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1- Primeiros Anos: (Ufu 2013) De um modo geral, o conceito de physis no mundo pré-socrático

expressa um princípio de movimento por meio do qual tudo o que existe é gerado e se
corrompe. A doutrina de Parmênides, no entanto, tal como relatada pela tradição, aboliu esse
princípio e provocou, consequentemente, um sério conflito no debate filosófico posterior, em
relação ao modo como conceber o ser.

Para Parmênides e seus discípulos:

a) A imobilidade é o princípio do não-ser, na medida em que o movimento está em tudo o que


existe.

b) O movimento é princípio de mudança e a pressuposição de um não-ser.

c) Um Ser que jamais muda não existe e, portanto, é fruto de imaginação especulativa.

d) O Ser existe como gerador do mundo físico, por isso a realidade empírica é puro ser, ainda
que em movimento.

e) A união entre o movimento e a imutabilidade é quem garante a harmonia do cosmos.

2- (Unicentro 2010) Após as primeiras discussões dos filósofos “pré-socráticos” no século VI


a.C. (período cosmológico), surge outro movimento muito importante na história da filosofia.
Passa a ser abordado uma nova modalidade de problemas e discussões (período
antropológico), e assim teremos não só as figuras principais do novo cenário da filosofia grega,
mas de toda a história da razão ocidental: Sócrates, Platão e Aristóteles. Com Sócrates, a
filosofia ganha uma nova “roupagem”. Sócrates viveu em Atenas no momento de apogeu da
cultura grega, o chamado período clássico (séculos V e IV a.C.), fase de grande expressão na
política, nas artes, na literatura e na filosofia. O que há de mais forte na filosofia de Sócrates é
o seu método e a maneira pela qual ele buscava discutir os problemas relacionados à filosofia.

A partir desta informação, e de seus conhecimentos sobre a filosofia socrática, analise as


assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas.

I. Sócrates sempre buscava pessoas em praça pública para dialogar e questionar sobre a
realidade de seu tempo.

II. A célebre frase de Sócrates, que caracterizava parte de seu método é: “só sei que nada sei”,
por isso questionava as ideias de seus interlocutores.

III. Sócrates oferecia grande importância às experiências sensíveis, o que caracterizou


fortemente o seu método filosófico.

IV. Para fazer com que os seus interlocutores enxergassem a verdade por si próprios, Sócrates
elaborou um método composto de duas partes centrais: a ironia e a maiêutica.

a) Apenas I e II estão corretas.

b) Apenas I, II e IV estão corretas.

c) Apenas III e IV estão corretas.

d) Apenas I, II e III estão corretas.

e) Apenas I e IV estão corretas.


3- (Ufsj 2012) Sobre o princípio básico da filosofia pré-socrática, é CORRETO afirmar que

a) Tales de Mileto, ao buscar um princípio unificador de todos os seres, concluiu que a água
era a substância primordial, a origem única de todas as coisas.

b) Anaximandro, após observar sistematicamente o mundo natural, propôs que não apenas a
água poderia ser considerada arché desse mundo em si e, por isso mesmo, incluiu mais um
elemento: o fogo.

c) Anaxímenes fez a união entre os pensamentos que o antecederam e concluiu que o


princípio de todas as coisas não pode ser afirmado, já que tal princípio não está ao alcance dos
sentidos.

d) Heráclito de Éfeso afirmou o movimento e negou terminantemente a luta dos contrários


como gênese e unidade do mundo, como o quis Catão, o antigo.

e) Empédocles afirmava que tudo era originado a partir dos átomos.

4- (Uepa 2015) Leia o texto para responder à questão.

Platão:

A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus
interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe
o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às
pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas,
inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu caráter insuficiente.

(Citado por: CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17)

Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à:

a) oligarquia

b) república

c) democracia

d) monarquia

e) plutocracia

Segundo ano:

1. (Unesp 2018) De um lado, dizem os materialistas, a mente é um processo


material ou físico, um produto do funcionamento cerebral. De outro lado, de
acordo com as visões não materialistas, a mente é algo diferente do cérebro,
podendo existir além dele. Ambas as posições estão enraizadas em uma longa
tradição filosófica, que remonta pelo menos à Grécia Antiga. Assim, enquanto
Demócrito defendia a ideia de que tudo é composto de átomos e todo
pensamento é causado por seus movimentos físicos, Platão insistia que o
intelecto humano é imaterial e que a alma sobrevive à morte do corpo.
(Alexander Moreira-Almeida e Saulo de F. Araujo. “O cérebro produz a mente?:
um levantamento da opinião de psiquiatras”. www.archivespsy.com, 2015.)

A partir das informações e das relações presentes no texto, conclui-se que:

a) a hipótese da independência da mente em relação ao cérebro teve origem no


método científico.
b) a dualidade entre mente e cérebro foi conceituada por Descartes como
separação entre pensamento e extensão.
c) o pensamento de Santo Agostinho se baseou em hipóteses empiristas análogas
às do materialismo.
d) os argumentos materialistas resgatam a metafísica platônica, favorecendo
hipóteses de natureza espiritualista.
e) o progresso da neurociência estabeleceu provas objetivas para resolver um debate
originalmente filosófico.
2- (Enem 2014) É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização
do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida,
qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela
própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram
anteriormente varridas por essa mesma dúvida.
SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001
(adaptado).

Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia


cartesiana tem caráter positivo por contribuir para o(a)
a) dissolução do saber científico.
b) recuperação dos antigos juízos.
c) exaltação do pensamento clássico.
d) surgimento do conhecimento inabalável.
e) fortalecimento dos preconceitos religiosos.

3- (Ufu 2007) “Mas, logo em seguida, adverti que, enquanto eu queria assim
pensar que tudo era falso, cumpria necessariamente que eu, que pensava, fosse
alguma coisa. E, notando que esta verdade: eu penso, logo existo, era tão firme
e tão certa que todas as mais extravagantes suposições dos céticos não seriam
capazes de a abalar, julguei que podia aceitá-la, sem escrúpulo, como o primeiro
princípio da Filosofia que procurava.”

DESCARTES. R. Discurso do método. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova


Cultural, 1987, p. 46.

Considerando a citação acima, é correto afirmar que


a) pautando-se pelo exemplo dos céticos, Descartes não pretende encontrar
nenhum conhecimento, pois quer apenas pensar que tudo é falso.
b) na tentativa de pôr tudo em dúvida, Descartes não consegue duvidar da
existência do cogito (eu penso).
c) o pensamento de Descartes se restringe à constatação de que toda informação
sensível e corpórea é falsa.
d) na busca do primeiro princípio da Filosofia, Descartes põe o próprio cogito (eu
penso) em dúvida.
e) o pensamento cartesiano é importante pois funda uma nova forma de
entender o mundo centrada nos sentidos.

4- (Enem PPL 2015) Após ter examinado cuidadosamente todas as coisas,


cumpre enfim concluir e ter por constante que esta proposição, eu sou, eu existo,
é necessariamente verdadeira todas as vezes que a enuncio ou que a concebo
em meu espírito.
DESCARTES, R. Meditações. Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.

A proposição “eu sou, eu existo” corresponde a um dos momentos mais


importantes na ruptura da filosofia do século XVII com os padrões da reflexão
medieval, por
a) estabelecer o ceticismo como opção legítima.
b) utilizar silogismos linguísticos como prova ontológica.
c) inaugurar a posição teórica conhecida como empirismo.
d) estabelecer um princípio indubitável para o conhecimento.
e) Questionar a relação entre a filosofia e o tema da existência de Deus.

Terceiro ano

1 - UNICENTRO 2010

O fragmento de texto, logo abaixo, é de Friedrich Nietzsche (1844-1900). Analise-o, tendo


como referência seus conhecimentos sobre o tema, e julgue as assertivas que o seguem,
apontando a(s) correta(s).

“Todo filosofar moderno está política e policialmente limitado à aparência erudita, por
governos, igrejas, academias, costumes, modas, covardias dos homens: ele permanece no
suspiro: ‘mas se...’ ou no reconhecimento: ‘era uma vez...’ A filosofia não tem direitos; por
isso, o homem moderno, se pelo menos fosse corajoso e consciencioso, teria de repudiá-la e
bani-la. Mas a ela poderia restar uma réplica e dizer: ‘Povo miserável! É culpa minha se em
vosso meio vagueio como uma cigana pelos campos e tenho de me esconder e disfarçar, como
se eu fosse a pecadora e vós, meus juízes? Vede minha irmã, a arte! Ela está como eu: caímos
entre bárbaros e não sabemos mais nos salvar.” NIETZSCHE, F.A Filosofia na época trágica dos
gregos.– aforismo 3. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p. 32 (Col. Os Pensadores).

I. Nietzsche critica a filosofia de sua época, afirmando que ela afastou-se da vida, refugiando-
se num universo de abstração e deduções lógicas, criando falsos dualismos, como o de corpo e
alma, mundo e Deus, mundo aparente e mundo verdadeiro.

II. Em Sócrates, Nietzsche encontra o ideal de humanismo que irá definir sua filosofia como
“estética de si”. O par conceitual, dionisíaco (Dionísio é o Deus da embriaguez da música e do
caos) e apolíneo (Apolo é o Deus da luz, da forma, da harmonia e da ordem), mostra a herança
socrática. Da luta e do equilíbrio final desses dois elementos opostos, surge o pensamente
nietzschiano como saber da vida e da morte, como expressão do enigma da existência.

III. Kant e sua moral são alvos do “filosofar com o martelo” nietzschiano: o “imperativo
categórico”, isto é, a lei universal que deve guiar as ações humanas, é para Nietzsche uma
ficção que provém do domínio da razão sobre os instintos humanos, sendo a lei de um homem
descarnado e cristianizado.

IV. A vontade de potência é um conceito-chave na obra de Nietzsche. Indica-nos as relações de


força que se desenrolam em todo acontecer, assinalando seu método histórico. Assim,
Nietzsche pensa o tempo de acordo com uma concepção própria, um tempo não-linear, que se
desenvolve em ciclos que se repetem – é o pensamento do eterno retorno, outro conceito-
chave de sua obra.

a) Apenas IV.

b) Apenas II e III.

c) Apenas II, III e IV.

d) Apenas I, II e IV.

e) Apenas I, III e IV.

2 - (Ufsj 2012) Adaptada Nietzsche identificou os deuses gregos Apolo e Dionísio,


respectivamente, como

a) complexidade e ingenuidade: extremos de um mesmo segmento moral, no qual se inserem


as paixões humanas.

b) movimento e niilismo: polos de tensão na existência humana.

c) alteridade e virtu: expressões dinâmicas de intervenção e subversão de toda moral humana.

d) razão e desordem: dimensões complementares da realidade.

e) Emoção e sensação: polos definidores do humano

3- (Ufsj 2013) Adaptada “A Filosofia a golpes de martelo” é o subtítulo que Nietzsche dá à sua
obra Crepúsculo dos ídolos. Tais golpes são dirigidos, em particular, ao(s)
a) conceitos filosóficos e valores morais, pois eles são os instrumentos eficientes para a
compreensão e o norteamento da humanidade.

b) existencialismo, ao anticristo, ao realismo ante a sexualidade, ao materialismo, à


abordagem psicológica de artistas e pensadores, bem como ao antigermanismo.

c) compositores do século XIX, como, por exemplo, Wolfgang Amadeus Mozart, compositor de
uma ópera de nome “Crepúsculo dos deuses”, parodiada no título.

d) conceitos de razão e moralidade preponderantes nas doutrinas filosóficas dos vários


pensadores que o antecederam.

e) ao socialismo da URSS, que reutiliza o martelo como símbolo central da classe operária.

4- “Precisamente nisso enxerguei o grande perigo para a humanidade, sua mais sublime
sedução e tentação – a quê? ao nada? –; precisamente nisso enxerguei o começo do fim, o
ponto morto, o cansaço que olha para trás, a vontade que se volta contra a vida, a última
doença anunciando-se terna e melancólica: eu compreendi a moral da compaixão, cada vez
mais se alastrando, capturando e tornando doentes até mesmo os filósofos, como o mais
inquietante sintoma dessa nossa inquietante cultura europeia; como o seu caminho sinuoso
em direção a um novo budismo? a um budismo europeu? a um – niilismo?..." (NIETZSCHE,
Friedrich. Genealogia da moral: uma polêmica. Tradução, notas e posfácio de Paulo César de
Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 11-12.)

De acordo com o referido fragmento e considerando a totalidade do pensamento de Friedrich


Nietzsche, podemos afirmar que a alternativa INCORRETA é:

a) A elaboração nietzschiana sobre o niilismo é a oportunidade em que o filósofo


reconcilia-se com Immanuel Kant, julgando-o como aquela honrosa exceção que, em
pleno século XVIII, salvaguardou o pensamento alemão dos ataques da metafísica. Na
opinião de Nietzsche, o imperativo categórico é o antídoto ao niilismo.
b) Uma das adversárias de Nietzsche é a moral da compaixão, pois nela se intensifica a
decadência, a miséria e sua conservação. Sob a afirmação de “Deus" ou do “além",
como aquilo que genuinamente definiria a verdadeira vida, a moral da compaixão
oculta o “nada".
c) Nietzsche reconhece a ambiguidade do conceito de niilismo. Eis a razão pela qual ele
diferencia o niilismo ativo do passivo. O niilista ativo é o “espírito livre" que reconhece
e utiliza sua potência para ir além dos valores tradicionais. Já o niilista passivo, é o
espírito cansado que se subordina à decadência dos valores religiosos e morais.
d) A disposição de afastar-se da aparência, da mudança, do vir a ser, do desejo, conduz o
humano à vontade de nada, uma renúncia da vida que se configura como causa do
niilismo.
e) Uma das expressões mais conhecidas de Nietzsche, com a qual o autor inicia suas
análises sobre o niilismo, é o fragmento dedicado à morte de Deus. No aforismo de A
Gaia Ciência, a morte de Deus conduz-nos ao diagnóstico da ausência de justificações
absolutas e de orientações para o alcance do sentido da vida.