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Humanismo

Professora kelly Mendes


“O homem é a medida de todas as coisas”
Escola
de
transição
Antropocentrismo
HUMANISMO

O homem como centro do universo.


O homem passou a considerar-se não mais como imagem de
Deus, mas como um ser ligado à sua natureza material, física e
terrena.
Período
de
avanço
científico
e cultural
Humanismo – características
 Teocentrismo x antropocentrismo;
 Retomada da cultura antiga – harmonia, equilíbrio, razão,
beleza;
 Clareza e concisão;
 Invenção da Imprensa;
 Neoplatonismo – filosofia de Platão – amor espiritual x
amor carnal;
 Bifrontismo – coexistência medieval e clássica.
Historiografia de Fernão Lopes
 Imparcialidade;
 Criticidade, o poder do registro
documental e nacionalismo.

A crônica caracterizava-se como uma narrativa


histórica. Registrava acontecimentos, fatos e a
vida de figuras históricas, por ordem
cronológica.
 Valorização dos fatos documentais;
 Procura incessante pela verdade;
 Valorização dos movimentos de massa.
Escreveu a história de Portugal com base
em documentos históricos, apontava
causas e consequências.

A Crônica D’El Rei D. Pedro é


a mais conhecida de Fernão
Lopes, relata a paixão
arrebatadora de D. Pedro por
Inês de Castro;
 Crônica Del Rei D.
Fernando;
 Crônica Del Rei D. João
Prosa Doutrinária
Prosa didática ou doutrinária era praticada pelos nobres – fidalgos e reis – para educa-los adequadamente
ao convívio social, vida na corte e prepará-los para a guerra.

D. João I: Livro da Montaria


Pêro Menino: Livro de Falcoaria
D. Pedro: Livro da virtuosa benfeitoria
D. Duarte: Livro da ensinança de bem cavalgar toda
sela e Leal conselheiro
Poesia palaciana
Características
Ambiente palaciano;
SemAoacompanhamento musical;
contrário a lírica trovadoresca, não
Medida eram acompanhas
velha por instrumentos
versos redondilhas;
musicais, eram recitadas por poetas da
Ex: E eles verdes são
Corte nos saraus dos palácios.
E tem por usança.
 Mote glosado;
Menina dos olhos verdes
Por que não me vedes;
Poesia palaciana Comigo me desavim
Não posso viver comigo Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor da gente fugia,


Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho inimigo de mim?
Sá de Miranda
Teatro humanista
TEATRO DE GIL VICENTE
Características
Personagens-tipo: ilustram as classes sociais
da época;

Concepção religiosa: lamenta a perda dos


valores, mas, ao mesmo tempo, luta por um
cristianismo mais humanizado;

Crítica social: faz de forma impiedosa, não


escapando nenhum comportamento
inadequado.
Personagens teatrais
 Tipos populares – personagens extraídos do cotidiano:
sapateiros, fidalgos, sacerdotes pecadores, escudeiros, juízes,
mercenários, parvos, ciganos, adúlteros, freiras, ladrões;

 Tipos fantásticos – seres imaginários ou de religiosidade


mítica:
santos, anjos, demônios, estações de ano, deuses pagãos;

 Tipos alegóricos- personagens que representam


instituições:
igreja católica, pobreza, riqueza, vícios ou virtudes do homem e da
sociedade.
“Ridendo castigat mores.”
Gil Vicente
GIL VICENTE
Principais obras:

Auto da Barca do Inferno;


O Velho da Horta.
A Farsa de Inês Pereira;
Auto da Lusitânia –
“Todo mundo e Ninguém”.
O auto da Barca do Inferno
Auto da Barca do Inferno: O Juízo Final
10 Cenas simétricas (cenas de
mesma estrutura);

Entrada da personagem
Interlocução: Tipo Social x Diabo
Interlocução: Tipo Social x Anjo
Sentença Final: Anjo
Embarque do Tipo Social: Salvação
ou Punição
O Diabo e seu Companheiro
O Preparo da Barca;

Propagandeia-se a Barca;

O clima é de feira.
O Diabo e seu Companheiro
O Preparo da Barca;

Propagandeia-se a Barca;

O clima é de feira.
O Fidalgo Dom Henrique
FIDALGO- Esta barca, que sai agora,
Aonde vai tão preparada?
DIABO- Vai para a ilha danada
E há de partir sem demora.
(...)
FIDALGO- Isso parece um cortiço.
DIABO- Porque olhais lá de fora.
(...)
FIDALGO- E passageiros achais
Para tal embarcação?
DIABO- Oras pois, tu és a cara
Dessa embarcação!
DIABO- Onde esperas salvação?
FIDALGO- Eu deixo na outra vida
Vem com sua cadeira e com um Quem reze sempre por mim.
DIABO- Quem reze sempre por ti?
pajem Hi,hi,hi,hi,hi,hi,hi.
Tu viveste a teu prazer
Presunçoso e Orgulhoso Pensando aqui ter perdão
Porque lá rezam por ti?

Confia, todavia, nas Orações Embarca já!


FIDALGO – (apavorado)
Quê?! É assim que a coisa vai?
Condenado
FIDALGO-–Esta
O Fidalgo Dom Henrique
FIDALGO Nãobarca,
há aqui outro
que sai navio?
agora,
DIABO
Aonde vai – Não, senhor, que este reservaste, Pois
tão preparada?
tão
DIABO-logo Vai
morrestes....
para a ilhaTínheis
danadame dado o sinal.
FIDALGO
E há de partir– (confuso, sem compreender nada)
sem demora.
Sinal?
(...) Qual foi o sinal?
DIABO
FIDALGO- – A Isso
boa vida queum
parece levastes!
cortiço.
FIDALGO
DIABO- Porque – (dirigindo-se à barca
olhais lá de fora. do Paraíso)
A esta outra barca me vou. (gritando para o Anjo
(...)
que está naEbarca)
FIDALGO- passageiros achais
Olá!
ParaPra onde partis? (o Anjo não responde)
tal embarcação?
Ó barqueiro,
DIABO- Orasnãopois,me
tu ouvis?!
és a cara
(...)
Dessa embarcação!
DIABO-– Onde
ANJO (aproximando-se)Que
esperas salvação? mandais?
FIDALGO-–Eu
FIDALGO Diga se na
deixo a barca
outrado paraíso
vida
Vem com sua cadeira e com um É esta reze
Quem em que
DIABO-– Quem
ANJO
navegais?
sempre
É esta.reze
por mim.
Quesempre
desejais?por ti?
pajem FIDALGO – Que me deixeis embarcar. Sou de
Hi,hi,hi,hi,hi,hi,hi.
família nobre
Tu viveste a teu prazer
Presunçoso e Orgulhoso E é bom que
Pensando
ANJO
Porque_lá Não
meter
aqui recolhas
perdão nesta tua barca.
se embarca
rezam por ti? tirania nesta barca

Confia, todavia, nas Orações divinal.


Embarca Para
já! vossa fantasia bem pequena é esta
FIDALGO – (apavorado)
barca!
(...)
Quê?! É assim que a coisa vai?
Condenado
O Onzeneiro
• Representa a ambição, o apego ao
dinheiro, a usura (materialismo);
• Novo tipo social: Burguês, banqueiro,
agiota;
• Faz parte da revolução mercantilista
• Traz um bolsão de dinheiro (“vazio”)
• Avarento e usurário
• Condenado
O Parvo Joane
Indivíduo que revela falta de inteligência e de bom senso.

Humilde e mendicante
Pobre e ingênuo
Carece de tudo
Não tem malícia
Nada traz
Salvo
Converte-se em ajudante do anjo
O Sapateiro, Joanatão
Artesão e comerciante;
Larápio, roubava com a profissão;
Argumentos de defesa (práticas religiosas):
Rezava e ia à missa (o fidalgo usou a mesma defesa)
Fazia ofertas à igreja
Confessava-se
Fez todas as práticas religiosas
Trazia formas, sapatos e objetos da profissão
Crítica feita por Gil Vicente a todas as rezas:
Formas superficiais de como os católicos praticavam a religião;
Julgavam que as rezas, missas, comunhões, tinham mais valor
que praticar o bem.
Condenado
O Frade e sua Amada Florência

Hipócrita
Condena-se no que reprova
Amante e Esporte Violento como vícios
Traz a Amante e uma Roupa de Gladiador por debaixo do
hábito religioso
Não lhe vale o hábito
Condenado - O anjo se envergonha e sequer, diakoga com
o réu em questão.
Brízida Vaz, a Alcoviteira
Alcoviteira
Cafetina
Prostituta
Vende feitiços, enganos, poções,
 mentiras, sexo
Traz o Baú de Virgos: luxúria
Ao dirigir-se ao anjo, usa um tom
sedutor e vocabulário de cariz
religioso a fim de para provocar
pena.
Condenada
O Judeu e seu Bode Expiatório
O Judeu traz o Bode Expiatório;
Bode: sua religião, recusa-se a abandonar sua fé;
Não faz parte da lógica do julgamento; é acusado pelo Parvo de
sacrilégios, não dialoga com o anjo.
Não pode ser condenado: vale-se do Bode;
Não pode ser salvo: não crê no Cristo;
Desenlace: paga e vai amarrado atrás, no reboque da Barca do
Inferno;
Notar: preconceito, jamais fora aceito em lugares cristão na terra.
Nem mesmo próximo dos condenados.
O Corregedor e o Juiz
Representantes da lei;
Trazem os papéis, os processos mal julgados;
O Corregedor usa o Latim , o famoso “juridiquez”
que poucos entendem. O Diabo responde-lhe em
Latim Macarrónico porque para ridicularizar a
linguagem utilizada na justiça. Ou seja, mostrar que
essa linguagem não servia de nada. Poderiam saber
falar bem Latim mas não sabiam aplicar as leis;
Injustiça – muitos subornos – justiça vendida;
Condenados
O Enforcado
Suicida;
Tipo: criminoso condenado;
Traz a forca ainda no pescoço;
Cuidava adiantar a salvação e a vida
eterna com o suicídio;
Alega ter sido enganado;
Condenado;
Os Quatro Cavaleiros

Justificados pelo heroísmo e pela moral;


Morreram pelo cristianismo: mártires;
Não se atêm ao Diabo;
Trazem a Cruz como trunfo;
Salvos
O Velho da Horta
 A ação se inicia quando uma Moça vai à horta do Velho buscar
hortaliças.
 O velho se apaixona perdidamente por ela.
 No diálogo entre ambos estabelecem-se dois planos de linguagem: a
linguagem galanteadora do Velho, estereotipada, repleta de lugares-
comuns da poesia palaciana do Cancioneiro Geral, cujo artificialismo Gil
Vicente parodia ironicamente, e a linguagem zombeteira e às vezes
mordaz da Moça que não se deixa enganar pelas palavras
encantadoras do pretendente e não se sente atraída nem por ele , nem
por sua fortuna, nem por sua "lábia" cortesã.
 São duas visões opostas da realidade: a visão idealizadora do Velho
apaixonado e a visão realista da Moça.
 Uma alcoviteira, Branca Gil, promete ao Velho a posse da jovem amada
e, com isso, vai extorquindo todo seu dinheiro.
 Na cena final, o Velho, desenganado, só, e reduzido à pobreza, pois
gastara tudo o que tinha, deixando ao desamparo suas quatro filhas,
reconhece o seu engano e se arrepende.
A farsa de Inês Pereira
 Estrutura-se em torno do mote:
“Mais vale asno que me carregue que cavalo que me derrube”.
 Personagem principal: uma ambiciosa serviçal da classe média portuguesa
– Inês Pereira;
 A jovem sonhadora procura, por meio do casamento com um homem que
saiba tanger viola, fugir à rotina doméstica.
 Despreza a proposta de Pero Marques, filho de um camponês rico,
homem tolo e ingênuo, e aceita se casar com Brás da Mata, escudeiro
pelintra e pobretão.
 No entanto, os sonhos da heroína são logo desfeitos, porque o marido
revela sua verdadeira personalidade, maltratando-a e explorando-a. Brás
da Mata vai para a África e lá vem a falecer.
 Inês, ensinada pela dura experiência, toma consciência da realidade e
aceita se casar com Pero Marques, seu primeiro pretendente.
 Depressa também a jovem aceita a corte de um falso ermitão. A farsa
termina com o marido levando-a às costas (asno que me carregue) até a
gruta em que vive o ermitão, para um encontro nada ingênuo.
O Auto da Lusitânia – Todo Mundo e Ninguém
 Peça que leva à reflexão e à crítica;
 Tema: bodas de Lusitânia e Portugal;
 O autor alterna no enredo personagens e cenas que provocam
riso;
 Principal episódio, diálogo entre:
Todo mundo (rico mercador) e Ninguém (homem pobre)

Símbolos da conduta humana

 Crítica ao comportamento humano;


 Os dois são observados por Belzebu e Dinato que anotam tudo.
 Tema: cobiça, mentira, vaidade, virtude e honra;
 Temática atemporal e universal.
Ninguém: Que andas tu aí buscando?

Todo o Mundo: Mil cousas ando a buscar:


delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar.

Ninguém: Como hás nome, cavaleiro?

Todo o Mundo: Eu hei nome Todo o Mundo


e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
e sempre nisto me fundo.

Ninguém: Eu hei nome Ninguém,


e busco a consciência.
Belzebu: Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem.
Dinato: Que escreverei, companheiro?

Belzebu: Que Ninguém busca consciência.


e Todo o Mundo dinheiro.

Ninguém: E agora que buscas lá?

Todo o Mundo: Busco honra muito grande.

Ninguém: E eu virtude, que Deus mande


que tope com ela já.

Belzebu: Outra adição nos ocorre:


escreve logo aí, a fundo,
que busca honra Todo o Mundo
e Ninguém busca virtude.
Uma amostra...
“Ridendo castigat mores.”
Gil Vicente
Agora é com vocês atores e atrizes vicentinos!!!
Dividam-se em grupos:

-A farsa de Inês Pereira -4 pessoas


O Velho da Horta – 4 pessoas
Todo Mundo e Ninguém – 4 pessoas
O Auto da Barca do Inferno – o restante da sala