Sibilinos 1.103; 2.291; 4.186.
Muitas citações poderiam ser apresentadas na literatura talmúdica e de Qumran, além de Filo
e Josefo. O Dr. Edersheim apresenta uma enorme lista dessas citações (Id. p. 24).

Veja que o uso da palavra geenna significando inferno é de muito


antes de Cristo. O mesmo se diz das palavras sheol e hades.

b) Hades. A palavra Hades foi usada por Jesus quatro vezes,


22

nos evangelhos (cf. Mt 11.23; 16.18; Lc 10.15; 16.23), mas ela aparece
onze vezes em todo o NT (cf. Ap 1.18; 6.8; 20.13,14; At 2.27,31; 1Co
15.55).

Segundo Severino Pedro, a palavra deriva de idein, que significa


ver, mas com o copulativo de negação ‘a’, aidein, significa não ver,
invisível e, por isso, ‘mundo invisível’, referindo-se às partes baixas da
terra, o lugar de tormentos e de espera para o juízo final.

É a tradução grega do hebraico sheol que, segundo Lawrence


Olson, nunca denota sepultura, nem o lugar permanente dos perdidos,
mas o seu lugar de espera entre o falecimento e a condenação eterna
no juízo final, quando serão lançados no geenna ou lago de fogo, o
inferno propriamente dito (Ap 19.20; 20.10,14). Em Ap 1.18 Jesus
declara ter as chaves do hades (cf. Ap 20.1-3).

Assim, a palavra sheol refere-se tanto ao inferno-prisão (plylake =


prisão), como também à palavra hades, por ser esta a tradução daquela.
As palavras tofete e geenna referem-se ao lugar físico e geográfico da
terra, próximo a Jerusalém da Judéia. Jesus usou o lugar para explicar
e ilustrar o que é o inferno.
Então, a palavra hebraica sheol, traduzida para o grego, hades,
refere-se ao inferno provisório ou ao lugar de tormentos provisórios onde
os não salvos ficarão entre a morte e a ressurreição do juízo final. Esse
tempo entre a morte e a ressurreição é chamado teologicamente de
“estado intermediário”. Nada tem a ver com o purgatório inventado pela
igreja católica.

c) A palavra tártarus ou tártaroo só aparece uma vez em todo


o NT, em 2Pd 2.4, e significa “prisões eternas, ou cárcere”. O Novo
Dicionário da Bíblia diz que a palavra refere-se ao inferno: “o termo
clássico para indicar o lugar de punição eterna”. Soares diz que os
judeus dos tempos apostólicos criam que o tártaroo estava debaixo do
hades. Para eles esse lugar é um abismo mais profundo que o sheol ou
hades, como dá a entender as passagens de Jd 6 e 2Pd 2.4. A palavra
grega usada no NT grego em 2Pd 2.4 é tartarúsas, traduzida por
‘lançando-os no tártaro’, que na Versão Corrigida é ‘lançando-os no
inferno’.
d) O abyssos ou abismo aparece na Bíblia vinte e cinco vezes
e é a tradução do hebraico tehom, que quer dizer “lugar sem fundo, lugar
insondável, abismo, mundo inferior” (cf. Sl 71.20; Lc 8.30,31; Rm 10.7;
Ap 9.2-4).
23

Todas estas palavras fazem referência a um único lugar: o


inferno, lago ou fornalha de fogo (Mt 13.49,50; Ap 19.20; 20.10). Essa é
a tradução portuguesa comum das palavras já estudadas com o sentido
único de inferno, como lugar de tormentos eternos, ou sem fim.

Assim, aparecem na Bíblia frases como: ‘lago de fogo’ (grego:


límnem toû pyrós), fogo eterno, trevas exteriores, fornalha de fogo,
fornalha acesa, poço do abismo, tormento eterno... todas se referindo ao
inferno como lugar e como estado de vida.

Capítulo três
24

A ORIGEM DO INFERNO

O inferno é real

“Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt
25.41).

“Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que poder fazer
perecer no inferno a alma e o corpo” (Mt 10.28).

“E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor e para ti entrares no reino de Deus com um só
olho, do que tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno; onde o seu bicho não morre, e o
fogo nunca se apaga” (Mc 9.47,48).

“Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem de Deus” (Sl 9.17, os
grifos são nossos).

“Não desanimes... Frequentemente é a última chave do molho que abre


a fechadura” (Troty)

Quem criou o inferno?


25

3.1 Foi Deus. O inferno não é eterno quanto a origem; foi criado e
preparado por Deus para atormentar seres espirituais (Mt 25.41; Ap
20.10; Jd 6; 1Co 6.3; Is 45.7; Mt 10.28; 25.41). O sentido amplo do termo
eterno é: o que não teve início e não terá fim. Portanto, só Deus é
realmente eterno, porém, é comum referirmo-nos àquilo que teve início,
mas não terá fim como sendo, neste sentido futurista, eterno. Assim, o
céu é eterno, o inferno é eterno, bem como os seres espirituais também
o são. No inferno os seres serão atormentados eternamente.

3.2 Por que Deus criou o inferno?


- Por causa do pecado (Is 59.1,2; Sl 9.17; Rm 3.19; 6.23). O pecado é
uma espécie de mal que não pode deixar de ser devidamente punido
sem que isso incorra em injustiça da parte de Deus, o que é impossível
(Jó 15.15; 25.5; Hc 1.13). A não existência do inferno é incompatível com
o caráter santo e justo de Deus.

- Por causa da Justiça divina que é muito santa e reta e não pode ser
quebrada sem que haja reparação à altura (Hc 1.13; Rm 1.18; 6.23; 1Pd
1.17; Ap 22.12).

- Por causa do diabo. Ele é um inimigo tão feroz e cometeu um tipo de


mal tão terrível que só a punição eterna fará justiça à sua maldade e será
consentâneo com o caráter santo e justo de Deus (Mt 25.41,46; Is
14.11,14; Ap 19.20; 20.10). A Bíblia diz que ao culpado Deus não tem
por inocente (Êx 34.7; Nm 14.18; Na 1.3).

A punição ao diabo começou quando da prática do pecado no Céu


(Ez 28.15,16). Ele foi lançado por terra (Ez 28.17; Is 14.12; Lc 10.18; Ap
12.12) perdendo, assim, sua primeira habitação, mas agora prefere
habitar no espaço sideral (Ef 2.2; 6.12). Finalmente será lançado no
inferno (o lago de fogo) e será atormentado eternamente (Is 14.11,15;
Ap 20.10; Mt 25.41). Os tormentos do inferno lhes são próprios.

Quem manda os condenados para o inferno?

a) É Deus. No juízo divino há: justiça, verdade e amor (cf. Sl 9.17;


Mt 10.28; Mt 25.41,46; Jd 4,6,9). No amor divino há: verdade, justiça e
esperança (o amor “tudo espera”, 1Co 13.7).
b) Por que Deus manda para o inferno?

- Porque, no céu, é impossível a convivência com o pecado. O Céu


deixaria de ser Céu se lá houvesse pecado e pecador (Ap 21.27; Hb
14.12; Jo 3.3,5; Mc 16.16; Sl 9.17). Como a terra foi amaldiçoada por
26

causa do pecado (cf. Gn 3.17), assim também seria com o Céu. Deus
não seria justo e todo ato de justiça já praticado por Deus contra o
pecado, em toda a história humana e angelical, perderia o sentido. Seria
uma injustiça, também, condenar os anjos (2Pd 2.4; Jd 6). Quem
gostaria de morar no céu tendo como vizinho o diabo, ou mesmo Hitler,
Nero, Mau Tsé Tung e tantos outros perversos que morreram e não
foram salvos?
- Porque a punição eterna é o castigo merecido para quem escolhe viver
fazendo a vontade do diabo (Jo 10.10a).

“O maior enganado é aquele que engana a si próprio” (Raph Waldo


Emerson).

Capítulo quatro
27

O QUE É O INFERNO?

Resposta A: O inferno é um lugar

“Um lugar de tormentos”. Leiamos os textos bíblicos:


“Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes a casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos; par que lhes dê
testemunho, afim de que não venham também para ESTE LUGAR de tormentos” (Lc 16.27,28).

“... Lançados no lago de fogo...” (Ap 20.14,15, grifos nossos).

Resposta B: O inferno é também uma condição de vida

“... estou atormentado nesta chama...” disse o homem rico após a morte, quando já se achava no
hades (Lc 16.24b).

“De dia e de noite serão atormentados para todo o sempre” (Ap 20.10)

“... E serão atormentados com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro... e não
têm repouso nem de dia nem de noite...” (Ap 14.10b,11b, grifos nossos).

Introdução
28

Esta pergunta - o que é o inferno? - requer dupla (não dúbia)


resposta e é o que vamos fazer. Dividiremos a resposta em duas partes:
A e B. Na primeira série de comentários vamos responder a pergunta
afirmando o que a Bíblia diz ser o inferno: um lugar. Isso é muito
importante porque há quem pense e até ensine que o inferno não é um
lugar específico e, assim fazendo, se confunde e confunde outros. A
Bíblia é clara ao afirmar que o inferno é um lugar.

Na parte B deter-nos-emos em mostrar o que a Bíblia ensina: o


inferno, além de um lugar tenebroso, é também uma condição ou um
estado de vida de sofrimentos físicos, espirituais e psicológicos
indizíveis. Assim, vamos explicar que o inferno é um lugar tenebroso
onde os seres condenados irão viver eternamente em sofrimentos
intermináveis.

A conhecida história contada por Jesus em Lc 16.23-31 a respeito


do rico e de Lázaro descreve o inferno como lugar e como estado de
vida. Já a clássica passagem bíblica de Mc 9.43-48 descreve o inferno
mais como condição de vida. A Bíblia descreve o inferno e também o
céu mais como condição ou estado de vida do que como lugar, mas os
descrevem também como lugar.

“Ali”, no inferno, naquele lugar, “haverá pranto e ranger de dentes”.


Essa é a condição de vida que o lugar (inferno) oferece.
“De dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”. Essa é a
condição de vida no inferno.

O que é o inferno?

4.1 Resposta A: O INFERNO É UM LUGAR!

Sim, o inferno é um lugar!


29

Lugar é um espaço que pode estar vazio ou ocupado. Um espaço


próprio para determinado fim. Indica um espaço (lugar) delimitado ou
extensão definida. O inferno não é apenas um estado de espírito nem
uma força de expressão. É um lugar próprio, delimitado, definido, criado
com finalidades específicas e exclusivas (Mt 25.41,46; Mc 9.43-48).
Como dissemos, no hebraico o termo tehom quer dizer “lugar sem fundo,
lugar insondável, abismo, mundo inferior”, inferno (cf. Sl 71.20; Lc
8.30,31; Rm 10.7; Ap 9.2-4).

4.1.1 Sua localização. Onde fica esse lugar?

a) Localiza-se em baixo, nas profundezas da terra. O texto bíblico


é claro: “Para o entendido, o caminho da vida é para cima, para que ele
se desvie do inferno que está em baixo” (Pv 15.24). Você pode
apresentar os questionamentos científico-geográficos quanto ao que
significa as expressões “em cima e em baixo”, contudo, o texto inspirado
e inerrante é claro: o inferno está ‘em baixo’. Sobre a queda de Lúcifer é
dito: “... levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo” (Is 14.15),
isto é, muito em baixo.

A frase: “desceu às partes mais baixas da terra” de Ef 4.9, no


grego, é: “Catébe eis tá katótera [mére] tês yês”, literalmente, “desceu
para as inferiores regiões da terra”. Ora, é óbvio, as partes baixas não
estão em cima, na crosta terrestre; seria uma contradição. Estão em
baixo. Também não tem como confundir o inferno com a sepultura, que
está na superfície da terra e por isso pode ser vista a olho nu. Também
não pode ser confundida com os sofrimentos e injustiças desta vida aqui.

b) Fica fora desta dimensão terrena (Ef 4.8-10). É impossível aferir


e detectar tecnicamente o inferno porque, além de se incluir na categoria
espiritual, coisa do outro mundo, também está fora desta nossa
dimensão aferível: “trevas exteriores”, sem, ou fora luz espiritual, fora da
dimensão terrena (Mt 8.12). Ali é onde o “bicho não morre e o fogo nunca
se apaga”.
c) Fica fora do alcance do bem. O inferno não foi criado com o
propósito de abençoar, mas de condenar, ou seja, de prender os
condenados que rejeitaram a Graça e pisaram o Filho de Deus (Hb
10.26-29). Foi criado com o propósito de privar os réprobos de toda sorte
de bênçãos espirituais, psicológicas, sociais e naturais. A Bíblia refere-
se à ida para o inferno como uma condenação: “... Condenação do
inferno” (Mt 23.33), de modo que as palavras ‘julgado e condenado’
significam lançado no inferno (cf. Mt 10.28; Mc 16.16; Jo 3.18,19). De
maneira que nem mesmo um dedo molhado para refrescar a língua
30

haverá ali (Lc 16.24). O inferno está totalmente fora do alcance do bem,
de qualquer tipo de bem. Ali só haverá “choro e ranger de dentes” (Mt
8.12; 25.41; Ap 14.10,11). Os tormentos serão eternos, ou seja,
infindáveis (Ap 20.10).

Veja as descrições bíblicas sobre o inferno.

4.1.2 Relacionadas à durabilidade

a) O inferno é eterno; isto em relação apenas ao futuro. Ali “o fogo


nunca se apaga” (Mc 9.43-48) porque é “eterno” (Mt 25.46a; Ap
20.10,14,15) e o sofrimento é sem descanso porque é eterno (Ap
14.10,11; Lc 16.26). A Bíblia fala da “violência do inferno” (Os 13.14) e
da “eterna perdição” (2Ts 1.8-10).
b) De mal a pior. Pode-se falar num inferno em vida, na vida
no inferno e na vida infernal – vida de pecado - vida no hades e no lago
de fogo (Lc 16.25,26; Ap 20.11-14). No inferno, o estilo de vida (o estado)
e o próprio inferno (lugar) confundem-se.

c) Finalmente, o inferno é um lugar fixo e inalterável (Ap 20.10; Lc


16.26,31; 2Pd 2.17;Mc 9.43,44,46,48). Do inferno ninguém sai, nunca
mais, para ter um alívio ou mudar sua situação. No geenna o estilo de
vida é permanentemente de tormentos. A expressão grega de Ap 20.10b
é: “basanistésontai (serão atormentados, isto é, o diabo, a besta e o falso
profeta serão atormentados) eméras (de dia) kai nuktòs (e de noite) eis
toús (para os) aiônas (séculos) tôn (dos) aiônon (séculos). Isso indica
claramente sofrimento inalterável num lugar fixo por toda a eternidade.
Os ímpios serão lançados na mesma residência eterna do diabo e terão
a mesma sorte (cf. Mt 25.41,46; Ap 20.11.15). (os destaques em itálicos são meus)

4.1.2.1 Relacionadas ao lugar

a) É um abismo em algum lugar embaixo da terra, nas


profundezas, conforme o significado do latim ‘infernus’: o que está em
baixo, nas profundezas, não na superfície (Lc 16.28; Pv 15.24; Ef 4.7-
10; Ap 9.1,2; 20.1-3; Is 14.9; Ez 31.18). De acordo com as descrições
bíblicas, quem vai ao inferno sempre está DESCENDO: “descendo ao
sheol” (cf. Nm 16.30,33, NVI); “descerá ela às portas do Sheol?” (Jó
17.16, NVI); “me livrastes das profundezas do Sheol” (86.13, NVI); “...
profundezas do inferno” (Pv 9.18; Ez 31.15-18; Am 9.2, ARC).

Por outro lado, quem sai do inferno está sempre SUBINDO,


como em 1Sm 28.13,14: “Vejo deuses que sobem da terra... vem
31

subindo um homem ancião...” Em Ap 9.2 lemos: “...subiu fumo do


poço...” do abismo. A besta “subirá do abismo” (id. 17.8). Isto indica que
o inferno fica em baixo, como nos referimos (os destaques são nossos).

b) É um lugar horroroso, tenebroso e asqueroso; um isolado


abismo com cheiro de fumaça, de coisas queimadas, de enxofre e de
outros odores terríveis. (Mc 9.43; Is 14.11,15; Ap 19.20; 20.10);
c) É um lugar de densas trevas e solidão absolutas (Mt 8.12;
13.42,50; 22.13; 24.51; 25.30; Ef 6.12; 2Pd 2.4,9,17; Jd 6,13; Jl 1.15;
2.1-3,10-11,30,31; 3.15; Lc 8.31; Mc 5.1-3,5). Se os demônios sentiam
solidão nos sepulcros, nos montes, imaginem no inferno (Mt 12.43-45).
Ali não haverá repouso (Mt 12.43; Rm 2.8,9a; Ap 20.10; 14.11; Cl 2.15).
A falta de repouso é tanto um tormento psicológico quanto físico.
d) Um lugar de tormentos indizíveis e eternos. São
mencionados: o “fogo eterno” (Mt 25.46) e “atormentados para todo o
sempre” (Ap 20.10).
e) Um lugar Sob a Ira de Deus, que se caracteriza pelo estado
de vida de isolamento e de sofrimentos permanentes ali (Sf 1.7,14-18;
2.3,11a; Is 34.1,2; Ap 6.14-17; 14.9-11,19b; 18.19a; 15.1; Jo 3.36b; Rm
1.18; 2.5,6,8,9). A salvação tem também o aspecto glorioso de
livramento da ira santíssima e justíssima de Deus (1Ts 1.10; Jo 3.36). O
juízo é, portanto, a consumação dessa justíssima Ira de Deus sobre o
pecado (Rm 2.5; Mt 3.7; Ap 15.1).
f) É um lugar. Esse lugar é chamado cárcere, ou prisão
eterna.

 Referências bíblicas indiretas sobre o inferno como lugar. Nosso


interesse aqui agora é mostrar que o inferno é realmente um lugar e
esse lugar é uma prisão. Portanto, leia os textos com essa ideia em
mente: “E lançou-o (Satanás) no abismo, e ali o encerrou...” (Ap 20.3a).
Veja que a frase bíblica dá a entender de modo bem claro que o inferno
é uma prisão e as palavras “lançou-o e o encerrou”, confirmam a ideia
(os destaques são meus).

A parte ‘b’ do versículo ajuda a entender melhor a ideia do inferno


como um cárcere: “E depois importa que seja solto por um pouco de
tempo” (id. v.3b). Se um dia será solto é porque estava preso e preso em
algum lugar.

O profeta Isaías também o viu como um lugar em baixo, ao dizer:


“O inferno desde o profundo se turbou por ti...” e: “Já foi derribada no
inferno a tua soberba” (14.9,11). “Levado será ao inferno, ao mais
32

profundo do abismo” (id. v.15, grifos nossos). Davi disse: “Os ímpios serão
lançados no inferno...” (Sl 9.17), isto é, lançados num lugar de castigo.

 Referências bíblicas diretas sobre o inferno como lugar. Agora


veremos como a Bíblia o descreve textualmente como um lugar, uma
prisão ou um cárcere, sem a necessidade de interpretação. A prisão da
besta e do falso profeta no final da Grande Tribulação será no “lago de
fogo”, isto é, no inferno: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta
(...). Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de
enxofre” (Ap 19.20), isto é, lançados num lugar. “E vi descer do céu um
anjo, que tinha a chave do abismo, e uma grande CADEIA na sua mão.
Ele prendeu o dragão..., que é o Diabo...” (Ap 20.1,2, todos os destaques em negritos
são meus).

O verso 10 de Ap 20, diz: “E o Diabo, que os enganava, foi lançado


no lago de fogo e de enxofre, onde está a besta e o falso profeta...” O
verso 7 diz que no fim do milênio “Satanás será solto da sua prisão”.
Todas estas expressões: “foi presa, foram lançados, chave do abismo,
cadeia” e o Diabo sendo “preso e lançado” para dentro do abismo e
depois de algum tempo, sendo ‘solto’, descrevem o inferno como um
lugar, uma cadeia.

Judas 6 é bem claro sobre o assunto: “E aos anjos que não


guardaram o seu principado... reservou... em PRISÕES eternas...”
Pedro disse que Jesus, no terceiro dia, foi ao hades e ali pregou aos
“espíritos em PRISÃO” (1Pd 3.19) e que os ímpios serão “PRESOS...”
(2Pd 2.12). Pedro ainda afirma que o inferno é uma “CADEIA reservada”
ou cela de castigo, uma prisão eterna (cf. 2Pd 2.4,9) e, por certo, um
lugar (os grifos são nossos).

O rico da descrição de Lc 16.28b diz textual e experimentalmente


que o inferno é um “LUGAR de tormentos” e quem contou a história foi
Jesus; portanto, as palavras são dEle, confirmando a fala do homem rico
no inferno.
Creio ter mostrado, através da Bíblia, que o inferno é realmente um
lugar determinado em alguma parte do universo, mas esta é apenas a
primeira parte da resposta à pergunta: o que é o inferno?

“Seu futuro depende de muitas coisas, mas principalmente de você”


(Frank Tyger)
O que é o inferno?

4.2 Resposta B: O INFERNO É TAMBÉM UM ESTADO DE VIDA


33

O inferno é um estado mental ou uma condição de vida de


tormentos, um estado de espírito lastimoso e sem fim (Mc 9.43-49).

Atormentar é infligir tormentos, torturar, supliciar, flagelar, causar


tormento, agitar com violência. O inferno foi preparado para atormentar
e isto se refere à qualidade de vida que terão os seus habitantes.
Alguns pensam que o diabo irá atormentar as pessoas no inferno, mas
a Bíblia diz ser o próprio inferno atormentador e até o diabo vai ser
atormentado ali (Ap 20.10).

4.2.1 A resposta relacionada à qualidade de vida no inferno

a) O estado, a condição ou a situação em que o ser estará vivo e


consciente no inferno é descrito na Bíblia com expressões claras, nítidas
e vivas. O rico de Lc 16.23ss, estava ciente de sua real situação.
O texto diz que ele “ergueu os olhos, estando em tormentos” (v.23)
e suplicou: “manda a Lázaro que molhe o dedo em águas e me refresque
a língua...” E logo, pessoalmente, justificou o motivo: “porque estou
atormentado nesta chama” (v.24b). Jesus disse que ali “o fogo nunca se
apaga” (Mc 9.43). Era a real condição ou o verdadeiro estado de vida do
espírito do homem rico no inferno e ele estava ali plenamente consciente
disso.

A prisão não é só a privação da liberdade, mas, principalmente, a


ausência de Deus, da vida e do bem. As trevas, a ausência de auto
estima, a revolta, o mau cheiro, o isolamento, o “desprezo (solidão) e a
vergonha eternos” (Dn 12.2), além da tristeza, tudo faz parte do estado
de vida da pessoa, no inferno. Os condenados serão atacados de revolta
contra Deus (Ap 12.3-9,12,15,17; 16.9,11,21; Dn 10.13); por isso o
inferno é lugar de vozerio, gritos, blasfêmias, revoltas, ódio, balbúrdia e
desespero.

A Bíblia fala dos tímidos ou covardes (Ap 21.8), que no grego é


deilois, referindo-se aos que negam a Cristo nos momentos de
perseguições ou que se acovardam nos momentos difíceis.

b) Haverá diferentes graus de punição, mas tudo no inferno; a


Bíblia menciona “muitos açoites e poucos açoites” (Lc 12.47,48; Mc
9.43,44,46,48; Mt 11.21-24). Fala em “maior rigor e menor rigor” (Mt
10.15; 11.24). Até entre os condenados a justiça divina prevalece
concedendo a cada um, de acordo com os seus atos, as oportunidades
que tiveram e o grau de luz ou conhecimento que receberam.
34

Embora todo pecado mereça a morte (Rm 6.23), nem todos são
iguais; alguns merecem maior grau de punição, mesmo estando todos
os pecadores condenados e sem chances. Jesus mencionou “maior
condenação”, o que não quer dizer livramento, mas apenas maior e
menor condenação (Mt 23.14), todos, porém, no inferno.

O texto sugere que haverá diferentes graus de punição e, talvez,


diferentes lugares no inferno. Como no campo espiritual cada pessoa
responde por si e cada um usa seu livre-arbítrio como quer, os tipos de
pecados e males são individuais e pessoais. A justiça a ser feita, para
ser justa, tem que levar em consideração a individualidade, as
oportunidades, o grau de luz, a quantidade de pecados. “Os condenados
serão punidos em todos os seus sentidos e em todos os seus órgãos
porque ofenderam a Deus através de todos os seus sentidos e de todos
os seus órgãos...” (op. cit. p. 35).

c) Não haverá nenhum tipo de sociabilidade e a solidão será total,


pois faz parte do “desprezo eterno” mencionado em Daniel 12.2b. Não
há menção de qualquer tipo de amizade, cordialidade e atenção de um
para com outro lá. Cada qual chorará a sua dor. Não adianta manter o
sentimento de dó ao ler estas páginas se você, irmão ou irmã, não se
preocupa com a salvação dos perdidos.

Veremos a seguir a classificação dos tormentos infernais

Capítulo cinco

CLASSIFICAÇÃO DOS TORMENTOS


35

DO INFERNO

Pela Bíblia podemos classificar os tormentos infernais em três categorias:


 Tormentos psicológicos
 Tormentos físicos
 Tormentos espirituais

“E, se o teu olho te escandalizar, lança-o fora; melhor é para ti entrares no reino de Deus com um só
olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no fogo do inferno” (Mc 9.47).

“As oportunidades são para todos, mas nem todos aproveitam-nas” (a.d.)

A classificação

5.1 Tormentos psicológicos


36

Os tormentos psicológicos e mentais serão eternos. O próprio


ambiente infernal proporcionará esse tipo de tormento. O inferno é um
lugar tenebroso, isto é, terrível, medonho, impossível de ser
compreendido e explicado a contento pelo ser humano.

a) Sofrimentos subjetivos ligados ao estado de vida. Pelas


descrições bíblicas é possível perceber que o inferno é um lugar com
cheiro desagradável (fumaça e enxofre), o que causará ‘gastura’ e
repulsa. A presença dos demônios nunca foi e nunca será uma boa
companhia (Mc 5.5-7; Mt 8.29; Lc 8.28,31).

É um abismo de trevas, solidão, medo, pavor, terror, isolamento,


morte, separação (Ap 20.6,14), espanto e humilhação (Mt 11.23; 13.42).
“Vergonha e desprezo eterno” (Dn 12.2b) é a expressão usada pelo
profeta Daniel para se referir à situação dos condenados, o que causará
muita tristeza, “trevas e tristezas...” como afirma Joel (2.2, grifos nossos).

O fato de haver perdido tantas oportunidades, causará ódio e revolta


contra tudo ao redor, contra si mesmo, inclusive contra Deus, como
aconteceu antes (Ap 16.8,9,11), o que permitiu ajuntarem-se ao dragão
para a guerra do Armagedom, antes do juízo final (20.7-9). A auto
reprovação fará que não haja tipo algum de estima própria.

Haverá muita angústia, dor, gritos, fortes sentimentos de culpa,


lembranças dolorosas (Lc 16.24,27,28), remorso (Is 66.24), sentimentos
de derrota, de culpa e de fracasso (Is 14.11-15; Cl 2.15; Ap 20.10).

Observe que nem mesmo os demônios que estão presos no abismo


(cf. 2Pd 2.4; Jd 6,7) culpam outros por seu fracasso. Ao ler sobre
pessoas no inferno percebe-se a mesma coisa; ninguém culpa os outros
por sua condenação. Todos estarão cônscios da responsabilidade e da
culpa pessoal. O juízo final se encarregará de deixar todos sem escusas,
pela leitura das coisas “escritas nos livros”, segundo “as obras de cada
um” (Ap 20.12,13).

b) O fato de estar preso será uma tortura inimaginável (2Pd 2.4; Jd


6; Ap 20.1-3; Ler Mt 8.12; 11.23; Lc 10.15; Mt 13.42,50; 22.13; 24.51;
25.30; Rm 2.5,8,9; Ap 14.10,11). Até os demônios temiam ser mandados
para a prisão, o abismo (Lc 8.31).

c) O fato de estar plena, absoluta e definitivamente separado de


Deus, em solidão absoluta, como dizem os textos de Mt 8.12; 22.13;
25.30, que falam em “trevas exteriores” e em “apartar-se” de Deus, isto
37

é, em isolamentos definitivos, como asseguram as Escrituras (Mt 7.23;


25.41; Sl 6.8a), será um inferno. Essa separação é chamada na Bíblia
de “segunda morte” (Ap 2.11b; 20.6,14) e será um estado de sofrimentos
inenarráveis.

d) O fato de estarem plenamente conscientes e lúcidos, far-lhes-


á pensar profundamente e isso lhes aumentará os sofrimentos (Lc 16.23-
25,27,28; Ap 6.9,10; Jl 1.15; 2.1,2a; Mt 7.21-23; 10.28; Hb 9.27; Ap
19.20; 20.10). Para os justos a morte não existirá mais (Ap 7.16,17; 21.4)
e para os injustos a morte jamais acabará (Ap 14.10,11; Mt 25.41).

São mencionados textualmente:

 Prisão ou cadeia.
O inferno é uma prisão. Jesus pregou aos “espíritos em prisão”, no
hades (1Pd 3.19). Há uma classe de demônios “presos em cadeias
eternas”, no inferno (Jd 6). Estes foram “lançados no inferno, em cadeias
da escuridão” (2Pd 2.4). Assim também os ímpios serão “presos” no
inferno (id. v. 12). O Dragão será “preso” no abismo (Ap 20.2) e depois
“será solto da sua prisão” (id. v. 7, os negritos são nossos). Depois, será preso
definitivamente (20.10).
 Trevas e/ou escuridão
“E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram
a sua própria habitação” (o Céu, Ap 12.7-9), ”reservou na ESCURIDÃO
e em prisões eternas” (Jd 6).

Sobre os que viveram na impiedade, Judas esclarece que a


“NEGRURA DAS TREVAS” está eternamente reservada para eles
(id.v.13). Pedro usa a mesma expressão: “ESCURIDÃO DAS TREVAS”
reservada eternamente para os ímpios (2Pd 2.17). Outra vez no verso
4 diz que Deus não perdoou aos anjos que pecaram, “mas, havendo-os
lançado no inferno, os entregou às cadeias da ESCURIDÃO, ficando
reservados para o juízo”. Também o termo ‘reservado’ sobressai nos
textos (os destaques são meus)

Jesus, por três vezes, em três ocasiões e com pessoas diferentes,


repetiu a expressão “trevas exteriores” e disse que lá “haverá pranto e
ranger de dentes”. Eu entendo que é melhor crer nas palavras de Jesus.

Em Mt 8.12, Ele a pronunciou sobre os “filhos do reino”, isto é, os


judeus rebeldes que rejeitaram o Plano Divino de salvação (At 13.46-48).
Ele disse: “Os filhos do reino serão lançados nas TREVAS
EXTERIORES: ali haverá pranto e ranger de dentes”.
38

Em 22.13 foi sobre o homem que veio para as bodas “sem vestes
nupciais”. Aos que não se prepararem para se encontrar com o Rei,
Jesus ordenará que sejam “lançados nas TREVAS EXTERIORES: ali
haverá pranto e ranger de dentes”.

Em 25.30 foi sobre o servo inútil que enterrou o talento. A ordem é:


“lançai, pois o servo inútil nas TREVAS EXTERIORES; ali haverá pranto
e ranger de dentes”. Observe que estas trevas exteriores e estes prantos
e ranger de dentes são permanentes; é uma condição de vida numa
prisão, o inferno. Serão tormentos psicológicos indizíveis (os destaques são meus).

Sem sol e sem lua, o juízo final será um dia de trevas, como bem
profetizaram os profetas do AT. Por exemplo: Joel disse que esse dia do
Senhor, o juízo final, será: “Dia de TREVAS e de tristeza; dia de nuvens
e de TREVAS ESPESSAS...” (2.2). Amós, falando sobre o mesmo
assunto diz: “Ai daqueles que desejam o dia do Senhor!” Então, pergunta
ele: “para que quereis vós este dia do Senhor? TREVAS será e não luz”
(5.18) e logo no verso 20 repete: “Não será, pois, o dia do Senhor
TREVAS e não luz? Não será completa ESCURIDADE, sem nenhum
resplendor?” (destaques meus).
As trevas causam medo, assombro, pavor, angústia, insegurança e
muitas outras coisas horríveis e é o que haverá no inferno por toda a
eternidade.

 Tormentos do tipo:

- Com fogo e enxofre. O pastor Aníbal contou e anotou que por


trinta vezes o inferno é mencionado na Bíblia como fogo. O fogo que
nunca se apagará (Jl 1.15; Sf 1.18; Ml 3.1,2; 4.1; Sl 97.3; Mt 3.10,12;
5.22; 7.12; 13.30,40-42,49,50; 18.8,9; 25.41; Mc 9.43b-48; Lc 3.9,17; Jo
15.6; 2Pd 3.7; Jd 7,13,23; Ap 14.10; 18.8; 19.20; 20.10,14,15; 21.8, etc.).

- Com choro e ranger de dentes. A frase choro ou pranto e ranger


de dentes é repetida seis vezes na Bíblia (Mt 8.12; 13.42,50; 22.13;
24.51; 25.30; Lc 13.28);

- Com tribulação. Paulo afirma ser “justo diante de Deus que dê


tribulação aos que - agora nos - atribulam...” (2Ts 1.6,9) e que “tribulação
e angústia” virão “sobre toda a alma do homem que obra o mal...” (Rm
2.9).
39

- Como vingança divina. Jesus virá do céu “como labaredas de fogo,


tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não
obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais – os
que não conhecem e os que não obedecem – por castigo, padecerão
eterna perdição ante a face do Senhor e a glória do seu poder” (2Ts 1.6-
9). Porque a “vingança pertence a Deus” e Ele tem o dia certo para
começar vingar-se (Sl 94.1; Is 35.4; Nm 1.2; Hb 10.30). Ele “julga e vinga”
(Ap 6.10; 19.2, ênfase minha).

Será a execução da ira divina, sobre os que não se converteram:


“quem não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele
permanece” (Jo 3.36b).

5.2 Tormentos físicos

Os tormentos físicos são verdadeiros e subentendem dor. Não se


trata de algo imaginário, figurado ou simbólico, mas real. O corpo será
espiritual, mas tangível. Quando nos referimos a sofrimentos físicos,
queremos dizer, apropriados para esses devidos corpos. Muitos dos
tormentos psicológicos são também tormentos físicos. O fogo que causa
asfixia e sufoca, também queima, isto é, provoca dores: “o fogo nunca
se apaga e o bicho nunca morre” (Mc 9.43b-48); “de dia e de noite serão
atormentados para todo o sempre” (Jd 7,13,23; Ap 19.20; 20.10,14,15;
Is 50.11; Mt 25.46,51; 13.42; 8.29; 18.34,35).

Quem atormenta? Os demônios tinham medo de que Jesus os


atormentassem e espavoridos rogaram-Lhe certa vez: “conjuro-te por
Deus que não me atormentes” (Mc 5.7b), ao que Mateus anotou: “Vieste
aqui atormentar-nos antes do tempo?” (8.29). Lucas anotou assim:
“Peço-te que não me atormentes” (8.28). É estranho demônios fazer
pedidos em nome de Deus, não? Imagina como serão tais tormentos.

Os demônios sabem que no inferno serão atormentados. É verdade


que Jesus ferirá as nações (Ap 19.15), mas os tormentos do inferno são
próprios e inerentes a ele, ou seja, o inferno foi criado e preparado com
as condições próprias para atormentar e, por isso, além de um lugar
específico, ele é também uma condição ou estado de vida de tormentos
eternos; é o geenna de dor (Lc 16.23-25,28; Mc 9.44,46,48; Ap 14.10,11;
Ap 19.20; 20.10).
Quem não crer será condenado (Jo 3.3,5,18,36; Mt 18.3; Mc 16.15)
e essa condenação implica em sofrimentos reais (Mt 8.12; 25.41,46).
40

A Bíblia menciona o lançamento de todo o ser da pessoa perdida no


inferno: alma e corpo. Sobre o assunto, Marcos anotou: “melhor é para
ti entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos,
seres lançado no fogo do inferno” (Mc 9.47), o que indica a condenação
da totalidade da pessoa condenada.

Mateus anotou com mais detalhes. Veja: “... é melhor que um dos
teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no
inferno” (Mt 5.29,30). No verso 28 do capítulo 10 as palavras são mais
claras ainda: “temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a
alma e o corpo”. Evidentemente, trata-se do corpo do pecado,
ressuscitado na segunda ressurreição (Ap 20.5,6), a ressurreição “dos
injustos” (At 24.15b), para a “condenação” (Jo 5.29), “vergonha e
desprezo eterno” (Dn 12.2b), que é a “segunda morte” (cf. Ap 2.11; 20.6;
14; 21.8, destaques meus).

5.3 Tormentos espirituais

O inferno, sendo o resultado prático da segunda morte (cf. Ap 2.11;


20.6,14), significa separação espiritual eterna, definitiva e absoluta da
presença de Deus. A aberta declaração de Jesus: “nunca vos conheci;
apartai-vos de mim...” (Sl 6.8; Mt 7.23; 25.41; Lc 13.27, ênfase minha), causará
vergonha (Dn 12.2b) e significa isolamento da presença do Senhor, sem
qualquer contemplação da natureza porque ela também revela Deus e
sua bondade (Sl 19; Rm 1).
Portanto, no inferno não se comtempla a vida, o belo, a arte ou
qualquer outra coisa boa; nada que os remeta a Deus e à vida. O inferno
é a segunda morte ou separação infindável.

Lá ninguém terá fé, esperança, amor, temor ou reverência. Será o


ápice do desespero, da vergonha e do ódio (Dn 12.2b). Pelo menos dois
grandes motivos farão os condenados corroerem-se de vergonha diante
de Jesus:
O primeiro, logo na presença dEle, irão dizer: “Senhor, Senhor...” e
se explicarão: “temos comido e bebido na tua presença, e tu tens
ensinado nas nossas ruas”, e Ele lhes dirá “abertamente: ‘não sei donde
vós sois; apartai-vos de mim...’” (Lc 13.25b-27, ênfase minha). Ora, que
vergonha! Que decepção! Que frustração!

O segundo motivo é por ter desprezado a maior prova de amor e


entrega de Jesus para nossa libertação (Hb 10.28-31). Preferiram não
crer em Deus que convida a todos agora e promete: “Vinde a mim, todos
os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei...” (Mt 11.28), e
41

Eu “perdoarei os seus pecados” (2Cr 7.14b), “porei as minhas leis em


seus corações, e as escreverei em seus entendimentos... e jamais me
lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades...” (Hb 10.17; Mq 7.19,
ênfase minha). Conscientes, agora irão remoer isso por toda a eternidade.

É um lago de fogo e enxofre. Como dissemos, o inferno é


mencionado na Bíblia, como fogo, muitas vezes (ler Jl 1.15; Ml 3.1,2; 4.1;
Sl 97.3; Mt 13.30,40-42,49,50; 18.8,9; 25.41; Mc 9.43b-48; Jd 7,13,23;
Ap 19.20; 20.10,14,15). Tormentos ‘dia e noite’ significam
continuamente, ininterruptamente (Ap 19.20; 20.10), em desespero
permanente (Pv 11.7), uma vez que lá na eternidade não haverá tempo,
não haverá, portanto, dia e nem noite.

Capítulo seis

RESUMO GERAL

Podemos resumir o estudo perguntando: O QUE É O INFERNO?


E respondendo:

6.1 O inferno é um lugar: real, verdadeiro, perceptível Lc 16.28b;


Ap 20.10;
a) Um lugar embaixo, nas profundezas Pv 15.24; Ef 4.7-10; Ap
20.1-3;
b) Um lugar fora da dimensão terrena Mt. 8.12; 13.42,50; 22.13;
42

c) Um lugar para sempre fixo e inalterável Ap 19.20; 20.10; Mt


25.46a;
d) Um lugar eterno Lc 16.26; Ap 20.10; Mt 25.41,46;
e) Um lugar horroroso, asqueroso e mal cheiroso Ap 19.20; 20.10;
f) Um cárcere de torturas Mt 25.46; Jd 6,13; 2 Pd 2.4,9; Ap 20.1-
3;
g) Um grande abismo Ap 9.1,2; 20.1-3.
h) Um lago de fogo Ap 19.20; 20.10,14,15.

6.2 O inferno é também um estado de vida, ou um estado de


espírito, uma condição de vida Mc 9.43,44,46,48; Mt 25.46; Ap 20.10; Lc
16.23-25,28 fora do alcance do bem Jo 3.36b; 1Ts 1.10; Ap 19.15; 20.10;
Mc 9.43; 2Pd 2.9; Mt 25.41, onde os ímpios permanecerão:

(1) Conscientes e lúcidos, sabendo e se lembrando das coisas Lc


16.23,25,27,28; Ap 6.9,10;
(2) Em sofrimento e dor. Veja a expressão “choro e ranger de
dentes” repetida em (Lc 16.24,25,28); Mt 8.12; 13.42,50; 22.13; 24.51;
25.30;
(3) Em densas trevas Jd 6,13; 2Pd 2.4,17; Jl 2.1-3; Mt 8.12; 25.30;
22.13; 8.12.
(4) Em fogo (Lc 17.29; At 2.19), Ap 21.8; 20.10,14; Jd 23; 2Pd 3.7;
Hb 10.27; 2Ts 1.8; Lc 3.9; Mc 9.44-48; Mt 25.41; 18.8; 13.40).

6.3 Para quem é o inferno?


a) Para o diabo e seus anjos (Mt 25.41). Serão os primeiros a
seres lançados lá; pela ordem: a besta e o falso profeta (Ap 19.20),
depois o diabo (Ap 20.10), depois os demônios (Mt 25.41) e, depois, os
incrédulos (Ap 20.15).
b) Para os infiéis desobedientes (Mt 7.21,23; 25.41-46; 2 Ts 1.7-
9; Jo 3.3,5);
c) Para os incrédulos (ateus) e ímpios (Sl 9.17; 14.1; Ap 21.8,15);
d) Para quem rejeita o plano de Deus em Cristo (Mt 18.3; Sl 7.12;
9.17; Hb 10.26-31; Mc 16.15,16; Jo 3.36);
e) Para qualquer que não se converter (Sl 7.12; 9.17; Ez 18.12,13,
21-23, 27, 30,32; 33.9,11-16,18,19; At 2.37,38; 3.19; Mt 25.41,46; 7.21-
23).

6.4 Tipos de pecadores condenados


a) Quem manda para o inferno é Deus Ap 20.3,10; 21.14,15;
Mt 25.41,46; Sl 9.17; Mt 10.28; 13.42,49,50; 18.34,35; Hb 10.26-31. O
pecador é merecedor disso e irá para o inferno por méritos próprios (Sl
14.1-3; 51.5; 58.3; Gn 6.5; Rm 3.10-12,19,23; 6.23);
43

b) Pessoas socialmente boas, porém, não convertidas, irão


para o inferno (Jo 3.3,5; Hb 12.14; (Ap 21.27).
b.1 Como era Nicodemos (Jo 3.1-7); mas ele se converteu.
b.2 Como era o mancebo de qualidade (Lc 18.18-25);
b.3 Como era Cornélio (At 10.1-6,22,25,26,32,44-48) e tantos
outros bons religiosos (Jo 2.24,25; Mt 7.21-23); 25.1,13,41-46);

c) Qualquer que não se converter (Sl 7.12; Ez 18.12,13, 21


23,27,30,32; 33.9,11-16,18,19; Mt 15.19; Lc 13.3,5; Jo 3.3,5; Hb 12.14;
At 2.38; 3.19).
d) Os cães, pessoas dadas a devassidão moral (Ap 21.8);

6.5 Listas, não completas, de condenados ao inferno: Mt 7.21-23; 1Co


6.9-11; Ef 5.3-7; Dt 23.17,18; Ap 21.8; 22.15; Gl 5.19-21, entre outros
textos. São mencionados adúlteros, fornicários, idólatras, divisionistas,
homossexuais, etc.
Sobre o espiritismo a Bíblia é clara: “quando entrarem na terra que
o Senhor, o seu Deus, lhes dá, não procurem imitar as coisas
repugnantes que as nações de lá praticam. Não permitam que se ache
alguém entre vocês que... pratique feitiçaria, ou, seja médium, consulte
os espíritos ou consulte os mortos” (Dt 18.9-11, NVI). “Não recorram aos
médiuns, nem busquem a quem consulte espíritos, pois vocês serão
contaminados por eles...” (Lv 19.31, NVI).

Os rebeldes eram punidos com a execução sumária: “Os homens


ou mulheres que, entre vocês, forem médiuns ou consultarem os
espíritos, terão que ser executados. Serão apedrejados, pois merecem
a morte” (id. 20.27; Êx 22.18).

Assim era com os idólatras, mentirosos e homossexuais ativos ou


passivos (Lv 18.22; 20.13; Dt 23.17; 1Co 6.9,10, NVI). O inferno espera
os desobedientes (Hb13.7,17), os incrédulos, os avarentos, quem odeia
o irmão... (1Jo 3.10,14; Êx 20.3-6; Lv 26.1; 1Co 6.9,10; 5.10,11; Ef 5.3-
7; Dt 23.17,18; Ap 21.8; 22.15 (Lv 20.10; Hb 13.4). 2Ts 1.7-9; Rm
2.8,12,13,16; 1.20-24,26-32; Gl 5.16-21; 6.7,8. Rm 1.29-32; 2Tm 3.1-9;
1Tm 6.3-10 (NVI); Hb 10.26-31), e quem não perdoa (Mt 6.12).
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“A verdade no fundo é que você sempre sabe a coisa certa a fazer. A


parte difícil é fazê-la” (Gen. Norman Schwarzkof)

CONCLUSÃO

Em razão e por consequência de tudo o que foi dito e mostrado nos


textos bíblicos, não há como confundir o inferno com coisa ou lugar
algum, que não seja aquilo ensinado pelas Sagradas Escrituras. O
inferno não é a sepultura, não é apenas um estado ou condição de vida
do tipo vida ‘infernal’, não é apenas um lugar. É mais que isso.

O inferno existe, foi Deus quem o criou e para quem quiser livrar-se
dele há apenas uma maneira: converter-se a Cristo (At 3.19). É a Pessoa
de Cristo que, pelo poder do seu Sacrifício expiador, salva o pecador,
livrando-o do inferno e levando-o para o céu. Não há outro jeito (Mc
16.16; Jo 20.31; At 4.12; 1Jo 2.12).

O pecador não pode salvar-se a si mesmo (Sl 49.7-9; Ez 18.4,20).


Jesus foi claro: “isso é impossível aos homens” (Mt 19.25,26). Pedro e
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Paulo entenderam facilmente a fala de Jesus (At 4.12; Rm 3.19,23; 6.23).


O próprio diabo e “seus anjos” serão lançados nesse lugar pavoroso (Ap
20.10; Mt 25.41,46).

No inferno não haverá um aperto de mãos, um abraço, um bom dia,


um sorriso, uma palavra de apoio e de reconhecimento. Cada um estará
chorando a sua dor na solidão, nas trevas, isolado, curtindo sua
vergonha e desprezo (Dn 12.2b. Lá não haverá sociabilidade alguma (Lc
16.24; Hb 10.26-31; Ap 6.15-17. Nm 14.18.7).

Ninguém nunca vai encontrar na Bíblia algo pelo menos parecido


com alegria ou felicidade no inferno porque lá não existe isso. Ali será a
separação definitiva, absoluta separação infinita de Deus. É isso que a
Bíblia chama de segunda morte, a morte eterna (Ap 2.11b; 20.6,14).
Urge que vivamos para a glória de Deus e que preguemos o evangelho
a “tempo e fora de tempo”, para que as pessoas, crendo em Jesus
livrem-se do inferno.

Como lugar ele é uma prisão, um cárcere. Como estado ou condição


de vida constitui-se no máximo do vilipêndio e da dor em espessa
escuridão. É assim que a Bíblia, a Palavra Santa de Deus, descreve-o
como bem o mostramos à saciedade.

Nosso objetivo neste livreto é advertir as pessoas da tremenda


realidade da existência do inferno. Como lugar e condição de vida, o
inferno é eterno, isto é, sem fim. Ali “o bicho (a alma) não morre e o fogo
nunca se apaga” (Mc 9.43).
Se, ao terminar a leitura, você se considerar avisado, nós nos
sentiremos realizados.
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“Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes (nações) que se


esquecem de Deus” (Sl 9.17).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SILVA, Esequias Soares da. O Inferno. São Paulo: Candeia, 1996,


vol. 9.

ARAÚJO, Luiz César Nunes de. Como você pode escapar do


inferno. Anápolis: Gráfica Ideal e Editora LTDA, 2012.

MENDONÇA, Odilon. O Inferno. Ensinando as Nações, Revista


EBD, CIAD, nº 46, lição 8, 2012.

REIS, Dr. Aníbal Pereira dos. O Diabo. São Paulo: Caminho de


Damasco, 1976.

Novo Testamento Interlinear grego/português, Sociedade


Bíblica do Brasil, 2004.
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KARDEC, Alan. O Céu e o Inferno, ou a justiça divina segundo o


Espiritismo. 54ª ed. Trad. de Salvador Gentile, Araras: IDE, 2015.

OLSON. N. Lawrence. O Plano Divino Através dos Séculos. Rio


de Janeiro: CPAD, 1979.

BOYER, O. S. Pequena Enciclopédia Bíblica. 8ª ed.


Pindamonhangaba: IBAD, 1985.