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DIREITO CONSTITUCIONAL

PROF. NADIA SAAB

51 – QUESTÃO:

Diante do advento de uma nova Constituição, assinale a opção correta.

a) A recepção pressupõe, além da compatibilidade com a ordem jurídica contemporânea, a


adequação formal da norma perante a Constituição sob cuja regência foi editada.
b) Denomina-se repristinação o fenômeno que restaura automaticamente a vigência da lei
revogada, em caso de revogação da lei revogadora.
c) As normas constitucionais decorrentes da manifestação do poder constituinte originário
têm retroatividade máxima, pois atingem os atos praticados sob a vigência da Constituição
anterior.
d) As normas constitucionais anteriores podem ser recepcionadas pela ordem jurídica con-
temporânea com status infraconstitucional, através do fenômeno denominado desconstitu-
cionalização.
e) Através do fenômeno da recepção material de normas constitucionais, as disposições nor-
mativas da Constituição anterior são recepcionadas pela nova ordem jurídica com status
constitucional, por prazo indeterminado.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Diante do advento de uma nova Constituição, as normas infraconsti-


tucionais anteriores serão recepcionadas com o mesmo status pela ordem jurídica contempo-
rânea através do fenômeno denominado recepção, se compatíveis com o texto constitucional.
Para tanto, é mister analisar a compatibilidade formal e material da norma perante a Constitui-
ção sob cuja regência foi editada, eis que o STF não admite o fenômeno da inconstitucionalida-
de superveniente.

Alternativa B: Nos termos do artigo 2º, § 3º da Lei de Introdução às Normas do Direi-


to Brasileiro, a repristinação consiste no fenômeno que restaura a vigência da lei revogada, em
caso de revogação da lei revogadora. Trata-se, contudo, de efeito excepcional, cuja incidência
requer disposição legal expressa nesse sentido.

Alternativa C: O fenômeno da retroatividade explica os efeitos da ordem jurídica


contemporânea em relação aos atos praticados sob a vigência da Constituição anterior. Nesse
contexto, segundo o STF, as normas constitucionais que decorrem da manifestação do poder
constituinte originário, tem retroatividade mínima, pois aplicam-se somente aos efeitos de fatos

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pretéritos produzidos após a sua vigência (RE 140499).
Alternativa D: Com efeito, diante do advento de uma nova Constituição, as normas
constitucionais anteriores podem ser recepcionadas pela ordem jurídica contemporânea com
status infraconstitucional, através do fenômeno denominado desconstitucionalização, cuja inci-
dência, todavia, requer disposição constitucional expressa nesse sentido. Ressalte-se que, para
parcela da doutrina, somente as denominadas “leis constitucionais” na concepção de Carl Schi-
mitt, são passíveis de desconstitucionalização.

Alternativa E: Através do fenômeno da recepção material de normas constitucionais,


as disposições da Constituição anterior são recepcionadas pela nova ordem jurídica com status
constitucional, por prazo determinado. Trata-se de instituto excepcional, cuja incidência requer
disposição constitucional expressa nesse sentido, tendo em vista que em matéria de compati-
bilidade horizontal de normas da mesma hierarquia, a revogação decorre da simples manifesta-
ção do poder constituinte originário.

52 – QUESTÃO:

A Constituição Federal de 1988 pode ser classificada como:

a) Rígida, codificada, outorgada e concisa.


b) Flexível, legal, promulgada e prolixa.
c) Rígida, codificada, promulgada e prolixa.
d) Flexível, legal, outorgada e concisa.
e) Flexível, codificada, outorgada e concisa.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Constituição rígida é aquela que pressupõe para a sua alteração um


processo legislativo mais solene do que o procedimento de modificação das demais normas
do ordenamento jurídico. A Constituição codificada é aquela cujas disposições são materializa-
das em texto único e sistematizado. Outorgada é a Constituição imposta, unilateralmente, pelo
agente revolucionário, que, portanto, carece de legitimidade democrática. Por fim, a constitui-
ção concisa é aquela que veicula apenas os princípios fundamentais e estruturantes do Estado.
Logo, as duas últimas características citadas não correspondem à classificação da Constituição
Federal de 1988.

Alternativa B: Constituição flexível é aquela que pode ser alterada conforme o pro-
cesso legislativo destinado à modificação das demais normas do ordenamento jurídico. A
Constituição legal é aquela cujas disposições estão esparsas ou fragmentadas em vários tex-
tos. Promulgada é aquela fruto do trabalho de uma Assembléia Nacional Constituinte, eleita

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pelo povo para em seu nome atuar. Por fim, prolixa é a Constituição que dispõe sobre assuntos
variados, não relacionados à decisão política fundamental. Portanto, somente as duas últimas
características citadas correspondem à classificação da Constituição Federal de 1988.

Alternativa C: Considerando os conceitos expostos nas assertivas anteriores, con-


clui-se que a Constituição Federal de 1988 pode ser classificada como rígida, porque pressupõe
para a sua alteração um processo legislativo mais solene do que o procedimento de modifica-
ção das demais normas do ordenamento jurídico; codificada, pois suas disposições são materia-
lizadas em texto único e sistematizado; promulgada, porque é fruto do trabalho da Assembléia
Nacional Constituinte, eleita pelo povo para em seu nome atuar e prolixa, pois dispõe sobre
assuntos variados, não relacionados à decisão política fundamental.

Alternativa D: A Constituição Federal de 1988 não é flexível, porque pressupõe para


a sua alteração um processo legislativo mais solene do que o procedimento de modificação das
demais normas do ordenamento jurídico. Não é legal, pois suas disposições são materializadas
em texto único e sistematizado. Não é outorgada, porque é fruto do trabalho da Assembléia
Nacional Constituinte, eleita pelo povo para em seu nome atuar. E, por fim, não é concisa, pois
dispõe sobre assuntos variados, não relacionados à decisão política fundamental.

Alternativa E: Como dito, a Constituição Federal de 1988 não é flexível, porque pres-
supõe para a sua alteração um processo legislativo mais solene do que o procedimento de mo-
dificação das demais normas do ordenamento jurídico. É codificada, pois suas disposições são
materializadas em texto único e sistematizado. Porém, não é outorgada, porque é fruto do tra-
balho da Assembléia Nacional Constituinte, eleita pelo povo para em seu nome atuar e, não é
concisa, pois dispõe sobre assuntos variados, não relacionados à decisão política fundamental.

53 – QUESTÃO:
Nos termos do artigo 196 da Constituição Federal: “A saúde é direito de todos e dever do
Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua
promoção, proteção e recuperação”. Considerando a classificação proposta por José Afonso
da Silva, trata-se de norma de eficácia:

a) plena.
b) contida.
c) limitada, declaratória de princípio institutivo ou orgânico.
d) limitada, declaratória de princípio programático.
c) relativa restringível.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

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Alternativa A: Em regra, todas as normas constitucionais apresentam eficácia, jurídi-
ca e social, ou apenas jurídica. Nesse sentido, Michel Temer esclarece que:

“a eficácia social se verifica na hipótese de a norma vigente, isto é, com


potencialidade para regular determinadas relações, ser efetivamente
aplicadas a casos concretos. Eficácia jurídica, por sua vez, significa que a
norma está apta a produzir efeitos na ocorrência de relações concretas;
mas já prouz efeitos jurídicos na medida em que a sua simples edição
resulta na revogação de todas as normas anteriores que com ela confli-
tam” (Elementos de Direito Constitucional, 14 ed., São Paulo, Malheiros,
p. 23).

De acordo com a classificação proposta por José Afonso da Silva, as normas consti-
tucionais podem ter eficácia plena, contida ou limitada. São de eficácia plena as normas consti-
tucionais de aplicabilidade direta, imediata e integral, independentemente de regulamentação
infraconstitucional. Exemplo: direito de resposta (artigo 5º, inciso V da CF).

Alternativa B: As normas de eficácia contida, por sua vez, tem aplicabilidade direta,
imediata, mas eventualmente não integral, tendo em vista que a sua incidência pode ser restrin-
gida por lei infraconstitucional, bem como por outras normas previstas na própria Constituição.
A título de exemplo, a decretação do estado de defesa ou de sítio impõe limitações ao exercício
de diversos direitos fundamentais (artigo 136, § 1º e 137 da CF). Todavia, enquanto não materia-
lizado o fator de restrição, a norma tem eficácia plena.

Alternativa C: Ainda de acordo com a classificação proposta por José Afonso da Silva,
são de eficácia limitada, as normas constitucionais de aplicabilidade diferida que não detém
normatividade suficiente para a sua incidência imediata. Nesse contexto, são normas de eficácia
limitada declaratórias de princípios institutivos ou orgânicos aquelas que estabelecem esque-
mas gerais para a estruturação de instituições, órgãos ou entidades, a exemplo do artigo 18, §
2º da Constituição Federal.

Alternativa D: Ao lado das normas de eficácia limitada declaratórias de princípios


institutivos ou orgânicos, destacam-se, ainda, as normas de eficácia limitada declaratórias de
princípios programáticos que veiculam programas a serem implementados pelo Estado, em
consonância com a idéia de constituição dirigente. Portanto, o artigo 196 da Constituição des-
crito no enunciado da questão, que enuncia o direito à saúde, passível de concretização através
de políticas públicas básicas, é exemplo de norma constitucional dessa espécie.

Alternativa E: Considerando a intangibilidade e a produção de efeitos concretos, Ma-


ria Helena Diniz classifica as normas constitucionais em: a) normas supereficazes ou com eficá-
cia absoluta, intangíveis, que não podem ser objeto de emenda; b) normas com eficácia plena,

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que reúnem todos os elementos imprescindíveis para a produção imediata de efeitos; c) normas
com eficácia relativa restringível, que corresponde às normas de eficácia contida na classifica-
ção de José Afonso da Silva e; d) normas com eficácia relativa complementável ou dependente
de complementação, equivalentes às normas de eficácia limitada para o mesmo autor.

54 – QUESTÃO:

No tocante às diferentes tipologias de federalismo, assinale a opção correta.

a) No federalismo por agregação a federação decorre da descentralização política e adminis-


trativa de um Estado unitário.
b) O federalismo centrífugo caracteriza-se pela centralização do poder na esfera central, em
detrimento dos entes periféricos.
c) No federalismo simétrico a diversidade sociocultural ou econômica impõe um tratamento
jurídico diferenciado entre as entidades federativas.
d) Denomina-se federalismo de integração a repartição vertical de competências que deter-
mina uma relação de subordinação dos entes periféricos em relação ao ente central.
e) No federalismo de segundo grau é reconhecida e existência de três ordens, quais sejam, a
União (ordem central), os Estados (ordens regionais) e os Municípios (ordens locais).

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: No federalismo por agregação, o ente central independente dispõe de


parcela da sua soberania para agregar-se aos entes periféricos e formar um novo ente federati-
vo. A título de exemplo podemos citar a formação dos Estados Unidos, da Alemanha e da Suíça.
No federalismo por desagregação, por sua vez, a federação surge a partir da descentralização
política e administrativa de um Estado unitário. O Brasil é exemplo de federalismo desta espécie,
após a proclamação da República, materializando-se o novo modelo na Constituição de 1891.

Alternativa B: No federalismo centrífugo, os entes periféricos possuem competências


mais significativas que o ente central, tal como nos Estados Unidos. O federalismo centrípeto, ao
contrário, caracteriza-se pela centralização do poder na esfera central, a exemplo do Brasil. Fala-
-se, ainda, em federalismo de equilíbrio, na hipótese de repartição equânime de competências
entre os entes central e periféricos.

Esta classificação, apesar da similitude das denominações, não se confunde com o


movimento centrípeto característico do federalismo por agregação ou com o movimento cen-
trífugo próprio do federalismo por desagregação, tendo em vista que tais expressões são em-
pregadas com sentido oposto conforme o critério de classificação. Com efeito, o movimento
centrípeto traduz a idéia de fortalecimento dos entes periféricos, ao passo que o movimento

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centrífugo resulta no fortalecimento do ente central.

Alternativa C: O federalismo simétrico caracteriza-se pela homogeneidade da reali-


dade social subjacente, que se traduz na repartição equânime de competências entre os entes
federados. No federalismo assimétrico, por sua vez, a diversidade sociocultural ou econômica
impõe um tratamento jurídico diferenciado entre as entidades federativas, tal como ocorre no
Brasil.

Ainda, para Raul Machado Horta, o federalismo classifica-se como simétrico ou assi-
métrico, respectivamente, conforme a presença ou não de características dominantes comuns
ao modelo clássico de federação. O federalismo brasileiro, neste aspecto, também é assimétrico,
tendo em vista que os municípios são entes federativos, o que não se verifica na tipologia tradi-
cional do federalismo.

Alternativa D: Com efeito, ao contrário do que a denominação sugere, no federa-


lismo de integração verifica-se uma repartição vertical de competências que determina uma
relação de subordinação dos entes periféricos em relação ao ente central. No federalismo dual,
por sua vez, há uma repartição horizontal de competências entre os entes federados, que atuam
em relação de coordenação. Por fim, o federalismo cooperativo conjuga os modelos horizontal
e vertical de repartição de competências, estabelecendo uma relação de cooperação entre as
entidades federativas, tal como ocorre no Brasil.

Alternativa E: Denomina-se federalismo de segundo grau quando existentes apenas


duas esferas de competência: central (União) e regional (Estados-membros). Contudo, no Bra-
sil, é reconhecida e existência de três ordens, quais sejam, a União (ordem central), os Estados
(ordens regionais) e os Municípios (ordens locais), que caracterizam o federalismo de terceiro
grau. Ainda, segundo Manoel Gonçalves Ferreira Filho, o Brasil adotou um federalismo de se-
gundo grau, considerando que o poder de auto-organização dos Municípios deverá observar
dois graus de imposição legislativa, quais sejam, a Constituição Federal e a Constituição do res-
pectivo Estado.

55 – QUESTÃO:

Compete privativamente ao Congresso Nacional, exceto:

a) Autorizar referendo e convocar plebiscito.


b) Escolher dois terços dos membros do Tribunal de Contas da União.
c) Estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios.
d) Autorizar, em terras indígenas, a exploração e o aproveitamento de recursos hídricos e a
pesquisa e lavra de riquezas minerais.
e) Aprovar, previamente, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a

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dois mil e quinhentos hectares.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O referendo e o plebiscito são instrumentos de consulta popular so-


bre matéria relevante para a nação, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa. A
principal distinção entre tais institutos reside no momento de sua realização, pois o plebiscito é
convocado previamente ao ato legislativo ou administrativo, ao passo que o referendo é super-
veniente e resulta na ratificação ou rejeição da proposta governamental. Por essa razão, compe-
te exclusivamente ao Congresso Nacional autorizar referendo e convocar plebiscito (artigo 49,
inciso XV da CF).

Alternativa B: O Tribunal de Contas é composto por nove ministros, nomeados de


acordo com o disposto 73, § 2º da Constituição:

I - um terço pelo Presidente da República, com aprovação do Senado


Federal, sendo dois alternadamente dentre auditores e membros do Mi-
nistério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribu-
nal, segundo os critérios de antiguidade e merecimento;
II - dois terços pelo Congresso Nacional.

Destarte, compete privativamente ao Congresso Nacional nomear 2/3 (um terço) dos
Ministros do Tribunal de Contas da União, tal como disposto no artigo 49, inciso XII da Consti-
tuição.

Alternativa C: Dispõe o artigo 52, inciso IX da Constituição:

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:


IX - estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida
mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Conforme se infere da leitura do dispositivo legal em análise, compete privativamen-


te ao Senado Federal e não ao Congresso Nacional estabelecer limites globais e condições para
o montante da dívida mobiliária dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Alternativa D: Tendo em vista a organização social dos grupos indígenas e a manu-


tenção da identidade coletiva dos seus integrantes, as terras tradicionalmente ocupadas pelos
índios destinam-se à posse permanente das comunidades silvícolas, cabendo-lhes o usufruto
exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes (artigo 231, § 2º da CF).

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Portanto, o aproveitamento dos recursos hídricos, incluídos os potenciais energéti-
cos, a pesquisa e a lavra das riquezas minerais em terras indígenas, pressupõe autorização do
Congresso Nacional, ouvidas as comunidades afetadas, ficando-lhes assegurada participação
nos resultados da lavra (artigo 49, inciso XVI da CF).

Alternativa E: No tocante à alienação ou concessão de terras públicas dispõe o artigo


188 da Constituição:

Art. 188. A destinação de terras públicas e devolutas será compatibili-


zada com a política agrícola e com o plano nacional de reforma agrária.
§ 1º A alienação ou a concessão, a qualquer título, de terras públicas
com área superior a dois mil e quinhentos hectares a pessoa física ou ju-
rídica, ainda que por interposta pessoa, dependerá de prévia aprovação
do Congresso Nacional.

Destarte, a alienação ou concessão de terras públicas com área superior a dois mil e
quinhentos hectares pressupõe aprovação prévia do Congresso Nacional, tal como disposto no
artigo 49, inciso XVII da Consituição, exceto para fins de reforma agrária, por força de disposição
constitucional expressa nesse sentido (artigo 188, § 1º da CF).

56 – QUESTÃO:

Acerca do processo legislativo das medidas provisórias, assinale a opção correta.

a) É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria relativa a direito penal, processu-
al penal, civil e processual civil.
b) Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, ressalvadas as ex-
ceções constitucionais, somente produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se hou-
ver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.
c) As medidas provisórias perderão eficácia se não forem convertidas em lei no prazo de ses-
senta dias, prorrogável uma vez por igual período, contado da edição da medida.
d) Se a medida provisória não for apreciada em até trinta dias, contados de sua publicação,
entrará em regime de urgência, subsequentemente, em cada uma das Casas do Congresso
Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as demais deliberações
legislativas.
e) A matéria constante de medida provisória rejeitada ou que tenha perdido a eficácia por
decurso do prazo, somente poderá ser reeditada na mesma sessão legislativa, mediante pro-
posta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional.

RESPOSTA: Alternativa B.

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COMENTÁRIOS:
Alternativa A: A medida provisória é editada pelo Presidente da República, por ato
monocrático e unipessoal, em circunstâncias pontuais e contingentes caracterizadas pela re-
levância e urgência (artigo 62 da CF). Dentre as modificações introduzidas pela EC nº 32/2001,
destacam-se os limites materiais à edição de medidas provisórias, enunciados no artigo 62, § 1º
da Constituição Federal.

Com efeito, é expressamente vedada a edição de medidas provisórias sobre: a) na-


cionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; b) direito penal,
processual penal e processual civil; c) organização do Poder Judiciário e do Ministério Público,
carreira e garantia de seus membros; d) planos plurianuais, diretrizes orçamentárias, orçamento
e créditos adicionais e suplementares, ressalvado o previsto no art. 167, § 3º;  e) detenção ou
sequestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro; f ) matéria reserva-
da a lei complementar ou já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional e
pendente de sanção ou veto do Presidente da República. 

Alternativa B: Ainda no tocante às limitações materiais, em matéria tributária, me-


dida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, ressalvadas as exceções
constitucionais, somente produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido con-
vertida em lei até o último dia daquele em que foi editada (artigo 62, § 2º da CF).

A nova redação do aludido dispositivo constitucional, introduzida pela EC nº 32/2001,


todavia, não altera o entendimento do STF no sentido de ser possível a regulamentação de ma-
téria tributária através de medida provisória, exceto nas hipóteses em que a Constituição exige
lei complementar (ADI 1.667).

Alternativa C: Editada pelo Presidente da República, a medida provisória será sub-


metida à aprovação do Congresso Nacional e perderá e eficácia se não for convertida em lei no
prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual período, contado da publicação da medi-
da e suspenso durante os períodos de recesso parlamentar (artigo 62, §§ 3º e 4º da CF).

Rejeitada a medida provisória, após a análise dos pressupostos constitucionais e da


adequação financeira e orçamentária, o Congresso Nacional deverá editar decreto legislativo
até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficácia da medida, para disciplinar as relações
jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência, sob pena de serem
por ela regidas (artigo 62, § 11 da CF). Por outro lado, se aprovado o projeto de lei de conversão
alterando o texto original da medida provisória, esta manter-se-á integralmente em vigor até
que seja sancionado ou vetado o projeto (artigo 62, § 12 da CF).

Alternativa D: Se a medida provisória não for apreciada em até quarenta e cinco dias
contados de sua publicação, entrará em regime de urgência, subseqüentemente, em cada uma
das Casas do Congresso Nacional, ficando sobrestadas, até que se ultime a votação, todas as

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demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando (artigo 62, § 6º da CF).
Importante destacar que Michel Temer, deputado federal à época, anunciou uma
nova interpretação a respeito do dispositivo constitucional em alusão, no sentido de que as
deliberações das Casas Legislativas não são sobrestadas em relação à matérias que não podem,
em tese, ser objeto de medida provisória, tais como proposta de emenda à constituição, projeto
de lei complementar, resoluções e decretos legislativos. Contra este entendimento foi impetra-
do mandado de segurança, pendente de julgamento no STF que, todavia, indeferiu a concessão
de liminar (MS 27.931).

Alternativa E: Até o advento da EC nº 62/2001, constatava-se a total desvirtuação


do instituto da medida provisória, admitindo-se, com o consentimento do STF e do próprio
Congresso Nacional, a reedição ilimitada de medidas provisórias no prazo de 30 dias, mantidos
os efeitos de lei desde a primeira edição, desde que não rejeitada expressamente pelas Casas
Legislativas.

Porém, diante da atual redação do artigo 62, § 10º da Constituição Federal, ao con-
trário do disposto em relação aos projetos de lei ordinária ou complementar, é expressamente
vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida provisória rejeitada ou que tenha
perdido sua eficácia por decurso de prazo. 

57 – QUESTÃO:

No âmbito do controle externo realizado pelo Poder Legislativo, assinale a opção correta
acerca do Tribunal de Contas.

a) O Tribunal de Contas exerce atividade jurisdicional, na medida em que a sua atuação re-
veste-se da definitividade própria dos atos praticados pelo Poder Judiciário.
b) Compete ao Tribunal de Contas apreciar e julgar as contas apresentadas anualmente pelo
Presidente da República e pelos demais administradores de bens e valores públicos.
c) O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, detém competência para declarar a
inconstitucionalidade de atos normativos do Poder Público, em caráter preventivo.
d) É obrigatória a observância do contraditório e da ampla defesa no âmbito de processo
instaurado perante o Tribunal de Contas, para fins de análise da legalidade do ato de conces-
são inicial de aposentadoria a servidor público federal.
e) Com fundamento na teoria dos poderes implícitos, o Tribunal de Contas pode conceder
medidas cautelares e promover a desconsideração da personalidade jurídica do ente moral
investigado, independentemente de autorização judicial.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

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Alternativa A: Além da atividade legiferante, a fiscalização e o controle externo da
Administração Pública também constituem função típica do Poder Legislativo, exercida com o
auxílio do Tribunal de Contas, cuja competência decorre diretamente da Constituição Federal.
Não se trata, pois, de órgão integrante do Poder Legislativo e, apesar da denomina-
ção, o Tribunal de Contas não exerce atividade jurisdicional, na medida em que a sua atuação
não se reveste da definitividade própria dos atos praticados pelo Poder Judiciário.

Alternativa B: Especialmente em relação à competência consignada no artigo 71,


incisos I e II da Constituição, compete ao Tribunal de Contas:

I - apreciar as contas prestadas anualmente pelo Presidente da Repúbli-


ca, mediante parecer prévio que deverá ser elaborado em sessenta dias
a contar de seu recebimento;
II - julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por di-
nheiros, bens e valores públicos da administração direta e indireta, in-
cluídas as fundações e sociedades instituídas e mantidas pelo Poder Pú-
blico federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou
outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário público.

Denota-se, portanto, que o julgamento das contas apresentadas pelo Presidente da


República compete, na verdade, ao Congresso Nacional, mediante parecer conclusivo emitido
pelo Tribunal de Contas (artigo 49, inciso IX da CF). Ao contrário, o Tribunal de Contas tem au-
tonomia para apreciar e julgar as contas apresentadas pelos demais administradores de bens e
valores públicos, excluídos, portanto, apenas os Chefes do Poder Executivo.

Alternativa C: Com efeito, dispõe a súmula 347 do STF:

“O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribuições, pode apreciar a


constitucionalidade das leis e atos do Poder Público”.

Embora a declaração de inconstitucionalidade seja privativa do STF, em sede de con-


trole abstrato, e dos demais órgãos do Poder Judiciário na via incidental, o Tribunal de Contas
pode afastar a aplicação de determinado ato normativo por considerá-lo contrário à Constitui-
ção. Trata-se, portanto, de controle difuso, posterior ou repressivo, não jurisdicional.

Alternativa D: Em relação à observância do contraditório e da ampla defesa no âm-


bito de processos instaurados perante o Tribunal de Contas, dispõe a Súmula Vinculante nº 3:

Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o


contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anu-
lação ou revogação de ato administrativo que beneficie o interessado,
excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de

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aposentadoria, reforma e pensão.

Destarte, a análise da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, re-


forma ou pensão constitui exceção à obrigatoriedade do contraditório e da ampla defesa, pois,
tratando-se de atos administrativos complexos, tais garantias são asseguradas no curso do pro-
cesso instaurado pela própria Administração.

Alternativa E: De acordo com a teoria dos poderes implícitos, a outorga de com-


petência expressa a determinado órgão estatal, importa em deferimento implícito dos meios
necessários à integral realização dos fins que lhe foram atribuídos.

Nesse contexto, de acordo com o entendimento do STF, o Tribunal de Contas pode


conceder medidas cautelares e promover a desconsideração da personalidade jurídica do ente
moral investigado, independentemente de autorização judicial, para assegurar a efetividade e
o cumprimento de suas atribuições (MS 26547).

58 – QUESTÃO:

No que se refere ao processo de impeachment, assinale a opção correta, consoante a juris-


prudência do STF.

a) A autoridade acusada tem direito à defesa prévia antes do recebimento da denúncia pelo
Presidente da Câmara dos Deputados, porém, durante a instrução probatória, a defesa se
manifesta após a acusação.
b) O recebimento da denúncia ocorre apenas após a decisão do Plenário do Senado Federal.
Assim, a Câmara dos Deputados não atua como um “tribunal de pronúncia”, mas apenas im-
plementa ou não uma condição de procedibilidade para que a acusação prossiga no Senado
que, por sua vez, não está vinculado à decisão da Câmara.
c) A decisão do Senado Federal acerca da instauração do processo de impeachment é profe-
rida por 2/3 dos votos, presente a maioria absoluta de seus membros.
d) Aplicam-se, subsidiariamente, as hipóteses de impedimento previstas no CPP, eis que a
Lei 1079/50 não prevê as hipóteses em que os Deputados Federais estarão impedidos de
participar do processo de impeachment.
e) A eleição da comissão especial deve ser feita por indicação dos líderes e voto aberto do
Plenário, na forma do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, admitida a apresenta-
ção de candidaturas ou chapas avulsas.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o STF, a expressão impeachment comporta duas acep-

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ções: consiste no processo instaurado para apurar a prática de crime de responsabilidade por
determinadas autoridades públicas, bem como corresponde à sanção aplicada ao agente pú-
blico condenado pela prática de infrações político-administrativas, qual seja, perda do cargo e
inabilitação para o exercício de função pública pelo prazo de 8 (oito) anos (ADPF 378).
Consoante o disposto no artigo 85 da Constituição Federal, são crimes de responsa-
bilidade os atos do Presidente da República que atentem contra a Constituição Federal e, es-
pecialmente, contra: a) a existência da União; b) o livre exercício do Poder Legislativo, do Poder
Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação; c) o
exercício dos direitos políticos, individuais e sociais; d) a segurança interna do País; e) a probida-
de na administração; f ) a lei orçamentária e; g) o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Trata-se, como é cediço, de rol meramente exemplificativo. Além do Presidente da


República, também poderão ser responsabilizados politicamente e destituídos de seus cargos
através do processo de impeachment: o Vice-Presidente da República, os Ministros de Estado
(nos crimes conexos com aqueles praticados pelo Presidente da República); os Ministros do STF;
os membros do CNJ e do CNMP; o Procurador-Geral da República; o Advogado-Geral da União;
os Governadores e os Prefeitos.

Recepcionada pela Constituição Federal, a Lei 1079/50 disciplina o processo e julga-


mento dos crimes de responsabilidade praticados pelo Presidente da República e outras autori-
dades, delineando um procedimento bifásico composto por uma fase preambular, denominada
juízo de admissibilidade do processo, perante a Câmara dos Deputados, seguida da fase proces-
sual propriamente dita com o julgamento pelo Senado Federal.

Apesar do procedimento especial previsto na Lei 1079/50, aplicam-se, subsidiaria-


mente, os Regimentos Internos das Casas Legislativas, bem como o Código de Processo Penal,
desde que compatíveis com os preceitos legais e constitucionais pertinentes. Nesse contexto,
consoante o entendimento exarado pelo STF no julgamento da ADPF 378, a autoridade acusada
não tem direito à defesa prévia antes do recebimento da denúncia pelo Presidente da Câmara
dos Deputados, porquanto não se trata de prerrogativa inerente ao princípio constitucional da
ampla defesa, mas sim de norma excepcional no âmbito do processo penal. Iniciado o proces-
so de impeachment, a defesa tem o direito de se manifestar após a acusação e o interrogatório
deve ser o ato final da instrução probatória.

Alternativa B: Como dito, a Lei 1079/50 disciplina o processo e julgamento dos crimes
de responsabilidade praticados pelo Presidente da República e outras autoridades, delineando
um procedimento bifásico composto por uma fase preambular, denominada juízo de admissibi-
lidade do processo, perante a Câmara dos Deputados, seguida da fase processual propriamente
dita com o julgamento pelo Senado Federal.

Portanto, o recebimento da denúncia ocorre apenas após a decisão do Plenário do


Senado Federal. Ou seja, a Câmara dos Deputados não atua como um “tribunal de pronúncia”,

14
mas apenas implementa ou não uma condição de procedibilidade para que a acusação prossi-
ga no Senado que, por sua vez, não está vinculado à decisão da Câmara.
Com efeito, se a decisão da Câmara admitindo a acusação fosse vinculante, o Senado
estaria obrigado a instaurar o processo e, a partir deste momento, o Presidente da República
seria afastado de suas funções. Todavia, consoante o entendimento do STF, compete ao Senado
decidir acerca da instauração do processo e, por conseguinte, o poder de afastar provisoriamen-
te a autoridade julgada (ADPF 378).

Alternativa C: Com efeito, o recebimento da denúncia ocorre apenas após a decisão


do Plenário do Senado Federal. Ou seja, a Câmara dos Deputados não atua como um “tribunal
de pronúncia”, mas apenas implementa ou não uma condição de procedibilidade para que a
acusação prossiga no Senado que, por sua vez, não está vinculado à decisão da Câmara.

A decisão do Senado Federal acerca da instauração do processo de impeachment é


proferida pelo voto da maioria simples, presente a maioria absoluta de seus membros. O julga-
mento em si e a aplicação da sanção correspondente em caso de condenação, será proferida
por 2/3 (dois terços) dos votos, sob a presidência do Presidente do STF (artigo 52, parágrafo
único da CF).

Alternativa D: Como dito, a Lei 1079/50 disciplina o processo e julgamento dos cri-
mes de responsabilidade praticados pelo Presidente da República e outras autoridades, de sor-
te que os Regimentos Internos das Casas Legislativas, bem como o Código de Processo Penal
tem aplicação subsidiária, desde que compatíveis com os preceitos legais e constitucionais per-
tinentes.

Assim, de acordo com o entendimento do STF, não se aplicam as hipóteses de im-


pedimento previstas no Código de Processo Penal, eis que a Lei 1079/50 prevê as hipóteses
em que os Deputados Federais estarão impedidos de participar do processo de impeachment.
Logo, não há lacuna legislativa que justifique a incidência subsidiária da legislação processual
penal (ADPF 378).

Alternativa E: Compete privativamente à Câmara dos Deputados, responsável pela


fase preambular do processo de impeachment, autorizar, por 2/3 (dois terços) de seus membros,
a instauração de processo contra o Presidente, o Vice-Presidente da República e os Ministros de
Estado (artigo 51, inciso I da CF).

Para tanto, consoante o entendimento do STF, deve ser constituída uma comissão
especial por indicação dos líderes e voto aberto do Plenário, na forma do Regimento Interno da
Câmara dos Deputados, vedada, pois, a apresentação de candidaturas ou chapas avulsas (ADPF
378).

59 – QUESTÃO:

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Acerca do controle de constitucionalidade, assinale a opção correta de acordo com a juris-
prudência do STF.

a) Os conselhos de fiscalização profissional, entidades de classe de âmbito nacional, detêm


legitimidade para o ajuizamento das ações destinadas ao controle concentrando de consti-
tucionalidade.
a) A declaração de inconstitucionalidade com eficácia retroativa possui efeito repristinatório
e restaura a vigência da legislação anterior acaso existente, salvo se o autor impugnar todo
o complexo normativo, inclusive as normas anteriores à Constituição.
c) A revogação do ato normativo impugnado resultará na extinção da Ação Direta de Incons-
titucionalidade sem resolução do mérito, por perda superveniente de objeto, inclusive se o
conteúdo do ato for reproduzido, essencialmente, em outro diploma normativo.
d)A decisão do Supremo Tribunal Federal que declara a inconstitucionalidade do preceito
normativo impugnado, com eficácia erga omnes, enseja a reforma ou rescisão automática
das decisões judiciais anteriores, contrárias ao entendimento firmado pelo Tribunal.
e) É cabível o ajuizamento de reclamação contra decisão proferida em sede de recurso extra-
ordinário, quando o STF, além de solucionar o conflito individual, promove, expressamente,
a reinterpretação de decisão proferida em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Nos termos do artigo 103 da Constituição Federal, tem legitimidade


para propor as ações destinadas ao controle concentrado de constitucionalidade:

I - o Presidente da República;
II - a Mesa do Senado Federal;
III - a Mesa da Câmara dos Deputados;
IV a Mesa de Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distri-
to Federal; 
V - o Governador de Estado ou do Distrito Federal; 
VI - o Procurador-Geral da República;
VII - o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil;
VIII - partido político com representação no Congresso Nacional;
IX - confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

As entidades de classe de âmbito nacional, portanto, detém legitimidade para de-


flagrar o controle concentrado de constitucionalidade, se representantes de categoria deter-
minada e presentes em ao menos 1/3 (um terço) dos Estados, ou se a atividade desenvolvida
apresentar relevância nacional.

16
Nesse contexto, de acordo com o entendimento exarado pelo STF, os conselhos de
fiscalização profissional não detêm legitimidade para o ajuizamento das ações destinadas ao
controle concentrando, por serem entidades autárquicas, detentoras, portanto, de personali-
dade jurídica de direito público, que não se enquadram no conceito de entidade de classe de
âmbito nacional constante artigo 103, inciso IX da Constituição Federal, ressalvada a Ordem dos
Advogados do Brasil, cujas prerrogativas derivam de previsão constitucional expressa (ADI 641).

Alternativa B: Com efeito, a declaração de inconstitucionalidade com eficácia retroa-


tiva possui efeito repristinatório e restaura a vigência da legislação anterior acaso existente. Isso
porque, se o ato normativo impugnado padece de nulidade, significa que nunca teve eficácia
para revogar lei em sentido contrário.

Portanto, em eventual controle abstrato, o autor deverá impugnar todo o complexo


normativo (normas revogadoras e revogadas), até o advento da nova Constituição, tendo em
vista que os atos anteriores à nova ordem jurídica não podem ser objeto de Ação Direta de In-
constitucionalidade, pois o STF não admite o fenômeno da inconstitucionalidade supervenien-
te (ADI 3.660).

Alternativa C: A revogação do ato normativo impugnado em sede de Ação Direta de


Inconstitucionalidade resultará na extinção da demanda sem resolução do mérito, por perda
superveniente de objeto. Isso porque, o processo objetivo de controle abstrato não pode ser
transformado em instrumento destinado à proteção de situação jurídicas pessoais e concretas,
que devem ser alegadas na via ordinária, por intermédio do controle difuso de constitucionali-
dade.

Contudo, excepcionalmente, o STF afastará a prejudicialidade e promoverá o julga-


mento do mérito. Em primeiro lugar, quando a revogação do ato normativo impugnado carac-
terizar fraude processual tendente a impedir a declaração de inconstitucionalidade e, por con-
seguinte, a anulação dos efeitos produzidos pela norma legal (ADI 3.306). Em segundo lugar, se
o conteúdo do ato impugnado for reproduzido, essencialmente, em outro diploma normativo.
Nestes casos, portanto, não há óbice ao conhecimento da ação (ADI 2.418).

Alternativa D: De acordo com o entendimento do STF, a declaração de inconstitu-


cionalidade do preceito normativo impugnado não enseja a reforma ou rescisão automática
das decisões proferidas em processos anteriores. Para tanto, é imprescindível a interposição
do recurso cabível ou o ajuizamento de ação rescisória, observado, neste último caso, o prazo
decadencial de 2 anos, contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo STF (art. 525,
§ 15 do Novo CPC).

Isso porque, a eficácia normativa da decisão, que resulta na retirada da norma incons-
titucional do ordenamento jurídico, opera efeitos retroativos. Todavia, a eficácia executiva ou

17
instrumental, que corresponde ao denominado efeito vinculante, compreende somente atos
administrativos e decisões judiciais supervenientes à declaração de inconstitucionalidade (RE
730.462).

Alternativa E: Embora controvertida na doutrina, prevalece o entendimento do STF


no sentido de que a reclamação representa o exercício constitucional do direito de petição aos
poderes públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder (ADI 2.480).
Trata-se, pois, de ação mandamental, de caráter constitucional destinada à preservação da com-
petência e da autoridade das decisões proferidas pelo STF com eficácia “erga omnes”.

Portanto, em princípio, não é cabível o ajuizamento de reclamação contra decisão


proferida em sede de recurso extraordinário, instrumento de controle difuso de constitucio-
nalidade, cujos efeitos são restritos às partes do processo originário. Contudo, de acordo com
o entendimento do STF, decisão proferida em sede de recurso extraordinário, na qual, além de
solucionar o conflito individual, o STF promove, expressamente, a reinterpretação de decisão
proferida em sede de Ação Direta de Inconstitucionalidade, pode ser contestada via reclama-
ção. Isso porque a decisão proferida em Ação Direta de Inconstitucionalidade reveste-se de efi-
cácia erga omnes e vinculante. Logo, por ter substituído um entendimento genérico do STF, a
nova decisão proferida em sede de controle concreto ganha contornos de controle abstrato (Rcl
18636).

60 – QUESTÃO:

Podem ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade, exceto:

a) Emendas constitucionais.
b) Decretos e regulamentos autônomos.
c) Tratados internacionais.
d) Normas constitucionais originárias
e) Leis orçamentárias.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: As emendas constitucionais resultam da manifestação do poder cons-


tituinte derivado reformador, que tem a capacidade de alterar o texto constitucional, por meio
de um procedimento específico, estabelecido pelo legislador originário.

Portanto, apesar de introduzirem no ordenamento jurídico normas de caráter cons-


titucional, as emendas podem ser objeto de controle concentrado, quando não observados os
limites materiais e procedimentais previstos na Constituição.

18
Alternativa B: Os decretos e regulamentos expedidos pelo poder Executivo no exer-
cício do poder regulamentar constituem atos normativos secundários que, portanto, não po-
dem ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade. Trata-se, no caso, de crise de
legalidade, caracterizada pela inobservância do dever jurídico de subordinação normativa à lei.
Todavia, diante do disposto no artigo 84, inciso VI da Constituição Federal, a doutrina
majoritária e o STF admitem a existência de decretos e regulamentos autônomos, atos norma-
tivos primários que retiram o seu fundamento de validade diretamente da Constituição e que,
por essa razão, podem ensejar a instauração do processo objetivo de controle abstrato de cons-
titucionalidade (ADI 2.950).

Alternativa C: A natureza jurídica dos tratados e convenções internacionais perante o


ordenamento jurídico interno depende do seu conteúdo e da forma de incorporação. Vejamos:

Os tratados internacionais sobre direitos humanos, aprovados, em cada Casa do Con-


gresso Nacional, por 3/5 (três quintos) dos votos, em dois turnos de discussão e votação, equi-
valem às emendas constitucionais e, por essa razão, podem ser objeto de controle concentrado
de constitucionalidade (artigo 5º, § 3º da CF).

Os tratados internacionais sobre direitos humanos aprovados com quórum diverso


daquele previsto no artigo 5º, § 3º, tem status supralegal e, tendo em vista o princípio da supre-
macia da Constituição, podem ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade.

Por fim, os tratados internacionais de outra natureza, tem status de lei ordinária e,
quando incompatíveis com a Constituição, também podem ser objeto de controle concentrado
de constitucionalidade.

Alternativa D: Como dito, as emendas constitucionais, resultantes da manifestação


do poder constituinte derivado reformador, podem ser objeto de controle concentrado, quan-
do não observados os limites materiais e procedimentais previstos na Constituição.

O mesmo não ocorre, contudo, em relação às normas constitucionais editadas pelo


poder constituinte originário, não passíveis de controle de constitucionalidade. Neste caso, apa-
rentes conflitos devem ser solucionados por meio da atividade interpretativa, de forma sistêmi-
ca, tendo em vista o princípio da unidade que rechaça a existência de hierarquia entre normas
constitucionais primárias.

Alternativa E: Inicialmente, para o STF, leis orçamentárias, enquanto atos normativos


de efeitos concretos, não poderiam ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade,
haja vista a ausência de generalidade e abstração.

Porém, o STF modificou o seu entendimento e passou a admitir o controle concen-

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trado de leis orçamentárias, independentemente do caráter geral ou específico, concreto ou
abstrato do seu objeto (ADI 4.048). Com efeito, é temerário excluir da jurisdição do STF, a análise
da constitucionalidade de atos normativos que dispõem acerca da destinação de recursos para
todas as esferas e que, portanto, repercutem diretamente na implementação de políticas pú-
blicas fundamentais.
61 – QUESTÃO:

De acordo com a Constituição Federal, compete ao Conselho Nacional do Ministério Público:

a) Zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministério Público, no âmbito de sua


competência, vedada a expedição de atos regulamentares.
b) Zelar pela observância dos princípios norteadores das atribuições constitucionais do Mi-
nistério Público e apreciar, somente mediante provocação, a legalidade dos atos adminis-
trativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e dos Estados,
podendo, neste caso, desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as provi-
dências necessárias ao exato cumprimento da lei.
c) Receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Ministério Público da
União, dos Estados e dos Tribunais de Contas, inclusive contra seus serviços auxiliares, sem
prejuízo da competência disciplinar e correicional da instituição, podendo avocar processos
disciplinares já em curso.
d) Rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de membros do Mi-
nistério Público da União ou dos Estados julgados há menos de um ano.
e) Eleger, dentre quaisquer de seus membros, um Corregedor Nacional com atribuições para
receber reclamações e denúncias de qualquer interessado, relativas aos membros do Minis-
tério Público e seus serviços auxiliares.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O artigo 130-A, introduzido pela EC nº 45/2004, prevê a criação do


Conselho Nacional do Ministério Público, composto por 14 membros nomeados pelo Presiden-
te da República, após a aprovação da maioria absoluta do Senado Federal, para um mandato de
2 (dois) anos, admitida uma recondução, sendo: o Procurador-Geral da República, que o preside;
quatro membros do Ministério Público da União, assegurada a representação de cada uma de
suas carreiras; três membros do Ministério Público dos Estados; dois juízes, indicados um pelo
Supremo Tribunal Federal e outro pelo Superior Tribunal de Justiça; dois advogados, indicados
pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e dois cidadãos de notável saber
jurídico e reputação ilibada, indicados um pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado
Federal.

Compete ao Conselho Nacional do Ministério Público o controle da atuação adminis-

20
trativa e financeira da instituição e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros,
devendo, dentre outras atribuições, zelar pela autonomia funcional e administrativa do Ministé-
rio Público, podendo para tanto, expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência,
bem como recomendar providências (artigo 130-A, § 2º, inciso I da CF).

Alternativa B: Tratando-se de órgão de índole administrativa, compete ao Conselho


Nacional do Ministério Público, outrossim, zelar pela observância dos princípios que regem a
atuação da Administração Pública, e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a legalidade
dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Ministério Público da União e
dos Estados, podendo, neste caso, desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem
as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência dos
Tribunais de Contas (artigo 130-A, § 2º, inciso II da CF).

Alternativa C: Compete, ainda, ao Conselho Nacional receber e conhecer das recla-


mações contra membros ou órgãos do Ministério Público da União ou dos Estados, inclusive
contra seus serviços auxiliares, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional da insti-
tuição, podendo avocar processos disciplinares em curso, determinar a remoção, a disponibili-
dade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e apli-
car outras sanções administrativas, assegurada ampla defesa (artigo 130-A, § 2º, inciso III da CF).

Os membros do Ministério Público que atuam perante os Tribunais de Contas, por


sua vez, apesar da similitude de direitos, vedações e formas de investidura (artigo 130 da CF),
são regidos por lei orgânica própria, de iniciativa da Corte de Contas, materializada por meio de
lei ordinária. Trata-se, pois, de instituição autônoma, cujos membros sequer estão sujeitos ao
controle funcional exercido pelo Conselho Nacional do Ministério Público.

Alternativa D: A fim de exercer o controle dos deveres funcionais dos membros da


instituição, compete, ainda, ao Conselho Nacional rever, de ofício ou mediante provocação, os
processos disciplinares de membros do Ministério Público da União ou dos Estados julgados há
menos de um ano (artigo 130-A, § 2º, inciso IV da CF).

Com efeito, a partir de uma interpretação literal do dispositivo constitucional, ao con-


trário da atribuição conferida ao Conselho Nacional de Justiça, a competência do CNMP limi-
ta-se à revisão dos processos disciplinares de membros da instituição, excluídos, portanto, os
integrantes do quadro de serviços auxiliares.

Alternativa E: O Corregedor Nacional será escolhido pelo Conselho, somente dentre


os membros do Ministério Público que o integram, para mandato coincidente com o seu man-
dato de Conselheiro, vedada a recondução (artigo 30 do Regimento Interno do CNMP).

De acordo com o disposto no artigo 130-A, § 3º da Constituição Federal , compete ao


Corregedor Nacional: receber reclamações e denúncias, de qualquer interessado, relativas aos

21
membros do Ministério Público e dos seus serviços auxiliares; exercer funções executivas, de
inspeção e correição geral, bem como requisitar e designar membros e servidores da institui-
çaõ, delegando-lhes atribuições.

62 – QUESTÃO:

No tocante à intervenção federal e estadual, assinale a opção correta.

a) A intervenção federal motivada pela inexecução de ordem ou decisão judicial pressupõe


solicitação do Poder Legislativo ou requisição do Supremo Tribunal Federal.
b) A forma federativa de Estado integra o rol de princípios constitucionais sensíveis, cuja
inobservância acarreta a intervenção federal, mediante provimento, pelo Supremo Tribunal
Federal, de representação do Procurador-Geral da República.
c) O decreto de intervenção deve ser submetido ao Congresso Nacional no prazo de 24 ho-
ras, vedada a convocação extraordinária para tal finalidade.
d) A intervenção estadual destinada a promover a execução de lei, ordem ou decisão judicial
pressupõe requisição do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do
respectivo Tribunal de Justiça.
e) O decreto de intervenção estadual motivada pela inobservância dos princípios indicados
na respectiva Constituição, não será submetido à Assembléia Legislativa para fins de con-
trole político, se a suspensão do ato impugnado for suficiente para o restabelecimento da
normalidade.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A intervenção federal é um ato político que resulta na supressão da


autonomia dos Estados-membros ou do Distrito Federal, por tempo determinado, nas hipóte-
ses taxativamente previstas no texto constitucional.

A depender da situação de anormalidade, a decretação da intervenção pelo Chefe do


Poder Executivo requer a observância de determinados pressupostos. Assim, no âmbito federal,
quando motivada pela inexecução de ordem ou decisão judicial, pressupõe requisição do Su-
premo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral (artigo
36, inciso II da CF).

Alternativa B: Consoante o disposto no artigo 34, inciso VII da Constituição, União in-
tervirá nos Estados ou no Distrito Federal para assegurar a observância dos seguintes princípios
constitucionais:

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a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático;
b) direitos da pessoa humana;
c) autonomia municipal;
d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta.

Tratam-se dos denominados princípios constitucionais sensíveis, cuja inobservância


acarreta a intervenção federal, mediante provimento, pelo Supremo Tribunal Federal, de repre-
sentação do Procurador-Geral da República (artigo 36, inciso III da CF), entre os quais, todavia,
não se inclui a forma federativa de Estado que, por sua vez, constitui limitação material expressa
ao Poder Constituinte Derivado Reformador (artigo 60, § 4º, inciso I da CF).

Alternativa C: A decretação e execução da intervenção federal é de competência


privativa do Presidente da República, mediante a oitiva de dois órgãos superiores de consulta,
quais sejam, o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional.

Além disso, no âmbito federal, o decreto de intervenção deve ser submetido ao


Congresso Nacional no prazo de 24 horas para fins de controle político, admitida, inclusive, a
convocação extraordinária dos parlamentares para esta finalidade (artigo 36, §§ 1º e 2º da CF).
Ressalvam-se, apenas, as hipóteses previstas no artigo 34, incisos VI e VII, se a suspensão do ato
impugnado for suficiente para o restabelecimento da normalidade (artigo 36, § 3º da CF).

Alternativa D: A intervenção estadual consiste na supressão da autonomia dos Mu-


nicípios localizados no território do Estado interventor, por tempo determinado, nas hipóteses
taxativamente previstas no texto constitucional.

A depender da situação de anormalidade, a decretação da intervenção pelo Chefe do


Poder Executivo local requer a observância de determinados pressupostos. Assim, quando mo-
tivada pela inobservância dos princípios indicados na respectiva Constituição ou destinada a
promover a execução de lei, ordem ou decisão judicial, pressupõe provimento, pelo Tribunal de
Justiça, de representação do respectivo Procurador-Geral de Justiça (artigo 35, inciso IV da CF).

Alternativa E: Tal como no âmbito federal, o decreto de intervenção deve ser sub-
metido ao Poder Legislativo local no prazo de 24 horas, para fins de controle político. Todavia,
excepcionalmente, a Constituição dispensa a aludida apreciação.

Nesse contexto, o decreto de intervenção estadual motivada pela inobservância dos


princípios indicados na respectiva Constituição, ou destinada a promover a execução de lei,
ordem ou decisão judicial não será submetido à Assembléia Legislativa para fins de controle po-
lítico, se a suspensão do ato impugnado for suficiente para o restabelecimento da normalidade
(artigo 36, § 3º da CF).

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DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
PROF. TALLITA SAMPAIO

63 – QUESTÃO:

Sobre as disposições do ECA no que concerne às viagens de criança e adolescente, assinale


a alternativa correta:

a) Nenhuma criança ou adolescente poderá viajar para fora da comarca onde reside, desa-
companhada dos pais ou responsável, sem expressa autorização judicial.
b) A autorização para viajar não será exigida quando a criança estiver acompanhada de pes-
soa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável.
c) A autorização para viajar não será exigida quando a criança estiver acompanhada de as-
cendente ou colateral maior, até o terceiro grau, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou
responsável.
d) Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é indispensável ainda que a criança
ou adolescente esteja acompanhada de ambos os pais ou responsável.
e) nenhuma criança ou adolescente nascido em território nacional poderá sair do País em
companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior, salvo se houver autorização
expressa dos pais com firma reconhecida.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com o ECA, o adolescente pode viajar sozinho e livremente


para todo o território nacional, sendo desnecessária qualquer autorização judicial. Perceba que
o art. 83 só faz referência à criança.

Art. 83. Nenhuma criança poderá viajar para fora da comarca onde resi-
de, desacompanhada dos pais ou responsável, sem expressa autoriza-
ção judicial.

O eca só exige autorização judicial para viagem de adolescente quando se tratar de


viagem INTERNACIONAL.

Alternativa B: Esta é a alternativa correta, nos termos do art. 83, parág. 1, b, 2 do ECA.

Alternativa C: De fato, de acordo com o art. 83, parág. 1 do ECA, A autorização para
viajar não será exigida quando a criança estiver acompanhada de ascendente ou colateral maior,
até o terceiro grau, mas desde que comprovado documentalmente o parentesco (e não desde

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que expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável – esta exigência é feita quando a
criança viaja com uma pessoa maior). Portanto, se o acompanhante for parente, basta compro-
var documentalmente este parentesco. Mas, se for pessoa maior que não seja parente, é neces-
sário autorização expressa dos pais ou responsável.

§ 1º A autorização não será exigida quando:


a) tratar-se de comarca contígua à da residência da criança, se na mes-
ma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana;
b) a criança estiver acompanhada:
1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado
documentalmente o parentesco;
2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou respon-
sável.

Alternativa D: De acordo com o art. 84 do ECA, existem hipóteses em que a autori-


zação para viajar será dispensada, ainda que se trate de viagem ao exterior. Caso a criança ou
adolescente esteja acompanhada de ambos os pais ou responsável, a autorização para viajar
para o exterior será dispensável.

Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispen-


sável, se a criança ou adolescente:
I - estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável;
II - viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo
outro através de documento com firma reconhecida.

Alternativa E: Nos termos do art. 85 do ECA, a criança ou adolescente nascido em


território nacional só poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domicilia-
do no exterior se houver autorização judicial (não bastando a autorização dos pais, como disse
a alternativa).

64 – QUESTÃO:

De acordo com o ECA:

a) Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais e pelos parents próxi-
mos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afeti-
vidade.
b) A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente ad-
missível na modalidade de tutela ou adoção.
c) O deferimento da tutela não pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão do
poder familiar.
d) O adotante há de ser, pelo menos, dezoito anos mais velho do que o adotando.

26
e) Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora do País, o estágio de
convivência, cumprido no território nacional, será de, no mínimo, 30 (trinta) dias. 

RESPOSTA: ALTERNATIVA E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Cuidado para não confundir os conceitos de família natural (formada


pelos pais e descendentes) e família extensa (formada por parentes próximos), que são dados
pelo próprio ECA no art. 25.

Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos


pais ou qualquer deles e seus descendentes. 
Parágrafo único.  Entende-se por família extensa ou ampliada aquela
que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do
casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adoles-
cente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade.         

Alternativa B: De acordo com o art. 31 do ECA, só se admite a colocação em família


substituta estrangeira na modalidade de adoção (TUTELA, NÃO!).

Alternativa C: De acordo com o art. 36, parág. Único do ECA, o deferimento da tutela
pressupõe SIM prévia decretação da perda ou suspensão do poder familiar.

Alternativa D: De acordo com o art. 42, parág. 3, do ECA, o adotante há de ser, pelo
menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando. Dezoito anos é a idade mínima para ado-
tar (mas não de diferença entre adotante e adotando).

Alternativa E: Esta é a alternativa correta, nos termos do art. 46, parág. 3 do ECA. A
adoção será precedida de um estágio de convivência pelo prazo fixado pelo juiz. Especifica-
mente com relação à adoção internacional, este prazo não pode ser inferior a 30 dias, e deve ser
cumprido no território nacional.

65 – QUESTÃO:

Não é atribuição do Conselho Tutelar:

a) expedir notificações.
b) representar ao juízo visando à aplicação de penalidade por infrações cometidas contra as
normas de proteção à infância e à juventude, sem prejuízo da promoção da responsabilida-
de civil e penal do infrator, quando cabível.
c) requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessá-

27
rio.
d) promover a execução de suas decisões.
e) promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais, ações de divulgação e
treinamento para o reconhecimento de sintomas de maus-tratos em crianças e adolescen-
tes.

RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

É importante que o candidato saiba TUDO sobre o Conselho Tutelar. O art. 136 do
ECA traz as atribuições do Conselho Tutelar.

Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar:


I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts.
98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII;
II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas
previstas no art. 129, I a VII;
III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço so-
cial, previdência, trabalho e segurança;
b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumpri-
mento injustificado de suas deliberações.
IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua in-
fração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adoles-
cente;
V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, den-
tre as previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato
infracional;
VII - expedir notificações;
VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adoles-
cente quando necessário;
IX - assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta or-
çamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da
criança e do adolescente;
X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos
direitos previstos no art. 220, § 3º, inciso II, da Constituição Federal;
XI - representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou
suspensão do pátrio poder.  
XI - representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou
suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de ma-

28
nutenção da criança ou do adolescente junto à família natural.            (Re-
dação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)          Vigência
XII - promover e incentivar, na comunidade e nos grupos profissionais,
ações de divulgação e treinamento para o reconhecimento de sintomas
de maus-tratos em crianças e adolescentes.    

Alternativa A: é uma atribuição do Conselho Tutelar, prevista no art. 136 do ECA.

Alternativa B: Esta alternativa traz uma atribuição do Ministério Público (prevista no


art. 201, X do ECA), e não do Conselho Tutelar, razão pela qual deve ser assinalada.

Alternativa C: é uma atribuição do Conselho Tutelar, prevista no art. 136 do ECA.

Alternativa D: é uma atribuição do Conselho Tutelar, prevista no art. 136 do ECA.

Alternativa E: é uma atribuição do Conselho Tutelar, prevista no art. 136 do ECA.

66 – QUESTÃO:

Ainda de acordo com o ECA, assinale a alternativa correta:

a) Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar à criança


ou ao adolescente, dentre outras medidas socioeducativas, a de advertência e obrigação de
reparar o dano.
b) Dentre as medidas socioeducativas previstas no ECA, está a internação em estabeleci-
mento prisional.
c) A prescrição penal é aplicável nas medidas socioeducativas.
d) No procedimento para aplicação de medida socioeducativa, é válida a desistência de ou-
tras provas se houve confissão do adolescente.
e) Com exceção da medida socioeducativa de advertência, as demais poderão ser impostas
sempre que houver prova da materialidade e indícios suficientes da autoria.

RESPOSTA: ALTERNATIVA C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: As medidas socioeducativas só podem ser aplicadas aos adolescentes.


Caso a criança cometa ato infracional, a ela serão aplicadas as medidas de proteção, mas não
medidas socioeducativas. Veja que o art. 112 só se refere a adolescente:

Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competen-


te poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas:

29
Por esta razão, a alternativa está incorreta.

Alternativa B: O ECA traz, também no art. 112, como medida socioeducativa a inter-
nação em estabelecimento EDUCACIONAL, e não prisional, como disse a alternativa. Por esta
razão, ela está incorreta.

Alternativa C: Esta é a alternativa correta, vez que reproduz o teor da súmula 338 do
STJ. Vale ressaltar que, para fins de prescrição, o STJ não utiliza os prazos estabelecidos para os
crimes nas leis penais, e sim o tempo de cumprimento da medida socioeducativa previsto no
Estatuto. Por exemplo: em caso de imposição de medida de semi-liberdade e internação, como
o prazo máximo destas é de 3 anos, devem prescrever em 8 anos, nos termos do art. 109, IV do
CP. Entretanto, o prazo prescricional é reduzido pela metade quando se tratar de menor de 21
anos na data do fato, o prazo prescricional, neste caso, será de 4 anos.

Alternativa D: De acordo com a sumula 342 do STJ:

No procedimento para aplicação de medida socioeducativa, é NULA a


desistência de outras provas se houve confissão do adolescente.

Alternativa E: De acordo com o art. 114 do ECA, a imposição das medidas socioedu-
cativas pressupõe PROVAS SUFICIENTES DE AUTORIA E MATERIALIDADE; apenas a medida de
advertência é que pode ser aplicada havendo apenas indícios de autoria (e não prova).

Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art.


112 pressupõe a existência de provas suficientes da autoria e da mate-
rialidade da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do
art. 127.
Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver
prova da materialidade e indícios suficientes da autoria.

67 – QUESTÃO:

Sobre o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo, assinale a alternativa correta:

a) Em qualquer caso, o tempo de prisão cautelar não convertida em pena privativa de liber-
dade deve ser descontado do prazo de cumprimento da medida socioeducativa. 
b) O mandado de busca e apreensão do adolescente terá vigência mínima de 6 (seis) meses.
c) A medida socioeducativa será declarada extinta pela aplicação de pena privativa de liber-
dade, a ser cumprida em regime fechado ou semiaberto, desde que em execução definitiva.
d) No caso de o maior de 18 (dezoito) anos, em cumprimento de medida socioeducativa,
responder a processo-crime, a medida socioeducativa será declarada extinta.
e) A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de duração da medida são fa-

30
tores que, por si, justificam a não substituição da medida por outra menos grave.

RESPOSTA: ALTERNATIVA A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Esta é a alternativa correta, pois em conformidade com o art. 46, parág.
2 da Lei do Sinase.

Alternativa B: De acordo com o art. 47 da Lei do SINASE, O mandado de busca e apre-


ensão do adolescente terá vigência máxima (e não mínima) de 6 (seis) meses.

Alternativa C: O art. 46 da Lei do SINASE é importantíssimo: MEMORIZEM POR COM-


PLETO. Ele traz as hipóteses em que a medida socioeducativa será declarada extinta. Dentre
elas, está a aplicação de pena privativa de liberdade, a ser cumprida em regime fechado ou se-
miaberto, em execução provisória ou definitiva (e não apenas execução definitiva, como disse a
alternativa, razão pela qual está incorreta).

Alternativa D: De acordo com o art. 46, parág. 1 desta lei, no caso de o maior de 18
(dezoito) anos, em cumprimento de medida socioeducativa, responder a processo-crime, cabe-
rá a autoridade judiciária DECIDIR sobre eventual extinção da execução. Isto quer dizer que ela
não necessariamente será declarada extinta, razão pela qual a alternativa está incorreta.

Alternativa E: De acordo com o art. 42, parág. 2 da lei do SINASE:

§ 2o  A gravidade do ato infracional, os antecedentes e o tempo de du-


ração da medida não são fatores que, por si, justifiquem a não substitui-
ção da medida por outra menos grave. 

68 – QUESTÃO:

Compete à União, exceto:

a) elaborar o Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, em parceria com os Estados, o


Distrito Federal e os Municípios.
b) desenvolver e ofertar de programas próprios de atendimento.
c) financiar, com os demais entes federados, a execução de programas e serviços do Sinase.
d) prestar assistência técnica e suplementação financeira aos Estados, ao Distrito Federal e
aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas
e) estabelecer diretrizes sobre a organização e funcionamento das unidades e programas de
atendimento e as normas de referência destinadas ao cumprimento das medidas socioedu-
cativas de internação e semiliberdade.

31
RESPOSTA: ALTERNATIVA B.

COMENTÁRIOS:

Para acertar esta questão, bastava o aluno ter conhecimento do parág. 1 do art. 3 da
Lei do SINASE, que, inclusive, é muito importante para prova:

§ 1o  São vedados à União o desenvolvimento e a oferta de programas


próprios de atendimento. 

O art. 3 da Lei traz o rol de competência da União:

Art. 3o  Compete à União: 


I - formular e coordenar a execução da política nacional de atendimento
socioeducativo; 
II - elaborar o Plano Nacional de Atendimento Socioeducativo, em par-
ceria com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; 
III - prestar assistência técnica e suplementação financeira aos Estados,
ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus
sistemas; 
IV - instituir e manter o Sistema Nacional de Informações sobre o Aten-
dimento Socioeducativo, seu funcionamento, entidades, programas, in-
cluindo dados relativos a financiamento e população atendida; 
V - contribuir para a qualificação e ação em rede dos Sistemas de Aten-
dimento Socioeducativo; 
VI - estabelecer diretrizes sobre a organização e funcionamento das
unidades e programas de atendimento e as normas de referência des-
tinadas ao cumprimento das medidas socioeducativas de internação e
semiliberdade; 
VII - instituir e manter processo de avaliação dos Sistemas de Atendi-
mento Socioeducativo, seus planos, entidades e programas; 
VIII - financiar, com os demais entes federados, a execução de progra-
mas e serviços do Sinase; e 
IX - garantir a publicidade de informações sobre repasses de recursos
aos gestores estaduais, distrital e municipais, para financiamento de
programas de atendimento socioeducativo. 

Alternativa A: é uma competência da União, prevista no art. 3 da Lei.

Alternativa B: Esta compet6encia é expressamente vedada à União, nos termos do


art. 3, parág. 1 da lei do SINASE, razão pela qual era a alternativa a ser assinalada.

32
Alternativa C: é uma competência da União, prevista no art. 3 da Lei.

Alternativa D: é uma competência da União, prevista no art. 3 da Lei.

Alternativa E: é uma competência da União, prevista no art. 3 da Lei.

33
DIREITO EMPRESARIAL
PROF. TALLITA SAMPAIO

69 – QUESTÃO:

Sobre os títulos de crédito:

a) os títulos nominais com cláusula “não à ordem” transferem-se por endosso.


b) A letra de câmbio é uma promessa de pagamento.
c) O aceite, na letra de câmbio, é obrigatório.
d) É possível o endosso parcial.
e) A duplicata é um título causal.

RESPOSTA: ALTERNATIVA E.

COMENTÁRIOS:

O MPSP costuma cobrar uma questão sobre títulos de crédito.

Alternativa A: Quanto à forma de transferência ou circulação, os títulos podem ser:


ao portador, nominal à ordem, nominal não à ordem e nominativos. Título ao portador é aquele
que circula pela mera tradição (ou seja: a simples transferência do documento opera a transfe-
rência da titularidade do crédito). Título nominal é aquele que identifica expressamente o seu
titular; e a transferência da titularidade não depende apenas da mera entrega do documento
(cártula) a outra pessoa; mas, sim de um ato formal. Nos títulos nominais com cláusula “à ordem”,
esse ato formal é o endosso; já nos títulos nominais com cláusula “não à ordem”, esse ato é a
cessão civil. Por esta razão, a alternativa está incorreta. Título nominativo é aquele emitido em
favor de pessoa determinada.

OBS.: Há quem chame os títulos nominais de nominativos (nominativos à ordem e


nominativos não à ordem). Portanto, a depender da questão, você pode adotar esta nomencla-
tura).

Alternativa B: Os títulos de crédito também podem ser ordem de pagamento ou


promessa de pagamento. Aqueles se estruturam da seguinte forma: há o sacador (que emite o
título, ou seja: ordena o pagamento); o sacado (contra quem o título é emitido: ou seja, recebe
a ordem de pagamento), e o tomador ou beneficiário, em favor de quem o título é emitido. São
exemplos a letra de câmbio, o cheque e a duplicata.

Já os títulos que se estruturam como promessa de pagamento (como a nota promis-


sória), existem apenas duas situações: o sacador, que promete pagar determinada quantia, e o

34
tomador, beneficiário da promessa de pagamento.

Alternativa C: A letra de câmbio é ordem de pagamento. Emitida, ela será entregue


ao tomador, que levará ao sacado (aquele que recebeu a ordem para pagar), para que este a
aceite (ou seja: diga se irá pagar ou não). O aceite, portanto, é o ato pelo qual o sacado assume
obrigação cambial e se torna o devedor principal da letra. O aceite, na letra de câmbio, é faculta-
tivo. Vale lembrar que, caso ele recuse, ocorrerá o vencimento antecipado do título, e o tomador
poderá exigir do sacador (quem deu a ordem para pagar) o seu pronto pagamento.

Alternativa D: Endosso é o ato cambiário mediante o qual o credor do título de crédi-


to (endossante) transmite seus direitos a outrem (endossatário). Ele produz, basicamente, dois
efeitos: transfere a titularidade do crédito e responsabiliza o endossante, que passa a ser co-
devedor do título (ou seja, se o devedor principal não pagar, o endossatário poderá cobrar do
endossante). O endosso parcial é nulo. Não confunda com o aceite parcial, pois este é possível
(claro, você pode dizer que aceita pagar apenas parte da dívida, mas não pode transferir apenas
parte do seu crédito que está consubstanciado no título de crédito: ou transfere tudo, ou nada).

Alternativa E: Título causal é aquele que somente pode ser emitido nas hipóteses
que a lei autoriza sua emissão. É o caso, por exemplo, da duplicata, que só pode ser emitida para
documentar a realização de uma compra e venda mercantil ou um contrato de prestação de
serviços.

70 – QUESTÃO:

Acerca da sociedade em conta de participação, assinale a alternativa correta:

a) A atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio participante,


em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os de-
mais dos resultados correspondentes.
b) A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalida-
de e pode provar-se somente por escrito.
c) A inscrição do instrumento do contrato social no registro confere personalidade jurídica
à sociedade.
d) A falência do sócio participante acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da res-
pectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário.
e) o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros,
sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier.

RESPOSTA: ALTERNATIVA E.

COMENTÁRIOS:

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Alternativa A: Na sociedade em conta de participação, existem dois tipos de sócios:
o ostensivo (que exerce a atividade constitutiva do objeto social) e o participante (que, como o
próprio nome já diz, participa apenas dos lucros).

Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constituti-


va do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu
nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, partici-
pando os demais dos resultados correspondentes.

Para entender melhor a sociedade em conta de participação, eu tomava como exem-


plo um negócio entre uma construtora que quer construir um prédio para vender os aparta-
mentos e o dono de um terreno. A construtora, responsável por erguer todo o prédio, era o
sócio ostensivo, enquanto o dono do terreno é o sócio participante, uma vez que não assume
obrigações perante terceiros (quais sejam, aqueles que comprarão as unidades imobiliárias),
apenas participa dos lucros do empreendimento.

Portanto, como a atividade constitutiva é exercida pelo sócio ostensivo, e não pelo
sócio participante, esta alternativa está incorreta.

Alternativa B: De acordo com o art. 992 do CC, a constituição da sociedade em conta


de participação independe de qualquer formalidade e pode provar-se por todos os meios de
direito. Cuidado para não confundir com o disposto no art. 987 do CC acerca da sociedade em
comum.

Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por
escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros po-
dem prová-la de qualquer modo.

Alternativa C: A sociedade em comum e a sociedade em conta de participação são


as duas sociedades não personificadas (ou seja, sem personalidade jurídica). A sociedade em
comum é aquela que ainda não inscreveu seus atos constitutivos no órgão competente. Isto
quer dizer que, tão logo faça esta inscrição, adquirirá personalidade jurídica. Já a sociedade em
conta de participação NÁO ADQUIRE PERSONALIDADE JURÍDICA, ainda que inscreva seus atos
constitutivos no órgão competente. Isso está previsto no art. 993 do CC:

Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a


eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confe-
re personalidade jurídica à sociedade.

Alternativa D: Como visto, quem exerce a atividade que constitui o objeto social é
o sócio ostensivo. Isso quer dizer que é a falência dele que pode, porventura, acarretar a disso-
lução da sociedade (lembre da construtora e do dono do terreno: quem se obriga perante os

36
terceiros que compraram as unidades imobiliárias é a construtora; então, se ela falir, a sociedade
se dissolve; mas, se o dono do terreno falir, haverão de ser resolvidas as obrigações existentes
apenas entre este e a construtora, uma vez que o dono do terreno não tem relação nenhuma
com os compradores do imóvel – para estes, pouco importa a falência do dono do terreno).

Alternativa E: Esta é a alternativa correta, nos termos do art. 993, parág único do CC.

71 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa correta:

a) A decretação da falência ou o deferimento do processamento da recuperação judicial sus-


pende o curso da prescrição e de todas as ações e execuções em face do devedor, salvo aque-
las dos credores particulares do sócio solidário.
b) Os créditos quirografários serão pagos após o pagamento das multas tributárias.
c) A ação revocatória deverá ser proposta pelo administrador judicial, por qualquer credor
ou pelo Ministério Público no prazo de 2 (dois) anos contado da decretação da falência.
d) A Lei 11.101 não se aplica a sociedade operadora de plano de assistência à saúde.
e) O administrador judicial será pessoa física, preferencialmente advogado, economista, ad-
ministrador de empresas ou contador.

RESPOSTA: ALTERNATIVA D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Nos termos do art. 6 da lei 11.101, a decretação da falência ou o defe-


rimento do processamento da recuperação judicial suspende o curso da prescrição e de todas
as ações e execuções em face do devedor, INCLUSIVE aquelas dos credores particulares do sócio
solidário.

Alternativa B: O art. 83 da Lei 11.101 traz a sequência do pagamento dos créditos na


falência, qual seja:

 I – os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cen-


to e cinquenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de aci-
dentes de trabalho;
 II - créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado;
III – créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo
de constituição, excetuadas as multas tributárias;
IV – créditos com privilégio especial
 V – créditos com privilégio geral,
VI – créditos quirografários,

37
VII – as multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis
penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias;
VIII – créditos subordinados.

Perceba, portanto, que os créditos quirografários serão pagos antes das multas tribu-
tárias.

Alternativa C: Nos termos do art. 132 da Lei de falências, o prazo da ação revocatória
é de 3 anos, e não 2, como disse a alternativa.

Alternativa D: Esta é a alternativa correta, com arrimo no Art. 2, II da Lei 11.101:

Art. 2o Esta Lei não se aplica a:


I – empresa pública e sociedade de economia mista;
II – instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito,
consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operado-
ra de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de
capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores.

Alternativa E: De acordo com o art. 21 da Lei 11.101, o administrador judicial tam-


bém pode ser pessoa jurídica. Vejam:

Art. 21. O administrador judicial será profissional idôneo, preferencial-


mente advogado, economista, administrador de empresas ou contador,
ou pessoa jurídica especializada.

72 – QUESTÃO:

Acerca da recuperação judicial:

I - Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça re-
gularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e não ter, há menos de 8 (oito) anos,
obtido concessão de recuperação judicial com base no plano especial para microempresas e
empresas de pequeno porte;
II - Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça re-
gularmente suas atividades há mais de 2 (dois) anos e não ter, há menos de 5 (cinco) anos,
obtido concessão de recuperação judicial;
III - O plano de recuperação judicial não poderá prever prazo superior a 1 (um) ano para pa-
gamento dos créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de
trabalho vencidos até a data do pedido de recuperação judicial.

a) Todos os itens estão corretos.

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b) Apenas os itens I e II estão corretos.
c) Apenas os itens II e III estão corretos.
d) Apenas os itens I e III estão corretos.
e) Todos os itens estão incorretos.

RESPOSTA: ALTERNATIVA C.

COMENTÁRIOS:

I – INCORRETO: De fato, antes da alteração promovida pela LC 147, o prazo era de 8


nos. Entretanto, atualmente, nos termos do art. 48, III da Lei 11.101, poderá requerer recupera-
ção judicial o devedor que, no momento do pedido, exerça regularmente suas atividades há
mais de 2 (dois) anos e não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recuperação
judicial com base no plano especial para microempresas e empresas de pequeno porte.

II – CORRETO: O item reproduz o teor do art. 48, II da Lei 11.101.

Art. 48. Poderá requerer recuperação judicial o devedor que, no mo-


mento do pedido, exerça regularmente suas atividades há mais de 2
(dois) anos e que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente:
I – não ser falido e, se o foi, estejam declaradas extintas, por sentença
transitada em julgado, as responsabilidades daí decorrentes;
II – não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recupera-
ção judicial;
III – não ter, há menos de 8 (oito) anos, obtido concessão de recuperação
judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste Capí-
tulo;
III - não ter, há menos de 5 (cinco) anos, obtido concessão de recupe-
ração judicial com base no plano especial de que trata a Seção V deste
Capítulo;       (Redação dada pela Lei Complementar nº 147, de 2014)
IV – não ter sido condenado ou não ter, como administrador ou sócio
controlador, pessoa condenada por qualquer dos crimes previstos nes-
ta Lei.

III – CORRETO: Este item reproduz o teor do Art. 54 da Lei 11.101.

Sendo assim, como os itens II e III são os únicos corretos, a alternativa C deve ser as-
sinalada.

39
TUTELA DOS INTERESSES DIFUSOS, COLETIVOS
E INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS
PROF. NÁDIA SAAB

73 – QUESTÃO:

Acerca da ação popular, assinale a alternativa correta.

a) Qualquer cidadão, titular de capacidade eleitoral ativa e passiva, tem legitimidade para
postular, mediante o ajuizamento de ação popular, a invalidação de ato lesivo à moralidade
administrativa, ao meio ambiente ou ao patrimônio público, histórico e cultural.
b) No tocante ao pedido principal, a ação popular deve ser proposta em face de todas as au-
toridades que contribuíram para a formação do ato e os seus beneficiários diretos.
c) A pessoa jurídica interessada poderá, após contestar o pedido, atuar ao lado do autor, se
conveniente ao interesse público, a juízo do respectivo representante legal ou dirigente.
d) O Ministério Público, além de atuar como fiscal da ordem jurídica, pode, tal como qual-
quer cidadão, habilitar-se como litisconsorte ou assistente do autor.
e) A ação popular é processada conforme o rito ordinário, inclusive quanto ao prazo de defe-
sa, e a sentença de procedência é recorrível via apelação sem efeito suspensivo.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A ação popular constitui importante instrumento de democracia par-


ticipativa e garantia fundamental prevista no artigo 5º, inciso LXXIII da Constituição Federal:

Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a
anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado
participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimô-
nio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento
de custas judiciais e do ônus da sucumbência.

Conforme se infere da leitura do aludido dispositivo constitucional, tem legitimidade


para propor ação popular qualquer cidadão, assim considerado o nacional em pleno gozo dos
direitos políticos. Portanto, a titularidade de capacidade eleitora ativa (direito de votar) é sufi-
ciente para tanto, dispensada, pois, a capacidade eleitoral passiva (direito de ser votado). Assim,
cidadão inelegível tem legitimidade para ajuizar ação popular em defesa de qualquer interesse
pertinente ao objeto da demanda.

Alternativa B: A ação popular tem natureza predominantemente desconstitutiva ou

40
declaratória negativa, de sorte que o pedido principal consiste na invalidação do ato contrário
ao interesse tutelado. Porém, quando necessário, seja para fins de reparação do dano, seja para
afastar o risco de lesão, poderá ser formulado pedido condenatório.

No tocante ao pedido de invalidação, é obrigatória a inclusão no pólo passivo de


todas as autoridades que contribuíram para a formação do ato e os seus beneficiários diretos,
porquanto produzirá como efeito a recondução ao status quo ante de todas as partes. Trata-se,
no caso, de litisconsórcio necessário e unitário.

Por outro lado, no tocante ao pedido condenatório, tendo em vista a responsabilida-


de solidária das autoridades que contribuíram para a formação do ato e os seus beneficiários di-
retos, o autor pode demandar apenas aqueles que dispuserem de recursos financeiros suficien-
tes para promover a reparação do dano. Trata-se, pois, de litisconsórcio facultativo e simples.

Alternativa C: Nos termos do artigo 6º, § 3º da LAP, a pessoa jurídica de direito públi-
co ou privado, cujo ato seja objeto de impugnação, pode, no curso da demanda: a) contestar o
pedido; b) abster-se de contestar o pedido, caso em que não incide a presunção de veracidade
dos fatos decorrente da revelia ou; c) atuar ao lado do autor, quando tal postura se afigure útil
ao interesse público.

Tal possibilidade é denominada pela doutrina de despolarização do processo ou in-


tervenção móvel. Contudo, a adoção de qualquer dos comportamentos processuais citados não
depende da conveniência do representante legal ou dirigente da pessoa jurídica interessada,
mas da utilidade de sua atuação em defesa do interesse público tutelado.

Alternativa D: Consoante o disposto no artigo 6º, § 4º da LAP, o Ministério Público,


obrigatoriamente, atuará como fiscal da ordem jurídica nas ações populares. Como tal, a insti-
tuição não pode sustentar, no mérito, a validade do ato impugnado ou a ausência de responsa-
bilidade dos seus autores. Porém, nada impede a alegação de questão processual contrária aos
interesses do autor ou o pedido de improcedência da demanda.

Além disso, o Ministério Público exerce importante função de órgão ativador da pro-
va, para que a instrução probatória seja concluída com celeridade, bem como para que as requi-
sições de documentos sejam atendidas no prazo legal. Não obstante, o órgão ministerial atua
como sucessor do autor, em caso de desistência ou abandono infundado da causa (artigo 9º da
LAP), pode interpor recursos em face das decisões contrárias ao autor (artigo 19, § 2º da LAP) e
promover a execução, caso o autor não o faça no prazo de 60 (sessenta) dias (artigo 16 da LAP).

Conclui-se, pois, que, dentre as diversas modalidades de atuação do Ministério Pú-


blico nos autos da ação popular, não se inclui a habilitação como litisconsorte ou assistente do
autor, prerrogativa esta conferida pela lei somente aos cidadãos legitimados para a propositura
da demanda (artigo 6º, § 5º da LAP). Isso porque, o auxílio do órgão ministerial decorre auto-

41
maticamente do exercício das funções citadas, independentemente de qualquer formalidade
específica para tanto.

Alternativa E: De acordo com o artigo 7º da LAP, a ação popular é processada con-


forme o rito ordinário, correspondente ao procedimento comum do Novo Código de Processo
Civil, ressalvadas determinadas modificações, inclusive quanto ao prazo para a apresentação de
defesa, de 20 dias, prorrogáveis por igual período.

Além disso, a sentença que concluir pela carência ou improcedência da ação popular
está sujeita à reexame necessário, por força de disposição legal expressa constante do artigo 19
da LAP. Por outro lado, a sentença de procedência é recorrível via apelação, com efeito suspensi-
vo. Trata-se, pois, de exceção à sistemática recursal instituída pela legislação processual comum,
tendo em vista a relevância do bem jurídico tutelado.

74 – QUESTÃO:

No tocante ao mandado de segurança coletivo, assinale a opção correta, de acordo com a


jurisprudência do STJ.

a) Compete à Justiça Federal processar e julgar mandado de segurança coletivo impetrado


pela União em face de autoridade que detém foro por prerrogativa de função perante o Tri-
bunal de Justiça do Estado.
b) Associação de entes políticos tem legitimidade para defender judicialmente os interesses
de seus associados, via mandado de segurança coletivo.
c) O Ministério Público não tem legitimidade para impetrar mandado de segurança coletivo
em defesa dos interesses de crianças, adolescentes e pessoas idosas.
d) A concessão de liminar em sede de mandado de segurança coletivo pressupõe a oitiva
prévia do representante judicial da pessoa jurídica interessada, no prazo de 24 (vinte e qua-
tro) horas.
e) A eficácia da coisa julgada coletiva demanda a suspensão do mandado de segurança indi-
vidual no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da impetração da segurança coletiva.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A competência da Justiça Federal para processar e julgar ação civil


pública é determinada pelo artigo 109 da Constituição Federal. Portanto, é indispensável a exis-
tência de interesse que justifique a intervenção da União, de entidade autárquica ou empresa
pública federal na condição de autoras, rés, assistentes ou opoentes.

Com efeito, compete à Justiça Federal processar e julgar mandado de segurança co-

42
letivo impetrado pela União em face de autoridade que detém foro por prerrogativa de função
perante o Tribunal de Justiça do Estado. Neste caso, prevalece a competência da Justiça Federal
que tem assento constitucional, através do respectivo TRF, por força do princípio da hierarquia.

Alternativa B: No tocante à legitimidade ativa para a impetração de mandado de


segurança coletivo, dispõe o artigo 21 da Lei 12016/06:

Art. 21.  O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por par-
tido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de
seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade
partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associa-
ção legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um)
ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte,
dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde
que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autoriza-
ção especial. 

A legitimidade das associações está condicionada à representatividade adequada da


entidade, que decorre do preenchimento dos seguintes requisitos: a) constituição formal; b)
pré-constituição pelo prazo de um ano e; c) pertinência temática. Nesse contexto, consoante o
entendimento do STJ, associação de entes políticos não tem legitimidade para defender judi-
cialmente os interesses de seus associados, via mandado de segurança coletivo, pois a substitui-
ção processual de pessoa jurídica de direito público por entidade privada é incompatível com a
eficácia da coisa julgada coletiva (REsp 141733).

Alternativa C: Enquanto garantia constitucional fundamental, o MS coletivo não


comporta interpretação restritiva. Por essa razão, parte da doutrina entende que também de-
tém legitimidade para impetrar o mandamus todos os colegitimados previstos na LACP e no
CDC para a propositura de ações coletivas destinadas à defesa de qualquer interesse transindi-
vidual.

Assim, em que pese a omissão legislativa, a legitimidade do Ministério Público decor-


re, sobretudo, da vocação constitucional da instituição para a defesa de interesses coletivos em
sentido amplo. Não obstante, a legitimidade do órgão ministerial para impetrar mandado de
segurança coletivo em defesa dos interesses de crianças, adolescentes e pessoas idosas decorre
de disposição legal expressa, constante dos artigos 201, inciso IX do Estatuto da Criança e do
Adolescente e 82 do Estatuto do Idoso.

Alternativa D: De acordo com o disposto no artigo 7º, § 2º da Lei 12016/06:

Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensa-
ção de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenien-

43
tes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos
e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento
de qualquer natureza.
 
Especialmente no tocante ao MS coletivo, a concessão de liminar pressupõe a oitiva
prévia do representante judicial da pessoa jurídica de direito público interessada, no prazo de
72 (setenta e duas) horas, por força de disposição legal expressa nesse sentido (artigo 22, § 2º
da LMS).

Alternativa E: O regime da coisa julgada coletiva no âmbito do mandado de seguran-


ça é ditado pelo artigo 22 da Lei 12016/06:

Art. 22.  No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa jul-


gada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos
pelo impetrante. 

Não se aplica, no caso, as restrições constantes do artigo 16 da LACP e 2º-A da Lei


9494/97. Com efeito, ao referir-se ao “grupo ou categoria substituídos pelo impetrante” o dispo-
sitivo legal compreende a totalidade dos titulares do direito objeto do mandamus, associados
ou não ao autor. Além disso, a eficácia da coisa julgada coletiva demanda a desistência do man-
dado de segurança individual no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da impetração da
segurança coletiva (artigo 22, § 1º LMS).

75 – QUESTÃO:

Considerando as disposições normativas e o entendimento doutrinário acerca do Termo de


Ajustamento de Conduta, assinale a opção correta.

a) Sociedade de economia mista prestadora de serviços públicos não tem legitimidade para
celebrar Termo de Ajustamento de Conduta.
b) O tomador do compromisso pode dispor do direito material objeto do acordo.
c) Falta interesse processual para o ajuizamento de ação civil pública ao tomador e aos de-
mais legitimados, quando o compromisso é suficiente para a satisfação do direito tutelado.
d) A ausência de previsão de multa cominatória acarreta a nulidade do compromisso.
e) Quando celebrado por entidade da Administração direta, o Ministério Público não tem
legitimidade para promover a execução do compromisso.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS

Alternativa A: Denomina-se Termo de Ajustamento de Conduta, o acordo celebrado

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na esfera extrajudicial, destinado à adequação da conduta do infrator às exigências legais, no
tocante à prevenção ou reparação de danos a direitos transindividuais.

De acordo com o disposto no artigo 5º, § 6º da Lei 7347/85:

Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados com-


promisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, median-
te cominações, que terá eficácia de título executivo extrajudicial.     

A expressão “órgãos públicos” constante do aludido dispositivo legal deve ser inter-
pretada no sentido de entes públicos, de forma a abranger não somente os órgãos, que, a rigor,
não detém personalidade jurídica, mas também as instituições, a exemplo do Ministério Públi-
co, e as pessoas jurídicas de direito público. Nesse contexto, autarquias e fundações públicas
tem legitimidade para celebrar Termo de Ajustamento de Conduta.

Ao contrário, a legitimação das empresas públicas e sociedades de economia mista é


controvertida na doutrina, tendo em vista possuírem personalidade jurídica de direito privado.
Por essa razão, prevalece o entendimento de que somente as empresas estatais prestadoras de
serviços públicos podem figurar como tomadoras do compromisso extrajudicial, pois, nessa
qualidade, equiparam-se aos entes dotados de personalidade jurídica de direito público.

Alternativa B: Apesar da controvérsia doutrinária, prevalece o entendimento de que


o Termo de Ajustamento de Conduta não tem natureza jurídica de transação. Isso porque, o
tomador não é titular do interesse em questão e, portanto, o compromisso não envolve conces-
sões mútuas de direito material. Além disso, os interesses coletivos tem natureza transindividual
e não pertencem ao gênero dos direitos patrimoniais de caráter privado.

Destarte, embora o compromissário faça concessões em relação ao direito material


controvertido, o tomador não pode abdicar, ainda que parcialmente, do seu conteúdo. Logo,
o compromisso deve versar apenas sobre o modo, lugar e tempo no qual o dano ao interesse
transindividual deve ser reparado, ou a ameaça afastada, em sua integralidade.

Alternativa C: O Termo de Ajustamento de Conduta constitui garantia mínima em


favor da coletividade de lesados, nunca limitação máxima da responsabilidade do infrator. Por-
tanto, a princípio, tendo em vista a legitimidade concorrente para a propositura de ação civil
pública e a garantia constitucional da inafastabilidade da jurisdição, qualquer legitimado pode
ajuizar demanda relacionada ao mesmo fato objeto do compromisso.

Todavia, quando o compromisso é suficiente para a satisfação do direito tutelado,


falta interesse processual para o ajuizamento de ação civil pública ao tomador e aos demais le-
gitimados. Logo, a propositura da demanda está condicionada à insuficiência ou invalidade do
acordo extrajudicial no que tange à tutela integral do interesse transindividual visado.

45
Alternativa D: Conforme se infere da leitura do artigo 5º, § 6º da Lei 7347/85 citado
acima, o Termo de Ajustamento de Conduta deve estabelecer medidas coercitivas adequadas e
suficientes para desestimular o descumprimento das obrigações.

Assim, considerando as peculiaridades de cada caso concreto, podem ser fixadas


sanções pecuniárias com periodicidades diversas ou, ainda, obrigações de fazer ou não fazer.
Todavia, apesar da relevância da cominação, a ausência de previsão de multa cominatória não
acarreta a nulidade do compromisso. Neste caso, o próprio juiz pode fixá-la quando apresenta-
do o título para execução (artigo 814 do CPC).

Alternativa E: Embora a legitimidade para a celebração de Termo de Ajustamento de


Conduta seja conferida apenas aos entes públicos, qualquer dos legitimados à propositura de
ação civil pública em defesa dos interesses versados no acordo extrajudicial poderá executá-lo.

Com efeito, entendimento em sentido contrário comprometeria demasiadamente a


eficácia da tutela coletiva, de sorte que existente o título, qualquer legitimado pode promo-
ver-lhe a execução, tal como se verifica em relação à sentença proferida em sede de ação civil
pública (artigo 15 da Lei 7347/85). Portanto, quando celebrado por entidade da Administração
direta, o Ministério Público ou qualquer outro legitimado detém legitimidade para promover a
execução do compromisso.

76 – QUESTÃO:

São instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente previstos na Lei 6938/81, exceto:

a) Zoneamento ambiental.
b) Servidão ambiental.
c) Estudo de Impacto de Vizinhança.
d) Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental.
e) Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Previsto no artigo 9º, inciso II da Lei 6938/81 e regulamentado pelo De-
creto 4297/02, o zoneamento ambiental estabelece medidas e padrões de proteção ambiental
destinados a assegurar a qualidade dos recursos hídricos e do solo, bem como a conservação da
biodiversidade, com vistas à garantia do desenvolvimento sustentável e da melhoria das condi-
ções de vida da população. Trata, pois, da gestão integrada de políticas territoriais, ambientais
e de desenvolvimento em um espaço determinado, que traduz a necessidade, cada vez mais
recorrente, de compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com as exigências de preser-

46
vação do meio ambiente.

Alternativa B: A servidão ambiental constitui importante instrumento da Política


Nacional do Meio Ambiente, através do qual o proprietário renuncia, em caráter permanente
ou temporário, total ou parcialmente, ao direito de uso, exploração ou supressão dos recursos
naturais existentes na propriedade. Trata-se, pois, de obrigação propter rem, vinculada direta-
mente ao imóvel onerado, independentemente da titularidade do domínio, razão pela qual é
vedada, durante o prazo de vigência da servidão ambiental, a alteração da destinação da área,
que, inclusive, deve ser averbada à margem da matrícula no registro de imóveis competente
(artigo 9º-A da lei 6938/81).

Alternativa C: O Estudo de Impacto de Vizinhança, previsto no artigo 37 do Estatuto


da Cidade, consiste em instrumento de intervenção urbanística, de caráter preventivo, destina-
do à avaliação dos possíveis impactos positivos e negativos de um empreendimento ou ativida-
de no tocante à qualidade de vida da população residente na área e suas proximidades, de for-
ma a contemplar os aspectos sociais, econômicos e ambientais do projeto. Todavia, o Estudo de
Impacto de Vizinhança não substitui a elaboração do Estudo Prévio de Impacto Ambiental para
obras e atividades potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente.

Alternativa D: Dentre os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, des-


taca-se, ainda, o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental,
para identificação obrigatória de pessoas físicas ou jurídicas que exercem atividades de consul-
toria técnica sobre problemas ecológicos e ambientais, ou se dedicam à indústria e comércio
de equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados ao controle de atividades efetiva ou
potencialmente poluidoras (artigo 17, inciso I da lei 6938/81).

Alternativa E: A Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), decorre do exercí-


cio regular do poder de polícia conferido ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recur-
sos Naturais Renováveis – IBAMA para controle e fiscalização das atividades potencialmente po-
luidoras e utilizadoras de recursos naturais. Consoante o disposto no artigo 17-F da Lei 6938/81,
são isentas do pagamento da aludida taxa as entidades públicas federais, distritais, estaduais
e municipais, filantrópicas, aqueles que praticam agricultura de subsistência e as populações
tradicionais. 

77 – QUESTÃO:

No tocante ao procedimento de licenciamento ambiental, assinale a opção correta.

a) A licença prévia autoriza a instalação do empreendimento de acordo com as especifica-


ções constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de con-
trole ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante.
b) O decurso do prazo sem a emissão da licença ambiental pelo órgão licenciador competen-

47
te, deflagra a atuação subsidiária de outro órgão.
c) A renovação da licença ambiental deve ser solicitada pelo empreendedor com antecedên-
cia mínima de 180 (cento e oitenta) dias da expiração do seu prazo de validade, automatica-
mente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente.
d) A competência para promover o licenciamento ambiental é atribuída pela lei à um único
ente federativo, o que não impede a manifestação de órgãos ambientais de outras entida-
des, com caráter vinculante.
e) Compete à União promover o licenciamento ambiental de empreendimentos e atividades
desenvolvidos em Área de Proteção Ambiental instituída pelo Estado, mas localizada na pla-
taforma continental.

RESPOSTA: Alternativa E.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O licenciamento ambiental é um dos principais instrumentos da Polí-


tica Nacional do Meio Ambiente. De índole preventiva, visa compatibilizar o desenvolvimento
econômico com a proteção ambiental, em cumprimento ao mandamento constitucional inser-
to no artigo 225, § 1º, inciso IV da Constituição.

Nos termos do artigo 2º, inciso I da LC 140/11, denomina-se licenciamento ambiental


o procedimento administrativo destinado a autorizar execução de atividades ou empreendi-
mentos utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes,
sob qualquer forma, de causar degradação ambiental.

O licenciamento ambiental compreende, pois, uma sucessão de atos que visam à ob-
tenção sequencial de três licenças, enumeradas no artigo 8º da Resolução 237/97 do CONAMA:

I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento


do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concep-
ção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos
básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua
implementação;
II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendimento
ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos,
programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle am-
biental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determi-
nante;
III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou em-
preendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que cons-
ta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e con-
dicionantes determinados para a operação.

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Portanto, a licença prévia apenas atesta a viabilidade ambiental do projeto e esta-
belece os requisitos básicos a serem observados nas próximas fases de sua implementação. A
licença de instalação, por sua vez, como o próprio nome sugere, autoriza a instalação do em-
preendimento de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos
aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual cons-
tituem motivo determinante.

Alternativa B: Acerca do prazo de análise da licença pelo órgão ambiental competen-


te, dispõe o artigo 14 da Resolução 237/97 do CONAMA:

Art. 14. O órgão ambiental competente poderá estabelecer prazos de


análise diferenciados para cada modalidade de licença (LP, LI e LO),
em função das peculiaridades da atividade ou empreendimento, bem
como para a formulação de exigências complementares, desde que ob-
servado o prazo máximo de 6 (seis) meses a contar do ato de protocolar
o requerimento até seu deferimento ou indeferimento, ressalvados os
casos em que houver EIA/RIMA e/ou audiência pública, quando o prazo
será de até 12 (doze) meses.

Conforme se verifica da leitura do dispositivo citado, o decurso do prazo legal sem


a expedição da licença, não implica emissão tácita, nem autoriza a prática de ato que dela de-
penda, mas instaura a competência supletiva de outro órgão ambiental (artigo 16 da Resolução
237/97 do CONAMA).

Apenas para esclarecer, denomina-se atuação supletiva, a ação de entidade da Fede-


ração que substitui o ente federativo originariamente detentor das atribuições, nas hipóteses
definidas na LC 140/11. A atuação subsidiária, por sua vez, é materializada por meio de auxílio
técnico, científico, administrativo e financeiro, solicitado pelo ente federativo originariamente
detentor das atribuições (artigo 2º, II e III da LC 140/11).

Alternativa C: Consoante o disposto no artigo 18 da Resolução 237/97 do CONAMA,


o órgão ambiental competente estabelecerá os prazos de validade de cada espécie de licença,
no respectivo instrumento, observadas os seguintes parâmetros:

I - O prazo de validade da Licença Prévia (LP) deverá ser, no mínimo, o


estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e
projetos relativos ao empreendimento ou atividade, não podendo ser
superior a 5 (cinco) anos.
II - O prazo de validade da Licença de Instalação (LI) deverá ser, no míni-
mo, o estabelecido pelo cronograma de instalação do empreendimento
ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos.
III - O prazo de validade da Licença de Operação (LO) deverá considerar

49
os planos de controle ambiental e será de, no mínimo, 4 (quatro) anos e,
no máximo, 10 (dez) anos.

Compete ao empreendedor solicitar a renovação da licença ambiental com antece-


dência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade, ficando este
automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente
(artigo 18, § 4º da Resolução 237/97 do CONAMA).

Alternativa D: O exercício da competência licenciatória pressupõe a constituição, no


âmbito da respectiva entidade da Federação, de Conselho do Meio Ambiente com caráter deli-
berativo e participação social, bem como a existência de técnicos devidamente habilitados para
tanto (artigo 20 da Resolução 237/97 do CONAMA).

Nesse contexto, é importante consignar que a competência para promover o licen-


ciamento de determinado empreendimento é exercida por um único ente federativo, conforme
as atribuições estabelecidas pela LC 140/11. Contudo, essa vinculação não impede a manifesta-
ção de órgãos ambientais dos demais entes federativos, sem caráter vinculante, observados os
prazos e procedimentos previstos na lei (artigo 13, § 1º da LC 140/11).

Alternativa E: No âmbito federal, o licenciamento ambiental compete ao Instituto


Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renovávies (IBAMA). Consoante o disposto
no artigo 7º, inciso XIV, d, da LC 140/11, compete à União promover o licenciamento ambiental
de empreendimentos e atividades localizados ou desenvolvidos em unidades de conservação
instituídas pelo ente federal, exceto em Áreas de Proteção Ambiental.

Isso porque, ao contrário das demais espécies de unidades de conservação, nas Áreas
de Proteção Ambiental o critério do ente instituidor não determina o licenciamento ambiental.
Portanto, ainda que instituída pelo Estado, compete à União promover o licenciamento am-
biental de empreendimentos e atividades desenvolvidos em Área de Proteção Ambiental loca-
lizada na plataforma continental (artigo 12 da LC 140/11.

78 – QUESTÃO:

Sobre a Política Nacional de Recursos Hídricos, assinale a opção correta.

a) A outorga dos direitos de uso de recursos hídricos importa em alienação parcial das águas,
por prazo determinado, não superior a 35 (trinta e cinco) anos.
b) Independe de outorga o lançamento em corpo hídrico de esgotos e demais resíduos líqui-
dos ou gasosos tratados, com o fim de diluição, transporte ou disposição final.
c) A outorga pode ser objeto de suspensão, total ou parcial, em caráter definitivo ou por
prazo determinado, ante a necessidade premente de água em situações de calamidade ou
condições climáticas adversas.

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d) A cobrança pelo uso de recursos hídricos consubstancia o princípio do poluidor pagador,
tendo em vista a necessidade de racionalizar a utilização da água.
e) Os Comitês de Bacias Hidrográficas são criados por autorização do Conselho Nacional de
Recursos Hídricos, para exercerem a função de secretaria executiva da respectiva Agência de
Água, que vincula a sua área de atuação.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A Lei 9433/97, em linhas gerais, enuncia os fundamentos, objetivos e


instrumentos para a utilização racional dos recursos hídricos, além de regulamentar o artigo 21,
inciso XIX da Constituição Federal, ao instituir o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recur-
sos Hídricos e definir critérios de outorga de direitos de uso.

O regime de outorga de direitos de uso visa assegurar o controle quantitativo e qua-


litativo da utilização dos recursos hídricos e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água
(artigo 11 da Lei 9433/97). Nesse contexto, é importante consignar que a outorga não implica
a alienação parcial das águas, mas o simples direito de seu uso, por prazo não excedente a 35
(trinta e cinco) anos, prorrogável (artigos 16 e 17 da Lei 9433/97).

Alternativa B: A outorga, na verdade, constitui manifestação do exercício do poder


de polícia e tem natureza jurídica de autorização administrativa. Nesse sentido, consoante o
disposto no artigo 12 da Lei 9433/97, dependem de outorga do Poder Público, a utilização dos
seguintes recursos hídricos:

I - derivação ou captação de parcela da água existente em um corpo de


água para consumo final, inclusive abastecimento público, ou insumo
de processo produtivo;
II - extração de água de aqüífero subterrâneo para consumo final ou in-
sumo de processo produtivo;
III - lançamento em corpo de água de esgotos e demais resíduos líqui-
dos ou gasosos, tratados ou não, com o fim de sua diluição, transporte
ou disposição final;
IV - aproveitamento dos potenciais hidrelétricos;
V - outros usos que alterem o regime, a quantidade ou a qualidade da
água existente em um corpo de água.

Por outro lado, independem de outorga, nos termos do artigo 12, § 1º da Lei 9433/97:

I - o uso de recursos hídricos para a satisfação das necessidades de pe-


quenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural;

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II - as derivações, captações e lançamentos considerados insignifican-
tes;
III - as acumulações de volumes de água consideradas insignificantes.

Portanto, o lançamento em corpo hídrico de esgotos e demais resíduos líquidos ou


gasosos, tratados ou não, com o fim de diluição, transporte ou disposição final, está relacionado
entre as hipóteses legais que demandam outorga para a devida utilização dos recursos hídricos
correspondentes.

Alternativa C: Com efeito, de acordo com o disposto no artigo 15 da Lei 9433/97, a


outorga de direito de uso de recursos hídricos poderá ser suspensa total ou parcialmente, em
caráter definitivo ou por prazo determinado, nas seguintes circunstâncias:

I - não cumprimento pelo outorgado dos termos da outorga;


II - ausência de uso por três anos consecutivos;
III - necessidade premente de água para atender a situações de calami-
dade, inclusive as decorrentes de condições climáticas adversas;
IV - necessidade de se prevenir ou reverter grave degradação ambien-
tal;
V - necessidade de se atender a usos prioritários, de interesse coletivo,
para os quais não se disponha de fontes alternativas;
VI - necessidade de serem mantidas as características de navegabilida-
de do corpo de água.

Nota-se, pois, da leitura do aludido dispositivo legal, que não há limitação temporal
estabelecida pelo legislador, de sorte que a outorga pode ser suspensa pelo prazo necessário à
resolução da situação de calamidade e à normalização das condições climáticas.

Alternativa D: A cobrança pelo uso de recursos hídricos, na verdade, consubstancia o


princípio do usuário pagador, tendo em vista a necessidade de racionalizar a utilização da água.
Nesse sentido, nos termos do artigo 19 da Lei 9433/97, a atribuição de valor econômico a esse
recurso natural limitado tem a finalidade de:

I - reconhecer a água como bem econômico e dar ao usuário uma indi-


cação de seu real valor;
II - incentivar a racionalização do uso da água;
III - obter recursos financeiros para o financiamento dos programas e
intervenções contemplados nos planos de recursos hídricos.

Os valores arrecadados com a cobrança pelo uso de recursos hídricos serão aplicados
prioritariamente na bacia hidrográfica em que foram gerados e serão utilizados:

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I - no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídos
nos Planos de Recursos Hídricos;
II - no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo
dos órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Gerencia-
mento de Recursos Hídricos.

Ressalte-se que, nesta última hipótese, a aplicação é limitada a 7,5% do total arreca-
dado, evitando, assim, que os recursos sejam absorvidos pela máquina burocrática em detri-
mento dos Planos de Recursos Hídricos e seus componentes.

Alternativa E: Nos termos do artigo 33 da Lei 9433/97, integram o Sistema Nacional


de Gerenciamento de Recursos Hídricos: 

 I – o Conselho Nacional de Recursos Hídricos;  


I-A. – a Agência Nacional de Águas;  
 II – os Conselhos de Recursos Hídricos dos Estados e do Distrito Federal;  
III – os Comitês de Bacia Hidrográfica
IV – os órgãos dos poderes públicos federal, estaduais, do Distrito Fe-
deral e municipais cujas competências se relacionem com a gestão de
recursos hídricos;  
V – as Agências de Água.

As Agências de Água são criadas por autorização do Conselho Nacional de Recursos


Hídricos ou pelos Conselhos Estaduais, mediante solicitação de um ou mais Comitês de Bacia
Hidrográfica, para exercerem a função de secretaria executiva do respectivo Comitê, que vincu-
la a sua área de atuação (artigos 41 e 42 da Lei 9433/97).

Os Comitês de Bacia Hidrográfica, por sua vez, são órgãos colegiados com atribuições
normativas, deliberativas e consultivas a serem exercidas na bacia hidrográfica de sua jurisdição
(artigo 1º, § 1º da Resolução 05/2000 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos).

79 – QUESTÃO:

Considere a seguinte situação hipotética: determinado imóvel, localizado na zona rural do


Município, foi inserido em perímetro urbano, definido mediante lei municipal, para fins de
parcelamento do solo. Concomitantemente, o proprietário cancelou o registro da área de
Reserva Legal que onerava o imóvel e, na sequência, após entregar o projeto à Prefeitura
Municipal para aprovação, registrou inúmeros compromissos de compra e venda celebrados
com potencias adquirentes dos lotes. Decorridos mais de 180 (cento e oitenta) dias da data
da contratação, diante da negativa do incorporador em celebrar o contrato definitivo e cien-
tes que o imóvel objeto do parcelamento havia sido hipotecado, os adquirentes recorreram
ao Ministério Público e narraram a situação fática citada. Nesse contexto, assinale a opção

53
correta.

a) O Ministério Público não tem legitimidade para atuar em defesa dos interesses dos adqui-
rentes, porquanto se trata de direito patrimonial disponível.
b) A inserção do imóvel rural em perímetro urbano autoriza o cancelamento do registro da
área de Reserva Legal, independentemente da aprovação do projeto de parcelamento do
solo.
c) O projeto de parcelamento do solo deve ser aprovado pela Prefeitura Municipal e, na se-
quência, registrado no ofício imobiliário competente no prazo de 180 (cento e oitenta) dias,
sob pena de caducidade da aprovação.
d) São irretratáveis os compromissos de compra e venda celebrados com os potenciais ad-
quirentes dos lotes, vedada, contudo, a execução específica da obrigação.
e) A hipoteca constituída em relação ao imóvel objeto de parcelamento tem eficácia perante
os adquirentes, se posterior à celebração dos compromissos de compra e venda.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Apesar de prescindível a comprovação de pertinência temática, é mis-


ter verificar, em cada caso, se a defesa dos interesses discutidos na demanda é compatível com o
perfil constitucional do órgão ministerial. Nesse contexto, o Ministério Público tem legitimidade
para defender qualquer interesse difuso, pois inegável a sua relevância social.

Por outro lado, no tocante aos direitos coletivos em sentido estrito e individuais ho-
mogêneos, a atuação do parquet está adstrita aos interesses indisponíveis ou afetos à coletivi-
dade. A relevância social pode ser objetiva (decorrente da própria natureza dos valores e bens
em questão, tal como a dignidade humana, a saúde, a educação, etc.) ou subjetiva (em razão da
qualidade especial dos titulares – um grupo de idosos ou de crianças por exemplo).

Na situação hipotética narrada, os interesses dos adquirentes dos lotes consubstan-


ciam direitos individuais homogêneos, dada a determinação dos titulares e a divisibilidade do
objeto, cuja tutela compete ao Ministério Público, em vista da relevância social da matéria, rela-
cionada ao direito constitucional à moradia e à ordenação do espaço urbano.

Alternativa B: De acordo com o disposto no artigo 19 do Código Florestal, a inser-


ção do imóvel rural em perímetro urbano, definido mediante lei municipal, não desobriga o
proprietário da manutenção da área de Reserva Legal, que somente será extinta concomitante-
mente ao registro do parcelamento do solo para fins urbanos, aprovado segundo a legislação
específica e consoante as diretrizes do plano diretor. Portanto, na situação hipotética narrada, o
cancelamento do registro da área de Reserva Legal pelo incorporador carece de amparo legal,
pois anterior à aprovação do projeto de parcelamento pela Prefeitura Municipal.

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Alternativa C: Com efeito, de acordo com o disposto no artigo 12 da Lei 6766/79, o
projeto de parcelamento do solo deve ser aprovado pela Prefeitura Municipal e, na sequência,
registrado no ofício imobiliário competente no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, sob pena
de caducidade da aprovação. Contudo, na situação fática narrada, infere-se que o incorporador
celebrou inúmeros compromissos de compra e venda com potenciais adquirentes dos lotes
antes de aprovado o projeto, o que, por si só, caracteriza infração penal (artigos 37 e 52 da Lei
6766/79). Não obstante, constituiu hipoteca sobre o imóvel objeto do parcelamento.

Alternativa D: Nos termos do artigo 25 da Lei 6766/79, são irretratáveis os


compromissos de compra e venda referentes à aquisição de lotes em projeto de parcelamento
do solo para fins urbanos. Na sequência, dispõe o artigo 27:

Art. 27. Se aquele que se obrigou a concluir contrato de promessa de


venda ou de cessão não cumprir a obrigação, o credor poderá notificar
o devedor para outorga do contrato ou oferecimento de impugnação
no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de proceder-se ao registro de
pré-contrato, passando as relações entre as partes a serem regidas pelo
contrato-padrão.

Denota-se, pois, a partir da leitura do dispositivo legal em análise, que, diante da ne-
gativa do incorporador em celebrar o contrato definitivo, os compromissos de compra e venda
celebrados com os potenciais adquirentes dos lotes são passíveis de execução específica.

Alternativa E: Com fundamento na boa-fé objetiva, dispõe a súmula 308 do STJ:

A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro, anterior


ou posterior à celebração da promessa de compra e venda, não tem efi-
cácia perante os adquirentes do imóvel.

Portanto, a hipoteca constituída em relação ao imóvel objeto de parcelamento não


pode ser oposta aos potenciais adquirentes, seja anterior ou posterior à celebração dos com-
promissos de compra e venda.

80 – QUESTÃO:

A Lei de Improbidade sanciona a conduta do agente público que favorece a celebração de


negócios subfaturados. Assinale a opção que indica sanções passíveis de aplicação ao autor
de ato ímprobo dessa espécie:

a) Perda de bens e valores, ressarcimento integral do dano, suspensão dos direitos políticos
de oito a dez anos, e multa civil correspondente ao triplo do acréscimo patrimonial ilícito.
b) Perda da função pública, ressarcimento integral do dano, e proibição de contratar com

55
o Poder Público ou receber benefícios e incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de dez
anos.
c) Ressarcimento integral do dano, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos
de cinco a oito anos, e multa civil correspondente ao dobro do valor do dano.
d) Perda de bens e valores, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, e proibição
de contratar com o Poder Público ou receber benefícios e incentivos fiscais ou creditícios
pelo prazo de três anos.
e) Perda da função pública, ressarcimento integral do dano, e multa civil correspondente a
cem remunerações percebidas pelo agente público no exercício da função.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Regulamentando o artigo 37, § 4º da Constituição Federal, o artigo 12


da lei 8429/92 estabelece as sanções aplicáveis ao condenado pela prática de ato de improbida-
de, graduadas conforme a espécie de conduta praticada:

Art. 12.  Independentemente das sanções penais, civis e administrativas


previstas na legislação específica, está o responsável pelo ato de impro-
bidade sujeito às seguintes cominações, que podem ser aplicadas isola-
da ou cumulativamente, de acordo com a gravidade do fato:         
I - na hipótese do art. 9°, perda dos bens ou valores acrescidos ilicita-
mente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver,
perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez
anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo
patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber
benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente,
ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majori-
tário, pelo prazo de dez anos;
II - na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos
bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta
circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos
de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor
do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber bene-
fícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda
que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário,
pelo prazo de cinco anos;
III - na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver,
perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco
anos, pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remunera-
ção percebida pelo agente e proibição de contratar com o Poder Público

56
ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou in-
diretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja
sócio majoritário, pelo prazo de três anos.
IV - na hipótese prevista no art. 10-A, perda da função pública, suspen-
são dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8 (oito) anos e multa civil de até
3 (três) vezes o valor do benefício financeiro ou tributário concedido. 
Parágrafo único. Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz levará
em conta a extensão do dano causado, assim como o proveito patrimo-
nial obtido pelo agente.

A hipótese citada configura ato de improbidade que causa prejuízo ao erário, ao qual
são aplicáveis as sanções previstas no inciso II do dispositivo legal em alusão, entre as quais se
inclui a perda de bens e valores e o ressarcimento integral do dano. Por outro lado, a suspensão
dos direitos políticos de oito a dez anos, e a multa civil correspondente ao triplo do acréscimo
patrimonial ilícito, são sanções pertinentes à prática de ato ímprobo que importa em enriqueci-
mento ilícito do agente público.

Alternativa B: Diante da prática de ato de improbidade que causa prejuízo ao erário,


são aplicáveis, isolada ou cumulativamente, as sanções de perda da função pública e ressarci-
mento integral do dano. Contudo, a proibição de contratar com o Poder Público ou receber be-
nefícios e incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de dez anos, constitui penalidade aplicável
pela prática de ato ímprobo que importa em enriquecimento ilícito do agente público.

Alternativa C: Com efeito, diante da prática de ato de improbidade que causa preju-
ízo ao erário, são aplicáveis, além do perdimento de bens e valores e da proibição de contratar
com o Poder Público ou receber benefícios e incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de cinco
anos, as penalidades de ressarcimento integral do dano, perda da função pública, suspensão
dos direitos políticos de cinco a oito anos, e multa civil correspondente ao dobro do valor do
dano.

Alternativa D: Como dito, diante da prática de ato de improbidade que causa prejuí-
zo ao erário, é aplicável, dentre outras sanções, a penalidade de perda de bens e valores acresci-
dos ilicitamente ao patrimônio do agente, se concorrer esta circunstância. Porém, a suspensão
dos direitos políticos de três a cinco anos e a proibição de contratar com o Poder Público ou re-
ceber benefícios e incentivos fiscais ou creditícios pelo prazo de três anos constitui penalidade
aplicável pela prática de ato ímprobo que atenta contra os princípios da Administração.

Alternativa E: Por fim, a perda da função pública e o ressarcimento integral do dano


são sanções aplicáveis pela prática de ato de improbidade que causa prejuízo ao erário. Por
outro lado, a multa civil correspondente à cem remunerações percebidas pelo agente público
no exercício da função constitui penalidade aplicável pela prática de ato ímprobo que atenta
contra os princípios da Administração.

57
81 – QUESTÃO:

De acordo com a sistemática processual pertinente às ações de improbidade, assinale a op-


ção correta de acordo com a jurisprudência do STJ.

a) A concessão de liminar em ação de improbidade pressupõe a oitiva prévia do represen-


tante judicial da pessoa jurídica de direito público interessada.
b) A indisponibilidade acarreta a apreensão e o depósito dos bens objeto da medida caute-
lar, independentemente do risco de dilapidação patrimonial.
c) O sequestro compreende somente os bens incorporados ao patrimônio do agente público
em virtude da prática do ato de improbidade.
d) Compete à Justiça Federal processar e julgar atos de improbidade relacionados ao desvio
de verbas do FUNDEB, independentemente de complementação da União.
e) A sentença que concluir pela carência ou improcedência da ação de improbidade está
sujeita ao reexame necessário previsto na Lei de Ação Popular.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A Lei 8429/92, em consonância com a garantia constitucional de efe-


tividade da jurisdição, prevê três espécies de medidas cautelares: 1) indisponibilidade de bens
(artigo 7º); 2) sequestro (artigo 16) e; 3) afastamento do agente público do exercício do cargo,
emprego ou função (artigo 20, parágrafo único).

Registre-se que as providências cautelares previstas na Lei 8429/92 admitem a con-


cessão de liminar inaudita altera parte, com fundamento no artigo 300, § 2º do Código de Pro-
cesso Civil, hipótese em que a medida será decretada antes mesmo do recebimento da petição
inicial.

Neste particular, importante consignar que a concessão de liminar em ação de im-


probidade independe da oitiva prévia do representante judicial da pessoa jurídica de direito
público interessada. Isso porque, esta espécie de demanda não é destinada a impugnar ato ad-
ministrativo de pessoa jurídica de direito público, mas sim atos praticados por agentes públicos
em detrimento do patrimônio da entidade lesada.

Alternativa B: Como o próprio nome sugere, a medida cautelar de indisponibilidade


de bens impede apenas a livre disposição dos bens pelo indiciado, através da prática de qual-
quer ato jurídico que implique transferência de domínio. Com feito, dispõe o artigo 7º da Lei
8429/92:

Art. 7º. Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio públi-

58
co ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrati-
va responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a
indisponibilidade dos bens do indiciado.
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste arti-
go recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano,
ou sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.

Ainda, de acordo com o entendimento do STJ, a indisponibilidade de bens constitui


espécie de tutela de evidência, de sorte que a decretação da medida pressupõe tão somente
fundados indícios da prática de ato de improbidade, dispensada, pois, a comprovação do peri-
culum in mora, presumido em razão da relevância do bem jurídico tutelado (REsp 1319515).

Alternativa C: Tal como as demais providências cautelares, o sequestro também visa


assegurar o integral ressarcimento do dano ou a restituição dos acréscimos patrimoniais ilícitos.
Tratando-se de medida cautelar típica deve recair, necessariamente, sobre coisa certa e determi-
nada e não sobre todo o patrimônio do agente. Nesse sentido, dispõe o artigo 16 da Lei 8429/92:

Art. 16. Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão re-


presentará ao Ministério Público ou à procuradoria do órgão para que
requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do
agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano
ao patrimônio público.
§ 1º O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto
nos arts. 822 e 825 do Código de Processo Civil.
§ 2° Quando for o caso, o pedido incluirá a investigação, o exame e o
bloqueio de bens, contas bancárias e aplicações financeiras mantidas
pelo indiciado no exterior, nos termos da lei e dos tratados internacio-
nais.
  
Portanto, ao contrário da medida de indisponibilidade, o sequestro compreende so-
mente os bens incorporados ao patrimônio do agente em virtude da prática do ato de impro-
bidade. Logo, os bens adquiridos em momento anterior não podem ser objeto de constrição
judicial.

Alternativa D: Considerando a sistemática do Fundo de Manutenção e Desenvolvi-


mento da Educação Básica e Valorização da Educação (FUNDEB), composto na maior parte por
recursos exclusivos dos Estados, Distrito Federal e Municípios e, excepcionalmente mediante
complementação com recursos federais, a definição do juízo competente depende, inicialmen-
te, da delimitação da natureza cível ou criminal da matéria.

Assim, compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes relacionados ao desvio


de recursos do FUNDEB, independentemente de complementação da União, que exerce fun-

59
ção supletiva e redistributiva em matéria educacional e tem interesse na universalização de um
padrão mínimo de qualidade do ensino (artigo 109, inciso IV da CF). Por outro lado, no âmbito
cível, compete à Justiça Federal processar e julgar atos de improbidade relacionados ao desvio
de verbas do FUNDEB somente quando houver complementação da União, o que justifica a
intervenção do ente federal no processo (artigo 109, inciso I da CF). Nos demais casos, portanto,
a competência será da Justiça Estadual. Este é o atual entendimento do STF, exarado no julga-
mento da Ação Civil Originária 1109.

Alternativa E: A Lei de Ação Popular contém disposição específica acerca do reexame


necessário da sentença que concluir pela carência ou improcedência da demanda. Nesse senti-
do dispõe o artigo 19 da Lei 4717/65:

Art. 19. A sentença que concluir pela carência ou pela improcedência


da ação está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito
senão depois de confirmada pelo tribunal; da que julgar a ação proce-
dente caberá apelação, com efeito suspensivo.

Porém, de acordo com o entendimento do STJ, a remessa necessária prevista na Lei


de Ação Popular não se aplica ao procedimento especial disciplinado pela Lei 8429/92, pois tra-
ta-se de norma de exceção que não comporta interpretação extensiva (REsp 1220667).

82 – QUESTÃO:

Considere a seguinte situação hipotética: João Paulo foi eleito Prefeito do Município “X”,
nas eleições de 2012 e reeleito para o mesmo cargo no ano de 2016. No curso do primeiro
mandato, o Ministério Público instaurou inquérito civil para apurar supostas irregularidades
praticadas em concurso público realizado no ano de 2012 para a contratação de professores
municipais. Concluídas as diligências investigatórias neste ano, a ação de improbidade, con-
forme o entendimento do STJ:

a) Deve ser ajuizada no prazo de cinco anos, contados da prática do ato de improbidade.
b) Deve ser ajuizada no prazo de cinco anos, contados do término do primeiro mandato.
c) Deve ser ajuizada no prazo de cinco anos, contados do término do segundo mandato.
d) Está prescrita.
e) É imprescritível.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: No tocante ao prazo prescricional da ação de improbidade, dispõe o


artigo 23 da Lei 8429/92:

60
Art. 23. As ações destinadas a levar a efeitos as sanções previstas nesta
lei podem ser propostas:
I - até cinco anos após o término do exercício de mandato, de cargo em
comissão ou de função de confiança;
II - dentro do prazo prescricional previsto em lei específica para faltas
disciplinares puníveis com demissão a bem do serviço público, nos ca-
sos de exercício de cargo efetivo ou emprego;
III - até cinco anos da data da apresentação à administração pública da
prestação de contas final pelas entidades referidas no parágrafo único
do art. 1o desta Lei.       

Note-se que, nos dois primeiros incisos do dispositivo legal em análise, a individuali-
zação do lapso prescricional está associada à natureza do vínculo mantido pelo agente público
com o sujeito passivo em potencial. Assim, tratando-se de vínculo temporário o prazo é conta-
do a partir da sua dissolução. Por outro lado, no caso de vínculo permanente, o legislador faz
remissão ao prazo previsto em leis específicas para faltas disciplinares puníveis com demissão a
bem do serviço público. Conclui-se, pois, que a data em que praticado o ato de improbidade é
irrelevante para fins de contagem da prescrição.

Alternativa B: Conforme analisado na assertiva anterior, a ação de improbidade deve


ser ajuizada no prazo de 5 (cinco) anos, após o término do mandato eletivo ou da dissolução de
vínculo decorrente de cargo em comissão ou função de confiança. Nesse contexto, de acordo
com o entendimento do STJ, na hipótese de reeleição, o prazo prescricional é contado somente
a partir do término do segundo mandato. Isso porque, a reeleição constitui fator de continuida-
de da gestão administrativa, ou seja, o vínculo com a Administração, no aspecto material, não
se desfaz (AgRg no AREsp 161420).

Alternativa C: Como dito, segundo o STJ, na hipótese de reeleição, o prazo prescricio-


nal é contado somente a partir do término do segundo mandato. No caso narrado o prefeito foi
eleito nas eleições de 2012 e reeleito para o mesmo cargo no ano de 2016. Portanto, diante do
exercício de dois mandatos sucessivos, que caracteriza a continuidade do vínculo mantido com
a Administração, o prazo quinquenal para o ajuizamento da ação de improbidade terá início
somente no final do ano de 2020 ou seja, quando extinto o segundo mandato.

Alternativa D: Ante o exposto nas assertivas anteriores, denota-se que a ação de im-
probidade não está prescrita. Isso porque, no curso do primeiro mandato, o Ministério Público
instaurou inquérito civil para apurar supostas irregularidades praticadas em concurso público
realizado no ano de 2012 para a contratação de professores municipais. Tais diligências foram
concluídas neste ano, ou seja, após o final do primeiro mandato, mas no primeiro ano do segun-
do mandato, cujo término é considerado para fins de contagem do prazo prescricional.

Alternativa E: A aplicação das sanções previstas no artigo 12 da Lei 8429/92 pres-

61
creve se a ação de improbidade não for ajuizada no prazo previsto no citado artigo 23, indivi-
dualizado conforme a natureza do vínculo mantido pelo agente público com o sujeito passivo
em potencial. Contudo, por força do disposto no artigo 37, § 5º da Constituição, a pretensão
de ressarcimento ao erário é imprescritível. Portanto, somente a reparação de eventuais danos
causados ao erário em virtude do ato ímprobo narrado pode ser postulada a qualquer tempo
pela Administração.

83 – QUESTÃO:

Tendo em vista os conceitos jurídicos de consumidor e fornecedor, assinale a opção correta,


considerando, inclusive a jurisprudência do STJ sobre o tema.

a) O profissional freteiro, adquirente de caminhão zero quilômetro, que assevera conter de-
feito, poderá ser considerado consumidor, se caracterizada alguma espécie de vulnerabili-
dade frente ao fornecedor.
b) Para fins de responsabilidade por vício do produto ou serviço, equiparam-se aos consu-
midores todas as vítimas do evento, tal como o proprietário cuja residência é atingida por
aeronave que realizava serviço de transporte para um destinatário final.
c) O conceito jurídico de fornecedor não abrange os entes despersonalizados, de sorte que a
ausência de personalidade jurídica constitui óbice para a incidência da legislação consume-
rista e eventual responsabilização pelos danos causados aos consumidores.
d) A Companhia Paulista de Força e Luz, concessionária de energia elétrica do Estado, não
se enquadra no conceito legal de fornecedor previsto no Código de Defesa do Consumidor,
porquanto submetida ao regime jurídico de direito privado.
e) As relações contratuais estabelecidas entre as entidades de previdência complementar
fechadas e seus participantes ou associados caracterizam genuína relação de consumo e
atraem a incidência do Código de Defesa do Consumidor.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Acerca do conceito de consumidor, o legislador adotou a teoria finalis-


ta, conforme se extrai do artigo 2º, caput do Código de Defesa do Consumidor (CDC):

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utili-


za produto ou serviço como destinatário final.

Ou seja, para ser considerado consumidor, o adquirente do produto ou serviço deve


ser identificado como o destinatário fático do bem, retirando-o da cadeia de produção, e eco-
nômico, utilizando-o para satisfazer necessidade pessoal ou familiar.

62
O STJ também adotou o conceito finalista de consumidor, mas tem reconhecido a
necessidade de relativizá-lo para abranger a pessoa física ou jurídica que, embora não seja des-
tinatária fática e econômica do bem ou serviço, pode ser considerada consumidora em razão
de apresentar alguma espécie de vulnerabilidade frente ao fornecedor. Nesse sentido, vejamos
interessante precedente:

“Consumidor é a pessoa física ou jurídica que adquire produto como


destinatário final econômico, usufruindo do produto ou do serviço em
benefício próprio. Excepcionalmente, o profissional freteiro, adquiren-
te de caminhão zero quilômetro, que assevera conter defeito, também
poderá ser considerado consumidor, quando a vulnerabilidade estiver
caracterizada por alguma hipossuficiência quer fática, técnica ou jurídi-
ca” (REsp 1080719).

Portanto, a teoria finalista mitigada não deixa de perquirir acerca do uso profissional
do produto ou serviço; apenas, excepcionalmente, à vista da vulnerabilidade concreta do ad-
quirente, passa a considerá-lo consumidor, embora não seja destinatário econômico do bem.

Alternativa B: Além do conceito extraído do artigo 2º do CDC, considera-se consu-


midor, para fins de responsabilidade por fato do produto ou serviço, todas as vítimas do evento
(artigo 17 do CDC). A finalidade do legislador ao promover a presente equiparação, consiste em
ampliar a incidência das normas protetivas do CDC para toda e qualquer vítima de acidente de
consumo, causado por produto ou serviço defeituoso.

Em interessante precedente relacionado à responsabilidade pelo fato do serviço de


transporte aéreo, decidiu o STJ:

“Resta caracterizada relação de consumo se a aeronave que caiu sobre


a casa das vítimas realizava serviço de transporte de malotes para um
destinatário final, ainda que pessoa jurídica, uma vez que o artigo 2º do
Código de Defesa do Consumidor não faz tal distinção, definindo como
consumidor, para os fins protetivos da lei, “...toda pessoa física ou jurí-
dica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”.
Em decorrência, pela aplicação conjugada com o artigo 17 do mesmo
diploma legal, cabível, por equiparação, o enquadramento do autor,
atingido em terra, no conceito de consumidor (REsp 540235).

Portanto, na situação narrada, o proprietário cuja residência é atingida por aeronave


que realizava serviço de transporte para um destinatário final é vitima de acidente de consumo,
relacionado à responsabilidade pelo fato do serviço prestado no mercado de consumo.

Alternativa C: De acordo com o conceito extraído do artigo 3º, caput do CDC, forne-

63
cedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os
entes despersonalizados, que exercem atividade profissional consistente no fornecimento de
produto ou serviço no mercado de consumo.

Por atividade profissional entende-se aquela desenvolvida de forma habitual, reves-


tida de especialidade, visando à obtenção de determinada vantagem econômica. Ainda, so-
mente será considerado fornecedor aquele que exerce atividade profissional consistente no
fornecimento de produto ou serviço no mercado de consumo, assim denominado, nas palavras
de Bruno Miragem:

“o espaço ideal e não institucional, onde se desenvolvem as atividades


de troca de produtos e serviços avaliáveis economicamente, mediante
oferta irrestrita aos interessados e visando por um lado, a obtenção de
vantagens econômicas (por parte dos fornecedores),e por outro a sa-
tisfação de necessidades pela aquisição ou utilização desses produtos
ou serviços (por parte dos consumidores” (Direito do Consumidor, São
Paulo, Revista dos Tribunais, p. 94-95).

Nota-se, pois, que a definição apresentada pelo legislador é demasiadamente ampla


e abrange, inclusive, os entes despersonalizados (tais como o espólio, a massa falida, o “came-
lô”), de sorte que a ausência de personalidade jurídica não constitui óbice para a incidência da
legislação consumerista e eventual responsabilização pelos danos causados aos consumidores.

Alternativa D: De acordo com o conceito extraído do artigo 3º, §§ 1º e 2º do CDC,


produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial, e serviço qualquer atividade
fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária,
financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista (arti-
go 3º, §§ 1º e 2º do CDC).

A partir de tais conceitos, e, ainda, considerando que a racionalização e melhoria dos


serviços públicos insere-se no rol dos princípios da Política Nacional das Relações de Consumo
(artigo 4º, inciso VII do CDC), bem como que constitui direito básico do consumidor a sua ade-
quada e eficaz prestação (artigo 6º, inciso X do CDC), conclui-se que os serviços públicos estão
sujeitos à disciplina consumerista.

A divergência doutrinária reside no tocante às espécies de serviços públicos discipli-


nados pelas normas de proteção ao consumidor, destacando-se dois entendimentos, um mais
amplo e outro mais restrito, conforme a natureza da remuneração. Vejamos: para a primeira cor-
rente, estão sujeitos ao CDC os serviços públicos remunerados por meio de taxa ou tarifa; por
outro lado, a segunda corrente sustenta que somente os serviços públicos específicos e divisí-
veis, remunerados por meio de tarifa ou preço público são submetidos à legislação consumeris-
ta, tendo em vista que, quando remunerados através de taxa, o consumidor não tem liberdade

64
de escolha, caracterizando-se uma relação jurídica de natureza administrativo-tributária.

Portanto, considerando quaisquer dos dois entendimentos expostos acima, é certo


que a Companhia Paulista de Força e Luz, empresa concessionária de energia elétrica do Esta-
do, se enquadra no conceito legal de fornecedor previsto no Código de Defesa do Consumidor,
enquanto pessoa jurídica privada prestadora de serviço público remunerado por meio de tarifa
ou preço público.

Alternativa E: A partir do conceito extraído do artigo 3º, § 2º do CDC, a prestação de


serviços financeiros caracteriza relação de consumo e atrai a incidência da legislação consume-
rista.

Especialmente no tocante às entidades de previdência privada complementar, em-


bora ambas exerçam atividade econômica, somente as abertas operam em regime de mercado
e tem a possibilidade de auferir lucro das contribuições vertidas pelos participantes. Por outro
lado, as entidades fechadas, por força de lei, são constituídas sob a forma de fundação ou socie-
dade simples, sem fins lucrativos.

Nesse contexto, dispõe o enunciado da súmula 563 do STJ:

O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades abertas de


previdência complementar, não incidindo nos contratos previdenciá-
rios celebrados com entidades fechadas.

Logo, somente as relações contratuais estabelecidas entre as entidades de previdên-


cia complementar abertas e seus participantes ou associados caracterizam genuína relação de
consumo e atraem a incidência do Código de Defesa do Consumidor.

84 – QUESTÃO:

Considerando as normas relativas à responsabilidade por fato e vício do produto ou serviço,


assinale a opção correta de acordo com a jurisprudência do STJ.

a) As causas excludentes da responsabilidade do fornecedor pelo fato do produto ou serviço


defeituoso constituem hipótese de inversão do ônus da prova em favor do consumidor, a
critério do juiz.
b) A prescrição está associada à responsabilidade por vício do produto ou serviço, cuja repa-
ração deve ser postulada no prazo de 5 (cinco anos), contados do conhecimento da autoria.
c) Configura dano moral in re ipsa a simples inclusão de cobrança indevida na fatura de car-
tão de crédito utilizado pelo consumidor, exceto se comprovada a culpa exclusiva do corren-
tista.
d) O banco postal, assim denominada a prestação de serviços bancários por agências dos

65
Correios, responde por furto ou roubo praticado no interior do seu estabelecimento, pois
trata-se de fortuito interno.
e) Tratando-se de cirurgia plástica estética e reparadora, o médico responde objetivamente
por eventuais danos causados ao paciente, pois, ao ser contratado, assume obrigação de
resultado.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A responsabilidade pelo fato do produto ou serviço decorre dos danos


causados ao consumidor em virtude de defeito (falha de segurança) do bem. Em outras palavras,
o prejuízo material, moral ou estético suportado pelo consumidor não está circunscrito ao bem
defeituoso, ao contrário, decorre de um evento externo denominado acidente de consumo.

Consoante o disposto no artigo 12 do CDC, trata-se de responsabilidade objetiva, eis


que o dever de indenizar prescinde da comprovação de culpa. Porém, o CDC não adotou a te-
oria do risco integral, eis que o fornecedor pode alegar em seu favor: a) que não colocou o pro-
duto ou serviço no mercado; b) que, embora haja colocado o produto ou serviço no mercado,
o defeito inexiste ou; c) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro (artigo 12, § 3º do CDC).

Nota-se, pois, que as causas excludentes da responsabilidade do fornecedor pelo fato


do produto ou serviço defeituoso constituem hipótese de inversão legal do ônus da prova em
favor do consumidor, que não tem o dever de comprovar a origem do defeito, mas tão somente
a relação de causa e efeito entre a ação do fornecedor e o dano causado.

Alternativa B: A prescrição está associada à responsabilidade por fato do produto


ou serviço, decorrente de um evento externo denominado acidente de consumo. A propósito,
dispõe o artigo 27 do CDC:

Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos


causados por fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste
Capítulo, iniciando-se a contagem do prazo a partir do conhecimento
do dano e de sua autoria.

Portanto, o consumidor dispõe do prazo de 5 (cinco anos) para ajuizar a ação de repa-
ração dos danos causados pelo produto ou serviço defeituoso, sob pena de extinção da preten-
são, por força da prescrição. Quanto ao termo inicial, o legislador adotou a teoria da actio nata,
de sorte que o início do prazo prescricional é contemporâneo ao conhecimento do dano e de
sua autoria.

Alternativa C: As instituições financeiras tem o dever contratual de gerir com segu-

66
rança a movimentação bancária dos seus clientes, motivo pelo qual respondem objetivamente
pelos danos decorrentes de serviço defeituoso, exceto se comprovada a culpa exclusiva do cor-
rentista (artigo 14 do CDC). Nesse sentido, confira-se o enunciado da súmula 479 do STJ:

As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos ge-


rados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por
terceiros no âmbito de operações bancárias.

Portanto, a inclusão de cobrança indevida em fatura de cartão de crédito utilizado


pelo consumidor, a depender das circunstâncias fáticas, configura dano moral passível de in-
denização. Todavia, neste caso, consoante o entendimento do STJ, a existência do dano extra-
patrimonial não é presumida, de sorte que o consumidor deve comprovar que a operadora do
cartão de crédito, além de ter incluído a cobrança indevida na fatura, praticou outras condutas
que configuram dano moral, tais como: a) a reiteração da cobrança indevida; b) a inscrição do
cliente em cadastro de inadimplentes; c) o protesto da dívida; d) a publicidade negativa do
nome do suposto devedor; ou e) a cobrança vexatória que submeta o consumidor à ameaça,
coação ou constrangimento.

Com efeito, a banalização do dano moral, em caso de mera cobrança indevida, sem
repercussão em direito da personalidade, aumentaria o custo da atividade econômica que, em
última análise, seria repassado para o próprio consumidor. Por outro lado, a indenização por
dano extrapatrimonial devidamente caracterizado, tem o efeito benéfico de estimular boas prá-
ticas pelas instituições financeiras (REsp 1550509).

Alternativa D: O banco postal, assim denominada a prestação de serviços bancários


por agências dos Correios, não tem o dever de adotar medidas de segurança específicas previs-
tas na Lei 7102/83, porque não exerce atividade-fim e primária de instituição financeira.

Todavia, de acordo com o entendimento exarado pelo STJ no julgamento do REsp.


1183121, ao assumir o encargo de prestar essa espécie de serviço, as agências dos Correios atra-
em a incidência do Código de Defesa do Consumidor e das normas que disciplinam a respon-
sabilidade das instituições financeiras, motivo pelo qual respondem objetivamente por furto
ou roubo praticados no interior do seu estabelecimento, porquanto trata-se de risco inerente à
atividade desenvolvida (artigo 37, parágrafo 6º da CF e artigo 14 do CDC).

Alternativa E: Consoante o disposto no artigo 14, § 4º do CDC, a responsabilidade


pessoal dos profissionais liberais por fato do serviço é subjetiva, ou seja, será apurada mediante
a verificação de culpa.

Em regra, o médico assume obrigação de meio, de forma que o dever de indenizar


pressupõe a comprovação de que o profissional contratado não empregou todas as técnicas
necessárias para atingir o resultado proposto. Porém, no caso de cirurgia plástica meramente

67
estética, o médico assume obrigação de resultado e, apesar de subjetiva a responsabilidade, a
sua culpa é presumida (REsp 236708). Por outro lado, tratando-se de cirurgia plástica estética e
reparadora, a responsabilidade do médico deve ser analisada de forma fracionada, conforme a
finalidade da intervenção (REsp 1097955).

85 – QUESTÃO:

Considere a seguinte situação hipotética: João contratou plano coletivo de assistência à saú-
de, por intermédio de associação representativa da categoria profissional a que pertence,
em regime de coparticipação. Após sofrer um grave acidente automobilístico, foi submetido
à uma cirurgia de emergência e, nesse contexto, João foi informado acerca da limitação con-
tratual referente ao valor do tratamento e ao tempo de internação, bem como da negativa
da operadora em custear o serviço de home care, indicado pelo médico em substituição à
internação hospitalar. Nesse contexto, assinale a opção correta, de acordo com a jurispru-
dência do STJ.

a) É vedada a contratação de plano privado de assistência à saúde em regime de copartici-


pação.
b) Não são abusivas as cláusulas contratuais que limitam a responsabilidade da operadora
quanto ao valor do tratamento e ao tempo de internação do segurado.
c) João não tem legitimidade para ajuizar ação individual contra a operadora pretendendo
discutir a validade das cláusulas contratuais.
d) A operadora é obrigada a custear o serviço de home care, indicado pelo médico em subs-
tituição à internação hospitalar, independentemente de previsão contratual nesse sentido.
e) A negativa de cobertura securitária não gera danos morais passíveis de indenização, pois
constitui mero aborrecimento, inerente à própria relação negocial.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Consoante o entendimento do STJ, é admitida a contratação de plano


privado de assistência à saúde na modalidade de coparticipação do usuário nas despesas
médico-hospitalares em percentual sobre o custo do tratamento realizado, desde que não
caracterize financiamento integral do procedimento por parte do segurado.

Com efeito, o pagamento de parcela do custo pelo usuário importa em diminuição


do risco assumido pela operadora e, por conseguinte, a redução do valor da mensalidade. Além
disso, constitui importante fator de estímulo à prudência na utilização dos serviços médicos
objeto da contratação (REsp 1566062).

Alternativa B: As cláusulas que impõem limitações ao valor do tratamento afastam a

68
responsabilidade da seguradora em relação ao objeto nuclear da contratação, qual seja a prote-
ção da saúde do consumidor. Além disso, representam violação ao princípio da boa-fé objetiva,
tendo em vista a justa expectativa do segurado de que os procedimentos cobertos pelo plano
serão custeados integralmente pela operadora.

No mesmo sentido dispõe a súmula 302 do STJ em relação ao tempo de internação


do segurado. Vejamos:

É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo


a internação hospitalar do segurado.

Portanto, são abusivas as cláusulas contratuais que limitam a responsabilidade da


operadora quanto ao valor do tratamento e ao tempo de internação do segurado.

Alternativa C: João, enquanto usuário de plano de saúde coletivo tem legitimidade


ativa para ajuizar ação individual contra a operadora pretendendo discutir a validade de cláusu-
las contratuais. Isso porque, de acordo com o entendimento do STJ, a relação jurídica de direito
material configura estipulação em favor de terceiro, de sorte que o vínculo contratual é estabe-
lecido entre a operadora e o grupo de usuários. No caso, a estipulante figura apenas como man-
datária dos usuários, e não como representante da operadora. Logo, tanto a estipulante, quanto
o beneficiário podem exigir o cumprimento da obrigação, nos termos do artigo 436, parágrafo
único do Código Civil (REsp 1510697).

Alternativa D: Com efeito, a operadora é obrigada a custear serviço de home care


(tratamento domiciliar) em substituição à internação hospitalar, independentemente de pre-
visão contratual nesse sentido, desde que observados os seguintes requisitos, extraídos da ju-
risprudência do STJ: a) indicação médica dessa espécie de tratamento; b) real necessidade do
atendimento domiciliar; c) residência que possui condições estruturais para o tratamento do-
miciliar; d) solicitação da família do paciente; e) concordância do paciente; f ) manutenção do
equilíbrio contratual (REsp 1378707).

Alternativa E: Em regra, o inadimplemento contratual não gera danos morais, pois


trata-se de mero aborrecimento, previsível em toda relação negocial. Todavia, a recusa de co-
bertura securitária pelo plano de saúde agrava a situação de aflição psicológica do segurado
que já se encontra em condição de dor, com a saúde debilitada, razão pela qual a negativa da
operadora resulta no dever de indenizar os danos extrapatrimoniais sofridos pelo segurado.

86 – QUESTÃO:

Considerando o sistema legal de proteção das pessoas portadoras de deficiência, assinale a


opção correta.

69
a) É nulo o casamento contraído por pessoa portadora de deficiência mental sem o necessá-
rio discernimento para a prática dos atos da vida civil.
b) A validade dos atos praticados por pessoa com deficiência está condicionada à adoção do
processo de tomada de decisão apoiada.
c) Nos programas habitacionais públicos ou subsidiados com recursos públicos, devem ser
reservadas, no mínimo, 3% (três por cento) das unidades habitacionais para moradia própria
de pessoa com deficiência.
d) O funcionário público que obstar o acesso de alguém a qualquer cargo ou emprego públi-
co, em razão de sua deficiência, responde pelo delito de prevaricação tipificado no Código
Penal.
e) Das sentenças e decisões proferidas contra o autor de demanda destinada à proteção dos
direitos das pessoas portadoras de deficiência, somente poderá recorrer o Ministério Públi-
co, na qualidade de parte ou fiscal da ordem jurídica.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O Estatuto da Pessoa com Deficiência representa um conjunto de


ações afirmativas destinadas a promover, em condições de igualdade, o exercício de direitos e
liberdades fundamentais inerentes ao núcleo consubstanciador do mínimo existencial, visando
à inclusão social das pessoas portadoras de deficiência.

Nesse contexto de valorização da dignidade humana, com a edição da Lei 13146/15,


a pessoa portadora de deficiência não é mais considerada absoluta ou relativamente incapaz.
Por tal razão, o artigo 1548, inciso I do Código Civil foi revogado, de sorte que o casamento
contraído por pessoa portadora de enfermidade mental sem o necessário discernimento para a
prática dos atos da vida civil, não é passível de nulidade exclusivamente por esta razão.

Alternativa B: o Estatuto da Pessoa com Deficiência, também promoveu alterações


relevantes no Código Civil. Nesse sentido, destaca-se a inserção do artigo 1783-A que disciplina
a tomada de decisão apoiada, assim denominado o processo pelo qual o deficiente elege ao
menos duas pessoas idôneas, de sua confiança, para lhe auxiliar na prática dos atos da vida civil.

Trata-se, pois, de instituto destinado a promover capacidade plena da pessoa porta-


dora de deficiência que, após a edição da Lei nº 13146/15, não é mais considerada absoluta ou
relativamente incapaz. Logo, a adoção do processo de tomada de decisão apoiada é facultativa
e não vincula a validade dos atos praticados pessoalmente pelo deficiente.

Alternativa C: A fim de conferir efetividade ao direito constitucional à moradia, dis-


põe o artigo 32 do Estatuto da Pessoa com Deficiência:

70
Art. 32.  Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com re-
cursos públicos, a pessoa com deficiência ou o seu responsável goza de
prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria, observado o
seguinte:
I - reserva de, no mínimo, 3% (três por cento) das unidades habitacio-
nais para pessoa com deficiência.

Trata-se de disposição legal semelhante àquela constante do artigo 38, inciso I do


Estatuto do Idoso, destinada a recompor o próprio sentido de igualdade e garantir o acesso dos
grupos vulneráveis aos direitos fundamentais básicos.

Alternativa D: Incorre no delito de prevaricação, o agente público que retardar ou


deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição legal expressa,
para satisfazer interesse ou sentimento pessoal (artigo 319 do CP).

Todavia, o funcionário público que obstar o acesso de alguém a qualquer cargo ou


emprego público, em razão de sua deficiência, pratica crime específico tipificado no artigo 8º,
inciso II da Lei 7853/89, apenado com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa. Trata-se,
pois, de norma especial que prevalece sobre a legislação penal geral, por força do princípio da
especialidade.

Alternativa E: Nos termos do artigo 3º da Lei 7853/89, o Ministério Público, a Defen-


soria Pública, as associações regularmente constituídas e as entidades da Administração direta
e indireta detém legitimidade para promover medidas judiciais destinadas à proteção dos inte-
resses das pessoas portadoras de deficiência.

Por essa razão, das sentenças e decisões proferidas contra o autor de demanda desti-
nada à proteção dos direitos das pessoas com deficiência, poderá recorrer qualquer legitimado
ativo, inclusive o Ministério Público, na qualidade de parte ou fiscal da ordem jurídica (artigo 2º
da Lei 7853/89).

71
DIREITOS HUMANOS
PROF. TALLITA SAMPAIO

87 – QUESTÃO:

De acordo com a Lei dos Portadores de Transtornos Mentais (Lei 10.261), assinale a alterna-
tiva correta:

a) Internação psiquiátrica compulsória é aquela que se dá sem o consentimento do usuário


e a pedido de terceiros.
b) A internação psiquiátrica involuntária deverá, no prazo de setenta e duas horas, ser comu-
nicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual
tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta.
c) Evasão, transferência, acidente, intercorrência clínica grave e falecimento serão comuni-
cados pela direção do estabelecimento de saúde mental aos familiares, ou ao representante
legal do paciente, bem como ao Membro do Ministério Público, no prazo máximo de vinte e
quatro horas da data da ocorrência,
d) O término da internação involuntária só se dá por determinação do médico assistente.
e) O tratamento visará, como finalidade provisória, a reinserção social do paciente em seu
meio.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

É importante conhecer a letra da Lei 10.261.

Alternativa A: Cuidado para não confundir os tipos de Internação psiquiátrica:

Art. 6o A internação psiquiátrica somente será realizada mediante laudo


médico circunstanciado que caracterize os seus motivos.
Parágrafo único. São considerados os seguintes tipos de internação psi-
quiátrica:
I - internação voluntária: aquela que se dá com o consentimento do usu-
ário;
II - internação involuntária: aquela que se dá sem o consentimento do
usuário e a pedido de terceiro; e
III - internação compulsória: aquela determinada pela Justiça.

A internação psiquiátrica compulsória, portanto, é aquela determinada pela Justiça.

72
Alternativa B: Alternativa correta, pois está em conformidade com o Art. 8, parág. 1
da Lei:

Art. 8, parágrafo 1: A internação psiquiátrica involuntária deverá, no


prazo de setenta e duas horas, ser comunicada ao Ministério Público
Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha
ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da
respectiva alta.

Alternativa C: Nos termos do art. 10 da Lei, a Evasão, transferência, acidente, inter-


corrência clínica grave e falecimento serão comunicados pela direção do estabelecimento de
saúde mental aos familiares, ou ao representante legal do paciente, bem como à autoridade
sanitária responsável, no prazo máximo de vinte e quatro horas da data da ocorrência, não ha-
vendo a obrigação de comunicar ao Membro do Ministério Público, como trouxe a alternativa.

Alternativa D: Nos termos do Art. 8, § 2o da Lei:

Art. 8, parágrafo 2o: O término da internação involuntária dar-se-á por


solicitação escrita do familiar, ou responsável legal, ou quando estabe-
lecido pelo especialista responsável pelo tratamento.

Alternativa E: Alternativa incorreta, pois está em desconformidade com o art. 4, pa-


rág. 1 da Lei:

§ 1o O tratamento visará, como finalidade permanente, a reinserção so-


cial do paciente em seu meio

88 – QUESTÃO:

Sobre o Estatuto da Igualdade Racial, assinale a alternativa correta:

a) Considera-se discriminação racial toda situação injustificada de diferenciação de acesso e


fruição de bens, serviços e oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça,
cor, descendência ou origem nacional ou étnica.
b) Considera-se desigualdade racial toda distinção, exclusão, restrição ou preferência base-
ada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular
ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de direitos
humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou em
qualquer outro campo da vida pública ou privada.
c) Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras
é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.
d) O direito à moradia adequada não inclui a infraestrutura urbana e dos equipamentos co-

73
munitários associados à função habitacional, bem como a assistência técnica e jurídica para
a construção, a reforma ou a regularização fundiária da habitação em área urbana.
e) Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, é
facultativo o estudo da história geral da África e da história da população negra no Brasil.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Cuidado para não confundir os conceitos de discriminação racial e de-


sigualdade racial:

Art. 1, parág único, II: Considera-se DESIGUALDADE racial toda situação


injustificada de diferenciação de acesso e fruição de bens, serviços e
oportunidades, nas esferas pública e privada, em virtude de raça, cor,
descendência ou origem nacional ou étnica.

Alternativa B: Cuidado para não confundir os conceitos de discriminação racial e de-


sigualdade racial

Art. 1, parág. Único, I: Considera-se discriminação racial toda distinção,


exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência
ou origem nacional ou étnica que tenha por objeto anular ou restringir
o reconhecimento, gozo ou exercício, em igualdade de condições, de
direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, eco-
nômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública ou
privada.

Alternativa C: Correta, pois está em conformidade com o art. 31 da Lei 12288:

Art. 31.  Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que este-
jam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, de-
vendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.

Alternativa D: Nos termos do art. 35 da Lei 12288, o direito à moradia adequada in-
clui a infraestrutura urbana e dos equipamentos comunitários associados à função habitacional,
bem como a assistência técnica e jurídica para a construção, a reforma ou a regularização fundi-
ária da habitação em área urbana:

Art. 35.  O poder público garantirá a implementação de políticas públi-


cas para assegurar o direito à moradia adequada da população negra
que vive em favelas, cortiços, áreas urbanas subutilizadas, degradadas

74
ou em processo de degradação, a fim de reintegrá-las à dinâmica urba-
na e promover melhorias no ambiente e na qualidade de vida.
Parágrafo único.  O direito à moradia adequada, para os efeitos desta
Lei, inclui não apenas o provimento habitacional, mas também a ga-
rantia da infraestrutura urbana e dos equipamentos comunitários asso-
ciados à função habitacional, bem como a assistência técnica e jurídica
para a construção, a reforma ou a regularização fundiária da habitação
em área urbana.

Alternativa E: O estudo da História Geral da África e da história da população negra é


obrigatório, e não facultativo, como disse a alternativa.

Art. 11.  Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino mé-


dio, públicos e privados, é obrigatório o estudo da história geral da Áfri-
ca e da história da população negra no Brasil, observado o disposto na
Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

89 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta:

a) É proibida a participação direta ou indireta, inclusive controle, de empresas ou de capital


estrangeiro na assistência à saúde.
b) Não será permitida a destinação de subvenções e auxílios a instituições prestadoras de
serviços de saúde com finalidade lucrativa.
c) Um dos princípios do SUS é a descentralização político-administrativa, com direção única
em cada esfera de governo.
d) Está incluída no campo de atuação do SUS a colaboração na proteção do meio ambiente,
nele compreendido o do trabalho.
e) A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter com-
plementar.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Em alguns casos a lei admite a participação direta ou indireta, inclusive


controle, de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde, nos termos do art. 23 da
Lei 8080:

Art. 23.  É permitida a participação direta ou indireta, inclusive controle,


de empresas ou de capital estrangeiro na assistência à saúde nos se-

75
guintes casos
I - doações de organismos internacionais vinculados à Organização das
Nações Unidas, de entidades de cooperação técnica e de financiamento
e empréstimos;       
II - pessoas jurídicas destinadas a instalar, operacionalizar ou explorar:
a) hospital geral, inclusive filantrópico, hospital especializado, policlíni-
ca, clínica geral e clínica especializada; e      
b) ações e pesquisas de planejamento familiar;      
III - serviços de saúde mantidos, sem finalidade lucrativa, por empresas,
para atendimento de seus empregados e dependentes, sem qualquer
ônus para a seguridade social; e    
IV - demais casos previstos em legislação específica.

Alternativa B: Alternativa correta, conforme o Art. 38 da Lei 8080.

Alternativa C: Alternativa correta, conforme o Art. 7, inciso IX da Lei 8080;

Art. 7º As ações e serviços públicos de saúde e os serviços privados con-


tratados ou conveniados que integram o Sistema Único de Saúde (SUS),
são desenvolvidos de acordo com as diretrizes previstas no art. 198 da
Constituição Federal, obedecendo ainda aos seguintes princípios:
IX - descentralização político-administrativa, com direção única em
cada esfera de governo:
a) ênfase na descentralização dos serviços para os municípios;
b) regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde

Alternativa D: Alternativa correta, conforme o Art. 6, V da Lei 8080;

Alternativa E: Alternativa correta, pois em conformidade com o art. 4, parág. 2 da Lei


8080:

Art. 4 § 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de


Saúde (SUS), em caráter complementar.

90 – QUESTÃO:

Assinale a alternativa incorreta sobre a Comissão Interamericana de Direitos Humanos:

a) A Comissão, como órgão da CADH, pode receber tanto petições individuais quanto de-
núncias interestatais sobre violações aos DH.
b) A denúncia à Comissão pode ser formulada por qualquer pessoa ou entidade.
c) Para que uma petição seja admitida pela Comissão, é necessário que hajam sido interpos-

76
tos e esgotados os recursos da jurisdição interna.
d) Admite-se denúncia anônima.
e) Para que uma petição seja admitida pela Comissão, é necessário que a petição seja apre-
sentada no prazo máximo de 6 meses a partir da data da notificação definitiva interna sobre
a violação.

RESPOSTA: ALTERNATIVA D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A Comissão, como órgão da CADH, pode receber tanto petições indivi-
duais quanto denúncias interestatais sobre violações aos DH. Para que a Comissão possua rece-
ber petições individuais contra determinado Estado é necessário que ele não tenha ressalvado
essa possibilidade quando da ratificação da Convenção. Portanto, o processamento individual
sobre violações aos DH é facultativo, sendo obrigatórios apenas os resultantes de comunica-
ções interestatais.

Alternativa B: De fato, a denúncia pode ser formulada por qualquer pessoa ou enti-
dade, ou seja, não só a vitima da violação dos DH possui legitimidade para acionar a Comissão,
não sendo necessário sequer sua aquiescência da denúncia.

Alternativa C: O art. 46 da CADH traz os requisitos para o recebimento de petições


individuais pela Comissão, e dentre eles está o esgotamento dos recursos de jurisdição interna.
Desta forma, a alternativa está correta.

Alternativa D: O art. 46 da CADH exige que a petição contenha nome, nacionalidade,


profissão, domicílio e assinatura da pessoa que submeter a petição. Sendo assim, essa é a alter-
nativa incorreta, uma vez que não se admite denúncia anônima.

Alternativa E: Resposta correta. Este é mais um requisito para que a Comissão receba
à petição (NÃO ESQUEÇA DESSE PRAZO MÁXIMO DE 6 MESES).

77
DIREITO ADMINISTRATIVO
PROF. NÁDIA SAAB

91 – QUESTÃO:

Acerca dos atributos e requisitos de validade do ato administrativo, assinale a opção correta.

a) A imperatividade decorre do poder extroverso e constitui atributo comum à maioria dos


atos administrativos, exceto os atos enunciativos e negociais.
b) A exigibilidade compreende medidas de coerção direta destinadas a promover a execu-
ção do ato administrativo, independentemente de intervenção do Poder Judiciário.
c) São suscetíveis de convalidação os atos praticados por particular mediante usurpação de
função pública.
d) A violação da regra de competência constitui causa de nulidade do ato praticado.
e) O ato praticado com desvio de finalidade é passível de anulação, pois contrário ao interes-
se público.

RESPOSTA: Alternativa A.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Por força do atributo da imperatividade, também denominado coer-


cibilidade, o ato administrativo pode criar obrigações aos particulares, unilateralmente. Trata-
-se, pois, da capacidade de vincular terceiros a deveres jurídicos, derivada do chamado poder
extroverso. Com efeito, a imperatividade constitui atributo comum à maioria dos atos adminis-
trativos, exceto os atos enunciativos (certidões, atestados, etc.) e negociais (permissões, autori-
zações, etc.).

Alternativa B: A exigibilidade corresponde à adoção de medidas de coerção indi-


reta, pois permite a aplicação de penalidades aos particulares por violação da ordem jurídica,
independentemente de intervenção judicial. Resume-se, portanto, ao poder de aplicar sanções
administrativas, tais como multas, advertências e interdições de estabelecimentos comerciais.
Assim como a imperatividade, a exigibilidade constitui atributo comum à maioria dos atos ad-
ministrativos, ausente apenas nos atos enunciativos (certidões, atestados, etc.).

Alternativa C: Com base na identificação dos requisitos do ato administrativo é pos-


sível precisar quais os vícios pertinentes à sua prática e indicar as consequências normativas de-
correntes. Quanto ao sujeito, a usurpação de função pública consiste na prática de ato privativo
da Administração por particular que não ostenta a condição de funcionário público. Segundo
a doutrina majoritária, além de configurar o crime tipificado no artigo 328 do Código Penal, tal
situação é causa de inexistência do ato administrativo, dada a impossibilidade de convalidação

78
do vício.

Alternativa D: Nos termos do artigo 55 da Lei 9784/99:

Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao inte-


resse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defei-
tos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração.

Nesse contexto, são passíveis de convalidação os atos praticados por autoridade in-
competente ou mediante omissão de formalidades legais, vícios sanáveis, que determinam tão
somente a anulação do ato viciado.

Alternativa E: Há desvio de finalidade quando o agente público pratica o ato visando


à fim diverso daquele previsto na regra de competência. A concepção tradicional adota a teoria
subjetiva, de forma que a comprovação da intenção viciada é suficiente para determinar a inva-
lidação do ato, que, para os partidários da teoria objetiva, demanda, ainda, a violação concreta
do interesse público. Independentemente da teoria adotada, é certo que o ato praticado com
desvio de finalidade é insuscetível de convalidação e, portanto, passível de nulidade.

92 – QUESTÃO:

No tocante ao procedimento licitatório, assinale a opção correta.

a)As empresas públicas e sociedades de economia mista tem o dever de licitar para a con-
tratação de obras, serviços, compras e alienações, independentemente da atividade desen-
volvida.
b) A concorrência é obrigatória para aquisição ou alienação de bens imóveis decorrentes de
procedimento judicial ou dação em pagamento, cujo valor seja superior a R$ 1.500.000,00
(um milhão e quinhentos mil reais).
c) É proibido o uso do pregão, em todas as esferas federativas, para a contratação de obras
e serviços de engenharia, locações imobiliárias, alienações em geral e bens e serviços de
informática e automação.
d) As hipóteses de inexigibilidade de licitação representam rol taxativo e decorrem da invia-
bilidade lógica, fática e jurídica de competição, aferida no caso concreto.
e) A licitação de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propagan-
da deve, obrigatoriamente, observar o critério “menor preço”.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Quanto ao dever de licitar, dispõe o artigo 1º da Lei 8666/93:

79
Art. 1o  Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos
administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade,
compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Parágrafo único.  Subordinam-se ao regime desta Lei, além dos órgãos
da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as funda-
ções públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista
e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Es-
tados, Distrito Federal e Municípios.

A partir da leitura do dispositivo legal em análise, denota-se que todas as entidades


da Administração indireta tem o dever de licitar para a contratação de obras, serviços, compras e
alienações. Todavia, o regime jurídico aplicável às empresas públicas e sociedades de economia
mista difere quanto à espécie de atividade desenvolvida. Dessa forma, quando exploradoras de
atividade econômica, aplica-se o regime jurídico próprio das empresas privadas, razão pela qual
não tem o dever de realizar prévia licitação para a contratação de bens e serviços relacionados
diretamente com suas atividades finalísticas, sob pena de inviabilizar a livre concorrência com
empresas privadas do mesmo setor.

Alternativa B: O artigo 22 da Lei 8666/93 prevê cinco modalidades licitatórias, a se-


rem adotadas conforme o valor e o objeto da contratação:

Art. 22.  São modalidades de licitação:


I - concorrência;
II - tomada de preços;
III - convite;
IV - concurso;
V - leilão.
§ 1o  Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer interes-
sados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir
os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução
de seu objeto.
§ 2o  Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados
devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exi-
gidas para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebi-
mento das propostas, observada a necessária qualificação.
§ 3o  Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo
pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados
em número mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual afi-
xará, em local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o es-
tenderá aos demais cadastrados na correspondente especialidade que
manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e qua-

80
tro) horas da apresentação das propostas.
§ 4o  Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados
para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a ins-
tituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios
constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência
mínima de 45 (quarenta e cinco) dias.
§ 5o  Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados
para a venda de bens móveis inservíveis para a administração ou de
produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação
de bens imóveis prevista no art. 19, a quem oferecer o maior lance, igual
ou superior ao valor da avaliação.  

Além das modalidades citadas, a Lei 9472/97 prevê a utilização da consulta, exclu-
sivamente no âmbito da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel, e a Lei 10520/2002
disciplina a utilização do pregão para aquisição de bens e serviços comuns.

Independentemente do valor da contratação a concorrência é a modalidade de lici-


tação cabível, para compra ou alienação de bens imóveis, concessões de direito real de uso e
licitações internacionais, admitindo-se neste último caso, a tomada de preços, quando o órgão
ou entidade dispuser de cadastro internacional de fornecedores ou o convite, na ausência de
fornecedor do bem ou serviço no País (artigo 23, § 3º da Lei 8666/93). Todavia, os bens imóveis
decorrentes de procedimentos judiciais ou dação em pagamento podem ser alienados median-
te leilão, sendo a adoção da modalidade concorrência facultativa neste caso, qualquer que seja
o valor do bem (artigo 19 da Lei 8666/93).

Alternativa C: O pregão é a modalidade de licitação utilizada para a contratação de


bens e serviços comuns, assim denominados aqueles cujos padrões de desempenho e qua-
lidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no
mercado (artigo 1º, parágrafo único da Lei 10520/02). Em princípio o uso do pregão é opcional,
sendo facultado à Administração optar pela adoção de outra modalidade licitatória apropriada
em função do valor do objeto, salvo no âmbito federal (artigo 4º do Decreto 5450/05).

A característica fundamental do pregão é a inversão das fases do procedimento lici-


tatório, de forma que o julgamento das propostas antecede a habilitação dos licitantes, tendo
em vista o objetivo essencial dessa modalidade licitatória, qual seja, proporcionar economia de
tempo e dinheiro para a Administração Pública. Assim, após a fase dos lances verbais decrescen-
tes, analisa-se a documentação somente do licitante que ofertou o menor lance, devolvendo-se
fechados, os envelopes com documentos dos demais.

A partir de uma interpretação sistemática do conjunto de leis e decretos que disci-


plinam o procedimento licitatório, conclui-se ser vedado o uso do pregão, em todas as esferas
federativas, para a contratação de: a) obras e serviços de engenharia; b) locações imobiliárias; c)

81
alienações em geral e; d) bens e serviços de informática e automação.

Alternativa D: Consoante o disposto no artigo 25 da Lei 8666/93, é inexigível a licita-


ção:

I - para aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só pos-


sam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial
exclusivo, vedada a preferência de marca, devendo a comprovação de
exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de re-
gistro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra
ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou,
ainda, pelas entidades equivalentes;
II - para a contratação de serviços técnicos enumerados no art. 13 des-
ta Lei, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória
especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e
divulgação;
III - para contratação de profissional de qualquer setor artístico, direta-
mente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela
crítica especializada ou pela opinião pública.

Ao contrário das hipóteses de dispensa de licitação arroladas no artigo 24 da Lei


8666/93, as causas de inexigibilidade representam rol meramente exemplificativo e decorrem
da inviabilidade lógica, fática e jurídica de competição, aferida no caso concreto.

Alternativa E: Denominam-se tipos de licitação, os diferentes critérios utilizados para


julgamento das propostas. O artigo 45 da Lei 8666/93 prevê a existência de quatro tipos de
licitação: menor preço, melhor técnica, técnica e preço e maior lance ou oferta, este último, ex-
clusivamente para a modalidade leilão.

A licitação de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de pro-


paganda é disciplinada pela Lei 12232/2010. Para os fins a que se refere, é vedada a inclusão, no
conceito de contrato de publicidade, das atividades de assessoria de imprensa, comunicação e
relações públicas ou as que tenham por finalidade a realização de eventos festivos de qualquer
natureza, que serão contratadas por meio de procedimentos licitatórios próprios (artigo 2º, §
2º).

Além disso, é facultado à Administração adjudicar o objeto da contratação a mais de


uma agência de propaganda para, em seguida, permitir que a entidade contratante realize pro-
cedimento de seleção entre as contratadas. Trata-se da chamada “multiadijudicação”, novidade
instituída pela Lei 12232/10. No tocante ao tipo de licitação, o rito especial definido pela lei deve
obrigatoriamente observar os critérios “melhor técnica” ou “técnica e preço”.

82
93 – QUESTÃO:

No tocante ao Regime Diferenciado de Contratações Públicas, assinale a opção correta.

a) A licitação para aquisição de bens pressupõe a individualização do objeto licitado, vedada


a indicação de marca ou modelo específico.
b) É vedada a contratação simultânea de mais de uma empresa ou instituição para a execu-
ção do mesmo serviço, admitido, porém, o parcelamento do objeto para ampliar a competi-
tividade entres os licitantes.
c) A fase de habilitação poderá, mediante ato motivado, anteceder a fase de julgamento das
propostas, desde que expressamente prevista tal possibilidade no instrumento convocató-
rio.
d) É vedada a contratação direta de pessoa jurídica cujo administrador seja primo de agente
público comissionado responsável pela demanda.
e) A aplicação da sanção de declaração de inidoneidade somente pode ser impugnada via
pedido de reconsideração, no prazo de 5 (cinco) dias, contados da intimação da decisão.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) foi instituído


para disciplinar o procedimento licitatório e a celebração de contratos no âmbito de grandes
eventos mundiais realizados no país, bem como a contratação de obras e serviços de engenha-
ria relacionados à implementação de políticas públicas básicas.

Consoante o disposto no artigo 15, § 7º, inciso I da Lei 8666/93, a licitação para aqui-
sição de bens pressupõe a individualização do objeto licitado, vedada a indicação de marca ou
modelo específico. Contudo, no âmbito do RDC, a entidade contratante poderá indicar marca
ou modelo, desde que formalmente justificado, nas seguintes hipóteses:

a) em decorrência da necessidade de padronização do objeto;


b) quando determinada marca ou modelo comercializado por mais de
um fornecedor for a única capaz de atender às necessidades da entida-
de contratante; ou
c) quando a descrição do objeto a ser licitado puder ser melhor com-
preendida pela identificação de determinada marca ou modelo aptos a
servir como referência, situação em que será obrigatório o acréscimo da
expressão “ou similar ou de melhor qualidade.

Não obstante, a Administração pode ainda exigir amostra do bem, certificação da


qualidade do produto ou do processo de fabricação, inclusive sob o aspecto ambiental, e carta

83
de solidariedade emitida pelo fabricante (artigo 7º da Lei 12462/11).

Alternativa B: De acordo com o disposto no artigo 11 da Lei 12462/11, a Adminis-


tração Pública poderá, mediante justificativa expressa, contratar mais de uma empresa ou ins-
tituição para executar o mesmo serviço, desde que não implique perda de economia de escala,
quando:

I - o objeto da contratação puder ser executado de forma concorrente e


simultânea por mais de um contratado; ou
II - a múltipla execução for conveniente para atender à administração
pública.

Neste caso, a entidade contratante deverá manter o controle individualizado do ob-


jeto contratual relativamente a cada uma das contratadas. Ressalvam-se, tão somente, os ser-
viços de engenharia, cuja execução não pode ser atribuída, simultaneamente, à mais de uma
empresa.

Ainda, nas contratações realizadas no âmbito do RDC é admitido o parcelamento do


objeto, com vistas à ampla participação de licitantes, sem perda de economia de escala (artigo
4º, inciso VI da Lei 12462/11).

Alternativa C: A fase interna do procedimento licitatório compreende todos os atos


anteriores à publicação do edital (elaboração de projeto básico, previsão de recursos orçamen-
tários) e a fase externa inicia-se com a publicação do instrumento convocatório, seguida das
fases de habilitação, classificação, homologação e adjudicação.

Contudo, no âmbito do RDC, tal como se verifica, a título de exemplo, em matéria de


concessão de serviços públicos, a fase de habilitação poderá, mediante ato motivado, antece-
der a fase de julgamento das propostas, desde que expressamente prevista tal possibilidade no
instrumento convocatório (artigo 12, parágrafo único da Lei 12462/11).

Alternativa D: O artigo 37 da Lei 12462/11 representa importante inovação legislati-


va em relação ao procedimento licitatório previsto na Lei Geral de Licitações. Dispõe o aludido
dispositivo legal:

Art. 37. É vedada a contratação direta, sem licitação, de pessoa jurídica


na qual haja administrador ou sócio com poder de direção que mante-
nha relação de parentesco, inclusive por afinidade, até o terceiro grau
civil com:
I - detentor de cargo em comissão ou função de confiança que atue na
área responsável pela demanda ou contratação; e
II - autoridade hierarquicamente superior no âmbito de cada órgão ou

84
entidade da administração pública.

Denota-se, portanto, que a vedação legal, abrange somente a relação de parentesco


estabelecida até o terceiro grau, excluídos, portanto, os primos, que são parentes de quarto
grau.

Alternativa E: De acordo com o disposto no artigo 109, inciso III da Lei 8666/93, a
aplicação da sanção de declaração de inidoneidade somente pode ser impugnada via pedido
de reconsideração, no prazo de 10 (dez) dias úteis, contados da intimação da decisão.

Contudo, no âmbito do RDC, a sistemática é diversa. A sanção de declaração de inido-


neidade é recorrível via recurso hierárquico, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, contados da intima-
ção da decisão, tal como as demais penalidades de advertência, multa e suspensão temporária
(artigo 45, inciso II, g, da Lei 12462/11).

94 – QUESTÃO:

A respeito dos contratos administrativos, assinale a opção correta.

a) A duração dos contratos administrativos está adstrita à vigência dos respectivos créditos
orçamentários, exceto o aluguel de equipamentos e a utilização de programas de informá-
tica, que poderão ser contratados pelo prazo de 60 (sessenta) meses, prorrogáveis por igual
período.
b) A entidade contratante pode exigir a prestação de garantia, não excedente à 10% (dez por
cento) do valor do contrato, mediante caução em dinheiro, seguro garantia ou fiança bancá-
ria, à escolha do contratado.
c) A ocupação de bens, instalações, equipamentos, material e pessoal empregados na execu-
ção do contrato, necessários à sua continuidade, na hipótese de rescisão unilateral da aven-
ça, deve ser precedida de autorização expressa do Ministro de Estado competente.
d) É admitida a celebração de contrato verbal para compras ou alienações contratadas me-
diante pronto pagamento, correspondente ao valor máximo de 4 (quatro) mil reais.
e) Executado o contrato, o seu objeto será recebido provisoriamente pelo prazo de 60 (ses-
senta) dias, excluída, após o decurso deste período, a responsabilidade do contratado pela
solidez e segurança da obra ou serviço.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, denomina-se contrato admi-


nistrativo os:

85
“ajustes que a Administração, nessa qualidade, celebra com pessoas fí-
sicas ou jurídicas, públicas ou privadas, para a consecução de fins públi-
cos, segundo regime jurídico de direito público” (Direito Administrativo,
13ª edição, Atlas, p. 251).

Por força de disposição legal expressa, é vedada a celebração de contratos adminis-


trativos por tempo indeterminado, de forma que o prazo da avença fica adstrito à vigência dos
respectivos créditos orçamentários, exceto em três hipóteses:

a) projetos cujos produtos estejam contemplados nas metas estabelecidas no Plano


Plurianual, os quais poderão ser prorrogados no interesse da Administração, se prevista tal pos-
sibilidade no ato convocatório;

b) prestação de serviços a serem executados de forma contínua, que poderão ter a


sua duração prorrogada por iguais e sucessivos períodos com vistas à obtenção de preços e
condições mais vantajosas para a Administração, limitada a 60 (sessenta) meses, prorrogáveis
por mais 12 (doze) meses e;

c) aluguel de equipamentos e utilização de programas de informática, podendo a


duração estender-se pelo prazo de até 48 (quarenta e oito) meses após o início da vigência do
contrato (artigo 57 da Lei 8666/93).

Além dessas hipóteses, o contrato de concessão de serviços públicos na modalidade


de parceria público-privada deve ser celebrado por prazo compatível com a amortização dos in-
vestimentos realizados, não inferior a 5 (cinco), nem superior a 35 (trinta e cinco) anos, incluindo
eventual prorrogação (artigo 5º, inciso I da Lei 11079/04).

Por fim, como visto, a legislação permite a prorrogação do contrato administrativo,


antes do advento do termo contratual, desde que prevista tal possibilidade no instrumento
convocatório, justificada por escrito e autorizada pela esfera competente, observadas as hipó-
teses previstas no artigo 57, § 1º da Lei 8666/93.

Alternativa B: Os contratos administrativos diferem-se dos ajustes privados, essen-


cialmente, em virtude da aplicação dos princípios e normas de Direito Público, bem como da
posição de superioridade contratual ocupada pela Administração, que lhe confere, dentre ou-
tras prerrogativas, o direito de exigir a prestação de garantia, mediante:

I - caução em dinheiro ou em títulos da dívida pública, devendo estes


ter sido emitidos sob a forma escritural, mediante registro em sistema
centralizado de liquidação e de custódia autorizado pelo Banco Central
do Brasil e avaliados pelos seus valores econômicos, conforme definido
pelo Ministério da Fazenda;              

86
II - seguro-garantia;           
III - fiança bancária.  

Contudo, a modalidade de garantia a ser prestada é de escolha do contratado, não


excedente a 5% (cinco por cento) do valor atualizado do contrato (artigo 56, §§ 1º e 2º da Lei
8666/93).

Alternativa C: Dentre as “cláusulas exorbitantes” previstas na Lei 8666/93, destaca-se


a prerrogativa conferida à Administração de rescindir unilateralmente o contrato administrativo
por fatos imputáveis ao contratado que resultem no inadimplemento da avença, razões de inte-
resse público, caso fortuito ou força maior (artigo 79, inciso I da Lei 8666/93).

A rescisão determinada por ato unilateral da Administração acarreta, sem prejuízo


das sanções previstas na lei, a ocupação de bens, instalações, equipamentos, material e pessoal
empregados na execução do contrato, necessários à sua continuidade, que deve ser precedida
de autorização expressa do Ministro de Estado competente, ou Secretário Estadual ou Munici-
pal, conforme o caso (artigo 80, inciso II e § 3º da Lei 8666/93).

Ressalte-se que, além da hipótese de rescisão do contrato administrativo, a Admi-


nistração pode ocupar provisoriamente bens móveis, imóveis, pessoal e serviços vinculados ao
objeto do contrato, a fim de acautelar apuração administrativa de faltas contratuais e garantir a
continuidade de serviços públicos essenciais (artigo 58, § 5º da Lei 8666/93).

Alternativa D: No tocante à formalização dos contratos administrativos, dispõe o ar-


tigo 61 da Lei 8666/93:

Art. 60.  Os contratos e seus aditamentos serão lavrados nas repartições


interessadas, as quais manterão arquivo cronológico dos seus autógra-
fos e registro sistemático do seu extrato, salvo os relativos a direitos reais
sobre imóveis, que se formalizam por instrumento lavrado em cartório
de notas, de tudo juntando-se cópia no processo que lhe deu origem.

Com efeito, em virtude da própria essência dos contratos administrativos, é vedada a


celebração de ajuste verbal, exceto no caso de pequenas compras, mediante pronto pagamen-
to, assim consideradas aquelas de valor não superior a 4 (quatro) mil reais (artigo 61, parágrafo
único da Lei 8666/93).

Alternativa E: Nos termos do artigo 73 da Lei 8666/93, executado o contrato, o seu


objeto será recebido:

I - em se tratando de obras e serviços:


a) provisoriamente, pelo responsável por seu acompanhamento e fisca-

87
lização, mediante termo circunstanciado, assinado pelas partes em até
15 (quinze) dias da comunicação escrita do contratado;
b) definitivamente, por servidor ou comissão designada pela autorida-
de competente, mediante termo circunstanciado, assinado pelas par-
tes, após o decurso do prazo de observação, ou vistoria que comprove a
adequação do objeto aos termos contratuais, observado o disposto no
art. 69 desta Lei;
II - em se tratando de compras ou de locação de equipamentos:
a) provisoriamente, para efeito de posterior verificação da conformida-
de do material com a especificação;
b)  definitivamente, após a verificação da qualidade e quantidade do
material e conseqüente aceitação.

Contudo, o recebimento provisório, que não poderá ser superior a 90 (noventa) dias,
ou definitivo, não exclui a responsabilidade do contratado pela solidez e segurança da obra ou
do serviço, nem ético-profissional pela perfeita execução do contrato, dentro dos limites esta-
belecidos pela lei (artigo 73, §§ 2º e 3º da Lei 8666/93).

95 – QUESTÃO:

Especialmente em relação ao contrato de concessão de serviços públicos, assinale a opção


correta.

a) Considera-se concessão de serviço público a delegação de sua prestação pelo poder con-
cedente, a título precário, mediante licitação na modalidade concorrência, à pessoa física ou
jurídica que demonstre capacidade para o seu desempenho, por sua conta e risco.
b) São insuscetíveis de concessão os serviços públicos não privativos do Estado e os serviços
de natureza uti singuli.
c) Não caracteriza descontinuidade do serviço público a sua interrupção em situação de
emergência ou, mediante prévio aviso, por inadimplemento do usuário, salvo se o próprio
Estado ostentar a condição de devedor.
d) A concessionária pode promover desapropriações e instituir servidões de bens necessá-
rios à execução do serviço, caso em que responderá pelas indenizações cabíveis.
e) Denomina-se caducidade a extinção da concessão antes do advento do termo contratual,
mediante lei específica e após o prévio pagamento da indenização relativa aos investimen-
tos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A concessão de serviço público, espécie de contrato administrativo,

88
consiste na delegação de sua prestação pelo poder concedente, mediante licitação na moda-
lidade concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade
para o seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado (artigo 2º, inciso II da
Lei 8987/95).

Não se confunde, todavia, com o contrato de permissão de serviço público, este sim
espécie de delegação a título precário, mediante licitação em qualquer modalidade, à pessoa
física ou jurídica (artigo 2º, inciso IV da Lei 8987/95).

Alternativa B: Com efeito, são insuscetíveis de delegação os serviços públicos não


privativos do Estado, a exemplo dos serviços de saúde e educação, cuja prestação é constitucio-
nalmente facultada aos particulares mediante simples autorização estatal.

Entretanto, os serviços uti singuli, prestados de modo a criar benefícios individuais


para cada usuário, são passíveis de concessão e remunerados pela cobrança de taxas ou tarifas.
Ao contrário, os serviços uti universi, prestados indistintamente a toda a coletividade, não po-
dem ser concedidos e são custeados pela receita proveniente de impostos.

Alternativa C: Por ser característica inerente ao regime jurídico dos serviços públicos,
o dever de continuidade compreende, outrossim, as formas indiretas de prestação, por meio de
concessionários e permissionários.

Porém, o artigo 6º, § 3º da Lei 8987/95 autoriza expressamente a interrupção do ser-


viço em situação de emergência ou após prévio aviso, por razões de ordem técnica ou segu-
rança das instalações e, ainda, em virtude de inadimplemento do usuário, ainda que o próprio
Estado ostente a condição de devedor, ressalvados apenas os serviços públicos essenciais, cuja
suspensão possa acarretar danos à vida ou à integridade física dos administrados.

Alternativa D: Em princípio, compete ao poder concedente declarar de necessidade


ou utilidade pública os bens necessários à execução do serviço concedido, para fins de desapro-
priação ou instituição de servidão administrativa. Todavia, de acordo com o disposto no artigo
29, incisos VIII e IX da Lei 8987/95, o poder concedente pode outorgar poderes para a conces-
sionária promover diretamente a intervenção na propriedade privada, caso em que responderá
pelas indenizações cabíveis.

Alternativa E: Dentre as formas de extinção da concessão, considera-se encampação


a retomada do serviço pelo poder concedente, antes do advento do termo contratual, por ra-
zões de interesse público, mediante lei específica e após o prévio pagamento da indenização
relativa aos investimentos vinculados a bens reversíveis, ainda não amortizados (artigo 37 da
Lei 8987/95).

A caducidade por sua vez, consiste em modalidade de extinção da concessão por

89
inadimplência da concessionária, devidamente apurada em processo administrativo, indepen-
dentemente de indenização prévia (artigo 38 da Lei 8987/95).

Ainda, a concessão pode ser extinta por advento do termo contratual, rescisão judi-
cial no caso de descumprimento do contrato pelo poder concedente, anulação quando eivada
de vício de legalidade e falência ou extinção da concessionária.

96 – QUESTÃO:

Considere a seguinte situação hipotética: Marcos, servidor público federal, regularmente in-
vestido na função pública de motorista do Ministério da Saúde, ao dirigir, alcoolizado, carro
oficial em serviço, atropelou uma pessoa que atravessava, com prudência, a faixa de pedes-
tres de um bairro residencial. Neste caso, tendo em vista as disposições constitucionais e
legais aplicáveis à espécie, assinale a opção correta.

a) O Ministério da Saúde pode ser acionado judicialmente para responder pelos danos que
Marcos, no exercício da função, causou à vítima.
b) A responsabilidade do Estado decorre do fato de Marcos ter praticado um ato ilícito, eis
que estava dirigindo embriagado.
c) Em virtude da teoria do risco administrativo, o Estado responde objetivamente pelos da-
nos que Marcos causou à vítima, vedada a alegação de causas excludentes da responsabili-
dade.
d) Caso Marcos estivesse transportando material radioativo, devidamente acondicionado, o
dano ambiental seria indenizável por força da aplicação da teoria do risco integral.
e) Marcos deve ser acionado diretamente pela vítima, pois a responsabilidade do Estado, no
caso, demanda a comprovação de que estava dirigindo embriagado.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: O Ministério da Saúde é um órgão público, ou seja, um núcleo de com-


petência estatal sem personalidade jurídica própria (artigo 1º, § 2º, inciso II da Lei 9784/99).
Trata-se, pois, de uma divisão interna da União, esta sim, uma unidade de atuação dotada de
personalidade jurídica.

Como é cediço, os órgãos públicos não podem ser acionados judicialmente para res-
ponder pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, sob pena de ex-
tinção do processo sem resolução do mérito por ilegitimidade de parte. Portanto, a demanda
deve ser direcionada à pessoa jurídica à qual pertence o órgão. No caso, se o dano foi causado
por funcionário do Ministério da Saúde, a ação deve ser ajuizada em face da União, pessoa jurí-
dica à qual pertence o órgão despersonalizado.

90
Alternativa B: A configuração da responsabilidade estatal prescinde da ilicitude do
ato lesivo, de sorte que o dever de indenizar decorre da ação ou omissão do agente público
causador do dano. De fato, na situação fática narrada, Marcos praticou um ato ilícito, pois es-
tava dirigindo embriagado, veículo oficial em serviço, caso em que a responsabilidade estatal
decorre do princípio da legalidade, violado pela conduta praticada em desconformidade com
a legislação.

Destarte, em regra, os danos indenizáveis derivam de condutas contrárias ao orde-


namento jurídico. Porém, há situações em que a Administração Pública atua em conformidade
com o direito e, ainda assim, causa prejuízo a particulares. São danos decorrentes de atos lícitos
e que também geram o dever de indenizar, ante à necessidade de repartição dos encargos so-
ciais, tendo em vista o princípio da isonomia. Ou seja, ainda que a atuação de Marcos estivesse
adstrita aos parâmetros de legalidade, o Estado seria responsável pelos danos causados à víti-
ma.

Alternativa C: A responsabilidade civil extracontratual do Estado é disciplinada pelo


artigo 37, § 6º da Constituição Federal:

“Art. 37 (...) § 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito


privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que
seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros, assegurado o di-
reito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa”.

Da leitura do dispositivo constitucional em análise, denota-se que o legislador cons-


tituinte adotou, como regra, a teoria objetiva, na modalidade do risco administrativo. Isso signi-
fica que o pagamento da indenização prescinde da comprovação de dolo ou culpa, bem como
que o Estado pode alegar em seu favor causas excludentes do dever de indenizar.

Alternativa D: Desde a edição da Lei 6938/81, a responsabilidade civil por danos am-
bientais é objetiva, na modalidade risco integral, de sorte que o dever de indenizar independe
da comprovação de culpa do causador do dano que sequer pode invocar, em seu favor, causas
excludentes da responsabilidade (artigo 14, § 1º da Lei 6938/81).

Com efeito, na situação hipotética narrada, caso Marcos estivesse transportando ma-
terial radioativo, o dano ambiental seria indenizável por força da aplicação da teoria do risco
integral, ainda que devidamente acondicionado, eis que, como dito, o dever de indenizar inde-
pende da comprovação de culpa do causador do dano, vedada, outrossim, a alegação de causas
excludentes da responsabilidade.

Alternativa E: A vítima de dano causado por agente público, no exercício da função,


pode pleitear administrativa ou judicialmente a devida reparação. Mais comum, entretanto, é a
opção pela via judicial por meio da propositura de ação indenizatória, fundada na responsabili-

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dade objetiva do Estado.

Dessa forma, na situação hipotética narrada, se o dano foi causado por funcionário
do Ministério da Saúde, a ação indenizatória deve ser ajuizada em face da União, pessoa jurí-
dica à qual pertence o órgão despersonalizado, cuja responsabilidade, de natureza objetiva,
independe da comprovação de que Marcos estava dirigindo embriagado. Tal fato será objeto
de apuração somente nos autos de eventual ação regressiva, fundada na responsabilidade sub-
jetiva do agente público causador do dano.

97 – QUESTÃO:

No tocante ao regime jurídico aplicável aos agentes públicos, assinale a opção correta de
acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores.

a) O regime de emprego público, sistema de contratação utilizado pelas pessoas jurídicas


de direito privado da Administração indireta, não confere estabilidade ao empregado, que
pode ser demitido sem justa causa.
b) Em razão da natureza especial do vínculo que une o contratado temporário à Adminis-
tração, empregado público aposentado pelo Regime Geral de Previdência Social pode ser
contratado como servidor temporário.
c) É vedada a acumulação de um cargo público de professor com outro de intérprete e tra-
dutor de LIBRAS, ainda que a carga horária semanal não seja superior a 60 (sessenta) horas.
d) Os herdeiros tem o dever de restituir os proventos que, por erro operacional da Adminis-
tração, foram creditados em favor de servidor público falecido, salvo se comprovada a boa-
-fé dos seus dependentes.
e) Tratando-se de risco contingente ou eventual, o direito à aposentadoria especial deman-
da a edição de norma regulamentadora, cuja ausência caracteriza omissão inconstitucional,
pois não há discricionariedade, mas dever de legislar.

RESPOSTA: Alternativa B.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A Constituição estabelece dois regimes principais de contratação pela


Administração: o estatutário, adotado pelas pessoas jurídicas de direito público, e o celetista,
utilizado pelas pessoas jurídicas de direito privado da Administração indireta. Este último me-
nos protetivo em relação ao primeiro, porquanto não confere estabilidade ao empregado.

Malgrado tal característica, de acordo com o entendimento do STF, a dispensa de


empregado público, obrigatoriamente, deve ser motivada. Isso porque, as regras de direito pri-
vado aplicáveis às empresas públicas e sociedades de economia, são parcialmente derrogadas
por normas de direito público, entre elas os princípios constitucionais da isonomia e impesso-

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alidade. Além disso, é necessário manter o paralelismo entre a forma de admissão, mediante
concurso público, e a dispensa do empregado (RE 589998).

Alternativa B: Nos termos do artigo 37, inciso IX da Constituição:

A lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para


atender a necessidade temporária de excepcional interesse público;

Consoante o entendimento do STJ, o vínculo que une o contratado temporário à Ad-


ministração tem natureza especial e não se confunde com a sistemática dos cargos e empregos
públicos. Por essa razão, empregado público aposentado pelo Regime Geral de Previdência So-
cial pode ser contratado como servidor temporário, pois os artigos 6º da Lei 8745/93 e 118, §3º
da Lei 8112/90 impedem apenas a cumulação de proventos de aposentadoria com remunera-
ção decorrente do exercício efetivo de cargo ou emprego público (REsp 1298503).

Alternativa C: No tocante à acumulação de cargos públicos dispõe o artigo 37, inciso


XVI da Constituição:

É vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando


houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o
disposto no inciso XI: 
a) a de dois cargos de professor; 
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; 
c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde,
com profissões regulamentadas.

Nesse contexto, segundo o STJ, é possível a acumulação de um cargo público de


professor com outro de intérprete e tradutor de LIBRAS, com fundamento na alínea b do dis-
positivo constitucional citado. Isso porque, consoante o disposto nos artigos 6º e 7º da Lei nº
12.319/2010, o exercício da profissão de tradutor e intérprete de LIBRAS exige conhecimentos
técnicos e específicos relativos a um sistema linguístico próprio, totalmente diferente da Língua
Portuguesa, mas a esta associada para fins de viabilizar a comunicação com pessoas portadoras
de deficiência.

Com efeito, cargo técnico é aquele para cujo exercício pressupõe conhecimentos es-
pecíficos de determinada área do saber e habilitação legal, não necessariamente de nível su-
perior. Logo, não podem ser considerados cargos técnicos aqueles que impliquem a prática de
atividades meramente burocráticas, de caráter repetitivo, que não demandam formação espe-
cífica. Portanto, tradutor e intérprete de LIBRAS é cargo técnico para fins de enquadramento na
exceção constitucional e pode ser cumulado com o exercício do magistério, desde que a carga
horária semanal não seja superior a 60 (sessenta) horas, por força do princípio da eficiência
(REsp 1569547).

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Alternativa D: De acordo com o entendimento do STJ, o recebimento indevido de
valores por força de decisão administrativa não acarreta o dever de restituição, se caracterizada
a boa-fé do servidor, com fundamento no princípio da legítima confiança, pois vedada a aplica-
ção retroativa de nova interpretação (REsp 1.244.182).

Ao contrário, se o recebimento decorre de decisão judicial provisória, posteriormente


revogada, o servidor tem a obrigação de restituir os valores percebidos indevidamente, pois
ciente do caráter precário da decisão que impede a incorporação definitiva do montante ao
seu patrimônio (REsp 1255160). Nesse sentido, decidiu o STJ que os herdeiros tem o dever de
restituir os proventos que, por erro operacional da Administração, foram creditados em favor
de servidor público falecido, independentemente de boa-fé, pois as verbas perdem o caráter
alimentar após o falecimento do servidor (Resp 1387971).

Alternativa E: O direito à aposentadoria especial decorre do artigo 40, § 4º da Cons-


tituição:

É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para a con-


cessão de aposentadoria aos abrangidos pelo regime de que trata este
artigo, ressalvados, nos termos definidos em leis complementares, os
casos de servidores: 
I - portadores de deficiência; 

II - que exerçam atividades de risco; 

III - cujas atividades sejam exercidas sob condições especiais que preju-
diquem a saúde ou a integridade física. 

Interpretando aludido dispositivo legal, decidiu o STF que, tratando-se de risco con-
tingente ou eventual (atividades eventualmente perigosas), o direito à aposentadoria especial
demanda a edição de norma infraconstitucional, cuja ausência não caracteriza omissão do le-
gislador, pois a Constituição não a exige. Por outro lado, na hipótese de risco inerente à natureza
do serviço prestado (atividades essencialmente perigosas), a ausência de norma regulamen-
tadora caracteriza omissão inconstitucional, pois, neste caso, não há discricionariedade, mas
dever de legislar.

98 – QUESTÃO:

Em matéria de intervenção estatal na propriedade privada, assinale a opção correta.

a) A servidão administrativa recai sobre o caráter absoluto de propriedade alheia imóvel.


b) A requisição consiste na utilização permanente, gratuita, compulsória e discricionária da
propriedade particular em situações de iminente perigo público.

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c) A desapropriação por utilidade pública pressupõe, necessariamente, o pedido de imissão
provisória na posse, tendo em vista a urgência da situação concreta.
d) A expedição do decreto expropriatório deflagra o prazo bienal de caducidade na hipótese
de desapropriação por interesse social.
e) A sentença que fixar o valor da indenização é recorrível via apelação, com efeito suspensi-
vo, quando interposta pelo expropriado.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: Além das limitações administrativas inerentes ao poder de polícia, o


ordenamento jurídico define diversos outros instrumentos de intervenção estatal na proprieda-
de privada amparados na supremacia do interesse público.

A servidão administrativa constitui direito real de gozo ou fruição instituído sobre


a propriedade alheia, em favor do interesse público. Trata-se de limitação que recai sobre o
caráter exclusivo do direito de propriedade e impõe restrições à utilização de bens móveis ou
imóveis, mediante o pagamento de indenização, se comprovado significativo prejuízo em de-
corrência da limitação imposta.

Alternativa B: Dispõe o artigo 5º, inciso XXV da Constituição Federal:

No caso de iminente perigo público, a autoridade competente poderá


usar de propriedade particular, assegurada ao proprietário indenização
ulterior, se houver dano

A referida norma é o fundamento constitucional do instituto da requisição, que con-


siste na utilização transitória, gratuita, compulsória e discricionária da propriedade particular
em situações de iminente perigo público, mediante o pagamento de indenização ulterior, se
houver dano.

Alternativa C: A desapropriação é uma modalidade de intervenção do Estado na pro-


priedade privada materializada mediante procedimento administrativo que promove a incor-
poração de bem particular ao domínio público, mediante o pagamento de indenização prévia,
justa e, como regra, em dinheiro.

As hipóteses de necessidade pública compreendem situações de emergência, que


demandam a imediata transferência do bem particular para o domínio público, de forma que
o pedido de imissão provisória na posse é indispensável, tendo em vista a urgência da situação
concreta. Por outro lado, na desapropriação por utilidade pública a aquisição do bem é conve-
niente, mas não imprescindível, motivo pelo qual o pedido de imissão provisória na posse não

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é obrigatório. Igualmente, nas desapropriações por interesse social, destinadas a promover a
justa distribuição da propriedade ou condicionar o seu uso ao bem-estar comum, o pedido de
imissão provisória na posse é dispensável.

Alternativa D: A desapropriação inicia-se com a expedição do decreto expropriató-


rio, ato privativo dos Chefes do Executivo, de natureza discricionária. Além de submeter o bem
a um regime jurídico especial, o decreto declara a destinação do objeto expropriado e fixa o
estado da coisa para fins de indenização.

Não obstante, o decreto expropriatório deflagra o prazo de caducidade, de 5 (cinco)


anos, para as desapropriações por necessidade ou utilidade pública, e de 2 (dois) anos na hi-
pótese de interesse social. Após o decurso do prazo decadencial, somente decorrido um ano
poderá o mesmo bem ser objeto de nova declaração (artigo 10 do Decreto-Lei 3365/41).

Alternativa E: Diante da inexistência de acordo administrativo quanto ao valor da


indenização, o impasse deve ser solucionado pelo Poder Judiciário através do ajuizamento da
ação de desapropriação, observado o rito ordinário.

O polo ativo da demanda será ocupado pelo ente público expropriante, ao passo que
no polo passivo figurará o proprietário expropriado. Além disso, é obrigatória a intervenção do
Ministério Público na qualidade de fiscal da ordem jurídica. Na sentença, com fundamento em
laudos periciais, o juiz fixa o valor da indenização, recorrível via apelação, recebida com duplo
efeito apenas quando interposta pelo expropriante (artigo 28 do Decreto-Lei 3365/41).

99 – QUESTÃO:

As terras devolutas, assim denominadas aquelas que foram devolvidas à Coroa Portuguesa
após a extinção do regime de capitanias hereditárias e incorporadas ao domínio nacional
com a independência do Brasil, são bens públicos:

a) De uso comum do povo.


b) De uso especial.
c) Dominicais, passíveis de alienação.
d) Dominicais, inalienáveis e imprescritíveis.
e) Dominicais, impenhoráveis e imprescritíveis.

RESPOSTA: Alternativa C.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: De acordo com a classificação proposta pelo artigo 99 do Código Civil:

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Art. 99. São bens públicos:
I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e
praças;
II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a servi-
ço ou estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou
municipal, inclusive os de suas autarquias;
III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas
de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma
dessas entidades.

Em resumo, os bens de uso comum do povo são suscetíveis de utilização universal, os


bens de uso especial estão afetados a uma finalidade pública específica, e os bens dominicais
integram o patrimônio público disponível. Nesse contexto, as terras devolutas são exemplos de
bens dominicais.

Alternativa B: A título de exemplo, teatros, escolas e hospitais públicos são bens de


uso especial, assim como os demais bens móveis ou imóveis vinculados à atuação administra-
tiva, porquanto afetados a uma finalidade pública específica. Destarte, as terras devolutas não
se enquadram nessa categoria, justamente porque não estão afetados à defesa do interesse
público primário.

Alternativa C: Como dito, as terras devolutas são exemplos de bens dominicais e,


como tal, integram o patrimônio público disponível e são passíveis de alienação, observados os
requisitos legais. Em outras palavras, os bens de uso comum e especial estão afetados à defesa
do interesse público primário, ao passo que os bens dominicais estão vinculados ao interesse
público secundário e, portanto, disponível.

Alternativa D: Apesar de alienáveis, os bens públicos dominicais são imprescritíveis,


pois não estão sujeitos à prescrição aquisitiva. Segundo a corrente majoritária, a imprescritibili-
dade é atributo de todas as espécies de bens públicos, incluindo os dominicais. Exceção a esta
regra está prevista no artigo 2º da Lei 6969/81, que admite usucapião especial de terras devolu-
tas localizadas na área rural.

Alternativa E: O atributo da impenhorabilidade decorre do fato de que os bens pú-


blicos não são passíveis de constrição judicial. Trata-se de uma decorrência lógica da inalienabi-
lidade, na medida em que, por ser insuscetível de alienação, a penhora sobre bem público cons-
titui medida inútil. Nesse contexto, se os bens dominicais são alienáveis, significa que também
podem ser objeto de penhora.

100 – QUESTÃO:

No tocante à responsabilidade civil e administrativa de pessoas jurídicas pela prática de atos

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contra a Administração Pública, assinale a opção correta.

a) A responsabilidade administrativa e civil da pessoa jurídica prescinde da comprovação de


culpa, mas pressupõe a imputação de uma conduta humana individual.
b) As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pela reparação integral do
dano causado e pelo cumprimento das demais sanções aplicadas em virtude da prática de
atos contra a Administração Pública.
c) A celebração do acordo de leniência resulta na dispensa do pagamento da multa e sus-
pende o prazo prescricional dos atos ilícitos praticados contra a Administração Pública.
d) Nas ações ajuizadas pelo Ministério Público, poderão ser aplicadas sanções de natureza
administrativa, quando constatada a omissão das autoridades competentes para promover
a responsabilização da pessoa jurídica nesta seara.
e) A aplicação das sanções previstas na lei exclui a possibilidade de incidência das penalida-
des decorrentes da prática de atos de improbidade administrativa.

RESPOSTA: Alternativa D.

COMENTÁRIOS:

Alternativa A: A Lei 12.846/13 dispõe sobre a responsabilidade administrativa e civil


de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a Administração Pública, nacional ou estran-
geira, com o desiderato de promover a punição da própria entidade e não apenas das pessoas
físicas que atuam em seu nome.

Consoante o disposto no artigo 2º da Lei 12846/13, a responsabilidade administrativa


e civil da pessoa jurídica é objetiva, ou seja, prescinde da comprovação de culpa e da imputação
de uma conduta humana individual. Nesse sentido, dispõe o artigo 3º do mesmo diploma legal:

Art. 3o  A responsabilização da pessoa jurídica não exclui a responsabi-


lidade individual de seus dirigentes ou administradores ou de qualquer
pessoa natural, autora, coautora ou partícipe do ato ilícito.
§ 1o  A pessoa jurídica será responsabilizada independentemente da
responsabilização individual das pessoas naturais referidas no caput.
§ 2o  Os dirigentes ou administradores somente serão responsabiliza-
dos por atos ilícitos na medida da sua culpabilidade.

Denota-se, portanto, que embora seja possível a responsabilização conjunta da pes-


soa jurídica e das pessoas físicas que atuarem em seu nome, o legislador não adotou a teoria da
dupla imputação, de sorte que a responsabilidade da pessoa jurídica é independente e autôno-
ma em relação às pessoas naturais autoras, coautoras ou partícipes do ato ilícito.

Alternativa B: Dispõe o artigo 4º, §2º da Lei 12846/13:

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As sociedades controladoras, controladas, coligadas ou, no âmbito do
respectivo contrato, as consorciadas serão solidariamente responsáveis
pela prática dos atos previstos nesta Lei, restringindo-se tal responsa-
bilidade à obrigação de pagamento de multa e reparação integral do
dano causado.

A partir da leitura do dispositivo legal em análise verifica-se que a responsabilidade


solidária das pessoas jurídicas que integram o mesmo grupo econômico é restrita ao pagamen-
to da multa e à reparação integral do dano causado, excluídas, portanto, as demais sanções
aplicadas em virtude da prática de atos contra a Administração Pública.

Alternativa C: O acordo de leniência é uma espécie de “delação premiada”, celebrado


entre a pessoa jurídica responsável pela prática do ato lesivo e a autoridade máxima do órgão
ou entidade se preenchidos, cumulativamente, os seguintes requisitos enumerados pelo artigo
16, § 1º da Lei 12846/13:

I - a pessoa jurídica seja a primeira a se manifestar sobre seu interesse


em cooperar para a apuração do ato ilícito;
II - a pessoa jurídica cesse completamente seu envolvimento na infração
investigada a partir da data de propositura do acordo;
III - a pessoa jurídica admita sua participação no ilícito e coopere plena
e permanentemente com as investigações e o processo administrativo,
comparecendo, sob suas expensas, sempre que solicitada, a todos os
atos processuais, até seu encerramento.

Preenchidos os pressupostos legais, o acordo de leniência resultará na isenção das


seguintes sanções: publicação da decisão condenatória (artigo 6º, inciso II da Lei 12846/13) e
proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou empréstimos de órgãos ou
entidades públicas e de instituições financeiras públicas ou controladas pelo poder público (ar-
tigo 19, inciso IV da Lei 12846/13), além da redução do valor da multa em até 2/3 (dois terços).
Porém, a celebração do acordo de leniência não exime a pessoa jurídica da obrigação de reparar
integralmente o dano causado e interrompe o prazo prescricional dos atos ilícitos praticados
contra a Administração Pública. (artigo 16, § 2º, 3º e 9º da Lei 12846/13).

Alternativa D: Tendo em vista a independência entre as instâncias, além de ser pu-


nida na seara administrativa, a pessoa jurídica também poderá ser responsabilizada na esfera
judicial, mediante o ajuizamento de ação pelo ente público contra quem foi praticado o ato le-
sivo (União, Estado/DF, Município) ou pelo Ministério Público (artigos 18 e 19 da Lei 12846/13).
A procedência da demanda poderá resultar na imposição das seguintes sanções, previstas no
artigo 19 da Lei 12846/13:

I - perdimento dos bens, direitos ou valores que representem vantagem

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ou proveito direta ou indiretamente obtidos da infração, ressalvado o
direito do lesado ou de terceiro de boa-fé;
II - suspensão ou interdição parcial de suas atividades;
III - dissolução compulsória da pessoa jurídica;
IV - proibição de receber incentivos, subsídios, subvenções, doações ou
empréstimos de órgãos ou entidades públicas e de instituições finan-
ceiras públicas ou controladas pelo poder público, pelo prazo mínimo
de 1 (um) e máximo de 5 (cinco) anos.

Além da aplicação de tais penalidades, consoante o disposto no artigo 20 da Lei


12846/13, nas ações ajuizadas pelo Ministério Público, poderão ser aplicadas sanções de nature-
za administrativa, quando constatada a omissão das autoridades competentes para promover a
responsabilização da pessoa jurídica nesta seara.

Alternativa E: Como dito, por força da independência entre as instâncias, a punição


da pessoa jurídica na seara administrativa não impede a sua responsabilização na esfera judicial.
No mesmo sentido, dispõe o artigo 30, inciso I da Lei 12846/13 em relação à prática de atos de
improbidade administrativa e atos ilícitos praticados no âmbito de licitações e contratos cele-
brados pela Administração Pública:

Art. 30. A aplicação das sanções previstas nesta Lei não afeta os proces-
sos de responsabilização e aplicação de penalidades decorrentes de:
I - ato de improbidade administrativa nos termos da Lei no 8.429, de 2
de junho de 1992; e
II - atos ilícitos alcançados pela Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, ou
outras normas de licitações e contratos da administração pública, inclu-
sive no tocante ao Regime Diferenciado de Contratações Públicas - RDC
instituído pela Lei no 12.462, de 4 de agosto de 2011.

Portanto, a aplicação das sanções previstas na Lei 12846/13 não exclui a possibilidade
de incidência das penalidades decorrentes da prática de atos de improbidade administrativa.

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