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re . u·s de Construção Civil e Princípios de C i!

nc ia
nr
8 s e Engenharia de Materiais
raJdo Ce ch el la Js ai a (Organiz.ador/F.ditor)
2010 ra R A C O N . Todos direitos reservados.

Capítulo 4 8

Terra C r u a p a r a Edificações
Nomiando Perazzo B ar bo sa
Universidade Fe de ra l da Pa ra fü a

Khosrow Ghavami
Pontifícia U ni ve rs id ad e C at ól ic a do R io de Ja
ne ir o

48.1 In tr o d u ç ã o

A terra crua, ou sej~, no seu estado n a tu ra l, sem


é utilizada, d e sd e m m to tempo na constru
te r si d o q u e im a d a , já
ção de estradas e b a rr a g e n s .
Aqui, o enfoque é dado p a ra o uso da te rr a com
o material de c o n s tr u ç ã o
de edificações.
Construir é uma a ti v id a d e re la ti v a m e n te re
humanidade. De fa to , o homem já e ra c a p a z c e n te n a h is tó ri a da
de fa z e r jó ia s , p in tu ra s ,
artefatos de c a ç a e p e s c a , q u a n d o h á c e rc a
de 10 m il a n o s , c o m o
advento da a g ri c u lt u ra , s e n ti u n e c e s s id a d e d
e c o n s tr u ir s u a s m o ra d a s
para a g u a rd a r as c o lh e it a s . E v id e n te m e n te , o
s p ri m e ir o s m a te ri a is d e
construção u ti li z a d o s fo ra m a q u e le s o fe rt a
d o s p e la n a tu re z a , c o m o
pedra, p a lh a , g a lh o s e tr o n c o s de á rv o re s ,
p e le d e a n im a is e , s e m
dúvida, a te rr a . C o m o a d v e n to d o s m a te ri a
is in d u s tr ia li z a d o s , a te rr a
foi sendo e s q u e c id a c o m o m a te ri a l de c o n s tr
u ç ã o , m a s , m e s m o a s s im ,
ela a in d a h o je a b ri g a p a rc e la s ig n if ic a ti v a d
a h u m a n id a d e . E m p a ís e s
a s iá ti c o s , a fr ic a n o s e d o o ri e n te m é d io
, e x is te m a in d a c id a d e s
construídas q u a s e q u e in te ir a m e n te c o m e
s s e m a te ri a l. N a F ig u ra l ,
vêem-s e o s e x e m p lo s o ri u n d o s d a c iv il iz a
ç ã o p e rs a , e m q u e a te rr a
misturada a p a lh a s o u a fi b ra s v e g e ta is e
ra m a te ri a l d e c o n s tr u ç ã o
básico.
No continente a m e ri c a n o , a te rr a c o m o m a te
ri a l d e c o n s tr u ç ã o fo i
usada p e lo s in c a s , m a ia s e m e s m o p e lo s ín d io s n o rt e -a
m e ri c a n o s . N a
Figura 2 , v ê e m -s e e d if ic a ç õ e s d e te rr a fe it
a s n a re g iã o d e T ru ji ll o , n o
~eru , p a ís o n d e , a in d a h o je , q u a s e m e ta d e d
a s m o ra d ia s é fe it a d e te rr a .
E in te re s s a n te n o ta r q u e o s ín d io s b ra s il e ir o
s n ã o c o n s tr u ía m c a s a s d e
terra , p re fe r n d o u ti h z a r m a d e ir a e p a lh a s .
e 20 0 3 , à e s q ue rd a) e y llZd
a m (a n te s d o te rr e m o to d (à d11tu.1
rr a c r u a n o Iran: B
O d a d e s constr uídas e m te

n o Pe r u ( Ch a n C h a n ) .
p r é - c o lo m b ia na s d e te rra
F ig u r a 2 - C o n s tr uçõ es

zid a p elo s po r tu g ues


~ss i m , n o B r a s i l , a
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p o r t od o o p a ís,
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for!~
~ m t a s co n s t r u ç õ e s c e a m d a um e x e m p l o v iv o d
. M i n a s G e r a i s ( F i g u r a 3 )
feitas c o m a t e r r a c r u a
o d e f a z e r d e s s e m a t e r i a l .
uso qu e s e p

i-. <le terra n u a t' ll l t\ l1 n :h Gerai-,.


3 - Constru ções co lo ni a
Figura i
qu a n d o p r o b l e ma s am b i e n ta
r d a te rr a é a g o ra re v ivi d a
A tra d iç ã o m ile n a a f a h r ic açã o d e tij o lo 5 e
t a . T o m e -s e c rn n o ~ e m p l o
am ea ç a m o fu tu r o do P l an e
tria s u tili z a c o n 1 0 co m b u st í ve l ª
s . G r a nd e p a r te d a s in d ú E m
telhas c er â m i c a r b l l l d c ~ m at am e n to .
n d o a o a g r av an 1 en t d p 1 n a
ve ge ta ç ão lo c a l , l ev a
7l>rrà Cnu,'Pllra Edffic
'algumas zon ~ 1Sd1
as do Nonteste Brasil ·
nômeno da desertifi
dad o pela que~a
· da lenh etto ' tal
caç-ao. Somem-se . problema está
e peças ceramicas a e a enonn a isso a emissão de
. resíduos são lançadoiue se quebra.i: ~uantidade de resíduos
J'eJDCorporá-los. A simples uti~eatoriamente nurante o processo de
• ersas form~, nas constru -ização, quando a n~tureza, que tem
. e. Esse matenal milenar, a te Çoes seria benéfrcoss1vel, da terra crua,
tar: rra, apresenta vantaa para o futuro da
nibilidade; gens, dentre as quais
pri~de~ té~cas superiores;
• 1,s0 rçao e bberaçao de umidade .
8 - , · d . _ mantendO
• geraçao _numma e po1mçao e baix ambiente saudá 1.
• fácil re-mcorporação na natureza. o consumo energético n~: . .
• facilidade de gerar tecnolooias ap'r . eu manuseio;
, e- opnada
De fato, a terra e um dos materiais ma· b s.
tern um desempenho s,upe_rior aos tijolo:::r:;rc~tes na natureza. Termicamente,
rnostra que a carga temuc~ que atravessa uma s. Um estudo de Garzon (2002)
arnbos os lados. nu~ certo mtervalo de tem O é p~ede de 20 cm rebocada em
tijolos cI1lS de solo-c1mento que num de ti·ofo' , tr~s ~ezes menor num muro de
])O ponto de vista do controle de unJ·d ds ceramicos furados.
· 11 a e relat' d .
aperimentos de Mmke (2005) mostram que em ,va º. ar nas echficações,
paredes e 3 m de altura. quando a umidade s b· um ambiente com 30 m' de
se {orem de tijolos de terra crua. as parede~ ~;:~~::e;assa de S?o/o para 80%,
passo
. que uma parede idêntica
, d S de tijolos cerâm· , htros de agua em 48
icos so sena capaz de absorverh,
30
09 Ittros no mesmo.bpeno o. d e ocorrer o contrário , a um1·ctade re1ativa . . .
· d1mmm
as paredes de terra . e \ ·olta, a umidade ao amb·iente. p or ·isso, as casas de'
- l I·cteram
terra na Eur?Pª sao ti as como b:,nefic,a~ para a saúde. Sendo um material natural,
seu m~us~10 se faz c?m geraçao m1mma de ~~luição. O consumo energético
envolvido e sempre mm~o men?r que o de matenais de construção convencionais.
Mesmo quando a terra e associada a materiai\ industrializados, estes entram em
pequenas proporções: assim. are-incorporaç ão na natureza é relativamente fácil.
Quanto à eficiência energética. a fabricação de cimento, caL cerâmica, aço,
alumínio exige altas temperaturas, ao pa\SO que a terra crua não recebe
tratamentos térmicos. Se à terra são incorporados matcri;fr., como ~a\ ou cimento
Portland. pelo fato citado de estes entrarem em haixa\ taxa", globalmente o
consumo energético é muitíssimo menor que o do, materiais ,k construção
convencionais.
Finalmente. uma outra vantagem da terra como material de construção é.ª
facilidade de gerar tecnologias apropriadas. Pmk-sc .dVer que tec~ologi.1
apropriada é aquela fácil de se transmitir e de ,~r absorvida por populaçao rn1:11
pouca instrução. envolvendo equipamento simples ~ pn1cc,1t ; c1~to, rm1u
11 1

sofisticados. Assim . enqu D a fabricação de ttJolo, ceram~o, c~ ~: 11


equipamentos caros e u ce,,o centrali!ado, além cl man-dc-ob ,
r q u it etu ra d e t e r r a q u e , n o s .
l ó g i c o t e m f : i t o r e n a s c e r a a m d ia s d e
• a p e l o e c o s so a s d es f a v o re c id a s , m a s m es
~ d o J : ! f ~ c ~ n a o s ó ~ l a s p e um e 0
ll ela s
b q j e stá s e a d e a t u a l . N a F i g u r a 5 , v ê -s e
s p n v i l e g i a d a s d a s o c i e d }o
<UUnadas maJ , n u m a c a s a d e l u x o , n o s u l d o s Es tad o s u ~~ lllp
m o d e ~ a a p ~ c a ç ã o d a t e r r a a . o s, e
de s ã o d e t e r r a , n o s u l d a F r a n ç
n u m a IgreJa C U J as p a r e d e s

sta terres
rr a : c a s a d e lu xo n o Novo México. Estado s U n id o s , e Igreja no s ul da F
rança. ( 4 6,7% e
F ig u r a 5 - C o n s tr u ç õ e s m o d e rn a s d e te 0
seguindo-
a s d e c o n s t r u ç ã o c o m t e " a gênio, etc.
4 8 . 1 .1 T e c n o l o g i de óxidos,

loc
Existem mais de vin
a is ( H o ub e n e G u ill
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nc1~a1s c?mp
OJ,a\um1~a
divi d id a s d e trê s g r u p o s, c o n f o n n e a m a n e i r outros óx1d
m on o líti c a e m is ta . ti jo lo s ) q u e sã o un id o s m~ostos é b
t o s i n d iv id u a i s ( b lo co s o u
N a a lv e n a ri a , u t iliz a m - se e le m e n
s il , n e a s té c n ic a s, tê m -s e oritária~ p
, a a rg a m a ~ sa . N o B r a
ent re si a t ra v é s d e u m o u tr o e le m e n to
a 6 a ) . N a té c n ic a m o n o líti c a \ ontrados pr
d e te r ra c o m p r i m id o s ( F ig u r
os tijol o s d e a d o b e e o s b lo c o s
p a c ta d a e n tr e d u as fo n n a s nuna pode
o li t ic a m e n te co m a te rr a c o m
as p a r ed e s sã o f e it a s m o n
il ã o . F in a l m e n te , n a té c n ic a m ista \ 1daao temi
n ic a é co n h e c i d a c o m o ta ip a d e p
(Figura 6 b ). E s s a té c 1 n a d eira , e n ã o te m fu n ç ão
u m a e s tr u tu ra , g e ra lm c n t " d e
a terr a s e rv e d e e n c h i m e n to a e n te ta ip a .
- s e a ta ip a d e tn ã o , o u s im i le s m
tural (Figura 6c). N o B ra s i l, te m
estru
Figura 6 _ Modos de uso da terra: a) alvenaria de blocos d . . e
1
. . e erra compnm1da; b) paredes monolíticas,
e ) técmca mista.

Muitas outras varia,9õ~s dentro desses três grupos existem. sobretudo


n
a Asia e mesmo na Afnca. Em Houben e Guillaud (1989)
. - d . t
, encon ram -
se descnçoes e ou!ros tipos _de tecnologia além das já citadas. Aqui
será_ dad_? deSl~que ~s alvenarias de tijolos de terra. pela facilidade de
fabncaçao e utihzaçao. Em todos os casos, é necessário se conhecerem
as propriedades da terra, de forma a se fazer uma boa aplicação dela.
48.2 Propriedade s da terra

Pode-se dizer q~e _terr~ é a porção granular que reveste parte da


crosta terrestre, orzginána da decomposiçã o das rochas, por conta das
ações da natureza? como ~ariações de temperatura, movimentos de
geleiras, chu~as, nos, mares, ventos, terremotos, vulcões e a própria
vida. Neste item , abordam-se alguns aspectos do material terra em
geral, sempre se tendo em conta que, aqui, o objetivo é o emprego da
terra na construção de edificações.

48.2.1 Composição química

Na crosta terrestre, os elementos químicos mais abundantes são o


oxigênio (46,7% em massa), silício, (27,7%), alumínio (8,1%) e ferro
(5 %), seguindo-se cálcio, sódio, potássio, magnésio, titânio,
hidrogênio , etc. Esses elementos, normalmente , apresentam- se na
forma de óxidos, que é a forma mais estável na natureza. Então, os
principais componente s químicos encontrados na terra são sílica
(Si0 2), alumina (A1 2 0 3 ) e hematita (Fe 20 3 ), havendo, ainda, a presença
dos outros óxidos dos elementos acima citados. A percentagem desses
compostos é bem variável de um local a outro. Em geral, a sílica é
majoritária; porém, nos solos lateríticos (solos avermelhad os
encontrados principalme nte nas regiões tropicais da Terra), o teor de
alumina pode se aproxi mar do de sílica. A coloração para o vermelho é
devida ao teor de fe rro mais elevado que nas terras comuns.
~~~~- lUl:Meeilnlêa.
~l,\Jldàs diniens&s dâé párdcwas que corn dos~
tó mecânico delas depende. Por isso, segund~ 0
a~
-~~Jf."IMnl!lli. • as,..elas sio c~assificadas em: d~
lho. partículas de dimensões entre 4 8 e 50 mm·
• ~ : partículas de dimensões entre 50 µm ~ 4 8 mm· '
• Silt~: partíc?las finas entre 5 µm e 50 µm; ' '
• Arg_,la_: partículas finíssimas visíveis ao microscópio, com dimensõe
Os limites apresentados não são absolutos · Na literatura • encont 5
s s \.l"-
v · - ·••.
. anaçoes p~ elt:_s, Em _geral, os três primeiros componentes são quimi/ªlll-~
mertes, ou seJa, nao reativos, quando postos em presença de cal ou cim ªlllente
~ pedregulho e a areia constituem o esqueleto sólido do materiar~t~>..
fra5ao arenosa apresenta grande capacidade de mobilizar atrito interno dc:Yª· A
~aJa cont~to entre ..os grãos. No estado compactado, é pr~tic·a~l\Ut
mc?~p~s~1ve l. ~os ttJolos de terra crua e nas paredes monolíticas, a prcscn ~ntc
areia e md1spensavel para lhes dar a estrutura resistente aos esfor,·os mcc: ~a da
O 1
. . s~ t: ~
conseg~e .absorver água em seus poros, per~itindo tanto u ':
du~mmçao do atnto mtemo dos grãos, quanto seu rearranJo, precnchcnd0 lllu
~~

vazios quando o solo sofre uma pressão de compactação. (},


~ argila, sendo o último estágio de fracionamento da terra, é formad· d·
partic_ulas de forma lamelar, co!'l uma superfície específica muito superior: d e
demais componentes do solo. E quimicamente ativa, reagindo com a cal e e(>,
. E 1 1 . d -
componentes do cimento. m qua quer tecno ogia e construçao com terra e1.it· Oll\

é manipulada sempre com a presença de água. A existência de argila é nece~sári;


para dar a requerida coesão à terra úmida. Ela se comporta, pois,como um ligant:
Os componentes do solo de maior dimensão, pedregulho e areia (grossa, médi~
e fina) podem ser obtidos por peneiramento, ensaio normalizado no Brasil pela
NBR 7181 (ABNT, 1984). A percentagem de silte e de argila são determinada\
comumente, pelo ensaio de sedimentação , cujo procedimento é indicado também
na citada norma. Como as argilas são fundamentais para a construção com terra,
algumas consideraçõe s a mais serão feitas a respeito delas.
llirn - as \a
·ohida por
48.23 Argilas ·rutura tipo
As argilas são minúsculas partículas de forma lamelar, compostas tituir. em
principalmente de alumino-silicatos hidratados formado\ du.rantc o proce~so de a\umínio
º:
lixiviação (perda de constituintes pela ação da água ~u~ d1~solvc. e transpo~a) .atin da
das partículas mais grossas dos minerais rocho~os ongina1~,. ~ m .cns~al <l? ~rg1\.a 'j~sio que
é composto por um grupo de lamelas separadas por uma d1~tancia dita d1sta~cia ,,tância ·
interfoliar (Figura 7). Entre as lamelas podem existir íons de elemento~ a\cahnos la de
ou alcalino-terrosos. Segundo o tipo de argila, a ligação entre as lamela\ pode eqüent
11
variar de forte a fraca e permitir ou não a penetração de água entre ela~. Um µ
1
lamela ~
~========:x~:::t distancHS
~=========:r~::::r, 1ntertohar

Figura 7 - Panícula de argila

Três são os tipos principais de argilas encontradas na natureza:


caulinita, ilita e montmorilon ita.
Caulinita - ª~ _lamel~s de ~rgila são compostas de uma camada de
tetraedros de silica (~ 10_2) ligada a outra camada de octaedros de
alu~ina (AI20~), con stitumdo-se numa estrutura tipo 1-1, como se vê
na Figura 8. S~ nas bord~s d':s cam~das é que há cargas negativas, de
pequena_ capacidade de f1~aça~ de 10ns. A distância interplanar basal
(distância entre os planos mfenores das lamelas indicada na Figura 8)
é fixa e da ord~m de O,7 nm, e a ligação entre as lamelas é forte,
impedindo, prat1ca_mente, adsorção de água. O resultado disso é a
caulinita ser, praticamente , estável em contato com a água, não
apresentando expansão significativa em contato com ela.

cargas negativas
superficie exterior
adsorvente
CAOLDllTA
/ ~ estrutura tipo l-l
' V
7J,~(~~~~t> pouca ou nenhuaa
~1.5~r,;io interfo-
sílica ligação interfoliar forte
distância fixa

Figura 8 - Estrutura da argila caulinita, adaptado de Houben e Guillaud (1989).

flita - as lamelas são formadas uma camada octaédrica de alumina


envolvida por duas camadas teiraédricas de sílica, constituindo uma
estrutura tipo 2-1 (Figura 9). Ions de magnésio ou de ferro podem
substituir, em parte, o alumínio na camada central, assim como íons
de alumínio podem substi tuir o silício na camada silicosa. As cargas
negativas das bordas das camadas são equilibradas por íons de
potássio que unem as lamelas com uma intensidade que mantém fixa
a di stância interplanar da ordem de O,9 nm a 1,0 nm; porém, essa
força de ligação é inferior à que ocorre na caulinita.
Conseqüente mente, a ilita não é estável em contato com a água,
sendo um pouc o expansiva.
s u p e r f í c i e e x tae r i o r HOl\TTHOD.:CLOHl:TA
adsorvant estrueura tipo 2:1

supe r f í c i e i n t e r f o l i a r
adsorvente

ã o .i n t e r f o l i a r f r a c a ,
iigaç
c li s t â n c ia v a r i á v e l

d o de H o u b e n e G u il la u d ( 198 9 ).
Figura 10 - Estrutura d a argila montmorilonita, adapta

o m te r r a , é c o n v e n ie n te s e p ro c ed er a
d e s e i n i c i a r a c o n s tr u ç ã o c
Assim, a n t e s
lu s iv e c o m a d e te r m in a ç ã o do s tip os de
c a r a c t e r i z a ç ã o d o m a te r ia l, in c
ensaios d e ia d e r a io s X , p o d e -s e id en tifi ca r as
s . P o r m e i o d e d if r a to m e tr
argila presente
d i f e r e n t e s argilas.

48.2.4 A água, no solo


te rr a , q u an d o de se u u so cn 1 qu alq u er da
A quantidad e d e á g u a p re se nte n a
se ja er n p rcg a d a , inf lu i d e m a n eir a
n str ut iv a s n as q u a i s e la
tecnologias co l. N o rm a ln1 c ntc , a te rr a é co m p o sta
a q u a li da d e d o p ro d u to f in a
considerável n a (á g u a ) g a so ~ a (b o lh as d e ar e d e
ó lid a (o s g rã os e m s i), lí q u id
pelas três fases: s o e s q ue l eto o lid o d o so lo re p res e n tam
. O s g r ã o s qu e co n sti t u em
vap o r d 'água)
re uma fase independente. Porém de nd
semP dentro dos poros do solo as f: • pe . endo da quantidade relativa de
água~~ (Figura 11) (Olivier 1994) ases hqu1da e gasosa podem constituir uma
fase umca • .
No caso mostrado
, dºfi
à esquerda da Figura 11 a terra está
· d d f: , . • com
b .
aixa urm
.d d A
a e.-
.t se gasosa e I erenc1a a a ase bqu1da, havendo diti ld d d
a. · uns sobre os outros e d icu a e e os graos
deslizarem .. , , . e com ela se moldarem os elementos
n strutivos (tIJolos, paredes). Ja a direita da Figura t
co bilidade dos graos - e, f:ac1·i·1tada pela água que c 11té'
, em-se o caso em que a
mo . . . . ral
on m, em ge • pequenas
bolhas de ar no seu mtenor, constituindo-se numa f:ase fluºd , · e-r l
1 a umca . .ioma-se c aro
0 fundamental papel desempenhado pela água na construção com terra.

2: .l.

48.2.4.l Tipos de água no solo


A água contida no solo pode ser classificada em:
a) água de constituição - a que faz parte da estrutura molecular da partícula
sólida;
b) água adsorvida - aquela contida na película de água que envolve e adere
fortemente à partícula sólida;
e) água livre - a que enche os vazios grandes entre os grãos, sendo seu estudo
regido pelas leis da Hidráulica;
d) água higroscópica - aquela que se encontra no solo seco ao ar,
correspondendo à umidade de equilíbrio do solo com a atmosfera;
e) água capilar - a que fica nos interstícios capilares muito finos deixados pelas
partículas sólidas entre si, atingindo uma altura além da superfície livre da
água.
As águas livres, higroscópica e capilar são as que podem ser totalmente
evaporadas a temperaturas pouco superiores a lOOºC. Elas serão consideradas
daqui por diante.

48.2.4.2 Densidade ~eca


Um parâmetro uflizado quando se faz uso da terra como material de
construção, cc,.no e • estradas, barragens , paredes compactadas ou tijolos
'Yd- ---
V(l+w)

48.2.4.3 Umidad e ótima


O conceito de umidade ótima se aplica quando se trabalha com
compac tada, como é o caso dos tijolos prensados e a taipa de pilão. ª \e~
As bolhas de ar que existem na terra podem ser expulsas se ela sofre
co~pre ssão que empurre as partículas entre si, diminuind<? os vazios. Éu~
aphcand<:>-se uma certa energia de compactação, pode-se vanar a densidad ntàl.),
st
do material. Para uma mesma energia aplicada à terra, promovendo sua r~ ~a
de _volume, a densida de seca resultante depende da quantidade de água pre uçal.)
Existe um valor, dito umidad e ótima, com a qual se obtém a máxima den:.~nte.
seca. N~ mecâni ca dos solos, utiliza-se o ensaio conhecido c?mo de compac~ª~e
ou ensaio Proctor . Nesse teste, deixa-s e cair um peso padroruzado sobre a atn(:?I.)
st
de solo contida em um cilindro que nele é posta em camada s. Cada camada rec :
25 golpes. Fazend o-se variar a umidad e, obtém-s e a curva de compactação e
te~ o aspecto indicad o na Figura 12. O pico do gráfico corre~ponde à cham~~t
umidad e ótima. A partir do valor ótimo, o aument o da quantid ade de áo-ua "~
afastar os grãos entre si, fazendo decresc er a densida de seca (~er Equ;ção ~
resulta ndo no ramo descend ente da curva. Para um mesmo materia l, quanto maia'
a densid ade seca, maior é sua resistên cia. A densida de seca é, pois, sensíve\;
energia de compa ctação e à umidad e. Já a umidad e ótima v~i vari~ ligeiramente
com a energia de compac tação. Em princíp io, maior energia , maior a densidade
seca.
1 1 1 1
.~ ~
.........
~V !",.._

)
/
.
1 ~.

V
/
/'
'
/
v· \
'
1
1

\
\ 1 1
- l
u
w( 1/o)

fi oura 12 _ Curva de compactação, densidade seca mfü..ima e umic..\ac..\~ otima.


o
482 .4.4 Efeito da água ~a consistência da terra
Jrnagíne-se certa quantidade de terra ue
( me e argila) no estado seco, à qual seqvaicontenha alguma quantidade de finos
5
rra passa, então, resumidamente, pelos e' pouco_ a ~uco, misturando água. A
t~dade muito baixa, a mistura solo-água Slados mdicados na Figura 13: com
ue separam ao ser manuseado O materialpe~a~e ce no estado sólido, e os grãos
~edida que a umidade cresce e O materi~l o~tmuando~se a adicionar água, à
onto em que as partículas do solo se agre ~ai-se a~lutmando, chega-se a um
ponservar sua forma, sem se desmanchar 1 e~tre s,1. e ele pode ser moldado e
ern comportamento plástico, ou seja c · ~artir dai, a terra passa a apresentar
ioJume. É a argila presente a respon~á:~i3:, e mudar de forma sem mud~ de
0
e faz isso acontecer ou seja a ue r esse comportamento. A umidade
qiamada de limite d~ plasti~idade r~;r~ o eS tad0 sólido do estado plástico é
e 1 tiva ao peso do solo seco) A o solo (expressa em porcentagem
re a . . · umentando-se a quantidade de água durante
certo intervalo,
d conhecido como índice
, . de plasti' 'd d
c1 a e (IP) ' ·
, a terra contmua
°
apresen~an um comportamento plast1co, até um valor de umidade em que perde
a capacidade
. , de se aglomerar,
. passando a ter O comportamento d e um flm'do. A
Partir
· dat, passa
d , h prattcamente
d 1- · ao estado
. líquido e a um;dade d - d
, uu e separaçao os
dod1sdesta os e c ama ª imite de liquidez (LL). Assim, o índice de plasticidade
é a o por:

IP= LL-LP
(Equação 2)

LP LL w
---------
- - - - - - - - - ---
- ,--=======
-- --1--------->
sólido plástico -- --líquido -

plástico
• ..
'
Figura 13 - Estados por que passa a terra com a umidade crescente.

Os limites de plasticidade e de liquidez do solo recebem o nome de limites de


Atterberg. A determinação desses valores é feita através de ensaios normalizados
no Brasil pelas NBR 7180 (ABNT, 1984) e NBR 6459 (ABNT, 1984). Por meio
desses parâmetros já se pode ter uma primeira noção sobre a adequação ou não
da terra para uso na construção. Por exemplo, se o limite de liquidez supera 55%,
a.
Sôlo nlo~
QID•j,11U11ícidlide;;OU . .
~Mmr
.. •. lll::::... COHlo ofndace
dar de plamcid
de uma terra boa para constrUÇ ade ~ ~~~
io com tena. · --~ 'lt

48-.2~ Retração da terra


Em algumas tecnologias de empreg o da tena como material de co
como 6 o caso do adobe ou a taipa de mão. usa-se o material com ~.
muito. maior que aquela ótima. Aterra deve estar no estado
Po te~onne nte. a água tende a evapora r. o que faz as partículas de so tic()_
Pt~
~pro ~arem umas das outras, provoca ndo redução de volume. Qu~J() ~
1mped1mentos para o desloca mento do solo, como no caso das técnica.-; ~ hã
~estrutur a de madeira com a terra servindo de preenchimento). pode ~\\~.,.
mtensa fissuraç ão do materia l. Na Figura 14, vêem-se moldes prismático~~r
foram preench idos com uma terra no estado plástico . Após a secagem. n~~\lt
clarame nte a_reduç_ão no comprim ento dos prismas provoca da pela evaporaçãc;~
água.~ 6:ª~ªº arg!losa mantém o materia l coeso: Quanto !11ai?r o ~eor de arg1ª
em p~i:1c1p10, ma10r a retração . O tipo de argila tambem u:iflu~. Uma aro~·
cauhmt 1ca apresen ta menor retração que uma ilita. A montmo nlomta leva a~ ª
retraçã o muito maior que as demais , em virtude da ligação interfol iar fraca O
pern:'ite o acúmul o e a posterior saída de água das superfícies interfoli.;e,.
;a"l
J?rec1so saber control ar a retração para um bom uso da terra. Uma maneira práü~
e através do uso de estabili zantes. ª

figura 14 - Retração da terra moldada na forma de prismas

48.2.5 Estabilização da terra


Estab ilizar uma terra consiste em modificar as propried~de~ do sistema
1
terra- água- ar para obter qualidades permanentes compat1ve s com uma
aplica ção partic ular. No caso da construção com te?.ª' em certos casos'.
mas nem sempr e a estabi lizaçã o pode ser neces sana para m~lhorar dª· '\\
resist ência mecÍl nica; desem penho à ação da água, mclum o
ta bilidade
volumétrica; trabalhab,·t,·d d
es Vários meios
· existem
· para a estabir a e_e duct·t·d
i i a d e.
a) ação mecânica capaz de densifi~açao da terra, podendo-se citar:
bloqueados os poros e canais capilares ~~ ª terra a tal ponto que ficam
0
onfinada em um molde, fazendo-s: caso de se comprimir a terra
e
eq uípamentos;
. . - , . uso de possantes e caros
b) e/unmaçao ao max1mo a absorção e _
rãos de solo por utilização de produtos ad~o~sao de água por parte dos
g J, são produtos
gera . caros·, _ quimicos água-repelentes - em
e) envolvimento dos graos de terra or . .
· 'Permeabilizan te, capaz de fechar p uma f!na c~mada de material
,m - b e t umrnosas,
emulsoes · . poros e canais capilares - é o caso de
d) formação de ligações_ q_uímicas estáveis entre os cristais de ar ila -
é O caso de certos estabilizantes quími·cos f d g
d 1. d . .
l igante ou e cata isa or, utilizam as cargas , que,·t· azen o o papel
· dde
-1 · pos1 1vas e negativas as
lamelas de argi ª para _um-las entre si, ou de estabilizante capaz de reagir
diretamente C_?n:1 ª argila p~esente no solo, formando material insolúvel e
t
inerte. ES e ultimo caso e O que se chama reação pozolânica, obtida
notadamente com a cal. É, no entanto, um processo muito lento·
e) criafão de um esqu~leto sólido inerte que se opõe ao movi~ento dos
grãos ~ e .? caso _d os hg~ntes, como o cimento, que promovem uma
consohda9a? por cimentaçao r~sultante do preenchiment o dos vazios por
uma matnz rnerte capaz de unu os grãos;
f) criação de uma armadura multidirecion al capaz de reduzir os
moviment_?S dos grãos de _sol? _ent~e si - é o caso da adição de fibras que,
embora nao aumentem s1gmf1cativamente a resistência mecânica nem
melhore o comportamen to à ação da água, conduzem a notável melhoria
de ductilidade.

48.2.5.1 Estabilizaçã o com cimento


O cimento, hoje , é um produto disponível em quase todas as partes do
mundo . A estabilização com cimento é uma das mais simples de serem
efetuadas. Em geral, ela dá maior estabilidade dimensional, resistência
com relação à água e resistência mecânica. Muitas vezes , menos de 6%,
em massa , de cimento na terra já produz efeitos bem satisfatórios. Mas
tal efeito depende também de outros fatores, como a forma de utilização
da terra (no estado plástico ou compactada) e o tipo de argila presente.
Por exemplo , n uma terra argilosa, taxas de cimento de 3% a 5% podem
mesmo fazer decrescer a resistência em relação ao material natural. Já
terras com 65% a 70% de areia podem ter sua resistência aumentada até
com 2% de cimento. Se a argila presente for montmorilon ita, somente
taxas de mais de 8% pod e m contribuir para a resistência . Teores menor_es
fazem baixar, às vezes muito , a resistência em relação ao material
natural. O m\;,canis 1no de estabilizaçã o do cimento na terra consiste em:
, rlêtO 6bdo mais resistente'. IPSo ~ ~ \
:lá ....;...;.:la liberada durante a hidratação dos silicatos do . ta
~~· ~~
OD'lO Já citado, deve-se ter em conta que o tipo de argila ~
fJ, â.gem bem. Já a argtla montmoriloni ta que tem uma ligação r•
ilê tem influênciaº':' resultado da ação do cimento. A cauli:i~esel\te l\
a i\\~
aca, fixa. toda a cal disponível e to~na impossível a form:te_rf()\i~
produtos hidratados do cimento. Um solo com alto teor de montmça~ <11.)i,.
pode ter sua resistência praticamente sem aumento. ou mesmo dec~~\ol\ha
com~ tempo, quando tratada com cimento. Também a presença de sce~t~
orgânica perturba as reações químicas de hidratação do cimento Tmater,a
maté~i~ o~ânica no solo superiores a l % já são um ris~o axas <1~
eS t abi_hzaçao com esse material. Para a
A. incorporação de cimento na terra pode baixar ligeirame
dens 1_?ade seca máxima para uma mesma energia de compactaçãnte a
relaçao ao material no estado natural, pois há um ligeiro aumeit0 el\'\
demanda de água. da

48.2.5.2 Estabilizaçã o com cal


~ estabilização com a cal hidratada (hidróxido de cálcio, Ca(OR)) .
m~is ~omyiexa, pois três reações podem acontecer: carbonata~ã t
cnstahzaçao e floculação. CI,
A carbonataçã o consiste na reação do hidróxido de cálcio com O ,
carbônico atmosférico (Ca(OHh + C0 2 => CaC0 3 + H 20) - fenômeno ~as
começa tão logo a cal está em contato com o ar. As ligações resultan~t
são fracas, pois a cristalização é geralmente incompleta. Na medida ~s
possível, deve-se evitar que ocorra essa reação, tentando-se impedir()
entrada do gás carbônico tanto na cal antes de ser usada, quanto duranteª
cura dos tijolos estabilizado s com cal. ª
A cristalizaçã o consiste no ataque da argila pela cal, particularmen te
dos íons Si++ que se encontram no interior das \ainela de argila. Essa
reação é muito lenta e cria ligações muito só\ idas. rearranjando o interior
das lamelas por meio da criação de ligações entre grão muito mais
estáveis e semelhante aos cristais formados pelo cirncnto. Quanto mais
frágil a ligação interfoliar, maior a faci !idade da peneiração da cal, o que 3
explica o bom resultado da estabilizaçã o da ,nont,nori\o nita com e e
material.
A floculação consiste na aglomeraçã o das partículas n1uito fina da
terra. O hidróxido de cálcio , sendo altan1c ntc alcalino, 1nodifica o pH do
solo e provoca floculação das argilas cm ralao das reações de troca de
cátions. Essa reação é muito ráp ida (se dá ~,n a\gu n~ núnuto~). e um
material muito arg iloso tem modi ficado~ os 1imitcg de Attcrber~.
wrnando-se mais ~ácil de s er m~useado.
De uma maneJra gera1• maiores cuidad _ .
st bºJização
1 com cal que com e· os sao necessários com a
e ª ário para a hidratação dos liga~':1ento. Além do ambiente úmido
neces\ração do gás carbônico É tamb:s, no caso da cal, convém impedir
a peJ~deade
qua 1 o que nem sempre· acont m necessário que a cal seja de boa
d A caJ é mais apropriada p ece com

. . os produtos d"1spomve1s
' · no
merca o. ara estab1hzação de solos argilosos que
arenosos. Em ger~l. el? promove eS tabilidade dimensional e resistência à
ação da água; porem. e pequeno seu efeito na resistência mecânica.
48.2.5.3 _f:stabjlização_ com fibras
A _est_a~ihzaçao con:i fibras veg:ta~s tem sido muito empregada ao longo
d
da h1stona da humam ade. (\ propna Bíblia faz referência aos tijolos de
h
adobe C_?~ pal a~ de t~igo secas ao sol, muito empregadas na
Mesop?t~ma e Egito Antigo. ~e~mo hoje, nas modernas produções
indust:ia1s de ad?be, no Novo ~~x1co. Estados Unidos, usam-se palha e
emulsoes betummosas na estabihzação dos blocos. As fibras são bem
úteis quando se us,a ª. terra ~o estado plástico, como é o caso dos tijolos
de adobe ou d~s tecmcas mistas. O papel principal desempenhado pelas
fibras na terra e:
• impedir a fissuração durante a secagem, distribuindo as tensões
devidas à retração da terra em toda a massa do materiat
• acelerar a secagem, drenando a água para o exterior pelos canais das
fibras;
• melhorar o comportamen to do material após fissuração. dando-lhe
ductilidade e capacidade de absorver energia;
• melhorar resistência à tração e conter a propagação de fissuras.
No Nordeste brasileiro, existem em abundância fibras de sisai e de
coco. Cortadas em tamanhos de 2 cm a 5 cm, podem ser usadas em taxas
de 0,5% a 2 % em massa. Alguns trabalhos já foram feitos com essas fibra
na Universidade Federal da Paraíba (Souza, 1993 e mostram não só sua
características físicas e mecânicas , como também seu enorme potencial.
Cumpre lembrar, no entanto , que, para dar-se estabilidade à ação da água
ao conjunto terra-fibra , é necessário o uso de outro estabilizante. como.
por exemplo , o cimento , a cal, ou emulsões betuminosas.

48.3 Adobes

Os adobes são blocos ou tijolos feitos com a terra no estado plá. .sti~o.
comumente secos ao sol . O s adobes são conhesidos desde os pnmord10
da humanidade e ainda m uito empregados na Africa e em alguns paíse
latino-americ anos, representand o a tradição , e mesmo nos E ~ado
Unidos, onde já existe produç ão industrial , representand o a modernidade
(Fig ura 15).
Nlilll-. .~~~.
Figura 15 - Fabricação de adobe no antigo Egito, (Faty,1982 ). e no Estado do Novo México. EUA. lllOdcm,d.tdc
(DETHlER . 1982).
N? B~il: muito se empregou o adobe. nas cons?"Uções d e_ casas. igreja, .
préd10s pubhco s. Porém, com o surgimento das olanas mecaniz adas. os tii(.\ e
s:. • •
crus 1oram camdo em desuso. Assim, as tecnologias e a ncaçao e e constru :-d fb' - d J)()\

com ~dobes foram se perdendo. Apesar disso. ain~ hoje. em al~uns países~~;)_
america nos, como Peru e Equado r, em centro- amenca e no contme nte african
os adob~s continu am sendo muito usados, princip ~mente por ser~m o materi:\
constru tivo de menor custo (Figura 16). Já nos pruses desenvolvidos e entre
classe mais favorec ida dos países em desenvo lv~ento ,_ seu emprego ve~
crescen do por conta do apelo ecológi co dos dias atuais. Na F 1gura 17 , pode-se ver
o exemp lo de casas de luxo feitas com os tijolos crus.

Figura 16 Fabricação e construção de adobe .

Figura 17 - Casas modernas construíchl'> crnn tiinlus \.n.1,. ,-e,~ ttd


49J.l A terra adequada para afabricaçllo de adobes

ª fab1ca~~o
A terra adequ;da para de adobes deve conter pelo menos 15% de
argila. Adaptan -~:~ P:8 ~0~~ ~cação da ABNT os limites propostos pelo
1
centro Intemaci çao com Terra (CRATerre) tem-se que a
5010
composição do _0 dlOev! ~e enquadrar aproximadamente dentro' dos valores:
• pedregulho. a -10 •
• areia: 45% a 75% ;
• silte 10% a 45%;
• aro-iJa: 15% a 35%.
o s~lo que poderia ser8 _considerado ideal deveria conter de 20% a 25% de
argila, de 15%_a ~O % d_e !1te. cerca de 60 % de areia e O% de pedregulho.
Quanto ao lurute de hqmdez. Huben e Guillaud ( 1989) dizem que é desejável
que esteja entre 30% e 50% . No entanto, Souza ( 1993) trabalhou com solo de LL
== 23,5% com ex~elente~ res!-1ltados. Solos com grande quantidade de argila
apresentrul? re~çao conSideravel. mas m~itos deles podem ser corrigidos com
areia. Assim. e comum fazerem-se misturas volumétricas, usando-se, por
exemplo, duas partes de solo:. uma de areia. O uso de fibras ou mesmo palha é
desejável para conter a retraçao.
Também se usa o teste da retração para se verificar se o solo é conveniente para
se fazerem os adobes. Preenchido um molde prismfüico de 5 cm x 5 cm x 30 cm
(Figura 18) com o solo na umidade adequada indicada no item seguinte, verifica-
se após secagem, o que ocotTe. Mais de 2 cm c.le retração indica solo
in~onven.iente. Se aparecerem fissuras. também. Convém, então, corrigi-lo com
areia.

Sem

5~

figura 18 - Teste para \'erificação da adequação dn lctTn para a fabricação de adobes

48.3.3 Quantidade de água necessária e 111istura

Teoricamente a densidade seca do adobe deve ser a maior possível,


para lhe dar a ~aior resistência. A quantidade de á~ua" d~ moldagem
diminui a der,i dade seca (Equação 1), afetand~ a ~es1stenc 1_a do adobe
seco. A umid~j '1tiina do ensaio de co1npactaçao nao se aplica ao caso,
te para motdagemfai~ lliôlo. fflí1 ~1\tc
indica que a tntbatb:àbiH4a de adequada
ã dê '!dobes é atingida quando a umidade da terra está p~:r~ a
do limite de li9uidez, porém abaixo dele. Para se obterem bloc llitna
ad~be de q"!ahdade, quantidade de água é o fator mais impo os de
Mistura mais seca apresenta dificuldade de manuseio e podnantc.
preencher completamen te os moldes das fôrmas. Mistura muito ~ ~ão
pode fazer o tijolo se deformar quando o molde é retirado. Utnida
U~a maneira prática de se determinar com certa aproxima -
qu~~tidade de água necessária pode ser vista na Figura 19.
adicionado água à terra e, à medida que ela vai se tornando manuseá -se
~:f a
faz-se uma bola com cerca de 8 cm de diâmetro. Lançando-a de Ve\,
altura de aproximadam ente 1,5 m, verifica-se ~ diâ_metro e a
q~__ando ela s~ choca com o chão: se a altura for mfenor a um terço dª0
a~:a
diam~tro, significa que há muita água na terra~ se ela f
aproximadam ente igual a um teço do diâmetro, a quantidade de ágor
es!á próxima da ideal; se a altura for superior a um terço do diâmet~ª
a ~gua é insufi~iente para um bom adobe. Na prát_i~a corrente, os ain~~
~x1stentes fabricantes de adobe são capazes de ut1hzar a quantidade d
agua correta por intuição. e

Ih-~
rY
\ .
~
1
'i J 1 .

11 ~sem
15cm
~~
4
12cm
umidade boa
~
10cm
umidade baixa
5

umidade alta
altura 1/3 diâmetro
Figura J9 - Maneira prática de se determinar a consistência ideal da ten-a para a fabricação de adobe .

A homogeneiz ação da mistura terra-água pode ser operação que requer


esforço. A terra e a água são medidas em volume nas quantidade que
permitam a mistura. Esta, às vezes , é feita com os pés, como se vê na
Figura 20. Também se pode misturar a terra e a água em betoneira , ma
é muito melhor usarem-se misturadore s de e ixo vertical.
preferencia lmente aqueles com palhetas do tipo que se ,êem na Figura 20
à direita.
Figura 20 - Homogeneização da mistura terra-água.

49.3.4 Fôrmas dos blocos de adobe


D·versas variações nas formas e <lime - d ~"
1,. •• • ns~s as 1ormas podem ser encontradas.
Há fonnas para apen~s um t!Jolo, dois, tres e mesmo cinco de uma ao mesmo
tempo. Pode-se tambem fazer formas que permitam a fabricação de meio bloco
(Figura 21).

Figura 21 - Fôrmas para a fabricação de adobes.

A espessura não deve ser grande, até 10 cm ou um pouco mais. Valores maiores
podem conduzir a uma homogeneização deficiente na moldagem. A largura
recomendada é da ordem de 20 cm na Europa, que tem clima severo, porém 15
cm já conduzem a uma boa parede no Brasil, que, além do clima muito menos
variável, não apresenta o perigo dos sismos. Na Região sul, os 20 cm são mais
adequados. O comprimento dos adobes pode ir até 40 cm. Bl9cos maiores levam
a maior produtividade quando da construção dos muros. E preferível usar o
comprimento igual a duas vezes a largura. Blocos de 15 cm x 30 cm a 20 cm x
40 cm por 8 cm a 10 cm de espessura são práticos, embora, nesta última
dimensão, os tijolos sejam bem pesados. Também podem ser feitos adobes
quadrados, como mostra Figura 22 à direita.
Pensando-se em modulação com base na dimensão de l Ocm, as formas podem
ter o comprimento diminuído de 1 cm e se adotar para elas uma altura de 9 cm.
A moldagem do adobe tradicional é inteiramente manual (Figura 22). É preciso
um pouco de habilidade do fabricante . A forma deve ser previamente molhada
para facili tar dr~moJdagem. Os tijolos devem ser postos a secar sobre superfície
Figura 22 - Moldagem dos blocos de adobe e adobes quadrados.

48.3.5 Argamassas de assentamento

O. Peru foi um dos primeiros países que oficializaram uma norm


téc_n!ca s_obre construção com adobes. Trata-se da E080 Norma técnica ct!
Edif1cac16n :'-~obe (Reglamento Nacional de Cons!~uciones , 2000) na bOS~·
qual se. cJass1f1cam as argamassas para esse tipo de t1Jolo da forma: 13"r \le
a) Tipo_ 1 consiste em argamassa a base de cimento e areia ou :.re,se irtir
preferencialm ente. cimento cal e areia nas proporções volumétricas d' ~, aP
_1 :2:5 a 1 :2: ~O. devendo a resistência à compressão, medida conform: f&I{ -::; fa
rnd1cado no item 3.6. ser de no mínimo 3 MPa. Essa argamassa é usada
para adobes de resistência mais elevada (acima de 2 MPa).
b) Tipo 2: argamassa com base na própria terra podendo-se usar ou não f fa~
~o. oai'{lle n
pequ~n.as quantidades de estabilizantes . Para controlar a fissuração pode- ·e\f r
se ut1hzar palha ou fibras secas de até 5 cm de comprimento em ~itáve\ pa
proporção não menor que um volume de palha para três de terra
Recomenda- se deixar este tipo de argamassa preparada com dois dias d~
antecedência , coberta por lonas, panos molhados ou quaisquer outros
t6.2 e
·~ ~ 0nna
dispositivos que impeçam a saída da umidade , para se ter uma melhor ~talnente
homogeneiza ção. ericano~·
483.6 Controle de resistência dos adobes e da argamassa e efeito dos
\lzado fü
_.111,a~~a~
estabilizantes
,\rganr
,~o, de
48.3.6.1 Controle de resistência dos adobes
Não existem ainda, no Bras il, norm as que tratem dos adobe . Uma ,trn do~
primeira tentativa foi feita por Barbosa, Ghava mi e Gonçalve (2005). E \) númc
questão de tempo que, no país, a exe mplo do Peru, tenham-se norma~ ombra
técnicas referentes a esse materi al de constução. O principal parâmetro (Cbid
de controle da qu alidade dos blocos de adobe é a resistência t, J1ua ~
compressão . Comparada com a de out1 os materiais de co nstrução
industrializa dos, normalmente ela não é alta , sendo da 01dem de 0.6 MPa
a 2,0 MPa . No entanto, essas resistências relattvatrª"'ntc baixa~ ~ão
comPatfve!s c~m- constru çõe~ bem projetad as.
A resisten c1a a compre ssao pode ser med"d d .
· d se as duas t d 1 a cortan o-se ao meio o
cijolo e ~mnco% o se vê na ~~g: es ~ela argama ssa a ser utilizad a na
construç ao. . d d ra 2 · Um capeam ento com pasta de
. to deve ser ap11ca o nas uas su rf"' · .
c1men . . d , · d . pe 1c1es que ficam em contato com
05 disposit ivos ª maqum ~ _e ens~io para regulari zá-las. A resistên cia do
1
tijolo é dada pe ª carga ma~ima , hda no equipam ento, dividid a pela área
da seção trans versal do meJO bloco.

Figura 23 Ensaio de co mpressão em bloco de adobe

Em Barbos a, G~av"am~ e Gonçalves (2005), para fins de projeto ,


sugere-se que a resist~ncia característica à compressão dos adobes seja
obtida a partjr do ensaio de uma série de seis adobes dada pela Equação:

(Equação 3)
sendo fª'' fa2 e fa3, respect ivamen te, o menor, o segund o menor e o
terceiro menor valor da série de seis tijolos ensaiad os. O valor mínim o
aceitável para a resistê ncia caracte rística é de 0,7 MPa.

48.3.6.2 Contro le de resistê ncia das argama ssas


A Norma Peru ana de adobes está servind o de base ou mesmo sendo
diretamente t~ad uzida para ser utilizad a em muitos outros países latino-
americanos. E adequ ado , pois, adotar- se no Brasil o mesmo método
utilizado naquel a norm a para medir- se a resistê ncia à compr essão das
argamassas na constr ução com terra. Assim , a resistê ncia à compr essão
das argama ssas de terra pode ser feita moldan do-se corpos -de-pr ova
cúbicos de J O cm de aresta , sendo o materi al compa ctado ligeira mente
dentro dos molde s com uma espátu la.
O númer o mínimo de corpos -de-pr ova deve ser seis, e a secage m se faz
a sombra , por um períod o mínim o de 15 dias. O molde deve ser
conceb ido de manei ra a se poder retirar o cubo de terra sem danific á-lo.
i\1edida a área da facc do c ubo , A , antes do ensaio , se Fé o valor da carga
máxima medid a no di\pos itivo de e nsaio , a resistê ncia de cada um deles
~crá:
(Eq uaç ãoS )

~eíitÍo .t.,..,
val
t...,2 e farg3 , respectivamente, o primeiro, o segundo e o terce·
or <la sér ie de cub os ens aia dos . A res istê nci a característic iro
Dle n.or
a
6
~a .!s a, fus t, não deve ser menor que a do adobe, fak.O critéri~
se me dire m as res istê nci as dos ado bes e d e

def imç ao de lote s par
argamassas deve ser apresentado em futura norma sobre o assunto. as
48 3.6 3 Efeito de estabilizantes nos adobes
E~ ~o ra dê aos ado bes res istê nci a à açã o da águ a, a inc orp ora ção de
est~b~hz~nt~ com o cal e cimento em taxas pequenas ~em pouco efeito na
res1st enc ia a com pre ssã o. A me lho ria é not ada a par tir de 6% ou mai s d
est abi liza nte , em massa, dependendo do solo. Em alguns tipos de terr:
po~ exe mp lo. a adi ção de 4% de cal ou de cimento pode fazer baixar '
res istê nci a à com pre ssã o em relação ao material nat ura l. Há solos quª
respond <:_m me lho r ao cim ent o (qu and o há ma i?r teo r d~ are ia) , enq uan t~
out ros sao me lho res com a cal (so los ma is fm os) ,ra za? pel a qua l , nos
cas os em que se pre ten de est abi liza r os ado bes , o ma is prudente é se o
faz ere m tes tes pré vio s com o est abi liza nte a ser usa do. Ma is importante
par a a res istê nci a do ado be é a qua lid ade da ter ra que o estabilizante fi
Em uls ão asf ált ica , em tax as de cer ca de 2% , tam bém pro teg e contra ~ (

açã o de águ a. com peq uen a e ben éfi ca inf luê nci a na res istê nci a à
com pre ssã o.
Fibras veg eta is, com o de sis ai e de coc o , pro mo vem mu dan ça radica\
no com po rta me nto dos ado bes . De ixa m de ser ma ter ial frá gil par a ter um
com po rta me nto dúc til. Ta xas em ma ssa de até 2 % fun cio nam bem . Na
Figura 24 . vê- se , cla ram ent e , o efe ito ben éfi co das fib ras . En qu anto no
sol o nat ura l. ao ser ati ngi do o pic o de ten são , est a cai im edi ata me nte,
qu and o há fib ras pre sen tes , a par tir de val ore s sup eri ore s a l % em massa ,
não aco nte ce um dec rés cim o bru sco de carga . As fib r as pas sam a receber
ten sõe s. dif icu lta nd o a sep ara ção das par tíc ula s da te rra , e o ma teri al
apr ese nta com po rta me nto com o se tiv ess e um pat am ar de esc oament o.
Em bo ra em lab ora tór io teo res de 3% ou me s mo 4% de fib ras apr ese nte m
bo m co mp ort am en to , na prá tic a não é rec o me ndá ve l sup era r 2% dev ido a
dif icu lda de de di spe rsã o da s fib ras . A tra bal hab ilid ade do ma ter ial fica .
muito pre jud ic ad a , o qu e con du z a um ado be de m á qu ali dad e. qum
Se em vez de fib ras for e m usad a s pal ha s, est as de ve m ser co rta das em JNÇ
co mp rim e nto s de , no m áxi mo , 5 cm e inc orp o1 ade.\~ na ter ra num a m.
pro po rçã o de ap rox im ada me nte trê s vo lumes de palha para un1 vo lume de terra. tra\
Os adobes também podem receber r .
uso de estabilizantes é acon ~~:st1 mentos. Caso se deseje_ usá-
0
105· timento com a própria terra c se vel. No Iran. usa-se muito o
revesa! às construções. No Brasil emºm palhas. dando um aspecto bem
nat~r é recomendável usar-se ;rga geral, preferem-se superfícies lisas.
"ss1m. massa
~ rn cal permite que a parede respire. D à base de l A bºlº -
ca . esta 1 1zaçao
co, étricos cal:terra adequados d epe~dendo da terra. os traços
vo u:; s que podem ser molhadas p po em vanar desde 1:3 a 1:8. Nas
parede um pouco de cimento tamb ?r c~:mta do vento durante as chuvas. o
uso e em e recomendado .
.!p r.......--.---..........&.4,L..t....1...1..JU....U-U...1.u.u...l..U.l.U.JLU.J.1..1...Ll.U.JLl...U-4-

FIBRAS COM 5 cm

o 5 10

Oeformocoo ('/,}
Fig ura 24 - Efeito das fibras no comportamento de tijolos de terra crua
(SOUZA , 1993; GHAVAMI , TOLEDO FILHO e BARBOSA, 1999).

Traços volumétricos cimento:cal: terra da ordem de 1:2:8 podem ser


adequados. No entanto, como a variação da terra é muito grande, é
preferível que sejam feitas experimentações com alguns traços antes da
aplicação definitiva.

483.6 Ensaios em paredes de adobes

En saios estáticos em paredes de adobes mostram um comportame nto


surpreenden te . Embora as tensões médias no material sejam
relati vamente peque nas , a carga suportada por elas é consideráve l. Na
Quadro 1, têm-se resultados de ensaios de quatro paredes de adobes (uma
das quais é vista na Fig ura 25) com uma relação altura/espes sura de 18 ,5
(GONÇALV ES, 2005). Mesmo assim, todas elas resistiram a mais de 95
kN!m, que é uma carga pelo menos cinco vezes maior à de uma parede
central que dá apoio a duas lajes de concreto armado de 4 m de vão.
Figura 25 - Ensaios em paredes de adobe.

Na Figura 26, tem-se o comportamen to típico obtido no ensaio em que


a carga foi aplicada em dois ciclos antes de levada à ruptura. As curvas
de extensômetr os simétricos não coincidentes indicam excentricidad es
difíceis a elimina nesse tipo de teste. Note-se que as deformações
máximas aproximam- se de 0,1 %, valor perfeitament e tolerável nas
construções . Nas cargas de serviço, próximas de 2 kN/m, as deformações
da parede são praticament e desprezíveis . Os adobes das parede 3 e 4
tinham folhas de grama incorporada s, que, embora de baixa resi tência,
aumentaram a carga de fissuração das paredes.
Q7

o.e
• •

éi' 0.4
0.5

I " •
• •
i
; ; 0.3
• •
11
it- 0.2 ;;.-
0.1

o.o

-0.1
I
o.o 0,2
0.4 o.e o.a 1.0 1.2 1,4
Defonnaçac, (mmfm)
0,7

0,6

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. ..... ... •

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-- -
H3, Par-7
1 • E>ctens H5. Par 7
0,1

0,0

o.o 0,2 0.4 0,6 0.8 1,0 1.2 1.4

Deformação (mm/m)

Figura 26 - Comportamento típico das paredes de adobe em ensaio cíclico.

A ruptura ocorre após sinais de fissuração no corpo da parede. Ela ocorre em


zonas que ficaram submetidas a maiores tensões devidas à excentricidade do
carregamento. Se for necessária maior capacidade de carga, basta aumentar-se a
largura dos blocos ou mesmo fazerem-se paredes duplas ou triplas. Assim, as
paredes de adobe podem ser consideradas estruturais. Nas paredes de adobe,
deve-se ter cuidado com as aberturas. A construção de vergas e contra-vergas é
necessária. Também não se devem apoiar cargas concentradas do telhado
diretamente na alvenaria. Sempre é bom, no topo dos muros, passar-se uma cinta
de concreto armado para promover a amarração das paredes e receber o
madeiramento. A parede também nunca deve nascer diretamente na altura do
piso, mas sim sobre uma camada de concreto, como se fosse uma prin1eira fiada,
para evitar contato de água com a base da parede quando se lavar o ambiente.
~s àde .
~ edificações que des:afiaioi não apenas a s ~
. ~• M' prõ~os milênios . Trata-se de um material n ~
'!6'"'""co e ~ancel fO bem inferiores ao dos demais ma~ de
Pro .Jã.à·Sua durabili dade pode ser assegurada através de um bo ats de
r e v ! : contra água é fuJ?,damental, principa lmente em par~~:Ojeto.
renasci m ntos ou com ~vestim enta sem estabilizantes industrializad sem
neces .da~nto da tecnol_og1a de fabricação e de construç ão com adobes pas os. O
0
existes~ e de __? rmalizaçã~>._ mínima que seja, e pela quebra do preconce~~Pela
m relaçao aos matenru s de construç ão não industrializados. que
48 A Tijolos prensados de terra crua

d se.!1 obtenção de adobes é uma tradição milenar. o mesmo não se pode d'
os tiJolos prensados de terra crua Estes representam uma forma .. modern ,~zer
aplicaç ão da te · a de
d . . rra que nasceu nos anos 50 do século XX com o desenvolvime
fi ª pnmerr a p~ensa manual pelo pesquisador colombiano G. Ramires. Tal pre~to
icou. conhecida ~orno prensa CINVA-RAM, sendo o primeiro nome O ~a0
orgarusmo de habitação popular do Chile onde Ramires trabalhava.
No Brasil, a Associação Brasileira de Cimento Portland realizou muito
trabalhos _com o que se chamou de tijolos de solo-cimento. Foi, inclusiv:
desenv0Iv1d_a uma prensa para sua fabricação (Figura 27), com apoio do antig~
Banco . Na<:_1onal de Habitação, e foram dados alguns passos a respeito de
normah zaçao com a publicação das NBR 8491 (ABNT. 1984), NBR 8492
(ABNT , 1984), NBR 10832 (ABNT, 1989).
No entanto , durante o processo, o equipamento, moldando três tijolos ao
mesmo tempo, não consegue dar uma pressão de compactação grande à terra.
Assim , para se obterem resistências adequadas, usam-se taxas de cimento de 8%
10%, 12% e até mesmo 15%. Tais teores de ligante passam a pesa;
signifi cativam ente nos custos dos blocos. Além disso, os tijolos de pequenas
dimensões consom em muita argamassa na ligação e não conscguc1n <lar uma
grande estabilidade e rigidez aos muros. Assim, prefere-se, en1 vc, de tijolos de
solo cimen to, chama r tijolos ou blocos de terra compri mida, BTC, estabilizados
com cimento, tendo- se em conta que a pressão de con1pactação aplicada ao
material nos moldes de alguma s prensa s manua is modern as pode chegar a cerca
de 2 MPa. Na Figura 27 à direita , vê-se outra prensa que in1prin1e à terra dupla
compr essão através de um sistem a de molas. Assin1, a con1pacta~ão se dá ~anto
pela parte inferio r como pela superio r, o que produz un1 b\oco n1i.HS homogcneo.
Figura '27 - Prensa manual que produz três tijolos ao mesmo tempo:baixa pressão de compactnçilo e prensa de
melhor desempenho.

Hoje se encon~ra!:11 prensas hidráulicas de grande potência as quais


produzem blocos de res1stenc1a que podem chegar aos 6 MPa ou mesmo 8 MPa.
Na Figura 28. vê-se uma produção industrial de blocos de terra comprimida,
situada no sul de Portugal.

Figura 28 - Produção industrial de blocos de terra crua comprimida t!m Portugal.

Há uma extensa variedade de blocos de terra comprimida. De de os blocos


paralelepipédicos a aqueles com furos e/ou com encaixes. Na Figura 29 vê-se um
tipo de bloco feito em prensa manual , conhecido como bloco Mattone. que leva
o nome de um profess or do Politécnico di Torino. O professor idealizo u um bloco
com encaixes horizontais e verticais que permitem a execuç ão da alvenaria com
uma fina camada de argamassa fluida à base de ten-a e conduzem a paredes bem
rígidas e resistentes.
Figura 29- Blocos de terra comprimida com encaixes: bloco Mattone.

48·4 J Fatores que influem na qualidade dos blocos

Sendo
hetero ene.d a terr .
~ um material de composição bem variável, no qua\
fatoresg u 1 ?d~ e a regra e a homogeneidade a exceção, é importante definf
ob ºetivo~ e m uem no desem~enho ~os blocos_ prensados de terra crua. ~
~ t . a prensagem da terra e aproximar os graos, tentando reduzir os por
do. ma enal , o que_ lhe dará maior
. resistencia
. " . mecamca. " . A compactação provo os
f°J1~j ~ma reduçao do volume. A redução do índice de vazios é da ordem de 1:~~
· , nas prensas manuais. Previamente, a terra deve ser peneirada de maneira
que as p~1culas aglomeradas fiquem com até cerca de 2 mm. Resumidament
pode:se dizer que, com relação à qualidade dos tijolos prensados, ela depende de:
• t1 P<;> de composição granulométric a de terra; e.
• urmdade de moldagem~
• tipo de prensa~
• tipo e percentagem de estabilizante;
• cura.

48.4.2.1 Tipo de composição granulométrica da terra


Cada tecnologia de construção com terra tem o tipo de solo que lhe é mai \

apropriado. A terra mais conveniente para a fabricação de adobes, por exemplo.


não o é para obtenção dos tijolos pre~sados. O teor de cada componente
granulométr ico também é imp01t antc. E conveniente que o solo apre~ente
plasticidade e que seu limite de liquidc1. não seja excessivo, de preferência menor
que 40% - 45%. Para os tijolos prcnsa<lo"i, pode-se diler que é desejá\c\ que o
solo tenha:
• 10 a 20 % de argila~
• 10 a 20 % de silte~
• 50 a 70 % de areia.
Barbosa, Souza e Mattone ( 1996) ons guiran1 e cclcntcs resultado"' com um
J aJ que apresentava cerca de 11 % de "ro.1 . ·
solo oc sta última a maior quantidade ......õUa, 18% de silte e 70% de areia,
do que ne era de areia fina' ..,..x.,...,. de O 05 mm a
sen5 ). Quando o solo não se enquadra nos ci . . '6&- '
o.2 11:°1 nulométrica. É comum po tados limites, pode-se fazer uma
,orreçao J~ra ídez e índice de plasticictaJ ealxemplo~ se o solo é muito argiloso, com
J1·rnitedde do
iqu d e tos, misturá-lo com areia A nroporção
caso e po e ser um volume de t . · r
depen e m de areia etc erra para um de areia, dois volumes
de terra para u ' .

48 .4.Z.2 Umiddade d ed moldage!Il .


1
A umidade e ~o agem mais conveniente também é função do tipo de solo
para se ?bterem tIJOlos prensados de qualidade com uma determinada terra, é
ecessáno e stabelecer-se qual a percentagem ideal de água e quantidade de
st
;aterial _a serem. po a~ . no molde ~- prensa, através de um processo de
otimizaçao. A ~ nud a?e otima para os t1Jolos não é a mesma obtida no ensaio
Proctor. Nele,dsao aplicadas
s
ao solo pressões dinâmicas o que não ocorre com os
Ofr · •
blocos prensa os, que em mmto mais uma compactação quase estática. De
st
fato , um ~olo po o em u°2: molde para ser prensado, apresenta uma resposta
bastante diferente em relaç!o ~ ur~a amostra de solo submetida a um choque.
Enquanto no Proctor a tensao e aplicada instantaneamen te, na prensa gastam-se
a/gun_s ~~gundos no proces!o de co~~actaJão. Um exame da Figura 30 mostra
que, 1mc1~m~~te, .a pressao transmitida a terra é bem pequena, para depois
crescer s1gmflcativam ente em um pequeno intervalo. O último trecho
corresponde ao final do curso da prensa. Esse comportament o indicado no gráfico
é sentido fisicamente por quem opera uma prensa manual.
tensão
aplicad
à terra

tempo
Figura 30- Variação da tensão aplicada à terra no molde de prensa manual em função do tempo (OLIVIER, 1994).

A otimização é, então, feita com base na máxima densidade seca. Deixa-se a


terra com uma determinada umidade, w. Faz-se variar a quantidade de material
posto na prensa, Pi, pesando-se e medindo-se as dimensões do tijolo fabricado
para se obterem seu volume e a densidade seca pela Equação 1, em que P é o peso
do bloco logo após moldagem, ainda úmido; w é o teor de água presente~ V é o
volume do tijolo. Faz-se variar agora a quantidade de água e repete-se o processo.
Dessa forma, obtên1-se gráficos como os indicados na Figura 31. O pico mais
elevado de todas dS curvas indica o teor ótimo de umidade e o peso de material a
W ot W \

31 - Ot im i· - d "dade do so lo e o vo lum e de ma ter .


ial na pr cn ~
Fi gu ra za ça o a un u

de ns id ad e se ca im pl ic a m ai or resi stê .
co P ar a um dmesmo ti po de solo, m ai or . . nc1a ,
m o se p o e ve r na F igur a 32.
RESISTENCIA
(M Pa }
m • J'f n

'
r- 1 1 1 'r -,-
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6,
1 1
7 r= 1 ;,- K4%CIMENTO 1
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1 .::
I... .L~ - r .
1

- - - -- - - - ·-

~-::
1,8
'
1
1,9
'. o 21
DENSIDADE SECA

m a dem,idatle se ca (a da pt ad o de OLIYIER, 199-i).


Figura 32 - Aumento de resistê ncia co

48.4.2.3 Tipo de prensa çã o im po sta ao


O tipo d e p ren sa é im p ort an te . po is, qu an to 1nai or a com pac ta
ho r se rá o pro du to fi nal . N o 1n ~rca d o . en co n trm n-se já dive rs os tipos de
solo. n1el
1n an uais e hid rá ulica s. A s 1n an u ais i1 npri m cm à terra pres sã o de
prensa
actação da ordem de I MPa a 2 MPa A . . .
cortl~- . muito maiores. resultando · s prensas h~dráuh~as aphcam
pressoes. t é que se trata de equ· em produtos muito resistentes. O
;nconvemen e ipamentos pesados e caros.
, .4 Tipo e percentagem
~ 8 -t. 2 1 de estabilizante
.,
0
ÉstabiJizar um so • como Ja se tratou anteriormente significa nele
ar Produtos que melhorem suas · . •. -
;ncorpor _ . .. propriedades. mclusive sob a açao
da água. A cal nao promov~ significativos acréscimos de resistência, sendo
exigida percentagens Supeno~es ª 6% para ser eficaz. A emulsão asfáltica,
2
por seu lad~, em taxas de % rnterfere pouco na resistência mas protege bem
d ação da agu~.
ª Quanto, ao cimento Portland, os tijolos prensados são mais sensíveis que
os adobes a sua_ presença. A percen~agem do estabilizante depende do tipo de
solo que _se vai empreg':1-1" e ta~~em da resistência requerida. Se houver
muita argila presente, vai ser ex1g1do no mínimo 6 % de cimento. Se o solo
é excessivament e areno~o, podem ser requeridas taxas maiores. Se o solo é
bem graduado, 4% (~ ate mesmo 2%) de cimento já aumentam a resistência
em relação ao material br~to levam a blocos de ótima qualidade.
Antes de um empreendimen to, o melhor é proceder a testes laboratoriais
para se ter...m~lhor aproxi~ação ,do e~ta?ili~ante id_eal e de s~~ percentagem
mais econorruca que satisfaça a res1stenc1a deseJada. Os t1Jolos de terra.
quando estabi~ados, ta~bém precisam do processo de cura para evitar a
saída rápida da agua da rrustura. Se ocorrer a evaporação, não haverá tempo
para a água reagir com todos ?s grãos de cimento, e a qualidade dos blocos
cai. Superficialme nte, eles ficam com baixa resistência à abrasão. Um
método muito eficaz de cura quando se usa o cimento como estabilizante
consiste em se cobrirem os tijolos com uma lona plástica tão logo eles sejam
fabricados (Figura 33). Também se usa ficar molhando periodicamen te os
tijolos novos com um regador. No canteiro, é preferível se fazer a cura
envolvendo-se os tijolos recém-fabrica dos com uma lona plástica mantida
bem fechada por, no mínimo, sete dias. No caso de se usar cal como
estabilizante, a proteção tem que ser maior. A lona deve impedir também a
entrada de CO?, e o tempo de cura requerido é maior, da ordem de meses,
para ser bem eficaz.

Figura 33 Fabricação. cura e prédio em blocos prensados de terra crua (BARBOSA, 1997).
. IJ!bde.tn ser feito& noS<-blocos de fon:na a se contto1ar
(1 " ~ ~~tlc1a à tração indireta e o de resistência à comPiessãoS\la
" . e tração mdireta é feito conforme mostra a Figura 34. As varetas· O
pl ti~ de 1 cm x 1 cm de. seção transversal podem ser substituídas por outras de
madeJnl com as mesmas dimensões, como se vê na Figura 34 à direita. de

varetas de
plástico

Figura 34 - Ensaio de tração indireta nos tijolos de terra crua.

A velocidade de ensaio deve ser bem pequena, se possível da ordem de 0.0()1


mmls. A resistência à tração é dada por: -

ft = 2.F/(nb.h) (Equação 6)

com F - força de ruptura. suficientemente afastada da extremidade~ b - largura:


h - espessura do tijolo
Com as duas metades dos blocos resultantes, podem-se fazer mais doi en~aio-
de tração indireta em cada. ou então um ensaio de compressão, como e vê na
Figura 35. Note-se que Olivier (1994) propunha que o corpo-de-prova de tijolo:
tivesse o atrito da superfície dos tijolos com os pratos da máquina de en ·aio
praticamente eliminado. através do teflon e borracha de neoprene. No entanto. na
prática, usa-se o sistema indicado à direita, capeando-se as faces ~uperior e
inferior do corpo-de-prov a e colocando-as em contato direto com o disposiü\o de
ensaio. A velocidade de ensaio, com controle de desloca111ento. dew· ser
constante, corresponden do a 0,02 mm/s (cerca de 1,2 mm/min}. A arga1nassa de
ligação deve ser a mesma que será utilizada na construção. E desejáYd que a
resistência, igual à força medida na máquina de ensaio dividida p la area d~)
corpo-de-pro va, seja de pelo menos 2 MPa.

placa de
meio teflon
tijolo neoprene

Fig111~135 - EfüatO ck: rnmpre , o.


JS.5 considerações finais
Este capítulo tratou da terra crua com .
O
Jorados os adobes e tijolos prensados A matenal de construção. Foram
e~Ptas não puderam ser focalizadas po~ . s P~des monolíticas e as técnicas
1
~~~c~ção nas sugestões para estudos comp~taçao do espaço, deixando-se a
10
:ed (2003). Outras técnicas aqui não trata~men_tares de Walker et al. (2005).
Cy·JJaud (1989), e uma forma moderna as sao apresentadas em Houben e
ª%bém a parte rela~iva a projeto e detalh~:c::a e~truda~a, em Minke (2005).
fa tratar-se de um bvro de materiais de ~tivos nao foram apresentados,
p0r construçao
Em t~mpos em que ª preocupação com o ambie~te está mobilizando a mídia
. ternacional, espera-se que a construção com t h .
Iíl 0 -1 d erra crua gan e cada vez mais
espaçop_ Brasi 'P?T c;.~a _ e suas propriedades aqui apresentadas. Para tanto, é
1
necessario uma mai~r _ sao nas escolas de engenharia e arquitetura. Também é
importante a normahzaçao das construções com terra h , , d' · ,
,.
esta em curso\ n, rur ALKER )
, 2003 .
, O que a mve1 mun ia1Ja

Referências Bibliográfica s

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Janeiro: ABNT. 1984.
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. NBR 7180: Ensaio de Limite de Plasticidade. Rio de Janeiro: ABNT. 1984
- . NBR 6459: Ensaio de Limite de Liquidez. Rio de Janeiro: ABNT. 1984. ·
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