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CLASSIFICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA

Introdução ao Estudo do Direito

I. QUANTO AO CONTEÚDO

Conteúdo da norma jurídica: conduta humana e processos de organização social.

1. Normas de Organização (Secundárias/de 2º grau)

 Assegurar uma convivência juridicamente organizada;


 Estrutura e funcionamento do Estado;
 Fixam e distribuem competências e atribuições, ou disciplinam a identificação, modificação e
aplicação de outras normas;
 Natureza instrumental.
2. Normas de Conduta (Primárias/de 1º grau)

 Disciplinar o comportamento dos indivíduos ou grupos sociais.

II. QUANTO À EXTENSÃO ESPACIAL

1. Normas de Direito Externo: ordem jurídica vigente em territórios distintos do


nacional (outros países).
2. Normas de Direito Interno: vigoram no território nacional; direito positivo de um
determinado país.
3. Normas de Direito Interno Brasileiro:
a) Nacionais (de direito comum): vigoram em todo o território nacional, aplicando-se a
todos os brasileiros. Ex: Código Civil/Penal/de Processo Civil/CLT, etc.
b) Federais: emanadas da União e aplicáveis apenas a ela e seus agentes, órgãos e
instituições, não podendo obrigar os Estados-membros e os Municípios. Aplicam-se
em todo o território brasileiro, mas somente àqueles que a ela se acham submetidos.
Ex: Estatuto dos Funcionários Públicos Civis da União.
c) Estaduais, municipais e distritais: normas de direito local, que vigoram apenas em
parte do território brasileiro. Ex: Constituição dos Estados e leis estaduais, Lei
Orgânica que rege os municípios e leis municipais, etc.

III. QUANTO À VONTADE DAS PARTES


Todas as normas são imperativas. No entanto, a imperatividade nem sempre se manifesta com a
mesma intensidade.

1. Normas Cogentes ou de Ordem Pública:


 Ordenam ou proíbem algo de modo absoluto, sem admitir qualquer alternativa.
 Limitam a autonomia da vontade individual, não levando em conta as intenções ou desejos
dos destinatários.
 Defendem interesses fundamentais à vida social (interesses de ordem pública).
2. Normas Dispositivas/Supletivas
 Não ordenam ou proíbem de modo absoluto. Estabelecem uma alternativa de conduta.
 Deixam aos destinatários a faculdade de dispor de maneira diversa.
 Permitem que seus destinatários disciplinem a relação social.
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3. Normas Preceptivas, Proibitivas e Permissivas

 Perceptivas: determinam que se faça alguma coisa; estabelecem um status.


 Proibitivas: negam a alguém a prática de certos atos.
 Permissivas: facultam fazer ou omitir algo. (espécie de norma dispositiva)
Obs: as normas cogentes podem ser tanto preceptivas como proibitivas.

IV. QUANTO À SANÇÃO

1. Normas mais que perfeitas: nulidade do ato + aplicação de pena ou restrição


2. Normas perfeitas: nulidade do ato
3. Normas menos que perfeitas: aplicação de pena ou restrição
4. Normas imperfeitas: nada
a) Razões de ordem social e ética: ex: “Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de
que resultou gravidez” – garantia ao nascituro.
b) Orientação Programática: enunciam princípios gerais, diretrizes. Efetivam-se ao longo do
tempo.
c) Obrigações Naturais: obrigações civis, baseada em dever moral ou de consciência. Ex:
dívidas de jogo.

V. QUANTO À EXTENSÃO PESSOAL

1. Normas Genéricas (de direito geral): Abrangem a totalidade dos indivíduos que se
integram no país. Ex: Código Penal/de Processo Civil...
2. Normas Particulares (de direito especial): vinculam determinadas pessoas, como as
que compõem um negócio jurídico. Ex: cláusulas de um contrato de compra e venda;
convenção coletiva de trabalho; Lei Orgânica da Magistratura, etc.
3. Normas Individualizadas: dirigem-se a indivíduos singularmente considerados; válidas
apenas para um caso particular, podendo ser obedecidas e aplicadas apenas uma vez. Ex:
sentença judicial.
4. Normas Excepcionais (de direito singular): estabelecem tratamento excepcional para
determinados casos, situações ou pessoas, diverso do estabelecido pelo direito geral,
quebrando a sistemática da ordem jurídica vigente. Podem servir de arbítrio de poder.

VI. QUANTO À APLICABILIDADE

1. Norma Autoaplicável: não depende de complementação por meio de outra norma, ou de


regulamentação pelo Poder Executivo. É imediatamente aplicável, independentemente de
qualquer ato legislativo ou regulamentar.
2. Norma Dependente de Complementação: exige, para sua vigência, a criação de novas
normas legais que a complementam.
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3. Norma Dependente de Regulamentação: exige, para sua vigência, a sua


regulamentação pelo Poder Executivo, definindo e detalhando sua aplicação.
4. Normas Constitucionais:
a) De eficácia plena: desde a entrada em vigor da Constituição, produzem ou têm
possibilidade de produzir todos os efeitos essenciais. Autoaplicáveis. Ex: remédios
constitucionais.
b) De eficácia contida: deixa-se margem à atuação restritiva por parte da competência
discricionária do poder público, nos termos que a lei estabelecer. Aplicabilidade
imediata. No entanto, são passíveis de restrição nos casos e na forma que a lei
estabelecer.
c) De eficácia limitada: aplicabilidade indireta, mediata e reduzida. Somente vigoram após
uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade. Dependentes de
complementação legislativa.
d) De orientação programática: aplicação diferida. Explicitam comandos-valores.
Limitam-se a traçar preceitos a serem cumpridos pelo Poder Público, como programas
das respectivas atividades.

VII. QUANTO À NATUREZA DAS DISPOSIÇÕES

1. Norma Substantiva/Material: define e regula as relações jurídicas ou cria direitos e


deveres das pessoas em suas relações de vida. Ex: Direito Civil/Penal/Comercial, etc.
2. Norma Adjetiva/Formal: define os procedimentos a serem cumpridos para efetivar as
relações jurídicas ou fazer valer os direitos ameaçados ou violados. Natureza Instrumental.
Ex: Código de Processo Civil/Penal.

VIII. QUANTO À SISTEMATIZAÇÃO

1. Normas Codificadas: colocadas nos códigos. Constituem um corpo orgânico sobre certo
ramo do direito. Ex: Código Civil.
2. Normas Consolidadas: reunião sistematizada de todas as leis existentes e relativas a uma
matéria. Distinguem-se das codificadas por que sua função principal é a de reunir as leis
existentes e não a de criar leis novas, como num código.
3. Normas Extravagantes/Esparsas: não estão incorporadas às codificações ou
consolidações: são leis que vagam fora; editadas isoladamente, para tratar de temas
específicos. Ex: Lei do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Lei do Inquilinato.

IX. QUANTO ÀS FONTES

1. Normas Legais: resultam do processo legislativo.


2. Normas Costumeiras/Consuetudinárias: resultam dos usos e costumes jurídicos.
3. Normas Jurisdicionais/Jurisprudenciais: resultam do processo jurisdicional.
4. Normas Negociais: produto da autonomia da vontade.