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Os 80 anos do Superman

Super-heróis sempre foram grandes fenômenos da cultura pop. Prova disso é o


grande sucesso que fizeram, e ainda fazem, os quadrinhos, séries, animações e filmes de
heróis, como por exemplo a longa metragem do Pantera Negra, com a maior bilheteria
dos cinemas, de 1,3 bilhões de dólares. Mas nada disso seria possível se há 80 anos, em
abril de 1938, Joe Shuster e Jerry Siegel não tivessem criado o Superman, publicado na
revista “Action Comics #1”.
O personagem chega aos 80 anos de existência devido aos valores que ele
carrega, como a verdade, justiça e estilo de vida norte-americano, sobretudo a partir da
2ª Guerra Mundial, e também toda a indústria construída a sua volta, segundo os
integrantes do site Quadrinheiros. “O Superman é um herói solar, então vai recuperar
na trajetória dele características de heróis assim, como Apolo, até de Jesus. A
importância dele extravasa o mundo geek, pois ele é quase como se fosse um messias
secular”, completa Bruno Andreotti, da equipe do site.
Adriano Marangoni , outro membro do Quadrinheiros, afirma que o Superman
personifica os ideais da reconstrução econômica dos Estados Unidos. Ele representaria o
esforço, honestidade e retidão, toda sua essência estaria ligada à Grande Depressão,
período de recessão econômica devido à quebra da bolsa de valores americana em 1929.
Um valor que, de certa forma, excede a narrativa de quadrinhos e é caracteristicamente
religioso, pois todas as pessoas poderiam seguir esses valores.
A maior representação do herói fora dos quadrinhos foi a versão do filme de
1978, no qual o Superman foi interpretado pelo ator Christopher Reeve, e se imortalizou
na cabeça de muitos fãs. Tanto para o público que assistiu ao filme no cinema, quanto
para quem assistiu às suas inúmeras reprises na televisão aberta. Considerada por
muitos o melhor filme já feito do herói americano, segundo Juliano Alves da Rádio
Geek.
Outro ponto que humaniza o Superman é o seu núcleo de personagens,
principalmente se focarmos seu par romântico, a jornalista Lois Lane, e seu maior rival,
o magnata megalomaníaco Lex Luthor.
Na visão de Alves o antogonista não é nada menos que uma visão distorcida do
Batman, ele sempre falou que poder tem que estar nas mãos dos seres humanos e que
estes devem ser puros, e sempre foi o vilão por conta disso, não concordava com o fato
de o Superman ser maior que os seres humanos. De acordo com Marongoni a
característica mais interessante do Lex Luthor enquanto personagem, é ser o único rival
do Superman na Terra e não ter nada de extraordinário, e isso que o torna um vilão tão
bom, assim como o coringa do Batman, significa o oposto de tudo do personagem, e
isso que o torna tão perigoso.
“O Superman é muito mais do que um herói, ele é tudo o que o ser humano
gostaria de ser. Ele é considerado o deus dos super-heróis, o mais poderoso, forte, ágil,
bondoso e correto, então o personagem representa para a cultura mítica dos quadrinhos,
o inalcançável, pois ele é o que todo herói e todo ser humano gostaria de ser”, completa
Alves.
O Superman não se resume apenas a um alienígena que antigamente colocava
uma cueca por cima da calça e continua a salvar o mundo. Sua importância extravasa
além das mídias, e se hoje estamos na chamada “época boa para ser nerd”, ela só é
possível graças à sua existência e aos valores que carrega, e que essa importância nunca
morra, mas seja sempre lembrada como um grande marco da 9ª arte.

“Para o alto e avante!” - Superman