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OS CUSTOS DE TRANSPORTE NUMA OPERAÇÃO


LOGÍSTICA, UM ESTUDO DE CASO

Willian Brunno Bezerra de Azevedo

RESUMO

A operação logística vem se tornando cada vez mais competitiva, e


consequentemente, exercendo uma pressão maior sobre as empresas, que devem
controlar todos os seus processos e principalmente os custos, efetivamente. Neste
contexto, a logística de transportes possui uma grande importância e influência. Este
artigo trata de um estudo de caso acerca dos custos de transporte de uma operação
logística e tem como objetivos compreender a importância dos controles internos na
logística de transportes, compreender a importância dos controles financeiros e de
custos, e seu impacto na operação e analisar os resultados destes controles mediante
uma empresa de transportes, os quais se mostraram de suma importância, uma vez
que impactam bastante as operações e garantem melhoria de margens, cada vez
mais apertadas neste segmento.

Palavras-chave: transporte; modal rodoviário; controle interno.

ABSTRACT

Logistics operations are becoming increasingly competitive, and consequently putting


more pressure on companies, which must control all their processes and especially
costs, effectively. In this context, transport logistics has great importance and
influence. This paper deals with a case study on the transportation costs of a logistics
operation and aims to understand the importance of internal controls in transportation
logistics, to understand the importance of financial and cost controls, and their impact
on the operation and to analyze the Results of these controls through a transport
company, which have proved to be of the utmost importance, as they have a significant
impact on operations and guarantee improved margins, which are increasingly tight in
this segment.

Key-Wrods: transport; road modal; internal controls.

1 INTRODUÇÃO

O ambiente empresarial está cada vez mais competitivo e consequentemente


exigente do ponto de vista da eficiência operacional, por parte das empresas. E neste
contexto a logística exerce um impacto profundo nas operações empresariais,
sobretudo a logística de transportes, operação de natureza cada vez mais complexa,
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sobretudo por sofrer influência externa enorme, como tributação, custos de


manutenção e condições do modal escolhido.

Este artigo busca analisar o impacto dos custos de transporte, numa operação
logística, de forma que visa analisar de forma geral todos os custos envolvidos e o
quanto impactam nesta operação e tem como objetivos a compreensão da
importância dos controles internos na logística de transportes, da importância dos
controles financeiros e de custos, e seu impacto na operação e analisar os resultados
destes controles mediante uma empresa de transportes, sendo realizado
metodologicamente a partir de uma pesquisa bibliográfica exploratória, e de um
estudo de caso.

O objeto de estudo é uma transportadora rodoviária de cargas, fundada em


2006, com 11 anos de atuação no mercado, 60 funcionários, 40 veículos e faturamento
mensal aproximado de R$ 1.500.000,00, a qual possui uma área de controladoria que
apura rigorosamente os custos envolvidos na operação, uma vez que as margens
deste segmento são baixas e não pode haver terreno para o desperdício.

O presente artigo foi desenvolvido a partir do referencial teórico, o qual aborda


os temas de estudo, como a logística, os transportes e seus modais, o transporte
rodoviário, a controladoria na empresa e seus controles internos, e posteriormente o
estudo de caso, onde foram elaboradas planilhas de custos dos transportes na
empresa fruto do estudo, e posteriormente analisadas.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 A LOGÍSTICA

Segundo Ballou (2009, p. 18) “As atividades de transportes, estoques e


comunicações iniciaram-se antes mesmo de um comércio ativo entre regiões
vizinhas”. Estas atividades são compreendidas como logística

A logística pode ser definida como o fluxo de produtos e serviços, desde sua
armazenagem, até chegar ao cliente, e é uma atividade muito antiga, que se remete
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antes mesmo do comércio e do mundo dos negócios propriamente dito. “(BALLOU,


2009, p.18). A importância da logística decorre do fato de que os produtos e serviços
não são comumente consumidos no local onde são consumidos, nem tampouco as
pessoas vivem sempre onde as matérias primas e a produção estão localizadas,
fazendo necessário o processo de armazenagem e transporte, para que o consumidor
tenha acesso ao produto ou serviço. (BALLOU, 2009)

À logística é dada a missão de realizar o fluxo de mercadorias, sejam elas


produtos in natura, em elaboração ou acabado por toda a cadeia, de
fabricantes a revendedores e destes até os consumidores, conforme o caso.
Também faz o fluxo de informações entre os elos da cadeia, desde a
montante até a jusante, além da movimentação financeira envolvida na
transação. (SOUZA, MARKOSKI , 136)

De acordo com FILHO (2001 apud ROSA, 2007), a logística é a etapa da


cadeia de suprimentos responsável pelo planejamento, implementação e controle do
fluxo e estocagem de bens, serviços e informações relacionadas, de forma efetiva,
desde o ponto de origem até o ponto de consumo, de forma a atender às necessidades
do consumidor. Desta forma, a logística pode ser compreendida como o conjunto das
áreas de transportes, distribuição, distribuição física, suprimento, administração de
materiais e operações.

Conforme BOWERSOX e CLOSS (2001 apud ROSA, 2007, p. 25):

Em termos de projeto e gerenciamento de sistemas logísticos cada empresa


deve atingir simultaneamente pelo menos seis objetivos diferentes que
incluem: Resposta rápida: atendimento breve e cumprimento de prazos pré-
estabelecidos; Variância mínima: cultura do produto/serviço padronizado ou
sem variações; Estoque mínimo: uso de estoques apenas em situações
emergenciais; Consolidação da movimentação: aperfeiçoar os processos e
torná-los sólidos e competitivos; Qualidade: preocupação se o
produto/serviço atende os parâmetros exigidos e encomendados pelo cliente;
Apoio ao ciclo de vida: estender o ciclo de vida do produto/serviço.

A logística, portanto, não é só a movimentação de materiais e produtos, mas a


área de transportes é essencial para que seus objetivos sejam atingidos, e, necessita
de uma atenção especial no sistema logístico empresarial.

2.2 TRANSPORTES

Para que os produtos sejam entregues aos clientes é necessário que haja um
sistema de distribuição física, o qual se utiliza de meios de transporte. O transporte
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pode ser compreendido como “o deslocamento de pessoas e pesos de um local para


outro.” (RODRIGUES, 2002, apud ROSA, 2007,p. 36). O transporte é uma das
atividades mais antigas da humanidade, sendo que nos seus primórdios, ele era
realizado pelo próprio homem, porém, com a evolução da sociedade, foi sendo
realizado por veículos, até chegarmos a um determinado conjunto de meios
específicos de transporte, incluindo o transporte aéreo também. (RODRIGUES, 2002,
apud ROSA, 2007).

2.3 MODAIS DE TRANSPORTE

Conforme Rosa (2007) há cinco tipos de modais de transportes básicos, o


rodoviário, o ferroviário, o aquaviário, o dutoviário e o aéreo. Cada um tem sua
importância, que é mensurada de acordo com a distância coberta pelo sistema, pelo
volume de tráfego, pela receita e pela natureza da composição do tráfego.

Para Bowersox e Closs (2001 apud ROSA, 2007), as características dos


modais de transporte podem ser classificadas da seguinte forma:

UNIMODAL - Quando a unidade de carga é transportada diretamente,


utilizando um único veículo, em uma única modalidade de transporte e com
apenas um contrato de transporte. E a forma mais simples de transporte.

SUCESSIVO - Quando, para alcançar seu destino final, a unidade de carga


necessita ser transportada por um ou mais veículos da mesma modalidade
de transporte, abrangidos por um ou mais contratos de transporte.

SEGMENTADO - Quando se utilizam veículos diferentes, de uma ou mais


modalidades de transporte, em vários estágios, sendo todos os serviços
contratados separadamente a diferentes transportadores, que terão seu
cargo a condução da unidade de carga do ponto de expedição até o destino
final. Qualquer atraso pode significar a perda do transporte nos demais
modais, gerando “frete morto”, ou seja, pagar por ter reservado o espaço,
mesmo sem realizar o transporte. A imputação de responsabilidades por
perdas ou avarias é muito complexa e as indenizações por lucros cessantes,
flutuação de preços, etc., são praticamente impossíveis. MULTIMODAL —
Quando a unidade de carga é transportada em todo percurso utilizando duas
ou mais modalidades de transporte, abrangidas por um único contrato de
transporte.

Ainda de acordo com os autores, os principais modais de transportes mais


utilizados para se efetuar um transporte podem ser:

RODOVIÁRIO – transporte pelas rodovias, em caminhões, carretas, etc;


FERROVIÁRIO - transporta pelas ferrovias, vagões fechados, plataformas,
etc; HIDROVIÁRIO (fluvial ou lacustre) - transporte em embarcações, através
de rios, lagos ou lagoas; MARÍTIMO - transporte em embarcações, pelos
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mares e oceanos; AQUAVIARIO - abrange em uma só definição os modais


marítimo e hidroviário; AÉREO - transporte em aviões, através do espaço
aéreo; DUTOVIÁRIO - sempre na forma de graneis sólidos, líquidos ou
gasosos, a carga é transportada através de dutos; CABOTAGEM – a
navegação realizada entre portos interiores do país pelo litoral ou por vias
fluviais. A cabotagem se contrapõe à navegação de longo curso, ou seja,
aquela realizada entre portos de diferentes nações.(BOWERSO; CLOSS,
2001 apud ROSA, 2007, p. 37)

2.4 VEÍCULOS NO MODAL RODOVIÁRIO

O objeto de estudo deste artigo é o modal rodoviário, portanto, é necessário


compreender quais os veículos existentes neste modal e quais as suas
características.

Cavalo mecânico ou caminhão extra-pesado: conjunto formado pelo


cavalo mecânico com eixo simples (apenas 2 rodas de tração). Pode ser
usado com vários tipos de semi-reboques dependendo da carga a ser usada.
Cavalo mecânico trucado ou LS: Parece com o cavalo mecânico, com o
diferencial de ter eixo duplo no cavalo mecânico. Isto permite que cargas mais
pesadas sejam acopladas pois o peso será melhor distribuído no chão.
Carreta 2 eixos: tanto o cavalo mecânico quanto o semi-reboque tem 2 eixos
cada. O máximo comprimeito é de 18,15 metros e o peso bruto máximo é de
33 toneladas. Carreta 3 eixos: usa um cavalo mecânico com 2 eixos e um
semi-reboque com 3 eixos. O comprimento é o mesmo da carreta de 2 eixos,
mas o peso bruto máximo é de 41,5 toneladas. Carreta cavalo trucado: usa
um cavalo mecânico trucado (3 eixos) e um semi-reboque também com 3
eixos. O comprimento máximo é de 18,15 metros e o peso bruto máximo é
de 45 toneladas. Bitrem ou treminhão: tem 7 eixos e o peso bruto máximo
é de 57 toneladas. Nestes bitrem, o semi-reboque pode ser tracionado por
um cavalo mecânico trucado. Rodotrem: dois semi-reboques que pode
carregar até 74 toneladas, com 9 eixos! Eles são ligados entre si por um
veículo intermediário chamado de Dolly. Só pode ser tracionado por cavalo
mecânico trucado e o trajeto deve ser pre-definido para se obter uma AET –
Autorização Especial de Trânsito.(CARRO DE GARAGEM, 2017)

Figura 1: Tipos de Veículos:


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Fonte: Carro de Garagem, 2017

Ainda há neste modal as carretas, que são:

Veículos articulados e, portanto, possuindo unidades de tração e de carga em


módulos separados. Estas duas unidades são denominadas cavalos
mecânicos e semi-reboques. Os semi-reboques são equipamentos (conforme
imagens acima) que não apresentam qualquer eixo na dianteira, mas tão-
somente na traseira, devendo ser acoplados aos cavalos mecânicos. Eles
podem ser dos mais diversos tipos como abertos, em forma de gaiolas,
plataformas, cegonheiras, tanques ou fechados (baús), cada qual apropriado
a uma determinada carga. O semi-reboques fechados podem ser equipados
com maquinários de refrigeração para transporte de cargas que necessitam
de controle de temperatura.
Também apresentam capacidades de carga diversas que, dependendo do
número de eixos do cavalo mecânico (dois ou três), e do semi-reboque (dois
ou três), variam até cerca de 30 toneladas.
São mais versáteis que os caminhões, podendo deixar o se mi-reboque para
ser carregado e recolhido posteriormente. Enquanto isso o cavalo pode ser
utilizado para transporte de outros semi-reboques, o que significa que é
possível ter uma quantidade de semi-reboques maior do que a de cavalos,
graças ao fato de poder conjugá-los adequadamente, conforme as
necessidades. Este tipo de operação beneficia o transportador, pois
possibilita o aumento do número de viagens.(INFOLOGIS, 2010)

Figura 2: Tipos de Carretas


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Fonte: INFOLOGIS, 2010

2.5 A CONTROLADORIA NA EMPRESA

“Controladoria é a unidade administrativa dentro da empresa que, por meio da


Ciência Contábil e do Sistema de Informação de Controladoria, é responsável pela
coordenação da gestão econômica do sistema empresa.” (PADOVEZZE, 2012, p. 9).
Portanto, a controladoria é responsável pela eficácia da empresa por meio da
otimização dos resultados, mediante seu sistema de informação para suporte à
tomada de decisão.

A controladoria se relaciona com os sistemas de informações auxiliando o


processo de tomada de decisão dos gestores, e para tanto, deve dispor do enfoque
da contabilidade financeira, o qual buscará o custo do produto para fins de apuração
de estoques e todos os elementos do sistema contábil para fins de reporte externo,
da contabilidade gerencial, o qual buscará o controle das decisões e de seus impactos
na empresa para fins de gestão do negócio e da contabilidade estratégica, o qual
buscará o exercício da estratégia competitiva através da gestão e mensuração dos
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custos das atividades de produção e administração. (MACHADO; MACHADO;


SANTOS, 2009)

A Controladoria deve estar sempre atenta à missão da empresa. A


Controladoria, ao posicionar-se de maneira firme e ativa no processo de
planejamento e controle, embute-se no suporte à garantia da missão da
empresa. Cabe ainda à Controladoria o papel de monitorar os paradigmas de
qualidade, devendo informar e interagir proativamente com as diversas
funções da organização na busca da excelência empresarial, calcada na
crença de que estratégia, custos e qualidade são responsabilidades de todas
as funções da empresa. (MACHADO; MACHADO; SANTOS, 2009, p. 56-57)

Ainda conforme os autores, empresas possuem foco no atendimento ao cliente,


sendo divididas em setores, cada qual com suas responsabilidades, e que possuem
sistemas de informação que auxiliam na identificação, no registro, na comunicação e
no suporte à tomada de decisão do gestor. Estes sistemas podem ser operacionais,
os quais apoiam às operações com as informações necessárias ao planejamento,
execução e controle das suas atividades, ou gerenciais, que buscam fornecer o
suporte à tomada de decisão. A controladoria tem, portanto, a missão de subsidiar o
processo de gestão empresarial mediante seu sistema de informação, assegurando
assim a eficácia da empresa mediante o controle de operações e de seus resultados
planejados. (MACHADO; MACHADO;SANTOS, 2009)

“A missão da Controladoria é otimizar os resultados econômicos da empresa


através da definição de um modelo de informações baseado no modelo de gestão”.
(MACHADO; MACHADO; SANTOS, 2009, p. 57) e seus objetivos são: “Promoção da
eficácia organizacional, Viabilização da gestão econômica e Promoção da integração
das áreas de responsabilidade.” (MACHADO; MACHADO; SANTOS, 2009, p. 57)

Como supridora de informação, a controladoria preocupa-se com orçamentos,


relatórios gerenciais e de custos, sempre com o foco na maximização do poder na
tomada de decisão, tornando-se flexível, pois a controladoria, por não seguir um
padrão de mensuração e da forma de relatório, consegue ser eficaz na produção
destes relatórios, que podem ser os mais variados e customizáveis o possível, a
depender da necessidade da empresa, indo desde o controle de quilometragem da
empresa à DRE do mês.
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2.6 OS CONTROLES INTERNOS NA EMPRESA

Por controles internos podemos entender como sendo o conjunto de normas,


procedimentos, instrumentos e ações adotados de forma sistemática pela empresa,
segundo Padovezze (2012) e que assegurem o cumprimento de objetivos e metas
pré-estabelecidos, sempre visando a eficiência e a eficácia operacional dos processos
empresariais. Os principais objetivos dos controles internos são:

Proteger o patrimônio empresarial; Aumentar a exatidão, a fidedignidade e a


tempestividade dos relatórios contábeis e gerenciais e outras informações de
natureza operacional; Auxiliar a Administração na condução eficiente e
ordenada dos negócios; Promover e avaliar a eficiência operacional de todos
os aspectos das atividades empresariais; Comunicar diretrizes
administrativas e estimular seu cumprimento. (PADOVEZZE, 2012, p. 39)

Portanto, os controles internos geram relatórios e informações eficientes para


um controle eficiente das operações da empresa, o que permite uma melhor proteção
da empresa contra falhas humanas, sejam elas intencionais ou não. Os princípios dos
controles internos são:

Deve haver uma clara delegação de autoridade; A execução das transações


deve ser segregada de seu registro contábil; As transações devem ser
realizadas mediante autorização; As transações devem ser
consubstanciadas em documento hábil, de origem externa ou interna,
avalizado segundo os procedimentos e autorizações; Nenhum funcionário da
organização deve ter todo o ciclo da transação sob seu controle; as instruções
devem ser escritas e os procedimentos registrados, em papel ou meio
computacional; Utilizar o máximo o possível de recursos computacionais, com
procedimentos internos e sequenciais. (PADOVEZZE, 2012, p. 39).

Desta forma, os controles internos devem ser delegados à instâncias


operacionais, não ficando apenas restrito à Administração da empresa, fazendo com
que a operação flua. Mas estes controles devem ser delegados via processo formal
de autorização, onde cada situação deve ser formalizada de acordo com as normas
da empresa e devidamente autorizada numa escala de autonomia de decisão, onde
cada nível de cargo pode ir até determinada alçada de tomada de decisão, fazendo
assim que ninguém dentro da organização tenha o controle total de um processo
financeiro, minimizando assim o risco de fraudes. Outro ponto essencial é que o
controle interno deve se utilizar ao máximo de recursos de sistema de informação,
sendo o mínimo o possível, devendo tender a zero o processo na forma manual.

Desempenhando a função de gerir os sistemas de informações, estará a


Controladoria: definindo a base de dados que permita a organização da
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informação necessária à gestão; elaborando modelos de decisões para os


diversos eventos econômicos, considerando as características físico-
operacionais próprias das áreas, para os gestores; padronizando e
harmonizando o conjunto de informações econômicas (Modelo de
Informação). Cabe à Controladoria a função de empreender esforços para
suprir os gestores com ferramentas de informática que permitam o
planejamento, o registro e o controle das decisões tomadas em cada fase do
processo de gestão. (MACHADO; MACHADO; SANTOS, 2009, p. 59-60)

3 ESTUDO DE CASO

3.1 A EMPRESA FONTE DO ESTUDO

A empresa estudada é uma transportadora rodoviária de cargas, fundada em


2006, com 11 anos de atuação no mercado, 60 funcionários, 40 veículos e faturamento
mensal aproximado de R$ 1.500.000,00. Esta empresa possui uma área de
controladoria, a qual apura rigorosamente os custos envolvidos na operação,, uma
vez que as margens deste segmento são baixas e não pode haver terreno para o
desperdício.

Outro fator que interfere diretamente na operação desta empresa é o alto custo
de transportes, no Brasil, o qual em conjunto com uma alta carga tributária e
trabalhista onera bastante qualquer operação logística. Há de se realizar muitas
manutenções por conta das estradas mal cuidadas e em péssimas condições de
tráfego, o que faz com que os fretes demorem mais que o normal, onerando-os
também, em todos os aspectos.

3.2 OS CUSTOS DE TRANSPORTE DA EMPRESA

A controladoria da empresa compila dados referentes aos custos da operação,


diariamente, e os alimenta numa planilha, conforme as tabelas a seguir mostram.

Tabela 1: Custos Fixos mensais


Custo fixo mensal
Descrição Unidade Valor
Custo do veículo automotor de cargas novo R$ 300.000,00
Preço de revenda do veículo automotor de cargas R$ 160.000,00
Média de anos da frota Anos 4 ANOS

Custo do implemento novo R$ 150.000,00


Preço de revenda do implemento R$ R$ 100.000,00
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Média de anos do implemento Anos 4 ANOS

Percentual de encargos sociais pagos sobre o salário do


motorista % 102,00%
Valor do salário pago ao motorista R$ 1.537,88
Quantidade de motoristas empregados por veículo Número 2,00

IPVA R$ R$ 2.600,00
DPVAT R$
Licenciamento R$ R$ 198,00
Taxa de vistoria tacógrafo R$ R$ 169,00

Valor do contrato anual de seguro do veículo automotor


de carga R$ R$ 16.000,00

Valor do contrato anual de seguro do implemento R$ R$ 2.500,00

Fonte: O Autor

A tabela 1 mostra que os custos fixos são bastante altos, nesta operação, e que
os encargos trabalhistas mais que duplicam o custo do motorista. O contrato também
é um custo com peso considerável, além, obviamente, do custo do veículo utilizado
pela empresa. Sua frota tem em média 4 anos.

Tabela 2: Operação de Transporte

Operação de Transporte
Descrição Unidade Valor
Média de horas que se leva para carga e descarga nas
operações Horas 3 HORAS
Velocidade média dos veículos nas operações de
transporte Km/Hora 80KM
Capacidade de carga dos veículos Toneladas 30t
Distância média percorrida na operação de transporte,
considerando a saída do embarcador até a chegada no
destinatário Km 500km

Fonte: O Autor

A operação de transporte mostra as informações necessárias para


compreender como funciona o processo de carga e descarga, em termos de tempo.

Tabela 3: Custo variável por Km


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Custo variável por Km


Descrição Unidade Valor
Proporção de gasto com manutenção em relação ao preço do veículo % 1,00%
Média mensal de quilômetros percorridos pelos veículos Km 10.000km

Preço médio do diesel, considerando os locais que geralmente abastecem os


veículos R$/Litro R$ 3,14
Rendimento médio de combustível nos veículos Km/Litro 1,70

Preço do litro do aditivo ARLA 32 R$/Litro R$ 3,25


Rendimento médio do ARLA 32 nos veículos Km/Litro 0,05

Custa do litro do lubrificante usado no motor R$/Litro R$ 13,50

Capacidade de óleo do carter dos veículos Litros 28litros


Quilometragem em que ocorre a troca do óleo de motor Km 20.000km
Reposição em litros de lubrificantes a cada 1000 km Litros 0,05

Custo da lavagem completa do veículo R$ R$ 300,00


Distância média percorrida entre as lavagens do veículo Km 800 km

Custo de um pneu novo para os veículos R$ R$ 1.900,00


Custo da recauchutagem ou recapagem do pneu R$ R$ 600,00
Quantidade de vezes que o pneu é recauchutado ou recapado até ser descartado Número 1a2
Quantidade de pneus utilizados no veículo e no implemento Número 24,00
Quilometragem de duração, em média, do pneu utilizado Km ate 120.000

Fonte: O Autor

A tabela 3 mostra que há diversos componentes envolvendo o custo variável


de transportes, como a manutenção do veículo, a lavagem, a troca de pneus, a
recauchutagem de pneus, o lubrificante e o aditivo, dentre outros e a empresa precisa
ser rigorosa no controle de todos estes custos, para garantir sua margem de forma
saudável.

1 DELINEAMENTO METODOLÓGICO

Este artigo foi elaborado a partir de uma revisão bibliográfica, de natureza exploratória,
a qual foi feita mediante um levantamento teórico através de leituras bibliográficas,
que possibilitarão a seleção de argumentos pertinentes para fundamentação do
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trabalho. “A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado,


constituído principalmente de livros e artigos científicos.” (GIL, 2008, p. 44)

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A logística é de fundamental importância para a Economia, de forma geral, uma


vez que é a partir dela que os produtos e serviços são entregues aos clientes. E,
dentro da logística existe a área de transportes, que é a responsável efetivamente
pelo transporte das mercadorias. Há diversos modais de transportes, e o mais
utilizado, mas não necessariamente o mais eficiente, no Brasil, é o rodoviário, o qual
este estudo de caso pesquisou, uma vez que a empresa fonte de estudo atua neste
modal. E, para que se tenha um controle efetivo dos custos de transportes, deve-se
lançar mão da controladoria, na empresa.

A Controladoria exerce um papel fundamental nos resultados estratégicos das


empresas, por meio do fornecimento de informação decisiva. A controladoria é uma
ferramenta importante de apoio à tomada de decisão, na gestão empresarial, pois é a
partir dela que os gestores recebem informações fidedignas sobre o que acontece nos
centros de custo da empresa, o que lhes permite analisar se o que está ocorrendo
está dentro do planejado ou se há anomalias no processo ou nos resultados,
mediante, sobretudo, à análise de custos.

Esta empresa estudada possui, portanto, um controle efetivo de custos da sua


operação de transportes, por meio de um setor de controladoria, o qual alimenta as
informações de forma que estas sejam tratadas em tempo real, facilitando assim a
tomada de decisão e o controle do que está sendo realizado em comparação com o
que foi planejado. Este modelo de gestão favorece a empresa, pois garante uma
eficiência exemplar no controle dos seus custos de transporte, e consequentemente,
da sua operação.
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REFERÊNCIAS

BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transportes, administração de


materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, 2009. 387 p.

CARRO DE GARAGEM. Tipos de carretas, capacidades e tamanhos. Disponível


em: https://www.carrodegaragem.com/tipos-de-carretas-capacidades-e-tamanhos/
Acesso em 02 Abr 2017

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008

INFOLOGIS. Modal rodoviário, tipos de veículos. Disponível em:


http://infologis.blogspot.com.br/2010/12/modal-rodoviario-tipos-de-veiculos.html
Acesso em 02 Abr 2017

MACHADO SANTOS. (2008). Atuação da Controladoria em uma Empresa de


Médio Porte: um Estudo de Caso. São Paulo.

PADOVEZE, C. L. Controladoria Estratégica e Operacional. São Paulo: Cengage


Learning, 2012

ROSA, A.C.; GESTÃO DO TRANSPORTE NA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO


FÍSICA: uma análise da minimização do custo operacional, Taubaté, 2013

SOUZA, D. F.; MARKOSKI, A.; A competitividade logistica do brasil: um estudo


com base na infraestrutura existente, Revista de Administração, V. 10, N. 17, Porto
Alegre, 2012