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Atividades Pedagógicas Em Creches E Jardins De Infância

MATERIAIS, EQUIPAMENTOS E ESPAÇOS


UFCD: 3268

Carga Horária: 50 horas


Formadora Marisa Carvalho

ÍNDICE

Introdução..............................................................................................................................................................3
Materiais, equipamentos e espaços - Higiene, manutenção, arrumação e preparação.......................................4
Velar pelos stocks de materiais não pedagógicos.............................................................................................4
Elaborar e preparar materiais necessários a atividades pedagógicas...............................................................4
Preparar os espaços e equipamentos para as refeições, sesta e atividades pedagógicas................................4
Produtos para limpeza.......................................................................................................................................5
O Manual de utilização, manutenção e segurança das Escolas.........................................................................6

Creche.....................................................................................................................................................................7
Materiais............................................................................................................................................................8
Caraterísticas do Material Lúdico-Pedagógico para as Atividades....................................................................8
Atividades e rotinas.........................................................................................................................................12
Relação e comunicação com as crianças e com os diferentes adultos............................................................12
Desenvolvimento do trabalho em equipa.......................................................................................................12

Jardins de infância................................................................................................................................................15
Objetivos e Conteúdos do Jardim de Infância.................................................................................................16
Materiais, equipamentos e espaços - Higiene, manutenção, arrumação e preparação.................................18
Tipos de equipamento.....................................................................................................................................19
Atividades e Rotinas........................................................................................................................................24
Desenvolvimento do trabalho em equipa.......................................................................................................26

Observação e conhecimento individualizado das crianças - técnicas e procedimentos......................................29


Conclusão.............................................................................................................................................................30
Bibliografia............................................................................................................................................................31
Anexo 1- Estatuto do Auxiliar de Ação Educativa.................................................................................................32

Materiais, equipamentos e espaços - Higiene, manutenção, arrumação e preparação

Velar pelos stocks de materiais não pedagógicos

Elaborar e preparar materiais necessários a atividades pedagógicas

Preparar os espaços e equipamentos para as refeições, sesta e atividades pedagógicas

Os materiais, equipamento e espaço compõem o ambiente físico de uma instituição. O


ambiente físico é o espaço onde ocorrem as aprendizagens, pelo que deverá ser acima de
tudo“ seguro, flexível e pensado para a criança.” Este ambiente deve responder às
necessidades e interesses das crianças, oferecer conforto e variedade de materiais.

Cabe ao acompanhante de crianças, neste caso assistente operacional ou auxiliar de


educação, executar ações para manter a higiene, manutenção, arrumação e preparação de
materiais, equipamentos e espaços.

Assim existem sempre momentos ao longo do dia para higienização dos materiais como as
superfícies das mesas, lavatórios de sala, alguns materiais como pinceis, suportes de
secagem, etc. de forma a que ao longo do dia as crianças usem os materiais devidamente
limpos.

Do mesmo modo ao longo do dia, normalmente ao final da manhã ou tarde é necessário


reorganizar a sala que foi alterada para alguma atividade, afiar lápis, recarregar tintas e
colas nos frascos, etc. De modo a que na próxima utilização pelas crianças todos os
materiais estejam novamente preparados.

É desejável que progressivamente as crianças vão participando nestas tarefas e que


algumas delas, como a arrumação, a façam praticamente sozinhas. No entanto cabe sempre
ao auxiliar a verificação no final para garantir que próximo dias as crianças vão encontrar
tudo bem limpo, arrumado e preparado para trabalharem, pois é desta forma também que
elas próprias começam a fazê-lo melhor.

Na higiene e arrumação deve ser tido em conta:

Combinar com o educador os lugares de cada equipamento e material de forma a ser


acessível às crianças e adequado ao uso do educador e auxiliar;

Arrumar sempre tudo no mesmo lugar para que todos saibam onde está e as crianças
aprendam a arrumar;
Produtos para limpeza

A água, sendo o mais natural, deve ser utilizado sempre que possível como meio de
limpeza. Facilita se esta estiver quente (no caso de brinquedos de bebés, etc. água quente
ou a ferver é um bom esterilizador.

Utilizar apenas produtos adequados e homologados para espaços educativos- cada


detergente deve ter diferentes características para diferentes fins, o mais importante é o
adulto estar sensível e atento ao que está a utilizar pois facilmente reconhecerá se o
produto é muito abrasivo, se tem um cheio a amoníaco forte, etc.

Para mesas onde se come, casas de banho, limpar brinquedos, etc. o detergente deve pelo
menos fazer da desinfeção e para tal o componente principal é ser bactericida sem lixívias,
amoníacos ou produtos corrosivos, nem perfumes exagerados;

Guardar produtos de higienização num local onde só existam esses materiais e inacessível
às crianças (mesmo numa pausa de limpeza muitas vezes se esquece uma produto
apetecível à curiosidade das crianças).

Exemplos de Detergentes (limpeza e desinfeção)


Escolas, creches e lares

Desinfeção de salas de aula


Germilis Detergente germicida bactericida desengordurante
Septic S Desinfetante secagem rápida para superfícies, bactericida, germicida e virucida

Limpeza e desinfeção de pavimentos


Bioger Detergente germicida bactericida para lavagem de pisos com bio-álcool

Desinfeção de mãos (contaminação cruzada) Gripe H1N1


Septic Gel desinfectante anti-séptico para mãos. Com substâncias amaciadoras da pele

Lava mãos anti-séptico


Supelis Bac In Sabonete lava-mãos bactericida, germicida e dermoprotetor

Lava mãos
Supelis Sabonete cremoso lava-mãos dermoprotetor

Limpeza de tinta de esferográfica em secretárias


Azulefe Detergente altamente desengordurante
O Manual de utilização, manutenção e segurança das Escolas – Ministério da Educação,
entre outras, as seguintes indicações:
A utilização, a salubridade e o ambiente
Limpeza e desinfeção
Os elementos e equipamentos das construções escolares, em especial os seus
revestimentos, devem proporcionar uma fácil limpeza, tendo em vista a higiene e
salubridade e a manutenção do seu aspeto exterior.
_ Todas as instalações deverão ser mantidas em permanente estado de limpeza,
arejamento e de arrumação.
_ Nas zonas de circulação dos alunos, nos locais de convívio, no refeitório e nos
laboratórios, em que os revestimentos de parede devem ser facilmente laváveis até ao nível
acessível aos alunos, recomenda-se a sua lavagem periódica.
_ A cozinha, o bufete e os seus espaços de apoio, os balneários e as instalações sanitárias
devem ser limpos diariamente e periodicamente desinfetados.
_ Nas operações de limpeza e desinfeção correntes devem utilizar-se os processos e
produtos mais apropriados a cada tipo de revestimento, de modo a não afetar a sua
durabilidade nem a dos respetivos elementos de construção ou equipamentos.
_ É importante manter os espaços exteriores das Escolas limpos e em bom estado de
utilização, de modo a propiciar aos alunos condições para aí permanecerem com agrado
nos intervalos e tempos livres.

Cabe ao Velar pelos stocks de materiais não pedagógicos como (folhas para registo,
agrafadores, etc.) e elaborar e preparar materiais necessários a atividades pedagógicas
(tirar fotocópias, fazer recortes, recolher materiais necessários à atividade pedagógica,
preparar colas, pinceis, etc.) de forma as crianças consigam iniciar e desenvolver a atividade

Cabe também ao assistente operacional (auxiliar) preparar os espaços e equipamentos para


as refeições, sesta e atividades pedagógicas sempre que for necessário.
No que respeita a preparação de espaços e equipamentos (camas/catres, lenções, loiças,
talheres, etc.) o mais importante é estabelecer uma rotina/esquema de ação que sendo
igual todos os dias, facilita e agiliza o trabalho reduzindo o tempo e esforço que quem o
executa.

É também essencial a individualização, ou seja, os equipamentos, principalmente relativos


às sestas (catres, lenções) devem ser individuais, devendo ter o nome da criança para
garantir a higiene dos mesmos.

Uma vez que o objetivo desta formação centra-se em potenciar no grupo de formandos a
capacidade de planificar e desenvolver, de forma autónoma, as ações relativas à higiene,
manutenção, arrumação, preparação de materiais e equipamentos e espaços, em ambiente
de creche ou jardim de infância, vemos em seguida a organização dos materiais, espaços e
tipologias de atividades em creche e em jardim de infância.

Creche

Uma creche como um jardim deve ter em termos de espaço físico salas, cozinha e
refeitório, sala polivalente, espaço exterior, gabinete de direção, espaço de arrumos,
instalações sanitárias para crianças e para adultos e sala de isolamento.

As salas podem ser organizadas em:

Sala 3 meses aos 12/18 meses- Berçário com Sala-Parque e Copa de Leites. Devem ter zona
de parque/ atividades; zona de descanso com berços e passível de escurecer e zona de copa
com aquecedor de leites, espaço muda-fraldas e muitas possuem zona de duche. Na sala
parque devem ter espelhos, barra para agarrar e levantar, e, ao nível do chão (onde andam
as crianças) instrumentos musicais para bebés, livros de borracha, rocas, guizos, cavalinho
baloiço, brinquedo estimulador da marcha, tapetes em espuma, cadeirinhas
espreguiçadeira e cadeirinha alta para comer;
Sala 12/18 aos 24-Deve ter estruturas para manipulação das crianças como cozinha, pista
com carrinhos, animais de borracha, bebés para deitar e dar de comer, jogos de encaixe
tipo legos grandes, figuras para manipular, (…);

Sala 24 aos 36 meses- Deve ter áreas/cantinhos semelhantes ao jardim de infância:


cozinha, quartinho, mesa dos trabalhos, jogos de mesa, biblioteca, área da música, (…);

Instalações Sanitárias para Crianças devem ter sanitas e lavatórios pequenos, acesso a
potes, zona muda fraldas e duche;

Instalações para isolamento das crianças que adoeçam subitamente (com berço, alguns
brinquedos);

Parque ao Ar Livre com piso amortecedor de queda e equipamentos de diversão e recreio


(devidamente homologados e inspecionados periodicamente);

Materiais

Os materiais como jogos, camas, cozinhas, pistas etc. que as crianças usam de forma livre
devem ser de espuma macios, duradoiros, laváveis e com cantos arredondados. Não devem
conter peças pequenas, afiadas ou cortantes. Os materiais de desgaste como tintas, papéis,
colas, etc. não devem estar acessíveis às crianças devendo o adulto ter armários altos para
os guardar.

Caraterísticas do Material Lúdico-Pedagógico para as Atividades


O material disponível:
• Deve ser adequado à faixa etária das crianças.
• Deve encontrar-se em boas condições de higiene e conservação (i.e. não deve estar
partido ou riscado).
• Deve ser frequentemente mudado de sítio e guardado, permitindo a sua rotação pelos
espaços, procurando manter o interesse da criança.
• Deve ser não tóxico e de fácil lavagem e limpeza, permitindo que a criança o utilize em
adequadas condições de segurança e higiene.
• Deve ser em número suficiente para poder envolver todas as crianças em atividades
espontâneas e/ou propostas, adequadas ao seu desenvolvimento global.
• Deve ter diferentes texturas e ser feito de materiais diversos (p.e. espuma, madeira,
plástico) e de diferentes cores.
Os materiais propostos diariamente devem:
• Estimular uma variedade de competências e de aprendizagens por parte de cada criança
individualmente e em grupo.
• Permitir uma multiplicidade de utilizações por parte da criança, em adequadas condições
de segurança.
• Promover o desenvolvimento de uma consciência social e cultural por parte das crianças,
facultando o acesso a brinquedos que permitam experimentar variedade geracional (p.e.
imagens e fotografias a representar pessoas em diferentes idades em interação), étnica e
racial (p.e. bonecas multirraciais, livros e imagens com bonecos multirraciais) e uma
igualdade no desempenho de papéis (p.e. imagens a apresentar crianças a desempenhar
papéis, independentemente do que culturalmente lhes é atribuído).
• Devem existir muitos brinquedos em duplicado ou que permitem igual utilização por
parte da criança (p.e. diferentes brinquedos de puxar; diferentes bonecas de igual
tamanho; diferentes triciclos; diferentes bolas).
• Deve existir material de apoio para as crianças que estão a aprender a andar.
• Deve estar disponível uma grande variedade de material e brinquedos por forma a que as
crianças possam brincar, de forma independente e segura:
• Livros adequados às faixas etárias das crianças acolhidas.
• Variedade de blocos (p.e. com diferentes tamanhos, formas, encaixe e cores) e acessórios,
disponíveis a qualquer momento para as crianças.
• Puzzles.
• Material para jogos “de faz de conta” adequado ao tamanho das crianças (p.e. forno
pequeno, cozinha pequena, roupas e acessórios, telefone de brincar).
• Bonecos macios e de toque agradável à criança (p.e. bonecos de peluche, de tecido).
• Material para jogos de areia e de água.
• Espelho.
Anexos
Material para Promoção do Desenvolvimento
Motricidade:
Bebés:
• Bolas de diferentes tamanhos.
• Brinquedos para fazer torres.
• Brinquedos que a criança possa olhar, sentir, tocar e colocar na boca (p.e. bonecos de
plástico ou peluche, argolas de borracha rugosas).
• Livros de folha grossa com imagens simples.
• Espelho com trave.
Crianças mais velhas:
• Equipamento que permita escalada (subir e descer)
• Brinquedos de leitura
• Bolas de diferentes tamanhos
• Blocos e puzzles
• Espaços com água, areia e outras texturas
• Linguagem e literacia:
Crianças com menos de 2 anos:
• Livros e imagens feitos de material durável, com imagens simples de pessoas e de objetos
familiares, que apresentem histórias breves sobre atividades da vida diária.
Crianças com mais de 2 anos:
• Livros e imagens que apresentem uma variedade de situações reais, “de faz de conta” e
de informação.
Outro material:
• Telefones.
• Bonecos.
• Jogos interativos.
• Material escrito e áudio na linguagem usada em casa de cada criança (p.e. fornecido pelas
famílias).
Arte:
Crianças com menos de 2 anos:
• Lápis ou marcadores de cores variadas.
• Grandes pedaços de papel de diferentes texturas e cores.
• Tintas para pintar à mão.
• Aguarelas.
• Plasticina.
• Barro.
• Massa de pão.
Crianças com mais de 2 anos:
• Material para pintura e desenhar (p.e. lápis de carvão, lápis de pastel, tintas, telas, folhas
de papel).
• Tesoura (modelo adaptado para crianças, incluindo modelo para canhotos).
• Papéis de vários tamanhos, cores e texturas.
• Cola.
• Pasta de cola e de papel.
• Plasticina.
• Barroxos
• Massa de pão.
• Desperdícios de diferentes materiais (p.e. papel, fios, madeira, tecidos).
Matemática:
• Material de diferentes cores, tamanhos, formas que permita:
• Contar.
• Comparar diferenças e similaridades.
• Ordenar.
• Encaixar.
• Sequenciar.
• Classificar.
• Reconhecer e criar padrões.
Ciência:
• Material que possibilite a realização de pequenas experiências com as crianças:
• Material com magnéticos (p.e. bonecos, letras, imagens).
• Superfície magnetizada (p.e. quadro).
• Termómetro do exterior.
• Balança e escala de medição.
• Areia, terra, serradura e outras substâncias similares.
• Blocos, carros e rampas.
• Água.
• Sementes.
Música:
• Diferentes instrumentos musicais (p.e. xilofone, tambor, guitarrinha).
• Diferentes materiais recicláveis para construir instrumentos musicais (p.e. copos, garrafas,
caixas, pacotes de leite).
• Caixas de música.
• Leitor de cd e dvd.
Atividades dramáticas:
• Vestuários.
• Cenários.
• Blocos e caixas.
• Espelho.
• Bonecos e animais de peluche.
• Miniaturas de animais e de pessoas a representar diferentes profissionais e atividades.

Atividades e rotinas
Tal como no jardim de infância a creche tem uma rotina, uma organização do tempo que é
securizante para a criança permitindo-lhe apropriar-se do tempo e saber/prever a atividade
que fará em seguida.
A rotina em creche, pode ser a seguinte com pequenas variações:

 Acolhimento
 Momento de Atividades orientadas/Exploração
Livre
 Momento de Exterior
 Higiene (lavar as mãos)
 Almoço
 Higiene (lavar as mãos e mudar a fralda) Fig.1- Atividade Orientada em creche
 Repouso
 Preparação para o Lanche
 Lanche
 Higiene (lavar as mãos e mudas a fralda)
 Exploração Livre / Saída

Relação e comunicação com as crianças e com os diferentes adultos

Desenvolvimento do trabalho em equipa

É então num contexto relacional que o desenvolvimento das crianças muito pequenas
ocorre.
Através da relação com o outro, do que lhe é permitido ou não, das respostas facultadas e
da rapidez com que estas são dadas que o processo de tornar cada criança num indivíduo
único e com uma identidade própria se processa.
Sabemos que as experiências das crianças nos seus primeiros anos de vida estão muito
relacionadas com a qualidade dos cuidados que recebem. Também sabemos que estas
experiências podem ter um verdadeiro impacto no seu desenvolvimento futuro. Os
cuidados adequados durante a primeira infância trazem benefícios para a toda a vida. A
infância é a etapa fundamental da vida das crianças sendo os primeiros 36 meses de vida
particularmente importantes para o seu desenvolvimento físico, afetivo e intelectual.
Desta forma, importa que este novo contexto de desenvolvimento se caracterize por um
ambiente acolhedor e dinamizador de aprendizagens, onde a criança se possa desenvolver
de forma global, adequada e harmoniosa.
Para que este desenvolvimento ocorra, é ainda importante que estas crianças se encontrem
num local onde possam ser amadas e sentir-se seguras. É igualmente importante que
tenham oportunidades para brincar, desenvolver-se e aprender num ambiente seguro e
protetor. Só desta forma é que lhes será possível desenvolver a sua autoestima,
autoconfiança e capacidade de se tornar independente face aos desafios futuros com que
irá sendo confrontada ao longo do seu desenvolvimento.

Se a qualidade da relação com a criança é fundamental, entre adultos, quer pais quer
equipa são cruciais para o bom ambiente no local de trabalho, para servirem de bom
exemplo às crianças e naturalmente aprenderem a relacionarem-se de forma positiva com
os demais.
Neste contexto, torna-se necessário que os prestadores de cuidados responsáveis pela
criança pautem a sua intervenção por critérios de qualidade:
•Ter em consideração o superior interesse da criança, o que implica um trabalho de grande
proximidade com a família desta. Há que estabelecer uma parceria forte com a família das
crianças que estão ao seu cuidado, de forma a obter informação acerca das capacidades e
competências das crianças, bem como de a prestar e compreender as diferentes
prespetivas e entendimentos pessoais- pois certamente todos procuram o melhor para a
criança;

• Nos cuidados tidos ao nível da qualidade das relações que a criança vai estabelecer quer
com outras crianças quer com os adultos. É num contexto relacional que as aprendizagens
da criança ocorrem pelo que este é um aspeto central a ter em consideração.

• Todas as crianças necessitam de se sentir incluídas, de ter um sentimento de pertença, de


se sentir valorizadas e importantes para algo. Este sentimento é possível de ser construído
através do respeito mútuo e através de relações afetivas calorosas e recíprocas entre a
criança e o adulto responsável por ela.

• Compreender as formas como estas crianças aprendem. Este é um processo complexo,


em que se tem que promover um ambiente que facilite a brincadeira, a interação, a
exploração, a criatividade e a resolução de problemas por parte das crianças. Só desta
forma é que elas poderão desenvolver o máximo das suas competências e capacidades. Isto
implica:

• Pensar a criança como um aprendiz efetivo e ativo, que gosta de aprender.

• Criar um ambiente flexível que possa ser adaptado imediatamente aos interesses e
necessidades de cada criança, promovendo o acesso a um leque de oportunidades de
escolhas e que lhe permita crescer confiante e com iniciativa.

• Estabelecer relações que encorajem a criança a participar de forma ativa. Crianças muito
novas aprendem melhor através de aprendizagens ativas em que se encontrem envolvidas
e que possuam significado para elas, pelo que a brincar será o melhor contexto em que
estas crianças aprenderão.

• Procurar conhecer o grupo de crianças pelo qual se encontra responsável, aprendendo a


observar o seu comportamento e interações (com quem brincam, onde, como o fazem…
quais a maiores dificuldades daquela criança);

• Estabelecer uma rotina diária consistente que reforce e valorize as continuidades.

Últimas considerações:
A Creche constitui uma das primeiras experiências da criança num sistema organizado,
exterior ao seu círculo familiar, onde irá ser integrada e no qual se pretende que venha a
desenvolver determinadas competências e capacidades.
Por diferentes motivos inerentes à sociedade atual, a família já não consegue realizar
sozinha a tarefa de educar uma criança, como tradicionalmente acontecia. Numa
sociedade, onde cada vez é maior o número de mulheres que trabalham a tempo inteiro, a
efetiva partilha das tarefas do universo público e privado convida a que mulheres e homens
dividam responsabilidades em matéria de educação dos filhos, competindo ainda, ao
Estado e à sociedade civil proporcionar apoio e suporte às famílias.
Esta preocupação crescente com os primeiros anos de vida da criança e com a qualidade
dos contextos é o reconhecimento da importância desta fase do desenvolvimento da
criança enquanto indivíduo.
Por tudo isto a creche possui horários alargados para apoiar as famílias;
A mensalidade da creche é comparticipada pela segurança social, existindo tabelas com
percentagem de coparticipação mediante valores do IRS, com os cálculos para
estabelecimento legal da prestação mensal;
Dadas as exigências legais da segurança social, as creches são inspecionadas no sentido de
implementar sistemas de qualidade, ao nível pedagógico, segurança e higiene,
alimentação, etc. A nível da qualidade da organização são exigidos os “processos-chave”,
existindo um sequência de documentos a implementar em cada processo de
funcionamento da creche: na fase de candidatura, no acolhimento e admissão da criança,
na elaboração do plano individual da criança (objetivos para cada área em cada idade), no
planeamento e acompanhamento das atividades, na prestação de cuidados pessoais e
ainda na nutrição e alimentação.

Jardins de infância

O jardim de infância é um estabelecimento de educação pré-escolar para crianças dos 3 à


idade de entrada para o 1º ciclo. É no jardim de infância que a criança inicia o seu percurso
educativo “a educação pré-escolar é a primeira etapa da educação básica no processo de
educação ao longo da vida, sendo complementar da ação educativa da família, com a qual
deve estabelecer estreita relação, favorecendo a formação e o desenvolvimento
equilibrado da criança, tendo em vista a sua plena inserção na sociedade como ser
autónomo, livre e solidário”.
Objetivos e Conteúdos do Jardim de Infância

Para compreender o papel do auxiliar de educação no jardim de infância, quer ao nível da


preparação, higiene e arrumação dos materiais quer na qualidade das relações que
estabelece com as crianças, adultos e em trabalho de equipa é necessário
compreender os objetivos deste:
O jardim de infância tem o objetivos de promover a socialização e iniciar o
desenvolvimento global da criança. A lei-quadro da educação pré-escolar (Lei n.º 5/97, de
10 de Fevereiro de 1997) enuncia os seguintes objetivos gerais:
O jardim-de-infância deve:
 Promover o desenvolvimento pessoal e social da criança com base em experiências
de vida democrática numa perspetiva de educação para a cidadania;
 Fomentar a inserção da criança em grupos sociais diversos, no respeito pela
pluralidade das culturas, favorecendo uma progressiva consciência como membro
da sociedade;
 Contribuir para a igualdade de oportunidades no acesso à escola e para o sucesso
da aprendizagem;
 Estimular o desenvolvimento global da criança no respeito pelas suas
características individuais, incutindo comportamentos que favoreçam
aprendizagens significativas e diferenciadas;
 Desenvolver a expressão e a comunicação através de linguagens múltiplas como
meios de relação, de informação, de sensibilização estética e de compreensão do
mundo;
 Despertar a curiosidade e o pensamento crítico;
 Proporcionar à criança ocasiões de bem-estar e de segurança, nomeadamente no
âmbito da saúde individual e coletiva;
 Proceder à despistagem de inadaptações, deficiências ou precocidades e promover
a melhor orientação e encaminhamento da criança;
 Incentivar a participação das famílias no processo educativo e estabelecer relações
de efetiva colaboração com a comunidade.
Estes objetivos são transversais ao processo educativo.

Áreas de conteúdo constituem os tipos ou áreas de saberes que são abordadas no jardim
de infância.

As áreas de conteúdo constituem as referências gerais a considerar no planeamento e


avaliação das situações e oportunidades de aprendizagem. Três áreas de conteúdo:

1)Área de Formação Pessoal e Social;


2) Área de Expressão/Comunicação que compreende três domínios:
-Domínio das expressões: expressão motora, expressão dramática, expressão
plástica e expressão musical;
-Domínio da linguagem e abordagem à escrita;
-Domínio da matemática;
3)Área de Conhecimento do Mundo;
Recentemente o Ministério da Educação apresentou as metas finais para a educação pré-
escolar, considerada “como primeira etapa da educação básica no processo de
educação ao longo da vida”, contribui para esclarecer e explicitar as “condições
favoráveis para o sucesso escolar” indicadas nas Orientações Curriculares para a
Educação Pré-Escolar.

Áreas das metas Finais

Conhecimento do Mundo
Expressões Expressão Dramática, Plástica, Músical e Dança
Formação Pessoal e Social
Linguagem Oral e Abordagem à Escrita Matemática
Tecnologias de Informação e Comunicação
Tudo o que é promovido no jardim de infância é feito pela equipa, educador e assistente
operacional, pois isso a qualidade da relação com a criança, a capacidade de fazer aprender
e descobrir bem como de a observar nestes aspetos que constituem os objetivos do jardim
de infância, são fundamentais para exercer o papel de auxiliar de educação com qualidade.

Materiais, equipamentos e espaços - Higiene, manutenção, arrumação e preparação

Um jardim-de-infância, como espaço físico é organizado em salas (com distribuição das


crianças por aproximação de idade). Em regra existem pelo menos três salas: dos 3, 4 e 5
anos. No entanto e de acordo com o número de crianças as salas podem ser mistas.
Considerando que as diferentes atividades que se desenvolvem nas instalações dos
estabelecimentos de educação pré-escolar, pedagógicas, educativas, organizativas, de
gestão e de interação com a comunidade implicam a existência de ambientes
diversificados, quer interiores quer exteriores, os espaços mínimos a considerar na criação
dessas instalações são:
a) Sala de atividades;
b) Vestiário e instalações sanitárias para as crianças;
c) Sala polivalente;
d) Espaço para equipamento de cozinha, arrumo e armazenamento de produtos
alimentares;
e) Gabinete, incluindo espaço para arrecadação de material didático;
f) Espaço para arrumar materiais de limpeza;
g) Instalações sanitárias para os adultos;
h) Espaços de jogo ao ar livre.

As prioridades de aquisição de equipamento, tomando em consideração as necessidades e


os interesses do grupo de crianças, deverão satisfazer um conjunto de requisitos de
qualidade, nomeadamente:
Qualidade estética; Adequação ao nível etário; Resistência adequada; Normas de
segurança; Multiplicidade de utilizações; Valorização de materiais naturais, evitando
materiais sintéticos; Utilização de materiais de desperdício.

Tipos de equipamento

-Mobiliário
-Material didático (jogos), de apoio (furadores, impressora) e de consumo (folhas)
-Material de exterior

Mobiliário
O mobiliário influencia o comportamento dos grupos, quer através da sua conceção, quer
pela sua disposição nos diferentes espaços, a seleção de mobiliário para as crianças dos 3
aos 5/6 anos de idade deve respeitar critérios de qualidade.
Constituindo o mobiliário um dos meios que serve à realização de atividades pedagógicas,
as suas características fundamentais deverão ser a mobilidade, a polivalência e a
compatibilidade, de forma a permitir diversificação dos ambientes em que se desenvolvem
as diferentes atividades.
De igual modo deverão ser consideradas na seleção de todo o material características como
a solidez, a estabilidade, a fácil conservação e limpeza.

Material
O material deve ser rico e variado; Polivalente, servindo mais do que um objetivo;
Resistente; Estimulante e agradável à vista e ao tato; Multigraduado, permitindo utilização
de vários níveis de dificuldade; Acessível, tanto pela forma como se arruma como pela
forma como pode ser utilizado; Manufaturado e/ou feito pelas crianças.
O material a utilizar deve, ainda, privilegiar os seguintes objetivos:
Favorecer a fantasia e o jogo simbólico;
Favorecer a criatividade;
Estimular o exercício físico;
Estimular o desenvolvimento cognitivo;
Material didático - Considera-se material didático o conjunto de instrumentos que facilitem
a aprendizagem e cuja durabilidade, embora variável, seja, em princípio, uma
caraterística inerente.
Material de apoio - O material de apoio compreende todo o equipamento,
designadamente audiovisual, de reprografia, de secretaria e de informática, facilitador do
funcionamento dos estabelecimentos de educação pré-escolar.
Material de consumo - Considera-se material de consumo todo o material de desgaste
utilizado no estabelecimento de educação pré-escolar.
Material de exterior - Entende-se por material de exterior o conjunto de equipamentos
colocado no espaço exterior do estabelecimento que deve proporcionar resposta às
necessidades de movimento, descoberta, exploração e descontração.
O material de exterior deverá permitir à criança uma livre expansão das energias
acumuladas, possibilitando desenvolver e testar as suas capacidades físicas.

Segurança - Sendo um problema de todos, mas dependendo essencialmente dos adultos, a


segurança deve ser garantida a todos os níveis, desde a seleção dos materiais à sua
utilização final, devendo ser respeitadas as normas legais em vigor neste domínio.
A marca " CE" deve figurar em todos os brinquedos e material didático, de forma visível,
legível e indelével.
Os compradores devem verificar se o nome e endereço do fabricante, do representante
legal ou do seu importador vêm indicados no brinquedo ou na embalagem.
Os utilizadores devem seguir as instruções do fabricante e respeitar a idade mínima
aconselhada.
Os brinquedos, e cada uma das peças que os compõem, devem ser suficientemente sólidos
e estáveis para resistirem a tensões e pressões sem se partirem ou danificarem.

Na aquisição do mobiliário devem ser considerados os dados ergonómicos e


antropométricos, para que se estimulem posturas corretas (sentados nas cadeiras, por
exemplo devem conseguir chegar com os pés ao chão enquanto encostam as costas)
Características como a solidez, a estabilidade, a fácil conservação e limpeza, são também
fatores a ter em consideração no design de todo o material.
Os materiais de desgaste, designadamente os utilizados para o desenvolvimento da
expressão plástica, não devem ser tóxicos, contundentes ou inflamáveis.
As embalagens vazias e os desperdícios devem ser utilizados pela criança sem riscos de
estrangulamento ou sufocação.

Equipamento mínimo a considerar no apetrechamento de uma sala de atividades:


Mobiliário:
 Cadeiras;
 Mesas com tampo lavável;
 Armários;
 Estantes;
 Espelho;
 Cavalete de pintura;
 Recipiente para manusear água;
 Arca;
 Expositor para biblioteca;
 Expositores de parede;
 Quadro de porcelana ou ardósia;
 Recipiente do lixo.
Material didático:
 Jogos de manipulação/ coordenação motora;
 Jogos de construção;
 Jogos de encaixe;
 Puzzles;
 Jogos de regras;
 Dominós;
 Lotos;
 Material de classificação e triagem;
 Jogos de classificação lógica;
 Material de contagem e medição;
 Balança;
 Material de carpintaria;
 Acessórios de culinária;
 Letras móveis;
 Enciclopédias;
 Livros infantis;
 Postais e imagens;
 Jogos simbólicos (mobiliário e equipamento da casa das bonecas, vestuário,
bonecos);
 Fantoches;
 Veículos;
 Tapete;
 Material de música (pandeiretas, guizos, clavas, pratos, sinos, xilofone);
 Material para experiências (lupa, pinça, binóculos, microscópio).
Material de apoio:
 Caixa de primeiros socorros;
 Gravador áudio;
 Cassetes;
 Máquina fotográfica;
 Cassetes de música de diferentes nacionalidades.
Material de consumo:
 Pigmentos de cor;
 Colas;
 Papéis de diferentes tamanhos e texturas;
 Plasticina;
 Barro;
 Pincéis de vários tamanhos;
 Trinchas;
 Teques;
 Tecidos;
 Lãs;
 Agulhas;
 Lápis de cera, marcadores, grafit;
 Aventais;
 Tesouras;
 Rolos.

Equipamento mínimo a considerar no apetrechamento de uma sala polivalente:


Mobiliário:
 Mesas;
 Cadeiras empilháveis;
 Armário fechado;
 Expositores;
 Recipiente lixo.
Material didático:
 Arcos;
 Cordas;
 Ringues;
 Lenços.
Equipamento mínimo a considerar no apetrechamento de um vestíbulo:
Mobiliário:
 Réguas de cabides (um por criança);
 Bancos corridos;
 Expositores.
Equipamento mínimo a considerar no apetrechamento do espaço exterior:
Material de exterior:
 Caixa de areia;
 Estruturas fixas para subir, trepar, suspender, escorregar.
Material didático:
 Conjunto de utensílios de jardinagem;
 Conjuntos de utensílios para rega (regadores, mangueiras);
 Conjunto de material para brincar na areia (pás, baldes, peneiras);
 Carros de mão; Bolas, arcos ringues; Pneus
Atividades e Rotinas

As atividades no jardim-de-infância podem ser:


Atividades livres- em que cada criança escolhe onde quer brincar ou desenvolver o seu
trabalho. Neste caso a atividade desenvolve-se nas áreas ou cantinho da sala.
Devem existir:
 Cozinha
 O quartinho
 A garagem
 Jogos de mesa
 Jogos de chão/construções
 Área das artes (com materiais plásticos)
 Biblioteca
 Área das ciências
 Área das Tic
 Área da Música
 Área de projeto de sala
 Em cada área os materiais devem estar disponíveis e acessíveis à criança, classificados
com critérios definidos (por cores
ou tamanhos com etiquetas) que
permitam a sua arrumação.

Atividades Orientadas- atividades que


são propostas e acompanhadas pelo
adulto -educador e assistente
operacional, visam promover a
Fig.3- Atividade Orientada
aprendizagem e desenvolvimento das
crianças concretizando os objetivos e abordando as áreas de conteúdo do currículo da
educação pré-escolar. Estas atividades são na prática o meio, o caminho que o educador
traça, no seu projeto curricular de sala, para trabalhar com as crianças e alcançar as metas
finais para educação pré-escolar.
As rotinas
As rotinas no jardim-de-infância estruturam o tempo e o dia da criança possibilitando-lhe
agir com segurança e antecipar o que vai fazer.

A rotina deve contemplar os seguintes momentos:

 Acolhimento
 Atividade orientada
 Atividades livre (áreas)
 Arrumar a sala
 Higiene
 Almoço
 Atividade orientada

 Atividade livre (áreas)

 Higiene
 Lanche

Fig.2- Atividade Livre: área da cozinha

Relação e comunicação com as crianças e com os diferentes adultos

Desenvolvimento do trabalho em equipa


As relações entre o educador, assistente operacional (auxiliar de ação educativa), as
crianças e os pais devem ser securizantes, proporcionando apoio e segurança para que
todos sejam intervenientes ativos, verdadeiros e construtivos no processo educativo.

O educador e auxiliar devem-se respeitar, escutar e apoiar. A troca de informações e


observações é fundamental uma vez que ambos têm um perspetiva diferente de cada
criança e conseguem observá-la em distintos momentos e aspetos do seu comportamento
ao longo do dia.
Cabe ao educador orientar o assistente operacional solicitando e combinando com ele
todo o trabalho a realizar, construindo ambos uma prática pedagógica que seja um efetivo
trabalho de equipa.
Com a criança, a relação deve promover segurança afetiva e emocional, instigar a
autonomia e iniciativa da criança sobre os materiais, atividades e aprendizagens. O
educador ou assistente devem construir com as crianças relações caracterizadas pelo
respeito pela individualidade de cada um. O adulto deve escutar a criança, tentando
compreender o seu ponto de vista, as suas necessidades e interesses para depois a apoiar e
construir com ela as aprendizagens que se considerar adequadas para aquele ser individual.
De acordo com o perfil de competências do educador de infância, que o auxiliar também
pode e deve seguir, o adulto, a pessoa que educa:
a) Relaciona-se com as crianças por forma a favorecer a necessária segurança afetiva e a
promover a sua autonomia;
b) Promove o envolvimento da criança em atividades e em projetos da iniciativa desta, do
grupo, do educador ou de iniciativa conjunta, desenvolvendo-os individualmente, em
pequenos grupos e no grande grupo, no âmbito da escola e da comunidade;
c) Fomenta a cooperação entre as crianças, garantindo que todas se sintam valorizadas e
integradas no grupo;
d) Envolve as famílias e a comunidade nos projetos a desenvolver;
e) Apoia e fomenta o desenvolvimento afetivo, emocional e social de cada criança e do
grupo;
f) Estimula a curiosidade da criança pelo que a rodeia, promovendo a sua capacidade de
identificação e resolução de problemas;
g) Fomenta nas crianças capacidades de realização de tarefas e disposições para aprender;
h) Promove o desenvolvimento pessoal, social e cívico numa perspetiva de educação para a
cidadania.

Com os pais a relação deve ser cordial, cooperante, integradora das riquezas de cada
família.
O educador e assistente devem respeitar e integrar as famílias e comunidade. A relação
devem ser próxima, de cooperação e verdadeiras no sentido do bem superior da criança.
Fazer trabalhos em que os pais participem. Chamá-los a intervir no jardim, realizando uma
atividade da sua profissão, enviar as capas de trabalho no fim-de-semana para cada.
Os pais devem participar nas decisões da organização do jardim-de-infância: o horário de
funcionamento é um exemplo.
O educador deve promover a informação, fazer reuniões de pais para que todos estejam
informados dos objetivos e atividades que as crianças realizarão. Trocar informações
semanalmente, expor trabalhos no espaço onde os pais vão buscar as crianças para que as
famílias e comunidade se interessem e participem ativamente na atividade do jardim-de-
infância.
Últimas considerações:
Existem jardins-de-infância da rede pública e privada, ensino particular e cooperativo e
integrados em instituições particulares de solidariedade social (IPSS).
Todos são regulamentados pelo ministério da educação, sendo os públicos da sua tutela.
Para regular o funcionamento e aspetos organizativos existem leis (como Lei n.º 5/97, de 10
de Fevereiro de 1997- Lei-quadro da educação pré-escolar), decretos-lei (como Decreto-Lei
n.º 241/2001, de 30 de Agosto que define os perfis de desempenho profissional do
educador de infância) e inúmeras publicações (como as orientações Curriculares, as
brochuras, as novas metas finais para educação pré-escolar).
Todos estes dados podem ser encontrados na Direção Geral da Educação
(http://www.dgidc.min-edu.pt).
Em jardim-de-infância as salas devem ser organizadas por aproximação de idade;
A criança deve completar 3 anos até dezembro do ano em que faz a matrícula, da mesma
forma que entra para o 1º ciclo de forma direta completando os 6 anos até 31 outubro do
ano da matrícula ou entra, mas de forma condicional (apenas de houver vaga) completando
os 6 anos até 31 de dezembro do ano da matrícula;
Existem inúmeras leis e decretos-lei que estipulam as regras da educação pré-escolar;
Os jardins devem ter horário de funcionamento alargado pois visam o apoio à família;
Deve existir componente letiva (5horas) e não letiva para ocupação dos tempos livres- os
tempos livres são componente de apoio à família normalmente da responsabilidade das
autarquias;
Deve existir serviço de refeições, bem como espaço exterior e sala polivalente para
atividades de motricidade;
Por norma existe um educador e 1 assistente para cada sala, no entanto este pode ser
partilhado por duas salas;
Observação e conhecimento individualizado das crianças - técnicas e procedimentos

O adulto deve construir um conhecimento individualizado da criança ao longo do tempo:


Deve procurar conhecer as suas aptidões e dificuldades;
Gostos e preferências;
Medos e condicionalismos;
Nas diversas áreas do seu desenvolvimento e nos diferentes contextos e grupos de ação,
pois sozinha ou em grupo, em casa ou na casinha do jardim de infância a criança revela
diferente comportamento.
Para tal deve ter em conta os objetivos e conteúdos a abordar na creche ou jardim de
infância, enunciados acima ao longo deste manual.
A observação, pode ser naturalista quando em contexto natural observamos a criança a
agir- ver como ela brinca no recreio ou como ela fala, se diz determinado som, por
exemplo;
A observação deve ser sistemática, isto é quando queremos retirar dela conclusões,
devemos observar várias vezes seguidas, e verificar se o comportamento se mantém para
tirar conclusões;
A observação também pode ser participada quando interagíamos a criança para a observar,
mas devemos ter em conta que a nossa participação pode influenciar o comportamento da
criança;
A observação pode e deve ser registada, em fotografia, vídeo, em blocos de notas, em
grelhas construídas para o efeito e muitas vezes usando como registo os próprios trabalhos
das crianças (como marcam as presenças, etc.).
É importante ter em conta que quando observamos, vemos segundo a nossa perspetiva, os
nossos conhecimentos, preconceitos, etc. o que pode influenciar o que vemos e pode não
ser coincidente com o que outros observam.
Para construir uma grelha de observação devemos colocar sempre o nome das crianças na
1ª coluna e nas restantes colunas o que queremos observar (diferentes variáveis do tópico
a avaliar-por exemplo se queremos observar a evolução do como comem à mesa devemos
colocar uma coluna para cada aspeto que queremos observar, se usa faca e garfo, se usa
guardanapo, se se senta corretamente, se come sem ajuda).

Registo de Observação Semanal da Autonomia da Criança na Refeição


Autonomia Usa o garfo Usa a faca Usa guardanapo Come s/ajuda
na Refeição
Criança
Ana IIIII IIIII II IIIII
Bruna II I
(…)

Bibliografia

-DED (1997),Orientações curriculares para a Educação Pré-Escolar. Lisboa: Ministério da


Educação.

-Lei n.º 5/97, de 10 de Fevereiro de 1997. Lei-quadro da educação pré-escolar. Diário da


República nº 34/97- I Série A. Ministério da Educação. Lisboa

-Decreto-Lei n.º 241/2001, de 30 de Agosto de 2001. Aprova os perfis específicos


desempenho profissional do educador de infância e do professor do 1.º ciclo do ensino
básico Diário da República nº 201/01- I Série A. Ministério da Educação. Lisboa

-Despacho Conjunto n.º 258/97, de 21 de agosto de 26 de Junho de 1997, Ministério da


Educação e Ministério da Solidariedade e Segurança Social

-Despacho Conjunto n.º 268/97, de 25 de Agosto, Ministério da Educação e Ministério da


Solidariedade e Segurança Social

-DED (n.d.). Metas Finais da educação Pré-escolar. Lisboa: Ministério da Educação

- Manual de processos-chave em Creche. Modelos de Avaliação da Qualidade das Respostas


Sociais. 2ª edição – 2010.

Sites:
http://www.dgidc.min-edu.pt
http://www.seg-social.pt/
Anexo 1- Estatuto do Auxiliar de Ação Educativa

Ministério da Educação e Cultura


Decreto-Lei n.º 223/87
de 30 de Maio
(Revogado pelo art.º 72.º do DL n.º 515/99, de 24/11)
1 - Ao auxiliar de ação educativa incumbe genericamente, nas áreas de apoio à atividade pedagógica, de ação
social escolar e de apoio geral, uma estreita colaboração no domínio do processo educativo dos discentes,
desenvolvendo e incentivando o respeito e apreço pelo estabelecimento de ensino e pelo trabalho que, em
comum, nele deve ser efetuado.
2 - Ao auxiliar de ação educativa compete predominantemente:
2.1 - Na área de apoio à atividade pedagógica:

a) Colaborar com os docentes no acompanhamento dos alunos entre e durante as atividades letivas, zelando
para que nas instalações escolares sejam mantidas as normas de compostura, limpeza e silêncio, em respeito
permanente pelo trabalho educativo em curso;
b) Preparar, fornecer, transportar e zelar pela conservação do material didático, comunicando estragos e
extravios;
c) Registar as faltas dos professores;
d) Abrir e organizar livros de ponto à sua responsabilidade e prestar apoio aos diretores de turma e reuniões;
e) Limpar e arrumar as instalações da escola à sua responsabilidade, zelando pela sua conservação;
f) Zelar pela conservação e manutenção dos jardins.

Aos auxiliares de ação educativa poderão ainda ser cometidas nesta área funções de apoio à biblioteca e aos
laboratórios.
2.2 - Na área de apoio social escolar:

a) Prestar assistência em situações de primeiros socorros e, em caso de necessidade, acompanhar o aluno a


unidades hospitalares;
b) Preencher requisições ao armazém de produtos para o bufete e papelaria e receber e conferir produtos
requisitados;
c) Preparar e vender produtos do bufete;
d) Vender, na papelaria, senhas de refeição, material escolar, impressos, textos de apoio, etc.;
e) Distribuir aos alunos subsidiados, na papelaria, senhas de refeição, material escolar e livros;
f) Apurar diariamente a receita realizada no bufete e papelaria e entregá-la ao tesoureiro;
g) Limpar e arrumar instalações do bufete e papelaria e respetivo equipamento e utensílios;
h) Comunicar estragos ou extravios de material e equipamento.

2.3 - Na área de apoio geral:

a) Prestar informações encaminhar pessoas, controlar entradas e saídas de pessoal estranho e proceder à
abertura e encerramento das portas de acesso às instalações;
b) Efetuar, no interior e exterior, tarefas indispensáveis ao funcionamento dos serviços;
c) Proceder à limpeza e arrumação das instalações, zelando pela sua conservação;
d) Vigiar as instalações do estabelecimento de ensino, evitando a entrada de pessoas não autorizadas;
e) Abrir e fechar portas, portões e janelas, desligar o quadro de eletricidade e entregar e receber chaves do
chaveiro a seu cargo.

Os auxiliares de ação educativa poderão ainda, nesta área, assegurar, quando necessário, o apoio reprográfico
e as ligações telefónicas.