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Materiais

de

Construção Civil e Princípios

de

Ci!ncia

e

Geraldo CecheUa Isaia (Organizador/Editor)

Bn

.

&enharia

de

.

Materiais

© 201O IBRACON. Todos direitos reservados.

Capítulo 36

Sistema Light Steel Framingt

el

With

· 2006,

50

ksi

INJ. 2004.

BCA.

2006.

\\· Hill.

1999.

arco elétrico -

2010.

aneiro: ABNT.

rlrlene .Uaria Sannanl,o Freitas

Universidade Federal de Ouro Preto

Renota Cristina iUoraes de Crasto Arquiteta

36.1. Características do sistema Light Steel Framing

O t~xto. a se~uir tem

como objetivo orientar

engenheiros, arquitetos

e

p~ofiss10nrus

da

~ea na concepção

de projetos

de edificações com

O sistema

L1ght Steel _Frammg ~SF), sendo baseado no Manual da Construção em Aço -

Steel Frammg: Arqmtetura

(CBCA) (FREITAS, 2007) e em extensa pesquisa

bibliográfica Tecnologia em

objeto

da

Sistemas

dissertação

de

mestrado

intitulada "Arquitetura

e

- Light Steel Framing"

Construtivos Industrializados

(CRASTO, 2005)

do Programa de Pós-graduação em Construção Metálica da

Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto.

ABNT.

2005.

NT,

neiro:

2006.

ABNT.

equisitos.

Rio

O Light

Steel Framing

(LSF),

assim

conhecido

mundialmente,

é um

sistema

construtivo de concepção racional, que tem como principal característica uma estrutura

constituída por perfis formados

a frio de aço galvanizado que são utilizados para a

composição de painéis estruturais e não-estruturais, vigas secundárias, vigas de piso,

tesouras

de

telhado

e

demais

componentes

(Figura

l).

Por ser

um

sistema

industrializado, possibilita uma consttução a seco com grande rapidez de execução.

Assim

devido

a essas

características,

o sistema Light

Steel Framing também

é

conh~ido por Sistema Auto-po1tante de Construção a Seco.

• 2009.

(

Figura

J -

·cte~nci·a em Light Steel Framing, São Paulo. (Fonte: Construtora Seqüência)

Es trutura d e res1

0

é a designação utilizada internacionalmente para descrever sistema construtivo que uti~a

u~

.

al

!emento estrutural . O sistema também

e

.

é

conhecido por Estruturas em Aço

(i I F

t~

·

rammg

ve,

~anrzado como pnnc 1p

ção LSF ou Construção com Aço Galvanizado.

:expressãoSteel

ser

Framing,

do inglês steel

framing

que

esqueleto, disposição, construção). (DICIONARio

Processo pelo qual compõe-se um

= aço e

Jrame

dva

(estrutura, 1987), pode

:MíeHÁlllilS,

definida

por:

esqueleto estrutural em aço fonnado por diversos elementos individuais ligados

entre

si, passando estes

a funcionar em

conjunto

para resistir

às

cargas

que

solicitam a

edificação e

dando forma a mesma. Assim, o

sistema LSF não

se

sua estrutura. Como um

sistema destinado

à construção

de

resume apenas a edificações, ele é

composto por

vários componentes

e "subsistemas". Esses

subsistemas são, além do estrutural, de fundação, de isolamento termo-acústico,

de fechamento interno e externo, e instalações elétricas e hidráulicas. (CONSUL

STEEL, 2002). Muitas publicações usam o termo Light Gauge Steel Frame onde

é uma unidade de medida, agora quase em desuso, que define a espessura

das chapas de metal.

gauge

Para que

o sistema cumpra com

as funções para

o qual

foi

projetado e

construído é

relacionados e que os materiais utilizados

e construção e no desempenho do sistema (Figura 2).

escolha dos

necessário que os

materiais

de

subsistemas

estejam corretamente

inter-

sejam adequados. Dessa forma , a

é

essencial

na

velocidade

de

mão-de-obra

Figura 2 - Montagem de residência em Light Steel Framing, São Paulo- SP

(Fonte: Construtora Seqüência)

Apesar de

ser considerada uma tecnologia nova, a ori~em .do Light _S~e~l

Framin o- remonta ao i nício do século XIX.

0

Na verdade , h1stoncamente m1cia

com as habitações em madeira construídas pelos colonizadores no territóri~

americano

naquela

época.

Para atender

ao crescimento

da

população,

foi

na construção_ de

habitações, utilizando os materiais disponíveis na região, no caso a made1:ª·

Esse

em madeira

necessári o

empregar métodos

consistia

em

mais rápidos

estrutura

e produtivos

método

composta

de peças

uma

serrada

de

pequena

seção

transversal

conhecido

por

Balloon

Framing

1cin)

tcel

icia

rio

foi

de

fé).

·ra

,g

Fi gu ra

3 -

Ba/100 11 fram ing

A partir

tornaram- e

daí.

a

as construções

em

madeira, conhecidas

tipologia

residencial

mais

comum

nos

por

Wood

Estados

Aproximadamente

um

século

mais

tarde,

em

1933. com

o

Frame,

Unidos.

grande

de

1'Iundial

en\'ohimento

da indústria do

aço nos Estados Unidos, foi

de

uma residência aço substituindo

em

lançado na Feira

Steel Framing

de Chicago. o

protótipo

Light

(Figura

41 que

utilizava perfis de

a estrutura

de madeira

(FRECHE 1'1E.

1999J.

f

Pro

-

ro ae res1déneta em

-

.

.

:disp<mÍ\-el

em;

http:

L.

ig

bt Steel Framing na Exposição Mundial de Chicago em

,

h

webpages .marshal1.edu/-brooks/S1RAN stran 1.

tm)

1933 (Fonte:

to

da

economia americana e a abundância na produção de aço no

~lSegwida

formados

Guerra possibilitou a evolução nos processos de fabricação

de

aço substituindo os

de madeira

1ietfi.s

a frio, e uso dos perfis

vantajoso devido a maior resistência e eficiência estrutural do aço e

como terremotos e

(Figura 5). Na década de 90, as flutuações no preço e na qualidade da

passou

-a

ser

a capacidade

furacões

da

estrutura de resistir

a catástrofes naturais

madeira para

construções residenciais. Estimou-se que até o final da década de 90, 25%

residências construídas nos Estados Unidos foram em LSF (BATEMAN,1998).

a construção

civil, estimularam

uso dos

perfis

de aço

o

nas

das

Figura

5 -

Perfis estruturais de madeira e aço galvanizado. (Fonte:

Robert Scharft).

No Japão, as

primeiras construções

em LSF começaram a aparecer após

a

Segunda Guerra Mundial quando foi necessária a reconstrução de quatro milhões

de casas destruídas por bombardeios. A madeira, material usado na estrutura

casas, havia sido um fator agravante nos incêndios que se alastravam durante os

ataques. Assim, o governo japonês restringiu o uso da madeira em construções

das

auto-portantes a

fim

de proteger os recursos florestais que poderiam ser exauridos

e também

japonesa,

para

vendo

perfis leves

de

promover construções nessas restrições

um

não-inflamáveis. A

de

indústria

do

aço

nicho

mercado , começou substituto para os

a produzir

produtos

a construção como

aço para

um

estruturais de madeira. Como conseqüência, o Japão apresenta um mercado e uma indústria altamente desenvolvidos na área de construções em perfis leves de aço

(Figura

6).

Figura

6-

Linha de montagem de módulos residenciais no Japão. (Fonte

SCI

Apesar do LSF ser um si tema

con

lrutiVo

a construção civil

é predominantemente indu

bastante

empregado

empaísesôidílii

lrializada,

no Brasil onde prevateee

o método artesanal, ainda

é pouco conhecido.

A im,

em

um

primejro

momento,

para

ajudar a visualizar o LSF, podemo

l'ecOJrer

ao

/Jrywa//

que

é amplamente

utilizado em vedações internas no Bra il, que

ape

ar

de não

utiliza perfis galvanizados para compor um e queleto onde

ter

ão

função

estrutum),

fixadas

as placas

para fechamento. Porém, a semelhança acaba nesse ponto.já que o LSF como já

foi

todos os componentes necessários a construção de uma

definido anteriormente,

é

sistema muito mais amplo,

de

integrar

um

capaz

edificação,

tendo como o

fundamental a estrutura. Na ilustração

é possível vi ualil.81' e quematicamente, a

e

trutura

e

os subsistemas de

uma

casa

em LSF

(Figura 7).

Basicamente

a

e

!rutura

em LSF

é

composta

de

paredes,

piso

e cobertura. Reunidos, eles

ªJXk

a

nilhõe-

ura dru

4.Ulte O,

tn1çõe-

mrido·

io

uduzir

a

:-o

odmo:

e uma

de aço

ibilitarn

a integridade

po

:olicitam a estrutura.

estrutural da edificação, re

i lindo ao

e forços

que

Perfil de cumeeira

< s;

Placa

Estrutural

V,ga

de

piso

Sanefa

Placa de fechamento interno

Laje seca (OSB)

Painel interno

estrutural

Gula

Inferior

do

painel

Fita

metáUca

Bloqu~

Caibro

Perfil U

de

Montante

acabamento

de

beiral

Perfl

Ue

Gula superior

do

painel

Contraventamento

Ombreiras

(montantes)

Placa de

Verga

fechamento

externo

á .

Figura 7 - Desenho esquem t,co

de uma residência em L.ig11t

teel Framing.

.

.

. t ira são denon1ma .

d

a

, d

e

painéis

.

e

d

trutura1s

erfis

\s

paredes que const1tu:~ ~~!;o~tos

por

grande

q~_ant~a!:do: e~tre si

e sa d

minados montantes. que sao d p

Esta dimensão

é

def1n1da

.

au to-portantes

anizados muito lev~s

00

ou

600

mm

en~)

e ac

(Figura

ordo com o

e ãetermina

a modulação do proj

to.

m dula

ão otimiza

 

d~obra na medida que

se

padronizam

o

ompon

nt

s

struturnis,

;OS

d~ fécbamento e de revestimento.

Os

painéi

t

m a fun

ão

d

distribuir

uniformemente as

cargas

e encaminha-las

até

o

painéis

pode

ser feito por vários

materiais,

ma

olo.

O

fi

chnmento

deNsci4

, normalm

nt

, utilizam-se

placas cimentícias ou placas de OSB

(oriented strand board)l

chapas de gesso acartonado internamente.

t mamente, e

Figura

8 - Painéis do pavimento térreo de

casa

residenciul Belo l lori/Ontc - MO

{Ftllll · :

nrquiv(l

tln

outor)

Os

pisos,

partindo

do

mesmo

princípio

dos

paincis,

utiliznm

perfis

galvanizados, dispostos

na

horizontal

e

obedecem

à

mesma modulação dos

montantes. Esses perfis compõem as vigas de piso, servindo d' estrutura de apoio

aos materiais

que formam a montantes de

superfície

forma

a

do

contrapiso .

As

vigas

nlmus

de

piso estão estejam cm

apoiadas

permitir que

nos

suas

coincidência com as almas dos montantes, dando origen1 ao c.:onc

ito de

o~trutu ra

alinhada ou "in-line framing". Essa disposição

permite gnnmtir quu predomine

esforços axiais nos elementos da estrutura (Figura 9).

Figura

9 -

Vista d a

1 Mais informações sobre OSB

es tru t ura do pi so com vi g us e m purfis 1•11l vn n l1m l11\ 1• 1·11111t"1 11~111111

ver

(Fo n t e :

nrquiv o do 11111o r )

Capítu lo 39 .

Made iras purn

m:11h,1111l' t1h1'

<

,li

r)

erfis

dos

. A.!_lJalmente, com a pluralidade

de

.

_

.

dtspoe de

escolha

várias

soluções

cobe~ ~w~tõni

a

desde:1º

~

wn

seus

ou

editic1os.

uma

para

• o Muitas

do telhado

pode remeter

Independente

da tipologia

adotada,

tendencia d

v

a

época.

elaborados, a versatilidade do LSF possibilita d: a

Quando

cobe~ pl~a até telhado

O

se trata de coberturas inclinadas

convencional

com

O

uso

~~teto liberdade de

pre uçao se as emelha muito

cons~ção

mai

lo.

à

da

madeiramento por perfis galvanizados

(Fi~ ~)

1

·

cobertura podem ser cerâmicas, de aço. de c.

As

porém

_uh

tituindo o

telhas utilizadas para a

ou de concreto. Também são usadas as material asfáltico.

telh:S~~~~o

~f~~ado ~r fio

intéticos

mg es

, que

ao compotas de

Figura 1O - Estrutura do telhado de residência em

Light

L'

Steel Framing. tFonte: Arquivo do autor)

Assim,

de

acordo

com o

descrito

fundamentos do sistema LSF como:

anteriormente. poden1os definir

os

Estrutura "painelizada"

• Modulação - tanto dos elementos estruturais. como do de fechamento e de revestimento, etc.

• Estrutura alinhada

(in-line framing)

demais componentes

O uso da estrutura de aço não impõe ao projeto que a mesma esteja aparente.

Muitos usuários

e projetistas

descartam a

construção

em aço

por

achar

que

resultará em uma arquitetura muito peculiar ou ·'high-tech". E se receio

é maior

quando se trata da arquitetura residencial. Porém, a construção em aço

é muito

versátil e viabiliza qualquer projeto arquitetônico, desde que ele seja concebido e

planejado

considerando

o comportamento

do

si

tema. A

industrialização

e

rapidez

de

execução.

caracterí tica

tão

racionali,.ação.

aprcda<las

na

construção em aço, só são possíveis quando há um planejamento integral <la obra.

que implica em um projeto amplamente detalhado. Com o Light

Stccl

Framing

não

é

diferente, o detalhamento dos projetos tanto de arquitetura, como estrutural

o

omplementares

são essenciais para o melhor desempenho do sistc1na e para

s

·i

ar patologias . Porém, nesse sistema a estrutura nunca se apresenta apat\.'nh:.

Figura 11

- Residências construídas com o sistema Light Steel Framing em (Fonte: Arquivo do autor)

Cotia - São Paulo.

A estrutura de perfis de aço galvanizado é a parte principal do sistema LSF. Para compor um conjunto auto-portante capaz de resistir aos esforços solicitados

pela

estrutural

dimensionamento estrutural para edificações residenciais de até dois pavimentos

edificação,

é

necessário que

executados

dimensionamento

profissional

dos

perfis e

o projeto

O pré-

o

sejam

especializado.

por

pode

ser realizado através

do Manual "Light

Steel Framing

- Engenharia"

(RODRIGUES,

2007) disponibilizado pelo Centro Brasileiro da Construção em

O projeto estrutural de edificações em Light Steel Framing deve

Aço (CBCA).

atender as especificações das normas brasileiras para perfis formados a frio.

36.2. Vantagens no Uso do Sistema Light Steel Framing

Os principais benefícios e vantagens no uso do sistema Light Steel Framing (LSF) em edificações são os seguintes:

• Os

produtos

que constituem

o sistema

são

padronizados

de

tecnologia

avançada, em que os elementos construtivos são produzidos industrialmente,

onde

matéria

prima

utilizada, e acabamento

a

os

processos

características

técnicas

passam por

de

fabricação,

suas

rigorosos

controles

de

qualidade; • O aço é um material de comprovada resistência e o alto controle de qualidade

tanto na produção da matéria-prima quanto de seus produtos, permite maior precisão dimensional e melhor desempenho da estrutura;

• Facilidade

de obtenção

dos

utilizados pela industria;

• Durabilidade e

longevidade

perfis formados

a

frio

j á

que

são largamente

da

estrutura,

proporcionada pelo

processo

de

Sistema Ught Steel From/ng

galvanização das chapas de fabricação dos perfis;

• elementos; Facilidade

de

montagem, manuseio e

transporte

devido

a

leveza

do

• Construção a seco, o que minora o uso de recursos naturais e o de perdício;

• Os

perfis

perfurados

previamente e

a utilização

do

painéis

de

ges o

acartonado facilitam as instalações elétricas e hidráulicas;

LSF.

tados

ojeto

pré-

ntos

"

. a

• Melhores

níveis de desempenho termo-acústico, que podem ser alcançados

através da combinação de materiais de fechamento e isolamento;

Facilidade na execução das ligações; • montagem; Rapidez de construção, uma vez que o canteiro se tran fonna em local de

O aço é um material incombustível;

O aço

é reciclável, podendo ser reciclado diversas

propriedades;

.

.

"

.

_

.

vezes

.

sem perder suas .

.

.

Grande flexibilidade no proJcto arqu1tcto111co. nao hm1tando a cnat1v1dade do arquiteto.

36.3. Aplicações

As aplicações

do

sistc':1a

~ight

exemplos ilustrados a seguir (Figuras

Stccl Framing são

12

a 16).

variadas confonne os

Figura

igu ra

14

J2

_ Residência em Cotia

(Fonte:

arquivo do autor)

SP

- hliflc.:io

nu

In glaterra . (11onh,;:

SCI)

( \:(mti::

Figurn

dis1xmiwl

11 Ri:sid~ndu i:m Süt, Panlt,

c 1n:http://www1.·ú11su,1ton\ "'-'l.lll1.'IK'ta.1.\,111.br)

F, µum

I"

{F(11tll·:displllltWI

t·111:

1h1td

nn

lng.lnt~na

http:

\\\\\\ sll\.'I

sl.'l.\ll~'

.

hg.htsll,·I)

Figura 16 - Clínica

de

Pneumologia Anglo Gold -

.

N

ova

L"

una -

MG (Fonte· arquivo

·

do autor)

36.3.1 Unidades modulares.

No

de

unidades modulares tem-se

módulos

individ~ais

caso banheiros, cozinhas e

outras dependências

para construçao

residenciais, comerciais, hotéis, etc (Figuras

17 e

18).

pron~o~

_de

de edifícios

Figura 17 -

1.425 módulos em LSF formam

esse edifício na Inglaterra. (Fonte disponível em

http://www.corusconstruction.com/page_9088.htm)

363.2 "Retrofit''' de edificações

Figura 18 - Módulos de banheiros prontos e

posicionados no Airport Mondial Business Hotel

em São Paulo (Fonte: Zigurate Editora3)

As

e

estrUtuf

aoutra

a frio

perfilag

dechap

2003).

Por ess

termo

'

No caso de "retrofit'' de edificações tem-se a utilização do Light Steel Framing

no

revestimento de fachadas, construção de mezaninos e coberturas, substituição

de telhados, etc (Figuras

19 e 20).

3 Imagem

originalmente publicada em

Paulo: Zígurate Editora, 200 l . pg.

169.

Dias,

Luís Andrade de Mattos. Aço e Arquitetura: Estudo de Edificações no Brasil.

Sií

4 l<ctrofit consiste em conservar a estrutura original do edifício, acrescentando a ela materiais e equipamentos modernos. ?

l(clrofit di fere da simples restauração, que consiste na resti tuição do imóvel

à sua condição original

1u da reforma, que

v ,sii

i11tmduçifo

d e m e lh o ri as, se m co mp ro mi sso co m su as característi cas ant e ri o re s. Também

é denom inado

1k Rev 11a li111ção.

à

e

eco

11

des

' Ver

:

f1

d

io

Figura

19 - Reforma de fachada usando

Light Steel Framing(Fonte: disponível em:

http://www.steel-sci.org/lightsteel )

Figura

20 -

Reforma

de

telhados substituindo por

tesouras fabricadas com

perfis

formados a frio. (Fonte: SCI)

36.4. Perfis Formados a Frio e sua Utilização na Construção Civil5

As estruturas

de

aço

são

compostas

por

duas "fanu1ias"

de

elementos

e truturais. Uma composta pelos perfis laminados e soldados ou eletrofundidos e a outra composta por perfis formados a frio. Os perfis estruturais de aço formados

I

I

l

frio

são obtidos a

partir

do

dobramento,

dobradeira,

a

em prensa

21),

ou por

de tiras de aço cortadas

perfilagem em conjunto de matrizes rotativas (Figura

de chapas ou bobinas laminadas a frio ou

à quente, revestidas ou não (NBR 6355,

2003). Possibilitam a formação de seções variadas na sua forma e/ou dimensão.

Por essas operações ocorrerem com o aço

termo "formado a frio".

na temperatura ambiente, advém o

Figura 2 1 - Fabricação por perfüagem de perfis seção Ue. (Fonte: SCI)

Com

o

desenvolvimento

da engenharia

civil, estruturas

~1ais

}eve~de

"

d

industrialização

do

.

construtivo,

·

N

t

es e

processo l "

.

associa .

onmrucas

as

a

nvolvidas de modo a atender as expectativas tecno og1cas.

s1

sentido tem

,

o

os

::mbém o Capítulo 35 - Produtos metálicos estruturais.

·

il

AS

a u~o

enquaâfattí pe~ei(âjijente.

por pei:fis

A utilização na

fonnados ~frio tem

o se

aço compostas

em fase

de rápido cresc1D1ento, em vírtUde das

f4ens que o emprego destes perfis oferece.

.

_ fundamentais são a grande versatilidade, tanto na fabncaçao de

:,r-u:».Jr.QL&fit~)ís

s~s ele formas bastante variadas e que podem ser adaptadas a um gran?e

nún:íero

de

aplicações, quanto na construção e montagem das estruturas, p01s,

trata-se de elementos extremamente leves se comparados a outros perfis. Estas

vantagens resultam em praticidade na construção de di_versos tipos d~ ~s1n:turas e custo relativamente baixo. Assim, está cada vez mrus comum a utihzaçao de

e

comerciais, coberturas,

armazenamento, entre outras.

perfis formados

a frio

construção

de estruturas

de edifícios

residenciais

na

galpões,

passarelas, residências,

estantes industriais de

36.5. Tipos de Perfis Utilizados em LSF

Os perfis típicos para o uso em Light Steel Framing são obtidos por perfilagem

liga alumínio-zinco pelo

processo contínuo de imersão a quente ou por eletrodeposição, conhecido como

aço galvanizado. As massas mínimas de revestimento são apresentadas na tabela

a partir de bobinas de

revestidas

com zinco

aço

ou

1. A espessura

da chapa varia entre 0,80 até

3,0 mm

conforme

NBR 15253

SEÇÃO

(ABNT, 2005). As seções mais comuns nas edificações em Light Steel Framing

são as com formato em "C"

ou "U" enrijecido (Ue) para montantes e vigas e o

"U''

que é usado como guia na base e no topo dos painéis.

Quadro l - Revestimento mínimo dos perfis estruturais e não-estruturais. Fonte: NBR

15253: 2005

Tipo de revestimento

Zincado por imersão a quente

Zincado por eletrodeposição

Alumínio-zinco por imersão a quente

Perfis estruturais

Massa mínima do

Designação do revestimento

revestimento

a/m

2

1 conforme normas

180

180

150

2180

(NBR 7008)

90/90

<NBR

14964)

AZ150

(NBR 15578)

Perfis não-estruturais

Massa mínima do

Designação do revestimento

revestimento

a/m

2

1 conforme normas

100

100

100

Z 100 (NBR 7008)

50/50

(NBR 14964)

AZ100

(NBR 15578)

1) A massa mínima refere-se ao total nas duas faces (média do ensaio triplo) e sua determinação

deve ser conforme a NBR NM 278 (ABNT, 2002)

<?

~

a dro

2 a pr esenta as

seções transversais

aphcaçoes. A seção do perfil U (guia) possui alma

dos

Cbw)

perfis e mesa

utilizados

(br)

e

s uas

que também

pode ser cha~ado de fl~nge ouª?ª, mas não po~sui a borda (D) que está presente no montante, isto pemute o encaixe deste na gma. As guias não devem transmitir nem absorver os esforços, sendo isto feito pelos montantes , vigas e eventualmente

pilares presentes na e trutura.

As

dimensões

da

alma do

perfis

Ue

vartam

geralmente

de

90 a

300llDit

(medidas externas), apesar de ser

pos fvel utilizar outras

dimensões (Quadro

3).

Os

perfis

U apresentam a largura

da

alma

maior que o

do perfil Ue, a

fim

de

pennitir o encaixe deste no perfil guia ou U (Quadro 3). No

Brasil

as dimensões

comercializadas são 90.

140 e 2~ mm. E as mesas podem variar de 35 a 40 mm,

dependendo

do

fabricante e

do

tipo

de perfil.

Os

outros perfis que podem ser

necessários

para estruturas

de

LSF

são

tiras

planas, cantoneiras

e cartolas

(Quadros

2

e

3). Tiras

ou

fitas •. 9ue

vêm

em uma variedade de larguras, são

tipicamente utilizadas para estab1hzação dos painéis e formação de ligações.

cantoneiras

As

são normalmente usadas em conexões de elementos onde um perfil

Ue

não

é adequado. e o cartola

é comumente empregado como ripas de telhado

(Garner. 1996). Além da espessura (tn). a resistência de um perfil de aço depende

da dimensão. fonna e limite de elasticidade do aço. O limite de escoamento dos

1Iagelll

co Jlelo

0 corno

a tabela

15253

rarning

gas e o

5

ação

perfis de aço

zincado. determinado de acordo com a norma NBR 6673 (ABNT,

I981). não deve ser inferior a 230 MPa

(NBR

15253: 2005).

Quad ro ::!- Des ig nações dos pt!rli s de: n,;o fom1ados a frio para uso em Light Steel Framing e suas respectivas

SEÇÃO TRANSVERSAL

f

bw

J

1-

j~~

1-j

~oJ

b1

l~

1,.

b f

bf

-1

.J

,,.

l

jo

l b,.

~

,.

b1

'

~

'

aplicações. (Fonte:

NBR

15253: 2005).

SERIE NBR 6355:2003 Designação

U simples

U enrijecido

Ue

Cr

bw Xb t XDXt n

Cartola

bw

X

br

X

D

X

tn

c antoneira de abas desiguais

L br

1

X

br2

X

tn

Utilização

Guia

Ripa

Bloqueador

Sanefa

Bloqueador Enrijecedor de alma Montante Verga Viga

Ripa

Cantoneira

 

90

40

140

40

200

40

ontante

250

40

Montante

300

40

Ox40

U200x40

U250x40

U 300x40

L 150x40

L

200x40

L

250x40

Cr 20x30

Gula

Gula Gula Gula Gula Cantoneira de abas desl uais Cantoneira de abas desl uais Cantoneira de abas desi uais

Cartola

92

38

142

38

202

38

252

38

302

38

150

40

200

40

250

40

30

20

12

36.6. Métodos de Construção

essencialmente três

métodos

de construção utilizando

o

Light

Steel

Framing:

a) Método

Stick:

os perfis são

e

painéis, lajes, colunas, contraventamentos e tesouras de telhados são montados no local (Figura 22). Os perfis podem vir perfurados para a passagem das instalações

são instalados posteriormente a

elétricas e hidráulicas e os demais sub-sistemas

montagem

fabricação não é viável.

Neste método

de

construção

cortados

no canteiro

da

obra,

da

estrutura. Essa

técruca pode

ser usada

locais onde

a pré-

em

As vantagens desse método construtivo são:

b)Mét

Painéis

telhado

p

23).Alg

diminuir

usando

atarrachan

• Veloc

• Alto

c

• Minº

•Aui:i

monJ

• Não há a necessidade do construtor possuir um local para a pré-fabricação do

sistema;

• Facilidade de transporte das peças até o canteiro;

As ligações dos

elementos

são de

fácil execução,

atividades na obra.

apesar

do

aumento

de

I

e

e

Figura 22-Light Steel framing montado pelo método

stick

(Fonte:

Robert

Scharff).

b) Método por Painéis:

Painéis estruturais

ou não estruturais, contraventamentos, lajes e tesouras de

telhado podem ser pré-fabricados fora do canteiro e montados no local (Figura 23). Alguns materiais de fechamento podem também ser aplicados na fábrica para

diminuir o tempo da construção. Os painéis e subsistemas são conectados no local

e auto-

usando

técnicas

convencionais.

(parafusos

auto-brocantes

as

atarrachantes). As principais vantagens são:

• Velocidade de montagem;

Alto

controle de qualidade na produção dos sistemas;

• Minimização do trabalho na obra;

• Aumento

da precisão

dimensional

devido

montagem dos sistemas na fábrica.

às condições

mais

propícias de

23- Elementos estruturrus como tesouras

·

e painéis são pré-fabricados . em . oficinas e levado

montagem

da e

S

trutura (Fonte·

·

.

http://www.aeg1smetalfranung.com)

a obra pam

Figura 24 - Unidades modulares empilhadas na forma da construção final, o vazio que se vê ao centro formará a circulação de acesso as unidades. (Fonte: SCI)

Figura 25 - Módulo de banheiro. (Fonte: SCI)

d) Balloon Framing

e Platform Framing

Construção tipo

Stick

ou por painéis podem ser montadas na forma

Platform.

Na construção

Balloon

a estrutura do

piso

é fixada

nas

Balloon

ou

laterais

dos

montantes e os painéis são geralmente muito grandes e vão além de um pavimento

(Figura 26).

pisos e paredes são construídos seqüencialmente um

pavimento a cada vez, e os painéis não são estruturalmente contínuos. As cargas

Na construção

Platform ,

de piso são descarregadas axialmente aos montarttes (Figura 27) . Por ser bastante

ará

a

uJ1l

gas

te

utilizado nas construções atuais,

é o método

que será

abordadonesse-tta

Figura 26 . Esqucmu de

,

conlllntçiin

tipo

halloo

11 !f'ontc:: SCI).

l 11•111a

1

7 l·o,qu,•11111,

l

l

·

con

1rn~·110 ltpn p/atfor,11

lhmll·

SCll

6355:

/lbiCAS.

f1iBR

1S253:

Perfis

de

ap,

fonnados

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a

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com revestimento

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zincadas pelo

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e chapas de aço revestidas c:om

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2008.

liga

55%

de

alumínio-zinco

pelo

P~

contínuo de imersão

a

• NBR NM 278:

Determinação

da

massa

de

zinco

no

revestimento

de

chapas

e

tubos

de

aço galvanizado ou

eletrogalvanizado. Rio

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