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Mendelismo

Aplicação das Leis de Mendel

1ª Lei de Mendel: Os dois membros (ou alelos) de um par de genes separam-se


(segregam) na formação dos gâmetas, pelo que cada gâmeta contém, apenas, uma
cópia de cada gene

2ª Lei de Mendel: Diferentes pares de genes (ou alelos) distribuem-se (segregam)


independentemente na formação dos gâmetas

1. Segregação Independente Autossómica

A. Avalie os seus conhecimentos


(Se necessitar, consulte o Anexo I, págs. 13-16)

1. Diga quantos e quais os gâmetas que se formam a partir dos genótipos a seguir indicados:
a. Aa b. AA BB c. Aa Bb d. DD Ee Hh e. II JJ KK Ll

2. Quantos alelos de um determinado gene podem existir num organismo diplóide? E num
organismo haplóide? Num organismo de ciclo haplonte ou haplodiplonte? Numa população?

3. Assuma que, num cruzamento entre duas plantas, o progenitor masculino tem o genótipo AA Bb
e o progenitor feminino tem o genótipo aa BB. Diga os genótipos dos diferentes estádios de
desenvolvimento do organismo resultante deste cruzamento.

a. núcleos espermáticos; b. óvulos; c. núcleos polares; d. núcleo do endosperma; e. zigoto

4. Um homem e uma mulher têm 50% de probabilidade de ser portadores (heterozigóticos) de um


alelo recessivo associado a uma doença genética. Se tiverem um filho qual a probabilidade de
ele ser homozigótico recessivo?

5. Considere um cruzamento entre dois organismos diplóides cujos genótipos são os abaixo
indicados; os cinco genes segregam independentemente.

Fêmea Macho
Aa Bb CC Dd EE X AA Bb Cc Dd Ee

a. Qual a probabilidade de se formarem gâmetas AbCdE na fêmea?


b. Qual a probabilidade de se formar um zigoto EE ?
c. Qual a probabilidade de se formar um zigoto Aa bb Cc dd EE?

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B. Problemas resolvidos

1. Três variedades de ervilheiras (A, B e C), que produzem ervilhas de cor amarela e
superfície lisa, foram cruzadas com uma planta proveniente de uma ervilha verde e rugosa.
Em 100 ervilhas resultantes de cada cruzamento observaram-se os seguintes fenótipos:

A. 51 ervilhas amarelas lisas


49 " verdes "
B. 100 " amarelas "
C. 24 " " "
26 " " rugosas
25 " verdes lisas
25 " " rugosas
Quais os genótipos das plantas A, B e C?

Resolução
Todos os cruzamentos são do tipo: “amarela, lisa” x “verde, rugosa”. Se a planta verde rugosa é a
mesma em qualquer dos cruzamentos, as três descendências diferentes terão de resultar dos
genótipos das plantas A, B e C. O que se poderá concluir acerca de dominância e recessividade? A
chave é o cruzamento com a planta B, no qual se obteve uma descendência 100% amarela, lisa que
indica que estes fenótipos são devidos a alelos dominantes - Mendel definiu dominância (versus
recessividade) com base no fenótipo do híbrido. Então o progenitor "verde, rugosa" utilizado nestes
cruzamentos é forçosamente recessivo para as duas características e, assim, estes cruzamentos são
test-crosses. Utilizando A/a para "cor" (A - amarelo, a - verde) e L/l para "superfície" (L - lisa e l -
rugosa):

Cruzamento com a planta B :


AALL x aall
Gâmetas: AL al
Descendência: 100% AaLl

Cruzamento com a planta A : a descendência mostra a proporção 1 amarelo, liso :


1 verde, liso. De acordo com a 1ª Lei de Mendel, este cruzamento terá de ser:
heterozigótico para a cor, homozigótico para a superfície x homozigótico recessivo
Genotipicamente, este cruzamento poderá ser assim representado:
AaLL x aall
Gâmetas: 1/2 AL ; 1/2 aL al

Descendência: 1/2 AaLl , 1/2 aaLl

E quanto ao cruzamento com a planta C? As proporções da descendência, para cada uma das
características, são:

50 ervilhas amarelas : 50 ervilhas verdes (1:1)


49 ervilhas lisas : 51 ervilhas rugosas (1:1)
A planta C terá, assim, de ser heterozigótica para ambos os genes:
AaLl x aall

Gâmetas: 1/4 AL , 1/4 Al , 1/4 aL , 1/4 al

Descendência:

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1/2 Ll ⇒ 1/4 AaLl
1/2 Aa
1/2 ll ⇒ 1/4 Aall

1/2 Ll ⇒ 1/4 aaLl


1/2 aa
1/2 ll ⇒ 1/4 aall

2. Certos indivíduos acham amarga a feniltiocarbamida (PTC) - são chamados taster. Para
outros esta substância é insípida - não taster . Um casal em que ambos são taster e
normais quanto à pigmentação da pele, têm um filho albino e uma filha não albina e não
taster.
a. O que pode dizer acerca da dominância dos alelos?
b. Qual a probabilidade de que o filho albino seja taster ?
c. Qual a probabilidade de que um novo filho seja albino e taster ?
d. Qual a probabilidade de a filha ser não transmissora do albinismo?
e. Se a filha casar com um homem taster , normal quanto à pigmentação da pele, mas
cuja mãe era albina e não taster, diga que probabilidade tem um filho deste casal
de ser (i) taster, (ii) albino, (iii) albino e taster .

Resolução
a. Se no casal ambos são taster e têm filhos taster e não taster, o fenótipo taster tem que ser
devido a um alelo dominante, sendo os dois progenitores heterozigóticos; não taster é devido a
um alelo recessivo pois não se manifesta nos progenitores. De igual forma, o albinismo terá de ser
devido a um alelo recessivo que não se manifesta nos progenitores e surge na descendência.
Utilizando T/t para taster/não taster e A/a para pigmentação normal/albinismo,
genotipicamente, teremos o casamento AaTt X AaTt
Ambos os membros deste casal produzem quatro tipos de gâmetas, nas mesmas proporções (1/4):
AT, At, aT, at. Assim, prevê-se que na sua descendência surjam os seguintes genótipos, nas
proporções indicadas:

1/4 TT 1/16 - AATT


1/4 AA 1/2 Tt 1/8 - AATt
1/4 tt 1/16 - AAtt

1/4 TT 1/8 - AaTT


1/2 Aa 1/2 Tt 1/4 - AaTt
1/4 tt 1/8 - Aatt

1/4 TT 1/16 - aaTT


1/4 aa 1/2 Tt 1/8 - aaTt
1/4 tt 1/16 - aatt

b. O filho já nasceu e é albino (aa) ; a probabilidade de ser taster é: 1/4 (TT) + 1/2 (Tt) = 3/4 (T-)
c. A probabilidade de um novo filho ser albino é 1/4 (aa); e de ser taster é 3/4 (TT + Tt )
A probabilidade de ser albino e taster será: 1/4 (aa ) X 3/4 (T- ) = 3/16 (aaT- )
d. A filha (não albina e não taster) poderá ter os seguintes genótipos: AAtt ou Aatt. A probabilidade
é de 1/3, pois o ser albina está fora de questão (já nasceu e não o é). Assim, a filha só pode ser
AA (1/3) ou Aa (2/3) - neste caso seria transmissora.

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e. O homem terá de ser heterozigótico para ambas as características visto que a mãe é não taster
(tt) e albina (aa), pelo que ele forçosamente herdou um alelo recessivo de cada gene.

casal: (homem) AaTt X (mulher) Aa (2/3) tt [só se for Aa é que pode transmitir o alelo recessivo].
probabilidade de o filho ser: i) taster 1/2 (Tt)
ii) albino 2/3 X 1/4 = 1/6 (aa)
iii) albino e taster 1/6 X 1/2 = 1/12 (aaTt)

3. O seguinte pedigree diz respeito a duas características humanas raras: cataratas e


nanismo pituitário. Os símbolos que representam indivíduos com cataratas são indicados com
o bordo mais espesso e os que representam nanismo a sombreado.

I
1 2

II
1 2 3 4 5 6 7

III
1 2 3 4 5 6 7 8 9

IV

1 2 3 4 5 6 7 8 9

a. O que pode dizer acerca da hereditariedade dos dois genes?


b. IV-1 casa com IV-6 e têm 5 filhos, três anões sem cataratas e dois anões com
cataratas. Está isto de acordo com a hipótese formulada em a)? Quais os
genótipos deste casal?
c. Qual a probabilidade de:
i. II-6 ser heterozigótico para ambas as características;
ii. II-2 ser heterozigótico para o nanismo;
iii. a primeira criança do casamento IV-2 e IV-4 ser um anão.

Resolução
1. As cataratas têm que ser devidas a um alelo dominante - o casal 5 e 6 da III geração têm ambos
cataratas e têm filhos com e sem a anomalia (terão portanto de ser heterozigóticos,
manifestando a anomalia). O nanismo tem de ser devido a um alelo recessivo: o casal 1 e 2 da III
geração não apresenta a doença e tem filhos com ela (terão de ser heterozigóticos, não
manifestando a doença, mas podendo transmiti-la).
2. Sim, pois sendo ambos anões e sendo a característica recessiva, só podem ter filhos anões.
Quanto às cataratas: IV-6 será, de certeza, heterozigótico, podendo portanto ter filhos com e
sem cataratas. aacc X aaCc
3. i e ii. - tem de ser heterozigótico para ambas as características, visto que tem cataratas (mas a
mãe não tem) e tem de transmitir ao filho (III-6) o alelo recessivo do nanismo, para que este
possa ter crianças anãs. iii - IV-2 e IV-4 não são anões, mas têm irmãos que o são, pelo que a
probabilidade de transmitirem o alelo do nanismo será de 2/3 (não podemos nunca considerar aa

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como genótipo possível para estes indivíduos); assim a probabilidade de terem um filho anão
será: 2/3 x 2/3 x 1/4 = 1/9

4. Os fetos de uma dada espécie têm folhas inteiras com pecíolos verdes e produzem esporos
castanhos que dão origem a protalos grandes (plantas A). Uma variedade desta espécie, de
folhas franjadas e pecíolos negros, produz esporos vermelhos que originam protalos
pequenos (plantas B). Embora os protalos desenvolvam órgãos sexuais ♀ e ♂, a fecundação
é cruzada pois não amadurecem ao mesmo tempo. Observou-se o seguinte:
Anterozóides A + Arquegónios B (ou o recíproco) deram origem a esporófitos com folhas
inteiras e pecíolos verdes que produziram 50% de esporos castanhos e 50% de esporos
vermelhos. Deixaram-se estes esporos germinar em conjunto, tendo-se verificado o
aparecimento de ½ de protalos grandes e ½ de protalos pequenos. Cruzamentos ao acaso
originaram a seguinte descendência:

3/16 c/ folhas inteiras, pecíolo verde e 100% de esporos castanhos


3/8 c/ “ , “ e 50% de esporos castanhos + 50% vermelhos
3/16 c/ “ , pecíolo negro e 100% de esporos vermelhos
1/16 c/ folhas franjadas, pecíolo verde e 100% de esporos castanhos
1/8 c/ “ , “ e 50% de esporos castanhos + 50% vermelhos
1/16 c/ “ , pecíolo negro e 100% de esporos vermelhos

Explique estes resultados, atribuindo símbolos da sua escolha, e escreva os genótipos dos
vários individuos (esporófitos e gametófitos).

Resolução
Os fetos (por ex, o Polipódio) têm um ciclo de vida haplodiplonte em que as gerações esporófita e
gametófita são entidades independentes e pluricelulares, embora com aspecto muito diferente. O
esporófito,folhoso, é diplóide e produz esporângios que contêm as células-mãe dos esporos nas quais
ocorre meiose e formação de esporos haplóides. Os gametófitos (protalos), pequenas plântulas
bolbosas, surgem por germinação dos esporos, são haplóides e produzem células sexuais (gâmetas)
masculinas (anterozóides) e femininas (arquegónios). Embora o esporófito seja 2n, os esporos,
primeiro estádio da geração gametófita, e portanto n, podem ser observados no esporófito.

Analisando os dados do problema, verifica-se que


i. a F1 é homogénea no que respeita o esporófito pelo que os progenitores devem ser linhas
puras
ii. o(s) alelo(s) que determina(m) folhas inteiras e pecíolos verdes é(são) dominante(s)
iii. a heterozigotia do esporófito, já inferida pelo facto de o cruzamento ser entre linhas
puras diferentes, manifesta-se pelo aparecimento de ½ de esporos castanhos e ½ de
esporos vermelhos que originam, respectivamente, ½ de protalos grandes e ½ de protalos
pequenos (deste raciocínio pode, ainda, concluir-se que o gene para a côr dos esporos
também se manifesta no tamanho do protalo – pleiotropia, ver cap de ’Extensões ao
mendelismo’)
iv. a F2 mostra, claramente, que estão dois genes em jogo e que os esporófitos da F1 são
duplos heterozigóticos:
1. um dos genes, para as características estudadas, F/f, só se manifesta no
esporófito, determinando,fenotipicamente, ¾ de folhas inteiras (pelo menos
um alelo dominante, F_) : ¼ de folhas franjadas (duplo recessivo, ff)
2. o outro gene, P/p, determina, no esporófito, a côr do pecíolo, obtendo-se ¾ de
verde (pelo menos um alelo dominante, P_) : ¼ negro (duplo recessivo, pp)

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3. o gene P/p determina ainda características no gametófito: P - esporos
castanhos, protalos grandes; p – esporos vermelhos, protalos pequenos

Utilizando os símbolos escolhidos, teremos:

Anterozóides/arquegónios A x Arquegónios/anterozóides B
FP fp
Zigoto/Esporófito
FfPp
Meiose/Gâmetas ♂ e ♁
¼ FP : ¼ Fp : ¼ fP : ¼ fp

Encontros aleatórios destes gâmetas, darão origem, genotipica e fenotipicamente, a:

¼ PP : F_PP - 3/16 (f. inteiras, p. verdes, e. castanhos)


¾ F_ ½ Pp : F_Pp - 3/8 ( “ “ , ½ e. castanhos + ½ e. vermelhos)
¼ pp : F_pp - 3/16 ( “ , p. negros, e. vermelhos)

¼ PP : ffPP - 1/16 (f. franjadas, f. verdes, e. castanhos)


½ Pp : ffPp - 2/8 ( “ “ , ½ e. castanhos + ½ e. vermelhos)
¼ ff
¼ pp : ffpp - 1/16 ( “ , p. negros, e. vermelhos)

C. Problemas não resolvidos

1. Na espécie humana, a doença galactosémia é determinada por um alelo recessivo. Uma


mulher cujo pai era galactosémico pretende casar com um homem cujo avô era
galactosémico e estão preocupados com a hipótese de terem uma criança afectada. Qual a
probabilidade de isso acontecer?

2. A coreia de Huntington é uma doença rara e fatal que surge geralmente na meia idade
sendo provocada por um alelo dominante. Um homem, fenotipicamente normal, sabe que o
seu pai morreu com esta doença.
a. Qual a probabilidade de ele próprio apresentar mais tarde os sintomas?
b. Qual a probabilidade de um filho dele ter a doença?

3. A fenilcetonúria é uma anomalia hereditária determinada por um alelo recessivo, que leva à
acumulação de ácido acetil pirúvico no sangue. Se dois indivíduos heterozigóticos casarem e
tiverem dois filhos, qual a probabilidade de serem afectados pela fenilcetonúria:
a. o primeiro filho?
b. o segundo filho?
c. ambos os filhos?
d. o primeiro, mas não o segundo filho?
e. um filho mas não o outro?
f. nenhum dos filhos?

4. A acondroplasia é uma forma de nanismo determinada por um único gene. Dois anões
acondroplásicos casam-se e têm uma criança anã; mais tarde têm um segundo filho que é
normal.
a. A acondroplasia é devida a um alelo dominante ou recessivo? Justifique.
b. Quais os genótipos do casal?
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c. Qual a probabilidade da próxima criança ser normal? E anã?

5. Num cruzamento entre uma ervilheira alta, com sementes amarelas e lisas (TT Yy Rr) e
uma ervilheira alta, de sementes amarelas e rugosas (Tt Yy rr), que proporção da
descendência se espera que seja fenotipicamente:

a) Alta, amarela, lisa? b) Alta, verde, lisa? c) Alta, verde, rugosa? d) Anã, verde, lisa?

6. Um homem e uma mulher são ambos heterozigóticos para um alelo recessivo associado a um
erro do metabolismo.

a. Se tiverem um filho, qual a probabilidade de este ser afectado?


b. Se tiverem dois filhos, qual a probabilidade de, pelo menos um, ser afectado?
c. Se tiverem três filhos, qual a probabilidade de nenhum ser afectado?

7. Considere o cruzamento:

AaBbCcDdEe X aaBbccDdee

Assumindo segregação independente, diga:


a. Qual a proporção da descendência fenotipicamente semelhante:
i - ao 1º progenitor; ii - ao 2º progenitor; iii - a um dos progenitores; iv - a nenhum
dos progenitores.
b. Qual a proporção da descendência genotipicamente semelhante:
i - ao 1º progenitor; ii - ao 2º progenitor; iii - a um dos progenitores; iv - a nenhum
dos progenitores.

8. A braquidactilia é uma doença determinada por um alelo dominante, raro na população, que
origina dedos muito curtos. Um homem com braquidactilia casa com uma mulher normal.
Ambos são taster, mas as suas mães não acham qualquer sabor à feniltiocarbamida.
a. Dê os genótipos do casal.
b. Se tiverem oito filhos, diga qual a probabilidade de:
i - terem todos braquidactilia; ii - nenhum ter braquidactilia; iii - serem todos taster; iv -
nenhum ser taster; v - todos taster, com braquidactilia; vi - nenhum com braquidactilia nem
taster; vii - a primeira criança ter braquidactilia e ser não taster; viii - ter só as duas
primeiras crianças com braquidactilia; ix - as primeiras duas crianças terem braquidactilia e
serem taster e a terceira sem braquidactilia e não taster .

9. Assuma que, nos porquinhos da índia, pêlo áspero (S) e´dominante em relação a pêlo macio
(s) e que pêlo preto (W) é dominante em relação a pêlo branco (w). A descendência do
cruzamento de dois porquinhos de pêlo áspero e preto é constituída por porquinhos de pêlo
áspero ou macio, branco ou preto. Qual o genótipo dos progenitores?

10. Os frutos do tomateiro podem ter a forma alongada e a forma redonda. O cruzamento
entre uma planta com frutos redondos e outra com frutos alongados originou uma F1 com
frutos redondos. O cruzamento F1 X F1 produziu 3/4 da descendência com frutos redondos
e 1/4 da descendência com frutos alongados. Que hipótese genética explica estes
resultados?

11. Em cães, pêlo de cor escura é dominante em relação a pêlo albino, e pêlo curto dominante
em relação a pêlo comprido. Se estas características forem devidas a dois genes

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diferentes, quais os genótipos dos progenitores em cada um dos cruzamentos da tabela
abaixo indicada:

Progenitores escuro, escuro, albino, albino,


curto comprido curto comprido

a. escuro, curto x escuro, curto 89 31 29 11


b. escuro, curto x escuro, comprido 18 19 0 0
c. escuro, curto x albino, curto 20 0 21 0
d. albino, curto x albino, curto 0 0 28 9
e. escuro, comp. x escuro, comprido 0 32 0 10
f. escuro, curto x escuro, curto 46 16 0 0
g. escuro, curto x escuro, comprido 30 31 9 11

12. Suponha que se encontra um pequeno grupo de sasquatches (abomináveis homens da neve)
nas montanhas de British Columbia. A análise de quatro cruzamentos (ao longo de vários
anos) originou os seguintes resultados:

cruzamento progenitor 1 progenitor2 descendência


1 pernas arqueadas X pernas arqueadas, 3/4 pernas arqueadas, joelhos peludos;
joelhos peludos joelhos peludos 1/4 pernas canejas, joelhos peludos.

2 pernas arqueadas, X pernas canejas, 1/2 pernas canejas, sem pelos;


sem pelos sem pêlos 1/2 pernas arqueadas, sem pêlos.

3 pernas arqueadas, X pernas canejas, 1/4 pernas arqueadas, peludas;


joelhos peludos sem pêlos 1/4 pernas arqueadas, sem pêlos;
1/4 pernas canejas, peludas;
1/4 pernas canejas, sem pêlos.

4 pernas arqueadas, X pernas arqueadas, 3/4 pernas arqueadas, peludas;


joelhos peludos joelhos peludos 1/4 pernas arqueadas, sem pêlos.

a. Quantos genes estão envolvidos nestes fenótipos?


b. Quais os alelos dominantes e quais os recessivos?
c. Só cinco progenitores participaram nestes cruzamentos. Quais os genótipos desses cinco
indivíduos?

13. No pedigree a seguir apresentado o homem II-1 é afectado com uma doença rara.
a. A doença será devida a um alelo recessivo ou dominante?
b. Qual o genótipo de II-1? E de I-1 e de I-2?
c. Qual a probabilidade de II-4 ser heterozigótica? A sua resposta mantém-se se este
casal (II-4 e II-5) tiver um segundo filho afectado?

1 2 I

II
1 2 3 4 5
III
1

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14. Diga que tipo de hereditariedade explica a transmissão da característica representada no
pedigree abaixo indicado. De acordo com a sua hipótese, diga quais os genótipos de todos
os indivíduos das várias gerações.

I
1 2 3 4

II
1 2 3 4 5 6 7 8

III
1 2 3 4 5 6

15. Numa determinada espécie de musgo, os gametófitos ♀ e ♂ têm normalmente filídeos lisos
e o esporófito apresenta uma seta comprida e cápsula ovalada. Porém, uma variedade desta
espécie tem flídeos ondulados, seta curta e a cápsula é redonda. Do cruzamento destas
duas variedades resultou um esporófito com seta comprida e cápsula ovalada. Após
germinação dos esporos verificou-se que metade dos gametófitos tinham filídeos lisos e a
outra metade filídeos ondulados. Cruzamentos ao acaso originaram os seguintes tipos e
proporções de esporófitos:

9/16 com seta comprida e cápsula ovalada


3/16 “ “ “ redonda
3/16 com seta curta e cápsula ovalada
1/16 “ “ “ redonda

Explique estes resultados e escreva o genótipo dos esporófitos e gametófitos.

16. Neurospora é um bolor em que a fertilização é obrigatoriamente cruzada devido à


existência dos tipos conjugantes A e a. Cruzou-se o tipo selvagem, de micélio rosado e
felpudo, de tipo A com um mutante de micélio acinzentado e raso, de tipo a. Os ascósporos
resultantes deste cruzamento originaram os seguintes micélios:

1/4 rosado, felpudo


1/4 “ , raso
1/4 acinzentado, felpudo
1/4 “ , raso

a. Explique estes resultados


b. Admitindo que os tipos conjugantes são determinados por outro gene que segrega
independentemente do(s) outro(s), diga que proporções destes micélios serão A e a.

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D. Solução dos problemas não resolvidos

A.1. a. 2: A e a; b. 1: AB; c. 4: AB, Ab, aB; ab; d. 4: DEH, DEh, DeH, Deh; e. 2: IJKL e IJKl

A.2. Num indivíduo diplóide existem dois alelos (um herdado da mãe e outro herdado do pai) e num
organismo haplóide um só alelo. Num organismo de ciclo haplonte apenas o zigoto tem dois alelos e,
se o ciclo fôr haplodiplonte, o gametófito tem um alelo e o esporófito dois. Numa população pode
existir um número elevadíssimo de alelos diferentes de um dado gene.

A.3. a. Ou AB ou Ab ; b. e c. aB ; d. ou Aaa BBB ou Aaa BBb ; e. Aa BB ou Aa Bb

A.4. 1/2 x 1/2 x 1/4 = 1/16

A.5. a. 1/2 x 1/2 x 1 x 1/2 x 1; b. 1/2; c. 1/2 x 1/4 x 1/2 x 1/4 x 1/2

C.1. Mulher - Gg; homem - 1/2 de probabilidade de ser Gg; criança - 1/8 (1/2 Gg x 1/4 gg)

C.2. a. Pai – Cc e mãe cc; b. probabilidade de o filho ter a doença: 1/4 (1/2 X 1/2)

C.3. Progenitores heterozigóticos: Ff X Ff


Genótipos da descendência: 1/4 FF 1/2 Ff 1/4 ff
Fenótipos da descendência : (3/4 sem fenilcetonúria) (1/4 com a anomalia)

C.4.
a. A acondroplasia terá de ser determinada por um alelo dominante visto que eles são anões
mas têm filhos de estatura normal.
b. Ambos Aa.
c. 1/4 de estatura normal (aa) e 3/4 anões (1/4 AA e 2/4 Aa).

C.5. a. 3/8; b. 1/8; c. 1/8; d. Zero

C.6. a. 1/4; b. 1/4 x 3/4 + 1/4 x 3/4 + 1/4 x 1/4 = 7/16 ou 1 – (3/4)2 = 7/16; c. (3/4)3

C.7. a. i: 9/128 (1/2 x 3/4 x 1/2 x 3/4 x 1/2); ii: 9/128; iii: 9/64 (9/128 + 9/128); iv: 55/64 (1-9/64)
b. i: 1/32 (1/2 x 1/2 x 1/2 x 1/2 x 1/2); ii: 1/32; iii: 1/16 (1/32 + 1/32); iv: 15/16 (1-1/16)

C.8.
a. BbTt X bbTt (o homem será heterozigótico para a braquidactilia pois o gene é raro na
população; são ambos heterozigóticos para taster pois as mães são não taster);
8 8 8 8 8 8 8
b. i: (1/2) ; ii: (1/2) ; iii: (3/4) ; iv: (1/4) ; v: (3/8) = (3/4 x 1/2) ; vi: (1/8) = (1/2 x
8 8 2
1/4) ; vii: 1/8 - (1/2 x 1/4); viii: (1/2) (duas com braquidactilia – (1/2) , e seis sem
6 2
braquidactilia - (1/2) ; ix: (1/2 x 3/4) X (1/2 x 1/4)

C.9. Têm de ser ambos heterozigóticos.

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C.10. A razão 3:1 indica segregação mendeliana, com dominância do alelo que determina frutos
redondos em relação ao alelo que determina frutos alongados.

C.11.
a. AaCc x AaCc
b. AACc x AAcc (um dos progenitores pode ser Aa)
c. AaCC x aaCC (um dos progenitores pode ser Cc)
d. aaCc x aaCc
e. Aacc x Aacc
f. AACc x AACc (um dos progenitores pode ser Aa)
g. AaCc x Aacc

C.12.
a. Dois (pernas arqueadas / pernas canejas; joelhos peludos / joelhos sem pêlos)
b. Dominantes: pernas arqueadas e joelhos peludos
c. AaBB, Aabb, aabb, AABb, AaBb

C.13. a. recessivo; b. aa; ambos Aa; c. 2/3; não, pois como tem de transmitir o alelo a, é de certeza
Aa (p=1).

C.14. Recessivo

C.15. S/s – seta comprida vs curta, filídeos lisos vs ondulados


C/c – cápsula ovalada vs redonda (este gene não se manifesta no gametófito)
Cruzamento: SC x sc
F1 (esporófito): SsCc
Esporos (gametófitos): 1/4 SC - lisos
1/4 Sc - “
1/4 sC - ondulados
1/4 sc - “

F2 (esporófitos): 9/16 – S_C_


3/16 – S_cc
3/16 – ssC_
1/16 - sscc

C.16.
a. Neurospora é um organismo de ciclo haplonte. Sendo os micélios haplóides não se põe a
questão de dominância/recessividade dos alelos: selvagem vs mutante – c+t+/ct.
Cruzamento: c+t+ x ct
Esporos (micélios): 1/4 c+t+
1/4 c+t
1/4 ct+
1/4 ct
b. 1/2 : 1/2, para cada tipo de micélio

12
Anexo I

MÉTODOS PARA CALCULAR PROPORÇÕES GENÉTICAS,

GENOTÍPICAS E FENOTÍPICAS

Quadros de Punnett
Um gene: Aa x Aa

Gâmetas - 1/2 A , 1/2 a


♀ou ♂ A a
A AA Aa
a Aa aa

3/4 A_ : 1/4 aa

Dois genes: AaBb x AaBb

Gâmetas - 1/4 AB , 1/4 Ab , 1/4 aB , 1/4 ab

♀/♂ AB Ab aB ab
AB AABB AABb AaBB AaBb
Ab AABb AAbb AaBb Aabb
aB AaBB AaBb aaBB aaBb
ab AaBb Aabb aaBb aabb

9/16 A_B_ : 3/16 A_bb : 3/16 aaB_ : 1/16 aabb

13
14
CICLOS DE VIDA

Diplonte

Adulto 2n Adulto 2n
Fecundação
cruzada
Meioses Meioses

n n n n Gâmetas n n n n

2n 2n
Mitoses Mitoses
Zigotos Zigotos

Haplodiplonte
Esporófito 2n Esporófito 2n

Meioses Meioses

Esporos n Fecundação Esporos n


cruzada
Mitoses Mitoses

Gametófito n Gametófito n

Gâmetas n Gâmetas n

Mitoses Zigotos 2n Zigotos 2n Mitoses

Haplonte

Gametófito n Gametófito n
Fecundação
Mitoses cruzada Mitoses

Gâmetas n Gâmetas n

Zigotos 2n

Meioses

Mitoses Esporos n Mitoses

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Símbolos para representação de árvores genealógicas ou
pedigrees

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