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DIVISÃO DE ENGENHARIA

Departamento de Engenharia de Minas

PROTECÇÃO, CONTROLO, COMBATE E PREVENÇÃO DAS PROJECÇÕES


OU ULTRA LANÇAMENTOS NO DESMONTE DE ROCHAS.

Nomes: Azevedo Pedro João Marcelino


Carolina Raimundo António
Marlita dos Santos da Índia
Fátima Pires Chataica

Tete aos, Fevereiro de 2019

2019
Azevedo Pedro João Marcelino
Carolina Raimundo António
Marlita dos Santos da Índia
Fátima Pires Chataica

PROTECÇÃO, CONTROLE, COMBATE E PREVENÇÃO DAS PROJECÇÕES


OU ULTRA LANÇAMENTOS NO DESMONTE DE ROCHAS.

Trabalho apresentado ao departamento de


Engenharia de Minas, Divisão de Engenharia, do
Instituto Superior Politécnico de Tete, no âmbito
da cadeira Segurança Mineira.

Docentes:

MSc. Lucas Jordão Simoco

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RESUMO

A exploração mineira com uso de explosivos provoca inevitáveis impactos ambientais e


desconforto para as populações nas vizinhanças das minas, as quais estão expostas
quotidianamente aos seus efeitos.

Os principais efeitos ambientais se fazem sentir através do ultra lançamento de fragmentos,


da geração de vibrações no terreno, de sobrepressão atmosférica, da emissão de materiais em
forma de partículas na atmosfera, do aumento dos níveis de ruído, do assoreamento de áreas,
além da alteração visual e paisagística. Esses problemas podem ser reduzidos a um nível
aceitável pela comunidade afectada, se a lavra for executada de modo a preservar as
condições de saúde, segurança e bem-estar da população afectada, adoptando-se técnicas
modernas de extracção e beneficiamento, e pelo monitoramento continuado dos parâmetros
ambientais envolvidos, mantendo-os, no mínimo, dentro dos limites estabelecidos pelos
organismos governamentais fiscalizadores.

Por tanto são necessárias informações que permitam a realização de um planeamento que não
somente atenda os objectivos de produção, mas que também satisfaça as exigências legais dos
órgãos ambientais.

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ABSTRACT
Mining exploration with the use of explosives unavoidable environmental impacts and causes
discomfort to people in the vicinity of the mines, which are daily exposed to its effects.
The main environmental effects are felt through the launch of ultra fragments, the generation
of vibrations in the ground, atmospheric pressure, the issue of materials in the form of
particles emissions, increased noise levels, sedimentation areas in addition to the landscape
and visual change. These problems can be reduced to a level acceptable to the affected
community, if the extraction is performed in order to preserve the health, safety and welfare
of the affected population by adopting modern techniques of extraction and processing, and
monitoring continued environmental parameters involved, keeping them at least within the
limits set by government agencies supervising.
Therefore information is needed to enable the realization of a plan that not only meets the
objectives of production, but it also meets the legal requirements of environmental agencies.

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ÍNDICE
I. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 7

II. OBJECTIVOS................................................................................................................. 8

2.1. Geral ............................................................................................................................ 8

2.2. Específicos .................................................................................................................. 8

III. METODOLOGIA ........................................................................................................... 8

IV. IMPACTOS AMBIENTAIS ASSOCIADOS A DESMONTES DE ROCHAS COM


EXPLOSIVOS ........................................................................................................................... 9

V. ULTRA LANÇAMEN TOS (PROJECÇÕES) ............................................................... 9

5.1. Tampão ...................................................................................................................... 12

5.2. Afastamento .............................................................................................................. 13

5.3. Danos ao maciço remanescente................................................................................. 13

5.4. Retardos nos desmontes de rochas ......................................................................... 14

5.5. Desmonte secundário ................................................................................................ 14

VI. PREVENÇÃO DE ULTRA LANÇAMENTOS ........................................................... 15

6.1. O plano de fogo ......................................................................................................... 15

6.2. Monitoramento e avaliações do desmonte ................................................................ 16

6.3. Aplicação de um sistema electrónico de desmonte ................................................... 16

VII. PROTECÇÃO CONTRA ULTRA LANÇAMENTOS ................................................ 17

VIII. MEDIDAS MITIGADORAS ...................................................................................... 17

IX. CONCLUSÃO .............................................................................................................. 19

X. BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................... 20

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LISTA DE ABREVIATURAS
mm – milímetro.
g/cm3 – grama por centímetro cúbico.
m3 – metro cúbico.
% - porcento.
ms – milissegundo.
m/s – metro por segundo.

LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Mecanismos de Ultralançamento.
Figura 2: processo de protecção contra projecções.
Figura 3: rede tipo nitro blasting para protecção contra projecções.
Figura 4: esteira de borracha para protecção contra projecções.

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I. INTRODUÇÃO
O presente trabalho versa sobre os ultra lançamentos ou projecções decorrentes do desmonte
com curso ao explosivo.
Este trabalho resultou de um levantamento bibliográfico sobre o tema, com o objectivo de
estabelecer medidas de protecção, combate, controle e prevenção dos ultra lançamentos no
desmonte de rocha com uso de explosivos, entender os principais impactos ambientais
gerados pelos desmontes de rocha com uso de explosivos. Tem também o objectivo de ser
utilizado como texto didáctico.
Empregam-se operações de desmonte de rocha com utilização de explosivos na mineração,
quando outros métodos de escavação são impraticáveis ou antieconómicos. Envolvendo
riscos consideráveis, por vezes com consequências fatais, associados ao lançamento de
fragmentos, causando incómodos e, em alguns casos, danos a edificações.
No presente trabalho ira dar-se enfoque a questões relacionadas com os ultra lançamentos ou
projecção de fragmentos no desmonte de rocha com uso de explosivo.
As projecções são um factor a ter em conta quando se faz o rebentamento, pois estas podem
por em risco a integridade física e ou a saúde dos trabalhadores bem como a população ao
redor da mina.
A projecção (ultra-lançamento) acontece quando blocos da rocha a detonar são projectados a
distância superior à esperada.
As projecções são um factor a ter em conta quando se faz o rebentamento, pois estas podem
por em risco a integridade física e ou a saúde dos trabalhadores bem como a população ao
redor da mina.

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II. OBJECTIVOS

2.1. Geral
Estudar os ultra lançamentos no desmonte da rocha com uso de explosivos.

2.2. Específicos
o Estabelecer medidas de prevenção, protecção, controle de ultra-lançamentos;
o Investigar possíveis causas dos ultra lançamentos no desmonte.

III. METODOLOGIA
A elaboração do presente trabalho baseou-se em pesquisas bibliográficas, através da consulta
de alguns manuais bem como a partir de pesquisas através da internet.
Revisão bibliográfica essa etapa norteou as etapas subsequentes da pesquisa, propiciando
acesso às bases teóricas que versam sobre o tema e a estudos similares desenvolvidos.

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IV. IMPACTOS AMBIENTAIS ASSOCIADOS A DESMONTES DE ROCHAS
COM EXPLOSIVOS
Os principais impactos ambientais decorrentes de desmontes de rochas com explosivos estão
associados à dissipação da fracção de energia liberada pelo explosivo na detonação que não é
transformada em trabalho útil. Tal fracção de energia dissipa-se, em sua maior parte, através
do maciço circundante sob a forma de vibrações, e da atmosfera sob a forma de sobrepressão
atmosférica. Gera, complementarmente, poeira, podendo ainda ocasionar danos ao maciço
remanescente e ultra lançamentos. Outro efeito indesejável na detonação é a geração de gases
tóxicos. Eston (1998) cita ainda como efeitos deletérios relacionados aos desmontes de rocha
a possibilidade de contaminação de águas subterrâneas pelo escoamento de produtos
químicos contidos nos furos e incómodos visual e psicológico decorrentes da não
familiaridade do cidadão comum com a actividade.

V. ULTRA LANÇAMEN TOS (PROJECÇÕES)


Ultra lançamento e a projecção de fragmentos de rocha de diâmetro superior a 1000 mm além
da área de operação decorrentes do desmonte de rocha com uso de explosivos.
O Ultralançamento proveniente de uma detonação pode resultar de três mecanismos chaves:
Falta de confinamento da energia na coluna explosivo;
Carga insuficiente para o diâmetro do furo;
Zona de fraqueza da rocha.

A. Rompimento prematuro de parte da face: As condições de carga geralmente


controlam a distâncias de lançamento do Ultralançamento da frente de detonação.
B. Formação do efeito cratera: Se a relação entre a altura do tampão e o diâmetro do
furo for muito pequena ou a região do colar do tampão for fraca o Ultralançamento
pode ser projetado em qualquer direção.
C. Ejeção prematura do tampão: A relação comprimento do tampão x diâmetro do
furo é suficiente para evitar a formação do efeito cratera, mas se o material utilizado
no tampão não for adequado ou ainda seu comprimento também não for adequado
poderá haver a geração de Ultralancamento.

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Figura 1. Mecanismos de Ultralançamento
Fonte: http://minassegconsultoria.com.br/blog/entry/perigo-na-detonacao-de-rochas-ultra-
lancamento-de-rochas-flyrock.html

Dele decorrem os maiores riscos pessoais e materiais passíveis de ocorrer em um desmonte


de rochas com explosivos. Sua prevenção dá-se na elaboração de um bom plano de fogo, não
sendo, entretanto, suficiente para evitá-los. Silva et al (2000) citam as seguintes causas de
ultra lançamentos:

o Afastamento insuficiente ou excessivo


o Impróprio alinhamento dos furos
o Iniciação instantânea de furos em filas consecutivas
o Ocorrência de anomalias geológicas
o Tampão inadequado
o Ultra quebras ou fragilização da face livre, decorrentes de detonações anteriores.
Os ultra-lançamentos ou projecções podem resultar de um excesso de carga ou da existência
de micro fracturas que individualizam blocos que, por efeito do explosivo, são projectados a
distância superior à esperada.
Podem ainda resultar projecções devido a um esquema de fogo deficiente, mal aplicado ou
mal executado.
Sendo um efeito indesejado, deve ter-se em atenção a heterogeneidade da rocha e o tipo de
esquema de pega de fogo a aplicar e, fundamentalmente, a sua execução prática. Guias para
redução das projecções:

o A utilização de detonadores micro-retardados e com carga reduzida por número pode


resultar como medida eficiente para reduzir as possibilidades de projecção.
o A utilização de pegas de fogo de fiadas múltiplas conduz, geralmente, a
rebentamentos com menos projecções.

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o Em casos em que se torna necessário evitar a todo o custo as projecções, as pegas de
fogo devem ser cobertas com telas velhas de borracha, pneus velhos e produtos
desmontados. A base do degrau deve ser protegida com produtos desmontados.

Figura 2: processo de protecção contra projecções.


Fonte: Manual de utilização de explosivos em explorações a céu aberto.

Figura 3: rede tipo nitro blasting para protecção contra projecções.


Fonte: Manual de utilização de explosivos em explorações a céu aberto.

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Figura 4: esteira de borracha para protecção contra projecções.
Fonte: Manual de utilização de explosivos em explorações a céu aberto.

5.1.Tampão (T)
É a parte superior do furo que não é carregada com explosivos, mas sim com terra, areia ou
outro material inerte bem socado a fim de confinar os gases do explosivo. O óptimo tamanho
do material do tampão (OT) apresenta um diâmetro médio (D) de 0,05 vezes o diâmetro do
furo, isto é:
𝑂𝑇 = 𝐷/20

O material do tampão deve ser angular para funcionar apropriadamente. Detritos de


perfuração devem ser evitados.

O adequado confinamento é necessário para que a carga do explosivo funcione


adequadamente e emita a máxima de energia, bem como para o controle da sobrepressão
atmosférica e o ultra lançamento dos fragmentos rochosos. A altura do tampão pode ser
calculada pela seguinte expressão:

𝑇 = 2𝑥𝐴

onde: A – e o afastamento

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5.2. Afastamento (A)

É a menor distância que vai do furo à face livre da bancada ou a menor distância de uma
linha de furos a outra. De todas as dimensões do plano de fogo essa é a mais crítica.

Uma expressão empírica e bastante útil para o cálculo do afastamento (A) é expressa por:

   
A  0,01232 e   1,5 x De
  r  

sendo: e - densidade do explosivo (g/cm3);

r - densidade da rocha (g/cm3);

De - diâmetro do explosivo (mm).

Afastamento excessivo – Grande emissão de gases dos furos contribuindo para um ultra
lançamento dos fragmentos rochosos à distâncias consideráveis, crateras verticais, alto nível
de onda aérea e vibração do terreno. A fragmentação da rocha pode ser extremamente
grosseira e problemas no pé da bancada podem ocorrer.

Afastamento muito pequeno – A rocha é lançada a uma considerável distância da face. Os


níveis de pulsos de ar são altos e a fragmentação poderá ser excessivamente fina.

5.3. Danos ao maciço remanescente


A acção do explosivo sobre o maciço remanescente ao desmonte pode ocasionar a
fragmentação e/ou deslocamento de material além da última linha de perfurações, podendo
acarretar a ocorrência de ultra lançamentos em desmontes subsequentes.

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5.4. Retardos nos desmontes de rochas

A iniciação simultânea de uma fila de furos permite um maior espaçamento e


consequentemente o custo por m3 de material desmontado é reduzido. Os fragmentos poderão
ser mais grossos. Os tempos dos retardos produzem os seguintes efeitos:

o Menores tempos de retardo causam pilhas mais altas e mais próximas à face;

o Menores tempos de retardo causam mais a quebra lateral do banco (end break);

o Menores tempos de retardo causam onda aérea;

o Menores tempos de retardo apresentam maior potencial de ultra lançamento (fly


rock);

o Maiores tempos de retardo diminuem a vibração do terreno;

o Maiores tempos de retardo diminuem a incidência da quebra para trás (backbreak).

5.5. Desmonte secundário

Muitas vezes por falhas na execução do plano de fogo, seja por erro de cálculo, furação,
carregamento, amarração, defeito nos explosivos e acessórios, ou pela condição de variáveis
geológica da rocha, não se obtém 100 % de sucesso na fragmentação do material. Resultam
daí repés nas bancadas ou blocos de rocha com dimensões maiores, os chamados matacões.

Para a reparação desses defeitos utiliza-se o desmonte secundário, com a finalidade de


cominuir os matacões e repés, possibilitando seu manuseio com equipamentos de carga e
transporte.
Sempre foi usado o chamado fogacho, que consiste na perfuração e detonação da massa
rochosa com carregamento mínimo de explosivo. No entanto, este é exactamente um dos
maiores problemas na execução do desmonte de rocha. Em virtude de se tratar de um bloco
de rocha ou repé, não existe uma face livre preferencial, ou seja, não se tem o controle da
detonação, ao contrário de quando o fogo é dado na bancada. Assim, muitos dos ultra
lançamentos que existem, provêm exactamente da utilização desta metodologia para o
desmonte secundário por explosivo.

Nas últimas décadas a evolução de equipamentos fez surgir o rompedor hidráulico ou martelo
rompedor e a drop-ball. São equipamentos que permitem quebrar a rocha através somente do

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esforço mecânico, não utilizando explosivos, o que garante segurança e economia na
operação.

VI. PREVENÇÃO DE ULTRA LANÇAMENTOS

6.1. O plano de fogo


Sendo a base para o correcto procedimento de desmonte de rocha com uso de explosivos na
mineração, o plano de fogo traz as informações necessárias para melhor executar a tarefa. As
variáveis que devem ser consideradas na elaboração de um plano de fogo dependem do
próprio projecto da lavra e britagem, dos equipamentos utilizados, das condições geológicas
(tipo de rocha, fracturas, descontinuidades, etc.), condições ambientais (áreas urbanas,
presença de grutas e cavernas, áreas de preservação, etc.), explosivos e acessórios
disponíveis.
Hoje existem várias metodologias para a determinação da malha de perfuração e
carregamento de explosivos, inclusive com vários softwares e aparelhos específicos,
utilizados para medições de desvio de furos e levantamentos sismográficos.
o Afastamento – distância entre a face livre da rocha e a primeira linha de furação e/ou
entre linhas de furação consecutivas;
o Espaçamento – distância lateral entre furos consecutivos na mesma linha;
o Diâmetro – diâmetro do furo utilizado para carregamento com explosivos;
o Altura da bancada – altura projectada para a bancada;
o Inclinação do furo – ângulo formado com a vertical, que deverá ser executado o furo
para carregamento dos explosivos;
o Comprimento do furo – distância do furo entre a superfície até atingir a altura
projectada da bancada;
o Sub-furação – comprimento adicional do furo além da linha da cota da praça ou de
seu comprimento projectado, visando garantia de fragmentação no fundo do furo;
o Comprimento final – comprimento do furo mais o da sub-furação;
o Carga de fundo – local no fundo do furo destinado geralmente a um carregamento
mais adensado de explosivo;
o Carga de coluna – local na coluna do furo destinado geralmente a um carregamento
menos adensado de explosivo;

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o Tampão – local da parte superior do furo, destinado a ser preenchido com pó da
perfuração, pó de pedra ou outro material que venha a confinar o carregamento e
impedir que os gases se expilam facilmente;
o Razão de carregamento – quantidade de explosivo necessário para detonar certo
volume de rocha;
o Número de linhas e furos – em razão da produção de minério projectada;
o Carga máxima de espera – carga total de explosivo que será detonado ao mesmo
instante;
Avaliando-se estes parâmetros a partir das características de cada mina, obtém-se um plano
de fogo seguro, económico e viável, mesmo em áreas urbanas ou de preservação ambiental,
onde a presença de moradias e pessoas não necessariamente impede a continuidade da
mineração exercida com responsabilidade e técnica.

6.2. Monitoramento e avaliações do desmonte


Como as propriedades de um maciço rochoso variam espacialmente, cada rocha reage de
maneira diferente na interacção explosivo/rocha, de acordo com a localização dos pontos de
aplicação da energia transferida pelo explosivo no maciço rochoso. Daí, tem-se a necessidade
de estudar o maciço rochoso e adoptar um plano de desmonte que se ajuste as condições
ideais, com o objectivo de obter uma melhor fragmentação e, consequentemente, menor dano
ao meio ambiente. Entre os vários métodos de monitoramento e avaliação do desmonte
destacam-se:
o Perfilagem da bancada;
o Verificação e avaliação de possíveis desvios de perfuração;
o Monitoramento sismográfico;
o Medição de velocidade de detonação;
o Verificação da pressão de detonação;
o Medição dos tempos reais de retardo;
o Monitoramento de trincas;
o Analise granulométrica.

6.3. Aplicação de um sistema electrónico de desmonte


O sistema electrónico de iniciação representa uma revolução nas operações de desmonte,
permitindo uma maior segurança e controle dos tempos de iniciação, adequando a operação
as exigências das normas técnicas e ambientais. Entre as muitas características podemos citar:

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o Sistema totalmente programável no furo de 0 - 8.000 ms, em incrementos de 1 m/s;
o Conexão perfeitamente segura feitas através de conectores;
o Comunicação bidireccional entre o equipamento de controle e as espoletas;
possibilitando a avaliação do sistema antes da detonação;
o Fácil de se usar e programar;
o Planos de detonação digitais facilmente projectados com o software;
o Um espoleta de tamanho único e padronizado que se adapta a todos os boosters
convencionais;
o Sistema de hardware e software totalmente auto testáveis;
o A aplicação esse sistema é recomendada em situações que exigem um controle rígido
do ponto de vista técnico, segurança e ambiental, etc., dentre as quais podemos citar:
o Controle de vibrações, próximos a estruturas e a ambientes sensíveis;
o Desmontes complexos;
o Controle rígido do maciço remanescente, permitindo uma maior estabilidade e
segurança;
o Minimização da diluição do minério;
o Optimização do lançamento da pilha.

VII. PROTECÇÃO CONTRA ULTRA LANÇAMENTOS

De acordo com o Artigo 33 número 5 do Regulamento de segurança técnica e de saúde nas


actividades geológicas e mineiras a explosão só pode ser provocada após o operador de
explosivos verificar se todos trabalhadores se encontram convenientemente protegidos, os
acessos a zona afectada devidamente controlados e não haver riscos de terceiros serem
atingidos.
Os trabalhadores devem usar equipamentos de protecção individual com vista a evitar
possíveis danos físicos advindos de ultra lançamentos de fragmentos no desmonte.

VIII. MEDIDAS MITIGADORAS


A remoção do solo residual ou outro material de cobertura da rocha gera, em geral, uma
superfície irregular que dificulta as primeiras operações de perfuração e desmonte.
Recomenda-se que seja feita uma limpeza da superfície removendo todos fragmentos de
rocha, para que não fiquem materiais disponíveis para ultralançamentos.

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As detonações podem ser acompanhadas do uso de sirenes de aviso, aumentando o nível de
fundo dos ruídos e antecipando o efeito psicológico da surpresa causada pela explosão (Areia
& Brita, 1997b). A instalação de barreiras físicas (“cortina vegetal”, “diques” com material
estéril, muros de concreto etc.) é outras medidas adoptadas por algumas empresas para
atenuar os efeitos da poluição sonora, particularmente nas pedreiras posicionadas em áreas
urbanas (Ribeiro, 1995; Sanchez, 1995a).
A minimização do efeito da sobrepressão tem sido obtida por meio do confinamento da
detonação, através de um tamponamento adequado que não permita a perda de energia, da
redução dos desmontes secundários, e de cuidados com a direcção e velocidade do vento, e
com inversões térmicas (Siskind, 1989; Rodrigues, 1993; Sanchez, 1995a). concreto etc.) são
outras medidas adoptadas por algumas empresas para atenuar os efeitos da poluição sonora,
particularmente nas pedreiras posicionadas em áreas urbanas (Ribeiro, 1995; Sanchez,
1995a).
Segundo Silva et al (2000), as acções mitigadoras possíveis dão-se por meio de: verificação
das condições meteorológicas existentes, evitando a detonação em situações desfavoráveis;
execução de malhas de perfuração perfeitamente demarcadas e perfuradas; não
direcionamento da frente de detonação para o local a ser preservado; detonações em horário
de maior ruído; implantação de obstáculos entre a fonte e o local a ser preservado; adoção do
maior tampão possível e material adequado; recobrimento de acessórios de detonação
explosivos; colocação de tampão intermediário em fracturas; redução da carga máxima de
explosivo a ser detonada instantaneamente; adequação do tempo de retardo, fazendo t = 2.s/v,
onde t é o tempo de retardo, s é o afastamento em metros e v é a velocidade de propagação do
som em metros por segundo; iniciação das minas pelo fundo; iniciação do fogo na
extremidade mais próxima do local a ser preservado; iniciação da detonação com o menor
número possível de furos; redução da frequência de detonações por período produtivo através
de acréscimo no número de furos por detonação.
O principal factor a ser considerado, objectivando a redução das vibrações que se propagam
pelo terreno, é a execução criteriosa de planos de fogo adequadamente dimensionados. Evitar
o excessivo confinamento do explosivo através da minimização do desvio de furos, a
eliminação de repés – material in situ remanescente da detonação anterior posicionado na
intersecção da face livre com a praça – ou outros obstáculos que impeçam o deslocamento do
material desmontado, redução do tampão – mas não a ponto de incrementar a sobrepressão
atmosférica ou acarretar ultra lançamentos – e da sub-perfuração, são medidas efectivas no
controle dos níveis de vibração (Dallora Neto, 2004).

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IX. CONCLUSÃO
Do ultra lançamento podem advir riscos pessoais e materiais, passíveis de ocorrer em um
desmonte de rochas com explosivos. Muitas vezes estes ricos afectam a população na
vizinhança das minas e o meio ambiente em geral.
Para a prevenção dos ultra lançamentos e necessário uma de um bom plano de fogo, fazer a
avaliação e monitoramento dos desmontes anterior, no entanto, estas medidas não são
suficientes uma vez que estes podem ser causados pelas condições geológicas das rochas.
Durante a pesquisa bibliográfica constatou-se que o desmonte secundário era uma das fontes
mais activas dos ultra lançamentos de rochas, com isso deve-se evitar o máximo este tipo de
desmonte com uso de explosivos, adoptando-se alguns equipamentos mecânicos para o
efeito.
Como medida de protecção contra os ultra lançamentos, aquando da execução dos
rebentamentos devem haver abrigo adequado para as pessoas que executam os
rebentamentos, os trabalhadores devem estar munidos de equipamentos de protecção
individual, para evitar danos que podem ser causados pelos fragmentos de rocha.

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X. BIBLIOGRAFIA
1. Cintra, H. B; Engenharia de Explosivos; 1997.
2. Decreto número 61\2008 - Regulamento de segurança técnica e de saúde nas
actividades geológicas e mineiras, Republica de Moçambique.
3. Eduardo Jorge Lira Bonates – Professor Titular UFCG - Aplicação de espoleta
eletrônica de rochas com explosivos.
4. Fernando Daniel; Manual de Utilização de Explosivos em Explorações a Céu
Aberto. Divisão de Minas e Pedreiras do Instituto Geológico e Mineiro; 2000.
5. FERREIRA, G. e tal; Impactos ambientais associados ao desmonte de rocha com uso
de explosivos, são Paulo, 2006.
6. NETO, C; Dissertação: Análise das vibrações resultantes do desmonte de rocha em
mineração de calcário e argilito posicionada junto à área urbana de limeira (sp) e
sua aplicação para a minimização de impactos ambientais; Rio Claro (SP), 2004.

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