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Ogbe Yono

Vários caminhos do Odu falam sobre ter paciência para que se atinja o êxito.

Quando sai este Odu: tocar o ventre e soprar as mão (como que mandando para longe
algo).

Nasce o ebó shire.

Nesse Odu nasce o iñafa (collar de mazo de Ifa) -> Colocado para atefar. Serve para que
o Awo não se enferme, assim como para que os inimigos do mesmo não o alcancem.

Aqui, nasce a unificação do mundo (fala-se da unificação dos seres humanos, em


especial, da família).

Nascem os ganchos de suspensão dos açougues.

Nasce, nesse Odu, Ogun Shoro Shoro.

Nascem as muletas.

Nasce a obturação dentária (empaste de los dientes?).

Nasce o secreto do construtor das cabeças: Ajala; trata-se da origem do cântico para
temperar a cabeça dos animais de quatro patas imolados em ato sacrificial:

Iyo malero, iyo malero


Ajala iyo malero (para o sal)
Epo malero, epo malero
Ajala epo malero (para o dendê)
Ori malero, ori malero
Ajala ori malero (para o ori)
Efun malero, efun malero
Ajala efun malero (para o efun)

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Aqui, não se enterram os mortos.

Nasce que se toque a cabeça do consulente, seja com o okpele seja com os ikins, durante
o rito divinatório.

Aqui, nasce a represa (o reservatório d’água).

Fala-se de problemas para engendrar (fazer surgir algo).

Fala-se dos três primeiros Awos de Oluwo Popo (Azawano) -> Um filho de Azawani
pode ou não fazer Ifa? Diz-se que, aqui, fizeram Ifa em Babalu Aye e, desde então, esse
chama-se Oluwo Popo; contudo, o mesmo entregou sua coroa a Shango.
Nesse Ifa, Azawani entrou na terra Daomé/Arará.

Diz-se que Azawani saiu a percorrer o mundo montado em um cabrito; como o caminho
era muito longo, no caminho, ele trocava de cabrito, até que, quando todos os cabritos
acabaram, teve que montar num veado (agbaní).

“A Terra é a vingança do teu mal.” -> “La tierra es el jergón [= xergão: colchão de
palha?] de los seres vivientes y las hierbas son el despojo [resto ou fragmento] de
nuestras maldiciones.” Diz-se, por esse Ifa, que a terra é inimiga dos seres viventes.

Por esse Odu, deve-se respeitar o jacaré/crocodilo (animais de rio, portanto, que
trazem consigo o simbolismo das emoções) -> Yono significa “abrir
incomensuravelmente a boca (coisa que tais animais costumam fazer)”, ato ou
expressão de gula e ganância.

Por este Odun tiene que hacer las cosas (em especial, fala-se de trabalho)
tranquilamente, sin vanagloriarse de lo que hace; e isso, porque você sempre faz bem
suas coisas. Podem até chamá-lo de vagabundo, ou louco... mas, de fato, no que se
ocupa a fazer, é muito competente (até mais que os demais, “pero hay que hacerlo
calladamente, pues así los enemigos no interfieren”).

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Pataki “Buscando a paz”

Há tempos atrás, as terras viviam separadas umas das outras, assim como os seres
humanos. Olófin vivia triste, vendo que no mundo faltava união. Shango e Ogun são
apontados como aqueles que promoverão a união no mundo. Esses, viviam, cada um em
sua terra; terras essas posicionadas uma de frete para a outra. Ao ouvirem o chamado
missionário, saíram correndo de seus espaços, tropeçaram e acabaram abraçados. Orula,
vendo isso, disse: - É essa a união que vocês devem promover no mundo. Shango, ao
ouvir isso, disse a Orula: - Buscaremos, Ogun e eu, tal promoção, contudo, sendo os
homens como são, sempre haverá guerras; é utópico esse desejo de união total.

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Pataki “O carpinteiro”

Um carpinteiro trabalhava muitíssimo bem. Em sua oficina, havia um ajudante, seu


aprendiz. Obatalá, precisando de um novo trono, sabendo do belo trabalho realizado
pelo carpinteiro, vai ao encontro desse e lhe diz: - Faça-me um trono e, se eu gostar do
avanço do trabalho, lhe darei um presente especial, além do pagamento acordado pelo
produto. De tempos em tempos, Obatalá frequentava a oficina do carpinteiro. Muito
satisfeito com o trabalho, entregava, como recompensa pelo avança um chícara de
saraeko (um mingal, bem líquido, feito com farinha de acaçá). O carpinteiro, insatisfeito
com o presente, repassava-o ao seu aprendiz. Esse, quando bebia o conteúdo da chícara,
percebia que no fundo, havia pérolas ou diamantes. E assim ocorria toda vez que
Obatalá ia à oficina (várias vezes). Obviamente, o aprendiz ficou rico, montando sua
própria oficina - uma bela oficina, muito melhor do que aquela de seu mestre.
Rapidamente, o carpinteiro foi à falência, tendo que tornar-se funcionário de seu antigo
aprendiz.
Nota: Esse caminho fala de uma recompensa velada; que, embora não aparente ser, no
fundo, é. O bom trabalho é grandemente recompensado, contudo, deve-se estar atento
para que se reconheça tal recompensa. Podemos pensar que, para que sejamos
recompesados, devemos engolir certas coisas, mesmo que a contragosto. Ao final,
seguindo com o bom trabalho, torna-se evidente o prêmio devido.

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Pataki “O Iñafa”

Esse caminho fala de feitiço endereçado por alguém à pessoa (ou vice-versa). Com o
Iñafa, composto pelos ilekes de diversos Orishas (os, digamos, principais), protege-se
dos inimigos.

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Pataki “O nascimento de Ogun Shoro Shoro”

O galo era aquele que sabia todos os secretos. Elegba tinha ódio do galo e, por isso,
tentou acabar com aquele. O galo, dando-se conta dos intentos de Elegba, buscou
auxílio com seu amigo Ogun. Esse, disse ao galo: - Nada posso fazer por você, pois
Olófin já decretou sua morte; e, além disso, muito contrariado, sou eu quem tem que dar
um fim em você, galo. Sem poder desobedecer a lei de Olófin, Ogun teve que matar o
galo, entretanto, para que esse não sofresse, não cortou sua cabeça de uma só vez; o fez
pouco a pouco, com jeito.

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Pataki “O Awo orgulhoso que não consultava por pouco dinheiro”

Havia um Awo que cobrava muito caro por seus jogos e trabalhos de Ifa; não baixava
seus preços por nada nem ninguém que fosse. Certa feita, chegou ao Ilê desse Awo um
“limosnero” (= que coleta esmola para si ou a reparte com outros). Sem dinheiro, o
“limosnero” tentou pechinchar o valor do osodê, contudo, em vão. Necessitado, o
“lismonero” buscou o auxílio de outro Awo. Esse, atendeu-o com o que pudera pagar.
Como tratamento, foi-lhe solicitada a realização de um ebó (pago com valores muito
modestos, também), o qual deveria ser depositado atrás da porta do palácio real. O
consulente (“lismonero”) relatou ao Awo seu medo em fazê-lo, visto que poderia ser
preso. O Awo disse-lhe que, se preso fosse, não seria ruim. Sem entender muito bem,
mas desesperado, o consulente fez o que lhe fora solicitado. Sem surpresas, foi preso e
levado à presença do rei. Ao ser inquirido por esse acerca da razão do ebó colocado
atrás de sua porta, disse-lhe o “lismonero” que tratava-se de uma orientação de Ifa,
mediada por um Awo que, tamanha gratidão que tinha em seu peito, chamou de pai. O
rei requisitou a presença do Awo que, na presença do rei, respondeu suas perguntas e
percebeu certa dificuldade do mesmo ao sentar-se no outro. O Awo dispôs-se a ajudar o
rei que, logo, tamanha a evolução positiva de seu quadro, optou por iniciar-se; algo que
logo resultou em sua feitura de Ifa. O Awo caridoso foi declarado “Babalawo oficial do
reino”. Na feitura do rei, estava presente o Awo orgulhoso (aquele careiro, do início da
história). Como esse estava sem seu iñafa, foi punido veementemente por Orula (no
pataki, chega a perder sua cabeça).

Nota: O Awo orgulhoso, por ser deveras ganancioso, acabou perdendo a proteção do
Orun (Egun e Orishas, simbolizados pelo iñafa). Já o Awo caridoso, foi recompensado
pela prestatividade. Por esse Odu, não se deve, portanto, ser ganancioso; e sim,
caridoso.

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Pataki “A cabeça batizada”

Os filhos de Ogun, Oro (Orun) e Orula foram à casa de Ajala (que morava num local
longínquo), em busca da cabeça perfeita. Por recomendação, esses não deveriam se
desviar do caminho e, com a bênção de Ajala, receberiam uma cabeça perfeita. Ao final,
os filhos de Ogun e Oro se precipitam: Ajala não estava em casa, quando lá chegaram,
e, impacientes, escolheram por conta própria suas cabeças. Um escolheu uma cabeça
ainda mole (não estava endurecida, ainda, o que exige tempo) e o outro, um quebrada.
Na primeira chuva (lembrar que água simboliza sentimento/emoção), as cabeças
mostraram-se defeituosas. O filho de Orula foi muito paciente, fez tudo aquilo que fora
orientado a fazer e, com a bênção de Ajala, recebeu uma cabeça perfeita, previamente
testada e abençoada. O filho de Orula prosperou muito, graças à sua boa cabeça.

-- Pataki “A derrota de Ogbe Yono”

Ogbe Yono achava-se bom demais. Por isso, não seguiu as orientações de Ifa. Em sua
ganância, desafiava todos os Obás para lutar, tendo por fim tomar-lhes tudo o que era
deles. Por fim, encontra um Obá mais esperto que lhe vence.

Nota: Cuidado com a ganância, com o orgulho e com a vaidade.

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Pataki “La paciencia se hace rey”

O Odu, como um todo, fala em ter paciência para que se atinja a prosperidade. Apesar
de tudo o que a serpente fazia (queimava e destruia todos os pertences de seu marido),
Ifa, seu marido, se mantinha paciente ao lado dela. Por fim, ela, arrependida, defeca
riquezas em abundância para ele, inclusive um filho (na tumba do pai e na tumba da
mãe dele?).

Nota: Essa questão da tumba do pai e da mãe, acredito que tenha relação com
Egun/Ancestralidade paterna e materna, que, por herança (espiritual-material) acaba
recompensando o indivíduo, por ser paciente, perseverante e obediente. A questão do
filho, é simbólica (são frutos quaisquer originados pela pessoa).

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Pataki “Não pagavam a Orula”

Orula vendia produtos na praça, mas tudo que dele compravam, não pagavam. Um dia,
enfurecido, pegou um facão e, com violência foi cobrar as dívidas; contudo, com tal
violência, não conseguiu avançar em seu intento. Mais calmo, após osode e ebó,
retornou à praça, percebendo que uma grande escassez de produtos assolava o local.
Como somente ele tinha mercadorias a serem vendidas, embora amedrontados (em
decorrência da fúria pretérita apresentada por Orula), pouco a pouco os clientes vinham
ao seu encontro, e pagavam no ato da compra.

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