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Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Bambu: Uma

Oportunidade Para Empreender

Tema: Sistemas nacionales, regionales y/o locales de innovación.


Categoria: Experiencia empresarial

Edmilson Gomes Fialho Alejandro Luiz Pereira Da Silva


Instituto Do Bambu Instituto Do Bambu
E-mail: edmilsonfialho@uol.com.br E-mail: alejandro@institutodobambu.org.br

Josealdo Tonholo
Universidade Federal De Alagoas
E-mail: tonholo@qui.ufal.br

Resumo:
As dimensões continentais do Brasil permitem uma diversidade ímpar de condições climáticas
e qualidades de solos. Por outro lado, culturas vegetais que apresentem ampla diversificação
de variedades são passíveis de aproveitamento econômico, face à adaptabilidade geográfica.
Estes dois fatores fazem do Brasil um local privilegiado no tocante à implantação de culturas
tropicais e sub-tropiciais, como o que ocorre com a cana de açúcar, p. ex. Infelizmente a
matriz econômica secularmente utilizada é baseada na monocultura, fechando portas para os
potenciais de desenvolvimento passíveis de agregação com a diversificação agrária. A cultura
do Bambu é uma realidade viável em vários países, particularmente alguns andinos e o oriente.
No Brasil, já são conhecidas algumas iniciativas da utilização do bambu de cunho tecnológico
e de criação de negócios, no entanto, para que tais iniciativas não se ressintam de isolamento,
há que se pensar em estabelecer prioridades para programas integrados capazes de gerar maior
sustentabilidade e visibilidade ao seu uso como gerador de trabalho, renda e qualidade de vida,
sempre embutindo um significativo quociente de sustentação: o conhecimento científico e
tecnológico, atrelado à formação de um perfil empreendedor, sagaz por inovação. Desta
forma, foi criado, em dezembro de 2002, o Instituto do Bambu, organização social sem fins
lucrativos, formado a partir de interesses mútuos do Sebrae Alagoas, Sebrae Nacional e
Universidade Federal de Alagoas com o objetivo de dinamizar o desenvolvimento da cadeia
produtiva do Bambu, desde a pesquisa científica e tecnológica até a inovação. Na área
tecnológica, foram desenvolvidas pesquisa de produção de carvão de bambu, carvão ativado,
micropropagação de espécies e fabricação de compósitos, entre outros. Na área social foram
desenvolvidas várias ações, tais como: habitação social, sistema construtivo utilizando painéis
de bambu, embalagens, instrumentos musicais, soluções rurais, tanque rede para criação de
peixe e camarão, moveis e artesanato, além da avaliação dos planos de negócios de
bambuzerias e congêneres, de interesse do Inbambu.

Palavras-chave: Bambu Cadeia Produtiva Inclusão social Incubadora Setorial

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Introdução
As questões que se colocam em torno de projetos de desenvolvimento sustentável são cada vez
mais discutidas em diferentes instâncias nacionais. Há unanimidade na urgência para a
consecução de agendas locais e nacionais na promoção de arranjos produtivos consistentes
capazes de gerar uma melhor distribuição de renda, com respeito ao meio ambiente e foco na
sustentabilidade. Mais que isto, gerar emprego e renda com valor agregado, permitindo
desenvolvimento regional a partir de temáticas que sejam apropriadamente trabalhadas por
todo sistema local de inovação.
Nesse processo torna-se imperativo descobrir vocações locais e transformá-las em iniciativas
produtivas, consistentes e capazes de oferecer oportunidades de trabalho e ganho financeiro
para a sociedade, especialmente suas comunidades mais carentes. Nesse sentido o
adensamento de cadeias produtivas, feitas de forma coerente e consistente, com respeito às
vocações regionais, pode ajudar a desencadear tal processo.
O avanço tecnológico verificado principalmente na indústria vem provocando, no Brasil e no
mundo, um desemprego industrial estrutural. Hoje em dia não se pode mais conceber a
atividade industrial como a grande empregadora de mão-de-obra. Duas atividades atuais têm
assumido esse papel: a proliferação de micro e pequenas empresas, principalmente na área de
serviços, e o agronegócio. Neste sentido, há um crescente aumento da utilização do bambu
como matéria-prima para diferentes negócios, particularmente no oriente.
No Brasil, as condições climáticas para o plantio podem ser consideradas favoráveis,
permitindo o cultivo e manejo de boa parte da 1200 variedades da planta encontradas no
mundo. Em vários países o uso do bambu já é uma realidade economicamente viável.
Aqui mesmo no Brasil já são conhecidas iniciativas com o intuito de criar negócios com esse
tipo de material. Pode-se citar duas iniciativas entre outras: A primeira delas tem o cunho de
investigação e disseminação de novos conhecimentos: Associação Brasileira de Materiais e
Tecnologias não Convencionais, composta por diferentes pesquisadores da PUC-RJ. Uma
segunda iniciativa tem um foco mais prático de criar negócios de cunho social: as
Bambuzerias, com algumas unidades espalhadas pelo território nacional, a partir das
iniciativas do SEBRAE e da Organização Social Bambuzeria Cruzeiro do Sul (Belo Horizonte
-MG). No Estado de Alagoas, as três Bambuzerias existentes são modelo, hoje sob
responsabilidade do Instituto do Bambu.
No entanto, para que tais iniciativas pioneiras não se ressintam de isolamento, há que se pensar
em estabelecer prioridades para programas integrados capazes de gerar maior sustentabilidade
e visibilidade ao seu uso como gerador de trabalho, renda e qualidade de vida, sempre
embutindo um significativo quociente de sustentação: o conhecimento científico e tecnológico,
atrelado à formação de um perfil empreendedor, sagaz por inovação.
O bambu, neste sentido, reveste-se de características intrínsecas que favorecem o modelo de
produção mais limpa, localizada e barata inerente ao desenvolvimento sustentável. Assim
atende às questões econômicas, ecológicas e sociais hoje emergentes no Brasil.
Economicamente, é possível a redução de custos dos produtos que utilizam o bambu como
matéria-prima, especialmente nos casos em que o processamento do bambu represente
utilização de energia (seu processo consome menos energia em relação a outros produtos com

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a mesma finalidade). Também no aspecto econômico existe a possibilidade da criação de
negócios e geração de empregos.
Em termos sociais verifica-se que a utilização do bambu facilita a inserção social de
populações excluídas. Tanto em relação ao seu plantio quanto ao seu processamento,
demandam uma tecnologia de fácil absorção por parte dos trabalhadores. Portanto pode vir a
ser de grande potencial em termos de geração de trabalho e renda. O grande impedimento
ainda é a instalação de uma cultura empreendedora que consiga varrer estes marginalmente
ativos da população. Em termos ecológicos, o bambu ainda é importante na contenção de
encostas, para evitar o processo de erosão e na recuperação de terras inférteis, como filtro
natural de água além de potencialmente útil para biorremediação de solos contaminados. Esta
cultura caracteriza-se, portanto, como economicamente viável, ecologicamente correta e
socialmente justa.

Características da Planta/Plantação
É inegável o paradoxo de que o Brasil, detentor da maior reserva natural de bambu do mundo
(só nos estados do Acre e Amazonas temos aproximadamente 70 mil Km² e 20 mil Km²
respectivamente), seja um dos países que menos utiliza este recurso natural. Na Ásia, cerca de
2,5 bilhões de pessoas são envolvidas de alguma forma com o negócio do bambu e do ratan,
que atinge no seu conjunto uma cifra de US$ 7 bilhões anuais, mesmo considerando o porte da
economia chinesa, de preços administrados.
Esta gramínea vem sendo secularmente utilizada como alimento humano, como forragem
animal, como biomassa energética, como material de construção para múltiplos fins, como
matéria prima industrial de um amplo leque de setores, entre os quais o de celulose e papel e o
de compósitos de madeiras, e através de uma grande diversidade de artesanato e de
manufaturas moveleiras vem nesses países, contribuindo decisivamente na oferta de postos de
trabalho e na elevação e distribuição da renda.
Hoje no Brasil o aproveitamento industrial do bambu se restringe a algumas poucas fábricas
de papel e celulose enquanto que na Índia a quase totalidade destes produtos é obtida a partir
dessa matéria prima.
Embora a grande aptidão da totalidade de nosso território para a produção de bambu e a sua
excelência como material energético, este ativo ambiental não vem sendo em nada usado. Tão
pouco na indústria de compósitos de madeira que entram na pauta de importações de nosso
país para o abastecimento de nossa indústria moveleira e muito menos nos outros diversos e
lucrativos ramos industriais em que pode ser utilizado.
Mesmo sua utilização nos inúmeros aproveitamentos na indústria da construção civil, como é
feito com grande êxito em países vizinhos (Colômbia e Equador), aqui tem sido totalmente
incipiente. Seu aproveitamento na confecção de móveis, artefatos e artesanato, apesar dos
excelentes resultados de geração de emprego e renda que se constatam nestas atividades, com
investimentos baixos e retorno em curto prazo, também não possuem abrangência nacional
relevante.
Ecologicamente tem sido o bambu considerado como uma planta mágica. É com ele que se
obtém no reino vegetal a maior rapidez e produtividade de biomassa. Inclusive é uma das
plantas de maior eficiência no resgate de CO2, podendo, portanto contribuir significativamente
para a diminuição do efeito estufa, e ainda, prestar uma grande diversidade de serviços

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ambientais, como a recuperação de áreas ambientalmente degradadas, o controle da erosão e
do assoreamento de corpos d'água, o enriquecimento físico e químico de solos e outros.
O sub-aproveitamento desse recurso natural não deve ser encarado negativamente, mas como
uma poupança involuntária, ou seja, como uma grande oportunidade que hoje se descortina
nas possibilidades de seus múltiplos aproveitamentos para a geração de riquezas, de postos de
trabalho e de renda, para contribuir decisivamente no esforço que se realiza para o
desenvolvimento econômico, assim como para a inclusão e o resgate da imensa dívida social
brasileira.
Numa avaliação preliminar do Instituto do Bambu, hoje os focos geográficos de interesse para
o desenvolvimento de projetos do bambu no Brasil, esquematizar-se-iam segundo a figura
abaixo. Primeiramente vale destacar, neste esquema gráfico, a visualização de um "triângulo
do bambu" no país, cujos vértices se situariam na Amazônia Ocidental, na Zona da Mata
Nordestina e na Região Sudeste.

Na região Norte, em especial o Acre, destacam-se as maiores reservas naturais em espécies


nativas de bambu do mundo. Já existe aqui uma demanda à geração de energia no que tange à
substituição da matéria-prima convencional (madeira) por biomassa do bambu que está sendo
trabalhada pelo grupo Brennand e Koblitz em Itacoatiara - AM. Acredita-se, porém, frente a
uma vantagem comparativa tão importante como a descrita primeiramente, na existência de
muitas outras possibilidades de aproveitamento industrial deste fabuloso estoque natural. Entre
estas as da produção de celulose e papel e as de substitutivos de compósitos de madeiras sem
detrimento das atividades manuais e manufatureiras.
Observe-se que o aproveitamento do bambu, ao contrário da madeira, não mata a planta, e sim
dentro de um manejo adequado de exploração, esta se revigora, revitaliza-se com a extração de
colmos. É a única espécie madeirável que permite um usufruto continuado e totalmente
renovável.

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Na região Sudeste, principalmente eixo Rio - São Paulo - Minas, o grande atrativo é a
diversidade de espécies, a existência de centros de pesquisa de excelência, do conhecimento
tácito proporcionado por significativas populações originárias do oriente, de uma concentração
de mercado diferenciada e ainda pode ser, o principal lócus de organização de capitais e de
irradiação de informações.
A região da Zona da Mata Nordestina tem como grande potencial e apelo, a oportunidade
histórica de reconversão de áreas da atividade canavieira para a cultura do bambu, tendo como
premissa maior a inclusão social e geração de trabalho e renda aos saídos da cultura da cana-
de-açúcar. Vale destacar também o pioneirismo da já instalada tecnologia em escala industrial,
nesta região, do cultivo do bambu e seu beneficiamento (papel e celulose), liderada pelo
Grupo João Santos (também atuando no Maranhão) e a Indústria Baiana de Papéis. Portanto, é
só nesta região do país que se observam plantações de bambu em grande escala e onde existe
tecnologia para isso.
Nas demais regiões podem ser pontuadas a existência de matéria prima e algumas atividades já
desenvolvidas com bambu. Destaca-se o Mato Grosso do Sul pela ocorrência do guadua
angustifólia, bambu nativo de grande aptidão para a construção civil e o processamento
industrial. Quanto ao beneficiamento, verifica-se o caso de algumas bambuzerias (unidades
produtivas artesanais) em Minas Gerais, no Mato Grosso, no Rio Grande do Sul, etc. Ou seja,
no país o potencial comparativo desta gramínea é enorme e as possibilidades de incremento
tecnológico frente a diversidade nos aponta grandes perspectivas de competitividade sistêmica
para o desenvolvimento econômico e social.
Em praticamente todos os aproveitamentos, o manejo do bambu é altamente intensivo em
trabalho. Mesmo na sua industrialização, e ainda, possibilita ofertar grande número de postos
de ocupação permanentes ou sem sazonalidade no meio rural, contribuindo para a fixação do
trabalhador no campo. Aqui todo o processo agrícola de produção é feito manualmente, desde
a preparação do solo, plantio, adubação, replantio, tratos culturais e finalmente o corte.
Seu rápido crescimento, em relação a outras plantas, torna o bambu apropriado para o uso
industrial com baixo impacto ambiental. De acordo com especialistas, o tempo de
estabelecimento de uma plantação varia de 5 a 7 anos, mas já a partir do terceiro ou quarto ano
é possível coletar colmos e brotos. Outras fontes apontam que a planta alcança sua maturidade
entre aproximadamente seis meses e três anos, conforme a espécie sendo considerada perene e
de elevado rendimento por área plantada.
De acordo com Ghavami (2003), os bambus são as plantas de mais rápido crescimento na
Terra, sendo que o recorde de crescimento diário foi apresentado em Quioto, em 1956, com
121 cm em 24 horas do bambu Medake, o qual tinha 12 cm de diâmetro de colmo
amadurecido. No Brasil, o crescimento de uma determinada espécie (Dendrocalamus
giganteus de 12 cm de diâmetro) tem atingido 37 cm em 24 horas.
O seu desfrute atende, portanto, à integração dos critérios do economicamente viável, do
socialmente justo e do ambientalmente correto. Com isso pode-se afirmar que o fomento ao
aproveitamento do bambu se constituiu numa ação efetiva de promoção do desenvolvimento
sustentável do país.

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Ambiente Temático Relativo ao Bambu
Sociedades, Institutos, Grupos de Pesquisa e Programas de Apoio

Nos Estados Unidos existe a ABS (American Bamboo Society). Esta associação construiu uma
ferramenta on-line, denominada BIM (Bamboo Identification Manual) para ajudar na
identificação das espécies. Na Europa existe a EBS (European Bamboo Society) que tem sedes
na Inglaterra, Bélgica, França, Alemanha, Suíça e Holanda. Na Oceania existe a Bamboo
Society of Australian.
No continente asiático, existem muitas representações institucionais atreladas ao uso e difusão
do bambu. Entre as mais importantes se encontram a Sociedade Indiana de Bambu, a
Sociedade Japonesa de Bambu, a Sociedade Filipina de Bambu, o Centro de Pesquisa de
Bambu da China e o INBAR (International Network for Bamboo and Ratan), que já possui
membros até nas Américas.
As regiões, central e sul das Américas também possuem instituições interessadas e organizadas
para a vocação do bambu em seus países. Existe um projeto no Equador denominado de
EQUABAMBU que fomenta a construção de casas populares, a indústria e o comércio ligados
ao bambu. Também existe uma Sociedade Colombiana de Bambu com projeto nacional de
habitação popular. A Costa Rica, o México e a Guatemala contam, respectivamente, com a
FUNBAMBU, AMEB (Associaçào Mexicana de Bambu) e ASOBAMBU.
No Brasil algumas iniciativas bem sucedidas devem ser enfatizadas:

• O projeto Cantoar, desenvolvido pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da


Universidade de Brasília (FAU/UnB), tem como finalidade o desenvolvimento de técnicas
de construção com fibras naturais, juntamente com educação e conscientização da
sociedade quanto ao uso parcimonioso dos recursos naturais.
• A ABMTENC (Associação Brasileira de Materiais e Tecnologias não Convencionais) é
um projeto desenvolvido por pesquisadores da PUC-RJ, liderados pelo professor Ghavami,
e tem como finalidade testar o uso do bambu em estruturas da construção civil.
O INSTITUTO DO BAMBU – INBAMBU é a primeira instituição formalizada no país, que
tem como finalidade oferecer uma visão mais abrangente dos diversos usos do bambu,
principalmente no que diz respeito às atividades relacionadas ao interesse social e de
desenvolvimento sustentável.

Conclusão
Com o objetivo de dinamizar o desenvolvimento da cadeia produtiva do Bambu, desde a
pesquisa científica e tecnológica até a inovação, foi constituído em 2002, o instituto do
Bambu, organização social sem fins lucrativos, formado a partir de interesses mútuos do
Sebrae Alagoas, Sebrae Nacional e Universidade Federal de Alagoas. Localizada no Campus
da Universidade Federal de Alagoas, o INBAMBU tem como área de atuação todos os
aspectos relacionados com o desenvolvimento da cultura do bambu, com ênfase para o
desenvolvimento sustentável, de acordo com o fluxograma abaixo:

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Figura 2: Áreas de atuação do INBAMBU.

Com recursos oriundos do Sebrae e da Universidade Federal de Alagoas e contando com o


apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estados de Alagoas, o Instituto do Bambu,
desenvolveu várias tecnologias sociais, essenciais para o desenvolvimento da cultura do
bambu:
Criação do Instituto do Bambu – o instituto é uma organização não governamental sem
fins lucrativos que objetiva atuar e difundir pesquisa e desenvolvimento nas áreas
relacionadas ao uso do bambu. Está instalado na Universidade Federal de Alagoas, com
uma área física de 4 salas, um galpão de 300 m2 e 50 hectares de terra para plantio,
manejo, testes, laboratórios etc.;
Circulo de palestras na área de uso do bambu para a construção civil de casas
populares. Dentre eles o Seminário Internacional do Uso do Bambu na Construção
Civil, ocorrido em agosto de 2002 na cidade de Maceió;
Projeto de inclusão social e empreendedorismo associativo na geração de renda e
emprego com desenvolvimento sustentável – três bambuzerias em funcionamento no
estado de Alagoas sob a responsabilidade atual do Instituto do Bambu. Tais
bambuzerias capacitaram 300 pessoas que produzem cabides, móveis e brinquedos
educativos, os quais são vendidos tanto no mercado interno como no mercado externo.
Tal projeto já foi reconhecido internacionalmente com menção honrosa do Prêmio
Ambiental Von Martius 2002, concedido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-
Alemanha;
Vinte e seis bolsas temáticas de pesquisa em iniciação científica para estudantes da
Universidade Federal de Alagoas, cujos temas relacionados ao bambu variam desde
cooperativismo nas bambuzerias, passando por estudos técnico-agricolas da gramínea
até alternativas de habitação popular;

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Climatização e distribuição de mudas da variedade guadua para produtores rurais do
Estado de Alagoas, através de edital, visando aumento da oferta de bambu no Estado;
Projetos coordenados do estudo da cadeia produtiva da construção civil. Tem como
objetivo investigar a cadeia produtiva da construção civil no estado de Alagoas e sua
inserção na cadeia produtiva da construção civil nacional. Serão ressaltados estudos da
possibilidade do uso do bambu nesta cadeia;
Desenvolvimento de instrumentos musicais de Bambu
Desenvolvimento de protótipo de habitação de interesse social com sistema construtivo
de painéis pré-moldados de Bambu e micro concreto com fibras
Formação de um banco de germoplasma de Bambu na UFAL e criação de um catálogo
de espécies de interesse para Alagoas
Método de propagação de Bambu
Tanques de rede para criação de peixes em cativeiro
Uso do Bambu como componente energético
A tecnologia já disponível para multiplicação, hoje acumulada no Instituto do Bambu, pode
ser facilmente conferida através da página eletrônica www.institutodobambu.org.br, bem
como os efeitos da inserção social de comunidades periféricas podem ser avaliados pelo
contingente de integrantes das cooperativas que formam a rede de Bambuzerias geridas pela
equipe do INBAMBU. Alguns dos produtos gerados são hoje comercializados via internet,
através dos sites específicos das coorperativas, como por exemplo da Bambuzeria Capricho,
em Cajueiro-AL (www.bambuzeriacapricho.com.br).
Este trabalho de inserção social resultou. Em 2003, no selo de Tecnologia Social conferido
pela Fundação Banco do Brasil e, em 2004 o 2º lugar no Prêmio Von Martius, em tecnologia
Ambiental, conferido pela Câmara de Comercio Brasil-Alemanha.

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ANEXO:

TECNOLOGIAS SOCIAIS DESENVOLVIDAS PELO INSTITUTO DO BAMBU


Protótipos de Habitação Social

Instrumentos Musicais de Bambu

Pequenos Objetos de Artesanato

Tanque para cultivo de peixe e camarão Carvão de Bambu

Moveis populares

Embalagem para cachaça

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Rica. INBAR Working paper nº 38. 2001. In: http://www.inbar.com.int/publication. Acessado
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http://www.bambubrasileiro.com/info/plantio/5.html. Acessado em 07 de julho de 2003.

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