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REDAÇÃO COMENTADA

Tema: Culto à aparência no mundo contemporâneo

Introdução: Atenção aos erros gráficos: “norteamericana” > norte-americana e “repecursão” > repercus-
são. Além disso, a canção em inglês “Pretty Hurts” deveria ser traduzida para aumentar a compreensão tex-
tual e o teor argumentativo vinculado à frase-tema. A palavra “canção” foi repetida duas vezes em períodos
muito próximos e a tese ficou superficial, sendo preciso deixar explícito o ponto de vista do candidato
acerca da problemática.

Desenvolvimento I: O parágrafo apresenta poucos conectores para interligar os períodos e aprofundar


o caráter argumentativo do texto. Ademais, há falta de pontuação (vírgula) e; no último período não há
um detalhamento: quais seriam os “impactos negativos” mencionados pelo candidato? É preciso apresen-
ta-los. Ao final do texto, atenção ao erro de concordância verbal: “podem haver impactos” > pode haver
impactos, pois o verbo “haver” é impessoal e o verbo auxiliar concorda com este.

1 A cantora norteamericana Beyoncé lançou uma canção que al-


2 cançou repecursão mundial: “Pretty Hurts”. Tal canção reflete sobre os
3 padrões estéticos impostos pela mídia e alerta sobre os frequentes casos
4 de bulimia entre os jovens que cultuam o corpo. Faz-se urgente resolver
5 essa problemática.
6 É preciso entender que os padrões de beleza foram moldados
7 pela história. Na década de 50 a atriz Marilyn Monroe tornou-se refe-
8 rência: seios fartos e curvas voluptuosas caracterizam sua beleza física
9 e ainda hoje alguns meios de comunicação insistem em unificar essa
10 aparência. Parte do público feminino enxerga nas cirurgias plásticas e
11 na musculação uma forma de integração social, mas podem haver im-
12 pactos negativos.
13 Os chamados influenciadores digitais interferem no comporta-
14 mento da sociedade e são vários os perfis fitness que predominam nas
15 redes sociais e expõem diariamente um estilo de vida saudável e har-
16 monioso. As referências fitness são positivas, pois incitam o bem estar
17 corporal, inclusive, há postagens que estimulam dietas e treinos inten-
18 sos que não condizem com a rotina e a condição física da maioria dos
19 internautas, que muitas vezes tentam segui-las sem um acompanha-
20 mento médico.
21 O poder midiático deve, por meio de campanhas, descontruir
22 os padrões e apresentar a coexistência dos diversos modelos físicos de
23 beleza, trazendo representatividade à população. Para dialogar com os
24 jovens, a escola deve incitar debates e a reflexão sobre a temática. Os
25 influentes digitais podem reforçar a necessidade de as atividades ins-
26 truídas serem acompanhadas por um profissional, tal como o indivíduo
27 ter discernimento na hora de exercê-las.
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Desenvolvimento II: O tópico frasal ficou muito extenso e a ausência de elementos coesivos ao longo
dos períodos prejudicou a progressão textual. Além disso, o termo em inglês “fitness” não foi explicado
no texto, implicando que o leitor conheça a palavra ou saiba o seu significado. O termo “bem estar” deve
vir acompanhado do hífen: bem-estar e, ao final do texto, seria interessante apresentar as consequên-
cias do comportamento dos indivíduos.

Conclusão: Para enriquecer o parágrafo conclusivo, é necessário apresentar a retomada da tese, o uso de um conec-
tor conclusivo e outros elementos coesivos entre os parágrafos para interligar as ideias apresentadas. Ao final das
propostas, seria interessante criar um período que sintetize e/ou reflita as ideias apresentadas na conclusão.
REDAÇÃO EXEMPLAR

Tema: Culto à aparência no mundo contemporâneo

Sugestão de reescrita:

1 Qual o preço da beleza?


2 A cantora norte-americana Beyoncé, em 2014, lançou uma canção que alcançou re-
3 percussão mundial: “Pretty Hurts”, a beleza machuca, em português. Tal música reflete sobre
4 os padrões estéticos impostos pela mídia e alerta, ainda, sobre a necessidade de atentar-se aos
5 casos de bulimia entre os jovens que cultuam o corpo em detrimento da própria saúde. Nesta
6 perspectiva, faz-se urgente avaliar as consequências da supervalorização da aparência na con-
7 temporaneidade.
8 É preciso entender, primeiramente, que os padrões de beleza foram moldados pela his-
9 tória. Na década de 50, por exemplo, a atriz Marilyn Monroe tornou-se referência: seios fartos
10 e curvas voluptuosas caracterizam sua beleza física e, ainda hoje, alguns meios de comunicação
11 insistem em unificar essa aparência. Neste contexto, parte do público feminino enxerga nas ci-
12 rurgias plásticas e na musculação uma forma de “ascensão”, porém, o perigo se alastra quando
13 os indivíduos encaram as mudanças estéticas como a única maneira de atingir a felicidade.
14 Além disso, os chamados influenciadores digitais interferem no comportamento da so-
15 ciedade. São inúmeros os perfis “fitness” (de aptidão física) que predominam nas redes sociais
16 e expõem, diariamente, um estilo de vida voltado à pratica de atividades físicas, tratamentos
17 estéticos e de uma alimentação saudável. Muitas dessas referências são positivas, pois incitam o
18 bem-estar corporal, entretanto, há postagens que estimulam dietas e treinos intensos que não
19 condizem com a rotina e a condição física da maioria dos internautas, que muitas vezes tentam
20 segui-las sem um acompanhamento médico. Os resultados, por conseguinte, podem ser frus-
21 trantes e, novamente, nota-se que as pessoas são atraídas pelos conteúdos que veem na internet.
22 É imprescindível, portanto, alternativas para solucionar esse impasse. O poder midiático
23 deve, por meio de campanhas, descontruir os padrões e apresentar a coexistência dos diversos
24 modelos físicos de beleza, a fim de trazer representatividade à população. Para dialogar com os
25 jovens, a escola deve incitar debates e a reflexão sobre a temática. Ademais, os influentes digitais
26 podem reforçar, em seu discurso, a necessidade de as atividades instruídas serem acompanhadas
27 por um profissional, tal como o indivíduo ter discernimento na hora de exercê-las. No sistema
28 capitalista vigente, as influências externas não deixarão de existir, mas é possível contê-las a
29 partir do desenvolvimento do senso crítico da sociedade.
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