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Licenciatura em Geografia

Pedologia e Edafologia

Autor: Edivan Rodrigues de Souza


Coautores: Bianca Silva Tavarez
Christiane Torres de Paiva
Rômulo Vinícius C. C. de Souza
Vânia Soares de Carvalho

Instituto Federal de Educação,


Ciência e Tecnologia
de Pernambuco

Recife-PE
2011
Presidência da República Federativa do Brasil

Ministério da Educação

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES

Este Caderno foi elaborado em parceria entre o Instituto Federal de Educação,


Ciência e Tecnologia de Pernambuco - IFPE e a Universidade Aberta do Brasil - UAB

Equipe de Elaboração Diagramação


Magnun Estalonne Araújo de Amorim
Coordenação do Curso
Maria José Gonçalves de Melo Edição de Imagens
Supervisão de Tutoria Magnun Estalonne Araújo de Amorim
Elvira de Paula
Logística de Conteúdo Revisão Linguística
Giselle Tereza Cunha de Araújo Adriano Ribeiro da Costa
Aldo Luiz Silva Queiroz
Coordenação Institucional Revisão Conteúdo
Reitoria Washington Luiz Silva Lago
Pró-Reitoria de Ensino João Allyson Ribeiro de Carvalho
Diretoria de Educação a Distância
Pró-Reitoria de Extensão
Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação
Pró-Reitoria de Administração e Planejamento
Sumário

Sumário 5

Palavra do professor-autor 7

Aula 1 - A ciência do solo e sua importância para a


Geografia. 9
Aula 2 - Gênese e formação dos solos. 19
Aula 3 - Propriedades físico-químicas dos solos. 35
Aula 4 - Classificação dos solos usada no Brasil. 51
Aula 5 - Manejo e conservação dos solos. 85
Palavra do professor-autor

Prezado(a) estudante,

É com grande satisfação que apresentamos este material instrucional no


curso de Licenciatura em Geografia, pois este componente curricular é de
grande importância no estudo do espaço geográfico, uma vez que o solo é
um dos componentes naturais da paisagem.

A ciência do solo abrange várias áreas, como: gênese, química, física, ferti-
lidade, manejo e conservação, classificação, biologia, entre outras, se cons-
tituindo em conhecimento primordial na utilização racional e sustentável
desse recurso natural.

Esperamos contribuir com esta publicação nesse sentido e também no as-


pecto ligado ao ensino sobre o solo.

Boa leitura!

Os autores

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Apresentação da Disciplina

É com grande satisfação que iniciamos esta disciplina, pois a compreensão


dos aspectos que envolvem o solo e a paisagem é muito importante no es-
tudo do espaço geográfico.

Veremos ao longo deste livro os seguintes conteúdos:

Aula 1: A ciência do solo e sua importância para a Geografia.

Aula 2: Gênese e formação dos solos.

Aula 3: Propriedades físico-químicas dos solos.

Aula 4: Classificação dos solos usada no Brasil.

Aula 5: Manejo e conservação dos solos.

Assim, esperamos contribuir para a formação do(a) estudante dentro do âm-


bito da ciência do solo.

Os autores

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Aula 1 - A Ciência do Solo
e sua importância para a Geografia

Objetivos

Ao término deste capítulo, o(a) estudante será capaz de:

- Identificar a importância da Ciência do Solo para a Geografia;

- Compreender a relação entre o solo e o relevo e suas respectivas


limitações e potencialidades para as atividades humanas.

Assuntos
–– Aspectos históricos;
–– Conceitos de solo;
–– Relação solo paisagem.

Introdução
A paisagem como resultado do que se observa no dia a dia abrange um
sistema complexo de organização entre seus elementos. Nesse caso, o solo
é um dos elementos naturais que precisa ser considerado para um bom pla-
nejamento de uso dos recursos naturais disponíveis em uma determinada
região.

O solo é um corpo tridimensional da paisagem, resultante da ação com-


binada de vários processos que o originaram (processos pedogenéticos) e
da ação dos fatores de formação - clima, relevo e organismos - sobre o
material de origem (rochas) durante certo período de tempo. Dessa forma,
dependendo das inúmeras combinações entre os processos pedogenéticos
e os fatores de formação, originam-se vários tipos de solos, que apresentam
natureza, composição e comportamento diferenciados

O conhecimento dos variados tipos de solos de uma dada região permitirá


o desenvolvimento de ações adequadas às potencialidades e restrições que
este elemento impõe ao ambiente, tais como o uso para construção civil ou
para produção de alimentos, por exemplo. Ou seja, conhecer o tipo de solo

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Saiba mais que ocorre numa determinada área é de grande importância no planejamen-
to racional de seu uso por diversos campos da ciência, tais como: Agrono-
mia, Geologia, Geografia, Geomorfologia, Biologia, Engenharia e Ecologia,
Em 1877, o naturalista
russo Vasilli V. Dokouchaiev uma vez que implica consequências sociais, econômicas e ambientais.
participou de uma
comissão, nomeada pelo
Tzar, para estudar os efeitos Desse modo, considerando-se que a combinação de vários elementos na-
da seca catastrófica que
havia ocorrido naquele ano
turais que resulta em uma determinada paisagem interfere em todas as ati-
nas planícies da Ucrânia. vidades humanas, o único meio das organizações humanas produzirem e
Nessa comissão, ele teve
oportunidade de estudar sobreviverem é estudando e conhecendo a paisagem na qual estão inseridas.
detalhadamente os solos
dessa região. Anos mais
tarde, ele foi convocado
para liderar trabalho
semelhante nas florestas
Aspectos Históricos
da região de Gorki, a leste No estudo dos solos ao longo do tempo, podem-se verificar três grandes en-
de Moscou e de clima mais
frio e úmido. Comparando foques: o Edafológico, o Geológico e o Pedológico, que veremos a seguir.
então as terras dessas duas
regiões, ele constatou
que ambas diferiam entre O enfoque Edafológico pode ser observado desde os primórdios das civiliza-
si e concluiu que isto era
devido ao clima diferente
ções, quando o solo era visto como um meio natural para o crescimento e
das regiões. Além disso, ele desenvolvimento das plantas. Assim, quando os homens passaram a cultivá-
também observou que nas
duas regiões estudadas, las, logo procuraram reconhecer os melhores solos para produzirem alimen-
os solos eram compostos tos, o que resultou em um conhecimento maior sobre as terras para cultivo
de uma sucessão de
camadas horizontais que e um estímulo para o desenvolvimento de seu estudo.
se iniciavam na superfície
e terminavam na rocha
subjacente. Ele reconheceu Com o surgimento da Geologia, no final do século XVIII e início do século
e interpretou essas camadas
como resultantes da ação XIX, o solo passou a ser observado como resultante da ação de agentes na-
conjunta de diversos fatores turais, tais como o clima e os organismos, sobre a rocha. Ou seja, no enfoque
que deram origem ao solo,
entre os quais o clima e, Geológico, o solo era visto apenas como sendo um manto de fragmentos
verificou ainda que cada
tipo de solo poderia ser
de rocha e produtos de alteração, que reflete unicamente a composição da
caracterizado pela descrição rocha que lhe deu origem.
detalhada das mesmas.

Fonte: LEPSCH, 2002. Porém, com a constatação da existência de solos diferentes desenvolvidos a
partir de uma mesma rocha de origem, a concepção sobre o conceito de solo
passou a ter uma conotação mais genética; ou seja, é identificado como um
material que evolui no tempo, sob a ação dos fatores naturais ativos na su-
perfície terrestre. Desse modo, em 1877, o naturalista russo Vasilli V. Dokou-
chaiev lançou as bases da Pedologia, após um estudo realizado na Ucrânia
e na Rússia. Nesse estudo, foi detectada a existência de diferentes tipos de
solos e sua estreita ligação com as condições climáticas locais. Além disso,
foi observado que os solos eram formados por seções horizontais diferentes,
que denominou de horizontes. Dokouchaiev reconheceu o solo como um
corpo dinâmico e naturalmente organizado que pode ser estudado por si só,
tal com as rochas, as plantas e os animais (LEPSCH, 2002).

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O estudo do solo, com base em perfis e cortes transversais, foi a metodologia Saiba mais
de maior aceitação e uso ao longo do tempo. Porém, com o desenvolvimen-
to da ciência pedológica, novas técnicas e metodologias foram criadas e os
Edafologia (do grego edaphos
estudos pedológicos foram se transformando e tornando-se cada vez mais = terra ou terreno, e logos ,
detalhados e precisos, a fim de integrar e compatibilizar as diferentes escalas estudo) é a ciência que estuda
a relação do desenvolvimento
de estudo dos solos, que vão desde a escala da paisagem (macroscópica) das plantas nos diferentes
solos.
até as escalas microscópicas (estudo de lâminas delgadas de solo). Dentre os
novos procedimentos criados a partir da segunda metade da década 60 do Pedologia (do grego pedon
= solo ou terreno, e logos ,
século XX, merece destaque a Análise Estrutural da Cobertura Pedoló- estudo) é a ciência do solo que
gica, que estuda o solo como um meio contínuo, organizado e estruturado aborda sua morfologia (cor,
textura, estrutura, consistência,
ao longo das vertentes, buscando abrangê-lo de forma contínua no espaço etc) e é básica para se
estabelecer um sistema de
e nas suas relações históricas. classificação.

O termo Edafologia é algumas


vezes usado como sinônimo de
Conceitos de Solo Pedologia Aplicada ao estudo
do solo, visto como o meio
Na ciência do solo, como em qualquer outro ramo do conhecimento natural, onde se cultivam as plantas
(LEPSCH, 2002).
existem subdivisões criadas para detalhar estudos específicos com intuito de
facilitar a resolução de problemas do cotidiano. Desse modo, existem várias
especialidades relacionadas com o estudo dos solos, tais como a Edafologia
e a Pedologia.

No Brasil, a Ciência do solo subdividiu-se em várias outras subáreas do co-


nhecimento, tais como: Fertilidade, Química, Física, Microbiologia, Manejo,
Conservação, dentre outras.

Dessa forma, o conceito de “solo” depende do foco em que está sendo


estudado ou da função que possui para um determinado fim. Para um ge-
ógrafo, o solo pode ser visto como um corpo tridimensional da paisagem.

Já para um geólogo, o solo pode ser entendido como uma parte de uma
sequência de eventos geológicos contidos no “ciclo geológico”.

Para um engenheiro de minas, o solo é um material solto que contém recur-


sos minerais a serem explorados, diferentemente do engenheiro civil, que
o considera como base de construção de obras e matéria-prima para essas
obras.

O engenheiro agrônomo entenderá o solo como um meio onde se cultivam


as plantas e o engenheiro florestal como um substrato para o desenvolvi-
mento da cobertura vegetal.

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E para um Pedólogo, o solo é algo dinâmico que teve sua formação iniciada
a partir de uma rocha que se desagregou mecanicamente e se decompôs
quimicamente até formar um material solto que, com o passar do tempo,
se espessou, modificando-se e individualizando-se. Ou seja, o pedólogo in-
teressa-se em estudar as camadas superficiais dos solos como também pelas
camadas subsuperficiais e procura entender os processos que atuaram na
formação do solo (pedogênese) (LEPSCH, 2002).

Assim, os solos podem ser compreendidos como produto da ação de fato-


res de formação, tais como clima e organismos, controlados pelo relevo,
atuando sobre um material de origem, ao longo do tempo, que por sua
vez geram uma situação de desequilíbrio que resulta em intemperismo e for-
mação de solos (pedogênese). Tais fatores, por sua vez, continuam atuando
no solo mesmo após sua formação.

Dentre os fatores de formação do solo, o material de origem e o tempo são


considerados fatores passivos, ou seja, não adiciona e não exporta mate-
rial, nem gera energia que possa acelerar os processos de intemperismo e
pedogênese. Já o clima e organismos são fatores ativos, ou seja, são deles
que provêm a energia e compostos químicos que resultam nos processos de
formação do solo. E o relevo é fator controlador.

Relação Solo e Paisagem


O objeto de estudo da Geografia é o espaço geográfico natural e cultural.
Dentro do espaço geográfico natural, a paisagem pode ser vista como indi-
cadora de processos dinâmicos, isto é, em constante transformação. Embora
a atividade humana se constitua na maior força no processo de transforma-
ção da paisagem, alguns elementos, tais como os solos, podem restringir ou
permitir tais atividades devido às suas características intrínsecas.

Diversos tipos de solos ocorrem em diferentes paisagens, não de forma ale-


atória, mas segundo padrões, ou seja, refletem de um modo geral as par-
ticularidades da combinação entre o material de origem, o clima, o relevo
e os organismos vivos que atuam ao longo do tempo. Ou como afirmou o
pedólogo pioneiro russo Vasiliy Dokuchaev (1846-1903), refletem a “idade
da paisagem”.

Considerando o relevo como um elemento importante na definição da pai-


sagem, pode-se verificar que também o mesmo apresenta estreita relação
com a ocorrência de determinados tipos de solo.

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Em geral, o relevo da superfície do solo pode ser classificado segundo Santos
(2005) em:

a) plano a suave ondulado (até 8% de declive, ou seja, a cada 100 m de


superfície, há uma declividade de no máximo 8 m);

b) ondulado (8 a 20%);

c) forte ondulado (20 a 45%);

d) montanhoso (45 a 75%).

Na figura 1, pode ser observada a relação entre a ocorrência de solos rasos


e profundos e o relevo do Nordeste do Brasil.

Figura 1: Solos-paisagens na região nordeste do Brasil


(Fonte: Adaptado de Pedologia Fácil. Hélio do Prado. Disponível em: <http://www.
pedologiafacil.com.br/glossario.php> Acesso em 01/03/2011).

Os relevos mais planos estão associados com os solos mais profundos. Nes-
tes solos, as atividades humanas são melhor desenvolvidas, devido às facili-
dades de acesso e potencialidades locais.

Já os relevos mais declivosos (ondulados, fortemente ondulados e monta-


nhosos) estão associados com solos mais rasos, onde existe um maior risco
de ocorrência de erosão e desmoronamentos. Isso se torna um fator restriti-
vo às atividades e ocupações humanas.

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Resumo
Os solos são resultantes da ação combinada de vários processos que o ori-
ginaram e da ação dos fatores de formação - clima, relevo e organismos
- sobre o material de origem (rochas) durante certo período de tempo. São
estudados pela Ciência do Solo sob diversos aspectos e sua ocorrência está
relacionada com diversos fatores ambientais, dentre os quais o relevo, que li-
mita ou potencializa seu uso. Contudo, o conhecimento do tipo de solo que
ocorre em uma determinada área é indispensável para um bom planejamen-
to e gestão dos recursos naturais disponíveis em uma determinada região.

Atividades
1) Descreva com suas palavras qual a importância da Ciência do Solo
para a Geografia

Através do conhecimento produzido pela Ciência do Solo a Geografia pode


correlacionar a ocorrência de diferentes tipos de solos em diferentes pai-
sagens, de acordo com padrões que refletem de um modo geral as parti-
cularidades da combinação entre o material de origem, o clima, o relevo e
os organismos vivos que atuam ao longo do tempo. Esse conhecimento é
muito importante no planejamento de uso do solo, seja ele localizado em
áreas urbanas ou rurais.

2) Qual a diferença entre Pedologia e Edafologia?

Pedologia é a ciência do solo que aborda sua morfologia (cor, textura, estru-
tura, consistência, etc) e é básica para se estabelecer um sistema de classifi-
cação. E a Edafologia é a ciência que estuda a relação do desenvolvimento
das plantas nos diferentes solos. Contudo, o termo Edafologia é algumas
vezes usado como sinônimo de Pedologia Aplicada ao estudo do solo, que é
visto como o meio onde se cultivam as plantas.

3) Com relação à ocorrência de solos rasos e profundos, liste algumas


atividades humanas que podem ser desenvolvidas nesses solos

Os solos rasos estão associados aos relevos mais declivosos (ondulados, for-
temente ondulados e montanhosos). Devido ao fato de que nessas condi-
ções existe um maior risco de ocorrência de erosão e desmoronamentos,
essas áreas devem ser utilizadas de forma muito restritiva. Ou seja, deve-se
manter a cobertura vegetal e utilizar métodos de manejo de solo conside-
rando suas limitações.

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Os solos mais profundos estão associados aos relevos mais planos, onde as
atividades humanas são melhor desenvolvidas devido às facilidades de aces-
so e potencialidades locais. Ou seja, nesses solos pode-se desenvolver por
exemplo, diversas atividades de cultivo agrícola.

Referências
LEPSCH, I. G. Formação e conservação dos solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.
MENDONÇA, F. A. Geografia e meio ambiente. 6. ed., São Paulo: Contexto, 2002.
OLIVEIRA, J. B. Pedologia aplicada. 2.ed., Piracicaba: FEALQ, 2005.
PRADO, H. Pedologia Fácil. Disponível em: <http://www.pedologiafacil.com.br/glossario.
php> Acesso em 01/03/2011.
SANTOS, R.D.; LEMOS, R.C.; SANTOS, H.G.; KER, J.C.; ANJOS, L.H.C. Manual de descrição
e coleta de solo no campo. 5. ed. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2005.
100p.
SILVA, C. S.; FALCÃO, C. L. C. & FALCÃO SOBRINHO, J. O ensino do solo no livro didático
de Geografia. Revista Homem, Espaço e Tempo. Número 1, Ano II, Março de 2008, Centro
de Ciências Humanas da Universidade Estadual Vale do Acaraú/UVA. ISSN 1982-3800.

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Saiba mais
Aula 2 - Gênese e formação
dos solos Pedogênese é o processo
que origina os solos e seus
horizontes.

Perfil do Solo é a seção


Objetivos vertical, através do solo,
englobando a sucessão de
horizontes ou camadas,
acrescida do material mineral
Ao término desta aula, o(a) estudante será capaz de: subjacente pouco ou nada
alterado pelos processos
pedogenéticos e o manto
- Compreender a ação dos fatores que influenciam na formação superficial de resíduos
orgânicos.
dos solos assim como os diferentes tipos de solos existentes.
Horizontes são partes de
um perfil de solo, mais ou
menos paralelas à superfície,
Assuntos resultantes da ação dos
processos pedogenéticos
–– Fatores de Formação do Solo (adição, perda, translocação e
transformação).
–– Processos Pedogenéticos
Camadas são partes de um
Introdução perfil de solo, mais ou menos
paralelas à superfície, nada
Como visto na aula anterior, o solo é um corpo tridimensional da paisagem, ou pouco influenciada pelos
processos pedogenéticos
resultante da ação combinada de vários processos (processos pedogenéti- (podemos identificar
intemperismo, mas não
cos) e da ação dos fatores de formação - clima, relevo e organismos - sobre pedogênese).
o material de origem (rochas) durante certo período de tempo. A sua visuali-
(SANTOS et al., 2005).
zação e estudo por parte dos pedólogos é feita a partir de um perfil de solo,
que está organizado na forma de horizontes e/ou camadas que refletem a
influência do ambiente. Para isso, podem-se utilizar trincheiras abertas em
meio à paisagem ou cortes de estradas, obedecendo a critérios específicos
para avaliá-las (PRADO, 1995).

A formação do solo é um processo contínuo que envolve a desagregação e


decomposição das rochas. O intemperismo (físico e químico) é a ação direta
do calor do Sol e da água da chuva, bem como outros fatores, que modifi-
cam aspectos físicos e a composição química dos minerais que compõem as
rochas quando expostas à atmosfera (PRESS et al., 2006).

A combinação entre os processos pedogenéticos e os fatores de formação


resulta na variação dos tipos de solos existentes, além de outros aspectos de
igual importância que serão abordados ao longo deste curso e estão ligados
à interação dos componentes já citados.

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Os fatores de formação do solo (passivos e ativos), estudados na aula ante-
rior, serão condicionadores dos processos de formação do solo (pedogené-
ticos), que devem ser entendidos como um complexo ou uma sequência de
eventos (incluindo complicadas reações e simples rearranjamentos de mate-
rial) que intimamente afetam o solo. Os processos pedogenéticos são repre-
sentados basicamente por adições, perdas, transformações e translocações.

A enorme quantidade de solos diferentes no que se refere à cor, espessura,


textura, constituição química e mineralógica presente na superfície da Terra
seria resultado de um conjunto de ações a que esteve submetido determi-
nado material de origem. Por isso, é fundamental entender o solo como um
sistema aberto em que há ganhos e perdas de energia, materiais, água; ao
mesmo tempo em que ocorrem transformações desses materiais além de
translocações (movimentação) dos mesmos, garantindo essa diferenciação
no material de origem.

Fatores de Formação do Solo


A formação de um solo como visto na paisagem começa a partir de um
momento inicial ou “tempo zero”, que pode ser recente ou há milhares de
anos, em que o material fica sujeito à ação dos outros fatores de formação
- clima, relevo, organismos -, que em conjunto atuarão ao longo da sua his-
tória, promovendo ou acentuando fenômenos físicos e químicos, resultando
em diferentes solos (Figura 1).

Figura 1 - Ação conjunta dos fatores de formação do solo considerando um relevo


plano. Fonte: Resende et al., 2002.

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Intemperismo
Antes de discutirmos a respeito dos fatores de formação, é necessário falar
um pouco sobre intemperismo. Ele pode ser conceituado como conjunto
de fenômenos químicos, físicos e biológicos que provocam a alteração das
rochas e seus minerais, causados pela ação do clima e dos organismos. Para
fins de estudo, podemos dividir o intemperismo em dois tipos: físico e quí-
mico; todavia, na prática, os dois ocorrem concomitantemente, apesar de
muitas vezes predominar um sobre o outro, dependendo do clima e do re-
levo local.

O intemperismo físico consiste na ruptura mecânica das rochas, ou seja,


não há mudanças significativas na constituição química e mineralógica das
mesmas. Nesse caso, a temperatura tem papel importante na capacidade
de expansão e contração das rochas, maximizada pela baixa transferência
de calor, além da variabilidade de coloração das rochas (mais escuras ab-
sorvem mais calor). Como resultado, têm-se fraturas e fissuras que levarão
a desintegração das rochas em volumes menores. Os organismos, a exem-
plo das plantas, causam a desagregação e esfoliação pela ação das raízes
que penetram pelas fraturas e fendas acelerando o processo pelo esforço
mecânico. Em geral, nas regiões áridas, predomina o intemperismo físico,
devido à escassez de água, imprescindível para que o intemperismo químico
se manifeste. Por essa razão, os solos nessas regiões são pedregosos, pouco
profundos e pouco alterados quimicamente (OLIVEIRA, 2005).

O intemperismo químico se caracteriza pelo desequilíbrio nas condições am-


bientais (água, temperatura e pressão) em que as rochas estão expostas na
superfície da Terra. As condições climáticas da superfície terrestre são muito
diferentes das condições existentes em maiores profundidades do solo onde
o material de origem é formado. Nesse caso, a composição química e mine-
ralógica seria alterada, produzindo materiais de constituição e arranjamento
entre constituintes completamente diversos. Elementos são liberados das es-
truturas cristalinas originais, dando origem a novos compostos, os quais, por
sua vez, têm determinante importância na formação dos solos e no compor-
tamento agronômico e geotécnico deles.

Dentre os processos envolvidos no intemperismo químico, destacamos a hi-


drólise como a mais importante, para que ocorra é fundamental a presença
da água. A ação da hidrólise no material de origem irá acarretar o desbalan-
ceamento de cargas na interface entre as moléculas de água e a estrutura
das rochas, permitindo a penetração de íons hidrogênio (de pequeníssimo

Pedologia e Edafologia 21 UAB


raio iônico) no interior dessa estrutura e a substituição de íons ali existen-
tes; esse processo irá cada vez mais fragilizando a rocha e abrindo caminho
para a completa intemperização. A temperatura tem grande influência nesse
processo, pois com o aumento dela ocorre uma maior dissociação da água,
e consequentemente maior a concentração de hidrogênio. É por essa razão
que solos das regiões quentes e úmidas são, em igualdade de condições,
mais evoluídos que os das regiões temperadas (OLIVEIRA, 2005).

Após uma breve explanação a respeito dos diferentes intemperismo, iremos


discutir sobre os fatores de formação do solo:

Material de origem
A diferente constituição mineralógica do material de origem, sob as mesmas
condições climáticas, dará origem a distintos tipos de solo. O material de ori-
gem será o estágio inicial do sistema solo e sua decomposição e/ou alteração
será causada pela ação combinada dos diversos fatores.

A litosfera (crosta superficial) da Terra é formada basicamente por três gran-


des grupos de rochas, segundo sua gênese: magmáticas, metamórficas e
sedimentares. As rochas magmáticas (que podem transformar-se em meta-
mórficas) constituem cerca de 95% do volume total da crosta, mas ocupam
apenas 25% de sua superfície, enquanto as sedimentares e as metamórficas
contribuem com apenas 5% do volume, mas cobrem 75% da superfície da
crosta. Ao pedólogo interessa particularmente conhecer a constituição mi-
neralógica das rochas e os processos de intemperismo aos quais elas estão
ou estiveram sujeitas (Oliveira, 2005). Aqui, iremos abordar o papel do ma-
terial de origem no processo de formação do solo.

Apesar da enorme variedade de rochas sedimentares, metamórficas e ígneas


que compõem a litosfera, a composição básica da litosfera é bastante sim-
ples, pois cerca de 99% (em volume) de seus materiais são constituídos por
apenas oito elementos, com que apresentam a seguinte abundância relativa
de átomos (em massa): oxigênio, 62,6%; silício, 21,2%; alumínio, 6,5%;
ferro, 1,9%; magnésio, 1,8%; cálcio, 1,9%; sódio, 2,6%; e potássio, 1,4%.
Podemos perceber que os íons oxigênio e silício são os mais abundantes na
litosfera, determinando, então, a predominância dos silicatos sendo o gru-
po de minerais mais importantes do ponto de vista pedológico (OLIVEIRA,
2005). As estruturas cristalinas, para serem estáveis, requerem neutralidade
de carga, entretanto isso normalmente não ocorre na maioria das rochas,
favorecendo o intemperismo.

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A organização das estruturas dos silicatos e sua constituição dependem de
alguns fatores: tamanho dos íons (raio iônico); modo como as estruturas
iniciais (tetraedros e octaedros) se arranjam em estruturas mais complexas;
quantidade de cargas dos íons envolvidos. O resultado dessa combinação de
fatores são silicatos com estruturas, composições e resistência ao intemperis-
mo diferenciadas, classificados em seis grupos: nesossilicatos, sorossilicatos,
ciclossilicatos, inossilicatos (de cadeia simples e de cadeia dupla), filossilica-
tos e tectossilicatos. A olivina exemplifica os nesossilicatos; o epídoto, os
sorossilicatos; a turmalina, os ciclossilicatos; os piroxênios e os anfibólios,
respectivamente, os inossilicatos de cadeia simples e dupla; os minerais de
argila (caulinita, esmectita, vermiculita, entre outros) exemplificam os filossi-
licatos; e os feldspatos e o quartzo, os tectossilicatos (TEIXEIRA et al., 2000).

A organização estrutural desses silicatos é da mais alta importância do ponto


de vista pedológico, pois dela depende sua maior ou menor resistência ao
intemperismo e, consequentemente, na formação do solo. Então, os solos
podem se desenvolver de materiais derivados de rochas ígneas ou meta-
mórficas claras, como os granitos e os quartzitos, de rochas ígneas escuras,
como o basalto, de materiais derivados de sedimentos consolidados, como
os arenitos e as rochas calcárias, e de sedimentos não consolidados, como
as dunas de areia e cinzas vulcânicas. Os materiais derivados do arenito, por
exemplo, podem originar solos arenosos; se o arenito for pobre em calcário,
o solo será quimicamente pobre (OLIVEIRA, 2005).

Saiba mais
Clima
O clima pode ser considerado o fator mais importante na determinação das Solos autóctones,
propriedades da maioria dos solos. Pela localização geográfica do nosso país, sedimentares ou residuais
são aqueles desenvolvidos
a temperatura e a precipitação pluvial são os elementos que se destacam diretamente do material
pela ação direta na formação e constituição dos solos. O fornecimento da subjacente, na sua forma
original.
água, que está presente na maior parte dos fenômenos físicos, químicos
Solos alóctones ou
e bioquímicos que se processam no solo ocorre por meio da precipitação transportados são aqueles
pluvial enquanto a temperatura tem influência marcante na velocidade e in- desenvolvidos sobre
sedimentos não diretamente
tensidade com que aqueles fenômenos atuam. É a temperatura e a umidade relacionados ao material
que regulam a velocidade, a intensidade, o tipo de intemperismo das rochas, subjacente.
Solos policíclicos são aqueles
a distribuição e o deslocamento de materiais ao longo do perfil (RESENDE et desenvolvidos sobre materiais
de pedogênese anterior.
al, 1995).
(PINTO, 2001).
Quanto mais quente e úmido for o clima, mais rápida e intensa será a de-
composição das rochas, pois o aumento da temperatura e da umidade ace-

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lera a velocidade das reações químicas. É por esse motivo que os solos das
regiões tropicais quentes e úmidas estão entre os mais intemperizados do
mundo (PINTO, 2001).

Saiba mais Diante dessa afirmativa, ressaltamos a importância da precipitação pluvio-


métrica, pois temos dois cenários diferenciados:
Interflúvio é a parte mais
elevada, com forma plana ou • No primeiro: o regime de chuvas é intenso e bem distribuído, dando
convexa (Figura 2)
origem a solos profundos e bem intemperizados. Ocorre maior lixiviação
Escarpa é onde há um
intenso processo erosivo
de elementos químicos, inclusive de bases, tornando o solo mais pobre e
(desmoronamento) impedindo mais ácido (ex.: faixa costeira; região amazônica);
a formação de solos, existindo
apenas o afloramento de
rocha. • No segundo: o regime de chuvas é escasso e concentrado em apenas
Na Encosta, há processos uma época do ano, isso se traduz em solos mais rasos e com materiais
erosivos intensos devido
ao escoamento superficial
pouco intemperizados – solo mais rico em minerais e bases (mais bases
(intemperismo químico pouco ex: região semiárida nordestina) (OLIVEIRA, 2005).
profundo), com a presença
de solos rasos (neossolos),
pelo equilíbrio entre a taxa de
erosão e a de formação do
solo. Relevo
Pedimento recebe material
O relevo tem influência na forma de infiltração da água no solo, e com isso
pré-intemperizado, erodido interferindo na intensidade de intemperismo. Nas suas diferentes formas, re-
da escarpa e da encosta,
onde se formam os solos mais sulta em distribuição diferenciada de água da chuva, de luz e calor, além de
profundos, porém podem ser favorecer ou não os processos de erosão. As diferenças da topografia facili-
bastante pedregosos.
tam o acúmulo de água em áreas mais baixas e côncavas (ZIMBACK, 2003).
Planície aluvial é formada
quando os vales atingem a
maturidade (forma de “U”). A altitude tem uma relação direta com a temperatura afetando, por exem-
O material transportado pelos
rios (alúvio) é depositado plo, o teor de matéria orgânica do solo. Assim, a cada 1000m de elevação,
durante as enchentes: se a implica redução 6ºC na temperatura. As vertentes mais expostas à insolação
área fonte são solos férteis,
os solos da planície aluvial tornam-se mais quentes e secas que outras faces menos iluminadas (OLIVEI-
também o serão; se a diferença
de nível da planície em relação
RA, 2005).
ao rio for pequena, os solos
serão mal drenados e sujeitos a
reações de redução. O relevo tem influência indireta no intemperismo dos minerais através: da
quantidade de água infiltrada no solo e consequentemente da lixiviação dos
(PINTO, 2001).
constituintes solúveis; da velocidade de escoamento da água da chuva e ero-
são do material intemperizado com exposição de novas superfícies (PINTO,
2001).

Uma paisagem bem desenvolvida apresenta os seguintes elementos:

UAB 24 Licenciatura em Geografia


Figura 2 - Elementos da paisagem comuns no relevo.

Organismos
Em relação aos organismos, estes envolvem a fauna, flora, além de micror-
ganismos, como bactérias e fungos (micro fauna), sendo muito importantes
no processo de formação e evolução dos solos nos diversos ambientes da
Terra. De modo geral, os organismos atuam na pedogênese por meio da
biociclagem, adição de matéria orgânica, proteção do solo, agregação do
solo e bioturbação (SOLOS/UFV, 2011).

Organismos vegetais maiores, por exemplo, desempenham um papel fun-


damental na formação do solo, pois normalmente possuem um sistema ra-
dicular profundo, que absorve água e nutrientes em uma maior faixa de
exploração, e deposita matéria orgânica (não decomposta) na superfície do
solo. A ação conjunta com outros organismos (insetos, bactérias e fungos)
promovem a decomposição desse material orgânico depositado, que pode
ser incorporado ao solo, e ata no desenvolvimento do perfil. Outro efeito im-
portante da matéria orgânica depositada na superfície do solo é a proteção
que eles oferecem reduzindo a exposição de material superficial ao impacto
das gotas de chuva, bem como reduzindo o escoamento superficial da água
no solo, contribuindo para a sua conservação e pedogênese (RESENDE et al.,
2002).

Outros organismos, como cupins, minhocas, formigas, aves, e microrganis-


mos diversos também são muito importantes nas atividades bioquímicas que
transformam materiais orgânicos e minerais em solo propriamente dito (SO-
LOS/UFV, 2011).

Pedologia e Edafologia 25 UAB


Dentro dos organismos, uma porção diferencial se refere ao homem, que
pode influenciar os fatores de formação como o microclima (irrigação), ma-
terial de origem (correções e fertilizações), relevo (práticas mecânicas de con-
servação do solo), organismos (introdução ou seleção de espécies) (PINTO
2001).

Tempo
O tempo como fator de formação de solos se refere ao período em que os
fatores ativos (clima e organismos) atuaram sobre o material de origem, con-
dicionados pelo relevo (ZIMBACK, 2003).

O tempo é considerado o mais passivo dos fatores de formação do solo, pois


ele não adiciona nem exporta material e não contribui nos fenômenos de
intemperismo mecânico e químico, necessários à formação de um solo. Con-
tudo, como os outros fatores, variam ao longo do tempo, em si mesmos e
em suas relações mútuas; ele condiciona o resultado final dessas interações.
Assim, pode-se dizer que fatores e processos pedogenéticos não podem,
realisticamente, ser dissociados da dimensão temporal. Quanto mais longo o
período ocorrido a partir de determinado momento, mais tempo determina-
do material de origem ficará sujeito à ação conjunta dos fatores e processos
pedogenéticos (Oliveira, 2005).

Em pedologia, é comum se comparar solos usando termos como “imaturo


ou jovem”, “maduro” e “velho” ou “senil”. O uso desses termos, entre-
tanto, não se refere exatamente à idade dos solos. Um solo é chamado de
senil quando está bastante intemperizado, e imaturo quando está pouco
intemperizado.

Assim podemos ter solos jovens onde o intemperismo e os processos de


formação de solos ocorrem com uma taxa pequena, e solos velhos em locais
onde a pedogênese é mais acelerada, ainda que os dois solos tenham a
mesma idade. Solos jovens são normalmente mais rasos que os velhos, isso
graças às altas temperaturas e precipitações nas regiões intertropicais que
condicionam altas taxas de intemperismo e pedogênese; é comum termos
predominância de solos senis nessas regiões, também chamados de solos
tropicais (Azevedo e Dalmolin, 2006).

As idades absolutas dos solos são pouco conhecidas. Estima-se que, para
formar 1 cm de solo na frente de intemperização (horizonte C), são necessá-
rios de 200 a 700 anos. Existe uma grande diferença entre a idade média dos

UAB 26 Licenciatura em Geografia


solos das regiões tropicais e subtropicais em relação às temperadas. Na re-
gião temperada do hemisfério norte, em geral, a formação dos solos iniciou
após a última glaciação do quaternário, apresentando idades entre 10.000
e 20.000 anos. Nas regiões tropicais, onde não houve uma renovação em
grande escala das superfícies pela ação das geleiras, a idade dos solos é es-
timada entre algumas dezenas a centenas de milhares de anos e até alguns
milhões (PINTO, 2001).

Processos Pedogenéticos (Processos de


Formação do Solo)
Os processos pedogenéticos são condicionados pela combinação dos fato-
res de formação dos solos. Eles podem imprimir determinadas feições aos
solos, observáveis em um perfil ou corte. Essas feições são chamadas de
características e propriedades morfológicas do solo, como cor, espessura de
horizontes, quantidade de areia, silte, argila, matéria orgânica, etc. Desse
modo, conhecendo-se as feições morfológicas e os processos que as gera-
ram, é possível se fazer uma reconstituição da história do solo, de como ele
se formou (AZEVEDO e DALMOLIN, 2006).

Desde o início da ação do intemperismo sobre a rocha até a definição da


classe em que o solo se encaixa, ocorreu uma sucessão de fenômenos. Essa
compreensão permite inferências sobre quais consequências podem ocorrer
a um determinado solo a partir do manejo que é empregado nele.

Consideram-se como processos gerais de formação do solo aqueles que pro-


duzem as modificações pela atuação combinada dos fatores de formação,
que são divididos em: adição, remoção ou perda, transformação e transloca-
ção. Indicam o comportamento geral dos materiais que compõem o perfil
e/ou horizontes (ZIMBACK, 2003). (Figura 4)

Pedologia e Edafologia 27 UAB


Figura 3 - Processos gerais de formação do solo.

• Adição:

A adição diz respeito a tudo o que entra no corpo do solo, vindo de fora dele
(aporte de material do exterior), seja através da adição de compostos orgâni-
cos, seja pela adição de componentes minerais, trazidos pela erosão ou pela
água do lençol freático. Exemplo: areia ou cinzas vulcânicas trazidas de outro
local e depositados sobre o perfil, materiais depositados tanto por enchentes
como por movimentos de massa nas encostas (MUGGLER et al., 2005).

• Remoção:

A remoção (ou perda) diz respeito a tudo o que sai do corpo do solo, seja
pela erosão ou pelas queimadas (pela superfície), seja pela lixiviação (em pro-
fundidade). Exemplo: perdas por erosão hídrica ou eólica, liviação de solutos
pelo lençol freático, perdas laterais de soluções com íons reduzidos (Fe, Mn),
etc (ZIMBACK, 2003).

• Translocação:

A translocação (ou transporte) refere-se ao movimento de materiais de um


ponto para o outro dentro do perfil do solo por processos seletivos ou não
seletivos; nesse caso, os materiais não saem do perfil, apenas migram en-
tre os horizontes e/ou camadas. Exemplo: migração de argilas e/ou solutos,
transporte de materiais por formigas ou cupins (MUGGLER et al., 2005).

UAB 28 Licenciatura em Geografia


• Transformação:

A transformação ocorre quando o material existente no perfil ou horizonte


muda sua natureza química, físicas, biológica ou mineralógica; ou seja, mi-
nerais constituintes do material de origem dão origem aos minerais secundá-
rios, principalmente aos minerais de argila, ou à transformação dos compos-
tos orgânicos adicionados ao material durante a formação do solo, ou ainda
quebra de minerais e rochas. Exemplo: montmorilonita em caulinita, restos
vegetais em húmus (ZIMBACK, 2003).

A ação mais ou menos pronunciada de um ou mais desses processos gerais


conduz aos chamados processos específicos de formação do solo. Os pro-
cessos gerais combinados em intensidades variadas geram processos especí-
ficos que resultam na formação de solos com características típicas de cada
combinação. Os principais processos específicos de formação do solo são:
latossolização, podzolização, hidromorfismo, salinização (MUGGLER et al.,
2005).

A latossolização, latolização ou ferrilatização é o processo específico de


formação dos latossolos, em que sobressaem os processos gerais de remo-
ção e transformação. Nesse processo, os fatores ativos de formação do solo
(clima e organismos) por meio do intemperismo químico, especialmente a
hidrólise e a oxidação, e a lixiviação apresentam uma ação intensa por um
longo tempo, em uma condição de relevo que propicia a remoção de sais
solúveis e a transformação acentuada de minerais, em busca de uma con-
dição de equilíbrio, resultando no acúmulo de minerais mais estáveis como
argilominerais 1:1 (caulinita) e óxidos de Fe e Al (Azevedo e Dalmolin, 2006).

A podzolização é caracterizada pela translocação de argila e de compos-


tos organo-minerais dentro do perfil, consiste na transferência vertical de
coloides (principalmente inorgânicos, mas também orgânico em associação)
e sua deposição em horizontes subsuperficiais. Esse transporte se dá, ge-
ralmente, em três fases: dispersão, transporte e deposição. Mesmo que a
translocação seja um processo de destaque, os processos de adição, perda e
transformação também ocorrem. Dois grandes grupos de solos apresentam
a podzolização: os Argissolos (antigos podzólicos), Espodossolos (antigos
Podzóis). Além desses, temos os Luvissolos (antigos Bruno não cálcicos) e
Planossolos (MUGGLER et al, 2005).

Pedologia e Edafologia 29 UAB


Nos Espodossolos é notável a translocação de complexos de matéria or-
gânica e óxidos de ferro e/ou alumínio de um horizonte eluvial (E) para um
horizonte espódico (Bhs) onde estes complexos se precipitam. Esses solos
são formados a partir de material arenoso e sob condições que facilitam o
acúmulo superficial de matéria orgânica e a acidólise (baixas temperaturas
ou hidromorfismo acentuado).

Os Argissolos apresentam translocação de argila dos horizontes mais super-


ficiais para um horizonte mais profundo (horizonte de acumulação de argila
translocada, Horizonte B Textural – Bt). São bem mais argilosos do que os
podzóis e são formados em condições de alternância de ciclos de umedeci-
mento e de secagem (clima com estações seca e úmida definidas, ou posição
na paisagem que permita tal alternância, tal como sopé de encostas). O mo-
vimento descendente da argila no perfil leva à obstrução de macroporos no
horizonte Bt, facilitando a erosão no horizonte superficial.

A salinização (ou halomorfismo) é caracterizada pela acumulação de sais


no perfil. É comum nos solos formados em locais que sofre adição de sais
pelo lençol freático ou pela erosão das elevações do releve circundantes. São
solos associados a planícies ou depressões onde a drenagem é deficiente e
a precipitação pluviométrica é menor do que a evapotranspiração. Os solos
formados por esse processo têm suas características diferenciadas conforme
a assembleia de cátions (principalmente Ca+2, Mg+2, Na+, H+) que satura as
cargas elétricas de suas argilas (MUGGLER et al., 2005).

O hidromorfismo ocorre em ambientes sujeitos à submersão, por água,


contínua ou durante a maior parte do tempo. Os processos gerais de forma-
ção do solo que mais se destacam são a transformação de minerais passíveis
de redução e a adição de matéria orgânica, que se acumula devido à menor
taxa de decomposição. A menor quantidade de oxigênio do solo, causada
pelo excesso de água, permite a proliferação de organismos anaeróbicos
que, nesse ambiente de baixo potencial de oxi-redução, reduzem o Fe3+ dis-
solvido na solução do solo, usando-o como receptor de elétrons no processo
de oxidação dos compostos de carbono. Essa forma solúvel do Fe está em
equilíbrio químico com os óxidos de ferro (Fe (OH)3 Fe3+ + 3OH-) e, uma
vez consumida na solução, desloca a reação para dissolução das formas mi-
nerais cristalizadas (hematita e goethita) (AZEVEDO e DALMOLIN, 2006).

A cor esbranquiçada e acinzentada dos solos hidromórficos reflete a redu-


ção do ferro férrico presente nos óxidos. Esses solos são frequentemente

UAB 30 Licenciatura em Geografia


escurecidos pela pigmentação da matéria orgânica que se acumula, uma
vez que os organismos anaeróbicos são menos eficientes na mineralização
da matéria orgânica do que os aeróbicos. Os solos onde o hidromorfismo é
marcante são denominados Organossolos, Gleissolos e Planossolos Hidro-
mórficos (AZEVEDO e DALMOLIN, 2006).

Atividades
Defina perfil do solo, diferenciando horizontes e camadas.

Perfil do solo é a seção vertical, através do solo, englobando a sucessão


de horizontes ou camadas, acrescida do material mineral subjacente pou-
co ou nada alterado pelos processos pedogenéticos e o manto superficial
de resíduos orgânicos. Enquanto os horizontes são resultantes da ação dos
processos pedogenéticos (adição, remoção ou perda, translocação e trans-
formação), as camadas são pouco ou mesmo nada influenciadas por tais
processos; dessa forma podemos identificar intemperismo, mas não pedo-
gênese.

Explique a importância do clima como fator de formação dos solos.

O clima contempla, principalmente, a temperatura e a precipitação pluvial.


Esses parâmetros são elementos que se destacam pela ação direta na forma-
ção e constituição dos solos. O fornecimento da água, que está presente na
maior parte dos fenômenos físicos, químicos e bioquímicos que se proces-
sam no solo ocorre por meio da precipitação pluvial enquanto a tempera-
tura tem influência marcante na velocidade e intensidade com que aqueles
fenômenos atuam. É a temperatura e a umidade que regulam a velocidade,
a intensidade, o tipo de intemperismo das rochas, a distribuição e o deslo-
camento de materiais ao longo do perfil. Quanto mais quente e úmido for o
clima, mais rápida e intensa será a decomposição das rochas, pois o aumen-
to da temperatura e da umidade acelera a velocidade das reações químicas.
É por esse motivo que os solos das regiões tropicais quentes e úmidas estão
entre os mais intemperizados do mundo.

Explique a importância dos processos pedogenéticos diferenciando


os processos gerais e específicos.

Os processos pedogenéticos podem imprimir determinadas características e


propriedades morfológicas do solo (chamadas feições morfológicas), como
cor, espessura de horizontes, quantidade de areia, silte, argila, matéria or-

Pedologia e Edafologia 31 UAB


gânica, etc, observáveis em um perfil ou corte. Consideram-se como pro-
cessos gerais de formação do solo aqueles que produzem as modificações
que ocorrem no mesmo pela atuação combinada dos fatores de formação.
Enquanto ação mais ou menos pronunciada de um ou mais desses processos
gerais conduz aos chamados processos específicos de formação, que resul-
tarão em solos com características típicas de cada combinação.

Resumo
A formação do solo é um processo contínuo que envolve a desagregação e
decomposição das rochas. O intemperismo (físico e químico) é a ação direta
do calor do Sol e da água da chuva, bem como outros fatores, que modi-
ficam aspectos físicos e a composição química dos minerais que formam
as rochas quando expostas à atmosfera. A combinação entre os fatores de
formação (material de origem, relevo e tempo, considerados passivos, bem
como clima e organismos, considerados ativos) e os processos pedogené-
ticos (adições, perdas, transformações e translocações) resulta na variação
dos tipos de solos existentes, devendo ser entendidos como produtos de um
complexo ou sequência de eventos (incluindo complicadas reações e simples
rearranjamentos de material) que intimamente afetam o solo.

Referências
AZEVEDO, A. C. de; DALMOLIN, R. S. D. Processos de formação de solos. Santa Maria:
UFSM, 2006 4p. (Apostila)
FERREIRA, M. M. Caracterização Física do Solo. In: van Lier, Q. J. Física do Solo.
Viçosa, MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2010. 298p.
MUGGLER, C. C. et al. Conteúdos básicos de geologia e pedologia. Viçosa: UFV, 2005. 95
p.
OLIVEIRA, J. B. Pedologia aplicada. 2.ed. Piracicaba: FEALQ, 2005.
SANTOS, R.D.; LEMOS, R.C.; SANTOS, H.G.; KER, J.C.; ANJOS, L.H.C. Manual de descrição
e coleta de solo no campo. 5. ed. Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2005.
100p.
PINTO, L. F. E. Pedologia: fatores de formação do solo. Porto Alegre: UFPel, 2003. 23p.
(Apostila)
PRADO, H. do. A pedologia simplificada. Campinas: Potafos, 1995. 16p.
PRESS, F, SIEVER R.,GROTZINGER, J. e JORDAN, T. H., 2006. Para Entender a Terra. Tradução
Rualdo Menegat. 4 ed. Porto Alegre: Bookman, 656 p.: il.
RESENDE, M., CURI, N., REZENDE, S. B., CORRÊA, G. F. Pedologia: base para distinção de

UAB 32 Licenciatura em Geografia


ambientes. Viçosa: NEPUT, 2000. 304p.
SOLOS/UFV. Fatores de formação dos Solos - Organismos. Disponível em: < http://solosufv.
blogspot.com/2007/05/fatores-de-formao-dos-solos-organismos_4218.html > Acesso
em: 06/06/2011.
TEIXEIRA, W.; TOLEDO, M. C. M. de; FAIRCHILD, T. R.; TAIOLI, F. (Orgs.) Decifrando a Terra.
São Paulo: Oficina de Textos, 2000. 568 p.
ZIMBACK, C. R. L. Formação dos solos. Botucatu: UNESP/GEPAG, 2003. 27p. (Apostila)

Pedologia e Edafologia 33 UAB


UAB 34 Licenciatura em Geografia
Aula 3 - Propriedades
físico-químicas do solo

Objetivo

Ao término deste capítulo o(a) estudante será capaz de:

- Identificar as principais propriedades físicas e químicas do solo e


a interferência destas nas características do solo.

Assuntos
Propriedades físicas do solo:

–– Composição do solo;
–– Textura;
–– Estrutura;
–– Relações de massa e volume.
Propriedades químicas do solo:

–– Capacidade de troca catiônica;


–– Acidez do solo;
–– Matéria orgânica do solo.

Introdução
O solo funciona como suporte físico e reservatório de água para a vegetação
além de fornecer os principais nutrientes necessários para o desenvolvimen-
to das plantas. É constituído de um sistema composto de três fases: sólida,
líquida e gasosa. A fase sólida é formada por matéria inorgânica e matéria
orgânica, esses dois componentes formam a matriz do solo. A fase líquida
é constituída da solução do solo e compõe-se de água e sais em dissolução.
A fase gasosa é constituída do ar do solo que tem composição diferente do
ar atmosférico, devido à respiração das raízes e dos microrganismos (Kiehl,
1979; Andrade et al.,2008).

Pedologia e Edafologia 35 UAB


Propriedades físicas do solo
Composição do solo
O solo é composto (Figura 1) de partículas sólidas, de várias formas e de di-
ferentes dimensões, e pelo espaço poroso, que pode estar preenchido com
quantidade variável de água (solução) e de ar (gases).

Figura 1- Composição do solo.

Caso se separe as diferentes fases do solo, o mesmo poderia ser representa-


do pela figura 2.

Figura 2 - Representação esquemática média das fases do solo.

UAB 36 Licenciatura em Geografia


Textura do solo
A fase sólida do solo é composta por duas partes: a parte orgânica, consti-
tuída da matéria orgânica do solo, e a inorgânica, constituída por areia, silte
e argila (Klein, 2008).

A textura refere-se à distribuição das partículas do solo tão somente quanto


ao seu tamanho. Tradicionalmente, as partículas do solo são divididas em
três frações de tamanho, denominadas frações texturais: areia, silte e argila
(Reichardt & Timm, 2004).

A textura é estudada por meio de análise granulométrica do solo, a qual


permite classificar os componentes sólidos do solo em classes de acordo com
seus diâmetros (Klein, 2008), conforme a Tabela 1.

Tabela 1- Classes das partículas sólidas que constituem a fração inorgânica


do solo.

Classe Diâmetro (mm)

Cascalho >2,0 – 2,0 cm


Areia muito grossa 1,0 - 2,0
Areia grossa 0,5 – 1,0
Areia média 0,25 – 0,5
Areia fina 0,10 - 0,25
Areia muito fina 0,05 – 0,10
Silte 0,002 – 0,05
Argila <0,002

Fonte: Ferreira, 2010

No campo, a textura é avaliada na amostra molhada através da sensação ao


tato. O esfregaço da areia nas mãos produz uma sensação de aspereza; o sil-
te, uma sensação sedosa do talco; e a argila, uma sensação de plasticidade e
pegajosidade. No laboratório, a textura é determinada através dos processos
de dispersão, peneiramento e sedimentação. Após a determinação das pro-
porções das partículas sólidas do solo, se utiliza o triângulo textural (Figura
3), para determinar as classes de textura do solo.

Pedologia e Edafologia 37 UAB


Figura 3 - Triângulo de classificação textural do solo. (Santos et al., 2005)

Quanto à textura, os solos são classificados em (Klein, 2008):

• Solos de textura arenosa (solos leves): possuem teor de areia superior


a 70% e o de argila inferior a 15%. São solos altamente suscetíveis à
erosão.

• Solos de textura média (solos médios): são solos que apresentam certo
equilíbrio entre os teores de argila, silte e areia, normalmente apresen-
tam boa drenagem e índice médio de suscetibilidade à erosão.

• Solos de textura argilosa (solos pesados): são solos com teores de argila
superiores a 35%, possuem baixa permeabilidade, alta capacidade de
retenção de água, são suscetíveis à compactação.

De um modo geral, as características texturais do solo são mais estáveis


quando se compara, por exemplo, com a estrutura do solo, que pode ser fa-
cilmente alterada pelo manejo. Nesse sentido, as variações de textura ocor-
rem em um tempo relativamente longo e dependem, principalmente, da
intensidade do processo de intemperismo.

UAB 38 Licenciatura em Geografia


Estrutura do solo
O termo estrutura é utilizado para descrever o solo no que se refere a ar-
ranjo, orientação e organização das partículas sólidas, ou seja, refere-se ao
agrupamento das partículas do solo em condições naturais.

A estrutura de um solo pode ser definida como o resultado da agregação


das suas partículas primárias (areia, silte e argila). As partículas primárias
junto com a matéria orgânica e os sais podem reunir-se em massas distintas,
formando agregados estáveis, também chamados de elementos estruturais
(Kiehl, 1979).

Através da estrutura do solo, é definida a geometria do espaço poroso do


solo e o aspecto qualitativo das condições do solo. Solos com textura similar
podem apresentar estrutura diferente, dependendo do arranjo e do nível de
agregação de suas partículas (Andrade et al., 2008).

Diferentemente da textura, a estrutura é dinâmica, podendo variar muito


ao longo do tempo, em virtude das mudanças das condições naturais ou da
maneira que o homem utiliza o solo.

Relações de massa e volume


Com base na representação esquemática do solo (Figura 2), pode-se esta-
belecer uma série de relações de massa e volume de grande importância na
caracterização física dos solos. Algumas dessas relações têm sido utilizadas
para descrever as três frações do solo: sólida, líquida e gasosa e suas interre-
lações (Reichardt & Timm, 2004; Andrade et. al. 2008).

Massa e volume totais do solo


A massa total do solo é obtida pela equação:

(1)

Em que:

mt = massa total do solo, kg, ou g;


mg = massa da fase gasosa, kg, ou g;
ml = massa da fase líquida (solução do solo), kg, ou g;
ms = massa da fase sólida, kg, ou g.

Pedologia e Edafologia 39 UAB


Saiba mais O volume total do solo
O volume total do solo é definido por

Interflúvio é a parte mais


elevada, com forma plana ou (2)
convexa (Figura 2)

Escarpa é onde há um Em que:


intenso processo erosivo
(desmoronamento) impedindo
a formação de solos, existindo Vt = volume total do solo;
apenas o afloramento de
rocha. Vg = volume da fase gasosa;
Na Encosta, há processos
Vl = volume da fase líquida;
erosivos intensos devido Vs = volume da fase sólida.
ao escoamento superficial
(intemperismo químico pouco
profundo), com a presença Densidade de partículas (Dp)
de solos rasos (neossolos),
pelo equilíbrio entre a taxa de A densidade ou massa específica das partículas do solo, Dp, é definida pela
erosão e a de formação do
solo.
equação:

Pedimento recebe material


pré-intemperizado, erodido (3)
da escarpa e da encosta,
onde se formam os solos mais
profundos, porém podem ser Em que:
bastante pedregosos.

Planície aluvial é formada Dp = densidade das partículas do solo seco, g.cm-3 ou Mg.m-3;
quando os vales atingem a
maturidade (forma de “U”). Mss = massa da fração sólida do solo seco, kg ou Mg;
O material transportado pelos Vs = volume da fração sólida do solo, cm3 ou m3.
rios (alúvio) é depositado
durante as enchentes: se a
área fonte são solos férteis,
os solos da planície aluvial
A densidade de partículas depende da composição mineralógica do solo e
também o serão; se a diferença varia pouco nos solos minerais. Para fins práticos, atribui-se a densidade de
de nível da planície em relação
ao rio for pequena, os solos partículas o valor de 2,65 g cm-3.
serão mal drenados e sujeitos a
reações de redução.

A degradação dos solos tem


estimulado a necessidade de
identificar as propriedades que Densidade do solo(Ds)
indiquem o comportamento
dos mesmos. Dentre as A densidade ou massa específica do solo (Ds) é descrita pela equação:
propriedades físicas, a
Densidade do Solo e a
Porosidade são de grande (4)
importância para avaliar a
QUALIDADE FÍSICA DO
SOLO. A Densidade do Solo Em que:
e Porosidade indicam o nível
de compactação do solo que
interfere no desenvolvimento Ds= densidade do solo, g.cm-3 ou Mg.m-3;
das plantas, pois diminui o
armazenamento de água e a Mss= massa da fração sólida do solo seco, kg ou g;
areação do solo.
Vt= volume total do solo, cm3 ou m3.
(PINTO, 2001).

UAB 40 Licenciatura em Geografia


Ao contrário da densidade de partículas, a Ds é bastante afetada pelas in- Saiba mais
tervenções antrópicas. A compactação do solo, causada pelo uso intensivo
de máquinas agrícolas, diminui a quantidade de poros do solo reduzindo o
A umidade em base de massa é
volume total do solo, acarretando o aumento da densidade do solo. Assim, a adimensional (kg kg-1), mas suas
densidade do solo e a porosidade são indicadores do grau de compactação e unidades devem ser mantidas
para não confundir com a
da qualidade física do solo (Andrade et al., 2008) umidade em base volume, que
também é adimensional, mas
numericamente diferente. A
Porosidade – (P) determinação dessa umidade
no solo é bastante simples:
A porosidade (P) é um índice do volume relativo dos poros existentes no solo. Retira-se uma amostra de
A porosidade do solo é originária do arranjo aleatório das partículas sólidas. É solo no campo e leva para o
laboratório tomando cuidado
obtida pela equação: de acondicionar a amostra
num recipiente vedado que
não permita que a água da
(5) amostra evapore. No laboratório,
a amostra é pesada úmida e
depois colocada numa estufa
Em que: a 105oC, até peso constante
(cerca de 24 a 48 h). Em
seguida, é só aplicar a equação
7 para determinar a umidade
P = porosidade (cm3. cm-3) ou (%, quando multiplicada por 100); do solo
Ds= densidade do solo, g.cm-3 ou Mg.m-3;
Dp= densidade de partículas g.cm-3 ou Mg.m-3. (Reichardt & Timm, 2004).

A porosidade do solo indica o espaço ocupado pelo ar e água.

Teor de água do solo com base em peso, Umidade em base massa- U (g.g-1
ou %)

O teor de água em base gravimétrica é obtido através da


equação:

(6)

Em que:

U = teor de água no solo, g . g-1 , kg.kg-1 ou %;


Msu = massa do solo úmido, g ou kg;
Mss = massa da fração sólida do solo seco em estufa a 105º C, g ou kg.

O teor de água em base volume é expresso pela equação:


(7)

= teor de água em base volume (cm3. cm-3) ou %;


U = teor de água no solo em base massa (g.g-1), %
Ds = densidade do solo (g cm-3).

Pedologia e Edafologia 41 UAB


Saiba mais Quando o solo está saturado, o teor de água em base volume é igual à po-
rosidade.

À medida que os solos


são formados, durante os Em geral, mede-se o teor de água com base em peso, que é bastante simples
processos de intemperização,
alguns minerais e a matéria
e, conhecendo-se a densidade do solo, determina-se o teor de água com
orgânica são reduzidos a base em volume. Outra forma de expressar a umidade do solo é em lâmina
partículas extremamente
pequenas. Alterações químicas de altura de água (mm), bastante utilizada em cálculos de necessidade hídri-
diminuem ainda mais essas ca e projetos de irrigação.
partículas até o ponto em
que elas não podem mais
ser vistas a olho nu. Essas
partículas de menor tamanho
são chamadas de “coloides”. Química do solo
Os coloides (argila ou húmus)
apresentam, em geral, um As propriedades químicas dos solos resultam do processo de sua formação e
balanço de cargas negativas evolução e permite elaborar critérios relevantes para a classificação dos solos
(-), desenvolvido durante o
processo de formação. Isso e especialmente para a interpretação da relação solo-planta.
significa que eles podem
atrair e reter íons com cargas
positivas (+), da mesma forma Capacidade de Troca Catiônica (CTC)
que polos diferentes de um
imã são atraídos, ao passo que A capacidade de troca catiônica do solo é definida como a reação de du-
repelem outros íons de carga pla troca que ocorre entre os íons adsorvidos na superfície da fase sólida
negativa, como polos iguais de
um imã se repelem. do solo, e os cátions em solução sendo essa troca instantânea e reversível
(Lopes & Guilherme, 2004).
(Kiehl, 1979). O intercâmbio catiônico é uma das propriedades do solo mais
relevante e tem grande influência sobre suas características, sendo utilizada
tanto para a caracterização pedológica como para a avaliação da fertilidade
do solo.
Saiba mais
Os cátions trocáveis no solo são: Ca2+, Mg2+, K+, Na+, Al3+, e H+. Existem
outros como NH4+, Mn2+, Cu2+, Zn2+, Fe2+, etc., mas considera-se que os te-
Acidez é a concentração
de íons hidrogênio em ores dos mesmos são pequenos e pouco afetam o valor da CTC. Todos esses
uma solução ou suspensão cátions formam os íons que cobrem o complexo coloidal. O H+ + o Al3+ são
qualquer. A unidade básica
de medida da acidez é o pH, responsáveis pela acidez do solo.
que é o logarítmo inverso da
concentração de H+ na solução
(pH = log 1/[H+]). A escala de A CTC pode ser expressa como “CTC total” quando considera todos os cá-
pH varia de zero a 14, sendo
o pH 7,0 a neutralidade. tions permutáveis do solo (Ca2+, Mg2+, K+, Na+, Al3+, e H+). Quando a CTC é
Soluções com pH menor expressa sem considerar o íon H+ (Ca2+, Mg2+, K+, Na+ e Al3+), a denominação
que 7,0 são consideradas
ácidas e as com pH maior são é “CTC efetiva”.
consideradas básicas

(Ronquim, 2010). A soma de bases trocáveis (SB) de um solo representa a soma dos teores de
cátions permutáveis, exceto H+ e Al³+.

SB = Ca2+ + Mg2++ K++ Na+

UAB 42 Licenciatura em Geografia


A capacidade de troca catiônica é a soma das bases (SB) mais a acidez trocá-
vel (dada principalmente pelo Al3+ e H+).

Se a maior parte da CTC do solo está ocupada por cátions essenciais como
Ca2+, Mg2+ e K+, pode-se dizer que esse é um solo bom para a nutrição das
plantas. Por outro lado, se grande parte da CTC está ocupada por cátions
potencialmente tóxicos como H+ e Al3+ este será um solo pobre. Um valor
baixo de CTC indica que o solo tem pequena capacidade para reter cátions
em forma trocável.

Denomina-se saturação por bases (V%) a soma das bases trocáveis expressa
em porcentagem de capacidade de troca de cátions:

V (%)= 100 x SB + CTC*

*na fórmula utiliza-se o valor da “CTC total”.

Se o V corresponder, por exemplo, a 65%, isto indica que há 65% das car-
gas disponíveis do complexo coloidal ocupadas por Ca2+, Mg2+, K+, Na+ e
somente 35% por Al3+ e H+ e outros elementos de troca como, por exemplo,
o Mn2+.

A saturação por bases (V) é um excelente indicativo das condições gerais de


fertilidade do solo, sendo utilizada até como complemento na nomenclatu-
ra dos solos. Os solos podem ser divididos de acordo com a saturação por
bases: solos eutróficos (férteis) = V%≥50%; solos distróficos (pouco férteis)
= V%<50%.

Um índice V% baixo (solos distróficos) significa que há pequenas quanti-


dades de cátions, como Ca2+, Mg2+ e K+, saturando as cargas negativas dos
coloides e que a maioria delas está sendo neutralizada por H+ e Al3+. O solo
nesse caso provavelmente será ácido, podendo até conter alumínio em nível
tóxico às plantas (Ronquim, 2010).

Acidez do solo
A acidificação do solo se inicia, ou se acentua devido à remoção de bases
da superfície dos coloides do solo. Os solos podem ser naturalmente ácidos
devido à própria pobreza em bases do material de origem, ou a processos
de formação que favorecem a remoção de elementos básicos como K, Ca,
Mg, Na.

Pedologia e Edafologia 43 UAB


A acidez do solo afeta significativamente as características químicas, físicas e
biológicas do solo e a nutrição das plantas. O fenômeno de acidificação do
solo é comum em todas as regiões onde chove bastante para lixiviar teores
apreciáveis de cátions básicos. Os cátions básicos removidos são substituídos
por H e Al.

Nos solos, a amplitude de pH da solução (denominado pH em água) varia de


3,0 a 9,0. (CATANI e GALLO, 1955; RAIJ, 1991).

Componentes da acidez do solo


A acidez do solo pode ser dividida em acidez ativa e acidez potencial. A
acidez potencial pode ser dividida em acidez trocável e acidez não trocável.

Acidez ativa
Denomina-se acidez ativa a parte do hidrogênio que está dissociada, ou seja,
presente na solução do solo, na forma de H+ e é expressa em valores de pH.
Os íons de hidrogênio estão atuando diretamente no local onde as plantas
obtêm água e nutrientes. A concentração de íons hidrogênio na solução do
solo é extremamente pequena em relação à quantidade de íons adsorvidos.
Porém, mesmo em baixa concentração, afeta diretamente o crescimento das
plantas por afetar a disponibilidade de nutrientes e elementos tóxicos.

Acidez potencial
A acidez do solo não é composta somente pelos hidrogênios presentes na
fase líquida do solo, pois parte deles está adsorvido às cargas elétricas dos
coloides da fase sólida, mas também pela concentração do íon Al3+. A acidez
potencial é composta pelos íons H+ e Al3+ adsorvido aos coloides. A acidez
potencial, por sua vez, é dividida em acidez trocável e não trocável.

Acidez trocável
A acidez trocável é a parte da acidez potencial em que os íons acidificantes
(H+ + Al3+) estão adsorvidos fracamente aos coloides (através de forças ele-
trostáticas). Como o teor de H+ geralmente representa menos que 5% da
acidez trocável, admite-se como esta sendo composta apenas pelo alumínio
trocável. A acidez trocável é muito variável, mas, em termos gerais, pode
representar até 50% da acidez do solo.

UAB 44 Licenciatura em Geografia


Acidez não trocável
A acidez não trocável são os íons adsorvidos com alta energia (adsorção química)
às bordas dos argilominerais, superfície dos óxidos e matéria orgânica.

Para se corrigir a acidez do solo e melhorar suas propriedades químicas, adota-se


a prática da Calagem, que é a aplicação de calcário ao solo. Essa aplicação tem
o intuito de adicionar ao solo cálcio e magnésio, além de neutralizar o alumínio
trocável e a acidez ativa do solo.

Matéria orgânica
O termo Matéria Orgânica do Solo (MOS) é geralmente usado para representar
os constituintes orgânicos do solo, incluindo organismos vivos (macro e micro-
fauna, por exemplo, minhocas, formigas, fungos e etc.) e resíduos de plantas e
animais, em vários estágios de decomposição química, física e microbiológica; ou
seja, a matéria orgânica do solo é toda substância morta no solo, que se origina
de plantas, microorganismos e excreções de animais (Roscoe et al., 2006; Prima-
vesi, 2002).

A matéria orgânica do solo é composta por todo carbono orgânico presente no


solo, sendo considerada três importantes reservatórios: a transitória, composta,
sobretudo, por resíduos de plantas e organismos do solo de fácil decomposição
e materiais orgânicos produzidos pela microbiota e raízes; a MOS humificada, a
qual passou por um processo intenso de transformação; e a biomassa, formada
pela meso e macrofauna, além da microbiota do solo (Roscoe et al., 2006; Pri-
mavesi, 2002).

Os diversos resíduos que entram no solo são gradativamente transformados em


matéria orgânica, podendo interagir com a fração mineral no processo de agre-
gação do solo. O processo de degradação da matéria orgânica do solo ocorre da
seguinte maneira:

• Na primeira etapa, ocorre a interação da fração mineral do solo com a MOS


humificada, formando complexos organo-minerais.

• Na segunda fase, com a inclusão de mais MOS humificada e parte da matéria


orgânica transitória, há a formação de microagregados de solos. Esses micro-
agregados são unidos uns aos outros, formando macroagregados. A energia
necessária para a formação desses agregados maiores vem, sobretudo, do
crescimento de raízes e hifas fúngicas e da ação mecânica de organismos
da macrofauna (formação de túneis, retrabalhando o solo em mandíbulas e
trato intestinal), sendo que a estabilização, por sua vez, é provida pela MOS
transitória.

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Propriedades do solo que são afetadas pela matéria or-
gânica:
a) Químicas: a matéria orgânica do solo serve como fonte de nutrientes
para as plantas, principalmente N, S e P, a partir da mineralização dos
resíduos que retornam ao solo, tendo papel importante na fertilidade do
solo. A MOS apresenta cargas elétricas de superfície e contribui para o
aumento da capacidade de troca de cátions.

b) Físicas: A interação da matéria orgânica com a fração mineral do solo


confere melhoria em propriedades físicas como: infiltração, aumento da
porosidade (aumentando o armazenamento de água e aeração). A me-
lhoria da estrutura física do solo irá proporcionar menor resistência ao
crescimento de raízes, melhores condições para o desenvolvimento da
biota do solo e consequentemente melhor desenvolvimento das plantas
(Bayer, 2004).

Resumo
As principais propriedades físicas do solo são: textura, estrutura, porosidade
e umidade do solo. A textura do solo não varia com o tempo nem com as
interferências antrópicas, já a estrutura é muito influenciada pela ação do
homem e do tempo. A compactação do solo provoca grande variação na
densidade e também interfere na porosidade o que consequentemente re-
duz o teor de água e a aeração do solo.

As principais propriedades químicas do solo são: a capacidade de troca catiô-


nica, acidez e matéria orgânica. Essas propriedades interferem principalmen-
te na retenção de nutrientes utilizados para a nutrição das plantas.

Atividades
Questão 1: Coletaram-se amostras de solo em diferentes épocas, a primeira
coleta no ano de 2000 e a segunda coleta no ano de 2010. O volume total
da amostra, nas duas coletas, é 150 cm3, a massa seca da amostra no ano de
2000 é 206 g e no ano de 2011 é de 226g. Determinar a densidade do solo
e a porosidade nos diferentes anos. Quais conclusões podem obter a partir
dos resultados? Considerar a densidade de partículas o valor de 2,65 g.cm3.

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Resposta:

Ds1=206/150=1,37 g.cm3

Ds2=226/150=1,50 g.cm3

Porosidade

P1= 1-(1,37/2,65)=0,483 ou 48,3%

P2=1-(1,50/2,65)=0,4339 ou 43,39%

A densidade aumentou e a porosidade diminui com o passar do tempo, ou


seja, ocorreu a compactação do solo no período de 10 anos.

Questão 2. O processo de acidificação do solo contribui para o aumento de


sua fertilidade? Por quê?

Não, porque o processo de acidificação do solo consiste no aumento dos


íons H e Al ligados aos coloides do solo, ou seja, esses íons estão tomando
lugar de elementos (Ca, Mg) que contribuem para a fertilidade do solo. En-
tão quanto mais intenso for o processo de acidificação do solo, menos fértil
esse solo se torna.

Referências
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dinâmicas de água no solo. In: Uso e manejo de irrigação/ Editores técnicos, Albuquerque,
P. E. P.; DURÃES, F. O. M.- Brasilia, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2008, 528 p.
BAYER, C. Manejando os solos agrícolas para alta qualidade em ambientes tropicais e
subtropicais. FERTBIO, 26, 2004, Lages. Anais... Lages: UDESC e Sociedade Brasileira de
Ciência do Solo, 2004. CD-ROM.
CATANI, R. A.; GALLO, J. R. Avaliação da Exigência em Calcário dos Solos do Estado de São
Paulo, Mediante Correlação entre o pH e a Porcentagem da Saturação de Bases. Revista
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FERREIRA, M. M. Caracterização Física do Solo. In: van Lier, Q. J. Física do
Solo. Viçosa, MG: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2010. 298p.
KIEHL, E. J. Manual de Edafologia-Relações solo-planta. Editora Ceres, São Paulo-SP, 1979,
262 p.
KLEIN, V. A. Física do solo – Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, 2008. 212p.

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LOPES, A. S. & GUILHERME, L. R. G. Interpretação de análise de solo Conceitos e Aplicações.
Anda, Associação Nacional para difusão de adubos. São Paulo-SP, 2004, 50 p. Disponível
em: http://www.anda.org.br/boletins/Boletim_02.pdf
PRIMAVESI, A. Manejo ecológico do solo: a agricultura em regiões tropicais. São Paulo:
Nobel, 2002.
RAIJ, B. V. Fertilidade do Solo e Adubação: Acidez e Calagem. Associação Brasileira para
Pesquisa da Potassa e do Fosfato. Editora Agronômica Ceres Ltda.Piracicaba, SP. p. 343,
1991.
REICHARDT, K. & TIMM, L. C. Solo, Planta e atmosfera: conceitos, processos e aplicações.
Baueri, SP: Manole, 2004.
RONQUIM, C. C. Conceitos de fertilidade do solo e manejo adequado para regiões
tropicais. Boletim de Pesquisa e desenvolvimento. Embrapa, empresa brasileira de pesquisa
agropecuária. 2010. Disponível em: http://www.cnpm.embrapa.br/publica/download/
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ROSCOE, R.; MERCANTE, F. M.; SALTON, J. C. Dinâmica da matéria orgânica do solo em
sistemas conservacionistas. Modelagem matemática e métodos auxiliares. Dourados:
Embrapa Agropecuária Oeste, 2006, 304p.
SANTOS, R. D; LEMOS, R. C.; SANTOS, H.G.; KER, J. C.; ANJOS, L. H. manual de descrição e
coletas de solo no campo. 5 ed. Viçosa: Sociedade Brasileira de ciência do Solo, 2005.
100p.

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Pedologia e Edafologia 49 UAB
UAB 50 Licenciatura em Geografia
Aula 4 - Classificação
dos solos usada no Brasil

Objetivos

Neste capítulo, o(a) estudante irá:

- Observar como foi elaborado o Sistema Brasileiro de Classificação


de Solos;

- Conhecer as propriedades do solo (atributos e horizontes diag-


nósticos) utilizadas para identificar as treze classes de solos exis-
tentes até o momento no Brasil.

Assuntos
–– Características Morfológicas;
–– Horizontes e Camadas;
–– Horizontes Diagnósticos;
–– Atributos Diagnósticos;
–– Níveis Categóricos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

Introdução
O Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) é um projeto que
envolve a participação de instituições de pesquisa e ensino do Brasil com
grande contribuição de pesquisadores ligados à área de pedologia, sendo
coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa de Solos da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). O sistema atual, lançado em 2006, é
fruto de algumas aproximações sucessivas e deriva da classificação america-
na com adaptações inerentes às condições tropicais.

Sua trajetória consiste numa evolução do antigo sistema americano, cuja


esquematização atual passou por modificações de critérios, alteração de
conceitos, criação de classes novas, desmembramento de algumas classes
originais e formalização de reconhecimento de subclasses (EMBRAPA, 2006).

Grande número de classes de solos veio a ser incluída para apropriar clas-
sificação de tipos de solos expressamente distintos, os quais foram sendo

Pedologia e Edafologia 51 UAB


identificados durante levantamentos pedológicos realizados na ampla diver-
sidade de ambiência climática, geomórfica, vegetacional e geológica do ter-
ritório Nacional (EMBRAPA, 2006).

Esse grande arcabouço de informações contribuíram para nacionalização do


sistema através das quatro aproximações elaboradas de 1980 a 1997 e da
publicação do Sistema Brasileiro de Classificação de Solo - SiBCS (EMBRAPA,
1999). Na segunda e mais atual edição (EMBRAPA, 2006), o SiBCS passou
por mudanças relevantes, desde o nível de Ordem até o nível de Subgrupo,
com redefinição, reestruturação, extinção e inclusão de novas classes.

É importante destacar que o SiBCS foi concebido para abranger todos os so-
los do território Nacional. É considerado um sistema aberto porque, à medi-
da que novas classes são reconhecidas, vão sendo incorporadas ao sistema.
De acordo com Jacomine (2005), trata-se de classificação morfogenética,
em especial nos níveis hierárquicos superiores, e é essencialmente baseada
na morfologia, que expressa os resultados principais da gênese dos solos.
Nesse sentido, o SiBCS é considerado hierárquico, multicategórico e aberto.

Os critérios usados na distinção e definição das classes de solos do SiBCS


estão baseados nas características morfológicas e nos horizontes e atributos
diagnósticos (Jacomine, 2005). Para isso, serão apresentados a definição e
exemplos dessas características para facilitar o entendimento

Horizontes e Camadas
O perfil do solo (Figura 1) é a unidade básica de estudo dentro do Sistema
de Classificação, no qual são verificadas a variabilidade de atributos, pro-
priedades e características dos horizontes e camadas do solo. Por questões
práticas, a profundidade de estudo desses perfis foi arbitrada em 200 cm,
com algumas poucas exceções.

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Figura 1 - Perfil de Espodossolo – Igarassu - PE
Fonte: Foto cedida por Mateus R. Ribeiro

Por horizonte do solo (horizonte genético, horizonte pedogênico), deve-se


entender uma seção de constituição mineral ou orgânica, à superfície do
terreno ou aproximadamente paralela a esta parcialmente exposta no perfil
e dotada de propriedades geradas por processos formadores do solo que lhe
confere características de interrelacionamento com outros horizontes com-
ponentes do perfil, dos quais se diferencia em virtude de diversidade de
propriedades, resultantes da ação da pedogênese (IBGE, 2007).

As camadas são seções minerais ou orgânicas, parcialmente expostas no


perfil de solo, que possuem propriedades não resultantes ou com pouca
influência dos processos pedogenéticos.

Uma observação importante é que dentre os horizontes do solo ocorrem


aqueles que são específicos para serem adotados na classificação do solo,
principalmente por apresentarem características específicas de determinados
processos a atributos peculiares a determinadas classes de solos. Esses tipos
de horizontes são denominados de diagnósticos e podem estar presentes
tanto na superfície do solo como em subsuperfície.

Pedologia e Edafologia 53 UAB


Assim, o horizonte diagnóstico constitui matéria pertinente ao estabeleci-
mento de requisito referente a um conjunto de propriedades selecionadas,
em grau arbitrado como expressivo, por razão de conveniência (arbítrio) para
construção taxonômica, adotado para criar, identificar e distinguir classes
(taxons) de solos. (IBGE, 2007). Ainda de acordo com o Vocabulário de Ci-
ência do Solo, os horizontes diagnósticos se caracterizam por determina-
do número de propriedades morfológicas, químicas, físicas e mineralógicas,
definidas quantitativamente, que servem para identificar e distinguir classes
“taxa” de solos.

Nomenclatura de horizontes e camadas


De acordo com a EMBRAPA (2006), na descrição dos horizontes e camadas
do solo são utilizadas letras maiúsculas, minúsculas e números arábicos. As
letras maiúsculas descrevem horizontes ou camadas principais, transicionais
ou combinações destes. As letras minúsculas são usadas como sufixos para
caracterizar distinções específicas. Os números são utilizados como prefixos,
quando significam descontinuidade litológica. Ex: A, E, Bt, 2Bt e como sufi-
xo, na subdivisão de horizontes principais em profundidade, com sequência
reiniciada a cada mudança que ocorrer verticalmente nas características do
solo. Ex: A1,A2,E,Bt1,Bt2, Btx1,Btx2. No quadro 1, está apresentada uma sín-
tese da simbologia utilizada na designação de alguns horizontes e camadas,
de acordo com o atual Sistema de Classificação de Solos.

O entendimento de alguns conceitos sobre os processos de formação do


solo são necessários na definição desses horizontes. Pois processos de adi-
ção, perda, transformação e transferência de materiais no perfil do solo,
assim como a ação de processos pedogenéticos mais específicos como, a
latossolização, a podzolização, a carbonatação e a gleização, também de-
senvolvem importantes papéis na formação dos solos, imprimindo caracte-
rísticas ao mesmo, que serão identificadas como atributos diagnósticos.

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Quadro 1 - Síntese da simbologia de alguns horizontes e camadas de solo.

Símbolos Critérios

O Horizonte ou camada superficial de cobertura, de constituição orgânica.


H Horizonte ou camada de constituição orgânica, superficial ou não.
A Horizonte mineral, superficial ou em sequência a horizonte ou camada O ou H.
Horizonte subsuperficial, com predomínio de características de horizonte A e
AB (ou AE) algumas características de horizonte B (ou E).
E Horizonte mineral, cuja característica principal é a eluviação.
Horizonte mesclado com partes de horizonte E e de horizonte A, porém com
E/A predomínio de material de E.
B Horizonte subsuperficial de acumulação.
Horizonte subsuperficial, com predomínio de características de horizonte B e
BC algumas características de horizonte C.
Horizonte mesclado com partes de horizonte B e de horizonte C, porém com
B/C predomínio de material de B.
Horizonte ou camada mineral de material inconsolidado sob o solum, relativa-
C mente pouco afetado por processos pedogenéticos.
Camada mineral de material consolidado, que constitui substrato rochoso
R contínuo ou praticamente contínuo.

Fonte: EMBRAPA (1988). SANTOS et al., 2005.

O quadro 2 apresenta uma síntese de alguns sufixos utilizados para designar


características específicas de horizontes e camadas de solo, de acordo com o
atual Sistema de Classificação de Solos (EMBRAPA, 2006)

Características morfológicas

Profundidade e espessura dos horizontes e camadas


Após a separação dos horizontes e camadas, a profundidade é medida a par-
tir da superfície do solo, e a espessura entre as camadas é obtida medindo-se
os limites máximos e mínimos (Figura 2).

Quando a profundidade do último horizonte ultrapassar a profundidade de


observação, utiliza-se o sinal “+”, indicando que ele se estende a maiores
profundidades.

Pedologia e Edafologia 55 UAB


Quadro 2 - Alguns sufixos utilizados para caracterizar horizontes e
camadas de solo

Sufixos Critérios

Usado com A, E, B, C para designar concreções ou nódulos não concrecionários,


c cimentados sem ser por sílica.
Usado com A, B, C para designar concentração de constituintes secundários mine-
f rais ricos em ferro e/ou alumínio.
Usado com A, E, B, C para designar cores cinzentas, azuladas, esverdeadas ou
g mosqueamento, decorrentes da redução do ferro.
Usado exclusivamente com B para designar relevante acumulação iluvial, essen-
h cialmente de matéria orgânica ou de complexos orgânico-sesquioxídicos amorfos
dispersíveis.
i Incipiente desenvolvimento de horizonte B.
k Usado com A, B, C para designar presença comumente de carbonato de cálcio.
Usado com B, C para designar cimentação pedogenética extraordinária e irreversí-
m vel (mesmo sob prolongada imersão em água), contínua ou quase contínua.
Usado com H, A, B, C, para designar acumulação de sódio trocável, expresso por
n 100.NA/T > 8%, acompanhada ou não de acumulação de magnésio trocável.
p Usado com H ou A para indicar modificações antrópicas.
Usado com C para designar presença de camada de rocha subjacente, intensamen-
r te ou pouco alterada.
Usado exclusivamente com horizonte B para indicar relevante acumulação iluvial
s ou de translocação lateral interna no solo de complexos organo-sesquioxídicos
amorfos dispersíveis.
Usado exclusivamente com B para designar relevante acumulação ou concentração
t de argila.
v Usado com B, C, para designar características vérticas.
Usado exclusivamente com B para designar intensa alteração com inexpressiva
w acumulação de argila, com ou sem concentração de sesquióxidos.
x Usado com B, C e ocasionalmente E, para designar cimentação aparente, reversível.

Fontes: EMBRAPA (1988); SANTOS et al., 2005.

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Figura 2 - Profundidade e espessura de um perfil de solo com transição plana e on-
dulada. (Fonte: IBGE, 2007)

Transição entre horizontes e camadas


É caracterizada pela área de separação entre os horizontes e camadas, que é
definida pela observação de fatores como nitidez ou contraste (abrupta, cla-
ra, gradual e difusa), espessura e topografia (plana ou horizontal, ondulada
ou sinuosa, irregular, quebrada ou descontínua).

A classificação quanto à topografia pode ser observada na figura 3.

Pedologia e Edafologia 57 UAB


Figura 3 - Tipos de transição quanto à topografia. (Fonte: IBGE, 2007)

Cor
A cor do solo reflete principalmente sua quantidade de matéria orgânica, óxi-
dos de ferro e condições de drenagem interna. Por exemplo, um solo com
elevado teor de matéria orgânica se apresenta escuro e isso pode indicar fertili-
dade ou condições adversas à decomposição da mesma. Solos com tonalidade
avermelhada estão associados à presença de óxidos de ferro. Solos cinzas, em
geral, estão associados à deficiência de drenagem.

A cor do solo é obtida através da comparação visual com a escala de cores de


Munsell. Nesta são indicadas o matiz (pigmentos vermelho(R)/amarelo(Y)), o
valor (proporção da tonalidade cinza, preto/branco) e o croma (intensidade
ou pureza da cor em relação ao cinza).

O matiz possui a seguinte notação: 10R; 2,5YR; 5YR; 7,5YR; 10YR; 2,5Y e
5Y, com os algarismos arábicos indicando a participação da cor amarela em
detrimento da vermelha. Ex: matiz 7,5YR significa uma combinação de cores
formada por 62,5 % de amarelo (Y) e 37,5% de vermelho (R) (PRADO, 2001).

O valor varia de 0 a 10 indicando assim a maior ou menor participação do


branco ou preto na tonalidade da cor. O valor zero corresponde ao preto ab-

UAB 58 Licenciatura em Geografia


soluto e o valor 10, ao branco absoluto. Ex: valor 3 significa uma contribuição
de 30% da cor branca e 70% da cor preta.

O croma varia de 0 a 8 (na carta de solos), indicando o grau de saturação ou


intensidade da cor. Um croma zero significa que a cor é neutra e é representado
pela letra N.

Recomenda-se fazer a determinação da cor na amostra úmida para todos os


horizontes do perfil e para o horizonte A, também na amostra seca. Ex: bruno-
escuro (7,5YR 3/2, úmido) e bruno (7,5YR 5/2, seco).

Quando ocorre multiplicidade de cores num horizonte, têm-se os mosqueados


e, quando não se pode distinguir uma cor, tem-se a coloração variegada.

Textura
A textura é considerada uma das características mais estáveis do solo e de gran-
de importância na descrição, identificação, classificação e manejo do mesmo.
Essa característica será apenas citada, pois já foi abordada no capítulo 3.

Estrutura
A estrutura influencia várias outras condições do solo, como aeração, disponi-
bilidade de água e nutrientes, atividade microbiana, penetração de raízes, etc.

A sua caracterização na área pedológica é feita de acordo com o grau, a classe


e o tipo da estrutura, conforme a seguir:

Graus de estrutura (IBGE, 2007):

• Sem agregação – não se identifica agregados;

• Fraca – já se identifica agregados pouco nítidos e em menor proporção


material não agregado;

• Moderada – se identifica agregados com nitidez intermediária em propor-


ção equivalente a material não agregado;

• Forte – agregação nítida e fácil separação dos agregados. Ausência de ma-


terial não agregado.

Pedologia e Edafologia 59 UAB


Classes de estrutura – em função do tamanho, classificam-se em muito pe-
quena, pequena, média, grande, muito grande e extremamente grande.

Tipos de estrutura – É classificada de acordo com o formato do arranjamento


das partículas como apresentado na figura 6.

Figura 4 - Tipos de estrutura. (Fonte: IBGE, 2007)

Consistência
A consistência do solo está ligada a sua capacidade de resistência à ruptu-
ra, facilidade de esboroamento, plasticidade e aderência. Está relacionada a
outros fatores do solo, como textura, estrutura, agentes cimentantes, etc.
Pode ser verificada no solo seco, onde se observa características de dureza
ou tenacidade; no solo úmido, onde se observa características de friabilida-
de; e no solo molhado, onde se observa características de pagajosidade e
plasticidade.

Outras características morfológicas


Cerosidade, superfície de compressão e de fricção, superfícies foscas, cimen-
tação, coesão, presença de raízes, etc. No quadro 5, pode ser observado um
exemplo de descrição de um perfil de solo.

Atributos Diagnósticos
São características ou propriedades dos solos, utilizadas para separação de
classes em vários níveis categóricos do Sistema de Classificação ou na defi-

UAB 60 Licenciatura em Geografia


nição de alguns horizontes diagnósticos. As definições dos atributos e ho-
rizontes diagnósticos, em sua maioria, foram extraídas dos dois principais
materiais didáticos que tratam do tema a nível Nacional, a saber: Sistema
Brasileiro de Classificação de Solo (EMBRAPA, 2006), Manual Técnico de Pe-
dologia (IBGE, 2007).

Material Orgânico
É aquele constituído por materiais orgânicos, originários de resíduos vegetais
em diferentes estágios de decomposição, fragmentos de carvão finamente
divididos, substâncias húmicas, biomassa meso e microbiana, e outros com-
postos orgânicos naturalmente presentes no solo, os quais podem estar as-
sociados a material mineral em proporções variáveis. O material do solo será
considerado como orgânico quando o teor de carbono for igual ou maior
que 80 g kg-1, avaliado na fração terra fina seca ao ar.

Material Mineral
O material do solo é considerado material mineral quando não satisfizer o
requisito exigido para material orgânico.

Quadro 5 - Descrição de um perfil de solo.

PERFIL – 1
DATA – 09/10/2008
CLASSIFICAÇÃO – ESPODOSSOLO FERRIHUMILÚVICO Hiperespesso espessarênico, fase cerra-
do, relevo plano. Unidade de mapeamento ES.
LOCALIZAÇÃO – Usina Salgado, Ipojuca, Pernambuco. Coordenadas UTM 25M 276845 m E e
9064079 m N.
SITUAÇÃO, DECLIVIDADE E COBERTURA VEGETAL SOBRE O PERFIL – Trincheira situada em
várzea do baixo curso do rio Ipojuca, com declividade de 0 a 2,5%, sob cultura de cana-de-açúcar.
ALTITUDE – 15 m
LITOLOGIA E CRONOLOGIA - Holoceno. Sedimentos fluvio-marinhos da baixada litorânea.
MATERIAL ORIGINÁRIO – Sedimentos arenosos.
PEDREGOSIDADE – Ausente.
ROCHOSIDADE – Não rochoso.
RELEVO LOCAL – Plano.
RELEVO REGIONAL – Plano.
EROSÃO – Não aparente.
DRENAGEM – Moderadamente a imperfeitamente drenado.
VEGETAÇÃO PRIMÁRIA – Floresta perenifólia de restinga.
USO ATUAL – Cultura de cana-de-açúcar.
DESCRITO E COLETADO POR – RIBEIRO, M. R. e LIMA, J.F.W. F.
DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA

Pedologia e Edafologia 61 UAB


0-20 cm; bruno-escuro (7,5YR 3/2, úmido); areia; grãos simples; muitos poros;
Ap solta, solta, muito friável, não plástica e não pegajosa; transição gradual e
plana.
20-42 cm; bruno-escuro (7,5YR 3/2, úmido); areia franca; maciça pouco coesa
A e fraca pequena e média granular; muitos poros; levemente dura, muito friável,
não plástica e não pegajosa; transição gradual e plana.
42-70 cm; 20-42 cm; bruno-escuro (7,5YR 3/2, úmido); areia; grãos simples;
AE muitos poros; solto, solto, não plástica e não pegajosa; transição gradual e
plana.
70-125 cm; cinzento-claro (10YR 7/2, úmido); mosqueado pouco, médio e
E1 distinto, bruno-escuro (7,5YR 4/2, úmido), areia; grãos simples; muitos poros;
solta, solta, não plástica e não pegajosa; transição gradual e plana.
125-250 cm; bruno (10YR 7/2, úmido); mosqueado comum, médio e distinto,
E2 bruno-escuro (7,5YR 3/2, úmido), areia; grãos simples; muitos poros; solta,
solta, não plástica e não pegajosa; transição gradual e plana.
250-253 cm; bruno-escuro (7,5YR 3/2, úmido); areia; maciça pouco coesa; mui-
Bh tos poros; levemente dura, friável e firme, não plástica e não pegajosa; transição
abrupta e ondulada (4-12 cm).
253+ cm mistura de cores, bruno (10YR 5/3, úmido) e bruno-amarelado (10YR
5/6, úmido), mosqueado comum, médio e proeminente bruno-avermelhado-
Bsm escuro (2,5YR 2,5/3); areia; maciça muito coesa; poucos poros; extremamente
dura, extremamente firme, não plástica e não pegajosa.

RAÍZES: Muitas no Ap; comuns no A e AE, poucas no E1; poucas em E2 e ausentes no Bh e Bsm.

OBSERVAÇÕES: Perfil descrito úmido.


Fonte: Carvalho e Ribeiro, 2011..

Atividade da fração argila


Refere-se à capacidade de troca de cátions (T ou CTC)* correspondente
à fração argila. Atividade alta (Ta) designa valor ou superior a 27 cmolc kg-1
de argila, sem correção para o carbono, e atividade baixa (Tb), valor inferior
a 27 cmolc kg-1 de argila, sem correção para o carbono.

* capacidade de troca de cátions (T)*: Soma total de cátions trocáveis


que um solo, ou algum de seus constituintes, pode adsorver a um pH espe-
cífico. É geralmente expressa em cmolc kg-1 de material adsorvente e em
condições de pH 7,0.

Saturação por bases


Refere-se à proporção (taxa percentual (V% = 100 x S*/T) ) de cátions bá-
sicos trocáveis em relação à capacidade de troca determinada a pH 7,0. A
Expressão alta saturação se aplica a solos com saturação por bases igual ou
superior a 50% (Eutrófico) e baixa saturação para valores inferiores a 50%
(Distrófico).

UAB 62 Licenciatura em Geografia


*S: Soma de Bases (cátions básicos trocáveis). Corresponde a: S = Ca2+ + Mg 2+
+ K+ + Na+. Geralmente expressa em cmolc kg-1.

Caráter Alumínico
Refere-se à condição em que o solo se encontra em estado dessaturado e é
caracterizado por teor de Alumínio extraível ≥ 4 cmolc kg-1 de solo associado à
atividade de argila < 20 cmolc kg-1 de argila, além de apresentar saturação por
alumínio ( 100 x Al3+/S + Al3+) ≥ 50% e/ou saturação por bases (V%= 100 x S/T)
< 50%.

Caráter Alítico
Refere-se à condição em que o solo se encontra dessaturado e apresenta alumí-
nio extraível ≥ 4 cmolc kg-1 de solo associado à atividade de argila ≥ 20 cmolc
kg-1 de argila e saturação por alumínio ( 100 x Al3+/S + Al3+) ≥ 50% e saturação
por bases (V%= 100 x S/T) < 50%.

Caráter Sódico
O caráter sódico é usado para distinguir horizontes ou camadas que apresentem
saturação por sódio (100 x Na+/T) ≥ 15%, em alguma parte da seção de controle
que defina a classe.

Caráter Solódico
O caráter solódico é usado para distinguir horizontes ou camadas que apresen-
tem saturação por sódio (100 x Na+/T) variando de 6% a < 15%, em alguma
parte da seção de controle que defina a classe.

Caráter Sálico
Propriedade referente à presença de sais mais solúveis em água fria que o sulfa-
to de cálcio (gesso), em quantidade tóxica à maioria das culturas, indicada por
condutividade elétrica no extrato de saturação ≥ 7,0 dS m-1 (a 25 °C), em alguma
época do ano.

Caráter Carbonático
Propriedade referente à presença de 150 g kg-1 de solo ou mais de CaCO3 equi-
valente sob qualquer forma de segregação, inclusive concreções, desde que não
satisfaça os requisitos estabelecidos para horizonte cálcico.

Mudança textural abrupta


Consiste em um considerável aumento no teor de argila dentro de pequena dis-
tância na zona de transição entre o horizonte A ou E e o horizonte subjacente B.

Pedologia e Edafologia 63 UAB


Caráter Plíntico
Usado para distinguir solos que apresentam plintita em quantidade ou es-
pessura insuficientes para caracterizar horizonte plíntico, em um ou mais
horizontes, em alguma parte da seção de controle que defina a classe. É
requerida plintita em quantidade mínima de 5% por volume.

Plintita
É uma formação constituída da mistura de argila, pobre em carbono orgâni-
co e rica em ferro, ou ferro e alumínio, com grãos de quartzo e outros mine-
rais (Figura 7). Ocorre comumente sob a forma de mosqueados vermelhos,
vermelho-amarelados e vermelho-escuros.

Mosqueado: Pontos ou manchas de cor ou tonalidade diferente entremea-


das com a cor dominante da matriz de um horizonte do solo. Pode ocorrer
em vários horizontes ou camadas de solo, especialmente em zonas de flutu-
ação do lençol freático (drenagem imperfeita), podendo também ser decor-
rente de variações no material de origem. Fonte: Vocabulário de Ciência do
Solo (CURI et al., 1993).

Figura 5 - Perfil de um Plintossolo com detalhes da presença de plintita.


Fonte: Foto cedida por Edivan R. de Souza.

UAB 64 Licenciatura em Geografia


Caráter Coeso
Usado para distinguir solos com horizontes pedogenéticos subsuperficiais aden-
sados, muito resistentes à penetração da faca ou martelo pedológico e que são
muito duros a extremamente duros quando secos, passando a friáveis ou firmes
quando úmidos.

Contato lítico
Refere-se à presença de material mineral extremamente resistente subjacente ao
solo, em que a escavação com pá reta é impraticável ou muito difícil e impede o
livre crescimento do sistema radicular e movimento da água. Tais materiais são
representados pela rocha sã e por rochas muito fracamente alteradas (R), de
qualquer natureza (ígneas, metamórficas ou sedimentares), ou por rochas fraca
e moderadamente alteradas.

Demais atributos diagnósticos


Foram apresentados alguns dos principais atributos diagnósticos utilizados no
SiBCS, mas é importante frisar que uma série de atributos ainda são requeridos
para um completo entendimento da gênese e classificação do solo, tais como:
caráter ácrico, caráter êutrico, caráter concrecionário, caráter litoplíntico, caráter
argilúvico, caráter plânico, caráter dúrico, caráter vértico, caráter epiáquico, ca-
ráter crômico, caráter ebânico, caráter rubrico, dentre outros.

O quadro 6 exemplifica parâmetros analíticos utilizados para a verificação de al-


guns atributos diagnósticos. Pode-se observar que o solo 1 é eutrófico (V≥50%),
o solo 2 distrófico (V<50%) e o solo 3 alumínico (Al3+ ≥ 4 cmolc.kg-1 associado
à atividade de argila < 20 cmolc/kg de argila, além de apresentar saturação por
alumínio [100 Al+3/(SB + Al+3)] ≥ 50% e/ou saturação por bases (V% = 100 SB/
CTC) < 50%).

Quadro 6 - Alguns parâmetros analíticos utilizados na interpretação pedológica.

Solo Ca2+ Mg2+ Na+ K+ SB H+ Al3+ CTC V m Argila

cmolc.kg-1 % g.kg-1
1 1,92 0,81 0,13 0,07 2,93 1,21 0,0 4,14 71 0 40
2 0,30 0,30 0,01 0,03 0,64 2,02 0,51 3,17 20 44,35 64
3 0,51 0,10 0,06 0,06 0,73 1,90 4,50 7,13 10 86 400

Legenda: SB = soma de bases; CTC ou T = capacidade de troca de cátions;


V = saturação de bases; m=saturação com alumínio.

Pedologia e Edafologia 65 UAB


Exemplo de cálculos para o solo 1:

SB = Ca2+ + Mg2+ + Na++ K+ = 2,93 cmolc.kg-1


CTC = SB + H+ + Al3+ = 4,14 cmolc.kg-1
V = (SB/CTC) x 100 = (2,93/4,14) x 100 = 71%
m = (Al3+/SB+ Al3+) x 100 = 0
atividade de argila = (CTC x 1000)/ argila (g.kg-1) = 103,5 cmolc.kg-1

É importante salientar que alguns atributos como eutrófico, distrófico e alu-


mínico devem ser observados em relação ao horizonte B ou, na sua ausência,
em relação ao horizonte C.

Além do conhecimento sobre os atributos diagnósticos, é de grande impor-


tância o entendimento da formação e classificação dos horizontes e cama-
das presentes no perfil do solo, pois são de fundamental interesse para a sua
classificação e enquadramento no SiBCS.

Horizontes Diagnósticos Superficiais


São aqueles horizontes que se formam à superfície; também chamados epi-
pedon. São reconhecidos no SiBCS (EMBRAPA, 2006) os horizontes diag-
nósticos superficiais: horizonte hístico, horizonte A chernozêmico, Horizonte
A proeminente, Horizonte A Húmico, Horizonte A Antrópico, Horizonte A
Fraco e Horizonte A Moderado.

Horizonte A Antrópico
É um horizonte formado ou modificado pelo uso contínuo do solo pelo ho-
mem, como lugar de residência ou cultivo, por períodos prolongados, com
adições de material orgânico em mistura ou não com material mineral, ocor-
rendo às vezes, fragmentos de cerâmicas e restos de ossos e conchas. O
horizonte A antrópico assemelha-se aos horizontes A chernozêmico ou A
húmico, já que a saturação por bases é variável, e, geralmente, difere destes
por apresentar teor de P2O5 solúvel em ácido cítrico mais elevado que na
parte inferior do solum, ou pela presença de artefatos líticos e/ou cerâmica.

Horizonte A Chernozêmico
É um horizonte mineral superficial, relativamente espesso, escuro, com alta
saturação por bases, que mesmo após revolvimento superficial atenda a de-
terminadas características, incluindo:

a) Estrutura suficientemente desenvolvida (com agregação e grau de desen-


volvimento moderado ou forte) para que o horizonte não seja simultane-

UAB 66 Licenciatura em Geografia


amente maciço, e de consistência quando seco, dura ou mais coeso (muito
dura e extremamente dura). Prismas sem estrutura secundária, maiores
que 30cm, são incluídos no significado de maciço;

b) Saturação por bases (V%) igual ou superior a 65% com predominância do


íon Ca2+ e/ou Mg2+;

Horizonte A Fraco
É um horizonte mineral superficial fracamente desenvolvido, seja pelo reduzi-
do teor de coloides minerais ou orgânicos ou por condições externas de clima
e vegetação, como as que ocorrem na zona semi-árida com vegetação de
caatinga hiperxerófila.

O horizonte A fraco é identificado pelas seguintes características:

a) Cor do material de solo com valor > 4, quando úmido, e > 6, quando seco;

b) Estrutura em grãos simples, maciça ou com grau fraco de desenvolvimento;

c) Teor de carbono orgânico inferior a 6 g.kg-1;

d) Espessura menor que 5cm, independente das características acima (todo


horizonte superficial com menos de 5 cm de espessura é considerado fra-
co).

Horizonte A Húmico
É um horizonte mineral superficial, com valor e croma igual ou inferior a 4
para solo úmido, saturação por bases (V%) inferior a 65% e que apresenta
espessura e conteúdo de carbono orgânico dentro de limites específicos, con-
forme critérios a seguir:

a) Teor de carbono orgânico inferior ao limite mínimo para caracterizar o hori-


zonte hístico (< 80g.kg-1, avaliado na terra fina);

b) Espessura mínima coincidente com a de A chernozêmico;

c) O somatório do produto do teor de carbono orgânico de cada suborizonte


A pela espessura do mesmo (dm) deve ser proporcional à média ponderada
do teor de argila dos suborizontes A1, de acordo com a seguinte equação:

Pedologia e Edafologia 67 UAB


(teor de carbono orgânico (g.kg-1) de cada suborizonte A x espessura,
em dm) > 60 + (0,1 x média ponderada de argila do horizonte superficial
em g.kg-1)

Horizonte A Moderado
São incluídos nesta categoria horizontes superficiais que não se enquadram no
conjunto das definições dos demais horizontes diagnósticos superficiais. Em
geral, o horizonte A moderado difere dos horizontes A chernozêmico, proe-
minente e húmico pela espessura e/ou cor e do horizonte A fraco pelo teor de
carbono orgânico e estrutura, não apresentando ainda os requisitos para carac-
terizar o horizonte hístico ou A antrópico.

Horizonte A Proeminente
As características deste horizonte são comparáveis com aquelas do A chernozê-
mico, no que se refere à cor, teor de carbono orgânico, consistência, estrutura
e espessura, diferindo essencialmente, por apresentar saturação por bases (V%)
inferior a 65%.

Horizontes Diágnósticos Subsuperficiais


Também chamados endopedons, formam-se sob a superfície do solo. Eles po-
dem estar expostos à superfície por truncamento do perfil. São identificados
os seguintes horizontes diagnósticos subsuperficiais: Horizonte B textural, Ho-
rizonte B Latossólico, Horizonte B incipiente, Horizonte B nítico, Horizonte B
espódico, Horizonte B nítico, Horizonte B plânico, Horizonte Álbico, Horizonte
Plíntico, Horizonte Concrecionário, Horizonte Litoplíntico, Horizonte Glei, Ho-
rizonte Cálcico, Horizonte Petrocálcico, Horizonte Sulfúrico, Horizonte Vértico,
Fragipã e Duripã. Serão descritos nesse material os horizontes diagnósticos (Ho-
rizonte B textural, Horizonte B Latossólico e Horizonte B espódico) que
podem ser encontrados em grande quantidade de classes de solo Brasil, em-
bora todos esses horizontes possam estar presentes nas 13 classes de solos do
Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. É importante destacar ainda que
todas as definições de horizontes diagnósticos foram extraídas na íntegra do
documento oficial lançado pela Embrapa, ou seja, o SiBCS (EMBRAPA, 2006)

Horizonte B espódico
Horizonte mineral subsuperficial, com espessura mínima de 2,5 cm, formado
por acumulação iluvial de matéria orgânica e complexos organometálicos de
alumínio, com presença ou não de ferro iluvial (Figura 8). Ocorre, normalmente,
sob qualquer tipo de horizonte A ou sob um horizonte E (álbico ou não) que
pode ser precedido de horizonte A ou hístico.

UAB 68 Licenciatura em Geografia


O material constituinte (partículas) do horizonte geralmente não apresenta
agregação, sendo a estrutura de um modo geral definida como grãos sim-
ples ou maciça, entretanto podem ocorrer outros tipos de estrutura com
fraco grau de desenvolvimento. No horizonte B espódico, podem ocorrer
partículas de areia e silte, com revestimento de matéria orgânica, matéria
orgânica e alofana e sesquióxidos livres, bem como grânulos de matéria or-
gânica e sesquióxidos de diâmetro entre 20 e 50μ.

Em função dos compostos iluviais dominantes e do grau de cimentação, o


horizonte B espódico pode ser identificado como:

Bs - usualmente apresenta cores vivas de croma alto, indicando que os com-


postos de ferro são dominantes ou codominantes e que há pouca evidência
de matéria orgânica iluvial, exceto por padrões descontínuos na transição
entre os horizontes A ou E para o B espódico.

Bhs - identificado pela iluviação expressiva de ferro e matéria orgânica, sen-


do os compostos orgânicos distribuídos em faixas, ou como mosquedos,
ou aglometados, ou estrias, formando padrões heterogêneos de compostos
iluviais de ferro, alumínio e matéria orgânica. Horizontes Bhs contêm quan-
tidades significativas de ferro e alumínio extraíveis por oxalato (Feo e Alo),
entretanto os limites ainda precisam ser estabelecidos para solos brasileiros.

Bh - iluviação dominante de complexos matéria orgânica-alumínio, com


pouca ou nenhuma evidência de ferro iluvial. O horizonte é relativamente
uniforme lateralmente e apenas os conteúdos de matéria orgânica e de alu-
mínio decrescem em profundidade. No horizonte Bh, em geral, os grãos de
areia não estão revestidos por material iluvial, que ocorre como grânulos ou
precipitados de matéria orgânica e sequióxidos de alumínio.

Em síntese, o horizonte B espódico é aquele que tem espessura mínima de


2,5 cm, com acumulação iluvial de matéria orgânica, associada a complexos
de sílica-alumínio ou húmus-alumínio, podendo ou não conter ferro, ou acu-
mulação apenas de ferro, com pouca evidência de matéria orgânica iluvial.

Pedologia e Edafologia 69 UAB


Figura 6 - ESPODOSSOLO FERRIHUMILÚVICO Hiperespesso espessarênico – Ipojuca –
PE. (Fonte: Foto cedida por Vânia S.Carvalho)

Horizonte B latossólico
É um horizonte mineral subsuperficial, cujos constituintes evidenciam avan-
çado estágio de intemperização, explícito pela alteração completa dos mi-
nerais primários menos resistentes ao intemperismo e/ou minerais de argila
2:1, seguida de intensa dessilicificação, lixiviação de bases e concentração
residual de sesquióxidos, argila do tipo 1:1 e minerais primários resistentes
ao intemperismo (Figura 7). Em geral, é constituído por quantidades variá-
veis de óxidos de ferro e de alumínio, minerais de argila 1:1, quartzo e outros
minerais mais resistentes ao intemperismo, podendo haver a predominância
de quaisquer desses materiais.

UAB 70 Licenciatura em Geografia


Na composição do horizonte B latossólico, não deve restar mais do que 4%
de minerais primários alteráveis (menos resistentes ao intemperismo) ou 6%
no caso de muscovita, determinados na fração areia e recalculados em rela-
ção à fração terra fina. A fração menor que 50μ (silte + argila) poderá apre-
sentar pequenas quantidades de argilominerais interestratificados ou ilitas,
mas não deve conter mais do que traços de argilominerais do grupo das
esmectitas. Não deve ter mais de 5% do volume da massa do horizonte B la-
tossólico que mostre estrutura da rocha original, como estratificações finas,
ou saprólito, ou fragmentos de rochas pouco resistentes ao intemperismo.

O horizonte B latossólico deve apresentar espessura mínima de 50 cm, tex-


tura franco-arenosa ou mais fina e baixos teores de silte, de maneira que a
relação silte/argila seja inferior a 0,7 nos solos de textura média e inferior
a 0,6 nos solos de textura argilosa, na maioria dos suborizontes do B até a
profundidade de 200 cm (ou 300 cm se o horizonte A exceder a 150 cm de
espessura).

A capacidade de troca de cátions no horizonte B latossólico deve ser menor


do que 17 cmolc.kg-1 de argila, sem correção para carbono.

A relação molecular SiO2/Al2O3 (Ki) no horizonte B latossólico é menor do


que 2,2, sendo normalmente inferior a 2,0.

O horizonte B latossólico apresenta diferenciação muito pouco nítida entre


os seus suborizontes, com transição, de maneira geral, difusa.

A estrutura nesse horizonte pode ser fortemente desenvolvida, quando os


elementos de estrutura forem granulares, de tamanho muito pequeno e pe-
queno,

ou fraca e mais raramente de desenvolvimento moderado, quando se tratar


de estrutura em blocos subangulares. A consistência do material do horizon-
te B, quando seco, varia de macia a muito dura e de friável a muito friável,
quando úmido.

Usualmente o horizonte B latossólico apresenta alto grau de floculação, o


que evidencia a pouca mobilidade das argilas e a alta resistência à dispersão.

Pedologia e Edafologia 71 UAB


Figura 7 - LATOSSOLO AMARELO distrófico típico (Chapada do Araripe, em Exu-PE).
(Fonte: Foto cedida por Rômulo Vinícius C.C Souza)

Horizonte B textural
É um horizonte mineral subsuperficial com textura franco-arenosa ou mais
fina, onde houve incremento de argila, orientada ou não, desde que não
exclusivamente por descontinuidade, resultante de acumulação ou concen-
tração absoluta ou relativa decorrente de processos de iluviação e/ou forma-
ção in situ e/ou herdada do material de origem e/ou infiltração de argila ou
argila mais silte, com ou sem matéria orgânica e/ou destruição de argila no
horizonte A e/ou perda de argila no horizonte A por erosão diferencial. O
conteúdo de argila do horizonte B textural é maior que o do horizonte A e
pode ou não ser maior que o do horizonte C. Esse horizonte pode ser encon-
trado à superfície, se o solo foi parcialmente truncado por erosão.

A natureza coloidal da argila a torna suscetível de mobilidade com a água


no solo se a percolação é relevante. Na deposição em meio aquoso, as partí-
culas de argilominerais usualmente lamelares, tendem a repousar aplanadas
no local de apoio. Transportadas pela água, as argilas translocadas tendem a

UAB 72 Licenciatura em Geografia


formar películas de partículas argilosas, com orientação paralela às superfí-
cies que revestem, ao contrário das argilas formadas in situ, que apresentam
orientação desordenada. Entretanto, outros tipos de revestimento de mate-
rial coloidal inorgânico são também levados em conta como características
de horizonte B textural e reconhecidos como cerosidade.

A cerosidade considerada na identificação do B textural é constituída por

películas de coloides minerais que, se bem desenvolvidos, são facilmente

perceptíveis pelo aspecto lustroso e brilho graxo.

Nos solos sem macroagregados, apresentando grãos simples ou maciça, a


argila iluvial apresenta-se sob a forma de revestimento nos grãos individuais
de areia, orientada de acordo com a superfície dos mesmos ou formando
pontes ligando os grãos.

Na identificação de campo da maioria dos horizontes B texturais, a cerosi-


dade é importante. No entanto, a cerosidade sozinha é muitas vezes inade-
quada para identificar um horizonte B textural, pois devido ao escoamento
turbulento da água por fendas, a cerosidade pode se formar devido a uma
única chuva ou inundação. Por essa razão, a cerosidade num horizonte B
textural deverá estar presente em diferentes faces das unidades estruturais e
não exclusivamente nas faces verticais.

A transição do horizonte A para o horizonte B textural é abrupta, clara ou


gradual, mas o teor de argila aumenta com nitidez suficiente para que a
parte limítrofe entre eles não ultrapasse uma distância vertical de 30 cm,
satisfeito o requisito de diferença de textura.

Níveis Categóricos do Sistema Brasileiro


de Classificação de Solos
É um conjunto de classes definidas segundo ATRIBUTOS DIAGNÓSTICOS em
um mesmo nível de generalização e incluindo todos os solos que satisfizerem
a essa definição. As características ou propriedades (Morfologia do Solo*)
usadas para a definição de um nível categórico devem ser propriedades dos
solos que possam ser identificadas no campo (ou inferidas de outras pro-
priedades que são reconhecidas no campo ou a partir de conhecimentos da
ciência do solo e de outras disciplinas correlatas (EMBRAPA, 2006).

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*Morfologia do Solo: O estudo da morfologia do solo refere-se à descrição
daquelas propriedades detectadas pelos sentidos da visão e do tato (manu-
seio), como, por exemplo: cor, textura, estrutura, porosidade, consistência,
transição entre horizontes e/ou camadas. É feita por ocasião do estudo do
solo no campo (descrição de perfil) para cada horizonte ou camada individu-
almente, seguindo registro metodizado (Santos et al., 2005).

Os níveis categóricos aplicados para o SiBCS são seis:

1º NÍVEL CATEGÓRICO: ORDEM


2º NÍVEL CATEGÓRICO: SUBORDEM
3º NÍVEL CATEGÓRICO: GRANDEGRUPO
4º NÍVEL CATEGÓRICO: SUBGRUPO
5º NÍVEL CATEGÓRICO: FAMÍLIA
6º NÍVEL CATEGÓRICO: SÉRIE

Ordens
São separadas pela presença ou ausência de determinados atributos, hori-
zontes diagnósticos ou propriedades que são passíveis de serem identifica-
das no campo mostrando diferenças no tipo e grau de desenvolvimento dos
processos de formação do solo. O atual SiBCS apresenta treze (13) ordens
(classes de solos).

Os atributos diagnósticos que refletem a natureza do meio-ambiente e os


sinais dos processos de formação do solo, dominantes na sua gênese, são
os que devem ter maior peso para o 1º nível categórico, pois têm o maior
número de características acessórias

Ex: NEOSSOLO, VERTISSOLO, CAMBISSOLO, LUVISSOLO, LATOSSOLO

Subordens
São separadas por propriedades ou características diferenciais que:

a) Refletem a atuação de outros processos de formação que agiram con-


juntamente ou afetaram os processos dominantes e cujas características
foram utilizadas para separar os solos no 1º nível categórico;

Ex.: GLEISSOLO TIOMÓRFICO

Tiomórfico: Solos com horizonte sulfúrico e/ou materiais sulfídricos, dentro


de 100 cm a partir da superfície.

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b) Ressaltam as características responsáveis pela ausência de diferenciação
de horizontes diagnósticos;

Ex: LUVISSOLO HÁPLICO

c) Propriedades que são extremamente importantes para o desenvolvimento


das plantas e/ou para usos não agrícolas e que tenham grande número
de propriedades acessórias;

Ex.: PLANOSSOLO NÁTRICO, GLEISSOLO SÁLICO

Caráter Sálico: Refere-se à presença de sais mais solúveis em água fria que
o sulfato de cálcio (gesso), em quantidade tóxica à maioria das culturas,
indicada por condutividade elétrica no extrato de saturação ≥ 7,0 dS m-1
(EMBRAPA, 2006).

d) Propriedades ou características diferenciais dentro das classes do 1º nível.

Ex.: NEOSSOLO FLÚVICO, NEOSSOLO LITÓLICO, NEOSSOLO QUARTZARÊNI-


CO, NEOSSOLO REGOLÍTICO.

Caráter Flúvico: Usado para solos formados sob forte influência de sedi-
mentos de natureza aluvionar e que apresentam distribuição irregular do
conteúdo de carbono orgânico em profundidade, não relacionada a proces-
sos pedogenéticos; e/ou camadas estratificadas em 25% ou mais do volume
do solo (EMBRAPA, 2006).

Grandes Grupos
As classes são separadas pelo tipo arranjamento dos horizontes, atividade
da fração argila, condição de saturação do complexo sortivo (Saturação por
bases – V%, por alumínio- m%, sódio – PST), presença de sais solúveis, pre-
sença de horizontes ou propriedades que restringem o desenvolvimento das
raízes e afetam o livre movimento de água no solo (EMBRAPA, 2006)

Ex.: ARGISSOLO VERMELHO Distrófico

Definição de Distrófico: Solo que apresenta baixa saturação por bases.


A saturação é menor que 50%, quando a determinação da capacidade de
troca de cátions é feita a pH 7,0. (Curi et al., 1993)

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Subgrupos
As classes foram separadas por uma das seguintes características:

a) Representa os solos com características extraordinárias

Ex: NEOSSOLOS REGOLÍTICOS Húmicos lépticos*

*Solos com contato lítico entre 50 cm e 100 cm da superfície do solo.

b) Representa o conceito central da classe, ou o indivíduo mais simples (iden-


tificado como típico); ainda que possa não ser o de maior expressão ge-
ográfica, mas que apresenta a organização de horizontes e sinais dos
processos pedogenéticos mais simples (EMBRAPA, 2006)

Ex: NEOSSOLOS REGOLÍTICOS Húmicos típicos**

**Outros solos que não se enquadram na classe anterior.

Famílias (em discussão)


O 5º nível categórico do SiBCS está em discussão e deverá ser definido com
base em características e propriedades morfológicas, físicas, químicas e mi-
neralógicas importantes para uso e manejo do solos (EMBRAPA, 2006).

Séries (não definidas no país)


O 6º nível categórico está em discussão e deverá ser a categoria mais ho-
mogênea do sistema, correspondendo ao nível de “série de solos”, para
ser utilizada em levantamentos detalhados. Essa classificação deverá ter por
base características diretamente relacionadas com o crescimento de plantas,
quanto ao desenvolvimento do sistema radicular, relações solo-água-planta
e propriedades importantes nas interpretações para fins de engenharia, ge-
otecnia e ambientais (EMBRAPA, 2006).

Conhecendo Melhor a Nomenclatura das


Classes de Solos e o Modo de Descrevê-las
No primeiro nível categórico (ordem), os nomes das treze (13) classes são
formados pela associação de um elemento formativo com a terminação “so-
los”. No Quadro 7, são explicitadas todas as classes do primeiro nível cate-
górico e termos que facilitam a memorização das mesmas. Já no Quadro 8,
podem ser visualizadas todas as Classes de solos do SiBCS do 1º ao 3º nível
categórico.

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Quadro 7 - Ordens, elementos formativos e termos de conotação e
memorização do 1º nível categórico do Sistema Brasileiro de Classifi-
cação de Solos.

Termos de conotação e me-


Ordem Elemento Formativo morização

NEOSSOLO NEO Novo. Pouco desenvolvido.

“Vertere”, inverter. Horizonte


VERTISSOLO VERTI vértico.

“Cambiare”, mudar. Em
CAMBISSOLO CAMBI evolução. B incipiente.

A chernozêmico, preto, rico


CHERNOSSOLO CHERNO em matéria orgânica e bases.

“Luere” iluvial, B textural com


LUVISSOLO LUVI alta saturação por bases e Ta.

“Argilla”. Acumulação de
ARGISSOLO ARGI argila. B textural, com baixa
saturação por bases. Tb ou Ta.

“Nitidus”. Brilhante. Horizon-


NITOSSOLO NITO te B nítico Tb.

“Lat”. Latolização, hor. B


LATOSSOLO LATO latossólico. Material muito
alterado.

“Spodos”, cinza vegetal. Hor.


ESPODOSSOLO ESPODO
B espódico.

“Planus”. Horizonte B espó-


PLANOSSOLO PLANO dico.

“Planus”. Plintita. Hor.


PLINTOSSOLO PLINTO Plíntico.

GLEISSOLO GLEI Glei. Horizonte glei.

Orgânico. Horizonte H ou
ORGANOSSOLO ORGANO hístico.

Fonte: EMBRAPA (2006)

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Quadro 8 - Classes de solos do SiBCS do 1º ao 3º nível categórico.

ARGISSOLOS CHERNOSSOLOS

SUBORDENS GRANDES GRUPOS SUBORDENS GRANDES GRUPOS


BRUNO-ACI- Alíticos Lítico
ZENTADOS RÊNDZICO
Distrocoesos Órtico
ACINZENTA- Distróficos
DOS Carbonático
EBÂNICO
Eutróficos Órtico
Alíticos Férrico
Alumínicos ARGILÚVICO Carbonático
Distrocoesos Órtico
AMARELOS
Distróficos ESPODOSSOLOS
Eutrocoesos SUBORDENS GRANDES GRUPOS
Eutróficos Hidro-hiperespesso
Alíticos Hidromórfico
HUMILÚVICO
Alumínicos Hiperespesso
Ta Distróficos Órtico
VERMELHOS
Distróficos Hidro-hiperespesso
Eutroférricos Hidromórfico
FERRILÚVICO
Eutróficos Hiperespesso
Alíticos Órtico
Alumínicos Hidro-hiperespesso
VERMELHO- Ta Distróficos Hidromórfico
AMARELOS FERRIHUMILÚVICO
Distróficos Hiperespesso
Eutroférricos Órtico
CAMBISSOLOS GLEISSOLOS
SUBORDENS GRANDES GRUPOS SUBORDENS GRANDES GRUPOS
Aluminoférrico Húmico
TIOMÓRFICO
HÚMICO Alumínico Órtico
Distroférrico Sódico
SÁLICO
Distrófico Órtico

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Carbonático Carbonático
Sódico Alíticos
Sálico Alumínico
Alumínico MELÂNICO Ta Distrófico
Ta Distrófico Ta Eutrófico
FLÚVICO
Ta Eutroférrico Tb Distrófico
Ta Eutrófico Tb Eutrófico
Ta Distroférrico Carbonático
Tb Distrófico Alíticos
Tb Eutrófico Alumínico
Carbonático HÁPLICO Ta Distrófico
Sódico Ta Eutrófico
Perférrico Tb Distrófico
Alítico Tb Eutrófico
Alumínico LUVISSOLOS
Ta Distrófico SUBORDENS GRANDES GRUPOS
HÁPLICO
Ta Eutroférrico Carbonático
Ta Eutrófico CRÔMICO Pálico
Tb Distroférrico Órtico
Tb Distrófico Pálico
Tb Eutroférrico HÁPLICO Órtico
Tb Eutrófico

LATOSSOLOS Alítico

SUBORDENS GRANDES GRUPOS Alumínico


BRUNO Acriférrico VERMELHO Distroférrico
Ácrico Distrófico
Aluminoférrico Eutroférrico
Alumínico Eutrófico
Distroférrico Alumínico
Distrófico HÁPLICO Distrófico
AMARELO Acriférrico Eutrófico
Ácrico ORGANOSSOLOS
Alumínico SUBORDENS GRANDES GRUPOS

Pedologia e Edafologia 79 UAB


Distroférrico Fíbrico
Distrocoeso TIOMÓRFICO Hêmico
Distrófico Sáprico
Eutrófico Fíbrico
Perférrico FÓLICO Hêmico
Acriférrico Sáprico
Ácrico Fíbrico
Aluminoférrico HÁPLICO Hêmico
VERMELHO
Distroférrico Sáprico
Distrófico PLANOSSOLOS
Eutroférrico SUBORDENS GRANDES GRUPOS
Eutrófico Carbonático
Acriférrico NÁTRICO Sálico
Ácrico Órtico
VERMELHO- Alumínico Carbonático
AMARELO Distroférrico Sálico
Distrófico Alítico
Eutrófico HÁPLICO Alumínico
NEOSSOLOS Eutrófico
SUBORDENS GRANDES GRUPOS Distrófico
Hístico PLINTOSSOLOS
Húmico SUBORDENS GRANDES GRUPOS
Carbonático Litoplíntico
LITÓLICO Chernossólico Concrecionário
Distro-úmbrico Alítico
PÉTRICO
Distrófico Alumínico
Eutro-úmbrico Distrófico
Eutrófico Eutrófico
Carbonático Alítico
Sódico Alumínico
Sálico HÁPLICO Ácrico
FLÚVICO Psamítico Distrófico
Ta Eutrófico Eutrófico
Tb Distrófico VERTISSOLOS
Tb Eutrófico Carbonático
Húmico Sódico
HIDROMÓRFICO
Distro-úmbrico Sálico
REGOLÍTICO Distrófico Órtico
Eutro-úmbrico Carbonático
Eutrófico EBÂNICO Sódico
Hidromórfico Órtico
QUARTZARÊNICO
Órtico Carbonático

NITOSSOLOS

SUBORDENS GRANDES GRUPOS HÁPLICO Sódico


Aluminoférrico
Alumínico Sálico
BRUNO
Distroférrico
Distrófico Órtico
Adaptado: IBGE (2007)

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Resumo
Neste capítulo foram abordadas as principais características morfológicas,
atributos e horizontes diagnósticos utilizados para identificar as treze clas-
ses de solos existentes até o momento no Brasil. Verificou-se também que
os níveis categóricos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos estão
definidos até o 4º nível, estando o 5º (FAMÍLIA) e 6º (SÉRIE) níveis ainda em
discussão.

Atividades
Observando os dados abaixo de dois solos onde constam alguns parâmetros
analíticos utilizados na interpretação pedológica, calcule a CTC, a soma de
bases (S), a saturação de bases (V) e a saturação com alumínio (m) e informe
as características dos mesmos.

Solo Ca2+ Mg2+ Na+ K+ SB H+ Al3+ CTC V m Argila


cmolc.kg-1
% g.kg-1
1 0,20 0,10 0,03 0,07 ___ 1,05 4,20 ___ ___ ___ 356
2 0,20 0,10 0,03 0,07 ___ 1,05 4,20 ___ ___ ___ 102

Legenda: SB = soma de bases; CTC ou T = capacidade de troca de cátions; V


= saturação de bases; m=saturação com alumínio.

Resposta: Solo 1 distrófico e alumínico. Solo 2: distrófico e alítico. O caráter


alítico se diferencia do caráter alumínico pela atividade de argila ≥ 20 cmolc
kg-1 de argila (alítico) e < 20 cmolc kg-1(alumínico).

Cálculos:

SB = 0,20+0,10+,0,03+0,07=0,40 cmolc.kg-1
CTC(pH 7,0)= SB +1,05+4,20= 5,65 cmolc.kg-1
V = (SB/CTC) x 100 = 7%
m = (Al3+/SB+ Al3+) x 100 = 91%
atividade de argila (solo 1) = (CTC x 1000)/ argila (g.kg-1) = 15,9 cmolc.kg-1
atividade de argila (solo 2) = (CTC x 1000)/ argila (g.kg-1) = 55,4 cmolc.kg-1

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Quantas classes de solos existem no atual Sistema Brasileiro de Classificação
de Solo? Quais os principais critérios adotados para classificar esses diferen-
tes tipos de solo?

Resposta: Atualmente existem 13 classes de solos. Para identificação desses


solos no campo, é necessário abrir uma trincheira, escolher uma das faces
(perfil do solo), identificar e separar todos os horizontes e/ou camadas, iden-
tificar o tipo de horizontes diagnóstico (superficial ou subsuperficial), ana-
lisar as propriedades morfológicas de cada horizonte e/ou camada, avaliar
os resultados analíticos (amostras enviadas para análise em laboratório) e,
por fim, confrontar todos esses dados com os critérios descritos no Sistema
Brasileiro de Classificação de Solos.

Referências
CARVALHO, V.S. Caracterização e classificação de Espodossolos nos estados de
Pernambuco e Paraíba. Universidade Federal Rural de Pernambuco. Recife. Tese
(Doutorado). 2011.119p.
CURI, N.; LARACH, J. O. I.; KAMPF, N.; MONIZ, A. C.; FONTES, L. E. F. Vocabulário de Ciência
do Solo. Campinas, Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 1993. 90 p.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. Serviço Nacional de
Levantamento e Conservação de Solos (Rio de Janeiro, RJ). Definição e notação de
horizontes e camadas do solo. 2.ed. rev. atual. Rio de Janeiro, 1988. 54p. (EMBRAPA-
SNLCS. Documentos, 3).1988.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. Centro Nacional de
Pesquisa de Solos. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Brasília, DF: Embrapa
Produção da Informação; Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 1999, 412 p.
EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – EMBRAPA. Sistema brasileiro de
classificação de solos. 2. ed. Rio de Janeiro, Centro Nacional de Pesquisa de Solos, 2006.
306 p.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE. Manual Técnico de
Pedologia. 2. ed. Rio de Janeiro, 2007. 323p.
JACOMINE, P. K. T. Origem e evolução dos conceitos e definições de atributos, horizontes
diagnósticos e das classes de solos do Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (CiBCS).
In: Vidal-Torrado, P.; Alleoni, L. R. F.; Cooper, M.; Silva, A. P.; Cardoso, E. J. Tópicos em
Ciência do Solo. Volume 4, Viçosa, MG. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 2005. 470
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PRADO, H. Solos do Brasil: Gênese, morfologia, classificação, levantamento. 2ed.
Piracicaba: 2001. 220p.
SANTOS, R. D.; LEMOS, R. C.; SANTOS, H. G. KER, J. C.; ANJOS, L. H. C. Manual de descrição
e coleta de solo no campo. 5. Ed. Viçosa: UFV. 2005, 92 p.

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Aula 5 - Manejo e conservação
dos solos

Objetivos

Ao término deste capítulo, o(a) estudante será capaz de:

- Compreender a importância do manejo e da conservação dos


solos;

- Conhecer o sistema de classificação de capacidade de uso dos


solos;

- Distinguir práticas conservacionistas utilizadas no manejo e con-


servação dos solos.

Assuntos
–– Manejo e conservação dos solos;
–– Capacidade de uso do solo;
–– Planejamento Conservacionista.

Introdução
O solo é um dos mais importantes recursos naturais do nosso planeta e deve
ser utilizado como patrimônio da coletividade, uma vez que é essencial ao
homem, seja para produção de alimentos ou como base para construção
de moradias. Contudo, o solo é um recurso natural exaurível renovável e,
como tal, deve ser melhorado, isto é, deve ser utilizado de forma racional, de
maneira que seja mantida indefinidamente a sua produtividade. Para tanto,
deve ser conservado de forma adequada para garantir o seu uso às gerações
futuras.

Desse modo, a ciência da conservação do solo propõe um conjunto de me-


didas a fim de garantir a manutenção ou recuperação das condições físicas,
químicas e biológicas do solo, estabelecendo critérios para o uso e manejo
das terras, de forma a não comprometer sua capacidade produtiva. Tais me-

Pedologia e Edafologia 85 UAB


didas visam proteger o solo, prevenindo-o dos efeitos danosos da erosão e,
por consequência, aumentando a disponibilidade de água, de nutrientes e
da atividade biológica do solo e criando condições adequadas ao desenvol-
vimento das plantas.

Neste capítulo, abordaremos conceitos importantes sobre uso e conservação


do solo, além de práticas de manejo que permitirão manter as terras pro-
dutivas considerando sua capacidade e aptidão, ou seja, respeitando suas
limitações para evitar degradação e aproveitando ao máximo sua capacidade
para aumentar a produção.

Manejo e Conservação dos Solos


Manejar o solo significa aplicar ao mesmo um conjunto de técnicas com a
finalidade não só de protegê-lo como também melhorar a produção das
culturas, ou seja, utilizá-lo adequadamente, tendo como base a relação dos
vários fatores que afetam a produtividade agrícola, tais como: rotação de
culturas, o uso de adubos verdes, a fertilização, a irrigação correta e o cultivo
adequado.

Em contrapartida, conservar o solo seria aplicar um conjunto de técnicas


de maneira a obter um rendimento maior e constante com a finalidade de
manter ou aumentar a produtividade sem que, contudo, haja degradação
de suas propriedades físicas, químicas ou biológicas. Para isso, são adotados
programas de prevenção e controle à erosão, da excessiva perda de nutrien-
tes e, de uma maneira geral, da perda de sua capacidade de sustentar a
vegetação natural e/ou a agricultura.

Mas, existe uma relação direta entre manejo e conservação do solo. Com o
manejo adequado do solo também está sendo feita a conservação, isso por-
que com o manejo é possível aumentar a capacidade produtiva, conservando
não só a fertilidade natural, como também os fertilizantes empregados pelo
homem e uma quantidade adequada de água pluvial, elementos esses que,
em conjunto, se não forem bem cuidados serão irremediavelmente perdidos.

Assim, as principais vantagens da conservação do solo são:

–– evitar e controlar a degradação do solo, reduzindo os riscos de deser-


tificação;
–– aumentar a produção;
–– manter níveis de fertilidade naturais mais elevados;

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–– reduzir o consumo de fertilizantes e corretivos, possibilitando a pro-
dução econômica com menos custos;
–– conservar os recursos naturais (flora e fauna) em áreas impróprias à
agricultura;
–– concorrer para melhorar o nível de vida rural e, consequentemente, a
fixação do homem à terra, evitando o êxodo rural;
–– contribuir para melhor conservação das águas armazenadas;
–– evitar a poluição dos recursos hídricos;
–– concorrer para a melhor manutenção da umidade do solo, reduzindo
os danos causados pelas secas;
–– evitar o assoreamento de represas e obras hidráulicas;
–– proporcionar às gerações futuras condições de vida mais condigna e
agradável.

Capacidade de uso do solo


A capacidade de uso do solo estaria relacionada a sua adaptação para usos
diversos sem que o mesmo seja degradado pelos fatores de desgaste e em-
pobrecimento, tais como: cultivos anuais e/ou perenes, pastagem, reflores-
tamento e vida silvestre.

A determinação da capacidade de uso da terra é uma importante ferramen-


ta no seu planejamento e uso, pois sistematiza diversos dados apresentando-
os de forma visível. Dessa forma, pode-se determinar a capacidade de uso
do solo através de um sistema de capacidade de uso que é um agrupamento
interpretativo ou classificação técnico-interpretativa, originalmente desen-
volvida nos Estados Unidos. Esse sistema representa um grupamento qua-
litativo dos tipos de solos sem considerar a localização ou as características
econômicas da terra. Diversas características e propriedades são sintetizadas
visando à obtenção de classes homogêneas de terras, com o propósito de
definir sua máxima capacidade de uso sem risco de degradação do solo,
especialmente no que diz respeito à erosão acelerada (LEPSCH et al., 1991).

As terras são classificadas no Sistema de Capacidade de Uso através do con-


fronto entre as classes de declive e as unidades pedológicas. Essa classifica-
ção estabelece classes homogêneas de terras baseadas no grau de limitação
e subclasses, com base na natureza da limitação do uso.

Na caracterização das classes de Capacidade de Uso, leva-se em considera-


ção a maior ou menor complexidade das práticas conservacionistas, quais
sejam: as de controle de erosão e as de melhoramento do solo (calagens,
adubação, etc.). As subclasses explicitam melhor as práticas de conservação

Pedologia e Edafologia 87 UAB


e/ou de melhoramento. Por esse sistema são definidas Classes e Subclasses
homogêneas de terra formadas por classes de solo que necessitam de uma
atenção em especial no manejo das atividades propostas. E no que se refere
às limitações de uso das terras, estas são de três naturezas: limitações pela
erosão e/ou risco de erosão, limitações relativas ao solo relacionadas ao po-
tencial nutricional e, limitações relativas à má drenagem do solo. Dentro de
cada classe de Capacidade de Uso, os solos que apresentam limitações de
natureza diferentes são enquadrados em subclasses diferentes.

Dessa forma, o sistema de capacidade de uso de solo está estruturado em


hierarquias e possui 3 grupos, 8 classe, 4 subclasses e 6 unidades de capaci-
dade de uso, que serão descritas a seguir.

• Grupos de capacidade de uso A, B e C: são estabelecidos de acordo com


a intensidade de uso. Ou seja:

Grupo A: Terras próprias para lavouras anuais ou perenes e/ou refloresta-


mento e vida silvestre;

Grupo B: Terras impróprias para lavouras, mas apropriadas ao pastoreio e/


ou reflorestamento e vida silvestre;

Grupo C: Terras impróprias para lavoura, pastoreio e silvicultura, porém


apropriadas para proteção da fauna, da flora, recreação ou armazena-
mento de água

• Classes de capacidade de uso de I a VIII: baseadas no grau de limitação


ao uso

–– No Grupo A
Classe I : Sem práticas especiais;

Classe II: Com práticas simples;

Classe III: Com práticas intensivas;

Classe IV: Com uso limitado e práticas intensivas.

–– No Grupo B
Classe V: Sem restrições ou práticas especiais;

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Classe VI: Com restrições moderadas;

Classe VII: Com severas restrições de uso.

–– No Grupo C
Classe VIII: Terra extremamente acidentada, arenosa, úmida ou árida.

• Subclasses de capacidade de uso e, s, a, c: baseadas na natureza da limi-


tação ao uso:

e: Limitações pela erosão presente e/ou risco de erosão;

s: Limitações relativas ao solo;

a (w): limitações por excesso de água;

c: limitações climáticas.

• Unidades de capacidade de uso

IIIs-1:Limitação por problemas de profundidade;

IIIs-2:Limitações por pedregosidade;

IIIs-3:Limitação por salinidade;

IIIe-1:Limitação por declividade;

IIIe-2:Limitação por erosão laminar;

IIIe-3:Limitação por erosão em sulcos.

Vale salientar que, com respeito à avaliação de terras para desenvolvimento


agrícola, existem inúmeros sistemas de classificação, em que diversas moda-
lidades de interpretação podem ser realizadas em função do seu objetivo.
Assim sendo, o uso mais conveniente que se deve dar ao solo depende da
localização, do tamanho da propriedade, da quantidade da terra para outros
fins, da disponibilidade e localização de água, da habilidade do proprietário
e dos recursos disponíveis.

Pedologia e Edafologia 89 UAB


Porém, um fator adverso para a capacidade de uso do solo é a erosão que
ocasiona problemas de natureza física, química, biológica, econômica e so-
cial.

Os problemas de natureza física destroem a estrutura do solo, dificultando a


movimentação do complexo ar-água-nutrientes e prejudicando o crescimen-
to de raízes e vida do solo. Os problemas de natureza química provocam a
perda da fertilidade natural, a diminuição do teor de matéria orgânica e a
falta de nutrientes. Os de natureza biológica resultam em alteração da vida
do solo, má formação das raízes e poluição da água, prejudicando os seres
aquáticos. Os de natureza econômica provocam a perda do solo, arrastando
o calcário, adubo e sementes, aumentando o custo de produção e diminuin-
do os rendimentos do produtor. Já os de natureza social são decisivos no
favorecimento do êxodo rural, uma vez que as terras improdutivas impulsio-
nam o agricultor a abandoná-las e buscar alternativas de sobrevivências na
cidade.

Planejamento Conservacionista
A solução dos problemas decorrentes da erosão não depende da ação iso-
lada de um agricultor apenas, até porque a erosão produz efeitos negativos
para as áreas rurais e para as comunidades urbanas. Dessa forma, um plano
de uso, manejo e conservação do solo deve contar com o envolvimento
efetivo do produtor, do técnico, dos dirigentes e da comunidade em geral.

Dentre os princípios fundamentais do planejamento de uso das terras, des-


taca-se a busca de um maior aproveitamento das águas das chuvas. Isso
evita perdas excessivas por escoamento superficial e cria condições para que
a água pluvial se infiltre no solo, garantindo, dessa forma, o suprimento de
água para as culturas, criações e comunidades, além de prevenir a erosão,
evitar inundações e o assoreamento dos cursos de água. Para tal efeito, a
cobertura vegetal adequada assume importância fundamental para a dimi-
nuição do impacto das gotas de chuva, uma vez que promove a redução da
velocidade das águas que escorrem sobre o terreno e possibilita maior infil-
tração de água e diminuição do carreamento das partículas do solo.

Contudo, pode-se verificar que existem diversas práticas ou métodos para


um planejamento de uso conservacionista do solo, tais como os de caráter
vegetativo, edáfico e mecânico.

UAB 90 Licenciatura em Geografia


Dentre as práticas vegetativas, pode-se citar: florestamento e refloresta-
mento, uso de cobertura morta, rotação de culturas, formação e manejo de
pastagens, cultivo em faixas, manutenção da faixa de bordadura, formação
de quebra vento e bosque sombreador, dentre outras.

As práticas edáficas consistem no cultivo de acordo com a capacidade de


uso da terra, controle do fogo, uso de adubação verde e orgânica, calagem.

Já as práticas mecânicas consistem em preparo do solo e plantio em curva


de nível, distribuição adequada dos caminhos, formação de sulcos e cama-
lhões em pastagens, enleiramento em contorno, terraceamento, subsola-
gem, irrigação e drenagem.

Vale ressaltar que a escolha dos métodos ou práticas conservacionistas para


prevenção da erosão é feita em função dos aspectos ambientais e sócio-
econômicos de cada propriedade e região. Ou seja, cada método ou prática
aplicada isoladamente, previne apenas de maneira parcial o problema. Para
uma prevenção eficiente e adequada da erosão, torna-se necessário o uso
combinado e simultâneo de um conjunto de práticas (Figuras 1 e 2).

Figura 1: Práticas conservacionistas combinadas (Fonte: http://www.itambe.com/


cmi/pagina.aspx?2469, acesso em 27/04/2011).

1. Terreno com exploração florestal. 2. Terreno cultivado em curva de nível


e outras práticas conservacionistas. 3. Rios e açudes livres de assoreamento.
4. Culturas com práticas conservacionistas. 5. Desenvolvimento de comuni-
dades agrícolas. 6. Áreas de pastagens protegidas contra a erosão. 7. Áreas
de pastagens protegidas. 8. Inundações controladas e áreas agrícolas rea-
proveitadas

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Figura 2: Aspecto de um terreno com diversas práticas de manejo e conservação
do solo (Fonte: http://www.ceplac.gov.br/radar/conservacaosolo.htm. Acesso em
27/04/2011).

Resumo
O solo é um dos mais importantes recursos naturais da terra, uma vez que
é essencial ao homem, seja para produção de alimentos ou como base para
construção de moradias. Mas, é um recurso natural exaurível renovável e
por isso deve ser conservado de forma adequada para garantir o seu uso às
gerações futuras. Desse modo, a ciência da conservação do solo propõe um
conjunto de medidas a fim de garantir a manutenção ou recuperação das
condições físicas, químicas e biológicas do solo, estabelecendo critérios para
o uso e manejo das terras, de forma a não comprometer sua capacidade
produtiva. Nesse sentido, foi desenvolvido um Sistema de Capacidade
de Uso do Solo que estabelece classes homogêneas de terras baseadas no
grau de limitação e subclasses, com base na natureza da limitação do uso.
Esse Sistema, por sua vez, está estruturado em hierarquias e possui 3 grupos,
8 classe, 4 subclasses e 6 unidades de capacidade de uso. Porém, um fator
adverso para a capacidade de uso do solo é a erosão que ocasiona proble-
mas de natureza física, química, biológica, econômica e social.

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Para solucionar os problemas decorrentes da erosão, diversas práticas de ma-
nejo e conservação do solo devem ser associadas e utilizadas em uma deter-
minada área, a fim de garantir a produtividade e sustentabilidade local. Tais
práticas são de caráter vegetativo, edáfico e mecânico e devem ser escolhidas
em função dos aspectos ambientais e sócio-econômicos de cada propriedade
e região.

Atividades
Você acha que é possível manejar e conservar o solo ao mesmo tem-
po? Explique.

Sim, porque existe uma relação direta entre manejo e conservação do solo.
Com o manejo adequado do solo, pode-se aumentar a sua capacidade produ-
tiva por conservar a fertilidade e a umidade, além de se evitar o uso excessivo
de insumos agrícolas e a ocorrência de erosão.

Por que é importante determinar a capacidade de uso do solo?

Para usar adequadamente o solo com fins diversos sem que o mesmo seja
degradado. A determinação da capacidade define um melhor planejamento
de uso do solo considerando os aspectos ambientais e sócio-econômicos de
cada propriedade e região.

Quais as práticas que podem ser utilizadas para o planejamento ade-


quado de uso do solo. Cite um exemplo para cada uma dessas práticas.

Práticas vegetativas, como florestamento e reflorestamento; práticas edáficas


como o uso de adubação verde e orgânica e práticas mecânicas como o plan-
tio em curva de nível.

Referências
FERNANDES, A.; LIMA, H. V. Manejo e conservação do solo e da água e levantamento e
conservação do solo: Módulo introdução ao estudo da conservação do solo. Belém:
Universidade Federal Rural da Amazônia / Instituto de Ciências Agrárias, 2009.
LEPSCH, I. F.; JR BELLINAZZI, R.; ESPINDOLA, C.R. Manual para levantamento utilitário do
meio físico e classificação de terras no sistema de capacidade de uso.
Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. 4a aprox. Campinas, 1991. 175p.

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HERNANDE, F. B. T. (Coord.) Projeto piloto de conservação dos recursos do solo e água e
irrigação coletiva nas microbacias hidrográficas dos córregos sucuri, bacuri e macumã no
município de Palmeira d’Oeste - estado de São Paulo. Convênio: Governo Federal /
Universidade Estadual Paulista, São Paulo: UNESP, 2000.

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