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UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES

ADRIANO GUSTAVO DA SILVA

ATERRAMENTO ELÉTRICO E PROTEÇÃO DE EQUIPAMENTOS


ELETRÔNICOS SENSÍVEIS NO SERTÃO NORDESTINO

Mogi das Cruzes, SP


2018
UNIVERSIDADE DE MOGI DAS CRUZES
ADRIANO GUSTAVO DA SILVA

ATERRAMENTO ELÉTRICO E PROTEÇÃO DE EQUIPAMENTOS


ELETRÔNICOS SENSÍVEIS NO SERTÃO NORDESTINO

Monografia apresentada ao curso de


especialização em Sistemas Elétricos de
Potência da Universidade de Mogi das Cruzes
como parte dos requisitos para obtenção do
grau de Especialista em Sistemas Elétricos de
Potência.

Orientador: Eng. Almir Alexandre Nunes

Mogi das Cruzes, SP


2018
ADRIANO GUSTAVO DA SILVA

ATERRAMENTO ELÉTRICO E PROTEÇÃO DE EQUIPAMENTOS


ELETRÔNICOS SENSÍVEIS NO SERTÃO NORDESTINO

Monografia apresentada ao curso de


especialização em Sistemas Elétricos de
Potência da Universidade de Mogi das
Cruzes como parte dos requisitos para
obtenção do grau de Especialista em
Sistemas Elétricos de Potência

Aprovado em.................................................................................................................................

BANCA EXAMINADORA

______________________________________
Prof. Dr. Mario Cesar Giacco Ramos
Universidade de Mogi das Cruzes
Dedico este trabalho ao meu pai João, minha mãe Iraci, meus irmãos Vinicius e
Alessandra e a minha companheira Juliana, que sempre estiveram ao meu lado nos momentos
necessários e me apoiam em meus sonhos.
RESUMO

O aterramento elétrico, a proteção contra surtos e a proteção contra campos


eletromagnéticos indesejados cumprem uma função essencial para o funcionamento e proteção
de equipamentos eletrônicos sensíveis, todavia, essas medidas dependem, dentre vários
requisitos, das características do solo, principalmente a resistividade elétrica. Em alguns locais
a resistividade do solo é elevada, devido à falta de umidade ou devido a suas características
geológicas, como acontece no Brasil, no sertão nordestino, na caatinga. Nesse contexto, este
trabalho tem por objetivo avaliar os métodos atuais para estudo e implantação dessas técnicas
em instalações construídas em locais com solo adverso, visando responder com soluções
práticas as problemáticas encontradas. As soluções e as problemáticas foram consideradas
utilizando como exemplo um estudo de caso prático, a construção de um centro de
desenvolvimento e pesquisa de uma indústria petroquímica na cidade de Campina Grande, na
Paraíba. A análise comparativa, entre a bibliografia atual, as normas regulamentadoras e a
situação prática foi realizada nos diversos aspectos discutidos. Os resultados teóricos obtidos,
de certo modo, demonstram a importância de adaptar as normas técnicas regulamentadoras, que
são frequentemente traduzidas de órgãos internacionais, com a realidade geográfica e humana
do Brasil.

Palavras-chave: Aterramento elétrico, resistividade do solo, SPDA, DPS.


SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 15
2 A TEORIA BÁSICA DE PROTEÇÃO E ATERRAMENTO DE
EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS SENSÍVEIS ............................................................. 17
2.1 FILOSOFIAS DE ATERRAMENTO.............................................................................. 17
2.2 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ATERRAMENTO ......................................................... 20
2.2.1 Classificação de tipos de sistemas de Aterramento .................................................... 21
2.2.1.1 Sistema TN ............................................................................................................ 21
2.2.1.2 Sistema TT ............................................................................................................ 24
2.2.1.3 Sistema IT .............................................................................................................. 25
2.2.2 Medições do solo e conceito de resistividade do solo ................................................ 26
2.2.2.1 Método de Wenner ................................................................................................ 27
2.2.3 Estratificação e Resistividade aparente do Solo ......................................................... 29
2.2.4 Métodos e Geometrias de Aterramento ...................................................................... 32
2.2.4.1 Aterramento com uma haste vertical cravada ao solo ........................................... 33
2.2.4.2 Aterramento com mais de uma haste vertical cravada ao solo .............................. 34
2.2.4.3 Malha de Terra ...................................................................................................... 35
2.2.5 Atendimento à segurança humana .............................................................................. 41
2.2.5.1 Tensão de contato ou tensão de toque ................................................................... 42
2.2.5.2 Tensão de passo ..................................................................................................... 42
2.2.5.3 Corrente de Choque ............................................................................................... 43
2.2.6 Resistência do sistema de aterramento instalado ........................................................ 44
2.2.7 Tratamento químico do solo ....................................................................................... 46
2.3 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS ................ 48
2.4 PROTEÇÃO DE EQUIPAMENTOS SENSÍVEIS ......................................................... 53
2.4.1 Transientes .................................................................................................................. 53
2.4.1.1 Curtos Circuitos ..................................................................................................... 54
2.4.1.2 Manobras de bancos de capacitores ...................................................................... 54
2.4.1.3 Partida de motores elétricos de indução tipo gaiola .............................................. 55
2.4.1.4 Chaveamento do sistema de potência .................................................................... 55
2.4.1.5 Chaveamentos eletrônicos ..................................................................................... 56
2.4.1.6 Harmônicos ........................................................................................................... 56
2.4.2 Blindagem eletromagnética ........................................................................................ 57
2.4.2.1 Cabo com blindagem metálica .............................................................................. 60
2.4.2.2 Cabo de par trançado ............................................................................................. 61
2.4.2.3 Cabos com compostos especiais ............................................................................ 61
2.4.3 Compatibilidade eletromagnética ............................................................................... 62
2.5 ESTRUTURA GEOLÓGICA E CLIMÁTICA DO SERTÃO NORDESTINO ............. 63
3 APLICAÇÃO DO SISTEMA DE ATERRAMENTO E PROTEÇÃO E ANÁLISE DE
IMPLICAÇÕES ..................................................................................................................... 66
3.1 O OBJETO DE ANÁLISE ............................................................................................... 66
3.2 COLETA DE DADOS E MEDIÇÕES ............................................................................ 68
3.3 PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS DA EDIFICAÇÃO ........... 75
3.3.1 Subsistema de Captação.............................................................................................. 76
3.3.2 Subsistema de Descida................................................................................................ 77
3.3.3 Subsistema de Aterramento ........................................................................................ 78
3.3.4 Equipotencialização para fins de proteção contra descargas atmosféricas ................. 80
3.3.5 Isolação elétrica do SPDA .......................................................................................... 81
3.3.5 Aterramento e equipotencialização ............................................................................. 83
3.3.6 Blindagem magnética, roteamento de sinais, interface isolante e Coordenação de DPS
............................................................................................................................................. 84
3.4 BLINDAGEM E ATERRAMENTO DA SALA DE DATACENTER ........................... 85
3.4.1 Dimensionamento do aterramento de referencial (Método de Campagnolo e
Kindermann) ........................................................................................................................ 88
3.4.2 Dimensionamento do aterramento de referencial (Método da ABNT NBR 15751) .. 89
3.5 VERIFICAÇÃO DOS NIVEIS DE SEGURANÇA ........................................................ 95
3.6 COORDENAÇÃO DE DPS E INTERFACES ISOLANTES ......................................... 97
3.7 PROTEÇÕES DE TRANSIENTES ............................................................................... 101
4 CONCLUSÃO.................................................................................................................... 103
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 107
ANEXO A – Tabela de fatores de multiplicação para cálculo de malha de aterramento
................................................................................................................................................ 110
ANEXO B – Tabela K de índice de redução para hastes iguais ligadas em paralelo no
solo ......................................................................................................................................... 111
ANEXO C – Fastgel da Fastweld ........................................................................................ 117
ANEXO D – Concretagem do eletrodo de aterramento ................................................... 120
LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Conexão de um sistema solidamente aterrado na fonte de energia ........................ 18


Figura 2 - Conexão de uma resistência (impedância) no circuito do aterramento da fonte de
energia ...................................................................................................................................... 19
Figura 3 - Valores típicos de resistividade conforme o tipo de solo ....................................... 20
Figura 4 - Esquema TN-S ........................................................................................................ 22
Figura 5 - Esquema TN-C ....................................................................................................... 23
Figura 6 - Esquema TN-C-S .................................................................................................... 24
Figura 7 - Esquema TT ............................................................................................................ 24
Figura 8 - Esquema IT ............................................................................................................. 25
Figura 9 - Arranjo de Wenner ................................................................................................. 27
Figura 10 - Curvas típicas de solo de duas camadas ............................................................... 29
Figura 11 - Curvas de valores para ρ x a ................................................................................. 30
Figura 12 - Haste cravada no solo estratificado ...................................................................... 33
Figura 13 - Zona de interferência com eletrodos verticais ...................................................... 34
Figura 14 - Dimensões pré-definidas da malha de aterramento .............................................. 38
Figura 15 - Método de medição por queda de potencial ......................................................... 45
Figura 16 - Curva característica teórica da resistência de aterramento de um eletrodo pontual
.................................................................................................................................................. 45
Figura 17 - Tratamento químico do solo e as variações mensais de resistência ..................... 48
Figura 18 - Curva típica do impulso da descarga atmosférica ................................................ 49
Figura 19 - Densidade de descargas atmosféricas NG – Mapa do Brasil (descargas
atmosféricas/km²/ano) .............................................................................................................. 50
Figura 20 - Área de exposição equivalente AD de uma estrutura ........................................... 51
Figura 21 - Projeto de modelagem por esfera rolante ............................................................. 52
Figura 22 - Edificação protegida por SPDA ........................................................................... 53
Figura 23 - Surtos de tensão viajando por um sistema de transmissão ................................... 57
Figura 24 - Acoplamento resistivo .......................................................................................... 63
Figura 25 - Mapa dos biomas brasileiros ................................................................................ 64
Figura 26 - Planta baixa do Centro de Desenvolvimento e Pesquisa ...................................... 66
Figura 27 - Diagrama unifilar da elétrica existente no parque industrial ................................ 67
Figura 28 - Esquema ilustrativo do aparato de realização do SPT .......................................... 69
Figura 29 - Parte do Relatório de Sondagem .......................................................................... 70
Figura 30 - Perfil longitudinal do terreno ................................................................................ 70
Figura 31 - Testador de aterramento e proteção elétrica Fluke 1625 ...................................... 71
Figura 32 - Curva ρ x a ............................................................................................................ 72
Figura 33 - Densidade de descargas atmosféricas NG – Mapa da região nordeste ................. 75
Figura 34 - Conexão entre o subsistema de captação e o subsistema de descida .................... 77
Figura 35 - Planta da edificação com as descidas do SPDA ................................................... 78
Figura 36 - Comprimento mínimo do eletrodo de aterramento de acordo com a classe do
SPDA ........................................................................................................................................ 79
Figura 37 - Planta da edificação com a malha de aterramento e as descidas .......................... 80
Figura 38 - Barramento de equipotencialização principal (BEP) ............................................ 81
Figura 39 - MPS com Blindagem e DPS coordenados ........................................................... 83
Figura 40 - Planta com as barras de equipotencialização ........................................................ 84
Figura 41 - Infraestrutura de caibros para blindagem magnética ............................................ 86
Figura 42 - Conexão das chapas de aço da blindagem magnética .......................................... 86
Figura 43 - Porta para blindagem magnética ........................................................................... 87
Figura 44 - Planta da edificação com as blindagens e as malhas de aterramentos de força e
referencial ................................................................................................................................. 94
Figura 45 - Malha de aterramento de referencial pré-fabricada .............................................. 95
Figura 46 - Método de Conexão de DPS no QGBT existente................................................. 98
Figura 47 - Método de Conexão de DPS alternativo para sistema TN-S ................................ 98
Figura 48 - Diagrama Unifilar de SPDA e MPS ................................................................... 101
Figura 49 - Ensaio de Corrosão do Fastgel comparado a outros produtos ............................ 117
Figura 50 - Resistividade do Fastgel comparado a outros produtos ...................................... 118
Figura 51 - Haste de aterramento envolvida em concreto ..................................................... 120
Figura 52 - Sistema de aterramento concretado com 3 hastes............................................... 120
LISTA DE TABELAS

Tabela 1- Constante Kf ............................................................................................................ 37


Tabela 2 - Medições de resistividade do solo na área da edificação ....................................... 71
Tabela 3 - Valores típicos de distância entre os condutores de descidas ................................ 78
Tabela 4 - Valores do coeficiente Ki ....................................................................................... 82
Tabela 5 - Valores do coeficiente Km ..................................................................................... 82
Tabela 6 - Valores do coeficiente Kc ...................................................................................... 82
Tabela 7 - Fatores de Multiplicação ...................................................................................... 110
Tabela 8 - Fatores de Coeficientes......................................................................................... 110
Tabela 9 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 1/2” ................................................. 111
Tabela 10 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 5/8” ............................................... 111
Tabela 11 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 3/4 ................................................. 112
Tabela 12 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 1” .................................................. 112
Tabela 13 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 1/2” ............................................ 113
Tabela 14 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 5/8” ............................................ 113
Tabela 15 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 3/4” ............................................ 114
Tabela 16 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 1” ............................................... 114
Tabela 17 - Índice para redução K de hastes 3 metros x 1/2” ............................................... 115
Tabela 18 - Índice para redução K de hastes 3 metros x 5/8” ............................................... 115
Tabela 19 - Índice para redução K de hastes 3 metros x 3/4” ............................................... 116
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BEL Barra de equipotencialização local.


BEP Barramento de equipotencialização principal.
CEM Compatibilidade eletromagnética.
DPS Dispositivos de Proteção Contra Surtos.
IACS International Annealed Copper Standard.
IEC International Electrotechnical Commission.
IEEE Institute of Electrical and Electronics Engineers.
INPE Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
EMC Electromagnetic Compatibility.
MPS Medidas de Proteção Contra Surtos.
MRT Monofásico com Retorno pela Terra.
NP Nível de Proteção.
PE Protection Earth.
PEN Protection Earth Neutral.
QGAC Quadro Geral de Ar Condicionado.
QGBT Quadro Geral de Baixa Tensão.
QDT Quadro Geral de Distribuição de Tomadas.
RAV Resistência de Alto Valor.
RF Radiofrequência.
SPDA Sistemas de Proteção Contra Descargas Atmosféricas.
SPT Standard Penetration Test.
TC Transformador de Corrente.
TP Transformador de Potencial.
TSI Tensão Suportável de Impulso.
ZP Zona de Proteção.
LISTA DE SIMBOLOS

km² - quilometro quadrado


A - ampère
m - metro
m² - metro quadrado
Ω.m - ohm por metro
Ω - ohm
°C - graus Celsius
Z - impedância
kHz - quilohertz
MHZ - megahertz
V - volts
% - porcentagem
Cm - centímetro
° - graus
𝜌 - resistividade elétrica
𝜌𝑚 - resistividade média
𝜌1 - resistividade da camada superior
𝜌2 - resistividade da camada inferior
𝐾1 - fator de multiplicação para cálculo de malha de terra
𝐻𝑚 - profundidade da camada de solo correspondente a resistividade média
𝜌𝑎 - resistividade aparente do solo
𝐾2 - fator de multiplicação para cálculo de malha de terra
𝐾3 - fator de multiplicação para cálculo de malha de terra
𝑅 - raio do círculo equivalente à malha de terra
𝑆 - área da malha de terra
Nv - número de eletrodos verticais
𝐷𝑒 - distância entre os eletrodos verticais
𝑅𝐻𝑎𝑠𝑡𝑒 - resistência elétrica de apenas uma haste
L - comprimento da haste
d - diâmetro do círculo equivalente à área de seção transversal da haste
𝑅𝑒𝑚 - acréscimo de resistência do eletrodo e por influência do eletrodo m
𝐷𝑒𝑚 - distância horizontal entre o eletrodos e e m
𝑅𝑒𝑞 - resistência equivalente do sistema com n hastes iguais paralelas
𝐼𝑐𝑓𝑡 - corrente de curto circuito fase-terra
𝑇𝑓 - tempo de duração da corrente de curto circuito fase-terra
𝑆𝑐 - seção, expressa em milímetros quadrados
𝛼𝑟 - coeficiente térmico de resistividade do condutor
TCAP - fator de capacidade térmica
𝑇𝑚 - temperatura máxima suportável
𝑇𝑎 - temperatura ambiente
𝐾0 - coeficiente térmico de resistividade do condutor a 0 °C;
𝐾𝑓 - constante para o tipo de conexão
𝑁𝑐𝑝 - numero de condutores principais
𝐶𝑚 - comprimento da malha de terra
𝐷𝑙 - distância entre os cabos correspondentes à largura da malha de terra
𝑁𝑐𝑗 - número de condutores de junção
𝐿𝑚 - largura da malha de terra
𝐷𝑐 - distância entre os cabos correspondentes ao comprimento da malha de terra
𝐿𝑐𝑚 - comprimento total da malha de terra
𝐾𝑚 - coeficiente de malha
𝐾𝑠 - coeficiente de superfície
𝐷𝑐𝑎 - diâmetro do condutor
𝐾𝑖 - coeficiente de irregularidade
D - espaçamento médio entre os condutores, na direção considerada
H - profundidade da malha
N - numero de condutores na direção considerada
𝐷𝑐𝑎 - diâmetro do condutor
𝐿𝑇 - comprimento mínimo da malha de terra
𝜌𝑠 - resistividade da camada superior da malha
𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 - resistência da malha de terra projetada
𝐿𝐻 - comprimento total das hastes utilizadas
mA - miliampère
𝐸𝑡𝑚 - potencial de toque máximo
𝐸𝑡𝑒 - potencial de toque existente
𝐸𝑝𝑚 - potencial de passo máximo
𝐸𝑝𝑒 - potencial de passo existente
𝐼𝑐ℎ - corrente de choque
𝐼𝑝𝑠𝑏 - corrente de choque da malha sem brita
𝐼𝑝𝑐𝑏 - corrente de choque da malha com brita
Kg - quilograma
mm² - milimetro quadrado
kA - quiloampère
pu - por unidade
kV - quilovolt
mm - milimetro
kV/m - quilovolt por metro
dB - decibéis
Hz - hertz
𝐸𝑒 - intensidade de campo eletromagnético externo à blindagem
𝐸𝑖 - intensidade de campo eletromagnético no interior da blindagem
𝐵𝑒 - densidade de fluxo magnético externo à blindagem
𝐵𝑖 - densidade de fluxo magnético no interior da blindagem
𝐻𝑒 - intensidade de fluxo magnético externo à blindagem
𝐻𝑖 - intensidade de fluxo magnético no interior da blindagem
𝑆𝑠 - distância de segurança
𝐾𝑖𝑠 - coeficiente tabelado, depende do nível de proteção do SPDA
𝐾𝑚𝑠 - coeficiente tabelado, depende da corrente da descarga atmosférica pelos
condutores de descida.
𝐾𝑐𝑠 - coeficiente tabelado, depende do material isolante do SPDA
𝑙 - comprimento
𝜆 - comprimento da onda perturbadora
𝑉𝑙 - velocidade de propagação da luz
𝐹 - frequência da onda perturbadora
𝐷𝑐 - espaçamento entre os condutores da malha
𝐼𝐹 - parte da corrente da descarga atmosférica pertinente a cada parte condutora
𝐾𝑒 - coeficiente de divisão, depende do tipo de instalação
𝑍1 - impedância convencional de aterramento das partes externas
𝑍2 - resistência de terra do arranjo de aterramento que conecta a linha aérea à terra
𝑛1 - número total de partes externas ou linhas enterradas
𝑛2 - número total de partes externas ou linhas aéreas
𝜇𝑠 - milissegundo
15

1 INTRODUÇÃO

O Aterramento elétrico consiste em uma ligação elétrica proposital de um sistema físico


(elétrico, eletrônico ou corpos metálicos) ao solo, com função fundamental para o
funcionamento de sistemas de transmissão, distribuição e utilização de energia elétrica.
Desempenha essas funções de formas variadas no sistema, desde necessidades para questões de
segurança de seres humanos à proteção e referencial de terra para funcionamento de
equipamentos sensíveis (FILHO, S., 2002).
Nos projetos de aterramento elétrico o primeiro passo para projetar um sistema adequado
é conhecer a resistividade do solo, que varia conforme o tipo, nível de umidade, profundidade
das camadas, idade da formação geológica, temperatura, composição química, etc. (FLEURY;
GUEDES, 2015). Para buscar essas informações sobre o solo são necessárias medições, testes
e análises de resultados das medições através do método chamado de estratificação do solo
(ABNT NBR 7117, 2012).
A estratificação do solo traz resultados inesperados e em alguns casos o projetista se
deparada com situações adversas, com soluções que não são abrangidas em normas nacionais.
De acordo com Morgado (2011) o sertão nordestino, que se estende por um espaço de 982.563,3
km², abrangendo a maior parte dos estados da região nordeste, é marcado pelo solo pedregoso
e pela vegetação escassa onde se encontra a caatinga, com um clima semiárido caracterizado
pela baixa umidade e pouco volume pluviométrico, estas características fazem do solo do sertão
umas dessas situações com solo adverso.
A necessidade de um sistema de aterramento de boa qualidade e baixa impedância é
imprescindível nas instalações de energia (ABNT NBR 5410, 2004), para subestações de
potência (ABNT NBR 15751, 2013), dispersão de descargas atmosféricas (ABNT NBR 5419,
2015) e para referencial de terra para funcionamento de equipamentos eletrônicos sensíveis
(KINDERMANN, CAMPAGNOLO, 2011).
Os equipamentos eletrônicos sensíveis, definidos segundo Kindermann e Campagnolo
(2011) por equipamentos com sistemas eletrônicos (placas, condutores, conexões, etc.) que
formam instrumentos de medida, sensores operacionais e aparelhos de tecnologia da
informação que operam ou não com deformação de resultados no seu ambiente de trabalho,
passaram a fazer parte do nosso cotidiano nos projetos de instalações elétricas e proteções
eletromagnéticas. A proteção desses equipamentos, no que tange a influências eletromagnéticas
16

e surtos transitórios de tensão são integrante de projetos de sistemas de aterramento e serão


tratadas junto ao sistema de aterramento como tema deste trabalho.
O objetivo deste trabalho é definir soluções para implantação e utilização de
equipamentos elétricos e eletrônicos sensíveis no sertão nordestino, considerando a ótica do
aterramento elétrico, proteção contra surtos e proteção contra campos eletromagnéticos
indesejados, visando analisar as problemáticas encontradas no solo seco e resistivo do sertão,
desenvolver soluções com base em produtos comerciais de fácil acesso e esclarecer se o
aterramento para proteção deve ser interligado ao aterramento funcional de equipamentos
sensíveis.
Durante muitos anos o aterramento elétrico de equipamentos sensíveis desafiou
profissionais da área de eletrotécnica e muitas soluções adotadas foram inadequadas (FILHO,
J, 2010). Estender esse trabalho à um ambiente altamente desfavorável as condições ambientais,
se tornou a motivação principal para este trabalho.
17

2 A TEORIA BÁSICA DE PROTEÇÃO E ATERRAMENTO DE


EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS SENSÍVEIS

2.1 FILOSOFIAS DE ATERRAMENTO

Aterramento elétrico é definido como uma ligação intencional de parte eletricamente


condutivo à terra, através de um condutor elétrico (ABNT NBR 15751, 2013), constituído
basicamente de três componentes; conexões elétricas que ligam um ponto do sistema aos
eletrodos, os eletrodos de aterramento e a terra que os envolve (FILHO, S., 2002).
Silvério Filho (2002) explica que o ponto do sistema pode ser de natureza variada, desde
uma trilha de circuito impresso até a carcaça de um motor, assim como os eletrodos de
aterramento que podem também ter configurações muito diversificadas, com materiais e
geometrias diversas, já a terra que os envolve é singular, porém, qualificada pela sua
impedância de terra, simplificada na prática como resistência de terra.
Sobre a necessidade de se ter um sistema aterramento, Kindermann e Campagnolo (2011)
listam os principais objetivos:
• Obter uma resistência de aterramento mais baixa possível para dissolver as correntes
de falta à terra;
• Manter os potenciais produzidos pelas correntes de falta dentro de limites de segurança
de modo a não causar fibrilação ventricular do coração humano;
• Fazer com que os equipamentos de proteção sejam mais sensibilizados e isolem
rapidamente as falhas à terra;
• Proporcionar um caminho de escoamento para as descargas atmosféricas na terra;
• Usar a terra como retorno de corrente elétrica no sistema monofásico com retorno pela
terra (MRT)
• Escoar as cargas estáticas geradas nas carcaças dos equipamentos, isto é, garantir a
equalização dos potenciais das carcaças dos equipamentos conectados ao aterramento;

As correntes de falta, quando envolvem a terra, devem ser de valor elevado o bastante
para que a proteção possa operar e efetuar com fidelidade e precisão, eliminando o defeito o
mais rapidamente possível. Porém, durante o tempo em que a proteção ainda não atuou a
corrente de defeito que escoa pelo solo gera potenciais distintos nas massas metálicas e
superfície do solo. Portanto, é imprescindível a necessidade de uma boa qualidade da ligação
18

entre os componentes do sistema de aterramento para que, dentro das condições do solo, a
proteção seja sensibilizada e os potenciais de toque e passo fiquem abaixo dos limites críticos
de fibrilação ventricular do coração humano (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
Mardegan (2012) fez um estudo histórico e lembra que os primeiros sistemas elétricos
não eram aterrados em relação a fonte de energia porque o sistema trifásico a três fios era
considerado mais econômico, além de que, quando a primeira fase cai para a terra não circula
corrente de falta à terra porque não existe caminho fechado para ela. O autor reforça que o
sistema não aterrado ainda é utilizado em alguns sistemas de baixa tensão, acoplando a terra
através de capacitâncias próprias de equipamentos. Esse tipo de sistema trouxe desvantagens
ao sistema elétrico com ocorrências de faltas múltiplas, sobretensões transitórias, aumento de
tensão nas fases sãs em casos de curto circuito e desligamento de circuitos em casos de falta.
Atualmente o método mais simples de aterramento do sistema em relação a fonte de
energia é conectar o eletrodo diretamente ao solo, procurando um caminho de mínima
impedância à passagem eventual de uma corrente de falta. Contudo, os valores elevados da
corrente, resultantes nesse método, sensibilizam os dispositivos de proteção, os quais
prontamente comandam os desligamentos e isolam essa parte faltosa do sistema, causando
excessivos desligues se comparado ao método anterior. Esse método pode trazer também
algumas desvantagens, podendo causar corrente de falta à terra de valor elevado, inclusive
podendo ser maior que a corrente de curto circuito trifásica (MARDEGAN, 2012).

Figura 1 - Conexão de um sistema solidamente aterrado na fonte de energia

Fonte: Adaptado (MADERGAN, 2012)

Foi procurando limitar essas correntes de falta à terra que surgiram algumas formas
distintas de se conectar o sistema de aterramento ao solo, como, por exemplo, interligando no
circuito de aterramento uma resistência de potência de baixo ou alto valor de impedância. No
aterramento por resistência de baixo valor a corrente de falta é limitada entre 100 e 1000 A,
sendo mais comum 400 A, já no aterramento por resistência de alto valor (RAV) procura-se
utilizar a maior impedância possível, limitando ao máximo a corrente de falta a terra
(MARDEGAN, 2012). A diferença de implantação entre os dois métodos se dá mais a diferença
19

de custo, o RAV tende a ter custo muito elevado comparado ao sistema com impedância de
baixo valor.

Figura 2 - Conexão de uma resistência (impedância) no circuito do aterramento da fonte de energia

Fonte: Adaptado (MADERGAN, 2012)

Em um projeto de um sistema de aterramento seja em relação a fonte de energia ou devido


a outra necessidade, é de suma importância o conhecimento prévio das características do solo,
principalmente a resistência do solo, definida como a resistência elétrica medida entre as faces
opostas de um cubo de dimensões unitárias (aresta de 1m, área de faces A de 1 m²) preenchido
com este solo, sua unidade é Ω.m. (FILHO, S., 2002).
Se tratando do solo Silvério Filho (2012) descreve o solo com um mau condutor de
eletricidade se considerado sem retenção de umidade, com comportamento similar à de um
material isolante. O autor descreve os principais fatores que influenciam no valor da
resistividade do solo:
a) Tipo de solo: varia conforme a localidade, solos similares podem ter resistividades
muito distintas;
b) Umidade do solo: valores maiores de umidade representam solos com resistividades
menores.
c) Concentração de tipos de sais dissolvidos na água: solos ricos em sais possuem menor
resistividade.
d) Compacidade do solo: solos mais compactos proporcionam as menores resistividades.
e) Granulometria do solo: a granulometria mais diversa proporciona solos com menores
resistividade devido a capacidade de retenção de umidade.
f) Temperatura do solo: solos com temperaturas muito elevadas (acima e abaixo de 0°C)
tendem a evaporar ou solidificar a umidade contida no solo resultando em maiores
resistividades.
g) Estrutura geológica: formações geológicas mais antigas tendem a resultar em solos com
resistividades mais elevadas.
20

A norma brasileira ABNT NBR 7117 (2012) traz no seu texto uma tabela com valores
comuns de resistividade conforme o tipo de solo, os valores demonstrados devem ser adotados
para conhecimento prévio sem que estudos e medições do local a ser aterrado sejam ignorados.

Figura 3 - Valores típicos de resistividade conforme o tipo de solo

Fonte: ABNT NBR 7117 (2012)

A resistividade do solo compõe um dos elementos necessários para calcular a resistência


do sistema de aterramento, entretanto, existem outros parâmetros de suma importância como a
própria resistência do eletrodo de aterramento e a resistência de contato entre o eletrodo e a
terra, sendo este último definido pelo modo de distribuição dos eletrodos na terra (FILHO, S.,
2002).
Por fim, ressaltamos que os solos na sua grande maioria não são homogéneos, mas
formados por diversas camadas de resistividade e profundidades diferentes. Essas camadas,
devido à formação geológica, são em geral, horizontais e paralelas à superfície do solo e em
alguns poucos casos se apresentam inclinadas ou até verticais, devido a alguma falha geológica
ou movimentação do solo. Entretanto, os estudos apresentados para pesquisa do solo as
consideram, aproximadamente horizontais, uma vez que outros casos são menos típicos,
principalmente no local exato do aterramento (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).

2.2 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ATERRAMENTO

O escoamento da corrente elétrica seja em alta ou baixa frequência emanada ou absorvida


pelo sistema de aterramento se dá através de uma resistividade aparente que o solo apresenta
para este aterramento em especial. Portanto, serão analisadas, inicialmente, os sistemas de
21

aterramento em relação a uma resistividade aparente. O cálculo da resistividade aparente


depende do solo e do tipo de sistemas de aterramento (FILHO, J., 2017).
A primeira classificação de um sistema de aterramento é em relação à fonte de energia
(geração de energia ou ponto de capitação de energia) e do tipo de aterramento da carga
(equipamento elétrico).

2.2.1 Classificação de tipos de sistemas de Aterramento

A ABNT NBR 5410 (2004) para classificar os sistemas de aterramento das instalações
utiliza a seguinte simbologia:

a) Primeira letra: situação da alimentação em relação à terra:


T – um ponto diretamente aterrado.
I – isolação de todas as partes vivas em relação à terra ou aterramento de um ponto através
de impedância.

b) Segunda letra: situação das massas em relação à terra:


T – massas diretamente aterradas, independentemente do aterramento eventual de um
ponto de alimentação.
N – massas ligadas diretamente ao ponto de alimentação aterrado, sendo o ponto de
aterramento, em corrente alternada normalmente é o ponto neutro.

c) Outras letras (eventuais): disposição do condutor neutro e do condutor de proteção:


S – funções de neutro e de proteção asseguradas por condutores distintos.
C – funções de neutro e de proteção combinadas em único condutor, o condutor Protection
Earth Neutral (PEN).
As instalações segundo a norma devem ser executadas de acordo com os seguintes
sistemas:

2.2.1.1 Sistema TN

Os sistemas TN têm um ponto diretamente aterrado e as massas são ligadas a este ponto
através de condutores de proteção. De acordo com a disposição do condutor neutro e do
condutor de proteção, o sistema TN possui três variantes:
22

a) Sistema TN-S: possui o condutor neutro e o condutor de proteção separados. Segundo


João Mamede Filho (2017) esse sistema é comumente conhecido como sistema a cinco
condutores. Neste caso, o condutor de proteção é conectado à malha de terra na origem do
sistema de alimentação, (o secundário de um transformador de uma subestação) interliga todas
as massas da instalação, compostas por carcaça dos motores, transformadores, quadros
metálicos, suportes de isoladores, chapas metálicas etc. o condutor de proteção é responsável
também pela condução das correntes de defeito entre fases e massas.
Uma desvantagem desse sistema é que as massas solidárias ao condutor de proteção
Protection Earth (PE) podem sofrer os transientes conhecidos como “sobretensões” devido à
elevação de potencial do ponto neutro do sistema quando este condutor é percorrido por uma
corrente de defeito. Todas as massas de um sistema TN-S devem ser ligadas ao condutor de
proteção e equalizadas (equipotencialização) através do condutor de proteção que deve ser
ligado ao ponto de alimentação aterrado.
Esta garantia de equipotencialidade é independente das tensões residuais do neutro,
geradas, devido ao desequilíbrio das cargas do consumidor. Neste caso todas as massas das
cargas têm o mesmo potencial, que é zero, portanto o operador do equipamento elétrico fica
submetido à tensão de toque igual a zero. Vale ressaltar que neste caso, o cabo de proteção PE
está imune aos resíduos elétricos escoados pelo condutor neutro, tais como os gerados pelos
desequilíbrios das cargas, as sobretensões e as harmónicas geradas pelas cargas não lineares
(KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011)
Se tratando de defeitos internos em equipamentos eletrônicos, estes provocam correntes
de curto circuitos independentemente do valor do aterramento da fonte de energia e o sistema
de proteção opera independentemente do valor da resistência do aterramento.

Figura 4 - Esquema TN-S

Fonte: ABNT NBR 5410 (2004)


23

b) Sistema TN-C: é aquele no qual as funções de neutro e de proteção são combinadas


em único condutor ao longo de todo o sistema. Segundo João Mamede Filho (2017) esse sistema
é comumente conhecido como sistema a quatro condutores. Neste caso, o condutor é chamado
de condutor PEN e é conectado à malha de terra na origem do sistema, interligando todas as
massas da instalação. Desta forma, o PEN além de conduzir a corrente de desequilíbrio do
sistema, é responsável também pela condução da corrente de defeito. O sistema TN-C foi um
dos mais utilizados em instalações de pequeno e médio porte, devido principalmente, à redução
de custo com a não utilização de um quinto condutor. O sistema tem a desvantagem de que em
caso de rompimento, o condutor PEN coloca as massas dos equipamentos em potencial de fase.

Figura 5 - Esquema TN-C

Fonte: ABNT NBR 5410 (2004)

Tratando-se da equipotencialidade, as massas das cargas não mantêm a


equipotencialidade de tensão do aterramento que está na fonte, ou seja, as massas das cargas
elétricas (motores, transformadores) ficam submetidas a potenciais diferentes gerados pelas
tensões distintas do condutor PEN, conforme o desequilíbrio das cargas no local da instalação.
As massas ficam ainda submetidas as tensões elétricas dos resíduos elétricos escoados pelo
condutor PEN, tais como dos gerados pelos desequilíbrios das cargas, das harmônicas e outros
transientes. Em caso de abertura do condutor PEN as tensões elétricas de fase são
instantaneamente transferidas as massas das cargas monofásicas (KINDERMAN;
CAMPAGNOLO, 2011).

c) Sistema TN-C-S: é aquele qual as funções de neutro e de proteção são combinadas em


um único condutor em uma parte do sistema, basicamente é uma variação dos dois sistemas
explicados anteriormente.
24

Figura 6 - Esquema TN-C-S

Fonte: ABNT NBR 5410 (2004)

2.2.1.2 Sistema TT

O Sistema TT é aquele em que todas as partes vivas são isoladas da terra, tem o ponto de
alimentação da instalação diretamente aterrado, sendo as massas ligadas a eletrodos de
aterramento independentes do eletrodo de alimentação. O aterramento das massas também pode
ser conectado em sistemas de aterramento distintos (ABNT NBR 5410, 2004).
O sistema tem a desvantagem de que as correntes de curto circuitos envolvendo a carcaça
de equipamentos elétrico passam pela terra, e o aterramento passar a depender da qualidade da
instalação do aterramento da fonte de energia e o aterramento da carga. No caso da perda do
aterramento o sistema elétrico se torna isolado, com total inoperância do sistema de proteção.
KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).

Figura 7 - Esquema TT

Fonte: ABNT NBR 5410 (2004)


25

2.2.1.3 Sistema IT

O Sistema IT é aquele em que o ponto de alimentação não está diretamente aterrado, as


instalações são isoladas da terra ou aterradas por uma impedância Z de valor suficientemente
elevado, a fim de diminuir a corrente de falta, sendo esta ligação feita no ponto neutro da fonte
– se ela estiver ligada em estrela – ou a um ponto artificial. Para se obter um ponto neutro
artificial quando o sistema for ligado na configuração triangulo, é necessário utilizar um
transformador de aterramento (ABNT NBR 5410, 2004).

Figura 8 - Esquema IT

Fonte: ABNT NBR 5410 (2004)


26

A corrente de defeito à terra na configuração estrela, com ponto neutro aterrado com uma
impedância elevada, é de pequena intensidade com o seccionamento da alimentação não
obrigatório, já no caso da ocorrência de uma segunda falta à massa ou à terra simultaneamente
à primeira, as correntes de defeito tornam-se extremamente elevadas, pois transforma-se em um
curto circuito entre duas fases. O sistema IT é caracterizado quando a corrente resultante de
uma única falta fase-massa não possui intensidade suficiente para provocar o surgimento de
tensões perigosas. As massas devem ser aterradas individualmente ou em grupos, conectadas a
um sistema de aterramento distinto ou ainda em grupos, conectados ao sistema de aterramento
da alimentação (FILHO, J., 2017).
No caso de um defeito, o primeiro defeito alerta para a equipe de manutenção corrija o
defeito rapidamente, caso não aconteça, em um eventual segundo defeito o sistema será
desligado pela proteção. Esse sistema garante que não ocorra desligamentos indevidos, porém,
é mais eficiente em sistemas elétricos de pequeno porte, além da necessidade de empregar
técnicas especiais para sinalização e localização deste primeiro defeito. Devido a estas
características o sistema IT é mais comum em salas de cirurgia, minas, navios, trens e similares
(KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).

2.2.2 Medições do solo e conceito de resistividade do solo

Para o projeto de um sistema de aterramento, seja para proteção de pessoas e


equipamentos, dispersão de descargas atmosféricas ou terra de referencial para funcionamento
de equipamentos eletrônicos é de primordial importância o conhecimento prévio das
características do solo, principalmente no que diz respeito à homogeneidade de sua constituição.
Segundo Fleury e Guedes (2015), conforme citado por Nogueira (2006) “A medição da
resistência do solo consiste na aplicação de uma determinada corrente elétrica no sistema em
teste – eletrodo de teste, fazendo-a circular pelo eletrodo de corrente. Contudo o comportamento
de um aterramento está associado não somente às características do solo e dos eletrodos, mas
principalmente à natureza das correntes que serão injetadas. Complementando, Alves (2014)
destaca duas abordagens para a determinação dos potenciais na superfície do solo sob o qual se
encontra uma malha energizada; uma para correntes desde a frequência industrial até (kHz) e
outra para correntes impulsivas (MHz).”
A normativa nacional trata dos estudos do comportamento elétrico do solo, medições de
resistividade, tratamento dos dados coletados e métodos de medições alternativos, através da
ABNT NBR 7171 (2012). Os métodos de medição da resistividade mais utilizados são; o
27

método do eletrodo central, método de Lee, método de Schlumberger, método de


Schlumberger-Palmer e método de Wenner. Devido ao uso mais frequente e apropriado para
aterramentos em frequência industrial vamos tratar neste trabalho apenas do método de Wenner.

2.2.2.1 Método de Wenner

O método de Wenner consiste em colocar quatro eletrodos de teste em linha, separados


por uma distância a, e enterrados no solo com uma profundidade b (habitualmente considera-
se 20 cm). Os dois eletrodos extremos são ligados aos terminais de corrente C1 e C2 do
equipamento de teste e os dois eletrodos centrais são ligados aos terminais de potencial P1 e P2
(ABNT NBR 7117, 2012).
Alguns instrumentos de teste conhecidos como “Megger” de terra dispõem de um
terminal guarda ligado a um eletrodo, com a finalidade de minimizar os efeitos das correntes
parasitas de valor relativamente elevado, que podem distorcer os resultados lidos (FILHO, J.,
2017).

Figura 9 - Arranjo de Wenner

Fonte: NBR 7117, 2012

Na prática utiliza-se 20 cm de profundidade para qualquer eletrodo com a finalidade de


simplificar a equação original de Palmer a uma equação simplificada, a equação 2.1:

𝑉
𝜌 = 2∗𝜋∗𝑎∗ (Ω ∗ 𝑚) − (2.1)
𝐼

𝜌 – resistividade do solo no ponto medido, em Ω ∗ 𝑚;


a - distância dos eletrodos, em m;
V - potencial medido pelos eletrodos de potenciais, em V;
I - corrente injetada no solo pelos eletrodos de correntes, em A;
28

Essa equação calcula o valor aproximado da resistividade média do solo na profundidade


a, sendo necessário um de conjunto de leituras, tomadas com vários espaçamentos entre
eletrodo, do qual resulta em um conjunto de resistividades que, quando plotadas de acordo com
o espaçamento, indica a resistência em função da profundidade (ABNT NBR 7117, 2012).
A concepção deste método, de acordo com Kindermann e Campagnolo (2011) é de que
ele considera que praticamente 58 % da distribuição de corrente que passa entre as hastes
externas ocorre a uma profundida igual ao espaçamento entre hastes.
João Mamede Filho (2017) reforça que além da análise correta dos dados medidos, para
se obter resultados satisfatórios devem ser seguidos alguns pontos básicos para realizar as
medições:
• Os eletrodos devem ser cravados, aproximadamente, a 20 cm no solo, até que
apresentem uma resistência mecânica de cravação consistente, definindo uma resistência de
contato aceitável;
• Os eletrodos devem estar sempre alinhados;
• As distâncias entre os eletrodos devem ser sempre iguais;
• Para cada espaçamento definido entre os eletrodos, ajustar o potenciômetro e o
multiplicador do Megger até que o indicador de medida do aparelho indique zero com o
equipamento ligado;
• O espaçamento entre os eletrodos deve variar de distância dobrando as distâncias (ex:
2, 4, 8, 16, etc.), equivalendo uma medida por ponto para cada distância considerada;
• Se o indicador de medida oscilar insistentemente, significa que existe alguma
interferência que deve ser eliminada ou minimizada, afastando-se por exemplo, os pontos de
medição;
• Devem ser anotadas as condições de umidade, temperatura do solo, etc.;

Em alguns casos, o ponto de aterramento é único e para as medições devem ser


considerados efetuar medidas em três direções, com ângulo de 60 ° entre si. Este é o caso de
sistema de aterramento pequeno, com um único ponto de ligação a equipamentos de sistemas
de pequeno porte, tais como: regulador de tensão, religador, transformador, seccionador,
transformador de corrente (TC), transformador de potencial (TP), chaves a óleo e a SF6, etc.
(KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
Nos casos de aterramento de uma subestação, devem-se efetuar medidas em várias
direções de modo a cobrir toda a área, inclusive se possível além da área pretendida. O ideal é
29

efetuar várias medidas em pontos e direções diferentes com preferência para medições na
direção da linha de alimentação e direção no ponto de aterramento ao aterramento da fonte de
alimentação (ABNT NBR 15751, 2013).
Com base nos valores resultantes da medição, calcula-se a média aritmética dos valores
de resistividade do solo para cada espaçamento considerado, calcula-se também o desvio de
cada medida em relação à média aritmética determinada, com a finalidade de desprezar todos
os valores de resistividade que tenham um desvio superior a 50 % em relação à média. Para
muitos valores desviados da média, é conveniente repetir as medições em campo e persistindo
os resultados anteriores, a região pode ser considerada como não aderente ao processo de
modelagem de método Wenner (FILHO, J., 2017).

2.2.3 Estratificação e Resistividade aparente do Solo

A estratificação do solo é a análise dos dados coletados na medição, é considerada a parte


mais crítica do processo, consequentemente, necessita de maiores cuidados na sua validação.
Como mencionado, a variação da resistividade do solo pode ser grande por causa da sua
heterogeneidade e, portanto, há a necessidade de se estabelecer equivalências para a estrutura
do solo. Quando o solo não for homogêneo, recomenda-se que se disponha de ferramentas
computacionais para análise (ABNT NBR 7117, 2012).
Nos solos heterogêneos a estratificação pode ser feita por métodos diversos tais como o
método de modelagem matemática do solo com duas camadas, método de Pirson, método de
Yokogawa e os métodos gráficos. Assim como adotamos o Arranjo de Wenner para as
medições, na estratificação vamos considerar o método de estratificação de duas camadas
convencional.

Figura 10 - Curvas típicas de solo de duas camadas

Fonte: ABNT NBR 7117 (2012)


30

A modelagem do solo de duas camadas usa teorias do eletromagnetismo no solo com duas
camadas horizontais, sendo possível desenvolver uma modelagem matemática, que com o
auxílio das medidas efetuadas pelo método Wenner, possibilita encontrar a resistividade do solo
da primeira e a segunda camada, bem como sua respectiva profundidade (KINDERMAN;
CAMPAGNOLO, 2011).
Para conhecimento, o método de Pirson pode ser encarado como uma extensão do método
de duas camadas. Ao se dividir a curva 𝜌 x a em trechos ascendentes e descendentes fica
evidenciado que o solo de várias camadas pode ser analisado como uma sequência de curvas
de solo equivalentes a duas camadas, “fatia-se” o solo em camadas de 𝜌 obtendo-se a
profundidade de cada resistividade equivalente (ABNT NBR 7117, 2012).
O método de Yokogawa é apresentado no manual do aparelho Yokogawa de medição de
resistência de terra. Com esse método, pode-se efetuar a estratificação do solo em várias
camadas horizontais com razoável aceitação. A origem do método baseia-se na logaritmização
da expressão original do método de duas camadas (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
Por fim, os procedimentos para estratificação do solo pelo método de duas camadas
convencional são definidos como: (FILHO, J., 2017).
a) Traçado da curva de resistividade média do solo: Plotar no eixo a (m) (profundidade da
malha) os valores das distâncias entre hastes e, no eixo 𝜌 (resistividade do solo), os valores
referentes às resistividades medias correspondentes aos pontos medidos para uma mesma
distância entre as hastes, conforme a figura 11. Prolonga-se a curva no ponto (𝐻1 , 𝜌𝑚 ) até o
eixo 𝜌 , determinando, assim, o valor de 𝜌1 . Para se determinar o valor de 𝜌2 (resistividade da
camada inferior do solo) deve-se traçar uma assíntota à curva de resistividade e prolonga-la até
o eixo das ordenadas.

Figura 11 - Curvas de valores para ρ x a

Fonte: ABNT NBR 7117 (2012)


31

b) Determinação da resistividade média do solo (𝜌𝑚 ): o valor da resistência média do solo


pode ser calculado a partir da equação 2.2. O valor de 𝐾1 é obtido através da tabela de fatores
𝜌
de multiplicação (Tabela 06 do ANEXO A) a partir da relação 𝜌2 , cujos valores são definidos
1

no gráfico correspondente a curva de resistividade do solo, que equivale ao gráfico ilustrado na


figura 11.

𝜌𝑚 = 𝜌1 ∗ 𝐾1 (Ω ∗ 𝑚) − (2.2)

𝜌𝑚 - resistividade média da solo, em Ω ∗ 𝑚;


𝜌1 - resistividade da primeira camada do solo, em Ω ∗ 𝑚;
𝐾1 - fator de multiplicação;

Para se determinar a profundidade a qual se encontra a resistividade média, introduz-se o


valor de 𝜌𝑚 na curva da figura 11 obtendo-se o valor 𝐻𝑚 .
O próximo passo da estratificação é definir a resistividade aparente do solo, que é a
resistividade vista por um particular sistema de aterramento. Assim, um solo homogêneo pode
apresentar-se com diferentes valores de resistividade visto por duas malhas de terra distintas.
Ou ainda, uma mesma malha de terra pode interagir diferentemente com um solo de mesma
resistividade média (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).

c) Determinação da resistividade aparente do solo (𝜌𝑎 ): Introduz-se na tabela auxiliar


(Tabela 07 do Anexo A) o valor de 𝐾1 , dado na tabela de fatores de multiplicação, juntamente
com o valor de 𝐾2 , dado na equação 2.3, obtendo-se o valor de 𝐾3 , a partir do qual se determina
o valor da resistividade aparente utilizando a equação 2.4.

𝑅
𝐾2 = − (2.3)
𝐻𝑚

𝜌𝑎 = 𝐾3 ∗ 𝜌1 − (2.4)

𝐾1 - fator de multiplicação;
𝑅 - raio do círculo equivalente à malha de terra, dado pela equação 2.5, em m;
𝐻𝑚 - profundidade da camada de solo correspondente a resistividade média, em m;
32

𝜌𝑎 - resistividade aparente do solo, em Ω ∗ 𝑚;


𝜌1 - resistividade da primeira camada do solo, em Ω ∗ 𝑚;
𝐾3 - fator de multiplicação;

𝑆
𝑅 = √ (𝑚) − (2.5)
𝜋

𝑆 - área da malha de terra, em m;

A Equação 2.5 correspondendo a malhas de aterramento com áreas retangulares. Para


sistemas de aterramento utilizando eletrodos verticais, o valor de R é dado pela 2.6:

(𝑁 − 1) ∗ 𝐷𝑒
𝑅= (𝑚) − (2.6)
2

N - número de eletrodos verticais;


𝐷𝑒 - distância entre os eletrodos verticais, em m;

2.2.4 Métodos e Geometrias de Aterramento

Os métodos mais tradicionais de instalação de um sistema de aterramento no solo são a


malha de aterramento e as hastes alinhadas, porém, existem diversas outras possibilidades de
se obter um aterramento adequado com “geometrias” ou modelos de aterramentos distintos. Os
métodos mais eficientes e adotados serão estudados neste módulo. Sendo eles:
• Haste simples cravada no solo;
• Hastes alinhadas;
• Hastes em triângulos;
• Hastes em círculos;
• Placas de material condutor enterradas no solo;
• Fios ou cabos enterrados no solo, formando diversas configurações, tais como:
o Estendido em vala comum;
o Em cruz;
o Em estrela;
33

o Quadriculados, formando uma malha de terra;

O modo de instalação de sistema de aterramento a ser adotado depende da importância


do sistema de energia elétrica envolvido, do local e do custo. O sistema mais eficiente, é
evidentemente, a malha de terra qual é de uso obrigatório em subestações de médio e grande
porte (ABNT NBR 15751, 2013).

2.2.4.1 Aterramento com uma haste vertical cravada ao solo

Na utilização de uma haste vertical cravada ao solo deve-se primeiro calcular a


resistividade aparente do solo vista pela haste, conforme a equação 2.7, conhecida como
fórmula de Hummel. O cálculo da resistividade aparente (𝜌𝑎 ) de um sistema de aterramento é
efetuado considerando o nível de penetração da corrente de escoamento num solo de duas
camadas. Portanto, um solo com muitas camadas deve ser reduzido a um solo equivalente em
duas camadas. A resistência do aterramento da haste é depois calculada pela 2.8.
(KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).

𝐿1 + 𝐿2
𝜌𝑎 = (Ω ∗ 𝑚) − (2.7)
𝐿1 𝐿2
+
𝜌1 𝜌2

Figura 12 - Haste cravada no solo estratificado

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)

𝜌𝑎 4𝐿
𝑅𝐻𝑎𝑠𝑡𝑒 = 𝐿𝑛( ) (Ω ∗ 𝑚) − (2.8)
2∗𝜋∗𝐿 𝑑

𝑅𝐻𝑎𝑠𝑡𝑒 - resistência elétrica de apenas uma haste; em Ω ∗ 𝑚;


L - comprimento da haste, em m;
d - diâmetro do círculo equivalente à área de seção transversal da haste, em m;
34

Kindermann e Campagnolo (2011) explicam que nem sempre o aterramento com uma
única haste fornece o valor da resistência desejada. Neste caso, examinando-se a expressão 2.8
pode-se conhecer os parâmetros que influenciam na redução do valor da resistência elétrica do
aterramento. Esses parâmetros são:
• Aumento do diâmetro da haste;
• Colocação das hastes em paralelo;
• Aumento do comprimento da haste;
• Redução da resistividade aparente (𝜌𝑎 ) utilizando tratamento químico do solo.

2.2.4.2 Aterramento com mais de uma haste vertical cravada ao solo

A resistência equivalente de um conjunto de (hastes) eletrodos verticais alinhados não


corresponde ao mesmo resultado do paralelismo de resistências elétricas. A zona de
interferência das linhas equipotenciais provoca uma área de bloqueio do fluxo de corrente de
cada eletrodo vertical, de modo que a resistência do conjunto de eletrodos é superior ao valor
dos eletrodos quando considerados como resistores em paralelo (FILHO, J., 2017).

Figura 13 - Zona de interferência com eletrodos verticais

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)

O acréscimo da resistência do conjunto de eletrodos é calculado pela equação 2.9,


considerando-se incialmente dois eletrodos verticais, eletrodo e e eletrodo m:
35

2
0,183 ∗ 𝜌𝑠 (√𝐿2 ℎ+ 𝐷2 𝑒𝑚 ) − 𝐿2 ℎ − 𝐷2 𝑒𝑚
𝑅𝑒𝑚 = ∗ 𝐿𝑜𝑔 [ 2]
(Ω ∗ 𝑚) − (2.9)
𝐿ℎ 2 2 2
𝐷 𝑒𝑚 − (√𝐿 ℎ + 𝐷 𝑒𝑚 − 𝐿ℎ )

𝑅𝑒𝑚 - acréscimo de resistência do eletrodo e por influência do eletrodo m, em Ω ∗ 𝑚;


𝐷𝑒𝑚 - distância horizontal entre o eletrodos e e m, em m;

Considerando-se um conjunto de n hastes em paralelo tem-se:

𝑅1 = 𝑅11 𝑅12 𝑅13 𝑅14 𝑅1𝑛


𝑅 = 𝑅21 𝑅22 𝑅23 𝑅24 𝑅2𝑛
[ 2 ] (2.10)
𝑅3 = 𝑅31 𝑅32 𝑅33 𝑅34 𝑅3𝑛
𝑅𝑛 = 𝑅𝑛1 𝑅𝑛2 𝑅𝑛3 𝑅44 𝑅𝑛𝑛

Em que 𝑅1 , 𝑅2 , 𝑅3 , 𝑅𝑛 é a resistência individual de cada haste do conjunto.

O acréscimo da resistência por influência de outros eletrodos é somado ao valor da


resistência da haste individual. Na maioria dos casos todas as hastes são de mesmo tamanho e
bitola, sendo comum a utilização de tabelas com índice de redução 𝐾ℎ𝑎𝑠𝑡𝑒 (Tabelas do Anexo
B)
𝑅𝑒𝑞
𝐾ℎ𝑎𝑠𝑡𝑒 = − (2.11)
𝑅ℎ𝑎𝑠𝑡𝑒

𝑅𝑒𝑞 - resistência equivalente do sistema com n hastes iguais paralelas, em Ω ∗ 𝑚;

2.2.4.3 Malha de Terra

A malha de terra é a tipologia de sistema de aterramento mais utilizada em subestações


de potência e deve seguir as recomendações da ABNT NBR 15751 (2013). Para o cálculo da
malha de terra devem ser coletados e calculados os seguintes parâmetros:
• Resistividade aparente do solo (𝜌𝑎 );
• Resistividade da camada superior do solo (𝜌1 );
• Resistividade do material de acabamento da superfície da subestação (𝜌𝑠 );
• Corrente de curto circuito fase-terra (𝐼𝑐𝑓𝑡 );
• Tempo de duração da corrente de curto circuito fase-terra (𝑇𝑓 );
36

A corrente de curto circuito fase-terra (𝐼𝑐𝑓𝑡 ) pode ser calculada manualmente ou por meio
de softwares, deve considerar um planejamento para um horizonte de 10 anos. A seção do
condutor da malha de terra é função da corrente de curto fase-terra no seu valor máximo, que
pode ser obtido tanto do lado primário, como do lado secundário do transformador (FILHO, J.,
2017).
Deve-se ressaltar que um dimensionamento de uma malha de terra é um processo
iterativo. Parte-se de uma malha inicial e verificam-se os potenciais na superfície do solo,
quando no máximo defeito à terra os potenciais são superiores aos valores máximos suportáveis
por um ser humano modifica-se o projeto inicial da malha até se estabelecer as condições
exigidas. Caso todos os potenciais sejam inferiores aos limites, parte para o detalhamento da
malha. (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
O condutor mínimo da malha de terra (𝑆𝑐 ) é dimensionado considerando-se os esforços
mecânicos e térmicos que ele pode suportar. Verificando-se também se o condutor suporta os
esforções de compressão, tração e cisalhamento e que está sujeito durante a sua vida útil, devido
ao peso do solo, da estrutura armada e da movimentação de veículos sobre a malha da
subestação (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
Quanto ao dimensionamento térmico, utiliza-se a formula de Onderdonk (2.12) que
considera o calor produzido pela corrente de curto circuito totalmente restrito ao condutor
(ABNT NBR 15751,2013).

𝑡 ∗ 𝛼𝑟 ∗ 𝜌𝑡 ∗ 104
𝑆𝑐 = 𝐼𝑐𝑓𝑡 ∗ (𝑚𝑚2 ) − (2.12)
√ (𝐾0 + 𝑇𝑚 )
𝑇𝐶𝐴𝑃 ∗ 𝐿𝑛
(𝐾0 + 𝑇𝑎 )

𝑆𝑐 - seção, expressa em milímetros quadrados, mm²;


𝐼𝑐𝑓𝑡 - corrente de curto fase-terra máxima, em kA;
𝛼𝑟 - coeficiente térmico de resistividade do condutor a t°C, expressa em Ω * cm;
TCAP – é o fator de capacidade térmica, em joule por centímetro cúbico vezes graus
Celsius [J/(cm³ * °C)];
𝑇𝑚 - temperatura máxima suportável, expressa em graus Celsius (°C);
𝑇𝑎 - temperatura ambiente, expressa em graus Celsius (°C);
𝐾0 - coeficiente térmico de resistividade do condutor a 0 °C;
37

Para cabos de conexões entre a malha de aterramento e as estruturas a fórmula de


Onderdonk pode ser simplificada para a equação 2.13, considerando apenas um coeficiente
𝐾𝑓 tabelado (ABNT NBR 15751, 2013).

𝑆 = 𝐼𝑐𝑓𝑡 ∗ 𝐾𝑓 ∗ √𝑇𝑓 (𝑚𝑚2 ) − (2.13)

𝐾𝑓 - constante para o tipo de conexão, conforme tabela 1;

A norma brasileira ABNT NBR 16254-1 (2014) trata das dimensões mínimas e materiais
padronizados para eletrodos de aterramento. Tratando-se de cabos de cobre, estes devem ser
fabricados com cobre eletrolítico, 99 % de pureza, com 100 % de condutividade International
Annealed Copper Standard (IACS), e atender aos requisitos de ensaio da ABNT NBR 6524
(1998).

Tabela 1- Constante Kf

Fonte: ABNT NBR 15751 (2013)

Após dimensionar a seção mínimo do condutor, deve se pré-definir as dimensões da


malha com base no espaço disponível para instalação, levando em conta o histórico do sistema
elétrico por similaridade das malhas existentes. Assim, estabelece um projeto inicial da malha
com espaçamento entre condutores e definir, e passa a definição se serão utilizados, junto com
a malha, hastes de aterramentos (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
38

Figura 14 - Dimensões pré-definidas da malha de aterramento

Fonte: Adaptado de (MORAES, 2017)

Após a predefinição da malha de terra calcula-se o número de condutores principais, que


são denominados aqueles instalados na direção que corresponde à largura da malha de terra.
Determinados pela equação 2.14 (FILHO, J., 2017).

𝐶𝑚
𝑁𝑐𝑝 = + 1 − (2.14)
𝐷𝑙

𝑁𝑐𝑝 - numero de condutores principais;


𝐶𝑚 - comprimento da malha de terra, em m;
𝐷𝑙 - distância entre os cabos correspondentes à largura da malha de terra, em m;

Os condutores de junção são denominados aqueles instalados na direção que


corresponde ao comprimento da malha de terra. São determinados pela equação 2.15 (FILHO,
J., 2017).
𝐿𝑚
𝑁𝑐𝑗 = + 1 − (2.15)
𝐷𝑐

𝑁𝑐𝑗 - número de condutores de junção;


𝐿𝑚 - largura da malha de terra, em m;
𝐷𝑐 - distância entre os cabos correspondentes ao comprimento da malha de terra, em m;
39

Após o cálculo do número de condutores principais e de junção deve se calcular o


comprimento total dos condutores através da equação 2.16. O comprimento será um dos
principais parâmetros de influência na resistividade do sistema de aterramento, considera se um
fator de acréscimo de 1,05 que representa o acréscimo de cabo de malha referentes aos
condutores de ligação (FILHO, J., 2017).

𝐿𝑐𝑚 = 1,05 ∗ [( 𝐶𝑚 ∗ 𝑁𝑐𝑗 ) + (𝐿𝑚 ∗ 𝑁𝑐𝑝 )] (𝑚) − (2.16)

𝐿𝑐𝑚 - comprimento total da malha de terra;

Devido as heterogeneidades entre cada malha de terra no que se trata a profundidade e


resistividade aparente, utilizam-se coeficientes de ajustes para correção da resistência da malha.
O coeficiente de malha (𝐾𝑚 ) corrige a influência da profundidade da malha de terra (H), do
número de condutores (principais e de junção) e do espaçamento entre os referidos condutores.
O coeficiente de superfície (𝐾𝑠 ) corrige a influência da profundidade da malha de terra (H), do
diâmetro do condutor (𝐷𝑐𝑎 ), e do espaçamento entre os mesmos. O Coeficiente chamado de
coeficiente de irregularidade (𝐾𝑖 ), corrige a não uniformidade do fluxo da corrente da malha
para a terra. Todos os coeficientes devem ser calculados para condutores de junção e para os
condutores principais e anotar o maior produto entre eles (FILHO, J., 2017).

1 𝐷²
𝐾𝑚 = ∗ 𝐿𝑛[ ] − (2.17)
2∗𝜋 4 ∗ 𝜋 ∗ (𝑁 − 1) ∗ 𝐻 ∗ 𝐷𝑐𝑎

1 1 1 𝐿𝑛[0,655 ∗ (𝑁 − 1) − 0,328]
𝐾𝑠 = ∗{ + + } − (2.18)
𝜋 2∗𝐻 𝐷+𝐻 𝐷

𝐾𝑖 = 0,65 + 0,172 ∗ 𝑁 − (2.19)

D - espaçamento médio entre os condutores, na direção considerada, em m;


H - profundidade da malha, em m;
N - numero de condutores na direção considerada;
𝐷𝑐𝑎 - diâmetro do condutor, em m;
40

Com o cálculo dos coeficientes e anotados os valores maiores para cada coeficiente (de
junção ou principal), o próximo passe é o cálculo do comprimento mínimo de condutores que
a malha deve satisfazer a fim de atender as exigências de projeto. O valor do comprimento
mínimo deve ser menor que o comprimento dos condutores da malha pré-definida, estabelecida
pela equação 2.16. Caso a condição não seja atendida, deve-se aumentar o número de
condutores e refazer os cálculos.

𝐾𝑚 ∗ 𝐾𝑖 ∗ 𝜌𝑎 ∗ 𝐼𝑐𝑓𝑡 ∗ √𝑇𝑓
𝐿𝑇 = (𝑚) − (2.20)
116 + 0,174 ∗ 𝜌𝑠

𝐿𝑇 - comprimento mínimo da malha de terra;


𝜌𝑠 - resistividade da camada superior da malha, normalmente coloca-se brita e adota o
valor de 3.000 Ω ∗ 𝑚;

Após o dimensionamento da malha, podem-se usar outras alternativas recomendadas para


melhorar ainda mais a qualidade da malha de terra:
• Fazer espaçamentos menores na periferia da malha;
• Arredondamento dos cantos da malha de terra, para diminuir o efeito das pontas;
• Rebaixamento dos cantos;
• Colocar hastes pela periferia;
• Colocar haste na conexão do cabo de ligação do equipamento com a malha;
• Fazer submalha no ponto de aterramento de bancos de capacitores e chaves de
aterramento, se não for possível, usar malha de equalização somente neste local.
• Colocar um condutor em anel a 1,5 m da malha e a 1,5 m de profundidade.

Com o comprimento da malha de terra definido parte se para o processo de determinar a


resistência de aterramento da malha. No caso de subestações da classe de 15 a 36 kV adota-se
resistência mínima da malha de 10 Ω e em subestações acima de 69 kV adota-se resistência de
5 Ω. Em casos como proteção a descargas atmosféricas ou malha para aterramento funcional
deve-se estudar e estabelecer o melhor valor a ser adotado.

𝜌𝑎 𝜌𝑎
𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 = + (Ω) − (2.21)
4 ∗ 𝑅 𝐿𝑐𝑚
41

𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 - resistência da malha de terra projetada;


R - raio do círculo equivalente à área destinada à malha de terra, em m (calculado nas
equações 2.5 ou 2.6);

Em muitos casos são instalados eletrodos verticais junto a malha de terra, neste caso o
valor da resistência das hastes deve ser considerado. Calcula-se o valor da resistência mutua
entre os eletrodos individualmente a malha de terra, o valor da resistência mutua é inserido no
cálculo da resistência total do sistema de aterramento.

𝜌𝑎 2 ∗ 𝐿𝑐𝑚 𝐾1 ∗ 𝐿𝑐𝑚
𝑅𝑚𝑢𝑡𝑢𝑎 = ∗ [𝐿𝑛 ( )+ − 𝐾2 + 1] (Ω) − (2.22)
𝜋 ∗ 𝐿𝑐𝑚 𝐿𝐻 √𝑆

S - área da malha, em m²;


𝐿𝐻 - comprimento total das hastes utilizadas, em m;

Resistência total do sistema de aterramento:

𝑅𝑚𝑢𝑡𝑢𝑎 ∗ 𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 − 𝑅²𝑚𝑢𝑡𝑢𝑎


𝑅𝑇 = (Ω) − (2.23)
𝑅𝑚𝑢𝑡𝑢𝑎 + 𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 − 2 ∗ 𝑅𝑚𝑢𝑡𝑢𝑎

2.2.5 Atendimento à segurança humana

Segundo João Mamede Filho (2017) e Kindermann e Campagnolo (2011) o limite de


corrente alternada suportada pelo corpo humano é de 25 mA, sendo que, na faixa entre 15 e 25
mA, o indivíduo sente dificuldades em soltar o objeto energizado. Entre 15 e 80 mA, o
indivíduo é acometido de grandes contrações e asfixia. Acima de 80 mA, até a ordem de
grandeza de poucos amperes, o indivíduo sofre graves lesões musculares e queimaduras, além
de asfixia imediata. Acima disso, as queimaduras são intensas, o sangue sofre o processo de
eletrólise, a asfixia é imediata e há necrose dos tecidos. A gravidade dessas lesões depende do
tempo de exposição do corpo humano à corrente elétrica.
É extremamente importante que após o dimensionamento do sistema de aterramento
sejam verificados se os valores de potenciais e corrente devido ao aterramento estão dentro dos
limites estabelecidos pela segurança humano. Caso os valores projetados superem os limites
42

devem ser adotados medidas a fim de diminuir esses parâmetros. Se for necessário a malha
deve ser reprojetada.

2.2.5.1 Tensão de contato ou tensão de toque

É aquela a que está sujeito o corpo humano quando em contato com partes metálicas
(massas) acidentalmente energizadas. O valor máximo de tensão de toque que uma pessoa pode
suportar sem que ocorra a fibrilação ventricular é expresso por:

116 + 0,174 ∗ 𝜌𝑠
𝐸𝑡𝑚 = (V) − (2.24)
√𝑇𝑓

O valor da tensão de contato existente na malha projetada é dado pela equação 2.25.

𝐾𝑚 ∗ 𝐾𝑖 ∗ 𝜌1 ∗ 𝐼𝑐𝑓𝑡
𝐸𝑡𝑒 = (V) − (2.25)
𝐿𝑐𝑚

2.2.5.2 Tensão de passo

Quando um indivíduo se encontra no interior de uma malha de terra e por meio desta está
fluindo, naquele instante, determinada corrente de falta, fica submetido a uma tensão entre os
dois pés (distância de 1,0 m adotada em cálculos) chamada de tensão de passo. Cabe salientar
que a corrente elétrica quando injetada no solo, por eletrodos ou diretamente por descarga
atmosférica, se dispersa em forma de arcos com o centro no local de penetração, podendo
provocar uma tensão de passo menor em distâncias mais distantes do centro (FILHO, J., 2017).
As tensões de passo ocorrem quando entre os membros de apoio (pés) aparecem
diferenças de potencial. Isso ocorre quando os pés estão posicionados sobre linhadas
equipotenciais diferentes. As linhas equipotenciais se formam na superfície do solo quando do
escoamento da corrente de curto-circuito. Se durante a falha (curto circuito) os dois pés
estiverem sobre a mesma linha equipotencial ou se um único pé estiver sendo usado como
apoio, não haverá tensão de passo (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
O valor máximo de tensão de passo que pode ser suportável pelo ser humano é dado pela
equação 2.26 e o valor da tensão de passo existente na malha de terra projetada é calculado na
equação 2.27.
43

116 + 0,7 ∗ 𝜌𝑠
𝐸𝑝𝑚 = (V) − (2.26)
√𝑇𝑓

𝐾𝑠 ∗ 𝐾𝑖 ∗ 𝜌1 ∗ 𝐼𝑐𝑓𝑡
𝐸𝑝𝑒 = (V) − (2.27)
𝐿𝑐𝑚

2.2.5.3 Corrente de Choque

É o maior valor suportável pelo corpo humano para um tempo de permanência de contato
de sobre a malha de terra projetada. Este parâmetro é utilizado para dimensionamento da
proteção.

116
𝐼𝑐ℎ = (mA) − (2.28)
√𝑇𝑓

A corrente de choque existente devido à tensão de passo, sem a utilização de uma camada
de brita na periferia da malha é calculada pela equação 2.29.

1000 ∗ 𝐸𝑝𝑒
𝐼𝑝𝑠𝑏 = (mA) − (2.29)
1000 + 6 ∗ 𝜌1

Como a área da subestação é mais perigosa, o solo habitualmente é revestido por uma
camada de brita. Esta confere maior qualidade no nível de isolamento dos contatos dos pés com
o solo e diminui os valores da corrente. Neste caso a corrente existente é calculada pela equação
2.30.
1000 ∗ 𝐸𝑝𝑒
𝐼𝑝𝑐𝑏 = (mA) − (2.30)
1000 + 6 ∗ (𝜌1 + 𝜌𝑠 )

A corrente de choque existente devido à tensão de toque, sem a utilização de uma camada
de brita na periferia da malha é calculada pela equação 2.31.

1000 ∗ 𝐸𝑡𝑒
𝐼𝑝𝑠𝑏 = (mA) − (2.31)
1000 + 1,5 ∗ 𝜌1
44

Quando se utiliza a camada de brita, neste caso a corrente existente é calculada pela
equação 2.32.
1000 ∗ 𝐸𝑡𝑒
𝐼𝑝𝑐𝑏 = (mA) − (2.32)
1000 + 1,5 ∗ (𝜌1 + 𝜌𝑠 )

Para a medição do potencial de toque existente, utilizam-se duas placas de cobre ou


alumínio, com superfícies bem polidas, de dimensões 10 x 20 cm e com um terminal próprio
para interligação com os terminais do voltímetro. As dimensões da placa simulam a área ativa
do pé humano em contato com o solo e, deve-se colocar 40 kg sobre cada placa (admitindo um
peso humano de 80 kg). Adota-se o peso humano de 80 kg para propositalmente dar um valor
mais conservador em termos de segurança. No caso da medição de potencial de passo, são
utilizados duas placas de cobre ou alumínio, como descritas no item anterior, que são colocadas
no solo espaçadas de 1 metro. Deverá ser aplicado um peso de 40 kg a cada placa para simular
o peso do corpo humano e inserir entre os dois pontos uma resistência de 1000 ohms.
(KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).

2.2.6 Resistência do sistema de aterramento instalado

Sendo a malha de terra um dos fatores predominantes na segurança de um sistema


elétrico, sua resistência real deve satisfazer às condições previstas na norma brasileira ou em
documentos de instituições internacionais de comprovada idoneidade, como a International
Electrotechnical Commission (IEC). Neste intuito, toda subestação, antes de ser energizada pela
concessionária local, passa por inspeção de rotina para verificação de certos parâmetros
considerados essenciais a segurança do indivíduo (FILHO, J., 2017).
Os parâmetros de qualidade são inspecionados pelo critério da concessionária local, a
resistência de aterramento da malha ou do sistema projetado deve ser comprovada via testes e
medições padronizadas pela norma ABNT NBR 15749 (2009). Assim como nos passos
anteriores, a norma traz alguns métodos distintos de como devem ser realizados as medições, o
método de queda de potencial é adequado a instalações de baixa tensão, o método de injeção
de alta corrente é adequado a sistemas de alta tensão e linhas de transmissão.
A medição da resistência da malha de terra é feita por meio do terrômetro, utilizando-se
os eletrodos conformes disposição da figura 15. consiste em aplicar uma tensão entre o sistema
a ser medido e um eletrodo auxiliar de corrente, e medir a resistência de terra até o ponto
desejado através de uma sonda ou eletrodo auxiliar de potencial (FILHO, J., 2017).
45

Figura 15 - Método de medição por queda de potencial

Fonte: ABNT NBR 15749 (2009)

No processo de medição, o eletrodo de potencial deve ser deslocado ao longo de uma


direção predefinida, a partir da periferia do sistema de aterramento sob ensaio, em intervalos de
medição igual a 5% da distância do eletrodo auxiliar de corrente à borda da malha. Fazendo a
leitura do valor da resistência em cada posição, obtendo-se a curva de resistência em função da
distância, conforme a figura 16 (ABNT NBR 15749, 2009).

Figura 16 - Curva característica teórica da resistência de aterramento de um eletrodo pontual

Fonte: ABNT NBR 15749 (2009)


46

Entende-se que a densidade de correntes no solo junto ao eletrodo de tensão quando


próximo a borda é máximo. A medida que se vai aumentando o afastamento as linhas de
correntes se espraiam diminuindo a densidade de corrente. Após certa distância da borda o
espraiamento das linhas de correntes é enorme, e a densidade de corrente é praticamente nula,
portanto, está é a região do solo para o afastamento considerado ideal para o parâmetro da
resistência do sistema (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
Segundo Kindermann e Campagnolo (2011), durante a medição devem ser observados
algumas recomendações sobre os procedimentos da ABNT NBR 15749 (2009):
• Alinhamento do sistema de aterramento principal com as hastes de potencial e auxiliar;
• A distância entre o sistema de aterramento principal e a haste auxiliar deve ser
suficientemente grande, para que a haste de potencial atinja a região plana do patamar;
• O aparelho deve ficar o mais próximo possível do sistema de aterramento principal;
• As hastes de potencial e auxiliar devem estar bem limpas, principalmente isentas de
óxidos e gorduras para possibilitar bom contato com o solo;
• Calibrar o aparelho, isto é, ajustar o potenciômetro e multiplicador do Megger até que
seja identificado o valor 0;
• As hastes usadas devem ser do tipo Copperweld, com 1,5 m de comprimento e diâmetro
de 16 mm;
• Cravar as hastes no mínimo 70 cm do solo;
• O cabo de ligação deve ser de cobre com bitola mínima de 2,5 mm²;
• As medições devem ser feitas em dias em que o solo esteja seco, para se obter o maior
valor de resistência de terra desse aterramento;
• Se não for o caso acima, devem se anotar as condições do solo;
• Se houver oscilação da leitura, durante a medição, significa existência de interferência.
Deve se então deslocar as hastes de potencial e auxiliar de corrente para outra direção, de modo
a contornar o problema.
• Verificar o estado do aparelho;
• Verificar a carga da bateria.

2.2.7 Tratamento químico do solo

Todo sistema de aterramento depende da sua integração com o solo e da sua resistividade
aparente, se o sistema já está fisicamente definido e instalado, ou se não existe alternativa
47

possível, dentro das condições do sistema de trocar o local com resistividade elevada, a única
maneira de diminuir sua resistência elétrica é alterar as características do solo, usando um
tratamento químico (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).
Silvério Filho (2002) explica que a prática de tratar o solo quimicamente pode ser muito
eficiente para aterramentos de pequena dimensão. Embora a redução da resistividade seja
promovida apenas nas proximidades dos eletrodos, é justamente esta porção do solo que é
responsável pela maior parcela da resistência do aterramento. O autor reforça que reduções de
até 50 % do valor da resistividade podem ser obtidos facilmente em sistemas pequenos (por
exemplo, sistemas com poucas hastes). Entretanto em aterramentos de subestações raramente
se alcança redução superior a 15 %.
Os materiais que podem ser utilizados para um bom tratamento químico do solo devem
ter características tais como:
• Boa higroscopia
• Não lixivavel;
• Não ser corrosivo;
• Baixa resistividade elétrica
• Quimicamente estável no solo;
• Não ser tóxico;
• Não causar dano a natureza;

Os tipos de tratamento químicos mais comuns segundo Kindermann e Campagnolo


(2011) são a Bentonita, material argiloso que absorve a água e mantem a umidade, o Earthron,
material liquido de lignosulfato, geleificador e sais orgânicos que nutre o solo e retêm a
umidade, e alguns géis que na presença de água formam um agente ativo no tratamento, não
solúveis em água e não corrosivos.
Atualmente, diversos fabricantes de materiais possuem na sua linha de produtos,
materiais para melhoria da resistividade do solo, entretanto, as características de fabricação e
utilização dos produtos são distintas. A eficiência dos produtos está condicionada aos relatos e
manuais dos próprios fabricantes.
48

Figura 17 - Tratamento químico do solo e as variações mensais de resistência

Fonte: Kindermann e Campagnolo (2011)

A ação efetiva do tratamento químico deve-se ao fato de que os produtos químicos são
higroscópicos e manter retida a água por longo tempo, assim, a resistência de aterramento decai
acentuadamente. Portanto, recomenda-se nas regiões que tenham período de seca bem definido,
molhar a terra do sistema de aterramento, o que terá o mesmo efeito do tratamento químico.
Em subestações de potência pode-se deixar instalado um conjunto de mangueiras furadas e em
períodos regulares, molhar a terra que contém a malha de terra. Pode-se inclusive adicionar a
água a solução do produto químico do tratamento. Em terreno extremamente seco, pode-se
concretar o aterramento, pois, o concreto tem a propriedade de manter a umidade e sua
resistividade está entre 30 e 90 ohms por metro. (KINDERMAN; CAMPAGNOLO, 2011).

2.3 SISTEMAS DE PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS (SPDA)

As descargas atmosféricas, conhecidas popularmente como “raios”, são fenômenos


naturais que causam danos nas redes de energia elétrica, danos em edificações, falhas de
sistemas eletrônicos, além de mortes de pessoas e animais. A proteção contra essas descargas
elétricas é tratada na norma brasileira ABNT NBR 5419 (2015), que é dividida em 4 partes:
Princípios Gerais; Gerenciamento de Risco; Danos físicos a estruturas e perigos à vida e
Sistemas elétricos e eletrônicos internos na estrutura.
A parte 1 da norma trata dos parâmetros elétricos e físicos das descargas atmosféricas,
tais como a duração de uma descarga, ou seja, aproximadamente 200 microssegundos. Por meio
49

de análise de fotografias e registros dos oscilógrafos foi possível também obter a forma de onda
do impulso da descarga, bem como a duração dos seus períodos (FLEURY; GUEDES, 2015).

Figura 18 - Curva típica do impulso da descarga atmosférica

Fonte: Fleury e Guedes (2015)

Fleury e Guedes (2015) explicam que a frente de onda corresponde ao período de subida
da corrente ou tensão do raio, sendo sua duração estimada em 1,2 microssegundos,
correspondente a ação fulminante do raio. O valor de crista é a maior intensidade atingida pela
corrente ou tensão do raio nessa subida. Já a cauda do raio corresponde à forma do raio, até o
valor final em torno de 200 microssegundos. O período ou tempo de meia cauda é o tempo em
que a cauda atinge o valor de meia crista, 50 microssegundos. É nesse tempo que o raio causa
mais danos.
A Probabilidade de ocorrências de valores de pico das descargas atmosféricas, segundo
a ABNT NBR 5419 (2015) são:
• 95 % - Menor igual a 5 kA;
• 80 % - Menor igual a 20 kA;
• 60 % - Menor igual a 30 kA;
• 20 % - Menor igual a 60 kA;
• 10 % - Menor igual a 80 kA;
50

Figura 19 - Densidade de descargas atmosféricas NG – Mapa do Brasil (descargas atmosféricas/km²/ano)

Fonte: Site ELAT INPE (2018)

Estes valores são necessários para o dimensionamento do SPDA externo e para


parâmetros de cálculo das tensões de surto em um SPDA interno.
A ABNT NBR 5419 (2015) traz uma metodologia de como avaliar se uma proteção contra
as descargas atmosféricas é realmente necessária, leva-se em consideração os riscos de perdas
ou danos permanentes em vidas humanas, risco de perdas em serviços públicos, risco de perdas
do patrimônio cultural e risco de perdas de valor econômico. A proteção é necessária se o risco
calculado for maior do que um valor de risco tolerável pré-estabelecido. Este risco calculado
depende de:
• O número anual de descargas atmosféricas que influenciam a estrutura;
• A probabilidade de dano por uma das descargas atmosféricas que influenciam;
• A quantidade média das perdas causadas;

Na avaliação do número anual de descargas atmosféricas que influenciam a estrutura, o


número de descargas pode ser avaliado a partir da sua densidade, que é uma característica da
região onde está localizada a edificação ou estrutura, para obter seu valor, pode-se consultar o
site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O número anual de descargas atmosféricas que influenciam a estrutura também é
influenciado pela área de exposição equivalente da edificação, calculada como a área definida
51

pela intersecção entre a superfície do solo, com uma linha reta de inclinação 1 para 3 a qual
passa pelas partes mais altas da estrutura (tocando-a nestes pontos) e rotacionando ao redor
dela. A determinação do valor da exposição também pode ser obtida graficamente ou
matematicamente.

Figura 20 - Área de exposição equivalente AD de uma estrutura

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

Outros fatores de risco que influenciam no cálculo do gerenciamento do risco são o tipo
de linha de sinal e energia, medidas de proteção já existentes, sistema de proteção contra
combate a incêndio, utilização de medidas de proteção contra surtos, entre outros. O risco é
calculado considerando a probabilidade de uma descarga causas os danos e quando este risco
excede o risco tolerável a utilização de medidas de proteção contra descargas atmosféricas é
recomendável, sendo necessário adotar medidas de proteção conforme uma classe de proteção
(Classe I, II, III ou IV) ABNT NBR 5419 (2015).
A finalidade do SPDA externo e interno é interceptar as descargas atmosféricas que
atingem diretamente a parte superior da estrutura, suas laterais, ou proximidades, permitindo
que a corrente elétrica decorrente flua para a terra sem ocasionar transitórios perigosos a vida e
ao patrimônio, centelhamento e efeitos térmicos e mecânicos danosos à estrutura (FILHO, J.,
2017)
De forma geral o sistema de proteção contra descargas atmosféricas externo é
constituído de três subsistemas:
a) Subsistema de captação: elementos condutores responsáveis pelo contato direto com as
descargas atmosféricas, podem ser captores naturais ou não naturais.
52

b) Subsistema de descidas: elementos expostos que ligam o subsistema de captação ao


subsistema de aterramento, podem em naturais ou não naturais.
c) Subsistema de Aterramento: responsáveis pela dispersão da corrente elétrica no solo.
Também se classificam em naturais ou não naturais.

Os modelos de projeto e montagem de um SPDA externo são o modelo eletrogeométrico


ou da esfera rolante, modelo de Franklin e modelo de gaiola de Faraday ou das malhas.

Figura 21 - Projeto de modelagem por esfera rolante

Fonte: Creder (2007)

Sobre o método de projeto da esfera rolante, entende se por uma esfera rolante fictícia
que percorre a edificação em toda sua extensão onde possa ocorrer impacto direto de uma
descarga, e nas laterais de todas as estruturas com altura maior que o raio, R, da esfera rolante.
Cada ponto lateral tocado pela esfera rolante é um ponto possível de ocorrência de um impacto
direto dessas descargas. Entretanto, a probabilidade de ocorrência de descargas atmosféricas
laterais é, geralmente, desprezível para estruturas com altura inferior a 60 m. ABNT NBR 5419
(2015).
O método de Franklin é o método clássico de proteção contra descargas e utiliza o
parâmetro de “método de ângulo de proteção” para disposição dos captores. Este método é
limitado pela altura de edifícios, que varia conforme a classe do SPDA. Atualmente possui seu
uso cada vez mais restrito.
53

Figura 22 - Edificação protegida por SPDA

Fonte: Creder (2007)

Para superfícies planas a norma recomenda que a melhor opção é o método das malhas,
devendo ser considerado a instalação de captores nas periferias da malha, em saliências da
cobertura e se necessário em cumeeiras de telhados. A utilização de métodos mistos também é
recomendada, sendo a medida prática necessária em muitos casos reais. Outras medidas de
proteção contra danos das descargas atmosféricas que também são abrangidas pela ABNT NBR
5419 (2015) são as medidas de proteção contra surtos, uso do dispositivo de proteção contra
surtos de tensão, equipotencialização da malha de aterramento, isolação de partes expostas,
restrições de acesso, entre outras.

2.4 PROTEÇÃO DE EQUIPAMENTOS SENSÍVEIS

2.4.1 Transientes

Os equipamentos eletrônicos estão sujeitos a uma grande quantidade de fenômenos


transientes, sendo o campo eletromagnético aquele de maior destaque no cotidiano da operação
desses equipamentos, por se localizam em ambientes que são percorridos por centenas de
54

circuitos elétricos, conduzindo correntes, muitas vezes de valor elevado. Além disso, esses
equipamentos podem estar operando nas proximidades de circuitos de média e alta tensões, cuja
intensidade do campo elétrico, pode interferir no seu desempenho operacional ou mesmo
danificá-lo (FILHO, J., 2010).
Os fenômenos transientes são aqueles gerados por fontes internas e externas ao sistema
supridor, com diferentes formas de ondas e variada intensidade, diferem -se do conceito de
ruídos que são as distorções sobrepostas a um sinal elétrico de características conhecidas, que
modifiquem sua forma de onda no tempo. Os principais transientes tratados neste trabalho são:

2.4.1.1 Curtos Circuitos

Nas instalações elétricas ocorrem faltas (quando parte da instalação perde a sua isolação),
que resultam em sobrecorrentes elevadas. Nestas condições, os dispositivos de proteção devem
atuar com rapidez e segurança, isolando as faltas com o mínimo de danos às linhas e aos
equipamentos alimentados e, se possível, sem alterar substancialmente o funcionamento global
da instalação. Neste caso, todos os componentes e cabos devem ser capazes de suportar, por um
determinado tempo, os efeitos térmicos e mecânicos resultante da circulação desta corrente de
curto circuito (COTRIM, 2003).

2.4.1.2 Manobras de bancos de capacitores

Em geral, bancos de capacitores são manobrados diariamente para reagir as condições de


carregamento do sistema, sendo este, portanto, um dos eventos mais comuns em sistemas de
potência. As manobras podem acarretar em severas solicitações, de tensão e de corrente, aos
equipamentos do sistema, causando transitórios de frequências elevadas, cuja intensidade
depende dos parâmetros da rede e suas proteções. Os transitórios mais frequentes são as
sobretensões e surtos de tensão e corrente (MOURA et al., 2012)
Essas sobretensões são resultados do fenômeno de ressonância elétrica entre a reatância
indutiva e a reatância capacitiva do sistema, incluindo o banco de capacitores. São
caracterizados por sobretensões de longa duração, de alta energia e de alta frequência, podendo
a tensão de crista da perturbação atingir o valor de 2 a 5 pu da tensão senoidal do sistema. É
preciso utilizar neste caso, protetores contra sobretensão, podendo ser os para-raios de baixa
tensão, localizados no ponto de suprimento de energia, ou os varistores, instalados nos
equipamentos eletrônicos. (FILHO, J., 2010).
55

2.4.1.3 Partida de motores elétricos de indução tipo gaiola

Os motores elétricos, durante a partida solicitam da rede de alimentação, uma corrente de


valor elevado, da ordem de seis a oito vezes a sua corrente nominal. Nestas condições o circuito,
que inicialmente, fora projetado para transportar a potência requerida pelo motor, é solicitado,
agora, pela corrente de acionamento, durante certo período de tempo. Em consequência, o
sistema fica submetido a uma queda de tensão, normalmente muito superior aos limites
estabelecidos para o funcionamento em regime, podendo provocar sérios distúrbios
operacionais nos equipamentos de comando e proteção, notadamente os equipamentos sensíveis
(FILHO, J., 2010).
Sempre que possível a partida desses motores deve ser indireta, com a finalidade de
diminuir essas solicitações ao sistema. A partida estrela-triângulo, por exemplo, trabalha em
dupla tensão de ligação e a corrente fica reduzida em cerca de 25 a 33 % da corrente de partida
direta. Outros métodos comuns de partida indireta são a partir da chave compensadora,
autotransformador, inversores de frequência e dispositivos soft starters (COTRIM, 2003).
A ABNT NBR 5410 (2004), norma brasileira que disciplina as instalações elétricas de
baixa tensão, recomenda que a queda de tensão, durante a partida de um motor, não seja superior
a 10 %. Porém, dependendo da sensibilidade dos equipamentos instalados, esse limite deve ser
bem inferior, não devendo superar o valor de 2%. Cada situação deve ser estudada
isoladamente, dentro de uma solução geral.

2.4.1.4 Chaveamento do sistema de potência

A operação de disjuntores e interruptores nos sistemas de potência, de forma geral, gera


campos eletromagnéticos cuja frequência pode atingir valores, da ordem de 100 MHz. Em
subestações de 132 kV, os valores de intensidade de campo elétrico encontrado nos disjuntores,
em operação de abertura alcançam aproximadamente 20 kV/m. esse valor cai rapidamente para
taxas médias de 3 kV/m a uma distância de 50 cm, passando para 1 kV/m quando a distância é
aproximadamente 1 m. As emanações desses campos podem causar distúrbios nos
equipamentos eletrônicos e para evitar que os sinais produzidos pela manobra de equipamentos
das subestações deixem o ambiente onde foram originados, é necessário prover a edificação de
uma blindagem eletromagnética. Neste caso, aplica-se, por exemplo, uma tela metálica, com
malha de valor aproximado de 10 x 10 mm e diâmetro do fio de cerca de 1 mm e para que a
blindagem seja eficiente é necessário que fiquem aberturas capazes de deixar o campo
56

eletromagnético sair do recinto. Para isto, faz-se necessário um projeto específico (FILHO, J.,
2010).
A eficiência de uma blindagem pode ser medida pela atenuação do campo que ela pode
propiciar. Atenuações de 15 dB em frequência de 100 MHz são consideradas excelentes. Além
das emissões de alta frequência, o chaveamento do sistema elétrico pode causar oscilações de
tensão de baixa frequência que também afetam os equipamentos sensíveis. São fenômenos de
baixa energia e controlados através de filtros (FILHO, J., 2010).

2.4.1.5 Chaveamentos eletrônicos

Conforme explicado anteriormente, em partidas de motores de médio e grande portes,


utilizados nas instalações industriais, os motores são acionados por partidas indiretas, através
de chaves de partida eletrônicas capazes de produzir sinais periódicos com frequência variando
entre 100 e 100.000 Hz. Um exemplo são as chaves soft Starters, de uso cada vez mais
crescentes. Outro equipamento que pode poluir com sinais indesejáveis as redes elétricas é o
controlador de velocidade de motores de indução, que mantem constante a relação entre tensão
fornecida ao motor e a frequência. O uso de filtros impede que esses sinais atinjam os
equipamentos de tecnologia da informação (FILHO, J., 2010).

2.4.1.6 Harmônicos

Harmônicos são tensões ou correntes de frequências diferentes da onda fundamental, em


qual o sistema opera (50 Hz ou 60 Hz) e possuem multiplicas frequências (IEEE std 1159,
1995). Segundo Ramos (2009) essas componentes harmônicas causam prejuízos ao sistema
elétrica, elevam a temperatura de condutores e de rotores de motores, aumentam as perdas
elétricas e podem provocar sobretensões em capacitores devido ao efeito da ressonância.

Outros transientes tratados em bibliografias sobre o assunto são a variação de frequência


da rede, distúrbios de pequena frequência na rede elétrica, transientes causados por fornos a
arco do tipo direto, radiação de campo de fuga de transformadores de força e cabos de potência,
além das descargas atmosférica e descargas eletrostáticas.
Todo componente de proteção de transiente ou parte de um sistema elétrico é
caracterizado por uma tensão de suportabilidade aos surtos de tensão, ao que se dá o nome de
tensão suportável de impulso (TSI). No caso de sistemas de distribuição da classe de 15 kV, a
57

tensão suportável de impulso é de 95 kV, enquanto nos sistemas de 69 kV a TSI é de 355 kV.
Já nos sistemas de baixa tensão esse valor é de 10 kV (FILHO, J., 2010).

Figura 23 - Surtos de tensão viajando por um sistema de transmissão

Fonte: Filho, J. (2012)

João Mamede Filho (2012) explica que se o valor do surto de tensão superar a TSI dos
isoladores da rede de energia elétrica, ocorre uma descarga através deles, podendo perfura-los.
A descarga também pode ser conduzida externamente e em ambos os casos, fica
presumivelmente estabelecido um curto circuito monopolar a terra, resultando o desligamento
do sistema de proteção de neutro. Se o valor do surto de tensão for inferior a TSI dos isoladores,
a onda de tensão caminha até atingir os equipamentos que estão conectados as duas
extremidades do circuito. Para que esses equipamentos não sejam danificados é necessária a
instalação de para-raios nos pontos de conexão da rede pública de energia elétrica com a rede
do consumidor.

2.4.2 Blindagem eletromagnética

Uma blindagem eletromagnética é um método de redução ou atenuação dos campos


eletromagnéticos que incidem sobre uma instalação, realizada por uma partição metálica
localizada entre duas regiões do espaço a fim de controlar a propagação de campos
eletromagnéticos de uma das regiões para a outra. A blindagem pode ser utilizada, por exemplo,
para conter uma fonte de ruído, evitando a interferência desta fonte de ruído com quaisquer
equipamentos externos à blindagem. Igualmente, a blindagem pode ser usada para manter
58

radiação eletromagnética fora de uma região específica do espaço; isto fornece proteção
somente para o equipamento (receptor) específico contido dentro da blindagem. Nos casos de
estações de transmissão não se pode blindar a fonte; os receptores que devem, quando
necessários, serem blindados (SARKIS, 2000).
Nessas condições há duas soluções a serem implementadas. A primeira consiste na
blindagem da subestação total ou parcialmente, dependendo dos estudos de compatibilidade
eletromagnética. A outra solução, ao contrário, é prover de blindagem eletromagnética o
ambiente onde estão operando os equipamentos sensíveis. A solução adotada, evidentemente,
depende, além dos estudos já referidos, de entendimentos entre a concessionária e o cliente.
(FILHO, J., 2010).
A blindagem pode ser magnética, constituídas de materiais magnéticos ou
ferromagnéticos, ou condutiva, constituída de materiais condutores não magnéticos,
diamagnéticos ou paramagnéticos ou simplesmente uma combinação de ambos os tipos.
A Blindagem magnética é confeccionada em ferro fundido, aço ou níquel, por exemplo.
Apresentam a propriedade de concatenar o fluxo magnético muito mais eficiente que o ar,
possibilitando que o fluxo resultante sem seu interior seja menor que o fluxo contido no material
utilizado para a blindagem, uma vez que tal fluxo tenderá a buscar o caminho de menor
relutância. O grau de atenuação é função da permeabilidade magnética do material
(característica que define a facilidade ou dificuldade de um material ser atravessado por linhas
de campos magnéticos) e da espessura adotada. Tais blindagens podem ser utilizadas para
atenuar campos magnéticos gerados por correntes continuas (estacionarias) ou correntes
alternadas (ISONI, 2010).
As Blindagens condutivas são confeccionadas em cobre ou alumínio por exemplo, os
fluxos magnéticos incidentes provocam a circulação de correntes parasitas (Foucault). Tais
correntes por sua vez, produzem fluxos que se opõem ao fluxo que as gerou (Lei de Lenz),
atenuando sua intensidade, o que representa uma barreira de campos magnéticos. O grau de
atenuação é função da condutividade elétrica do material (característica que define a facilidade
ou dificuldade de um material ser percorrido por correntes elétricas) e da espessura adotada.
Pelo seu princípio, tais blindagens podem ser utilizadas para atenuar campos eletromagnéticos
gerados apenas por correntes alternadas (ISONI, 2010).
A capacidade de uma determinada blindagem eletromagnética de absorver e/ou refletir
parte das ondas incidentes é chamada de atenuação. Normalmente as atenuações são calculadas
em decibéis (dB) devido à facilidade de expressar seus valores. A equação 2.33 mede o valor
de atenuação ou perda de uma blindagem eletromagnética.
59

𝐸𝑒
𝑃 = 𝐾 ∗ 𝐿𝑜𝑔 ( ) (dB) − (2.33)
𝐸𝑖

𝐾 - constante que depende do parâmetro medido;


𝐾 = 20 - quando se mede tensão ou corrente;
𝐾 = 10 - quando se mede potência;
𝐸𝑒 - intensidade de campo eletromagnético externo à blindagem;
𝐸𝑖 - intensidade de campo eletromagnético no interior da blindagem;

O bel é uma unidade logarítmica utilizada normalmente para expressar uma relação entre
duas grandezas de mesma natureza. Sua maior aplicação se dá em eletroacústica, já que o
ouvido humano percebe os sons em escala logarítmica.
Outra maneira de avaliar uma blindagem é relacionar a densidade de campo magnético
que incide sobre a blindagem e a densidade de campo magnético no seu interior. Pode-se utilizar
como parâmetros a relação entre as intensidades dos campos magnéticos ou as dos campos
elétricos presentes fora e no interior da blindagem. A estas relações dá-se o nome de fator de
blindagem e pode ser expressa pela equação 2.34.

𝐵𝑒 𝐻𝑒
𝐹𝑏 = = − (2.34)
𝐵𝑖 𝐻𝑖

𝐵𝑒 - densidade de fluxo magnético externo à blindagem, isto é, incidente na blindagem;


𝐵𝑖 - densidade de fluxo magnético no interior da blindagem;
𝐻𝑒 - intensidade de fluxo magnético externo à blindagem
𝐻𝑖 - intensidade de fluxo magnético no interior da blindagem;

Quando se projeta uma blindagem eletromagnética para uma edificação, espera-se como
resultado, que nenhuma fonte provoque interferência nos equipamentos eletrônicos sensíveis
que operam no seu interior. No entanto, cuidados adicionais devem ser observados a fim de que
as ondas eletromagnéticas que se quer imunizar, anulem todos os recursos empregados na
construção da blindagem. Por exemplo, que os cabos condutores, tanto os de energia elétrica
como os de comunicação, podem conduzir ondas eletromagnéticas para o interior da edificação,
atingindo diretamente os equipamentos eletrônicos. A indústria de condutores fabrica cabos
blindados com diferentes especificações e para diferentes finalidades cujo objetivo é atenuar os
60

efeitos das ondas perturbadoras produzidas pelo próprio sistema elétrico ou recebidas por uma
fonte externa ao sistema elétrico. São cabos utilizados em sistemas de comando de
equipamentos, indústria naval, indústria aeronáutica, etc. (FILHO, J., 2010).
Alguns tipos de cabos comuns no mercado:

2.4.2.1 Cabo com blindagem metálica

Segundo a norma IEEE STD 789 (2013) a blindagem de um cabo é um invólucro,


composto de fios metálicos, tira ou chapa metálica que inclui um fio ou grupos de fios, ou por
um cabo, construído de modo que substancialmente todos os pontos sobre a superfície
subjacente ou envoltório do núcleo estão ao potencial de terra ou em algum potencial
predeterminado em relação à terra.
A blindagem pode ser feita em três níveis dependendo da classe de tensão do cabo:
(EVANGELISTA, 2012)
• Blindagem do condutor: consiste na aplicação de material semicondutor sobre o
condutor encordoado. Esta camada (extrudada) preenche os vazios entre a isolação e os fios do
condutor, evitando a ionização do ar porventura. Com o material semicondutor, o campo
elétrico forma linhas mais uniformes entre o condutor e a isolação, evitando a concentração de
linhas de campo.
• Blindagem da isolação: para evitar a distribuição irregular do campo elétrico ao redor
da isolação, também é feita uma blindagem externa. A deformação das linhas de campo deve a
influência de potenciais externos ao cabo, principalmente condutores próximos. Para eliminar
este efeito se aplicam uma camada de material semicondutor envolvida por metal condutor (não
magnético), que equaliza o potencial ao redor da isolação. Esta blindagem confina o campo
elétrico ao interior da isolação, evitando a influência em condutores próximos e deixando as
linhas de campo com distribuição radial. Esta camada semicondutora da blindagem da isolação
é chamada parte não metálica, e pode ser realizada com pó de grafite e fita têxtil semicondutora
ou através de uma camada de composto polimérico semicondutor extrudada. A camada de
cobre, parte metálica da blindagem, pode ser realizada por uma fita delgada de cobre enrolada
sobre a isolação, ou por fios de cobre dispostos longitudinalmente, formando uma coroa
concêntrica. A blindagem geralmente não é necessária em baixa tensão, porém, em média
tensão os campos elétricos são intensos, sendo importante uma blindagem confiável. A presença
de impurezas entre as camadas semicondutoras e a isolação pode comprometer a eficiência da
blindagem, sendo importante um processo de fabricação que minimize esta possibilidade. Outra
61

função da blindagem da isolação é servir como um caminho de baixa impedância para a


correntes de curto circuito, aumentando a segurança da instalação.
• Blindagem eletrostática: em cabos de controle, instrumentação e comunicações, existe
outro tipo de blindagem: a blindagem eletrostática. Esta tem por objetivo evitar a influência de
campos eletromagnéticos externos nos sinais transmitidos. Constitui-se de uma camada de
material condutor envolvendo o cabo. Pode ser realizada com fitas de cobre, fios de cobre
trançado ou fita de poliéster aluminado, dependendo do tipo de cabo. Deve ter continuidade
elétrica e ser aterrada, para permitir a circulação de correntes que anulem ou minimizem o
campo magnético incidente. O aterramento também garante o potencial de terra ao redor do
cabo. Geralmente sobre a blindagem é extrudada uma capa interna de composto polimérico para
evitar o atrito do cobre com a isolação das veias. Em cabos de instrumentação a fita metalizada
é acompanhada por um condutor nu ou estanhado, que garante a continuidade elétrica.

2.4.2.2 Cabo de par trançado

É um cabo muito utilizado para telecomunicação, dotado de um feixe de dois fios que são
entrançados em torno do outro com a finalidade de anular as interferências eletromagnéticas de
fontes externas e interferências mutuas. O número de voltas dos fios por metro linear caracteriza
a capacidade do cabo de atenuar o efeito das ondas incidentes. Quanto maior for o número de
voltas maior é a capacidade de atenuação das ondas eletromagnéticas. O cabo de par trançado
pode ser constituído de vários condutores isolados torcidos aos pares e definidos por categorias
de capacidade de transmissão de dados (ABNT NBR 14565, 2013).

2.4.2.3 Cabos com compostos especiais

São chamados cabos EMC, são condutores comuns, porém dotados de um projeto
original, adicionado componentes especiais à sua isolação, contém o composto
(electromagnetic compatibility) EMC que tem elevada concentração de pó de ferrite, cerca de
90 %, cuja granulometria tem importância fundamental no desempenho do cabo. Esse composto
aumenta consideravelmente a eficiência dos cabos blindados contra a penetração de campos
eletromagnéticos, dissipando a energia de alta frequência induzida. O cabo EMC é utilizado
largamente em aeronaves e em instalações terrestres aeronáuticas em diversos países. Também
é utilizado em instalações nucleares e militares, a fim de resguardar os requisitos de segurança.
(FILHO, J., 2010)
62

2.4.3 Compatibilidade eletromagnética

A compatibilidade eletromagnética popularmente é conhecida como interferência


eletromagnética, tem este nome por transmitir uma ideia de coexistência “pacífica” entre dois
dispositivos. Estes dispositivos, apesar de estarem se interferindo mutuamente, ainda mantêm
o seu funcionamento correto, isto é, existe compatibilidade elétrica e magnética entre eles. A
compatibilidade eletromagnética, segundo Mattos (2014), ou simplesmente CEM, pode ser
subdividida em vários itens, entre os quais:
• Aterramento de proteção e funcional;
• Blindagem eletromagnética: cabos, bastidores, ambientes;
• Emissividade e suscetibilidade;
• Arranjo de dispositivos e componentes;
• Filtros e supressores;
• Protetores de transientes;
• Medições;

Quando um componente de um sistema elétrico, seja linha de transmissão, de distribuição


ou subestação transformadora, está em operação nas proximidades de outras instalações, tais
como centrais de telecomunicação, centros de informática, etc., podem ocorrer interferências
eletromagnéticas através de três diferentes tipos de acoplamentos (FILHO, J., 2010)
• Acoplamento indutivo: quando o campo magnético produzido por um sistema emissor,
induz tensões numa instalação, denominada de sistema receptor, localizado próximo a
sua vizinhança. Por exemplo, quando uma linha de transmissão ou uma rede de
distribuição de alta tensão está próximo a instalações enterradas ou aéreas, tais como
tubulações de gás, ferrovias, rede de distribuição secundária, esta pode induzir nelas
forças eletromotrizes capazes de produzir diferenças de potenciais e, consequentemente,
a circulação de correntes induzidas.
• Acoplamento capacitivo: entende-se por acoplamento capacitivo a transferência de
energia da instalação emissora para uma instalação localizada na sua vizinhança, através
das suas capacitâncias próprias e mutuas. É diretamente proporcional a taxa de variação
da tensão e a impedância ente o circuito responsável pela perturbação e o circuito
agredido.
63

• Acoplamento resistivo: entende-se por acoplamento resistivo a transferência de


potencial de um ponto qualquer do solo, onde é injetada uma corrente elétrica, a um
ponto remoto nas proximidades. Essas correntes são injetadas em condições de
descargas atmosféricas (captadas pelo SPDA) e correntes de curto circuito e propiciam
tensões de passo e de contato elevadas e perigosas ao indivíduo, podendo parte dessas
correntes ser transferida para as instalações receptoras, localizadas nas proximidades.

Figura 24 - Acoplamento resistivo

Fonte: Adaptado de Filho, J. (2012)

O efeito do acoplamento resistivo será tratado com maior ênfase neste trabalho devido a
influência do sistema de aterramento. O acoplamento resistivo é tanto mais severo quanto mais
próximos estiverem os pontos de injeção de correntes no solo e o ponto de aterramento da
instalação do receptor. No tocante a resistividade do solo, quanto maior for a resistividade do
solo, maior a elevação de potencial devido à corrente injetada nele.

2.5 ESTRUTURA GEOLÓGICA E CLIMÁTICA DO SERTÃO NORDESTINO

Evidencia o Sertão Nordestino marcado pelo solo pedregoso e pela vegetação escassa e
de pequeno porte onde se encontra a Caatinga, que tem um clima semiárido, caracterizado pela
baixa umidade e pouco volume pluviométrico. Situada numa área de transição entre o Agreste
e o Meio Norte, onde a formação do Sertão brasileiro estende-se por um espaço que abrange a
maior parte de todos os estados da Região Nordeste, além do Sudeste, ocupando uma área total
de 982. 563,3 km² (MORGADO, 2011).
64

Figura 25 - Mapa dos biomas brasileiros

Fonte: BFG (2015)

O sertão nordestino foi considerado uma situação ideia de solo adverso, segundo
Morgado (2011) o solo do sertão, em comum é pouco compacto, erodido periodicamente pelos
córregos esporádicos e dependentes do clima com suas fortuitas descontinuidades de chuvas,
os geógrafos distendes ainda está região por tipo de vegetação que consentem a distinção de
três subáreas climato-botânicas: o Agreste, a Caatinga e o Alto Sertão.
O Agreste forma uma faixa de trajetória entre o Nordeste semiárido e espinhento e o outro
Nordeste úmido e verdejante dos canaviais. Na paisagem desta subárea ainda se encontra a
presença da água, onde os rios que não chegam a secar totalmente no verão, sustentando sempre
um escasso filete de água ou empoçados a extensão. A vegetação se constitui sob a silhueta de
florestas espinhentas, espaçando-se no solo semiárido do Sertão e a mata da Região úmida. A
Caatinga é o império das cactáceas, com seu solo agressivo e seco arrebentam as coroas-de-
frade e os mandacarus arrepiados de espinhos. As árvores agachadas em arbustos e as suas
gêneses herbáceas concluem a paisagem queimada da Caatinga, sendo a zona de maior aridez
do Nordeste, com seus rios restringidos nas épocas secas às faixas de areia, leitos quentes
inteiramente expostos ao sol (MORGADO, 2011).
65

A área do Alto Sertão, tem o clima suavizado levemente, a vegetação, do tipo de savana,
se alinha, em certas zonas, com as faixas verdes dos carnaubais, capturando os vales férteis da
região. Tornando-se pouco denso as várias espécies espinhentas e as secas que são menos
insensíveis.
Ao oposto do que se espera, a região do sertão possui altos índices de precipitação
pluviométrica (entre 250 e 6000 mm anuais), porém a sua repartição é irregular, pois as chuvas
concentram-se em apenas uma estação do ano (de dezembro a maio), regionalmente chamado
de inverno. A região ainda sofre com interferência atmosféricas, como o El ninho, sistemas
frontais e frentes frias oriundas do Sul do pai (Luz et al, 2013).
66

3 APLICAÇÃO DO SISTEMA DE ATERRAMENTO E PROTEÇÃO E


ANÁLISE DE IMPLICAÇÕES

3.1 O OBJETO DE ANÁLISE

O estudo de caso considerado como base para aplicação foi um centro de


desenvolvimento e pesquisa de uma indústria petroquímica, localizada na cidade de Campina
Grande, na Paraíba. Para manter o sigilo profissional, grande parte das informações referente
ao objeto da análise foram alteradas ou ocultadas. Os parâmetros de medição e características
técnicas do objeto foram considerados na sua integra.

Figura 26 - Planta baixa do Centro de Desenvolvimento e Pesquisa

Fonte: Autor
67

O centro de desenvolvimento e pesquisa será construído para abrigar salas de escritórios,


salas de reuniões e salas de equipamentos eletrônicos, e ficará localizado dentro de uma área
industrial existente. Está previsto a construção de uma sala onde ficarão locados equipamentos
de Tecnologia da informação, chamada de sala de Datacenter, que abrigará, entre outros,
equipamentos eletrônicos considerados extremamente sensíveis aos efeitos de campos
eletromagnéticos, sendo estes equipamentos de valor econômico considerável, além de
abrigarem informações intelectuais de valores imensuráveis.
A cidade de Campina Grande se localiza no estado da Paraíba, possui uma área de cerca
de 600.000 km² com bioma caracterizado como “Caatinga” (IBGE, 2018). A densidade de
descargas atmosférica foi arredondada em 0,25 descargas por km²/ano, ocupando a 5311 °
posição no ranking de descargas nacionais (INPE, 2018).
A alimentação elétrica do centro de desenvolvimento e pesquisa será em 380V/60 Hz,
trifásico, vindo de um quadro geral de baixa tensão na saída do secundário de um dos
transformadores aéreos da planta.

Figura 27 - Diagrama unifilar da elétrica existente no parque industrial

Fonte: Autor

A classificação do sistema de aterramento existente na indústria, demonstrada no item


2.2.1, é de um sistema de aterramento tipo TN-S, possuindo o condutor neutro e o condutor de
proteção separados. O condutor de proteção é conectado ao centro da estrela das bobinas no
68

secundário do transformador e a um sistema de aterramento composto de 2 hastes cravadas


verticalmente e interligadas por um condutor de cobre nu de 70 mm².
Como explanado no item 2.2.1 este tipo de concepção tem a desvantagem de sofrer com
sobretensões devido à elevação de potencial do ponto neutro do sistema em circulação de
corrente de defeito. Para minimizar essas perturbações devem ser adotados medidas de proteção
contra surto e equalização das massas.
O quadro geral de baixa tensão (QGBT) existente possui além do disjuntor geral (450 A),
dispositivos de proteção contra surtos, de corrente de descarga de 40 kA, que está ligado entre
os barramentos de fase e o barramento de proteção. O barramento de proteção está conectado à
caixa do quadro de distribuição e ao barramento de neutro. O barramento de neutro está
conectado ao condutor neutro que vem do secundário do transformador abaixador.
Foi constatado que o QGBT está de acordo com as recomendações da ABNT NBR 5410
(2004) para este tipo de sistema de aterramento, porém as mesmas concepções de proteção e
equalização deverão ser adotadas nos quadros terminais que possam existir no centro de
desenvolvimento.
A alimentação elétrica dos quadros terminais do centro de desenvolvimento e os
condutores neutro e de proteção serão levados através de cabos e eletrodutos subterrâneos
(cerca de 100 m) e dois disjuntores do tipo caixa moldada serão adaptado ao quadro geral
(QGBT) para a proteção de sobrecorrente e curto circuito.
O centro de desenvolvimento e pesquisa a ser construído deverá possuir proteção contra
descargas atmosféricas (SPDA), proteções contra transientes elétricos, blindagens
eletromagnéticas para a sala de Datacenter e um sistema de aterramento de baixo valor e
equipotencialidade, que servirá de referencial de terra para os equipamentos eletrônicos de T.I.

3.2 COLETA DE DADOS E MEDIÇÕES

Precedendo à elaboração dos projetos existe a necessidade do levantamento de dados de


onde será implantado à nova edificação, os dados do tipo e resistividade do solo são necessários
para os projetos de aterramento e fundação, dados de clima e temperatura são necessários para
o projeto de SPDA, arquitetura, estrutural civil e projetos de conforto térmico.
A execução de estudos de sondagens é fundamental para análise das características do
solo, necessárias para desenvolver a fundação da edificação. Neste trabalho vamos acompanhar
o estudo de sondagens com a finalidade de coletar dados que possam ser utilizados para os
projetos de aterramento.
69

A definição sobre o tipo de sondagem a ser executada e os pontos de medição foram


definidos pelo departamento de engenharia civil, que optou pela sondagem do tipo Standard
Penetration Test (SPT), que é caracterizada por obter informações geológica-geotécnica da
área.

Figura 28 - Esquema ilustrativo do aparato de realização do SPT

Fonte: Schnaid (2000)

A sondagem SPT se caracteriza pela coleta de dados por amostragem, utiliza-se de um


amostrador metálico, padrão Raymond, qual é cravado 45 centímetros no solo e através da
utilização de um martelo padronizado, de ferro, de 65 kg que é solto em queda livre, são
contados os números de golpes necessários para que o amostrador possa cravar parcelas de 15
centímetros no solo. Os dados da perfuração são estudados e calculados para traçar o perfil do
solo (ABNT NBR 6484, 2001).
As medições e os dados posteriormente analisados indicaram que existe uma primeira
camada de silte arenoso e argila arenosa, com fragmentos de rocha, entretanto nas
profundidades próximas a 0,5 m e 1,0 m os testes foram interrompidos, conforme orientação da
ABNT NBR 6484 (2001), pois o amostrador parou de se mover com a pressão do martelo,
devido à uma camada rochosa que se estende por todo o perímetro de construção da edificação.
70

Figura 29 - Parte do Relatório de Sondagem

Fonte: Autor

Graficamente na figura 30, o perfil longitudinal da área de implantação, com a camada


rochosa sem a representação geotécnica:

Figura 30 - Perfil longitudinal do terreno

Fonte: Autor

O resultado da sondagem trouxe preocupação para o desenvolvimento do projeto do


sistema de aterramento, pode-se observar que o projeto deve considerar uma profundidade
máxima de 0,5 metros para os eletrodos horizontais e o uso de hastes de aterramento, qual é
comum para diminuir a resistência do sistema, seria inviável. As hastes são utilizadas também,
no caso do SPDA para facilitar a dispersão das correntes de descargas no solo (ABNT NBR
5419, 2015).
Dando sequência na coleta de dados, para o estudo da resistividade do solo, foi alugado
o aparelho 1625 da Fluke, que realiza os testes de injeção de corrente e medição de potencial
71

do solo. O dia selecionado para os testes foi um dia após sete dias sem chuvas, conforme
recomenda a ABNT NBR 7117 (2012).

Figura 31 - Testador de aterramento e proteção elétrica Fluke 1625

Fonte: Manual do usuário (2006)

O método de medição adotado foi o método Wenner, explanado no item 2.2.2.1, que
consiste em colocar quatro eletrodos de teste em linha, separados por uma distância a, e
enterrados no solo com uma profundidade b. Os dois eletrodos extremos são ligados aos
terminais de corrente C1 e C2 do equipamento de teste e os dois eletrodos centrais são ligados
aos terminais de potencial P1 e P2. Nestas medições adotamos a recomendação de fixar os
eletrodos a profundidades superiores a 20 cm para qualquer distância a com a finalidade de
poder aplicar a equação 2.1. As medições foram realizadas em três linhas fictícias distintas,
conforme recomendado na ABNT NBR 7117 (2012).

Tabela 2 - Medições de resistividade do solo na área da edificação


Espaçamento (m) Medições Resistividade Resistividade
1 2 3 Média (Ω ∗ 𝑚) Média Recalculada
(Ω ∗ 𝑚)
1 1783 1557 1544 1628 1628
2 x x x x x
4 x x x x x
Fonte: Autor

Quando os eletrodos foram distribuídos a distância igual ou superior a 2 entre eles, o


medidor não conseguiu obter continuidade com a terra. O display do equipamento indiciou
mensagens de “Erro” e só foi possível obter os valores para as profundidades de 1 metro. Essa
72

situação já era esperada após o resultado do estudo das sondagens SPT que indicava uma
camada sólida de rocha a uma breve profundidade. Outro fato observado no local foi o excesso
de rachaduras na superfície do solo, característica típica do solo seco da caatinga, explanado no
item 2.5.
Com base nos valores resultantes da medição, calculou-se a média aritmética dos valores
de resistividade do solo para cada espaçamento considerado (neste caso, apenas para 1 metro),
e nenhum dos valores superou o desvio padrão de 50 % da média aritmética.
Para a modelagem e estratificação dos resultados obtidos será utilizado o processo de
modelagem do solo de duas camadas, qual utiliza as teorias do eletromagnetismo no solo com
duas camadas horizontais, sendo possível desenvolver uma modelagem matemática, que com
o auxílio das medidas efetuadas pelo método Wenner, possibilita encontrar a resistividade do
solo da primeira e a segunda camada, bem como sua respectiva profundidade.
A curva 𝜌 𝑥 𝑎 foi traçada na figura 32 considerando os valores para distância entre
eletrodos da tabela 2, para os valores desconhecidos devido a camada sólida rochosa do solo,
adotamos o valor de 3000 Ω ∗ 𝑚, valor comum adotado para cálculo de resistividade de uma
camada de brita em superfícies de Subestações ABNT NBR 15751 (2013).

Figura 32 - Curva ρ x a

Fonte: Autor

Na sequência dos procedimentos do método de duas camadas, prolongando-se a curva


𝜌 𝑥 𝑎 e obtém-se 𝜌1 = 1700 Ω ∗ 𝑚 e traçando-se uma assíntota até o eixo das ordenadas obtém-
se 𝜌2 = 3000 Ω ∗ 𝑚.
Para determinar o valor da resistividade média aplica-se a equação 2.2
73

𝜌𝑚 = 𝜌1 ∗ 𝐾1 (Ω ∗ 𝑚) − (2.2)

𝜌
Sendo o valor de 𝐾1 = 1,1340 dado pela Tabela 06 do Anexo A, usando a relação: 𝜌2 =
1

1,76.
𝜌𝑚 = 1700 ∗ 1,1340 = 1928 Ω ∗ 𝑚

O valor de 𝐻𝑚 , que é a profundidade da camada de solo correspondente a resistividade


média, é definido colocando-se o valor de 𝜌𝑚 na curva da figura 32.

𝐻𝑚 = 1,3 𝑚

Para se definir a resistividade aparente do solo, ou seja, a resistividade vista por um


particular sistema de aterramento, deve se antes definir as dimensões da malha de aterramento.
Visto que, mesmo um solo homogêneo pode apresentar-se com diferentes valores de
resistividade visto por malhas de terra distintas. Neste caso prático, a princípio serão definidos
dois aterramentos distintos, o aterramento do sistema de proteção contra descargas atmosféricas
e o aterramento de referência para a sala de Datacenter. As dimensões da malha são:
• Malha de Aterramento do SPDA: 48 m x 25 m (1200 m²);
• Malha do Datacenter: 12 m x 4,5 m (54 m²);

Primeiro vamos calcular a resistividade aparente do solo para a malha de aterramento do


SPDA e em um segundo momento a da malha do Datacenter e depois comparar os resultados.
Para isso, introduz-se na tabela auxiliar (Tabela 06 no Anexo 2) o valor de 𝐾1 , dado na
tabela de fatores de multiplicação, juntamente com o valor de 𝐾2 , calculado na equação 2.3,
obtendo-se o valor de 𝐾3 , a partir do qual se determina o valor da resistividade aparente
utilizando a equação 2.4.
O raio da malha de aterramento do SPDA é calculado considerando a área da malha S,
inicialmente estimada em 48 m x 25 m (1200 m²):

𝑆
𝑅 = √ (𝑚) − (2.5)
𝜋
74

1200
𝑅=√ = 19,54 𝑚
𝜋

Retornando com os valores na equação 2.3:

𝑅
𝐾2 = − (2.3)
𝐻𝑚

19,54
𝐾2 = = 15,03
1,3

O Cálculo da resistividade aparente do solo visto pela malha de aterramento do SPDA é


calculado pela equação 2.4. Pela Tabela 07, no Anexo A, encontra se 𝐾3 = 1,37 .

𝜌𝑎 = 𝐾3 ∗ 𝜌1 − (2.4)

𝜌𝑎 = 1,37 ∗ 1700 = 2329 Ω ∗ 𝑚

O procedimento é análogo para se definir a resistividade aparente da malha de


aterramento do Datacenter, inicialmente estimada em 12 m x 4,5 m (54 m²):

54
𝑅=√ = 4,14 𝑚
𝜋

Retornando com os valores na equação 2.3:

4,14
𝐾2 = = 3,18
1,3

O Cálculo da resistividade aparente do solo visto pela malha de aterramento do Datacenter


é calculado pela equação 2.4. Pela Tabela 07, no Anexo A, encontra se 𝐾3 = 1,25 .

𝜌𝑎 = 1,25 ∗ 1700 = 2125 Ω ∗ 𝑚


75

Comparando os resultados da resistividade aparente do solo para a malha do SPDA e a


malha do datacenter, verifica-se que a resistividade para a malha do Datacenter é menor. O
resultado é esperado, pois a malha do datacenter tem uma área menor, a dispersão das correntes
de fuga se dá em uma superfície do solo menos profunda do que para a malha do SPDA que
necessita de solos mais profundos e mais resistivos para dispersão. O resultado seria inverso se
as camadas do solo mais profundas apresentassem resistividades menores do que na superfície,
o que é mais comum nas áreas com o bioma úmido.

3.3 PROTEÇÃO CONTRA DESCARGAS ATMOSFÉRICAS DA EDIFICAÇÃO

O gerenciamento de risco, descrito na ANBT NBR 5419 (2015) é o primeiro passo para
identificar a necessidade de um sistema de proteção contra descargas atmosféricas, que
basicamente compara-se os riscos existentes de dano na estrutura com riscos pré-estabelecidos
toleráveis. Os riscos são divididos em risco de perda da vida humana, risco de perda de serviço
público, risco de perda de patrimônio cultural e risco de perda de valores econômicos.

Figura 33 - Densidade de descargas atmosféricas NG – Mapa da região nordeste

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

Neste trabalho, a edificação tem um risco de perda de valor econômico considerável e um


risco de perda de valor intelectual imensurável, tendo em vista esta situação a aplicação de uma
76

análise de risco fez-se desnecessária e todos os métodos de proteção mais avançados serão
aplicados.
Importante considerar que a análise do mapa de densidade de descargas atmosféricas da
região mostra um baixo nível de descargas atmosféricas por km² por ano, o que possivelmente
levaria um resultado de não necessidade de SPDA pelo gerenciamento de risco convencional.
De acordo com a ABNT NBR 5419 (2015), as medidas de proteção para reduzir os danos
físicos à estrutura são:
a) subsistema de captação;
b) subsistema de descida;
c) subsistema de aterramento;
d) equipotencialização para descargas atmosféricas (EB);
e) isolação elétrica (e daí a distância de segurança).

As medidas de proteção para reduzir as falhas dos sistemas elétricos e eletrônicos são:
a) medidas de aterramento e equipotencialização;
b) blindagem magnética;
c) roteamento da fiação;
d) interfaces isolantes;
e) sistema de DPS coordenado.

Todas as medidas de proteção acima compõem o sistema completo de proteção contra


descargas atmosféricas e deverão ser aplicadas na edificação em estudo. Para efeito de
padronização, serão separados em SPDA externo, destinados a principalmente a atender as
medidas de proteção contra danos físicos e em SPDA interno, destinados principalmente a
atender os danos e falhas em sistemas elétricos e eletrônicos e os danos por choque elétrico.

3.3.1 Subsistema de Captação

Para o subsistema de captação, adotamos a concepção do método da gaiola de Faraday


ou método das Malhas segundo a ABNT NBR 5419 (2015). Adotamos no dimensionamento, a
classe I, ou seja, a classe mais severa e que mantem a menor probabilidade de danos à estrutura.
Neste conceito, segundo a norma, a malha do sistema de captação deve manter afastamento
máximo entre os seus eletrodos de 5 metros.
77

No desenvolvimento do projeto, uma integração com o departamento de arquitetura foi


possível e foram realizadas modificações na estrutura da cobertura da edificação com a
finalidade de utilizar a própria cobertura como o subsistema de captação. A cobertura passou a
ser considerada em chapas metálicas de aço inoxidável de 0,5 mm de espessura aparafusadas
com parafusos e porcas que mantem a continuidade elétrica com o subsistema de descida.

Figura 34 - Conexão entre o subsistema de captação e o subsistema de descida

Fonte: Autor

3.3.2 Subsistema de Descida

O subsistema de descida providencia diversos caminhos para a corrente de descarga e


deve possuir o menor caminho possível entre o subsistema de captação e o subsistema de
aterramento. Similar ao subsistema de captação do tipo malha, a distância entre as descidas é
calculada com base na classe do SPDA, considerando a necessidade mínima de pelo menos um
condutor de descida em cada canto saliente da estrutura e se necessários condutores para impor
a distância de segurança.
78

Tabela 3 - Valores típicos de distância entre os condutores de descidas

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

As paredes e estruturas da edificação serão de concreto e o uso dos componentes naturais


da edificação para descida do SPDA foi descartado. Neste caso os condutores de descida serão
posicionados na superfície da parede com distâncias não superiores a 10 metros.

Figura 35 - Planta da edificação com as descidas do SPDA

Fonte: Autor

3.3.3 Subsistema de Aterramento

O subsistema de aterramento visto pela ABNT NBR 5419 (2015) é visto de modo
diferente a visão da ABNT NBR 5410 (2004) por tratar da necessidade de dispersão das
correntes de descargas atmosféricas, os quais possuem formas de ondas diferente das ondas das
correntes de fuga com frequência industrial. A resistência de aterramento deve ser a menor
79

possível para dispersar as descargas, porém a resistência da malha de aterramento não possui
valores mínimos a serem atendidos, diferente da ABNT NBR 5410 (2004) que fixa em 10 Ω.
Outro ponto de vista é que uma única infraestrutura de aterramento integrada é preferível
e adequada para todos os propósitos, ou seja, o eletrodo deveria ser comum e atender à proteção
contra descargas atmosféricas, sistemas de energia elétrica e sinal (telecomunicações, TV a
cabo, dados, etc.) (ABNT NBR 5419, 2015).
A única geometria de aterramento abordada na ABNT NBR 5419 (2015) é o condutor em
anel, externo à estrutura a ser protegida, que mantenha o contato com o solo em pelo menos 80
% do seu comprimento total e podendo ser expandido a malha de aterramento se necessário
para diminuir tensões perigosas.

Figura 36 - Comprimento mínimo do eletrodo de aterramento de acordo com a classe do SPDA

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

O parâmetro para dimensionamento do sistema de aterramento utilizado é do


comprimento mínimo do eletrodo de aterramento e definido pela figura 36.
De acordo com a figura 36, o comprimento mínimo do eletrodo de aterramento para o
centro de desenvolvimento e pesquisa deverá ser de 80 metros, considerando a malha inicial
adotada de 48 m x 25 m, este valor é atendido.
80

As hastes verticais são consideradas necessárias para ajudar na dispersão da corrente


elétrica no solo ou para ajudar a atender o comprimento mínimo de eletrodo de aterramento.
Como a estrutura do solo não permite a utilização das hastes, seu uso não será considerado.
A profundidade mínima para o eletrodo de aterramento é 0,5 m, exatamente a
profundidade máxima que é possível enterrar o eletrodo no solo estudado. A distância ao redor
das paredes deve se aproximar de 1,0 metro.

Figura 37 - Planta da edificação com a malha de aterramento e as descidas

Fonte: Autor

O eletrodo de aterramento será de cabo de cobre nu 50 mm² arredondado maciço e o


condutor de descida será de fita maciça de alumínio 7/8” x 1/8” conforme recomendações
mínimas da ABNT NBR 5419 (2015).

3.3.4 Equipotencialização para fins de proteção contra descargas atmosféricas

A equipotencialização é obtida por meio de interligação do SPDA com a estrutura


metálica da cobertura, eletrocalhas, eletrodutos, caixas de quadros de distribuição, tubulações
metálicas e demais componentes metálicos internos à edificação e também externos, se
considerados necessários. ABNT NBR 5419 (2015).
Deste modo foi projetado uma caixa de equalização, chamada de barramento de
equipotencialização principal (BEP), para conexão do aterramento do SPDA, do barramento de
81

terra do quadro terminal do centro de desenvolvimento e de outras instalações metálicas


existentes.

Figura 38 - Barramento de equipotencialização principal (BEP)

Fonte: Autor

O BEP será instalado na parte externa da edificação ao nível do solo e todos os condutores
que interligam a barra a outras barras serão através de cabo de cobre nu arredondado de 16 mm²
e protegidos por eletrodutos de aço galvanizado. O cabo que interliga as massas metálicas ao
BEP será de cobre nu 6 mm² também protegido por eletrodutos de aço galvanizado.

3.3.5 Isolação elétrica do SPDA

A isolação elétrica do SPDA compreende de uma distância entre os componentes do


SPDA e instalações metálicas internas superior a uma distância de segurança, calculada pela
equação 3.1 (ABNT NBR 5419, 2015).

𝐾𝑖𝑠
𝑆𝑠 = ∗ 𝐾𝑐𝑠 ∗ 𝑙 (𝑚) − (3.1)
𝐾𝑚𝑠

𝑆𝑠 - distância de segurança, em metros;


𝐾𝑖𝑠 - coeficiente tabelado, depende do nível de proteção do SPDA;
𝐾𝑚𝑠 - coeficiente tabelado, depende da corrente da descarga atmosférica pelos
condutores de descida.
82

𝐾𝑐𝑠 - coeficiente tabelado, depende do material isolante;


𝑙- comprimento expresso em metros (m), ao longo do subsistema de captação ou de
descida, desde o ponto onde a distância de segurança deve ser considerada até a
equipotencialização mais próxima;

Tabela 4 - Valores do coeficiente Ki

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

Tabela 5 - Valores do coeficiente Km

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

Tabela 6 - Valores do coeficiente Kc

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

Retornando na equação 3.1 e desconsiderando o comprimento I, devido a utilização da


estrutura da cobertura como captor continuo:

0,08
𝑆𝑠 = ∗ 0,44 = 0,0704 𝑚
0,5

O resultado da equação indica que deve ser respeitado uma distância de 7,04 cm das
descidas do SPDA para segurança de pessoas e equipamentos. Está analise em muitos os casos
83

é ignorada pelos projetistas de SPDA. Neste trabalho, algumas descidas estão suficientemente
próximas a janelas podendo causar tensões toque perigosas, portanto foi necessário projetar
barreiras de proteção para as descidas através de eletrodutos de PVC de 1” conforme a figura
34.
Os próximos passos tratam de medidas de proteção contra surtos (MPS), que visam a
reduzir os danos permanentes internos à estrutura devido aos impulsos eletromagnéticos de
descargas atmosféricas, é abrangido pela ABNT NBR 5419-4 (2015).
A edificação em estudo será dividida em duas zonas de proteção (ZP), a ZPR 1 será toda
a área interna da edificação, e deve possuir equipotencialidade na fronteira com a área exterior,
todos os componentes metálicos que adentram a estruturas devem ser conectados na barra de
equipotencialização principal (BEP). A ZPR 2 será a sala de datacenter, que deverá ser blindada
e todos os componentes que adentram a estrutura deverão ser equipotencializados por uma barra
de equipotencialização local (BEL).

Figura 39 - MPS com Blindagem e DPS coordenados

Fonte: ABNT NBR 5419 (2015)

3.3.5 Aterramento e equipotencialização

As medidas de aterramento e equipotencialização servem em conjunto para dispersar as


correntes atmosféricas no solo e minimizar as diferenças de potencial e reduzir o campo
magnético no interior da zona. O aterramento da ZPR 2 será tratado separadamente no item 3.4.
84

Figura 40 - Planta com as barras de equipotencialização

Fonte: Autor

A equipotencialização será através de uma barra de equipotencialização local (BEL)


localizada na fronteira da ZPR 2 com a ZPR1, será similar a BEP da figura 38, devem ser
conectados na barra todos os condutores de serviço que adentram a ZPR 2, o condutor de
proteção PE que alimenta os equipamentos internos, componentes metálicos internos (Racks,
gabinetes), a malha de aterramento e a blindagem magnética.

3.3.6 Blindagem magnética, roteamento de sinais, interface isolante e Coordenação de


DPS

A gaiola de Faraday do SPDA é a primeira blindagem da edificação, ou seja, uma


blindagem espacial que tende a reduzir o campo eletromagnético e intensidade de surtos
induzidos internamente. Uma segunda blindagem espacial para proteção do Datacenter será
abordada no item 3.4.
Outros métodos de blindagem são as blindagens de cabos e dutos metálicos de sinais e
energias que adentram a estrutura, estes itens são detalhados em 2.4.2 e não serão discutidos
detalhadamente neste trabalho.
O roteamento das linhas de sinais minimiza os laços de indução e reduz a criação de surtos
de tensão dentro da estrutura. A área do laço pode ser reduzida por rotear os cabos junto aos
85

componentes naturais da estrutura que foram aterrados e/ou por rotear juntas as linhas elétricas
de energia e sinal (ABNT NBR 5419, 2015).
O item de interface isolante será tratado junto à de coordenação de DPS no capitulo 3.5

3.4 BLINDAGEM E ATERRAMENTO DA SALA DE DATACENTER

A blindagem condutiva do SPDA mitiga os efeitos de campos magnéticos causados pelas


descargas atmosféricas, quais se comportam como sinais de alta frequência. Resultados
experimentais mostram que elementos como o aço se comportam superior ao cobre para
blindagem de campos até 1 kHz, já em campos de 100 kHZ, o aço é somente levemente melhor
que o cobre e em algum lugar entre 100 kHZ e 1 MHZ o cobre se torna uma blindagem melhor
do que o aço (SARKIS, 2000).
A ABNT NBR 5419 (2015) explica que as blindagens magnéticas que não se pretendem
conduzir correntes de descargas atmosféricas não são necessárias atender as prescrições da
norma, apenas as distâncias de segurança entre as zonas devem ser atendidas.
Conforme descrito em 2.4.2, a blindagem magnética é confeccionada habitualmente em
ferro fundido, aço ou níquel, por exemplo. Apresentam a propriedade de concatenar o fluxo
magnético muito mais eficiente que o ar, possibilitando que o fluxo resultante em seu interior
seja menor que o fluxo contido no material utilizado para a blindagem, uma vez que tal fluxo
tenderá a buscar o caminho de menor relutância.
Neste caso, será projetada uma blindagem magnética para a sala do datacenter através de
uma malha de aço. O procedimento de montagem de sala com blindagem magnética é comum
em salas de exames de estabelecimentos de saúde. Segundo a empresa NEW START (2018) a
blindagem na prática é realizada com o de aço com baixo teor de carbono e magnésio e a
utilização de tratamento térmico garante a qualidade e performance da blindagem, porém,
atualmente a utilização de aço silício tem sido mais frequente por ser um material mais leve e
de melhor condutibilidade magnética.
Outro tipo de blindagem espacial comum a salas de atendimento médico é a blindagem
de radiofrequência (RF) que não será abordada neste trabalho por não ser necessária para a
proteção do equipamento eletrônicos de TI.
A blindagem magnética do datacenter será construída através de uma infraestrutura de
caibros de 4 x 4 cm embutidas nas paredes de alvenaria e na laje a cada 50 cm:
86

Figura 41 - Infraestrutura de caibros para blindagem magnética

Fonte: Adaptado de New Start (2018)

Após a montagem da infraestrutura de caibros são fixadas as chapas de aço internamente


nas paredes e tetos, sem deixar vãos abertos que possam causar entradas de campos magnéticos,

Figura 42 - Conexão das chapas de aço da blindagem magnética

Fonte: Adaptado de New Start (2018)

Outros fatores importantes no projeto e construção da blindagem são o piso, as portas e


janelas que devem ficar solidamente conectados com o restante da blindagem através das
87

conexões à mola ou articuladas, de forma a não interromper a condutibilidade da blindagem.


Sendo importante considerar cuidados com fendas e as aberturas de forma geral.

Figura 43 - Porta para blindagem magnética

Fonte: Adaptado de New Start (2018)

Em toda a instalação que contém equipamentos sensíveis há a necessidade de construir


pelo menos duas malhas de terra, uma delas é dedicada ao aterramento do sistema de energia
da instalação, no nosso caso esta malha é existente na subestação área e deve atender os
requisitos de projeto da ABNT NBR 15751 (2013). A malha de aterramento do SPDA pode ser
única ou incorporada à do sistema de energia, dependendo do método de aterramento, sendo
única deve atender os requisitos da ABNT NBR 5419 (2015). A malha de aterramento para os
equipamentos sensíveis deve ser única e individual à outras duas malhas e deve satisfazer as
necessidades do fabricante do equipamento. Mesmo na existência de três malhas distintas a
interligação das malhas por um condutor equipotencial deve ser executada, desta forma, os
88

requisitos de segurança do indivíduo, do patrimônio e de compatibilidade eletromagnética são


atendidos.
Para o funcionamento correto de equipamentos eletrônicos deve ser considerado a
instalação de uma barra de terra de referência de potencial de sinal eletrônico, pois, os sistemas
de corrente continua, presentes num equipamento sensível operam em tensões de +5,0/-5,0 V,
+12,0/-12,0 V ou +24,0/-24,0 V, logo, se houver alteração neste potencial de referência, o
equipamento eletrônico pode realizar operações inconsistentes.
Para dimensionamento do sistema de aterramento da malha de referencial de terra serão
abordadas duas metodologias, a metodologia bibliográfica, considerada adequada e a
metodologia de dimensionamento da malha de subestações (ABNT NBR 1571), os resultados
serão comparados e analisados.

3.4.1 Dimensionamento do aterramento de referencial (Método de Campagnolo e


Kindermann)

O método de dimensionamento da malha de aterramento segundo Kindermann e


Campagnolo (2011) baseia-se no dimensionamento através de parâmetros da onda que se
propaga no interior de equipamentos sensíveis. Os passos e o dimensionamento serão descritos
nos próximos passos:
a) Calcular o comprimento da onda perturbadora através da equação 3.2:

𝑉
𝜆= (𝑚) − (3.2)
𝐹

𝜆 - comprimento da onda perturbadora, em m;


𝑉 - velocidade de propagação da luz, 300.000 km/s;
𝐹 - frequência da onda perturbadora, em Hz;

Na sala de data center serão instalados equipamentos que trabalham na frequência de


sinal de 100 MHz, então:
300 ∗ 106
𝜆= = 3𝑚
100 ∗ 106

b) Dimensionar o espaçamento entre os condutores da malha através da equação 3.3:


89

𝜆
𝐷𝑐 = (𝑚) − (3.3)
𝐾

𝐷𝑐 - espaçamento entre os condutores da malha, em m;


𝐾 - coeficiente, varia entre 10 e 20;
Vamos utilizar o coeficiente no seu menor patamar para priorizar os níveis de segurança.

3
𝐷𝑐 = = 0,3 𝑚
10

O espaçamento calculado entre os condutores enterrados deve ser de no máximo 0,3


metros. Outras recomendações deste método é de que o condutor deve possuir seção transversal
mínima de 6 mm², dando se prioridade a fitas condutoras de espessura entre 0,5 mm e 40 mm.
Quando não for possível a utilização das fitas e for utilizado cabos de seção circular o
coeficiente adotado deve ser 20 (KINDERMANN, CAMPAGNOLO, 2011).
O autor não demonstra um cálculo específico através de uma resistência de aterramento
a ser atendida, mas faz referência de que a malha de referencial deve possuir resistência inferior
a 35 Ω. A malha deve possuir as dimensões mínimas de 2,5 m².

3.4.2 Dimensionamento do aterramento de referencial (Método da ABNT NBR 15751)

A malha de terra é a tipologia de sistema de aterramento mais utilizada em subestações


de potência e deve seguir as recomendações da ABNT NBR 15751 (2013), conforme descrito
no item 2.2.4.3. Porém para efeitos comparativos vamos utilizar as equações de
dimensionamento da malha para subestações na malha de referência de terra em equipamentos
sensíveis. Para o dimensionamento deste aterramento usando os métodos da norma os seguintes
parâmetros foram adotados:
• Resistividade aparente do solo (𝜌𝑎 ); calculado em 3.2
• Resistividade da camada superior do solo (𝜌1 ); 1700 Ω ∗ 𝑚
• Resistividade do material de acabamento da superfície da malha (𝜌𝑠 ); 3000 Ω ∗ 𝑚
• Corrente de curto circuito fase-terra (𝐼𝑐𝑓𝑡 ); adotado 10 A
• Tempo de duração da corrente de curto circuito fase-terra (𝑇𝑓 ); adotado 2 s
90

Quanto ao dimensionamento térmico, utiliza-se normalmente a formula de Onderdonk


(2.12) que considera o calor produzido pela corrente de curto circuito totalmente restrito ao
condutor, porém neste caso a corrente de curto circuito tem valor desprezível se comparados
aos níveis de curto circuito de baixa tensão. A fórmula que será considerada para
dimensionamento dos cabos será a fórmula de Onderdonk reduzida (2.3)

𝑆𝑐 = 𝐼𝑐𝑓𝑡 ∗ 𝐾𝑓 ∗ √𝑇𝑓 (𝑚𝑚2 ) − (2.13)

𝑆𝑐 = 0,1 ∗ 5,8 ∗ √2 = 0,8 𝑚𝑚²

Se comparado com o método anterior, a seção de 6 mm² considerada satisfaz os dois


métodos.
Dando sequência no método da norma, após dimensionar a seção mínimo do condutor,
deve se pré-definir as dimensões da malha com base no espaço disponível para instalação.
Conforme visto anteriormente a malha terá dimensões de 12 x 4,5 metros.
O número de condutores principais, que são denominados aqueles instalados na direção
que corresponde à largura da malha de terra. São determinados pela equação 2.14

𝐶𝑚
𝑁𝑐𝑝 = + 1 − (2.14)
𝐷𝑙

12
𝑁𝑐𝑝 = + 1 = 41 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑢𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠
0,3

Os condutores de junção são denominados aqueles instalados na direção que corresponde


ao comprimento da malha de terra. São determinados pela equação 2.15

𝐿𝑚
𝑁𝑐𝑗 = + 1 − (2.15)
𝐷𝑐

4,5
𝑁𝑐𝑗 = + 1 = 16 𝑐𝑜𝑛𝑑𝑢𝑡𝑜𝑟𝑒𝑠
0,3
91

Na distância entre condutores de junção e entre os condutores principais foi utilizado o


valor calculado no item anterior de 0,3 m. Após o cálculo do número de condutores principais
e de junção deve se calcular o comprimento total dos condutores através da equação 2.16.

𝐿𝑐𝑚 = 1,05 ∗ [( 𝐶𝑚 ∗ 𝑁𝑐𝑗 ) + (𝐿𝑚 ∗ 𝑁𝑐𝑝 )] (𝑚) − (2.16)

𝐿𝑐𝑚 = 1,05 ∗ [( 12 ∗ 16) + (4,5 ∗ 41)] = 395 𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜𝑠

Para os coeficientes de ajustes, quando os valores resultaram em números negativos,


entendemos a resposta como que a devido a distância entre os condutores serem muito
próximos, os coeficientes não resultam em valores realmente uteis na fórmula do comprimento
mínimo, portanto foram ignorados.
O valor do comprimento mínimo deve ser menor que o comprimento dos condutores da
malha pré-definida, estabelecida pela equação 2.16. Caso a condição não seja atendida, deve-
se aumentar o número de condutores e refazer os cálculos.

𝐾𝑚 ∗ 𝐾𝑖 ∗ 𝜌𝑎 ∗ 𝐼𝑐𝑓𝑡 ∗ √𝑇𝑓
𝐿𝑇 = (𝑚) − (2.20)
116 + 0,174 ∗ 𝜌𝑖

2125 ∗ 10 ∗ √2
𝐿𝑇 = = 47,10 𝑚
116 + 0,174 ∗ 3000

Com o comprimento da malha de terra atendendo o valor mínimo necessário, parte se


para o processo de determinar a resistência de aterramento da malha. No caso de subestações
da classe de 15 a 36 kV adota-se resistência mínima da malha de 10 Ω e em subestações acima
de 69 kV adota-se resistência de 5 Ω. Neste caso o valor adotado será de 35 Ω, conforme
explicado no item anterior.

𝜌𝑎 𝜌𝑎
𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 = + (Ω) − (2.21)
4 ∗ 𝑅 𝐿𝑐𝑚

2125 2125
𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 = + = 134,16 Ω
4 ∗ 4,14 395
92

A resistência da malha projetada, mesmo com a malha atendendo os valores de


comprimento mínimo de eletrodo de terra, não atinge a resistência de aterramento adequada
devido à alta resistividade aparente do solo. Necessitando de revisão de alguns parâmetros da
malha.
Com isso, vamos retornar nos itens principais de dimensionamento da malha e diminuir
as suas dimensões externas, com a finalidade de distribuir as correntes de dispersão mais
próximas das camadas superiores (que são menos resistivas) e verificar qual será o resultado.
Para atender o comprimento mínimo de 47,1 metros e a distância entre condutores de 0,3
metros, a malha passaria a ter as dimensões de 4 m x 3 m, com 12 condutores principais e 9
condutores de junção, comprimento total da malha de 72 metros.

12
𝑅=√ = 1,95 𝑚
𝜋

Retornando com os valores na equação 2.3:

1,95
𝐾2 = = 1,5
1,3

O Cálculo da resistividade aparente do solo visto pela malha de aterramento do Datacenter


é calculado pela equação 2.4. Pela Tabela 07, no Anexo A, encontra se 𝐾3 = 1,2 .

𝜌𝑎 = 1,2 ∗ 1700 = 2040 Ω ∗ 𝑚

Retornando ao cálculo da resistividade da malha:

2040 2040
𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 = + = 289,87 Ω
4 ∗ 1,95 72

A solução que foi aplicada, de diminuir as dimensões resultaram em uma resistência de


malha ainda superior. Isso deve-se ao fato de que mesmo diminuindo a resistência aparente do
solo visto pela malha, o raio de abrangência da malha também diminui, afetando negativamente
no resultado esperado.
93

Todavia, vamos retornar novamente nos itens principais de dimensionamento da malha e


duplicar as suas dimensões externas e verificar o que os resultados representam. Neste caso, os
condutores passariam a ser 82 condutores principais de 9 metros por 32 condutores de junção
de 24 metros, e comprimento total da malha seria de 1506 metros e área da malha passaria a ter
216 metros.

216
𝑅=√ = 8,3 𝑚
𝜋

Retornando com os valores na equação 2.3:

8,3
𝐾2 = = 6,4
1,3

O Cálculo da resistividade aparente do solo visto pela malha de aterramento do Datacenter


é calculado pela equação 2.4. Pela Tabela 07, no Anexo A, encontra se 𝐾3 = 1,35.

𝜌𝑎 = 1,35 ∗ 1700 = 2295 Ω ∗ 𝑚

Retornando ao cálculo da resistividade da malha:

2295 2295
𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 = + = 70,6 Ω
4 ∗ 8,3 1506

A mudança trouxe um resultado positivo para a solução de diminuição da resistência da


malha de terra, porém ainda inferior ao mínimo necessário para o projeto. Considerando que a
utilização desta última malha não resolveria o problema da resistência totalmente, buscamos
outras alternativas para diminuir a resistividade do solo, lembrando sempre que a utilização
mais comum para reduzir a resistividade é o uso de hastes verticais, que não é viável devido a
geografia do terreno.
O fator que mais acarreta no valor final da resistência da malha é a resistividade aparente
do solo vista pela geometria da malha, que é dependente da resistividade da camada superior
do solo. Portanto, o método seria diminuir essa resistividade aparente do solo, utilizando algum
produto químico. Em uma pesquisa com diversos fabricantes de produtos para SPDA e
aterramento, selecionamos o produto “Fastgel” da empresa “Fastweld”, que segundo as
94

informações da empresa reduz a resistividade do solo em até 75 % e é mais eficiente em solos


com alta resistividade, como no caso do sertão. O Anexo C traz um resumo da aplicação deste
composto químico.
Outro método adotado para essa diminuição, segundo Bezerra (2011) é o método de
concretagem da malha de aterramento, que ajuda, entre outros, a manter a umidade do sistema
reduzindo cerca de 50 % do valor da resistividade de aterramento para solos com alta
resistividade, superior a 1000 Ω ∗ m, alguns exemplos de aplicação estão no Anexo D.
Para soluções de cálculo, vamos adotar números mais seguros, tal como a diminuição
pelo tratamento químico do solo seja reduzida em 40 % e 20 % devido a concretagem da malha
de terra.
𝜌𝑎 = 1,35 ∗ 1700 ∗ 0,6 ∗ 0,8 = 1100 Ω ∗ 𝑚

Retornando ao cálculo da resistividade da malha:

1100 1100
𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 = + = 33,8 Ω
4 ∗ 8,3 1506

A resistência mínima da malha de terra é a atendida com a aplicação dos dois métodos
acima, integralmente.

Figura 44 - Planta da edificação com as blindagens e as malhas de aterramentos de força e referencial

Fonte: Autor
95

A malha de aterramento de referencial devido, à distância curta entre os eletrodos


enterrados acarreta em certa dificuldade de instalação na obra. Atualmente são comercializadas
malha de aterramento pré-fabricadas para este tipo de aterramento, conforme a figura 45.

Figura 45 - Malha de aterramento de referencial pré-fabricada

Fonte: Exosolda (2018)

Em muitos dos casos práticos, a instalação da malha de referencial pré-fabricada não leva
em consideração os fatores de resistência de aterramento, de potenciais de passo e toque que
possam surgir e muito menos as distâncias mínimas entre os eletrodos.

3.5 VERIFICAÇÃO DOS NIVEIS DE SEGURANÇA

É extremamente importante que após o dimensionamento das malhas de aterramento


sejam verificados se os valores de potenciais e correntes que surgem nas superfícies metálicas
devido ao aterramento estão dentro dos limites estabelecidos para segurança humana. Caso os
valores projetados superem os limites, devem ser adotados medidas com a finalidade de
diminuir esses parâmetros. Se for necessário, as malhas devem ser reprojetada.
Para o aterramento dos equipamentos eletrônicos podem ocorrer dois tipos de corrente de
fuga, dependendo do equipamento, a corrente na frequência da rede e a frequência dos
componentes internos. Vamos verificar os limites para a malha de referencial considerando as
componentes da corrente de fuga na frequência da rede.
a) Tensões de toques e passos máximas:

116 + 0,174 ∗ 𝜌𝑠
𝐸𝑡𝑚 = (V) − (2.24)
√𝑇𝑓
96

116 + 0,174 ∗ 2295


𝐸𝑡𝑚 = = 365 𝑉
√2

116 + 0,7 ∗ 𝜌𝑠
𝐸𝑝𝑚 = (V) − (2.26)
√𝑇𝑓

116 + 0,7 ∗ 2295


𝐸𝑝𝑚 = = 1218 𝑉
√2

b) Tensões de toques e passos existentes:

𝐾𝑚 ∗ 𝐾𝑖 ∗ 𝜌1 ∗ 𝐼𝑐𝑓𝑡
𝐸𝑡𝑒 = (V) − (2.25)
𝐿𝑐𝑚

1700 ∗ 10
𝐸𝑡𝑒 = = 11,3 𝑉
1506

A equação 2.27 faz referência ao cálculo de potencial de toque em uma malha de uma
subestação. A bibliografias pesquisadas não trazem referência de como calcular os potenciais
de passo e toque em malhas com necessidades diferentes, apenas medidas preventivas, então
vamos adaptar alguns parâmetros na equação 2.27 a fim de possibilitar o cálculo dos potenciais
existentes.

𝐾𝑠 ∗ 𝐾𝑖 ∗ 𝜌1 ∗ 𝐼𝑐𝑓𝑡
𝐸𝑝𝑒 = (V) − (2.27)
𝐿𝑐𝑚

Pela equação acima é possível verificar que a equação pode ser simplificada em:

𝐸𝑝𝑒 = 𝑅𝑚𝑎𝑙ℎ𝑎 ∗ 𝐼𝑓𝑎𝑙𝑡𝑎 (V)

𝐸𝑝𝑒 = 35 ∗ 10 = 350 𝑉

Podemos concluir que o potencial existente é limitado pela corrente baixa em que os
equipamentos eletrônicos trabalham. É importante esclarecer que a carcaça e o condutor de
97

proteção dos equipamentos são ligados ao aterramento da subestação e a corrente de 10 A é


uma aproximação para máxima corrente de fuga em 60 Hz para o aterramento funcional.
O cálculo é uma aproximação para as equações conhecidas, entretanto, as correntes de
fuga em corrente continua provavelmente tem uma distribuição no solo diferentes da corrente
em 60 Hz. A corrente de descarga atmosférica também apresenta uma situação diferente, por
se comportarem como correntes em alta frequência, em KHZ quando se distribuem no solo.
Para um cálculo correto das tensões de toque para cada malha deveriam ser realizados as
medições de resistividade do solo com injeção de correntes em alta frequências, MHZ e KHZ,
simulando as correntes de fuga do equipamento em específico e a corrente da descarga
atmosférica, com isso determinar como o solo se comporta nessas condições.
Sem a possibilidade de calcular os potenciais com os dados levantados, as recomendações
da ABNT NBR 5419 (2015) para proteção contra potenciais perigosos serão todas atendidas
tanto quanto para a malha de SPDA quanto para a malha de referencial, sendo elas:
• Isolação das partes condutivas expostas;
• Equipotencialização no nível do solo por meio de aterramento das malhas;
• Avisos de advertência;
• Restrições físicas;
• Internamente à estrutura, por ligação equipotencial de tubulações e linhas elétricas que
adentram na estrutura no ponto de entrada.

3.6 COORDENAÇÃO DE DPS E INTERFACES ISOLANTES

A utilização do dispositivos de proteção contra surtos (DPS) segundo a ABNT NBR 5410
(2004) deve ser providenciada para proteção contra sobrentensões transitórias em linhas de
energia quando a instalação for alimentada por linha total ou parcialmente aérea, ou incluir ela
própria linha aérea, e no caso de se situar em região sob influência AQ2 (mais de 25 dias de
trovoadas por ano). A utilização de DPS também é necessária quando a instalação se situa em
região AQ3 (instalações com risco de explosão em partes da instalação ou proximidades
exteriores).
Em linhas externas de sinais, seja de telefonia, de comunicação de dados, de vídeo ou de
qualquer outro sinal eletrônico, deve ser provida a instalação do DPS no ponto de entrada e/ou
saída da edificação e junto a equipamentos sensíveis, quando estes não possuírem uma proteção
adequada a sobrentensões.
98

Na área industrial onde será construído o centro de desenvolvimento e pesquisa, existe a


proteção de DPS no quadro de distribuição geral, após o secundário do transformador de
potência. Segundo a ABNT NBR 5410 (2004) esta proteção atende de modo comum toda a
instalação, porém uma proteção complementar de modo diferencial (DPS entre condutores
vivos) pode ser considerada.

Figura 46 - Método de Conexão de DPS no QGBT existente

Fonte: Autor, Adaptado de ABNT NBR 5410 (2004)

Para DPS que forem instalados ao longo de uma instalação classificada como sistema
TN-S a norma reforça que o método de conexão deve ser similar ao existente ou através da
conexão da figura 47.

Figura 47 - Método de Conexão de DPS alternativo para sistema TN-S

Fonte: Autor, Adaptado de ABNT NBR 5410 (2004)

A seleção do dispositivo DPS deve ser feita com base nas características de nível de
proteção, máxima tensão de operação continua, suportabilidade a sobretensões temporárias,
99

corrente nominal de descarga e/ou corrente de impulso e suportabilidade a corrente de curto


circuito. (ABNT NBR 5410, 2004).
Para seleção dos DPS que serão instalados no Quadro geral de distribuição e Tomadas
(QDT) e no Quadro geral de ar condicionado (QGAC) do centro de desenvolvimento a corrente
nominal de descarga deve ser selecionada de forma a ser igual ou maior que a corrente de
descarga atmosférica esperada neste ponto da instalação.
Deve se calcular a intensidade do surto em um ponto particular, ou seja, no ponto de
instalação do DPS devido a corrente de descarga, pois a corrente de descarga atmosférica,
quando conduzida a terra, é dividida entre o sistema de aterramento, as partes condutoras
externas e as linhas externas, diretamente ou por meio de DPS conectados a elas. seja:

𝐼𝐹 = 𝐾𝑒 ∗ 𝐼 (V) − (3.4)

𝐼𝐹 - parte da corrente da descarga atmosférica pertinente a cada parte condutora;


𝐾𝑒 - coeficiente de divisão, depende do tipo de instalação;
𝐼 - corrente de descarga atmosférica pertinente ao nível de proteção (NP), considerado;

O coeficiente de divisão é calculado conforme o tipo de instalação, número de caminhos


paralelos, impedância convencional do sistema de aterramento e impedância do sistema apenas
para as partes enterradas.

𝑍
𝐾𝑒 = − (3.5)
𝑍
𝑍1 + 𝑍 ∗ (𝑛1 + 𝑛2 ∗ 𝑍2 )
1

𝑍 - impedância convencional do subsistema de aterramento;


𝑍1 - impedância convencional de aterramento das partes externas, Tabelado;
𝑍2 - resistência de terra do arranjo de aterramento que conecta a linha aérea à terra. Se a
resistência de terra do ponto de aterramento não for conhecida, o valor de Z1 pode ser utilizado
(observando, na Tabela E.1 da ABNT NBR 5419, 2015, ou seja, a resistividade do solo no
ponto de aterramento).
𝑛1 - é o número total de partes externas ou linhas enterradas;
𝑛2 - é o número total de partes externas ou linhas aéreas;
100

Para nosso caso de estudo, a corrente de descarga de proteção para o nível 1, considerado
nível máximo, é de 200 kA (ABNT NBR 5419, 2015).

30
𝐾𝑒 = = 0,43
10 + 30 ∗ (2 + 0)

𝐼𝐹 = 0,43 ∗ 200 = 86 𝑘𝐴

Um estudo mais profundo sobre a coordenação de DPS não é o intuito deste trabalho,
então algumas informações serão simplificadas para não fugir ao tema.

DPS comercial adotado – QDT e QGAC.


• Classe de proteção: Classe I;
• Máxima operação de tensão continua: 275 V;
• Suportabilidade a sobretensões temporárias: 1,3 kV;
• Corrente nominal de descarga: 60/120 kA (8/20 𝜇𝑠);
• Corrente de impulso: 20 kA (10/350 𝜇𝑠 );
• Suportabilidade a corrente de curto circuito: 80 kA;
• Modelo de Referência: SCL da Clamper;

DPS comercial adotado – Quadro de Força do Datacenter.


• Classe de proteção: Classe II;
• Máxima operação de tensão continua: 275 V;
• Suportabilidade a sobretensões temporárias: 1,3 kV;
• Corrente nominal de descarga: 30/60 kA (8/20 𝜇𝑠);
• Corrente de impulso: 12,5 kA (10/350 𝜇𝑠 );
• Suportabilidade a corrente de curto circuito: 40 kA;
• Modelo de Referência: VLC da Clamper;

DPS comercial adotado – Tomada de alimentação – Equipamentos Sensíveis.


• Classe de proteção: Classe III;
• Máxima operação de tensão continua: 275 V;
• Suportabilidade a sobretensões temporárias: 0,9 kV;
101

• Corrente nominal de descarga: 3 kA (8/20 𝜇𝑠);


• Corrente de impulso: --
• Suportabilidade a corrente de curto circuito: 10 kA
• Modelo de Referência: 5SD7 da Siemens.

Figura 48 - Diagrama Unifilar de SPDA e MPS

Fonte: Autor

As interfaces isolantes podem ser utilizadas para reduzir os efeitos dos campos
eletromagnéticos. A proteção das interfaces contra sobretensões, quando necessária, pode ser
alcançada usando-se DPS. O valor da suportabilidade das interfaces isolantes e o nível de
proteção dos DPS, devem ser coordenados com as categorias de sobretensões da IEC 60664-1.
Outra medida de interface isolante comum é através de transformadores de isolação,
porém não serão abordadas neste trabalho.

3.7 PROTEÇÕES DE TRANSIENTES

A proteção aos fenômenos transientes levantados em 2.4 também deve ser considerada
sempre que houver a necessidade. Os fenômenos transientes são aqueles gerados por fontes
internas e externas ao sistema supridor, com diferentes formas de ondas e variada intensidade.
102

O estudo detalhado destas proteções foge ao tema do trabalhado, visto isso, as proteções
utilizadas serão detalhadas de modo simplificado.
a) Curtos Circuitos: A planta industrial possui uma cabine de medição e proteção, com
proteção de curto circuito, sobrecorrentes, sobretensão e subtensão através de relés digitais
secundários, transformadores de potencial e corrente que acionam um disjuntor geral à vácuo
de média tensão que desconecta o circuito. A proteção de curto circuito nos ramais de
transformadores é feita por chaves fusíveis do tipo distribuição, instaladas no primário dos
transformadores e coordenadas com a proteção de curto circuito e sobrecorrente do secundário.
A proteção do secundário dos transformadores e dos demais quadros de distribuição a
montantes são realizadas por disjuntores de baixa tensão termomagnéticos, dimensionados
conforme ABNT NBR 5410 (2004).
b) Manobras de bancos de capacitores: a proteção é atendida pelos dispositivos de proteção
contra surtos coordenados, os para-raios de distribuição existentes e os dispositivos de proteção
contra sobrecorrentes, já mencionados. Os equipamentos eletrônicos instalados possuem
varistores internamente que também ajudam a mitigar os danos.
c) Partida de motores elétricos de indução tipo gaiola: A planta industrial possui quadros
de motores separados de quadros de tomadas e iluminação e de quadros de ar condicionado, os
circuitos alimentadores de tais motores são também acionados indiretamente via inversores de
frequência, essas medidas ajudam a atenuar os efeitos da partida.
d) Chaveamento do sistema de potência: Para a proteção dos efeitos dos campos
eletromagnéticos gerados pelo chaveamento dos dispositivos de potência foi projetada a
blindagem magnética da sala de Datacenter. A utilização de filtros para frequências foi
desconsiderada devido ao custo benefício.
e) Chaveamentos eletrônicos e harmônicos: as análises feitas na rede elétrica mostraram
que a utilização de métodos de proteção contra esses transientes seria desnecessária, devido ao
baixo nível de tais transientes na rede elétrica.
103

4 CONCLUSÃO
As atuais normas técnicas ABNT NBR 5410 (2004) e ABNT NBR 5419 (2015) retiraram
ou tendem a retirar de seu texto os valores mínimos de resistência de aterramento, valores estes
que são comuns como resistência mínima de 10 Ω. Essa informação por si só não representa
motivos para que os projetistas ignorem a importância de uma baixa resistência de aterramento,
pois, os níveis de segurança para segurança humana (tensões e correntes de passo e toque)
devem ser considerados como fundamentais para o dimensionamento, portanto, altas
resistências de aterramento significam riscos iminentes de danos humanos.
Nos sistemas de aterramento para subestações de potência são realizados testes e
medições de resistência de terra pelas concessionárias e distribuidoras, com o objetivo de atingir
os valores mínimos regulamentados internamente por elas e pela ABNT NBR 15751 (2013).
Reforçamos a necessidade de que essa prática seja transparente e corriqueira em todos as
instalações, visto os danos de que uma subestação com altas correntes de curto circuito e uma
resistência de terra alta possam provocar.
Projetistas comerciais utilizam para diminuir os custos de projetos, a técnica de projetar
sistemas de aterramento sem a prática da estratificação do solo, se reservando a realizar os testes
apenas em projetos de subestações. A falta de conhecimento das características do solo pode
comprometer a construção do sistema na prática, desenvolver relatórios de cálculos irreais,
assim como comprometer o funcionamento dos equipamentos.
Atualmente a norma brasileira ABNT NBR 7117 (2012) abrange técnicas de
estratificação que consideram solos em condições aceitáveis, entretanto, quando se utiliza em
situações reais, como pode ser visto no sertão, área que ocupa ¼ do solo do País, os dados
estratificados podem levar os projetistas a aceitar diversas considerações para realizar um
projeto prático.
Levantamos com este trabalho um ponto de vista a ser discutido sobre as malhas de terra
em sistemas de proteção a descargas atmosféricas, que mesmo projetados dentro das normativas
não passam por verificação de potenciais de toque e passo. A realização dos testes e
estratificação com corrente de alta frequência (ABNT NBR 7117, 2012) não simulam as
correntes de descargas atmosféricas (10/350 𝜇𝑠) e os potenciais perigosos em solos adversos
passam a ser desconhecidos. Cabe aos projetistas atender as recomendações da norma ABNT
NBR 5419 (2015) para mitigar os potenciais, cegamente.
O questionamento acima é expandido à aterramentos de referencial para equipamentos
sensíveis. A prática comum de se utilizar malhas pré-fabricadas de vãos e dimensões
104

padronizados, com fitas de tamanho também padronizado, não leva em consideração o


comportamento destas malhas em um solo adverso e com correntes de fuga de terra que tenham
frequências diferentes das correntes de teste.
Neste ponto paramos para definir duas recomendações, aos fabricantes de equipamentos
de testes (MEGGER), recomendamos que sejam desenvolvidas possibilidades de realizar os
testes de injeção de corrente com correntes diversas, com injeção de corrente de frequência
industrial, correntes típicas de curto circuito assimétrico, correntes de descargas atmosféricas e
correntes de fugas em corrente continua. Se tratando dos fabricantes de equipamentos
eletrônicos sensíveis de Tecnologia da Informação e de Saúde, incluir em suas manuais
informações detalhadas sobre as possíveis correntes de fuga e suas características no
aterramento funcional.
Do ponto de vista de sistemas de aterramento, concluímos que diversas considerações são
necessárias para projetar os sistemas dentro das necessidades, como os atuais tratamentos
químicos do mercado, que não passam por comprovação dos órgãos de competentes, não
emitem gráficos de eficiência x resistividade e levam aos departamentos de engenharia
considerar a sua utilização adotando coeficientes de melhorias conservadores. A utilização de
concretagem do sistema passou a ser método considerável em alguns trabalhos acadêmicos,
porém na prática ainda é pouco utilizada.
Por fim, a realização de medição da resistência da malha instalada (ABNT NBR 15749,
2013), comumente utilizada apenas em concessionárias e distribuidoras, deveria ser expandida
ao uso de malhas de terra de SPDA e referencial, considerando os testes com a injeção das
correntes as quais as malhas foram projetadas a dispersar.
Tratando-se da proteção dos equipamentos sensíveis, a blindagem condutiva do SPDA é
a maneira mais simples de diminuir os riscos da influência de campos eletromagnéticos. A
utilização de uma segunda blindagem considerada na ABNT NBR 5419 (2015) na sua parte 4,
Anexo A, é pouco difundida nos projetos industriais. A falta de informações bibliográficas
sobre a construção de blindagens magnéticas ou blindagens de radiofrequência, leva aos
projetistas considerar informações de fabricantes de painéis, portas e montadores profissionais
como verdades absolutas.
No que tange a ABNT NBR 5419 (2015), as informações sobre montagem de uma
segunda blindagem são recorrentes em todo o texto, mas os parâmetros para projetos são
extremamente genéricos, poucos práticos e de certo modo, inutilizados pelos engenheiros da
área. A mesma problemática se expande ao uso de dispositivos contra surtos, que devem ser
avaliados por nível de proteção, através do gerenciamento de risco, na sua parte 2, calculados
105

conforme a distribuição das descargas em cada ponto de entrada, conforme anexo na parte 1 e
depois no dimensionamento da coordenação, nos anexos da parte 4, que possuem informações
inconclusivas e com parâmetros de cálculo quase impossíveis de obter em departamentos de
projetos sem a contração de um laboratório especializado.
Neste ponto, concluímos que a revisão de 2015 da ABNT NBR 5419 trouxe dificuldades
aos projetistas e engenheiro da aérea por trazer informações técnicas de descargas atmosféricas,
recursos de estatísticas e trazendo parâmetros incompreensíveis para equações complexas. A
publicação de uma bibliografia no sentido de trazer as informações aos profissionais é
vantajosa, entretanto as normas técnicas deveriam trazer simplificações e aproximações a fim
de facilitar sua aplicação nas instalações.
Para reforçar o ponto de vista, a revista “o setor elétrico” traz com frequências textos
com explicações de como aplicar a norma, o que deveria por si só ser responsabilidade da
própria norma. Para sua aplicação, são necessários pelos menos três softwares; um para
gerenciamento de risco, um para dimensionamento do PDA e um para dimensionamento e
coordenação dos DPS.
Por fim, o último ponto conclusivo deste trabalho se deve a utilização correta de
proteção contra transientes. Concluímos que a correta aplicação deveria seguir os passos:
a) Realizar medições da rede elétrica, levantar parâmetros de desligues de sobrecorrentes,
sobretensões, subtensões, níveis de frequência e amplitude, ruídos, correntes
harmônicas, afundamentos de tensão e etc.;
b) Realizar medições e estratificação no solo;
c) Buscar dispositivos e soluções que atenuem as problemáticas essenciais causadas pelos
transientes;
d) Analisar as soluções possíveis pela ótica financeira;
e) Aplicar a melhor solução custo-benefício através de projetos de engenharia de
excelência.
f) Executar os sistemas projetados com eficiência e qualidade, com acompanhamento e
resoluções adequadas dos problemas encontrados na execução.
g) Realizar junto ao departamento de engenharia, testes e medições dos sistemas
instalados, fazer acompanhamentos e elaborar relatórios da eficiência de utilização dos
métodos implantados.
h) Fazer históricos de feedback de implantação dos métodos implantados, com a finalidade
de aplicação em demais edificações e plantas da companhia.
106

Finalizamos este trabalho com resumo das recomendações que possam sair deste tema
para futuros trabalhos acadêmicos e/ou fabricantes, projetistas e engenheiros possam utilizar na
prática:
• Estudo para implantação de um equipamento eletrônico que possa simular as diversas
correntes que possam circular em um sistema de aterramento.
• Desenvolver técnicas para avaliar os produtos de fabricantes de compostos químicos
que prometem diminuir a resistividade do solo.
• Realizar estudos sobre os resultados da influência de concretagem de malhas de
aterramento em sistemas de aterramentos com necessidades distintas.
• Revisão da norma ABNT NBR 15749 (2013) para abranger medições da resistência de
malha de terra, quando a malha for construída com necessidade distinta a instalações de força.
• Revisão da norma ABNT NBR 5419 (2015) com finalidade de facilitar a aplicação na
prática e simplificar a implantação de sistema DPS coordenado.
107

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110

ANEXO A – Tabela de fatores de multiplicação para cálculo de malha de


aterramento
Tabela 7 - Fatores de Multiplicação

Fonte: Adaptado de Filho, J. (2017)

Tabela 8 - Fatores de Coeficientes

Fonte: Adaptado de Filho, J. (2017)


111

ANEXO B – Tabela K de índice de redução para hastes iguais ligadas em


paralelo no solo

Tabela 9 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 1/2”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)

Tabela 10 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 5/8”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)


112

Tabela 11 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 3/4

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)

Tabela 12 - Índice para redução K de hastes 2 metros x 1”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)


113

Tabela 13 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 1/2”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)

Tabela 14 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 5/8”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)


114

Tabela 15 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 3/4”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)

Tabela 16 - Índice para redução K de hastes 2,4 metros x 1”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)


115

Tabela 17 - Índice para redução K de hastes 3 metros x 1/2”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)

Tabela 18 - Índice para redução K de hastes 3 metros x 5/8”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)


116

Tabela 19 - Índice para redução K de hastes 3 metros x 3/4”

Fonte: Adaptado de Kindermann e Campagnolo (2011)


117

ANEXO C – Fastgel da Fastweld

FASTGEL é um tratamento natural para solos de alta resistividade.


O Fastgel é um produto não tóxico e não agride o meio ambiente de acordo com ensaios
feitos em laboratórios especializados.
É fornecido em embalagem contendo 12kg (1 dose)

Características técnicas:
• Densidade 0,000925g/mm3 (seco);
• Poder de inchamento proporcionando um maior e melhor contato entre haste/condutor
a terra;
• Baixa resistência e alta condutividade. Podendo baixar a resistência do aterramento em
até 75%;
• Não é lixivavel, ou seja, não se dispersa na época de chuvas;

Figura 49 - Ensaio de Corrosão do Fastgel comparado a outros produtos

Fonte: Fastweld (2018)

As principais vantagens do FASTGEL são:


• Proporciona redução substancial no valor da resistência de aterramento (variando de
acordo com as condições do solo, podendo chegar em até 75%);
• Tem uma vida útil longa, pois o material não se dispersa sob a chuva;
• Aumento da segurança em função da diminuição da resistência do aterramento;
118

• Facilidade e rapidez na aplicação e;


• O FASTGEL cumpre com as exigências apontadas no início ou seja:
• Não agride ao meio ambiente e não é um elemento tóxico (vide laudos);
• Não é corrosivo (ph neutro);
• Apresenta excelente condutibilidade

Figura 50 - Resistividade do Fastgel comparado a outros produtos

Fonte: Fastweld (2018)

O método de utilização do Fastgel:


119
120

ANEXO D – Concretagem do eletrodo de aterramento

Figura 51 - Haste de aterramento envolvida em concreto

Fonte: Clausen, et. al., (2004)

Figura 52 - Sistema de aterramento concretado com 3 hastes

Fonte: Clausen, et. al., (2004)