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O Rei Demônio Foca em Sua Carreira Por Questões

Monetárias – Parte 7

— Então, sobre o que quer conversar?

Emi, mostrando toda sua confiança, esperava por Maou no


cruzamento escuro da área residencial. Desde o último encontro
deles, ela trocou para uma blusa e uma calça jeans. Não havia nada
em suas mãos, mas não era possível dizer que tipo de arma secreta
poderia puxar e usar para atacá-lo.

A bebida grátis de Kisaki — o especial do MgRonald, Café


Torrado com Gelo de Platina — estava na mão direita de Maou,
pronto para ser jogado a qualquer momento.

— Eu só queria perguntar uma coisa.

Seus quadris estavam firmemente presos à sela da Dullahan,


deixando-o com a opção de escapatória caso fosse necessário.

— Você tem qualquer intenção de voltar para Ente Isla?

— Hã? Do que está falando? — Maou não conseguiu


compreender. — Claro que sim.

— Então não pretende passar o resto de sua vida neste mundo?

— Como? Está zoando comigo? O que você quer, afinal?

— Eu estava te observando enquanto trabalhava mais cedo.

— O qu- Onde?! Não foi da livraria de novo, foi?

Emi ignorou a pergunta.

— Seu sorriso. Suas respostas rápidas. A confiança que sua


gerente e colegas colocam em você. Aquela aproximação flexível com
os clientes. Tudo isso é talento de verdade. Você é, tipo, o empregado
ideal do Maggie.

— Quê? Você é de Osaka?

A batalha sobre como abreviar corretamente o nome


“MgRonald” era intensa e feroz, dividindo a nação do Japão pela
metade na vertical, com ambos os lados aderindo com afinco às suas
versões preferidas. Maou sabia disso e, como residente do Japão
oriental, tinha noção de que “Ronald” era a única versão correta — a
única verdadeira.

— Quando conversamos, essa manhã, pensei que você estava


apenas me dizendo aquelas idiotices de propósito. Mas, depois de
ver você trabalhando... era tudo verdade, não era? — Emi deu de
ombros. — E, sabe, se estiver disposto a viver como um jovem alegre
e brilhante neste mundo, não terei objeções e não tentarei matá-lo.
Aquela garota que trabalha com você, se lembra, a bonitinha? Parece
que ela sente algo por você.
— Pois é. Fui o principal responsável pelo treinamento dela.
Faz poucos dias que foi aceita como um membro fixo da equipe, mas
ela aprende rápido e é muito boa e educada para com os clientes...,
então...
O Rei Demônio estava se gabando de alguns feitos inesperados.
— Pense nisso. Se viver aqui, tudo ficará bem. Será pacífico!
Você pode fazer com que toda a área ao redor da estação de
Hatagaya seja boa para todo mundo. E eu não precisaria ter que
lutar contra alguém que não quero. Você poderia considerar isso,
pelo menos? Você e Alciel, vivendo aqui até estarem mortos e
enterrados!

— Alciel é meu valioso assistente, posso te garantir isso. Mas


por que eu iria querer viver até ficar velho aqui?

— Bem, sabe, ouvi dizer que esse tipo de coisa está ficando
popular ultimamente.
Maou franziu o rosto ao ouvir isso.

— Emi, assim, você está... sugerindo algo ao me pedir para


viver o resto de minha vida com outro homem?

— Não! Claro que não! Eu só queria... dar essa ideia, tudo bem?
— Ela respirou fundo. — Só quero que você desista de Ente Isla.
Quero que faça isso e encontre uma nova vida aqui na Terra.

Maou respondeu rapidamente:

— Sem chance. Voltarei para Ente Isla... e ela será minha.


Cada palavra que disse era verdadeira. Ele havia perdido
muito, mas a força por trás de sua declaração ainda soava
verdadeira. Isso também ficou bem claro para Emi.

— Tudo bem...

— Era só isso?

— Sim. Só isso. Agora, tudo foi decidido. Eu te perseguirei o


tempo todo, até que seja morto pelas minhas mãos.

— Então será o mesmo que antes. Ótimo.

Maou colou o pé sobre o pedal confiável de Dullahan. Pisou


uma vez, desafiadoramente, esperando colocar um ponto de
exclamação na conversa, quando...

— Ai!

Sentiu uma força contra o pneu da frente. Ao perder o


equilíbrio, caiu deitado no chão.

Até mesmo Emi, que estava prestes a ir embora rapidamente,


ficou surpresa com a pura grandeza artística por trás da queda. Se
ele estivesse um pouco mais perto do lado da rua, poderia ter batido
a cabeça na beirada da calçada.

O copo de café gelado em sua mão voou no ar, o líquido e o


gelo se espalharam no chão.

— O que foi isso?

Sem pensar, Emi correu até Maou, ajudando-o a se levantar.

— Ouuu... cara, isso veio do nada. Será que passei por cima de
algo?

— Haha! E ainda se chama de Rei Demônio. Recomponha-se


logo.

— Cale a boca.

Emi observava a bicicleta enquanto o ajudava a se levantar. Os


olhos dele estavam um pouco lacrimejantes por causa do choque
repentino.
— Era uma bicicleta nova, né? Oooh, que pena. — Ela apontou
para o pneu da frente enquanto ele ajeitava o pezinho da bicicleta.

— Oh, cara, está furado!

Caindo em um joelho, Maou gemeu de dor quando notou o


dano sofrido. Por um momento, Emi se divertiu com a visão.

— Qual é, Dullahan! Você pode superar isso! É apenas um


ferimento superficial! Eu acabei de te comprar!

Porém, ao ver Maou chorar enfaticamente sobre algo que


poderia ser consertado por um valor baixo, ela sentiu uma leve
empatia.
— Você não precisa agir assim. Apenas furou. E só levar para a
loja de bicicletas amanhã. Custa mais ou menos uns mil ienes para
arrumar a câmara. Trocar o pneu custa mais, no entanto...

— S-Sério!?
As mãos de Maou abraçavam com força Dullahan. Ele virou a
cabeça na direção de Emi, que recuou em resposta.

— Hã... Sim. Sério. Mas saia de perto de mim! Você está todo
sujo! Está nojento!

— Não sou nojento! Mas... tudo bem. A primeira coisa que vou
fazer amanhã de manhã é levá-la para arrumar. Obrigado pela ajuda.

— De nada... Não! Espera! Não preciso de seu agradecimento


insignificante! Você está agindo tão patético por causa de um pneu
furado, isso me deixou de guarda baixa, então...

Emi não conseguiu terminar o que ia dizer.


— Hã? Terremoto?
O chão começou a tremer por um momento. Antes de
conseguir olhar para Maou, ouviram um fraco som de estouro soar
de algum lugar. Neste momento, o pneu traseiro havia explodido.

— Uou!

— Ah!
Justo quando tiveram tempo para gritar, o semáforo sobre eles
se estilhaçou em milhares de pedaços. A Heroína e o Rei Demônio
cobriram a cabeça enquanto ouviam o som de cacos caindo no chão.

— Estão...

— ... atirando na gente?

Eles foram respondidos por um som de rachadura sob os pés.

— Uou, uou, mas o que diabos!?


— Precisamos sair daqui!

Os dois correram para um beco próximo. As faíscas e estalos os


seguiam.

Na escuridão de Sasazuka, um atirador silencioso mostrou as


presas para o Rei Demônio e a Heroína.

— O que está acontecendo aqui–Ahh!

— Pare de gritar! E pare de ficar tropeçando!


Eles correram até a rua Koshu-Kaido, escondendo-se atrás dos
carros em um estacionamento pago para evitar o atirador. Nenhum
pedestre estava por ali, mas o tráfico de carros era incessante.

A Via Expressa Metropolitana de Tóquio sobre eles bloqueava


o céu noturno. Os dois recuperaram o fôlego em frente a um prédio
de escritório fechado.

— O que acabou de acontecer?

A voz de Emi estava mais alta do que o normal. Maou estava


igualmente tenso.

— O Rei Demônio e a Heroína estão juntos, e alguém está os


atacando. Deve ser algo relacionado a Ente Isla. Mesmo que não
seja, que tipo de criminoso estaria disparando aquela coisa no
Japão? Você deve saber quão rígidas são as regras para armamento.

— Eu sei! Então, será que foi alguma gangue de rua disparando


com uma arma de pressão em nós...?

— Eles não formam mais gangues de ruas por essas bandas!—


Se abaixe!
Maou forçou a cabeça de Emi para baixo.

Na mesma altura que a cabeça dela estava há pouco, um


pequeno buraco apareceu na persiana de metal.

— Não tem como uma arma de pressão abrir um buraco em


uma porta de metal.

— Sai fora! Pare de bagunçar meu cabelo! — Emi afastou a mão


de Maou. Ele obrigou-se a encarar a própria mão conforme
perguntava:

— Então você também é mais forte que um japonês comum?

— Forte ou não, ainda é possível se cortar na cozinha! Ainda


dói se chutar o pé de uma mesa!

Maou entendeu que Emi não tinha mais a mesma força de


quando estava em Ente Isla. Como um demônio, ele assumiu que a
sua força física, defensiva e espiritual sempre seria melhor que a dos
outros. Agora, no entanto, ele estava quase no mesmo nível de um
adulto japonês comum — um fato que ficou claro para ele depois de
um ano no Japão.

— Esse último veio da nossa frente.

— Não tenha tanta certeza. Você ouviu algum som de tiro?

— Nada, não... ah!

Justo quando ela falou, lançou-se na direção de Maou. Ambos


giraram no ar antes de caírem no chão. Se tivesse sido um pouco
mais lenta, os dois seriam perfurados. A persiana de metal, agora
com um buraco para ventilação, mostrava bem isso.

— Boa.
— Você sabe que não sou idiota. Afinal, sou uma Heroína.

— Pois é, foi mal. Se importa de sair de cima de mim? Não


consigo me esquivar de tiros desse jeito.

— É culpa sua por ter caído primeiro! Faço questão de sair de


perto dessa sua pele podre!

Eles não estavam sendo nem um pouco educados um com o


outro, mas a briga deles era com alguém diferente. Rapidamente, os
dois ficaram de pé e se recompuseram, de costas um para o outro,
observavam os arredores, prontos para um ataque de qualquer
direção.

— Será que conseguimos até a estação?

— Boa ideia. Os izakayas ainda vão estar abertos ao redor da


estação de Sasazuka; vai ter muita gente lá. Será arriscado, mas vai
depender da reação de quem está atirando em nós. Você consegue
correr?

— Melhor do que você. Tenho certeza que só aproveitava a


mordomia daquela bicicleta.
— Tudo bem. Agora!

O atirador conseguiria acompanhar os dois correndo? Não


encontraram nenhuma pessoa até aquele momento, porém, quanto
mais se aproximavam da estação, mais eram vistos. Os bares
izakaya, próximos à estação, eram iluminados por um conjunto de
cores brilhantes, hordas de trabalhadores vagavam pelas ruas ao
redor deles, pensando em qual entrar.

Os dois observaram cautelosamente a área, escorados de costas


contra a parede da estação. Dois homens de meia-idade, ainda
usando os ternos de trabalho, gritaram com eles, mas Emi e Maou
não tinham tempo para brincar com trabalhadores bêbados no
momento.
Eles ficaram paralisados no mesmo lugar por cerca de dez
minutos. Quando concluíram que não havia atiradores em áreas bem
iluminadas e movimentadas, ficaram cansados tanto na questão
física quanto na mental.

— Então... o que foi aquilo?

Emi deu um suspiro de alívio, tirando o cabelo suado da frente


do rosto enquanto perguntava para ninguém em particular. Maou
lutava para recuperar o fôlego, então respondeu:

— Não sei... mas não era qualquer atirador. Aqueles eram


disparos de energia mágica.

— Mágica...? Os olhos de Emi se arregalaram.


— Aquele tiro foi na direção da sua cabeça, perto do prédio,
não foi? Ele veio do lugar que nós saímos. Era necessário mudar de
trajeto para nos acertar, disso eu tenho certeza.

— Quer dizer...

— Seja quem for, tem muito poder sobrando. Além disso, sabe
quem nós dois somos de verdade.

— Nós dois? Existe mais alguém assim aqui? Além do Alciel?

— Eu acho que sim. Só não sei quem é. Nem mesmo senti


alguém por perto. — Maou espreguiçou o corpo, a tensão finalmente
começara a desaparecer. — Cara, olhe só a encrenca em que você me
meteu.

Emi respondeu ao tom acusatório de Maou:

— Eu!? Você acha que a culpa é minha!?

— Isso não teria acontecido se tivesse escolhido horário e local


mais normais, não acha?

— Eu escolhi eles porque é quando você sai do trabalho!

— De manhã já estaria bom. Até melhor, para falar a verdade.

— Eu trabalho de manhã! E de tarde!

— Não é problema meu.

— Ei! Onde está indo!? — Emi o parou quando ele tentou ir


embora, um olhar de cachorro abandonado tomava conta de seu
rosto.

— Para casa.

— Vai sozinho!?

— Bem, sim. Você também deveria ir. Tenho certeza que deve
ser perto, já que está sempre aqui por esses lados. Até mais.

— Ei...!

Maou foi embora; deixando o grito frenético de Emi se


dissolver no murmúrio da noite de Sasazuka. Ele odiou ter que
abandonar a bicicleta que recém havia comprado, mas poderia ter
mais atiradores por perto. Sua confiável Dullahan precisaria esperar
até amanhecer para voltar ao seu mestre.

Não chegou a comentar isso com Emi, mas esse ataque


despertou uma leve esperança em sua mente.

O fato de o inimigo ter liberdade para usar poder mágico até


certa extensão era uma descoberta imensa. Independentemente de
quem enfrentasse, ele ainda era o Rei Demônio — Lorde do
submundo —, o demônio que estava prestes a conquistar toda a terra
de Ente Isla. Se o esforço valesse a pena, ele, com alegria, usaria toda
sua reserva mágica para lutar e reivindicar a força de seu inimigo.
Afinal de contas, foi assim que ganhou tanto poder mágico no
reino dos demônios.

Amanhã seria seu dia de folga. Ele estava pronto para


investigar a vizinhança, em busca de pistas. Havia uma certa alegria
em seus passos enquanto pensava nisso à medida em que caminhava
pela vizinhança residencial escura, indo em direção ao seu
apartamento.

De repente, percebeu que alguém o estava seguindo.

Um agressor? Podia até ser, mas não havia força mágica nem
intenção assassina. Talvez fosse algum bêbado seguindo o mesmo
caminho que o dele. Ainda assim, seja quem for, parecia estar
prestando muita atenção nele, tendo a certeza de manter certa
distância.

Já era possível ver o prédio, mas, com a força mágica de Ashiya


já esgotada, Maou queria evitar envolvê-lo em uma luta. Ashiya era
um recurso valioso demais para ser desperdiçado, tanto para a
subjugação de Ente Isla quanto para a vida em Sasazuka.

Rapidamente, Maou entrou em uma aleia que atravessava o


bairro, indo até uma área sem iluminação pública. Se a pessoa atrás
dele morasse ali por perto, provavelmente passaria reto, se não fosse
esse o caso, continuaria o perseguindo.

Os passos continuavam. A figura seguiu em frente sem notar


Maou na escuridão. Maou levantou um pouco a cabeça, imaginando
se havia cometido um engano.

O que viu foi a figura indo em direção ao Vila Rosa Sasazuka, o


apartamento que chamava de lar. Ela pareceu hesitar em frente às
escadas, mas não demorou muito para subir. Parou diante do quarto
201, na frente da porta com a placa escrita “Maou”.

— Ugh... eu sei que disse “venha a hora que quiser”, mas tinha
que ser agora? — Ele gritou para o visitante noturno. Ela se virou,
assustada, pois não esperava uma voz vinda de trás. — Ouça, já
passei por uma emboscada hoje de noite. Você vai acordar todos os
vizinhos. A senhoria vive aqui pertinho também, e eu realmente não
quero lidar com ela, sério.

— Não estou aqui para... atacar.

Emi ficou parada, a coragem de antes já não era mais visível.


Seu rosto estava branco como papel, a respiração era rápida e baixa.
Parecia muito nervosa. Talvez estivesse adoecida, ou foi atingida por
um disparo mágico quando ele não estava olhando.

— E-Ei... aconteceu alguma coisa? — Maou se aproximou,


preocupado. A resposta dela foi mais forte do que ele esperava.
— Me dói muito mesmo ter que pedir isso..., na verdade, sinto
que estou traindo o meu mundo e todos que vivem nele...

— Se veio aqui para me irritar, está conseguindo.

O encontro em frente à porta era a última coisa que queria


antes de dormir.

— S... se não se importa... eu... eu poderia...

— Você...?
A aparência pálida dela se tornou um vermelho claro, e ela
baixou a cabeça.

— Eu poderia... passar a noite aqui? Eu... meio que perdi


minha bolsa.

Maou ficou de boca aberta, quase descolando sua mandíbula


no processo. Levou um tempo para que conseguisse fechá-la de
novo.

— Como assim!? A Heroína Emília!? — Ashiya, esperando


pacientemente o retorno de Maou, ficou tenso ao notar Emi
encolhida atrás dele.

Maou levantou as mãos, acalmando-o:


— Não, não, está tudo bem. Ela ainda não tem energia o
suficiente para lutar agora.

— Vossa Majestade Demoníaca, como pode ser tão


imprudente!? Você, o Rei Demônio, passou a noite inteira festejando
com a Heroína!?

— Você não precisa dizer dessa forma! Ainda é duas da manhã!

— As primeiras horas da noite, meu soberano!

Emi permaneceu na frente da porta, solene.

— Nós dois acabamos de ser atacados. Foi alguém que não


conseguimos ver. Ele usava magia.

A explicação de Maou foi quase direta demais, mas Emi não


tinha mais força mental para complementar.

— E, enquanto fugíamos, parece que ela derrubou a bolsa.

Emi parecia estar encolhendo à medida que ele continuava a


explicação, quase desaparecendo por completo.

— Então, sabe, ela não pode pegar um táxi, não pode passar a
noite em um Café com Internet... nem mesmo tem amigos por perto,
é o que ela diz. Ela mora lá em Eifukucho, então é meio longe para ir
a pé.

— Mas, Vossa Majestade Demoníaca... se você se lembra onde


a derrubou, tenho certeza que ninguém a pegou a esta hora da
noite...
— Pois é, eu sei, mas fomos pegos pela polícia ontem, se
lembra? Não sei quem estava atrás de nós, mas, caso ela acabe morta
lá, nós seríamos os principais suspeitos. Não teria problema em
deixá-la dormir em um canto, né? Contanto que pegue o primeiro
trem para ir embora.

Ashiya colocou uma mão frustrada na têmpora.

— Aqui, entre. Sente-se onde quiser. Espero que não esteja


esperando por um futon ou coisas luxuosas.

— Já entendi, tá? — Emi resmungou baixinho.


— Emília! Depois da graciosa pena que o Rei Demônio mostrou
por você, é assim que o agradece!?

— Se acalme, Ashiya. A senhoria vai ouvir a gente assim. Ei,


Emi.

— O que você qu- ai!

Maou jogou uma toalha de banho no rosto dela.

— Pode usar isso se quiser. Se precisar de um travesseiro, pode


usar aquelas outras toalhas ali. Vou te emprestar mil ienes, então é
melhor que dê o fora antes de os trens começarem a partir amanhã,
pode ser?
Cerrando os dentes, Emi aceitou com relutância o dinheiro
amassado que Maou pegou de uma bolsa de plástico que,
claramente, tinha sido comprada em uma loja de cem ienes.

— Emília! Esta é uma doação dos recursos escassos do Rei


Demônio! Ordeno-te que trate isso com o devido respeito!

— Cale a boca, eu sei disso! Não pedi nada, okay? Obrigada


pelo dinheiro!

— Sua pequena...! — Ashiya parecia tão irritado que vapor


poderia sair de seus ouvidos a qualquer momento, mas Maou não
deu bola para isso e pegou sua própria toalha de banho do guarda-
roupa.

Observando-o, Emi enrolou-se na toalha e sentou-se no chão.


Eles até podiam ser japoneses normais agora, mas, mesmo assim,
ela não era tão descuidada ao ponto de deitar indefesa no ninho do
Rei Demônio. Puxando a toalha mais para cima para se proteger,
descobriu que não fazia muito que tinha sido lavada, tendo um
cheiro surpreendentemente agradável.

— É o mesmo detergente que eu uso.

— Não comece a reclamar da aspereza. Ashiya se recusa a


comprar amaciantes de roupa. — Maou virou-se no chão enquanto
falava, seus ouvidos foram pinicados pelos murmúrios silenciosos de
Emi.
— Eu só estava dizendo... não precisava de resposta. — E, ao
pensar que não fazia diferença o que dissesse, virou as costas para
Maou, encolhendo-se ainda mais.

— Sim, sim. Vá dormir também, Ashiya. Ei, Emi, não se


preocupe em trancar a porta amanhã, tudo bem? Boa noite, pessoal.

Dentro de poucos instantes, Maou adormeceu. Por um


momento, Emi ficou chocada com o quão rápido ele pegava no sono.

Ashiya, no entanto, observava os dois à sua frente.

— Perceba que ainda não baixei minha guarda. Tente qualquer


coisa sorrateira, e verá quem vai pagar o preço. Boa noite para você.
Com essa despedida muito bizarra, ele deitou-se e também
adormeceu rapidamente, uma das poucas características que o
tornavam semelhante ao seu mestre. Tinham agido com tanta
cautela perto dela, mas, agora, ficaram completamente expostos
enquanto dormiam.
— Vou ter que cancelar meu cartão de crédito da Kakui... meu
cartão do banco também. Oh, e quantas passagens eu ainda tinha no
meu passe? — Lembrar das necessidades vitais que tinha na bolsa
fez com que se sentisse ainda mais triste. — Por que estou fazendo
isso...?

Apenas ela conseguia ouvir os próprios sussurros, até que a


fadiga e suas emoções a carregaram até a terra dos sonhos.
Por volta da hora em que a respiração de Emi ficou mais lenta e
rítmica, Maou falou, seus olhos ainda fechados:

— Nós somos uma dupla, mas parece que ela está sozinha.
— Sim.

— Nós éramos muito miseráveis no começo, se lembra? E ela


teve que lidar com tudo isso sozinha. Não pense errado.... Não vou
ser amigo dela, não mesmo, mas ainda me sinto mal por ela.

— Você se tornou complacente, Vossa Majestade Demoníaca.

— Apenas por enquanto, Ashiya. Eu fiz ela prometer que não ia


mais me perseguir por aí.

— Bem, que seja assim.


— Isso mesmo. Então... hein?

Com o canto dos olhos, Maou percebeu algo brilhando no


escuro.

— O que é isso?

— Recebemos uma mensagem. — Maou pegou o telefone de


onde estava jogado na última vez. A tela mostrava duas novas
mensagens. — Hm. Uma é da Chi.... Ei, pare de olhar.

Maou distanciou-se de Ashiya, que também tentava espiar a


tela.

— A outra é de um número desconhecido. Que estranho.

Era de uma fonte não registrada, um endereço de e-mail que


mais parecia uma mistura de letras e números. Ou era spam ou foi
para o número errado, Maou pensou... no começo.

— Vossa Majestade Demoníaca?

Ashiya estava prestes a falar quando viu os olhos de Maou


ficarem mais sérios.

— Ei, Ashiya? Isso parece loucura, não acha? Recebi duas


mensagens bem parecidas e quase ao mesmo tempo... de alguém que
eu conheço e de algum estranho.

As mensagens da Chiho e do estranho pareciam se


complementar.

Os terremotos continuarão. Cuidado...

Maou, vai ter outro terremoto. O que eu faço? – Chiho