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Testando transistores com multímetro digital

Tratarei aqui apenas dos transistores bipolares que, para


efeito do teste com o multímetro digital, pode ser
interpretado como dois diodos na forma mostrada nas figuras
abaixo.

Simução de um transistor NPN com diodos

Simulção de um transistor PNP com didos

Considerando-se então as figuras podemos não só testar um


transistor bipolar utilizando a função de diodos do multímetro
digital bem como descobrir os terminais correspondentes a
base, emissor e coletor caso você não saiba ou não tenha
o data sheet do mesmo a mão para lhe dar uma ajudinha.

Se você já sabe a posição dos terminais não há nenhuma


dificuldade para realizar o teste. O terminal de referência
deve ser sempre a base.
Observação importante sobre a simulação didátca de transistores com didos

Acompanhe na figura abaixo o exemplo para o teste de um


transistor PNP com um multímetro digital utilizando-se a
escala de diodos.

Teste de um transistor PNP com multímetro digital

Neste caso como sabemos qual a posição da base já iniciamos


com a ponteira preta (negativo) ligada a ela e alternamos a
ponteira vermelha (positiva) entre os terminais emissor e
coletor.

Se o transistor fosse NPN deveríamos ligar a ponteira


vermelha à base e alternar a ponteira preta.
Voltando ao exemplo da figura você deve reparar que a
primeira leitura que corresponde à junção base-emissor deu
ligeiramente maior que a segunda leitura (base-coletor).

Esta diferença nas leituras é muito importante de ser


observada porque será através dela que você poderá
diferenciar entre a junção base-emissor e a junção base-
coletor caso não saiba.

diferença nas leituras base-emissor e base-coletor no multímetro digital

Na maioria dos transistores a junção base-emissor irá


apresentar uma leitura ligeiramente maior que a junção base-
coletor mesmo que seja no último dígito.

Esta não é uma regra geral, podendo não funcionar em um ou


outro transistor onde as leituras podem dar iguais, mas eu
diria que funciona em 99% das vezes o que, convenhamos, é
bem razoável.

A “regra” acima não vale para os multímetros analógicos onde,


em geral, a leitura da junção base-emissor nos mostra uma
resistência um pouco menor que a junção base-coletor.

E se não soubermos de antemão quais são os terminais do


transistor (base-emissor-coletor)?

Bem, neste caso você poderá descobrir por tentativa e erro


realizando as seis combinações possíveis considerando que
temos três terminais e duas medições de cada vez (3×2=6).
O método só não irá funcionar, é claro, se o transistor estiver
defeituoso com junções abertas ou em curto e neste caso só
mesmo o data sheet poderá ajudar.

Na tabela a seguir, obtida do livro Como Utilizar os


Multímetros Digitais de Fábio Serra Flosi (esgotado),
apresento a medição de alguns transistores comerciais bem
fáceis de encontrar no comércio para você praticar.

Tabela com as medidas de alguns transistores

As leituras obtidas poderão variar um pouquinho diferente de


um multímetro para outro, mas com certeza o ajudarão a tirar
suas dúvidas definitivamente.

Casando transistores

Quando estamos reparando amplificadores de áudio


precisamos dar muita atenção à troca dos transistores de
saída e de seus drivers, uma vez que estes transistores são
usados, geralmente, em pares e precisam ter seus parâmetros
o mais próximo possível um do outro ou corremos o risco de
queimá-los novamente com poucos minutos de uso.

Dois transistores com parâmetros bem próximos é o que se


chama de “par casado”.

Se você mora nos Estados Unidos ou na Europa talvez possa


conseguir o par casado original num representante do
fabricante do equipamento, mas se está no Brasil, duvido
muito que consiga.

Neste caso o jeito é comprar um lote de transistores e


providenciar você mesmo a “união matrimonial” dos mesmos.

Não adianta chamar um padre, pois a menos que ele entenda


de eletrônica, não irá realizar o “casamento” dos transistores
e você mesmo terá que realizá-lo.

E aí que entra uma função dos multímetros digitais que não


existe nos analógicos: – a medida do hfe.

O hfe é o parâmetro que nos dá o ganho do transistor e se


você pegar diversos transistores iguais verá que o hfe irá
diferir de um para outro, às vezes, significativamente.

Transistores, embora iguais, podem apresentar uma grande


diversidade de ganhos devido a problemas intrínsecos da
produção.

Eles são separados por lotes e isto costuma ser expresso no


código acrescentando-se mais um número além do código como,
por exemplo, BD135-6, BD135-10 ou BD135-10. Este segundo
digito após o “hífen” nos dá a faixa de hfe a qual ele pertence,
mas mesmo assim podemos notar na tabela a seguir que ainda
temos uma grande variação possível nos valores de hfe.

Tabela com a variação do hfe do BD135

Para resolver o problema você deve, como foi dito, escolher os


transistores a dedo usando a função de medição de hfe.

Como estamos querendo casar transistores o que importa é


conseguir pares que apresentem ganhos o mais próximo
possível um do outro.

Transistores digitais: como testá-los

Estes transistores surgiram na década de 90 e possuem


internamente um dois resistores necessários a sua polarização
evitando-se assim que estes resistores sejam colocados
externamente.

Funcionam como chaves digitais em dois estados: on e off.

Quase sempre são do tipo SMD, mas é preciso que fique claro
que um transistor SMD não é, necessariamente, um transistor
digital.

Costumam ser designados pelos prefixos DTA, DTB, DTC e


DTD, mas isto pode variar dependendo do fabricante.

Olhando para eles não dá para adivinhar se um transistor


digital ou bipolar convencional.
Abaixo temos um esquema mostrando uma configuração muito
comum para transistores digitais, neste caso, NPN, mas
poderia ser PNP.

Configuração de um transistor digital

Os resistores, em geral, são de 47kohms, mas outros valores


podem ser encontrados também.

O teste estático deste transistores provavelmente não


ajudará muito a chegar a uma conclusão sobre o seu estado,
pois os resistores internos influenciarão na leitura.

Aliás, isto também costuma acontecer com alguns transistores


utilizados como saída horizontal nas antigas tvs de CRT, pois
alguns deles possuem um diodo interno entre coletor e emissor
e, às vezes, um resistor na base.

Entretanto, como a principal falha destes transistores é o


curto entre terminais não é difícil constatar se o saída
horizontal está defeituoso ou não.

Já no caso dos digitais, a melhor opção é o teste dinâmico, ou


seja, verificar o comportamento dele no circuito.

Se o pino correspondente à entrada estiver em nível alto o


pino da saída deverá estar em nível baixo e vice-versa.
Para complementar este post sugiro a leitura de Testando
Transistores Bipolares e digitais no circuito aqui no site.

Por enquanto é só e até sempre.

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Testando Transistores Bipolares e


digitais: – no circuito!
22/02/2014Paulo BritesEletrônica Reparação

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Testando Transistores Bipolares e digitais: – no circuito!

Todo técnico reparador está careca de saber testar


transistores bipolares com um multímetro digital, nem sempre
confiável para esta aplicação, ou com um bom analógico
(espécime em extinção).

Sendo assim, não pretendo tratar neste post destas técnicas


utilizadas que, certamente, já estão na veia do técnico (ou
deveriam estar).
Entretanto, estas técnicas (antigas) podem funcionar se o
“bichinho” puder ser retirado do circuito, caso contrário, as
medidas obtidas poderão atrapalhar mais do que ajudar.

Eu sempre faço o seguinte: executo as medidas pelo


método (convencional) das resistências das junções, seja com
o digital (escala de diodos) ou analógico (escalas ôhmicas), se
elas me derem os resultados previstos, até prova em
contrário, eu acredito neles.

E se não derem os resultado previstos?

Bem, aí o bicho pega e o jeito é tirar o “suspeito” da PCI e


testá-lo fora da “contaminação” dos demais componentes do
circuito.

Muito fácil, se não se tratar de um


famigerado espécime SMD, pois aí o risco de destruí-lo antes
de conseguir medir se torna bem grande e neste caso você
acabou de destruir a “prova” que até então era apenas
circunstancial.

Outra situação muito comum atualmente é que o transistor,


além de SMD, pode ser do tipo conhecido como transistor
digital que contém internamente resistores de polarização.

Repare que neste caso não se tem acesso direto a junção


base-emissor e, portanto a medição pelo método convencional
fica comprometida.
Como testar transistores bipolares (não digitais) sem
retirá-los da PCI

Primeiramente será necessário que a placa esteja energizada,


ou seja, em vez de medidas resistivas, faremos medidas de
tensão. Antes que você argumente que não tem o esquema ou
que o mesmo não apresenta valores de tensão vou contra
argumentar dizendo que se soubermos como um transistor
funciona seremos capazes de chegar a algumas conclusões
mesmo sem estas informações.

Comecemos analisando os casos dos transistores bipolares


“convencionais” e numa segunda etapa trataremos dos digitais.

1º caso: Uma falha muito comum nos bipolares – Fuga


na junção base-coletor

Se houver uma fuga entre a junção base-


coletor teremos uma corrente indesejável fluindo através
desta junção a qual irá fluir também na junção base-emissor
que provocará um aumento na corrente de coletor e que não
foi previsto originalmente no projeto. Se a corrente de
coletor aumenta temos uma queda de tensão maior no resistor
RC fazendo com que a tensão entre coletor e terra diminua
tendendo a levar o transistor à saturação e a consequente
distorção do sinal amplificado o que pode ser verificado com
um osciloscópio. Para comprovar esta fuga podemos proceder
da seguinte maneira:
1) Medimos a queda de tensão sobre o resistor no coletor
(R C). Cuidado: Não é para medir a tensão entre coletor e terra
e sim sobre o resistor no coletor.

2) O próximo passo será interromper a


ligação do resistor R B2 junto a base e provocar um curto entre
base e emissor o que deverá levar o transistor ao corte e por
conseguinte a corrente de coletor deverá ir a zero e a tensão
sobre R Ctambém deverá ser zero.

Se a tensão sobre R C não cair a zero significa que há uma


corrente fluindo pelo resistor e só pode ser uma corrente de
fuga da junção coletor-base uma vez que forçamos o
transistor a ir para o corte quando colocamos a junção base-
emissor em curto.

Dividindo-se o valor da tensão medida sobre RC pelo valor do


resistor obteremos o valor da corrente de fuga. Em condições
normais (sem fuga) esta corrente deverá ser da ordem de
micro ampères.

2º caso: Junção coletor-emissor em curto

Se a junção coletor-emissor estiver em curto o transistor se


comportará como se estivesse saturado e neste caso a tensão
entre coletor e emissor deverá ser próxima de zero volt.

Portanto, se aplicarmos um curto entre base e emissor, como


sugerido no procedimento anterior, e não percebemos
alteração na tensão medida entre coletor e emissor significa
que a junção base-emissor (ou algum capacitor em paralelo)
deve estar em curto.

3º caso: Junção base-emissor aberta

Agora passamos a medir a queda de tensão no resistor R B1 e se


não obtivermos nenhuma medida podemos concluir que a
junção base-emissor deve estar aberta.

4º caso: Junção coletor-base aberta

Em condições normais a tensão base-emissor deve ficar em


torno de 0,6V.

Entretanto, se medirmos este valor de tensão, e mesmo assim


a queda de tensão sobre o resistor R C for muito baixa isto
indica não há corrente de coletor e, portanto a junção base-
coletor deve estar aberta.

Com estes procedimentos podemos tirar conclusões sobre o


estado de “saúde” do transistor, nunca descartando os
problemas “colaterais” como trilhas partidas, solda fria,
capacitores ou cola “assassina” sob os componentes.

Testando os transistores digitais

Passemos agora, como prometido, ao caso dos transistores


digitais.

A primeira coisa que devemos ter em mente é que neste caso


não faz sentido falar em base e sim, em entrada ou input.

Então, pra não fugir do nosso principio de que saber a teoria é


importante: – qual a função de um transistor digital?
Se você não lembra (ou não sabe) aqui vai resposta: –
funcionar como uma chave aberta ou fechada.

Portanto, se temos nível alto na entrada o transistor estará


saturado e devemos ter zero volt na saída indicando chave
está fechada.

Por outro lado, se temos nível baixo na entrada o transistor


fica cortado não havendo corrente de coletor e a tensão na
saída deverá ser muito próxima da tensão da fonte que
alimenta o circuito, ou seja, chave aberta. Suponhamos que
você mediu 5 V na entrada do transistor (nível alto) e zero
volt (ou quase) na saída (nível baixo).

Agora, provoque um curto entre a entrada e o terra e se o


transistor estiver funcionando como manda o figurino a tensão
na saída deverá subir indicando que o transistor chaveou e,
portanto está bom.

Mas, e se a entrada já estiver em nível baixo? Neste caso,


primeiro verifique se saída está em nível alto. Se estiver, bom
sinal. Entretanto, para confirmar o funcionamento do
transistor precisamos abrir o circuito na entrada (colocar em
nível alto) e verificar se a saída vai a zero.

Se a saída for a zero, o transistor está funcionando como


uma chave digital.

Conclusão

Se pararmos para pensar friamente trabalhar com PCIs com


transistores SMD é até bem melhor que com as antigas placas,
pois não precisam ficar virando de um lado para o outro para
seguir trilhas e fazer medições uma vez que está tudo de um
lado só.

Na vida é assim.

Se você tem um limão azedo talvez seja melhor fazer uma


limonada do que ficar reclamando que é azedo.

Até sempre.

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Testando transistores digitais


28/08/2016Paulo BritesEletrônica Básica • Eletrônica Reparação

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Testando transistores digitais

No post anterior “Transistores digitais, como testá-los” eu


tratei destes “seres” e chamei atenção de que o teste deles
se n se realizado da forma convencional, quer seja com o
multímetro digital ou analógico pode levar a conclusões
“inconclusivas”.

Einstein disse, certa vez, algo mais ou menos assim: –


“problemas novos exigem soluções novas”.
Há uma tendência das pessoas a se acostumarem a resolver as
coisas de uma maneira e não aceitarem mudança.

Os técnicos se habituaram a testar transistores de forma


estática com o multímetro e parece que não conseguiram, até
hoje, entrar no século XXI e se desprender deste método.

Então, lá vai o balde de água fria, isto não funciona mais com
os transistores digitais.

E por que não funciona?

Olhe as duas figuras a seguir e veja as “entranhas” de dois


transistores digitais típicos, sendo um NPN e outro PNP.
Comecemos com o DTA014T que um PNP.

O que você acha que vai acontecer ser aplicar o multímetro


(digital ou analógico) entre o terminal 1 chamado de IN (base)
e os terminais 2 denominado GND (emissor) e 3 que recebe a
“alcunha” de OUT (coletor) .

Observe que, neste caso, entre o terminal 1 (que está


acessível do lado de fora do transistor) não é base
propriamente dita, pois no meio do caminho temos, não uma
pedra, mas um resistor de 10kohms.

Em outras palavras, quando você aplica a ponteira do


multímetro ao terminal 1 você tem um resistor entre ele e a
base e obviamente as medidas encontradas não serão aquelas
as quais você está acostumado.
Agora passemos para o NPN da ROHM denominado DTC124 e
neste caso temos dois resistores. Note que o resistor R2 de
22k (neste caso) está entre a base propriamente dita e o
emissor e, portanto a leitura obtida no multímetro será
influenciada por este resistor que está em paralelo com a
junção base-emissor.

Será que agora você se convenceu que o “método antigo” não


funciona com os transistores digitais?

Há ainda mais uma questão a considerar. A medida estática


com o transistor no circuito poderá sofrer influencias de
componentes periféricos tornando a medida inválida, seja para
um transistor digital ou um “convencional”.

No caso dos transistores “normais” ainda é possível retirá-lo


do circuito ou pelo menos desconectar dois de seus terminais
para fazer medidas a “moda antiga”.

Entretanto se o “suspeito do crime” for um digital ele também


será um SMD e a menos que você tenha alguns anos de
experiência em micro cirurgias, retirar o transistor do
circuito até é possível, o problema é se ele “sairá vivo” depois
da cirurgia.

Acho que está na hora de rever suas práticas e se convencer


definitivamente que consertar os equipamentos modernos
exige conhecimento técnico no que se inclui saber fazer
análise do circuito.

Qual a finalidade de um transistor digital?

Se você respondeu que é funcionar como uma chave já ganhou


um ponto na prova.
Se é uma chave, então quando a “base” (in) está alta o coletor
deverá estar….

E aí, ganhou mais um pontinho? Respondeu “baixa”?

E se a base (in) estiver baixa? Claro que o coletor (out) vai


estar alta, professor!

Agora a questão desafio.

Suponhamos que você mediu a zero volt (ou quase) em “in”


(base) e também mediu zero volt em “out” (coletor).

Você arriscaria dizer que o transistor está defeituoso?

Muita calma nesta hora! É preciso ver onde este “coletor” está
ligado e se este “lugar” não está em curto.

Uma boa dica é desligar o “defunto” da tomada e medir a


resistência ôhmica do “coletor” para terra e ver se vai “dar
ruim”, ou seja, zero ohms ou quase. Se der pode ser que o
transistor possa progredir temporariamente para o regime
“semi aberto”, enquanto você continua investigado o ponto
onde este “coletor” está ligado.

Sempre defendi a ideia que um técnico reparador tem que ter


além de conhecimento, uma veia de Sherlock Holmes, pois um
componente defeituoso é um “meliante” que procura de todo
jeito enganar os investigadores.

Pense nisso antes de sair “derretendo” a PCI do aparelho com


aquele ferro de soldar “old times” de 60W.