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SUMÁRIO

1 – DIREITO CONSTITUCIONAL | p.3

2 – DIREITO ADMINISTRATIVO | p.28

3 – DIREITO PENAL | p.45

4 – DIREITO PROCESSUAL PENAL | p.73

5 – DIREITO CIVIL | p.108

6 – DIREITO PROCESSUAL CIVIL | p.142

7 – DIREITO DO CONSUMIDOR | p.168

8 – DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE | p.183

9 – DIREITO EMPRESARIAL | p.18

10 – DIREITO ELEITORAL | p.197

11 – DIREITO AMBIENTAL | p.205

OBS.: OS JULGADOS SOBRE DIREITO TRIBUTÁRIO E OS JULGADOS DO TSE SERÃO


DISPONIBILIZADOS NA RODADA 9 DO CURSO.

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DIREITO CONSTITUCIONAL:

DIREITOS FUNDAMENTAIS

ESTADO DE COISAS INCONSTITUCIONAL

STF

O Estado de Coisas Inconstitucional ocorre quando verifica-se a existência de um quadro


de violação generalizada e sistêmica de direitos fundamentais, causado pela inércia ou
incapacidade reiterada e persistente das autoridades públicas em modificar a conjuntura, de
modo que apenas transformações estruturais e a atuação de uma pluralidade de autoridades
podem modificar a situação inconstitucional.

*Origem: Corte Constitucional da Colômbia em 1997, com a chamada Sentencia de Unificación;


existe também notícia de utilização dessa expressão pela Corte Constitucional do Peru.

*Pressupostos (Carlos Alexandre de Azevedo Campos)


a) vulneração massiva e generalizada de direitos fundamentais de um número significativo de
pessoas;
b) prolongada omissão das autoridades no cumprimento de suas obrigações para garantia e
promoção dos direitos;
c) a superação das violações de direitos pressupõe a adoção de medidas complexas por uma
pluralidade de órgãos, envolvendo mudanças estruturais, que podem depender da alocação
de recursos públicos, correção das políticas públicas existentes ou formulação de novas
políticas, dentre outras medidas; e
d) potencialidade de congestionamento da justiça, se todos os que tiverem os seus direitos
violados acorrerem individualmente ao Poder Judiciário.

O Estado de Coisas Inconstitucional gera um “litígio estrutural”, ou seja, existe um número


amplo de pessoas que são atingidas pelas violações de direitos. Diante disso, para enfrentar
litígio dessa espécie, a Corte terá que fixar “remédios estruturais” voltados à formulação e
execução de políticas públicas, o que não seria possível por meio de decisões mais tradicionais.
A Corte adota, portanto, uma postura de ativismo judicial estrutural diante da omissão dos
Poderes Executivo e Legislativo, que não tomam medidas concretas para resolver o problema,
normalmente por falta de vontade política.

O reconhecimento do Estado de Coisas Inconstitucional é uma técnica que não está


expressamente prevista na Constituição ou em qualquer outro instrumento normativo e,
considerando que “confere ao Tribunal uma ampla latitude de poderes, tem-se entendido que
a técnica só deve ser manejada em hipóteses excepcionais, em que, além da séria e

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generalizada afronta aos direitos humanos, haja também a constatação de que a intervenção
da Corte é essencial para a solução do gravíssimo quadro enfrentado. São casos em que se
identifica um “bloqueio institucional” para a garantia dos direitos, o que leva a Corte a assumir
um papel atípico, sob a perspectiva do princípio da separação de poderes, que envolve uma
intervenção mais ampla sobre o campo das políticas públicas.

**O STF reconheceu que o sistema penitenciário brasileiro vive um “Estado de Coisas
Inconstitucional”, com uma violação generalizada de direitos fundamentais dos presos. As
penas privativas de liberdade aplicadas nos presídios acabam sendo penas cruéis e desumanas.
Vale ressaltar que a responsabilidade por essa situação deve ser atribuída aos três Poderes
(Legislativo, Executivo e Judiciário), tanto da União como dos Estados-Membros e do Distrito
Federal.
A ausência de medidas legislativas, administrativas e orçamentárias eficazes representa uma
verdadeira “falha estrutural” que gera ofensa aos direitos dos presos, além da perpetuação e
do agravamento da situação.
Assim, cabe ao STF o papel de retirar os demais poderes da inércia, coordenar ações visando a
resolver o problema e monitorar os resultados alcançados.
Diante disso, o STF, em ADPF, concedeu parcialmente medida cautelar determinando que:
1) juízes e Tribunais de todo o país implementem, no prazo máximo de 90 dias, a audiência de
custódia;
2) a União libere, sem qualquer tipo de limitação, o saldo acumulado do Fundo Penitenciário
Nacional para utilização na finalidade para a qual foi criado, proibindo a realização de novos
contingenciamentos.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO: BIOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS

STF

- biografias não autorizadas não eram permitidas no Brasil, com fundamento nos artigos 20
(referência à imagem-atributo) e 21/CC

*STF: para que seja publicada uma biografia não é necessária a autorização prévia do indivíduo
biografado, das demais pessoas retratadas ou de seus familiares, em caso de pessoas falecidas
ou ausentes.
- a exigência de autorização seria uma forma de censura, incompatível com a liberdade de
expressão
- a CF assegura a liberdade de pensamento e de sua expressão como direito fundamental
- a CF veda qualquer forma de censura (inclusive subliminar pelo Estado ou por particular
sobre direito de outrem)

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- a CF garante o direito de acesso à informação e de pesquisa acadêmica (para o que a biografia
seria fonte fecunda)
- a legislação infraconstitucional não poderia restringir direitos fundamentais constitucionais,
ainda que sob o pretexto de estabelecer formas de proteção, impondo condições ao exercício
de liberdades de forma diversa da constitucionalmente fixada

* violação aos direitos da personalidade do retratado: direito à reparação (pecuniária e


por outros meios – publicação de ressalva, nova edição com correção, direito de resposta,
responsabilidade penal do autor por ex)

LIBERDADE DE IMPRENSA – DIREITO DE CRÍTICA/SIGILO DA FONTE

STF

*Direito de crítica:

- prerrogativa fundamental que se compreende na liberdade de manifestação do pensamento


- Declaração de Chapultepec: vedação à censura (valor essencial ao regime democrático, à
liberdade)
- responsabilidade subjetiva da imprensa: excludentes anímicas (ausência de intuito doloso
de ofender)
- ânimo de informar e criticar – excludente anímica, ainda que o seu exercício resulte opinião
jornalística extremamente dura e contundente
- contra figuras públicas ou notórias: interesse público na informação

*Sigilo da fonte

- expressiva garantia de ordem jurídica que, outorgada a qualquer jornalista em decorrência


de sua atividade profissional, destina-se, em última análise, a viabilizar, em favor da própria
coletividade, a ampla pesquisa de fatos ou eventos cuja revelação impõe-se por razões de
estrito interesse público
- nenhum jornalista poderá ser compelido a indicar o nome de seu informante ou a fonte de
suas informações, bem como não poderá sofrer qualquer sanção motivada por seu silêncio ou
por sua legítima recusa em responder às indagações que lhe sejam eventualmente dirigidas
com o objetivo de romper o sigilo da fonte.
- longe de qualificar-se como mero privilégio de ordem pessoal ou de caráter estamental,
configura, na realidade, meio essencial à plena realização do direito constitucional de informar

**o Poder Judiciário não pode, com fundamento no poder geral de cautela, praticar atos de
censura

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DIREITO DE RESPOSTA

STF

- o direito de resposta tem status constitucional e densidade normativa suficiente para ser
assegurado no caso concreto, independentemente de regulamentação legislativa
- aplicação subsidiária de outros diplomas normativos (Lei 9504/96, por exemplo)
- instrumento destinado a neutralizar os danos decorrentes do exercício abusivo da liberdade
de expressão
- dupla vocação: preservação dos direitos da personalidade e direito à informação exata e
precisa
- aplicação horizontal dos direitos fundamentais: qualquer pessoa que seja vítima de publicação
inverídica e ofensiva pode invocar o direito de resposta em seu favor
- conflito entre liberdades fundamentais: liberdade de expressão e informação X honra,
imagem e verdade: ponderação de interesses no caso concreto (artigo 5º, incisos V e X/CF)
- Vital Moreira – concepções do direito de resposta: mecanismo de defesa dos direitos
da personalidade; direito individual de expressão e opinião; instrumento de pluralismo
informativo; dever de verdade da imprensa e forma de sanção sui generis ou de indenização
em espécie
- caráter transindividual do direito de resposta: o direito de resposta propicia em favor de
um número indeterminado de pessoas (mesmo daquelas não atingidas diretamente pela
publicação inverídica ou incorreta) a concretização do direito à informação correta, precisa e
exata
- processo de democratização dos meios de comunicação em massa; superação do antigo
conceito liberal do “livre mercado de idéias” em decorrência das distorções provocadas pelo
fenômeno do oligopólio dos meios de comunicação
- previsão do direito de resposta no Pacto de São Jose da Costa Rica
- Opinião Consultiva nº 7/86 da Corte Interamericana de Direitos Humanos: desnecessidade
de regulamentação pelo ordenamento interno ou doméstico

SIGILO BANCÁRIO - FISCO

STF

As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios podem requisitar diretamente das instituições financeiras informações sobre as
movimentações bancárias dos contribuintes (o artigo 6º da LC 105/2001 é constitucional)
- não há quebra de sigilo bancário (tramitação sigilosa entre as instituições financeiras e o
Fisco)
- o acesso às informações não é franqueado à pessoas estranhas ao órgão fazendário, portanto,
a intimidade do contribuinte não é exposta a terceiros

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- o sigilo bancário não é absoluto e deve ceder espaço ao princípio da moralidade nas hipóteses
em que transações bancárias indiquem a prática de ilicitudes.
- o dever fundamental de pagar tributos está alicerçado na ideia de solidariedade social
(contribuição de cada cidadão para a manutenção e o desenvolvimento de um Estado
que promove direitos fundamentais), é preciso adotar mecanismos efetivos de combate à
sonegação fiscal.
- retrocesso diante dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil para combater
ilícitos como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e para coibir práticas de organizações
criminosas.
- a identificação de patrimônio, rendimentos e atividades econômicas do contribuinte pela
administração tributária confere efetividade ao princípio da capacidade contributiva

*Os Estados-Membros e os Municípios somente podem obter as informações previstas no


art. 6º da LC 105/2001, uma vez regulamentada a matéria de forma análoga ao Decreto nº
3.724/2001, observados os seguintes parâmetros:
a) pertinência temática entre a obtenção das informações bancárias e o tributo objeto de
cobrança no procedimento administrativo instaurado;
b) prévia notificação do contribuinte quanto à instauração do processo e a todos os demais
atos, garantido o mais amplo acesso do contribuinte aos autos, permitindo-lhe tirar cópias,
não apenas de documentos, mas também de decisões;
c) sujeição do pedido de acesso a um superior hierárquico;
d) existência de sistemas eletrônicos de segurança certificados e com o registro de acesso e
e) estabelecimento de mecanismos efetivos de apuração e correção de desvios.

** STJ: os dados obtidos pela Receita Federal com fundamento no art. 6º da LC 105/2001,
mediante requisição direta às instituições bancárias no âmbito de processo administrativo
fiscal, sem prévia autorização judicial, não podem ser utilizados no processo penal. Contudo,
esse entendimento tende a ser revisto diante da declaração de constitucionalidade do artigo
6º da LC 105/2001.

RACISMO

STF – INF 849

*Um dos aspectos da liberdade religiosa é o direito que o indivíduo possui de não apenas
escolher qual religião irá seguir, mas também o de fazer proselitismo religioso.

*Proselitismo religioso significa empreender esforços para convencer outras pessoas a também
se converterem à sua religião.

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*A prática do proselitismo, ainda que feita por meio de comparações entre as religiões (dizendo
que uma é melhor que a outra) não configura, por si só, crime de racismo. Só haverá racismo
se o discurso dessa religião supostamente superior for de dominação, opressão, restrição de
direitos ou violação da dignidade humana das pessoas integrantes dos demais grupos.

*Se essa religião supostamente superior pregar que tem o dever de ajudar os “inferiores” para
que estes alcancem um nível mais alto de bem-estar e de salvação espiritual e, neste caso não
haverá conduta criminosa.

ORGANIZAÇÃO DO ESTADO

FORMAÇÃO DE NOVOS MUNICÍPIOS

STF

*Municípios criados até 31/12/2006: convalidados pela EC 57/08


*leis estaduais que criarem Municípios após 31/12/2006: inconstitucionais por violação ao
artigo 18, 4º/CF (norma de eficácia limitada – não existe LC federal)

CRIMES DE RESPONSABILIDADE – GOVERNADORES

STF

*Competência privativa da União para legislar sobre direito penal e processual penal (artigos
22, I e 85/CF, súmula 722/STF)

*Julgamento pela ALE: NÃO


- artigo 78, 3º da Lei 1079/50: norma específica – julgamento por Tribunal Especial

*Autorização da ALE para processo e julgamento: SIM


- simetria
- preservação da normalidade institucional das funções do Executivo; autonomia política dos
Estados
- não prejuízo para a jurisdição: o prazo prescricional fica suspenso
- não precisa de autorização para prisão e investigação

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FARMÁCIAS PODEM VENDER PRODUTOS DE CONVENIÊNCIA

STF

- não violação ao artigo 24, XII/CF: comércio local


- Lei 5991/73 (União): não proíbe
- Resolução ANVISA viola o princípio da legalidade

ORGANIZAÇÃO DOS PODERES

PODER LEGISLATIVO

IMUNIDADE FORMAL PARLAMENTAR (incoercibilidade pessoal relativa – “freedom from


arrest”) – CRIME PRATICADO ANTES DA DIPLOMAÇÃO

STF

*Imunidade quanto ao processo: NÃO


*Imunidade quanto à prisão (somente prisão cautelar): SIM (artigos 53, 2º, 3º e 4º/CF

IMUNIDADE MATERIAL PARLAMENTAR (“freedom from speech”)

STF

*DENTRO do Parlamento: ABSOLUTA


*FORA do Parlamento: relação com o exercício do mandato (manifestações com um mínimo
de teor político)
- Exs: declarações sobre fatos que estejam sendo debatidos pela sociedade; discursos sobre
fatos que estão sendo investigados por CPI ou pelos órgãos de persecução penal (Polícia,
MP); opiniões sobre temas que sejam de interesse de setores da sociedade, do eleitorado, de
organizações ou grupos representados no parlamento etc.
- proteção adicional ao direito fundamental à liberdade de expressão
- objetivo: assegurar um bem maior, a própria democracia

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PERDA DO MANDATO DE DEPUTADO E SENADOR EM CASO DE CONDENAÇÃO CRIMINAL

STF

Condenação criminal transitada em julgado - suspensão dos direitos políticos (artigo 15, III/
CF) – perda do mandato por falta de condição de elegibilidade (artigo 14, 3º, II/CF)

*1ª corrente (majoritária atualmente): necessidade de deliberação da Casa respectiva (artigo


55, VI e 2º/CF – norma específica que excepciona a regra geral)

*2ª corrente: desnecessidade de deliberação da Casa respectiva se a decisão condenatória


determinou a perda do mandato, nos termos do artigo 92, I do CP (a deliberação da Casa
Legislativa possui efeito meramente declaratório)

STF – INF 863

Se o STF condenar um parlamentar federal e decidir que ele deverá perder o cargo, isso
acontece imediatamente ou depende de uma deliberação da Câmara dos Deputados ou do
Senado Federal respectivamente?

*Se o Deputado ou Senador for condenado a mais de 120 dias em regime fechado: a perda do
cargo será uma consequência lógica da condenação. Neste caso, caberá à Mesa da Câmara ou
do Senado apenas declarar que houve a perda (sem poder discordar da decisão do STF), nos
termos do art. 55, III e § 3º da CF/88.

**Se o Deputado ou Senador for condenado a uma pena em regime aberto ou semiaberto:
a condenação criminal não gera a perda automática do cargo. O Plenário da Câmara ou do
Senado irá deliberar, nos termos do art. 55, § 2º, se o condenado deverá ou não perder o
mandato.

AFASTAMENTO DE PARLAMENTAR DO CARGO POR DECISÃO JUDICIAL

STF

*Fundamento da decisão: medida cautelar prevista no art. 319, VI, do CPP:


- amplitude do termo “função pública”: exercem função pública todos aqueles que prestam
serviços ao Estado e às pessoas jurídicas da Administração indireta, aí incluídos os agentes
políticos, os servidores públicos, assim como os particulares em colaboração com o Poder
Público.

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- dupla função da medida cautelar: 1) preservação da utilidade do processo, evitando que
o detentor da função pública dificulte ou impeça o trabalho de persecução penal; e 2)
preservação da finalidade pública do cargo, eliminando a possibilidade de que o titular da
função se utilize do cargo em favor de conveniências particulares.
- os §§ 2º e 3º do art. 55 da CF outorgam às Casas Legislativas do Congresso Nacional a
competência para decidir a respeito da perda do mandato político. Isso não significa, no
entanto, que o Poder Judiciário não possa suspender o exercício do mandato parlamentar
(princípio da inafastabilidade da jurisdição)
- as imunidades parlamentares não são absolutas, podendo ser relativizadas quando o cargo
não for exercido segundo os fins constitucionalmente previstos
- os membros do Poder Judiciário (artigo 29 da LOMAN) e até o chefe do Poder Executivo (art.
86, § 1º, I, da CF) podem ser afastados de suas atribuições quando do recebimento da denúncia
ou queixa; não há razão para conferir tratamento diferenciado apenas aos Parlamentares,
livrando-os de qualquer intervenção preventiva no exercício do mandato por ordem judicial
- dignidade da instituição ocupada pelo parlamentar
- probidade e moralidade na Administração
- a legitimidade do mandato pressupõe a observância de dois compromissos: com os
representados e com o projeto de país que se obrigou a cumprir
- não somente os atos legislativos, mas também o veículo da vontade popular – o mandato
– está sujeito a controle pelo Poder Judiciário, em situações excepcionais, diante de indícios
concretos que demonstrem risco de quebra da respeitabilidade das instituições.

**Em se tratando de processos de cunho acentuadamente político, como é o caso da cassação


de mandato parlamentar, o STF deve se pautar pelo respeito às decisões do Legislativo e
pela autocontenção (técnica oposta ao ativismo judicial), somente intervindo em casos
excepcionalíssimos, em uma das seguintes hipóteses:
a) para assegurar o cumprimento da Constituição Federal;
b) para proteger direitos fundamentais; ou
c) para resguardar os pressupostos de funcionamento da democracia e das instituições
republicanas.

MS CONTRA PROJETO DE LEI EM TRÂMITE NO CONGRESSO NACIONAL

STF

*Controle prévio pelo Poder Judiciário – EXCEÇÃO:


- PEC ofensiva á cláusula pétrea
- PL ou PEC viola devido processo legislativo

*aprovação do PL: perda de objeto do MS

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INICIATIVA PRIVATIVA DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO

*Artigo 61/CF
- princípio da simetria
- processo legislativo: norma de reprodução obrigatória

**norma originária da CE ou LODF: não está limitada pelo artigo 61/CF

*** PEC também não está limitada pelo artigo 61.

TRIBUNAIS DE CONTAS

STF - INF 847

*É inconstitucional norma da Constituição Estadual que preveja que compete privativamente


à Assembleia Legislativa julgar as contas do Poder Legislativo estadual. Seguindo o modelo
federal, as contas do Poder Legislativo estadual deverão ser julgadas pelo TCE, nos termos do
art. 71, II c/c art. 75, da CF/88.

**A permissão para que as Câmaras Legislativas apreciem as contas anuais dos Prefeitos
mesmo sem parecer do TCE, caso este não o ofereça em 180 dias, viola o art. 31, § 2º, da CF/88.
Pela leitura desse dispositivo, a elaboração do parecer prévio é sempre necessária e a Câmara
Municipal somente poderá dele discordar se houver manifestação de, no mínimo, 2/3 dos
Vereadores.

MEDIDAS PROVISÓRIAS

STF - INF 857

*Os parlamentares poderão apresentar emendas durante a tramitação de uma medida


provisória, no entanto, tais emendas deverão ter relação de pertinência temática com a medida
provisória que está sendo apreciada.

*Contrabando parlamentar: É a inserção, por meio de emenda parlamentar, de assunto


diferente do que é tratado na medida provisória que tramita no Congresso Nacional, sendo
uma prática vedada.

*Inconstitucionalidade do contrabando parlamentar: ADI 5127/DF, em 15/10/2015 (Info 803).

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**Modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade: todas as leis que foram
aprovadas até 15/10/2015 serão mantidas como válidas (hígidas) mesmo que tenham sido
fruto de contrabando legislativo.

TRIBUNAL DE CONTAS

STF - INF 858

*O prazo prescricional para que o TCU aplique multas é de 5 anos, aplicando-se a previsão do
art. 1º da Lei nº 9.873/99. Caso esteja sendo imputada ao agente público a conduta omissiva de
ter deixado de tomar providências que eram de sua responsabilidade, tem-se que, enquanto
ele permaneceu no cargo, perdurou a omissão. No momento em que o agente deixou o cargo,
iniciou-se o fluxo do prazo prescricional.

PODER EXECUTIVO

RITO DO PROCESSO DE IMPEACHMENT

STF

*Impeachment: duas acepções:


- processo instaurado para apurar a prática de crime de responsabilidade por determinadas
autoridades públicas
- sanção aplicada ao agente público condenado pela prática de crime de responsabilidade
(perda do cargo e inabilitação para o exercício de função pública por 8 anos)

*Autoridades que podem sofrer um processo de impeachment:


• Presidente da República;
• Vice-Presidente da República;
• Ministros de Estado (nos crimes conexos com aqueles praticados pelo Presidente da
República);
• Ministros do STF;
• membros do CNJ e do CNMP;
• Procurador-Geral da República;
• Advogado-Geral da União;
• Governadores;
• Prefeitos.

*O pedido de impeachment pode ser formulado por qualquer cidadão em pleno gozo de seus
direitos políticos, perante a Câmara dos Deputados.

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**Principais conclusões do STF acerca do rito aplicável ao processo de impeachment:

1) Não há direito à defesa prévia antes do recebimento da denúncia pelo Presidente da Câmara.
- a apresentação de defesa prévia não é uma exigência do princípio constitucional da ampla
defesa: ela é exceção, e não a regra no processo penal.

2) É possível a aplicação subsidiária dos Regimentos Internos da Câmara e do Senado que


tratam sobre o impeachment, desde que sejam compatíveis com os preceitos legais e
constitucionais pertinentes.

3) Após o início do processo de impeachment, durante a instrução probatória, a defesa tem o


direito de se manifestar após a acusação.

4) O interrogatório deve ser o ato final da instrução probatória.

5) O recebimento da denúncia no processo de “impeachment” ocorre apenas após a decisão


do Plenário do Senado Federal. Assim, a Câmara dos Deputados somente atua no âmbito pré-
processual, não valendo a sua autorização como um recebimento da denúncia, em sentido
técnico. Compete ao Senado decidir se deve receber ou não a denúncia cujo prosseguimento
foi autorizado pela Câmara. O Senado não está vinculado à decisão da Câmara.
- de acordo com a doutrina majoritária, o Senado está vinculado à decisão da Câmara; a Câmara
é o tribunal de pronúncia e o Senado é o tribunal de julgamento.
- STF: a Câmara não funciona como um “tribunal de pronúncia”, mas apenas implementa ou
não uma condição de procedibilidade para que a acusação prossiga no Senado
- se a decisão da Câmara admitindo a acusação fosse considerada vinculante, isso significaria
que, quando chegasse ao Senado, esta Casa seria obrigada a instaurar o processo e, a partir
deste momento, o Presidente teria que ser afastado de suas funções. Na prática, a decisão de
afastar o Presidente seria da Câmara, porque o Senado não poderia discordar. Com a decisão
do STF, quando o exame chegar ao Senado, este terá liberdade para decidir se instaura ou
não o processo. Se instaurar, o Presidente é afastado. Se não instaurar, a denúncia é rejeitada.
Desse modo, o poder de afastar provisoriamente o Presidente fica sendo do Senado.

6) A decisão do Senado que delibera se instaura ou não o processo se dá pelo voto da maioria
simples, presente a maioria absoluta de seus membros.

7) É possível a aplicação analógica dos arts. 44, 45, 46, 47, 48 e 49 da Lei 1.079/1950 — os quais
determinam o rito do processo de “impeachment” contra Ministros do STF e o PGR —

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ao processamento no Senado Federal de crime de responsabilidade contra o Presidente da
República.

8) Não é possível que sejam aplicadas, para o processo de impeachment, as hipóteses de


impedimento do CPP.
- a Lei nº 1.079/50 já prevê as hipóteses em que os Deputados estarão impedidos de participar
do processo de impeachment; assim, não há lacuna na lei que justifique a incidência subsidiária
do CPP.

9) A eleição da comissão especial do impeachment deve ser feita por indicação dos líderes e
voto aberto do Plenário. Os representantes dos partidos políticos ou blocos parlamentares que
irão compor a chapa da comissão especial da Câmara dos Deputados deverão ser indicados
pelos líderes, na forma do Regimento Interno da Câmara dos Deputados. Assim, não é possível
a apresentação de candidaturas ou chapas avulsas para a formação da comissão especial.

10) Não é inconstitucional o dispositivo do Regimento Interno da Câmara dos Deputados que
prevê que, na votação da autorização do impeachment, a chamada dos Deputados Federais
para votar deverá ocorrer, “alternadamente, do norte para o sul e vice-versa”.
- não violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa, da impessoalidade, da
moralidade e da República;
- qualquer tipo de votação nominal, independentemente do critério adotado, jamais poderá
afastar a possibilidade de “efeito cascata”; não se pode exigir isenção e imparcialidade dos
membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Na realidade, o “impeachment” é uma
questão política que deve de ser resolvida com critérios políticos. A garantia da imparcialidade
está no alto quórum exigido para a votação.

SUBSTITUIÇÃO PRESIDENCIAL

STF – INF 850

*Os substitutos eventuais do Presidente da República a que se refere o art. 80 da CF/88, caso
ostentem a posição de réus criminais perante o STF, ficarão impossibilitados de exercer o ofício
de Presidente da República. No entanto, mesmo sendo réus, podem continuar na chefia do
Poder por eles titularizados.

*Art. 86, §1º, I, CF/88: esse dispositivo afirma que o Presidente da República é suspenso de suas
funções por 180 dias caso se torne réu em ação penal por crime comum. Ora, se o constituinte
previu esta regra para o Presidente da República, ela também deverá ser observada para seus
substitutos, como é o caso dos Presidentes da Câmara e do Senado, sob pena de violação aos
princípios da separação dos poderes (art. 2º) e republicano (art. 1º).

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PODER EXECUTIVO

STF – INF 863

*Não há necessidade de prévia autorização da Assembleia Legislativa para que o STJ receba
denúncia ou queixa e instaure ação penal contra Governador de Estado, por crime comum.
Se a Constituição Estadual exigir autorização da ALE para que o Governador seja processado
criminalmente, essa previsão é considerada inconstitucional.

*É vedado às unidades federativas instituir normas que condicionem a instauração de ação


penal contra Governador por crime comum à previa autorização da Casa Legislativa, sob pena
de inconstitucionalidade.

**O afastamento do cargo não se dá de forma automática com o recebimento da denúncia


ou queixa-crime. O STJ, no ato de recebimento da denúncia ou queixa, irá decidir, de forma
fundamentada, se há necessidade de o Governador do Estado ser ou não afastado do cargo.

PODER JUDICIÁRIO

INCONSTITUCIONALIDADE DA EC 62/09

*Inconstitucionalidade formal: não violação ao artigo 60, 2º/CF


- a CF não exige tempo mínimo entre as votações
- dois turnos: necessidade de maturação, reflexão, CF – vocação de perenidade

*Inconstitucionalidade material:
- artigo 100, 2º: princípio da igualdade
- artigo 100, 9º e 10º (também para RPV): princípios devido processo legal, contraditório, ampla
defesa, coisa julgada, isonomia, separação de poderes (superioridade processual da Fazenda
Pública)
- artigo 100, 12º (“índice...caderneta de poupança”) e artigo 1º-F da Lei 9494/97): índice ex ante,
critérios técnicos não relacionados com a inflação do período, não reflete a real flutuação de
preços, não evita a perda do poder aquisitivo da moeda; violação coisa julgada; Poder Público
– taxa Selic – princípio da isonomia
- artigo 100, 12º (independentemente de sua natureza): precatório tributário = juros de mora
crédito tributário
- artigo 100, 15º/CF e artigo 97/ADCT: princípios devido processo legal, inafastabilidade da
jurisdição, razoável duração do processo, moralidade, impessoalidade, igualdade, razoabilidade,
proporcionalidade; compromisso dos governantes com o cumprimento de decisões judiciais

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CE NÃO PODE VINCULAR RECEITAS PARA O PAGAMENTO DE UMA ESPÉCIE DE PRECATÓRIO

STF

- violação ao artigo 100/CF (criação de fila preferencial)


- vinculação de receita orçamentária: lei de iniciativa do Chefe do Executivo

CNJ/CNMP NÃO TEM COMPETÊNCIA PARA CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

STF

- órgãos de índole administrativa


- autonomia dos Tribunais e dos Estados

* Validade dos atos praticados por funcionário de fato: teoria da investidura aparente (princípios
da segurança jurídica, confiança e boa-fé).

** A atuação do Procurador-Geral da República junto ao CNJ restringe-se ao âmbito interno do


conselho, não significando que ele tenha legitimidade para impetrar mandado de segurança
contra as decisões ali proferidas.

COMPETÊNCIA DO STF PARA JULGAR AÇÕES CONTRA O CNJ E O CNMP

STF

- ações constitucionais: STF (os órgãos figuram no pólo passivo)


- outras ações: Justiça Federal de 1ª instância (a União figura como ré)
- decisão negativa (o órgão alega que não detém competência ou que não é hipótese de
intervenção; nada determina, aplica, ordena ou invalida; não há decisão; não há ato a ser
impugnado): Justiça Estadual competente para análise da impugnação do ato originário que
gerou o pedido no CNJ/CNMP – não cabe MS para o STF

*Intervenção da União
- CNJ/CNMP: órgãos da União
- União: pessoa jurídica interessada (artigo 7º, II/Lei MS)

17
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE – CONTROVÉRSIA JUDICIAL RELEVANTE

STF

- artigo 14 da Lei 9868/99: requisitos da petição inicial da ADC


- controvérsia judicial relevante sobre a lei objeto da ação: existência de decisões judiciais
declarando a inconstitucionalidade da lei
- análise qualitativa e não quantitativa: além do número de decisões deve ser analisada a
espécie normativa, a relevância da matéria nela versada e o risco de multiplicação de decisões
contrárias à constitucionalidade da lei
- é possível preencher o requisito da controvérsia judicial relevante com poucos dias de
vigência do ato normativo impugnado

POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE ADI COM ADC

STF

- medida recomendável para a promoção dos fins do processo objetivo de controle abstrato:
defesa, em tese, da harmonia do sistema constitucional
- enfrentamento coerente, célere e eficiente de questões relacionadas entre si
- rejeitar a possibilidade de cumulação traria como conseqüência apenas o fato de que o autor
iria propor novamente a ação, com fundamentos e pedidos idênticos, que seria distribuída por
prevenção

* As ações diretas de inconstitucionalidade (ADI genérica, ADC, ADI por omissão, ADPF) são
fungíveis entre si. Em razão dessa fungibilidade, é possível propor uma única ação direta, no
caso, a ADPF, cumulando pedidos para: a) não recepção de norma anterior à Constituição b)
declaração da inconstitucionalidade de normas posteriores (regimentos internos); c) superação
da omissão parcial inconstitucional. Não seria razoável exigir que fossem propostas três ações
diferentes para atingir os três objetivos acima, sendo que todos eles estão interligados e
devem ser apreciados e decididos conjuntamente. Neste caso, diante da proibição de ADI
contra normas anteriores à CF/88, a ADPF é a ação que melhor engloba essas três pretensões.

** “entidade de classe de âmbito nacional” não possui legitimidade para a instauração do


controle concentrado de constitucionalidade (art. 103, IX, da CF) quando a associação autora
representa apenas fração ou parcela da categoria profissional cujo interesse está sendo
defendido em juízo (eficácia erga omnes da decisão).

18
EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E AÇÃO RESCISÓRIA

STF

- a decisão do STF que declara a (in)constitucionalidade de preceito normativo não enseja a


reforma ou rescisão automática das decisões proferidas em outros processos anteriores que
tenham adotado entendimento diverso
- necessidade de interposição de recurso próprio ou ação rescisória (artigo 485, V/CPC),
respeitado o prazo decadencial de 2 anos
- eficácia normativa da decisão (retira a norma do plano jurídico): ex tunc
- eficácia executiva ou instrumental (efeito vinculante): ex nunc (somente em relação a atos
administrativos e decisões judiciais supervenientes)

*Ministro Teori Zavascki: sentença proferida de acordo com a jurisprudência do STF à época
– não cabe ação rescisória mesmo que alterado o entendimento em momento posterior.
Portanto, só é cabível ação rescisória para rescindir a “coisa julgada inconstitucional” se a
matéria não foi apreciada pelo STF (súmula 343/STF)

RECLAMAÇÃO CONTRA DECISÃO PROFERIDA EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO

STF

- REGRA: não cabe reclamação contra decisões proferidas pelo STF em sede de recurso
extraordinário (eficácia inter partes)
- EXCEÇÃO: quando a decisão proferida pelo STF, além de solucionar o conflito individual,
promove, expressamente, a reinterpretação de decisão proferida em sede de ADI, que reveste-
se de eficácia erga omnes e vinculante. Logo, por ter “substituído” um entendimento do STF
que tinha eficácia erga omnes e efeito vinculante, a nova decisão proferida em sede de controle
concreto ganha contornos de controle abstrato.

DECISÃO ADMINISTRATIVA DE TJ QUE ESTENDE BENEFÍCIO A TODOS OS SERVIDORES DO


PODER JUDICIÁRIO PODE SER OBJETO DE ADI

STF

- conteúdo normativo, generalidade e abstração


- violação ao artigo 37, X (necessidade de lei) e XIII (equiparação remuneratória)
- súmula 339/STF

19
CONTROLE JUDICIAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS

STF

- omissão inconstitucional (violação à CF por inércia estatal)


- comportamento que transgride a autoridade da CF
- papel do Poder Judiciário na implementação de políticas públicas: garantia da integridade e
eficácia da CF
- dever estatal de atribuir efetividade aos direitos fundamentais de índole social: limitação à
discricionariedade administrativa
- caráter cogente e vinculante das normas constitucionais, inclusive programáticas
- reserva do possível/teoria dos custos dos direitos
- núcleo consubstanciador do mínimo existencial
- “escolhas trágicas”: concretização de direitos fundamentais X alocação de recursos financeiros
- atividade de fiscalização judicial de que resulta criação jurisprudencial do direito que se
justifica para proteção de certos valores (proibição de retrocesso social, proteção ao mínimo
existencial, vedação de proteção deficiente e proibição de excesso)
- não violação ao princípio da separação de poderes

REVOGAÇÃO DO ATO NORMATIVO IMPUGNADO EM SEDE DE ADI

STF

*REGRA: perda superveniente do objeto e a ADI não deverá ser conhecida.

*EXCEÇÃO 1: “fraude processual” (a norma foi revogada de forma proposital a fim de evitar que
o STF a declarasse inconstitucional e anulasse os efeitos por ela produzidos).

**EXCEÇÃO 2: o conteúdo do ato impugnado foi repetido, em sua essência, em outro diploma
normativo. Neste caso, como não houve desatualização significativa no conteúdo do instituto,
não há obstáculo para o conhecimento da ação.

CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO – ATOS DE EFEITOS CONCRETOS

STF – INF 844

* Não viola o art. 97 da CF/88 nem a SV 10 a decisão de órgão fracionário do Tribunal que
declara inconstitucional decreto legislativo que se refira a uma situação individual e concreta,
já que é um ato de efeitos concretos.

*O que se sujeita ao princípio da reserva de plenário é a lei ou o ato normativo.

20
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Revogação do ato normativo

STF – INF 845

Revogação do ato normativo impugnado:

*Regra: haverá perda superveniente do objeto e a ADI não deverá ser conhecida (STF ADI
1203).

**Exceção 1: não haverá perda do objeto e a ADI deverá ser conhecida e julgada caso fique
demonstrado que houve “fraude processual”, ou seja, que a norma foi revogada de forma
proposital a fim de evitar que o STF a declarasse inconstitucional e anulasse os efeitos por ela
produzidos (STF ADI 3306).

***Exceção 2: não haverá perda do objeto se ficar demonstrado que o conteúdo do ato
impugnado foi repetido, em sua essência, em outro diploma normativo. Neste caso, como
não houve desatualização significativa no conteúdo do instituto, não há obstáculo para o
conhecimento da ação (ADI 2418/DF).

****Exceção 3: caso o STF tenha julgado o mérito da ação sem ter sido comunicado previamente
que houve a revogação da norma atacada. Nesta hipótese, não será possível reconhecer, após
o julgamento, a prejudicialidade da ADI já apreciada.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Conversão da MP em lei antes que a ADI proposta seja julgada

STF – INF 851

*Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes de a ação ser julgada, a MP é
convertida em lei com o mesmo texto que foi atacado, esta ADI não perde o objeto e poderá
ser conhecida e julgada.

*O autor da ADI deverá peticionar informando esta situação ao STF e pedindo o aditamento
da ação.

21
PODER JUDICIÁRIO
Eleição de Direção do TJ

STF – INF 851

*É inconstitucional norma do Tribunal de Justiça que permite a reeleição de desembargadores


para cargos de direção após o intervalo de dois mandatos.

*Violação ao artigo 93, caput, da CF/88 e ao artigo 102 da LOMAN (LC 35/79).

COMPETÊNCIA PARA JULGAR AÇÃO ORDINÁRIA CONTRA O CNJ

STF – INF 851

*Competência para julgar demandas contra o CNJ e o CNMP:

- Ações ordinárias: Juiz federal (1ª instância)

- Ações tipicamente constitucionais (MS, MI, HC e HD): STF.

ATENÇÃO: No entanto, houve um caso concreto no qual o STF conheceu e julgou uma ação
ordinária proposta por sindicato de servidores públicos contra uma decisão do CNJ, sob dois
argumentos.

1) O caso concreto discutia os poderes do CNJ para afastar lei inconstitucional. Se o STF não
julgasse a causa, isso significaria conferir à Justiça Federal de 1ª instância a possibilidade de
definir os poderes atribuídos ao CNJ para o cumprimento de sua missão, subvertendo, assim,
a relação hierárquica constitucionalmente estabelecida.

2) Além da ação ordinária proposta pelo Sindicato, diversos servidores impetraram mandados
de segurança contra a decisão do CNJ. Assim, mesmo que a ação ordinária fosse remetida para
a Justiça Federal de 1ª instância, continuariam no STF os mandados de segurança individuais.
Desse modo, o mais recomendável seria a reunião dessas ações a fim de garantir, com a
tramitação e o julgamento conjuntos, a prolação de decisões harmônicas sobre a legitimidade
da situação jurídica afetada pelo CNJ.

22
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

STF – INF 852

*Tribunais de Justiça podem exercer controle abstrato de constitucionalidade de leis municipais


utilizando como parâmetro normas da Constituição Federal, desde que se trate de normas de
reprodução obrigatória pelos estados.

CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
Causa de pedir aberta

STF – INF 856

*O STF, ao julgar as ações de controle abstrato de constitucionalidade, não está vinculado aos
fundamentos jurídicos invocados pelo autor. Assim, pode-se dizer que na ADI, ADC e ADPF,
a causa de pedir (causa petendi) é aberta. Isso significa que todo e qualquer dispositivo da
Constituição Federal ou do restante do bloco de constitucionalidade poderá ser utilizado pelo
STF como fundamento jurídico para declarar uma lei ou ato normativo inconstitucional.

COMPETÊNCIA PARA JULGAR MS CONTRA ATO DO CHEFE DO MPDFT

STJ – INF 587

*É do TRF da 1º Região (e não do TJDFT) a competência para processar e julgar mandado


de segurança impetrado contra ato do Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal que
determinou a retenção de Imposto de Renda (IR) e de contribuição ao Plano de Seguridade
Social (PSS) sobre valores decorrentes da conversão em pecúnia de licenças-prêmio, porque
está no exercício de função administrativa federal, razão pela qual não se pode reconhecer
a competência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal para o julgamento de mandado de
segurança impetrado contra tal ato.

**Quando o MS é impetrado contra atos praticados pelo PGJ-DF sob jurisdição administrativa
local, a competência será do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

23
DAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA

DO MINISTÉRIO PÚBLICO

MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO E VITALICIAMENTO

STF – Inf. 842

*O ato de vitaliciamento tem natureza de ato administrativo, e, assim, se sujeita ao controle


de legalidade do CNMP por força do art. 130-A, § 2º, II, da CF/88, cuja previsão se harmoniza
perfeitamente com o art. 128, § 5º, I, “a”, do texto constitucional.

*O CNMP, de ofício, tem competência para reformar a decisão que aprovou o Promotor de
Justiça no estágio probatório, negar o vitaliciamento e determinar a sua exoneração.

CONFLITO NEGATIVO ENTRE MPE E MPF

STF – Inf. 851

*A expropriação prevista no art. 243 da Constituição Federal pode ser afastada, desde que o
proprietário comprove que não incorreu em culpa, ainda que in vigilando ou in eligendo.

*Para que haja a sanção do art. 243, não se exige a participação direta do proprietário no
cultivo ilícito. No entanto, apesar disso, trata-se de medida sancionatória, exigindo-se algum
grau de culpa para sua caracterização.

CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL

STJ – Inf. 587

*O controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público Federal não lhe
garante o acesso irrestrito a todos os relatórios de inteligência produzidos pela Diretoria de
Inteligência do Departamento de Polícia Federal, mas somente aos de natureza persecutório-
penal (art. 9º da LC n. 75/93).

MINISTÉRIO PÚBLICO

STJ – Inf. 589

*O acesso do MPF às informações inseridas em procedimentos disciplinares conduzidos pela


OAB depende de prévia autorização judicial, nos termos do § 2º do art. 72 da Lei nº 8.906/94.

24
DA DEFENSORIA PÚBLICA

DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL

STF – Inf. 856

*A Defensoria Pública Estadual pode atuar no STJ, no entanto, para isso, é necessário que
possua escritório de representação em Brasília. Se a Defensoria Pública estadual não tiver
representação na capital federal, as intimações das decisões do STJ nos processos de interesse
da DPE serão feitas para a DPU..

TRIBUTAÇÃO E ORÇAMENTO

PORTAL DE FINANÇAS PÚBLICAS

STF

*Lei 9755/98: constitucional


- objetivo: facilitar o acesso pelo público
- informações de publicação obrigatória
- não violação ao artigo 163, I/CF (norma geral voltada a publicidade)
- competência concorrente para legislar sobre direito financeiro
- princípio da publicidade
- mecanismo de consolidação das contas públicas (artigo 51/LRF)
- norma nacional

ORDEM SOCIAL

DIFERENÇA DE CLASSES NO SUS É INCONSTITUCIONAL

STF

É inconstitucional a possibilidade de um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) pagar para


ter acomodações superiores ou ser atendido por médico de sua preferência (Portaria 113/97
do Ministério da Saúde)

- subversão da lógica do sistema; violação aos princípios da universalidade, integralidade e


equidade: não se pode conceber que um atendimento público de saúde que se pretenda
igualitário compreenda, dentro de si, diversas possibilidades de atendimento de acordo com
a capacidade econômico-financeira do paciente, sobretudo quando esse atendimento se
encontra a cargo do Estado.

25
- risco de os serviços prestados pelo SUS piorarem como forma de forçar o pagamento extra
pelos pacientes
- possibilidade de ocorrer superdimensionamento dos preços das acomodações superiores,
de forma a que os usuários do SUS arquem integralmente com os custos do tratamento

*Atendimento personalizado e dividido em classes é permitido na rede privada de saúde

TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS PELOS ÍNDIOS E RENITENTE ESBULHO

STF

*Terras tradicionalmente ocupada pelos índios


- habitavam na promulgação da CF (marco temporal)
- relação com a terra (marco da tradicionalidade da ocupação)

*EXCEÇÃO - renitente esbulho: conflito possessório iniciado no passado e persistente até


a promulgação da CF, materializado por circunstâncias de fato ou controvérsia possessória
judicializada

*Renitente esbulho (disputa da terra; expulsos há pouco tempo) não se confunde com
desocupação forçada no passado (saída voluntária; expulsos há muitos anos; desistiram de
lutar pela terra)

**É vedada a ampliação de terra indígena já demarcada, salvo em caso de vício de legalidade
do ato de demarcação e, ainda assim, desde que respeitado o prazo decadencial (precedente
– caso Raposa Serra do Sol)

VAQUEJADA

STF – Inf 842

*É inconstitucional lei estadual que regulamenta a atividade da “vaquejada”.

*Os animais envolvidos nesta prática sofrem tratamento cruel, razão pela qual esta atividade
contraria o art. 225, § 1º, VII, da CF/88.

*A obrigação de o Estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando


a valorização e a difusão das manifestações, não prescinde da observância do disposto no
inciso VII do § 1º do art. 225 da CF/88, que veda práticas que submetam os animais à crueldade.

26
OBS: Foi publicada na data de 07/06/2017 mais uma emenda constitucional. Trata-se da EC
96/2017, que acrescenta o § 7º ao art. 225 da CF/88:

Não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que
sejam manifestações culturais, registradas como bem de natureza imaterial integrante
do patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que
assegure o bem-estar dos animais envolvidos.

ASSISTÊNCIA SOCIAL

STF – Inf 861

Os estrangeiros residentes no País são beneficiários da assistência social prevista no art. 203, V,
da Constituição Federal, uma vez atendidos os requisitos constitucionais e legais.

EDUCAÇÃO

STF – Inf 862

*A garantia constitucional da gratuidade de ensino não obsta a cobrança por universidades


públicas de mensalidade em cursos de especialização.

**O conceito de “manutenção e desenvolvimento do ensino” (art. 212 da CF/88) não abrange
as atividades de pós-graduação. A pós-graduação está relacionada com a pesquisa e extensão.

ATENÇÃO: art. 242 da CF/88: “Art. 242. O princípio do art. 206, IV, não se aplica às instituições
educacionais oficiais criadas por lei estadual ou municipal e existentes na data da promulgação
desta Constituição, que não sejam total ou preponderantemente mantidas com recursos
públicos”.

27
DIREITO ADMINISTRATIVO.

PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO

NEPOTISMO – NORMA QUE IMPEDE NEPOTISMO NO SERVIÇO PÚBLICO NÃO ALCANÇA


SERVIDORES DE PROVIMENTO EFETIVO

STF – Inf. 786

*A regra que proíbe o nepotismo é


- constitucional para cargos de provimento em comissão, função gratificada, cargos de direção
e assessoramento
- mas não pode ser aplicada para servidores de provimento efetivo que passaram em concurso
público (artigo 37, I e II/CF)

**Não se exige a edição de lei em sentido formal proibindo a prática de nepotismo, pois
decorre dos princípios constitucionais do artigo 37

***Não há nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas sem influência
hierárquica sobre a nomeação (princípio da impessoalidade)

TCU – DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA

STF

- não precisa de decisão judicial


- não precisa de lei: a aplicação da teoria no direito brasileiro precedeu à edição de lei
(instrumento de repressão a atos fraudulentos – fraude e abuso de direito)
- teoria dos poderes implícitos
- princípio da moralidade
- incolumidade do erário
- interesse público primário
- revisão dos paradigmas teóricos do Direito Administrativo: princípio da legalidade e
constitucionalização do Direito Administrativo; inexistência de lei e atuação conforme os
princípios constitucionais
- princípio da intranscendência subjetiva das sanções: sanções e restrições de ordem jurídica
não podem superar a dimensão estritamente pessoal do infrator (outros exemplos de
aplicação desse princípio: inscrição de unidade da federação em cadastro de inadimplentes
por irregularidades cometidas durante a gestão anterior; inscrição do Estado/Município por
irregularidades praticadas unicamente por uma de suas autarquias; entidade integrante de
consórcio público; irregularidades praticadas por outros poderes que não o Executivo)

28
PODERES DA ADMINISTRAÇÃO

REVISÃO JURISDICIONAL DE SANÇÃO APLICADA EM PAD

STJ

*1ª corrente – NÃO, a revisão judicial restringe-se à regularidade fiscal do procedimento à luz
do contraditório e da ampla defesa

*2ª corrente – SIM, sem prejuízo da aplicação de sanção diversa (princípio da proporcionalidade)

**Aplicação imediata da sanção mesmo que pendente recurso administrativo:


autoexecutoriedade dos atos administrativos; em regra recurso administrativo não tem efeito
suspensivo (artigo 109 da lei 8112/90). (MS 19.488-DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
julgado em 25/3/2015, DJe 31/3/2015 - Informativo 559).

VEÍCULO RETIDO POR TRANSPORTE IRREGULAR DE PASSAGEIROS

STJ – Súmula 510: 1ª Seção. Aprovada em 26/03/2014.

- infração administrativa (artigo 231/CTB)


- pena: multa e retenção

*Retenção: medida administrativa; sanada a irregularidade o veículo é liberado


independentemente do pagamento de multa e outras despesas (artigos 269, I e 270/CTB)

*Remoção: medida administrativa; o veículo é levado para o depósito do órgão de trânsito


e será liberado somente mediante o pagamento de multa e outras despesas (artigos 269, I e
271/CTB)

*Apreensão: penalidade (artigos 256, IV e 262/CTB)

ORGANIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA

STF INF 858

* É aplicável o regime dos precatórios às sociedades de economia mista prestadoras de serviço


público próprio do Estado e de natureza não concorrencial.

29
AGENTES PÚBLICOS

CONCURSO PÚBLICO – CANDIDATOS APROVADOS FORA DO NÚMERO DE VAGAS

STF e STJ

*Candidato aprovado DENTRO do número de vagas: direito subjetivo à nomeação, salvo cláusula
do edital em sentido contrário (vinculação ao edital e discricionariedade da Administração)
ou situação com as seguintes características – superveniência (fato posterior à publicação do
edital), imprevisibilidade, gravidade e necessidade.

*Candidato aprovado FORA do número de vagas: expectativa de direito, mas adquire direito
subjetivo se surgirem novas vagas dentro de prazo de validade do concurso e houver interesse
da Administração em preencher as vagas (contratação precária; servidores requisitados;
abertura de novo concurso logo após o término da validade do concurso anterior). (STJ. 1ª
Turma. AgRg no ROMS 48.266-TO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015).

**Tese fixada pelo STF em sede de repercussão geral: o surgimento de novas vagas ou a abertura
de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior,
não gera automaticamente o direito à nomeação dos candidatos aprovados fora das vagas
previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da
administração, caracterizada por comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz
de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade
do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. (STF. Plenário. RE 837311/PI,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09/12/2015).

* Candidato aprovado FORA do número de vagas, quando o candidato imediatamente anterior


na ordem de classificação, aprovado DENTRO do número de vagas, for convocado e manifestar
desistência: direito subjetivo à nomeação. (STJ. 1ª Turma. AgRg no ROMS 48.266-TO, Rel. Min.
Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015 - Info 567).

* Candidato aprovado FORA do número de vagas, quando o candidato imediatamente anterior


na ordem de classificação, também aprovado FORA do número de vagas, for convocado para
vaga surgida posteriormente e manifestar desistência: direito subjetivo à nomeação. (STJ. 1ª
Turma. AgRg noRMS 41.031-PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015 - Info
567).

***Prorrogação do concurso é ato discricionário da Administração.

30
****Candidato empossado por força de decisão judicial não faz jus à indenização, mesmo
que tardia a nomeação (STF. Plenário. RE 724347/DF, Rel. para acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 26/02/2015 - Inf. 775)
- a remuneração é consequência do exercício efetivo do cargo; se não houve prestação de
serviços, o servidor não faz jus à percepção de qualquer importância a título de ressarcimento
material, sob pena de enriquecimento sem causa
- EXCEÇÃO: arbitrariedade flagrante

*****Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem,
salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores constitucionais
(tatuagens que contenham obscenidades, ideologias terroristas, que sejam discriminatórias,
que preguem a violência e a criminalidade, a discriminação de raça, credo, sexo ou origem).
(STF. Plenário. RE 898450/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/8/2016 - Info 835).
- qualquer obstáculo a acesso a cargo público deve estar relacionado unicamente ao exercício
das funções, sob pena de ofensa aos princípios da isonomia e da razoabilidade
- não há qualquer ligação objetiva e direta entre o fato de um cidadão possuir tatuagens em
seu corpo e uma suposta conduta atentatória à moral, aos bons costumes ou ao ordenamento
jurídico (liberdade de pensamento e de expressão)
- o respeito à democracia não se dá apenas na realização de eleições livres, mas também
quando se permite aos cidadãos se manifestarem da forma que quiserem, desde que isso não
represente ofensa direta a grupos ou princípios e valores éticos.

PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA – CONCURSO PÚBLICO

STF

- artigo 37, VIII/CF: compensar, mediante ações de conteúdo afirmativo as desigualdades que
afetam os indivíduos que compõem esse grupo vulnerável; ampla acessibilidade aos cargos
públicos
- recompor o próprio sentido de igualdade
- legislação infraconstitucional: Lei 7853/89 e 8112/90
- Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência: status de norma
constitucional
- compatibilidade entre o estado de deficiência e o exercício funcional
- interpretação mais favorável ao deficiente

31
DESPEDIDA DE EMPREGADO PÚBLICO PRECISA SER MOTIVADA

STF

- empresa pública/sociedade de economia mista: pessoas jurídicas de direito privado – regras


de direito privado sofrem derrogação parcial em favor de regras de direito público, entre elas
os princípios constitucionais
- princípios da isonomia e impessoalidade
- paralelismo entre a forma de admissão (concurso público) e dispensa
(RE 589998, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2013,
REPERCUSSÃO GERAL, MÉRITO DJe 11-09-2013, PUBLIC 12-09-2013)

CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA

STF

- serviço eventual/permanente, desde que sejam descritas as situações excepcionais e


transitórias que justificam a contratação temporária (previsões genéricas são inconstitucionais)
- lei de cada ente regerá o tema
- vínculo especial de Direito Administrativo (não ocupam cargo/emprego público) – não CLT
- competência da Justiça Comum
- possível tanto na Administração direta/indireta de qualquer dos Poderes

*Empregado público aposentado pelo Regime Geral pode ser contratado como servidor
temporário (os artigos 6º da Lei 8745/93 e 118, 3º da Lei 8112/90 impedem apenas a cumulação
de proventos de aposentadoria com remuneração decorrente do exercício efetivo de cargo ou
emprego público). (REsp. 1.298.503/ - Inf. 559)

REDUÇÃO DAS REMUNERAÇÕES ACIMA DO TETO CONSTITUCIONAL

STF E STJ

- EC 41/03: eficácia imediata


- não violação ao princípio da irredutibilidade (ressalva expressa - artigo 37, IX) – artigos 37,
XV, 95, III e 128, 5º, I, c
- não violação direito adquirido e ato jurídico perfeito
- princípios da moralidade, transparência, coerência hierárquica essencial à organização do
serviço público

32
* Computam-se para efeito de observância do teto remuneratório também os valores
percebidos anteriormente à vigência da EC 41/2003 a título de vantagens pessoais pelo
servidor público, dispensada a restituição de valores eventualmente recebidos em excesso e
de boa-fé até o dia 18/11/2015 (data da decisão do STF).
(RE 606358, Rel. Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 18/11/2015, PROCESSO
ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-063 DIVULG 06-04-2016 PUBLIC 07-04-2016
– Inf. 808).

ACUMULAÇÃO LÍCITA DE CARGOS E TETO REMUNERATÓRIO

STJ e STF

A remuneração de cada cargo não pode ultrapassar o teto, mas a soma das remunerações
pode exceder esse limite
- direito despido de eficácia
- vedada prestação gratuita de serviços públicos (artigo 4º da Lei 8112/90)
- enriquecimento ilícito da Administração
- Resolução 13/06 do CNJ: juiz e magistério

Regra: o teto abrange todas as espécies remuneratórias e todas as parcelas integrantes do


valor total percebido, incluídas as vantagens pessoais ou quaisquer outras.
Exceções:
Estão fora do teto as seguintes verbas:
a) parcelas de caráter indenizatório previstas em lei (§ 11 do art. 37);
b) verbas que correspondam aos direitos sociais previstos no art. 7º c/c o art. 39, § 3º da CF/88,
tais como 13º salário, 1/3 constitucional de férias etc. (posição da doutrina. Ex: Fernanda
Marinela);
c) quantias recebidas pelo servidor a título de abono de permanência em serviço (§ 19 do art.
40);
d) remuneração em caso de acumulação legítima de cargos públicos (RE 612975/MT).
(STF. Plenário. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 26 e
27/4/2017, repercussão geral - Info 862).
(STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 45.937/DF, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 05/11/2015).

*A carga horária semanal não pode ultrapassar 60 horas (princípio da eficiência). (REsp
1.565.429-SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 24/11/2015, DJe 4/2/2016 – Inf. 576).
**É possível a acumulação de um cargo público de professor com outro de intérprete e tradutor
de LIBRAS (artigo 37, XVI, “b” da CF). (STJ. 2ª Turma. REsp 1.569.547-RN, Rel. Min. Humberto
Martins, julgado em 15/12/2015 - Info 575).

33
- tradutor e intérprete de LIBRAS é um cargo “técnico” para fins de enquadramento na exceção
constitucional (arts. 6º e 7º da Lei nº 12.319/2010)
- o exercício da profissão de tradutor e intérprete de Libras exige conhecimentos técnicos
e específicos relativos a um sistema linguístico próprio, totalmente diferente da Língua
Portuguesa, mas a esta associada para fins de viabilizar a comunicação com pessoas portadoras
de deficiência
- cargo técnico é aquele para cujo exercício sejam exigidos conhecimentos técnicos específicos
de determinada área do saber e habilitação legal, não necessariamente de nível superior;
não podem ser considerados cargos técnicos aqueles que impliquem a prática de atividades
meramente burocráticas, de caráter repetitivo e que não exijam formação específica.

RECEBIMENTO INDEVIDO DE VALORES E DEVER DE RESTITUIÇÃO

STJ

*Decisão administrativa/boa-fé: NÃO


- princípio da legítima confiança
- legalidade estrita
- vedada aplicação retroativa de nova interpretação
(STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1560973/RN, julgado em 05/04/2016.)

**EXCEÇÃO: Os herdeiros devem restituir os proventos que, por erro operacional da


Administração Pública, continuaram sendo depositados em conta de servidor público após o
seu falecimento, independentemente de boa-fé (as verbas perdem o caráter alimentar após o
falecimento do servidor). (STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.387.971-DF, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 15/3/2016 - Info 579).

*Decisão judicial precária revogada: SIM


- ausência de boa-fé
- não definitividade da decisão
- não incorporação dos valores ao patrimônio do servidor de forma definitiva
- ciência do caráter precário da decisão

*Decisão judicial com trânsito em julgado rescindida: NÃO


- boa-fé.

34
ANULAÇÃO DE INVESTIDURA DE NOTÁRIO E IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO DOS
EMOLUMENTOS RECEBIDOS

STJ

- os serviços cartorários foram devidamente prestados


- os emolumentos são pagos pelos particulares usuários do serviço (artigo 28 da Lei 8935/94)
- não há prejuízo para a Administração
- há risco de enriquecimento ilícito da Administração
- emolumento tem natureza de taxa; a sua restituição não pode ser cobrada por meio de ACP
(artigo 1º, parágrafo único/LACP)
(REsp 1.228.967-RJ, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 7/8/2012 – Inf. 501).

INCONSTITUCIONALIDADE DE EFETIVAÇÃO DE SUBSTITUTO EM CARTÓRIO APÓS CF/88

STF

- o prazo decadencial do artigo 54 da Lei 8935/99 não se aplica quando o ato a ser anulado
afronta diretamente a CF (inconstitucionalidade flagrante, não há boa-fé)
- artigo 236, 3º/CF: norma autoaplicável
- inexiste direito adquirido: princípios da igualdade, impessoalidade e moralidade
- princípio da confiança pressupõe boa-fé
(STF. Plenário. MS 26860/DF, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 2/4/2014 – Inf. 741).

PRAZO DE REVISÃO DA APOSENTADORIA NO SERVIÇO PÚBLICO

STJ

- 5 anos (dec 20910): norma específica em relação ao artigo 103 da Lei 8213/91 (Regime Geral
– aplicação subsidiária)
- prazo prescricional: direito subjetivo do aposentado/concessão
- prescrição do fundo de direito: a aposentadoria é concedida por ato único; não é prestação
de trato sucessivo (prescrição progressiva)
(STJ. 1ª Seção. Pet 9.156-RJ, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 28/5/2014 - Info 542).

35
GRATIFICAÇÕES GENÉRICAS DEVEM SER ESTENDIDAS AOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS

STF e STJ

- princípio da paridade: extinto pela EC 41/03; substituído pelo princípio da preservação do


valor real (artigo 40, 3º/CF)
- gratificação pro labore faciendo: em virtude do desempenho de serviços além das atribuições
normais do cargo; quando paga indistintamente a todos os servidores da categoria assume
caráter genérico e impessoal, motivo pelo qual deve ser estendida aos inativos que ainda
possuem direito à paridade (requisitos para aposentadoria antes da EC 41; em gozo do
benefício; regras de transição da EC 41 e 47). (AgRg no REsp 1372058/CE, Rel. Ministro BENEDITO
GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/02/2014, DJe 11/02/2014).
(RE 596962, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 21/08/2014, REPERCUSSÃO
GERAL, MÉRITO DJe 29-10-2014).
Súmula Vinculante nº 20.

APOSENTADORIA ESPECIAL – PERIGO EVENTUAL

STF

- risco contingente/eventual, não inerente ao serviço prestado (atividades eventualmente


perigosas): o direito à aposentadoria especial depende da edição de norma infraconstitucional;
a sua ausência não caracteriza omissão do legislador, pois a CF não a exige;

- risco inerente à natureza do serviço prestado (atividades essencialmente perigosas): dever


de edição de norma infraconstitucional regulamentando o direito à aposentadoria especial; a
sua ausência caracteriza omissão inconstitucional, pois a CF a exige; não há discricionariedade,
mas dever de legislar
(MI 833, Rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal
Pleno, julgado em 11/06/2015, DJe 29-09-2015 PUBLIC 30-09-2015).

E-MAIL CORPORATIVO

STJ

As informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor público não


configuram prova ilícita quando relacionadas com aspectos “não pessoais” e de interesse da
Administração Pública e da própria coletividade, especialmente quando exista, nas disposições
normativas acerca do seu uso, expressa menção da sua destinação somente para assuntos e

36
matérias afetas ao serviço, bem como advertência sobre monitoramento e acesso ao conteúdo
das comunicações dos usuários para cumprir disposições legais ou instruir procedimento
administrativo.

- sigilo das comunicações telemáticas (artigo 5º, incisos X e XII da CF): não é um direito absoluto,
apesar de formalmente ilimitado (sem reserva)
- a proteção da intimidade no ambiente de trabalho (seja no setor público ou privado) limita-
se às informações familiares, da vida privada, política, religiosa e sindical
- o e-mail corporativo é um instrumento de trabalho, utilizado para assuntos relacionados com
a empresa, portanto, a imagem e a honra a serem respeitadas são as do empregador, haja vista
que tanto o computador quanto o e-mail corporativo não são de propriedade do servidor,
mas para o uso exclusivo do serviço e em benefício do trabalho, nunca para fins pessoais.
(STJ. 2ª Turma. RMS 48.665-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 15/9/2015 - Info 576).

TEORIA DO FATO CONSUMADO

Situações jurídicas consolidadas no tempo por inércia da Administração ou morosidade do


Poder Judiciário não devem ser desconstituídas em prol do princípio da segurança jurídica e
da estabilidade das relações sociais.

STF e STJ – não se aplica:


*Concurso público
-violação à regra constitucional do concurso público – artigo 37, II da CF;
- o princípio da confiança legítima não pode ser invocado quando o indivíduo tem ciência da
precariedade da decisão;
- a nomeação e a posse no cargo ocorrem por iniciativa, provocação, requerimento do próprio
particular interessado e contra a vontade da Administração Pública que não praticou nenhum
ato, nem reconheceu qualquer direito; (INF 598/STJ)
- a concessão da tutela antecipada corre por conta e responsabilidade do requerente
(STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 7/8/2014, repercussão geral
- (Info 753).
(STJ. 5ª Turma. AgRg nos EDcl no RMS 30.094/SC, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em
12/08/2014).

ATENÇÃO: o servidor que teve a sua posse tornada sem efeito em virtude da revogação da
decisão anterior não terá que devolver a remuneração recebida (verba alimentar, irrepetível;
enriquecimento ilícito do Estado).

*Exercício da profissão sem revalidação de diploma estrangeiro.

37
GREVE NO SERVIÇO PÚBLICO
Desconto na Remuneração

STF – Inf. 845

*Regra: A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes
do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo
funcional que dela decorre. É permitida a compensação em caso de acordo.

**Exceção: O desconto será incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por
conduta ilícita do Poder Público.

ATENÇÃO: Em vez de realizar o desconto, é possível que os servidores públicos façam a


compensação dos dias parados ou os descontos sejam parcelados. Contudo, não há uma
obrigatoriedade de a Administração Pública aceitar a compensação.

STJ – INF 592

Não se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela única sobre a remuneração do


servidor público dos dias parados e não compensados provenientes do exercício do direito de
greve.

APOSENTADORIA COMPULSÓRIA

STF – Inf. 851

*Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à regra


da aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge apenas os
ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade limite para
fins de nomeação a cargo em comissão.

*Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há óbice constitucional a que


o servidor efetivo, aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado que já
desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez
que não se trata de continuidade ou criação de vínculo efetivo com a Administração.

38
APOSENTADORIA

STF – Inf. 853

*O servidor que trabalhou como “aluno-aprendiz” pode utilizar este período como tempo
de serviço para fins de aposentadoria, no entanto, para isso é necessário que ele apresente
certidão do estabelecimento de ensino frequentado.

*O elemento essencial à caracterização do tempo de serviço como aluno-aprendiz não é a


percepção de vantagem direta ou indireta, mas a efetiva execução do ofício para o qual recebia
instrução, mediante encomendas de terceiros. Como consequência, a declaração emitida
por instituição de ensino profissionalizante somente comprova o período de trabalho caso
registre expressamente a participação do educando nas atividades laborativas desenvolvidas
para atender aos pedidos feitos às escolas.

APOSENTADORIA COMPULSÓRIA

STF – Inf. 854

*Não se aplica a aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF aos titulares de
serventias judiciais não estatizadas, desde que não sejam ocupantes de cargo público efetivo
e não recebam remuneração proveniente dos cofres públicos.

GREVE DE POLICIAIS

STF – Inf. 860

*O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais
civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública.

**É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos


classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização
dos interesses da categoria.

***A CF/88 proíbe expressamente que os Policiais Militares, Bombeiros Militares e militares das
Forças Armadas façam greve (art. 142, 3º, IV c/c art. 42, § 1º).

39
PAD E SERVIDOR CEDIDO

STJ – Inf.598

*A instauração de processo disciplinar contra servidor efetivo cedido deve ocorrer,


preferencialmente, no órgão em que tenha sido praticada a suposta irregularidade. Por outro
lado, o julgamento e a eventual aplicação de sanção só podem ocorrer no órgão ao qual o
servidor efetivo estiver vinculado.

CONTRATOS ADMINISTRATIVO

CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

STF – Inf. 862

*O inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere


automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja
em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93.

SERVIÇOS PÚBLICOS

ATRASO EM CONTA DE ÁGUA: SUSPENSÃO DO SERVIÇO

STJ

REGRA: a concessionária pode suspender o fornecimento do serviço por inadimplemento do


usuário, mediante prévio aviso (art. 3º, parágrafo 6º da Lei 8987/95)

EXCEÇÕES:
-débitos de morador antigo (obrigação pessoal). (STJ AgRg no AG 1399175/RJ);
- débitos antigos (não relativos ao mês de consumo). (AgRg no AREsp 484166/RS, DJE
08/05/2014
- fraude no medidor apurada unilateralmente pela concessionária. (STJ AgRg no AREsp
101.624/RS).

40
INTERRUPÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO

STJ – INF 598

É possível a interrupção do serviço público nas seguintes hipóteses previstas no art. 6º, § 3º da
Lei n.º 8.987/95:

a) Em caso de emergência (mesmo sem aviso prévio);

b) Por razões de ordem técnica ou de segurança das instalações, desde que o usuário seja
previamente avisado;

c) Por causa de inadimplemento do usuário, desde que ele seja previamente avisado.

*A divulgação da suspensão no fornecimento de serviço de energia elétrica por meio de


emissoras de rádio, dias antes da interrupção, satisfaz a exigência de aviso prévio, prevista no
art. 6º, § 3º, da Lei nº 8.987/95.

BENS PÚBLICOS

PRAZO PRESCRICIONAL NAS AÇÕES DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA

STJ

- 10 anos (artigo 1238, parágrafo único/CC): realização de obras de utilidade pública ou


interesse social

*Fundamento da ação de desapropriação indireta: artigo 35/dec 3365


- imóvel não afetado: ação possessória
- imóvel afetado: ação de desapropriação indireta
(AgRg no AREsp 650.160/ES, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em
05/05/2015, DJe 21/05/2015).

INEXISTÊNCIA DE DIREITO À INDENIZAÇÃO PELAS ACESSÕES E BENFEITORIAS EM BEM


PÚBLICO IRREGULARMENTE OCUPADO

STJ

- não há posse, mas mera detenção


- a inércia do Poder Público não pode afastar normas cogentes editadas no interesse da
coletividade

41
- não há enriquecimento ilícito da Administração (construções sem utilidade, despesas com
demolição)
(STJ. 2ª Turma. AgRg no REsp 1.470.182-RN, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em
4/11/2014 - Info 551).

*Entendimento da 3ª Turma: a ocupação de área pública, sem autorização expressa e legítima


do titular do domínio, não pode ser confundida com a mera detenção. Aquele que invade
terras e nela constrói sua moradia jamais exercerá a posse em nome alheio. Não há entre ele e
o proprietário uma relação de dependência ou subordinação. Por isso, é cabível o ajuizamento
de ações possessórias por parte de invasor de terra pública contra outros particulares.

BENS PÚBLICOS

STF – INF 862

* A EC 46/2005 não interferiu na propriedade da União, nos moldes do art. 20, VII, da Constituição
Federal, sobre os terrenos de marinha e seus acrescidos situados em ilhas costeiras sede de
Municípios.

**Art. 20. São bens da União: (...) IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros
países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham
a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental
federal, e as referidas no art. 26, II;

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO – A VÍTIMA PODE PROPOR A AÇÃO DIRETAMENTE


CONTRA O CAUSADOR DO DANO?

STF – NÃO (artigo 37, 6º/CF)


- teoria da dupla garantia: em favor do particular (o Estado tem recursos para pagar;
responsabilidade objetiva); em favor do agente público (ser responsabilizado somente se
acionado pelo Estado)
- princípio da impessoalidade
(RE 344133, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 09/09/2008; RE 720275/SC , Rel. Min. Dias
Toffoli, julgado em 10/12/2012).

STJ – SIM
- opção da vítima
- contra o Estado: responsabilidade objetiva; pagamento por precatório
- contra o agente público: responsabilidade subjetiva; execução mais célere

42
(REsp 1.325.862-PR, 4ª Turma, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 5/9/2013 (Info 532).

*Prazo prescricional: 5 anos contados do conhecimento do fato e sua autoria (Dec 20910)
**Ação de indenização em face de pessoa jurídica de direito privado prestadora de serviço
público: 5 anos (artigo 1º C da Lei 9494/97 e 14 c/c 27 do CDC) (Inf. 563/STJ)

RESPONSABILIDADE DO ESTADO POR OMISSÃO

Doutrina tradicional e STJ

Responsabilidade subjetiva (teoria da culpa anônima)

STF

Responsabilidade objetiva:
- omissão específica (inobservância de dever legal específico de agir para impedir a ocorrência
do resultado danoso)
- dano
- nexo de causalidade

*Teoria do risco administrativo: a responsabilidade pode ser afastada caso comprovado que o
Estado não poderia evitar o dano (ônus da prova do Estado).

RESPONSABILIDADE DO ESTADO

STF INF 854

Considerando que é dever do Estado, imposto pelo sistema normativo, manter em seus
presídios os padrões mínimos de humanidade previstos no ordenamento jurídico, é de sua
responsabilidade, nos termos do art. 37, § 6º, da Constituição, a obrigação de ressarcir os
danos, inclusive morais, comprovadamente causados aos detentos em decorrência da falta ou
insuficiência das condições legais de encarceramento.

PROCESSO ADMINISTRATIVO

PROCESSO ADMINISTRATIVO DISCIPLINAR

STF
1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso,
julgado em 9/8/2016 (Info 834).

43
* Respeitados todos os aspectos processuais relativos previstos pelas Leis 8.112/90 e 9.784/99,
não há qualquer impedimento ou prejuízo material na convocação dos mesmos servidores
que anteriormente tenham integrado Comissão Processante, cujo relatório conclusivo foi
posteriormente anulado (por cerceamento de defesa), para comporem a segunda Comissão de
Inquérito, desde que o motivo da anulação não esteja relacionado à suspeição ou impedimento
dos membros da comissão.
STJ. 1ª Seção. MS 16.192/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10/04/2013.

* Não é obrigatória a intimação do interessado para apresentar alegações finais após o relatório
final da comissão processante de processo administrativo disciplinar (inexiste previsão na Lei
nº 8.112/1990).
STJ. 1ª Seção. MS 18.090-DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 8/5/2013. Info 523.

* A interceptação telefônica (e outros meios de prova) realizada mediante autorização judicial


e para fins de investigação ou processo criminal, pode ser utilizada para instruir procedimento
administrativo punitivo, independentemente do trânsito em julgado da sentença penal
condenatória (independência entre as instâncias).

* Ausência de transcrição integral de dados obtidos por meio de interceptação telefônica não
gera nulidade, até mesmo no processo penal, sendo bastante que dos autos constem excertos
suficientes a embasar o oferecimento da denúncia.

- o servidor processado, que também é réu no processo criminal, tem acesso à integralidade
das interceptações e, se entender necessário, pode juntar no processo administrativo os
eventuais trechos que considera pertinentes ao deslinde da controvérsia.
- o acusado em processo administrativo disciplinar não possui direito subjetivo ao deferimento
de todas as provas requeridas nos autos, ainda mais quando consideradas impertinentes ou
meramente protelatórias pela comissão processante (art. 156, §1º, Lei nº 8.112/90).

CONSELHOS PROFISSIONAIS

CONSELHOS PROFISSIONAIS
Constitucionalidade da Lei 12.514/2011
STF – Inf. 842

* A Lei nº 12.514/2011, que trata sobre as contribuições (anuidades) devidas aos Conselhos
Profissionais, é constitucional.
*Sob o ponto de vista formal, esta Lei, apesar de ser fruto de uma MP que originalmente
dispunha sobre outro assunto, não pode ser declarada inconstitucional porque foi editada
antes de o STF declarar ilegítima a prática do “contrabando legislativo” (ADI 5127/DF).

44
*Ainda quanto ao aspecto formal, esta Lei não trata sobre normas gerais de Direito Tributário,
motivo pelo qual não precisava ser veiculada por lei complementar.
*Sob o ponto de vista material, a Lei respeitou os princípios da capacidade contributiva, da
vedação ao confisco e da legalidade.

CONSELHOS PROFISSIONAIS

STF – INF 861

*Os pagamentos devidos, em razão de pronunciamento judicial, pelos Conselhos de


Fiscalização (exs: CREA, CRM, COREN, CRO) não se submetem ao regime de precatórios.

** Apesar de os Conselhos de Fiscalização Profissional serem considerados autarquias


especiais, eles não participam do orçamento público, não recebem aporte do Poder Central
nem se confundem com a Fazenda Pública. Por essa razão, não se submetem ao regime de
precatórios.

INTERVENÇÃO ESTATAL NA PROPRIEDADE PRIVADA

DESAPROPRIAÇÃO

STF – INF 596

*É possível que o expropriante desista da ação de desapropriação a qualquer tempo, mesmo


após o trânsito em julgado, desde que:

a) ainda não tenha havido o pagamento integral do preço (pois nessa hipótese já terá se
consolidado a transferência da propriedade do expropriado para o expropriante); e

b) o imóvel possa ser devolvido sem que ele tenha sido alterado de forma substancial (que
impeça sua utilização como antes era possível).

*É ônus do expropriado provar a existência de fato impeditivo do direito de desistência da


desapropriação.

DIREITO PENAL

PARTE GERAL

ARREPENDIMENTO POSTERIOR

45
ARREPENDIMENTO POSTERIOR

STJ – INF 590

*Não se aplica o instituto do arrependimento posterior (art. 16 do CP) para o homicídio


culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB) mesmo que tenha sido realizada
composição civil entre o autor do crime a família da vítima.

*Para que seja possível aplicar a causa de diminuição de pena prevista no art. 16 do CP é
indispensável que o crime praticado seja patrimonial ou possua efeitos patrimoniais.

*O arrependimento posterior exige a reparação do dano e isso é impossível no caso do


homicídio.

FIXAÇÃO DA PENA - CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS/AGRAVANTES E ATENUANTES

CINCO ANOS APÓS O CUMPRIMENTO OU EXTINÇÃO DA PENA – MAUS ANTECEDENTES

STJ

A condenação prevalece para fins de maus antecedentes


- reincidência: sistema da temporariedade
- maus antecedentes: sistema da perpetuidade
*EXCEÇÃO: crime1 culposo – crime2 doloso

STF

A condenação não prevalece para fins de maus antecedentes


- direito ao esquecimento (efeitos nefastos de condenação anterior já extinta sejam esquecidos)
- sistema da temporariedade.

CONCURSO ENTRE AGRAVANTES E ATENUANTES: REINCIDÊNCIA E CONFISSÃO


ESPONTÂNEA

STF

Prevalece a reincidência por ser preponderante (a confissão á ato posterior ao crime, não tem
relação com os motivos do crime ou com a personalidade do agente, mas tão somente com o
seu interesse pessoal).

46
STJ

Compensam-se, pois ambas são preponderantes (a confissão revela traço da personalidade


do agente, indicando o seu arrependimento)
*EXCEÇÃO: se o réu for multirreincidente prevalece a reincidência.

**Confissão espontânea e violência contra a mulher: compensam-se, pois ambas são


preponderantes
Obs: não se aplica o princípio da insignificância aos crimes praticados com violência doméstica
e familiar contra a mulher: eventual reconciliação do casal não caracteriza atipicidade material
ou desnecessidade de pena.

***Confissão espontânea e paga ou promessa de recompensa: compensam-se, pois ambas


são preponderantes.

A AGRAVANTE DA REINCIDÊNCIA É CONSTITUCIONAL

STF
- não há bis in idem (não se pune o infrator pelo mesmo fato, mas por um novo fato além do
anterior)
- não há violação ao princípio da individualização da pena (leva-se em consideração o perfil
do réu; a primeira condenação deveria ter sido tomada como uma advertência; forma de fazer
com que pessoas desiguais não sejam tratadas de forma igual)
- não se pode afirmar que o réu voltou a delinquir por falibilidade do sistema carcerário
- a declaração de inconstitucionalidade iria valer também para todos os outros efeitos da
reincidência, prejudicando todo um sistema de política criminal de combate à delinquência.

REINCIDÊNCIA/HABITUALIDADE CRIMINOSA E PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA

STF e STJ

Não se aplica o princípio da insignificância ao criminoso habitual/reincidente


- incentivo à violação da lei penal
- objetivo: não punir desvios de conduta ínfimos
- se o agente não sofrer a punição penal, certamente não sofrerá punição alguma considerando
que a vítima dificilmente ajuizará ação civil visando à reparação dos danos patrimoniais
causados pela infração penal em razão do ínfimo prejuízo suportado com a prática delitiva
- a inação do Estado pode estimular a vítima a “fazer justiça com as próprias mãos”
*em alguns julgados foi aplicado o princípio da insignificância considerando o valor do bem e
o princípio da ofensividade.

47
**recentemente, o STF aplicou o princípio da insignificância ao delito previsto no art. 28 da Lei
de Drogas (princípio da ofensividade).
***também não se aplica crime continuado ao criminoso habitual (ausência de unidade de
desígnios – elemento subjetivo).

DOSIMETRIA DA PENA

STF INF 845

*Os elevados custos da atuação estatal para apuração da conduta criminosa e o enriquecimento
ilícito obtido pelo agente não constituem motivação idônea para a valoração negativa do
vetor “consequências do crime” na 1ª fase da dosimetria da pena.

PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA
Rádio Comunitária Clandestina

STF E STJ

*STJ: É inaplicável o princípio da insignificância ao delito previsto no art. 183 da Lei nº 9.472/97,
nas hipóteses de exploração irregular ou clandestina de rádio comunitária, mesmo que ela seja
de baixa potência, uma vez que se trata de delito formal de perigo abstrato, que dispensa a
comprovação de qualquer dano (resultado) ou do perigo, presumindo-se este absolutamente
pela lei. Nesse sentido: STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 740.434/BA, Rel. Min. Antonio Saldanha
Palheiro, julgado em 14/02/2017.

*STF: É possível, em situações excepcionais, o reconhecimento do princípio da insignificância


desde que a rádio clandestina opere em baixa frequência, em localidades afastadas dos
grandes. STF. 2ª Turma. HC 138134/BA, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 7/2/2017
(Info 853).

MEDIDAS DE SEGURANÇA

SISTEMAS DO DUPLO BINÁRIO/VICARIANTE

STJ

1ª SITUAÇÃO: aplicação de pena e medida de segurança ao semi imputável pela prática do


mesmo crime – vedado

48
2ª SITUAÇÃO: aplicação de pena e medida de segurança pela prática de crimes distintos,
quando verificada a inimputabilidade do réu no momento da prática do segundo crime –
após o cumprimento da medida de segurança, pode ser determinado o cumprimento da pena
privativa de liberdade remanescente.

3ª SITUAÇÃO: superveniência de doença mental permanente no curso da execução da pena –


substituição da pena por medida de segurança (artigo 183 da LEP).

PRESCRIÇÃO

CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 10, PARÁGRAFO 1º DO CP – VEDAÇÃO À PRESCRIÇÃO


RETROATIVA NA FASE PRÉ-PROCESSUAL

STF

-Lei 12234/10: extinguiu a prescrição retroativa na fase pré processual:


- sistema de justiça criminal pouco eficiente
- taxa de esclarecimento de delitos baixa
- esvaziar efetiva tutela jurisdicional penal
- não há correspondente no direito comparado
- questão de política criminal, opção do legislador

*não se admite a chamada prescrição em perspectiva (súmula 438/STJ):


- não há previsão legal
- viola o princípio da não culpabilidade

TERMO INICIAL DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA: TRÂNSITO EM JULGADO


PARA A ACUSAÇÃO (ART. 112, I/CP)

STF e STJ

-ofensa ao princípio da reserva legal


-ofensa ao princípio da presunção de inocência (garantia prevista em favor do réu não pode
ser invocada para prejudicá-lo)

*pressupõe trânsito em julgado para ambas as partes

49
**tese do MP: por força do princípio da não culpabilidade (art. 5º, LVII/CF) não se admite
execução provisória da pena. Não se pode dizer que o prazo prescricional começa com o
trânsito em julgado apenas para a acusação, uma vez que, se a defesa recorreu, o Estado não
pode dar início à execução da pena, já que ainda não haveria uma condenação definitiva. Se há
recurso da defesa, o Estado não inicia o cumprimento da pena não por desinteresse dele, mas
sim porque há uma vedação de ordem constitucional decorrente do princípio da presunção
de inocência. Ora, se não há desídia do Estado, não se pode falar em prescrição, sendo forçosa
a adequação hermenêutica do disposto no artigo 112, inciso I, do Código Penal, cuja redação
foi dada pela Lei n. 7.209/84, ou seja, é anterior ao atual ordenamento constitucional.

RECEBIMENTO DA DENÚNCIA POR JUIZ INCOMPETENTE E INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO

STJ
- juiz ABSOLUTAMENTE incompetente: NÃO
- juiz RELATIVAMENTE incompetente: SIM (a ratificação retroage à data do primeiro recebimento
– natureza declaratória).

REDUÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL PARA MAIORES DE 70 ANOS

STF

*REGRA: Para que incida a redução do prazo prescricional prevista no art. 115 do CP, é necessário
que, no momento da sentença, o condenado possua mais de 70 anos. Se ele só completou a
idade após a sentença, não terá direito ao benefício, mesmo que isso tenha ocorrido antes do
julgamento de apelação interposta contra a sentença.

*EXCEÇÃO: oposição de embargos de declaração contra o acórdão condenatório e


conhecimento dos embargos. Nesse caso, o prazo prescricional será reduzido pela metade se
o réu completar 70 anos até a data do julgamento dos embargos.

DOS EFEITOS DA CONDENAÇÃO

PERDA DO CARGO

STJ – INF 599

*REGRA: a pena de perdimento deve ser restrita ao cargo público ocupado ou função pública
exercida no momento da prática do delito.

50
*EXCEÇÃO: se o juiz, motivadamente, considerar que o novo cargo guarda correlação com as
atribuições do anterior, ou seja, daquele que o réu ocupava no momento do crime, neste caso
mostra-se devida a perda da nova função como uma forma de anular (evitar) a possibilidade
de que o agente pratique novamente delitos da mesma natureza.

PARTE ESPECIAL

CRIMES CONTRA A VIDA

HOMICÍDIO E PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO – PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO

STF

- NÃO: se o agente portava a arma em outras oportunidades e não a utilizou tão somente para
cometer o crime

- SIM: não há provas de que o agente já portava a arma, há prova de que o agente a utilizou
apenas para matar a vítima.

HOMICÍDIO QUALIFICADO E DOLO EVENTUAL

STF

- motivo fútil/torpe: SIM (existe decisão recente da 6ª Turma do STJ em sentido contrário)

* Não incide a qualificadora de motivo fútil (art. 121, § 2º, II, do CP), na hipótese de homicídio
supostamente praticado por agente que disputava “racha”, quando o veículo por ele conduzido
- em razão de choque com outro automóvel também participante do “racha” - tenha atingido
o veículo da vítima, terceiro estranho à disputa automobilística.
- motivo fútil corresponde a uma reação desproporcional do agente a uma ação ou omissão
da vítima.

- meios de execução: NÃO

STJ

*O reconhecimento da qualificadora da “paga ou promessa de recompensa” (inciso I do


§ 2º do art. 121) em relação ao executor do crime de homicídio mercenário não qualifica
automaticamente o delito em relação ao mandante, nada obstante este possa incidir no
referido dispositivo caso o motivo que o tenha levado a empreitar o óbito alheio seja torpe
(circunstância acidental e pessoal, portanto, incomunicável).

51
ABORTO DE FETO ANENCÉFALO

STF

FATO ATÍPICO:
- vida extrauterina inviável
-dignidade da pessoa humana, liberdade, autonomia, privacidade, saúde, integridade física e
psicológica da mãe
*retroatividade da jurisprudência mais benéfica ao réu: interpretação criativa, mudança
massificada de entendimento.

ABORTO

STF – INF 849

*Interrupção da gravidez no primeiro trimestre da gestação provocada pela própria gestante


(art. 124) ou com o seu consentimento (art. 126): NÃO É CRIME.

*A criminalização, nessa hipótese, viola diversos direitos fundamentais da mulher, bem como
o princípio da proporcionalidade.

LESÃO CORPORAL

STJ – INF 590

*A lesão corporal que provoca na vítima a perda de dois dentes tem natureza grave (art. 129,
§ 1º, III, do CP), e não gravíssima (art. 129, § 2º, IV, do CP).

*Perda de dois dentes pode até gerar uma debilidade permanente (§ 1º, III), ou seja, uma
dificuldade maior da mastigação, mas não configura deformidade permanente (§ 2º, IV).

CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO

ROUBO CIRCUNSTACIADO PELO EMPREGO DE ARMA


- arma=arma de fogo ou arma branca
- arma de brinquedo/arma desmuniciada: não incide a majorante (não tem potencialidade
lesiva)
- a arma não precisa ser apreendida e periciada (ônus da prova da defesa)
- arma com defeito (absolutamente ineficaz): não incide a majorante

52
- em regra, o delito de porte de arma de fogo fica absorvido pelo crime de roubo majorado
(princípio da consunção), salvo se provado que o agente possuía a arma em outras
oportunidades e não a utilizou somente para a prática do crime.
*não se aplica o princípio da consunção entre furto/roubo e estelionato: diversidade de
desígnios e de bens jurídicos lesados.

ESTELIONATO PREVIDENCIÁRIO

STF e STJ

BENEFICIÁRIO: crime permanente


TERCEIRO: crime instantâneo

*terceiro que apropria de cartão magnético do beneficiário e promove saque mensal do


benefício: crime continuado

** O cometimento de estelionato em detrimento de vítima que conhecia o autor do delito e


lhe depositava total confiança justifica a exasperação da pena-base em razão da consideração
desfavorável das circunstâncias do crime.

ESTELIONATO JUDICIAL

STJ

REGRA: não é crime


- direito de acesso à justiça
- natureza dialética do processo: controle pela parte contrária (defesa, recursos)
- o juiz não está obrigado a atender aos pedidos (incompatível com a idéia de ardil ou indução
a erro)
- não se pode considerar a sentença como a vantagem ilícita, pois resulta do exercício do
direito de ação
- direito penal como ultima ratio

EXCEÇÃO: se a fraude não é comprovada no curso do processo (por meio de perícia,


testemunhas, etc): há crime.

53
APROPRIAÇÃO INDÉBITA E RESSARCIMENTO DO PREJUÍZO NO JUÍZO CÍVEL

STF

*LEGISLAÇÃO/STJ: o ressarcimento do dano, mesmo antes do recebimento da denúncia não


afasta o crime de apropriação indébita; esse fato deve ser considerado como arrependimento
posterior e, portanto, servir apenas para reduzir a pena.

*STJ (com base nas peculiaridades do caso concreto): acordo homologado no juízo cível em
momento anterior ao recebimento da denúncia enseja o trancamento da ação penal por falta
de justa causa.

**O “síndico” mencionado no inciso II do § 1º, do art. 168, do Código Penal é o síndico da massa
falida (atualmente denominado “administrador judicial” da falência ou recuperação judicial -
Lei nº 11.101/2005), e não o síndico de condomínio edilício.

FURTO

STF (INF 851) E STJ (INF 554)

*É legítima a incidência da causa de aumento de pena por crime cometido durante o repouso
noturno (art. 155, § 1º) no caso de furto praticado na forma qualificada (art. 155, § 4º).

*São circunstâncias diversas, que incidem em momentos diferentes da aplicação da pena.


Assim, é possível que o agente seja condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira fase da
dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o repouso noturno.
A posição topográfica do § 1º (vem antes do § 4º) não é fator que impede a sua aplicação para
as situações de furto qualificado (§ 4º).

LATROCÍNIO

STF INF 855

*Aquele que se associa a comparsa para a prática de roubo, sobrevindo a morte da vítima,
responde pelo crime de latrocínio, ainda que não tenha sido o autor do disparo fatal ou que
sua participação se revele de menor importância.

*O agente assumiu o risco de produzir resultado mais grave, ciente de que atuava em crime de
roubo, no qual as vítimas foram mantidas em cárcere sob a mira de arma de fogo.

54
Única Subtração E Pluralidades De Mortes

STJ: ocorrendo uma única subtração, porém com duas ou mais mortes, haverá concurso
formal impróprio de latrocínios. STJ. 6ª Turma. HC 185.101/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado
em 07/04/2015.

STF: sendo atingido um único patrimônio, haverá apenas um crime de latrocínio,


independentemente do número de pessoas mortas. O número de vítimas deve ser levado
em consideração na fixação da pena-base (art. 59 do CP). É a posição também da doutrina
majoritária.

ROUBO

STJ – INF 590

Súmula 582-STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição
imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e
pacífica ou desvigiada.

EXTORSÃO

STJ – INF 590

A causa de aumento do § 1º do art. 158 do CP pode ser aplicada tanto para a extorsão simples
(caput do art. 158) como também para o caso de extorsão qualificada pela restrição da
liberdade da vítima (§ 3º).
STJ - INF 598

Configura o delito de extorsão (art. 158 do CP) a conduta do agente que submete vítima à grave
ameaça espiritual que se revelou idônea a atemorizá-la e compeli-la a realizar o pagamento de
vantagem econômica indevida.

55
CRIMES CONTRA A PROPRIEDADE INTELECTUAL

VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS – ARTIGO 184, 2º DO CP

STJ

*A perícia pode ser realizada por amostragem, sobre os aspectos externos do material
apreendido

**É dispensável a identificação individualizada dos titulares dos direitos autorais violados
- a violação de direito autoral extrapola a individualidade do titular do direito, devendo ser
tratada como ofensa ao Estado e a toda a coletividade, visto que acarreta a diminuição na
arrecadação de impostos, reduz a oferta de empregos formais, causa prejuízo aos consumidores
e aos proprietários legítimos e fortalece o poder paralelo e a prática de atividades criminosas
conexas à venda desses bens, aparentemente inofensiva.
- crime de ação penal pública incondicionada
- crime formal

***Não se aplica o princípio da insignificância


- prejuízos para a indústria fonográfica, para os fornecedores legalmente constituídos e para
o Fisco

CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL

ESTUPRO DE VULNERÁVEL

STJ – INF 587

*A conduta de contemplar lascivamente, sem contato físico, mediante pagamento, menor de


14 anos desnuda em motel pode permitir a deflagração da ação penal para a apuração do
delito de estupro de vulnerável.

**Segundo a posição majoritária na doutrina, a simples contemplação lasciva já configura


o “ato libidinoso” descrito nos arts. 213 e 217-A do Código Penal, sendo irrelevante, para a
consumação dos delitos, que haja contato físico entre ofensor e ofendido.

56
CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA

CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 273, PARÁGRAFO 1º-B DO CP

STJ

INCONSTITUCIONAL: princípios da proporcionalidade e razoabilidade


- aplica-se a pena do art. 33, caput da Lei 11343, com a possibilidade de aplicação da causa de
diminuição de pena prevista no parágrafo 4º.

STF
Existem precedentes no sentido da constitucionalidade (princípio da separação de poderes).

ART. 273, DO CP

STJ – INF 590

*Se o agente criou farmácia de fachada para vender produtos falsificados destinados a
fins terapêuticos ou medicinais, ele deverá responder pelo delito do art. 273 do CP (e não
por este crime em concurso com tráfico de drogas), ainda que fique demonstrado que ele
também mantinha em depósito e vendia alguns medicamentos e substâncias consideradas
psicotrópicas no Brasil por estarem na Portaria SVS/MS nº 344/1998.

*Ainda que tenham sido encontradas algumas substâncias que podem ser classificadas como
droga, o crime do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 ficará absorvido pelo delito do art. 273 do CP,
que possui maior abrangência. Aplica-se aqui o princípio da consunção.

CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA

DECLARAÇÃO DE POBREZA IDEOLOGICAMENTE FALSA NÃO CARACERIZA CRIME

STF e STJ

- não é documento para fins penais (pode ser impugnada pela outra parte ou pode ser
analisada de ofício pelo juiz)

*igual entendimento para petição inicial

**conceito de documento para fins penais: instrumento capaz de provar um fato,


independentemente de qualquer verificação ulterior.

57
CLONAGEM DE CARTÃO DE CRÉDITO

STJ – INF 591

*Antes da edição da Lei nº 12.737/2012, que acrescentou o parágrafo único ao art. 298 do CP,
a jurisprudência do STJ já considerava que cartão bancário poderia se amoldar ao conceito
de “documento”. Assim, a inserção do parágrafo único no art. 298 do Código Penal apenas
confirmou que cartão de crédito/débito é considerado documento, sendo a Lei nº 12.737/2012
considerada como lei interpretativa exemplificativa.

*Ainda que praticada antes da Lei nº 12.737/2012, a conduta de falsificar, no todo ou em parte,
cartão de crédito ou débito é considerada como crime de falsificação de documento particular
(art. 298 do CP).

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

PECULATO DE USO

STJ e STF

- bem INFUNGÍVEL: NÃO é crime (uso momentâneo, sem intenção de incorporação ao


patrimônio pessoal ou de terceiro, seguido da restituição)
- bem FUNGÍVEL: é crime
*caracteriza ato de improbidade administrativa (art. 9º, IV da Lei 8429)
**prefeito: é crime seja o bem fungível ou infungível (art. 1º, II do Dec 201/67)

PECULATO – UTILIZAÇÃO DE SERVIDOR PÚBLICO PARA SERVIÇOS PARTICULARES

STF
Situação 1: servidor público que se utiliza da mão-de-obra de outro servidor público
(normalmente seu subordinado) para, em determinados momentos, fazer com que este preste
serviços particulares a ele. Esta conduta não configura peculato nem qualquer outro crime
(princípio da taxatividade) Atenção: Prefeito - delito do art. 1º, II, do DL 201/67.

Situação 2: servidor público que utiliza a Administração Pública para pagar o salário de
empregado particular. Aqui o chefe contrata um indivíduo supostamente para ser servidor
público (cargo comissionado), mas, na verdade, ele manda que a pessoa contratada preste
exclusivamente serviços particulares ao seu superior. Esta conduta, em tese, configura peculato.
Isso porque o dinheiro público está sendo desviado para o pagamento de um “servidor” que,
formalmente está vinculado à Administração Pública, mas que, na prática, apenas executa
serviços para outro servidor público no interesse particular deste último.

58
CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 33, PARÁGRAFO ÚNICO DO CÓDIGO PENAL – REPARAÇÃO
DO DANO E CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

STF

- somente sanções de natureza pecuniária tem efetivo caráter preventivo nessa espécie de
crime
- não é sanção adicional
- não é prisão por dívida
- razões de política criminal

CAUSA DE AUMENTO DE PENA – ARTIGO 327, PARÁGRAFO 2º/CP

STF

- aplica-se a detentores de mandato eletivo (somente para aqueles que ocupem uma posição
de superior hierárquico – “imposição hierárquica”)

*O advogado que, por força de convênio celebrado com o Poder Público, atua de forma
remunerada em defesa dos hipossuficientes agraciados com o benefício da assistência
judiciária gratuita (advogado dativo), enquadra-se no conceito de funcionário público para
fins penais.

**É legítima a utilização da condição pessoal de policial civil como circunstância judicial
desfavorável para fins de exasperação da pena-base aplicada a acusado pela prática do crime
de concussão.
- o fato de uma autoridade pública obter vantagem indevida de alguém que esteja praticando
um delito compromete de maneira grave o fundamento de legitimidade da autoridade, que
é o de atuar pelo bem comum e pelo bem público. Portanto, aquele que está investido de
parcela de autoridade pública — como é o caso de um juiz, um membro do Ministério Público
ou uma autoridade policial — deve ser avaliado, no desempenho da sua função, com maior
rigor do que as demais pessoas.

DESCAMINHO

STJ – INF 587

Quando o falso se exaure no descaminho, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido,
como crime-fim, condição que não se altera por ser menor a pena a este cominada.

59
DESACATO

STJ – INF 596

O art. 331 do CP, que prevê a figura típica do desacato, é incompatível com o art. 13 do Pacto
de São José da Costa Rica, do qual a República Federativa do Brasil é signatária. Dessa forma,
esse crime não mais subsiste em nosso ordenamento jurídico.

LEGISLAÇÃO ESPECIAL

DROGAS

LEI DE DROGAS

STJ

ARTS. 35 (associação para o tráfico) e 37 (informante):


- o agente integra associação criminosa e atua como informante: art. 35
- informante eventual: art. 37 (tipo penal subsidiário)
- informante de um só traficante: art. 37 (exceção à teoria monista, analogia in bonan partem.
*livramento condicional – artigo 35/LD – 2/3, por força do artigo 44, parágrafo único da LD
(princípio da especialidade)

ARTS. 33 (tráfico de drogas) e 34 (maquinários):


- o agente tem em depósito certa quantidade de drogas e utensílios destinados à preparação
da droga para mercancia (balança, alicate): art. 33 (princípio da consunção)
- o agente tem maquinários e utensílios que constituem um laboratório voltado à preparação
de grande quantidade de drogas: arts. 33 e 34 em concurso (contextos autônomos e violação
ao bem jurídico de forma distinta)

ARTS. 33 (tráfico de drogas) e 36 (financiamento do tráfico):


- o agente financia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do art. 33: art. 36 (exceção à teoria
monista)
- o agente financia o tráfico e pratica algum verbo do art. 33 (autofinancimento): art. 33 c/c art.
40, VII

CAUSAS DE AUMENTO DE PENA

*ARTIGO 40, VI (envolvimento de criança ou adolescente)


- a participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de associação para o
tráfico (artigo 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de aumento do artigo
40, VI, da Lei de Drogas.

60
- a causa de aumento de pena do art. 40, VI, pode ser aplicada tanto para agravar o crime de
tráfico de drogas (art. 33) quanto para agravar o de associação para o tráfico (art. 35) praticados
no mesmo contexto. Não há bis in idem porque são delitos diversos e totalmente autônomos,
com motivação e finalidades distintas.
- o fato de o agente ter envolvido um menor na prática do tráfico e, ainda, tê-lo retribuído com
drogas, para incentivá-lo à traficância ou ao consumo e dependência, justifica a aplicação,
em patamar superior ao mínimo, da causa de aumento de pena do art. 40, VI, ainda que haja
fixação de pena-base no mínimo legal, desde que fundamentada na gravidade concreta do
delito.

*ARTIGO 40, III (estabelecimento penal)


- a circunstância de o crime ter sido cometido nas dependências de estabelecimento prisional
deverá ser utilizada apenas como causa de aumento do art. 40, III, não sendo valorada
negativamente na análise do § 4º do art. 33.

*ARTIGO 40, I e V (tráfico internacional e interestadual)


- é inadmissível a aplicação simultânea das causas de aumento da transnacionalidade (art. 40,
I) e da interestadualidade (art. 40, V) quando não ficar comprovada a intenção do importador
da droga de difundi-la em mais de um Estado-membro. O fato de o agente, por motivos de
ordem geográfica, ter que passar por mais de um Estado para chegar ao seu destino final não
é suficiente para caracterizar a interestadualidade. STJ. 6ª Turma. H

CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA PREVISTA NO ARTIGO 33, § 4º

- ainda que o réu comprove o exercício de atividade profissional lícita, se, de forma concomitante,
ele se dedicava a atividades criminosas, não terá direito à causa especial de diminuição de
pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006.

- o tráfico de drogas praticado por intermédio de adolescente que, em troca da mercancia,


recebia comissão, evidencia (demonstra) que o acusado se dedicava a atividades criminosas,
circunstância apta a afastar a incidência da causa especial de diminuição de pena prevista no
art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006.

- o tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não
é crime equiparado a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da
Súmula do Superior Tribunal de Justiça. (INF 595/STJ)

61
*A consumação do delito de tráfico na modalidade “adquirir” independe da tradição do
entorpecente e do pagamento, bastando que tenha havido a combinação da venda, que se
realiza pelo consenso sobre a coisa e o preço. Dessa forma, o simples fato de a droga ter sido
negociada já constitui a conduta “adquirir”, havendo, portanto, tráfico de drogas na forma
consumada.

**O grau de pureza da droga é irrelevante para fins de dosimetria da pena.

***A valoração negativa da quantidade e da natureza da droga representa fator suficiente


para a fixação de regime inicial mais gravoso.

STF

O chamado “tráfico privilegiado”, previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006, não deve ser
considerado crime equiparado a hediondo.
- para que um crime seja considerado hediondo ou equiparado, é indispensável que a lei assim
o preveja. Apenas as modalidades de tráfico de entorpecentes definidas no art. 33, caput e § 1º
são equiparadas a crimes hediondos.
- o legislador entendeu que deveria conferir ao tráfico privilegiado um tratamento distinto das
demais modalidades de tráfico previstas no art. 33, caput e § 1º (menor juízo de reprovação
nesta conduta)
- o crime de associação para o tráfico, que exige liame subjetivo estável e habitual direcionado
à consecução da traficância, não é equiparado a hediondo. Dessa forma, afirmar que o tráfico
minorado é crime equiparado a hediondo significaria concluir que a lei conferiu ao traficante
ocasional tratamento penal mais severo que o dispensado ao agente que se associa de forma
estável para exercer a traficância de modo habitual.

LEI DE DROGAS

STF – INF 843

*Se o réu, não reincidente, for condenado, por tráfico de drogas, a pena de até 4 anos, e se
as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP forem positivas (favoráveis), o juiz deverá fixar o
regime aberto e deverá conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos, preenchidos os requisitos do art. 44 do CP.

62
“MULAS”

STF e STJ

*É possível aplicar o § 4º do art. 33 da LD às “mulas”?


STF: SIM

(...) A atuação da agente no transporte de droga, em atividade denominada “mula”, por si só,
não constitui pressuposto de sua dedicação à prática delitiva ou de seu envolvimento com
organização criminosa. Impõe-se, para assim concluir, o exame das circunstâncias da conduta,
em observância ao princípio constitucional da individualização da pena (art. 5º, XLVI, da CF).
(...) STF. 2ª Turma. HC 131795, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 03/05/2016.

*ATENÇÃO: A 1ª Turma do STF decidiu que: Não é crível que o réu, surpreendido com mais
de 500 kg de maconha, não esteja integrado, de alguma forma, a organização criminosa,
circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, da
Lei de Drogas. STF. 1ª Turma. HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016
(Info 844).

STJ: NÃO
O STJ possui vários precedentes afirmando que, em regra, a “mula” integra a organização
criminosa e, portanto, não faz jus ao benefício: (...) O atual entendimento jurisprudencial
do Pretório Excelso e desta Corte Superior é no sentido de que, regra geral, o agente que
transporta drogas, na qualidade de ‘mula’ do tráfico, integra organização criminosa. Na
hipótese, a concessão da minorante em sua fração mínima configura ato benéfico, já que,
considerando o entendimento ora firmado, o recorrente sequer faria jus à tal redução. (...) STJ.
5ª Turma. AgRg no REsp 1407115/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 18/08/2016.

TRÁFICO PRIVILEGIADO E QUANTIDADE DE DROGAS

STF

*A quantidade de drogas encontrada com o agente é capaz de afastar o tráfico privilegiado?

*1ª Turma do STF: encontramos precedentes afirmando que a grande quantidade de droga
pode ser utilizada como circunstância para afastar o benefício. Nesse sentido: não é crível que
o réu, surpreendido com mais de 500 kg de maconha, não esteja integrado, de alguma forma,
a organização criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição
prevista no art. 33, §4º, da Lei de Drogas (HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em
18/10/2016. Info 844).

63
*2ª Turma do STF: a quantidade de drogas encontrada não constitui, isoladamente,
fundamento idôneo para negar o benefício da redução da pena previsto no art. 33, § 4º, da Lei
nº 11.343/2006 (HC 138138/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/11/2016. Info
849). STF. 2ª Turma. HC 138138/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/11/2016
(Info 849).

TRÁFICO

STF INF 858

*Se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um estabelecimento prisional, incidirá a


causa de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente.

TRÁFICO DE DROGAS

STJ INF 595

Caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não esteja previsto nos arts. 33
a 37 da Lei de Drogas, o réu responderá pelo crime da Lei de Drogas e também pelo delito do
art. 244-B do ECA (corrupção de menores).

Caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos seja o art. 33, 34, 35, 36 ou 37
da Lei nº 11.343/2006: ele responderá apenas pelo crime da Lei de Drogas com a causa de
aumento de pena do art. 40, VI. Não será punido pelo art. 244-B do ECA para evitar bis in idem

TRÁFICO PRIVILEGIADO

STJ INF 596

É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal
previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006.

ESTATUTO DO DESARMAMENTO

ABOLITIO CRIMINIS TEMPORÁRIA/ESTATUTO DE DESARMAMENTO

DE 23/12/03 À 22/06/05: posse de arma de uso permitido/restrito


DE 23/06/05 À 30/01/08: não houve lei
DE 30/01/08 À 31/12/09: posse de arma de uso permitido (lei 11706/08)

64
STJ

A Lei 11706/08 retroage.

STF

A Lei 11706/08 NÃO retroage.

POSSE DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO COM REGISTRO VENCIDO

STJ

*1ª corrente: NÃO É CRIME, trata-se de mera infração administrativa.


- não há dolo
- se o réu possui o registro da arma de fogo de uso permitido significa que o Poder Público
tem completo conhecimento de que ele possui o artefato em questão, podendo rastreá-lo se
necessário; logo, inexiste ofensividade na conduta
- questões de política criminal: conduta que não apresentou nenhuma lesividade relevante aos
bens jurídicos tutelados pela Lei 10.826/2003, não incrementou o risco e pode ser resolvida na
via administrativa (direito penal como ultima ratio).

*2ª corrente: É CRIME


- a conduta, além de formalmente típica, é antinormativa
- quando o proprietário de arma de fogo deixa de demonstrar que ainda detém, entre outros
requisitos, aptidão psicológica e idoneidade moral para continuar a possuir o armamento, isso
representa, em tese, um risco para a incolumidade pública, de modo que a lei penal não pode
ser indiferente a essa situação
- não é uma conduta socialmente tolerável e adequada no plano ético
- sob a ótica do princípio da lesividade, o perigo à incolumidade pública é idêntico àquele
ocasionado pelo agente que possui arma de fogo ou somente munições sem certificado

** Para que haja condenação pelo crime de posse ou porte NÃO é necessário que a arma de
fogo tenha sido apreendida e periciada (crimes de mera conduta e perigo abstrato; o bem
jurídico tutelado é a paz e segurança pública). No entanto, se a perícia for realizada na arma e o
laudo constatar que a arma não tem nenhuma condição de efetuar disparos não haverá crime.

***O fato de o empregador obrigar seu empregado a portar arma de fogo durante o exercício
das atribuições de vigia não caracteriza coação moral irresistível (art. 22 do CP) capaz de excluir
a culpabilidade do crime de “porte ilegal de arma de fogo de uso permitido” (art. 14 da Lei nº
10.826/2003) atribuído ao empregado que tenha sido flagrado portando, em via pública, arma
de fogo, após o término do expediente laboral, no percurso entre o trabalho e a sua residência.

65
POSSE OU PORTE APENAS DA MUNIÇÃO CONFIGURA CRIME

STF – INF 844

*A posse ou o porte apenas da munição (ou seja, desacompanhada da arma) configura crime.
Isso porque tal conduta consiste em crime de perigo abstrato, para cuja caracterização não
importa o resultado concreto da ação. STF. 1ª Turma. HC 131771/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio,
julgado em 18/10/2016 (Info 844).

POSSE

STJ – INF 597

*É típica e antijurídica a conduta de policial civil que, mesmo autorizado a portar ou possuir
arma de fogo, não observa as imposições legais previstas no Estatuto do Desarmamento, que
impõem registro das armas no órgão competente.

GÁS LACRIMOGÊNEO OU DE PIMENTA

STJ – INF 599

*A conduta de portar granada de gás lacrimogêneo ou granada de gás de pimenta não se


subsome (amolda) ao delito previsto no art. 16, parágrafo único, III, da Lei nº 10.826/2003. Isso
porque elas não se enquadram no conceito de artefatos explosivos.

MEIO AMBIENTE

RESPONSABILIDADE PENAL DA PESSOA JURÍDICA POR CRIME AMBIENTAL

STF e STJ

É admissível a condenação de pessoa jurídica pela prática de crime ambiental, ainda que
absolvidas as pessoas físicas ocupantes de cargo de presidência ou de direção do órgão
responsável pela prática criminosa (a CF não faz essa exigência – art. 225, parágrafo 3º).

*A jurisprudência não mais adota a teoria da dupla imputação, segundo a qual a responsabilidade
penal da pessoa jurídica em crimes ambientais, depende da imputação simultânea do ente
moral e da pessoa natural que atua em seu nome ou em seu benefício (art. 3º da Lei 9605/98)
– teoria da dupla imputação

66
CRIME AMBIENTAL

STJ – INF 597

O crime de edificação proibida (art. 64 da Lei 9.605/98) absorve o crime de destruição de


vegetação (art. 48 da mesma lei) quando a conduta do agente se realiza com o único intento
de construir em local não edificável.

ORDEM TRIBUTÁRIA

VALOR INSIGNIFICANTE NOS CRIMES TRIBUTÁRIOS (tributos federais)

STJ

*10 mil (lei 10522/2002)


-opção da autoridade fazendária não pode subordinar o exercício da jurisdição penal
-portaria não possui força normativa para revogar ou modificar lei em sentido estrito

STF

*20 mil (Portarias 75 e 130/2012 do Ministério da Fazenda)

** Em regra, não se aplica o princípio da insignificância para o agente que praticou descaminho
se ficar demonstrada a sua reiteração criminosa (criminoso habitual).
- EXCEÇÃO: o julgador poderá aplicar o referido princípio se, analisando as peculiaridades do
caso concreto, entender que a medida é socialmente recomendável.

***Não se aplica o princípio da insignificância para o crime de contrabando (atividade estatal


de controle da entrada de determinados produtos em prol da segurança e da saúde públicas).
EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE – CRIMES TRIBUTÁRIOS

STJ

O pagamento integral do tributo não extingue a punibilidade do crime de descaminho:


- o art. 9º da Lei 10684/03 define os crimes aos quais se aplica essa causa de extinção da
punibilidade (crimes dos arts. 1º e 2º da lei 8137/90, apropriação indébita previdenciária e
sonegação previdenciária)
- descaminho é crime formal
- bem jurídico tutelado: valor do imposto sonegado e estabilidade das relações comerciais
(comércio ilegal e concorrência desleal)

67
*o pagamento integral do tributo também não se aplica ao crime de estelionato previdenciário

- O pagamento da penalidade pecuniária imposta ao contribuinte que deixa de atender às


exigências da autoridade tributária estadual quanto à exibição de livros e documentos fiscais
não se adequa a nenhuma das hipóteses de extinção de punibilidade previstas no § 2º do art.
9º da Lei nº 10.864/2003. INF 598

CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA – PAGAMENTO DO DÉBITO E EXTINÇÃO DA


PUNIBILIDADE

STJ

- antes da condenação: SIM


- depois da condenação, mas antes do trânsito em julgado: SIM
- depois do trânsito em julgado: NÃO (o art. 9º da Lei 10684/03 – pagamento direto – fala em
extinção da pretensão punitiva e não executória)

* O reconhecimento de prescrição tributária em execução fiscal não é capaz de justificar o


trancamento de ação penal referente aos crimes contra a ordem tributária previstos nos incisos
II e IV do art. 1º da Lei nº 8.137/90.
- a extinção do crédito tributário pela prescrição não implica, necessariamente, a extinção da
punibilidade do agente (independência entre as esferas penal e tributária)

APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 24 À FATOS PRATICADOS ANTES DA SUA VIGÊNCIA

STF

- súmula não é lei nem ato normativo


- a SV 24 não inovou no ordenamento jurídico, apenas consolidou entendimento reiterado do
STF sobre a matéria
- não caracteriza aplicação retroativa in malam partem da lei penal

*Mesmo antes da constituição definitiva do crédito tributário é possível iniciar as investigações


policiais para apurar o fato (o crime não está consumado, mas já houve início da execução).

68
DOSIMETRIA DA PENA

STF

* Na análise das circunstâncias, o magistrado pode aumentar a pena sob a alegação de que o
réu omitiu seu nome do quadro societário da empresa com o objetivo de esconder que era ele
quem realmente administrava a empresa, a fim de furtar-se de eventual aplicação da lei penal
(não se confunde com a omissão para reduzir ou suprimir tributo que é elementar do delito).

* No exame das consequências do crime, a extensão do dano causado pode ser invocada
como critério para exasperação da pena-base.

OMISSÃO NA APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO AO FISCO

STJ

Se o contribuinte deixa de apresentar declaração ao Fisco com o fim de obter a redução ou


supressão de tributo e consegue atingir o resultado almejado, tal conduta consubstancia
crime de sonegação fiscal, na modalidade do inciso I do art. 1º da Lei nº 8.137/90.
- a circunstância de o Fisco dispor de outros meios para constituir o crédito tributário, ante a
omissão do contribuinte em declarar o fato gerador, não afasta a tipicidade da conduta;
- o arbitramento efetivado é uma medida adotada pelo Fisco para reparar a evasão decorrente
da omissão e uma evidência de que a conduta omissiva foi apta a gerar a supressão ou, ao
menos, a redução do tributo na apuração.
- não apresentação da declaração + dolo + resultado material

SISTEMA FINANCEIRO

FACTORING E CRIMES CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

STJ

Empresa de factoring não é instituição financeira (utiliza recursos próprios). Portanto, não
pode fazer empréstimos.
- empréstimos com recursos próprios: crime previsto no art. 4º da Lei 1521/51 (contra a
economia popular)
- empréstimos com recursos de terceiros: crime previsto no art. 16 da Lei 7492/86 (contra o
Sistema Financeiro)
*igual entendimento para o agiota
**a Lei 10303/01 não revogou o art. 16 da Lei 7492/86: objeto jurídico diferente (higidez do
Sistema Financeiro/integridade do mercado de valores mobiliários.

69
PREFEITOS

CRIMES PRATICADOS POR PREFEITOS

PENA DE INABILITAÇÃO: acessória em relação à pena privativa de liberdade (STF, STJ e TSE).

AFASTAMENTO CAUTELAR: pode ser determinado antes do recebimento da denúncia (o art.


319, VI/CPP revogou o art. 2º, II/dec 201/67)
- prazo máximo: 180 dias (sob pena de caracterizar cassação indireta do mandato)

CRIMES ELEITORAIS

CRIME DE DESOBEDIÊNCIA – CÓDIGO ELEITORAL

STF

*Dois requisitos:
- ordem escrita e individualizada
- ciência do réu

TRÂNSITO

LESÃO CORPORAL CULPOSA – PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO

STF

O delito de lesão corporal culposa absorve o crime descrito no artigo 309 do CTB (dirigir sem
habilitação). O agente responde pelo artigo, 303, parágrafo único c/c artigo 302, 1º, I.

*Se não oferecida representação em relação ao crime de lesão culposa, o MP não pode
denunciar o acusado pelo delito do artigo 309.

**Na primeira fase da dosimetria da pena, o excesso de velocidade não deve ser considerado na
aferição da culpabilidade (art. 59 do CP) do agente que pratica delito de homicídio e de lesões
corporais culposos na direção de veículo automotor. O excesso de velocidade é inerente aos
crimes culposos de trânsito, caracterizando a imprudência, modalidade de violação do dever
de cuidado objetivo, essencial para a configuração dos crimes culposos.

***O fato de o autor de homicídio culposo na direção de veículo automotor estar com a CNH
vencida não justifica a aplicação da causa especial de aumento de pena descrita no inciso I do
§ 1º do art. 302 do CTB (analogia in malam partem).

70
ECA

PORNOGRAFIA INFANTIL

STJ

Fotografar cena e armazenar fotografia de criança ou adolescente em poses nitidamente


sensuais, com enfoque em seus órgãos genitais, ainda que cobertos por peças de roupas, e
incontroversa finalidade sexual e libidinosa, adequam-se, respectivamente, aos tipos do art.
240 e 241-B do ECA.
- artigo 241-E do ECA: norma penal explicativa, porém não completa; a definição deste artigo
não é exaustiva e o conceito de pornografia infanto-juvenil pode abarcar hipóteses em que
não haja a exibição explícita do órgão sexual da criança e do adolescente.

RACISMO

RACISMO

STF – INF 849

*Um dos aspectos da liberdade religiosa é o direito que o indivíduo possui de não apenas
escolher qual religião irá seguir, mas também o de fazer proselitismo religioso.

*Proselitismo religioso significa empreender esforços para convencer outras pessoas a também
se converterem à sua religião.

*A prática do proselitismo, ainda que feita por meio de comparações entre as religiões (dizendo
que uma é melhor que a outra) não configura, por si só, crime de racismo. Só haverá racismo
se o discurso dessa religião supostamente superior for de dominação, opressão, restrição de
direitos ou violação da dignidade humana das pessoas integrantes dos demais grupos.

*Se essa religião supostamente superior pregar que tem o dever de ajudar os “inferiores” para
que estes alcancem um nível mais alto de bem-estar e de salvação espiritual e, neste caso não
haverá conduta criminosa.

71
LEI 8.666/1993

CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES

STF – INF 856

*O crime do art. 89 da Lei 8.666/93 exige resultado danoso (dano ao erário) para se consumar?

*1ª corrente: SIM. Posição do STJ e da 2ª Turma do STF. Para que haja a condenação pelo crime
do art. 89 da Lei nº 8.666/93, exige-se a demonstração de que houve prejuízo ao erário e de
que o agente tinha a finalidade específica de favorecimento indevido. Assim, mesmo que a
decisão de dispensa ou inexigibilidade da licitação tenha sido incorreta, isso não significa
necessariamente que tenha havido crime, sendo necessário analisar o prejuízo e o dolo do
agente.

*2ª corrente: NÃO. Entendimento da 1ª Turma do STF. O tipo penal do art. 89 da Lei de Licitações
prevê crime formal, que dispensa o resultado danoso para o erário.

CRIMES DA LEI DE LICITAÇÕES

STJ – INF 592

A conduta de quem frauda licitação destinada a contratação de serviços não se enquadra no


art. 96 da Lei nº 8.666/93, pois esse tipo penal contempla apenas licitação que tenha por objeto
aquisição ou venda de bens e mercadorias. Para que a punição da contratação de serviços
fraudulentos fosse possível, seria necessário que esta conduta estivesse expressamente
prevista na redação do tipo, uma vez que o Direito Penal deve obediência ao princípio da
taxatividade, não podendo haver interpretação extensiva em prejuízo do réu.

LAVAGEM DE CAPITAIS – LEI Nº 9.

LAVAGEM DE DINHEIRO

STJ – INF 587

*O indivíduo que sofreu os efeitos da medida assecuratória prevista no art. 4º da Lei nº


9.613/98 tem a possibilidade de postular diretamente ao juiz a liberação total ou parcial dos
bens, direitos ou valores constritos.
**No entanto, isso não proíbe que ele decida não ingressar com esse pedido perante o juízo
de 1º instância e queira, desde logo, interpor apelação contra a decisão proferida, na forma do
art. 593, II, do CPP.

72
TORTURA

TORTURA CONTRA CRIANÇA

STJ – INF 589

*No caso de crime de tortura perpetrado contra criança em que há prevalência de relações
domésticas e de coabitação, não configura bis in idem a aplicação conjunta da causa de
aumento de pena prevista no art. 1º, § 4º, II, da Lei nº 9.455/1997 (Lei de Tortura) e da agravante
genérica estatuída no art. 61, II, “f”, do Código Penal.

DIREITO PROCESSUAL PENAL

INQUÉRITO POLICIAL

ARQUIVAMENTO DO IP – COISA JULGADA MATERIAL

- atipicidade do fato
- excludente de ilicitude (manifesta) – STF: não (súmula 524)
- excludente de culpabilidade
- causa extintiva da punibilidade (salvo certidão de óbito falsa)

*nesses casos há análise de mérito, grau de certeza jurídica

**A vítima de crime de ação penal pública não tem direito líquido e certo para impetrar MS a
fim de impedir o arquivamento do inquérito policial
- princípio da obrigatoriedade da ação penal pública
- sistema de controle de legalidade muito técnico e rigoroso em relação ao arquivamento de
inquérito policial, inerente ao próprio sistema acusatório (requerimento do MP, homologação
pelo juiz e possibilidade de remessa ao PGJ).

***O arquivamento de inquérito policial por excludente de ilicitude realizado com base em
provas fraudadas não faz coisa julgada material. STF. Plenário. HC 87395/PR, Rel. Min. Ricardo
Lewandowski, julgado em 23/3/2017 (Info 858).

73
TRAMITAÇÃO DIRETA DO INQUÉRITO POLICIAL ENTRE A POLÍCIA E MP
- o inquérito policial é um procedimento investigatório preliminar, ou seja, que ocorre antes
de a questão ser judicializada
- as diligências são feitas de forma unilateral pela autoridade policial, isto é, sem a participação
da defesa
- não é o momento adequado para o julgador ter acesso a esses elementos, havendo risco
concreto de o juiz ser influenciado pela narrativa dos fatos feita pelos órgãos de persecução
penal
- sistema acusatório (o magistrado não deve interferir nas diligências investigatórias, salvo
quando necessitarem de autorização judicial)

STF

- legislar sobre procedimentos em matéria processual é competência concorrente (art. 24, XI/
CF)
- norma geral da União: CPP
- leis estaduais não podem contrariar norma geral da União

STJ

Não é ilegal a portaria editada por Juiz Federal que, fundada na Res. CJF n. 63/2009, estabelece
a tramitação direta de inquérito policial entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
- razoável duração do processo, economia processual e eficiência, sem prejuízo da observância
da cláusula de reserva de jurisdição.

DENÚNCIA ANÔNIMA

STF

As notícias anônimas (“denúncias anônimas”) não autorizam, por si sós, a propositura de ação
penal ou mesmo, na fase de investigação preliminar, o emprego de métodos invasivos de
investigação, como interceptação telefônica ou busca e apreensão. Entretanto, elas podem
constituir fonte de informação e de provas que não podem ser simplesmente descartadas
pelos órgãos do Poder Judiciário.
Procedimento a ser adotado pela autoridade policial em caso de “denúncia anônima”:
1) Realizar investigações preliminares para confirmar a credibilidade da “denúncia”;
2) Sendo confirmado que a “denúncia anônima” possui aparência mínima de procedência,
instaura-se inquérito policial;

74
3) Instaurado o inquérito, a autoridade policial deverá buscar outros meios de prova que
não a interceptação telefônica (esta é a ultima ratio). Se houver indícios concretos contra os
investigados, mas a interceptação se revelar imprescindível para provar o crime, poderá ser
requerida a quebra do sigilo telefônico ao magistrado.

IRREGULARIDADE DO IP – ANULAÇÃO DO PROCESSO PENAL

STF

*REGRA: as irregularidades do inquérito policial não ensejam a nulidade da ação penal


- o inquérito é mera peça informativa, de que se serve o Ministério Público para o início da
ação penal
- as nulidades processuais estão relacionadas apenas a defeitos de ordem jurídica pelos quais
são afetados os atos praticados ao longo da ação penal condenatória.

*EXCEÇÃO 1: provas ilícitas

**EXCEÇÃO 2: artigo 7º, XXI do Estatuto da OAB: direito de o advogado participar do


interrogatório ou depoimento, sob pena de nulidade desses atos e de todas as provas
decorrentes.

Obs: de acordo com a doutrina majoritária, o investigado não pode opor, perante o Poder
Judiciário, a suspeição do delegado de polícia durante o inquérito policial (procedimento
investigatório de caráter inquisitorial e preparatório da ação penal).

CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL

STJ – INF 590

O Ministério Público, no exercício do controle externo da atividade policial, pode ter acesso a
ordens de missão policial (OMP).
OBS: no que se refere às OMPs lançadas em face de atuação como polícia investigativa,
decorrente de cooperação internacional exclusiva da Polícia Federal, e sobre a qual haja acordo
de sigilo, o acesso do Ministério Público não será vedado, mas realizado a posteriori.

75
AÇÃO CIVIL EX DELICTO

CONTROLE EXTERNO DA ATIVIDADE POLICIAL

STJ – INF 592

O reconhecimento da ilegitimidade ativa do Ministério Público para, na qualidade de


substituto processual de menores carentes, propor ação civil pública ex delicto, sem a anterior
intimação da Defensoria Pública para tomar ciência da ação e, sendo o caso, assumir o polo
ativo da demanda, configura violação ao art. 68 do CPP. Antes de o magistrado reconhecer a
ilegitimidade ativa do Ministério Público para propor ação civil ex delicto, é indispensável que
a Defensoria Pública seja intimada para tomar ciência da demanda e, sendo o caso, assumir o
polo ativo da ação.

AÇÃO PENAL

AÇÃO PENAL PRIVADA - PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE

STJ

- omissão VOLUNTÁRIA: renúncia tácita ao direito de queixa = extinção da punibilidade de


todos os coautores e partícipes
- omissão INVOLUNTÁRIA: o MP deverá requerer a intimação do querelante para que ele faça o
aditamento da queixa e inclua os demais coautores ou partícipes

*STF e STJ: não se aplica o princípio da indivisibilidade à ação penal pública, pois o MP pode,
enquanto não extinta a punibilidade denunciar os coautores ou partícipes que ficaram de fora.

SUSPENSÃO CONDICIONAL DO PROCESSO

STJ

* Se descumpridas as condições impostas durante o período de prova da suspensão condicional


do processo, o benefício poderá ser revogado, mesmo se já ultrapassado o prazo legal, desde
que referente a fato ocorrido durante sua vigência.
** É cabível a imposição de prestação de serviços à comunidade ou de prestação pecuniária
como condição especial para a concessão do benefício da suspensão condicional do processo,
desde que estas se mostrem adequadas ao caso concreto, observando-se os princípios da
adequação e da proporcionalidade.

76
- as condições são aceitas voluntariamente pelo denunciado
- se houver descumprimento de algumas das condições não haverá imposição de sanção
penal, mas tão somente retomada do curso do processo

SEGREDO DE JUSTIÇA

STJ – INF 587

No caso de processo penal que tramita sob segredo de justiça em razão da qualidade da
vítima (criança ou adolescente), o nome completo do acusado e a tipificação legal do delito
podem constar entre os dados básicos do processo disponibilizados para consulta livre no sítio
eletrônico do Tribunal, ainda que os crimes apurados se relacionem com pornografia infantil.

*Art. 5º, XXXIII e LX, CF/88: A regra é a publicidade dos atos processuais.

SUJEITOS PROCESSUAIS

ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO
- também chamado de parte contingente, adesiva ou adjunta
- é a única parte eventual e desnecessária do processo
- somente é cabível na ação penal pública
- interesse: justiça da decisão; o interesse não é meramente econômico (posição majoritária)
- pode recorrer para aumentar a pena imposta ao réu
- recursos: apelação e RESE contra decisão que extingue a punilibilidade (se o MP não recorrer;
não pode recorrer contra ato privativo do MP)
- poderes do assistente: rol taxativo (não pode aditar denúncia)
* O assistente pode interpor recurso de apelação, com fundamento no artigo 598 do CPP,
ainda que o MP tenha requerido a absolvição do réu.
** É possível a intervenção dos pais como assistentes da acusação na hipótese em que o seu
filho tenha sido morto, mas, em razão do reconhecimento de legítima defesa, a denúncia
tenha imputado ao réu apenas o crime de porte ilegal de arma de fogo
- o assistente de acusação é expressão do Estado Democrático de Direito e até mesmo
modalidade de controle - complementar àquele exercido pelo Poder Judiciário - da função
acusatória atribuída privativamente ao Ministério Público
- interesses jurídicos podem assumir caráter metaindividual
- os pais do falecido, embora não possam ser qualificados como ofendidos com relação ao
crime de porte ilegal de arma de fogo, possuem interesse na causa que emana da morte de
seu filho, fato que se encontra entrelaçado com o objeto da ação penal em que pretendem
intervir.

77
IMPOSSIBILIDADE DE A SEGURADORA INTERVIR COMO ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO EM
PROCESSO QUE APURE HOMICÍDIO DO SEGURADO

STJ

- seguradora: interesse patrimonial no resultado do processo; não é a vítima do crime do


homicídio

*em alguns casos a legislação autoriza que certas pessoas ou entidades, mesmo não sendo
vítimas do crime, intervenham como assistentes de acusação:
- lei 7492/96: CVM
- CDC: legitimados do artigo 82

COMPETÊNCIA

CONFLITO ENTRE SENTENÇAS CONDENATÓRIAS TRANSITADAS EM JULGADO

STJ

*REGRA: prevalece a sentença transitada em julgado em primeiro lugar, mesmo que proferida
por juízo absolutamente incompetente
- entre o princípio do juiz natural e o ne bis in idem, prevalece este último por decorrer da
dignidade humana

*EXCEÇÃO: se a pena aplicada na primeira sentença transitada em julgado for maior que a da
segunda

** O agente que, numa primeira ação penal, tenha sido condenado pela prática de um crime
não poderá ser, numa segunda ação penal, condenado por crime supostamente cometido no
mesmo contexto fático considerado na primeira ação penal, ainda que a conduta referente a
este suposto delito não tenha sido sequer levada ao conhecimento do juízo da primeira ação
penal, vindo à tona somente no segundo processo
- ne bis in idem
- violação da garantia constitucional da coisa julgada
- não há arquivamento implícito, tendo em vista que não se cuida de fatos diversos, mas sim
de um mesmo fato com desdobramentos diversos e apreciáveis ao tempo da instauração da
primeira ação penal.

78
COMPETÊNCIA: CRIMES PRATICADOS CONTRA AGÊNCIA DOS CORREIOS

STF

AGÊNCIA PRÓPRIA: Justiça Federal (art. 109, IV/CF – ECT empresa pública federal).
AGÊNCIA FRANQUEADA: Justiça Estadual (exploração do serviço por particulares que celebram
contrato de franquia com os Correios e assumem todos os riscos da atividade).

AGÊNCIA COMUNITÁRIA: Justiça Federal


- similitude maior com o regime das agências próprias
- interesse público e social no funcionamento do serviço postal (muito além do interesse
econômico)
- criada sob a forma de convênio: há interesse recíproco dos agentes na atividade desempenhada
- prejuízos a bens, serviços e interesses da ECT

BANCO POSTAL: Justiça Estadual


- cabe à instituição financeira contratante a responsabilidade pelos serviços bancários
disponibilizados pela ECT a seus clientes e usuários, de forma que eventual lesão decorrente
da prática de crime atingiria apenas o patrimônio e os serviços da instituição financeira
contratante, e não os da ECT

CORRESPONDENTE BANCÁRIO: Justiça Estadual

CASA LOTÉRICA (PERMISSIONÁRIA DA CEF): Justiça Estadual

*crime contra carteiro: Justiça Federal.

COMPETÊNCIA: DESVIO DE VERBAS DO SUS

STJ

DESVIO DE VERBAS/ESTELIONATO CONTRA O SUS: Justiça Federal (a fiscalização desses


recursos compete à União – art. 109, IV/CF).

COBRANÇA INDEVIDA DE SERVIÇOS MÉDICO-HOSPITALARES CUSTEADOS PELO SUS: Justiça


Estadual (prejuízo somente para os particulares).

79
COMPETÊNCIA: LESÃO CORPORAL E HOMICÍDIO POR MILITAR CONTRA CIVIL

LESÃO CORPORAL: Justiça Militar


HOMICÍDIO: Justiça Comum
HOMICÍDIO/ABATE DE AERONAVE: Justiça Militar (art. 9º, parágrafo único/CPM)
*dúvida quanto ao elemento subjetivo: Justiça Comum (STJ).

COMPETÊNCIA: CRIMES ENVOLVENDO DESVIO DE RECURSOS DO FUNDEF

STF

Justiça Federal, independentemente de complementação da União (União - função supletiva


e redistributiva em matéria educacional, interesse na universalização de um padrão mínimo
de qualidade do ensino – art. 211, parágrafo 1º/CF),

*ação de improbidade:
- com complementação da União: Justiça Federal
- sem complementação da União: Justiça Estadual (nas ações cíveis não basta o mero interesse,
é preciso que esse interesse justifique a intervenção no processo).

COMPETÊNCIA: CRIMES CONTRA SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA FEDERAL

STF

REGRA: Justiça Estadual

EXCEÇÕES: quando houver interesse da União, ou seja, quando o crime estiver relacionado
com:
1) serviços de concessão, autorização ou delegação da União
2) desvio de verbas sujeitas à prestação de contas perante órgão federal

* Compete à Justiça Estadual processar e julgar tentativa de estelionato consistente em tentar


receber, mediante fraude, em agência do Banco do Brasil, valores relativos a precatório federal
creditado em favor de particular (prejuízo apenas para o particular e para o Banco do Brasil
que constitui sociedade de economia mista).

80
COMPETÊNCIA: CRIMES COMETIDOS A BORDO DE NAVIOS

STJ

- navio = embarcação de grande porte


- navio em situação de deslocamento internacional ou em situação de potencial deslocamento:
Justiça Federal

*crimes cometidos a bordo de aeronave voando ou pousada: Justiça Federal.

PRORROGAÇÃO DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL

STF

SIM:
- absolvição
- suspensão da ação penal (por força de parcelamento do débito tributário)

NÃO:
- desclassificação (não se aplica o art. 81/CPP)
- extinção da punibilidade

RENÚNCIA A MANDATO E FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

STF

REGRA: a extinção do mandato cessa o foro por prerrogativa de função


-prerrogativa do cargo
-regra da atualidade

EXCEÇÕES:
1)julgamento iniciado (ato único que se desdobra fisicamente)
2)renúncia caracterizar-se como fraude processual (subterfúgio para deslocamento de
competência constitucionalmente definida)

*O STF debateu sobre a possibilidade de se fixar um limite de tempo a partir do qual o


réu, mesmo que renunciasse seria julgado pelo STF. Propostas: recebimento da renúncia,
encerramento da instrução, liberação do processo para o Ministro Revisor. Porém a análise
continua sendo feita no caso concreto.

81
** As investigações envolvendo autoridades com foro privativo no STF somente podem
ser iniciadas após autorização formal do STF. De igual modo, as diligências investigatórias
envolvendo autoridades com foro privativo no STF precisam ser previamente requeridas e
autorizadas pelo STF (caso contrário haveria um enfraquecimento da garantia representada
pelo foro por prerrogativa de função, ou seja, continuaria havendo riscos de perseguição
política e instabilidade institucional). No entanto, as diligências requeridas pelo Ministério
Público Federal e deferidas pelo Ministro Relator são meramente informativas, não suscetíveis
ao princípio do contraditório. Desse modo, não cabe à defesa controlar, “ex ante”, a investigação,
o que acabaria por restringir os poderes instrutórios do Relator.

***A iniciativa do procedimento investigatório cabe ao MPF (Procurador Geral da República) e


não à Polícia Federal, contando com a supervisão do Ministro-Relator do STF.

****O indiciamento de autoridades com foro por prerrogativa de função é realizado pela
autoridade policial, mas depende de autorização do Tribunal competente.
- EXCEÇÃO: autoridades que não podem ser indiciadas: magistrados e membros do MP.

*****Durante a investigação, conduzida em 1ª instância, de crimes praticados por pessoas


sem foro privativo, caso surja indício de delito cometido por uma autoridade com foro no
STF (encontro fortuito de provas), o juiz deverá paralisar os atos de investigação e remeter
todo o procedimento para o Supremo. Cabe apenas ao STF decidir sobre a necessidade
de desmembramento de investigações que envolvam autoridades com prerrogativa de
função. Todavia, antes da remessa ao tribunal competente, a autoridade judicial deve avaliar
a idoneidade e a suficiência dos dados colhidos para se firmar o convencimento acerca do
possível envolvimento do detentor de prerrogativa de foro com a prática de crime.

******Com a aposentadoria cessa o foro por prerrogativa de função. Se houver, no entanto,


outros réus com foro privativo, é possível que o Tribunal reconheça que existe conexão entre os
fatos e que será útil ao deslinde da causa que os réus continuem a ser julgados conjuntamente.
Neste caso, não haverá desmembramento e o réu sem foro privativo será julgado também no
Tribunal com os demais.

COMPETÊNCIA E CRIME AMBIENTAL

STF – INF 853

REGRA: Competência da Justiça Estadual

EXCEÇÕES: Competência será da Justiça Federal se o crime ambiental for de caráter


transnacional que envolva animais silvestres, ameaçados de extinção e espécimes exóticas ou
protegidas por compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.

82
FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO

STF – INF 854

A simples menção ao nome de autoridades detentoras de prerrogativa de foro, seja em


depoimentos prestados por testemunhas ou investigados, seja em diálogos telefônicos
interceptados, assim como a existência de informações, até então, fluidas e dispersas
a seu respeito, são insuficientes para o deslocamento da competência para o Tribunal
hierarquicamente superior.

COMPETÊNCIA PARA JULGAR MS CONTRA ATO DO CHEFE DO MPDFT

STJ – INF 587

*É do TRF da 1º Região (e não do TJDFT) a competência para processar e julgar mandado


de segurança impetrado contra ato do Procurador-Geral de Justiça do Distrito Federal que
determinou a retenção de Imposto de Renda (IR) e de contribuição ao Plano de Seguridade
Social (PSS) sobre valores decorrentes da conversão em pecúnia de licenças-prêmio, porque
está no exercício de função administrativa federal, razão pela qual não se pode reconhecer
a competência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal para o julgamento de mandado de
segurança impetrado contra tal ato.

**Quando o MS é impetrado contra atos praticados pelo PGJ-DF sob jurisdição administrativa
local, a competência será do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

PROCEDIMENTOS

PRINCÍPIOS IN DUBIO PRO SOCIETATE E IN DUBIO PRO REO

STJ

RECEBIMENTO DA DENÚNCIA:
- 1ª corrente: in dúbio pro societate (indícios de autoria)
- 2ª corrente: in dúbio pro reo (justa causa: a sujeição ao juízo penal, por si só, já representa um
gravame)

PRONÚNCIA
- 1ª corrente: in dúbio pro societate (indícios mínimos de autoria)
- 2ª corrente: in dúbio pro reo (juízo natural: Tribunal do Júri)

SENTENÇA: in dúbio pro reo

83
INSTRUÇÃO PENAL E EXCESSO DE PRAZO

STJ

- os prazos legais para conclusão da instrução servem apenas como parâmetro geral, pois
variam conforme as peculiaridades de cada hipótese, podendo ser mitigado segundo o
princípio da razoabilidade
- somente haverá constrangimento ilegal por excesso de prazo na formação da culpa se o
atraso for motivado por desídia do aparelho estatal.

O RÉU PODE SER INTIMADO POR EDITAL DA DECISÃO DE PRONÚNCIA MESMO QUE O CRIME
TENHA OCORRIDO ANTES DA LEI 11689/08?

REGRA: sim (norma processual – vigência imediata)

EXCEÇÃO: não, em relação aos fatos anteriores à Lei 9271/96 que modificou o art. 366/CPP
- antes da Lei 9271 se o réu fosse citado por edital e não comparecesse, o processo corria
normalmente à sua revelia; se o réu foi citado por edital e decretada a sua revelia, não pode ser
intimado da decisão de pronúncia também por edital e julgado à revelia (não se pode julgar
alguém que não tenha ciência inequívoca da acusação que pesa contra si).

POSSIBILIDADE DE O MP COMPLEMENTAR A DENÚNCIA APRESENTANDO ROL DE


TESTEMUNHAS

STJ

*1ª CORRENTE: SIM. A intimação do Ministério Público para que indique as provas que pretende
produzir em Juízo e a juntada do rol de testemunhas pela acusação, após a apresentação da
denúncia, mas antes da formação da relação processual, não são causas, por si sós, de nulidade
absoluta.
- possibilidade de emenda da inicial prevista no CPC e aplicada subsidiariamente no processo
penal
- princípio da cooperação
- não enseja nenhum prejuízo à defesa, que tem amplas possibilidades de contraditar os
elementos probatórios até então requeridos (não há nulidade sem prejuízo)

*2ª CORRENTE: NÃO


- preclusão consumativa
- atuação supletiva do juiz na produção probatória

84
A CITAÇÃO POR HORA CERTA É CONSTITUCIONAL

STF

- reconhecer a constitucionalidade da norma do CPP, que tem como objetivo exatamente


assegurar a continuidade do processo nas situações em que o réu deliberadamente se esconde
para evitar a citação, representaria um prêmio à sua atuação ilícita.
- não compromete o direito de ampla defesa: a defesa técnica é asssegurada (artigo 362,
parágrafo único do CPP); a autodefesa não é exercida por opção do acusado, pois existem
concretos indícios de que ele tomou conhecimento da existência do processo, mas optou por
não comparecer.

PROVA

PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS

STJ

Não basta o mero decurso do tempo, é preciso concreta justificação.

STF

É suficiente a alegação de limitação da memória humana e o comprometimento da busca da


verdade.

*Testemunhas policiais:
- 1ª corrente: SIM. O fato de o agente de segurança pública atuar constantemente no combate
à criminalidade faz com que ele presencie crimes diariamente. Em virtude disso, os detalhes
de cada uma das ocorrências acabam se perdendo em sua memória; além da proximidade
temporal com a ocorrência dos fatos proporcionar uma maior fidelidade das declarações,
possibilita ainda o registro oficial da versão dos fatos vivenciados por ele, o que terá grande
relevância para a garantia da ampla defesa do acusado, caso a defesa técnica repute necessária
a repetição do seu depoimento por ocasião da retomada do curso da ação penal. Existem
vários precedentes do STJ nesse sentido. (INF. 851/STF; INF 595/STJ)
- 2ª corrente: NÃO. Não serve como justificativa a alegação de que as testemunhas são policiais
responsáveis pela prisão, cuja própria atividade contribui, por si só, para o esquecimento das
circunstâncias que cercam a apuração da suposta autoria de cada infração penal.

85
86
CONFISSÃO

- a confissão espontânea não pode servir de fundamento para a redução da pena-base abaixo
do grau mínimo previsto em lei (súmula 231/STJ)

- a confissão qualificada ocorre quando o réu admite a prática do fato, no entanto, alega, em
sua defesa, um motivo que excluiria o crime ou o isentaria de pena
*posição majoritária no STF: não incide a atenuante genérica
*STJ: incide a atenuante genérica

- se a confissão foi parcial (o agente confessa o crime que lhe é imputado, mas nega a
qualificadora) e o juiz a considerou no momento da condenação, este magistrado deverá fazer
incidir a atenuante na fase da dosimetria da pena

- o agente confessa na fase do inquérito policial e, em juízo se retrata, negando a autoria. O


juiz condena o réu fundamentando sua sentença, dentre outros argumentos, na confissão
extrajudicial. Deverá incidir a atenuante.

- a confissão atenua a pena mesmo que já existissem nos autos outras provas contra o réu

- se a pessoa é acusada de tráfico de drogas e, durante seu interrogatório, nega que seja
traficante, mas admite que é usuário, isto não poderá ser utilizado como confissão (atenuante)
caso ela seja condenada por tráfico

- confissão judicial imprópria é aquela produzida perante autoridade judicial incompetente


para o deslinde do processo criminal em curso

- de acordo com o STF, o juiz-presidente do Tribunal do Júri, ao elaborar a sentença, pode


reconhecer a atenuante da confissão ainda que esta não tenha sido debatida no Plenário
(o réu confessou, mas nem a defesa nem a acusação pediram que fosse reconhecida esta
circunstância)

- confissão de crime diverso (o agente confessa a subtração, mas nega o emprego de violência
ou grave ameaça, visando a desclassificação do delito que lhe é imputado): não incide a
atenuante
- No CPM a atenuante da confissão está vinculada à revelação da autoria criminosa ignorada
ou imputada a outrem; não se aplica o CP por força do critério da especialidade.

87
DEPOIMENTO SEM DANO

Consiste na oitiva judicial de crianças e adolescentes que foram supostamente vítimas de


crimes contra a dignidade sexual em uma sala reservada, sendo o depoimento colhido por
um técnico (psicólogo ou assistente social), de forma indireta, informal, à medida que vai
se estabelecendo uma relação de confiança entre ele e a vítima. O juiz, o MP, o acusado e o
defensor acompanham o depoimento em tempo real, em outra sala, por meio de um sistema
audiovisual.

OBJETIVOS:
- evitar que a vítima seja submetida a um novo trauma
- relato fiel com detalhes
*pode ocorrer na fase pré-processual
**não tem previsão legal (PL 7524/06 e Rec 33/10 do CNJ)
***não configura nulidade por cerceamento de defesa.

INTERCEPTAÇÃO ESCUTA GRAVAÇÃO


Por terceiro com
Por terceiro sem conhecimento dos Por um dos
conhecimento de um
interlocutores interlocutores
dos interlocutores
- autorização judicial

*O simples fato de o advogado do


investigado ter sido interceptado não é
causa, por si só, para gerar a anulação de
todo o processo e da condenação que foi Ilícita: causa legal de
imposta ao réu. Se o Tribunal constatar sigilo ou reserva de
que houve indevida interceptação do conversação
advogado do investigado e que, portanto,
foram violadas as prerrogativas da *é lícita a gravação
- autorização judicial
defesa, essa situação poderá gerar três promovida pela mãe
consequências processuais: da conversa mantida
1ª) Cassação ou invalidação do ato judicial por seu filho menor
que determinou a interceptação; de idade com autor de
2ª) Invalidação dos atos processuais crime
subsequentes ao ato atentatório e com ele
relacionados;
3ª) Afastamento do magistrado caso se
demonstre que, ao assim agir, atuava de
forma parcial.

88
BUSCA E APREENSÃO

STF – INF 843

* A apreensão de documentos no interior de veículo automotor constitui uma espécie de


“busca pessoal” e, portanto, não necessita de autorização judicial quando houver fundada
suspeita de que em seu interior estão escondidos elementos necessários à elucidação dos
fatos investigados.

*Exceção: será necessária autorização judicial quando o veículo é destinado à habitação do


indivíduo, como no caso de trailers, cabines de caminhão, barcos, entre outros, quando, então,
se inserem no conceito jurídico de domicílio.

OBS: Após o encerramento da busca domiciliar, as autoridades responsáveis por sua execução
não podem, horas depois, reabri-la e realizar novas buscas e apreensões sem nova ordem
judicial autorizadora (art. 245, § 7º, do CPP). (STJ. 6ª Turma. HC 216.437/DF, Rel. Min. Sebastião
Reis Júnior, julgado em 20/09/2012).

BUSCA E APREENSÃO

STF – INF 849

* Não há nulidade se, em mandado de busca e apreensão, o titular do órgão entrega para ser
periciado pela Polícia o computador utilizado pela chefia e, após esse fato, antes de a perícia
ser iniciada, o magistrado responsável pela investigação autoriza a diligência na máquina.

*Não há violação do sigilo de correspondência eletrônica se o magistrado autoriza a apreensão


e perícia de computador e nele estão armazenados os e-mails do investigado que, então, são
lidos e examinados.

*A proteção a que se refere o art. 5º, XII, da CF/88, é da ‘comunicação de dados’ e não dos
‘dados em si mesmos’, ainda quando armazenados em computador.

PROVAS ILÍCITAS

STF – INF 849

*As peças processuais que fazem referência à prova declarada ilícita não devem ser
desentranhadas do processo.

89
*A denúncia, a sentença de pronúncia e as demais peças judiciais não são “provas” do crime
e, por essa razão, estão fora da regra que determina a exclusão das provas obtidas por meios
ilícitos prevista art. 157 do CPP.

PROVAS

STJ – INF 593

*Na ocorrência de autuação de crime em flagrante, ainda que seja dispensável ordem judicial
para a apreensão de telefone celular, as mensagens armazenadas no aparelho estão protegidas
pelo sigilo telefônico, que compreende igualmente a transmissão, recepção ou emissão de
símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer natureza, por
meio de telefonia fixa ou móvel ou, ainda, por meio de sistemas de informática e telemática

*Sem prévia autorização judicial, são nulas as provas obtidas pela polícia por meio da extração
de dados e de conversas registradas no whatsapp presentes no celular do suposto autor de fato
delituoso, ainda que o aparelho tenha sido apreendido no momento da prisão em flagrante.

SENTENÇA

EMENDATIO LIBELLI NO MOMENTO DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA OU QUEIXA

STF E STJ

REGRA: sentença

EXCEÇÕES:
1) para beneficiar o réu;
2) fixação da competência;
3) determinação do procedimento adequado

*para prejudicar o réu: NÃO


-violação princípio dispositivo
-violação titularidade da ação penal
-antecipação do julgamento de mérito

90
FIXAÇÃO DE VALOR MÍNIMO PARA REPARAÇÃO DE DANOS – ART. 387, IV DO CPP
- natureza jurídica: efeito extrapenal genérico da condenação
- pedido expresso e formal do MP ou do ofendido (contraditório e ampla defesa)
- prova dos prejuízos
- o juiz não é obrigado a fixar valor mínimo se: não houver prova do valor do dano; os fatos
forem complexos e demandarem dilação probatória; a vítima já tiver sido indenizada no juízo
cível.
- norma híbrida: não retroage (mais gravosa ao réu)

INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHAS PELO JUIZ E AUSENCIA DO MP NA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO

STJ

Não gera nulidade do processo o fato de, em audiência de instrução, o magistrado, após o
registro da ausência do representante do MP (que, mesmo intimado, não compareceu),
complementar a inquirição das testemunhas realizada pela defesa, sem que o defensor tenha
se insurgido no momento oportuno nem demonstrado efetivo prejuízo.
- a nulidade por violação ao disposto no artigo 212 do CPP é meramente relativa
- busca da verdade

FIXAÇÃO DO VALOR MÍNIMO PARA REPARAÇÃO DOS DANOS

STJ – INF 588

O juiz, ao proferir sentença penal condenatória, no momento de fixar o valor mínimo para
a reparação dos danos causados pela infração (art. 387, IV, do CPP), pode, sentindo-se apto
diante de um caso concreto, quantificar, ao menos o mínimo, o valor do dano moral sofrido
pela vítima, desde que fundamente essa opção.

O art. 387, IV, não limita a indenização apenas aos danos materiais e a legislação penal deve
sempre priorizar o ressarcimento da vítima em relação a todos os prejuízos sofridos.

RECURSOS/AÇÕES AUTÔNOMAS DE IMPUGNAÇÃO

PRINCÍPIO DA NON REFORMATIO IN PEJUS

STF

A análise deve ser quantitativa (quantidade de pena) e qualitativa (efeitos da condenação,


causas de aumento de pena não descrita na sentença, por exemplo)

91
*Há reformatio in pejus quando o Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, desclassifica delito
contra o patrimônio para crime contra a Administração Pública (a progressão de regime
pressupõe prévia reparação do dano).

*Há reformatio in pejus quando o Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, afasta qualificadora,
mas reconhece causa de aumento de pena não descrita na decisão recorrida.

EMBARGOS INFRINGENTES NO STF

STF

- previsto no RISTF
- editado sob a égide da CF/67 (ou 69) que atribuía ao STF competência para legislar sobre
matéria processual de sua competência
- o RISTF foi recepcionado pela CF/88 como lei ordinária
A Lei 8038/90 tratou sobre normas procedimentais, indicando o rito aplicável às ações penais
originárias desde o oferecimento da denúncia até o encerramento da instrução; não dispôs
sobre recursos (lacuna intencional)

*não cabem EI no STF para discutir o quantum de pena (divergência no tocante à dosimetria
da pena).

AGRAVO INTERNO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DO RELATOR NO STJ/STF E NOVO CPC

STF

O agravo (interno/regimental) interposto contra decisão monocrática do Ministro Relator no


STF e STJ, em recursos ou ações originárias que versem sobre matéria penal ou processual
penal NÃO obedece às regras no novo CPC.
Isso significa que:
- o prazo deste agravo é de 5 dias, nos termos do art. 39 da Lei nº 8.038/90 (não se aplicando
o art. 1.070 do CPC/2015);
- este prazo é contado em dias corridos, conforme prevê o art. 798 do CPP (não se aplicando a
regra da contagem em dias úteis do art. 219 do CPC/2015).

92
ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA E VEDAÇÃO À ANÁLISE DO MÉRITO EM APELAÇÃO

STJ

No julgamento de apelação interposta pelo Ministério Público contra sentença de absolvição


sumária, o Tribunal não poderá analisar o mérito da ação penal para condenar o réu. Neste caso,
entendendo que não era hipótese de absolvição sumária, o Tribunal deverá dar provimento
ao recurso para determinar o retorno dos autos ao juízo de primeiro grau, a fim de que o
processo prossiga normalmente, com a realização da instrução e demais atos processuais, até
a prolação de nova sentença pelo magistrado.
- princípios do juiz natural, do devido processo legal, da ampla defesa e do duplo grau de
jurisdição.

REVISÃO CRIMINAL E TRIBUNAL DO JÚRI

STJ

- não ofende a soberania dos veredictos


-garantia não absoluta
-garantia constitucional prevista em favor do réu, logo não pode prejudicá-lo
*o tribunal pode fazer o juízo rescindente (cassação da decisão) e o juízo rescisório (novo
julgamento)

* A via adequada para nova tomada de declarações da vítima com vistas à possibilidade de sua
retratação e ajuizamento de revisão criminal é o pedido de justificação (art. 381, § 5º do CPC
2015), ainda que ela já tenha se retratado por escritura pública, que deve ser ajuizado perante
o juízo criminal de 1ª instância.

COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DE REVISÃO CRIMINAL

STJ

1ª regra: a revisão criminal é sempre julgada por um Tribunal ou pela Turma Recursal. Não
existe revisão criminal julgada por juiz singular.

2ª regra: se a condenação foi proferida por um juiz singular e não houve recurso, a competência
para julgar a revisão criminal será do Tribunal (ou Turma) ao qual estiver vinculado o magistrado.

93
3ª regra: se a condenação foi mantida (em recurso) ou proferida (em casos de competência
originária - foro privativo) pelo TJ, TRF ou Turma Recursal e contra este acórdão não foi
interposto RE ou Resp, a competência para julgar a revisão criminal será do TJ, TRF ou Turma
Recursal.

4ª regra: se a condenação foi mantida ou proferida pelo TJ ou TRF e contra este acórdão foi
interposto RE ou Resp:
1) Se o RE ou o Resp não forem conhecidos: a competência será do TJ ou TRF
2) Se o RE ou Resp forem conhecidos:
2.1) Caso a revisão criminal impugne uma questão que foi discutida no RE ou no Resp: a
competência será do STF ou do STJ.
2.2) Caso a revisão criminal impugne uma questão que não foi discutida no RE ou no Resp: a
competência será do TJ ou TRF.

*O julgamento pelo STF de HC impetrado contra decisão proferida em recurso especial não
afasta, por si só, a competência do STJ para processar e julgar posterior revisão criminal.
HABEAS CORPUS

- o habeas corpus pode ser preventivo ou repressivo. Se o HC for impetrado de forma preventiva
e a coação se verificar antes de seu julgamento, o writ poderá ser convertido em liberatório
- habeas corpus substitutivo de recurso próprio: o reconhecimento de nulidades (error in
procedendo), mesmo após o trânsito em julgado; ilegalidade flagrante; decisão teratológica
- É admissível a interposição de recurso ordinário para impugnar acórdão de Tribunal de
Segundo Grau concessivo de ordem de habeas corpus na hipótese em que se pretenda
questionar eventual excesso de medidas cautelares fixadas por ocasião de deferimento de
liberdade provisória (RO somente a favor do réu).

- HC em favor de pessoa jurídica que pratique crime ambiental - STF: NÃO (a pessoa jurídica
jamais será condenada á pena privativa de liberdade; não há ameaça à liberdade de locomoção);
STJ: SIM (se o HC for impetrado também a favor das pessoas físicas que figuram como corrés
no mesmo processo)
- cabe habeas corpus no caso de prisão civil
- diante da demora do julgamento pelo STJ, o réu, com base no princípio constitucional da
duração razoável do processo, poderá impetrar novo habeas corpus no STF. Nesta hipótese, o
STF não analisa o HC pendente de julgamento, sob pena de supressão de instância.
- o habeas corpus não é o meio processual adequado para discutir dosimetria da pena,
tipificação penal ou para o reexame dos pressupostos de admissibilidade dos recursos
- não cabe HC para discutir direito de visita a preso em estabelecimento prisional
- segundo o STF, cabe HC quando o crime imputado ao agente for o delito previsto no art. 28
da Lei de Drogas

94
- HC em relação à punições disciplinares militares: não é cabível para debater o mérito da
punição (art. 142, parágrafo 2 º/CF); é cabível para analisar os pressupostos de legalidade
- intervenção de terceiros: somente do querelante na ação penal privada
- aplica-se o princípio non reformatio in pejus
- cabe HC para que seja analisada a legalidade de decisão que determina o afastamento de
prefeito do cargo, quando a medida for imposta conjuntamente com a prisão.
- não cabe HC em face de decisão monocrática de Ministro do STF (a parte pode interpor
agravo regimental em 5 dias)
- não cabe HC para se discutir se houve dolo eventual ou culpa consciente em homicídio
praticado na direção de veículo automotor
- cabe HC para apurar eventual ilegalidade na fixação de medida protetiva de urgência
consistente na proibição de aproximar-se de vítima de violência doméstica e familiar (se
descumprida a medida cautelar pode ser convertida em prisão preventiva)

- não cabe HC para pleitear trancamento de processo de impeachment (sanções de natureza


político-administrativa).

- não se admite habeas corpus para se questionar nulidade cujo tema não foi trazido antes do
trânsito em julgado da ação originária e tampouco antes do trânsito em julgado da revisão
criminal. A nulidade não suscitada no momento oportuno é impassível de ser arguida através
de habeas corpus, no afã de superar a preclusão, sob pena de transformar o writ em sucedâneo
da revisão criminal.

- a intimação pessoal da Defensoria Pública quanto à data de julgamento de habeas corpus só


é necessária se houver pedido expresso para a realização de sustentação oral.

RECURSOS

STF - INF 845

O prazo de interposição de agravo contra a decisão do Presidente do tribunal de origem que


nega seguimento ao RE ou REsp (em matéria criminal) é de 15 dias CORRIDOS (não são dias
úteis).

95
RECURSOS

STF - INF 857

O e-mail não configura meio eletrônico equiparado ao fax, para fins da aplicação do disposto
no art. 1º da Lei nº 9.800/99, porquanto não guarda a mesma segurança de transmissão e
registro de dados.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 919.403/DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
13/09/2016.
STF. 1ª Turma. HC 121225/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/3/2017 (Info 857).

HABEAS CORPUS

STF

* Possibilidade de o Ministro Relator do STJ ou do STF decidir monocraticamente o habeas


corpus nas hipóteses autorizadas pelo regimento interno:

- NÃO. Cabe ao colegiado o julgamento de habeas corpus. INF 857

- SIM: Posição majoritária no STF. O Ministro Relator pode decidir monocraticamente habeas
corpus nas hipóteses autorizadas pelo regimento interno, sem que isso configure violação ao
princípio da colegialidade.
STF. 1ª Turma. HC 137265 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 07/03/2017;
STF. 2ª Turma. HC 131550 AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/12/2015.
STF – INF 862

Cabe HC para o STF contra decisão monocrática do Ministro do STJ?

*Regra: NÃO. É necessário que primeiro o impetrante exaure (esgote), no tribunal a quo (no
caso, o STJ), as vias recursais ainda cabíveis (no caso, o agravo regimental).

**Exceção: essa regra pode ser afastada em casos excepcionais, quando a decisão atacada
se mostrar teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à
jurisprudência do STF, situações nas quais o STF poderia conceder de ofício o habeas corpus.

96
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO

STJ – INF 596

*É cabível recurso em sentido estrito contra decisão que revoga medida cautelar diversa da
prisão, com base na intepretação extensiva do art. 581, V.

*O inciso V expressamente permite RESE contra a decisão do juiz que revogar prisão preventiva.
Esta decisão é similar ao ato de revogar medida cautelar diversa da prisão. Logo, permite-se a
interpretação extensiva neste caso.

PRISÃO E MEDIDAS CAUTELARES

PRISÃO CAUTELAR E RÉU CONDENADO A REGIME SEMIABERTO OU ABERTO

STJ

*1ª corrente: não há incompatibilidade, desde que presentes os pressupostos que autorizam
a decretação/manutenção da prisão preventiva; o condenado permanecerá preso, porém de
acordo com as regras do regime prisional imposto na sentença.

*2ª corrente: viola o princípio da proporcionalidade (é mais vantajoso para o réu renunciar
ao direito de recorrer e iniciar imediatamente o cumprimento da pena do que impugnar a
decisão e ser recolhido ao regime fechado); aplicar as regras do regime imposto na sentença
representa execução provisória da pena.

AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA

Audiência de custódia consiste no direito que a pessoa presa em flagrante possui, de ser
conduzida, sem demora, à presença de uma autoridade judicial (magistrado) que irá analisar
se os seus direitos fundamentais foram respeitados.
Após a oitiva do preso, a manifestação do Ministério Público e da defesa, o magistrado decide
acerca do relaxamento da prisão ilegal, concessão de liberdade provisória com ou sem fiança
e medidas cautelares diversas da prisão, conversão em prisão preventiva ou cabimento da
mediação penal, evitando a judicialização do conflito, corroborando para a adoção de práticas
restaurativas.

97
*previsão legal: CADH, promulgada no Brasil pelo Decreto 678/92, ainda não regulamentada
em lei no Brasil (PLS 554/2011)

**Provimento 03/2012 do TJSP: CONSTITUCIONAL, porque não inovou na ordem jurídica, mas
apenas explicitou conteúdo normativo já existente em diversas normas da CADH e do CPP;
não há violação ao princípio da separação dos poderes, pois não foi o Provimento que criou
obrigações aos delegados de polícia, mas sim a citada convenção e o CPP.

***amplitude da expressão “sem demora”: a doutrina majoritária defende que o prazo de


realização da audiência deve ser de 24 horas (aplicação subsidiária do artigo 306 do CPP; PLS
554/2011).

PRISÃO CAUTELAR DE SENADOR – PRINCIPAIS ASPECTOS JURÍDICOS

STF

No caso envolvendo a prisão do Senador Delcídio do Amaral, podemos apontar algumas


conclusões:
1) Como regra, os membros do Congresso Nacional não podem ser presos antes da
condenação definitiva. Exceção: poderão ser presos caso estejam em flagrante delito de um
crime inafiançável (art. 53, § 2º da CF/88).
2) Segundo entendeu o STF, o Senador e as demais pessoas envolvidas teriam praticado, no
mínimo, dois crimes: a) integrar organização criminosa (art. 2º, caput, da Lei 12.850/2013); b)
embaraçar investigação envolvendo organização criminosa (art. 2º, § 1º da Lei 12.850/2013).
3) O STF entendeu que as condutas do Senador configurariam crime permanente, considerando
que ele, até antes de ser preso, integrava pessoalmente a organização criminosa (art. 2º, caput)
e, além disso, estaria, há dias, embaraçando a investigação da Lava Jato (art. 2º, § 1º). Desse
modo, ele estaria por todos esses dias cometendo os dois crimes acima, em estado, portanto,
de flagrância.
4) Os crimes do art. 2º, caput e do § 1º da Lei nº 12.850/2013 que, em tese, foram praticados
pelo Senador, não são, a princípio, inafiançáveis considerando que não se encontram listados
no art. 323 do CPP. Não se tratam, portanto, de crimes absolutamente inafiançáveis. No
entanto, como, no caso concreto, estariam presentes os motivos que autorizam a decretação
da prisão preventiva (tentativa de calar o depoimento de colaborador, tentativa de influenciar
os julgadores e planejamento de fuga), havia uma situação que não admite fiança, com base
no art. 324, IV, do CPP.
5) O STF admite a prisão preventiva de Deputado Federal ou Senador? Surgiram duas correntes:
1ª) SIM. Para Rogério Sanches e Marcelo Novelino, o STF teria autorizado a prisão preventiva
do Senador, relativizando o art. 53, § 2º da CF/88. 2ª) NÃO. Não é possível a prisão preventiva
de Deputado Estadual, Deputado Federal ou Senador porque a única prisão cautelar que o art.
53, § 2º da CF/88 admite é a prisão em flagrante de crime inafiançável.

98
INDULTO E DETRAÇÃO PENAL

STJ

O período compreendido entre a publicação do decreto concessivo de indulto pleno e a


decisão judicial que reconheça o benefício não pode ser subtraído na conta de liquidação das
novas execuções penais, mesmo que estas se refiram a condenações por fatos anteriores ao
decreto indulgente.
- o indulto não é aplicado de forma automática; requer um procedimento judicial em que o
juiz da execução irá avaliar se o apenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos
previstos no decreto presidencial.
- o indulto somente produzirá efeitos após a avaliação judicial, o que demanda tempo
- a concessão do indulto pressupõe sentença penal condenatória transitada em julgado, a
partir da qual surge a pretensão de execução da pena; portanto, até a prolação da decisão que
extinguir a punibilidade do agente, a sua custódia será decorrente de uma prisão penal
- a detração penal decorre do princípio da presunção de não culpabilidade, por isso somente
se opera em relação à prisão cautelar.

* É possível que haja a detração em processos criminais distintos?


1) Se a prisão cautelar foi ANTERIOR ao crime pelo qual a pessoa foi condenada: NÃO
2) Se a prisão cautelar foi POSTERIOR ao crime pelo qual a pessoa foi condenada: SIM
É cabível a aplicação do benefício da detração penal, previsto no art. 42 do CP, em processos
distintos, desde que o delito pelo qual o sentenciado cumpre pena tenha sido cometido antes
da segregação cautelar, evitando a criação de um crédito de pena.

ATOS INFRACIONAIS PRETÉRITOS PODEM SER UTILIZADOS COMO FUNDAMENTO PARA


DECRETAÇÃO/MANUTENÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA

STJ e STF (decisão monocrática Luiz Fux)

* A prática de atos infracionais anteriores serve para justificar a decretação ou manutenção


da prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando que indicam que a
personalidade do agente é voltada à criminalidade, havendo fundado receio de reiteração. Não
é qualquer ato infracional, em qualquer circunstância, que pode ser utilizado para caracterizar
a periculosidade e justificar a prisão antes da sentença. É necessário que o magistrado analise:
a) a gravidade específica do ato infracional cometido (gravidade concreta);
b) o tempo decorrido entre o ato infracional e o crime; e
c) a comprovação efetiva da ocorrência do ato infracional.

99
PRISÃO PREVENTIVA

STF – INF 862

* Não se pode decretar a prisão preventiva do acusado pelo simples fato de ele ter descumprido
acordo de colaboração premiada.
**É necessário verificar, no caso concreto, a presença dos requisitos da prisão preventiva, não
podendo o decreto prisional ter como fundamento apenas a quebra do acordo.

LEGISLAÇÃO ESPECIAL

EXECUÇÃO PENAL

FALTA GRAVE – PRÁTICA DE CRIME DOLOSO

STJ

*a punição por falta grave independe do trânsito em julgado da condenação pelo crime doloso
praticado
- o artigo 52 da LEP não exige condenação
- demora do processo penal: possibilidade de extinção da pena antes do julgamento
- garantia de ampla defesa e contraditório: não há prejuízo para o réu

**prazo prescricional da falta grave: 3 anos; ante a ausência de previsão legal específica aplica-
se o menor prazo previsto no CP.

NOVO REQUISITO PARA PROGRESSÃO DE REGIME – PAGAMENTO INTEGRAL DA PENA DE


MULTA, SALVO COMPROVADA IMPOSSIBILIDADE ECONÔMICA DO CONDENADO

STF

- pagamento da multa é dever jurídico do condenado


- sanção autônoma (art. 5º, XLVI, a/CF)
- deliberado descumprimento de decisão judicial (falta de autodisciplina e senso de
responsabilidade)
- tratamento privilegiado em relação ao condenado que paga a multa
- função retributiva e preventiva geral e especial da pena de multa
- requisitos do art. 112 da LEP não são exaustivos (finalidade da pena, merecimento do
sentenciado)
- não há conversão da multa em prisão
- não há prisão por dívida

100
*O inadimplemento injustificado das parcelas da pena de multa autoriza a regressão no regime
prisional.

STJ

O inadimplemento da pena de multa não obsta a extinção da punibilidade, se cumprida a


pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos aplicada cumulativamente
- dívida de valor
- competência para a execução: Fazenda Pública

**O cumprimento de pena em penitenciária federal de segurança máxima por motivo de


segurança pública não é compatível com a progressão de regime prisional, pois ausentes os
requisitos subjetivos, salvo se cessados os motivos que justificaram a sua transferência (o juízo
responsável pelo presídio federal é quem detém a competência para processar e julgar os
incidentes da execução relacionados com o condenado que está cumprindo pena no presídio
federal, ainda que condenados pela Justiça Estadual).

SAÍDA TEMPORÁRIA AUTOMATIZADA

STF

- observada a forma alusiva à saída temporária - gênero -, manifestando-se os órgãos técnicos,


o Ministério Público e o Juízo da Vara de Execuções, as subseqüentes mostram-se consectário
legal, descabendo a burocratização a ponto de, a cada uma delas, no máximo de três
temporárias, ter-se que formalizar novo processo.
- a primeira decisão, não vindo o preso a cometer falta grave, respalda as saídas posteriores
-dignidade da pessoa humana

STJ

- ato jurisdicional da competência do juízo das execuções penais, que deve ser motivada com
a demonstração da conveniência de cada medida
- função fiscalizadora do MP no tocante à ocorrência de excesso, abuso ou mesmo de
irregularidade na execução da medida.

101
SAÍDA TEMPORÁRIA

STJ – INF 590

*Respeitado o limite anual de 35 dias, estabelecido pelo art. 124 da LEP, é cabível a concessão
de maior número de autorizações de curta duração.

*As autorizações de saída temporária para visita à família e para participação em atividades
que concorram para o retorno ao convívio social, se limitadas a cinco vezes durante o ano,
deverão observar o prazo mínimo de 45 dias de intervalo entre uma e outra. Na maior número
de saídas temporárias de curta duração, já intercaladas durante os doze meses do ano e muitas
vezes sem pernoite, não se exige o intervalo previsto no art. 124, § 3º, da LEP.

*É recomendável que cada autorização de saída temporária do preso seja precedida de decisão
judicial motivada. Entretanto, se a apreciação individual do pedido estiver, por deficiência
exclusiva do aparato estatal, a interferir no direito subjetivo do apenado e no escopo
ressocializador da pena, deve ser reconhecida, excepcionalmente, a possibilidade de fixação
de calendário anual de saídas temporárias por ato judicial único, observadas as hipóteses de
revogação automática do art. 125 da LEP.

*O calendário prévio das saídas temporárias deverá ser fixado, obrigatoriamente, pelo Juízo
das Execuções, não se lhe permitindo delegar à autoridade prisional a escolha das datas
específicas nas quais o apenado irá usufruir os benefícios.

REINCIDÊNCIA E LIVRAMENTO CONDICIONAL

STJ

- a condição de reincidente estende-se sobre a totalidade das penas somadas para fins de
análise do requisito objetivo do livramento condicional, mesmo que não reconhecida na
sentença condenatória pela prática de alguns crimes
- a reincidência é circunstância pessoal que irradia efeitos sobre a execução como um todo.

PENA DE MULTA – LEGITIMIDADE PARA EXECUÇÃO

STJ

- legitimidade para execução: Fazenda Pública


- legitimidade para promover medidas cautelares que assegurem o pagamento: MP (multa é
sanção penal; o MP é titular da ação penal).

102
REMIÇÃO DA PENA PELA LEITURA

STJ – INF 587

- interpretação extensiva do artigo 126 da LEP que admite a remição pelo estudo. O estudo está
estreitamente ligado à leitura e à produção de textos, atividades que exigem dos indivíduos
a participação efetiva enquanto sujeitos ativos desse processo, levando-os à construção do
conhecimento
- a leitura em si tem função de propiciar a cultura e possui caráter ressocializador, até mesmo
por contribuir na restauração da autoestima.
- a leitura diminui consideravelmente a ociosidade dos presos e reduz a reincidência criminal.
- Portaria conjunta nº 276/2012, do Departamento Penitenciário Nacional/MJ e do Conselho da
Justiça Federal; Recomendação n. 44/2013 do CNJ: atividades educacionais complementares
para fins de remição da pena pelo estudo e critérios para a admissão pela leitura.

*É possível a remição da pena em razão de atividade laborativa extramuros.

** Reconhecida falta grave, a perda de até 1/3 do tempo remido pode alcançar dias de trabalho
(ou de estudo) anteriores à infração disciplinar e que ainda não tenham sido declarados pelo
juízo da execução no cômputo da remição. Por outro lado, a perda dos dias remidos não pode
alcançar os dias trabalhados (ou de estudo) após o cometimento da falta grave.

***Se o preso, ainda que sem autorização do juízo ou da direção do estabelecimento prisional,
efetivamente trabalhar nos domingos e feriados, esses dias deverão ser considerados no
cálculo da remição da pena.

INDULTO E MEDIDA DE SEGURANÇA

TESE DO MP

A medida de segurança é um instituto jurídico de natureza terapêutica, que tem por objetivo
evitar que a pessoa que apresenta certo grau de periculosidade pratique novos fatos previstos
como crime. Logo, só se poderia afastar a medida de segurança após uma avaliação técnica na
qual ficasse comprovado que o indivíduo não apresenta mais periculosidade.

103
STF

É possível a concessão de indulto para pessoas submetidas a medida de segurança. A


competência do Presidente da República para a concessão de indulto (art. 84, XII, da CF/88)
abrange não apenas pessoas que receberam “pena”, como também aquelas que foram
submetidas à medida de segurança, considerando que ambas são espécies de sanção penal.
Ademais, não existe uma restrição expressa à concessão de indulto.

EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA

STF – Inf 842

É possível o início da execução da pena após a prolação de acórdão condenatório pelo Tribunal
no julgamento do recurso de apelação.
- não violação ao princípio da presunção de inocência
- não há retrocesso em matéria de direitos fundamentais (preservado o núcleo essencial do
postulado)
- efetividade da jurisdição processual penal (intrincado e complexo sistema de justiça criminal
brasileiro)
- resgate da função institucional do processo (único meio de efetivação do jus puniendi estatal)
- recursos especial ou extraordinário não tem efeito suspensivo, não permitem a análise de
fatos e provas

*Aspectos importantes:
- para início do cumprimento provisório da pena o que interessa é que exista um acórdão de
2º grau condenando o réu, ainda que ele tenha sido absolvido pelo juiz em 1ª instância.
- réu absolvido em sede de recurso especial ou extraordinário: em regra, não há direito à
indenização (a responsabilidade do Estado, nesse caso, é subjetiva).
- o entendimento proferido tem aplicabilidade imediata (para o STF não existe proibição de se
aplicar nova jurisprudência a casos em andamento, mesmo que mais prejudiciais ao réu, salvo
se houver modulação dos efeitos).
- suspensão da execução provisória da pena: medida cautelar em RE ou REsp/liminar em HC
(somente em casos excepcionais – flagrante ilegalidade ou injustiça)
- para os críticos do novo entendimento a prisão por força de acórdão condenatório de 2º
grau, tal como autorizada pelo STF, não se enquadra em nenhuma das hipóteses elencadas
pelo art. 283 do CPP. Logo, esta forma de prisão seria ilegal.

104
STJ

*É possível a execução provisória de pena imposta em acórdão condenatório proferido em


ação penal de competência originária de tribunal.

**Não é possível a execução provisória da pena se foram opostos embargos de declaração


contra o acórdão condenatório proferido pelo Tribunal de 2ª instância e este recurso ainda
não foi julgado. A execução da pena depois da prolação de acórdão em segundo grau de
jurisdição e antes do trânsito em julgado da condenação não é automática quando a decisão
ainda é passível de integração pelo Tribunal de Justiça. (INF 595).

***Na hipótese em que ainda não houve a intimação da Defensoria Pública Estadual acerca de
acórdão condenatório, mostra-se ilegal a imediata expedição de mandado de prisão. (INF 597)

FALTA DE VAGAS NOS REGIMES SEMIABERTO E ABERTO

STF

1) A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em


regime prisional mais gravoso;
- individualização da pena, legalidade, dignidade humana, humanidade das penas

2) Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes


semiaberto e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis
estabelecimentos que não se qualifiquem como “colônia agrícola, industrial” (regime
semiaberto) ou “casa de albergado ou estabelecimento adequado” (regime aberto)

3) Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se:


(a) a saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas;
(b) a liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é
posto em prisão domiciliar por falta de vagas;
(c) o cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao
regime aberto;
d) até que sejam estruturadas as medidas alternativas propostas, poderá ser deferida a prisão
domiciliar ao sentenciado.

* Os apenados que serão beneficiados com a saída antecipada ou com as penas alternativas
deverão ser escolhidos com base em critérios isonômicos (requisito subjetivo – bom
comportamento - e requisito objetivo - aqueles que estão mais próximos de progredir ou de
encerrar a pena)

105
**Porque a prisão domiciliar não pode ser a primeira opção:
- nem sempre o condenado tem meios de manter uma residência ou uma família que o acolha;
- dificuldades de caráter econômico e social – transferência da pena para a família
- dificuldade de fiscalização
- não garante a ressocialização do condenado

Obs: trata-se de decisão manipulativa proferida pelo STF

REMIÇÃO DA PENA

STF INF 860

*Se um condenado, por determinação da direção do presídio, trabalha 4 horas diárias (menos
do que prevê a Lei), este período deverá ser computado para fins de remição de pena. Como
esse trabalho do preso foi feito por orientação ou estipulação da direção do presídio, isso
gerou uma legítima expectativa de que ele fosse aproveitado, não sendo possível que seja
desprezado, sob pena de ofensa aos princípios da segurança jurídica e da proteção da
confiança.

EXECUÇÃO PENAL

STF INF 861

*Não viola a SV 56 a situação do condenado ao regime semiaberto que está cumprindo pena
em presídio do regime fechado, mas em uma ala destinada aos presos do semiaberto.

PROGRESSÃO DE REGIME

STJ INF 595

*A data-base para subsequente progressão de regime é aquela em que o reeducando


preencheu os requisitos do art. 112 da LEP e não aquela em que o Juízo das Execuções deferiu
o benefício.

**A decisão do Juízo das Execuções que defere a progressão de regime é declaratória (e não
constitutiva). Algumas vezes o reeducando preenche os requisitos em uma data, mas a decisão
acaba demorando meses para ser proferida.

***Não se pode desconsiderar, em prejuízo do reeducando, o período em que permaneceu


cumprindo pena enquanto o Judiciário analisava seu requerimento de progressão.

106
TORNOZELEIRA ELETRÔNICA

STJ INF 595

*A não observância do perímetro estabelecido para monitoramento de tornozeleira eletrônica


configura mero descumprimento de condição obrigatória que autoriza a aplicação de sanção
disciplinar, mas não configura, mesmo em tese, a prática de falta grave.

JUIZADOS ESPECIAIS

EM CASO DE TRANSAÇÃO PENAL, NÃO SE APLICAM OS EFEITOS DO ARTIGO 91 DO CÓDIGO


PENAL

STF

- efeitos do artigo 91/CP: decorrem de sentença condenatória (efeito extrapenal genérico da


condenação)
- transação penal: sentença meramente homologatória
- conseqüências da transação penal: somente aquelas estipuladas de modo consensual no
respectivo instrumento de acordo
- único efeito: impedir a concessão do mesmo benefício durante o prazo de 5 anos
- transação penal não gera outros efeitos penais ou civis

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

IMPUGNAÇÃO DO ACORDO DE DELAÇÃO PREMIADA

STF

*A colaboração premiada é apenas meio de obtenção de prova, ou seja, é um instrumento


para colheita de documentos que, segundo o resultado de sua obtenção, poderão formar
meio de prova. A colaboração premiada não se constitui em meio de prova propriamente dito
(Convenção de Palermo de Convenção de Mérida).
*O acordo de colaboração não se confunde com os depoimentos prestados pelo colaborador
com o objetivo de fundamentar as imputações a terceiros. Uma coisa é o acordo, outra é o
depoimento prestado pelo colaborador e que será ainda valorado a partir da análise das
provas produzidas no processo.
*Homologar o acordo não significa dizer que o juiz admitiu como verídicas ou idôneas as
informações prestadas pelo colaborador. Quando o magistrado homologa o acordo, ele
apenas afirma que este cumpriu sua regularidade, legalidade e voluntariedade.

107
*O STF entendeu que o acordo não pode ser impugnado por terceiro, mesmo que seja uma
pessoa citada na delação. Isso porque o acordo é personalíssimo e, por si só, não vincula o
delatada, nem afeta diretamente sua situação jurídica. O que poderá atingir eventual corréu
delatado são as imputações posteriores, constantes do depoimento do colaborador.
*A personalidade do colaborador ou o fato de ele já ter descumprido um acordo anterior de
colaboração premiada não têm o condão de invalidar o acordo atual. Não importa a idoneidade
do colaborador, mas sim a idoneidade das informações que ele fornecer e isso ainda será
apurado no decorrer do processo.

** O acordo de delação premiada é sigiloso, enquanto a denúncia não for recebida, inclusive
para a CPI (exceção do sigilo somente em relação ao juiz, MP, autoridade policial e investigado).

*** A simples menção do nome do investigado com foro por prerrogativa de função em
depoimento de réu colaborador, durante a instrução em 1ª instância, não caracteriza ato de
investigação, ainda mais quando houve prévio desmembramento.

****Não viola a SV 14 a decisão do juiz que nega a réu denunciado com base em um acordo
de colaboração premiada, o acesso a outros termos de declarações que não digam respeito
aos fatos pelos quais ele está sendo acusado, especialmente se tais declarações ainda estão
sendo investigadas, situação na qual existe previsão de sigilo (art. 7º da Lei nº 12.850/2013 –
preservação da identidade do colaborador; garantia do êxito das investigações).

DIREITO CIVIL

PESSOAS

DIREITO AO ESQUECIMENTO

É o direito que uma pessoa possui de não permitir que um fato, ainda que verídico, ocorrido
em momento passado, seja exposto ao público em geral, causando-lhe sofrimentos ou
transtornos.

*Fundamentos:
- dignidade humana
- privacidade, intimidade, honra (artigos 5º, X/CF e 21/CC)
- EN 531/JDC

*Direito ao esquecimento X Direito à informação


- interesse público/atual
- fatos históricos

108
*Direito ao esquecimento X direito à memória
- direito à memória: direito que possui os lesados e toda a sociedade de esclarecer fatos que
geraram graves violações de direitos humanos durante o período da ditadura militar
- fundamentos: dignidade humana; respeito aos direitos humanos
- Lei 12528/11 – Comissão Nacional da Verdade
- fatos históricos/relevante interesse público
- condenação do Brasil pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por negar acesso aos
arquivos que continham informações sobre a Guerrilha do Araguaia

*Direito ao esquecimento X internet


- a internet eterniza as notícias e informações
- dados rapidamente espalhados e armazenados em servidores do mundo todo

DIREITO DE INFORMAR E DIREITO DE IMAGEM

STJ

*Deve ser analisado:


- grau de consciência do retratado quanto à captação da sua imagem
- grau de identificação/exposição
- repercussão do meio pelo qual se dá a divulgação
- utilidade pública da informação
- atualidade da imagem
- necessidade de vinculação da imagem para informar o fato
- preservação do contexto originário do qual a imagem foi colhida

NOME

STJ – INF 587

O brasileiro que adquiriu dupla cidadania pode ter seu nome retificado no registro civil do Brasil,
desde que isso não cause prejuízo a terceiros, quando vier a sofrer transtornos no exercício da
cidadania por força da apresentação de documentos estrangeiros com sobrenome imposto
por lei estrangeira e diferente do que consta em seus documentos brasileiros.

109
DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

CAPITALIZAÇÃO DE JUROS E INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS

STJ

*Capitalização de juros: vedada (artigo 4º/Lei de Usura)


- a ressalva da 2ª parte do artigo 4º permite a capitalização anual
- artigo 591/CC: permite a capitalização anual (mútuo feneratício)

*Capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano: somente instituições financeiras


(MP 2170/01) desde que expressamente pactuada (taxa anual superior ao duodécuplo da taxa
mensal)

**Impugnações à MP 2170/01

1)Ilegalidade da capitalização inferior a um ano: o art. 5º da MP 2.170-36/2001, que permite a


capitalização inferior a um ano, teria sido revogado pelo art. 591 do Código Civil, que permite
somente a capitalização anual.
- o artigo 591 do Código Civil não alterou a regra do art. 5º da MP porque esta é norma
específica e o CC é lei geral, aplicando-se o princípio da especialidade, segundo o qual lei geral
não revoga lei especial, ainda que seja posterior.
2) Inconstitucionalidade formal da MP por violação ao art. 62 da CF/88 (relevância e urgência)
-a definição do que seja relevante e urgente para fins de edição de medidas provisórias
consiste, em regra, em um juízo político (escolha política/discricionária) de competência do
Presidente da República, controlado pelo Congresso Nacional. Desse modo, salvo em caso de
notório abuso, o Poder Judiciário não deve se imiscuir na análise dos requisitos da MP
-no caso concreto, do ponto de vista da relevância, esta estaria presente, considerando que a
MP trata sobre a regulação das operações do Sistema Financeiro, tema de suma importância
para a economia do país
-no que se refere à urgência, a norma foi editada há 15 anos, em um período cuja realidade
financeira era diferente da atual, sendo difícil afirmar com segurança que não havia o requisito
da urgência naquela oportunidade. O cenário econômico, caracterizado pela integração da
economia nacional ao mercado financeiro mundial, exigia medidas céleres, destinadas à
adequação do Sistema Financeiro Nacional aos padrões globais
-se a Corte declarasse a inconstitucionalidade da norma, isso significaria atuar sobre um
passado em que milhares de operações financeiras poderiam, em tese, ser atingidas
3)Inconstitucionalidade material
- existe ADI questionando a constitucionalidade material da MP, mas que ainda não foi julgada

110
JUROS NO PÉ SÃO LÍCITOS

Juros no pé são juros compensatórios cobrados do promitente comprador, pela incorporadora


antes da entrega das chaves do imóvel em construção

STJ

- LÍCITOS, pois compensam o pagamento parcelado, os riscos do empreendimento e o


adiantamento das despesas pelo incorporador

CORREÇÃO MONETÁRIA E ÍNDICES NEGATIVOS (DEFLAÇÃO)

STJ

- correção monetária: manter o poder aquisitivo da moeda, o poder de compra original;


recompor o valor nominal corroído pela inflação
- índices negativos (deflação) = fortalecimento do poder de compra
- índices positivos (inflação) = perda do poder aquisitivo
- os índices negativos devem ser considerados no cálculo final da correção monetária, salvo se
a atualização implicar em redução do valor principal: prevalece o valor nominal

CLÁUSULA PENAL E LUCROS CESSANTES

STJ

*Cláusula penal moratória (compulsória/coercitiva): para o caso de mora ou segurança especial


de outra cláusula – CUMULATIVA (artigo 411/CC)

*Cláusula penal compensatória: para o caso de inadimplemento total – NÃO CUMULATIVA


(artigo 410/CC)

RESOLUÇÃO PROMESSA DE COMPRA E VENDA E DEVOLUÇÃO DAS PARCELAS PAGAS

*Resolução:
- eficácia liberatória
- eficácia restitutória
- eficácia indenizatória

111
STJ

- restituição das parcelas pagas de ofício: conseqüência lógica/natural da resolução que


decorre do próprio direito material (efeito automático)
- reciprocidade dos contratos bilaterais mesmo após a resolução (relação de liquidação)
- prazo prescricional: 10 anos

**Não há prazo para o ajuizamento da ação de adjudicação compulsória em face do promitente


vendedor que se recusar a outorgar a escritura definitiva ao promitente comprador após o
pagamento integral do preço ajustado (ação de natureza constitutiva)
ATENÇÃO: se o promitente comprador não estiver na posse do imóvel, ele tem que ter cuidado
para que o possuidor não fique morando lá tempo suficiente para adquiri-lo por usucapião.
Se isso acontecer, o promitente comprador perderá seu direito real à aquisição pelo fato de o
possuidor ter adquirido outro direito real (o de propriedade).

RESCISÃO DO CONTRATO DE COMPRA E VENDA E INDENIZAÇÃO POR ACESSÕES E


BENFEITORIAS SEM LICENÇA DA PREFEITURA

STJ

- irregularidade sanável: tem direito à indenização


- irregularidade insanável: não tem direito à indenização (artigos 1219/CC e 34 da Lei 6766/79)

COMPRA E VENDA COM RESERVA DE DOMÍNIO E PROTEÇÃO POSSESSÓRIA

STJ

Em caso de mora do comprador, o vendedor terá três opções:


a) Ação executiva (execução do contrato)
b) Ação de cobrança (se não tiver título executivo)
c) Ação de reintegração de posse da coisa vendida (alguns autores defendem que seria uma
ação de busca, apreensão e depósito, com base no art. 1.071 do CPC 1973, que não foi repetido
no CPC 2015). Nesse caso, não há necessidade de ajuizamento preliminar de ação rescisória
do contrato para a obtenção da retomada do bem porque não se trata, aqui, da análise do ius
possessionis, mas sim do ius possidendi (direito do vendedor de obter a posse porque é dono).
- necessária a constituição do vendedor em mora
- instituição financeira que paga o preço da coisa ao vendedor, subroga-se em seus direitos

112
PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA DA FIANÇA EM CASO DE PRORROGAÇÃO DO CONTRATO
PRINCIPAL

STJ

*1ª corrente: NÃO


- interpretação restritiva

*2ª corrente (majoritária): SIM


- REGRA: a prorrogação da fiança depende do consentimento expresso do fiador (súmula 214/
STJ)
- EXCEÇÃO: cláusula expressa e clara
- contrato acessório
- interpretação restritiva: o fiador responde, precisamente, por aquilo que declarou no
instrumento da fiança
- não é cláusula abusiva
- notificação resilitória (artigo 835/CC)

**contrato de locação: prorrogação automática (artigo 39 da Lei 8245)

***O fiador não tem legitimidade para pleitear em juízo a revisão do contrato principal (tem
interesse de agir, mas não tem legitimidade porque não é o titular do direito material discutido
em juízo)

DEMORA EXCESSIVA DA SEGURADORA PARA RESPONDER PROPOSTA DE SEGURO E


ACEITAÇÃO TÁCITA

STJ

- contrato consensual
- emissão de apólice prova a existência, mas não é requisito de existência (artigo 758/CC)
- Circular 251/04 Susep: ausência de manifestação em 15 dias = aceitação tácita
- artigos 432 e 111/CC
- boa-fé objetiva

113
SEGURO DE ACIDENTES PESSOAIS – MORTE ACIDENTAL/MORTE NATURAL

STJ

- o seguro de acidentes pessoais só cobre morte acidental (Resolução 117/04 CNSP)

*morte acidental: eventos externos


*morte natural: eventos internos (doença por ex)

**É abusiva a cláusula de contrato de seguro de automóvel que, na ocorrência de perda total
do veículo, estabelece a data do efetivo pagamento (liquidação do sinistro) como parâmetro
do cálculo da indenização securitária a ser paga conforme o valor médio de mercado do bem,
em vez da data do sinistro (princípio indenitário – artigo 781/CC).

NULIDADE DE CLÁUSULA DE RENÚNCIA À INDENIZAÇÃO POR BENFEITORIAS NECESSÁRIAS


E ÚTEIS NOS CONTRATOS AGRÁRIOS

STJ

-Os contratos de direito agrário são regidos tanto por elementos de direito privado, como
por normas de caráter público e social, de observância obrigatória e, por isso, irrenunciáveis,
tendo como finalidade principal a proteção daqueles que, pelo seu trabalho, tornam a terra
produtiva e dela extraem riquezas, conferindo efetividade à função social da propriedade.
-apesar de sua natureza privada e de ser regulado pelos princípios gerais que regem o direito
comum, o contrato agrário sofre repercussões de direito público em razão de sua importância
para o Estado, do protecionismo que se quer emprestar ao homem do campo, à função social
da propriedade e ao meio ambiente, fazendo com que a máxima do “pacta sunt servanda” não
se opere em absoluto nestes casos.
- Estatuto da Terra, artigo 13, IV da Lei 4947/66 e artigo 13, I do decreto 59566/66

*É nula cláusula contratual que fixa o preço do arrendamento rural em frutos ou produtos
ou seu equivalente em dinheiro (artigo 18, parágrafo único, do Decreto nº 59.566/66). Essa
nulidade não obsta que o credor proponha ação de cobrança, caso em que o valor devido
deve ser apurado, por arbitramento, em liquidação.
- o contrato de arrendamento rural que estabelece pagamento em quantidade de produtos,
apesar de eivado de vício que lhe subtrai requisito essencial de validade, pode ser usado como
prova escrita para se ajuizar ação monitória com a finalidade de determinar a entrega de coisa
fungível, considerando que constitui indício da relação jurídica material subjacente
- autonomia da vontade restrita a decisão de contratar ou não; submissão da vontade à lei

114
**O direito de preferência para a aquisição do imóvel arrendado, previsto no art. 92, § 3º, do
Estatuto da Terra, não é aplicável à empresa rural de grande porte (arrendatária rural)
- o Decreto nº 59.566/66, que regulamenta o Estatuto da Terra, estabelece que os benefícios
nele previstos são restritos àqueles que explorem atividade rural direta e pessoalmente,
como o típico homem do campo (art. 38), fazendo uso eficiente e correto da terra, contando
essencialmente com a força de trabalho de sua família (art. 8º).
- o exercício do direito de preferência, independentemente do porte econômico do arrendatário
possibilita a continuidade da atividade produtiva, atendendo-se, assim, ao princípio da função
social da propriedade, porém, contraria o princípio da justiça social
- o princípio da justiça social preconiza a desconcentração da propriedade das mãos dos
grandes grupos econômicos e dos grandes proprietários, para que seja dado acesso à terra ao
homem do campo e à sua família
- quando a arrendatária é uma empresa rural de grande porte, não lhe é aplicável o Estatuto
da Terra, incidindo o Código Civil, que não prevê direito de preferência no contrato de locação
de coisas, cabendo às partes pactuarem uma cláusula com esse teor.

DANOS MATERIAIS EM CASO DE MORTE DE FILHO

STJ

Danos materiais – danos emergentes e lucros cessantes (pensão – artigo 948/CC)

*Valor pensão
- 14 a 25 anos: 2/3 salário mínimo
- 25 a 65 anos: 1/3 salário mínimo

*Súmula 491/STF: devida pensão ainda que o filho não estivesse trabalhando

*13º salário: prova de que o filho estava trabalhando

*A pensão não pode ser paga de uma só vez: o artigo 950/CC aplica-se somente para os casos
de redução da capacidade laborativa.

**artigo 950/CC: o recebimento da pensão de uma só vez não é direito absoluto da vítima; o
juiz deve analisar a situação econômica do ofensor e os benefícios do pagamento antecipado
(EN 381/JDC).

***Se houver a fixação de pensionamento mensal, os juros moratórios deverão ser


contabilizados a partir do vencimento de cada prestação, e não da data do evento danoso ou
da citação.

115
**** O fato de se poder presumir que a vítima ainda tenha capacidade laborativa para outras
atividades, diversas daquela exercida no momento do acidente, não exclui, por si só, o
pensionamento civil de que trata o artigo 950 do CC (princípio da reparação integral do dano).

***** O fato de a vítima de ato ilícito com resultado morte possuir, na data do óbito, idade
superior à expectativa média de vida do brasileiro não afasta o direito de seu dependente
econômico ao recebimento de pensão mensal, que será devida até a data em que a vítima
atingiria a expectativa de vida prevista na tabela de sobrevida (Tábua Completa de Mortalidade)
do IBGE vigente na data do óbito, considerando-se, para os devidos fins, o gênero e a idade
da vítima.

DANO MORAL – DOR E SOFRIMENTO

DOUTRINA

- dano moral exige dor da vítima (alteração negativa do ânimo, dor sofrimento, vergonha)

STJ

- dano moral não exige dor, sofrimento


- dano moral = violação de um bem ou interesse jurídico relacionado aos direitos da
personalidade
- dignidade humana, patrimônio moral
- dor, sofrimento são consequências e não causas
- doentes mentais, crianças de tenra idade e recém nascidos podem sofrer dano moral

DANOS MORAIS EM CASO DE MORTE

STJ

- tarifação dos danos morais é inconstitucional: viola o princípio da indenizabilidade plena


(artigo 5º, V e X/CF)
- o princípio da indenizabilidade plena não é absoluto: mitigado pelo artigo 944/CC (ponderação
entre a gravidade da culpa e o dano)
- artigo 944, parágrafo único/CC: evitar o chamado “inferno de severidade” (ruína econômica
do infrator em função de um ato descuidado praticado em um momento infeliz da vida)
- necessidade de limitar o valor da indenização: equidade, proporcionalidade e razoabilidade
- 500 salários mínimos: valor global para o conjunto de familiares
- critério não absoluto e ainda não pacífico

116
LEGITIMIDADE DO ESPÓLIO PARA AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS

STJ

*Ofensa a direito da personalidade em vida – ajuizamento da ação – falecimento antes do


trânsito em julgado: ESPÓLIO
- reparação dos danos morais tem caráter patrimonial, transmite-se com a herança (artigo
943/CC)

*Ofensa a direito da personalidade em vida – falecimento antes do ajuizamento da ação:


ESPÓLIO (artigos 943/CC e EN 454/JDC)

*Ofensa à memória de pessoa falecida: HERDEIROS


- lesados indiretos (artigo 12, parágrafo único/CC)

*Dor e sofrimento causado pela morte: HERDEIROS


- direito próprio

DANOS MORAIS POR ENCERRAMENTO DE CURSO DE GRADUAÇÃO

STJ

- autonomia universitária: artigos 207/CF e 53, I da Lei 9394 (autonomia didático-científica,


administrativa e financeira)
- informação prévia
- alternativa ao graduando

ESTADO DE NECESSIDADE E DEVER DE INDENIZAR

STJ

- artigos 929 e 930/CC


- teoria do sacrifício: diante de uma colisão entre os direitos da vítima e do causador do dano,
estando os dois na faixa da licitude, o ordenamento jurídico opta por proteger o mais inocente
dos interesses em conflito (o da vítima), sacrificando o outro (o do autor do dano)

*Diante de sentença penal condenatória que tenha reconhecido a prática de homicídio


culposo, o juízo cível, ao apurar responsabilidade civil decorrente do delito, não pode, com
fundamento na concorrência de culpas, afastar a obrigação de reparar, embora possa se valer
da existência de culpa concorrente da vítima para fixar o valor da indenização.

117
TEORIA DA PERDA DE UMA CHANCE

O autor de um ato ilícito faz com que a vítima perca a oportunidade de obter uma vantagem
ou evitar um prejuízo

STJ

- chance real e séria, que proporcione ao lesado efetivas condições pessoais de concorrer à
situação futura esperada
- 3ª categoria de dano

*perda de prazo pelo advogado: detida análise acerca das reais possibilidades de êxito no
processo

*erro médico # teoria tradicional: a extensão do dano está definida, mas a autoria é incerta.

RESPONSABILIDADE CIVIL POR ABANDONO AFETIVO

STJ

*1ª corrente: NÃO


- amor é um sentimento, um valor subjetivo, o direito não te poder coercitivo para impor o
dever de amar

*2ª corrente: SIM


- violação do dever de cuidado: valor jurídico objetivo que tem diversas concepções (artigo
227/CF; abrange outras obrigações além do básico para a manutenção (alimentos, abrigo
e saúde), outros elementos imateriais igualmente necessários para a formação adequada
(capacidade de conviver em sociedade, respeitar limites, buscar direitos e exercer a cidadania)
- amar = faculdade
- cuidar = dever jurídico, corolário da liberdade das pessoas de gerar ou adotar filhos

**prescrição: 3 anos a partir da maioridade (artigo 197, II/CC)

118
RESPONSABILIDADE CIVIL PELA VEICULAÇÃO DE MATÉRIA JORNALÍSTICA

STJ

- liberdade de pensamento, direito à informação X honra


- liberdade de informação: dever de veracidade e interesse público dos fatos
- não se exige plena e absoluta certeza da veracidade: processo de divulgação satisfaz o
interesse público, deve ser célere e eficaz, não se coaduna com rigorismos próprios de um
processo judicial, no qual deve haver cognição plena e exauriente dos fatos
- responsabilidade subjetiva da imprensa: prova de que o agente conhecia ou poderia conhecer
a falsidade da informação (abuso de direito)

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO PROPOSTA PELA VÍTIMA CONTRA A SEGURADORA

STJ

*Vítima X seguradora : NÃO


- a obrigação da seguradora pressupõe a responsabilidade civil do segurado, o que não pode
ser apurado em ação na qual não interveio (contraditório/ampla defesa)
- obrigação sob condição suspensiva
- seguro de responsabilidade civil facultativo não é espécie de estipulação em favor de terceiro
(quem sofre o prejuízo não é o beneficiário do negócio jurídico com a seguradora, mas sim o
causador do dano)
- violação ao contraditório e ampla defesa: a seguradora não teria como se defender dos fatos
expostos na inicial, especialmente da descrição do sinistro
- inviabiliza a verificação de fato extintivo da cobertura securitária

*Vítima X causador do dano: SIM


- denunciação da lide
- condenação direta e solidária da seguradora, nos limites contratados na apólice (pacificação
social, efetividade da tutela judicial, razoável duração do processo e indenizabilidade plena do
dano)

*Vítima X segurado e seguradora em litisconsórcio: SIM


- desde que os réus não questionem a validade do contrato e das cláusulas
- não há prejuízo para a seguradora

119
DPVAT – PRESCRIÇÃO

STJ

*Prazo: 3 anos (súmula 405/STJ)

*Termo inicial
- invalidez permanente: data do laudo médico (súmula 278/STJ)
- invalidez permanente notória: data do acidente

*Termo inicial da correção monetária: data do evento danoso

**É possível a cessão de créditos do DPVAT, pois trata-se de direito pessoal disponível (artigo
288/CC), mas não é possível a cessão do direito de reembolso por despesas médico-hospitalares
(artigo 3º, 2º da Lei 6194/74)

DPVAT E MORTE DE FETO EM ACIDENTE DE TRÂNSITO

STJ

- adoção da teoria concepcionista: o nascituro é pessoa/sujeito de direitos desde a concepção,


embora alguns direitos só possam ser exercidos com o nascimento

*teoria natalista: o nascituro não é pessoa, tem mera expectativa de direitos


*teoria da personalidade condicional: o nascituro possui direitos sob condição suspensiva

**O espólio, ainda que representado pelo inventariante, não possui legitimidade ativa para
ajuizar ação de cobrança do seguro obrigatório (DPVAT) em caso de morte da vítima no
acidente de trânsito.
- o valor oriundo do DPVAT não integra o patrimônio deixado pelo falecido; o valor indenizatório
passa diretamente para os beneficiários (cônjuge supérstite e demais herdeiros) – artigo 4º da
Lei 6194/74
- a indenização surge somente em razão da morte e após a sua configuração, ou seja, esse
direito patrimonial não é preexistente ao óbito da pessoa acidentada, sendo, portanto, direito
próprio dos beneficiários
- aplicação, por analogia, do artigo 794 do CC

120
DPVAT E MÁQUINAS AGRÍCOLAS

STJ

- máquina suscetível de trafegar em via pública: SIM (não é necessário que o acidente ocorra
na via pública, pode ocorrer em área rural, mas é indispensável que envolva veículo que pode
circular em via pública, porque essa é a destinação comum dos veículos automotores de via
terrestre)

*O DPVAT não cobre os danos de acidente ocasionado por trem


- o Anexo I do CTB exclui expressamente da definição de veículo automotor, aqueles que
circulam sobre trilhos
- para fins de recebimento do DPVAT, o veículo deve apresentar um motor em sua estrutura,
que o permita se autolocomover e circular por terra ou por asfalto (via terrestre)

DPVAT

STJ – INF 589

Em ação de cobrança de seguro DPVAT, a intimação da parte para o comparecimento à perícia


médica deve ser pessoal, e não por intermédio de advogado. Recaindo a perícia sobre a própria
parte, é necessária a sua intimação pessoal, não por meio do seu advogado, uma vez que se
trata de ato personalíssimo.
STJ – INF 590

Súmula 580-STJ: A correção monetária nas indenizações do seguro DPVAT por morte ou
invalidez, prevista no § 7º do art. 5º da Lei nº 6.194/1974, redação dada pela Lei nº 11.482/2007,
incide desde a data do evento danoso.
STJ – INF 598

Os sucessores da vítima têm legitimidade para ajuizar ação de cobrança de pagamento de


indenização do seguro DPVAT por invalidez permanente ocorrida antes da morte daquela.
O direito à indenização do seguro DPVAT por invalidez permanente integra o patrimônio da
vítima e transmite-se aos seus sucessores com o falecimento do titular.

121
SENTENÇA PENAL EXTITNTIVA DA PUNIBILIDADE POR FORÇA DE PRESCRIÇÃO RETROATIVA
NÃO VINCULA O JUÍZO CÍVEL

STJ

- REGRA: independência entre as instâncias


- EXCEÇÕES: sentença penal condenatória e sentença penal absolutória (inexistência do fato/
autoria e excludentes de ilicitude)
- prescrição retroativa: não há o reconhecimento definitivo da autoria e materialidade porque
a condenação é rescindida, extinguindo-se todos os seus efeitos, inclusive o efeito civil do
artigo 91, I/CP (artigo 67, II/CPP)

RESPONSABILIDADE CIVIL DOS ADMINISTRADORES DE REDES SOCIAIS POR VIOLAÇÃO DE


DIREITOS AUTORAIS

STJ

A Google® não é responsável pelos prejuízos decorrentes de violações de direito autoral


levadas a efeito por usuários que utilizavam a rede social Orkut® para comercializar obras sem
autorização dos respectivos titulares, desde que constatado que:
a) o provedor de internet (Google®) não obteve lucro ou contribuiu decisivamente com a
prática ilícita e
b) os danos sofridos ocorreram antes da notificação do provedor acerca da existência do
conteúdo infringente (ou seja, as vendas foram antes de o provedor ser notificado sobre as
páginas ilícitas).

RESPONSABILIDADE CIVIL DOS PAIS PELOS DANOS CAUSADOS POR FILHO INCAPAZ

STJ

*Os pais de portador de esquizofrenia paranoide que seja solteiro, maior de idade e more
sozinho, têm responsabilidade civil pelos danos causados durante os recorrentes surtos
agressivos de seu filho, no caso em que eles, plenamente cientes dessa situação, tenham
sido omissos na adoção de quaisquer medidas com o propósito de evitar a repetição desses
fatos, deixando de tomar qualquer atitude para interditá-lo ou mantê-lo sob sua guarda e
companhia.

- o art. 1.590 do CC/2002 estende ao incapaz - absoluta ou relativamente - as normas pertinentes


à guarda dos filhos menores.

122
- a guarda representa mais que um direito dos pais em ter os filhos próximos; revela-se,
sobretudo, como um dever de cuidar, de vigiar e de proteger os filhos, em todos os sentidos,
enquanto necessária tal proteção

Obs: Com o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015), que entrou em vigor após
esse julgado, a pessoa com deficiência mental não é mais considerada nem absoluta nem
relativamente incapaz. Mesmo assim, a conclusão do acórdão deve permanecer a mesma. Isso
porque essa nova determinação da Lei nº 13.146/2015 teve como objetivo valorizar a dignidade
da pessoa com deficiência e não visou, em nenhum momento, mitigar a responsabilidade
dos pais dessas pessoas. Tanto isso é verdade que as pessoas com deficiência podem ainda
ser submetidas à curatela caso a deficiência seja de tal forma grave a ponto de ela não ter
condições de exercer pessoalmente os atos da vida civil.

** A responsabilidade dos pais por filho menor (responsabilidade por ato ou fato de terceiro)
é objetiva, devendo-se comprovar apenas a culpa na prática do ato ilícito daquele pelo qual
são os pais responsáveis legalmente (ou seja, é necessário provar apenas a culpa do filho).
Os pais só respondem pelo filho incapaz que esteja sob sua autoridade e em sua companhia;
assim, os pais, ou responsável, que não exercem autoridade de fato sobre o filho, embora
ainda detenham o poder familiar, não respondem por ele.
- “autoridade” é expressão mais restrita que “poder familiar” e pressupõe uma ordenação, ou
seja, que o pai ou mãe tenha poderes para organizar de forma mais direta e imediata a vida
do filho.

***Os incapazes (ex: filhos menores), quando praticarem atos que causem prejuízos, terão
responsabilidade subsidiária, condicional, mitigada e equitativa, nos termos do art. 928 do
CC. - É subsidiária porque apenas ocorrerá quando os seus genitores não tiverem meios para
ressarcir a vítima.
- É condicional e mitigada porque não poderá ultrapassar o limite humanitário do patrimônio
mínimo do infante. Deve ser equitativa, tendo em vista que a indenização deverá ser equânime,
sem a privação do mínimo necessário para a sobrevivência digna do incapaz.
- A responsabilidade dos pais dos filhos menores será substitutiva, exclusiva e não solidária
(INF 599)

RESPONSABILIDADE CIVIL

STJ – INF 589

A empresa proprietária de semirreboque é solidariamente responsável pelos danos causados


em acidente envolvendo o caminhão trator, no qual se encontrava acoplado, devendo, assim,
figurar no polo passivo de ação de indenização em razão dos prejuízos advindos daquele
evento.

123
CONTRATO DE SEGURO

STJ – INF 590

O segurado que, devido às ameaças de morte feitas pelo criminoso a ele e à sua família,
deixou de comunicar prontamente o roubo do seu veículo à seguradora não perde o direito à
indenização securitária (art. 771 do CC).

CONTRATO DE SEGURO

STJ – INF 591

Ainda que o proprietário do veículo segurado tenha dado termo de quitação ou renúncia ao
causador do sinistro, a seguradora continuará tendo direito de ajuizar ação regressiva contra
o autor do dano e de ser ressarcida pelas despesas que efetuou com o reparo ou substituição
do bem sinistrado (art. 786, §2º, CC).

Exceção: a seguradora não terá direito de regresso contra o autor do dano caso este demonstre
que indenizou realmente o segurado pelos prejuízos sofridos, na justa expectativa de que
estivesse quitando, integralmente, os danos provocados por sua conduta. Neste caso, protege-
se o terceiro de boa-fé e a seguradora poderá cobrar do segurado com base na proibição do
enriquecimento ilícito.

RESPONSABILIDADE CIVIL – ATO ABUSIVO

STJ – INF 592

Caracteriza abuso de direito ou ação passível de gerar responsabilidade civil pelos danos
causados a impetração do habeas corpus por terceiro com o fim de impedir a interrupção,
deferida judicialmente, de gestação de feto portador de síndrome incompatível com a vida
extrauterina.

CONTRATOS

STJ – INF 592

Não é possível a revisão de cláusulas contratuais em ação de exigir contas (ação de prestação
de contas).

124
CLÁUSULA PENAL - SERVIÇOS ADVOCATÍCIOS

STJ – INF 593

Cláusula penal em contratos advocatícios:

- é lícita para situações de mora e/ou inadimplemento (ex: multa pelo atraso no pagamento
dos honorários).

- não é permitida para as hipóteses de renúncia ou revogação do mandato (ex: multa pelo fato
de o cliente ter decidido revogar o mandato e constituir outro advogado).

CONTRATO DE SEGURO

STJ – INF 594

No seguro de automóvel celebrado por uma empresa com a seguradora, não é devida a
indenização securitária se o condutor do veículo (funcionário da empresa segurada) estava
embriagado.

Exceção: será devido o pagamento da indenização se a empresa segurada conseguir provar


que o acidente ocorreria mesmo que o condutor não estivesse embriagado.

FIANÇA

STJ – INF 595

A fiança limitada decorre da lei e do contrato, de modo que o fiador não pode ser compelido
a pagar valor superior ao que foi avençado, devendo responder tão somente até o limite da
garantia por ele assumida, o que afasta sua responsabilização em relação aos acessórios da
dívida principal e aos honorários advocatícios, que deverão ser cobrados apenas do devedor
afiançado.

Por se tratar de contrato benéfico, as disposições relativas à fiança devem ser interpretadas de
forma restritiva (art. 819 do CC), razão pela qual, nos casos em que ela é limitada (art. 822), a
responsabilidade do fiador não pode superar os limites nela indicados.

125
DIREITO DAS COISAS

IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE OFÍCIO DA USUCAPIÃO

STJ

- não se aplica o artigo 219, 5º/CPC: intimamente ligado a causas extintivas da pretensão,
conforme expressamente dispõe o artigo 220
- prescrição extintiva e usucapião são institutos diferentes: a expressão prescrição aquisitiva
como sinônimo de usucapião tem razões mais ligadas a motivos fáticos/históricos
- violação ao contraditório/ampla defesa/direito de propriedade: na ação de usucapião o
direito de defesa assegurado ao confinante é impostergável (oportunidade para discutir os
limites do imóvel ou alegar causa interruptiva/suspensiva)
- princípio da adstrição aplica-se também em relação ao réu

*Usucapião especial rural: a CF estabelece o limite máximo da área a ser usucapida (50 hectares),
sem limitação mínima; portanto se preenchidos os requisitos constitucionais, é irrelevante o
fato da área objeto do pedido de reconhecimento do domínio ser inferior ao módulo rural
determinado pela legislação infraconstitucional (igual entendimento se aplica para o caso de
usucapião especial urbana).

DESPESAS CONDOMINIAIS – PROMESSA DE COMPRA E VENDA

STJ

Responsabilidade do promitente comprador – requisitos:


- imissão na posse do imóvel
- ciência inequívoca do condomínio acerca da transação
*independe de registro da promessa de compra e venda: o que interessa é a relação jurídica
material com o imóvel

*Legitimidade passiva concorrente em ação de cobrança de débitos condominiais posteriores


à imissão do promitente comprador na posse do bem, admitindo-se a penhora do imóvel,
como garantia da dívida, quando o titular do direito de propriedade (promitente vendedor)
figurar no polo passivo da demanda
- obrigação propter rem que não se extingue pela vontade do titular do direito real
- efeito psicológico de desestimular a inadimplência
- caso contrário, resta ao condomínio requerer a penhora dos direitos aquisitivos decorrentes
do compromisso de compra e venda.

126
APLICAÇÃO DE MULTAS MORATÓRIA E SANCIONATÓRIA POR INADIMPLÊNCIA DE COTA
CONDOMINIAL

STJ

Se o condômino descumpre reiteradamente o dever de contribuir para as despesas do


condomínio (inciso I do art. 1.336 do CC), o condomínio poderá aplicar contra ele, além da
multa moratória (§ 1º do art. 1.336 do CC), multa sancionatória em razão de comportamento
“antissocial” ou “nocivo” (art. 1.337 do CC).
- o “condômino nocivo” ou “antissocial” não é somente aquele que pratica atividades ilícitas,
utiliza o imóvel para atividades de prostituição, promove a comercialização de drogas
proibidas ou desrespeita constantemente o dever de silêncio, mas também aquele que deixa
de contribuir de forma reiterada com o pagamento das despesas condominiais. O caput do
art. 1.337 do CC utilizou uma redação aberta e previu, de forma genérica, que a multa poderá
ser aplicada ao condômino “que não cumpre reiteradamente com os seus deveres perante o
condomínio”, sem fazer qualquer restrição ou óbice legal que impeça a aplicação ao devedor
contumaz de débitos condominiais.
- não há bis in idem: as multas tem natureza e finalidades distintas (moratória e sancionatória)
- direito ao contraditório e a ampla defesa (EN 92 JDC)

** O direito de preferência previsto no art. 504 do CC aplica-se somente ao contrato de compra


e venda celebrado entre condômino e terceiro, e não àquele ajustado entre condôminos
(norma restritiva da autonomia privada não admite interpretação extensiva).

DO CONDOMÍNIO

STJ- INF 588

O condomínio, independentemente de previsão em regimento interno, não pode proibir,


em razão de inadimplência, condômino e seus familiares de usar áreas comuns, ainda que
destinadas apenas a lazer.

DO CONDOMÍNIO

STJ- INF 596

*Código Civil de 2002: é de 05 anos o prazo prescricional para que o condomínio geral ou
edilício (vertical ou horizontal) exercite a pretensão de cobrança de taxa condominial ordinária
ou extraordinária, constante em instrumento público ou particular, a contar do dia seguinte
ao vencimento da prestação.

127
DIREITOS REAIS

STJ- INF 589

É inválida a penhora da integralidade de imóvel submetido ao regime de multipropriedade


(time-sharing) em decorrência de dívida de condomínio de responsabilidade do organizador
do compartilhamento.

*Natureza jurídica da time-sharing:

-Direito Pessoal (obrigacional): os direitos reais são em número limitado (numerus clausus) e
estão previstos taxativamente no art. 1.225 do CC.

- Direito Real: a multipropriedade imobiliária, mesmo não efetivamente codificada, possui


natureza jurídica de direito real, harmonizando-se com os institutos constantes do rol previsto
no art. 1.225 do Código Civil (STJ e doutrina majoritária).

AÇÕES POSSESSÓRIAS

STJ- INF 590

Particulares podem ajuizar ação possessória para resguardar o livre exercício do uso de via
municipal (bem público de uso comum do povo) instituída como servidão de passagem.

POSSE E BEM PÚBLICO

STJ- INF 594

*Particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face do PODER PÚBLICO:
não é possível. Não terá direito à proteção possessória. Não poderá exercer interditos
possessórios porque, perante o Poder Público, ele exerce mera detenção.

**Particular invade imóvel público e deseja proteção possessória em face de outro PARTICULAR:
terá direito, em tese, à proteção possessória. É possível o manejo de interditos possessórios
em litígio entre particulares sobre bem público dominical, pois entre ambos a disputa será
relativa à posse.

128
USUCAPIÃO

STJ- INF 594

O imóvel da Caixa Econômica Federal vinculado ao Sistema Financeiro de Habitação, como


está afetado à prestação de um serviço público, deve ser tratado como bem público, sendo,
pois, imprescritível (insuscetível de usucapião).

DIREITO DE FAMÍLIA

AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE

STJ

*Legitimidade: exclusiva do pai (ação de estado, direito personalíssimo e indisponível)


- admite-se a sucessão processual dos ascendentes (não representa o exercício do direito, mas
sim o prosseguimento da vontade manifestada pelo titular)

*Não é possível declarar a nulidade do registro com base, exclusivamente, na alegação de


mera dúvida, sem provas de erro escusável ou falsidade do registro (artigo 1604/CC)

*O não comparecimento do filho menor para fazer DNA não induz presunção de inexistência
de paternidade
- direito à identidade X honra e intimidade
- DNA não é o único meio de prova, não é absoluto (processo de sacralização do DNA)
- interpretação a contrario sensu da súmula 301/STJ: violação à CF, CC e ECA (proteção da
dignidade e liberdade com absoluta prioridade; melhor interesse, direito à identidade e
desenvolvimento da personalidade)
- ausência do filho menor deve ser atribuída à mãe

*A procedência da ação negatória pressupõe a inexistência de filiação biológica e socioafetiva


(erro + rompimento do vínculo afetivo = anulação do registro)
**Requisitos da filiação socioafetiva:
- vontade clara, inequívoca e voluntária de ser tratado juridicamente como pai/mãe (carinho,
afeto, amor)
- posse do estado de filho - 3 requisitos (não concomitantes): tractatus (tratamento de parte
a parte como pai/mãe e filho; nomen (a pessoa traz consigo o nome do pai/mãe) e fama
(reconhecimento pela família e pela comunidade da relação de filiação sólida e duradoura)

***Adoção à brasileira (perfilhação simulada): melhor interesse do menor e boa-fé objetiva


(venire).

129
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO DE PATERNIDADE

STJ

* O conhecimento da origem genética é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível


(direito da personallidade); dignidade da pessoa humana; necessidade psicológica; adoção à
brasileira não rompe os vínculos biológicos mesmo havendo filiação socioafetiva.

OBS: É possível o reconhecimento da paternidade socioafetiva post mortem, ou seja, mesmo


após a morte do suposto pai socioafetivo, mediante o ajuizamento de ação declaratória em
face dos herdeiros (artigo 42, § 6º do ECA).

** Na hipótese de a viúva não ser herdeira do investigado, ela não ostentará, em princípio, a
condição de parte ou litisconsorte necessária na ação de investigação de paternidade post
mortem. Todavia, mesmo nas hipóteses em que não ostente a condição de herdeira, a viúva
poderá impugnar ação de investigação de paternidade post mortem, devendo receber o
processo no estado em que este se encontra (interesse moral na contestação o que justifica a
intervenção no processo com fundamento no artigo 1615 do CC).

***Na hipótese em que ação de investigação de paternidade post mortem tenha sido ajuizada
após o trânsito em julgado da decisão de partilha de bens deixados pelo de cujus, o termo
inicial do prazo prescricional para o ajuizamento de ação de petição de herança é a data do
trânsito em julgado da decisão que reconheceu a paternidade, e não o trânsito em julgado da
sentença que julgou a ação de inventário.

STF – PLURIPARENTALIDADE

A paternidade socioafetiva, declarada ou não em registro público, não impede o reconhecimento


do vínculo de filiação concomitante baseado na origem biológica, com os efeitos jurídicos
próprios.
- dignidade da pessoa humana: confere ao indivíduo a possibilidade de que ele escolha o
formato de família que ele quiser, de acordo com as suas relações afetivas interpessoais,
mesmo que elas não estejam previstas em lei;
- “direito à busca da felicidade” (caso Meyer v. Nebraska, de 1923; corolário da dignidade
da pessoa humana): o indivíduo, enquanto centro do ordenamento jurídico-político, tem a
capacidade de autodeterminação, de autossuficiência e a liberdade de escolher seus próprios
objetivos; para o Direito de Família, o direito à busca da felicidade funciona como um escudo

130
do ser humano em face das tentativas do Estado de enquadrar a sua realidade familiar em
modelos pré- concebidos pela lei; deve-se garantir que a pessoa seja feliz com suas escolhas
existenciais, o que inclui a proteção e o reconhecimento, pelo ordenamento jurídico, de
modelos familiares diversos da concepção tradicional;
- não cabe estabelecer uma hierarquia entre a filiação afetiva e a biológica, devendo ser
reconhecidos ambos os vínculos quando isso for o melhor para os interesses do descendente;
- haveria uma afronta ao princípio da paternidade responsável (art. 226, § 7º, da CF/88) se fosse
permitido que o pai biológico ficasse desobrigado de ser reconhecido como tal pelo simples
fato de o filho já ter um pai socioafetivo; todos os pais devem assumir os encargos decorrentes
do poder familiar, e o filho deve poder desfrutar de direitos com relação a todos, não só no
âmbito do direito das famílias, mas também em sede sucessória.

Obs: vale ressaltar que a filiação socioafetiva independe da realização de registro, bastando a
consolidação do vínculo afetivo entre as partes ao longo do tempo, como ocorre nos casos de
posse do estado de filho. Assim, a “adoção à brasileira» é uma das formas de ocorrer a filiação
socioafetiva, mas esta poderá se dar mesmo sem que o pai socioafetivo tenha registrado o
filho.

* A presunção legal de os filhos nascidos durante o casamento são filhos do marido não pode
servir como obstáculo para impedir o indivíduo de buscar a sua verdadeira paternidade.

****Os efeitos da sentença transitada em julgado que reconhece o vínculo de parentesco entre
filho e pai em ação de investigação de paternidade alcançam o avô, ainda que este não tenha
participado da relação jurídica processual
- limites subjetivos da coisa julgada: inter partes
- eficácia da sentença: erga omnes

UNIÃO ESTÁVEL X NAMORO QUALIFICADO

STJ

- a diferença está no objetivo de constituir família (assistência material e moral recíproca


e irrestrita, esforço conjunto para concretizar sonhos em comum, participação real nos
problemas e desejos do outro, comunhão de vida)
- no namoro qualificado há objetivo futuro de constituir família; os namorados preservam sua
vida pessoal e liberdade.

131
ALIMENTOS PROVISÓRIOS/DEFINITIVOS

STJ

*Alimentos definitivos ˂ alimentos provisórios: não tem direito ao que foi pago a maior
(irrepetíveis)

*Alimentos definitivos ˃ alimentos provisórios: tem direito à diferença (artigo 13, 2º da Lei
5478)

**É admitido o ajuizamento de ação revisional apenas para pleitear a modificação da forma
de pagamento dos alimentos, ainda que não haja alteração da situação financeira das partes,
desde que comprovado que a modalidade anterior não mais atende à finalidade da obrigação
(artigo 1701 do CC).

ALIMENTOS TRANSITÓRIOS – EX CÔNJUGE/COMPANHEIRO

STJ

- REGRA: sim
- EXCEÇÃO: incapacidade laboral permanente, saúde fragilizada, impossibilidade prática de
inserção no mercado de trabalho.

ALIMENTOS NO CASO DE DISSOLUÇÃO DE UNIÃO ESTÁVEL ENTRE PESSOAS DO MESMO


SEXO

STJ

- entidade familiar
- dignidade, igualdade, não discriminação, solidariedade, autodeterminação, proteção das
minorias, busca da felicidade, direito fundamental e personalíssimo à orientação sexual,
mínimo existencial.

RENÚNCIA A ALIMENTOS

STJ

- durante o vínculo familiar: NÃO (mútua assistência)


- no acordo de separação/divórcio: SIM

132
*Constituição de nova família pelo devedor não acarreta, por si só, revisão dos alimentos,
salvo se comprovada diminuição da capacidade financeira.

**É válido o acordo de alimentos celebrado pelos interessados na presença do magistrado e


do Ministério Público, mas sem a participação do advogado do alimentante capaz.
- previsão específica na Lei de Alimentos que dispensa a presença de advogado na audiência
de conciliação (artigos 6º e 9º, § 1º da Lei 5478/68)
- se é possível a celebração de acordo extrajudicial sem advogado, com maior razão deve-
se admitir no caso de este ser celebrado perante a via judicial, especialmente porque, neste
caso, há maior proteção das partes, tendo em vista a participação do Ministério Público, como
custos legis, bem como por meio da atuação do próprio Estado-Juiz.
- na doutrina, há posição defendendo que, mesmo com o § 9º do artigo 334 do CPC, a presença
do advogado na audiência de conciliação é mera faculdade (e não dever) das partes, até
porque o ato de autocomposição ou mediação é ato da parte, que independe de capacidade
postulatória.

NÃO CABE PRISÃO CIVIL DO INVENTARIANTE POR DÍVIDA DO ESPÓLIO

STJ

- obrigação de prestar alimentos fixada em sentença ou acordo antes da morte do devedor:


transmite-se aos herdeiros, nos limites da herança (não é obrigação originária dos herdeiros)
– artigo 1700/CC
- dever jurídico abstrato de prestar alimentos é personalíssimo
- dever jurídico é abstrato X direito subjetivo; obrigação é concreta X prestação
- prisão civil: sanção de natureza personalíssima

*Transmissão da obrigação alimentar:


- alimentando é herdeiro: transmite (se já fixada em vida, nos limites da herança, até o término
do inventário)
- alimentando não é herdeiro: não transmite (solidariedade entre alimentante e alimentando;
obrigação personalíssima; transmite-se apenas eventuais débitos em vida)

**O falecimento do pai do alimentante não implica a automática transmissão do dever de


alimentar aos avós.

- a obrigação dos avós de prestar alimentos tem natureza complementar e subsidiária,


e somente exsurge se ficar demonstrada a impossibilidade de os genitores proverem os
alimentos dos filhos, ou de os proverem de forma suficiente. Assim, morrendo o pai que
pagava os alimentos, só se poderá cobrar alimentos dos avós se ficar demonstrado que nem a
mãe, nem o espólio do falecido tem condições de sustentar o filho. Portanto, a ação deve ser
proposta, em primeiro lugar, em relação ao espólio.

133
EXECUÇÃO DE ALIMENTOS E IMPOSSIBILIDADE OCASIONAL DE PAGAMENTO

STJ

Em execução de alimentos pelo rito do art. 528 do CPC 2015, o acolhimento da justificativa da
impossibilidade de efetuar o pagamento das prestações alimentícias executadas desautoriza
a decretação da prisão do devedor, mas não acarreta a extinção da execução.
Se o juiz acolher a justificativa do executado, ele deverá intimar o credor para que ele informe
se deseja:
a) desistir da execução;
b) suspender a execução que foi proposta pelo rito do art. 528 do CPC 2015 aguardando para
ver se a situação econômica do devedor se modifica; ou
c) mudar o rito da execução para o do art. 523 do CPC 2015, que não prevê prisão civil, mas
apenas medidas patrimoniais, como a penhora e expropriação de bens.

*Para que o devedor consiga por fim à obrigação alimentícia, deverá ajuizar ação de exoneração
ou de revisão de alimentos.

**Se a mãe, ante o inadimplemento do pai obrigado a prestar alimentos a seu filho, assume
essas despesas, o prazo prescricional da pretensão de cobrança do reembolso é de 10 anos
(hipótese de gestão de negócios – a mãe agiu como terceiro não interessado e seu crédito é
de natureza pessoal).

COMUNHÃO PARCIAL DE BENS E PROVENTOS DO TRABALHO

STJ

A incomunicabilidade prevista no inciso VI do art. 1.659 do CC (proventos decorrentes do


trabalho pessoal de cada cônjuge) somente ocorre quando os valores são percebidos em
momento anterior ou posterior ao casamento, sob pena de se desvirtuar a própria natureza do
regime. A comunhão parcial de bens funda-se na noção de que devem formar o patrimônio
comum os bens adquiridos onerosamente na vigência do casamento. Os salários e demais
ganhos decorrentes do trabalho constituem-se em bens adquiridos onerosamente durante o
casamento. Pela lógica, devem se comunicar.

* Diante do divórcio de cônjuges que viviam sob o regime da comunhão parcial de bens, não
deve ser reconhecido o direito à meação dos valores que foram depositados em conta vinculada
ao FGTS em datas anteriores à constância do casamento e que tenham sido utilizados para
aquisição de imóvel pelo casal durante a vigência da relação conjugal.

134
PARENTESCO

STJ – INF 587

Os efeitos da sentença transitada em julgado que reconhece o vínculo de parentesco entre


filho e pai em ação de investigação de paternidade alcançam o avô, ainda que este não tenha
participado da relação jurídica processual.

ALIMENTOS

STJ – INF 587

*Obrigação dos avós de prestar alimentos: natureza complementar e subsidiária. Somente


exsurge se ficar demonstrada a impossibilidade de os dois genitores proverem os alimentos
dos filhos, ou de os proverem de forma suficiente.

**Morrendo o pai que pagava os alimentos, só se poderá cobrar alimentos dos avós se ficar
demonstrado que nem a mãe nem o espólio do falecido têm condições de sustentar o filho. O
falecimento do pai do alimentante não implica a automática transmissão do dever alimentar
aos avós.

PARENTESCO SOCIOAFETVO

STJ – INF 588

*Ilegitimidade do filho para pedir que sua falecida mãe seja reconhecida como filha dos
pretensos avós

**Art.1.606, CC: A ação de prova de filiação compete ao filho, enquanto viver, passando aos
herdeiros, se ele morrer menor ou incapaz. Parágrafo único. Se iniciada a ação pelo filho, os
herdeiros poderão continuá-la, salvo se julgado extinto o processo.

***Enunciado 521-CJF/STJ: Qualquer descendente possui legitimidade, por direito próprio,


para propor o reconhecimento do vínculo de parentesco em face dos avós ou de qualquer
ascendente de grau superior, ainda que o pai não tenha iniciado a ação de prova da filiação
em vida.

****O filho teria legitimidade para propor ação pedindo o reconhecimento de sua relação
de parentesco socioafetivo com os pretensos avós. Aí, contudo, seria outra ação, na qual se
buscaria um direito próprio (e não de sua mãe).

135
ALIMENTOS

STJ – INF 590

*A genitora que, ao tempo em que exercia a guarda judicial do filho, representou-o em ação de
execução de débitos alimentares possui legitimidade para prosseguir no processo executivo
com intuito de ser ressarcida, ainda que, no curso da cobrança judicial, a guarda tenha sido
transferida ao genitor (executado).

*O STJ entende que há neste caso sub-rogação. A mãe, como arcou com a dívida que era do
pai da criança, sub-rogou-se no direito de cobrar o pai como se fosse o filho. O CPC permite
que o sub-rogado que não receber o crédito do devedor possa prosseguir na execução já
iniciada pelo credor originário (art. 857, §2º)

BEM DE FAMÍLIA

STJ – INF 591

*A 2ª Turma do STJ, ampliando a proteção dada pela Súmula 486/STJ (é impenhorável o único
imóvel RESIDENCIAL do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda obtida com
a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua família), decidiu que também
é impenhorável o único imóvel COMERCIAL do devedor que esteja alugado quando o valor
do aluguel é destinado unicamente ao pagamento de locação residencial por sua entidade
familiar.

DIVÓRCIO

STJ – INF 594

*Verificada a existência de mancomunhão, o pagamento da expressão patrimonial das cotas


societárias à ex-cônjuge, não sócia, deve corresponder ao momento efetivo da partilha, e
não àquele em que estabelecido acordo prévio sobre os bens que fariam parte do acervo
patrimonial.

**Mancomunhão (condomínio de mão única ou fechada):Quando um casal se divorcia sem


realizar a imediata partilha dos bens do patrimônio comum, eles continuarão mantendo uma
relação jurídica em torno desses bens.

136
DIVÓRCIO

STJ – INF 597

*É possível, em processo de dissolução de casamento em curso no país, que se disponha sobre


direitos patrimoniais decorrentes do regime de bens da sociedade conjugal aqui estabelecida,
ainda que a decisão tenha reflexos sobre bens situados no exterior para efeitos da referida
partilha.

**Depois de a Justiça brasileira decidir, caberá à parte, assim entendendo, promover a efetivação
de seu direito material aqui reconhecido mediante os trâmites adequados conforme o direito
internacional.

DIVÓRCIO

STJ – INF 598

*É cabível indenização pelo uso exclusivo de imóvel que já foi objeto de divisão na ação de
divórcio (50% para cada um dos ex-cônjuges), mas ainda não partilhado formalmente.

*Na separação e no divórcio, o fato de certo bem comum ainda pertencer indistintamente aos
ex-cônjuges, por não ter sido formalizada a partilha, não representa automático empecilho ao
pagamento de indenização pelo uso exclusivo do bem por um deles, desde que a parte que
toca a cada um tenha sido definida por qualquer meio inequívoco.

UNIÃO ESTÁVEL

STJ – INF 595

*Casal que vive (ou viverá) em união estável pode celebrar contrato de convivência dizendo
que aquela relação será regida por um regime de bens igual ao regime da comunhão universal.
Esse contrato, para ser válido, precisa ser feito por escrito, mas não é necessário que seja
realizado por escritura pública.

GUARDA COMPARTILHADA

STJ – INF 595

*O § 2º do art. 1.584 somente admite duas exceções em que não será aplicada a guarda
compartilhada: a) um dos genitores declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor;
b) um dos genitores não estiver apto a exercer o poder familiar.

137
*É possível afastar a guarda compartilhada com base em peculiaridades do caso concreto
mesmo que não previstas no § 2º do art. 1.584 do CC?

- NÃO. A guarda compartilhada apresenta força vinculante, devendo ser obrigatoriamente


adotada, salvo se um dos genitores não estiver apto a exercer o poder familiar ou se um deles
declarar ao magistrado que não deseja a guarda do menor (STJ. 3ª Turma. REsp 1626495/SP,
Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 15/09/2016 – INF 595).

- SIM. As peculiaridades do caso concreto podem servir como argumento para que não seja
implementada a guarda compartilhada. Isso porque deve-se atentar para o princípio do
melhor interesse dos menores. (STJ. 3ª Turma. REsp 1605477/RS, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas
Cueva, julgado em 21/06/2016).

DIREITO DE VISITAS

STJ – INF 599

*É válida a aplicação de astreintes quando o genitor detentor da guarda da criança descumpre


acordo homologado judicialmente sobre o regime de visitas.

A aplicação das astreintes em hipótese de descumprimento do regime de visitas por parte do


genitor, detentor da guarda da criança se mostra como um instrumento eficiente e também,
menos drástico para a criança.

DIREITO DAS SUCESSÕES

SUCESSÃO DO CÔNJUGE

STJ

- cônjuge é herdeiro necessário mesmo que no caso concreto não tenha direito à herança

*Sucessão do cônjuge em concorrência com descendentes e regimes de bens:


- comunhão parcial de bens sem que o falecido tenha deixado bens particulares, comunhão
universal e separação obrigatória: o cônjuge não é herdeiro porque já é meeiro
- comunhão parcial de bens em que o falecido tenha deixado bens particulares, participação
final nos aquestos e separação convencional: o cônjuge é herdeiro e meeiro

** Ocorrendo a morte de um dos cônjuges após dois anos da separação de fato do casal,
é legalmente relevante, para fins sucessórios, a discussão da culpa do cônjuge sobrevivente
pela ruptura da vida em comum

138
- apesar da divergência doutrinária (violação ao contraditório e ampla defesa, EC 66), o STJ
entende que deve ser mantida a aplicação do art. 1.830 do CC para os casos em que ele regular
- ônus da prova: cônjuge sobrevivente
- parâmetro utilizado pelo juiz para aferir a culpa: artigo 1573 do CC

*** A cláusula de incomunicabilidade imposta a um bem transferido por doação ou testamento


só produz efeitos enquanto viver o beneficiário, sendo que, após a morte deste, o cônjuge
sobrevivente poderá se habilitar como herdeiro do referido bem, observada a ordem de
vocação hereditária.

**** A viúva meeira que não ostente a condição de herdeira é parte ilegítima para figurar no
polo passivo de ação de petição de herança na qual não tenha sido questionada a meação,
ainda que os bens integrantes de sua fração se encontrem em condomínio pro indiviso com os
bens pertencentes ao quinhão hereditário.

DIREITOS AUTORAIS

DIREITOS AUTORAIS

STJ – INF 587

É indevida a cobrança de direitos autorais pela execução, sem autorização prévia dos titulares
dos direitos autorais ou de seus substitutos, de músicas folclóricas e culturais em festa junina
realizada no interior de estabelecimento de ensino, na hipótese em que o evento tenha sido
organizado como parte de projeto pedagógico, reunindo pais, alunos e professores, com vistas
à integração escola-família, sem venda de ingressos e sem a utilização econômica das obras.

DIREITOS AUTORAIS

STJ – INF 588

Se o Município contratou, mediante licitação, uma empresa para a realização do evento, será
dela a responsabilidade pelo pagamento dos direitos autorais.

Exceções: A responsabilidade será do Município em duas hipóteses:

1) se ficar demonstrado que o Poder Público colaborou direta ou indiretamente para a


execução do espetáculo; ou

2) se ficar comprovado que o Município teve culpa em seu dever de fiscalizar o cumprimento
do contrato público (culpa in eligendo ou in vigilando).

139
DIREITOS AUTORAIS

STJ – INF 594

Nos contratos sob encomenda de obras intelectuais, a pessoa jurídica que figura como
encomendada na relação contratual pode ser titular dos direitos autorais, conforme
interpretação do art. 11, parágrafo único, da Lei nº 9.610/98. Assim, ocorrendo a utilização
indevida da obra encomendada, sem a devida autorização, caberá à pessoa jurídica contratada
pleitear a reparação dos danos sofridos.

DIREITOS AUTORAIS

STJ – INF 597

A transmissão de músicas por meio da rede mundial de computadores mediante o emprego


da tecnologia streaming (webcasting e simulcasting) demanda autorização prévia e expressa
pelo titular dos direitos de autor e caracteriza fato gerador de cobrança pelo ECAD relativa à
exploração econômica desses direitos.

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA – DL 911/69

STJ – INF 588

Ação de busca e apreensão de bem alienado fiduciariamente: o termo inicial para a contagem
do prazo de 15 dias para o oferecimento de resposta pelo devedor fiduciante é a data de
juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido (e não a data da execução
da medida liminar).

O mandado de busca e apreensão/citação veicula, simultaneamente, a comunicação ao


devedor acerca da retomada do bem alienado fiduciariamente e sua citação, daí decorrendo
dois prazos diversos:

a) de 5 dias, contados da execução da liminar, para o pagamento da dívida; e

b) de 15 dias, a contar da juntada do mandado aos autos, para o oferecimento de resposta.

140
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA

STJ – INF 594

Havendo adaptação de veículo, em momento posterior à celebração do pacto fiduciário,


com aparelhos para direção por deficiente físico, o devedor fiduciante tem direito a retirá-los
quando houver o descumprimento do pacto e a consequente busca e apreensão do bem.

ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA EM GARANTIA

STJ – INF 599

Não se aplica a teoria do adimplemento substancial aos contratos de alienação fiduciária em


garantia regidos pelo Decreto-Lei 911/69.

*Art. 3º, §2º, do DL 911/69: No prazo do § 1º, o devedor fiduciante poderá pagar a integralidade
da dívida pendente, segundo os valores apresentados pelo credor fiduciário na inicial, hipótese
na qual o bem lhe será restituído livre do ônus. (Redação dada pela Lei 10.931/2004).

ARBITRAGEM

ARBITRAGEM

STJ – INF 591

O Poder Judiciário não pode decretar a nulidade de cláusula arbitral (compromissória) sem
que essa questão tenha sido apreciada anteriormente pelo próprio árbitro, nos termos do art.
8º, parágrafo único da Lei de Arbitragem (Lei nº 9.307/96).

Exceção: O Poder Judiciário pode, nos casos em que prima facie é identificado um
compromisso arbitral “patológico”, isto é, claramente ilegal, declarar a nulidade dessa cláusula,
independentemente do estado em que se encontre o procedimento arbitral.

CLÁUSULA COMPROMISSÓRIA

STJ – INF 591

Segundo o art. 4º, § 2º da Lei nº 9.307/96, nos contratos de adesão, a cláusula compromissória
só terá eficácia se o aderente:

-tomar a iniciativa de instituir a arbitragem; ou

141
-concordar, expressamente, com a sua instituição, por escrito, em documento anexo ou em
negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula.

É possível a instituição de cláusula compromissória em contrato de franquia (que é um contrato


de adesão), desde que observados os requisitos do art. 4º, § 2º, da Lei nº 9.307/96.

LEI DE LOCAÇÕES – LEI Nº 8.245/1991

TERMO INICIAL DO PRAZO PARA PURGAÇÃO DA MORA

STJ – INF 593

*Art. 62, inciso II: O prazo de 15 dias para purgação da mora deve ser contado a partir da
juntada aos autos do mandado de citação ou aviso de recebimento devidamente cumprido.

*A contestação de parte do débito na ação de despejo por falta de pagamento é incompatível


com a intimação do locatário para fins de complementação do depósito em relação às parcelas
tidas por ele como indevidas. Em outras palavras, se o locatário, regularmente citado, contesta
parte da dívida, não cabe a sua intimação para complementar o depósito de emenda da mora
e pagar tais parcelas.

DIREITO NOTARIAL E REGISTRAL

DÚVIDA
STJ – INF 595

*Não cabe recurso especial contra decisão proferida em procedimento de dúvida registral,
sendo irrelevantes a existência de litigiosidade ou o fato de o julgamento emanar de órgão do
Poder Judiciário, em função atípica.

**O procedimento de dúvida registral tem, por força de expressa previsão legal, natureza
administrativa (art. 204 da Lei de Registros Públicos – Lei nº 6.015/1973), não se qualificando
como prestação jurisdicional.

DIREITO PROCESSUAL CIVIL

PROCESSO DE CONHECIMENTO

142
BOA-FÉ OBJETIVA NO PROCESSO CIVIL

- fundamentos: dignidade humana, devido processo legal, artigo 14, II/CPC


- limitação contra abusos de direito
- atinge todos os sujeitos processuais
- exs: artigos 503, 243, 273, II, 17, VII/CPC

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - FAZENDA PÚBLICA

*Processo de conhecimento: artigo 20,4º/CPC

*Processo de execução: artigo 1º-D da Lei 9494/97


- REGRA: Fazenda Pública não paga honorários nas execuções não embargadas
- EXCEÇÃO:
1) RPV (STF)
2) execução individual de sentença coletiva

**Início da execução pela sistemática dos precatórios e renúncia ao crédito excedente para
receber por RPV (artigo 87/ADCT): REGRA (princípio da causalidade)

***Execução invertida: o Poder Público, sem necessidade de processo de execução cumpre


voluntariamente a obrigação; é dispensado o pagamento de honorários advocatícios

CUSTAS E EMOLUMENTOS PELA FAZENDA PÚBLICA

STJ

- REGRA: pagamento ao final, se vencida (artigos 27/CPC e 39/LEF)


- EXCEÇÕES: custas (confusão) e despesas em sentido estrito (súmula 190 e 232/STJ)

DESISTÊNCIA DA AÇÃO E CONSENTIMENTO DO RÉU

*CPC: consentimento do réu – após apresentação de resposta

*União, autarquias, fundações e empresas públicas federais: somente será aceita se o autor
renunciar ao direito material sobre que se funda a ação (artigo 3º da Lei 9469/97) – oposição
justificada à desistência

143
DESISTÊNCIA DO MS APÓS SENTENÇA

STF e STJ

- independe de anuência da parte contrária


- ação constitucional para defesa de direito líquido e certo frente a ato ilegal ou abusivo
da autoridade: não há lide em sentido material; não há direito da autoridade coatora a um
julgamento de mérito

*EXCEÇÃO: interposição de sucessivos recursos improvidos para obstar o trânsito em julgado

**Não cabe sustentação oral no julgamento que aprecia o pedido de liminar formulado em
mandado de segurança. Caberá sustentação oral no julgamento final do MS (artigos 937, VI,
do CPC 2015 e 16 da Lei nº 12.016/2009)

MS PARA CONTROLE DA COMPETÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS

STJ

- MS contra ato do juiz: Turma Recursal (súmula 376/STJ)


- MS contra Turma Recursal (para discutir mérito): não é cabível
- MS contra Turma Recursal (competência JEC): TJ ou TRF

EMENDA DA PETIÇÃO INICIAL DE MS PARA SUBSTITUIR A AUTORIDADE COATORA

STF

*Teoria da encampação – requisitos:


- vínculo hierárquico entre as autoridades
- não modificação de competência constitucional
- dúvida razoável
- defesa do ato pela autoridade impetrada

STJ

*2 requisitos:
- não alteração da competência
- as autoridades pertençam à mesma pessoa jurídica

**existe corrente que não admite a emenda da petição inicial para corrigir equívoco na
indicação da autoridade coatora

144
PRAZO MS – SUPRESSÃO/REDUÇÃO DE VERBAS

STJ

*SUPRESSÃO: ato único/ciência do ato


*REDUÇÃO: prestação de trato sucessivo/renova-se a cada período (mês a mês)
*REAJUSTE DE BENEFÍCIO EM VALOR INFERIOR O DEVIDO: prestação de trato sucessivo/renova-
se a cada período (mês a mês)

** Em mandado de segurança impetrado contra redução do valor de vantagem integrante


de proventos ou de remuneração de servidor público, os efeitos financeiros da concessão da
ordem retroagem à data do ato impugnado.
- princípios da justiça, da efetividade processual, da economia e da razoável duração do
processo
- CUIDADO: apesar desse entendimento ter sido proferido pela Corte Especial do STJ, ele é
contrário às Súmulas 269 e 271 do STF e ao art. 14, § 4º da Lei do MS.

SUSPENSÃO DE SEGURANÇA (LEIS 8437/92 E 9494/97)

STJ

- não há análise de mérito


- deve ser realizado um juízo mínimo de delibação (mínimo de plausibilidade) – contracautela
(o requerente deve demonstrar fumus boni iuris e periculum in mora inverso
- juízo político a respeito da lesividade do ato judicial
- decisão do Presidente do Tribunal – agravo interno (não aplica-se o artigo 188/CPC)
- agravo interno: não cabe RE ou Resp (não se prestam à revisão do juízo político realizado pelo
Tribunal porque decorrente de juízo de valor acerca das circunstâncias fáticas, cujo reexame é
vedado, nos termos da súmula 17/STJ)

*STF: a decisão proferida em sede de suspensão de segurança não é estritamente política,


possuindo conteúdo jurisdicional, motivo pelo qual é cabível a interposição de Recurso
Especial.

CONFLITO DE COMPETÊNCIA/CONEXÃO

STJ
- conexão: reunião dos processos (regra)
- não haverá reunião dos processos quando implicar em modificação de competência absoluta
(não se prorroga por conexão/continência) – suspensão de um dos processos para evitar
decisões contraditórias (artigo 265, IV, a/CDC)

145
* Implica indevido obstáculo ao acesso à tutela jurisdicional a decisão que, após o
reconhecimento da incompetência absoluta do juízo, em vez de determinar a remessa dos
autos ao juízo competente, extingue o feito sem exame do mérito, sob o argumento de
impossibilidade técnica do Judiciário em remeter os autos para o órgão julgador competente,
ante as dificuldades inerentes ao processamento eletrônico.

FORO COMPETENTE – DPVAT

STJ

- local do acidente
- domicílio do autor (artigo 100, parágrafo único/CPC)
- domicílio do réu (artigo 94/CPC)

INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR – COMPETÊNCIA

STJ

- MS: Justiça Federal


- outras ações (questões relativas ao contrato de prestação de serviços educacionais): Justiça
Estadual
- outras ações (registro de diploma, credenciamento perante o Ministério da Educação): Justiça
Federal (obrigatória a intervenção da União)

*igual entendimento para ensino à distância (artigos 9º e 80 da Lei 9394/96)

REVELIA E FAZENDA PÚBLICA

STJ

- interesse público primário: NÃO há revelia


- interesse público secundário: HÁ revelia (obrigações tipicamente privadas)

*revelia formal: ausência jurídica de contestação


*revelia material: ausência de impugnação específica dos fatos

146
PROVA EMPRESTADA ORIUNDA DE PROCESSO NO QUAL NÃO FIGURAVAM AS MESMAS
PARTES

STJ

É possível a utilização de prova emprestada oriunda de processo no qual não figuravam as


mesmas partes, desde que submetida ao crivo do contraditório.
- economia processual
- incremento de eficiência
- razoável duração do processo
- busca da verdade

AÇÃO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS – INTERESSE DE AGIR

STJ

- dispensável o prévio requerimento extrajudicial (não é requisito necessário à configuração


do interesse de agir)
- réu não oferece resistência: custas e honorários pelo autor (princípio da causalidade)

ATENÇÃO: mudança de entendimento do STJ no julgamento relativo ao sistema crediscore


(vide principais julgados direito do consumidor).

* Não é cabível ação de exibição de documentos que tenha por objeto a obtenção de
informações detidas pela Administração Pública que não foram materializadas em documentos
(eletrônicos ou não), ainda que se alegue demora na prestação dessas informações pela via
administrativa. É cabível habeas data.

AÇÃO PARA FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS E CHAMAMENTO AO PROCESSO

STJ

- responsabilidade solidária: União, Estados e Municípios


- não cabe chamamento ao processo (medida que só iria procrastinar o feito, sem utilidade
para o processo; obrigação de fazer)

147
AÇÃO NEGATÓRIA DE PATERNIDADE E RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA

STJ

- ação improcedente por falta de provas: SIM


- ação improcedente com base na prova pericial produzida de acordo com a tecnologia
disponível à época: NÃO

HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA


(RESOLUÇÃO 9/2005 – STJ)

*Não analisa mérito; apenas juízo de delibação sobre os requisitos formais

*Competência concorrente:
- não há litispendência
- valerá a sentença que transitar em julgado em primeiro lugar

*Competência exclusiva: a sentença estrangeira jamais poderá ser homologada

*Sentença penal para efeitos civis:


- ação penal de conhecimento de natureza constitutiva
- para gerar reincidência não precisa ser homologada

HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA SOBRE GUARDA E ALIMENTOS

STJ

-prevalece a decisão do Poder judiciário brasileiro, mesmo que provisória, e independentemente


do trânsito em julgado da sentença estrangeira
- a guarda pode ser revogada a qualquer tempo (artigo 35/ECA)
- relações continuativas: variam de acordo com a situação do momento

COMPETÊNCIA

STF – INF 862

Não compete originariamente ao STF processar e julgar execução individual de sentenças


genéricas de perfil coletivo, inclusive aquelas proferidas em sede mandamental. Tal atribuição
cabe aos órgãos judiciários competentes de primeira instância.

148
SUSPEIÇÃO

STF – INF 587

A declaração pelo magistrado (“autodeclaração”) de suspeição por motivo superveniente


não tem efeitos retroativos, não importando em nulidade dos atos processuais praticados em
momento anterior ao fato ensejador da suspeição

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

STJ – INF 592

Não cabe a fixação de honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015) em caso de recurso
interposto no curso de processo cujo rito exclua a possibilidade de condenação em honorários.

Como exemplo desta situação, pode-se citar o mandado de segurança, que não admite
condenação em honorários advocatícios (art. 25 da Lei nº 12.016/2009, súmula 105-STJ e
súmula 512-STF). Logo, se for interposto um recurso ordinário constitucional ou um recurso
extraordinário neste processo, o Tribunal não fixará honorários recursais.

JUSTIÇA GRATUITA

STJ – INF 599

O art. 12, § 2º, da Lei nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade) estabelece uma presunção relativa
de que o autor da ação de usucapião especial urbana é hipossuficiente. Isso significa que essa
presunção pode ser ilidida (refutada) a partir da comprovação inequívoca de que o autor não
é considerado “necessitado”

LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

HONORÁRIOS PERICIAIS

STJ – INF 598

É adequada a inclusão dos honorários periciais em conta de liquidação mesmo quando


o dispositivo de sentença com trânsito em julgado condena o vencido, genericamente, ao
pagamento de custas processuais.

149
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

STF – INF 588

*Inexigibilidade de obrigação reconhecida em sentença com base exclusivamente em lei não


recepcionada pela Constituição.

**Fundamento: art. 475-L, II e § 1º, do CPC/1973 (art. 525, § 1º, III e § 12 do CPC/2015).

***CPC/2015, art. 525, §§14 e 15: Para que o devedor possa alegar a inexigibilidade da obrigação
argumentando que o título é baseado em lei incompatível com a Constituição, exige-se que
a decisão do STF seja anterior à formação da coisa julgada. Se for posterior, a matéria não
poderá ser alegada em impugnação, devendo ser proposta ação rescisória.

AÇÃO RESCISÓRIA E RECURSOS

PRAZO PARA AÇÃO RESCISÓRIA E RECURSOS PARCIAIS

STF

- capítulos autônomos: trânsito em julgado de cada capítulo (como se fossem sentenças


independentes; recursos parciais)
- súmula 514/STF e 100/TST
- coisa julgada progressiva: vai se formando ao longo do processo em razão da interposição
de recursos parciais

STJ

- o prazo tem início a partir do trânsito em julgado da decisão como um todo (súmula 401)

NÃO CABE AÇÃO RESCISÓRIA CONTRA ACÓRDÃO QUE À ÉPOCA DE SUA PROLAÇÃO ESTAVA
DE ACORDO COM O ENTENDIMENTO DO STF

STF

*Artigo 485, V/CPC


- lei em sentido amplo/normas e princípios constitucionais (princípio é espécie de norma
jurídica)
- não abrange súmula

150
*Súmula 343/STF: interpretação controvertida nos tribunais – não cabe ação rescisória

De acordo com o entendimento atual do STF, aplica-se a súmula 343 mesmo tratando-se de
controvérsia jurisprudencial sobre norma constitucional.
*ÚNICA EXCEÇÃO: norma declarada inconstitucional pelo STF e eficácia erga omnes e sem
modulação de efeitos

CONFLITO DE SENTENÇAS TRANSITADAS EM JULGADO

STJ

*1ª corrente: prevalece a primeira sentença


- a segunda sentença seria inexistente, porque foi proferida numa demanda em que o autor
era carente de ação (por falta de interesse jurídico)
- a coisa julgada também é um pressuposto processual negativo (ou extrínseco), de forma que
a segunda ação foi proposta em afronta a esse pressuposto
- não há necessidade de ação rescisória, podendo-se obter a declaração de inexistência perante
o próprio juízo de origem, por meio de ação ou objeção, esteja ou não transcorrido o prazo
decadencial da rescisória.

*2ª corrente: prevalece a segunda sentença, enquanto não desconstituída mediante ação
rescisória. Se passar o prazo de 2 anos da rescisória, a segunda valerá para sempre.
- a exceção de pré-executividade não substitui a ação rescisória.

RECURSO ADESIVO – SUCUMBÊNCIA MATERIAL

STJ

- recurso adesivo pressupõe sucumbência recíproca


- condenação ao pagamento de danos morais em valor inferior ao postulado: não há
sucumbência formal, mas há sucumbência material e, portanto, interesse em interpor recurso
adesivo
- a súmula 326 do STJ é aplicável somente em relação à responsabilidade pelo pagamento dos
ônus sucumbenciais

*Em uma ação de indenização, se ocorrer a revelia, deve-se presumir a veracidade quanto aos
danos narrados na petição inicial (efeito material). No entanto, esta presunção de veracidade
não alcança a definição do quantum indenizatório indicado pelo autor.

151
JUNTADA DE DOCUMENTOS EM APELAÇÃO

STJ

*Requisitos:
- documento não indispensável à propositura da ação
- não haja má-fé
- contraditório

APELAÇÃO CONTRA SENTENÇA DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS NÃO POSSUI EFEITO


SUSPENSIVO

STJ

- o artigo 14 da Lei 5478 é posterior ao artigo 520/CPC e norma específica


- risco de duplo dano ao alimentante: patrimonial (os alimentos são irrepetíveis) e pessoal
(possibilidade de prisão)

*a sentença retroage à data da citação (artigo 13, 2º/LA)

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO PODEM SER UTILIZADOS PARA CORRIGIR ERRO DE


JULGAMENTO

STF

*ED para corrigir premissa equivocada: SIM (inclusive com efeito modificativo)
- erros materiais
- erro de fato

*ED para corrigir erro de julgamento: NÃO


- julgador que não aplica corretamente os fatos ou o direito ao caso concreto: recurso próprio
contra a decisão

**Não é necessária a ratificação do recurso interposto na pendência de julgamento de


embargos de declaração quando, pelo julgamento dos aclaratórios, não houver modificação
do julgado embargado. Essa conclusão é reforçada pelo art. 1.024, § 5º do novo CPC.
Portanto a súmula 418 deve ser reinterpretada: a única interpretação cabível para o enunciado
é aquela que prevê o ônus da ratificação do recurso interposto na pendência de embargos
declaratórios apenas quando houver alteração na conclusão do julgamento anterior.

152
***Os embargos de declaração, ainda que contenham nítido pedido de efeitos infringentes,
não devem ser recebidos como mero “pedido de reconsideração”. Três razões principais: a)
não atende a nenhuma previsão legal, tampouco aos requisitos de aplicação do princípio
da fungibilidade recursal considerando que pedido de reconsideração nem é previsto na lei
nem pode ser considerado recurso; b) traz surpresa e insegurança jurídica ao jurisdicionado,
pois, apesar de interposto tempestivamente o recurso cabível, ficará à mercê da subjetividade
do magistrado; c) acarreta ao embargante grave sanção sem respaldo legal, qual seja, a não
interrupção de prazo para posteriores recursos, aniquilando o direito da parte embargante,
o que supera a penalidade objetiva positivada no § 2º do art. 1.022 do CPC 2015 (devido
processo legal e proibição de reformatio in pejus).

**** Situações em que os embargos de declaração não irão interromper o prazo para os demais
recursos:
1) Quando os embargos de declaração forem intempestivos
2) Se a parte já tiver apresentado dois embargos anteriormente e estes tiverem sido
considerados protelatórios (§ 4º do art. 1.026 do CP 2015).

***** Não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre
determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. O julgador não está
obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado
motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as
questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida (art. 489,
§ 1º, IV, do CPC).

ED PROTELATÓRIOS: MULTA DO ARTIGO 538, PARÁGRAFO ÚNICO + INDENIZAÇÃO POR


LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

STJ

*natureza e finalidade diferentes:


- multa do artigo 538, parágrafo único: caráter administrativo/ dignidade do tribunal e função
pública do processo
- indenização por litigância de má-fé: natureza reparatória/indenizar a parte contrária

*É desnecessária a comprovação de prejuízo para que haja condenação ao pagamento de


indenização por litigância de má-fé (fosse exigível a comprovação, dificilmente o dispositivo
teria aplicabilidade).

153
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS RECURSAIS

*Julgamento de embargos de declaração por tribunais

STF: SIM

Após o início da vigência do Novo CPC, é possível condenar a parte sucumbente em honorários
advocatícios na hipótese de o recurso de embargos de declaração, interposto perante Tribunal,
não atender os requisitos previstos no art. 1.022 e tampouco se enquadrar em situações
excepcionais que autorizem a concessão de efeitos infringentes.

DOUTRINA: NÃO

Não há honorários recursais em qualquer recurso, mas só naqueles em que for admissível
condenação em honorários advocatícios de sucumbência na primeira instância. No julgamento
de embargos de declaração, não há majoração de honorários advocatícios anteriormente
fixados. Isso porque o §11 do art. 85 do CPC refere-se a tribunal, afastando a sucumbência
recursal no âmbito da primeira instância. Assim, opostos embargos de declaração contra
decisão interlocutória ou contra sentença, não há sucumbência recursal, não havendo, de igual
modo e em virtude da simetria, sucumbência recursal em embargos de declaração opostos
contra decisão isolada do relator ou contra acórdão.

* Honorários advocatícios recursais (artigo 85, §11/CPC) – enunciados:


- Enunciado 241-FPPC. Os honorários de sucumbência recursal serão somados aos honorários
pela sucumbência em primeiro grau, observados os limites legais.
- Enunciado 242-FPPC. Os honorários de sucumbência recursal são devidos em decisão
unipessoal ou colegiada.
- Enunciado 243-FPPC. No caso de provimento do recurso de apelação, o tribunal redistribuirá
os honorários fixados em primeiro grau e arbitrará os honorários de sucumbência recursal.

** O § 11 do art. 85 do CPC não se aplica aos recursos já interpostos ou pendentes de julgamento.


Trata-se de regra de decisão, e não regra processual. Como regra de decisão, somente pode
aplicar-se a fatos posteriores ao início de sua vigência. E a base da verba honorária é a
causalidade, que decorre da interposição do recurso.

*** Não cabe a fixação de honorários recursais em caso de recurso interposto no curso de
processo cujo rito exclua a possibilidade de condenação em honorários.

154
Em outras palavras, não é possível fixar honorários recursais quando o processo originário não
preveja condenação em honorários (exs: MS).

**** É cabível a fixação de honorários recursais, prevista no art. 85, § 11, do CPC/2015, mesmo
quando não apresentadas contrarrazões ou contraminuta pelo advogado da parte recorrida.

RECLAMAÇÃO PARA O STJ CONTRA DECISÃO DE TURMA RECURSAL

STJ

*Se a decisão violar (Resolução 12/09)


- jurisprudência pacificada em sede de recurso repetitivo
- súmula
- teratológica

*JEF ou JFP: não é cabível reclamação (pedido de uniformização de interpretação de lei federal).

ATO JURÍDICO PERFEITO E COISA JULGADA – RE OU RESP

STJ

- lei expressamente retroativa – violação direta ao artigo 5º, XXXVI/CF – RE


- decisão do intérprete: REsp ( análise dos conceitos previstos no artigo 6º/LINDB – questão
infraconstitucional)

JULGAMENTO MONOCRÁTICO PELO RELATOR

STJ

- refere-se apenas a recursos


- pode ser aplicado no caso de reexame necessário (súmula 253/STJ)
- análise exclusivamente sobre matéria de mérito (jurisprudência consolidada só pode incidir
sobre matéria de direito; se é necessária a valoração da prova, o julgamento consubstancia
uma atividade individual, relativa aquela controvérsia somente, não uma análise de matéria
repetitiva)
- artigo 557: norma de exceção (princípio da colegialidade) – interpretação restritiva

155
APLICAÇÃO DA CLÁUSULA DE SANABILIDADE RECURSAL (artigo 932, parágrafo único/CPC)

STF

O prazo de 5 dias previsto no parágrafo único do art. 932 do CPC/2015 só se aplica aos casos
em que seja necessário sanar vícios formais.

1) A cláusula de sanabilidade recursal está em conformidade com o princípio da primazia


no julgamento do mérito (art. 4º) e com o dever de prevenção, corolário do princípio da
cooperação (art. 6º).
2) O Relator, ao intimar o recorrente, deverá indicar com precisão o que deve ser corrigido ou
completado (aplica-se, aqui, por analogia, o art. 321).
3) Esse prazo somente deverá ser concedido pelo Relator “quando o vício for sanável ou a
irregularidade corrigível. Assim, por exemplo, tendo deixado o recorrente de impugnar
especificamente as razões decisórias, não cabe regularização em razão do princípio da
complementaridade, que estabelece a preclusão consumativa no ato de interposição do
recurso.
4) Exemplos de vícios insanáveis: falta de interesse recursal, falta de repercussão geral no
recurso extraordinário, existência de fatos impeditivos ou extintivos, intempestividade.
5) Se o vício for sanável, a doutrina afirma que, neste caso, é dever do magistrado dar a
oportunidade para que ele seja corrigido.
6) Aplica-se o disposto no parágrafo único do art. 932 aos vícios sanáveis de todos os recursos,
inclusive dos recursos excepcionais.
7) No caso de recurso intempestivo, o vício é insanável. No entanto, a doutrina defende que,
mesmo assim, o Relator deverá dar oportunidade para que o recorrente diga se houve algum
motivo que fez com que o prazo se prorrogasse, ficasse suspenso ou interrompido.
8) Esse dispositivo não se aplica no caso de ter sido interposto o recurso errado.
9) Não é possível conceder prazo para que o recorrente complemente as razões recursais nem
para que formule novo pedido recursal que não foi feito originariamente.
10) O dispositivo não se aplica à falta de preparo. Isso porque, para esta hipótese, existem
regras específicas nos §§ 2º a 7º do art. 1.007 do CPC.
11) Não se aplica o disposto no parágrafo único do art. 932 nas situações de recursos
prejudicados (falta superveniente de interesse recursal).

*A suspeição por causa superveniente ao ajuizamento da ação não tem efeitos retroativos, ou
seja, não gera a nulidade dos atos processuais precedentes.

156
REPERCUSSÃO GERAL

STF – INF 845

O reconhecimento da repercussão geral no Plenário Virtual não impede sua rediscussão


no Plenário físico, notadamente quando tal reconhecimento tenha ocorrido por falta de
manifestações suficientes.

MANDADO DE SEGURANÇA

STF – INF 847

Cabe mandado de segurança contra ato do Ministro da Defesa que não efetua o pagamento
dos valores atrasados decorrentes da reparação econômica devida a anistiado político (art. 8º
do ADCT).

RECLAMAÇÃO

STF – INF 845

Quando o CPC (art. 988, § 5º, II, do CPC/2015 )exige que se esgotem as instâncias ordinárias,
significa que a parte só poderá apresentar reclamação ao STF depois de ter apresentado todos
os recursos cabíveis não apenas nos Tribunais de 2º grau, mas também nos Tribunais Superiores
(STJ, TST e TSE). Se ainda tiver algum recurso pendente no STJ ou no TSE, por exemplo, não
caberá reclamação ao STF.

Nos casos em que se busca garantir a aplicação de decisão tomada em recurso extraordinário
com repercussão geral, somente é cabível reclamação ao STF quando esgotados todos os
recursos cabíveis nas instâncias antecedentes.

MANDADO DE SEGURANÇA

STF – INF 859

A 1ª Turma do STF reconheceu que o MS foi impetrado fora do prazo, no entanto, como foi
concedida liminar e esta perdurou por mais de 12 anos, os Ministros entenderam que deveria
ser apreciado o mérito da ação, em nome da segurança jurídica.

157
RECURSOS

STF – INF 587

Súmula 579-STJ: Não é necessário ratificar o recurso especial interposto na pendência do


julgamento dos embargos de declaração, quando inalterado o resultado anterior.

*O STJ cancelou formalmente a súmula 418 (É inadmissível o recurso especial interposto antes
da publicação do acórdão dos embargos de declaração, sem posterior ratificação).

**NCPC, art. 1.024 (...) § 5º Se os embargos de declaração forem rejeitados ou não alterarem a
conclusão do julgamento anterior, o recurso interposto pela outra parte antes da publicação
do julgamento dos embargos de declaração será processado e julgado independentemente
de ratificação.

AÇÃO RESCISÓRIA – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS

STF – INF 589

*Advogado recebeu honorários de sucumbência decorrentes de sua atuação em um processo


que transitou em julgado. Posteriormente, esta sentença é rescindida em ação rescisória. O
advogado poderá ser obrigado a devolver os valores que recebeu a título de honorários.

*Os honorários são verbas alimentares.

*O princípio da irrepetibilidade das verbas de natureza alimentar não é absoluto e, no caso,


deve ser flexibilizado para viabilizar a restituição dos honorários de sucumbência já levantados,
tendo em vista que, com o provimento parcial da ação rescisória, não mais subsiste a decisão
que lhes deu causa.

RECURSOS

STF – INF 589

*CPC/2015, art. 1.042: não cabe agravo para o STJ contra decisão que inadmite recurso especial
quando o acórdão recorrido decidiu em conformidade com recurso repetitivo, mas sim agravo
interno para o próprio Tribunal de origem (art. 1.042).

*Se, em vez disso, a parte interpuser o agravo em recurso especial para o STJ, cometerá erro
grosseiro. Chegando ao STJ este agravo, ele não será conhecido e ele não retornará para que
seja julgado pelo Tribunal de origem como agravo interno.

158
AGRAVO DE INSTRUMENTO

STJ – INF 590

*Admite-se a aplicação da teoria da causa madura (art. 515, § 3º, do CPC/1973 / art. 1.013, § 3º
do CPC/2015) em julgamento de agravo de instrumento.
STJ – INF 591

As peças que devem formar o instrumento do agravo podem ser apresentadas em mídia
digital (DVD).

PROCESSO DE EXECUÇÃO

EFICÁCIA EXECUTIVA DAS SENTENÇAS DECLARATÓRIAS

STJ

A sentença, qualquer que seja sua natureza, de procedência ou improcedência do pedido,


constitui título executivo judicial, desde que estabeleça obrigação certa e exigível de pagar
quantia, de fazer, não fazer ou entregar coisa, admitida sua prévia liquidação e execução nos
próprios autos (artigo 515, I do CPC).
- carga condenatória/conteúdo nitidamente condenatório/definição integral da norma
jurídica individualizada
- um segundo juízo de certificação não poderia chegar a um resultado diferente (coisa julgada)
- instaurar um processo de cognição sem oferecer às partes e ao juiz outra alternativa de
resultado: atividade meramente burocrática e desnecessária

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS EM EXCEÇÃO DE PRÉ EXECUTIVIDADE

STJ

- PROCEDENTE (no todo ou em parte): SIM


- IMPROCEDENTE: NÃO (meio de defesa; o requerente não é obrigado a contratar advogado;
recebe honorários da execução)

159
ASTREINTES

STJ

- finalidade coercitiva
- não tem finalidade ressarcitória (pode ser cumulada com juros e perdas e danos)
- pode ser imposta de ofício
-destinatário: autor da demanda (a destinação ao Estado depende de expressa previsão legal)
- natureza jurídica híbrida: função processual (garantir a eficácia da decisão judicial) e função
material (compensar o credor pelo tempo em que ficou privado do bem da vida)
- em razão da natureza material, o pagamento da multa está condicionado à procedência do
pedido
- não preclui nem faz coisa julgada (artigo 46, 6º/CPC)

*Execução provisória – requisitos:


- pedido julgado procedente
- recurso sem efeito suspensivo

*É possível que o valor da multa cominatória seja superior ao valor da obrigação principal
quando o montante acumulado decorre da inércia do devedor por longo período de tempo
- a proporcionalidade e razoabilidade do valor da multa em relação à obrigação principal deve
ser analisada no momento de sua fixação, sob pena de estimular a recalcitrância do devedor
em cumprir decisões judiciais e a interposição de recursos com a finalidade de reduzir o valor
da penalidade, em total desprestígio às instâncias ordinárias

AÇÃO PARA FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS/BLOQUEIO E SEQUESTRO DE VERBAS


PÚBLICAS

STJ

- artigo 461, 5º/CPC (rol exemplificativo)


- direito à saúde/vida deve prevalecer sobre os interesses financeiros do Poder Público

FRAUDE À EXECUÇÃO E FRAUDE CONTRA CREDORES

STJ

*Fraude à execução – requisitos:


- citação válida do devedor ou averbação da execução (artigo 615-A/CPC)
- registro da penhora/má-fé do terceiro adquirente (súmula 375/STJ) – o ônus da prova é do
credor

160
*Fraude contra credores – requisitos:
- alienação onerosa: eventus damni + consilium fraudis
- alienação gratuita/remissão: eventus damni
- anterioridade do crédito (salvo fraude predeterminada em prejuízo de credores futuros)

**Efeitos:
- 1ª corrente: anulável (vício social – CC)
- 2ª corrente: ineficaz perante o credor

ALIENAÇÃO DO BEM DE FAMÍLIA E FRAUDE À EXECUÇÃO

STJ

*1ª corrente: SIM


- a alienação indica que o bem não serve mais à moradia e subsistência

*2ª corrente: NÃO


- o bem de família jamais poderá ser expropriado
- falta de interesse do credor na ineficácia da alienação

PENHORA SOBRE BENS DO ESPÓLIO

STJ

- dívida do falecido: penhora sobre bens do espólio (artigos 597 e 1997/CC)


- dívida do herdeiro: penhora no rosto dos autos da ação de inventário (até a partilha o bem
não pertence ao herdeiro)

IMPENHORABILIDADE DOS INCISOS IV E X DO ARTIGO 833/CPC

STJ

*Inciso IV (interpretação restritiva)


- impenhorável: última remuneração
- penhorável: sobra (perde o caráter alimentar porque não mais destinada à subsistência do
devedor/família)

*Inciso X (interpretação extensiva)


- impenhorável: até 40 salários mínimos em fundos de investimento, desde que a soma não
ultrapasse o limite legal

161
- objetivo: proteger o devedor contra execuções que comprometam o mínimo necessário para
sua subsistência e de sua família

**Verbas rescisórias: são impenhoráveis por força do inciso IV, mesmo que superiores ao
valor do salário mensal (porque o devedor não estava guardando esse dinheiro por vontade
própria). Porém, quando aplicada por longo período em fundo de investimento perde o caráter
alimentar e pode ser penhorada.

***Honorários advocatícios: impenhoráveis por força do inciso IV, salvo se exorbitantes e


ultrapassarem os valores razoáveis para sustento próprio e de sua família.

DIREITO DE RETENÇÃO POR BENFEITORIAS – MOMENTO DE ALEGAÇÃO

STJ

- ação possessória/despejo: contestação (ação executiva)


- ação reivindicatória: fase executória (ação condenatória)

É INCABÍVEL RECONVENÇÃO EM EMBARGOS À EXECUÇÃO

STJ

- o processo de execução tem como finalidade a satisfação do crédito constituído; se admitida


a reconvenção ocasionaria o surgimento de uma relação instrumental cognitiva simultânea, o
que inviabilizaria o prosseguimento da ação executiva.
- a reconvenção somente tem finalidade de ser utilizada em processos de conhecimento, haja
vista que demanda dilação probatória exigindo sentença de mérito, o que vai de encontro
com a fase de execução, na qual o título executivo já se encontra definido.

TRANSAÇÃO JUDICIAL APÓS A PUBLICAÇÃO DO ACÓRDÃO

STJ

Mesmo após a prolação da sentença ou do acórdão que decide a lide, podem as partes
transacionar o objeto do litígio e submetê-lo à homologação judicial.
- a tentativa de conciliação dos interesses em conflito é obrigação de todos os operadores do
direito desde a fase pré-processual até a fase de cumprimento de sentença. O magistrado tem
o dever de, a qualquer tempo, buscar conciliar as partes (art. 139, V, do CPC 2015).
- interesses do Estado na rápida solução dos litígios; converge para o ideal de concretização da
pacificação social. Logo, não há marco final para implementá-la.

162
EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA – FOLHA SUPLEMENTAR

STJ

- valores retroativos: precatório (artigo 100/CF)


- parcelas vencidas após trânsito em julgado: folha suplementar (credor: direito reconhecido
com trânsito em julgado X inércia da Administração)
- parcelas devidas entre a data de impetração e a de implementação da concessão da segurança:
precatório

EXECUÇÃO FISCAL – FRAUDE À EXECUÇÃO/INDISPONIBILIDADE DE BENS

STJ

*Fraude à execução fiscal: não se exige prova de má-fé do terceiro adquirente; não se aplica a
súmula 375 (artigo 185/CTN)
*indisponibilidade de bens: o artigo 185-A/CTN somente se aplica à execução de dívidas
tributárias; pressupõe o esgotamento de todas as diligências para localizar bens do executado

EXECUÇÃO FISCAL – DESISTÊNCIA, RECONHECIMENTO DO PEDIDO E HONORÁRIOS

STJ

- Fazenda Pública desiste da execução após EE/reconhece a procedência do pedido em EE:


honorários (súmula 153/STJ)
- não se aplica o artigo 19, 1º da Lei 10522/02, porque existe norma específica na LEF (artigo
26)
- interpretação do artigo 26/LEF: a Fazenda Pública somente não paga honorários se desistir
da execução antes da citação do executado

*termo inicial do EE: efetiva intimação

PRECATÓRIOS

STF – INF 847

*A decisão judicial que, em julgamento de mandado de segurança, determina que a União faça
o pagamento dos valores atrasados decorrentes de reparação econômica devida a anistiado
político não se submete ao regime dos precatórios, devendo o pagamento ser feito de forma
imediata.

163
ADVOGADO PODE RECEBER HONORÁRIOS MEDIANTE RPV AINDA QUE O CRÉDITO
PRINCIPAL SEJA EXECUTADO PELO REGIME DE PRECATÓRIOS

STF e STJ

- a relação creditícia dos honorários é autônoma


- são créditos acessórios porque não são o bem da vida perseguido em juízo, não porque
dependem de um crédito principal
- pertencem ao advogado (podem ser objeto de execução autônoma – artigos 23 e 24, 1º da
Lei 8906/94)
- a regra constitucional que proíbe o fracionamento incide apenas em situações em que o
crédito seja atribuído a um mesmo titular (artigo 100, 8º/CF)
- o fracionamento deve ocorrer antes da expedição do precatório, sob pena de quebra da
ordem cronológica

*SV 47: verba de natureza alimentar: fila preferencial

ADJUDICAÇÃO

STJ

I - A adjudicação é forma preferencial de pagamento ao credor, devendo ser assegurada ao


legitimado que oferecer preço não inferior ao da avaliação. Assim, se um dos legitimados
previstos em lei requereu a adjudicação e ofereceu preço não inferior ao da avaliação, não
deve o magistrado indeferir o pedido e determinar a alienação do bem penhorado (artigo
880/CPC).

II - A adjudicação poderá ser requerida após resolvidas as questões relativas à avaliação do


bem penhorado e antes de realizada a alienação, inclusive se frustrada a tentativa de alienação
do bem (artigo 878/CPC).

PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE

STJ

I - Depois que transcorrer 1 ano da execução suspensa, o prazo da prescrição intercorrente


começa a correr automaticamente, sem necessidade de decisão ou despacho do magistrado.

II – O prazo de prescrição intercorrente depende da espécie de pretensão (a execução prescreve


no mesmo prazo que a pretensão – súmula 150/STF).

164
III - Pode ser decretada de ofício. No entanto, antes de decretar, o juiz deverá intimar as partes
para que se manifestem no prazo de 15 dias (artigo 921, § 5º/CPC).

IV - As regras da prescrição intercorrente previstas no art. 921, III e §§ 1º a 5º, do CPC, valem
tanto para a execução de título extrajudicial como para o cumprimento de sentença.

EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA

STF INF 853

É válida a penhora em bens de pessoa jurídica de direito privado, realizada anteriormente à


sucessão desta pela União, não devendo a execução prosseguir mediante precatório (art. 100,
caput e § 1º, da Constituição Federal).

PRECATÓRIOS

STF INF 861

Incidem os juros da mora no período compreendido entre a data da realização dos cálculos e
a da requisição de pequeno valor (RPV) ou do precatório.

ATENÇÃO: Não confundir com a Súmula Vinculante 17. O período de que trata neste informativo
(RE 579431/RS) é anterior à requisição do precatório, ou seja, anterior ao interregno tratado
pela SV 17.

EXECUÇÃO

STJ- INF 589

É inválida a penhora da integralidade de imóvel submetido ao regime de multipropriedade


(time-sharing) em decorrência de dívida de condomínio de responsabilidade do organizador
do compartilhamento.

*Natureza jurídica da time-sharing:

-Direito Pessoal (obrigacional): os direitos reais são em número limitado (numerus clausus) e
estão previstos taxativamente no art. 1.225 do CC.

- Direito Real: a multipropriedade imobiliária, mesmo não efetivamente codificada, possui


natureza jurídica de direito real, harmonizando-se com os institutos constantes do rol previsto
no art. 1.225 do Código Civil (STJ e doutrina majoritária)

165
COTA DE FUNDO DE INVESTIMENTO

STJ- INF 589

*As cotas de fundo de investimento não podem ser consideradas como dinheiro aplicado em
instituição financeira, por isso não se subsomem à ordem de preferência legal disposta no
inciso I do art. 835 do CPC/2015.

*A recusa da nomeação à penhora de cotas de fundo de investimento é legítima e não onera


excessivamente o devedor.

EMBARGOS DE TERCEIROS

STJ- INF 591

*Nos embargos de terceiro cujo pedido foi acolhido para desconstituir a constrição
judicial, os honorários advocatícios serão arbitrados com base no princípio da causalidade,
responsabilizando-se o atual proprietário (embargante), se este não atualizou os dados
cadastrais. Os encargos de sucumbência serão suportados pela parte embargada, porém, na
hipótese em que esta, depois de tomar ciência da transmissão do bem, apresentar ou insistir
na impugnação ou recurso para manter a penhora sobre o bem cujo domínio foi transferido
para terceiro.

FRAUDE À EXECUÇÃO

STJ- INF 594

*A fraude à execução só poderá ser reconhecida se o ato de disposição do bem for posterior
à citação válida do sócio devedor, quando redirecionada a execução que fora originariamente
proposta em face da pessoa jurídica.

**Teses definidas pelo STJ na vigência do CPC/1973 (INF 552):


1) Em regra, para que haja fraude à execução, é indispensável que tenha havido a citação
válida do devedor.
2) Mesmo sem citação válida, haverá fraude à execução se, quando o devedor alienou ou
onerou o bem, o credor já havia realizado a averbação da execução nos registros públicos.
Presume-se em fraude de execução a alienação ou oneração de bens realizada após essa
averbação.
3) Persiste válida a Súmula 375 do STJ, segundo a qual o reconhecimento da fraude de
execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro
adquirente.

166
4) A presunção de boa-fé é princípio geral de direito universalmente aceito, devendo ser
respeitada a parêmia (ditado) milenar que diz o seguinte: “a boa-fé se presume, a má-fé se
prova”.
5) Assim, não havendo registro da penhora na matrícula do imóvel, é do credor o ônus de
provar que o terceiro adquirente tinha conhecimento de demanda capaz de levar o alienante
à insolvência.

EXECUÇÃO FISCAL

STJ- INF 595

Súmula 583-STJ: O arquivamento provisório previsto no art. 20 da Lei n. 10.522/2002, dirigido


aos débitos inscritos como dívida ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional
ou por ela cobrados, não se aplica às execuções fiscais movidas pelos conselhos de fiscalização
profissional ou pelas autarquias federais.

PENHORA E PEQUENA PROPRIEDADE RURAL

STJ- INF 596

*Para que o imóvel rural seja impenhorável, são necessários dois requisitos (O art. 5º, XXVI, da
CF/88 e o art. 833, VIII, do CPC):

- que seja enquadrado como pequena propriedade rural, nos termos definidos pela lei;

- que seja trabalhado pela família.

**Ônus da prova: no que concerne à proteção da pequena propriedade rural, incumbe ao


executado comprovar que a área é qualificada como pequena, nos termos legais; e ao
exequente demonstrar que não há exploração familiar da terra.

PROCESSO CAUTELAR

167
MEDIDAS PROTETIVAS DA LEI MARIA DA PENHA APLICAM-SE EM AÇÕES CÍVEIS

STJ

- necessidade de ampliar os mecanismos jurídicos e estatais de proteção à mulher: instrumentos


de natureza cível e administrativa para prevenção da violência (a resposta penal é posterior ao
ilícito, de conseqüências irreversíveis)
- a definição de violência doméstica e familiar contra a mulher engloba situações que não
constituem crimes (sofrimento psicológico, dano moral)

PROCEDIMENTOS ESPECIAIS

AÇÃO MONITÓRIA

STJ

Após o decurso do prazo para pagamento ou entrega da coisa sem a oposição de embargos
pelo réu, o juiz não poderá analisar matérias de mérito, ainda que conhecíveis de ofício.
- os embargos tem natureza de defesa
- conversão do mandado monitório em mandado executivo automaticamente, ou seja, por
força de lei (ope legis) – não é sentença nem decisão interlocutória, mas mero despacho.
STJ – INF 593

O correio eletrônico (e-mail) pode fundamentar a pretensão monitória, desde que o juízo se
convença da verossimilhança das alegações e da idoneidade das declarações.

PROCESSO COLETIVO

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

STJ – INF 591

É cabível ação civil pública proposta por Ministério Público Estadual para pleitear que Município
proíba máquinas agrícolas e veículos pesados de trafegarem em perímetro urbano deste e
torne transitável o anel viário da região.

DIREITO DO CONSUMIDOR

DIREITO BÁSICOS DO CONSUMIDOR

168
DENUNCIAÇÃO DA LIDE

STJ

É incabível em qualquer ação indenizatória decorrente da relação de consumo (responsabilidade


por fato do produto ou serviço)
- procrastinação injustificada da causa (art. 5º, XXXII e 170, V/CF e 6º, VIII/CDC)
- nova causa de pedir com fundamento diverso

*chamamento ao processo da seguradora (art. 101, II/CDC): favorável ao consumidor porque


institui solidariedade entre as partes, ampliando a garantia ao efetivo ressarcimento.
STJ – INF 592

Se o fornecedor/réu faz a denunciação da lide ao corresponsável e o consumidor não se insurge


contra isso, haverá preclusão, sendo descabido ao denunciado invocar em seu benefício a regra
do art. 88. Não pode o denunciado à lide invocar em seu benefício a regra de afastamento da
denunciação (art. 88) para eximir-se de suas responsabilidades perante o denunciante.

BANCOS TEM O DEVER DE FORNECER CONTRATOS EM BRAILLE PARA DEFICIENTES VISUAIS

STJ

- Lei 4169/62: oficializa as convenções Braille para uso na escrita e leitura dos cegos
- Lei 10048/00: determina que as pessoas portadoras de deficiência devem ter prioridade de
atendimento, inclusive em instituições financeiras; necessidade de que sejam suprimidas todas
as barreiras e obstáculos existentes para pessoas com deficiência, em especial, nos meios de
comunicação
- Decreto 6.949/2009: promulgou a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência; faz menção em diversos dispositivos ao método Braille, determinando que ele seja
incentivado como forma de propiciar aos deficientes visuais o efetivo acesso às informações
- CDC: direito básico do consumidor o fornecimento de informação suficientemente
adequada e clara do produto ou serviço oferecido (inclusive na fase pré-contratual); no caso
do consumidor deficiente visual, a consecução deste direito somente é alcançada por meio da
utilização do método Braille
- não tem relevância o fato de a Resolução 2.878/2001 do BACEN não exigir o método Braille,
contentando-se com a mera leitura em voz alta das cláusulas contratuais (insuficiente à
proteção dos interesses dos deficientes visuais, além de violar sua intimidade)
- princípio da dignidade da pessoa humana
- condenação em danos morais coletivos

169
PLANO DE SAÚDE

STJ – INF 588

Plano de Saúde a aplicação do CDC:

Regra: Súmula 469/STJ - “Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano
de saúde”.

Exceção: Não se aplica o CDC às relações entre as operadoras de planos de saúde constituídas
sob a modalidade de autogestão e seus filiados. Assim, os planos de saúde de autogestão
podem ser considerados como uma exceção à Súmula 469 do STJ:

*A operadora de plano privado de assistência à saúde na modalidade de autogestão é


pessoa jurídica de direito privado sem finalidades lucrativas que, vinculada ou não à entidade
pública ou privada, opera plano de assistência à saúde com exclusividade para um público
determinado de beneficiários. A constituição dos planos sob a modalidade de autogestão
diferencia, sensivelmente, essas pessoas jurídicas quanto à administração, forma de associação,
obtenção e repartição de receitas, dos contratos firmados com empresas que exploram essa
atividade no mercado e visam ao lucro.

CONCEITO DE CONSUMIDOR

STJ – INF 592

Aplica-se o CDC ao condomínio de adquirentes de edifício em construção, nas hipóteses em


que atua na defesa dos interesses dos seus condôminos frente a construtora ou incorporadora
(art. 2º, §2º, CDC).

PROTEÇÃO CONTRATUAL

STJ – INF 591

O denominado “desconto de pontualidade”, concedido pela instituição de ensino aos alunos


que efetuarem o pagamento das mensalidades até a data do vencimento ajustada, não
configura prática comercial abusiva.

CLÁUSULAS/PRÁTICAS ABUSIVAS

170
CLÁUSULA PENAL EM DESFAVOR DO CONSUMIDOR

STJ

- cláusula abusiva (art. 51, IX, XI e XII/CDC e Portaria 4/98 da Secretaria de Direito Econômico
do Ministério da Justiça)
-juízo de equidade

*Não é abusiva a cláusula prevista em contrato de adesão que impõe ao consumidor em mora
a obrigação de pagar honorários advocatícios decorrentes de cobrança extrajudicial: além
de não causar prejuízo indevido ao consumidor, tem previsão expressa no CC (artigos 389,
395 e 404), desde que assegurado ao consumidor o mesmo direito caso o fornecedor seja
inadimplente.

EXIGÊNCIA DE CAUÇÃO PARA ATENDIMENTO MÉDICO-HOSPITALAR EMERGENCIAL

STJ

- prática abusiva (art. 39, IV/CDC)


-estado de perigo (art. 156/CC)
- crime (art. 135-A/CP)
- Resolução 44/03 da ANS

ARBITRAGEM E CONTRATOS DE CONSUMO

STJ

1ª REGRA: cláusula compromissória em contrato de adesão: SIM,se o aderente:


- tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou
- concordar, expressamente, com a sua instituição, por escrito, em documento anexo ou em
negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula (art. 4º, parágrafo 2º da Lei
9307/96

2ª REGRA: cláusula compromissória em contrato de consumo: NÃO (cláusula nula de pleno


direito – art. 51, VII/CDC)
- no ato da contratação, o consumidor carece de informações e conhecimentos técnicos
suficientes para que possa optar, de maneira livre e consciente, pela arbitragem (escolha
informada)

3ª REGRA: compromisso arbitral em contrato de consumo: SIM, desde que haja concordância
do consumidor

171
PLANOS DE SAÚDE

STJ

1) Contrato de adesão: interpretação mais favorável ao aderente


- princípio do direito romano: interpretativo contra proferentem

2) Cláusulas que limitam a responsabilidade dos planos de saúde


- riscos adicionais/formas de tratamento: LÍCITAS (autonomia contratual – arts. 757 e 760/CC e
54, parágrafo 4º/CDC)
- valor do tratamento: ABUSIVAS (afastam a responsabilidade da seguradora pelo próprio
objeto nuclear da contratação – proteção à saúde)
- justa expectativa do consumidor de que os tratamentos cobertos pelo plano serão custeados
integralmente pela operadora (boa-fé objetiva)
- súmula 302/STJ

3) Danos morais
-REGRA: mero inadimplemento contratual não gera danos morais (fato previsível em toda
relação negocial – mero aborrecimento)
- EXCEÇÃO: recusa de cobertura securitária pelo plano de saúde (agrava a situação de aflição
psicológica e de angústia do segurado que já se encontra em condição de dor, abalo psicológico
e com a saúde debilitada)

4) Prazo prescricional para requerer reembolso de despesas: 10 anos (art. 205/CC)

5) Reajuste de mensalidade em razão da alteração da faixa etária do segurado: essa cláusula


será abusiva se:
- não respeitar os limites estabelecidos pela Lei 9656/98
- aplicar índices de reajuste dessarrazoados ou aleatórios, que onerem em demasia o segurado
- art. 15, parágrafo 3º do Estatuto do Idoso: proíbe a discriminação contra o idoso, ou seja, o
tratamento diferenciado sem qualquer justificativa razoável
*maior de 60 anos com mais de 10 anos de vínculo contratual: abusiva (artigo 15, parágrafo
único da Lei 9656/98)

6) Tratamento experimental: o plano de saúde é obrigado a custear tratamento experimental


se o tratamento convencional não for eficaz para o paciente, houver indicação médica e for
realizado em instituição de saúde reconhecida (art. 10, I c/c 12 da Lei 9656)

172
7) A operadora é obrigada a custear serviço de home care (tratamento domiciliar) em substituição
à internação hospitalar, mesmo que não conste expressamente do rol de coberturas previsto
no contrato, desde que respeitados os seguintes requisitos:
a) tenha havido indicação desse tratamento pelo médico;
b) exista real necessidade do atendimento domiciliar;
c) a residência possua condições estruturais para fazer o tratamento domiciliar;
d) haja solicitação da família do paciente;
e) o paciente concorde com o tratamento domiciliar;
f ) não ocorra uma afetação do equilíbrio contratual em prejuízo do plano de saúde (exemplo
em que haveria um desequilíbrio: nos casos em que o custo do atendimento domiciliar por dia
supera a despesa diária em hospital)

8) O usuário de plano de saúde coletivo tem legitimidade ativa para ajuizar individualmente
ação contra a operadora pretendendo discutir a validade de cláusulas
contratuais, não sendo empecilho o fato de a contratação ter sido intermediada por caixa de
assistência da categoria profissional.
- relação jurídica de direito material: estipulação em favor de terceiro (vínculo jurídico formado
entre a operadora e o grupo de usuários); para os usuários, a estipulante é apenas uma
intermediária, uma mandatária, não representando a operadora; tanto a estipulante, quanto
o beneficiário podem exigir o cumprimento da obrigação (artigo 436, parágrafo único do CC).

9) A migração de beneficiário de plano de saúde coletivo empresarial extinto para plano


individual ou familiar não enseja a manutenção dos valores das mensalidades previstos no
plano primitivo.
- no plano coletivo existe uma prévia negociação com base na quantidade de pessoas que irá
aderir, o que permite a prática de preços mais baratos

10) O plano de saúde deve reembolsar o segurado pelas despesas que pagou com tratamento
médico realizado em situação de urgência ou emergência por hospital não credenciado, ainda
que o referido hospital integre expressamente tabela contratual que exclui da cobertura os
hospitais de alto custo, limitando-se o reembolso, no mínimo, ao valor da tabela de referência
de preços de serviços médicos e hospitalares praticados pelo plano de saúde (artigo 12, VI da
Lei 9656/98).
*o ressarcimento fica restrito ao período de tratamento da situação de urgência e emergência.

11) Não é abusiva cláusula contratual de plano privado de assistência à saúde que estabeleça
a coparticipação do usuário nas despesas médico-hospitalares em percentual sobre o custo

173
de tratamento médico realizado sem internação, desde que a coparticipação não caracterize
financiamento integral do procedimento por parte do usuário, ou fator de restrição severo ao
acesso aos serviços (art. 16, VIII, da Lei nº 9.656/98 e Resolução nº 8/1998 do CONSU).
- diminuição do risco assumido pela operadora/redução do valor da mensalidade/estímulo à
prudência

12) A cláusula contratual que prevê o indeferimento de quaisquer procedimentos médico


hospitalares, se estes forem solicitados por médicos não cooperados, deve ser reconhecida
como cláusula abusiva, nos termos do art. 51, IV, do CDC. (INF 588)

13) o empregado que for aposentado ou demitido sem justa causa não terá direito de ser
mantido em plano de saúde coletivo empresarial custeado exclusivamente pelo empregador
- sendo irrelevante se houver coparticipação no pagamento de procedimentos de assistência
médica, hospitalar e odontológica -, salvo disposição contrária expressa em contrato ou em
convenção coletiva de trabalho. (INF 588)

LEGITIMIDADE DO SISTEMA CREDIT SCORING (CREDISCORE)

STJ

- método desenvolvido para avaliação do risco de concessão de crédito, a partir de modelos


estatísticos, considerando diversas variáveis, com atribuição de uma pontuação ao consumidor
avaliado
- prática comercial LÍCITA (art. 5º e 7º, I da Lei 12414/2011) se respeitados os limites estabelecidos
pelo sistema de proteção do consumidor no sentido da tutela da privacidade e da máxima
transparência nas relações negociais (limites: desnecessidade de autorização, mas dever de
prestar esclarecimentos ao consumidor; limite de tempo – 5 anos para registros negativos e
15 anos para histórico de crédito)
- o consumidor pode ter acesso aos dados e informações pessoais valoradas, mas não pode
ter acesso à fórmula matemática utilizada (fruto de estudos e investimentos, constituindo
segredo da atividade empresarial – art. 5º, IV da Lei 12414)
- abuso de direito: responsabilidade objetiva e solidária do fornecedor, do responsável pelo
banco de dados, da fonte e do consulente por danos morais decorrentes da utilização de
informações excessivas ou sensíveis (art. 3º, parágrafo 3º, I e II da Lei 12414), bem como da
recusa indevida ao crédito pelo uso de dados incorretos ou desatualizados

*Requisitos para a propositura de ação de exibição de documentos:


- recusa do crédito em razão da pontuação atribuída ao consumidor
- resistência da instituição na disponibilização das informações em prazo razoável
- pagamento do custo da diligência

174
PROCON TEM LEGITIMIDADE PARA INTERPRETAR CLÁUSULAS DE UM CONTRATO DE
CONSUMO E APLICAR SANÇÕES

STJ

- o artigo 4º, II, “c” do CDC legitima (autoriza) a presença plural do Estado (Poder Público)
no mercado de consumo, tanto por meios de órgãos da administração pública voltados à
defesa do consumidor (ex: Procon), quanto por meio de órgãos clássicos (Defensoria Pública,
Ministério Público, delegacias de polícia especializada, entre outros).

- artigos 4º e 22 do Decreto 2181/97(SNDC)

- o Procon, embora seja órgão administrativo e não detenha jurisdição, está apto a interpretar
cláusulas contratuais, porque a Administração Pública, por meio de órgãos de julgamento
administrativo, pratica controle de legalidade, o que não se confunde com a função jurisdicional
propriamente dita pertencente ao Judiciário.

- a sanção administrativa aplicada pelo Procon é passível de ser contestada por ação judicial.

- a sanção administrativa prevista no art. 57 do CDC é legitimada pelo poder de polícia


(atividade administrativa de ordenação) que o Procon detém para cominar multas relacionadas
à transgressão dos preceitos do CDC.

ABUSIVIDADE DA CLÁUSULA MANDATO

STJ

*Acepções da expressão cláusula-mandato nos contratos de cartão de crédito:


a) Cláusula-mandato significa a previsão existente em todos os contratos de cartão de crédito
segundo a qual a administradora do cartão se compromete a honrar, mediante eventual
anuidade e até o limite de crédito estipulado para aquele consumidor, as despesas feitas por
este perante comerciantes ou prestadores de serviços - VÁLIDA

b) Cláusula-mandato é a autorização dada pelo consumidor à administradora do cartão de


crédito para que, em seu nome, obtenha empréstimos no mercado financeiro para saldar
eventuais dívidas e financiamentos advindos do uso do cartão – VÁLIDA - atende ao interesse
do usuário do cartão de crédito

c) Cláusula-mandato é a autorização dada pelo consumidor à administradora do cartão de


crédito para que esta emita títulos de crédito em nome do consumidor – ABUSIVA (súmula
60/STJ e artigo 51, VIII/CDC)

175
- não traz qualquer benefício ao contratante; ao contrário, faz com que fique em uma situação
de extrema vulnerabilidade, já que autoriza que seja constituído unilateralmente um título
executivo contra ele, o que reduz, inegavelmente, a sua capacidade de defesa
- no mandato, o representante deve atuar em nome do representado, de acordo com os seus
interesses; neste caso, isso não ocorre, havendo nítido conflito de interesses.
- insere o consumidor/mandante em notória e exagerada desvantagem, o que atenta contra
a boa-fé e a equidade

INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA
COMISSÃO DE CORRETAGEM

De quem é a responsabilidade pelo pagamento da comissão de corretagem: do vendedor ou


do comprador?

Regra: a obrigação de pagar a comissão de corretagem é daquele que efetivamente contrata


o corretor (não importa se é o comprador ou o vendedor).

Exceção: o contrato firmado entre as partes e o corretor poderá dispor em sentido contrário, ou
seja, poderá prever que comprador e vendedor irão dividir o pagamento, que só o vendedor
irá pagar etc. (Info 556).

*É válida a cláusula contratual que transfere ao promitente-comprador a obrigação de pagar a


comissão de corretagem nos contratos de promessa de compra e venda de unidade autônoma
em regime de incorporação imobiliária, desde que previamente informado o preço total da
aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem. STJ –
INF 588

INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA – COMISSÃO DE CORRETAGEM


LEGITIMIDADE PASSIVA

STJ INF 589

Tem legitimidade passiva “ad causam” a incorporadora, na condição de promitente-vendedora,


para responder a demanda em que é pleiteada pelo promitente-comprador a restituição dos
valores pagos a título de comissão de corretagem e de taxa de assessoria técnico-imobiliária,
alegando-se prática abusiva na transferência desses encargos ao consumidor.

176
SATI

STJ – INF 589

É abusiva a cobrança pelo promitente-vendedor do serviço de assessoria técnico-imobiliária


(SATI), ou atividade congênere, vinculado à celebração de promessa de compra e venda de
imóvel.
PRESCRIÇÃO

STJ – INF 589

Prescreve em 3 anos a pretensão do promitente-comprador de restituição dos valores pagos


a título de comissão de corretagem ou de serviço de assistência técnico-imobiliária (SATI), ou
atividade congênere (art. 206, § 3º, IV, CC).

PRÁTICA ABUSIVA

STJ – INF 591

Instituição de ensino superior não pode recusar a matrícula de aluno aprovado em vestibular
em razão de inadimplência em curso diverso anteriormente frequentado por ele na mesma
instituição.

CONTRATOS BANCÁRIOS

STJ – INF 596

É legítima a cobrança, pelas instituições financeiras, de tarifas relativas a saques quando estes
excederem o quantitativo de quatro realizações por mês.
CONTRATOS BANCÁRIOS

STJ – INF 597

É lícita a cobrança de tarifa por liquidação antecipada de débito para as operações de crédito
e arrendamento mercantil contratadas antes de 10/12/2007 (data da publicação da Resolução
CMN nº 3.516, de 2007), desde que esteja claramente identificada no extrato de conferência.

177
VÍCIO DO PRODUTO

STJ – INF 598

*É legal a conduta de fornecedor que concede apenas 3 (três) dias para troca de produtos
defeituosos, a contar da emissão da nota fiscal, e impõe ao consumidor, após tal prazo, a
procura de assistência técnica credenciada pelo fabricante para que realize a análise quanto à
existência do vício.

*A loja conferiu um “plus”, ou seja, uma providência extra que não é prevista no CDC, não
sendo, contudo, vedada porque favorece o consumidor. Vale ressaltar que a política de troca da
loja (direito de troca direta do produto em 3 dias) não exclui a possibilidade de o consumidor
realizar a troca, na forma do art. 18, § 1º, I, do CDC, caso o vício não seja sanado no prazo de
30 dias. Em outras palavras, a loja concede uma opção extra, além daquelas já previstas no art.
18, § 1º.

BANCOS DE DADOS E CADASTROS DE CONSUMIDORES

CADASTRO DE INADIMPLENTES

STJ

REGRA: ausência de prévia comunicação por escrito gera dano moral (in re ipsa)

EXCEÇÕES:
- quando preexistente legítima inscrição (súmula 385/STJ - também é aplicada às ações
voltadas contra o suposto credor que efetivou inscrição irregular)
- reprodução de informação negativa constante de registro público

*Discussão judicial da dívida e suspensão liminar da negativação: requisitos:


- ação fundada em questionamento total ou parcial
- demonstração de que a cobrança indevida se funda na aparência do bom direito e em
jurisprudência consolidada do STF ou do STJ
- depósito do valor incontroverso ou caução

** Há interesse de agir na ação em que o consumidor postula o cancelamento de múltiplas


inscrições de seu nome em cadastro negativo de proteção ao crédito, mesmo que somente
uma ou algumas delas ultrapassem os prazos de manutenção dos registros previstos no art.
43,1º e 5º do CDC.

178
CADASTRO DE INADIMPLENTES

STJ – INF 588

Vencida e não paga a obrigação, inicia-se no dia seguinte a contagem do prazo de 05 anos de
permanência de registro de nome de consumidor em cadastro de proteção ao crédito (art. 43,
§ 1º, do CDC), não importando a data em que o nome do consumidor foi negativado.

CADASTRO DE INADIMPLENTES

STJ – INF 596

*Responsabilidade por notificação do consumidor no endereço errado:

-Se o credor informou o endereço certo para o órgão mantenedor do cadastro e este foi quem
errou: a responsabilidade será do órgão mantenedor.

-Se o credor comunicou o endereço errado do consumidor para o órgão mantenedor do


cadastro e este enviou exatamente para o local informado: a responsabilidade será do credor.

*É passível de gerar responsabilização civil a atuação do órgão mantenedor de cadastro de


proteção ao crédito que, a despeito da prévia comunicação do consumidor solicitando que
futuras notificações fossem remetidas ao endereço por ele indicado, envia a notificação de
inscrição para endereço diverso.

RESPONSABILIDADE POR FATO/VÍCIO DO PRODUTO/SERVIÇO

CONCEITO DE FATO DO PRODUTO

STJ

- fato pressupõe vício


- vício grave que atinge o patrimônio moral/material do consumidor

RESPONSABILIDADE CIVIL DOS BANCOS

STJ

-serviço que não oferece a segurança que dele legitimamente se espera = serviço defeituoso (o
banco tem o dever contratual de gerir com segurança a movimentação bancária dos clientes)

179
= fato do serviço – RESPONSABILIDADE OBJETIVA (art. 14/CDC e súmula 479/STJ), inclusive
por atos de terceiro (fortuito interno: riscos inerentes à atividade bancária)
-única excludente: culpa exclusiva do correntista (art. 14, parágrafo 3º,II/CDC)
-culpa concorrente: apenas atenua o valor da indenização

*O banco deve compensar os danos morais sofridos por consumidor vítima de saque
fraudulento que, mesmo diante de grave e evidente falha na prestação do serviço bancário,
teve que intentar ação contra a instituição financeira com objetivo de recompor o seu
patrimônio, após frustradas tentativas de resolver extrajudicialmente a questão (não se trata
de dano moral in re ipsa).

**Não configura dano moral in re ipsa a simples remessa de fatura de cartão de crédito para
a residência do consumidor com cobrança indevida. Para configurar a existência do dano
extrapatrimonial, é necessário que se demonstre que a operadora de cartão de crédito, além
de ter incluído a cobrança na fatura, praticou outras condutas que configurem dano moral,
como por exemplo:
a) reiteração da cobrança indevida mesmo após o consumidor ter reclamado;
b) inscrição do cliente em cadastro de inadimplentes;
c) protesto da dívida;
d) publicidade negativa do nome do suposto devedor; ou
e) cobrança que exponha o consumidor, o submeta à ameaça, coação ou constrangimento.
- a banalização do dano moral, em caso de mera cobrança indevida, sem repercussão em direito
da personalidade, aumentaria o custo da atividade econômica, o qual oneraria, em última
análise, o próprio consumidor. Por outro lado, a indenização por dano moral, se comprovadas
consequências lesivas à personalidade decorrentes da cobrança indevida, tem a benéfica
consequência de estimular boas práticas pelo empresário.

***Banco postal (serviços bancários prestados por agências dos Correios): não se exige a
adoção de recursos de segurança específicos previstos na Lei 7102/83, porque não exerce
atividade-fim e primária de instituição financeira; responsabilidade objetiva da ECT por furto/
roubo ocorrido no interior do estabelecimento – fortuito interno (art. 37, parágrafo 6º/CF e 14/
CDC)

****Casa lotérica: não é instituição financeira (Lei 4595/64); a CEF não está obrigada a adotar
as mesmas normas de segurança (Lei 7102/83); regime de permissão (corre por conta e risco
do permissionário – Lei 8987/95)

180
*****Responsabilidade da empresa de vigilância: obrigação de meio (dever de envidar todos
os esforços possíveis para evitar danos ao patrimônio do banco e agir com diligência na
minimização dos riscos; não se pode exigir dos seguranças atitudes heróicas perante grupo
fortemente armado); contrato de prestação de serviços de vigilância não pode ser transformado
em contrato de seguro.

RESPONSABILIDADE CIVIL DO MÉDICO

STJ

OBRIGAÇÃO DE MEIO: responsabilidade SUBJETIVA (art. 14, parágrafo 3º/CDC)


OBRIGAÇÃO DE RESULTADO (cirurgia plástica): responsabilidade SUBJETIVA COM CULPA
PRESUMIDA – inversão do ônus da prova

*cirurgia plástica estética e reparadora: responsabilidade fracionada


**caso fortuito e força maior: causas excludentes da responsabilidade

RESPONSABILIDADE CIVIL – FURTO E ROUBO EM ESTACIONAMENTO

STJ

- estacionamento vinculado a estabelecimento comercial: SIM (garantia de segurança física e


patrimonial é inerente ao serviço prestado)

- estacionamento privado: NÃO (responsabilidade do estacionamento somente pela guarda


do veículo)

* vallet parking
- roubo: NÃO (garantia de segurança menos contundente nessa espécie de serviço)
- furto: SIM (serviço defeituoso)

PROVEDOR DE PESQUISAS NA INTERNET E FILTRAGEM DE RESULTADOS

STJ

- serviços prestados pela GOOGLE, mesmo gratuitos configuram relação de consumo (o termo
“mediante remuneração” do artigo 3º, 2º/CDC inclui ganho indireto do fornecedor)
- provedor de pesquisa é espécie de provedor de conteúdo
- filtragem do conteúdo das pesquisas não é atividade intrínseca ao serviço prestado: o serviço
não é defeituoso (artigo 14/CDC)

181
- direito à informação: a internet é importante veículo de comunicação em massa (artigo 220,
1º/CF)

*Não há dano moral quando a Google exibe, como resultado de uma busca, a indicação do
link de um site que não mais contém aquela palavra ou frase porque já foi removida, em razão
da demora na atualização do seu banco de dados.

**A ausência de congruência entre o resultado atual e os termos pesquisados, ainda que
decorrentes da posterior alteração do conteúdo original publicado pela página, configuram
falha na prestação do serviço de busca, que deve ser corrigida nos termos do art. 20 do CDC,
por frustrarem as legítimas expectativas dos consumidores. Porém, não há dano moral quando
o provedor de busca, mesmo após ser cientificado pelo consumidor, continua exibindo
resultado desatualizado, apesar de obrigado a desfazer a referida indexação, ainda que esta
não tenha nenhum potencial ofensivo.

DANOS MORAIS COLETIVOS E DANOS SOCIAIS

DANOS MORAIS COLETIVOS: atingem os direitos da personalidade de um grupo massificado,


sendo desnecessária a demonstração de dor, repulsa, indignação, tal qual fosse um indivíduo
isolado (art. 6º/CDC). Trata-se de lesão na esfera moral da comunidade; violação de direitos
transindividuais de ordem coletiva; abalo negativo à moral da coletividade. O dano deve ser
grave, exceder os limites de tolerância.

DANOS SOCIAIS: são lesões à sociedade que importam em rebaixamento do nível de


qualidade de vida, do seu patrimônio moral. Decorre de comportamentos exemplares
negativos ou condutas socialmente reprováveis. Representam a aplicação da função social
da responsabilidade civil. Os danos são difusos, portanto o produto da indenização deve ser
destinado a um fundo de proteção ao consumidor, meio ambiente, etc.
*depende de pedido expresso
**não é possível discutir danos sociais em ação individual

VÍCIOS DE PRODUTO

STJ – INF 593

O provedor de buscas de produtos à venda on-line que não realiza qualquer intermediação
entre consumidor e vendedor não pode ser responsabilizado por qualquer vício da mercadoria
ou inadimplemento contratual.

*Exemplos de provedores de buscas de produtos: Shopping UOL, Buscapé, Bondfaro.

182
DA DECADÊNCIA E DA PRESCRIÇÃO

PLANO DE SAÚDE E PRESCRIÇÃO

STJ – INF 590

Em caso de pretensão de nulidade de cláusula de reajuste prevista em contrato de plano ou


seguro de assistência à saúde ainda vigente, com a consequente repetição do indébito, a ação
ajuizada está fundada no enriquecimento sem causa e, por isso, o prazo prescricional é trienal,
nos termos do art. 206, § 3º, IV, do Código Civil.

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR – COLOÇÃO EM FAMÍLIA SUBSTITUTA

CRIANÇA OU ADOLESCENTE SOB GUARDA – PENSÃO POR MORTE

STJ

- art. 33, parágrafo 3º/ECA: norma específica de proteção à criança e ao adolescente deve
prevalecer sobre a Lei da Previdência Social
- não é dado ao intérprete atribuir à norma jurídica conteúdo que atente contra a dignidade
humana e contra o princípio da proteção integral e preferencial a crianças e adolescentes
- o ECA não é uma simples lei, representa política pública de proteção à criança e ao adolescente,
em cumprimento ao mandamento previsto no art. 227 da CF

ADOÇÃO

STJ

1)Adoção por dois irmãos


- princípio do melhor interesse
- o conceito de núcleo familiar estável não pode ficar restrito às fórmulas clássicas de família,
devendo ser ampliado para abarcar a noção plena de família, apreendida em suas bases
sociológicas
- o que importa para definir se há um núcleo familiar estável são os elementos subjetivos (que
independem do estado civil das partes): laços afetivos, congruência de interesses, solidariedade
psicológica, social e financeira que somados a outro não citados possam demonstrar o animus
de viver em família

183
2) Adoção por casal homossexual
- STF: união homoafetiva = união estável = entidade familiar: está incluída no conceito de
família
- princípio do melhor interesse (artigo 43/ECA)
- respeitados estudos especializados sobre o tema não indicam qualquer inconveniente
- importante é a qualidade do vínculo e do afeto
* É possível a inscrição de pessoa homoafetiva no registro de pessoas interessadas na adoção
(artigo 50 do ECA), independentemente da idade da criança a ser adotada (princípio da
igualdade, dignidade humana e pluralismo familiar)
** É possível a adoção unilateral do filho biológico da companheira homoafetiva (a mesma
possibilidade é assegurada aos casais heteroafetivos)

3)Adoção póstuma (mesmo que não iniciado o processo)


- manifestação inequívoca da vontade de adotar em vida (o adotante tratava o menor como se
fosse seu filho; conhecimento público dessa condição)
- posse do estado de filho: mesmas regras que comprovam a filiação socioafetiva

4)Adoção de neto pelos avós: com fundamento na afetividade

5)Adoção de pessoa maior de idade: aplica-se o ECA, mas é dispensado o consentimento dos
pais biológicos (art. 48/ECA)

6) Tratando-se de adoção em conjunto, um cônjuge não pode adotar sem o consentimento


do outro. Assim, se proposta adoção em conjunto e um dos autores (candidatos a pai/mãe)
desiste da ação, a adoção deve ser indeferida, especialmente se o outro vem a morrer antes de
manifestar-se sobre a desistência. (INF 588)

MENOR SOB GUARDA

STJ – INF 595

Ao menor sob guarda deve ser assegurado o direito ao benefício da pensão por morte mesmo
se o falecimento se deu após a modificação legislativa promovida pela Lei nº 9.528/97 na Lei
nº 8.213/91.

O art. 33, § 3º do ECA deve prevalecer sobre a modificação legislativa promovida na lei geral da
Previdência Social, em homenagem ao princípio da proteção integral e preferência da criança
e do adolescente (art. 227 da CF/88).

MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS

184
INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA DE MENOR QUE JÁ CUMPRIU MEDIDA SOCIOEDUCATIVA

STJ – INF 591

O ECA não estipulou um número mínimo de atos infracionais graves para justificar a internação
do menor infrator com fulcro no art. 122, II, do ECA (reiteração no cometimento de outras
infrações graves).

*Cabe ao magistrado analisar as peculiaridades de cada caso e as condições específicas


do adolescente a fim de aplicar ou não a internação. A depender das particularidades e
circunstâncias do caso concreto, pode ser aplicada, com fundamento no art. 122, II, do ECA,
medida de internação ao adolescente infrator que antes tenha cometido apenas uma outra
infração grave.

**Está superado o entendimento de que a internação com base nesse dispositivo somente
seria permitida com a prática de no mínimo 3 infrações.

INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA DE MENOR QUE JÁ CUMPRIU MEDIDA SOCIOEDUCATIVA

STJ

- art. 6º da Lei 10216/01 (laudo médico/recursos extra-hospitalares insuficientes)


- não há resgate do sistema do duplo binário (extinto pela Lei 7209/84) segundo o qual o réu
semi-imputável, após cumprir pena, era submetido a uma perícia e, se ainda fosse considerado
perigoso, deveria cumprir medida de segurança de internação
- internação de natureza psiquiátrica (não é medida de segurança)

ATOS INFRACIONAIS COMETIDOS ANTES DO INÍCIO DO CUMPRIMENTO E MEDIDA DE


INTERNAÇÃO

STJ

*ato infracional praticado DURANTE a execução de medida de internação: unificação e reinício


do cumprimento da medida de internação, se for o caso (artigo 45, 1º da Lei do SINASE)
*ato infracional praticado ANTES do início de medida já cumprida ou após a transferência para
o cumprimento de medida menos gravosa: impossibilidade de aplicação de nova medida de
internação (artigo 45, 2º da Lei do SINASE)
- o adolescente já passou por um processo de ressocialização; a aplicação de nova medida de
internação seria um retrocesso
- finalidade educativa da medida; princípio da excepcionalidade; condição peculiar de pessoa
em desenvolvimento; proteção integral

185
- o termo “anteriormente” contido no artigo 45, 2º, refere-se ao início da execução de medida e
não à data da prática do ato infracional que originou a medida primeiramente imposta

** Relativização da regra contida no artigo 42, II da Lei do SINASE: O simples fato de não
haver vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade em unidade próxima da
residência do adolescente infrator não impõe a sua inclusão em programa de meio aberto,
devendo-se considerar o que foi verificado durante o processo de apuração da prática do ato
infracional, bem como os relatórios técnicos profissionais.

EFEITOS DA APELAÇÃO INTERPOSTA CONTRA SENTENÇA QUE APLICA MEDIDA


SOCIOEDUCATIVA

STJ

1ª CORRENTE (majoritária): efeito devolutivo (art. 215/ECA)


- fundamentos diferentes do processo penal (proteger o acusado contra ingerências abusivas
do Estado; pena criminal é punição; princípio da não culpabilidade levado ao extremo)
- medida socioeducativa: mecanismo de proteção do adolescente e da sociedade; natureza
pedagógica e ressocializadora; permanência do adolescente em situação de risco (proteção
integral, prioridade absoluta, atualidade e intervenção precoce)

2ª CORRENTE: duplo efeito


- revogação do art. 198, VI pela Lei 12010/09: aplicação da regra do art. 520/CPC
- exceções: confirmação de tutela antecipada na sentença (art. 520, VII/CPC); concessão de
medida cautelar de internação provisória

*aplicação subsidiária:
- CPP: processo de conhecimento
- CPC: recursos

ATOS INFRACIONAIS PRETÉRITOS E DECRETAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA

STJ

1ª CORRENTE: A prática de atos infracionais anteriores serve para justificar a decretação


ou manutenção da prisão preventiva como garantia da ordem pública, considerando que
indicam que a personalidade do agente é voltada à criminalidade, havendo fundado receio
de reiteração.

186
2ª CORRENTE: No processo penal, o fato de o suposto autor do crime já ter se envolvido em ato
infracional não constitui fundamento idôneo à decretação de prisão preventiva. Isso porque
a vida na época da menoridade não pode ser levada em consideração pelo Direito Penal para
nenhum fim. Atos infracionais não configuram crimes e, por isso, não é possível considerá-
los como maus antecedentes nem como reincidência, até porque fatos ocorridos ainda na
adolescência estão acobertados por sigilo e estão sujeitos a medidas judiciais exclusivamente
voltadas à proteção do jovem.

REMISSÃO – IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DA PROPOSTA DE REMISSÃO PELO


MAGISTRADO

STJ – INF 587

Se o MP ofereceu ao adolescente remissão pré processual cumulada com medida socioeducativa


e o juiz discordou dessa cumulação, ele não pode excluir do acordo a aplicação da medida e
homologar apenas a remissão, devendo neste caso invocar o artigo 28 do CPP e remeter os
autos ao PGJ que poderá:
1)oferecer representação
2)designar outro Promotor para oferecer representação
3)ratificar a remissão, caso em que o juiz está obrigado a homologar

INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA DOS PROGRAMAS DE RÁDIO E DE TV

STF

É inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida no art. 254 do ECA.
- liberdade de expressão/liberdade de comunicação social X proteção da criança e do
adolescente: classificação indicativa
- a classificação indicativa deve ser entendida como um aviso aos usuários sobre o conteúdo
da programação, com caráter pedagógico, jamais como obrigação às emissoras de exibição
em horários específicos, especialmente sob pena de sanção administrativa
- o Poder Público pode apenas recomendar os horários adequados. A classificação dos
programas é indicativa (e não obrigatória), sob pena de caracterizar ato de censura
- será possível que as emissoras sejam processadas e responsabilizadas judicialmente caso
pratiquem abusos ou danos à integridade de crianças e adolescentes, tendo em conta,
inclusive, a recomendação do Ministério de Estado da Justiça em relação aos horários em
que determinada programação seria adequada (a liberdade de expressão não é uma garantia
absoluta e exige responsabilidade no seu exercício)

187
DIREITO EMPRESARIAL

CÓDIGO CIVIL – DIREITO DE EMPRESA

VALIDADE DA CLÁUSULA DE NÃO CONCORRÊNCIA

STJ

- objetivo: proteger a concorrência e os efeitos danosos decorrentes de potencial desvio de


clientela (autonomia privada)
- não viola os princípios da livre iniciativa e da livre concorrência, desde que limitada espacial
e temporalmente (território e prazo determinado)
- é válida mesmo após o rompimento do contrato – boa-fé objetiva (deve ser observada na
fase pré e pós contratual – EM 25/JDC)

CONTRATO DE LOCAÇÃO DE ESPAÇO EM SHOPPING CENTER

STJ – INF 589

Em um contrato de shopping center, a sociedade empresária tem legitimidade ativa ad causam,


em concorrência com o locatário (pessoa física), para demandar o empreendedor nas causas
em que houver interesses relativos ao estabelecimento empresarial, desde que, no contrato
firmado entre as partes, haja a expressa destinação do espaço para a realização das atividades
empresariais da sociedade da qual faça parte.

DISSOLUÇÃO PARCIAL DA SOCIEDADE

STJ – INF 595

Na hipótese em que o sócio de sociedade limitada constituída por tempo indeterminado


exerce o direito de retirada por meio de inequívoca e incontroversa notificação aos demais
sócios, a data-base para apuração de haveres é o termo final do prazo de 60 dias, estabelecido
pelo art. 1.029 do CC/02.

TÍTULOS DE CRÉDITO

DUPLICATA VIRTUAL

STJ

- boleto bancário/comprovante de entrega da mercadoria ou prestação de serviços e protesto


por indicação suprem a ausência física do título

188
- artigo 8º, parágrafo único da Lei 9492/97: o título não é imprescindível para o ajuizamento
da execução

PROTESTO – CHEQUE

STJ

*Protesto necessário: contra os coobrigados para o exercício do direito de regresso (artigo 48


da Lei 7357/85) – prazo de apresentação
*Protesto facultativo: contra o emitente – mesmo após o prazo de apresentação
**O protesto tirado contra o emitente do cheque é obrigatório para o fim de comprovar a
impontualidade injustificada do devedor no procedimento de falência (art. 94, I, da Lei
nº 11.101/2005) e deve ser realizado em até 6 meses contados do término do prazo de
apresentação (prazo prescricional da ação cambial)
*** O banco sacado não é parte legítima para figurar no polo passivo de ação ajuizada com o
objetivo de reparar os prejuízos decorrentes da devolução de cheque sem provisão de fundos
emitido por correntista.

****O cheque pós-datado amplia o prazo de apresentação?


1) Pós-datação regular (efetivada no campo referente à data de emissão): SIM.
2) Pós-datação extracartular (feita em campo diverso do campo específico): NÃO.

*****A correção monetária incide a partir da data de emissão; os juros de mora a partir da
primeira apresentação do cheque ao sacado.

É POSSÍVEL O PROTESTO DE CDA

STJ

- alteração da Lei 9492/97 pela Lei 12767/12


- natureza bifronte do protesto (constituição em mora e prova da inadimplência/modalidade
alternativa de cobrança)
- precedentes: protesto de decisões condenatórias, líquidas e certas com trânsito em julgado)
- não cabe ao Poder Judiciário substituir a Fazenda Pública para eleger as políticas públicas
para a recuperação da dívida ativa no âmbito extrajudicial
- valoração da necessidade e pertinência do protesto pelo Poder Judiciário: violação à
separação de poderes e imparcialidade
- LEF: procedimento para cobrança judicial: não veda cobrança extrajudicial
- participação do sujeito passivo na formação da CDA (decorre do exaurimento da instância
administrativa ou de documento de confissão de dívida)

189
- não violação ao contraditório/devido processo legal: subsiste o controle jurisdicional
- contexto histórico e social: necessidade de racionalização dos procedimentos para cobrança
de dívida ativa em âmbito judicial e administrativo
- tendência moderna de intersecção dos regimes jurídicos próprios do Direito Público e
Privado (exs: função social da propriedade, sistema de gerenciamento e controle de eficiência
na prestação de serviços públicos)

CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO

STJ

*Contrato de abertura de crédito rotativo: não é título executivo (súmula 233/STJ)


- os valores devidos são apurados unilateralmente pelo banco exequente (não possui liquidez
e certeza)

*Contrato de abertura de crédito fixo: título executivo (mútuo feneratício)

**cédula de crédito bancário expedida para documentar contrato de abertura de crédito


se acompanhada de demonstrativo de débito é título executivo (artigo 28, 2º, I e II da Lei
10931/04)

CÉDULA DE CRÉDITO RURAL

STJ – INF 587

*Valor relativo à inscrição de cédula de crédito rural é fixado em lei estadual.

**O art. 34 do DL 167/1967 foi derrogado pela Lei º 10.169/2000, que autorizou os Estados/DF
a fixarem o valor dos emolumentos.

CÉDULA DE CRÉDITO RURAL

STJ – INF 592

*Prazo prescricional da ação de repetição de indébito envolvendo contrato de cédula de


crédito rural

-Se o fato ocorreu sob a vigência do CC/1916: 20 anos.


-Se o fato ocorreu sob a vigência do CC/2002: 3 anos.

*O termo inicial do prazo prescricional é a data do pagamento (efetiva lesão).

190
CHEQUE

STJ – INF 587

*Termo inicial de correção monetária e de juros de mora em cobrança de cheque:

Juros de Mora: a contar da primeira apresentação à instituição financeira sacada ou câmara de


compensação.

Correção Monetária: incide a partir da data de emissão estampada na cártula.

FALÊNCIA E RECUPERAÇÃO JUDICIAL

MAGISTRADO NÃO PODE FAZER ANÁLISE DA VIABILIDADE ECONÔMICA DO PLANO DE


RECUPERAÇÃO JUDICIAL

STJ

- magistrado: controle de legalidade (fraude ou abuso de direito)


- aprovação pela Assembléia representa uma nova relação negocial entre o devedor e os
credores
- viabilidade econômica não é uma questão jurídica, mas sim econômica que se insere na
seara negocial da recuperação
- EN 44 e 46/JDCOM

*Cram down (o juiz pode deferir o plano quando a assembléia rejeitar) é possível

DEFERIMENTO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E CADASTROS DE RESTRIÇÃO E TABELIONATO


DE PROTESTOS

STJ

O deferimento do processamento de recuperação judicial, por si só, não enseja a suspensão


ou o cancelamento da negativação do nome do devedor nos cadastros de restrição ao crédito
e nos tabelionatos de protestos (EM 54 da JDC)
- o deferimento do processamento de recuperação judicial suspende o curso das ações e
execuções propostas em face do devedor (artigo 6º, caput e § 4º e 52, III, da Lei nº 11.101/2005);
contudo, essa providência não significa que o direito dos credores (direito creditório
propriamente dito) tenha sido extinto; a dívida continua existindo.

191
*aprovado o plano de recuperação judicial é possível providenciar a retirada do nome do
devedor dos cadastros de inadimplentes e a baixa dos protestos em relação às dívidas sujeitas
ao plano – novação dos débitos sob condição resolutiva. Nesse caso, as execuções individuais
suspensas quando do deferimento da recuperação judicial devem ser extintas.

**Dívidas constituídas após o pedido de recuperação judicial não estão sujeitas ao plano
aprovado. O credor pode promover a execução no juízo comum, que não será suspensa quando
do deferimento do processamento da recuperação judicial. Porém, compete ao juízo universal
da recuperação exercer o controle sobre os atos de constrição ou expropriação patrimonial do
devedor.

*** Ainda que o plano de recuperação judicial já tenha sido homologado, é possível a retificação
do quadro geral de credores fundada em julgamento de impugnação (a fase de habilitação
e verificação de créditos e a fase da apresentação e aprovação do plano ocorrem de forma
paralela)

AÇÃO REVOCATÓRIA PROCEDENTE – IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO

STJ

- quebra da par conditio creditorum: a massa deixa de receber um valor/o credor é liberado de
observar a ordem de classificação do seu crédito
- situação de ilegalidade em prejuízo dos credores não pode beneficiar quem a praticou
- artigo 122/LF: rol exemplificativo; aplicam-se os artigos 368 a 380/CC

LEGITIMIDADE DA SOCIEDADE FALIDA PARA AJUIZAR AÇÕES EM NOME DA MASSA FALIDA

STJ

-o falido não pode ajuizar ações em nome da massa falida, defendendo em nome próprio
direito alheio, na qualidade de substituto processual (decretada a falência, a sociedade não
mais possui personalidade jurídica)

*Legitimidade do falido para promover ação rescisória contra a sentença que decretou a sua
falência:
- efeitos da falência em relação ao falido (arts. 102 e 103/LF): inabilitação para o exercício de
atividade empresarial e perda do direito de administrar os seus bens, ressalvados os direitos
de praticar atos de prevenção do seu patrimônio, recorrer e assistir a massa falida (por ex. em
uma ação que discute a venda dos bens arrecadados)
- ação rescisória contra a sentença que decreta a falência: o falido é o único interessado a
propor a ação; não há interesse da massa ou dos credores, portanto, a legitimidade é do falido.

192
*Natureza jurídica da assistência exercida pelo falido: assistência litisconsorcial sui generis: o
falido defende interesse próprio, mas não raras vezes os interesses da coletividade de credores
são contrários aos interesses individuais do falido, hipóteses em que não se pode falar que ele
mantém relação de auxílio com a massa.

FALÊNCIA

STJ – INF 589

O credor trabalhista tem legitimidade ativa para ingressar com pedido de falência, considerando
que o art. 97, IV, da Lei nº 11.101/2005 não faz distinção entre credores.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

STJ – INF 590

Súmula 581-STJ: A recuperação judicial do devedor principal não impede o prosseguimento


das ações e execuções ajuizadas contra terceiros devedores solidários ou coobrigados em
geral, por garantia cambial, real ou fidejussória.

RECUPERAÇÃO JUDICIAL

STJ – INF 591

Se, no âmbito de Assembleia Geral de Credores, a maioria deles - devidamente representados


pelas respectivas classes - optar, por meio de dispositivo expressamente consignado em
plano de recuperação judicial, pela supressão de todas as garantias fidejussórias e reais
existentes em nome dos credores na data da aprovação do plano, todos eles - inclusive os que
não compareceram à Assembleia ou os que, ao comparecerem, abstiveram-se ou votaram
contrariamente à homologação do acordo - estarão indistintamente vinculados a essa
determinação.

FALÊNCIA

STJ – INF 596

O autor do pedido de falência não precisa demonstrar que existem indícios da insolvência ou
da insuficiência patrimonial do devedor, bastando que a situação se enquadre em uma das
hipóteses do art. 94 da Lei nº 11.101/2005.

193
ARRENDAMENTO MERCANTIL

ARRENDAMENTO MERCANTIL – AÇÃO DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE – DEVOLUÇÃO DO VRG

STJ

*VRG pago + valor do bem vendido ˃ VRG contratual = o arrendatário tem direito à diferença

*VRG pago + valor do bem vendido ˂ VRG contratual = o arrendatário não tem direito à
diferença

- leasing financeiro: o VRG é um valor mínimo em favor do arrendador para recuperar o custo
realizado com a aquisição do produto; garantia caso o arrendatário não exerça a opção de
compra (Portaria 564/78 do Ministério da Fazenda)
- equilíbrio econômico-financeiro do contrato, confiança, boa-fé
- redução dos custos financeiros, do spread bancário e da taxa de juros

FACTORING

FACTORING – RESPONSABILIDADE DA FATURIZADA

STJ

- a faturizada não responde pela solvência do devedor (diferente do contrato de desconto


bancário)
- a faturizada responde pela existência do crédito (artigo 295/CC)

*se um título de crédito foi cedido para uma empresa de factoring, o devedor pode
opor à faturizadora exceções pessoais ao beneficiário original, ainda que o sacado tenha
eventualmente aceitado o título de crédito; Na operação de factoring, há verdadeira cessão
de crédito, e não mero endosso, razão pela qual fica autorizada a discussão da causa debend
(artigo 294 do CC); a faturizadora não pode ser equiparada a um terceiro de boa-fé porque ela
tem uma relação mais profunda com a
faturizada, devendo fazer uma análise do crédito que lhe está sendo transferido.

** É desnecessária a notificação de emitente de cheque com cláusula “à ordem”, para que


o faturizador que tenha recebido a cártula por meio de endosso possa cobrar o crédito
decorrente de operação de factoring
- cláusula “não à ordem” depende de previsão expressa no título: cessão civil – necessária a
notificação do emitente (artigo 290 do CC)

194
PROPRIEDADE INDUSTRIAL

IMPORTAÇÃO PARALELA

É a importação realizada por importador/distribuidor não exclusivo da marca.


É admitida se houver o consentimento do titular da marca (artigo 132, III/LPI).

STJ

- o titular da marca pode impedir a importação paralela (salvo se necessário fornecer


determinados produtos à população, estimular a concorrência e evitar a formação de
monopólios ou atender certas áreas de consumo)
- o princípio da exaustão (após a primeira venda do produto, o direito sobre a marca se esgota,
de modo que o titular não pode mais invocar o direito de exclusividade para impedir vendas
subseqüentes) não se aplica ao mercado internacional

PROPAGANDA COMPARATIVA

É forma de publicidade na qual se compara, explícita ou implicitamente, produtos ou serviços


concorrentes, a fim de conquistar a escolha do consumidor.

STJ

*É lícita se:
- a comparação tiver por objeto principal o esclarecimento do consumidor
- as informações sejam verdadeiras, objetivas, não induzam o consumidor a erro, não depreciem
o produto ou a marca, tampouco sejam abusivas (artigo 37, 2º/CDC)
- os produtos e marcas comparados não sejam passíveis de confusão

MARCA EVOCATIVA

É aquela que remete ao próprio nome do produto ou serviço (contém uma palavra de uso
comum).

STJ

- a exclusividade é mitigada, sob pena de prejudicar a concorrência e o mercado de consumo

195
PATENTE PIPELINE

É a patente de substância contida em fórmula de produto final em fase de desenvolvimento.

STJ

- não se submete ao artigo 8º/LPI

FRANQUIA

FRANQUIA

STJ – INF 591

*A franquia não é um contrato de consumo (regido pelo CDC), mas, mesmo assim, é um
contrato de adesão.

*Segundo o art. 4º, § 2º da Lei nº 9.307/96, nos contratos de adesão, a cláusula compromissória
só terá eficácia se o aderente:

-tomar a iniciativa de instituir a arbitragem; ou

-concordar, expressamente, com a sua instituição, por escrito, em documento anexo ou em


negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa cláusula.

*Assim, é possível a instituição de cláusula compromissória em contrato de franquia, desde


que observados os requisitos do art. 4º, § 2º, da Lei nº 9.307/96.

SOCIEDADE ANÔNIMA

DISSOLUÇÃO PARCIAL DA SOCIEDADE ANÔNIMA


QUE NÃO ESTÁ GERANDO LUCROS

STJ – INF 595

*É possível que sociedade anônima de capital fechado, ainda que não formada por
grupos familiares, seja dissolvida parcialmente quando, a despeito de não atingir seu fim –
consubstanciado no auferimento de lucros e na distribuição de dividendos aos acionistas –,
restar configurada a viabilidade da continuação dos negócios da companhia.

196
DIREITO ELEITORAL

ASPECTOS CONSTITUCIONAIS

PREFEITO ITINERANTE

STF

- artigo 14, 5º/CF: a proibição da segunda reeleição é absoluta


- desvio de finalidade, visando a monopolização do poder local
- princípio republicano exige temporariedade e alternância do exercício do poder (impede a
perpetuação de pessoa ou grupo no poder)

*mudança de jurisprudência no curso do pleito eleitoral ou logo após o seu encerramento


somente tem eficácia sobre outras situações em eleição posterior (segurança jurídica/ princípio
da confiança)

REDISTRIBUIÇÃO DE VAGAS DE DEPUTADO FEDERAL PELO TSE

STF

- artigo 1º, parágrafo único/LC 78/93 e Resolução 23389/13 do TSE são inconstitucionais
(violação ao artigo 45, parágrafo 1º/CF)
- CF: número de Deputados Federais – LC (a LC 78 não poderia ter delegado essa atribuição ao
TSE)
- a LC 78/93 não estabeleceu critérios nítidos e exatos
- a fixação total do número de deputados não é matéria a ser tratada na via administrativa,
sendo o Parlamento o local próprio para discussão
- a LC 78/93 suprimiu uma prerrogativa constitucional do Parlamento – violação ao princípio
da separação de poderes
- natureza eminentemente política da matéria (só pode ser versado por instrumento legal de
hierarquia superior)

*não houve violação ao artigo 4º, 2º/ADCT: norma transitória de eficácia exaurida só valia para
proteger o mandato vigente à época da promulgação da CF/88

*Decreto Legislativo 424/13: inconstitucional:


- publicado há menos de um ano das eleições de 2014 – violação ao artigo 16/CF
- artigo 49, V: competência do Congresso Nacional para sustar atos do Poder Executivo (não
pode ser estendida ao Poder Judiciário por interpretação extensiva)
- violação independência do Poder Judiciário (cláusula pétrea)

197
INELEGIBILIDADE REFLEXA – APLICAÇÃO ÀS ELEIÇÕES SUPLEMENTARES

STF

As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º, da CF, inclusive quanto ao prazo de
seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares (convocadas na hipóteses de cassação do
mandato do titular e do vice).

*Exceção à regra do artigo 14, 7º da CF: Os parentes (ou cônjuge) podem concorrer nas eleições,
desde que o titular do cargo tenha direito à reeleição e não concorra na disputa (os parentes
ou o cônjuge não terão direito à reeleição); não se aplica à hipótese de cassação do mandato,
pois nesse caso o titular de tornou inelegível (artigo 1º, I, c da LC 64/90).

** O candidato que obtém o deferimento do registro de sua candidatura no juízo eleitoral de


primeiro grau, mas, depois de eleito, tem o registro indeferido pelo TSE, não deve indenização
à União por gastos decorrentes de eleição suplementar. Entende-se que, neste caso, o
candidato, ao tentar concorrer mesmo tendo sido impugnado, age no exercício regular de um
direito, conduta que não configura ato ilícito indenizável (art. 188, I, do CC).

ASPECTOS LEGAIS – LEI 9504/97

PROPAGANDA ELEITORAL

STF

*artigo 47, 2º da Lei 9504/97: CONSTITUCIONAL


- é inconstitucional excluir partidos sem representação na Câmara, mas constitucional atribuir-
lhes tratamento diferenciado
- os partidos são iguais no plano da legalidade, mas não são materialmente iguais (do ponto
de vista político/jurídico ou da representação política)

*artigo 47, 2º, II: CONSTITUCIONAL


- a representatividade do Parlamento não está atrelada à legenda partidária
- voto em favor do candidato
- liberdade constitucional de criação dos partidos políticos (artigo 17/CF)/representatividade
do partido que já nasce com representantes parlamentares

*artigo 45, 6º: CONSTITUCIONAL


- não violação ao caráter nacional dos partidos: a permissividade do dispositivo é vinculada à
existência de coligação em âmbito nacional

198
INCONSTITUCIONALIDADE DAS DOAÇÕES FEITAS POR PESSOAS JURÍDICAS

STF

*Violação ao regime democrático e à cidadania

*Pessoa jurídica não exerce cidadania


-o exercício de cidadania, em sentido estrito, pressupõe três modalidades de atuação física:
a) o “jus sufragius”: direito de votar;
b) o “jus honorum”: o direito de ser votado; e
c) o direito de influir na formação da vontade política por meio de instrumentos de democracia
direta como o plebiscito, o referendo e a iniciativa popular de leis.

*Doações feitas por pessoas jurídicas inflacionam o preço das campanhas


-a participação de pessoas jurídicas apenas encarece o processo eleitoral, sem oferecer,
como contrapartida, a melhora e o aperfeiçoamento do debate; esse aumento dos custos de
campanhas não é acompanhado do aprimoramento do processo político, com a veiculação de
ideias e de projetos pelos candidatos; na verdade, o que se observa é que os candidatos que
gastam maiores recursos em suas campanhas possuem, em geral, maior êxito nas eleições.

*Desequilíbrio da competição e violação do princípio da igualdade


- o êxito das eleições atualmente depende mais dos recursos despendidos nas campanhas
do que das plataformas e ideias políticas; essa realidade é muito nociva porque faz com que
grande parte da população fique desestimulada a disputar os pleitos eleitorais já que não teria
condições econômicas de ter sucesso.
- o art. 24 da Lei das Eleições proíbe que determinadas pessoas jurídicas façam doações; como
resultado dessa proibição, o que se observava, na prática, é que apenas as empresas privadas
(que se destinam ao lucro) faziam doações, isso representava um tratamento desigual entre as
próprias pessoas jurídicas, já que as empresas privadas poderiam doar e as entidades sem fins
lucrativos e os sindicatos não.

INCONSTITUCIONALIDADE DAS DOAÇÕES ANÔNIMAS

STF

* O Plenário deferiu pedido de medida cautelar na ADI para suspender, até o julgamento
final da ação, a eficácia da expressão “sem individualização dos doadores”, constante da parte
final do § 12 do art. 28 da Lei nº 9.504/1997, acrescentado pela Lei 13.165/2015. Além disso,
conferiu, por maioria, efeitos “ex tunc” à decisão (válida para as eleições de 2016).

199
- a parte final do § 12 do art. 38 da Lei nº 9.504/97, acrescentado pela Lei nº 13.365/2015,
suprime a transparência do processo eleitoral, frustra o exercício da fiscalização pela Justiça
Eleitoral e impede que o eleitor exerça, com pleno esclarecimento, seu direito de escolha
dos representantes políticos; isso atenta contra a arquitetura republicana e a inspiração
democrática que a Constituição Federal imprime ao Estado brasileiro
- sem as informações necessárias, entre elas a identificação dos particulares que contribuíram
originariamente para os partidos e candidatos, o processo de prestação de contas perde a
sua capacidade de documentar a real movimentação financeira, os dispêndios e os recursos
aplicados nas campanhas eleitorais, impedindo a fiscalização por parte da Justiça Eleitoral e
o controle pelos eleitores; as informações sobre as doações de particulares a candidatos e a
partidos não interessam apenas à Justiça Eleitoral, mas à sociedade como um todo.
- a identificação dos particulares que fizeram doações eleitorais é informação essencial para
que se possa constatar se as doações provêm de fontes lícitas e se respeitam os limites máximos
de valor previstos no art. 23 da Lei nº 9.504/97.
- o acesso a esses dados ainda propicia o aperfeiçoamento da própria política legislativa de
combate à corrupção eleitoral, ajudando a denunciar as fragilidades do modelo e a inspirar
propostas de correção futuras.

CONSTITUCIONALIDADE DAS NOVAS REGRAS SOBRE DEBATES ELEITORAIS

STF

I - É constitucional o art. 46 da Lei nº 9.504/97, com redação dada pela Lei nº 13.165/2015,
que prevê que as emissoras de rádio e TV somente são obrigadas a convidar para participar
dos debates eleitorais os candidatos dos partidos que tenham representação na Câmara
superior a 9 Deputados Federais. Esta regra não viola os princípios da proporcionalidade e da
razoabilidade.
- o direito de participação em debates eleitorais diferentemente da propaganda eleitoral
gratuita no rádio e na TV não tem assento constitucional e, por essa razão, pode sofrer restrição
maior por parte do legislador, em razão do formato e do objetivo desse tipo de programação.

II - Os candidatos aptos não podem deliberar pela exclusão dos debates de candidatos cuja
participação seja facultativa, quando a emissora tenha optado por convidá-los.
- interpretação conforme ao § 5º do art. 46: a previsão de que os candidatos aptos (mínimo de
2/3) poderão definir “o número de participantes” só vale caso eles queiram incluir os candidatos
inaptos e não convidados. Esta previsão não vale para impedir (vetar) que a emissora convide
os demais candidatos com menos de 10 Deputados Federais (só deve valer para tornar o
debate político mais plural e não para restringi-lo).

200
III - As emissoras de rádio e TV possuem a faculdade de convidar outros candidatos não
enquadrados no critério do caput do art. 46, independentemente de concordância dos
candidatos aptos, mas esse convite deverá ser feito conforme critérios objetivos, que atendam
os princípios da imparcialidade e da isonomia e o direito à informação, a ser regulamentado
pelo Tribunal Superior Eleitoral.

CONSTITUCIONALIDADE DAS NOVAS REGRAS SOBRE HORÁRIOS DA PROPAGANDA


ELEITORAL GRATUITA

STF

É constitucional o § 2º do art. 47 da Lei nº 9.504/97, com redação dada pela Lei nº 13.165/2015,
que prevê que os horários reservados à propaganda de cada eleição serão distribuídos entre os
partidos e coligações proporcionalmente com base no número de representantes na Câmara
dos Deputados.
- essa distinção não pode ser considerada odiosa (arbitrária), considerando que o critério
para conferir maior tempo é baseado nos partidos que possuem maior legitimidade popular
(maior número de Deputados Federais, ou seja, de “representantes do povo”) e, por outro lado,
nenhum partido fica sem participação.
- eleições majoritárias – soma seis maiores partidos: este critério tem como objetivo garantir
um equilíbrio na distribuição do tempo de horário eleitoral gratuito. A finalidade é evitar
que uma só coligação, se for muito grande (ex: formada por 10 grandes e médios partidos)
fique com praticamente todo o tempo ou tenha um tempo muito maior do que os outros
candidatos.

ASPECTOS LEGAIS – LEI 9096/95

PERDA DO MANDATO POR INFIDELIDADE PARTIDÁRIA NÃO SE APLICA A CARGOS ELETIVOS


MAJORITÁRIOS

STF

*Cargo eletivo majoritário: NÃO


- soberania popular
- os eleitores votam no candidato e não no partido político (não importa o quociente eleitoral/
partidário)

*Cargo eletivo proporcional: SIM


- o mandato parlamentar pertence ao partido político
- procedimento para a perda do mandato: Resolução 22.610/07 do TSE (inconstitucional nos
trechos que se refere à cargos majoritários)

201
CONSTITUCIONALIDADE DA LEI 13107/2015 – PRAZO PARA FUSÃO E INCORPORAÇÃO DE
PARTIDOS POLÍTICOS

STF

- a liberdade de criação, fusão, extinção e incorporação de partidos políticos não é absoluta,


sendo possível haver um controle quantitativo e qualitativo pelo Poder Judiciário
- há agremiações intituladas formalmente como partidos políticos sem qualquer substrato
eleitoral; essas legendas estão habilitadas a receber parcela do fundo partidário e a disputar
tempo de televisão sem difundir, contudo, ideias e programas; elas atuam para defender
outros interesses partidários, especialmente para obtenção de vantagens particulares para os
seus dirigentes.
- a proliferação indiscriminada de partidos sem coerência ou respaldo social causa risco
institucional e ameaça a democracia; pode transformar o sadio pluripartidarismo em caos
político.
- a exigência de que os apoiadores do novo partido não sejam filiados a partidos políticos está
de acordo com o sistema representativo.
- a exigência de 5 anos para se levar a efeito fusões e incorporações entre partidos assegura o
atendimento do compromisso do cidadão com a sua opção partidária, o que evita o estelionato
eleitoral ou a reviravolta política contra o apoio dos eleitores, então filiados.

INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 12875/2013

STF

- no nosso sistema proporcional, não há como afirmar, simplesmente, que a representatividade


política do parlamentar está atrelada à legenda partidária para a qual foi eleito, ficando, em
segundo plano, a legitimidade da escolha pessoal formulada pelo eleitor por meio do sufrágio;
o voto do eleitor brasileiro, mesmo nas eleições proporcionais, em geral, se dá em favor de
determinado candidato.
- esta interpretação prestigia, por um lado, a liberdade constitucional de criação de partidos
(artigo 17 da CF) e, por outro, a representatividade do partido que já nasce com representantes
parlamentares.

202
COMPETÊNCIA
STJ – INF 596

*Em regra, as ações tratando sobre divergências internas ocorridas no âmbito do partido
político são julgadas pela Justiça Estadual.

*Exceção: se a questão interna corporis do partido político puder gerar reflexos diretos no
processo eleitoral, então, neste caso, a competência será da Justiça Eleitoral.

ASPECTOS LEGAIS – LC 64/90

MP PODE RECORRER DE SENTENÇA QUE DEFERIU REGISTRO DE CANDIDATURA MESMO


QUE NÃO TENHA APRESENTADO PRÉVIA IMPUGNAÇÃO

STF

- artigo 127/CF: defesa da ordem jurídica e do regime democrático


- matéria de ordem pública; não há preclusão para o MP (proteção de valores da mais elevada
hierarquia constitucional)
- inexistência de lei proibindo a interposição de recurso nesse caso
- MP não é parte interessada, atua como fiscal da legalidade do processo eleitoral
- a súmula 11/TSE aplica-se somente aos partidos políticos

COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO DAS CONTAS DOS PREFEITOS E INELEGIBILIDADE

STF

Para os fins do artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990, a apreciação das
contas de Prefeito, tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas Câmaras
Municipais, com auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer prévio somente
deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos vereadores (art. 31, § 2º da CF/88).
- a Constituição conferiu ao Poder Legislativo a função de controle e fiscalização das contas do
chefe do Poder Executivo (função típica, ao lado da função legiferante)
- esta fiscalização se desenvolve por meio de um processo político-administrativo, que se
inicia no Tribunal de Contas, que faz uma apreciação técnica das contas e emite um parecer.
No entanto, a decisão final cabe ao Poder Legislativo. A Câmara dos Vereadores representa
a soberania popular e os contribuintes e, por isso, tem a legitimidade para este exame. Vale
ressaltar que a Câmara Municipal tem, inclusive, poder de verificar a ocorrência de crimes de
responsabilidade praticados pelo Prefeito, inclusive quanto à malversação do dinheiro público,
nos termos do Decreto-lei 201/1967.

203
*Contas de governo ≠ contas de gestão
- contas de governo (contas de desempenho/de resultado): o administrador tem como objetivo
demonstrar que cumpriu o orçamento dos planos e programas de governo; são referentes à
atuação do chefe do Poder Executivo como agente político – competência da respectiva Casa
Legislativa, após parecer prévio do Tribunal de Contas (artigo 71, I c/c 75, caput da CF)
- contas de gestão (contas de ordenação de despesas): tem como objetivo avaliar não os gastos
globais do governante, mas sim cada um dos atos administrativos que compõem a gestão
contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do ente público; são referentes à
atuação do chefe do Poder Executivo como administrador público – competência do Tribunal
de Contas sem a participação da Casa Legislativa (artigo 71, II c/c 75, caput da CF).

**Demora da Câmara Municipal para apreciar o parecer do Tribunal de Contas exarado pela
rejeição
- 1ª corrente: o parecer prévio do Tribunal de Contas que rejeita as contas do Prefeito deverá
produzir efeitos até que a Câmara Municipal expressamente o afaste, pelo voto de 2/3 dos
Vereadores. Assim, se há demora no julgamento pela Câmara Municipal e o parecer foi pela
reprovação das contas, este Prefeito está inelegível. (posição defendida pela maioria dos
Tribunais de Contas e do Ministério Público eleitoral)
- 2ª corrente: o parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente
opinativa. Não tem caráter decisório. Logo, enquanto não houver o julgamento pela Câmara
Municipal rejeitando as contas do Prefeito, não está caracterizada a inelegibilidade prevista no
artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990. Enquanto não houver votação na
Câmara, as contas ainda não foram julgadas, de forma que não se pode dizer que elas já tenham
sido rejeitadas. A interpretação de que o parecer do Tribunal de Contas é conclusivo e produz
efeitos imediatos e permanentes caso a Câmara Municipal não o examine no prazo ofende a
regra do art. 71, I, da CF/88. Não existe julgamento ficto das contas por demora da Câmara em
apreciá-las: 1) isso representaria uma delegação ao Tribunal de Contas, órgão auxiliar, de uma
competência constitucional que é própria das Câmaras Municipais; 2) estaria sendo criada
uma sanção aos Prefeitos pelo decurso de prazo, inexistente na Constituição (STF).

*** Se o parecer do Tribunal de Contas for pela rejeição, mas a Câmara Municipal decidir aprovar
as contas do Prefeito, afasta-se a sua inelegibilidade (ele poderá concorrer). No entanto, os
fatos apurados no processo político-administrativo pela Corte de Contas podem dar ensejo à
responsabilização civil, criminal ou administrativa do chefe do Poder Executivo, medidas que
poderão ser tomadas pelo Ministério Público.

204
DIREITO AMBIENTAL

CONSTRUÇÃO DE HIDRELÉTRICA E PREJUÍZO AOS PESCADORES ARTESANAIS DO LOCAL


STJ

O pescador profissional artesanal que exerça a sua atividade em rio que sofreu alteração da
fauna aquática após a regular instalação de hidrelétrica (ato lícito) tem direito de ser indenizado,
pela concessionária de serviço público responsável, em razão dos prejuízos materiais
decorrentes da diminuição ou desaparecimento de peixes de espécies comercialmente
lucrativas paralelamente ao surgimento de outros de espécies de menor valor de mercado,
circunstância a impor a captura de maior volume de pescado para a manutenção de sua renda
próxima à auferida antes da modificação da ictiofauna.

* O ordenamento jurídico confere especial proteção aos pescadores artesanais, garantindo-


lhes as condições mínimas de subsistência na época do defeso (seguro-defeso), bem como
uma Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável que leve em conta suas peculiaridades
e necessidades (Lei 10779/03). A situação seria diferente se fosse pesca industrial ou amadora.

**Danos morais: A indenização por danos morais decorrentes de dano ambiental tem como
objetivo evitar ou eliminar fatores que possam causar riscos intoleráveis.
- risco permitido (atividade lícita e de interesse público)
- EIA/RIMA e cumprimento de todas as condicionantes, inclusive a recomposição do meio
ambiente mediante a introdução de espécies mais adaptadas à vida no lago da hidrelétrica
- não houve suspensão da atividade pesqueira, ainda que tenha se tornado menos vantajosa
- nem toda alteração do meio ambiente caracteriza poluição
- supremacia do interesse público e função social da propriedade

***Cabe indenização por danos morais a pescadores que tiveram impedida ou gravemente
prejudicada a sua atividade em decorrência de poluição causada por acidente ambiental.

****Responsabilidade por atos lícitos: fundamento – princípio da isonomia - se deve indenizar


o sacrifício que uma ou algumas pessoas suportaram a fim de que o Estado pudesse realizar
uma atividade legítima de interesse público. O objetivo é manter o equilíbrio econômico do
patrimônio da pessoa afetada. É necessário que o fato ou ato lesivo seja a) certo; b) especial
(o dano foi a uma pessoa ou grupo de pessoas e não um prejuízo generalizado para toda a
sociedade. Se alcançasse a todos os cidadãos configuraria ônus comum à vida em sociedade,
repartindo-se, então, generalizadamente entre seus membros); c) anormal (aquele que supera
os incômodos e inconvenientes comuns); d) causado dano a uma situação jurídica legítima da
vítima.

205
PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E CAMPO ELETROMAGNÉTICO

STJ

No atual estágio do conhecimento científico, que indica ser incerta a existência de efeitos
nocivos da exposição ocupacional e da população em geral a campos elétricos, magnéticos
e eletromagnéticos gerados por sistemas de energia elétrica, não existem impedimentos,
por ora, a que sejam adotados os parâmetros propostos pela Organização Mundial de Saúde
(OMS), conforme estabelece a Lei nº 11.934/2009
- distribuição de energia elétrica X direito à saúde

*Princípio da precaução:
- tem origem na “Carta Mundial da Natureza”, de 1982, cujo princípio n. 11, “b”, estabeleceu
a necessidade de os Estados controlarem as atividades potencialmente danosas ao meio
ambiente, ainda que seus efeitos não fossem completamente conhecidos;
- Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92);
- contido implicitamente no art. 225, § 1º, IV e V da CF
- o princípio da precaução é um critério de gestão de risco a ser aplicado sempre que existirem
incertezas científicas sobre a possibilidade de um produto, evento ou serviço desequilibrar o
meio ambiente ou atingir a saúde dos cidadãos, o que exige que o Estado analise os riscos,
avalie os custos das medidas de prevenção e, ao final, execute as ações necessárias, as quais
serão decorrentes de decisões universais, não discriminatórias, motivadas, coerentes e
proporcionais;
- não há vedação ao controle jurisdicional das políticas públicas quanto à aplicação do
princípio da precaução, desde que a decisão judicial não se afaste da análise formal dos limites
desse conceito e que privilegie a opção democrática das escolhas discricionárias feitas pelo
legislador e pela Administração Pública.

VAQUEJADA

STF – Inf 842

É inconstitucional a prática da vaquejada. Os animais envolvidos nesta prática sofrem


tratamento cruel, razão pela qual esta atividade contraria o art. 225, § 1º, VII, da CF/88.
A obrigação de o Estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais, incentivando a
valorização e a difusão das manifestações, não prescinde da observância do disposto no inciso
VII do § 1º do art. 225 da CF/88, que veda práticas que submetam os animais à crueldade.

OBS: Foi publicada na data de 07/06/2017 mais uma emenda constitucional. Trata-se da EC
96/2017, que acrescenta o § 7º ao art. 225 da CF/88:

206
Não se consideram cruéis as práticas desportivas que utilizem animais, desde que sejam
manifestações culturais, registradas como bem de natureza imaterial integrante do
patrimônio cultural brasileiro, devendo ser regulamentadas por lei específica que assegure
o bem-estar dos animais envolvidos.

PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO E CAMPO ELETROMAGNÉTICO

STJ

No atual estágio do conhecimento científico, que indica ser incerta a existência de efeitos
nocivos da exposição ocupacional e da população em geral a campos elétricos, magnéticos
e eletromagnéticos gerados por sistemas de energia elétrica, não existem impedimentos,
por ora, a que sejam adotados os parâmetros propostos pela Organização Mundial de Saúde
(OMS), conforme estabelece a Lei nº 11.934/2009
- distribuição de energia elétrica X direito à saúde

*Princípio da precaução:
- tem origem na “Carta Mundial da Natureza”, de 1982, cujo princípio n. 11, “b”, estabeleceu
a necessidade de os Estados controlarem as atividades potencialmente danosas ao meio
ambiente, ainda que seus efeitos não fossem completamente conhecidos;
- Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92);
- contido implicitamente no art. 225, § 1º, IV e V da CF
- o princípio da precaução é um critério de gestão de risco a ser aplicado sempre que existirem
incertezas científicas sobre a possibilidade de um produto, evento ou serviço desequilibrar o
meio ambiente ou atingir a saúde dos cidadãos, o que exige que o Estado analise os riscos,
avalie os custos das medidas de prevenção e, ao final, execute as ações necessárias, as quais
serão decorrentes de decisões universais, não discriminatórias, motivadas, coerentes e
proporcionais;
- não há vedação ao controle jurisdicional das políticas públicas quanto à aplicação do
princípio da precaução, desde que a decisão judicial não se afaste da análise formal dos limites
desse conceito e que privilegie a opção democrática das escolhas discricionárias feitas pelo
legislador e pela Administração Pública.

207