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Campanha da Fraternidade 2019

Tema: Fraternidade e Políticas Públicas


Lema: “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. (Is 1,27)
CF 2019 – resumo texto base – TEMA: Fraternidade e Políticas Públicas LEMA: Serás libertado pelo direito e pela justiça
(Isaías 1,27) RESUMO TEXTO BASE CF 2018 FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA – “Vós sois todos irmãos”
(Mateus 23,8)

INTRODUÇÃO

Os que seguem a Jesus e o anunciam pela Palavra e pelo testemunho, formam a comunidade, a Igreja
que é a presença do Reino de Deus na sociedade. Os seguidores de Jesus buscam fazer o direito e a
justiça se tornarem realidade na sociedade. Um modo de sermos cristãos ativos na transformação da
sociedade é ajudar na proposição, discussão e execução de Políticas Públicas para que as pessoas
possam ser libertadas pelo direito e pela justiça.

DESTAQUE= O que são Políticas Públicas, qual a sua importância e a nossa participação como
cristãos nelas fazem parte da caminhada da nossa Campanha da Fraternidade deste ano.
O QUE SÃO POLÍTICAS PÚBLICAS:

==Política Pública é o cuidado do todo realizado pelo Governo ou pelo Estado. De Governo, porque
ligado a um determinado executor (prefeito / governador / presidente da república), portanto é
temporário. De Estado quando são ações permanentes, ligadas à Educação, à Saúde, à Segurança
Pública, ao Saneamento Básico, à Ecologia e outros. Portanto, Políticas Públicas são aquelas ações
discutidas, decididas, programadas e executadas em favor de todos os membros da sociedade.

POR QUE A IGREJA QUER REFLETIR POLÍTICAS PÚBLICAS?

Os Bispos lembram que a Política é forma sublime de exercer a caridade (DGAE 2003/2006). Portanto,
as Políticas Públicas – como ação em favor da vida humana -, recordam que a nossa fé se traduz em
atos quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito.

OBJETIVO GERAL DA CF (Campanha da Fraternidade) 2019:

“Estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja
para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS DA CF 2019:

(1) Conhecer como são formuladas e aplicadas as Políticas Públicas estabelecidas pelo Estado
Brasileiro; (2) Exigir ética na formulação e na concretização das Políticas Públicas; (3) Despertar a
consciência e incentivar a participação de todo cidadão na construção de Políticas Públicas em âmbito
nacional, estadual e municipal; (4) Propor Políticas Públicas que assegurem os direitos sociais aos
mais frágeis e vulneráveis; (5) Trabalhar para que as Políticas Públicas eficazes de governo se
consolidem como políticas de Estado; (6) Promover a formação política dos membros de nossa Igreja,
especialmente dos jovens, em vista do exercício da cidadania; (7) Suscitar cristãos católicos
comprometidos na política como testemunho concreto da fé.

èIMPORTANTE: A Quaresma é um tempo favorável para os cristãos saírem da própria alienação


existencial. A força do Evangelho desperta para a grandeza e para a profundidade da vida em Cristo.
Graças à escuta da Palavra de Deus, somos levados a intuir a preciosidade da existência cristã e
vivermos na liberdade e na verdade de sermos filhas e filhos de Deus. O tempo favorável é a
possibilidade de nos deixarmos tomar pelo amor do Crucificado e pela transformação do Ressuscitado.
A superação da alienação na graça da meditação da Palavra nos conduz pelos caminhos das obras de
misericórdia, que são itinerários para uma vida plena, desviando-nos de uma vida alienada e da morte.
Uma vida dinamizada pela força do Evangelho através das obras de misericórdia.

Obras de misericórdia corporais e obras de misericórdia espirituais. Se, por meio das obras corporais,
tocamos a carne de Cristo nos irmãos e nas irmãs necessitados de serem nutridos, vestidos, alojados,
visitados, as obras espirituais tocam mais diretamente o nosso ser de pecadores: aconselhar, ensinar,
perdoar, admoestar, rezar. Por isso, as obras corporais e as obras espirituais nunca devem ser
separadas. Com isso, é precisamente tocando no miserável, a carne de Jesus crucificado que o
pecador pode receber, em dom, a consciência de ser ele próprio um pobre mendigo. Por essa estrada,
também os “soberbos”, os “poderosos” e os “ricos”, de que fala o Magnificat, têm a possibilidade de se
aperceberem que são, imerecidamente, amados pelo Crucificado, Morto e Ressuscitado também por
eles.

Na busca de conversão, de transformação, a Igreja no Brasil oferece no tempo da Quaresma às


comunidades a realidade das Políticas Públicas como meditação. Aquelas ações discutidas, decididas,
programadas e executadas para toda a sociedade brasileira.

VER

Políticas Públicas são ações e programas que são desenvolvidos pelo Estado para garantir e colocar
em prática os direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis. Para saber mais
sobre outras leis, acesse: http://www.todapolitica.com/politicas-publicas
COMO ESTÃO AS POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL?

Por ser um país de breves experiências democráticas, a trajetória histórica das Políticas Públicas
brasileira ainda sofre com a descontinuidade e dependência da vontade do comandante político. Ou
seja, a cada eleição no município, estado e país surgem dúvidas sobre se haverá ou não a
continuidade das Políticas Públicas anteriormente desenvolvidas. Sem democracia e participação
popular, as Políticas Públicas tendem a refletir mais a força dos poderosos, de um grupo político ou
mesmo das próprias burocracias estatais.

INTERFERÊNCIA POSITIVA DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 NAS POLÍTICAS PÚBLICAS

A Constituição de 1988 possibilitou a participação direta da sociedade na elaboração e implementação


de Políticas Públicas através dos conselhos deliberativos, que foram propostos por leis
complementares em quatro áreas: 1- Criança e Adolescente; 2- Saúde; 3- Assistência Social; 4-
Educação

Porém, há três condicionantes impostas para o êxito das Políticas Públicas: 1- Orçamentosque devem
ser elaborados para o bem público, e não para servir aos interesses de uns poucos ou do lucro
daqueles que manipulam o mercado. 2- Financiamento das Políticas Públicas, que necessita de uma
maior justiça no sistema de tributação. No Brasil, a população com renda mensal de até dois salários
mínimos compromete cerca de 48% da renda no pagamento de impostos, taxas e contribuições. Para
quem recebe mais de 30 salários mínimos mensais, a carga dos tributos equivale a 26% do
rendimento. 3- Aplicação dos recursos arrecadados, que no Brasil a maior parte é aplicada para pagar
rendimentos das pessoas que aplicam nos títulos da dívida pública. É assim que acontece a
transferência dos 48% dos impostos dos mais pobres para os mais ricos. Poucos recursos sobram para
a aplicação das Políticas Públicas, que beneficiariam os mais carentes.
CONTRUÇÃO DAS VERDADEIRAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Ninguém, por mais capacitado que seja, pode elaborar sozinho proposta de Política Pública. Para se
construir uma séria Política Pública, o ideal é ter uma base de dados que podem ser coletados por
empresas especializadas para construir um diagnóstico. A partir deste diagnóstico, o poder público
convoca uma audiência pública com a sociedade civil em fóruns, conselhos e outras formas de
participação popular. O mais importante é levar em conta as pessoas que sofrem necessidades ou
angústias provindas da realidade onde a implantação da Política Pública irá interferir para resgatar a
dignidade dos envolvidos na problemática.

CICLO DA CONSTRUÇÃO DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

Há 05 etapas para a implementação de uma Política Pública

1- Identificação do problema. Todo problema público ou político é uma construção social. Por exemplo:
queimadas, epidemias de determinadas doenças, desastres, violência e muitas outras situações. Na
identificação do problema é que será determinado se ele será resolvido pelo Estado ou por outros
segmentos sociais. 2- Formulação da Política Pública.É preciso identificar o problema e refletir sobre
as diversas alternativas possíveis para resolvê-lo. É neste momento que entram as audiências
públicas. Nestas audiências se discute sobre os custos, processos de avaliação, consequências,
resultados a serem alcançados e quais as prioridades para a execução da Política Pública. 3- Tomada
de decisões. Neste momento é preciso tomar uma decisão levando em consideração os diferentes
meios e recursos a serem utilizados, quais prioridades devem ter maior ou menor atenção. 4-
Implementação da Política Pública. Os cidadãos e os gestores políticos devem ter consciência de que
a Política Pública tem um caráter técnico, mas também político. No caráter técnico é saber como fazer.
No caráter político é ter vontade de fazer. Excluir o aspecto técnico ou o aspecto político é um grande
erro que pode gerar resultados ruins, se não feito tecnicamente ou ficar parado sem a força da vontade
política. 5- Avaliação e monitoramento da Política Pública. Um dos grandes equívocos na construção
das Políticas Públicas é fazer avaliação apenas no final do processo. A avaliação pode ser interna,
elaborada pela equipe da Política Pública. Também pode ser externa, elaborada por quem entende do
assunto. Estas avaliações devem acontecer em cada uma das cinco partes do ciclo da implantação da
Política Pública, principalmente para verificar se o problema foi resolvido ou se será necessária uma
nova intervenção.
O PAPEL DOS ATORES SOCIAIS NAS POLÍTICAS PÚBLICAS
As diferentes pessoas e organizações envolvidas no debate e na participação das políticas públicas
são conhecidas como atores sociais. Eles podem ser indivíduos, grupos, movimentos sociais, partidos
políticos, instituições religiosas, organizações públicas e privadas. Em uma sociedade interligada e
complexa como a brasileira, não é possível conceber Políticas Públicas isoladas nas decisões dos
Ministros do Estado, Presidente da República, Governadores de Estados, Prefeitos, Vereadores, etc. É
preciso que existam secretarias no Município, no Estado ou na esfera Federal que ajam em vista de
algum problema. Porém, para ser uma verdadeira Política Pública, é preciso que exista a motivação e
aceitação da participação popular na elaboração e execução destas mesmas Políticas Públicas.

DESTAQUE== É urgente estimular os jovens a adquirirem mais conhecimento sobre a elaboração das
políticas públicas e sobre a participação nesse processo, assumindo seu papel na sociedade. Já
existem ou deveriam existir nas cidades os Conselhos da Juventude que buscam defender os direitos
dos jovens e acompanhar políticas públicas que favoreçam, principalmente, no que toca o acesso ao
ensino superior e ao primeiro emprego. Igualmente é urgente fortalecer a vida familiar.
IMPORTANTEèÉ preciso distinguir entre as Políticas Públicas que afetam a família e a política familiar
que tem o lar como alvo. Na maioria dos países latino-americanos não existe uma política familiar
explícita, mas sim um conjunto de medidas, programas e projetos que as afetam direta ou
indiretamente. Adotar uma política familiar é promover a redescoberta da família, especialmente pelo
ângulo de sua relação com o Estado, dando origem às políticas voltadas a ela em seu conjunto. É lícito
falar de uma política familiar à brasileira, buscando identificar os seus traços que, vão da mediação das
intervenções sobre os indivíduos com impacto sobre a família ou diretamente sobre a família ou nela
como um todo.
GUARDE BEM ESTA IDEIAèèNa família é que se prepara a pessoa para viver com o outro, para cuidar
do outro a ter presente as exigências das pessoas que nos são mais próximas. Sem esta experiência
primeira, é difícil estarmos preparados para participar ativamente do processo de decisão na esfera
social / coletiva no cuidado com o próximo.
JULGAR

ANTIGO TESTAMENTO

A Sagrada Escritura utiliza no Antigo Testamento as palavras direito e justiça. O significado destas
palavras vai para além da justiça estrita, no sentido de dar a cada pessoa o que lhe pertence, pois é
uma justiça libertadora. Assim, a justiça obriga moralmente a se preocupar com os mais pobres dentre
o povo, representados pela viúva, o órfão e o estrangeiro, para que haja o direito na sociedade
instaurando o projeto de Deus no mundo.

O PENTATEUCO E A LEGISLAÇÃO DO DIREITO E DA JUSTIÇA

As tradições do Pentateuco favorecem o direito como instrumento útil para a construção de


convivências mais igualitárias. O objetivo é que não exista nenhum pobre (Deuteronômio 15,4 – leia
também Êxodo 22,24-26; Deuteronômio 23,20-21; Levítico 25,35-58;).

A cultura religiosa proposta no Pentateuco é que a justiça é a maior autoridade do Estado. Semelhante,
nos Estados democráticos atuais, as Constituições precisam exercer seu papel de nortear todos os
poderes em sua atuação, motivando-os a estarem a serviço da sociedade e a favorecerem, sobretudo,
que os mais necessitados tenham sua sobrevivência digna respeitada.

OS PROFETAS E O ANÚNCIO DA JUSTIÇA


A justiça não pode ser exercida levando em conta o mérito de quem a recebe. É a partir desta
compreensão, da gratuidade da justiça, que os profetas fazem sérias advertências às lideranças do
povo (leia Amós 5,21-25 e 8,4-8; Isaías 1,11-17; Jeremias 7,3-7 e 22,3).

Os profetas nos indicam um modo de viver o espírito penitencial da Quaresma, ensinando que o jejum
que o Senhor aprecia é romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo, repartir o alimento com
o faminto, dar abrigo aos que estão sem asilo (hoje os refugiados), vestir os maltrapilhos (Isaías 58,5-
7).

A SABEDORIA COMO EDUCADORA DA JUSTIÇA

As Sagradas Escrituras do Antigo Testamento fazem ampla reflexão e insistem em convivências mais
justas e amorosas (Salmo 1,1-3).

NOVO TESTAMENTO- JESUS E SEU EVANGELHO DO REINO DE DEUS

Nos Evangelhos nós vemos como Jesus se interessa por cada situação humana que ele encontra, com
uma confiança plena na ajuda do Pai. Os discípulos que vivem com Jesus, as multidões que o
encontram, veem sua reação aos problemas mais diversos, como ele fala, como se comporta,
principalmente veem nele a obra do Espírito. Jesus age e ensina, começando sempre a partir de uma
relação íntima com Deus Pai.

O COMBATE À FOME:

Os Evangelistas narram seis vezes a multiplicação dos pães (Leia Mateus 14,13-21; 15,32-39; Marcos
6,30-44; 8.1-10; Lucas 9,10-17; João 6, 1-15). Fica visível que os autores dos quatro Evangelhos
pensam em Jesus como multiplicador dos pães. Nestas narrativas, e de forma especial em Marcos
6,30-44, percebe-se Jesus cheio de compaixão pelos necessitados. Somente haverá iniciativa de
Políticas Públicas se pessoas, movimentos sociais ou governos tiverem compaixão diante dos
necessitados. O Papa Francisco lembra que não podemos dormir sossegados enquanto houver
pessoas com fome no mundo. Já os Bispos do Brasil afirmam que existem alimentos para todos. A
fome é consequência de um sistema que não distribui a renda, agravado com o desperdício.

ATENÇÃO AOS DOENTES, CRIANÇAS, MULHERES E TRABALHADORES

DOENTES: Jesus indicou a postura do bom samaritano como modelo de compaixão e misericórdia
ante a quem precisa de cuidados especiais para suas feridas (Lucas 10, 30-37). Mais ainda: visitar os
enfermos significa visitar o próprio Jesus (Mateus 25,36). CRIANÇAS: À época de Jesus as crianças
viviam situação de vulnerabilidade, por isso ele diz que quem as acolher em sue nome é a ele próprio
que estará acolhendo (Marcos 9,37; Mateus 18,5). Jesus as destaca como seres indefesos e
dependentes, no sentido de indicar atenção que lhes cabe (Leia Marcos 10,13-16; Mateus 19,13-
15). MULHERES: Mesmo inserido num contexto de uma sociedade marcada pela dominância do
homem, Jesus incluiu mulheres no grupo dos seus seguidores (Lucas 8,1-3) e deu destaque à
capacidade da mulher de amar muito (Lucas 7,47). Lembremos que são mulheres as primeiras
testemunhas da sua ressurreição (João 20, 11-18; Lucas 4, 1-11). TRABALHADORES:Olhando para os
trabalhadores mais pobres, justamente por não terem propriedade que lhes servissem como
segurança, Jesus pensou em salários mais igualitários, exatamente como expressão da justiça
diferenciada pertencente ao Reino dos céus (Leia Mateus 20,1-16).
APRENDER COM JESUS A TER COMPAIXÃO DOS SOFREDORES

Ser discípulo ou discípula de Jesus inclui a tarefa de compreender as dimensões sociais e políticas
iluminadas pela Boa Nova anunciada pelo Mestre. Afinal, o Reino dos Céus é a presença da justiça
(Mateus 6,33. João 15,12). O amor ao próximo deve ser praticado com renovado ardor missionário,
sobretudo, àquele que mais se encontra ameaçado em sua sobrevivência, ora por ser faminto e ou
doente, ora por ser trabalhador assalariado, ora por ser mulher, ora por ser criança, etc.

É justamente esse o raciocínio e o modelo de comportamento que a fé cristã propõe, quando dialoga
com a sociedade, a fim de enriquecer o debate de projetos e a eficácia das Políticas Públicas atuais.

OS PADRES DA IGREJA E O CUIDADO COM OS MAIS VULNERÁVEIS

O período da Patrística (também chamado período dos PADRES –PAIS – DA IGREJA) vai dos
Apóstolos até S. Isidoro de Sevilha (560-536) no Ocidente; e até a morte de S. João Damasceno (675-
749), no Oriente, o gigante. Esses gigantes da fé católica ao longo desses sete séculos defenderam e
formularam a fé, a liturgia, a catequese, a moral, a disciplina, os costumes e os dogmas cristãos; por
isso são chamados de “Pais da Igreja” porque lhes traçaram o caminho.

Os Padres da Igreja deixaram em seus escritos a preocupação e o cuidado com os pobres, com os
doentes, como expressão do segmento de Jesus. Foi na compreensão do amor pelos pobres como
liturgia que João Crisóstomo denunciou repetidas vezes aos cristãos das suas Igrejas o escândalo do
Corpo de Cristo na mesa eucarística e de deixar morrer de fome os pobres nas portas das Igrejas. Os
Santos Padres sempre lembraram em seus escritos que o cristão não pode prestar culto ao Senhor e,
ao mesmo tempo, ignorar o irmão que está na necessidade. Deus não atende à oração daquele que
não escuta o grito do pobre (Isaías 58,1-9 e Mateus 6,24).

CONTRIBUIÇÃO DA DOUTRINA SOCIAL DA IGREJA

A Doutrina Social da Igreja nasce das Sagradas Escrituras e da fé viva da Igreja. Ela se volta para a
dignidade da pessoa humana, com especial atenção ao sofrimento dos pobres, que são presença de
Cristo (Mateus 25,31ss). A Doutrina Social da Igreja não é uma teoria social, mas um olhar para o
social a partir da fé cristã e motivar os discípulos e discípulas de Jesus a agirem na busca pelo direito e
a justiça. Todos os cristãos, leigos e ministros ordenados, são chamados a preocuparem-se com a
construção de um mundo melhor, onde haja vida e vida em abundância para todos (João 10,10).

DESTAQUE== Nessa perspectiva prática interessa à Doutrina Social da Igreja olhar para a questão
das Políticas Públicas a partir de três palavras que aparecem no OBJETIVO GERAL desta Campanha.
Vamos repetir o objetivo geral desta Campanha, colocando em negrito as três palavras a serem
olhadas: “Estimular a participação em Políticas Públicas, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social
da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”.
1- PARTICIPAÇÃO: A Doutrina Social da Igreja evidencia a necessidade de uma participação ativa e
consciente dos cristãos leigos e leiga, assim como os ministros ordenados na vida da sociedade. É
importante a participação da comunidade, uma vez que não é uma ação individual. A Doutrina Social
da Igreja enfatiza a necessidade de um processo de discernimento comunitário, com auxílio do Espírito
Santo. Este processo de discernimento inclui a comunhão com os Bispos, que também devem
promover o diálogo com outras instituições, inclusive religiosas para que a participação ativa de todos
desperte a consciência cidadã.
2- CIDADANIA: O conceito de cidadania tem vários sentidos, pois para situá-lo pode se tomar uma
perspectiva natural, como o lugar do nascimento, ou então jurídica, a partir da noção de direitos e
deveres.
DESTAQUE== Há a perspectiva da cidadania ético-teológica. Assim como Deus se encarnou na
história humana, assim também o cristão é chamado a assumir a sua cidadania na história humana,
participar de tudo o que é humano. Esta participação cidadã do cristão é que constrói um mundo mais
humano.
Por isso o cristão, tendo uma ativa participação e assumindo a sua cidadania deve agir no mundo da
política, com claro destaque nas Políticas Públicas. É certo que alguns discípulos e discípulas
missionários e missionárias de Jesus serão chamados a exercerem a sua vocação no mundo da
política partidária. São João Paulo II afirmou que “todos e cada um tem o direito e o dever de participar
da política, embora em diversidade de formas, níveis, funções e responsabilidades”. O Papa Bento XVI,
no encontro das pastorais sociais em Portugal, em 2010, afirmou: “Na sua dimensão social e política,
esta diaconia da caridade é própria dos leigos e leigas, chamados a promover organicamente o bem
comum, a justiça e a configurar retamente a vida social.

O Papa Francisco nos lembra que desenvolvemos a dimensão social de nossa vida quando nos
configuramos como cidadãos responsáveis dentro de um povo, não como uma massa arrastada pelas
forças dominantes.

== A preocupação por um mundo melhor deve ser de todos os cristãos, incluindo religiosos e religiosas,
diáconos, padres e bispos.

O pensamento social da Igreja é primariamente positivo e construtivo, orienta uma ação transformadora
e, nesse sentido, não deixa de ser um sinal de esperança que brota do coração amoroso de Jesus
Cristo.

3- BEM COMUM: O Bem Comum é um dos princípios permanentes da Doutrina Social da Igreja,
relacionado com outro fundamental, que é o da dignidade da pessoa humana. Hoje, infelizmente,
observa-se a perda de direitos e conquistas sociais, resultado de uma economia que submete a política
aos interesses do mercado, prejudicando o Bem Comum.
DESTAQUE== O Papa Francisco relaciona o Bem Comum com a paz social. Diz ele que não haverá
paz verdadeira enquanto não se atenderem a três reinvindicações sociais que são: A- Distribuição das
riquezas; B- Inclusão social dos pobres; C- Respeito aos Direitos Humanos.
O Documento de Aparecida (n.403) diz que “nesta tarefa e com criatividade pastoral, devem-se
elaborar ações concretas que tenham incidência nos Estados para a aprovação de políticas sociais e
econômicas que atendam as várias necessidades da população e que conduzam para um
desenvolvimento sustentável”.

AGIR

No seguimento de Jesus, somos enviados ao encontro dos irmãos e irmãs, especialmente no cuidado
com os pobres.

DESTAQUE== Somos enviados para sermos misericordiosos. Também, como cristãos, somos
convidados a participar da discussão, elaboração e execução das Políticas Públicas.
==Nosso agir missionário na busca das Políticas Públicas que atendam às necessidades dos irmãos
fragilizados é verdadeira obra de misericórdia: “felizes os misericordiosos, porque alcançarão
misericórdia” (Mateus 5,7).

==É preciso unir a fé e a vida e tornar a fé vivida no caminho proposto pelo Evangelho.

DESTAQUE== Ao reconhecer que a fraternidade exige Políticas Públicas e que elas são
condicionantes para se viver em fraternidade, a Igreja Católica, através desta Campanha, nos desafia a
testemunhar a justiça participando efetivamente da política, quer seja defendendo, exigindo ou
construindo Políticas Públicas que assegurem a vida e a dignidade das pessoas.
==Fraternidade e Políticas Públicas exige participação cidadã de todos os cristãos na sociedade na
busca do Bem Comum.

== Os Bispos pedem que as comunidades cristãs acolham as pessoas que testemunham a fé cristã na
política partidária e que sejam motivadas a construir de forma participativa Políticas Públicas que
ajudem na construção do Bem Comum.

PISTAS DE AÇÃO

PARTICIPAÇÃO- 1- Promover a participação nas pastorais sociais da comunidade cristã ; 2- Estimular o


uso dos serviços públicos e valorizar os profissionais que lá trabalham; 3- Identificar ao redor da
comunidade cristã as situações que denigrem a dignidade da vida humana e buscar soluções; 4-
Estimular pessoas idôneas a participarem do processo eleitoral para que ajam nos poderes legislativo
ou executivo como verdadeiros discípulos missionários na construção de Políticas Públicas. É preciso
romper a ideia de que política é coisa suja. == É preciso despertar a consciência de que a ação política
é essencial para a transformação da sociedade; 5- Portanto, é urgente incentivar e preparar cristãos
leigos (as) à participação dos partidos políticos e serem candidatos ao legislativo ou ao executivo; 6-
Mostrar aos membros das nossas comunidades e à população em geral que há várias formas de
participação na política:
A- Nos Conselhos Paritários das Políticas Públicas; B- Movimentos Sociais; C- Conselhos das Escolas;
D- Coletas de assinaturas para projetos de lei de iniciativa popular; E- Combate à corrupção – Lei
9840/00 e da lei 135/2010 conhecida como lei da ficha limpa.

CIDADANIA- 1- Promover cursos ou encontros de conscientização e formação política nas


comunidades cristãs; 2- Participar das Políticas Públicas promovidas na cidade (conhecer as que
existem e, se não existirem, exigir que elas se tornem realidade); 3- Exigir e reivindicar atendimento
humanizado, acolhedor e de qualidade às pessoas que buscam os serviços públicos; 4- Estabelecer
parcerias com a Defensoria Pública (Promotoria) para acompanhar e denunciar situações de
irregularidades na condução da coisa pública.
BEM COMUM- 1- Conhecer as ações da Igreja para a promoção da vida humana; 2- Divulgar estas
ações e incentivar que elas não se restrinjam a indivíduos, mas tenham como alvo a família e a
sociedade como um todo; 3- Promover encontros que reflitam a realidade da cidade à luz do Evangelho
para que, num discernimento comunitário se busquem ações efetivas para o incentivo ou implantação
das Políticas Públicas. 4- Incentivar a comunicação de diversas ações (intersetorialidade das ações:
saúde, educação, desenvolvimento social, justiça, esporte, promoção de cursos para o emprego e a
renda) para promoção, prevenção, proteção, tratamento, reabilitação e recuperação do bem estar,
construindo uma sociedade justa e saudável; 5- Promover encontros nos setores familiares (pequenas
comunidades) a reflexão sobre o que edifica uma sociedade justa e solidária, buscando estratégias de
soluções efetivas, viáveis e adequadas ao bem comum.
AÇÕES QUE ATENDEM AOS APELOS DO PAPA FRANCISCO

1- Ruas solidárias: a rua é um entre os vários espaços que podem ser bairro solidário, sítio solidário,
paróquia solidária para a realização de atividades comuns, como mutirões de cidadania, gincanas para
arrecadação de alimentos, bazares, atividades nas escolas, tudo visando o bem comum; 2- Visitas e
realização de atividades em orfanatos ou abrigos de crianças. Adolescentes, asilos, presídios,
hospitais; 3- Realizar círculos bíblicos sobre o tema das Políticas Públicas; 4- Oração do Terço com
intenções específicas às pessoas empobrecidas/ 5- Rodas de conversas entre as pastorais sobre as
questões relacionadas às desigualdades sociais; 6- Mesas fraternas: realizar cafés da manhã, almoços
ou jantares coletivos, contando com a solidariedade das comunidades locais para alimentar pessoas
em situação de rua, crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.

QUEM SÃO OS SUJEITOS DESTINATÁRIOS DESTAS AÇÕES

1- Pessoas em situação de rua; 2- Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade; 3- Povos


quilombolas e comunidades indígenas; 4- Trabalhadores sem teto; 5- Mulheres e homens
encarcerados e suas famílias; 6- Pessoas com necessidades especiais; 7- Enfermos e suas famílias; 8-
Vítimas de violência; 9- Catadores de recicláveis; 10- Pessoas que, de acordo com a realidade local,
necessitam de solidariedade e ações de acolhimento e escuta e mobilização para efetivação dos
direitos; 11- Comunidades e Paróquias que vivem dificuldades econômicas ou recursos humanos.

CONCLUSÃO

A Campanha da Fraternidade 2019 é um convite para uma maior participação das pessoas na
elaboração e na implementação de Políticas Públicas. A Participação nas Políticas Públicas na ótica da
misericórdia torna-se caminho inspirador para a vida não só dos cristãos, mas de todas as pessoas de
boa vontade.

Jesus revelou a misericórdia plenamente por meio de suas palavras, gestos e obras. Jesus é o rosto da
misericórdia. O Papa Francisco diz que: “É condição da nossa salvação, é lei fundamental que mora no
coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida; é o
caminho que une Deus e o ser humano”.

Serás libertado pelo direito e pela justiça (Isaías 1,27), é o lema da Campanha da Fraternidade 2019. A
justiça indica o caminho para propor e receber as Políticas Públicas. É direito de todos receberem e dar
educação, saúde, segurança e tudo mais que leve a uma vida digna: Para que todos tenham vida e
vida em abundância (João 10,10).

Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa, nos acompanhe na caminhada quaresmal, despertando o
cuidado dos irmãos e irmãs através das Políticas Públicas.