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UNIVERSIDADE ZAMBEZE

FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS

SOLUÇÕES DE IMPERMEABILIZAÇÃO EM ALVENARIAS DE EDIFÍCIOS


RESIDENCIAIS COM PROBLEMAS PATOLÓGICOS (CASO DE ESTUDO:
EDIFÍCIO RESIDENCIAL LOCALIZADO NA RUA ERNESTO DE VILHENA, NO
5° BAIRRO DOS PIONEIROS NA CIDADE DA BEIRA, VULGO PRÉDIO SUJO).

STÉLIO JOSÉ BASÍLIO

BEIRA
2016

I
UNIVERSIDADE ZAMBEZE

FACULDADE DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS

SOLUÇÕES DE IMPERMEABILIZAÇÃO EM ALVENARIAS DE EDIFÍCIOS


RESIDENCIAIS COM PROBLEMAS PATOLÓGICOS (CASO DE ESTUDO:
EDIFÍCIO RESIDENCIAL LOCALIZADO NA RUA ERNESTO DE VILHENA, NO
5° BAIRRO DOS PIONEIROS NA CIDADE DA BEIRA, VULGO PRÉDIO SUJO).

STÉLIO JOSÉ BASÍLIO

ORIENTADOR (A): ENG°. FRANCISCO ARAÚJO

Monografia submetida a Faculdade de


Ciências e Tecnologias, Universidade
Zambeze-Beira, em parcial cumprimento
dos requisitos para a obtenção de Grau
de Licenciatura

BEIRA
2016

II
DECLARAÇÃO

Eu, Stélio José Basílio declaro que esta Monografia é resultado do meu próprio trabalho e
está a ser submetida para a obtenção do grau de Licenciatura na Universidade Zambeze-
Beira.
Ela não foi submetida antes para obtenção de nenhum grau ou para avaliação em nenhuma
outra Universidade.

Beira, aos ____ de ______________________ de 20____

_________________________________________

(Stélio José Basílio)

III
DEDICATÓRIA
Primeiramente dedico a Deus por tudo o que ele me tem proporcionado, por ser a minha fonte
de energia e a única certeza da minha vida. Pela capacidade que ele me deu de permitir que
eu realizasse mais um sonho da minha vida, e também por ter colocado pessoas maravilhosas
nessa trajectória. Aos meus pais José Basílio e Feliquina Loiua e aos meus irmãos que sempre
me incentivaram e apoiaram para que eu atingisse este objectivo de vida, bem como pela
educação moral, poís sem o apoio deles seria impossível passar por essa etapa. Aos parentes e
amigos que contribuíram de forma directa e indirecta ao longo desta caminhada.

IV
AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar agradeço a Deus por toda bênção recebida ao longo da minha vida, pelas
oportunidades surgidas, e pela força dada quando mais foi preciso.

Aos meus pastores que sempre acreditaram em mim e pelos grandes conselhos que eles tem
transmitido a mim, a cada dia para que possa seguir sempre em frente, independentemente
dos obstáculos e circunstâncias que possam surgir.

Aos meus pais que mesmo distante de mim conseguiram, me transmitir toda a coragem e
segurança necessária para transpor grande parte dos obstáculos que surgiram ao longo da
realização deste trabalho.

Ao meu irmão e a minha cunhada que tornaram possível a conclusão deste curso pelo apoio
moral e financeiro e que nunca deixaram que as derrotas me abatessem e também por terem
incentivado o meu desenvolvimento profissional.

Agradeço também a todos os meus irmãos da igreja e a toda a minha família em especial a
minha irmã, as minhas sobrinhas e primas por terem estado ao meu lado todo esse tempo me
dando força, apoio e confiança. Agradeço a todos os meus docentes, em especial a Engª
Nereyda Pupo Sintras e ao meu tutor Eng°. Francisco Araújo que me ajudaram muito, e
estiveram sempre pronto para colaborar.
E por fim agradeço ao meu amigo e colega Frank Pagocho que das muitas vezes perdeu
noites para me ajudar a esclarecer algumas dúvidas e a todos os meus amigos e colegas em
que de uma forma directa ou indirecta contribuíram para que esta monografia se realizasse e
por confiarem e acreditarem que eu seria capaz.

V
Índice
RESUMO ......................................................................................................................................... IX
ABSTRAT ........................................................................................................................................ X
LISTA DE FIGURAS ...................................................................................................................... XI
LISTA DE TABELAS..................................................................................................................... XII
LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS................................................................................ XIII
Introdução ......................................................................................................................................... 1
CAPITULO I− REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................... 4
MARCO TEORICO CONCEITUAL ................................................................................................. 4
Introdução ......................................................................................................................................... 4
1.1 Contextualização ......................................................................................................................... 4
1.2 Conceito de alvenaria................................................................................................................... 5
1.2.1 Classificação das alvenarias .................................................................................................. 5
1.2.2 Elementos usados em alvenarias............................................................................................ 6
1.2.3 Blocos de betão ..................................................................................................................... 7
1.2.4 Características básicas ........................................................................................................... 7
1.2.5 Blocos de gesso..................................................................................................................... 7
1.2.6 Características básicas ........................................................................................................... 8
1.2.7 Tijolos cerâmicos maciços .................................................................................................... 8
1.2.8 Características básicas ........................................................................................................... 8
1.2.9 Blocos de betão celular autoclavado ...................................................................................... 9
1.2.10 Características básicas ......................................................................................................... 9
1.2.11 Tijolo de solo-cimento ........................................................................................................ 9
1.2.12 Características básicas ....................................................................................................... 10
1.3 Humidade como lesão................................................................................................................ 10
1.3.1 A água como composto ....................................................................................................... 12
1.3.2 Propriedades da água .......................................................................................................... 12
1.3.3 A acção da água nos edifícios .............................................................................................. 13
1.4 Mecanismos de transporte da humidade em alvenarias dos edifícios ........................................... 14
1.4.1 Introdução........................................................................................................................... 14
1.4.2 Absorção capilar ................................................................................................................. 15
1.4.3 Absorção de água de infiltração ou de fluxo superficial ....................................................... 15
1.4.4 Absorção higroscópica de água e condensação capilar ......................................................... 16
1.5 Tipos de humidade..................................................................................................................... 17

VI
1.5.1 Introdução........................................................................................................................... 17
1.5.2 Humidade de precipitação ................................................................................................... 17
1.5.3 Humidade por capilaridade.................................................................................................. 18
1.5.4 Humidade presente nos materiais de construção .................................................................. 19
1.5.5 Humidade de condensação .................................................................................................. 20
1.5.6 Humidade decorrente da higroscopicidade........................................................................... 21
1.5.7 Humidade acidental ............................................................................................................ 21
1.6 Principais patologias em alvenarias originadas pela humidade .................................................... 22
1.6.1 Introdução........................................................................................................................... 22
1.6.2 Goteiras e manchas ............................................................................................................. 23
1.6.3 Mofo e apodrecimento ........................................................................................................ 23
1.6.4 Eflorescência ...................................................................................................................... 24
1.6.5 Criptoflorescência ............................................................................................................... 25
1.6.6 Fissuras e trincas ................................................................................................................. 26
1.6.7 Gelividade .......................................................................................................................... 27
1.7 Soluções de impermeabilização ................................................................................................. 28
1.7.1 Introdução........................................................................................................................... 28
1.7.2 Conceito de Impermeabilização........................................................................................... 28
1.7.3 Sistemas impermeabilizantes ............................................................................................... 30
1.7.3.1 Tipos de sistemas impermeabilizantes .............................................................................. 31
1.7.3.2 Impermeabilização Rígida ................................................................................................ 31
1.7.3.2.1 Argamassa impermeável com aditivo hidrófugo ............................................................ 31
1.7.3.2.2 Cristalizantes ................................................................................................................. 32
1.7.3.2.3 Cimento impermeabilizante de pega ultra-rápida ........................................................... 34
1.7.3.2.4 Argamassa polimérica ................................................................................................... 35
1.7.3.3 Impermeabilização Flexível.............................................................................................. 37
1.7.3.3.1 Membrana de polímero modificado com cimento .......................................................... 37
1.7.3.3.2 Membranas asfálticas .................................................................................................... 37
1.7.3.3.3 Membrana acrílica......................................................................................................... 39
1.7.3.3.4 Mantas asfálticas ........................................................................................................... 40
CAPITULO II: ESTUDO DE CASO ............................................................................................... 41
2.1 Introdução ............................................................................................................................. 41
2.2 Descrição Geral do edifício .................................................................................................... 41
2.3 Síntese da evolução histórico- arquitectónica do edifício ........................................................ 42

VII
2.4 Apresentação dos procedimentos utilizados ............................................................................ 43
2.5 Inspecção preliminar .............................................................................................................. 43
2.6 Diagnóstico............................................................................................................................ 43
2.7 Diagnostico das patologias em alvenarias do caso de estudo ................................................... 43
2.8 Principais patologias detectadas sobre a alvenaria .................................................................. 44
2.8.1 No exterior do Edifício:....................................................................................................... 44
2.8.1.1 Manchas de humidade, perda da pintura e desprendimento do reboco ............................... 45
2.8.1.1.1 Manifestações patológicas mais frequentes: ................................................................... 45
2.8.1.1.2 Diagnóstico das possíveis causas: .................................................................................. 46
2.8.1.2 Fissuras verticais, horizontais, inclinadas, de variadas direcções ....................................... 46
2.8.1.2.1 Manifestações patológicas mais frequentes: ................................................................... 47
2.8.1.2.2 Diagnóstico das possíveis causas: .................................................................................. 48
2.8.1.3 Manchas de humidade, eflorescência e presença de bolor sobre a parede. ......................... 48
2.8.1.3.1 Manifestações patológicas mais frequentes .................................................................... 49
2.8.1.3.2 Diagnóstico das possíveis causas: .................................................................................. 49
2.8.2 No interior do Edifício: ....................................................................................................... 50
2.8.2.1 Eflorescência e descasque da pintura ................................................................................ 50
2.8.2.2 Manifestações patológicas mais frequentes: ...................................................................... 51
2.8.2.3 Possíveis causas: .............................................................................................................. 51
2.9 POSSÍVEIS SOLUÇÕES DAS DETERIORAÇÕES ................................................................. 52
2.9.1 No exterior do edifício ........................................................................................................ 52
2.9.1.1 Fissuras verticais, horizontais, inclinadas, e de variadas direcções .................................... 52
2.9.1.2 Manchas de humidade, eflorescência e presença de bolor sobre a parede .......................... 52
2.9.1.3 Perda da pintura e desprendimento do reboco ................................................................... 53
2.9.2 No interior do edifício ......................................................................................................... 53
2.9.2.1 Descasque da pintura, eflorescência e manchas de humidade ............................................ 53
Conclusão ....................................................................................................................................... 55
Sugestões e recomendações ............................................................................................................. 57
Bibliografia ..................................................................................................................................... 58
ANEXOS ........................................................................................................................................ 61
Anexo I: Especificações técnicas de outras soluções de impermeabilização .................................. 62
Anexo II: Entrevista exploratória aos moradores do edifício ......................................................... 65

VIII
RESUMO
Nesta monografia, partindo de uma revisão bibliográfica se expõe sobre a deficiência da
impermeabilização nas alvenarias do edifício residencial localizado na Rua Ernesto de
Vilhena, no 5° Bairro dos Pioneiros na Cidade da Beira, e a sua influência no surgimento das
diferentes patologias. Assim sendo, este estudo apresenta uma análise de múltiplos casos de
patologias decorrentes da deficiente impermeabilização de alvenarias, com sugestões de
correcções e indicações de como prevenir as tais patologias. No entanto, de forma a elucidar
melhor sobre o tema, primeiramente foi realizado um levantamento sobre os diferentes tipos
de sistemas impermeabilizantes, dos principais tipos de materiais usados no processo de
impermeabilização, assim como as técnicas de uso e os principais cuidados que se deve ter na
execução de acordo com cada tipo de material usado nas alvenarias. Com vista a efectuar a
escolha adequada do material ou técnica de impermeabilização a ser usada para a correcção
das patologias encontradas no edifício caso de estudo, houve a necessidade de se fazer um
diagnóstico de cada patologia, e também de acordo com a problemática envolvida no
diagnóstico e tendo em vista os objectivos fixados no trabalho estudaram-se as diferentes
causas que geram os problemas nas alvenarias e as consequências que o aparecimento de
cada patologia traz para o edifício, fazendo com que não cumpram com as funções para as
quais foram idealizadas.

Palavras-chaves: Impermeabilização, alvenarias, edifícios, patologias, humidade.

IX
ABSTRAT
In this monograph based on a bibliographic revision if expose the sealing deficiency in
masonry residential building located at street Ernesto the Vilhena, number 5º Pioneer
neighborhood in the city of Beira, and his influence on the emergence of different
pathologies. Therefore, this study presents an analysis of multiple cases of pathology
resulting from the sealing deficiency of masonry, with suggestions for corrections and
indications of how to prevent such diseases. Used in the process of sealing, as well as the
techniques to use and the main precautions that must be taken in execution in accordance
with each type of material used in masonry. In order to make the proper choice of material or
sealing technique to be used for the correction of diseases found in building case study, there
is a need to make a diagnosis and have a view to the objectives set in the work studied the
different causes that generate problems in the masonry and the consequences that the
appearance of each pathology brings to the building, causing it to fail to meet with the
functions for which were conceived.

Keywords: Waterproofing, masonry, building, pathologies, humidity.

X
LISTA DE FIGURAS
Figura 1.1: Alvenaria de blocos de betão……………………………………………………..7
Figura 1.2: Alvenaria de tijolos de solo-cimento…………………………………………….10
Figura 1.3: Ascensão da água pelas juntas de argamassa………………………………….....19
Figura 1.4: Presença da vegetação parasita e manchas de humidade originada por degradação
dos sistemas de abastecimento de água……………………………………………………....22
Figura 1.5: Manifestação de eflorescências na base de uma parede………………………....25
Figura 1.6: Presença de fissuras e trinca vertical na caixa de escada do edifício em
estudo………………………………………………………………………………………...27
Figura 1.7: Percentagem de investimentos nas edificações………………………………….29
Figura 1.8: Custo da impermeabilização X Quando é executado…………………………...30
Figura 1.9: Preparação da argamassa com o aditivo hidrófugo……………………………...32
Figura 1.10: Aplicação de cristalizante na forma de pintura…………………………………33
Figura 1.11: Injecção de cristalizantes em parede com humidade ascendente………………33
Figura 1.12: Cimento impermeabilizante de pega ultra-rápida………………………………35
Figura 1.13: Aplicação de argamassa polimérica na forma de pintura………………………36
Figura 1.14: Aplicação de argamassa polimérica na forma de revestimento………………...36
Figura 1.15: Execução de membrana de asfalto a frio…………………………………….....38
Figura 1.16: Execução de membrana de asfalto a quente……………………………………38
Figura 1.17: Execução de membrana acrílica………………………………………………..39
Figura 1.18: Imprimação da superfície……………………………………………………....40
Figura 2.1: Fachada Posterior………………………………………………………………..45
Figura 2.2: Fachada Posterior………………………………………………………………..45
Figura 2.3: Fachada frontal………………………………………………………………….45
Figura 2.4: Fachada frontal………………………………………………………………….45
Figura 2.5: Fachada lateral direito…………………………………………………………..46
Figura 2.6: Fachada lateral esquerdo………………………………………………………..46
Figura 2.7: Fachada lateral direito…………………………………………………………..47
Figura 2.8: Manchas de humidade e presença de bolor sobre a parede……………………..48
Figura 2.9: Manifestação da eflorescência sobre a parede………………………………….50
Figura 2.10: Descasque da pintura sobre a parede………………………………………….50
Figura 2.11: Descasque da pintura na parte inferior da parede……………………………..51

XI
LISTA DE TABELAS
Tabela 1.1: Classificação das alvenarias……………………………………………………6
Tabela 1.2: Dimensões nominais…………………………………………………………...8
Tabela 2.1: Descrição geral do imóvel……………………………………………………..42

XII
LISTA DE ABREVIATURAS E SÍMBOLOS
USA- United States of América.

Pvc- Policloreto de vinila.

Kg/m - Quilogramas por metro cúbico.

°C- Graus celsius.

NBR- Norma Brasileira.

mm- Milímetro.

% - Percentagem.

Cm- Centímetros.

H O- Água.

Km - Quilómetros cúbicos.

Nm- Nanómetro.

μm- Micrómetro.

CAP- Cimento Asfáltico de Petróleo.


NP EN 1504-2- Norma Portuguesa.

XIII
Introdução
A prática de impermeabilizar edifícios é algo que já vem desde o surgimento da humanidade,
visto que o homem sempre teve uma preocupação com a humidade que provinha da
infiltração atingindo as paredes, tornando assim insalubre viver dentro daquelas condições,
poís a impermeabilização sempre foi um meio de protecção contra a humidade desde a
evolução do homem, visto que desde os primórdios das civilizações o homem já utilizava na
construção, produtos como óleos e betumes naturais, já que forneciam características
impermeabilizantes. Como por exemplo, segundo o livro bíblico do antigo testamento
(Genesis 6:14), cita-se que Noé impermeabilizou o casco da arca com óleo e betumes
naturais, e além disso estes produtos impermeabilizantes também foram utilizados pelas
grandes civilizações, como na construção da muralha da China, nas piscinas das termas
romanas, nos jardins da Babilonia, e também foi utilizado pelos Egípcios para proteger os
sarcófagos.
Entretanto, resulta muito importante que no acto da construção de um edifício, este seja
acompanhado de um projecto de impermeabilização e também após o seu término este tenha
um acompanhamento rotineiro de manutenção por parte dos usuários por forma a permitir
que o edifício possa apresentar um bom desempenho funcional e estrutural e também possa
permitir que ele atinja o tempo de vida útil para o qual foi concebido.

Ainda é considerada como sendo um desafio para a construção civil, o uso correcto da
impermeabilização por parte dos construtores para combater as patologias associadas a
humidade e também visto que a vida útil de uma edificação depende directamente de uma
eficiente realização da impermeabilização, facto esse que não se tem verificado com
frequência visto que a maior parte dos edifícios estão condenados a varias patologias devido
aos efeitos negativos da má impermeabilização. E também o facto de que na maioria das
vezes estar fora do alcance visual após a edificação estar concluída, geralmente a
impermeabilização é negligenciada não sendo tratada com a necessária importância ou, até
mesmo, não sendo utilizada.
A falta de conscientização, inexperiência e resistência por parte dos construtores e
proprietários dos edifícios a respeito do uso das técnicas e materiais de impermeabilização,
são os principais responsáveis por diversos problemas, que muitas vezes geram insucessos no
processo. Na maioria dos casos os construtores só dedicam atenção a impermeabilização e
seus problemas no final da obra, quando pode ser muito tarde.

1
A Cidade da Beira é constituída por um grande número de edifícios residenciais, quase na sua
maioria construídos há já muitos anos atrás e tendo alguns de construção recente. Estes
mesmos, apresentam inúmeros problemas patológicos, muitos dos quais decorrentes da
deficiência de impermeabilização, o que de certo modo afecta a sua funcionalidade, estrutura
e arquitectura perigando a segurança dos seus utentes. Sendo assim, apresenta-se o seguinte
problema de investigação: Carência de sistemas de impermeabilização adequados que dão
origem a problemas patológicos em alvenarias de edifícios.
Dada esta problemática, esta monografia centra-se no estudo de soluções de
impermeabilização em alvenarias de edifícios residenciais com problemas patológicos. E
desta forma estabelece-se como objectivo geral:
· Propor soluções adequadas de impermeabilização com vista a minimizar os problemas
patológicos decorrentes da humidade em alvenaria do edifício residencial, localizado
na Rua Ernesto de Vilhena no 5° Bairro dos Pioneiros.

Objectivos específicos
Como forma de alcançar o objectivo geral proposto, definiu-se os seguintes objectivos
específicos:
· Realizar a revisão bibliográfica dos conceitos que sustentam a investigação do objecto
de estudo;
· Identificar a origem e as causas da humidade na alvenaria do edifício em estudo;
· Diagnosticar os problemas patológicos decorrentes da humidade;
· Escolher de acordo com as condições do ambiente a solução de impermeabilização
que melhor se adequa a cada tipo de patologia.

Hipótese de estudo
Se se efectuar um diagnóstico detalhado das patologias decorrentes da humidade na alvenaria
do edifício, em estudo com ênfase nos defeitos causados pela falta de impermeabilização,
sustentado em uma revisão bibliográfica e reforçado pelas técnicas investigativas tais como,
entrevistas, observação visual, entre outros, poderá se estabelecer soluções adequadas a esta
problemática com materiais e técnicas existentes no mercado que permitem estender a vida
útil deste edifício.

2
Metodologia
Para a realização desta pesquisa irei usar a seguinte metodologia:

· Inspecção visual do edifício tanto na área interna como externa;


· Levantamento fotográfico de todas as patologias na alvenaria ocasionadas pela
presença da humidade no edifício;
· Análise dos dados colectados, com o intuito de se identificar as prováveis causas que
originaram o problema no edifício;
· Entrevista aos moradores do edifício com vista a colher informações sobre a idade do
edifício e sobre as manutenções e alterações ocorridas desde a sua existência;
· A partir das acções que causaram as patologias, discutir as possíveis soluções para o
problema.

3
CAPITULO I− REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

MARCO TEORICO CONCEITUAL

Introdução

Neste capítulo faz-se uma revisão bibliográfica, de diferentes estudos realizados por vários
autores sobre o uso da impermeabilização e a sua influência no surgimento das patologias em
alvenarias dos edifícios residenciais com carência de impermeabilização e dos diferentes
conceitos que sustentam a investigação.

1.1 Contextualização
Todavia, se tem informações complementares de que as primeiras impermeabilizações,
datadas do século XX, foram executadas com Coaltar pitch (piche de alcatrão, asfalto de
hulha), com asfaltos naturais armados com tecidos grosseiros (junta, papelão, entre outros),
materiais estáveis e impermeáveis, pouco plásticos, que porém, satisfaziam as exigências da
época, em função da baixa movimentação estrutural dos edifícios, já que os mesmos eram de
pequeno porte e de grande rigidez (SIKA INFORMATION, 1991).
RESENDE (1987), refere que o começo da utilização de impermeabilizantes na era moderna
coincide com as primeiras obras efectuadas em betão armado no inicio do seculo XX,
especialmente após a introdução de novos conceitos arquitectónicos de le Corbusier (1914),
que resultaram em estruturas mais esbeltas, trabalhando mais a flexão e menos a compressão,
sendo exigidas novas técnicas de impermeabilização, com o intuito de absorver maiores
movimentações estruturais. Por volta de 1930, foram formuladas as primeiras emulsões
asfálticas dirigidas para impermeabilização, ainda utilizadas actualmente.
Até a década de 60 os sistemas impermeabilizantes eram aplicados com bastante frequência,
sobretudo em razão dos altos custos de mão-de-obra, principalmente nos países do hemisfério
norte, foram desenvolvidos os sistemas pré-fabricados em monocamada, com o surgimento
em sequência das mantas butílicas de PVC e finalmente a manta asfáltica, (RESENDE,1987).
No entanto, torna-se notório que desde as primeiras impermeabilizações conhecidas até aos
dias de hoje, há que referir que um longo caminho entre erros e acertos foi percorrido.
É conhecido que os sistemas de impermeabilização tem como uma das funções essenciais
impedir a penetração da humidade sobre as alvenarias, facto esse que faz com que tanto as
alvenarias, como a humidade sejam os elementos essenciais e imprescindíveis para o estudo

4
do problema em questão, e também devido sobretudo, ao facto da alvenaria ser o principal
material responsável pela habitabilidade dos abrigos construídos pelo homem e de ser o
principal material estrutural dos edifícios ao longo dos 4000 anos de civilização.

1.2 Conceito de alvenaria


Segundo Juliana Valle (2008) entende-se por “alvenaria” a associação de um conjunto de
unidades de alvenaria (tijolos, blocos, pedras, etc.) e ligantes que resulta num material que
possui propriedades mecânicas intrínsecas capaz de constituir elementos estruturais. Tem
como função principal adequar e estabelecer a separação entre ambientes, especialmente a
alvenaria externa, que tem a responsabilidade de separar o ambiente externo do interno,
deverá actuar como freio, barreira e filtro selectivo, controlando uma série de acções e
movimentos complexos.
Entretanto nas alvenarias antigas, as unidades de alvenaria eram, vulgarmente, a pedra ou o
tijolo cerâmico, eventualmente reforçadas com estrutura interna de madeira.
As alvenarias de pedra têm uma diversificada constituição interna, dependente da época, dos
costumes e do local de construção. São caracterizadas por uma grande irregularidade
geométrica e falta de homogeneidade material, resultado da diversidade de características
(físicas, mecânicas e geométricas) dos materiais utilizados. A presença de cavidades ou
vazios interiores é uma característica destas alvenarias que aparecem, em maiores ou menores
percentagens.
Assim, segundo a mesma autora, as estruturas de alvenaria resultaram por processos
empíricos de aprendizagem (tentativa e erro), numa associação de elementos resistentes
através dos quais a transmissão das cargas se faz por trajectórias de tensões de compressão.

1.2.1 Classificação das alvenarias


Segundo Deivis Marinoski (2011), as alvenarias podem ser classificadas quanto a:
Capacidade de suporte:
Quando a alvenaria é empregada na construção para resistir cargas, ela é chamada alvenaria
resistente (auto portante), poís além do seu peso próprio, ela suporta cargas (peso das lajes,
telhados, pavimento superior, etc.).
Quando a alvenaria não é dimensionada para resistir cargas verticais além de seu peso
próprio, ela é denominada alvenaria de vedação.

5
Outras formas de classificação:

Tabela 1.1: Classificação das alvenarias


Componentes de alvenaria Ø Alvenaria de blocos de betão;
Ø Alvenaria de tijolos cerâmicos
maciços;
Ø Alvenaria de blocos cerâmicos;
Ø Alvenaria de blocos sílico-calcáreos;
Ø Alvenaria de blocos de betão celular;
Ø Alvenaria de tijolos de solo
estabilizado;
Ø Alvenaria de tijolos de vidro.
Componentes de ligação Ø Junta seca (sem argamassa de
preenchimento entre as unidades de
alvenaria);
Ø Junta tomada (preenchida com
argamassa).
Exposição Ø Aparente;
Ø Revestida.
Fonte: Deivis Marinoski (2011).

1.2.2 Elementos usados em alvenarias


Entretanto segundo (Nascimento Octávio, 2004), os principais tipos de elementos usados em
alvenarias a destacar são os seguintes:
· Bloco de betão;
· Bloco cerâmico vazado (tijolo furado);
· Bloco de gesso;
· Tijolo cerâmico maciço (tijolo de barro);
· Bloco de betão celular autoclavado;
· Tijolo de solo-cimento.

6
1.2.3 Blocos de betão
São blocos obtidos por prensagem e vibração de betão com consistência seca, dentro de
formas de aço com dimensões regulares, devendo ser curados em ambiente com alta
humidade por pelo menos 7 dias. Normalmente são assentados na posição em que os furos
estejam na vertical, contribuindo para que pequenas áreas de argamassa entrem em contacto
para a colagem entre os blocos. Utilizados há muitos anos para alvenaria autoportante e de
vedação, deve-se evitar o uso quando se apresentarem ainda com humidade elevada, devido
ao alto índice de retracção e variação dimensional.

1.2.4 Características básicas


· Compatibilidade com estrutura metálica: Uso normal;
· Densidade média: 1800Kg/m ;
· Consomem menos quantidade de argamassa de assentamento;
· Técnica de assentamento: mão-de-obra treinada.

Figura 1.1: Alvenaria de blocos de betão.


Fonte: Adaptado de Nascimento Octávio, 2004.

1.2.5 Blocos de gesso


Estes blocos destinam-se a vedações verticais internas. No entanto são de fácil aplicação,
trazem muita precisão a obra e permitem diversas formas de acabamento. São blocos pré-
moldados, de gessos especiais, fabricados por processo de moldagem. Existe um tipo de
bloco específico para atender a cada tipo de vedação: os blocos azuis, hidrófugos, são
resistentes a água e devem ser utilizados em áreas húmidas (banheiros, cozinhas, lavabo), os
blocos reforçados com fibra de vidro, são utilizados para áreas onde existe aglomeração de

7
pessoas (restaurantes, cinemas, lojas, shopping), e os blocos de maior espessura, são
recomendados para áreas de exigências especiais como corredores de edifícios comerciais,
Escolas e Universidades, que exigem condições acústicas melhoradas.

1.2.6 Características básicas


· Compatibilidade com estrutura metálica: A utilização é possível desde que prevista a
interface de protecção;
· Densidade média: 1000 Kg/m ;
· Técnica de assentamento: mão-de-obra treinada.

1.2.7 Tijolos cerâmicos maciços


São blocos de barro comum, moldados com arestas vivas e rectilíneas, obtidos pela queima
da argila, que se dá em temperaturas em torno de 1000 °C.
Porém, devem possuir a forma de um paralepípedo rectângulo sendo suas dimensões
nominais recomendadas pela NBR 8041 as seguintes:

Tabela 1.2: Dimensões nominais


Comprimento (mm) Largura (mm) Altura (mm)
190 90 57
190 90 90
Fonte: Adaptada da NBR (1983)

1.2.8 Características básicas


· Compatibilidade com estrutura metálica: Uso normal;
· Densidade média: 1500Kg/m ;
· Técnica de assentamento: mão-de-obra convencional.
· É comum os tijolos apresentarem expansão devido a incorporação de humidade do
ambiente. Em consequência, é recomendado que se evite a utilização de blocos ou
tijolos cerâmicos com menos de duas ou três semanas após saírem do forno.

8
1.2.9 Blocos de betão celular autoclavado
São blocos fabricados a partir de uma mistura de cimento, cal, areia e pó de alumínio,
autoclavado, permitindo a formação de um produto de elevada porosidade, leve, resistente e
estável.
O produto é apresentado em blocos ou painéis, com dimensões e espessuras variadas, que
permitem a execução de paredes de vedação e lajes.
São produtos totalmente industrializados, produzidos em poucas fábricas específicas, e
apresentam precisão nas dimensões e são facilmente serrados, eliminando o desperdício por
quebras. Devido ao processo de fabricação com agente expansor e utilização de autoclave,
torna-se um produto com baixa densidade. Não devem ser utilizados quando húmidos devido
a variação dimensional na secagem. Exibem propriedades de isolamento térmico acústico
superior aos blocos de betão e tijolo furado. Pode-se considerar uma vedação com bloco
celular como sendo alvenaria semi-industrializada, devido a produtividade e modelagem
adoptadas para o sistema.

1.2.10 Características básicas


· Compatibilidade com estrutura metálica: Uso normal;
· Densidade média: 600Kg/m ;
· Técnica de assentamento: mão-de-obra especializada;
· Peso 60% menor que os blocos cerâmicos: estruturas mais esbeltas e menor consumo
de aço e menor carga nas fundações;
· Maior dimensão dos blocos (até 40x60x19cm) leva a maior produtividade;
· Regularidade de dimensões: possibilitam fina camada de revestimento isolante
térmico e acústico, alta resistência ao fogo (incombustível);
· Exigem cuidados maiores no manuseio e armazenagem.

1.2.11 Tijolo de solo-cimento


Fabricados a partir da massa de solos argilosos ou arenoargilosos mais cimento, com baixo
teor de humidade, em prensa hidráulica, formando blocos maciços ou vazados. Na mistura de
solo-cimento podem ser acrescentados aditivos impermeabilizantes, cimento refractário,
óxido de ferro (pigmento para colorir).

9
1.2.12 Características básicas
· Capacidade térmica e acústica;
· Alvenaria de tijolos a vista;
· Regularidade de dimensões, resultando em revestimentos de pequena espessura.
· Dispensa o uso de chapisco;
· Quando forem utilizados blocos vazados, as instalações hidráulica e eléctrica podem
ser feitas por dentro dos furos;
· Tijolos assentados com argamassa colante.

Figura 1.2: Alvenaria de tijolos de solo-cimento.


Fonte: Adaptada de Deivis Marinoski (2011).

Entretanto, verifica-se que muitos dos edifícios da Cidade da Beira, as suas alvenarias
apresentam deficiência de impermeabilização, culminando no surgimento de diversas
patologias, muito dos quais decorrentes da presença da humidade. E em consequência desta
humidade, estes mesmos edifícios acabam perdendo a sua estética e até acabando por tornar-
se inabitáveis.

1.3 Humidade como lesão


O conhecimento da humidade como lesão se faz imprescindível na actualidade. O estudo das
lesões, os fenómenos relacionados com elas, seus sintomas e manifestações mais comuns, os
danos e deteriorações que lhe vêm aparelhados e o universo de possíveis soluções, é um
passo importante nos estudos prévios.
Desde a antiguidade o homem teve que enfrentar os efeitos que a humidade produz nos
elementos e partes da edificação que actua. Nas construções actuais se dão com muita

10
frequência estas lesões obrigando aos especialistas a realizar um estudo detalhado dela e dos
danos que provoca.
Portanto o comportamento deste tipo de lesão não se pode generalizar, poís são vários os
factores que motivam a sua aparição. Por isso cada região do mundo e cada país em
particular, necessita de um certo estudo específico.
O estudo das lesões nas edificações e construções em geral, reveste-se de uma grande
importância na conservação e reabilitação dos patrimónios edificados. Dentro do universo de
deteriorações e imperfeições, a humidade possui um papel principal por sua repercussão na
funcionalidade e o conforto das edificações, daí a necessidade de se estudar detalhadamente
os sintomas de deteriorações que estão associados a ela, as causas que lhe dão origem e as
possíveis soluções que se podem aplicar.
Por isso se fará uma revisão geral dos tipos de humidade presentes na alvenaria do edifício
residencial em estudo, os factores que influem na aparição deste tipo de lesão e seu
comportamento em estudos realizados internacionalmente, e nas causas principais que
contribuem para o seu surgimento.
Portanto, a humidade constitui-se num dos mais frequentes problemas que acontecem nas
alvenarias das edificações, ocasionando condições de insalubridade e o consequente
desconforto dos seus ocupantes, além de contribuir para uma acelerada deterioração dos
respectivos materiais.
Conforme PEREZ, A. R. (1988), a humidade nas construções representa um dos problemas
mais difíceis de serem corrigidos dentro da construção civil, poís na grande maioria das
vezes, os trabalhos de recuperação estão baseados em diagnósticos distorcidos,
proporcionando soluções incompletas ou não eliminando as reais causas, provocando muitas
vezes, o retorno do problema.
Ainda assim, o conhecimento das formas de manifestação das lesões devido a presença da
humidade é um dado essencial que permite identificar claramente as respectivas causas e
propor as soluções adequadas.
Para a elaboração de um bom estudo sobre o problema da humidade é importante que
inicialmente se produza um diagnóstico correcto, o qual permitirá identificar claramente as
respectivas causas e propor as soluções mais adequadas.
Porém, a água é considerada como sendo o principal causador da humidade nas alvenarias
dos edifícios, que para muitos é visto como sendo somente um composto insípido, incolor e
inodoro, além de lhe atribuir o bem ganho qualificativo de dissolvente universal.

11
Por mais de 2000 anos ainda pensou-se que a água era um elemento, somente no século
XVIII experimentos evidenciaram que a água era um composto, formado por hidrogénio e
oxigénio.

1.3.1 A água como composto


Segundo Arruda (1990) apud Siqueira (2008) a água é uma das substâncias mais abundantes
da Terra, e também no interior dos seres vivos. Ela é formada por moléculas de dois tipos de
átomos (oxigénio e hidrogénio), que ao se ligarem determinam inúmeras particularidades,
que conferem a água propriedades singulares.
Assim, segundo os mesmos autores para formar a molécula da água (H O), devem se unir
dois átomos de hidrogénio com um de oxigénio. Isto acontece através de um tipo de ligação
chamada covalente ou molecular, onde os electrões da última camada electrónica dos átomos
envolvidos são compartilhados entre si, para que adquiram a estabilidade. Ser estável
significa ter o último nível de energia completo: com 2 electrões, se ele for do primeiro nível
(K) ou com 8 electrões, se o átomo possuir mais de uma camada, segundo a regra do octeto.
Conforme descreve Gomes e Clavico (2005) a água é considerada a mais abundante das
substâncias encontradas na crosta terrestre. O nosso planeta possui um suprimento abundante
de água calculado em cerca de 1392 milhões de Km de água líquida.
Calcula-se que cerca de 71% da superfície da Terra encontra-se coberta de água, e deste total,
97% são águas oceânicas.
A água é tão importante, que os gregos antigos consideravam-na como sendo um dos
elementos fundamentais da matéria.

1.3.2 Propriedades da água


QMCWEB, considera que a água é sem dúvida, o mais comum e mais importante de todos os
compostos. Graça as propriedade da água, a vida foi capaz de surgir e se desenvolver em
nosso planeta. Estas propriedades são extremamente especiais, dentre os quais se destacam:
· Troca de estado com variações de temperatura;
· Aumenta de volume ao passar de líquido a sólido, diminuindo sua densidade, podendo
flutuar sobre ela mesma em estado líquido;
· Devido ao seu carácter polar e iónico, faz que possa ser catalogada como um
composto básico (hidróxidos), ácido (radical dos hidrogénios) e neutro (em forma
geral), o que permite qualificá-la como de grande penetrabilidade, dissolvente de

12
metais e materiais pétreos, assim como veículo de gases e líquidos. Esta propriedade é
fundamentalmente a que lhe dá o carácter de dissolvente universal;
· Pela tensão superficial a água pode molhar grandes superfícies e deslocar-se até
lugares não previstos. Modifica sua viscosidade, dissolve sais a determinada pressão e
temperatura, as transportando e as depositando em lugares com condições diferentes.

Porém, de forma resumida destacam-se as seguintes características essenciais da água:


· Grande poder de penetração;
· Extraordinária aptidão de dissolução;
· Grande maleabilidade;
· Capaz de transportar sólidos, líquidos e gases;
· Eficaz colaborador de outros agentes.

Mencionadas as propriedades fundamentais da água, se está em condições de analisar a sua


actuação nos edifícios.

1.3.3 A acção da água nos edifícios


Uma grande parte dos problemas mecânicos originados nos diferentes edifícios é provocada
por problemas latentes de humidade.
· A deterioração dos tectos unidireccionais, chamados usualmente "viga e laje", os
quais se destroem mais rapidamente quando se produzem filtrações por deterioração
do sistema de impermeabilização, devido fundamentalmente a capacidade que a água
possui de acelerar o processo de oxidação corrosão.
· A água como composto que modifica seu volume, pode originar o intumescimento de
muitos materiais, como por exemplo, a madeira, e a destruição de outros.
· Em combinação com os agentes atmosféricos como são os compostos por sulfatos e
carbono pode originar a caulinização dos feldspatos do granito e a sulfatação das
pedras calcárias, tipo de rocha muito disseminada nas construções;
· O poder de penetração da água faz que chegue a lugares não previstos, podendo
provocar a destruição de muitos materiais, sobretudo os metálicos, como pode ser a
armadura de um elemento de betão, o perfil laminado de um tecto de viga e laje, etc.

13
· Impulsionada pelo vento erode os tijolos e morteiros e é capaz de transportar os sais
do chão a estrutura vertical, originando a eflorescência, que destrói por sua vez os
revestimentos.
· Pode além disso, actuar sobre os alicerces de qualquer edificação ou ponte,
permitindo em alguns casos o colapso dos mesmos.

Entretanto, para que esta humidade chegue a materiais de construção de um edifício esta faz-
se por meio de transporte, onde para tal existem diferentes mecanismos.
Estes mecanismos podem actuar simultânea ou sucessivamente ao longo do tempo, de acordo
com as condições de exposição (temperatura, humidade, etc.)

1.4 Mecanismos de transporte da humidade em alvenarias dos edifícios

1.4.1 Introdução
O mecanismo de transporte da humidade, por exemplo nas alvenarias, pode-se dizer que esta
se faz exclusivamente pela capilaridade, fenómeno que pode provocar conteúdos de água nos
materiais, iguais ou superiores aos 30 % de seu volume.
Esta retenção e propagação da humidade está em dependência de vários factores como por
exemplo:
· O diâmetro dos poros;
· Tipo de rede porosa;
· Características da superfície dos mesmos;
· Viscosidade, e temperatura do fluído que influi na tensão superficial e na densidade.

Conforme Bauer (2004), há uma série de mecanismos de transporte de humidade nos


materiais de construção sendo os mais importantes os relacionados com a absorção de água:
· Absorção capilar;
· Absorção de água de infiltração ou de fluxo superficial;
· Absorção higroscópica;
· Absorção de água por condensação capilar.

14
Nos fenómenos de absorção capilar e por infiltração ou por fluxo superficial de água, a
humidade chega aos materiais de construção na forma líquida, nos demais casos a humidade
é absorvida na fase gasosa. (BAUER, 2004).
A seguir são apresentados os mecanismos de transporte da humidade de acordo com Bauer
(2004).

1.4.2 Absorção capilar


A absorção capilar é o transporte de líquidos devido a tensão superficial actuante nos poros
de um corpo sólido. Este fenómeno é dependente de características do líquido (viscosidade,
densidade e tensão superficial) e de características do sólido poroso (raio, tortuosidade e
continuidade dos poros, energia superficial, conteúdo de humidade).
A influência da estrutura dos poros é decisiva na absorção capilar, seja no volume de água
absorvido, seja na velocidade de absorção, seja na altura de sucção. Segundo Hanzic, Kosec e
Anzel (2010), a absorção capilar ocorre em poros finos (10nm - 10μm), em que as forças
decorrentes da tensão superficial estão na mesma faixa que as forças da gravidade presentes
no líquido.
Teoricamente, quanto menores os diâmetros dos poros, maiores as pressões capilares e a
altura. Ao contrário, com poros maiores, têm-se alturas menores e maiores volumes de
absorção.
Portanto, os materiais de construção absorvem água na forma capilar quando estão em
contacto directo com a humidade. Isso ocorre geralmente nas fachadas e em regiões que se
encontram em contacto com o terreno (húmido) e sem impermeabilização. A água é
conduzida, através de canais capilares existentes no material, pela tensão superficial. Caso a
água seja absorvida permanentemente pelo material de construção em região em contacto
directo com o terreno, e não seja eliminada por ventilação, será transportada gradualmente
para cima, pela capilaridade. Esse é o mecanismo típico de humidade ascendente.
Segundo Pozzobon (2007), a capilaridade ocorre através dos poros dos materiais, pela acção
da tensão superficial, onde a situação mais característica é a presença de humidade do solo
que se eleva no material, em geral 70 a 80 cm.

1.4.3 Absorção de água de infiltração ou de fluxo superficial


Se o local que está em contacto com o terreno não tiver recebido impermeabilização vertical
eficaz, ocorrerá absorção de água (da terra húmida) pelo material de construção absorvente
15
(através de seus poros), que poderá se intensificar caso a humidade seja submetida a certa
pressão, como no caso de fluxo de água em piso com desnível.
De acordo com Pozzobon (2007), percolação ocorre quando a água escoa por gravidade livre
da acção de pressão hidrostática, situação muito comum em lâminas de água sobre terraços e
coberturas.

1.4.4 Absorção higroscópica de água e condensação capilar


Segundo Bauer (2004), em ambos os mecanismos, a água é absorvida na forma gasosa. Na
condensação capilar, a pressão de vapor de saturação da água diminui, ou seja, ocorre
humidade de condensação abaixo de ponto de orvalho. Quanto menores forem os poros do
material de construção, mais alta será a quantidade de humidade produzida por condensação
capilar. Além das dimensões dos poros, o mecanismo depende principalmente da humidade
relativa do ar.
Quanto maior for a humidade relativa, maiores serão os vazios dos poros do material de
construção que poderão ser ocupados pela condensação capilar. Um ambiente com humidade
relativa do ar em torno de 70%, produz nos materiais de construção, certa quantidade de
humidade por condensação capilar, cujo valor se denomina humidade de equilibro.
Normalmente, nos materiais não são encontrados teores de humidade menores que a
humidade de equilibro. Caso o material de construção contenha sais, a humidade de
equilíbrio pode variar consideravelmente. O mecanismo de absorção higroscópica da
humidade é desencadeado do ar, do grau e do tipo de salinização: a água pode ser absorvida
na forma higroscópica durante o tempo necessário até alcançar a humidade de saturação. Os
locais subterrâneos e o térreo são os mais atingidos. Faz-se necessário conhecer exactamente
os mecanismos individuais de humedecimento, ou seja, as causas das anomalias, para poder
eliminá-las eficazmente. Para o diagnóstico das anomalias, é preciso verificar especialmente
o grau de humidade e a existência de sais. Não só os dados químicos e físicos devem ser
levados em consideração na restauração ou tratamento da anomalia, mas também é de
fundamental importância avaliar as condições do contorno. É necessário avaliar
especialmente a influência da água subterrânea, de fluxos superficiais de ladeiras e de águas
provenientes de infiltrações.

16
1.5 Tipos de humidade

1.5.1 Introdução
Dentro da construção civil, os problemas patológicos originados a partir da humidade não
estão relacionados a um único factor, e por tais motivos podem se manifestar em diferentes
elementos de um edifício, tais como: paredes, pisos, fachadas, elementos de betão armado,
entre outros.
Sendo assim, no intuito de analisar de forma coerente a humidade nos edifícios e suas
respectivas causas, pode-se considerar várias formas diferentes (quanto a sua origem e forma
de acesso ao edifício), dentre as quais se destacam:
· Humidade de precipitação;
· Humidade por capilaridade;
· Humidade presente nos materiais de construção;
· Humidade de condensação;
· Humidade decorrente da higroscopicidade;
· Humidade acidental.

1.5.2 Humidade de precipitação


Henriques (1993), afirma que a chuva por si só em si não constitui uma acção especialmente
gravosa para as paredes dos edifícios e que os riscos só começam a ter significado a medida
que, para uma dada quantidade de precipitação, a intensidade do vento numa dada direcção
vai aumentando.
Também esta acção contínua da chuva pode formar uma cortina de água, que ao escorrer pela
parede, pode penetrar nela por gravidade, como resultado da sobrepressão causada pelo vento
ou por acção da capilaridade dos materiais.
As anomalias manifestam-se através do aparecimento de manchas de humidade de dimensões
variáveis nos paramentos interiores das paredes exteriores, em correspondência com a
ocorrência de precipitações, que tendem a desaparecer quando cessam os períodos de chuva.
No entanto, em períodos prolongados pode haver a ocorrência de bolores, eflorescências e
criptoflorescências.
GRUNAU (1970), assegura que a penetração da água é potenciada por influências mecânicas,
materializadas pelo deslocamento do ar pressionando a lâmina de água contra as paredes
facilitando a penetração por fissuras e poros.

17
Porém, a infiltração da humidade nas paredes é decorrente do defeito da impermeabilização
ou da sua inexistência. Existindo a infiltração através de uma parede, deve-se inicialmente ter
a certeza se existe ou não sistema de impermeabilização. Conforme VERÇOZA (1991), caso
exista impermeabilização, deverão ser realizadas duas verificações, onde a primeira consiste
em verificar se paredes e platibanda adjacentes possuem rachaduras. Conforme o autor, na
maioria das vezes, a água entra pela rachadura da platibanda e vai para baixo do sistema de
impermeabilização, onde ocorrem e aparecem os sintomas idênticos a impermeabilização
perfurada.

1.5.3 Humidade por capilaridade


Todo solo contém humidade, até mesmo o rochoso. Em muitos casos essa humidade tem
pressão suficiente para romper a tensão superficial da água. Nesta hipótese, se houver uma
estrutura porosa (terra, areia), a água do subsolo sobe por capilaridade e permeabilidade até
haver equilíbrio. A pressão é tanto maior quanto mais próxima do lençol freático do terreno,
por esta razão, nunca se deve encostar terra directamente nos tijolos ou rebocos, até mesmo o
betão armado absorve a humidade.
As águas do solo podem muitas vezes provocar problemas específicos de humidade nas
paredes de subsolo e pavimentos térreos. A grande maioria dos materiais de construção
existentes hoje, possui uma capilaridade elevada, fazendo com que a água possa migrar na
ausência de qualquer barreira que impeça este deslocamento.
Tratando-se de humidade por capilaridade, VERÇOZA (1989), afirma que se trata de
humidade que sobe do solo húmido, (humidade ascensional). Ela ocorre nas paredes das
edificações devidas as próprias condições de sólido húmido, assim como a falta de obstáculos
que impeçam a sua progressão.
A ascensão da água nas paredes se dá pelos capilares que, para Verçoza (1985), são oriundos
da descontinuidade dos materiais utilizados na construção civil, formando uma rede de
espaços cheios de ar, que vão sendo saturados pela água à medida que esta se desloca dentro
do material.
Não só a água do solo, mas também os sais existentes no terreno e nos próprios materiais de
construção são dissolvidos pela água e transportados através das paredes para níveis
superiores. Ao evaporar, esta água provoca a cristalização destes sais que fecharão os poros
existentes, reduzindo a sua permeabilidade e aumentando o nível da humidade.

18
Podemos perceber a acção da água pela capilaridade visualmente, poís ela provoca o
aparecimento de manchas nas regiões geralmente junto ao solo, acompanhadas de manchas
de bolor, criptoflorescências, eflorescências ou vegetação parasitária, principalmente nos
locais de pouca ventilação.
Entretanto, também verifica-se que os próprios materiais de construção apresentam uma certa
humidade onde através dos canais capilares permitem a passagem da humidade para o
interior das edificações.

Figura 1.3: Ascensão da água pelas juntas de argamassa.


Fonte: Adaptada de Sónia Cabaça (2002).

1.5.4 Humidade presente nos materiais de construção


Grande parte de materiais utilizados nas construções necessitam de água para a sua confecção
e colocação, como por exemplo a argamassa. Nesta fase da obra, os materiais e a própria
edificação estão mais sujeita a acção directa da água da chuva, o que amplia ainda mais o teor
da humidade nos materiais.
Parte desta quantidade de água evapora rapidamente, mas a outra parte demora muito tempo
para faze-lo. Segundo HENRIQUES (1995), o processo de secagem de materiais porosos
acontece em três fases distintas. Na primeira, a evaporação somente da água superficial. A
segunda fase evapora a água contida nos poros de maiores diâmetros, num processo muito
demorado. Finalmente, a libertação da água existente nos poros de menores dimensões, cujo
processo é extremamente lento podendo acontecer ao longo de muitos anos.

19
De uma forma geral, anomalias devidas a este tipo de humidade cessam num período mais ou
menos curto de tempo, que depende das características e do tipo de utilização do edifício e da
região climática em que o mesmo está inserido.
Considera VERÇOZA (1991),que a humidade oriunda pela execução da construção é aquela
necessária para a obra, mas que desaparece com o tempo (cerca de seis meses). Elas se
encontram dentro dos poros dos materiais, como as águas utilizadas para betões e
argamassas, pinturas, etc.
Porém, além da humidade que se encontra presente no interior dos materiais, também
verifica-se que há um outro tipo de humidade que não é decorrente de água infiltrada, mas
sim de água que já se encontra no interior do ambiente e depositada nas superfícies dos
elementos do edifício que também merece seu estudo.

1.5.5 Humidade de condensação


Segundo KLEIN (1999), a humidade de condensação possui uma forma bastante diferente
das outras já mencionadas, pois a água já se encontra no ambiente e se deposita na superfície
da estrutura.
De referir que a condensação é muito comum em edifícios enterrados. Nesse tipo de edifícios
as paredes geralmente estão bastante frias e há pouca ventilação. Então a água condensa-se
nas paredes e não há ventilação para secá-las. Estes edifícios devem ser feitos deixando-se
aberturas permanentes, de preferência em disposição tal que force a circulação de ar. Então
haverá uniformidade de temperatura entre paredes e ambiente e também evaporação mais
rápida.
Na composição do ar existe, além dos gases, uma determinada quantidade de vapor de água.
A quantidade máxima deste vapor, chamado limite de saturação, varia em razão da
temperatura, aumentando quando a temperatura aumenta e diminuindo quando esta diminui.
Por consequência, quando uma massa de ar é arrefecida (diminui a sua temperatura) certa
quantidade de vapor de água se condensa dando origem a formação de nevoeiro.
Quando o ar se encontra no seu limite de saturação 100% tem-se os valores de humidade
absoluta igual ao de humidade de saturação.
Face ao dito anteriormente, é fácil perceber que a humidade relativa do ar, varia conforme a
temperatura que se encontre, aumentando quando a temperatura diminui e diminuindo
quando a temperatura aumenta, porque, neste caso, aumenta o limite de saturação, sendo que
em ambos os casos a humidade absoluta é constante, ou seja, a quantidade de vapor de água.

20
As condensações deste vapor, acontecem normalmente no interior das edificações junto aos
paramentos das paredes externas, poís estas faces, de modo geral, têm uma temperatura
inferior ao do ar ambiente. Este facto dá origem ao aumento da humidade relativa do ar na
camada de contacto com a parede, o que provoca estas condensações.

1.5.6 Humidade decorrente da higroscopicidade


THOMAZ (1996), diz que as mudanças higroscópicas ocasionam modificações nas
dimensões dos materiais porosos que integram os elementos e componentes da construção.
Com o aumento da humidade, há uma expansão do material e com a redução, ocorre o
contrário, uma contracção do mesmo. Existindo então vínculos que irão impedir ou restringir
essas movimentações por humidade, ocorrerão fissuras.
Os sais que mais frequentemente estão associados a manifestações patológicas são os
sulfatos, os nitratos e os cloretos.
As anomalias que têm por origem estes fenómenos decorrentes da higroscopicidade dos sais
são caracterizadas pelo aparecimento de manchas de humidade nos locais com forte
concentração de sais e, em determinados casos, associados a degradação dos revestimentos da
parede.
Por serem muitas as ocorrências dos tipos de humidade, torna-se muito difícil sistematizar
todas as causas possíveis. De maneira geral, achou-se consensual pela sua natureza
caracterizar também a humidade decorrente normalmente de falhas de instalações, defeitos de
construção, acidentes ou falta de manutenção.

1.5.7 Humidade acidental


Segundo Righ (2009), é a humidade causada por falhas nos sistemas de tubulações, como
águas pluviais, esgoto e água potável, e que geram infiltrações. A existência de humidade
com esse tipo de origem tem uma importância especial quando se trata de edificações que já
possuam um longo tempo de existência, como é o caso dos vários edifícios existentes na
Cidade da Beira, poís pode haver presença de materiais com tempo de vida já excedido, que
não costumam ser contempladas em planos de manutenção predial.
As roturas de canalizações constituem uma das causas mais frequentes para o aparecimento
deste tipo de humidade. Constituem um problema grave na medida em que a manifestação
das anomalias pode dar-se muito longe da fonte de origem, devido a facilidade de migração
de água para vários locais, no interior dos diversos elementos da construção.

21
Figura 1.4: Presença da vegetação parasita e manchas de humidade originada por degradação
dos sistemas de abastecimento de água.

1.6 Principais patologias em alvenarias originadas pela humidade

1.6.1 Introdução
Em um edifício, a falta de uma boa impermeabilização ou até mesmo a ausência de
manutenção desta pode permitir que a água penetre nas alvenarias das mais diversas formas,
como exposto anteriormente, trazendo humidade para dentro da edificação e causando alguns
problemas.

A humidade, dependendo da intensidade, pode prejudicar a saúde dos usuários da edificação


e prejudicar a parte estética do local, poís geralmente percebemos que existe uma infiltração
quando o revestimento, por exemplo, começa a apresentar manchas, bolhas ou até mesmo
desprender-se da parede.

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De acordo com Verçoza (1985), há vários problemas que podem ser provocados pela
humidade nas edificações, dentre eles, pode-se citar: goteira e manchas, mofo e
apodrecimento, eflorescências, criptoflorescências, fissuras, trincas e gelividade.

1.6.2 Goteiras e manchas


Este é um tipo de dano quase inaceitável em um edifício, poís a partir do momento em que a
humidade começa a criar goteiras e consequentemente manchas na edificação, é porque a
água não encontrou barreiras que impeçam sua passagem.
Segundo Verçoza (1985), esta humidade intensa e permanente deteriora qualquer material e
desvaloriza a edificação, poís quando a água atravessa uma barreira, ela pode no outro lado
ficar aderente e ocasionar uma mancha, ou se a quantidade é maior pode gotejar ou até fluir.
Para a identificação destas patologias, deve-se efectuar uma inspecção visual em toda a
alvenaria, observando-se alterações como descoloração e perda do brilho, manchas,
descascamentos, esfarelamentos, eflorescências, gretamentos, entre outros.
As manchas podem estar relacionadas aos seguintes problemas:
· Infiltração de água através das falhas ou da porosidade do rejuntamento;
· Excesso de água de amassamento da argamassa;
· Presença de impurezas nas areias, tais como óxidos e hidróxidos de ferro.

1.6.3 Mofo e apodrecimento


Estas patologias são causadas pela humidade devido a uma infiltração, e são mais comuns em
peças de madeira, e também atacam a alvenaria provocando a desagregação do material,
deixando o revestimento pulverulento. O mofo e o bolor são fungos vegetais cujas raízes,
penetrando na madeira, destilam enzimas ácidas que a corroem. Até mesmo nas alvenarias
eles causam danos, porque eles também ali aderem, escurecendo as superfícies e, com o
tempo, desagregando-as. Sendo vegetais, esses fungos precisam de ar e água. Não proliferam
em ambientes absolutamente secos, Logo o mofo e o apodrecimento também são decorrentes
da humidade. A eliminação do mofo não é nada fácil, e para evitar que apareça é preciso
eliminar a humidade, o que se consegue com impermeabilizações e com ventilação, que
secam as superfícies e removem os esporos (sementes).
Contudo, a manifestação de humidade, além de influenciar o aparecimento de doenças
respiratórias aos utilizadores, pode ainda provocar o aparecimento de eflorescências trazendo
consigo anomalias diversas.

23
1.6.4 Eflorescência
Eflorescência são formações de sais nas superfícies das paredes, trazidos do seu interior pela
humidade, e são causadas pela presença de água nas paredes, gerando sais que se manifestam
na superfície da alvenaria através de manchas, descolamento ou descoloramento da pintura,
entre outros.
É válido observar que a eflorescência só ocorre se a água encontrar sais solúveis na alvenaria
que podem aparecer nos tijolos, na areia, no betão, no cimento, ou na argamassa.
A água dissolve estes sais que são trazidos para a superfície, neste lugar, a água evapora e os
sais sólidos ou em forma de pó são depositados sobre a alvenaria, deixando a parede com má
aparência.
Caso a eflorescência esteja localizada entre o reboco e a parede, uma rede de capilares
começa a se formar gerando mais passagens para humidade, o que aumenta a força de
repulsão ao reboco, aumentando a hipótese do mesmo soltar da parede.
Segundo Bauer (1994), podemos citar alguns sais causadores de eflorescências:
· Carbonatos, que podem ser de cálcio ou magnésio, provenientes da carbonatação da
cal lixiviada da argamassa e os carbonatos de potássio e sódio que se originam da
carbonatação dos hidróxidos alcalinos de cimentos com elevado teor de álcalis;
· Hidróxidos de cálcio provêm da cal liberada na hidratação do cimento;
· Sulfatos de cálcio desidratados provêm da hidratação do sulfato de cálcio do tijolo,
sulfatos de magnésio e cálcio originam-se do tijolo e água de amassamento, sulfatos
de potássio e sódio formam-se da reacção tijolo-cimento, agregados e água de
amassamento;
· Cloretos de cálcio e magnésio provêm da água de amassamento e cloretos de alumínio
e ferro da limpeza com ácido muriático;
· Nitratos de potássio, sódio e amónia originam-se do solo adubado ou contaminado.
Portanto, para evitar esse fenómeno, deve-se eliminar uma dessas três condições, que são os
factores externos que também contribuem para a formação da eflorescência:
· Quantidade de água;
· Tempo de contacto;
· Elevação da temperatura;
· Porosidade dos componentes (TAGUCHI, 2008).
O termo florescência pode ser dividido em subflorescências: eflorescências e
criptoflorescências.

24
Dias (2003) caracteriza as eflorescências com o aparecimento de manchas, depósitos
esbranquiçados e pulverulentos na superfície de argamassas, betão, alvenarias, materiais
cerâmicos e outros, sendo que esses depósitos esbranquiçados são sais cristalizados de metais
alcalinos e alcalinos terrosos. Já as criptoflorescências são formações salinas que ficam
ocultas, ou seja, a cristalização não é superficial. Wilson (1984), citado por Dias (2003),
afirma que a criptoflorescência não é tão fácil de ser detectada como a eflorescência. Em
contrapartida, provoca danos aos componentes, como é o caso de sais que, ao se
cristalizarem, aumentam de volume. Como resultado disso, geram tensões internas que
deterioram os revestimentos.

Figura 1.5: Manifestação de eflorescências na base de uma parede.


Fonte: Adaptada de Sónia Cabaça (2002).

1.6.5 Criptoflorêscencia
Segundo Verçoza (1985), esta patologia também é causada pela reacção entre a água e os
sais, mas neste caso, os sais dissolvidos formam cristais, que ficam dentro da parede ou
estruturas.
O crescimento destes cristais, ou seja, o aumento de depósito de sais pode provocar
rachaduras ou até a quebra da parede.
Os sulfatos são os maiores causadores da criptoflorescência, poís em contacto com a água
aumentam muito de volume, provocando a desagregação dos materiais, principalmente na
superfície.

25
1.6.6 Fissuras e trincas
Entretanto a identificação das fissuras e de suas causas é de vital importância para a definição
do tratamento adequado para a recuperação da alvenaria, sendo que esses problemas são os
primeiros a serem observados na sintomatologia das alvenarias e vedações.
O diagnóstico da origem dessa patologia pode ser definido pela configuração da fissura, da
abertura, do espaçamento e, se possível, pela época de ocorrência (após anos, semanas, ou
mesmo algumas horas da execução), considerando as diferentes propriedades mecânicas e
elásticas dos constituintes da alvenaria e em função das solicitações actuantes.
A fissura, de uma forma geral, é uma patologia importante devido a três aspectos:
· O aviso de um eventual estado perigoso para a estrutura;
· O comprometimento do desempenho do edifício em serviço (estanqueidade à água,
durabilidade, isolamento acústico, entre outros);
· O constrangimento psicológico, que a fissuração do edifício exerce sobre os usuários
(THOMAZ, 1989).
A norma brasileira NBR 8802 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,
1994b), que prescreve o método de ensaio para determinar a velocidade de propagação de
ondas longitudinais no interior de um componente de betão armado, determina a seguinte
distinção entre fissura e trinca (indicadas para o betão armado, podendo também ser
utilizadas para alvenarias):
· Fissura é a ruptura ocorrida no material sob acções mecânicas ou físico-químicas com
até 0,5 mm de abertura;
· Trinca é a ruptura ocorrida acima de 0,5 mm.
As fissuras podem ser classificadas segundo diferentes critérios: a abertura, a actividade, a
forma, a causa, a direcção, as tensões envolvidas, o tipo, entre outras. Consideram-se fissuras,
que podem provocar patologias, aquelas que são visíveis a olho nu, quando observadas a uma
distância maior que um metro, ou aquelas que, independentemente da sua abertura, estejam
provocando penetração de humidade para dentro das edificações (CEOTTO et al., 2005).

26
Figura 1.6: Presença de fissuras e trinca vertical e na caixa de escada do edifício em estudo.

1.6.7 Gelividade
Verçoza (1985) explica que esta patologia só pode ocorrer se existir penetração da água na
alvenaria.
Com base no comportamento da água e em suas características físicas, sabemos que no
ambiente ela congela a 0º, mas dentro de capilares, esta pode estar congelada a 6ºC,
temperatura que podemos ter no período de inverno, provocando, desta forma, o
congelamento da água, que desloca as camadas mais extensas, desagregando paulatinamente
o material. Então a superfície dos tijolos começa a se desgastar, parecendo lixada, e
geralmente toma a forma convexa. No entanto, não havendo a penetração da água, não haverá
gelividade.
Entretanto, muitas dessas patologias seriam evitadas se os edifícios fossem impermeáveis a
acção da humidade que é um dos principais factores de desgaste e depreciação dos edifícios.
Porém, para combater este mal que afecta a maior parte dos edifícios que neste caso são as
patologias decorrentes da humidade foram criados sistemas de impermeabilização para criar
maior poder de protecção e também para permitir que os edifícios atinjam o tempo de vida
útil para os quais foram concebidos e proporcionar maior conforto aos usuários.

27
1.7 Soluções de impermeabilização

1.7.1 Introdução
Na verdade, a impermeabilização é um processo que deve ser empregue em todas as
construções, no acto da sua execução, embora muitos dos edifícios existentes na Cidade da
Beira, tanto antigos como recentes, não apresentam tratamentos de impermeabilização contra
as várias patologias ou apresentam uma má aplicação deste produto, provocando mais tarde
problemas de habitabilidade, além de prejuízos ligados a funcionalidade do edifício e
degradação dos materiais constituintes. O tipo de material a utilizar para a impermeabilização
de cada edifício deve variar dependendo da superfície a aplicar, condições de ambiente,
durabilidade, aplicação e garantia. No entanto, estes aspectos devem tomar-se em conta de
modo a permitir a escolha de um material adequado e obtenção de resultados satisfatórios.

1.7.2 Conceito de Impermeabilização


Segundo a NBR 9575/2003, impermeabilização é o produto resultante de um conjunto de
componentes e serviços que objectivam proteger as construções contra a acção deletéria de
fluidos, de vapores e da humidade.
Picchi (1986), afirma que a impermeabilização é considerada um serviço especializado dentro
da construção civil, sendo um sector que exige uma razoável experiência, no qual detalhes
assumem um papel importante e onde a mínima falha, mesmo localizada, pode comprometer
todo o serviço.
A impermeabilização é de fundamental importância na durabilidade das construções, poís os
agentes trazidos pela água e os poluentes existentes no ar causam danos irreversíveis a
estrutura e prejuízos financeiros difíceis de serem contornados, e também é factor
importantíssimo para a segurança da edificação e para a integridade física do usuário, pois
torna os ambientes salubres e mais adequados à prevenção de doenças respiratórias.
Porém deve-se sempre procurar conhecer todos os parâmetros técnicos e acções físicas e
químicas envolvidas no processo para a escolha adequada do sistema impermeabilizante.
Em relação ao custo da implantação da impermeabilização em uma edificação, conforme se
observa na figura 1.7, este representa em torno de 1 a 3% do custo total da obra.

28
Figura 1.7: Percentagem de investimentos nas edificações, (VEDACIT, 2009, p.6)

Portanto, existem sobre a impermeabilização outros materiais complementares, como


argamassa e pisos cerâmicos, caso ocorra uma falha na impermeabilização, acaba-se por
perder todos os materiais complementares cujos custos superam, e muito, o custo original,
sem se considerar os custos de recuperação estrutural.
O rigoroso controlo da execução da impermeabilização é fundamental para seu desempenho
e, esta fiscalização deve ser feita não somente pela empresa aplicadora, mas também pelo
responsável da obra.
Executar a impermeabilização durante a obra é mais fácil e económico do que depois da obra
concluída, quando surgirem os inevitáveis problemas com a humidade, os quais tornam os
ambientes insalubres e com aspecto desagradável, apresentando eflorescências, manchas,
bolores, oxidação das armaduras e outros.
O custo para executar uma impermeabilização é menor quando está previsto em projecto,
conforme demonstrado na figura 1.8. Quanto maior o atraso para o planeamento e execução
do processo de impermeabilização mais oneroso o mesmo ficará, chegando a custar até 15
vezes mais, quando o mesmo é executado depois que o problema surgir e o usuário final
estiver habitando o imóvel.

29
Figura 1.8: Custo da impermeabilização X Quando é executado
(Adaptado de ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO, 2005).

A vida útil de uma construção é diretamente influenciada pela presença dos sistemas de
impermeabilização, que protegem as alvenarias como também as estruturas contra a acção
nociva da água. Eles cumprem a função de formar uma barreira física que contém a
propagação da humidade e evitam infiltrações. Consequentemente, previnem também o
aparecimento de manchas de bolor, surgimento de goteiras e corrosão de armaduras.

1.7.3 Sistemas impermeabilizantes


A principal função dos sistemas de impermeabilização, que se tornam cada vez mais
importantes é o de proteger as edificações dos malefícios de infiltrações, eflorescências e
vazamentos causados pela água.
Para o sucesso da impermeabilização em uma edificação, Cruz (2003) sugere três etapas
principais a serem obedecidas: a primeira etapa refere-se a acções anteriores a
impermeabilização, como a preparação da regularização e dos caimentos, bem como
cuidados com detalhes construtivos, a segunda etapa que é o processo de impermeabilização
propriamente dito, e as etapas posteriores, tais como isolamento térmico, quando
especificado, e protecção mecânica, quando necessária.

30
Qualquer parte de uma obra que se destine a receber uma impermeabilização deve receber
cuidados especiais para o sucesso da mesma, a preparação da superfície é muito importante
para o êxito da impermeabilização.

1.7.3.1 Tipos de sistemas impermeabilizantes


Para uma melhor compreensão, a seguir são descritos os diversos tipos de sistemas de
impermeabilização que podem ser empregues na execução da obra, modo de execução e seus
empregos.
Dinis (1997 apud Moraes, 2002) declara que os sistemas de impermeabilização existentes
possuem diferenças de concepção, princípio de funcionamento, materiais e técnicas de
aplicação entre outros. Estas variações servem de base para diversas classificações, que
podem auxiliar na compreensão e comparação dos sistemas existentes no mercado.
Segundo a NBR 9575/2003, os sistemas impermeabilizantes podem ser divididos em rígidos
e flexíveis, que estão relacionados as partes construtivas sujeitas ou não a fissuração.
Quanto a aderência ao substrato, os sistemas de impermeabilização, segundo Moraes (2002)
podem ser classificados como:
· Aderido: Quando o material impermeabilizante é totalmente fixado ao substrato, seja
por fusão do próprio material ou por colagem com adesivos, asfalto quente ou
maçarico.
· Semi-aderido: Quando a aderência é parcial e localizada em alguns pontos.
· Flutuante: Quando a impermeabilização é totalmente desligada do substrato e
utilizada em estruturas de grande deformabilidade.

1.7.3.2 Impermeabilização Rígida


A NBR 9575/2003 denomina impermeabilização rígida como o conjunto de materiais ou
produtos aplicáveis nas partes construtivas não sujeita a fissuração. Os impermeabilizantes
rígidos não trabalham junto com a estrutura, o que leva a exclusão de áreas expostas a
grandes variações de temperatura.

1.7.3.2.1 Argamassa impermeável com aditivo hidrófugo


Aditivos hidrófugos são aditivos impermeabilizantes de pega normal, reagindo com o
cimento durante o processo de hidratação. São compostos de sais metálicos e silicatos
(DENVER, 2008).

31
Os aditivos hidrófugos proporcionam a redução da permeabilidade e absorção capilar, através
do preenchimento de vazios nos capilares, na pasta de cimento hidratado, tornando o betão e
a argamassa impermeável a penetração de água e humidade. (SIKA, 2008)
Cunha e Neumann (1979) afirmam que o aditivo hidrófugo é aplicado em argamassas de
revestimento utilizadas para impermeabilizações de elementos que não estejam sujeitos a
movimentações estruturais, que ocasionariam a formação de trincas e fissuras.
Esse sistema não é indicado para locais com exposição ao sol que possa ocorrer algum tipo de
dilatação no substrato.
O aditivo deve ser dissolvido na água de amassamento a ser utilizada, conforme a figura 1.9.
A aplicação da argamassa aditivada deve ser feita em duas ou três camadas de
aproximadamente 1 cm de espessura, desempenando a última camada, cuidando para não
alisar com desempenadeira de aço ou colher de pedreiro (SIKA, 2008).
A principal vantagem desse sistema é a facilidade de aplicação e desvantagem é que deve ser
aplicado em conjunto com outro sistema impermeabilizante, assim garante-se a
estanqueidade, poís esse sistema é muito susceptível a movimentações dos elementos.

Figura 1.9: Preparação da argamassa com o aditivo hidrófugo


(VIEIRA, 2005, p.76)

1.7.3.2.2 Cristalizantes
Cimentos cristalizantes são impermeabilizantes rígidos, a base de cimentos especiais e
aditivos minerais, que possuem a propriedade de penetração osmótica nos capilares da
estrutura, formando um gel que se cristaliza, incorporando ao betão compostos de cálcio
estáveis e insolúveis (DENVER, 2008).
Existem dois tipos de cristalizantes, no primeiro tipo, os cimentos cristalizantes, segundo
Silveira (2001) são materiais aplicados sob a forma de pintura sobre superfícies de betão,
argamassa ou alvenaria, previamente saturadas com água.

32
A figura 1.10 mostra esse tipo de aplicação, no caso aplicado com uma trincha, directo na
alvenaria, mas pode também ser aplicado sobre o revestimento argamassado.
O segundo tipo são os cristalizantes líquidos a base de silicatos e resinas que injectados e, por
efeito de cristalização, preenchem a porosidade das alvenarias de tijolos maciços, bloqueando
a humidade ascendente (VIAPOL, 2008).

+
Figura 1.10: Aplicação de cristalizante na forma de pintura
(NAKAMURA, 2006, p. 28)

A figura 1.11 apresenta o modo de aplicação dos agentes cristalizantes. Para a aplicação,
deve-se retirar todo o reboco da área a tratar, desde o piso até a altura de 1m, executam-se
duas linhas de furos intercaladas entre si, sendo a primeira a 10cm do piso e a segunda a
20cm. Os furos devem ser com uma inclinação de 45° e estar saturados com água para a
aplicação do produto. Aplica-se o produto por gravidade, sem necessidade de pressão e, sim
de saturação (ABATTE. 2003).

Figura 1.11: Injecção de cristalizantes em parede com humidade ascendente


(ABATE, 2003, p.52)

A aplicação sugerida pelo fabricante deve ocorrer até atingir o consumo sugerido em ambos
os tipos de cristalizantes. O sistema é utilizado em todas as áreas sujeitas a infiltração por

33
lençol freático e infiltrações de contrapressão, tais como: subsolos, lajes, poços de elevadores,
reservatórios enterrados, caixas de inspecção e outros. (VIAPOL, 2008).
O produto utiliza a própria água da estrutura para se cristalizar, isto elimina a necessidade de
rebaixamento do lençol freático e não altera a potabilidade da água (DENVER, 2008).
A desvantagem do sistema é que se deve tomar cuidado na aplicação do produto e o mesmo é
restrito a algumas situações particulares de infiltrações.

1.7.3.2.3 Cimento impermeabilizante de pega ultra-rápida


Segundo SIKA, (2008) cimento impermeabilizante de pega ultra-rápida é uma solução
aquosa de silicato modificado, que quando misturado com a água e o cimento, torna-se um
produto de alta alcalinidade, designado hidrosilicato, que tem como principais características
ser um cristal insolúvel em água, que preenche os poros da argamassa. Ainda segundo o
mesmo autor este produto é usado como aditivo líquido de pega ultra-rápida em pastas de
cimento. Essa pasta apresenta início de pega entre 10 e 15 segundos e fim entre 20 e 30
segundos, e possui alta aderência e grande poder de tamponamento.
A Denver (2008) indica este produto para tamponamento de infiltrações e jorros de água sob
pressão em subsolos, poços de elevadores, cortinas, galerias e outras estruturas submetidas à
infiltração por lençol freático, sendo uma solução temporária, permitindo que a
impermeabilização definitiva seja efectuada adequadamente.
Para utilização do produto, pontos de infiltração devem ser aprofundados e alargados até
cerca de duas vezes o seu diâmetro. Na sequência misturar uma parte do produto e uma parte
de água e, ao iniciar a pega, formar rapidamente um tampão e comprimir contra a infiltração,
aguardando alguns segundos até o completo endurecimento (SIKA, 2008). A figura 1.12
mostra a sequência de utilização desse produto.

34
Figura 1.12: Cimento impermeabilizante de pega ultra-rápida.
(Adaptado de DENVER, 2008).

1.7.3.2.4 Argamassa polimérica


Silveira (2001), descreve as argamassas poliméricas como materiais compostos por cimentos
especiais e látex de polímeros aplicados sob a forma de pintura sobre o substrato, formando
uma película impermeável, de excelente aderência e que garante a impermeabilização para
pressões de água positivas e ou negativas.
Segundo Viapol (2008), trata-se de uma argamassa de cimento modificada com polímeros,
bicomponente, a base de cimento, agregados minerais, inertes, polímeros acrílicos e aditivos.
Sayegh (2001) complementa que o produto resiste a pressões positivas e negativas e
acompanha de maneira satisfatória, pequenas movimentações das estruturas, e que a
impermeabilização decorre da formação de um filme de polímeros que impede a passagem da
água e da granulometria fechada dos agregados contidos na porção cimentícia.
Entre as suas principais características, destacam-se a resistência a pressões hidrostáticas
positivas, fácil aplicação, não altera a potabilidade da água, é uma barreira contra sulfatos e
cloretos, uniformiza e sela o substrato, reduzindo o consumo de tinta de pinturas externas
(VIAPOL, 2008).
A argamassa polimérica pode ser aplicada na forma de pintura com trincha ou brocha
(figura 1.13), ou ser aplicado na forma de revestimento final com desempenadeira (figura
1.14), nesse caso requer uma diminuição da quantidade de componente liquido da mistura
(SAYEGH, 2001).

35
O produto pode ser aplicado sobre superfícies de betão, alvenaria ou argamassa, devendo-se
aplicar a primeira demão do produto sobre o substrato húmido, com o auxílio de uma trincha,
aguardando a completa secagem. Aplicar a segunda demão em sentido cruzado em relação a
primeira, incorporando uma tela industrial de poliéster resinada e aplicar as demãos
subsequentes, aguardando os intervalos de secagem entre demãos até atingir o consumo
necessário. Proceder a cura húmida por no mínimo, três dias (VIAPOL, 2008).

Figura 1.13: Aplicação de argamassa polimérica na forma de pintura.


(SAYEGH, 2001, p. 44)

Figura 1.14: Aplicação de argamassa polimérica na forma de revestimento.


(SAYEGH, 2001, p. 44)

36
1.7.3.3 Impermeabilização Flexível
Impermeabilização flexível compreende o conjunto de materiais ou produtos aplicáveis nas
partes construtivas sujeitas a fissuração e podem ser de dois tipos, moldadas no local e
chamadas de membranas ou pré-fabricadas e chamadas de mantas.
As membranas podem ou não ser estruturadas. Como principais estruturantes podem-se
incluir a tela de poliéster termo estabilizada, o véu de fibra de vidro e o não tecido de
poliéster. O tipo de estruturante é definido conforme as solicitações de cada área e
dimensionamento de projecto. Devem-se aplicar sobre o estruturante outras camadas do
produto, até atingir a espessura ou consumo previsto no projecto.
A principal vantagem das membranas em relação as mantas é que as membranas não
apresentam emendas. Segundo Cichinelli (2004) as membranas exigem um rígido controlo da
espessura e, consequentemente, da quantidade de produto aplicado por metro quadrado,
sendo essa é uma falha que fica difícil de visualizar.

1.7.3.3.1 Membrana de polímero modificado com cimento


Trata-se de um produto flexível indicado para impermeabilização de torres de água e
reservatórios de água potáveis elevados ou apoiados em estrutura de betão armado. Pode
também ter adições de fibras de polipropileno que aumentam sua flexibilidade. O sistema é
formado a base de resinas termoplásticas e cimento aditivado, resultando numa membrana de
polímero que é modificada com cimento (VIAPOL, 2008).
Entre as suas características destacam-se a resistência a pressões hidrostáticas positivas. É de
fácil aplicação, não altera a potabilidade da água, sendo atóxico e inodoro (DENVER, 2008).
É aplicado sobre superfícies de betão ou argamassa, deve-se preparar a mistura
mecanicamente até atingir a consistência de uma pasta cremosa, lisa e homogénea. A seguir,
aplicar a primeira demão do produto sobre o substrato húmido, com o auxílio de uma trincha,
aguardando a completa secagem e a segunda demão em sentido cruzado em relação a
primeira, incorporando uma tela industrial de poliéster resinada. Aplicar as demãos
subsequentes, aguardando os intervalos de secagem entre demãos até atingir o consumo
recomendado. Proceder a cura húmida, por no mínimo três dias (VIAPOL, 2008).

1.7.3.3.2 Membranas asfálticas


São membranas que usam como materiais impermeabilizantes produtos derivados do CAP
(Cimento Asfáltico de Petróleo).

37
Podem ser aplicados a frio, como se fosse uma pintura, com trincha, rolo ou escova. Na
primeira demão, aplicar o produto sobre o substrato seco e, na segunda demão em sentido
cruzado em relação a primeira e, a seguir, aplicar as demãos subsequentes, aguardando os
intervalos de secagem entre demãos até atingir o consumo recomendado. A figura 1.15
mostra a aplicação a frio de uma membrana asfáltica com rolo de pintura.

Figura 1.15: Execução de membrana de asfalto a frio.


(LWART, 2009, p. 6).

Para serem aplicadas a quente (figura 1.16), as membranas asfálticas requerem mão-de-obra
especializada, pois é necessário o uso de caldeira.
Segundo Moraes (2002) em áreas de pouca ventilação deve-se tomar cuidado na utilização de
produtos a quente porque possuem restrições, tanto na manipulação quanto ao risco de fogo.

Figura 1.16: Execução de membrana de asfalto a quente.


(LWART, 2009, p. 32).

Estas membranas têm uso adequado em vigas e fundações de betão armado, além de serem
empregues como bloqueador de humidade quando aplicado em contra pisos que irão receber
pisos de madeira, primer para mantas asfálticas (DENVER, 2008).

38
Sabbatini (2006) cita que as membranas asfálticas podem ser divididas em relação ao tipo de
asfalto utilizado e apresentam-se três tipos mais utilizados:
· Emulsão asfáltica: É um produto resultante da dispersão de asfalto em água, através
de agentes emulsificantes. São produtos baratos e de fácil aplicação para áreas e
superfícies onde não haverá empoçamento ou retenção de água. É aplicado a frio e
geralmente sem a adição de estruturantes.
· Asfalto oxidado: É um produto obtido pela modificação do cimento asfáltico de
petróleo, que se funde gradualmente pelo calor, de modo a se obter determinadas
características físico-químicas. É executado devidamente estruturado, e é aplicado a
quente.
· Asfalto modificado com adição de polímero elastomérico: É um produto obtido pela
adição de polímeros elastoméricos, no cimento asfáltico de petróleo em temperatura
adequada. É executado devidamente estruturado, pode ser aplicado tanto a quente
quanto frio.

1.7.3.3.3 Membrana acrílica


É um impermeabilizante formulado a base de resinas acrílicas dispersas, sendo indicados para
impermeabilização exposta de lajes de cobertura, marquises, telhados, pré-fabricados e
outros, (DENVER, 2008).

Figura 1.17: Execução de membrana acrílica


(SABBATINI, 2006, p.3).

Para actuar como camada primária, recomenda-se iniciar o sistema impermeabilizante


aplicando sobre a superfície húmida duas demãos de argamassa polimérica em sentidos
cruzados, este procedimento visa uma melhoria na aderência e no consumo (DENVER,

39
2008). É aplicado em demãos cruzadas, colocando uma tela industrial de poliéster como
reforço após a 1ª demão. Aplicar as demãos subsequentes, aguardando os intervalos de
secagem entre demãos até atingir o consumo recomendado (figura 1.17).
A principal vantagem desse sistema é que não necessita de uma camada de protecção
mecânica sobre a membrana, somente será necessário se o uso da laje for de tráfego muito
intenso de pessoas ou existir tráfego de automóveis. A desvantagem é que, por não ter
camada de protecção mecânica, necessita de reaplicação do produto periodicamente.

1.7.3.3.4 Mantas asfálticas


Consideradas membranas asfálticas pré-fabricadas, as mantas asfálticas são feitas a base de
asfaltos modificados com polímeros e armados com estruturantes especiais, sendo que seu
desempenho depende da composição desses dois componentes. O asfalto modificado presente
na composição da manta é o responsável pela impermeabilização.
As principais vantagens das mantas asfálticas, segundo Mello (2005), são:
· Espessura constante;
· Fácil controlo e fiscalização;
· Aplicação do sistema de uma única vez;
· Menor tempo de aplicação;
· Não é necessário aguardar a secagem.
O método de aplicação deste produto inicia-se com uma demão de primer sobre a superfície
regularizada e seca, aguardando sua secagem. A figura 1.18 mostra um terraço com aplicação
de primer para posterior aplicação da manta. Pode-se notar que também, neste caso, foi
executado o rodapé com mantas asfálticas.

Figura 1.18: Imprimação da superfície, (Righi, 2009).

40
CAPITULO II: ESTUDO DE CASO

2.1 Introdução
No presente capítulo é apresentado a descrição geral do edifício em estudo, onde se faz
referência ao diagnóstico das patologias em alvenarias do edifício caso de estudo, onde
através deste procura-se solucionar os problemas encontrados com recurso a soluções de
impermeabilização usados a nível nacional e internacional.
Entretanto, a Cidade da Beira é constituída por um grande número de edifícios, onde a maior
parte deles foram construídos pelo regime colonial e outros no período pós-independência.
Assim, ao longo dos anos todos estes edifícios tanto antigos como os recentes foram sofrendo
a acção do tempo, e os seus elementos construtivos foram afectados por uma variedade de
agentes externos, como fungos, a própria atmosfera reactiva, mudanças climáticas, até
mesmo a acção do homem, associado sobretudo, a soluções inadequadas de projecto,
especificação e uso incorrecto dos materiais de construção, falta de controlo da qualidade dos
materiais, negligência na execução e falta de manutenção, contribuindo para o surgimento de
diversas patologias. Entretanto, muitas dessas patologias seriam evitadas se os edifícios
fossem impermeáveis a acção da humidade que é um dos principais factores de desgaste e
depreciação das construções.
Assim, para fazer o estudo de caso foi analisado o edifício que se localiza na Rua Ernesto de
Vilhena, no 5° Bairro dos Pioneiros, na Cidade da Beira, apresentando várias patologias na
área externa e tantas outras na área interna e para a solução das tais patologias aplicar-se-á
métodos e técnicas adequados de impermeabilização existentes no mercado, de fácil
aplicação e alta qualidade, usados a nível nacional e internacional.

2.2 Descrição Geral do edifício


O edifício em estudo localiza-se na capital provincial de Sofala “Cidade da Beira”,
concretamente no 5° bairro dos Pioneiros, na Rua Ernesto de Vilhena.
Trata-se de um edifício de 3 andares e 4 Pisos, constituído por 3 blocos, e distribuído
horizontalmente em 2 apartamentos por piso, exceptuando somente o bloco do meio que é
constituído por 1 apartamento por piso.
Cada apartamento é constituído por:
· 3 Quartos;
· 1 Sala comum;
· 1 Cozinha;

41
· 1 Wc;
· 2 Varandas (frente-trás).

No edifício em estudo a solução de cobertura é mista, isto é, apresenta um terraço (laje de


betão armado), porém não acessível e outra parte da cobertura é de chapas de fibrocimento, e
sendo que não apresenta nenhuma solução de impermeabilização. O sistema estrutural é com
base em estruturas de betão armado (vigas, pilares e lajes maciças).

2.3 Síntese da evolução histórico- arquitectónica do edifício


Todas as informações a cerca do histórico do edifício foram obtidas verbalmente através de
entrevistas com alguns moradores. De acordo com estes, a edificação foi construída na época
colonial, no período antes da independência com fins habitacionais e nunca teve outra função
para além daquela para o qual foi concebido.
A edificação possui quatro pisos, construída sobre uma área total de 462,32 m². Sua estrutura
é composta por pilares, vigas e lajes de betão armado moldado “in situ” e a alvenaria foi feita
com (blocos cerâmicos furados). O prédio possui aproximadamente 51 anos, não foi possível
obter nenhum projecto seja ele arquitectónico ou estrutural.
.
Avaliação Arquitectónica e Construtiva do Edifício.
Endereço do imóvel: Rua: Ernesto de Vilhena, Bairro dos Pioneiros-Beira
Dados Gerais
Actual: Residencial colectivo
Uso Original: Residencial colectivo
Ano: 1965
Época de construção Século: XX
Arquitectónica: Antiga
Tipologia Residencial: Tipo 3
Superfície construída: 462,32m
Distribuição espacial Total de locais: 28 apartamentos
Número de andares: 3andares e 4pisos
Ocupantes 60 Ocupantes
Tabela 2.1: Descrição geral do imóvel

42
2.4 Apresentação dos procedimentos utilizados
Foram utilizados textos de apoio fornecidos durante as aulas e consultas de algumas
bibliografias, assim como entrevista a alguns utentes do prédio conforme especificado
abaixo, para realização da análise das manifestações patológicas do edifício.

2.5 Inspecção preliminar


Inicialmente foi realizada uma entrevista aos moradores objectivando realizar um
levantamento da história do edifício, das manifestações patológicas, bem como da realização
de algum tipo de manutenção e intervenção. Procurou-se realizar um levantamento do
projecto arquitectónico da edificação, a qual não foi encontrado.
Na inspecção preliminar procurou-se identificar a natureza e possíveis causas das
manifestações patológicas, incluindo actividades tais como: exame visual de toda a
edificação, registo por meio de fotografias de todos os sintomas visuais (manchas de
humidade, fissuras, desagregação, vegetação parasítica, desprendimento de revestimentos e
recobrimentos, etc.).

2.6 Diagnóstico
É através da etapa do diagnóstico que todo dado colectado na inspecção preliminar deve ser
interpretado no sentido de compor progressivamente um quadro de entendimento das
prováveis causa-efeito, origens e mecanismos das patologias, obtendo desta forma, o
diagnóstico do problema.
O diagnóstico foi elaborado em forma de relatório detalhado com a descrição dos problemas
encontrados e alternativa de recuperação. Contudo o diagnóstico exprime a relação causa-
efeito.

2.7 Diagnostico das patologias em alvenarias do caso de estudo


Entretanto, verificou-se que o edifício vem sendo explorado por longo tempo sem uma
actividade rotineira de manutenção, o que levou a desenvolver enumeras patologias que se
fazem presentes, deixando o edifício vulnerável as agressões do meio ambiente assim como
do sistema eléctrico, sistema de esgoto e de abastecimento de água.
Porém, após o levantamento dos problemas patológicos, constatou-se que este edifício
apresenta uma série de anomalias sobre as alvenarias, facto esse que levou ao estudo do
edifício.
43
2.8 Principais patologias detectadas sobre a alvenaria
As deteriorações mais notáveis são:
No exterior do edifício:
· Manchas pretas e esverdeadas ao longo das fachadas do edifício;
· Perda de pintura;
· Fissuras, trincas, rachaduras, desprendimento do revestimento, manchas de humidade,
entre outras;
· Aparecimento de vegetação parasita em algumas partes do edifício.

No interior do edifício:
· Descasque de pintura;
· Manchas de humidade;
· Eflorescências;

2.8.1 No exterior do Edifício:


As paredes exteriores da edificação em estudo são constituídas de tijolos cerâmicos furados,
revestidos com uma espessura de reboco de aproximadamente 2cm.
Contudo o elemento que mais provoca alterações e falhas sobre estrutura de alvenaria é a
água, seja do seu ponto de vista químico, por sua grande capacidade de dissolver substâncias
e participar de reacções com componentes, e fisicamente, por ser um veículo que transporta
corpos. Nos estudos feitos verificou-se que existem diversas maneiras de incidências da
humidade nestas fachadas, como pode se notar: chuva, infiltrações entre outras.

44
2.8.1.1 Manchas de humidade, perda da pintura e desprendimento do reboco

Figura 2.1: Fachada Posterior Figura 2.2: Fachada Posterior

Figura 2.3: Fachada frontal Figura 2.4:.Fachada frontal

2.8.1.1.1 Manifestações patológicas mais frequentes:


· Manchas de humidade;
· A perda da pintura e manchas negras principalmente nas zonas em que foram
instalados os sistemas de esgotos que pelo vazamento destes por encontrarem-se num
avançado estado de degradação provocam embolorecimento (bolor) nestas paredes;
· Desprendimento do reboco.

45
2.8.1.1.2 Diagnóstico das possíveis causas:
· A presença de humidade pode ser constatada em praticamente toda a superfície das
paredes como ilustram as figuras (2.1, 2.2, 2.3 e 2.4), e a provável causa seria a
infiltração proveniente da água das chuvas que por não encontrarem um ponto de
escoamento, ou por encontrarem as caleiras obstruídas vão escorrendo pelas paredes
do edifício e também associado ao facto de o reboco que com o andar do tempo e pela
falta de manutenção vai tornando-se poroso, retendo a água que escorre ao longo da
superfície e este não encontrado uma boa impermeabilização vai tirando a estética do
edifício;
· Originados na maioria dos casos pela má selecção da tinta, que não foi adequado as
condições atmosféricas do meio em que se encontra o edifício, não descartando a
possibilidade da falta de manutenção do mesmo ter contribuindo para o estado actual
do edifício;
· Podem também em algum momento ser origem da má preparação do substrato que
recebeu a tinta.

2.8.1.2 Fissuras verticais, horizontais, inclinadas, de variadas direcções

Figura 2.5: Fachada lateral direito Figura 2.6: Fachada lateral esquerdo

46
Figura 2.7: Fachada lateral direito

A humidade proveniente da água da chuva torna fácil o acúmulo de poeira (detritos) na


caleira existente nos pontos de união que por sua vez facilita o afloramento de vegetação
parasita.
Porém, dentre as lesões que aparecem na fachada apresentada nas figuras (2.5, 2.6 e 2.7),
destacam-se mais as fissuras, onde pode-se notar a partir da figura acima, onde elas se
apresentam em várias direcções e com orientação predominantemente horizontais que
ocorrem geralmente em correspondência com o traço das juntas de assentamento dos tijolos
das paredes.
Também verifica-se a presença de fissuras em forma de mapa geográfico e que não penetram
até a base. Estas fissuras se manifestam na parte inferior das paredes, próximo das juntas de
dilatação ou compressão.

2.8.1.2.1 Manifestações patológicas mais frequentes:


· Fissuras (verticais, horizontais, inclinadas e de variadas direcções);
· Desgaste da pintura, degradação do aspecto e manchas de sujeira;
· Vegetação parasita.

47
2.8.1.2.2 Diagnóstico das possíveis causas:
· Humidade proveniente da fuga de água da tubagem de abastecimento e de águas
pluviais em alguns pontos da fachada lateral associada ao acúmulo de poeira vai
permitindo o crescimento da vegetação parasita sobre aquela área;
· Deficiente sistema de manutenção da pintura do edifício;
· A retracção por dissecação hidráulica (argamassa muito rica em cimento, água ou
elementos finos) que culmina com a perda de água causada pela aplicação do
revestimento em condições atmosféricas desfavoráveis (vento, sol em excesso).
· A água da chuva ajudada pelo vento e pela obstrução das caleiras encontra facilidade
nas fissuras já existente por retracção, e no processo de infiltração vai lavando o
morteiro, erodindo a camada impermeabilizante (revestimento) e os componentes da
argamassa aumentando desta forma a abertura.

2.8.1.3 Manchas de humidade, eflorescência e presença de bolor sobre a parede.

Figura 2.8: Manchas de humidade e presença de bolor sobre a parede.

48
As patologias que podem ser observadas nas figuras acima (figura 2.8), podem ser devidas as
condições de atmosfera, esta tem uma acção directa sobre a fachada. Dentre as lesões que
aparecem na fachada apresentada (2.8), destacam-se mais as manchas de humidade neste caso
manchas de cor verde e preta e embolorecimento.

2.8.1.3.1 Manifestações patológicas mais frequentes


· Manchas de humidade;
· Eflorescências (a aproximadamente 50cm do terreno) na parede da fachada posterior
do edifício;
· Presença de bolor.

2.8.1.3.2 Diagnóstico das possíveis causas:


Uma das causas dessas patologias, é a água retida sobre o solo proveniente das tubagens de
descargas de águas negras que pela falta de manutenção e encontrarem-se em avançado
estado de degradação e também associado ao facto da parede localizar-se num piso mais
abaixo, ela sofre a acção directa da humidade através da absorção lateral e capilaridade.
E também são causadas pela humidade proveniente das torneiras obstruídas que estão
localizadas na parte inferior da fachada como se pode ver na figura 2.8, e a medida que a
água vai escorrendo sobre a parede vai permitindo a danificação desta gerando manchas de
humidade (manchas escuras) e presença de bolor. Porém a água que causa o aparecimento
destas patologias é proveniente não só da obstrução dos tubos da torneira mais também é
oriunda do derramamento por parte dos moradores, como a aquisição da agua é diária faz
com que o pavimento fique sempre inundado, que pela pressão lateral vão erodindo a camada
impermeabilizante (revestimento) propiciando assim a percolação das águas sobre a parede
que dissolvem os sais contidos nela que ao entrarem em contacto com a atmosfera cristalizam
gerando também a eflorescência.

49
2.8.2 No interior do Edifício:

2.8.2.1 Eflorescência e descasque da pintura

Figura 2.9: Manifestação da eflorescência sobre a parede.

Figura 2.10: Descasque da pintura sobre a parede

50
Figura 2.11: Descasque da pintura na parte inferior da parede.

2.8.2.2 Manifestações patológicas mais frequentes:


· Descasque da pintura;
· Eflorescência sobre a parede;
· Manchas de humidade.

2.8.2.3 Possíveis causas:


A causa directa das patologias observadas na figura 2.9 é devido a humidade proveniente
durante o processo da utilização do próprio quarto de banho pelos utentes do edifício, por
tratar-se de um compartimento que não tem uma boa abertura para a ventilação, faz com que
a água condensa-se sobre a parede, permitindo a formação de sais que manifestam-se na
superfície da parede através de manchas brancas. Entretanto sobre as figuras 2.10 e 2.11
também observa-se a formação de eflorescências e o consequente descasque da pintura, e as
possíveis causas destas deteriorações são devidas ao facto desta parede ser o elo de separação
entre a cozinha e o quarto e por consequente encontram-se instalados tubos de canalização de
água que já estão obstruídos permitindo a ascensão da água que ao encontrar sais solúveis
sobre os tijolos associado com a ausência de impermeabilização imigra para outra superfície
permitindo a formação de manchas e o descasque da pintura.

51
2.9 POSSÍVEIS SOLUÇÕES DAS DETERIORAÇÕES
Depois de feito o diagnóstico para se saber a origem das patologias encontradas no edifício
em estudo, a seguir se descreverão as soluções de impermeabilização com vista a eliminar as
causas e a encontrar meios de tratamento de modo a estancar o mal.

2.9.1 No exterior do edifício

2.9.1.1 Fissuras verticais, horizontais, inclinadas, e de variadas direcções


Em relação as patologias observadas nas fachadas laterais, como forma de solucionar os
problemas existentes usar-se-á os seguintes mecanismos:
· Em primeiro lugar deve-se eliminar as suas causas através da troca de todas as
caleiras de águas pluviais e de todos tubos de canalização de água potável que se
encontram obstruídos que fazem com que a água escorra sobre a superfície;
· Como a fachada apresenta um reboco e uma pintura antiga elas devem ser lixadas até
remover toda a pintura existente devendo-se efectuar através dos seguintes
procedimentos:
1° passo: saturar a superfície com água limpa;
2° passo: escovar a superfície com escova de aço e solução de água sanitária (4% a
6% de cloro activo);
3° passo: enxaguar com água limpa em abundância;
4° passo: aguardar a completa secagem da superfície por 3 dias no mínimo (25°C);
· De seguida como forma de selar as fissuras existentes a solução passa pela
impermeabilização com a micro-argamassa adequada (armada) SikaTop® Seal-107 e
após a secagem desta efectuar a pintura com 1 ou 2 demãos de membrana elástica-
Sikagard®-550 W elastic conforme a cor.

2.9.1.2 Manchas de humidade, eflorescência e presença de bolor sobre a parede


Como forma de solucionar esta patologia, de princípio deve-se fazer a substituição de todas
tubagens de águas negras que se encontram obstruídas, por serem o principal foco da
humidade sobre a parede, ou criar um dreno próximo a cimentação para afastar a água da
mesma. Depois de solucionada a causa do problema deve-se remover a patologia existente.
No caso das eflorescências as manchas devem ser retiradas lavando o local com produtos
especiais recomendados para esse tipo de problema ou com solução ácida (uma solução de
10% de ácido clorídrico).

52
De seguida deve-se usar argamassa impermeável com aditivo hidrófugo como forma de
impermeabilizar a parede, com vista a saturar a parte inferior da parede a fim de criar uma
barreira contra a humidade ascendente.
Como forma de preparar o produto, o aditivo deve ser dissolvido na água de amassamento a
ser utilizada. A aplicação da argamassa aditivada deve ser feita em duas ou três camadas de
aproximadamente 1 cm de espessura, desempenando a última camada.

2.9.1.3 Perda da pintura e desprendimento do reboco


Das patologias observadas nas fachadas frontal e posterior, como forma de solucionar deve-
se em primeiro lugar mitigar a causa destes que é a infiltração proveniente da água das
chuvas, que passa pela substituição de todas as caleiras que se encontram obstruídas. De
seguida deve-se fazer a preparação de toda a superfície que passa pela:
· Remoção de todo o recobrimento que se encontra degradado com vista a aplicar um
produto de impermeabilização com propriedades hidrófugas;
· Fazer a preparação adequada da superfície com escova de aço de modo a permitir uma
boa aderência entre o substrato e o produto a aplicar;
· Aplicar uma argamassa impermeável sobre o reboco com vista a estancar a infiltração
da humidade sobre a superfície;
· No final fazer a pintura da superfície aplicando cristalizantes, que é um produto
impermeabilizante que tem a propriedade de preencher a porosidade sobre a
argamassa.

2.9.2 No interior do edifício

2.9.2.1 Descasque da pintura, eflorescência e manchas de humidade


Das patologias observadas sobre o interior do edifício, como forma de solucionar em
primeiro lugar passa-se por eliminar a causa desses problemas de modo a evitar que os
mesmos venham a se alastrar a outras áreas do edifício. Como é o caso das anomalias
observadas nas figuras 2.10 e 2.11 deve-se fazer um trabalho a nível da canalização através
da substituição de todos os tubos de canalização que fazem a ligação directa com a parede.
Eliminada a causa, deve-se garantir uma boa impermeabilização da parede, e para isso deve-
se remover toda a tinta solta, limpar a base e remover as manchas através da aplicação do
Sikagard® 715 W de modo a impermeabilizar as paredes com 2 demãos da micro-argamassa

53
de impermeabilização em 2 componentes SikaTop® Seal-107. E sobre as anomalias
observadas na figura 2.9, no primeiro caso deve-se melhorar a ventilação sobre o
compartimento isto é, nos tempos mais frios deve-se deixar entrar e circular ar fresco, isto
porque este ar é mais seco e menos rico em vapor de água, substituindo assim o ar mais
condensado por ar mais seco. E também visto que esse local não apresenta janelas para
permitir o arejamento, deve-se optar em instalar ventiladores sobre as paredes com vista a
permitir a circulação do ar fresco. E por conseguinte proceder a impermeabilização da parede
com recurso a micro-argamassa de impermeabilização em 2 componentes SikaTop® Seal-
107.

54
Conclusão
Depois de efectuada a revisão bibliográfica dos conceitos que sustentam o objecto de estudo e
de sucessivas análises ao edifício foi possível verificar que o mesmo está repleto de
manifestações patológicas, muitos dos quais associados a falta de impermeabilização e de
manutenção do próprio edifício, facto esse que pode ser notada através da perda de pintura,
desprendimento do reboco, aparecimento de manchas, da obstrução dos tubos de canalização
de água potável, caleiras de escoamento de águas pluviais e tubagens de descargas de águas
negras. Entretanto, verificou-se que estas mesmas patologias seriam evitadas ou minimizadas
se depois da concessão do edifício houvesse um plano de manutenção periódica pelos
próprios usuários.
Porém, a edificação em estudo ao longo dos seus 51 anos, nitidamente não incluiu na sua
história adequadas manutenções a fim de prevenir os sintomas existentes e garantir o
prolongamento da sua vida útil. As únicas tentativas de reparar a estrutura foram feitas de
forma leiga, procurando apenas acabar com o desconforto visual.
No entanto, como forma de resgatar e trazer a estética do edifício de estudo, procurou-se em
primeiro lugar reunir informações a cerca dos diferentes sistemas de impermeabilização
existentes no mercado e fez-se um diagnóstico detalhado de cada patologia, onde procurou-se
eliminar a causa e de acordo com as condições de ambiente e grau de manifestação de cada
lesão escolheu-se uma solução de impermeabilização com vista a mitigar a sua aparição.
Como pode ser visto, a água foi o elemento responsável por maior parte das incidências
observadas, o que leva a perceber que uma impermeabilização bem executada influencia
bastante na durabilidade e qualidade da estrutura, pois isto diminuiria consideravelmente a
quantidade de falhas no local, facto bastante observado na edificação. Até hoje, na verdade,
não dão tanta importância a impermeabilização como deveriam, mesmo havendo inúmeras
pesquisas e estudos, que demonstram constantemente que reparos feitos durante a execução
da obra evitariam futuramente um gasto excessivo com manutenção, facto esse que pode ser
evidenciado no edifício em estudo.
Entretanto durante o diagnóstico percebeu-se que o reboco externo em sua maioria necessita
ser substituído, pois os rebocos antigos apesar de serem espessos são muito porosos, o que
facilita muitas vezes a passagem da água pela alvenaria para o interior da edificação trazendo
consigo inúmeros problemas.
Contudo das soluções cá apresentadas são apenas indicativas, não é determinado que este seja
a melhor ou a única solução para o problema a ser tratado, podendo-se optar ainda por outra
variedade de produtos de acordo com cada tipo de patologia diagnosticada.

55
Em suma, apesar das limitações desta monografia como de ensaios não feitos na edificação, é
possível concluir que o prédio está em condições ainda de abrigar pessoas, mais precisa de
uma reparação e uma constante manutenção. No entanto, a partir do que foi observado teve-
se a comprovação de que muitos problemas existem, mas há possibilidade de solução, que
deve ser executada o quanto antes, a fim de se evitar problemas maiores e mais graves
futuramente.

56
Sugestões e recomendações
Porém tem-se a clareza de que esta monografia não se constitui em algo terminado. Dessa
forma deseja-se que esta se constitua em uma experiencia que possa gerar novas pesquisas
sobre este tema, com vista a oferecer uma contribuição mais efectiva para esta área. Diante
do exposto, julga-se oportuno apresentar as seguintes recomendações:
· Deve-se efectuar ensaios inerentes aos elementos de alvenaria, para se saber até que
ponto a edificação foi afectada pelas patologias diagnosticadas;
· Visto que este trabalho focalizou-se no estudo de soluções de impermeabilização em
alvenarias, no estudo de caso, entretanto recomenda-se que nos próximos trabalhos se
façam estudos em outros elementos para se saber o seu nível de degradação;
· Elaborar um plano de manutenção para o edifício caso de estudo.

57
Bibliografia

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60
ANEXOS

61
Anexo I: Especificações técnicas de outras soluções de impermeabilização

Sikagard®-715 W

Sikagard®-715 W é um produto de base aquosa, para remoção de musgos, líquenes e algas.


É utilizado para a remoção total de musgos, líquenes, algas e outras contaminações que
aparecem no interior e no exterior dos edifícios (em telhados, caleiras, pátios, terraços e
varandas, guarda-sóis, paredes, pavimentos, caixilhos de madeira ou de plástico), ou que
podem aparecer também em pedras ornamentais e monumentos, pedras tumulares, etc.

Características e vantagens
· Líquido de base aquosa com excelente capacidade de limpeza quer em bases lisas,
quer em bases porosas.
· Boa capacidade de penetração e elevado poder de dispersão.
· Não contém solventes orgânicos.
· Isento de fosfatos.
· Não liberta vapores nocivos ou irritantes (pode ser aplicado sem risco em interiores).
· Compatível com materiais de construção usuais: tijolo, pedra natural, betão, madeira,
alumínio, aço, plásticos, borracha e superfícies envernizadas.
· Não descolora nem mancha os referidos materiais de construção.

Especificações técnicas
· Aspecto ou Cor: Líquido com tom amarelado, transparente;
· Base química: Base aquosa, contendo surfactantes não iónicos e catiónicos, silicatos e
agentes de aderência;
· Temperatura ambiente Mínima: +5 °C.

Aplicação
Aplicar com trincha, esponja ou pulverização sobre a superfície a limpar. Deixar actuar
durante 5 a 10 minutos e de seguida lavar a superfície para eliminar a contaminação.
Se necessário, para a eliminação completa e persistente de contaminações e resíduos antigos,
deve repetir-se a operação de limpeza.

62
SikaTop® Seal-107
SikaTop® Seal-107 é uma argamassa impermeabilizante, bi-componente, à base de uma
mistura de cimentos, que incorpora polímeros modificados e aditivos especiais.
SikaTop® Seal-107 cumpre os requisitos da norma NP EN 1504-2 como revestimento de
protecção para betão.

Utilização
SikaTop® Seal 107 pode utilizar-se em:
· Impermeabilização no exterior e interior de estruturas de betão, argamassas de
cimento, alvenaria de tijolo e blocos de betão;
· Impermeabilização rígida de caves ou paredes enterradas em construção nova ou
Reabilitação;
· Selagem de poros;
· Impermeabilização de depósitos de água potável;
· Adequado para controlo da humidade.

Características e vantagens
· Fácil de aplicar com brocha ou com talocha;
· Não requer adição de água;
· Componentes pré-doseados;
· Aplicação manual ou por projecção mecânica;
· Mistura e aplicação fáceis;
· Excelente aderência sobre bases sãs;
· Impermeável à água, permeável ao vapor de água;
· Não é corrosivo, nem inflamável, nem tóxico;
· Repintável;
· Aprovado para contacto com água potável.

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Sikagard®-550 W Elastic
SikagardR-550 W Elastic é um revestimento de protecção plasto-elástico, monocomponente,
a base de uma dispersão acrílica de cura.
Possui excelente capacidade de recobrir fissuras mesmo a temperaturas negativas.
SikagardR-550 W Elastic cumpre os requisitos da norma NP EN 1504-2 como revestimento
de protecção.

Utilização
SikagardR-550 W Elastic é utilizado para protecção e decoração de estruturas de betão
(incluindo betão leve) e reboco, alvenarias, especialmente superfícies exteriores expostas e
sujeitas a fissuração.
SikagardR-550 W Elastic é utilizado em trabalhos de reabilitação, como revestimento elástico
de protecção sobre barramentos, fibrocimento e revestimento de anteriores peliculas bem
aderentes.

Características e vantagens
· Ponte elástica de fissuras, mesmo a baixas temperaturas (-20 °C);
· Elevada resistência a difusão de CO , reduzindo o risco de carbonatação;
· Permeável ao vapor de água;
· Apresenta boa resistência a intempérie e ao envelhecimento;
· “Amigo do ambiente”. Não contém solventes;
· Pouco susceptível de fixar sujidade e poeiras.

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Anexo II: Entrevista exploratória aos moradores do edifício

Nome______________________________________________________________________
Data____/____/_____

Objectivo da entrevista
Efectuar um primeiro contacto com os moradores do edifício, visando obter informações
acerca de eventuais reabilitações sobre o mesmo desde a sua existência, e também ter
informações sobre a influência de cada patologia no desempenho funcional e estrutural do
edifício.

Responda com clareza e sinceridade, pois a sua colaboração é fundamental para o


sucesso desta pesquisa e a concretização do trabalho. Visto que o entrevistado será
mantido em anonimato. Agradecemos a sua colaboração.
Perguntas:
1. O edifício desde a sua existência já sofreu algum tipo de remodelação, seja ela parcial
ou total?
R:______________________________________________________________________

2. Se sim, envolveu mão-de-obra especializada ou houve uso de técnicos não


especializados ou com pouca experiencia na área?
R:______________________________________________________________________

3. Já houve alguma demolição de uma parede, com vista a ampliação de um dos


compartimentos alterando a estrutura do edifício?
R:______________________________________________________________________

4. Se sim, houve a presença de um Engenheiro ou um técnico para o efeito?


R:______________________________________________________________________
5. De que forma as patologias detectadas influenciam no desempenho funcional e
estrutural do edifício?
R:______________________________________________________________________

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