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Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe

Disciplina: Direito Administrativo II


Prof. Me. Edson Oliveira

Material de apoio - Coletânea de textos

Mensagem do Professor
Prezado (a) Aluno (a),
É com grande satisfação que leciono a disciplina Direito Administrativo. Este material foi produzido com a
finalidade de ajudá-los a atingir os seus objetivos. Mas, para isso, dê um voto de confiança para si mesmo e
acredite na sua capacidade. Não têm como os outros acreditarem em você se não fizer isto primeiro.
Bons estudos!!! Um forte braço!
Prof. Edson Oliveira - Tel: 99908-8710 / Face: Edson Oliveira / Instagram: @edsonoliveira0
Email: edsonoliveira@prof.fanese.edu.br

PRELIMINARES (DIREITO ADMINISTRATIVO I)

Segundo Hely Lopes Meirelles ―Direito Administrativo‖ é o conjunto harmônico de princípios jurídicos
que rege os órgãos, os agentes e as atividades públicas tendentes a realizar concreta, direta e imediatamente os
fins desejados pelo Estado.
O ―Direito Administrativo‖ é o conjunto de princípios jurídicos harmônicos entre si que têm a finalidade
de reger os órgãos (órgão é onde existe concentração de competência), os agentes (aqueles que trabalham nos
órgãos) e as atividades públicas (sejam estas atividades de interesse público ou apenas de organização da vida
em comunidade). Esses princípios regem para que sejam realizados os fins desejados pelo Estado. E esses fins
são os fins por nós desejados, aqueles que estão na CF. São os fins que o Estado brasileiro deseja. O Estado é
abstrato, é a Administração Pública quem vai administrá-lo. E a Administração Pública é por sua vez regrada
pelo DA. Esta atividade regrada pelo DA é concreta e direta, em contraposição à judicial que é indireta. Essas
atividades administrativas, além de concretas são diretas e imediatas.
As normas administrativas devem ser interpretadas de acordo com alguns processos interpretativos
utilizados para o Direito Privado tais como a interpretação gramatical, histórica, autêntica, teleológica etc..
Como o Direito Público não desenvolveu processos próprios de interpretação, utiliza-se dos existentes no
Direito Privado.
As normas de Direito Privado se exaurem no entendimento dos particulares envolvidos na relação
jurídica; as normas de Direito Público têm projeção, que é o atendimento do interesse público, ou seja, visam o
bem comum da coletividade.
Três são os pressupostos de validade das normas administrativas:
a) desigualdade jurídica entre a Administração e os administrados => há um princípio de Direito
Natural inserido na Carta que afirma que todos são iguais perante a lei. No entanto há uma desigualdade entre a
Administração (plano superior) e os administrados (plano inferior), mas que não é inconstitucional.
Trata-se de uma desigualdade jurídica existente para a defesa da maioria, ou seja, a supremacia do Poder
Público sobre os cidadãos, dada a prevalência dos interesses coletivos sobre os individuais. É um tratamento
desigual porque a Administração representa a coletividade e o interesse da coletividade, como sabemos,
sobrepõe ao interesse da minoria;

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b) presunção de legitimidade => presume-se que os atos da Administração Pública são sempre
legítimos. Trata-se de uma presunção juris tantum que dispensa para a Administração Pública a prova de
legitimidade de seus atos ou seja, cabe ao particular provar o contrário, que ela agiu com ilegalidade flagrante
ou dissimulada sob a forma de abuso ou desvio de poder;

c) necessidade de Poder Discricionário => a discricionalidade é a liberdade de ação que a


Administração têm para melhor atender aos interesses públicos ou seja, o funcionário público tem uma certa
margem de liberdade para o exercício de certos atos de interesse coletivo. Contraposto ao Poder Discricionário
temos o chamado Poder Vinculado, através do qual o administrador tem a obrigação de cumprir a lei.

Na concepção de Maria Sylvia Zanella Di Pietro o ―Ato administrativo‖ é uma espécie de ato jurídico
perpetrado pela Administração com a finalidade pública (ex.: anulação, revogação, convalidação, extinção etc.)
de criar, modificar ou extinguir direitos. Enquanto os elementos do ato jurídico são o agente capaz, a forma e o
objeto lícito, os do ato administrativo são o agente competente, a forma, a finalidade pública, o motivo e o
objeto lícito.
Neste contexto, o ato administrativo será vinculado se todos esses elementos estiverem em
conformidade com a lei; ou discricionário, se, embora todos presentes, somente os três primeiros estiverem
regrados. Torna-se importante ressaltar que, de forma liberada, é deixado para o administrador o objeto e o
motivo já que estes dois últimos elementos não estão previstos em lei. Neste caso é o administrador tem que dar,
dentro da discricionariedade regrada, uma solução para o caso, ou seja, terá liberdade de escolha na
conformidade da lei.
Para ilustrar exibe-se o seguinte exemplo: Se um servidor público (agente competente) falta por mais de
30 dias (motivo) configurando abandono de cargo de acordo com o Estatuto do Servidor Público (forma) deverá
ser demitido (objeto) para bem do Serviço Público (finalidade).
Dentro desta perspectiva, tem-se um ato vinculado onde o chefe não terá uma outra opção a não ser
demiti-lo. Em outro exemplo, sendo o Município responsável pela salubridade pública (finalidade) e uma
determinada fábrica começa a poluir o ar contrariando portaria existente sobre o assunto (forma), caberá ao
Prefeito (agente competente) decidir com discricionariedade que tipo de providência deverá tomar, isto é, se
fecha a fábrica ou se aplica multa. Verifica-se neste exemplo que o motivo (poluição do ar) e o objeto (
fechamento ou multa da fábrica) não devem ser considerados porque quando a fábrica foi instalada, não
estavam previstos na lei.
Nem o Poder Judiciário pode reverter atos discricionários da Administração Pública desde que eles
estejam em conformidade com o bom senso do administrador no que se diz respeito à relação entre a
proporcionalidade da infração e a sanção aplicada, a finalidade social etc. Diante do exposto, esses atos têm
que estar envoltos pelo princípio da legalidade.

Há dois critérios para se aplicar a hierarquia das normas administrativas:

a) pela maior ou menor extensão da eficácia da lei: sendo as normas administrativas federais (União),
estaduais (Estados) e municipais (Municípios), elas têm uma hierarquia territorial ou seja, lei federal > lei
estadual > lei municipal;

b) pela maior ou menor intensidade criadora do direito: a hierarquia começa pela Constituição e pelas
emendas constitucionais que a ela se incorporam. E os tratados internacionais de direitos humanos aprovados no
rito do art. 5, § 3º da CF/88, pois, terão status de emenda constitucional.
De acordo com o Princípio da Constitucionalidade das Leis, o ordenamento jurídico não pode se
confrontar com a Constituição, pois é ela que regula a organização e o funcionamento da estrutura jurídica do
País.
Neste contexto, pode-se dizer que uma determinada norma é inconstitucional se ela apresentar um vício
de origem ou de forma ou material. Existem mecanismos de controle da Constituição que vão dizer se a norma é
ou não inconstitucional.
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Elementos do Estado: o Estado é composto pelo Território, População e Soberania.

a) Território: é o elemento físico do Estado. É formado pelo solo, subsolo, águas, espaço aéreo,
plataforma continental, naves e sedes das representações diplomáticas. Representa o local onde se exerce a
jurisdição.
b) Povo: é o elemento humano do Estado. Difere de “População‖ que é o componente humano que
habita o território (incluindo-se neste caso os estrangeiros residentes no país).
c) Soberania: é a independência no plano externo e a autonomia plena no plano interno, que detém e
exerce o poder absoluto de autodeterminação e auto-organização emanada do Povo. E se tem soberania,
é competente e independente.

Poderes de Estado: a vontade estatal apresenta-se e se manifesta através dos denominados Poderes de
Estado. Esses Poderes, na clássica tripartição de Montesquieu, até hoje adotada nos Estados de Direito, são o
Legislativo, o Executivo e o Judiciário, independentes e harmônicos entre si e com suas funções reciprocamente
indelegáveis. Difere dos Poderes da Administração Pública que são: Vinculado, Discricionário, Hierárquico,
Disciplinar, Normativo (gênero), Regulamentar (espécie) e de Polícia (Administrativa e Judiciária).
A cada um desses Poderes é atribuída uma função com precipuidade. No entanto, estes poderes têm a
necessidade de praticar atos administrativos, ainda que restritos à sua organização e ao seu funcionamento, e,
em caráter excepcional admitido pela Constituição, desempenham funções e praticam atos que, a rigor, seriam
de outro Poder.
O que há, portanto, não é separação de Poderes com divisão absoluta de funções, mas, sim, de
distribuição das três funções estatais precípuas entre órgãos independentes, mas harmônicos e coordenados no
seu funcionamento, mesmo porque o poder estatal é uno e indivisível.
Há um sistema de freios e contrapesos para que um Poder possa limitar o outro, como sugeriu
Montesquieu. E o Governo seria resultante da interação dos três Poderes de Estado, como a Administração o é
de todos os órgãos desses Poderes.
Na prática, portanto, eles são identificados segundo a prevalência de suas atividades. Por exemplo,
sabemos que o Poder Legislativo tem a função de legislar (função normativa), que o Poder Executivo tem a
função de converter as leis em atos individuais e concretos (função administrativa) e que o Poder Judiciário tem
a função precípua da aplicação coativa das leis aos litigantes (função judicial). No entanto o Legislativo pode
derrubar um veto do Executivo, promulgando a lei (função executiva); o Executivo pode fazer uma lei (função
legislativa) que altera a composição de um tribunal, podendo até extinguí-lo se quiser (função judiciária) e o
Judiciário por sua vez, pode anular ato administrativo ilegítimo ou ilegal, feito pelo Executivo (função
executiva) ou elaborar normas, portarias etc. visando o seu próprio funcionamento (função legislativa).

Organização do Estado: trata-se de matéria constitucional no que concerne à divisão política do


território nacional, à estruturação dos Poderes, à forma de Governo, ao modo de investidura dos governantes e
aos direitos e garantias dos governados.
Além das disposições constitucionais que tratam da organização do Estado, temos também a legislação
complementar e ordinária que trata da organização administrativa das entidades estatais, de suas autarquias e
entidades paraestatais instituídas para a execução desconcentrada e descentralizada de serviços públicos e outras
atividades de interesse coletivo, objeto do DA e das modernas técnicas de administração.
No Estado Federal a organização política compreende a União, os Estados-Membros, o Distrito Federal
(Estado anômalo) e os Municípios (Os territórios têm como característica ser autarquia da União). Estes últimos
também são entidades estatais com autonomia política reconhecida pela Carta (peculiaridade da Federação
brasileira). Existem outras pessoas jurídicas, além das estatais, que são as entidades paraestatais, as autarquias e
as fundações. Este conjunto de entidades estatais, autárquicas, fundacionais e paraestatais constitui a
Administração Pública em sentido amplo, ou seja, a Administração centralizada e descentralizada, atualmente
denominada de direta e indireta.

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Administração Pública: é organizada por leis infraconstitucionais (não por decretos, portarias etc.).
A sua organização contém uma parte que está na CF, que são princípios gerais de cumprimento
obrigatório (art. 37 e seguintes) e outra parte que é fornecida por legislação infraconstitucional (através de leis
complementares e das leis ordinárias). No entanto podemos nos deparar com certa parte desta organização feita
através de decreto ou de decreto-lei, em decorrência da história política do País. Os decretos-lei eram diplomas
constitucionais resultantes de legislação do Executivo durante os regimes ditatoriais revolucionários.

Além dos princípios administrativos, considerados como obrigatórios para a organização da


Administração Pública, outros princípios considerados não obrigatórios são também utilizados, tais como os da
Ciência da Administração.

Governo e Administração
a) no sentido formal: o Governo representa a totalidade dos Poderes e órgãos constitucionais e a
Administração o conjunto de órgãos instituídos para o atingimento dos objetivos governamentais;
b) no sentido material: o Governo é o elenco das funções estatais básicas e a Administração é o
complexo das funções necessárias para a realização dos serviços públicos;
c) no sentido operacional: o Governo é a condução política dos negócios públicos, enquanto que a
Administração é o desempenho constante e sistemático segundo normas técnicas e legais dos serviços
próprios do Estado ou assumidos por ele em benefício da coletividade.

O Governo identifica-se com os Poderes e órgãos supremos do Estado, exercendo funções originárias da
Constituição, ou seja, a função política dando diretrizes dentro de um nível estratégico (normas programáticas).
A Administração Pública é um aparelhamento do Estado organizado especialmente para a realização dos
serviços públicos com o objetivo de atender as necessidades coletivas. Não pratica atos de governo, mas tão
somente atos de execução, que são os atos administrativos, ou seja, a função administrativa realizando planos de
ação dentro de um nível operacional (direitos sociais).

Como observado, o ―Governo‖ tem uma atividade política e discricionária, atuando com
responsabilidade constitucional e com uma conduta independente e a Administração por sua vez exerce uma
atividade neutra, subordinada à lei ou regra técnica, atuando com responsabilidade profissional e com uma
conduta hierarquizada.
Para ilustrar, tem que o Prefeito ao ser eleito vai ser governante e, portanto, vai exercer atividades
políticas e administrativas discricionárias, agindo de acordo consigo mesmo, de acordo com os seus próprios
princípios. Poderá fazer os orçamentos através de técnicos, decidindo sempre com responsabilidade
constitucional, pois se assim não o fizer, poderá ser cassado. Os seus funcionários são subordinados diretamente
às leis ou às regras técnicas, tendo responsabilidade profissional e conduta hierarquizada. Todos têm poder de
polícia.
É importante destacar que, os ―Órgãos Públicos‖ são elementos despersonalizados incumbidos da
realização das atividades do Estado através de atos praticados por seus agentes. Segundo Hely Lopes Meirelles,
Órgão Público é o centro de competência instituído para o desempenho de funções estatais através de seus
Agentes Públicos ocupantes de cargos públicos cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem.
Seja o órgão governamental ou administrativo, vai ter cargo e Agente Público. Quando são milhares de
cargos públicos estes cargos podem não estar providos, isto é, podem estar vagos, mas o órgão terá a sua
existência independentemente da existência do agente. As tarefas realizadas pelos agentes vão representar a
manifestação da vontade estatal.
Como foi visto, no universo constitucional da repartição de competências, de acordo com a Constituição,
somente a União, os Estados, o DF, os Municípios e as Autarquias é que são consideradas pessoas jurídicas. Os
órgãos não possuem personalidade jurídica, eles só podem manifestar a vontade destas pessoas elencadas pela
CF/88. As competências expressas nos artigos 21, 22, 23 e 24 da Constituição Federal não são dos órgãos,
originariamente, são dos entes federados (União, Estados, DF e Municípios), conforme repartição na Carta
Magna.
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LICITAÇÕES PÚBLICAS (I Unidade)

É o processo administrativo vinculado (Lei nº 8.666/1993, Decreto nº 9.412/2018, Lei nº 10.520/2002,


dentre outras) com o fito de escolher a proposta mais vantajosa para a Administração Pública, com base nos
princípios da isonomia, competitividade, legalidade e demais princípios gerais e específicos que regem o
processo licitatório.
Com o advento do Decreto nº 9.412/2018 os valores das modalidades de licitação foram atualizados,
conforme evidencia o quadro comparativo a seguir 1:

O processo licitatório é regido pelos ―Princípios gerais/básicos da Administração Pública (art. 37,
―caput‖, CF/88: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência), conforme resumo de cada
um destes a seguir:

→ legalidade – segundo o qual ao administrador somente é dado realizar o quanto previsto na lei; dentre
os princípios, este é o mais importante e do qual decorre os demais, por ser essencial ao Estado de Direito e ao
Estado Democrático de Direito. O processo licitatório precisa ser previamente estabelecido em lei. O ―Princípio
da Legalidade‖ objetiva garantir a observância do princípio constitucional da Isonomia e selecionar a proposta
mais vantajosa para a Administração, de maneira a assegurar oportunidade igual a todos os interessados e
possibilitar o maior número possível de concorrentes ao certame.

1 Quadro Comparativo disponível no site: <http://www.portalfederativo.gov.br/noticias/destaques/decreto-presidencial-atualiza-em-


120-os-valores-das-modalidades-de-licitacao/quadro-comparativo-da-atualizacao-dos-valores-das-modalidades-de-licitacao-decreto-9-
412-18.png/view>, acesso em 22 fev. 19.
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→ impessoalidade – a atuação deve voltar-se ao atendimento impessoal, geral, ainda que venha a
interessar a pessoas determinadas, não sendo a atuação atribuída ao agente público, mas ao órgão ou à entidade
estatal. O ―Princípio da Impessoalidade‖ garante aos licitantes o mesmo tratamento, ou seja, a igualdade.

→ moralidade – que encerra a necessidade de toda a atividade administrativa, bem assim de os atos
administrativos atenderem a um só tempo à lei, à moral, à equidade, aos deveres de boa administração, visto que
pode haver imoralidade em ato tido como legal (nem tudo que é legal é honesto) - ex.: determinado prefeito, por
ter sido derrotado no pleito eleitoral e às vésperas do encerramento do mandato, congela o imposto territorial
urbano com o fito de diminuir as receitas do Município e inviabilizar a sua administração (ainda que tenha
agido conforme a lei, ou seja, agiu com inobservância da moralidade administrativa); a imoralidade
administrativa qualificada é a que configura o ato de improbidade administrativa, e não apenas o ato imoral. É a
honestidade das partes num processo licitatório. A ―Probidade administrativa‖ tem uma relação intrínseca com
o ―Princípio da Moralidade‖, pois, traduz-se na honestidade, no dever de honestidade e na fidelidade com o
Estado, com a população, no desempenho de suas funções por parte da Administração Pública. Possui
contornos mais definidos do que a moralidade.

→ publicidade – a atuação transparente do Poder Público exige a publicação, ainda que meramente
interna, de toda forma de manifestação administrativa, constituindo esse princípio requisito de eficácia dos atos
administrativos; a publicidade está intimamente relacionada ao controle da Administração, visto que,
conhecendo seus atos, contratos, negócios, pode o particular cogitar de impugná-los interna ou externamente; o
princípio propicia, ainda, a obtenção de informações, certidões, atestados da Administração, por qualquer
interessado, desde que observada a forma legal; concorrem, porém, reservas ao princípio quando em jogo
estiver a segurança da sociedade e/ou do Estado ou quando o conteúdo da informação for resguardado por
sigilo. O processo licitatório deverá ser, acima de tudo, público. Qualquer pessoa pode ter acesso,
principalmente, para fins de fiscalização do interesse da coletividade. De acordo com o art. 37, caput, da
Constituição Federal, os cidadãos têm o direito de acesso às informações dos atos praticados pelo Poder
Público. Assim, a licitação não será sigilosa, salvo quanto ao conteúdo das propostas até a data de sua abertura.

→ eficiência – que impõe a necessidade de adoção, pelo administrador, de critérios técnicos, ou


profissionais, que assegurem o melhor resultado possível, abolindo-se qualquer forma de atuação amadorística,
obrigando também a entidade a organizar-se de modo eficiente; com relação à exigência de eficiência, há duas
normas expressas que a consagram no próprio texto constitucional: a avaliação periódica de desempenho a que
está submetido o servidor; a possibilidade de formalização de contratos de gestão, as organizações sociais e as
agências executivas e outras formas de modernização instituídas a partir da EC n° 19/98.

Além da observância destes princípios basilares existem outras regras e princíos que norteiam o
processo licitatório. Deste modo, a previsão dessas regras e princípios na CF/88 não se limita ao ―caput‖ do art.
37, podendo ser encontrada em outros pontos; servem de exemplos as previsões do art. 5°, LXXIII (moralidade
administrativa), art. 93, IX e X (motivação das decisões judiciais), art. 169 (princípio da eficiência, quando
limita os gastos com folha de pessoal), entre outros.

→ cada Estado no exercício de seu Poder Constituinte Derivado Decorrente, com fundamento no art. 25
da CF, tem a possibilidade, quando da elaboração de suas Constituições, de acrescentar outros princípios, como
por exemplo a Constituição paulista, que prevê a razoabilidade, a finalidade, a motivação e o interesse público
como princípios básicos da Administração; a mesma conclusão pode ser adotada para o Distrito Federal e para
os Municípios quando da elaboração de suas Leis Orgânicas, a teor do disposto, respectivamente, nos artigos 32
e 29 da CF, bem como para o legislador infraconstitucional.

→ a violação de qualquer dos princípios básicos da Administração inibe a edição de ato, contrato ou
instrumento administrativo válido e capaz de produzir efeitos jurídicos; tal violação, isolada ou conjuntamente,
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sugere sempre o exercício do controle dos atos da Administração, seja por meio de mandado de segurança,
ação popular, ação civil pública, seja mesmo pela aplicação do princípio da autotutela; há, contudo, situações
que importam maior gravidade, ensejando, a partir da violação do princípio, a aplicação de sanções civis, penas,
políticas e administrativas.
Para ilustrar, temos como exemplo: a contratação com fraude ao procedimento licitatório e consequente
favorecimento do contratado (houve violação ao princípio da legalidade, da impessoalidade e da moralidade
administrativa, podendo ter havido, ainda, a violação do princípio da eficiência; tal contratação poderá ensejar a
aplicação da Lei n° 8.429/92, apurando-se a prática do ato de improbidade administrativa por meio de ação civil
pública; mas a mesma contratação poderá ensejar a impetração de mandado de segurança pelo titular do direito
de participar de certame licitatório válido, assim como poderá ensejar, pelo cidadão, o ajuizamento de ação
popular ante o prejuízo causado ao patrimônio público); admite-se a convalidação, seja por meio de ratificação,
seja mediante confirmação, de atos administrativos editados com preterição dos princípios, em especial quando
deles não decorrer prejuízo material para os administrados e para a Administração Pública; os atos praticados
com vício de forma, porque inobservada a regra de competência, ou com preterição da forma exigida em lei,
podem e devem ensejar a convalidação; assim agindo, a Administração estará saneando o ato e homenageando
o princípio da legalidade; não será admitida, porém, para atos editados com preterição dos motivos, do conteúdo
ou da finalidade, porquanto deles sempre será resultante grave prejuízo.

Dentro das licitações públicas outros princípios gerais merecem destaque são eles:

→ supremacia do interesse público sobre o privado – no confronto entre o interesse do particular e o


interesse público, prevalecerá o segundo - ex.: Administração reconhece de utilidade pública um bem imóvel e
declara a sua expropriação (o direito de propriedade deferido constitucionalmente ao particular cede lugar ao
interesse da coletividade); haverá sempre limites a tal supremacia.

→ indisponibilidade dos interesses públicos – não é deferida liberdade ao administrador para


concretizar transações de qualquer natureza sem prévia e correspondente norma legal; os bens, direitos e
interesses públicos são confiados a ele apenas para a sua gestão, nunca para a sua disposição; o poder de
disposição, seja para aliená-los, renunciá-los ou transacioná-los dependerá sempre de lei; o princípio é próximo
e se confunde em parte com o da legalidade, muito embora este lhe seja superior e antecedente necessário.

A ―Indisponibilidade do interesse público e a Supremacia do interesse público‖ são consideradas por


Celso Antônio Bandeira de Melo as ―pedras de Toque‖ do Direito Administrativo. Os referidos princípios
integram o regime jurídico administrativo. A Emenda Constitucional n° 19 eliminou a exigência de regime
jurídico único para a administração direta, autárquica e fundacional. Sabemos que a CF previu a existência de
um Regime Jurídico Único (RJU) para os servidores da Administração Direta, das Autarquias e das Fundações
Públicas, esse Regime Jurídico Único é de natureza estatutária. Sendo o ―Regime Estatutário‖ estabelecido por
lei em cada esfera de governo (natureza legal). No caso do servidor público não existe contrato, existe um
Estatuto ao qual se submete. Contudo, também se tem o ―Regime Celetista‖ (Regime trabalhista) regido pela
CLT, mas submete-se às normas constitucionais (natureza contratual).

→ continuidade – a atividade administrativa, em especial os serviços públicos, não pode sofrer


paralisações; por conta desse princípio há ressalvas e exceções ao direito de greve a todos deferido; em se
tratando de agentes públicos, contudo, determinadas funções não podem sofrer paralisação em nenhuma
hipótese, nem mesmo para o exercício daquele direito constitucional; há proibições ao exercício da greve por
militares e para os demais tal exercício depende de regulamentação legal; serviços essenciais não admitem
paralisação, como os de segurança pública, transporte público, saúde etc; também por força desse princípio, ao
menos em tese, não pode o contrato administrativo não ser cumprido pelo contratado, ainda que a
Administração (contratante) tenha deixado de satisfazer suas obrigações contratuais; não é aplicável aos
contratos administrativos, via de regra, a chamada "exceptio non adimpleti contractus" (exceção de contrato não
cumprido), assim como, por força desse princípio, admite-se a encampação da concessão de serviço público.
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→ autotutela – deve a Administração rever os seus próprios atos, seja para revogá-los (quando
inconvenientes), seja para anulá-los (quando ilegais); "a Administração pode anular seus próprios atos, quando
eivados de vícios que os tornem ilegais, porque deles não se originam direitos, ou revogá-los, por motivo de
conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação
judicial" (Súmula 473 do STF); anula-se o ato ilegal; revoga-se o ato inconveniente ou inoportuno; a
possibilidade de revisão interna dos atos administrativos não pode conduzir a abusos, desrespeito de direitos;
cessa a possibilidade de revisão, por conveniência e oportunidade, sempre que o ato produzir efeitos e gerar
direitos a outrem.

→ especialidade – por conta desse princípio, as entidades estatais não podem abandonar, alterar ou
modificar os objetivos para os quais foram constituídos; sempre atuarão vinculadas e adstritas ao seus fins ou
objeto social; não se admite, então, que uma autarquia criada para o fomento do turismo possa vir a atuar, na
prática, na área da saúde, ou em qualquer outra diversa daquela legal e estatutariamente fixada; a alteração do
objeto somente é admissível se observada a forma pela qual foi constituída a entidade.

→ presunção de legitimidade – para concretizar o interesse público que norteia a atuação da


Administração, suas decisões são dotadas do atributo da presunção de legitimidade e de legalidade, tornando-as
presumivelmente verdadeiras quanto aos fatos e adequadas quanto à legalidade; tal atributo permite a execução
direta, pela própria Administração, do conteúdo do ato ou decisão administrativa, mesmo que não conte com a
concordância do particular, e ainda que se lhe imponha uma obrigação.

→ os princípios abrangem a Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A atuação administrativa desconforme, ou contrária aos
princípios enunciados, carreta ao ato a invalidade dos efeitos almejados pelo agente ou pela Administração;
assim, perpetrando ato com preterição da especialidade, ou paralisando o contrato com inobservância do
princípio da continuidade, decorrerá a edição de ato nulo, sujeitando seus responsáveis à apuração do prejuízo a
que tiverem dado causa; sendo a violação qualificada, poderá ocorrer a prática de ato de improbidade
administrativa.

A licitação pública também é regida pelos ―Princípios específicos do processo licitatório são eles:
Vinculação ao instrumento convocatório (Edital ou Carta Convite), Processo formal, Julgamento objetivo,
Adjudicação a proposta vencedora, Sigilo das propostas, conforme resumo de cada um destes a seguir:

→ Vinculação ao instrumento convocatório: o instrumento convocatório (edital/carta convite) vincula


tanto os licitantes quanto a Administração aos seus termos. Assim, o edital (ou convite) constitui a lei interna da
licitação.

→ Processo formal: o processo licitatório segue toda uma formalidade prevista em lei, uma sequência
de etapas/fases que vinculam o administrador público na escolha da melhor proposta para o interesse público.

→ Julgamento objetivo: este princípio afasta a subjetividade, busca o critério técnico e impessoal para
escolher a proposta mais vantajosa.

→ Adjudicação ao vencedor: atribui-se o objeto licitado ao vencedor, ou seja, deve-se respeitar a


ordem classificatória das propostas vencedoras no certame.

→ Sigilo das propostas: esse princípio apenas existe até a data de sua regular abertura. Após isso, o seu
conteúdo passa a receber, como todo o restante do processo, o tratamento de ampla publicidade. Este princípio
colabora com a ideia de ―Competitividade‖ (tornar a licitação atraente, com maior número de interessados)
contida na definição apresentada.

8
Esquema nº 01 relativo às especificidades do processo licitatório2:

2 Esquema disponível no site: <https://www.qconcursos.com/blog/concursos-publicos/principios-da-licitacao/>acesso em 22 fev. 19.


9
Esquema nº 02 relativo às especificidades do processo licitatório3:

3 Esquema disponível no site: <https://www.qconcursos.com/blog/concursos-publicos/principios-da-licitacao/>acesso em 22 fev. 19.


10
Esquema nº 03 relativo às especificidades do processo licitatório4:

4 Esquema disponível no site: < https://www.passeidireto.com/arquivo/5218825/otimo-esquema-etapas-da-licitacao>acesso em 22


fev. 19.
11
Esquema nº 04 relativo às especificidades do processo licitatório5:

5 Esquema disponível no site: <https://www.passeidireto.com/arquivo/5218825/otimo-esquema-etapas-da-licitacao>acesso em 22 fev.


19.
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Como observado a ―Licitação‖ é um procedimento administrativo voltado à seleção da proposta mais
vantajosa, não necessariamente a que apresente o menor preço e possibilitar que qualquer interessado possa
validamente participar da disputa pelas contratações; é composta por diversas fases (etapas), todas elas
independentes entre si, apresentando-se em uma ordem cronológica que não pode ser alterada, visando à
celebração de um futuro contrato; a realização de licitação é a regra, excepcionalmente, admite-se a
contratação direta (sem licitação). Sendo um processo que tem por objeto os seguintes: obras, serviços,
inclusive de publicidade, compras, alienações, locações, concessões e permissões, quando contratadas pela
Administração, constituem o objeto possível do certame licitatório.

→ contratação direta:

→ licitação dispensável:

→ em razão do valor

→ em razão de situações excepcionais: em casos de guerra, grave perturbação da ordem (greve, motim,
revolução, golpe de Estado), emergência (não se confunde com mera urgência; é evento inesperado e
imprevisível, decorrente da ação da natureza - inundação, seca, epidemia - permite a contratação por prazo não
superior a 180 dias; a emergência ficta ou decorrente de omissão ou incúria do agente público deve levar este à
responsabilização administrativa, criminal e civil, porque frustradora do dever de licitar) ou calamidade pública,
quando não há interessados habilitados, é autorizada a contratação direta.

→ em razão do objeto: ex.: nas compras de hortifrutigranjeiros e outros gêneros perecíveis, desde que
observado o preço do dia e o tempo necessários à realização do certame; nas compras de materiais usados pelas
Forças Armadas, desde que não se trate de material de uso pessoal e administrativo, dentre outras hipóteses.

→ em razão da pessoa: ex.: na contratação de associação de portadores de deficiência física, sem fins
lucrativos e de comprovada idoneidade, desde que se trate de contrato de prestação de serviços ou fornecimento
de mão-de-obra e que o preço seja compatível com os praticados no mercado (o superfaturamento nunca é
permitido); para as contratações com organizações sociais, desde que se trate de serviços, que a qualificação
tenha sido obtida no âmbito das respectivas esferas de governo e o objeto esteja contemplado no contrato de
gestão.

→ a lei enumera taxativamente as hipóteses de dispensa. Há situação que a doutrina define ser de
licitação fracassada (participantes não obtêm a habilitação ou são desclassificados) ou deserta (não surgem
interessados); a contratação direta, nesses casos, deverá seguir o que previa o edital da licitação anterior.

→ licitação inexigível: são situações em que, nada obstante possa o administrador pretender abrir uma
licitação, ainda assim, a tentativa seria inócua por força da impossibilidade de instauração de competição -
fornecedor exclusivo / notória especialização / profissional de qualquer setor artístico, desde que consagrado
pela crítica especializada ou pela opinião pública.

Modalidades:

→ concorrência: é a modalidade de licitação indicada para contratos de maior vulto ou valor; tem como
requisitos ou características básicas a universalidade (decorrente da amplitude de participantes potenciais no
certame licitatório; por esse requisito admite-se a qualquer interessado a sua participação, ainda que não esteja
cadastrado, diferentemente do que ocorre na tomada de preços e no convite), a ampla publicidade, a
habilitação preliminar e o julgamento por comissão (composta de, no mínimo, três membros, podendo apenas
dois ser servidores e o terceiro convidado; ela pode ser permanente ou especial, formada ou composta para um

13
procedimento determinado; a capacidade jurídica, a regularidade fiscal, a qualificação técnica e a idoneidade
econômico-financeira são analisadas e julgadas pela comissão).

→ tomada de preço: é a modalidade de licitação indicada para contratos de vulto médio, que admite
determinados interessados habilitados antes do início do procedimento, aberta mediante publicidade; possui
características próximas às da concorrência (julgamento por comissão, divulgação do ato convocatório), mas
dela difere substancialmente pela obrigatoriedade de habilitação prévia (antes do início do procedimento), que
decorre da inscrição no registro cadastral (assentamento que defere a qualificação de interessados em contratar
segundo sua área de atuação, substituindo a apresentação de parte da documentação).

→ convite: é a modalidade de licitação indicada para contratos de menor valor; três interessados, registrados ou
não na repartição licitante, pelo convite (que substitui o edital) são chamados a apresentar suas propostas no
prazo de 5 dias úteis; a publicidade do convite é relativa, porquanto se exige apenas a publicação interna
(afixação no quadro de avisos); admite-se, porém, a participação de qualquer interessado, desde que 24 horas
antes da data final (encerramento e abertura das propostas) este venha a se manifestar; se o procedimento se
repetir para o mesmo objeto ou assemelhado, a licitante deverá substituir um dos convidados (optando por outro
já cadastrado e não convidado); o julgamento das propostas tanto poderá ser realizado por comissão como por
servidor único; a ordem de serviço ou a nota de empenho podem substituir o instrumento do contrato, dando
início à execução do que foi pactuado; o controle da legalidade é realizada pela necessidade de publicação,
ainda que resumida, na imprensa oficial.

→ leilão: é a modalidade de licitação obrigatória para: a) venda de bens móveis inservíveis para a
Administração, b) venda de produtos legalmente apreendidos ou penhorados (comumente para objetos
apreendidos em rodoviárias, aeroportos, postos de fronteiras etc.), c) venda de bens imóveis cuja aquisição
tenha derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento (admitindo-se também a concorrência);
qualquer que seja o tipo, exige prévia avaliação do bem posto à venda e ampla publicidade; é admitido também
para a alienação de ações, dissolução de sociedades com alienação de seus ativos, locação, comodato,
concessões, permissões ou autorizações de serviços públicos, para cumprimento do Plano Nacional de
Desestatização.

→ concurso: ficam ajustados para objetos específicos.

→ pregão: é a modalidade de licitação que, ainda, pode ser adotada pela União (Estados e Municípios terão de
legislar a respeito se desejarem adotá-lo) para aquisição de bens e de serviços comuns, assim compreendidos
aqueles cujos "padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de
especificações usuais no mercado; é realizado em duas fases distintas: a) interna, denominada "preparatória" e
reservada para a justificação da necessidade de contratação e definição do objeto, dentre outras providências; b)
externa, que tem início com a convocação dos interessados e realização da sessão pública de julgamento; os
licitantes habilitados apresentarão propostas contendo a indicação do objeto e do preço; conhecidas as ofertas, a
de menor valor e os que a excederem em até 10% poderão apresentar lances verbais e sucessivos, até que
proclamado o vencedor; o critério será sempre o de menor preço; é vedada a exigência de "garantia de
proposta", "aquisição de edital pelos licitantes, como condição para participação no certame" e "pagamento de
taxas e emolumentos". (Lei nº 10.520/02 + Decretos nº 5450/05 e 5504/05 + LC nº 123/06 )

Procedimento - fases:

→ interna: inicia-se com a abertura do procedimento, caracterização da necessidade de contratar, definição


precisa do objeto a ser contratado, reserva de recursos orçamentários dentre outros; a Lei das Licitações
prescreve, por ex., a necessidade, nas contratações de obras e serviços, de "projeto básico aprovado pela
autoridade competente", a existência de "orçamento detalhado" em planilhas, a "previsão de recursos
orçamentários" e, quando o caso, a contemplação no "plano plurianual".
14
→ externa:

→ edital (ou carta-convite, no caso da modalidade convite): é a lei interna das licitações na medida em que traz
dentro de si todas as regras que serão desenvolvidas durante todo o procedimento; excepcionalmente, a fase
externa começa com audiência pública, antecedente da divulgação do edital, e reservada para as hipóteses que
contemplam contratação futura cem vezes superior ao limite imposto para a concorrência de obras e serviços de
engenharia; a audiência pública destina-se a tornar pública a contratação desejada e deve ser realizada 15 dias
antes da publicação do edital; o edital deve ser divulgado interna e externamente, admitindo-se a publicação
resumida na segunda hipótese (aviso do edital); o prazo de convocação dos interessados será, no mínimo, de 30
dias nas concorrências, 45 nos concursos, 15 nas tomadas de preço e leilão e 5 dias úteis nos convites; ele deve
conter: objeto da licitação, prazo e condições para a assinatura do contrato, sanções em razão do
inadimplemento, local onde poderá ser examinado o projeto básico e o projeto executivo, critérios para
participar da licitação e para o julgamento, condições de pagamento, exigências de seguros, dentre outras
cláusulas obrigatórias; o prazo para a impugnação do edital e seus termos expira, para o licitante, no segundo
dia útil que anteceder a abertura dos envelopes de habilitação nas concorrências ou dos envelopes com as
propostas nos convites, tomadas de preços, concursos e leilões; para o cidadão, porém, o prazo de impugnação é
de até 5 dias úteis antes daquela data (abertura).

→ habilitação: é o recebimento da documentação e proposta; a documentação deverá comprovar a habilitação


jurídica, a capacidade técnica, a idoneidade financeira e a regularidade fiscal do licitante (na tomada de preços e
convite essa fase é antecedente à abertura do certame); a habilitação não é discricionária, é vinculada; a
comissão deverá ater-se aos requisitos exigidos e à verificação de seu atendimento pelo interessado, conferindo-
a aos que os satisfazerem; o desatendimento gera a inabilitação e inibe o conhecimento da proposta de preço
(apresentada em envelope distinto, opaco, fechado e rubricado); pode ocorrer que apenas um seja habilitado, e a
licitação prosseguirá com a abertura do seu envelope de propostas; se nenhum interessado for habilitado haverá
a licitação fracassada, que pode ensejar a contratação direta; antes, porém, deverá a Administração conceder o
prazo de 8 dias para os interessados representarem suas documentações, suprindo as falhas; a habilitação exige:
habilitação jurídica, qualificação técnica, qualificação econômico-financeira, regularidade fiscal.

→ classificação: ao contrário do que ocorre na fase antecedente (da habilitação), na classificação devem as
propostas receber análise quanto aos seu conteúdo; naquela fase, basta a análise sob o aspecto formal (se
atendidos ou não os requisitos objetivos); nesta, a análise tocará o conteúdo das propostas visando saber se são,
de fato, factíveis e se atendem ao edital, sob pena de desclassificação; o exame das propostas e a conseqüente
classificação poderão ensejar a realização de perícias, exames, testes, para a verificação da idoneidade
(exeqüibilidade) da proposta apresentada; a proposta inidônea será desclassificada; a habilitação restringe-se ao
proponente, a classificação atinge a proposta.

→ julgamento: ocorre após a classificação das propostas, e nele há a confrontação daquelas que forem
selecionadas; será privativo da comissão, nas concorrências e tomadas de preço, da comissão ou do servidor
nomeado, nos convites; o julgamento será uno, sempre de acordo com os critérios de avaliação descritos no
edital; havendo empate, aplica-se o critério de preferência deferida a bens ou serviços produzidos no Brasil,
mantido o empate, aplica-se o sorteio; o julgamento deve ser objetivo e seguir o tipo de licitação adotado:
menor preço (usual), melhor técnica (o material mais eficiente, mais rentável, melhor; são reservadas para
serviços de natureza intelectual - projetos, consultorias - e excepcionalmente utilizadas para o fornecimento de
bens, execução de obras ou prestação de serviços; para o julgamento emprega-se 3 envelopes: um para a
documentação - habilitação, outro para a técnica a ser emprega, e o terceiro contendo a proposta de preço; a
Administração, selecionando a melhor técnica, deverá em seguida eleger o melhor preço, negociando, se caso,
com o vencedor para que prevaleça o menor preço apresentado), técnica e preço (preço mais vantajoso e melhor
técnica), maior oferta ou lance (refere-se, exclusivamente, ao leilão).

15
→ homologação: refere-se à aprovação do certame e de seu resultado; é realizada pela autoridade
administrativa não participante da comissão de licitação e indicada pela lei local; em regra, será aquela que
ordenou a abertura da licitação; pode tal agente público: a) homologar o resultado, procedendo na sequência à
adjudicação do objeto ao vencedor; b) anular o certame, ante qualquer ilegalidade; c) revogar o certame, se
presente causa que o autorize; d) sanar os vícios ou irregularidades que não contaminem o resultado do certame.

- invalidação da licitação: pode decorrer de anulação (pela ilegalidade conhecida no procedimento, operando
efeitos "ex tunc" e não gerando direito a indenização, carecendo o ato ser fundamentado e publicado) ou
revogação (ao contrário da anulação, pode ensejar o direito a indenização ao licitante vencedor e que teve para
si o objeto adjudicado; assim, a revogação opera efeitos "ex nunc" e prende-se a "razões de interesse público
decorrente de fato superveniente devidamente comprovado"; se o ato não contiver suficiente demonstração do
interesse público gasalhado na revogação, pode o licitante vencedor buscar o restabelecimento do procedimento
licitatório, conquanto a Administração não esteja obrigada a contratá-lo; ou seja, a Administração pode revogar
desde que o faça na forma da lei; só ela pode revogar a licitação; o Judiciário somente poderá anular o certame).

→ adjudicação: o licitante que teve a sua proposta acolhida como a vencedora terá direito ao futuro contrato; a
adjudicação produz os seguintes efeitos jurídicos: a) confere ao vencedor o direito a contratação futura, b)
impede a Administração de proceder à abertura de outra licitação com idêntico objeto, c) libera todos os demais
participantes, inclusive as garantias por eles oferecidas, d) vincula o vencedor nos termos do edital e da
proposta consagrada, e) sujeita o vencedor (adjudicatário) às penalidades previstas no edital se não assinar o
contrato no prazo assinado.
Sobre as diferenças entre a ―Tomada de Preço‖ e ―Convite‖ destacamos a presentes no esquema nº 056:

Na matéria do Jornal ―O Globo‖ intitulada ―Licitações para poucos‖ exibe-se uma reportagem onde se
reflete a partir de um esquema, como os contratos da Petrobras assinados com fornecedores a partir de

6 Esquema disponível no site: <https://www.passeidireto.com/arquivo/3494209/esquema---licitacoes---modalidades>acesso em 22


fev. 19.
16
concorrências por carta-convite aumentaram muito no período em que aconteceram os fatos investigados na
Operação Lava-Jato. A seguir apresentamos o esquema nº 06 que nos permitirá um estudo dirigido do caso7:

Fonte: Base de contratos da Petrobrás em reais8:.

7 Esquema disponível no site: <https://www.passeidireto.com/arquivo/3494209/esquema---licitacoes---modalidades>acesso em 22


fev. 19.
17
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS E CONTROLE ADMINISTRATIVO (II Unidade)

1. Conceitos importantes:

Contratos administrativos típicos: são todos aqueles ajustes celebrados pela Administração Pública por meio
de regras previamente estipuladas por ela, sob um regime de direito público, visando à preservação dos
interesses da coletividade; a marca característica dos contratos celebrados com a Administração Pública
encontra-se no regime jurídico debaixo do qual os ajustes são fixados; em vista dos interesses a serem
preservados, ou seja, os da coletividade, as regras são estabelecidas de forma unilateral pelo Poder Público,
sem que os particulares que com ele contratem possam estabelecer qualquer tipo de interferência; aos olhos dos
particulares, os contratos administrativos surgem como ajustes de adesão, posto que não podem eles interferir
de forma alguma quando da sua elaboração; a Administração Pública são conferidas prerrogativas, vantagens
que não se estendem aos particulares, que a colocam em uma posição de superioridade em relação a elas,
quando da celebração de contratos administrativos, por força dos interesses que representa (―cláusulas
exorbitantes‖).

2. Características: exigência de prévia licitação, só dispensável nos casos previstos em lei; participação da
Administração com supremacia do poder de fixar as condições iniciais do ajuste (cláusulas exorbitantes). A
seguir apresentamos o esquema nº 07 que nos permitirá um estudo dirigido sobre o caso:

8 Esquema disponível no site: <https://infograficos.oglobo.globo.com/brasil/licitacoes-para-poucos.html>, acesso em 22 fev. 19.


18
→ cláusulas exorbitantes: nos contratos administrativos são contempladas hipóteses e cláusulas que
asseguram a desigualdade entre os contratantes; para uma das partes são deferidas prerrogativas incomuns, que
extrapolam o direito comum (direito privado), colocando-a em posição de supremacia, estas recebem o nome de
―cláusulas exorbitantes‖, porque exorbitam o direito privado, sendo ilegais se previstas em contratos firmados
exclusivamente por particulares, dentre elas:

→ as que traduzem o poder de alteração e rescisão unilateral do contrato (existência de justa causa,
presente na modificação da necessidade coletiva, ou do interesse público, restando ao particular eventual
indenização pelos danos que vier a suportar);

→ as que impõe a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro;

→ a possibilidade de revisão de preços e de tarifas contratualmente fixadas;

→ a inoponibilidade de exceção de contrato não cumprido - "exceptio non adimpleti contractus" (no
direito privado, o descumprimento de obrigação contratual pode desobrigar a outra parte; tal não ocorre nos
contratos administrativos, ante a incidência dos princípios da continuidade dos serviços públicos e da
supremacia do interesse público sobre o particular; o atraso de pagamentos - 90 dias, se ausente justa causa - ou
a imposição de gravame insuportável para o contratado podem, porém, autorizar a suspensão da execução do
contrato);

→ permitir estranhos a acompanhar a execução do objeto pactuado;

→ a possibilidade de aplicação de penalidades, ante o descumprimento das obrigações assumidas -


advertência, multa, rescisão unilateral do contrato, suspensão temporária (impede a contratação ou a
participação de licitação pelo órgão ou entidade que a realizou - ex.: Secretaria de Estado, não se estende a
outros - como as outras Secretarias; pelo prazo não superior a 2 anos) e declaração de inidoneidade (estende-se
a toda a Administração contratante - a todas as Secretarias de Estado, por ex.);

→ a exigência de garantias.

3. Cláusulas essenciais: a que determina a inclusão do objeto com seus elementos característicos, o regime
de execução ou a forma de fornecimento, os prazos de início de etapas de execução, de conclusão, de
entrega, e o crédito pelo qual correrá a despesa; essa última de forma a evitar possa a Administração alegar,
durante a execução do ajuste, a falta de verbas para financiá-lo.

4. Instrumento: o contrato administrativo poderá ser verbal, nas pequenas contratações que tenham por objeto
compras, sendo escrito em todas as demais hipóteses; o instrumento tanto pode ser o termo registrado em livro
próprio da contratante ou a escritura pública, nas hipóteses em que esta é exigida (como na venda e compra);
ele é obrigatório nas concorrências e tomadas de preços e nas contratações diretas (por dispensa ou
inexigibilidade), podendo ser dispensado nas demais hipóteses em que for substituído por ―carta-contrato‖,
notas de empenho, ordem de serviço ou autorização de compra (como nas compras com entrega imediata).

5. Vigência: tem início com a formalização da avença (data e assinatura), salvo se outra posterior no
instrumento estiver contemplada.

6. Eficácia: pode ser coincidente com a vigência; corresponde à possibilidade de produção dos efeitos; a
publicação resumida do contrato é condição para a eficácia; via de regra, a eficácia extingue-se com a extinção
do contrato.

19
7. Prazo de duração: é via de regra, coincidente com a vigência do crédito orçamentário, que é idêntica ao
ano civil, salvo se celebrado o negócio no último quadrimestre; excepcionam a regra, ainda, os projetos
contemplados no plano plurianual (aqueles projetos cuja duração se estenda por mais de um orçamento), os
serviços prestados de forma contínua (o prazo poderá ser prorrogado por até 60 meses, admitindo-se, em
caráter excepcional e desde que devidamente justificado, o seu prolongamento, por mais 12 meses), o aluguel
de equipamentos e a utilização de programas de informática (esses dois últimos poderão se prolongar pelo
prazo de até 48 meses).

8. Garantias: o contratante deverá, conforme indicado no edital ou instrumento convocatório, ofertar garantia
capaz de assegurar a fiel execução do objeto contratado; a garantia será escolhida pelo contratado, desde que
prevista no edital, podendo ser: caução (em dinheiro ou títulos da dívida pública), seguro-garantia (ou
"performance bond"; apólice de seguro que obrigue a segurada a executar o contrato ou à indenização) ou
fiança-bancária (garantia fidejussória); o limite da garantia será de até 5% do valor do contrato, salvo se se
referir a obras, serviços e fornecimento de grande vulto, quando será de até 10% do valor do contrato; a
Administração deve exigir, a prestação das seguintes garantias: seguro de bens e de pessoas, compromisso de
fornecimento pelo fornecedor, importador, ou fabricante de bens, materiais ou produtos contratados, sempre
que tais cautelas forem convenientes.

9. Execução: no curso da execução do contrato administrativo detém a Administração o dever de fiscalizar e


orientar o contratado, o que não retira deste a responsabilidade por sua fiel execução.

10. Extinção: é a cessação do vínculo obrigacional entre as partes pelo integral cumprimento de suas cláusulas
(conclusão do objeto) ou pelo seu rompimento, através da rescisão (administrativa / amigável ou consensual /
judicial) ou da anulação.

11. Inexecução: o descumprimento do pactuado leva à imposição de sanções, penalidades e à apuração da


responsabilidade civil; nas hipóteses em que se apresenta justificada a inexecução contratual, aplica-se a estas a
chamada teoria da imprevisão, como causa justificadora da inexecução do contrato (força maior, caso fortuito,
fato do príncipe, fato da Administração e interferências imprevistas).

→ força maior – retrata aquela criada pelo homem, surgindo como exemplo a deflagração de um movimento
grevista posterior à assinatura do contrato, impedindo que a empresa contratada possa cumprir o ajuste nos
termos inicialmente fixados.

→ caso fortuito – eventos da natureza que impedem ou dificultam a execução do ajuste conforme o combinado
inicialmente e que não poderiam ter sido previstos pelas partes - ex.: presença de chuvas torrenciais em região
normalmente sujeita a longos períodos de estiagem ou mesmo o exemplo contrário, eis que a falta constante de
chuvas poderia trazer problemas quanto ao fornecimento de energia elétrica de forma a prejudicar a execução
do contrato.

→ fato do príncipe – é toda determinação estatal, positiva ou negativa, geral, imprevista e imprevisível, que
onera substancialmente a execução do contrato administrativo; obriga o Poder Público contratante a compensar
integralmente os prejuízos suportados pela outra parte, a fim de possibilitar o prosseguimento da execução
(revisão), e, se esta for impossível, rende ensejo à rescisão do contrato, com as indenizações cabíveis - ex.: a
criação de um novo tributo, aumentando os encargos para os contratados, demandando uma revisão das
cláusulas inicialmente fixadas para o equilíbrio da equação econômica-financeira; situações criadas pelo
governo que importem em medidas de racionamento de energia elétrica.

→ fato da Administração – é toda ação ou omissão do Poder Público que, incidindo direta ou especificamente
sobre o contrato, retarda ou impede sua execução; enquanto no ―fato do príncipe‖ a atitude tomada pelo Poder
Público gerava reflexos apenas indiretos sobre o ajuste, em razão do caráter geral da medida, aqui os reflexos
20
são diretos, incidindo especificamente sobre o contrato e somente sobre ele - ex.: a não realização das
desapropriações necessárias pra que uma obra possa ser executada, a falta de pagamento que impeça o
particular de cumprir com os compromissos assumidos perante terceiros, levando a uma impossibilidade de
cumprimento do ajuste, ao menos nos termos inicialmente estabelecidos.

→ interferências imprevistas – não se confundem com outras eventuais superveniências (caso fortuito, força
maior, fato do príncipe, fato da administração), porque estas sobrevêm ao contrato, ao passo que aquelas o
antecedem, mas se mantêm desconhecidas até serem reveladas através das obras e serviços em andamento, dada
sua omissão nas sondagens ou sua imprevisibilidade para o local, em circunstâncias comuns de trabalho; não
são impeditivas da execução do contrato, mas sim criadoras de maiores dificuldades e onerosidades para a
conclusão dos trabalhos, o que enseja a adequação dos preços e dos prazos à nova realidade encontrada in loco,
como numa obra pública, o encontro de um terreno rochoso e não arenoso, como indicado pela Administração,
ou mesmo a passagem subterrânea de canalização ou dutos não revelados no projeto em execução.

12. Espécies de Contratos:

- de obra pública – é todo contrato que tem por objeto uma construção, uma rforma ou uma ampliação de obra
pública, podendo ser por:

- empreitada - a contraprestação (remuneração) é previamente fixada por preço certo, ainda que reajustável
(preço global - abrange a entrega de toda a obra); por preço certo de unidades determinadas (preço unitário -
refere-se a segmentos ou etapas, como o pagamento por metro quadrado ou por quilômetro de estrada
concluída), por preço certo e cujo pagamento se dará ao final (integral - contratam-se a obra e os serviços, e
também as instalações, para se obter uma unidade funcional, como, por exemplo, a encomenda de uma usina de
força);

- tarefa (empreitada de pequeno porte) - a contraprestação é devida na proporção em que é realizada a obra,
periodicamente, após medição da Administração.

→ de serviço – é todo ajuste que tem por objeto a prestação de uma atividade, pelo contratado, à
Administração; os serviços podem ser comum ou técnicos profissionais (generalizados ou especializados).

→ de fornecimento – são os contratos de compra que prevêem a aquisição de bens móveis pela Administração,
tais como materiais ou produtos de qualquer natureza; pode ser de três modalidades: integral, parcelada ou
fornecimento contínuo; na primeira hipótese o contrato exaure-se com a entrega da coisa adquirida; na segunda,
apenas com a entrega final, e na terceira, como a entrega é sucessiva, nas datas prefixadas.

→ de concessão

→ de obra pública - é o contrato pelo qual a Administração transfere, mediante


remuneração indireta e por prazo certo, ao particular a execução de uma obra pública, a
fim de que seja executada por conta e risco do contratado; a remuneração será paga pelos
beneficiários da obra ou usuários dos serviços dela decorrente, como ocorre com as
praças de pedágio; exige a realização de licitação, na modalidade concorrência, e depende
de lei autorizativa.

→ de serviço público - é o contrato pelo qual a Administração transfere ao particular a


prestação de serviço a ela cometido, a fim de que o preste em seu nome, por sua conta e
risco, mediante remuneração paga pelo usuário; apenas a execução do serviço é
transferida à pessoa jurídica, ou consórcio de empresas, permanecendo a titularidade com
o Poder Público; exige licitação segundo a modalidade concorrência; as concessões
21
recebem tratamento e previsão constitucional, sendo reguladas pela Lei n° 8.987/95, que
traça normas gerais; sobre a matéria, apenas a União pode legislar fixando normas gerais;
as concessões e permissões dos serviços de energia elétrica estão reguladas pela Lei n°
9.074/95, as concessões de serviço de radiodifusão sonora e de sons, pela Lei n° 8.977/95,
os serviços de telecomunicações estão regidos pela Lei n° 9.472/97; a rescisão unilateral
do contrato enseja a chamada encampação do serviço público, correspondendo à
retomada coativa pelo poder concedente; a rescisão por inadimplência permite a
caducidade da concessão; a reversão decorre da extinção da concessão, incorporando-se
ao patrimônio público os bens do contratado, desde que apurada a justa indenização;
difere das permissões, que não possuem tecnicamente natureza negocial, contratual, mas
de mero ato unilateral, discricionário; as permissões dependem de licitação, tal como
ocorre com as concessões; conquanto não seja próprio, aquelas podem ter prazo certo
(permissões condicionadas ou qualificadas); a despeito das desigualdades, possuem hoje o
mesmo tratamento jurídico, salvo pela precariedade própria dos atos discricionários.

→ de uso de bem público

→ de gerenciamento – é o contrato pelo qual o Poder Público transfere ao contratado a condução de um


empreendimento, conservando, porém, a capacidade decisória; é atividade de mediação, representativo de
serviço técnico profissional especializado, comum nas grandes obras (como nas hidroelétricas, rodovias etc.);
será o particular o controlador, condutor, gerenciador da obra, atuando como mediador.

→ de gestão – é o contrato pelo qual o Poder Público (contratante) instrumentaliza parceria com o contratado
(entidade privada ou da Administração Pública indireta), constituindo autêntico acordo operacional, mediante o
qual o contratante passa a ser destinatário de benefícios previstos em lei; a CF prevê essa modalidade contratual,
como meio de ampliação da autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da
Administração direta e indireta; as organizações sociais vinculam-se contratualmente à Administração por essa
modalidade contratual.

→ convênios e consórcios: nos contratos administrativos os interesses das partes envolvidas são divergentes,
enquanto o Poder Público procura o recebimento do objeto, na forma inicialmente convencionada, o particular
contratado almeja o recebimento do pagamento ajustado; nos convênios e consórcios algo diferente se verifica,
na medida em que os interesses das partes envolvidas são convergentes, comuns; podemos definir consórcios
como ajustes celebrados entre pessoas da mesma esfera do governo (entre Municípios ou entre Estados),
visando atingir objetivos comuns (ex.: realização de consórcio visando à despoluição de um rio que passa pelo
território de ambos os Municípios; à duplicação de uma estrada que liga dois Municípios ou que interesse a dois
Estados limítrofes).
Neste contexto, os convênios também surgem como ajustes celebrados visando atingir interesses
comuns, mas por pessoas de diferentes esferas do governo, ou entre elas e a iniciativa privada, o que não se
verificava na hipótese anterior; aplicam, no que couber, aos convênios e consórcios as regras estabelecidas na
Lei de Licitações e Contratos. Em síntese, convênios são realizados entre entes federados distintos e os
consórcios entre os mesmos entes federados.

22
A seguir apresentamos o esquema nº 08 que nos permitirá um estudo dirigido sobre o caso9:

9 Esquema disponível no site: <https://br.pinterest.com/taissameireles/mapa-mental-direito-administrativo/>acesso em 22 fev. 19.


23
Controle da Administração Pública: é a faculdade de vigilância, orientação e correção que um poder, órgão
ou autoridade exerce sobre a conduta funcional de outro.

Espécies de Controle

1. quanto à extensão do controle:


• Controle interno: é todo aquele realizado pela entidade ou órgão responsável pela atividade controlada, no
âmbito da própria administração.
- exercido de forma integrada entre os Poderes
- responsabilidade solidária dos responsáveis pelo controle interno, quando deixarem de dar ciência ao TCU de
qualquer irregularidade ou ilegalidade.
• Controle externo: ocorre quando o órgão fiscalizador se situa em Administração diversa daquela de onde a
conduta administrativa se originou.
- controle do Judiciário sobre os atos do Executivo em ações judiciais;
- sustação de ato normativo do Poder Executivo pelo Legislativo;
• Controle externo popular: As contas dos Municípios ficarão, durante 60 dias, anualmente, à disposição de
qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei.

2. quanto ao momento em que se efetua:


• Controle prévio ou preventivo: é o que é exercido antes de consumar-se a conduta administrativa, como
ocorre, por exemplo, com aprovação prévia, por parte do Senado Federal, do Presidente e diretores do Banco
Central.
• Controle concomitante: acompanha a situação administrativa no momento em que ela se verifica. É o que
ocorre, por exemplo, com a fiscalização de um contrato em andamento.
• Controle posterior ou corretivo: tem por objetivo a revisão de atos já praticados, para corrigi-los, desfazê-los
ou, somente, confirmá-los. Abrange atos como os de aprovação, homologação, anulação, revogação ou
convalidação.

3. quanto à natureza do controle:


• Controle de legalidade: é o que verifica a conformidade da conduta administrativa com as normas legais que
a regem. Esse controle pode ser interno ou externo. Vale dizer que a Administração exercita-o de ofício ou
mediante provocação: o Legislativo só o efetiva nos casos constitucionalmente previstos; e o Judiciário através
da ação adequada. Por esse controle o ato ilegal e ilegítimo somente pode ser anulado, e não revogado.
• Controle do mérito: é o que se consuma pela verificação da conveniência e da oportunidade da conduta
administrativa. A competência para exercê-lo é da Administração, e, em casos excepcionais, expressos na
Constituição, ao Legislativo, mas nunca ao Judiciário.

4. quanto ao órgão que o exerce:


• Controle administrativo: é exercido pelo Executivo e pelos órgãos administrativos do Legislativo e do
Judiciário, sob os aspectos de legalidade e mérito, por iniciativa própria ou mediante provocação.

Meios de Controle:
-
Fiscalização Hierárquica: esse meio de controle é inerente ao poder hierárquico.
- Supervisão Ministerial: aplicável nas entidades de administração indireta vinculadas a um Ministério;
supervisão não é a mesma coisa que subordinação; trata-se de controle finalístico.
- Recursos Administrativos: são meios hábeis que podem ser utilizados para provocar o reexame do ato
administrativo, pela própria administração pública. Recursos Administrativos: em regra, o efeito é não
suspensivo.
- Representação: denúncia de irregularidades feita perante a própria Administração;

24
- Reclamação: oposição expressa a atos da Administração que afetam direitos ou interesses legítimos do
interessado;
- Pedido de Reconsideração: solicitação de reexame dirigida à mesma autoridade que praticou o ato;
- Recurso Hierárquico próprio: dirigido à autoridade ou instância superior do mesmo órgão administrativo
em que foi praticado o ato; é decorrência da hierarquia;
- Recurso Hierárquico Expresso: dirigido à autoridade ou órgão estranho à repartição que expediu o ato
recorrido, mas com competência julgadora expressa.

• Controle legislativo: Não pode exorbitar às hipóteses constitucionalmente previstas, sob pena de ofensa ao
princípio da separação de poderes. O controle alcança os órgãos do Poder Executivo e suas entidades da
Administração Indireta e o Poder Judiciário (quando executa função administrativa).
- Controle Político: tem por base a possibilidade de fiscalização sobre atos ligados à função administrativa e
organizacional.
- Controle Financeiro: A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e
das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação
das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, mediante controle externo, e pelo
sistema de controle interno de cada Poder.
- Campo de Controle: Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize,
arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou
que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.
TCU: é órgão integrante do Congresso Nacional que tem a função de auxiliá-lo no controle financeiro externo
da Administração Pública.
Obs.: No âmbito estadual e municipal, aplicam-se, no que couber, aos respectivos Tribunais e Conselhos de
Contas, as normas sobre fiscalização contábil, financeira e orçamentária.

• Controle judicial: é o poder de fiscalização que o Judiciário exerce especificamente sobre a atividade
administrativa do Estado. Alcança, basicamente, os atos administrativos do Executivo, mas também examina os
atos do Legislativo e do próprio Judiciário quando realiza atividade administrativa.
Obs.: É vedado ao judiciário apreciar o mérito administrativo e restringe-se ao controle da legalidade e da
legitimidade do ato impugnado.
Atos sujeitos a controle especial:
- atos políticos; atos legislativos e; atos interna corporis.

O processo administrativo que é composto das seguintes etapas: Planejamento, Organização, Direção e
controle, conforme evidenciado no esquema nº 09 a seguir10:

10 Esquema disponível no site: <https://www.gestaodesegurancaprivada.com.br/controle-como-funcao-administrativa/>. Acesso em


22 fev. 19.
25
Art. 31 da CF/88 - Fiscalização e controle no âmbito municipal:

26
SERVIDORES PÚBLICOS (III Unidade)

Inicialmente é importante distinguir ―Servidores Púbicos‖ de ―Agentes públicos‖. Para Hely Lopes
Meirelles ―Agente Público‖ é a representação física que por vinculação jurídica com a Administração Pública
vai manifestar a vontade do Estado (o bem comum da coletividade). Esses agentes praticam determinadas
atividades que dizem respeito à concretização da ação estatal, que pode resultar de um exercício permanente ou
não. Esse exercício será permanente quando diuturno e ininterrupto, como na realização de saúde da
comunidade, da segurança pública etc.. Ao lado destas, existem outras atividades que têm característica
temporária ou transitória, distinguindo-se da anterior que é permanente, como a reorganização de uma empresa
através da informatização. Esta é uma atividade transitória porque a maioria dos técnicos encarregados para a
instalação dos computadores, após encerrar as suas atividades, deixarão a empresa. De forma semelhante ocorre
no caso das inundações onde os visitadores que fazem o atendimento da população (serviço de vacinação,
serviços de socorros etc.) também praticam atividades transitórias. O conjunto das atividades permanentes vai
ser sempre conteúdo de Cargo Público. Os servidores públicos seriam a espécie do gênero Agentes Públicos.

―Cargo Público‖ é o conjunto de atribuições e responsabilidades atribuídas a um funcionário público,


criado por lei ,com denominação própria, em número certo e pago pelos cofres públicos.

―Função Pública‖ corresponde ao conjunto de tarefas atribuídas ao Agente Público, não sendo
considerada como cargo pela lei. A Função Pública é destituída de sentido de permanência e pode ser criada por
decreto ou pelo exercício em virtude de contrato de trabalho. A distinção, portanto, é que o Cargo Público é
criado por lei enquanto que a Função Pública pode ser criada por decreto ou por um simples contrato celetista.

Como observado, tanto o Cargo Público como a Função Pública pertencem ao Estado, que pode criá-los
ou extinguí-los, independentemente de estarem providos. Por exemplo, a Secretaria da Fazenda tem
determinado número de agentes. Se ela entender que se faz necessário reduzir seus cargos, ela o fará, colocando
os agentes que ocupavam estes cargos em disponibilidade (continuam a receber os vencimentos sem trabalhar).
Também pode ocorrer que os cargos permaneçam apenas desocupados, sem que haja extinção dos mesmos.

Os Agentes Públicos como os Órgãos Públicos podem ser agrupados segundo algumas características.
Assim, de acordo com Celso Antônio de Mello, temos a seguinte classificação:

a) Agentes Políticos: são os altos componentes do Governo eleitos na sua maior parte e também
nomeados, sendo os de confiança designados para o exercício de atribuições constitucionais. Ex.: os Agentes
Políticos têm plena liberdade funcional. Não são funcionários públicos exatamente e não estão sujeitos a
disciplina legal do regime estatutário comum. Existem normas específicas que regulam o provimento nos
cargos, sua conduta e o sistema processual para os crimes funcionais e de responsabilidade. Ex.: o Presidente
não está subordinado à ninguém mas está à Constituição Federal.
Ele está sujeito a crimes de responsabilidade, tendo que governar com probidade (honestidade), caso
contrário, poderá ser processado pelo Senado e este processo, após ser aceito pela Câmara, será submetido a
julgamento pelo STF (infrações comuns) ou pelo Senado (crimes de responsabilidade).
Todos os Agentes Políticos têm no Texto Constitucional a definição de sua conduta e a maneira de
verificar a sua responsabilidade. Os Prefeitos são julgados pelos Tribunais de Justiça do Estado (crimes
comuns) ou pela Câmara Municipal (crimes de improbidade administrativa).
São Agentes Políticos do Executivo: o Presidente da República, os Governadores e os Prefeitos, além
daqueles que detém cargos de confiança nos Ministérios, nas Secretarias Estaduais e nas Secretarias Municipais.
No ambiente do Legislativo, são Agentes Políticos os Senadores, os Deputados e os Vereadores.
No Judiciário temos todos os Juízes dos Ministérios Públicos. Também temos os integrantes dos
Tribunais de Contas na condição de Conselheiros e também os representantes diplomáticos.

27
b) Agentes Administrativos: são os Servidores Públicos com maior ou menor hierarquia, encargos e
responsabilidade profissionais dentro do órgão ou da entidade a que servem decorrente do cargo ou da função.
Eles não têm poder político.
Exercem atribuições de planejamento, chefia, acessoramento, execução, pertinente a sua habilitação
profissional. O Agente Político, como já vimos, não tem esta habilitação profissional mas têm responsabilidade
administrativa, civil e criminal, da mesma forma que os Agentes Administrativos. Eles podem ser:

b.1) Servidores de Administração Direta -> são os concursados, os exercentes de cargo em comissão ou
função de confiança e os servidores temporários. Por exemplo, existe uma lei que a Constituição do
Estado de S. Paulo elenca como lei especial, que não dá ao servidor temporário admitido um caráter
temporário mas todos os direitos celetistas dos servidores não temporários;

b.2) Servidores de Administração Indireta -> são os de empresas públicas e os de empresas de


economia mista, estes últimos contratados em regime celetista. Os dirigentes têm esta mesma
característica dos que exercem cargo em comissão. Ex.: O Presidente da Petrobrás é escolhido pelo
Presidente da República através do seu Procurador Geral.
Trata-se de um servidor público da administração Indireta. Na categoria de autarquia ou de fundação, o
administrador público da administração indireta tem a mesma categoria dos servidores de administração direta.

c) Agentes Honoríficos: são os particulares que colaboram com a Administração Pública, que não têm
interesse de ordem particular no atendimento da comunidade.
São pessoas da comunidade que são convocadas, designadas ou nomeadas para prestar serviço ao Estado
de natureza transitória, tendo em vista sua condição cívica, honorabilidade ou capacidade profissional.
Não têm qualquer vínculo estatutário ou empregatício e o seu trabalho normalmente é gratuito.
Eles não são funcionários públicos mas quando se encontram no exercício da função pública ficam
submetidos à hierarquia e disciplina do órgão a que servem. Em outras palavras, eles são igualados a
funcionários públicos. Muitos se sentem honrados de prestar este serviço ao Estado (à coletividade).
As vezes eles são remunerados mediante pró-labore (como se fosse uma gratificação). Podem contar
tempo para efeito de aposentadoria e existe a possibilidade de, se forem presos, terem prisão especial.
Obs.: todos eles estão submetidos à responsabilização criminal, embora não sejam servidores públicos
(são servidores públicos somente quando no exercício da função). São eles os jurados, os integrantes da Mesa
Eleitoral e escrutinadores, os Comissários de Menores, os membros de Comissão de Estudo e Julgamento
(comissão designada para estudar algum assunto, como por exemplo, a história da cidade de Jundiaí);

d) Agentes Delegados: são cidadãos ou empresas aos quais se atribuem a execução de certa atividade,
obra ou serviço, que deverão ser realizados em seu nome, por sua conta e risco, obedecendo normas estatais e
em constante fiscalização da Administração Pública.
A Administração Pública entrega a execução de certos serviços a estas pessoas. Mas é o Poder Público
quem estipula as regras e quem realiza a fiscalização. Ex.: concessão e permissão de entrega a terceiros de
determinadas atividades públicas (compara-se à terceirização do setor privado). Os agentes delegados
respondem civil e criminalmente sob as mesmas normas da Administração Pública de que são delegados, ou
seja, com responsabilidade objetiva pelo dano, pois, de acordo com o art. 37, § 6° da CF, as empresas de D.
Público e as de D. Privado e os agentes que prestam serviços em seu nome respondem diretamente pelos danos
causados a terceiros.
Para Hely Lopes Meirelles a responsabilização dos agentes delegados deve ser subsidiária, isto é, se o
agente comete dano a terceiros, primeiro a responsabilidade terá que ser da pessoa que praticou o ato e depois
do Estado. No entanto, a jurisprudência vê esta responsabilidade como solidária. Por exemplo, o cidadão pode,
desde logo, responsabilizar o Poder Público delegante, seja ele o Estado ou o Município, por abuso de poder das
autoridades.. Exs.: são agentes delegados os concessionários e permissionários de obras e serviços públicos
(transportes urbanos e interurbanos controlados pelo serviço público), os serventuários de ofício ou cartório não
estatizado (cartórios em que o Estado mantém os serventuários como agentes delegados), os leiloeiros, os
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tradutores e os intérpretes públicos (que são pessoas que se submetem a concursos públicos, devidamente
registrados nas Juntas Comerciais, tendo fé-pública as suas traduções e interpretações, fazendo serviços
segundo as regras e sob a fiscalização do Estado);

e) Agentes Credenciados: cientificamente não existem, mas na prática trata-se do cidadão que
representa a Administração Pública em ato ou atividade profissional específica mediante remuneração mas sem
nenhum vínculo com a Administração Pública. Por exemplo, um médico ao ser credenciado pelo Poder Público
para atender a população não terá vínculo com o mesmo, ficando sem as vantagens de estatutário ou de
celetista. Da mesma forma ocorre com o advogado credenciado. De certa forma, constitui uma forma de
exploração do trabalho feita pelo Estado.

Com relação a ―Investidura‖, ela tem seu início ocorre a partir de determinado momento e de acordo
com determinadas condições, para que o indivíduo se torne um Agente Público. Ela pode ser:

I - Investidura Política: genericamente os agentes políticos são investidos pelo caminho da eleição,
com exceção é claro, dos Juízes, dos Promotores e dos Conselheiros dos Tribunais de Contas.
A eleição pode ser direta (sufrágio universal) e indireta (colégio eleitoral). A partir da Constituição de 88
não mais existe a eleição indireta. De acordo com o texto Constitucional, somente algumas pessoas é que
podem disputar eleição mas não há necessidade de nível de escolaridade, basta que o indivíduo seja alfabetizado
e esteja em pleno gozo dos seus direitos políticos (art. 14 da CF).
Esta investidura política pode proporcionar a oportunidade destes agentes serem selecionados para
algumas atividades de confiança. Por exemplo, o Presidente da República escolhe um elenco de pessoas
auxiliares de sua confiança tais como os Ministros e Secretários de Estado, os Ministros dos Tribunais
Superiores, o Procurador Geral da República e o Governador do DF ). Esses agentes estão subordinados à
legislação específica quanto ao comportamento, podendo perder a investidura, ou seja, podendo ser cassados
pelos seus pares na falta de decoro parlamentar;

II - Investidura Administrativa: é aquela que pode ocorrer por admissão, designação, contratação,
eleição administrativa e nomeação, sendo esta última a principal forma de investidura administrativa. A
nomeação vincula o agente a cargo, função ou mandato administrativo.
Essa investidura administrativa é amplamente utilizada nos Três Poderes e nos serviços autárquicos e
fundacionais.

- Investidura Originária: é a primeira vinculação de uma pessoa à cargo público. Este tipo de
designação independe de qualquer vinculação anterior do provido com a Administração Pública.
Vai depender da aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos (art. 37, inc. II da CF).
O concurso público foi introduzido como um sinal de democratização dos serviços públicos.
Exemplo: estamos diante de um caso de investidura originária quando determinada pessoa que nunca
esteve ligada à Administração Pública, é designada para o cargo efetivo de médico ou para o cargo efetivo de
procurador jurídico (Diógenes Gasparini, Direito Administrativo, pág. 135);

III - Investidura Derivada: pressupõe a investidura originária, isto é, vai depender obrigatoriamente de
vinculação anterior do provido com a Administração Pública. Vai representar uma movimentação do servidor
dentro da Administração Pública. Ela pode ser:

III.1) por promoção: significa mudar alguém de cargo com elevação de função e de vencimento. Suas
atividades passam a ser de maior responsabilidade e complexidade. A promoção é uma espécie de investidura
derivada que se faz por antigüidade e por merecimento;

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III.2) por remoção ou transferência: para muitos, remoção é sinônimo de transferência. Porém a
primeira se dá quando há interesse por parte do servidor e a segunda quando o interesse é da Administração
Pública.
Na transferência ocorre a mudança do funcionário de um cargo para outro sem elevação funcional. Por
exemplo, os professores podem se utilizar da remoção para sua movimentação, o que vai levar em conta, como
na promoção, a antigüidade e o merecimento;

III.3) por reintegração: é a recondução do funcionário público demitido injustamente por via
administrativa ou judicial. A demissão injusta pode ocorrer por cerceamento de função, por falha processual ou
por determinação de autoridade competente.
Na prática, uma ação ordinária com amplo espectro probatório para se discutir este tipo de demissão
injusta dura, em média, cerca de 08 a 10 anos, tendo o Governo que pagar, no final do processo, uma quantia
muito alta de indenização ao funcionário demitido. Daí a reintegração judicial ter sido muito utilizada
antigamente;

III.4) por reversão: é a recondução do funcionário público aposentado quando insubsistentes os


motivos da sua aposentadoria. A aposentadoria pode ser por tempo de serviço, por doença (invalidez) ou
compulsória (após 70 anos). Em todas estas hipóteses, se há um erro no processo de aposentadoria, tem que
haver reversão do mesmo e o funcionário tem que completar o tempo que falta. No caso de aposentadoria por
doença, se ficar comprovado que por qualquer motivo o funcionário ficou curado, ele deverá também retornar
ao trabalho para completar esse tempo que falta. No caso de aposentadoria fraudulenta, haverá anulação e
reversão do processo, inclusive com demissão do funcionário público.

III.5) Investidura Vitalícia: apresenta maior segurança de permanência no cargo que a investidura por
comissão. O termo vitalícia significava que era ―para toda vida‖. Historicamente correspondia à situação dos
catedráticos das escolas que detinham uma maior liberdade de pensamento. Posteriormente esta vitaliciedade foi
entregue aos magistrados, que além dela, adquiriram também a inamovibilidade e a irredutibilidade de
vencimentos (tríplice garantia). A partir da Constituição de 88 a vitaliciedade foi atribuída ao Ministério
Público, que também é detentor da tríplice garantia. A vitaliciedade pode ser adquirida por concurso público e
pode ser quebrada através de sentença judicial, por ato grave do magistrado. E após os 70 anos de idade, pela
aposentadoria compulsória;

III.6) Investidura Efetiva -> é aquela que confere segurança ao seu titular, em termos de permanência.
É própria dos cargos do quadro permanente da Administração, ocupados pela grande massa do funcionalismo,
com provimento inicial por concurso, para o desempenho de atividades técnicas e administrativas do Estado,
com caráter de exercício profissional.
Refere-se do cargo ocupado por alguém sem transitoriedade ou adequado a uma ocupação permanente.
Esta ocupação permanente não é absoluta nem adquirida de imediato. O titular de cargo efetivo só alcança essa
garantia de permanência após o decurso do prazo de 02 anos, chamado de estágio probatório, no qual se apurou
sua capacidade para a permanência.
Atravessando a etapa do estágio probatório, o titular de cargo de provimento efetivo adquire estabilidade
(art. 41 da CF). Como no caso da vitaliciedade, a investidura efetiva pode ser quebrada por sentença judicial ou
por aposentadoria compulsória (após 70 anos) e também por processo administrativo;

III.7) Investidura em Comissão -> apresenta menor segurança de permanência no cargo que a
investidura vitalícia. Corresponde aos cargos em comissão reservados para os que vão acessorar os agentes
políticos ou os que já trabalham na Administração e que são deslocados para outros cargos.
Pode-se dizer que são ―em comissão‖ porque a característica desta investidura é a total insegurança. A
pessoa está no cargo enquanto convier ao agente público. Como ela é de natureza transitória para cargos ou
funções de confiança, o agente poderá ser exonerável ad nutum, a qualquer tempo e independentemente de
justificativa.
30
Nesta modalidade de investidura o agente não adquire estabilidade no serviço público, nem as vantagens
da função integram seu patrimônio, dada a precariedade de seu exercício. É adequada para os agentes públicos
de alta categoria, chamados a prestar serviços ao Estado, sem caráter profissional, e até mesmo de natureza
honorífica e transitória.
No contexto dos ―Servidores Públicos‖ tem-se o exercício do poder vinculado. Este possui como
elementos: o agente competente, a forma prevista em lei, a finalidade pública, o motivo e o objeto. Já, no poder
discricionário, o agente, a forma e a finalidade estão previstos na lei, menos o motivo e o objeto, que não estão
regrados, pois, nestes reside a margem de liberdade do administrador, que diante de um caso concreto, fará uma
reflexão de conveniência e oportunidade antes da produção de determinado ato.

Mesmo não estando na lei, há uma condição de legitimidade em relação à produção do ato
discricionário, através do bom senso, razoabilidade, proporcionalidade e de justiça. Quando o administrador, ao
praticar atos vinculados ou discricionários, fugir do cumprimento da lei ou do cumprimento da legitimidade,
abusa do poder. A teoria do abuso de poder, que teve a sua origem na França, no Brasil foi aperfeiçoada e
desdobrada em:

a) excesso de poder: a autoridade que pratica o ato é competente, mas excede a sua competência legal,
tornando o ato arbitrário, ilícito e nulo.
Por ex., o Prefeito tem a competência de autorizar certa despesa, mesmo que não exista saldo na verba
orçamentária. Porém, se ele autorizar qualquer despesa sem a existência de verba, excede a sua competência,
pratica uma violação frontal a lei, ou seja, pratica ato com excesso de poder;

b) desvio de poder (ou de finalidade): ocorre quando a autoridade é competente e pratica o ato por
motivo ou com fim diverso do objetivado pela lei ou exigido pelo interesse público, havendo, portanto, uma
violação moral da lei. Por exemplo, o Prefeito pode desapropriar determinada área para urbanização ou mesmo
para a construção de casas populares. Quando faz isso, ele usa do poder, ou seja, simplesmente cumpre a lei.

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Entretanto, se usa desse poder para desapropriar uma área sobre a qual em que não existe nenhuma utilidade, à
pedido de um amigo, por exemplo, há um desvio de poder, ou seja, a finalidade não foi legal.
Para o excesso de poder, temos, de acordo com o inc. LXIX do art. 5° da CF, o Mandado de
Segurança, que é um remédio heróico contra atos ilegais praticados por autoridade pública ou assemelhados,
envoltos de abuso de poder, o qual é regulado pela LF 1533/51.
Para o desvio de finalidade, temos a Ação Popular, prevista no art. 5° da CF/88, que pode ser
impetrada por qualquer cidadão, contra atos lesivos praticados contra o patrimônio público ou entidade em que
o Estado participe, relacionados à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e
cultural. A Ação Popular faz com que o ato lesivo praticado seja anulado, ficando os infratores e seus
beneficiários obrigados a devolverem o dinheiro aos cofres públicos.

OBS: Ler lei nº 13.303/2016 (Lei das Estatais)

Resumo com base no Edital do Concurso da PMAL


Prof. Me. Edson Oliveira / Tel: (79) 99908-8710

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Bibliografia Básica (base dos textos acima)

BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 1994.
CAMMAROSANO, Marcio. ―Concurso Interno para Efetivação de Servidores‖, in BDM, maio 1992.
CARVALHO, Carlos Eduardo Vieira de. ―Desapropriação Indireta‖, in RDP 97, 1991.
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 21. ed. Rio de Janeiro: Lúmen Júris,
2009.
FIGUEIREDO, Lúcia Valle. Curso de Direito Administrativo.. São Paulo: Malheiros, 2009.
FILHO, Marçal Justen. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2009.
GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2009.
MEDAUAR, Odete. Direito Administrativo Moderno.. São Paulo: RT, 2009.
VELLOSO, Leandro e VILLELA PEDRAS, Cristiano. Jurisprudência Sistematizada do STF e STJ. 2ª ed. Rio
de Janeiro, 2011. Editora Impetus.
VELLOSO, Leandro. Revisão para concursos públicos Direito Administrativo. 2010. Edipro. SP. Disponível
em: <www.leandrovelloso.com.br>, acesso em 27 de janeiro de 2019.
Apostila: Direito Administrativo – por Marcelo Martin Ferigato. Disponível em: <www.ResumosConcursos.
hpg.com.br>, acesso em 27 de janeiro de 2017.

Questões de Concursos Comentadas – Direito Administrativo (Revisão de Administrativo I)


Prof. Me. Edson Oliveira / Tel: (79) 99908-8710

1. (Cespe – TCE/PA 2016) Do ponto de vista subjetivo, a administração pública integra o Poder Executivo, que
exerce com exclusividade as funções administrativas, em decorrência do princípio da separação dos poderes.
Comentário: Não é correto afirmar que a Administração Pública integra o Poder Executivo, pois os Poderes Legislativo e
Judiciário também exercem a função administrativa, por exemplo, quando organizam concursos públicos, quando fazem
licitações para contratar os serviços necessários ao desenvolvimento de suas atividades, quando criam órgãos internos,
quando aplicam penalidades disciplinares a seus servidores etc. Logo, a Administração Pública está presente em todos os
Poderes. A única diferença é que o Poder Executivo exerce a função administrativa de forma típica, ou seja, como sua
atividade principal, enquanto os Poderes Legislativo e Judiciário a exercem de forma atípica, isto é, como atividade
acessória, ao lado de suas funções típicas (legislativa e jurisdicional, respectivamente). Gabarito: Errada

2. (Cespe – DPU 2016) A função administrativa é exclusiva do Poder Executivo, não sendo possível seu exercício
pelos outros poderes da República.
Comentários: os Poderes Judiciário e Legislativo também podem exercer, de forma atípica, a função administrativa.
Exemplo: quando emitem atos internos para gerir os seus próprios servidores, como a concessão de licenças e o
pagamento da sua remuneração. Gabarito: Errado

3. (Cespe – DPU 2016) A administração pública em sentido formal, orgânico ou subjetivo, compreende o conjunto
de entidades, órgãos e agentes públicos no exercício da função administrativa. Em sentido objetivo, material ou
funcional, abrange um conjunto de funções ou atividades que objetivam realizar o interesse público.
Comentários: A questão está perfeita, fazendo uma síntese dos dois conceitos de Administração Pública (subjetivo e
objetivo). Gabarito: Certo

4. (Cespe – TCE/PA 2016) A supremacia do interesse público sobre o interesse particular, embora consista em um
princípio implícito na Constituição Federal de 1988, possui a mesma força dos princípios que estão explícitos no
referido texto, como o princípio da moralidade e o princípio da legalidade.
Comentários: Os dois princípios que norteiam o regime-jurídico administrativo são: princípio da supremacia do interesse
público e princípio da indisponibilidade dos bens e interesses públicos. Porém, mesmo sendo os princípios basilares do
regime-jurídico administrativo, isso não significa que eles sejam superiores aos demais princípios. Além disso, esses dois
princípios são considerados implícitos, por não aparecem expressamente mencionados no art. 37 da Constituição Federal.
Gabarito: Certo
33
5. (Cespe – TCE/RN 2015) As pessoas físicas que espontaneamente assumem funções públicas em situações de
calamidade são consideradas particulares em colaboração com o poder público e integram a administração pública
em sentido subjetivo.
Comentário: De fato, as pessoas físicas que espontaneamente assumem funções públicas em situações de calamidade são
consideradas particulares em colaboração com o poder público. Seria o caso, por exemplo, da pessoa que
espontaneamente auxilia os bombeiros a resgatar vítimas de uma enchente. Porém, não é correto afirmar que tais pessoas
integram a administração pública em sentido subjetivo, pois não existe lei que contenha tal previsão. Aqui, percebe-se que
a banca adotou o conceito formal de administração pública, pelo qual a administração pública só é composta por aquelas
pessoas, órgãos e entidades previstos em lei, que seriam, basicamente, a administração direta e indireta e respectivos
agentes. Gabarito: Errado

6. (Cespe – TCU 2015) O poder de polícia e os serviços públicos são exemplos de atividades que integram o conceito
de administração pública sob o critério material.
Comentário: O conceito de administração pública sob o critério material considera a natureza das atividades exercidas (o
que), as quais podem ser atividades de: polícia administrativa (poder de polícia), serviço público, fomento e intervenção.
Gabarito: Certo

7. (Cespe – MPOG 2015) Administração pública, em sentido amplo, abrange o exercício da função política e da
função administrativa, estando ambas as atividades subordinadas à lei.
Comentário: O conceito de administração pública pode ser tomado em sentido amplo, abrangendo, assim, os órgãos
superiores de governo que exercem função política (ex: Presidência da República, Congresso Nacional) da mesma forma
que os órgãos, agentes e entidades que exercem função administrativa, isto é, de execução dos programas de governo (ex:
Ministérios, Secretarias, Departamentos etc.). Gabarito: Certo

8. (Cespe – STJ 2015) Conceitualmente, é correto considerar que o direito administrativo abarca um conjunto de
normas jurídicas de direito público que disciplina as atividades administrativas necessárias à realização dos
direitos fundamentais da coletividade.
Comentário: Trata-se de uma síntese do conceito de Direito Administrativo proposto por Marçal Justen Filho, que é o
seguinte: ―O direito administrativo é o conjunto das normas jurídicas de direito público que disciplinam a atividade
administrativa pública necessária à realização dos direitos fundamentais e a organização e o funcionamento das estruturas
estatais e não estatais encarregadas de seu desempenho‖. De qualquer forma, vale observar que o item apresenta palavras-
chave que nos ajudam a identificar o conceito correto de Direito Administrativo: ―direito público‖, ―atividades
administrativas‖ e ―realização dos direitos da coletividade‖. Gabarito: Certo

9. (Cespe – TRE/GO 2015 ) O regime jurídico-administrativo brasileiro está fundamentado em dois princípios dos
quais todos os demais decorrem, a saber: o princípio da supremacia do interesse público sobre o privado e o
princípio da indisponibilidade do interesse público.
Comentários: A questão está perfeita, fazendo uma síntese dos dois princípios que regem o regime jurídico-
administrativo. Gabarito: Certo

10. (Cespe – MPOG 2012) O princípio da separação dos Poderes adotado no Brasil pode ser caracterizado como
rígido, uma vez que todos os Poderes da República exercem apenas funções típicas.
Comentário: O item está errado. O princípio da separação dos Poderes adotado no Brasil pode ser caracterizado como
flexível, e não como rígido, uma vez que os Poderes exercem suas funções típicas com preponderância, mas não com
exclusividade. De fato, cada Poder, ao lado de sua função típica, também desempenha funções atípicas, vale dizer,
atividades com características das funções desempenhadas pelos demais Poderes. Gabarito: Errado

11. (Cespe – MPU 2013) A CF instituiu mecanismos de freios e contrapesos, de modo a concretizar-se a harmonia
entre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, como, por exemplo, a possibilidade de que o Poder Judiciário
declare a inconstitucionalidade das leis.
Comentário: A questão está perfeita. A possibilidade de que o Poder Judiciário declare a inconstitucionalidade de leis
constitui exemplo típico do mecanismo de freios e contrapesos previsto na Constituição da República. No caso, possibilita
ao Judiciário retirar do mundo jurídico eventuais leis aprovadas pelo Poder Legislativo que não estejam em plena
consonância com os ditames constitucionais. Em razão da existência de mecanismos como esse, evita-se que um Poder se

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sobressaia sobre os demais, estabelecendo, assim, o equilíbrio e a harmonia entre eles. Também são exemplos de
mecanismos do sistema de freios e contrapesos: a possibilidade de veto de projetos de lei pelo chefe do Executivo e a
sabatina pelo Senado de membros do STF escolhidos pelo chefe do Executivo. Gabarito: Certo

12. (Cespe – PC/BA 2013) A eleição periódica dos detentores do poder político e a responsabilidade política do
chefe do Poder Executivo são características do princípio republicano.
Comentário: O quesito está correto. As características marcantes da forma de governo República são a eletividade e a
temporalidade do mandato do chefe do Executivo e, ainda, a sua responsabilidade política, consubstanciada no dever de
prestar contas de seus atos. Gabarito: Certo

13. (Cespe – PRF 2013) Decorre do princípio constitucional fundamental da independência e harmonia entre os
poderes a impossibilidade de que um poder exerça função típica de outro, não podendo, por exemplo, o Poder
Judiciário exercer a função administrativa.
Comentário: O sistema de separação de Poderes previsto na Constituição Federal é flexível. Isso significa que cada Poder
possui uma função típica, a qual exerce com preponderância, mas não com exclusividade, eis que também exerce funções
atípicas, próprias dos demais Poderes. Assim, por exemplo, o Judiciário, ao contrário do que afirma o item, pode sim
exercer função administrativa, como quando realiza concursos públicos ou promove licitações para aquisição de bens.
Gabarito: Errado

14. (Cespe – MIN 2013) Consoante o modelo de Estado federativo adotado pelo Brasil, os estados-membros são
dotados de autonomia e soberania, razão por que elaboram suas próprias constituições.
Comentário: É correto que o modelo de Estado federativo adotado pelo Brasil confere autonomia aos Estados-membros,
nos termos do art. 18 da Constituição Federal: Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do
Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta
Constituição. Essa autonomia é de caráter político, administrativo e financeiro, o que significa que os estados-membros,
assim como os municípios e o DF, possuem capacidade de auto-organização, autogoverno e autoadministração. Porém, o
quesito erra ao afirmar que os estados-membros são dotados de soberania. Na verdade, somente o Estado Federal (a
República Federativa do Brasil), detém o atributo da soberania. Já os entes federados, incluindo a União, possuem apenas
autonomia. Gabarito: Errado

15. (Cespe – TRE/RJ 2012) As funções estatais são distribuídas de maneira não exclusiva, de modo que cada poder,
ao lado de suas funções típicas, igualmente, desempenha outras funções consideradas como funções atípicas. Nesse
sentido, portanto, atípica é a função de fiscal da constitucionalidade dos atos normativos exercida pelo Senado
Federal, quando suspende a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva
pelo Supremo Tribunal Federal.
Comentário: A função típica do Senado Federal é a função legislativa, vale dizer, a produção de direito novo, segundo o
processo legislativo. Assim, ao exercer a função de fiscal da constitucionalidade dos atos normativos, prevista no art. 52,
X da CF, quando suspende a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional em decisão definitiva pelo
Supremo Tribunal Federal, está no desempenho de função atípica. Gabarito: Certo

16. (Cespe – PRF 2013) O mecanismo denominado sistema de freios e contrapesos é aplicado, por exemplo, no caso
da nomeação dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), atribuição do presidente da República e
dependente da aprovação pelo Senado Federal.
Comentário: O item está correto. No Brasil, conforme prevê o art. 2º da Constituição Federal, os Poderes são
independentes e harmônicos entre si, não havendo, assim, relação de subordinação entre eles. A harmonia é garantida pelo
sistema de freios e contrapesos, que se caracteriza pela existência de controles recíprocos, estabelecidos para evitar que
qualquer Poder se sobressaia sobre os demais. Assim, dentro do sistema de freios e contrapesos previsto na CF, compete
ao Presidente da República escolher e nomear os Ministros do STF. Porém, a escolha deve ser aprovada pela maioria
absoluta do Senado Federal (CF, art. 101, parágrafo único). Gabarito: Certo

17. Cespe – Ministério da Justiça 2013) O Poder Executivo compõe, junto com o Poder Legislativo, o Poder
Judiciário e o Ministério Público, a quadripartição de poderes no Estado brasileiro.
Comentário: Além dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), a Constituição Federal possui outras duas
estruturas orgânicas com autonomia e funções específicas. Estamos falando do Tribunal de Contas e do Ministério
Público, que são titulares de competências próprias e insuprimíveis, desempenhando-as com autonomia em relação aos

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demais poderes. Assim, a doutrina majoritária não enquadra essas duas estruturas em nenhum dos três poderes clássicos,
pois não se subordinam a eles. Não são ―poderes‖ propriamente ditos, mas apenas estruturas independentes. Portanto, não
há que se falar em ―quadripartição‖ de poderes, como afirma o quesito, daí o erro. Gabarito: 34. (Cespe – AGU 2009) Na
França, formou-se a denominada Escola do Serviço Público, inspirada na jurisprudência do Conselho de Estado, segundo
a qual a competência dos tribunais administrativos passou a ser fixada em função da execução de serviços públicos.
Comentário: O quesito está correto. Para fins de clareza, cabe transcrever as lições de Maria Sylvia Di Pietro sobre a
Escola do Serviço Público: Formou-se na França (...). Inspirou-se na jurisprudência do Conselho de Estado francês que, a
partir do caso Blanco, decidido em 1873, passou a fixar a competência dos Tribunais Administrativos em função da
execução de serviços públicos. Essa escola acabou por ganhar grande relevo, pelo fato de ter o Estado-providência
assumido inúmeros encargos que, antes atribuídos ao particular, passaram a integrar o conceito de serviço público.
Gabarito: Certo

18. (Cespe – CNJ 2013) A organização político-administrativa do Brasil compreende a União, os estados, o Distrito
Federal, os municípios e os territórios.
Comentário: os territórios não fazem parte da organização político administrativa do Brasil, conforme podemos extrair do
art. 18 da CF/88: Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. Gabarito: Errado

19. (Cespe – PC/BA 2013) Ampara-se no princípio federativo, a instituição constitucional da União, dos estados,
dos municípios, do Distrito Federal (DF) e dos territórios como entidades políticas dotadas de autonomia.
Comentário: Os territórios, como visto na questão anterior, não são entidades políticas e, por isso, não possuem
autonomia. Dessa forma, somente a União, os estados, os municípios e o Distrito Federal são entidades políticas dotadas
de autonomia. Gabarito: Errado

20. (Cespe – PC/CE 2012) Em função do sistema de distribuição de competências legislativas criado pela CF, há
nítida superioridade hierárquica das leis federais sobre as estaduais.
Comentário: Os entes políticos (União, estados, municípios e o Distrito Federal) são entes autônomos. Dessa forma, não
há hierarquia entre eles nem entre suas leis. Dito de outra forma, uma lei federal não é hierarquicamente superior a uma lei
estadual ou municipal. O que pode ocorrer é um conflito de interesses ou de competências, que deve ser solucionado de
acordo com as regras previstas na Constituição. Assim, a Constituição Federal disciplinou as competências de cada
membro da Federação, seguindo o princípio da preponderância de interesses. Nessa linha, à União cabe legislar sobre
assuntos de caráter geral ou nacional, enquanto aos municípios incumbem os assuntos de caráter local. Já para os estados,
a Constituição atribuiu uma competência residual, ou seja, envolve todos os assuntos não atribuídos à União ou aos
municípios. Em regra, os estados exercem as competências de natureza regional. Por fim, o Distrito Federal, que não pode
se subdividir em municípios, acumula as competências estaduais e municipais (CF, art. 32, caput e §1º). Gabarito: Errado
21. (Cespe – Câmara dos Deputados 2012) O sistema de freios e contrapesos permite que um poder fiscalize e
controle os demais poderes, de forma que nenhum deles seja mais forte que os outros.
Comentário: Os Poderes do Estado são independentes e harmônicos. Para tanto, eles dispõe de um sistema de freios e
contrapesos (check and balances), que permite que um poder fiscalize e controle o outro. Devemos destacar que as
interferências ou controles exercidos por um Poder sobre o outro só são admitidas quando previstas na Constituição.
Ademais, a separação dos Poderes é cláusula pétrea (CF, art. 60, §4º, III), ou seja, não pode ocorrer deliberação de
proposta de emenda constitucional tendente a aboli-la. Gabarito: Certo

22. (Cespe MCTI 2012) Ao passo que o presidencialismo tem duas fontes de legitimidade democrática, o
parlamentarismo tem uma única fonte.
Comentário: No presidencialismo, existem duas fontes de legitimidade democrática: o presidente e a assembleia, ou seja,
trata-se de um regime dual. Por outro lado, o regime parlamentarista é monista, pois existe uma única fonte de
legitimidade democrática: o parlamento. Assim, o item está correto, pois o sistema presidencialista possui duas fontes de
legitimidade democrática (presidente e assembleia) e o parlamentarismo uma única fonte (o parlamento). Gabarito: Certo

23. (Cespe – MPE/PI 2012) O princípio federativo estabelece a forma de governo de um Estado.
Comentário: o princípio federativo estabelece a forma de Estado. Para memorizar: Forma de Estado: Federação. Gabarito:
Errado

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24. (Cespe – FNDE 2012) A República é forma de governo caracterizada pela eletividade de seus governantes, pelo
mandato temporário e pelo dever de prestação de contas do chefe do Poder Executivo.
Comentário: vamos lá, a república é uma forma de governo que possui as seguintes características: eletividade dos
governantes; temporalidade no exercício do poder; representatividade popular; e responsabilidade do governante (dever de
prestar contas). Apesar de incompleta, a questão não está errada; este é o estilo do Cespe! Gabarito: Certo

25. (Cespe – Sefaz/ES 2008) Define-se, como administração pública externa ou extroversa, a atividade
desempenhada pelo Estado, como, por exemplo, a regulação, pela União, da atividade de aviação civil pelas
respectivas concessionárias.
Comentário: As ações da Administração Pública podem ter como destinatários os administrados – isto é, a sociedade ou
os sujeitos que não pertencem à Administração formal – ou os próprios órgãos e entes administrativos. Quando a
Administração se relaciona com os administrados, teremos a chamada administração extroversa, pois nela existem ações
externas, isto é, que incidem para fora do núcleo estatal. Trata-se das atividades finalísticas atribuídas pela Constituição a
cada ente da federação (União, Estados, DF e Municípios). Essas relações extroversas se fundamentam nos princípios da
supremacia e da indisponibilidade do interesse público (os quais serão estudados mais adiante). Pode-se associar esse
conceito ao de administração pública em sentido material, objetivo ou funcional, que considera a natureza das atividades
levadas a efeito pela Administração para atender as necessidades da coletividade (polícia administrativa, serviço público,
fomento e intervenção). Por outro lado, quando a Administração se relaciona entre si, ou seja, entre os entes políticos
(União, Estados, DF e Municípios), entre esses e os órgãos da Administração Direta ou entre os órgãos em si, teremos a
chamada administração introversa, pois, nesse caso, as ações ocorrem dentro o núcleo estatal. A administração introversa
é considerada instrumental em relação à extroversa, vale dizer, as relações internas servem de instrumento para a
efetivação das relações externas, estas, de cunho finalístico. De fato, toda a organização administrativa interna do Estado
serve para que ele possa implementar as políticas públicas em prol da sociedade. A situação apresentada no enunciado da
questão se refere a uma relação externa finalística (regulação da atividade de aviação civil pela União). Portanto, correto
afirmar que se trata de administração pública extroversa. Gabarito: Certo

26. (Cespe – TJDFT 2013) Administração pública em sentido orgânico designa os entes que exercem as funções
administrativas, compreendendo as pessoas jurídicas, os órgãos e os agentes incumbidos dessas funções.
Comentário: A questão está correta. O conceito de administração pública em sentido orgânico (ou subjetivo) leva em
conta ―quem‖ exerce a atividade, compreendendo as pessoas jurídicas, os órgãos e os agentes incumbidos das funções
administrativas. Contrapõe-se ao conceito de administração pública em sentido material (objetivo), que leva em
consideração ―o que‖, ou seja, a própria atividade administrativa, aqui definida como as atividades de polícia
administrativa, serviço público, fomento e intervenção. Gabarito: Certo

27. (Cespe – Ministério Integração Nacional 2013) Na sua acepção formal, entende-se governo como o conjunto de
poderes e órgãos constitucionais.
Comentário: Segundo Hely Lopes Meirelles, o conceito de governo possui três sentidos:  em sentido formal: é o
conjunto de Poderes e órgãos constitucionais;  em sentido material: é o complexo de funções estatais básicas; e  em
sentido operacional: é a condução política dos negócios públicos. Gabarito: Certo.

28. (Cespe – MIN 2013) A administração pratica atos de governo, pois constitui todo aparelhamento do Estado
preordenado à realização de seus serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas.
Comentário: Atos de governo são aqueles praticados no exercício da função política, com ampla margem de
discricionariedade e diretamente em obediência à Constituição. São as ações de comando, coordenação, direção e fixação
das diretrizes políticas, vale dizer, atividades de caráter superior, referentes à direção suprema e geral do Estado, e não
simplesmente de execução de serviços públicos. Pode-se destacar, por exemplo, a decretação de intervenção federal, do
Estado de Defesa e do Estado de Sítio, a celebração de Tratados Internacionais, a iniciativa de lei pelo Executivo, sua
sanção ou veto etc. Portanto, o quesito está errado, pois, nas palavras de Hely Lopes Meireles, a Administração não
pratica atos de governo; pratica tão-somente, atos de execução, os chamados atos administrativos, que têm como fim a
realização de serviços para satisfazer, de forma concreta e imediata, as necessidades coletivas. Gabarito: Errado

29. (Cespe – MIN 2013) Em sentido objetivo, a expressão administração pública denota a própria atividade
administrativa exercida pelo Estado.
Comentário: O quesito está correto. Em seu sentido objetivo, funcional ou material (o que), administração pública é a
atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve, sob o regime de direito público, para a realização dos interesses

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coletivos. Corresponde, portanto, à própria função administrativa, abrangendo as atividades de polícia administrativa,
serviço público, fomento e intervenção. Gabarito: Certo

30. (Cespe – MCT/FINEP – Analista 2009) Por ser um ramo do direito público, o direito administrativo não se
utiliza de institutos do direito privado.
Comentário: O item está errado. O Direito Administrativo também estuda matérias regidas, ao menos em parte, pelo
direito privado, a exemplo da atuação das empresas públicas e sociedades de economia mista que exploram atividade
econômica. Essas entidades, ao competirem no mercado, seguem regime misto (híbrido), ou seja, sobre elas incidem
regras de direito privado, como as normas contábeis da Lei das Sociedades Anônimas, e regras de direito público, como o
dever de fazer licitações, prestar contas ao Tribunal de Contas e de realizar concursos públicos. Gabarito: Errado

31. (Cespe – Câmara dos Deputados 2012) De acordo com o critério da administração pública, o direito
administrativo é o ramo do direito público que regula a atividade jurídica contenciosa e não contenciosa do Estado,
bem como a constituição de seus órgãos e meios de atuação.
Comentário: O quesito está errado. De acordo com o critério da administração pública, o direito administrativo é o
conjunto de princípios que regem a Administração Pública, considerando suas atividades administrativas, os órgãos e
pessoas jurídicas que a compõem, sua organização e suas relações com os particulares. O enunciado, por outro lado,
apresenta a definição segundo o critério da distinção entre atividade jurídica e social do Estado, pelo qual o Direito
Administrativo regula a atividade jurídica não contenciosa do Estado e a constituição dos órgãos e meios de sua ação em
geral. Porém, mesmo considerando o critério correto, perceba que o enunciado comete uma impropriedade ao vincular o
Direito Administrativo à regulação da atividade contenciosa do Estado. Na verdade, como veremos adiante, nosso Direito
Administrativo é não contencioso, uma vez que as lides de natureza administrativa podem ser levadas à apreciação do
Poder Judiciário. Gabarito: Errado

32. (Cespe – TCU 2011) O direito administrativo tem como objeto atividades de administração pública em sentido
formal e material, englobando, inclusive, atividades exercidas por particulares, não integrantes da administração
pública, no exercício de delegação de serviços públicos.
Comentário: O quesito está correto. Sob o aspecto formal devemos considerar aquilo que o nosso ordenamento jurídico
considera como Administração Pública, ou seja, as administrações direta e indireta. Já sob o aspecto material, a
administração pública representa o conjunto de atividades consideradas próprias da função administrativo: fomento,
polícia administrativa, serviço público e intervenção administrativa. Ademais, pode-se dizer que o objeto do Direito
Administrativo abrange:
- Todas as relações internas à administração pública – entre os órgãos e entidades administrativas, uns com os outros, e
entre a administração e seus agentes; - Todas as relações entre a administração e os administrados, regidas pelo direito
público ou pelo privado; - As atividades de administração pública em sentido material exercidas por particulares sob
regime de direito público, a exemplo da prestação de serviços públicos mediante contratos de concessão ou de permissão.
Gabarito: Certo

33. (Cespe – TCU 2011) Segundo a doutrina administrativista, o direito administrativo é o ramo do direito privado
que tem por objeto os órgãos, os agentes e as pessoas jurídicas administrativistas que integram a administração
pública, a atividade jurídica não contenciosa que esta exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus
fins, de natureza pública.
Comentário: Como se percebe, o enunciado apresenta a definição de direito administrativo proposta por Maria Sylvia
Zanella Di Pietro, porém insere a expressão ―direito privado‖ no lugar em que, no original, seria ―direito público‖,
maculando, assim, a questão. Gabarito: Errado

34. (Cespe – AGU 2009) Pelo critério teleológico, o Direito Administrativo é considerado como o conjunto de
normas que regem as relações entre a administração e os administrados. Tal critério leva em conta,
necessariamente, o caráter residual ou negativo do Direito Administrativo.
Comentário: Questão incorreta. São várias impropriedades. Pelo critério teleológico, o Direito Administrativo seria o
sistema de princípios jurídicos e de normas que regulam a atividade do Estado para o cumprimento dos seus fins, de
utilidade pública. Ao contrário, o conjunto de normas que regem as relações entre a administração e os administrados,
seria o conceito de Direito Administrativo segundo o critério das relações jurídicas. Além disso, o critério que leva em
conta, necessariamente, o caráter residual ou negativo do Direito Administrativo é o critério negativo ou residual.
Gabarito: Errado

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35. (Cespe – INSS 2010) Segundo a Escola Legalista, o direito administrativo pode ser conceituado como o
conjunto de leis administrativas vigentes em determinado país, em dado momento.
Comentário: Segundo a Escola legalista, exegética, caótica ou empírica, o Direito Administrativo era compreendido como
sinônimo de direito positivo, ou seja, conjunto de regras expressas em leis e regulamentos, desprezando a carga normativa
dos princípios. Portanto, correta a assertiva. Gabarito: Certo

36. (Cespe – TCU AUFC 2009) O direito administrativo, como ramo autônomo, tem como finalidade disciplinar as
relações entre as diversas pessoas e órgãos do Estado, bem como entre este e os administrados.
Comentário: A afirmativa está correta. No conceito de Direito Administrativo, pode-se entender ser ele um conjunto
harmonioso de normas e princípios, que regem relações entre órgãos públicos, seus servidores e administrados, no que
concerne às atividades estatais, compreendendo, por exemplo, a administração do patrimônio público (ex: compra de bens
mediante licitação ou realização de obras públicas), a intervenção na propriedade privada (ex: desapropriação da
propriedade de terceiros para fins de utilidade pública ou o tombamento de bens para preservação do patrimônio cultural),
o regime disciplinar dos servidores públicos e, inclusive, atividades de caráter normativo (ex: edição de decretos pelo
Chefe do Poder Executivo, no exercício do poder regulamentar). Por oportuno, ressalte-se que nosso Direito
Administrativo, embora discipline as relações entre as pessoas e o Estado, é um direito não contencioso, uma vez que as
lides de natureza administrativa podem ser levadas à apreciação do Poder Judiciário. Embora a Administração também
possa resolver eventuais conflitos que venham a ocorrer nas atividades estatais, apenas a decisão proferida pelo Poder
Judiciário é que terá força de coisa julgada, definitiva. Gabarito: Certo

37. (Cespe – MDIC 2014) O exercício das funções administrativas pelo Estado deve adotar, unicamente, o regime
de direito público, em razão da indisponibilidade do interesse público.
Comentário: A questão está errada. No direito administrativo, ramo do direito público, algumas relações entre a
administração pública e os particulares são regidas por normas do direito privado. É que, em determinadas situações, o
Estado não está concretizando, diretamente, o interesse público. Nesses casos, o Estado não atua com superioridade, pois
são relações tipicamente privadas, regidas pela igualdade, aplicando-se, predominantemente, as regras de direito privado,
a exemplo dos contratos de locação de imóveis. Gabarito: Errado

38. (Cespe – MCT/FINEP – Analista 2009) O costume e a praxe administrativa são fontes inorganizadas do direito
administrativo, que só indiretamente influenciam na produção do direito positivo.
Comentário: O quesito está correto. De fato, o costume e a praxe administrativa, assim como a jurisprudência, são fontes
inorganizadas, vale dizer, não escritas, do Direito Administrativo. Diferem da lei e da doutrina, que são fontes escritas.
Registre-se que as fontes não escritas (costume, praxe e jurisprudência) são também chamadas de fontes substanciais ou
materiais, uma vez que são fontes do direito por sua própria natureza, ou seja, não precisam de nenhuma formalidade para
que cumpram esse papel. Ao contrário, as fontes escritas (lei e doutrina) são também chamadas de fontes formais, eis que
precisam ser formalizadas, publicadas para se tornarem fontes do direito. Gabarito: Certo

39. (Cespe – TRT 10ª Região 2013) Em decorrência do princípio da legalidade, a lei é a mais importante de todas as
fontes do direito administrativo.
Comentário: Questão correta. Um dos pilares mais fortes de nosso ordenamento jurídico é o princípio da legalidade
administrativa, segundo o qual a Administração Pública somente pode fazer o que a lei autorizar ou determinar. Por essa
razão, a lei em sentido amplo (Constituição, leis e atos normativos em geral) é considerada a principal fonte do direito
administrativo. Gabarito: Certo

40. (Cespe – Ministério Integração Nacional 2013) Os costumes, a jurisprudência, a doutrina e a lei constituem as
principais fontes do direito administrativo.
Comentário: De fato, os costumes, a jurisprudência, a doutrina e a lei constituem as principais fontes do direito
administrativo, sendo a lei a fonte primordial ou primária, e as demais, fontes secundárias. Outras fontes de direito
usualmente citadas são os princípios e os tratados internacionais. Gabarito: Certo

41. (Cespe – AUFC TCU 2011) Os costumes sociais também podem ser considerados fonte do direito
administrativo, sendo classificados como fonte direta, pois influenciam a produção legislativa ou a jurisprudência.
Comentário: Os costumes sociais de fato podem ser considerados fonte de direito administrativo. Todavia, são
classificados como fonte indireta ou secundária, da mesma forma que a doutrina e a jurisprudência, eis que apenas

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interpretam ou ajudam na elaboração de novas normas. Como fonte direta, isto é, que inova no ordenamento jurídico,
criando direito novo, considera-se apenas a lei. Alguns doutrinadores também entendem que as decisões judiciais
vinculantes e aquelas com eficácia erga omnes também seriam fontes diretas. Gabarito: Errado

42. (Cespe – TCE/AC 2006) O costume não se confunde com a chamada praxe administrativa. Aquele exige
cumulativamente os requisitos objetivo (uso continuado) e subjetivo (convicção generalizada de sua
obrigatoriedade), ao passo que nesta ocorre apenas o requisito objetivo. No entanto, ambos não são reconhecidos
como fontes formais do direito administrativo, conforme a doutrina majoritária.
Comentário: O item está correto. De fato, costume e praxe administrativa não se confundem, pelas razões expostas no
comando da questão, que se resumem ao requisito subjetivo: embora determinada prática seja de uso continuado, caso seja
uma praxe, não existe, por parte dos indivíduos, percepção de obrigatoriedade em seu uso; caso seja um costume, daí sim
existe. Para a doutrina, os costumes e as praxes são fontes não organizadas, ou seja, não escritas ou não formais, mas sim
substanciais ou materiais. Assim, tanto as praxes como os costumes não podem ser reconhecidos como fontes formais do
Direito Administrativo. Gabarito: Certo

43. (Cespe – FINEP 2009) O costume e a praxe administrativa são fontes inorganizadas do direito administrativo,
que só indiretamente influenciam na produção do direito positivo.
Comentário: Correta a assertiva. Costume e praxe administrativa são classificados pela doutrina como fontes não
organizadas, não escritas de direito administrativo. Ademais, costume e praxe devem ser sempre subordinados à
Constituição e às leis, assumindo, assim, relevância secundária como fonte de Direito; a princípio, detêm mero poder de
orientação/indicação da ação estatal. Gabarito: Certo

44. (Cespe – TCU – AUFC 2004) A jurisprudência e os costumes são fontes do direito administrativo, sendo que a
primeira ressente-se da falta de caráter vinculante, e a segunda tem sua influência relacionada com a deficiência da
legislação.
Comentários: A questão está correta. A jurisprudência, ou seja, o conjunto de decisões num, mesmo sentido, proferidas
quando da aplicação de certos preceitos jurídicos na solução de casos iguais, é importante fonte não escrita de direito
administrativo. Todavia, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos ou na Inglaterra, não possui, entre nós, caráter
vinculante, a exceção de determinados institutos jurídicos específicos, tais como as decisões do STF nas ações de controle
concentrado de constitucionalidade e as súmulas vinculantes. Ainda sobre a jurisprudência, cumpre ressaltar que, a rigor,
não constituem fonte de jurisprudência as decisões administrativas dos tribunais do Poder Judiciário, adotadas, por
exemplo, na organização dos seus serviços internos. Ao contrário, a jurisprudência se forma tão somente a partir das
decisões adotadas no exercício da função jurisdicional, vale dizer, oriundas de sentenças judiciais. Vale lembrar, contudo,
que a jurisprudência dos Tribunais de Contas, órgãos responsáveis pelo controle externo da administração pública, pode
ser considerada fonte de Direito Administrativo. E as decisões desses órgãos, mesmo as adotadas no exercício da função
de controle, possuem natureza administrativa. Em relação aos costumes, recorre-se à lição de Hely Lopes Meirelles (2008,
p. 48): ―no direito administrativo brasileiro, o costume exerce ainda influência em razão da deficiência da legislação. A
prática administrativa vem suprindo o texto escrito e, sedimentada na consciência dos administradores e administrados, a
praxe burocrática passa a suprir a lei, ou atua como elemento informativo da doutrina‖. Gabarito: Certo

45. (Cespe – MTE 2014) A supremacia do interesse público sobre o privado e a indisponibilidade, pela
administração, dos interesses públicos, integram o conteúdo do regime jurídico-administrativo.
Comentário: O regime jurídico-administrativo caracteriza-se pelos princípios da supremacia do interesse público sobre o
privado e da indisponibilidade do interesse público, princípios que conferem, respectivamente, prerrogativas e restrições à
Administração, com vistas ao atingimento do interesse público. Logo, o item está correto. Gabarito: Certo

46. (Cespe – MTE 2014) Em razão da submissão ao regime jurídico administrativo, a administração pública não
dispõe da mesma liberdade para contratar que é conferida a particular.
Comentário: Ao contrário dos particulares, que podem fazer qualquer coisa desde que não haja lei que os proíba, o Poder
Público, em homenagem aos princípios da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, só pode fazer aquilo que
a lei permite. Esse é um dos pilares do regime jurídico administrativo. Por isso é que, ao contratar, a Administração
Pública não pode escolher livremente seus fornecedores e prestadores de serviço; ao contrário, deve observar as regras e
os princípios da Lei de Licitações. Gabarito: Certo

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47. (Cespe – Polícia Federal 2014) Em face do princípio da isonomia, que rege toda a administração pública, o
regime jurídico administrativo não pode prever prerrogativas que o diferenciem do regime previsto para o direito
privado.
Comentário: O quesito está errado. Um dos princípios fundamentais do regime jurídico-administrativo é a supremacia do
interesse público sobre o privado. É com base nesse princípio que o ordenamento jurídico confere à Administração uma
série de prerrogativas, inexistentes do regime previsto para o direito privado, a exemplo da possibilidade de o Poder
Público executar ações de coerção sobre os administrados sem a necessidade de autorização judicial, desde que previstas
em lei. Gabarito: Errado

48. (Cespe – SUFRAMA 2014) A impossibilidade da alienação de direitos relacionados aos interesses públicos
reflete o princípio da indisponibilidade do interesse público, que possibilita apenas que a administração, em
determinados casos, transfira aos particulares o exercício da atividade relativa a esses direitos.
Comentário: O item está correto. Os direitos relacionados ao interesse público são indisponíveis à Administração, ou seja,
a Administração não pode deles se desfazer segundo sua própria vontade. Ao contrário, deve respeitar os interesses da
coletividade, refletidos na Constituição e nas leis que regem a atividade administrativa, em estreita ligação com o
princípio da legalidade. Em determinados casos, a Constituição autoriza que a Administração transfira a particulares o
exercício de atividade relativa à satisfação do interesse público, mais precisamente, a exploração de determinados serviços
públicos, a exemplo dos serviços de telecomunicações, de radiodifusão, transporte etc. (CF, art. 21, XI e XII), em linha
com o que afirma o enunciado. Perceba que, nesses casos, a Administração não está dispondo do interesse público
segundo sua própria vontade, mas sim está agindo conforme autoriza a Constituição. Gabarito: Certo

49. (Cespe – TRT10 2013) O princípio da supremacia do interesse público é, ao mesmo tempo, base e objetivo
maior do direito administrativo, não comportando, por isso, limites ou relativizações.
Comentário: O quesito está errado. A rigor, nenhum princípio é absoluto, pois sempre comportam limites ou
relativizações. O princípio da supremacia do interesse público não foge a essa regra, sendo limitado ou relativizado por
outros princípios igualmente importantes, a começar pelo princípio da legalidade, mas também pelos princípios da
proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, dentre outros. Por exemplo: o modelo
clássico da supremacia do interesse público sobre o privado é o instituto da desapropriação por necessidade ou utilidade
pública. Mas, nesse caso, o Estado não pode simplesmente ―tomar‖ a propriedade particular. Ao contrário, deve seguir o
procedimento previsto em lei e, antes de mais nada, assegurar indenização justa e prévia ao proprietário (CF, art. 5º,
XXIV). Assim, pode-se dizer que, nessa situação, a supremacia do interesse público está sendo limitada ou relativizada
pelos princípios da legalidade e da proporcionalidade. Gabarito: Errado

50. (Cespe – PRF 2013) No que se refere ao regime jurídico administrativo, julgue o item subsecutivo. A
administração não pode estabelecer, unilateralmente, obrigações aos particulares, mas apenas aos seus servidores e
aos concessionários, permissionários e delegatários de serviços públicos.
Comentário: O quesito está errado. O princípio da supremacia do interesse público sobre o privado, uma das
características fundamentais do regime jurídico-administrativo, confere certos poderes à Administração, dentre os quais o
de estabelecer, unilateralmente, obrigações aos particulares. Um exemplo típico são as ações tomadas no exercício do
poder de polícia, como quando a Administração exige a quitação de multas de trânsito como condição para o
licenciamento de automóvel. Não obstante, deve ficar claro que ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo
senão em virtude de lei. Assim, é sempre necessário que as ações da Administração tenham o amparo da lei. Gabarito:
Errado

51. (Cespe – TCE/PA 2016) A supremacia do interesse público sobre o interesse particular, embora consista em um
princípio implícito na Constituição Federal de 1988, possui a mesma força dos princípios que estão explícitos no
referido texto, como o princípio da moralidade e o princípio da legalidade.
Comentário: O quesito está correto. Pois, não há hierarquia entre princípios no Direito Administrativo, sejam eles
implícitos ou implícitos. Gabarito: Correto.

52. (Cespe – Polícia Federal 2014) Em face do princípio da isonomia, que rege toda a administração pública, o
regime jurídico administrativo não pode prever prerrogativas que o diferenciem do regime previsto para o direito
privado.
Comentário: O quesito está errado. Pois, o regime jurídico administrativo pode prever prerrogativas que o diferenciem do
regime previsto para o direito privado. Gabarito: Errado.

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Questões de Concursos – Direito Administrativo II

1. (CESPE – 2018 – PC/MA – Delegado) Considerando que, iniciado procedimento licitatório voltado à
aquisição de determinados bens de interesse do estado do Maranhão, não tenham aparecido interessados
em participar do referido certame, assinale a opção correta de acordo com a legislação pertinente.
a) A falta de interessados no procedimento licitatório é causa de inexigibilidade de licitação, o que possibilita a
contratação direta pela administração pública, inclusive com a alteração das condições básicas anteriormente
estabelecidas.
b) A falta de interessados no procedimento licitatório é causa de dispensa de licitação, quando tal procedimento,
justificadamente, não puder ser repetido sem prejuízo para a administração pública, devendo ser mantidas as
condições preestabelecidas
c) A frustração do procedimento licitatório impõe a alteração das condições preestabelecidas no instrumento
convocatório, de modo a atrair interessados em nova licitação
d) A despeito da falta de interessados no referido certame licitatório, novo processo licitatório deverá ser
realizado, sob pena de burla à obrigatoriedade de realização de licitação para as contratações públicas.
e) Mantido o interesse na contratação, a frustração do procedimento licitatório impõe a contratação direta pela
administração pública, não havendo de se falar em burla à obrigatoriedade de realização de licitação.

2. Marque V, se a assertiva for verdadeira, ou F, se a assertiva for falsa. Em caso de inviabilidade de


competição, a licitação deverá ser dispensada.
( ) Falsa ( ) Verdadeira.

3. Marque V, se a assertiva for verdadeira, ou F, se a assertiva for falsa. É vedado o uso eletrônico no
pregão.
( ) Falsa ( ) Verdadeira.

4. Analise a veracidade das frases:


I. No caso de dispensa ou inexigibilidade, a licitação deverá ser na modalidade de consulta.
II. Poderá o Poder Executivo, por meio de decreto, instituir nova modalidade licitatória.
III. Compete à Administração Pública de forma discricionária decidir pela inexigibilidade ou dispensa da
licitação.
Está(ão) correta(s):
a) Todas;
b) Nenhuma
c) I e II
d) II e III;
e) I e III.

5. (Cespe – TCE/PB 2018) Se um órgão da administração pública tiver de adquirir determinado item de
material de consumo e pretender fazê-lo mediante licitação pelo SRP, a vigência máxima da ata de
registro de preços a ser assinada com o licitante vencedor será de:
a) um ano
b) dois anos
c) três anos.
d) quatro anos.
e) cinco anos.

6. (Cespe – TCE/PB 2018) Nas licitações públicas, de acordo com o princípio do julgamento objetivo:
a) comprovado o melhor interesse da administração, os critérios de julgamento poderão incluir fatores
subjetivos.

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b) concluído o procedimento, a administração estará impedida de atribuir o objeto da licitação a outrem que não
o licitante vencedor.
c) o julgamento do certame deve nortear-se pelo critério previamente fixado no instrumento convocatório,
observadas todas as normas a seu respeito
d) a administração poderá cobrar do licitante qualquer qualificação, ainda que não inserida no edital, desde que
a exigência tenha nexo relacional com o objeto da contratação
e) o julgamento do certame deve realizar-se segundo razões de conveniência e oportunidade do gestor.

7. (Cespe – TCE/PB 2018) Se a administração pública de um estado da Federação tiver de contratar um


grupo de dança consagrado pela mídia local para festividades do aniversário da capital desse estado, a
contratação, nesse caso, deverá ocorrer mediante:
a) dispensa de licitação em razão da escolha do executante.
b) inexigibilidade de licitação por previsão legal
c) concurso
d) licitação na modalidade convite.
e) licitação na modalidade tomada de preços

8. (Cespe – TCE/PB 2018) Se um órgão da administração pública desejar adquirir trabalho científico
com oferta de prêmio aos vencedores, a modalidade de licitação a ser adotada e a quantidade mínima de
dias de antecedência em relação ao evento para publicação do edital devem ser, respectivamente:
a) convite; trinta dias.
b) pregão; quinze dias.
c) concurso; quarenta e cinco dias
d) leilão; quarenta e cinco dias
e) concorrência; trinta dias.

9. (Cespe – TCE/PB 2018) No âmbito da contratação pública por meio do SRP, de acordo com o disposto
no Decreto n.º 7.892/2013, a licitação para registro de preços pode ser feita nas modalidades:
a) leilão ou convite.
b) concorrência ou pregão
c) leilão, concurso ou tomada de preços
d) concorrência, tomada de preços ou convite.
e) tomada de preços ou pregão.

10. (Cespe – TCE/PB 2018) Assinale a opção correta com relação às cláusulas dos contratos
administrativos tomados em seu sentido próprio e restrito.
a) A administração pública poderá rescindir o contrato unilateralmente nos casos de inadimplemento por culpa,
insolvência e interesse público, mas não o poderá fazer quando o inadimplemento se dever a caso fortuito ou de
força maior.
b) Não cabe ao Estado fazer a retomada do objeto nos casos de rescisão unilateral.
c) As cláusulas contratuais são fixadas previamente, de forma unilateral, pela administração, cabendo ao
particular a elas aderir
d) As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos administrativos poderão ser alteradas sem
prévia concordância do contratado
e) É vedado ao Estado exigir garantia em contratos de obra, serviços e compras.

11. (Cespe – TCE/PB 2018) Compete aos tribunais de contas julgar as contas que envolvam recursos
financeiros públicos recebidos por:
I - pessoa jurídica de direito público.
II - sociedade empresária não integrante da administração pública.
III - gestor público.
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IV - pessoa física.
Assinale a opção correta.
a) Todos os itens estão certos
b) Apenas os itens I e III estão certos
c) Apenas os itens II e IV estão certos.
d) Apenas os itens III e IV estão certos.
e) Apenas os itens I e II estão certos.

12. (Cespe – TCE/PB 2018) No que tange à fiscalização contábil, financeira e orçamentária, julgue os
seguintes itens de acordo com a CF.
I - Na realização da atividade de controle externo do Poder Executivo, cabe ao TCU apreciar as contas
prestadas anualmente pelo presidente da República.
II - Cabe ao TCU apreciar concessões de aposentadorias, reformas e pensões, bem como alterações e
melhorias posteriores desses benefícios, havendo ou não alteração do fundamento legal do ato
concessório.
III - O cidadão não possui legitimidade para denunciar diretamente irregularidades ou ilegalidades ao
TCU, devendo, nesses casos, dirigir-se ao MP, que, conforme sua análise, fará o devido encaminhamento
da denúncia. Assinale a opção correta.
a) Apenas o item I está certo
b) Apenas o item II está certo
c) Apenas os itens I e III estão certos.
d) Apenas os itens II e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.

13. (Cespe – TCE/PB 2018) Em determinado estado da Federação, a assembleia legislativa, por meio de
decreto legislativo, sustou ato expedido pelo governo local, que regulamentava lei estadual para autorizar
o Poder Executivo a instituir tratamento excepcional, mediante concessão de remissão e anistia,
cumuladas ou não com parcelamento, para a liquidação de créditos tributários referentes ao ICMS. A
assembleia legislativa entendeu que o ato administrativo excedia o poder da administração pública de
regulamentar a lei estadual. Nessa situação hipotética, a assembleia legislativa exerceu:
a) o poder de fiscalização, para derrogar o ato do Poder Executivo.
b) o poder convocatório, para revogar o ato do Poder Executivo.
c) o controle político, para paralisar o ato do Poder Executivo
d) o controle financeiro, para anular o ato do Poder Executivo
e) sua função legiferante, para substituir o ato do Poder Executivo.

14. (Cespe – TCE/PB 2018) O TCE/PB aplicou, ao prefeito de um município do estado, multa em razão
de ineficiências verificadas e não corrigidas durante o acompanhamento e fiscalização de uma execução
contratual, as quais geraram prejuízos ao ente municipal. Nessa situação hipotética, a execução da multa
competirá ao:
a) Poder Legislativo municipal, mediante a instauração de processo cognitivo no TJ/PB.
b) TCE/PB, no âmbito do mesmo processo, em atenção ao denominado sincretismo processual.
c) MP, no âmbito do próprio TCE/PB.
d) município em consideração, observando-se as regras para a execução de títulos executivos extrajudiciais
e) Estado da Paraíba, observando-se as regras para a execução de títulos executivos judiciais

15. (Cespe – TCE/PB 2018) Servidores públicos de determinado estado da Federação iniciaram
movimento grevista, motivados pelo atraso no pagamento de seus vencimentos, na tentativa de
regularizar a situação salarial. Inconformado com a paralisação de atividades que julgava essenciais, o
gestor público expediu ato administrativo determinando o desconto do salário dos servidores grevistas,
bem como o processamento da devida anotação funcional. Nessa situação hipotética, o instrumento
44
processual de controle judicial que o sindicato dos servidores deverá invocar para suspender o ato
administrativo de desconto e anotação dos dias não trabalhados é o:
a) mandado de injunção.
b) recurso ordinário.
c) habeas corpus.
d) mandado de segurança
e) habeas data

16. (Cespe – TCE/PB 2018) O TCU, quando busca promover o aperfeiçoamento da gestão pública por
meio do exame da economicidade, eficiência, eficácia e efetividade de organizações, programas e atividades
governamentais, atua, quanto ao controle da atividade financeira do Estado, na fiscalização:
a) patrimonial.
b) orçamentária.
c) contábil.
d) operacional
e) financeira

17. (Cespe – TCE/PB 2018) Tendo em vista que a organização político-administrativa da República
brasileira compreende, de forma autônoma, a União, os estados, o DF e os municípios, assinale a opção
correta.
a) A fiscalização pelo sistema de controle interno do município será exercida pelo Poder Legislativo municipal.
b) No tocante à autonomia, a legislação acerca de regras gerais de licitação é estabelecida pelos estados-
membros e deverá ser observada em processos de auditoria interna nos órgãos municipais.
c) A auditoria de controle da câmara municipal, mediante controle externo, é exercida com o auxílio dos TCs do
estado ou do município
d) A autonomia administrativa constitucionalmente estabelecida permite que os estados ou os municípios criem
órgãos de contas municipais
e) O município deve prestar contas acerca da arrecadação dos tributos, exceto, em razão da autonomia
administrativa, no que se refere à aplicação de tais rendas nas questões de interesse local.

18. (Cespe – TCE/PB 2018) Representantes do TCU, em auditoria de procedimento licitatório promovido
por uma autarquia federal, após constatarem a existência de ilegalidades que atentavam contra a
economicidade, conseguiram apontar os responsáveis por dano ao erário, depois de esgotadas todas as
fases instrutórias. Todo o procedimento observou os princípios da ampla defesa e do contraditório. Nessa
situação hipotética, o TCU:
a) poderá aplicar apenas multa proporcional ao dano ao erário, visto que as demais cominações e sanções
previstas extrapolam a sua competência constitucional.
b) poderá apenas assinar prazo para que a autarquia adote, em relação aos responsáveis, as providências
necessárias para o ressarcimento ao erário e as demais punições cabíveis.
c) tem competência para aplicar aos responsáveis pelo dano ao erário as sanções previstas em lei em razão das
ilegalidades apuradas
d) está desobrigado de prestar informações ao Congresso Nacional acerca do resultado apurado na fiscalização,
em razão de sua competência funcional
e) deverá comunicar o fato ao Congresso Nacional para que esse órgão, exercendo a sua competência, suste a
execução do processo licitatório.

19. (Cespe – TCE/PB 2018) De acordo com o regime constitucional brasileiro, as denominadas funções de
confiança devem ser exercidas:
a) de forma exclusiva por servidor ocupante de cargo efetivo, e destinam-se apenas às atribuições de direção,
chefia e assessoramento

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b) por servidor aposentado que retorne ao serviço público para exercer qualquer atividade diversa daquela em
que tenha se dado a aposentadoria
c) somente por quem não possua cargo efetivo, nos limites fixados na legislação, e se destinam apenas à
atividade meio.
d) por qualquer cidadão, salvo se forem destinadas a atividades de direção ou assessoramento jurídico.
e) por pessoa natural, com ou sem vínculo com o poder público, e destinam-se a qualquer atividade — meio ou
fim — realizada na administração pública.

20. (Cespe – TCE/PB 2018) A respeito da remuneração dos servidores, assinale a opção correta:
a) O servidor público tem direito ao recebimento de remuneração pelo trabalho noturno em valor superior ao do
diurno
b) Em razão do princípio da isonomia, é incabível, no serviço público, a aplicação de incentivos específicos
para a proteção do mercado de trabalho da mulher
c) O servidor público tem direito ao recebimento do décimo terceiro salário com o acréscimo de um terço à
remuneração normal.
d) Os secretários estaduais e municipais são remunerados por subsídios acrescidos de gratificação pessoal.
e) Durante todo o tempo em que durar o trabalho no serviço público, o órgão responsável pelos pagamentos
deverá efetuar o recolhimento de FGTS do servidor.

21. (Cespe – TCE/PB 2018) À luz da legislação específica pertinente aos RPPSs, julgue os itens a seguir.
I - A Emenda Constitucional n.º 41/2003 prevê a possibilidade de aposentadoria do servidor aos cinquenta e três
anos de idade sem prejuízo do valor dos proventos.
II - É vedada, sem ressalva, a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a concessão de aposentadorias.
III - É vedada a percepção de mais de uma aposentadoria por RPPS, ressalvadas as aposentadorias oriundas de
cargos acumuláveis.
IV - É imprescindível o exercício de vinte e cinco anos de serviço público para aposentadoria com fundamento
na Emenda Constitucional n.º 47/2005. Estão certos apenas os itens:
a) I e II.
b) I e III.
c) III e IV
d) I, II e IV
e) II, III e IV

22. (Cespe – TCE/PB 2018) No cálculo dos proventos de aposentadoria dos servidores que tenham
ingressado no serviço público a partir da data de promulgação da Emenda Constitucional n.º 41/2003,
terá de ser observada a:
a) limitação mínima do salário de contribuição no mesmo valor fixado para o RGPS.
b) atualização dos proventos na mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos
servidores em atividade.
c) totalidade da remuneração do servidor no cargo efetivo em que se der a aposentadoria.
d) atualização das remunerações consideradas no cálculo inicial dos proventos, mês a mês, no mesmo índice
fixado para o RGPS contributivo
e) média aritmética simples das maiores contribuições, correspondentes a todo o período

23. (Cespe – TCE/PB 2018) Se um órgão da administração pública tiver de adquirir determinado item de
material de consumo e pretender fazê-lo mediante licitação pelo SRP, a vigência máxima da ata de
registro de preços a ser assinada com o licitante vencedor será de:
a) um ano
b) dois anos
c) três anos.
d) quatro anos.
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e) cinco anos.

24. (Cespe – TCE/PB 2018) Nas licitações públicas, de acordo com o princípio do julgamento objetivo:
a) comprovado o melhor interesse da administração, os critérios de julgamento poderão incluir fatores
subjetivos.
b) concluído o procedimento, a administração estará impedida de atribuir o objeto da licitação a outrem que não
o licitante vencedor.
c) o julgamento do certame deve nortear-se pelo critério previamente fixado no instrumento convocatório,
observadas todas as normas a seu respeito
d) a administração poderá cobrar do licitante qualquer qualificação, ainda que não inserida no edital, desde que
a exigência tenha nexo relacional com o objeto da contratação
e) o julgamento do certame deve realizar-se segundo razões de conveniência e oportunidade do gestor.

25. (Cespe – TCE/PB 2018) Se a administração pública de um estado da Federação tiver de contratar um
grupo de dança consagrado pela mídia local para festividades do aniversário da capital desse estado, a
contratação, nesse caso, deverá ocorrer mediante:
a) dispensa de licitação em razão da escolha do executante.
b) inexigibilidade de licitação por previsão legal
c) concurso
d) licitação na modalidade convite.
e) licitação na modalidade tomada de preços.

26. (Cespe – TCE/PB 2018) Se um órgão da administração pública desejar adquirir trabalho científico
com oferta de prêmio aos vencedores, a modalidade de licitação a ser adotada e a quantidade mínima de
dias de antecedência em relação ao evento para publicação do edital devem ser, respectivamente:
a) convite; trinta dias.
b) pregão; quinze dias.
c) concurso; quarenta e cinco dias
d) leilão; quarenta e cinco dias
e) concorrência; trinta dias.

27. (Cespe – TCE/PB 2018) No âmbito da contratação pública por meio do SRP, de acordo com o
disposto no Decreto n.º 7.892/2013, a licitação para registro de preços pode ser feita nas modalidades:
a) leilão ou convite.
b) concorrência ou pregão
c) leilão, concurso ou tomada de preços
d) concorrência, tomada de preços ou convite.
e) tomada de preços ou pregão.

28. (Cespe – TCE/PB 2018) Assinale a opção correta com relação às cláusulas dos contratos
administrativos tomados em seu sentido próprio e restrito.
a) A administração pública poderá rescindir o contrato unilateralmente nos casos de inadimplemento por culpa,
insolvência e interesse público, mas não o poderá fazer quando o inadimplemento se dever a caso fortuito ou de
força maior.
b) Não cabe ao Estado fazer a retomada do objeto nos casos de rescisão unilateral.
c) As cláusulas contratuais são fixadas previamente, de forma unilateral, pela administração, cabendo ao
particular a elas aderir
d) As cláusulas econômico-financeiras e monetárias dos contratos administrativos poderão ser alteradas sem
prévia concordância do contratado
e) É vedado ao Estado exigir garantia em contratos de obra, serviços e compras

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29. (Cespe – TCE/PB 2018) Serviço autônomo com personalidade jurídica de direito público, patrimônio
e receita próprios, criado por lei para executar atividades típicas da administração pública que
requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada é o
conceito de:
a) consórcio público.
b) autarquia
c) empresa pública
d) fundação pública.
e) sociedade de economia mista.

30. (Cespe – TCE/PB 2018) No processo de descentralização por serviço, em que o órgão passa a deter a
titularidade e a execução do serviço, ocorre:
a) o exercício da capacidade administrativa do órgão descentralizado mediante dependência financeira em
relação ao poder central.
b) a sujeição do órgão descentralizado a controle - ou tutela -, exercido pelo poder central nos limites da lei para
assegurar certa independência ao órgão descentralizado
c) o uso de patrimônio próprio pelo órgão descentralizado, bem como a sua não sujeição ao princípio da
especialização
d) a sujeição do órgão descentralizado ao princípio da especialização, bem como a sua dependência financeira
em relação ao poder central.
e) a distribuição interna de competências no âmbito de uma mesma pessoa jurídica.

31. (Cespe – TCE/PB 2018) As entidades que integram a administração pública indireta incluem as:
a) autarquias, as empresas públicas e as sociedades de economia mista
b) secretarias estaduais, as autarquias e as fundações privadas
c) autarquias, as fundações e as organizações sociais.
d) organizações sociais, os serviços sociais autônomos e as entidades paraestatais.
e) empresas públicas, as sociedades de economia mista e os serviços sociais autônomos.

22. (Cespe – TCE/PB 2018) As organizações sem fins lucrativos que são voltadas à resolução de
problemas coletivos de interesse social e podem prestar serviços públicos são:
a) as sociedades de economia mista.
b) os consórcios públicos.
c) os convênios públicos.
d) as organizações da sociedade civil de interesse público
e) as fundações

23. (Cespe – TCE/PB 2018) Um servidor público do estado da Paraíba interpôs recurso administrativo
contra a pontuação que lhe foi atribuída em concurso de remoção interna da instituição pública na qual
ele é lotado. Acerca dessa situação hipotética e de aspectos gerais relacionados à interposição de recurso
administrativo por servidor da administração pública, julgue os itens a seguir.
I - Na hipótese considerada, será vedado à administração, pelo princípio da non reformatio in pejus,
rever a pontuação do candidato para piorá-la, mesmo que tal alteração observe estritamente as regras do
concurso.
II - Pela presunção de legitimidade dos atos administrativos, o recurso administrativo, como regra, tem
efeito apenas devolutivo, ainda que possa o administrador, mesmo de ofício, conceder efeito suspensivo ao
ato.
III - O informalismo do processo administrativo permite que o recurso seja interposto de forma diversa
da petição escrita, desde que ele seja devidamente protocolado na repartição administrativa competente.

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IV - Na situação considerada, mesmo que o edital do concurso não o previsse expressamente, o servidor
teria o direito de protocolar o recurso em razão do direito constitucional de petição. Estão certos apenas
os itens:
a) I e II.
b) I e III.
c) II e IV
d) I, III e IV
e) II, III e IV.

24. (Cespe – TCE/PB 2018) Uma empresa que presta serviços de vigilância e limpeza para órgão da
administração pública, diante de dificuldades financeiras decorrentes do atraso dos pagamentos que lhe
são devidos pelos serviços adequadamente prestados, deu vantagem pecuniária aos servidores
responsáveis pela liquidação e pagamento da despesa orçamentária empenhada, com o objetivo de
acelerar os trâmites administrativos necessários ao efetivo pagamento. Nessa situação hipotética, os
servidores responderão por ato de improbidade administrativa por terem:
a) concedido indevidamente benefício financeiro, sujeitando-se, entre outras cominações, ao ressarcimento
integral do dano causado à administração pública.
b) atentado contra os princípios da administração pública, sujeitando-se, entre outras cominações, à perda dos
bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.
c) enriquecido ilicitamente, sujeitando-se, entre outras cominações, ao pagamento de multa civil de até três
vezes o valor do acréscimo patrimonial
d) causado prejuízo ao erário, sujeitando-se, entre outras cominações, à perda de bens e valores, inclusive
aqueles obtidos licitamente
e) aplicado indevidamente benefício tributário, sujeitando-se, entre outras cominações, à proibição de receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.

25. (Cespe – TCE/PB 2018) Por ter permitido a alienação de um imóvel integrante do patrimônio de uma
autarquia pública estadual por preço inferior ao de mercado, determinado agente público causou lesão
ao erário. Durante o processo, provou-se que o agente agiu de forma imprudente, bem como constatou-se
o nexo causal entre a conduta e o dano. Porém, não houve comprovação de enriquecimento pessoal do
agente, nem indício de má-fé. Nessa situação hipotética, segundo a Lei n.º 8.429/1992 - Lei de
Improbidade Administrativa -, o ressarcimento do dano:
a) só seria devido se a conduta tivesse sido omissiva, caso em que teria de ser comprovado o dolo ou a culpa do
agente público.
b) será devido tão só em razão de a conduta ter sido comissiva, pouco importando, nesse caso, a comprovação
de ter havido dolo ou culpa.
c) só seria exigível caso a conduta em questão se tivesse dado de forma omissiva, já que não houve dolo.
d) será devido independentemente de a conduta ser omissiva ou comissiva, sendo suficiente para tal a
comprovação da culpa do agente público
e) não poderá ser cobrado do agente público, independentemente de a conduta ser omissiva ou comissiva, uma
vez que não houve a comprovação de dolo

26. (Cespe – TCE/PB 2018) Os sistemas de controle são o conjunto de instrumentos contemplados no
ordenamento jurídico que têm por objetivo a fiscalização da legalidade dos atos da administração
pública. No Brasil, a CF consagra o sistema de controle:
a) contencioso-administrativo, em vista da previsão expressa das competências dos TCs.
b) uno de jurisdição, haja vista que a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito
c) inglês, tendo em vista a possibilidade de exercício de função jurisdicional pela administração pública
somente em determinadas matérias

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d) dual de jurisdição, tendo em vista que o Poder Legislativo exerce competência jurisdicional e profere
decisões com caráter terminativo sobre algumas matérias.
e) francês, diante da possibilidade de revisão de qualquer ato da administração pelo Poder Judiciário.

27. (Cespe – TCE/PB 2018) No que se refere ao acesso a informações, assinale a opção correta conforme a
Lei n.º 12.527/2011.
a) É vedada a exigência ao cidadão de explicitação de motivos para solicitar acesso a dados públicos
b) O órgão deve conceder acesso à informação disponível em até quinze dias
c) Caso o órgão se negue a conceder acesso a uma informação solicitada, o interessado estará impedido de
interpor recurso.
d) Em caso de uma informação parcialmente sigilosa, será vedado ao interessado o acesso à parte não sigilosa
da informação.
e) É facultado ao órgão fornecer ao requerente o inteiro teor de decisão negativa de acesso.

28. (Cespe – TCE/PB 2018) Na contratação de obras e serviços por empresas públicas e sociedades de
economia mista, segundo a Lei n.º 13.303/2016, entende-se como empreitada por:
a) preço global aquela que envolve o desenvolvimento do projeto executivo para a entrega final do objeto, sem
prévia estipulação do preço total.
b) preço global aquela que envolve empreendimento em sua integralidade, por preço certo de unidades
determinadas, com todas as etapas de obras sob inteira responsabilidade da contratada.
c) preço global aquela que envolve todos os elementos de contornos necessários e fundamentais à elaboração do
projeto básico, na qual o preço é incerto.
d) preço unitário aquela contratação por preço certo de unidades determinadas
e). preço unitário aquela destinada a pequenos trabalhos por preço certo e global, com fornecimento de material

29. (Cespe – TCE/PB 2018) Acerca da delegação de serviços públicos, prevista na Lei n.º 8.987/1995,
julgue os itens que se seguem.
I - A interrupção do serviço público não se caracterizará como descontinuidade quando ocorrer por
motivos de ordem técnica, desde que ocorra após prévio aviso.
II - Na concessão, o julgamento da licitação pode ser feito com base na melhor proposta técnica, a partir
de um preço fixado pelo edital.
III - O contrato de concessão não pode ser rescindido por iniciativa da concessionária.
Assinale a opção correta.
a) Nenhum item está certo.
b) Apenas os itens I e II estão certos
c) Apenas os itens I e III estão certos
d) Apenas os itens II e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.

30. (Cespe – TCE/PB 2018) A administração pública pode anular e revogar os seus atos,
independentemente de solicitação ao Poder Judiciário. Esse poder-dever está consagrado na Súmula n.º
346 do STF, que afirma que a administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos, e
na Súmula n.º 473 do STF, que afirma que a administração pode anular os seus próprios atos, quando
eivados de vícios que os tornem ilegais, ou revogá-los, por motivo de conveniência e oportunidade. O
poder-dever descrito anteriormente corresponde ao princípio da:
a) moralidade administrativa.
b) supremacia do interesse público.
c) autotutela
d) especialidade
e) legalidade.

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31. (Cespe – TCE/PB 2018) Em geral, os atos administrativos são dotados, entre outros, dos atributos de:
a) disponibilidade, presunção de legitimidade e imperatividade.
b) consensualidade, autoexecutoriedade e a presunção de legitimidade.
c) consensualidade, discricionariedade e disponibilidade.
d) presunção de legitimidade, imperatividade e autoexecutoriedade
e) discricionariedade, imperatividade e autoexecutoriedade

32. (Cespe – TCE/PB 2018) Uma empresa que presta serviços de vigilância e limpeza para órgão da
administração pública, diante de dificuldades financeiras decorrentes do atraso dos pagamentos que lhe
são devidos pelos serviços adequadamente prestados, deu vantagem pecuniária aos servidores
responsáveis pela liquidação e pagamento da despesa orçamentária empenhada, com o objetivo de
acelerar os trâmites administrativos necessários ao efetivo pagamento. Nessa situação hipotética, os
servidores responderão por ato de improbidade administrativa por terem:
a) concedido indevidamente benefício financeiro, sujeitando-se, entre outras cominações, ao ressarcimento
integral do dano causado à administração pública.
b) atentado contra os princípios da administração pública, sujeitando-se, entre outras cominações, à perda dos
bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio.
c) aplicado indevidamente benefício tributário, sujeitando-se, entre outras cominações, à proibição de receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
d) enriquecido ilicitamente, sujeitando-se, entre outras cominações, ao pagamento de multa civil de até três
vezes o valor do acréscimo patrimonial
e) causado prejuízo ao erário, sujeitando-se, entre outras cominações, à perda de bens e valores, inclusive
aqueles obtidos licitamente

33. (Cespe – TCE/PB 2018) Por ter permitido a alienação de um imóvel integrante do patrimônio de uma
autarquia pública estadual por preço inferior ao de mercado, determinado agente público causou lesão
ao erário. Durante o processo, provou-se que o agente agiu de forma imprudente, bem como constatou-se
o nexo causal entre a conduta e o dano. Porém, não houve comprovação de enriquecimento pessoal do
agente, nem indício de má-fé. Nessa situação hipotética, segundo a Lei n.º 8.429/1992 - Lei de
Improbidade Administrativa -, o ressarcimento do dano:
a) só seria devido se a conduta tivesse sido omissiva, caso em que teria de ser comprovado o dolo ou a culpa do
agente público.
b) será devido tão só em razão de a conduta ter sido comissiva, pouco importando, nesse caso, a comprovação
de ter havido dolo ou culpa.
c) será devido independentemente de a conduta ser omissiva ou comissiva, sendo suficiente para tal a
comprovação da culpa do agente público
d) não poderá ser cobrado do agente público, independentemente de a conduta ser omissiva ou comissiva, uma
vez que não houve a comprovação de dolo
e) só seria exigível caso a conduta em questão se tivesse dado de forma omissiva, já que não houve dolo.

34. (Cespe – TCE/PB 2018) Os sistemas de controle são o conjunto de instrumentos contemplados no
ordenamento jurídico que têm por objetivo a fiscalização da legalidade dos atos da administração
pública. No Brasil, a CF consagra o sistema de controle:
a) contencioso-administrativo, em vista da previsão expressa das competências dos TCs.
b) uno de jurisdição, haja vista que a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a
direito
c) inglês, tendo em vista a possibilidade de exercício de função jurisdicional pela administração pública
somente em determinadas matérias
d) dual de jurisdição, tendo em vista que o Poder Legislativo exerce competência jurisdicional e profere
decisões com caráter terminativo sobre algumas matérias.
e) francês, diante da possibilidade de revisão de qualquer ato da administração pelo Poder Judiciário.
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35. (Cespe – TCE/PB 2018) No que se refere ao acesso a informações, assinale a opção correta conforme a
Lei n.º 12.527/2011.
a) É vedada a exigência ao cidadão de explicitação de motivos para solicitar acesso a dados públicos
b) O órgão deve conceder acesso à informação disponível em até quinze dias
c) Caso o órgão se negue a conceder acesso a uma informação solicitada, o interessado estará impedido de
interpor recurso.
d) Em caso de uma informação parcialmente sigilosa, será vedado ao interessado o acesso à parte não sigilosa
da informação.
e) É facultado ao órgão fornecer ao requerente o inteiro teor de decisão negativa de acesso.

ANEXO I - LEI DE LICITAÇÕES E CONTRATOS11

▪ A competência para dispor sobre normas gerais de licitações e contratos é da União, nos termos do art. 22,
XXVII, e do art. 37, XXI, da CF: art. 22 [...] XXVII – normas gerais de licitação e contratação, em todas as
modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de
economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; art. 37 [...] XXI - ressalvados os casos especificados na
legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública
que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de
pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as
exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
▪ A competência trata apenas das ―normas gerais‖. Por isso, os estados, DF e municípios podem dispor sobre
normas específicas, independentemente da delegação prevista no art. 22, parágrafo único da CF. Nesse caso, a
única exigência é que os estados, o DF e os municípios observem o disposto nas normas gerais da União.
▪ A União também pode legislar sobre normas específicas de licitações, mas estas disposições apenas serão
aplicáveis à própria União. Ex.: o STF entendeu que o art. 17, I, ―b‖ e ―c‖, e II, ―b‖, é norma específica,
aplicável somente à União (ADI 927). ▪ Nos termos do art. 173, § 1º, III, da CF, compete à União elaborar o
estatuto jurídico da empresa pública, da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que explorem
atividade econômica de produção ou comercialização de bens ou de prestação de serviços. Tal estatuto consta
na Lei n. 13.303/2016, que dispõe, entre outras coisas, sobre o regime de ―licitação e contratação de obras,
serviços, compras e alienações, observados os princípios da administração pública‖ específico para as empresas
estatais.
▪ A Lei n. 10.520/2002 estabelece normas gerais de licitações para a modalidade pregão, aplicando-se
integralmente a todos os entes da Federação (União, estados, DF e municípios) e também a todas as entidades
administrativas (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista).

Lei n. 8.666/1993 (Atualizada e Comentada)


Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras,
serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Parágrafo único. Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos
especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais
entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.
Comentário:
▪ Expressamente, a Lei de Licitações prevê a sua aplicação para toda a Administração direta e também para a
indireta, incluindo ―as empresas públicas, as sociedades de economia mista‖. No entanto, tecnicamente, ela não
se aplica mais integralmente às empresas estatais, pois estas estão sujeitas ao regime da Lei 13.303/2016.

11 Adaptação do arquivo disponível no site: <https://dhg1h5j42swfq.cloudfront.net/2018/11/19183440/Lei-8666-atualizada-e-


esquematizada2.pdf>. Acesso em 22 fev. 19.
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▪ Assim, podemos resumir da seguinte forma as normas gerais de licitações:
▪ administração direta, autárquica e fundacional: aplicação integral da Lei 8.666/1993;
▪ empresas públicas e sociedades de economia mista:
▪ Lei 13.303/2016: como norma principal (primária)
▪ Lei 8.666/1993:
▪ nos casos expressamente determinados pela Lei 13.303: (i) critério de desempate previsto no art. 3º, § 2º; (ii)
disposições penais previstas nos arts. 89 a 99.
▪ subsidiariamente (entendimento doutrinário).
▪ Lei 10.520/2002: a Lei do pregão continua a ser empregada pelas empresas estatais, conforme determina o art.
32, IV, da Lei 13.303/2016.
▪ O art. 1º da Lei 8.666/93 prevê a sua aplicação aos ―fundos especiais‖. Na verdade, um fundo especial é uma
dotação de recurso (dinheiro) direcionada a uma finalidade específica. Assim, não é o fundo que faz a licitação,
mas o ente encarregado de gerir o recurso. Porém, em questões literais, devemos saber que a lei de licitações se
aplica ―aos fundos especiais‖.
Art. 2º As obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações, concessões, permissões e locações da
Administração Pública, quando contratadas com terceiros, serão necessariamente precedidas de licitação,
ressalvadas as hipóteses previstas nesta Lei.
Comentário:
▪ A regra é a realização de licitação para contratação com terceiros. Porém, a legislação poderá estabelecer
situações de contratação direta, ou seja, de contratação sem licitação. Os casos estão disciplinados nos seguintes
dispositivos:
▪ art. 17 (licitação dispensada);
▪ art. 24 (licitação dispensável); e
▪ art. 25 (inexigibilidade de licitação). Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se contrato todo e
qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da Administração Pública e particulares, em que haja um acordo de
vontades para a formação de vínculo e a estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação
utilizada. Comentário:
▪ Contrato é uma manifestação bilateral de vontade, uma vez que disciplina a vontade tanto da administração
como do terceiro que com ela contrata. O conceito apresentado acima é de contrato em sentido amplo, pois
envolve qualquer tipo de contrato firmado pela administração pública, incluindo aqueles em que o poder
público não terá todas as suas prerrogativas.
▪ Contrato administrativo, por sua vez, é o ajuste firmado entre a administração pública, agindo na qualidade de
poder público, e terceiros, sob regime predominante de direito público.
Art. 3º A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia, a seleção da
proposta mais vantajosa para a administração e a promoção do desenvolvimento nacional sustentável e será
processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da impessoalidade, da
moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da vinculação ao instrumento
convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.
Comentário:
▪ São finalidades ou objetivos da licitação pública:
▪ garantir a observância do princípio constitucional da isonomia
▪ seleção da proposta mais vantajosa para a administração
▪ promoção do desenvolvimento nacional sustentável
▪ O princípio da isonomia é decorrência do princípio da impessoalidade e significa que a administração deve
assegurar a todos igualdade de condições para que possam comprovar que atendem às exigências do poder
público, estando aptos a fornecer o bem, prestar o serviço, realizar a obra, etc.
▪ A proposta mais vantajosa não é necessariamente a de menor preço, pois os aspectos de qualidade também são
relevantes nas contratações. Com efeito, a licitação será julgada objetivamente, conforme os tipos de licitação
(critérios de julgamento), que são os seguintes: (i) menor preço; (ii) melhor técnica; (iii) técnica e preço; e (iv)
maior lance ou oferta.

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▪ A promoção do desenvolvimento nacional sustentável flexibiliza, em alguns aspectos, o princípio da isonomia
e também apresenta um novo significado para o que seja ―proposta mais vantajosa‖. São algumas decorrências
desta finalidade a instituição de margem de preferência (art. 3º, §§ 5º ao 10), a utilização de critérios de
sustentabilidade em licitações (Decreto 7.746/2012), etc.

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Principais temas de “Direito Administrativo” para estudar para o Exame da OAB e Concursos

5 - Bens Públicos: o examinador sabe que muita gente não estuda a parte constitucional de Bens Públicos e
está cobrando muito. Não negligencie os artigos 20 e 26 da Constituição Federal.
4 - Responsabilidade Civil do Estado: Estudar os atuais entendimentos jurisprudenciais sobre este tema. Vai
cair com certeza!
3 - Licitação, Lei 8.666/1993 e Lei 10.520/2002 (Lei do Pregão).
2 - Parceria Público Privada, Lei N.º 11.079/2004: geralmente é questionado sobre o conceito de concessão
patrocinada e concessão administrativa, os prazos da PPP, o valor, e esses tópicos mais superficiais da lei que
são decoreba pura.
1 - Improbidade Administrativa, Lei N.º 8429/1992: por razões óbvias, esta lei está despencando nas
provas. Estudem principalmente aqueles atos de improbidade administrativa que causam prejuízo ao erário
(artigo 10 da lei), é o mais cobrado!
Este 05 temas tem sido os mais cobrados nas provas de Direito Administrativo II.
Então segue a dica e bons estudos amigos!
Att,

Aracaju, 25 de fevereiro de 2019.

Prof. Me. Edson Oliveira da Silva

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