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Dia Internacional da Mulher

Comemorado no mundo inteiro, 8 de março é considerado oDia Internacional da


Mulher. A história de como essa data foi instituída é controvérsia e pode estar
relacionada ao incêndio de uma fábrica durante uma greve.

No incêndio teria morrido um grupo de operárias norte-americanas. Apesar das


incertezas quanto ao verdadeiro motivo de instituição dessa data comemorativa, a
verdade é que o Dia Internacional da Mulher simboliza, antes de tudo, a luta feminina
por igualdade e respeito em uma sociedade que durante muito tempo subjugou e
inferiorizou a mulher nos mais diversos aspectos de sua existência.

As versões para a origem do dia da mulher


A versão clássica

Segundo a versão que se consagrou como verdadeira durante muito tempo, o Dia
Internacional da Mulher surgiu no seguinte contexto: uma fábrica têxtil na periferia
industrial de Nova Iorque, Estados Unidos, pega fogo. Centenas de mulheres morrem
queimadas, presas dentro da fábrica. Mais do que uma tragédia, um crime que chocou o
mundo.

As mulheres tinham parado suas atividades para reivindicar redução da jornada de


trabalho e licença remunerada para as gestantes. A direção da fábrica recusou-se a
atender a suas reivindicações. O incêndio foi criminoso. As portas estavam fechadas e
as mulheres, trancadas.

8 de março é o dia internacional da mulher.


Para os patrões e autoridades locais, a morte das operárias serviu como um ato exemplar
do que poderia acontecer a quem não cumprisse as regras impostas pelos poderosos.

Para as mulheres e trabalhadores organizados de vários países, as operárias se tornaram


mártires que fortaleceram o movimento pela defesa dos direitos das mulheres. Assim, o
8 de Março passou a ser comemorado por sindicatos e associações de mulheres de
vários países.

História contestada

Mais recentemente, essa versão clássica acerca do Dia Internacional da Mulher foi
contestada. Segundo a socióloga Eva Alterman Blay, da Faculdade de Filosofia, Letras
e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, “o acidente relatado acima, de
1857, não aconteceu”.

A professora conta que o incêndio relacionado ao Dia Internacional da Mulher


aconteceu no dia 11 de março de 1911, na Triangle Shirtwaist Company, uma fábrica
têxtil que ocupava três andares de um prédio em Nova Iorque. A empresa tinha mais de
600 empregados, em sua maioria mulheres judias e italianas, com idade entre 13 e 23
anos. Quando o incêndio acabou, sobraram os números da tragédia: 125 mulheres e 21
homens mortos. O funeral coletivo, realizado alguns dias depois, reuniu mais de 100 mil
pessoas.

Hoje, o local do incêndio corresponde a uma área da Universidade de Nova Iorque. Lá,
uma placa lembra a tragédia: “Neste lugar, em 25 de março de 1911, 146 trabalhadores
perderam suas vidas no incêndio da Triangle Shirtwaist Company. Deste martírio
resultaram novos conceitos de responsabilidade social e legislação do trabalho que
ajudaram a tornar nossas condições de trabalho as melhores do mundo”.

Apesar da influência desse acontecimento, Eva Blay defende que o processo para
instituir o Dia Internacional da Mulher já estava se desenvolvendo há algum tempo.
Segundo ela, essa data já era defendida por americanas e europeias ligadas ao
movimento socialista e foi concretizada a partir da iniciativa de Clara Zetkin em 1910,
comunista alemã que durante o II Congresso Internacional de Mulheres socialistas
propôs a data comemorativa.

Diante de todas essas versões, o que se sabe ao certo é que o dia foi oficialmente
instituído em 1975 pela ONU. Nesse momento da história, o movimento feminista já
havia eclodido em vários países e foi cada vez mais ganhando força.

Condições de trabalho
Durante o século XIX, em vários países da Europa e das Américas, o mundo das
fábricas era uma verdadeira selva. Não havia nenhum tipo de legislação que
disciplinasse a quantidade de horas trabalhadas diariamente e as condições de trabalho.

As pessoas trabalhavam 16, 17 e até 18 horas por dia, sete dias por semana, em
ambientes insalubres e mal organizados. Mulheres, crianças e velhos eram obrigados a
extensas jornadas, muitas vezes em atividades extenuantes.
Não havia descanso remunerado, férias, assistência médica, aposentadoria. Doentes ou
mulheres grávidas eram sumariamente dispensados quando não aguentavam mais o
ritmo.

As organizações de caráter trabalhista surgiam em todos os pontos em que houvesse


aglomeração de trabalhadores. As lutas pelos direitos podiam chegar a extremos de
violência, como o incêndio criminoso que matou as operárias de Nova Iorque.

Os direitos das mulheres


As primeiras reivindicações femininas não se diferenciavam das masculinas: redução da
jornada de trabalho e salários dignos.

Mas logo vieram reivindicações específicas: licença-maternidade, condições de


salubridade, fim do trabalho noturno e a luta pela igualdade de tratamento não apenas
no emprego, mas em todos os terrenos sociais: trabalhos iguais e salários iguais;
igualdade de acesso aos estudos e aos postos de trabalho; direito de voto; e, mais
recentemente, direito sobre o próprio corpo.

Alguns direitos, como o de voto, já foram conquistados na maioria dos países do


mundo. No entanto, as mulheres, em média, ainda ganham menos do que os homens
pela mesma função, têm piores condições de trabalho e ocupam profissões menos
valorizadas.

Por: Wilson Teixeira Moutinho