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Os estatutos visam caracterizar as

instituições e pessoas jurídicas, devendo


ser estruturados de modo a conferir-lhes
eficiência e eficácia na consecução de
seus propósitos.

Estatuto dos
Escoteiros do
Brasil - 2019
Minuta de substitutivo

Publio Athayde
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 1

Sumário
VISÃO GERAL ............................................................................................................................................... 2
ASSOCIADOS ............................................................................................................................................... 4
ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO ......................................................................................................................... 5
Capítulo I Denominação, duração e sede................................................................................................ 9
Capítulo II Objetivo social, princípios e organização ............................................................................... 9
Capítulo III Quadro social ...................................................................................................................... 13
Capítulo IV Assembleias ........................................................................................................................ 15
Capítulo V Administração Nacional ....................................................................................................... 18
Seção I – Conselho de Administração Nacional ................................................................................ 18
Seção II – Conselho Fiscal Nacional ................................................................................................... 20
Seção III – Conselho de Ética Nacional .............................................................................................. 21
Seção IV – Conselho Consultivo Nacional ......................................................................................... 22
Capitulo V Direção Nacional .................................................................................................................. 23
Capítulo VI Gestão financeira, exercício social e contas ....................................................................... 25
Capítulo VII Patrimônio social, receitas e sua destinação ..................................................................... 25
Capítulo VIII Reforma do Estatuto, dissolução e liquidação ................................................................. 26
Capítulo IX Disposições gerais e transitórias ......................................................................................... 27
Seção I – Disposições gerais .............................................................................................................. 27
Seção II – Disposições transitórias .................................................................................................... 28

There are thousands of boys being wasted daily to our country through being
left to become characterless, and, therefore, useless wasters, a misery to
themselves and an eyesore and a danger to the nation. They could be saved
if only the right surroundings or environment were given to them at the re-
ceptive time of their lives. B-P.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 2

Minuta de Estatuto para os


Escoteiros do Brasil
Substitutivo de Públio Athayde com base na
proposta de Eduardo Szazi; janeiro de 2018.

Seguem-se comentários de Eduardo Szazi (ES), revisados, adaptados e suple-


mentados por Públio Athayde (PA)1.

VISÃO GERAL

1. A presente minuta de estatuto é resultado de um projeto pessoal, não reflete posição ou proposi-
ção formal dos Escoteiros do Brasil e é dada a público com o objetivo único de incentivar a discussão
institucional e propor algumas soluções para as questões orgânicas que constituem, geram e pre-
servam problemas crônicos na UEB.
2. Os estatutos visam caracterizar as instituições e pessoas jurídicas, devendo ser estruturados de
modo a conferir-lhes eficiência e eficácia na consecução de seus propósitos; para tanto, tais diplo-
mas devem proporcionar segurança normativa ao corpo, bem como prover instrumentos de gestão
e práticas de governança desembaraçados e transparentes. PA.2
3. A natureza e fins da União dos Escoteiros do Brasil requerem, pelo aperfeiçoamento já quase secu-
lar de seus estatutos, que o novo texto seja um documento claro e transparente, coeso e flexível,
coerente com a legislação vigente e que integre os associados de forma não excludente de gestão
institucional. PA.
4. De acordo com o Guia de Melhores Práticas de Governança para Institutos e Fundações Empresa-
riais3 publicado pelo IBGC e o GIFE para entidades sem fins lucrativos de origem empresarial, mas
aplicável por analogia a organizações da sociedade civil independentes,

Governança é o sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas


e incentivadas, envolvendo o relacionamento entre Conselho, equipe execu-
tiva e demais órgãos de controle. As boas práticas de governança convertem
princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finali-
dade de preservar a reputação da organização e de otimizar seu valor social,
facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para sua longevidade.
5. Pensando o Escotismo de modo integrado, veremos que algumas atividades são mais pertinentes
para o nível local, outras para o regional e ainda outras para o nacional. De outra parte, veremos
que o amor a uma causa costumeiramente faz as pessoas e organizações abraçarem mais incum-
bências do que são capazes de dar conta, o que acaba por gerar pouca eficiência e, porque não
dizer, alguns descuidos com incumbências assumidas. (ES). Nesse sentido, esta proposta estatutária
visou restringir tanto quanto entendemos possível o acúmulo de cargos e funções, o que também
cria oportunidade para os mais jovens integrarem a gestão, em todos os níveis, favorecendo a per-
petuidade institucional. (PA)

1
Em geral, os comentários e observações anotados PA são de Públio Athayde, os de Eduardo Szazi, eventual-
mente estão anotados ES, mas quase todos passaram por edição e revisão de PA.
2
Quisera ter chegado a um texto mais curto, mas um dos resultados a que cheguei foi a conclusão de que nossa
instituição é muito complexa; talvez devêssemos encomendar um estudo comparativo de estatutos de ONs
grandes como a nossa, no mínimo, para ver se eles têm textos menos.
3
INSTITUTO BRASILEIRO DE GOVERNANÇA CORPORATIVA. Guia de Melhores Práticas de Governança para Institutos e
Fundações Empresariais. São Paulo: IBGC, 2009. Disponível em <https://goo.gl/qG3t14>, acesso em 18 de ja-
neiro de 2019. Doravante mencionado como Guia.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 3

6. Sendo os dirigentes obrigados a cumprir o estatuto, sob pena de responsabilização pessoal (Código
Civil, art. 47) e impondo-lhes a legislação o dever de zelo e fidelidade, expresso pelo “cuidado e a
diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração de seus próprios
negócios” (Código Civil, art. 1.011), chega-se à inexorável conclusão que deve-se necessariamente
harmonizar atribuições estatutárias (“AT”), formação requerida (“FR”) e tempo disponível (“TD”).
7. Em situação ideal, AT = FR x TD, pois a atribuição só será bem exercida se a formação e o tempo
forem adequados. Se FR for suficiente, mas TD, não, a entidade perde por falta de execução da
atribuição. Se, ao contrário, TD for suficiente, mas FR, não, a entidade perde por má execução da
atribuição.
8. Os Escoteiros do Brasil são entidade com mais de 100.000 associados espalhados em mais de 1500
grupos escoteiros por todo o país, e que planeja duplicar seus filiados em pouco tempo. Isso requer
profissionalismo e dedicação que não se viabiliza apenas pelo trabalho voluntário, daí a ênfase que
o Estatuto proposto dá ao trabalho profissional (ES), sem restringir e mesmo estimulando o indis-
pensável e histórico voluntariado (PA).
9. De outra parte, os Escoteiros do Brasil se propõem a ser uma entidade única. Não obstante, seu
estatuto atual privilegiar a divisão, com seções específicas para grupos escoteiros, regiões e nacio-
nal4. (ES) Dessa forma, o Estatuto aqui proposto mantém as personalidades jurídicas distintas dos
diversos níveis, mesmo a institucionaliza, mas resguarda a unidade programática, filosófica e a co-
erência de práticas educacionais, programáticas e de gestão. A forma desta proposta preserva a
unicidade programática e abre o leque para a diversidade de pessoas jurídicas com o mesmo fim e
mesmas práticas (PA).
10. O modelo desta proposição passou a ser o híbrido entre uma entidade federativa, prestando-se a
ao propósito único, daí que, calcado na decisão de serem os Escoteiros do Brasil a expressão da
unicidade, organicidade e comunhão do Movimento Escoteiro, a “arquitetura” do estatuto foi es-
boçada para privilegiar a união programática. Mantivemos a separação jurídica, mas exigindo con-
tratualmente a integração entre as entidades que serão licenciadas para proporcionar o Escotismo
aos jovens. (ES/PA)
11. A proposta visa integrar todos os associados dos Escoteiros do Brasil em suas práticas locais e regi-
onais, de tal sorte que tenham autonomia na própria gestão e contem com os subsídios de uma
Direção Nacional que lhes propicie treinamento, equipamento e literatura para as práticas. (PA).
12. Com isso, é necessária a consolidação e enxugamento das atribuições de cada nível, de forma a
melhor organizar a divisão das iniciativas em prol da causa, extraindo de cada nível o melhor de sua
vocação, competência e capacidades. Como eixos dessa divisão, o estatuto atribui:
• Em nível local, as unidades escoteiras locais, a ênfase na AÇÃO SOCIAL DE ATENDIMENTO;
• Em nível estadual, às Regiões, a ênfase na EXPANSÃO, no FORTALECIMENTO e MONITORAMENTO DA
REDE e na FORMAÇÃO PRESENCIAL DE EDUCADORES; e

4
Na verdade, os estatutos até aqui não criaram uma entidade federativa, nem uma pessoa jurídica única; todos
proclamam uma entidade anômica, em que existe a instituição com alcance nacional, outras estaduais, outras
locais, diversas das quais têm sua personalidade jurídica (estatutos, CNPJ...) própria, não existem contratos ou
convênios entre elas, mas, consuetudinariamente agem como se houvesse. Os associados são, paradoxal-
mente, filiados à UEB (pelo estatuto, registro, etc.), mas filiados também aos grupas (inscrição, mensalidade)
– e nada obsta: qualquer um pode se associar a quantas entidades desejar. Já às regiões, o curioso: ninguém é
filiado a elas! Mas segue-se como se fôssemos. Os contratos de “licenciamento” previsto neste Estatuto pre-
tendem contornar esta situação real (ou irreal?). A proposta original (de ES) virtualmente extinguiria as regiões
como pessoas jurídicas, o que não me parece politicamente viável, nem desejável. Por tudo isso estou pro-
pondo esta solução hibrida (talvez salomônica). (PA)
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 4

• Em nível nacional, a ênfase na ARTICULAÇÃO E REPRESENTAÇÃO INSTITUCIONAL, na MELHORIA DO AMBI-


ENTE NORMATIVO, na FORMAÇÃO A DISTÂNCIA DE PESSOAL (EAD), FORMAÇÃO DE FORMADORES e na ESTRU-
TURAÇÃO FINANCEIRA DO MOVIMENTO.

13. Todavia, o estatuto proposto tem que ter aceitabilidade dentre os associados e entre os diversos
corpos que até aqui são atores políticos nos Escoteiros do Brasil. Nossa instituição sempre primou
pela tentativa de reproduzir as estruturas do Estado – para bem, ou para mal – tanto do ponto de
vista das unidades geográficas quanto da tríade rousseauniana, além do que, tem sido um ente
federativo de três graus, como o abantesma da Carta de 1988. Essa situação é fática e nenhuma
proposta estatutária que tolha quaisquer dos entes federativos, ou tente restringir-lhe a autonomia
jurídica é factível, será inaceitável que se reduzam as microesferas do “poder” – pelo menos antes
que se reduzam essas noções de empoderamento tão disseminadas. Mais uma vez, é preciso cam-
biar as mentalidades antes de podemos mudar as instituições; aqui vão alguns avanços: a desper-
sonificação de cargos, a divisão mais convicta das funções de cada nível, a transitoriedade das pes-
soas nos postos e a permanência das políticas, a rotatividade dos nomes nas funções, a renovação
constante dos colegiados. Ainda é uma proposta incipiente, mas creio que represente avanço, para
que possamos deixar de oferecer palanque para os egos e tenhamos mais serviço altruístico. (PA)

ASSOCIADOS

14. Na dimensão do quadro de associados, o Guia faz distinção entre os associados, que detêm poder
político de votar e ser votado, e os voluntários, contribuintes e apoiadores, que podem apoiar a
entidade sem necessariamente serem admitidos no quadro de associados.5 (ES) Mas essa ideação
não dá conta da dimensão de nossa entidade, em que voluntários são a maior fonte de votos, be-
neficiários são votantes segundo este Estatuto e a família também tem votos. (PA).
15. Essa distinção é importante porque, de acordo com as melhores práticas do setor, todo associado
quite com suas obrigações sociais tem direito a voto de acordo com regras claras, estáveis e trans-
parentes.6 O voto não é apenas questão de boa prática de governança: o artigo 55 do Código Civil
assegura a todos os associados iguais direitos, e, em uma entidade de forte ideário e base demo-
crática como uma associação, o voto é direito. Com isso, os associados detêm o poder político e, o
Código Civil lhes garante, pelo voto, o poder de destituir dirigentes e reformar o estatuto.
16. Assim, as categorias de associados passam a ser quatro, os VOLUNTÁRIOS (escotistas e dirigentes), os
BENEFICIÁRIOS (os membros juvenis), esses representados ou assistidos por seus RESPONSÁVEIS (famí-
lia) em todos os atos dentro dos Escoteiros do Brasil, com exceção do voto, que passa a ser conce-
dido indistintamente aos maiores de dezesseis anos, e os CONTRIBUINTES – cuja participação principal
são os aportes financeiros, mas que – registrados, passam a integrar a associação (ES/PA).
17. Os Escoteiros do Brasil, por força do Decreto Federal nº 5.497, de 23 de julho de 1928, e do Decreto-
Lei nº 8.828, de 24 de janeiro de 1946, têm exclusividade na produção, na comercialização e uso de
símbolos e distintivos escoteiros. Também, são titulares de diversas marcas e direitos autorais.
18. Isso comporta reflexão, pois o Direito faz distinção entre NOME EMPRESARIAL E MARCA.
19. O artigo 1.155 do Código Civil considera NOME EMPRESARIAL a “firma ou a denominação adotada para
o exercício da empresa”, dispondo, no parágrafo único, que “equipara-se ao nome empresarial,
para os efeitos da proteção da lei, a denominação de sociedades simples, associações e fundações”.
Já a Lei 8.934/1994, que regula o registro público de empresas mercantis, dispõe, no artigo 33, que
“a proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do arquivamento dos atos constituti-
vos”. Para viabilizar essa proteção, o artigo 1163 do Código Civil prevê que “o nome do empresário

5
Guia, item 2.2.
6
Guia, item 2.4.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 5

deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro”. Há duas espécies de nome
empresarial: a firma e a denominação. A firma designa o nome do empresário individual sob o qual
exerce suas atividades, enquanto a denominação designa o nome da pessoa jurídica que a exerce.
20. A MARCA, por sua vez, é definida pelo artigo 122 da Lei 9.279/1996 como “todo sinal distintivo
aposto facultativamente aos produtos e artigos das indústrias em geral para identificá-los e dife-
renciá-los de outros idênticos ou semelhantes de origem diversa".
21. As marcas podem ser nominativas, figurativas ou mistas. As nominativas são aquelas compostas
apenas por letras, números ou símbolos, sem se considerar qualquer tipo de estilização. A marca
figurativa é composta por um desenho, uma figura em especial ou ainda por uma estilização espe-
cífica, de letras e números isoladamente. Já a marca mista é aquela que resulta da união entre os
termos que identificam a marca (marca nominativa) e a figura que a compõe (marca figurativa). O
registro da marca no INPI outorga a seu titular a exclusividade de uso em todo o país.
22. Decorre que este estatuto propõe o estabelecimento de um relacionamento contratual com as ou-
tras pessoas jurídicas que promovem o escotismo, hoje concentradas nos “CNPJs dos grupos esco-
teiros” e das regiões. Essas entidades passariam a ser credenciadas (não filiadas) pelos Escoteiros
do Brasil em Contrato de Credenciamento e de Licença de Uso de Direitos Autorais e Marcas dos
Escoteiros do Brasil, conforme modelo definido pelo Conselho de Administração Nacional. Os adul-
tos (família, escotistas e dirigentes) e os beneficiários (os membros juvenis) continuam associados
dos Escoteiros do Brasil e igualmente associados às unidades locais. (ES/PA) Quanto às regiões es-
coteiras, que seus estatutos disponham sobre sua associação. Fica-lhes facultada a forma federativa
(filiadas as unidades locais) ou associativa filados os adultos de sua área de jurisdição. Desconheço
estatutos de regiões e não sei como isso se resolve (se é que se resolve) presentemente. (PA).

ÓRGÃOS DE ADMINISTRAÇÃO

23. Nas melhores práticas de governança de entidades sem fins lucrativos, incumbe ao “conselho” a
definição de políticas, que balizarão a gestão operacional, a cargo da equipe técnica (profissionais).
Com isso, os conselheiros se afastam da gestão cotidiana, reduzindo seus riscos de responsabiliza-
ção solidária por débitos incorridos pela associação, ao mesmo tempo em que se lhes permitem
instrumentos de controle. Esse conselho não é o atual CAN, ou mesmo a atual DEN, e DN. As fun-
ções estão reorganizadas (ES), ainda que se preservem as denominações Conselho de Administra-
ção Nacional e DN, as atribuições estão redivididas e serão complementadas em dispositivos infra-
estatutários aqui preconizados. (PA)
24. O ponto chave das propostas é a distinção entre governança e administração.
25. Na tradição brasileira de condução das atividades de entidades sociais, é comum o entendimento
de que ambas as expressões são fungíveis e, portanto, difundiu-se a ideia de que as atribuições de
conselhos, diretorias e executivos são muito assemelhadas. Essa tem sido a situação dos Escoteiros
do Brasil. (ES) Dessa situação decorrem uma série de “nós” (obstáculos) aos processos decisórios,
ao estabelecimento das políticas e à coerção das vaidades pessoais e personificação dos cargos.
(PA).
26. A situação não é inusitada. O modelo é fortemente centralizador na DEN (que, a rigor é fraca, pois
é demissível hoje ad nutum – PA) e expressa a tradição patriarcal do Brasil. O problema é que esse
modelo deságua em um de dos cenários: ou o presidente da DEN manda como um déspota, ou
acaba assumindo responsabilidades pessoais severas pelo que não fez ou acompanhou, já que o
excesso de atribuições de um ocupante de cargo voluntário o faz transferir, por procuração ou por
delegação informal, essas atribuições para que outro exerça esses poderes em seu nome (ES) –
inclusive para executivos, ou tenha sua iniciativa cerceada por um Conselho de Administração Na-
cional mas presente e interveniente (PA).
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 6

27. As pessoas que são formadas para administrar constroem suas experiências e carreiras na adminis-
tração de negócios. Por isso, os convidados para compor os conselhos costumam, equivocada-
mente, adotar uma de quatro posturas:
• São “homologadores” e, então, agem de forma condescendente, aprovando tudo que lhe sub-
metem ou acompanhando, sem questionar, orientação de voto que recebem;
• São “experts” e, assim, exercem suas atribuições isoladamente, assumindo pessoalmente a
responsabilidade por ações na sua área de conhecimento, tais como jurídico, marketing, finan-
ças, etc.;
• São “gerentes graduados” e, portanto, mandam (ou querem mandar) nos executivos e empre-
gados, interferindo no dia a dia das operações da entidade;
• São “investigadores”, atuando de forma microgerencial, em busca de detalhes ou controle de
gastos irrelevantes.
28. O conceito moderno de governança deriva das atribuições de “proprietário” muito mais do que
daquelas do “administrador”, pois o papel do conselho é governar e não administrar. Assim, o con-
selho não é um órgão executivo de nível superior. Seu papel não é administrar, mas exigir boa ad-
ministração, tarefa que incumbe a executivos. Todavia, como nem todos os meios podem ser apli-
cados para o alcance dos fins, cabe ao conselho fixar as políticas da organização que são, em síntese,
os limites da atuação da equipe, o que ela não pode fazer.
29. Nos limites impostos pelas políticas da entidade, o diretor geral, como administrador, terá liber-
dade para usar sua criatividade e habilidades para descobrir e executar os meios para alcançar os
fins organizacionais. Embora não deva interferir em assuntos operacionais a cargo do diretor geral,
o conselho terá a liberdade de solicitar todas as informações necessárias para o cumprimento de
suas funções, inclusive recorrendo a especialistas externos, se necessário.
30. Como o Conselho de Administração Nacional será composto por quinze associados voluntários, re-
sidentes em vários pontos do país, sua reunião frequente impõe desafios relevantes de agenda e
elevados ônus. Por isso, opta-se por criar, dentro dele, um Comitê Executivo composto pelo presi-
dente e os vice-presidentes, que, sendo menor, poderá se reunir, ainda que virtualmente, com mais
celeridade.
31. O Comitê Executivo, contudo, não é a atual DEN, pois: (a) seus membros são e seguem membros
ativos do Conselho de Administração Nacional e (b) suas atribuições são definidas pelo próprio co-
legiado que pode manter ou delegar o que entender pertinente.
32. Assim, foi possível conceber um modelo de divisão de atribuições na UEB, em que se incumbe ao
Conselho de Administração Nacional a fixação das políticas, sem interferência nas escolhas geren-
ciais do Diretor Geral.
33. Chamamos de políticas os valores e as práticas preconizados, escritos ou consuetudinários e suas
perspectivas, divididas em quatro categorias:

• Políticas de FINS, que prescrevem os benefícios que devem ser gerados, para quais pessoas e
qual o custo, incluindo missão e prioridades. É, em essência, o Projeto Educativo;
• Políticas de LIMITAÇÕES EXECUTIVAS, que fixam os limites éticos aceitáveis e cuidados necessários
na ação do pessoal, práticas e circunstâncias;
• Políticas de PROCESSO DE GOVERNANÇA, esclarecendo o próprio trabalho do Conselho de Admi-
nistração Nacional e suas regras; e
• Políticas de LIGAÇÃO, descrevendo a ligação entre o Conselho de Administração Nacional e o
Diretor Geral.
34. Como as três últimas tendem a ser mais estáveis, o Conselho de Administração Nacional fica livre
para dedicar seu tempo aos FINS dos Escoteiros do Brasil e, portanto, com maior capacidade de
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 7

agregar valor ao tempo dispendido pelas pessoas que o compõem para a fixação de estratégias
para a promoção e desenvolvimento do Escotismo.
35. Com essa ideia, o estatuto proposto estabelece novo modelo de governança capaz de: 1) preservar
os conselheiros; 2) transferir atribuições a executivos; 3) fixar claramente os riscos do desempenho
das atribuições de cada uma das funções. Por isso, grande reorganização dos órgãos de administra-
ção é recomendável e fica aqui proposta.
36. Uma das maiores dificuldades de contar com diversos órgãos, com grande número de membros
voluntários e profissionais em cooperação, é achar pessoas suficientemente capacitadas e dedica-
das para dar conta das importantes atribuições.
37. Embora nesta proposta a Conselho Fiscal Nacional tenha o número de cinco membros, o Conselho
de Administração Nacional tem quinze membros dos quais três formarão o Comitê Executivo, já
que, como existentes, as atuais diretorias, não fazem mais sentido, pois, nas melhores práticas de
governança, sequer existem.
38. A existência de órgãos compostos por voluntários com funções executivas não é prática recomen-
dada. As tarefas executivas devem ser atribuição de pessoal remunerado, com dedicação integral,
escolhido em processo seletivo que avalie as competências técnicas necessárias para o êxito na
função. (ES) Acreditamos que a prática, até agora, de manter funções executivas sob controle de
voluntários, seja um dos entraves para que os Escoteiros do Brasil tenham coeficiente de penetra-
ção mais significativo na sociedade. A exceção são as unidades escoteiras locais, em que a demanda
de trabalho e os orçamentos não comportam a contratação de pessoal qualificado para a gestão
(PA).
39. Ao colocar as funções executivas nas mãos de pessoas eleitas, a organização acaba por medir com-
petências políticas para a ocupação de cargos em que as competências profissionais deveriam ser
priorizadas. As habilidades para granjear votos em eleição são muito distintas daquelas necessárias
para preparar e executar planos de ação e orçamentos. Ademais, a gestão técnica de uma organi-
zação de caráter nacional não pode ficar sujeita aos ciclos eleitorais ou desavenças entre grupos
políticos.
40. As práticas de países onde as organizações da sociedade civil são mais pujantes, caso dos EUA e
Reino Unido, há muito tempo extinguiram as diretorias voluntárias, passando a priorizar a gestão
executiva profissional e remunerada, sob orientação e controle de um conselho estratégico e vo-
luntário, com o suporte de instrumentos de acompanhamento financeiro e orçamentário.
41. Por isso, fica proposta a extinção da DEN, com parte das atribuições alocadas para os profissionais
remunerados (o Diretor Geral) e parte alocada para o presidente e vice-presidentes dos conselhos
(Comitê Executivo), mas nos limites do que lhes for delegado pelo próprio conselho.
42. De acordo com o Guia7, o número de conselheiros deve ser fixado entre cinco e onze, a depender
da complexidade das atividades da organização, seu setor de atuação, estágio de ciclo de vida,
porte, etc.
43. Se a complexidade da causa e a dimensão territorial justificam um conselho maior, mesmo assim
deve haver reformulação da composição da administração, com enxugamento de cargos e instân-
cias e eliminação de situações de potencial conflito de interesses, inclusive com limitação de ree-
leições pois, também de acordo com o Guia8, o prazo do mandato do conselheiro não deverá ser
inferior a dois anos nem superior a quatro anos. Embora a reeleição contribua para a construção
de um conselho experiente e produtivo, a reeleição deve ser limitada a dois mandatos consecutivos,

7
Guia, item 3.10.
8
Guia, item 3.11.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 8

para também possibilitar a admissão de novas ideias e renovação de lideranças. Em qualquer caso,
a reeleição não pode ser automática.
44. Embora as boas práticas enfatizem o conselho como órgão colegiado, isso não substitui determina-
dos aspectos individuais do papel de cada conselheiro; pelo contrário, depende deles. Assim, para
que o conselho realmente funcione como tal, cada conselheiro deve ter condutas compatíveis com
o esperado da pessoa que ocupa tal cargo, que, listadas a seguir, compõe a base do processo de
avaliação de desempenho individual9:
a) Estar preparado para participar responsavelmente, no conselho e em comitês por ele criados,
executando as tarefas para as quais tenha sido incumbido, preparando-se para as reuniões,
debatendo, expressando sua opinião e suportando a decisão coletiva como legítima, ainda
que, em sua opinião, não seja a melhor;
b) Representar todas as partes interessadas dos Escoteiros do Brasil, pois o dever fiduciário do
conselheiro é com a organização, sua causa e beneficiários, e não com a região ou grupo esco-
teiro de onde veio; (ES) nesse sentido, não se trata de mandatos representativos das regiões,
mas de delegação para representação nacional. (PA).
c) Ser proativo e corresponsável pelo comportamento e produtividade do grupo, zelando para
que o grupo atue como colegiado, execute suas atribuições e não corrompa suas próprias re-
gras;
d) Honrar divergências de opiniões sem se intimidar, encorajando opiniões divergentes para a
melhor tomada de decisão; espera-se que o conselheiro expresse sua opinião sobre os temas
propostos e não se intimide com terceiros que querem fazer valer suas opiniões com uso de
formas assertivas de linguagem;
e) Usar sua competência para construir o saber coletivo, oferecendo seu conhecimento em de-
terminado tema sirva para que os outros conselheiros possam construir análises próprias re-
levantes;
f) Ser intolerante com adiamentos perpétuos, evitando-se que o Conselho se abstenha de tratar
de assuntos complexos ou tome decisões difíceis, permanecendo na zona de conforto do adi-
amento continuado;
g) Apoiar a decisão final tomada de forma legítima e colegiada, ainda que tenha sido voto ven-
cido, pois isto fortalece o processo de governança, ao passo que a manifestação de dissenso,
a falta de apoio e a sabotagem o minam;
h) Ter espírito de serviço à causa, colocando seus saberes e inteligência em benefício dela e não
esperar ser servido pelos Escoteiros do Brasil, abstendo-se de investir tempo do conselho e da
organização em agendas pessoais.
45. Para empreender a proposta de convergência da governança dos Escoteiros do Brasil para as me-
lhores práticas do setor, então, os seguintes direcionamentos são propostos:
i) Redistribuição das funções entre os três níveis institucionais;
j) Estruturação da forma de vinculação dos Escoteiros do Brasil com as unidades escoteiras locais
e as regiões escoteiras, de forma a alcançar melhor proteção legal;
k) Definição da governança, com fortalecimento do Conselho de Administração Nacional como
instância coletiva, do Conselho de Ética estritamente afeto a questões disciplinares e do CFN
como instância de controladoria.
l) Adotadas as propostas acima, propõe-se a adoção do presente Estatuto, pois a reforma pon-
tual do Estatuto em vigor é inexequível face a profundidade das modificações colimadas, com
aprovação seletiva, poderia ser criado um documento inconsistente (ES), o mesmo risco ocorre
no caso de este instrumento ser profundamente emendado (PA). O texto para um novo Esta-
tuto é apresentado a seguir.

9
Guia, item 3.6.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 9

Capítulo I
Denominação, duração e sede
Artigo 1 A União dos Escoteiros do Brasil ou, abreviadamente, Escoteiros do Brasil ou UEB, é insti-
tuição educacional, cultural, de assistência social e de proteção ambiental10, sem fins lucrati-
vos, organizada sob a forma de associação privada de fins não econômicos, fundada em 4 de
novembro de 1924, de duração indeterminada, rege-se por este Estatuto e pela legislação apli-
cável.
Parágrafo único – Os Escoteiros do Brasil, para alcance de seus fins, desenvolvem programas, projetos
e iniciativas, inclusive com amparo em leis federais, estaduais e municipais de incentivo ao
esporte e à cultura ou captando recursos junto aos conselhos de direitos das crianças e dos
adolescentes, assistência social e meio ambiente (municipais, estaduais e federal), secretarias
de governo, fundações e instituições que atuem nas áreas educacional, ambiental, de proteção
e educação formal e informal de crianças e adolescentes, além de outras com objetivos com-
patíveis e assemelhados.
Artigo 2 Os Escoteiros do Brasil têm sede na cidade de Curitiba, Estado do Paraná, podendo abrir,
manter e encerrar estabelecimentos em qualquer outra localidade do Brasil, mediante decisão
do Conselho de Administração Nacional.
Parágrafo único – Fica o Conselho de Administração Nacional autorizado a transferir a sede para Bra-
sília, DF, quando e se condições propícias indicaram tal conveniência, sem necessidade de re-
forma deste Estatuto.
Capítulo II
Objetivo social, princípios e organização
Artigo 3 Os Escoteiros do Brasil expressam a unicidade, organicidade e comunhão do Movimento
Escoteiro no Brasil e, como tal, são a organização incumbida de representar, organizar, desen-
volver e articular as práticas e os praticantes do Escotismo no país, visando o pleno desenvol-
vimento de crianças, adolescentes e jovens na forma estabelecida em seu Projeto Educativo e
na literatura subsidiária.
Parágrafo 1º. Os Escoteiros do Brasil, desde sua fundação, são titulares de registro internacional
junto à Organização Mundial do Movimento Escoteiro (World Organization of the
Scout Movement), possuindo exclusividade para implementação, coordenação e
prática do Escotismo no Brasil.
Parágrafo 2º. Os Escoteiros do Brasil são membros fundadores da Conferência Escoteira Intera-
mericana (Conferencia Scout Interamericana).
Parágrafo 3º. Os Escoteiros do Brasil, tal como assegurado no Decreto Federal nº 5.497, de 23
de julho de 1928, e no Decreto-Lei nº 8.828, de 24 de janeiro de 1946, têm exclu-
sividade na produção, na comercialização e uso de símbolos e distintivos escotei-
ros, cabendo ao Conselho de Administração Nacional sua normatização.
Artigo 4 O dia 23 de abril, data alusiva ao Dia Mundial do Escoteiro, é consagrado como Dia Naci-
onal do Escotismo, conforme dispõe a Lei Federal nº 13.621, de 15 de janeiro de 2018.
Artigo 5 A atuação dos Escoteiros do Brasil tem como foco o interesse público, expresso pela edu-
cação extraescolar de crianças, adolescentes e jovens, e guia-se pelos seguintes princípios e
práticas fundamentais do Movimento Escoteiro:

10
A conceituação da UEB como uma instituição de educação visa lhe assegurar imunidade a impostos sobre
o seu patrimônio (IPTU, IPVA, ITR, ITBI, ITCMD e, em certas condições, ICMS), rendas (IRPJ, IRRF, IR-Ganho de
Capital) e serviços (ISS).
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 10

I. VALORES: contribuir para a educação do jovem por meio de um sistema de valores ba-
seados na Promessa e na Lei Escoteira;
II. IMPARCIALIDADE: coibir toda e qualquer distinção de nacionalidade, etnia, gênero, ori-
entação ou identidade sexual, religiosidade, condição social ou opinião política, obe-
dece ao princípio da universalidade do atendimento, sendo-lhes vedado dirigir suas
atividades a categoria profissional11;
III. NEUTRALIDADE abster-se de apoiar ou contrapor-se a partidos políticos, candidaturas a
cargos públicos ou iniciativas de caráter político-partidário, ou participar, em qualquer
tempo, de controvérsias de ordem política, racial, religiosa ou ideológica, para mere-
cer e conservar a confiança de toda a sociedade;
IV. INDEPENDÊNCIA: não se vincular a governos, partidos políticos, empresas ou outras or-
ganizações;
V. VOLUNTARIADO: basear-se no serviço altruístico de caráter desinteressado e sem finali-
dade lucrativa;
VI. UNIVERSALIDADE: abrir-se à admissão de novos praticantes do Escotismo, conforme as
regras estabelecidas, alcançando toda a sociedade, sem restrição a qualquer seg-
mento dela;
VII. LISURA: observar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,
economicidade e eficiência em todos os atos administrativos e de gestão, adotando
práticas necessárias e eficazes para coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva,
de benefícios ou vantagens pessoais, em decorrência da participação no respectivo
processo decisório. Para tal fim, entendem-se como benefícios ou vantagens pessoais
quaisquer tipos de benesses, favorecimentos, concessão financeira, além de outras,
obtidas pelos dirigentes e integrantes da administração e seus cônjuges, companhei-
ros e parentes colaterais e afins até o segundo grau, ou por pessoas jurídicas das quais
os indivíduos anteriormente mencionados sejam controladores ou detenham mais de
10% (dez por cento) das participações societárias.
Artigo 6 Os Escoteiros do Brasil se organizam em três níveis:
I. LOCAL: representado pelas unidades escoteiras locais (grupos escoteiros ou seções iso-
ladas) pessoas jurídicas de fato ou de direito que, credenciadas para tanto por con-
trato, incumbem-se da ação socioeducativa de crianças, adolescentes e jovens se-
gundo o Projeto Educativo dos Escoteiros do Brasil; as unidades escoteiras locais se
estruturam segundo seu próprio estatuto, a ser homologado pela Direção Nacional
para o credenciamento;
II. REGIONAL: representado pelas regiões escoteiras, com atuação no território correspon-
dente a cada unidade da federação ou àquele que vier a ser definido pelo Conselho de
Administração Nacional; as regiões escoteiras se estruturam segundo seus próprios
estatutos a ser homologado pela Direção Nacional para o credenciamento;
III. NACIONAL: representado pela Administração Nacional (composta pela Assembleia Na-
cional, pelo Conselho de Administração Nacional, pela Conselho de Ética Nacional,
pelo Conselho Fiscal Nacional) e pela Direção Nacional, com atuação e jurisdição em
todo o país.

11
Lei 12.101/2009, art. 2º.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 11

Artigo 7 Incumbe ao nível local promover ou se inserir em ações de educação12, de saúde13, de


assistência social14, de esporte15 e lazer e atividades físicas e socioculturais16 a crianças, ado-
lescentes17 e jovens, segundo o Projeto Educativo dos Escoteiros do Brasil e a mais recente
literatura editada pela Direção Nacional;
Artigo 8 Incumbe ao nível regional:
I. Estimular a existência e criação de unidades escoteiras locais em todos os municípios
de seu território visando assegurar a oferta local de Escotismo às famílias e comunida-
des de todos os segmentos sociais;
II. Estimular e monitorar a aplicação do Método Escoteiro e do Projeto Educativo dos
Escoteiros do Brasil em sua plenitude, oferecendo às unidades escoteiras locais orien-
tação e assessoramento com o objetivo de aprimorar seu funcionamento e propiciar
a autossuficiência e perpetuidade;
III. Conceber, planejar e promover, em coordenação com a Direção Nacional, atividades,
eventos e campanhas financeiras de âmbito regional, com o objetivo de arrecadar fun-
dos destinados ao financiamento das ações dos Escoteiros do Brasil em seu território;
IV. Monitorar o uso do nome, dos símbolos, das marcas e dos direitos autorais dos Esco-
teiros do Brasil pelas unidades escoteiras locais em seu território, apresentando rela-
tórios à Direção Nacional quando couber;
V. Monitorar as atividades, a atuação e os progressos das unidades escoteiras locais em
seu território, de forma a garantir o permanente exercício de conduta ética apta a
preservar e ampliar o conceito e a unidade orgânica e filosófica do Movimento Esco-
teiro, apresentando relatórios anuais à Direção Nacional;
VI. Representar subsidiariamente unidades escoteiras locais de seu território junto aos
órgãos públicos estaduais e junto à iniciativa privada – em particular junto às grandes
empresas - para ações de caráter local ou estadual livres de conflito com as ações na-
cionais em curso;
VII. Articular-se com entidades análogas atuantes em seu território e com o governo esta-
dual ou distrital, visando a ampliação da prática do Escotismo em sua jurisdição;
VIII. Formar e qualificar voluntários por meio de cursos presenciais ou de ensino a distância
(EAD) para atuar como educadores (escotistas) e, subsidiariamente, para exercer fun-
ções de direção e gestão no Movimento Escoteiro.18
Artigo 9 Incumbe ao nível nacional:
I. Estimular e apoiar o desenvolvimento das regiões escoteiras, oferecendo-lhes orien-
tação e assessoramento com o objetivo de aprimorar o funcionamento e a autossufi-
ciência, bem como promover a expansão e perpetuidade do Movimento Escoteiro;
II. Conceber, planejar e promover atividades, eventos e campanhas financeiras de âm-
bito nacional e internacional, com o objetivo de arrecadar fundos destinados ao finan-
ciamento das ações dos Escoteiros do Brasil;
III. Coordenar o monitoramento do uso do nome, dos símbolos, marcas e direitos autorais
dos Escoteiros do Brasil pelas unidades escoteiras locais e terceiros, a cargo das regi-
ões escoteiras;

12
Deve-se reforçar o caráter extraescolar da UEB, como forma de viabilizar imunidade tributária e aumento de
rentabilidade de aplicações financeiras.
13
Não penso aqui na saúde curativa, hospitalar, mas na saúde preventiva, de adoção de hábitos saudáveis.
14
Permite parceria com outras entidades e adoção de quotas sociais dentro da UEB.
15
Viabiliza projetos com apoio de leis de incentivo ao esporte.
16
Viabiliza projetos com apoio de leis de incentivo à cultura.
17
Viabiliza projetos com apoio dos fundos de direitos da infância e adolescência.
18
A formação de escotistas caberá às DRs e de dirigentes caberá à DN. (PA)
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 12

IV. Assessorar as atividades das regiões escoteiras e acompanhar seu trabalho de moni-
toramento das atividades das unidades escoteiras locais, de forma a garantir o perma-
nente exercício de conduta ética apta a preservar e aumentar o conceito e a unidade
orgânica e filosófica do movimento Escoteiro;
V. Representar os associados dos Escoteiros do Brasil e o Movimento Escoteiro junto aos
órgãos públicos, organismos internacionais e entidades análogas nacionais e estran-
geiras, assim como junto à iniciativa privada, para ações de caráter nacional;
VI. Articular-se com entidades análogas de atuação nacional e com o Governo Federal,
organismos internacionais e entidades análogas estrangeiras, visando a ampliação da
prática do Escotismo no Brasil19;
VII. Propor mandado de segurança coletivo em defesa dos interesses dos associados e
atuar em ações civis públicas e outros tipos de ações judiciais visando a salvaguarda
de interesses dos praticantes do Escotismo no Brasil;
VIII. Instituir, compilar, atualizar e divulgar normas relativas à prática do Escotismo no Bra-
sil e interagir com os poderes constituídos para o aperfeiçoamento da legislação que
afete a prática do Escotismo;
IX. Editar, produzir, licenciar e comercializar insígnias, publicações e equipamentos para
a prática do Escotismo no Brasil;
X. Estimular a produção, reunir e divulgar informações, experiências, estudos científicos,
estatísticas e outras formas de conhecimento relevantes relativos ao Escotismo no
Brasil20;
XI. Formar e qualificar voluntários e profissionais, por meio de cursos presenciais ou de
ensino a distância (EAD21), para exercer funções de direção e gestão22, bem como sub-
sidiar o nível regional na formação de voluntários para atuar como educadores (esco-
tistas) no Movimento Escoteiro.
XII. Formar e qualificar voluntários e profissionais, por meio de cursos presenciais ou de
ensino a distância (EAD23) para exercer funções de formadores, qualificando-os para
direção de cursos para voluntários, ou para colaboração subsidiária na formação.
XIII. Intervir em regiões escoteiras em casos de insolvência, de falência administrativa, in-
compatibilidade das práticas com os princípios do Escotismo e outros a serem estabe-
lecidos em normas complementares, assumindo-lhes as funções necessárias ao bom
funcionamento da região, pelo período de tempo necessário, que não poderá exceder
dois anos, salvo condições excepcionais, a critério do Conselho de Administração Na-
cional.24
Artigo 10 Os Escoteiros do Brasil, de acordo o estabelecido neste Estatuto e normas subsidiárias,
segundo contrato específico, credenciam pessoas jurídicas25 constituídas unidades escoteiras
locais e regiões escoteiras para as práticas do Escotismo.
Parágrafo 1º. Fica facultada a delegação de credenciamento de unidades escoteiras às regiões es-
coteiras.
Parágrafo 2º. A unidade escoteira local ou a região deve cumprir as seguintes condições fins de
credenciamento:

19
Planejamento estratégico, objetivos 1.2.3 e 1.3.1.
20
Planejamento estratégico, objetivos 1.1 e 1.6.2.
21
Planejamento estratégico, objetivo 1.5.2.
22
A formação para atuar como dirigente e gestor da organização fica com o nível nacional.
23
Planejamento estratégico, objetivo 1.5.2.
24
Faz-se necessária a previsão desta hipótese. É necessário ainda que se exijam dos estatutos regionais e locais
a aceitação da eventual intervenção, nos termos necessários e segundo o contrato de credenciamento. PA
25
Podem ser com ou sem fins lucrativos, públicas ou privadas.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 13

I. Encaminhar pedido de credenciamento assinado, conforme modelo definido pelo


Conselho de Administração Nacional;
II. Apresentar contrato social ou estatuto social e ato de eleição ou nomeação de seus
representantes legais;
III. Apresentar plano de ação para o ano em curso e, se constituída há mais de doze me-
ses, relatório de atividades do ano anterior;
IV. Apresentar o Contrato de Credenciamento e de Licença de Uso de Direitos Autorais e
Marcas dos Escoteiros do Brasil, em duas vias assinadas pelo seu representante legal,
conforme modelo definido pelo Conselho de Administração Nacional;
V. Os representantes legais das unidades escoteiras locais e das regiões escoteiras deve-
rão ter idoneidade moral e reputação ilibada, não constando contra si qualquer pro-
cesso ou investigação de natureza criminal, o que deverá ser comprovado mediante
certidões expedida pelas autoridades públicas, caso sejam solicitadas.
Parágrafo 3º. O credenciamento de unidades escoteiras locais e regiões se processa segundo
regulamentação pelo Conselho de Administração Nacional.
Parágrafo 4º. É concedida uma autorização provisória para as práticas do Escotismo a grupos de
pessoas ou instituições, pessoas jurídicas de fato, de modo a possibilitar a criação
de unidades escoteiras locais de que decorram os trâmites para a criação da res-
pectiva pessoa jurídica de direito.26
Parágrafo 5º. Igualmente, pode ser concedida a autorização provisória a regiões escoteiras, pelo
interstício no qual se processe a adequação a este novel Estatuto.
Capítulo III
Quadro social
Artigo 11 Os Escoteiros do Brasil têm número ilimitado de associados, pessoas físicas, divididos nas
seguintes categorias:
VI. BENEFICIÁRIOS: crianças, adolescentes e jovens, registrados nos Escoteiros do Brasil, que
participam do Movimento Escoteiro como lobinhos, lobinhas, escoteiros, escoteiras,
seniores, guias, pioneiros ou pioneiras; constituem o público-alvo de todas as ações,
projetos, programas e serviços voluntários e profissionais; tudo na instituição é vol-
tado para eles e feito para propiciar-lhes a melhor prática possível de Escotismo.
I. FAMÍLIA: pais ou tutores de beneficiários, situação decorrente do registro nos Escotei-
ros do Brasil de criança ou adolescente sob sua guarda;27
II. VOLUNTÁRIOS: maiores de dezoito anos, registrados nos Escoteiros do Brasil, que parti-
cipam do Movimento Escoteiro como educadores (escotistas), dirigentes ou colabora-
dores, em quaisquer dos níveis dos Escoteiros do Brasil; os associados nesta categoria
não têm nenhum tipo de vínculo empregatício, não percebem vantagens financeiras
de qualquer espécie e firmarão acordo de trabalho voluntário;
III. CONTRIBUINTES: maiores de dezoito anos, registradas nos Escoteiros do Brasil, que não
atuem como educadores (escotistas), dirigentes ou colaboradores, em quaisquer ní-
veis de organização dos Escoteiros do Brasil, e que se disponham a aportes financeiros
à instituição.
Artigo 12 Para pleitear admissão no quadro de associados, devem-se cumprir as seguintes condi-
ções:
I. Encaminhar pedido de admissão e registro, conforme modelo e trâmites definidos
pelo Conselho de Administração Nacional;

26
Com registros cartoriais, estatuto, CNPJ.
27
ES omitiu esta categoria, creio que tenha sido por lapso. Inicialmente a proposta mencionava “responsáveis”,
mas considerei o termo “família” mais abrangente (PA).
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 14

II. Pagar a taxa de admissão e de registro anual, quando deferida a admissão.


Parágrafo 1º. Os associados menores de dezoito anos são representados ou assistidos, nos atos
relacionados aos Escoteiros do Brasil, na forma do Código Civil.
Parágrafo 2º. A admissão de associados nas categorias de contribuinte ou de voluntário sem vín-
culo com unidades escoteiras locais, é processada pelas regiões escoteiras ou pela
Direção Nacional.
Parágrafo 3º. É facultado ao associado se transferir entre unidades locais ou desligar-se delas
assim como se faculta aos voluntários ligar-se a qualquer região ou à Administra-
ção Nacional, segundo normas suplementares.
Artigo 13 São direitos dos associados de todas as categorias:
I. Participar das atividades do Movimento Escoteiro compatíveis com sua idade, catego-
ria e formação escoteira, de acordo com as normas dos Escoteiros do Brasil;
II. Adquirir publicações, distintivos e equipamentos distribuídos pelos Escoteiros do Bra-
sil;
III. Convocar, junto a outros associados, as assembleias de quaisquer níveis, observadas
as disposições do Estatuto;
IV. Pedir desligamento do quadro social, mediante comunicação escrita nesse sentido,
dirigida à unidade escoteira local a que estiver afeto ou à direção regional ou Direção
Nacional com que houver vínculo. Fica consignado que qualquer pedido de readmis-
são deverá seguir o tramite ordinário de admissão no quadro social.
Artigo 14 São direitos dos beneficiários:
I. Receber orientação, assistência, incentivo e suporte de membros adultos de sua uni-
dade escoteira local em seu processo de desenvolvimento pessoal segundo o Projeto
Educativo da Escoteiros do Brasil e a literatura subsidiária que couber;
II. Sendo menor de dezesseis anos, ser representado por seus responsáveis legais, com
direito de voto, em assembleias da unidade escoteira local a que estiver vinculado;
III. Sendo maior de dezesseis anos, participar, com direito de voto28, em assembleias da
unidade escoteira local a que estiver vinculado;
IV. Participar de cursos, oficinas, seminários e outros eventos de formação oferecidos,
cumpridos os respectivos pré-requisitos.
Artigo 15 São direitos dos associados maiores de 18 anos (beneficiários, família e voluntários):
I. Candidatar-se a cargos eletivos nas unidades escoteiras locais, nas regiões escoteiras
e nos Escoteiros do Brasil, cumpridos os seguintes tempos mínimos de registro esco-
teiro: (a) seis meses para candidatura em eleições da unidade escoteira local, e (b)
cinco anos para candidatura em eleições dos demais níveis;
II. Participar, com direito de voto, em assembleias da unidade escoteira local a que esti-
ver vinculado.
III. Contar com o apoio de todos dirigentes para o desempenho das tarefas, funções e
encargos de que se incumbir, segundo os trâmites institucionais e a praxe de colabo-
ração recíproca inerente ao Escotismo.
Artigo 16 São deveres dos associados de todas as categorias:
I. Ter conduta pessoal compatível com os valores do Movimento Escoteiro, tanto em
atividades escoteiras quanto fora delas;
II. Acatar este Estatuto e as demais normas e regulamentos dos Escoteiros do Brasil, bem
como as deliberações tomadas pelos órgãos de administração dos Escoteiros do Brasil
que sejam aplicáveis a sua categoria;

28
Planejamento estratégico, objetivos 1.4.10 e 2.2.1.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 15

III. Manter em dia seu registro nos Escoteiros do Brasil e pagar as contribuições que lhe
couberem na unidade escoteira local a que estiver vinculado ou nos demais níveis da
Escoteiros do Brasil, sob pena de desligamento automático do quadro de associados a
partir de 1º de janeiro do ano subsequente ao débito.
Artigo 17 São deveres dos beneficiários:
I. Empenhar-se em seu processo de desenvolvimento pessoal segundo o Projeto Educa-
tivo dos Escoteiros do Brasil;
II. Colaborar na correta representação do Movimento Escoteiro nos círculos de sua atu-
ação, com os meios ao seu alcance, e contribuir para o sucesso dos projetos em sua
Unidade Escoteira Local29;
III. Suspender sua atuação como beneficiário caso, sendo maior de dezoito anos, for
eleito ou nomeado para cargo em sua unidade escoteira local ou em outros níveis dos
Escoteiros do Brasil, perdurando a suspensão enquanto exercer o cargo de direção.30
Artigo 18 São deveres da família:
I. Dar assistência à criança sob sua guarda, propiciando-lhe as condições e os meios para
a prática do Escotismo;
II. Colaborar, na unidade escoteira local, segundo suas possibilidades, para que os even-
tos e atividades tenham o melhor sucesso;
III. Colaborar na correta representação do Movimento Escoteiro nos círculos de sua atu-
ação, com os meios a seu alcance.
Artigo 19 São deveres dos voluntários:
I. Propiciar aos associados, crianças e jovens, a melhor aplicação do Projeto Educativo
dos Escoteiros do Brasil;
II. Empenhar-se em seu processo de formação, qualificando-se para a as funções que
exercer ou para as que pretender;
III. Colaborar na correta representação do Movimento Escoteiro nos círculos de sua atu-
ação, com os meios a seu alcance, visando o sucesso dos projetos em sua unidade
escoteira local e, quando convidado, dos projetos de outros níveis dos Escoteiros do
Brasil;
IV. Colaborar no recrutamento e na formação de mais voluntários e colaboradores para
o Escotismo;
V. Gerir os bens, valores e interesses dos Escoteiros do Brasil com boa-fé e o cuidado e
diligência que toda pessoa ativa e proba emprega na administração de seus próprios
interesses e, mais ainda, com o rigor e segurança aplicáveis à gestão de patrimônio
alheio ou coletivo.
Capítulo IV
Assembleias
Artigo 20 Os associados dos Escoteiros do Brasil se reúnem periodicamente em assembleias ordi-
nárias, convocadas e instaladas para eleger os dirigentes e a administração de cada nível (local,
regional ou nacional) e para tratar de temas afetos aos interesses correspondentes e compe-
tentes.
Parágrafo 1º. Assembleias extraordinárias podem ser realizadas a qualquer tempo para destituir
membros eleitos por ela, para deliberar sobre a extinção, cisão ou fusão de quaisquer níveis e
para tratar de temas relevantes de sua competência.

29
Planejamento estratégico, objetivos 1.2 e 1.9.2.
30
Mantive neste texto, mas recomendo a exclusão do inciso. (PA)
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 16

Parágrafo 2º. As assembleias são convocadas pelo respectivo representante legal, na sua falta
ou recusa, por seu substituto eventual ou pelo respetivo conselho fiscal e ainda
pelo conjunto de membros adultos e beneficiários maiores de 16 anos que corres-
pondam a, pelo menos, um quinto (1/5) do total de associados registrados no nível
a que competir. As convocações devem ser por escrito e enviadas, por via postal
ou eletrônica, a todos os associados dos Escoteiros do Brasil registrados naquele
nível, com indicação de pauta, horário e local, além de antecedência mínima de
quinze dias da data marcada para a reunião.
Parágrafo 3º. As assembleias regionais e a Assembleia Nacional podem ser realizadas de modo
centralizado, instaladas em um local determinado, ou descentralizadas, em diver-
sos polos estabelecidos segundo a convocação editada.
Parágrafo 4º. As assembleias são instaladas na data, hora, local e polos previstos na convocação,
com a presença de qualquer número de eleitores, fazendo-se registro de presença.
Parágrafo 5º. As assembleias são instaladas em cada polo pelo seu eleitor mais jovem presente
e presididas por um associado indicado pelos eleitores presentes, que também in-
dicarão um secretário para redação da ata.
Parágrafo 6º. As deliberações decorrem do voto da maioria simples votos dos eleitores presen-
tes, salvo para questões que exigirem quórum qualificado.
Parágrafo 7º. No caso de assembleias descentralizadas, os resultados das apurações em cada
polo são transmitidos por meio eletrônico, as deliberações são tomadas pela mai-
oria dos votos computados no sistema de apuração central.
Artigo 21 As assembleias ordinárias das unidades locais são realizadas em março de cada ano, para
apreciar a prestação de contas do ano anterior, bem como tratar dos demais assuntos de sua
competência e, trienalmente, para eleger a diretoria para os próximos trinta e seis meses, con-
tados a partir do dia 1º do mês seguinte ao da assembleia.
Artigo 22 As assembleias regionais ordinárias são realizadas em abril de cada ano, para apreciar a
prestação de contas do ano anterior e, trienalmente, para apresentar candidatos para o nível
nacional e eleger a diretoria da região escoteira para os próximos trinta e seis meses, contados
a partir do dia 1º do mês seguinte ao da assembleia.
Parágrafo único – A representação em assembleia regional é à razão de um voto por seção escoteira
autônoma credenciada; os grupos escoteiros credenciados terão um voto para cada múltiplo
completo de cinquenta associados dos Escoteiros do Brasil registrados em 31 de dezembro do
ano anterior à realização da assembleia.31 Caberá à assembleia da unidade escoteira local es-
colher os associados, maiores de dezesseis anos, que exercerão cada um dos votos que com-
petir, facultada a acumulação de até dois votos por eleitor.32
Artigo 23 As assembleias nacionais são realizadas ordinariamente em maio de cada ano, para apre-
ciar a prestação de contas do ano anterior e, trienalmente, para eleger o Conselho de Admi-
nistração Nacional, o Conselho Fiscal Nacional e a Conselho de Ética Nacional para os próximos
trinta e seis meses, contados a partir do dia 1º do mês seguinte ao da assembleia.
Artigo 24 Os mandatos para todos os cargos, funções e níveis têm início em ano coincidente. 33
Artigo 25 As assembleias nacionais descentralizadas se reúnem em pelo menos um polo em cada
região geográfica do Brasil.

31
A extinção dos votos natos favorece a representatividade e propicia a renovação maior dos colegiado.
32
A possibilidade de acumulação de dois votos em um eleitor favorece a representatividade de unidades locais
e regiões mais distantes dos polos.
33
Por uma série de razões práticas, estamos propondo para todos os cargos e níveis mandatos de igual duração
e eleições em ano coincidentes. Evita-se a acumulação de cargos e possibilita planejamento de funções e can-
didaturas (PA).
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 17

Parágrafo 1º. Para destituir membros do Conselho de Administração Nacional, do Conselho Fiscal
Nacional ou da Conselho de Ética Nacional ou deliberar sobre a extinção, cisão ou fusão dos
Escoteiros do Brasil, é requerida forma centralizada.
Parágrafo 2º. A representação na Assembleia Nacional ocorre à razão das frações de represen-
tantes nas assembleias regionais abaixo relacionadas, escolhidos dentre eles pelo
próprio colegiado, facultada a acumulação de até dois votos por eleitor.34
a) Um terço (1/3), até os Escoteiros do Brasil contarem com 150.000 associados registrados
no ano precedente.35
b) Um quarto (1/4), quando houver entre 150.001 e 200.000 associados registrados no ano
precedente.36
c) Um quinto (1/5), quando houver entre 200.001 e 300.000 associados registrados no ano
precedente;37
d) Um sexto (1/6), quando houver mais de 300.000 associados registrados no ano prece-
dente.38
Parágrafo 3º. Ninguém poderá ser representante em assembleias dos níveis regional ou nacional
mais que duas vezes no interstício de cinco anos.
Parágrafo 4º. Para fins de registro de candidatura a cargo de nível nacional, será considerado
apto todo candidato que obtiver homologação de sua pretensão por pelo menos
trinta por cento dos votos na assembleia regional.39
Parágrafo 5º. Candidaturas a cargos de nível nacional apresentadas pelas regiões escoteiras de-
vem ser compostas por candidatos e candidatas em razão que não ultrapasse um
terço de cada gênero, salvo se o número de candidaturas for menor que três; o
cálculo será feito a cada múltiplo completo de três, desprezadas as frações.
Artigo 26 Incumbe às assembleias de níveis local e regional eleger e destituir as respectivas direções
e administrações, na forma dos próprios estatutos e de acordo com as seguintes limitações:
I. Só podem ser candidatas pessoas alfabetizadas maiores de dezoito anos e registradas
nos Escoteiros do Brasil há pelo menos seis meses, salvo no caso de unidade local em
criação, quando esse interregno é dispensado;
II. Não poderão se candidatar simultaneamente cônjuges ou companheiros, ou parentes
até segundo grau, consanguíneos ou afins;
Artigo 27 Compete à Assembleia Nacional eleger e destituir o Conselho de Administração Nacional,
a Conselho de Ética nacional e a Conselho Fiscal Nacional.

34
Note-se que estão excluídos os votos natos, mas foram mantidas as delegações das regiões; portanto, não se
eliminaram completamente as etapas e degraus no processo eleitoral e no sistema representativo. Todas as
unidades escoteiras locais têm voz e voto na assembleia regional, mas o coeficiente de representatividade
nacional da base fica bem ampliado. O sistema oriundo da proposta de ES, admitia a possibilidade de uma
Assembleia Nacional com 2000 membros (ou mais!), considerando-se a existência de algo como 1500 grupos
escoteiros – o que foi evitado, reduzindo-se em à frações daquele número (o que me parece viável), prevista
redução ainda maior: um quarto, um quinto... segundo a ampliação dos quadros da UEB. Quanto menor a
fração, menor a representatividade, quanto maior ela for, maior será o quórum (PA)
35
Número presumível de eleitores na Assembleia Nacional entre 500 e 600.
36
Número presumível de eleitores na Assembleia Nacional entre 600 e 800.
37
Número presumível de eleitores na Assembleia Nacional entre 800 e 1000.
38
Número presumível de eleitores na Assembleia Nacional acima de 1200. Note-se que esses números, quase
sempre, estarão divididos em cinco polos de reunião. Também chamo à atenção para o fato de que as assem-
bleias tenderão a serem bem mais curtas, um dia, duas plenárias é o quanto bastará.
39
Já ampliei ligeiramente o coeficiente de aprovação sugerido por ES, mas recomendo mais restrições, para se
evitar uma enxurrada de candidaturas inviáveis. (PA)
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 18

Artigo 28 Os eleitos em assembleias exercem seus mandatos a partir do primeiro dia do mês sub-
sequente ao de sua eleição, exceto no caso de criação de unidades locais, quando a posse é
imediata.
Artigo 29 Em caso vacância de qualquer cargo eletivo definido neste estatuto, o correspondente
órgão declara o evento, podendo os associados, na próxima assembleia do respectivo nível,
deliberarem pela continuidade da vacância até o término do mandato original ou eleger subs-
tituto para completar o mandato, de acordo com o estabelecido neste estatuto.
Artigo 30 Nenhum associado poderá ocupar mais de duas vezes, pelo período de uma década, cargo
na mesma direção e administração regional ou na direção e administração nacional.40
Artigo 31 As convocações das assembleias, quando solicitadas por quem competir, devem ocorrer
nos dez dias subsequentes à solicitação. Vencido este prazo, é facultado ao primeiro signatário
da solicitação editar a convocatória, ou aos signatários seguintes, pela ordem da subscrição.
Artigo 32 As assembleias de todos os níveis adotam regimento próprio, ou seguem o regimento de
qualquer das assembleias de níveis superiores estabelecidos, facultado ao presidente de cada
colegiado dirimir casos omissos ou controversos, ou submetê-los ao plenário.
Artigo 33 A convocação que fixar prazo para a apresentação de candidaturas não poderá estabe-
lecê-lo menor que a metade do período até a assembleia, a contar da data do edital.
Capítulo V
Administração Nacional

Seção I – Conselho de Administração Nacional


Artigo 34 O Conselho de Administração Nacional é composto por quinze associados residentes no
Brasil e eleitos em Assembleia Nacional na forma deste estatuto.
Artigo 35 Caso o número de membros do Conselho de Administração Nacional seja reduzido, por
vacância, a menos de dez, é convocada Assembleia Nacional extraordinária para eleger novos
ocupantes para os cargos vagos até o final do mandato.
Artigo 36 Ao Conselho de Administração Nacional incumbe a definição das políticas de governança
da instituição, visando o pleno alcance de sua missão institucional, as quais balizarão a gestão
dos Escoteiros do Brasil.
Artigo 37 O Conselho de Administração Nacional é eleito conforme segue:
I. A eleição é individual, sendo facultado a cada região escoteira registrar as candidatu-
ras declaradas aptas pela sua assembleia regional junto ao Escritório Nacional, por es-
crito, até cinco dias depois da declaração;
II. Só podem ser candidatas pessoas com ensino superior completo, registradas nos Es-
coteiros do Brasil há pelo menos cinco anos;
III. Não podem se candidatar simultaneamente cônjuges ou companheiros, ou parentes
até segundo grau, consanguíneos ou afins, ainda que qualificadas por regiões diferen-
tes;
IV. A lista de candidatos, identificados por região escoteira, será enviada com a convoca-
ção da Assembleia Nacional;
V. Cada eleitor vota em sete candidatos, de sua ou de outras regiões escoteiras; são con-
siderados nulos, os votos que não completam ou ultrapassam o número aqui

40
Este dispositivo já reduz ligeiramente a avalanche de candidaturas, não é suficiente.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 19

estabelecido41, aqueles eleitores que tiverem direito voto duplo, deve direcionar seus
dois votos ao mesmo grupo de candidatos;
VI. São eleitos os candidatos mais votados. Em caso de empate de votação para as últimas
vagas, elegem-se os candidatos com menor idade.
Artigo 38 O Conselho de Administração Nacional é presidido por um de seus membros, eleito e des-
tituível para exercer a função por decisão da maioria dos membros do próprio colegiado.
Parágrafo 1º. A destituição do cargo de Presidente do Conselho de Administração Nacional não
implica em perda do mandato de membro do Conselho de Administração Nacional.
Parágrafo 2º.O Conselho de Administração Nacional elabora seu Regimento Interno, a ser
homologado pela Assembleia Nacional.
Parágrafo 3º.O Conselho de Administração Nacional elege, dentre seus membros, na pri-
meira reunião que se realizar após a sua eleição, dois vice-presidentes, e deter-
mina suas atribuições.
Parágrafo 4º.O presidente e os dois vice-presidentes do Conselho de Administração Naci-
onal constituem o Comitê Executivo, cujas competências definem-se pelo Regi-
mento Interno do Conselho de Administração Nacional.
Parágrafo 5º.Os membros do Conselho de Administração Nacional só podem ser afastados
do cargo por decisão definitiva com voto de pelo menos dez integrantes do cole-
giado neste sentido.
Parágrafo 6º.O presidente e os vice-presidentes do Conselho de Administração Nacional
têm voto nas deliberações do colegiado. Em caso de empate nas votações, o pre-
sidente terá voto de qualidade.
Artigo 39 O Conselho de Administração Nacional elabora seu Regimento que versa sobre:
I. A periodicidade das reuniões ordinárias;
II. A forma de convocação das reuniões ordinárias e extraordinárias;
III. A iniciativa e forma de submissão de matérias ao colegiado;
IV. Participação de jovens líderes no colegiado, sem direito a voto;
V. Outras questões que competiram ao colegiado.
Artigo 40 O quórum necessário à instalação das reuniões é de metade mais um dos componentes
do Conselho de Administração Nacional, salvo exigência regimental, estatutária ou legal. A
aprovação das matérias se dá por maioria simples dos presentes, com as mesmas ressalvas
anteriores.
Parágrafo 1º. De cada reunião é lavrada ata consignando as decisões tomadas; as atas devem ser
publicadas por meio eletrônico em site de conhecimento dos associados.
Parágrafo 2º. Todas as reuniões são públicas, abertas a quantos assistentes o ambiente compor-
tar, facultada e incentivada a transmissão em tempo real pelas mídias sociais.
Artigo 41 São atribuições do Conselho de Administração Nacional, sem prejuízo de outras estabele-
cidas neste estatuto:
I. Selecionar, contratar e dispensar diretor geral, fixar-lhe a remuneração, monitorando
regularmente seu desempenho;
II. Aprovar plano de cargos e salários dos profissionais da Direção Nacional, segundo pro-
posta do diretor geral;
III. Escolher, destituir e fixar a remuneração de auditores independentes, que não pode-
rão prestar serviços distintos da auditoria e que, também, deverão ser trocados a cada
oito anos;

41
Segundo modelo adotado pela OMME para eleições correspondentes. A ideia é evitar que a qualidade dos
eleitos fique comprometida pelo excesso de concentração de votos nos candidatos mais conhecidos. PA.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 20

IV. Escolher, destituir e fixar a remuneração de consultores que se fizerem necessários;


V. Criar comissões de assessoramento técnico, político e estratégico, fixando suas atri-
buições e convidando ou contratando seus membros;
VI. Referendar outros instrumentos normativos dos Escoteiros do Brasil exarados pela Di-
reção Nacional;
VII. Estabelecer o planejamento estratégico, o plano de ação e o orçamento dos Escoteiros
do Brasil, de eventos escoteiros e de campanhas nacionais de captação de recursos e
avaliar os relatórios e desempenhos;
VIII. Deliberar sobre a abertura, encerramento e transferência de filiais dos Escoteiros do
Brasil e sobre a participação dos Escoteiros do Brasil em outras pessoas jurídicas, com
ou sem fins lucrativos, ou consórcios;
IX. Deliberar sobre administração e movimentação do Fundo Patrimonial constituído pela
Ordem da Flor de Lis;
X. Apreciar os relatórios do diretor geral sobre a execução do Plano de Ação e execução
do orçamento;
XI. Apreciar os relatórios do Comitê Executivo;
XII. Apreciar os relatórios do Conselho Fiscal Nacional sobre o acompanhamento da exe-
cução financeira, do Plano de Ação e o controle do orçamento;
XIII. Apreciar o relatório de atividades e as demonstrações financeiras, o balanço patrimo-
nial, origem e aplicação de recursos e mutação do patrimônio social relativos ao exer-
cício encerrado, após pronunciamento dos auditores independentes e do Conselho
Fiscal Nacional, cujo resultado será publicado no site institucional;
XIV. Aprovar a promoção e a realização de eventos escoteiros nacionais e internacionais
no Brasil, inclusive nomeando seus coordenadores e homologando as designações de
equipe indicadas por eles;
XV. Apreciar os relatórios referentes aos eventos do inciso anterior;
XVI. Apreciar as decisões do Conselho de Ética Nacional, em grau de recurso.
Artigo 42 Compete:
I. Ao presidente do Conselho de Administração Nacional representar os Escoteiros do
Brasil, em juízo ou fora dele, ativa e passivamente;
II. Aos vice-presidentes do Conselho de Administração Nacional substituir o presidente
em suas ausências e impedimentos;
III. Ao presidente e a um dos vice-presidentes, ou a dois vice-presidentes, conjuntamente,
constituir procuradores, por instrumento público ou particular, para representar os
Escoteiros do Brasil perante instituições financeiras e movimentar recursos de sua ti-
tularidade perante elas, devendo a procuração especificar as instituições financeiras a
que se destina e ser outorgada com prazo estipulado; cabendo-lhes ainda cassar tais
procurações a bem do interesse institucional, quando couber.

Seção II – Conselho Fiscal Nacional


Artigo 43 O Conselho Fiscal é composto por cinco membros eleitos conforme segue:
I. A eleição é individual, cada região escoteira apresenta à Direção Nacional apenas uma
candidatura aprovada por sua assembleia regional, no prazo de cinco dias da aprova-
ção;
II. São aptos a se candidatar ao Conselho Fiscal associados com formação ou reconhecida
experiência mercantil, contábil, jurídica, econômica ou financeira, registrados nos Es-
coteiros do Brasil por pelo menos cinco anos;
III. São inaptos a se candidatar ao Conselho Fiscal Nacional cônjuges ou companheiros,
ou parentes até segundo grau, consanguíneos ou afins, de quaisquer candidatos ao
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 21

Conselho de Administração Nacional ou que tenham integrado a Direção Nacional nos


últimos cinco anos;
IV. A lista de candidatos, identificados por região escoteira, é publicada com a convocação
da Assembleia Nacional.
V. Cada eleitor vota em apenas um candidato, inclusive aqueles que tiverem direito a
dois votos, ambos deverão ser no mesmo candidato;
VI. Serão eleitos os candidatos mais votados. Em caso de empate de votação para a última
vaga, é eleito o candidato com menor idade.
Parágrafo único – Caso o número de membros do Conselho Fiscal Nacional seja reduzido, por vacância,
a menos de três, são convidados a assumir as vagas os candidatos com votação subsequente
na mesma eleição que os demais, até o final do mandato respectivo; declinado o convite inicial,
são feitos convites aos candidatos subsequentes, pela ordem de votação, até que se supra o
quórum ou se complete o número ordinário.
Artigo 44 São atribuições do Conselho Fiscal Nacional:
I. Elaborar seu Regimento Interno a ser homologado pela Assembleia Nacional;
II. Fixar a periodicidade e data de suas reuniões que deverão ocorrer, pelo menos, três
vezes por ano;
III. Acompanhar a gestão financeira e exercer o controle orçamentário, supervisionando
e tornando efetivas as regras de conflitos de interesses na tomada de decisão finan-
ceira;42
IV. Examinar, sem restrições, a todo tempo, os livros contábeis e documentos necessários
à verificação da regularidade de aplicação dos recursos dos Escoteiros do Brasil;
V. Emitir parecer ao Conselho de Administração Nacional e à Assembleia Nacional, sobre
os relatórios de desempenho financeiro e contábil e sobre as operações patrimoniais
realizadas;
VI. Emitir parecer ao Conselho de Ética, sobre a lisura da administração financeira e con-
tábil e sobre as operações patrimoniais realizadas;
VII. Emitir parecer anual ao Conselho de Administração Nacional sobre as demonstrações
financeiras, compreendendo o balanço patrimonial, origem e aplicação de recursos e
mutação do patrimônio social e as notas explicativas, examinadas por auditores inde-
pendentes, para subsequente publicação;
VIII. Comunicar, a qualquer tempo e máxima brevidade, ao Conselho de Administração Na-
cional, ao Conselho de Ética ou à Assembleia Nacional, segundo couber, erros, fraudes
ou delitos que detectar, sugerindo as medidas que julgar convenientes ao interesse
dos Escoteiros do Brasil; e
IX. Emitir parecer sobre outras questões, no âmbito de suas atribuições, por solicitação
do Conselho de Administração Nacional ou da Assembleia Nacional.

Seção III – Conselho de Ética Nacional


Artigo 45 O Conselho de Ética é composto por cinco membros eleitos conforme segue:
I. A eleição é individual, cada região escoteira poderá apresentar à Direção Nacional ape-
nas uma candidatura aprovada pela sua assembleia regional, no prazo de cinco dias
da aprovação;
II. São aptos a integrar a Conselho de Ética associados com formação em Direito ou Ética,
facultando-se reconhecida experiência jurídica, registrados nos Escoteiros do Brasil
por pelo menos cinco anos;

42
Atribuições típicas de controladoria.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 22

III. Não podem se candidatar para a Conselho de Ética cônjuges ou companheiros, ou pa-
rentes até segundo grau, consanguíneos ou afins, de quaisquer candidatos ao Conse-
lho de Administração Nacional;
IV. A lista de candidatos, identificados por região escoteira, é publicada com a convocação
da Assembleia Nacional;
V. Na eleição, cada eleitor vota em apenas um candidato, inclusive aqueles que tiverem
direito a dois votos, ambos deverão ser dados ao mesmo candidato;
VI. São eleitos os candidatos mais votados. Em caso de empate de votação para a última
vaga, é eleito o candidato com menor idade.
Parágrafo único – Caso o número de membros do Conselho de Ética Nacional seja reduzido, por va-
cância, a menos de três, são convidados a assumir as vagas os candidatos com votação subse-
quente na mesma eleição que os demais, até o final do mandato respectivo; declinado o con-
vite inicial, são feitos convites aos candidatos subsequentes, pela ordem de votação, até que
se supra o quórum ou se complete o número ordinário.
Artigo 46 Compete ao Conselho de Ética Nacional:
I. Eleger seu presidente e seu vice-presidente;
II. Elaborar seu regulamento, o Código de Conduta e dispor sobre as normas processuais
a serem aplicáveis, submetendo os dispositivos à homologação pelo Conselho de Ad-
ministração Nacional.
III. Disseminar e estimular o cumprimento das regras constantes neste Estatuto Social e
no Código de Conduta e propor as sanções decorrentes de seu descumprimento;
IV. Receber, analisar e processar os comunicados recebidos, de acordo com o que vier a
ser estabelecido no Código de Conduta.
V. A instrução e deliberação em procedimentos disciplinares em nível nacional, ou como
instância recursal dos níveis regionais;
VI. Deliberar pela advertência, suspensão ou afastamento de associados após processo
em que seja garantido o contraditório e a ampla defesa, facultado ao presidente ado-
tar medidas liminares sempre que o problema implicar risco iminente para a imagem
dos Escoteiros do Brasil ou do Movimento Escoteiro, ou quando a questão implicar
risco para jovens associados.
Artigo 47 O Código de Conduta fixa, além do previsto neste Estatuto Social, os princípios éticos ge-
rais exigíveis dos associados, seu âmbito de aplicação, o controle da aplicação, as responsabi-
lidades e consequências em caso de descumprimento.
Parágrafo 1º. Todo associado maior de dezesseis anos deve conhecer e cumprir o Código de Con-
duta. Para tanto, as regiões escoteiras e a Direção Nacional devem oferecer formação especí-
fica, inclusive por Ensino a Distância.
Parágrafo 2º. No exercício de suas atribuições, a Conselho de Ética atua de forma transparente,
prestando contas ao Conselho de Administração Nacional sobre o andamento dos
assuntos que estejam sobre sua jurisdição.

Seção IV – Conselho Consultivo Nacional


Artigo 48 O Conselho Consultivo é composto por número indeterminado de pessoas naturais43.
Parágrafo 1º. São membros natos do Conselho Consultivo os ex-presidentes do Conselho de Ad-
ministração Nacional dos Escoteiros do Brasil que residam no Brasil e tenham cumprido inte-
gralmente seus mandatos.

43
Esse conselho visa atuar como um foro de diálogo com entidades análogas (peer learning) e parceiros corpo-
rativos, inclusive de outros países, reforçando a internacionalização da UEB. É nessa instância que serão aco-
modadas as empresas parceiras e sindicatos.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 23

Parágrafo 2º. São membros do Conselho Consultivo pessoas, associadas ou não44 aos Escoteiros
do Brasil, que tenham sido convidadas a qualquer tempo para tal função por inici-
ativa do Conselho de Administração Nacional, para exercício até o fim mandato do
CAN45.
Parágrafo 3º. O Conselho Consultivo decide sobre a periodicidade e o local de suas reuniões, que
serão instaladas com a presença da maioria simples dos seus membros, os quais
deverão ser convocados pelo Presidente do Conselho de Administração por via
postal ou eletrônica, com quinze dias de antecedência.
Artigo 49 Compete ao Conselho Consultivo compete apoiar os Escoteiros do Brasil, contribuindo
com pareceres quanto aos assuntos que lhe forem requeridos46 pelo Conselho de Administra-
ção Nacional.
Artigo 50 O Conselho Consultivo se manifesta apenas sobre o que é instado pelo Conselho de Ad-
ministração Nacional.
Capitulo V
Direção Nacional
Artigo 51 A Direção Nacional é composta pela equipe de profissionais coordenada pelo Diretor Ge-
ral e pelos voluntários que aceitarem convite para funções de direção; incumbe ao órgão a
prática dos atos operacionais de administração, dentro dos limites da lei, deste Estatuto e das
orientações e delegações do Conselho de Administração Nacional.
Parágrafo 1º. O Diretor Geral, como executivo profissional dos Escoteiros do Brasil, seleciona e
contratar os membros profissionais da Direção Nacional, bem como convidar voluntários a
prestarem sua colaboração técnica.
Parágrafo 2º. O Diretor Geral e demais membros da Direção Nacional não respondem solidária
ou subsidiariamente pelas obrigações e compromissos contraídos em nome dos
Escoteiros do Brasil, em virtude de ato regular de gestão. Todavia, aqueles que
praticarem atos com violação culposa ou dolosa da lei ou deste Estatuto, respon-
dem civil e penalmente por atos lesivos a terceiros ou aos próprios Escoteiros do
Brasil.
Artigo 52 Compete ao Diretor Geral e, na sua falta, impedimento ou delegação, a outro executiva
da Direção Nacional, com aprovação prévia do Comitê Executivo, as seguintes atribuições, den-
tro dos limites da lei, deste Estatuto e das políticas fixadas pelo Conselho de Administração
Nacional:
I. Propor as políticas de governança dos Escoteiros do Brasil;
II. Propor o direcionamento político, o planejamento estratégico e políticas análogas dos
Escoteiros do Brasil;
III. Propor deliberações sobre o plano de ação com o correspondente orçamento e valor
de contribuições associativas dos Escoteiros do Brasil, e suas eventuais alterações;
IV. Apresentar relatórios de acompanhamento de execução do programa de ação, inclu-
sive orçamento, e balancetes trimestrais;
V. Apresentar relatório de atividades e as demonstrações financeiras, compreendendo o
balanço patrimonial, origem e aplicação de recursos e mutação do patrimônio social e
as notas explicativas, relativos ao exercício encerrado, após pronunciamento dos au-
ditores independentes e do Conselho Fiscal Nacional;

44
Permite-se, assim, a integração de pessoas de fora do Movimento Escoteiro no processo de reflexão da enti-
dade.
45
Assim, cada composição do Conselho de Administração Nacional pode renovar o conselho consultivo.
46
Assim, dá-se agilidade sem comprometimento da gestão com consultas obrigatórias. Também se permite a
seletividade de informação visando preservar informações sigilosas.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 24

VI. Propor de estrutura organizacional da Direção Nacional, fixando as atribuições de seu


corpo profissional, bem como o plano de cargos e salários;
VII. Admitir e demitir funcionários, de tudo dando ciência ao Conselho de Administração
Nacional;
VIII. Convidar, nomear, exonerar voluntários para cargos da Direção Nacional, bem como
para as respectivas equipes.
IX. Nomear diretores para cursos de formação de escotistas, a pedido das direções regio-
nais e cumpridos os demais requisitos normativos;
X. Nomear diretores para cursos de formação de dirigentes, por designação do Conselho
de Administração Nacional e cumpridos os demais requisitos normativos;
XI. Avaliar a gestão dos corpos profissional e voluntários da Direção Nacional, inclusive
verificar o cumprimento dos seus deveres;
XII. Firmar e administrar o cumprimento de contratos, termos de colaboração ou fomento,
acordos de colaboração ou quaisquer outros ajustes e atos de convergências e coope-
ração, necessários ao bom desempenho das atividades dos Escoteiros do Brasil;
XIII. Representar, com anuência do Comitê Executivo, os Escoteiros do Brasil perante ór-
gãos públicos municipais, estaduais e federais, suas secretarias, repartições e inspeto-
rias, podendo requerer alvarás, licenças e inscrições como contribuinte, pleitear isen-
ções e reconhecimento de imunidades, firmar requerimentos e declarações, bem
como pleitear todos os demais atos junto a tais órgãos que, embora não expressa-
mente citados, devem ser praticados no interesse dos Escoteiros do Brasil;
XIV. Praticar os atos ordinários de gestão dos Escoteiros do Brasil, desempenhando inclu-
sive outras atribuições estatutárias e infraestatutárias ou por deliberação do Conselho
de Administração Nacional ou de seu Comitê Executivo.
Artigo 53 O procurador jurídico da Direção Nacional é um advogado ou uma sociedade de advoga-
dos inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, com reconhecida idoneidade e saber jurídico,
indicado pelo presidente do Conselho de Administração Nacional e aprovado pelo colegiado,
contratado para a função por prazo indeterminado.
Parágrafo único – Fica facultada a contratação dos profissionais do caput deste que se disponham a
prestar os serviços pro bono.
Artigo 54 Compete ao Procurador Jurídico assessorar o Conselho de Administração Nacional, o Co-
mitê Executivo, a Comissão de Ética e o Diretor Geral em assuntos jurídicos, executando as
seguintes atribuições, dentro dos limites da lei, do Código de Ética da OAB, deste Estatuto e
das políticas fixadas pelo Conselho de Administração Nacional e:
I. Dirigir os serviços da Procuradoria dos Escoteiros do Brasil;
II. Representar os Escoteiros do Brasil em juízo e fora dele e, quando devidamente auto-
rizado pelo Conselho de Administração Nacional, propor mandado de segurança cole-
tivo em defesa dos interesses dos associados e atuar em ações civis públicas e outros
tipos de ações judiciais visando a salvaguarda de interesses dos associados e do Movi-
mento Escoteiro;
III. Opinar sobre a juridicidade das normas e provimentos infraestatutários;
IV. Elaborar, revisar e visar contratos, convênios, termos de colaboração ou fomento, ou
quaisquer outros ajustes e atos de convergências e cooperação, necessários ao bom
desempenho das atividades dos Escoteiros do Brasil;
V. Emitir pareceres sobre aspectos legais de temas suscitados pela Assembleia Nacional,
pelo Conselho de Administração Nacional, pelo Comitê Executivo, pelo Conselho Fis-
cal, pelo Conselho de Ética ou pela Diretoria Geral, respeitados os limites da lei e deste
Estatuto.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 25

Capítulo VI
Gestão financeira, exercício social e contas
Artigo 55 O exercício social tem início em 1º de janeiro e término em 31 de dezembro de cada ano.
Ao fim de cada exercício são levantadas as demonstrações financeiras e preparado o relatório
de atividades referente ao período, relacionando as receitas e despesas verificadas durante o
exercício em questão, para apreciação dos auditores independentes, manifestação do Conse-
lho Fiscal Nacional e do Conselho de Administração Nacional com subsequente publicação.
Artigo 56 A prestação de contas dos Escoteiros do Brasil deve observar, no mínimo:
I. Os princípios fundamentais de contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade;
II. A publicidade eficaz, no encerramento do exercício fiscal, do relatório de atividades e
das demonstrações financeiras dos Escoteiros do Brasil, colocando-os a disposição
para exame de qualquer cidadão; e
III. A prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos será
feita conforme determinado no parágrafo único do artigo 70 da Constituição Federal.
Artigo 57 São expressamente vedados, sendo nulos e ineficazes em relação aos Escoteiros do Brasil,
os atos de qualquer dirigente, procurador ou funcionário que a envolverem em obrigações ou
negócios estranhos ao objeto social, tais como fianças, avais, endossos ou quaisquer garantias
em favor de terceiros.
Artigo 58 Aplicam-se aos casos omissos ou duvidosos as disposições legais vigentes e, na falta des-
tas, caberá ao Conselho de Administração Nacional dirimir dúvidas e deliberar a respeito.
Artigo 59 Os Escoteiros do Brasil têm autonomia administrativa, financeira e jurídica própria e dis-
tinta daquela de seus associados, distinta ainda da personalidade jurídica das regiões escotei-
ras e das de unidades escoteiras locais credenciadas que, igualmente, são pessoas jurídicas
dotadas de autonomia administrativa, financeira e jurídica. Consequentemente, compete a
cada uma, particularmente e com exclusividade, o cumprimento de suas respectivas obriga-
ções comerciais, contratuais, trabalhistas, sociais, das decorrentes de acidentes do trabalho,
previdenciárias, fiscais e tributárias, em conformidade com a legislação e práticas comerciais,
financeiras ou bancárias em curso.
Parágrafo 1º. Os Escoteiros do Brasil não respondem, subsidiária ou solidariamente, por atos ilí-
citos praticados pelas unidades escoteiras locais ou pelas regiões escoteiras, por seus respec-
tivos dirigentes e associados, por danos por eles causados ou por obrigações por eles assumi-
das.
Parágrafo 2º. Os associados não respondem solidária ou subsidiariamente pelas obrigações e
compromissos assumidos pelos Escoteiros do Brasil.
Parágrafo 3º. Os membros dos órgãos de administração e direção não respondem solidária ou
subsidiariamente pelas obrigações e compromissos assumidos pelos Escoteiros do Brasil den-
tro do limite de seus poderes, definido neste estatuto, ou pelas entidades filiadas, em qualquer
situação.
Capítulo VII
Patrimônio social, receitas e sua destinação
Artigo 60 Constituem o patrimônio dos Escoteiros do Brasil os bens móveis e imóveis, ações, títulos,
valores e direitos que lhe pertencem ou que venham a lhe pertencer, as doações, legados e
outras contribuições, as subvenções e auxílios de qualquer natureza, realizados por realizados
por pessoas naturais ou jurídicas, privadas ou públicas, inclusive governamentais, nacionais,
internacionais ou de outros países, destinadas especificamente à incorporação patrimonial.
Parágrafo único – Os Escoteiros do Brasil não constituem patrimônio de indivíduos ou de sociedades
comerciais.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 26

Artigo 61 Constituem as receitas dos Escoteiros do Brasil:


I. As contribuições anuais de seus associados;
II. As taxas de eventos, serviços e receitas pelo fornecimento de material educativo ou
advindas das atividades compreendidas no objeto social, permitidas pela lei47;
III. As contribuições periódicas ou eventuais de pessoas naturais ou jurídicas, associadas
ou não;
IV. As doações, legados, subvenções, auxílios, direitos, créditos e outras aquisições pro-
porcionadas por pessoas físicas ou jurídicas de direito público privado nacionais, inter-
nacionais ou de outros países; e
V. Os rendimentos produzidos por todos os bens, valores, títulos e outros direitos, bem
como por iniciativas destinadas à captação de recursos.48
Parágrafo 1º. Os Escoteiros do Brasil aplicam suas receitas, rendas, rendimentos e eventual su-
perávit integralmente no Brasil, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institu-
cionais.49
Parágrafo 2º. Os Escoteiros do Brasil não distribuem resultados financeiros, dividendos, bonifi-
cações, participações ou parcelas de seu patrimônio, sob qualquer forma ou pre-
texto.50
Parágrafo 3º. Os dirigentes voluntários, assim considerados os indivíduos integrantes dos órgãos
de administração definidos neste Estatuto e os associados ou benfeitores dos Es-
coteiros do Brasil não recebem remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou
indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções
ou atividades que lhe foram atribuídas, inclusive em razão de desligamento, reti-
rada ou falecimento.51
Parágrafo 4º. Os recursos dos Escoteiros do Brasil não podem ser utilizados para concessão de
empréstimos a membros dos seus órgãos de administração ou direção, a qualquer
título.
Artigo 62 Os Escoteiros do Brasil podem, conforme regulamento próprio52, constituir fundos patri-
moniais e especiais para assegurar a perpetuidade institucional e da causa53 expressa em seu
objeto social, cujos recursos devem ser geridos de forma independente das disponibilidades
ordinárias, podendo ser destinados, a critério do Conselho de Administração Nacional, a inves-
timentos em novas frentes de atuação relacionadas ao objeto social, ao custeio de operações
ou a cobertura de passivos oriundos de atos regulares de gestão.
Capítulo VIII
Reforma do Estatuto, dissolução e liquidação
Artigo 63 A reforma deste estatuto ocorre em Assembleia Nacional especialmente convocada para
tal fim, com antecedência mínima de noventa dias, e por aprovação de dois terços dos mem-
bros presentes.
Parágrafo 1º.A proposição de reforma deve partir da Assembleia Nacional, do Conselho de Administra-
ção Nacional, de, pelo menos, cinco regiões ou de seminário específico realizado antes da As-
sembleia.

47
Visa assegurar isenção da Cofins conforme Súmula CARF 107.
48
Inclui royalties, direitos autorais, alugueis, etc.
49
Lei 12.101/2009, art. 29, II.
50
Lei 12.101/2009, art. 29, V.
51
Lei 12.101/2009, art. 29, I.
52
A maior flexibilidade inicial deve, contudo, criar as condições para se estabelecer o endowment no futuro e,
dessa forma, acho conveniente dispor no estatuto sobre o fundo.
53
Ao associar o fundo à causa, reforça-se o caráter de atividade própria de qualquer endowment.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 27

Parágrafo 2º.Emendas a este Estatuto, por exigência legal, podem ser aprovadas em assembleia ordi-
nária e maioria simples.
Parágrafo 3º.Emendas a este Estatuto, por motivo de interesse institucional, e que não alcancem mais
que três artigos, podem ser aprovadas em assembleia ordinária, exigível o quórum de dois
terços dos presentes.
Artigo 64 A dissolução dos Escoteiros do Brasil somente só ocorre se precedida de deliberação fa-
vorável de duas Assembleias Nacionais Extraordinárias sucessivas, realizadas com intervalo de
noventa dias e por aprovação de dois terços dos membros presentes.
Parágrafo único – A segunda Assembleia Nacional que deliberar sobre a dissolução dos Escoteiros do
Brasil, designa o liquidante, sua remuneração, se for o caso, e estabelece a forma de proces-
samento da liquidação.
Artigo 65 Aprovada a dissolução, liquidado o passivo, se houver, os bens e haveres, são revertidos
a outra pessoa jurídica de igual natureza, que preencha os requisitos da Lei 13.019/2014, e
cujo objeto social seja, preferencialmente, dedicado à educação de crianças, adolescentes e
jovens ou, na sua falta, a entidade pública, conforme for fixado pela Assembleia Nacional54.
Capítulo IX
Disposições gerais e transitórias

Seção I – Disposições gerais


Artigo 66 São casos de vagas em qualquer cargo ou função:
I. Término do mandato; renúncia; morte;
II. Inadimplência com a taxa de registro anual além de 31 de dezembro do ano em curso;
III. Exoneração; suspensão transitada em julgado; destituição; exclusão do quadro de as-
sociados;
IV. Ausência definitiva ou injustificada, além dos limites estabelecidos pelo regulamento
do órgão considerado; deixar de assumir as funções no prazo de quarenta e cinco dias,
a contar do início do mandato; deixar de registrar-se na UEB no ano em curso;
V. Descumprir reiteradamente prazos preestabelecidos ou requisitos necessários ao de-
sempenho do cargo ou função.
Artigo 67 A contratação e a demissão de qualquer servidor profissional ou de serviços terceirizados
é prerrogativa da direção do nível contratante.
Parágrafo único – Os executivos a serem contratados pela Direção Nacional, deverão ser aprovados
previamente pelo Conselho de Administração Nacional ou, em caso de urgência, pelo Comitê
Executivo ad referendum do Conselho de Administração Nacional.
Artigo 68 É vedado aos servidores o exercício de funções diversas das contratuais em quaisquer
níveis dos Escoteiros do Brasil, sendo-lhes facultado o exercício das funções de escotista vo-
luntário em unidades locais.
Artigo 69 Nenhum membro do Conselho de Administração Nacional, das diretorias e comissões fis-
cais ou de ética e disciplina, ou servidor dos Escoteiros do Brasil, pode ter cônjuge ou parentes
afins ou consanguíneos até o 3º grau ocupando de função remunerada ou terceirizada, no
mesmo nível institucional.
Parágrafo único – Os ocupantes de cargos de direção em qualquer nível não podem ter cônjuge ou
parentes afins ou consanguíneos de até 3º grau ocupando função no conselho fiscal ou no
conselho de ética correspondente àquele nível de atuação.

54
Lei 12.101/2009, art. 3º, I, e Lei 13.019/2014.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 28

Artigo 70 Aos níveis local e regional fica facultado reproduzir em escala as estruturas da Adminis-
tração Nacional e da Direção Nacional, ou adotar formas mais restritas ou diversas, de acordo
com a s necessidades e possibilidades de cada unidade.
Artigo 71 Os membros da Administração Nacional, bem como os equivalentes dos níveis regional e
local, se deslocam para as reuniões ordinárias e extraordinárias às próprias expensas; o mesmo
se aplica às despesas de estadia e alimentação.55
Parágrafo único – Fica facultado às unidades escoteiras locais subsidiar deslocamentos e estadias de
seus representantes em assembleias regionais e na Assembleia Nacional, caso haja previsão
orçamentária e recursos disponíveis para tanto.
Artigo 72 As comunicações eletrônicas provenientes dos endereços registrados no PAXTU, assim
como as provenientes de domínios registrados no mesmo sistema, têm presunção de fé; as
comunicações destinadas aos mesmos endereços têm presunção de eficácia.
Artigo 73 As publicações nos sites de domínios oficiais dos diferentes níveis atendem às exigências
de publicidade e têm presunção de autenticidade.

Seção II – Disposições transitórias


Artigo 74 O período de transição entre as normas estatutárias anteriores e as que hora se implan-
tam não será maior que a duração do mandato atual do Conselho de Administração Nacional,
período durante o qual vigoram os seguintes dispositivos:
I. Os regimentos ora em vigor, bem como as demais normas infraestatutárias, permane-
cem com os efeitos que não contrariem o presente estatuto, dirimidas as divergências
por decisão expressa do Comitê Executivo, enquanto seus sucedâneos não forem edi-
tados;
II. O Comitê Executivo, no período de transição, é composto pelo atual Presidente do
CAN, pelo Presidente da DEN e pelo Secretário Geral em exercício;
III. O Conselho de Administração Nacional vai exarar os prazos para a edição de novos
regimentos e demais regras, promovendo a consolidação das resoluções do Conselho
de Administração Nacional e da DEN em vigor;
IV. Os conselhos que dispuserem de suplentes, integram-nos ao corpo colegiado atual,
até o número estabelecido neste texto, pelo período remanescente dos mandatos,
para suplementação ou para substituições que se fizerem necessárias
V. A DEN cujo mandato dá termo a existência daquele órgão e o Secretário Geral, sob a
coordenação do Presidente da DEN, em gestão conjunta, encetam os esforços neces-
sários para a implementação do disposto neste Estatuto;
VI. O Secretário Geral se converte em Diretor Geral, como solução de continuidade aos
processos e procedimentos administrativos, sempre que viavelmente adaptados ao
novel Estatuto;
VII. Os demais executivos e colaboradores profissionais do Escritório Nacional têm seus
vínculos empregatícios preservados, na medida em que se enquadrem nas disposições
aqui estabelecidas e nas mudanças do organograma que forem implementadas, a cri-
tério do Diretor Geral.
Artigo 75 Os mandatos de cargos eletivos locais e regionais que se extinguem antes da eleição do
próximo Conselho de Administração Nacional são prorrogados até a respectiva assembleia an-
tecedente àquela eleição. Os mandatos de cargos eletivos locais e regionais que ultrapassem
a data de eleição do próximo Conselho de Administração Nacional são derrogados pela res-
pectiva assembleia antecedente àquela eleição.

55
Ficam aqui estabelecidas mais restrições ao excesso de candidaturas.
Minuta de Estatuto para os Escoteiros do Brasil 29

Artigo 76 Enquanto os dispositivos infraestatutários demandados não são promulgados, os órgãos


de administração e a direção de todos os níveis exercem seus misteres balizados pelos instru-
mentos correspondentes já existentes, adaptando no que couber assim como pela praxe con-
suetudinária e pela boa-fé decorrente da Lei Escoteira.
Parágrafo único – Questões que sobrevenham a este artigo são dirimidas pelo presidente do colegiado
mais afeto e, em recuso, pelo Comitê Executivo.
Curitiba, [data].